ANALICE FERREIRA DA SILVA
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PROGRAMA DE PÓS- GRADUAÇÃO EM ENERGIA DA
BIOMASSA
ANALICE FERREIRA DA SILVA
TOLERÂNCIA DE MUDAS CLONAIS DE EUCALIPTOA DIFERNTES
CONDIÇÕES HÍDRICAS
RIO LARGO
2016
ANALICE FERREIRA DA SILVA
TOLERÂNCIA DE MUDAS CLONAIS DE EUCALIPTOS A DIFERENTES
CONDIÇÕES HÍDRICOS
Dissertação de Mestrado apresentado a Programa de
Pós-Graduação em Energia da Biomassa da
Universidade Federal de Alagoas, como requisito
parcial para obtenção do grau de Mestre em Energia
da biomassa.
Orientador: Prof. Hugo Henrique Costa do
Nascimento.
RIO LARGO
2016
Folha de Aprovação
ANALICE FERREIRA DA SILVA
TOLERÂNCIA DE MUDAS CLONAIS DE EUCALIPTOADIFERENTES
CONDIÇÕES HÍDRICAS
Dissertação submetida ao corpo docente do Programa
de Pós-graduação em Energia da Biomassa da
Universidade Federal de Alagoas e aprovada em 13
de Setembro de2016.
_________________________________________________________
Prof. Dr.Hugo Henrique Costa do Nascimento, UFAL (Orientador)
Banca Examinadora:
___________________________________________________________
Prof. Dr. Ricardo de Araújo Ferreira Júnior, CECA/ UFAL (Membro Titular).
___________________________________________________________
Prof. Dr. RenanCantalicede Souza, CECA/UFAL (Membro Titular).
___________________________________________________________
Prof. Dr. Gabriel Paes Marangon, CECA/UFAL (Membro Titular)
A Deus, pela presença constante e proteção diária na
minha vida. À minha filha Maria Cllara, por ter
suportado a minha ausência e compreender a
importância dessa etapa em nossas vidas.
AGRADECIMENTOS
À Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e à Unidade Acadêmica Centro de Ciências
Agrárias (CECA) pela oportunidade da realização do Curso de Mestrado em Energia da
Biomassa.
Ao meu namorado, Prof. Dr José Gomes Chaves, pelos ensinamentos e exemplo de dedicação.
A minha irmã, Maria Betânia Ferreira da Silva, pelo apoio e oração.
Ao Prof. Dr. Gaus Silvestre de Andrade Lima e à Prof.ª. Drª. Roberta Vilhena Vieira Lopes,
pelo apoio nos momentos difíceis deste curso.
Aos meus amigos Augusto César Lúcio, Silvana Pereira e Kennedy Luiz pelos momentos bons
e ruins que compartilhamos e pelas lutas que travamos ao longo do curso.
À minha querida amiga, Maria José Cardoso, pelas orações, incentivo e ensinamentos.
A todos do meu trabalhopela compreensão da minha ausência sempre que necessário em
especial na pessoa do Antônio, meu amigo especial que a vida me presenteou.
A todos os amigos mestrandos, os quais me proporcionaram conviver e conhecer um pouco de
cada um.
Aos acadêmicos da Engenharia Florestal pela contribuição fundamental na execução e
finalização do meu projeto de pesquisas, em especial os acadêmicos: Mateus Cruz, Letícia
Pereira, Antoniel Almeida e Matheus Ayres.
A todos os funcionários do Laboratório de Fisiologia Vegetal, principalmente na pessoa da
Isabella Cardoso, técnica do laboratório, pela contribuição e ensinamento sempre que
necessário.
Ao mestrando Tássio Duda Costa, pelo importante ajuda na execução do projeto.
Ao engenheiro florestal Marcos Rezende, pela importante contribuição que enriqueceu este
trabalho.
Ao Senhor Adonias pelo apoio de sempre.
A todas as pessoas que contribuíram de forma direta e indireta para o desenvolvimento deste
trabalho.
E de maneira especial ao meu orientador, Prof. Dr. Hugo Henrique Costa do Nascimento, pela
dedicação ímpar na elaboração e execução deste projeto.
Sou muito grata a todos vocês obrigada!
Se não puder voar, Corra. Se não puder correr,
ande. Se não andar, rasteje, mas continue em frente
de qualquer jeito.
Martin Luther King
RESUMO
O aumento da demanda energética impulsionou o Brasil a buscar novas fontes de energia, para
suprir a crescente demanda do país. E a utilização de florestas plantadas para fins energéticos
tem se destacado como uma alternativa promissora, por ser uma fonte geradora de energia limpa
e renovável. As florestas de eucalipto têm sido evidenciadas como a mais plantada no mundo,
por ser a mais produtiva. No entanto, em razão da necessidade do aumento da produtividade
está pesquisa foi realizada objetivando avaliar os efeitos das diferentes condições hídricas no
crescimento e na fisiologia das mudas clonais de eucalipto, tendo como foco a produção de
biomassa para geração de energia. Esta pesquisa foi desenvolvida em casa de vegetação, no
Laboratório de Fisiologia Vegetal e no setor de mudas florestais, no Centro de Ciências
Agrárias (CECA), pertencente à Universidade Federal de Alagoas (UFAL), entre os meses de
julho à novembro de 2015, com período experimental de 120 dias. Foram utilizadas mudas
clonais de eucalipto. As mudas passaram por um processo de transplantio, as quais foram
cultivadas por um período de 60 dias para aclimatização. O delineamento experimental foi
inteiramente casualizado (DIC), os tratamentos foram arranjados no sistema fatorial 3x2
constituído de três mudas clonais (144, 1407 e vc 865) e duas condições hídricas 75% da
capacidade de campo e 100% da capacidade de campo, com cinco repetições. Para acompanhar
o crescimento foram mensuradas semanalmente as variáveis (altura, número de folhas e
diâmetro do caule da mudas clonais). Ao final do experimento avaliou a produção e alocação
da matéria seca das partes áreas e raízes e a relação raiz/parte aérea. Também no final do
experimento foi avaliado a emissão de fluorescência da clorofila a, ao meio-dia (Fv/Fm e Yield)
e o teor de clorofila na terceira folha completamente desenvolvida, utilizando-se o. Fluorômetro
portátil de luz modulada e SPAD e pelo método bioquímico. Os dados foram submetidos à
análise de variância utilizando o software Assistat, as médias foram comparadas entre si pelo
teste de Tukey a 5% de probabilidade. Pode-se observar que na condição hídrica 100% da
capacidade de campo ocorreram diferenças significativas para todas as variáveis de
crescimento, e para produção e a locação de biomassa, houve também redução da eficiência
quântica do fotossistema II, intensidade verde (Spad )e clorofila a, clorofila b, clorofila total e
carotenoide. Evidenciou que a condição hídrica 75% da capacidade de campo as mudas clonais
desenvolveram-se melhor. Os dados indicam que o clone i144 foi que teve menor tolerância à
condição hídrica 100% da capacidade de campo, os clones 1407 e vc 865 foram os que tiveram
maior tolerância à condição hídrica 100% da capacidade de campo.
Palavras-Chave: Eucalyptus.Biomassa.Produção de energia.
ABSTRACT
The increase in energy demand boosted Brazil to seek new sources of energy to meet the
growing demand of the country. And the use of planted forests for energy purposes has stood
out as a promising alternative, for being a source of generating clean, renewable energy.
Eucalyptus forests have been highlighted as the most planted in the world, for being the most
productive. However, due to the need for increased productivity's survey was conducted in
order to assess the effects of different water conditions on the growth and physiology of
eucalyptus clonal seedlings, focusing on the production of biomass for energy generation. This
research was developed in the greenhouse, in the laboratory of plant physiology and forest
seedlings, in the center of Agrarian Sciences (ECSC) in the Universidade Federal de Alagoas
(UFAL), between the months of July to November 2015, with 120-day trial period. Eucalyptus
clonal seedlings were used. The seedlings have undergone a process of transplanting, which
were cultivated for a period of 60 days for acclimatization. The experimental design was
completely randomized design (DIC), the treatments were arranged in factorial 3 x 2 system
consisting of three clonal seedlings (144, 1407 and u 865) and two water conditions 75% of
field capacity and 100% of field capacity, with five repetitions. To accompany the growth were
measured weekly variables (height, number of leaves and stem diameter of clonal seedlings).
At the end of the experiment evaluated the production and dry matter allocation of parts areas
and roots and root/shoot ratio. Also at the end of the experiment was evaluated the issue of
chlorophyll a fluorescence, at noon (Fv/Fm and Yield) and the chlorophyll content in third leaf
fully developed, using the portable light modulated Fluorômetro ... and SPAD and by
biochemical method. The data were subjected to analysis of variance using the software
Assistat, averages were compared with each other by Tukey test at 5% probability. It can be
observed that the water condition 100% of field capacity occurred significant differences for all
variables, growth and production and rental of biomass, there was also a reduction of the
quantum efficiency of photosystem II,green intensity of leaves(Spad) readings and chlorophyll
a, chlorophyll b, total chlorophyll and carotenoid. Showed that the water condition 75% of field
capacity clonal seedlings developed better. The data indicates that the clone was i144 which
had less tolerance for water condition 100% of field capacity, the clones and 1407 865 were
those who had a higher tolerance for water condition 100% of field capacity.
Keywords: Eucalyptus, Biomass, Energy Production.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Processo de Determinação da Capacidade de Campo do Substrato utilizado no
experimento,
Cedidopelo
(PMGCA)
Programa
de
Melhoramento
Genético
de
Cana-de-
Açúcar.Enchimento dos vasos de polietileno com substrato (A), determinação do Peso do Substrato
Seco (B - PSU), saturação do substrato (C) e determinação do Peso do Substrato Úmido (D PSU)...........................................................................................................................................25
Figura 2 -Preparação para obtenção de matéria seca (partes aéreas e radiculares) das mudas de
clones i144, 1407 e vc 865, submetidos a diferentes condições hídricas (75% e 100% da
Capacidade de Campo), em dois períodos de avaliações 30 e 60 dias.Processo de lavagem da
parte radicular (A), Lavagem da raiz (B), Mensuração em altura (C), Medição diâmetro do caule
(D) e Separação da parte aérea e radicular (E). ........................................................................ 27
Figura 4 -Preparação das amostras das mudas clonais de eucalipto, submetidas a diferentes
condições hídricas, em dois períodos de avaliações 30 e 60 dias, realização das leituras a partir
da espectrofotometria. Pesagem da amostra (A), processo de picotagem da amostra (B), tubos
rosqueáveis envolvidos por papel alumínio (C), acetona e água destiladas substâncias utilizadas
para extração da clorofila (D), com auxílio da pipeta colocação da substância na cubeta de vidro
(E), processo de colocação da substancia cubeta de vidro (F) e espectrofotômetro equipamento
utilizado para a leitura de absorbância (G)...........................28
Figura 5 - Altura, diâmetro do caule e de número de folhas de mudas clonais de eucalipto (i144,
1407 e vc 865) submetidos a diferentes condições hídricas (75% e 100% da Capacidade de
Campo). Letras maiúsculas comparam os clones dentro de cada tratamento hídrico e letras
minúsculas comparam os tratamentos hídricos nos dois períodos de avaliações.....................31
Figura 6 -Produção da Biomassa Seca das Folhas (BSF-A), dos Caules (BSC-B), das Raízes
(BSR-C) e Matéria Seca Total (BST-D), de mudas clonais de eucalipto (i144, 1407 e vc 865),
submetidos a diferentes condições hídricas (75% e 100% da capacidade de campo)Letras
maiúsculas comparam os clones dentro de cada tratamento hídrico e letras minúsculas
comparam os tratamentos hídricos nos dois períodos de avaliações........................................33
Figura 7 -Alocação de Biomassa das folhas, caules e raízes de mudas clonais de eucalipto
(i144, 1407 e vc 865) submetidos diferentes condições hídricas (75% e 100% da capacidade de
campo).Letras maiúsculas comparam os clones dentro de cada tratamento hídrico e letras
minúsculas
comparam
os
tratamentos
hídricos
nos
dois
períodos
de
avaliações..................................................................................................................................34
Figura 8 - Relação Raiz/Parte Aéreas de mudas clonais de eucalipto (i144, 1407 e vc 865) sob
diferentes condições Hídricas (75% e100% da capacidade de campo)Letras maiúsculas
comparam os clones dentro de cada tratamento hídrico e letras minúsculas comparam os
tratamentos hídricos nos dois períodos de avaliações...............................................................34
Figura 9 - Avaliações da Eficiência Quântica Efetiva do Potencial do Fotossistema II
Fv/Fm,(A)ETRmax(C), Fv/Fm x ETR(D) e Leitura Intensidade Verde(SPAD)(B) das mudas
clonais de eucalipto (i144,1407 e vc 865) submetidas a diferentes condições hídricas (75% e
100% da capacidade de Campo).Letras maiúsculas comparam os clones dentro de cada
tratamento hídrico e letras minúsculas comparam os tratamentos hídricos nos dois períodos de
avaliações..................................................................................................................................37
Figura 10 -Avaliações dos Pigmentos Fotossintéticos clorofila a, clorofila b, carotenoide e
clorofila t, das mudas clonais de eucalipto (i114, 1407 e vc865) submetidas a diferentes
condições hídricas (75% e 100% da capacidade de campo). Letras maiúsculas comparam os
clones dentro de cada tratamento hídrico e letras minúsculas comparam os tratamentos hídricos
nos dois períodos de avaliações..................................................................................................39
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Análise química do substrato, cedido pelo PMGCA(Programa de Melhoramento
Genético da Cana- de açucar), utilizado no Experimento em casa de vegetação.................... 24
Tabela2 - Avaliação do crescimento das mudas clonais i144, 1407 e vc 865 em diferentes
condições hídricas (75%e 100 % da capacidade de campo), da variável altura (cm), diâmetro
do caule (mm), produção de folhas, (MSF) Matéria seca das folhas, (MSC) Matéria Seca do
Caule, (MSR) Matéria Seca da Raiz, (MST) Matéria Seca Total, Alocação da Biomassa das
Folhas
(ABF),
do
Caule
(ABC),
A
da
Raiz
(ABR)
e
Ralação
Raiz/parte
aérea..........................................................................................................................................42
Tabela 3 - Avaliação Fisiológica das Variáveis,Intensidade Verde das folhas a partir do índice
SPAD, Pigmentos Fotossintéticos Clorofila a, b, Total (T) e Carotenoide, Eficiência Quântica
do Fotosistema II, Fv/Fm, ETRmax (Taxa Relativa de Transferência de Elétrons), Fv/Fm x
ETR., das mudas clonais de eucalipto (i144, 1407 e vc 865) em duas condições hídricas 75% e
100%da
capacidade
de
Campo,
em
dois
períodos
de
avaliações
30
e
60
dias........................................................................................................................................42
SUMÁRIO
1 .....INTRODUÇÃO................................................................................................... 13
2......REVISÃO DE LITERATURA...................................................................... ...14
2.2... Aspectos botânicos e econômicos da cultura do eucalipto .......... ...................14
2.3...Clones de eucalipto............................................................................................19
2.4 . Ecofisiologia do crescimento florestal...........................................................21
4......MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................... 24
4.1 ....Localização do Experimento ............................................................................ 24
4.2.....Delineamento Estatistico...................................................................................24
4.3
Caracterização do substrato utilizado.............................................................24
4.4
Determinação da Capacidade de Campo ....................................................... 24
4.5.... Clones utilizados, aquisição das mudas e transpalntio.................................26
4.6
Avaliações de Crescimento............................................................................... 26
4.7
.Avaliações Fisiológicas ..................................................................................... 27
4.7.1
Avaliaçõesdos
pigmentos
fotossintéticos
pelo
índice
SPADe
métodobioquímico.......................................................................................................27
4.7.2 .Avaliação da fluorescência da clorofila .............................................................. 29
4.8 ... Análise Estatísticas ........................................................................................... 29
5
RESULTADO E DISCUSSÕES ...................................................................... 30
5.1
.Avaliações das Variáveis de Crescimento.................................................... .30
5.1.1 Altura, número de folhas e diâmetro do caule das mudas clonais......................31
5.1.2 Produção de Matéria Seca das Mudas Clonais..................................................32
5.1.3...Alocação de Biomassa e Relação Raiz/Parte Aérea..........................................33
5.2
Avaliações Fisiológicas....................................................................................36
5.2.1...Eficiência Quântica do fotossistema II.............................................................36
5.2.2 ..Pigmentos Fotossintetizantes Clorofila a,b, total e carotenoide.......................38
6........CONSIDERAÇÕESFINAIS......................................................................... 43
.REFERÊNCIAS..............................................................................................44
.
13
1 INTRODUÇÃO
O aumento da demanda energética da sociedade foi motivado por alguns fatores que
contribuíram diretamente para essa crescente demanda, dentre eles citam-se, crescimento
populacional, a melhoria da qualidade de vida, a expansão econômica, as mudanças climáticas,
de maneira que impulsionou os países a desenvolver novas tecnologias e buscarem fontes
alternativas de energias que fossem capazes de suprir a demanda energética do país. Onde o
plantio florestal com fins energéticos foi evidenciado como uma importante fonte de matéria
prima para a geração de energia limpa, renovável, além da acessibilidade do seu preço para a
população. Pois, sabe-se que atualmente o petróleo é a principal fonte de energia dos países, e
oriundo de fontes não renovável, causadora da degradação ambiental, além de ser uma matriz
energética cara e insegura, em razão de ser concentrada em poucos países sua produção.
De maneira que a procura por fontes alternativa de energia se tornou uma inclinação dos
países, incentivados pela preocupação da preservação ambiental, escassez dos recursos naturais,
além das questões econômicas. E entre as fontes alternativas de energia a biomassa florestal
tem sido a mais utilizada, principalmente para atender a demanda energética. Resultando em
aumento das plantações de florestas com finalidade para produção de energia, que impulsionou
a busca por cultura mais produtiva, com alta produtividade em menor intervalo de tempo e em
menor custo, onde se destacou o gênero Eucalipytuscomomais plantado no Brasil, devidoa
vários fatores, como: crescimento acelerado, ciclo curto para corte, multiplicidade de uso,
excelentes forma do fuste, que o caracteriza com alto rendimento no processo de colheita,
plasticidade ambiental e principalmente as características para fins energéticos dentre elas
citam-se: alto poder calorífico e teor de lignina, menor umidade, maior densidade. Diante da
necessidade de suprir a demanda energética do país, a partir da biomassa florestal, a qual é
referenciada, por gerar energia limpa e renovável, faz-se necessário conhecer as respostas
morfofisiológicas da referida cultura em diferentes condições hídricas, para que, reduza e/ou
elimine as perdas da produtividade do eucalipto.
Nesses termos, o objetivo desta pesquisa foi avaliar a tolerância das mudas clonais de
eucalipto (i144, 1407 e vc865) e as suas respostas morfofisiológicas quando submetidos a
diferentes condições hídricas, visando reduzir às perdas florestais, proporcionando uma maior
produção de biomassa e consequentemente uma maior a geração de energia, renovável, limpa
e segura.
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Biomassaflorestal fonte renovável de energia
Entre as alternativas renováveis de energias, em oposição ao combustível fóssil a
biomassa tem manifestado um maior interesse. Em razão das suas características, que a defini
como um recurso renovável oriunda de matéria orgânica de origem animal e vegetal, que pode
ser usada como fonte de energia (SILVA et al.,2004). Dentro da área energética, pode-se definir
biomassa como todas as formas de plantas e também os derivados, que podem ser
transformados em energia utilizável, tais como: a madeira, resíduos urbanos e florestais, óleo
vegetal, grãos, talos. A qual também conceitua como energia verde ou bioenergia, que é a
energia produzida a partir da biomassa florestal (GRAUER; KAWANO, 2008).
Segundo, Brito (2007) a primeira fonte energética utilizada pelo homem desde os
primórdios da humanidade foi à madeira, principalmente na forma de lenha, usada para cocção
dos alimentos e aquecimento. O autor também constatou que ao longo dos anos a madeira foi
utilizada em diversos processos para geração de energia térmica, mecânica e elétrica.
Posterior à revolução industrial o mundo passou a utilizar a energia oriunda de
combustível não renovável, dos quais se citam carvão mineral, gás natural e petróleo. Tendo
como consequência uma grande demanda no consumo de combustível fóssil pela humanidade,
no entanto, conforme vários especialistas, nos próximos cem anos estes combustíveis podem se
esgotar (ORTIZ, 1996).
Em razão da previsão, somando-se com a crise do petróleo na década de 1970, os países
se conscientizaram da necessidade de criar políticas que visassem um aproveitamento racional
dos recursos energéticos, que teve como objetivo diminuir a dependência de fontes energéticas
não renováveis, principalmente o petróleo (CORTEZ; LORA, 1997). Impulsionados pela
necessidade da redução da utilização derivados de petróleo, e em consequência da dependência
energética dos países importadores em relação aos exportadores de petróleo (CORTEZ et al.,
2008).
Segundo,Mueller (2005) e Assis (2012), a mitigação da emissão dos gases causadores
do efeito estufa, foi resultado do aumento da utilização de fontes renováveis de energia,
ocasionado pelas pressões ambientais, tanto nos países desenvolvidos como nos países em
desenvolvimento. Como a biomassa em sua maioria é originária de florestas energéticas, as
plantações preservam as florestas nativas, melhoram a qualidade dos recursos hídricos e
promove a manutenção da fertilidade do solo, além de contribuir com o balanço neutro de
emissões e fixação de gases poluentes, como o dióxido de carbono (BRAND, 2010; GARLIPP;
15
FOELKEL, 2009). Ainda sobre a utilização da biomassa florestal e a preservação ambiental,
(Rocha, 2011) ressalta que as plantações florestais objetivando a produção de biomassa para
geração de energia favorecem para uma prospectiva ambiental mais sustentável, devido ao
aproveitamento total da madeira, e a volta dos resíduos para o solo.
De acordo com, Nascimento (2007) a biomassa florestal é uma eficiente fonte energética
renovável e de baixo custo, cujo aproveitamento é quase total. Afirma, ainda, que além da lenha
na forma comercial, os resíduos florestais nos últimos anos têm sido uma excelente fonte
energética, contribuindo, inclusive, para redução de problemas ambientais.
Para a produção de energia as diferentes partes da árvore podem ser utilizadas, tais
como: a madeira ou lenha, galhos, folhas, raízes, frutos e extrativos, os quais compõem a
biomassa florestal, além dos resíduos como a casca, a serragem, refilos, que podem ser
utilizados na forma de briquetes e pellets (BRAND, 2010), podendo ser usadas como fontes
energéticas a partir da queima direta, carvão vegetal, resíduos da exploração, óleos essenciais
entre outros (SOARES et al., 2006). Já para a obtenção de energia, tendo como base a biomassa
florestal, são utilizados vários processos, os quais são classificados em combustão direta,
pirolise, gaseificação, hidrólise entre outros (BRAND, 2010). Sabe-se que a maneira mais
arcaica e até hoje muito utilizada é a combustão direta, a partir da qual mais de 97% de toda a
energia produzida no mundo é gerada (DERMIBAS; BALAT, M; BALAT, H, 2009).
A energia obtida a partir da biomassa florestal classifica-se em energia primária, quando
encontrada no seu estado natural, e em energia secundária, como carvão vegetal ou na
eletricidade (VIDAL; HORA, 2011).
A utilização da biomassa como fonte enérgica no Brasil tem crescido continuamente,
ocupando no ano de 2007 a segunda colocação na matriz energética, com participação de
31,1%, perdendo apenas para o petróleo e seus derivados. Entre as fontes de energia elétrica de
origem interna biomassaencontra-se na mesma posição, com 3,7% da oferta. No entanto a
energia gerada a partir de hidroelétricas foi responsável pela produção de 77,4 da oferta total,
de maneira a superar a participação da biomassa como fonte energética (BEN, 2008); (BRASIL,
2009).
De acordo (BEN, 2008) as indústrias são os principais compradores de biomassa, em
torno de 52% do consumo final, o transporte com 14%, e o residencial com 13% da energia
consumida. No início dos anos 80, ocorreu um aumento do uso da biomassa para o setor
industrial, em consequência dasubstituição do óleo combustível por carvão vegetal, o aumento
da produção de álcool a partir do bagaço da cana- de- açúcar, evidenciando também o
crescimento da siderurgia a carvão vegetal. Em contrapartida houve uma menor utilização no
setor residencial, devido à menor utilização da lenha para cocção de alimentos.
Segundo (ABRAF, 2013) energia elétrica gerada a partir da biomassa aproximadamente
15,8% é oriunda da biomassa florestal, onde 1,8% têm como base biogás, casca de arroz, o
capim elefante e o óleo de palma.
Em razão dos avanços alcançados na tecnologia, conquistados tanto na área energética,
tendo como base a biomassa florestal, quanto na silvicultura brasileira, que proporcionou
aumento da produtividade, melhoramento genético, além da redução dos custos, a partir deste
contexto é possível prognosticar o crescimento e desenvolvimento de florestas plantadas com
fins a geração de energia elétrica (MULLER, 2005).
O grande potencial do eucalipto como produtor de madeira de qualidade, as condições
ambientais favoráveis e o conhecimento silviculturais satisfatório, são fatores importantes para
dar vantagem comparativa na produção de matéria- prima, provenientes de florestas renováveis
(BARCELLOS, 2005).
2.2 Aspectos botânicos e econômicos da cultura do eucalipto
Eucalipto (do grego, eu + καλύπτω = "bem coberto"), descrito em 1788 pelo botânico
francês Charles Louis L'Héritier de Brutelle, designação vulgar das diversas espécies vegetais
do gênero Eucalyptus, gênero apresenta mais de 600 espécies e um enorme número de
variedade e híbridos naturais, pertencente à família Myrtaceae, subfamília Leptospermoideae,
onde as espécies encontram-se distribuídas no continente australiano e ilhas da Oceania
(ANDRADE, 1961).
No Brasil, em 1825 chegou os primeiros eucaliptos, como planta ornamental, no Jardim
Botânico do Rio de Janeiro. Em 1868, no Rio Grande do Sul o eucalipto passou a ser plantado,
para ser utilizado para lenha e quebra-vento (SUZANO, 2011). Nos anos seguintes a
eucaliptoculturaexpandiu no Brasil, impulsionado pelo programa de incentivo fiscal ao
reflorestamento (PIFR), a partir de 1965, onde os plantios de eucalipto passaram de 500 mil
hectares para mais de 3.500milhões de hectares (LIMA, 1996; HASSE, 2006; VALVERDE,
2007).
O gênero Eucalyptus é nativo da Austrália e de ilhas adjacentes pertence divisão das
Angiospermas, da classe Dicotiledônea, ordem Myrtales, família da Myrtaceae, com vasta
disseminação no mundo e plasticidade genotípica. (SANTOS; AUER; GRIGOLRTTI JÚNIOR,
2001; FONSECA et al., 2010).
17
Segundo,Oliveira (2001) o gênero Eucalyptuspossui cerca de 720 espécies e subespécie.
No entanto, Silva e Matos (2003) destacam que os plantios brasileiros são formados
basicamente por quatro espécies e alguns híbridos, os quais correspondem por
aproximadamente por 94% dos plantios, Eucalyptusgrandis (55%), E. saligna (17%), E.
urophylla (9%), E. vinimalis (2%) e híbridos de E. grandis x E. urophylla (11%).
Com mais de três milhões de hectares plantados e manejados, o gênero Eucalyptus tem
dominado o Brasil, destacando - se principalmente para obtenção dos produtos, tais como:
polpas de celulose, papel, madeiras para ser usadas em serraria e como fonte para geração de
energia (ABRAF, 2006; SANSÍGOLO, 2011; FERNANDES, 2012).
De acordo com, Neves et al. (2013) em razão da adaptação em diferentes climas e solos,
como também da diversidade de uso, o gênero Eucalyptuspor várias décadas tem sido o mais
plantado no Brasil. O Eucalyptus é caracterizado por árvores com grande taxa de crescimento,
com alta flexibilidade, caules retos e desrama natural, cujas madeiras apresentam grandes
variações nas propriedades químicas.
No Brasil, reflorestamento com base floresta exótica era limitado às grandes empresas
de reflorestamento. No entanto, recentemente tem surgido como uma atividade geradora de
ganhos econômicos para o pequeno e médio produtor, ultrapassando em rentabilidade as
tradicionais atividades agropecuárias, como exemplo: canavieira e a bovinocultura (BAENA,
2005).
De acordo com, Cordeiro et al.,(2010) constataram que é primordial a participação dos
pequenos e médios produtores rurais na atividade florestal associada ao consumo das industrias,
sendo essa integração necessária ao desenvolvimento socioeconômico das comunidades
regionais, impulsionado pelo desenvolvimento sustentável dos empreendimentos florestais e
industriais. Onde os impactos regionais provocaram melhores condições socioeconômicas das
regiões, impulsionada pelo crescimento do setor florestal, tendo como resultado progresso
econômico nas regiões.
O crescimento das áreas plantadas por eucalipto no Brasil equilibrou a oferta e a
demanda por matéria-prima, de maneira que a grande procura foi suprida para a produção de
celulose, papel, madeira, para o uso na serraria, carvão vegetal utilizado como fonte de
bioenergia e outros (LIMA, 1996; ALFENAS et al., 2004).
Vale ressaltar que o eucalipto pode ser utilizado em diversos segmentos: dentre os quais
se citam: madeira sólida, postes, energia, celulose, carvão vegetal, óleos essenciais,
farmacêuticos, mel, além de sombra em parques e jardins, tendo suas espécies plantadas em
mais de 90 países (DOUGHTY, 2000).
O eucalipto possui um alto potencial para geração de energia, Couto e Muller (2008)
corroboramqueo gênero Eucalyptus tem-se destacado como o mais usado para a implantação
de florestas com fins energéticos, em razão das propriedades energéticas de densidade da
madeira, alto poder calorífico e, ainda, devido à versatilidade ambiental, que proporcionam os
altos índices de produtividade.
Segundo, Frederico (2009) para geração de energia o gênero eucalipytus tem grande
importância principalmente nos segmentos comercial, industrial e residencial. Na siderurgia
brasileira, por exemplo, o carvão vegetal constitui uma ótima matéria-prima em razão do seu
valor como combustível e termorredutor, baixa custo para sua produção, possui alto grau de
pureza, além de ser produto renovável, correto ambientalmente proveniente de florestas
plantadas.
No Brasil os plantios de eucalipto estão entre os mais produtivos do mundo, devido aos
desenvolvimentos das melhores técnicas de manejos, ao melhoramento genético e também a
excelente adaptabilidade ambiental, fatores que certificam as espécies os altos valores de
crescimentos. De acordo com, ABRAF (2013) foi derivada de biomassa 7% da energia elétrica
gerada, onde o Brasil no ano de 2012 tinha 5.102.0.30 hectares de floresta plantadas.
Conforme, (Trevisan, 2010) além dos vários fatores que favoreceram o uso de florestas
plantadas, a exigência mundial por madeira ambientalmente correta tem impulsionado a
expansão dos mercados para este segmento. Que somando esses fatores com a globalização do
mercado consumidor motivaram a crescente necessidade do aumento na produtividade, como
também atender aos altos padrões de qualidade, impulsionou a exploração de árvores exóticas,
como as do gênero Eucalyptus. O consumo de produtos florestais tem aumentado
continuadamente, em razão das exigências do mercado externo, da preocupação com a
sustentabilidade (FREITAG, 2007).
O Brasil possui uma das mais avançadas tecnologias do mundo utilizado em florestas
plantadas, onde o eucalipto é seu principal componente. Com participação significativa no
Produto Interno Bruto (PIB) nacional, proporcionando a geração de milhões de emprego direto
e indireto, destacando a participação nos seguintes setores: celulose e papel, carvão vegetal a
siderurgia, madeiras e moveis, tornando-se inegável participação do setor florestal na economia
do Brasil (PINTO JÚNIOR; AHRENS, 2010).
19
Segundo, ABRAF (2013) o setor florestal obteve 56,3 milhões do valor bruto da
produção (VBP), cuja arrecadação de tributo correspondeu 7,6 bilhões (onde 0,5
corresponderam à arrecadação nacional). Constatou que a balança comercial da indústria
nacional de base florestal teve um saldo de USD 5,5 bilhões inferior (3,8%) o alcançado no ano
de 2011, observou que balança comercial nacional expandiu sua participação no superávit
passando de 19,1% para 28,1%.
O setor florestal brasileiro produziu cerca de três bilhões em imposto e também gera
mais de dois milhões de empregos, seja de maneira direta e/ou indireta , resultado dos 4,8
milhões de hectares de Eucalyptus e Pinus ssp, porém é necessário aumentar a área, em razão
da crescente demanda por estoques de madeira, além da ameaça da importação de
madeira(GARLIPP,2001).
Considerando que o crescimento dos plantios de eucaliptos provocou impactos positivos
na economia brasileira, destacou-se que a eucaliptocultura contribuiu, significativamente, para
a economia nacional, pois, além de fornecer matéria-prima para o Brasil, fornecia produtos para
exportação, gerando impostos, empregos e renda. Além disso, com o plantio de florestas para
atender a uma demanda por produtos de origens florestais, reduziu bastante a pressão sobre as
florestas nativas remanescentes (LIMA, 1996, SANT'ANNA; FREITAS, 2004; ABRAF,
2012).
2.3 Clones de eucalipto
A modificação do patrimônio genético das plantas constitui basicamente o
melhoramento genético. Que objetiva obter variedades ou híbridos com os melhores
rendimentos, com produtos de alta qualidade, adaptações a vários ambientes, além da
resistência a doenças e pragas (SANTOS, 2005).
Em 1980 teve início o processo de clonagem no Brasil, porém a expansão ocorreu na
década seguinte, sendo o hibrido Eucalyptus grandis vs. e Eucalyptus urophylla os principais
responsáveis pelo avanço do ritmo de crescimento florestal, onde a constituição da base da
clonagem silvicultural brasileira foi formada pelo E. grandis vs. E.urophylla. Cujas matrizes
eram provenientes de outros continentes. Vários tipos de híbridos ou espécies são utilizados,
onde as empresas conservam bancos genéticos com a finalidade de acionar novos genes quando
solicitados (FOELKEL, 2007).
Ainda sobre a importância do processo de hibridação para a obtenção de florestas mais
produtivas, Muro-Abad (2000) constatou a utilização do urograndis nos plantios de eucalipto,
é resultante do cruzamento entre as espécies de E. urophylla e E. grandis, sendo o mais utilizado
nos programas de hibridações. Esse processo reuniu as melhores características das duas
gerações, proporcionando plantios mais homogêneos e uniformes.
Conforme, Carvalho (2000) o cruzamento com as espécies E.urophylla e E.grandis, teve
como finalidade a obtenção de plantas com ótimo crescimento, característicaque determina
oE.grandi. Já a espécieE.urophyllapossui madeira com ótima densidade, alto rendimento e boas
propriedades físicas para celulose.
O Eucalyptusgrandis, conhecido popularmente como eucalipto rosa, nativo do Norte de
Novas Gales do Sul e da Costa Sul de Queensland, família Myrtacea, pertencentes às
Angiospermas é caracterizado como uma árvore perenifólia, seu troncoé retilíneo, sua ramagem
é longa e robusta, constituído por copa aberta ou alongada podendo a alcançar de 20 a 40 metros
de altura (LORENZI et al.,1992).
O material genético do Eucalyptusgrandis possui alta potencialidade produtiva e
também possui ótimas característica madeireiras, podendo ser utilizado para diversos fins, tais
como: papel e celulose, energia, construção civil dentre outras (BARREIROS et al., 2007)
O Eucalyptusurophylla é destacada como uma das mais importantes entre as espécies
utilizadas de híbridos, em razão do seu ótimo crescimento em aproximadamente 20 território
nacional, além da sua flexibilidade operacional. A espécie tem ampla estabilidade genética em
todas as áreas experimentais onde foi testada e resistência ao cranco, outros fatores importantes
evidenciados na espécie (MOURA et al., 1980; TONACO, 2002).
Segundo,Toniniet al., (2006) a crescente demanda por produtos de origens florestais
impulsionou as empresas madeireiras do Brasil a realizarem altos investimentos em
melhoramentos genéticos e técnicas que proporcionassem florestas mais homogêneas,
produtivas e matérias-primas de melhor qualidade.
O uso de novas tecnologias e o melhoramento genético tem proporcionado ao setor
florestal brasileiro desenvolvimento considerável objetivando o aumento da produtividade, que
tem alcançado uma produtividade que varia de 38 a 53 m³ por ha/ ano (STAPE, 2008). O autor
evidenciou que as condições favoráveis de solo e clima, além dos altos investimentos
tecnológicos na silvicultura, proporcionaram a alta produtividade das florestas plantadas de
eucalipto.
De acordo com, Silva (2008) as florestas brasileiras plantadas com eucalipto são
formadas basicamente por florestas clonais, pois os materiais são caracterizados pelo alto índice
de produtividade e resistentes a pragas e doenças.
Xavier;Silva (2009) ressaltaram que utilização de espécies clonais oportunizou um
maior controle sobre a qualidade dos produtos, dispondo das melhores combinações genéticas,
21
como dos híbridos, proporcionando um aumento da produtividade silviculturas, na qualidade
tecnológica da madeira, além de um maior controle de doenças.
2.4 Ecofisiologia do crescimento florestal
Existem na natureza vários fatores que contribuem para que ocorram variações
consideráveis na produtividade das florestas. O estudo dos fatores ambientais e sua interação
com a fisiologia das espécies é importante para compreendera ecofisiologia da produção
florestal, de forma que se ressalta a importância de um estudo contínuo dessas interações e a
utilização do material genético das espécies de eucalipto, que sejam capazes de se estabelecer
e desenvolver em diferentes condições hídricas do solo, pois o conhecimento dessa relação é
de grande importância para alcançar êxito de um povoamento florestal (TAGIBA, 2006).
Na produção vegetal a água constitui um fator essencial, pois a falta ou excesso afetam
decisivamente o desenvolvimento do vegetal, sendo o solo o reservatório temporário de água,
exercendo funções de disponibilizar e armazenar água para as plantas conforme suas
necessidades (REICHARDT; TIMM, 2004).
Segundo,González e Alves (2005). O armazenamento ocorre nos espaços porosos,
sendo esses altamente dinâmicos e variáveis no tempo e espaço, principalmente em região
próxima à superfície do solo, que em presença de alto teor de água, é facilmente evaporada e
absorvida pelas raízes.
O sistema circulatório do solo representado pela rede de poros, o qual é responsável
pelas trocas gasosas, e também pela transmissão e o armazenamento da água, assegurando o
crescimento e o desenvolvimento das culturas do ecossistema (KAISER, 2010). .
Vários fatores são controlados pelo teor de água, entre eles pode-se citar: a aeração,
temperatura, a resistência mecânica ao crescimento da raiz que poderão ser prejudicadas pela
densidade do solo, a distribuição do tamanho dos poros do solo também pode afetar o
crescimento dos vegetais, de forma que esses fatores físicos se integram e regulam o
crescimento e a funcionalidade da parte radicular, tendo como base os limites críticos
vinculados ao ar, a água e a resistência do solo refletindo na produtividade das culturas
(REICHERT et al., 2003).
Devido ao aumento da demanda por eucalipto para várias finalidades, tornou-se
fundamental um maior conhecimento sobre o seu cultivo, como também da resposta
fisiológicas, com relação à disponibilidade de água no substrato, que em diversas espécies
florestais tem sido observado, cuja observação também tem sido evidenciada nas espécies do
gênero Eucalyptus (FERREIRA et al., 1999; LOPES et al., 2005).
Segundo, Gonçalves et al., 2009 quando os fatores abióticos alteram os processos
fisiológicos das plantas nas diferentes fases de crescimento, torna-se mais difícil alcançar êxito
das plantas em sua fase inicial, e entre os fatores abióticos pode-se citar: deficiência na
disponibilidade hídrica, altas taxas de irradiação solar, deficiência nutricional. Dentre os fatores
capazes de provocar limitações dos sistemas agrícolas a água é o principal fator, pois prejudica
as relações hídricas nas plantas, modificando os seus metabolismos, constatando que a limitação
na disponibilidade hídrica ocorre em vastas áreas cultiváveis de eucalipto, provocando grandes
perdas na produção (PAIVA et al, 2005).
Na definição de água disponível para as culturas incluem-se outras propriedades físicas
que podem prejudicar de maneira direta o crescimento das plantas, entre elas citam-se
fornecimento de oxigênio, a porosidade mínima de aeração, temperatura, como também o
conteúdo de água no solo. E entre eles água tem o papel essencial, pois todos os fatores que se
correlaciona como crescimento e desenvolvimento das plantas são regulados pela água.
Caracterizando a qualidade do solo LETEY(1985);SILVA e KAY (1997);TORMENA et al.,
(1998).
Todo o processo de crescimento e desenvolvimento das plantas é afetado pela
deficiência hídrica nos tecidos, impulsionados pela excessiva demanda evaporativa ou
reduzindoo fornecimento de água. Tendo como consequência a desidratação do protoplasma,
acarretando no decréscimo do volume celular e aumento de soluto A (MARTINS et al., 2010).
Conforme, Morais et al., (2003) a manutenção da hidratação do protoplasma constitui a
grande importância da água para o eucalipto, pois a deficiência hídrica provoca redução na
atividade fotossintética e em paralelo a redução do volume celular. Em grande parte dos casos
de estresse causado pela deficiência hídrica, pode- se mensurar pelas perdas na produção, e pela
produtividade, crescimento ou processo inicial de assimilação de CO2, os quais têm uma relação
com o crescimento geral do eucalipto (TATAGIBA et al., 2006).
Conforme, (Reichardt, 1990) a partir dos fenômenos absorção e de capilaridade o solo
retém e disponibiliza a água, sendo responsável pelo o armazenamento e fornecimento de água
e nutrientes para as culturas. Porém a obtenção da água para atender as necessidades hídricas
será determinada pelo potencial de água no solo, o qual determinará se as culturas terão maior
ou menor facilidade para retirar a água, pois nem toda a água que se encontra armazenada no
solo estão disponíveis para as plantas.
23
De acordo, com Reichard (1990) a partir da diferença entre a umidade e o ponto de
murcha permanente pode-se mensurar a quantidade de água disponível para as plantas, cujo
limite máximo da disponibilidade de água no solo define-se como capacidade de campo, onde
é determinado pelo o equilíbrio entre a força da gravidade e a força capaz de retirar a água no
solo, ou seja, a quantidade máxima de água que o solo consegue reter contra a força
gravitacional, cujo potencial a avaliado para o solo arenoso -10kpa e para o solo argiloso -33
kpa. Já o ponto de murcha permanente é determinado como a quantidade de água disponível
no solo que as plantas não conseguem mais retirar, onde suas folhas atingem um murchamente
que não se recupera, estado definido como ponto de murcha permanente avaliado em um
potencial de -1500kpa.
Segundo, Reis eReis (1997) respondendo a um gradiente de potencial hídrico, o
transporte de água nas plantas pode ser visto como um conjunto hidráulico ininterrupto,
interligando a água do solo com o vapor de água na atmosfera. À proporção que ocorrem perdas
de água pelo celular, o volume do vácuo reduz, resultando em perda na turgidez celular,
evidenciado pelo processo de murchamente foliar. A partir deste ponto que começa a provocar
danos no metabolismo fotossintético das plantas. Desta forma o limite da redução de volume
do vácuo será determinado pelas elasticidades das paredes. De maneira, que espécies que
possuem parede celular de maior elasticidade podem perder uma maior quantidade de água sem
chegarem o ponto de perda a turgidez, além da capacidade de armazenamento de água ser maior
(LAWLOR, 1995; NUNES, 2007).
No entanto, a falta ou excesso de água são os principais causadores de estresse hídrico,
resultando em grandes perdas das produtividades, atuando de forma direta nas culturas, tendo
como consequência decréscimo no potencial hídrico do vegetal, onde as respostas variam em
funções das espécies, do tempo de exposição, e o nível de estresse (PIMENTEL, 2004;
NOGUEIRA et al., 2005; ASHRAF, 2010).
4. MATERIAL E MÉTODOS
4.1Localização do Experimento
O experimento foi realizado em casa de vegetação, no Laboratório de Fisiologia
Vegetal e no Setor de Produção de Mudas Florestais, pertencentes ao Centro de Ciências
Agrárias (CECA) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), no município de Rio Largo –
AL (09 28’ S, 35 49’ W e 127 m de altitude), entre os meses de julho e novembro de 2015, com
período experimental de 120 dias, sendo precedido por 60 dias de aclimatação das mudas.
4.2 Delineamentos Estatísticos
Utilizou-se
o
delineamentoexperimentalinteiramentecasualizado
(DIC),
os
tratamentos foram arranjados conforme o esquema fatorial 3x2, sendo, três clones de eucalipto
(i144, 1407 evc865) e dois tratamentos hídricos (75% e 100% da Capacidade de Campo), com
5 (cinco) repetições. Onde as plantas foram avaliadas aos 30 (1ª coleta) e 60(2ª coleta) dias após
a diferenciação (DAD) dos tratamentos hídricos.
4.3 Caracterização do substrato utilizado
O substrato utilizado foi adquirido junto ao Programa de Melhoramento Genético de
Cana de Açúcar (PGMCA), localizado no CECA (Centro de Ciências Agrárias), cujo substrato
era constituído de terra preta (50%), torta de cana-de-açúcar (25%) e polpa de coco (25%), o
qual foi utilizado para o enchimento dos vasos de polietileno de capacidade de 20 l.
As análises químicas foram realizadas no Laboratório de Fertilidade do Solo e Nutrição
de Plantas (LFSNP/CECA) (Tabela 1).
Tabela 1 -Análise química do substrato, cedido pelo PMGCA (Programa de Melhoramento
Genético da Cana- de açúcar), utilizado no Experimento emcasa de vegetação.
PH
6.1
Na (mg/dm³)
P(mg/dm³)
K(mg/dm³)
Ca
(cmol/dm³)
Mg
(cmol/dm³)
Al
(cmol/dm³)¹
H+Al
(cmol/dm³)
CTC
115
5400
1000
24,80
15,54
0,40
5,10
48,50
PH = Potencial Hidrogeniônico; Na= Sódio P = Fósforo; K = Potássio; Mg = Magnésio; Al = Alumínio; H =
Hidrogênio; TC = Capacidade de Troca de Cátions.
Fonte: LFSNP/CECA, 2015.
4.4 Determinação da capacidade de campo
Para a diferenciação e manutenção dos tratamentos hídricos foi necessário determinar a
Capacidade de Campo (CC) aplicando-se a metodologia descrita por Souza et al. (2000) para
métodos gravimétricos. Inicialmente realizou-se o preenchimento e pesagem dos vasos de
polietileno (Figura 1 A), momento em que foi determinado o Peso do Substrato Seco (PSS)
(Figura 1 B). Em seguida, os vasos foram colocados dentro de bacias plásticas, onde aáguafoi
adicionada vagarosamente para promover a subida da água por capilaridade até a saturação do
solo (Figura 1 C). Após este processo os vasos foram cobertos e reservados até atingir peso
constante, momento em que foi determinado o Peso do Substrato Úmido (PSU) (Figura 1 D).
De posse desses valores a capacidade de campo foi calculada aplicando-se a seguinte fórmula:
CC = PSU – PSS
25
Figura 1- Processo de Determinação da Capacidade de Campo: do Substrato utilizado no
experimento, cedido pelo (PMGCA) Programa de melhoramento Genético de Cana- deaçúcar.Enchimento dos vasos de polietileno com substrato (A), determinação do Peso do Substrato
Seco (B - PSU), saturação do substrato (C) e determinação do Peso do Substrato Úmido (D - PSU).
A
B
C
D
Fonte: Autora, 2016
As diferentes condições hídricas foram 75% da Capacidade de Campo e 100% da
Capacidade deCampo, os quais foram monitorados através da pesagem diária de três vasos
testemunhas, utilizando-se uma balança (marca Filizola, com capacidade para 20 Kg) para a
reposição do volume da água transpirada pelasplantas mantidas nas diferentes condições
hídricas durante todo o período experimental, aplicando-se a seguinte fórmula: C.C= PSU-PSS
(PSU= 18 e 200 ml e PSS= 12l). Onde a capacidade de campo para 100%da capacidade de
campo de 6l e 200 ml (Seis litros e duzentos ml), para 75%da capacidade de campo foi de 4l e
650 ml(4 litros e seiscentos e cinquenta ml), durante todo o período experimental foi mantido
esta pesagem nas percentagens de 75% da capacidade de campo e 100% da capacidade de
campo, acrescentado o volume de água transpirado diariamente, após pesagem das
testemunhas. .
Após a determinação da CC foram definidos os percentuais que foram utilizados em
função do trabalho realizado por Silva (2008) adotando-se dois tratamentos hídricos 75% e
100% CC.
Durante o período de aclimatação as plantas foram regadas diariamente com rega livre
e no momento da Diferenciação dos Tratamentos Hídricos (DTH) as mesmas foram hidratadas
até os tratamentos determinados no trabalho.
4.5 Clones utilizados, aquisição das mudas e transplantio
Os clones de eucaliptos estudados foram i144, 1407 e vc865, resultantes do processo de
hibridação do E.grandisvs. E.urophylla, adquiridas junto ao viveiro “Plante Bem”, localizado
do município de Chá do Pilar – AL. As mudas foram produzidas por estaquia emtubetes. No
período de aquisição, os clones tinham idades de 90 dias e entre 30 a 35 cm de alturas, 2 mm
de diâmetro e entre 4 a 5 pares de folhas.
Em seguida, os clones foram transplantados para vasos de polietilenos de capacidade de
20 l, preenchidos comsubstrato supracitado. No momento do transplantio, foramrealizadas as
avaliações biométricas, medições da altura (cm), diâmetro do caule (mm) e quantificações dos
números de folhas.
Posteriormente ao transplantio, os clones passaram por um período de adaptação
(60dias) nos vasos, em casa de vegetação, tendo como objetivo a aclimatação dos clones, os
quaisreceberam irrigação diária, até o momento da indução do tratamento.
4.6 Avaliações de Crescimento
Durante o período experimental analisou-se crescimento dos clones a partir de medidas
semanais da altura das plantas (AP), diâmetro do caule e quantificação do número de folhas.
Para determinara altura (cm) das plantas utilizou-se uma trena avaliando a partir de 1(um) cm
acima do nível do solo até a inserção do último par de folhas totalmente expandidas, tendo
como referência uma marca permanente, efetuada na base do caule com altura de 01 cm acima
do solo. As medidas do diâmetro do caule (mm) tiveram como referência a mesma marca
permanente a partir da qual foi avaliado o crescimento da altura, utilizando um
paquímetrodigitaldemarcaDigimesse com precisão. Também foram quantificadas asfolhas
completamente expandidas (BENINCASA, 2003).
No final do experimento, para obtenção da matéria seca, os órgãos (partes aéreas e
raízes) passaram por um processo de separação, pesados e acondicionados em sacos de papel,
os quais foram levados para uma estufa de circulação de ar forçado, a uma temperatura de 65º
C, por um período de 72 horas, até que assumissem peso constante e pudessem ser pesadas em
uma balança analítica. Posterior à obtenção da matéria seca da parte aérea (MSPA) e matéria
seca das raízes (MSR), calculou-se matéria seca total (MST) (Figura 2).
Figura 2 - Preparação para obtenção de matéria seca (partes aéreas e radiculares) das mudas de
clones i144, 1407 e vc 865,submetidos a diferentes condições hídricas (75% e 100% da Capacidade
de Campo), em dois períodos de avaliações 30 e 60 dias, processo de lavagem das partes radicular
e separação das partesaérea e radicular processo de lavagem das partes radicular e separação da
raiz, caule. Processo de lavagem da parte radicular (A), Lavagem da raiz (B), Mensuração em
altura (C), Medição diâmetro do caule (D) e Separação da parte aérea e radicular (E).
A
B
C
D
E
27
Após a obtenção dos dados, calculou-se a Alocação de Biomassa para
Fonte: Autora, 2016.
Folhas (ABF), caules (ABC) e para as Raízes (ABR) e definiu-se relação Raiz/Parte
Aérea (R/Pa), a partir da utilização das seguintes fórmulas:
/
R/Pa=
/
ABC=
/
/
(1)
Fonte:BENINCASA, 1998; 2003.
Sendo: BSF= Biomassa Seca das Folhas; BSC= Biomassa Seca dos Caules; BSR= Biomassa Seca das Raízes; e
BST= Biomassa Seca Total.
Preparação para obtenção de matéria seca (partes aéreas e radiculares) das mudas de clones i144, 1407 e vc 865,
submetidos a diferentes condições hídricas (75% e 100% da Capacidade de Campo), em dois periodos de
avaliações 30 e 60 dias, processo de lavagem das partes radicular e separação dapartesaerea e radicular
4.7Avaliações Fisiológicas
4.7.1Avaliações dos pigmentos fotossintéticos pelo índice SPAD e método bioquímico
Foram estimados os teores de clorofila aos 30 e 60 DAD, avaliados por meio dos valores
do índice SPAD, os quais foram obtidos por meio do Medidor Portátil de Clorofila, modelo
SPAD-502 (Minolta, Japão), que se caracteriza como uma ferramenta simples, portátil, que
mede a intensidade verde ou a concentração de clorofila relativa das folhas (TORRES NETO
et al., 2005), a partir do método não destrutivo simples (Figura 3).
Figura 3- Avaliação da intensidade de coloração verde das folhas das mudas clonais de eucalipto,
submetidos diferentes condições hídricas (75% e 100% da Capacidade de Campo), em dos
períodos de avaliações 30 e 60 dias, Leitura da intensidade verde das mudas clonais (A), SPAD
B
equipamento portátil (B)
B
A
Fonte: Autora, 2016.
Os pigmentos fotossintéticos (clorofilas a clorofilab, totalecarotenoide) foram
determinados no mesmo período de avaliação do índice SPAD (30 e 60 DAD) segundo a
metodologia de HENDRE e GRIME (1993), método direto, de caráter destrutivo, a partir das
análises dos pigmentos fotossintéticos presentes nos tecidos dos vegetais, os quais foram
extraídos em 10 ml de acetona 80% em tubos de ensaio previamente revestido com papel
alumínio. Em seguida determinados quantitativamente, por espectrofotometria (modelo
Genesys 10 UV, marca Thermoscientific), adotando-se os seguintes comprimentos de ondas
663 nm para clorofila a, 645 nm para clorofila b e 480 nm (Figura 4).
Figura 4-.Preparação das amostras das mudas clonais de eucalipto, submetidas a diferentes
condições hídricas, em dois períodos de avaliações 30 e 60 dias, realização das leituras a partir da
espectrofotometria. Pesagem da amostra (A), processo de picotagem da amostra (B), tubos
rosqueáveis envolvidos por papel alumínio (C), acetona e água destiladas substâncias utilizadas
para extração da clorofila (D), com auxílio da pipeta colocação da substância na cubeta de vidro
(E), processo de colocação da substancia cubeta de vidro (F) e espectrofotômetro equipamento
utilizado para a leitura de absorbância (G).
A
B
E
C
F
D
G
Fonte: Autora, 2016.
Após leituras foram calculados os teores dos pigmentos fotossintéticos adotando-se as
seguintes fórmulas:
(2)
29
12,7 x A663
2,69 x A645 x V
mg. g-1 MF
MF
22,9 x A645
4,68 x A663 x V
mg. g-1 MF
MF
(3)
Clorofila total =
8,02 x A663 + 20,2 x A645 V
mg. g-1 MF
MF
(4)
Carotenoides =
A480 + 0,114 x A663 0,638
112,5 x MF
Clorofila a =
Clorofila b =
x V x 10
μmol. g-1 MF
(5)
Fonte: HENDRE; GRIME, 1993.
Onde:
A480, A663 e A645 = absorbâncias em 480,663 e 645 nm, respectivamente; V = volume de acetona a 80%, MF =
peso de matéria fresca.
4.7.2 Avaliação da fluorescência da clorofila
Foram realizadas leituras da fluorescência da clorofila a (eficiência quântica potencial
do fotossistema II – Fv/Fm) e eficiência quântica efetiva do fotossistemaIIYiel, para
determinação do potencial fotossintético dos clones. Com a utilização de fluorômetro portátil
de luz modulada (PAM-2500, Walz, Alemanha).
As medidas da fluorescência da clorofila foram determinadas no final de cada período
experimental. Todas as análises foram realizadas em folhas situadas no terço médio superior
das plantas. Antes da avaliação, as regiões foliares onde foram realizadas as leituras foram
submetidas ao escuro, por 30 minutos, com o uso de clipes foliares.
4.8Análise Estatísticas
Os dados foram submetidos análise de variância para detecção de possíveis efeitos sobre
as variáveis analisadas utilizando-se o softwareASSISTAT versão 7.7 beta. Para normalização
os dados de número de folhas foram transformados para √ (x+0,5) (ZAR, 1999), sendo as
médias comparadas entre si pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade.
5 RESULTADO E DISCUSSÕES
5.1 -Avaliações das Variáveis de Crescimento
Em todas asmudas pode-se observar incremento na altura em todo o período
experimental, ocorrendo diferenças significativas (5%) entre os clones e as diferentes condições
hídricas, com interação significativa entre as condições hídricas e o tempo de exposição, no
entanto a altura na condição 100% da capacidade de campofoisignificativamente menor, em
comparação com a condição 75% da capacidade de campo. Onde foi observado que os clones
1407 e vc 865 tiveram as maiores médias e i144 apresentou a menor média nas duas condições
hídricas.
Quando
avaliou
o
diâmetro
do
caule
observou
que
houve
incremento,
constatandodiferenças significativas e interação com o tempo de exposição, notando-se
comportamento estatístico semelhante com os dados da altura, onde a condição hídrica 75% da
capacidade de campo os clones obtiveram maiores médias, quando comparados com a condição
100% da capacidade de campo. Observou que os clones 1407 e vc 865 tiveram maiores valores
e i144 menor valor na condição hídrica 75% da capacidade de campo. Já na condição hídrica
100% da capacidade de campo vc 865 obteve a maior média, i144 comportou-se de maneira
intermediaria e 1407 obteve menor média.
Já quanto ao número de folhas, houve diferenças significativas entre o número total de
folhas entre as diferentes condições hídricas, observou também comportamento análogo ao das
variáveis altura e diâmetro do caule. Onde o clone 1407 obteve a maior produção total de folhas
e os clones i144 e vc 865 obtiveram a menor produção de folhas na condição hídrica75% da
capacidade de campo. Na condição hídrica 100% da capacidade de campo o clone 1407 obteve
a maior produção de folhas, o clone vc 865 obteve produção intermediária e o clone i144 teve
a menor emissão de folhas. Todos os dados estão expostos na (Figura 5. A, B e C).
31
Figura 5 -Altura, diâmetro do caule e de número de folhas de mudas clonais de eucalipto (i144,
1407 e vc 865) submetidos diferentes condições hídricas (75% e 100% da Capacidade de Campo),
em dos períodos de avaliações 30 e 60 dias Letras maiúsculas comparam os tratamentos hídricos
e letras minúsculas comparam os clones dentro de cada tratamento hídrico. Médias seguidas de
letras diferentes diferem entre si, pelo teste de Tukey (p< 0,05). DTH (Diferenciação dos
Tratamentos Hídricos).
Fonte: Autora, 2016.
5.1.2 - Produção de Matéria Seca das Mudas Clonais de eucalipto
Foi verificada diferenças significativas a nível de 5% de probabilidade do teste de
Tukeyna matéria seca das folhas entre as diferentes condições hídricas, sendo maior produção
na condição hídrica 75% da capacidade de campo, do que na condição hídrica 100% da
capacidade de campo. Observando que entre os clones houve comportamento semelhantes nas
diferentes condições hídricas.
Houve diferença significativa entre a matéria seca do caule nas diferentes condições,
observou comportamento semelhante com a matéria seca das folhas, cujo tratamento 75% da
capacidade de campo foi maior ao comparar com 100% da capacidade de campo. Quando se
avaliou os clones foi observado na condição hídrica 75% da capacidade de campo o clone 1407
obteve a maior média e os clones i144 e vc 865obtiveram as menores médias. Já na condição
hídrica 100% da capacidade de campo não houve diferença entre os clones.
‘A matéria seca da raiz apresentou diferença estatística entre as diferentes condições
hídricas, cujo comportamento se assemelhou com o das variáveis anteriormente analisadas,
onde na condição 75% da capacidade de campo apresentou o maior valor e 100% da capacidade
de campo o menor valor. Na condição hídrica 75% da capacidade de campo os clones 1407 e
vc 865 obtiveram os maiores valores i144 a menor valor. Na condição hídrica 100% da
capacidade de campo os clones i144 e 1407 maiores valores e vc 865 o menor valor.
Houve diferenças significativas entre a matéria seca total nas diferentes condições
hídricas, onde 75% da capacidade de campo apresentou o maior valor ao comparar com a
condição 100 da capacidade de campo. Na condição hídrica 75% da capacidade de campo os
clones 1407 e vc865 obtiveram as maiores médias e i144 o menor média. Na condição 100%
da capacidade de campo os clones i144 e 1407 obtiveram os maiores valores e vc 865 o menor
valor (Figura 6. A, B, C e D).
33
Figura 6 - Produção da Biomassa Seca das Folhas (BSF-A), dos Caules (BSC-B), das Raízes (BSRC) e Matéria Seca Total (BST-D), de mudas clonais de eucalipto (i144, 1407 e vc 865), submetidos
a diferentes condições hídricas (75% e 100% da capacidade de campo), em dos períodos de
avaliações 30 e 60 dias Letras maiúsculas comparam os clones dentro de cada tratamento hídrico
e letras minúsculas comparam os tratamentos hídricos e nas duas coletas. Médias seguidas de
letras diferentes diferem entre si, pelo teste de Tukey (p< 0,05).
Fonte: Autora, 2016.
5.1.3 Alocação de Biomassa e Relação Raiz/Parte Aérea
Nesta pesquisa, as análises estatísticas indicaram que houve diferenças significativas
entre as diferentes condições hídricas nas variáveis avaliadas (ABF, ABC e ABR) sugeridoque
a condição hídrica 100% da capacidade de campo afetou a alocação da biomassa dos
tratamentos estudados. E a condição hídrica 75% da capacidade de campo não prejudicou a
alocação da biomassa e apresentou maiores médias. Para alocação da biomassa das folhas e
alocação da biomassa do cauleentre os clones não houve diferença, com comportamento
semelhante nas condições hídricas 75%e 100% da capacidade de campo. Já para a alocação da
biomassa raiz na condição hídrica 75% da capacidade de campo não houve diferença entre os
clones, no entanto na condição 100% da capacidade de campo ocorreu diferença, onde os clones
i144 e 1407 apresentaram maiores valores e vc 865 menor valor. (Figura 7).
Figura 7 -. Alocação de Biomassa das folhas, caules e raízes de mudas clonais de eucalipto (i144,
1407 e vc 865) submetidos diferentes condições hídricas (75% e 100% da capacidade de campo),
em dois períodos de avaliações 30 e 60 diasLetras maiúsculas comparam clones no mesmo
tratamento hídrico e minúsculo comparam clones em diferentes regimes hídricos. Médias seguidas
de letras diferentes diferem entre si, pelo teste de Tukey (p< 0,05).
Fonte: Autora, 2016.
Quanto á relação raiz/parte aérea verificou diferenças estatísticas entre as diferentes
condições hídricas aplicadas. Pode-se observarque condição hídrica 75% da capacidade de
campo apresentoumaiores valores ao comparar com a condição hídrica 100% da capacidade de
campo. Foi evidenciado que na condição 75% da capacidade de campo os clones tiveram
comportamento semelhante, porém na condição hídrica 100% da capacidade de campo osclones
i144 e 1407 obtiveram os maiores valores e o clone vc 865 o menor valor (Figura 8).
Figura 8 -.Relação Raiz/Parte Aéreas de mudas clonais de eucalipto (i144, 1407 e vc 865) sob
diferentes condições Hídricas (75% e100% da capacidade de campo), em dois períodos de
avaliações 30 e 60 dias. Letras maiúsculas comparam clones no mesmo tratamento. Letras
minúsculas clones nos diferentes tratamentos. Médias seguidas de letras diferentes diferem entre
si, pelo teste de Tukey (p< 0,05).
Fonte: Autora, 2016.
Observou neste experimento que houve redução do nível de crescimento em todas as
variáveis analisadas.Conforme, Gonçalves (1992), um dos principais critérios de produção em
35
especies lenhosas são avaliados a partir do crescimento em altura e diametro do caule. Pois a
deficiência hídrica pode provocar danos no crescimento em altura e em diametro do caule,
devido ao decréscimo do aumento celular, e também da formação da parede celular, que de
maneira indireta diminui a disponibilidade de carboidratos, e também pode influenciarna
produção de reguladores de crescimento (GONÇALVES; PASSOS, 2000).
Algumas características foram observadas nas variedades (i144, 1407 e vc 865)
pesquisadas, que se encontravam na condição hídrica 100% da capacidade de campo, em
comparação com a condição hídrica 75% da capacidade de campo. Pode-se observar nas folhas
das variedades pesquisa das clorose, murcha e abscisão foliar, e também redução da produção
de novas folhas, que indicando que o resultado apresentado foi em razão da máxima quantidade
de água disponível, que prejudicou a formação de folhas novas, como também a expansão
celular e dos entrenós, de forma a causar senescência precoce das folhas e quedas foliares
(KOZLOWSK, 1997).
Nos caules foi observado redução no nível de crescimento, tendo consequência caule
com menor diâmetro, que possivelmente dificultou a passagem de água e nutrientes. Que
segundo, ZIMMERMANN; MILBURN (1982) a situação de máxima disponibilidade de água
provoca decréscimo na absorção de água pelas plantas, de maneira que a manutenção do fluxo
de água torna-se fundamental.
Pode-se observar que aparte radicularfoiconsideravelmente afetada pela condição
hídrica 100 % da capacidade de campo, raízes secundárias deterioradas, mortas e também a
presença de raízes adventícias. Indicando que a condição do solocom a água em sua máxima
disponibilidade tenha provocado decréscimo de recursos disponíveis para manter e
proporcionar o crescimento da parte radicular. Entretanto a alteração da raiz provocou
consequências na parte aérea, entre as disfunções citam-se: deficiência nutricional e mineral e
também fluxo de toxinas.
Os autores ARMSTRONG et al., (1994) justificaram que a causa das alterações da
função da parte radicular tenha sido a máxima disponibilidade de água no solo, que o ocasionou
em solo hipóxico, com baixa quantidade de oxigênio para as raízesrealizar os
processosimportantes para o crescimento e desenvolvimento das plantas. Que possivelmente
provocou mudanças metabólicas das mudas clonais avaliadas e como consequência decréscimo
na produção de energia necessária, para que as raízes desempenhem suas funções essências para
seu crescimento e principalmente absorção e translocação de agua, nutrientes e minerais para
as partes aéreas.
Conforme, SILVA et al. (2011), a água constitui componente essencial para que os
nutrientes sejam disponibilizados no solo, como para absorção e para translocação para as partes
aéreas. No entanto, pode-se observar nas raízes das mudas clonais produção de raízes
adventícias, de maneira que as raízes formadas durante o período de máxima disponibilidade
de água foram muito importantes, pois contribuíram para a sobrevivência durante o período de
baixa disponibilidade de oxigênio no solo, as quais proporcionam uma melhor difusão da
atmosfera para os tecidos internos e liberação dos compostos tóxicos (DAVANSO et al,2002).
De maneira geral, os clones pesquisados neste experimento sofreram limitação na parte
aérea, que resultou da redução do incremento em altura e diâmetro do caule, produção de novas
folhas, e redução da incorporação da matéria seca da parte aérea e também da parte radicular.
Pode-se
constatar
também
neste
experimento
que
os
clones
pesquisados
conseguirammanter a incorporação da matéria seca total sob condições de máxima
disponibilidade de água ao longo do experimento, a pesar do crescimento ser reduzido ao
comparar com a condição hídrica 75 % da capacidade de campo.
De acordo com, Colmer; Voesenek (2009) os vegetais para sobreviver ao longo período
de máxima disponibilidade de água limitaram o crescimento para economizar energia ATP e
prolongar a sobrevivência até retornar à água.
No experimento também se pode observar que a alocação da biomassa sofreu mudanças
no padrão de alocação, em razão da máxima disponibilidade de água no solo. A alteração da
razão entre a raiz e parte aérea indicou que a maior parte da alocação foi para parte a aérea, o
que provavelmente possibilitou a manutenção aumento da matéria seca da parte aérea, e
também as mudanças foram atribuídas às atividadesmetabólicas que ocorreram nas raízes.
Com a finalidade de aumentar a quantidade de oxigênio disponível algumas espécies
regulam o seu padrão de alocação de biomassa para parte aérea, de forma a reduzir o
investimento no sistema radicular, a fim diminuir a demanda de oxigênio (VISSER et. al.,
2000).
5.2Avaliações Fisiológicas
5.2.1 Eficiência Quântica do FotossistemaII
Naavaliação da eficiência quântica do fotossitema II, pode-se observar que houve
redução por efeito da condição hídrica 100% da capacidade de campo, indicando que condição
de máxima quantidade de água causou danos ao fotossitemaII,constatou interação entre o tempo
do experimento e a condição hídrica imposta. E na condição hídrica 75% da capacidade de
campo não houve danos no fotossistemaII, a qual proporcionou ótimas condições de
37
funcionalidades ao fotossistema II. Pode-se observar quena condição hídrica 75% da
capacidade de campo entre os clones não ocorreram diferenças apresentando comportamentos
semelhantes. Já na condição 100% da capacidade de campo o clone i144 apresentou o maior
valor e os clones 1407 e vc 865 os menores valores e comportamento análogo (Figura 9 A
(Fv/Fm), B (SPAD), C (ETR/max) e D (Fv/Fm e ETR)).
Figura 9 - Avaliações da Eficiência Quântica Efetiva do Potencial do Fotossistema II Fv/Fm,(A)
ETRmax(C), Fv/Fm x ETR(D) e Leitura Intensidade Verde(SPAD)(B) das mudas clonais de
eucalipto (i144,1407 e vc 865) submetidas a diferentes condições hídricas (75% e 100% da
capacidade de Campo),em dois períodos de avaliações 30 e 60 dias. Letras Maiúsculas comparam
clones no mesmo tratamento hídrico. Letras minúsculas comparam clones em diferentes regimes
hídricos. Médias seguidas de letras diferentes diferem entre si, pelo teste de Tukey (p< 0,05).
Fonte: Autora, 2016
Observa-se que houve diferença significativa para variável ETR/max entre as diferentes
condições hídricas, que na condição hídrica 100% da capacidade de campo ocorreu redução na
taxa relativa de transferência de elétrons ao compara com a condição 75% da capacidade de
campo. E entre os clones na condição75%capacidade de campo, o clone 1407 obteve o maior
valor, o i144 valor intermediário e o vc 865 obter o menor valor. Na condição 100% da
capacidade de campo o clone 1407 obter o maior valor, os clones i144 e 1407 menores valores
e comportamento semelhante.
Houve diferença significativa para a variável Fv/Fm x ETR entre as diferentes
condições hídricas, onde a condição hídrica 100% da capacidade de campo provavelmente
provocou a redução na relação Fv/Fm x ETR, quando se comparou com a condição hídrica 75%
da capacidade de campo. O clone vc 865 apresentou maior valor e os clones i144 e 1407
apresentarammenor valor na condição hídrica 75% da capacidade de campo. Na condição 100%
da capacidade de campo o clonei144 apresentou maior valor vc865valor intermediário e 1407
menor valor.
A pesquisa mostrou no que se refereà intensidade da coloração verde das folhas (índice
SPAD), houve diferença estatística a 5%, entre os clones quando submetido a diferentes
condições hídricas e interação entre o tempo. Onde a condição 100% da capacidade de campo
provocou redução na intensidade da coloração verde, quando comparada com a condição
hídrica 75% da capacidade de campo. E entre os clones dentro do mesmo tratamento não houve
diferença significativa, com comportamentos semelhantes entre si, nas condições hídricas
estudadas.
5.2.2 - Pigmentos Fotossintéticos (clorofila a, b, carotenoide e total)
Considerando os pigmentos fotossintéticos foliares, extraídos ao final do
experimento, observou-se que houve redução entre as diferentes condições hídricas para teor
de clorofila a nas mudas clonais de eucalipto. Pode-se observar na condição hídrica 75% da
capacidade de campo o clone i144 teve maior valor, 1407 e vc 865 tiveram os menores
valores. Na condição hídrica 100% da capacidade de campo os clones i144 e vc 865
obtiveram os maiores valores e 1407 o menor.
Para clorofila b, houve diferença significativa, onde condição hídrica 100% da
capacidade de campo, possivelmente causou decréscimo em seu teor, quando se comparou
com a condição hídrica 75% da capacidade de campo. O clone 1407 na condição hídrica 75%
da capacidade de campo apresentou maior valor, o clone i144 demostrou comportamento
intermediário e o clone vc 865 o menor valor. Na condição 100% da capacidade de campo
i144 maior valor, 1407 e vc 865 os menores valores e comportamento análogo.
O teor de carotenoide também diferiu entre as diferentes condições hídricas, onde o
tratamento 100% da capacidade de campo demonstrou redução no teor de carotenoide ao
comparar com a condição hídrica 75%. Onde os clones que apresentaram os maiores
teoresforam o 144 e 1407 o menor vc 865 na condição 75% da capacidade de campo. Na
condição hídrica 100% da capacidade de campo o clone vc 865 demonstrou o maior valor e
os clones 144 e 1407 os menores valores
Para clorofila totalhouvediferença estatística entre as diferentes condições hídricas,
onde a condição hídrica 100% da capacidade de campo possivelmente ocasionou em redução
do teor de clorofila total, quando se compara com a condição hídrica 75% da capacidade de
campo, resultado que se assemelhou com os apresentados pelas variáveis anteriores. Os
clones i144 e 1407 demostraram os maiores valores, já o clone vc865 menor valorna condição
39
75% da capacidade de campo. Na condição 100% da capacidade de campo os i144 e vc865
comportamentos semelhantes e maiores valores e o 1407 menor valor (Figura 10 - clorofila
a (A), clorofila (B), carotenoides (C) e clorofila total (D)).
Figura 10- Valores médios da clorofila a (A), clorofila b(B), carotenoide (C) e clorofila total (D),
em mudas de clonais de eucalipto submetidas a diferentes condições hídricas (75% e 100% da
Capacidade de Campo). Letras Maiúsculas comparam clones no mesmo tratamento hídrico.
Letras minúsculas comparam clones em diferentes regimes hídricos. Médias seguidas de letras
diferentes diferem entre si, pelo teste de Tukey (p<05).
Fonte: Autora, 2016.
A baixa produção de energia provocou deficiência nutricional, onde observou redução
significativa a 5% de probabilidade na intensidade da coloração verde das folhas, (índice SPA),
ocasionando no amarelecimentodas folhas.
Contudo, Souza et al (2009) evidenciaram que a avaliação da intensidade verde das
folhas em diversas espécies tem sido utilizada na avaliação do teor de nitrogênio das plantas,
pois existe uma ligação significativaentre a concentração de nitrogênio, intensidade verde e teor
de clorofila.
Os teores referentes clorofila e nitrogênio são refletidos partir dos valores de SPAD, que
são calculados pela quantidade de luz propagada pelo instrumento medidor, onde é refletido
pela folha. A capacidade da folha absorver luz está relacionada com a determinação do teor de
clorofila da folha, sendo a determinação de suma importância, pois a atividade fotossintética da
planta, depende da capacidade da folha em absorver luz. (SALLA etal., 2007).
A deficiência nutricional, devido a condição de máxima disponibilidade de água,
resultado do solo com baixa quantidade de oxigênio. Que possivelmente degradou a clorofila,
diminuindo o aproveitamento da energia coleta, observandoperdas de energia, onde a
dissipação energética foi provavelmente para o meio ambiente e/ou reenviada como
fluorescência, com indícios que aproveitamento para a produção fotoquímica foi reduzido na
condição hídrica 100% da capacidade de campo.
Esse decréscimo nos teores de pigmentos fotossintéticos provavelmente ocorreu em
razão da máxima disponibilidade de água, que ocasionou redução de oxigênio, e
consequentemente limitação da absorção de nutrientes, tais como nitrogênio e magnésio, que
são essenciais para realizar a síntese da molécula de clorofila. (RONCHI et al., (2006),
TAIZ;ZEIGER (2009)).
As clorofilas são pigmentos responsáveis pela captura de luz usada na fotossíntese,
sendo elas essenciais na conversão da radiação luminosa em energia química, na forma de
adenosina trifosfato (ATP) e Nicotinamide Adenine Dinucleotide Phosphate (NADPH)
(JESUS; MARENCO, 2008).
Sobre os carotenoides, (Mitler, 2002) os define como moléculas foto protetoras
importantes no complexo antena para o processo de captação de luz juntamente com as
clorofilas b e também no processo de dissipação de excesso de energia, de forma a evitar a fotooxidação.
Ainda sobre as consequências da máxima disponibilidade de água sobre as culturas,
sabe-se que fatores abióticos podem provocar danos no fotossistema II, tendo como resultado
a fotoinativação do centro de reação do fotossistema II, onde os valores de eficiência quântica
potencial (FV/FM) e (Yield) que definido como eficiência quântica efetiva são indicativo de
fotoinibição, que dependendo poderá causar danos crônicos ou temporários. Quando ocorre a
diminuição destas variáveis indica-se que a energia coletada pela clorofila foi dissipada para o
meio ambiente em forma de calor, resultando em desvio de energia que impede o início do
processo fotoquímico da fotossíntese no fotossistema II (MAXWELL; JOHNSON, 2000;
BAKER, 2008).
Segundo, Tester; Bacic (2005) a integridade do aparato fotossintético frente aos
entraves ambientais é um indicador da eficiência do funcionamento do fotossistemaII
(PSII), quanto ao uso da radiação fotoquímica e a fixação de carbono pelas plantas.
41
O estresse ambiental pode reduzir a taxa fotossintética, tanto pelos danos causados no
processo bioquímico celular, como também em razão das alterações na difusão de CO2 da
atmosfera para local de carboxiliação (FERNANDES, 2012). A lenta difusão do CO2 para o
local da carboxilação no cloroplasto pode ser fator limitante para a fotossíntese (ZHU
etal.,2010).
Dixonet al. (1990) ressaltam que a fotossíntese pode ser usada como ferramenta para
indicar condições de estresse provocado pelo ambiente e também para selecionar condições
de crescimento ótima para diversas espécies, em razão de ser um processo fisiológico
importante na modelagem de aspectos de crescimento do vegeta.
A fotossíntese pode ser determinada como um processo físico-químico que ocorre nas
folhas dos organismos fotossintéticos para sintetizar os compostos orgânicos, tendo como
base a matéria prima inorgânica na presença da luz, sendo responsável pelos métodos que
comandam o crescimento (LOPES, 2003; RAVEN, 2013). A luz é fonte inicial de energia
com relação à fotossíntese, associada à com a disponibilidade de CO2, são importantes fatores
para o desenvolvimento, crescimento e também produção da cultura (PEREIRA, 2011).
No entanto a compreensão dos processos fisiológicos, bioquímicos e também o
genéticos representa uma das principais estratégias para melhorar a produtividade das
culturas, que são prejudicadas por vários tipos estresses (MARTINAZZO et al., 2013).
Tabela 2 -.Avaliação do crescimento das mudas clonais i144, 1407 e vc 865 em diferentes
condições hídricas (75%e 100 % da capacidade de campo), da variável altura (cm), diâmetro
do caule (mm), produção de folhas, (MSF) Matéria seca das folhas, (MSC) Matéria Seca do
Caule, (MSR) Matéria Seca da Raiz, (MST) Matéria Seca Total, Alocação da Biomassa das
Folhas (ABF), do Caule (ABC), A da Raiz (ABR) e Ralação Raiz/parte aérea.
Altura
Caule
Folhas
MSF
MSC
MSR
MST
ABF
ABC
ABR
R/Pa
Menor
Menor
Menor
Igual
Menor
Menor
Menor
Maior
Maior
Maior
Igual
Menor
Interm.
Menor
Igual
Igual
Maior
Maior
Maior
Maior
Maior
Maior
Maior
Maior
Maior
Igual
Maior
Maior
Maior
Maior
Maior
Maior
Igual
100%CC
Maior
Menor
Maior
Igual
Igual
Maior
Maior
Maior
Maior
Maior
Maior
75%CC
Maior
Maior
Menor
Igual
Menor
Maior
Maior
Maior
Maior
Maior
Igual
Condições
Hídricas
Clone
75%CC
i144
100%CC
75%CC
1407
vc 865
100%CC
Maior
Maior
Interm.
Igual
Igual
Menor
Menor
Maior
Maior
Menor
Menor
Fonte: Autora, 2015.
Tabela 3 -.Avaliação Fisiológica das Variáveis, Intensidade Verde das folhas a partir do índice
SPAD, Pigmentos Fotossintéticos Clorofila a, b, Total (T) e Carotenoide, Eficiência Quântica
do Fotosistema II, Fv/Fm, ETRmax (Taxa Relativa de Transferência de Elétrons), Fv/Fm x
ETR., das mudas clonais de eucalipto (i144, 1407 e vc 865) em duas condições hídricas( 75% e
100%da capacidade de Campo), em dois períodos de avaliações 30 e 60 dias. Valor adotado:
maior, intermediário, menor.
Condições
Hídricas
Clone
75% C.C
100% C.C
i144
75% C.C
100% C.C.
1407
75% C.C
100%C.C
vc 865
Fonte: Autora, 2015.
SPAD
Clorof. A
Clorof. B
Carotenoide
Clorof. T
Fv/Fm
ETR max
Fv/Fm
x ETR
Igual
Maior
Interm.
Maior
Maior
Igual
Interm.
Menor
Igual
Maior
Maior
Menor
Maior
Maior
Menor.
Maior
Igual
Menor
Maior
Maior
Maior
Igual
Maior
Menor
Igual
Menor
Menor
Menor
Menor
Menor
Maior
Menor
Igual
Menor
Menor
Menor
Menor
Igual
Menor
Maior
Igual
Maior
Menor
Maior
Maior
Menor
Interm.
Menor
43
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os clones estudados apresentaram diferenças significativas entre si, em relação as
características avaliadas independentemente da condição hídrica. As mudas de 1407 e vc 865
registraram maior acúmulo de matéria seca, teores de pigmentos fotossintéticos e eficiência
quântica do fotossistema II.
Por meio dos resultados obtidos, as mudas clonais 1407 e vc 865 se mostraram mais
tolerantes em comparação com as mudasdo clone i144 que apresentou menor tolerância a
condição hídrica 100% da capacidade de campo. De maneira geral foi observado que as mudas
desse último clone sobressaíram em relação a demais, apresentaram maiores crescimento,
apesar das menores taxas nas avaliações fisiológicas.
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(ANO BASE 2005). Disponível em:<http://www.ipef.br/estatisticas/relatorios/anuarioABRAF-2006.>
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ABRAF. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PRODUTORES DE FLORESTAS
PLANTADAS. Anuário estatístico da ABRAF 2013: ano base 2012. Brasília, 2012. 21 p.
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