Manejo na cultura do tomate (Solanum lycopersicum L., Solanaceae): Biodiversidade e ação inseticida do Noni (Morinda citrifolia L., Rubiaceae) na traça do tomateiro (Tuta absoluta Meyrick, 1917) (Lepidoptera:Gelechiidae)
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
EM PROTEÇÃO DE PLANTAS
Coordenação de Pós-Graduação em Proteção de Plantas
RUBENS PESSOA DE BARROS.
Manejo na cultura do tomate (Solanum lycopersicum L., Solanaceae): Biodiversidade e
ação inseticida do Noni (Morinda citrifolia L., Rubiaceae) na traça do tomateiro (Tuta
absoluta Meyrick, 1917) (Lepidoptera:Gelechiidae)
RIO LARGO-AL
2018
RUBENS PESSOA DE BARROS
Manejo na cultura do tomate (Solanum lycopersicum L., Solanaceae): Biodiversidade e
ação inseticida do Noni (Morinda citrifolia L., Rubiaceae) na traça do tomateiro (Tuta
absoluta Meyrick, 1917) (Lepidoptera:Gelechiidae)
Tese de Doutorado apresentada ao programa de PósGraduação stricto sensu em Proteção de Plantas do
Centro de Ciências Agrárias – CECA da
Universidade Federal de Alagoas – UFAL, como
requisito parcial para a obtenção do Título de Doutor
em Proteção de Plantas.
Dra. Ligia Sampaio Reis.
Orientadora
Dr. João Gomes da Costa.
Dr. Elio Cesar Guzzo
Coorientadores
RIO LARGO-AL
2018
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Agrárias
Bibliotecário: Erisson Rodrigues de Santana
B277m Barros, Rubens Pessoa de
Manejo na cultura do tomate (Solanum lycopersicum L.,
Solanaceae): Biodiversidade e ação inseticida do Noni (Morinda
citrifolia L., Rubiaceae) na traça do tomateiro (Tuta absoluta Meyrick,
1917) (Lepidoptera: Gelechiidae). Rio Largo-AL – 2018.
128 f.; il; 33 cm
Tese (Doutorado em Proteção de Plantas) - Universidade Federal
de Alagoas, Centro de Ciências Agrárias. Rio Largo, 2018.
Orientador(a): Prfª. Drª. Ligia Sampaio Reis
Co-Orientador(es): Prof. Dr. João Gomes da Costa.
Prof. Dr. Elio Cesar Guzzo.
1. Hortaliças 2. Bioinseticidas 3. Controle de insetos. 4. Ecologia
aplicada. I. Título.
CDU: 635.64: 595.7
Dedico a todos os meus filhos: Rubiane Kelly,
Rwizziane Kalley, Rubens Filho e ao meu netinho o
Leivan Junior “Lelê”. Dedico também a todos os
meus amigos, alunos de ontem, de hoje e de
amanhã.
AGRADECIMENTOS
Como um Cristão agradeço à Deus, por ter me protegido e dado esta oportunidade de
concluir esta etapa da minha vida acadêmica.
À Professora Doutora Ligia Sampaio Reis, por ter acreditado em mim e me apoiado
na orientação deste trabalho, principalmente pela sua competência e habilidade em trabalhar a
pesquisa.
Aos Professores e Pesquisadores da EMBRAPA – Tabuleiros Costeiros – Unidade de
Rio Largo-AL, que atuaram como coorientadores da pesquisa: Doutor Elio Cesar Guzzo e
Doutor João Gomes Costa. À Universidade Federal de Alagoas, pela realização deste Curso,
através do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Proteção de Plantas do Centro de
Ciências Agrárias - CECA.
Aos professores do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas
- UFAL, pelas orientações dadas. Aos proprietários das áreas da pesquisa, no cultivo
orgânico, o Senhor João Raimundo e no cultivo convencional, os Senhores Tiago e Adrião,
nos povoados Bom Jardim e Bálsamo respectivamente e os funcionários destes locais.
Ao Laboratório de Recursos Naturais da UFAL, especialmente aos Professores
Doutor Euzébio Antonio e Doutora Aldenir Feitosa pelas análises químicas na elaboração dos
extratos realizados.
À Banca examinadora que deu especial atenção à revisão desta tese de doutoramento,
Profa. Dra. Edjane Vieira Pires, Dra Daniele Cristina de Oliveira Lima da Silva e a Dra.
Adriana Guimarães Duarte.
À Uneal - Universidade Estadual de Alagoas campus I, em Arapiraca-AL, por ter
dado a oportunidade de me qualificar profissionalmente, de igual modo à Secretaria de Estado
de Educação e de Esportes do Estado de Alagoas.
Ao amigo Jhonatan David Santos das Neves, ex-aluno de Graduação, ex-orientado de
graduação e companheiro nas aulas do Curso de Doutorado em Proteção de Plantas e nas
viagens de ida e vinda (Arapiraca/Rio Largo-CECA/UFAL/ Arapiraca). Aos colegas da turma
do Doutorado em Proteção de Plantas – CECA/UFAL, ano 2014.2.
Ao GEMBIO – Grupo de Estudos Ambientais e Etnobiológicos da Uneal, pelo
espaço criado para as pesquisas. Aos meus alunos do Curso de Ciências Biológicas que
auxiliaram de forma direta ou indireta nas pesquisas.
À minha família, especialmente aos meus filhos: Rubiane Kelly, Rwizziane Kalley e
Rubens Filho, ao meu neto o Lelê, e a todos que estão comigo.
A todos os meus amigos, amigas, alunos e alunas.
“Se quiser buscar realmente a verdade, é
preciso que pelo menos uma vez em sua vida
você duvide, ao máximo que puder de todas as
coisas.“
René Descartes.
RESUMO
O manejo e estratégias utilizadas nos cultivos tem sido ao longo dos anos aperfeiçoadas por
programas de assistência aos agricultores, para a obtenção de melhores resultados no controle
das doenças e pragas. Para diminuir os impactos ao meio ambiente, o uso de produtos naturais
em cultivos orgânicos, possibilita o desenvolvimento sustentável na agricultura, ao contrário
do que ocorre em sistemas convencionais. Sendo assim essa pesquisa teve como objetivo
desenvolver no manejo da cultura do tomate (Solanum lycopersicum L., Solanaceae),
estratégias para conhecer a biodiversidade através dos índices de diversidade da entomofauna,
os efeitos diretos e indiretos a partir da análise de trilha das variáveis climáticas sobre as fases
da dinâmica populacional da traça do tomateiro Tuta absoluta (Meyrick, 1917) (Lepidoptera:
Gelechiidae) em dois sistemas de cultivo convencional e orgânico de tomate. Também
estudou o efeito da bioatividade do extrato etanólico da folha e do fruto do Noni (Morinda
citrifolia L., Rubiaceae) em lagartas de primeiro instares da traça do tomateiro em bioensaios
em laboratório. O experimento em condições de campo foi conduzido em dois sistemas com
manejo orgânico e o outro convencional na região agreste de Alagoas. O levantamento
populacional da traça do tomateiro e da entomofauna foi realizado com o uso de armadilha
Delta® com feromônio e armadilhas coloridas com cola entomológica, respectivamente. Os
resultados encontrados, quanto aos índices de diversidade de família de insetos (ShannonWiener, Margalef, Simpson, Pielou) no sistema convencional foi superior ao sistema
orgânico. Revelando que na região agreste de Alagoas, em cultivos de hortaliças, as principais
ordens e famílias da entomofauna de polinizadores, predadores, inimigos naturais e
parasitoides, prevalecem e resistem nos cultivos. Os resultados da dinâmica populacional
revelaram os coeficientes de Pearson (r), de trilha e o residual (R), movem-se provocando
efeitos diretos e indiretos das variáveis climáticas sobre a T. absoluta na região agreste, sendo
significativos nos meses mais frios do ano, compreendendo de abril a setembro. A
bioatividade da M. citrifolia, na mortalidade das lagartas de T. absoluta foi significativa
quando utilizou-se o extrato da folha e do fruto da planta nos bioensaios em laboratório,
resultando em mortalidade para as lagartas da traça do tomateiro. Recomenda-se realizar
outros estudos do extrato da M. citrifolia, para nortear o manejo da horticultura com
parâmetros e critérios no controle dessa praga com eficiência ambiental, resultando em
qualidade de vida para os produtores de tomate e hortaliças.
Palavras-chave: Hortaliças. Bioinseticidas. Controle de insetos-praga. Ecologia aplicada.
ABSTRACT
The management and strategies used in the crops have been improved over the years by
programs of assistance to farmers, to obtain better results in the control of diseases and pests.
To reduce impacts to the environment, the use of natural products in organic crops, enables
sustainable development in agriculture, unlike what occurs in conventional systems. The
objective of this research was to develop strategies to know the biodiversity through the
diversity indexes of the entomofauna, the direct and indirect effects from the analysis of the
climatic variables track in the management of the tomato crop (Solanum lycopersicum L.,
Solanaceae) (Meyrick, 1917) (Lepidoptera: Gelechiidae) in two systems of conventional and
organic tomato cultivation. It also studied the bioactivity effect of leaf and noni leaf extracts
(Morinda citrifolia L., Rubiaceae) on first instars larvae of the tomato moth in laboratory
bioassays. The experiment under field conditions was conducted in two systems with organic
management and the other conventional one in the agreste region of Alagoas. The population
survey of the tomato and entomofauna moth was carried out with the use of a Delta® trap
with pheromone and colored traps with entomological glue, respectively. The results showed
that the insect family diversity index (Shannon-Wiener, Margalef, Simpson, and Pielou) in the
conventional system was higher than the organic system. Revealing that the main orders and
families of the entomofauna of pollinators, predators, natural enemies and parasitoids in the
agricultural region of Alagoas, prevail and resist in the crops. The results of the population
dynamics revealed the Pearson (r), track and residual (R) coefficients, moving with direct and
indirect effects of the climatic variables on T. absoluta in the agreste region, being significant
in the colder months of the year, comprising from April to September. The bioactivity of M.
citrifolia in T. absoluta larvae mortality was significant when the leaf and fruit extract of the
plant were used in the laboratory bioassays, resulting in mortality for tomato moth
caterpillars. It is recommended to carry out other studies of the extract of M. citrifolia, to
guide the management of horticulture with parameters and criteria in the control of this pest
with environmental efficiency, resulting in quality of life for tomato and vegetable growers.
Key words: Vegetables. Bioinseticidas. Control of pest-insect. Applied ecology.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1. Ovos elípticos ovipositados sobre a folha de tomateiro (Solanum lycopersicum L.)27
Figura 2. Lagartas de Tuta absoluta ........................................................................................ 27
Figura 3. Casulo e pupa e adulto da T. absoluta em criação no laboratório .......................... 28
Figura 4. Adulto de Tuta absoluta na face superior do folha do tomateiro (Solanum
lycopersicum)............................................................................................................................ 29
Figura 5. Distribuição geográfica da traça-do-tomateiro (Tuta absoluta). ............................ 30
Figura 6. Morfologia da planta apresentando o fruto e flores do Noni (Morinda citrifolia) . 35
Figura 7. Formula de antraquinona, encontrada na Morinda citrifolia L. .............................. 36
Figura 8. Sequência comportamental mediada pelo feromônio em machos da ordem
Lepidoptera.
.......................................................................................................................... 40
Figura 9. Armadilhas coloridas feitas com garrafas PET colocadas nos cultivos de tomate 65
Figura 10. Dados climáticos na região agreste de Alagoas no período da pesquisa
(setembro/2015 a fevereiro/2017). ......................................................................................... 71
Figura 11. Cultivos de tomate sistema convencional e orgânico na região agreste de Alagoas
(período da pesquisa 2015-2017). .......................................................................................... 89
Figura 12. Armadilhas (Delta) com o septo de borracha do feromônio IscalureTuta® ........ 90
Figura 13. Ovos, lagartas e minas nas folhas do tomateiro no procedimento de amostragem
das fases da traça do tomateiro coletados no campo. Agreste de Alagoas. (2015-2017) ......... 92
Figura 14. Ovos, lagartas e minas nas folhas dos tomateiros .................................................. 93
Figura 15. Flutuação populacional da Tuta absoluta com a armadilha Delta com feromônio
IscalureTuta® na região agreste de Alagoas com o monitoramento das variáveis climáticas
(2015-2017). ........................................................................................................................... 96
Figura 16. Gaiola utilizada na criação e manutenção do inseto .......................................... 116
Figura 17. Bioensaios em Laboratório para a pesquisa da bioatividade do Noni (Morinda
citrifolia) em Tuta absoluta nos folhas de tomateiro em Placa de Petri ............................... 117
Figura 18. Reação entre uma substância fenólica e o molibdênio (componente do FolinCiocalteau). ........................................................................................................................... 118
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Duração média do ciclo biológico de T. absoluta depende da temperatura. ......... 26
Tabela 2. Dados médios de famílias de insetos no sistema convencional coletadas pelas
armadilhas coloridas (período da coleta fevereiro de 2015 a janeiro/2017) – Arapiraca-AL. 67
Tabela 3. Dados médios de famílias de insetos no sistema orgânico coletadas pelas
armadilhas coloridas (período da coleta fevereiro de 2015 a janeiro/2017) – Arapiraca-AL 69
Tabela 4. Índices de diversidade das espécies coletadas sob a influência das cores das
armadilhas. .............................................................................................................................. 72
Tabela 5. Abundância relativa – AR (%) de ordens e famílias de insetos com importância
agrícola para proteção de plantas nos cultivos convencional e orgânico de tomate. .............. 75
Tabela 6. Ordens de insetos nos dois sistemas de cultivo coletadas nas armadilhas coloridas
(quantitativo). ......................................................................................................................... 76
Tabela 7. Média das variáveis observadas e analisadas nas plantas do tomateiro. . ... ........... 94
Tabela 8. Coeficientes de correlação simples de Pearson entre as variáveis avaliadas no
levantamento populacional da T. absoluta na região agreste de Alagoas – cultivo
convencional (período de 2015-2017). ................................................................................... 98
Tabela 9. Coeficientes de correlação simples de Pearson entre as variáveis avaliadas no
levantamento populacional da T. absoluta na região agreste de Alagoas – cultivo orgânico
(período de 2015-2017). .......................................................................................................... 99
Tabela 10. Efeitos diretos e indiretos de variáveis bióticas e abióticas no sistema
convencional sobre o número de adultos de Tuta absoluta. .................................................. 101
Tabela 11. Efeitos diretos e indiretos de variáveis bióticas e abióticas no sistema orgânico
sobre o número de adultos de Tuta absoluta. ........................................................................ 103
Tabela 12. Diferenças de médias das concentrações do extrato etanólico da folha da M.
citrifolia tratados com o controle. ......................................................................................... 120
Tabela 13. Diferenças de médias das concentrações do extrato etanólico do fruto da M.
citrifolia tratados com o controle. ......................................................................................... 121
Tabela 14. Teor dos fenóis totais e dos flavonoides dos extratos da folha e fruto da M.
Citrifolia. .............................................................................................................................. 122
SUMÁRIO
CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO............................................................................................... 14
1.1 Considerações gerais............................................................................................................ 14
2
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA............................................................................................. 19
2.1 Origens do tomate (Solanum lycopersicum L.; Solanaceae)................................................ 19
2.2 Biologia do tomateiro........................................................................................................... 20
2.3 Insetos-praga do tomateiro................................................................................................... 22
2.4 Traça-do-tomateiro Tuta absoluta (Meyrick, 1917) (Lepidoptera: Gelechiidae)................ 24
2.5 Descrição do ciclo e biologia de Tuta absoluta................................................................... 26
2.6 Bioecologia do inseto........................................................................................................... 28
2.7 Distribuição geográfica da traça-do-tomateiro Tuta absoluta............................................. 30
2.8 A Tuta absoluta e os danos econômicos nos agroecossistemas........................................... 31
2.9 Controle da Tuta absoluta.................................................................................................... 31
3
ESPÉCIE FONTE DOS EXTRATOS - BIOINSETICIDA................................................ 33
3.1 Espécie Noni (Morinda citrifolia L.;Rubiaceae)................................................................. 33
3.1 Fitoquímica do Fruto do Noni.............................................................................................. 36
4
OS FEROMÔNIOS NA AGRICULTURA......................................................................... 38
4.1 Os semioquímicos................................................................................................................ 38
5
INDICES DE RIQUEZA E DIVERSIDADE DA ENTOMOFAUNA............................... 41
5.1 Índice de Margalef............................................................................................................... 43
5.2 Índice de Shannon-Wiener................................................................................................... 43
5.3 Índice de Simpson................................................................................................................ 44
5.4 Índice de Pielou (Equatibilidade)........................................................................................ 45
5.5 Indice de Jacard (Sj)............................................................................................................. 45
6
REFERÊNCIAS................................................................................................................... 47
CAPÍTULO 2 - DIVERSIDADE DE INSETOS EM CULTIVOS CONVENCIONAL E
61
ORGÂNICO DE TOMATE (Solanum lycopersicum L.; SOLANACEAE)................................
Resumo........................................................................................................................................... 61
Abstract......................................................................................................................................... 62
1 Introdução............................................................................................................................ 63
2 Material e Métodos.............................................................................................................. 64
3 Resultados e Discussão........................................................................................................ 66
4 Conclusões........................................................................................................................... 77
5 Referências........................................................................................................................... 78
CAPÍTULO 3 – ANALISE DE TRILHA PARA AVALIAÇÃO DAS VARIÁVEIS
CLIMÁTICAS SOBRE AS FASES DE DESENVOLVIMENTO DA TRAÇA DO
85
TOMATEIRO Tuta absoluta (Meyrick, 1917) (Lepidoptera: Gelechiidae) EM CULTIVOS
DE TOMATE (Solanum lycopersicum L.)...................................................................................
Resumo......................................................................................................................................... 85
Abstract......................................................................................................................................... 86
1 Introdução............................................................................................................................ 87
2 Material e Métodos.............................................................................................................. 89
3 Resultados e Discussão........................................................................................................ 92
4 Conclusões........................................................................................................................... 104
5 Referências.......................................................................................................................... 106
CAPÍTULO 4 – BIOATIVIDADE DE EXTRATOS DE NONI (Morinda citrifolia L.) NA
111
TRAÇA DO TOMATEIRO (Tuta absoluta Meyrick) (Lepidoptera:Gelechiidae)......................
Resumo......................................................................................................................................... 111
Abstract.........................................................................................................................................
1 Introdução............................................................................................................................
2 Material e Métodos..............................................................................................................
3 Resultados e Discussão........................................................................................................
4 Conclusões...........................................................................................................................
5 Referências...........................................................................................................................
112
113
115
120
124
125
14
CAPÍTULO 1
1 INTRODUÇÃO
1.1 Considerações Gerais
O manejo nas culturas tanto culturais ou de pragas, são estratégias aplicadas para
integrar princípios de proteção das plantas e conhecer o agroecossistema contribuindo para a
tomada de decisão quanto ao controle de pragas e doenças, sendo este o foco desse estudo.
O tomateiro (Solanum lycopersicum L., Solanaceae) é cultivado em diversas regiões
agrícolas do país destacando-se os estados de Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Rio de
Janeiro (IBGE, 2017). Considerada como uma das olerícolas mais difundidas no mundo, além
de ser uma importante commodity mundial (BORGUINI, 2006). Essa cultura é classificada
como cosmopolita, pela tolerância às variações climáticas, conduzido em regiões de clima
tropical, subtropical e temperado (FILGUEIRA, 2003; 2007).
A cultura do tomate dentre outras atividades agrícolas é de grande importância
econômica e social, sendo exigente em altos investimentos, com mão-de-obra qualificada e
alto nível tecnológico (HAJI et al., 2002).
O cultivo do tomateiro citado em trabalhos como os de Peralta et al. (2005); Souza e
Lorenzi, (2008); Judd et al. (2009) tem abrangência em grandes áreas tanto para consumo in
natura como para o processamento na indústria.
Ao redor do mundo não existe outra
hortaliça de tão relevada importância econômica e versatilidade na utilização como alimento,
bem como, aceito por consumidores das diversas camadas sociais (FILGUEIRA, 2003).
A cadeia produtiva do tomate que possui mais de 10 mil produtores, e abrange cerca
de 60 mil famílias de trabalhadores, empregando mais de 200 mil pessoas diretamente e
outros milhares de forma indireta. A cultura do tomateiro para consumo in natura, por
exemplo, gera por hectare/ano entre cinco e seis empregos diretos e o mesmo número de
empregos indiretos (BOITEUX et al., 2008; MELO, 2012).
Existem três principais grupos produtores de tomate em todo o mundo – os EUA
(Califórnia Valley), a costa do Mediterrâneo e a República da China – cuja produção de
tomate responde por cerca de 85% do total do mundo (FAOSTAT, 2017).
A China é o principal produtor, e seu foco é o tomate para processamento, seguida
pelos Estados Unidos e pela Turquia. A produção de tomate apresenta uma média de 37
15
milhões de toneladas e consumo mundial
de 35 milhões de toneladas anualmente,
respectivamente (FAOSTAT, 2017).
No Brasil, a safra tomate no verão 2012/13, contou com o cultivo de 72,44 milhões de
plantas, redução de 6,1% frente à temporada 2011/12. Para a safra 2013/14, o cultivo de 75,6
milhões de plantas, 4,4% a mais em relação à temporada de 2012/13. Esta foi a segunda safra
consecutiva na qual a área cultivada reduziu, dado os resultados insatisfatórios dos últimos
dois anos (HORTIFRUTI, 2014).
No Brasil, em 2015 a previsão de produção numa área de 110.000 ha foi de 3.467.990
milhões de toneladas e rendimento médio de 63.036 kg/ha (IBGE, 2015). O levantamento do
Hortifruti/Cepea para a safra de 2016/17 indicou retração de 3% na área de tomate cultivada
frente à temporada 2015/16. A perspectiva foi de estabilidade da área de tomate de mesa na
colheita de 2017/18 comparada à safra anterior (HORTIFRUTI BRASIL, 2017).
A região Nordeste tem uma participação no segmento do tomate para processamento,
que foi reduzida drasticamente após problemas sequenciais de gerenciamento e combinados
com ataque de insetos-praga, verificados a partir do final da década de 1980. A falta de
conhecimento sobre as pragas agravou os prejuízos e tiveram início com a traça-do-tomateiro
(Tuta absoluta (Meyrick, 1917) (Lepidoptera: Gelechiidae), levando o setor ao colapso e as
empresas processadoras a fecharem suas fábricas abandonando a região (MELLO et al.,
2009).
A produção de tomate no estado de Alagoas não consta de forma significativa em
planilhas do Ministério da Agricultura, Pesca e Abastecimento. Embora no estado de Alagoas
o tomate seja uma das hortaliças mais produzidas. Entretanto, nos anos de 2008/2009, a
produção interna foi de apenas 0,34% do volume de comercialização de tomate na (CEASAAL, 2009). O município de Arapiraca na região Agreste foi o que mais forneceu tomate para a
CEASA-AL, com um total de 26,56 t no ano de 2008 e 12,7 t em 2009, seguido por Palmeira
dos Índios com um total de 5,4 t, União dos Palmares com 4,16 t. Esta produção de tomate é
oriunda da agricultura de base familiar (FRANÇA et al., 2013).
O município de Arapiraca apresentou em 2015 uma produção de 450 toneladas, com
uma área colhida e plantada de seis hectares e um rendimento médio de 75.000 quilogramas
por hectares na produção de tomate (IBGE, 2015). Na safra de 2016/2017, os resultados da
colheita totalizou uma produção de 7.568 toneladas (IBGE, 2017).
Pesquisas sobre a cultura do tomate relatam que 200 espécies de insetos se alimentam
do tomateiro. Insetos e ácaros considerados pragas-chave da cultura podem ocorrer nos
cultivos desde a fase de mudas até a época da colheita (MICHEREFF FILHO et al., 2012).
16
O levantamento de insetos-praga e inimigos naturais e/ou polinizadores pode ser feito
por leitura direta no cultivo ou por meio do uso de armadilhas. O uso de armadilhas é a
maneira menos onerosa. Para monitorar muitos dos inimigos naturais de pragas e
polinizadores as alternativas são poucas, mas se tornam complexas e mais exigentes em
conhecimento, pois requer maior tempo para identificação do inseto (VERSUTI et al., 2014).
A diversidade de insetos nos agroecossistemas pode favorecer à proteção das culturas.
Quando se tem sistemas agrícolas mais diversificados com o uso de plantas bem
estabelecidas, as populações de insetos fitófagos tendem a ser menores do que em sistemas
homogêneos devido à maior abundância, maior fartura de alimento disponível para os insetos
e diversidade e eficiência dos inimigos naturais (UNSICKER et al., 2008; RAMSDEN et al.,
2014).
Uma das pragas que atacam o tomateiro é a traça do tomateiro (Tuta absoluta)
(Lepidoptera:Gelechiidae) e o seu controle químico é uma tarefa complicada para se chegar a
uma solução, sendo necessário pulverizar a cultura diversas vezes (BORGONI; CARVALHO,
2006). As pulverizações tornam a praga cada vez mais resistente. Para mais, colabora para
elevar a probabilidade de contaminação do meio ambiente, chegando ao consumidor um
produto de baixa qualidade de nutrientes, com resíduos considerados maléficos para a saúde
(BENVENGA et al., 2007).
Ao que está relacionado às estratégias de controle, os agroquímicos não são a única
ferramenta utilizada para diminuir a infestação dos insetos-praga no cultivo, uma vez que os
próprios insetos produzem substâncias atrativas para o acasalamento, um semioquímico
chamado de Feromônio Sexual, este, já existe no mercado na forma artificial. Vários foram os
avanços e problemas enfrentados, com o objetivo de contribuir cada vez mais para a
agricultura de maneira sustentável (GOULART et al., 2015).
O uso de inseticidas sintéticos tem se constituído numa maneira mais fácil de eliminar
insetos-pragas. É claro, que já se constatou os efeitos prejudiciais ao ser humano e ao
ambiente natural, levando alguns pesquisadores a adotar uma nova maneira de pensar sobre o
controle de pragas de forma sustentável ((SHARMA et al., 2015; EMBRAPA, 2017).
A estratégia utilizada no manejo das culturas tem sido ao longo dos anos,
aperfeiçoadas por programas de assistência aos agricultores para obter melhores resultados no
controle das doenças e pragas, bem como a utilização de plantas resistentes aos inseticidas
para diminuir os impactos ao meio ambiente quanto ao uso de defensivos agrícolas
(FERREIRA et al., 2017).
17
O controle alternativo com o uso das plantas bioinseticidas para o controle da traçado-tomateiro, tem se tornado promissor em vários estudos ao redor do mundo (BIRGUÇU et
al., 2014). Varias extratos de plantas tem sido utilizados para o controle alternativo de insetos
por apresentar toxicidade, a repelência e a deterrência, a exemplo de extratos aquosos de
sementes, de folhas e de frutos de Cabralea canjerana subsp. polytricha (Adri. Juss.) Penn.
(Meliaceae) sobre o curuquerê-da-couve Ascia monuste orseis (Latreille, 1819), (Lepidoptera:
Pieridae). Esses extratos aquosos com concentrações de 3,5 e 10%, obtidos por infusão do
material biológico seco triturado em água destilada e filtrado (MATA e LOMONACO, 2013).
Conforme BRAGA et al. (2006), a família Meliaceae tem sido muito investigada como
fonte de compostos com atividade bioinseticida sobre várias espécies de insetos-pragas, o nim
(Azadirachta indica A. Juss.) (Meliaceae), de origem asiática, é considerado a mais
importante planta inseticida conhecida e utilizada em várias pesquisas, e sua atividade tóxica
já foi registrada para mais de 400 espécies de insetos, das quais cerca de 100 ocorrem no
Brasil (THOMAZINI, et al., 2000).
A espécie noni (Morinda citrifolia L.) (Rubiaceae) é uma planta comumente
encontrada e originada no sudoeste da Ásia e distribuída através das atividades humanas para
outras ilhas do oceano pacífico. Secretti et al. (2015) relatam que essa planta é bastante
precoce e após a fase de produção de frutos ela se torna constante a sua produção durante o
ano todo. A M. citrifolia tem uma abrangência desde a Índia através do Sudeste Asiático e da
Austrália até a Polinésia Oriental e o Havaí.
A química da M. citrifolia revela os efeitos relacionados com atividade bioinseticida,
antibactericida, antioxidante, antiviral, antifúngica, antitumoral, anti-helmíntica, analgésica,
anti-inflamatória, hipotensora e imunoestimulante (WANG et al., 2002). Muitos estudos em
todo o mundo têm caracterizado alguns produtos naturais com o intuito de identificar e
quantificar os componentes bioativos destes vegetais (NEVES, 2012).
A bioatividade da M. citrifolia tem sido demonstrada em Dípteros como a Drosophila
sechellia Tsacas and Baechli, 1981 (Diptera: Drosophilidae) Essa mosca ao contrário de
outras espécies deste gênero generalistas, D. sechellia evoluiu para ser especialista na planta
hospedeira M. citrifolia (LOPEZ et al., 2017).
Morales et al. (2010), testaram vários extratos vegetais sobre larvas do mosquito da
dengue Aedes aegypti (Diptera: Culicidae), obtendo resultados significativos quando utilizou
o extrato etanólico M. citrifolia L., na proporção de 300 mg/L, com mortalidade de 98% das
larvas, foi atribuido uma ação neurotóxica ao ácido octanóico.
18
Este trabalho revela-se como pioneiro no relato de atividade bioinseticida de M.
citrifolia, em insetos de interesse agrícola, microlepidopteros como a T. absoluta, até então,
não existe qualquer informação da bioatividade desta planta em relação à lagartas desta ordem
de insetos. Na diferença das médias dos tratamentos com o controle observou-se que os
resultados foram melhores do que o controle, tanto para o extrato da folha, quanto o extrato
do fruto na mortalidade do inseto nas concentrações.
Os elementos climáticos podem influenciar direta ou indiretamente o ataque de Tuta
absoluta, podendo afetar de várias maneiras a traça do tomateiro, desde a ação dos ventos,
dispersando os adultos, as chuvas como fator da mortalidade de ovos e larvas, e da
temperatura afetando o desenvolvimento e a reprodução deste inseto. O clima também
influencia sobre os inimigos naturais e composição química do tomateiro (BACCI, 2006).
Neste estudo outra ferramenta utilizada para investigar modelos complexos que
envolvem mais de uma variável dependente é a análise de trilha (Eubanks, 2001; Bacci,
2006). Pode ser utilizada para identificar e quantificar as interações diretas e indiretas entre a
densidade populacional do inseto praga com os elementos climáticos. As interações são
representadas por coeficientes de regressão e correlação. O coeficiente de trilha (coeficiente
de regressão) quantifica a intensidade de cada efeito direto na variável resposta (CRUZ,
2016).
É possível entender as interações entre variáveis independentes que são representadas
por coeficientes de correlação; neste caso, o efeito indireto de uma variável é calculado
quando a trilha passa entre uma ou mais variáveis intermediárias até chegar à variável
resposta. Um coeficiente indireto é obtido através do produto de todos os coeficientes ao
longo de uma trilha. Quando mais de uma trilha chega à variável resposta os coeficientes de
trilha indiretos são somados para calcular o coeficiente indireto total (CRUZ, 2016).
Este estudo buscou estratégias de manejo na cultura do tomate, utilizadas para a
tomada de decisão no controle da traça do tomateiro da principal praga do tomateiro,
envolvendo dois cultivos, orgânico e convencional na região agreste de Alagoas. O manejo da
cultura possui vários aspectos a serem observados e requerem a atenção para as ferramentas
de avaliação e medidas de controle.
Conhecer o manejo da cultura do tomate ((Solanum lycopersicum L.; Solanaceae), a
biodiversidade através dos índices de diversidade da família de insetos nos dois sistemas de
cultivo de tomate; os efeitos diretos e indiretos dos elementos climáticos sobre a dinâmica
populacional da T. absoluta; bem como a bioatividade do Noni (Morinda citrifolia L.;
Rubiaceae), no controle da traça do tomateiro (T. absoluta), foram os objetivos desta tese.
19
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Origens do tomate (Solanum lycopersicum L., Solanaceae)
O tomateiro é originário do noroeste da América do Sul e sul da Colômbia, ao norte
do Chile desde o litoral do Pacífico (considerando-se as ilhas Galápagos) até a Cordilheira dos
Andes. Pode ser encontrado na forma silvestre, desde o nível do mar até 2.000 m de altitude, é
considerada uma planta de clima tropical de altitude. As condições climáticas e ambientais no
local de origem são adequadas para a cultura e se apresentam com temperaturas moderadas
(média de 15ºC a 19ºC) e precipitações não muito intensas (GIORDANO e RIBEIRO, 2000;
PHILOUZE, 2002; NAIKA et al., 2006).
O cultivo e domesticação foram realizados por tribos indígenas primitivas que
habitavam a atual região do México (Giordano e Ribeiro, 2000; Philouze, 2002; Medeiros,
2007; Filgueira, 2007). A planta recebe a denominação de tomate a partir de nomes astecas
como jitomatle, tomatl, xitomate e xitotomate, pelos quais a espécie era conhecida na língua
asteca Nahuatl (Giordano e Ribeiro, 2000; Neitzke e Buttow, 2008; Alvarenga, 2013). O
tomate cereja (Solanum esculentum var. cerasiforme) é possivelmente o ancestral mais
próximo das cultivares atualmente plantadas (GIORDANO e RIBEIRO, 2000; SOUZA et al.,
2012).
A espécie tomate se apresenta de diversas formas, tamanhos e cores variadas foram
introduzidos no século XVI (entre os anos 1523 e 1554) na Europa, através da Espanha e
depois levados para a Itália em 1544 e para a Inglaterra em 1597, passando em seguida para
outros países da Bacia do Mediterrâneo e restante da Europa (PHILOUZE, 2002;
FILGUEIRA, 2007; NEITZKE e BUTTOW, 2008).
Da Europa, a partir da Inglaterra, o tomate foi levado para os Estados Unidos por volta
do ano de 1711 (Neitzke e Buttow, 2008). Nesses primeiros contatos, os frutos eram pequenos
e propensos a perecíbilidade, apodrecia em poucas horas depois de colhidos. Na Europa, à
essa época, o fruto do tomateiro, foi associado à outra fruta da mesma família das solanáceas,
a mandrágora, extremamente venenosa (ALVARENGA, 2004).
Alvarenga (2004) comenta que por volta de 1531, a corte espanhola, através de um
edito real, liberou o uso da planta exclusivamente para ornamentação. Assim, do século XVI
até o início do século XVII, o tomateiro foi cultivado nos jardins da Inglaterra, Itália, Espanha
e França como planta ornamental pela beleza dos frutos.
20
A colheita total de tomate do Brasil atingiu 3.686.816 toneladas em 2015, de acordo
com um relatório. Pelo IBGE - Automatic Recovery System (Sidra, 2016). Para 2016, a
projeção foi para um 10 % de colheita menor, permanecendo em 3.311.956 toneladas. No que
diz respeito à produtividade, em 2015, os agricultores colheram 64.817 quilos por hectare, de
uma área de 56.880 hectares. Uma nova perspectiva de crescimento, em área plantada, é
atingir mais do que 52.503 hectares, abaixo de aproximadamente 7,77%. Atualmente os
principais estados produtores de tomate no Brasil são Goiás, São Paulo e Minas Gerais, que,
juntos, dedicam mais de 33,6 mil hectares para a safra (ANUÁRIO BRASILEIRO DAS
HORTALIÇAS, 2016).
A estimativa da produção de tomates alcançou 4.003.503 toneladas em 2017, o estado
de Goiás, produziu 1.141.048 toneladas, em uma área plantada de 13.194 hectares. São Paulo,
com uma produção de 753 283 toneladas e Minas Gerais, com 745 600 toneladas figuram
como segundo e terceiro maior produtor do País, respectivamente. O estado de São Paulo
produz cerca de 12,0% do tomate industrial no Brasil, enquanto Goiás é o maior produtor,
com 85,0% (IBGE, 2017).
Para enfatizer a importância da produção e comercialização desta cultura do tomate,
uma cadeia consolidada comercializa os alimentos em shopping center e parques ou praças na
forma fast food, utilizando essa olerícola nas formas industrializada e fresca, como molhos
prontos para consumo e a utilização do tomate sob as diversas formas (CARVALHO e
PAGLIUCA, 2007; NEITZKE e BUTTOW, 2008).
O aumento do consumo por tomate foi reforçada pela busca de alimentos saudáveis,
reforçando uma demanda para a venda do produto fresco. Em termos bioquímicos, o tomate é
um alimento funcional devido aos altos teores de vitaminas A e C, além de ser rico em
licopeno, antioxidante e anticâncer de próstata. Algumas pesquisas apontam que o consumo
dessa substância, presente tanto no fruto fresco como no processado, ajuda na prevenção de
cânceres além do câncer de próstata e principalmente aqueles relacionados ao sistema
digestório (CARVALHO e PAGLIUCA, 2007).
2.2 Biologia do tomateiro
O tomate pertence à ordem Tubiflorae, família Solanaceae e ao gênero Solanum, é
uma planta arbustiva perene, mas que tradicionalmente se cultiva como anual devido à
incidência de pragas, doenças e redução da produtividade. O ciclo de vida da espécie é
variável, podendo produzir frutos maduros de 90 a 120 dias após a germinação da semente, ou
21
45 a 55 dias após o florescimento. O sistema radicular do tomateiro apresenta a raiz principal,
raízes secundárias e raízes adventícias. A raiz principal da planta pode alcançar profundidade
de até 1,5 m, mas cerca de 70% das raízes são encontradas a menos de 20 cm da superfície do
solo (ALVARENGA et al., 2013).
O caule do tomateiro é pouco lignificado com aspecto herbáceo, apresentando sua
superfície recoberta por pelos (tricomas). A planta desenvolve de seis a 12 folhas em filotaxia
alternadas helicoidal (2/5), sendo que a partir de seis folhas a gema axilar na folha passa a
desenvolver-se em inflorescência. As folhas são compostas por grande folha terminal com
cerca de seis a oito folhas laterais, podendo estes serem recompostos. As bordas dos folhas
são recortadas, diversificando de acordo com a variedade. Assim como o caule, a epiderme
das folhas é recoberta por tricomas, os quais têm papel fundamental na proteção do limbo
foliar contra herbívoros e insetos pragas (SALAZAR, 2011).
As inflorescências do tomateiro são em forma de cimeiras ou racemos, apesar de
ocorrerem modificações de acordo com a variedade (PRADEEPA, 2002). Na inflorescência
ocorre a abertura de duas flores por vez. Quando as duas primeiras começam o processo de
senescência, as duas próximas começam suas anteses florais. As aberturas dos botões florais
se dão por volta de 6 horas e 30 min da manhã. As flores permanecem abertas até às 18 horas,
fechando novamente, e no dia seguinte reabrindo no mesmo horário. A abertura floral tem
duração de, aproximadamente, uma hora, já expondo as anteras da flor. O estigma da flor se
mantém receptivo durante todo o período de abertura da flor (SILVA-NETO et al., 2013).
Os tomates são frutos do tipo baga, carnosa e suculenta, podendo ser de bi a
plurilocular, dependendo da variedade. Eles podem pesar de 5 g das variedades de cereja a
500 g da variedade denominada dominador. O tempo estimado da flor auto-polinizada até a
formação do fruto maduro é de sete a dez semanas de desenvolvimento, dependendo da
variedade e aspectos nutricionais e climáticos (BOREM, 2004).
A planta pode desenvolver-se rasteiramente ao solo, ereta ou semi-ereta dependendo
da variedade e da forma de cultivo. Estas características são definidas pelo hábito de
crescimento do tomateiro, que pode ser do tipo: crescimento determinado e crescimento
indeterminado. As variedades de crescimento determinado são caracterizadas pela ausência de
dominância apical, assim, a planta desenvolve várias hastes principais e ramos florais, tendo
seu tamanho e desenvolvimento limitados. As plantas desse grupo são utilizadas
principalmente na produção de tomateiro rasteiro, uma vez que com desenvolvimento
limitado, os aspectos fenológicos são mais homogêneos em toda a planta, sendo que ao final
22
do ciclo produtivo há maior quantidade de frutos maduros para serem colhidos em uma única
etapa (ALVARENGA et al., 2013).
As variedades de crescimento indeterminado são caracterizadas pela dominância do
caule principal (ou haste). Entretanto, ocorre a brotação de diversos ramos laterais nas 24
gemas axilares, característica esta que torna essencial a desbrota para não haver competição
entre os ramos. Há produção de fruto em diversos estágios de maturação, prolongando a
colheita dos frutos por maior período, além de permitir prolongar ou reduzir o ciclo produtivo
da cultura de acordo com os interesses produtivos. A diversidade de variedades de
crescimento do tomateiro apresentam diferenças morfofisiológicas que afetam o manejo
produtivo da cultura, que irá refletir na quantidade de nutriente utilizada pela cultura até
características dos frutos (FONTES et al., 2002).
2.3 Insetos-praga do tomateiro
O tomateiro é a espécie olerícola cultivada que está mais sujeita à ocorrência de
problemas fitossanitários (FILGUEIRA, 2003), sendo intensamente atacado por insetos-praga
durante todo o seu ciclo, desde a sementeira até a colheita dos frutos. A grande área foliar e o
microclima favorável criado pelo tomateiro propiciam um ambiente ideal para o bom
desenvolvimento de pragas e doenças (NAIKA et al., 2006).
No período vegetativo da cultura destacam-se os insetos-praga denominados de
sugadores, como a mosca-branca: Bemisia tabaci (Gennadius, 1889) (Hemiptera:
Aleyrodidae), os pulgões: Myzus perssicae (Sulzer, 1776) e Macrosiphum euphorbiae
(Thomas, 1878) (Hemiptera: Aphididae) e os raspadores-sugadores conhecidos como tripes:
Frankliniella schultzei (Trybom, 1910) (Thysanoptera: Thripidae), dentre outros. Esse grupo
de pragas é responsável por danos diretos e indiretos, especialmente pela capacidade de
disseminação de viroses, as quais são consideradas fatores limitantes da produção, pois
plantas infectadas não produzem frutos ou quando produzem, não atendem às exigências do
mercado consumidor. A mosca-minadora, do gênero Liriomyza spp. (Diptera: Agromyzidae),
também tem maior ocorrência durante o período vegetativo e alimenta-se do mesófilo foliar,
causando redução da área fotossintética das folhas, o que interfere na capacidade de produção
da planta (SOUZA; REIS, 2003; FORNAZIER et al., 2010).
Os tripes são importantes pragas e estão distribuídas por todo o mundo. São muito
comuns em solanáceas e cucurbitáceas nas quais os danos típicos são o surgimento de
manchas prateadas nas folhas e frutos, bem como pontos negros (fezes) e pequenas pústulas
23
formadas pela oviposição endofítica. A maior importância dos tripes como pragas do
tomateiro se deve ao fato desses insetos serem vetores de viroses, como é o caso do vírus do
vira-cabeça-do-tomateiro. A transmissão é do tipo circulativa propagativa, onde os vírus
adquiridos não só circulam no corpo do vetor, como também se multiplicam antes de serem
transmitidos para outras plantas (MICHEREFF FILHO et al., 2012).
Os tripes, os pulgões e a mosca-branca são transmissores de viroses que limitam ou
inviabilizam a produção de tomate. As traças e a mosca-minadora ocorrem na cultura durante
todo o seu desenvolvimento. A mosca-branca pode ocasionar perdas de até 100% na produção
de tomate, sendo que os danos diretos são provocados pela sucção de seiva da região do
floema e ação toxicogênica, resultando em amarelecimento irregular dos frutos e alterações na
consistência da polpa (MEDEIROS et al., 2005).
Os danos indiretos estão relacionados à transmissão de geminivírus, cuja família é
formada por quatro gêneros (Mastrevirus, Curtovirus, Topocuvirus e Begomovirus). Entre
eles o mais importante é o Begomovirus, pois possui várias espécies descritas em tomate no
Brasil, destacando-se duas: Tomato severe rugose vírus (ToSRV) e Tomato yellow vein streak
vírus (ToYVSV), esses vírus podem afetar diversos vírus de plantas, porém o principal
hospedeiro é o tomateiro. Esses vírus causam amarelecimento e nanismo das plantas, além de
enrugamento das folhas terminais (MATOS et al., 2003; EMBRAPA HORTALIÇAS, 2017).
Os pulgões são insetos sugadores de seiva, demonstram preferência por atacar
brotações e folhas novas, que adquirem aspecto enrugado e deformado, prejudicando o
desenvolvimento da planta, podendo levar à perda total das lavouras, sobretudo quando ocorre
a transmissão de viroses, que comprometem totalmente as plantas (SILVA et al., 2013).
Uma mariposa que prejudica a tomaticultura é a broca-pequena-do-tomateiro Neoleucinodes elegantalis (Guenée, 1854) (Lepidoptera: Crambidae), considerada como uma
das pragas chaves do tomateiro (JORDÃO & NAKANO, 2002). Pertencente à família
Crambidae, esse lepidóptero é nativo da Região Neotropical. No Brasil, essa mariposa, N.
elegantalis foi registrada inicialmente no Estado do Ceará, em 1922 e, desde então, tornou-se
importante praga em quase todas as regiões produtoras do país. Ataca a cultura do tomateiro
principalmente no período chuvoso do ano, onde as altas temperaturas e umidades relativas
são mais favoráveis ao crescimento populacional da praga (MICHEREFF FILHO et al.,
2012).
Outro lepidóptero da família Gelechiidae, que tem como planta hospedeira, o
tomateiro e ataca todas as partes da planta é a Tuta absoluta (Meyrick, 1917) denominada
como “traça do tomateiro”, pelo seu comportamento de alimentação, vem tendo seus registros
24
de incidência aumentados desde a década de 1980 no Brasil, é considerada uma das principais
pragas, sendo esta o foco desta pesquisa (BORGONI; CARVALHO, 2006). A traça do
tomateiro causa danos consideráveis, ataques intensos do inseto acarretam significativas
perdas de produção e consequentes impactos econômicos e ambientais. (VILLAS BÔAS et al.
2009).
2.4 Traça-do-tomateiro Tuta absoluta (Meyrick, 1917) (Lepidoptera: Gelechiidae)
A identificação de um inseto é a chave na pesquisa de informações literárias ou na
troca de informações sobre o organismo em questão, visando conhecer-se o ciclo de vida,
modo de alimentação, comportamento, forma de postura, o habitat, hospedeiros e uma
possível indicação de controle, no caso de tratar-se de um inseto-praga (CARRANOMOREIRA, 2015).
A traça-do-tomateiro se constitui numa das pragas mais importantes do tomateiro, está
presente nos principais países produtores de tomate da América Latina, ou seja, ocorre nos
países andinos e também na Argentina, Uruguai e Brasil onde sua presença estabelecida, serve
como um sinal de alerta da cultura do tomate, que é o seu principal hospedeiro. Não existe
informação disponível que mostre claramente a rota de entrada da traça-do-tomateiro no
Brasil, mas existem estudos que registram a constatação pela primeira vez no país em 1979,
no município de Morretes no Estado do Paraná (SIQUEIRA et al., 2001; GHANIM e
GHANI, 2014).
O registro oficial como praga no Estado de São Paulo foi no município de Jaboticabal
em 1980 e no ano seguinte já foi constatada no Vale do Salitre no município de Juazeiro no
estado da Bahia, disseminando-se rapidamente no Vale do Submédio São Francisco, em
plantações de tomate rasteiro, incluindo o estado de Pernambuco. Durante este mesmo
período foi constatada nos Estados de Minas Gerais e Ceará. Em apenas três anos após sua
identificação em São Paulo, constatou-se a presença da traça-do-tomateiro em todas as regiões
produtoras de tomate no país (SOUZA e REIS, 2000; HAJI et al., 2002; MEDEIROS, 2007;
MICHEREFF - FILHO et al., 2013).
No histórico desse táxon em estudo, consta como nome popular de traça-do-tomateiro,
e identificado como Tuta absoluta (Meyrick, 1917), e já teve outros nomes como sinonímia;
foi originalmente descrita como Gnorimoschema absoluta (Meyrick, 1917) Clarke, 1962;
Phthorimaea absoluta (Meyrick, 1917); Scrobipalpula absoluta (Meyrick, 1917) Povolny,
(1967), Scrobipalpuloides absoluta (Meyrick, 1917) Povolny (1987), afirma que a Tuta
25
absoluta pertencia originalmente ao gênero, Phthorimaea, à ordem lepidoptera, superfamília
gelechioidea e família gelechiidae, Phthorimaea absoluta (Meyrick 1917), tendo como
holótipo, um espécime adulto macho foi coletado em Huancayo, no Peru. Este espécime está
depositado no museu: Natural History Museum, London, UK. O nome utilizado da espécie é
atualmente Tuta absoluta (POVOLNY, 1994; OEPP/EPPO, 2005; USDA, 2011; FAUNA
EUROPAEA, 2015).
A denominação do gênero desta espécie foi alterada três vezes: Clarke (1962) mudou
o gênero para Gnorimoschema (Busck, 1900). Em 1967 Povolny, aplicando caracteres
taxonômicos baseado na genitália, incluiu a espécie no gênero Scrobipalpula (Povolny, 1967).
Após a revisão dos gêneros o Gnorimoschenini (Gelechiinae), o género Scrobipalpuloides foi
elaborado para colocar absoluta (Povolny, 1987). Desde 1994, o nome correto da espécie é
Tuta absoluta (POVOLNY, 1994).
A Família Gelechiidae, é uma das maiores famílias de microlepidópteros, com 5.000
espécies descritas, representando 500 gêneros, em todo o mundo. Os adultos se apresentam
com cores pouco vistosas, sendo a característica principal de reconhecimento, com relação a
nervação da asa, os palpos longos e curvados para cima; terceiro segmento prolongado e
achatado; AA (asa anterior) afilada no ápice; AP (asa posterior) com o formato trapezoidal,
com o ápice pontiagudo e alongado e margem anterior ao ápice assume forma côncava, cujo
contorno lembra o perfil da proa de um navio. A cabeça é revestida de escamas imbricadas;
espirotromba mais ou menos alongada; palpos labiais geralmente longos e fortemente
curvados para cima. Asas anteriores elipsoides ou lanceoladas, com a margem externa
(termen) pontiaguda (MEDEIROS et al., 2009; FUJIHARA et al., 2011; CARRANOMOREIRA, 2015).
Quase um terço dessas espécies pertence à fauna da região Paleártica. A região
Neotropical abriga a segunda maior riqueza de espécies, cerca de 860 espécies, seguida pelas
regiões Neártica, Australiana, Oriental e Afrotropical. Das 12 sinapomorfias consideradas
para os Gelechioidea, duas são exclusivas da família: superfície ventral da asa anterior das
fêmeas com uma fileira de escamas estreitas na veia radial; em vista ventral, porção mediana
do gnato falciforme e curvada para baixo. Das quatro subfamílias reconhecidas, duas ocorrem
no Brasil, Gelechiinae e Pexicopiinae. Quando em repouso, os adultos costumam manter a
porção anterior do corpo erguida (DUARTE et al., 2013).
A partir da década de 1960, do último século, esta espécie chamou a atenção dos
pesquisadores por ter um alto poder de destruição no cultivo do tomateiro no Peru, Chile,
Colômbia, Argentina, Bolívia, Uruguai e Paraguai. Em vários países possui nomes diferentes
26
e peculiares, na Espanha, cogollero del tomate; gusano minador del tomate; oruga minadora
de hoja y tallo; perforador de las hojas del tomate; polilla del tomate; polilla perforadora.
Em Portugal, traça-do-tomateiro, na América do sul, especialmente na Argentina, T. absoluta
(ESTAY, 2000; FLORES et al., 2003, EPPO, 2014).
2.5 Descrição do ciclo e biologia de Tuta absoluta
Estay (2000), através do Informativo INIA La platina, afirma que o ciclo do inseto
depende da temperatura e varia conforme o local de distribuição, apresenta metamorfose
completa, portanto, são holometábolos. O ciclo completo da traça-do-tomateiro dura em torno
de 26 a 38 dias, conforme Tabela 1. Os ovos são colocados nas folhas, hastes, flores e frutos,
porém as posturas concentram-se na parte superior das plantas, que apresentam folhas mais
novas. Cada fêmea pode depositar de 55 a 130 ovos durante três a sete dias. Possuem um ciclo
completo de aproximadamente 40 dias, e cada fêmea coloca, em média, 55 ovos (SILVA e
CARVALHO, 2004; MICHEREFF - FILHO et al., 2013).
Tabela 1 - Duração média do ciclo biológico de Tuta absoluta depende da temperatura.
Duração dos dias
Desenvolvimento
14ºC
20ºC
27ºC
Ovo
14,1
7,8
5,13
Larva
38,1
19,8
12,2
Pupa
24,2
12,1
6,5
Total da duração
76,4
39.7
23,8
ovo-adulto
Adaptado de Informativo INIA La platina (ESTAY, 2000).
A fase de ovo tem duração de três a seis dias. Após a eclosão, as lagartas penetram
imediatamente no parênquima foliar, nos frutos ou nos ápices das hastes, onde permanecem
por oito a 14 dias, quando se transformam em pupas (VILAS BÔAS et al., 2005;
MICHEREFF - FILHO et al., 2013).
Os ovos possuem formato elíptico (Figura 1) muito pequeno e inicialmente são de
coloração branca brilhante ou amarela clara brilhante, passando a marrom ou avermelhada
próximo à eclosão das lagartas, são depositados individualmente ou em grupos nas superfícies
superior ou inferior dos folhas (HOSSAIN et al., 2016; MICHEREFF - FILHO et al., 2013).
27
Figura 1. Ovos elípticos ovipositados sobre a folha de tomateiro (Solanum
lycopersicum L.)
Fonte: Foto do autor (BARROS, R. P.) – 2016.
O estádio de larva de primeiro instar é esbranquiçado logo após a eclosão, tornandose rosa esverdeada do segundo ao quarto ínstares de acordo com o tipo de alimentação (folhas
jovens ou fruta madura, respectivamente), são do tipo eruciforme, prognatas ou hipognatas
(DUARTE et al., 2013). As lagartas apresentam coloração inicial branca tornando-se,
posteriormente, verde-arroxeadas (OEPP/EPPO, 2005).
As lagartas possuem aparelho bucal mastigador, minam as folhas, perfuram o broto
terminal, brocam os caules e atacam os frutos, são principalmente encontradas no folha
mediano, pois as partes superiores estão mas susceptíveis a fatores climáticos, esta fase dura
cerca de 14 dias, normalmente existem quatro estádios, Figura 2 (HOSSAIN et al., 2016;
MICHEREFF - FILHO et al., 2013).
Figura 2. Largatas de Tuta absoluta.
Fonte: Foto do autor (BARROS, R. P.) – 2016.
O estádio pré-pupa desenvolve uma coloração rosa distintiva na superfície dorsal. Elas
deixam as minas e constroem casulos de seda sobre os folhetos ou no solo, de acordo com o
28
habitat, principalmente, em folhas secas onde tecem um casulo esbranquiçado, permanecendo
nessa fase em torno de seis a dez dias (FRANÇA et al., 2000).
Quando ocorre empupação das minas dentro dos frutos, a pré-pupa não constrói
casulos. A fase de pupa dura de sete a 10 dias e ocorre principalmente nas folhas ou no solo e,
ocasionalmente, nas hastes e frutos. As pupas são do tipo obtecta com coloração verde-clara
no início (Figura 3), transformando-se em marrom escuro perto da emergência do adulto,
sendo encontradas frequentemente nos folhas e no caule da planta hospedeira, envoltas por
um casulo de seda esbranquiçado ou no interior das minas e dos frutos ou ainda no solo, com
pupa nua (HOSSAIN et al., 2016; MICHEREFF - FILHO et al., 2013).
Figura 3. Casulo e pupa, adulto da Tuta absoluta em criação no laboratório.
Fonte: Arquivo de (LIRA, A. C. B.) - (2016).
Após a fase de pupa, emergem os adultos, que são microlepidópteros (mariposas) de
coloração cinza-prateada, com envergadura variando de 9 a 11 mm de comprimento
(Michereff Filho e Vilela, 2001). As mariposas adultas apresentam-se com escalas prateadocinza, antena filiforme e os segmentos alternados em tons claros e escuros, os palpos labiais
recurvados que são bem desenvolvidos. Acasalam-se imediatamente após a emergência, voam
e ovipositam predominantemente ao amanhecer e ao entardecer (HOSSAIN et al., 2016;
MICHEREFF - FILHO et al., 2013).
Os adultos de T. absoluta são pequenas mariposas de coloração cinza-prateada, com
asas franjeadas, antenas filiformes, palpos labiais recurvados e envergadura de 10-11 mm,
(Figura 4). A emergência das mariposas da traça-do-tomateiro ocorre durante a noite, os
adultos possuem hábito noturno e, durante o dia, permanecem ocultos na folhagem do
tomateiro, eles chegam a viver até uma semana. Neste período visitam as plantas hospedeiras
em florescimento para se alimentar e acasalamento, têm um vôo apressado e descontinuado,
com hábito ao amanhecer e crepuscular (FRANÇA et al., 2000; TOŠEVSKI et al., 2011).
29
Figura 4. Adulto de Tuta absoluta na face superior da folha do tomateiro (Solanum
lycopersicum).
Fonte: Foto do autor. BARROS, R.P. (2016).
2.6 Bioecologia do inseto
Os adultos em fase reprodutiva têm alto potencial biótico chegando até 12 gerações ao
ano, as pupas de fêmeas podem apresentar uma maior duração na fase (oito dias). Os adultos
apresentam longevidade média de 23,1 dias, não havendo diferença entre fêmeas e machos,
esses valores dependem da planta hospedeira que influenciam no desenvolvimento do inseto
(KAOUTHAR et al., 2010; CARVALHO e BOGORNI, 2006).
Os adultos possuem hábito noturno e, durante o dia, permanecem ocultos na folhagem
do tomateiro. Ocorre durante todo o ano, especialmente no período mais seco, quase
desaparecendo em períodos chuvosos. Lavouras irrigadas por aspersão convencional ou por
pivô central são menos danificadas do que as irrigadas por sulco. Isto porque, a irrigação por
aspersão derruba os ovos, larvas e pupas, reduzindo o potencial de multiplicação do inseto
(GOMIDE et al., 2001; SANTOS et al., 2011).
30
2.7 Distribuição geográfica da traça-do-tomateiro Tuta absoluta (Meyrick, 1917)
Embora T. absoluta já tenha sido encontrada no Japão atacando Solanum lyratum, foi
uma ocorrência localizada (Clarke, 1962). Esta traça é nativa do Peru e provavelmente é
generalizada em todos os países da América do Sul. Existem exemplares de T. absoluta do
Distrito Federal, Goiás, Brasil na coleção do Museu de História Natural (Londres, Reino
Unido). T. absoluta foi confirmado como presente no Quênia através de levantamentos de
vigilância realizados pela ONPF-KEPHIS e o ICIPE organizações de investigação e KARI
(IPPC, 2014).
A entrada de T. absoluta na Europa se deu através do território da Espanha, em
Castellon no mês de junho de 2006, através de produtos oriundos vindos da América do Sul,
em Portugal se deu no mês de maio de 2009, de material oriundo da Espanha, Figura 5
(URBANEJA et al., 2007; VIEIRA, 2008; RAMOS, 2015).
Figura 5. Distribuição geográfica da traça-do-tomateiro (Tuta absoluta).
Fonte: Disponível em: https://www.cabi.org/isc/datasheet/49260. Acesso em 10 dez.2017.
A praga se expandiu para vários países da Europa e do Norte da África banhados pelo
mar Mediterrâneo. Em sua trajetória de dispersão pelo mundo, T. absoluta alcançou também o
continente asiático. Desta forma se estabeleceu nos seguintes países: Albânia, Alemanha,
Arábia Saudita, Argélia, Bahrein, Bulgária, Chipre, Costa Rica, Croácia, Espanha, Egito,
França, Grécia, Holanda, Irão, Iraque, Israel, Itália, Jordânia, Kosovo, Kuwait, Líbia,
Lituânia, Macedônia, Malta, Marrocos, Níger, Panamá, Portugal, Reino Unido, Romênia,
Rússia, Saara Ocidental, Senegal, Sérvia, Sudão, Suíça, Tunísia e na Turquia (DESNEAUX et
al., 2010; MICHEREFF - FILHO et al., 2013).
31
A T. absoluta foi transportada para a Argentina, do Chile em 1962, também um
estudo realizado no Japão por Clarke (1962) registrou a presença de algumas
microlepidópteras Gelechiidae família em Solanum lyratum, e, além disso, havia muitos
gelechiiddeos alimentando-se com outras plantas solanáceas e um destes é o gelechiideo traça
do tomateiro. Quanto à Turquia, o primeiro registro de T. absoluta foi feito em Esmirna em
2009, a praga rapidamente se espalhou para a Europa, África do Norte e Oriente Médio. Sua
presença está confirmada em mais de 37 países da região ocidental palaearctic e pode invadir
a Índia e a China até o final de 2016, era essa a previsão e depois confirmada (ABBES e
CHERMITI, 2014; KILIÇ, 2010; EPPO, 2014).
2.8 A T. absoluta e os danos econômicos nos agroecossistemas
A traça-do-tomateiro (T. absoluta) tem provocado danos econômicos à cadeia
produtiva de tomate tanto indiretamente, com aumento do custo de produção, como
diretamente, com a redução do valor comercial dos frutos ou pela inviabilização da cultura
(SILVA e CARVALHO, 2004; MELO et al., 2009; KAOUTHAR et al., 2010).
Os danos têm afetado no aumento dos custos de produção e reduzido à margem de
lucro dos agricultores, aumentando a vulnerabilidade do investimento diante da oscilação de
preços do produto no mercado. No processamento industrial dos frutos, o aumento do custo
de produção, devido à ação da traça conduz à redução da competitividade do tomate
processado no país, tornando vantajosa a importação em detrimento da produção local, o que
leva a redução nos contratos de produção, assim como redução na área total cultivada e
redução do nível de emprego na região onde está localizado o agronegócio (FRANÇA et al.,
2000; MELO et al., 2008; MARCHIORO et al., 2017).
2.9 Controle da T. absoluta
Dentro do Manejo integrado de Pragas – MIP aplicado à T. absoluta, existem várias
táticas que requer um planejamento adequado dentro do agroecossistema em estudo. A
integração dos métodos disponíveis para o controle de T. absoluta (químico, biológico,
cultural e legislativo) elimina a dependência exclusiva de produtos químicos. A utilização de
armadilha luminosa modelo "Luiz de Queiroz" para a captura de insetos praga se constitui
numa estratégia viável para a redução dos custos de produção de algumas culturas, incluindo a
T. absoluta, utilizando-se a lâmpada negra ou BLB, pode ser recomendada para programas de
32
Manejo Integrado de Pragas- MIP na cultura do tomateiro, auxiliando na supressão e
monitoramento da população da traça-do-tomateiro, permitindo observar o momento exato de
chegada da praga ao local do cultivo, bem como estudar a flutuação populacional do inseto.
(OLIVEIRA et al., 2009).
O controle de T. absoluta é realizado pelos agricultores através de produtos químicos,
caracterizado por aplicações sucessivas de inseticidas, que podem chegar a 36 pulverizações
por cultivo. O uso de estratégias baseadas em feromônio é reconhecido como uma técnica de
controle importante para T. absoluta (Cocco et al., 2013; Megido et al., 2013). Grandes
avanços foram feitos no campo de semioquímicos para lidar com T. absoluta, especialmente
feromônios sexuais que são atrativos importantes, para aniquilação dos machos, como um
método de controle eficaz para a reprodução da praga (DESNEUX et al., 2010; GARZIA et
al., 2012).
O uso convencional dos pesticidas sintéticos durante as últimas décadas e sua eficácia
contra diferentes pragas levou a sua grande aceitação ao longo do mundo. No entanto, seu uso
extensivo tem resultado em certos inconvenientes e riscos, incluindo, persistência,
seletividade e toxicidade para inimigos naturais, resistência a pragas e poluição ambiental
(LIETTI et al., 2005; KONA et al., 2014).
Vários estudos através do controle biológico, tem se tornado frequente no controle da
T. absoluta, o uso do parasitoide Trichogramma pretiosum (Riley, 1879) (Hymenoptera:
Trichogrammatidae), Macrolophus pygmaeus (Rambur, 1839) (Hemiptera: Miridae),
Nesidiocoris tenuis (Reuter, 1895) (Hemiptera: Miridae), Nabis pseudoferus (Remane, 1949)
(Hemiptera: Nabidae) que predam os ovos ou se alimentam da lagarta e os agentes
entomopatogênicos, Metarhizium anisopliae, Beauveria bassiana e o Bacillus thuringiensis
(MOLLA et al., 2011; CHERIF et al., 2013; SHALABY et al., 2013), têm representado um
avanço em pesquisas de laboratório e inclusive reconhecido pelo ministério da agricultura
pesca e abastecimento no Brasil (SCHOENLY et al., 2003; PRATISSOLI et al., 2005;
GARCIA-DEL-PINO et al., 2013).
A traça-do-tomateiro no sistema agrícola possui alguns inimigos naturais que fazem
um controle equilibrado da praga em sistemas de produção de tomate que utilizam conceitos
de manejo integrado de pragas. O nível populacional de T. absoluta é relativamente mais
baixo durante todo o desenvolvimento da cultura, quando comparado com as áreas onde
inseticidas são utilizados indiscriminadamente. Cerca de doze espécies de parasitóides das
famílias Bethylidae, Braconidae, Chalcididae, Eulophidae, Ichneumonidae, Mymaridae e
Trichogrammatidae já foram registradas no Brasil. Os predadores mais comuns pode-se citar
33
vespas, formigas, o neuróptero Chrysoperla externa (Hagen, 1861) (Neuroptera:
Chrysopidae) aranhas e percevejos das famílias Reduviidae, Pentatomidae e Nabidae
(LANDIS et al., 2000; EMBRAPA, 2006; GONZALEZ-CABRERA et al., 2011).
O controle alternativo com o uso das plantas bioinseticidas para o controle da traçado-tomateiro, tem se tornado promissor em vários estudos ao redor do mundo (BIRGUÇU et
al., 2014). Varias extratos de plantas tem sido utilizados para o controle alternativo de insetos
por apresentar toxicidade, a repelência e a deterrência, a exemplo de extratos aquosos de
sementes, de folhas e de frutos de Cabralea canjerana subsp. polytricha (Adri. Juss.) Penn.
(Meliaceae) sobre o curuquerê-da-couve Ascia monuste orseis (Latreille, 1819), (Lepidoptera:
Pieridae). Esses extratos aquosos com concentrações de 3, 5 e 10%, obtidos por infusão do
material biológico seco triturado em água destilada e filtrado (MATA e LOMONACO, 2013).
Conforme BRAGA et al. (2006) relatam a família Meliaceae que tem sido muito
investigada como fonte de compostos com atividade bioinseticida sobre várias espécies de
insetos-pragas, o nim (Azadirachta indica A. Juss.) (Meliaceae), de origem asiática, é
considerado a mais importante planta inseticida conhecida e utilizada em várias pesquisas, e
sua atividade tóxica já foi registrada para mais de 400 espécies de insetos, das quais cerca de
100 ocorrem no Brasil (THOMAZINI, et al., 2000).
O uso da A. indica para o controle de insetos tem um valor considerável no manejo de
várias espécies, seu uso no Brasil já é regulamentado pelo ministério de agricultura e
abastecimento – MAPA, e com isso tem se expandido pelo País com disponibilidade de
técnicas elaboradas de cultivo e obtenção de plântulas, visto ser uma espécie exótica
(MARTINS et al., 2010; RODRIGUES et al., 2010).
3 ESPÉCIE FONTE DOS EXTRATOS - BIOINSETICIDA
3,1 Espécie Noni (Morinda citrifolia L., Rubiaceae)
A espécie noni (Morinda citrifolia L.) (Rubiaceae) é uma planta comumente
encontrada e originada no sudoeste da Ásia e distribuída através das atividades humanas para
outras ilhas do oceano pacífico. Secretti et al. (2015) relatam que essa planta é bastante
precoce e após a fase de produção de frutos ela se torna constante a sua produção durante o
ano todo. A M. citrifolia tem uma abrangência desde a Índia através do Sudeste Asiático e da
Austrália até a Polinésia Oriental e o Havaí. Mais recentemente, a planta foi introduzida em
outras regiões com climas tropicais. Os nomes vernáculos comumente usados são "Indian
34
Mulberry", "Noni" e "Nonu"; na Austrália, a fruta é vulgarmente conhecida como "fruta de
queijo"(WEST et al., 2011).
Sugere-se que as sementes de M. citrifolia foram distribuídas por flutuação no oceano
e, provavelmente por aves e outros animais. As sementes são flutuantes devido a um saco de
ar anexado em uma extremidade e podem germinar mesmo após longos períodos de deriva no
mar. Alguns autores afirmam que essas plantas poderiam ter sido espalhadas naturalmente ao
longo das ilhas do pacífico. Investigação filogenética na Nova Caledônia tem demonstrado
que M. citrifolia está inserida dentro de um clado de espécies endêmicas do pacífico (BERG e
FURUSAWA, 2007; BRITO et al., 2009).
Essa espécie a M. citrifolia L. cuja família Rubiaceae, abriga 6500 gêneros e 13000
espécies (Govaerts et al., 2007). O gênero Morinda compreende cerca de 80 espécies, que
ocorrem exclusivamente em zonas climáticas tropicais Trata-se de uma árvore tipificada como
um arbusto de três a seis metros de altura, com folhas ovadas e folhas veias profundas de 10 a
30 cm de comprimento. As flores tubulares são brancas. O fruto do noni é de formato ovoide,
suculento e apresenta várias sementes triangulares de coloração vermelha (Matoso et
al.,2013). Tem um formato incomum sendo ovoide coberto por seções em forma de poligonal,
pode alcançar um comprimento de até 12 cm, quando imaturo é duro e tem uma cor verdeclara. Após o amadurecimento, os frutos tornam-se muito macios com um amarelo ou branco
translúcido, tem um odor desagradável butírico e cheesy e sabor de sabão (SILVA et al.,
2012; SOUZA et al., 2017).
O Noni, é usado há mais de 2.000 anos pelos polinésios, a M. citrifolia L., é
conhecida também como amora indiana, é relatada em vários trabalhos no século passado
(EUROPEAN COMMISSION, 2002; WU et al., 2015; USDA, 2017). Nos trópicos,
medicinalmente, a planta normalmente é cultivada por suas raízes, folhas e frutas, as raízes
desta planta são fontes de antraquinonas, por exemplo, o damnacantal é uma antraquinona que
tem várias funções.
Os outros compostos de antraquinonas que estão presentes no sumo de noni são a
rubiadina, o nor-damnacantal, a morindona (ZIN et al., 2011). A denominação botânica do
gênero é devida à união das palavras latinas morus (amora) e indicus (Índia), justificada pela
semelhança ao fruto de Morus alba L. O nome da espécie indica que a folhagem da planta é
similar a alguns tipos de citros. Pertence à família Rubiaceae, mesma do cafeeiro, essa
frutífera possui arquitetura de copa similar ao sistema radicular, sendo que a planta adulta
atinge de três a dez metros de altura e permanece enfolhada o ano todo. Dependendo da
35
origem do material ou do local de cultivo, as plantas podem não desenvolver uma copa típica
e permanecem com aspecto arbustivo (TOMBOLATO et al., 2005).
O fruto do noni (M. citrifolia L.) tornou-se uma promessa de cura para diversos tipos
de doenças, que vão desde uma simples hipertensão arterial a tumores malignos; suscita até
mesmo a cura de síndromes, ainda incuráveis como a AIDS e outras doenças virais
(MCCLATCHEY, 2002; MARQUES, 2009).
Conforme Secretti et al. (2015), o fruto noni de gênero Morinda, surgiu de duas
palavras em latim morus, amora, e indicus, na Índia, pois o fruto noni tinha semelhança ao da
amora verdadeira (Morus alba), morfologicamente a planta apresenta flores e frutos durante
todo o ano, sendo as flores pequenas e brancas; os frutos contêm muitas sementes, e tem um
forte odor, quando colhida. O fruto chega a atingir cerca de quatro a sete centímetros, sendo
inicialmente verde, mudando para amarelo e por fim, quase branco na época em que o fruto é
colhido (Figura 6). Já o arbusto pode chegar de três a seis metros de altura.
Figura 6. Morfologia da planta apresentando o fruto do Noni e flores em evidência.
Fonte: Foto do autor (2015). Local: CECA/UFAL.
Embora bastante consumido na Ásia, há mais de 2000 anos, o fruto noni (M. citrifolia
L.) é praticamente desconhecido no Brasil, a utilização deu-se há poucos anos e, ainda, não há
material propagativo suficiente para o cultivo em escala comercial. O fruto é considerado um
poderoso antioxidante natural e o seu consumo diário, na forma de suco, auxilia o sistema
imunológico e aumenta a capacidade das células na absorção de nutrientes. Um dos principais
componentes encontrados na fruta é a proxeronina, precursora do alcaloide xeronina que ativa
as enzimas catalisadoras do metabolismo celular. O conhecimento popular defende a
utilização do noni para prevenção e cura de algumas enfermidades, principalmente, no
combate a dores, tumores, inflamações, hipertensão, fadiga, entre outros (SILVA et al., 2012).
36
A espécie M. citrifolia, tem sido relatada como possuindo atividades inibidoras de
enzimas conversoras antioxidantes e Angiotensina. É uma planta comestível e o suco de frutas
é uma bebida popular. Quase todas as partes desta planta têm algum valor medicinal E tem
sido amplamente estudado fitoquimicamente (KOVENDAN et al., 2012; MATOSO et al.,
2013; MORALES et al., 2010).
O noni tem uma longa história de uso como uma planta medicinal e tem sido usada
para tratar uma grande variedade de doenças. Embora as aplicações tenham sido relatadas
para todas as partes da planta, as folhas não tem o uso tradicional mais prevalente. Isso
contrasta com o uso popular atual onde o suco de frutas é mais utilizado e menos comumente
as folhas e raízes consumidos (KOVENDAN et al.,2012).
Com o uso etnobotânico e popular do noni, um número substancial de estudos
biológicos e químicos foram formados nesta espécie que remonta a mais de 100 anos. Foram
encontrados muitos metabolitos secundários de noni, incluem glicósidos de iridoid e
triterpenoides, como o ácido ursólico, que são os principais constituintes do fruto, e uma série
de antraquinonas, que se acumulam principalmente nas raízes, mas também foram
encontrados em quantidades no fruto (PAWLUS e KINGHORN, 2017).
3.2 Fitoquímica do Fruto do Noni
Sang e Ho (2006), relatam as primeiras investigações fitoquímicas sobre M. citrifolia a
partir dos metabólitos secundários em folhas, raízes e cascas. As raízes contêm um amplo
espectro de antraquinonas, como a rubiadina, damnacanthal e alizarina-1-éter metílico,
derivados de naftoquinona e esteróis, enquanto que vários iridoides, flavonol glicosídeos e
triterpenos foram relatados a partir das folhas (Figura7).
Figura 7. Fórmula de antraquinona, encontrada na Morinda citrifolia L.
Fonte: Adaptado de (MOTSHAKERI; GHAZALI, 2015).
37
As culturas de células vegetais foram analisadas principalmente por suas capacidades
de síntese de pigmentos antraquinoides. O interesse nos constituintes da fruta foi estimulado
pela introdução de sucos de frutas como suplemento alimentar. Até agora, foram descritas
várias classes de metabolitos, incluindo polissacarídeos, glicósidos de ácidos graxos,
iridoides, antraquinonas, cumarinas, flavonóides, lignanos, fitoesteróis, carotóides e uma
variedade de constituintes voláteis, incluindo monoterpenos e ácidos graxos de cadeia curta e
ésteres de ácidos graxos (SANG et al., 2002).
A química da M. citrifolia revela os efeitos relacionados com atividade antibactericida,
antioxidante, antiviral, antifúngica, antitumoral, anti-helmíntica, analgésica, anti-inflamatória,
hipotensora e imunoestimulante (WANG et al., 2002). Muitos estudos em todo o mundo têm
caracterizado alguns produtos naturais com o intuito de identificar e quantificar os
componentes bioativos destes vegetais a fim de utilizá-los na alimentação da população e,
com isso, reduzir o risco do surgimento de doenças (NEVES, 2012).
Esta espécie botânica está bem adaptada nas diversas regiões do Brasil e como existe
facilidade de cultivo, o preparo e uso de extratos aquosos e etanólicos podem ser indicados
como uma forma alternativa viável para o controle da traça do tomateiro, especialmente para
os pequenos produtores. Além disso, podem funcionar como atraentes ou repelentes de outros
insetos, podendo ser empregados em sistemas de manejo integrado de pragas, no controle ou
monitoramento das populações de insetos (NAVARRO-SILVA et al., 2009).
Os estudos sobre as propriedades medicinais da M. citrifolia L., tem alcançado uma
relevância fundamental para fundamentar as pesquisas que avaliem os reais benefícios que
este fruto pode trazer para a saúde e outras aplicações (WANG et al., 2002). KOVENDAN et
al., (2012), relata que houve resultados significativos com extratos da folha do Noni na
mortalidade das larvas dos insetos da ordem Diptera e família Culicidae: Anopheles stephensi
Liston, 1901, Culex quinquefasciatus Say 1823, e Aedes aegypti Linnaeus, 1762.
Choochote et al. (2004), levantam uma hipótese de que o ácido octanóico provoca um
efeito neurotóxico na fisiologia dos insetos, embora, não tenha estudado profundamente o
assunto. Morales et al. (2010), testaram vários extratos vegetais sobre larvas do mosquito da
dengue Aedes aegypti (Diptera: calcididae), obtendo resultados significativos nas CL50 e CL90
quando utilizou o extrato etanólico do noni.
Santos (2012), estudou a ação de vários extratos vegetais, incluindo o noni, sobre
lagartas
que
atacam
o
milho
Spodoptera
frugiperda
(J.
E.
Smith,
1797)
(Lepidoptera:Noctuidae), em dietas contendo diferentes concentrações, e verificou que
afetaram significativamente a duração larval, pupal e provocou elevada mortalidade larval.
38
Quanto às pupas macho e fêmea, somente o extrato de juá (Ziziphus joazeiro Martius;
Rhamnaceae) reduziu o peso. No segundo, a ingestão de extrato de noni (M. citrifolia) elevou
a mortalidade larval, mas não alterou a duração larval. Os extratos de pinha (Annona
squamosa L.; Anonaceae), noni e algodão de seda (Calotropis procera (Aiton) W. T. Aiton);
Apocynaceae) demonstraram maior atividade inseticida sobre lagartas de S. frugiperda, mas o
extrato de pinha foi o mais efetivo.
Silva et al. (2015) relataram em seu trabalho a aplicação de vários extratos vegetais
em bioensaios com mosca-das-frutas (Ceratitis capitata (Wied. 1824) (Dipera: Tephritidae),
as larvas ao ingerirem o extrato de algodão-de-seda (C. procera) e noni (M. citrifolia) não
causou significativas mortalidades das larvas. Mas quando utilizou os tratamentos juazeiro (Z.
joazeiro) e tingui (Magonia pubescens A. St. Hil. Sapindaceae), os valores de E% foram
elevados (98,6 e 60,8%, respectivamente). Lacerda et al. (2014) abordou a bioatividade do
noni (M. citrifolia) em Artemia salina Leach. (Ordem Anostraca) como organismo teste, para
a avaliação da sua toxicidade, obtendo resultados significativos para este organismo.
4 OS FEROMÔNIOS NA AGRICULTURA
4.1 Os semioquímicos
A origem semântica da palavra semioquímico está relacionada etimologicamente com o
vocábulo grego semeîon, que significa sinal, portanto, são designados de semioquímicos, os
compostos utilizados na intermediação de relações entre os seres vivos. Possuem duas
classificações; a primeira está relacionada com a espécie do emissor e do receptor do sinal
químico, e a segunda, de acordo com os resultados decorrentes desta comunicação (ZARBIN et
al., 2009).
Os insetos reconhecem vários tipos de feromônios, através dos comportamentos que
estes compostos produzem no receptor da mensagem. Os mais comuns mediados por
feromônio são: a atração de indivíduos do sexo oposto para acasalamento, a agregação de
indivíduos de ambos os sexos para um local específico para alimentação e/ou de
acasalamento, através de feromônios de agregação; formação de trilhas, de territorialidade, de
alarme, de dispersão e de oviposição. Além destes, insetos sociais utilizam uma variedade de
feromônios para organizar as atividades na colônia. Os feromônios sexuais e de agregação
tem sido mais estudados, pois melhor se enquadram em estratégias de controle de pragas
(BOARETTO e BRANDÃO, 2000; JURENKA, 2004).
39
Geralmente são as fêmeas que liberam compostos voláteis de uma glândula
tipicamente localizada na extremidade do abdome. Na ordem Lepidoptera, os feromônios
sexuais foram identificados em mais de 100 espécies, sendo poucos os casos de liberação por
machos. Em algumas espécies ocorre um sistema duplo, no qual ambos os sexos emitem
substâncias químicas causadoras de agregação, possibilitando a cópula, como é o caso de
Grapholita molesta (Busck, 1916) (Lepidoptera: Tortricidae) Naturalmente quando ocorre
agregação aumenta-se a possibilidade de cópula. Assim, os feromônios sexuais e de
agregação estão intimamente relacionados. Feromônios de agregação são comuns em
himenópteros sociais, em baratas e em besouros, como escolitídeos (BOARETTO e
BRANDÃO, 2000).
Para o monitoramento de insetos-praga, através de feromônios sexuais, os elementos
táticos podem auxiliar a decidir quando, onde e quanto aplicar o inseticida. A técnica emprega
armadilhas contendo quantidades diminutas de feromônio, para atração de machos ou fêmeas.
Dependendo da quantidade de machos ou fêmeas capturadas, decide-se pela aplicação ou não
do inseticida. Experimentos têm demonstrado que estimativas da população de praga no
campo podem ser feitas a partir das coletas das armadilhas. Por exemplo, para a lagarta
rosada, em Israel, uma armadilha com 2 mg de feromônio sexual Gossyplure é suficiente para
monitorar 5 ha por um mês, implicando em significativo controle (de 30% de dano para 0)
com sensível redução do número de aplicações (de 10 a 15 para 1 ou 2) em épocas
estratégicas (BOARETTO e BRANDÃO, 2000).
Os insetos empregam odores ou sinais químicos para a promoverem a comunicação
entre indivíduos da mesma espécie ou reagir à presença de outros de outra espécie. As
informações
são
trocadas
através
dos
infoquímicos,
desencadeia
uma
série
de
comportamentos nos insetos, incluindo a aproximação, alarme e recrutamento (VILELA e
DELLA LUCIA, 2001).
Desde a utilização do primeiro feromônio isolado de uma espécie do bicho-da-seda
Bombyx mori Linnaeu (Lepidoptera: Bombycidae), denominado de Bombicol, quando foi
isolado um álcool de cadeia longa liberado pelas fêmeas para atrair os machos para o
acasalamento, tem sido usado até os dias atuais (PATRÍCIA e CORREA, 2004).
A resposta comportamental produzida pelos feromônios pode ser classificada em:
sexuais, de agregação, de dispersão, de alarme, de territoriedade, de marcação de trilha e de
postura (MELO et al., 2011).
Os feromônios sexuais na ordem Lepidoptera, são constituídos por uma mistura de
compostos químicos, com funções específicas, incluindo acetatos, alcoóis e aldeídos, variando
40
entre as espécies (Lima e Della Lucia, 2001). Esses compostos atraem os espécimes do sexo
oposto que se encontram distantes, enquanto que outros atuam quando os parceiros estão
próximos. Os feromônios motivam os insetos a terem uma série de comportamentos, com a
liberação de componentes afrodisíacos até a consumação do acasalamento (Figura 8) (BADJI
et al., 2003)
Figura 8. Sequência comportamental mediada pelo feromônio em machos da ordem
Lepidoptera.
Fonte: (Adaptada de Audemard, 1989; apud ARIOLI et al., 2013).
Quando se utiliza armadilhas de feromônios sexuais sintéticos para o monitoramento
de insetos, o foco geralmente é: detectar a presença de insetos; conhecer as suas flutuações
populacionais; e conferir se existe a necessidade de aplicar medidas de controle. Mas apenas
quando os feromônios sexuais sintéticos estão disponíveis aos sistemas de produção, é que
tornam-se viáveis a sua inclusão nos programas de Manejo Integrado de Pragas (MIP)
(BOTTON et al., 2005; KOVALESKI e RIBEIRO, 2002).
Segundo Ringenberg (2004), essas armadilhas promovem capturas seletivas, são de
baixo custo para a aquisição e capazes de detectar a espécie praga, mesmo quando incide em
baixa infestação. Possuem vantagens quando comparadas às armadilhas luminosas e àquelas
41
que usam atrativos, as quais apresentam inconvenientes de não serem seletivas e de terem
necessidade de água, energia ou de outros complementos para seu perfeito funcionamento.
Mas, no entanto, o monitoramento de indivíduos da ordem lepidoptera com armadilhas
de feromônio sexual produz informações indiretas e pouco precisas, pois geralmente se
destina à captura de machos adultos, raramente de fêmeas, que são as que realizam posturas,
originando lagartas, que são as responsáveis pelos danos nos pomares. Dessa forma, é
importante conhecer a correlação existente entre capturas de machos adultos nas armadilhas e
o potencial dano da praga, sincronizando as medidas de controle do inseto alvo (BENTO,
2001).
No ambiente agrícola ou agroecossistema a diversidade é reduzida, o monocultivo em
grandes extensões favorece o desaparecimento de muitas espécies de insetos, principalmente os
herbívoros monófagos ou especializados, insetos que se alimentam somente de uma fonte de
alimento vegetal. Com a diminuição da diversidade de insetos herbívoros também diminui a
diversidade de inimigos naturais. Neste momento se estabelece o inseto-praga; geralmente uma
espécie polífaga, que passa a se alimentar da espécie vegetal que está sendo cultivada, que possui
uma alta taxa de reprodução e que é favorecida pela quase total ausência de predadores. Neste
cenário de grande oferta de alimento e ausência de fatores limitantes, o crescimento populacional
deste inseto é quase incontrolável (ZARBIN et. al.,2009).
5 INDICES DE RIQUEZA E DIVERSIDADE DA ENTOMOFAUNA
Nos agroecossistemas os insetos são excelentes na fertilização cruzada e inimigos
naturais da praga na cultura, desempenham outros serviços, como herbívoria, ciclagem de
nutrientes, decomposição da matéria orgânica, melhora a qualidade da água e do solo,
interagem com outros artrópodes, são bioindicadores e auxiliam no controle biológico da
cultura (MELO et al., 2001).
O levantamento de insetos-praga e inimigos naturais e/ou polinizadores pode ser feito
por leitura direta no cultivo ou por meio do uso de armadilhas. O uso de pantraps é a maneira
menos onerosa para a maioria dos artrópodes. Para monitorar muitos dos inimigos naturais de
pragas e polinizadores as alternativas são poucas, mas se tornam complexas e mais exigentes
em conhecimento, pois requer maior tempo para identificação do inseto (MELO et al., 2001).
Quando se tem sistemas agrícolas mais diversificados com o uso de plantas bem
estabelecidas, as populações de insetos fitófagos tendem a ser menores do que em sistemas
42
homogêneos devido à maior abundância, maior fartura de alimento disponível para os insetos
e diversidade e eficiência dos inimigos naturais (UNSICKER et al., 2008).
Essa grande diversidade de plantas associadas aos cultivos fornecem alimentos
alternativos como pólen e néctar e presas alternativas aos insetos entomófagos,
principalmente generalistas, fazendo-os permanecer no campo nos períodos em que as
comunidades e a população da presa principal estão em declínio. Neste sentido uma maior
diversidade da entomofauna nos biomas brasileiro, como o cerrado, caatinga e áreas agrícolas
funcionando como insetos praga ou polinizadores (TRINDADE et al., 2004; FRIZZAS et al.,
2008).
A fauna de insetos de cada região tem sua composição adaptada e responde
diferencialmente à área, distúrbios e vários fatores micro-ambientais, em parte devido às
diversas espécies comuns ou dominantes e também à presença de diferentes recursos das
plantas (BROWN JUNIOR e FREITAS, 2002; DESSUY e MORAIS, 2007).
. Conforme Büchs (2003), os insetos generalistas são frequentemente capazes de usar
diferentes tipos de habitat com eficácia. As populações de insetos geralmente possuem
elevadas densidades e diversidade, além de desempenhar importante papel no funcionamento
dos ecossistemas, atuando como predadores, parasitas, detritívoros, polinizadores etc, fazendo
parte de uma intrincada rede trófica.
Conforme Marti e Garcia-Alvarez (2002), a diversidade não está correlacionada à
densidade de indivíduos na população, mas sim ao conjunto de espécies e o seu número de
representantes. Uma das maneiras de quantificá-la é por meio da contagem das espécies
presentes nas amostras, pois a diversidade é a própria riqueza de espécies na área. E se torna
um parâmetro possível de ser mensurado, cujos valores encontrados podem ser explicados por
uma série de teorias e expressões matemáticas (BEGON et al., 2006)
A diversidade é composta por dois elementos: a variedade e a abundância relativa das
espécies. Segundo (Santos, 2003), na maioria das vezes os estudos de diversidade estão
relacionados aos padrões de variação espacial e ambiental.
A biodiversidade refere-se tanto ao número (riqueza) de diferentes informações
biológicas quanto à abundância relativa (equitabilidade) das categorias escolhidas para o
estudo. Incluindo variabilidade ao nível local (alfa diversidade), complementariedade
biológica entre hábitats (beta diversidade) e variabilidade entre paisagens (gama diversidade)
(RODRIGUES, 2016).
Para facilitar estes estudos, existem alguns softwares à disposição na rede mundial de
computadores, nestes, as equações foram convertidas em algoritmos e testadas através de
43
dados reais, oriundos de artigos científicos da área de entomologia, botânica e zoologia,
permitindo uma aferição maior dos cálculos. O software tem distribuição Freeware e
juntamente a ele é disponibilizado um arquivo de ajuda e um guia do usuário no endereço
eletrônico do projeto “Entomologistas do Brasil” conforme (RODRIGUES, 2016).
Para trabalhar com os índices faunísticos o entomologista dispõe de diversos índices e
fórmulas para identificar a leitura dos dados, os mais utilizados são: Shannon-Wiener,
Dominância de Simpson, Diversidade de Margalef (riqueza de espécies), Equitabilidade de
Pielou, dentre outros índices importantes para o uso conforme as necessidades do estudo,
como Gleason, Menhinick, McIntosh, Diversidade Total, Dominância de Berger-Parker,
Equitabilidade J, Equitabilidade ED, Equitabilidade Hill (Modificado) e Riqueza de Espécies
Jackknif e 1ª Ordem. Além desses outros também importante para o planejamento agrícola
(RODRIGUES e SILVIE, 2016).
5.1 Índice de Margalef (Dα)
n 1
I
InN
(1)
Onde I é a diversidade, n é o número de espécies presente, e N é o número total de
indivíduos encontrados (pertencentes a todas as espécies). A notação ln denota o logarítmo
neperiano do número. O sistema de logaritmos neperianos possui como base o número
irracional e (e = 2,718...). Esse sistema também é conhecido como sistema de logaritmos
naturais, com a condição x > 0. Valores inferiores a 2,0 são considerados como denotando
áreas de baixa diversidade (em geral em resultado de efeitos antropogénicos) e valores
superiores a 5,0 são considerados como indicador de grande biodiversidade.
5.2 Índice de Shannon-Wiener (H’)
O índice de Shannon (também chamado de índice Shannon-Weaver ou de índice do
(Shannon-Wiener) (H’) é um dos diversos índices da diversidade usados para medir a
diversidade em dados categóricos. Serve para verificar a informação entrópica da distribuição,
tratamento as espécies como símbolos e os tamanhos da respectiva amostra como uma
probabilidade. Ele expressa o grau de incerteza que existe em se predizer a qual espécie
pertence um indivíduo escolhido ao acaso em uma comunidade contendo “S” espécies e “N”
indivíduos. Assim, quanto maior for essa incerteza, maior será o valor do índice e maior será a
diversidade da amostra. Numericamente, o índice de Shannon-Wiener varia entre 0 e valor
44
máximo qualquer. O índice de Shannon-Wiener será igual a zero somente quando houver
uma única espécie na amostra e assumirá seu valor máximo, somente quando todas as
espécies existentes na amostra apresentarem o mesmo número de indivíduos.
ZANZINI (2005) descreve que na prática, os valores assumidos pelo índice de
Shannon-Wiener situam-se entre 1,5 e 3,5 e só raramente ultrapassam o valor de 4,5. É dado
pela seguinte fórmula:
(2)
Onde:
- O número dos indivíduos em cada espécie; a abundância de cada espécie.
- O número de espécies. Chamado também de riqueza.
- O número total de todos os indivíduos
- A abundância relativa de cada espécie, calculada pela proporção dos indivíduos de
uma espécie pelo número total dos indivíduos na comunidade:
5.3 Índice de Simpson (Ds)
Outro índice utilizado para medir a diversidade de espécies, pertence ao grupo das
medidas de dominância, uma vez que dão mais peso para as espécies comuns. O mais
utilizado é o índice de Simpson (Ds). Um inconveniente matemático do índice de diversidade
proposto por Simpson é que ele fornece uma medida inversa da diversidade, isto é, quanto
maior o valor assumido pelos índices, menor é a diversidade. De acordo com este índice, a
probabilidade de dois indivíduos retirados aleatoriamente de uma comunidade pertencerem à
mesma espécie é dada pela equação abaixo: onde S é o número de espécies, N é o total de
organismos presentes (ou unidades quadradas) n é o número por espécies (BEGON et al.,
2006; SANTOS, 2003).
(3)
45
5.4 Índice de Pielou (Equabilidade) (E’)
A equabilidade (E’), também conhecida como índice de equabilidade de Pielou, é um
componente do índice de diversidade de Shannon-Wiener que reflete a forma através da qual
os indivíduos encontram-se distribuídos entre as diferentes espécies presentes na amostra. O
índice de Equabilidade pertence ao intervalo [0,1], onde [1,0] representa a máxima
diversidade, ou seja, todas as espécies são igualmente abundantes em que: Hmáx= ln(S). J
= Equabilidade de Pielou S = número total de espécies amostradas. H’ = índice de diversidade
de Shannon-Weaver.
(4)
onde:
E’ = índice de equabilidade
H’ = índice de diversidade de Shannon-Wiener
S = número total de espécies presentes na amostra
ln = logaritmo neperiano (base e)
5.5 Índice de Jaccard (SJ)
O índice de Jaccard foi utilizado em 1908 pelo francês P. Jaccard, em estudos sobre a
distribuição de plantas ao longo de gradientes ambientais. Constitui um dos índices de
similaridade mais amplamente empregados em ecologia de comunidades. Compara
qualitativamente a semelhança de espécies que existe entre amostras sucessivas retiradas em
intervalos espaciais e temporais ou ao longo de um gradiente ambiental. É um coeficiente
binário baseado, unicamente, na relação presença-ausência das espécies nas amostras
comparadas (ZANZINI, 2005).
Quantitativamente, o índice de Jaccard varia entre 0 (comunidades totalmente diferentes
quanto à composição de espécies) e 1 (comunidades totalmente semelhantes quanto à
composição de espécies) e é dado pela seguinte fórmula:
SJ
c
abc
(5)
46
onde:
SJ = índice de similaridade de Jaccard
a = número total de espécies presentes na amostra “a”
b = número total de espécies presentes na amostra “b”
c = número total de espécies comuns às amostras “a” e “b”
Virginio et al. (2016), abordam que quanto maior o conhecimento sobre a fauna de
uma área, melhores serão as estratégias para sua conservação, sobretudo dos ecossistemas
nordestinos, onde há escassez de estudos. Conhecer o ambiente e discutir estratégias, para
tomadas de decisão ou planejamentos em uma área, aumenta o valor de importância dos
insetos que fazem um bioequilíbrio no agroecossistema, pois são auxiliares na proteção de
culturas na agricultura, com as funções de predadores, parasitoides, polinizadores e
decompositores (COUTINHO, 2007).
Segundo Mendes et al. (2008), os índices de diversidade apresentam infinitas
combinações de riqueza de espécies e equabilidade. Dessa forma, pode-se obter o mesmo
valor de índice de diversidade para duas comunidades diferentes em riqueza de espécies e
equabilidade. Seguindo esse raciocínio, um determinado índice de diversidade pode indicar
que a comunidade A é mais diversa que B, enquanto outro índice indica o oposto. A
diversidade é definida como um conjunto de procedimentos estatísticos multivariados que
informam diferentes características da estrutura de comunidades biológicas (RICOTTA,
2005).
Seguindo o conceito clássico de Whittaker (1972; 1977), a diversidade α (alfa) se
constitui no número de espécies (riqueza) em fragmentos homogêneos de um tipo de habitat
ou ambiente. WHITTAKER et al. (2001) e TUOMISTO et al. (2010) abordam a
hierarquização na teoria da diversidade das espécies e afirmam que a diversidade β (beta) é a
diferença na composição de espécies entre diferentes habitats ou ambientes justapostos e
localizados na mesma paisagem; e a diversidade γ (gama) é a diferença na composição de
espécies entre mesmos habitats ou ambientes isolados geograficamente.
47
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61
CAPÍTULO 2
DIVERSIDADE DE INSETOS EM CULTIVOS CONVENCIONAL E ORGÂNICO DE
TOMATE (Solanum lycopersicum L.; SOLANACEAE)
RESUMO
Este trabalho objetivou comparar a diversidade e riqueza das famílias de insetos coletados em
dois sistemas de produção (orgânica e convencional) de tomate localizados na região agreste
de Alagoas, Nordeste do Brasil (09°81'76"S e 36°59'42"W), cujo espectro visível é bastante
amplo com luz do sol ao longo do ano. Para esse fim, foi instalado uma estratégia com um
sistema de armadilhas coloridas dispostas de forma aleatória entre as fileiras de tomateiro com
as cores: azul, amarela, branca, verde, vermelha e incolor nos dois cultivos de tomate. A
montagem do experimento se deu aos 45 DAE (dias após a emergência) das plântulas no
período de setembro de 2015 a janeiro de 2017. O delineamento experimental foi inteiramente
casualizados com seis tratamentos: PET0 – cor incolor, PET1 – armadilha amarela, PET2 –
armadilha cor verde, PET3 – armadilha cor vermelha, PET4 – armadilha cor branca, PET5 –
armadilha cor azul e cinco repetições em quatro ciclos da cultura. Para efeito de comparação
os dados entre as famílias de insetos coletados e identificados em nível de família, foram
analisados através do teste Scott-Knott a 5% de probabilidade. Os índices de riqueza e
diversidade foram feitos utilizando o software DivEs. Foram coletados 56.955 insetos no
sistema orgânico agrupados em 25 famílias e 10.660 em 22 famílias no sistema convencional
de cultivo de tomates. Observou-se que no sistema convencional a diversidade de insetos e a
abundância relativa-AR, apresentaram diferenças significativas quando comparado ao sistema
orgânico. Os resultados revelaram diferenças entre os índices de diversidade de família de
insetos, o sistema convencional apresentou valores maiores do que no orgânico. Rejeitando a
hipótese que ambos apresentavam igualdade nos índices. A média dos índices ShannonWiener 2,97; Simpson 0,79; Dominância de Simpson 0,19; Margalef 5,13; Pielou 2,27 para o
sistema orgânico e para o convencional nesta ordem 3,49; 0,86; 0,12; 6,93; 2,56;
respectivamente. Várias famílias das ordens de insetos coletados nas armadilhas de cores azul
amarela, branca, verde, vermelha e incolor, apresentaram médias significativas de famílias de
insetos polinizadores, predadores, parasitoides e insetos-praga, que podem auxiliar na tomada
de decisão para a proteção de plantas em olericulturas e outros agroecossistemas. As cores das
armadilhas - garrafas PET refletidas e atraídas pelos insetos contribuíram para os índices de
diversidade, sendo mais significativo em ordem e família de insetos na área do cultivo com
manejo convencional em comparação com o cultivo orgânico. Porém, os insetos coletados,
não diferiram significativamente quanto à diversidade de famílias. As cores nas armadilhas
PET, podem ser utilizadas como uma estratégia para a proteção de plantas em horticultura,
quanto ao planejamento e manejo de culturas no controle de pragas e conservação da
entomofauna.
Palavras-chave: Tomaticultura. Manejo agrícola. Agroecologia. Proteção de Plantas.
62
ABSTRACT
This work aimed to compare the diversity of insect families collected in two organic and
conventional tomato production systems located in the rural region of Alagoas, Northeast
Brazil, whose visible spectrum is quite broad with sunlight throughout the year. To this end, a
strategy was set up with a system of colored traps arranged randomly between rows of tomato
with blue, yellow, white, green, red and colorless in the two tomato crops. The experiment
was set up at 45 DAE (days after emergence) of the seedlings from September 2015 to
January 2017. The experimental design was completely randomized with six treatments:
PET0 - colorless color, PET1 - yellow trap, PET2 - trap color green, PET3 - trap color red,
PET4 - trap color white, PET5 - trap blue color and five replicates in four crop cycles. For
comparison purposes, the data among families of insects collected and identified at the family
level were analyzed using the Scott-Knott test at 5% probability. Wealth and diversity indexes
were made using the DivEs software. A total of 56,955 insects were collected from the
organic system in 25 families and 10,660 from 22 families in the conventional tomato
growing system. It was observed that in the conventional system the diversity of insects and
the relative abundance-AR, presented significant differences when compared to the organic
system. The results showed differences between the insect family diversity indexes, the
conventional system showed higher values than the organic ones. The mean of the ShannonWiener indexes 2.97; Simpson 0.79; Simpson's dominance 0.19; Margalef 5,13; It furrowed
2.27 for the organic system and for the conventional system in this order 3.49; 0.86; 0.12;
6.93; 2.56; respectively. Several families of insect orders collected in the traps of yellow,
white, green, red and colorless blue showed significant mean values of families of pollinator
insects, predators, parasitoids and insect pests, which may aid in decision making for the
protection of plants and other agroecosystems. The colors of the traps - PET bottles reflected
and attracted by the insects contributed to the diversity indexes, being more significant in
order and family of insects in the area of the crop with conventional handling in comparison
with the organic cultivation. However, the insects collected did not differ significantly in the
diversity of families. The colors in the PET traps can be used as a strategy for the protection
of plants in horticulture, regarding the planning and management of crops in pest control and
conservation of entomofauna.
Keywords: Vegetables. Agricultural management. Agroecology. Protection of plants.
63
1 INTRODUÇÃO
A tomaticultura tem uma importância econômica no Brasil, ocupando o segundo lugar
entre as olerícolas. Mas o ataque de doenças e pragas tem provocado danos significativos à
cultura e por consequência à produção. O ataque gera desarranjos morfológicos e fisiológicos
nos frutos, que amadurecem de forma irregular (SANTOS, 2008).
A variação ambiental contribui para uma maior diversidade de espécies do
ecossistema natural ou em agroecossistemas, quando o manejo segue procedimentos que
causam o mínimo de impactos ao meio ambiente, isto se aplica se o sistema é convencional ou
agroecológico (ALENCAR et al., 2013).
O espectro visível das ondas eletromagnéticas podem proteger as plantas quando as
cores motivam os insetos à sua jornada diária à procura de alimento e neste nicho aproveitam
para o acasalamento, oviposição e polinização, podem ser atraídos por cores diversas, que
atuam como uma forma de reconhecimento dos recursos naturais (SKORUPSKI; CHITTKA,
2010; WANGA et al., 2013).
Alguns comprimentos de onda emitidos por superfícies exercem algum tipo de atração
sobre os insetos (Oliveira e Labinas, 2008). Os insetos podem ser atraídos por diferentes
cores, Lyriomiza trifolii (Burgess, 1880) (Diptera: Agromyzidae) é atraída pela cor amarela e
Thrips tabaci (Lindeman, 1889) (Thysanoptera: Thripidae) pela cor azul (SANTOS, 2008).
Paula et al. (2015) destacam que a introdução de pragas tem um impacto sobre a
biodiversidade e as armadilhas coloridas podem ser uma alternativa em potencial para o
controle de insetos e no manejo integrado de pragas, neste sentido é possível monitorar
flutuações populacionais em áreas do inseto alvo e ou da riqueza de espécies no habitat.
Vrdoljak e Samways (2012) afirmam que a cor amarela, quando comparada com
outras cores, apresenta um maior número de insetos capturados, sendo as armadilhas amarelas
viáveis para a captura de insetos de diferentes grupos e em diferentes áreas de cultivo ou em
sistemas naturais. Alguns trabalhos destacam as cores em armadilhas como atrativas para os
insetos de uma região agrícola ou florestal (CAMPOS, 2008).
No complexo agrícola a diversidade de insetos pode ajudar na proteção das plantas,
uma vez que no processo de predação se alimentam de outros insetos durante o seu ciclo de
vida. Procuram ativamente suas presas, perseguem, capturam e alimentam-se delas. Ocorrem
em grande abundância nos ambientes agrícolas com manejos adequados para o controle das
pragas (HARTERREITEN-SOUZA et al., 2011).
64
Este trabalho parte da premissa que as armadilhas coloridas são estratégias
importantes para o monitoramento da entomofauna verificando a diversidade de famílias de
insetos-praga, polinizadores, predadores e inimigos naturais, tendo como cenários dois
ambientes antropizados no ecótono Agreste, com a hipótese de que ambos apresentam os
mesmos índices de diversidade da entomofauna.
O objetivo foi comparar os índices de diversidade de insetos coletados em dois
sistemas de produção convencional e orgânica de tomate, em propriedades rurais localizadas
na região agreste de Alagoas, utilizando armadilhas (PET) adesivas coloridas para a atração e
captura de insetos-praga, ou de insetos benéficos auxiliando no MIP.
2 MATERIAL E MÉTODOS
2.1 Área da pesquisa
O estudo foi realizado em duas áreas de cultivo comercial de tomate, na região agreste
de Alagoas, (09°81'76"S e 36°59'42"W) Nordeste do Brasil, no município de Arapiraca
(povoados Bálsamo-Sítio Ingazeira e Bom Jardim) com altitude de 264 m, um convencional e
outro orgânico, respectivamente. Ambos desenvolvem um policultivo com diversas hortaliças
incluindo o tomate. A montagem do experimento se deu aos 45 DAE das plântulas de tomate
no período de setembro de 2015 a janeiro de 2017.
Os dois sistemas de cultivo, tinham a mesma distribuição de tomateiros, com fileiras
simples e espaçadas em 1,5 m e 25 m de comprimento, cada parcela com uma área de 1,5 ha,
cerca de 6.000 pés de tomate. As variedades plantadas foram a TY–2006 e Santa Clara. Nas
duas áreas prevalece o solo latossolo vermelho amarelo eutrófico (EMBRAPA, 2009), o clima
conforme a classificação de Köppen tipo As’, ou seja, tropical e quente, com médias de
temperaturas mínima de 23°C e máxima de 32°C e precipitação pluviométrica de
outono/inverno, entre 500 mm a 1.000 mm (ALAGOAS, 2017).
2.2 Confecção das armadilhas, monitoramento, delineamento experimental e identificação
dos insetos
As armadihas foram confeccionadas a partir da escolha de garrafas plásticas, tipo PET
(Poli Tereftalato de Etileno) com capacidade de 2,5 L. Foram pintadas 18 garrafas com tinta
spray, com as cores azul, amarela, branco, verde, vermelho e incolor (transparente) sendo três
garrafas PET para cada cor.
65
Para o monitoramento dos insetos em cada área experimental, foram instaladas através
de sorteio, as dezoito armadilhas de garrafas PET coloridas, montadas com a “boca” fincada
numa haste de bambu com 1,2 m, como suporte e rente à altura dos tomateiros (70-100 cm).
Nessas armadilhas PET (2,5 L), foram espalhadas cola entomológica em uma área de 75,00
cm2 do corpo da garrafa (Figura 9 A, B, C, D, e F.). As armadilhas foram testadas
inicialmente colocadas no campo em forma de pré-teste, quanto à utilização e adaptação ás
áreas do experimento.
Figura 9. Armadilhas coloridas feitas com garrafas PET colocadas nos cultivos de tomate.
.
Fonte: Foto do autor. (2015).
O delineamento experimental foi em blocos casualizados com seis tratamentos: PET0
– incolor, PET1 – armadilha amarela, PET2 – armadilha cor verde, PET3 – armadilha cor
vermelha, PET4 – armadilha cor branca, PET5 – armadilha cor azul e, sendo cinco repetições
em cada sistema de cultivo em quatro ciclos da cultura. Para efeito de comparação, os dados
dos insetos coletados e identificados em nível de família, foram analisados através da Anova e
do teste Scott-Knott a 5% de probabilidade, através do Assistat Software Version 7.7 (SILVA
e AZEVEDO, 2016). Para a avaliação dos índices de diversidade dos insetos identificados em
nível de família, os índices em estudo, foram: diversidade, riqueza, dominância,
equitabilidade e similaridade, utilizou-se o software DivEs (RODRIGUES, 2017).
Os insetos capturados nas armadilhas foram contados e retirados com o auxílio de uma
pinça e solvente orgânico, em intervalos a cada cinco dias, sendo acondicionados em potes
com álcool a 70% e armazenados no Laboratório de Ecologia e Biodiversidade da
Universidade Estadual de Alagoas/Campus I, para a triagem e identificação.
66
A identificação foi realizada com o auxilio de um microscópio estereoscópico
binocular da marca Opton® aumento de 80x, para melhor visualização dos insetos coletados e
identificação, bem como, a comparação feita por meio de chaves pictóricas de identificação
de artrópodes e com o auxílio de imagens taxonômicas de livros e chaves referenciados na
área de entomologia (SELTMANN, 2004; CARRANO-MOREIRA, 2015; RAFAEL et al.,
2012).
2.3 Análise dos índices de Diversidade de Famílias de insetos
Para a análise dos índices de diversidade observados nas famílias de insetos, foram
utilizados: Diversidade e uniformidade (Shannon-Wiener), riqueza (Magalef), diversidade
(Simpson), dominância (Simpson), equidade ou equitabilidade (Pielou), foram verificados
com a utilização do DivEs-software (RODRIGUES, 2016).
Com os dados também foi encontrada a abundância relativa (AR) para as famílias de
insetos pela fórmula, proposta por SOARES et al. (2016).
AR (%) = n / N x 100
(6)
Onde:
AR = percentagem Abundância; n= número de espécimes da ordem e família; N = Total
número de exemplares capturados
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
No período da pesquisa (2015-2017), na região agreste de Alagoas, foram coletados
56.955 insetos nas armadilhas adesivas coloridas no sistema orgânico: Amarela (9.217), Azul
(14.341), Branco (5.588), Verde (3.579), Vermelho (18.632) e Incolor (5.598) e 10.660
insetos no sistema convencional Amarela (1.388), Azul (2.884), Branco (3.230), Verde (816),
Vermelho (1.370) e Incolor (972). Os insetos fazem um bioequilíbrio no agroecossistema, são
auxiliares na proteção de culturas na agricultura, com as funções de predadores, parasitoides,
polinizadores e decompositores (COUTINHO, 2007).
Para a analise dos dados nos dois sistemas, foram considerados apenas os que foram
coletadas em todas as armadilhas em quantidade ≥1. As armadilhas conseguiram atrair no
sistema convencional 22 famílias coletadas nas armadilhas coloridas e no sistema orgânico,
25 famílias. Frizzas et al. (2008), afirmam que muitos dos insetos coletados ou não em
armadilhas coloridas, fazem parte da entomofauna da região agreste, zona de transição entre a
67
Mata Atlântica e a Caatinga. Amaral et al. (2010), ressaltam áreas do cerrado apresentando
uma diversidade de insetos bem adaptada representada nas ordens e famílias, algumas atraídas
pelas cores mais dos que as outras.
Os resultados na tabela 2 mostram que na análise de variância houve significância
entre os tratamentos com os dados coletados nas seis armadilhas coloridas, revelando 22
famílias dos insetos no sistema convencional. Os resultados demonstraram maior
significância entre as famílias Tabanidae, Agromyzidae e Calliphoridae pelo Teste F**
(P<0,01).
A Tabela 2 no sistema convencional apresenta os dados de comparação das médias
pelo teste Scott-Knott a 5% de probabilidade, das 22 famílias coletadas nas armadilhas
coloridas. A ordem Díptera que mais se destacou com as famílias Agromizidae e Tabanidae
sendo as mais coletadas nas cores azul e branca das armadilhas, embora (Santos, 2008a),
tenha pesquisado que a cor de mais atração para a família Agromizidae foi a amarela. Essa
ordem é considerada a segunda em número de espécies por apresentar um nicho bastante
variado, tais como: hematófagos, fitófagos, minadores, predadores, parasitoides e realizam a
polinização com eficiência nas plantas por elas visitadas (Azevedo et al., 2015). Na família
Tabanidae, dipteros de interesse veterinário e médico, quando ectoparasita de equinos,
preferem os animais de cores escuras como castanho escuro e castanho avermelhado (BASSI
et al., 2000).
Tabela 2. Número médio de insetos por famílias no sistema convencional coletadas pelas armadilhas
coloridas pelo teste Skott-Knott a 5% de probalibilidade (período da coleta fevereiro de 2015 a
janeiro/2017) – Arapiraca-AL.
Agromyzidae
PET
Amarelo
85,00B
Média do número de insetos por familia
PET
PET
PET
PET
Azul
Branco
Verde Vermelho
300,00A 308,00A 68,00B
62,66B
PET
Incolor
64,00B
Hemiptera
Aphididae
30,66B
1,00D
20,00C
1,00D
45,33A
1,00D
Hymenoptera
Apidae
46,66A
10,66C
22,66B
1,00D
22,66B
1,00D
Diptera
Asilidae
4,00C
21,33A
10,66B
2,66C
5,33C
2,66C
Blattodea
Blattidae
1,33C
1,00D
1,00D
2,66B
4,00A
1,00D
Diptera
Calliphoridae
10,66C
36,00B
60,00A
1,33D
1,33D
1,33D
Hemipera
Cicadelidae
16,00A
2,66B
1,33B
1,00B
1,00B
5,33B
Coleoptera
Carabidae
4,00A
1,33B
1,33B
1,00B
1,33B
1,33B
Coleoptera
Coccinellidae
1,00B
2,66A
1,00B
4,00A
1,33B
1,00B
Coleoptera
Curculionidae
1,33A
1,66A
1,33B
1,00B
1,33A
1,33A
Coleoptera
Elateridae
32,00B
41,33A
18,66C
8,00C
14,00C
12,00C
Hymenoptera
Formicidae
42,66B
36,00B
34,66B
42,66B
58,66A
68,00A
Diptera
Muscidae
32,00C
100,0A
66,66B
4,00D
10,66D
16,00D
Ordem
Família
Diptera
68
Lepidoptera
Nymphalidae
1,00B
6,66A
1,00B
1,00B
2,66B
4,00B
Coleoptera
Passalidae
5,33A
1,00B
1,00B
10,66A
2.66A
5,33A
Hymenoptera
Pompilidae
1,00B
9,33A
8,00A
12,00A
1,00B
1,00B
Hemiptera
Reduviidae
1,00B
1,00B
4,00B
2,66B
14,66A
6,66B
Coleoptera
Scarabaeidae
20,00C
37,33B
6,66C
54,66A
50,66A
32,00B
Hymenoptera
Scoliidae
2,66C
8,00A
4,00B
5,33B
1,00D
1,00D
Diptera
Tabanidae
45,33C
208,00B
289,33A
13,33D
10,66D
6,66D
Thysanoptera
Thripidae
10,66E
93,33B
129,33A
14,66E
56,00C
30,66D
Hymenoptera
Vespidae
25,33A
12,00B
20,00A
8,00B
1,33B
17,33A
Médias não seguidas pela mesma letra diferem significativamente na linha pelo teste de Scott-Knott
a 5% de probabilidade. Fonte: dados da pesquisa.
Esse trabalho corrobora com Santos (2008) destacando que os insetos podem ser
atraídos por diferentes cores, por exemplo, Lyriomiza trifolii (Burgess, 1880) (Diptera:
Agromyzidae) é atraída pela cor amarela e Thrips tabaci (Lindeman, 1889) (Thysanoptera:
Thripidae) pela cor azul. Enquanto que Vrdoljak e Samways (2012) destacam a cor amarela
para algumas ordens de insetos e que a cor preta pode ser repelente para algumas famílias e
atraentes para outras, e que as cores usadas em armadilhas são atrativas para os insetos de
uma região agrícola ou florestal.
A família Apidae, muito importante para a polinização do tomateiro, no sistema
convencional deste estudo, foi coletada, uma média de 46,66% encontrados na armadilha
amarela. Isso se deve ao fato que, próximo a este cultivo existem alguns apicultores. Barbosa
et al. (2016), relatam visitantes florais correlacionados com os fatores abióticos em Minas
Gerais-Brasil, a presença de Apis mellífera (Linnaeus, 1758) e Trigona spinipes (Fabricius,
1793), família Apidae. Freitas et al. (2006) citam as abelhas dos gêneros Exomalopsis,
Epicharis e Centris como boas polinizadoras de tomate. A Nanotrigona pirilampoides
(Cresson, 1878) (Hymenoptera:Apidae), apresenta, um mecanismo de vibração nas asas que
resultam numa polinização cruzada e frutos mais pesados com mais sementes (CAUICH et
al., 2004; CASTRO et al., 2006).
A tabela 3 mostra que na análise de variância os resultados foram significativos para
os dados coletados nas armadilhas coloridas com as 25 famílias dos insetos nas seis
armadilhas coloridas. As famílias Thripidae, Pompilidae, Tabanidae, Miridae, Scarabaeidae e
Cicadelidae, obtiveram maior significância comparadas com as demais famílias, pelo Teste
F** (p<0,01). Essas famílias se destacam por serem pragas, polinizadores, predadores e ou
decomposiores ((TRIPLEHON e JOHNSON, 2005; CUNHA et al., 2014; SILVA e
CARVALHO, 2015).
69
A tabela 3 revela 25 famílias de insetos no sistema orgânico pelo teste de comparação
de média Scott-Nott, a 5% de probabilidade. A quantidade de insetos foi maior nesse sistema,
e o número de famílias ligeiramente superior ao convencional. Nesse cultivo orgânico,
existem mais variedades de vegetais como plantas hospedeiras, além do que o sistema é um
policultivo de olerícolas. Os insetos tem mais opções para se abrigarem e completarem o seu
ciclo. No sistema convencional, a hipótese levantada é que os insetos estão sofrendo
adaptação e sendo resistentes aos inseticidas.
Tabela 3. Número médio de insetos por famílias no sistema orgânico coletadas pelas armadilhas
coloridas pelo teste Skott-Nott a 5% de probalibilidade (período da coleta fevereiro de 2015 a
janeiro/2017) – Arapiraca-AL.
Média do número de insetos por familia
Ordem
Famílias
PET
PET
PET
PET
PET
PET
Amarelo
Azul
Branco
Verde Vermelho Incolor
Diptera
Agromyzidae
128,00B 173,33A 93,33B
76,00B
232,00A
40,00B
Hymenoptera
Apidae
20,00A
13,33A
8,00B
6,66B
4,00B
1,33B
Diptera
Asilidae
85,33B
49,33C 140,00A 8,00C
12,00C
46,66C
Blattodea
Blattidae
1,00C
1,00C
1,00C
1,33B
2,66A
1,33B
Diptera
Calliphoridae
73,33A
166,66A 80,00A 20,00B
100,00A
46,66B
Coleoptera
Carabidae
66,66C
82,66B 200,00B 93,33B
966,66A 213,33B
Hemiptera
Cicadelidae
786,0A
498,0A
151,0B
126,0B
66,6 C
248,0B
Coleoptera
Coccinelidae
20,00A
1,00B
2,66B
0,00B
24,00A
6,66B
Coleoptera
Chrysomelidae 1573,33A 800,00B 300,00D 253,33D 133,33D 500,00C
Coleoptera
Curculionidae
1,33B
28,00A
1,33B
5,33B
1,33B
1,00B
Hymenoptera
Formicidae
6,66B
48,00A
38,66A 10,66B
13,33B
4,00B
Hemiptera
Miridae
20,00B
1,00D
4,00C
6,66C
40,00A
1,00D
Diptera
Muscidae
27,00C
267,66B 120,33C 187,00B 469,33A 173,33B
Coleoptera
Nitidulidae
46,66C
200,33B
1,00C
1,00C
286,66A
1,00C
Lepidoptera
Notodontidae
28,66B
16,00C
6,66C
9,33C
66,66A
13,33C
Hymenoptera
Pompilidae
5,33C
13,33B
1,00B
1,00B
80,00A
1,00B
Hemiptera
Reduviidae
4,00B
24,33A
1,00B
1,00B
1,33B
1,00B
Coleoptera
Scarabaeidae
767,00C 1634,33B 267,00D 273,33D 3003,33A 142,66D
Hymenoptera
Sphecidae
12,00A
1,00B
1,00B
1,00B
14,66A
5,33B
Coleoptera
Sthaphylinidae
52,00B
97,33B 120,00B 21,33B
6,66B
346,66A
Diptera
Stratiomyidae
53,33C
560,00A 270,66B 126,66C 453,33A 212,66C
Diptera
Syrphidae
1,33B
1,00B
1,33B
1,00B
6,66A
1,00B
Diptera
Tabanidae
29,33B
40,00B
1,00C
1,00C
262,66A
6,66C
Thysanoptera
Thripidae
24,00D
500,00A 82,66B
44,00C
34,66C
40,00C
Hymenoptera
Vespidae
4,00B
2,66B
16,00A
1,00B
1,00B
1,00B
Médias não seguidas pela mesma letra diferem significativamente na linha pelo teste de ScottKnott a 5% de probabilidade. Fonte: Dados da pesquisa.
70
No trabalho de Santos et al. (2008), encontraram evidências que a cor amarela é a que
mais atraiu adultos de Diabrotica speciosa (Germar, 1824), (Coleoptera:Chrysomelidae),
Bemisia tabaci (Gennadius, 1889) (Hemiptera:Aleyrodidae), Liriomyza trifolii (Burgess,
1880) (Diptera:Agromyzidae) e Myzus persicae (Sulzer, 1776), Macrosiphum euphobia
(Thomas, 1878) (Hemiptera: Aphididae).
A diversidade de famílias e a quantidade de insetos podem ser bioindicadores de um
manejo diferenciado, por se tratar de uma área de policultivo onde existem plantas arbustivas
e arbóreas como o neem (Azadirachta indica A. Juss.; Meliaceae) utilizada como barreira de
vento, dentre outras, tais como: cajueiro (Anacardium occidentale L.; Anacardiaceae), goiaba
(Psidium guajava L.; Myrtaceae), mangueira (Mangifera indica L.; Anacardiaceae), coqueiro
(Cocos nucifera L.; Arecaceae), seriguela (Spondias purpúrea L.; Anacardiaceae), amoreira
(Morus nigra L.; Moraceae), acerola (Malpighia emarginata DC; Malpighiaceae), laranjeira
(Citrus sinensis L.; Rutaceae), limoeiro (Citrus limon L.; Rutaceae) e diversas plantas
daninhas. Cardozo (2007) relata que estas árvores quando mantidas no agroecossistema
servem para a proteção das plantas, tanto da aplicação da deriva de agrotóxicos na área
vizinha, quanto dos esporos e ou propágulos que podem invadir a área de cultivo.
A presença de polinizadores, predadores e parasitoides na área garante uma
estabilidade nas famílias de insetos coletados nas diversas cores das armadilhas. Campos
(2008) listou em campo aberto 22 espécies de polinizadores de tomates distribuídos nas
famílias Apidae, Halictidae e Andrenidae. Os insetos podem ser atraídos por cores, que atuam
como uma forma de reconhecimento dos recursos, pois apresentam fibras fotorreceptoras
longas que são capazes de percebê-las (SKORUPSKI; CHITTKA, 2010; WANGA et al.,
2013).
O sistema de cultivo de tomate requer uma efetiva atividade de polinizadores,
Albuquerque et al. (2006), afirmam que dentre as diversas espécies de solanáceas o tipo de
polinização comum é a melitofilia, isto se deve à estrutura floral da planta, que é o caso do
tomateiro nesta pesquisa (Del Sarto, 2005). Neste caso, suas anteras necessitam de uma
vibração para a liberação de pólen, diminuindo o numero de polinizadores efetivos, já que
algumas espécies como a Trigona spinipes (Fabricius, 1793) (Hymenoptera: Apidae) não
conseguem vibrar (Vianna et al., 2007). Santos e Nascimento (2011) trabalhando com índices
de diversidades em cultivos orgânicos, relatam que a família mais abundante nos cultivos
orgânicos foi Apidae, representando 48,76% do total da amostra. Isto corrobora com os
resultados deste trabalho.
71
Durante as coletas dos insetos realizadas nos dois cultivos ao longo da pesquisa
set/2015 a fev/2017, as condições climáticas (Figura 10) se apresentaram na média observada
para a região agreste de Alagoas, com a temperatura entre 23,9 ◦C no período do inverno e
32.3 ◦C no verão. A umidade relativa – UR com médias entre 73 a 93% no período. A
pluviosidade com taxas entre 11 mm no verão e 500 mm acumulado no inverno. Sabe-se que
as mudanças climáticas estão provocando sérios prejuízos à agricultura com perdas
econômicas em varias culturas (SEMARH/ALAGOAS, 2017). As taxas oscilantes de
temperatura são fatores abióticos que influenciam de forma drástica no favorecimento de
populações de diversos organismos, principalmente, os insetos (PELLEGRINO et al., 2007;
STRECK; ALBERT, 2006).
Figura 10. Dados climáticos na região agreste de Alagoas no período da pesquisa
(setembro/2015 a fevereiro/2017).
Fonte: Dados da pesquisa. (SEMARH/ALAGOAS, 2017).
Na Tabela 4, estão os índices de Shannon-Wiener; Simpson; Dominância de Simpson;
Margalef; e Equitabilidade de Pìelou; considerando as diferentes cores das armadilhas PET,
para os dois sistemas agrícolas, indicam que na comparação, apresentaram diferenças quanto
a diversidade e riqueza das famíias dos insetos coletados, tendo destaque maior nos índices,
para o sistema convencional. A hipótese desse trabalho era que ambos apresentam os mesmos
índices de diversidade da entomofauna, sendo assim, rejeitou-se essa hipótese.
72
Os índices de diversidade dos insetos coletados nas armadilhas coloridas revelam uma
tendência de atração pelas cores. Neste estudo se destaca a diversidade α (alfa) que se
constitui no número de espécies (riqueza) em fragmentos homogêneos de um tipo de habitat
(WHITTAKER et al., 2001; TUOMISTO, 2010; CHI et al., 2014).
Infere-se a hipótese que nesse ecótono, as espécies encontradas são semelhantes,
considerando o hábitat, com a presença de plantas hospedeiras e do cultivo de tomate. Os
insetos coletados foram atraídos pelas cores existentes em cada habitat visitado, e o
forrageamento se deu por essa atração, podendo afirmar que eles apresentam adaptação e
resistência a produtos químicos. Verificou-se através dos dados levantados nesta pesquisa, nas
amostras de campo incluindo os dois sistemas agrícolas, que as cores vermelha (20.002), azul
(17.225), amarela (10.605) e branca (8.618) atraíram mais insetos do que o incolor (6.570) e o
verde (4.395).
Tabela 4. Índices de diversidade das famílias de insetos coletados sob a influência das cores
das armadilhas coloridas.
Indices de diversidade das famílias de insetos nas armadilhas PET
Índices de
Sistemas
Amarela Azul Branca Verde Vermelha Incolor
diversidade
Orgânico
2,38
3,08
3,51
3,14
2,63
3,10
ShannonWiener
Convencional
3,93
3,17
3,08
3,43
3,64
3,71
Orgânico
0,66
0,82
0,89
0.85
0,71
0,84
Simpson
Convencional
0,91
0,82
0,82
0,86
0,90
0,88
Orgânico
5,55
5,05
4,54
4,78
6,34
4,53
Margalef
Convencional
7.95
6,64
5,41
7,21
6,37
8,03
Orgânico
0,33
0,17
0,10
0,14
0,28
0,15
Dominância
de Simpson
Convencional
0,08
0,17
0,17
0,13
0,09
0,11
Orgânico
1,75
2,29
2,80
2,50
1,82
2,47
Equitabilidade
de Pielou
Convencional
2,77
2,29
2,36
2,56
2,75
2.65
Fonte: Dados da pesquisa.
Para os dois sistemas de cultivo, o índice de similaridade de Jaccard foi de 0,88;
indicando uma semelhança e corroborando a hipótese da semelhança nas espécies
encontradas. Quantitativamente, o índice de Jaccard varia entre (0 para comunidades
diferentes quanto à composição de espécies e 1 em comunidades semelhantes quanto à
composição de espécies) (ZANINI, 2005).
Seguindo esse raciocínio, um determinado índice de diversidade pode indicar que a
comunidade A é mais diversa que B, enquanto outro índice indica o oposto (Mendes et al.,
2008). A diversidade é definida como um conjunto de procedimentos estatísticos
multivariados que informam diferentes características da estrutura de comunidades biológicas
73
(RICOTTA, 2005). As plantas apresentam características que atraem os insetos para obter
polinização, como a coloração nas pétalas aroma, néctar (CONCEIÇÃO et al., 2011).
Nos dois sistemas os índices de Margalef apresentaram entre 4,5 a 8,0 indicando mais
riqueza de espécies existente na área, uma vez que este índice quanto mais alto se revela,
indica também um valor proporcional para as espécies raras. Os índices de Shanon-Wiener e
de Simpson nos dois sistemas de cultivo mostraram-se diferentes. O índice de Pielou revelou
um equilíbrio entre o número de famílias nos sistemas de cultivo, conforme Pielou
(1966,1975), os índices estão entre um valor de amplitude próxima de 0 como uniformidade
mínima, a 1 como uniformidade máxima. Neste estudo os índices se mostraram maiores que
1,5.
Wilsey et al. (2005), comentam que a riqueza de espécies é muito dependente do
tamanho da amostra. No sistema convencional, os índices foram maiores em relação ao
sistema orgânico. As amostras coletadas ao longo do estudo, revelaram um equilíbrio na
equitabilidade, observa-se que quanto mais homogêneo for o número de indivíduos por
espécie, maior a equitabilidade, e a uniformidade.
Virginio et al. (2016), abordam que quanto maior o conhecimento sobre a fauna de
uma área, melhores serão as estratégias para sua conservação, sobretudo dos ecossistemas
nordestinos, onde há escassez de estudos. Em trabalhos semelhantes a este, Ribeiro (2005) e
Ferraz et al. (2009), ressaltam que existe uma relação de quanto mais alto o valor destes
índices, maior é a dominância e menor a diversidade.
Os resultados da tabela 5 para a abundância relativa – AR (%) de famílias e ordens de
insetos nos dois sistemas de cultivo; o convencional e o orgânico, indicam os maiores
percentuais de indivíduos coletados nas armadilhas para a ordem Diptera AR= 40,19% no
sistema orgânico e AR=37,45% no sistema convencional com destaque para a família
Agromizydae (AR=24,92% no convencional), obtendo maior resultado nas cores amarelo,
azul, branco e vermelho. Lima e Serra (2008) afirmam que esta ordem tem uma vasta
amplitude de nichos e diversidade de famílias.
A ordem Diptera com a família Agromizydae nos cultivos de tomate requer uma maior
atenção, uma vez que causam danos diretos na folha do tomateiro, diminuindo sua
produtividade. Gusmão (2004) encontrou minas com larvas em talhões de tomateiro de 3,0
larvas por minas em cada folha.
Algumas famílias na tabela 5 representam insetos predadores, inimigos naturais,
polinizadores no agroecossistema, mesmo com a aplicação sistemática de inseticidas, três
vezes por semana no cultivo, os insetos adquirem resistência para permanecerem ativos.
74
Moura et al. (2014) ressaltam que entre os predadores mais comuns pode-se citar vespas,
formigas, aranhas e percevejos das famílias Reduviidae, Pentatomidae e Nabidae. Conforme
Togni et al. (2010), essa abundância e diversidade de famílias são principalmente pela maior
disponibilidade de refúgios contra predação intraguilda e acesso a recursos alimentares
alternativos como presas, pólen ou néctar.
A ordem Coleoptera, houve destaque com um AR = 45,63%, no sistema orgânico e
AR=13,95% no convencional. A família Scarabaidae, apresentou um AR=32,05% no cultivo
orgânico e AR= 5,66% no sistema convencional. Lima et al. (2013) estudaram ambientes
diversificados e encontraram um número significativo dessa família.
A família Carabidae apresentou um AR = 8,53% no sistema orgânico e no
convencional AR=0,41%. Al-Attal et al. (2003), encontraram em área de hortaliças, 36% do
total de insetos identificados como espécimes dessa família, com funções diversificadas no
agroecossistema. De acordo com Cividanes et al. (2003), os espécimes da família Carabidae,
dispersam-se caminhando ou voando, e nesse nicho contribuem para a polinização e
decomposição de matéria particulada. Matta et al. (2017), relatam fatos relacionados com
atividade de predação da família Carabidae em plantas daninhas no cultivo de algodão.
A ordem Hymenoptera, geralmente abundante em ambientes de olerícolas, nas coletas
apresentou uma AR=14,98% no convencional e AR=1,09% no orgânico. Alencar et al. (2007)
e Kamisnki et al. (2009) comentam que essa ordem tem um comportamento diverso no
agroecossistema, quando presentes são associados a interações ecológicas específica como
seres detritívoros, predadores, granívoros e herbívoros.
A família Apidae, obteve um
AR=3,29%, no sistema convencional e AR=0,28% no orgânico, importante por serem
polinizadores das culturas (VIANNA et al., 2007).
Estudos científicos evidenciam uma diminuição na população de abelhas no campo,
pelo fato que os agricultores estão exagerando na aplicação dos defensivos agrícolas sem o
planejamento do manejo integrado de pragas (SIMÕES et al., 2010). Aqui também se aplica
aos produtos naturais, pois são igualmente tóxicos para os insetos.
A ordem Hemiptera com um AR= 19,78% no sistema orgânico e AR= 1,23% no
convencional. A família Cicadelidae obtendo uma maior presença com AR=18,74% no
sistema convencional e no sistema orgânico AR= 0,71%. Trata-se de insetos fitófagos, vetores
de Xylella fastidiosa (Wells et al., 1987) respectivamente.
75
Tabela 5. Abundância relativa – AR (%) de ordens e famílias de insetos com importância
agrícola para proteção de plantas nos cultivos convencional e orgânico de tomate.
Ordem
Família
Presença no
cultivo AR (%)
Conv.
Org.
Importância
agrícola
Chrysomelidae
0,22
1,17
Polinizadores
Carabidae
0,41
8,53
Predadores
Coccinellidae
0,22
0,28
Elateridae
3,54
0,03
Nitidulidae
2,81
0,00
Scarabaidae
5,66
32,05
Polinizadores
Curculionidae
Staphylinidae
0,89
0,20
0,18
3,39
Agromyzidae
24,92
3,91
Asilidae
1,79
1,39
Fitófagos
Predadores
Predadores,
Minadores.
Predadores
Calliphoridae
3,11
2,56
Polinizadores
Muscidae
6,45
6,55
Polinizadores
Stratiomyidae
0,17
8,82
Polinizadores
Syrphidae
0,23
0,83
Polinizadores,
Predadores
Tabanidae
1,78
16,13
Parasitas ou
Predadores.
Cicadelidae
18,74
0,71
Fitofagos
Miridae
Reduviidae
Nymphalidae
0,26
0,78
0,33
0,37
0,15
0,00
Predadores
Predadores
Polinizadores
Notodontidae
0,00
0,73
Polinizadores
Apidae
3,29
0,28
Polinizadores
Formicidae
7,95
0,63
Predadores,
Decompositores
Pompilidae
0,82
0,07
Scoliidae
0,56
0,00
Vespidae
2,36
0,11
Coleoptera
Predadores,
Polinizadores
Predadores,
Polinizadores
Predadores,
Polinizadores
Diptera
Hemiptera
Lepidoptera
Hymenoptera
Fonte: dados da pesquisa.
Predadores
Predadores ou
parasitas
Predadores,
Polinizadores
Trabalhos que referenciam
(SANTOS, 2009);
(TRIPLEHON;JOHNSON,
2005), (SILVA e CARVALHO,
2015)
(PARRA et al., 2002).
(CÁRCAMO et al., 2009)
(PARRA et al., 2002).
(SUSEK.; IVANCIC, 2006)
FERNANDES et al., 2012);
(LIMA, 2002)
(TRIPLEHON;JOHNSON,
2005)
(BUSTILLO et al., 2002)
(CUNHA et al., 2014)
(CUNHA et al., 2014)
(PARRA et al., 2002).
(GULLAN; CRANSTON,
2008); (AZEVEDO et al., 2015)
(TRIPLEHON;JOHNSON,
2005; 2011)
(MALERBO-SOUZA;
HALAK, 2009)
(MALERBO-SOUZA;
HALAK, 2009); (PARRA et al.,
2002).
(CUNHA et al., 2014)
(CUNHA et al., 2014), (SILVA
e CARVALHO, 2015)
CUNHA et al., 2014
(PARRA et al., 2002).
NOUBISSIÉ et al. (2012),
(GULLAN; CRANSTON,
2008).
(SANTOS, 2009), (SILVA e
CARVALHO, 2015)
(RAMALHO, 2004)
(PARRA et al., 2002).
(BUSTILLO et al., 2002),
(SILVA e CARVALHO, 2015)
(CUNHA et al., 2014)
(CUNHA et al., 2014)
(PARRA et al., 2002).
76
A tabela 6 mostra a média das ordens de insetos coletados nas armadilhas coloridas,
sendo as cores amarela, azul, branca, verde, vermelha e incolor as que atraíram sete ordens de
insetos, dentre aquelas de interesse agrícola. Destaque para a cor vermelha com as ordens
Coleoptera e Diptera, úteis na polinização das plantas nos dois sistemas de cultivo de tomate,
os insetos tiveram como indicador gráfico de vôo, as cores das armadilhas em que ficaram
apreendidos na cola entomológica e facilitou as coletas.
Paz e Pigozzo (2012) pesquisaram em áreas de manguezal, mata atlântica e restinga,
utilizando armadilhas com água colorida e as cores mais atrativas aos insetos foram verde,
branca e azul, a mata atlântica foi o ambiente que apresentou maior abundância de indivíduos
e ordens de insetos, por ser um bioma com uma diversidade de plantas maior que as outras
áreas. As cores das flores ou plantas servem como atração aos insetos, pois suas visitas tem
um propósito para alimentação, oviposição e de forma indireta a polinização, também são
predadores e parasitoides (SKORUPSKI; CHITTKA, 2010; WANGA et al., 2013).
Conforme Vasconcellos et al. (2010), a sazonalidade na região da caatinga, favorece a
presença das ordens encontradas. Foram encontrados 20 ordens pertencentes à classe Insecta,
dentre essas, sete ordens estão de acordo este trabalho: Blattodea, Coleoptera, Diptera,
Hemiptera, Hymenoptera, Lepidoptera, e Thysanoptera. A ordem Hymenoptera com uma
média entre 10,0 a 129,0 indivíduos, estes em boa parte representados por insetos sociais,
corroborando com estudos como os realizados por (DUTRA e MACHADO, 2001; SANTOS
e NASCIMENTO, 2011; SOUZA, 2011; ROCHA et al., 2010).
A armadilha de cor vermelha no sistema orgânico foi superior às demais, atraindo um
maior número de insetos da ordem Coleoptera. Levanta-se a hipótese que estes insetos têm
atração por essa cor, uma vez que nesse espectro visível da luz branca, as ondas
eletromagnéticas possuem comprimento de onda ≥ 700 nm. Gomide et al. (2014) ressaltam
que o coleóptero Tenebrio molitor (L., 1758) foi testado em algumas hipóteses e preferiu nos
bioensaios movimentos em direção à luz vermelha. No sistema convencional a cor amarela
foi a que atraiu mais insetos (Tabela 6).
77
Tabela 6. Média de ordens de insetos nos dois sistemas de cultivo coletadas nas armadilhas
PET coloridas pelo teste Skott-Nott a 5% de probalibilidade.
ORDEM
Blattodea
Coleoptera
Diptera
Hemiptera
Hymenoptera
Lepidoptera
Thysanoptera
Sistemas
Amarela
Azul
Branca
Verde
Vermelha
Incolor
Orgânico
1,00C
1,00C
1,00C
1,33B
2,67A
1,33B
Convencional
1,33B
1,00C
1,00C
2,66B
4,00A
1,00C
963,00C 2085,33B 689,66C 430,66D
4346,00A
762,66C
68,00B
85,33A
72,66B
64,00B
396,33D 1265,00B 704,33C 417,66D
1536,00A
525,33D
96,66D
90,66D
97,33D
1597,33A 824,00B 304,00D 260,00D
174,66D
500,00C
Convencional
57,33B
12,00D
29,33C
4,00D
98,66A
22,66C
Orgânico
42,66C
77,33A
62,66B
17,33D
33,33C
10,66D
Convencional 129,33A
78,66B
89,33B
68,00B
88,00B
89,33B
Orgânico
Convencional
Orgânico
Convencional 186,66C
Orgânico
96,00A
48,00C
668,00B 780,66A
Orgânico
30,66B
16,00C
6,66C
9,33C
66,66A
13,33C
Convencional
9,33B
6,66B
1,00C
1,00C
46,66A
1,00C
Orgânico
1,00B
1,33B
1,00B
1,00B
80,00A
1,00B
Convencional 10,66D
93,33B 129,33A 14,66D
56,00C
14,66D
Médias não seguidas pela mesma letra diferem significativamente na linha pelo teste de Scott-Knott a 5% de
probabilidade. Fonte: dados da pesquisa.
4 CONCLUSÕES
Com os números e índices obtidos nas informações reveladas neste estudo a aplicação
das armadilhas nos dois cultivos torna-se uma estratégia eficiente para conhecer a diversidade
existente nos ambientes agrícolas auxiliando no planejamento do manejo integrado de pragas.
As armadilhas coloridas de garrafas PET auxiliaram na estratégia de atrair os insetos e
contribuiram para a elaboração dos índices de diversidade, maior na diversidade de ordem e
família de insetos no cultivo convencional em comparação com o cultivo orgânico. Pode-se
inferir que os insetos no manejo convencional estão em adaptação e resistência aos
inseticidas.
Os insetos polinizadores, predadores, parasitoides e decompositores, representados
pelas famílias e ordens, são atraídos pelas cores para os dois ambientes com diferentes
manejos, estabelecendo adaptações diversas e auxiliando na proteção de plantas.
78
5 REFERÊNCIAS
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CAPÍTULO 3
ANALISE DE TRILHA PARA AVALIAÇÃO DAS VARIÁVEIS CLIMÁTICAS
SOBRE AS FASES DE DESENVOLVIMENTO DA TRAÇA DO TOMATEIRO Tuta
absoluta (Meyrick, 1917) (Lepidoptera: Gelechiidae) EM CULTIVOS DE TOMATE
(Solanum lycopersicum L.)
RESUMO
Este trabalho teve por objetivo avaliar as influências das variáveis climáticas sobre a dinâmica
populacional da traça do tomateiro Tuta absoluta Meyrick, 1917 (Lepidoptera: Gelechiidae),
através de correlações e análise de trilha, desdobrando os coeficientes em seus efeitos diretos
e indiretos, e como cada variável explicativa exerce sobre a variável principal em cultivos
orgânico e convencional de tomate (Solanum lycopersicum L.; Solanaceae). O estudo foi
realizado com a aplicação do feromônio IscalureTuta® e amostragens das fases do inseto em
duas áreas de interesse agrícola com o cultivo de tomate na região Agreste de Alagoas,
Nordeste do Brasil, com coordenadas geográficas Latitude 09º 81´76´´e Longitude 36º
59´42´´, em quatro safras durante os anos agrícolas de 2015-2017. Para o monitoramento de
adultos, utilizou-se duas áreas experimentais, foram instaladas nos vértices opostos duas
armadilhas do tipo Delta com septo de látex impregnado com feromônio sexual
ISCAlureTUTA®. O feromônio tem como componente principal (Acetatos de (E,Z,Z) - 3,8,11
-Tetradecadienila (1,4g/kg), disponibilizados em septos de borracha látex (borracha natural)
(998,6 g/kg). O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com dois
tratamentos (armadilhas Delta) com 60 repetições. Na análise de trilha as variáveis principais:
adultos, ovos, lagartas e minas e as variáveis; precipitação, umidade relativa, temperatura,
velocidade do vento e radiação solar, como variáveis explicativas e correlacionadas. Antes da
análise de trilha foi realizado o diagnóstico de multicolinearidade, para identificar se as
correlações entre as variáveis explicativas iriam afetar o resultado da análise de trilha, o que
não ocorreu neste trabalho. Nas áreas experimentais, ao longo da pesquisa, a população do
inseto adulto acumulou um total de 6.623 insetos no sistema convencional, 2.270 insetos no
sistema orgânico, revelando que o inseto tem presença endêmica na região Agreste de
Alagoas. Na análise de trilha foi constatado que a pluviosidade, a umidade relativa e a
radiação, foram as variáveis de maior influência sobre a dinâmica populacional com efeito
direto no sistema orgânico com os coeficientes de correlação r = 0.83, r = 0,52 e r = 0.45
respectivamente, as variáveis; vento r= -0,43 e a temperatura r= -0,19. No sistema
convencional r= 0,80, r= 0,43 e r=0,41, com as mesmas variáveis. A variável da velocidade
do vento teve efeito negativo de r = -0.38, bem como a temperatura teve um efeito negativo
de r= -0.13. Foi concluído que se faz necessário realizar a análise de trilha para saber a
influência das variáveis Climáticas sobre os adultos coletados de Tuta absoluta, e que
estimativas da dinâmica populacional serão mais significativos quando são considerados a
correlação com as variáveis climáticas. Observou-se que as condições climáticas são variáveis
condicionantes para o desenvolvimento do inseto-praga na lavoura do tomate na região da
pesquisa.
Palavras-chave: Manejo integrado de pragas. Olericultura. Ecótono. Análise de trilha.
86
ABSTRACT
The objective of this work was to evaluate the influence of climatological variables on the
population dynamics of the Tuta absoluta Meyrick, 1917 tomato, through correlations and
track analysis, unfolding the coefficients in their direct and indirect effects, and how each
explanatory variable exerts on the main variable in organic and conventional tomato crops
(Solanum lycopersicum L., Solanaceae). The study was carried out with the application of the
IscalureTuta® pheromone and insect phase’s samplings in two areas of agricultural interest
with tomato cultivation in the Agreste region of Alagoas, Northeast of Brazil, with
geographical coordinates Latitude 09º 81'76''e Longitude 36 ° 59'42'', in four harvests during
the agricultural years of 2015-2017. For adult monitoring, two experimental areas were used;
two Delta-type traps with latex septum impregnated with ISCAlureTUTA® sex pheromone
were installed at the opposite vertices. The pheromone has the main component (Acetates of
(E, Z, Z) - 3,8,11-Tetradecadienila (1.4 g / kg), available in septa of latex rubber (natural
rubber) (998.6 g / kg) The experimental design was completely randomized with two
treatments (Delta traps) with 60 repetitions. In the trail analysis the main variables: adults,
eggs, caterpillars and mines and variables: precipitation, relative humidity, temperature, wind
speed and solar radiation , in order to identify if correlations between the explanatory
variables would affect the result of the track analysis, which did not occur in this work. This
research, the adult insect population accumulated a total of 6,623 insects in the conventional
system, 2,270 insects in the organic system, revealing that the insect has endemic presence in
this region. The correlation coefficients r = 0.83, r = 0.52 and r = 0.52, and r = 0.52,
respectively, were correlated with the correlation coefficients, 0.45 respectively, the variables;
wind r = -0.43 and the temperature r = -0.19. In the conventional system r = 0.80, r = 0.43 and
r = 0.41, with the same variables. The wind speed variable had a negative effect of r = -0.38,
as well as the temperature had a negative effect of r = -0.13. It was concluded that it is
necessary to perform the trail analysis to know the influence of the climatological variables on
the adults collected from Tuta absoluta, and that estimates of the population dynamics will be
more significant when considering the correlation with climatic variables. It was observed that
the climatic conditions are variables conditioning for the development of the insect-plague in
the tomato crop in the region of the research.
Keywords: Integrated management. Chemical ecology. Moth of the tomato. Agroecosystem.
87
1 INTRODUÇÃO
Em um sistema de cultivo que está sujeito ao ataque de insetos, se faz necessário a
implantação de um programa de manejo de pragas, que requer um monitoramento dos insetospraga, dos predadores, parasitoides, inimigos naturais e polinizadores que ocorrem nos
agroecossistemas, para a tomada de decisão quanto ao controle e manejo adequado (HAJI et
al., 2002).
O cultivo do tomateiro (Solanum lycopersicum L.; Solanaceae), citado em vários
trabalhos como os de Peralta et al. (2005); Souza e Lorenzi, (2008); tem abrangência em
grandes áreas tanto para consumo in natura como para o processamento na indústria. Ao
redor do mundo não existe outra hortaliça de tão relevada importância econômica e
versatilidade na utilização como alimento, bem como, aceito por consumidores das diversas
camadas sociais (FILGUEIRA, 2003).
No tomateiro (S. lycopersicum), uma das pragas que se tornam um problema crucial
para o agricultor é a traça-do-tomateiro, de acordo com Gravena e Benvenga (2003), os picos
da flutuação populacional ocorrem em secas prolongadas e no inverno, sendo que em
períodos chuvosos, a densidade populacional decresce, e isto aumenta se a cultura for irrigada
com pivô central.
Nas lavouras a traça-do-tomateiro ocorre durante todo o período do ciclo da cultura,
que depende da cultivar plantada, durando em média 110 dias. Santos et al. (2008) afirmam
que a aplicação de produtos químicos no manejo integrado de pragas, pode tornar populações
resistentes em áreas de cultivo prolongado. A decisão das aplicações e as misturas de
inseticidas na cultura do tomate são planejadas em função do estágio fenológico e condições
climáticas favoráveis ao ataque das pragas (GRAVENA e BENVENGA, 2003).
Técnicas de monitoramento de insetos na cultura do tomate já estão consolidadas no
Brasil e o uso de feromônio sintético, seja para a coleta massal, ou para a tomada de decisão
quanto ao manejo integrado de pragas. A amostragem da traça-do-tomateiro em plantas é o
principal item que define o rendimento do inspetor de pragas em campo com novas
tecnologias e estratégias como a utilização de armadilhas contendo o feromônio sintético
(BENTO, 2000).
O controle de Tuta absoluta (Meyrick, 1917) (Lepidoptera:Gelechiidae) é realizado
pelos agricultores através de produtos químicos, caracterizado por aplicações sucessivas de
inseticidas. Entretanto, o uso de estratégias baseadas em feromônio é reconhecido como uma
técnica de controle importante para T. absoluta (COCCO et al., 2013; MEGIDO et al., 2013).
88
Grandes avanços foram feitos no campo de semioquímicos para lidar com T. absoluta,
especialmente feromônios sexuais que são atrativos importantes (Desneux et al., 2010). A
biologia reprodutiva de T. absoluta suporta o uso potencial de aniquilação masculina como
um método de controle eficaz para a reprodução desta praga, uma vez que os machos
emergem antes das fêmeas e as fêmeas acasalam várias vezes (GARZIA et al., 2012).
As correlações simples entre variáveis são o passo inicial, apesar de possuir grande
importância na quantificação da magnitude e direção (correlação negativa ou positiva) das
influências de fatores, não relatam exatamente as relações de causa e efeito entre as variáveis.
Daí a importância do desdobramento dos coeficientes de correlação, nos seus efeitos diretos e
indiretos, por meio da análise de trilha (path analysis) desenvolvida por Wright (1921).
Este método é denominado análise de trilha ou análise de caminhamento. O estudo
apenas das correlações simples entre as variáveis, possibilita a obtenção de uma medida de
associação, sem conclusões sobre causa e efeito, não possibilitando, portanto inferências
sobre o tipo de associação existente entre as variáveis, sendo necessário seu desdobramento,
feito por meio da análise de trilha (COIMBRA et al., 2005).
Conforme Cruz et al. (2004), o caminho de trilha serve para verificar se os efeitos
diretos ou indiretos das variáveis explicativas (A1, A2, ..., An) sobre a variável principal (B)
devem ou não ser considerados no estudo. Se o coeficiente de trilha de uma determinada
variável explicativa for numericamente menor que o coeficiente da variável residual, significa
que esta variável independente deve explicar mudanças em B apenas indiretamente. Em
outras palavras, esta variável por si só não é capaz de explicar variações em B. Ela pode ser
importante apenas quando analisada em conjunto com outras variáveis. Um coeficiente de
trilha numericamente maior do que o coeficiente da variável residual demonstra que existe
efeito direto da variável explicativa sobre a variável principal.
Não existem informações sobre a flutuação populacional de T. absoluta na região
agreste de Alagoas no cultivo de hortaliças e de tomate (Solanum lycopersicum L.) com o uso
de feromônio influenciado por parâmetros climáticos e amostragens das fases do inseto.
O objetivo deste trabalho foi realizar a análise de trilha dos elementos climáticos
identificando seus efeitos diretos e indiretos sobre a dinâmica populacional da T. absoluta em
sistemas de cultivo de tomate na região agreste de Alagoas para a tomada de decisão do
manejo integrado de pragas.
89
2 MATERIAL E MÉTODOS
2.1 Área da pesquisa
O estudo foi realizado em duas áreas de cultivo de tomate, na região agreste de
Alagoas, Nordeste do Brasil, com coordenadas geográficas Latitude 09º 81´76´´e Longitude
36º 59´42´´. Nas áreas agrícolas prevalecem o solo latossolo vermelho amarelo eutrófico
(EMBRAPA, 2009), o clima conforme a classificação de Köppen tipo As’, ou seja, tropical e
quente, com médias de temperaturas com mínimas de 23°C e máxima de 32°C e precipitação
pluviométrica de outono/inverno, entre 500 mm a 1.000 mm. Os dados climáticos foram
coletados da estação automática no banco de dados do Instituto Nacional de Meteorologia
(INMET) e divulgado pela Secretaria de Recursos Hídricos de Alagoas - SEMARH
(ALAGOAS, 2017).
Foi considerado dois sistemas de cultivo o convencional e orgânico com fileiras
simples e separados por um metro e meio, com tamanho de aproximadamente 25 metros de
comprimento, sendo divididas em áreas experimentais retangulares, equivalendo a uma área
de 1,5 ha sendo quatro safras durante os anos agrícolas de 2015-2017 (Figura 11 A e B).
Figura 11. Cultivos de tomate sistema convencional e orgânico na região agreste de Alagoas.
Brasil. (período da pesquisa 2015-2017).
Fonte: Foto do autor. (2015-2017).
90
2.2 Monitoramento dos adultos de T. absoluta nas armadilhas Delta® eo feromônio
ISCAlureTuta®
Para o monitoramento de adultos, nas duas áreas experimentais, foram instaladas nos
vértices opostos duas armadilhas do tipo Delta® com septo de látex impregnado com
feromônio sexual ISCAlureTUTA®, com uma estrutura suporte de arame no sentido
longitudinal para a colocação do feromônio. O feromônio tem como componente principal
(Acetatos de (E,Z,Z) - 3,8,11 -Tetradecadienila (1,4g/kg), disponibilizados em septos de
borracha látex (boorracha natural - 998,6 g/kg), mesmo componente utilizado por Roda et al.
(2015) em cultivos no Panamá e na Florida.
O ISCAlureTuta® é um atrativo específico e seletivo para a mariposa macho da Traça
do Tomate (Tuta absoluta). Quando usado com armadilhas Delta Plástica identifica a
presença da praga além de auxiliar na tomada de decisão de controle com dados precisos de
flutuação populacional do inseto. Por capturar um número grande de traças pode ser usado
para captura massiva exercendo efetivo controle (Figura 12 A e B).
Os Iscalures são evaporadores de feromônio, impregnados em septos de borracha. A
liberação é controlada e constante, similar a do inseto alvo. Muito utilizado em sistemas de
identificação de presença, flutuação populacional e captura massiva. A ação do feromônio
atrai o macho para dentro da armadilha Delta onde ficam grudados num refil de papel (ISCA
TECNOLOGIAS, 2017).
Figura 12. Armadilhas (Delta®) com o septo de borracha do feromônio IscalureTuta®.
Fonte: Foto do autor (2015-2017).
A coleta dos insetos para o registro do monitoramento feito a cada sete dias, no total
de sessenta coletas/ano. O período da pesquisa foi de setembro de 2015 a fevereiro de 2017.
91
Para a análise dos dados da flutuação populacional do inseto alvo e suas fases de
desenvolvimento, foram considerados os parâmetros climáticos da região agreste, como
pluviosidade, umidade relativa, temperatura, velocidade do vento e radiação.
Os septos de borracha com o feromônio foram substituídos a cada trinta dias e os
fundos (assoalho) da armadilha Delta trocados conforme a cola ficava sem apreender os
insetos após a instalação das armadilhas. Os insetos capturados nas armadilhas foram
contados e retirados com o auxílio de uma pinça em intervalos a cada sete dias, sendo
acondicionados em potes com álcool a 70%. Identificado conforme chave pictórica de
identificação da família. Os insetos foram reconhecidos através de chave de identificação
(RAFAEL et al., 2012).
2.3 Delineamento experimental
O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com duas áreas (armadilhas
Delta + Septo com o feromônio) com 60 repetições. As armadilhas Delta foram fixadas em
haste de bambu de modo a manter a altura cerca de vinte centímetros acima das plantas, de
acordo com o estágio fenológico, as armadilhas foram movidas verticalmente. A análise dos
dados foram realizadas através do Software GENES (CRUZ, 2006).
Os dados de captura dos adultos nas armadilhas Delta com Feromônio IscaluteTuta®,
juntamente com o número médio de ovos, lagartas e minas encontrados na planta
correlacionadas com as variáveis climáticas: pluviosidade, umidade relativa, temperatura,
ventos e radiação, foram interpretados por meio de matriz de correlação de Pearson e os
efeitos diretos e indiretos através da análise de trilha.
Na análise de trilha foi considerado as variáveis principais: adultos, ovos, lagartas e
minas. E as variáveis; precipitação, umidade relativa, temperatura, velocidade do vento e
radiação solar, como variáveis explicativas e correlacionadas. Antes da análise de trilha foi
realizado o diagnóstico de multicolinearidade, para identificar se as correlações entre as
variáveis explicativas iriam afetar o resultado da análise de trilha sendo tomadas medidas para
atenuar esse problema.
Os procedimentos nessa etapa de obter as matrizes de correlação, e realização do
diagnostico de multicolinearidade e análise de trilha foram realizados por meio de planilhas
do Excel e do software GENES (CRUZ, 2006).
92
2.4 Monitoramento das fases do inseto no tomateiro
Nas duas áreas agrícolas o monitoramento das fases do inseto na planta, foi feita a
cada quinze dias a partir dos 45 até os 150 DAE (dias após a emergência), conforme (Figuras
13 A e B). Cinco plantas escolhidas de forma aleatória em caminhamento em zigue-zague nas
fileiras do tomateiro com área de 40 x 50 m, foram utilizados quatro procedimentos para
amostragem de T. absoluta: 3 folhas do terço apical (ovos, lagartas e minas), 3 folhas do terço
médio (ovos, lagartas e minas) e uma planta inteira (ovos, lagartas e minas), 05 frutos
coletados por planta na parte superior para verificar a presença de ovos, injúrias ou minas. O
delineamento experimental inteiramente casualizado com dois tratamentos (convencional e
orgânico) e dez repetições (coletas). Levados para o laboratório e observados em lupas
estereoscópicas com aumento de 80 X, esta metodologia foi adaptada de Gomide et al. (2001).
Figura 13. Ovos, lagartas e minas nas folhas do tomateiro no procedimento de amostragem
das fases da traça do tomateiro (Tuta absoluta) coletados no campo. Agreste de Alagoas.
Brasil. (2015-2017).
Fonte: Foto do autor. (2015-2017).
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 Avaliação das fases da Tuta absoluta no tomateiro
O monitoramento revelou a presença do inseto em suas fases de ovos e lagarta e os
danos provocados nas plantas através das minas, em todo o ciclo da cultura (45 DAE aos 150
DAE), a Tuta absoluta tem um ciclo de vida de 36 a 38 dias, assim pode ter três gerações no
93
ciclo da cultura (Guedes e Picanço, 2012). As partes monitoradas da planta foram: terço
apical, terço médio e planta inteira, e nos frutos com 2-3 cm de diâmetro (Figuras 14 A, B, C,
D e E). No ponteiro, no terço médio, são as partes do tomateiro onde ocorrem a maior
incidência de oviposição e danos. A traça do tomateiro tem preferência de habitat e nicho na
planta nestas áreas. As lagartas de primeiro instar invadem essas regiões da planta
(OEPP/EPPO, 2005; GUENAOUI, 2008).
A fase importante que requer a atenção do agricultor para a tomada de decisão quanto
ao controle, é a oviposição. Segundo Gomide et al. (2001), o método de amostragem que
monitora a presença de ovos na planta apresenta vantagens sobre os outros métodos. Os ovos
são o primeiro indício da presença da praga na planta e, portanto, monitorá-los significa tomar
a iniciativa do controle.
As folhas dos tomateiros são os locais que o inseto tem os primeiros estágios de vida,
nas folhas minados e frutos broqueados de tomate, as lagartas de T. absoluta se desenvolvem.
A avaliação mais confiável, para o monitoramento dos níveis populacionais, deve ser feita nos
folhas (EPPO/IOBC/FAO/NEPPO, 2011).
Picanço et al. (2007), afirmam que as lagartas de primeiros instares de T. absoluta
causam perda de até 100% atacando o tomate nas folhas, flores, caules e especialmente frutos.
Na folha as larvas se alimentam no mesófilo, deixando a epiderme intacta. As minas da folha
parecem um remendo irregular com extensões semelhantes a dedos, facilmente diferençável
das minas feitas por Liriomyza trifolii (Burgess, 1880) (Diptera:Agromyzidae). As larvas
podem fazer várias minas na mesma folha ou para penetrar em outras folhas, incluindo o
caule (ESTAY E BRUNA, 2002).
Figura 14. Ovos, lagartas e minas nas folhas dos tomateiros da Tuta absoluta.
Fonte: Foto do autor (2015-2017).
94
Os resultados da média de ovos, lagartas e minas monitoradas nos dois cultivos, foram
significativamente diferentes pelo Teste de Tukey a 5% de probabilidade (Tabela 7). No
sistema convencional as médias foram maiores do que no sistema orgânico. Em cultivos de
solanáceas na região da Sardenha, na Itália, com o clima mediterrâneo, foram encontradas 2,7
minas/folhas e no fruto 11,3% de minas (DELRIO et al., 2012).
Tabela 7. Média das variáveis monitoradas e analisadas nos tomateiros (Solanum
lycopersicum) (2015-2017).
Folhas do
Folhas do terço
Planta
Frutos (ovos)
Variáveis
ponteiro (apical)
médio
inteira
com 2 cm
pesquisadas
Org
Conv
Org
Conv
Org
Conv
Org Conv
Ovos
Minas
(injurias)
Lagartas
32a
66a
80a
91a
30b
78a
18a
30a
23b
42b
54b
78a
66a
48b
17a
12b
19b
35b
41b
36b
54a
43b
7b
18b
Legenda: Orgânico (Org), Convencional (Conv.). Médias não seguidas pela mesma letra diferem
significativamente na coluna pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Fonte: dados da pesquisa.
Cocco et al. (2015) relatam que na região do Mediterrâneo; na Europa, relata uma
alta infestação de pragas nas folhas de tomate (3.8 minas / folhas) e frutos (27% de frutos
danificados). Ovos, larvas e adultos foram detectados ao longo de dois invernos
consecutivos, indicando que T. absoluta pode desenvolver-se continuamente ao longo do
ano em condições naturais.
Garzia et al. (2012) relatam que a T. absoluta pode ser verificada nas plantas
durante todo o ciclo de desenvolvimento, no período de frutificação, a infestação é mais
presente devido à menor eficácia de controle sobre as lagartas no interior dos frutos e
coincidir o período da colheita, quando diminui a aplicação de inseticidas.
As lagartas constatadas nas folhas do tomateiro, quando vistas durante a inspeção
nesta pesquisa, se deve ao fato de que estavam mudando de minas na folha, levantou-se a
hipótese que a temperatura pode influenciar neste comportamento, uma vez que o horário
escolhido para este monitoramento foi o vespertino a partir das 15 horas.
Benvenga et al. (2007) abordaram uma correlação significativa entre o número de
capturas nas armadilhas e o aumento do ataque de T. absoluta em tomate cultivado em
ambiente protegido. Cabello et al. (2010) concluíram para a necessidade de monitorar de
forma regular as plantas para detectar a presença de lagartas, já que nem sempre a presença e
número destas está correlacionada com o número de adultos capturados nas armadilhas.
95
Como Torres et al. (2001), também relatam que este comportamento da traça do
tomateiro pode estar relacionado ao aumento de temperatura no interior da mina exposta
ao sol, outra hipótese é o acúmulo de excrementos dentro da mina que acabam por
depreciar o mesófilo da folha fonte do seu alimento.
Os resultados revelaram que a ocorrência da traça do tomateiro na planta não atingiu o
nível de ação que é 25 lagartas por planta (GRAVENA e BENVENGA, 2003; CELI et al.,
2010). A flutuação populacional de Tuta absoluta ao longo da pesquisa (2015-2017) variou
entre 5 a 15 insetos por dia encontrado na armadilha. Pode-se atribuir este fato ao manejo pelo
produtor na aplicação de produtos químicos no sistema convencional e no sistema orgânico,
com a aplicação de produtos naturais, bem como ao plantio de outras culturas na área no final
da colheita. BACCI (2006) afirma que em regiões onde é adotada a prática da rotação de
culturas, a sazonalidade influencia na presença de insetos-praga.
A traça do tomateiro se manteve ao longo do ciclo da cultura desde os primeiros dias
da emergência até o final do ciclo. Esta hipótese pode ser comprovada in loco nos restos
culturais da safra, quando uma fração da população consegue se manter no campo ou em
novas plantas de tomate que germinam a partir de sementes de frutos caídos, corroborando a
hipótese que melhor explica o aparecimento de T. absoluta (INCAPER, 2010).
3.2 Avaliação do monitoramento dos adultos de Tuta absoluta na armadilha Delta com o
feromônio ISCAlureTuta®
No monitoramento do inseto com o uso do ferômonio nas áreas agrícolas, a população
de machos acumulou um total de 6.623 insetos no sistema convencional, 2.270 insetos no
sistema orgânico, revelando que o inseto tem presença endêmica na região agreste de
Alagoas.
A flutuação populacional da traça do tomateiro na região agreste de Alagoas nos
meses mais frios, foi maior do que a ocorrência no período mais quente, com média de 415 no
período do inverno (Figura 15). Bacci (2006) registrou alguns picos da praga nos meses de
inverno, em Minas Gerais, uma vez que na cultura do tomateiro está disponível durante todo o
ano. A adoção da prática do monitoramento das populações dos insetos-praga ao longo do
ciclo da cultura é fundamental para auxiliar na tomada de decisão do controle, reduzindo o
uso de inseticidas (SANTOS, 2007; MARSARO JÚNIOR et al., 2010).
96
Figura 15. Flutuação populacional da Tuta absoluta com a armadilha Delta com feromônio
IscalureTuta® na região agreste de Alagoas e o monitoramento das variáveis climáticas
(set/2015-fev/2017).
Fonte: Dados da Pesquisa.
Al-Zaidi (2010) utilizou o efeito combinado de feromônio e de luz em armadilhas de
captura em massa, obtendo resultados significativos, sendo uma estratégia importante para
recomendações de adoção do manejo integrado de pragas que diminuirão o número de
indiviudos na população desse inseto em culturas de tomate ou de solanáceas.
Os dados coletados dos adultos nas armadilhas revelam que a flutuação populacional
da traça do tomateiro (T. absoluta) na região agreste se apresenta como um caso atípico,
quanto ao aumento da densidade demográfica da espécie nos cultivos regulada pelas
condições climáticas. Santos et al. (2008), concluíram em seu trabalho que ao final do ciclo
da cultura ocorre maior captura de adultos nas armadilhas devido às condições climáticas
favoráveis ao inseto e à diminuição das aplicações de inseticidas.
Em contrapartida Cocco et al. (2015), aplicando condições semelhantes com uso de
feromônio, apresentaram resultados em que as capturas dos machos e a infestação foliar
foram baixas no inverno e aumentaram de forma constante na primavera, até 797,3
machos/armadilha/semana e 6,4 minas/folhas, respectivamente. Em condições de campo
97
aberto, os machos foram capturados durante todo o ano com um pico no início de
setembro, simultaneamente com as temperaturas diárias médias mais altas.
Esse trabalho apresentou picos populacionais de T. absoluta nos meses do inverno.
Para ressaltar os aspectos climáticos Alvarenga (2004) relatou que se a produção de tomate
for em ambiente protegido, a baixa umidade relativa do ar e a ocorrência de altas temperaturas
provocam aumento da taxa de transpiração até o fechamento de estômatos, redução da taxa de
polinização, abortamento de flores e, conseqüentemente, menor produção, mas não é o caso
dos resultados desse trabalho.
Apesar dos dados não impactarem diretamente nos insetos, a presença do vento está
dentre os mecanismos utilizados pelas plantas para atração de potenciais insetos
polinizadores, sendo o estímulo olfativo um dos primordiais (Vainstein et al., 2001). Outros
fatores abióticos influenciaram nas taxas de visitas, pois a combinação de altos valores de
luminosidade e temperatura favorece as visitas. Barbosa et al. (2016), afirmam que também a
umidade relativa do ar e baixas temperaturas, vento e baixa insolação influenciam certos
insetos como os da família Apidae.
Gravena e Benvenga (2003), afirmam que os picos da flutuação populacional ocorrem
em secas prolongadas e no inverno, sendo que em períodos chuvosos, a densidade
populacional decresce. Na região agreste de Alagoas, os picos populacionais, foram
observados nos períodos (maio a setembro) nos dois cultivos de tomate e na área do pousio,
onde a umidade relativa (UR) apresentou uma média de 85% e a temperatura (T) uma média
de 28 ºC apresentando um fotoperíodo diário de 12 horas. A troca do septo de borracha do
feromônio se deu a cada 30 dias e a contagem dos adultos capturados na armadilha a cada sete
dias.
Tonnang et al. (2015) apresentaram resultados que a temperatura e a umidade
caracterizaram o crescimento da população de T. absoluta, enquanto a habilidade da praga
para sobreviver às condições de estresse frio, quente, úmido e seco são as principais
características que definem suas formas de adaptação. A biologia e ecologia da praga são
objetos de estudo em todo o mundo, especialmente na Europa e na África, para estimar sua
adaptação climática e propagação potencial em escala regional e global.
3.3 Análise da Correlação das variáveis estudadas
98
Os dados dos coeficientes de correlação simples de Pearson (Tabelas 8 e 9)
consideram que os coeficientes de correlação elevados entre as variáveis independentes
diferentes de zero, são estatisticamente significativos.
Na Tabela 8 os resultados da matriz de correlação simples (r) entre as variáveis
estudadas apontam para os coeficientes (r) com maior significância entre as variáveis bióticas
e correlacionadas, observadas nas fases de desenvolvimento do inseto, tendo como principal
variável o adulto (r = 0,78). Nas variáveis climáticas (abióticas) os coeficientes revelaram
valores de correlação positiva, com a principal; precipitação (r = 0,80), umidade relativa (r =
0,43) e radiação (r= 0,41) e duas variáveis com correlação negativa (temperatura r = -0,13;
ventos r = -0,38), provocando efeito inverso da variável principal. A extração da matriz de
correlação possibilita a escolha das variáveis mais significativas, as quais têm um papel
destacado na interpretação da proposta de estudo. Bevenga et al. (2007) em trabalhos
similar, concluíram uma correlação positiva entre o número de insetos e a produtividade.
Bacci (2006) também observou este efeito das correlações entre as variáveis climáticas;
precipitação (r = 0,63), vento (r=0,48), temperatura (r=0,15), na região de Minas Gerais.
Tabela 8. Coeficientes de correlação simples de Pearson entre as variáveis avaliadas no
levantamento populacional da Tuta absoluta na região agreste de Alagoas – cultivo
convencional (período de 2015-2017). Precipitação (Prec.); Umidade relativa (UR);
Temperatura (Temp.); Ventos (Vent.); Radiação (Rad.).
Ovos
Lagartas
Minas
Adultos
Ovos
-
Lagartas
0.95*
-
Minas
0.90*
0.94*
-
Adultos
0.78*
0.74*
0.64*
-
Prec.
0.66*
0.61*
0.52*
0.80*
Prec.
UR
Temp
Vent
-
UR
0.41*
0.42*
0.49*
0.43*
0.45*
-
Temp
-0.13*
-0.15*
-0.20*
-0.13*
-0.04ns
-0.33*
-
-0.19*
ns
-0.38*
-0.25*
-0.39*
0.53*
-
0.52*
ns
0.37*
0.23*
Vent
Rad
-0.16*
0.49*
0.43*
-0.09
0.42*
0.41*
Rad
0.02
-
* significativo ao nível de 5% de probabilidade (p < 0,5). ns não significativo (p >= 0,5), pelo teste t.
Software Action (2014).
Fernandes et al. (2009), em trabalhos com Leucoptera coffeella (Guérin-Mèneville,
1842) (Lepidoptera: Lyonetiidae) em cultivos de café, observou em análise de trilha que as
variáveis ambientais que mais influenciaram a intensidade de ataque desta praga foram a
precipitação pluviométrica (r = 0,69), a temperatura do ar (r = -0,40), a radiação solar (r = 0,44), alguns desses coeficientes são diferentes dos encontrados nesse trabalho.
99
Os coeficientes de correlação foram calculados para cada variável principal em
combinação com as variáveis independentes. Foram interpretados, conforme modelo proposto
por Franzblau (1958) em que: 0–0,19 são nulos ou desprezíveis; 0,2-0,39 são baixas; 0,4-0,59
são moderadas; 0,6-0,79 são acentuadas; e 0,81-1,00 são altas (PEREIRA, 2015).
Estes coeficientes de correlação apesar de grande utilidade na quantificação da
magnitude e direção das influências de fatores na determinação de caracteres complexos, não
dão a exata importância relativa dos efeitos diretos e indiretos destes fatores (CRUZ,
CARNEIRO, 2006).
Quando a variável principal apresenta correlações significativas com outras variáveis,
um procedimento indicado é a utilização da análise de trilha, que indica entre as variáveis
com correlações significativas com a variável básica, aquelas que possuem maiores efeitos
diretos no sentido desejado (JUNIOR et al., 2003).
Na Tabela 9 no sistema orgânico, os resultados da matriz de correlação apontam para
os coeficientes (r), é possível observar que as variáveis independentes de maior correlação
com a dinâmica populacional, representada pela captura dos adultos de T. absoluta, são:
pluviosidade, umidade relativa e a radiação com aproximadamente (r= 0.83, r= 0.52 e r= 0,45)
respectivamente. As variáveis: Temperatura e Velocidade de vento, também apresentaram
uma correlação, embora com o valor de módulo negativo (r= -0,19 e r= -0,43
respectivamente) ou seja, estas variáveis podem exercer efeito indireto sobre a população de
adultos na região do cultivo de tomate no agreste de Alagoas, em direção oposta ao que a
variável principal se comporta.
Tabela 9. Coeficientes de correlação simples de Pearson entre as variáveis avaliadas no
levantamento populacional da Tuta absoluta na região agreste de Alagoas – cultivo orgânico
(período de 2015-2017). Precipitação (Prec.); Umidade relativa (UR); Temperatura (Temp.);
Ventos (Vent.); Radiação (Rad.).
Ovos
Lagartas
Minas
Adultos
Prec
UR
Temp
Vent
Rad
Lagartas
0.49*
Minas
0.44*
0.91*
Adultos
0.32*
-0.04ns
0.05ns
ns
ns
Prec.
0.19*
-0.05
0.09
0.83*
UR
0.40*
0.16*
0.20*
0.52*
0.45*
ns
ns
ns
Temp
0.01
-0.09
-0.24*
-0.19* -0.04
-0.33*
Vent
-0.20*
0.24*
0.19*
-0.43*
-0.25*
-0.39*
0.53*
ns
Rad
-0.02
-0.30*
-0.30*
0.45*
0.52*
0.02*
0.37*
0.23*
**significativo ao nível de 1% de probabilidade (p < 0,1). *significativo ao nível de 5% de
probabilidade (p < 0,5). ns - não significativo (p >= 0,5), pelo teste t. Software Action (2014).
Ovos
100
Os dados nas Tabela 10 e 11 são referentes aos resultados obtidos da análise de trilha,
desdobrando as correlações das variáveis explicativas em seus efeitos diretos e indiretos sobre
a variável principal, o valor do coeficiente de determinação e o efeito da variável residual.
As variáveis dependentes e principais nos dois cultivos: ovos, lagartas, minas e
adultos, são correlacionadas com as variáveis independentes: Precipitação Pluviométrica,
Umidade Relativa, Temperatura média, Velocidade do vento e Radiação, também estão
correlacionadas entre si. Podem explicar através dos coeficientes da análise de trilha e o
residual, os efeitos diretos e indiretos sobre a dinâmica populacional da T. absoluta.
A alta densidade populacional de T. absoluta durante o período do inverno maio a
setembro (meses chuvosos) é atribuído a falta do manejo dos restos culturais adequado e aos
efeitos diretos e indiretos dos elementos climáticos sobre esta praga, observados nos dois
sistemas de cultivo de tomate. A redução da densidade nos meses de novembro a abril
(compreende os meses da estiagem) é atribuído a rotação de cultura e o aumento da
velocidade do vento e da temperatura do ar, bem como a radiação; que podem ser as causas
dos ciclos sazonais de crescimento das populações. O declínio das populações correlacionouse com o efeito negativo direto e indireto da temperatura sobre T. absoluta (BACCI, 2006;
BARBOSA et al., 2016).
Segundo Medeiros (2002), os principais elementos climáticos que proporcionam
energia para evaporação e remoção de vapor de água a partir de superfícies evaporantes, aqui
considerado o agroecossistema são: radiação solar, temperatura do ar, umidade relativa,
velocidade do vento e déficit de pressão de vapor. Desses, a radiação solar é o elemento de
maior importância na demanda evaporativa da atmosfera.
Quando se observa os efeitos diretos e indiretos das variáveis bióticas com via indireta
das condições climáticas, algumas dessas variáveis se correlacionam, a depender do estágio
de desenvolvimento, a saber: ovos x lagartas, minas x lagartas em função do adulto da T.
absoluta coletado nas armadilhas nos dois cultivos. Nas variáveis abióticas com via indireta,
são correlacionadas: temperatura x ventos, umidade relativa x precipitação e a radiação
causando efeito negativo na média de temperatura (GRAVENA E BEVENGA, 2003).
Conforme Nogueira et al. (2012), quando se interpreta correlações, três aspectos são
considerados: a magnitude, a direção e a significância. Estimativa de coeficiente de correlação
positiva indica a tendência de uma variável aumentar quando a outra também aumenta, e
correlações negativas indicam tendência de uma variável aumentar enquanto a outra diminui.
101
Na Tabela 10 os dados dos coeficientes de determinação, revelam os efeitos diretos e
indiretos nas variáveis principais via independentes (elementos climatológicos), e explicam a
dinâmica populacional, a exemplo da variável ovos, que contribuiu com 53% na permanência
dos adultos nos cultivos (R2= 0.53). Na variável lagartas, teve uma participação de 46% neste
incremento dos adultos (R2=0,46). Os danos provocados pela ação da T. absoluta nos órgãos
do tomateiro, através das minas, foi de 48% (R2=0,48). Esses elementos climatológicos
influenciaram de forma direta em 68% (R2= 0,68), a precipitação contribui para a presença do
adulto no cultivo convencional. Pode-se levantar também a hipótese da ausência de inimigos
naturais, pela sistemática aplicação de inseticidas.
Tabela 10 – Efeitos diretos e indiretos de variáveis bióticas e abióticas no sistema
convencional sobre o número de adultos de Tuta absoluta.
Item
Efeito Direto sobre número ovos
Precipitação
0.4057
UR
0.1650
Temp.(°C)
-0.2134
Ventos
0.0362
Rad.
0.3519
Efeito indireto via PREC
-
0.1852
-0.0189
-0.1015
0.2139
Efeito indireto via UR
0.0753
-
-0.0546
-0.0656
0.0035
Efeito indireto via TEMP
0.0099
0.0707
-
-0.1133
-0.0792
Efeito indireto via VENT
-0.0090
-0.0144
0.0192
-
0.0086
Efeito indireto via RAD
Correlação de Pearson (r)
Coeficiente de determinação (R2)
Efeito da variável Residual
Efeito Direto sobre número Lagartas
Efeito indireto via PREC
Efeito indireto via UR
Efeito indireto via TEMP
Efeito indireto via VENT
Efeito indireto via RAD
Correlação de Pearson (r)
Coeficiente de determinaçã(R2)
Efeito da variável Residual
Efeito Direto sobre número Minas
Efeito indireto via PREC
Efeito indireto via UR
Efeito indireto via TEMP
Efeito indireto via VENT
Efeito indireto via RAD
Correlação de Pearson (r)
Coeficiente de determinação (R2)
Efeito da variável Residual
Efeito Direto sobre número adultos
Efeito indireto via PREC
Efeito indireto via UR
Efeito indireto via TEMP
Efeito indireto via VENT
Efeito indireto via RAD
0.1855
0.6674
0.0076
0.4141
0.0838
-0.1604
0.5825
0.3590
0.0885
0.0090
-0.0012
0.1635
0.6188
0.1939
0.1639
0.0642
-0.0019
0.0067
0.4268
0.0048
-0.0898
-0.0771
-0.1029
0.0739
-0.1911
0.3102
0.1893
0.0042
-0.0719
0.0011
0.5068
0.1634
0.1678
0.0143
-0.0387
0.2133
0.5201
0.3676
0.0746
0.1017
-0.0615
0.0088
0.4912
0.1548
-0.0408
-0.1462
-0.1629
0.0964
-0.0987
0.4047
0.0862
0.0080
-0.1139
0.0368
0.5182
0.6612
0.0186
0.0006
0.0559
0.0661
0.0409
0.3018
0.0047
0.0889
0.0027
0.1305
-0.1372
0.53
0,67
-0.1939
-0.0167
-0.0642
0.0025
0.1151
-0.1572
0.46
0,72
-0.3069
-0.0076
-0.1218
0.0821
0.1501
-0.2041
0.48
0,71
-0.0143
-0.0309
-0.0135
-0.1187
0.0465
-0.2237
-0.1654
-0.0162
-0.0076
0.0298
0.1254
0.3486
0.0008
-0.0053
-0.0533
-
102
Correlação de Pearson (r)
Coeficiente de determinação (R2)
Efeito da variável Residual
0.8024
0.4390
-0.1309
0.68
0,55
-0.3831
0.4460
**Significativo pelo teste t, a 1% de probabilidade.
Bacci (2006) em seu trabalho, afirma que a dinâmica populacional de T. absoluta
depende dos fatores climáticos de forma direta, os ventos favorecem a dispersão dos adultos,
a chuva, pode promover a mortalidade de ovos e de lagartas, a temperatura afeta o
desenvolvimento e a reprodução do inseto e de forma indireta, afeta os inimigos naturais.
Pode-se inferir que a precipitação na região agreste de Alagoas pode prejudicar no
manejo da T. absoluta, quando se parte da premissa da aplicação de produtos químicos para o
controle da traça nos cultivos de tomate, que podem estar sendo prejudicados pela quantidade
de chuvas, pois a água dilui o produto nos folhas do tomateiro causando a ineficiência do
manejo. Siqueira et al. (2001) abordam a aplicação de produtos sintéticos e a resistência da T.
absoluta em cultivos de tomateiros com esta abordagem da diluição dos produtos pela chuva.
Bacca et al. (2006) ressaltam que em Minas Gerais, a precipitação afeta negativamente
sobre a dinâmica populacional de T. absoluta, pois prejudica o vôo e reduz o encontro de
parceiros, diminuindo a reprodução, porém; essas informações diferem dos dados deste
trabalho. As variações climáticas podem influenciar diretamente ou indiretamente, os insetos
fitófagos, na oviposição, alimentação, crescimento, desenvolvimento, reprodução e migração
(KAMATA, 2000; HOPKINS e MEMMOTT, 2003).
No cultivo convencional o coeficiente residual com um maior valor sobre o efeito
direto, foram as variáveis lagartas (0,72), seguido da variável minas (0,71), como estes
coeficientes foram maiores que o de trilha, os efeitos das variáveis explicativas são indiretos
sobre a principal. A sobrevivência das lagartas se faz através da alimentação no mesófilo dos
folhas ou outras partes do tomateiro, colaborando com a permanência do adulto da T. absoluta
na região do cultivo. Logo, dentro do mesófilo, as lagartas podem não sofrer diretamente as
ações do clima ou de manejo integrado de pragas.
Os dados da Tabela 11 do sistema orgânico apresentam coeficientes diferentes do que
no sistema convencional, embora estejam sob as mesmas condições climáticas. A presença do
adulto da T. absoluta sob às influências das variáveis climáticas, deve-se ao fato de que no
manejo orgânico, com viés agroecológico, existem espécies hospedeiras. A aplicação de
produtos naturais no manejo possibilita um controle que pode estar induzindo a resistência,
isso se comprova pelo coeficiente maior (R2=0,78), os efeitos indiretos das variáveis
climáticas contribuiu em 78% para a presença do inseto no cultivo durante os ciclos da
103
cultura. Bacci (2006), afirma que os elementos climáticos pode influenciar sobre a população
de T. absoluta, pois afeta seus inimigos naturais.
Na variável, ovos; que requer atenção do agricultor para o controle, não apresentou um
percentual muito significativo (R2=0,22), representa 22% no incremento de adultos no sistema
orgânico. Na sequência do desenvolvimento do inseto, as lagartas apresentaram o coeficiente
de (R2=0,35), significando uma contribuição de 35% neste estádio para a fase adulta. Este
cultivo é controlado por produtos naturais.
As minas provocadas pelas lagartas, resultam da alimentação destas, para o seu
desenvolvimento em pupas e consequentemente em adultos. O coeficiente de determinação
(R2=0,48), significando danos para o tomateiro, mas de forma direta um estágio importante da
T. absoluta para a fase seguinte. Gonring (2004), aborda sobre a sequência de eventos da T.
absoluta em tomateiros, a partir da presença do adulto, na oviposição, lagartas, minas e
broqueamento dos frutos.
O maior efeito direto (ED) corroborado pelo coeficiente residual maior que o de trilha
foi sobre o número de ovos (0,88), seguido do ED sobre a variável lagartas (0,80). Essas
variáveis são responsáveis pela endemismo do adulto de T. absoluta no cultivo de tomate na
região Agreste de Alagoas.
Tabela 11 – Efeitos diretos e indiretos de variáveis bióticas e abióticas no sistema orgânico
sobre o número de adultos de Tuta absoluta.
Item
Efeito Direto sobre número ovos
Precipitação
0.0399
UR
0.4295
Temp.(°C)
0.2815
Ventos
-0.1442
Rad.
-0.1211
Efeito indireto via PREC
-
0.0182
-0.0018
-0.0100
0.0210
Efeito indireto via UR
0.1961
-
-0.1423
-0.1708
0.0093
Efeito indireto via TEMP
-0.0131
-0.0932
-
0.1494
0.1044
Efeito indireto via VENT
0.0360
0.0573
-0.0765
-
-0.0343
Efeito indireto via RAD
Correlação de Pearson ( r)
Coeficiente de determinação (R2)
Efeito da variável Residual
Efeito Direto sobre número
Lagartas
Efeito indireto via PREC
Efeito indireto via UR
Efeito indireto via TEMP
Efeito indireto via VENT
Efeito indireto via RAD
Correlação de Pearson ( r)
Coeficiente de determinação (R2)
Efeito da variável Residual
Efeito Direto sobre número Minas
Efeito indireto via PREC
-0.0638
0.1951
-0.0026
0.4092
-0.0449
0.0160
0.22
0,88
-0.0288
-0.2040
-0.0495
0.2656
0.2519
-0.1187
0.6037
-0.5484
0.1150
0.0055
-0.1510
-0.2892
-0.0541
0.1212
0.0393
-0.2401
-0.0119
0.1604
-0.0664
-0.1002
-0.0630
-0.1307
0.2434
0.1400
0.0054
-0.0440
0.1438
-0.4339
0.5166
-
0.1589
0.2358
-0.0124
-0.0835
0.3204
-0.2035
-0.0977
0.35
0,80
-0.3047
-0.02415
0.6984
-0.1292
-0.6298
0.2724
104
Efeito indireto via UR
Efeito indireto via TEMP
Efeito indireto via VENT
Efeito indireto via RAD
Correlação de Pearson ( r)
Coeficiente de determinação (R2)
Efeito da variável Residual
Efeito Direto sobre número adultos
Efeito indireto via PREC
Efeito indireto via UR
Efeito indireto via TEMP
Efeito indireto via VENT
Efeito indireto via RAD
Correlação de Pearson ( r)
Coeficiente de determinação (R2)
Efeito da variável Residual
0.0725
0.0142
-0.3320
-0.1747
0.0966
0.10099
-0.2777
-0.0137
0.2042
0.6086
0.0545
0.0035
0.0603
0.1128
0.8397
0.1194
0.2778
0.0251
0.0959
0.0046
0.5228
-0.0526
0.3707
-0.2337
-0.2444
0.48
0,71
-0.0759
-0.0284
-0.0395
-0.1280
0.0794
-0.1924
0.78
0,45
-0.0632
-0.1617
-0.1500
0.1943
0.0034
-0.1130
0.1664
-0.4506
-0.2412
-0.1522
-0.0475
-0.0403
0.0509
-0.4303
0.2139
0.3209
0.0026
-0.0281
-0.0574
0.5028
**Significativo pelo teste t, a 1% de probabilidade.
Conforme BALZAN e MOONEN (2012) afirmam, os resultados mostram um dano de
colheita relativamente maior para os tomates transplantados mais tarde na estação e colhidos
no final de agosto até o início de setembro, e danos nos frutos causados por esta praga durante
o segundo ano do estudo, tanto para cultivos convencionais quanto para manejo orgânico. Na
Europa (Itália), as estratégias biológicas e químicas de manejo de pragas para o controle de T.
absoluta adotadas pelos agricultores da região são sempre revisadas e discutidas
(RIUDAVETS et al., 2016).
4 CONCLUSÕES
Para esta região Agreste de Alagoas, verificou-se que os picos populacionais ocorrem
nos meses do inverno. A colocação das armadilhas com o feromônio IscalureTuta®, neste
período, evita-se os acasalamentos e controla a população do inseto.
A análise de trilha possibilitou estimar o coeficiente de correlação entre as variáveis
climáticas e as variáveis bióticas sobre a dinâmica populacional da T. absoluta e que
demonstrou os efeitos diretos e indiretos das variáveis explicativas sobre a principal, foco do
estudo.
Quando os coeficientes de determinação (R2) forem maiores nas análises de trilha,
indicam que os componentes climatológicos avaliados explicam grande parte da variação na
dinâmica populacional da T. absoluta.
105
Pela análise dos efeitos diretos das variáveis climáticas sobre as bióticas, o número de
adulto foi a variável que melhor se correlacionou com as variações climáticas. Isso demonstra
a possibilidade de planejamento significativo para a prática do manejo integrado de pragas.
Estudos que desconsideram as varáveis de radiação solar, temperatura, umidade
relativa e a velocidade do vento podem levar a resultados duvidosos.
Estudos posteriores com o viés de trabalhar o manejo com estratégias e táticas desta
praga devem levar em consideração o seu ciclo de ocorrência e os elementos relacionados
com os impactos sazonais em suas populações.
106
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111
CAPÍTULO 4
BIOATIVIDADE DE EXTRATOS DE NONI (Morinda citrifolia L., Rubiaceae) NA
TRAÇA DO TOMATEIRO (Tuta absoluta Meyrick, 1917) (Lepidoptera:Gelechiidae)
RESUMO
A traça do tomateiro (Tuta absoluta Meyrick, 1917) (Lepidoptera: Gelechiidae) é uma das
pragas-chave da família solanaceae, ataca a planta inteira, provocando danos significativos na
produtividade do tomateiro. O objetivo deste trabalho foi avaliar a bioatividade da espécie
noni (Morinda citrifolia L., Rubiaceae), como alternativa no controle da traça do tomateiro.
Foram utilizados extratos etanólicos das folhas e fruto da espécie M. citrifolia, com cinco
diferentes concentrações (0,01; 0,02; 0,03; 0,04; 0,05 mg/L). Com os folhas da planta
previamente mergulhados no extrato por 10 segundos, após a secagem, foram inseridos em
cada folha cinco lagartas do mesmo ínstar e colocados em cinco placas de Petri com o pecíolo
envolto por algodão umedecido em água destilada para evitar a desidratação. As lagartas
foram criadas sob condições controladas, com temperatura de 25±1ºC, umidade relativa do ar
de 65±10%, e fotofase de 12 horas. O delineamento experimental foi inteiramente
casualizados com cinco concentrações, cinco repetições com dois extratos e para o controle
foi utilizado a água destilada. Foi aplicado o teste de Dunnet a 5% de probabilidade com a
comparação múltipla de médias com o controle. A avaliação do experimento se deu a cada 24
horas no período de três dias, com o uso de um pincel de aquarela para verificar a imobilidade
das lagartas mortas. As placas de Petri foram mantidas em bancadas no laboratório à
temperatura ambiente de 24-28ºC. Houve maior mortalidade de T. absoluta no extrato da
folha na concentração de 0,02 mg/L, na diferença com o controle de 88,04% de mortalidade.
No extrato do fruto a maior mortalidade foi observada na concentração de 0,03 mg/L, na
diferença do controle foi de 34,62%. Nesta pesquisa, os extratos da folha e do fruto de noni
apresentaram uma bioatividade significativa nos bioensaios resultando na mortalidade da
traça do tomateiro. O manejo dessa espécie deve levar em consideração a conservação da
espécie, no planejamento sustentável.
Palavras-chave: Plantas bioinseticidas. Manejo sustentável. Pragas. Olericultura.
112
ABSTRACT
The tomato moth (Tuta absoluta Meyrick, 1917) is one of the key pests of the Solanaceae
family, attacking the entire plant, causing significant damage to tomato productivity. The
objective of this work was to evaluate the bioactivity of the noni species (Morinda citrifolia
L., Rubiaceae), as an alternative in the control of the tomato moth. Ethanolic extracts of
leaves and fruit of M. citrifolia were used, with five different concentrations (0.01; 0.02; 0.03;
0.04; 0.05 mg/L). With the leaflets of the plant previously immersed in the extract for 10
seconds, after drying, five caterpillars of the same instar were inserted into each leaflet and
placed in five Petri dishes with the cotton-covered petiole moistened with distilled water to
avoid dehydration. The caterpillars were grown under controlled conditions, with a
temperature of 25 ± 1 ° C, relative humidity of 65 ± 10%, and photophase of 12 hours. The
experimental design was completely randomized with five concentrations, five replicates with
two extracts and for the control the distilled water was used. The Dunnet test was applied at
5% probability with the multiple comparison of means with the control. The evaluation of the
experiment was done every 24 hours in the three day period, using a watercolor brush to
check the immobility of dead caterpillars. The Petri dishes were kept on benches in the
laboratory at room temperature of 24-28 ° C. There was a higher mortality of T. absoluta in
the extract of the leaf in the concentration of 0,02 mg/L, in the difference with the control of
88,04% of mortality. In the extract of the fruit the highest mortality was observed in the
concentration of 0,03 mg/L, in the difference of the control was of 34.62%. In this research,
extracts of leaf and noni fruit showed a significant bioactivity in the bioassays resulting in
mortality of the tomato moth. The management of this species should emphasize the
conservation of the species in sustainable planning.
Key words: Bioinsecticidal plants. Sustainable management. Pests. Olericultura.
113
1 INTRODUÇÃO
Originário da América do Sul, mais especificamente da região localizada entre o
Equador e o norte do Chile. O tomateiro cada vez mais se adapta às regiões de clima
subtropical e temperado, isso devido a intensos programas de melhoramento genético
voltados para a adaptação de cultivares em diferentes regiões climáticas, permitindo o seu
plantio em vários locais do país (ARAÚJO et al., 2013).
O tomateiro é uma planta hospedeira de vários insetos, dentre eles o que foi objeto desta
pesquisa, a “traça do tomateiro” (Tuta absoluta Meyrick, 1917), (Lepidoptera: Gelechiidae).
Os cultivos de tomate podem ser infestados por várias pragas que podem afetar totalmente a
produtividade e a qualidade da mesma. Dentre os insetos pragas que atacam a cultura do
tomateiro a Tuta absoluta vem tendo seus registros de incidência no Brasil, aumentados desde
1980 (CARVALHO e BORGUINI, 2006).
Os adultos de T. absoluta são mariposas pequenas que medem cerca de 10-11 mm de
comprimento, possuem uma coloração cinza-prateada, com asas franjadas, antenas filiformes
e palpos labiais recurvados. Cada fêmea põe, em média, 260 ovos, isoladamente, na face
inferior das folhas e também no caule, pedúnculo e nos frutos. Os ovos são elípticos, de
coloração branca, tornando-se amarelados ou marrons próximos à eclosão. As lagartas se
alimentam das partes tenras do caule broqueando junto a inserção da folha e logo abaixo do
broto terminal, sendo que a perfuração deste pode resultar um super brotamento das plantas
bem como na redução do porte das mesmas. O dano pode ocorrer também no florescimento,
pois ao atacarem as flores acabam impedindo a fecundação (CARVALHO e BORGUINI,
2006).
O ciclo biológico da praga, do ovo até a morte dos adultos nas condições de laboratório
varia de 26 a 38 dias. No campo as gerações da traça são superpostas, podendo ocorrer em
uma lavoura infestada, todos os estágios da praga ao mesmo tempo (MICHEREFF - FILHO
et al., 2013).
A T. absoluta é uma das principais pragas de insetos que infestam culturas de tomate
em países desde sua área de origem, a América do Sul (Lietti et al., 2005), até a bacia do
Mediterrâneo (Balzan, Moonen, 2012; Tropea Garzia et al., 2012). É capaz de causar dano à
produção da cultura e perdas econômicas nos tomateiros. Por este motivo, o desenvolvimento
de ferramentas de controle eficazes para esta praga tem sido muito importante (GERMAIN et
al., 2009, SILVA et al., 2011).
114
Gonçalves Neto et al. (2010) constataram que plantas de tomateiro com alto teor de
acilaçúcares demonstraram níveis mais altos de resistência, apresentando menores lesões nos
folhas, e menor percentual de folhas atacados.
Agricultores tem realizado o controle deste inseto através da aplicação de inseticidas e
pode ser considerado como uma opção de manejo eficaz para esta praga, embora seja o fator
de degradação ambiental. No entanto, a medida que as aplicações dos produtos químicos
utilizados se tornam rotineiras, sua eficácia contra a T. absoluta diminui, uma vez que, os
casos de resistência ao controle químico se transformam numa barreira para o uso efetivo
(SILVÉRIO et al., 2009; LEBDI-GRISSA et al., 2010).
Nos últimos anos vários trabalhos relatam alternativas ao uso de agrotóxicos
convencionais de amplo espectro, como o uso de extratos de plantas com propriedades
bioinseticidas (Moreno et al., 2011, Tomé et al., 2013), o uso da captura em massa usando
feromônio sexual da traça do tomateiro, que diminui o acasalamento atraindo o macho para
armadilhas causando-lhe a morte, dentre outras alternativas do manejo integrado de pragas
(HASSAN; ALZAIDI, 2009; COCCO et al., 2013).
As famílias botânicas promissoras como inseticidas são Asteraceae, Meliaceae,
Rutaceae, Annonaceae, Lamiaceae e Canellaceae (Zabel et al., 2002; Pereira et al., 2002;
Tamm, 2004; Cespedes et al., 2004). A Morinda citrofolia L., da família Rubiaceae,
comercial e popularmente conhecida por noni, tem sido utilizado desde a antiguidade para o
tratamento e prevenção de várias doenças em humanos e animais.
O noni (Morinda citrifolia L.) (Rubiaceae), tem sido utilizado há mais de 2.000 anos
pelos polinésios, seu uso está atribuído aos efeitos das atividades antibacteriana, antioxidante,
antiviral, antifúngica, antitumoral, anti-helmíntica, analgésica, anti-inflamatória, hipotensora e
imunoestimulante, também tem utilidade como alimento (WANG et al., 2002).
Na composição química da M. citrifolia destacam-se os compostos fenólicos como as
antraquinonas (DENG et al., 2007), traços destes são encontrados no fruto (LIN et al., 2007).
REYES et al. (2010) relatam em seu trabalho que no extrato etanólico e aquoso do fruto
constatou a presença de quinonas livres e esteróides, e ausência de taninos, flavonoides,
alcaloides e saponinas pelo teste da espuma.
Zin (2002) encontrou diferenças significativas de antioxidantes nas partes da planta, os
seus resultados usando os extratos de metanol de frutas e folhas de M. Citrifolia tiveram
atividades antioxidantes insignificantes. No entanto, outras pesquisas afirmam a presença de
alcaloides, antraquinonas, flavonoides e cumarinas (PALACIOS, 2004).
115
Esta espécie botânica está bem adaptada nas diversas regiões do Brasil e como existe
facilidade de cultivo, o preparo e uso de extratos aquosos e etanólicos podem ser indicados
como uma forma alternativa viável para o controle da traça do tomateiro, especialmente para
os pequenos produtores. Além disso, podem funcionar como atraentes ou repelentes de outros
insetos, podendo ser empregados em sistemas de manejo integrado de pragas, no controle ou
monitoramento das populações de insetos (NAVARRO-SILVA et al., 2009).
A bioatividade do noni (Morinda citrifolia L.), com os extratos das partes da planta,
agem quimicamente de forma semelhante com ação bioinseticida, desta forma objetivou-se
avaliar o extrato etanólico da folha e do fruto de M. citrifolia L., como alternativa no controle
da traça do tomateiro.
2 MATERIAL E MÉTODOS
2.1 Área da pesquisa
O experimento foi desenvolvido no Laboratório de Pesquisa da Universidade Estadual
de Alagoas, Campus I em Arapiraca-AL. Foi realizado com o cultivo de tomateiros em casa
de vegetação no período de fevereiro a junho de 2016. A criação do inseto ocorreu em gaiola
de isopor em laboratório da mesma Universidade. A obtenção do extrato etanólico da M.
citrifolia e o bioensaio com as lagartas da traça do tomateiro, foram realizadas em etapas
subsequentes.
2.2 Cultivo dos tomateiros
Para manutenção das lagartas foram obtidas mudas de plantas transplantadas para
vasos de cinco litros com o solo de manejo orgânico misturados com o substrato Bioplant® na
proporção (3 partes de solos x 1 substrato) e colocadas em casa de vegetação. As lagartas de
1º e 2º instares de T. absoluta foram coletadas de variedades de tomate cv. Santa Clara, IPA 6,
TY 2006, e Cereja em cultivos na região agreste de Alagoas para a criação. O cultivo de
tomate na casa de vegetação foi monitorado semanalmente para acompanhar o
desenvolvimento dos danos causados pela traça à cultura e quais os principais órgãos afetados
da planta.
116
2.3 Criação do inseto em gaiolas
As fases imaturas 1º e 2º instares da traça foram coletadas e colocadas nas gaiolas de
isopor de 50 cm de comprimento x 40 de largura x 30 cm de altura onde as lagartas foram
mantidas até a fase adulta, após a estabilização da população, a geração seguinte foi utilizada
nos bioensaios (Figuras 16 A e B). As lagartas foram criadas sob condições controladas, com
temperatura de 25±1ºC, umidade relativa do ar de 65±10%, e fotofase de 12 horas. Nos lados
da gaiola foi colado tecido voil que serviu para fechar a gaiola e evitar a fuga dos insetos e
também permitir a substituição das plantas. Em cada gaiola foram acondicionadas os folhas
das plantas para a oviposição da T. absoluta.
Figura 16. Gaiola utilizada na criação e manutenção do inseto (Tuta absoluta).
Fonte: Fotos (A e B) do autor (2015-2017).
2.4 Obtenção dos extratos etanólicos vegetais
Para obtenção dos extratos, foram utilizados folhas e frutos da M. citrifolia, as folhas e
os frutos foram secas em estufa com circulação de ar a 60 ºC por 72 horas, e trituradas em
moinho de faca. Em seguida, foi realizada a maceração de cada material em etanol, na
proporção de 2.500 g do pó vegetal (folhas ou fruto) em 3.500 mL de álcool etílico absoluto,
por setenta e duas horas com filtração e substituição do álcool a cada 24 horas. Os respectivos
extratos etanólicos secos das folhas e fruto da espécie M. citrifolia, foram obtidos após
rotaevaporação do liquido extrator.
117
2.5 Bioensaio para avaliação da atividade inseticida
Foram utilizados os extratos etanólicos vegetais, com cinco diferentes concentrações
(0,01; 0,02; 0,03; 0,04; 0,05 mg/L). Com as folhas da planta previamente mergulhados no
extrato por 10 segundos, após a secagem em ambiente de bancada de laboratório, foram
inseridos em cada folha cinco lagartas do mesmo ínstar e colocados em cinco placas de Petri
com o pecíolo envolto por algodão umedecido em água destilada para evitar a desidratação
(Figuras 17 A e B).
Figura 17. Bioensaios em Laboratório para a pesquisa da bioatividade da Morinda
citrifolia em Tuta absoluta nas folhas de tomateiro em Placa de Petri.
Fonte: Foto do autor (2015-2017).
O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com cinco concentrações,
cinco repetições com dois extratos e para o controle foram utilizados a água destilada. A
avaliação do experimento se deu a cada 24 horas, durante três dias, com o uso de um pincel de
aquarela para comprovar a imobilidade das lagartas mortas. As placas de Petri foram mantidas
em bancadas no laboratório à temperatura ambiente de 24-28ºC.
Os resultados foram analisados pelo teste Dunnet a 5% de probabilidade como
hipótese alternativa bilateral. Dunnett (1955) foi pioneiro no conceito de que, quando um
controle está presente, as comparações de interesse preliminar podem ser as comparações de
cada novo tratamento com o controle através do Programa GENES (CRUZ, 2006). As
avaliações do índice de mortalidade (I. M) foram a cada 24, 48 e 72 h, contando-se os insetos
mortos, nas placas de Petri ao toque do pelo de um pincel de aquarela, avaliando-se pela
118
fórmula de Sun-Shepard e Schneider-Orelli (1947) adaptado por PUNTENER (1981) e
utilizada por SILVA et al. (2015) em estudo semelhante.
Mortalidade corrigida % (
Mortalidade no tratamento (%) - Mortalidade no controle (%)
) x 100 (7)
100 - Mortalidade no controle (%)
2.6 Quantificação de fenóis totais
O método para determinação de fenóis totais consiste na reação dos ácidos
constituintes do reagente Folin-Ciocalteau e compostos fenólicos ou não fenólicos. O reagente
Folin-Ciocalteau é composto pelos ácidos fosfomolíbico e fosfotungstíco, nesta solução o
molibdênio se encontra no estado de oxidação +6 e com coloração amarelada; na presença de
compostos fenólicos sofre reação de redução e passa para um estado de oxidação +5
(REZENDE, 2010).
Com a reação de redução (Figura 18) há a formação dos complexos molibdêniotungstênio de coloração azul. Esta reação ocorre em meio alcalino, especificamente na
presença de Na2CO3 (REZENDE, 2010).
Figura 18. Reação entre uma substância fenólica e o molibdênio (componente do FolinCiocalteau)
Adaptado de (REZENDE, 2010).
O teor de fenóis totais foi quantificado pelo método descrito por Freitas et al. (2014)
com algumas adaptações. Para a realização da curva de calibração do ácido gálico pesou-se
0,04 g de ácido gálico em 8 mL de MeOH (solução estoque). Em seguida preparou-se
119
diluições (soluções testes de ácido gálico) nas concentrações de 0,15; 0,1; 0,05; 0,025; 0,01 e
0,005 mg/mL.
Para a realização do teste, a partir das diluições de ácido gálico realizou-se os
seguintes procedimentos (em triplicata – para cada concentração): em vidro âmbar adicionouse 100µL da solução teste de ácido gálico, 500µL do reagente Folin-Ciocalteau, 1mL H2O
destilada e em seguida agitou-se no vórtex durante um minuto. Logo após, adicionou-se 2 mL
de carbonato de sódio 15% e agitou-se por mais 30 segundos no vórtex. Posteriormente
completou o volume da solução em um balão volumétrico de 10 mL. A solução foi incubada
no escuro durante duas horas. A leitura das absorbâncias foi realizada em espectrofotômetro
UV-VIS com comprimento de onda de 750 nm.
Para a obtenção da solução teste da amostra vegetal, 0,005 g de cada extrato etanólico
vegetal foi diluida em 5 mL de MeOH. Em seguida uma alíquota de 0,075 mL desta solução
foi adicionada a 0,425 mL de MeOH. Para a realização do teste, foi realizado o mesmo
procedimento descrito para o ácido gálico, substituindo a solução teste de ácido gálico pela
solução teste do extrato etanólico vegetal.
Para obtenção da solução do controle branco foi preparado uma solução de 100µL de
MeOH, 500µL do reagente Folin-Ciocalteau e 1 mL de H2O destilada foi realizado o mesmo
procedimento descrito para o ácido gálico, substituindo a solução teste de ácido gálico pela
solução do controle branco.
As absorbâncias foram lidas em espectrofotômetro UV-VIS com comprimento de
onda de 750 nm. Antes de qualquer leitura, utilizou-se o branco para zerar o
espectofotômetro.
2.7 Quantificação dos flavonoides
O método para a quantificação de flavonoides consistiu no preparo da curva de
calibração de quercetina, onde pesou-se 1mg de quercetina e diluiu em 1ml de MeOH. Em
seguida realizou-se as diluições nas concentrações de 0,03; 0,025; 0,020; 0,015; 0,01; 0,005;
0,0025 e 0,00125mg/ml. Logo após, realizou-se as soluções para o extrato, onde pesou-se
1mg do extrato e diluiu em 1ml de MeOH.
Após o preparo da solução teste realizou-se as soluções (em poços – em triplicata)
para leitura que continham 200µl da solução teste da amostra vegetal e 100µl de solução
metanólica de cloreto de alumínio a 2%. Preparou-se a solução para o branco (em triplicata)
com 200µl de MeOH e 100µl de solução metanólica de cloreto de alumínio a 2%.
120
Em seguida a placa de poços foi mantida no escuro durante 30 minutos. Decorrido o
tempo, a leitura foi realizada em espectrofotômetro UV-VIS a 420nm. O teor de flavonoides
foi determinado por interpolação da média das absorbâncias das amostras contra a curva de
calibração da quercetina e expressos em mg de EQ (equivalente de quercetina) por g do
extrato etanólico.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 Bioensaio para avaliação da atividade inseticida
Os dados das Tabelas 12 e 13 se referem a média obtida pelo teste Dunnet a 5% de
probabilidade, como hipótese alternativa bilateral se mostraram eficazes em relação ao
controle. A hipótese é que, tanto o extrato etanólico da folha e do fruto nas concentrações 0,01
a 0,05 mg/L, provocam efeito de mortalidade na T. absoluta de forma semelhante. Houve
maior mortalidade de T. absoluta no extrato da folha na concentração de 0,02 mg/L, na
diferença com o controle de 88,04% de mortalidade (Tabela 12). No extrato do fruto a maior
mortalidade foi observada na concentração de 0,03 mg/L, na diferença do controle foi de
34,62% (Tabela 13).
Tabela 12. Diferenças de médias das concentrações do extrato etanólico da folha da Morinda
citrifolia tratados com o controle.
Tratamentos (mg/L) Média (%)
Diferença com controle
Controle (H2O)
11,46
Morte Extrato etanólico da folha
0,01
79,96
68,05*
0,02
100,00
88,04*
0,03
86,64
75,18*
0,04
86,64
75,18*
0,05
79,96
68,05*
C.V. (%)
23,96
*Foi aplicado o Teste de Dunnett ao nível de 5% de probabilidade (bilateral).
Este trabalho revela-se como pioneiro no relato de atividade bioinseticida de M.
citrifolia, em insetos de interesse agrícola, microlepidopteros como a T. absoluta, até então,
não existe qualquer informação da bioatividade desta planta em relação à lagartas desta ordem
de insetos. Na diferença das médias dos tratamentos com o controle observou-se que os
resultados foram melhores do que o controle, tanto para o extrato da folha, quanto o extrato
do fruto na mortalidade do inseto nas concentrações.
121
Tabela 13. Diferenças de médias das concentrações do extrato etanólico do fruto da Morinda
citrifolia tratados com o controle.
Tratamentos (mg/L) Média (%)
Diferença com controle
Controle (H2O)
11,46
Morte Extrato etanólico do fruto
0,01
23,66*
35,12
0,02
22,04*
33,50
0,03
34,62*
46,08
0,04
25,16*
36,62
0,05
24,46*
35,92
C.V. (%)
9,00
*Foi aplicado o Teste de Dunnett ao nível de 5% de probabilidade (bilateral).
Dunnett (1955) foi pioneiro no conceito de que, quando um controle está presente, as
comparações de interesse preliminar podem ser as comparações de cada novo tratamento com
o controle. Nesse trabalho o grupo controle foi a (H2O) água.
Quando realizam-se comparações múltiplas com um controle, os parâmetros de
interesse primários são a diferença entre cada nova média de tratamento e a média do
controle, ou seja, testam-se as hipóteses. Neste teste considera-se um nível de significância de
5%, sendo assim não rejeita-se a hipótese de igualdade entre as médias das concentrações da
bioatividade dos extratos da M. citrifolia sobre a mortalidade de T. absoluta.
A bioatividade da M. citrifolia tem sido demonstrada em Dípteros como a Drosophila
sechellia Tsacas and Baechli, 1981 (Diptera: Drosophilidae) que é uma espécie de mosca da
fruta endêmica das ilhas Seychelles. Essa mosca ao contrário de outras espécies deste gênero
generalistas, D. sechellia evoluiu para ser especialista na planta hospedeira M. citrifolia. Isto
é interessante porque o fruto da planta contém compostos de defesa secundários,
principalmente ácido octanoico, que são letais para a maioria dos outras moscas do mesmo
gênero (LOPEZ et al., 2017).
Morales et al. (2010), testaram vários extratos vegetais sobre larvas do mosquito da
dengue Aedes aegypti (Diptera: Culicidae), obtendo resultados significativos quando utilizou
o extrato etanólico M. citrifolia L., na proporção de 300 mg/L, com mortalidade de 98% das
larvas, foi atribuido uma ação neurotóxica ao ácido octanóico, que é o principal ingrediente
do óleo de noni, conhecido como ácido caprílico, que é um potencial larvicida. Segundo Silva
et. al. (2015), os extratos aquosos de M. citrifolia aplicado às larvas recém-eclodidas de
moscas-das-frutas (Ceratitis capitata Wiedmann, 1824) (Diptera:Tephritidae), apresentou
eficiência do controle (E%) de 10,8% e a mortalidade larval 18%.
122
KOVENDAN et al. (2012), também comprovaram a atividade inseticida da M.
citrifolia relatando que houve resultados significativos com extratos da folha desta planta, em
concentrações que variaram entre 200, 300, 400, 500, e 600 ppm com a promoção da
mortalidade de larvas dos mosquitos da ordem Diptera e família Culicidae: Anopheles
stephensi Liston, 1901, Culex quinquefasciatus Say 1823, e Aedes aegypti Linnaeus, 1762.
PEYSER et al. (2017), ressaltam as substâncias tóxicas, o ácido octanóico e hexanóico
como toxinas que induzem os seres vivos aos efeitos da M. citrifolia L. Estudos genéticos
enfatizam a enzima citocromo oxidase P450, como família de genes que são freqüentemente
utilizados em insetos na resistência evoluída à toxina encontrada na M. citrifolia.
3.2 Quantificação de fenóis e flavonoides totais
Na determinação dos fenóis totais seguiu-se o método através da determinação da
curva de calibração do padrão sintético ácido gálico (y=7,701x+0,0131 e R²=0,9785). E foi
possível quantificar os fenóis totais em todos os extratos. A folha da M. citrifolia apresentou o
maior índice de fenóis com 1094.533178 mg de EAG/g de extrato bruto comparado ao extrato
do fruto com índice 497.2081548 mg EAG/g do extrato bruto, sendo condizente com seu
expressivo potencial antioxidante (Tabela 14).
Para a quantificação dos flavonoides seguiu-se o método da determinação da curva de
de calibração do padrão da Quercetina (y=32.262x + 0.595 e R2 = 0.9157), o que possibilitou
a quantificação dos flavonoides do extrato etanólico da M. citrifolia tendo a folha com o
maior índice de atividade antioxidante 60.23340 mg EQ/g do extrato bruto e o fruto com o
índice de 12.20476 mg EQ/g do extrato bruto. A média de absorbância dos fenóis e
flavonoides, no fruto e na folha apresentaram diferença (Tabela 14).
Tabela 14. Teor dos fenóis totais e dos flavonoides dos extratos da folha e fruto da Morinda
Citrifolia.
Teor dos fenóis
Média de
Média de
Extrato
totais – TFT
Flavonóides
Absorbância
Absorbância
Etanólico
mg EAG/g do
mg EQ/g do extrato
UA
UA
extrato
Folha
1094.533178
0.856%
60.23340153
0.322%
Fruto
497.2081548
0.396%
12.20476102
1.355%
Equação da
reta
Y= 8.3596x + 0.338
R2 = 0.9785
Y=37.724x + 0.2772
R2 = 0.9157
Fonte: Dados da Pesquisa.
123
Não é a atividade antioxidante que tem bioatividade para a mortalidade de T. absoluta,
mas os compostos fenólicos. Segundo Chan-Blanco et al. (2006, 2007), os compostos
bioativos mais abundantes no noni são os fenólicos, como o damanacantal, escopoletina,
morindona e rubiadina, rutina e a escopoletina como componentes majoritários, sendo que o
damanacantal possui propriedade anti-carcinogênica comprovada.
Em relatos de compostos fenólicos com bioatividade inseticida da M. citrifolia sobre
dípteros, foram utlilzados nanopartículas sintetizadas a partir do extrato da raíz, com
resultados significativos sobre as larvas de Aedes aegypti. (SUMAN et al., 2015).
Muitos compostos fenólicos possuem atividade antioxidante, anticarcinogênica,
antimutagênica e anti-inflamatória. Contudo, o principal interesse nos compostos fenólicos
está relacionado com sua atividade antioxidante, sendo que as funções fisiológicas e
farmacológicas atribuída aos compostos fenólicos podem ter origem nesta propriedade
(THANI et al., 2010).
Zin (2002) demonstrou em estudo níveis elevados de atividade antioxidante do extrato
desta planta, quando utilizou extratos metanólicos de raízes, frutos e folhas de M. Citrifolia.
Na raiz, notou-se que o extrato dessa parte da planta apresentou maior atividade do que os
extratos de frutas ou folhas. Faria et al. (2014), detectou a presença de diferentes classes
fitoquímicas, como, taninos, flavonóides, antraquinonas conjugadas, saponinas, cumarinas e
alcalóides sugerindo a importância de maiores estudos acerca destas substâncias e suas
funções farmacológicas ou funcionais.
Estudos comprovam o interesse atual no estudo dos compostos fenólicos, devido
principalmente o potencial antioxidante destas substâncias em sequestrar radicais livres, os
quais são prejudiciais a saúde humana (ALVES et al., 2007; NEVES et al., 2008).
Costa et al. (2013), realizaram estudos com a M. cirifolia utilizando a semente, a casca
e a polpa, destacando o poder antioxidante desta planta. Os compostos bioativos encontrados
em vegetais, frutas e ou hortaliças são as substâncias fenólicas, que são formadas no metabolismo secundário dos vegetais, encontradas na forma livre ou ligadas a açúcares e proteínas,
possuindo funções diversas como: crescimento da planta, propriedades sensoriais, processos
germinativos da semente, defesa contra pragas e danos oxidativos (LIU, 2007).
124
4 CONCLUSÕES
A ação bioinseticida da M. citrifolia foi eficiente sobre a traça do tomateiro (T.
absoluta). Outros estudos podem enfatizar a ação do extrato em fases de desenvolvimento do
inseto.
Os processos de mortalidade foram provocados pela toxicidade do bioextrato de M.
citrifolia que se mostrou promissor para o controle da traça do tomateiro (T. absoluta).
Os dados de mortalidade da traça do tomateiro resultantes da bioatividade do extrato
da M. citrifolia, indicam que podem ser utilizados no controle da traça do tomateiro.
125
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