Nutrição do coqueiro e controle biológico no manejo do ácaro Aceria guerreronis Keifer (Acari: Eriophyidae)

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PROTEÇÃO DE PLANTAS

Emanuel Henrique do Nascimento Almeida

Nutrição do coqueiro e controle biológico no manejo do ácaro Aceria
guerreronis Keifer (Acari: Eriophyidae)

Rio Largo, AL
2017

EMANUEL HENRIQUE DO NASCIMENTO ALMEIDA

Nutrição do coqueiro e controle biológico no manejo do ácaro Aceria
guerreronis Keifer (Acari: Eriophyidae)
Tese apresentada ao Programa de PósGraduação em Proteção de Plantas, do Centro
de Ciências Agrárias, da Universidade Federal
de Alagoas, como parte dos requisitos para
obtenção do título de Doutor em Proteção de
Plantas.

Orientador: Prof. Dr. Edmilson Santos
Silva

Rio Largo, AL
2017

EMANUEL HENRIQUE DO NASCIMENTO ALMEIDA
Nutrição do coqueiro e controle biológico no manejo do ácaro Aceria
guerreronis Keifer (Acari: Eriophyidae)

_____________________________________________________________________
(Engº Agrônomo M.Sc. Emanuel Henrique do N. Almeida, UFAL)

BANCA EXAMINADORA:
___________________________________________________
Prof Dr. Edmilson Santos Silva – UFAL Campus Arapiraca
Orientador
___________________________________________________
Prof Dr. Antônio Lucrécio dos Santos Neto – UFAL Campus Arapiraca
Avaliador
___________________________________________________
Drª. Roseane Cristina Prédes Trindade – UFAL Ceca
Avaliador

___________________________________________________________

Dr. Adenir Vieira Teodoro – Embrapa Tabuleiros Costeiros

Rio Largo, AL
2017

Tudo aquilo que eu sou, ou
pretendo ser, devo a um anjo:
minha mãe Elina Maria do
Nascimento Almeida.

Dedico

As bombas podem matar os famintos, os doentes, os ignorantes,
mas não podem matar a fome, as doenças, a ignorância.
Fidel Castro.

AGRADECIMENTOS
À Deus e Nossa Senhora do Carmo pela minha saúde e pelas pessoas
que fazem parte de minha vida, principalmente minha família. Minha mãe Elina
Maria do N. Almeida, meu pai José Ribeiro de Almeida, meus irmãos Elias do N.
Almeida, Wiston Maciel do N. Almeida, Silvânia Meire do N. Oliveira, Flávio José
do N. Almeida, seus respectivos cônjuges que são como irmãos, meus
sobrinhos, minha namorada Iagry Jhanne Menezes e sua família.
Aos meus amigos que são como uma família para mim, Pregentino
Severino de Souza Neto, Walter Bernardino. Aos amigos de laboratório que tanto
me ajudaram na condução do trabalho, Abraão Santos Silva, Allan Martins Alves,
Emanuel Monteiro, Webster Rodrigues, Swamy Tavares, Márcia Daniela dos
Santos, José Rogério de Souza, este último imprescindível para que
pudéssemos alcançar os resultados obtidos nessa pesquisa.
Ao meu orientador e amigo professor Dr. Edmilson Santos Silva, muito
importante não só na minha formação profissional desde a iniciação científica até
essa reta final de doutorado, mas também no meu crescimento como pessoa.
À empresa H.Dantas comércio, indústria e navegação Ltda, na pessoa do
senhor Beto Barbosa pela disponibilidade para realizarmos a pesquisa, também
aos profissionais da empresa que nos ajudaram na condução do experimento, na
pessoa de Anderson Santos.
Ao Centro de Ciências Agrárias, programa de pós-graduação em Proteção
de Plantas, a banca que contribuirá de forma essencial na melhoria deste trabalho.
À CAPES, pela conseção de bolsa de estudos, me dando a possibilidade
de terminar mais essa fase de conhecimentos, me especializando ainda mais na
área agronômica. A todos, meu MUITO OBRIGADO!!

RESUMO GERAL
O Brasil possui cerca de 280 mil ha cultivados com coqueiro (Cocos nucifera L.), em
todo território nacional, com produção de cerca de dois bilhões de frutos. Existem vários
fatores que limitam a produtividadedo coqueiro, como os artrópodes-pragas, com
destaque para o ácaro da necrose Aceria guerreronis Keifer (Acari: Eriophyidae). Nesse
contexto, a suscetibilidade das culturas a pragas pode ser afetada pelo tipo de adubação
utilizada “Teoria da Trofobiose”. Assim, o objetivo desse trabalho foi estudar o efeito de
diferentes tipos de esterco em comparação com a adubação na relação com o ataque do
ácaro A. guerreronis e seu controle biológico por Proctolaelaps bickleyi Bram. O estudo
foi conduzido em plantio comercial de coco, variedade anão verde no período de 15
meses. Os tratamentos aplicados foram: adubo químico formulado, adubação química
recomendado + esterco galinha poedeira, adubação química recomendado + esterco
bovino, adubação química recomendado + esterco caprino, esterco galinha poedeira,
esterco bovino, esterco caprino, químico + esterco de galinha + esterco bovino +
caprino, esterco de galinha + esterco bovino + esterco caprino. As médias de ácaros
presentes de acordo com o tratamento foram comparados pelo teste Tukey (<0,05).
Num segundo momento foi realizada liberação de predadores P. bickleyi nas
quantidades 0, 50, 75 e 90 indivíduos por planta, onde foi realizada análise de regressão
para observar as médias do ácaro praga. Foi observado nos resultados que para a folha
14 o adubo químico + caprino apresentou a menor média de ácaros da necrose, na
testemunha a maior média ácaros foram encontrados, para a folha 18 a menor média foi
Galinha + Bovino + Caprino e a maior na testemunha. A população do ácaro da necrose
bem como a produtividade da cultura do coco variou de acordo com os adubos que
foram aplicados. Nos testes de predação para os frutos das folhas 14 e 15 houve
diminuição na população dos ácaros da necrose principalmente para as maiores
quantidades de predadores liberadas. A adubação do coqueiro diminui a população do
ácaro da necrose em coqueiro. O ácaro P. bickleyi diminui a população do ácaro da
necrose nos frutos das folhas 14 e 15.

Palavras chaves: Ácaros fitófagos. Predação. Trofobiose. Cocos nucifera.

GENERAL ABSTRACT

Brazil has about 280 thousand ha cultivated with coconut trees (Cocos nucifera L.),
in the whole national territory, with production of about two billion fruits. There are
several factors that limit the productivity of the coconut, such as arthropod-pests,
especially the Aceria guerreronis Keifer necrosis mite (Acari: Eriophyidae). In this
context, the susceptibility of crops to pests can be affected by the type of fertilization
used "Theory of Trophibiosis". Thus, the objective of this work was to study the
effect of different types of manure compared to the fertilization in relation to the
attack of the A. guerreronis mite and its biological control by Proctolaelaps bickleyi
Bram. The study was conducted in commercial coconut plantation, dwarf green
variety in the period of 15 months. The treatments applied were: formulated
chemical fertilizer, recommended chemical fertilization + laying hen, recommended
chemical fertilization + bovine manure, recommended chemical fertilization + goat
manure, laying hen, cattle manure, goat manure, chemical manure + Goat, chicken
manure + bovine manure + goat manure. The means of mites present according to
the treatment were compared by the Tukey test (<0.05). In a second moment, P.
bickleyi was released in 0, 50, 75 and 90 individuals per plant, where a regression
analysis was performed to observe the mean of the pest mite. It was observed in
the results that for leaf 14 the chemical fertilizer + goat had the lowest mean of
necrotic mites, in the control the highest average mites were found, for leaf 18 the
lowest average was Chicken + Bovine + Goat and the highest in the control. The
necrotic mite population as well as the productivity of the coconut crop varied
according to the fertilizers that were applied. In the predation tests for the fruits of
leaves 14 and 15 there was a decrease in the necrotic mite population, mainly for
the larger numbers of released predators. Coconut fertilization decreases the
necrotic mite population in coconut. The P. bickleyi mite decreases the necrotic mite
population in the fruits of leaves 14 and 15.
Keywords: Phytophagous mites. Predation. Trophibiosis. Cocos nucifera.

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1

Esquema da filotaxia do coqueiro (Pinho, 2008), para compreensão da
disposição dos cachos........................................................................................ 26

Figura 2

Danos ocasionados pelo ataque do ácaro Aceria guerreronis...........................

Figura 3

Visão aérea da empresa H. Dantas em Neópolis-SE (A). Interior do coqueiral
(área experimental destinada ao desenvolvimento da pesquisa) (B)................

Figura 4

5
45
6
46
6
47
6
49
6

População de Aceria guerreronis em frutos de coqueiro entre março de 2015
a março de 2016 (Folha 18)...............................................................................

Figura 11

44

População de Aceria guerreronis em frutos de coqueiro entre março de 2015
a março de 2016 (Folha 14)...............................................................................

Figura 10

5

Infestação de Aceria guerreronis (análise visual e microscópica) sobre os
frutos de coqueiro, de março de 2015 a março de 2016 (Folha 14 e 18)..........

Figura 9

43

Escala visual para infestação de Aceria guerreronis sobre frutos de
coqueiro..............................................................................................................

Figura 8

5

Detalhe do perianto e brácteas removidos de frutos de coqueiro para serem
analisadas com microscópio..............................................................................

Figura 7

41

Coletas de frutos de coqueiro com utilização de podão (A). Frutos coletados
com sintomas de Aceria guerreronis (B)............................................................

Figura 6

5

Pesagem e aplicação de diferentes adubos, doses e combinações em
coqueiros localizados no município de Neópolis-SE..........................................

Figura 5

40

49

Média da população de Proctolaelaps bickleyi sobre cocos entre março 2015
a março de 2016 em coqueiros de Neópolis- SE (Folha 14 e 18).....................

51

Figura 12

Liberação de Proctolaelaps bickleyi em coqueiral, março de 2016...................

71

Figura 13

População de Aceria guerreronis submetidos ao controle biológico por
Proctolaelaps bickleyi em campo (Folha 14)......................................................

Figura 14

9

População de Aceria guerreronis submetidos ao controle biológico por
Proctolaelaps bickleyi em campo (Folha 15)......................................................

Figura 15

73

73
8

População de Aceria guerreronis submetidos ao controle biológico por
Proctolaelaps bickleyi em campo (Folha 17)......................................................

74

LISTA DE TABELAS

Tabela 1.

Percentagem de de frutos com danos do Aceria guerreronis, avaliações
visuais, março de 2015 a março de 2016 (Folha 14 e 18)..............................

Tabela 2.

5
52

Média de ácaros Aceria guerreronis em frutos de coqueiros submetidos a
diferentes tipos de adubação, analisados de março de 2015 a março de
2016 (Folha 14 e 18).........................................................................................

Tabela 3.

54

Produtividade média de frutos de coqueiros submetidos a diferentes tipos de
adubação, analisados de março de 2015 a março de 2016 (Folha 14 e 18).... 58

SUMÁRIO
1

INTRODUÇÃO GERAL ................................................................................................ 13

2

REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................................ 14

2.1

Aspectos gerais sobre a cultura do coqueiro ................................................................ 15

2.1.1

Cultivo do coqueiro no mundo e no Brasil ..................................................................... 15

2.1.2

Importância econômica do coco.................................................................................... 15

2.2

Adubação orgânica .........................................................................................................16

2.2.1

Adubação do coqueiro .................................................................................................. 17

2.2.2

Adubação x ataque de pragas ...................................................................................... 18

2.3

Ácaros, características gerais e classificação ............................................................... 19

2.3 .1

Ácaros fitófagos ............................................................................................................ 19

2.4

Principais ordens de ácaros de importância agrícola ................................................. ...20

2.4.1

Ordem Trombidiformes ................................................................................................. 20

2.4.1.1 Subordem Prostigmata ................................................................................................. 20
2.4.2

Ordem Mesostigmata.................................................................................................... 23

2.4.3

Ácaros predadores ..........................................................................................................24

3

ÁCAROS RELATADOS SOBRE O COQUEIRO ......................................................... .25

3.1

Ácaro Aceria guerreronis .............................................................................................. 27

3.2

Ácaro Proctolaelaps bickleyi ......................................................................................... 29

REFERÊNCIAS ......................................................................................................................... 31
4 CONTROLE DO ÁCARO-DA-NECROSE DO COCO COM ADUBAÇÃO ORGÂNICA
ALIADA A QUÍMICA ................................................................................................................ .37
RESUMO................................................................................................................................... 37
ABSTRACT ............................................................................................................................... 38
4.1

INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 39

4.2

MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................................ 41

4.2.1

Histórico dos tratos culturais realizados pelo agricultor ................................................ 42

4.2.2

Determinação do estado nutricional das plantas .......................................................... 42

4.2.3

Delineamento estatístico .............................................................................................. 42

4.2.4

Avaliações ................................................................................................................... 43

4.3

RESULTADOS E DISCUSSÃO.......................................................................................46

4.5

CONCLUSÕES ............................................................................................................ 59

REFERÊNCIAS ........................................................................................................................ .60

5 EFICIÊNCIA DO PREDADOR Proctolaelaps bickleyi BRAM (ACARI: ASCIDAE)
SOBRE Aceria guerreronis KEIFER (ACARI: ERIOPHYIDAE) EM CAMPO .......................... 65
RESUMO................................................................................................................................... 65
ABSTRACT ............................................................................................................................... 65
5.1

INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 66

5.2

MATERIAL E MÉTODOS ........................................................................................... 68

5.2.1

Criação de ácaros predadores .................................................................................... .69

5.2.2

Liberação em campo ................................................................................................... 70

5.2.3

Análise da atuação do predador .................................................................................. 71

5.3

RESULTADOS E DISCUSSÃO......................................................................................72

5.5

CONCLUSÕES ........................................................................................................... 77

REFERÊNCIAS ......................................................................................................................... 77

13

1

INTRODUÇÃO
O coqueiro (Cocos nucifera L.) (Arecaceae) é uma palmeira perene de até 30

m de altura e 30 a 50 cm de diâmetro. As folhas são do tipo pinadas de 4-6 m de
comprimento, com pinas de 60-90 cm. O fruto (coco) é classificado como uma drupa,
a casca (mesocarpo) (EMBRAPA, 2006).
O coqueiro é uma planta cultivada em aproximadamente 90 países
(PERSLEY, 1992). Em 2012, o Brasil tinha uma área aproximadamente de 260.000
ha cultivados com coqueiro, com produção próxima a três bilhões de frutos. As
maiores plantações e produções estão localizadas na faixa litorânea do Nordeste e
parte da região Norte do Brasil. Alagoas ocupa a décima colocação entre os estados
brasileiros que mais produzem coco, com produção aproximada de 30.000 frutos por
ano (FAO, 2014).
Existem vários fatores que limitam a produtividade do coqueiro. Dentre estes,
artrópodes são considerados os principais limitantes, principalmente o ácaro-danecrose Aceria guerreronis Keifer (Acari: Eriophyidae). As perdas ocasionadas por
este ácaro não se restrigem apenas ao Brasil. No México, constatou-se uma
diminuição de 25% no peso da copra (ROSAS et al., 1992). Segundo Mariau et al.,
(1981), altas infestações podem diminuir em 50% o tamanho do fruto. Já Moore e
Alexander (1989), constataram redução da copra em 20 a 30%. No Caribe, após
queda prematura dos frutos, foi constatada uma variação de perdas entre 10 e 100%
(SEGUNI, 2002).
O ácaro-da-necrose, quando adulto, mede aproximadamente 255 µm de
comprimento, seu corpo é vermiforme, coloração branco-leitosa ou levemente
amarelada e brilhante e presença de apenas dois pares de pernas (MOORE;
HOWARD, 1996). O ataque do ácaro ocorre em frutos a partir de sua formação até
estágios mais avançados de desenvolvimento, na região do perianto. Os maiores
danos são causados nos períodos de florescimento e frutificação, afetando
diretamente a produção, causando queda das flores e dos frutos no início de sua
formação, ou nos primeiros meses (estágio inicial de crescimento fisiológico). Os
primeiros danos do ataque do ácaro são manchas branco-amareladas de formato
triangular na epiderme do fruto, com orientação de sentido bráctea/região posterior,
as

quais,

com

o

NASCIMENTO, 2002).

passar

do

tempo,

tornam-se

necrosadas

(MOREIRA;

14

Várias pesquisas têm sido realizadas para tentar combater o ácaro da
necrose, entre elas, o controle químico, com acaricidas de contato e sistêmicos.
Porém, a maneira com a qual o produto é aplicado, a forma como agem esses
produtos e o comportamento da praga, podem levar a falhas no controle,
principalmente em função do ácaro encontrar-se protegido pelas brácteas, o que
dificulta o uso dos acaricidas de contato. Já o uso de acaricidas sistêmicos, tem
apresentado um controle satisfatório, porém, produtos dessa natureza são mais
propícios a deixarem resíduos. Como a cultura do coco possui frutos em diferentes
fases de desenvolvimento e existem frequentes colheitas, há grande probabilidade
da retirada de cocos para a comercialização contendo resíduos químicos, tanto na
água quanto no albúmen sólido (MARIAU, 1977).

Produtos químicos como os

acaricidas sistêmicos e os de contato, também podem causar efeitos adversos sobre
a fauna benéfica e induzir o surgimento de ácaros resistentes (FREITAS et al.,
2006).
Com os problemas e dificuldades do controle químico no combate ao ácaro da
necrose, novos rumos têm sido considerados para pesquisas visando o controle e/ou
a diminuição do seu ataque e redução do dano à produtividade da cultura, como a
utilização de agentes biológicos, o controle do estado nutricional da planta, visando
uma maior resistência do vegetal.
Autores como Moreira et al. (1999), Michereff et al. (2008) e Lokesh;
Nandihalli (2009) têm estudado o efeito da adubação de plantas e o ataque de
ácaros, diferentes constações são observadas, porém algumas destas mostram uma
correlação direta entre a adubação das plantas e a população da praga. Navia et al.
2013 afirmam que o controle biológico pode ser a solução de longo prazo mais viável
e que todas as estratégias de biocontrole devem ser consideradas.
Desta forma, foram aplicados diferentes tipos de adubos, com o objetivo de
verificar a relação entre a nutrição das plantas com o ataque do ácaro da necrose A.
guerreronis e liberações em diferentes proporções de ácaros predadores P. bickleyi
para verificar sua eficiência em campo, sobre a população do ácaro praga.

15

2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Aspectos gerais sobre a cultura do coqueiro
O coqueiro (C. nucifera L.) é uma palmeira tropical, com provável origem
remete no Sudeste Asiático, difundida por toda região Intertropical, é cultivada em
cerca de 90 países (CUENCA, 1998). No Brasil, o seu cultivo é realizado em quase
todo o litoral, sendo encontrado desde o estado do Pará até o Espírito Santo, com
uma área de 280.000 hectares cultivados. Segundo dados do IBGE (2013), a Bahia
é o estado com a maior produção nacional, com cerca de 470.000 frutos por ano,
seguido por Sergipe, Pará e Ceará. Alagoas fica com a décima colocação no ranking
de produção nacional de coco, com pouco mais de 53.000 frutos por ano. Ainda
segundo o Instituto, o Nordeste é responsável por cerca de 80% da produção
Nacional de coco.
Em termos sociais e econômicos, o coqueiro gera emprego e renda, pois, é
um cultivo que demanda mão de obra o ano inteiro. Além disso, seu plantio permite
consórcio com outras atividades agrícolas como a criação de animais e até mesmo
como cultivo de subsistência, as quais contribuem para a fixação do homem na zona
rural (CUENCA, 1998).
2.1.1 Cultivo do coqueiro no mundo e no Brasil
A produção Mundial de coco foi cerca de 61 milhões toneladas em área
colhida de pouco mais de 11 milhões de hectares. Aproximadamente 80% da área
plantada com coqueiro no mundo estão localizadas na Ásia, os outros 20% estão
divididos entre os continentes Africano, Americano e Oceania (FONTES;
WANDERLEY, 2006).
A Indonésia é o país com a maior produção de coco do Mundo. O Brasil, na
década de 90, era o décimo maior produtor mundial, com produção próxima as 500
mil toneladas de coco. Em 2008 o país passou a ser o quarto maior com cerca de 3
milhões de toneladas. Na America do Sul o Brasil responde por 80% da produção do
fruto (FAO, 2011).
2.1.2 Importância econômica do coqueiro
Utiliza-se de várias formas o fruto do coqueiro, sendo o consumo do fruto in
natura a maneira mais utilizada no Brasil. Há também processamento do
endosperma sólido ou albúmem seco (copra) ou fresco o qual é utilizado para
fabricação de vários produtos como coco ralado ou leite de coco, esses, por sua vez

16

são utilizados para diversos fins na indústria de alimentos, como doces, bombons e
bolos. Além do fruto, surgiu também na indústria outros produtos a partir do
coqueiro, como é o caso da fibra do coco, proveniente do mesocarpo do fruto,
utilizado para fabricar vários utensílios como tapetes e enchimentos para banco de
automóveis. Essa diversidade na utilização do coqueiro proporciona ao setor uma
elevada importância econômica, já que se podem produzir através dele diversos
subprodutos, o que justifica sua grande expansão nas regiões Nordeste, Norte,
Centro-Oeste e Sudeste do Brasil (CUENCA, 1998).
2.2 Adubação orgânica
A adubação orgânica pode ser uma alternativa para a manutenção da
qualidade de solos que sofrem exploração constante. Matérias orgânicas
adicionadas ao solo, dependendo do grau de decomposição, podem ter efeitos
imediatos e residual na disponibilização de nutrientes, tornando as plantas
resistentes as adversidades (CHABOUSSOU, 1987).
Existem poucos trabalhos que evidenciam a importância da adubação
orgânica em relação a fertilidade do solo, e consequentemente para o aumento na
produtividade das culturas. Assim, estudos realizados por Herencia et al. (2007) ao
avaliarem diferentes adubos relacionando-os a fertilidade do solo quanto a
concentração de macronutrientes e produtividade em casa de vegetação,
comparando-se adubos minerais e orgânicos não observaram diferenças na
produtividade após o segundo ano, porém onde houve aplicação de orgânico foi
observado maior teor de matéria orgânica e nitrogênio, isto ocorreu devido a
capacidade de retenção de cátions em função da matéria orgânica. Outro trabalho
relacionado a adubação orgânica foi para a produção de sementes de coentro,
apesar das diferenças existentes entre essa cultura e a do coqueiro foi importante
observar a constatação de Alves et al. (2008), onde avaliaram doses de esterco
animal exclusivamente e associadas com adubo mineral e concluíram que houve
influência na qualidade fisiológica das sementes em relação as diferentes doses,
principalmente no tratamento com esterco bovino.
Trabalhos como esses, demonstram a importância que a adubação orgânica
pode apresentar para o desenvolvimento de uma agricultura, não apenas em termos
de produtividade, mas também, saudável, moderna e de melhor aproveitamento de
recursos.

17

2.2.1 Adubação do coqueiro
O coqueiro é considerado uma planta exigente em termos nutricionais,
principalmente por ser alta a quantidade de nutrientes que extrai do solo, isto
acontece por ser uma planta que se desenvolve de forma contínua, com ocorrência
simultânea da floração, frutificação e maturação dos frutos (OHLER, 1999). Segundo
Magat (2005), a absorção de N e de K, pelo coqueiro, pode chegar a 174 e 299 kg
ha-1, respectivamente; dessa quantidade, cerca de 62% do N e 78% do K são
direcionados para os frutos. Em coqueirais irrigados da variedade anão podem ser
colhidos 250 frutos por planta no ano, com isso são exigidos uma quantidade ainda
maior de nutrientes, necessitando de um manejo adequado das adubações, que
devem ser realizadas para não comprometer a produtividade do coqueiral (SOBRAL,
1998; TEIXEIRA et al., 2005).
Sobral (1998) observou que a produção de coco na variedade “Anão-Verde”,
sob fertirrigação, foi maximizada quando os teores foliares de N e K
corresponderam, respectivamente, a 21,48 e 15,47 g kg-1. Apesar disto, ainda se
sabe pouco sobre a influência da adubação na intensidade de ataque do ácaro da
necrose na cultura do coqueiro.
O nitrogênio é um nutriente essencial para diversas culturas, uma vez que é o
principal componente da síntese de proteínas e fazendo parte da estrutura molecular
da clorofila. Por essa razão, as adubações com N promovem significativos efeitos
sobre o crescimento vegetativo e produção (TAMPUBOLON; DANIEL; OCHS, 1990;
BONNEAU et al., 1993). Manciot, Ollagnier e Ochs (1980), observaram efeito
positivo da adubação nitrogenada no crescimento e na produção do coqueiro “Anão
Vermelho”. Secretaria e Maravilla (1997), observaram correlação significativa entre o
teor de N na folha e o número de frutos.
Outro elemento importante para a cultura do coco é o potássio (K), o que
constitui junto ao nitrogênio e ao fósforo, o grupo conhecido como elementos nobres
da adubação (MELLO et al., 1989). O K é o principal ativador enzimático, atua em
diversas fases do metabolismo, como:

reações de fosforilação, síntese de

carboidratos e proteínas, participação na respiração, além de regular o fechamento e
a abertura de estômatos. Este elemento é essencial na frutificação e maturação dos
frutos, sendo responsável pela conversão de amido em açúcares (EPSTEIN, 1975).

18

O coqueiro é extremamente exigente em potássio, exportando cerca de 100
kg ha-1ano-1 (FALLAVIER; OLIVIN, 1988). A exportação muitas vezes causa as
deficiências, principalmente em coqueirais cultivados em solos arenosos (MANCIOT,
1980). Sobral (2003) ao avaliar o estado nutricional dos coqueirais do Nordeste
brasileiro, observou o estado nutricional do coqueiro em um período de quatro a sete
anos de idade, demonstrou as máximas produções de coco verde correspondentes a
um teor de K entre 9 e 10 g kg-1 de folha seca.
Segundo Manciot, Ollagnier e Ochs (1980), a nutrição potássica pode
influenciar na atuação do nitrogênio, havendo uma correlação positiva, dessa forma
a presença do K faz com que a planta consiga absorver e melhor utilizar o N. Ainda
segundo os autores a correção da deficiência de K, favorece o N e
consequentemente o aumento do número de cocos.
Estas pesquisas apontam a necessidade do manejo contínuo da adubação do
coqueiro, com monitoramento utilizando-se análise foliar, análise do solo, sua
correção e reposição de nutrientes através da adubação química, e muitas vezes
cobertura com a utilização de adubação orgânica.
2.2.2 Adubação x ataque de pragas
Segundo Chaboussou (1987), o estado nutricional da planta pode determinar
sua resistência ou susceptibilidade ao ataque de pragas e patógenos. Uma carência
nutricional resultante de um desequilíbrio na quantidade de macro e micronutrientes
podem provocar mudanças no metabolismo da planta fazendo com que predomine o
estado de proteólise nos tecidos, no qual os parasitas encontram as substâncias
solúveis necessárias para a sua nutrição. Por outro lado, quando existe um equilíbrio
nutricional na planta, um ou mais elementos agem de forma benéfica no
metabolismo, estimulando a proteossíntese, resultando num baixo teor de
substâncias solúveis nutricionais, não correspondendo às exigências tróficas do
parasita, tornando as plantas, menos atrativas ao ataque de insetos e
microrganismos patogênicos.
A adubação das plantas pode influenciar a suscetibilidade das culturas ao
ataque de insetos e ácaros. Tanto o excesso como a carência de nutrientes podem
romper o equilíbrio fisiológico da planta e afetar, assim, sua produtividade e
resistência e/ou tolerância ao ataque das pragas (MARSCHNER, 1995).

19

Moore e Howard (1996), comparando o estado nutricional do coqueiro Gigante
com o ataque de A. guerreronis, em Santa Lucia (América Central), observaram um
aumento dos danos nos frutos, após incremento no nível de N nas folhas, enquanto
o aumento de K diminuiu o ataque. Kannaiyan et al. (2002) afirmaram haver redução
na infestação do ácaro da necrose em coqueiro “Gigante” na India, após adubação
com altas doses de K. Porém, com relação a variedade “Anão” ainda há poucos
estudos relacionados a influência de K.

Micheref et al. (2008), afirmaram que

dosagens de N e K influenciam na produção de coco da variedade “Anão”, porém
não interferem negativamente no ataque do ácaro da necrose.
2.3 Ácaros, características gerais e classificação
Os ácaros são organismos caracterizados por apresentarem um corpo
indiviso, ou seja, não segmentado, apêndices articulados e exoesqueleto
(FLECHTMANN; MORAES, 2000; GERSON et al., 2003). O corpo dos ácaros é
conhecido como idiossoma e é constituído de diferentes regiões que recebem
nomenclaturas específicas. Assim, além do idiossoma, existem também a região do
gnatossoma, onde estão presentes os apêndices anteriores, quelíceras e palpos. A
região onde estão localizados os dois pares de pernas anteriores é conhecida como
propodossoma e além dele existe o metapodossoma que é a região onde estão
localizados os dois pares de pernas posteriores, quando existem. A última região,
que fica localizada após o último par de pernas, é conhecida como opistossoma. Na
região lateroventral do idiossoma estão implantadas as pernas (GERSON et al.,
2003; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Quanto ao desenvolvimento, os ácaros geralmente apresentam as fases de
ovo, larva, protoninfa, deutonifa e adulto. Ácaros correspondem ao segundo maior
grupo de artrópodes em números de espécies conhecidas. Habitam os mais
diferentes ambientes e possuem hábitos alimentares bastante diversificados, sendo
os ácaros fitófagos e predadores mais frequentes (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Os ácaros estão classificados no filo Arthropoda, subfilo Chelicerata, classe
Arachnida, subclasse Acari. Essa subclasse encontra-se dividida em duas
superordens conhecidas como Parasitiformes e Acariformes, nelas existem seis
ordens, com aproximadamente 400 famílias. Na superordem Parasitiformes, estão
presentes as ordens Opilioacarida, Holothyrida, Ixodida e Mesostigmata. Na

20

superordem

Acariformes,

estão

os

ácaros

das

ordens

Trombidiformes

e

Sarcoptiformes (KRANTZ et al., 2009).
2.3.1 Ácaros fitófagos
São conhecidos como ácaros fitófagos aqueles ácaros que se alimentam das
plantas. Existem aproximadamente 6.000 espécies de ácaros conhecidas que se
alimentam apenas de plantas. Apesar do grande número, apenas 30 dessas
espécies são identificadas como causadoras de danos econômicos significativos a
diferentes espécies de plantas cultivadas. Ácaros de várias famílias podem atacar
diversos

cultivos,

dentre

elas

destacam-se

como

mais

importantes

os

tetranychídeos, tarsonemídeos e eriofídeos (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Na produção agrícola brasileira existem algumas espécies de ácaros pragas
consideradas mais importantes, dentre elas: Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939),
Tetranychus urticae (Koch, 1836) e Polyphagotarsonemus latus (Banks, 1904),
classificados

nas

famílias

Tenuipalpidae,

Tetranychidae

e

Tarsonemidae,

respectivamente (MORAES; FLECHTMANN, 2008). Além desses, pode-se citar
também o ácaro Aceria guerreronis (Keifer, 1965) (Prostigmata: Eriophyidae). Há
uma grande variação morfológica entre os ácaros fitófagos, a grande maioria agrega
no gnatossoma as quelíceras modificadas em estiletes, permitindo a alimentação do
conteúdo celular vegetal (FLECHTMANN, 1977).

2.4. Principais ordens de ácaros de importância agrícola
2.4.1 Ordem Trombidiformes
Essa ordem de ácaros é formada por duas subordens: Prostigmata e
Sphaerolichida existem cerca de 40 superfamílias (KRANTZ et al., 2009).
2.4.1.1 Subordem Prostigmata
Essa subordem é considerada bastante heterogênea e apresenta 36
superfamílias incluindo ácaros predadores terrestres, plantícolas, aquáticos marinhos
e doucículas, além de ácaros saprófagos, parasitas, e principalmente ácaros
fitófagos (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Segundo

KRANTZ

et

al.

(2009)

as

características

morfológicas

e

comportamentais dos ácaros dessa subordem são mais diversificadas em relação a
qualquer outra categoria de Acari. Geralmente esses ácaros têm idiossoma pouco

21

esclerotizado e dividido em duas regiões, propodossoma e histerossoma, separadas
por uma região chamada sulco sejugal (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Os

ácaros

que

tecem

teia,

encontram-se

classificados

na

família

Tetranychidae, compreende um grupo com um grande número de indivíduos
exclusivamente

fitófagos

(MORAES;

FLECHTMANN,

2008).

Existem

aproximadamente 1.625 espécies (MIGEON; DORKELD, 2011), agrupadas em 70
gêneros (GERSON et al., 2003). Ácaros tetranichídeos exploram uma grande
diversidade de plantas, de diferentes famílias (FLECHTMANN, 1977; GERSON et
al., 2003; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
A superfamília Eriophyoidea é considerada uma das mais importantes,
constituída de três famílias, Eriophyidae, Diptilomiopidae e Phytoptidae. Existem
aproximadamente 3.500 espécies agrupadas em pouco mais de 300 gêneros
(AMRINE, 2003).
Os ácaros eriofioideos são conhecidos como microácaros por causa de suas
reduzidas dimensões. Estes ácaros são considerados o segundo grupo de maior
importância econômica como ácaros-praga mundialmente, superados apenas pelos
tetranyquídeos. No Brasil, seis espécies são consideradas de grande importância
econômica, dentre estas pode-se citar: Aceria guerreronis Keifer e Calacarus heveae
Feres (MORAES; FLECHTMANN, 2008). A morfologia dessa família de ácaro é
bastante especializada e seus hábitos biológicos permitem desenvolver-se em
ambientes ou lugares confinados, como por exemplo nas bainhas das folhas, brotos
terminais, gemas, galhas, eríneos e também na superfície das folhas (GERSON et
al., 2003; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
A maioria dos microácaros são bastante específicos, atacando apenas uma
espécie vegetal. O fato de ter essa pequena gama de hospedeiros pode estar
relacionado à estreita relação que esses ácaros desenvolvem com seus
hospedeiros, pois, muitos desses indivíduos sobrevivem apenas em estruturas que
são aparentemente formadas nas plantas em resposta à inoculação de substâncias
no ato da alimentação dos indivíduos. A formação dessas estruturas permite que os
microácaros consigam sobreviver. Porém, existem algumas espécies que se
alimentam de várias espécies de um só gênero de plantas, a exemplo de Aculops
lycopersici Massee, 1937 (MORAES; FLECHTMANN, 2008).

22

A família Tarsonemidae tem aproximadamente 550 espécies, agrupadas em
45 gêneros. Estes ácaros são de hábitos alimentares bastante variados, podendo
alimentar-se de fungos, algas e plantas. A espécie de maior importância para a
agricultura é o ácaro branco, Polyphagotarsonemus latus (Banks, 1904), espécie
polífaga, ataca diversas culturas de grande importância (MORAES; FLECHTMANN,
2008, Krantz et al., 2009).

Outro ácaro da família Tarsonemidae considerado

importante, principalmente para a cultura do coqueiro é Steneotarsonemus furcatus
De Leon, com danos parecidos ao ataque do ácaro da necrose, esse indivíduo causa
descoloração da superfície dos frutos, que progride para fendilhamento longitudinal e
transversal com finas áreas necróticas, estabelecendo colônias sobre a epiderme,
entre as pétalas florais e o carpelo (NAVIA et al., 2005).
A família Tenuipalpidae, concentra cerca de 880 espécies em 32 gêneros
(MESA-COBO, 2005). Esses ácaros são conhecidos como ácaros-planos e falsos
ácaros-de-teia (MORAES; FLECHTMANN, 2008). Os ácaros Tenuipalpidae são
organismos exclusivamente fitófagos, apesar deste fato, o número de espécies
consideradas pragas é reduzido. Porém existem indivíduos considerados de grande
importância, principalmente por apresentarem características de serem vetores de
viroses. No Brasil, a espécie de maior importância é Brevipalpus phoenicis
(Geijskes). Esses ácaros podem injetar toxinas e serem vetor de diferentes vírus, os
quais são causadores de doenças em plantas. Além desse ácaro pode-se citar T.
chamaedorea como outra espécie importante (WELBOURN et al., 2003; MESACOBO, 2005; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
A família Cheyletidae agrupa aproximadamente 500 espécies, em 77 gêneros,
esses ácaros podem ser predadores ou parasitas (GERSON et al., 2003; ZHANG et
al., 2011). Os ácaros predadores podem alimentar-se de uma grande variedade de
microartrópodes, principalmente de ácaros fitófagos e saprófitas, como por exemplo
ácaros da família Acaridea, e Collembola (GERSON et al., 2003).
Os Cheyletidae são geralmente encontrados em grãos armazenados e
estábulos, principalmente quando há presença de Acaroidea (Astigmatina). Também
podem ser encontrados na casca e na folhagem de árvores onde geralmente se
alimentam de ácaros fitófagos e de ninfas de primeiro estágio de cochonilhas
(MORAES; FLECHTMANN, 2008).

23

Stigmaeidae é outra família importante, nela são agrupadas 432 espécies em
28 gêneros (GERSON et al., 2003). Os Stigmaedae são encontrados principalmente
no solo, porém são mais comuns sobre plantas, onde atuam como predadores de
outros ácaros (GERSON et al., 2003; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Segundo grupo de predadores encontrados com maior frequência sobre as
plantas, os indivíduos da família Stigmaedae (MORAES; FLECHTMANN, 2008),
foram observados predando ácaros das famílias Tetranychidae e Tenuipalpidae,
mostrando uma eficiência muitas vezes maior que muitos ácaros da família
Phytoseiidae, tendo assim um grande potencial para serem utilizados em programas
de controle biológico (MATIOLI, 2009).
Tydeidae é uma família de ácaros constituída de 374 espécies, essas,
pertencentes a 58 gêneros (GERSON et al., 2003).

São encontrados com

frequência associadas a plantas e no solo, podem alimentar-se de vários materiais
de origem vegetal e animal (GERSON et al., 2003; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Esses ácaros não são considerados pragas de plantas, apesar de existirem relatos
na literatura da ocorrência de algumas espécies causando danos. Nessa família
existem espécies fitófagas, predadoras e micófagas. Além disso, algumas espécies
parecem ser importantes como presas alternativas a ácaros predadores da família
Phytoseiidae (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Na família Bdellidae são encontradas 114 espécies em 15 gêneros, esses,
vivem em plantas, no solo e em grãos armazenados, além disso, podem se alimentar
de pequenos artrópodes. Quanto à população são pouco frequentes e pouco
abundantes. Há relatos da contribuição de algumas espécies de Bdellidae no
controle de várias pragas (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
2.4.2 Ordem Mesostigmata
São ácaros com hábitos de vida diversificados. Nessa ordem existem
descritas aproximadamente 12.000 espécies, em cerca de 560 gêneros, 72 famílias
e 26 superfamílias (WALTER; PROCTOR, 1999).
A grande maioria dos mesostigmatas é considerada espécie predadora de
vida livre (KRANTZ et al., 2009), porém, existem também espéceis que são parasitos
ou simbiontes de mamíferos, aves, répteis e outros artrópodes. Além desses,
existem também alguns detritívoros que se alimentam de material em decomposição,
outros polinívoros (se alimentam de pólen) e alguns se alimentam de néctar,

24

desempenhando papel importante na regulação ambiental (WALTER; PROCTOR,
1999).
Morfologicamente, os mesostigmatas geralmente apresentam escudos ou
placas esclerotizadas que cobrem parcial ou totalmente o dorso e o ventre do
idiossoma (MORAES; FLECHTMANN, 2008; KRANTZ et al., 2009). Esse grupo de
ácaros é considerado de grande importância, por ser o segundo maior em número
de espécies conhecidas, geralmente estão presentes no solo e compreendem as
principais famílias de ácaros predadores (WALTER et al., 1988).
A família Phytoseiidae é uma das principais da ordem mesostigmata, essa, é
constituída por mais de 2.200 espécies, agrupadas em mais de 65 gêneros
(MORAES et al., 2004). São encontrados com maior frequência sobre plantas, mas
também

são

observados

no

solo,

embora

pouco

frequentes

(MORAES;

FLECHTMANN, 2008). Os ácaros Phytoseiidae são os predadores mais estudados e
utilizados em programa de controle biológico de ácaros praga (GERSON et al.,
2003).
Ascidae é outra família importante, esta é constituída por aproximadamente
650 espécies, pertencentes a 37 gêneros. São ácaros que têm semelhanças do
ponto de vista morfológico e biológico com os Phytoseiidae. Esses ácaros são
comumente encontrados no solo, podendo também serem encontrados em grãos
armazenados, sobre plantas ou associados a insetos e a vertebrados (MORAES;
FLECHTMANN, 2008).
2.4.3 Ácaros Predadores
Os ácaros predadores podem ser encontrados em vários ambientes,
principalmente sobre plantas (nas folhas, flores e frutos) e no solo. Esses indivíduos
têm como alimento principal ácaros fitófagos, porém, algumas espécies de ácaros
predadores também podem alimentar-se de outras fontes de alimentos, como pólen,
fungos, exsudato de plantas e insetos (MCMURTRY et al., 1970, MCMURTRY;
RODRIGUES, 1987). As espécies de ácaros predadores mais importantes para o
controle biológico estão presentes nas famílias Phytoseiidae e Ascidae.
Os ácaros fitoseídeos começaram a serem estudados intensivamente a partir
de 1950, destacando-se as espécies: Neoseiulus californicus, Phytoseiulus
macropilis e Stratiolaelaps scimitus podem ser destacados. Estes ácaros têm sido
considerados importantes para o controle biológico de ácaros fitófagos da família

25

Tetranychidae em agroecossistemas (MORAES, 1991). Existem ácaros predadores,
que podem ser encontrados em plantas cultivadas e silvestres (GERSON; SMILEY.
1990).
Morfologicamente, os ácaros da família Phytoseiidae apresentam uma
coloração variável, desde amarelada a marrom, gnatossoma com quelíceras que tem
ambos os dígitos desenvolvidos, em forma de quela, com a margem interna
denteada, além de apresentarem pernas anteriores longas e sua movimentação ser
rápida (MORAES; FLECHTMANN, 2008; SATO et al., 1994).
Espécies de ácaros da família Ascidae, também são predadores importantes,
apresentam algumas semelhanças morfológicas e biológicas com os Phytoseiidae.
Existem já descritas cerca de 650 espécies em 37 gêneros (MORAES;
FLECHTMANN, 2008). São ácaros encontrados com frequência no solo, comuns
também em depósitos de grãos, criações de insetos em laboratório, sobre plantas ou
associados a insetos. Várias espécies são predadoras de outros ácaros, insetos e
nematoides, também podem se alimentar de fungos ou pólen (MORAES;
FLECHTMANN, 2008).
As espécies encontradas com maior frequência sobre folhas, são dos gêneros
Asca von Heyden e Lasioseius Berlese. Em flores, encontram-se principalmente
espécies de Proctolaelaps Berlese, Rhinoseius Baker & Yunker e Tropicoseius Baker
& Yunker (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Mesmo com seu comportamento predatório, estudos com o objetivo de utilizar
espécies no controle biológico de pragas têm sido escassos. Gerson et al. (2003),
após alguns estudos, afirmaram que esses ácaros são potencialmente úteis como
agentes de controle biológico e necessitqiede estudos mais aprofundados.

3

ÁCAROS RELATADOS SOBRE O COQUEIRO
Inicialmente, para o controle do ácaro da necrose, é importante o

conhecimento não apenas da praga, mas também o desenvolvimento da cultura do
coqueiro, principalmente quanto a produção. A partir da filotaxia do coqueiro (Fig.
1) é

26

Figura 1. Esquema da filotaxia do coqueiro (Pinho, 2008), para compreensão da
disposição dos cachos.

possível identificar a disposição dos cachos, com isto, o produtor é capaz de saber a
localização adequada de cada cacho, baseada no seu posicionamento em relação a
abertura das folhas. Este conhecimento favorece no momento da colheita dos frutos
os quais são colhidos apartir da folha 18, quanto na aplicação da adubação e
também favorece a aplicação pontual de produtos fitossanitários para controle de
pragas e doenças.
Em relação aos ácaros que atacam o coqueiro, há relatos de cinco famílias
que podem causar prejuízos à cultura do coqueiro, Eriophyidae, Phytoptidae,
Tenuipalpidae, Tetranychidae e Tarsonemidae. Os eriofídeos são os principais
ácaros que atacam o coqueiro no Brasil, com vários problemas ocasionados, tendo
destaque o ácaro A. guerreronis, que pode provocar deformação e/ou redução e
queda prematura do coco. Além de causarem danos diretos à cultura, esse ácaro é
considerado de difícil controle, isto ocorre principalmente pela sua localização na
planta (MORAES; ZACARIAS, 2002). Outro ácaro da família Eriophyidae que ataca o
coqueiro é o ácaro da mancha anelar (Amrineus cocofolius Flechtmann),
aparentemente acredita-se que não afeta de forma significativa a produção da
cultura, causando apenas um dano na estética do fruto, seu ataque acontece nas
proximidades das margens distais das brácteas, tanto em frutos no estágio inicial de

27

formação como em estágios mais avançados, o que ocasiona a formação de
necrose transversal no fruto, não atingindo as brácteas (NAVIA et al., 2005).
Da família Phytoptidae Retracrus johnstoni Keifer 1965, é outro ácaro relatado
atacando o coqueiro. Até o momento foi encontrado apenas ocasionando problemas
nas folhas da planta e aparentemente, esse ácaro causa danos que não chegam a
prejudicar a produtividade da cultura (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Ácaros Tenuipalpides tem apresentado grande importância para a cultura do
coqueiro, principalmente a espécie Raoiella indica Hirst, este ácaro era classificado
como quarentenário A1 até julho de 2009, quando foi detectado infestando folhas de
coqueiros em áreas urbanas de Boa Vista (NAVIA et al., 2011). Atualmente esta
espécie se encontra difundida em várias regiões do Brasil (Norte, Nordeste e
Sudeste). Infestações altas do ácaro R. indica em coqueiro causam amarelecimento
severo das folhas, seguido de necrose dos tecidos (FLECHTMANN; ETIENNE,
2004). Várias estimativas têm sido criadas na quantificação da redução na produção
de coqueiros. Para algumas localidades do Caribe e da América do Sul a redução na
produção de cocos têm sido superiores a 70%.
Na família Tarsonemidae destaca-se a espécie Steneotarsonemus furcatus
(De Leon,1956), que é encontrada nas proximidades das margens distais das
brácteas. Na superfície dos frutos e podem ser encontrados também sob as
brácteas, porém maiores populações desse ácaro em frutos jovens (NAVIA et al.,
2005). Os danos ocasionados pelo ataque desse ácaro lembram os causados pelo
ataque do ácaro da necrose, porém apesar das rachaduras nos frutos e necroses,
esses danos não se desenvolvem em formato triangular (GONDIM JR.; OLIVEIRA,
2001; NAVIA et al., 2005).
3.1

Ácaro Aceria guerreronis
O primeiro relato do ácaro A. guerreronis aconteceu no México,

posteriormente em vários países da América Central, América do Sul, Ilhas do
Caribe, África e Ásia a partir de 1997. No Brasil, o primeiro relato da presença do
ácaro ocorreu nos estados de Pernambuco e Rio de Janeiro (AQUINO; ARRUDA,
1967). NAVIA et al. (2005) encontraram esse ácaro em levantamentos realizados
nos Estados de Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio
Grande do Norte, São Paulo e Sergipe.

28

O ácaro A. guerreronis é encontrado principalmente atacando cocos, localizase sob as brácteas. Os primeiros danos observados com o ataque do ácaro são
manchas brancas de formato triangular na região de inserção das brácteas com a
superfície de frutos jovens (perianto). À medida que ocorre o crescimento do fruto
essa mancha vai se expandindo, tornando-se mais larga, consequentemente
necrótica e suberificada. Depois aparecem ranhuras longitudinais (ALENCAR et al.,
2002; MARIAU, 1986; NAVIA et al., 2005), que podem causar queda prematura do
fruto, má formação ou redução do seu tamanho.
O ácaro da necrose foi relatado em Pernambuco, causando danos à gema
apical de plântulas (AQUINO E ARRUDA,1967). Segundo Ferreira et al. (1994), as
folhas que são emitidas depois que se inicia o ataque do ácaro ficam mais escuras e
pregueadas, além de se tornar mais lenta a emissão de novas folhas. Ainda com
relação as folhas, essas, podem apresentar necrose na base do pecíolo e com o
avanço da infestação, a necrose pode atingir a gema terminal, o que ocasionará a
morte da plântula (GONDIM JR.; OLIVEIRA, 2001).
Quanto a sua forma de disseminação, o ácaro da necrose pode percorrer 22,5
cm em 30 min, assim, apesar de lento, esses ácaros conseguem migrar de um fruto
para o outro (GALVÃO et al., 2012). A probabilidade de o ácaro atingir novos frutos é
maior quando há corrente de ar para transportá-los (MOORE; HOWARD 1996). Com
isso, Mariau (1977) constatou que coqueirais mais próximos ao mar são mais
afetados pelo ácaro da necrose, devido a presença de correntes de ar que ajudam
os indivíduos em sua dispersão.
Além dos ventos, acredita-se que a dispersão do ácaro da necrose pode
ocorrer por forésia, seja em artrópodes, atraídos para a inflorescência e frutos, ou
mesmo outros animais, como lagartos e pássaros predadores (MOORE; HOWARD,
1996).
A localização do ácaro da necrose no fruto torna seu controle muito difícil. O
grau de infestação pode aumentar ou diminuir de acordo com a época do ano e a
região onde se encontra o coqueiral. Há indícios que a diferença no grau de
infestação esteja ligada à presença de inimigos naturais, porém essa hipótese ainda
não foi confirmada (MORAES; FLECHTMANN, 2008). Ferreira et al. (1994) relataram
várias tentativas de se controlar esse ácaro, através de diferentes métodos

29

(resistência da planta, químico e biológico), porém nenhuma das formas de controle
alcançou resultados seguros que possam ser repetidos.
Em relação ao controle químico do ácaro da necrose, Mariau e Julia (1970)
foram os primeiros a afirmar que este método não é eficiente por causa do habitat
em que se encontra a praga, sua elevada capacidade de reprodução e a forma com
a qual vive na planta. Outro fator importante segundo os autores é que muitas
variedades de coco são altas, o que dificulta as aplicações de pesticidas. Assim,
embora haja esforços na determinação de agroquímicos eficientes para o controle da
praga, outros meios devem ser avaliados.
Estudos realizados após 2010 têm dado ênfase na busca do controle desta
praga através do uso de agentes de controle biológico (MORAES; ZACARIAS,
2002). Apesar do registro de várias espécies encontradas sobre os frutos de
coqueiro (Amblyseius largoensis Muma, Neoseiulus baraki Athias-Heriot, Neoseiulus
mumai Denmark e Neoseiulus paspalivorus De Leon), ainda são necessárias mais
informações sobre a utilização desses indivíduos. Lima et al. (2012) relataram que
ácaros predadores das espécies Neoseiulus baraki e Proctolaelaps bickleyi podem
ser eficientes no controle do ácaro da necrose, porém é preciso que haja mais
estudos. Assim, além de testes de eficiência com predadores em laboratório, é
necessário a criação massal e liberação desses organismos em campo, analisando
seu desempenho no ambiente, para uma possível utilização futura nos programas de
controle biológico do ácaro da necrose, dentre estes, a espécie com maior potencial
de uso é a P. bickleyi.
3.2

Ácaro Proctolaelaps bickleyi
O ácaro P. bickleyi está inserido na ordem mesostigmata e na família Ascidae.

Algumas espécies do gênero Proctolaelaps, têm sido descritas como habitantes
específicos de flores, que podem serem transportados por forésia em outros animais,
como insetos lepidopteras, que normalmente entram em contato com flores abertas
(BOGGS; GILBERT, 1987).
Não há muitas informações reunidas a respeito dessa espécie de predador,
apesar de descrita por Bram 1956, esta espécie vem sendo pesquisada
constantemente, principalmente em associação com o ácaro da necrose do
coqueiro.

30

Na cultura do coqueiro, P. bickleyi é uma das espécies encontradas em maior
número nos frutos abortados, representando 46% do total de ácaros predadores
associados a A. guerreronis. Enquanto no perianto a presença desse predador
representa 7% do total de ácaros associados a A. guerreronis (LAWSON-BALAGBO
et al., 2007).

31

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37

4 CONTROLE DO ÁCARO DA NECROSE DO COQUEIRO COM ADUBAÇÃO
ORGÂNICA ALIADA A QUÍMICA
RESUMO

Objetivou-se com esse trabalho verificar o efeito da adubação orgânica e química
sobre a redução da população do ácaro da necrose em coqueiro. Constando de dez
tratamentos (adubos), os quais foram aplicados em duas etapas, sendo o adubo
químico de acordo com a recomendação. Aplicou-se dois Kg de adubo químico
(formulado) por planta, enquanto a quantidade de adubo orgânico variou de acordo
com o tipo e a mistura realizada: adubo químico + esterco de galinha poedeira,
adubo químico + esterco bovino, adubo químico + esterco caprino, esterco galinha
poedeira, esterco bovino, esterco caprino, adubo químico + esterco de galinha +
esterco bovino + caprino, esterco de galinha + esterco bovino + esterco caprino. O
experimento foi realizado com quatro repetições e quatro plantas úteis por parcela.
Houve variação na população do ácaro-da-necrose para os frutos da folha 14 e 18
em relação ao tipo de adubo. A adubação orgânica aliada à química diminuiu a
quantidade Aceria guerreronis quando comparando à testemunha. O balanço
nutricional fortalece a planta, desfavorecendo o desenvolvimento da população do
ácaro Aceria guerreronis.
Palavras-chave: Adubação orgânica. Trofobiose. A. guerreronis.

38

ABSTRACT
The objective of this work was to verify the effect of organic and chemical fertilization
on the reduction of the necrotic mite population in coconut. It consists of ten
treatments (fertilizers), which were applied in two stages, being the chemical fertilizer
according to the recommendation. Two kg of chemical fertilizer (formulated) were
applied per plant, while the amount of organic fertilizer varied according to the type
and the mixture: chemical fertilizer + laying hen manure, chemical fertilizer + cattle
manure, chemical fertilizer + manure goat, Manure laying hen, cattle manure, goat
manure, chemical manure + chicken manure + cattle manure + goat, chicken manure
+ cattle manure + goat manure. The experiment was carried out with four replicates
and four useful plants per plot. There was variation in the necrotic mite population for
the fruits of leaf 14 and 18 in relation to the type of fertilizer. Organic fertilization
combined with chemistry decreased the amount Aceria guerreronis when compared
to the control. The nutritional balance strengthens the plant, disfavoring the
development of the Aceria guerreronis mite population.
Keywords: Nutritional balance. Trophobiosis. Aceria guerreronis

39

4.1

INTRODUÇÃO

Na produção do coqueiro existem vários fatores limitantes. Dentre estes,
destaca-se o ataque de pragas, com maior destaque para o coqueiro é o ácaro da
necrose (Aceria guerreronis) que foi registrado primeiramente no México por Keifer
(1965). No Brasil, os primeiros relatos do seu ataque foram nos estados do Rio de
Janeiro e Pernambuco, (MOORE; HOWARD, 1996; ROBBS; PERACCHI, 1965)
atualmente esse ácaro encontra-se difundido em todas as regiões produtoras de
coco do Mundo.
As colônias do ácaro da necrose desenvolvem-se na região meristemática do
fruto, causando diversos problemas na cultura do coqueiro, como: queda prematura
do fruto, necrose e rachaduras na sua epiderme, além de redução do tamanho e
deformação dos mesmos (MOORE et al., 1989). Também podem ocorrer exudações
de goma na área necrosada (Fig. 2).
Altas infestações do ácaro podem reduzir até 50% o tamanho do fruto. Além
disso, as perdas com a queda prematura do fruto variam de 10 a 100%. A rápida
colonização

pode

levar

ao

desenvolvimento

de

grandes

colônias

e

consequentemente a migração para outros frutos e plantas vizinhas (MARIAU et al.,
1981; SEGUNI, 2002).
As formas de controle que vem sendo testadas para o ácaro da necrose têm
sido as mais diversas, como cultivares resistentes, controle biológico, com fungos
entomopatogênicos, controle mecânico-cultural (MARIAU, 1986; ALENCAR et al.,
2002) e também controle químico com diversas aplicações de produtos durante todo
o ciclo da cultura. Apesar das diversas formas de controle que se tem testado para o
ácaro, seu sucesso é muito difícil, isto acontece devido ao hábito de vida da praga,
pois, esta se localiza sob as brácteas do coco, o que dificulta o contato com produtos
acaricidas e/ou inseticidas.

40

Figura 2. Danos ocasionados pelo ataque do ácaro Aceria guerreronis.

Fonte: Autor 2016

Nos últimos 15 anos, grandes esforços têm sido realizados para a avaliação
de inimigos naturais do ácaro da necrose. Porém, a diferença nas dimensões dos
predadores em relação a praga tem dificultado o sucesso deste tipo de controle, o
predador tem dificuldade em chegar ao habitat da praga a tempo de evitar o dano
(NAVIA et al. 2005), apesar de ainda não terem sido realizadas liberações em campo
para que esta afirmação seja comprovada.
Outra possibilidade de controle parte do princípio de que a suscetibilidade das
culturas ao ataque de insetos e ácaros pode ser afetada pelo tipo de adubação
utilizada. O excesso ou a carência de nutrientes podem ocasionar um desequilíbrio
fisiológico

na

planta

e

interferir

na

produtividade

e

principalmente

na

resistência/tolerância ao ataque das pragas (MARSCHNER, 1995)
Segundo Chaboussou, (1987), um ponto a ser destacado em sua teoria é a
existência de períodos críticos no ciclo da planta, ou seja, períodos em que a
proteólise predomina sobre a proteossíntese, tornando a planta mais sensível a
ácaros, pulgões ou fungos patogênicos. O desequilíbrio mineral no solo, a utilização
de adubos minerais solúveis e agrotóxicos interferem no processo de proteossíntese
e no metabolismo de carboidratos, levando a planta a acumular aminoácidos e
açúcares redutores nos tecidos, tornando-as mais atraentes às pragas e doenças.
A maioria dos insetos e ácaros que se alimentam de plantas depende de
substâncias solúveis, como: aminoácidos livres e açúcares redutores. Essas
substâncias são essenciais para sua sobrevivência, uma vez que esses indivíduos
não são capazes de desdobrar proteínas em aminoácidos (CHABOUSSOU, 1987).
Pesquisas realizadas por Moore, Ridout e Alexander (1991), Muthiah,
Bhaskaran e Kannaiyan (2001) e Michereff (2009) envolvendo a adubação do

41

coqueiro e o ataque do ácaro-da-necrose tem demonstrado diferentes resultados,
onde houve constataram e não constatação de correlação, alguns fatores ambientes
(solo, temperatura e planta) podem interferir nessas respostas, porém essas
pesquisas oram realizadas com adubação química a qual difere da orgânica em
relação a composição de minerais, além disso, um maior número de pesquisas
podem embasar melhor as expectativas quanto a este tipo de observação.
Assim, foram aplicados diferentes tipos de adubos, com o objetivo de verificar
a relação entre a nutrição das plantas com o ataque do ácaro-da-necrose A.
guerreronis.
4.2 MATERIAL E MÉTODOS
O estudo foi conduzido na empresa H. Dantas Comércio, Navegação e
Indústrias Ltda., localizada no município de Neópolis-SE Lat. 10° 11’ 12” S., Long.
36° 22’ 11” W., em plantio comercial de coqueiro, variedade anão verde, entre março
de 2015 e fevereiro de 2016, em coqueiral plantado em 2001, com espaçamento de
7,5 x 7,5 m (Fig. 3).
Figura 3. Visão aérea da empresa H. Dantas em Neópolis-SE (A). Interior do coqueiral
(área experimental destinada ao desenvolvimento da pesquisa) (B).

A
Fonte: Google, 2016. (A)

B
Fonte: Autor, 2016. (B)

42

4.2.1 Histórico dos tratos culturais realizados no coqueiral
Durante o ano de 2014 para combater o ácaro da necrose, o produtor aplicou
mensalmente o acaricida i.a. Carbosulfano; já no ano de 2015, anteriormente ao
início do experimento, no dia 13 de março aplicou-se Omite® 720 EC (Propargito).
O histórico de adubação por planta, nos últimos três anos anteriores à
implantação do experimento, foram: em 2012, 4 Kg de adubação química formulada
(22:00:30), fracionada em duas aplicações, associada a 26 Kg de esterco de galinha
poedeira, fracionada em duas aplicações; em 2013 foi mantida as mesmas
quantidades de adubos; em 2014 foram aplicados 3 Kg do químico formulado e 13
Kg de esterco de galinha poedeira.
Uma vez por ano é realizada correção do solo, com aplicação de 1,5 t ha-1 de
calcário dolomítico. O sistema de irrigação é constituído por dois microaspersores
autocompensantes por planta (vazão de 40 L h -1 por emissor), com aplicação de 150
L de água/planta/dia, o que corresponde a uma lâmina de água 2,67 mm dia-1. A
precipitação é de 1200 mm anual.
4.2.2 Determinação do estado nutricional das plantas
Após análise foliar, foi realizada análise do solo (procedimento realizado pela
empresa), isto possibilitou a formulação NPK 22 00 30 do adubo químico a ser
aplicado. As análises do teor de N dos adubos orgânicos foram realizadas para a
determinação da quantidade dos adubos que foram aplicados.
Foram selecionadas 160 plantas para a realização do experimento, onde o
estado nutricional foi determinado mediante análise foliar, seguindo metodologia de
Sobral (2003). Para tal, os teores de macro e micronutrientes foram determinados
por método proposto por Silva (1999).

4.2.3 Delineamento estatístico
O delineamento experimental utilizado foi em blocos ao acaso, com dez
tratamentos e quatro repetições. As localizações dos tratamentos foram sorteadas
com o software Sisvar. Os tratamentos (adubos) foram aplicados em duas vezes,
primeira adubação em 25-03-2015 e segunda adubação em 25-09-15.
Os tratamentos foram aplicados a lanço, realizando-se uma circunferência ao
redor das plantas. Aplicou-se 2 Kg de adubo químico formulado por planta. Já a
quantidade de adubo orgânico variou de acordo com o tipo e a mistura realizada:

43

adubação química recomendado + esterco de galinha poedeira (13 Kg), adubação
química recomendado + esterco bovino (21 Kg), adubação química recomendado +
esterco caprino (17 Kg), esterco galinha poedeira (26 Kg), esterco bovino (42 Kg),
esterco caprino (33 Kg), químico + esterco de galinha (5,5 Kg) + esterco bovino (8,4
Kg) + caprino (7 Kg), esterco de galinha (8 Kg) + esterco bovino (14 Kg) + esterco
caprino (11 Kg) e testemunha (Fig. 4) . As pesagens foram realizadas com balança
de precisão, apoiada em superfície plana, foram consideradas duas plantas úteis por
parcela.
Figura 4. Pesagem e aplicação de diferentes adubos, doses e combinações em
coqueiros localizados no município de Neópolis-SE.

Fonte: Autor, 2016.

4.2.4 Avaliações
Foi realizada uma avaliação prévia à aplicação dos tratamentos, por meio da
coleta de dois frutos por planta em toda área experimental, sendo um fruto do cacho
correspondente a folha 14 e outro proveniente da folha 18 (Fig.5), observando-se o
início e o final da infestação e possíveis danos causados pelo ácaro nos frutos.
Cronologicamente, em relação à abertura da inflorescência, os cachos
amostrados tinham aproximadamente três e seis meses de idade. Frutos do cacho
da folha 14 foram selecionados por apresentar-se mais novos, onde estes,
geralmente contém elevada população de ácaros, tornando-se apropriado para
avaliação visual dos danos na sua superfície e principalmente para a contagem do
número de ácaros presentes no perianto (MOORE; HOWARD, 1996).

44

Além da folha 14 também foram coletados frutos no cacho da folha 18, estes
por estarem no ponto de colheita para consumo de água, apresentando a extensão
final dos danos ocasionados pelo ataque do ácaro, sendo observado sua influência
na produção. Para cada cacho inspecionado, coletou-se um fruto aleatoriamente,
para avaliar a percentagem de frutos atacados, os danos e a quantidade de ácaros
encontrados. A percentagem de frutos atacados foi obtida pelo total de frutos
colhidos e a relação dos que estavam infestados ou apresentando sintomas.
Figura 5. Coletas de frutos de coqueiro com utilização de podão (A). Frutos coletados
com sintomas de Aceria guerreronis (B).

A

B
Fonte: Autor, 2016.

As avaliações pós tratamento ocorreram a cada três meses (junho, setembro,
dezembro e março). Em campo e laboratório foram observados ataque do ácaro,
mediante coleta e inspeção de frutos.
Para as avaliações prévia pós-aplicação, os frutos colhidos foram colocados
em sacos de papel 5 Kg, para evitar a formação de gotículas de água, evitando a
perda de material e morte de ácaros. Em seguida, todo o material foi colocado em
sacos plásticos com capacidade para 15 L, evitando a perda de umidade do material
para o ambiente. Após este procedimento, os frutos ensacados foram depositados
em caixas de poliestireno contendo gelo reutilizável, esse procedimento manteve os
frutos em condições estáveis de temperatura (aproximadamente 21ºC) para seu
transporte até o laboratório de Entomologia/Acarologia.
Em laboratório, os frutos foram avaliados visualmente e também com o auxílio
de microscópio estereoscópico, inicialmente com auxílio de um bisturi, as brácteas
dos cocos foram removidas e analisadas (Fig.6). O perianto, que é a região
meristemática do fruto, localizado logo abaixo das brácteas, também foi analisado

45

sob microscópio estereoscópico. Tanto as brácteas quanto o perianto foram lavados
com jatos de álcool a 70% em uma quantidade estabelecida de 20 mL. Após esse
procedimento agitou-se as amostras e retirou-se uma alíquota de 5 mL do álcool
contendo os ácaros. Esse volume foi utilizado para quantificar a população de ácaros
nos frutos gerando com isto a estimativa da população dos mesmos. A quantidade
de ácaros (formas ativas) encontrada em 5 mL foi multiplicada por quatro,
representando assim, o total de indivíduos (metodologia adaptada de (metodologia
adaptada de Ramos; Souza e Oliveira, 2010).
Figura 6. Detalhe do perianto e brácteas removidos de frutos de coqueiro para serem
analisadas em microscópio no Laboratório de Entomologia da UFAL,
Campus Arapiraca.

Fonte: Autor, 2016.

Para avaliação dos danos, foi utilizada escala visual de notas (0 a 70%)
adaptada de Galvão et al. (2008): 0 = fruto sadio; 1 = início da clorose na superfície
do fruto; 2 = clorose mais acentuada na superfície do fruto; 4 = aumento vertical da
clorose e/ou necrose na superfície do fruto; 8 = aumento acentuado vertical e
horizontalmente da superfície necrosada; 16 = menos de 1/3 da área do fruto com
sintomas ; 32 = cerca de 1/3 da área do fruto necrosada; 48 = cerca de metade da
superfície do fruto necrosada; 70 = superfície do fruto quase totalmente com a
superfície necrosada (Fig.7).

46

Figura 7. Escala visual para infestação de Aceria guerreronis sobre frutos de
coqueiro.

Fonte: Galvão et al., 2008

Foram considerados como comercializáveis os frutos que apresentaram
danos até a nota 8. A produção de frutos foi estimada durante um ano em colheitas
trimestrais, em todas as plantas da parcela, e expressa em número médio de frutos
por planta por colheita.
As médias dos tratamentos foram comparadas pelo teste de Tukey, a 5% de
probabilidade. O ataque do ácaro-da-necrose (infestação e observação de danos),
nos frutos, foram comparadas com os tipos de adubos utilizados, para se determinar
a associação entre o estado nutricional da planta e a dinâmica populacional do
ácaro.

4.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foi observado nos frutos das folhas 14 e 18 a menor percentagem de
infestação do ácaro-da-necrose na análise prévia, ou seja, antes da aplicação dos
tratamentos. Essa menor quantidade de ácaros na análise prévia em relação as
análises após aplicação dos tratamentos (adubos), aconteceu por ocasião da
aplicação do acaricida Omite® 720 EC (Propargito), acaricida de contato com ação
ovicida, larvicida e adulticida, classe I e período de carência de 30 dias, realizada

47

pela empresa, dez dias antes da avaliação e montagem do experimento. Como
medida preventiva para o controle do ácaro da necrose, o produtor aplica
mensalmente acaricidas, os quais mantêm a população da praga em níveis abaixo
do nível de dano.
Foi constatado um acréscimo de frutos com danos nos primeiros 180 dias da
aplicação dos tratamentos. Na avaliação com 270 dias, ocorreu para ambas as
folhas (14 e 18) uma visível redução de frutos danificados, porém quando a análise
foi feita no microscópio, constatou-se na folha 14 um aumento da infestação da
praga. Verificou-se um pequeno decréscimo do número de ácaros na avaliação
realizada ao microscópio aos 360 dias na folha 14, o contrário foi obtido com a
análise visual. A máxima infestação foi observada aos 270 na folha 14,
ultrapassando 60% de infestação, já com 360 dias nos frutos da folha18 chegou
próximo a 100% de infestação (Fig. 8).
Figura 8. Infestação de Aceria guerreronis (análise visual e microscópica) sobre os
frutos de coqueiro, de março de 2015 a março de 2016 (Folha 14 e 18).

O ácaro A. guerreronis tem como característica biológica seu ciclo curto,
principalmente em altas temperaturas, isto faz com que se desenvolvam gerações
sucessivas, o que proporciona grande desenvolvimento das populações dessa praga
e consequentemente são registrados aumento significativo de frutos com danos
visíveis. Segundo Ansaloni e Perring (2004), em temperaturas de 30 a 35°C, o ciclo
de vida do ácaro da necrose varia de 6 a 8 dias, a fêmea oviposita cerca de 51 ovos
durante o ciclo, o que ocasiona uma rápida colonização, com o desenvolvimento de

48

grandes populações e consequentemente a migração para frutos e plantas vizinhas.
Ao longo do experimento foram registradas temperaturas médias máxima de 31°C e
mínima de 25°C, estando o plantio localizado numa faixa que favorece o
desenvolvimento dos indivíduos.
Importante fato a se destacar, aos 180 dias, é que na folha 14 houve um
aumento dos frutos com danos, porém com microscópio houve um decréscimo na
infestação da praga, este fato ocorreu porque muitos frutos estavam com danos
acima de 16%, ou seja, boa parte da superfície do fruto danificada. Segundo Galvão
et al. (2008), nessas condições o fruto não proporciona um microambiente adequado
ao desenvolvimento do ácaro, pois os tecidos do perianto estão mais lignificados,
além disso, quando o dano chega ao ponto de necrosar os tecidos, a área disponível
para alimentação do ácaro se torna muito reduzida.

Portanto, apesar de serem

observados danos, alguns frutos hospedavam nenhum ou poucos ácaros.
A pequena diminuição na infestação dos ácaros da necrose na avaliação com
270 dias para os frutos da folha 18, pode ter acontecido pela influência de fatores
climáticos, nutricionais e presença de inimigos naturais. Porém, existem diferentes
constatações em relação à influência dos fatores ambientais sobre o ácaro da
necrose. Moore et al., (1989), observaram redução na população de ácaro da
necrose em Santa Lucia na estação chuvosa e maior umidade. Contudo, Julia e
Mariau (1979) encontraram resultados contraditórios em coqueirais de Benin, pois
nos meses de alta umidade houve maior densidade da praga e menor densidade nos
meses de umidade baixa. Já segundo Reis (2006), o habitat em que se encontra o
ácaro da necrose faz com que os fatores ambientais tenham pouca influência sobre
esses individuos, pois, encontram-se protegidos pela bráctea do fruto.
Quanto a população da praga, houve variações durante o experimento, tanto
nos frutos do cacho da folha 14 como na folha 18. Na folha 14 houve crescimento da
população nas avaliações posteriores a aplicação dos tratamentos em relação a
análise prévia, sendo ajustada a uma linha de tendência linear, ou seja, com o
passar do tempo houve aumentos significativos na população do ácaro da necrose,
atingindo um pico populacional médio de cerca de 800 ácaros por fruto (Fig.9). Na
folha 18, a menor população de ácaros foi observada na análise prévia, em média o
número de ácaros da necrose foi inferior a 100 indivíduos, nas avaliações seguintes
houve alternância entre aumento e diminuição na população do ácaro, apresentando

49

uma linha de tendência quadrática, com pico populacional atingindo cerca de 800
ácaros por fruto (Fig 10).
Figura 9. População de Aceria guerreronis em frutos de coqueiro entre março de 2015
a março de 2016 (Folha 14).

Fonte: Autor, 2017.

Figura 10. População de Aceria guerreronis em frutos de coqueiro entre março de
2015 a março de 2016 (Folha 18).

Fonte: Autor, 2017.

A população de ácaros predadores P. bickley sobre frutos da folha 14 e 18
também variou em relação as avaliações. Na avaliação prévia folha 14 observou-se
uma quantidade irrisória desses indivíduos, média de 0,0056 predadores por fruto,

50

os quais, aumentaram de forma significativa, principalmente após os 180 dias. A
maior quantidade na folha 18 foi observada na avaliação com 270 dias,
aproximadamente 60 predadores. Na análise com 360 dias folha 14 foi observado a
maior quantidade de predadores, com pouco mais de 40 indivíduos encontrados,
para 18 foi observado uma diminuição nessa população em relação a análise
anterior (Fig. 11).
A presença do predador Proctolaelaps bickleyi pode ter contribuído para a
diminuição na infestação da praga, na avaliação com 270 dias na folha 18 em
relação a análise anterior (180 dias), neste período, foi observado uma diminuição na
quantidade de indivíduos praga e aumento na quantidade do predador durante as
avaliações. Este predador tem sido relatado em vários trabalhos como uma possível
alternativa para combater o ácaro da necrose, segundo Lawson et al. (2007), o ácaro
P. bickleyi tem um grande potencial no controle de ácaros pragas por conta de sua
avidez sobre a presa. Nawar, (1992) e Abou-awad et al., (2001), também afirmam
que ácaros da família Ascidae (Blatisociidae), principalmente os do gênero
Proctolaelaps, são conhecidos pela sua capacidade de reproduzir-se em curto
período de tempo. Segundo Lesna, Conijn e Sabelis (2004), mesmo considerando a
utilização de refúgio por A. guerreronis como um obstáculo intransponível, afirmam
que eriofídeos expostos são extremamente vulneráveis à predação.
Figura 11. Média da população de Proctolaelaps bickleyi sobre cocos entre março
2015 a março de 2016 em coqueiros de Neópolis- SE (Folha 14 e 18).

51

O fato de pequena quantidade de predadores encontrados na avaliação
prévia e na subsequente, certamente está ligado com as aplicações de produtos
químicos não seletivos e acabam por causar a mortalidade de indivíduos não alvo.
Segundo Croft (1990), a utilização de controle químico pode interferir drasticamente
nas populações de ácaros predadores, pois, esses indivíduos são geralmente mais
suscetíveis aos agrotóxicos do que os ácaros fitófagos.
Reis et al., (2005) conduziram análises do efeito adverso de agroquímicos
sobre o predador I. zuluagai em laboratório, no qual, foram testados 42 produtos
químicos, constatando que cerca de 26% dos produtos testados foram inócuos, 14%
levemente nocivos, 7% moderadamente nocivos e 52% nocivos ao ácaro, este fato
desmonstra o efeito maléfico que químicos podem causar a ácaros predadores.
Já o acréscimo significativo a partir dos 270 dias, pode ter ocorrido por
ocasião do aumento no número de presas, fazendo com que o predador ao
encontrar disponibilidade de alimento desenvolve-se mais rapidamente. Segundo
Lima, et al., (2015), o predador P. bickleyi apresenta uma resposta funcional tipo II,
este tipo de resposta acontece quando o número de presas atacadas por um
predador aumenta rapidamente devido a uma maior disponibilidade do alimento, por
conta de uma maior facilidade de encontro, que posteriormente sofrerá uma redução
gradativa até atingir a estabilidade.
O ácaro P. bickleyi tem sido um dos mais encontrados associados a frutos
com presença do ácaro da necrose, vários autores relataram quantidades
significativas do predador em cocos (LIMA et al., 2012; HOWARD et al., 1990;
LAWSON-BALABGO et al., 2007; ALMEIDA, 2013).
Quanto a percentagem das notas atribuídas observando os danos e
comparando-os com escala diagramática, constatou-se uma menor quantidade dos
frutos sem a presença de danos da análise prévia em relação as demais avaliações
tanto para os frutos da folha 14 quanto da folha 18. Observa-se que nas avaliações
pós tratamentos houve uma maior quantidade de frutos com notas a partir de 1 até a
nota 70 (Tab.1).
A partir de 90 dias, concomitantemente com a menor quantidade de frutos
com nota 0 (zero), houve aumento dos frutos que apresentaram notas atribuídas
pela presença de danos do ataque do ácaro, na avaliação após 360 dias foram
encontrados frutos com danos que se enquadraram em todas as notas propostas

52

pela escala diagramática utilizada. Na folha 18 isto se tornou ainda mais evidente,
onde a maioria dos frutos se enquadraram na nota 16 da escala diagramática
utilizada (Tab. 1).
Tabela 1. Percentagem de frutos com danos do Aceria guerreronis, para as avaliações
visuais, no período entre março de 2015 a março de 2016 (*Folha 14 e 18).

Nota

0

0

90

90

Dias

de

avaliação

180

180

270

270

360

360

*14 (%) *18 (%) *14 (%) *18 (%) *14 (%) *18 (%)

*14 (%)

*18 (%) *14 (%) *18 (%)

0

86,80

86,25

78,10

60,60

61,8

16,87

73,12

36,25

61,25

5,62

1

0

2,50

12,50

13,10

15,00

8,12

5,00

3,12

5,62

3,75

2

2,50

1,25

4,37

6,25

5,62

10,62

11,87

6,87

6,25

2,50

4

2,50

0,60

1,25

8,10

1,25

15,62

2,50

11,25

8,12

5,00

8

1,20

4,37

3,75

5,00

8,12

20,60

3,75

16,87

5,00

23,75

16

5

1,25

1,25

5,62

6,25

18,75

1,25

17,50

3,75

34,37

32

2,50

2,50

0

1,25

0,60

5,62

1,87

4,37

3,75

28,12

48

0

0,60

0

0

1,20

1,87

0

0,60

3,12

5,00

70

0

0,60

0

0

0

0

0,60

3,12

3,12

1,25

Fonte: Autor, 2016.

Galvão et al. (2008) ao desenvolverem escala diagramática estabeleceram
nota a partir de 1 (um) para frutos com danos. Sendo assim, 0 (zero) foi aplicado
para frutos sem danos e aparentemente sem a presença do ácaro. Porém, no
presente trabalho, apesar de muitos frutos coletados não apresentarem danos do
ataque do ácaro, foi constatada sua. Este é um fato importante, pois, segundo
Moraes e Flechtmann (2008), a presença de apenas uma fêmea pode dar origem a
grandes populações do indivíduo.
Segundo Ferreira, Michereff Filho e Lins (2002), o nível de controle
recomendado para o ácaro da necrose na cultura do coqueiro é de 15% de frutos
amostrados apresentando sintomas de ataque, ou índice de perda equivalente a
10% da produção. O fato observado no atual trabalho alerta sobre um possível
ajuste nesse nível de controle, o que permitirá ao agricultor um controle preventivo
mais eficiente em seu coqueiral, evitando perdas na produção.
Outro fato importante a se observar nas coletas a partir dos 90 dias, foi a
maior concentração de frutos classificados com notas que variaram entre 1 a 16,

53

este fato corrobora com o aumento da infestação anteriormente observado no
gráfico, segundo Galvão et al. (2008), o pico populacional da praga será observado
principalmente nos frutos com notas entre 4 e 16. Ainda segundo os autores, frutos
com mais de 16% de epiderme necrosada não proporcionam condições adequadas
para o aumento da população de ácaros. Sendo assim frutos muito danificados não
têm condições ideais (tecidos tenros e não necrosados) de alimentação para o ácaro
da necrose, o que explica as observações realizadas no atual trabalho, onde frutos
com notas acima de 16 tiveram menores quantidades de ácaros presentes em
comparação com frutos que tiveram notas de 16 abaixo.
Para os diferentes tratamentos aplicados houve variação nas médias
populacionais do ácaro da necrose, onde observou-se diferenças estatísticas. Na
folha 14 o tratamento Químico + Caprino ficou com a menor quantidade absoluta de
ácaros da necrose (apesar de não diferir estatistcamente de outros tratamentos), já
as maiores presenças da praga foram observadas nos tratamentos em que não
houve a aplicação de adubos, testemunha e no tratamento Químico + Galinha +
Bovino + Caprino (Tab. 2). Para a folha 18 os tratamentos com esterco caprino e
esterco bovino, houve quantidade inferior de ácaros da necrose, apesar de não
diferirem dos demais tratamentos, foram diferentes da testemunha, na qual se
observou uma maior quantidade de ácaros da necrose (Tab. 2).

54

Tabela 2. Média de ácaros Aceria guerreronis em frutos de coqueiros submetidos a
diferentes tipos de adubação, analisados de março de 2015 a março de 2016
(Folha 14 e 18).
Fertilizantes (tratamentos)

Número de A. guerreronis Folha 14 Número de A. guerreronis Folha 18

Testemunha

602,56

ab

674,71

a

Químico

504,81

abc

397,82

ab

Galinha

533,34

abc

384,62

ab

Bovino

414,06

bc

281,11

b

Caprino

390,25

abc

281,72

b

Químico + Galinha

473,42

bc

301,12

b

Químico + Bovino

343,03

cd

311,97

b

Químico + Caprino

247,89

d

382,67

ab

Galinha + Bovino + Caprino

455,98

abc

224,01

b

Químico + Galinha + Bovino +
Caprino
CV (%)

667,98

a

401,84

ab

79,2

64,7

*Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente pelo Teste de Tukey (p<0,05).
Fonte: Autor, 2016.

Um fator muito importante que foi possível observar nas variações da
população do ácaro da necrose, tanto para os frutos da folha 14 quanto para os
frutos da folha 18, foi no tratamento testemunha, ficou entre os tratamentos com as
maiores médias absolutas de ácaros observados,

apesar de não diferir

estatiscamente de alguns adubos, essas informações favorecem as existentes nas
literárias onde a deficiência e/ou falta de nutrição nas plantas de coqueiro favorece a
presença do ácaro da necrose, o que consequentemente ocasionará maiores danos
aos frutos.
Segundo Moore, Ridout e Alexander (1991) há uma correlação positiva entre
o aumento do teor de nitrogênio e os danos em frutos de coco causados por A.
guerreronis, isto acontece porque o N deixa os tecidos vegetais mais tenros. Esta
correlação aparentemente pôde ser observada no presente trabalho, visto que, os
tratamentos Químico + Galinha + Bovino + Caprino e Químico + Caprino, em
g/planta tiveram aplicação de 465 e 427 de N, respectivamente. Diferentemente,
Micheref et al. (2009), avaliaram a infestação do ácaro da necrose em coqueiro, e
não detectaram efeito significativo dos níveis de N e a população da praga.

55

Em experimentos com aplicações de nutrientes correlacionando a infestação
do eriofídeo Aculops lycopersici, Moreira (1996), afirma que a infestação em plantas
de tomateiro pelo ácaro aumentou quando foram fornecidos os níveis de 60 e 180 Kg
de N por hectare, porém foi reduzida quando o nível desse elemento foi de 120 Kg
por hectare. Segundo Chaboussou (1987), tanto a deficiência de N quanto o excesso
podem afetar a resistência das plantas ao ataque de pragas. O excesso de N
aumenta os níveis de aminoácidos e açúcares solúveis na seiva da planta. Também
segundo Bonilla (1992), o rompimento do equilíbrio fisiológico normal da planta, leva
à diminuição de sua resistência natural. Segundo Prosser e Simpson (1992), o
consumo de nitrogênio afeta a performance de insetos fitófagos, facilitando sua
alimentação. Estes fatos podem explicar os resultados observados para a folha 14.
Sternlicht, Regev e Goldenberg. (1975) observaram que baixos níveis de N
proporcionaram uma menor população de Aceria sheldoni Ewing (1937), em
plântulas de citros. Estas informações corroboram com o atual trabalho, isto pode ser
entendido, visto que a adubação nitrogenada aumenta a atividade fotossintética e
estimula a divisão celular, favorecendo um acréscimo no teor de proteínas e na
biomassa total, sendo assim a atividade excessiva ou mesmo a sua falta favorecem
o desenvolvimento das pragas (MARSCHNER, 1995).
Kannaiyan et al. (2002) em trabalho realizado na Índia, recomendaram a
aplicação anual de 585 g de N e 1.740 g de K por planta, aonde segundo os autores
houve menor danos de A. guerreronis em coqueiro da variedade Gigante.
Muthiah et al. (2001) relataram redução de 52% nos danos causados pelo
ácaro da necrose, com o aumento da adubação potássica anual de 1 kg de K 2O (830
g de K) para 2 kg de K2O (1.660 g de K) por planta, na variedade Gigante. Em
relação ao K, no atual trabalho, para os tratamentos Químico + Galinha + Bovino +
Caprino e Químico + Caprino, em g/planta foram aplicados 446 e 449 de K
respectivamente, sendo assim, não se pôde inferir a atuação desse elemento nas
plantas em relação ao ataque do ácaro da necrose, visto que as quantidades do
nutriente foram semelhantes. Todavia, Micheref et al. (2009), observaram que a
aplicação anual de 1.890 g de K por planta não interferiu no ataque do A. guerreronis
em coqueiro da variedade Anão. Aparentemente, apenas dosagens muito altas de K
poderiam influenciar no ataque do ácaro da necrose, o que não foi realizado no
presente trabalho.

56

Na folha 18, nos frutos com o tratamento controle (sem aplicação) e Químico
+ Galinha + Bovino + Caprino tiveram a maior média populacional do ácaro, não
diferindo estatisticamente entre si, porém ao se comparar a testemunha com o
tratamento Galinha + Bovino + Caprino, Químico + Caprino, Químico + Galinha,
Carpino e Bovino, estes, tiveram menor população do ácaro, sendo diferentes
estatisticamente.
Apesar de Moore, Ridout e Alexander (1991), afirmarem haver uma correlação
positiva entre o aumento do teor de nitrogênio (torna os tecidos vegetais mais tenros)
e os danos em frutos de coco, causados por A. guerreronis, isto não se confirmou
para os frutos da folha 18 no atual trabalho. Apesar que para os tratamentos
Químico + Galinha + Bovino + Caprino e Galinha + Bovino + Caprino em g/planta
aplicações respectivamente de 465 g e 418 g de N, outros tratamentos, químico com
aplicação de 198 g de N e galinha com aplicação de 408,2 de N, com níveis menores
de N foram semelhantes estatisticamente ao tratamento Galinha + Bovino + Caprino.
Mesmo alguns trabalhos (BADEGANA; PAYNE, 2000; WOOD; RELLY , 2000)
demonstrando a importância do teor de N na planta com relação a populações do
ácaro da necrose, outros autores (MOREIRA et al., 1999; LEITE et al., 2003;
MICHEREF et al. 2009) divergem nos resultados, não observando correlação entre
as quantidades de N e as populações do ácaro da necrose.
Por outro lado, quando são observados os níveis de K para o tratamento onde
apresentou maior população de ácaros, Químico + Galinha + Bovino + Caprino, e o
de menor população, Galinha + Bovino + Caprino, nota-se uma diferença nas doses,
sendo respectivamente 446 e 138 g de K, isto também pode ser confirmado ao
comparar com o tratamento químico que foi aplicado 360 g de K, dessa forma, foi
observado que no tratamento com a menor dosagem de K houve menor população
do ácaro, esta informação contrasta com os trabalhos de Muthiah, Bhaskaran e
Kannaiyan (2001) que relataram redução de 52% quando dobrou a aplicação de K e
Kannaiyan et al. (2002), pois afirmaram que doses elevadas de K diminuem os
danos ocasionados por A. guerreronis. Também segundo Perrenoud (1990), grandes
quantidades de K resultaram em decréscimo no ataque das pragas.
Homheld, (2005) também afirma que a maior disponibilidade de K promove
mudanças metabólicas nas plantas, que resultam em maior produção de amido,

57

celulose e proteínas, além de menor concentração de nitrato, açúcares e
aminoácidos, isto, ocasiona maior resistência das plantas ao ataque de patógenos.
Apesar de vários autores enfatizarem a importância do K para plantas em
relação ao ataque de pragas, outros como Van de Vrie et al., (1972), Wermelinger,
Oertli e Baumgartner (1991) explicam que podem haver divergências nos resultados
da aplicação de adubos e sua correlação com o ataque de pragas, estes fatos
podem ser ocasionados por várias razões, como: idade das plantas, métodos de
amostragem, diferenças nas metodologias utilizadas em experimentos conduzidos
com soluções nutritivas, condições de campo, predação, competição entre plantas e
principalmente as interações entre fertilizantes.
Adubos orgânicos podem influenciar positivamente a resistência das plantas
ao ataque de pragas, isto foi observado no atual trabalho, onde os tratamentos
Químico + Caprino nos frutos da folha 14 e Galinha + Bovino + Caprino nos frutos da
folha 18 apresentaram os melhores resultados, com a menor média absoluta de
ácaros, apesar de não diferir estatisticamente de alguns tratamentos, esses
destacaram-se em relação as quantidades absolutos da praga. Rao (2001), afirma
que a resistência induzida de plantas ao ataque de pragas, acontece devido ao teor
de polifenóis maior em plantas submetidas aos adubos orgânicos.
Ao analisar a atuação de diferentes adubos quanto a produtividade do
coqueiro, pôde-se perceber que esta é influenciada pela presença ou ausência de
nutrientes. Como já era esperado, tanto os cachos da folha 14 como nos cachos da
folha 18, foi observado diferenças nas médias de frutos em relação aos adubos
aplicados, o tratamento testemunha (sem adubação) tanto nos cachos da folha 14
como 18 tiveram a menor média de frutos, sendo diferentes estatisticamente da
maioria dos tratamentos. Em valores absolutos para a folha 14 a maior média de
frutos observada foi no tratamento químico + caprino, onde aplicou-se em g/planta
427 de N e 449 de K, para a folha 18 a maior média de frutos foi no tratamento
químico aplicados em g/planta 198 de N e 360 de K, porém o tratamento químico +
caprino

ficou

com

médias

próximas

ao

químico,

não

sendo

diferentes

estatisticamente entre si (Tab.3).
Segundo Sobral (2003), a adubação tem um maior impacto sobre a
produtividade do coqueiro em algumas regiões do Nordeste, principalmente nos
solos que apresentam baixa fertilidade. Isto acontece graças ao crescimento

58

contínuo do coqueiro, que consegue extrair grandes quantidades de nutrientes, por
isso, devem ser repostos por meio de aplicações periódicas de fertilizantes. Esta
extração de nutrientes é confirmada em trabalho de Magat (2005), onde afirma que
em aplicação de 174 de N, 46 de P2O5 e 299 de K2O em kg ha-1 ano-1, ocorre
absorção de cerca de 62% do N, 84% do P e 78% do K, nutrientes que são
exportados pelo fruto.
Sobral e Leal (1999) ao trabalharem com coqueiro gigante, concluíram que a
aplicação de KCl aumentou significativamente o número de frutos. Esta informação
corrobora com o atual trabalho visto que onde não se aplicou adubos a produtividade
foi menor quando comparados com os tratamentos com adubação potássica.
Tabela 3. Produtividade média de frutos de coqueiros submetidos a diferentes tipos
de adubação, analisados de março de 2015 a março de 2016 (Folha 14 e 18).
Fertilizantes (tratamentos)

Produtividade Folha 14

Produtividade Folha 18

Testemunha

7,94

6,33

Químico

13,42 a

9,92 a

Galinha

11,42 a

8,83 a b

Bovino

12,58 a

9,50 a

Caprino

11,17 a

8,87 a b

Químico + Galinha

13,54 a

9,79 a

Químico + Bovino

11,00 a b

9,21 a

Químico + Caprino

13,71 a

9,67 a

Galinha + Bovino + Caprino

11,17 a

8,62 a b

Químico + Galinha + Bovino + Caprino

12,67 a

9,79 a

b

b

CV (%)
11.08
16.66
*Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente pelo Teste de Tukey (p<0,05).
Fonte: Autor, 2016.

4.5 CONCLUSÕES
A adubação orgânica aliada à química diminuiu a quantidade Aceria
guerreronis quando comparando à testemunha.
O balanço nutricional fortalece a planta, desfavorecendo o desenvolvimento
da população do ácaro Aceria guerreronis.

59

REFERÊNCIAS
ABOU-AWAD; KORAYEM; HASSAN; ABOU-ELELA. Life history of the predatory
mite Lasioseius athiasae (Acari, Ascidae) on various kinds of food substances: a
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5 EFICIÊNCIA DO PREDADOR Proctolaelaps bickleyi (ACARI: ASCIDAE)
BRAM SOBRE Aceria guerreronis KEIFER (ACARI: ERIOPHYIDAE) EM
COQUEIRAL

RESUMO
Objetivou-se com esse experimento estudar a eficiência em campo do predador P.
bickleyi, sobre a população do ácaro-da-necrose do coqueiro. A liberação dos ácaros
predadores foi realizada após a transferência dos ácaros para microtúbulos de PVC
tampados com algodão. Foram transferidas dez e cinco fêmeas adultas por
recipiente. Os tratamentos constaram de diferentes quantidades de predadores 50,
75 e 90 ácaros, os microtúbulos foram fixados nos coqueiros com a utilização de fita
dupla face, sobre os cachos das folhas 14, 15 e 17. Após a liberação dos predadores
foram realizadas três avaliações, em intervalos de 21 dias, onde foram coletados um
fruto de cada cacho correspondenste as folhas 14, 15 e 17, estes, foram colocados
em sacos de papel, para evitar a formação de gotículas de água, evitando a perda
de material e morte de ácaros. Em seguida todo o material foi colocado em sacos
plásticos com capacidade para 15 L, evitando a perda de umidade do material para o
ambiente. Houve uma variação na população de ácaros da necrose sobre os frutos
do cacho da folha 14, 15 e 17. O ácaro predador P. bickleyi reduziu a população do
ácaro A. guerreronis em coqueirais e sobre os frutos de coqueiro da folha 14 e 15.

Palavras chave: Ácaro da necrose do coco. Controle biológico. Eficiência.

65

ABSTRACT
The objective of this experiment was to study the efficiency in the field of the predator
P. bickleyi, on the population of the pest mite. The release of predatory mites was
performed after transfer of the mites to PVC-capped microtubules with cotton. Ten
and five adult females were transferred per vessel. Treatments consisted of different
amounts of predators 50, 75 and 90 mites. These microtubules were fixed to the
coconut trees using double-sided tape on the bunches of leaves 14, 15 and 17. After
the predators were released three evaluations were performed at 21-day intervals,
where a fruit was collected from each corresponding bunch Sheets 14, 15 and 17
were placed in paper bags to prevent the formation of droplets of water, preventing
material loss and death of mites. Afterwards all the material was placed in plastic
bags with capacity for 15 L, avoiding the loss of humidity of the material for the
environment. There was a variation in the necrotic mite population on leaf cluster
fruits 14 and 15. Already for leaf 17 no variations were observed. The P. bickleyi
predatory mite manages to decrease the A. guerreronis mite population in coconut
palms and on the coconut palm fruits of leaf 14 and 15.

Keywords: Coconut mite. Biological control. Efficiency.

66

5.1 INTRODUÇÃO
Problemas advindos dos ataques de pragas, principalmente de ácaros,
continuam limitando de forma significativa a produtividade dos coqueirais.
Principalmente o ácaro da necrose do coco (Aceria guerreronis Keifer (Acari:
Eriophyidae) (MOORE; HOWARD 1996, HAQ et al., 2002).
O ácaro-da-necrose ataca diretamente o fruto do coqueiro, suas colônias
ficam localizadas no perianto, região que fica abaixo das brácteas do coco (NAIR,
2002). Os danos iniciais observados com o ataque do ácaro são manchas brancoamareladas de formato triangular na epiderme do coco, essas manchas se
desenvolvem com o passar do tempo, tornando-se necróticas (HAQ et al., 2002).
Com o crescimento do fruto, a área necrosada passa a ter rachaduras longitudinais e
exudação de resinas, resultando na deformação do coco (CARDONA E POTES,
1971). O ataque acentuado do ácaro também pode acarretar queda precoce dos
frutos (NAIR, 2002).
Os danos causados pelo ácaro diretamente no produto que será
comercializado causam grandes prejuízos na produção do coco. Em muitos
coqueirais do mundo o ataque do ácaro causa diminuição de peso nos frutos,
redução no tamanho e consequentemente perda no seu valor comercial (MOORE et
al., 1989; HAQ et al., 2002; PAUL; MATHEW, 2002).
Autores relatam a dificuldade de controlar o ácaro da necrose, como Ferreira
et al. (1994) afirmam que vários produtos químicos aplicados de diferentes maneiras
não demonstraram resultados satisfatórios. Mariau e Julia (1970) afirmaram que o
controle químico do ácaro da necrose pode ser muito difícil por causa do seu habitat,
elevada capacidade de reprodução e a forma como age na planta. Outro fator
importante, segundo os autores, é que diversas variedades de coco são altas, o que
dificulta as aplicações de pesticidas.
Vários métodos de controle alternativos do ácaro da necrose vêm sendo
testados, principalmente o controle biológico, utilizando-se ácaros predadores
(MORAES; ZACARIAS, 2002). Apesar de algumas espécies já terem sido
demonstrado bons resultados em laboratório, ainda são poucas as informações que
existem sobre a eficiência desses predadores para controlar o ácaro da necrose em
campo.

67

Entre os ácaros predadores observados associados à cultura, destacam-se os
ácaros das famílias Phytoseiidae e Ascidae (LAWSON-BALAGBO et al., 2007;
DOMINGOS et al., 2009). Na família Phytoseiidae, as espéceis Neoseiulus baraki
Athias-Henriot (DOMINGOS et al., 2009) e Neoseiulus paspalivorus De Leon
(LAWSON-BALABGO et al., 2007), assim como Proctolaelaps bickleyi Bram na
família Ascidae, são os mais observados (ESTEBANES-GONZALEZ, 1976;
CABRERA et al., 1992; LAWSON-BALABGO et al., 2007).
Várias pesquisas foram realizadas no Norte e Nordeste brasileiro, Gondim Jr.
e Morais (2001) encotraram 18 espécies de predadores em coqueiros. Navia et al.
(2005b) relataram os seguintes ácaros predadores em associação direta com o
ácaro da necrose: Proctolaelaps longipilus (Chant, 1963) e Proctolaelaps bulbosus
(Moraes, Reis e Gondim Jr); e os fitoseídeos Typhlodromus ornatus (Denmark e
Muma, 1973) e Amblydromalus manihoti (Moraes, 1994).
Lawson-Balagbo et al. (2008) em levantamento de inimigos naturais
potenciais contra o ácaro da necrose. Encontraram os fitoseídeos A. largoensis, N.
paspalivorus e N. baraki. E melicharids e blattisociids (Ascidae), principalmente
Proctolaelaps sp., P. bickleyi e Lasioseius subterraneus Chant. Segundo os autores
os predadores mais promissores para o uso no controle do ácaro da necrose foram
N. baraki e P. bickleyi.
Segundo Lawson et al. (2007), o ácaro P. bickleyi tem um grande potencial no
controle de ácaros pragas por conta de sua avidez sobre a presa. Nawar (1992) e
Abou-awad et al. (2001), também afirmam que ácaros da família Ascidae
(Blatisociidae), principalmente os do gênero Proctolaelaps, são conhecidos pela sua
capacidade de reproduzir-se em curto período, havendo uma oviposição média por
fêmea de aproximadamente 12 ovos por dia.
Almeida (2013), realizaram testes de predação de P. bickleyi sobre o ácaro da
necrose e quantificou mais de uma centena de ácaros predados por dia e uma taxa
de reprodução média de cerca de cinco ovos diários em um período de dez dias.
Lima et al. (2015), em trabalho de respostas funcional e numérica do ácaro P.
bickleyi, alimentado com o ácaro da necrose, observaram uma alta taxa de
predação, chegando a cerca de 400 ácaros predados, além de uma elevada taxa de
reprodução, com um máximo de 26 ovos de uma fêmea em um dia.

68

Apesar de serem observadas várias espécies de predadores associados ao
ácaro-da necrose (GONDIM JR.; MORAES, 2001; NAVIA et al., 2005b; LAWSONBALAGBO et al., 2008 e FERNANDO; ARATCHIGE; PEIRIS, 2003) até o momento
existe apenas um estudo preliminar para determinar o efeito de liberação inundativa
de N. baraki em campo, na supressão da população de ácaros da necrose do coco,
dessa forma, ainda são escassas as informações a respeito do comportamento de
predadores em ambiente natural para o controle do ácaro.
Neste contexto, liberações massivas de P. bickleyi produzidos em laboratórios
pode reduzir satisfatoriamente a população de A. guerreronis. Assim, objetivou-se
realizar liberações em diferentes proporções de ácaros predadores P. bickleyi para
verificar sua eficiência em campo, sobre a população do ácaro praga.

5. 2

MATERIAL E MÉTODOS

5.2.1 Criação de P. bickleyi

A criação dos ácaros predadores em laboratório foi a partir de coletas de
frutos, em coqueirais da empresa H. Dantas Comércio, Navegação e Indústrias Ltda.
(10° 11’ 12” S., 36° 22’ 11” W.), localizada no município de Neópolis-SE. Os frutos
foram colhidos com auxílio de podão (tesoura de poda com haste de alumínio
regulável)

e

encaminhados

ao

laboratório

de

Entomologia/Acarologia

da

Universidade Federal de Alagoas – Campus Arapiraca, onde foram analisados
utilizando microscópio estereoscópico de 40X de aumento.
Observada a presença de P. bickleyi, estes foram removidos com o auxílio de
um pincel de cerdas finas para unidades de criação (arenas) constituídas de:
recipientes de PVC com capacidade de 6L e em seu interior placas de cerâmicas
sobre esponja de náilon umedecida com água destilada, nas bordas das placas
colocava-se tiras de algodão umedecido para evitar fuga dos predadores e
contaminações por outros ácaros. As colônias foram iniciadas com cerca de 12
adultos e os mesmos foram alimentados com A. guerreronis retirados de fragmentos
do perianto (com aproximadamente 12 cm²) contendo cerca de 500 indivíduos em
diferentes estágios de desenvolvimento. O alimento era reposto a cada três dias. Os
ácaros A. guerreronis fornecidos para alimentação dos espécimes da colônia foram
obtidos de cocos coletados semanalmente. Além do ácaro da necrose, os

69

predadores também foram alimentados com fungo saprófita, Rhizopus stolonifer
(Ehrenb:Fr.) Vuill, que se desenvolvia sobre o perianto do coco. As arenas de
criação foram mantidos em B.O.D a 28 ± 2,0 ºC, 75 ± 10% UR e fotoperíodo de 12
h.

5.2.2 Liberação em Campo
A liberação dos predadores se deu em um plantio comercial de coco,
variedade anão verde, após um ano sem aplicação de agroquímicos. Os recipientes
pláticos contendo os predadores foram fixados aleaterialmente nas plantas de
coqueiro em abril de 2016, em coqueiral plantado em 2001, com espaçamento de
7,5 x 7,5 m.
Os ácaros predadores das colônias para liberação em campo, tiveram que ser
transferidas as colônias para ambiente em temperatura de aproximadamente 14°,
para diminuir o metabolismo e consequentemente a atividade do ácaro predador
como também para facilitar a transferência destes para pequenos tubos (feitos com
canudos de PVC com dimensões 25 x 100 mm e 2cm de altura). Cinco fêmeas
adultas foram transferidas, esta quantidade foi determinada por facilitar a
transferência dos indivíduos, já que são ácaros bastante ágeis, isto também
proporcionou uma melhor manutenção dos indivíduos vivos para o transporte, essa
quantidade também facilitou a liberação, proporcionando uma maior cobertura da
área tratada.
Os ácaros ficaram 24 horas sem alimento antes da liberação que foi realizada
no período matutino, por volta das 8 horas, por ocasião da temperatura ser mais
amena, o que permitiu ao ácaro se adaptar ao ambiente sem uma modificação
brusca nas condições de temperatura.
Os pequenos tubos foram fechados com algodão nas duas extremidades, em
seguida depositados em caixas térmicas contendo gelo reutilizável para manter a
temperatura controlada (≈ 23°) para o transporte sem danos aos indivíduos. Esses
pequenos tubos foram fixados nos coqueiros com a utilização de fita dupla face,
sobre os cachos das folhas 14 (início dos danos observados), 15 (praga com alta
população) e 17 (próximo ao ponto de colheita), assim, esses frutos foram
escolhidos por ocasião de estarem em diferentes estádios de desenvolvimento, com
consequente diferenças na morfologia do fruto, principalmente em relação a

70

aderência da bráctea com o fruto, o que pode dificultar a exploração do predador
quando esta aderência é maior (Fig.14).
O experimento foi realizado em delineamento em blocos ao acaso, constando
de quatro tratamentos (quantidades de predadores) 0, 50, 75 e 90 indivíduos e oito
repetições. As quantidades de ácaros liberados foram estabelecidas baseadas em
testes de efiência de predação de P. bickleyi sobre A. guerreronis em trabalhos
realizados em laboratório (ALMEIDA et al. 2013; LIMA et al. 2015).

Figura 12. Liberação de Proctolaelaps bickleyi em coqueiral, março de 2016.

Fonte: Autor, 2016.

5.2.3 Análise da atuação do predador
Após a liberação dos predadores foram realizadas três avaliações, em
intervalos de 21 dias, com a coleta de um fruto de cada cacho correspondentes às
folhas 14, 15 e 17. Os frutos foram colocados em sacos de papel com capacidade 10
L, para evitar a formação de gotículas de água e manter um ambiente protegido,
evitando a perda de material e morte de ácaros. Em seguida, estes conjuntos foram
depositados em sacos plásticos maiores com capacidade para 15 L, diminuindo a
perda de umidade das amostras para o ambiente e falicitando o transporte.
Após este procedimento, o conjunto foi acondicionado em caixas de
poliestireno contendo gelo reutilizável. Esse procedimento manteve os frutos em
condições estáveis de temperatura (aproximadamente 21ºC) para seu transporte até
o laboratório supracitado.
Em laboratório, inicialmente os frutos foram avaliados visualmente com escala
diagramática de notas (Galvão et al., 2008). Posteriormente com auxílio de uma

71

faca, as brácteas e o periante foram destacados dos frutos e analisados utilizando-se
de microscópio estereoscópico com aumento de 40X. As características analisadas
foram: número de espécimes do ácaro da necrose do coco e de predadores,
realizados após retirada das brácteas com canivete e análise com microscópio
estereoscópico.

5.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
No tratamento controle (sem predadores), a população média do ácaro praga
ficou cerca de 1600 indivíduos, para o tratamento com a liberação de 50 predadores
a população da praga teve uma redução, e cerca de 1500 indivíduos foram
encontrados, porém na comparação com os tratamentos em que foram liberados 75
e 90 predadores, nestes, a população do ácaro da necrose reduziu oito vezes em
relação ao tratamento controle, com uma média de aproximadamente 200 ácaros,
resultados observados para folha 14 e 15 (Fig.15 e 16).
Para os frutos da folha 17 não foi observado o mesmo padrão obtidos nas
folhas 14 e 15, aonde a média geral de ácaros da necrose ficou em cerca de 600,
além disso, a diferença das médias populacionais do ácaro da necrose entre a
testemunha e os tratamentos foram reduzidas, sendo a maior diferença observada
entre o tratamento controle e o tratamento com liberação de 75 predadores, em que
este apresentou uma redução de 78 ácaros praga.
Em relação a curva de tendência observada na análise dos frutos dos cachos
da folha 14 e 15, observou-se o mesmo comportamento, ajustando-se a uma linha
de tendência linear decrescente, demonstrando que, com o aumento da quantidade
de predadores liberados houve diminuição da população da praga, inferindo-se que
esta poderia diminuir ainda mais caso fossem liberados mais predadores (Fig. 15 e
16).

72

Figura 13. População de Aceria guerreronis em função da densidade de Proctolaelaps
bickleyi em campo (Folha 14).

População de A. guerreronis

y = 1622.3 + 102.2.x
R² = 0.99

Quantidade de Proctolaelaps bickleyi

Fonte: Autor, 2017.

Figura 14. População de Aceria guerreronis em função da densidade de Proctolaelaps
bickleyi em campo (Folha 15).

População de A. guerreronis

y = 1694.8 - 9.11.x
R² = 0.67

Quantidade de Proctolaelaps bickleyi

Fonte: Autor, 2017.

Apesar de alguns testes laboratoriais (LAWSON-BALAGBO et al., 2008; LIMA
et al., 2015) demonstrarem o ácaro P. bickleyi como candidato com potencial para o
controle biológico de A. guerreronis, ainda não se tinha resultados de eficácia deste
predador em campo. Em laboratório P. bickleyi é considerado muito voraz, podendo
se alimentar de grande quantidade do ácaro da necrose.

73

A diminuição gradativa nas quantidades de ácaros pragas nos frutos das
folhas 14 e 15 fica visível ao ajuste da linha de tendência expressa na Fig. 15 e 16.
Segundo Galvão et al. (2008), em trabalho de resposa funcional realizado em
laboratório, o ácaro P. bickleyi tende a se alimentar de um maior número de presas
quanto maior forem as quantidades disponíveis, porém há um ponto que esta
predação se estabiliza. Apesar de no atual trabalho não ser possível saber a
quantidade de ácaros praga presentes nos frutos (liberação realizada em campo), o
aumento na quantidade de predadores não proporcionou uma estabilidade, pois com
as quantidades de predadores liberados a população do ácaro da necrose reduziu
de forma linear, não atingindo um ponto de estabilidade.
Nos frutos da folha 17 observou-se uma menor infestação do que nas folhas
14 e 15. Em relação aos tratamentos, houve uma pequena variação na população da
praga, sendo menores nas liberações de 50 e 75. A linha de tendência cúbica foi a
que melhor se ajustou, onde a população da praga estava alta na testemunha,
diminuindo n liberações de 50 e 75 predadores e voltando a aumentar para a
liberação de 90 predadores (Fig. 17).
Em relação ao número de P. bickleyi encontrados pós liberação, houve
diferenças nas quantidades desses indivíduos, sendo quatro vezes maior nos
tratamentos com liberação em relação ao tratamento controle. O número médio de
ácaros por fruto onde houve liberação foi de 12 predadores por fruto.

População de A. guerreronis

Figura 15. População de Aceria guerreronis submetidos ao controle biológico por
Proctolaelaps bickleyi em campo (Folha 17).

y = 632 + 3.65.x - 0.19.x^2
R² = 0.99

Quantidade de Proctolaelaps bickleyi

74

Nos frutos das folhas 17 foi possível observar uma variação na população da
praga ao comparar os tratamentos aplicados, apesar de no tratamento com maior
quantidade de predadores não ter sido observada redução da população da praga,
este fato pode ser explicado pelo menor número de presas disponíveis para
alimentação do predador. Segundo Lima et al. (2015) este ácaro se reproduzquanto
mais presas disponíveis. Outro fator importante que se pode destacar, em função da
disponibilidade de outros alimentos, como por exemplo, exsudados liberados nos
frutos mais velhos sob ataque do ácaro da necrose, onde em várias observações no
laboratório

esses

predadores

estavam

alimentando-sede

exsudados.

Esta

observação corrobora com informação pessoa obtida de Moraes (2015), segundo
este pesquisador, o ácaro P. bickleyi “deleita-se com substâncias açucaradas, o que
torna os exudados uma fonte alternativa e atraente de alimento”.
Alguns pesquisadores, após testes laboratoriais (Navia et al., 2005a) afirma
haver um empecílio no uso de P. bickleyi em campo, por ocasião do tamanho do seu
corpo. Porém no atual trabalho foi observado o contrário, com uma atuação do
predador na redução da população da praga, vários fatores desencadeados em
campo, como: a necessidade do predador de buscar alimentos, a liberação de
substâncias atrativas pela planta e a dispersão da praga, podem contribuir para que
o predador possa agir e consiga reduzir a população da praga.
Apesar da observação na atuação do predador sobre os frutos da folha 14 e
15, segundo Lawson-Balagbo et al. (2007), a área que fica sob as brácteas pode ser
considerada um refúgio parcial e livre de inimigo para A. guerreronis. Sendo que os
frutos em estágios iniciais apresentam pequenas frestas que possibilitam a entrada
do predador. Informação confirmada por Moore e Alexander, 1987; Howard et al,
1990; Fernando et al 2003; Negloh; Hanna e Schausberger, 2010, pois dizem que o
ácaro da necrose-do-coqueiro consegue ter acesso à região meristemática, abaixo
das brácteas em frutos com idade de dois meses, alguns podem ter acesso a frutos
com idade de um mês. Porém, P. bickleyi só teria acesso a esse microhabitat em
frutos com idade de quatro (4) a cinco (5) meses. Este fato, facilita o
desenvolvimento das populações da praga adiando com isto o ataque do predador
adulto.
Segundo Moore e Alexander (1987), quando o número de A. guerreronis
está elevado, estes costumam ficar se locomovendo na superfície dos frutos

75

pequenos. Lesna, Conijn e Sabelis (2004), afirmam que mesmo havendo refúgio
para A. guerreronis, na região sob as brácteas (perianto), e este, sendo um
obstáculo intransponível, estes autores afirmam que eriofídeos expostos são
extremamente vulneráveis à predação. Principalmente no momento de migração
do ácaro da necrose para os outros frutos, o que aumenta à medida que as
lesões necróticas nos frutos pequenos também aumentam. Sendo assim, a
observação realizada no atual trabalho pode ser explicada na atuação dos
predadores no instante em que o ácaro da necrose se locomove sobre os frutos
(migração), pois, ao serem coletados os frutos em campo, foram observados
vários ácaros predadores caminhando sobre os cocos, sendo assim a atuação do
predador neste momento provavelmente seja relevante na diminuiu da população
da praga nos frutos.
O fato de serem observados vários indivíduos caminhando sobre o fruto
também pode explicar a quantidade de predadores abaixo do esperado pós
liberação, visto que, nas coletas os frutos eram retirados de plantas com altura de
cerca de 12 metros e caiam sobre o solo, fazendo com que na queda muitos
espécimes fossem perdidos. Vale ressaltar que uma série de estudos de campo
adicionais são necessários para determinar a quantidade, a frequência e a
maneira de utilização do ácaro P. bickleyi para o controle biológico do ácaro-danecrose-do-coqueiro.

76

5.5

CONCLUSÕES
O ácaro predador P. bickleyi tem capacidade de redução na população do

ácaro A. guerreronis em coqueirais sobre os frutos de coqueiro da folha 14 e 15.
Em frutos mais novos, entre as folhas 14 e 15, em comparação com frutos
próximos do ponto de colheita (folha 17) houve uma melhor atuação do ácaro P.
bickleyi no controle biológico do ácaro da necrose em campo.

77

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