MANOEL HENRIQUE PEREIRA SANTOS
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1
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
MESTRADO EM ENERGIA DA BIOMASSA
MANOEL HENRIQUE PEREIRA SANTOS
IMPLANTAÇÃO DE FLORESTAS ENERGÉTICAS EM ALAGOAS: DESAFIOS,
IMPLICAÇÕES SOCIOECONÔMICAS E AMBIENTAIS
RIO LARGO/AL
2016
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MANOEL HENRIQUE PEREIRA SANTOS
IMPLANTAÇÃO DE FLORESTAS ENERGÉTICAS EM ALAGOAS: DESAFIOS,
IMPLICAÇÕES SOCIOECONÔMICAS E AMBIENTAIS
Dissertação de Mestrado apresentado ao
Programa de Pós-graduação em Energia da
Biomassa, da Universidade Federal de Alagoas,
como requisito para obtenção do título de Mestre
em Energia da Biomassa.
Orientador: Profº Drº Guilherme Bastos Lyra.
Co-Orientadora: Prof DRª Vera Dubeux Torres
RIO LARGO/AL
2016
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5
Dedico este trabalho a todos aqueles que contribuíram para a sua
realização, em especial, à minha esposa Kessiane e ao meu filho
Afonso Henrique.
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AGRADECIMENTOS
A Deus, o Todo-poderoso, que me permitiu concluir um sonho em meio a grandes
lutas, dificuldades e limitações,
À minha esposa Kessiane por seu apoio incondicional, por acreditar em mim, por me
ajudar como se fosse uma orientadora, pelo seu carinho e amor dispensado em todos os
momentos,
Ao meu filho Afonso Henrique que por muitas vezes dormiu esperando para brincar
enquanto escrevia meu trabalho,
Aos meus pais pelo empenho durante toda a vida por me oferecer educação e
condições de estudar em boas escolas e realizar um sonho que era meu e também deles,
À minha sogra que cuidou de meu filho todas as vezes que precisávamos ir às aulas,
obrigado!!!,
Aos meus orientadores, Prof. Dr. Guilherme Bastos Lyra e Prof. Msc. Vera Dubeux
Torres que acreditaram nessa proposta e ajudaram de maneira ímpar na construção do mesmo,
Aos amigos e colegas de trabalho do IFAL, em especial a Selma Thaís Bruno, pelo
incentivo a alcançar este objetivo,
À minha cunhada pelas dicas e apoio durante este período no CECA,
Aos colegas de curso, que sofreram e compartilharam as mesmas angústias que eu, em
especial ao amigo Augusto César Lúcio que ajudou neste trabalho.
Aos irmãos em Cristo que oraram e ajudaram com paciência e compreensão nas
nossas ausências.
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Feliz é o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire entendimento.
Provérbios 3:13.
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RESUMO
O estado de Alagoas tem no setor sucroenergético a principal atividade econômica e utiliza o
método das queimadas para pré-colheita e transporte da cana devido as grandes extensões de
encosta onde o plantio se estende e em que a colheita mecanizada é impossibilitada, graças à
declividade acima de 12%, assim na urgência de adequação à nova legislação, fica evidente a
necessidade de uma nova atividade para as áreas que ficarão ociosas. Diante disso, a lei
estadual nº 7.454, publicada no diário oficial do estado de Alagoas, em 19 de março de 2013,
prevê a redução das queimadas nos plantios de cana-de-açúcar. O gênero Eucalyptus, espécie
arbórea pertencente à família das Mirtáceas e endêmicas, principalmente, da Austrália com
cerca de 700 espécies se constituem em uma alternativa em potencial para a ocupação das
futuras áreas ociosas em encostas no Estado de Alagoas em razão de seus altos índices de
produtividade e características energéticas, como a densidade da madeira e poder calorífico. A
introdução de florestas plantadas de eucalipto em Alagoas pode ajudar a responder questões
como o desenvolvimento local e regional a partir de uma cadeia produtiva ampla de
mercadorias derivadas do plantio de eucalipto para os mais diversos fins, em especial, a
demanda para indústria de MDF, que prevê investimentos para o estado de Alagoas na ordem
de R$ 72 milhões e atender as exigências ambientais sobre sustentabilidade previstas na
legislação estadual sobre a redução do uso de queimadas para o corte e transporte da cana-deaçúcar. O presente trabalho visa analisar as principais condicionantes socioeconômicas e
ambientais a partir da implantação de florestas energéticas do gênero Eucalyptus no estado de
Alagoas, a fim de apresentar sua potencialidade e produtividade e custos estimados para a
introdução da eucaliptocultura.
Palavras-chave: Floresta Energética. Eucalipto.
socioeconômicos. Encosta. Sustentabilidade.
Floresta
Plantada
–
Aspectos
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ABSTRACT
The state of Alagoas has, in the sugar-energy industry, the main economic activity and uses
the method of burnings for pre-harvest and sugarcane transportation due to the large slope
extensions where planting extends and where mechanized harvesting is prevented, because of
the slope above 12%, thus, the urgency of adaptation to the new legislation, it is evident the
need for a new activity to the areas that will be idle. Based on that, the State Law No. 7,454,
published in the official gazette of the state of Alagoas, on March 19th, 2013, foresees the
reduction of burnings in sugarcane plantations. The genus Eucalyptus, tree species belonging
to the Myrtaceae Family, in endemic regions in Australia, with about 700 species, constitute a
potential alternative to the occupation of future unused areas on slopes located in Alagoas,
because of their high rates of productivity and energetic characteristics, such as wood density
and calorific value. The introduction of eucalyptus planted forests in Alagoas can help answer
questions about local and regional development from a broad production operations of goods
derived from eucalyptus plantations for various purposes, especially the demand for MDF
wood industry, which foresees investments of R$ 72 million for the state of Alagoas and meet
the environmental requirements of sustainability set out in state law on reducing the use of
fire during cutting and transporting cane sugar. This study aims to analyze the main socioeconomic and environmental conditions through the implementation of Eucalyptus energetic
forests in Alagoas, in order to present its potential and productivity and estimated costs for the
introduction of eucalypts farming.
Keywords: Energy Forest. Eucalyptus. Planted forest - socioeconomic aspects. Slope.
Sustainability.
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LISTAS DE FIGURAS
Figura 1 - Distribuição da área de plantios florestais no Brasil por gênero e área de plantios florestais de
Eucalyptus e Pinus no Brasil, 2011-2012 .........................................................................................................18
Figura 2 - Distribuição da área de plantios florestais com Pinus e Eucalyptus no Brasil, 2012. .........................19
Figura 3 - Planta Industrial de uma termoelétrica movida à biomassa de Eucalipto ...........................................25
Figura 4 - Análise comparativa mundial do custo de produção de madeira de processo - 2000..........................27
Figura 5 - Análise comparativa mundial do custo de produção de madeira de processo – 2012 .........................28
Figura 6 - Distribuição proporcional do consumo de madeira oriunda de florestas plantadas e do destino da
produção – 2012 ..............................................................................................................................................30
Figura 7 - Comparação da produtividade florestal de coníferas e de folhosas no Brasil¹ com países selecionados,
2012 ................................................................................................................................................................31
Figura 8 - Evolução da balança comercial de produtos de florestas plantadas no Brasil, 2002-2012 ..................31
Figura 9 - Perspectiva de investimentos das empresas associadas individuais da ABRAF no período 2013-2017,
por área. ..........................................................................................................................................................32
Figura 10 - Matriz energética de Alagoas ........................................................................................................38
Figura 11 - Área canavieira do Estado de Alagoas ...........................................................................................41
Figura 12 - Áreas de experimentos – Projeto FIEA ..........................................................................................44
Figura 13 - Áreas de maior receptividade: Projeto FIEA ..................................................................................45
Figura 14 - Custos por hectare para implantação e manutenção de povoamentos de Eucalyptus grandis no Rio
Grande do Sul, para um espaçamento inicial de 3,0 x 2,0m ...............................................................................52
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LISTAS DE QUADROS
Quadro 1 - Usos e espécies mais recomendadas de Eucalipto...........................................................................17
Quadro 2 - Características de algumas espécies de eucalipto a idade de 10,5 anos, plantados em espaçamento de
3,0 x 2,0 m ......................................................................................................................................................26
Quadro 3 - Silvicultura - Quantidade produzida e valor da produção, por tipo, segundo Estado e municípios de
Alagoas - 2012 ................................................................................................................................................37
Quadro 4 - Produção e Consumo de Eletricidade – Valores em GWh ...............................................................39
Quadro 5 - Ranking dos dez maiores estados produtores de biomassa ..............................................................40
Quadro 6 - Redução do uso de queimadas como método despalhador e facilitador do corte de cana-de-açúcar no
Estado de São Paulo no prazo de 20 anos – Área Mecanizável ..........................................................................43
Quadro 7 - Redução do uso de queimadas como método despalhador e facilitador do corte de cana-de-açúcar no
Estado de São Paulo no prazo de 20 anos – Área Não Mecanizável ..................................................................43
Quadro 8 - Relação dos trabalhos usados na elaboração da revisão sistemática.................................................48
Quadro 9 - Custos de produção de cana-de-açúcar de usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul
Expansão e Nordeste para o fechamento da safra 2013/2014.............................................................................50
Quadro 10 - Custos - Colheita Mecanizada Usina Caeté – Safra 2013/2014 .....................................................51
Quadro 11: Setor Sucroenergético de Alagoas: Evolução da Receita Bruta Estimada (Julho/2014) ....................55
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SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 13
2 REVISÃO DE LITERATURA ......................................................................................... 15
2.1 A Importância do Eucalipto como Biomassa Florestal .................................................. 15
2.2 Eficiência Energética .................................................................................................... 23
2.3 Questões Econômicas Ligadas Ao Eucalipto ................................................................. 27
2.4 Questões Ambientais Ligadas Ao Eucalipto .................................................................. 32
2.5 Desafios E Implicações Da Eucaliptocultura Em Alagoas ............................................. 35
3 MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................................... 47
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ..................................................................................... 53
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................ 53
REFERÊNCIAS .................................................................................................................. 59
13
1 INTRODUÇÃO
O desenvolvimento da humanidade fez surgirem necessidades energéticas cada vez
maiores, isso gerou uma constante evolução das fontes de energia e sua integração com as
preocupações ambientais e socioeconômicas. As primeiras necessidades do homem com
alimentação, iluminação noturna e aquecimento levaram a descoberta e apropriação do fogo e
ao desenvolvimento da agricultura e pecuária (FARIAS e SELLITO, 2011).
A diversificação do trabalho, que tinha como objetivo a otimização das tarefas e
aumento do nível de conforto demandou novas formas de uso da energia, que foram sendo
descobertas e aprimoradas, culminando, inicialmente, na Revolução Industrial, permitindo o
desenvolvimento da máquina a vapor utilizando combustível fóssil na queima direta, o carvão
mineral, considerado o primeiro usado em larga escala (FARIAS e SELLITO, 2011).
Em meados do século XIX, a descoberta do petróleo e da eletricidade ampliou a oferta
de energia para os mais diversos fins. No entanto, outras questões surgiram como
determinantes para a garantia do desenvolvimento socioeconômico e ambiental sustentável,
entre as quais, uma corrida cada vez maior pelo domínio de tecnologias, fontes de recursos
naturais, interesses comerciais e as preocupações com o meio ambiente na composição das
matrizes energéticas dos países.
Para atender aos anseios e conquistas da sociedade capitalista, a demanda atual de
energia esbarra no paradigma da oferta de fontes já existentes e utilizadas em larga escala como o caso dos combustíveis fósseis, mas que apresentam limitações do ponto de vista da
disponibilidade em âmbito global, dos impactos ambientais a elas relacionados e o alto custo
e, ao mesmo tempo, da necessidade iminente de fontes menos poluentes e mais acessíveis,
que consigam gerar energia suficiente para suprir as exigências do mundo contemporâneo em
seus diversos setores econômicos.
A crise do petróleo em 1973, que levou a uma subida desenfreada dos preços do barril
e a incerteza sobre sua exploração e oferta internacionais, reforçaram ainda mais a busca por
fontes alternativas de energia que reduzissem a dependência do “ouro negro” e possibilitasse
aos países que não possuem reservas do combustível fóssil a geração de energia por novas
fontes.
No Brasil, o governo federal criou o Programa Nacional do Álcool (PROÁLCOOL),
em 1975, a fim de reduzir os efeitos da crise do petróleo. O programa fixou metas de
produção e paridades de preço entre o etanol e o açúcar, incentivando a oferta do produto.
Anos depois, em 1979, um novo aumento de preços do petróleo no mercado internacional
14
levou a ampliação do PROÁLCOOL, com o estabelecimento de estímulos para o uso de
etanol hidratado em motores adaptados ou especialmente fabricados para tal, o que levou ao
desenvolvimento de tecnologia nacional de motores movidos a álcool. Como consequência, a
produção de etanol elevou-se de 0,6 bilhão de litros em 1975 para quase 12 bilhões de litros
em 1985 (MILANEZ e NIKO, 2012).
Graças aos incentivos criados pelo governo brasileiro, o etanol ganhou destaque
nacional e internacional em razão de sua alta produtividade e competitividade em comparação
ao etanol norte-americano produzido a partir do milho, além de ser considerado um gênero
alimentício, o milho gera concorrência por áreas de plantio e influencia os preços dos
alimentos.
Contudo, parte do processo de transformação da cana-de-açúcar em etanol consiste na
queimada da plantação a fim de facilitar o corte do vegetal e seu transporte até as usinas,
gerando a emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE’s). O setor canavieiro teve que enfrentar
algumas mudanças para se adequar a nova realidade ambiental e produtiva. A redução das
queimadas como método despalhador e a mecanização para ganhos competitivos e
cumprimento gradual da legislação ambiental foi um dos maiores impactos. Vale ressaltar
que, foi limitada a área para mecanização, pois ela só pode ser realizada em terrenos com
declividade de até 12%, o que inviabiliza o plantio nas áreas de encostas nas regiões
produtoras de cana-de-açúcar.
Uma alternativa para a reocupação das áreas que potencialmente ficarão ociosas é a
introdução do gênero Eucalyptus que chegou ao Brasil no início do século XIX, com registros
de que as primeiras árvores teriam sido plantadas em 1825, no Jardim Botânico do Rio de
Janeiro. Nesta primeira evidência, o eucalipto teria sido plantado com a finalidade de
ornamentação ou para servir de quebra-ventos, pelo seu extraordinário desenvolvimento. A
introdução do eucalipto em escala econômica no Brasil teve início com o trabalho do
agrônomo silvicultor Edmundo Navarro de Andrade, depois de estudar várias espécies nativas
- como peroba, cabreúva, jequitibá, jacarandá-paulista, pinheiro-do-paraná e cedro - e outras
exóticas, como Eucalyptus globulus, implantado com sementes trazidas de Portugal. Em seu
estudo, desenvolvido entre 1904 e 1909 no Horto de Jundiaí-SP, o eucalipto se destacou de tal
forma que a então Companhia Paulista de Estradas de Ferro, hoje Ferrovia Paulista S.A. FEPASA, optou pelas espécies desse gênero para produzir lenha para suas locomotivas
(PEREIRA, 2000).
As características do eucalipto como a densidade da madeira e seu poder calorífico o
tornam atraente no que diz respeito à produção de energia limpa e renovável, além disso, o
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uso da madeira pode ser aproveitado para mais diversos fins, entre eles, construção civil,
papel e celulose, óleos essenciais e outros.
Desta forma, pretende-se mostrar neste trabalho a viabilidade socioeconômica e
ambiental do plantio do gênero Eucalyptus em Alagoas para reflorestar as áreas ociosas
ocupadas anteriormente pela cultura da cana-de-açúcar e contribuir com a geração de
emprego, renda e energia.
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 CADEIA PRODUTIVA DE FLORESTAS
Segundo dados da Agência Internacional de Energia – (IEA 2007), 82% da matriz
energética mundial está baseada nos combustíveis fósseis, sendo 34% do petróleo, 27% do
carvão mineral e 21% de gás natural, outras fontes de energia como a biomassa responde por
apenas 10% do total, o restante é dividido entre a energia nuclear com 6% e a energia
hidráulica com 2% (FILHO, 2009). Os dados mostram ainda que houve um aumento da oferta
de energia no período de 1980 – 2007, que passou de 7.183 milhões de tep (tonelada
equivalente de petróleo) para 12.029 milhões de tep. No entanto, o que se percebe é a
continuidade da dependência do petróleo e seus derivados no que se refere à geração de
energia, muito embora a participação dele tenha diminuído em escala global.
Outra questão importante sobre a geração e produção de energia são as negociações
sobre o clima, que culminaram em 2015 na COP 21 em Paris. Já há sinais claros de que uma
transição de energia está em andamento: em 2014, as energias renováveis já contribuíam com
quase metade da energia gerada no mundo, sendo a segunda maior fonte de eletricidade
depois do carvão (IEA, 2015).
As ações decisórias são essenciais para que as tendências de mudança na geração de
energia se concretizem e garantam a produção em larga escala acompanhadas de inovações
tecnológicas que permitam uma melhor eficiência energética a partir do interesse dos mais
diversos atores, quer sejam indústrias, políticos ou outras partes interessadas (IEA, 2014).
A maior eficiência energética requer políticas e preços adequados no comércio
internacional, visto que a mesma se tornou um ponto crucial para avaliar a pressão sobre o
abastecimento de energia. Os subsídios aos combustíveis fósseis somaram mais de 55 bilhões
de dólares em 2013, quatro vezes mais sobre os subsídios às energias renováveis, que
atingiram 12 bilhões de dólares em 2013 (IEA, 2014).
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Diante desse quadro, várias possibilidades para a geração de energia estão sendo
usadas e muitas ainda estudadas e adaptadas às questões locais, visto que na maioria das
vezes, as soluções propostas para algumas regiões restringem-se a outras por condições
edafoclimáticas e de acesso ou formação de cunho técnico-científico.
Uma das possibilidades é a produção de material energético a partir da biomassa
vegetal, uma das alternativas para diminuir a dependência do petróleo em virtude de sua
queima desenfreada e contribuindo na fixação do CO2 (dióxido de carbono) por meio de
processo fotossintético feito pela implantação de florestas para fins energéticos.
Soares et al (2006) afirma que a biomassa florestal possui características que permitem
sua utilização como fonte alternativa de energia pela queima direta da madeira, pela
transformação em combustíveis como o carvão vegetal ou o gás de madeira e pelo
aproveitamento de resíduos da exploração e do processamento industrial.
Para Vidal e Hora (2011) até o século XX, a biomassa de madeira era a principal fonte
de energia para a humanidade, ao passo que o petróleo tornou-se acessível em larga escala.
Em meados do século XIX, antes da emergência da Segunda Revolução Industrial, a biomassa
(especialmente a de madeira) supriu mais de 90% da energia e do combustível dos Estados
Unidos. Em muitos países pobres, a biomassa de madeira continua sendo a principal fonte de
aquecimento e cocção, fato que revela ao mesmo tempo, forte correlação negativa no grau de
desenvolvimento.
O uso tradicional da biomassa é de longe a mais importante fonte de energia renovável
utilizada para o calor e é responsável por 90% (32 EJ) do total de energia para aquecimento
no setor da construção em 2011. A utilização da biomassa em lareiras ou fogões simples a
eficiência de combustão muito baixa (10% a 20% da energia primária convertida em calor
útil), fornece energia para cozimento em muitas famílias pobres nos países em
desenvolvimento (IEA, 2014).
Nesse sentido, o gênero Eucalyptus se constitui em uma excelente alternativa para a
implantação de florestas com fins energéticos devido a seus altos índices de produtividade e
características energéticas, como a densidade da madeira e poder calorífico (CORTEZ, 2011).
O eucalipto é uma espécie arbórea pertencente à família das Mirtáceas e endêmicas,
principalmente, da Austrália. Existe cerca de 700 espécies conhecidas apropriadas para cada
finalidade da madeira, conforme Quadro 1.
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Quadro 1 - Usos e espécies mais recomendadas de Eucalipto
USOS
ESPÉCIES MAIS RECOMENDADAS
Eucalipthus. grandis, E. globulus, E. urophylla e
híbridos “urograndis” (E. urophyilla X E grandis)
E. grandis, E. urophylla, híbridos “urograndis”
Papel e celulose
Chapas de fibras
Móveis
Postes, dormentes, mourões
Energia (carvão lenha)
Estruturas construção civil
Óleos essenciais
E. saligna, E. urophyllas, E. grandis, E. dunnii,
Híbridos “urograndis”, E. pilularis.
C. citriodora, E. cloeziana, E. urophylla, E.
camaldulensis, E. paniculata
E. cleozina, E. camaldulensis, E. urophylla, E.
grandis, C. citriodora, E. tereticornis
C. citriodora, E. cloeziana, E. urophylla, E.
paniculata, E. pilularis
C. citriodora, E. staigeriana, E. camaldulensis, E.
globulus
Fonte: WILCKEN et al, 2008.
No Brasil, seu cultivo em escala econômica deu-se a partir de 1904, com o trabalho do
agrônomo silvicultor Edmundo Navarro de Andrade, para atender a demanda da Companhia
Paulista de Estradas de Ferro. Mais precisamente a partir de 1965, com a lei dos incentivos
fiscais ao reflorestamento que durou até 1988, sua área de plantio no Brasil aumentou de 500
mil para 3 milhões de hectares.(VALVERDE, 2008 ).
As primeiras espécies bem sucedidas foram Eucalyptus saligna, Eucalyptus
botryoides, Eucalyptus viminalis, Eucalyptus tereticornis, Eucalyptus robusta, Eucalyptus
alba, Eucalyptus grandis, Eucalyptus paniculata, Eucalyptus camaldulensis, Eucalyptus
pilularis, Eucalyptus propinqua, Eucalyptus microcoris, Eucalyptus triantha e Eucalyptus
punctata, dentre outras (FOELKEL, 2005).
De 1909 a 1966, quando foi sancionada a Lei 5.106, dos incentivos fiscais ao
reflorestamento, tinham sido plantados cerca de 470.000 hectares de florestas de eucalipto em
todo o Brasil, sendo que aproximadamente 80% dessa área, localizava-se no Estado de São
Paulo (ABRAF, 2004).
Segundo Foelkel (2005), em 1966, o governo brasileiro abdicou de parte do imposto
de renda de cidadãos e empresas, com a instalação do Programa de Incentivos Fiscais ao
Reflorestamento (PIFR), que existiu até 1987, o que resultou na expansão das florestas
plantadas no Brasil em mais de 5 milhões de hectares. O sucesso do programa foi grande,
mesmo a inúmeras críticas, este levou a intensificação das plantações e favoreceu a pesquisa,
o ensino, a inovação e o desenvolvimento. Os motores que fomentaram o setor florestal foram
sem dúvida o PIFR e o II Programa Nacional de Desenvolvimento (PND) do governo federal
militar. O PND privilegiava o desenvolvimento da siderurgia e da fabricação de celulose e
18
papel, tanto para suprimento interno, como para gerar excedentes significativos para
exportação. Com o lançamento em 1974, do audacioso e ambicioso Programa Nacional de
Papel e Celulose (PNPC), que apoiava com recursos do Banco Nacional do Desenvolvimento
Econômico o crescimento da indústria siderúrgica que escolheu o eucalipto como matériaprima.
Em 2012, a área brasileira de plantio de eucalipto e pinus somavam 66 milhões de
hectares, 76,6% representada pelo gênero Eucalyptus. No Brasil, as principais espécies
plantadas são o Eucalyptus grandis, Eucalyptus saligna, Eucalyptus urophylla, Eucalyptus
viminalis, híbridos de Eucalyptus grandis X Eucalyptus urophylla, Eucalyptus citriodora,
Eucalyptus camaldulensis, e outros (CIFLORESTAS). Entre os estados com maior
concentração no plantio de florestas estão Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina,
Bahia e Mato Grosso do Sul (ABRAF, 2013).
A maior concentração de florestas plantadas nas Regiões Sul e Sudeste do país
(72,3%) se explica em face da localização das principais unidades industriais dos segmentos
de Celulose e Papel, Painéis de Madeira Industrializada, Siderurgia a Carvão Vegetal e
Madeira Mecanicamente Processada (ABRAF, 2013). (Figura 1 e Figura 2).
Figura 1 - Distribuição da área de plantios florestais no Brasil por gênero e área de plantios florestais de
Eucalyptus e Pinus no Brasil, 2011-2012
Fonte: ABRAF, 2013
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Figura 2 - Distribuição da área de plantios florestais com Pinus e Eucalyptus no Brasil, 2012.
Fonte: Anuário ABRAF (2012), Associadas Individuais e Coletivas da ABRAF (2012) e Poyry Silviconsult
(2013).
Para Marangon (2015) o setor florestal tem importância significativa para a sociedade
brasileira, contribuindo em termos econômicos, sociais e ambientais podendo ser mensurada
pela avaliação de seus principais indicadores: a área de florestas plantadas, o valor bruto da
produção, a geração de impostos, o valor das exportações, empregos gerados e mantidos pelo
setor em geral, e os investimentos na área de responsabilidade social e ambiental.
O Brasil possui potencial para se consolidar como uma das maiores economias do
mundo, entretanto, para que isso ocorra se faz necessário que sejam proporcionadas condições
para a indústria nacional manter-se competitiva e diversificada. Especificamente, em relação
ao setor florestal, o país precisa aproveitar de maneira eficaz seu potencial, eliminando os
principais obstáculos que atrapalham o avanço e desenvolvimento setorial, tais como citados
por ABRAF (2013):
• Insegurança Jurídica: A restrição à compra de terras por estrangeiros e a ausência de uma
regulamentação sólida sobre o tema inviabilizou a entrada de mais de R$ 22 bilhões de
capitais estrangeiros com foco produtivo na indústria brasileira de base florestal.
• Licenciamento Ambiental Burocrático: No Brasil, o prazo médio para obtenção de uma
licença ambiental para a realização de um empreendimento industrial de base florestal é de
122 dias. Na China, por exemplo, esse prazo não ultrapassa 30 dias. Na política atual, são
tantos os atores e mecanismos de restrição ao desenvolvimento da atividade, que se perdeu o
sentido de qual é, ou deveria ser, o objetivo de uma política setorial.
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• Tributação Complexa e Excessiva: As empresas brasileiras gastam um terço do ano para
lidar com impostos. Atualmente, existem 88 tributos federais, estaduais e municipais. Além
disso, as regras tributárias mudam constantemente: 46 normas são publicadas diariamente
pela receita federal.
• Custo de Financiamento oneroso: o custo de empréstimos para formação de capital de giro
no Brasil é de aproximadamente 19% a.a. Na China, esse custo não chega a 4,0% a.a.
• Infraestrutura Deficitária e Precária: Nos países emergentes, a relação Investimento/PIB
é de aproximadamente 30%. No Brasil, esse indicador não supera os 20%. Nos Estados
Unidos, o custo logístico médio para transportar uma tonelada de celulose ao porto é de
aproximadamente US$ 20. No Brasil, o desembolso com esse componente pode chegar a US$
90.
• Legislação Trabalhista Excessivamente onerosa: os encargos trabalhistas no Brasil
representam em média 60% do salário base. Na China, esse indicador corresponde a 31%, nos
Estados Unidos, a 9%, e, na Dinamarca, a 6%.
Com o desenvolvimento da silvicultura no estado de Alagoas, uma grande quantidade
de resíduos agroflorestais se acumulará o que representa uma perda significativa do potencial
energético. No processo de produção da madeira em celulose, um número considerável de
resíduos é gerado (cascas, galhos e ponteiros). As cascas representam cerca de 10% a 20% o
peso total da madeira coletada. Nas cascas estão presentes inúmeros compostos químicos,
como por exemplo, açúcares solúveis. Desta forma, entre as biomoléculas encontradas, os
carboidratos solúveis (glicose, frutose, sacarose e rafinose) tem um enorme potencial para a
geração de etanol de primeira geração (BRAGATTO, 2010).
A produção de etanol pode se tormar viável, pois os incrementos de massa que o
eucalipto possui, em média, 45 m3/ha/ano, gera milhões de toneladas de resíduos anulamente.
Levando em conta o final do ciclo da madeira em 7 anos, serão produzidos cerca de 15
toneladas por hectare de casca de eucalipto com grandes concentrações de açúcares solúveis
(BRAGATTO, 2010).
Nos últimos anos, o governo federal têm promovido ações direcionadas à
diversificação da matriz energética nacional, destaca-se projeto de lei 3.529/2012, que
instituiu a política nacional de geração de energia elétrica a partir da biomassa, estabelecendo
a obrigatoriedade da contratação da bioenergia no conjunto da geração elétrica nacional. Com
a sanção desta lei, a geração de energia elétrica a partir da biomassa será inevitável e a
participação das fontes renováveis será ainda maior.
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No artigo 2º, do Capítulo II DO INCENTIVO À PRODUÇÃO DE ENERGIA
ELÉTRICA A PARTIR DE BIOMASSA Seção I Da comercialização da bioeletricidade nos
leilões regulados:
...as concessionárias, permissionárias e autorizadas do serviço público de
distribuição de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional – SIN deverão, a
partir do ano de 2013, por um período de dez anos, contratar, anualmente, um
volume de oferta de energia elétrica, por ano de operação, equivalente não inferior a
2.000
(dois
mil)
megawatts
de
potência
instalada
de
bioeletricidade...
(http://www2.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=ED0E
61C5DAA9A56DF59B0C9870858F73.node2?codteor=990755&filename=EMC+1/
2012+CME+%3D%3E+PL+3529/2012)
O Brasil é um dos poucos países em que existem florestas energéticas em larga escala,
justificado pela excelente produtividade dessas florestas. Nos últimos anos, o setor florestal
experimentou um salto tecnológico surpreendente, resultando no aprimoramento de técnicas
de implantação, manejo e exploração. O Brasil passou a ter destaque no cenário internacional
como exportador de florestas plantadas, aproveitando a biomassa, em virtude de sua alta
produtividade em comparação a outras nações com relação à florestas de eucalipto (VIDAL e
HORA, 2011).
Uma vantagem do uso de florestas energéticas, em lugar de outra cultura, refere-se a
não obrigatoriedade de colher o produto anualmente. O corte pode ser extrapolado ou
adiantado evitando as volatilidades no preço da madeira. Outro diferencial é o múltiplo uso da
madeira (como serrarias, indústria de painéis de madeira e carvão vegetal), que permite ao
produtor, dentro da logística, vender o produto ao mercado mais rentável, maximizando sua
margem de lucro. Como desvantagem, destaca-se o grande ônus relativo ao frete no custo
total da madeira, o que leva a logística a situar a área de produção aos centros consumidores a
um raio médio máximo de 150 km das florestas. (VIDAL e HORA, 2011).
O tempo de corte do eucalipto varia de acordo com a finalidade da madeira. Para a
construção civil, o prazo vai dos dois ou três anos. Já, na lenha, carvão e madeira, os cortes
podem ocorrer após o quarto ano. Na utilização como matéria-prima para a fabricação de
móveis, o tempo de desenvolvimento é acima de dez anos, dependendo do manejo dado à
floresta. Por último, para a produção de celulose, o corte é realizado entre seis e oito anos.
(FILHO et al, 2014).
22
Segundo Filho et al (2014) o custo de produção do eucalipto está diretamente ligado à
tecnologia empregada, as características de fertilidade do solo e da necessidade de controle de
pragas, em geral, ao ataque de formigas, por exemplo.
De acordo com Motta et al (2010) comparando com a agricultura, a produção de
eucalipto apresenta o consumo hídrico parecido com o do café e inferior ao da cana-deaçúcar, tornando-se bastante atrativa e lucrativa. Deve-se levar em conta ainda, que toda
matéria produzida pelo eucalipto é aproveitada para outros fins, entre eles, o manejo de
extração de madeira nobre e para celulose, galhos para carvoarias, essências e etc.
Considerando as questões sobre a sustentabilidade, os benefícios da plantação de
eucaliptos em uma propriedade rural são vários, dentre eles, a redução da necessidade de
desmatamento das florestas naturais, colaborando em grande escala para minimizar o
aquecimento global. Outro ganho refere-se à implantação do sistema agrossilvipastoril,
combinação de árvores, cultura agrícola e animais numa mesma área ao mesmo tempo ou de
forma sequencial, com manejo de forma integrada, uma alternativa viável para o uso
consciente da terra. (MOTTA et al, 2010).
O plantio de árvores em pastagens pode resultar em vários benefícios para os
componentes do ecossistema: clima (com aumento do índice de evapotranspiração), solo
(oferta de nutrientes e diminuição dos efeitos erosivos como a lixiviação), micro-organismos
(diversidade de fungos e bactérias responsáveis pela decomposição), plantas forrageiras,
captura de CO2 da atmosfera (redução dos efeitos da concentração de GEE) e animais. Do
ponto de vista econômico, social e ambiental, a produção de eucalipto pode melhorar a
qualidade de vida do produtor, com a agregação de valor econômico na propriedade rural em
virtude da exploração da madeira, do melhor desempenho produtivo e reprodutivo dos
animais e da conservação dos recursos naturais do ecossistema. (MOTTA et al, 2010).
Vale ressaltar os impactos negativos decorrentes da silvicultura em algumas regiões do
país. CASTRO e CASTRO (2015) em seu trabalho sobre a expansão do eucalipto no oeste do
Maranhão mostram que a urgente busca de alternativas para a crescente fiscalização e punição
dos madeireiros e carvoeiros que durante anos desmataram a Floresta Amazônica maranhense
para fornecer a matéria-prima para a produção do ferro-gusa nas siderúrgicas, tenha sido a
principal contribuição. Contudo, atestam que ao relacionar a monocultura de eucalipto com a
alteração da configuração territorial onde essa cultura se torna hegemônica, a concentração
das terras produtivas sob a responsabilidade de uma ou de poucas empresas tende a crescer.
Desta forma, a alteração no cotidiano das comunidades é um dos efeitos do rápido
crescimento da monocultura do eucalipto. As comunidades locais sofrem com o
23
enfraquecimento da agricultura familiar e o fortalecimento da territorialização dos
monopólios. Menciona ainda que, a mudança das culturas tradicionais para o eucalipto pode
resultar na diminuição da renda devido ao desconhecimento dos custos de produção e do
processo de comercialização.
KUDLAVICZ (2011) chama a atenção em seu trabalho para os impactos percebidos
no campo, decorrentes da expansão dos plantios de eucalipto no município de Três
Lagoas/MS, e do estabelecimento da fábrica de celulose e papel pertencente à empresa
FIBRIA. Destaca como apontamentos acerca dos impactos do monocultivo de eucalipto a
desagregação das comunidades rurais, a precarização do trabalho, a especularização fundiária,
o desequilíbrio da fauna e flora, dentre outros.
2.2 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA
A produção de bioenergia tem relação direta com a eficiência energética da queima da
biomassa sólida, esse processo depende do sistema de conversão empregado. No uso
doméstico, segundo a Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), a
combustão converte apenas 5% do potencial energético da madeira. Já sistemas de forno
tradicionais potencializam esse valor para 36%, e a produção de carvão vegetal tem eficiência
entre 44% e 80%. Os modernos fornos de pellet entregam 80% de eficiência em usos
residenciais. (VIDAL E HORA, 2011).
O eucalipto tem sido apontado como uma das melhores alternativas para a produção
de energia, graças ao grande número de espécies, promovendo uma ampla dispersão
geográfica, o que favorece sua introdução em diversas regiões com condições edafoclimáticas
bem distintas (COUTO e MÜLLER, 2008).
No estado de São Paulo, as espécies mais difundidas para a produção de carvão
vegetal são o Eucalyptus grandis, Eucalyptus saligna, Eucalyptus citriodora e o Eucalyptus
urophylla. Com os programas atuais de melhoramento genético e clonagem, estão sendo
usados clones híbridos interespecíficos de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla e
Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis, pois estes contêm características mais desejáveis
à produção de insumo energético e apresentam maior plasticidade ambiental (COUTO e
MÜLLER, 2008).
De acordo com Ruy et al (2001) o Eucalyptus urophylla apresenta grande variedade
fenotípica, o que lhe confere posição estratégica no melhoramento genético, em virtude de sua
24
resistência a doenças e ao déficit hídrico, além de sua alta produtividade e homogeneidade da
madeira.
Segundo Vidal e Hora (2011) a biomassa é uma fonte de energia renovável e, quando
utilizada da maneira correta, torna-se também sustentável. O processo de renovação dar-se
pelo ciclo de carbono, em que as plantas sequestram o CO 2 da atmosfera.
A implantação de florestas energéticas com a finalidade exclusiva de gerar eletricidade
a partir da biomassa cria uma perspectiva ambiental ainda mais sustentável, uma vez que o
sistema de produção contempla o aproveitamento da madeira e, consequentemente, o retorno
dos resíduos culturais (galhos, folhas e ponteiros) para o solo (MÜLLER, 2005).
No ano de 2012, a participação da biomassa na geração de energia elétrica no Brasil
representou 7% do total. O bagaço da cana-de-açúcar, o licor negro e os resíduos florestais
são as principais biomassas utilizadas no país para a geração de eletricidade. Atualmente, a
biomassa vegetal proveniente de florestas plantadas representa 15,8% da geração de energia
elétrica a partir de biomassa.
Apesar de significativo, o potencial de geração de energia a partir de resíduos
florestais de biomassa no Brasil é muito maior. Atualmente, são gerados anualmente cerca de
41 milhões de toneladas de resíduos madeireiros provindos da indústria de processamento de
madeira e da colheita florestal, capaz de gerar energia equivalente a 1,7 GW/ano (ABRAF,
2013).
O uso tradicional do aproveitamento energético da biomassa consiste na produção de
energia térmica. As tecnologias mais empregadas na produção de eletricidade a partir da
biomassa são: i) os ciclos a vapor baseados na combustão da biomassa em caldeiras
convencionais e; ii) gaseificação da madeira em leito móvel ou fluidizado com utilização do
gás em turbinas (MÜLLER, 2005).
No Brasil, a tecnologia consolidada é a do Ciclo de Rankine de potência, baseado na
queima da biomassa para geração de energia. O Ciclo de Rankine é um ciclo termodinâmico.
Seu nome foi dado em razão do matemático escocês William John Macquorn Rankine. O
ciclo baseado em quatros processos que ocorre em regime permanente é o ideal para uma
unidade motora simples a vapor (GOMES, 2014).
A planta industrial é dividida em 4 processos automatizados e contínuos, composto
por sete equipamentos principais que atuam, de forma interligada por tubos e conexões
(Figura 3).
25
Figura 3 - Planta Industrial de uma termoelétrica movida à biomassa de Eucalipto
Fonte: GOMES, 2014.
O processo se inicia com a queima do eucalipto na caldeira, que incinerado, aquecerá a
água contida na caldeira, gerando vapor d’água de alta pressão e temperatura, sendo enviado
por tubulação a uma turbina interligada a um gerador, que, consequentemente gerará força de
trabalho que produzirá energia elétrica (GOMES, 2014).
A energia elétrica, gerada no primeiro momento, será destinada para a alimentação da
planta industrial, seu excedente enviado para linhas de transmissão e, por conseguinte, aos
consumidores finais.
Vale destacar que o vapor d’água gerado no processo de incineração, após sua
passagem pela turbina, é destinado ao condensador, para transformar o vapor em água
refrigerada, a temperatura ambiente, pelas torres de refrigeração, como ocorre nas usinas
nucleares, evitando o superaquecimento das águas superficiais e os impactos no meio
ambiente, tais como a mortandade dos plânctons e a quebra da cadeia alimentar marinha
(GOMES, 2014).
Após o resfriamento, a água é destinada ao desareador para eliminação das substâncias
nocivas ao meio ambiente, geradas na combustão, para reaproveitamento da água no processo
produtivo.
MÜLLER (2005) aponta em um estudo detalhado da CHESF a capacidade de
produção de 12,6 EJ/ano (considerando a conversão termoelétrica de 20%, isto representaria
85 GW) com uma área de 50 milhões de hectares de eucalipto a um custo médio de US$
1,36/GJ.
26
Além da utilização do eucalipto para geração de energia é possível também a produção
de biocombustível a partir de biomassa lignocelulósica residual (resíduos agroindustriais), já
que, todos os anos, uma enorme quantidade de resíduos lignocelulósicos são acumulados em
decorrência da produção agrícola e agroflorestal (BRAGATTO, 2010).
Pesquisadores da Embrapa Florestas realizaram amplo estudo contemplando várias
espécies de eucalipto a fim de caracterizar a madeira para diversos fins. As características das
espécies mais indicadas para o uso energético são: Eucalyptus camaldulensis, Eucalyptus
citriodora, Eucalyptus grandis, Eucalyptus saligna e Eucalyptus urophylla (COUTO e
MÜLLER, 2008). (Quadro 2)
Quadro 2 - Características de algumas espécies de eucalipto a idade de 10,5 anos, plantados em espaçamento de
3,0 x 2,0 m
Espécies
Dens. Básica (g/cm3)
PCS da madeira
(kcal/kg)
PCS do carvão
(kcal/kg)
E.
E.
E.
E.
E.
camaldulensis
citriodora
grandis
saligna
urophylla
0,479
0,548
0,564
0,73
0,687
5.085
4.718
4.340
4.633
4.312
7.977
8.008
6.626
6.972
7.439
Fonte: Pereira et al, 2000.
Em escala industrial, existe uma ampla gama de sistemas já disponíveis e outros em
fase avançada de desenvolvimento. Entre elas, podemos citar caldeiras, tecnologias de
cogeração e sistemas de gaseificação.
Segundo a FAO, os sistemas de turbina a vapor, onde caldeiras geram calor, possuem
eficiência energética de até 40%. Já os sistemas de cogeração, conseguem integrar a produção
mecânica com a utilização de um gerador de energia elétrica, garantindo maior eficiência
energética, em torno de 80% segundo a Eubia – European Biomass Industry Association. Há
ainda a participação da co-combustão, processo que consiste na queima de diversos
combustíveis juntos para geração energia. Também conhecido por coqueima ou coutilização,
é um meio viável e utilizado de queima de biomassa, que pode ser aplicado na infraestrutura,
com uma proporção de 3% a 20% de biomassa no total queimado. (VIDAL e HORA, 2011).
A gaseificação é a tecnologia de maior potencial, no entanto, é afetada por sua
complexidade e alto custo. A expectativa é de que nos próximos 20 anos torne-se a principal
27
tecnologia para a conversão da biomassa, prometendo maior eficiência, viabilidade econômica
em pequenas e grandes escalas e menor nível de emissões, em comparação com outras
tecnologias. (VIDAL e HORA, 2011).
Outra utilização do plantio de eucalipto, mesmo que ainda em escala de laboratório é a
segunda geração de biocombustíveis, que apresenta alto potencial na produção de etanol,
diesel sintético e combustível de aviação, embora ainda seja imatura e necessite de maior
desenvolvimento e investimento para a operação comercial. Segundo a FAO, essa tecnologia
só estará disponível para aplicação em escala comercial num prazo de 10 a 15 anos. (VIDAL
e HORA, 2011).
2.3 QUESTÕES ECONÔMICAS LIGADAS AO EUCALIPTO
Na década de 2000, o país ostentava a primeira posição no ranking de menor custo de
produção de madeira de processo (ABRAF, 2013). Porém, nos últimos anos, o Brasil perdeu
três posições. A constatação é de que é mais caro produzir no Brasil madeira para a indústria
de celulose do que Rússia, Indonésia e EUA. (Figura 4 e Figura 5).
Figura 4 - Análise comparativa mundial do custo de produção de madeira de processo - 2000
Fonte: ABRAF, 2013
28
Figura 5 - Análise comparativa mundial do custo de produção de madeira de processo – 2012
O Brasil se destaca no cenário mundial por possuir excelente desempenho no setor
florestal, que responde por 3,5% do nosso Produto Interno Bruto (PIB), um valor de US$ 26
bilhões, gerando 4,6 milhões de empregos diretos e indiretos (Congresso Brasileiro de Custos,
2014).
A cadeia produtiva brasileira de base florestal associado às florestas plantadas
caracteriza‑se pela grande diversidade de produtos, compreendendo diversas etapas que vão
desde a produção, colheita e o transporte de madeira, além da aquisição dos produtos finais
nos segmentos industriais de Papel e Celulose, Painéis de Madeira Industrializada, Madeira
Processada Mecanicamente, Siderurgia a Carvão Vegetal e Biomassa, entre outros. No ano de
2012, o valor bruto da produção obtido pelo setor gerou R$ 56,3 bilhões. Os tributos
arrecadados corresponderam R$ 7,6 bilhões (0,5% da arrecadação nacional) (ABRAF, 2013).
Segundo a Abraf (2013), os segmentos da indústria brasileira de base florestal
registraram crescimento das exportações e do consumo interno, com exceção da celulose, cuja
produção foi inferior aos números de 2011, com redução de 0,7%.
O Brasil merece destaque no cenário internacional como um dos principais mercados
de produtos florestais, tais como celulose, ocupando a 3ª posição no ranking, madeira serrada,
sendo o 11º produtor mundial e painéis e compensados (8º produtor mundial) (MARANGON,
2015).
No ano de 2012, o valor bruto da produção (VBP) atingiu R$ 56,3 bilhões, indicador
4,6% superior ao ano de 2011. Os tributos arrecadados corresponderam a R$ 7,6 bilhões
(0,5% da arrecadação nacional). O saldo da balança comercial da indústria nacional de base
29
florestal (US$ 5,5 bilhões), embora 3,8% inferior ao alcançado em 2011 ampliou a sua
participação no superávit da balança comercial nacional de 19,1% para 28,1% (ABRAF,
2013).
O mercado externo teve um importante papel no consumo dos produtos florestais do
Brasil em 2012. Segundo a Abraf (2013) os principais importadores dos produtos florestais
brasileiros foram Argentina, Alemanha e China, que lideraram o ranking da importação de
papel, compensados e celulose, respectivamente. Já os Estados Unidos lideraram a importação
de painéis e madeira serrada.
De acordo com dados do IBGE (2014) a produção primária florestal somou R$ 20,8
bilhões. A silvicultura contribuiu com 77,7% (R$ 16,1 bilhões) do total apurado, enquanto a
extração vegetal participou com 22,3% (R$ 4,6 bilhões). O valor dos produtos madeireiros na
extração vegetal totalizou R$ 3,2 bilhões, e o de não madeireiros, R$ 1,4 bilhão. Na
silvicultura, os quatro produtos madeireiros somaram R$ 15,9 bilhões e os três não
madeireiros, apenas R$ 216 milhões.
A produção madeireira da silvicultura tem a Região Sudeste como a principal
produtora de carvão vegetal (86,4%) e de madeira em tora para papel e celulose (36,2%). A
Região Sul responde por 61,4% da lenha e 64,1% da madeira em tora para outras finalidades.
(IBGE, 2014).
De um total de 146 530 657 m³ de madeira em tora, 90,6% foram oriundos das
florestas plantadas, e apenas 9,4%, do extrativismo vegetal. O volume de madeira em tora
destinado para papel e celulose contribuiu com 60,9% do total obtido pela silvicultura. A
produção de carvão vegetal foi de 7 240 387 toneladas, das quais 85,9% foram produzidas
pela silvicultura, e 14,1%, pela extração vegetal. Com relação à lenha, o extrativismo vegetal
colaborou com 34,0% de um total de 85 075 187 m³, contra 66,0% da silvicultura. (IBGE,
2014).
Com relação ao valor da produção, o carvão vegetal de eucalipto totalizou R$ 3,15
bilhões representando cerca de 98,28% do total de carvão vegetal produzido no país no ano
de 2014. Para a lenha, o eucalipto somou R$ 2,13 bilhões, participando com 86,83% do total.
O uso da madeira em tora para papel e celulose de eucalipto atingiu R$ 3,92 bilhões e
representou 82,87% de toda a produção. O uso da madeira de eucalipto para outras finalidades
foi da ordem de R$ 2,04 bilhões e participou no total da produção nacional com 50, 83%.
(IBGE, 2014).
Em razão da quantidade produzida, o eucalipto representou mais de 614 milhões de
toneladas de carvão vegetal, 48.602.638m3 de lenha, 59.108.459m3 de madeira em tora para
30
produção de papel e celulose e 27.521.343m3 de madeira em tora para outras finalidades.
(IBGE, 2014).
Dados da Abraf (2013) revelam que no ano de 2012, cerca de 1/3 de toda a madeira de
florestas plantadas produzida no país foi utilizada para a produção de celulose, enquanto que a
produção de painéis de madeira industrializada, serrados e compensados consumiram,
respectivamente, 7,1%, 16,4% e 2,7% do total de madeira produzida. O que restou da
produção nacional (38,7%) foi destinado à produção de carvão vegetal, lenha e outros
produtos florestais (Figura 6).
Figura 6 - Distribuição proporcional do consumo de madeira oriunda de florestas plantadas e do destino da
produção – 2012
Fonte: ABRAF, 2013
Segundo a Abraf (2013) as condições edafoclimáticas e fundiárias, integradas aos
fatores política de investimento em pesquisa e desenvolvimento, verticalização do setor e
qualidade de mão de obra empregada, possibilitaram uma maior produtividade por hectare e,
consequentemente, um menor ciclo de colheita para os plantios florestais estabelecidos no
Brasil, em relação aos demais países produtores (Figura 7).
31
Figura 7 - Comparação da produtividade florestal de coníferas e de folhosas no Brasil¹ com países selecionados,
2012
Fonte: ABRAF, 2013.
O setor florestal brasileiro registrou superávit de R$ 11,462 bilhões em 2012. No
entanto, graças à queda das exportações efetuadas em 2012, o saldo da balança comercial
sofreu recuo de 3,5% em relação ao apresentado no ano de 2011. As exportações somaram R$
15,63 bilhões e registraram um declínio de 6,2% em relação ao ano anterior. O mesmo
ocorreu com as importações que sofreram queda de 9,1% em relação a 2011, totalizando R$
4,168 bilhões (Figura 8).
Figura 8 - Evolução da balança comercial de produtos de florestas plantadas no Brasil, 2002-2012
Fonte: ABRAF, 2013.
Nota: O gráfico apresenta valores em dólar americano. Cotação em dezembro de 2012 – R$ 2,0840.
32
Segundo a Abraf (2013) os investimentos correntes realizados pelas empresas
associadas individuais totalizaram R$ 4,6 bilhões em 2012, valor 60,9% superior aos
investimentos efetuados em 2011. Esse aumento significativo se deve ao processo de
modernização ocorrido nos últimos anos, os quais visam a manutenção da competividade no
mercado nacional e internacional. As áreas mais beneficiadas pelos investimentos correntes
foram o plantio, a colheita e o transporte, cujos valores investidos cresceram
significativamente em relação a 2011.
A perspectiva do montante de investimentos a ser realizado nos próximos 5 anos
(2013‑2017) pode chegar a R$ 6,0 bilhões (ABRAF, 2013). (Figura 9)
Figura 9 - Perspectiva de investimentos das empresas associadas individuais da ABRAF no período 2013-2017,
por área.
Fonte: ABRAF, 2013.
Os impactos positivos identificados são os seguintes: geração de postos de trabalho no
campo; dinamização do comércio, por meio da aquisição de fatores de produção; colaboração
ao desenvolvimento regional, devido à criação de infraestrutura, como a implantação da rede
rodoviária florestal; aumento da oferta trófica para os animais vertebrados e pássaros, em
função do revolvimento do solo; e redução da emissão de gases do efeito estufa, em função da
captura de CO2 por meio do processo fotossintético feito pela floresta em crescimento.
2.4 QUESTÕES AMBIENTAIS LIGADAS AO EUCALIPTO
As florestas energéticas possuem grande potencial de contribuição para o combate à
mudança climática, em especial, no que diz respeito à valorização econômica do carbono
florestal. Estima-se que florestas de eucalipto, quando bem estabelecidas, podem capturar
entre 100 e 400 t/ha de CO2 durante a fase de crescimento (GATTO et al, 2010).
33
Do ponto de vista da mudança do clima, podem ocorrem emissões ou fluxos positivos
de GEE, no que se refere às questões de componente industrial, que engloba as estruturas de
beneficiamento da madeira (por exemplo, para a produção de celulose e papel, carvão vegetal
renovável, ferro-gusa, ferro-ligas, aço, chapas e painéis compensados, madeira tratada para
construção civil, madeira serrada, etc.). Diversos segmentos da base florestal já se aproximam
da autossuficiência energética renovável, caracterizada por níveis mínimos de emissão. A
componente florestal é baseada na formação de estoques de carbono, por meio das florestas de
produção (áreas de florestas plantadas) e de áreas de preservação associadas de florestas
nativas, o que resulta em remoções de GEE (emissões ou fluxos negativos), contribuindo para
a redução da concentração de GEE na atmosfera, durante todo o tempo em que o estoque for
mantido (ABRAF, 2013).
Atualmente, em âmbito nacional, a Política Nacional de Mudança do Clima (PNMC)
possui cinco planos setoriais de mitigação da emissão de gases do efeito estufa, todos com
alguma conexão com o setor de florestas plantadas (PPCDAM/Combate de Desmatamento na
Amazônia,
PPCerrado/Combate
do
Desmatamento
no
Cerrado,
PDE/Plano
de
Desenvolvimento de Energia, Plano ABC/Agricultura de Baixo Carbono e Plano para a
Siderurgia a Carvão Vegetal) (ABRAF, 2013).
Segundo Mora (2000), cálculos mostram que a cada tonelada de matéria seca
produzida nas florestas plantadas retira-se 1,8t de CO2 e devolve-se ao ambiente 1,3t de O2
para a atmosfera. Outro destaque a ser considerado é que cada árvore de eucalipto pode
sequestrar até 20 kg de gás carbônico por ano. Assim, um hectare de floresta jovem irá
capturar, em média, 35t de CO2 por ano.
Ainda enfatizando o contexto ambiental das floretas plantadas, é importante destacar o
papel delas na preservação de florestas nativas, onde podemos citar o Polo Gesseiro do
Araripe, em Pernambuco, detentora de 18% das reservas nacional do minério gipsita,
responsável por 94% da produção nacional de gesso. A gipsita, extraída nessa área é
considerada a de melhor qualidade no mundo (SILVA, 2009).
A principal fonte energética da indústria do gesso para o processo de calcinação é a
lenha proveniente da Caatinga em função dos custos mais baixos quando comparados com
outras fontes energéticas (óleo BPF, gás, eletricidade, etc.), o incremento na produção de
gesso resulta no aumento da degradação dessa vegetação nativa (SILVA, 2009).
O processo de calcinação da gipsita, etapa de produção do gesso na qual o minério é
submetido a temperaturas elevadas, exige o uso de muita energia, na maioria das vezes
proveniente de madeira de espécies nativas retiradas da vegetação circunvizinha, onde
34
predominam as formações vegetais xerófilas, denominadas de Caatinga que não apresentam
produtividade suficiente nos planos de manejo florestal sustentados, para atender o atual
consumo só por parte da indústria do gesso, o que gera uma demanda por lenha e a retirada de
vegetação nativa de forma ilegal ou ainda forçando as indústrias a comprar lenha nos estados
vizinhos. Considerando todas as condições edafoclimáticas da região e a demanda por lenha
para o processo de calcinação da gipsita, as florestas plantadas, especialmente com eucaliptos,
constituem uma opção econômica e ambientalmente viável (SILVA, 2009).
Outro exemplo que merece destaque no cenário local é a indústria de cerâmica no
estado de Alagoas. As mudanças recentes na legislação ambiental que restringem o uso de
combustíveis não renováveis ou os derivados de fontes não legalizadas, tais como as de
origem de desmatamento para seu uso em relação à geração de energia para o funcionamento
de seus fornos, têm colocado a indústria em dificuldades. Neste sentido, resíduos da produção
agrícola em Alagoas podem representar uma alternativa viável para os fornos de cerâmica
local, garantindo o seu funcionamento, em conformidade com a legislação, gerando menor
emissão de GEE’s e manutenção de postos de trabalho (SOUZA et al, 2011).
Os plantios de eucalipto possuem um alto incremento de carbono, quando comparado
a outras espécies, na captura de CO2 da atmosfera e sua fixação na superfície terrestre. As
florestas trocam CO2 por processos fotossintéticos, respiração, decomposição e emissões
associadas a distúrbios decorrentes das queimadas, desfolhamento por diversas causas e
exploração vegetal (JACOVINE et al, 2008).
A quantificação da biomassa presente em uma floresta pode ser definida a partir da
soma da biomassa da parte aérea de cada árvore (tronco, folhas, flores e frutos) à presente na
matéria viva ou morta acima do solo (sub-bosque e manta orgânica) ou abaixo do solo
(raízes). Para cada tonelada de matéria seca (biomassa), cerca de 0,5 tonelada é composta por
carbono. (JACOVINE et al, 2008).
No estado do Espírito Santo, em áreas com plantios de eucalipto, foi determinado um
sequestro de carbono na ordem de 10,32 t/ha/ano, onde 65% são provenientes da matéria seca
do tronco, 13% da copa e 22% das raízes. (JACOVINE et al, 2008).
Segundo Almeida e Soares (2003) há uma controvérsia histórica sobre o desempenho
do eucalipto com relação ao uso e à disponibilidade de água das bacias de drenagem onde são
plantados. Duas questões frequentemente abordadas são a crença de que o eucalipto provoca
rápido rebaixamento do nível do lençol freático do solo e as perdas de biodiversidade
ecológica em relação ao ecossistema original.
35
Nos resultados obtidos em uma Microbacia Experimental da Aracruz Celulose S.A
localizada no município de Aracruz-ES, com área de 286 ha, sendo 190 hectares de
plantações de eucalipto e 86 hectares de Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica) e os 10
hectares restantes de estradas demonstram que o eucalipto exerce controle estomático
eficiente em condições de suprimento limitado de água. Tanto os dados de campo, quanto
aqueles das estimativas dos modelos adotados no estudo revelaram que as plantações de
eucalipto se comparam à Mata Atlântica quanto à evapotranspiração e ao uso de água do solo.
Considerando o ciclo de crescimento como um todo (aproximadamente 7 anos), o eucalipto
pode consumir menos água que a floresta original na região estudada. Em anos de
precipitação em torno dos valores médios das normais climatológicas, ocorre equilíbrio entre
oferta (precipitação) e demanda (evapotranspiração) para os dois ecossistemas. Em anos de
menor pluviosidade, as reservas hídricas do solo são utilizadas tanto para o eucalipto quanto
para a Mata Atlântica. (ALMEIDA e SOARES, 2003).
Há alguns que questionam a implantação de florestas energéticas alegando os
impactos ambientais decorrentes dessa atividade. Calle et al (2005) afirma que as atividades
florestais podem produzir tanto impactos negativos quanto impactos positivos. Ressalta ainda
que a fase em que se apresenta maior capacidade modificadora do meio ambiente é a de
implantação de uma floresta.
2.5 DESAFIOS E IMPLICAÇÕES DA EUCALIPTOCULTURA EM ALAGOAS
A implantação de florestas energéticas apresenta enorme potencial no estado de
Alagoas, sobretudo, em razão da baixa diversidade de atividades agropecuárias com alta
produtividade, além disso, a introdução desta atividade atenderia a inúmeras questões
atualmente em evidência sobre mudanças climáticas e a geração de energia limpa e renovável,
a preservação das vegetações nativas e de sua biodiversidade e fomentar o emprego, o
crescimento econômico e o desenvolvimento da região.
Em um estudo sobre a qualidade de vida, tomando por base os indicadores que
constituem o IDH, realizado pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria de
Biodiversidade e Florestas, comprovou-se a melhora significativa da qualidade de vida da
população em municípios onde os maiores plantios florestais foram introduzidos (COUTO e
MÜLLER, 2008).
No segundo semestre de 2008, um grupo de empresários alagoanos viajaram a São
Paulo e Minas Gerais, para verificarem “in loco”, o sucesso da eucaliptocultura. O eucalipto
36
aguçou a atenção tanto para o reflorestamento com fins energéticos quanto por responder a
necessidade de reflorestamento em áreas de topografia acidentada onde a cana-de-açúcar
deveria ser substituída para atender a exigência de abandono do método despalhador de précolheita a partir da queima de cana (razão ambiental) e pela possibilidade de uso da floresta
plantada para fins energéticos (razão socioeconômica) (BEAL, 2014).
Em Alagoas, o início da implantação de florestas energéticas, com ênfase na
eucaliptocultura é recente. Em apenas dois anos, foram plantados 7.997 hectares com
eucalipto, abrangendo 24 municípios alagoanos, com grande receptividade entre os produtores
de cana-de-açúcar, especialmente os que possuem seus plantios em terras de topografia
acidentada, principalmente em regiões com declividade acentuada nas encostas (acima de
12%), pois possuem alto custo de implantação e de difícil moagem. Dois grandes projetos
estão sendo implantados no estado, baseados nessa biomassa: o da empresa Energias
Renováveis do Brasil – ERB, que vai fornecer energia a Braskem e outro do Grupo Carlos
Lyra em parceria com a Duratex, resultando na fundação da CAETEX, que produzirá
laminados de madeira. Estima-se que para o funcionamento dos projetos da ERB e da
CAETEX, será necessário o plantio de 25 mil hectares de eucalipto (BEAL, 2014).
Em 2013 o estado de Alagoas contava com cerca de 3.700 hectares plantados e em
2014 foram plantados 4.300 hectares. Conforme previsões foram implantados viveiro e
sementeira para o atendimento à demanda de mudas. Um total de 5 milhões de mudas foram
produzidas para atender a essa nova demanda, sendo que 2 milhões em Alagoas e 3 milhões
vindas de outros estados. Áreas de reconversão (substituição da cana-de-açúcar), também
seriam beneficiadas com essa nova dinâmica econômica mesmo em regiões planas de usinas
que diversificam suas atividades e avançam no sentido da possibilidade de uso de outras
biomassas. (BEAL, 2014)
Sob esse aspecto, a implantação de florestas plantadas para os seus mais diversos fins,
pode beneficiar e estimular o crescimento dos diversos setores da economia, tais como a
indústria de papel e celulose, aglomerados, chapas de fibra e MDF, que no ano de 2000
respondia por 75% do carvão produzido no Brasil, utilizado em vários processos da indústria
como a calcinação (OLIVEIRA et al, 2009).
Outro dado local sobre a silvicultura mostra a quantidade produzida de madeira em
tora para outras finalidades (Quadro 3).
37
Quadro 3 - Silvicultura - Quantidade produzida e valor da produção, por tipo, segundo Estado e municípios de
Alagoas - 2012
Estados e
Municípios
Madeira em tora para outras finalidades
Quantidade produzida (m3)
Valor da produção (mil reais)
Alagoas
4948
263
Maceió
4
1
Marechal
Deodoro
8
3
Messias
11
4
Murici
4
0
Pilar
6
2
Rio Largo
24
8
São José da
Laje
4891
245
Nota: Os municípios na tabela são os únicos que apresentam dados
Fonte: Anuário Estatístico do Estado de Alagoas – 2013.
Observa-se que o valor da produção é pequeno se comparado a outras atividades
agropecuárias, mesmo sabendo da relevância ambiental e socioeconômica desta atividade.
Associada a produção agropecuária, a implantação de florestas plantadas pode
contribuir significativamente com o crescimento de sistemas agrícolas mais sustentáveis,
como por exemplo, o agrossilvipastoril. A combinação floresta-pastagem-gado pode agregar
bastante valor à produção na propriedade. (OLIVEIRA et al, 2009)
Uma das alternativas para o plantio do eucalipto é a geração de energia limpa e
renovável. Grande parte da geração de energia primária por fonte em Alagoas, no ano de
2014, tinha participação do setor sucroenergético de 50,97% do total (Figura 10).
38
Figura 10 - Matriz energética de Alagoas
Fonte: BEAL 2015
Os dados demonstram que a matriz de geração de energia primária no estado é
essencialmente renovável, pouco dependente de combustíveis fósseis, já que o petróleo
representou apenas 6,83% do total. No entanto, a fluidez dos preços do açúcar e do etanol no
mercado interno e externo possa interferir na tomada de decisão quanto à área plantada e as
condições de clima, como o volume pluviométrico acarretem menor produtividade da lavoura
em algum período.
Entre os anos de 2005 a 2014, houve uma acentuada redução na produção estadual de
energia elétrica, de 18.426 GWh para 10.949 GWh, ou seja, menos 40,58%. Esse fato deve-se
a diminuição da produção energia elétrica por parte da CHESF devido a fatores climáticos,
como os baixos volumes pluviométricos registrados nos últimos anos para recomposição das
represas e barragens (Quadro 4).
39
Quadro 4 - Produção e Consumo de Eletricidade – Valores em GWh
Alagoas
Brasil
Setor
2005
2014
2005
2014
Produção
Importação
Exportação
Var. Est Perdas e Ajuste
18.426
10.949
-13.428
-842
-4.537
-1.173
403.031
39.202
-160
-66.880
590.479
33.778
-3
-93.174
Oferta Interna Bruta
Consumo Total
Consumo Final
Consumo Final
Energético
Setor Energético
Setor Residencial
Setor Comercial
Setor Público
Setor Agropecuário
Setor de Transporte
4.156
4.156
4.156
4.156
5.238
5.238
5.238
5.238
375.193
375.193
375.193
375.193
531.081
531.081
531.081
531.081
25
686
395
384
293
142
1.305
732
537
179
13.534
83.193
53.492
32731
15.685
1.188
31.157
132.049
90.619
42.648
26.735
1.941
Setor Industrial
2.373
2.343
175.370
205.932
Fonte: BEAL 2015
Outra condição é a participação do setor residencial no consumo de energia elétrica
que obteve um incremento de quase 10% no período de 2005 a 2014, passou de 16,23% para
26,53%, uma constatação de que houve uma melhoria na qualidade de vida da população
alagoana que passou a usufruir mais do conforto que a energia elétrica proporciona. (BEAL,
2015).
Dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) mostram que
Alagoas ocupa a oitava posição no Brasil em produção de energia por usinas de biomassa com
uma média no primeiro semestre de 2015 de geração de 30,5 MW – o que faz do Estado o
terceiro maior produtor do Nordeste, atrás apenas dos Estados de Maranhão (60,66 MW) e
Bahia (60,80 MW). Em todo o Brasil, São Paulo lidera a produção de energia de biomassa
com 840,93 MW, seguido por Mato Grosso do Sul (271,56 MW), Goiás (207, 69 MW),
Minas Gerais (181, 57 MW) e Paraná (85,76 MW). Ainda de acordo com a CCEE, as usinas
movidas à biomassa em todo país produziram 15% a mais de energia no primeiro semestre de
2015 em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando em 2015 1.860 MW médios
40
contra 1.621 MW médios em 2014, o que revela o grande potencial de geração de energia
limpa no Brasil e em Alagoas. (Quadro 5).
Quadro 5 - Ranking dos dez maiores estados produtores de biomassa
Ranking – Os 10 maiores estados produtores de Biomassa
Posição
Estado
MW médios
1º
2º
3º
4º
5º
6º
7º
8º
9º
10º
São Paulo
Mato Grosso do Sul
Goiás
Minas Gerais
Paraná
Bahia
Maranhão
Alagoas
Pernambuco
Mato Grosso
Fonte: Agendaatnh1
840,93
271,56
207,69
181,57
85,76
60,80
60,66
30,58
28,79
22,14
O estado de Alagoas é um gerador de energia limpa, no entanto, nos últimos anos o
bagaço da cana está sendo utilizado para produção de etanol de segunda geração - como no
caso da empresa GranBio - ,que nos permite avaliar e propor uma alternativa energética, a
viabilidade socioeconômica e ambiental do uso de eucalipto como matéria-prima. O Brasil
possui excelentes condições geográficas, climáticas e biológicas para impulsionar a
silvicultura e tornar o país um dos mais independentes dos combustíveis fósseis.
O Brasil já é líder mundial na produção de energia da biomassa a partir do bagaço da
cana-de-açúcar. O bagaço, pontas e palhas são usados como combustível para abastecer
turbinas a vapor para gerar energia elétrica, mas como dito anteriormente, esses subprodutos
da cana estão sendo direcionados a produção de etanol de segunda geração. A Bioflex 1,
unidade industrial da GranBio instalada em São Miguel dos Campos/AL, entrou em operação
em setembro de 2014. Possui capacidade para gerar 82 milhões de litros do etanol celulósico
por ano, sendo a primeira do país (GOMES, 2014).
No que se refere à madeira enquanto biomassa, a lenha tem grande destaque na Matriz
Energética, especialmente o eucalipto. Todavia, a produção de energia por meio de sua
combustão ainda é uma fatia ínfima em relação à produção de biomassa nacional. Sua
capacidade de utilização atende desde a indústria de móveis, passando pela fabricação de
papel com a extração da celulose, até fins energéticos, por meio da combustão. O eucalipto
apresenta outras vantagens competitivas além da questão ambiental (GOMES, 2014):
Uma grande diversidade de espécies que se adaptam aos mais variados tipos de solos;
41
Possui uma quantidade significativamente maior de açúcares fermentáveis que a canade-açúcar, representando maior poder de combustão;
Cultivo mais adequado às áreas abandonadas pela cana-de-açúcar, principalmente as
de encosta;
Absorção de mão-de-obra em áreas com forte recessão ou depressão econômica;
Possibilidade da implantação de sistemas agroflorestais, otimizando áreas e gerando
maior rentabilidade ao produtor;
Ampliação e qualidade no fornecimento de energia elétrica.
Alagoas é o segundo menor estado do Brasil, abrangendo somente 0,33% do território
nacional. Porém, é o sexto de maior extensão de terras destinadas ao plantio da cana-deaçúcar (CONAB, 2014), sendo o maior produtor de cana-de-açúcar do Nordeste, com
destaque no ranking nacional (Figura 11).
Figura 11 - Área canavieira do Estado de Alagoas
Fonte: BEAL, 2014.
Nos últimos anos, o setor canavieiro teve que enfrentar algumas mudanças para se
adequar a nova realidade ambiental e produtiva. Uma das mais impactantes foi a redução das
queimadas como método despalhador e a mecanização para ganhos competitivos e
cumprimento gradual da legislação ambiental. Essa realidade atingiu, diretamente, e de forma
impactante o mercado de trabalho. Uma colheitadeira moderna substitui até 100 trabalhadores
42
no corte de cana. Vale ressaltar ainda que, foi limitada a área para mecanização, pois ela só
pode ser realizada em terrenos com declividade de até 12%.
Essa transformação da agroindústria do açúcar e do álcool apresenta dois pontos que
devem ser analisados com muita atenção: i) há uma extensão positiva sobre os aspectos
ambientais e econômicos, visto que a redução das queimadas reduz a emissão de GEE na
atmosfera e a mecanização melhora os índices de produtividade e rentabilidade do agricultor;
ii) porém, como aspecto negativo existe o fator social. As áreas de encostas antes ocupadas
pela cana estão sendo abandonadas e já apresentam séria depressão econômica, visto que, em
muitas áreas essa era a única atividade econômica de grande impacto financeiro. Por
conseguinte, a redução dos postos de trabalho é inevitável, já que o trabalhador desta área tem
como perfil o baixo nível de escolaridade e ausência de qualificação, o que dificulta sua
reinserção no mercado de trabalho (GOMES, 2014).
Em virtude das recentes mudanças propostas por estados produtores de cana-de-açúcar
nas duas últimas décadas, inicialmente com o estado de São Paulo, no que diz respeito ao uso
de queimadas para a colheita e corte da cana, ressaltando a questão da poluição atmosférica
com a emissão de CO2 e, consequentemente, a substituição do corte manual pelo mecanizado,
fica evidente e claro que se deve tomar outra medida em Alagoas para a ocupação dos
Tabuleiros Costeiros com o plantio de cana-de-açúcar e seus respectivos métodos de corte.
No estado de São Paulo, a lei estadual nº 11.241 de 19 de setembro de 2002, dispõe
sobre a eliminação gradativa da queima da palha da cana-de-açúcar e dá outras providências.
Nos dois primeiros artigos da lei está posto que os plantadores de cana-de-açúcar devam
eliminar de forma gradativa até a plena redução, o uso do fogo como método de pré-colheita
em duas situações distintas (Quadro 6 e 7).
43
Quadro 6 - Redução do uso de queimadas como método despalhador e facilitador do corte de cana-de-açúcar no
Estado de São Paulo no prazo de 20 anos – Área Mecanizável
Ano
Área Mecanizável Onde Não Se Pode Efetuar A
Queima
Percentagem De Eliminação da Queima
1º ano
(2002)
20% da área cortada
20% da queima eliminada
5º ano
(2006)
30% da área cortada
30% da queima eliminada
10º ano
(2011)
50% da área cortada
30% da queima eliminada
15º ano
(2016)
80% da área cortada
50% da queima eliminada
20º ano
(2021)
100% da área cortada
Eliminação total da queima
Fonte: http://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei/2002/lei-11241-19.09.2002.html
Quadro 7 - Redução do uso de queimadas como método despalhador e facilitador do corte de cana-de-açúcar no
Estado de São Paulo no prazo de 20 anos – Área Não Mecanizável
Ano
Área Mecanizável Onde Não Se Pode Efetuar A
Queima
Percentagem De Eliminação da Queima
10º ano
(2011)
10% da área cortada
10% da queima eliminada
15º ano
(2016)
20% da área cortada
20% da queima eliminada
20º ano
(2021)
30% da área cortada
30% da queima eliminada
25º ano
(2026)
50% da área cortada
50% da queima eliminada
30º ano
(2031)
100% da área cortada
100% de queima Eliminada
Fonte: http://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei/2002/lei-11241-19.09.2002.html
Sobre a real necessidade de rever o uso do fogo como método de pré-colheita nas
áreas de plantio de cana-de-açúcar, o estado de Alagoas sanciona lei estadual nº 7.454,
publicada no diário oficial do estado em 19 de março de 2013, em que se definem
procedimentos, proibições, estabelece regras de execução e medidas de precaução a serem
obedecidas quando do emprego do fogo em práticas agrícolas, pastoris e florestais, e dá outras
providências correlatas.
44
O artigo 17º do capítulo IV, que trata da redução gradativa do emprego do fogo como
método despalhador do corte de cana-de-açúcar estabelece que: a cada 5 (cinco) anos,
contados da data de entrada em vigor desta lei, deverá ser realizada, pelos órgãos estaduais
competentes, avaliação das consequências socioeconômicas decorrentes da aplicação das
determinações para promover os ajustes que se fizerem necessários nas medidas impostas,
portanto, diante das adversidades impostas aos produtores de cana nos últimos anos, o
eucalipto surge como alternativa socioambiental e economicamente viável.
A Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA) contratou a empresa
CLONAR (Resistência Doenças Florestais LTDA), da Universidade Federal de Viçosa/MG,
para desenvolver pesquisa genética de adaptação de espécies de eucalipto no estado a fim de
orientar produtores e investidores sobre as melhores técnicas de plantio desta espécie florestal.
Os estudos foram realizados em sete áreas experimentais: Batalha, na Microrregião de
Batalha, no Sertão Alagoano, Cajueiro, na Microrregião da Mata Alagoana, Igreja Nova, na
Microrregião de Penedo, no Baixo São Francisco, Maceió e Rio Largo, na Microrregião de
Maceió, Passo do Camaragibe, na Microrregião do Litoral Norte Alagoano, Rio Largo e
Teotônio Vilela, na Microrregião de São Miguel dos Campos (Figura 12) (GOMES, 2014).
Figura 12 - Áreas de experimentos – Projeto FIEA
Fonte: GOMES, 2014.
Enquanto o Brasil produz, em média, 35m³/ha, os experimentos em Alagoas
apresentaram uma capacidade produtiva acima de 45m³. A Mesorregião do Leste Alagoano
apresenta melhor adaptabilidade, incluindo os municípios de Cajueiro, Maceió, Passo de
45
Camaragibe e Igreja Nova com produtividade atingindo até 87m³ em áreas experimentais.
Esta constatação assegura que os municípios nesse entorno têm cenário favorável para
desenvolver o cultivo do eucalipto (Figura 13).
Figura 13 - Áreas de maior receptividade: Projeto FIEA
Fonte: GOMES, 2014.
Esse cenário de IMA acima da média nacional, faz da floresta plantada de eucalipto
uma alternativa bastante viável para o estado de Alagoas, em especial, para as áreas de
encostas. Em razão disso, a joint venture Caetex Florestal – formada pela Duratex Florestal e
a Usina Caeté, afirmou que fará até 2020, investimentos na ordem de R$ 72 milhões de reais,
incluindo a abertura da indústria, para fabricação de painéis de MDF, porém, ressalta o
empresário da Usina Caeté, Fernando Farias, há também intenção de fornecer madeira para o
setor de geração de energia no Nordeste, além de exportar madeira para o maior mercado
consumidor do mundo, a Europa, Valor Mercado (2014). É importante salientar que o
investimento realizado pelo empresário Fernando Farias, diretor da Usina Caeté, deu-se a
partir da necessidade de otimizar as terras antes ocupadas pelo plantio de cana-de-açúcar na
Usina Cachoeira, em Maceió/AL.
De acordo com Mora e Garcia (2000), Motta et al (2010), Abraf (2013), Gomes
(2014), o cultivo de eucalipto torna-se viável por várias questões, entre elas, podemos citar:
46
a) Utilização de terras, principalmente em encostas, onde a cana não tem mais
viabilidade por causa da declividade, já que as máquinas só operam com declividade
de até 12%;
b) O eucalipto pode ser explorado para atender as demandas de diversos mercados, como
siderúrgico, energético, móveis, construção civil e a indústria de papel e celulose;
c) A estratégica localização geográfica do Estado em relação às regiões Norte, Centrooeste e Sudeste. Outro ponto é a proximidade com três portos para o escoamento da
produção, principalmente para o maior mercado consumidor de madeira, a Europa: o
Porto de Maceió/AL, Suape, em Pernambuco e Aracajú/SE;
d) No que diz respeito às questões ambientais, o eucalipto pode constituir até 50% de
Áreas de Preservação Permanentes (APP’s) em propriedades rurais através do
Cadastro Ambiental Rural (CAR), além da possibilidade, com uma área expressiva de
plantação, conseguir créditos de carbono para empresas que reduzam a emissão de
GEE;
e) A depender do grau de degradação, o eucalipto pode ser utilizado para recuperação de
áreas degradadas por meio do reflorestamento e a grande captura de CO2 da árvore. O
eucalipto pode ser cortado e rebrotar por três ou quatro ciclos e apresentar custos
semelhantes à cultura canavieira;
f) O cultivo em pequenas propriedades através do sistema agrossilvipastoril,
proporcionando renda e ganhos de produtividade para o agricultor familiar.
47
3 MATERIAL E MÉTODOS
O presente trabalho consiste em uma revisão sistemática de literatura sobre a
implantação de florestas energéticas em substituição a atividade canavieira, avaliando a
viabilidade socioeconômica e ambiental do eucalipto que ainda se encontra em fase de
implantação no estado de Alagoas.
O Estado de Alagoas está situado na região Nordeste do Brasil, abrangendo uma área
aproximada de 27.848,003 km2, representando 0,33% do território nacional (IBGE, 2014).
Sua localização encontra-se entre os paralelos 8º48’12” e 10º29’12" de latitude Sul e entre os
meridianos 35º09’36" e 38º13’54" de longitude a oeste de Greenwich. Faz limite ao norte e
oeste com o Estado de Pernambuco, ao sul com os estados de Sergipe e Bahia e a leste com o
oceano Atlântico. Possui 339 km na direção Leste-Oeste e 186 km na direção Norte-Sul.
As mesorregiões do Estado de Alagoas compreendem o Leste, o Agreste e o Sertão
Alagoano. O Leste é a maior região em área territorial e abrange o Litoral e a Zona da Mata
(Norte e Sul). O Agreste é um ecótono entre a zona úmida e seca, tem início ao Norte no
município de Quebrangulo, e ao Sul em São Brás, na porção mais úmida, e se estende até o
limite dos municípios de Cacimbinhas e Traipu, na porção mais seca. O Sertão corresponde às
superfícies com características climáticas áridas e semiáridas (BARROS et al, 2012).
O estado não apresenta grandes oscilações com relação à média térmica do ar,
variando, no litoral, entre 23°C e 28°C, e no sertão, entre 17°C e 33°C. De acordo com a
classificação de Köppen, toda a metade oriental do estado possui clima do tipo As’, ou seja,
tropical e quente, com precipitações pluviométricas concentradas no período outono/inverno,
entre 1.000 mm a 1.500 mm. No entanto, parte do leste alagoano, próximo à divisa com o
Estado de Pernambuco, possui clima Ams’, tropical com chuvas de outono a inverno e médias
pluviométricas anuais entre 1.500 mm a 2.200 mm. A metade ocidental do estado, que
corresponde ao agreste e sertão, apresenta condições semiáridas, com clima BSh, isto é, seco
e quente, com precipitação pluviométrica média anual no sertão entre 400 mm a 600 mm e no
agreste de 600 mm a 900 mm (BARROS et al, 2012).
Como nas áreas de encostas nas escarpas dos Tabuleiros Costeiros a colheita
mecanizada é inviável, já que possui declividade acima de 12%, a atividade canavieira tornase impraticável e as terras podem ficar ociosas, desta maneira, surge proposta de utilização do
eucalipto como uma atividade substitutiva a cana de açúcar, que gere emprego e renda para o
estado de Alagoas.
48
Dependendo da região de implantação de florestas energéticas de eucalipto os custos
de produção podem apresentar bastante variação. Torna-se necessário o conhecimento para a
implantação de projetos florestais, os fatores componentes dos custos de implantação, tais
como, o preparo do solo, aplicação de herbicidas, combate a formigas, a densidade do plantio,
replantio, adubação, transporte, a distância entre linhas de plantio que afetam na mecanização
e o tipo de muda utilizada, se produzida a partir de sementes ou pomar clonal e ainda, a
disponibilidade de mão-de-obra. Os valores podem variar devido a peculiaridades locais e
particularidades de cada produtor (MARANGON, 2015; REZENDE, 2006).
Neste caso, os trabalhos apresentados abaixo no Quadro 8, com seus respectivos
autores, apresentam dados de outras regiões do país, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina,
São Paulo e Rio Grande do Sul, destes cinco citados, quatro estão entre os maiores produtores
de eucalipto do país segundo a Abraf (2013).
Quadro 8 - Relação dos trabalhos usados na elaboração da revisão sistemática
Autor:
BENDLIN, Luciano et al. 2014
MARANGON, Gabriel Paes. 2015
MOTTA, Denilson; SILVA,
Wanderson Fernandes da; DINIZ,
Edílson Nascimento. 2010
RODIGHERI, Honorino Roque;
PINTO, Anauri Ferreira; DHLSON,
Julio Cesar. 2001
Trabalho:
Custos de produção, expectativas de retorno e riscos
associados ao plantio de eucalipto na região do
Planalto Norte – Catarinense/ Brasil.
Otimização bioeconômica do regime de manejo para
Eucalyptus grandis W. Hill no Estado do Rio Grande
do Sul.
Rentabilidade na plantação do eucalipto.
Custo de Produção, Produtividade e Renda do
Eucalipto Conduzido para uso Múltiplo no Norte
Pioneiro do Estado do Paraná.
REZENDE, José Luiz Pereira et al.
2006
Análise econômica de fomento florestal com
eucalipto no estado de Minas Gerais.
SILVA, Márcio Lopes da; FONTES,
Alessandro Albino. 2005
Discussão sobre os critérios de avaliação econômica:
Valor Presente Líquido (VPL), Valor Anual
Equivalente (VAE) e Valor Esperado da Terra (VET).
Fonte: Próprio autor.
49
As avaliações econômicas foram realizadas dentro do conceito de projetos de
investimentos florestais, entendido como a inversão de capital em determinado
empreendimento, com a finalidade de obtenção de receitas (MARANGON, 2015).
Os autores levaram em consideração como instrumento de análise, dados obtidos
através do Valor Presente Líquido (VPL) e da Taxa Interna de Retorno (TIR), indicadores
utilizados com mais frequência para viabilização de investimentos.
O VPL de um projeto de investimento pode ser definido como a soma algébrica dos
valores descontados do fluxo de caixa a ele associado, ou seja, é o resultado da diferença do
valor presente das receitas menos o valor presente dos custos (SILVA, 2005).
VPL = VPR – VPC
em que: VPL: Valor Presente Líquido
VPR: Valor Presente das Receitas
VPC: Valor Presente dos Custos
Por sua vez o VPC e o VPR são dados por:
em que:
n - duração do projeto em anos ou em número de períodos de tempo
t - período de tempo (anos)
Rt - receita no período de tempo t
Ct - custo no período de tempo
ti - taxa de juros ou de desconto
A TIR representa o valor do custo de capital que anula o VPL, em outras palavras, a
Taxa Interna de Retorno torna o valor presente dos lucros futuros equivalentes aos gastos
realizados com o projeto, caracterizando assim a taxa de remuneração do capital investido
(BRUNI et al, 1998; PEREIRA et al, 2008;). Algebricamente tem-se:
em que: I é a taxa interna de retorno (TIR).
50
Para fins de comparação de custos foi observada a realidade de produção de cana-deaçúcar, açúcar, etanol e bioeletricidade, segundo dados da PECEGE (2014) sobre o
acompanhamento da safra 2014/2015, na região Centro-Sul Tradicional e Expansão com a
Região Nordeste do país (Quadro 9).
Quadro 9 - Custos de produção de cana-de-açúcar de usinas das regiões Centro-Sul Tradicional, Centro-Sul
Expansão e Nordeste para o fechamento da safra 2013/2014.
Regiões
Descrição
Tradicional
Expansão
Nordeste
RS/t
RS/ha
RS/t
RS/ha
RS/t
RS/ha
Mecanização
25,62
2.080
30,08
2.386
16,33
1.046
Mão-de-obra
5,88
477
2,55
203
20,08
1.287
Insumos
5,79
470
5,92
470
9,06
581
Arrendamentos
10,23
83
8,51
675
2,87
184
Despesas administrativas
3,71
301
3,70
294
5,80
372
4.159
50,77
4.028
54,14
3.470
Custo
Operacional 51,23
Efetivo (COE)
Depreciações
18,86
1.531
20,49
1.625
21,54
1.381
Formação do Canavial
15,52
1.260
17,11
1.357
17,96
1.151
Máquinas
2,90
236
2,92
232
1,99
128
Benfeitorias
0,23
19
0,21
16
0,25
16
Irrigação
0,20
16
0,25
20
1,35
87
50.690
71,26
5.653
75.69
4.851
Custo Operacional Total 70,09
(COT)
Remuneração da Terra
4,14
336
0,96
76
7,87
504
Remuneração do capital
7,01
569
7,51
596
7,87
505
Formação do Canavial
4,87
395
5,36
425
5,57
357
Máquinas e Implementos
1,74
141
1,75
139
1,19
77
Benfeitorias
0,28
23
0,25
20
0,30
19
Irrigação/fertirrigação
0.12
10
0.15
12
0.81
52
Custo Total (CT)
81,24
6.595
79,73
6.235
91,43
5.861
Fonte: PECEGE, 2014 (Modificada).
51
Outro aspecto abordado no trabalho é a substituição das áreas de plantio de cana-deaçúcar em regiões de encosta por eucalipto, em virtude da legislação ambiental que prevê a
redução gradativa do uso de queimadas como método de pré-colheita, o que pode tornar estas
áreas inviáveis ao cultivo da cana por causa das limitações técnicas das máquinas
colheitadeiras, que operam em declividades abaixo de 12%, o que pode tornar estas áreas
ociosas. Portanto, foi considerado o custo com colheita mecanizada em uma usina de cana-deaçúcar em Alagoas (Usina Caeté) com base na safra 2013/2104 (Quadro 10).
Quadro 10 - Custos - Colheita Mecanizada Usina Caeté – Safra 2013/2014
Colhedoras
Itens
2012/2
2013/2014
6
11
454.428,57
769.091,16
Horas Trabalhadas (H)
13,248
25.921
Média de Horas Trabalhadas por Máquina
368,02
392,74
Eficiência Produtiva (%)
51,11
54,55
Tonelada por Máquina/dia
420,77
351,34
Custo Total de Manutenção (R$)
989,022
1.288,126
Custo de Manutenção (R$/t)
2,18
2,15
Consumo de Combustível (L)
507,763
969,290
Consumo de combustível (L/h por máquina)
38,33
37,39
Consumo de Combustível (L/t)
1,12
1,69
370.812,33
244.136,93
082
032
Número de Equipamentos
Colheita Total (T)
Custo Total de Locação de Máquinas (R$)
Custo de Locação (R$/t)
Fonte: BEAL, 2014.
Os custos dos fatores de produção do eucalipto são mostrados na Figura 14.
52
Figura 14 - Custos por hectare para implantação e manutenção de povoamentos de Eucalyptus grandis no Rio
Grande do Sul, para um espaçamento inicial de 3,0 x 2,0m
Fonte: MARANGON, 2015.
53
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Ao analisarmos o custo de produção da cana-de-açúcar das usinas do Nordeste, das
quais se inclui as do Estado de Alagoas, tem-se um valor total de R$ 5.861,00/ha na safra
2013/2014. Esse custo representa todas as etapas de produção que vão desde a formação do
canavial até as depreciações da terra, maquinário, benfeitorias, mão-de-obra, irrigação e
despesas administrativas.
Os custos para implantação e manutenção plantio de eucalipto por hectare, ressaltando
a flutuação dos valores de acordo com sua localização e circunstância econômica, estes
somaram R$ 7.691,00, distribuídos ao longo de 14 anos de ocorrência da floresta, no estado
do Rio Grande do Sul. Vale salientar ainda que a floresta no estado do Rio Grande do Sul foi
conduzida para desbastes por isto até os 14 anos. A realidade atual de Alagoas não é condução
para desbastes e sim corte raso aos 5 anos. Os custos mostram-se mais elevados no ano 0
(zero) de ocorrência, onde são efetuadas a limpeza da área (R$ 105,00), a construção e
manutenção de estradas e aceiros (R$ 28,75) , subsolagem com fosfatagem (trator de pneus)
(R$ 307,48), gradagem leve na linha (R$ 49,20), o plantio das mudas (R$ 748,00),
distribuição de calcário (R$ 90,75), pulverização com herbicida (R$ 95,00), mão de obra de
plantio (R$ 600,00), adubação de plantio (R$ 120,00), adubação de cobertura (R$ 97,00),
combate a formiga (R$ 17,00), serviços de topografia (R$ 80,00), distribuição de mudas
(carreta agr. 4t.) (R$ 100,00) e o replantio (R$ 84,00), totalizando R$ 2.522,20, esse valor
representa 32,8% do custo ao longo dos 14 anos de ocorrência da floresta.
Ao longo dos outros 14 anos de ocorrência da floresta o custo aproximado foi de R$
4.500,00 em que as operações envolvidas são consideradas de manutenção foram efetuadas a
capina e roçada (manual) no ano 1 (R$ 220,00), capina e roçada (manual) no ano 1 (R$
100,00), controle de formiga do ano 1 ao ano 4 (R$ 14,00), custo da terra 1-n (R$ 150,00),
custo de administração 1-n (R$ 70,00), manutenção de estradas e aceiros, proteção florestal
do ano 1 ao 14 (R$ 30,00), desbrota da cepa do desbaste nos anos 5, 7 e 10 (R$ 82,80) e a
desrama 100% , até 4 m, no ano 2 (R$ 378,00). Esses serviços de manutenção da floresta
representam 67,2% do total de implantação desse investimento.
Em razão das mudanças recentes na legislação estadual em Alagoas, principalmente,
no que concerne ao uso das queimadas como método despalhador da cana-de-açúcar para précolheita, observa-se na Figura 18, um aumento significativo do uso de colhedoras, passando
de 6 na safra de 2012/2 para 11 equipamentos na safra 2013/2014, revelando que a queima da
cana está com os dias contados. Apesar do aumento médio de produtividade, o problema é o
54
investimento e a estrutura necessária a essa modalidade de mecanização e o custo de
manutenção, além disso, essas máquinas operam apenas em regiões de topografia plana.
Quando observamos o custo total de locação deste maquinário (Quadro 10), o valor
ultrapassa os R$ 244 mil. O consumo total em litros de combustível foi de 969,290. Outro
aspecto que precisa ser considerado é o consumo de combustível L/h por máquina que
totalizou 38,33 e 37,39 nas safras 2012 e 2013/2014, respectivamente, gerando um
lançamento de GEE’s na atmosfera.
O custo para o plantio de um hectare de cana-de-açúcar é de R$ 5.861,00 para os
estados do Nordeste, dos quais se incluem Alagoas, Pernambuco e Paraíba (PEGECE, 2014).
Para implantação e manutenção do plantio de eucalipto em uma área de um hectare o valor foi
de R$ 7.691,40, valor referente ao estado do Rio Grande do Sul (MARANGON, 2015).
Como dito anteriormente, o custo com cana-de-açúcar apresenta-se por safra enquanto
que os valores apresentados para o eucalipto mostram-se para um ciclo de vida da floresta de
14 anos. Desta forma, apesar dos valores reais de investimento para a eucaliptocultura serem
em média 24% maior que o da cana-de-açúcar, os custos estão diluídos no período de rotação
da floresta plantada.
A crise enfrentada pelo setor sucroenergético de Alagoas fez reduzir a receita bruta
entre as safras 2004/2005 e 2013/2014 conforme Quadro 11.
55
Quadro 11: Setor Sucroenergético de Alagoas: Evolução da Receita Bruta Estimada (Julho/2014)
Faturamento Bruto
Faturamento Médio em
Taxa de
Cana
Estimado – (R$ Mil)
R$/t Cana
Câmbio
Moída
Valor
Valor
Valor
Valor
Média
(Mil/t)
Corrente
Corrigido
Corrente
Corrigido
(R$/US$)
2004/05
26.148
2.068.396 3.294,614
79,10
126,00
2,7200
2005/06
22.532
2.106,195 3.230690
93,48
143,38
2,2600
2006/07
24.686
2.224,083 3.274,720
90,09
132,65
2,1000
2007/08
29.837
2.065,221 2.864,216
69,22
96,00
1,7230
2008/09
24.270
2.529,918 3.361,979
104,24
138,52
1,7786
2009/10
27.309
2.511,131 3.193,749
91,95
116,95
2,1484
2010/11
28.958
4.544,689 5.390,619
156,94
186,15
1,6475
2011/12
27.205
4.221,850 4.758,320
152,39
171,75
1,8630
2012/13
23.798
3.470,350 3.686,785
145,83
154,92
2,0811
2013/14
21.975
2.560,622 2.560,22
116,52
116,52
2,2885
Safras
Fonte: BEAL, 2014
1 - Valores corrigidos pelo IPCA/IBGE para Julho/2014
Cabe salientar, que a taxa de câmbio no período oscilou bastante. Durante o período
exposto na figura, o valor da moeda americana passou de R$ 2,7200 (2004/05), caindo para
1,6475 (2010/11), e voltando a se valorizar em 2013/2014 com R$ 2,2885, que faz com que
os preços dos insumos para a produção dos produtos e subprodutos da cana-de-açúcar também
acompanhem o mesmo comportamento do mercado financeiro.
Em relação à avaliação dos custos com a implantação do eucalipto em outras regiões
do país levando em consideração o Valor Presente Líquido (VPL) e a Taxa Interna de Retorno
(TIR), percebeu-se no trabalho de Rodigheri (2001) que todas as cinco alternativas de
produção analisadas são economicamente viáveis para os produtores rurais da região
estudada. No entanto, ressalta-se a rentabilidade do eucalipto solteiro em comparação aos
outros tipos de manejo. Os valores apresentados foram de VPL (R$/ha) 9.797,11 e de TIR de
27,23.
56
SILVA e FONTES (2005) também afirmam que o VPL descontado para um horizonte
de sete anos indica que o investimento é economicamente viável, com valores de US$
506,66/ha ou R$ 1.163,14/ha – cotação do dólar em 15 de dezembro de 2005 (R$ 2,2957).
No trabalho de REZENDE et al (2006) para a análise econômica de fomento florestal
com eucalipto no estado de Minas Gerais há uma constatação de que para nenhuma
possibilidade levantada a venda de madeira em pé apresentou um retorno negativo. A pior
TIR observada foi de 16% e a maior de 30%. O VPL variou de R$ 848,52/ha a R$
3.350,58/ha, considerando diversos níveis de produtividade e preço de compra.
Os valores encontrados por MOTTA et al (2010) em um estudo no município de
Queluz, no leste do estado de São Paulo, na microrregião de Guaratinguetá, com taxa de
12%/a.a. de juros indicou uma TIR de 11,83%/a.a. e um VPL de R$ 18.579,52/ha. No
segundo caso, a uma taxa de juros de 18%/a.a. uma TIR de 6,14%/a.a. e um VPL de R$
8076,00/ha.
BENDLIN et al (2014) afirma que tanto os plantios de eucalipto destinados à
produção energética, bem como para indústria da madeira em toras constituem-se numa
atividade rentável. A média para o VPL foi de R$ 3.375,00 para Eucalyptus benthammi, para
a produção de lenha para o ciclo de 7 anos de 420 m³/st/ha, com um valor mínimo de R$
712,00 e máximo de R$ 6.166,00, enquanto que, para Eucalyptus dunni, para a produção de
toras para um ciclo de 14 anos de 700 m³/st/ha é de R$ 20.194,00, com um valor mínimo de
R$ 1.432,00 e máximo de R$ 26.390,00. A média para a TIR é de 15,13%/a.a. para
Eucalyptus benthammi, com um valor mínimo de 8,31% e máximo de 20,44%/a.a., enquanto
que para Eucalyptus dunni - toras 700 m³/st/há é de 19,89%/a.a., com um valor mínimo foi de
17,49%/a.a. e máximo de 21,92%/a.a.
Para MARANGON (2015) a análise do VPL mostrou viabilidade econômica em todos
os regimes de manejo simulados, mesmo com as consequências monetárias sendo medidas em
pontos diferentes do tempo. O maior VPL encontrado para a mesma taxa de juros 5,65% a.a.,
ocorreu no regime 4 com três desbastes aos 52,8; 85,4; 121,8 e corte raso aos 158,9 meses
com VPL de R$ 12.372,35/ha. Para a TIR o regime de manejo que apresentou maior valor, ou
seja, tornou-se mais atrativo foi de 25,31 %/a.a. Os outros regimes tiveram variação entre
6,48%/a.a. e 24,01%/a.a.
57
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As florestas plantadas de eucalipto constituem-se em uma excelente alternativa para
fins energéticos devido a seus altos índices de produtividade e características energéticas,
como a densidade da madeira e poder calorífico. Além disso, o eucalipto é um vegetal que
proporciona seu uso para mais diversos fins, atendendo a vários setores industriais, tais como,
a indústria de papel e celulose, construção civil, móveis, etc.
No Brasil, grande parte das florestas plantadas de eucalipto se concentram nas regiões
Sudeste e Sul e atendem a demanda das indústrias de papel e celulose como também à
produção de carvão vegetal para as indústrias siderúrgicas e metalúrgicas, principalmente, na
substituição de combustíveis fósseis como o óleo diesel, derivado do petróleo e que como já
se sabe, é considerado um dos maiores contribuidores na emissão de GEE.
Em face das mudanças ocorridas nos últimos anos no setor sucroalcooleiro, em
especial, às legislações que obrigam os produtores a reduzir gradativamente as queimadas
como método despalhador e facilitador da colheita de cana-de-açúcar e a necessidade de
adaptação aos novos índices de produtividade com substituição de mão-de-obra pela
mecanização, algumas áreas antes ocupadas pelo plantio de cana ficarão ociosas, em virtude
das limitações que as máquinas possuem para terrenos com declividade acima de 12%,
gerando perdas econômicas significativas para tais regiões que dependiam exclusivamente
dessa cultura.
Essa situação pode levar a duas constatações em Alagoas: em algumas regiões já há
escassez de mão-de-obra e em outras um excedente, geralmente composta por trabalhadores
analfabetos. Os antigos cortadores de cana migram para as cidades. A mão-de-obra mais
qualificada e em condição de ser capacitada, migra para outros postos de trabalhos que estão
sendo gerados pela própria colheita mecanizada (operadores de máquinas, tombador,
bombeiros, mecânicos etc.) e outra parte para as indústrias que estão se instalando no estado.
O surgimento de uma nova cadeia produtiva é uma necessidade iminente, visto que o
setor sucroalcooleiro já enfrenta sérios problemas financeiros, inclusive, com o fechamento de
algumas unidades, além disso, o estado de Alagoas apresenta um atraso socioeconômico
histórico, resultado em parte da ausência de outras atividades que dinamizem os mais diversos
setores da economia.
A cadeia produtiva da eucaliptocultura compreende uma série de etapas que vai desde
a construção de viveiros permanentes ou temporários, a venda e transporte da madeira, a
associação floresta-cultura-gado, com a atividade agrossilvipastoril, que permite aumentos
58
nos ganhos de produtividade agrícola e animal para o produtor, o alívio da pressão sobre as
florestas nativas no que diz respeito ao desmatamento para o fornecimento de madeira para as
atividades industriais e ao estímulo para pesquisas científicas com o intuito de aprimorar o
desenvolvimento da produção de bioetanol de primeira e segunda geração a partir da casca do
eucalipto, que no caso da segunda geração, ainda apresenta resultados incipientes.
Como o eucalipto tem capacidade para produzir inúmeros produtos finais além da
energia (predominantemente móveis e construção civil), a eucaliptocultura implantada em
Alagoas pode fomentar a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias para diversificar
a cadeia de produção e inserir o fornecedor de cana e pequenos produtores no processo
produtivo. Algumas usinas e novas empresas estão investindo também em autoprodução de
energia e avançam no consumo próprio escapando dos altos custos da tarifa (preços da
energia elétrica) reduzindo custos de produção. Elas investem em termelétricas e ampliam o
leque de possibilidades também para o fornecimento de eletricidade (energia renovável). Esse
conjunto de novas modalidades de investimentos proporciona a geração de emprego e renda e
contribui para a superação do atraso histórico decorrente de modos tradicionais de produção
causadores de grande desigualdade social, para tal, essa nova composição de interação
contando com a participação da iniciativa privada é imprescindível.
Diante desse quadro de vantagens competitivas do eucalipto podemos afirmar que a
implantação de florestas plantadas para fins energéticos se constitui numa alternativa viável
tanto do ponto de vista econômico quanto socioambiental para o estado de Alagoas, visto que
os investimentos financeiros no setor serão impulsionados em razão da demanda da indústria
de MDF, em consequência das remodelações do campo às legislações vigentes e a
necessidade de criação de uma nova cadeia produtiva que leve o estado de Alagoas a
abandonar ou ainda, em menor projeção, de se distanciar da incômoda situação de atraso
socioeconômico enraizado e latente nos espaços geográficos caracterizados pela reprodução
de sistemas socioeconômicos e ambientais insustentáveis.
59
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