Rosangela

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
UNIDADE ACADÊMICA CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA

ROSANGELA DA SILVA LIMA

PRINCIPAIS FITONEMATOIDES ASSOCIADOS À BANANEIRA NO ESTADO DE
ALAGOAS

RIO LARGO-AL
2012

ROSANGELA DA SILVA LIMA

PRINCIPAIS FITONEMATOIDES ASSOCIADOS À BANANEIRA NO ESTADO DE
ALAGOAS

Dissertação apresentada à Universidade Federal de
Alagoas, como parte das exigências do Programa de
Pós-Graduação em Agronomia, para obtenção do
título de Mestre em Produção Vegetal.
Orientadora: Profa. Dra. Maria de Fátima Silva
Muniz.

RIO LARGO-AL
2012

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária Responsável: Fabiana Camargo dos Santos
L732p

Lima, Rosangela da Silva.
Principais fitonematoides associados à bananeira no estado de Alagoas /
Rosangela da Silva Lima. – 2012.
42 f.: il., tab.
Orientadora: Maria de Fátima Silva Muniz.
Dissertação (Mestrado em Agronomia: Produção vegetal) – Universidade
Federal de Alagoas. Centro de Ciências Agrárias. Rio Largo, 2012.
Bibliografia: f. 35-40.
1. Nematoides - Levantamento. 2. Musa spp. 3. Bananeira – Pragas Alagoas. I. Título.
CDU: 632.695.132:634.771

ROSANGELA DA SILVA LIMA

PRINCIPAIS FITONEMATOIDES ASSOCIADOS À BANANEIRA NO ESTADO DE
ALAGOAS

Dissertação apresentada e avaliada pela banca
examinadora em 27 de fevereiro de 2012, como
requisito parcial à obtenção do grau de Mestre em
Agronomia, área de concentração em Produção
Vegetal do Programa de Pós-Graduação em
Agronomia da Unidade Acadêmica Centro de
Ciências Agrárias da Universidade Federal de
Alagoas.

A Deus, que tem me concedido tantas bênçãos, ensinamento e sabedoria.
Aos meus pais, irmãos e amigos;
Com carinho.

DEDICO.

AGRADECIMENTOS

Acima de tudo a Deus, pela vida e bênções concedidas.
À Universidade Federal de Alagoas - Centro de Ciências Agrárias, pela oportunidade
de realização do curso de Pós-Graduação;
Especialmente à Professora Dra. Maria de Fátima Silva Muniz, pela serenidade,
dedicação, paciência, confiança, amizade e orientação durante o curso e a realização deste
trabalho;
Ao secretário de Agricultura de Maragogi, Luiz Antônio Caldas, e ao Engenheiro
Agrônomo Emanoel Estelita pelo apoio durante a coleta das amostras;
Aos Engenheiros Agrônomos da ADEAL, Janúbia Maria da S. Santos e Keginaldo
Lopes de Lima, e aos técnicos da SEAGRI de União dos Palmares, Valdelane Tenório da
Silva, Diego Alves Firmino, Carlos Eduardo Ribeiro de Freitas e Edjane Ribeiro de Freitas,
pela grande e valiosa ajuda nas coletas das amostras, que foram essenciais para o
desenvolvimento desse trabalho;
Aos professores do curso de Pós-Graduação do Centro de Ciências Agrárias/UFAL,
pelos ensinamentos;
Aos professores do CECA/UFAL Jakes Hallan e Cícero Calazans pelo apoio e
incentivo;
À coordenação e ao colegiado do curso de Pós-Graduação em Agronomia, pela
oportunidade em dar continuidade à minha formação profissional;
Á Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, pela
concessão da bolsa de estudo;
Aos meus pais, à minha família e aos meus amigos pela força, apoio e carinho;
Aos amigos do Laboratório de Fitopatologia, Ellen Lopez, Ana Caroline, Adriano, David
Vitor, pelo companheirismo, parceria e contribuição na elaboração desse trabalho;
Aos colegas de curso, Marília Barros, Andrea Avelino, Frederico Feijó, Juliana
Ferreira, Ronaldo Bernardino, Leonardo Barbosa e Sandra Hiromi Kamei, pelo apoio e
convívio sempre agradável;
A todos que fazem o Centro de Ciências Agrárias/UFAL.

“A natureza criou o tapete sem fim que
recobre a superfície da terra. Dentro da
pelagem desse tapete vivem todos os
animais, respeitosamente. Nenhum o
estraga, nenhum o rói, exceto o homem”.

(Monteiro Lobato)

RESUMO

A banana (Musa spp.), uma das frutas mais consumidas no mundo, é cultivada na maioria dos
países tropicais. A baixa produtividade e qualidade da banana no Brasil são, em grande parte,
devido a problemas fitossanitários, dentre os quais, os nematoides. Em Alagoas, há carência
de informações sobre as espécies de nematoides que afetam a cultura. Assim, esse trabalho
teve por objetivo atualizar as informações sobre a ocorrência de nematoides em alguns
municípios produtores de banana no Estado de Alagoas. O levantamento foi realizado durante
o período de abril de 2011 a janeiro de 2012. As 42 amostras de solo e de raízes foram
coletadas em pomares de bananeira das variedades Prata, Pacovan e Terra, provenientes dos
municípios de Maragogi, Japaratinga, Porto Calvo, Matriz do Camaragibe, Joaquim Gomes,
União dos Palmares, Ibateguara, São José da Laje, Santana do Mundaú, Murici, Cajueiro,
Viçosa e Coruripe. As amostras de solo e raízes foram processadas e analisadas no
Laboratório de Fitopatologia do Centro de Ciências Agrárias, da Universidade Federal de
Alagoas visando à identificação dos nematoides. Nas amostras de raízes e de solo
processadas, foram encontradas, respectivamente, as seguintes frequências: Helicotylenchus
(95,2% e 97,6%), Meloidogyne (78,5% e 80,9%), Radopholus similis (38% e 23,8%) e
Pratylenchus (35,7% e 26,1%). Nas amostras de raízes Helicotylenchus, apresentou as
maiores densidades média (2.359 nematoides/50 g de raízes) e máxima (21.200/50g), seguido
por R. similis (1.359/50g e 13.533/50g), Meloidogyne (810/50g e 8.667/50g) e Pratylenchus
(682/50g e 1.300/50g). As elevadas densidades populacionais demonstram a necessidade de
pesquisas visando o manejo de fitonematoides que infectam a bananeira nesse estado.

Palavras-chave: Nematoides. Musa spp. Levantamento.

ABSTRACT

Banana (Musa spp.), is one of the most consumed and cultivated fruits in the tropical world.
The low productivity and low quality of the Brazilian bananas are largely due to disease
problems, among which nematodes is one of them. In Alagoas, there is a lack of information
on the nematodes species that affect the crop. Therefore, this study had as objective to update
the information on the nematode occurrences in the banana producing areas in the state of
Alagoas. The survey was carried out during the period from April 2011 to January 2012.
Forty-two samples of soil and roots were collected in banana orchards cultivated with Prata,
Pacovan, and Terra varieties from the municipalities of Maragogi, Japaratinga, Porto Calvo,
Matriz do Camaragibe, Joaquim Gomes, União dos Palmares, Ibateguara, São José da Laje,
Santana do Mundaú, Murici, Cajueiro, Viçosa and Coruripe. The soil and roots samples were
analyzed in the Laboratory of Phytopathology of the Federal University of Alagoas with the
centrifugal-flotation and maceration-centrifugal flotation methods, respectively. In the
processed roots and soil samples, the following frequencies were found: Helicotylenchus
(95.2% and 97.6%), Meloidogyne (78.5% and 80.9%), Radopholus (38% and 23.8%) and
Pratylenchus (35.7% and 26.1%), respectively. In root samples Helicotylenchus showed the
highest average densities (2,359 nematodes/50 g roots) and the maximum (21.200/50g),
followed by Radopholus similis (1,359/50g and 13,533/50g), Meloidogyne (810/50g and
8,667/50g) and Pratylenchus (682/50g and 1,300/50g). The high populational densities show
the need for research aimed at the management of phytonematodes which infect the banana in
this state.

Keywords: Nematodes. Musa spp. Field survey.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1

Municípios em que foram feitas coletas de amostras para identificação
de fitonematoides em bananeira no Estado de Alagoas.............................. 23

Figura 2

Tombamento de bananeiras em Japaratinga - AL causado pela infecção
das raízes por fitonematoides...................................................................... 24

Figura 3

Principais fitonematoides identificados em associação com a cultura da
bananeira no Estado de Alagoas. Região anterior e posterior (A-L): A-B.
Macho de Helicotylenchus sp., C-D. Fêmea de Helicotylenchus sp., E-F.
Macho de Radopholus similis, G-H. Fêmea de R. similis, I-J. Macho de
Pratylenchus sp., K-L. Fêmea de Pratylenchus sp. (aumento de 400
vezes).......................................................................................................... 27

Figura 4

Configurações

perineais

de

populações

de

Meloidogyne

spp.,

encontradas em bananais no Estado de Alagoas. A e B: M. incognita; C:
M. arenaria; D e E: Meloidogyne sp. (aumento de 400 vezes).................. 33

LISTA DE TABELAS

Tabela 1

Frequência,

número

médio

e

variação

das

populações

de

Helicotylenchus, Meloidogyne, Pratylenchus e Radopholus similis
associadas

as

raízes

de

bananeiras

em

municípios

de

Alagoas.....................................................................................................
Tabela 2

Frequência,

número

médio

e

variação

das

populações

30

de

Helicotylenchus, Meloidogyne, Pratylenchus e Radopholus similis
associadas ao solo sob cultivo de bananeiras em municípios de
Alagoas.....................................................................................................

31

SUMÁRIO

RESUMO..................................................................................................................

08

ABSTRACT.............................................................................................................

09

1 INTRODUÇÃO................................................................................................................

11

2 REVISÃO DE LITERATURA.......................................................................................

14

2.1 Principais fitonematoides associados à bananeira....................................................

14

2.1.1 Radopholus similis (nematoide cavernícola)............................................................

14

2.1.2 Pratylenchus spp. (nematoide das lesões radiculares)............................................

15

2.1.3 Meloidogyne spp. (nematoides das galhas)..............................................................

16

2.1.4 Helicotylenchus multicinctus (nematoide espiralado).............................................

17

2.2 Levantamentos populacionais de fitonematoides em bananeiras.............................

18

3 MATERIAL E MÉTODOS...........................................................................................

23

3.1 Levantamento populacional de fitonematoides associados à bananeira..................

23

3.1.1 Área de estudo e amostragem...................................................................................

23

3.2 Processamento das amostras........................................................................................

25

3.2.1 Extração dos nematoides do solo..............................................................................

25

3.2.2 Extração de nematoides das raízes...........................................................................

25

3.3 Fixação, quantificação e identificação dos nematoides.............................................

25

3.4 Multiplicação das populações de Meloidogyne spp....................................................

26

3.5 Morfologia da região perineal de Meloidogyne spp...................................................

26

3.6 Análise dos dados..........................................................................................................

26

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO.....................................................................................

27

4.1 Levantamento populacional de fitonematoides associados à bananeira..................

27

4.2 Morfologia da região perineal de Meloidogyne spp...................................................

32

5 CONCLUSÕES................................................................................................................

34

REFERÊNCIAS..................................................................................................................

35

APÊNDICE..........................................................................................................................

41

11

1 INTRODUÇÃO
Proveniente do sudeste da Ásia, a bananeira é classificada como uma planta herbácea
da família Musaceae, pertencente ao gênero Musa. Seu fruto é considerado alimento básico
para milhões de pessoas; possui excelente valor nutricional; é rico em açúcar e sais minerais,
principalmente cálcio, fósforo e ferro, e vitaminas A, B1, B2 e C. Devido a essas
características e ao seu potencial produtivo, a cultura da bananeira representa papel
estratégico na segurança alimentar em todo o mundo (SILVA NETO & GUIMARÃES,
2011).
Atualmente, cultivada em praticamente todas as regiões tropicais do planeta, a banana
é a segunda fruta mais consumida, com 10,38 kg/hab/ano, sendo o seu consumo superado
apenas pelo da laranja, com 12,83 kg/hab/ano. No Brasil, seu consumo per capita, tem
aumentado gradativamente nos últimos anos, atingindo aproximadamente 31 kg/hab/ano
(FAO, 2010).
As estatísticas da FAO apontam que no ano de 2010, espécies de Musa foram
cultivadas em aproximadamente 128 países. No que concerne à sua produção, a Índia é o
maior produtor mundial, e o Brasil ocupa o quinto lugar com produção de aproximadamente
6,9 milhões de toneladas, numa área colhida de 489,9 mil hectares e rendimento médio de 14
mil kg por hectare (FAO, 2010). Além de atender o consumo interno, a produção nacional
gera um excedente que é comercializado para alguns países do Mercosul e da Europa.
A região Nordeste é responsável por 42% da produção nacional de bananas e o Estado
de Alagoas se destaca participando com 48,5 mil toneladas (IBGE, 2011). Nesse estado, as
maiores áreas plantadas estão concentradas nos municípios de União dos Palmares, Colônia
Leopoldina, Maragogi, Batalha, Palmeira dos Índios, Santana do Mundaú e Porto Calvo
(IBGE, 2008); o que evidencia a grande importância dessa atividade agrícola para o estado,
pelo papel social que exerce na fixação do homem no campo e na geração de emprego e
renda.
A bananeira diferencia-se das demais espécies de plantas frutíferas, por apresentar um
fluxo contínuo de produção já a partir do primeiro ano de cultivo atraindo os produtores, que
obtêm o retorno do capital investido rapidamente. Entretanto, ao longo de suas fases de
crescimento e produção, a planta e seus frutos são afetados com grande intensidade por
problemas fitossanitários, dentre os quais estão os fitonematoides (BOAS et al., 2002), que
chegam a causar perdas de 100% se o seu controle não for efetuado corretamente (SOUZA,
2002).

12

Em geral, os danos ocasionados por fitonematoides em cultivos de bananeira são
diretamente proporcionais ao aumento de suas populações, ocorrendo redução do tamanho,
peso e atraso na maturação dos cachos, pouco perfilhamento e morte das plantas (STOLF,
2006). Esses danos são também determinados pela suscetibilidade da variedade utilizada, pelo
tipo de solo e pelas condições climáticas.
Os nematoides constituem o mais abundante grupo de animais multicelulares em
número de indivíduos na natureza, estimado em um milhão de espécies (VIGLIERCHIO,
1991). Muitas espécies são importantes justamente pelo efeito favorável à agricultura; são os
nematoides denominados de vida livre. Outras, descritas como nematoides fitoparasitas
podem causar danos irreparáveis, e são consideradas uma ameaça para várias culturas. Para a
cultura da bananeira, os mais prejudiciais são aqueles envolvidos na destruição de raízes
primárias, debilitando o sistema de ancoragem da planta, levando ao tombamento da mesma.
A absorção de água e nutrientes também é prejudicada, influenciando o desenvolvimento
normal da planta (GOWEN & QUÉNÉHERVÉ, 1990).
Associadas ao cultivo de Musa spp., já foram descritas 146 espécies de fitonematoides
pertencentes a 43 gêneros encontrados nas diversas áreas produtoras de banana do mundo
(JESUS, 2006). O nematoide cavernícola, Radopholus similis (Cobb) Thorne, é considerado o
mais nocivo à bananeira. Outras espécies como o nematoide espiralado, Helicotylenchus
multicinctus (Cobb) Golden, o nematoide das lesões radiculares, Pratylenchus coffeae
(Zimmerman) Filipjev & Schuurmans Stekhoven, e os nematoides das galhas, Meloidogyne
spp., com frequência, causam danos expressivos à cultura (COSTA et al., 1997; COSTA,
2000; COSTA & SANTOS, 2009).
Nos bananais brasileiros, os nematoides mais comumente encontrados causando danos
significativos à cultura são R. similis, M. javanica (Treub) Chitwood, M. incognita (Kofoid &
White) Chitwood, M. arenaria (Neal) Chitwood, H. multicinctus e P. coffeae (COSTA,
2000), o que ressalta a intensa necessidade de trabalhos no País. Os dados obtidos por meio de
levantamentos populacionais são úteis na identificação dos nematoides associados com as
culturas e sua distribuição numa dada localidade, possibilitam também o início de estudos a
respeito da biologia e ecologia, além de servirem como fonte de informação para a adoção de
medidas de controle antes que o nível de dano seja atingido (DAVIDE, 2003).
No Estado de Alagoas, são escassas as informações sobre as espécies de nematoides
que ocorrem na bananeira. No levantamento das doenças da bananeira realizado durante os
anos de 2006 e 2007 por Andrade et al. (2009) as fitonematoses causadas por R. similis, H.
multicinctus e Pratylenchus sp. foram detectadas em baixos índices de frequência. Porém,

13

em dezembro de 2009, em algumas amostras de solo e raízes coletadas em pomares de
bananeira da cultivar D’Angola (Comprida), provenientes dos municípios de Japaratinga e de
Maragogi, e analisadas no Laboratório de Fitopatologia do CECA/UFAL, foram encontrados
os gêneros Pratylenchus, Meloidogyne, Helicotylenchus e Radopholus, representando uma
ameaça ao estabelecimento da cultura (MUNIZ, M.F.S., inform. pessoal). Esses nematoides
parasitam o sistema radicular e o rizoma sendo responsáveis por expressivas reduções de até
80% na produção, conforme informação fornecida pela Associação dos Pequenos e Médios
Produtores de Maragogi e Japaratinga (Apemji) e técnicos da região.
Devido aos grandes prejuízos que vêm causando à produção, os nematoides são
considerados o principal problema da bananicultura em alguns estados produtores no Brasil,
como também em outras partes do mundo. Entretanto, atualmente existem poucas
informações sobre as principais populações que afetam as plantações de bananeiras no Estado
de Alagoas.
Em vista do exposto, a presente pesquisa teve como objetivos atualizar as informações
sobre a ocorrência de nematoides; estimar a densidade populacional em amostras de solo e
raízes e identificar os nematoides associados à cultura nos principais municípios produtores
de Alagoas.

14

2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Principais fitonematoides associados à bananeira

A bananeira é ótima hospedeira de vários importantes nematoides fitoparasitas. Na
planta, o parasitismo por esses organismos é caracterizado pela infestação simultânea de
várias espécies, dentre as quais merecem maior atenção os nematoides migradores R. similis,
P. coffeae, e H. multicinctus e, os sedentários Meloidogyne spp., que são encontrados,
principalmente em países tropicais e subtropicais. Apesar de a literatura nacional relatar a
ocorrência de 28 gêneros de nematoides fitoparasitas na cultura da bananeira, apenas as
espécies pertencentes aos gêneros citados anteriormente causam danos de importância
econômica, devido à sua ampla distribuição nas principais regiões produtoras do mundo,
como também pela dificuldade em se obter controle prático e efetivo (JESUS, 2006).

2.1.1 Radopholus similis (nematoide cavernícola)
Pertencente a família Pratylenchidae, e descrito pela primeira vez por Cobb em 1893,
como resultado de sua visita a Fiji entre 1890 a 1891, R. similis, é a espécie mais importante
de fitonematoide prejudicial à bananeira. Encontra-se amplamente distribuído na maioria dos
países tropicais e subtropicais produtores de banana, sendo considerado de importância
econômica em plantios comerciais na América do Sul e Central, no Caribe, partes da África,
Austrália, Ilhas do Pacífico e alguns países no sul e sudeste da Ásia (BRIDGE & STARR,
2007).
No Brasil, esse nematoide foi constatado pela primeira vez, no Estado de São Paulo
(CARVALHO, 1959). Posteriormente, foi relatado nos Estados da Bahia, Ceará, Espírito
Santo, Goiás, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco e Rio de
Janeiro (ZEM & LORDELLO, 1983). Recentemente, Andrade et al. (2009) identificaram esse
nematoide em Alagoas, o que aumenta sua distribuição no País. Os Estados do Paraná, Ceará,
Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo são citados como aqueles que apresentam maiores
problemas com R. similis, devido às altas infestações encontradas nas áreas de produção
(SOUZA et al., 1999).
A designação como nematoide cavernícola se dá pelo sintoma causado no córtex das
raízes e rizomas de bananeiras em virtude da ação do endoparasitismo migratório, o que
ocasiona a desintegração dos tecidos e a formação de cavidades. Em consequência do ataque

15

de R. similis, as raízes se tornam necrosadas, reduzindo a sua capacidade de absorção de
água e nutrientes. Isso leva ao enfraquecimento do sistema de sustentação da planta,
ocasionando o tombamento das mesmas sob ventos fortes ou pelo peso do cacho (COSTA,
2000). Os danos causados nas raízes e no rizoma são atribuídos aos juvenis e fêmeas que se
alimentam do citoplasma e, às vezes, do núcleo das células corticais (ALVES, 1999).
A penetração do nematoide nos rizomas pode ser pelas raízes, cicatrizes das folhas, ao
redor de brotações emergentes ou diretamente do contato com o solo, sendo as lesões
formadas de cor preta (O’BANNON, 1977).
Radopholus similis causa severos danos à bananeira, especialmente em solos arenosos.
Nesses solos, e quando associado a altas temperaturas, é provável que seja favorecida a rápida
multiplicação do nematoide (STOLF, 2006), intensificando os danos causados. Entre as
bananeiras do subgrupo Cavendish, as perdas causadas por esse nematoide, podem chegar a
100% (ZEM & ALVES, 1981; COSTA et al., 1998).
A dispersão do nematoide cavernícola é feita principalmente por meio de material
propagativo contaminado. Também, o uso de implementos agrícolas contaminados, o tráfego
de trabalhadores e animais, o escoamento de águas de chuva em áreas de declives e a
movimentação de solo contaminado com a água de irrigação favorecem a disseminação do
nematoide (COSTA, 2000).

2.1.2 Pratylenchus spp. (nematoides das lesões radiculares)

Também pertencente à família Pratylenchidae, o gênero Pratylenchus Filipjev é
considerado o segundo grupo de fitonematoides mais importante para a agricultura mundial.
Possui diversas espécies, de ampla distribuição geográfica, capazes de causarem perdas de
importância econômica em várias culturas, tanto em condições de clima tropical como
temperado (CASTILLO & VOVLAS, 2007).
As espécies consideradas de maior importância econômica são P. brachyurus
(Godfrey) Filipjev & Schuurmans Stekhoven, P. coffeae, P. penetrans (Cobb) Filipjev &
Schuurmans Stekhoven, P. scribneri Steiner in Sherbakoff & Stanley, P. vulnus Allen &
Jensen e P. zeae Graham (SASSER & FRECKEMAN, 1987). Associadas a Musa spp., cerca
de oito espécies de Pratylenchus já foram descritas. Dentre elas P. coffeae e P. goodeyi Sher
& Allen, são as mais disseminadas e reconhecidas como prejudiciais para a bananeira
(GOWEN & QUÉNÉHERVÉ, 1990). Mas, segundo Santos (2000), P. coffeae é a única
espécie do gênero considerada problema para a cultura no Brasil.

16

Pratylenchus coffeae é um nematoide endoparasito migrador que se alimenta e se
multiplica do córtex das raízes e rizomas da bananeira. Todos os estádios de vida e ambos os
sexos de P. coffeae e P. goodeyi invadem e se alimentam do citoplasma das células dos
tecidos de raízes e rizomas onde os ovos são depositados (PEREIRA, 2006).
Esse nematoide provoca sintomas similares aos ocasionados por R. similis. Assim, em
plantas atacadas, lesões necróticas negras ou púrpuras no córtex das raízes e no rizoma e
menor número de raízes são os sintomas comumente observados. Consequentemente, pode
ocorrer o tombamento do pseudocaule, aumento do ciclo vegetativo, redução da produtividade
do bananal, enfezamento da planta e diminuição do tamanho das folhas e do cacho, resultando
em expressiva perda de produção (GOWEN & QUÉNÉHERVÉ, 1990).
Em levantamentos realizados nas principais regiões produtoras do Brasil, P.coffeae foi
encontrada em apenas 2,5% das amostras (ZEM, 1982). A disseminação é feita de maneira
semelhante a R. similis (ALVES, 1999).

2.1.3 Meloidogyne spp. (nematoides das galhas)

Pertencente à família Meloidogynidae, o gênero Meloidogyne foi criado por Göeldi
(1887) para designar espécimes de nematoides encontrados em raízes de cafeeiros infestados
na Província do Rio de Janeiro no Brasil. Por causa dos sintomas de engrossamentos
observados nas raízes infectadas, as espécies de Meloidogyne são denominadas de nematoides
das galhas.
Distribuído em muitas regiões brasileiras, o gênero Meloidogyne possui uma enorme
gama de hospedeiros e causa grandes prejuízos à cultura da banana (FREITAS et al., 2001).
Segundo Costa (2000), as espécies mais importantes em todas as regiões onde se cultivam
bananeiras são M. arenaria, M. hapla Chitwood, M. incognita e M. javanica. Dentre essas
espécies de Meloidogyne, relatadas em associação às raízes de bananeiras, em diferentes
partes do mundo, até o momento, apenas M. incognita e M. javanica são as de maior
ocorrência e estão mais amplamente distribuídas, podendo ocorrer infestações pelas duas
espécies concomitantemente (DIAS-ARIEIRA et al., 2008). Conforme Cofcewicz et al.
(2004), nas principais regiões produtoras de banana no Brasil, M. javanica, M. incognita e M.
arenaria já foram detectadas em 61,7%, 32,2% e 4,3%, das amostras analisadas,
respectivamente.
As estimativas de perdas causadas por Meloidogyne spp., em diferentes culturas, no
Brasil são, em média, de 12,69 %, sendo de 8% em Musa spp. Os danos causados nos cultivos

17

de banana são diretamente proporcionais ao aumento das populações. O acréscimo ou o
decréscimo da população dependerão de fatores ambientais que atuem direta ou indiretamente
sobre o nematoide ou sobre a hospedeira, bem como de fatores inerentes à biologia do próprio
nematoide. O sintoma característico do ataque por Meloidogyne spp. é o engrossamento
localizado nas radicelas e raízes, formando galhas. O desenvolvimento das galhas radiculares
se dá pela hipertrofia e hiperplasia de células do parênquima vascular da raiz. As células
hipertrofiadas multinucleadas funcionam como verdadeiros armazéns no suprimento
alimentar dos nematoides sedentários (COSTA, 2000).
Em consequência do ataque de Meloidogyne spp., quando a infestação é severa, o
sistema radicular apodrece facilmente e as plantas não absorvem água e nutrientes do solo de
forma adequada, reduzindo o seu tempo de vida; crescem menos, mostrando-se amareladas,
com menor produção e frutos pequenos (COSTA, 2000).

2.1.4 Helicotylenchus multicinctus (nematoide espiralado)

O gênero Helicotylenchus, pertence ao grupo dos nematoides espiralados (família
Hoplolaimidae). Helicotylenchus multicinctus encontra-se amplamente distribuído em
plantios de banana no mundo e é considerado o nematoide mais abundante em número, depois
de R. similis. Embora os danos sejam comuns nos trópicos, as perdas são mais sérias em
locais onde R. similis está ausente (McSORLEY & PARRADO, 1986).
Helicotylenchus multicinctus é a única espécie endoparasita no gênero (McSORLEY,
1994). Juvenis e adultos dos dois sexos se alimentam de citoplasma no parênquima cortical
das raízes de bananeira. Os sintomas do ataque por H. multicinctus consistem em pequenas
lesões acastanhadas sob a forma de minipontuações superficiais, localizadas, principalmente,
nas raízes mais grossas. Quando o ataque é muito severo as lesões podem coalescer, dando às
raízes um aspecto necrosado semelhante ao produzido pelo parasitismo por R. similis
(COSTA, 2000).
Geralmente, H. multicinctus, ocorre associado ao R. similis em regiões nas quais as
condições climáticas são consideradas ótimas para a produção da cultura. Em regiões onde R.
similis é raro, H. multicinctus pode ocorrer em associação com M. javanica ou M. incognita
(McSORLEY & PARRADO, 1986). As primeiras observações de perdas de produção em
bananeiras causadas por H. multicinctus foram feitas em Israel, em áreas nas quais R. similis
estava ausente (BLAKE, 1969).

18

2.2 Levantamentos populacionais de fitonematoides em bananeiras
Na região de Oran, na Argentina, Costilla et al. (1979) realizaram levantamento de
nematoides em zonas produtoras de bananas e relataram pela primeira vez, a ocorrência de H.
multicinctus em raízes de bananeiras, em diferentes regiões, causando severos danos às raízes.
Em algumas destas regiões, também foram constatados H. multicinctus e M. incognita
ocorrendo simultaneamente.
Em Samoa Americana, Brooks (2004) constatou que H. multicinctus foi a espécie mais
comum, estando presentes também em algumas áreas de estudo H. dihystera (Cobb) Sher e R.
similis, com densidades médias de 23.000 e 4.680 nematoides por 100g de raízes,
respectivamente. M. incognita foi detectado em apenas três das dezesseis fazendas.
Em São Tomé e Príncipe, H. multicinctus foi constatado em densidades populacionais
que variaram de 150 a 390 espécimes/g de raízes, em amostras coletadas em 12 áreas
cultivadas com bananeiras que apresentavam sintomas de declínio na produtividade
(VOVLAS et al., 1994).
Na Costa Rica, em 93 amostras de raízes de Musa spp. (AAB), foram encontrados os
nematoides R. similis, H. multicinctus e Meloidogyne spp., respectivamente nas frequências
de 98,5%, 79,5% e 58%. Radopholus similis apresentou densidades médias mais altas do que
Meloidogyne spp. e H. multicinctus. O gênero Pratylenchus, Tylenchus, Psilenchus,
Peltamigratus, Paratylenchus, Longidorus, Xiphinema e Criconemoides também foram
detectados (LÓPEZ, 1980). Segundo Araya et al. (2002), na Costa Rica, comunidades
poliespecíficas de fitonematoides são comuns e consistem da mistura de R. similis, H.
multicinctus, H. dihystera, M. incognita, M. javanica, Pratylenchus spp. e raramente
Rotylenchulus reniformis. Durante quatro anos os autores analisaram 60.032 amostras de
raízes e constataram que R. similis foi o mais abundante, representando 82-86% do total de
nematoides. Helicotylenchus spp., Meloidogyne spp. e Pratylenchus spp. representaram
frequências que variaram de 7,6 a 9,7%, 4,8 a 8,5% e 0,6 a 0,8%, respectivamente. Segundo
os mesmos autores, as elevadas densidades populacionais e frequências de R. similis
sustentam-se na perenidade da monocultura de banana, concordando com outros estudos
locais.
Em seis comarcas de Belize, Bridge et al. (1996) identificaram 47 nematoides em
várias culturas. Nas amostras coletadas em bananais comerciais, foi observada a presença de
R. similis. Do mesmo modo, H. multicinctus, Meloidogyne spp., Rotylenchulus reniformis
Linford & Oliveira, H. erythrinae (Zimmermann) Golden, H. dihystera, H. mucronatus

19

Siddiqi, Criconemella onoensis Luc, Longidorus laevicapitatus Williams, Paratylenchus sp.,
Peltamigratus christiei Golden & Taylor, Xiphinema cf. rivesi e Quinisulcius capitatus Allen
foram observados em parte das amostras.
No Sul da Índia, foi realizado um estudo mensal sobre a dinâmica populacional e
incidência sazonal de nematoides em campos de bananeira entre os anos de 1999 e 2001. Nas
amostras de solo e raízes, foi constatada a ocorrência simultânea de várias espécies de
nematoides como R. similis, M. incognita, P. coffeae, H. multicinctus, Hoplolaimus indicus
Sher, Tylenchorhynchus martini Fielding e Criconemoides spp. (KUMAR, 2002).
Em um estudo realizado sobre a biodiversidade de fitonematoides associados a Musa
spp., no distrito de Thanjavur, Estado indiano de Tamil Nadu, P. coffeae foi o mais frequente,
encontrado associado às raízes de bananeira em todas as áreas amostradas. Helicotylenchus
multicintus e M. incognita apareceram em seis dos oito áreas analisadas. Radopholus similis
foi constatado pela primeira vez e os gêneros Hetrodera, Tylenchorhynchus, Paratylenchus,
Rotylenchus, Longidorus, Paralongidorus foram registrados em números menores, e, segundo
Srinivasan et al. (2011), não causam muitos danos à cultura de banana.
No Equador, foi evidenciada a presença de quatro gêneros de nematoides prejudiciais
à cultura da banana. Com base nas frequências e densidades populacionais de nematoides nas
amostras de raízes analisadas, R. similis foi o mais comum, seguido por Helicotylenchus spp.,
Pratylenchus spp. e Meloidogyne spp. Os autores constataram que no decorrer dos anos de
estudo, as frequências absolutas desses nematoides tenderam a um aumento, com exceção de
Meloidogyne spp., cuja frequência diminuiu (CHÁVEZ E ARAYA, 2001).
Em outro trabalho, também realizado no Equador, CHÁVEZ & ARAYA (2010)
constataram a presença dos mesmos gêneros de fitonematoides. De um total de 9.999
amostras de raízes, 9.482 (95%) continham R. similis; 7.916 (79%), Helicotylenchus spp.;
3.068 (31%), Pratylenchus spp. e, em 706 (7%) amostras, espécies de Meloidogyne foram
detectada.
Em levantamento populacional de nematoides em variedades comerciais de bananeira
dominico hartón, África, FHIA-20 e FHIA-21, produzidas na Colômbia, foram confirmadas
as maiores densidades médias de nematoides nas amostras de solo e raízes para Meloidogyne
spp., seguidas de H. multicinctus. Nas raízes da variedade dominico hartón, R. similis
apresentou maiores densidades do que Pratylenchus spp., mas essas densidades foram
menores no solo. Com exceção de R. similis, que foi detectado apenas nas variedades
dominico hartón e FHIA-21, os demais nematoides estavam presentes em todas as variedades
(GUZMÁN-PIEDRAHITA & CASTAÑO-ZAPATA, 2004).

20

Em Maracaibo, Venezuela, os nematoides parasitas identificados em áreas com
platações de bananeiras foram Pratylenchus, Helicotylenchus e Radopholus, sendo o primeiro
o mais frequente (ASSI BOU ASSI et al., 2009).
Vários relatos confirmam a importância de fitonematoides presentes nos cultivos de
banana no mundo. No Brasil, essa realidade não é diferente, e em estudos realizados por
diversos pesquisadores, R. similis, H. multicinctus, M. incognita, M. javanica, P. coffeae e R.
reniformis já foram detectados associados aos bananais brasileiros, com elevados índices de
frequência, sendo considerados os mais prejudiciais à bananicultura nacional (COSTA, 2000;
SANTOS, 2000).
Zem (1982), em levantamento realizado em o todo Brasil, verificou que a porcentagem
de frequência de Meloidogyne spp. foi suprimida apenas por H. multicinctus, que esteve
presente em 48% das amostras processadas. Observou, ainda, em cultivos de bananeira
‘Prata’, em estado decadente pela infecção de M. javanica, que muitas vezes, os prejuízos
chegavam a ser totais. Em outro estudo, o mesmo autor, registrou severa infestação dos
nematoides R. similis, M. javanica e H. multicinctus, em bananeiras da cultivar Nanicão no
município de Conceição do Almeida no Estado da Bahia. Zem & Alves (1978) relatou que
foram presenciados também os sintomas decorrentes do parasitismo desses nematoides, bem
como a ocorrência de outros nematoides de importância menor.
Nos Estados de Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais, Ceará e Bahia, Souza et al.
(1999) estudaram a ocorrência e a distribuição de nematoides em algumas plantas frutíferas,
incluindo bananeiras. Nesse levantamento foi observada a presença de vários gêneros:
Meloidogyne, Helicotylenchus, Pratylenchus, Criconemella, Xiphinema, Radopholus,
Aphelenchoides, Scutellonema e Paratylenchus. Radopholus similis foi detectado em 11,2%
amostras dos Estados da Minas Gerais, Pernambuco, São Paulo e Ceará. Helicotylenchus spp.
e Meloidogyne spp. ocorreram, respectivamente, em 90,7 % e 75,9 % das amostras.
Em Petrolina, no Estado de Pernambuco e em Juazeiro, Bahia, Ritzinger et al. (2007)
detectaram, associados a bananais da cultivar ‘Pacovan’, os principais gêneros de
fitonematoides de importância econômica, além de outros considerados de menor
importância. Nas propriedades estudadas, os fitonematoides mais frequentemente associados
ao sistema radicular da bananeira foram Helicotylenchus sp., Meloidogyne spp.,
Rotylenchulus reniformis e R. similis. Observou-se maior frequência de Meloidogyne spp. no
solo e de Helicotylenchus sp. nas raízes. Em alguns núcleos dos perímetros irrigados, também
foram registradas as presenças de Pratylenchus sp., Criconemella sp. e Tylenchus sp., porém,
em baixa população, e com frequência inferior a 1,0%.

21

Em 28 municípios produtores de banana, localizados nos Estados de Minas Gerais e da
Bahia, foi realizado um levantamento da flutuação populacional de nematoides durante os
anos de 2003 a 2008. Em todos os municípios, foi constatada a presença de cinco táxons:
Meloidogyne sp., R. similis, H. multicinctus, P. coffeae e R. reniformis, havendo um aumento
considerável da densidade ao longo dos anos do estudo (NEVES et al., 2009). De modo
semelhante, em um levantamento feito em bananais do Norte de Minas Gerais, Dias et al.
(2011) observaram a presença desses mesmos nematoides em todas as amostras analisadas.
Em Goiânia, no Estado de Goiás, Santos et al. (2009) constararam os fitonematoides
Helicotylenchus sp., Meloidogyne sp., R. similis, Rotylenchus sp. e Pratylenchus sp.,
associados às rizosferas das cultivares BRS Fhia 18, Caipira, IAC 2001, Prata Zulu, Thap
Maeo e Tropical. As maiores frequências foram observadas para Helicotylenchus sp. (100%),
Meloidogyne sp. (89%) e R. similis (78%). O gênero Rotylenchus apareceu em 47% das
amostras e Pratylenchus sp., em 36% das amostras. As cultivares BRS Fhia 18 e Prata Zulu
apresentaram as maiores densidades populacionais de Meloidogyne sp. (118 e 205 indivíduos
por 10 g de raízes, respectivamente) e de R. similis (52 e 36 indivíduos por 10g de raízes,
respectivamente).
Cavalcante et al. (2002) relataram as primeiras citações de ocorrência de nematoides
associados à bananeira no Estado do Acre. Identificaram um total de sete fitonematoides nas
amostras de solo e raízes em uma área experimental da Embrapa Acre, com destaque para as
espécies do nematoide espiralado H. multicinctus e H. dihystera. Noutro trabalho, em
amostragens realizadas em áreas produtoras de bananeiras, também no Estado do Acre, foram
identificadas duas outras importantes espécies de nematoides parasitas desta cultura. Os
autores observaram que Pratylenchus sp. e M. javanica estavam presentes em 100% das
amostras. Entretanto, espécies de nematoides consideradas importantes para a cultura como,
por exemplo, R. similis, não foram detectadas nos genótipos amostrados (CAVALCANTE et
al., 2005).
No Paraná, constatou-se a presença de 13 gêneros de fitonematoides, sendo que
Helicotylenchus, Radopholus e Meloidogyne, foram os mais frequentes, encontrados em 93,
68 e 59% das amostras, respectivamente. Nesse trabalho, a densidade de R. similis chegou a
1.390 espécimes por grama de raízes (PEREIRA, 2006).
Em um levantamento fitopatológico realizado em Alagoas, por Andrade et al., (2009),
foram constatadas as fitonematoses causadas por R. similis nos municípios de Igreja Nova,
Penedo, Porto Calvo, São Luiz de Quitunde e Santana do Mundaú; Helicotylenchus

22

multicinctus foi constatado em Igreja nova, Porto Calvo e Ibateguara; e Pratylenchus sp., em
União dos Palmares, Joaquim Gomes e Palmeira dos Índios.

23

3 MATERIAL E MÉTODOS

3.1 Levantamento populacional de fitonematoides associados à bananeira

3.1.1 Área de estudo e amostragem

Durante o período de abril de 2011 a janeiro de 2012, realizou-se levantamento
nematológico nos municípios alagoanos de Maragogi, Japaratinga, Porto Calvo, Matriz do
Camaragibe, Joaquim Gomes, União dos Palmares, Ibateguara, São José da Laje, Santana do
Mundaú, Murici, Cajueiro, Viçosa e Coruripe (Figura 1). Em cada um dos municípios, as
propriedades foram selecionadas com o apoio de técnicos das Secretarias Municipais de
Agricultura.

Figura 1 - Municípios em que foram feitas coletas de amostras para identificação de
fitonematoides em bananeira no Estado de Alagoas.

Fonte: Embrapa, 1975.

24

Amostras compostas de solo e de raízes foram coletadas em áreas de
aproximadamente 1 ha que apresentavam histórico de tombamento de plantas (Figura 2), por
meio do caminhamento em zigue-zague. Cada uma das amostras, de aproximadamente 500g
de solo e 100 g de raízes, foi composta por 10 subamostras. Em seguida, as amostras
compostas foram acondicionadas em sacos plásticos com capacidade para 2 kg, identificadas
e mantidas em caixa de isopor, para evitar seu aquecimento, até a chegada ao laboratório. Os
dados sobre o local de coleta e respectivo histórico de uso agrícola foram registrados em
formulário próprio (Apêndice I).
As amostras foram encaminhadas ao Laboratório de Fitopatologia do Centro de
Ciências Agrárias, da Universidade Federal de Alagoas, e até o início do processamento com
a extração dos nematoides, foram mantidas em geladeira à temperatura de 5 a 10 °C.
Figura 2 – Tombamento de bananeiras em Japaratinga - AL causado pela infecção das raízes
por fitonematoides.

Fonte: autora dessa dissertação, 2011.

25

3.2 Processamento das amostras

3.2.1 Extração dos nematoides do solo

O processamento das amostras ocorreu em até 72 horas após a coleta. A alíquota
utilizada foi de 100 cm3 de solo, submetida ao método de flutuação centrífuga em solução de
sacarose, proposto por Jenkins (1964).

3.2.2 Extração de nematoides das raízes

As raízes foram cortadas com tesoura, em pedaços de 1 a 3 cm, homogeneizadas e, de
cada uma das amostras, foram separadas porções de 50 gramas. Essas porções foram
submetidas à trituração em liquidificador com baixa velocidade por 30 segundos, peneiradas e
centrifugadas conforme a metodologia proposta por Coolen & D’Herde (1972).

3.3 Fixação, quantificação e identificação dos nematoides

Os nematoides extraídos das amostras de solo e de raízes foram mortos e fixados em
solução aquecida de formol (4%, v/v). A quantificação e identificação foram realizadas em
lâmina de Peters, sob microscópio de luz, em três repetições de alíquotas de 1 ml, obtendo-se
a média final entre as contagens. Ao final de cada contagem multiplicou-se o resultado por 20
(volume final da suspensão) para obter a densidade populacional em 100 cm3 de solo e em 50
g de raízes.
A identificação dos fitonematoides foi realizada com base nos caracteres morfológicos
de fêmeas adultas conforme as descrições do C.I.H. (1972), Mai & Mullin (1996), Castillo &
Vovlas (2007). A determinação das espécies de Meloidogyne foi realizada com base nas
características da configuração da região perineal de fêmeas maduras conforme Hartman &
Sasser (1985) após multiplicação das populações em tomateiro (Lycopersicon esculentum
Mill.). A identificação das espécies de Meloidogyne será confirmada pela eletroforese de
isoenzimas.

26

3.4 Multiplicação das populações de Meloidogyne spp.

As plantas de tomateiro foram cultivadas em vasos plásticos com capacidade para 2L
parcialmente preenchidos com solo autoclavado. A inoculação foi feita após 45 dias
completando-se o volume dos vasos com solo infestado e segmento de raízes contendo galhas.
As plantas com as respectivas populações de Meloidogyne spp. permaneceram em
telado por aproximadamente 30 dias, mantendo-se os tratos culturais necessários, para
posteriores procedimentos de identificação das espécies.

3.5 Morfologia da região perineal de Meloidogyne spp.

De cada uma das populações de Meloidogyne mantidas em tomateiro sob telado,
fêmeas branco-leitosas foram removidas de raízes infectadas e imediatamente transferidas
para uma gota de solução de ácido lático a 45%. A região perineal de cada fêmea foi cortada,
limpa, montada em lâmina com glicerina, para observação microscópica (HARTMAN &
SASSER, 1985).

3.6 Análise dos dados

As informações obtidas nas análises nematológicas e nas entrevistas foram
armazenadas em planilhas de dados.
Os dados referentes ao levantamento de nematoides foram analisados conforme o
método apresentado por Barker (1985), para caracterização das comunidades de nematoides,
sendo quantificados a densidade populacional e frequência absoluta.

27

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 Levantamento populacional de fitonematoides associados à bananeira

Na maioria das 42 amostras de solo e de raízes processadas, Helicotylenchus,
Meloidogyne, Pratylenchus e Radopholus similis (Figuras 3 e 4) foram detectados em
associação com a cultura da bananeira no Estado de Alagoas. Vale ressaltar que, conforme
citado na literatura, esses são os fitonematoides mais prejudiciais para a cultura e que este foi
o primeiro relato oficial da ocorrência do gênero Meloidogyne, nesse estado. Os dados obtidos
sobre a ocorrência de nematoides associados a bananeiras são apresentados nas Tabelas 1 e 2.
Nas áreas amostradas, as variedades predominantes de bananeiras foram Prata,
Pacovan e Terra, correspondendo a 30%, 11% e 59%, respectivamente, das áreas ocupadas
pela cultura.
Figura 3 – Principais fitonematoides identificados em associação com a cultura da bananeira
no Estado de Alagoas. Região anterior e posterior (A-L): A-B. Macho de Helicotylenchus sp.,
C-D. Fêmea de Helicotylenchus sp., E-F. Macho de Radopholus similis, G-H. Fêmea de R.
similis, I-J. Macho de Pratylenchus sp., K-L. Fêmea de Pratylenchus sp. (aumento de 400
vezes).

Fonte: autora dessa dissertação, 2012.

28

Nas amostras de raízes analisadas, os quatros fitonematoides mundialmente citados
como os mais importantes para a cultura da banana foram identificados com as seguintes
frequências de ocorrência: Helicotylenchus (95,2%), Meloidogyne (78,5%), Radopholus
(38%) e Pratylenchus (35,7%). As frequências de ocorrência nas amostras de solo foram:
Helicotylenchus (97,6%), Meloidogyne (80,9%), Pratylenchus (26,1%) e Radopholus
(23,8%). Estes resultados são similares àqueles obtidos em outros levantamentos realizados
em alguns estados brasileiros, principalmente com relação à ordem de frequência dos dois
primeiros gêneros (SOUZA et al., 1999; RITZINGER et al., 2007; CAVALCANTE et al.,
2005). Por outro lado, em alguns municípios alagoanos, os nematoides Pratylenchus, R.
similis e H. multicinctus já haviam sido detectados por Andrade et al. (2009), mas em baixos
índices de frequência.
O gênero Helicotylenchus foi o mais abundante em todas os municípios estudados,
provavelmente pela maior habilidade deste em parasitar a bananeira. Segundo Dias et al.
(2011), apesar de ser considerado como patógeno secundário, esse nematoide ainda não tem
sua importância bem definida como causador de dano em bananeira no Brasil. O nematoide
espiralado apresentou frequência de 100% em 12 dos 13 municípios avaliados, com exceção
do município de Santana do Mundaú, cuja frequência observada foi de 71,4%. As populações
médias mínimas e máximas variaram de 7 a 21.200 nematoides por 50g de raizes,
respectivamente (Tabela 1). A ocorrência deste nematoide em bananais no Estado de Alagoas
está de acordo com os resultados apresentados em outros levantamentos já realizados
(McSORLEY & PARRADO, 1986; DIAS et al., 2011).
Com a segunda maior frequência, em relação ao número total de amostras de raízes
analisadas, o nematoide das galhas ocorreu em 100% das amostras coletadas nos muncípios
de Porto Calvo, Maragogi, Joaquim Gomes, União dos Palmares, Santana do Mundaú, Viçosa
e Coruripe. Cajueiro foi o único município onde espécies de Meloidogyne não foram
constatadas (Tabela 1).
Assim, como observado nas amostras de raízes, os gêneros Helicotylenchus e
Meloidogyne apresentaram as maiores médias populacionais nas amostras de solo analisadas.
Helicotylenchus apresentou populações maiores, estando presente com frequência de 100%
nas amostras de solo em 12 dos 13 municípios amostrados. Para este nematoide, as maiores
médias encontradas foram nos municípios de Coruripe e Japaratinga, com a ocorrência de
633,3 espécimes/100cc de solo e 595,6 espécimes/100cc de solo, respectivamente. O gênero
Meloidogyne se fez presente em sete municípios, sendo, dessa forma, considerado o segundo
gênero mais abundante. O município de Matriz do Camaragibe apresentou a maior média para

29

o gênero Meloidogyne, com 1450,0 espécimes em 100 cm3 de solo, seguido pelo município
de Joaquim Gomes, com 360,0 e Santana do Mundaú, com 250,5 (Tabela 2). Esses resultados
corroboram com aqueles obtidos por Pereira (2006), em levantamento realizado no Estado do
Paraná. O autor observou que esses dois gêneros foram registrados seguindo a mesma ordem
de ocorrência.
Pratylenchus spp., apresentou o menor número médio (682,0 espécimes por 50 g
raízes) em relação aos demais fitonematoides. Baixas populações de Pratylenchus também foi
observada por Dias et al. (2011), em levantamento de nematoides realizado em bananais do
norte de Minas Gerais. Presente em seis municípios, o nematoide das lesões radiculares,
apresentou frequência de 100% nas amostras de raízes coletadas em Maragogi, Japaratinga,
Matriz do Camaragibe, Viçosa e Coruripe e frequência de 25% em Santana do Mundaú. As
populações médias desse nematoide, nos municípios de Japaratinga e Coruripe, foram de
149,0 e 167,0 indivíduos por 50 g raízes, respectivamente (Tabela 1). Com 100% de
frequência nas amostras de solo, Pratylenchus foi detectado apenas nos municípios de Porto
Calvo e Coruripe (Tabela 2).
Radopholus similis apresentou populações máximas médias de 12.267,0 nematoides
por 50g de raízes, no município de Porto Calvo, e de 13.533,0 nematoides por 50g de raízes,
em Japaratinga. Segundo Gowen & Quénéhervé (1990), uma população de dois mil
espécimes de R. similis por 100 g de raízes é capaz de causar perdas econômicas em quaisquer
cultivos comerciais de bananeira. Apesar de apresentar médias elevadas em alguns
municípios, o nematoide cavernícola foi o menos frequente nas áreas amostradas, com 100%
de frequência nas amostras de raízes, apenas em Porto Calvo, Matriz do Camaragibe e
Joaquim Gomes (Tabela 1), sendo que neste município, foi encontrada a maior média (312,3
espécimes/100 cc de solo). Em outros cinco municípios, R. similis ocorreu com frequências
inferiores a 100% (Tabela 2).
Nas amostras de raízes analisadas, as populações de Helicotylenchus foram maiores do
que as populações de Meloidogyne, Pratylenchus e R. similis (Tabela 1). Segundo Dias et al.
(2011), existe uma maior preocupação para o manejo de Meloidogyne e de R. similis. Isso se
deve ao fato de que o nematoide cavernícola é considerado, mundialmente, o principal
nematoide parasito de bananeira.

Tabela 1. Frequência, número médio e variação das populações de Helicotylenchus, Meloidogyne, Pratylenchus e Radopholus similis associadas às raízes de
bananeiras em municípios de Alagoas.
Helicotylenchus
Meloidogyne
Pratylenchus
Radopholus similis
Municípios/
Número de
Frequência
Frequência
Frequência
População
Frequência
População Média1
População Média1
População Média1
amostras
(%)
(%)
(%)
Média1
(%)
Maragogi
(5)
100,0
566,8 (47-2480)
66,6
2172,2 (0,0-8667)
100,0
210,8 (0,0-967)
50,0
560,0 (0,0-1867)
Japaratinga
(6)
100,0
157,8 (60-367)
66,6
273,3 (0,0-1247)
100,0
4246,6 (20-13467)
50,0
2408,5 (0,0-13533)
Porto Calvo
(1)
100,0
67,0 (67)
100,0
1867,0 (1867)
0,0
0,0
100,0
12267,0 (12267)
M. Camaragibe (2)
100,0
258,0 (133-383)
100,0
2283,5 (150-4417)
100,0
200,0 (183-217)
100,0
2642,0 (417-4867)
J. Gomes
(3)
100,0
23,6 (0,7-47)
100,0
263,3 (0,3-717)
0,0
0,0
100,0
889,0 (123-1367)
U. Palmares (6)
100,0
4158,0 (540-10244)
83,3
77,2 (20-267)
0,0
0,0
0,0
0,0
Ibateguara
(2)
100,0
4783,5 (3880-5687)
50,0
666,5 (0,0-1333)
0,0
0,0
0,0
0,0
São J. da Lage (2)
100,0
4348,0 (733-7963)
50,0
376,5 (0,0-753)
0,0
0,0
0,0
0,0
S. do Mundaú (7)
71,4
625,8 (0,0-1917)
100,0
1234,7 (197-5333)
25,0
69,0 (0,0-483)
57,1
2905,0 (0,0-12433)
Murici
(2)
100,0
1565,0 (897-2233)
50,0
50,0 (0,0-100)
0,0
0,0
0,0
0,0
Cajueiro
(2)
100,0
9150,0 (9000-9300)
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
Viçosa
(3)
100,0
1480,0 (610-2700)
100,0
623,3 (23-1167)
100,0
260,0 (30-600)
0,0
0,0
Coruripe
(1)
100,0
21200,0 (21200)
100,0
1153,0 (1153)
100,0
450,0 (450)
0,0
0,0
TOTAL
(42)
95,2
2359,4 (0,7 21200,0)
78,5
810,1 (0,3-8667)
35,7
682,0 (20-13467)
38
1359,0 (123-13533)
1
Médias calculadas a partir das amostras de raízes em que o nematoide ocorreu. Os dados entre parênteses indicam a variação da população, em número de nematoides/50g de
raízes de bananeiras em 13 municípios de Alagoas.

Tabela 2. Frequência, número médio e variação das populações de Helicotylenchus, Meloidogyne, Pratylenchus e Radopholus similis associados ao solo sob
cultivo de bananeiras em municípios de Alagoas.
Helicotylenchus
Meloidogyne
Pratylenchus
Radopholus similis
Municípios/
1
1
1
Número de
Frequência População Média
Frequência População Média
Frequência População Média
Frequência População Média1
amostras
(%)
(%)
(%)
(%)
Maragogi
(5)
100,0
156,0 (53-267)
80,0
202,8 (0,0-527)
40,0
20,0 (0,0-60)
20,0
0,8 (0,0-27)
Japaratinga
(6)
100,0
595,6 (107-1427)
67,0
103,5 (0,0-327)
67,0
149,0 (0,0-527)
33,0
5,6 (0,0-527)
Porto Calvo
(1)
100,0
420,0 (420)
100,0
27,0 (27)
100,0
13,0 (13)
0,0
0,0
M. Camaragibe (2)
100,0
135,0 (50-220)
100,0
1450,0 (883-2.033)
50,0
3,5 (0,0-0,7)
50,0
25,0
J. Gomes
(3)
100,0
54,3 (17-93)
67,0
360,0 (0,0-1.017)
0,0
0,0
67,0
312,3 (0,0-917)
U. Palmares (6)
75,0
37,8 (0,0-47)
50,0
27,8 (0,0-93)
0,0
0,0
0,0
0,0
Ibateguara
(2)
100,0
137 (117-157)
100,0
201,5 (93-310)
0,0
0,0
0,0
0,0
São J. da Lage (2)
100,0
163,0 (73-253)
100,0
63,0 (53-73)
0,0
0,0
0,0
0,0
S. do Mundaú (7)
100,0
147,5 (17-373)
100,0
250,5 (33-487)
0,0
0,0
42,8
11,0 (0,0-30)
Murici
(2)
100,0
153,5 (100-207)
0,0
0,0 (0,0-0,0)
0,0
0,0
0,0
0,0
Cajueiro
(2)
100,0
290,0 (220-360)
100,0
16,5 (13-20)
0,0
0,0
0,0
0,0
Viçosa
(3)
100,0
115,6 (100-127)
67,0
17,6 (0,3-33)
67.0
10,0 (0,0-20)
0,0
0,0
Coruripe
(1)
100,0
633,3 (633)
100,0
243,3 (243)
100,0
167,0 (167)
0,0
0,0
TOTAL
(42)
97,6
212,7 (17-1427)
80,9
200,8 (0,3-2.033)
26,1
28,8 (13-527)
23,8
27,0 (917)
1
Médias calculadas a partir das amostras de solo em que o nematoide ocorreu. Os dados entre parênteses indicam a variação da população, em número de nematoides /100cm3
de solo.

32

4.2 Morfologia da região perineal de Meloidogyne spp.

Meloidogyne sp. foi detectado nas raízes coletadas em duas amostras nos municípios
de Porto Calvo e Japaratinga. Fêmeas presentes nas duas amostras apresentaram
configurações perineais com características que permitiram a identificação de M. incognita
(Figura 4 A-B). Essas características são arco dorsal alto e trapezoidal, estrias onduladas com
bifurcações junto aos campos laterais, cujas linhas, normalmente, são ausentes. Observaramse, também, em uma amostra proveniente do município de Maragogi, fêmeas com
configuração perineal com características que levaram à identificação de M. arenaria (Figura
4-C), apresentando arco dorsal arredondado e linhas laterais formando um “ombro”, típico
dessa espécie (TAYLOR e SASSER, 1983).
Esses resultados corroboram com aqueles encontrados por Cofcewicz et al. (2005) que
detectaram M. arenaria e M.incognita em campos de bananeiras, localizados na Martinica,
Guadalupe e Guiana Francesa. Por outro lado, Dinardo-Miranda & Teixeira (1996), no Estado
de São Paulo, observaram apenas a presença M. arenaria, em oito cultivares de bananeira. Os
mesmos autores salientaram que, embora considerados de importância secundária para a
bananeira, os nematoides das galhas podem atingir densidades populacionais elevadas e
tornar-se limitantes à produção de banana em áreas infestadas.
No entanto, em amostras coletadas nos município de Maragogi e de Matriz do
Camaragibe, não foi possível a identificação das espécies de Meloidogyne pela análise da
configuração perineal (Figura 4 D-E), sendo dessa forma necessária a confirmação das
espécies por meio da eletroforese de isoenzimas.

33

Figura 4 – Configurações perineais de populações de Meloidogyne spp., encontradas em
bananais no Estado de Alagoas. A e B: M. incognita; C: M. arenaria; D e E: Meloidogyne sp.
(aumento de 400 vezes).
A

E

Fonte: autora dessa dissertação, 2012.

34

5 CONCLUSÕES

As elevadas densidades populacionais demonstram a necessidade de pesquisas visando
o manejo de fitonematoides que infectam a bananeira no Estado de Alagoas.
Dentre os fitonematoides mais prejudiciais para a cultura da bananeira,
Helicotylenchus é o gênero mais frequente nas amostras analisadas.
Faz-se necessário monitorar a dinâmica populacional de Meloidogyne spp. e de
Radopholus similis nos cultivos de bananeiras no Estado de Alagoas.

35

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41

APÊNDICE

APÊNDICE 1

FORMULÁRIO PARA ENTREVISTAS COM OS AGRICULTORES....42

42

APÊNDICE 1 – FORMULÁRIO PARA ENTREVISTAS COM OS AGRICULTORES

Levantamento de fitonematoides na cultura da banana em Alagoas

AMOSTRA Nº: ______

DATA: ____________

1. Nome do produtor/propriedade:
________________________________________________________________
________________________________________________________________

2. Município: ______________________________________________________
3. Área plantada com banana: ________________________________________
4. Cultivar: ________________________________________________________
5. Idade das plantas: ________________________________________________
6. Percentual de plantas tombadas: ____________________________________
7. Procedência das mudas: ___________________________________________
8. Irrigação: Sim _________________

Não ________

9. Adubação: _______________________________________________________
10. Aplicação de produtos químicos: ____________________________________
11. Cultura anterior: _________________________________________________
12. Outras informações:_______________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________