Thiago Ferro de Oliveira

Defesa

Métodos preditivos aplicados a sistemas fotovoltaicos

Resumo

A intermitência da irradiância solar impõe instabilidades à operação de sistemas elétricos e ao despacho fotovoltaico. Este trabalho propõe uma metodologia de previsão horária da irradiância global horizontal apoiada em três elementos. O primeiro dimensiona a janela autorregressiva pelo primeiro mínimo local da função de autoinformação mútua (AMI). Esse critério é confrontado com as funções de autocorrelação parcial e total e com uma referência heurística diurna, sobre uma grade comum de defasagens. O segundo elemento tria as variáveis meteorológicas locais pela relevância medida contra o resíduo do ajuste autorregressivo, o que separa informação nova da memória já contida na série. A redundância entre as variáveis retidas é penalizada em seguida. O terceiro elemento combina modelos heterogêneos pelo empilhamento dinâmico com portões de atenção, aqui proposto, e por uma média bayesiana de modelos com escalonamento de temperatura. Esse escalonamento impede a concentração do peso em um único preditor quando os desempenhos de base são próximos. A variável-alvo é o índice de claridade de definição extraterrestre, que dispensa a calibração de turbidez atmosférica. A avaliação usa medições de superfície de duas estações automáticas do Instituto Nacional de Meteorologia, Cercadinho, de clima tropical de altitude, e Ponta Porã, de clima subtropical úmido. Treze modelos de cinco tipos foram ajustados sobre 56 células, que cruzam duas estações, sete defasagens e quatro horizontes de até seis passos, com a persistência inteligente como linha de base. Aplicaram-se dois desenhos de particionamento, réplicas de Monte Carlo e inferência não paramétrica pelos testes de Friedman e de postos sinalizados de Wilcoxon e pelo delta de Cliff. A camada de combinação obteve o menor erro quadrático em 46 das 56 células e figurou entre os dois melhores modelos em todas elas, nos dois desenhos. Nas células ancoradas do horizonte de um passo, a raiz do erro quadrático médio foi de 112,3 e 104,1~W/m$^{2}$, contra 140,0 e 131,7~W/m$^{2}$ da persistência inteligente. O coeficiente de determinação alcançou 0,851 e 0,867. Esses erros situam-se no patamar ou abaixo da faixa de 112,6 a 117,7~W/m$^{2}$ do único estudo da revisão com dados brasileiros em previsão horária. Como aquele estudo opera sobre bases derivadas de satélite, a comparação é apenas indicativa, e a proposta prescinde de sensoriamento remoto e de previsão numérica de tempo. A superfície de erro mostrou-se plana, pois as diferenças entre os critérios de defasagem não passaram de 1,4\% do erro absoluto em nenhum horizonte. A AMI define, portanto, a unidade de resolução da memória local, sem estabelecer fronteira de desempenho. A inspeção dos resíduos em escala de irradiância revelou viés condicional de $+72{,}4$ e $-63{,}0$~W/m$^{2}$ entre os extremos de transmitância, sobre um agregado de apenas $+2{,}5$~W/m$^{2}$. Medidas globais de viés mascaram, portanto, erros condicionais uma ordem de grandeza maiores. Constitui contribuição adicional a verificação de fase entre a irradiância medida e a extraterrestre, adotada como requisito prévio à modelagem.

Palavras-chave

Inteligência Computacional
Séries Temporais
Redes Neurais Recorrentes
Aprendizado de Máquina
Geração Distribuída
Energia renovável.

Membros da Banca

Andre Luiz Lins de Aquino (Interno(a))
UFAL
Leonardo Faustino Lacerda de Souza (Interno(a))
UFAL
Fabiane da Silva Queiroz (Externo(a) ao Programa)
UFAL
Frederico Gadelha Guimarães (Externo(a) à Instituição)
UFMG
Informações da Sessão
Out 22
Data e Hora
Terça-feira, 14:00h
Candidato(a)
Thiago Ferro de Oliveira
Local
Remoto Hangout