Acarofauna Plantícola e Edáfica da Cultura da Cana-de-Açúcar e de Caboatã, em Área de Mata Atlântica no Estado de Alagoas, Brasil

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PROTEÇÃO DE PLANTAS

Mércia Elias Duarte

ACAROFAUNA PLANTÍCOLA E EDÁFICA DA CULTURA DA CANA-DEAÇÚCAR E DE CABOATÃ, EM ÁREA DE MATA ATLÂNTICA NO
ESTADO DE ALAGOAS, BRASIL

Rio Largo, AL
2013

Mércia Elias Duarte

ACAROFAUNA PLANTÍCOLA E EDÁFICA DA CULTURA DA CANA-DEAÇÚCAR E DE CABOATÃ, EM ÁREA DE MATA ATLÂNTICA NO
ESTADO DE ALAGOAS, BRASIL

Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Proteção de Plantas, do Centro de
Ciências Agrárias, da Universidade Federal de
Alagoas, como parte dos requisitos para obtenção
do título de Mestre em Proteção de Plantas.

Orientador: Prof. Drº. Edmilson Santos Silva

Rio Largo, AL
2013

MÉRCIA ELIAS DUARTE

ACAROFAUNA PLANTÍCOLA E EDÁFICA DA CULTURA DA CANA-DEAÇÚCAR E DE CABOATÃ, EM ÁREA DE MATA ATLÂNTICA NO
ESTADO DE ALAGOAS, BRASIL

AVALIADO: 08/03/2013
Dissertação apresentada à banca avaliadora como requisito parcial para conclusão do curso de
Mestrado em Proteção de Plantas.

BANCA AVALIADORA
___________________________________________________
Prof Dr. Edmilson Santos Silva – UFAL Campus Arapiraca
Orientador
___________________________________________________
Profª Drª Sônia Maria Forti Broglio – UFAL/CECA
Avaliadora
___________________________________________________
Denise Navia Magalhães Ferreira
Avaliadora

Rio Largo, AL
2013

Aos meus pais:
Manoel Elias Sobrinho e
Maria José Duarte, razão da
minha existência.

Dedico

AGRADECIMENTOS
Chega o término de mais uma etapa de minha vida, e gostaria de agradecer a
colaboração de todas as pessoas que convivem comigo e as quais contribuíram para a
concretização deste trabalho.
Em especial:
A Deus por ser a luz do meu caminho e ter me dado forças para superar cada
obstáculo.
Aos meus pais Manoel Elias Sobrinho e Maria José Duarte, aos meus irmãos
Márcio Duarte, Mirian Duarte e Marcos Duarte, aos meus cunhados Vandeval Epifânio,
Mônica Maria Duarte dos Santos e Talita Almeida de Paula e aos meus sobrinhos Madson
Duarte dos Santos, Murilo Duarte dos Santos e Vivian Duarte Epifânio, pelo carinho,
incentivo e apoio. Por estarem sempre ao meu lado me estimulando a não desistir nunca, por
vibrarem com cada conquista minha como se fosse deles próprios, e por compreenderem a
minha ausência. Podem ter certeza, sem vocês eu não teria conseguido.
Ao meu querido Orientador, Professor Dr. Edmilson Santos Silva, pelo apoio,
compreensão, pelos ensinamentos, pelo incetivo, por me fazer acreditar que sou capaz de ir
cada vez mais longe em busca dos meus ideais e pela orientação deste trabalho. Durante esses
quase cinco anos de convivência aprendi muito com você, pode ter certeza que és um
exemplo a ser seguido por todos nós, principalmente “seus filhos”, uma pessoa, um
profissional excepcional. Um verdadeiro pai, “meu pai mais novo”.
A minha querida irmã de coração Márcia Daniela dos Santos pelo apoio e
colaboração, por estar sempre ao meu lado em todos os momentos, compartilhando cada
dificuldade e cada conquista, tanto na minha formação como na vida pessoal.
À Malba Thaisa do Nascimento Lima, pela amizade.
A todos do Laboratório de Entomologia e Acarologia da Universidade Federal de
Alagoas. Em especial ao Lucas Roberto dos Santos pela colaborção, seu empenho foi
funtamental para realização deste trabalho. Ao Rideiqui Jamison de Souza, Pedro Henrique
dos Santos, Werlânya Maria de Farias, Sylveneide dos Santos Farias, Lidiane dos Santos,
Emanuel Monteiro sias Junior e Paulo Henrique Barros pela colaboração nas coletas.
A todos do setor de Quarentena Vegetal da Embrapa Recursos Genéticos e
Biotecnologia, Brasília/ DF pelo acolhimento, em especial a Drª Denise Navia Magalhães
Ferreira pelo apoio, companhia, paciência e pelos ensinamentos. É uma honra poder contar

com seu apoio. A Heloise Rocha, Renata Santos de Mendonça e aos estagiários, Ritanne de
Souza Nery, Rayan Augusto Marques da Silva e Maria Angélica Nunes Rodrigues que me
ajudou com as fotos. Meu muito obrigada a todos pelo acolhimento e apoio.
À Daniela Duarte Monteiro Rezende doutoranda em Entomologia Agrícola –
Universidade Rural de Pernambuco, pela ajuda na análise estatística da morfometria de
Abacarus sp. n. e Abacarus doctus.
A todos do Laboratório de Acarologia do Departamento de Entomologia,
Fitopatologia e Zoologia Agrícola da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”,
Campus de Piracicaba da Universidade de São Paulo, pelo acolhimento. Em especial ao Prof.
Dr. Gilberto José de Moraes, ao Prof. Carlos Holger Wenzel Flechtmann, a Peterson Demite,
pela ajuda na identificação dos Phytoseiidae, a Renan Venâncio pela ajuda na identificação
dos Tenuipalpidae, a Grasielle Furtado Moreira pela ajuda na identificação dos Laelapidae, a
Rafael Castilho pela ajuda na identificação dos Rhodacaroidea e ao Jandir Cruz dos Santos
por ter me ajudado desde o início nas identificaçãoes e pelo apoio durante toda a minha
estadia em Piracicaba, maninho muito obrigada por poder contar sempre com você, mesmo
distante.
Ao Prof. Dr. Atônio Carlos Lofego – UNESP São José do Rio Preto, pela
identificação dos Tarsonemidae.
A todos das Usinas Reunidas Seresta, em especial à Bióloga Marcela Regina de
Melo Daher, pelo apoio e concessão da área para a realização deste trabalho.
A todos os professores do Programa de Pós-Graduação em Proteção de Plantas do
Centro de Ciências Agrárias (CECA) da Universidade Federal de Alagoas, pelos
ensinamentos.
A Todos do Laboratório de Entomologia do Centro de Ciências Agrárias da
Universidade Federal de Alagoas, em especial a Simone da Silva Costa, Jakeline Maria dos
Santos, Anderson Rodrigues Sabino, Djson Silvestre dos Santos e Joice Duarte pelo apoio e
amizade.

ACAROFAUNA PLANTÍCOLA E EDÁFICA DA CULTURA DA CANA-DEAÇÚCAR E DE CABOATÃ, EM ÁREA DE MATA ATLÂNTICA NO
ESTADO DE ALAGOAS, BRASIL

RESUMO

Os ácaros correspondem ao segundo maior grupo de artrópodes. Habitam os mais diferentes
ambientes, e possuem uma grande gama de substratos alimentares dentre eles estão plantas
(fitófagos) e presas (predadores), que se desenvolvem sobre as mesmas ou no solo. O presente
estudo teve como objetivo conhecer a fauna de ácaros edáficos e plantícolas na cultura da
cana-de-açúcar (Saccharum officinarum L.) e em áreas de Mata Atlântica. Para o
desenvolvimento do trabalho foram realizadas coletas bimestrais correspondendo às quatro
estações durante o período de um ano. Foram coletadas amostras de folhas, colmos, folhedo e
solo em cultivos de cana-de-açúcar, bem como em caboatã (Cupania vernalis Cambess), esta
por sua ves, é uma planta muito frequente na Mata Atlântica na zona da mata do Estado de
Alagoas. As amostras coletadas foram colocadas em sacos de papel revestidos com sacos
plásticos, etiquetados e colocados em caixa de isopor refrigerada com bolsas de gelo (Gelox®), durante o transporte, em seguida foi encaminhado ao Laboratório de Entomologia e
Acarologia da Universidade Federal de Alagoas- Campus Arapiraca. A extração dos ácaros
das folhas foi feita ao microscópio estereoscópico. Os ácaros edáficos foram extraídos
utilizando um equipamento do tipo Berlese-Tullgren modificado. Os espécimes encontrados
foram quantificados e armazenados em ependorfes contendo álcool a 70%. Após esse
procedimento foram montadas as lâminas para posterior identificação, utilizando-se chaves
dicotômicas especializadas. Foi coletado um total de 4442 ácaros plantícolas, sendo a maioria
em cana-de-açúcar (2565 ácaros). No entanto, em caboatã a diversidade foi maior. Com
relação aos ácaros edáficos, coletarm-se 7064 exemplares, principalmente em folhedo. Destes,
a maior quantidade e diversidade foi observada em Mata Atlântica. Dos ácaros plantícolas
encontrados em cana-de-açucar, foi descrita uma nova espécie do gênero Abacarus Keifer,
1944 pertencente à família Eriophyidae. Conclui-se, portanto, que a maior diversidade de
ácaros plantícolas e edáficos foi encontrada em área de Mata Atlântica.
Palavras-chave: Cupania vernalis. Eriophyidae. Oribatida. Saccharum officinarum.

ACAROFAUNA OF THE CULTURE OF SUGAR CANE AND ATLANTIC FOREST
FRAGMENT IN THE STATE OF ALAGOAS
ABSTRACT
Mites correspond to the second biggest group of arthropodes. Inhabit many different
environments. Pssuem a great range of substrates food among them are the main plants
(phytophagous) and prey (predator). This study aimed to identify the mite fauna edaphic and
plantícolas, in areas cultivated with sugar cane and Atlantic Forest. To develop the study were
collected bimonthly made in leaves, stems, litter and soil in cultivation of sugar cane and in
leaves Cupania vernalis and substrates (litter and soil) on the same plant, in the Atlantic
Forest in State Alagoas. Collected materials wpere placed in paper bags lined with plastic
bags, labeled and placed in a polystyrene box refrigerated with ice packs (Gelo-x ®), then was
sent to the Laboratory of Entomology and Acarology Federal University of Alagoas-Campus
Arapiraca. The extraction of mites from leaves was made with observations in
estereomicroscopic. The soil mites were extracted using an equipment Berlese-Tullgren
modified. The specimens obtained were quantified and stored in Ependorfes® containing
70% alcohol. After this procedure the blades are mounted for identification, using dichotomic
keys specialized. We collected a total of 4438 plants mites, mostly collected in cane sugar.
However, in C. vernalis diversity was larger. With regard to the edaphic mites, were collected
7064 specimens, principally in litter. Of these, the largest number and diversity were observed
in the Atlantic Forest. We conclude that the greatest diversity of mites found in the Atlantic
Forest.

Key words: Edafic mites. Plant mites. Eriophyidae. Oribatida.

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Total de ácaros associados à cana-de-açúcar e à Cupania vernalis na zona da Mata
do Estado de Alagoas. Período de fevereiro a agosto de 2012. .......................... 35
Tabela 2 - Quantidade e proporções de famílias de ácaros coletados em cana-de-açúcar na
zona da Mata do Estado de Alagoas. Período de fevereiro a agosto de 2012. .... 387
Tabela 3 - Quantidades e proporções de famílias de ácaros coletados em Cupania vernalis em
fragmentos de Mata Atlântica na zona da Mata do Estado de Alagoas. Período de
fevereiro a agosto de 2012. .................................................................................... 40
Tabela 3 - Quantidades e proporções de famílias de ácaros coletados em Cupania vernalis em
fragmentos de Mata Atlântica na zona da Mata do Estado de Alagoas. Período de
fevereiro a agosto de 2012. .................................................................................... 40
Tabela 4 – Espécies vegetais, gêneros e morfoespécies das principais famílias acarinas
coletados na zona da mata do Estado de Alagoas. Período de fevereiro a Agosto
de 2012. ................................................................................................................. 42
Tabela 5 - Proporções (%) de ácaros edáficos coletados em diferentes épocas do ano, em
folhedo e diferentes profundidades (cm) do solo, em área com cana-de-açúcar e
Mata Atlântica na zona da mata do Estado de Alagoas. Período de dezembro de
2011 a Junho de 2012 ............................................................................................ 58
Tabela 6 – Totais e proporções (%) de ácaros edáficos por ordem, coletados em dois
substratos em ambiente com a cultura da cana-de-açucar e de Mata Atlântica, na
zona da mata do Estado de Alagoas. Período de dezembro de 2011 a Junho de
2012 ....................................................................................................................... 59
Tabela 7 - Número de ácaros e respectivas proporções de famílias de ácaros edáficos
coletados no folhedo em ambiente com cana-de-açúcar e Mata Atlântica na zona
da mata do Estado de Alagoas. .............................................................................. 60
Tabela 8 - Totais e proporções (%) de famílias de ácaros edáficos coletados no solo em
ambiente com cana-de-açúcar e Mata Atlântica na zona da mata do Estado de
Alagoas. Período de dezembro de 2011 a Junho de 2012 ..................................... 61
Tabela 9 - Quantidades de morfoespécie de ácaros Mesostigmata coletados em folhedo e solo
em ambiente com cana-de-açúcar e Mata Atlântica na zona da mata do Estado de
Alagoas. Período de dezembro de 2011 a Junho de 2012. .................................... 60

LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Foto aérea das áreas de coleta em Mata Atlântica (Reserva Madeiras) e plantio de
cana-de-açúcar na zona da Mata do Estado de Alagoas. ....................................... 33
Figura 2. Procedimentos metodológicos de coleta de folhas de cana-de-açúcar. Amostras de
folhas de cana-de-açúcar (A), acondicionamento das folhas (B), amostras de
colmo (C), acondicionamento de folhas e colmos em caixa de poliestireno
refrigerada (D). Coleta realizada em plantio de cana-de-açúcar na zona da Mata do
Estado de Alagoas. Período de fevereiro a agosto de 2012. .................................. 34
Figura 3. Procedimentos metodológicos de coleta de folhas de Cupania vernalis. Retirada das
amostras de folhas (A, B) e acondicionamento das folhas em sacos de papel (C).
Coleta realizada em Mata Atlântica na Reserva Madeiras na zona da Mata do
Estado de Alagoas. Período de fevereiro a agosto de 2012. .................................. 34
Figura 4 - Procedimentos de coleta das amostras. Folhedo (A), coleta de solo (B) e
acondicionamento do cilindro metálico/ solo em recipientes plástico (C). Coleta
realizada em plantio de cana-de-açúcar na zona da mata do Estado de Alagoas.
Período de dezembro de 2011 a Junho de 2012. ................................................... 55
Figura 5 - Processo de extração de ácaros com a montagem das amostras de folhedo e solo no
funil de Berlese-Tullgren modificado. Acondicionamento no compartimento
superior e fontes de calor (A, B), funis e frascos contendo álcool a 70%
(Compartimento inferior) (C) e acondicionamento dos ácaros após a extração para
posterior triagem (D). Laboratório de Entomologia/ Acarologia da universidade
Federal de Alagoas- Campus Arapiraca. Período de dezembro de 2011 a junho de
2012. ...................................................................................................................... 55
Figura 6 - Processo de triagem, classificação e montagem. Triagem dos ácaros edáficos (A),
acondicionamento dos ácaros em solução de álcool a 70% (B), montagem dos
ácaros (C) e lâminas montadas para identificação (D). Laboratório de
Entomologia/ Acarologia da universidade Federal de Alagoas- Campus Arapiraca
e Laboratório de Entomologia do Centro de Ciências Agrárias - Universidade
Federal de Alagoas. Período de dezembro de 2011 a junho de 2012. ................... 57
Figura 7 – Materiais e equipamento utilizados na descrição da nova espécie de ácaro.
Exemplares de Abacarus sp. n. montados em lâminas para microscopia (A),
detalhe do microscópio com contraste de fase (Leitz Dialux 20) (B) utilizado na

confecção das pranchas. Laboratório de Quarentena Vegetal - Embrapa Recursos
Genéticos e Biotecnologia. Dezembro de 2012..................................................... 72
Figura 8 – Detalhe do microscópio com contraste de fase (Nikon Eclipse 80i) com câmara
clara e uma câmera digital (Nikon DS-Fil com DS-L2) acoplada utilizados na
descrição da nova espécie de ácaro (A e B). Laboratório de Quarentena Vegetal Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Dezembro de 2012...................... 73
Figura 9 - Abacarus alagoensis sp. n. – D. vista dorsal da fêmea; GF. genitália da fêmea;
IGF. genitália interna da fêmea; V. vista ventral da fêmea. .................................. 75
Figura 10 - Abacarus alagoensis sp. n. - CGM. região coxigenital do macho; E. empódio
(aumentado); L1. perna I da fêmea; L2. perna II da fêmea; LM. vista lateral do
macho..................................................................................................................... 76

LISTA DE ANEXOS

Anexo 1 - Abacarus alagoensis sp. n. – D. vista dorsal da fêmea; LM. vista lateral do macho.
ED. Escudo dorsal, V. vista ventral, com detalhe da genitália da fêmea. ............. 91
Anexo 2 – Cana com sintoma característico de ataque de Abacarus sp., em cana-de-açúcar na
zona da mata de Alagoas. ...................................................................................... 93
Anexo 3- Monoceronychus linki Pritchard e Baker (Tetranychidae) encontrado em cana-deaçúcar (A e B). ....................................................................................................... 93
Anexo 4 - Novas espécies de Eriophyidae (Nothopodinae: Colopodacini) associadas à
Cupania vernalis. Liparus sp. 1 e 2? ou Adenocolus sp 1 e 2? (A e B). .............. 94
Anexo 5 – Novas espécies de Eriophyidae (Cecidophyinae: Colomerini) associadas à
Cupania vernalis. Gammaphytoptus sp.? (A) e Paracolomerus sp. ? (B). ........... 94
Anexo 6 - Licença permanente para coleta de material zoológico........................................... 91

SUMÁRIO
1- INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 14
2. REVISÃO DE LITERATURA .......................................................................................... 16
2.1 Aspectos gerais sobre a cana-de-açúcar ......................................................................... 16
2.2 Aspectos gerais da Mata Atlântica .................................................................................. 17
2.3 Aspectos gerais sobre os ácaros ....................................................................................... 20
2.4 Classificação dos ácaros ................................................................................................... 20
2.4.1 Ordem Mesostigmata ............................................................................................... 20
2.4. 2 Ordem Trombidiformes .......................................................................................... 22
2.4.2. 1 Subordem Prostigmata ..................................................................................................22

2.4.3 Ordem Sarcoptiformes ............................................................................................. 25
2.4.3.1 Subordem Oribatida .......................................................................................................25

2. 5 Ácaros Plantícolas ........................................................................................................... 26
2. 6 Ácaros Edáficos ............................................................................................................... 26
3 DIVERSIDADE DE ÁCAROS PLANTÍCOLAS ASSOCIADOS À CULTURA DA
CANA-DE-AÇÚCAR (Saccharum officinarum L.) E À CABOATÃ (Cupania
vernalis CAMBESS) PLANTA NATIVA DA MATA ATLÂNTICA. ................. 29
RESUMO................................................................................................................................. 29
3 DIVERSITY OF PLANTICOLAS MITES ASSOCIATED WITH CULTURE OF
SUGARCANE (Saccharum officinarum L.) AND CABOATÃ (Cupania vernalis
CAMBESS) PLANT NATIVE OF THE ATLANTIC FOREST ......................... 30
ABSTRACT ............................................................................................................................ 30
3.1 Introdução ......................................................................................................................... 31
3.2 Material e Métodos ........................................................................................................... 32
3.2.1 Coleta de ácaros plantícolas em áreas com a cultura da cana-de-açúcar e em
fragmento de Mata Atlântica. ............................................................................................ 33
3.2.2 Extração, triagem e montagem dos ácaros ............................................................... 34
3.3 Resultados ......................................................................................................................... 35
3.3.1 Levantamento de ácaros plantícolas associados à cultura da cana-de-açúcar e à
Cupania vernalis. .............................................................................................................. 35
3.3.2 Ácaros associados à cultura da cana-de-açúcar e à Cupania vernalis em fragmento
de Mata Atlântica na zona da Mata do Estado de Alagoas. .............................................. 36
3.3.4 Diversidade de gêneros e morfoespécies de Prostigmata e Mesostigmata. ............. 41

3.4 Discussão ........................................................................................................................... 43
3.5 – Conclusões ...................................................................................................................... 50
4 DIVERSIDADE DE ÁCAROS EDÁFICOS ASSOCIADOS A ÁREAS COM A
CULTURA DA CANA-DE-AÇÚCAR (Saccharum officinarum L.) E À MATA
ATLÂNTICA SOB CABOATÃ (Cupania vernalis Cambess) EM ALAGOAS.51
RESUMO................................................................................................................................. 51
4 DIVERSITY OF EDAPHIC MITES ASSOCIATED WITH AREAS WITH THE
CULTURE OF SUGAR CANE (Saccharum officinarum) AND ATLANTIC
FOREST UNDER CABOATÃ (Cupania vernalis) IN ALAGOAS ..................... 52
ABSTRACT ............................................................................................................................ 52
4.1 Introdução ......................................................................................................................... 53
4. 2 Material e Métodos .......................................................................................................... 54
4.2.1 Coleta de ácaros edáficos em áreas com a cultura da cana-de-açúcar e em áreas de
Mata Atlântica. .................................................................................................................. 54
4.2.2 Extração e triagem dos ácaros edáficos.................................................................... 55
4.2.3 Início de uma coleção de referência de ácaros do Estado de Alagoas. .................... 57
4.3 Resultados ......................................................................................................................... 57
4.3.1 Proporções de ácaros coletados em diferentes camadas do substrato e diferentes
estações ............................................................................................................................. 57
4.3.2 Totais e proporções de ordens de ácaros coletadas em Cana-de-açúcar e Mata
Atlântica ............................................................................................................................ 58
4.3.3 Quantidade de famílias de Mesostigmata e Prostigmata. ......................................... 59
4.4 Discussão .......................................................................................................................... 63
4.5 Conclusões ........................................................................................................................ 67
5 - NOVA ESPÉCIE DE Abacarus (ACARI: ERIOPHYIDAE) EM CANA-DEAÇÚCAR (Saccharum officinarum L.) NO ESTADO DE ALAGOAS. .............. 68
RESUMO................................................................................................................................. 68
5 NEW SPECIES OF Abacarus (ACARI: ERIOPHYIDAE) ON SUGAR CANE
(Saccharum officinarum L.) IN THE STATE OF ALAGOAS. ............................ 69
ABSTRACT ............................................................................................................................ 69
5.1 Introdução ......................................................................................................................... 70
5. 2 Material e Métodos .......................................................................................................... 71

5.2.1 Descrição da nova espécie de Abacarus. ................................................................. 71
5.3 Resultados e Discussão ..................................................................................................... 73
5.3.1 Taxonomia................................................................................................................ 73
5.3.2 Diagnose ................................................................................................................... 73
5.4 Conclusões ......................................................................................................................... 77
6 CONCLUSÕES................................................................................................................... 78
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 79
ANEXOS ................................................................................................................................. 91

14

1- INTRODUÇÃO

A cultura da cana-de-açúcar (Saccharum officinarum L.) é uma das principais
atividades agrícolas do Estado de Alagoas e ocupa uma área de 463,65 mil hectares, que é
bastante considerável na zona da Mata deste estado (CONAB, 2011).
Alagoas encontra-se entre os seis maiores produtores de cana-de-açúcar do Brasil e o
primeiro produtor do Nordeste (CONAB, 2011). A implantação da cultura da cana de açúcar,
que tem ocupado vastas áreas de plantio, favoreceu a devastação de grandes áreas de Mata
Atlântica no Estado de Alagoas, restando apenas fragmentos deste bioma, mas que ainda
abrigam uma grande biodiversidade, especialmente de invertebrados.
Um dos maiores desafios enfrentados pela humanidade hoje é evitar o colapso dos
recursos e serviços que comprometam as futuras gerações. Dentro deste contexto, a
conservação da diversidade biológica e o manejo racional e sustentável dos recursos naturais
são hoje os problemas mais sérios no globo terrestre, com interfaces abrangentes nos campos,
social e econômico. Para enfrentá-los há necessidade de se gerar conhecimentos sobre os
recursos vivos do planeta e suas interações com as atividades humanas (SILVA, 2002).
O conhecimento da acarofauna é de fundamental importância para futuros estudos de
manejo de agroecossistemas, pois plantas silvestres podem servir como reservatórios para
ácaros fitófagos, além de abrigarem espécies ainda desconhecidas de inimigos naturais que
podem atuar como agentes no controle biológico de pragas agrícolas (BUOSI, et al., 2006).
Os ácaros são geralmente organismos pequenos pertencentes ao filo Arthropoda,
subfilo Chelicerata, classe Arachnida e subclasse Acari. Estes organismos possuem funções
importantes no ambiente de acordo com seu hábito alimentar, atuando sobre muitas espécies
de plantas como fitófagos, muitas vezes tornam-se pragas de plantas cultivadas e, muitas
dessas espécies podem servir como controladoras de uma série de plantas daninhas. Muitas
espécies de ácaros predadores também são bastante utilizadas no controle biológico de
espécies indesejáveis, pois atuam como inimigos naturais de outros ácaros, nematoides ou
insetos. Na cadeia alimentar, de modo geral, os ácaros servem como presas alternativas para
diferentes grupos de predadores (MORAES; FLECHTMANN, 2008; KRANTZ et al., 2009).
Os ácaros plantícolas e edáficos são muito diversos e pouco conhecidos, especialmente
no Estado de Alagoas, em especial, nos remanescentes de Mata Atlântica e na cultura da canade-açúcar.
Como há relatos na literatura da ocorrência de ácaros que causam danos à cultura da
cana-de-açúcar, e a carência de trabalhos nessa área, fez-se necessário o desenvolvimento de

15

pesquisas que visem conhecer a biodiversidade de ácaros edáficos e plantícolas associados à
cultura da cana-de-açúcar e em áreas de fragmentos de Mata Atlântica no entorno desses
plantios na região da Zona da Mata do Estado de Alagoas. Com isto, buscou-se levantar a
fauna de ácaros dos ambientes mencionados, analisar o impacto da cultura da cana-de-açúcar
na fauna de ácaros edáficos e plantícolas e iniciar uma coleção de referência de ácaros do
Estado de Alagoas.

16

2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Aspectos gerais sobre a cana-de-açúcar

A cana-de-açúcar (Saccharum officinarum L.) é uma gramínea pertencente à família
Poaceae e originária da Asia (BELIK, 1985). Esta planta é caracterizada por possuir caule em
forma de colmo aéreo e fibroso, podendo atingir em média de 2 a 5m de altura, dependendo
da variedade (CRUZ, 2004).
O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, com uma produção de 588,9
milhões de toneladas na safra 2011/12, o que corresponde a aproximadamente 42% da
produção mundial. No Brasil, aproximadamente 90% da cana-de-açúcar é produzida na região
Centro- Sul e os outros 10% na região Nordeste. O Estado de São Paulo é o maior produtor
com 52,2% (4.370 mil hectares), seguido por Minas Gerais com 8,87% (742,65 mil hectares),
Goiás com 8,1% (678,42 mil hectares), Paraná com 7,3% (611,44 mil hectares) Mato Grosso
do Sul com 5,70% (480,86 mil hectares), Alagoas com 5,45% (463,65 mil hectares), e
Pernambuco com 3,89% (326,11 mil hectares). Nos demais estados produtores as áreas são
menores, mas com bons índices de produtividade (CONAB, 2011).
O Estado de Alagoas é o sexto maior produtor nacional e o maior produtor dessa
cultura na região Nordeste (CONAB, 2011), produzindo 2,4 milhões de toneladas de açúcar e
715.357 milhões de litros de etanol na safra 2010/11, o que representou crescimento de
19,06% e 14,34%, respectivamente, em comparação com a safra anterior (SINDAÇUCAR,
2011).
A cana-de-açúcar tem status de ser atualmente uma das mais importantes culturas do
Brasil. Este status é conferido pela grande quantidade de empregos diretos e indiretos que são
gerados anualmente, trazendo um forte apelo social para as regiões carentes. Com o incentivo
do Governo Federal para aumentar a área plantada de cana-de-açúcar com a finalidade de
produzir etanol, a tendência é o aumento consubstancial da área plantada com essa cultura no
Brasil (BNDES, 2008). Com isso, a cultura poderá sofrer maiores problemas com ataque de
pragas, especialmente com aqueles organismos que não são considerados pragas-chave, mas
que posteriormente, tornam-se pragas primárias. Isso ocorre, devido à elevação da população
desses organismos, por terem condições favoráveis ao desenvolvimento na monocultura, e
drástica redução de seus predadores naturais. Entre as pragas agrícolas estão os ácaros
fitófagos, que podem causar dano direto, com a ingestão do conteúdo celular e também
transmitir doenças para as plantas (MORAES; FLECHTMANN, 2008).

17

Além dos problemas fitossantitários causados pela implantação da monocultura da
cana-de-açúcar, existem uma série de problemas relacionados à qualidade do solo, devido a
certas práticas agrícolas. Dentre os quais, a utilização de queimadas na agricultura
principalmente para a colheita, ocasionando diversos problemas ambientais. Esta prática, além
de deixar o solo sem cobertura aumenta as perdas por erosão e reduzem algumas substâncias
necessárias à nutrição das plantas, consumindo grande parte da matéria orgânica e eliminando
organismos úteis ao solo, desta forma, diminuem a fertilidade e a produtividade das lavouras
(SANTOS; BAHIA; TEXEIRA,1992), e em muitos casos as áreas tornam-se impróprias ao
cultivo ou até mesmo pode-se dá início o processo de desertificação.
A cultura da cana-de-açúcar tem um valor econômico elevado e ocupou rapidamente o
território nordestino brasileiro. O que ainda resta de mata residual no Nordeste do Brasil está
hoje sob a forma de pequenos fragmentos im3ersos em uma matriz de cana-de-açúcar e de
estruturas humanas (MMA, 2006).
2.2 Aspectos gerais da Mata Atlântica
O Brasil é considerado um país de “mega-diversidade”, e detem aproximadamente
10% de toda biodiversidade do planeta. O País é constituído por um rico mosaico de
formações vegetais no qual encontra-se inserida a Mata Atlântica (TONHASCA JUNIOR,
2005). Esta por sua vez, é composta por várias formações florestais como: a floresta
ombrófila densa, floresta ombrófila mista (mata de araucária) e floresta ombrófila aberta;
floresta estacional decidual e semidecidual; mangues; restingas; campos de altitude; brejos
interioranos; encraves florestais do nordeste e ilhas costeiras e oceânicas (MOURA, 2006).
A Mata Atlântica está incluída na lista dos 25 hot spots de biodiversidade do mundo.
Os hot spots são áreas de elevada biodiversidade que apresentam um alto risco de desaparecer
(MOURA, 2006). E tem sido alvo de maior atenção nas últimas décadas, em função do
aumento da devastação que vem sofrendo. Inicialmente, este bioma cobria uma superfície
total estimada em mais de 1.360.000 km², ou seja, 15% do território nacional (ALMEIDA,
2000). Estima-se que, este bioma esteja reduzido a pouco mais de 7% de sua área original o
que corresponde a aproximadamente 100 mil km² (MOURA, 2006). Este bioma estende-se
por toda a costa brasileira, desde o Ceará até o Rio Grande do sul, totalizando 17 estados
(MMA, 2003; SOS MATA ATLÂNTICA, 2011).
A Mata Atlântica sofreu e vem sofrendo constantes depredações. Desde a colonização
do Brasil, grandes superfícies de mata foram destruídas pelo estabelecimento da intensa
exploração do pau-brasil, seguida pela monocultura do café e da cana-de-açúcar, levando ao

18

desaparecimento e/ou fragmentação da vegetação original. Foi substituída também, por
grandes centros urbanos, causando diversos distúrbios, de caráter antrópico, gerando
significativas alterações no solo, no clima, na biodiversidade, e um grande risco de extinção
de espécies (SOUSA JUNIOR, 2005).
Em Alagoas a área original da Mata Atlântica era de aproximadamente 1.495.461 ha,
que correspondia a quase 53% de seu território (MOURA, 2006; SOS MATA ATLÂNTICA,
2011). Atualmente, restam apenas 149.872 ha o que equivalente a 10,02% de áreas com
remanescentes de Mata Atlântica, incluindo áreas de mangue e restinga (SOS MATA
ATLÂNTICA, 2011).
O Bioma Mata Atlântica em Alagoas é constituído pelas formações florestais do tipo
ombrófila densa, ombrófila aberta e floresta estacional semidecidual. Além das formações
pioneiras, tais como: manguezais e restingas. O que resta da mata alagoana encontra-se
principalmente sobre morros e encostas. Isto ocorre devido ao difícil acesso a essas áreas, o
que dificulta a ocupação agrícola. São poucos os fragmentos de mata encontrados sobre
planícies, várzeas ou tabuleiros. E isso, é um problema porque muitas espécies que poderiam
ocorrer exclusivamente ou predominantemente nestes ambientes podem ter sido extintas antes
mesmo de serem conhecidas (MOURA, 2006).
Visando preservar o que ainda resta de Mata Atlântica, algumas Unidades de
Conservação foram criadas pelos governos Federal, Estadual e Municipal e pela iniciativa
privada que criaram as RPPNs (Reserva Particular do Patrimônio Natural), que são áreas
protegidas por lei (MOURA, 2006; IMA, 2013).
No Estado de Alagoas existem 27 Unidades de Conservação sob responsabilidade do
Instituto do Meio Ambiente (IMA), sendo estas divididas em cinco Áreas de Proteção
Ambiental (APA), duas Reservas Ecológicas e 20 Reservas Particulares do Patrimônio
Natural (RPPN) (IMA, 2013). Algumas dessas áreas são abertas à visitação pública com
finalidades educativas e de lazer (MOURA, 2006). Dentre estas áreas, encontra-se a Reserva
Madeiras, que está localizada no município de Junqueiro Alagoas.
Segundo Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA, 2013), a Reserva Madeiras
possui uma área de 124,52 ha. Foi criada pela Portaria n° 08/2010, com objetivo à
preservação integral do meio natural e tem como principal bioma a Mata Atlântica, a qual se
encontra bem conservada. Parte desse fragmento se encontra dentro de um vale, além de
tabuleiro e em algumas áreas com acentuada declividade. Possui ainda alguns cursos de água,
como o Riacho Texeira que corta parte da reserva. Esta pode ser dividida em porção norte e

19

sul, ligadas por um estreito corredor de área reflorestada, que apresenta em suas adjacências
plantio de cana de açúcar.
A Reserva Madeira foi reconhecida pela UNESCO como Posto Avançado da Reserva
da Biosfera da Mata Atlântica, garantindo a área como referência em preservação do bioma da
Mata Atlântica no Estado de Alagoas. A reserva possui uma rica flora, podem ser encontradas
no local, espécies como: angelin (Andira sp.) (Fabaceae), visgueiro (Parkia sp.)
(Leguminosae), ingás (Inga sp.) (Leguminosae), maçaranduba (Manilkara sp.) (Sapotaceae),
emburi (Cecopria sp.) (Cecropiaceae), leiteiro (Pouteria sp.) (Sapotaceae), maria-preta
(Melanoxylon sp.) (Fabaceae), murici (Byrsonima sp.) (Malpighiaceae), cabotã (camboatã)
(sapindaceae) (Cupania sp.), laranjinha (Zanthoxylum sp.) (Rutaceae), Cupiúba (Tapirira, sp.)
(Anacardiaceae), entre outras. A fauna também é bem diversificada (IMA, 2013).
A Mata Atlântica é constituída por uma flora bastante diversificada, abrigando cerca
de 20 mil espécies de plantas, sendo oito mil endêmicas (MYERS et al., 2000; TABARELLI
et al., 2003). Dentre as espécies presentes neste bioma, encontram-se plantas da família
Sapindaceae. Esta família é constituída por aproximadamente 147 gêneros e 2215 espécies
classificadas como árvores, arbustos ou cipós, distribuídos principalmente nas regiões
tropicais e subtropicais (BARROSO, 1991). Muitas destas espécies são consideradas de
grande importância econômica, tais como o guaraná, Paullinia cupana Kunth, utilizado na
fabricação de uma bebida rica em cafeína (RATES, 2000; BRANDÃO, 2008), a lichia, (Litchi
chinensis Sonn), que em São Paulo no ano de 2008 estava com uma área plantada de 1.615,30
ha sendo esta superior à área ocupada por culturas como a acerola (597,4 ha), o mamão (583,8
ha) e a pinha (883,0 ha). A lichia vem apresentando valor econômico bastante significativo
(PICOLI et al., 2010). Ainda constituindo esta família encontra-se o gênero Cupania
(OLIVEIRA et al., 2010). Dentre as espécies que compõem este gênero encontra-se a
Cupania vernalis Cambess vulgarmente referida como camboatá, camboatã-vermelho,
cuvantã, arco-de-peneira e arco-de-pipa. É uma árvore nativa que atinge em média 10 a 22 m
de altura, comumente encontrada desde Minas Gerais até o Rio Grande do Sul (LORENZI,
2000; CAVALCANTI et al., 2001; LIMA-JÚNIOR et al., 2006).
Infelizmente, as reservas naturais do Brasil estão sendo devastadas muito rapidamente,
sem que tenham sido realizadas pesquisas suficientes para conhecer sua diversidade
(FREIRE, 2007). Os artrópodes são um dos grupos de organismos mais abundantes,
correspondendo a aproximadamente 80% do reino animal (GALLO et al., 2002). Dessa
forma, pode-se imaginar que com a devastação de ambientes naturais grande parte da
diversidade está se perdendo de modo irreversivel através da extinção causada pela destruição

20

de hábitats naturais (BUOSI et al., 2006; FREIRE, 2007). Dentre estas espécies encontram-se
os ácaros que são organismos pouco estudados no Brasil.

2.3 Aspectos gerais sobre os ácaros
Os ácaros são organismos caracterizados por apresentarem geralmente, o corpo não
segmentado, apêndices articulados e exoesqueleto (FLECHTMANN; MORAES, 2000;
GERSON; SMILEY; OCHOA, 2003). Além disso, as diferentes regiões do corpo dos ácaros
recebem designações específicas. O corpo como um todo é chamado de idiossoma. Os dois
pares de apêndices mais anteriores, quelíceras e palpos, correspondem à região conhecida
como gnatossoma. As pernas dos ácaros estão implantadas na região latero-ventral do
idiossoma. A região em que se implantam os dois pares anteriores de pernas é conhecida
como propodossoma, a região em que se implantam os dois pares posteriores é conhecida
como metapodossoma e a região posterior ao último par é conhecida como opistossoma
(GERSON; SMILEY; OCHOA, 2003; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Geralmente os ácaros apresentam as fases de desenvolvimento divida em ovo, larva,
protoninfa, deutonifa e adultos (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
2.4 Classificação dos ácaros
Os ácaros são organismos pertencentes ao filo Arthropoda, subfilo Chelicerata,
classe Arachnida e subclasse Acari. Estes são constituídos por um grande número de espécies,
agrupadas em duas superordens (Parasitiformes e Acariformes) que abrigam seis ordens
(KRANTZ et al., 2009), com cerca de 400 famílias (MORAES; FLECHTMANN, 2008). A
superordem Parasitiformes agrupa as ordens Opilioacarida, Holothyrida, Ixodida e
Mesostigmata.

A

superordem

Acariformes

agrupa

as

ordens

Trombidiformes

e

Sarcoptiformes (KRANTZ et al., 2009).
Neste estudo foram abordadas as principais famílias pertencentes às ordens
Mesostigmata, Trombidiformes (com ênfase na subordem Prostigmata), e a ordem
Sarcoptiformes com ênfase a subordem Oribatida, a qual inclui o grupo Astigmatina antes
denominado como ordem Astigmata (KRANTZ et al., 2009).
2.4.1 Ordem Mesostigmata

Essa ordem é composta por um grande grupo de ácaros, que possuem hábitos de vida e
habitats bem variados. Existem aproximadamente 12.000 espécies e cerca de 560 gêneros, 72

21

famílias e 26 superfamílias (WALTER; PROCTOR, 1999). A maioria das espécies são
predadoras de vida livre (KRANTZ et al., 2009), enquanto outras são parasitas ou simbiontes
de mamíferos, aves, répteis ou outros artrópodes. E existem ainda, embora sejam poucos, os
que se alimentam de fungos, pólen, ou néctar desempenhando seus papéis nas cadeias
alimentares (WALTER; PROCTOR 1999).
Os Mesostigma podem ser encontrados em associação com o solo, em madeira em
decomposição, ninhos, fungos, sobre plantas, animais, etc. Eles geralmente possuem escudos
ou placas esclerotizados que pode cobrir parcial ou totalmente o dorso e ventre do idiossoma
(MORAES; FLECHTMANN, 2008; KRANTZ et al., 2009). É um grupo de ácaros de grande
importância, por ser o segundo maior em número de espécies conhecidas, geralmente estão
presentes no solo e compreendem as principais famílias de ácaros predadores (WALTER;
HUNTER; ELLIOTT, 1988).
Os ácaros da superfamília Rhodacaroidea são cosmopolitas de vida livre, encontrados
predominantemente no solo, sendo geralmente mencionados como predadores de organismos
edáficos. Esta superfamília inclui as famílias Digamasellidae Evans, Halolaelapidae Karg,
Laelaptonyssidae Womersley, Ologamasidae Ryke, Rhodacaridae Oudemans e Teranyssidae
Halliday (CASTILHO, 2011).
A família Phytoseiidae é constituída por aproximadamente 2.217 espécies descritas,
agrupadas em 67 gêneros (MORAES et al., 2004). Ocorrem principalmente sobre plantas,
mas podem ser também encontrados no solo, embora não seja um grupo predominante
(MORAES; FLECHTMANN, 2008). Esses ácaros são os predadores mais comuns estudados
e utilizados no controle biológico de ácaros praga (GERSON; SMILEY; OCHOA, 2003).
A família Ascidae é constituída por cerca de 650 espécies descritas, agrupadas em 37
gêneros. Apresentam maiores semelhanças morfológicas e biológicas com os Phytoseiidae.
São encontrados predominantemente no solo, mas também são comuns em depósitos de
grãos, criações de insetos em laboratório, sobre plantas ou associados a insetos e também a
vertebrados (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
A família Laelapidae constitui uma das mais importantes de ácaros predadores que
habitam no solo, apresentando inclusive espécies que já se encontram em comercialização em
países da Europa, Estados Unidos e Brasil (FREIRE, 2007). Esses ácaros podem ser
encontrados vivendo livremente no solo (MINEIRO; MORAES, 2001; FREIRE, 2007).
Segundo Gerson; Smiley; Ochoa (2003) existe cerca de 50 gêneros e centenas de espécies.
Com relação ao número preciso de espécies pertencentes a essa família, não existem

22

informações disponíveis. As publicações que tratam da taxonomia deste grupo encontram-se
muito dispersas (FREIRE, 2007).
O grupo Uropodina abriga atualmente, cerca de cinco superfamílias e 15 a 20 famílias,
embora esse número possa aumentar consideravelmente. A biologia desse grupo é pouco
conhecida, mas a predação parece ser a principal forma de alimentação (KRANTZ et al.,
2009). A maior diversidade de Uropodina pode ser encontrada em áreas de florestas tropicais,
onde um indice bastante elevado de ácaros de vida livre pode ser encontrado na serapilheira
(folhedo) e no solo. As deutoninfas desses ácaros são foréticos e, normalmente, fixam-se aos
seus transportadores (que podem ser insetos ou até mesmo pequenos vertebrados) por um
pedicelo anal (KRANTZ et al., 2009).
Os ácaros da Família Uropodidae (Uropodina) são constituídos por aproximadamente
100 gêneros e 1500 espécies, são encontrados no solo, principalmente em matéria orgânica,
resíduos florestais em decomposição (KOEHLER, 1997; GERSON; SMILEY; OCHOA,
2003) esterco, lodo de esgoto, e dificilmente encontrados em solos de uso agrícola
(KOEHLER, 1997). Alimentam-se de fungos e pequenos animais, incluindo nematoides e
insetos juvenis (GERSON; SMILEY; OCHOA, 2003).
2.4. 2 Ordem Trombidiformes

Os Trombidiformes formam um conjunto diversificado de ácaros que atualmente
compõem as duas subordens: Prostigmata e Sphaerolichida. Com aproximadamente 38
superfamílias (KRANTZ et al., 2009).

2.4.2. 1 Subordem Prostigmata
Esta subordem agrupa 36 superfamílias. É o grupo de ácaros mais heterogêneo
(MORAES; FLECHTMANN, 2008), inclui uma grande diversidade de predadores terrestres,
plantícolas, aquáticos e marinhos; ácaros saprófagos, parasitas e as principais espécies de
ácaros fitófagos. A gama de características morfológicas e comportamentais dos Prostigmata
é superior a qualquer outra categoria de Acari (KRANTZ et al., 2009). Estes ácaros
apresentam o idiossoma geralmente pouco esclerotizado e dividido em duas regiões,
propodossoma e histerossoma, pelo chamado sulco sejugal (MORAES; FLECHTMANN,
2008).
Os ácaros da família Tetranychidae, são referidos na literatura como “ácaros-de-teia”,
e que compreendem uma família relativamente grande de ácaros estritamente fitófagos

23

(MORAES; FLECHTMANN, 2008). Agrupam cerca de 1265 espécies (MIGEON;
DORKELD, 2011) em 70 gêneros (GERSON; SMILEY; OCHOA, 2003). Em geral, os
ácaros pertencentes a essa família apresentam uma ampla gama de plantas hospedeiras,
pertencentes a diferentes famílias (FLECHTMANN, 1977; GERSON; SMILEY; OCHOA,
2003; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
A Superfamília Eriophyoidea agrupa três famílias, Eriophyidae que é a de maior
importância, Diptilomiopidae e Phytopidae. São conhecidos aproximadamente 301 gêneros e
3442 espécies (AMRINE, 2003). Essas famílias compõem o grupo chamado de microácaros,
por suas reduzidas dimensões. Os eriofiídeos ocupam o segundo lugar como ácaros-praga de
maior importância econômica, sendo superados apenas pelos tetraniquídeos em todo mundo.
No Brasil, cerca de seis espécies são consideradas de grande importância econômica. Dentre
elas, Aceria guerreronis Keifer (NAVIA, 2004) e Calacarus heveae Feres (MORAES;
FLECHTMANN, 2008).
O alto grau de especialização morfológica e biológica permite aos microácaros
viverem em micros ambientes ou lugares bastante confinados, como nas bainhas das folhas,
gemas, brotos terminais, eríneos, galhas, bem como na superfície exposta das plantas
(GERSON;

SMILEY;

OCHOA,

2003;

MORAES;

FLECHTMANN,

2008).

Uma

característica geral para a maioria das espécies de microácaros, sobretudo daquelas que se
alimentam de plantas dicotiledôneas, é sua altoespecificidade hospedeira. A maioria dos
microácaros são bastante específicos, atacam somente uma espécie vegetal. Essa gama
reduzida de hospedeiros parece estar em muitos casos ligada à relação peculiar entre esses
ácaros e seus hospedeiros; muitos destes só conseguem sobreviver em estruturas que são
aparentemente formadas nas plantas em resposta à injeção de substâncias no ato de sua
alimentação. Apenas nessas estruturas aqueles microácaros conseguem sobreviver. Enquanto
outros se alimentam de várias espécies de um só gênero de plantas, a exemplo de Aculops
lycopersici (Massee) (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Os Tarsonemidae abrigam aproximadamente 545 espécies conhecidas pertencentes a
45 gêneros. Estes ácaros apresentam hábitos alimentares muito variados, incluindo espécies
que se alimentam de fungos, algas e plantas, bem como espécies predadoras e parasitas de
insetos. A espécie de maior importância agrícola Polyphagotarsonemus latus (Banks) é
polífaga, e ataca diversas culturas de grande importância agrícola (MORAES;
FLECHTMANN, 2008).
Os Tenuipalpidae, agrupam 875 espécies em 32 gêneros (MESA-COBO, 2005). São
conhecidos também como ácaros-planos e falsos-ácaros-de-teia. Esses organismos são

24

estritamente fitófagos. Embora o número de espécies consideradas pragas seja reduzido, esses
ácaros são considerados de grande relevância, pois alguns podem ser vetores de viroses. No
Brasil, Brevipalpus phoenicis (Geijskes) é a espécie de maior importância por ser vetor de
diferentes vírus causadores de doenças em plantas e/ou por injetar toxinas nas plantas que
ataca (WELBOURN et al., 2003; MESA-COBO, 2005; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Os Cheyletidae correspondem a um grupo de aproximadamente 500 espécies
conhecidas agrupadas em 77 gêneros, que podem ser predadores ou parasitas (GERSON;
SMILEY; OCHOA, 2003; ZHANG et al., 2011). Os predadores alimentam-se de uma
variedade de microartrópodes, principalmente de formas herbívoras e saprófitas, como ácaros
Acaroidea e Collembola. Podem ser encontrados em alimentos armazenados, estábulos, etc.,
principalmente se a presença de Acaroidea (Astigmatina) presentes nestes ambientes for
abundante. Também são encontrados na casca e na folhagem de árvores onde podem
alimentar-se de ácaros fitófagos e de ninfas de primeiro estádio de cochonilhas (MORAES;
FLECTMANN, 2008).
A família Stigmaeidae agrupa 432 espécies conhecidas pertencentes a 28 gêneros.
Podem ser encontrados no solo, mas são mais frequentes sobre plantas, onde usualmente são
predadores

de

outros

ácaros

(GERSON;

SMILEY;

OCHOA,

2003;

MORAES;

FLECTMANN, 2008). Correspondem ao segundo grupo de predadores mais frequentemente
encontrados sobre plantas (MORAES; FLECTMANN, 2008). Inúmeros indivíduos desta
família foram observados predando ácaros das famílias Tetranychidae e Tenuipalpidae, com
maior eficiência que muitos ácaros da família Phytoseiidae apresentando um grande potencial
para serem utilizados em programas de controle biológico de plantas e perenes e em casa de
vegetação (MATIOLI, 2009).
A família Tydeidae agrupa 374 espécies de ácaros conhecidas, pertencentes a 58
gêneros. São frequentemente encontradas sobre plantas e no solo, consumindo vários
alimentos de origem vegetal e animal (GERSON; SMILEY; OCHOA, 2003; MORAES;
FLECTMANN, 2008). Não são consideradas pragas de plantas, embora existam relatos na
literatura da ocorrência de algumas espécies causando danos em algumas plantas. É
constituída por espécies fitófagas, predadoras e micófagas. E algumas espécies parecem ser
importantes como presas alternativas a ácaros predadores da família Phytoseiidae (MORAES;
FLECTMANN, 2008).
A família Cunaxidae agrupa 114 espécies conhecidas em 17 gêneros. São frequentes
na matéria orgânica do solo, em musgos, sobre a folhagem de plantas e, às vezes, em
depósitos de cereais e seus derivados. São predadores de pequenos artrópodes, incluindo

25

ácaros (MORAES; FLECTMANN, 2008). Trabalhos realizados com acarofauna em
ambientes naturais no Brasil (ARRUDA FILHO; MORAES, 2002; ZACARIAS; MORAES,
2002; CASTRO; MORAES, 2007) e em culturas de importância econômica (FERLA;
MORAES, 1998; FERES, 2000; FERES et al., 2002; FERLA; MORAES, 2002; BARBOSA
et al., 2005) relataram apenas gêneros de Cunaxidae. Sendo que em um desses trabalhos
realizado em Mata Atlântica foi observado uma grande diversidade desse grupo (CASTRO;
MORAES, 2007).
Da família Bdellidae são conhecidas 114 espécies em 15 gêneros, encontradas em
plantas, no solo e em alimentos armazenados, alimentam-se de pequenos artrópodes.
Geralmente, não são frequentes e nem abundantes. Há relatos da contribuição de algumas
espécies de Bdellidae no controle de várias pragas (MORAES; FLECTMANN, 2008).

2.4.3 Ordem Sarcoptiformes
2.4.3.1 Subordem Oribatida
Os oribatídeos compreendem mais de 9.000 espécies catalogadas em 172 famílias.
Sem incluir os membros do grupo Astigmatina. Geralmente são bastante esclerotizados,
principalmente na fase adulta. Embora muitos sejam plantícolas e alguns aquáticos (KRANTZ
et al., 2009), a maioria dos oribatídeos habitam sobre o folhedo e solo (MINEIRO; MORAES,
2001; SILVA, MORAES; KRANTZ, 2004; KRANTZ et al., 2009). Podem se alimentar de
particulas orgânicas, atuando como decompositores, saprófagos, micófagos e alguns podem
ser predadores.
O grupo Astigmatina é bastante diversificado e compreende 71 famílias, 960
gêneros e mais de 5.000 espécies catalogadas. Estes ácaros atuam como saprófagos
decompositores de matéria orgânica, fungívoros ou bactériófagos. Alguns se adaptaram a
consumir sementes, plantas, bulbos e tubérculos. Existem, ainda, espécies totalmente
aquáticas que podem se alimentar de algas. A maioria dos Astigmatina é de vida livre, têm um
período de desenvolvimento curto e elevada capacidade de dispersão. As deutoninfas,
conhecidas como hypopus, muitas vezes dispersam-se para outros habitats em associação
forética com insetos ou outros artrópodes (KRANTZ et al., 2009).
Os ácaros correspondem a um dos maiores grupos de artrópodes. Habitam os mais
diferentes ambientes, e possuem hábitos alimentares bastante diversificados. Sendo os
fitófagos e predadores os mais frequentes (FLECHTMANN; MORAES, 2000; MORAES;
FLECHTMANN, 2008).

26

2. 5 Ácaros Plantícolas

Apesar de serem muitas as espécies de ácaros que ocorrem sobre plantas, são
relativamente poucas aquelas consideradas sérias pragas agrícolas. No entanto, várias destas
espécies apresentam importância fundamental, por atacar diversas espécies de plantas
cultivadas, assim como por ocorrer em diversas regiões do globo terrestre e outras apresentam
importância por serem reguladoras de populações de espécies praga como é o caso dos
fitoseídeos (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
As principais famílias de ácaros plantícolas de importância agrícola são:
Tetranychidae, Tarsonemidae, Tenuipalpidae, Eriophyidae (fitófagos) e Phytoseiidae
(predadores) (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Os principais ácaros-praga de importância econômica para o Brasil são Brevipalpus
phoenicis (Geijskes), Tetranychus urticae Koch e Polyphagotarsonemus latus (Banks), que
pertencem, às famílias Tenuipalpidae, Tetranychidae e Tarsonemidae, respectivamente
(MORAES; FLECHTMANN, 2008).

2. 6 Ácaros em cana-de-açúcar
Atualmente, são relatados três famílias de ácaros fitófagos que podem acometer a
cultura da cana-de-açúcar, Eriophyidae e Tarsonemidae, que no Brasil, até então, não são
consideradas um problema significativo para a cultura e a família Tetranychidae que possui
espécies que podem trazer danos significativos para a cana-de-açúcar principalmente no início
do desenvolvimento da planta (MORAES; FLECHTMANN, 2008).

2.7 Ácaros Edáficos
Pouco se conhece sobre a fauna edáfica de ambientes naturais no Brasil. Fato este que
está relacionado com pequeno número de trabalhos realizados nesta área (MINEIRO;
MORAES, 2001; SILVA, 2002; CASTILHO, 2008). Alguns estudos mostram que os
artrópodes mais abundantes no solo são ácaros, e que estes correspondem a mais de 50% dos
artrópodes edáficos (ADIS, 1988).
Os ácaros edáficos são muito diversos por quase todo o perfil do solo. Em áreas de
mata, esta fauna se torna muito mais abundante e diversificada principalmente nas primeiras

27

camadas do solo (ADIS, 1988). Autores como, Adis (1988); Harada e Bandeira (1994),
confirmaram que aproximadamente 61 a 64% da fauna vivem nos primeiros 3,5 cm de
profundidade, 20 a 21% entre 3,5 a 7 cm, 10 a 12% entre 7 a 10,5 cm e 5 a 8% entre 10,5 a 14
cm de profundidade no solo. À medida que aumenta o perfil do solo, a densidade
populacional dos artrópodes diminui (HARADA; BANDEIRA, 1994), embora alguns grupos
sejam mais abundantes nas camadas mais profundas. Alguns trabalhos relatam que a
distribuição, abundância e diversidade dos artrópodes no solo estão diretamente relacionadas
com: umidade, temperatura, tipo de solo e com a presença, tipo e diversidade de folhedo em
um determinado ambiente.
A maioria dos trabalhos sobre ácaros edáficos no Brasil refere-se ao grupo dos
Oribatida (FREIRE, 2007). Em trabalhos realizados por Mineiro; Moraes (2001) em
piracicaba, e por Silva; Moraes; Krantz (2004) em áreas de Mata Atlântica e Cerrado do
Estado de São Paulo. Os autores verificaram que a maioria dos ácaros coletados pertencia à
subordem Oribatida, seguidos dos ácaros das ordens Mesostigmata, Prostigmata e Astigmata.
Dentre os ácaros edáficos mais abundantes em ambientes naturais destacam-se os
Mesostigmata que, geralmente constituem um grupo grande e de importância relevante no
controle de vários organismos, pois compreendem as principais famílias de ácaros predadores
(KRANTZ; AINSCOUGH, 2005). Muitos destes ácaros podem ser encontrados em folhedo e
solo (MINEIRO; MORAES, 2001; SILVA, 2002; KRANTZ et al., 2009).
O conhecimento das espécies de ácaros edáficos representa um passo muito
importante para o entendimento do papel que estes organismos desempenham no ambiente
(SILVA, 2002).

28

29

3 DIVERSIDADE DE ÁCAROS PLANTÍCOLAS ASSOCIADOS À CULTURA DA
CANA-DE-AÇÚCAR (Saccharum officinarum L.) E À CABOATÃ (Cupania vernalis
CAMBESS) PLANTA NATIVA DA MATA ATLÂNTICA.
RESUMO
A cultura da cana-de-açúcar (Saccharum officinarum L.) é uma das principais atividades
agrícolas do Estado de Alagoas. Com a expansão dessa cultura, a Mata Atlântica nessa região
sofreu e vem sofrendo constantes depredações. O conhecimento da acarofauna é de
fundamental importância para futuros estudos de manejo desses agroecossistemas. Dessa
forma, objetivou-se conhecer a fauna de ácaros plantícolas associada à cana-de-açúcar e à
caboatã (Cupania vernalis Cambess) planta nativa da Mata Atlântica. Foram coletadas
amostras de folhas apicais, medianas e basais. Além disso, no caso da cana-de-açúcar
coletaram-se também amostras de colmos. O material coletado foi colocado em sacos de
papel revestidos com sacos plásticos, etiquetados e colocados em caixa de isopor refrigerada
com Gelo-x®, e encaminhado ao Laboratório de Entomologia/ Acarologia da Universidade
Federal de Alagoas- Campus Arapiraca. A extração dos ácaros das folhas foi realizada com
pincel de cerdas finas em microscópio estereoscópico. Os ácaros encontrados foram
armazenados em ependorfes contendo álcool a 70% e posteriomente montados em lâminas
para microscopia e identificados utilizando caves dicotômicas especializadas. Em cana-deaçucar, a maioria dos ácaros encontrados nas folhas apicais, foi Abacarus sacchari
Channabasavana, 1966 e Abacarus sp. n. (Eriophyidae). Já nas folhas medianas e basais a
espécie mais abundante foi Monoceronychus linki Pritchard e Baker, 1955 e em pequena
quantidade Oligonychus sp. (Tetranychidae). A família Tarsonemidae também apresentou um
número considerável de espécimes. Além destes, coletou-se em ambas as espécies de plantas
estudadas predadores Paracheyletiella sp. (Cheylletidae), Amblyseius tamatavensis
(Blommers, 1974), Typhlodromips mangleae De Leon, 1967, Neoseiulus anonymus (Chant e
Baker, 1965), Amblyseius euterpes Gondim e Moraes, 2001, Amblyseius operculatus De
Leon, 1967 (Phytoseiidae), e ainda associados à cana, exemplares das famílias Iolinidae e
Tydeidae. Assim como na cana-de-açúcar a família mais abundante em caboatã foi
Eriophyidae, com cinco espécies pertencentes à subfamília Cecidophyinae, sendo a maioria
encontrada em domácias. A espécie Asca capria De Leon, 1967 (Ascidae), também foi
abundante e encontrada frequentemente associada às domácias. Coletaram-se também
Brevipalpus sp., Tenuipalpus sp., Ultratenuipalpus sp. (Tenuipalpidae); Atrichoproctus sp. e
Oligonychus sp. (Tetranychidae) e exemplares das famílias Tarsonemidae, Cunaxidae,
Stigmaeidae, Iolinidae, Tydeidae, Cheylletidae, Bdellidae e Eupalopsellidae; também foram
encontrados representantes de Astigmata e Oribatida. Portanto, a família Eriophyidae foi a
mais abundante em cana-de-açúcar e em caboatã, sendo mais diversa em caboatã, assim como
às famílias Phytoseiidae e Tenuipalpidae.
Palavras-chave: Abacarus sp.. Asca sp..Cecidophyinae. Monoceronychus linki.

30

3 DIVERSITY OF PLANTICOLAS MITES ASSOCIATED WITH CULTURE OF
SUGARCANE (Saccharum officinarum L.) AND CABOATÃ (Cupania vernalis
CAMBESS) PLANT NATIVE OF THE ATLANTIC FOREST
ABSTRACT
The sugar cane (Saccharum sp.) Is one of the main agricultural activities in the State of
Alagoas. With the expansion of this culture, the Mata Atlântica in this region has suffered and
is suffering constant depredations. The knowledge of mites is of fundamental importance for
future studies of management of agroecosystems. Thus, it was aimed to meet the mite fauna
associated with planticolas cane sugar and Cupania vernalis Cambess plant native to the Mata
Atlântica. Samples were collected from apical leaves, middle and basal. And in the case of
cane sugar were also collected samples of stems. The collected material was placed in paper
bags lined with plastic bags, labeled and placed in a polystyrene box cooled with ice-x ®, and
sent to the Laboratory of Entomology and Acarology of Federal University of Alagoas,
Campus Arapiraca.The extraction of mites from the leaves was performed with fine-bristled
paintbrush in stereomicroscope. In cane sugar, most mites found in the apical leaves was
Abacarus sacchari Channabasavana and Abacarus sp. n. (Eriophyidae). Already in the middle
and basal leaves the most abundant species was Monoceronychus linki Pritchard and Baker
and Oligonychus sp. (Tetranychidae) in small quantity. The family Tarsonemidae also had a
considerable number of specimens. Besides these, collected in both plant species studied
predators Paracheyletiella sp. (Cheylletidae), Amblyseius tamatavensis (Blommers)
Typhlodromips mangleae De Leon, Neoseiulus anonymus (Chant and Baker), Amblyseius
euterpes Gondim and Moraes, Amblyseius operculatus De Leon (Phytoseiidae), and still
associated with sugarcane, exemplars of families Iolinidae and Tydeidae. Just as in cane sugar
the most abundant family in C. vernalis was Eriophyidae showed that five species belonging
to the subfamily Cecidophyinae, mostly found in domatia, the species Asca capria De Leon
(Ascidae), was also abundant and often found associated with domatia. It was also collected
Brevipalpus sp., Tenuipalpus sp., Ultratenuipalpus sp. (Tenuipalpidae); Atrichoproctus sp.
and Oligonychus sp. (Tetranychidae) and exemplars of families Tarsonemidae, Cunaxidae,
Stigmaeidae, Iolinidae, Tydeidae, Cheylletidae, and Bdellidae Eupalopsellidae; were also
found representatives of Astigmata and Oribatida. So the families Eriophyidae was the most
abundant in both areas and most diverse in the Mata Atlântica, as well as the families
Phytoseiidae and Tenuipalpidae.
Key words: Abacarus sp.. Cecidophyinae. Monoceronychus linki. Asca sp..

31

3.1 Introdução

A cana-de-açúcar (Saccharum officinarum L.) (Poaceae) é uma das principais culturas
de importância agrícola para o Estado de Alagoas. É uma gramínea pertencente à família
Poaceae. Possui o caule em forma de colmo aéreo e fibroso, podendo atingir em média de 2 a
5m de altura, dependendo principalmente das condições climáticas e da variedade cultivada
(CRUZ, 2004).
A cultura da cana está amplamente distribuída por todo o Brasil. Estando os maiores
Estados produtores desta cultura localizados nas regiões Centro-Sul e Nordeste do País e sua
produção é destinada principalmente para a produção de açúcar e álcool.
Atualmente é relatada no Brasil, a ocorrência de sete espécies de ácaros fitófagos em
cana-de-açúcar, distribuídas em três famílias. O microácaro da cana-de-açúcar (Abacarus
sacchari

Channabasavanna)

(Eriophyidae),

ácaro-brilhante-da-cana-de-açúcar

(Steneotarsonemus bancrofti Michael e S. brasiliensis Flechtmann) (Tarsonemidae), e os
tetraniquídeos-da-cana-de-açúcar (Monoceronychus linki Pritchard e Baker, Oligonychus
grypus Baker e Pritchard, O. pratensis (Banks) e Schizotetranychus sacharum Flechtmann e
Baker) (Tetranychidae) (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Muitas espécies de ácaros são pragas agrícolas importantes (YANINEK; MORAES,
1991), especialmente aquelas que foram transferidas de seus lugares de origem para novas
áreas, sem que tenham sido acompanhadas de seus inimigos naturais. Outras espécies de
ácaros chegam a se tornar pragas em seus lugares de origem, devido às modificações de seus
habitats, que se tornam menos adequadas para o desenvolvimento de seus inimigos naturais,
liberando-os dos componentes de controle natural que de outra forma os manteriam abaixo de
níveis de dano econômico (SILVA, 2002).
A caboatã (Cupania vernalis Cambess) (Sapindaceae), é uma planta nativa da Mata
Atlântica e está distribuída principalmente entre os Estados do Sul e Sudeste do Brasil
(LORENZI, 2000; CAVALCANTI et al., 2001; LIMA-JÚNIOR et al., 2005). Em Alagoas
essa planta é encontrada frequentemente em áreas de Mata Atlântica. É vulgarmente
conhecida como Caboatã, mas em outras regiões recebem designações diferentes como:
Cambotá, Camboatã, Camboatã-vermelho, Cuvatã e Arco-de-peneira.
Em estágio adulto plantas de caboatã podem atingir de 10 a 22 m de altura, com tronco
entre 50 a 70 cm de diâmetro. Essa espécie de planta é utilizada como medicinal e destaca-se
por fornecer extratos de sua casca, que são utilizados na medicina popular contra tosses
convulsivas e asma (RODRIGUES; CARVALHO, 2001). Além dessa sua utilização, pode ser

32

empregada no paisagismo, principalmente na arborização urbana. Também é considerada uma
espécie de grande utilidade em plantios mistos destinados à recuperação de áreas degradadas,
pois, além de serem adaptadas à insolação direta, os seus frutos são utilizados por pássaros
para alimentação. A sua madeira é apropriada para marcenaria, lenha e carvão (LORENZI,
1992; 2000).
Periodicamente, novas espécies de ácaros-praga são encontradas atacando culturas,
sem que se saiba ao certo se tratam-se de espécies nativas que ocorriam na vegetação natural
local ou se são espécies introduzidas de outras regiões. O conhecimento deste detalhe é de
suma importância em estudos para o estabelecimento de sistemas ecologicamente aceitáveis
de controle. Dessa forma, objetivou-se conhecer a fauna de ácaros plantícolas associada à
cana-de-açúcar e à Caboatã, na zona da mata do Estado de Alagoas.

3.2 Material e Métodos
O trabalho foi desenvolvido em área com a cultura da cana-de-açúcar (9º 52’ S, 36º
19’ W, 157m) e em um fragmento de Mata Atlântica, (9º 52’ S, 36º 20’ W, 79 m) localizados
entre os municípios de Junqueiro e Teotônio vilela, Alagoas (Figura 1). Tanto a área com a
cana-de-açúcar, quanto a área de mata conhecida como Reserva Madeiras, pertencem às
Usinas Reunidas Seresta (9º 54’ S, 36º 19’ W, 55 m), à qual encontra-se no município de
Teotônio Vilela, à 101,2 Km da Capital Maceió no Estado de Alagoas. Este fragmento de
Mata Atlântica é uma área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) reconhecida
pela UNESCO como Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Foram
realizadas três coletas entre os meses de fevereiro a agosto de 2012, correspondendo ao final
do verão, do outono e do inverno, com precipitação e temperatura média de 106,5 mm e 27ºC,
235,0 mm e 22,5ºC e 233,0 mm e 22,2 ºC, respectivamente.

33

Figura 1 - Áreas de coleta em Mata Atlântica (Reserva Madeiras) e plantio
de cana-de-açúcar na zona da Mata do Estado de Alagoas. (Foto
aérea).

3.2.1 Coleta de ácaros plantícolas em áreas com a cultura da cana-de-açúcar e em
fragmento de Mata Atlântica.
Na área com a cana-de-açúcar foram coletadas amostras de folhas e colmos em seis
soqueiras, escolhidas ao acaso ao longo do plantio.
As amostras de folhas foram retiradas dos quatro quadrantes de cada uma das 6
soqueiras de cana-de-açúcar, nas regiões: apical, mediana e basal, sendo quatro folhas de cada
região. Também foi retirada uma planta da mesma soqueira para a análise de ácaros no caule
(colmos). Neste caso, três partes foram verificadas (apical, mediana e basal), cada amostra
com aproximadamente 20 cm de comprimento. Em seguida, as amostras de folhas/planta
foram acondicionadas em saco de papel envolto por saco plástico. Posteriormente, todo
material coletado e acondicionado em sacos com suas devidas identificações (local e data de
coleta, parte da planta coletada) foi transferido para caixas térmicas refrigeradas com Gelo-x®
em seu interior a fim de manter uma temperatura próximo a 21 ºC para que não houvesse
mortalidade e/ou fuga dos espécimes presentes no material (Figura 2).

34

Figura 2. Retirada e acondicionamento de folhas e colmos de cana-de-açúcar (A, B, C e D).
Coleta realizada em plantio de cana-de-açúcar na zona da Mata do Estado de
Alagoas. Período de fevereiro a agosto de 2012.

B

A
Pedro, R. J. S. (2012)

C
Pedro, R. J. S. (2012)

D
Duarte, M. E. (2012)

Duarte, M. E. (2012)

Na área de Mata Atlântica, foi realizada observação prévia das principais plantas
nativas da região e em uma das espécies mais frequentes foram realizadas as coletas de folhas
nas mesmas. Coletaram-se folhas de Cupania vernalis (Sapindaceae) (Figura 3). As amostras
de folhas foram retiradas dos quatro quadrantes de seis plantas, nas regiões: apical, mediana e
basal, seguindo os mesmos procedimentos de acondicionamento citados anteriormente para
cana-de-açúcar.

Figura 3. Retirada e acondicionamento das amostras de folhas de Cupania vernalis (A, B e
C). Coleta realizada em Mata Atlântica na Reserva Madeiras na zona da Mata do
Estado de Alagoas. Período de fevereiro a agosto de 2012.

C

B

A
Santos, L. R. (2012)

Santos, L. R. (2012)

Santos, L. R. (2012)

Após a coleta das folhas nas duas áreas, todo material foi transportado em caixas
térmicas com Gelo-x® para os Laboratórios de Entomologia/Acarologia do Campus
Arapiraca e do Centro de Ciências Agrárias (CECA) da Universidade Federal de Alagoas.

3.2.2 Extração, triagem e montagem dos ácaros

A extração dos ácaros ocorreu utilizando-se microscópio estereoscópico e pincel de
cerdas finas. Os espécimes encontrados foram coletados, quantificados e acondicionados em

35

ependorfes contendo solução de álcool a 70%, posteriormente foram montados em lâminas
para microscopia com meio de Hoyer (MORAES; FLECHTMANN, 2008), permanecendo em
estufa por sete dias a 50°C. Após esse período foi feita a lutagem e classificação dos
espécimes, utilizando-se para tal, chaves dicotômicas especializadas. As classificações e
identificações foram realizadas inicialmente nos Laboratório de Entomologia da UFALCampus Arapiraca e do CECA, Rio Largo. O material que não foi passível de identificação
nos laboratórios citados foi identificado no Laboratório de Acarologia do Departamento de
Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola da Escola Superior de Agricultura “Luiz de
Queiroz”, Campus de Piracicaba da Universidade de São Paulo, que teve como colaborador o
Professor Dr. Gilberto José de Moraes (especialista na área) e os Eriofiídeos foram
identificados no Laboratório de Quarentena vegetal da Embrapa Recursos Genéticos e
Biotecnologia em Brasília/ DF, sob a supervisão da Drª Denise Navia Magalhães Ferreira
(Especialista em Eriophyoidea e Tetranychoidea).
Após a identificação, as lâminas foram enumeradas, etiquetadas e armazenadas em
caixas apropriadas.

3.3 Resultados
Foi coletado neste estudo, um total de 4442 ácaros (adultos e imaturos).
3.3.1 Levantamento de ácaros plantícolas associados à cultura da cana-de-açúcar e à
Cupania vernalis.
Foi coletado em cana-de-açúcar um total de 2564 ácaros (adultos e imaturos), sendo a
maioria dos espécimes coletados observada na coleta realizada no verão. Destes, mais de 42%
foram encontrados nas folhas apicais, aproximadamente 29 e 27% nas folhas medianas e
basais, respectivamente e menos de 1% nos colmos. Já em C. vernalis 1878 (adultos e
imaturos), a maioria dos ácaros foi coletada, principalmente na coleta correspondente ao
outono, cerca de 40% nas folhas apicais e 30% nas folhas medianas e basais. (Tabela 1).

Tabela 1 - Total de ácaros associados à cana-de-açúcar e à Cupania vernalis na zona da Mata
do Estado de Alagoas. Período de fevereiro a agosto de 2012.

36

Substratos

Verão
Total
%

Folhas apicais
Folhas medianas
Folhas Basais
Colmos
Total

628
309
167
0
1104

56,9
28,0
15,1
0,0
100,0

Folhas apicais
Folhas medianas
Folhas Basais
Total

161
103
146
410

39,3
25,1
35,6
100,0

Outono
Inverno
Total
%
Total
%
Cana-de-açúcar
108
21,6
356
37,1
219
43,8
225
23,4
168
33,6
370
38,5
5
1
9
0,9
500
100
960
100,0
Cupania vernalis
331
46,5
258
34,3
269
37,8
201
26,7
112
15,7
294
39,0
712
100,0
753
100,0

Geral
Total
%
1092
753
705
14
2564

42,6
29,4
27,5
0,5
100,0

750
576
552
1878

39,9
30,7
29,4
100,0

3.3.2 Ácaros associados à cultura da cana-de-açúcar e à caboatã em fragmento de Mata
Atlântica na zona da Mata do Estado de Alagoas.

A família Eriophyidae foi a que apresentou as maiores proporções nas duas espécies
vegetais estudadas, nas três regiões das folhas (apicais, medianas e basais) e em todas as
coletas dentro de suas respectivas estações do ano (verão, outono e inverno) (Tabelas 2 e 3).
Associados á cana-de-açúcar foram coletados ácaros pertencentes à subordem
Prostigmata e ordem Mesostigmata distribuídos em sete famílias, sendo mais abundantes os
ácaros pertencentes às famílias: Eriophyidae, Tetranychidae e Tarsonemidae.
Nas folhas apicais os Eriofiídeos corresponderam mais de 70% dos ácaros encontrados
em todo o período de coleta, Tetranychidae apresentou maior proporção na coleta do outono,
com mais de 21%. A família Iolinidae foi encontrada nas coletas do outono e inverno e
correspondeu a menos de 3%. Já as famílias Tarsonemidae e Phytoseiidae foram observadas
somente na coleta do inverno e reprasentaram menos de 2%.
Nas folhas medianas os Tetraniquídeos apresentaram as maiores proporções no verão
(51,0%) e no outono (59%), no inverno reduziu para 20%. Os Eriophyidae apresentaram 48;
35 e 40% nesse mesmo período, respectivamente. A família Tarsonemidae teve maior
proporção no período do inverno, com mais de 33% dos ácaros coletados, assim como, os
Phytoseiidae que apresentaram 4,4%.
Nas folhas basais os Eriophyidae foram encontrados em maiores proporções apenas no
verão (73,1%), no outono e inverno esse percentual reduziu para menos de 14%. Neste
mesmo período os Tetranychidae apresentaram aproximadamente 19; 77 e 34%,

37

respectivamente. Os Tarsonemidae apresentaram na coleta do verão e do outono uma média
de 4% e no inverno essa proporção aumentou para mais de 49%. As famílias: Phytoseiidae e
Cheylletidae, que são predadores, Tydeidae e Iolinidae, que possuem hábitos alimentares
diversificados, representaram menos de 4% dos ácaros coletados (Tabela 2).
Nos colmos foi encontrado um número bem reduzido de espécimes, representados por
Oribatida, Astigmatina e Tarsonemidae.

38

Tabela 2 - Quantidade e proporções de famílias de ácaros coletados em cana-de-açúcar na
zona da Mata do Estado de Alagoas. Período de fevereiro a agosto de 2012.
Cheylletidae
Táxons
Prostigmata
Eriophyidae
Tetranychidae
Tarsonemidae
Iolinidae
Mesostigmata
Phytoseiidae
Total

Prostigmata
Eriophyidae
Tetranychidae
Tarsonemidae
Iolinidae
Mesostigmata
Phytoseiidae
Total

Prostigmata
Eriophyidae
Tetranychidae
Tarsonemidae
Iolinidae
Tydeidae
Cheylletidae
Mesostigmata
Phytoseiidae
Total

Prostigmata
Tarsonemidae
Astigmatina
Oridatida
Total

Verão
Total

%

Outono
Inverno
Folha Apical
Total
Total
%
%

622
6
0
0

99,0
1,0
0,0
0,0

82
23
0
3

75,9
21,3
0,0
2,8

319
14
5
4

0
628

0,0
100,0

0
108

Total

%

146
156
0
1

Total
Total

%

93,0
4,1
1,5
1,2

1023
43
5
7

94,8
4,0
0,5
0,6

0,3
100,0

1
1079

0,1
100,0

Total

0,0
1
100,0
343
Folha Mediana
Total
%

%

Total

%

48,0
51,3
0,0
0,3

77
130
4
5

35,2
59,4
1,8
2,3

90
45
75
5

40,0
20,0
33,3
2,2

313
331
79
11

41,8
44,3
10,6
1,5

1
304

0,3
100,0

3
219

4,4
100,0

14
748

1,9
100,0

Total

%

Total

1,4
10
100,0
225
Folha Basal
Total
%

%

Total

%

122
32
5
4
0
1

73,1
19,2
3,0
2,4
0,0
0,6

23
130
7
2
0
0

13,7
77,4
4,2
1,2
0,0
0,0

51
125
182
4
1
0

13,8
33,8
49,2
1,1
0,3
0,0

196
287
194
10
1
1

27,8
40,7
27,5
1,4
0,1
0,1

3
167

1,8
100,0

6
168

7
370

1,9
100,0

16
705

2,3
100,0

Total

%

3,6
100,0
Colmos
Total
%

Total

%

Total

%

0
0
0
0

0,0
0,0
0,0
0,0

3
1
5
9

33,3
11,1
55,6
100,0

3
4
7
14

21,4
28,6
50,0
100,0

0
3
2
5

0,0
60,0
40,0
100,0

Em C. vernalis a maioria dos ácaros coletados pertence à subordem Prostigmata, que
teve como principal representante, em todas as coletas e regiões da planta (folhas apicais,

39

medianas e basais), a família Eriophyidae. Nas folhas apicais essa família apresentou
proporções 82 e 70%, no verão, outono e inverno, respectivamente. A família Tarsonemidae
apresentou uma média de 3,4, no entanto a menor proporção foi observada no outono. Já as
famílias Stigmaeidae, Tetranychidae, Tenuipalpidae, Tydeidae, Iolinidae, Eupalopsellidae,
Eupodidae e Cunaxidae apresentaram proporções entre 0,3 a 2,4% dos ácaros coletados em
todas as coletas.
Pertencentes à ordem Mesostigmata estão às famílias Ascidae que foi a mais
representativa, com proporções de 8,4; 2,5 e 4,8% no verão, outono e inverno,
respectivamente e Phytoseiidae que apresentou média de 1%. Foram encontrados também
ácaros pertencentes à subordem Oribatida e ao grupo Astigmatina com médias de 15,3 e
3,5%, sendo encontrados em maiores proporções na coleta do verão (Tabela 3).
Nas folhas medianas os eriofiídeos apresentaram proporções de 14% no verão,
74,3% no outono e 51% no inverno, para os Tarsonemidae foi observada a menor proporção
na coleta do outono, nas demais estações a média foi de 10. As demais famílias de
Prostigmata apresentaram entre 0,3 a 4,7% no verão, 0,3 a 1,4% no outono e 0,5 a 1,9% no
inverno. Entre os Mesostigmata, a família Ascidae apresentou no verão e no inverno
aproximadamente 11,5% e no outono 2,8%. Os Fitoseídeos apresentaram proporções de
aproximadamente 5; 2 e 4% no verão, outono e inverno, respectivamente. Oribatida e
Astigmatina foram encontrados em maiores proporções no verão com 25,6 e 19,8%,
respectivamente (Tabela 3).
Nas folhas basais, os Eriophyidae mais uma vez foram encontrados em maiores
proporções 58,2; 53,1 e 77,5% no verão, outono e inverno, respectivamente. Os demais
representantes de Prostigmata apresentaram variações entre 0,4 a 3,2%. A família Ascidae
apresentou proporções entre 3,0 a 5,6%; já os Phytoseiidae apresentaram em média menos de
2%. Os Oribatida tiveram uma proporção acima de 35% no outono. Astigmatina teve uma
média de aproximadamente 3%.

40

Tabela 3 - Famílias de ácaros e suas proporções coletados em Cupania vernalis em
fragmentos de Mata Atlântica na zona da Mata do Estado de Alagoas. Período de fevereiro a
agosto de 2012.
Verão
Total
%
Ordem/família
Prostigmata
Eriophyidae
Tarsonemidae
Stigmaeidae
Cunaxidae
Iolinidae
Tetranychidae
Eupalopsellidae
Tenuipalpidae
Tydeidae
Eupodidae
Mesostigmata
Ascidae
Phytoseiidae
Astigmatina
Oribatida
Total

Prostigmata
Eriophyidae
Tarsonemidae
Stigmaeidae
Cunaxidae
Iolinidae
Tetranychidae
Eupalopsellidae
Tydeidae
Cheylletidae
Mesostigmata
Ascidae
Phytoseiidae
Astigmatina
Oribatida
Total

Outono
Inverno
Total
%
Total
%
Folha Apical

Total
Total
%

46
7
3
2
2
0
0
0
0
1

35,1
5,3
2,3
1,5
1,5
0,0
0,0
0,0
0,0
0,8

269
4
0
1
2
0
0
1
2
0

82,5
1,2
0,0
0,3
0,6
0,0
0,0
0,3
0,6
0,0

176
13
6
0
0
2
2
0
0
0

70,1
5,2
2,4
0,0
0,0
0,8
0,8
0,0
0,0
0,0

491
24
9
3
4
2
2
1
2
1

69,4
3,4
1,3
0,4
0,6
0,3
0,3
0,1
0,3
0,1

11
4
16
39
131

8,4
3,1
12,2
29,8
100,0

8
0
4
35
326

4,8
0,4
2,0
13,5
100,0

31
5
25
108
708

4,4
0,7
3,5
15,3
100,0

Total

%

Total

2,5
12
0,0
1
1,2
5
10,7
34
100,0
251
Folha mediana
%
Total

%

Total

%

12
10
4
3
2
1
0
1
0

14,0
11,6
4,7
3,5
2,3
1,2
0,0
1,2
0

214
1
4
1
3
1
0
0
1

74,3
0,3
1,4
0,3
1,0
0,3
0,0
0,0
0,3

108
21
4
0
0
0
2
0
1

51,2
10,0
1,9
0,0
0,0
0,0
0,9
0,0
0,5

334
32
12
4
5
2
2
1
2

57,1
5,5
2,1
0,7
0,9
0,3
0,3
0,2
0,3

10
4
17
22
86

11,6
4,7
19,8
25,6
100,0

8
4
2
49
288

2,8
1,4
0,7
17,0
100,0

24
8
4
39
211

11,4
3,8
1,9
18,5
100,0

42
16
23
110
585

7,2
2,7
3,9
18,8
100,0
Continua...

41

Tabela 3 - Famílias de ácaros e suas proporções coletados em Cupania vernalis em
fragmentos de Mata Atlântica na zona da Mata do Estado de Alagoas. Período de
fevereiro a agosto de 2012.
Continuação
Verão
Ordem/Família
Prostigmata
Eriophyidae
Tarsonemidae
Stigmaeidae
Cunaxidae
Iolinidae
Tetranychidae
Eupalopsellidae
Tenuipalpidae
Eupodidae
Bdellidae
Mesostigmata
Ascidae
Phytoseiidae
Astigmatina
Oribatida
Total

Total

%

Outono
Inverno
Folha basal
Total
%
Total
%

78
1
0
2
2
2
1
1
1
1

58,2
0,7
0,0
1,5
1,5
1,5
0,7
0,7
0,7
0,7

68
2
0
3
2
0
0
0
1
0,0

53,1
1,6
0,0
2,3
1,6
0,0
0,0
0,0
0,8
0,0

193
8
1
0
0
0
0
0
0
0,0

4
2
10
29
134

3,0
1,5
7,5
21,6
100,0

5
0
1
46
128

3,9
0,0
0,8
35,9
100,0

14
4
3
26
249

Total
Total

%

77,5
3,2
0,4
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0

339
11
1
5
4
2
1
1
2
1,0

66,3
2,2
0,2
1,0
0,8
0,4
0,2
0,2
0,4
0,2

5,6
1,6
1,2
10,4
100,0

23
6
14
101
511

4,5
1,2
2,7
19,8
100,0

3.3.4 Diversidade de gêneros e morfoespécies de Prostigmata e Mesostigmata.

As famílias que apresentaram maior diversidade foram Tarsonemidae, Eriophyidae e
Phytoseiidae.
A família Tarsonemidae foi a mais diversificada, apresentou nove espécies. Destas,
quatro são de ocorrência nas duas espécies vegetais estudadas (cana-de-açúcar e caboatã) e a
maioria foi identificada até então como prováveis espécies novas, sendo classificadas em
morfoespécies. A família Eriophyidae apresentou sete espécies diferentes, sendo cinco
espécies identificadas como novas em Caboatã. Em cana-de-açúcar foram encontradas duas
espécies, destas, uma é espécie nova para a ciência e será descrita no tópico 5.

42

Tabela 4 – Plantas hospedeiras, gêneros e morfoespécies das principais famílias acarinas
coletados na zona da mata do Estado de Alagoas. Período de fevereiro a agosto
de 2012.
Família/espécie vegetal
Poaceae
Saccharum sp

Famílias acarinas Espécie acarina
Eriophyidae
Tetranychidae
Tarsonemidae

Cheylletidae
Phytoseiidae

Sapindaceae
Cupania vernalis

Eriophyidae

Tetranychidae
Tarsonemidae

Tenuipalpidae

Eupalopsellidae
Stigmaeidae
Cheylletidae
Phytoseiidae

Ascidae

Hábito alimentar

Abacarus sacchari
Abacarus sp. n.
Monoceronychus linki
Oligonychus sp.1
Neotarsonemoide sp.
Tarsonemus sp.2
Tarsonemus sp3
Tarsonemus aff. cornus sp.2
Paracheyletiella sp.
Amblyseius tamatavensis
Typhlodromips mangleae
Neoseiulus anonymus

Fitófago
Fitófago
Fitófago
Fitófago
Fungívoro
Fungívoro
Fungívoro
Fungívoro
Predador
Predador
Predador
Predador

Adenocolus sp.1 e 2 ?
Liparus sp.1 e 2?
Gammaphytoptus sp.?
Paracolomerus sp. ?
Oligonychus sp.2
Atrichoproctus sp.
Tarsonemus sp.1
Tarsonemus sp.2
Tarsonemus sp.3
Tarsonemus aff. cornus sp1
Neotarsonemoide sp.
Xenotarsonemus sp.1
Metatarsonemus sp.
Daidalotarsonemus sp.
Fungitarsonemus lodici
Tenuipalpus sp.
Brevipalpus sp.
Ultratenuipalpus sp.
Exothorhis sp.
Agistemus sp.
Paracheyletiella sp.
Ambllyseus euterpes
Ambllyseus operculatus
Ambllyseius tamatavensis
Typhlodromips mangleae
Asca aff. capria

Fitófago
Fitófago
Fitófago
Fitófago
Fitófago
Fitófago
Fungívoro
Fungívoro
Fungívoro
Fungívoro
Não definido
Não definido
Fitófago?
Fitófago?
Fungívoro
Fitófago
Fitófago
Fitófago
Predador
Predador
Predador
Predador
Predador
Predador
Predador
Predador

43

Em caboatã foram encontradas cinco espécies de Eriophyidae novas para a ciência,
sendo duas pertencentes à subfamília Nothopodinae e a tribo Colopodacini, e estão próximo
ao gênero Liparus Boczek 1996 ou ao gênero Adenocolus Meyer e Ueckermann 1997. As
outras duas espécies pertencem à subfamília Cecidophyinae e tribo Colomerini, sendo uma
das espécies próxima ao gênero Gammaphytoptus Keifer, 1939 e a outra espécie próxima ao
gênero Paracolomerus Keifer, 1975 (Tabela 4). A quinta espécie não pôde ser identificada,
devido ao número reduzido e a conservação desses exemplares montados.
A família Phytoseiidae apresentou cinco espécies, destas, duas são de ocorrência
simultânea em ambas as plantas estudadas (cana-de-açucar e caboatã).
Quatro espécies de Tetranychidae foram encontradas, sendo duas em cana-de-açucar e
duas em caboatã. Os Tenuipalpidae também foram representados por quatro espécies, todas
encontradas em caboatã. As famílias Cheylletidae, Stigmaeidae, Eupalopsellidae e Ascidae
foram representadas apenas por uma espécie cada.
Os ácaros Cunaxidade, Tydeidae e Iolinidae, Bedellidae e Eupodidae foram
identificados apenas até o nível taxonômico de família, devido à pequena quantidade, bem
como a conservação de alguns exemplares montados.

3.4 Discussão

Foi possível observar que o maior número de ácaros associados à cana-de-açucar foi
no verão e no inverno que corresponderam a períodos de menor precipitação em comparação
aos dados obtidos com as coletas do outono, período de níveis pluviométricos mais elevados
que teve como consequência uma redução no número de ácaros. O oposto ocorreu em
caboatã, que teve maior número de espécies de ácaros quando a pluviosidade foi mais elevada
(outono), fato este que pode está relacionado ao número de Eriofiídeos encontrados nesse
período. Observou-se que esses ácaros ficam protegidos dentro de domácias em folhas de
caboatã além da cobertura da mata que protege as plantas menores da incidência direta das
chuvas, como foi o caso das plantas que foram coletadas, dessa forma, a precipitação pode
não ter interferido na redução de sua população.
A maior diversidade de famílias encontradas em mata, já era esperada, visto que
áreas naturais abrigam uma diversidade maior de espécies. Isto poderá ser em função da
abundância de hospedeiros ali presentes e também do menor grau de perturbações antrópicas.

44

Neste estudo coletou-se apenas em uma espécie vegetal e foi possível verificar uma grande
diversidade de ácaros nessa planta. Dessa forma infere-se que a riqueza de espécies que pode
ser encontrada nestas áreas é muito maior do que as tendências projeções. A presença de
vegetação natural próxima a áreas agrícolas pode proporcionar a migração e manutenção de
inimigos naturais no interior destas (TIXIER et al., 2000; ALTIERI, 2002). Além disso, esses
habitats naturais podem servir como um reservatório de espécies que podem se tornar pragas
agrícolas, caso encontrem condições favoráveis e hospedeiros susceptíveis, nestes ambientes,
estes organismos raramente atingem altos níveis populacionais (SILVA et al., 2010).
A implantação da agricultura implica na simplificação da estrutura do ambiente,
substituindo a diversidade natural por um pequeno número de espécies de plantas cultivadas
(ALTIERI et al., 2002). Essa substituição pode causar um desequilíbrio neste ambiente em
que a cultura é implantada e acaba favorecendo o surgimento de pragas, pelo fato destas
encontrarem nestes locais condições favoráveis (como baixa ocorrência de inimigos naturais)
para o seu desenvolvimento (ALBURQUEQUE, 2006).
Em cana-de-açúcar a maioria dos ácaros encontrados foi fitófaga. Os maiores índices
de Eriophyidae encontrados principalmente nas folhas apicais das duas espécies vegetais
estudadas, pode estar relacionado com o hábito alimentar desses organismos que preferem
tecidos mais tenros devido ao tamanho reduzido do seu aparelho bucal (MORAES e
FLECTMANN, 2008).
Em cana-de-açúcar, das espécies de Eriophyidae observadas A. sacchari já relatada
no Brasil por Flechtmann e Aranda (1970) e pela primeira vez no Estado de Alagoas. Este
ácaro, até então, não é considerado uma praga de importância significativa para esta cultura
no Brasil (MORAES; FLECHTMANN, 2008). No entanto, em alguns países como
Venezuela, Austrália (OZMAN-SULLIVAN, AMRINE; WALTER, 2006) e Costa Rica
(AGUILAR; MURILLO, 2012), o ataque de ácaros desse gênero tem causado danos
significativos à cultura da cana-de-açúcar.
Atualmente, existem outras duas espécies do gênero Abacarus causando danos em
cana-de-açúcar, Abacarus queenslandiensis Ozman-Sullivan, Amrine; Walter, 2006 relatada
na Austrália e Abacarus doctus Navia; Flechtmann, 2011, que foi relatada em Costa Rica
causando danos à cultura (AGUILAR et al. 2010; NAVIA et al., 2011). Foi relatada A. doctus
também em El salvador (Ellio Guzzo - Embrapa Tabuleiros Costeiros, não publicado). Em
altos níveis populacionais, este ácaro pode causar manchas avermelhadas ou bronzeadas, que
podem espalhar-se aleatoriamente nas superfícies das folhas. Os sintomas podem ser
confundidos com os Provocados por fungos Puccinia spp. que causam ferrugem e é

45

comumente associado à cultura da cana (AGUILAR et al. 2010; NAVIA et al., 2011). Os
sintomas causados aparentemente pela nova espécie de Abacarus encontrada nesse estudo,
são semelhantes aos relatados por Aguilar et al. (2010) e Navia et al. (2011). E geralmente
são confundidos por agrônomos e agricultores da região, como sendo problemas causados por
fungos. Esses sintomas já são perceptíveis na maioria dos canaviais de Alagoas, durante a
realização das coletas, ao observarem-se algumas plantas, eram nítidos os danos ocasionados
possivelmente pelo ácaro.
Segundo Aguilar; Murillo (2012), algumas das variedades de cana mais susceptíveis
ao ataque de A. doctus em Costa Rica e que apresenta uma manifestação dos sintomas mais
evidentes são SP-71-5574, RB-73-9735, SP-79-2233, CP-89-2143, MEX 57-473, e outras de
diversas origens. Foi observado ainda que a suscetibilidade ao ataque desses ácaros a essas
variedades tem sido constatada em todas as zonas produtoras de cana do país. No presente
trabalho, a variedade estudada foi RB92579, esta é predominante nas regiões próximas à área
em que as coletas foram realizadas. É bem provável que esta variedade também seja
suscetível ao ataque de Abacarus sp.
Em caboatã, das cinco espécies novas de Eriophyidae encontradas, duas
aparentemente pertencem ao gênero Liparus Boczek 1996, mas difere deste por apresentar os
anéis dorsais uniformemente microtuberculados. Em Liparus, os microtubérculos são restritos
a uma banda longitudinal mediana, ou pode ser Adenocolus Meyer & Ueckermann 1997, mas
difere por não apresentar tíbia fundida ao tarso. Em Adenocolus a tíbia é totalmente fundida
ao tarso. As duas novas espécies diferem pelo comprimento da seta escapular e de outras setas
e pela ornamentação do propodossoma. As outras duas espécies pertencem a gêneros
distintos, Gammaphytoptus Keifer, 1939. Neste gênero os anéis dorsais são ondulados.
Entretanto, para a espécie encontrada em caboatã isto não foi observado. A outra espécie
aproxima-se do gênero Paracolomerus Keifer, 1975. Entretanto, difere deste pela
ornamentação na coxa I. Paracolomerus tem linhas transversais que ligam as setas coxais, isto
não foi observado na espécie nova. A quinta espécie observada em caboatã não foi possível
chegar a nenhum gênero próximo, devido ao pequeno número e estados de conservação dos
exemplares montados.
Esses ácaros eriofiídeos foram encontrados, em sua maioria, associados à domácias,
em folhas de caboatã, no entanto, não se sabe ao certo quantas ocorrem dentro dessas
estruturas, visto que algumas foram observadas na parte abaxial da folha sobre a nervura
central. Em trabalho realizado por Romero; Benson (2005), foram observados também ácaros
eriofiídeos (não identificados) associados à domácias em caboatã, verificou-se que estes

46

ácaros bloqueavam a entrada das domácias com exúvias em conjunto com material de seda,
possivelmente como uma forma de defesa adicional contra a predação, o que foi observado
também no presente estudo.
Dos tetraniquídeos encontrados em cana-de-açúcar, está o ácaro M. linki que foi
relatado pela primeira vez no Brasil em 1975, por Flechtmann, no entanto, não existe relato
dos possíveis danos causados por este ácaro em cana-de-açúcar. Esses organismos foram
encontrados principalmente na face abaxial das folhas medianas e basais da planta,
principalmente próximos à nervura central. São ácaros relativamente grandes, possuem o
primeiro par de pernas alongadas e não produzem teias, característica da subfamília
Bryobinae à qual pertencem. Apesar de terem sido encontrados em grande quantidade, não foi
possível caracterizar os possíveis danos causados por esta espécie. No Rio Grande do Sul foi
encontrada também em capim coqueirinho (Eustachys distichophylla Lag. Nees), a espécie
Monoceronychus tchecensis Mendonça; Navia; Flechtmann, 2010 (MENDONÇA, 2010).
Essa planta pertence à família Poaceae, a qual também está inserida a cana-de-açúcar.
No Brasil há relato de duas espécies de ácaros do gênero Oligonychus em cana-deaçúcar, O. grypus e O. pratensis. Segundo Moraes e Flectmann (2008), O. grypus foi
registrada em altos níveis populacionais em uma extensa área no Estado do Maranhão, onde
as plantas estavam no estágio inicial de desenvolvimento, durante o período seco (A.
Mendonça, não publicado). As folhas foram severamente danificadas, tornando-se secas. O.
grypus foi relatado também em altas populações no Estado de São Paulo (ALMEIDA, et al,
2009). No presente estudo foram encontrados poucos exemplares desses ácaros na parte
abaxial das folhas formando teias e aparentemente não foi observado nenhum dano causado
por estes.

Não foi possível identificar até espécie, devido à pequena quantidade de

exemplares encontrados e ausência de machos para a visualização do edeago, estrutura
importante na identificação específica.
Em caboatã das duas espécies de tetraniquídeos encontradas, uma pertencente ao
gênero Oligonychus, mas é uma morfoespécie diferente da encontrada em cana e também
foram coletados poucos exemplares, a outra espécie pertence ao gênero Atrichoproctus com
apenas um exemplar; também não foi encontrado nenhum macho. Feres (2000) relatou a
ocorrência de ácaros do gênero Atrichoproctus, em seringueiras no Mato Grosso. E Buosi
(2004), verificou ácaros Oligonychus e Atrichoproctus associados à euforbiaceas em
fragmentos de mata estacional semidecidual no Estado de São Paulo.
Os ácaros Tarsonemídeos, também foram observados em grande quantidade
principalmente nas folhas medianas e basais de cana-de-açúcar distribuídos por toda a folha.

47

No Brasil há relato da ocorrência de duas espécies de ácaros Tarsonemidae nesta cultura,
Steneotarsonemus bancrofti (Michael, 1890) e Steneotarsonemus brasiliensis Flechtmann,
1993, que até então, não são considerados pragas de importância econômica para a cultura da
cana-de-açúcar no Brasil (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
No presente estudo, quatro morfoespécies, Tarsonemus sp.2, Tarsonemus sp.3,
Tarsonemus aff. Cornus sp.2 e Neotarsonemoide sp., foram encontradas em cana-deaçúcar e
também em caboatã, sendo verificada em caboatã Tarsonemus aff. Cornus sp. 1, outra espécie
semelhante a encontrada em cana-de-açúcar. Além destas foram observadas também
Tarsonemus sp. 1, Xenotarsonemus sp., Metatarsonemus sp., Daidalotarsonemus sp. e
Fungitarsonemus sp. Dessa forma, percebe-se que embora a maioria dessas espécies não seja
considerada praga para a agricultura, essa interação entre os dois ambientes reforça a ideia de
que, as pragas agrícolas podem ser originárias de habitats naturais, onde raramente atingem
altos níveis populacionais (SILVA et al., 2010).
Em um estudo realizado por Berton (2009) verificou-se a ocorrência em plantas
espontâneas de Fungitarsonemus sp., em plantas de fragmentos florestais, Tarsonemus sp. e
em cafezais Tarsonemus sp., Daidalotarsonemus sp. e Fungitarsonemus sp. esta, por sua vez,
foi a espécie mais numerosa em folhas de cafeeiro e não foi relatada como uma praga para a
cultura do café, porém, essa espécie pode servir como uma fonte de alimento alternativo, para
outros ácaros predadores favorecendo assim a presença dos inimigos naturais.
Buosi (2004) também relatou a ocorrência de Tarsonemus sp., Xenotarsonemus sp.,
Metatarsonemus sp., Daidalotarsonemus sp. e Fungitarsonemus sp. associados à plantas da
família Euphorbiaceae em fragmentos florestais de São Paulo. Lofego; Moraes (2006)
relataram esses mesmos gêneros associados a Mirtáceas em área de Cerrado, em São Paulo. E
Demite e Feres (2008) relataram Xenotarsonemus sp. e Daidalotarsonemus sp. em seringueira
também no Estado São Paulo.
Os ácaros Xenotarsonemus sp. ocorrem em regiões temperadas e tropicais, com ampla
distribuição geográfica e não possui hábito alimentar bem definido. Assim como
Fungitarsonemus sp., os ácaros do gênero Tarsonemus provavelmente alimentam-se de
fungos (LINDQUIST 1986). Com relação aos Metatarsonemus sp., não há estudos sobre os
hábitos alimentares de ácaros deste gênero (BERTON, 2009), porém, a coloração do conteúdo
intestinal, verde clara nas larvas e verde escura nos adultos, é um forte indicativo de que
sejam fitófagos (FERES et al., 2005). Segundo Lofego et al., (2005), espécies de
Daidalotarsonemus e Metatarsonemus, são provavelmente fitófagas.

48

Lofego e Moraes (2001) afirmam que não pode ser descartada a possibilidade de
algumas espécies fitófagas se tornarem pragas se introduzidas em uma nova área onde exista
uma cultura hospedeira favorável ao seu desenvolvimento e ausência de seus inimigos
naturais.
Neste estudo, a família Tenuipalpidae foi representada pelos gêneros Brevipalpus,
Tenuipalpus e Ultratenuipalpus, que foram encontrados apenas em caboatã, em um número
bem reduzido na parte abaxial das folhas. Diferentemente do que foi observado por Castro;
Moraes (2007), em um trabalho realizado em Mata Atlântica no Estado de São Paulo, estes
autores constataram que a família Tenuipalpidae foi a mais abundante dos ácaros fitófagos
encontrados. Sendo representado principalmente por morfo-espécies de Brevipalpus. Este
gênero coloniza um grande número de plantas frutíferas, ornamentais e florestais
(CHIELDERS e DERRICK, 2003; CALVOSO-MIRANDA et al., 2006). E são muito
importantes do ponto de vista agronômico, pelo fato de algumas espécies serem vetores de
viroses em plantas (WELBOURN, 2003). No Brasil, uma das principais espécies vetores de
virose é B. phoenisis, que é vetor do vírus da leprose dos citros (MORAES; FLECHTMANN,
2008).
As famílias Eupalopsellidae e Stigmaeidae foram representadas apenas por um gênero
cada, Exothoris sp. e Agistemus sp., respectivamente, ambos relatados neste estudo somente
em caboatã. Berton (2009), registrou a ocorrência dos dois gêneros em plantas de fragmentos
florestais no Estado de são Paulo, e de Agistemus sp. também em plantas espontâneas e na
cultura do café. Foi relatado ainda, em plantas euforbiáceas (BUOSI, 2004), em Mirtáceas
(LOFEGO; MORAES, 2006) e em Seringueira (DEMITE; FERES, 2008). Algumas espécies
de Agistemus são geralmente conhecidas como predadoras de eriofiídeos tetraniquídeos e
tenuipalpideos que são ácaros estritamente fitófagos (SANTOS; LAING, 1985). São muito
comuns, e ocorrem sobre um grande número de plantas (BUOSI, 2004).
Asca aff. capria (Ascidae) foi encontrada apenas em caboatã, foi uma das espécies
mais abundantes neste estudo associada a esta planta e assim como os eriopiídeos,
apresentaram-se frequentemente associadas às domácias, podendo ser predador desses ácaros.
Segundo Howard et al., (1990), o ácaro predador Proctolaelaps bikley (Bram, 1956), que
também pertence a família Ascidae é um dos predadores mais frequentes sobre Aceria
guerrenonis keifer (Eriophyidae) em frutos de coco.
A família Ascidae ocorre sobre plantas principalmente em regiões úmidas do globo
terrestre, sendo Lasioseius spp. e Asca spp. os grupos mais freqüentemente encontrados sobre
folhas (Moraes e Flechtmann 2008). Algumas espécies pertencentes a estes dois gêneros são

49

frequentemente encontradas associadas a Eriophyioidea e Tenuipalpidae, podendo atuar no
controle natural destes ácaros (Walter et al. 1993)
Em um estudo realizado por Romero et al., (2011) foi possível constatar também a
ocorrência de Asca sp. e outras espécies de ácaros predadores e fitófagos associados à
domácias em folhas de café. Mineiro et al (2009) e Berton (2009) relataram a ocorrência de
Asca sp. em folhas de café, no entanto, esses ácaros foram encontrados em pequenas
quantidades, diferentemente do que foi obtido neste estudo.
Embora ácaros do gênero Paracheyletiella sp. da família Cheylletidae tenham sido
encontrados neste estudo em folhas de cana-deaçúcar e de caboatã, indivíduos dessa família
não são frequentes e nem comuns de serem encontrados sobre plantas (MORAES;
FLECTMANN, 2008). Ácaros dessa família também foram relatados por Mineiro et al (2009)
e Berson (2009) em folhas de café.
As espécies Amblyseius tamatavensis (Blommers) e Typhlodromips mangleae De
Leon encontradas neste trabalho, ocorrem tanto em cana-de-açúcar, quanto em caboatã. A
espécie Neoseiulus anonymus (Chant e Baker) foi encontrada apenas em cana-de-açúcar e as
espécies Amblyseius euterpes Gondim e Moraes e Amblyseius operculatus De Leon somente
em caboatã. Em trabalho realizados por Lofego et al. (2009) foi constatada a ocorrência dos
fitoseídeos Neoseiulus anonymus em Melinis minutiflora Beauv e Brachiaria brizantha
(Hochst. ex A. Rich.) Stapf (Poaceae) e de Typhlodromips mangleae em

Brachiaria

decumbens Stapf, Brachiaria brizantha (Hochst. ex A. Rich.) Stapf, Brachiaria ruziziensis
Germ e Evrard, Melinis minutiflora Beauv., Panicum maximum Jacq. e Pennisetum
purpureum Schumach, no Estado de São Paulo, todas estas espécies vegetais são da família
Poaceae à qual pertence também a cana-de-açúcar.
Lofego; Moraes; Castro (2004) relataram a ocorrência de ácaros do gênero Amblyseius
e Neoseiulus e a espécie Typhlodromips mangleae (Phytoseiidae) associados á ácaros do
gênero Abacarus (Eriophyidae) em goiabeira (Psidium guajava L.) (Myrtaceae) no Estado de
São Paulo. Essa associação também foi observada em cana-de-açúcar no Estado de Alagoas,
bem como, em caboatã, no entanto os eriofiídeos associados esta planta pertencem a outros
gêneros citados anteriormente. O que pode ser um indicativo de que estes fitoseídeos podem
ser predadores também de eiofíideos.
Dessa forma, ressalta-se a importância de estudar a presença dos organismos na
vegetação natural. Esses estudos são fundamentais na obtenção de conhecimentos na área de
controle biológico. O conhecimento dos hospedeiros, ou substratos originais, e do sistema em
que estão inseridos também parecem fundamentais na tentativa de reestruturar o ambiente, de

50

forma a torná-lo mais favorável ao desenvolvimento de inimigos naturais e menos favorável
ao desenvolvimento de pragas (MORAES et al. 2001; SILVA, 2009). As alterações do
ambiente de forma equilibrada podem promover a manutenção de níveis mais adequados de
inimigos naturais de pragas nos agroecossistemas (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
3.5 – Conclusões
• A maior proporção de ácaros é encontrada em cana-de-açúcar.
• A maior diversidade de ácaros ocorre em Cupania vernalis.
• A maioria dos ácaros encontrados nas folhas apicais nos dois vegetais estudados,
pertence à família Eriophyidae.
• Cinco espécies novas de Eriophyidae foram encontradas em Caboatã (Cupania
vernalis) e uma em cana (Saccharum officinarum).
• A maioria dos ácaros encontrados nas folhas medianas e basais pertence às famílias
Tetranychidae e Tarsonemidae.

51

4 DIVERSIDADE DE ÁCAROS EDÁFICOS ASSOCIADOS A ÁREAS COM A
CULTURA DA CANA-DE-AÇÚCAR (Saccharum officinarum L.) E À MATA
ATLÂNTICA SOB CABOATÃ (Cupania vernalis Cambess) EM ALAGOAS.
RESUMO
Conhecer a fauna de ácaros edáficos da cultura da cana-de-açúcar é preponderante para
verificar o grau de perturbação que esta cultura pode causar na diversidade desses
organismos. Objetivou-se com este trabalho conhecer a fauna de ácaros edáficos na cultura da
cana-de-açúcar e em áreas de Mata Atlântica na Zona da Mata do Estado de Alagoas. Foram
realizadas três coletas entre os meses de dezembro de 2011 a junho de 2012. Coletaram-se
amostras de folhedo e de solo nas profundidades de 0-5, 5-10, 10-15 e 15- 20 cm nas duas
áreas supracitadas. Os ácaros foram extraídos utilizando funis de Berlese-Tullgren
modificado. Os espécimes encontrados foram quantificados e armazenados em tubos de
polietileno contendo álcool a 70%. Após esse procedimento foram montadas as lâminas para
posterior identificação, utilizando-se chaves dicotômicas especializadas. De um total de 1276
ácaros coletados em cana, 795 pertencem à subordem Oribatida, os demais pertencem à
Prostigmata, distribuídos entre as famílias Eupodidae, Cunaxidae, Bdellidae, Tydeidae,
Tarsonemidae, Stigmaeidae, e Cheyletidae; Mesostigmata, distribuídos nas famílias
Phytoseiidae, Leptolaelapidae, Ascidae, Laelapidae, Rhodacaridae, Ologamasidae e também
exemplares de Uropodina, um grupo muito abundante e diversificado, e Astigmata. Em mata
foram coletados 5645 ácaros, destes 3191 pertencem à Oribatida, os demais pertencem à
Mesostigmata, que apresentou um grande número e diversidade de espécies, sendo verificada
a ocorrência das famílias: Ascidae, Phytoseiidae, Digamasellidae, Rhodacaridae,
Ologamasidae, Blattisociidae, Podocinidae, Leptolaelapidae, Laelapidae, e representantes do
grupo Uropodina. Também foram encontrados espécimes de Prostigmata sendo bem
diversificada, incluindo as famílias: Cunaxidae, Bdellidae, Tydeidae, Stigmaeidae,
Eupodidae, Trombidiidae, Scutacaridae e Iolinidae. Coletou-se também ácaros do grupo
Astigmata. Conclui-se, que mesmo em ambientes com uma ação antrópica bastante elevada
como é o caso de plantio de cana de açúcar existe uma grande diversidade de ácaros. Porém
em mata a quantidade e diversidade foram superiores.
Palavras chave: Saccharum officinarum. Leptolaelapidae. Rhodacaridae. Ologamasidae.

52

4 DIVERSITY OF EDAPHIC MITES ASSOCIATED WITH AREAS WITH THE
CULTURE OF SUGAR CANE (Saccharum officinarum) AND ATLANTIC FOREST
UNDER CABOATÃ (Cupania vernalis) IN ALAGOAS
ABSTRACT
Meet to the mite fauna edaphic culture of sugar cane is preponderant to check the degree of
disturbance has ceased that can cause crop diversity in these organisms. The objective of this
work was to know the fauna of edaphic mites in the culture of sugar cane and in areas of
Atlantic Forest Zone in the State of Alagoas. Three collections were conducted between the
months of December 2011 to June 2012. Samples were collected from litter and soil at depths
of 0-5, 5-10, 10-15 and 15-20 cm in the two areas mentioned above. Mites were extracted
using Berlese-Tullgren modified. The specimens obtained were quantified and stored in
polyethylene tubes containing 70% alcohol. After this procedure the blades are mounted for
identification, using switches dichotomous specialized. From a total of 1276 mites collected
from sugarcane, 795 belong to the suborder Oribatida, Prostigmata others belong to spread
among families Eupodidae, Cunaxidae, Bdellidae, Tydeidae, Tarsonemidae, Stigmaeidae and
Cheyletidae; Mesostigmata, Phytoseiidae distributed in families, Leptolaelapidae, Ascidae,
Laelapidae, Rhodacaridae, and also exemplary of Ologamasidae Uropodina, a very abundant
and diverse, and Astigmata. In 5645 kills mites were collected, 3191 of these belong to the
Oribatida, Mesostigmata belong to others, which showed a large number and diversity of
species, and we found the occurrence of families: Ascidae, Phytoseiidae, Digamasellidae,
Rhodacaridae, Ologamasidae, Blattisociidae, Podocinidae, Leptolaelapidae, Laelapidae, and
representatives of the group Uropodina. Also found specimens of Prostigmata being well
diversified, including families: Cunaxidae, Bdellidae, Tydeidae, Stigmaeidae, Eupodidae,
Trombidiidae, Scutacaridae and Iolinidae. Was a collected mite also Astigmata group. It
follows that even in environments with a very high human action such as planting sugarcane
exists a great diversity of mites. But in forest the amount and diversity were higher.

Key words: Saccharum officinarum. Leptolaelapidae. Rhodacaridae. Ologamasidae.

53

4.1 Introdução
A cana-de-açúcar é uma cultura que se encontra bastante expandida por todo Brasil,
devido principalmente ao aumento da demanda por álcool para a produção de
biocombustíveis. Várias pesquisas voltadas ao melhoramento genético e aspectos nutricionais
são desenvolvidas, porém, pesquisas referentes à fauna edáfica nestes ambientes merecem
maior atenção, pois a diversidade e abundância destes organismos no solo, bem como a
presença de determinados grupos em um sistema, podem ser usados como bioindicadores da
qualidade do solo, pois são muito sensíveis a modificações da cobertura vegetal
(PASQUALIN, 2009).
Em ambientes naturais como áreas de Mata Atlântica, os estudos relacionados aos
organismos edáficos, principalmente os ácaros, são mais frequentes, embora ainda sejam
poucos. A exemplo, dos trabalhos realizados por Mineiro; Moraes, 2001; Arruda Filho;
Moraes, 2002; Silva, 2002; Zacarias; Moraes, 2002; Castro; Moraes, 2007 no sudeste do país.
No solo existe uma grande diversidade de organismos. Dentre estes, encontram-se os
ácaros que constituem um dos grupos mais abundantes e diversificados, principalmente em
ambientes naturais (OLIVEIRA, 1999).
Os ácaros representam grande parte da mesofauna presente no solo, podendo chegar a
78% em áreas de mata (TEIXEIRA; SCHUBART, 1988). São encontrados principalmente
nas primeiras camadas de solo e em folhedo (MINEIRO; MORAES, 2001; SILVA, 2002 e
FREIRE, 2007).
Os principais grupos de ácaros edáficos são: Oribatida, Mesostigmata, Prostigmata e
Astigmatiana. Destes, os mais abundantes são os oribatídeos.
Algumas atividades agrícolas, como a monocultura e as práticas convencionais de
preparo do solo, têm ocasionado alterações significativas na biodiversidade destes ambientes.
Por conta dessas atividades a vegetação natural vem sendo destruída, afetando dessa forma a
diversidade biológica.
Atualmente, ainda existe uma carência muito grande de trabalhos que visem conhecer
os artrópodes presentes no solo, principalmente no Estado de Alagoas. Portanto, estudar a
fauna de ácaros edáficos da cultura da cana-de-açúcar, bem como de ecossistemas naturais, é
preponderante para verificar o grau de perturbação que esta cultura pode causar na
diversidade desses organismos nas áreas cultivadas. Objetivou-se com este trabalho conhecer
a fauna de ácaros edáficos na cultura da cana-de-açúcar e em áreas de Mata Atlântica na Zona
da Mata do Estado de Alagoas.

54

4. 2 Material e Métodos

As coletas de ácaros edáficos foram realizadas em área com a cultura da cana-deaçúcar (9º 52”S, 36º19”W, 157m) e em um fragmento de Mata Atlântica (9º 51“S, 36º20“W,
79 m) conhecido como Reserva Madeiras. Localizados entre os municípios de Teotônio Vilela
e Junqueiro e Campo Alegre, Alagoas (Figura 1). Ambas as áreas pertencem às Usinas
Reunidas Seresta (9º 54“S, 36º19“W, 55m), que fica localizada no município de Teotônio
Vilela, a 101,2 Km da Capital Maceió no Estado de Alagoas. Este fragmento de Mata
Atlântica é uma área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) reconhecida pela
UNESCO como Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Foram realizadas
três coletas entre os meses de dezembro a junho de 2012, correspondendo aos finais da
primavera, do verão e do outono, com precipitação e temperatura média de 57,5 mm e 26,6ºC,
106,5 mm e 25,8ºC e 235,0 mm e 23,8ºC, respectivamente.
4.2.1 Coleta de ácaros edáficos em áreas com a cultura da cana-de-açúcar e em áreas de
Mata Atlântica.
Foram coletadas amostras de folhedo e solo nas duas áreas supracitadas.
Primeiramente, foram coletadas as amostras de folhedo, e em seguida, amostras de solo em
diferentes profundidades (0- 5, 5-10, 10- 15 e 15- 20- cm) (SILVA, 2002) em posição vertical
e na mesma direção.
As amostras foram retiradas a uma distância de aproximadamente 50 cm da base das
plantas. Para tal, foram utilizados cilindros metálicos com 9 cm de diâmetro e 5 cm de altura,
com uma das extremidades cortantes. Em cada ponto de coleta o cilindro foi posicionado com
a extremidade cortante para baixo e introduzido no solo através de golpes de martelo em uma
tábua sobreposta ao cilindro (EDWARDS, 1991). Cada cilindro, com sua amostra de solo, foi
retirado com auxílio de uma espátula e acondicionados separadamente em potes de PVC
devidamente identificados e acondicionados em caixas de isopor a uma temperatura de
aproximadamente 21ºC (Figura 4), e em seguida todo o material foi encaminhado ao
Laboratório de Entomologia/Acarologia da Universidade Federal de Alagoas - Campus
Arapiraca para extração, triagem e montagem dos exemplares.

55

Figura 4 - Coleta das amostras de folhedo (A) e solo (B); e acondicionamento do cilindro
metálico/ solo em recipientes plástico (C). Coleta realizada em plantio de canade-açúcar na zona da mata do Estado de Alagoas. Período de dezembro de 2011
a junho de 2012.

C

B

A

Duarte, M. E.(2012)

Duarte, M. E. (2012)

Duarte, M. E. (2012)

4.2.2 Extração e triagem dos ácaros edáficos
A extração dos ácaros de folhedo e solo foi feita utilizando-se um equipamento do tipo
Berlese-Tullgren modificado (OLIVEIRA, 1999). Este equipamento é composto por uma
caixa de madeira (100 x 70 x 50 cm), com capacidade para processar simultaneamente 30
amostras. A caixa é dividida em dois compartimentos por uma placa de poliestireno. No
compartimento superior foram colocadas as amostras de folhedo e solo (Figura 5 A), tendo
sobre cada uma destas uma fonte de calor (30 lâmpadas de 25 W) (Figura 5 B). No
compartimento inferior, sob cada perfuração da placa de poliestireno contendo uma amostra,
foi posicionado um funil de PVC e na extremidade inferior de cada um deles foi acoplado um
frasco de PVC com uma solução de álcool (70%), para o recebimento dos ácaros
(OLIVEIRA, 1999; SILVA, 2002) (Figura 5 C e D).
Figura 5 - Processo de extração de ácaros de folhedo e solo no funil de Berlese-Tullgren
modificado (A, B, C e D). Acondicionamento no compartimento superior e fontes
de calor (A, B), funis e frascos contendo álcool a 70% (Compartimento inferior)
(C) e acondicionamento dos ácaros após a extração para posterior triagem (D).
Laboratório de Entomologia/ Acarologia da universidade Federal de AlagoasCampus Arapiraca. Período de dezembro de 2011 a junho de 2012.

A
Sabino, A. R. (2011)

B
Santos, L. R. (2011)

C
Duarte, M. E. (2012)

D
Santos, L. R. (2011)

56

Neste trabalho, a extração dos ácaros ocorreu durante sete dias, com a intensidade das
lâmpadas aumentada gradualmente até o último dia, com as seguintes temperaturas: primeiro
dia as luzes permaneceram apagadas, com isto a temperatura inicial era a ambiente (25 ºC),
sendo acesas após 24 horas da colocação das amostras no extrator tendo um aumento de 5 ºC
a cada dia como segue: 30, 35, 40, 45, 50, e 55 ºC. Com o aumento da temperatura, as
amostras foram desidratadas gradualmente de cima para baixo, permitindo dessa forma que os
ácaros migrassem para a região inferior das amostras buscando temperatura amena, até o
momento em que os mesmos se desprendiam do substrato e caiam no funil que os conduzia
até a solução de álcool a 70%.
Depois desse procedimento o material coletado em cada frasco foi transferido para
placas de Petri para triagem, utilizando-se para tal microscópio estereoscópico com aumento
de 40X. Após essa extração os ácaros foram separados por ordem e transferidos, cada uma,
para ependorfs contendo solução de álcool a 70%. A seguir, foram montados em lâminas para
microscopia com meio de Hoyer (MORAES; FLECHTMANN, 2008) (Figura 6),
permanecendo em estufa por sete dias a 50°C, posteriormente, foi feita a lutagem com esmalte
incolor e classificação dos espécimes, utilizando-se para tal, chaves dicotômicas
especializadas e microscópio óptico com aumento de 40X. As classificações e identificações
foram realizadas inicialmente nos Laboratório de Entomologia da Universidade Federal de
Alagoas - Campus Arapiraca e do Centro Ciências Agrárias, Rio Largo, Alagoas. O material
que não foi passível de identificação nos laboratórios citados foi identificado no Laboratório
de Acarologia do Departamento de Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola da Escola
Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Campus de Piracicaba da Universidade de São
Paulo, que teve como colaborador o Professor Dr. Gilberto José de Moraes (especialista na
área).
O nível de identificação dos ácaros encontrados, variou de acordo com o grupo a que
cada um pertencia. Os Oribatida e Astigmata foram identificados apenas até o nível
taxonômico de subordem e grupo, respectivamente. Os Prostigmata foram identificados até
família e os Mesostigmata foram identificados até morfoespécie, dentro de cada gênero.

57

Figura 6 - Processo de triagem, acondicionamento e montagem dos ácaros edáficos (A, B, C
e D) Laboratório de Entomologia/ Acarologia da universidade Federal de
Alagoas- Campus Arapiraca e Laboratório de Entomologia do Centro de Ciências
Agrárias - Universidade Federal de Alagoas, Rio Largo AL. Período de dezembro
de 2011 a junho de 2012.

A

B

Duarte, M. E. (2012)

Duarte, M. E. (2012)

D

C
Santos, J. M. (2012)

Duarte, M. E. (2012)

4.2.3 Início de uma coleção de referência de ácaros do Estado de Alagoas.
Os ácaros coletados foram montados em lâminas para microscopia em meio de Hoyer,
postas a secar em estufa como descrito acima. Em seguida todas as lâminas foram vedadas
com esmalte, identificadas ao nível taxonômico possível, etiquetadas e armazenadas em
caixas apropriadas para preservação dos exemplares. As mesmas estão em processo de
catalogação para a montagem do banco de dados da Universidade Federal de Alagoas Campus
Arapiraca.
4.3 Resultados
Um total de 7064 ácaros (adultos e imaturos) foi coletado neste estudo.

4.3.1 Proporções de ácaros coletados em diferentes camadas do substrato e diferentes
estações
No folhedo obteveram-se as maiores proporções de ácaros, tanto para os dois
ambientes coletados quanto para a época de coleta. Houve uma variação de espécimes
bastante considerável nas proporções deste substrato entre as áreas e épocas de coleta (31,2 e
71,8%) (Tabela 5).
As proporções de ácaros na camada de 0- 5 cm foram sempre superiores a 14%,
atingindo até mais de 34%. O número de ácaros no solo, na maioria dos casos, reduziu
progressivamente à medida que as amostras foram tomadas em camadas mais profundas, com
exceção da camada de 15-20 cm, que na maioria das coletas foi um pouco superior que às

58

encontradas nas de 10-15 cm nas duas áreas. As proporções de ácaros nas camadas de 5-10,
10-15 e 15-20 cm, variaram consideravelmente entre 5,5 a 19,5% para as duas áreas (Tabela
5).

Tabela 5 - Proporções (%) de ácaros edáficos coletados em diferentes épocas do ano, em
folhedo em diferentes profundidades (cm) do solo, em área com cana-de-açúcar e
Mata Atlântica na zona da mata do Estado de Alagoas. Período de dezembro de
2011 a junho de 2012
Substratos
Folhedo
Solo (profundidade/ cm)

Primavera
Verão
Cana-de-açúcar
31,2
66,9

(0-5)
(5-10)
(10-15)
(15-20)

30,3
11,9
11,9
14,7

Folhedo
Solo (profundidade/ cm)

32,7

(0-5)
(5-10)
(10-15)
(15-20)

34,1
14,9
7,6
10,6

14,5
10,3
3,7
4,6
Mata Atlântica
56,0
22,9
8,0
6,4
6,7

Outono

Total

35,3

46,1

21,0
18,7
19,5
5,5

19,5
15,1
13,3
6,0

71,6

59,3

14,5
6,8
3,1
4,0

20,9
8,6
5,1
6,1

4.3.2 Totais e proporções de ordens de ácaros coletadas em Cana-de-açúcar e Mata
Atlântica
Os oribatídeos predominaram tanto no folhedo quanto no solo das duas áreas, (Tabela
6), com aproximadamente 67% do total de ácaros coletados nos dois substratos e locais de
coleta.
Os ácaros da ordem Mesostigmata foram mais abundantes em área de mata, com cerca
de 25 e 15% em folhedo e solo, respectivamente. Em cana-de-açúcar as proporções variaram
entre 17% (folhedo) e 13% (solo).
Os Prostigmata apresentaram maiores proporções em cana-de-açúcar nos dois
substratos. Em folhedo, a variação foi maior, apresentando aproximadamente 34% em cana e
5% em mata. Em solo, a proporção média foi de aproximadamente 14% paras as duas áreas.

59

Os ácaros do grupo Astigmatina, foram os menos frequentes com cerca de 2% em
ambos os substratos e áreas de coleta. No entanto, estes foram mais comuns em área de mata
nos dois substratos (Tabela 6).

Tabela 6 - Totais e proporções (%) de ácaros edáficos por ordem, coletados em dois
substratos em ambiente com a cultura da cana-de-açucar e de Mata Atlântica, na
zona da mata do Estado de Alagoas. Período de dezembro de 2011 a Junho de
2012

Ordens/subordens

Cana-de-açúcar
Total
%

Mata Atlântica
Total
%
Folhedo
46,7
2288
66,9
17,8
891
26,1
34,6
176
5,1
0,9
64
1,9
100,0
3419
100,0
Solo
67,1
1655
69,9
13,6
371
15,7
17,6
287
12,1
1,7
55
2,3
100,0
2368
100,0

Geral
Total

%

Oribatida
Mesostigmata
Prostigmata
Atigmatina
Total

259
99
192
5
555

2547
990
368
69
3974

64,1
24,9
9,3
1,7
100,0

Oribatida
Mesostigmata
Prostigmata
Atigmata
Total

431
87
113
11
642

2086
458
400
66
3010

69,3
15,2
13,3
2,2
100,0

4.3.3 Quantidade de famílias de Mesostigmata e Prostigmata.
Ácaros pertencentes a 19 famílias foram encontrados em folhedo (Tabela 7).
A diversidade de famílias distribuídas na ordem Mesostigmata, foi maior em ambiente
de mata, totalizando 10 famílias. A família Uropodidae foi a mais abundante e ocorreu
predominantemente em Mata Atlântica. A família Ascidae foi a segunda mais abundante nas
duas áreas com mais de 29% dos ácaros coletados. As demais famílias foram encontradas em
proporções menores, variando de 0,1 a 7,2%.
Os Prostigmata, apresentaram uma diversidade de nove famílias, sendo as maiores
proporções observadas nas famílias Tydeidae, Eupodidae e Cunaxidae, com cerca de 26, 25 e
13%, respectivamente em cana e 1; 24 e 16% em mata.
No presente estudo foi encontrado um número bastante considerável de ácaros
imaturos, não sendo possível dessa forma, classificar estes espécimes além de ordem e
subordem.

60

Tabela 7 - Número de ácaros e respectivas proporções de famílias de ácaros edáficos
coletados no folhedo em ambiente com cana-de-açúcar e Mata Atlântica na zona
da mata do Estado de Alagoas.
Famílias
Mesostigmata
Ascidae
Laelapidae
Ologamasidae
Rhodacaridae
Digamasellidae
Phytoseiidae
Podocinidae
Blatisosidae
Leptolaelapidae
Uropodidae
Protigmata
Tydeidae
Eupodidae
Cunaxidae
Tarsonemidae
Cheylletidae
Stigmaeidae
Bdellidae
Trombidiidae
Scutacaridae
Total

Cana-de-açúcar

%

Mata Atlântica

%

Total

%

27
0
0
0
0
1
0
0
1
2

21,8
0,0
0,0
0,0
0,0
0,8
0,0
0,0
0,8
1,6

192
54
47
9
5
5
4
1
1
212

30,9
8,7
7,6
1,4
0,8
0,8
0,6
0,2
0,2
34,1

219
54
47
9
5
6
4
1
2
214

29,4
7,2
6,3
1,2
0,7
0,8
0,5
0,1
0,3
28,7

33
31
17
6
4
1
1
0
0
124

26,6
25,0
13,7
4,8
3,2
0,8
0,8
0,0
0,0
100,0

1
24
16
5
1
25
8
7
5
622

0,2
3,9
2,7
0,8
0,2
4,0
1,3
1,1
0,8
100,0

34
55
33
11
5
26
9
7
5
746

4,6
7,4
4,4
1,5
0,7
3,5
1,2
0,9
0,7
100,0

No solo, foram identificadas 21 famílias de ácaros, sendo à maior diversidade
observada na subordem Prostigmata. Das famílias encontradas 12 pertencem a esta subordem
(Tabela 8). As maiores proporções estão distribuídas entre as famílias Tydeidae, Bdellidae e
Eupodidae, que predominaram na área com cana, apresentando 15,6; 13,3 e 12,4%,
respectivamente. Em mata, Tydeidae e Bdellidae apresentaram proporções próximas à 2%, e
Eupodidae 18,7%. As demais famílias apresentaram proporções médias de 0,2 a 4,6%.
A ordem Mesostigmata foi representada por nove famílias, sendo mais abundantes
Uropodidae e Leptolaelapidae com uma proporção média de 16,6 e 12%, encontradas
principalmente em mata. As demais famílias apresentaram uma média de 0,6 a 7%.

61

Tabela 8 - Totais e proporções (%) de famílias de ácaros edáficos coletados no solo em
ambiente com cana-de-açúcar e Mata Atlântica na zona da mata do Estado de
Alagoas. Período de dezembro de 2011 a Junho de 2012
Famílias
Mesostigmata
Leptolaelapidae
Ascidae
Ologamasidae
Digamasellidae
Rhodacaridae
Laelapidae
Phytoseiidae
Podocinidae
Uropodidae
Protigmata
Tydeidae
Bdellidae
Eupodidae
Cunaxidae
Tarsonemidae
Cheylletidae
Scutacaridae
Stigmaeidae
Tetranychidae
Trombidiidae
Iolinidae
Cryptognathidae
Total

Cana-de-açúcar

%

Mata Atlântica

%

Total

%

30
8
0
0
2
0
0
0
4

26,5
7,1
0,0
0,0
1,8
0,0
0,0
0,0
3,5

35
15
35
30
24
38
4
3
86

8,2
3,5
8,2
7,0
5,6
8,9
0,9
0,7
20,1

65
23
35
30
26
38
4
3
90

12,0
4,3
6,5
5,5
4,8
7,0
0,7
0,6
16,6

18
15
14
9
9
1
1
1
1
0
0
0
113

15,9
13,3
12,4
8,0
8,0
0,9
0,9
0,9
0,9
0,0
0,0
0,0
100,0

9
5
80
16
12
1
9
3
0
14
8
1
428

2,1
1,2
18,7
3,7
2,8
0,2
2,1
0,7
0,0
3,3
1,9
0,2
100,0

27
20
94
25
21
2
10
4
1
14
8
1
541

5,0
3,7
17,4
4,6
3,9
0,4
1,8
0,7
0,2
2,6
1,5
0,2
100,0

A maior diversidade de gêneros foi observada nas famílias Laelapidae e Rhodacaridae
(5), Ascidae e Ologamasidae (3), Podocinidae e Phytoseiidae (2), Leptolaelapidae e
Digamasellidae (1) (Tabela 9).
A maior diversidade de morfoespécies também foi observada em Laelapidae e
Rhodacaridae (7 e 6) respectivamente, seguidas por Ascidae e Ologamasidae (5). As demais
famílias apresentaram um a dois gêneros, cada um com uma morfoespécie.
No folhedo foi encontrada uma maior diversidade de gêneros (19) e morfoespécies
(28), que no solo (15 e 24), respectivamente principalmente em áreas de Mata Atlântica.

62

Tabela 9 - Quantidades de morfoespécie de ácaros Mesostigmata coletados em folhedo e solo
em ambiente com cana-de-açúcar e Mata Atlântica na zona da mata do Estado de
Alagoas. Período de dezembro de 2011 a junho de 2012.
Morfoespécies
Leptolaelapidae
Indutolaelaps sp.
Ascidae
Asca sp.1
Asca sp. 2
Asca sp. 3
Protogamasellus sp.
Gamasellodes sp.
Ologamasidae
Gamasiphis sp.1
Gamasiphis sp. 2
Ologamasus sp.1
Ologamasus sp. 2
Hidrogamasellus sp.
Laelapidae
Gaeolaelaps sp. 1
Gaeolaelaps sp. 2
Gaeolaelaps sp. 3
Cosmolaelaps sp.
Laelaps sp.
Stratiolaelaps sp.
Gymnolaelaps sp.
Rhodacaridae
Rhodacarellus sp. 1
Rhodacarellus sp. 2
Protogamaselopsis sp.1
Multidentorhodacarus sp.
Paragamasellevans sp.
Afrogamasellus sp.
Digamasellidae
Gênero n.
Podocinidae
Podocinela sp.
Podocinum sp.
Phytoseiidae
Propriosiapsis sp.
Amblyseius sp.
Total

Cana-de-açúcar
Folhedo
Solo

Mata Atlântica
Folhedo
Solo

1

28

1

35

0
0
0
23
1

0
0
0
8
0

22
124
11
10
2

2
7
0
6
0

0
0
0
0
0

0
0
0
0
0

14
3
15
0
15

23
0
0
1
1

0
0
0
1
0
0
0

0
0
0
1
0
0
0

11
9
10
12
1
7
0

5
16
3
8
0
5
1

1
0
0
0
0
0

1
1
0
0
0
0

6
0
1
1
0
0

15
1
0
0
1
4

0

0

5

28

0
0

0
0

2
0

0
1

0
0
27

0
0
39

1
1
284

0
0
163

63

No presente estudo foram agrupados até gênero e morfoespécies apenas os ácaros
pertencentes à subordem Mesostigmata.
4.4 Discussão
Em ambiente de Mata Atlântica o índice de ácaros foi sempre superior ao encontrado
em área com cana-de-açúcar. A maior ocorrência de ácaros nessas áreas pode ser explicada
pela menor ação antrópica nestes ambientes, proporcionando maior teor de matéria orgânica e
umidade, recursos estes que favorecem o surgimento de outros organismos, dos quais muitos
deles possam se alimentar (DUCATTI, 2002).
O menor índice de ácaros encontrados em área com cana-de-açúcar pode estar
relacionado aos tratos culturais aplicados nessas áreas, sendo a queimada, o uso de herbicidas
o revolvimento do solo e a adubação química algumas das principais razões. Segundo Nunes
et al., (2009), o uso do fogo utilizado como manejo em sistemas de produção, favorece a
redução da população edáfica nestes ambientes. A queimada de áreas para fins de plantio ou
colheita tem efeitos negativos sobre a fauna que habita o solo, pois elimina praticamente todos
os organismos que habitam o folhedo e as camadas mais superiores de solo, desfavorecendo
as relações ecológicas, reduzindo as fontes de alimento e abrigo (CORREIA; OLIVEIRA,
2000).
A menor quantidade de ácaros observada em área com cana, no período da primavera,
coincidiu com o início do desenvolvimento da cultura, período em que o solo estava mais
exposto a variações climáticas como a insolação por causa da remoção da cobertura em
virtude da queimada no período de colheita e a compactação do solo. Em mata também foi
observada neste mesmo período a menor quantidade de ácaros coletada. Observou-se ainda,
que o menor índice pluviométrico ocorreu na primavera, o que conta como um fator a mais
para justificar esse número reduzido de espécimes de ácaros encontrados nas duas áreas. A
baixa precipitação deixa o solo menos úmido proporcionando maior compactação deste,
podendo causar uma redução na taxa de reprodução e aumento da mortalidade dos organismos
presentes nestes substratos (LINS, 2004). Tischler (1955); Wallwork (1976); Oliveira (2010)
afirmaram que a exposição dos organismos a flutuações bruscas de temperatura, umidade e
compactação do solo produzem impactos negativos sobre a abundância da fauna edáfica.
Ao longo das coletas foi observado um aumento considerável no número de ácaros e,
consequentemente, na diversidade destes organismos nas duas áreas em que o estudo foi
desenvolvido. Uma possível explicação para esse aumento em área com cana pode está
relacionada à recuperação da comunidade de organismos edáficos com o desenvolvimento da

64

cultura. Os efeitos negativos observados inicialmente, sobre os organismos edáficos,
possivelmente em virtude do emprego de algumas práticas culturais, são posteriormente
compensados pelo desenvolvimento da cobertura vegetal que proporciona maior
sombreamento e umidade do solo e acúmulo de matéria orgânica, aumentando dessa forma, a
disponibilidade de alimento aos organismos e promovendo a formação de um microclima
temporariamente favorável para o desenvolvimento desses organismos e de outros que com
eles possam interagir (OLIVEIRA, 1999). A população de ácaros no solo varia de acordo
com diversos fatores como proporção de matéria orgânica, cobertura do solo, espécies
vegetais cultivadas, microclima, etc. (RIEFF et al., 2010).
A mesofauna é um importante bioindicador de alterações ambientais, principalmente
em locais que sofreram ação antrópica, podendo indicar o grau de degradação e/ou o estágio
de recuperação destas áreas (DUCATTI, 2002; LEIVAS; FISHER, 2008).
A monocultura como no caso da cana-de-açúcar, pode ter efeito negativo, sobre a
fauna presente no solo, reduzindo a diversidade nestes ambientes devido ao fornecimento de
matéria orgânica pouco diversificada, que pode favorecer determinadas espécies de ácaros e
desestabilizar a estrutura biológica do solo (FERREIRA; MARQUES, 1998; MUSSURY et
al., 2002; ARAÚJO; MONTEIRO, 2007). Já em ambientes naturais a grande abundância e
diversidade de ácaros encontrados nestas áreas demonstram que as condições diversificadas
de temperatura, umidade, disponibilidade de alimentos fornecidas nesses ambientes permitem
uma maior biodiversidade, devido à grande variedade de espécies vegetais e compostos
orgânicos presentes no folhedo (RIEFF et al., 2010). Estas informações corroboram com os
resultados observados no presente trabalho, que comprovaram as variações (quantidade e
diversidade) entre as populações de ácaros presentes em cana-de-açúcar e mata.
O maior número de ácaros encontrado no final do outono, nas duas áreas coincidiu
com o período de maior precipitação, ocorrida um mês antes das coletas. Em um
levantamento de ácaros edáficos em Mata Atlântica no Estado de São Paulo, Silva (2002),
observou as maiores quantidades de ácaros no período em que os índices pluviométricos
foram menores. Este autor ressalta ainda, que a menor precipitação ocorreu no período do
inverno, um mês antes da coleta. Mas, que aparentemente o fator mais estressante sobre os
ácaros edáficos na área em que o estudo foi realizado é a quantidade de chuva na época úmida
e não a falta desta na época seca.
O maior número de ácaros encontrado em folhedo está relacionado com o hábito
alimentar desses organismos, que em sua maioria alimentam-se de matéria orgânica ou são
predadores de microrganismos que possam se desenvolver sobre este (SILVA, 2002). As

65

maiores proporções de ácaros encontradas neste estudo em folhedo e na primeira camada de
solo (0-5 cm) reforçam as observações realizadas por alguns autores, pois afirmam que estes
organismos são mais abundantes nestes substratos (MINEIRO; MORAES, 2001; SILVA,
2002 e FREIRE, 2007).
Com a maior concentração de matéria orgânica em decomposição, nas camadas
superficiais do solo aumenta-se a gama de alimentos, tais como microrganismos e pequenos
artrópodes, dos quais os ácaros presentes nestes substratos possam se alimentar, favorecendo
dessa forma, o aumento das populações de ácaros que vivem nestes ambientes. Observa-se
ainda, que quanto mais profunda for à camada de solo, menor é o teor de matéria orgânica
encontrado, resultando em menor quantidade de alimento para muitos grupos de ácaros e,
consequentemente, menor número de espécimes encontrados (SILVA, 2002).
De toda a fauna edáfica, os ácaros da subordem Oribatida representam um dos grupos
mais abundantes e diversificados da mesofauna, ocorrendo predominantemente, em folhedo e
nas camadas superficiais do solo. Estes alimentam-se principalmente de restos vegetais e de
fungos, participando no processo de decomposição da matéria orgânica (OLIVEIRA, 1999; .
HAYEK, et al., 2000; MINEIRO; MORAES, 2001; SILVA, 2002; FRANKLIN, et al., 2004;
SILVA, MORAES; KRANTZ, 2004, SANTOS et al., 2008). Os Oribatida representaram a
maioria dos ácaros coletados, tanto em folhedo, quanto em solo nas duas áreas estudadas
(Cana-de-açúcar e Mata Atlântica).
Uma grande parcela dos ácaros que vivem na matéria orgânica, ou estão associados a
outros organismos ali presentes, são predadores Mesostigmata e alguns Prostigmata (SILVA,
2002). Os Mesostigmata representam o segundo grupo mais abundante de ácaros encontrados
em ambientes naturais, principalmente em folhedo e nas primeiras camadas do solo
(MINEIRO; MORAES, 2001; SILVA, 2002; KRANTZ et al., 2009). O que foi observado
também em área de Mata Atlântica em Alagoas.
Os Prostigmata e Astigmata geralmente são menos abundantes no solo (MINEIRO,
MORAES, 2000, SILVA, 2002; SILVA, MORAES; KRANTZ, 2004;

KRANTZ et al.,

2009).
Em um trabalho realizado por Vásquez, Sánchez e Valera (2007), em uma área de
formações vegetais constituída por árvores e arbustos na Venezuela, verificaram as maiores
proporções de ácaros encontrados pertencentes à subordem Prostigmata, seguida por
Mesostigmata e Astigmata. Esses autores associam a maior ocorrência de Prostigmata à
presença de possíveis tipos de alimentos presentes neste ambiente em que o estudo foi
realizado, que possam favorecer esse grupo. Assim como suposto por estes autores, a grande

66

quantidade de ácaros Prostigmata encontrada em área com cana-de-açúcar, pode estar
relacionada ao tipo de alimento ali presente.
Glaecer (2008) verificou em uma área de plantio direto e plantio convencional com a
cultura do milho, que a subordem Prostigmata e o grupo Astigmatina foram mais abundantes,
que a ordem Mesostigmata. Ressalta ainda, que o uso de herbicidas pode ter influenciado
negativamente a população de Mesostigmata, o que pode ter ocorrido também na área com
cana-de-açúcar. Observou-se um número de Prostigmata superior a Mesostigmata.
A família Ascidae (Mesostigmata) foi muito comum em área de mata e de cana-deaçúcar. Esta família é representada por ácaros predadores de vida livre que podem ser
encontrados em vários substratos principalmente em folhedo e nas camadas superficiais do
solo, alimentando-se de ácaros, outros pequenos artrópodes, nematoides, fungos, etc
(GERSON; SMILEY; OCHOA, 2003; BRITO, 2011). Isto pode explicar a quantidade
considerável de ácaros Ascidae encontradas principalmente em folhedo, tanto de Mata
Atlântica quanto em área com cana de açúcar no Estado de Alagoas, que teve como principais
representantes ácaros do gênero Protogamasellus em cana-de-açúcar e Asca em Mata
Atlântica.
Em um trabalho conduzido por Mineiro; Moraes (2001) em área de culturas anuais, foi
constatado a ocorrência predominante da espécie Protogamasellus mica (Athias-Henriot)
correspondendo a quase 78% de todos os Mesostigmata encontrados. Semelhante ao que foi
observado em área com cana-de-açúcar neste trabalho, Protogamasellus sp. representou mais
de 92% dos Mesostigmata encontrados no folhedo. Em Mata Atlântica, estes mesmos autores
encontraram um número bem reduzido de Protogamasellus sp (1 exemplar) e Asca sp. (4
exemplares). Diferentemente do que foi observado neste estudo em área de Mata Atlântica, o
gênero Asca foi o mais abundante, e possivelmente sejam novas espécies.
Os Laelapidae são ácaros predadores pouco estudados no Brasil (FREIRE, 2007).
Foram relatados em áreas de Mata Atlântica, por Mineiro; Moraes (2001), que verificaram um
número considerável de espécimes, principalmente em folhedo, e por Silva (2002) que
observou em pequena quantidade. Acredita-se que muitas das espécies que foram encontradas
no presente estudo sejam novas para a ciência.
Os ácaros Rhodacaroidea são muito frequentes em solo e comumente citados na
literatura como predadores de nematoides, pequenos insetos, ácaros e Collembola. Algumas
espécies parecem ter potencial como agente de controle biológico contra insetos e ácarospraga que ocorrem no solo (CASTILHO, 2012). Em trabalhos realizados por Mineiro;
Moraes, 2001 e por Silva, (2002), em área de mata foi possível constatar que os ácaros da

67

família Ologamasidae foram os mais frequentes e diversificados. Silva, (2002), verificou a
ocorrência de 26 morfoespécies de Ologamasidae, e ressaltou a importância desses ácaros
como possíveis controladores de organismos edáficos. A família Ologamasidae foi uma das
mais abundantes e agrupou três gêneros, sendo Gamasiphis Berlese o que foi encontrado em
maiores quantidades.
Gamasiphis é um dos gêneros mais diversos de Ologamasidae descritas (CASTILHO
et al., 2009). E ocorrem principalmente em áreas tropicais e subtropicais (KARG

e

SCHORLEMMER, 2009). Devido a alta frequência de ologamasiphis encontrados no sudeste
Brasil, tem sido realizados estudos para avaliar o seu possível papel como agentes de controle
biológico de pragas nesta região (CASTILHO; MORAES; NARITA, 2010).
4.5 Conclusões
• A maior população e diversidade de ácaros foram observadas em área de Mata
Atlântica.
• O número de ácaros edáficos foi maior no folhedo e na primeira camada de solo (0-5
cm), tanto na área de cana-de-açucar, quanto em mata.
• O maior índice de ácaros foi observado no outono.
• O menor índice de ácaros foi verificado na Primavera.
• Os ácaros mais comumente encontrados em ambos os substratos e áreas estudadas
pertencem à subordem Oribatida.
• O maior índice e diversidade de Mesostigmata foi encontrado em Mata Atlântica.
• Os Prostigmata foram mais comuns em área com cana-de-açucar.

68

5 - NOVA ESPÉCIE DE Abacarus (ACARI: ERIOPHYIDAE) EM CANA-DEAÇÚCAR (Saccharum officinarum L.) NO ESTADO DE ALAGOAS.
RESUMO
Em cana-de-açúcar (Saccharum officinarum L.) há relato de oito espécies de Eriophyoidea
associados á esta cultura em diversos países. No Brasil, há relato de Abacarus sacchari
Channa Basavana, 1966. A nova espécie de Abacarus foi coletada em plantio de cana-deaçúcar no Estado de Alagoas sobre folhas da mesma. Na diagnose da espécie nova foi
verificado que esta apresenta a seta sc atingindo o anel dorsal 4 ou 5; com 40-47 anéis dorsais;
fêmea apresenta epigínio com três fileiras de linhas curvas transversais na área basal e linhas
longitudinais na área distal; empodio com 7-8 raios.

Palavras chave: Eriophyoidea. Poaceae. Systematics. Primeiro relato.

69

5 NEW SPECIES OF Abacarus (ACARI: ERIOPHYIDAE) ON SUGAR CANE
(Saccharum officinarum L.) IN THE STATE OF ALAGOAS.

ABSTRACT
In sugar cane (Saccharum officinarum L.) there is a report of eight species of Eriophyoidea
associated to this culture in different countries. On Brazil, there are reports Abacarus sacchari
Channa Basavana, 1966. The new species of Abacarus was collected in planting of sugar cane
on State of Alagoas on the same leaf. In the diagnosis of the new species was found that this
presents sc seta reaching the ring 4 or 5; with 40-47 dorsal rings; epiginio of female shows
with three rows of transverse curved lines in the basal area and the distal area longitudinal
lines, with empodio 7-8 rays.

Key words: Eriophyoidea. Poaceae. Systematics. First report.

70

5.1 Introdução
A maioria dos ácaros da superfamília Eriophyoidea é extremamente específico em
relação ao hospedeiro, possuindo apenas uma única planta hospedeira ou limitando-se apenas
à plantas de um mesmo gênero (OLDFIELD, 1996; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Algumas espécies que atacam gramíneas parecem ser menos especializadas, podendo
alimentar-se de plantas de vários gêneros, como por exemplo Aceria tosichella keifer, 1969
(Eriophyidae), que pode atacar o milho (Zea mays, L., Poaceae) e o trigo (Triticum aestivum
L., Poaceae) (MORAES; FLECHTMANN, 2008). E o microácaro Catarhinus ticholaenae
keifer, 1959 (Diptilomiopidae) que pode atacar milho e capim braquiária (Brachiaria sp.,
Poaceae) (FLECHTMANN e SANTANA, 1997).
Em cana-de-açúcar (Saccharum officinarum L.) há relato de oito espécies de
Eriophyoidea associados á esta cultura em diversos países. Aceria merwei (Tucker, 1926);
Aceria sacchari Wang, 1964; Abacarus sacchari Channa Basavana, 1966; Catarhinus
sacchari kuang, 1983; Diptacus sacchari (Xin e Dong, 1983); Cathetacarus spontaneae
(Mohanasundaram, 1984); Abacarus queenslandiensis Ozman-Sullivan, 2006 (OZMANSULIVAN et al, 2006) e Abacarus doctus Navia e Flechtmann, 2011 (NAVIA et al., 2011).
São relatadas três espécies de ácaros do gênero Abacarus Keifer, 1944, infestando
cana-de-açúcar (Poaceae), duas delas do Hemisfério Oriental (A. sacchari e A.
quenslandiensis) (AMRINE JR., 2003; OZMAN-SULLIVAN et al., 2006) e outra da
America, sendo esta, a primeira espécie desse gênero descrita a partir de cana-de-açucar na
neste continente (NAVIA et al., 2011).
Considera-se A. sacchari a espécie mais comum, sobre cana-de-açúcar, em várias
partes do mundo, sendo relatada na África, Austrália, Índia, Costa Rica, Venezuela, Brasil e
Flórida (NUESSLY, 2010). Ressalta-se que até pouco tempo esta era a única espécie do
gênero relatada em cana-de-açúcar em áreas neotropicais (AMRINE Jr., 2003) recentemente
foi descrita por Navia e Flechtmann uma nova espécie pertencente a este gênero em canaviais
de Costa Rica (NÁVIA et al., 2011). Os sintomas causados pelo ataque de A. sacchari são
manchas alaranjadas ou castanho-avermelhada, às quais se assemelham aos causados por A.
doctus relatados por (AGUILAR et al, 2010; NAVIA et al., 2011) e também pela ferrugem
alaranjada Puccinia kuehnii Butler, 1914 . Porém, os sintomas observados pelo ataque de A.
sacchari é distribuido mais uniformemente pela folha e não resulta em pústulas, as quais são
características da ferrugem (NUESSLY, 2010).

71

Objetivou-se com este trabalho descrever uma nova espécie do gênero Abacarus
(Prostigmata: Eriophyidae) associados à cana de açúcar do Estado de Alagoas. Esta é a
primeira espécie de Eriophyoidea descrita nesta cultura no Brasil e na América do Sul.
5. 2 Material e Métodos
Os ácaros da nova espécie foram coletados de folhas de cana-de-açúcar provenientes
do município de Teotônio Vilela, Alagoas. Como descrito no tópico 3.
A extração dos ácaros Eriophyidae foi realizada através de exame direto utilizando-se
microscópio estereoscópico e pincel de cerdas finas. Os espécimes encontrados foram
coletados, quantificados e acondicionados em ependorfes contendo álcool 70%.
As classificações e identificações foram realizadas inicialmente nos Laboratórios de
Entomologia/Acarologia do Campus Arapiraca e/ou do Centro de Ciências Agrárias (CECA)
da Universidade Federal de Alagoas. Em seguida, parte desse material foi encaminhado para o
Laboratório de Quarentena vegetal - Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia em
Brasília- DF, para que houvesse a confirmação da espécie pela Drª Denise Navia Magalhães
Ferreira (Especialista em Eriophyoidea e Tetranychoidea). Após o material ter sido
examinado, constatou tratar-se de uma nova espécie de Eriophyidae em cana-de-açúcar no
Estado de Alagoas.
5.2.1 Descrição da nova espécie de Abacarus.
Este trabalho foi realizado no Laboratório de Quarentena Vegetal, Embrapa Recursos
Genéticos e Biotecnologia, Brasília - DF, Brasil, com a colaboração da Drª Denise Navia
Magalhães Ferreira, Pesquisadora desta Instituição.
Os exemplares foram montados em lâminas para microscopia em meio de Berlese
modificado (AMRINE e MANSON, 1996), examinados em microscópio com contraste de
fase (Leitz Dialux 20), e desenhados com o auxílio de uma câmara clara com aumento de
100x em óleo de imersão (Figura 7).

72

Figura 7 – Materiais e equipamento utilizados na descrição da nova espécie de ácaro.
Exemplares de Abacarus sp. n. montados em lâminas para microscopia (A),
detalhe do microscópio com contraste de fase (Leitz Dialux 20) (B) utilizado na
confecção das pranchas. Laboratório de Quarentena Vegetal - Embrapa Recursos
Genéticos e Biotecnologia. Dezembro de 2012.

A
Fonte: Duarte, M. E. (2012)

B
Fonte: Duarte, M. E. (2012)

O processo de descrição da nova espécie de Abacarus iniciou-se com o
aprofundamento na literatura específica com objetivo de esgotar todas as possibilidades de
identificação. Com a confirmação de que se tratava de uma nova espécie foi realizada a
confecção de prancha com desenhos feitos com o auxilio de lâminas para microscopia
contendo o holótipo fêmea e parátipos (fêmeas e machos) devidamente preparados, utilizou-se
um microscópio com contraste de fase e de interferência diferencial (Nicon Eclipse 80i)
(Figura 8) e câmara clara acoplada.
Na descrição, cada medida do holótipo corresponde ao valor que está fora do parêntese
e antecede o intervalo correspondente aos parátipos que estão entre parênteses. As medidas
foram dadas em micrômetro com uma ocular micrométrica também na objetiva de 100x. A
contagem dos anéis opistossomais ventrais foi iniciada a partir do primeiro anel completo
após a margem posterior da abertura genital e dos anéis dorsais, a partir da margem posterior
do escudo prodorsal. A medida das pernas foi tomada da base da coxa até a extremidade do
tarso, sem contar com o empódio.
Quando foram encontradas diferenças no comprimento de estruturas homológas direita
e esquerda, considerou-se a medida de maior valor.
As micrografias foram obtidas utilizando um sistema digital, composto por um
microscópio com contraste de fase (Nikon Eclipse 80i) acoplado a uma câmera digital (Nikon
DS-Fil com DS-L2), a qual estava conectada a um computador com software para captura de
imagens (Figura 8).

73

Figura 8 – Detalhe do microscópio com contraste de fase (Nikon Eclipse 80i) com câmara
clara e uma câmera digital (Nikon DS-Fil com DS-L2) acoplada utilizados na descrição da
nova espécie de ácaro (A e B). Laboratório de Quarentena Vegetal - Embrapa Recursos
Genéticos e Biotecnologia. Dezembro de 2012.

A
Fonte: Duarte, M. E. (2012)

B
Fonte: Duarte, M. E. (2012)

5.3 Resultados
5.3.1 Taxonomia
Acari: Eriophyidae: Phyllocoptinae: Anthocoptini.
Abacarus alagoensis sp. n. (Figuras 9 e 10).
5.3.2 Diagnose. Uma espécie de Abacarus com seta sc atingindo o anel dorsal 4 ou 5; com
40-47 anéis dorsais; fêmea com epigínio com três fileiras de linhas curvas transversais na área
basal e linhas longitudinais na área distal; empodio com 7-8 raios. A nova espécie é
semelhante a Abacarus sacchari ChannaBasavanna, 1966, Abacarus queenslandiensis
Ozman-Sullivan, Amrine e Walter, 2006 e Abacarus doctus Navia e Flechtmann, 2011. Ela
difere destas espécies, principalmente, pelo comprimento da seta sc que alcança o quinto anel
dorsal (em A. doctus alcança o anel 3, em A. queenslandiensis até o anel 4 e em A. sacchari
pode alcançar o anel 7). O epigínio da fêmea com três linhas transversais, semelhante a A.
doctus (duas linhas), em A. queenslandiensis e em A. sacchari estas linhas são ausentes e as
linhas longitudinais ocupam todo o epigínio (NAVIA, et al., 2011). Epódio com 7 a 8 raios, já
em A. queenslandiensis apresenta 6 raios, em A. sacchari 7 raios e A. doctus 7-8 raios.

74

Fêmea (n=10). Corpo fusiforme, com 201(173-207) de comprimento e 63 (56-63) de largura,
coloração em vida amarelada. Gnatossoma curvado ventralmente, 22 (18-22), seta basal (ep) 3
(3), seta apical (d) 10 (10), quelícera 14 (14-16), estilete oral 13 (10-13). Escudo prodorsal
subtriangular, 51(48- 52) de comprimento e 60 (53-60) de largura, com duas linhas medianas
inteiras curvando-se lateralmente próximo a base do escudo. Lobo frontal 9 (7-9) de
comprimento e 13 (11-14) de largura. Seta escapular (sc) 13 (11-13), inseridas em tubérculos
na margem posterior do escudo, alcançando o quinto anel dorsal e 35 (29-36) de distância
entre os tubérculos escapulares. Pernas com todos os seguimentos e setas usuais presentes.
Perna I 37 (36-37); fêmur 11 (10-11-), seta femoral (bv) 12 (10-12); genu 6 (5-6), seta genual
(l”) 27 (26-29); tíbia 9 (7-9), seta tibial (l’) 6 (6-7); tarso 9 (8-9), seta lateral (ft”) 25 (21-25),
seta dorsal (ft’) 22 (20-22); seta unguinal (u’) 6 (6-7), solenídio (ω) 9 (9-10), empódio 9 (910) de comprimento e com 8 (7-8) raios. Perna II 33 (32-34); fêmur 10 (10-11), bv 19 (17-25);
genu 6 (5-6), l” 10 (10); tíbia 6 (6-7); tarso 8 (8-9), ft” 24 (24-25), ft’ 7 (7-8); u’ 5 (5-6), ω
10 (9-10), empódio 10 (9-10) de comprimento e com 8 (7-8) raios. Coxa I e II com grânulos
na região ventral. Linha esternal 10 (10), seta coxal I (perna I) (1b) 10 (8-10), separadas ente
si por 14 (13-14); seta coxal II (entre as pernas I e II) (1a) 27 (25-32), separadas ente si por 8
(6-8); seta coxal III (perna II) (2a) 46 (46-52), separadas ente si por 25 (21-27). Região
coxiesternal com 7 (6-7) anéis microtuberculados. Genitália com 18 (16-18) de comprimento
e 22 (20-25) de largura, apresentando 14 (12-15) linhas longitudinais, margem anterior com
duas ou três linhas transversais e grânuladas; seta genital (3a) 27 (23-29). Opistossoma com
46 (40-47) anéis dorsais lisos e 56 (50-59) anéis ventrais, com pequenos microtubérculos
sobre as margens, no entanto, nos últimos anéis caudais após a seta ventral (e) estes
microtubérculos tornam-se mais alongados. Seta lateral (c2 ) 38 (35-43) de comprimento,
sobre os anéis (1-2); seta ventral I (d) 67 (64-71) de comprimento, sobre os anéis 14-15 (1216), distanciadas por 38 (35-40) e por 44 (38-44) microtubérculos; seta ventral II (e) 13 (1013) de comprimento, sobre os anéis 32 (29-35), distanciadas por 14 (12-16) e por 14 (10-15)
microtubérculos; seta ventral III (f) 28 (25-29), sobre os anéis 52 (46-52), distanciadas por 23
(21-24) e por 23 (18-29) microtubérculos. Seta caudal (h2) 85 (65-86) e seta acessória (h1) 3
(3) de comprimento.

75

Figura 9 - Abacarus alagoensis sp. n. – D. vista dorsal da fêmea; GF. genitália da fêmea;
IGF. genitália interna da fêmea; V. vista ventral da fêmea.

D

V

50 µm

IGF

Fonte: Duarte, M. E. (2013)

20 µm

76

Figura 10 - Abacarus alagoensis sp. n. - CGM. região coxigenital do macho; E. empódio
(aumentado); L1. perna I da fêmea; L2. perna II da fêmea; LM. vista lateral do macho.

50 µm
50 µm

CGM
L1

E

L2

20 mµ
Fonte: Duarte, M. E. (2013)

Macho (n=5). Menor que a fêmea, com 157-168 de comprimento e 48-52 de largura.
Gnatossoma 18-19, seta basal (ep) 3, seta apical (d) 8-10, quelícera 14-16, estilete oral 11-13.
Escudo prodorsal como na fêmea, 44-47 de comprimento e 46-50 de largura. Lobo frontal,
como na fêmea 7-9 de comprimento e 11-14 de largura. Seta escapular (sc) 10-12, atingindo
até o quinto anel. Pernas como na fêmea. Perna I 36-37; fêmur 10, seta femoral (bv) 10; genu
5-6, seta genual (l”) 23-25; tíbia 6-7, seta tibial (l’) 6; tarso 8, seta lateral (ft”) 20-22, seta
dorsal (ft’) 16-18; seta unguinal (u’) 5-7, solenídio (ω) 8-9, empódio 8-9, com 7-8 raios. Perna
II 29- 31; fêmur 10, bv 14-18; geno 5-6, l” 9-10; tíbia 6-7; tarso 7-8, ft” 19-21, ft’ 4-6; u’ 5,
ω 8-9, empódio 8-9 com 8 (7 -8) raios. Coxas como na fêmea. Linha esternal 8-10, seta coxal
I (1b) 8-10, separadas entre si por 11-12; seta coxal II (1a) 23-27, separadas entre si por 6-7;
seta coxal III (2a) 35-41, separadas entre si por 18-21. Região coxiesternal com 7 anéis

77

microtuberculados. Genitália 19-20 de largura. Seta eugenital como no desenho, espaço entre
os tubérculos com grânulos, seta genital (3a) 19-26 de comprimento. Opistossoma como na
fêmea com 34-42 anéis dorsais e 46-49 anéis ventrais. Seta lateral (c2 ) 29-39, sobre os anéis
1-2; seta ventral I (d) 38-54, sobre os anéis 10-13, distanciadas por 29-31 e por 25-38
microtubérculos; seta ventral II (e) 10-11, sobre os anéis 25-27, distanciadas por 11-13 e por
8-14 microtubérculos; seta ventral III (f) 22-26, sobre os anéis 42-46, distanciadas por 19-22 e
por 18-25 microtubérculos. Seta caudal (h2) 67-71 e seta acessória (h1) 3 de comprimento.
Material Tipo. Holótipo fêmea, 9 parátipos fêmeas e 5 parátipos machos, em sete
preparações microscópicas, de 29 de maio de 2012, de S. officirarum, Junqueiro, Alagoas,
Brasil, coletados por M. E. Duarte, L. R. dos Santos e E. S. silva. Holótipo e parátipos (15
espécimes, 10 fêmeas e 5 machos, em sete lâminas microscópicas) estão depositadas na
coleção do Laboratório de Quarentena Vegetal, Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia,
Brasília, DF, Brasil.

Relação com o Hospedeiro. Ácaros vagarantes coletados na superfície superior das folhas.

5.4 Discussão

Abacarus sp. n. é a primeira espécie de Eriophyoidea descrita em cana-de-açucar no
Brasil e na America do Sul, não sendo relatada ainda em nenhum outro lugar. Não se sabe ao
certo se essa espécie é nativa da America do Sul.
5.4 Conclusões

• Foi descrita uma nova espécie com a medida de holótipo e parátipo e confecção de
pranchas.
• A espécie nova é a primeira da superfamília Eriophyoidea descrita em cana-de-açúcar
no Brasil e na América do Sul.

78

6 CONCLUSÕES
• Em cana-de-açúcar a maioria dos ácaros encontrados são fitófagos pertencentes às
famílias Eriophyidae e Tetranychidae;
• A família Eriophyidae foi encontrada em maiores proporções durante todo o período
de coleta, tanto em cana-de-açúcar quanto em caboatã;
• Cinco espécies novas de Eriophyidae foram encontradas em Caboatã (Cupania
vernalis) e uma em cana-de-açúcar (Saccharum officinarum);
• O número de ácaros edáficos foi maior no folhedo e na primeira camada de solo (0-5
cm), tanto na área de cana-de-açucar, quanto em mata;
• Os ácaros edáficos mais comumente encontrados em ambos as áreas estudadas
pertencem à subordem Oribatida;
• A ordem Mesostigmata ocorreu em maiores proporções em área de mata e a subordem
Prostigmata em área com cana-de-açúcar.

79

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ZHANG, Z. Q. et al. Order Trombidiformes Reuter, 1909. Zootaxa, Auckland, v. 3148,
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ANEXOS

Anexo 1 - Abacarus alagoensis sp. n. – D. vista dorsal da fêmea; LM. vista lateral do macho.
ED. Escudo dorsal, V. vista ventral, com detalhe da genitália da fêmea.

92

D

LM

ED
Fonte: Nunes, M. A. (2012)

V

93

Anexo 2 – Cana com sintoma característico de ataque de Abacarus sp., em cana-de-açúcar na
zona da mata de Alagoas.

Fonte: Silva, E.S. (2012)

Anexo 3- Monoceronychus linki Pritchard e Baker (Tetranychidae) encontrado em cana-deaçúcar (A e B).

A
Fonte: Duarte, M. E. (2012)

B

94

Anexo 4 - Novas espécies de Eriophyidae (Nothopodinae: Colopodacini) associadas à
Cupania vernalis. Liparus sp. 1 e 2? ou Adenocolus sp 1 e 2? (A e B).

A

B

Fonte: Navia, D. (2013)

Anexo 5 – Novas espécies de Eriophyidae (Cecidophyinae: Colomerini) associadas à
Cupania vernalis. Gammaphytoptus sp.? (A) e Paracolomerus sp. ? (B).

A
Fonte: Navia, D. (2013)

B