Avaliação da resistência à antracnose em etnovariedades de Phaseolus lunatus L.
Dissertação Vanessa Fernandes.pdf
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS – CECA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PROTEÇÃO DE PLANTAS
VANESSA FERNANDES SOARES
AVALIAÇÃO DA RESISTÊNCIA À ANTRACNOSE EM ETNOVARIEDADES DE
Phaseolus lunatus L.
RIO LARGO – AL
2019
VANESSA FERNANDES SOARES
AVALIAÇÃO DA RESISTÊNCIA À ANTRACNOSE EM ETNOVARIEDADES DE
Phaseolus lunatus L.
Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa
de Pós-Graduação em Proteção de Plantas do
Centro de Ciências Agrárias da Universidade
Federal de Alagoas, para obtenção do título de
Mestra em Agronomia.
Orientador: Prof. Dr. Gildemberg Amorim Leal
Júnior.
RIO LARGO – AL
2019
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Agrárias
Bibliotecário: Erisson Rodrigues de Santana
S676a Soares, Vanessa Fernandes
Avaliação da resistência à antracnose em etnovariedades de
Phaseolus lunatus L. Rio Largo-AL – 2019.
131 f.; il; 33 cm
Dissertação (Mestrado em Proteção de Plantas - Agronomia) Universidade Federal de Alagoas, Centro de Ciências Agrárias. Rio
Largo, 2019.
Orientador(a): Prof. Dr. Gildemberg Amorim Leal Júnior.
1. Colletotrichum truncatum L. 2. Variedades crioulas. 3.
Diversidade genética. 4. Feijão - fava I. Título.
CDU: 635.653
Dedico, aos meus pais, aos meus irmãos e ao meu
avô, aqueles que sempre são minha fortaleza e
refúgio, que compartilham alegrias e tristezas, e
especialmente, me incentivam a lutar.
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus, por todas as bênçãos e lições concedidas no decorrer
desses dois anos. “Que nada é em vão, a Ele pertence o futuro e todas as coisas.”
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES)
pela concessão de bolsa para realização do trabalho.
A Universidade Federal de Alagoas – UFAL por possibilitar o desenvolvimento da
pesquisa.
A todos os produtores e atravessadores locais que participaram da pesquisa, por serem
símbolos de força e sabedoria, a eles deposito minha admiração.
Aos estagiários e colegas de pesquisa do Laboratório de Microscopia e Biologia
Molecular.
A banca examinadora pelas relevantes contribuições.
A todos os professores que conheci no decorrer de minha trajetória como estudante,
além de fontes de conhecimento e inspiração, foram grandes incentivadores, em especial aos
professores que compõe o curso de pós-graduação em Proteção de Plantas do Centro de
Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas – UFAL.
Ao meu orientador Gildemberg Amorim, pela paciência, compreensão e conhecimentos
transmitidos.
Aos meus pais, Lourizete Fernandes e Valmir Soares, primeiramente por todo amor a
mim atribuído, por sempre lutarem por mim e por meus sonhos, mesmo quando esses parecem
inalcançáveis.
Aos meus irmãos Waléria e Welsson, por serem minha fonte de motivação diária, pela
compreensão, carinho e todo amor compartilhado.
Ao meu avô Otacílio Fernandes (In Memoriam) pelo afeto e conselhos proporcionados
durante minha infância, por ter me ensinado que desistir nunca será uma opção, enquanto eu
puder lutar.
Ao meu namorado Valdeir Nunes, pela calma, sabedoria e cuidados, por ser o melhor
presente a mim concedido, obrigada por conhecer meu caos, me aceitar e me amar.
A todos os meus familiares e amigos que torceram por mim e contribuíram durante
minha formação.
Aos colegas que obtive no decorrer da pós-graduação, em especial as meninas do
“Apartamento 102 – Bloco 13” que apesar das divergências de opinião, se tornaram grandes
amigas, contribuindo muito para minha formação pessoal e acadêmica.
“[...] Aprendi que mais vale tentar do que recuar...
Antes acreditar do que duvidar, que o que vale na
vida, não é o ponto de partida e sim a nossa
caminhada.”
(Cora Coralina)
RESUMO
As fontes de resistência a doenças podem ser obtidas de recursos genéticos mantidos in
situ ou ex situ. Entre os recursos genéticos in situ explorados para busca de resistência
estão as variedades crioulas. Variedades crioulas de fava do nordeste foram abordadas
em estudo de resistência a antracnose. Assim a diversidade genética das variedades
crioulas de Alagoas foi caracterizada e avaliada para a resistência a antracnose. O trabalho
foi realizado um levantamento e coleta de variedades em cultivos, feira livres e mercados
públicos, sendo determinada diversidade genética e a resistência ao Colletotrichum
truncatum. Questionários previamente elaborados foram utilizados para entrevistar
produtores e atravessadores. O discurso coletivo foi construído e as informações
consolidadas auxiliaram na distinção das etnovariedades. A diversidade genética foi
determinada baseando-se em 52 caracteres morfoagronômicos sendo 32 qualitativos e 20
quantitativos para categorização e análise de agrupamento. A análise molecular abordou
a região específica do genoma (Internal Transcribed Space, ITS) e foi realizado
agrupamento filogenético. Os ensaios de inoculação in vitro e in vivo caracterizaram a
reação de resistência e suscetibilidade a dois isolados. Complementarmente, a eficiência
simbiótica espontânea foi avaliada. O discurso consolidado retrata um cultivo da fava
familiar, rudimentar e tradicional. Mantido há cinco décadas por produtores
majoritariamente femininos e acima de 50 anos. Os caracteres quantitativos que mais
contribuíram para a diversidade genética foram comprimento e largura de sementes e
vagens, corroborando com o agrupamento das etnovariedades na árvore filogenética no
pool genético mesoamericano I e II (MI e MII). No ensaio in vivo verificou-se que a
resposta de resistência ao isolado ICT12 é mais frequente nas etnovariedades agrupadas
no pool genético MI. A resistência ao isolado ICT16 predomina nas etnovariedades
reunidas no pool genético MII. As variedades alagoanas representam a diversidade típica
do pool genético mesoamericano distinguindo também na composição de prováveis alelos
que regulam a resposta ao C. truncatum. Assim a obtenção de variedades com resistência
mais ampla requer o cruzamento entre variedades resistentes que represente os dois
grupos genéticos. A eficiência simbiótica apresentou resultados inconclusivos.
Palavras-chave: Variedades crioulas; Diversidade genética; Colletotrichum truncatum; Feijãofava.
ABSTRACT
Sources of disease resistance can be getting from in situ or ex situ genetic resources. Between
the in situ genetic resources exploited for quest of resistance are native varieties. Native broad
bean varieties from the Northeast were addressed in an anthracnose resistance study. The
genetic and cultural characterization of allergies was characterized and evaluated for
anthracnose resistance. The work carried out a survey and collect of varieties in crops, free fair
and public market, being determined genetic diversity and the resistance to Colletotrichum
truncatum. Previously developed questionnaires were applied to interview producers and
middlemen. The collective discourse was constructed and consolidated information helped to
distinguish ethnovarieties. Genetic diversity was determined based on 52 morphoagronomic
characters, 32 being qualitative and 20 quantitative for categorization and cluster analysis. The
molecular analysis addressed the genome (Internal Transcribed Space, ITS) and was made
phylogenetic grouping. In vitro and in vivo inoculation assays are characterized by a resistance
and susceptibility reaction to two isolates. Complementarily, the spontaneous symbiotic
efficiency was evaluated. The consolidated discourse portrays a cultivation of family broad
bean, rudimentary and traditional. Maintained for five decades by mostly female producers and
over 50 years old. The quantitative traits that contributed most to genetic diversity were length
and width of seeds and pods, corroborating the grouping of ethnovarieties in the phylogenetic
tree in the Mesoamerican genetic pool I and II (MI and MII). In the in vivo assay it was verified
that it is a resistance response to isolation ICT12 is more frequent in the ethnovarieties grouped
in the MI genetic pool. The resistance to ICT16 isolation predominates in the ethnovarieties
gathered in the genetic pool MII. Alagoanas varieties represent the typical diversity of the
Mesoamerican gene pool, distinguishing also in the composition of probable alleles that
regulate the response to C. truncatum. Thus, obtaining varieties with greater resistance requires
crossing between resistant varieties that represent the two genetic groups. Symbiotic efficiency
presented inconclusive results.
Key words: Native varieties; Genetic diversity; Colletotrichum truncatum; Lima bean.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 11
2 OBJETIVOS...................................................................................................................... 13
3 REFERENCIAL TEÓRICO ........................................................................................... 14
3.1 Etnovariedades.................................................................................................................... 14
3.1.1 Conservação de sementes .......................................................................................... 15
3.1.2 Centro de origem ....................................................................................................... 17
3.2 Resistência genética ............................................................................................................ 18
3.3 Phaseolus lunatus ............................................................................................................... 19
3.4 Antracnose em feijão-fava .................................................................................................. 21
3.5 Diversidade e variabilidade genética .................................................................................. 22
3.6 Análise multivariada ........................................................................................................... 23
3.6.1 Caracterização morfoagronômica .............................................................................. 24
3.7 Caracterização molecular das etnovariedades de Phaseolus lunatus ................................. 25
3.8 Discurso do Sujeito Coletivo .............................................................................................. 26
4 MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................................. 28
4.1 Área de estudo .................................................................................................................... 28
4.2 Coleta das sementes e entrevistas com produtores e atravessadores .................................. 28
4.3 Caracterização morfoagronômica das etnovariedades de Phaseolus lunatus .................... 30
4.4 Extração do DNA de folhas de Phaseolus lunatus ............................................................. 32
4.4.1 Amplificação da região ITS (Internal Transcribed Spacer) das etnovariedades de P.
lunatus............ ..................................................................................................................... 32
4.4.2 Análise da diversidade comparativa baseada na sequência de nucleotídeos (ITS) ... 33
4.5 Avaliação da resistência das etnovariedades de Phaseolus lunatus a incidência natural de
antracnose em folhas e vagens ................................................................................................. 34
4.6 Aquisição dos isolados de Colletotrichum truncatum ........................................................ 34
4.7 Preparo da suspensão de conídios de C. truncatum............................................................ 35
4.7.1 Avaliação in vitro da resposta de resistência das etnovariedades de P. lunatus a C.
truncatum ............................................................................................................................ 35
4.7.2 Avaliação in vivo da resposta de resistência das etnovariedades de P. lunatus a C.
truncatum .................................................................................................................................. 36
4.7.3 Avaliação da reação das etnovariedades à inoculação com C. truncatum ...................... 36
4.8 Nodulação nas etnovariedades ........................................................................................... 37
5 RESULTADOS ................................................................................................................. 38
5.1 Coleta e identificação das etnovariedades .......................................................................... 38
5.2 Discursos que representam o saber local dos pequenos produtores de fava ...................... 44
5.3 Análise de diversidade genética através da caracterização morfoagronômica
quantitativa............................................................................................................................... 51
5.4 Agrupamento das etnovariedades através da caracterização quantitativa .......................... 62
5.5 Avaliação da contribuição relativa dos componentes principais para variação genética das
etnovariedades .......................................................................................................................... 64
5.6 Frequência e agrupamento das etnovariedades através da caracterização qualitativa........ 68
5.7 Agrupamento das etnovariedades através da caracterização qualitativa e quantitativa ..... 73
5.8 Análise filogenética ............................................................................................................ 74
5.9 Avaliação da resistência das etnovariedades a incidência natural de antracnose ............... 77
5.10 Avaliação in vitro da resposta de resistência das etnovariedades .................................... 78
5.11 Avaliação in vivo da resposta de resistência das etnovariedades ..................................... 80
5.12 Análise de nodulação nas etnovariedades ........................................................................ 87
6 DISCUSSÃO...................................................................................................................... 89
7 CONCLUSÃO ................................................................................................................. 110
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 111
APÊNDICE A ....................................................................................................................... 127
APÊNDICE B........................................................................................................................ 130
11
1
INTRODUÇÃO
As etnovariedades ou variedades crioulas são uma forma dinâmica de conservação in
situ que mantém os processos evolutivos moldando à diversidade genética e a adaptação às
condições locais. A diversidade genética moldada pelas condições de cultivo com baixo uso de
tecnologia pode servir de fonte para busca de alelos associados à resistência a estresses bióticos
e abióticos. A resistência genética é a forma mais eficiente de controle das doenças e as
etnovariedades podem servir de fontes de alelos associados à resposta de defesa das plantas
principalmente para culturas de relevância econômica regional.
Phaseolus lunatus é uma cultura de importante valor econômico para região do nordeste.
A cultura também conhecida como feijão-fava ou feijão-lima, é uma das leguminosas cultivadas
por pequenos produtores no estado de Alagoas. É uma importante fonte alternativa de renda e
alimentação para populações da região nordeste do Brasil, embora seja menos cultivada quando
comparada ao feijão comum (Phaseolus vulgaris). Alguns agricultores costumam manter a
tradição de armazenar e disseminar as sementes das pós-colheitas ao longo de gerações,
utilizando essas para novos plantios, conferindo às sementes a denominação de crioulas.
Espécies selecionadas e mantidas a partir da cultura local podem ser denominadas como
etnovariedades, essas apresentam adaptabilidade aos locais e culturas onde se desenvolveram,
além de apresentarem grande diversidade genética que pode condicionar resistência.
As sementes crioulas também podem ser armazenadas nos bancos de germoplasma
(BAG’s), os quais apresentam condições de umidade, temperatura e conservação adequadas
para evitar a perda de viabilidade e a ocorrência de pragas de grãos armazenados nas sementes,
classificada como conservação ex situ. A diversidade da espécie é acessada pelas características
morfológicas e por marcadores genéticos. No entanto, os trabalhos que expõem abordagem com
sementes crioulas de fava no país, não apresentam grande utilização de variedades do estado de
Alagoas e não mencionam a existência de locais de armazenamento dessas sementes. Dessa
forma, pesquisas que realizam a caracterização e avaliação de germoplasma são relevantes para
manutenção e conservação cultural dessas variedades.
Existem alguns fatores considerados como limitantes para a cultura da fava, tais como,
a preferência pelo feijão comum, a não palatibilidade devido as maiores concentrações de ácido
cianídrico em algumas variedades, que ocasionam amargor, além da vulnerabilidade a
antracnose, doença mais frequente na cultura, que causa sintomas em todas as partes da planta
e reduz qualidade e produtividade. Diante das crescentes perdas na produção de fava como
consequência da ação de patógenos, especialmente do gênero Colletotrichum, e explorando a
12
grande diversidade genética presente nas etnovariedades de fava, se faz necessária a obtenção
de conhecimento sobre as que apresentam resistência, através da observação da interação
planta-patógeno, visando a conservação dessas etnovariedades locais, além de futuras
estratégias de melhoramento genético.
13
2
OBJETIVOS
2.1
Objetivo geral
Caracterizar e identificar etnovariedades de Phaseolus lunatus resistentes à antracnose.
2.2
Objetivos específicos
Realizar um levantamento das etnovariedades presentes no estado de Alagoas, bem
como resgatar sua história;
Caracterizar morfoagronomicamente as etnovariedades;
Verificar a resistência a isolados de Colletotrichum truncatum;
Avaliar a eficiência simbiótica das etnovariedades através dos parâmetros: peso,
massa, tamanho e número dos nódulos;
Determinar a diversidade genética das etnovariedades por marcador molecular região
ITS (Internal Transcribed Spacer).
14
3
REFERENCIAL TEÓRICO
3.1
Etnovariedades
As etnovariedades ou variedades crioulas, também conhecidas como raças tradicionais,
variedades tradicionais ou variedades primitivas (landraces, folk variety ou primitive variety),
têm sido definidas como populações ecológica ou geograficamente distintas originadas a partir
de seleção local realizada pelos agricultores (CLEVELAND et al., 1994).
A agricultura autóctone ou agricultura tradicional é um termo utilizado na literatura para
designar o sistema agrícola cujas bases técnicas reportam ao Brasil pré-colonial, mantida pelas
populações indígenas remanescentes e populações tradicionais que assimilaram a técnica
transmitida culturalmente por seus antepassados (FARALDO et al., 2000).
O valor potencial de etnovariedades para o desenvolvimento de uma agricultura
sustentável não estaria apenas na decodificação de informação contida no DNA destas
etnovariedades, mas no fato de existir todo um conhecimento sobre sua seleção, propagação,
coleta e armazenamento de sementes, crescimento, valores culturais e usos (CLEVELAND et
al., 1994). A roça é considerada como uma unidade básica evolutiva, local onde atuam os
processos de geração, amplificação e manutenção da variabilidade genética, indicando que a
variabilidade genética é concentrada dentro da roça (CURY, 1993; MARTINS, 1994;
FARALDO et al., 2000; SIQUEIRA, 2011).
As etnovariedades muitas vezes são adaptadas a ambientes locais difíceis e em
crescimento. O milho Hopi blue, por exemplo, está adaptado para crescer em uma área árida
com uma curta estação de crescimento (CLEVELAND et al., 1994). Assim como as sementes
crioulas conservadas pelos agricultores locais e disseminadas ao longo de gerações se
encontram adaptadas às condições edafoclimáticas locais e a rusticidade do manejo, as quais
estão em processo contínuo de evolução nos agroecossistemas (OGLIARI et al, 2013).
A diversidade genética é a matéria-prima necessária para o desenvolvimento e
manutenção de variedades modernas, e variedades tradicionais são teoricamente uma
importante fonte dessa diversidade, especialmente para características únicas não presentes em
cultivares existentes ou em materiais de reprodução (PLUCKNETT et al., 1987). A diversidade
baseia-se na estabilidade de uma agricultura tradicional composta por muitos sistemas agrícolas
e variedades tradicionais adaptadas localmente, bem como pelo valor dessas variedades para os
agricultores locais.
15
Os agricultores indígenas geralmente retêm variedades tradicionais mesmo quando
experimentam e adotam algumas variedades modernas. As finalidades para reter variedades
tradicionais não são bem definidas, mas podem incluir qualidades de armazenamento,
cozimento, nutrição e processamento; razões históricas e culturais, como diversidade alimentar
e uso de variedades tradicionais como alimentos locais ou cerimônias religiosas, preenchendo
nichos de mercados únicos (CLEVELAN et al., 1994; SIQUEIRA, 2011; CASTRO, 2011).
Outra causa pode ser por razões agronômicas: algumas variedades tradicionais são consideradas
mais adequadas aos padrões tradicionais de consorciação (CLEVELAN et al., 1994).
Na região nordeste do Brasil, o germoplasma de Phaseolus lunatus utilizado pelos
agricultores é originário das suas próprias culturas e do comércio entre as comunidades rurais.
Estas são variedades cultivadas há muito tempo e podem ser considerados crioulos. Embora as
variedades mantenham alguns caracteres indesejáveis, possuem adaptação local e grande
variabilidade genética para a maioria das espécies (SANTOS et al., 2002; SILVA et al., 2015a).
O estudo dos sistemas agrícolas tradicionais, em que a geração e manutenção de
diversidade interespecífica e intraespecífica são uma constante, é de grande importância para
orientar programas efetivos de conservação de germoplasma (MÜHLEN et al., 2000). Estudos
com germoplasma local vêm sendo muito difundidos em espécies como, Dioscorea spp.
(SIQUEIRA, 2011; CASTRO, 2011), Manihot spp. (FARALDO, 2000), Zea mays (SILVA et
al., 2015b; SOUZA, 2015) e Phaseolus lunatus (CARMO, 2011; CAVALVANTE et al., 2012;
CARVALHO, 2009).
A grande variabilidade genética existente nas roças de etnovariedades apresenta
características favoráveis para a conservação in situ e estudos de diversidade genética e
evolução. As roças são adequadas para o manejo de agricultura sustentável. As plantas
cultivadas, principalmente etnovariedades, representam uma forma de recurso genético que
deve ser preservado e conservado, pois poderá ser utilizado pelos melhoristas em programas de
melhoramento, especialmente na transferência de caracteres qualitativos (FARALDO et al.,
2000).
3.1.1 Conservação de sementes
O armazenamento de sementes é uma atividade comum entre os pequenos agricultores,
principalmente, em países em desenvolvimento, nos quais o acesso a variedades que passaram
por melhoramento genético além de apresentarem um alto custo para compra, ainda requerem
alternativas de manejo para que se adequem ao local de plantio (OGLIARI et al., 2013).
16
Conservar recursos genéticos significa “conservar a diversidade e a variabilidade das
informações genéticas contida nos genomas dos indivíduos representativos das espécies”, seja
preservando o ambiente natural – conservação in situ – seja mantendo os germoplasma em
condições fora do seu ambiente natural – conservação ex situ. O armazenamento ex situ referese as formas de armazenamento em bancos de germoplasma, em laboratórios, sob condições
artificiais de luz, umidade e temperatura controladas, no entanto, existem espécies que não
podem ser mantidas em bancos de germoplasma e por essa razão tem seus plantios estabelecidos
em campo, como forma de manter as espécies (COSTA et al., 2012).
Compreender a diversidade genética fornece informações importantes para a criação de
bancos de germoplasma e conservação de recursos genéticos (SILVA et al., 2015a). Existem
bancos de germoplasma, que geralmente atuam em parceria com pequenos agricultores e
comunidades rurais, para obterem sementes crioulas, com intuito de conservar e salvaguardar
os recursos genéticos, desenvolvendo atividades tais como reunir, avaliar e manter coleções,
visando assegurar a conservação da sua variabilidade genética (ASSUNÇÃO FILHO, 2012).
A diversidade genética, base da evolução pela seleção natural, está gravemente
ameaçada nos progenitores de plantas cultivadas e sua exploração, avaliação e conservação in
situ e ex situ é imprescindível para garantir o desenvolvimento sustentável (NEVO, 1998).
A existência de uma coleta adequada de germoplasma é um requisito essencial para
manter os níveis de diversidade em qualquer espécie, bem como determinar seu centro de
domesticação. Esses aspectos, por sua vez, são essenciais para o desenvolvimento de estratégias
de melhoramento genético e de conservação sementes in situ e ex situ (SILVA et al., 2015a). A
melhor esperança para a melhoria das culturas reside nos progenitores de plantas cultivadas que
abrigam ricos recursos genéticos para a tolerância contra fatores abióticos (seca, frio, calor e
radiação solar) e bióticos (patógenos, parasitas e competidores) (NEVO, 1998).
O armazenamento de sementes ex situ sustenta a agricultura global e o fornecimento de
alimentos e permite a conservação de milhares de espécies selvagens de plantas dentro de
instalações nacionais e internacionais (DE-ZHU LI; PRITCHARD, 2009). Técnicas
particulares de preservação de germoplasma incluem bancos de sementes, pólen e
armazenamento de tecidos, clonagem vegetativa e manutenção de plantas inteiras. No entanto,
o uso de bancos de sementes é problemático para espécies cujas sementes têm uma taxa de
germinação muito lenta ou, alternativamente, são recalcitrantes ou germinam imediatamente e
não podem ser armazenadas. Assim, coleções vivas são um método alternativo ex situ
implementado em jardins botânicos e com um longo histórico (VOLIS; BLECHER, 2010).
17
No entanto, essas abordagens de conservação devem ser vistas como complementares,
ao invés de alternativas que fornecem diferentes tipos de proteção para as espécies (DE-ZHU
LI; PRITCHARD, 2009).
3.1.2 Centro de origem
A ampla área de ocorrência de populações selvagens das espécies vegetais é um dos
fatores que permitiram o surgimento de diversas variedades locais, embora também seja uma
das causas da dificuldade de localização exata dos locais de domesticação desta cultura
(FREITAS et al., 2006). As fontes vegetais mais importantes e amplamente exploradas de
resistência a doenças podem ser encontradas no centro de origem da cultura, onde a diversidade
de culturas é a mais alta (LOPES et al., 2015).
O pool genético primário de P. lunatus foi subdividido em duas variedades botânicas,
var. silvestre para o parente silvestre e var. lunatus para os landraces (domesticados)
(BAUDET, 1977). Com base na morfologia das sementes, nos caracteres bioquímicos e nos
marcadores moleculares, dois grupos genéticos de P. lunatus selvagens foram propostos: o de
pequeno porte (conhecido como pool genético mesoamericano) e o de grande porte (conhecido
como pool genético andino) (MOTTA-ALDANA et al., 2010).
Recentemente, com base em uma abordagem filogenética e filogeográfica combinada,
foram propostos três pools gênicos no feijão-lima selvagem, o pool genético andino (AI) e dois
pools genéticos mesoamericanos (MI e MII). O pool de genes MI ocorre principalmente no
México, especialmente na área ao norte e noroeste do Istmo de Tehuantepec. O pool genético
MII foi distribuído amplamente no México (especialmente a leste e sudeste do Istmo de
Tehuantepec), América Central, Caribe e na vertente oriental dos Andes da América do Sul na
Colômbia, centro-sul do Peru, Bolívia e Argentina (SERRANO-SERRANO, et al., 2010).
Em relação ao pool gênico domesticado de P. lunatus, muitas hipóteses foram
levantadas em relação à sua origem, e três cultigrupos principais foram propostos com base na
morfologia das sementes (BAUDET, 1977). O cultigrupo “Sieva”, caracterizado por ter
pequenas sementes com pesos que variavam entre 40g e 70g/100 sementes, com formato de
rim, o grupo “Batata” por ter sementes menores que 24g e 40g/100, com formato globular ou
elíptico. A área de origem do terceiro cultigrupo conhecido como “Big Lima”, com sementes
maiores que 70g/100, tem sido menos controversa e foi colocada no Equador e norte do Peru,
onde parentes selvagens de sementes grandes também ocorrem (MOTTA-ALDANA et al.,
2010; GUTIÉRREZ SALGADO et al., 1995).
18
3.2
Resistência genética
Devido à ação de patógenos ter se tornado uma grande ameaça aos campos de produção,
a maioria dos programas de melhoramento tem dedicado muito tempo e recursos na busca de
genótipos com alta produtividade e elevada resistência. O melhoramento genético visando à
resistência das plantas as doenças é uma das maneiras de controle mais eficientes, simples e de
reduzido impacto na natureza (MATIELLO et al., 1997; TINOCO, 2010).
A resistência descreve uma variedade de adaptações desenvolvidas por plantas que
melhoram sua sobrevivência e reprodução, reduzindo a infecção de patógenos. As plantas
hospedeiras usam várias estratégias para se defenderem contra danos causados por vários
patógenos (WISSER, 2006). Existem alguns tipos de resistência, no que se refere à tolerância
a ação de patógenos, têm-se as resistências verticais e as resistências horizontais, sendo a
primeira efetiva contra algumas raças do patógeno e a segunda efetiva contra todas as raças
(BESPALHOK, et al., 2007).
Classificada como vertical ou específica, a resistência segue o padrão da hipótese genepara-gene e é controlada por apenas alguns genes específicos da raça, é baseada em um ou
poucos genes, é temporal e a mudança racial do patógeno supera a resistência (VAN DER
PLANCK, 1963). Geralmente envolve mecanismos cuja herança é governada por genes simples
e dominantes (monogênica), fáceis de manipular em programas de melhoramento (PARESQUI
et al., 2000). De forma geral a resistência vertical é de curta duração, pois os patógenos têm
capacidade de suprimi-la, quando aparecem ou são introduzidas novas raças para as quais as
cultivares não tem resistência (BESPALHOK, et al., 2007).
A resistência horizontal ou não específica é controlada por muitos genes menores, cada
gene contribui com um pequeno efeito para restringir todas as raças de patógenos da infecção,
e é considerada como resistência permanente (VAN DER PLANCK, 1963). Caracterizada por
apresentar um mesmo nível de proteção contra todas as raças do patógeno (PARESQUI et al.,
2000), sendo mantida independentemente do aparecimento de novas raças (BESPALHOK, et
al., 2007).
Linhagens mais produtivas, em uma grande amplitude de ambientes, são aquelas que
possuem na sua constituição, maior tolerância aos patógenos que ocorrem nos cultivares
(SOUZA, 2012). Dentre as quais, podem ser citadas as cultivares de soja (MSOY 8400, BRS
153 e Anta 82) resistentes a Colletotrichum truncatum (COSTA et al., 2006; COSTA et al.,
2009), as linhagens de feijão carioca (91 e 144) resistentes a Colletotrichum lindemuthianum
(AMARO et al., 2006; PEREIRA et al., 2004) e as linhagens de milho (L234, L209, L225,
19
L224, L221, L228, L216, L231 e L236) resistentes a Colletotrichum graminicola (NICOLI et
al., 2016; BRITO et al., 2007), como precursoras de tal eficiência.
A resistência das plantas hospedeiras é geralmente o método de controle mais favorável
por razões ambientais, econômicas e sociais (MUNDT, 2014), representando uma das formas
de manejo integrado e controle alternativo de manchas vasculares, ferrugens, oídios e viroses,
possibilitando alto nível de produção conjuntamente com a aplicação de outros métodos de
controle (COSTA et al., 2009; MARTINS et al., 2008; SPONHOLZ et al., 2006; CARVALHO,
2012).
O uso da resistência do hospedeiro é uma das formas mais confiáveis e ecológicas de
reduzir as perdas. A capacidade de um microrganismo para produzir doença pode ser avaliada
apenas em termos da reação do hospedeiro e, inversamente, a resistência, ou imunidade, do
hospedeiro pode ser julgada apenas em relação ao seu efeito sobre o microrganismo (MUNDT,
2014). Evidencia-se a necessidade do estimulo para o uso de cultivares resistentes, a partir das
vantagens que a resistência oferece ao ambiente, a redução local e regional de patógenos e as
limitações apresentadas através do uso de fungicidas (COSTA et al., 2009; MARTINS et al.,
2008).
Apesar da importância econômica, social e ambiental do feijão-fava, a produtividade
em Alagoas é considerada baixa. Fato atribuído em parte a produção ser oriunda de pequenos
produtores que realizam o cultivo em consórcio com outras culturas sem a adoção de aporte
tecnológico. Além da ocorrência de doenças que têm sido apontadas como um dos fatores de
redução da produtividade e qualidade da fava produzida (SANTOS et al., 2002), especialmente
as doenças fúngicas como a antracnose.
3.3
Phaseolus lunatus
O feijão-fava é uma leguminosa que pertence ao filo Magnoliophyta, à classe
Magnoliopsida, ordem Fabales, família Fabaceae, gênero Phaseolus e espécie Phaseolus
lunatus L. (CRONQUIST, 1988). É muito utilizada na alimentação humana e animal e
apresenta uma grande resistência a longos períodos de seca e excesso de umidade. Utilizada
como adubo verde ou cultura de cobertura para a proteção dos solos, também é uma importante
fonte de proteína, consumida como grãos verdes, secos ou como vagens (VIEIRA, 1992;
PEGADO et al., 2008; SOUZA et al., 2016). Assim, os feijões têm um importante papel na
dieta humana, especialmente nos países em desenvolvimento, onde são considerados uma fonte
de proteína de baixo custo (LOVATO et al., 2018).
20
Sua diversidade de usos aliados ao clima da região nordeste do Brasil, entre outros
fatores, evidenciam o cultivo desta espécie como importante alternativa de renda e fonte de
alimento para a população (GUIMARÃES et al., 2007). No Brasil, as regiões com maior
consumo de Phaseolus spp., são nordeste (20,8 kg/ano) e sudeste (18,2 kg/ano). Os estados com
maior destaque de produção são Ceará, Paraíba e Pernambuco, sendo Alagoas um dos estados
com menor produção (GUIMARÃES et al., 2009; OLIVEIRA et al., 2004; IBGE, 2013, 2014).
Apesar de ser cultivada em vários Estados e de apresentar capacidade de adaptação mais
ampla que o feijão-comum (Phaseolus vulgaris L.), o cultivo do feijão-fava ainda tem pouca
relevância. Acredita-se que as principais razões para o cultivo relativamente limitado, sejam: a
maior tradição de consumo do feijão-comum, o paladar do feijão-fava e o seu tempo de cocção
mais longo (GUIMARÃES et al., 2007).
O feijão-fava tem relativa importância econômica e social, por causa da sua rusticidade,
tendo sua colheita prolongada e realizada no período seco. Seu cultivo na região Nordeste é
consorciado com milho, mandioca ou mamona, tomando as plantas dessas culturas como
suporte (AZEVEDO et al., 2003).
Os cultivares de feijão-fava apresentam dois hábitos de crescimento o determinado e o
indeterminado. O hábito de crescimento determinado se caracteriza pelo desenvolvimento
completo da gema terminal em uma inflorescência, enquanto o indeterminado se caracteriza
pelo desenvolvimento da gema terminal em uma guia (SANTOS et al., 2002).
Suas vagens são achatadas, curvas, coriáceas, pontiagudas, de coloração bege quando
secas, contendo de 2 a 4 sementes. Há uma grande variação dentro da espécie em relação à cor
do tegumento e tamanho dos grãos. O consumidor nordestino tem preferência pelo feijão-fava
de tegumento branco (AZEVEDO et al., 2003).
A fava assim como outras leguminosas também fixa nitrogênio através dos rizóbios,
bactérias presentes no solo capazes de estabelecer simbiose com as plantas (RAHMANI et al.,
2011) podendo assim, reduzir o uso de fertilizantes nitrogenados. Á capacidade de executar a
fixação biológica de nitrogênio (FBN), traz uma grande importância ao uso de rizóbios na
agricultura (COSTA NETO, 2016). Pois os fertilizantes nitrogenados além de apresentarem um
alto custo para os agricultores locais, se torna um poluente ambiental, devido às perdas que
ocorrem após a sua aplicação, ao ser carreado para o lençol freático, pode provocar a
contaminação de aquíferos, rios e lagos (GUEDES et al., 2010). Estudos verificando a
eficiência da FBN nas leguminosas P. lunatus e Glycine max obtiveram resultados
significativos (COSTA NETO, 2016; ARAUJO et al., 2017; HUNGRIA; BOHRER, 1998).
21
Além disso, a baixa produtividade pode ser atribuída ao fato de parte da produção ser
oriunda de pequenos produtores que o plantam em consórcios com outras culturas, sem a
adoção de tecnologia que vise o aumento da produtividade. A ocorrência de doenças também
tem sido apontada como um dos fatores de redução da produtividade e da qualidade da fava
produzida (SANTOS et al., 2002).
3.4
Antracnose em feijão-fava
A antracnose é uma das mais importantes doenças do feijão-fava na região Nordeste
(NASCIMENTO et al., 2017). O gênero Colletotrichum descrito por Corda em 1831, pertence
ao Filo Ascomycota, família Glomerellaceae e possui a fase teleomórfica denominada de
Glomerella spp., é o agente causal da antracnose (ALMEIDA, 2015).
Nesse gênero são encontradas formas saprofíticas e patogênicas, sendo estas últimas,
responsáveis por doenças economicamente importantes, comumente denominadas de
antracnoses, que ocorrem em extensa gama de hospedeiros (MENEZES, 2006; SIERRA
HAYER, 2014). Alguns dos hospedeiros acometidos por espécies desse gênero são Glycine
max (COSTA et al., 2009), Phaseolus vulgaris (RODRIGUES et al., 2002), Capsicum spp.
(TOZZE JÚNIOR et al., 2006), Mangifera indica (SERRA et al., 2011) e Passiflora edulis
(SOLINO et al., 2012).
As espécies do gênero Colletotrichum apresentam alta variabilidade, manifestada pela
morfologia da colônia, forma dos conídios, presença e formação de setas, apressórios,
pigmentação e patogenicidade (MENEZES, 2006; SIERRA HAYER, 2014).
A espécie Colletotrichum truncatum é o agente causal da antracnose no feijão-fava,
apresenta conídios hialinos, unicelulares, com forma falcado, ápices afilados e dispostos em
acérvulos com setas asseptadas de coloração marrom escuro. O tamanho dos conídios varia de
18,31−26,63 µm para o comprimento e 2,01−4,06 µm para a largura (CARVALHO, 2009).
Enquanto as células conidiogênicas apresentam-se de forma hialina e marrom pálido medindo
entre 6,0 – 20,0 µm para o comprimento e 2,5 – 4,0 µm para a largura (DAMM et al., 2009).
O fungo C. truncatum infecta as folhas (nervuras, pecíolos), ramos, pedúnculo,
almofada floral e a vagem, nesse caso, as vagens ficam deformadas e contorcidas. As sementes
apresentam manchas marrons com acérvulos do fungo. As manchas são de coloração marromescura ou café, de tamanho e conformação variados. Na superfície das lesões, despontam as
frutificações negras do patógeno (acérvulos), destacando setas escuras, perceptíveis ao tato
(CARVALHO, 2009; SPONHOLZ et al., 2006). Nas vagens são encontradas lesões grandes e
22
deprimidas, nas quais se forma uma massa esbranquiçada com numerosas setas organizadas em
acérvulos (DAMM et al., 2009).
A antracnose é uma doença que afeta a fase inicial de formação das vagens. Em anos
chuvosos, pode causar perda total da produção, mas, com maior frequência, causa redução do
número de vagens e da quantidade de grãos (HENNING et al., 2014).
A doença caracteriza-se por apresentar, no estádio de plântula, a chamada infecção
latente, nessa o patógeno infecta a planta, mas os sintomas da doença só são manifestados em
estádios mais avançados de desenvolvimento (COSTA et al., 2009). Com o processo de
colonização do patógeno, nos tecidos da planta afetada, surgem os sintomas de antracnose,
visíveis em folhas, inflorescências e frutos, sendo a doença mais severa em regiões tropicais e
subtropicais (MENEZES, 2006; SIERRA HAYER, 2014).
Fungos do gênero Colletotrichum penetram na planta por aberturas naturais, por
ferimentos ou ativamente por meio de estruturas especializadas, denominadas apressórios
(AGRIOS, 2005). A estratégia de colonização de C. truncatum consiste na invasão do tecido
através da cutícula e da parede peridinal das células da epiderme, resultando em necrose
(MANANDHAR et al., 1985).
De modo geral, as manchas foliares ocorrem com maior frequência e intensidade em
condições de clima quente e úmido. A alta umidade, tanto na forma de umidade relativa como
na forma de uma película de água sobre a superfície vegetal e, temperaturas relativamente
elevadas (20 – 30ºC) são condições indispensáveis ao desenvolvimento dessas doenças
(BEDENDO, 1995).
O controle químico da antracnose normalmente torna-se impraticável quando análises
econômicas são levadas em consideração, além de não haver fungicidas registrados para a
doença. Certos cuidados culturais devem ser adotados para redução da doença, tais como
rotação de culturas, plantios distantes de plantações doentes, uso de cultivares precoces,
controle de épocas, densidade de plantio e a utilização de sementes registradas e sadias
(SPONHOLZ et al., 2006; HENNING et al., 2014).
3.5
Diversidade e variabilidade genética
O estudo da diversidade visa elucidar relações genéticas, quantificar ou predizer o nível
de variabilidade total existente e a sua distribuição entre e dentro de unidades taxonômicas,
quer sejam indivíduos, acessos, linhagens, cultivares, populações de sistemas controlados de
acasalamento ou naturais ou espécies. Este conhecimento tem proporcionado importantes
23
contribuições ao melhoramento genético, ao gerenciamento de bancos de germoplasma, à
conservação de recursos genéticos e ao entendimento dos processos evolutivos das espécies
(GANGA et al., 2004; SOUSA, 2015).
O conhecimento, conservação e utilização da variabilidade genética é primordial para o
sucesso de qualquer programa de melhoramento genético (SOUSA, 2015). Com as constantes
mudanças na demanda de produtores, os melhoristas precisam desenvolver cultivares cada vez
mais produtivas, adaptadas aos mais diversos ambientes, resistentes a pragas, doenças e que
apresentem pouca necessidade de insumos. A estimativa da diversidade genética com eficácia
está associado ao emprego de técnicas multivariadas. As análises e métodos mais comumente
utilizados são as análise de componentes principais, determinação das distâncias Euclidiana e
Mahalanobis e realização de agrupamentos (sejam eles, hierárquicos ou de otimização), que
podem ser usadas para dados quantitativos e/ou qualitativos (ASSUNÇÃO FILHO, 2012).
3.6
Análise multivariada
Os programas de melhoramento buscam estimar a diversidade genética dentro de uma
espécie objetivando a criação de novas cultivares com características agronômicas desejáveis.
Nesse sentido, as técnicas de análise multivariada são uma ferramenta de grande importância,
com a qual várias características podem ser avaliadas simultaneamente. Entre as técnicas
multivariadas, o método de agrupamento é particularmente útil para separar um grupo de
observações em subgrupos de uma maneira que maximize a homogeneidade dentro e a
heterogeneidade entre os subgrupos. Desses métodos, as técnicas hierárquicas e de otimização
são amplamente utilizadas para o aprimoramento de plantas (SILVA et al., 2015a; DENARDI
et al., 2015).
A determinação da divergência genética, com o uso da análise multivariada, em que
diversos caracteres podem ser dimensionados simultaneamente, apresenta-se bastante
vantajosa, podendo-se identificar fontes de variabilidade genética, avaliar a importância dos
caracteres para a divergência genética, além de permitir aos melhoristas identificar
combinações genéticas com maiores chances de sucesso, antes de se realizarem os cruzamentos
(ABREU et al., 2004).
O princípio da análise multivariada refere-se simultaneamente a um conjunto de
variáveis aleatórias que apresentam relações entre si. Basicamente, técnicas multivariadas,
analisam estudos voltados para a diversidade das espécies, sendo baseadas em medições de
24
dissimilaridade genética entre os genótipos, tais como a distância euclidiana, distância
euclidiana média e distância generalizada de Mahalanobis (CHIORATO et al., 2005).
A análise de agrupamento trata-se do estabelecimento de grupos de indivíduos em
relação às variáveis observadas. O método de otimização de Tocher e os métodos hierárquicos
como o vizinho mais próximo também são utilizados (CHIORATO et al., 2005). Resultados
codificados a partir da matriz de similaridade ou dissimilaridade, também são interpretados
através da análise multivariada (GUIMARÃES et al., 2009).
Um método de otimização muito utilizado é o método proposto por Tocher, onde se
adota o critério de manter a distância média intragrupo sempre inferior a qualquer distância
intergrupos (SILVA, 2011a). O UPGMA utiliza a média das distâncias entre todos os pares de
genótipos para formação de cada grupo (CRUZ; REGAZZI, 2001), sendo adotado em grande
escala no melhoramento vegetal, na representação das distâncias em estudos multivariados,
apresentando superioridade em relação aos demais hierárquicos, em estudos filogenéticos
(BERTAN et al., 2006).
Utilizam-se análises multivariadas com o objetivo de quantificar a divergência genética
entre as adesões, formando grupos com diversidade quanto à dissimilaridade genética e
descartando os descritores redundantes, além de identificar combinações entre os individuos
mais promissores para o desenvolvimento de linhas superiores (CHIORATO et al., 2005).
3.6.1 Caracterização morfoagronômica
Tradicionalmente, a diversidade genética em feijão tem sido avaliada por meio de
marcadores morfológicos, tais como hábito de crescimento, tipo de semente, resistência a
doenças e pragas (SINGH et al., 1991). Na caracterização preliminar dos genótipos,
características morfológicas e agronômicas das plantas são preferidas, devido a facilidade para
avaliação e o baixo custo finanaceiro (LIMA et al., 2012). A caracterização morfoagronômica
abre um leque de possibilidades no que diz respeito às informações geradas sobre os genótipos
avaliados, desde uma simples ordenação a agrupamentos de genótipos semelhantes em grupos
homogêneos (ASSUNÇÃO FILHO, 2012).
A caracterização morfoagronômica gera uma série de informações a respeito de cada
subamostra, possibilitando a diferenciação entre elas, principalmente quando as informações
são escassas (SINGH, 2001). Um marcador morfológico é um caráter qualitativo, de alta
herdabilidade, normalmente determinado por um único alelo e, em geral, fenótipo de fácil
identificação visual, como altura, cor de pétala e morfologia foliar (FERREIRA;
25
GRATTAPAGLIA, 1998). Entretanto, as características de interesse agronômico como ciclo
vegetativo de plantas, produtividade, precocidade e peso de sementes são marcadores
quantitativos, ou seja, influenciadas por um grande número de genes, cada qual contribuindo
com um pequeno efeito no fenótipo (SILVA, 2011b).
Os descritores são utilizados visando uma maior conservação e melhoria genética da
cultura. Através dos dados que constam nos descritores é possível aprofundar o conhecimento
sobre a variabilidade existente e identificar divergentes. Assim, são realizadas as
caracterizações dos cultivares, a partir de manuais que geralmente apresentam todos os
caracteres genotípicos que podem ser encontrados em uma espécie (CHIORATO et al., 2005).
O descritor do Biodiversity Internacional é utilizado para Phaseolus lunatus (IPGRI, 2001).
3.7
Caracterização molecular das etnovariedades de Phaseolus lunatus
Diversas técnicas moleculares permitem revelar variabilidade de dois ou mais
indivíduos através de diferenças existentes na molécula de DNA. As diferenças são herdadas
geneticamente e denominadas de marcadores moleculares. A identificação de marcadores
polimórficos permite realizar a caracterização molecular e determinado o grau de diferenças
entre indivíduos e populações (ALMEIDA, 2015). Comparativamente, os marcadores
moleculares fornecem um número praticamente ilimitado de polimorfismos em relação aos
marcadores morfológicos. As marcas identificadas na molécula de DNA também são
distribuídas aleatoriamente ao longo de todo o genoma, podendo ser detectadas de forma
automatizada e a custos cada vez mais reduzidos (GUIMARÃES et al., 2009).
Marcadores moleculares têm demonstrado eficácia na avaliação da variabilidade
genética dentro e entre populações de plantas e na elucidação de parentescos entre acessos
dentro de uma espécie. Nos programas de melhoramento, a informação da diversidade genética
dentro de uma espécie é essencial. É particularmente útil na caracterização individual dos
acessos e cultivares e como guia na escolha dos pais em programas de cruzamento (LOARCE
et al., 1996).
Os marcadores moleculares foram responsáveis pelo desenvolvimento dos primeiros
mapas genéticos de muitas espécies cultivadas, além da descoberta de genes e de vários estudos
de diversidade genética (GUIMARÃES et al., 2009; WILLIAMS et al., 1990). Os diferentes
tipos de marcadores moleculares disponíveis apresentam uma ampla capacidade de amostragem
do genoma, sendo de grande potencial para a avaliação da diversidade genética, tanto para
aplicações filogenéticas e evolutivas, quanto para fins práticos em programas de melhoramento
26
genético e na manutenção de bancos de germoplasma (GUIMARÃES et al., 2009). A filogenia
baseada no sequenciamento de regiões do DNA genômico tem permitido a distinção de espécies
muitas vezes morfologicamente semelhantes, bem como aquelas pertencentes a gêneros
complexos (ALMEIDA, 2015).
A região conhecida com ITS (Internal Transcribed Sequence – Sequência Interna
Transcrita) é uma região variável que acumula muitas mutações e está localizada entre regiões
altamente conservadas (WHITE et al., 1990). O acumulo de mutações permite que a região seja
polimórfica entre indivíduos da mesma espécie. Esses marcadores abrangem uma região
altamente conservada e outra polimórfica, geram um grande número de informações e
determinam uma medida mais precisa das distâncias genéticas entre espécies e indivíduos,
facilitando a análise filogenética com inferência na variação taxonômica das espécies (LEE;
TAYLOR, 1992). É um marcador molecular altamente variável e com grande informação
disponível. Sua estrutura secundária conservada permite inferências sobre a evolução molecular
da região e o bom sinal filogenético para o gênero, possibilita estudos de análise filogenética
(GIUDICELLI, 2015).
3.8
Discurso do Sujeito Coletivo
O Discurso do Sujeito Coletivo visa preservar as opiniões que descreve como entidades
empíricas de caráter coletivo na forma de discursos emitidos na primeira pessoa do singular, ou
seja, em forma de depoimentos. O Discurso do Sujeito Coletivo como técnica de pesquisa
empírica que tem como objeto o pensamento de coletividades permite iluminar o campo social
pesquisado, resgatando nele o universo das diferenças e semelhanças (LEFEVRE; LEFEVRE,
2010). Técnica de tabulação e organização de dados qualitativos consiste basicamente em
analisar o material verbal coletado em pesquisas que tem depoimentos como sua matéria prima,
extraindo-se de cada um destes depoimentos as Ideias Centrais e as suas correspondentes
Expressões-chave (LEFEVRE; LEFEVRE, 2003).
O Qualiquantisoft software desenvolvido pela Universidade de São Paulo em parceria
com Sales & Paschoal informática, é utilizado para a análise das entrevistas para facilitar e
agilizar o processamento de dados, possibilitando ao pesquisador filtrar depoimentos e
compará-los (LEFEVRE; LEFEVRE, 2010). O “qualiquantsoft” foi desenvolvido como
conjunto harmônico de procedimentos, conformando descritivamente a opinião de uma dada
coletividade como produto “qualiquantitativo”, compondo um painel de depoimentos
discursivos (CARVALHO, 2006).
27
As ferramentas metodológicas, expressões chaves, ideias centrais e o discurso do sujeito
coletivo, apresentam um conjunto de ações, as ideias centrais são selecionadas e posteriormente
agrupadas de modo que as expressões-chave de cada ideia central sejam enquadradas por
determinada denominação e para cada agrupamento um DSC é construído (LEFEVRE;
LEFEVRE, 2003). As Ideias Centrais ou categorias (IC) tratam-se de um nome ou expressão
linguística que revela e descreve da maneira mais sintética e precisa possível o sentido ou
sentidos das Expressões-chave (ECH) de cada um dos discursos analisados (LEFREVE;
LEFREVE, 2010).
28
4
MATERIAL E MÉTODOS
4.1
Área de estudo
A pesquisa foi desenvolvida através de coletas realizadas no estado de Alagoas para
aquisição de sementes crioulas de fava. O estado está localizado na região nordeste do Brasil,
que tem como capital a cidade de Maceió. Alagoas possui uma população estimada de
3.375.823 habitantes, apresentando densidade demográfica de 112,33 hab/km² e área territorial
de 27.848,140 km². É subdividido em Agreste, Leste, Sertão (mesorregiões) e 19 microrregiões,
classificadas atualmente como áreas intermediárias e imediatas. As cidades mais populosas do
estado são Maceió, Arapiraca, Palmeira dos Índios, Rio Largo e União dos Palmares (IBGE,
2013, 2014).
Alagoas é um estado agrícola, com agricultura familiar prevalente, baseada
predominantemente em policultura, é responsável por quase toda a produção de arroz, feijão,
mandioca e milho do estado, sua produção é a garantia da segurança alimentar, atendendo ao
mercado interno e evitando importações, além disso, produz mais de 90% da cana-de-açúcar,
sendo responsável por 60% do valor da produção agrícola do Estado. É um dos estados
produtores de fava do país, considerado o 8° estado produtor da região nordeste, produzindo 47
toneladas de fava anualmente.
É constituído por 102 municípios, sendo que 21 desses
municípios apresentam produtividade anual de fava (IBGE, 2013, 2014).
4.2
Coleta das sementes e entrevistas com produtores e atravessadores
As sementes foram obtidas em coletas realizadas no período de julho de 2017 a fevereiro
de 2018 nos 21 municípios produtores de fava do estado de Alagoas (Figura 1). Os municípios
de Arapiraca e Junqueiro, apesar de não constarem no senso de municípios produtores também
foram visitados considerando os registros de outra pesquisa de campo, obtendo-se assim, a
informação de que havia plantios de fava nesses locais (SOARES, 2017). A sementes coletadas
nas feiras, mercados públicos e propriedades rurais tiveram as coordenadas registradas com o
auxílio do GPSMAP® 60CSx (Garmin). Um mapa foi construído com as coordenadas através
do software TrackMaker (FERREIRA JUNIOR, 1998).
29
Figura 2. Municípios do estado de Alagoas onde foram realizadas as coletas das etnovariedades
de fava.
0
Fonte: dados da pesquisa, 2019.
Nas entrevistas foram utilizados questionários semiestruturados, tratando-se de um
roteiro com questões que norteiam o entrevistador para conduzi-las, (Apêndices B), contendo
perguntas pré-definidas que são passíveis de alterações em campo a depender da compreensão
dos informantes e de outros questionamentos que cada resposta possa gerar durante o diálogo
entre entrevistador e informante, apresentando grande flexibilidade, por respeitar o tempo de
resposta e o conhecimento empírico dos informantes, permitindo que a entrevista ocorra de
forma espontânea (ALBUQUERQUE et al., 2010). As entrevistas foram gravadas (Gravador
Sony Icd-PX240), posteriormente transcritas e analisadas a partir do Discurso do Sujeito
Coletivo – DSC, com auxílio do software Qualiquantisoft (LEVREFE; LEVREFE, 2010). As
imagens das sementes e dos produtores foram retiradas com câmera digital e editadas com
auxílio do software Pixlr Editor (https://pixlr.com/editor/).
30
4.3
Caracterização morfoagronômica das etnovariedades de Phaseolus lunatus
A caracterização morfoagronômica foi realizada, a partir dos parâmetros qualitativos e
quantitativos expostos pelos Descritores para Phaseolus lunatus do Bioversity International
(IPGRI, 2001). A avaliação foi dividida em quatro etapas no desenvolvimento da planta para
caracterização das diferentes estruturas: plântula (15 dias após a semeadura), fase vegetativa
(aos 40 dias após a semeadura), estruturas reprodutivas (no momento de floração e maturação
das vagens) e sementes (pós-colheita).
O experimento foi conduzido no Centro de Ciências Agrárias – CECA da Universidade
Federal de Alagoas – UFAL. O delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado – DIC,
com três repetições. As parcelas eram vasos, contendo uma planta e mantidos em condições de
ambiente aberto (com piso impermeabilizado e nivelado). O substrato para cultivo foi à terra
coletada da camada de 30 cm superficial ao solo. A terra foi adubada com NPK 10:10:10 (2
g/L) e calcário (4 g/L), uma semana antes do plantio, totalizando 3,240 kg de NPK e 6,480 kg
de calcário. O estabelecimento do cultivo foi realizado com semeadura de 3 sementes por vaso
com capacidade de 20 L, as plantas foram desbastadas aos 15 dias após germinação, deixando
apenas uma planta por vaso. As plantas foram tutoradas com auxílio de estacas de bambu e
quando iniciaram o período de florescimento foram adubadas quinzenalmente com nitrogênio.
O controle de insetos como pulgões e ácaros foi realizado sempre que necessário, utilizando
óleo de neem (Natuneem, Natural Rural Indústria e Comércio de Produtos Orgânicos e
Biológicos Ltda., Araraquara – SP), seguindo as indicações de aplicação no rótulo do produto,
para obter a concentração de 1% foi feita diluição de 10 mL do óleo em 1000 mL de água.
Os caracteres qualitativos avaliados foram: cor do cotilédone (CC); cor do hipocótilo
(CH); pigmentação do caule principal (PCP); marcas transparentes ao longo das nervuras das
folhas primárias mais desenvolvidas (MTFP); cor da nervura das folhas primárias mais
desenvolvidas (CNFP); antocianina nas folhas (AF); cor da folha: intensidade da cor verde
(CFICV); padrão de crescimento (PCE); ramificação: tipo determinado e indeterminado
(RTDI); orientação dos ramos: tipo determinado (ORTD); forma do folíolo (FF); cor das asas
(CA); cor da quilha (CQ); cor do estandarte (CE); abertura das asas (AA); posição do cacho
(PC); forma do ápice da vagem (FAV); posição das vagens em relação aos cachos (PVRC);
orientação das vagens em relação aos cachos (OVRC); deiscência da vagem (DV); curvatura
da vagem (CDV); cor das vagens (CV); persistência da folha (PF); cor de fundo da semente
(CFS); cor padrão da semente (CPS); segunda cor padrão da semente (SCPS); padrão do
tegumento da semente (PTS); forma da semente (FS); germinação das sementes nas vagens
31
(GSV); separação de testa (ST); textura de testa (TT); cor do cotilédone em sementes maduras
(CCSM). Para os caracteres de cor, foi utilizada a tabela de padrão de cor de Munsell (Munsell
Color Chart for Plant Tissues, 1952).
Os caracteres quantitativos avaliados foram: comprimento da folha primária (CFP);
largura da folha primária (LFP); comprimento do folíolo (CF); largura do folíolo (LF); número
de nós no caule principal antes do primeiro cacho (NNCP); altura da planta: tipo determinado
(APTD); comprimento desde a base do hipocótilo até à primeira folha completamente
expandida (CHPF); número de nós por cacho (NNP); tamanho do botão floral (TBF);
comprimento do cacho (CDC); duração da floração (DF50%); número de sementes por vagem
em 20 vagens (NSV); peso de 100 sementes (PS100); peso de 50 vagens (PV50); número de
dias desde o aparecimento da primeira vagem até a planta possuir 50% das vagens (NV50%);
número de dias após a planta possuir 50% das vagens até à maturação (NV90%); comprimento
semente (CS); largura semente (LS); comprimento vagem (CV); largura vagem (LV). O
comprimento e largura dos caracteres foram mensurados em milímetros com paquímetro
digital, a altura da planta em cm com régua comum e o peso em gramas com balança analítica
de precisão.
A análise dos parâmetros quantitativos foi realizada utilizando o teste F para verificar
as significâncias estatísticas dos quadrados médios das etnovariedades, relativos aos 20
caracteres quantitativos, determinando os coeficientes de variação experimental entre os pares
de caracteres. A significância dos coeficientes de correlação foi avaliada pela estatística “t” a 1
e 5% de probabilidade (CRUZ, 2013,2016). As diferenças entre as etnovariedades foram
verificadas através do teste de comparação de médias a 5% de probabilidade (SCOTT; KNOTT,
1974).
Na aplicação da técnica de agrupamento dos genótipos, foi adotada a distância
generalizada de Mahalanobis (D2), como medida de dissimilaridade, levando em consideração
o grau de dependência entre as variáveis estudadas. Com relação ao estabelecimento de grupos
dissimilares, foi aplicado o método hierárquico aglomerativo de otimização proposto por
Tocher (RAO, 1952), cujos cálculos foram igualmente embasados na distância generalizada de
Mahalanobis.
O critério de Singh (1981) foi utilizado para quantificar a contribuição relativa das
características mais importantes para divergência. O método hierárquico UPGMA (Unweighted
Pair-Group Method Arithmetic Average – agrupamento aos pares pela média aritmética não
ponderada) também foi utilizado no estudo de dissimilaridade genética. Análise de
Componentes Principais foi usada para verificar a contribuição e correlação entre as variáveis
32
avaliadas. As análises estatísticas foram realizadas utilizando o programa Genes (CRUZ, 2013,
2016). A análise gráfica dos componentes principais foi gerada no programa Past –
Paleontological Statistics versão 3.22 (HAMMER, 2018).
A análise dos parâmetros qualitativos foi realizada utilizando o coeficiente de
coincidência simples para variáveis multicategóricas, e para a análise conjunta dos dados
qualitativos e quantitativos, utilizou-se da distância média de Gower (CRUZ, 2013, 2016). A
partir das matrizes obtidas foi utilizado o programa NTSYSpc versão 2.11X (ROHLF, 1990),
para gerar os dendogramas de similaridade, através do método UPGMA e clusterização de
SHAN.
4.4
Extração do DNA de folhas de Phaseolus lunatus
A extração do DNA das 27 etnovariedades de fava seguiu o protocolo CTAB (DOYLE;
DOYLE, 1987). A extração foi realizada com 150 g do tecido foliar. O tecido foi desestruturado
por maceração em cadinho com uso de pistilo e posteriormente foi adicionado 750 µL de
tampão de extração (100 mM de Tris-HCl (pH 8,0), 1,4 m de NaCl, 0,02 mM de EDTA, CTAB
2% e beta-mercaptoetanol 0,2%). O conteúdo foi transferido para microtubos de plástico e
incubados em banho-maria a 65ºC por 60 min, com agitação suave e ocasional. A
desproteinização foi realizada adicionando nas amostras 2/3 do volume de clorofórmio álcool
isoamílico – CIA (24:1), agitando-as por inversão durante 5 min e centrifugando-as a 10.000
rpm por 10 min. O sobrenadante foi coletado e foi feita adição de 550 µL de isopropanol
(gelado), as amostras foram mantidas em temperatura ambiente por 60 min. Em seguida, foram
centrifugadas novamente, o sobrenadante foi descartado cuidadosamente, o precipitado (pellet)
obtido no fundo do tubo foi lavado uma vez com etanol 70% por 10 min e depois seco em
temperatura ambiente. O DNA das amostras foi ressuspendido em 50 µL de TE (RNAse
10mg/mL). A qualidade do DNA extraído foi verificada após eletroforese em gel de agarose a
0,8% por 60 min a 60 V. O DNA foi visualizado por coração com Sybr Safe® (Invitrogen,
Eugene, Oregon, Estados Unidos) e revelação sob luz ultravioleta em transiluminador L.PIX
(Loccus biotecnologia, Cotia, São Paulo, Brasil). O registro foi armazenado na forma de
fotografia digital.
4.4.1 Amplificação da região ITS (Internal Transcribed Spacer) das etnovariedades de P.
lunatus
33
A amplificação das amostras através de PCR (Polymerase Chain Reaction), foi
realizada utilizando termociclador (2720 Thermal Cycler). A amplificação da região ITS foi
conduzida com os oligonucleotídeos iniciadores ITS1 (5′-CGTAACAAGGTTTCCGTAGG3′) e ITS4 (5′-TCCTCCGCTTATTGATATGC-3′) em condições de amplificação específicas
(WHITE et al., 1990) para obtenção de fragmentos com tamanho variando de 600 a 700 pb. As
reações foram realizadas sob as seguintes condições térmicas: 95º C por 2 min, 95º C por 30 s,
55º C por 30 s, 72º C por 30 s e 72º C por 5 min, durante 35 ciclos. Um controle negativo sem
DNA foi incluído nas amplificações do PCR.
A presença do fragmento amplificado esperado foi verificada após eletroforese em gel
de agarose 1,5% corado em cuba de eletroforese durante 120 min a 90 V. As amostras foram
tratadas com Sybr Safe®, os fragmentos amplificados foram observados sob luz ultravioleta em
transiluminador L.PIX (Loccus biotecnologia, Cotia, São Paulo, Brasil) e os dados foram
registrados na forma de fotografia digital. O referencial para estimar o tamanho do fragmento
foi o ladder 1kb (Ludwing Biotec, Alvorada, Rio Grande do Sul, Brasil). As sequências de
DNA amplificadas com os primers para região ITS foram enviadas para quantificação,
purificação e sequenciamento comercial (Myleus Biotecnologia, Belo Horizonte – MG), o
método de sequenciamento utilizado foi o Sanger (SANGER; COULSON, 1975). As
sequências foram editadas manualmente utilizando sequências do Genbank – NCBI
(https://www.ncbi.nlm.nih.gov/genbank/) como comparativas para identificação e montagem
das sequências foward e reverse das etnovariedades, a edição das sequências montadas foi
realizada no software Bioedit (THOMPSON et al., 1994) transformando o arquivo em Fasta,
para ser lido pelo software Phylogeny.fr (http://www.phylogeny.fr/index.cgi) (DEREEPE et al.,
2008). Essas sequências de nucleotídeos foram editadas e depositadas no Genbank – NCBI
(https://www.ncbi.nlm.nih.gov/genbank/).
4.4.2 Análise da diversidade comparativa baseada na sequência de nucleotídeos (ITS)
As sequências ITS foram analisadas utilizando a ferramenta BLASTN no NCBI
(https://www.ncbi.nlm.nih.gov/genbank/), comparadas com outras sequências do banco de
dados (Genbank), em seguida foram identificados os sentidos foward (5′-3′) e reverse (3′-5′),
para montagem no BLAST2-Seqences (http://140.114.98.75/blast/wblast2.html) e posterior
alinhamento com a função ClustalW implementada no BioEdit (HALL 1999; THOMPSON et
al., 1994). Após o alinhamento foram realizadas as análises filogenéticas utilizando o modo
“One click” do software online (www.phylogeny.fr; DEREEPE et al., 2008) que inclui as
34
seguintes etapas: alinhamento de sequências com MUSCLE (v3.7); remoção de regiões
ambíguas com Gblocks (v0.91b); construção de árvore filogenética usando o método de
máxima verossimilhança com PhyML (v3.0 aLRT); e avaliação da confiabilidade do ramo
interno utilizando o teste aLRT (SH-Like). As árvores filogenéticas foram construídas e
editadas usando TreeDyn (v198.3).
4.5
Avaliação da resistência das etnovariedades de Phaseolus lunatus a incidência natural de
antracnose em folhas e vagens
A reação das etnovariedades à antracnose foi determinada pela escala diagramática para
vagens conforme Feijó (2017), atribuindo as seguintes notas: 3, 6, 12, 24, 48, 68, 84 e 96%. A
avaliação foi feita nas três repetições de cada etnovariedade, em todas as vagens, a partir das
plantas usadas no experimento para análise morfoagronômica. A avaliação das folhas também
foi realizada através da atribuição de notas de 1 a 5 (CARVALHO, 2009), em três folhas
trifolioladas, nas três repetições de cada etnovariedade.
Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias agrupadas por Scott-knott
(1974) (P < 0,05%), utilizando o programa Sisvar (FERREIRA, 1998). Os gráficos foram
construídos no software GraPhad (RADUSHEV, 1992, 2016).
4.6
Aquisição dos isolados de Colletotrichum truncatum
Os isolados de Colletotrichum truncatum utilizados para realizar o teste de
patogenicidade foram ICT12 e ICT16, selecionados pelos diferentes níveis de virulência
verificados em outros estudos (SOUSA, 2018; LIMA, 2013), esses isolados obtidos no
Laboratório de Fitopatologia Molecular e Virologia Vegetal do Centro de Ciências Agrárias.
Os isolados foram ativados em meio sólido BDA (batata-dextrose-ágar). A pureza dos cultivos
foi verificada aos sete dias de crescimento no meio BDA observando as características
morfológicas dos conídios. As suspensões de conídios foram obtidas de 20 mL de água
destilada esterilizada, em seguida, as estruturas dos patógenos foram desagregadas do meio de
cultivo com a raspagem na placa utilizando a alça de Drigalski. Uma alíquota de 50 μL de cada
suspensão foi transferida para os três poços das lâminas escavadas, depois de 24 horas foi
verificada a germinação dos conídios, a partir da observação da formação de tubos germinativos
e apressórios. A patogenicidade foi verificada após observação dos sintomas depois da
35
inoculação da suspensão de conídios nas etnovariedades, comprovando a patogenicidade dos
isolados eram patogênicos.
4.7
Preparo da suspensão de conídios de C. truncatum
A suspensão de conídios foi preparada através de cultivos do fungo em meio sólido
BDA, com sete dias quando as colônias apresentavam crescimento completo, ocupando todo o
diâmetro da placa de Petri. As placas foram adicionadas 20 mL de água destilada esterilizada
(ADE), as estruturas reprodutivas do patógeno foram desagregadas do meio de cultivo através
da raspagem das placas com alça de Drigalski. A suspensão de esporos foi filtrada em dupla
camada de gaze para separação dos fragmentos de hifas. A concentração de esporos da
suspensão foi determinada por contagem direta em câmara de Neubauer (Henneberg-Sander
GmbH, Alemanha, Giessen-Lützellinden). A concentração de esporos foi ajustada por diluição
para 105 esporos mL-1 (ALFENAS; FERREIRA, 2007). Antes da inoculação, a taxa de
esporulação era verificada previamente. Uma das repetições era utilizada para preparo da
suspenção. A germinação dos esporos da suspensão era verificada em microscópio óptico,
mantida no escuro a 28o C por 24 h. A certificação da germinação da maioria dos esporos
permitia preparar a suspensão para inoculação com as demais repetições.
4.7.1 Avaliação in vitro da resposta de resistência das etnovariedades de P. lunatus a C.
truncatum
No ensaio in vitro, foram plantadas 27 etnovariedades. As folhas trifolioladas foram
retiradas das plantas aos 30 dias após germinação, com aproximadamente a mesma idade
fisiológica. Após serem destacadas foram acondicionadas em placas de Petri (90 x 15 mm)
esterilizadas, contendo uma fina camada de algodão e um disco de papel de filtro umedecido
com 10 mL de água destilada esterilizada (MENDES; BERGAMIN FILHO, 1986).
O delineamento utilizado foi inteiramente casualizado, com três repetições para cada
tratamento e três repetições para as testemunhas. As faces superiores e inferiores das folhas, em
cada tratamento, foram pulverizadas com aproximadamente 3,0 mL das suspensões de conídios,
nas testemunhas foi utilizada água destilada esterilizada. As placas foram vedadas com filme
plástico transparente para manter a umidade elevada e colocadas em incubadora do tipo BOD
com temperatura ajustada para 28º C ±1º C e fotoperíodo de 12 horas, mantidas nessas
36
condições até avaliação. A avaliação foi realizada através de escala de notas de 1 a 5
(CARVALHO, 2009; CARMO, 2011).
4.7.2 Avaliação in vivo da resposta de resistência das etnovariedades de P. lunatus a C.
truncatum
No ensaio in vivo foram plantados, em casa de vegetação, as 27 etnovariedades
selecionadas. O delineamento utilizado foi inteiramente casualizado, com três repetições para
cada tratamento e três repetições para as testemunhas. Foram plantadas três sementes de cada
genótipo em vasos com capacidade de 1 L, o solo utilizado foi previamente esterilizado. O
desbaste foi realizado 15 dias após germinação, deixando apenas uma planta por vaso, tutoradas
com auxílio de estacas de bambu.
A suspensão de conídios foi pulverizada em duas folhas trifolioladas localizadas na
parte aérea e na primeira folha trifoliolada emitida após folha primária das plantas, 45 dias após
plantio. Nas testemunhas foi utilizada água destilada esterilizada. Os folíolos foram
acondicionados em sacos plásticos (20 x 14 cm) para que ficassem em câmara úmida até
aparecimento dos primeiros sintomas, para favorecer a colonização dos fungos, após retirar os
sacos plásticos, as plantas foram mantidas até avaliação (BRITO, 2017). A avaliação foi
realizada através de escala de notas de 1 a 5 (CARVALHO, 2009; CARMO, 2011).
4.7.3 Avaliação da reação das etnovariedades à inoculação com C. truncatum
A avaliação foi feita através de uma escala de notas para Phaseolus lunatus
(CARVALHO, 2009). A severidade foi avaliada aos 3 e 5 dias após a inoculação com base no
nível de infecção, através de escala de notas, onde: 0 = ausência de sintoma; 1 = traços a 10%
da área foliar infectada; 2 = de 11 a 25% da área foliar infectada; 3 = de 26 a 50% da área foliar
infectada, sem queda de folíolo; 4 = de 51 a 75% da área foliar infectada, sem ou com queda de
um dos folíolos; 5 = de 76 a 100% da área foliar infectada, sem ou com queda de dois ou três
folíolos. No ensaio in vivo, as avaliações iniciaram após aparecimento dos primeiros sintomas
e prosseguiram com a mesma diferença de dias da avaliação in vitro (2 dias). Foi realizada a
contagem da queda de folíolos em cada repetição e as médias atribuídas por genótipo em cada
tratamento.
37
A partir das médias estimadas na escala de notas, as variedades foram agrupadas em
cinco classes de acordo com a resposta ao patógeno: Imune (IM) - 0; altamente resistente (AR)
- 0,1 a 1,4; moderadamente resistente (MR) - 1,5 a 2,4; moderadamente suscetível (MS) - 2,5 a
3,0; e altamente suscetível (AS) - acima de 3,0 (BELMINO, 2004; CAVALCANTE, 2011). As
imagens das lesões dos folíolos foram retiradas com câmera digital e editadas com auxílio do
software Pixlr Editor (https://pixlr.com/editor/).
Os dados foram submetidos à análise de variância (dois isolados, uma concentração e
três testemunhas), as médias foram transformadas através da √x+1 e agrupadas pelo método
proposto por Scott-knott (1974) (P < 0,05%), com o auxílio do software Sisvar (FERREIRA,
1998). Os gráficos foram construídos no software GraPhad (RADUSHEV, 1992, 2016).
4.8
Nodulação nas etnovariedades
A avaliação considerou a nodulação espontânea das favas cultivadas no solo coletado
da camada superficial. O substrato para cultivo foi à terra coletada da camada de 30 cm
superficial ao solo, coletada no Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de
Alagoas, local onde o experimento foi desenvolvido. O solo foi peneirado e transferido para
vasos com capacidade de 2,5 L. Em cada vaso, foram plantadas 3 sementes e aos 15 dias após
germinação foi realizado desbaste, deixando apenas uma planta por vaso, em seguida, foi feito
o tutoramento das plantas. O delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado com três
repetições por genótipo, o experimento foi mantido em condição de ambiente aberto (com piso
impermeabilizado e nivelado).
A avaliação da nodulação foi realizada aos 60 dias após plantio, as raízes foram
retiradas, lavadas e os nódulos foram destacados do sistema radicular, em seguida foram
contados, medidos e pesados (massa fresca). A massa seca dos nódulos foi determinada a partir
do peso, os nódulos foram acondicionados em sacos de papel e colocados em estufa com
ventilação forçada a 65º C por 48 h. Os parâmetros avaliados foram submetidos à análise de
variância e as médias agrupadas por Scott-knott (1974) (P < 0,05%), utilizando o programa
Sisvar (FERREIRA, 1998). Os gráficos foram construídos no software GraPhad (RADUSHEV,
1992, 2016). As imagens do sistema radicular com nódulos e do corte transversal de um nódulo
ativo foram retiradas com câmera digital e editadas com auxílio do software Pixlr Editor
(https://pixlr.com/editor/).
38
5
RESULTADOS
5.1
Coleta e identificação das etnovariedades
As sementes das etnovariedades de fava foram adquiridas nas feiras livres, mercados
públicos e/ou cultivos, com produtores e atravessadores, totalizando 65 etnovariedades
coletadas. Contudo, no estudo só foram utilizadas 23 etnovariedades, obtidas diretamente com
os produtores locais (Figura 2). Além dessas sementes, também foram utilizadas 4 variedades
crioulas (BBMNI, LSINI, OPCNI e RBMNI) do banco de sementes do Laboratório de
Microscopia e Biologia Molecular (Figura 2).
Figura 2. Características de forma, tamanho e coloração das sementes de fava adquiridas nas
coletas com produtores e no banco de sementes do Laboratório de Microscopia e Biologia
Molecular.
Continua...
39
Continua...
40
Continua...
41
BBMNI= Branca (Boca da Mata); BBN= Branca (Branquinha); BCGG= Branca (Campo Grande); BTJC= Branca
(Taquarana); BTL Branca (Taquarana); CTL= Coquinho (Taquarana); FAM= Fava (Arapiraca); FIJ= Fava (Igaci);
F1CGG= Fava 1 (Campo Grande); F2CGG= Fava 2 (Campo Grande); FFG= Favita (Flexeiras); FCGNI= Fígado
(Campo Grande); LSINI= Lavandeira (Santana do Ipanema); LTM= Lavandeira (Taquarana); OPBJJ= Olho-depeixe (Belém); OPBCNI= Olho-de-peixe (Boca da Mata); PCGG= Pintadinha (Campo Grande); RBN= Rajadinha
(Branquinha); RBA= Rajada (Branquinha); RJV= Rama (Junqueiro); RSSM= Rama (São Sebastião); RTKC=
Rama (Taquarana); RJM= Rasteira (Junqueiro); RBMNI= Rosinha (Boca da Mata); SSSJ= Sura (São Sebastião);
STL= Sura (Taquarana); VSJLQ= Verão (São José da Laje). Fonte: dados do autor, 2019.
A escolha das etnovariedades comercializadas e mantidas apenas por produtores foi por
possibilitar a construção de um histórico sobre as formas de obtenção das sementes, período
que são mantidas e modo de cultivo familiar, através dos dados coletados a partir das
entrevistas. As informações obtidas com as entrevistas permitiram a elaboração de discursos e
confirmação de que essas sementes se enquadram na definição de etnovariedades ou variedades
crioulas.
42
As sementes coletadas foram identificadas com códigos que correspondem as iniciais
referentes ao nome popular utilizado pelos produtores, locais de coleta e nome dos produtores.
As 27 etnovariedades representam as amostras de 12 municípios do estado de Alagoas (Tabela
1), em 10 municípios as coletas foram locais e 2 municípios são representados por sementes já
armazenadas no Laboratório de Microscopia (Tabela 1).
Tabela 1. Identificação das 27 etnovariedades avaliadas, código, nome popular, local de coleta
e coordenadas.
Código
Nome popular
BBMNI
RBMNI
OPBCNI
BBN
RBN
RBA
BCGG
F1CGG
F2CGG
PCGG
FCGNI
BTJC
BTL
CTL
LTM
RTKC
STL
FAM
FIJ
FFG
LSINI
OPBJJ
RJV
RJM
RSSM
SSSJ
VSJLQ
Branca
Rosinha
Olho-de-peixe
Branca
Rajada
Rajadinha
Branca
Fava 1
Fava 2
Pintadinha
Fígado
Branca
Branca
Coquinho
Lavandeira
Rama
Sura
Fava
Fava
Favita
Lavandeira
Olho-de-peixe
Rama
Rasteira
Rama
Sura
Verão
Local de coleta
Coordenadas
Longitude
Latitude
Boca da Mata
36°12'45.99"O
9°38'47.02"S
Branquinha
36° 0'44.69"O
9°14'52.39"S
Campo Grande
36°47'32.71"O
9°57'25.98"S
Taquarana
36°29'44.17"O
9°38'45.55"S
Arapiraca
Igaci
Flexeiras
Santana do Ipanema
Belém
36°34'46.63"O
36°37'57.91"O
35°43'25.34"O
37°14'51.89"O
36°29'26.86"O
9°50'35.25"S
9°32'23.16"S
9°16'39.33"S
9°22'14.04"S
9°34'24.84"S
Junqueiro
36°31'34.91"O
9°49'3.65"S
São Sebastião
36°33'8.86"O
9°56'0.26"S
São José da Laje
36° 2'58.68"O
9° 1'9.67"S
BBMNI= Branca (Boca da Mata); BBN= Branca (Branquinha); BCGG= Branca (Campo Grande); BTJC= Branca
(Taquarana); BTL Branca (Taquarana); CTL= Coquinho (Taquarana); FAM= Fava (Arapiraca); FIJ= Fava (Igaci);
F1CGG= Fava 1 (Campo Grande); F2CGG= Fava 2 (Campo Grande); FFG= Favita (Flexeiras); FCGNI= Fígado
(Campo Grande); LSINI= Lavandeira (Santana do Ipanema); LTM= Lavandeira (Taquarana); OPBJJ= Olho-depeixe (Belém); OPBCNI= Olho-de-peixe (Boca da Mata); PCGG= Pintadinha (Campo Grande); RBN= Rajadinha
(Branquinha); RBA= Rajada (Branquinha); RJV= Rama (Junqueiro); RSSM= Rama (São Sebastião); RTKC=
Rama (Taquarana); RJM= Rasteira (Junqueiro); RBMNI= Rosinha (Boca da Mata); SSSJ= Sura (São Sebastião);
STL= Sura (Taquarana); VSJLQ= Verão (São José da Laje). Fonte: dados da pesquisa, 2019.
43
Os municípios de coleta (Figura 2) correspondem às regiões intermediárias
(mesorregiões), constituídas por Agreste (Arapiraca, Belém, Campo Grande, Igaci, São
Sebastião e Taquarana) com vegetação de transição para o clima seco, Leste (Boca da Mata,
Branquinha, Flexeiras, Junqueiro e São José da Laje) com vegetação do bioma Floresta tropical
e Sertão (Santana do Ipanema) com vegetação do bioma caatinga (IBGE, 2017).
Os produtores e atravessadores que comercializavam e/ou mantinham as sementes,
foram entrevistados e totalizaram 56 informantes, todos eram pequenos produtores e feirantes
locais (Figura 3), que utilizam a agricultura e a comercialização dessas sementes como forma
de subsistência familiar. Os entrevistados foram selecionados através de uma amostragem
intencional a partir das qualidades que possuíam e que eram fundamentais para responder
questões específicas da pesquisa, tais como: ser comerciante ou produtor de fava e conhecer
sobre o seu manejo, manter as sementes e disseminar o conhecimento sobre essas ao longo de
gerações, possuir informações sobre preparo e comercialização dessas sementes (Apêndice B).
A amostragem intencional é um método não probabilístico de escolha de informantes,
que poupa esforços quando as informações relevantes são exclusivas de certos representantes
dentro de uma sociedade (TONGCO, 2007). Os informantes ou seus representantes legais, para
participarem da pesquisa, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE
(Apêndice A), autorizando sua participação de acordo com a Resolução Nº 466 de 12 de
dezembro de 2012, do Conselho Nacional de Saúde, a pesquisa foi submetida ao Comitê de
Ética
em
Pesquisa
91140418.7.0000.5013.
com
Seres
Humanos,
com
número
de
aprovação
CAAE
44
Figura 3. Amostragem representativa dos pequenos produtores de etnovariedades de fava
entrevistados em feiras livres e cultivos durante as coletas no estado de Alagoas.
Fonte: dados do autor, 2019.
Os produtores não comercializavam apenas a fava, mas também outros alimentos,
cultivados nos quintais de casa ou em áreas menores e circunvizinhas.
5.2
Discursos que representam o saber local dos pequenos produtores de fava
Os 25 produtores locais que mantinham plantios de fava no estado de Alagoas foram
entrevistados e tiveram as suas entrevistas transcritas, possibilitando a formação de discursos
coletivos. A seleção dos discursos dos produtores locais ocorreu mediante a especificidade na
busca pelo perfil histórico dessa cultura no estado, como os informantes apresentaram um
conhecimento mais abrangente sobre a tradicionalidade na produção e manutenção dos plantios
de fava.
A partir das entrevistas, foi possível verificar características relacionadas ao perfil dos
produtores locais, as formas de manejo, manutenção, tipo de crescimento e preparo das
etnovariedades de fava cultivadas, as razões que levaram os produtores a cultivá-la e o tempo
de cultivo (Gráfico 1). A maioria dos produtores entrevistados possuíam uma faixa etária média
de 50 anos, com a predominância do sexo feminino, representando 60% da amostragem
(Gráfico 1). Dentre os produtores locais entrevistados, 66% deles eram agricultores e feirantes
e apenas 34% eram exclusivamente agricultores (Gráfico 1).
45
Gráfico 1. Dados socioeconômicos e relativos a manutenção das etnovariedades de fava
mantidas pelos produtores locais entrevistados.
Fonte: dados da pesquisa, 2019.
46
Nas entrevistas os produtores foram questionados sobre a quantidade de anos que
cultivavam a fava, esses expressaram que haviam muitos anos, desde a época de criança, no
entanto, outros produtores informaram que o contato com a cultura era recente e a cultivavam
há poucos anos e alguns informantes mencionaram sempre cultiva-la, não especificando o
tempo. Os relatos foram separados em três categorias e expostos com o auxílio do discurso do
sujeito coletivo (DSC).
Categoria A: Desde criança/ há muitos anos
DSC 1 – Há, faz muito tempo, faz uns 30 anos ... 40 anos. ...está com uns 30 anos, que eu
comecei a trabalhar com isso, bem novinho..., ...nascemos e nos criamos aqui plantando,
...desde que eu me entendo por gente. ...Desde oito anos que eu trabalho com roça, até a data
de hoje, ...desde eu menino ...., desde criança..., os meus avós e meu pai de criação plantavam,
...todo inverno eles plantam. Está com um tempinho..., faz seis anos..., uns cinco/seis anos ...
bem dizer de quando eu nasci... que plantava.
DSC 2 – ...eu planto há muito tempo, ...de sete anos ... por diante..., comecei a plantar fava
com cinco anos de idade..., eu já botava um carocinho na cova meu pai botava o milho e
plantava. ...Desde que a gente chegou por aqui ... já tem uns 10 anos, ...desde o ano de 1992,
... está com uns 45 anos que planto ... fava. ...Eu acho que está com uns 20 anos que eu planto,
...mais de 20 anos..., desde 10 anos de idade.
Categoria B: Iniciei esse ano/ há poucos anos
DSC – ... foi esse ano..., eu já plantei ... nas outras roças, mas aqui nessa terra, foi esse ano...,
uns 2 anos... já plantei, faz uns 3 anos...
Categoria C: Todo ano
DSC – todo ano eu planto... esse ano eu plantei na terra do meu pai, que eu ajudei a plantar...,
...eu sempre plantei sabe, quando eu morava aqui..., ...desde que eu comecei a botar roça que
quando planta o milho aí sempre planta a fava..., agora eu planto pouco..., assim para comer
eles plantam há muito tempo, quase todo ano eles plantam...
Foi verificado através dos discursos que os produtores mantinham os cultivos de fava
de 6 a 10 anos (20%), de 11 a 20 anos (20%) e de 21 a 30 anos (20%), correspondendo a maior
quantidade de informantes. Alguns produtores mantinham os cultivos há poucos anos de 1 a 5
anos (16%) e tinham produtores que já mantinham os cultivos a mais de três décadas, de 31 a
40 anos (8%), de 41 a 50 anos (8%) e a mais de 50 anos (8%) (Gráfico 1).
Às razões que levaram os produtores a iniciarem o plantio da fava foram, a existência
de familiares que já a cultivavam, o consumo e comercialização, a rentabilidade e atratividade
da espécie ao paladar dos consumidores, à tradição familiar, o fato de familiares já a cultivarem
47
há muitos anos desde quando eram crianças e por começarem a trabalhar na roça. Esses relatos
foram separados em cinco categorias formadas com o auxílio do discurso do sujeito coletivo
(DSC).
Categoria A: Os familiares plantavam
DSC 1 – ... já vem da tarefa do meu pai..., meu pai plantava ... quando ele faleceu, eu fiquei
trabalhando..., ...meu pai ... Júlio Emanuel, plantava fava, plantava tudo..., foi por conta dele,
nós já nos criamos trabalhando mais ele, continuamos plantando. ...A gente nasceu herdeiro
de vó para essas coisas, ...desde pequeno, com meu pai ... José Cícero. ...Os meus avós e meu
pai de criação Deltino Vieira plantavam muito..., sempre plantava, ...era tudo agricultor, aí
nós ficamos no ramo também... ...quando a gente ... vai crescendo, aí já vai plantar...
DSC 4 – ...planto fava, só não nasci dentro de uma roça porque minha mãe não deixou ... já
plantaram fava, meu pai, a minha mãe ... Cícera Maria da Conceição, ...meu pai morreu dentro
da roça, trabalhou na roça, plantava tudo, fava, feijão, milho. ...A minha mãe plantava Helena
Pastora da Costa, o meu pai José Soares Costa, os meus irmãos Valdomiro e Tarcísio, plantam
para comer, não plantam para comércio, ...plantam há muito tempo...
Categoria B: Para consumo ou venda /gosta de fava
DSC – ...a fava, é bom para vender, para comer também, ela é muito boa, então todo ano a
gente planta, ...para o consumo e o que sobra a gente bota na feira, ...quando tem um pouquinho
a gente trás.... ...É boa, gostosa, fava boa, comida boa..., ...eu gosto..., ...eu gosto do gosto, só
para consumo, ...essa aqui não é para vender, a gente ...gosta ...de fava ... só para consumo...,
só planta coisa pouca...
Categoria C: rentável e as pessoas gostam
DSC – ...a fava ela é bem rentável e muita gente gosta..., ...ela é da produção e vendável..., é
vendável, o povo gosta muito de comprar, ...o pessoal gosta de fava...
Categoria D: Para vender na feira/acha o plantio bonito
DSC – eu plantei porque eu gosto de trabalhar na feira, aí eu gosto de plantar de tudo, sabe...,
...acho bonita a fava quando ela está dando assim no varal, na cerca.
Categoria E: Desde quando começou a trabalhar na roça
DSC – desde que eu comecei botar roça que quando planta o milho aí sempre planta a fava,
...agora eu planto pouco, nunca plantei muita não.
Á forma utilizada para conseguir as primeiras sementes citada pelos produtores foram,
com familiares, vizinhos e/ou amigos, através de compra em feiras livres e mercados públicos
ou do plantio e armazenamento das sementes para os anos seguintes, foi possível evidenciar as
formas de aquisição através dos discursos gerados, sendo esses divididos em duas categorias.
48
Categoria A: Com familiares, amigos e/ou vizinhos
DSC 1 – ...as primeiras sementes, vem de família, do meu pai Antônio Inácio dos Santos e da
minha mãe Maria Celina da Conceição, ...meus pais plantavam, ...isso vem de tradição da
família, eles conseguiram ... com meus avós Manuel Inácio dos Santos, vai passando a geração
sabe, e nisso eu planto fava até hoje...
DSC 2 – as primeiras sementes da fava eu consegui com a minha mãe Maria José dos Santos,
que ela é produtora sabe, é daqui de Joaquim Gomes também, plantava aqui..., ...através da
minha mãe, foi ela que mandou para mim..., ...através do meu pai..., ...meu pai Manuel
Batista..., arrumei com uns amigos que plantavam..., o meu vizinho me arrumou uma mão
cheinha, eu plantei e deu semente, ...o cara me deu ... a semente dessa fava branca, mas essa
mulatinha, sempre a gente tem a semente lá.... Meu primo, o esquerdinha, ele já planta há
muito tempo, tem um terreninho aqui perto também..., ...já era de muito tempo..., da mesma
que o meu marido plantava ..., essa mulatinha, ... meu sogro trouxe para mim de lá de Taburi,
comprou lá e mandou a gente plantar.
Categoria B: Comprou e/ou plantou e armazenou
DSC – ...comprando ... tudo na feira, acabou já guardo, essa daqui, foi a semente do ano
passado que guardei para plantar, está com dois anos..., ...nós compramos no mercado e
plantamos..., ...no mercado, em Arapiraca..., eu comprei no mercado, ...todo ano a gente
guarda..., vou guardando.... Quando eu comecei comprar..., ...comprei, ...aqui mesmo em
Quebrangulo, ...todo ano guarda e no outro planta...
Através dos discursos foi verificado que a maioria dos agricultores mantém a cultura da
fava utilizando as sementes da pós-colheita. Os produtores que mantém essas sementes para
plantios seguintes, geralmente o fazem através do armazenamento das sementes em recipientes,
tais como, garrafas pet, baldes, botijões, latas, caixões e depósitos. As formas de
armazenamento são verificadas a partir de uma das três categorias formadas pelos discursos.
Categoria A: Garrafa pet ou plásticas
DSC 1 – a gente bate elas, tira a semente, coloca em uma garrafa pet, há dura muito tempo,
não tem ... tempo determinado para ela não..., ela fica do mesmo jeitinho, ...todo tempo que
precisa, ela está lá, ...nós guardamos assim em garrafa plástica, porque é pouca..., ...todo ano
eu guardo, encho, boto numa garrafa tampa e guarda..., em umas garrafas de refrigerante,
olha acho que põe veneno, ...nesses vidros de Coca-Cola descartável..., boto um pouquinho de
tempero dentro..., pimenta de tempero, para não criar o bicho...
Nos plantios de fava foi verificado que é realizado o cultivo em consórcio, no qual mais
de uma planta é cultivada, o consórcio da fava com outras culturas geralmente é realizado em
razão da ocorrência de plantas com hábito de crescimento indeterminado. As etnovariedades
coletadas em Alagoas e cultivadas por produtores locais possuíam crescimento indeterminado
49
(88,89%) e crescimento determinado (11,11%) (Gráfico 1). Os produtores locais entrevistados
costumam plantar a fava em consórcio com milho, mandioca ou macaxeira, também plantam
em cercas ou em arrames. Através das informações obtidas, foram formados os discursos,
separados em duas categorias.
Categoria A: Em consórcio com o milho, macaxeira ou mandioca
DSC 3 – ...plantava o milho e no pé de milho plantava a fava, porque ela enrama muito..., ...a
fava ... planta com a macaxeira dentro, ...se ... plantar ... só ela..., enrama, fica pelo chão, não
presta..., ...plantei o pé do milho e junto com o caroço do milho já ia ... o caroço da fava, os
dois juntos, o pé de milho nasce, cresce e a fava enrama..., ...planta o milho e a fava juntos,
...com macaxeira, com mandioca e ... milho, que é a que enrama, ...planto junto o grão de milho
e o grão da fava, ...já cresce igual, é só tirar o milho, ...e ela fica lá.
Categoria A: Planta na cerca/arrame
DSC – não, ela sozinha, na cerca, no pé da cerca..., ...planta em uma cerca, dá até melhor se
tiver uma cerca alta que levante..., também planto ... esticada assim no arame, como se fosse
plantar o maracujá, você faz o estique, passa à estaca, passa o arame, aí planta o pé..., ela já
vai enramando, fica melhor da gente colher.
O manejo das áreas de cultivo das etnovariedades de fava pelos produtores locais é
realizado por 48% dos produtores através da capina e com a adição de insumos (adubo), por
36% dos produtores através da capina sem a adição de insumos (adubo) e por 8% dos produtores
através da utilização de produtos químicos ou da queima do solo (Gráfico 1). Os discursos
gerados foram separados em duas categorias.
Categoria A: Limpa e/ou aduba
DSC 1 – antes limpava a terra, lambicava ou cavava o canteiro e depois fazia o plantio da
fava, ...antigamente no tempo dos meus avós não se usava adubo e não se ouvia nem falar, era
criada com a obra da natureza..., toda lavoura dava e era sadia..., ...para plantar dependendo
da situação que a terra tiver, se a terra tiver boa, tiver estrumada, a gente só ... limpa e planta,
...depois limpa ... quando ela está já nascidinha, mas quando a terra está mais fraca, aí coloca
o calcário, para tirar os fungos da terra, ...quando ela não está, planta normalmente sem usar
nada, ...aduba não...
DSC 4 – ...limpo, ...no início, eu não tinha muito conhecimento, que eu trabalhei muito ...
cortando cana, trabalhei para fazendeiro, aí hoje quando a minha mãe começou a me ensinar,
que eu entrei para ser dos sem-terra..., ...me ensinaram “não é assim não, você tem que limpar,
não deixar o solo ... limpo, tem que juntar o mato quando ele está apodrecendo, ...cava a leira
do inhame, preenche a leira do inhame com esse mato seco, depois a gente coloca o inhame,
coloca o barro por cima e levanta a leira, ...a mesma coisa a gente faz com o mato para plantar
feijão de corda, a fava, sempre planta também, para não deixar o solo ... limpo e não queimar,
50
porque se queimar o solo ... como é que a gente vai produzir, o pessoal queimando, ...vai
acabando com o solo ..., não tem ... proteção, ...é isso que a gente usa”, hoje eu uso assim,
...limpo, adubo, faço tudo na terra...
Categoria B: Utiliza produtos químicos/ limpa e queima
DSC – Há, é bem limpa..., se não limpar não tem nada, ...depois que tira essa safra, o milho,
o feijão, a fava, aí vai limpar a terra, queimar aquele matinho, deixar limpa, para quando Deus
mandar a chuva fazer plantação de novo, ...me ensinava assim “olhe você pega limpa a terra,
o mato, aí toca fogo...” ...hoje é tudo contaminado, ...se você plantar uma roça e não botar o
remédio, o veneno, o adubo, no milho, na fava, no feijão, ele não dá, ...quando tem muita
malícia, a gente passa o veneno, para matar ... e pronto..., ...junto com o pessoal que é
agricultor, ...a gente limpa o mato quando está grande e coivara o mato, queima, faz o
alambique e faz o canteiro.
A fava é mantida no estado de Alagoas por tradições familiares e com práticas simples
de manejo, 62,97% dos produtores realizam a manutenção do plantio com auxílio de familiares,
que ajudam a realizar as atividades manuais, 25,92% dos produtores não tem auxilio de outras
pessoas desenvolvendo a manutenção sozinhos e 11,11% dos produtores custeiam outras
pessoas para realizarem a manutenção das atividades manuais (Gráfico 1).
A fava além de ser comercializada nas feiras livres e mercados públicos, também é
consumida pelos produtores locais, sendo preparada a partir da cocção, realizada apenas uma
vez, seguindo procedimentos similares a cocção realizada no feijão comum (Phaseolus
vulgaris) ou através de mais de uma cocção, fazendo o descarte da água do cozimento e
executando esse procedimento mais de uma vez. Os discursos formados foram separados em
duas categorias.
Categoria A: Cozinha e escalda
DSC 4 – toda fava que a minha mãe cozinhava, ela escaldava, segundo ... ela ... se não
escaldasse a fava ficava amargando, ...acho que todas, antes de terminar de cozinhar, ...precisa
escaldar, ...quando ferver, tira a primeira água, que aquela água tem o amargor da fava, ...tem
que tirar a água e botar outra..., escaldo..., ...não presta ... sem escaldar..., ...escaldo e lavo
mais ela, passo uma água, boto cebola, com cheiro verde, aí fica uma delícia, escalda, só que
ela não amarga, é porque eu gosto de escaldar mesmo, mas se a pessoa quiser pode preparar
sem escaldar...
Categoria B: Cozinha sem escaldar
DSC 3 – ...tem fava que precisa escaldar assim verde, e essa eu nem escaldo, quando eu lavo
bem lavada, já boto na panela e já boto os temperos..., ...essa minha não precisa escaldar,
preparo que nem preparo o feijão, ...essa não carece, ...mas o povo sempre que compra ... gosta
de escaldar..., não confia na pessoa, ...não, tenho preguiça, eu acho que ela fica boa ... sem
51
escaldar, ...na hora do sal, você ainda bota ela para dá uma rodadinha, depois do sal, cozinha
mais de uma vez, ...porque ela só tempera, é que nem o feijão, você cozinha o feijão, se você
na hora do sal, botar os temperos, ...não botar para rodar, não pega gosto, assim é a fava...
5.3
Análise de diversidade genética através da caracterização morfoagronômica quantitativa
Os 20 caracteres quantitativos avaliados nas 27 etnovariedades foram utilizados na
análise de variância e na comparação de médias por Scott-Knott. Na análise de variância e
comparação de médias as diferenças foram significativas para 19 caracteres analisados.
Excetuando a variável CFP (Tabela 2). O coeficiente de variação experimental ficou entre 2,63
a 30,26%, demonstrando uma precisão média dos resultados na consistência dos dados
experimentais. Contudo, para a variável APTD, foi obtido um valor discrepante de 82,98%
(Tabela 3).
As variáveis, LFP, CF e LF apresentaram apenas duas classes, se mostrando como
caracteres pouco variáveis ou polimórficos na população avaliada (Tabela 2).
52
Tabela 2. Valores médios de 4 caracteres quantitativos correspondentes a parte vegetativa (CFP,
LFP, CF e LF), resultado da comparação de médias e resumo das análises de variância visando
estimar a dissimilaridade genética das 27 etnovariedades de fava.
1
Variedades
CFP
BBMNI
BBN
BCGG
BTJC
BTL
CTL
FAM
FIJ
F1CGG
F2CGG
FFG
FCGNI
LSINI
LTM
OPBJJ
OPBCNI
PCGG
RBN
RBA
RJV
RSSM
RTKC
RJM
RBMNI
SSSJ
STL
VSJLQ
QMG
Resíduo
Médias
CV(%)
59,67
78,80
59,73
55,97
69,23
53,27
67,23
69,40
88,17
105,30
57,20
70,10
67,23
77,73
63,03
71,93
70,07
72,37
82,70
63,57
59,90
85,43
58,33
51,27
46,10
57,03
74,40
498,18**
213,36
67,97
21,49
LFP
a*
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
CF
Mm
59,33
b
76,13
73,37
a
94,77
57,20
b
78,53
61,33
b
75,23
63,70
b
89,83
50,17
b
84,67
60,93
b
66,90
74,13
a
117,83
88,97
a
102,03
86,50
a
123,33
58,17
b
101,30
66,80
b
100,53
63,43
b
108,67
83,13
a
82,20
58,47
b
92,90
68,67
a
89,60
69,03
a
95,03
74,10
a
80,13
82,10
a
78,53
61,17
b
107,47
58,60
b
98,07
91,20
a
92,80
57,63
b
106,47
45,80
b
93,53
34,20
b
112,00
49,43
b
93,30
74,27
a
87,03
553,26**
562,09**
229,40
228,48
65,62
93,66
23,08
16,14
LF
b
b
b
b
b
b
b
a
a
a
a
a
a
b
b
b
b
b
b
a
a
b
a
b
a
b
b
46,63
62,77
50,40
54,17
63,67
36,40
48,90
82,53
63,23
70,50
59,47
63,33
67,80
60,40
61,63
58,83
55,43
52,50
48,20
63,87
57,53
54,13
81,20
58,80
73,70
68,20
54,30
313,96**
107,49
59,95
17,29
b
a
b
b
a
b
b
a
a
a
b
a
a
b
a
b
b
b
b
a
b
b
a
b
a
a
b
Análise de variância. **Significativo pelo teste F (valor de p <0,01 e p<0,05).
Teste de comparação de médias. *Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem significativamente pelo
teste de Scott-Knott (valor de p<0,05). BBMNI= Branca (Boca da Mata); BBN= Branca (Branquinha); BCGG=
Branca (Campo Grande); BTJC= Branca (Taquarana); BTL Branca (Taquarana); CTL= Coquinho (Taquarana);
FAM= Fava (Arapiraca); FIJ= Fava (Igaci); F1CGG= Fava 1 (Campo Grande); F2CGG= Fava 2 (Campo Grande);
FFG= Favita (Flexeiras); FCGNI= Fígado (Campo Grande); LSINI= Lavandeira (Santana do Ipanema); LTM=
Lavandeira (Taquarana); OPBJJ= Olho-de-peixe (Belém); OPBCNI= Olho-de-peixe (Boca da Mata); PCGG=
Pintadinha (Campo Grande); RBN= Rajadinha (Branquinha); RBA= Rajada (Branquinha); RJV= Rama
(Junqueiro); RSSM= Rama (São Sebastião); RTKC= Rama (Taquarana); RJM= Rasteira (Junqueiro); RBMNI=
Rosinha (Boca da Mata); SSSJ= Sura (São Sebastião); STL= Sura (Taquarana); VSJLQ= Verão (São José da Laje).
CFP= comprimento da folha primária (mm); LFP= largura da folha primária (mm); CF= comprimento do folíolo
(mm); LF= largura do folíolo (mm). QMG= quadrado médio do genótipo; CV= Coeficiente de variação.
2
53
A variável CHPF agrupou duas classes (Tabela 3). A etnovariedade RBA apresentou o
maior valor médio (48,60 mm) e a etnovariedade SSSJ obteve o menor valor médio (18,20
mm). A variável APTD, agrupou três classes (Tabela 3), apresentando valores médios apenas
nas etnovariedades com crescimento determinado, sendo essas RJM (62,00 cm), SSSJ (48,00
cm) e STL (61,67 cm), as demais etnovariedades apresentavam crescimento indeterminado e
foram agrupadas conjuntamente em outra classe. A variável NNCP agrupou quatro classes, o
maior valor médio para essa variável foi 20 nós e o menor 2,5 nós, representados,
respectivamente, pelas etnovariedades VSJLQ e STL. Nessa variável as etnovariedades com os
menores valores médios correspondem a 11,1%, agrupando apenas as etnovariedades com
crescimento determinado (Tabela 3).
54
Tabela 3. Valores médios de 3 caracteres quantitativos correspondentes a parte vegetativa da
planta (NNCP, APTD e CHPF), resultado da comparação de médias e resumo das análises de
variância visando estimar a dissimilaridade genética das 27 etnovariedades de fava.
1
Variedades
NNCP
BBMNI
BBN
BCGG
BTJC
BTL
CTL
FAM
FIJ
F1CGG
F2CGG
FFG
FCGNI
LSINI
LTM
OPBJJ
OPBCNI
PCGG
RBN
RBA
RJV
RSSM
RTKC
RJM
RBMNI
SSSJ
STL
VSJLQ
QMG
Resíduo
Médias
CV(%)
12,33
21,67
9,00
11,50
14,50
10,00
10,00
10,50
21,00
14,00
13,00
11,33
19,00
19,00
8,67
14,67
9,67
13,00
11,00
16,67
15,50
7,50
4,00
17,33
3,00
2,50
20,00
80,94**
10,08
12,60
25,19
APTD
cm
c*
a
c
c
b
c
c
c
a
b
c
c
a
a
c
b
c
c
c
c
b
c
d
b
d
d
a
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
62,00
–
48,00
61,67
–
1022,23**
27,84
6,36
82,98
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
c
a
c
b
a
c
CHPF
mm
32,50
31,73
30,53
39,20
45,07
39,17
43,40
36,30
41,57
32,43
41,50
47,20
44,70
26,40
35,97
30,40
31,63
28,97
48,60
25,13
31,30
31,63
35,70
35,63
18,20
23,20
47,27
184,80*
90,95
35,38
26,96
b
b
b
a
a
a
a
b
a
b
a
a
a
b
b
b
b
b
a
b
b
b
b
b
b
b
a
Análise de variância. **Significativo pelo teste F (valor de p <0,01 e p<0,05).
Teste de comparação de médias. *Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem significativamente pelo
teste de Scott-Knott (valor de p<0,05). BBMNI= Branca (Boca da Mata); BBN= Branca (Branquinha); BCGG=
Branca (Campo Grande); BTJC= Branca (Taquarana); BTL Branca (Taquarana); CTL= Coquinho (Taquarana);
FAM= Fava (Arapiraca); FIJ= Fava (Igaci); F1CGG= Fava 1 (Campo Grande); F2CGG= Fava 2 (Campo Grande);
FFG= Favita (Flexeiras); FCGNI= Fígado (Campo Grande); LSINI= Lavandeira (Santana do Ipanema); LTM=
Lavandeira (Taquarana); OPBJJ= Olho-de-peixe (Belém); OPBCNI= Olho-de-peixe (Boca da Mata); PCGG=
Pintadinha (Campo Grande); RBN= Rajadinha (Branquinha); RBA= Rajada (Branquinha); RJV= Rama
(Junqueiro); RSSM= Rama (São Sebastião); RTKC= Rama (Taquarana); RJM= Rasteira (Junqueiro); RBMNI=
Rosinha (Boca da Mata); SSSJ= Sura (São Sebastião); STL= Sura (Taquarana); VSJLQ= Verão (São José da Laje).
NNCP= número de nós no caule principal antes do primeiro cacho; APTD= altura da planta: tipo determinado
(cm); CHPF= comprimento desde a base do hipocótilo até à primeira folha completamente expandida (mm); (–)
2
55
= etnovariedades de crescimento tipo indeterminado. QMG= quadrado médio do genótipo; CV= Coeficiente de
variação.
Na análise das variáveis associadas a fase reprodutiva, a variável TBF apresentou duas
classes, representadas pelas etnovariedades LTM com o maior valor médio (7,10 mm) e FIJ
com o menor valor médio (4,67 mm), a variável CDC também foi agrupada em duas classes
com o maior valor médio verificado em STL (87 mm) e o menor valor médio observado nas
etnovariedades LSINI e LTM (39 mm). A variável NNP foi a única que agrupou três classes,
apresentando as etnovariedades SSSJ com o maior valor médio (16 nós) e RBA com o menor
valor médio (4,5 nós) (Tabela 4). A variável DF50% (tempo médio) avaliada desde a
emergência da primeira flor até o estádio em que cada planta estava com 50% das flores,
agrupou duas classes, com valores médios que variaram de 76 dias verificados nas
etnovariedades F1CGG e F2CGG a 12 dias observado na etnovariedade VSJLQ.
56
Tabela 4. Valores médios de 4 caracteres quantitativos correspondentes a parte reprodutiva
(NNP, TBF, CDC e DF50%), resultado da comparação de médias e resumo das análises de
variância visando estimar a dissimilaridade genética das 27 etnovariedades de fava.
Variedades
NNP
TBF
CDC
Mm
BBMNI
BBN
BCGG
BTJC
BTL
CTL
FAM
FIJ
F1CGG
F2CGG
FFG
FCGNI
LSINI
LTM
OPBJJ
OPBCNI
PCGG
RBN
RBA
RJV
RSSM
RTKC
RJM
RBMNI
SSSJ
STL
VSJLQ
QMG
Resíduo
Médias
CV(%)
1
8,67
6,67
10,00
9,00
9,50
10,67
6,33
8,00
7,00
8,00
11,0
9,33
8,00
8,00
11,67
8,00
11,00
5,50
4,50
9,33
8,50
5,00
10,00
8,33
16,00
15,50
12,00
22,07**
7,00
9,09
29,09
c*
c
c
c
c
b
c
c
c
c
b
c
c
c
b
c
b
c
c
c
c
c
c
c
a
a
a
5,70
6,40
5,70
6,07
5,67
5,70
5,37
4,67
6,77
6,37
4,97
5,23
7,07
7,10
5,97
5,90
6,07
6,30
5,07
5,97
5,13
6,00
5,63
6,10
5,90
5,97
6,37
1,06**
0,38
5,90
10,50
b
a
b
a
b
b
b
b
a
a
b
b
a
a
a
a
a
a
b
a
b
a
b
a
a
a
a
54,00
b
76,00
a
65,50
a
76,50
a
82,50
a
71,33
a
44,00
b
62,50
b
75,00
a
75,00
a
77,00
a
47,00
b
39,00
b
39,00
b
57,67
b
51,67
b
58,33
b
68,00
a
57,50
b
58,67
b
49,00
b
74,00
a
77,50
a
66,33
a
82,00
a
87,00
a
54,00
b
6426,71**
1390,76
123,22
30,26
DF50%
(DIAS)
31,00
28,67
48,50
64,50
56,33
39,00
45,00
66,50
76,00
76,00
47,50
40,33
32,00
32,00
51,00
33,00
59,33
64,00
45,50
44,67
46,50
64,00
54,67
55,33
55,00
57,00
12,00
637,97**
188,25
49,09
27,95
b
b
b
a
a
b
b
a
a
a
b
b
b
b
a
b
a
a
b
b
b
a
a
a
a
a
b
Análise de variância. **Significativo pelo teste F (valor de p <0,01 e p<0,05).
Teste de comparação de médias. *Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem significativamente pelo
teste de Scott-Knott (valor de p<0,05). BBMNI= Branca (Boca da Mata); BBN= Branca (Branquinha); BCGG=
Branca (Campo Grande); BTJC= Branca (Taquarana); BTL Branca (Taquarana); CTL= Coquinho (Taquarana);
FAM= Fava (Arapiraca); FIJ= Fava (Igaci); F1CGG= Fava 1 (Campo Grande); F2CGG= Fava 2 (Campo Grande);
FFG= Favita (Flexeiras); FCGNI= Fígado (Campo Grande); LSINI= Lavandeira (Santana do Ipanema); LTM=
Lavandeira (Taquarana); OPBJJ= Olho-de-peixe (Belém); OPBCNI= Olho-de-peixe (Boca da Mata); PCGG=
Pintadinha (Campo Grande); RBN= Rajadinha (Branquinha); RBA= Rajada (Branquinha); RJV= Rama
(Junqueiro); RSSM= Rama (São Sebastião); RTKC= Rama (Taquarana); RJM= Rasteira (Junqueiro); RBMNI=
Rosinha (Boca da Mata); SSSJ= Sura (São Sebastião); STL= Sura (Taquarana); VSJLQ= Verão (São José da Laje).
NNP= número de nós por cacho; TBF= tamanho do botão floral (mm); CDC= comprimento do cacho; DF50%=
duração da floração (dias). QMG= quadrado médio do genótipo; CV= Coeficiente de variação.
2
57
Nas variáveis associadas ao fruto foram verificadas as maiores variâncias nas medições
de CS, CV, LS e LV (Tabela 6). As variáveis NV50% e NV90%, agruparam, respectivamente,
duas e quatro classes, apresentando 63% das etnovariedades que concluíram o seu ciclo com
90 ou mais de 90 dias e apresentaram média geral de 94,5 dias para o número de dias até à
maturação das vagens (Tabela 5). Apresentando a etnovariedade RJM com 146,5 dias,
correspondendo ao maior valor médio, e LSINI e LTM ambas com 51 dias, possuindo os
menores valores médios. A variável NSV agrupou três classes, apresentando variação entre 2 e
3 sementes (Tabela 5). As variáveis, PV50 e PS100, apresentaram, respectivamente, três e
quatro classes. A variável PS100 teve o menor valor médio encontrado e foi de 26,61 g na
etnovariedade BCGG e o maior valor médio 96,57 g na etnovariedade F1CGG. A variável PV50
apresentou o maior e menor valores médios nas etnovariedades STL (44,91 g) e F1CGG (146,82
g), respectivamente.
58
Tabela 5. Valores médios de 4 caracteres quantitativos que corresponde a parte reprodutiva das
plantas (NSV, NV50%, NV90%, PS100 e PV50), resultado da comparação de médias e resumo
das análises de variância visando estimar a dissimilaridade genética das 27 etnovariedades de
fava.
Variedades
BBMNI
BBN
BCGG
BTJC
BTL
CTL
FAM
FIJ
F1CGG
F2CGG
FFG
FCGNI
LSINI
LTM
OPBJJ
OPBCNI
PCGG
RBN
RBA
RJV
RSSM
RTKC
RJM
RBMNI
SSSJ
STL
VSJLQ
QMG
Resíduo
Médias
CV (%)
1
NSV
2,89
a*
2,33
c
3,25
a
3,00
a
2,00
c
3,00
a
3,00
a
3,00
a
3,00
a
2,25
c
3,00
a
3,00
a
2,50
b
2,50
b
2,89
a
2,83
a
2,67
b
2,50
b
2,62
b
3,00
a
3,00
a
2,50
b
3,00
a
3,00
a
3,00
a
2,89
a
3,00
a
0,27**
0,06
2,80
8,65
NV50%
NV90%
(DIAS)
116,5
b 102,67
b
52,57
b 94,00
b
144,1
a
86,50
c
101,4
b 114,50
b
104,05
b 100,00
b
132,1
a
103,50
b
103,6
b 83,00
c
104,55
b 107,00
b
63,0
b 104,00
b
167,9
a
104,00
b
163,07
a
101,50
b
181,37
a
89,67
c
74,6
b 51,00
d
74,5
b 51,00
d
178,93
a
79,00
c
140,83
a
92,67
b
125,1
b 110,67
b
85,5
b 99,00
b
85,17
b 85,27
c
95,07
b 104,0
b
97,0
b 74,50
c
62,97
b 95,50
b
159,87
a
142,50
a
123,57
b 88,00
c
198,6
a
96,00
b
242,2
a
115,00
b
148,9
a
77,00
c
582,17**
1055,17**
142,80
113,50
63,67
94,50
18,77
11,27
PS100
PV50
g
52,44
c
54,59
c
26,61
d
73,83
a
70,95
b
29,67
d
62,77
c
32,22
d
96,57
a
55,77
c
38,18
d
32,88
d
76,24
b
76,24
b
32,27
d
47,27
d
31,19
d
73,89
b
65,58
c
34,11
d
34,18
d
40,98
d
31,77
c
47,06
c
31,72
d
28,73
a
65,87
b
1146,51**
79,54
49,76
17,92
93,69
b
114,18
a
53,67
c
140,96
a
100,47
b
67,74
c
68,99
c
75,97
b
146,82
a
82,22
b
70,78
c
82,11
b
140,37
a
140,37
a
72,85
c
87,42
b
57,73
c
135,32
a
130,73
a
75,86
b
57,21
c
83,11
b
58,08
c
98,64
b
53,42
c
44,91
c
119,46
a
3023,10**
235,73
90,97
16,88
Análise de variância. **Significativo pelo teste F (valor de p <0,01 e p<0,05).
Teste de comparação de médias. *Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem significativamente pelo
teste de Scott-Knott (valor de p<0,05). BBMNI= Branca (Boca da Mata); BBN= Branca (Branquinha); BCGG=
Branca (Campo Grande); BTJC= Branca (Taquarana); BTL Branca (Taquarana); CTL= Coquinho (Taquarana);
FAM= Fava (Arapiraca); FIJ= Fava (Igaci); F1CGG= Fava 1 (Campo Grande); F2CGG= Fava 2 (Campo Grande);
FFG= Favita (Flexeiras); FCGNI= Fígado (Campo Grande); LSINI= Lavandeira (Santana do Ipanema); LTM=
Lavandeira (Taquarana); OPBJJ= Olho-de-peixe (Belém); OPBCNI= Olho-de-peixe (Boca da Mata); PCGG=
Pintadinha (Campo Grande); RBN= Rajadinha (Branquinha); RBA= Rajada (Branquinha); RJV= Rama
(Junqueiro); RSSM= Rama (São Sebastião); RTKC= Rama (Taquarana); RJM= Rasteira (Junqueiro); RBMNI=
Rosinha (Boca da Mata); SSSJ= Sura (São Sebastião); STL= Sura (Taquarana); VSJLQ= Verão (São José da Laje).
NSV= número médio de sementes por vagem; NV50%= número de dias desde o aparecimento da primeira vagem
até a planta possuir 50% das vagens; NV90%= número de dias após a planta possuir 50% das vagens até à
maturação; PS100= peso de 100 sementes (g); PV50= peso de 50 vagens (g). QMG= quadrado médio do genótipo;
CV= Coeficiente de variação.
2
59
A maior variância encontrada referiu-se aos aspectos morfológicos da semente e da
vagem, contendo um maior número de classes para os caracteres CV e CS. Ambos os caracteres
agruparam as etnovariedades em oito classes. A variável LV possibilitou a formação de sete
classes e a variável LS possibilitou a formação de seis classes (Tabela 6).
A variável CV variou de 76,66 a 50,61 mm. A etnovariedade CTL ficou em uma classe
isolada, apresentando o menor valor médio (50,61 mm) e a etnovariedade F1CGG apresentou
o maior valor médio da classe (76,66 mm). O intervalo médio para essa variável foi de 60,09 a
57,26 mm, sendo o que mais agrupou etnovariedades, alocando 29,6%. Na variável CS houve
uma variação de 18,02 e 9,35 mm. A etnovariedade BCGG ficou em uma classe isolada,
apresentando o menor valor médio (9,35 mm) e a etnovariedade F1CGG apresentou o maior
valor médio (18,02 mm). Essa variável agrupou 29,5% das etnovariedades, apresentando
intervalo médio de 11,62 a 11,25 mm (Tabela 6).
No caractere LV observou-se uma variação de 18,83 a 12,20 mm. A etnovariedade
BTJC apresentou o maior valor médio (18,83 mm), ficando em uma classe isolada, já a
etnovariedade CTL, apresentou a menor média (12,50 mm) na classe. As etnovariedades dessa
variável apresentaram a mesma proporção de 25,9% em duas classes, com intervalo médio de
13,89 a 14,50 mm em uma das classes e na outra 17,08 a 16,37 mm. A variável LS apresentou
uma variação de 12,61 a 7,22 mm. A etnovariedade F1CGG apresentou o maior valor médio de
12,61 mm, ficando em uma classe isolada. O menor valor médio foi apresentado pela
etnovariedade BCGG (7,22 mm). As etnovariedades dessa variável apresentaram a mesma
proporção de 29,6% em duas classes, com intervalo médio de 8,10 a 8,41 mm em uma das
classes e na outra classe 7,22 a 7,99 mm.
60
Tabela 6. Valores médios de 4 caracteres quantitativos (CFP, LFP, CF e LF), resultado da
comparação de médias e resumo das análises de variância visando estimar a dissimilaridade
genética das 27 etnovariedades de fava.
1
Variedades
CS
BBMNI
BBN
BCGG
BTJC
BTL
CTL
FAM
FIJ
F1CGG
F2CGG
FFG
FCGNI
LSINI
LTM
OPBJJ
OPBCNI
PCGG
RBN
RBA
RJV
RSSM
RTKC
RJM
RBMNI
SSSJ
STL
VSJLQ
QMG
Resíduo
Médias
CV(%)
11,36
15,29
9,35
15,40
13,87
10,15
11,46
11,62
18,02
15,78
11,25
12,22
16,52
17,05
11,58
12,22
11,12
16,91
16,22
11,38
12,12
12,43
10,93
10,47
10,83
10,88
11,85
18,69**
0,26
12,90
3,99
LS
f*
c
h
c
d
g
f
f
a
c
f
e
b
b
f
e
f
b
b
f
e
e
g
g
g
g
e
7,54
10,33
7,22
10,10
9,22
8,12
8,30
7,91
12,61
10,94
7,63
8,86
10,57
10,86
7,98
8,33
7,99
10,58
10,12
7,51
8,27
8,10
8,41
7,71
8,14
8,30
9,79
5,65**
0,10
8,94
3,60
f
c
f
c
d
e
e
f
a
b
f
d
b
b
f
e
f
b
c
f
e
e
e
f
e
e
c
CV
mm
61,58
72,19
53,11
76,05
70,45
50,61
57,46
59,85
76,66
57,89
60,87
60,90
76,87
76,87
67,91
69,31
55,16
70,99
68,83
66,55
58,82
63,60
57,26
59,55
58,22
60,09
65,13
174,03**
2,86
64,18
2,63
LV
e
b
g
a
b
h
f
f
a
f
e
e
a
a
c
c
g
b
c
c
f
d
f
f
f
f
d
14,35
17,90
13,90
18,83
16,37
12,20
13,89
14,96
18,56
15,46
14,11
14,62
16,68
16,69
14,87
14,42
13,26
16,38
16,94
14,50
12,50
14,18
17,08
13,53
15,46
17,87
16,50
e
b
e
a
c
g
e
d
a
d
e
d
c
c
d
e
f
c
c
e
g
e
c
f
d
b
c
9,71**
0,20
15,41
2,90
Análise de variância. **Significativo pelo teste F (valor de p <0,01 e p<0,05).
Teste de comparação de médias. *Médias seguidas de letras distintas na coluna diferem significativamente pelo
teste de Scott-Knott (valor de p<0,05). BBMNI= Branca (Boca da Mata); BBN= Branca (Branquinha); BCGG=
Branca (Campo Grande); BTJC= Branca (Taquarana); BTL Branca (Taquarana); CTL= Coquinho (Taquarana);
FAM= Fava (Arapiraca); FIJ= Fava (Igaci); F1CGG= Fava 1 (Campo Grande); F2CGG= Fava 2 (Campo Grande);
FFG= Favita (Flexeiras); FCGNI= Fígado (Campo Grande); LSINI= Lavandeira (Santana do Ipanema); LTM=
Lavandeira (Taquarana); OPBJJ= Olho-de-peixe (Belém); OPBCNI= Olho-de-peixe (Boca da Mata); PCGG=
Pintadinha (Campo Grande); RBN= Rajadinha (Branquinha); RBA= Rajada (Branquinha); RJV= Rama
(Junqueiro); RSSM= Rama (São Sebastião); RTKC= Rama (Taquarana); RJM= Rasteira (Junqueiro); RBMNI=
Rosinha (Boca da Mata); SSSJ= Sura (São Sebastião); STL= Sura (Taquarana); VSJLQ= Verão (São José da Laje).
CS= comprimento semente (mm); LS= largura semente (mm); CV= comprimento vagem (mm); LV= largura
vagem (mm). QMG= quadrado médio do genótipo; CV= Coeficiente de variação.
2
61
Na análise para determinar quais variáveis mais contribuem para a diversidade genética
(SINGH, 1981), verificou-se que cinco caracteres contribuíram com 79,84% da variação total.
O caráter CP foi o mais eficiente para explicar a divergência genética, entre as 27
etnovariedades de fava, contribuindo com 24,33% para a variação total (Tabela 7). Os demais
caracteres que também apresentaram maiores valores de contribuição foram, respectivamente,
CV (18,06%), LV (15,43%), APTD (13,30%) e LS (8,72%). O caractere CDC (0,08%) foi um
dos que menos influenciou na diversidade genética das etnovariedades.
Tabela 7. Contribuição relativa de 20 caracteres quantitativos para diversidade genética pelo
método de Singh (1981), baseada na distância generalizada de Mahalanobis, avaliada em 27
etnovariedades de fava.
Variável
CS
CV
LV
APTD
LS
NNCP
NV90%
LFP
PS100
NSV
CF
DF50%
CHPF
NNP
NV50%
LF
CDC
PV50
CFP
TBF
S.j
22707,09
16851,67
14401,69
12407,65
12407,65
5073,24
3848,48
2537,29
2050,50
1257,25
1218,23
720,24
669,57
553,38
548,14
259,40
76,35
–
–
–
S.j
(%)
24,33
18,06
15,43
13,30
8,72
5,44
4,12
2,72
2,20
1,35
1,31
0,77
0,72
0,59
0,59
0,28
0,08
–
–
–
Acumulativo – S.j
24,33
42,39
57,82
71,12
79,84
85,28
89,40
92,12
94,32
95,67
96,98
97,75
98,47
99,06
99,65
99,93
100
–
–
–
S.j= contribuição relativa dos caracteres pelo método de Singh (1981); (–)= valores nulos; CS= comprimento da
semente; CV= comprimento vagem; LV= largura vagem; APTD= altura da planta: tipo determinado (cm); LS=
largura semente (mm); NNCP= número de nós no caule principal antes do primeiro cacho; NV90%= número de
dias após a planta possuir 50% das vagens até à maturação; LFP= largura da folha primária (mm); PS100= peso
de 100 sementes (g); NSV= número de sementes por vagem; CF= comprimento do folíolo (mm); DF50%= duração
da floração (dias); CHPF= comprimento desde a base do hipocótilo até à primeira folha completamente expandida
(mm); NNP= número de nós por cacho; NV50%= número de dias desde o aparecimento da primeira vagem até a
planta possuir 50% das vagens; LF= largura do folíolo (mm); CDC= comprimento do cacho (mm); PV50= peso
de 50 vagens (g); CFP= comprimento da folha primária (mm); TBF= tamanho do botão floral (mm).
62
As características peso de cinquenta vagens, comprimento da folha primária e tamanho
do botão flor não contribuíram para a separação das etnovariedades, todos apresentaram valores
nulos em S.j. O caractere peso da semente teve uma contribuição mínima de 2,20%.
O peso da semente é proporcional ao tamanho, desta forma é possível classificar as
etnovariedades conforme o peso das sementes. As etnovariedades foram agrupadas de acordo
com a classificação de Baudet (1977), a partir da variável PS100, assim as etnovariedades foram
divididas em três grupos, tipo batata, apresentando os menores valores, com peso igual ou
inferior a 38,18 g. No grupo tipo batata foram classificadas 44,4% das etnovariedades com
tamanho da semente variando entre 12,22 a 9,35 mm (comprimento) e 8,86 a 7,22 mm (largura).
O tipo sieva tem sementes com peso médio, apresentando valor igual ou inferior a 65,87 g,
correspondendo a 33,3% das etnovariedades. O tamanho das sementes desse grupo variou entre
16,22 a 10,47 mm (comprimento) e 10,94 a 7,54 mm (largura). O grupo classificado como big
lima agrupou 22,2%, das etnovariedades, com comprimento da semente variando entre 18,02 a
13,87 mm e largura 12,61 a 9,22 mm nas etnovariedades F1CGG e BTL.
5.4
Agrupamento das etnovariedades através da caracterização quantitativa
No agrupamento a partir dos parâmetros morfoagronômicos quantitativos, observou-se
que as etnovariedades foram distribuídas em seis grupos distintos pelo método de otimização
de Tocher. O grupo I com 25,92% das etnovariedades, o grupo II com 51,85%, o grupo III foi
constituído por 11,11% e os grupos IV, V e VI, constituídos apenas por uma etnovariedade em
cada, com 3,70% (Tabela 8).
63
Tabela 8. Distribuição das 27 etnovariedades de fava a partir do método de agrupamento de
Tocher, com base em 20 caracteres quantitativos.
Grupos
I
LSINI
LTM
RBN
BBN
RBA
BTJC
BTL
II
BBMNI
OPBCNI
RJV
OPBJJ
RSSM
FCGNI
FFG
RBMNI
PCGG
BCGG
CTL
FAM
FIJ
RTKC
III
SSSJ
STL
RJM
IV
F2CGG
V
VSJLQ
VI
F1CGG
BBMNI= Branca (Boca da Mata); BBN= Branca (Branquinha); BCGG= Branca (Campo Grande); BTJC= Branca
(Taquarana); BTL Branca (Taquarana); CTL= Coquinho (Taquarana); FAM= Fava (Arapiraca); FIJ= Fava (Igaci);
F1CGG= Fava 1 (Campo Grande); F2CGG= Fava 2 (Campo Grande); FFG= Favita (Flexeiras); FCGNI= Fígado
(Campo Grande); LSINI= Lavandeira (Santana do Ipanema); LTM= Lavandeira (Taquarana); OPBJJ= Olho-depeixe (Belém); OPBCNI= Olho-de-peixe (Boca da Mata); PCGG= Pintadinha (Campo Grande); RBN= Rajadinha
(Branquinha); RBA= Rajada (Branquinha); RJV= Rama (Junqueiro); RSSM= Rama (São Sebastião); RTKC=
Rama (Taquarana); RJM= Rasteira (Junqueiro); RBMNI= Rosinha (Boca da Mata); SSSJ= Sura (São Sebastião);
STL= Sura (Taquarana); VSJLQ= Verão (São José da Laje). Fonte: dados da pesquisa, 2019.
As medidas de dissimilaridade genética, estimadas a partir da distância de Mahalanobis
(Gráfico 2), apresentaram uma elevada magnitude (18,56 a 839,56). As combinações mais
divergentes foram entre as etnovariedades LTM e RJM (D2 = 839,56) e LTM e STL (D2
=769,49).
64
Gráfico 2. Dendograma de dissimilaridade genética entre as 27 etnovariedades de fava, obtido
pelo método de agrupamento UPGMA, gerado pela distância de Mahalanobis com base em 20
caracteres quantitativos.
I
IV
II
VI
V
III
BBMNI= Branca (Boca da Mata); BBN= Branca (Branquinha); BCGG= Branca (Campo Grande); BTJC= Branca
(Taquarana); BTL Branca (Taquarana); CTL= Coquinho (Taquarana); FAM= Fava (Arapiraca); FIJ= Fava (Igaci);
F1CGG= Fava 1 (Campo Grande); F2CGG= Fava 2 (Campo Grande); FFG= Favita (Flexeiras); FCGNI= Fígado
(Campo Grande); LSINI= Lavandeira (Santana do Ipanema); LTM= Lavandeira (Taquarana); OPBJJ= Olho-depeixe (Belém); OPBCNI= Olho-de-peixe (Boca da Mata); PCGG= Pintadinha (Campo Grande); RBN= Rajadinha
(Branquinha); RBA= Rajada (Branquinha); RJV= Rama (Junqueiro); RSSM= Rama (São Sebastião); RTKC=
Rama (Taquarana); RJM= Rasteira (Junqueiro); RBMNI= Rosinha (Boca da Mata); SSSJ= Sura (São Sebastião);
STL= Sura (Taquarana); VSJLQ= Verão (São José da Laje). Fonte: dados da pesquisa, 2019.
Através da análise de pares foi verificada a combinação entre as etnovariedades LSINI
e LTM (D2= 18,56) apresentando a menor distância (Gráfico 2). Consideradas como as
etnovariedades mais similares, diferindo apenas em quatro caracteres, em um total de 20
caracteres quantitativos avaliados, sendo esses, CF, LF, TBF e CHPF, divididos na comparação
de médias em apenas duas classes. Houve maior frequência de pares com maiores distâncias
quando um dos componentes era a etnovariedade F1CGG.
5.5
Avaliação da contribuição relativa dos componentes principais para variação genética das
etnovariedades
Com base na análise de componentes principais, foi verificado que os seis primeiros
componentes explicaram 85,61% da variabilidade total entre as etnovariedades (Tabela 9). No
primeiro componente principal (CP1) a contribuição representou 40,42% da variação total,
correlacionada ao caractere PV50. O segundo (CP2) e o terceiro (CP3) componentes, foram
65
responsáveis por 17,62% e 10,09% da variação total, respectivamente, correspondendo aos
caracteres LFP e DF50%. O quarto componente (CP4) foi responsável por 7,86% da variação
percentual correlacionada a característica CFP. O caractere CHPF caracterizou o quinto
componente (CP5) com variação percentual de 5,45%. O sexto componente (CP6) contribuiu
com 4,17% da variação total e foi associado ao caractere CDC (Tabela 9).
Dos 20 componentes principais analisados, 14 apresentaram variância inferior a 0,7
(autovalor). Os maiores valores de contribuição foram observados no CP2 (Tabela 9). As
variáveis que apresentaram os maiores coeficientes, em valor absoluto, a partir do último
componente principal, são passíveis de descarte. Em ordem de menor importância para explicar
a variação total: as variáveis sugeridas para descarte são, respectivamente, NSV, TBF, NV50%,
CV, TBF, NV90%, PS100, NNP, PV50, CF, LV, LF, LS, CS (JOLLIFFE, 1972).
66
Tabela 9. Variâncias, variâncias percentuais e variâncias acumuladas (%) em relação aos seis
primeiros componentes principais visando estimar a dissimilaridade entre as 27 etnovariedades
de fava.
Variedades
BBMNI
BBN
BCGG
BTJC
BTL
CTL
FAM
FIJ
F1CGG
F2CGG
FFG
FCGNI
LSINI
LTM
OPBJJ
OPBCNI
PCGG
RBN
RBA
RJV
RSSM
RTKC
RJM
RBMNI
SSSJ
STL
VSJLQ
Valores das variâncias
Variância
Variância (%)
Variância acumulada (%)
1º
8,62
12,66
6,35
11,27
10,94
6,50
9,17
7,82
14,75
11,13
7,07
8,41
13,62
14,20
7,86
9,53
7,59
12,53
12,57
8,31
8,01
10,20
5,74
8,16
4,34
4,77
11,06
1º
8,08
40,42
40,42
Componentes principais
2º
3º
4º
12,97
-5,01
-0,35
16,09
-5,01
1,06
13,22
-4,42
0,12
16,33
-5,65
-2,58
16,38
-4,10
-0,24
13,20
-4,32
-0,06
11,71
-3,90
-1,06
16,20
-2,24
2,03
17,95
-4,25
-0,23
18,48
-1,98
2,67
14,67
-4,08
0,47
14,10
-4,21
1,50
14,88
-7,03
2,61
14,65
-6,76
1,95
14,71
-5,38
1,21
14,08
-4,90
1,34
14,81
-3,32
1,17
16,01
-4,22
-0,85
14,24
-3,28
-1,04
14,88
-4,64
1,98
13,07
-4,04
1,95
15,29
-1,72
0,59
18,50
-4,56
-0,09
13,97
-5,12
0,74
17,81
-6,89
1,18
18,62
-6,52
-0,41
13,46
-6,74
1,15
Componentes principais
2º
3º
4º
3,52
2,02
1,57
17,62
10,09
7,86
58,04
68,13
75,99
5º
7,41
7,34
7,20
8,47
8,34
7,87
7,97
9,70
8,89
7,59
9,38
10,15
8,86
6,48
8,13
7,66
6,92
6,54
9,16
7,45
7,91
6,29
9,23
7,82
7,26
7,41
9,66
6º
-1,92
-2,34
-1,84
-3,08
-1,74
-1,97
-1,05
-3,22
-2,92
-0,37
-2,38
-0,91
-2,22
-1,35
-1,38
-1,68
-1,44
-2,22
-0,78
-3,52
-2,77
-1,54
-1,84
-3,58
-2,15
-0,41
-0,46
5º
1,09
5,45
81,45
6º
0,83
4,17
85,61
BBMNI= Branca (Boca da Mata); BBN= Branca (Branquinha); BCGG= Branca (Campo Grande); BTJC= Branca
(Taquarana); BTL Branca (Taquarana); CTL= Coquinho (Taquarana); FAM= Fava (Arapiraca); FIJ= Fava (Igaci);
F1CGG= Fava 1 (Campo Grande); F2CGG= Fava 2 (Campo Grande); FFG= Favita (Flexeiras); FCGNI= Fígado
(Campo Grande); LSINI= Lavandeira (Santana do Ipanema); LTM= Lavandeira (Taquarana); OPBJJ= Olho-depeixe (Belém); OPBCNI= Olho-de-peixe (Boca da Mata); PCGG= Pintadinha (Campo Grande); RBN= Rajadinha
(Branquinha); RBA= Rajada (Branquinha); RJV= Rama (Junqueiro); RSSM= Rama (São Sebastião); RTKC=
Rama (Taquarana); RJM= Rasteira (Junqueiro); RBMNI= Rosinha (Boca da Mata); SSSJ= Sura (São Sebastião);
STL= Sura (Taquarana); VSJLQ= Verão (São José da Laje). 1º= peso de 50 vagens; 2º= largura da folha primária;
3º= duração da floração; 4º= comprimento da folha primária; 5º= comprimento desde a base do hipocótilo até à
primeira folha completamente expandida; 6º= comprimento do cacho. Fonte: dados da pesquisa, 2019.
67
Apenas os dois primeiros componentes foram utilizados graficamente para explicar uma
variação total combinada de 58,04% (Gráfico 3). É possível verificar que as variáveis CHPF,
NNCP e NSV contribuíram negativamente e as demais variáveis contribuíram positivamente.
As etnovariedades RJM, STL e SSSJ e as etnovariedades LSINI e LTM, mantém próximas no
gráfico e as etnovariedades F1CG e F2CGG, se mantém isoladas e distantes das demais
etnovariedades. As variáveis CS e LS, CFP e LFP, se mantem próximas e apresentam sinais
iguais, indicando uma correlação positiva, e as variáveis NNCP e NNP apresentam sinais
opostos indicando uma correlação negativa.
Gráfico 3. Dispersão gráfica dos escores das 27 etnovariedades de fava em relação aos dois
primeiros componentes principais.
BBMNI= Branca (Boca da Mata); BBN= Branca (Branquinha); BCGG= Branca (Campo Grande); BTJC= Branca
(Taquarana); BTL Branca (Taquarana); CTL= Coquinho (Taquarana); FAM= Fava (Arapiraca); FIJ= Fava (Igaci);
F1CGG= Fava 1 (Campo Grande); F2CGG= Fava 2 (Campo Grande); FFG= Favita (Flexeiras); FCGNI= Fígado
(Campo Grande); LSINI= Lavandeira (Santana do Ipanema); LTM= Lavandeira (Taquarana); OPBJJ= Olho-depeixe (Belém); OPBCNI= Olho-de-peixe (Boca da Mata); PCGG= Pintadinha (Campo Grande); RBN= Rajadinha
(Branquinha); RBA= Rajada (Branquinha); RJV= Rama (Junqueiro); RSSM= Rama (São Sebastião); RTKC=
Rama (Taquarana); RJM= Rasteira (Junqueiro); RBMNI= Rosinha (Boca da Mata); SSSJ= Sura (São Sebastião);
STL= Sura (Taquarana); VSJLQ= Verão (São José da Laje). CFP= comprimento da folha primária (mm); LFP=
largura da folha primária (mm); CF= comprimento do folíolo (mm); LF= largura do folíolo (mm); NNCP= número
de nós no caule principal antes do primeiro cacho; APTD= altura da planta: tipo determinado (cm); CHPF=
comprimento desde a base do hipocótilo até à primeira folha completamente expandida (mm); NNP= número de
nós por cacho; TBF= tamanho do botão floral (mm); CDC= comprimento do cacho; DF50%= duração da floração
(dias); NSV= número médio de sementes por vagem; NV50%= número de dias desde o aparecimento da primeira
vagem até a planta possuir 50% das vagens; NV90%= número de dias após a planta possuir 50% das vagens até à
maturação; PS100= peso de 100 sementes (g); PV50= peso de 50 vagens (g); CS= comprimento semente (mm);
LS= largura semente (mm); CV= comprimento vagem (mm); LV= largura vagem (mm). Fonte: dados da pesquisa,
2019.
68
5.6
Frequência e agrupamento das etnovariedades através da caracterização qualitativa
Os caracteres qualitativos foram avaliados com base na frequência das etnovariedades
para cada caractere. Os caracteres CV, CCSM e GSV apresentaram 100% de frequência para
uma única variação nas etnovariedades (Tabela 10). O caractere cor verde nos cotilédones após
germinação teve a frequência de 70,37%, seguida pelas cores vermelho-púrpura (18,52%) e
branca (11,11%). A cor verde no hipocótilo foi observada em 81,48% das etnovariedades e
18,52% das etnovariedades apresentaram a cor púrpura. A maioria das etnovariedades não
apresentou pigmentação no caule (81,48%) e apenas 18,52% apresentaram pigmentação
localizada nos nós.
No caractere CNFP 85,19% das etnovariedades apresentou à cor verde e 14,81% das
etnovariedades a cor púrpura. A ausência de marcas transparentes ao longo da nervura foi
verificada em 70,37% das etnovariedades e as demais etnovariedades apresentaram manchas
escassas (25,93%) e extensas (3,70%). O folíolo apresentou em 77,78% das etnovariedades à
forma redonda e 22,22% das etnovariedades à forma oval. A intensidade de verde nas
etnovariedades variou entre as tonalidades verde-escuro (62,97%), verde intermediário
(33,33%) e verde pálido (3,70%). A persistência das folhas durante o período de maturação das
vagens apresentou as seguintes variações, poucas folhas persistiram (29,63%), intermédio
(48,15%) e todas as folhas persistiram (22,22%).
As etnovariedades apresentaram dois padrões de crescimento, indeterminado (88,89%)
e determinado (11,11%). O padrão de crescimento indeterminado apresentou as seguintes
classificações quanto ao tipo de ramificação, um caule principal, ramos laterais curtos, raros ou
inexistentes (11,11%), um caule principal, raros ramos laterais nos primeiros nós (22,22%),
dois ou três caules principais a começar nos primeiros nós (51,86%) e dois ou três caules
principais e outros ramos laterais (14,81%). No padrão de crescimento determinado as
etnovariedades apresentaram, ramos laterais curtos e eretos (7,41%) e ramos médios
perpendiculares ao caule principal (3,70%).
Os caracteres relacionados a parte reprodutiva, apresentaram as seguintes frequências
nas etnovariedades, com relação à cor das asas foi verificada predominância de flores brancas
(70,37%), menor proporção para as cores rosa claro (22,22%) e rosa escuro a púrpura (7,41%).
O caractere CQ distribuiu as etnovariedades em esverdeadas (70,37%) e tingidas (rosa ou
púrpura) (29,63%). O caractere CE apresentou em 74,08% das etnovariedades a cor branca, em
3,70% a cor rosa escuro a púrpura e em 22,22% a cor violeta. Alguns padrões de abertura foram
verificados nas asas das flores das etnovariedades, tais como, asas paralelas – fechadas
69
(66,67%), medianamente abertas (29,63%) e asas muito separadas (3,70%). O cacho, estrutura
que contém as flores estava posicionado nas plantas das seguintes formas, entre as folhagens
(14,81%), intermédia (44,44%) e emergindo das folhas (40,75%).
As etnovariedades apresentaram vagens deiscentes (40,74%) e indeiscentes (59,26%).
O caractere CFS apresentou as cores branca, castanho claro, amarelo, cinzento e rosa nas
seguintes frequências 55,56%, 29,63%, 41%, 3,70% e 3,70%. O caractere CPS apresentou as
seguintes distribuições: castanho claro ou castanho (59,26%), vermelho (11,11%), vermelhopúrpura (11,11%) e preto (7,41%). Em algumas sementes existe ainda um padrão bicolor, por
isso essas sementes são classificadas quanto à segunda cor padrão, que é a cor mais escura
verificada no tegumento, nas sementes foram observadas as seguintes cores, vermelho escuro
(14,81%), vermelho-púrpura (22,22%) e preto (14,81%).
As sementes também foram classificadas quanto ao PTS, sendo verificados como
predominantes entre as etnovariedades os padrões, auréolo distinto com manchas em mais de
50% do corpo (22,22%) e auréolo distinto com manchas em menos de 50% do corpo (18,53%).
Com relação às formas das sementes a mais frequente foi F10, agrupando 48,15% das
etnovariedades.
70
Tabela 10. Frequência de distribuição das 27 etnovariedades de fava, segundo descritores
morfoagronômicos para 32 caracteres qualitativos avaliados.
Caráter
CC
CH
PCP
MTFP
CNFP
AF
CFICV
PCE
RTDI
ORTD
FF
CA
CQ
CE
AA
PC
FAV
Classe fenotípica
Branco
Verde
Vermelho-púrpura
Verde
Púrpura
Sem pigmentação
Localizada nos nós
Ausentes
Escassas
Extensas
Verde
Púrpura
Ausente
Presente
Verde pálido
Verde intermediário
Verde-escuro
Indeterminado
Determinado
Um caule principal, ramos laterais curtos, raros
Um caule principal, raros ramos laterais nos primeiros nós
Dois ou três caules principais a começar nos primeiros nós
Dois ou três caules principais e outros ramos laterais
Ausente
Ramos laterais curtos e erectos
Ramos médios perpendiculares ao caule principal
Redondo
Oval
Branca
Rosa claro
Rosa escura a púrpura
Esverdeada
Tingida
Branco
Rosa escuro a púrpura
Violeta
Asas paralelas (fechadas)
Medianamente abertas
Asas muito separadas
Entre a folhagem
Intermédia
Emergindo das folhas
Ápice curto
Ápice médio
Ápice longo
Frequência (%)
11,11
70,37
18,52
81,48
18,52
81,48
18,52
70,37
25,93
3,70
85,19
14,81
88,89
11,11
3,70
33,33
62,97
88,89
11,11
11,11
22,22
51,86
14,81
88,89
7,41
3,70
22,22
77,78
70,37
22,22
7,41
70,37
29,63
74,08
3,70
22,22
66,67
29,63
3,70
14,81
44,44
40,75
51,85
22,22
18,52
Continua...
71
Caráter
FAV
PVRC
OVRC
DV
CDV
CV
PF
CFS
CPS
SCPS
PTS
FS
GSV
Classe fenotípica
Ápice grosso
Principalmente concentradas na base
Principalmente concentradas no topo
Igualmente distribuídos pela planta
Distribuídos aleatoriamente
Erectas
Prostradas
Não deiscente
Deiscente
Direita
Ligeiramente curva
Castanho com manchas avermelhado/púrpura ou manchas
Poucas folhas persistem
Intermédio
A maioria das folhas persiste
Branco
Cinzento
Amarelo
Castanho claro
Rosa
Ausente
Castanho claro ou castanho
Vermelho
Vermelho-púrpura
Preto
Padrão com apenas uma cor/ausente
Vermelho escuro
Vermelho-púrpura
Preto
Ausente
Padrão apenas à volta do auréolo
Auréolo distinto com poucos sinais no corpo
Auréolo distinto com muitos sinais no corpo
Auréolo distinto com manchas em menos de 50% do corpo
Auréolo distinto com manchas em mais de 50% do corpo
Auréolo semelhante ao padrão, maculado na região do hilo
Auréolo semelhante ao padrão, maculado na região do hilo,
lado frontal, lado de trás e em baixo
Auréolo semelhante ao padrão, maculado na região do hilo,
corpo com manchas orientadas radial e transversalmente
Forma 1
Forma 5
Forma 9
Forma 10
Forma 11
Forma 12
Ausente
Presente
Frequência (%)
7,41
14,81
7,41
74,07
3,70
11,11
88,89
59,26
40,74
25,93
74,07
100
29,63
48,15
22,22
55,56
3,70
7,41
29,63
3,70
11,11
59,26
11,11
11,11
7,41
48,16
14,81
22,22
14,81
11,11
7,41
3,70
7,41
18,53
22,22
11,11
14,81
3,70
3,70
3,70
11,11
48,15
25,93
7,41
100
0
Continua...
72
Caráter
ST
TT
CCSM
Classe fenotípica
Ausente
Presente
Lisa
Moderadamente enrugada
Marcadamente enrugada
Branco
Verde
Frequência (%)
11,11
88,89
7,41
59,26
33,33
100
0
CC = cor do cotilédone; CH= cor do hipocótilo; PCP= pigmentação do caule principal; MTFP= marcas
transparentes ao longo das nervuras das folhas primárias mais desenvolvidas; CNFP= cor da nervura das folhas
primárias mais desenvolvidas; AF= antocianina nas folhas; CFICV= cor da folha: intensidade da cor verde; PCE=
padrão de crescimento; RTDI= ramificação: tipo determinado e indeterminado; ORTD= orientação dos ramos:
tipo determinado; FF= forma do folíolo; CA= cor das asas; CQ= cor da quilha; CE= cor do estandarte; AA=
abertura das asas; PC= posição do cacho; FAV= forma do ápice da vagem; PVRC= posição das vagens em relação
aos cachos; OVRC= orientação das vagens em relação aos cachos; DV= deiscência da vagem; CDV= curvatura
da vagem; CV= cor das vagens; PF= persistência da folha; CFS= cor de fundo da semente; CPS= cor padrão da
semente; SCPS= segunda cor padrão da semente; PTS= padrão do tegumento da semente; FS= forma da semente;
GSV= germinação das sementes nas vagens; ST= separação de testa; TT= textura de testa; CCSM= cor do
cotilédone em sementes maduras.
Os caracteres qualitativos foram utilizados para análise de agrupamento das
etnovariedades e para análise de pares. O agrupamento resultou na formação de três grupos, o
grupo I reuniu apenas uma etnovariedade, o grupo II com 25,93% das etnovariedades e o grupo
III com 70,37% das etnovariedades (Gráfico 4). A amplitude no agrupamento variou entre 0,75
e 0,89, a maior distância foi entre as etnovariedades RBN e RJV e a menor entre as
etnovariedades LSINI e LTM. A análise de pares resultou em uma maior frequência de pares
com maiores distâncias quando um dos componentes referência eram RBN ou CTL,
considerados como mais divergentes no agrupamento em relação a demais etnovariedades
(Gráfico 4).
73
Gráfico 4. Dendograma de similaridade genética entre as 27 etnovariedades de fava, obtido pelo
método de agrupamento UPGMA, gerado pelo Coeficiente de Coincidência para variáveis
multicategóricas, com base em 32 caracteres qualitativos.
BBMNI
RJV
FFG
RSSM
RTKC
OPBMNI
OPBJJ
PCGG
BCGG
FAM
FCGNI
FIJ
RBMNI
RJM
STL
SSSJ
BBN
BTJC
BTL
F1CGG
LSINI
LTM
F2CGG
RBN
RBA
VSJLQ
CTL
OPBMNIMW
0.33
0.44
0.56
Coefficient
0.67
III
II
I
0.78
Fonte: dados da pesquisa, 2019.
5.7
Agrupamento das etnovariedades através da caracterização qualitativa e quantitativa
No agrupamento considerando os caracteres qualitativos e quantitativos observou-se a
formação de três grupos e verificou-se concordância com os agrupamentos individuais dos
caracteres quantitativos e qualitativos (Gráfico 5).
74
Gráfico 5. Dendograma de similaridade genética entre as 27 etnovariedades de fava, obtido pelo
método de agrupamento UPGMA, gerado pela distância de Gower, com base em 20 caracteres
quantitativos e 32 caracteres qualitativos.
BBMNI
RJV
FFG
RSSM
RTKC
OPBCNI
OPBJJ
PCGG
BCGG
FAM
FCGNI
FIJ
RBMNI
BBN
BTJC
BTL
RJM
STL
SSSJ
F1CGG
F2CGG
LSINI
LTM
RBN
RBA
VSJLQ
CTL
OPBCNIMW
0.23
0.34
0.46
Coefficient
0.57
III
II
I
0.69
Fonte: dados da pesquisa, 2019.
5.8
Análise filogenética
A classificação das 27 etnovariedades de fava com base na região ITS (Internal
Transcribed Space) foi realizada conjuntamente com sequências de nucleotídeos de acessos já
classificados e depositados no Genbank (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/nucleotide/). As
sequências dos genótipos do presente trabalho possuíam entre 660 a 750 pb por amostra. A
comparação das sequências obtidas neste trabalho com acessos depositados utilizando a
ferramenta BLASTn (https://blast.ncbi.nlm.nih.gov/Blast.cgi?PROGRAM=blastn& PAGE_ T
YPE=BlastSearch&LINK_LOC=blasthome)
confirmaram
que
as
sequências
obtidas
representavam a espécie P. lunatus.
As etnovariedades foram identificadas na árvore filogenética (Figura 4) com códigos
que correspondem ao local de coleta, a letra inicial do nome popular, a reação aos isolados
ICT12 e ICT16 e aos grupos formados pelo agrupamento de Tocher (Tabela 11).
75
Tabela 11. Lista com as etnovariedades no estado de Alagoas e os respectivos códigos utilizados
para identificar na análise filogenética com os dados moleculares da sequência de nucleotídeo
da região ITS (Internal Transcribed Spacer).
Variedades
Código filogenia*
BBMNI
CECA01-BM-B- MR MR-Grupo II
BBN
CECA02-Bq-B-MR MR-Grupo I
BCGG
CECA03-CG-B-MR AS-Grupo II
BTJC
CECA04-Tq-B-MR MR-Grupo I
BTL
CECA05-Tq-B-AS AR-Grupo I
CTL
CECA06-Tq-C-AS AS-Grupo II
FAM
CECA07-Ar-F-AS MR-Grupo II
FIJ
CECA08-Ig-F-AS MS-Grupo II
F1CGG
CECA09-CG-F1-MS AS-Grupo VI
F2CGG
CECA10-CG-F2-MR AR-Grupo IV
FFG
CECA11-Fr-F-AS AS-Grupo II
FCGNI
CECA12-CG-F-MR AS-Grupo II
LSINI
CECA13-SI-L-AS AR-Grupo I
LTM
CECA14-Tq-L-AS MR-Grupo I
OPBJJ
CECA15-OP-Bl-MR AS-Grupo II
OPBCNI
CECA16-BC-OP-MS MS-Grupo II
PCGG
CECA17-CG-P-AR MR-Grupo II
RBN
CECA18-Bq-R-MS MR-Grupo I
RBA
CECA19-Bq-R-AS MS-Grupo I
RJV
CECA20-Jq-R-AS AS-Grupo II
RSSM
CECA21-SS-R-MS AS-Grupo II
RTKC
CECA22-Tq-R-AS MR-Grupo II
RJM
CECA23-Jq-R-MS MR-Grupo III
RBMNI
CECA24-BM-R-MS MR-Grupo II
SSSJ
CECA25-SS-S-AS AS-Grupo III
STL
CECA26-Tq-S-AR MR-Grupo III
VSJLQ
CECA27-SJL-V-MS MR-Grupo V
* CECA12 – 1 – 2 – 3 – 4 – 5. 1 – Localidade; 2 – Primeira letra do nome popular; 3 – Reação ao isolado ICT12;
4 – Reação ao isolado ICT16; 5 – Resultado do agrupamento de Tocher elaborado com os dados morfoagronômicos
quantitativos. Informações subtraídas da Tabela 1.
A árvore filogenética construída com as sequências das etnovariedades e demais
espécies de Phaseolus gerou um agrupamento reunindo todos os acessos de P. lunatus em um
grande grupo. O primeiro grupo (GI) pertence as espécies, P. novoleonensis, P. pachyrrhizoides
e P. leptostachyus considerado como outgroup, funcionando como um grupo referência. O
segundo grupo (GII) pertence às seis espécies de Phaseolus e reúne três subgrupos. Foram
reunidos no primeiro subgrupo (GII-1) os acessos de P. lunatus classificados como andinos e
as espécies, P. augusti, P. bolivianus, P. pachyrrhizoides e P. marechalii. Estão agrupados no
segundo subgrupo (GII-2), os acessos de P. lunatus classificados como mesoamericanos do
grupo II e 40,7% das etnovariedades coletadas em alagoas e sequenciadas. O terceiro subgrupo
(GII-3) agrupou os acessos de P. lunatus classificados como mesoamericanos do grupo I e
59,3% das etnovariedades coletadas em alagoas e sequenciadas.
76
Figura 4. Árvore filogenética baseada em sequências de DNA da região ITS (Internal
Transcribed Spacer) de 27 etnovariedades de fava (P. lunatus L.) e de acessos de Phaseolus
spp. do Genbank. Os números nas ramificações indicam valores de bootstrap (%). MEX =
México, GTM = Guatemala, BLZ = Belize, HND = Honduras, SLV = El Salvador, CRI = Costa
Rica, COL = Colômbia, CUB = Cuba, ECU = Equador, PER = Peru, BOL = Bolívia, ARG =
Argentina.
GI
GII-1
GII-3
GII
GII-2
Fonte: dados da pesquisa, 2019.
77
5.9
Avaliação da resistência das etnovariedades a incidência natural de antracnose
A avalição da reação ao C. truncatum começou por uma avaliação em campo, seguida
pela avaliação in vitro e finalizando no ensaio in vivo em condições de casa de vegetação. A
severidade da antracnose nas folhas das 27 etnovariedades em campo foi avaliada por meio da
escala de notas descrita por (CARVALHO, 2009) e nas vagens por escala diagramática (FEIJÓ,
2017). Os níveis de severidade foram usados para classificar os níveis de resistência das
etnovariedades. Na avaliação das notas atribuídas as etnovariedades foi possível verificar
através da comparação de médias que as etnovariedades agruparam-se em três classes que
diferiram significativamente.
A classe de etnovariedades moderadamente resistentes (nota 1,5 – 2,4) agrupou 37,04%
das etnovariedades. Os valores médios observados nessa classe variaram de 1,67 a 2,33. A
segunda classe reúne 37,04% de etnovariedades moderadamente suscetíveis (nota 2,5 – 3,0) e
14,81% de etnovariedades altamente suscetíveis (nota > 3). Os valores médios observados nessa
classe variaram de 2,56 a 3,56. No terceiro grupo foram reunidas exclusivamente as variedades
altamente suscetíveis (nota > 3) que correspondendo 11,11%. Os valores médios observados
nessa classe variaram de 2,56 a 3,56 (Gráfico 6).
Gráfico 6. Valores médios de severidade das 27 etnovariedades, avaliadas em condições
naturais de campo após aparecimento de sintomas da antracnose, através de escala de notas.
Médias seguidas de letras distintas nas colunas diferem significativamente pelo teste de ScottKnott (valor de p<0,05). Dados originais.
Fonte: dados da pesquisa, 2019.
78
As vagens também foram avaliadas em condições naturais de campo quanto a
severidade a antracnose, contudo, verificou-se que em razão da menor produtividade em
algumas etnovariedades, foram obtidas diferentes quantidades de vagens para avaliação, não
possibilitando uma análise estatística dos dados. A partir da frequência de vagens para cada
nota conforme escala diagramática, foi verificado que a severidade variou entre 3% a 96%
(Gráfico 7).
Frequência de vagens
Gráfico 7. Frequência de distribuição das 27 etnovariedades de fava quanto a severidade a
espécies de Colletotrichum, dados obtidos através da escala diagramática em vagens, avaliadas
em condições naturais de campo.
Fonte: dados da pesquisa, 2019.
5.10 Avaliação in vitro da resposta de resistência das etnovariedades
As 27 etnovariedades foram analisadas em pré-teste sendo avaliadas contra os dois
isolados de Colletotrichum truncatum (ICT12 e ICT16). Treze etnovariedades classificadas
como altamente suscetíveis foram descartadas. No ensaio in vitro seguinte foram utilizadas 14
variedades classificadas no pré-teste como altamente resistentes (nota 0,1 – 1,4),
moderadamente resistentes (nota 1,5 – 2,4) e altamente suscetíveis (nota > 3) (BELMINO,
2004).
No segundo ensaio in vitro, as etnovariedades inoculadas com ICT12 receberam notas
que variaram de 2,00 a 4,67 aos 3 DAI. As etnovariedades foram classificadas quanto à reação
79
ao isolado como moderadamente resistentes e altamente suscetível (Gráfico 8). No entanto, os
valores médios obtidos para as etnovariedades não diferiram estatisticamente, não validando o
grupo. Aos 5 DAI, as etnovariedades classificadas como moderadamente resistentes aos 3 DAI
se tornaram altamente suscetíveis. Os valores médios variaram de 2,67 a 5,00. A etnovariedade
LSINI foi a única que manteve a classificação de moderadamente resistente na segunda
avaliação (Gráfico 8). No entanto, os valores médios também não diferenciaram
estatisticamente. Não validando a separação entre as etnovariedades moderadamente resistentes
e altamente suscetíveis.
Gráfico 8. Valores médios de severidade das 14 etnovariedades de fava a isolados de
Colletotrichum truncatum, dados obtidos através da escala de notas, aos três e cinco dias de
inoculação (DAI). Médias seguidas de letras distintas nas colunas diferem significativamente
pelo teste de Scott-Knott (valor de p<0,05). Dados originais.
3 DAI
3 DAI
5 DAI
5 DAI
Fonte: dados da pesquisa, 2019.
As etnovariedades inoculadas com ICT16, aos três dias de inoculação, foram
classificadas quanto a resistência como imune e moderadamente resistente. Estatisticamente as
etnovariedades foram separadas em três classes. Apenas a etnovariedade LSINI foi classificada
quanto a reação como imune (nota – 0) e agrupada na classe “a”. As etnovariedades OPBJJ,
80
BTL e BTJC foram classificadas quanto a reação como moderadamente resistentes (nota 1,5 –
2,4) e reunidas na classe “b”, com valores médios de severidade variando de 1,67 a 2,33
(Gráfico 8). As outras dez etnovariedades foram classificadas como moderadamente suscetíveis
(nota 2,5 – 3,0) e altamente suscetíveis (nota > 3) e agrupadas classe “c”, com valores médios
que variaram de 3,00 a 4,33, nas etnovariedades BBN, F2CGG e RBA.
Aos cinco dias de inoculação foi verificada uma evolução da severidade, pois as
etnovariedades agruparam-se em apenas duas classes “a e b”, sendo classificadas como
moderadamente resistente (LSINI), moderadamente suscetível (BTL) com valores médios de
2,33 e 3,00, respectivamente, que diferenciaram estatisticamente das etnovariedades
classificadas como altamente suscetíveis, com valores médios variando entre 4,00 e 5,00. Em
condições de folha destacada (in vitro) para o isolado ICT16, apenas uma etnovariedade
(LSINI) foi classificada como imune (3DAI) e moderadamente resistente (5DAI). A mesma
etnovariedade para o isolado ICT12 foi classificada como moderadamente resistente (3DAI) e
moderadamente suscetível (5DAI). As outras etnovariedades para ambos os isolados
apresentaram moderada a alta suscetibilidade aos cinco dias, apresentando alterações nos
sintomas.
5.11 Avaliação in vivo da resposta de resistência das etnovariedades
No ensaio de patogenicidade in vivo com os isolados ICT12 e ICT16 foram observados
os sintomas que caracterizam a doença antracnose (Figura 5 e 6). Em todas as etnovariedades
avaliadas, os primeiros sintomas da doença começaram a aparecer entre o terceiro e quarto dia
de inoculação do fungo. Além da abscisão foliar, foi verificado o aparecimento de manchas de
cor marrom escura e/ou avermelhadas, clorose, manchas nas nervuras centrais e manchas
necróticas arredondadas quando foram inoculadas com os isolados ICT12 (Figura 5) e ICT16
(Figura 6).
81
Figura 5. Reações sintomáticas das 27 etnovariedades de fava a inoculação do isolado de
Colletotrichum truncatum (ICT12) após 5 dias de inoculação.
Fonte: dados do autor, 2019.
82
Figura 6. Reações sintomáticas das 27 etnovariedades de fava a inoculação do isolado de
Colletotrichum truncatum (ICT16) após 5 dias de inoculação.
Fonte: dados do autor, 2019.
83
Aos cinco dias de inoculação do isolado ICT12, observou-se uma frequência de 81,48%
das etnovariedades com abscisão nos folíolos superiores e 88,89% nos folíolos inferiores. A
frequência de abscisão nas inoculações com o isolado ICT16 foi menor, sendo 66,67% para a
avaliação dos folíolos superiores e 59,26% dos folíolos inferiores (Gráfico 9).
A frequência de etnovariedades com abscisão foliar aumentou aos sete dias de
inoculação, com o isolado ICT12 a frequência foi 96,30% para os folíolos superiores inoculados
e nos folíolos inferiores foi mantida a mesma frequência de 88,89%. Na inoculação com o
isolado ICT16 esse aumento também foi verificado, nos folíolos superiores foi de 81,48% e nos
folíolos inferiores de 62,96%, sendo observada maior frequência de abscisão em todas as
avaliações para o isolado ICT12.
Gráfico 9. Abscisão de folíolos das partes superior e inferior da planta, avaliada aos cinco e sete
(DAI) em 27 etnovariedades de fava inoculadas com os isolados ICT12 e ICT16.
ICT12
ICT16
Fonte: dados da pesquisa, 2019.
De forma geral, na avaliação da escala de notas nas folhas, pode-se verificar que as
reações das etnovariedades de fava aos isolados de C. truncatum (Tabela 12) variaram de imune
(IM) a altamente suscetível (AS) para os dois isolados. No que se refere à severidade da doença
foi verificada uma variação nos sintomas, quando comparadas às reações das etnovariedades
aos 5 dias de inoculação. Observou-se a formação de duas classes estatisticamente distintas (a
e b) para a inoculação com os dois isolados aos 5 dias nas folhas superiores. Os grupos formados
pela comparação de média reúnem as etnovariedades resistentes ou parcialmente resistentes. O
outro grupo reúne as etnovariedades intermediárias ou suscetíveis. Na avaliação da folha
inferior apenas nas etnovariedades inoculadas com o isolado ICT16 observou-se a formação de
dois grupos.
84
Tabela 12. Reação das 27 etnovariedades de fava aos isolados de Colletotrichum truncatum
inoculados em folhas das partes superior e inferior da planta avaliadas no ensaio in vivo, aos
cinco e sete dias de inoculação (DAI).
Variedades
BBMNI
BBN
BCGG
BTJC
BTL
CTL
FAM
FIJ
F1CGG
F2CGG
FFG
FCGNI
LSINI
LTM
OPBJJ
OPBCNI
PCGG
RBN
RBA
RJV
RSSM
RTKC
RJM
RBMNI
SSSJ
STL
VSJLQ
ICT12
Superior
Inferior
5(DAI) 7(DAI) 5(DAI) 7(DAI)
MR
MR
MR
MR
MR
MR
AS
AS
MR
MR
MR
MS
MR
MR
AS
AS
AS
AS
MS
AS
AS
AS
AR
AR
AS
AS
AR
AR
AS
AS
MR
MS
MR
MS
MR
MR
AR
MR
AS
AS
AS
AS
AS
AS
MR
MR
MR
MR
MS
AS
MR
MS
AS
AS
AS
AS
MR
MR
MR
MR
MS
MS
AS
AS
AR
AR
AR
MR
MR
MS
AS
AS
AS
AS
AS
AS
AS
AS
AS
AS
MS
MS
MS
MS
AS
AS
AS
AS
MR
MS
AR
MR
AR
MS
MR
MS
AS
AS
MR
MR
AR
AR
MR
MR
MS
MS
AS
AS
ICT16
Superior
5(DAI) 7(DAI)
MR
MR
MR
MR
AS
AS
MR
MR
AR
AR
AS
AS
MR
MR
MS
MS
AS
AS
AR
AR
MS
AS
AS
AS
AR
AR
IM
MR
MS
AS
MS
MS
AR
MR
MR
MR
MS
MS
AS
AS
AS
AS
MR
MR
MR
MR
AR
MR
AS
AS
MR
MR
MR
MR
Inferior
5(DAI) 7(DAI)
AR
AR
MR
MS
AS
AS
AR
AR
MS
MS
MS
AS
AR
AR
MS
MS
MR
MR
AR
AR
MS
MS
AS
AS
AR
AR
AR
AR
AR
AR
MS
MS
MS
MS
MR
MS
AS
AS
AS
AS
AS
AS
MR
AS
AR
MR
AR
AR
AR
AR
AR
MS
MR
MR
AR = altamente resistente; MR = moderadamente resistente; MS = moderadamente suscetível; AS = altamente
suscetível.
As etnovariedades que perderam os folíolos aos cinco dias na avaliação aos sete dias
tiveram os valores repetidos. Justificando a ausência de alteração na reação da maioria das
etnovariedades aos sete dias de inoculação. Excetuando a etnovariedade F2CGG que não
apresentou abscisão foliar, mas manteve a mesma reação aos cinco e sete (DAI). Assim a falta
de variação deve-se a reposta biológica. A reposta inalterada da etnovariedade nas duas
avaliações mantem a classificação como altamente resistente (Tabela 12). A etnovariedade
F2CGG apresentou nota nas folhas superior e inferior folhas com valores médios de 0,33, e
0,67 (Gráfico 10 e 11) em ambas as avaliações, respectivamente.
85
Foi possível verificar através da comparação de médias, aos cinco dias de inoculação do
isolado ICT12, que as etnovariedades PCGG (0,67) e CTL (1,00), apresentaram os menores
valores médios de severidade em todas as folhas. Os maiores valores médios de severidade
foram observados nas etnovariedades RBA (5,00) e RJV (5,00) (Gráfico 10).
Gráfico 10. Valores médios de severidade das 27 etnovariedades de fava a isolados de C.
truncatum, dados obtidos através da escala de notas, aos cinco dias de inoculação (DAI). Médias
seguidas de letras distintas nas colunas diferem significativamente pelo teste de Scott-Knott
(valor de p<0,05). Dados originais.
Folha superior
Folha superior
Folha inferior
Folha inferior
Fonte: dados do autor, 2019.
Aos sete (DAI) foi observado o mesmo padrão de formação de grupos para as avaliações
de folha superior e inferior para os isolados ICT12 e ICT16. As avaliações nas folhas superiores
diferenciaram as etnovariedades em dois grupos para ambos os isolados. A avaliação da folha
inferior apenas observou-se a formação de dois grupos para a reação das etnovariedades para o
isolados ICT16.
86
Gráfico 11. Valores médios de severidade das 27 etnovariedades de fava a isolados de C.
truncatum, dados obtidos através da escala de notas, aos sete dias de inoculação (DAI). Médias
seguidas de letras distintas nas colunas diferem significativamente pelo teste de Scott-Knott
(valor de p<0,05). Dados originais.
Folha superior
Folha superior
Folha inferior
Folha inferior
Fonte: dados da pesquisa, 2019.
Analisando de forma geral, considerando as reações ao dois isolados aos cinco dias de
inoculação, as etnovariedades PCGG, F2CGG, RBMNI, STL, RJM, BTJC foram classificadas
como resistentes considerando a avaliação das folhas superiores. Tendo como referência as
folhas inferiores, as etnovariedades classificadas como resistentes aos dois isolados foram RJM,
FAM, OBPJJ, F1CGG, BBMNI, SSSJ, LSINI e STL. Assim as etnovariedades RJM e STL se
mantém como resistentes aos dois isolados aos cinco dias de inoculação, considerando as folhas
superior e inferior.
Na avaliação aos sete dias de inoculação, as etnovariedades que apresentaram
resistência aos dois isolados nas folhas superiores foram STL, BBMNI, F2CGG, BBN, BTJC,
RBMNI, RBN, RJM e PCGG. Considerando as folhas inferiores, às etnovariedades FAM,
BBMNI, F1CGG, OPBJJ, RJM e SSSJ foram agrupadas como resistentes aos dois isolados.
Após avaliar a reação aos dois isolados nas folhas superiores e inferiores aos sete (DAI),
87
verificou-se que as etnovariedades BBMNI e RJM, se mostraram resistentes. A etnovariedade
que apresentou resistência aos dois isolados em todos os folíolos e tempos avaliados foi a
etnovariedade RJM.
5.12 Análise de nodulação nas etnovariedades
Através dos caracteres avaliados para analisar a eficiência de nodulação espontânea em
algumas etnovariedades de fava, foi possível verificar que apenas o caractere quantidade de
nódulos, foi estatisticamente significativo, os caracteres massa fresca, massa seca e tamanho
dos nódulos, não foram estatisticamente significativos (Gráfico 12). Alguns nódulos avaliados
de forma aleatória apresentavam coloração interna avermelhada, indicando que as bactérias
encontram-se ativas (Figura 7).
Figura 7. Nódulos ativos e sistema radicular avaliados nas 23 etnovariedades de fava.
Fonte: dados do autor, 2019.
O caractere quantidade de nódulos agrupou as etnovariedades em duas classes (a e b),
diferenciando-as como as que mais continham nódulos e a que menos continham nódulos no
sistema radicular (Gráfico 12). As etnovariedades que menos nodularam foram agrupadas na
classe “a”, correspondendo 69,56% das etnovariedades, apresentando valores médios que
88
variaram entre 70,00 e 247,33 nódulos por planta, verificados nas respectivas etnovariedades
PCGG e FIJ. A classe “b” agrupou as etnovariedades que mais nodularam, reunindo 30,43%
das etnovariedades, essas apresentaram valores médios que variaram entre 300,67 e 434,67
números de nódulos por planta, observados, respectivamente, nas etnovariedades RBN e
OPBCNI.
Gráfico 12. Valores médios dos caracteres QN (Quantidade de nódulos), MSF (Massa fresca
dos nódulos), MSN (Massa seca dos nódulos) e TMN (Tamanho dos nódulos) em 23
etnovariedades de fava. Médias seguidas de letras distintas nas colunas diferem
significativamente pelo teste de Scott-Knott (valor de p>0,05). Dados originais.
Fonte: dados da pesquisa, 2019.
Os valores médios obtidos para os demais caracteres não diferenciaram
significativamente. O caractere massa fresca apresentou valores médios que variaram entre 0,16
g e 100,00 g, nas etnovariedades PCGG e OPBCNI, as mesmas etnovariedades com os menores
e maiores pesos no caractere massa fresca também apresentaram no caractere massa seca, os
menores e maiores pesos, sendo respectivamente, 0,06 g e 0,44g, e o caractere tamanho dos
nódulos apresentou os seguintes intervalos de variação nos valores médios 0,67 mm e 0,96 mm,
verificados nas etnovariedades BCGG e RJV.
89
6
DISCUSSÃO
O germoplasma brasileiro de cultivares mantidas por agricultores apresenta grande
diversidade genética e foi constituído pelos processos evolutivos sofridos ao longo do tempo,
como adaptação a ambientes diversos, novas introduções, cruzamentos e seleção por parte dos
agricultores (COSTA, 2013). Como exemplo, as características externas da semente do feijão
possuem ampla variabilidade, sendo fatores que são altamente utilizados para diferenciar e
classificar feijões em grupo ou tipos comerciais distintos (GRIGOLO et al., 2018). As
variedades utilizadas por agricultores de subsistências e mantedores das sementes são
consideradas interessantes do ponto de vista da utilização em programas de melhoramento
genético (GRIGOLO et al., 2018). As etnovariedades de fava, Phaseolus lunatus, oriunda de
produtores locais e coletadas nas feiras-livres de Alagoas apresentou com uma ampla
diversidade de cores e formas nas sementes (Figura 1) e confirmada por análise genética. O alto
grau de variação fenotípica das características das sementes em acessos de fava locais mantidos
em coleções foi também verificado quanto a reação a isolados de Colletotrichum truncatum. As
características estudadas são importantes para a compreensão da diversidade e origem das
espécies (SILVA et al., 2017), entre elas o P. lunatus.
O sistema de produção dos agricultores passa a ser fator de seleção, determinante na
magnitude da diversidade dos recursos genéticos conservados. Um sistema de produção típico
da Revolução Verde (monocultivos e aplicação intensiva de insumos) mantem uma
homogeneidade genética da população. Enquanto um sistema de produção tradicional
conduzido por agricultores familiares de subsistência possibilita uma maior diversidade
genética da população manejada (FARALDO et al., 2000). Estima-se que pelo menos 103
espécies têm importância regional ou mundial, estando domesticada em maior ou menor grau,
representando 3,3% das espécies cultivadas por agricultores. No entanto, 73 espécies das 103
espécies não estão incluídas na lista das mais importantes regionalmente ou mundialmente,
sendo a maioria conservada ex situ (PRESCOTT-ALLEN; PRESCOTT-ALLEN, 1990). Há
também uma erosão das variedades dentro das espécies, nas últimas décadas a diversidade de
variedades cultivadas tem reduzido drasticamente. Uma fração das variedades em desuso ainda
é mantida na agricultura de subsistência e podem diferenciar do original devido o manejo e
seleção dos produtos as condições locais de cultivo (BELLON; BRUSH, 1994). A agricultura
local, além de importante fonte de renda para esses produtores, também tem grande importância
na conservação de espécies e conhecimentos locais que vem sendo perdidos com o decorrer dos
anos.
90
O primeiro passo para identificar as variedades locais é visitar e entrevistar seus
produtores para obtenção de registro oral sobre a história do cultivo da variedade na família. As
entrevistas geraram um discurso coletivo, a partir desse, foi possível verificar que a maioria dos
produtores possuía uma faixa etária média de 50 anos, informação também verificada em estudo
com cultivos de espécies de Dioscorea spp. e variedades crioulas de milho. O perfil de idade
dos agricultores apresentava faixa etária média de 56, e 57,8 anos (SIQUEIRA, 2011, SOUZA,
2015). Infere-se assim, que a maioria dos mantenedores do saber local, são pessoas mais velhas
de gerações que possuíam um contato maior com a cultura e conhecimento tradicional.
Há uma predominância de mantedores do sexo feminino (Gráfico 1). Geralmente em
estudos com culturas de importância agrícola é mais comum à predominância de homens que
mantém o maior conhecimento e contato com a cultura (SIQUEIRA, 2011; PASTORE, 2013;
SOARES, 2018). Em estudo com variedades crioulas da figueira (Ficus carica), a maior
predominância de homens como mantenedores do saber e manejo dessa planta foi verificada na
zona rural. No entanto, na zona urbana verificou-se maior predominância das mulheres
justificando que na zona urbana as figueiras eram mantidas nos quintais de casa. A
predominância de mulheres como mantenedoras do conhecimento sobre plantas agrícolas e
medicinais (Ficus carica, Zea mays, Rosmarinus officinalis e Melissa officinalis) foi verificada
em alguns trabalhos (PASTORE, 2013; SOUZA, 2015; SOARES, 2017). A fava geralmente
caracteriza-se por ser uma cultura também mantida nos quintais das casas ou nas proximidades,
podendo justificar a maior predominância de mulheres como produtoras locais (SOARES,
2018; PASTORE, 2013). Entender e valorizar o papel de homens e mulheres na conservação é
fundamental para compreender a forma como é manejada a diversidade, visto que o
conhecimento específico sobre determinado recurso genético, difere de acordo com o gênero, a
idade ou grupo social do mantenedor (SOUZA, 2015).
As etnovariedades coletadas são mantidas há muitos anos e por várias gerações. As
variedades crioulas são conceituadas como variedades mantidas pelos agricultores ao longo das
gerações. Após vários anos sendo cultivadas e selecionadas por esses agricultores, adquirem
características próprias de adaptação ao agroecossistema local (BELLON; BRUSCH, 1994).
Etnovariedades são consideradas como populações conservadas, selecionadas, multiplicadas e
usadas por agricultores tradicionais por um período de cultivo superior a 30 anos pela mesma
família e local. Conceitua-se como populações geograficamente distintas, diversas em sua
composição genética e adaptadas às condições agroclimáticas e ecológicas particulares às áreas
de pelos esses produtores há mais de cinco décadas, verificando a tradicionalidade da
agricultura familiar no estado. No México, considera variedade local aquela que não tenha
91
passado por um processo de melhoramento formal e que a semente tenha sido cultivada na
região, pelo menos, por uma geração de agricultores, ou aproximadamente 30 anos (LOUETTE
et al., 1997). É possível inferir que algumas etnovariedades (OPBJJ, FIJ, CTL, BTL, RSSM,
VSJLQ) são mantidas há 30 ou mais anos pelos produtores de Alagoas, são consideradas como
locais.
Variedades crioulas são mantidas por muitos anos e durante muitas gerações (avós, pais
e filhos), tendo como exemplo as espécies Zea mays (mais de 30 e 50 anos) Ficus carica (65
anos) e Dioscorea alata (mais de 40 anos) mantidas pelos agricultores locais (VOGT, 2005;
SOUZA, 2015; PASTORE, 2013; SIQUEIRA, 2011). O tempo em que uma variedade está
sendo mantida em uma determinada região influencia na adaptação local da variedade a
contextos culturais e socioambientais específicos, que se estabelecem ao longo dos anos de
cultivo (SOUZA, 2015). A conservação dos recursos genéticos in situ pelos agricultores
tradicionais tem papel fundamental no fornecimento de novos alelos e alelos originais levandose em conta o estreitamento da base genética das espécies cultivadas que vem ocorrendo nos
últimos anos. A erosão genética decorre pelo uso intensivo do modelo de agricultura da
Revolução Verde e das limitações da conservação ex situ, demasiadamente onerosa e de difícil
manutenção (CLEVELAND et al., 1994; SIQUEIRA, 2011).
O cultivo longevo da cultura na família pode ser justificado pelo fato de algumas
etnovariedades de fava apresentarem grande rusticidade. A cultura não exige a utilização de
insumos, possuindo resistência ao déficit hídrico e altas temperaturas, condições climáticas
característica do agreste e do sertão alagoanos. Apesar de ser uma cultura de subsistência, a
tradicionalidade na região também pode ser devido a ampla procura do consumidor. A reduzida
comercialização em alguns locais resultou em preços elevados, que variam conforme as épocas
de colheita e a maturidade das sementes. O feijão-fava, típico da região Nordeste do Brasil,
torna-se foco da pesquisa por conta de sua aceitação entre a população e os preços interessantes
que são pagos aos produtores, em grande parte da agricultura familiar (SOARES, 2018). A fava
tem forte influência familiar e por isso vem sendo mantida há tantos anos, é uma cultura que
apresenta uma grande representação da agricultura familiar nordestina. Apesar da condução e
em pequenos plantios, a cultura destaca-se entre vários munícipios nos estados da região
nordeste e algumas variedades crioulas ou locais apresentam potencial produtivo, econômico e
de resistência a antracnose (CARVALHO, 2009; CAVALCANTE, 2012; SOARES, 2018).
A variedade tradicional é aquela que vem sendo manejada em um mesmo ecossistema,
por pelo menos três gerações familiares (avô, pai e filho), e a partir da qual são incorporados
valores históricos, que passam a fazer parte das tradições familiares (MACHADO et al., 2008a).
92
A conservação in situ – on farm apresenta papel fundamental na evolução e diversificação de
uma espécie. Por este motivo, as variedades crioulas conservadas por agricultores ao longo de
muitos anos são importantes fontes de alelos para programas de melhoramento (SOUZA, 2015).
As sementes são obtidas com familiares, realizando a manutenção e mantendo as
sementes crioulas por longos anos. Em estudo com variedades de Dioscorea alata mantidas por
agricultores familiares, também foram verificadas informações similares, a grande maioria dos
informantes conseguiram as sementes com familiares ou compraram (SIQUEIRA, 2011). O
armazenamento em garrafas plásticas é efetivo para preservar a viabilidade das sementes e
evitar o ataque de pragas de grãos. Confirmando ser uma prática comum entre agricultores que
conservam as variedades crioulas de algumas espécies, tais como, milho e fava (SOUZA, 2015
VOGT et al., 2009; SOARES, 2018). O armazenamento de sementes em garrafas plásticas é
eficaz, visto que não apresenta registros de problemas quando utilizada pelos agricultores para
armazenamento de sementes de diferentes espécies (ANDRADE et al., 2012; SOUSA JUNIOR
et al., 2012).
O cultivo majoritário na forma de consórcio é justificado pelo fato do sistema permitir
maior diversidade de culturas, principalmente por a fava caracterizar-se como uma cultura de
subsistência familiar. Um dos consórcios mais empregados no Brasil é a interação de cereais
com leguminosas que fornecem nitrogênio (N) e outros minerais para a cultura não fixadora do
nutriente. A leguminosa permite a cobertura do solo mais rápida e controle da erosão, também
proporcionam habitat para predadores de pragas e o aumento da diversidade microbiana no solo
(LOPES et al., 2017). Tradicionalmente, o consórcio entre o milho/feijão e milho/fava são os
mais cultivados no Ceará (SOARES, 2018). O consórcio de culturas está sendo cada vez mais
utilizado por pequenos agricultores da região do Cariri cearense por possuírem pequenas
extensões de terras e a região dispor de baixa pluviosidade e chuvas irregulares (LOPES et al.,
2017). A predominância de plantas de crescimento indeterminado explica-se pelo uso do cultivo
muitas vezes consorciado com outras espécies, como sorgo, milho, inhame, mandioca, algodão,
banana. As variedades de crescimento determinado são mais adequadas ao sistema de cultivo
intensivo ou às áreas mais secas, enquanto o tipo indeterminado predomina no sistema
tradicional de cultivo ou em áreas tropicais mais úmidas.
O manejo manual trata de atividades simples, característica de cultivo de subsistência,
realizado pelo próprio produtor ou por familiares. Em alguns estudos é mencionada uma forte
presença do pousio (SOARES, 2018; SIQUEIRA, 2011), no entanto, só foi verificado que
alguns produtores realizavam a queima das áreas de cultivo. O pousio é um sistema de plantio
no qual a área é preparada sem a utilização de implementos agrícolas, sendo efetuada a
93
derrubada e queima da vegetação. Após algum tempo de utilização, a área é deixada para
“descansar” por 10 a 20 anos, e se procura outra área para fazer o cultivo de feijão-fava
(SOARES, 2018). Esse sistema varia de acordo com as condições ecológicas locais
(SIQUEIRA, 2011). A utilização do pousio é uma tradição mantida pelos indígenas, que vem
sendo aderida pelos agricultores tradicionais (LEONEL, 2000).
O manejo manual requer uso intenso da mão de obra. No caso da fava, a maioria
(62,97%) dos agricultores tem ajuda de familiares (SOARES, 2018; SIQUEIRA, 2011). Assim,
a disposição dos jovens filhos de agricultores familiares em suceder aos pais está associada à
própria continuidade da agricultura familiar como um todo (SIQUEIRA, 2011). É possível
confirmar que se trata de uma cultura mantida especialmente no âmbito familiar, que preserva
tradições e garante a subsistência de várias famílias de produtores no estado de Alagoas.
A forma de preparo pode dizer muito sobre as características das variedades coletadas.
Entre as leguminosas que produzem HCN, somente o feijão-fava pode contê-lo em quantidade
elevada, sendo este o responsável pelo seu sabor amargo, característica ausente em outras
espécies de feijão (VIEIRA, 1992). O consumo de grãos secos de feijão-fava com paladar
amargo deve ser precedido de cuidados, como deixar os grãos de molho durante uma noite e
eliminar a água antes do cozimento (VIEIRA, 1992; AZEVEDO et al., 2003). A maioria dos
produtores (56%) realizam a cocção e as trocas de água durante o preparo e 44% realizam
apenas a cocção, sem trocarem a água durante o preparo (Gráfico 1). O gosto amargo nas
sementes de fava é condicionado devido ao teor de ácido cianídrico existente na planta, que
possui grandes concentrações na semente (SANTOS, 2008), então, quanto menor o teor menos
amargo, logo, infere-se que nas sementes as quais não é realizada mais de uma cocção há
existência de menores quantidades de ácido.
A cultura do feijão-fava possui relativa importância economia e social, tendo como uma
das principais características a rusticidade o que prolonga a sua colheita, podendo ser realizada
no período seco (SOARES, 2018). O manejo da diversidade de espécies e variedades tem sido
um elemento central para a sustentabilidade dos sistemas agrícolas, onde os agricultores
familiares conservam grande parte da diversidade (SOUZA, 2015). Os parâmetros
morfoagronômicos quantitativos avaliados contribuíram para explicar a diversidade genética
das etnovariedades, sendo verificado nos caracteres comprimento e largura das sementes e
vagens a maior contribuição, em razão da formação do maior número de classes que separaram
as etnovariedades em vários grupos. Os valores médios obtidos a partir das variáveis
comprimento e largura das sementes resultam no tamanho e forma da semente e da vagem,
94
considerados como descritores morfológicos que contribuem para identificar as raças existentes
em cada pool gênico (GRIGOLO et al., 2018).
O coeficiente de variação experimental obtido, demonstrou uma precisão média, quando
comparado aos verificados em outros estudos com espécies vegetais como a fava (P. lunatus)
(CARMO, 2011; OLIVEIRA et al., 2011), o feijão-caupi (Vigna unguiculata) (MACHADO et
al., 2008b) e o trigo (Triticum aestivum) (PIMENTEL et al., 2014). O valor discrepante de
82,98% verificado no coeficiente da variável altura da planta: tipo determinado é justificado
pela restrição dos descritores morfoagronômicos para verificar apenas a altura das plantas de
crescimento determinado, não sendo indicada a verificação das plantas com crescimento
indeterminado, como essas não foram medidas, agruparam-se em uma única classe, distinta das
demais etnovariedades (Tabela 3).
A análise de comparação de médias evidenciou uma das variáveis representante da parte
vegetativa da planta, a variável comprimento da folha primária, como a única sem apresentar
diferença estatística significativa, agrupando as etnovariedades em apenas uma classe. As
variáveis largura da folha primária, largura e comprimento do folíolo (folha composta) que
também representam a parte vegetativa, reuniram as etnovariedades em apenas duas classes,
diferindo estatisticamente, mas sendo consideradas como pouco variáveis ou polimórficas
(Tabela 2). Notadamente, as variáveis de menor importância para diferenciar cultivares locais
e melhoradas de feijões também foram comprimento e largura folíolo, comprimento e largura
da folha primária (RODRIGUES et al., 2002; CABRAL et al., 2011; CABRAL, 2010).
A variável comprimento desde a base do hipocótilo até à primeira folha completamente
expandida também reuniu as etnovariedades em duas classes, mostrando diferença estatística
significativa, apesar da menor variabilidade ou polimorfismo nas etnovariedades agrupadas
nessas classes (Tabela 3). Em estudos com feijão-caupi (BRITO, 2014) e fava (FRAZÃO,
2010), também foram observadas diferenças estatísticas significativas para o comprimento do
hipocótilo, corroborando com os dados obtidos. O comprimento do hipocótilo (CH) relacionase com a maior ou menor predisposição das plantas ao acamamento, isso implica que plantas
com maior CH são mais propensas ao acamamento, desta forma, em maiores adensamentos, os
resultados sugerem que as plantas tendem a sofrer mais quebras ou dobras pelo aumento do
CH, principalmente, se aliado a este comportamento houver redução no diâmetro do caule
(BEZERRA et al., 2012). Em feijão-caupi foi evidenciado que genótipos que apresentaram
epicótilos e hipocótilos mais curtos, possuíam maior resistência ao acamamento (MACHADO
et al., 2008b).
95
Nas etnovariedades classificadas como eretas, o crescimento é determinado em função
do menor comprimento do ramo principal e a maturação é uniforme, ocorrendo apenas uma
colheita. Contudo, nas etnovariedades com muitos ramos secundários, grande comprimento e
amplo número de nós no ramo principal é verificada maior produção de grãos por planta, em
mais de uma colheita, porém menor rendimento por área. Logo, esses dois caracteres interagem
na arquitetura da planta, proporcionando maior produção de grãos por planta ou maior
produtividade (MATOS FILHO et al., 2009).
A variável número de nós no caule principal antes do primeiro cacho, agrupou as
etnovariedades em quatro classes (Tabela 3). Foi possível verificar através dessa variável que
os menores valores médios reuniram apenas 11,1% das etnovariedades representadas pelas
etnovariedades com crescimento determinado, agrupamento justificado pelo menor porte da
planta, o que ocasiona redução no comprimento do caule principal, diminuindo o número de
nós. O comprimento do ramo principal e o número de nós do ramo principal são importantes
para a arquitetura da planta e quanto maior o número de nós, mais elevada é a produção de
vagens e de grãos (ADAMS, 1982).
A altura da planta: tipo determinado (Tabela 4), agrupou as etnovariedades em três
classes. Os valores médios foram mensurados apenas para as etnovariedades que possuíam
crescimento determinado (RJM, STL e SSSJ). É possível inferir que a altura da planta interfere
na ocorrência de doenças, geralmente folhas e vagens nas plantas de crescimento determinado
em função da menor altura, ficam em contato direto com o solo, consequentemente, com a
umidade e a água (em cultivos com irrigação), tornando-se propícias a ocorrência de doenças,
dentre elas a antracnose causada por espécies de Colletotrichum spp. Dessa forma, quanto mais
alta for a inserção das vagens, menor a possibilidade de perda devido à redução do contato com
a umidade do solo, diminuindo as chances de ocorrerem doenças fúngicas. Fato este de grande
relevância no cultivo do feijoeiro, onde há grande prejuízo na produtividade de grãos em virtude
de tais doenças (GRIGOLO et al., 2018; GONÇALVES et al. 2014).
A variável duração da floração (tempo médio) associada a parte reprodutiva da planta,
foi avaliada desde a emergência da primeira flor até o estádio em que cada planta estava com
50% das flores, apesar de diferir estatisticamente, também foi considerada como pouco variável
ou polifórmica, em razão do agrupamento que reuniu as etnovariedades em apenas duas classes.
Os dias variaram de 76 dias para as etnovariedades F1CGG e F2CGG, ambas apresentaram o
maior número de dias para obterem 50% das flores, sendo consideradas tardias. Informação que
se assemelha a obtida em outras pesquisas com variedades de fava, sendo elas Boca-de-moça,
Raio-de-sol, Branquinha e Mororó, que apresentaram 71 dias para possuírem 50% das flores
96
(SANTOS et al., 2002), dados também verificados nas variedades Cara-larga, Coquinho, Galode-campina e Orelha-de-vó, com respectivamente, 76, 79, 78 e 73 dias para apresentarem 50%
das flores (FRAZÃO et al., 2010). O menor tempo de florescimento foi 12 dias, observado na
etnovariedade VSJLQ, considerada precoce, com valor médio para verificação de 50% das
flores ainda menor que o encontrado em outros estudos, com 38 dias (HIOLANDA et al., 2018)
e 41 dias para 50% do florescimento (FRAZÃO et al., 2010). A precocidade é uma importante
característica devido ao clima específico de cada região, pois cultivares e linhagens precoces
podem escapar de estiagens que frequentemente ocorrem em zonas semiáridas. Tais colheitas
adiantadas podem também comandar preços superiores (EHLERS; HALL, 1997).
A variável tamanho do botão floral agrupou as etnovariedades em apenas duas classes,
diferindo significativamente, mas sendo pouco variável ou polimórfica (Tabela 3). Não foram
observadas diferenças estatísticas significativas em outros estudos para as variáveis tamanho
do botão floral e comprimento do cacho (FRAZÃO et al., 2010; MELO, 2011), resultados que
diferem do obtido. Implica-se que essas variáveis influenciam na produtividade, pois
etnovariedades que apresentam um maior comprimento do cacho podem apresentar mais flores,
o que pode corresponder ao mesmo número de vagens. Um dos componentes mais importantes
de produção na cultura do feijoeiro é o número de vagens, sendo dependente do número de
flores emitidas (MARTINS, 2017).
As características número de dias desde o aparecimento da primeira vagem até a planta
possuir 50% das vagens e número de dias após a planta possuir 50% das vagens até à maturação
(Tabela 5), reuniram as etnovariedades em duas e quatro classes, respectivamente, apresentando
a etnovariedade RJM com o maior valor médio para maturação. Os maiores valores médios são
justificados em razão do aparecimento tardio de algumas vagens, abortamento de flores e
vagens e problemas que comprometeram a fisiologia das plantas durante o experimento. No
mercado brasileiro a maioria das cultivares de feijão, disponíveis para cultivo, apresentam
diferenças genéticas quanto ao início do florescimento e à duração total do ciclo, sendo que o
ciclo dura aproximadamente 90 dias, da emergência à colheita, para a maioria das cultivares
utilizadas pelos produtores (LIMA; CORREA, 2012). Isso também pode ser observado na fava,
conforme os resultados obtidos 63% das etnovariedades concluíram o seu ciclo com 90 ou mais
de 90 dias e apresentaram valor médio de 94,5 dias para o número de dias até à maturação das
vagens (Tabela 5).
A presença de etnovariedades precoces (maturação de colheita aos 60 – 70 dias após a
semeadura), como no caso da etnovariedade VSJLQ com 77 dias para NV90% (Tabela 5), os
produtores podem ter uma fonte para precocidade podem ser introduzidas nas variedades locais
97
e os pode têm melhor aproveitamento da área de cultivo. A precocidade também possibilitaria
fazer rotação de cultura, além de poder adequar a época mais favorável à semeadura e a colheita,
com base no conhecimento das condições ambientais que prevalecem na região de cultivo
(RIBEIRO et al., 2004). Em alguns ambientes, quando as primeiras cultivares de floração são
plantadas precocemente, elas escapam dos danos causados por insetos pragas, como os tripes
das flores e os percevejos (EHLERS; HALL, 1997).
A variável peso de cem sementes, agrupou as etnovariedades em quatro classes (Tabela
5). Verificando-se apenas 11,1% das etnovariedades agrupadas com os menores valores
médios, todas as etnovariedades (RJM, SSSJ e STL) agrupadas apresentam crescimento
determinado em razão do menor porte da planta, o que ocasiona redução no comprimento do
caule principal, causando a diminuição no número de nós. As variáveis número de nós por
cacho e peso de cinquenta vagens, reuniram as etnovariedades em três classes e apesar de se
apresentarem como pouco variáveis ou polimórficas, foram estatisticamente significativas. Em
outros estudos com fava (LOPES et al., 2017) e feijão-caupi (SANTOS et al., 2014), também
foi observada diferença estatística para a variável peso das vagens. As variáveis peso das
sementes e vagens estão diretamente associadas à produtividade da planta.
Através da análise de Singh (1981), foi estimada a contribuição das variáveis para a
diversidade genética das etnovariedades, sendo verificada a predominância de cinco caracteres
que adicionaram a contribuição relativa total de 79,84% (Tabela 7). A partir da análise foi
possível verificar que o caractere comprimento da semente foi o mais eficiente para explicar a
divergência genética entre as 27 etnovariedades de fava (Tabela 5). Os outros caracteres com
maiores valores de contribuição foram, respectivamente, comprimento da vagem, largura da
vagem, altura da planta: tipo determinado e largura da semente. Esses caracteres também foram
as variáveis com a maior formação de classes na análise de variância e comparação de médias,
excetuando a variável altura da planta: tipo determinado. Conforme verificado em alguns
estudos com espécies de fava (MELO, 2011; SOARES, 2018; SILVA, 2017; SILVA et al.,
2015a) e feijão (P. vulgaris) (COELHO et al., 2010), os caracteres que mais contribuíram
condizem com os resultados obtidos, excetuando os caracteres comprimento da semente e altura
da planta: tipo determinado, que em outros estudos com feijão (BONETT et al., 2006) e fava
(SILVA, 2017) apresentaram na contribuição relativa valores menores que os obtidos.
O aumento no tamanho de vagens e sementes em P. lunatus representam as diferenças
mais marcantes entre as formas cultivadas e seus ancestrais selvagens (BAUDOIN, 2004). A
variação no tamanho da semente pode ser devido a fatores genéticos com efeitos diretos ou
indiretos, tais como, captação de recursos ou determinantes da história de vida, bem como
98
variação genética. Em estudo analisando tamanho e número de sementes em Arabidopsis
thaliana, foi verificado que o tamanho da semente pode ser algo válido para a seleção, o que
demonstrou a sua importância para o estudo de diversidade na espécie (GNAN et al., 2014).
Sendo assim, a partir das diferenças observadas nos valores médios de comprimento e largura
das sementes nas etnovariedades avaliadas (Tabela 6), implica-se que esses caracteres
influenciaram na variabilidade genética das etnovariedades de fava.
O caractere comprimento do cacho foi um dos que menos influenciou na diversidade
genética das etnovariedades, em razão de sua menor contribuição relativa, essa informação
também corroborou com os resultados verificados na análise de variância e comparação de
médias. Foi possível verificar que três caracteres não contribuíram para a separação das
etnovariedades, sendo esses, respectivamente, peso de cinquenta vagens, comprimento da folha
primária e tamanho do botão floral, todos apresentaram valores nulos em S.j (contribuição de
Singh). Esses caracteres apresentaram valores similares nas etnovariedades avaliadas, por isso
não contribuíram para a discriminação. Em trabalho avaliando genótipos de fava com
crescimento indeterminado (ABREU et al., 2004), também foi verificada uma mínima
contribuição do peso de vagens (0,001%) para a diversidade genética dos genótipos,
considerado como um caractere passível de descarte. Dessa forma, esses caracteres são
considerados como os menos indicados em trabalhos que realizam caracterização da
diversidade.
O grande interesse na avaliação da importância relativa dos caracteres reside na
possibilidade de se descartarem características que não contribuem ou contribuem pouco para
a discriminação do material avaliado, reduzindo dessa forma, mão-de-obra, tempo e custos
despendidos na experimentação (SILVA et al., 2015b; ROTILI et al., 2012). Os caracteres que
mais contribuíram foram tamanho da semente e da vagem (comprimento e largura), que estão
diretamente relacionados a produtividade da planta. Contudo, o caractere peso da semente
também relacionado à produtividade, apresentou uma mínima contribuição relativa para a
diversidade, fato que pode ser justificado pelas condições experimentais, pois as etnovariedades
foram mantidas em vasos durante o período de avaliação experimental, impedindo o
desenvolvimento das plantas e afetando a sua produtividade. Em estudo avaliando genes que
controlavam o tamanho das sementes foi encontrada uma média de pelo menos dez genes
influenciando esse caractere (NIENHUIS; SINGH, 1988). A herança de características
relacionadas ao tamanho das sementes (comprimento, largura, espessura e peso do grão), é
controlada por efeitos genéticos adicionais com herdabilidade em um sentido restrito (MOTTO
et al., 1978).
99
As etnovariedades do trabalho foram classificadas em três grupos conforme o peso das
sementes, sendo eles, batata, agrupando 44,4% das etnovariedades, sieva agrupando 33,3% e
big lima reunindo 22,2%, correspondendo a menor quantidade de etnovariedades. As
variedades crioulas com sementes pequenas são particularmente comuns no nordeste do Brasil.
A frequência de variedades com sementes grandes aumenta no centro e sul do Brasil
(ERICKSON, 1982; BAUDOIN, 2004).
As etnovariedades podem ser classificadas em grupos conforme o pool gênico sendo
considerados 3 grupos (MARTÍNEZ-CASTILLO et al., 2004; SERRANO-SERRANO et al.,
2010): o mesoamericano (MI e MII) e o andino (AI). O pool mesoamericano contém apenas
sementes pequenas e é amplamente distribuído em países da América do Sul e América Central.
O pool andino possui sementes maiores e sua distribuição é restrita ao Equador e norte do Peru.
Outros estudos sugerem o México como a área de domesticação. Em particular, a Península de
Yucatán, área que apresenta maior diversidade morfológica de variedades, também considerado
como local onde o feijão-fava é cultivado sob o sistema agrícola tradicional, conhecido como
milpa, sistema de cultivo de terras secas ancestrais da América do Sul baseado em energia
humana na qual a vegetação é ciclicamente cortada e queimada para plantar em consórcio, um
grupo de culturas básicas (MARTÍNEZ-CASTILLO et al., 2004).
Os acessos selvagens andinos apresentam peso maior ou igual a 33,4 g. Os acessos
selvagens mesoamericanos apresentam peso maior ou igual a 17,6 g e os acessos andinos
domesticados o peso verificado foi maior ou igual a 121,5 g. Os acessos mesoamericanos
domesticados o peso observado foi maior ou igual a 78,0 g (MOTTA-ALDANA et al., 2010).
Os dados corroboram com o peso obtido nas sementes das etnovariedades classificadas como
mesoamericanas e andinas conforme o peso, através dos dados evidenciados no estudo,
verificou-se que as sementes domesticadas apresentam os maiores pesos (SERRANOSERRANO et al., 2010).
Através da classificação qualitativa verificou-se que a maioria das etnovariedades
apresentou maior frequência da cor verde nos cotilédones, seguida pelas cores vermelhopúrpura e branca. A cor dos cotilédones é uma característica importante na identificação de
variedades porque há uma relação entre a cor dos cotilédones e das sementes. Cotilédones
verdes originam-se de sementes brancas e cotilédones avermelhados de sementes com
coloração mais escuras (VILHORDO et al., 1996; FRAZÃO et al.,2010). A ausência ou
presença de pigmentação nos cotilédones está relacionada com a cor da flor (VILHORDO;
MÜLLER, 1981).
100
Com relação ao caractere cor de fundo da semente, as etnovariedades apresentaram
maior predominância da cor branca (55,56%). O núcleo endospérmico, após inúmeras divisões
celulares e outras transformações, dá origem ao endosperma, o zigoto dá origem ao embrião,
enquanto os integumentos do óvulo são os precursores dos tegumentos da semente (MARCOS
FILHO, 2005). A presença ou ausência de pigmento no tegumento das sementes de P. lunatus
é determinada em um único locus. Quando apenas o alelo recessivo (c) é presente, nenhum
pigmento é produzido e o revestimento da semente é branco. Na presença do alelo dominante
(C), o pigmento é formado, mas a cor particular do pigmento depende dos genes em vários
outros loci (KANNENBERG; ALLARD, 1964). Os padrões de cores, as formas de sementes e
as cores do tegumento dos feijões-de-lima variam amplamente, o que representa um grande
incremento dos grãos estéticos entre os grãos utilizados para alimentação (SANTOS et al.,
2010; SILVA et al., 2015a). Caracteres utilizados para explicar a diversidade de feijão-de-lima
e ambas são as principais características consideradas pelos consumidores quando escolhem o
produto no mercado (VARGAS et al., 2003).
A pigmentação não apresenta relação direta com a adaptação, no entanto, durante o
desenvolvimento de uma linha isogênica em que a heterozigosidade foi mantida no locus básico
da cor, as sementes brancas dentro desta linhagem tiveram emergência consideravelmente
menor em condições de campo do que sementes coloridas. O revestimento de sementes brancas
fornece menos proteção ao embrião do que o revestimento de sementes coloridas. Como a
função da lignina é principalmente estrutural e protetora, isso sugere que o baixo teor de lignina
das sementes brancas é a causa básica de sua alta suscetibilidade a lesões (KANNENBERG;
ALLARD, 1964).
As etnovariedades apresentaram diversidade de cores tanto nas sementes quanto nas
flores, com relação à cor das asas foi verificada predominância de flores brancas, rosa claro e
rosa escuro a púrpura (Tabela). Em estudo com variedades de fava foi observado à existência
de uma relação entre a pigmentação da quilha e a cor das asas ou do estandarte (FAZÃO et al.,
2010). A maioria das etnovariedades não apresentou pigmentação no caule, dados que
corroboram com estudo que avaliou dez variedades de fava e verificou apenas duas com
pigmentação no caule (Siara e Cara-de-velha) (FRAZÃO et al., 2010).
A pigmentação que condiciona as cores roxas ou avermelhadas nas plantas, em folhas,
flores, caule e frutos é chamada de antocianina. Essa pigmentação só foi verificada em apenas
11,11% dos etnovariedades, sendo ausente nas demais. As funções desempenhadas pelas
antocianinas nas plantas são variadas: antioxidantes, proteção à ação da luz, mecanismo de
defesa e função biológica. As cores vivas e intensas que elas produzem têm um papel importante
101
em vários mecanismos reprodutores das plantas, tais como a polinização e a dispersão (LOPES
et al., 2007).
A cor verde é condicionada pela síntese de clorofila e a quantidade de clorofila indica
eficiência fotossintética da planta, desde o crescimento à adaptabilidade aos diferentes
ambientes. A intensidade de verde nas etnovariedades variou entre as tonalidades verde-escuro,
considerada como a cor predominante entre as etnovariedades, seguida por verde intermediário
e verde pálido. A intensidade de verde nas folhas apresenta correlação positiva com o teor de
clorofila da planta (ZUFFO, 2012), deste modo, implica-se que as etnovariedades que
apresentaram a cor verde escuro sintetizam um alto teor de clorofila.
A persistência das folhas durante o período de maturação das vagens apresentou as
seguintes variações, poucas folhas persistiram, intermédio e todas as folhas persistiram.
Implica-se que a persistência das folhas influência na produtividade, pois a planta precisa das
folhas para realizar a fotossíntese e a senescência interfere nesse processo, logo as
etnovariedades que perdem suas folhas precocemente podem ter sua produtividade reduzida.
As etnovariedades apresentaram dois padrões de crescimento, indeterminado (88,89%)
considerado como o mais utilizado pelos produtores e o determinado (11,11%). O hábito de
crescimento determinado se caracteriza pelo desenvolvimento completo da gema terminal em
uma inflorescência, enquanto o indeterminado se caracteriza pelo desenvolvimento da gema
terminal em uma guia (SANTOS et al., 2002; SOUSA et al., 2015).
Durante a manutenção do experimento foi verificado a presença de alguns
polinizadores, dentre eles, abelhas. A presença desses agentes polinizadores é um dos fatores
que contribui para alteração das taxas de cruzamentos naturais (PENHA, 2014). Alguns padrões
de abertura foram verificados nas asas das flores das etnovariedades, tais como, asas paralelas
– fechadas, medianamente abertas e asas muito separadas. O cacho, estrutura que contém as
flores estava posicionado nas plantas das seguintes formas, entre as folhagens, intermédia e
emergindo das folhas. Implica-se que a posição do cacho e a abertura das asas facilitam o acesso
de polinizados as flores.
A partir das flores ocorre a formação das vagens, nas quais pode ser verificada à
deiscência, mecanismo de abertura natural de órgãos vegetais (vagens) para que a espécie venha
sobreviver na natureza, na maioria das leguminosas silvestres é encontrado um elevado teor de
fibras, e isso em virtude da deiscência (PEREIRA, 2017). Foi verificada maior predominância
de etnovariedades deiscentes, isso implica que essas etnovariedades apresentam traços que pode
as caracterizarem como selvagens.
102
Os padrões de cores, as formas de sementes e as cores do tegumento dos feijões-de-lima
variam amplamente, o que representa um grande incremento dos grãos estéticos entre os grãos
utilizados para alimentação (SANTOS et al., 2010; SILVA et al., 2015a). Caracteres utilizados
para explicar a diversidade de feijão-de-lima e ambas são as principais características
consideradas pelos consumidores quando escolhem o produto no mercado (VARGAS et al.,
2003).
A partir dos dados obtidos no agrupamento utilizando os parâmetros morfoagronômicos
quantitativos, foi possível verificar que as etnovariedades foram distribuídas em seis grupos
distintos pelo método de otimização de Tocher. Os maiores valores para tamanho e peso de
sementes e vagens reuniram as etnovariedades no grupo I, sendo classificadas como sieva e big
lima. As etnovariedades que possuíam peso e tamanho intermediários (sieva e batata) formaram
o grupo II. O grupo III foi formado pelas etnovariedades com crescimento determinado e que
apresentaram os menores valores para o peso das sementes, sendo classificadas como batata.
As etnovariedades (big lima) que formam os grupos IV e VI possuíam os maiores valores para
tamanho da folha primária, folíolo e botão floral. O grupo V (sieva) também foi constituído por
apenas uma etnovariedade, essa apresentou um dos maiores valores para o peso de cinquenta
vagens. Acessos de P. vulgaris com folhas e vagens de tamanhos menores apresentam,
invariavelmente sementes menores, enquanto os acessos com sementes grandes tiveram folhas
largas e médias (RANA et al., 2015), como observada neste trabalho. Os caracteres tamanho e
peso de sementes e vagens são importantes por indicarem a produtividade das plantas, assim
como, tamanho das folhas, é uma característica que está diretamente relacionada com a
eficiência fotossintética da planta, ambas são consideradas relevantes na avaliação de
diversidade e para a seleção de genótipos em programas de melhoramento (ALMEIDA et al.,
1998).
O agrupamento das etnovariedades pelo método UPGMA se apresentou similar ao
método de Tocher quanto à formação de grupos entre as etnovariedades mais divergentes,
resultado também observado em estudos com trigo (T. aestivum) (BERTAN et al., 2006; SILVA
et al., 2007), no quais foram formados, respectivamente, cinco e quatro grupos e com fava (P.
lunatus) verificando a formação de dois e três grupos (SOARES, 2018; SILVA, 2011b; SILVA
et al., 2015a). As medidas de dissimilaridade genética, estimadas a partir da distância de
Mahalanobis (Gráfico 2), apresentaram uma elevada magnitude, indicando a presença de ampla
variabilidade genética entre as etnovariedades.
As etnovariedades LTM e RJM e LTM e STL apresentaram as combinações mais
divergentes, sendo consideradas como as mais distantes entre si (Gráfico 2), o que é explicado
103
pelo fato destas diferirem em relação à maioria dos caracteres, sendo semelhantes apenas para
os caracteres que não apresentaram variação ou variaram pouco, como o comprimento da folha
primária e comprimento do hipocótilo. Além disso, essas etnovariedades mostraram caracteres
desejáveis, observados como ausentes em grande parte das etnovariedades, tais como, peso da
semente, tipo de crescimento, tamanho da semente e da vagem.
A menor distância foi verificada na combinação entre as etnovariedades LSINI e LTM
(Gráfico 2). Consideradas como as etnovariedades mais similares, diferindo em quatro
caracteres, em total de 20 caracteres quantitativos avaliados, sendo esses, comprimento e
largura do folíolo, tamanho do botão floral e comprimento do hipocótilo, agrupando as
etnovariedades na comparação de médias em apenas duas classes. Houve maior frequência de
pares com maiores distâncias quando um dos componentes era a etnovariedade F1CGG,
considerada como mais divergente no agrupamento, se distanciando no dendograma e
agrupando-se individualmente. A formação destes grupos é importante na escolha de genitores,
pois as novas combinações híbridas a serem estabelecidas devem ser baseadas na magnitude de
suas dissimilaridades e no potencial per se dos genitores, ou seja, aqueles que apresentam maior
distância genética e ao mesmo tempo em que complementa alguma característica de um dos
genitores. As etnovariedades reunidas em grupos mais distantes dão um indicativo de serem
dissimilares, podendo ser consideradas como promissoras em cruzamentos artificiais (SILVA,
2011a; SILVA et al., 2015a).
Com base na análise de componentes principais, foi verificado que os seis primeiros
componentes, sendo eles, peso da vagem, largura da folha, duração da floração, comprimento
da folha, comprimento desde a base do hipocótilo até à primeira folha completamente
expandida e comprimento do cacho, explicaram 85,61% da variação total entre os genótipos
(Tabela 9).
A variação total de caracteres morfoagronômicos em acessos de P. vulgaris
provenientes de 58 países revelou que a maior contribuição foi verificada nos três primeiros
componentes, sendo esses CP1 representado pelos caracteres comprimento e largura da vagem,
comprimento e largura da semente e peso de cem sementes, CP2 reunindo os caracteres
comprimento e largura foliar, número de vagens por planta e de folhas por vagem e CP3 com
os caracteres dias para o florescimento e dias para a maturidade, explicaram 80,4% da variação
total (RANA et al., 2015). Em germoplasma de quinoa (Chenopodium quinoa) a maior
contribuição observada foi através dos quatro primeiros componentes que explicaram 70%
variação (FUENTES; BHARGAVA, 2011) e em variedades e cultivares crioulas de P. lunatus,
104
os seis primeiros componentes contribuíram com 74% da variação total, informações que
corroboram com os dados obtidos no trabalho.
As etnovariedades apresentaram através da análise de componentes a maior
contribuição de caracteres relacionados à produtividade como tamanho da folha (comprimento
e largura) e peso das vagens, alguns estudos corroboram a hipótese que a produtividade do
feijão depende da área foliar, pelo fato de que são as folhas as principais responsáveis pela
captação e transformação da energia luminosa em biomassa e consequentemente maior
produtividade de matéria seca e grãos. Assim, julgam fundamental o estudo da área foliar e sua
variação em espécies cultivadas (JONES, 1971). As características fenotípicas têm sido de
grande importância durante a introdução de plantas cultivadas, porque características como a
altura da planta, dias para a floração e maturidade, e rendimento de sementes têm sido critérios
de seleção durante a domesticação. Portanto, uma visão geral baseada na associação entre
características tem uma forte relação com a introdução da cultura (KARAKÖY et al, 2013).
Os caracteres que apresentaram a menor contribuição em ordem de menor importância
para explicar a variação total, foram, respectivamente, NSV, TBF, NV50%, CV, TBF, NV90%,
PS100, NNP, PV50, CF, LV, LF, LS, CS (JOLLIFFE, 1972), variáveis sugeridas para descarte.
Resultado também observado em estudo com fava, no qual o componente número de dias para
floração foi o que menos contribuiu (CARMO et al., 2011). As variáveis descartadas foram
aquelas com maiores coeficientes, em valor absoluto, a partir do último componente principal,
uma vez que variáveis altamente correlacionadas, aos componentes principais de menor
variância representam variação praticamente insignificante. As variáveis descartadas
apresentaram correlação linear simples significativa com as demais, ou seja, foram redundantes
(PAIVA et al., 2010).
Os componentes CP1, CP2 e CP5 contribuíram positivamente em todas as
etnovariedades, no entanto os componentes CP3 e CP6 contribuíram negativamente, e o
componente CP4 apresentou contribuição parcial negativa e positiva, variando entre as
etnovariedades. As variáveis CHPF, NNCP e NSV contribuíram negativamente e as demais
variáveis contribuíram positivamente. As correlações de sinais iguais significam que as
variáveis são relacionadas positivamente, e as com sinais opostos negativamente (HAIR et al.,
2009), então, implica-se que a variável número de nós no caule principal antes do primeiro
cacho possui efeito sobre a variável número de nós por cacho. Algumas variáveis como CS e
LS, CFP e LFP, se mantem próximas, indicando alta correlação, como ambas apresentam o
mesmo sinal, trata-se de uma correlação positiva, no caso das variáveis NNCP e NNP ocorre
uma correlação negativa, pois são observados sinais opostos (Gráfico 3).
105
As etnovariedades RJM, STL e SSSJ se mantém próximas, como verificado no
agrupamento de Tocher e na distância de Mahalanobis, assim como, as etnovariedades LSINI
e LTM, também se mantém próximas. A partir da dispersão dessas quatro etnovariedades é
possível verificar que ambas são inversamente proporcionais, apresentando efeitos diretos uma
sobre o outra. Observa-se também que as etnovariedades F1CG e F2CGG, assim como nas
outras análises se mantém isoladas e distantes das demais.
A análise de componentes principais (PCA) é útil para avaliar o potencial valor genético
do germoplasma através de características carregadas em vários componentes (KENENI et al.
2005). Usando a PCA, conseguimos quantificar o grau de divergência entre as populações para
entender a tendência de seu padrão evolucionário e avaliar a contribuição relativa de diferentes
componentes para a divergência total juntamente com a natureza das forças que operam no intra
e inter-cluster (PAIVA et al., 2010).
Através do agrupamento com os caracteres quantitativos e qualitativos avaliados foi
verificado que as etnovariedades LSINI e LTM se mantiveram como similares, observando-se
a concordância com os agrupamentos individuais dos caracteres quantitativos e qualitativos. As
etnovariedades com tipo de crescimento determinado, também se mantiveram como similares,
e as etnovariedades F1CGG, F2CGG, CTL e VSJLQ se mantiveram como dissimilares no
agrupamento conjunto (Gráfico 5).
A caracterização e avaliação dos acessos, a gera um grande número de dados de
diferentes categorias (qualitativas e quantitativas) podendo ser fator que dificulta a análise e a
interpretação dos resultados, muitas vezes resultando na incompleta distinção dos acessos
(MELÃO et al., 2015). Assim, os valores das etnovariedades obtidas foram organizados dentro
de um coeficiente que mediu a distância entre eles, utilizando a análise conjunta de maneira que
forneça a análise das variáveis qualitativas e quantitativas, indicando, assim, a variabilidade
existente. Estudos com espécies agrícolas de importância econômica (Piper spp., Capsicum
spp. e Ananas spp.) utilizaram variáveis multicategóricas na avaliação da diversidade genética
(SUDRÉ et al., 2006; MELÃO et al., 2015).
O agrupamento filogenético resultou na formação de dois grandes grupos, o primeiro
grupo (GI) pertence as espécies P. novoleonensis e P. pachyrrhizoides e P. leptostachyus,
considerado como outgroup, funcionando como um grupo referência. O segundo grupo (GII)
pertence às seis espécies de Phaseolus e reúne três subgrupos. No subgrupo GII-1 espécies de
Phaseolus e acessos andinos classificados e obtidos no Genbank foram agrupados. No subgrupo
GII-2 acessos de P. lunatus classificados como mesoamericanos do grupo II e 40,7% das
etnovariedades coletadas e sequenciadas foram agrupados. O subgrupo GII-3 também agrupou
106
acessos de P. lunatus classificados como mesoamericanos do grupo I e 59,3% das
etnovariedades. Através dos agrupamentos observados na árvore filogenética, foi verificado que
todas as etnovariedades apresentaram similaridade com os acessos do pool mesoamericano,
sendo distribuídas nos subgrupos GII-2 e GII-3 (Figura 4).
Na análise filogenética que foi realizada conjuntamente com acessos disponíveis em
banco de dados foi possível observar o agrupamento de variedades de acordo com pool genético
(andino, mesoamericano I e II). As etnovariedades foram reunidas apenas no grupo de pool
genético mesoamericano. Os grupos formados pelo método de Tocher e distância de
Mahalanobis condizem com os observados na árvore filogenética. O grupo I (sementes e vagens
maiores e maior peso de sementes e vagens) reuniu-se no subgrupo GII-2, pool mesoamericano
II (Figura). As etnovariedade do grupo IV (maiores tamanhos para: folha primária, folíolo e
botão floral), V (maiores tamanhos para: folha primária, folíolo e botão floral) e VI (maior peso
de vagens) foram distribuídas no pool mesoamericano II. As etnovariedades do grupo II
(sementes menores) foram reunidas no subgrupo GII-3, pool mesoamericano I. As
etnovariedades do grupo III (sementes menores, crescimento determinado) foram distribuídas
no subgrupo GII-3, pool mesoamericano I. As variedades reunidas em grupos mais distantes
dão um indicativo de serem dissimilares, podendo ser consideradas como promissoras em
cruzamentos artificiais. Entretanto, além de dissimilares, é necessário que as variedades
associem média elevada e variabilidade para os caracteres que estejam sendo melhorados
(ABREU et al., 2004; SILVA, 2011b). Portanto, foi observada concordância entre o
agrupamento com base nos dados filogenéticos e morfológicos.
Foi possível verificar através dos agrupamentos que algumas das etnovariedades
coletadas no mesmo local não foram mantidas juntas, indicando que há mais variação dentro
de um local que entre locais, causada pelo intercâmbio de materiais entre produtores ou
aquisição em feira para plantio, como constatado nas entrevistas (SOARES, 2018).
A avalição da reação ao C. truncatum começou por uma avaliação em campo, seguida
pela avaliação in vitro e finalizando no ensaio in vivo em condições de casa de vegetação. Na
avaliação de campo, considerando a avaliação dos sintomas em folhas a partir da escala de notas
em condições naturais, sem inoculação de esporos, observou-se que as etnovariedades foram
agrupadas em três classes, apresentando dez etnovariedades classificadas como moderadamente
resistentes e as demais como moderadamente e altamente suscetíveis (Gráfico 6). A avaliação
de vagem foi inconclusiva pois a maioria das etnovariedades produziram um número de vagens
(100 vagens) insuficiente para análise.
107
No ensaio in vitro, a etnovariedade LSINI foi classificada como imune aos três dias de
inoculação e moderadamente resistente aos cinco dias para o isolado ICT16, considerada como
significativa para programas de melhoramento que visem à resistência genética. Além disso, a
partir dos dados morfoagronômicos foi verificado que a etnovariedade LSINI apresentou
sementes grandes e peso maior que 70g, sendo classificada como big lima. As demais
etnovariedades apresentaram moderada a alta suscetibilidade na segunda avaliação. Em estudos
utilizando a técnica de folha destacada, foi verificado que a maioria dos acessos de fava
avaliados apresentou baixo nível de resistência à antracnose, apenas duas subamostras UFPI
251 e UFPI 673 foram altamente resistentes aos cinco e sete dias de inoculação
(CAVALCANTE, 2012), duas subamostras (UFPI 641 e UFPI 644) como moderadamente
resistentes e oito como altamente suscetíveis aos sete dias de inoculação (CARMO et al., 2015)
e três acessos moderadamente resistentes (UFPI-237, UFPI-466 e UFPI-134), um altamente
resistente (UFPI-503) e 53 altamente suscetíveis (SANTOS et al., 2015). Os resultados obtidos
nesses estudos corroboram com os obtidos neste trabalho.
No ensaio in vivo, foi verificado o aparecimento de sintomas nas etnovariedades a partir
do terceiro e quarto dia de inoculação dos isolados. Em estudo o aparecimento dos primeiros
sintomas foi constatado após três dias de inoculação do patógeno, o tempo de aparecimento das
lesões pode variar de 72 a 144 horas e até 14 dias de inoculação, em cultivar resistente, seguido
pelo progresso da doença com abscisão foliar (CHONGO et al., 2001; CARVALHO et al.,
2009). Esse curto espaço de tempo está relacionado ao comportamento hemibiotrófico do
gênero Colletotrichum, resistência do hospedeiro e virulência do isolado (MÜNCH et al.,
2008), o que justifica a avaliação do ensaio in vivo aos cinco e sete dias. Aos sete (DAI) foi
observado que as etnovariedades PCGG e CTL se mantiveram com a reação de altamente
resistentes para o isolado ICT12, assim como as etnovariedades RBA e RJV se mantiveram
com a reação de altamente suscetíveis, não havendo evolução dos sintomas.
Os estudos avaliando as reações entre hospedeiro-patógeno em condições de campo,
folha destacada e casa de vegetação, evidenciam a maior resistência dos hospedeiros em
condições naturais de campo, sem inoculação de esporos (KAMIKOGA, 2002; CARMO et al.,
2015; JULIATTI et al., 2014; GONÇALVES et al., 2009). Diferindo dos resultados obtidos,
pois as únicas etnovariedades classificadas como imunes foram verificadas nas avaliações em
condições de folha destacada e em planta em casa de vegetação. Em estudo de identificação de
germoplasma de lentilha (Lens spp.) resistente a C. truncatum, verificou-se que os genótipos
resistentes à antracnose no campo, comportaram-se como suscetíveis quando avaliados em
condições controladas (BUCHWALDT et al. 2004). Os resultados obtidos podem ser
108
justificados de acordo com alguns autores, devido a fatores como, condições climáticas,
temperatura, luminosidade, umidade, idade e estádio fisiológico das plantas, variabilidade
genética, além de diferentes épocas de instalação dos experimentos, podem influenciar nas
reações dos hospedeiros em condições de campo (SANTOS, 2015; JULIATTI et al., 2014;
CAVALCANTE, 2012; CARVALHO, 2009; NECHET; HALFELD-VIEIRA, 2011).
A maior severidade dos isolados de C. truncatum no ensaio in vitro pode ser explicada
pela qualidade ou ausência de luz. Causando uma redução da fotossíntese e enfraquecimento
da parte da planta utilizada para inocular o patógeno (folhas destacadas). Na casa de vegetação,
as plantas avaliadas foram submetidas à incidência da luz solar. Nessas condições, com a
diminuição na umidade na superfície foliar, o desenvolvimento do patógeno e,
consequentemente, o aparecimento da doença é reduzido (MANANDHAR et al., 1988).
A partir dos resultados obtidos in vitro e in vivo foi possível verificar que os isolados
ICT12 e ICT16 apresentaram diferentes níveis de virulência, observando-se maior virulência
do ICT12, em ambos os ensaios, pois as etnovariedades apresentaram maior suscetibilidade a
esse isolado. Quanto à reação das folhas superiores e inferiores foi possível verificar, que em
ambas as folhas, não ocorreram grandes variações quanto à reação das etnovariedades. No
entanto, as folhas superiores apresentaram uma frequência maior de etnovariedades com reação
de suscetibilidade. Em outro estudo avaliando a reação de acessos de fava quanto à idade
fisiológica das folhas inoculadas com C. truncatum, verificou-se que todas responderam de
modo semelhante, ou seja, folhas jovens reagiram à inoculação do mesmo modo que as folhas
mais velhas (PERREIRA, 2014). Contudo, em antúrio, foi verificado que C. gloeosporioides
provocou maiores lesões em espatas mais novas, do que em espatas maduras (BARGUIL et al.,
2008).
Na associação da reação das etnovariedades ao patógeno com o agrupamento
filogenético foi considerada a resposta aos dois isolados de C. truncatum. Na associação das
reações de respostas aos hospedeiros com a formação dos grupos genéticos verificou-se, que
apesar de observar todos os tipos de reações em ambos os grupos, há predominância da
suscetibilidade nos dois grupos genéticos do pool MI e MII. Exemplificando, no subgrupo GII2 (MII) temos as etnovariedades CECA02, CECA04 e CECA06 sendo essas moderadamente
resistentes e altamente suscetíveis (Tabela 11). No subgrupo GII-3 (MI), as etnovariedades
CECA01, CECA11, CECA16, CECA20 e CECA25 (relação com outro código tabela 1)
exemplificam as reações de moderadamente resistente, moderadamente suscetível e altamente
suscetíveis. Ressalta-se que para as reações individuais em cada isolado, verificou-se no
subgrupo GII-2 as etnovariedades como altamente suscetíveis ao isolado ICT12 e
109
moderadamente e altamente resistentes (CECA10 e CECA13) ao ICT16. No subgrupo GII-3
ocorreu predominância de etnovariedades altamente suscetíveis para os dois isolados (ICT12 e
ICT16), contudo, as etnovariedades CECA17, CECA25 e CECA26, foram classificadas como
altamente resistentes ao isolado ICT12.
Outra associação foi explorada, no entanto foi considerada a resposta das etnovariedades
a um microrganismo benéfico. A análise de nodulação evidenciou que dentre os caracteres
massa fresca, massa seca, tamanho dos nódulos e quantidade de nódulos, utilizados para avaliar
a eficiência de simbiótica espontânea das etnovariedades de fava, apenas o caractere quantidade
de nódulos, agrupou as etnovariedades em duas classes e foi estatisticamente significativo. Os
demais caracteres não apresentaram diferença estatística significativa (Gráfico 12). Avaliando
a nodulação em P. lunatus com diferentes tipos de solos da Califórnia, um estudo verificou que
o acesso do Brasil foi o que mais nodulou, ou seja, formou um maior número de nódulos no seu
sistema radicular, para os outros caracteres como peso e tamanho, apenas acessos de outros
países como Estados Unidos e Argentina possuíram valores médios mais significativos
(ARAUJO et al., 2016). Diferenças na nodulação, observada entre acessos, podem representar
diferenças genotípicas entre variedades de plantas e bactérias, assim como suas interações e
condições ambientais (COSTA NETO, 2016). Os resultados foram inconclusivos, não
possibilitando a correlação entre a eficiência simbiótica e resistência ao patógeno.
A partir das avaliações realizadas foi verificado que o cultivo da fava no estado de
Alagoas é rustico e familiar, mantido por agricultores locais para a subsistência. A
etnovariedade LSINI foi a que apresentou a melhor resposta de resistência in vitro ao isolado
ICT16. A melhor resposta de resistência in vivo foi verificada na etnovariedade RJM. As
etnovariedades foram agrupadas nos pools genéticos mesoamericanos MI e MII.
110
7
CONCLUSÃO
As variedades alagoanas representam a diversidade típica do pool genético
mesoamericano distinguindo também na composição de prováveis alelos que regulam a
resposta ao C. truncatum.
111
8
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127
APÊNDICE A
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)
“O respeito devido à dignidade humana exige que toda pesquisa se processe
com consentimento livre e esclarecido dos participantes, indivíduos ou grupos
que, por si e/ou por seus representantes legais, manifestem a sua anuência à
participação na pesquisa.” (Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de
Saúde – CNS).
O Sr. / Sra. está sendo convidado(a), a participar como voluntário(a) da pesquisa “Avaliação
da resistência à antracnose em etnovariedades de Phaseolus lunatus L.”. Que será realizada
nos municípios produtores de fava no estado de Alagoas (IBGE, 201) e municípios de Junqueiro
e Arapiraca. Recebi do Sr. Prof. Dr. Gildemberg Leal de Amorim, funcionário público,
professor da Universidade Federal de Alagoas – UFAL, Centro de Ciências Agrárias; da Sra.
Profa. Dra. Maria Silene da Silva, funcionária pública, professora do Instituto Federal de Sergipe
– UFS, responsáveis pela execução da pesquisa, as seguintes informações que nos fizeram
entender sem dificuldades e sem dúvidas os seguintes aspectos.
1) Que a pesquisa se destina a realizar coletas das variedades crioulas de fava cultivadas e
comercializadas em feiras livres pelos produtores rurais e atravessadores dos municípios
produtores de fava do estado de Alagoas, identificando aspectos gerais referentes as
sementes cultivadas e comercializadas;
2) Que a importância desta pesquisa é a de identificar às variedades crioulas de fava que
apresentem resistência a antracnose, doença ocasionada pelo fungo Colletotrichum
truncatum, considerado como um dos principais responsáveis pela ocorrência da doença,
cujos sintomas são manchas avermelhadas em algumas partes da planta (folha, hastes,
vagens e sementes).
3) Que os resultados que se desejam alcançar são: Realizar um levantamento das variedades
crioulas de fava, bem como resgatar sua história; Caracterizar a morfologia das variedades;
Determinar a diversidade genética das variedades por marcadores moleculares; Verificar a
resistência a antracnose.
4) Que essa pesquisa terá duração de dois anos (março de 2017 a março de 2019) a depender
da aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa em conformidade com o cronograma e
execução proposto pelo pesquisador principal em conjunto com o PPGPP/UFAL/CECA;
4) Que eu participarei do estudo da seguinte forma: respondendo a entrevistas onde falarei
sobre o cultivo e comercialização das sementes de fava;
128
5) Que os principais ricos à minha saúde física e mental são: não haverá riscos diretos, no
entanto, o estudo pode me trazer a memória experiências as situações que vivi e que possam
causar algum sofrimento psíquico;
6) Que os pesquisadores adotarão as seguintes medidas para minimizar os riscos: recebi dos
pesquisadores esclarecimentos no sentido de que se alguma pergunta da entrevista ou
qualquer outro momento da pesquisa que trouxer a memória lembranças indesejadas, eu não
responderei ou atenderei a tal situação. Foi também garantido pelo pesquisador o meu
anonimato;
7) Que eu poderei contar com assistência das Unidades de Saúde do Munícipio no qual resido,
bem como com o hospital de pronto atendimento mais próximo;
8) Que os benefícios que deverei esperar com a minha participação são: estarei valorizando o
meu saber, colaborando para que se conheça a diversidade das variedades crioulas
cultivadas e comercializadas; as minhas informações contribuirão com a produção de
conhecimento científico. Portanto não haverá benefício direto para minha pessoa;
9) Que sempre que eu desejar serão fornecidos esclarecimentos sobre cada uma das etapas da
pesquisa;
10) Que, a qualquer momento poderei me recusar a continuar participando da pesquisa e,
também, que eu poderei retirar este meu consentimento, sem que isso traga qualquer
prejuízo ou penalidade;
11) Que as informações conseguidas através da minha participação não permitirão a
identificação da minha pessoa;
12) Que se eu permitir a retirada de fotos durante a entrevista, essas poderão ser utilizadas na
pesquisa;
13) Que deverei ser ressarcido por qualquer despesa que venha a ter com a minha participação
nesta pesquisa e, também, indenizado por todos os danos que venha a sofrer pela mesma
razão, sendo que, para estas despesas foi-me garantida a existência de recursos.
(Assinatura ou impressão datiloscópica do(a)
voluntário(a) ou responsável legal – rubricar as
demais folhas)
Nome e assinatura do responsável pela pesquisa –
rubricar as demais páginas)
129
Tendo eu compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha participação
na mencionada pesquisa e, estando consciente dos meus direitos, das minhas responsabilidades,
dos riscos e dos benefícios que a minha participação implica, concordo em dela participar e
para
isso
eu
-
_________________________________________________________________________
DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO EU TENHA SIDO FORÇADO
OU OBRIGADO.
Endereço do(a) participante voluntário(a): ...........................................................................................
Domicílio (rua, conjunto): ..........................................................................................................................
Bloco: .............. N°: .........., complemento: ..................... Bairro: .............................................................
Cidade: ................................................... CEP: ........................... Telefone: ..............................................
Ponto de referência: ....................................................................................................................................
Contato de urgência (participante): Sr(a): ............................................................................................
Domicílio (rua conjunto): ...........................................................................................................................
Bloco: ......... N°: ........, complemento: ................. Bairro: ........................................................................
Cidade: ....................................................... CEP: ............................. Telefone: .......................................
Ponto de referência: ...................................................................................................................................
Nome
e
Endereço
dos
Pesquisadores
Responsáveis:
Gildemberg Leal de Amorim (Orientador)
Universidade Federal de Alagoas – UFAL
Centro de Ciências Agrárias – CECA
Maria Silene da Silva (Colaboradora)
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe
– IFS.
Instituição:
Universidade Federal de Alagoas – UFAL
Centro de Ciências Agrárias – CECA. BR-104 –
Lot. Vila Rica, Rio Largo – AL, 57100-000.
Telefone: (82) 3261-1351.
Instituto Federal de Sergipe – Coordenação de
Saneamento Ambiental. Av. Gentil Tavares da
Mota, 1166 - Getúlio Vargas, Aracaju - SE, 49055260.
130
APÊNDICE B
LEVANTAMENTO DO PERFIL DO PRODUTOR DE
FEIJÃO-FAVA (Phaseolus lunatus L.)
Dados socioeconômicos
Informante: ____________________________________________________________
Endereço: _____________________________________________________________
Naturalidade: ___________________________ Data da coleta: __________________
QUESTIONÁRIO
1. Há quantos anos o sr./sra. cultiva fava? Por que começou a cultiva-la?
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
2. Como sr./sra. adquiriu as primeiras sementes de fava? Continua adquirindo da mesma
forma?
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
3. O sr./sra. costuma plantar a fava em consórcio com outros cultivos? Quais?
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
4. Além da comercialização, o sr./sra. armazena as sementes produzidas? Como ocorre esse
armazenamento?
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
5. Qual o tipo de manejo que o sr./sra. utiliza na plantação de fava?
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
6. O sr./sra. desenvolve outra atividade além da agricultura? Qual?
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
131
7. Para cultivar as favas, o sr./sra. trabalha sozinho ou tem ajuda de alguém? Quem?
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
8. Como a fava é preparada? E consumida?
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
Material coletado
Nome popular da variedade: ____________________________________________________
Coleta: ( ) produtor
( ) feiras livres
( ) outros
Local da coleta: ______________________________________________________________
