Controle alternativo de Tetranychus urticae com extratos de sementes de graviola, Annona muricata L. e com ácaro predador Amblyseius aerialis (Muma, 1955) (Acari: Phytoseiidae)
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PROTEÇÃO DE PLANTAS
Anilde da Graça Sousa Maciel
Controle alternativo de Tetranychus urticae com extratos de sementes de graviola,
Annona muricata L. e com ácaro predador Amblyseius aerialis (Muma, 1955) (Acari:
Phytoseiidae)
Rio Largo, AL
2014
ANILDE DA GRAÇA SOUSA MACIEL
Controle alternativo de Tetranychus urticae com extratos de sementes de graviola,
Annona muricata L. e com ácaro predador Amblyseius aerialis (Muma, 1955) (Acari:
Phytoseiidae)
Dissertação apresentada ao Programa de Pós
Graduação em Proteção de Plantas, do Centro de
Ciências Agrárias, da Universidade Federal de
Alagoas, como parte dos requisitos para obtenção do
título de Mestre em Proteção de Plantas.
Orientadora: Profa Dra Roseane Cristina Predes Trindade
Coorientador: Prof. Dr. Edmilson Santos Silva
Rio Largo, AL
2014
ANILDE DA GRAÇA SOUSA MACIEL
Controle alternativo de Tetranychus urticae com extratos de sementes de graviola,
Annona muricata L. e com ácaro predador Amblyseius aerialis (Muma, 1955) (Acari:
Phytoseiidae)
Dissertação submetida à banca avaliadora
como requisito para conclusão do curso de
Mestrado em Proteção de Plantas.
_____________________________________________________________________
Profª Drª Roseane Cristina Predes Trindade, Universidade Federal de Alagoas
Orientadora
Banca examinadora:
___________________________________________________
Prof. Dr. José Vargas de Oliveira – Universidade Federal Rural de Pernambuco
___________________________________________________
Profa Dra. Sonia Maria Forti Broglio – Universidade Federal de Alagoas
Rio Largo, AL
2014
Dedico aos meus pais, pelo apoio,
amor e compreensão!
AGRADECIMENTOS
Primeiramente a Deus por me conceder força para conquistar meus objetivos.
À minha família, principalmente aos meus pais, Maria da Conceição C. S. Maciel e
Antonio Maciel Filho, pelo amor incondicional, pelas orações e apoio em cada escolha da
minha vida. Aos meus irmãos Amarildo de Jesus S. Maciel e Anailde da Conceição S. Maciel,
pelo apoio e carinho.
Agradeço com todo o meu amor, ao meu namorado Anderson R. Sabino, pela atenção,
dedicação, disposição em ajudar e companheirismo, tornando tudo mais fácil e divertido.
A minha orientadora Profa. Dra. Roseane Cristina P. Trindade, pela disponibilidade em
orientar, apoio dado no trabalho e por todo conhecimento que me foi passado.
Ao meu coorientador Prof. Dr. Edmilson S. Silva, pela orientação, apoio e
conhecimento que me foi passado.
A todos do laboratório de Entomologia /Controle Alternativo do Centro de Ciências
Agrárias da Universidade Federal de Alagoas - CECA/UFAL, principalmente a Jéssica S.
Rodrigues pela ajuda.
Aos membros do Laboratório de Pesquisa em Recursos Naturais (LPqRN) da UFAL,
principalmente ao Prof. Dr. Antônio Euzébio G. Sant’Ana e ao Sr. Aldy pela ajuda.
Ao Laboratório de Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz
(ESALQ) da Universidade de São Paulo, pela identificação do ácaro, especialmente a
Peterson Rodrigo Demite e Márcia Daniela da UFAL - Arapiraca.
A Universidade Federal de Alagoas, principalmente ao Centro de Ciências Agrárias,
por ter me proporcionado a oportunidade de realizar o mestrado.
A todos os professores do Programa de Pós Graduação em Proteção de Plantas.
A CAPES, pela conseção de bolsa de estudos.
Aos membros da banca.
RESUMO GERAL
Devido à importância de controlar o ácaro rajado, Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari:
Tetranychidae), estudos com métodos alternativos ao uso de acaricidas químicos, são
necessários. Objetivou-se com o presente trabalho, avaliar o efeito de extratos de semente de
Annona muricata L. (Annonaceae), sobre mortalidade, repelência, viabilidade de ovos e
persistência no controle de T. urticae. Assim como, avaliar o potencial do ácaro predador
Amblyseius aerialis (Muma, 1955) (Acari: Phytoseiidae) através de estudos de resposta
funcional e numérica. O extrato etanólico apresentou maior toxicidade a T. urticae, com CL50
estimada em 0,2% (v/v), seguido dos extratos hexânico e aquoso, com CL50 estimada em
0,4% (v/v) e 13,0% (m/v), respectivamente. A razão de toxicidade para a CL50 do extrato
etanólico foi de 2,0 e 65,0 em relação aos extratos hexânico e aquoso, respectivamente. O
acaricida Abamectin Nortox® causou 40,0% de mortalidade. As concentrações 0,07; 0,1 e
0,2% (v/v), assim como o acaricida tiveram efeito neutro sobre T. urticae e as concentrações
0,4; 0,6 e 1,4% (v/v) foram repelentes. A viabilidade dos ovos para o extrato etanólico (CL99),
acaricida e testemunha foi de 9,5; 76,5 e 91,5%, respectivamente. O extrato etanólico
apresentou persistência até 120 horas após aplicação, com mortalidade acima de 80,0% e o
controle químico apresentou persistência até 48 horas após aplicação com mortalidade de
47,3%. Para avaliação da resposta funcional e numérica, ovos, ninfas e adultos de T. urticae
foram usados como presas para o ácaro predador A. aerialis, sendo ofertados nas densidades:
2, 5, 10, 15, 20 e 30 ácaros/arena. O ácaro A. aerialis predou maior quantidade de ovos
(81,1%), seguido de ninfa (49,9%) e adultos (26,6%) de T. urticae. Houve um aumento na
quantidade de presas consumidas, com o aumento da quantidade de presas ofertadas. A
predação de adultos de T. urticae por A. aerialis foi de 0,87 e 1,85 ácaros/dia nas densidades 2
e 5, respectivamente, ocorrendo maior consumo nas densidades 10, 20 e 30 com média de
3,23; 2,28 e 2,89 ácaros/dia, respectivamente. Quando ofertadas ninfas nas densidades 2, 5, 10
e 15 ácaros/arena, houve predação de 1,53; 4,19; 4,36; 3,80 ácaros/dia, respectivamente, e nas
densidades 20 e 30 ocorreu predação de 6,0 e 6,6 ácaros/dia, respectivamente. O ácaro A.
aerialis predou em média 1,91 e 4,43 ovos/dia nas densidades 2 e 5 ovos/arena e nas
densidades 10, 15, 20 e 30 ovos/arena houve aumento na predação, com 8,98; 10,84; 13,60 e
14,83 ovos/dia, respectivamente. A oviposição do ácaro A. aerialis manteve-se em torno de 1
ovo/dia, com exceção do experimento em que ovos foram ofertados como presas, neste a
quantidade de ovos postos foi em média 0,23 ovo/dia. Desta forma, a utilização do extrato
etanólico de semente de graviola é uma alternativa promissora ao controle de T. urticae, visto
que, apresenta potencial na mortalidade, além de causar efeito repelente, ovicida e
persistência. O controle de T. urticae com o uso do ácaro predador A. aerialis mostrou-se
eficiente, ocorrendo aumento da quantidade de ácaros predados com o aumento da quantidade
de presas ofertadas.
Palavras-chave: Graviola. Inimigo natural. Ácaro rajado.
GENERAL ABSTRACT
Because of the importance to control the spider mite, Tetranychus urticae (Koch, 1836)
(Acari: Tetranychidae), studies with alternative methods to use of chemical acaricides, has
been needed. The aim to the present study was to evaluate the effect of seed extracts of
Annona muricata L. (Annonaceae), on mortality, repellency, egg viability and persistence in
controlling of T. urticae. As, evaluate the potential of predatory mite Amblyseius aerialis
(Muma, 1955) (Acari: Phytoseiidae) through studies of functional and numerical response.
The ethanolic extract showed greater toxicity to the T. urticae, with LC50 estimated at 0.2%
(v/v), followed by hexanic and aqueous extracts, with LC50 estimated at 0.4% (v/v) and 13.0%
(m/v), respectively.The reason for the toxicity LC 50 of the ethanolic extract was 2.0 and 65.0
in relation to the hexanic and aqueous extracts, respectively. The acaricide Abamectin
Nortox® caused 40.0% of mortality. The concentrations 0.07, 0.1, 0.2% (v/v) and the acaricide
had a neutral effect on T. urticae and the concentrations 0.4, 0.6 and 1.4% (v/v) have been
repellents. Egg viability for the ethanolic extract (LC99), acaricide and control was 9.5; 76.5
and 91.5%, respectively. The ethanolic extract showed persistence until 120 hours after
application, with a mortality rate above 80.0% and chemical control had persistent until 48
hours after application with a mortality of 47.3%. To evaluate the functional and numerical
response, eggs, nymphs and adults of the T. urticae were used as prey for the mite A. aerialis,
being offered in densities: 2, 5, 10, 15, 20 and 30 mites/arena. The mite A. aerialis has
consumed greater number of eggs (81.1%), followed by nymph (49.9%) and adult (26.6%) of
T. urticae. There was an increase in the amount of prey consumed with the increased amount
of prey offered. Predation of adult of T. urticae by A. aerialis was 0.87 and 1.85 mites/day at
densities 2 and 5, respectively, occurring higher consumption in densities 10, 20 and 30 with a
mean of 3.23, 2.28 and 2.89 mites/day, respectively. When nymphs offered in densities 2, 5,
10 and 15 mites/arena, the predation was 1.53, 4.19, 4.36 and 3.80 mites/day, respectively,
and the densities 20 and 30 predation was 6.0 and 6.6 mites/day, respectively. The mite A.
aerialis has consumed on average 1.91 and 4.43 eggs/day in densities 2 and 5 eggs/arena and
the densities 10, 15, 20 and 30 eggs/arena, was no increase in predation, with 8.98, 10.84,
13.60 and 14.83 eggs/day, respectively. The oviposition of mite A. aerialis remained around
one egg/day, with the exception of the experiment in which eggs were offered as prey, the
amount of eggs laid was on average 0.23 egg/day. Thus, the use of seed ethanolic extract of
soursop is a promising alternative to control of T. urticae, since, has potential in mortality and
cause repelling effect, ovicidal and persistence. The control the T. urticae using the predatory
mite A. aerialis was efficient, with increased amount of mites preyed with increasing amounts
of preys offered.
Keywords: Soursop. Natural enemy. Spider mite.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 - Semente de graviola após secagem em estufa (A); moinho para trituração das
sementes (B); pó obtido da trituração (C); material sendo filtrado em percolador
(D) e concentrado em rotavapor (E); extratos obtidos (F) ......................................... 44
Figura 2 - Pulverização de discos foliares em Torre de Potter (A); disposição das arenas (B) ... 46
Figura 3 - Viabilidade de ovos de Tetranychus urticae submetidos a CL99 do extrato etanólico
e ao abamectina.......................................................................................................... 52
Figura 4 - Método de criação do ácaro Amblyseius aerialis......................................................... 65
Figura 5 - Fêmea do ácaro Amblyseius aerialis ............................................................................ 66
Figura 6 - Predação das fases de ovo, ninfa e adulto de Tetranychus urticae por fêmeas de
Amblyseius aerialis .................................................................................................... 67
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Concentração letal (CL) e razão de toxicidade (RT) dos extratos de semente de
Annona muricata sobre fêmeas de Tetranychus urticae............................................ 48
Tabela 2 - Efeito repelente de diferentes concentrações do extrato etanólico sobre Tetranychus
urticae ........................................................................................................................ 50
Tabela 3 - Mortalidade ± EP de Tetranychus urticae com até 120 horas após aplicação (HAP)
de extrato etanólico de semente de graviola e de abamectina ................................... 53
Tabela 4 - Resposta funcional e numérica do predador Amblyseius aerialis tendo como
alimento fêmeas de Tetranychus urticae e ovos postos pelas fêmeas ofertadas ....... 68
Tabela 5 - Resposta funcional e numérica do predador Amblyseius aerialis tendo como
alimento ninfas de Tetranychus urticae ..................................................................... 69
Tabela 6 - Resposta funcional e numérica do predador Amblyseius aerialis tendo como
alimento ovos de Tetranychus urticae ....................................................................... 70
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO GERAL ........................................................................................................ 12
2 REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................................... 15
2.1 Classificação e morfologia geral dos ácaros........................................................................... 15
2.2 Aspectos gerais da família Tetranychidae .............................................................................. 15
2.2.1 Importância e aspectos biológicos do ácaro rajado, Tetranychus urticae .......................... 16
2.2.2 Injúrias e danos causados pelo ácaro rajado, Tetranychus urticae ...................................... 17
2.3 Métodos de controle do ácaro rajado, Tetranychus urticae.................................................... 18
2.3.1 Controle químico ................................................................................................................. 18
2.3.2 Resistência de plantas .......................................................................................................... 19
2.3.3 Controle biológico ............................................................................................................... 20
2.3.4 Controle alternativo com acaricidas botânicos .................................................................... 21
2.4 Aspectos gerais dos produtos de origem botânica .................................................................. 23
2.5 Anonáceas ............................................................................................................................... 24
2.5.1 Importância econômica das anonáceas ................................................................................ 24
2.5.2 Annona muricata ................................................................................................................. 24
2.5.3 Princípio ativo das anonáceas .............................................................................................. 25
2.5.4 Utilização de anonáceas no controle de pragas ................................................................... 26
2.6 Aspectos gerais e importância da família Phytoseiidae.......................................................... 28
2.6.1 Aspectos biológicos e morfológicos .................................................................................... 28
2.6.2 Aspectos gerais do Amblyseius aerialis (Muma, 1955) ...................................................... 29
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................... 30
3 EFEITO ACARICIDA, OVICIDA, REPELÊNCIA E PERSISTÊNCIA DE
EXTRATOS DE SEMENTE DE Annona muricata L. (Annonaceae) A Tetranychus
urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae) ........................................................................... 39
RESUMO..................................................................................................................................... 39
ABSTRACT ................................................................................................................................ 40
3.1 Introdução ............................................................................................................................. 41
3.2 Material e métodos ............................................................................................................... 43
3.2.1 Obtenção e criação do ácaro Tetranychus urticae ............................................................... 43
3.2.2 Obtenção das sementes e preparo dos extratos de Annona muricata .................................. 43
3.2.3 Toxicidade dos extratos para o Tetranychus urticae ........................................................... 45
3.2.4 Repelência do extrato etanólico de Annona muricata em Tetranychus urticae .................. 46
3.2.5 Efeito ovicida do extrato etanólico de Annona muricata .................................................... 47
3.2.6 Persistência do extrato etanólico de Annona muricata na mortalidade de Tetranychus
urticae ........................................................................................................................................... 47
3.3 Resultados e discussão .......................................................................................................... 48
3.3.1 Toxicidade dos extratos para o Tetranychus urticae ........................................................... 48
3.3.2 Repelência do extrato etanólico de Annona muricata em Tetranychus urticae .................. 50
3.3.3 Efeito ovicida do extrato etanólico de Annona muricata .................................................... 51
3.3.4 Persistência do extrato etanólico de Annona muricata na mortalidade de Tetranychus
urticae ........................................................................................................................................... 53
3.4 Conclusões ............................................................................................................................. 55
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................... 56
4 RESPOSTA FUNCIONAL E NUMÉRICA DO PREDADOR Amblyseius aerialis
(Muma, 1955) (ACARI: PHYTOSEIIDAE) ALIMENTADO COM Tetranychus urticae
(Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae) ........................................................................................ 61
RESUMO..................................................................................................................................... 61
ABSTRACT ................................................................................................................................ 62
4.1 Introdução ............................................................................................................................. 63
4.2 Material e métodos ............................................................................................................... 64
4.2.1Obtenção e criação do ácaro Amblyseius aerialis ................................................................ 64
4.2.2 Resposta funcional e numérica de Amblyseius aerialis alimentados com Tetranychus
urticae ........................................................................................................................................... 65
4.3 Resultados e discussão .......................................................................................................... 67
4.4 Conclusões ............................................................................................................................. 70
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................... 71
12
1
INTRODUÇÃO GERAL
O ácaro rajado, Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae), é
considerado uma das mais importantes pragas agrícolas por ser uma espécie cosmopolita,
polífaga, de alto potencial reprodutivo, ciclo biológico curto e alta capacidade de obter
resistência aos acaricidas sintéticos. Pode ocorrer em cultivos de: algodão, feijão, milho, soja,
mamão, maça, uva, alface, batata, berinjela, melancia, melão, morango, pepino, tomate, além
de plantas ornamentais (DEVINE; BARBER; DENHOLM, 2001; ZHANG, 2003; MORAES;
FLECHTMANN, 2008).
As injúrias causadas às plantas são observadas com maior frequência nos períodos de
baixa precipitação pluviométrica e temperaturas elevadas. O ataque é mais intenso na face
abaxial das folhas. Ao se alimentar o ácaro introduz o estilete no tecido vegetal, tomando o
conteúdo celular extravasado. Além disso, podem inocular toxinas e inibidores de crescimento
(MORAES; FLECTHMANN, 2008; MORO et al., 2012).
Como consequência da sua alimentação as folhas apresentam diversas pontuações
claras na face abaxial assumindo um aspecto amarelado. As folhas geralmente secam e caem
prematuramente, causando desfolha precoce das plantas (HICKEL, 2004), tem como
consequência, em alguns casos de ataque severo, a morte da planta ou redução da área foliar
com declínio da fotossíntese. Neste caso, ocorrerá o dispêndio de novos compostos para a
substituição da folhagem, prejudicando a produção.
Dentre as medidas de controle adotadas para o ácaro rajado o controle químico ainda
é o mais utilizado, no entanto seu uso indiscriminado pode causar efeitos indesejáveis ao meio
ambiente, aos seus inimigos naturais e ao homem. A escolha e o manejo inadequado dos
acaricidas químicos têm proporcionado à seleção de populações resistentes, ressurgência e
surtos de pragas secundárias.
A utilização de métodos alternativos de controle de pragas vem se expandindo e
ganhando grande relevância. Produtores e consumidores têm interesse na obtenção de
produtos livre de resíduos de agrotóxicos, com boa aparência para a comercialização e que
sejam produzidos com uma tecnologia ambientalmente segura (SILVA; BATISTA; BRITO,
2009). Portanto, o manejo integrado de pragas aliando diversas formas de controle como, o
controle alternativo com produtos naturais de origem botânica e o controle biológico com a
utilização de predadores, juntamente com a utilização de agrotóxicos que causem pouca ou
nenhuma toxicidade aos inimigos naturais e ao homem, pode ser uma alternativa viável,
quando bem planejada. E para que os programas de manejo integrado de pragas tenham
13
sucesso é imprescindível que os agrotóxicos apresentem seletividade aos organismos que
controlam naturalmente as pragas, como é o caso dos ácaros predadores.
Os efeitos negativos causados pelo uso indiscriminado de agrotóxicos sintéticos
podem ser atenuados com a utilização de produtos alternativos de origem botânica, devido a
algumas características benéficas relativas à toxicidade, pois possuem degradação rápida o
que geralmente pode reduzir o impacto aos inimigos naturais, ao homem e ao ambiente
(BRITO et al., 2008). Esses produtos são derivados de plantas ou de parte delas (folhas,
sementes, raízes e galhos), que são obtidos com a moagem e extração aquosa ou com
solventes orgânicos, ou ainda através da destilação a vapor (WIESBROOK, 2004; TAIZ;
ZEIGER, 2006).
Produtos derivados de plantas, além de terem efeito inseticida/acaricida comprovado,
apresentam vários compostos ativos que agem sinergicamente, apresentando características
atraentes, desalojantes ou repelentes, entre outras que podem ser empregados em programas
de manejo integrado de pragas, como alternativas para controle e monitoramento de
populações de pragas (NAVARRO-SILVA; MARQUES; DUQUE, 2009).
Os estudos com inseticidas/acaricidas botânicos, especialmente com sementes de
anonáceas, são importantes principalmente pela necessidade de se obter novos compostos
para utilização no controle de pragas, que sejam menos agressivos ao meio ambiente, sem
causar problemas de resíduos nos alimentos. Outro fator a se considerar é que evitam ou
retardam a seleção de insetos e ácaros resistentes e, ainda, que geralmente não apresentem
ação sobre organismos benéficos (KRINSKI; MASSAROLI; MACHADO, 2014).
As plantas da família Annonaceae são importantes comercialmente e dentre elas,
encontra-se as espécies do gênero Annona, conhecidas popularmente como pinha, ata,
cherimólia, marolo, fruta-de-conde, pinha-azeda, graviola e condessa (HEUSDEN, 1992).
As anonáceas apresentam em sua composição várias substâncias com potencial
inseticida/acaricida, entre elas, as acetogeninas são as mais importantes por apresentarem
bioatividade contra diversas espécies (ALALI; LIU; MCLAUGHLIN, 1999), sendo
encontradas nas cascas de galhos, raízes e, principalmente, em sementes (BERMEJO et al.,
2005; CASTILLO-SÁNCHEZ; JIMÉNEZ-OSORNIO; DELGADO-HERRERA, 2010).
Na literatura, são relatadas 42 espécies de Annonaceae com potencial
inseticida/acaricida,
distribuídas
em
14
gêneros
(Annona,
Artabotrys,
Asimina,
Cardiopetalum, Dennettia, Duguetia, Guatteria, Monodora, Mkilua, Oxandra, Polyathia,
Rollinia, Unonopsis e Xylopia) com destaque para as espécies Annona muricata L. (graviola)
e Annona squamosa L. (fruta-do-conde, pinha, ata), que atualmente são as mais utilizadas
14
para estudos de potencial inseticida/acaricida (KRINSKI; MASSAROLI; MACHADO, 2014).
Estudos comprovaram a eficiência de extratos obtidos das sementes de graviola no controle de
Rhipicephalus microplus (Canestrini, 1887) (Acari: Ixodidae) e de lagartas de Plutella
xylostella (L., 1758) (Lepidoptera: Plutellidae) (BROGLIO-MICHELETTI et al., 2009;
TRINDADE et al., 2011).
O sucesso obtido nos experimentos com extratos de sementes de graviola, a
avaliação das características inseticidas/acaricidas dos compostos presentes nessa frutífera, o
fato da obtenção dos agrotóxicos serem provenientes de recursos renováveis e o seu cultivo
ser amplamente distribuído no país, especialmente no estado de Alagoas, traz a possibilidade
de explorar o potencial quanto ao uso inseticida/acaricida desta anonácea.
Os ácaros da família Phytoseiidae (fitoseídeos) destacam-se quanto ao controle
biológico, como os principais inimigos naturais de ácaros pragas. A espécie Amblyseius
aerialis (Muma, 1955) é um ácaro generalista, que provavelmente pode contribuir na
regulação natural de ácaros pragas, devido ao seu hábito alimentar e ampla distribuição, sendo
comumente encontrado no Brasil em frutíferas, roseiras e fragmentos florestais (FORERO et
al., 2008; NORONHA et al., 2010; SILVA et al., 2010; BOBOT et al., 2011). Esse predador
pode se alimentar de pólen de algumas plantas como, Ricinus communis L. (Euphorbiaceae) e
Typha angustifolia L. (Typhaceae) e também de ácaros fitófagos, como T. urticae e
Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) (Tenuipalpidae) (CASTILLO; NORONHA, 2008;
FORERO, 2008).
Em função do exposto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar extratos de
sementes de graviola com potencial acaricida, selecionar o mais eficiente e posteriormente
avaliar seu efeito repelente, ovicida e sua persistência. Além disso, objetiva-se avaliar o
potencial de predação do ácaro fitoseídeo A. aerialis ao ácaro T. urticae.
15
2
REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Classificação e morfologia geral dos ácaros
Os ácaros são Arthropoda, classificados como Chelicerata, da classe Arachnida e
subclasse Acari. Essa subclasse é dividida em duas superordens conhecidas como
Parasitiformes e Acariformes, compostas por seis ordens, com aproximadamente 400 famílias.
Parasitiformes é composta pelas ordens Opilioacarida, Holothyrida, Ixodida e Mesostigmata e
Acariformes, pelas ordens Trombidiformes e Sarcoptiformes (KRANTZ; WALTER, 2009).
Os ácaros são assim denominados em função da ausência de cabeça, corpo indiviso,
e com apêndices locomotores, pernas, que podem variar em números, tamanho e função de
acordo com as famílias. Geralmente, o mais comum são três pares de pernas no estágio de
larva e quatro pares quando ninfas e adultos, com exceção dos pertencentes às famílias
Podapolipidae, que apresentam três pares de pernas e Eriophyidae com dois pares de pernas
em todas as suas fases móveis (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
O corpo do ácaro é denominado idiossoma e na sua porção anterior encontra-se o
gnatossoma onde se localiza a abertura oral, as quelíceras e os palpos. A região em que se
localizam os dois pares de pernas anteriores é denominada propodossoma e a inserção dos
dois pares posteriores é no metapodossoma; o opistossoma é a região posterior ao último par
de pernas (AGUIAR-MENEZES et al., 2007; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Os ácaros são encontrados em diversos ecossistemas terrestres e aquáticos, têm
hábito alimentar diversificado e apresentam importância tanto pelos danos que algumas
espécies causam ao homem, animais e plantas, como pelos aspectos positivos que outras
espécies possuem, como predadores de pragas agrícolas e auxiliares no processo de
decomposição de materiais orgânicos (ROGGIA, 2007).
Dentre estes, os principais grupos de ácaros de interesse agrícola, encontram-se os
fitófagos, especialmente os da família Tetranychidae, pelo potencial de causarem danos às
plantas. Além disso, na ordem Mesostigmata estão os principais grupos de predadores, que
são usados como agentes de controle biológico de ácaros-praga (SANTOS, 2008).
2.2 Aspectos gerais da família Tetranychidae
A família Tetranychidae está inserida na ordem Trombidiformes, subordem
Prostigmata e compreende uma grande variedade de ácaros estritamente fitófagos, os quais se
16
alimentam através da inserção dos estiletes nos tecidos das folhas, preferencialmente na face
abaxial, sugando o conteúdo celular extravasado (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Os tetraniquídeos são conhecidos por tecerem teias sobre as folhas nas quais se
alimentam. A teia protege os ácaros de alguns predadores, pois estes não conseguem
movimentar-se entre os fios da teia. Em alguns casos, impede o estabelecimento de outra
espécie no mesmo lugar e protege a colônia contra as gotículas das chuvas. Além de facilitar
na dispersão dos ácaros, através do processo conhecido como “balonismo”, no qual ocorre
formação de teia em grande quantidade na parte superior da planta e acúmulo dos ácaros, que
são dispersados pelo vento, ocorrendo quando as plantas estão altamente infestadas e os
recursos alimentares tornam-se escassos (MORAES; FLECHTMANN, 2008; CLOTUCHE et
al., 2011).
Dentre os ácaros tetraniquídeos, o ácaro rajado, T. urticae, é considerado, em nível
mundial, como uma das pragas mais importantes, por provocar, nas plantas cultivadas, tanto
em casa de vegetação, como em ambientes abertos, grandes perdas (MIRESMAILLI;
ISMAN, 2006).
2.2.1
Importância e aspectos biológicos do ácaro rajado, Tetranychus urticae
Dentre as espécies da família Tetranychidae, o T. urticae é considerado uma das mais
importantes pragas agrícolas, por ser uma espécie cosmopolita e polífaga, podendo ocorrer em
mais de 150 famílias de importância econômica, dentre 1.200 espécies de plantas em 70
gêneros (ZHANG, 2003; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
O seu nível de importância como praga está relacionado à alta capacidade de obter
resistência aos acaricidas, devido a sua característica polífaga, alto potencial reprodutivo e
ciclo biológico curto (DEVINE; BARBER; DENHOLM, 2001).
O ácaro rajado apresenta coloração esverdeada, com um par de manchas laterais
escuras. Os machos possuem as pernas mais longas e medem, aproximadamente, 0,25 mm de
comprimento, diferindo das fêmeas, que são maiores, medindo 0,46 mm de comprimento. Os
ovos apresentam coloração amarelada, formato esférico, normalmente são depositados nas
teias ou diretamente nas folhas, próximos à nervura (BERNARDI et al., 2010).
O ácaro rajado passa pelas fases de ovo, larva, protoninfa, deutoninfa e adulto
(MORAES; FLECHTMANN, 2008). O seu desenvolvimento pode ser influenciado pela
espécie de planta utilizada como hospedeira, assim como pode ocorrer variação
17
intraespecífica, em função dos diferentes genótipos utilizados nos cultivos comerciais
(GRECO; PEREYRA; GUILLADE, 2006; MEENA et al., 2013).
Desta forma, o período de ovo a adulto varia de dez a doze dias (25°C), sendo que
temperaturas elevadas (30°C) e baixa umidade relativa (<60%) reduzem o tempo para o
desenvolvimento da praga, podendo ser completado em sete dias (ZHANG, 2003;
NICASTRO; SATO, 2008; ESTEVES FILHO et al., 2010; MORO et al., 2012).
2.2.2
Injúrias e danos causados pelo ácaro rajado, Tetranychus urticae
O ataque de T. urticae em altas infestações pode causar descoloração de folhas, perda
da capacidade fotossintética e queda prematura das folhas, eventualmente, morte de plantas.
Além disso, o acúmulo de excrementos e teias pode afetar a aparência das plantas e seu valor
comercial (DEVINE; BARBER; DENHOLM, 2001).
Na cultura do mamão quando ocorre alta infestação, há redução da área fotossintética
devido à necrose de tecidos foliares e queda prematura de folhas, principalmente as folhas
maduras, consequentemente, compromete a produtividade da planta, além de prejudicar a
qualidade dos frutos devido a maior exposição aos raios solares (MORAES; FLECHTMANN,
2008).
No algodoeiro, o ácaro tem preferência pelas folhas mediana e basal, podendo atacar
as folhas mais novas, quando a população é muito elevada. As folhas apresentam manchas
avermelhadas a partir das nervuras, em seguida ocorre o aparecimento de áreas necrosadas e
queda das folhas. A infestação inicial se dá em reboleiras e as plantas atacadas têm seu ciclo
encurtado e a produção reduzida, produzindo maças pequenas e fibras de má qualidade.
Quando o ataque ocorre em plantas logo após a germinação, o ácaro pode causar a perda total
da cultura, pois inviabiliza seu crescimento, causando a morte das plantas (MORAES;
FLECHTMANN, 2008; MIRANDA, 2010).
Nos últimos anos, no noroeste do estado de São Paulo, em videiras da região de
Jales, têm sido registrados intensos ataques de T. urticae (VALADÃO, 2010). Seu ataque em
videira produz áreas cloróticas na face abaxial das folhas, entre as nervuras principais, com
necrose posterior, e na face adaxial surgem tons avermelhados, geralmente atacam as folhas
mais velhas. Altas infestações podem causar desfolhamento, e o ataque aos cachos causa
bronzeamento das bagas (BOTTON, 2005; OLIVEIRA; PARANHOS; MOREIRA, 2010).
No tomateiro, geralmente a consequência do ataque do ácaro é uma injúria mecânica
causada pela perfuração das células e consequente morte das mesmas. As folhas danificadas
18
são prejudicadas pela perda de água e de clorofila levando-a a redução na intensidade de
fotossíntese. Ataques intensos em época seca resultam em secamento de folhas, e, quando
ocorrem plantios contínuos de tomate, os ácaros passam de uma cultura para a seguinte
(MORAES; FLECHTMANN, 2008).
No morangueiro é a principal praga, podendo reduzir a produção de frutos em até
80%, no ponto máximo de desenvolvimento da população, quando não controlado ou
controlado de forma incorreta (FADINI; PALLINI; VENZON, 2004).
Na roseira o ataque de T. urticae causa manchas cloróticas nas folhas, acarretando
em desfolhamentento da planta e falta de florescimento. O ácaro pode depositar em média até
112 ovos, um número muito maior que aquele observado em outras ornamentais (MORAES;
FLECHTMANN, 2008).
A principal forma de controle de T. urticae é através do uso de acaricidas sintéticos,
que nem sempre é eficiente, pois o manejo inadequado desses produtos tem proporcionado à
seleção de populações resistentes, além da ressurgência da praga e aparecimento de pragas
secundárias (SATO et al., 2005).
2.3 Métodos de controle do ácaro rajado, Tetranychus urticae
2.3.1
Controle químico
O Brasil ganhou o posto de maior consumidor de agrotóxicos do mundo, superando
os Estados Unidos, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
(CARNEIRO; ALMEIDA, 2013). Nessa conquista, os acaricidas estão entre os produtos mais
comercializados para controlar pragas.
A utilização de acaricidas químicos é a forma mais comum para o controle de ácaros
na agricultura. Os acaricidas utilizados no controle de T. urticae são caracterizados por uma
grande variedade de estruturas químicas e modos de ação encontrados entre os vários tipos de
compostos que são tóxicos para os ácaros fitófagos (DEKEYSER, 2005; ATTIA et al., 2013).
Os acaricidas podem ter efeitos diretos e indiretos sobre os ácaros. Alguns podem
causar mortalidade imediatamente, podem também afetar o desenvolvimento geral, inibindo o
movimento, reduzindo o forrageamento ou diminuindo a taxa de oviposição (STEINER;
SPOHR; GOODWIN, 2011).
No Brasil, são registrados 45 produtos comerciais para o controle de T. urticae
(AGROFIT, 2014). Os acaricidas tetradifon, dicofol e fenpyroximate foram eficientes no
19
controle de ovos, dicofol e azocyclotin no controle de fêmeas adultas. Para as formas jovens
destacaram-se azocyclotin, chlorfenapyr, fenpyroximate, dicofol e tetradifon (ESTEVES
FILHO; OLIVEIRA; GONDIM JÚNIOR, 2008).
No entanto, T. urticae é capaz de desenvolver resistência aos compostos sintéticos,
devido ao seu ciclo de vida curto, progênie abundante e alta capacidade reprodutiva (AY;
YORULMAZ, 2010). Além disso, podem apresentar efeitos indesejáveis sobre organismos
não alvos, causando mortalidade de polinizadores, predadores e parasitoides (BAPTISTA,
2007; ESTEVES FILHO, 2012; ATTIA et al., 2013). Podem deixar resíduos, causando
impacto ambiental, devido à sua bioacumulação e persistência no solo (ATTIA et al., 2013).
2.3.2
Resistência de plantas
A utilização de cultivares resistentes para o controle de T. urticae pode ser de grande
contribuição, pois é um método eficaz, visto que mantém as populações abaixo do nível de
dano econômico. Esse tipo de controle possui efeito permanente sobre a população da praga,
além de não afetar diretamente seus inimigos naturais (LARA, 1991).
As plantas podem apresentar três tipos de resistência: a antibiose, que ocorre quando
a praga se alimenta normalmente da planta e esta exerce um efeito adverso sobre a biologia da
praga, afetando direta ou indiretamente seu potencial de reprodução; a não-preferência,
quando a planta é menos utilizada pela praga para alimentação, oviposição ou abrigo, do que
outra planta em igualdade de condições e a tolerância, que é a capacidade própria da planta de
suportar ou recuperar-se das injúrias produzidas pelo ataque da praga, a qual normalmente
causaria sérios prejuízos a um hospedeiro mais suscetível (GALLO et al., 2002).
A detecção de plantas resistentes aos ácaros pode ser observada em função do menor
desenvolvimento populacional das espécies em campo (não-preferência) (SILVA et al., 2011),
ou por efeito negativo no ciclo biológico da praga (antibiose), verificado em experimentos de
laboratório (DEHGHAN et al., 2009).
Valadão et al. (2012) estudaram a biologia de T. urticae nas cultivares de uvas finas,
Itália e Benitaka, de uva rústica, Niagara Rosada e na cultivar ‘Redimeire’. Na cultivar
Niagara Rosada, o ácaro apresentou menor fecundidade e sobrevivência, indicando resistência
por antibiose. Foi observada também resistência por não preferência.
Em outros estudos, cultivares de morango ‘IAC Campinas’ e ‘IAC Princesa Isabel’
foram consideradas como portadoras de resistência ao ácaro sob condições de casa de
vegetação e de laboratório. Foram pouco colonizadas, apresentando sintomas de ataque
20
relativamente baixos em casa de vegetação e baixo índice de oviposição (LOURENÇÃO et
al., 2000).
2.3.3
Controle biológico
O controle biológico é um fenômeno natural que consiste no uso de inimigos naturais
com o objetivo de diminuir a população de uma espécie praga abaixo do seu nível de dano
econômico. O controle biológico existe naturalmente, mas o homem pode de alguma forma
favorecer a ação de inimigos naturais, para reduzir os níveis de organismos indesejáveis
(PARRA et al., 2002; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Os ácaros predadores são os principais inimigos naturais de ácaros praga em diversas
culturas (MORAES, 2002; SATO et al., 2007). Os ácaros da família Phytoseiidae são os mais
encontrados em plantas no campo. Os ácaros da família Ascidae, Stigmaeidae, Bdellidae,
Cheyletidae
e
Cunaxidae
também
podem
ocorrer
ocasionalmente
(MORAES;
FLECHTMANN, 2008).
O controle biológico com a utilização de ácaros predadores é bastante empregado na
América do Norte e do Sul, na Ásia e na Europa. As espécies de fitoseídeos, Neoseiulus
californicus (McGregor, 1954), Phytoseiulus macropilis (Banks, 1905) e Phytoseiulus
persimilis (Athias-Henriot, 1957) são as mais estudadas, pois são eficazes no controle de T.
urticae em diversas culturas, sendo produzidas comercialmente, permitindo sua liberação nos
cultivos (SATO et al., 2002; BERNARDI et al., 2010).
Outro predador comercializado é o Feltiella acarisuga (Vallot, 1827) (Diptera:
Cecidomyiidae), que é amplamente utilizado em estufas. As fêmeas depositam seus ovos nas
colônias de T. urticae e as larvas predam ovos, ninfas e adultos do ácaro. As larvas de F.
acarisuga têm a capacidade de se alimentarem de até 124,5 ± 4,2 ovos do ácaro (GHADA;
MOHAMED, 2013).
As fêmeas da joaninha Stethorus punctillum (Weise, 1891) (Coleoptera:
Coccinellidae) têm mostrado eficiência no controle de T. urticae. Tanto larvas como adultos
alimentam-se de todas as fases dos ácaros. Cada fêmea é capaz de depositar cerca de 100 ovos
em sua vida (ROTT; PONSONBY 2000; BIDDINGER; WEBER; HULL, 2009).
Várias espécies predadoras de tripes do gênero Scolothrips (Thysanoptera:
Thripidae) têm sido estudadas em relação a sua contribuição no controle de ácaros,
especificamente
S.
longicornis
(Priesner,
1926)
(PAKAYARI;
FATHIPOUR;
ENKEGAARD, 2011). Os resultados de Pakayari et al. (2009) sugerem que o S. longicornis é
21
um bom predador para o controle de T. urticae, sendo mais eficiente em região onde a
temperatura é freqüentemente acima de 25 ºC.
Alguns patógenos de ácaros tetraniquídeos também têm sido identificados em
condições naturais, sendo em sua maioria vírus e fungos. Os fungos são os mais
frequentemente encontrados, contribuindo para o controle em diferentes culturas (TAMAI;
ALVES; NEVES, 1999).
Isolados de Beauveria bassiana (Balsamo) Vuillemin e Metarhizium anisopliae
(Metsch.) Sorokin mostraram-se patogênicos ao T.urticae (TAMAI; ALVES; NEVES, 1999;
TAMAI et al., 2002; GATARAYIHA; LAING; MILLER, 2010). No entanto, os isolados
foram mais virulentos em temperaturas de 25, 30 e 35° C que a 20°C. O tempo letal para 50%
de mortalidade (TL50) e para 90% de mortalidade (TL90) diminuiu com o aumento da
temperatura (BUGEME et al., 2009).
2.3.4
Controle alternativo com acaricidas botânicos
A utilização de produtos derivados de partes de plantas para o controle de artrópodes
pragas pode causar diversos efeitos sobre os mesmos, tais como repelência, inibição de
oviposição e da alimentação, alterações no sistema hormonal, causando distúrbios no
desenvolvimento, deformações, infertilidade e mortalidade nas diversas fases (ROEL, 2001).
Diversos produtos derivados de plantas têm ação acaricida comprovada sobre T.
urticae. Produtos formulados à base de nim, como o Azamax®, Neemseto® e Natuneem®, que
são extraídos das sementes da planta Azadirachta indica A. Juss. (Meliaceae), são utilizados
no controle de diversas pragas agrícolas, interferindo principalmente como fagoinibidor e no
desenvolvimento dos insetos/ácaros. A azadiractina é o principal composto com atividade
inseticida do nim, pertencente ao grupo dos limonoides (SCHLESENER et al., 2013).
O ácaro rajado sofreu mortalidade de 89,7% e 91,5% para Azamax® e Neemseto®
respectivamente, na concentração de 0,5% (SCHLESENER et al., 2013).
O Natuneem apresentou mortalidade de 40,0 a 56,0% e repelência de 70,0 a 98% a T.
urticae quando testado nas concentrações de 0,25; 0,50 e 1,00%. A viabilidade de ovos variou
de 2,5 a 18,6% (BRITO et al., 2006).
Na busca de alternativas aos agrotóxicos, diversos óleos essenciais extraídos de
plantas têm sido estudados. Óleos essenciais de Micromeria fruticosa L., Nepeta racemosa L.
e Origanum vulgare L. (Lamiaceae), plantas silvestres distribuídas principalmente na região
leste da Anatólia na Turquia, em concentrações de (2 µL/L) com 120 horas de exposição dos
22
óleos, apresentaram porcentagem de mortalidade aos adultos e às ninfas de T. urticae de 96,7;
95,0 e 95,0%, respectivamente. Esses resultados mostram a eficiência dos óleos essências no
controle do ácaro (ÇALMAŞUR; ASLAN; ŞAHIN, 2006).
Vieira et al. (2006) verificaram que extratos aquosos a 20% de Mentha spicata x
suaveolens L. e Mentha piperita L. (Lamiaceae) proporcionaram mortalidade acima de 90%,
após 120 horas. Extratos hidroalcoólicos (20%) de Calendula officinais L. (Asteraceae) e
Cissus sicyoides L. (Vitaceae), bem como extrato aquoso de Laurus nobilis L. (Lauraceae)
ocasionaram mortalidade, após cinco dias, de 87,5; 83,3 e 87,5%, respectivamente. Extrato
hidroalcoólico (20%) de Corymbia citriodora (Hook.) K.D. Hill & L.A.S. Johnson (antigo
Eucalyptus citriodora Hook.) (Myrtaceae) proporcionou mortalidade de 87% após 48 horas.
O óleo de Deverra scoparia Coss. & Durieu (Apiaceae), apresentou CL50 e CL90 de
1,79 e 3,2 mg/L, respectivamente. A fecundidade foi afetada em concentrações mais baixas,
de 0,064 a 0,26 mg/L (ATTIA et al., 2011).
Óleos essencias de Rosmarinus officinalis L. (Labiatae), Allium sativum L.
(Alliaceae), Simmondsia chinenis (Link) Schneider (Simmondsiaceae) e uma mistura de óleo
vegetal (óleo de soja: óleo de girassol) nas concentrações 0,125; 0,5; 0,25; e 0,125 %,
respectivamente, causaram diminuição na oviposição. Observaram-se ainda, alterações no
desenvolvimento das ninfas, com exceção do óleo de R. officinalis (ISMAIL et al., 2011).
As CL50 dos óleos de Mentha longifolia L., Salvia officialis L. (Lamiaceae) e Myrtus
communis L. (Myrtaceae) estimadas para T. urticae foram de 20,08; 53,22 e 60,93 mL/L de
ar, respectivamente. Para o óleo de folhas de Piper aduncum L. (Piperaceae) a CL50, em testes
de fumigação, foi de 0,01µL/L de ar e em teste de contato, foi de 7,17µL/mL. Os óleos
também mostraram efeito repelente sobre o ácaro (MOTAZEDIAN; RAVAN; BANDANI,
2012; ARAÚJO et al., 2012).
O óleo de Santalum album L. (Santalaceae) (0,1%) causou 89,4 % de mortalidade,
redução de 89,3 % na oviposição e repelência, durante pelo menos cinco horas, a T. urticae
(ROH et al. 2011; ROH; PARK; PARK, 2012).
Os óleos essenciais obtidos a partir de frutos e folhas de Xylopia sericea St. Hill
(Annonaceae), por meio de hidrodestilação, causaram a mortalidade de T.urticae, no entanto,
o óleo das folhas foi mais eficiente com CL50 igual a 4,08 µL/L de ar, enquanto a CL50 dos
frutos foi de 20,60 µL/L de ar, ambos após 72 horas (PONTES et al., 2007).
23
2.4 Aspectos gerais dos produtos de origem botânica
As plantas produzem diversos componentes orgânicos divididos em metabólitos
primários e secundários. Os metabólitos primários possuem função estrutural, plástica e de
armazenamento de energia. Os metabólitos secundários, produtos secundários ou produtos
naturais, aparentemente não possuem relação com crescimento e desenvolvimento da planta
(TAIZ; ZEIGER, 2006).
Os metabólitos secundários têm importantes funções ecológicas nas plantas e podem
ser utilizados para sua defesa contra artrópodes pragas, por meio da síntese desses compostos
com propriedades inseticidas/acaricidas, que podem provocar a morte e efeitos subletais a
artrópodes pragas. Os inseticidas/acaricidas de origem botânica são produtos derivados dessas
plantas ou de parte delas, normalmente moído até ser reduzido a pó, ou seus produtos
derivados obtidos por extração aquosa ou com solventes orgânicos (álcool, éter, acetona,
clorofórmio, hexano, etc.), ou através da destilação ou hidrodestilação por arraste a vapor
(WIESBROOK, 2004; TAIZ; ZEIGER, 2006).
O controle de pragas é geralmente realizado com agrotóxicos sintéticos, que nem
sempre são eficientes e podem acarretam diversos problemas, pois o uso intensivo e
indiscriminado desses produtos pode favorecer o surgimento de pragas secundárias, o rápido
desenvolvimento de populações de pragas resistentes aos agrotóxicos químicos, ressurgência
de pragas, devido à elevada mortalidade de inimigos naturais, poluição do solo e água, além
da contaminação de pessoas (SILVA et al., 2006; LOPES et al., 2008; SOARES et al., 2008;
NICASTRO; SATO; SILVA, 2010; SHARMA, 2011).
Os efeitos negativos causados pelo uso de agrotóxicos químicos podem ser atenuados
ou eliminados com a utilização de produtos naturais de origem botânica, devido a algumas
características benéficas relativas à toxicidade, pois geralmente, possuem degradação rápida o
que pode reduzir o impacto a organismos benéficos, ao homem e ao ambiente (BRITO et al.,
2008). De acordo com Wiesbrook (2004) a degradação rápida é considerada também uma
desvantagem, pois ocorre a necessidade de aplicação do produto com maior frequência. A
toxicidade de alguns inseticidas como a rotenona e a nicotina, o custo elevado e a falta de
informação sobre sua utilização de forma correta, são outros pontos negativos dos
inseticidas/acaricidas botânicos.
Para um inseticida botânico ser considerado viável, deve preencher uma série de
requisitos, como seletividade contra inimigos naturais (baixa toxicidade ambiental), baixa
toxicidade a mamíferos, biodegradabilidade e ausência de fitotoxicidade. Entre os critérios
24
práticos que devem ser preenchidos, tem-se: fonte de matéria-prima abundante, baixo custo,
facilidade para padronização dos compostos ativos em variedades naturais da planta-fonte e
potencial para patentear a tecnologia de obtenção dos compostos inseticidas (CORRÊA;
VIEIRA, 2007).
2.5 Anonáceas
2.5.1
Importância econômica das anonáceas
A família Annonaceae apresenta distribuição predominantemente tropical, possui
cerca de 130 gêneros e 2300 espécies. Os gêneros mais representativos são: Guatteria, com
250 espécies; Xylopia, 150 espécies; Uvaria, 110 espécies; Annona, 110 espécies; Polyalthia,
100 espécies; Artabotrys, 100 espécies e Rollinia, com 65 espécies (ALALI; LIU;
MCLAUGHLIN, 1999). No Brasil, é representada por 26 gêneros, sendo sete endêmicos, com
cerca de 260 espécies (MAAS et al., 2002).
As anonáceas são conhecidas principalmente por seus frutos comestíveis, tais como a
pinha, fruta do conde ou ata (A. squamosa L.) e a graviola (A. muricata L.). Além disso,
algumas espécies fornecem madeira própria para carpintaria e raízes utilizáveis como cortiça
(A. glabra L., A. crassiflora Mart.); outras são consideradas medicinais (A. spinescens Mart.,
A. foetida Mart.) e ornamentais (A. cacans Warm. e Xylopia sericea St. Hill.) (CORRÊA,
2005).
As anonáceas apresentam importância econômica em diversos países como Chile,
México, Venezuela, Austrália e Brasil, devido ao seu alto preço alcançado no mercado e pela
sua inserção no mercado europeu e americano. No Brasil, as anonáceas são encontradas desde
o norte do país, até o estado de São Paulo. Na região nordeste, a Bahia é o principal produtor
seguido dos estados de Pernambuco e Alagoas (BRAGA SOBRINHO, 2010).
2.5.2
Annona muricata
A graviola (A. muricata) é originária da América Central e ao norte da América do
Sul, sendo introduzida no Brasil pelos portugueses no século XVI. Pode ser encontrada
disseminada em toda faixa equatorial do planeta. É conhecida como “soursop” na língua
inglesa, “guanabano” no idioma espanhol e “corossol” em francês (BRAGA SOBRINHO,
2010).
25
É importante por suas diversas aplicações na alimentação humana, para o consumo in
natura, preparo de sorvetes, refrescos, doces, polpas, frutas cristalizadas, geleia, entre outros.
Além disso, estudos têm sido realizados para avaliar propriedades medicinais de folhas,
sementes e raízes (OLIVEIRA, 2001; SÃO JOSÉ, 2003).
O cultivo de graviola no estado de Alagoas pode ser encontrado desde o litoral até o
sertão. A graviola é uma árvore com altura de 4 a 8 metros na fase adulta, possui caule único
com ramificações assimétricas. Seu fruto é uma baga composta, múltiplo ou sincarpo,
carnoso, de forma elipsoidal, ovoide, regular, assimétrico ou disforme no ápice, devido à
polinização deficiente ou aos óvulos que não formam fecundados. As sementes são
monoembriônicas, duras, lisas, obovoides e aplainadas, possuem a testa dura e cor castanha,
medem de 11,2 a 20,5 mm de comprimento, pesam de 0,28 a 0,61 gramas e são encontradas
em média mais de 95 sementes/fruto (MANICA et al., 2003).
2.5.3
Princípio ativo das anonáceas
Muitas espécies da família Annonaceae são utilizadas na medicina popular devido as
suas propriedades farmacológicas atribuídas principalmente aos alcaloides, flavonoides e
acetogeninas, principais constituintes bioativos encontrados em gêneros específicos de
anonáceas (ALALI; LIU; MCLAUGHLIN, 1999; KOTAKE; OHTA, 2003; BERMEJO et al.
2005).
As acetogeninas são metabólitos secundários restritos à família Annonaceae. Elas são
derivadas de ácidos graxos (C33-C37) e apresentam um número variável de anéis
tetraidrofurânicos (THF) ou tetraidropirânicos (THP) ao longo da cadeia hidrocarbônica
(ALALI; LIU; MCLAUGHLIN, 1999). Essas substâncias naturais bioativas apresentam
importantes atividades biológicas tais como: citotóxica, antitumoral, pesticida, parasiticida,
vermicida, antimicrobiana, imunossupressora, antiemética, inibidora do apetite e antimalárica
(CAVÉ et al., 1997; ALALI; LIU; MCLAUGHLIN, 1999). Com relação às propriedades
inseticidas as acetogeninas são inibidoras do transporte de elétrons mitocondrial, afetando a
ação do NADH-ubiquinona oxiredutase (ÁLVARES COLOM et al., 2007).
A primeira substância isolada dessa classe de compostos foi a uvaricina, que
apresentava atividade antitumoral (JOLAD et al., 2007).
A asimicina, annonina e annonacina, são exemplos de acetogeninas promissoras na
obtenção de substâncias protótipos com propriedades inseticidas naturais. A asimicina,
isolada da espécie Asimina triloba L., apresentou elevada atividade contra os besouros
26
Epilachna varvestis Mulsant e Acalymma vittatum F. (Coleoptera: Coccinellidae e
Crysomelidae), Aphis gossypii (Glover) (Hemiptera: Aphididae), larvas de Aedes aegypti L. e
Calliphora vicina Robineau-Desvoidy, 1830 (Diptera: Culicidae e Calliphoridae) e o
nematoide Caenorhabditis elegans Maupas, 1900 (Nematoda: Rhabditida) (RUPRECHT et
al., 2007).
Santos; Pimenta; Boa aventura (2007) isolaram duas classes de acetogeninas nas
sementes da espécie Annona cornifolia A. St. Hil. (araticum-mirim), a esquamocina-L e
esquamocina-M. As acetogeninas apresentaram atividade larvicida significativa sobre o
microcrustáceo Artemia salina L., 1758 (Anostraca: Artemiidae), nas doses testadas.
2.5.4
Utilização de anonáceas no controle de pragas
Vários estudos sobre o efeito inseticida de extratos de anonáceas têm sido realizados,
comprovando seu efeito tóxico. A lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda (J. E. Smith,
1797) (Lepidoptera: Noctuidae) obteve mortalidade de 82, 5% quando acrescentado em sua
dieta extrato de Rollinia silvatica A. St.-Hil. na concentração de 100% (v/v). Para a Ascia
monuste orseis (Latreille, 1819) (Lepidoptera: Pieridae) o extrato mostrou-se altamente
eficiente em todas as concentrações de 1/1 a 1/8 (v/v), inviabilizando inclusive a condução do
experimento até o final do ciclo de vida dos insetos (MAIRESSE, 2005).
O extrato metanólico de folhas de A. squamosa nas concentrações 25, 50, 75 e 100 %
foi eficaz no controle de barata, Periplaneta americana (L., 1758) (Blattodea: Blattidae)
(KESETYANINGSIH, 2012).
Da mesma forma, o extrato obtido das sementes de A. squamosa através da extração
com éter de petróleo, causou mortalidade em larvas do mosquito Culex quinquefasciatus (L.,
1758) (Diptera: Culicidae), apresentando CL50 igual a 674,41 ppm (GEORGE; VINCENT,
2005). A atividade larvicida também foi comprovada para o extrato etanólico de folhas sobre
Musca domestica (L., 1758) (Diptera: Muscidae), apresentando CL50 de 550 mgL-1 (BEGUM;
SHARMA; PANDEY, 2010).
O extrato aquoso de sementes de A. squamosa foi eficiente na mortalidade de ninfas
e adultos de Euschistus heros (Fabricius, 1794) (Hemiptera: Pentatomidae), em concentrações
acima de 2,5%. Para os extratos de A. coriacea as concentrações que obtiveram maior
mortalidade de ninfas foram aquelas acima de 5,0% e para adultos, aquelas acima de 2,5 %
(MIKAMI, 2011). Os adultos de E. heros também apresentam alimentação reduzida em
27
vagens de feijão tratadas com o extrato metanólico de A. crassiflora nas concentrações de 4,0;
2,0 e 1,0% (OLIVEIRA; PEREIRA 2009).
O extrato etanólico de sementes de A. coriacea é capaz de interromper o
desenvolvimento de ninfas e adultos de Rhodnius neglectus (Hemiptera: Reduviidae). As
concentrações de 25, 50, 100 e 200 mg/mL causaram de 90 a 100% de mortalidade em
adultos. Para as ninfas, as concentrações maiores de 100 e 200 mg/L causaram mortalidade de
80 e 93,3%, respectivamente. Nas concentrações mais baixas as ninfas apresentaram
anormalidades morfológicas (CARNEIRO; PEREIRA; GALBIATI, 2013).
A concentração de 100 ppm do extrato de A. coriacea teve 100% de mortalidade para
larvas de A. aegypti durante o período de 15 dias, no entanto, não houve eficiência na
mortalidade de pupas e adultos (DILL; PEREIRA; COSTA, 2012). Para o mesmo inseto, o
extrato da casca da raiz de A. crassiflora apresentou CL50 = 0,71 mg mL1 e o extrato da
semente de Annona glabra apresentou CL50 = 0,06 mg mL-1 (OMENA et al., 2007).
O extrato metanólico de semente de A. coriacea causou 100% de mortalidade em
lagartas de Tuta absoluta (Meyrick) (Lepidoptera: Gelechiidae) nas concentrações de 8,0; 4,0;
2,0 e 1,0% (SILVA; PEREIRA; BENTO, 2007).
Os extratos hexânico, etanólico e metanólico de A. coriacea provocaram mortalidade
de ninfas de terceiro instar de Dichelops melacanthus (Dallas, 1851) (Hemiptera:
Pentatomidae) de 78 a 100% nas concentrações de 2, 4 e 8% (SOUZA; CORDEIRO;
PEREIRA, 2007).
O extrato etanólico de A. muricata (5 mg.mL) causou 100% de mortalidade em
lagartas de P. xylostella, quando expostas por até 12 dias. Nas concentrações mais baixas,
também se observou que a viabilidade foi reduzida (TRINDADE et al., 2011). No controle de
R. microplus em laboratório, o extrato alcoólico das sementes de A. muricata (2%) também
apresentou eficácia de 100% (BROGLIO-MICHELETTI et al., 2009).
Extratos etanólicos das cascas das raízes de A. crassiflora e Duguetia furfurace (A.
St.-Hil.) Benth. & Hook. possuem atividade antiprotozoária, com valores de IC50 entre 0,3-10
mg / mL, para Leishmania donovani (Laveran & Mesnil, 1903) e Trypanosoma cruzi (Chagas,
1909) (Trypanosomatida: Trypanosomatidae) (MESQUITA et al., 2005).
Os extratos etanólicos de Anonna lutescens Saff., A. diversifolia Saff. e A. muricata
causaram mortalidade a larvas de Anastrepha ludens (Diptera: Tephritidae) de 87-94%, 7090% e 63-74%, respectivamente, nas concentrações de 100, 1000 e 2000 μg·mL-1
(GONZÁLEZ-ESQUINCA et al., 2012).
28
2.6 Aspectos gerais e importância da família Phytoseiidae
A família Phytoseiidae, da ordem Mesostigmata, são conhecidos principalmente por
seu hábito predatório, no entanto, muitos se alimentam também de pólen, fungos, substâncias
açucaradas secretadas por insetos sugadores, exsudatos de plantas etc (ZHANG, 2003;
MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Os fitoseídeos foram classificados por McMurtry; Croft (1997), de acordo com seu
comportamento alimentar e nível de especialização em relação às presas que atacam, em
quatro grupos: grupo I: especializados na predação de ácaros do gênero Tetranychus Dufour,
sendo constituído por espécies de Phytoseiulus Evans; grupo II: atacam preferencialmente
ácaros da família Tetranychidae, constituído por espécies de Galendromus Muma, alguns
Neoseiulus Hughes e poucos Typhlodromus Scheuten; grupo III: são generalistas, alimentamse de ácaros de diferentes grupos, certos insetos e outros tipos de alimento, constituído por
Amblyseius Berlese e Typhlodromus e algumas espécies de Neoseiulus; grupo IV: são
generalistas preferindo pólen, mas também podem se alimentar de ácaros e insetos;
constituído por espécies de Euseius Wainstein.
Os ácaros predadores são considerados os inimigos naturais mais efetivos no controle
natural dos ácaros fitófagos. Os gêneros com maior número de espécies relatadas foram:
Amblyseius (28 espécies), Neoseiulus (18), Euseius (12), Typhlodromalus (9), Typhlodromips
(10), Phytoseius (8) e Proprioseiopsis (8) (MORAES et al., 2004).
2.6.1
Aspectos biológicos e morfológicos
Os ácaros fitoseídeos possuem em média 250-400 mm de comprimento, pernas
relativamente longas e quelíceras em forma de pinça. São predadores de movimentos rápidos,
fototrópicos negativos, que buscam ativamente suas presas. Geralmente apresentam coloração
palha, marrom ou avermelhada, em geral com uma única placa dorsal que tem até 24 pares de
setas (MORAES et al., 2002).
Seu ciclo biológico inclui as fases de ovo, larva, protoninfa, deutoninfa e adulto. Os
ovos são alongados e translúcidos. Os estágios pós-embrionários geralmente são amarelados a
marrons. O desenvolvimento da fase imatura normalmente ocorre em uma semana. Os adultos
geralmente vivem entre 20 e 30 dias (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
29
As taxas de reprodução variam de acordo com a espécie e outros fatores, como a
temperatura, umidade, alimentação, entre outros. Algumas espécies podem produzir até cinco
ovos por dia (ZHANG, 2003).
2.6.2
Aspectos gerais do Amblyseius aerialis (Muma, 1955)
O ácaro A. aerialis, é um predador generalista do grupo III, comumente encontrado
em cultivos de frutíferas como citros e aceroleira no norte e nordeste do Brasil (NORONHA
et al., 2010; BOBOT et al., 2011 ), em cultivos de roseiras ( FORERO et al., 2008), cafezais e
fragmentos florestais (SILVA et al., 2010).
As fêmeas medem cerca de 395 milímetros de comprimento e 285 milímetros de
largura; o macho apresenta menor tamanho. O período de cópula pode durar até quatro horas,
considerando a cópula, quando o macho e a fêmea se encontram na posição ventre-ventre
(CASTILLO; NORONHA, 2008).
A espécie A. aerialis completa seu desenvolvimento de ovo a adulto em 6,80; 6,54 e
5,96 dias, quando alimentado com pólen de R. communis, polén de T. angustifolia e ácaro
fitófago B. phoenicis, respectivamente (CASTILLO; NORONHA, 2008).
Forero et al (2008), relataram a eficiência de Amblyseius sp. no controle biológico de
ácaros fitófagos T. urticae e B. phoenicis.
30
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3 EFEITO ACARICIDA, OVICIDA, REPELÊNCIA E PERSISTÊNCIA DE
EXTRATOS DE SEMENTE DE Annona muricata L. (Annonaceae) A Tetranychus
urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae)
RESUMO
O objetivo do presente trabalho foi avaliar o efeito dos extratos aquoso e orgânico (hexânico e
etanólico) de semente de Annona muricata (Annonaceae) e do acaricida químico Abamectin
Nortox® na concentração comercial (100mL/100L) sobre o ácaro rajado, Tetranychus urticae
(Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae) utilizando discos de 5,0 cm de diâmetro de folhas de
feijão-de-porco, Canavalia ensiformis, como substrato. O extrato etanólico foi o que
apresentou maior toxicidade ao ácaro, com CL50 estimada em 0,2% (v/v), seguido do extrato
hexânico e do aquoso, com CL50 estimada em 0,4% (v/v) e 13,0% (m/v), respectivamente. A
razão de toxicidade para a CL50 do extrato etanólico foi de 2,0 e 65,0 em relação aos extratos
hexânico e aquoso, respectivamente. O abamectina causou 40,0% de mortalidade a T. urticae.
Para o extrato etanólico, foi avaliado o seu efeito repelente, ovicida e sua persistência. As
concentrações 0,07; 0,1 e 0,2% (v/v), assim como o acaricida químico tiveram efeito neutro
sobre T. urticae e as concentrações 0,4; 0,6 e 1,4% (v/v) foram repelentes. A viabilidade dos
ovos foi avaliada, diariamente, durante 144 horas, após pulverização sobre ovos, com a
solução do extrato etanólico (CL99), abamectina e testemunha, apresentando 9,5; 76,5 e 91,5%
de viabilidade, respectivamente. Para a persistência, plantas de feijão-de-porco foram
pulverizadas com solução do extrato etanólico (CL99), do abamectina e testemunha, e após 0,
24, 48, 72, 96 e 120 horas após aplicação, foram transferidos ácaros para discos foliares das
plantas pulverizadas. A mortalidade foi avaliada, diariamente, durante o período de 120 horas.
O extrato etanólico apresentou persistência até 120 horas após aplicação, com mortalidade
acima de 80,0% e o controle químico apresentou persistência até 48 horas após aplicação com
mortalidade de 47,3%. Desta forma, extrato etanólico de semente de graviola mostrou-se uma
opção ao controle de T. urticae, apresentando efeito letal, repelente, ovicida, além de
persistência.
Palavras-chave: Ácaro rajado. Acaricida botânico. Graviola.
40
ABSTRACT
The aim of the work was evaluate the effect of aqueous and organic extracts (hexanic and
ethanolic) seed of Annona muricata L. (Annonaceae) and chemical acaricide Abamectin
Nortox® at recommended concentration (100mL/100L) on spider mite, Tetranychus urticae
(Koch,1836) (Acari: Tetranychidae) using disks of 5.0 cm diameter jack bean leaf, Canavalia
ensiformis, as substrate. The ethanolic extract showed the highest toxicity to the mite, with
LC50 estimated at 0.2% (v/v), followed by the hexanic extract and aqueous, with LC50
estimated at 0.4% (v/v) and 13.0% (m/v), respectively. The reason for the toxicity LC50 of the
ethanolic extract was 2.0 and 65.0 in relation to the hexanic and aqueous extracts,
respectively. The abamectina caused 40.0% mortality to T. urticae. For the ethanolic extract,
was evaluated its repellent effects, ovicidal and its persistence. The concentrations 0.07, 0.1,
0.2% (v/v) and the acaricide had a neutral effect on T. urticae and the concentrations 0.4; 0.6
and 1.4% (v/v) were repellents. Egg viability was evaluated, daily, for 144 hours after
spraying on eggs, with the solution of the ethanolic extract (LC99), abamectina and control,
with 9.5, 76.5 and 91.5% of viability, respectively. To the persistence, the jack bean plants
were sprayed with a solution of ethanolic extract (LC99), abamectina and control, and after of
0, 24, 48, 72, 96 and 120 hours after application, spider mite were transferred for leaf discs
sprayed plants. The mortality was evaluated, daily, for the duration of 120 hours. The
ethanolic extract showed persistence until 120 hours after application, with a mortality rate
above 80.0% and chemical control had persistent until 48 hours after application with a
mortality of 47.3%. Thus, ethanolic seed extract of soursop showed up an option to control
the T. urticae, presenting effect lethal, repellent, ovicidal, and persistence.
Keywords: Spider mite. Botanical acaricide. Soursop.
41
3.1 Introdução
O ácaro rajado, Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae), é uma das
pragas mais importantes em nível mundial, provocando perdas consideráveis em cultivos no
campo e em casa de vegetação (MIRESMAILLI; ISMAN, 2006). Infestando inúmeras
culturas economicamente importantes como o algodoeiro, macieira, videira, feijoeiro,
morangueiro, mamoeiro, tomateiro, além de outras hortaliças, plantas ornamentais e
medicinais (ZHANG, 2003; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
O seu nível de importância como praga está relacionado à alta capacidade de obter
resistência aos acaricidas químicos, devido a sua característica polífaga, alto potencial
reprodutivo e ciclo biológico curto (DEVINE; BARBER; DENHOLM, 2001).
Esses tetraniquídeos se alimentam através da inserção dos estiletes nos tecidos das
folhas, preferencialmente na face abaxial, sugando o conteúdo celular extravasado
(MORAES; FLECHTMANN, 2008). Como consequência, em altas infestações, podem
causar descoloração de folhas, perda da capacidade fotossintética e, eventualmente, morte de
folhas e plantas. Além disso, o acúmulo de excrementos e teias pode afetar a aparência das
plantas e seu valor comercial (DEVINE; BARBER; DENHOLM, 2001).
São vários os métodos de controle utilizados para o T. urticae, entre os quais o
controle biológico, plantas resistentes, acaricidas botânicos e o controle químico. No entanto,
este método ainda é o mais utilizado, porém, em muitas situações tem se mostrado ineficiente,
pois o uso intensivo de acaricidas tem selecionado populações de ácaros resistentes (SATO et
al., 2005; SATO et al., 2007), além de causar ressurgência de pragas, devido à mortalidade
dos inimigos naturais (FERLA; MORAES, 2006; MARSARO JÚNIOR et al., 2012).
Esses efeitos podem ser atenuados ou eliminados com a utilização de acaricidas
botânicos, devido a algumas características peculiares relativas à toxicidade, degradação
rápida, o que pode reduzir o impacto aos inimigos naturais, ao homem e ao ambiente (BRITO
et al., 2008). Além disso, por serem produtos naturais provenientes de recursos renováveis e
compostos de uma mistura de vários componentes bioativos, agindo sinergicamente,
previnem a seleção de pragas resistentes (ROEL, 2001; BARRETO, 2005).
Esses produtos agem de diversas formas sobre a praga provocando repelência,
inibição de oviposição e da alimentação, distúrbios no desenvolvimento, deformações,
infertilidade e mortalidade (ROEL, 2001).
Na literatura, são relatadas 42 espécies de Annonaceae com potencial
inseticida/acaricida,
distribuídas
em
14
gêneros
(Annona,
Artabotrys,
Asimina,
42
Cardiopetalum, Dennettia, Duguetia, Guatteria, Monodora, Mkilua, Oxandra, Polyathia,
Rollinia, Unonopsis e Xylopia) com destaque para as espécies A. muricata (graviola) e A.
squamosa (fruta-do-conde, pinha, ata) que atualmente são as espécies mais utilizadas
(KRINSKI; MASSAROLI; MACHADO, 2014).
Diversas espécies de vegetais são estudadas, confirmando a sua ação sobre
artrópodes pragas. Entre elas, as espécies da família Annonaceae, como por exemplo, extratos
obtidos de sementes de graviola, A. muricata tem mostrado eficiência no controle de R.
microplus e de lagartas de P. xylostella (BROGLIO-MICHELETTI et al., 2009; TRINDADE
et al., 2011).
As acetogeninas, presentes nas anonáceas, são metabólitos secundários com
potencial inseticida/acaricida. São consideradas as substâncias mais importantes por
apresentarem bioatividade contra diversas espécies (ALALI; LIU; MCLAUGHLIN, 1999),
sendo encontradas nas cascas de galhos, raízes e, principalmente, em sementes (BERMEJO et
al., 2005; CASTILLO-SÁNCHEZ; JIMÉNEZ-OSORNIO; DELGADO-HERRERA, 2010).
A graviola é originária da América Central e ao norte da América do Sul, no Brasil
foi introduzida pelos portugueses no século XVI. Encontra-se disseminada em toda a faixa
equatorial do planeta. O cultivo de graviola no estado de Alagoas pode ser encontrado desde o
litoral até o sertão (BRAGA SOBRINHO, 2010).
É cultura importante por suas diversas utilidades na alimentação humana, para o
consumo natural, preparo de sorvetes, refrescos, doces, polpas, frutas cristalizadas, geleia,
entre outros. Além disso, estudos têm sido realizados para avaliar propriedades medicinais de
folhas, sementes e raízes (OLIVEIRA, 2001; SÃO JOSÉ, 2003).
Com base no exposto, o objetivo do presente trabalho foi avaliar o potencial
acaricida de extratos de sementes de A. muricata no controle do ácaro rajado, T. urticae.
43
3.2 Material e Métodos
Os experimentos foram realizados no Laboratório de Entomologia: Controle
Alternativo de Pragas e em casa de vegetação do Centro de Ciências Agrárias da
Universidade Federal de Alagoas - CECA/UFAL, em Rio Largo – AL.
3.2.1
Obtenção e criação do ácaro Tetranychus urticae
O ácaro foi proveniente de roseiras infestadas obtidas em floriculturas na cidade de
Macéio - AL, no ano de 2013.
No laboratório, folhas com injúrias causadas pelo ácaro foram examinadas em
microscópio estereoscópico e após a identificação através de características morfológicas e da
montagem de lâmina para confirmação da espécie, estabeleceu-se a criação, que foi mantida
em laboratório a temperatura ambiente de 26 ± 1°C, 60 ± 10 % de umidade relativa e fotofase
de 12 horas.
A alimentação do ácaro foi efetuada em plantas de feijão-de-porco (Canavalia
ensifomis L. DC) (Fabaceae) cultivadas em vasos de polietileno com capacidade de 5L,
contendo uma mistura de solo, bagaço de coco, adubo 10-10-10 e esterco bovino, em casa de
vegetação, a temperatura de 29 ± 1°C e 60 ± 5% de umidade relativa.
Após um período de 12 dias, vasos com as plantas foram colocados em gaiolas de
criação de 0,50 x 0,50 x 0,50 m cobertas por tela antiafídeos, em laboratório, e infestados com
os ácaros. Vasos contendo plantas novas foram colocados nas gaiolas, assim que a população
da praga iniciava a formação de teias para se dispersar.
3.2.2
Obtenção das sementes e preparo dos extratos de Annona muricata
Sementes de A. muricata foram coletadas em fábricas de polpas de frutas em Anadia
- AL. Após retirada dos resíduos de polpa das sementes, estas foram colocadas em sacos de
papel Kraft e levadas para secagem em estufa com circulação de ar a temperatura de 50°C por
sete dias. Em seguida, foram trituradas em moinho de facas tipo Wiley para a obtenção do pó,
que foi devidamente armazenado em recipientes de vidro hermeticamente fechados até o
preparo dos extratos (Figuras 1A, 1B e 1C). Uma exsicata da planta foi depositada no herbário
do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), em Maceió – AL, sob o número MAC
34903.
44
Os extratos foram preparados no Laboratório de Pesquisa em Recursos Naturais da
UFAL. Para os extratos orgânicos utilizou-se 6 kg do pó das sementes, sendo submetido à
extração a frio em percolador de aço inoxidável, primeiramente com hexano
[CH3(CH2)4CH3] (8 litros), durante 24 horas, depois sobre a torta resultante dessa extração
acrescentou-se etanol (CH3CH2OH) para a extração à frio por três vezes durante 72 horas. Na
primeira, segunda e terceira extrações utilizaram-se 6,0; 6,6 e 5,0 litros de etanol,
respectivamente. O material foi filtrado e posteriormente concentrado em rotavapor a 50ºC, à
pressão reduzida (Figura 1D e 1E).
Figura 1. Semente de graviola após secagem em estufa (A); moinho para trituração das sementes (B); pó
obtido da trituração (C); material sendo filtrado em percolador (D) e concentrado em rotavapor
(E); extratos obtidos (F).
A
B
C
D
E
F
Fonte: Autora, 2014.
Os resíduos concentrados obtidos das frações hexânica e etanólica foram colocados
em frasco de vidro devidamanente etiquetados e acondicionados em capela para a evaporação
máxima dos solventes. Em seguida, foram vedados e armazenados em temperatura ambiente
(Figura 1F).
45
Para o preparo do extrato aquoso, o pó das sementes foi submetido à extração com
água, em percolador de aço inoxidável, permanecendo por 48 horas, em seguida filtrado e
ajustado com as concentrações a serem testadas.
3.2.3
Toxicidade dos extratos para o Tetranychus urticae
Foram realizados pré-testes com os extratos aquoso e orgânico (hexânico e etanólico)
em diferentes concentrações para determinar valores próximos do limite superior, onde
causou aproximadamente 100% de mortalidade, e próximos do limite inferior, onde não
causou mortalidade. As soluções dos extratos aquoso e orgânico (hexânico e etanólico) foram
solubilizadas em água destilada acrescentando-se o emulsificante Tween 80 (0,05%). Para o
extrato aquoso as concentrações testadas foram: 10, 15, 20, 25, 30 e 35% (m/v), para o
hexânico: 0,2; 0,4; 0,6; 0,8; 1,0; 1,2% (v/v) e para o extrato etanólico as concentrações
testadas foram: 0,1; 0,2; 0,4; 0,6; 0,8; 1,0% (v/v). Utilizou-se como testemunha, solução de
água destilada e Tween 80(0,05%).
Foram confeccionados discos foliares (arenas) de 5,0 cm de diâmetro com folhas de
feijão-de-porco, os quais foram pulverizados com os extratos em diferentes concentrações,
utilizando-se torre de Potter (POTTER, 1952) (Figura 2A). A aplicação foi realizada a uma
pressão de 5 psi/pol² utilizando-se um volume de calda de 2,3 mL, correspondendo a um
depósito de 1,9 ± 0,37 mg/cm². Esta quantidade aplicada está de acordo com o recomendado
pela IOBC/WPRS (International Organization for Biological Control of Noxious Animals and
Plants/ West Paleartic Regional Section) e representa o que ocorre no campo (REIS et al.,
1998).
Em seguida, as arenas foram colocadas para secar sobre papel toalha à temperatura
ambiente durante uma hora e transferidas para placas de Petri (8,5 cm de diâmetro) contendo
água destilada para evitar a fuga dos ácaros. No centro de cada arena foi feito um orifício para
passagem de um alfinete colado no fundo da placa de Petri por uma cola de silicone (2B).
Desta forma, as arenas permaneciam sem tocar na parede da placa, deslocando-se apenas com
o nível da água (REIS; ALVES 1997). Um total de 10 fêmeas do ácaro rajado foi transferido
para cada arena (repetição), totalizando seis repetições por concentração.
A mortalidade dos ácaros foi avaliada 72 horas após a pulverização, sendo
considerados mortos quando não conseguiam se mover a uma distância equivalente ao
comprimento de seu corpo (STARK et al. 1997; SATO et al 2002). As concentrações letais
(CLs) foram estimadas pelo programa estatístico SAS (SAS Institute 2003). Os resultados
46
foram comparados com a testemunha e com o acaricida Abamectin Nortox® (abamectina) na
dosagem comercial (100mL/100L).
Figura 2. Pulverização de discos foliares em Torre de Potter (A); disposição das arenas (B).
A
B
Fonte: Autora, 2014.
3.2.4
Repelência do extrato etanólico de Annona muricata em Tetranychus urticae
Para o teste de repelência foi utilizado o extrato etanólico e o abamectina. Nas
soluções adicionou-se Tween 80 (0,05%). Foram confeccionados discos de folhas de feijãode-porco de 5,0 cm de diâmetro. Os discos foram imersos durante cinco segundos em cada
tratamento ou na testemunha, em seguida foram colocados lado a lado, e conectados por uma
lamínula de vidro (18 x 18 mm). Esse conjunto foi disposto sobre papel de filtro saturado em
água destilada no interior de placas de Petri (14 cm de diâmetro), segundo metodologia
adaptada de Esteves Filho et al. (2010).
Os tratamentos utilizados foram: extrato etanólico vs testemunha e abamectina vs
testemunha com 15 repetições. As concentrações testadas foram aquelas obtidas na curva de
concentração-resposta, equivalentes as CLs 10, 20, 50, 75, 90 e 99 do extrato etanólico e para
o abamectina usou-se a dosagem comercial.
Na porção mediana da lamínula foram liberadas dez fêmeas de T. urticae, obtidas da
criação, e após duas horas avaliou-se o número de fêmeas em cada disco.
O índice de Repelência (IR) foi calculado de acordo com a fórmula: IR = 2G/(G+P)
de acordo com Kogan e Goeden (1970), onde G é o número de ácaros no tratamento e P é o
número de ácaros no controle. O intervalo de segurança utilizado para considerar se o
47
tratamento foi ou não repelente é obtido a partir da média dos IR calculado e seu respectivo
desvio padrão (DP). Seguindo-se os padrões para o índice em questão, como seguem: se a
média do IR for menor que 1 – DP, o extrato é repelente. Se a média for maior que 1 + DP o
extrato é atraente e se a média estiver entre 1 – DP e 1 + DP o extrato é considerado neutro.
3.2.5
Efeito ovicida do extrato etanólico de Annoa muricata
Fêmeas de T.urticae foram transferidas para discos de folhas de feijão-de-porco de
3,0 cm de diâmetro dispostos em placas de Petri (14 cm de diâmetro), contendo algodão
hidrófilo umedecido. Após 24 horas, as fêmeas foram retiradas e deixados 10 ovos por disco.
Estes foram pulverizados com o extrato etanólico (CL99), abamectina e testemunha,
utilizando-se torre de Potter (POTTER, 1952).
A aplicação foi realizada a uma pressão de 5 psi/pol² utilizando-se um volume de
calda de 2,3 mL, correspondendo a um depósito de 1,9 ± 0,37 mg/cm². Esta quantidade
aplicada está de acordo o recomendado pela IOBC/WPRS (International Organization for
Biological Control of Noxious Animals and Plants/ West Paleartic Regional Section) e
representa o que ocorre no campo (REIS et al., 1998). Foram utilizadas 20 repetições para
cada tratamento. A avaliação da eclosão das larvas foi realizada diariamente até 144 h após a
instalação do experimento. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias
comparadas pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade, pelo Assistat versão 7.7 beta
(SILVA; AZEVEDO, 2014).
3.2.6
Persistência do extrato etanólico de Annona muricata na mortalidade de
Tetranychus urticae
Um total de 10 plantas de feijão-de-porco, cultivadas em vasos, com 12 dias após a
germinação, foram pulverizadas com cada tratamento (CL99 do extrato etanólico, abamectina
e testemunha) utilizando-se pulverizador manual (1,5 litros de capacidade) até o molhamento
total das folhas, depositando-se um volume de calda de 26 mL/planta. Após diferentes
períodos, retiraram-se das plantas tratadas, discos foliares de 5,0 cm de diâmetro. As plantas
foram mantidas em casa de vegetação a 29 ± 1°C e 60 ± 5% de U.R.
Foram utilizadas 15 repetições para cada tratamento, cada uma constituída por uma
placa de Petri, contendo água destilada para evitar a fuga dos ácaros. No centro de cada disco
foi feito um orifício para passagem de um alfinete colado no fundo da placa de Petri por cola
48
de silicone. Desta forma, os discos foliares permaneciam sem tocar na parede da placa,
deslocando-se apenas com o nível da água (REIS; ALVES 1997).
Para cada disco foram transferidas 10 fêmeas adultas de T. urticae, a intervalos
variáveis de tempo, sendo: 0, 24, 48, 72, 96 e 120 horas após aplicação. A mortalidade dos
ácaros foi avaliada, diariamente, durante o período de 120 h após o confinamento
(SCHLESENER et al., 2013). Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias
comparadas pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade, aplicando-se o esquema fatorial
(6x3), pelo Assistat versão 7.7 beta (SILVA; AZEVEDO, 2014).
3.3 Resultados e Discussão
3.3.1
Toxicidade dos extratos para o Tetranychus urticae.
O extrato etanólico apresentou maior toxicidade ao T.urticae, visto que requereu uma
menor quantidade (0,2% v/v) para causar 50% de mortalidade na população, seguido do
extrato hexânico e do aquoso, com valores de CL50 estimadas em 0,4 e 13,0% (v/v),
respectivamente. A razão de toxicidade para a CL50 do extrato etanólico foi de 2,0 e 65,0 em
relação aos extratos hexânico e aquoso, respectivamente. Os valores das CL99 foram de 57,7%
(m/v) para o extrato aquoso e para os extratos orgânicos, hexânico e etanólico de 3,7 e 1,4%
(v/v), respectivamente (Tabela 1).
Tabela 1. Concentração letal (CL) e razão de toxicidade (RT) dos extratos de semente Annona muricata
sobre fêmeas de Tetranychus urticae.
Tratamentos
n1
GL2
Inclinação ±
EP
CL50 (%)
(IC 95%)
CL99 (%)
(IC 95%)
χ 23
RT450
RT99
P
Extrato
aquoso
360
4
3,60 ± 0,65
13,0
(8,33-16,20)
57,7
(37,87-193,14)
9,1
65,0
41,21
0,06
Extrato
hexânico
360
4
2,38 ± 0,43
0,4
(0,22-0,53)
3,7
(1,87-27,56)
9,2
2,0
2,64
0,06
Extrato
etanólico
360
4
2,80 ± 0,36
0,2
(0,14-0,27)
1,4
(0,85-3,44)
7,78
-
-
0,10
1
Número de ácaros utilizados em cada experimento.
² Grau de liberdade do qui-quadrado
3
Qui-quadrado
4
Razão de toxicidade entre os extratos = maior CL50 e 99 dos extratos/ menor CL50 e 99 dos demais.
Fonte: Autora, 2014.
49
O abamectina provocou 40% de mortalidade, indicando uma provável resistência a
esse acaricida. De acordo com Sato et al. (2005), populações de T. urticae coletadas em
campos de morango no município de Atibaia, no estado de São Paulo apresentaram
resistência moderada ao abamectina.
A capacidade de T. urticae de desenvolver resistência a acaricidas é devido ao seu
ciclo de vida muito curto, resultando em várias gerações por ano, prole abundante, reprodução
arrenótoca, consanguinidade e alto potencial reprodutivo (DEVINE; BARBER; DENHOLM,
2001; VAN LEEUWEN et al., 2010). Além disso, o uso constante de acaricidas químicos
com o mesmo modo de ação gera uma pressão de seleção, selecionando populações
resistentes, dificultando dessa forma o controle e tornando o uso do produto pouco eficiente
(OMOTO, 2003).
A diferença na atividade dos extratos aquoso e orgânico (hexânico e etanólico) está
associada ao tipo de solvente (TRINDADE et al., 2000). Geralmente, os extratos aquosos
requerem uma concentração maior para causar mortalidade da praga.
Segundo Potenza et al. (2006) os extratos aquosos de Dieffenbachia brasiliensis
(Gentianales: Rubiaceae), Ruta graveolens (Sapindales: Rutaceae) e A. squamosa
promoveram redução significativa da população de T. urticae em condições de casa de
vegetação, na concentração de 100 mL/L, apresentando 86,87%, 83,95% e 75,40% de
eficiência, respectivamente.
Extratos aquosos de Mentha spicata x suaveolens e M. piperita (Lamiales:
Lamiaceae) (200g/800mL) proporcionaram mortalidade acima de 90% após 120 horas da
aplicação, enquanto o extrato de Laurus nobilis (Laurales: Lauraceae) causou 87,5% de
mortalidade para T. urticae (VIEIRA et al., 2006).
Maiores concentrações do extrato hexânico foram necessárias para causar a
mortalidade de 50% da população de T. urticae em relação ao extrato etanólico no presente
trabalho. Esses resultados estão relacionados à polaridade dos solventes. Geralmente
solventes apolares, como o hexânico (polaridade 0,1), são menos eficientes do que aqueles
com polaridade intermediária, como o etanólico (polaridade 4,3) (ROEL; VENDRAMIM,
2000; POTENZA et al., 2005; GOMES, 2013). Borges et al. (2007) relataram, ao comparar
extratos elaborados com diferentes solventes em ordem crescente de polaridade, que os
preparados com solventes de menores polaridades apresentaram menores atividades.
O extrato etanólico (1%) de folhas Croton sellowii (Malpighiales: Euphorbiaceae)
mostrou-se tóxico ao T. urticae, causando 69% de mortalidade no intervalo de 72 horas de
exposição. Observou-se também mortalidade de 57% quando os ácaros foram expostos ao
50
extrato hexânico de frutos de X. sericea em concentração de 1%. Nas concentrações mais
baixas de 0,75 e 0,5%, a mortalidade, embora significativa, foi de 28 e 24%, respectivamente
(PONTES, 2006).
Outros extratos e óleos essenciais foram eficientes no controle de T. urticae
(ÇALMAŞUR; ASLAN; ŞAHIN, 2006; ATTIA et al., 2011; ISMAIL et al., 2011; ROH et al.
2011; SCHLESENER et al., 2013), esses estudos mostraram que acaricidas naturais podem
ser uma boa alternativa para substituir ou diminuir o uso de acaricidas químicos e desta forma
amenizar os impactos negativos que os mesmos acarretam.
No presente bioensaio sobre a toxicidade dos extratos de semente de graviola a T.
urticae, observou-se que o extrato etanólico foi o mais eficiente, portanto, foi selecionado
para dar continuidade aos demais bioensaios.
3.3.2
Repelência do extrato etanólico de Annona muricata para Tetranychus urticae
As menores concentrações testadas (0,07; 0,1 e 0,2% (v/v) equivalentes as CL10,
CL20 e CL50, respectivamente) apresentaram efeito neutro sobre o T. urticae, com Índice de
Repelência (IR) de 0,74; 0,74 e 0,86, respectivamente. O mesmo efeito também foi observado
para o abamectina, com IR igual a 1,18 (Tabela 2).
Tabela 2. Efeito repelente de diferentes concentrações do extrato etanólico sobre Tetranychus urticae.
Tratamento
Concentração
Média (±DP²) dos Índices de
Repelência¹
Efeito
Abamectina
0,1%(100mL/100L)
0,07% (CL10)
0,1% (CL20)
0,2% (CL50)
0,4% (CL75)
0,6% (CL90)
1,4% (CL99)
1,18 ± 0,40
0,74 ± 0,27
0,74 ± 0,27
0,86 ± 0,38
0,41 ± 0,19
0,32 ± 0,38
0,16± 0,22
Neutro
Neutro
Neutro
Neutro
Repelente
Repelente
Repelente
Extrato etanólico
1
Índice de Repelência calculado de acordo com a fórmula sugerida por Kogan & Goeden (1970).
²DP = Desvio Padrão.
Fonte: Autora, 2014.
As concentrações de 0,4; 0,6 e 1,4% (v/v) (CL75, CL90 e CL99) apresentaram o Índice
de Repelência (IR) igual a 0,41; 0,32 e 0,16, respectivamente, indicando que o extrato
etanólico provoca repelência a T. urticae em concentrações iguais ou maiores que 0,4% (v/v)
(Tabela 2).
51
Esses resultados possibilita o entendimento de que, mesmo em concentrações abaixo
daquela capaz de causar 99% de mortalidade na população do ácaro, ou seja, entre a CL75 e a
CL99 (0,4 a 1,4%) o extrato pode causar repelência em populações que possam ter sobrevivido
ao seu efeito tóxico.
Os óleos essenciais de Mentha longifolia, Salvia officialis (Lamiaceae) e Myrtus
communis (Myrtaceae) além do efeito letal, foram repelentes a T. urticae com valores de CR50
de 147,47; 138,80 e 164,41µL L-1, respectivamente (MOTAZEDIAN; RAVAN; BANDANI,
2012).
O extrato hidroalcoólico de Capsicum frutescens L. (Solanaceae), Coriandrum
sativum (Apiaceae) e Calendula officinalis L. (Asteraceae) causaram repelência em todas as
concentrações testadas (10 mg/mL a 100 mg/mL) no período de avaliação de 2 e 24 horas.
Observou-se também efeito repelente à oviposição (OLIVEIRA, 2013).
O óleo essencial do fruto de Protium heptaphyllum (Sapindales: Burseraceae) e o
extrato hexânico de frutos e folhas de X. sericea foram repelentes a T. urticae em
concentração de 0,5%. (PONTES, 2006). O mesmo autor, também observou que o extrato
etanólico de folhas C. sellowii (1%) apesar de não ter apresentado efeito letal, foi repelente ao
ácaro.
Outros estudos recentes evidenciaram que muitos óleos essenciais e extratos de
plantas além de apresentarem atividade acaricida, também possuem propriedades repelentes
(PONTES, et al., 2011; ARAÚJO et al., 2012; BORN, 2012; ROH; PARK; PARK, 2012;
ESTEVES FILHO et al., 2012).
3.3.3
Efeito ovicida do extrato etanólico de Annona muricata
A viabilidade dos ovos de T. urticae foi afetada, após a aplicação do extrato
etanólico. Apenas 9,5 ± 2,8% dos ovos foram viáveis, ao aplicar a CL99. Houve diferença
significativa em relação aos tratamentos (F = 139,2; P < 0,001). Apesar de o abamectina ter
diferido da testemunha, ainda apresentou uma viabilidade de ovos considerada alta, igual a
76,5 ± 5,25 %. A testemunha apresentou 91,5 ± 2,43% de ovos viáveis (Figura 3).
52
Figura 3. Viabilidade de ovos de Tetranychus urticae submetidos a CL99 do extrato etanólico e ao
abamectina.
100
a
Viabilidade dos ovos (%)
90
b
80
70
60
50
40
30
20
c
10
0
Testemunha
Abamectina
Extrato etanólico
O efeito ovicida é uma propriedade relevante de um acaricida, pois controlando o
estágio inicial de desenvolvimento da praga, diminuindo ou inviabilizando a eclosão de
larvas, consequentemente reduz as injúrias causadas pela praga (ESTEVES FILHO;
OLIVEIRA; GONDIM JÚNIOR, 2008).
Natuneem também foi tóxico para ovos de T. urticae em diferentes concentrações
(0,25; 0,50 e 1,00%), variando de 2,5 a 18,6% de ovos viáveis (BRITO, et al., 2006). Os
produtos naturais azadiractina e rotenona ocasionaram 93,36 e 62,95%, respectivamente, de
inviabilidade dos ovos, nas concentrações comerciais (DUSO et al., 2008).
O acaricida espiromesifeno (Oberon® 240 SC), Azadiractina A/B (Azamax® 12 CE),
óleos emulsionáveis de nim (A. indica, A. Juss), pinhão-manso (Jatropha curcas L.) e
mamona (Ricinus communis L) foram eficientes no controle de fêmeas e ovos, no entanto o
espiromesifeno foi mais tóxico para fêmeas e o J. curcas mais tóxico para ovos de T.urticae
(ESTEVES FILHO, et al., 2013).
A atividade ovicida foi observada em várias espécies vegetais das famílias
Burseraceae, Lamiaceae, Rutaceae e Verbenaceae em T. urticae, variando de acordo com a
concentração e espécie vegetal (BORN, 2012).
Segundo Attia et al. (2012) o extrato de Allium sativum (Alliaceae) nas
concentrações 0,36 e 0,74 mg/L também foi efetivo na redução da fecundidade, evidenciando
que acaricidas naturais são eficientes no controle de ovos de T. urticae.
53
3.3.4
Persistência do extrato etanólico de Annona muricata na mortalidade de
Tetranychus urticae
Houve diferença significativa entre o extrato etanólico e a testemunha em todas as
horas após a pulverização (HAP). Da mesma forma, o abamectina diferiu da testemunha a 5%
de probabilidade (F = 3,57; p < 0,001) pelo teste de Tukey (Tabela 3). Com exceção de 72
HAP, não havendo diferença significativa, entre o abamectina e a testemunha.
No período 0 HAP, houve mortalidade de 93,3 e 47,3 % de T. urticae para o extrato
etanólico e abamectina, respectivamente, ambos diferindo da testemunha, que apresentou
mortalidade de 10,7 %. O extrato etanólico apresentou persistência até 120 horas após
aplicação, com mortalidade acima de 80% (Tabela 3).
Tabela 3. Mortalidade ± EP de Tetranychus urticae com até 120 horas após aplicação (HAP) de extrato
etanólico de semente de graviola e abamectina
Mortalidade ± EP
0 HAP
24 HAP
48 HAP
72 HAP
96 HAP
120 HAP
Testemunha
10,7 ± 2,3 cA
9,0 ± 1,8 cA
10,7 ± 2,3 cA
6,0 ± 1,3 bA
8,0 ± 2,2 cA
4,7 ± 1,6 cA
Abamectina
47,3 ± 5,3 bA
32,0 ± 3,3 bAB
33,3 ± 4,9 bAB
12,7 ± 3,0 bC
23,3 ± 3,3 bBC
24,6 ± 5,8 bBC
Extrato
93,3 ± 3,3 aA
83,3 ± 6,9 aA
80,0 ± 4,8 aA
94,0 ± 4,1 aA
85,3 ± 6,1 aA
92,0 ± 4,3aA
etanólico
CV (%)
37,66
Médias seguidas da mesma letra minúscula na coluna e maiúscula na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey (P ≤ 0,05)
Fonte: Autora, 2014.
Apesar de o tratamento químico ter diferido da testemunha, não apresentou
mortalidade alta, chegando apenas a 47,3% em 0 HAP e apresentando maior persistência até
48 HAP, havendo diminuição na mortalidade, chegando a 12,7% em 72 HAP. Desta forma, o
extrato etanólico foi o mais eficiente (Tabela 3).
Abamectina (Kraft® 36 EC) causou mortalidade em T. urticae superior a 89% até os
quatro dias de avaliação, com mortalidade acima de 75% até 16 dias de avaliação (ESTEVES
FILHO et al., 2013). Estes resultados diferem dos encontrados no presente trabalho, onde o
abamectina (Abamectin Nortox®) causou mortalidade de 47,3% para T.urticae, diminuindo
54
sua eficiência 72 horas após aplicação do produto, possivelmente isso ocorreu devido à
concentração do ingrediente ativo de cada formulação, visto que o Kraft® 36 EC apresenta 36
g/L de abamectina, enquanto o Abamectin Nortox®, possui apenas 18 g/L. Além disso, foi
observada resistência moderada ao abamectina em populações de T. urticae coletadas em
cultivos de morango (SATO et al., 2005).
No entanto, ao analisar os resultados no mesmo trabalho para os acaricidas de origem
botânica, observam-se resultados semelhantes, com porcentagem de mortalidade próximas das
encontradas no presente trabalho. O Azadiractina A/B e o óleo de J. curcas ocasionaram
mortalidade superior a 82 e 65%, respectivamente, até 3 horas após a aplicação. O óleo de R.
communis foi instável variando entre 16 e 54% de mortalidade até 16 dias (ESTEVES FILHO
et al., 2013).
O Azamax® e o Neemseto® a 0,5 e 1,0% apresentaram eficiência de controle de T.
urticae até 72 horas após aplicação (SCHLESENER et al., 2013). Os extratos de folhas de A.
squamosa, C. officinalis e C. arabica causaram mortalidade até no décimo dia, notando-se
que a maior porcentagem foi encontrada para a A. squamosa, chegando a 90% de mortalidade
do ácaro tetraniquídeo Oligonychus ilicis (McGregor, 1917) (CARVALHO et al., 2008).
Outra Annonaceae com atividade inseticida foi a A. coriacea, que apresentou efeito
residual de 100% de mortalidade em larvas de Aedes aegypti L., 1762 (Diptera: Culicidae)
durante 15 dias, indicando que o extrato da planta (100 ppm) pode ser utilizado em programas
de controle da dengue (DILL; PEREIRA; COSTA, 2012).
Extratos de A. muricata também foram eficientes como inseticida, causando
mortalidade de lagartas de P. xylostella até quatro dias após a aplicação. O extrato etanólico
das sementes de A. muricata mostrou-se mais eficientes causando 58,75% de mortalidade,
enquanto o extrato hexânico causou 35,83% de mortalidade (GOMES, 2013).
Os acaricidas de origem botânica geralmente apresentam baixa persistência, podendo
ser considerada uma vantagem, pelo fato de reduzir o impacto a organismos benéficos, ao
homem e ao ambiente (BRITO et al., 2008). No entanto, a degradação rápida é considerada
também uma desvantagem, pois necessita a aplicação do produto com maior frequência
(WIESBROOK, 2004).
O extrato etanólico de semente de A. muricata apresentou percentual de mortalidade
constante até o ultimo dia de avaliação (120 HAP), provavelmente a persistência continuaria
por mais algumas horas. Desta forma, são necessários novos estudos com avaliações mais
prolongadas para saber de fato até aonde vai o efeito do extrato na mortalidade dos ácaros. No
entanto, a sua eficiência já está comprovada.
55
Com base no exposto, observou-se que o extrato etanólico pode ser considerado uma
boa alternativa no controle de T. urticae, sendo eficiente na mortalidade, repelência e
persistindo por 120 horas, podendo dessa forma, ser utilizado em programas de manejo de
pragas.
3.4 Conclusões
O extrato etanólico de graviola tem eficiência na mortalidade do ácaro T. urticae,
além de efeito ovicida, repelente e persistência de 120 horas.
56
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61
4 RESPOSTA FUNCIONAL E NUMÉRICA DO ÁCARO PREDADOR Amblyseius
aerialis (ACARI: PHYTOSEIIDAE) SOBRE O ÁCARO RAJADO
RESUMO
Os ácaros predadores da família Phytoseiidae, são um dos principais inimigos naturais de
ácaros tetraniquídeos, promovendo um eficiente controle destes ácaros em várias culturas.
Objetivou-se com o presente trabalho, avaliar o potencial de predação do ácaro Amblyseius
aerialis (Muma, 1955) (Acari: Phytoseiidae) sobre o ácaro rajado, Tetranychus urticae (Koch,
1836) (Acari: Tetranychidae) através de estudos da resposta funcional e numérica. Uma fêmea
fecundada de A. aerialis foi confinada durante sete dias em discos de 3,0 cm de diâmetro
confeccionado com folhas de feijão-de-porco, Canavalia ensiformis, dispostos em placa de
Petri contendo água destilada. Ovos, ninfas e adultos de T. urticae foram usados como presas
para o ácaro A. aerialis, sendo ofertados nas seguintes densidades: 2, 5, 10, 15 ácaros/arena
(oito repetições); 20 e 30 ácaros/arena (cinco repetições). O ácaro A. aerialis predou maior
quantidade de ovos (81,1%), seguido de ninfa (49,9%) e adulto (26,6%) de T. urticae. Houve
um aumento na quantidade de presas consumidas, com o aumento da quantidade de presas
ofertadas. A predação de adultos de T. urticae por A. aerialis foi de 0,87 e 1,85 ácaros/dia nas
densidades 2 e 5, respectivamente. Ocorreu maior consumo nas densidades 10, 20 e 30 com
média de 3,23; 2,28 e 2,89 ácaros/dia, respectivamente. Quando foram ofertadas ninfas como
presas nas densidades 2, 5, 10 e 15 ácaros/arena houve predação de 1,53; 4,19; 4,36; 3,80
ácaros/dia, respectivamente, e nas densidades 20 e 30 ocorreu predação de 6,0 e 6,6
ácaros/dia, respectivamente. Ocorreu predação de 1,91e 4,43 nas densidades 2 e 5 ovos/arena
e nas densidades 10, 15, 20 e 30 ovos/arena houve aumento na predação, com 8,98; 10,84;
13,60 e 14,83 ovos/dia, respectivamente. A oviposição do ácaro A. aerialis permaneceu
constante em torno de um ovo/dia, com exceção do experimento em que os ovos foram
ofertados como presas, neste a quantidade de ovos postos foi em média 0,23 ovo/dia.
Observou-se, portanto, uma tendência para a resposta funcional do tipo II. Desta forma, o
ácaro predador, A. aerialis, pode ser considerado em programas de manejo de pragas,
podendo ser utilizado para diminuir populações de T. urticae em cultivos.
Palavras-chave: Inimigo natural. Predação. Tetranychus urticae
62
ABSTRACT
The predator mites of the family Phytoseiidae are one of the main natural enemies of spider
mites, with an efficient control of these mites in various crops. The aim of this study, was to
evaluate the potential for predation mite Amblyseius aerialis (Muma, 1955) (Acari:
Phytoseiidae) on the spider mite, Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae)
through studies of the functional and numerical response. One fertilized female of A. aerialis
has been confined for seven days on discs of 3.0 cm in diameter made from jack bean leaf,
Canavalia ensiformis, arranged in a Petri dish containing distilled water. Eggs, nymphs and
adults of T. urticae were used as prey for the mite A. aerialis, being offered in the following
densities: 2, 5, 10, 15 mites/arena (eight replicates); 20 and 30 mites/arena (five
replicates).The mite A. aerialis has consumed greater number of eggs (81.1%), followed by
nymph (49.9%) and adult (26.6%) of T. urticae. There was an increase in the amount of prey
consumed with the increased amount of preys offered. The predation of adult of T. urticae by
A. aerialis was 0.87 and 1.85 mite/day at densities 2 and 5, respectively, occurring higher
consumption in densities 10, 20 and 30 with a mean of 3.23, 2.28 and 2.89 mites/day,
respectively. When nymphs was offering in densities 2, 5, 10 and 15 mites/arena, the
predation was 1.53, 4.19, 4.36 and 3.80 mites/day, respectively, and the densities 20 and 30
predation was 6.0 and 6.6 mites/day, respectively. The mite A. aerialis has consumed on
average 1.91 and 4.43 eggs/day in densities 2 and 5 eggs/arena and the densities 10, 15, 20
and 30 eggs/arena, was no increase in predation, with 8.98, 10.84, 13.60 and 14.83 eggs/day,
respectively. The oviposition of mite A. aerialis remained constant at around one egg/day,
with the exception of the experiment in which eggs were offered as prey, in the amount of
eggs laid was on average 0.23 egg/day. It was observed, therefore, a trend for type II
functional response. Thus, the predator mite, A. aerialis, can be considered in pest
management programs and may be used to reduce T. urticae of populations in crops.
Keywords: Natural enemy. Predation. Tetranychus urticae.
63
4.1 Introdução
O ácaro rajado, Tetranychus urticae (Koch, 1836), pertence à família Tetranychidae,
a qual é citada como de grande importância por apresentar grande quantidade de ácaros
pragas de importância mundial. Essa espécie pode ocorrer em cultivos de algodão, feijão,
milho, soja, mamão, maça, uva, alface, batata, berinjela, melancia, melão, morango, pepino,
tomate, além de plantas ornamentais (ZHANG, 2003; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Em altas infestações, pode causar descoloração de folhas, perda da capacidade
fotossintética e queda prematura de folhas, consequentemente, prejudicando a qualidade de
frutos devido à exposição aos raios solares. Em algumas frutíferas pode reduzir a produção
em até 80%, no ponto máximo de desenvolvimento da população, quando não controlado.
Além disso, o acúmulo de excrementos e teias pode afetar a aparência das plantas e seu valor
comercial (DEVINE; BARBER; DENHOLM, 2001; FADINI; PALLINI; VENZON, 2004;
MORAES; FLECHTMANN, 2008).
A principal forma de controle de T. urticae é através do uso de acaricidas químicos,
que nem sempre é eficiente, pois o manejo inadequado desses produtos tem proporcionado à
seleção de populações resistentes, além da ressurgência da praga e aparecimento de pragas
secundárias (SATO et al., 2005).
A utilização do controle biológico com o uso de ácaros da família Phytoseiidae tem
sido amplamente abordada, embora menos comum que o uso de acaricidas químicos
(LANDEROS et al., 2004). Os ácaros dessa família são os mais importantes e estudados
inimigos naturais de ácaros pragas (MORAES, 1991).
Os ácaros fitoseídeos quando abundantes na cultura podem manter a população de
ácaros pragas em níveis que não causem danos econômicos, evitando ou amenizando a
aplicação de acaricidas químicos, reduzindo a pressão de seleção e consequentemente
retardando o desenvolvimento de resistência (MARAFELI, 2011).
Os fitoseídeos, Phytoseiulus persimilis (Athias-Henriot), P. macropilis (Banks) e
Neoseiulus californicus (McGregor), são comprovadamente eficientes no controle de T.
urticae e atualmente são comercializados por algumas empresas (ATTIA et al., 2013).
O ácaro Amblyseius aerialis (Muma, 1955) é um predador generalista do grupo III,
encontrado em cultivos de frutíferas (NORONHA et al., 2010; BOBOT et al., 2011 ), roseiras
(FORERO et al., 2008), cafezais e fragmentos florestais (SILVA et al., 2010). Algumas de
suas características biológicas foram estudadas, como por exemplo, a sua sobrevivência
quando alimentado com diferentes tipos de presas como os ácaros fitófagos Phyllocoptruta
64
oleivora (Ashmead) (Eriophidae) (BATISTA; NORONHA, 2008) e Brevipalpus phoenicis
(Geijskes) (Tenuipalpidae) e com pólen de plantas de Ricinus communis L. e Typha
angustifolia L. (CASTILLO; NORONHA, 2008). No entanto, pouco se sabe sobre sua
capacidade em reduzir populações de T. urticae.
Para avaliar se determinado predador pode reduzir altas densidades de ácaros pragas
são necessários estudos da resposta funcional, que diz respeito ao número de presas
consumidas por unidade de tempo e resposta numérica, referente ao número de progênie
produzida por unidade de tempo ou outra mudança na densidade do predador. Estas duas
respostas são correlatas e precisam ser consideradas em conjunto (SOLOMON, 1949; MORI;
CHANT, 1966; LAING; OSBORN, 1974).
A resposta funcional de um predador, em função da densidade de presas, geralmente
classifica-se em três tipos básicos. No tipo I, o número de presas consumidas eleva-se
linearmente até um máximo; no tipo II, o número de presas consumidas aumenta com o
número de presas oferecidas, no entanto começa a decrescer ao atingir um ponto máximo de
satuaração; e no tipo III, a predação resulta em uma curva de forma sigmóide, com o aumento
da densidade de presas até atingir um máximo (HOLLING, 1959). O primeiro tipo de resposta
é supostamente típico de invertebrados aquáticos; o segundo, de artrópodes predadores e
parasitoides; e o terceiro, de vertebrados predadores (HASSEL, 1978).
Portanto, o objetivo do presente trabalho foi estudar a resposta funcional e numérica
do predador A. aerialis, alimentado com as fases de ovo, ninfa e adulto de T. urticae.
4.2 Material e métodos
4.2.1
Obtenção e criação do ácaro Amblyseius aerialis
O ácaro predador A. aerialis, foi obtido em plantas de feijão-de-porco, Canavalia
ensiformis (L.) DC., infestadas com T. urticae, que estavam mantidas em casa de vegetação
no CECA/UFAL, em Rio Largo, AL. Lâminas com exemplares foram encaminhadas ao
Laboratório de Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) da
Universidade de São Paulo, Campus Piracicaba, para devida identificação pelo especialista
Peterson Rodrigo Demite, através da chave para identificação dos Amblyseiinae do Brasil
(LOFEGO, 1989). A criação do ácaro predador foi mantida no Laboratório de Entomologia
/Controle Alternativo do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas CECA/UFAL em condições climáticas a 26 ± 1°C, 60 ± 10 % de U.R e 12 horas de fotofase.
65
O método de criação do ácaro predador A. aerialis foi semelhante ao utilizado por
REIS; ALVES (1997), no qual os ácaros foram criados em arenas confeccionadas com folhas
de feijão-de-porco (5,0 cm de diâmetro). As arenas foram colocadas para flutuar sobre água
destilada em placas de Petri sem tampa (8,5 cm de diâmetro). Cada arena continha um orifício
central para a passagem de um alfinete. Os alfinetes foram fixados com a cabeça voltada para
o fundo da placa com auxílio de cola a base de silicone. Foi colocado sobre as arenas um
pedaço de plástico transparente dobrado em forma de pirâmide, para servir de abrigo e local
de postura dos ácaros (Figura 4). Utilizou-se T. urticae em todas as fases em abundância
como fonte de alimento. As arenas foram trocadas a cada sete dias ou quando a fonte de
alimento dos ácaros predadores, ou seja, T. urticae, encontravasse baixa. Os ácaros
predadores eram transferidos para novas arenas infestadas com T. urticae, com o auxílio de
um pincel de cerdas finas.
Figura 4. Método de criação do ácaro Amblyseius aerialis.
Fonte: Autora, 2014.
4.2.2
Resposta funcional e numérica de Amblyseius aerialis alimentados com
Tetranychus urticae.
Para avaliação da predação e oviposição, uma fêmea adulta fecundada de A. aerialis
(Figura 5) foi confinada por sete dias em cada arena de 3,0 cm de diâmetro (7,1cm²)
confeccionada com folhas de feijão-de-porco. Cada arena representa uma repetição. As arenas
ficaram em placa de Petri (8,5 cm de diâmetro), semelhante à metodologia de criação segundo
Reis; Alves (1997).
66
Ovos, ninfas e adultos de T. urticae foram usados como presas para as fêmeas do
ácaro fitoseídeo A. aerialis. Cada fase (ovo, ninfa e adulto) da presa foi ofertada
individualmente nas arenas. As presas foram colocadas nas seguintes densidades: 2, 5, 10, 15
(oito repetições); 20 e 30 ácaros/arena (cinco repetições).
O número de presas consumidas (resposta funcional) e o número de ovos colocados
pelo ácaro fitoseídeos A.aerialis (resposta numérica) foram avaliados a cada 24 horas durante
os sete dias, com a remoção dos ovos depositados pelo fitoseídeo e das presas mortas e
reposição das presas na quantidade inicial (REIS et al., 2003). O experimento no qual foram
ofertadas fêmeas adultas de T. urticae, também foram quantificados os ovos de T. urticae
predados pelo A. aerialis, através da observação do córion dos ovos deixado pelo predador.
Após cada avaliação foram retirados os ovos restantes de T. urticae, não predados pelo A.
aerialis, para evitar a eclosão durante a avaliação do experimento.
A taxa de predação foi obtida pela quantificação do número de ovos, ninfas e adultos
predados pelo ácaro A. aerialis, levantando-se a porcentagem de predação total para
elaboração do gráfico no programa Microsoft Office Excel 2010®.
Os dados de predação e oviposição foram submetidos a análise de variância e
comparados pelo teste de Tukey pelo programa Assistat versão 7.7 beta (SILVA; AZEVEDO,
2014).
Figura 5. Fêmea do ácaro Amblyseius aerialis.
Fonte: Autora, 2014.
67
4.3 Resultados e Discussão
As fases de T. urticae predadas pela fêmea do ácaro A. aerialis foram: ovo (81,1%),
ninfa (49,9%) e adulto (26,6%) (Figura 6).
O ácaro A. aerialis se alimentou de uma quantidade menor de adultos de T. urticae,
comparado com as fases de ovo e ninfa, possivelmente pelo seu tamanho em relação às
demais fases e/ou pela dificuldade de serem dominados pelo predador. Provavelmente,
quantidades menores de adultos podem ser suficientes para saciar o ácaro predador. Enquanto
que, uma quantidade maior de presa deve ser consumida, quando estas são menores como é o
caso das ninfas e ovos. Além disso, ocorreu oviposição das presas adultas ofertadas ao ácaro
A. aerialis e consequentemente, houve complementação na alimentação dos predadores com
os ovos de T. urticae.
A alta porcentagem de predação de ovos de T. urticae pelo predador A. aerialis pode
ser considerada uma característica relevante, pois ocorrendo uma diminuição significativa do
ácaro praga ainda no estágio inicial de desenvolvimento, consequentemente haverá
diminuição das injúrias causadas pela praga.
Figura 6. Predação das fases de ovo, ninfa e adulto de Tetranychus urticae por fêmeas de Amblyseius
aerialis.
100
Porcentagem de predação
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Ovo
Ninfa
Adulto
Fases do Tetranychus urticae ofertadas
Resultados semelhantes, quanto à menor predação de adultos, foram obtidos com os
ácaros predadores Euseius alatus DeLeon e Iphiseiodes zuluagai Denmark & Muma (REIS;
TEODORO; PEDRO NETO, 2000) e Amblyseius herbicolus Chant (REIS; TEODORO;
PEDRO NETO, 2001) ambos utilizando o B. phoenicis como presa. Os ácaros I. zuluagai, E.
citrifolius e A. herbicolus também apresentaram um menor percentual de predação quando
68
alimentados com adultos do ácaro Oligonychus ilicis McGregor (FRANCO et al., 2007). Da
mesma forma, o fitoseídeo Phytoseiulus macropilis sobre o T.urticae (OLIVEIRA et al.,
2007) e Euseius concordis sobre o Mononychellus tanajoa Bondar (COSTA, 2011).
O número de adultos de T. urticae predados (resposta funcional) pelo A. aerialis teve
diferença significativa em relação à quantidade de presas ofertadas (F = 11,57; P < 0,001). A
quantidade de presas consumidas foi bem menor que a quantidade ofertada, no entanto, houve
um aumento no consumo de presas à medida que se aumentou o número de presas ofertadas,
indicando uma resposta funcional do tipo II. A predação foi de 0,87 e 1,85 ácaros/dia nas
densidades 2 e 5, respectivamente. Ocorreu maior consumo nas densidades 10, 20 e 30 com
média de 3,23; 2,28 e 2,89 ácaros/dia, respectivamente. Embora tenha elevado o número de
presas consumidas com o aumento da densidade de presas ofertadas, a porcentagem de
predação diminuiu (Tabela 4).
Quando foi ofertada a fase adulta de T. urticae, houve oviposição das mesmas,
ocorrendo, portanto, predação de ovos de T. urticae pelo ácaro predador A. aerialis. Houve
diferença significativa (F = 3,29; P = 0,015), observando-se uma menor predação de ovos de
T. urticae, quando ofertados apenas dois adultos, provavelmente devido a menor densidade de
T. urticae e consequentemente menor quantidade de ovos postos. No entanto, as demais
densidades não diferiram entre si, sendo observada predação de até 8,5 ovos/dia (Tabela 4).
Houve significância (F = 3,85; P = 0,0067) para o número de ovos colocados pelo
ácaro fitoseídeos A.aerialis (resposta numérica), quando ofertados adultos e ovos de T.
urticae, obtendo-se até um ovo por dia do ácaro fitoseídeo.
Tabela 4. Resposta funcional e numérica do predador Amblyseius aerialis tendo como alimento fêmeas de
Tetranychus urticae e ovos postos pelas fêmeas ofertadas.
Adultos ofertados
N°/arena Ácaros/cm2
2
5
10
15
20
30
CV%
0,28
0,70
1,4
2,1
2,8
4,2
Adultos
consumidos
0,87 ± 0,17a
1,85 ± 0,19ab
3,23 ± 0,39c
2,00 ± 0,18b
2,28 ± 0,15cb
2,89 ± 0,46cb
31,45
Média ± EP/dia
Ovos
Ovos postos
consumidos
4,73 ± 0,65a
6,52 ± 0,56ab
6,20 ± 0,60ab
8,50 ± 0,53b
7,28 ± 0,68ab
7,34 ± 0,49ab
0,46 ± 0,09a
0,80 ± 0,08ab
0,78 ± 0,12ab
0,96 ± 0,07b
0,85 ± 0,10ab
1,02 ± 0,14b
33,66
Predação
adultos (%)
43,75a
37,14a
32,32ab
13,33bc
11,42bc
9,61c
46,68
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey (P ≤ 0,05)
CV: coeficiente de variação
Fonte: Autora, 2014.
69
Da mesma forma, houve diferença significativa (F = 26,67 ; P < 0,001) em relação a
predação de ninfas de T. urticae pelo ácaro A. aerialis, em diferentes densidades. Nas
densidades 2 e 5 houve 76,78 e 83,57% de predação, observando uma diminuição na
porcentagem de predação, com o aumento da densidade de presas. Sugerindo saciação do
ácaro predador. As densidades 5, 10 e 15 foram estatisticamente iguais, com predação de
4,19; 4,36; 3,80 ninfas/dia, respectivamente. E as densidades 20 e 30 foram semelhantes entre
si, com predação de 6,0 e 6,6 ninfas/dia, respectivamente (Tabela 5).
A oviposição do predador A.aerialis foi significante (F = 4,51; P = 0,0027) quando
este predou diferentes quantidades de ninfas de T. urticae. Uma menor quantidade de ovos
postos foi observada na densidade 2, com média de 0,60 ovos/dia. No geral, nas demais
densidades, a quantidade de ovos postos também chegou a um ovo por dia, durante os sete
dias de avaliação (Tabela 5).
Tabela 5. Resposta funcional e numérica do predador Amblyseius aerialis tendo como alimento ninfas de
Tetranychus urticae.
Ninfas ofertadas
N°/arena
Ácaros/cm2
2
5
10
15
20
30
CV%
0,28
0,70
1,4
2,1
2,8
4,2
Média ± EP/dia
Presas
Ovos postos
consumidas
1,53± 0,12a
0,60 ± 0,09a
4,19 ± 0,13b
1,0 ± 0,12ab
4,36 ± 0,26b
1,28 ± 0,10b
3,80 ± 2,71b
0,92 ± 0,13ab
6,0 ± 0,31c
1,0 ± 0,03ab
6,6 ± 0,85c
1,14 ± 0,07b
21,22
30,37
Predação
(%)
76,78a
83,57a
43,57b
25,35c
30,00bc
21,99c
18,80
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey (P ≤ 0,05)
CV: coeficiente de variação
Fonte: Autora, 2014.
O número de ovos de T. urtiae predados pelo A. aerialis teve diferença significativa
em relação à quantidade ofertada (F = 50,6; P < 0,001). Nas densidades 2, 5 e 10 houve 97,91;
90,83 e 90,83% de predação. À medida que se aumentou a densidade de presas ofertadas, a
quantidade de presas consumidas pelo ácaro A. aerialis também aumentou. A maior predação
foi observada nas densidades 20 e 30 com 13,60 e 14, 83 ovos/dia.
A quantidade de ovos postos pelo ácaro predador A. aerilais, quando ofertada
diferentes densidades de ovos de T. urticae, não apresentou diferença significativa (F = 0,53;
P > 0,05) e foi em média de 0,23 ovos/dia. Provavelmente a alimentação do ácaro A. aerialis
à base apenas de ovos de T. urticae é insuficiente para promover a satisfatória reprodução,
70
mesmo o ácaro A. aerialis apresentando maior resposta funcional quando alimentado com
ovos, do que com adultos e ninfas de T. urticae.
Tabela 6. Resposta funcional e numérica do predador Amblyseius aerialis tendo como alimento ovos de
Tetranychus urticae.
Ovos ofertados
N°/arena
Ácaros/cm2
2
5
10
15
20
30
CV %
0,28
0,70
1,4
2,1
2,8
4,2
Média ± EP/dia
Presas
Ovos postos
consumidas
1,91± 0,05a
0,16 ± 0,05
4,43 ± 0,13a
0,23 ± 0,06
8,98 ± 0,25b
0,23 ± 0,06
10,84 ± 0,50bc
0,23 ± 0,06
13,60 ± 0,77cd
0,26 ± 0,08
14,83 ± 0,90d
0,20 ± 0,07
21,97
44,57 ns
Predação
(%)
97,91a
90,83a
90,83a
74,16b
66,83bc
48,55c
13,36
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey (P ≤ 0,05)
Fonte: Autora, 2014.
As respostas funcional e numérica foram consideradas baixas em relação ao existente
na literatura, da mesma forma que para outras espécies de ácaros predadores generalistas,
como por exemplo, o Amblyseius sp. (FORERO et al., 2008) e o Neoseiulus californicus
(MARAFELI, 2011) ambos alimentados com T. urticae. O controle do T. urticae por N.
californicus é mais eficiente quando a infestação inicial da praga é relativamente pequena
(BELLINI, 2008).
Uma das vantagens do controle de ácaros pragas com ácaros predadores generalistas,
aqueles capazes de se alimentarem de diferentes grupos de ácaros, de insetos pequenos, com
os trípes e até mesmo de pólen, é a permanência do ácaro predador na área de cultivo mesmo
na ausência ou em baixa densidade do ácaro praga. Isto se torna uma característica importante
em programas de manejo de pragas, pois sua diversidade quanto ao consumo de alimentos
poderá contribuir para sua permanência no cultivo por um período mais prolongado de
ausência da praga (MARAFELI, 2011).
4.4 Conclusões
O ácaro A. aerialis é um bom predador do ácaro rajado, T.urticae, apresentando uma
maior porcentagem de predação para ovos, comparado a adultos e ninfas.
71
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