emerson dos Santos Ferreira
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊCIAS AGRÁRIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA
EMERSON DOS SANTOS FERREIRA
DESEMPENHO DE Eriopis connexa (GERMAR) (COLEOPTERA:
COCCINELLIDAE) RESISTENTE À LAMBDA-CIALOTRINA
Rio Largo
2012
EMERSON DOS SANTOS FERREIRA
DESEMPENHO DE Eriopis connexa (GERMAR) (COLEOPTERA:
COCCINELLIDAE) RESISTENTE À LAMBDA-CIALOTRINA
Dissertação apresentada à Universidade Federal de
Alagoas, para obtenção do título de Mestre em
Agronomia, Área de Concentração: Proteção de
Plantas.
Orientador: Prof. Drº. Jorge Braz Torres
Rio Largo
2012
TERMO DE APROVAÇÃO
DESEMPENHO DE Eriopis connexa (GERMAR) (COLEOPTERA:
COCCINELLIDAE) RESISTENTE À LAMBDA-CIALOTRINA
EMERSON DOS SANTOS FERREIRA
Matrícula: 10130183
Dissertação apresentada à Coordenação do Curso de Mestrado em Agronomia (Área de
Concentração em “Proteção de Plantas”), do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal
de Alagoas, como requisito parcial para a obtenção do grau de mestre em Agronomia, tendo sido
aprovada pela seguinte Banca Examinadora:
_________________________________________
Prof. Drº. Jorge Braz Torres
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
Orientador
(Presidente)
_________________________________________
Drª. Christian Sherley Araújo da Silva Torres
Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE
(Membro)
_________________________________________
Drº. Elio Cesar Guzzo
Embrapa Tabuleiros Costeiros
(Membro)
_________________________________________
Prof. Drª. Roseane Cristina Predes Trindade
CECA-UFAL
(Membro)
RIO LARGO
2012
Aos meus pais, Cleonildo Soares Ferreira e Elisa dos Santos Ferreira, por todo
o carinho, apoio e incentivo em mais um conquista em minha vida, à minha
irmã Emanuelly dos Santos Ferreira pela dedicação e ajuda e à minha família
de Pernambuco que me recebeu com o maior carinho quando eu precisei.
DEDICO
AGRADECIMENTOS
À Universidade Federal de Alagoas (UFAL), pela oportunidade concedida, de concluir mais
objetivo em minha vida.
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico pela concessão de bolsa
de mestrado.
À coordenação do curso de Mestrado em Agronomia (Produção Vegetal e Proteção de
Plantas), em pessoa Prof. Gaus Silvestre pelo auxílio e atenção.
A meu orientador, Prof. Jorge Braz Torres por ter me aceito como orientando e por toda a
sua dedicação, empenho e apoio durante toda a minha Dissertação, muito agradecido.
Aos professores que passaram todo conhecimento e aprendizagem, prof. Ivanildo Soares de
Lima, Laurício Endres, Sônia Maria Forti Broglio, Paulo Vanderlei Ferreira, Vilma Marques
Ferreira, Christian Torres, Jorge Torres.
Aos Srs. Geraldo Lima e Rinaldo Barros, secretários do curso de Mestrado pela
atenciosidade, cordialidade e disponibilidade.
Ao Departamento de Agronomia da Universidade Federal Rural de Pernambuco, em pessoa
Prof. Jorge Braz Torres pela autorização e liberação do Laboratório de Controle Biológico
para a realização do experimento.
Aos colegas de laboratório Felipe Batista, Eduardo Carneiro, Roberta Leme, Itíllio Vanny,
Ézio Pinto, Christian Torres, Robério Neves, Martin Duarte, Rodrigo Silva, Daniel
Petrovitch, Aline Spíndola pela ajuda no trabalho e em especial Agna Rodrigues pela ajuda
imensa na realização do meu trabalho.
Ao meu grande amigo Cláudio Jorge pela companhia, atenção, ajuda e pelas boas conversas,
muito obrigado.
A todos aqueles que fizeram parte direta ou indiretamente de toda a minha dissertação e
ajudaram para que a mesma fosse realizada, a todos vocês muito obrigado.
RESUMO
O desempenho de populações de insetos resistentes a inseticidas pode diferir daquelas
susceptíveis caracterizando um custo adaptativo. Assim, este estudo investigou o desempenho
de uma população resistente de Eriopis connexa (Germar) (Coleoptera: Coccinellidae) à
lambda-cialotrina, bem como sua taxa de predação sobre Aphis gossypii (Glover) (Hemiptera:
Aphididae). Os insetos resistentes empregados nos estudos foram criados em laboratório a 25
± 1oC, fotoperíodo de 12:12h (L:E) e alimentados com ovos de Anagasta kuehniella (Zeller)
(Lepidoptera: Pyralidae). A população de campo de E. connexa resistente (RR) foi mantida
sob pressão de seleção com tratamento tópico do adulto com 0,5 μl da concentração 0,25 mg
i.a./mL de lambda-cialotrina em grau técnico correspondente a DL50 determinada na 12a
geração após sucessivas seleções em laboratório. A população susceptível (SS) foi criada sob
as mesmas condições sem exposição ao inseticida. Fêmeas RR não tratadas e fêmeas RR
recuperadas (RRr) do knockdown após tratamento tópico com lambda-cialotrina nas
concentrações 0,05; 0,10 e 0,25 mg de i.a./mL produziram em média 50% menos ovos,
comparada as fêmeas SS independente da concentração usada do inseticida. As demais
características da fase adulta não diferiram entre fêmeas SS, RR e RRr. Entre as
características do desenvolvimento da progênie oriunda de fêmeas SS, RR e RRr observou-se
menor viabilidade de larvas e peso de machos para descendentes de fêmeas RRr. Fêmeas
submetidas à condição de escassez de presas do 3o ao 13o dia de vida apresentaram
sobrevivência similar entre as populações SS, RR e RRr variando de 48 a 63 dias. Porém, a
produção de ovos foi maior para fêmeas SS (290 ovos), seguida de fêmeas RR (180 ovos) e
RRr (50 ovos) neste período. O consumo médio de pulgões durante cinco dias de observação
foi significativamente superior para joaninhas SS que joaninhas RR e RRr, comportando-se
desta maneira até o terceiro dia de observação. A partir do quarto dia, no entanto, não é
detectada diferença na taxa diária de predação de pulgão entre as três populações SS, RR e
RRr. Os resultados mostraram que fêmeas RR apresentam menor desempenho reprodutivo
comparado a fêmeas SS, independente da ação knockdown, mas que o custo da recuperação
do knockdown interfere na produção de ovos após escassez de alimento, na viabilidade larval
e na taxa de predação. Estes resultados mostram que E. connexa possui um custo devido à
resistência à lambda-cialotrina, e que o mesmo é aumentado em situações de escassez de
presas.
Palavras-chave: Joaninha. Resistência. Custo adaptativo. Predação.
ABSTRACT
Fitness of insecticide resistant insect populations can be different to susceptible insect
populations regarding adaptive costs. Therefore, this study investigated the fitness of Eriopis
connexa (Germar) (Coleoptera: Coccnellidae) population resistant to lambda-cyhalothrin, as
well as its predation rate on Aphis gossypi (Glover) (Hemiptera: Aphididae). The insects used
to run the bioassays were reared under laboratory conditions of 25 ± 1oC and 12:12h (L:D)
photoperiod and fed with Anagasta kuehniella (Zeller) (Lepidoptera: Pyralidae) eggs. The
field resistant population of E. connexa (RR) was maintained under selection pressure at each
adult generation in the laboratory by exposing them to the LD50-dose (0.25 mg a.i./mL of
lambda-cyhalothrin at technical grade) determined after 12 successive generations of
selections in the laboratory. The susceptible population (SS) was reared at the same condition;
however, without exposing the insects to the insecticide. Non-treated RR females and treated
recovered females (RRr) after lambda-cyhalothrin topic treatment with 0.05, 0.10 and 0.25
mg a.i./mL produced on average 50% less eggs than SS females. All other adult life history
characteristics were similar among SS, RR and RRr populations. Among the developmental
characteristics for offspring produced by SS, RR, and RRr females was observed lower larval
viability and weight of adult males for RRr offspring. Furthermore, females from SS, RR and
RRr populations exposed to prey shortage between 3rd- and 13th-day in the adult stage
exhibited statistically similar survival ranging from 48 to 63 days. However, egg production
was significantly higher for females SS (average = 290 eggs), followed by females RR (180
eggs), and RRr (50 eggs) during this period. The average consumption of cotton aphid during
five consecutive days was significantly higher for ladybeetles SS, followed by RR and RRr up
to the third day of observation. However, after the fourth day, there was no difference in the
aphid consumption among the three populations SS, RR, and RRr. The results show that
females RR have lower reproductive output in comparison to females SS, and it is not related
to the knockdown effect; however, the costs of recovering from knockdown interferes with egg
production under food shortage, with larval viability and adults predation rate. Thus, we can
conclude that E. connexa population resistant to the lambda-cyhalothrin exhibits adaptive
costs which is increased when subjected to prey shortage.
Key-words: Ladybeetle. Resistance. Adaptive cost. Predation.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 -
Fecundidade de fêmeas de Eriopis connexa susceptível (SS), resistente (RR) e
resistente recuperada do knockdown após tratamento (RRr) com 0,25 mg i.a./mL de
lambda-cialotrina em grau técnico, submetidas a condição de escassez de alimento
durante
10
dias
na
fase
adulta
entre
3o
ao
13o
dia
de
vida................................................................................................................... 32
Figura 2 -
Sobrevivência de fêmeas de Eriopis connexa susceptível (SS), resistente (RR) e
resistente recuperada do knockdown após tratamento (RRr) com 0,25 mg i.a./mL de
lambda-cialotrina em grau técnico, submetidas a condição de escassez de alimento
durante
10
dias
na
fase
adulta
entre
3o
ao
13o
dia
de
vida................................................................................................................... 33
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 -
Características de adultos resistentes (RR0) e susceptíveis (SS0) de Eriopis connexa
sem tratamento, e de RR submetidos ao tratamento tópico com três concentrações de
lambda-cialotrina
em
grau
técnico
(0,05;
0,10;
0,25
mg
i.a./mL)......................................................................................................................... 30
Tabela 2 -
Duração Larval, viabilidade larval, viabilidade pupal e peso de adultos de Eriopis
connexa oriundos de fêmeas susceptível (SS), resistente (RR) e fêmeas resistentes
recuperadas do knockdown (RRr) após o tratamento tópico com lambda-cialotrina em
grau
técnico
a
0,25
mg
de
i.a./mL.......................................................................................................................... 31
Tabela 3 -
Predação do pulgão do algodoeiro, Aphis gossypii por diferentes populações de
Eriopis connexa entre o 5º e o 10º dia de vida adulta.................................................. 34
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO.....................................................................................
10
2
REVISÃO DE LITERATURA..............................................................
12
2.1
Desempenho de Eriopis connexa (GERMAR) (COLEOPTERA:
COCCINELLIDAE)
resistente
à
Lambdacialotrina.................................................................
RESUMO...............................................................................................
17
ABSTRACT...........................................................................................
18
3
INTRODUÇÃO.....................................................................................
19
3.1
Material e Métodos..................................................................
22
3.1.1
Descrição das populações de E. connexa estudadas................................
22
3.1.2
Criação das populações resistentes e suscetíveis.....................................
22
3.1.3
Desempenho biológico de adultos das populações RR e SS de E.
connexa....................................................................................................
Desempenho da progênie das populações RR e SS de E. connexa..........
23
Resistência e condição de disponibilidade de alimento no desempenho
de E. connexa...........................................................................................
Predação do pulgão do algodoeiro, Aphis gossypii, por diferentes
populações de E. connexa........................................................................
Resultados.......................................................................................
26
Desempenho biológico de adultos das populações RR e SS de E.
connexa....................................................................................................
Desempenho da progênie das populações RR e SS de E. connexa..........
29
32
3.3
Resistência e condição de disponibilidade de alimento no desempenho
de E. connexa...........................................................................................
Predação do pulgão do algodoeiro, Aphis gossypii, por diferentes
populações de E. connexa........................................................................
Discussão...........................................................................................
3.4
Conclusões.....................................................................................
39
REFERÊNCIAS.....................................................................................
40
ANEXO...................................................................................................
47
3.1.4
3.1.5
3.1.6
3.2
3.2.1
3.2.2
3.2.3
3.2.4
17
25
27
29
31
33
35
10
1 INTRODUÇÃO
O agroecossistema do algodoeiro, geralmente, constitui um ambiente desfavorável
para os agentes de controle biológico, principalmente pela elevada frequência de aplicações
inseticidas (BLEICHER, 1990; RAMALHO, 1994; FITT, 2000; BASTOS E TORRES,
2006). Os inseticidas usados para o controle de pragas do algodoeiro podem causar vários
problemas, tais como a seleção de populações de pragas resistente (SILVA et al., 2011),
contaminação ambiental, aumento do custo de controle de pragas (RICHETTI et al., 2004) e,
principalmente, a redução da população de inimigos naturais (BASTOS E TORRES, 2006).
A tendência atual no manejo de pragas é aumentar a utilização de programas
integrados que combinem o uso de inseticidas com outras táticas de controle, especialmente o
controle biológico. A eficácia de tais programas pode ser grandemente reforçada com
informações sobre a toxicidade de inseticidas em uso para insetos benéficos (GRAVES et al.,
1978; DESNEUX et al., 2007).
O uso incorreto de inseticidas e suas consequências têm sido os principais fatores do
interesse no MIP. Isto é bastante apropriado, uma vez que o conceito do MIP procura
minimizar as desvantagens do uso de inseticidas (METCALF, 1980). Assim, o MIP oferece
uma solução prática para o dilema do aparecimento de novas pragas, surtos de pragas
secundárias e surgimento de pragas resistentes aos inseticidas, advindo do uso irracional
destes.
A resistência de artrópodes a pesticidas é um fenômeno associado à presença
de variação genética da espécie, e da prática do uso contínuo de pesticidas, ocasionando a
seleção de populações resistentes. A resistência a pesticidas em artrópodes é uma
característica pré-adaptativa, genética e hereditária (DOBZHANSKY, 1951). Sendo definida
como a habilidade herdada de um organismo em tolerar ou evitar doses de um produto tóxico
que seriam letais para a maioria dos indivíduos da mesma espécie em condições similares
(WHO, 1957).
Diferente da resistência de pragas aos pesticidas, a resistência em inimigos
naturais pode ser vista como benéfica. Isto porque resultará na sobrevivência do inimigo
natural no agroecossistema após a pulverização de inseticida voltada ao controle da praga, em
especial, se a praga alvo da aplicação não for a presa/hospedeiro do inimigo natural resistente.
11
Entre os relatos de inimigos naturais resistentes a pesticidas, a maioria são de ácaros
predadores, incluindo populações com seleção realizada em laboratório (HOY, 1990;
JOHNSON E TABASHNIK, 1999).
Desta forma, o presente trabalho teve como objetivo investigar o efeito da lambdacialotrina no desempenho de imaturos e adultos de uma população resistente de E. connexa
(Ec-Vi) em relação a uma população susceptível (Ec-FM). Assim, estudos foram conduzidos
para determinar o desenvolvimento e reprodução de E. connexa, bem como a predação de
Aphis gossypii (Glover) (Hemiptera: Aphididae) quando os adultos são submetidos ao
tratamento com a lambda-cialotrina.
12
2
REVISÃO DE LITERATURA
Os sistemas de produção, em especial aqueles referentes às grandes culturas do
agronegócio, tem o uso de inseticidas, como o principal método de controle de pragas.
Entretanto, a preservação e o aumento da ação de agentes de controle biológico são táticas
essenciais para o sucesso do manejo integrado de pragas nesses agroecossistemas
(BELARMINO, 1998).
O agroecossistema do algodoeiro, geralmente, constitui um ambiente desfavorável
para os agentes de controle biológico, principalmente pela elevada frequência de aplicações
inseticidas (BLEICHER, 1990; RAMALHO, 1994; FITT, 2000; BASTOS E TORRES,
2006). Os inseticidas usados para o controle de pragas do algodoeiro podem causar vários
problemas, tais como a seleção de populações de pragas resistente (SILVA et al., 2011),
contaminação ambiental, aumento do custo de controle de pragas (RICHETTI et al., 2004) e,
principalmente, a redução da população de inimigos naturais (BASTOS E TORRES, 2006).
O controle biológico de pragas é uma ferramenta importante para a composição de
agroecossistemas sustentáveis. Entre os inimigos naturais, os predadores são reconhecidos
como reguladores de populações de pragas, e no agroecoessistema algodoeiro destacam-se os
predadores Pentatomidae, Reduviidae, Geocoridae, Nabidae, Coccinellidae, Chrysopidae,
Syrphidae, Carabidae, Formicidae, Forficulidae e Araneae (GRAVENA E CUNHA, 1991;
BASTOS E TORRES, 2006; TORRES et al., 2009). Sobretudo, espécies de joaninhas
(Coleoptera: Coccinellidae) são frequentemente encontradas no algodoeiro. As joaninhas são
vorazes predadoras de pulgões, de cochonilhas, e de ovos e larvas de primeiro instar de
coleópteros e lepidópteros (HAGEN, 1962; OBRYCKI et al., 2009). As principais espécies de
joaninhas predadoras presentes na cultura do algodoeiro são Cycloneda sanguinea (L.),
Eriopis connexa (Germar), Hippodamia convergens Guérin Méneville, Coleomegilla
maculata (De Geer), Olla v-nigrum (Mulsant), Hyperaspis festiva (Mulsant) e Scymmus spp.
(IPERTI, 1999; SILVIE et al., 2001; BASTOS E TORRES, 2006).
Um eficiente controle biológico de pragas com subsequente eliminação do uso de
inseticidas não tem sido sempre alcançado nos agroecossistemas, pela necessidade de
aplicação de inseticidas para o controle de pragas não controladas pelos predadores. Em
agroecossistemas compostos por um complexo de pragas, o controle biológico bem sucedido
13
de uma espécie, muitas vezes requer desenvolvimento de programas para controlar as espécies
de pragas que não estão adequadamente controlados por inimigos naturais (BATRA, 1982).
A tendência atual no manejo de pragas é aumentar a utilização de programas
integrados que combinem o uso de inseticidas com outras táticas de controle, especialmente o
controle biológico. A eficácia de tais programas pode ser grandemente reforçada com
informações sobre a toxicidade de inseticidas em uso para insetos benéficos (GRAVES et al.,
1978; DESNEUX et al., 2007).
O uso incorreto de inseticidas e suas consequências têm sido os principais fatores do
interesse no MIP. Isto é bastante apropriado, uma vez que o conceito do MIP procura
minimizar as desvantagens do uso de inseticidas (METCALF, 1980). Assim, o MIP oferece
uma solução prática para o dilema do aparecimento de novas pragas, surtos de pragas
secundárias e surgimento de pragas resistentes aos inseticidas, advindo do uso irracional
destes.
Pesquisas sobre a utilização de inseticidas de amplo espectro com uma idéia de
solução para todos os problemas de pragas, estão em desacordo entre os entomologistas. Isto
pode ser uma resposta ao potencial de perturbação do meio ambiente, resultado da introdução
massiva de inseticidas para o controle de pragas. Existem pesquisas interessadas em
inseticidas mais específicos que controlem as pragas, que minimizem a seleção de populações
de pragas resistentes, e o efeito adverso sobre os organismos benéficos, os quais incluem os
inimigos naturais (PLAPP, 1976).
O desenvolvimento de resistência em espécies de insetos resulta geralmente da
contínua utilização de um mesmo inseticida. Por exemplo, anteriormente utilizava-se oito ou
mais aplicações de um mesmo inseticida anualmente, para a supressão de várias pragas do
algodoeiro (GRAVES et al., 1978). Atualmente, entre 14 e 16 pulverizações são realizadas
com vários inseticidas para o controle de pragas do algodoeiro no Brasil (RICHETTI et al.,
2004).
Atualmente, os piretróides são muito usados em diversas culturas, incluindo o
algodoeiro demonstrando a necessidade de rotação de modos de ação de inseticidas em
programas proativos contra o aparecimento de resistência (IRAC, 2012). Usualmente, pelo
14
menos uma aplicação de piretróide é utilizada durante o cultivo de qualquer grande lavoura no
Brasil.
Em algodoeiro, a utilização dos piretróides visa o controle de pragas desfolhadoras e
das partes reprodutivas. Os piretróides surgiram como uma alternativa aos inseticidas
organofosforados, carbamatos e clorados, os quais são altamente tóxicos e de grande impacto
ambiental (ELLIOTT, 1971; NISHIZAWA, 1971). Os piretróides por sua vez possuem
propriedades desejáveis, incluindo a toxicidade alta para os insetos, baixa toxicidade para os
mamíferos, rápida degradação e eficácia em baixas doses. O interesse por estes inseticidas
ocorreu naturalmente, resultando no desenvolvimento de muitos piretróides sintéticos que
mostram uma vasta gama de atividade. Por outro lado, os piretróides são inseticidas que
facilmente selecionam populações de pragas para a resistência (DONG, 2007) e possuem alta
toxicidade para inimigos naturais (BROZA, 1986; CROFT, 1990; KIDD E RUMMEL, 1997;
LONGLEY, 1999; DESNEUX et al., 2007) e, assim, precisam ser cuidadosamente utilizados.
As primeiras pesquisas sobre a resistência a piretrinas salientou repetidamente a
estreita relação entre a resistência para DDT (resistência do tipo knockdown) e a resistência
para piretrinas em moscas domésticas (BUSVINE, 1953; FINE, 1961), carrapatos
(WHITEHEAD, 1959), piolhos de humanos (COLE E CLARK, 1961), e outros insetos.
Pontos-chave para compreender esta relação entre as piretrinas e o DDT incluem o coeficiente
de temperatura negativo para piretrinas (BLUM E KEARNS, 1956), tal como é o caso do
DDT, bem como a diminuição da sensibilidade nervosa ao envenenamento pelo DDT em
linhagens que combinam resistência ao DDT e piretrinas (TSUKAMOTO et al., 1965).
Apesar
das
diferenças
aparentes
em
estrutura
química,
os
piretróides
e DDT exercem ações semelhantes sobre o sistema nervoso do inseto através da
modulação da função dos canais de sódio voltagem-dependentes (NARAHASHI, 2001). Os
piretróides podem ser divididos em dois grupos (Figura 1): o tipo I onde piretróides que
possuem um grupo ciano na posição 1, e os seus sintomas de envenenamento são
caracterizados por hiperexcitação, ataxia, convulsões e paralisia; piretróides do tipo II têm um
grupo ciano, e causa hipersensibilidade, coreoatetose, tremores e paralisia.
A detoxicação oxidativa é a principal via metabólica para a maioria dos piretróides,
naturais e sintéticos (CHANG E KEARNS, 1964; YAMAMOTO E CASIDA, 1966;
YAMAMOTO et al., 1969). Tal metabolismo pode ser bloqueado em grande parte por
15
agentes antioxidantes sinérgicos. Por outro lado, determinados piretróides derivados de
álcoois primários são metabolizados por esterases (ABERNETHY E CASIDA, 1973;
ABERNETHY et al., 1973).
Entre os inseticidas piretróides, a lambda-cialotrina é amplamente recomendada para o
controle de pragas desfolhadoras em diversas culturas no Brasil (AGROFIT, 2012), expondo
os inimigos naturais ao contato com este produto no dossel das plantas, especialmente as
joaninhas que buscam alimento. O impacto de piretróides em vários grupos de inimigos
naturais, tais como ácaros, crisopídeos e himenópteros parasitóides, foi resumido por Croft
(1990). Entre os piretróides, a lambda-cialotrina é considerada pouco seletiva a inimigos
naturais, ocasionando geralmente efeitos letais para joaninhas predadoras (RUBERSON e
TILLMAN, 1999; COSME et al., 2007, LEITE et al., 2010).
A contínua exposição de artrópodes a inseticidas pode acarretar na seleção de
indivíduos resistentes na população, como uma característica funcional de resistência devido
ao uso destes, associado com as características biológicas e genéticas da população exposta
(GEORGHIOU E TAYLOR, 1977a; 1977b; RODRIGUES, 2012). Desta forma, populações
de joaninhas predadoras forrageando no dossel das plantas estarão continuamente expostas às
aplicações da lambda-cialotrina nas diversas culturas, e podem assim ser selecionadas para a
resistência.
Entre 28 populações de oito espécies de joaninhas, algumas de grande importância no
controle biológico de pragas do algodoeiro, uma população de H. convergens e quatro
populações de E. connexa destacaram-se com níveis de resistência de até 37 vezes à lambdacialotrina (RODRIGUES, 2012). Da mesma forma, no passado, populações de C. maculata
oriundas de campos de algodão foram citadas como resistentes à parationa metílica na ordem
de 11,2 vezes (HEAD et al., 1977), e aos inseticidas DDT, parationa metílica e monocrotofós
na ordem de 14,6; 28,9; e 12 vezes, respectivamente (GRAVES et al., 1978).
A detecção de resistência à lambda-cialotrina em joaninhas predadoras possui aspecto
de interesse, visto que ambas as joaninhas e a lambda-cialotrina, podem atuar de forma aditiva
no controle de pragas, ou seja, joaninhas predando pulgões, moscas-brancas e outros insetos
pequenos não alvos direto da lambda-cialotrina, a qual é recomendada especialmente para
controle de lepidópteros e coleópteros desfolhadores. Desta forma, a resistência em joaninhas
permitirá a verdadeira utilização integrada entre agentes de controle biológico e químico no
16
MIP, fato este almejado visto que a utilização conjunta de inseticidas e inimigos naturais é
incompatível em sua maioria (HOY, 1990, TABASHNIK E JOHNSON, 1999).
Baseado no processo de detoxificação metabólica da lambda-cialotrina na joaninha
predadora E. connexa (RODRIGUES, 2012), é esperado a possibilidade de ocorrência de
custos adaptativos, usualmente detectado através de menor sobrevivência e reprodução na
população resistente em relação à população susceptível (PATHAN, 2010). O custo
adaptativo com menor reprodução é um resultado que pode explicar o fato de baixa
ocorrência de inimigos naturais resistentes a inseticidas e, portanto, sendo de interesse para o
entendimento do fenômeno. De acordo com Georghiou (1972), falhas na reprodução da
espécie resistente estão entre as causas que acarretam a diminuição das chances de
manutenção da população resistente no ambiente.
Desta maneira, o presente trabalho teve como objetivo investigar o efeito da lambdacialotrina no desempenho de imaturos e adultos de uma população resistente de E. connexa
(Ec-Vi) em relação a uma população susceptível (Ec-FM). Assim, estudos foram conduzidos
para determinar o desenvolvimento e reprodução de E. connexa, bem como a predação de
Aphis gossypii (Glover) (Hemiptera: Aphididae) quando os adultos são submetidos ao
tratamento com a lambda-cialotrina.
17
2.1
Desempenho de Eriopis connexa (Germar) (Coleoptera: coccinellidae) resistente à
lambda-cialotrina
RESUMO
Este estudo investigou o desempenho de uma população resistente de Eriopis connexa
(Germar) (Coleoptera: Coccnellidae) à lambda-cialotrina (Ec-Vi), bem como sua taxa de
predação sobre Aphis gossypii (Glover) (Hemiptera: Aphididae). Fêmeas resistentes (RR) não
tratadas e fêmeas RR recuperadas (RRr) após tratamento tópico com o lambda-cialotrina nas
concentrações 0,05; 0,10 e 0,25 mg de i.a./mL produziram em média 50% menos ovos
comparado a fêmeas susceptíveis (SS), independente da concentração usada do inseticida,
enquanto que os demais parâmetros da fase adulta foram similares. Quanto ao
desenvolvimento da progênie, a viabilidade de larva e peso de machos foram inferiores para
fêmeas RRr. Fêmeas submetidas à condição de escassez de presas do 3o ao 13o dia de vida
apresentaram sobrevivência similar entre as populações SS, RR e RRr, porém com maior
produção de ovos para fêmeas SS (média = 290 ovos), seguida de fêmeas RR (180 ovos) e
RRr (50 ovos) durante este período. Considerando-se o consumo médio de pulgões durante
cinco dias joaninhas SS consumiu significativamente maior número de pulgões que das
joaninhas RR e RRr após o tratamento, se comportando desta maneira até o terceiro dia de
observação. A partir do quarto dia, no entanto, não foi detectada diferença na taxa diária de
predação de pulgão entre fêmeas SS, RR e RRr. Os resultados mostraram que fêmeas RR
apresentam menor desempenho reprodutivo comparado a fêmeas SS, independente da ação
knockdown, mas que o custo da recuperação do knockdown interfere na produção de ovos
após escassez de alimento, na viabilidade larval e na taxa de predação. Estes resultados
mostraram que E. connexa possui um custo adaptativo da resistência à lambda-cialotrina e
que o mesmo é aumentado em situações de escassez de presas.
Palavras-chave: Joaninha. Resistência. Custo adaptativo. Predação.
18
ABSTRACT
This study investigated the fitness of a lambda-cyhalothrin resistant Eriopis connexa (Germar)
(Coleoptera: Coccnellidae) population, as well as its predation rate on Aphis gossypii (Glover)
(Hemiptera: Aphididae). Non-treated RR females and treated recovered females (RRr) after
lambda-cyhalothrin topic treatment with 0.05, 0.10 and 0.25 mg a.i./mL produced on average
50% less eggs than SS females. All other adult life history characteristics were similar among
SS, RR and RRr populations. Among the developmental characteristics for offspring
produced by SS, RR, and RRr females was observed lower larval viability and weight of adult
males for RRr offspring. Furthermore, females from SS, RR and RRr populations exposed to
prey shortage between 3rd- and 13th-day in the adult stage exhibited statistically similar
survival ranging from 48 to 63 days. However, egg production was significantly higher for
females SS (average = 290 eggs), followed by females RR (180 eggs), and RRr (50 eggs)
during this period. The average consumption of cotton aphid during five consecutive days was
significantly higher for ladybeetles SS, followed by RR and RRr up to the third day of
observation. However, after the fourth day, there was no difference in the aphid consumption
among the three populations SS, RR, and RRr. The results show that females RR have lower
reproductive output in comparison to females SS, and it is not related to the knockdown effect;
however, the costs of recovering from knockdown interferes with egg production under food
shortage, with larval viability and adults predation rate. Thus, we can conclude that E.
connexa population resistant to the lambda-cyhalothrin exhibits adaptive costs which is
increased when subjected to prey shortage.
Key words: Ladybeetle. Resistance. Adaptive cost. Predation.
19
3
INTRODUÇÃO
A resistência de artrópodes a pesticidas é um fenômeno associado à presença de
variação genética da espécie, e da prática do uso contínuo de pesticidas, ocasionando a
seleção de populações resistentes. A resistência a pesticidas em artrópodes é uma
característica pré-adaptativa, genética e hereditária (DOBZHANSKY, 1951). Sendo definida
como a habilidade herdada de um organismo em tolerar ou evitar doses de um produto tóxico
que seriam letais para a maioria dos indivíduos da mesma espécie em condições similares
(WHO, 1957).
Entre os artrópodes-praga, a resistência aos pesticidas é considerada prejudicial para o
manejo integrado de pragas, devido às diversas consequências negativas de sua ocorrência,
tais como: a perda da produção pelo ataque de pragas resistentes não controladas; perda de
produtos químicos anteriormente eficientes no controle de pragas e com características de
seletividade para organismos não alvo e de baixo impacto ao ambiente. Também, outras de
caráter indireto como o abandono de atividade agrícola e o uso de concentrações mais
elevadas do pesticida acarretando efeitos adversos ao ambiente. Estas consequências têm sido
cada vez mais comuns considerando que a resistência de pragas a pesticidas é relatada para
mais de 600 espécies (WHALON et al., 2011). Por outro lado, relatos de resistência de
inimigos naturais a pesticidas são escassos (CROFT, 1990; JOHNSON E TABASHNIK,
1999).
Diferente da resistência de pragas aos pesticidas, a resistência em inimigos naturais
pode ser vista como benéfica. Isto porque resultará na sobrevivência do inimigo natural no
agroecossistema após apulverização de inseticida voltada ao controle da praga, em especial,
se a praga alvo da aplicação não for a presa/hospedeiro do inimigo natural resistente. Entre os
relatos de inimigos naturais resistentes a pesticidas, a maioria são de ácaros predadores,
incluindo populações com seleção realizada em laboratório (HOY, 1990; JOHNSON E
TABASHNIK, 1999).
Em se tratando de insetos predadores resistentes a inseticidas, maior enfoque tem sido
dado aos crisopídeos (FLAPP E BULL, 1978; PREE et al., 1989; PATHAN et al., 2008;
2010; SAYYED et al., 2010). Também, espécies de joaninhas predadoras são caracterizadas
como resistentes a inseticidas. Uma população da joaninha Coleomegilla maculata (De Geer),
coletada em campos de algodão, foi determinada como sendo 11,2 vezes mais resistente a
20
parationa metílica (HEAD et al., 1977). Da mesma forma, GRAVES et al. (1978) relataram
razões de resistência para C. maculata na ordem de 14,6; 28,9; e 12 vezes aos inseticidas
DDT, parationa metílica e monocrotofós, respectivamente. Recentemente, uma população de
Stethorus gilvifrons (Muls.) foi determinada com razão de resistência de 10,9 vezes à
bifentrina (KUMRAL et al., 2011), enquanto Rodrigues (2012) encontrou razões de
resistência variando de 10,5 a 37,7 vezes ao lambda-cialotrina (Karate Zeon 50CS) para
quatro populações de Eriopis connexa (Germar) e uma população de Hippodamia convergens
Guérin-Méneville (Coleoptera: Coccinellidae).
A joaninha Eriopis connexa (Germar) é uma espécie comum em vários
agroecossistemas sendo predadora principalmente de pulgões, mas também ácaros,
cochonilhas e ovos de lepidópteros.
Após pulverização em campo, adultos resistentes recuperados podem ser submetidos a
condições variáveis de disponibilidade de alimento. Assim, a disponibilidade abundante de
presas antes de uma pulverização, seguido de escassez de presa em um determinado período
após pulverização e encontro de presa novamente seja pela recolonização da área ou por
migração para áreas adjacentes (+Presa-Presa+Presa) pode ser comum nos agroecossistemas.
No entanto, entre os alimentos, joaninhas podem consumir itens alternativos como pólen e
néctar, o que auxiliará em sua manutenção (LUNDGREEN, 2009). Em algodoeiro, a
alimentação em nectários pode ser uma fonte de sustentação temporária dos adultos de
joaninhas após sobreviverem a uma aplicação inseticida
A baixa frequência de constatação de insetos predadores resistentes a inseticidas pode
estar associada a três hipóteses: (i) falta de documentação (TABASHNIK E JOHNSON,
1999) visto que surtos de predadores ocorrem usualmente ao final da safra e não estão
associados a falhas de controle; (ii) pré-adaptação diferencial entre herbívoros e inimigos
naturais relativa à detoxificação enzimática, a qual é tida como sendo superior nos herbívoros,
pode ser adquirida durante a evolução para a quebra da defesa de plantas à herbivoria,
favorecendo os insetos herbívoros em relação aos inimigos naturais (CROFT E MORSE,
1979), embora esta hipótese tem sido desmistificada (THEILING E CROFT, 1988;
RODRIGUES, 2012) e; (iii) escassez de alimento e falha na reprodução (GEORGHIOU,
1972).
21
Esta última hipótese aborda a falta de presas após a aplicação do inseticida,
dificultando a sobrevivência e, consequentemente, a reprodução da população resistente
remanescente na área. Neste caso, vale ressaltar o papel da escassez da presa no balanço
energético, em que o animal direciona energia para a sobrevivência em detrimento à
reprodução (STEARNS, 1992).
Genes responsáveis pela resistência são considerados com potencial de alterar
componentes básicos da fisiologia da espécie e, consequentemente, interferir em
características de sua história de vida (GAZAVE et al., 2001). As alterações na história de
vida de populações da mesma espécie, como por exemplo, menor desempenho quando
resistente ou mantida sob pressão de seleção, são denominados de custo adaptativo à
resistência. A primeira menção ao fato de que indivíduos resistentes estariam em desvantagem
aos seus pares sem pressão de seleção, foi realizada por Crow (1957).
O menor desempenho tem sido encontrado em espécies de insetos fitófagos
apresentando resistência (BIANTAO et al., 2009; FENG et al., 2009), o que deve ser esperado
também para os inimigos naturais. Por exemplo, uma população do parasitóide Aphytis
melinus DeBach (Hymenoptera: Aphelinidae), resistente ao carbaril, apesar de apresentar
similar parâmetro de desenvolvimento entre os susceptíveis e resistentes, declinou após
algumas gerações nas condições de laboratório (SPOLLEN E HOY, 1992). Por outro lado,
resultados superiores de desenvolvimento e predação para população resistente de
Chrysoperla carnea (Stephens) (Neuroptera: Chrysopidae) em comparação à população
susceptível de laboratório foi encontrado por Pathan et al. (2010); bem como, o parasitóide
Anisopteromalus calandrae (Howard) (Hymenoptera: Pteromalidae) apresenta similar
desempenho entre populações susceptíveis e resistentes à malationa (BAKER et al., 1998).
Desta forma, a resposta do custo adaptativo é variável e parece ser dependente da espécie e,
possivelmente, governada pelo modo de detoxificação e herdabilidade da resistência.
Dois métodos podem ser empregados para investigar o custo adaptativo da resistência,
de acordo com Crow (1957): (i) mudança na proporção de indivíduos resistentes ao longo de
gerações em campo sem pressão de seleção e, (ii) a comparação de características da história
de vida entre populações susceptível e resistente. Assim, neste estudo foi investigado se uma
população de E. connexa, resistente à lambda-cialotrina mantida em laboratório sob pressão
de seleção com base na DL50 determinada para a população de campo, apresenta desempenho
diferenciado em relação à população sem pressão de seleção para resistência.
22
3.1
MATERIAL E MÉTODOS
3.1.1 Descrição das populações de E. connexa estudadas
Duas populações da joaninha E. connexa (Ec-Vi e Ec-FM) foram mantidas no
Laboratório de Controle Biológico e Ecologia de Insetos da Universidade Federal Rural de
Pernambuco (UFRPE). Estas populações foram originalmente coletadas em plantio de
repolho, em Viçosa, MG (20° 45’ S e 42° 51’ W), e plantio de algodão em Frei Miguelinho,
PE (07° 55’ S e 35° 51’ W). Adultos com 5 a 8 dias de idade de ambas as populações foram
submetidos ao tratamento tópico com a lambda-cialotrina comercial (Karate Zeon 5% w/v 50 g/L SC, Syngenta S.A., Brasil) visando determinar a curva de resposta dose-mortalidade.
O resultado demonstrou uma razão de resistência (DL50 Ec-Vi/DL50 Ec-FM) de 36,7
vezes em favor da população Ec-Vi. O mesmo bioensaio foi repetido, empregando-se o
produto lambda-cialotrina em grau técnico (99,5%, Chem Service, West Chester, PA, USA).
O resultado demonstrou uma razão de resistência de 21,9 vezes em favor da população Ec-Vi
(Ec-Vi; DL50 = 0,213 mg i.a. de lambda-cialotrina/mL e; Ec-FM, DL50 = 0,009 mg i.a. de
lambda-cialotrina/mL) após 10 gerações de seleção em laboratório (RODRIGUES, 2012).
A partir destes resultados, a população Ec-Vi foi considerada como resistente e sendo
mantida sobre contínua pressão de seleção com a concentração de 0,25 mg de i.a. de lambdacialotrina/mL do produto em grau técnico, enquanto a população Ec-FM, considerada como
referência de susceptibilidade, foi mantida sem exposição ao inseticida.
3.1.2 Criação das Populações Resistente e Suscetível
A criação das populações resistente (RR) e susceptível (SS), bem como os bioensaios,
foram conduzidos sob condições controladas de laboratório a 25 ± 1 °C e fotofase de 12h e,
umidade relativa variando entre 60 e 75%, registradas a cada 30 minutos com Datalogger
HOBO (Onset Computer, Bourne, MA).
Segundo metodologia de Rodrigues (2012), a população de E. connexa possuindo
razão de resistência de 36,7 vezes à lambda-cialotrina (produto comercial Karate Zeon 50CS)
coletada em repolho (Ec-Vi) sendo mantida em laboratório sobre subsequente pressão de
23
seleção utilizando a DL50. Posteriormente, esta mesma população foi mantida sobre pressão
de seleção empregando a lambda-cialotrina em grau técnico, a qual é administrada em adultos
de 3 a 5 dias de idade e os insetos empregados nos nossos estudos estavam entre a 13a e 20a
gerações em laboratório, nestas condições, dependendo do estudo realizado.
A criação das joaninhas de ambas as populações foi mantida separadamente. Adultos
de cada população foram criados em potes plásticos transparentes de 1000mL, com a tampa
contendo uma abertura circular, coberta com tela para permitir a ventilação no interior do
recipiente. Entre 5 a 8 casais foram mantidos por recipiente contendo pedaços de papel toalha
como substrato de oviposição. A alimentação dos adultos foi feita com ovos de Anagasta
kuehniella (Zeller) (Lepidoptera: Pyralidae) produzidos no mesmo laboratório e
suplementados com uma dieta à base de levedura de cerveja e mel (50%:50%).
As posturas foram coletadas diariamente e transferidas para potes de 500mL até a
eclosão das larvas, onde são mantidas por mais 24h com alimento em abundância. Após este
período, as lavas eram transferidas para recipientes plásticos de 80 mL com tampa em rosca
(J. Prolab), na densidade de duas larvas por recipiente. No interior destes recipientes foi
adicionado um pedaço de papel toalha como substrato para pupação, embora a pupação
também possa ocorrer na tampa e nas paredes dos recipientes.
O alimento, ovos de A. kueheniella, foi ofertado a vontade de acordo com o instar. A
partir da pupação, o alimento era retirado e a emergência monitorada. Os insetos obtidos
foram mantidos na criação ou utilizados na instalação dos experimentos. Adultos da
população Ec-Vi, foram submetidos ao tratamento tópico com o inseticida aos 3-4 dias de
idade para então as posturas oriundas das fêmeas sobreviventes serem utilizadas para o início
da próxima geração.
3.1.3 Desempenho de Adultos das Populações RR e SS de E. connexa
Este experimento foi conduzido objetivando determinar o desempenho reprodutivo e a
longevidade de adultos fêmeas resistentes (Ec-Vi = RR) em comparação às fêmeas
susceptíveis (Ec-FM = SS). Os adultos obtidos foram mantidos isolados por três dias de idade
quando então foram estabelecidos cinco tratamentos com os adultos RR e SS iniciando na 13a
e 11a gerações, respectivamente: população SS sem tratamento inseticida (SS0); população
24
RR sem tratamento inseticida (RR0); população RR tratada com lambda-cialotrina em grau
técnico nas concentrações de 0,05 (RR0,05); 0,10 (RR0,10) e 0,25 (RR0,25) mg de i.a./mL,
respectivamente. Adultos com três dias de idade foram tratados com a lambda-cialotrina em
grau técnico nas respectivas concentrações ou quando não tratados compuseram as
testemunhas (SS0 e RR0).
A aplicação do inseticida nas concentrações previamente determinadas, foi realizada
com a deposição de 0,5μl da respectiva concentração na parte ventral do tórax dos insetos,
utilizando uma seringa de Hamilton 25µL. As concentrações eram obtidas depois de diluídas
em acetona. Após serem tratados, os insetos foram acondicionados em placas de Petri (12 x
1,5cm), forradas com papel filtro.
No interior da placa foram oferecidos, ovos de A. kuehniella e dieta complementar
composta de uma pasta de levedura de cerveja mais mel de abelha (50%:50%). O efeito
knockdown foi observado após 2-3h. Após 24h da aplicação, foi contabilizado o número de
indivíduos sobreviventes para determinar a taxa de recuperação, bem como estabelecer os
casais para o acompanhamento da sua longevidade e reprodução. Neste momento, também
foram estabelecidos o acasalamento dos indivíduos que compuseram os tratamentos RR0 e
SS0 sem exposição ao inseticida. Desta forma, considerando-se os três dias de pré-tratamento,
mais 24h de tratamento, o pareamento foi realizado com indivíduos aos quatro dias de idade.
Os casais foram mantidos em recipientes plásticos transparentes de 80mL (J. Prolab).
No interior do recipiente foi ofertado um pedaço de ~4cm2 de papel toalha e ovos de A.
kuehniella como presa a vontade. Diariamente, os recipientes eram observados para
quantificar a postura, reposição de alimento e anotar a mortalidade. Posturas depositadas no
papel eram transferidas para outros recipientes, e quando realizadas no recipiente, essas eram
mantidas e o casal transferido para outro recipiente objetivando evitar a destruição mecânica
dos ovos. Essas posturas eram avaliadas quanto à eclosão de larvas.
A partir dos resultados obtidos do número de adultos sobreviventes (caminhando
normalmente após 24h do tratamento), foi determinada a porcentagem de recuperação do
tratamento. A proporção de indivíduos RR sofrendo knockdown e recuperados após 24h foram
comparados entre os tratamentos RR0,05; RR0,10 e RR0,25 adotando a hipótese de igualdade
(33,3%) através do PROC FREQ do SAS (SAS INSTITUTE, 2002) e interpretados pelo teste
de qui-quadrado por pares de comparações. Os resultados do período para oviposição após o
25
tratamento, número médio de ovos por fêmea e porcentagem de eclosão de larvas foram
submetidos aos testes de normalidade (Kolmogorov D: normal) e homogeneidade (Bartlett) e,
em seguida, submetidos à análise de variância (ANOVA), realizando transformação de dados
quando necessário para atender os requerimentos de normalidade e homogeneidade de
variância. As médias foram comparadas entre tratamentos pelo teste de Tukey HSD (α =
0,05). A sobrevivência de adultos foi comparada entre tratamentos empregando o método
Kaplan-Meier para estimar a sobrevivência e teste Log-Rank para a comparação das curvas de
sobrevivência (PROC LIFETEST do SAS) (SAS INSTITUTE, 2002).
3.1.4 Desempenho da Progênie das Populações RR e SS de E. connexa
Este experimento foi instalado objetivando investigar o desenvolvimento larval e
pupal de indivíduos de ambas as populações RR e SS iniciando na 14a e 12a gerações,
respectivamente, bem como o peso dos adultos emergidos. Para tanto, foram estabelecidos
três tratamentos com larvas neonatas (<12h de idade) provenientes da terceira ou quarta
postura coletadas das populações susceptíveis (SS0) e resistentes (RR0) sem exposição ao
inseticida e com larvas oriundas de posturas obtidas de casais resistentes após recuperação do
tratamento inseticida (RR0,25).
O tratamento dos adultos RR0,25 foram similares ao estudo anterior. Um total de 50
larvas (repetições) foram monitoradas para cada tratamento. Essas larvas foram criadas
individualizadas e receberam ovos de A. kuehniella como alimento e em quantidade
abundante de acordo com a idade da larva.
A avaliação procedeu com anotações de mortalidade, dia da pupação, dia da
emergência de adultos e peso de adultos no dia da emergência. Os adultos foram mantidos
separados durante quatro dias para facilitar a sexagem. A partir de três ou quatro dias de vida
adulta, é possível observar a dilatação do abdome das fêmeas. A partir desses dados, foram
calculadas a duração e viabilidade do período larval e pupal e do período da eclosão da larva à
emergência de adultos, bem como o peso de adultos na emergência.
Os resultados obtidos foram submetidos aos testes de normalidade (Kolmogorov D:
normal) e homogeneidade (Bartlett) e, em seguida, submetidos à análise de variância
(ANOVA), realizando transformação de dados quando necessário para atender os
26
requerimentos de normalidade e homogeneidade de variância. As médias foram comparadas
entre tratamentos pelo teste de Tukey HSD (α = 0,05) (SAS INSTITUTE, 2002).
3.1.5 Resistência e Condição de Disponibilidade de Alimento no Desempenho de E.
connexa
Este estudo estabeleceu três tratamentos para avaliar a sobrevivência comparando
fêmeas das populações susceptíveis (SS) e resistentes (RR), na 14a e 16a gerações,
respectivamente. Fêmeas RR também foram investigadas quando recuperadas após
knockdown com tratamento de 0,25 mg i.a./mL da lambda-cialotrina em grau técnico (RRr).
Após 2-3 h, os indivíduos permaneciam paralisados e de pernas para cima eram
contabilizados como apresentando knockdown. Os adultos foram tratados para compor o
tratamento RRr de forma similar aos experimentos anteriores, com aplicação tópica e
recuperação após 24h de sofrer knockdown.
Na tentativa de simular a falta de presa em condições de campo e alimentação apenas
em nectários extraflorais após a redução de presas com o uso do inseticida lambda-cialotrina,
os adultos foram alimentados com uma solução de mel de abelha a 10% diluído em água,
durante o período de 10 dias de escassez de presas. A oferta da solução de mel a 10% foi
realizada em recipientes plásticos de 5mL contendo um pedaço de algodão embebido com a
solução. Para evitar fermentação, o recipiente e a solução eram substituídos a cada 48h.
Os tratamentos (RR0, RR0,25 e SS0) iniciaram com fêmeas de 3 dias de idade, sendo
que durante este período que antecedeu o experimento, elas receberam como presa ovos de A.
kuehniella em abundância (+Presa). No terceiro dia de vida, parte das fêmeas da população
RR foi submetida ao tratamento tópico com o inseticida e aquelas recuperando do knockdown
compuseram o tratamento RRr. Assim, insetos compondo todos os tratamentos, a partir do 3o
dia de vida foram submetidos à condição sem presa (-Presa).
Os insetos de todos os tratamentos foram mantidos na densidade de uma fêmea por
recipiente plástico de 80mL, sendo colocado no fundo do pote, um recipiente contendo a
solução de mel. Após 10 dias sem alimentação em presas, foi retornada a oferta abundante de
ovos de A. kuehniella, caracterizando o retorno da disponibilidade de alimento no 13o dia de
vida adulta (+Presa). Assim, fêmeas SS, RR e RRr foram submetidas à condição de +Presa-
27
Presa+Presa, e monitoradas diariamente para a coleta de postura e determinação do número de
ovos produzidos, bem como registro da mortalidade.
O número de ovos produzidos por fêmeas RR, SS e RRr foi submetido à ANOVA
após transformação em raiz (x+0,5) e comparado entre tratamentos pelo teste de Tukey HSD
(α = 0,05). As curvas de sobrevivência das fêmeas RR, SS e RRr foram estimadas pelo
método Kaplan-Meier e comparadas pelo teste Log-Rank (p = 0,05), usando o PROC
LIFETEST do SAS (SAS INSTITUTE, 2002).
3.1.6 Predação do pulgão do algodoeiro, Aphis gossypii, por diferentes populações de E.
connexa
A predação do pulgão do algodoeiro, Aphis gossypii Glover (Hemiptera: Aphididae)
provenientes de plantas de algodão da variedade BRS Rubi infestadas naturalmente no
campus da UFRPE por fêmeas de E. connexa, foi quantificada a partir do quinto ao décimo
dia de vida das fêmeas. As fêmeas de E. connexa foram alimentadas até esta idade com ovos
de A. kuehniella em abundância. No quinto dia de vida, os adultos foram sexados através da
dilatação do abdome das fêmeas.
Fêmeas das populações SS e RR estavam na 19a e 21a gerações em laboratório, sendo
que a população RR, foi sempre submetida ao tratamento com a DL50 do lambda-cialotrina
aos 3-4 dias da fase adulta a cada geração. No quarto dia de vida adulta, as fêmeas RR foram,
então, separadas em dois grupos, sendo um grupo submetido ao tratamento tópico com a
lambda-cialotrina a 0,25 mg i.a./mL, enquanto o outro grupo de fêmeas RR não foi submetido
ao tratamento com a lambda-cialotrina (n= 20 fêmeas) e utilizado para comparação. Um total
de 23 fêmeas RR recuperaram do tratamento com a lambda-cialotrina após 24h e compuseram
o tratamento fêmeas RRr. Um terceiro tratamento foi estabelecido com fêmeas SS sem
exposição ao inseticida (n = 20 fêmeas).
Assim, o experimento foi instalado em delineamento inteiramente casualizado com
três tratamentos correspondentes às fêmeas susceptíveis (SS0 = 20 fêmeas), resistentes sem
tratamento (RR0 = 20 fêmeas) e fêmeas resistentes submetidas à lambda-cialotrina e que se
recuperaram do knockdown 24h após o tratamento (RR0,25 = 23 fêmeas). As fêmeas dos
tratamentos SS0 e RR0 ficaram sem alimentação durante o quinto dia, correspondente ao
28
período em que as fêmeas do tratamento RR0,25 estavam em recuperação do efeito
knockdown, fornecendo assim uma fonte de estresse para estas populações.
As fêmeas foram individualizadas em placas de Petri de 1,5x5cm contendo 80 ninfas
do pulgão cada. Durante o período do quinto ao décimo dia de vida, as joaninhas eram
transferidas para novas placas contendo 80 ninfas do pulgão e era contabilizado o número de
pulgões consumidos, bem como a mortalidade de joaninhas.
Folhas infestadas eram colhidas e retirados discos de folhas de 3cm de diâmetro e
contabilizado o número de pulgões, sendo adicionados ou retirados indivíduos para se ter a
disponibilidade de 80 pulgões/disco/fêmea. O número de pulgões consumidos diariamente
pela fêmea da joaninha durante cinco dias de avaliação foi submetido à análise de variância
através do método de medidas repetidas no tempo (datas de avaliação) e tratamento
(populações) e as médias de predação foram comparadas entre populações em cada data de
avaliação pelo teste de Tukey HSD a 5% de probabilidade (SAS INSTITUTE, 2002).
29
3.2
Resultados
3.2.1 Desempenho de Adultos das Populações RR e SS de E. connexa
A porcentagem de joaninhas que sofreram efeito knockdown foi crescente em função
das concentrações de lambda-cialotrina aplicadas (χ2 = 6,69; P = 0,0352; GL = 2), variando
de 55 a 100% (Tabela 1). Por outro lado, aconteceu o oposto com a taxa de recuperação dos
indivíduos que sofreu knockdown havendo maior proporção de indivíduos recuperados na
menor concentração, porém sem diferença estatística (χ2 = 1,28; P = 0,2332; GL =2) (Tabela
1).
O período para iniciar a oviposição não variou entre as populações sendo de 1,3 a 2,2
dias após o tratamento com a lambda-cialotrina, além dos 3 dias de idade que todas as fêmeas
possuíam ao serem submetidas ao tratamento. Quanto à fecundidade, no entanto, foi
observado efeito significativo do status de resistência ou de suscetibilidade da população (F4,
82 = 5,54; P = 0,0005).
O número médio de ovos depositados por fêmeas SS foi de ~50% superior ao das
fêmeas das populações RR e RRr (Tabela 1). Fêmeas resistentes recuperando-se do
knockdown (RRr) após exposição a crescentes concentrações da lambda-cialotrina (0,05;
0,10 e 0,25 mg i.a./mL) mantiveram fecundidade similar à das fêmeas RR sem exposição
ao inseticida, independente da concentração e da taxa de recuperação (Tabela 1).
Da mesma forma, a porcentagem de eclosão de larvas que variou de 22,2 a 38,3%,
bem como a longevidade média de fêmeas que variou de 54,9 a 71,5% não foram
diferentes entre as populações SS, RR e RRr (Tabela 1).
30
Tabela 1 - Características de adultos resistentes (RR0) e susceptíveis (SS0) de Eriopis connexa sem tratamento, e de RR submetidos ao
tratamento tópico com três concentrações de lambda-cialotrina em grau técnico (0,05; 0,10; 0,25 mg i.a./mL).
Knockdown
(%)¹
Recuperação
(%)¹
Período para
oviposição2, 3
Número médio de
ovos/fêmea3
Eclosão de larvas
(%)3
Longevidade média
de fêmeas (dias)4
SS0
-
-
1,9 ± 0,12 a
738,8 ± 106,51a
22,5 ± 5,47 a
71,5 ± 5,01 a
RR0
-
-
1,3 ± 0,15 a
390,6 ± 73,66b
22,2 ± 5,85 a
66,8 ± 6,39 a
RR0,05
55,0 b
100,0 a
1,5 ± 0,17 a
383,6 ± 61,15b
24,7 ± 5,09 a
54,9 ± 3,16 a
RR0,10
73,2 a
96,4 a
2,2 ± 0,41 a
356,1 ± 60,98b
27,7 ± 4,94 a
62,1 ± 7,25 a
RR0,25
100,0 a
78,8 a
2,0 ± 0,19 a
334,6 ± 50,43b
38,3 ± 5,98 a
64,0 ± 8,73 a
Populações
1
Medias (%) seguidas de mesma letra na coluna são estatisticamente similares pelo teste de qui-quadrado (P>0,05) para a hipótese de igualdade
de proporção esperada.
2
Período pós-tratamento para iniciar oviposição (dias) (±EP).
3
Médias (±EP) seguidas pela mesma letra na coluna não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey HSD (P > 0,05).
4
Médias (±EP) de sobrevivência seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Log-Rank do Proc lifetest do SAS (P>0,05), e
médias determinadas pelo método de Kaplan-meier.
Fonte: Autor desta dissertação, 2012.
31
3.2.2 Desempenho da Progênie das Populações RR e SS de E. connexa
Larvas de E. connexa oriundas de posturas depositadas por fêmeas susceptíveis (SS),
resistentes (RR) e de fêmeas resistentes após a recuperação do knockdown (RRr)
apresentaram similar período de desenvolvimento tanto para larvas originando machos,
quanto fêmeas (Tabela 2).
A duração da fase de pupa foi de 3 dias para todas as populações não gerando variação
entre as descendências. Da mesma forma, a viabilidade da fase de pupa (% de emergência de
adultos) variou de 95 a 97,5%, sendo semelhante entre os descendentes oriundos de fêmeas
SS, RR e RRr (Tabela 2). Por outro lado, a viabilidade larval e o peso de machos variaram
significativamente, dependendo da condição da população RR. Larvas oriundas de fêmeas
RRr apresentaram, em média, 28,4 e 20,9% menor viabilidade, comparadas a larvas oriundas
de fêmeas SS e RR sem exposição à lambda-cialotrina (Tabela 2). Da mesma forma, o peso
de descendentes machos da população RRr foi significativamente menor em 20% e 25% do
peso, quando comparado aos machos de SS e RR sem exposição à lambda-cialotrina. O peso
de fêmeas, no entanto, foi similar independente da condição da população RR e SS e sempre
superior ao peso dos machos (Tabela 2).
Tabela 2 - Duração Larval, viabilidade larval, viabilidade pupal e peso de adultos de Eriopis
connexa oriundos de fêmeas susceptível (SS), resistente (RR) e fêmeas resistentes
recuperadas do knockdown (RRr) após o tratamento tópico com lambda-cialotrina
em grau técnico a 0,25 mg de i.a./mL.
Duração Larval
Viabilidade
Larval (%)1
Viabilidade
Pupal (%)1
Peso de adultos (mg)
Machos1
Fêmeas1
Condição
SS
Machos
Fêmeas
13,1 ± 0,19 a
13,0 ± 0,13 a
80,0 ± 14,7 a
95,0 ± 3,41 a
9,0 ± 0,26 a 10,2 ± 0,28 a²
RR
12,8 ± 0,14 a
12,8 ± 0,16 a
72,5 ± 0,15 a
97,5 ± 2,50 a
9,6 ± 0,34 a 11,1 ± 0,37 a²
RRr
13,6 ± 0,24 a
12,8 ± 0,13 a
51,6 ± 23,9 b
95,0 ± 3,41 a
7,2 ± 0,60 b 11,0 ± 0,38 a²
Estatística
F=1,400,2623
F=0,650,5255
F =7,430,0025
F = 0,160,8561
F=6,400,0049
1
F=2,280,1100
Médias (±EP) seguidas de mesma letra, na coluna, não diferem estatisticamente pelo teste de
Tukey HSD a 5% de probabilidade.
²Diferença significativa entre populações de mesmo sexo para peso de adultos pelo teste de F
a 5% de probabilidade.
Fonte: Autor desta dissertação, 2012
32
3.2.3 Resistência e Condição de Disponibilidade de Alimento no Desempenho de E. connexa
De forma similar ao resultado de oviposição em condição de abundância de presa,
fêmeas susceptíveis apresentaram-se significativamente mais fecundas que fêmeas resistentes
quando submetidas a escassez de alimento (F2, 28= 6,45; P = 0,005). Fêmeas SS produziram
aproximadamente 40% e 82% mais ovos que fêmeas resistentes RR e RRr, respectivamente.
Também, fêmeas RR produziram aproximadamente 72% mais ovos que fêmeas RRr (fêmeas
recuperadas do knockdown da aplicação tópica de 0,25 mg de i.a./mL de lambda-cialotrina em
grau técnico) (Figura 2).
Figura 1 - Fecundidade de fêmeas de Eriopis connexa susceptível (SS), resistente (RR) e
resistente recuperada do knockdown após tratamento (RRr) com 0,25 mg i.a./mL de
lambda-cialotrina em grau técnico, submetidas a condição de escassez de alimento
durante 10 dias na fase adulta entre 3o ao 13o dia de vida. Nota: Barras sob
diferentes letras diferem estatisticamente pelo teste de Tukey HSD (P<0,05).
Fonte: Autor desta dissertação, 2012
33
Fêmeas de todas as populações submetidas à condição de escassez de presas entre o 3o
e o 13o dia da fase adulta apresentaram similar sobrevivência (χ2 = 4,73; P = 0,0936; Gl = 2).
A sobrevivência média determinada pelo método de Kaplan-Meier variou de 48,0 a 63,0 dias
(Figura 3).
Figura 2 - Sobrevivência de fêmeas de Eriopis connexa susceptível (SS), resistente (RR) e
resistente recuperada do knockdown após tratamento (RRr) com 0,25 mg i.a./mL de
lambda-cialotrina em grau técnico, submetidas a condição de escassez de alimento
durante 10 dias na fase adulta entre 3o ao 13o dia de vida. Nota: Curvas de
sobrevivência determinadas pelo método de Kaplan-Meier não diferem pelo teste de
Log-Rank (χ2 = 4,7380; P = 0,0936; GL = 2).
Fonte: Autor desta dissertação, 2012
3.2.4 Predação do pulgão do algodoeiro, Aphis gossypii, por diferentes populações de E.
connexa
A condição da população quanto à resistência de E. connexa à lambda-cialotrina
interfere na taxa de predação de pulgões (Tabela 3). A população susceptível (SS), sem
exposição à lambda-cialotrina, mostrou-se com taxa de predação não variável ao longo do
tempo e superior as populações RR e RRr para o período de avaliação (MANOVA, Wilks'
lambda, F = 74,05; P < 0,0001; gl = 2, 60). Por outro lado, a taxa de predação exibida pelas
34
populações RR e RRr foi variável ao longo dos cinco dias de observação (MANOVA, Wilks'
lambda, F = 45,78; P < 0,0001; gl = 4, 57); fato que resultou em efeito significativo da
interação população e tempo de observação (MANOVA, Wilks' lambda, F = 13,37; P <
0,0001; gl = 2, 114). Assim, os resultados mostram que a predação de pulgão pela população
SS foi similar durante o período de observação de cinco dias (P = 0, 6443); enquanto que o
consumo foi inferior nos três primeiro dias de observação para fêmeas RRr (F4, 110 = 33,59; P
< 0,001) e nos dois primeiros dias para fêmeas RRr (F4, 95 = 17,51; P < 0,001).
No geral, a predação média de pulgões durante os cinco dias de observação foi
significativamente superior para joaninhas SS devido ao maior consumo inicial (Tabela 3). A
partir do quarto dia, no entanto, não foi detectada diferença na taxa diária de predação com
média acima de 55 pulgões por dia entre as três populações SS, RR e RRr.
Tabela 3 - Predação do pulgão do algodoeiro, Aphis gossypii por diferentes populações de Eriopis
connexa entre o 5º e o 10º dia de vida adulta.
Populações
Dias
Susceptível (SS)
Resistente (RR)
Resistente recuperada (RRr)
1o
60,5 ± 2,64 Aa
37,1 ± 1,28 Bb
23,1 ± 3,12 Bc
2o
62,7 ± 2,55 Aa
47,0 ± 1,87 Bb
24,9 ± 4,12 Bc
3o
65,1 ± 2,35 Aa
44,9 ± 3,82 Bb
54,4 ± 3,54 Aab
4o
62,3 ± 2,35 Aa
55,3 ± 2,98 Aa
61,8 ± 2,71 Aa
5o
60,2 ± 2,47 Aa
57,7 ± 2,80 Aa
60,0 ± 2,70 Aa
Média
62,2 ± 1,10 a
48,5 ± 3,71 b
45,4 ± 2,15 b
1
Médias seguidas de mesma letra maiúscula, na coluna, e minúscula, na linha, não diferem
estatisticamente pelo teste de Tukey HSD a 5% de probabilidade.
Fonte: Autor desta dissertação, 2012
35
3.3
Discussão
A manutenção de inimigos naturais nos agroecossistemas associado a aplicações de
inseticidas para o controle de pragas é um desafio para o manejo integrado de pragas (MIP),
considerando-se que o impacto negativo desses inseticidas sobre os inimigos naturais é um
resultado comumente esperado (THEILING E CROFT, 1988; CROFT, 1990; DEGRANDE et
al., 2002). Portanto, torna-se necessário a seletividade dos inseticidas.
A exposição de joaninhas predadoras aos resíduos de inseticidas resulta, na sua
maioria, em maior toxicidade para as joaninhas que para as pragas alvo (TILLMAN E
MULROONEY, 2000; GUSMÃO et al., 2000; MICHAUD, 2002; PROVOST et al., 2003;
COSME et al., 2007; LEITE et al., 2010). A resistência, em joaninhas predadoras, no entanto,
busca oferecer seletividade fisiológica do inseticida ao predador, visto que praga alvo e
inimigo natural serão expostos simultaneamente a uma determinada concentração do produto
em campo, mas sendo esta mais tóxica à praga alvo do que à joaninha resistente.
Estudos em campo mostraram que cerca de 80% dos adultos de E. connexa
provenientes da população resistente selecionada (Ec-Vi) utilizada neste estudo (geração
F12), confinados em plantas de algodão pulverizadas com 1x e 5x a dose recomendada de
campo da lambda-cialotrina, apresentaram sobrevivência similar àqueles confinados em
plantas não pulverizadas, enquanto que o bicudo do algodoeiro Anthonomus grandis Boh.
(Coleoptera: Curculionidae), principal praga do algodão no Brasil, e a população suscetível de
E. connexa (Ec-FM), exibiram somente 20 e 0% de sobrevivência, respectivamente
(SPÍNDOLA, 2011).
A obtenção da seletividade mediante a manutenção de E. connexa resistente ao
inseticida lambda-cialotrina em campo permitirá o uso simultâneo de ambos os controles
químico e biológico. Neste contexto, busca-se o controle de pulgões, moscas- brancas, etc.,
através da conservação de E. connexa resistente na área e o controle de desfolhadores,
especialmente larvas de lepidópteros e coleópteros, através da utilização da lambda-cialotrina.
Piretróides, de modo geral, não são eficientes contra pulgões e a resistência a piretróides em
pulgões, como é determinada para A. gossypii, pode atingir níveis consideráveis
(RAVINDHRAN E ANNE, 1997; AHMAD et al., 2003). De fato, a utilização de piretróides
como a lambda-cialotrina resulta geralmente em surtos de pulgões posteriores às aplicações
(HARDIN et al., 1995; DEGUINE et al., 2000; GODFREY et al., 2000; DUTCHER, 2007;
36
OBRYCKI et al., 2009), os quais são usualmente relacionados à redução da população de
predadores e parasitóides (BROZA, 1986; KIDD E RUMMEL, 1997; LONGLEY, 1999).
A dinâmica populacional de E. connexa resistente nos agroecossistemas, no entanto,
será diferenciada em comparação às populações susceptíveis na ausência de pressão de
seleção. Com base nos resultados apresentados, fêmeas resistentes apresentarão produção de
ovos 50% menor que as fêmeas susceptíveis. Portanto, resultará em menor crescimento
populacional de indivíduos resistentes e, consequentemente, invasão de genes para a
susceptibilidade na população resistente, resultando na diluição da fração da resistência na
população como um todo ao longo das gerações. Por outro lado, em condições de pressão
exercida pelas pulverizações com a lambda-cialotrina, a população resistente de E. connexa
será beneficiada, em comparação à susceptível. Os níveis de resistência apresentados por
adultos de E. connexa à lambda-cialotrina permitem a sobrevivência de indivíduos RR e
morte dos indivíduos SS. A maior dosagem recomendada de 0,4 mg de i.a./mL do produto
comercial (AGROFIT, 2012), supostamente capaz de ocasionar efeito letal acima de 95%
para a população da praga alvo independente da densidade populacional (KNIPLING, 1979),
é 7,5 e 25,4 vezes menor que as DL50 e DL90 calculada para E. connexa (1, 45 e 5,09 mg
i.a./mL do produto comercial) segundo Rodrigues (2012).
A menor produção de ovos por fêmeas RR em comparação a fêmeas SS sugere um
custo adaptativo para fêmeas RR devido à resistência. O custo torna-se evidente quando se
considera a sobrevivência de larvas e pupas, a qual foi inferior para a descendência oriunda de
fêmeas RRr (recuperadas do knockdown). A redução da oviposição é um resultado
comumente associado ao custo voltado à manutenção da sobrevivência do organismo sob
condições adversas (STEARNS, 1992). Em E. connexa, é observado que apesar da menor
produção de ovos para fêmeas RR e RRr, elas apresentaram sobrevivência similar as fêmeas
SS seja na condição de abundância de presas (Tabela 1), ou quando simulando uma condição
de escassez de presas por 10 dias consecutivos (Figura 3). O estresse da exposição ao
inseticida e a recuperação do knockdown sugere que há um custo adicional na condição de
escassez de alimento, além daquele apenas causado pelos genes responsáveis pela resistência.
Este custo adaptativo pode exercer significativo atraso na evolução e manutenção da
resistência de E. connexa em campo (CARRIÈRE et al., 1994; GOULD, 1998). No entanto, a
herança da resistência à lambda-cialotrina em E. connexa é autossômica e incompletamente
dominante (RODRIGUES, 2012). Isto sugere que ambos os parentais são doadores de genes
37
da resistência para a descendência e que a mortalidade da população resistente será
dependente da dose e do genótipo da população. Assim, espera-se a mortalidade de todos os
indivíduos homozigotos recessivos da população em exposição a uma alta dose do inseticida.
Por outro lado, os indivíduos homozigotos dominantes e heterozigotos para a resistência
sobrevivem a altas doses da lambda-cialotrina. De acordo com Rodrigues (2012), a população
RR e F1 (RS e SR) de E. connexa somente apresenta mortalidade acima de 95% quando
tratada topicamente com 0,5 mg de i.a./mL da lambda-cialotrina em grau técnico. Portanto,
não é esperado que a resistência seja completamente revertida na ausência da pressão de
seleção, visto que a mortalidade irá variar em função da dose de exposição, apesar do custo
reprodutivo apresentado pelos indivíduos RR.
Em relação à predação do pulgão A. gossypii, é observado um efeito pós-recuperação
do knockdown em fêmeas RR tratadas com a lambda-cialotrina (RRr) (Tabela 3). Estas
fêmeas apresentaram menor predação durante dois dias subsequentes à recuperação do
knockdown, porém igualando-se à predação diária de pulgões por fêmeas SS a partir do
terceiro dia de avaliação. Fêmeas RR, também, apresentaram menor taxa de predação
inicialmente, porém igualando-se a fêmeas SS a partir do quarto dia de observação. Em
laboratório, a predação diária do pulgão gigante do pinus, Cinara atlantica (Wilson), foi de
31 pulgões/dia com a oferta de 50 pulgões (OLIVEIRA et al., 2004); de 25 a 35 pulgões/dia
de Macrosiphum euphorbiae (Thomas) com a oferta de 40 pulgões (SARMENTO et al.,
2007); e de 10 pulgões/dia de Acyrthosiphon pisum (Harris) com a oferta de 100 a 120
pulgões (GREZ et al., 2012). Isto demonstra que a predação de pulgões pode variar
dependendo da espécie de pulgão. Baseado nos resultados, a condição de resistência interfere
na predação inicialmente após a mudança da dieta de A. kuehniella para o pulgão do
algodoeiro, em comparação a fêmeas SS, porém, esta diferença diária de predação deixa de
existir após quatro dias e demonstra uma estabilização e igualdade na predação entre as
populações (Tabela 3).
Baseado nos resultados pode-se concluir que a seleção para a resistência em E.
connexa impõe custos à população com redução da fecundidade e, além disso, fêmeas
resistentes após se recuperarem do knockdown, produzem descendentes com menor
viabilidade larval. Também, fêmeas RR e fêmeas RRr após tratamento apresentaram menor
predação diária de pulgões inicialmente, porém igualando-se à taxa diária de predação de
fêmeas SS após 4 dias. Embora estes resultados de laboratório não demonstrem na totalidade
38
as condições reais de campo, espera-se que as condições extremas de contaminação via
tratamento tópico em laboratório e diferentes doses do inseticida sejam superiores àquela que
provavelmente acontecerá em campo, considerando a redução da eficácia biológica da
lambda-cialotrina em campo, após aplicação (TILLMAN E MULROONEY, 2000; TORRES
et al., 2000).
Também, ainda estão abertas questões de como se comportará a população resistente
ao longo de gerações, em condições de campo, na presença e ausência da pressão de seleção,
como um importante conhecimento quanto ao custo adaptativo da resistência (CROW, 1957).
Além disso, é necessário entender como será a contribuição dos indivíduos heterozigotos, em
relação ao custo adaptativo, comparando-se o desempenho de heterozigotos e homozigotos
resistentes, bem como a resposta da população resistente às doses recomendadas de campo,
que se tornarão subdoses devido ao nível de resistência apresentado pela população de E.
connexa.
39
3.4
Conclusões
A seleção para a resistência em E. connexa impõe desvantagem a população resistente
com menor fecundidade, porém independe da dose de exposição e do efeito knockdown;
Fêmeas resistente após recuperarem do knockdown produzem larvas com menor
sobrevivência;
A escassez de presa após recuperação do Knockdown possui efeito adicional na
fecundidade, porém a sobrevivência das fêmeas independe da condição de resistência;
Fêmeas de E. connexa resistente e resistente recuperadas do knockdown apresentam
inicialmente menor consumo de pulgões, porém com consumo similar a partir do 4º dia.
40
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ANEXO
Anexo 1. Estrutura química do lambda-cialotrina.
