Toxicidade e Formulação de Extratos de AnnonamuricataL. (Annonaceae) para o Controle de Plutellaxylostella(L.,1758) (Lepidoptera Plutellidae)
TOXICI~1.PDF
Documento PDF (908.4KB)
Documento PDF (908.4KB)
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PROTEÇÃO DE PLANTAS
ISMAEL BARROS GOMES
Toxicidade e Formulação de Extratos de AnnonamuricataL. (Annonaceae) para o
Controle de Plutellaxylostella(L.,1758) (Lepidoptera: Plutellidae)
Rio Largo, AL
2013
ISMAEL BARROS GOMES
Toxicidade e Formulação de Extratos de AnnonamuricataL. (Annonaceae) para o
Controle de Plutellaxylostella(L.,1758) (Lepidoptera: Plutellidae)
Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Proteção de
Plantas, do Centro de Ciências Agrárias da
Universidade Federal de Alagoas, como
requisito parcial para obtenção do titulo de
Mestre em Agronomia.
Área de concentração: Proteção de Plantas.
Orientadora: ProfªDrª Roseane Cristina Predes
Trindade
Coorientador: Prof° Dr° Antônio Euzébio
Goulart de Sant‟Ana
Rio Largo, AL
2013
Folha de Aprovação
ISMAEL BARROS GOMES
Toxicidade e Formulação de Extratos de AnnonamuricataL. (Annonaceae) para o
Controle de Plutellaxylostella(L.,1758) (Lepidoptera: Plutellidae)
Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Proteção de Plantas, do Centro de
Ciências Agrárias da Universidade Federal de
Alagoas, como requisito parcial para obtenção do
título de Mestre em Agronomia pela Comissão
Julgadora composta pelos membros:
__________________________________________________________________
ProfªDrª Roseane Cristina Predes Trindade, Universidade Federal de Alagoas
Banca Examinadora:
_________________________________________________________________
Dr. Marcílio de Souza Silva, Universidade Federal de Alagoas
__________________________________________________________________
ProfªDrª Roseane Cristina Predes Trindade, Universidade Federal de Alagoas
________________________________________________________________
ProfªDrª Sônia Maria F. Broglio, Universidade Federal de Alagoas
Dedico este trabalho a todos aqueles que contribuíram para a sua
realização, principalmente a minha namorada Kássia de Souza
Correia.
AGRADECIMENTOS
Em especial aos meus Pais, Israel Gomes e Inácia Maria Barros Gomes, sempre presentes em
minha vida.
A minha namorada Kássia de Souza Correia, por sua amizade, carinho, auxílio e constante
disposição em ajudar.
A ProfªDrª. Roseane Cristina Predes Trindade, pela orientação desde os primeiros passos na
pesquisa científica, pelo incentivo, confiança e amizade.
Ao Prof. Dr. Antônio Euzébio Goulart Sant‟Ana, pela apoio e orientação.
Ao Centro de Ciências Agrárias e o Prof. Dr. Eurico Eduardo Pinto de Lemos, pela
infraestrutura e recursos oferecidos para a realização deste trabalho.
Ao Prof. Dr. Irinaldo Diniz Basílio Junior e seu bolsista Danilo Abreu Vieira, e a
farmacêutica Renara pela paciência e auxílio na microencapsulação.
Aos meus colegas de laboratório, Ronycleide da Silva Souza, Alds Priscila Alves de Araujo
Costa, Rilton Moraes Santos, Raiza Rocha e Cícera Regina da Silva que tanto me ajudaram.
A CAPES, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, pela concessão da
bolsa de Mestrado.
Aos membros da banca.
RESUMO
A traça-das-crucíferas, Plutellaxylostella(L., 1758) (Lepidoptera: Plutellidae), é a principal
praga de brássicas em todo o mundo, principalmente por sua fácil dispersão, curto ciclo e
grande capacidade de desenvolver resistência a inseticidas. Por esse motivo, a adoção de
métodos de controle alternativos é importante para a elaboração de um plano de manejo
integrado para a espécie. Dentre esses métodos, tem-se o uso de extratos de plantas com ação
inseticida tais como espécies da família Anonnaceae, como a graviola AnnonamuricataL.
(Annonaceae) que possui relatos de atividade inseticida, acaricida e vermicida. Desta forma,
o presente trabalho teve como objetivos avaliar o efeito de diferentes solventes extratores da
semente de graviola na mortalidade, biologia e oviposição de P. xylostella e sua persistência
nas plantas e, posteriormente com o melhor extrato desenvolver uma formulação viávelpara o
controle da praga. Foram realizados experimentos para adeterminaçãoda concentração letal e
subletal de três extratos (aquoso, hexânico e etanólico) para determinação da CL50 e
avaliações do efeito dos extratos na biologia e oviposiçãodo inseto, bem como o efeito
residual do extrato. Com o extrato mais promissor foi elaborado uma formulação
microencapsulada utilizando-se “Spraydrying”. A análise de extratos mostrou que a CL50 e a
CL99 foram de 0,013 e 0,084%; 0,025 e 0,196%; 2,33 e 35,22%, para o extrato etanólico,
hexânico e aquoso, respectivamente. Os extratos orgânicos afetaram o desenvolvimento da
praga, com menor viabilidade e duração larval, mas não afetou a fase pupal. Além disso, o
extrato etanólico na concentração letal se mostrou eficiente como deterrente de oviposição,
afetou negativamente a fase embrionária. Em relação ao efeito residual, os extratos etanólicos
nas concentrações letal e subletal diferiram da testemunha até o 4º dia após a aplicação,
mostrando assim que o extrato pode persistir na planta por esse período. Não foi possível
encontrar uma emulsão estável para os extratos orgânicos da semente de A. muricata. O
extrato etanólicomicroencapsuladomostrou resultados semelhantes aos encontrados com o
extrato etanólico, com uma concentração subletal de 0,025%, uma concentração letal de
0,3%, afetou o desenvolvimento da praga e a persistência na planta foi de pelo menos quatro
dias. A formulação microencapsulada é bastante promissora para ser utilizada pelos
agricultores, mas ainda precisa de ajustes para aplicação.
Palavras chave: Traça-das-crucíferas. Graviola. Microencapsulamento. Biologia. CL50.
Persistência.
ABSTRACT
The diamondback moth, Plutellaxylostella (L., 1758) (Lepidoptera: Plutellidae), is the major
pest of crucifers worldwide, mainly because of its ease of dispersion, short cycle and high
capacity to develop resistance to insecticides. Therefore, the adoption of alternative control
methods is important for the development of an integrated management plan for the species.
Among these methods, there is the use of plant extracts with insecticidal activity such as
species of the family Anonnaceae like soursopAnnonamuricata L. (Annonaceae) has
reportedinsecticide,acaricideand vermicideactivity. Thus , this study aimed to evaluate the
effect of different solvent extractors of soursop seed in mortality , biology and oviposition of
P. xylostella and its residual efect in plants, and subsequently to extract the best feasible to
develop a formulation for the control of pests. Experiments were performed to determine the
lethal and sublethal concentrations of three extracts (aqueous, hexane and ethanol) to
determine the LC50 and evaluations of the effect of the extracts on insect biology and
oviposition, as well as the residual effect of the extract. With the most promising extract was
prepared microencapsulated formulation using "Spray drying" technique. The analysis of
extracts showed that the LC50 and LC99 were 0.013 and 0.084 %, 0.025 % and 0.196, 2.33 and
35.22 % for the ethanol extract, hexane and aqueous, respectively. The organic extracts
affected the development of the pest, and lower larval viability, but did not affect pupal stage.
Furthermore, the ethanol extract on lethal concentration proved effective as oviposition
deterrent, and negatively affected the embryonic stage. In relation to the residual effect, the
ethanol extracts lethal and sublethal concentrations differed from the control until the 4th day
after application, thus showing that the extract may persist on the plant for at least this period.
Could not find a stable emulsion for organic seed extracts of A. muricata. The ethanol extract
microencapsulated showed results similar to those of the ethanol extract , with a sublethal
concentration of 0.025% a lethal concentration of 0.3% , affected the development of the pest
and persistence in the plant was at least four days. The microencapsulated formulation is
promising to be used by farmers, but still needs tweaking for application.
Keywords: Diamondback. Soursop. Microencapsulation. Biology. LC50. Persistence.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 Figura 2 Figura 3 Figura 4 Figura 5 -
Figura 6 -
Figura 7 Figura 8 -
Ciclo biológico da Plutella xylostella. (A) fase embrionária, (B) fase
larval, (C) fase pupal e (D) fase adulta ------------------------------------------
18
Etapas da criação de Plutella xylostella. 1A – Gaiolas dos adultos. 1B –
ovos da traça. 1C – lagartas nos potes. 1D – pupas retiradas dos potes.-----
36
Detalhe Mini Spray Dryer B-290 (A) e seu recipiente de coleta (B)--------Mortalidade larval de Plutella xylostella em diferentes concentrações do
extrato aquoso, hexânico e etanólico da semente de Annona muricata-----Separação das fases aos 15 minutos. (A) Emulsão hexânica 0 min. (B)
Emulsão etanólica 0 min. (C) Emulsão hexânica 15 min. (D) Emulsão
etanólica 15 min. -------------------------------------------------------------------Microencapsulação do extrato etanólico da semente de Annona muricata
com aerosil que permaneceu no estado líquido (A). Microencapsulação
com goma arábica, que formou o pó (B). --------------------------------------Mortalidade larval de Plutella xylostella(%) em função da concentração
do extrato etanólico da semente de Annona muricata microencapsulada --Comparação alimentar de Plutella. Xylostella entre a testemunha (A) e a
folha tratada (B)com a concentração subletal do extrato etanólico de
Annona muricata microencapsulado ---------------------------------------------
42
46
63
64
66
69
LISTA DE TABELAS
Tabela 1-
Proporção de homogeneizadores utilizados para o preparo das
emulsões dos extratos orgânicos da semente de Annona muricata-------
Tabela 2 -
Tabela 3 -
Tabela 4 -
Tabela 5 -
41
Análise de Probit para os extratos aquoso, etanólico e hexânico da
semente de Annona muricata--------------------------------------------------
45
Resumo da concentração letal e subletal dos extratos orgânicos e
aquoso da semente de Annona muricata sobre a mortalidade de
lagartas de Plutella xylostella-------------------------------------------------
47
Comparação do limite inferior, superior e CL50 dos extratos aquoso,
hexânico e etanólico da semente de Annona muricata sobre a
mortalidade larval de Plutella xulostella -------------------------------------
48
Médias ± DP da viabilidade e duração das fases larval e pupal e
longevidade do adulto de Plutella xylostella tratadas com extratos
Tabela 6 Tabela 7 -
Tabela 8 -
orgânicos da semente de Annona muricata---------------------------------
51
Viabilidade (%) ± DP dos ovos de Plutella xulostell atratados com
extratos orgânicos da semente de Annona muricata---------------------
54
Média ± DP de ovos de Plutella xylostella depositados em folhas de
couve tratadas com extrato orgânico de semente de Annona muricata,
da testemunha e do tratamento padrão --------------------------------------Média da mortalidade larval de Plutella xylostella para os fatores
57
tempo de aplicação, concentração e ação do extrato da semente de
Tabela 9 Tabela 10 -
Annona muricata----------------------------------------------------------------
59
Média Mortalidade Larval (%) de Plutella xylostella para a interação Tempo
x Concentração da aplicação do extrato da semente de Annona muricata------
60
Análise de Probit do extrato etanólico da semente de Annona muricata
microencapsulado---------------------------------------------------------------
Tabela 11 -
65
Comparação do limite inferior, superior e subletal do extrato etanólico
da semente de Annona muricata microencapsulado-----------------------
66
Médias ± DP da viabilidade e duração larval e pupal e longevidade dos
adultos de Plutella xylostella tratadas com extrato etanólico da semente
de Annona muricata e microencapsulado------------------------------------
68
Mortalida larval ± DP (%) de Plutella xylostella em função dos dias
após a aplicação da CL50 do extrato etanólico da semente de Annona
muricata e seu microencapsulado--------------------------------------------
70
Tabela 14 -
Interação fator Tempo x Produtos --------------------------------------------
69
Tabela 15 -
Mortalidade larval ± DP (%) de Plutella xylostellaem função dos dias
após aplicação da CL50 do microencapsulado -------------------------------
70
Tabela 12 -
Tabela 13 -
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
APL – Arranjo Produtivo Local
Bt – Bacillus thuringiensis
CEAGESP - Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo
CECA – Centro de Ciências Agrárias
CL – Concentração Letal
CL50 – Concentração Letal para matar 50% da população
CL99 – Concentração Letal para matar 99% da população
CV% - Coeficiente de Variação
DMSO – Dimetilsulfóxido , C2H6OS
DP – Desvio padrão
FAO – Food and Agriculture Organization
GIFAP- Grupo Internacional das Associações Nacionais de Fabricantes de Produtos
Agroquímicos
IC- Intervalo de confiança
LI – Limite Inferior (CL10)
LS –Limite Superior (CL99)
NS – Não significativo
T/HA/ANO – Tonelada por hectare ao ano
UFAL – Universidade Federal de Alagoas
UR – Umidade relativa
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO -------------------------------------------------------------------
14
2
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ------------------------------------------------
16
2.1
Importância econômica das Brássicas----------------------------------------
16
2.2
Aspectos gerais sobre a traça-das-crucíferas--------------------------------
17
2.2.1
Aspectos morfológicos e biologia ------------------------------------------------
17
2.2.2
Danos --------------------------------------------------------------------------------
19
2.2.3
Métodos de controle ---------------------------------------------------------------
20
2.3
Inseticidas de origem vegetal---------------------------------------------------
23
2.3.1
Aspectos gerais ---------------------------------------------------------------------
23
2.3.2
Uso de plantas com potencial de controle de Plutella xylostella------------
24
2.4
Anonáceas--------------------------------------------------------------------------
26
2.4.1
Importância econômica das anonáceas -----------------------------------------
26
2.4.2
Anonáceas com ação inseticida --------------------------------------------------
27
2.4.3
O princípio ativo das anonáceas --------------------------------------------------
29
2.5
Formulações de inseticidas------------------------------------------------------
30
2.5.1
Emulsão -----------------------------------------------------------------------------
32
2.5.2
Microencapsulamento-------------------------------------------------------------
32
3
MATERIAL E MÉTODOS -----------------------------------------------------
35
3.1
Condução da cultura-------------------------------------------------------------
35
3.2
Criação do inseto------------------------------------------------------------------
35
3.3
Obtenção das sementes e preparo dos extratos-----------------------------
37
3.4
Experimentos com extratos aquosos e orgânicos da semente de Anno
namuricata ------------------------------------------------------------------
3.4.1
37
Determinação e efeito da CL50 e CL99 dos extratos da semente de Annona
muricata na biologia de Plutella xylostella-------------------------------------
37
3.4.2
Efeito dos extratos de Annona muricatana fase embrionária de Plutella
xylostella----------------------------------------------------------------------------
39
3.4.3
Teste de não preferência para oviposição de Plutella xylostella-------------
39
3.4.4
Efeito residual dos extratos de Annon amuricata sobre Plutella xylostella-
40
3.5
Experimentos com formulações dos extratos orgânicos da semente de
Annona muricata------------------------------------------------------------------
41
3.5.1
Preparo da emulsão ----------------------------------------------------------------
41
3.5.2
Microencapsulamento-------------------------------------------------------------
42
3.5.2.1 Determinação e efeito da CL50 e CL99 dos extratos da semente de Annona
muricata microencapsulado na biologia de Plutella xylostella--------------
43
3.5.2.2 Efeito residual dos extratos microencapsulados de Annona muricata sobre
Plutella xylostella------------------------------------------------------------------
44
4
RESULTADOS E DISCUSSÃO -----------------------------------------------
45
4.1
Experimentos com extratos aquosos e orgânicos da semente de
Annona muricata------------------------------------------------------------------
4.1.1
Determinação da CL50 e CL99 dos extratos da semente de Annona
muricata para Plutella xylostella-------------------------------------------------
4.1.2
45
Efeito da CL50 dos extratos da semente de Annona muricata na biologia
de Plutella xylostella---------------------------------------------------------------
4.1.3
45
50
Efeito dos extratos de Annona muricata na fase embrionária de Plutella
xylostella----------------------------------------------------------------------------
54
4.1.4
Teste de não preferência para oviposição de Plutela xylostella--------------
57
4.1.5
Efeito residual dos extratos de Annona muricata sobre Plutela xylostella-
58
4.2
Experimentos com formulações dos extratos orgânicos da semente de
Annona muricata------------------------------------------------------------------
61
4.2.1
Emulsão -----------------------------------------------------------------------------
61
4.2.2
Microencapsulamento-------------------------------------------------------------
64
4.2.2.1 Determinação da CL50 e CL99 do extrato etanólico da semente de Annona
muricata microencapsulado para a Plutella xylostella------------------------
65
4.2.2.2 Efeito da CL50 e CL99 do extratoetanólicoda semente de Annona muricata
microencapsulado na biologia de Plutella xylostella--------------
67
4.2.2.3 Efeito residual do extrato microencapsulado de Annona muricata sobre
5
Plutella xylostella------------------------------------------------------------------
69
CONCLUSÕES -------------------------------------------------------------------
72
REFERÊNCIAS ------------------------------------------------------------------
73
14
1 INTRODUÇÃO
A atividade da horticultura no agreste alagoano vem ganhando destaque no cenário
estadual, em função da crescente aglomeração de agricultores familiares que têm investido
nas hortaliças folhosas. A atividade tem se destacado também pelo aspecto da mão-de-obra
empregada, pois os sistemas de produção têm sua base de sustentação na agricultura familiar,
que iniciam seus cultivos nos arredores das residências, em áreas peri-urbana até a zona rural.
De modo geral, os sistemas de cultivo dessas hortaliças e o manejo da produção adotam
práticas e técnicas relativamente simples, com baixo nível de tecnologia. Segundo dados do
Arranjo Produtivo Local (APL) Horticultura do Agreste, apesar de não se ter dados oficiais
que dimensione o universo de produtores de hortaliças na região agreste, estima-se que
existam aproximadamente 800 produtores que cultivam hortaliças, distribuídos em sete
municípios, os quais serão contemplados com a dinamização da horticultura, através do APL
(SEPLANDE, 2013).
Dentre os principais fatores de redução na produção de brássicas ou crucíferas, não só
no Brasil, como praticamente em todo mundo, está a traça-das-crucíferas Plutella xylostella
(L., 1758) (Lepidoptera: Plutellidae), um microlepidóptero que está presente em quase todas
as regiões produtoras de brássicas e em praticamente todo período de cultivo da planta. Dentre
as características que dificultam seu controle, está a sua capacidade de migração, fácil
adaptação ao ambiente, alta fecundidade e ciclo curto, o que lhe proporciona um aumento
rápido na resistência aos inseticidas químicos (CASTELO BRANCO et al, 2001). O uso de
inseticidas sintéticos, geralmente, é a forma mais empregada para o controle dessa praga,
sendo o número de aplicações muito elevado, provocando a seleção de populações resistentes
aos principais grupos de inseticidas. As classes de inseticidas geralmente utilizadas pelos
agricultores incluem, organoclorados, organofosforados, carbamatos, piretroides (FURLONG;
WRIGHT; DOSDALL, 2013).
A busca por novos inseticidas, incluindo o uso de plantas para realização de inseticidas
naturais, constitui-se num campo de investigação aberto, amplo e contínuo. A diversidade de
substâncias presentes na flora continua sendo um enorme atrativo na área de controle de
insetos, levando-se em consideração que apenas uma pequena parcela das plantas foi
investigada com tal finalidade (SCHMALTZ; SANTOS; GUTERRES, 2005).
15
Dentre as plantas que apresentam potencial para o controle de pragas estão as espécies
pertencentes à família Annonaceae, onde existem trabalhos com diferentes espécies desde os
anos 90. Dentre as espécies pertencentes a essa família têm-se a graviola (Annona muricata
L.), onde trabalhos mostram que possui efeito inseticida para algumas espécies de insetos,
nematicida e bactericida, e onde a sua semente, fonte promissora de material para a produção
de extrato, sendo descartada no processo de industrialização (HERNÁNDEZ & ANGEL,
1997).
Tendo em vista que esses inseticidas naturais, geralmente apresentam uma menor
durabilidade tanto após a aplicação, quanto em sua conservação, nota-se a necessidade da
realização de formulações que possibilite o aumento da viabilidade desses inseticidas e sua
obtenção para os agricultores. Entre os tipos de formulação, pode-se optar pela emulsão, que
consiste na mistura entre dois líquidos imiscíveis, utilizando métodos como agitação e adição
de homogeneizadores (BAJAPAI & GIRI, 2002).
Outra solução são os processos micro/nanotecnológicos que vêm sendo aplicados,
principalmente, na indústria farmacêutica e cosmética porque torna mais eficiente a
veiculação de moléculas bioativas no organismo, bem como facilita a penetração desses
compostos nas camadas mais profundas da pele, potencializando o efeito dos produtos
(SCHMALTZ; SANTOS; GUTERRES, 2005; NEVES, 2008). A aplicação da nanotecnologia
no controle de pragas agrícolas é muito incipiente, constituindo-se em um vasto campo a ser
explorado (NEVES, 2008).
A encapsulação de extratos de A. muricata pode oferecer um sistema de liberação
lenta e controlada dos extratos como forma de aumentar a eficiência do ingrediente ativo
aplicado no combate de pragas em potencial. Além disso, espera-se diminuir a utilização e,
por consequência, o impacto ambiental causado com o uso de agroquímicos sintéticos
altamente tóxicos. O uso de material biodegradável no processo de encapsulação torna-se
também necessário para contribuir com a redução do impacto ambiental.
Esse trabalho tem como objetivo avaliar primeiramente o efeito de diferentes solventes
extratores da semente de graviola na mortalidade, biologia e oviposição de P. xylostella e sua
persistência nas plantas e numa segunda etapa com o melhor extrato desenvolver uma
formulação viável para o controle da traça-das-crucíferas, como uma indicação de uma nova
estratégia de controle alternativo, dentro do manejo integrado da praga.
16
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Importância econômica das brássicas
A família Brassicaceae abrange espécies de hortaliças de grande valor econômico,
social e nutricional, tais como couve (Brassica oleracea L. var. acephala DC.), repolho
(Brassica oleracea L. var. capitata L.), couve-flor (Brassica oleracea L. var. botrytis L.),
brócolis (Brassica oleracea L. var. italica Plenck) e couve-chinesa (Brassica pikinensis).
Além destas, existem na família várias outras espécies hortícolas e/ou oleaginosas tais como a
rúcula (Eruca sativa), pak-choi (Brassica campestris L. var. chinensis Makino), couve-rabano
(Brassica oleracea var. gongylodes), nabo-comprido (Brassica rapa var. rapa), rabanete
(Raphanus sativus L.) e mostarda-de-folha (Brassica juncea L.) (FILGUEIRA, 2008).
Essa família botânica é uma das mais importantes economicamente, com cerca de 2,2
milhões de hectares plantados anualmente no mundo (VICKERS et al., 2004). As plantas
representantes compreendem um grupo diversificado de 350 gêneros e mais de 3200 espécies
(WATSON & DALLWITZ, 1992).
A couve-de-folha é a que mais se assemelha a ancestral couve silvestre. Ela apresenta
caule ereto e emite folhas continuadamente e não forma cabeça como o repolho. Dentre as
hortaliças, a couve apresenta destaque devido ao seu alto valor nutritivo (FILGUEIRA, 2003).
É uma cultura que pode durar até dois anos, podendo ser colhida quase todo o ano, e com uma
produção variando de 15 a 17 t/ha/ano (RAU, 2009). É uma hortaliça de fácil cultivo, com
capacidade de adaptação a diferentes ambientes, baixos custo de produção, alta produtividade,
versatilidade na forma de consumo e elevado valor nutricional (SILVA JÚNIOR, 1987).
Segundo Furlong; Wright; Dosdall (2013), entre os anos de 1993 e 2009 a produção de
brássicas aumentou em 39%, sendo que em 2009, a área cultivada estimada era de 3,4 milhões
de hectares em todo o mundo.
Segundo a FAO (Food and Agriculture Organization), no ano de 2011 o maior
produtor de couve e outras brássicas foram a China, seguidos pela Índia e Rússia com uma
produção de 5,2, 4,6 e 1,1 milhões de toneladas, respectivamente.
17
2.2 Aspectos gerais sobre a traça-das-crucíferas
2.2.1 Aspectos morfológicos e biologia
Gallo et al. (2002) descreve os ovos da traça-das-crucíferas como sendo alaranjados,
elípticos, aplanados e com presença de relevos ondulados. Os ovos são depositados na parte
abaxial das folhas podendo se encontrar isolados ou em grupos de dois ou três.
Após três ou quatro dias eclodem as lagartas, que penetram no interior da folha
passando a alimentar-se do parênquima, durante dois ou três dias. Em seguida abandonam a
galeria e passam a alimentar-se da epiderme da face inferior da folha. As lagartas atingem o
máximo desenvolvimento com 8 a 10 mm de comprimento, após nove ou 10 dias da eclosão
(BIOCONTROLE, 2013). Devido ao hábito alimentar do 1º estádio larval de se encontrar
protegida no interior das folhas (IMENES et al., 2002), seu controle é dificultado, uma véz
que o produto não consegue entrar em contato direto com a lagarta.
Monnerat (1995) relata que inicialmente as lagartas de P. xylostella é esbranquiçada
com a cabeça preta, adquirindo posteriormente uma coloração verde-clara com a cabeça
parda. Quando perturbadas, tendem a se contorcerem e recuarem, podendo até cair das folhas,
quando isso ocorre, elas ficam penduradas por um fio de seda, por onde retornam à folha.
Além disso, a traça-das-crucíferas possui quatro ínstares, sendo que no último há a formação
do casulo.
Para transformarem-se em pupas, tecem um pequeno casulo, facilmente reconhecido
por ser constituído de pequenas malhas, na face inferior das folhas. Após cerca de quatro dias
de pupa, emerge um microlepidóptero. Nos machos a margem posterior das asas anteriores é
branca e na posição de repouso forma uma mancha alongada característica sobre a face dorsal
(MONNERAT, 1995; BIOCONTROLE, 2013). Os adultos são mais ativos no final da tarde e
inicio da noite, é nesse momento quando ocorre o acasalamento e a postura, onde a fêmea
pode colocar os ovos por até quatro dias (HARCOURT, 1954).
Sabe-se que as espécies pertencentes à ordem Lepidoptera apresentam, em geral, de 3
a 5 ecdises, que pode ser acompanhada pelo tamanho da cápsula cefálica, que cresce em
largura em razão constante. Ecole et al. (1999) observou que a partir da curva multimodal de
frequência da largura da cápsula cefálica há presença de grupos com fase larval de 3, 4 e 5
ínstares, sugerindo assim, a hipótese da existência de lagartas que apresentam crescimento
18
mais rápido, completando o desenvolvimento larval em apenas 3 ínstares. O grupo que
apresenta 4 ínstares teria um crescimento normal e o grupo com 5 ínstares apresentaria um
crescimento mais retardado devido a razões diversas como deficiência alimentar, desvios
fisiológicos ou até mesmo razão sexual.
Segundo Monnerat (1995), o ciclo vital do adulto dura em torno de 15 a 35 dias, e
cada fêmea pode colocar em média 160 ovos. Além disso, Castelo Branco & Villas Boas
(1997), estimou o período para eclosão da lagarta entre 3 a 4 dias e máximo desenvolvimento
larval entre 9 a 10 dias após a eclosão. Medeiros et al. (2003), mostraram resultados da
duração pupal que dura entre 3 a 5 dias. Além do fato, da traça-das-crucíferas apresentar alta
prolificidade e curtas gerações presenciadas por Ulmer et al. (2002), outros fatores que
dificultam o controle dessa praga afirmados por Castelo Branco e Gatehouse (1997), é o fato
de possuírem alta adaptabilidade as diferentes ambientes e capacidade migratória.
Figura 1: Ciclo biológico da Plutella xylostella. (A) fase embrionária, (B) fase larval, (C) fase
pupal e (D) fase adulta.
A
B
D
C
Fonte: (A) Jackeline da Silva Carvalho, (B) Whitney Cranshaw, (C) Lyn Finn, (D) Fmcagricola.
Vale ressaltar, também um aspecto biológico deste inseto que é o elevado número anual
de gerações no campo, normalmente com sobreposição delas (ULMER et al., 2002). Bertels
19
(1956) citou seis gerações deste inseto por ano, com cerca de 35 dias cada. Em regiões
tropicais, P. xylostella pode apresentar até 15 gerações por ano (POELKING, 1992).
2.2.2 Danos
A traça-das-crucíferas ocorre em todos os continentes, com grande importância na
Ásia e nas Américas (CASTELO BRANCO et al., 2001). No Brasil, ocorre em todas as áreas
de cultivo (SALINAS, 1984; CASTELO BRANCO & GUIMARÃES, 1990; LOGES, 1996).
Dependendo da região e da época do plantio, reduz consideravelmente o valor comercial das
plantas, especialmente o repolho (VILLAS BÔAS; CASTELO BRANCO; GUIMARÃES,
1990).
Dickson et al. (1990), relataram que o principal fator para a redução da produção das
brássicas nos plantios comerciais em todas as regiões do mundo, ocorria pela frequente ação
da traça-das-crucíferas, e atualmente, essa praga continua causando sérios prejuízos aos
cultivos de brássicas pela sua ampla distribuição, como afirma Wu et al. (2012).
A traça-das-crucíferas causa danos graves ao limbo foliar, chegando a comprometer
economicamente a cultura, ocorrendo em todas as regiões produtoras de brássicas do país
apresentando picos populacionais maiores em períodos quentes e secos (CASTELO
BRANCO et al., 2001).
Medeiros (2004) relatou que os maiores danos causados pela traça-das-crucíferas
ocorrem na fase larval, após a eclosão, onde a lagarta recém eclodida penetra nas folhas.
Nesta fase o controle é dificultado, já que ela se encontra protegida e alimentando-se do
parênquima foliar. Após esse período a lagarta passa a consumir toda a superfície foliar,
caules e brotos vegetativos de repolhos, couve e ainda das inflorescências, no caso de couveflor e brócolis.
Considerada a praga chave entre as brássicas, foram verificadas perdas de até 60% no
estado de São Paulo na produção de repolho (IMENES, 2002). Em ataques mais severos,
pode ocorrer a inviabilização das áreas de cultivos (MORATÓ, 2000).
Furlong; Wright; Dosdall (2013) relataram que os danos causados pela traça-dascrucíferas gera um prejuízo mundial de 4 a 5 bilhões de dólares anualmente, desses, 1,4
20
bilhões é referente ao controle dessa praga. Relataram também que a traça das-crucíferas é o
lepidóptero com a maior distribuição geográfica.
Devido ao uso indevido de produtos químicos e até mesmo naturais, existem vários
relatos onde a P. xylostella apresenta resistência a esses produtos. Furlong; Wright; Dosdall
(2013) relataram uma relação de trabalhos onde P. xylostella apresenta resistência, e
elaboraram um resumo de todos os produtos, aos quais à traça já apresenta resistência. Dentre
esses produtos, podem-se citar: os organofosforados, carbamatos, piretroides, dos grupos
químicos, a azadiractina, como ingrediente ativo, e o Bt (Bacillus thuringiensis), dentre
outros.
2.2.3 Métodos de controle
Dentre os métodos de controle de pragas apresentados por Gallo et al. (2002) estão os
métodos legislativos, os mecânicos, culturais, métodos de controle por comportamento,
controle biológico, método de controle autocida, controle químico e o método de resistência
de plantas.
O método legislativo está relacionado em evitar a presença ou propagação da praga
através da legislação, não viável para o Brasil, tendo em vista que a P. xylostella, se encontra
disseminada por toda região (LOGES, 1996).
O método de controle mecânico, que consiste em catações manuais da praga também
não se mostra viável para a P. xylostella em grandes propriedades. O método cultural conta
com rotações de culturas, aração do solo, épocas de plantio, destruição de restos de culturas,
dentre outras práticas que também não se apresenta muito viável para o controle de P.
xylostella, pois esta apresenta alta capacidade de dispersão, adaptabilidade climática e
ambiental. O mesmo pode ser dito sobre o método de controle físico, que utilizam para o
controle de pragas o fogo, drenagem, inundações, armadilhas luminosas e temperatura, onde
desses, o único viável é a armadilha luminosa, porém não existem muitos trabalhos sobre esse
método. Porém, existem relatos do uso de irrigação no controle de P. xylostella no Havaí, que
se dá pelo afogamento das lagartas, principalmente as mais jovens que são sensíveis, por
aspersão (WATERHOUSE, 1987; GALLO et al., 2002; MAU & KESSIN, 2012).
21
Gallo et al. (2002) definem que o método de controle por comportamento se baseia no
estudo fisiológico do inseto, utilizando assim o controle com hormônios. O método de
controle biológico apresenta-se viável no controle de P. xylostella, onde se utiliza a regulação
do número de plantas e inimigos naturais para o controle da praga. O método de controle
autocida se baseia no emprego da técnica do inseto estéril e a manipulação genética de pragas,
porém Furlong; Wright; Dosdall (2013) relataram que esse método não se mostrou eficaz no
controle da P. xylostella.
Furlong; Wright; Dosdall (2013) relataram uma série de inimigos naturais já estudados
que são eficazes no controle da traça-das-crucíferas. Dentre esses inimigos temos os grupos
dos parasitoides, predadores, vírus, fungos patogênicos e bactérias.
Dentre as espécies de parasitoides que possuem potencialidade para o controle de P.
xylostella tem-se Diadegma semiclausum (Hellén) (Hymenoptera: Ichneumonidae), que é
parasitoide pupal e larval, Diadromus collaris (Gravenhorst) (Hymenoptera: Ichneumonidae),
que é parasitoide pupal, Cotesia vestalis Haliday (Hymenoptera: Braconidae), que é um
parasitoide larval, Oomyzus sokolowskii Kurdjumov (Hymenoptera: Eulophidae), que é um
parasitoide larval-pupal, dentre muitos outros (FURLONG; WRIGHT; DOSDALL, 2013).
Quanto aos artrópodes predadores, Furlong; Wright; Dosdall (2013) relataram que não
existem muitos trabalhos nessa área, o motivo dos artrópodes predadores não terem tanta
atenção está relacionado com o fato da dificuldade de se avaliar ecologicamente a
contribuição desses predadores no controle de P. xylostella.
Almeira (2009) relatou que o bicho-lixeiro, Ceraeochrysa claveri Navás (Neuroptera:
Chrysopidae) alimentados com ovos e lagartas de P. xylostella, apresentaram melhor
desenvolvimento em relação a outras dietas, mostrando assim a sua potencialidade no controle
da P. xylostella. Já Sow (2013) mostrou que O. sokolowskii é eficiente no controle de P.
xylostella, onde o controle se torna mais eficiente a medida que mais fêmeas são liberadas.
Furlong; Wright; Dosdall (2013) afirmaram que dentre os patógenos que atacam P.
xylostella, tem-se B. thuringiensis, Zoophthora radicans Brefeld, Beauveria bassiana (Bals.)
Vuill., Metarhizium anisopliae (Metsch.) Sorok, e Isaria farinosa (Holmsk).
Ahmad (1999) identificou a CL50 (Concentração necessária para matar 50% da
população) de B. thuringiensis para 3 populações de P. xylostella variando de 31 a 83 ppm.
Batta (2013) mostou a eficiência de M. anisopliae com mortalidade de 87% das lagartas de P.
xulostella em plantas tratadas contra 8% em plantas não tratadas com zero semana, enquanto
22
que com uma semana a mortalidade foi de 45% de mortalidade para as plantas tratadas e 12%
para as não tratadas.
Estima-se que as perdas provocadas por pragas e doenças na agricultura mundial
atinjam 37% da produção, das quais, cerca de 13% são devido aos insetos. Atualmente os
métodos de controle concentram-se na utilização de agrotóxicos. Entretanto, há uma grande
demanda por parte da sociedade pelo desenvolvimento de uma agricultura ecologicamente
correta, que diminua o uso de produtos químicos, que não deixe resíduo indesejável no meio
ambiente e nos alimentos, além de reduzir as intoxicações aos agricultores (SILVA-FILHO &
FALCO, 2000).
Corrêa & Vieira (2007) relataram que os inseticidas mais utilizados são os baseados
em organoclorados e/ou fosforados, que exterminam, indiscriminadamente, os insetos-praga e
inimigos naturais. Outra desvantagem pelo uso desenfreado desses inseticidas está no fato de
possibilitar que os insetos adquiram resistência a eles, necessitando assim de maiores
concentrações e quantidades de aplicações, o que gera danos ecológicos e poluição do meio
ambiente.
Segundo a FAO, o Brasil é o 3° maior consumidor de pesticidas no mundo, com um
consumo de 21.544 toneladas de inseticidas no ano de 2001. No atual sistema de produção de
alimentos, os fertilizantes sintéticos e pesticidas correspondem de 40 a 80% dos custos de
produção. No período de 1976 a 1985, houve um crescimento de 500% no consumo de
inseticidas, para um aumento de apenas 5% da produtividade. Esses dados demonstram o
aumento de populações de insetos resistentes e o crescente aumento nas concentrações e
aplicações de inseticidas para o seu controle (CORRÊA & VIEIRA, 2007).
Como em quase todas as grandes culturas exploradas no Brasil, o controle de pragas
das espécies de brássicas tem sido realizado principalmente com o uso de inseticidas
sintéticos, sendo que Lara; Dal‟acqua; Barbosa (1982) relataram a importância da substituição
desse método devido ao fato das folhas das brassicáceas, por sua grande maioria, se tratarem
de hortaliças que são consumidas principalmente in natura, o que ocasiona preocupações aos
consumidores.
O uso de inseticidas, geralmente, é a forma mais empregada para o controle da praga,
sendo o número de aplicações muito elevado, provocando a seleção de populações resistentes
aos principais grupos de produtos. As classes de inseticidas geralmente utilizadas pelos
agricultores incluem, organoclorados, organofosforados, carbamatos, piretroides (CASTELO
23
BRANCO & VILLAS BOAS, 1997; CASTELO BRANCO, 1998; LIU; SPARKS; CHEN,
2003; FURLONG; WRIGHT; DOSDALL, 2013), inseticidas microbianos à base de B.
thuringiensis (LIU; TABABASHNIK; PUSZTAI-CAREY 1996; CAMPOS; CASTELO
BRANCO; JUNQUEIRA, 1997; CASTELO BRANCO, 1999) e inseticidas de origem
vegetal, principalmente à base de nim (Azadirachta indica A. Juss) (Meliaceae) (BANAAG;
HONDA; SHONE, 1998; KUMAR; JAYAPPA; CHANDRASHEKARA, 2000; LIANG;
CHEN; LIU, 2003).
No método de controle por resistência, Furlong; Wright; Dosdall (2013) afirmaram
que a indução de formação de glicosinolato pela planta se mostra eficiente como deterrente
alimentar, já que proporciona um sabor “picante” à planta. Outra alternativa, seria a supressão
da produção de isotiocianatos, que é atraente e estimulante para a ovoposição, nas brássicas.
Há também a alternativa de obtenção de brássicas Bt-transgênicas.
Hamilton et al. (2005), avaliaram quatro cultivares de couve ( Grand Slam, Green
Cornet, Savoy King e Warrior) e couve-flor (Avsiso, Nautilus, Prestige e White Rock) e
cinco de brócolis (Green Belt, Mascot, Shilo, Viper e Grand Mean) na preferência de
ovoposição e de duração da fase larval e pupal da P. xylostella. O experimento mostrou que
não houve preferência de ovoposição entre as variedades de couve-flor e brócolis, mas que a
variedade de couve Savoy King foi a que apresentou maior número de ovos. Quanto à
duração das fases, mostrou que a duração foi maior nessa mesma variedade.
2.3 Inseticidas de origem vegetal
2.3.1 Aspectos gerais
Segundo Corrêa & Vieira (2007), o panorama político global tem criado oportunidades
para o desenvolvimento de inseticidas naturais, aqueles derivados de metabolismo secundário
de outras plantas, dada a tendência econômica e a opinião pública que os produtos naturais
são mais seguros que os sintéticos.
Para que um inseticida natural seja viável comercialmente, ele, além de eficaz,
necessita ser seletivo contra inimigos naturais, possuir baixa toxicidade em mamíferos, ser
24
biodegradável, possuir uma fonte de matéria-prima abundante, menor custo e facilidade para
padronização dos compostos ativos (CORRÊA & VIEIRA, 2007).
A utilização de produtos de origem vegetal para o controle de pragas e doenças na
agricultura não é uma técnica recente, já que seu uso era comum, principalmente nos países
tropicais, antes do advento dos produtos sintéticos. Com o surgimento destes compostos,
então mais eficientes e de menor custo, os produtos de origem vegetal praticamente deixaram
de ser usados. Entretanto, nos últimos anos, com o agravamento dos problemas provocados
pelo uso dos produtos sintéticos, a pesquisa tem novamente se voltado para o estudo dos
produtos vegetais, para atender às demandas provenientes, principalmente, do segmento
representado pela agricultura orgânica (MARTINEZ, 2002).
O Brasil é considerado o país com a maior diversidade genética vegetal do mundo,
com mais de 55 mil espécies catalogadas de um total estimado de 350 a 550 mil (GUERRA &
NODARI, 2001).
As substâncias produzidas pelos vegetais podem ser divididas em dois grandes grupos:
os primeiros, essenciais a todos os seres vivos, que são os metabólitos primários ou
macromoléculas, estes, através de rotas biossintéticas diversas e muitas vezes desconhecidas,
que originam à custa de energia, o segundo grupo de compostos químicos, os metabólitos
secundários ou micromoléculas que geralmente apresentam estruturas complexas, baixo peso
molecular e marcantes atividades biológicas (POSER & MENTZ, 2001).
Várias são as estratégias capazes de determinar a atividade de produtos naturais contra
insetos, e o seu isolamento, em geral, inicia-se com extratos brutos das plantas preparados
com diversos solventes orgânicos (hexano, diclorometano, acetato de etila, metanol, etanol) e
água. Posteriormente, os extratos ativos são fracionados através dos vários métodos
cromatográficos existentes e as frações obtidas são re-testadas, repetindo-se o processo até a
obtenção do (s) composto (s) ativo (s) ou da mistura de compostos ativos. A escolha do
bioensaio mais apropriado para determinar a atividade inseticida depende dos hábitos dos
insetos-alvo (VIEIRA; FERNANDES; ANDREI, 2001).
Dentre as formas de obtenção de extratos vegetais as mais utilizadas são, a maceração
(moe-se o material vegetal, seguido pela utilização de um solvente para extração dos
princípios ativos), a infusão (onde água fervente é adicionada á parte vegetal), a decocção
(ferve a água quando essa está em contanto com a parte vegetal), a digestão (adiciona-se
solvente e mantem sob temperatura de 40-60ºC), a percolação (movimento e filtragem de
25
fluídos por materiais porosos) e destilação (vaporizar o líquedo para depois condensá-lo e
recolhê-lo em outro recipiente), sendo que o processo de percolação permite uma extração
mais eficiente (REVISTA-FI, 2010).
Uma nova visão com relação ao controle dos insetos, associada ao conhecimento
científico, conduziu a uma melhor observação dos mecanismos naturais de defesa. Hoje se
entende melhor que o controle às pragas não pode ser realizado de forma unilateral. A busca
por novos inseticidas constitui-se num campo de investigação aberto, amplo e contínuo. A
diversidade de substâncias presentes na flora continua sendo um enorme atrativo na área de
controle de insetos, principalmente, levando-se em consideração que apenas uma pequena
parcela das plantas foi investigada com tal finalidade (SCHMALTZ; SANTOS; GUTERRES,
2005).
2.3.2 Uso de plantas com potencial de controle de Plutella xylostella
Torres; Barros; Oliveira (2001) avaliaram diferentes partes (folhas, ramos, casca,
frutos e raízes) na concentração de 10% de 13 espécies vegetais no controle de P. xylostella e
relataram que nove tratamentos diferiram da testemunha. Dentre esses tratamentos, a
Aspidosperma pyrifolium Mart. (Apocynaceae), A. indica e uma formulação a base de nim
apresentaram mortalidade de 100% da fase larval.
Boiça Júnior et al. (2005) avaliaram 18 extratos de diferentes partes de espécies
vegetais de regiões tropicais contra P. xylostella, verificando que os extratos de Enterolobium
contortisilliquum Vell. (Mimosacea), Nicotiana tabacum L. (Solonaceae), Sapindus
saponaria L. (Sapindaceae) e Trichilia pallida Swartz (Meliaceae) foram os mais eficientes,
causando 100% de mortalidade das lagartas. Os demais tratamentos apresentaram diferentes
resultados, onde alguns diferiram da testemunha, mostrando assim a viabilidade do uso de
extratos vegetais no controle de pragas.
Medeiros; Boiça Junior; Torres (2005) constataram índices de deterrência de
oviposição de até 100% da P. xylostella quando as folhas de couve foram tratadas com
extratos de frutos de S. saponaria, e de E. contortisilliquum e folhas de Tradesnatia pallida
(Commelinaceae).
26
Torres et al. (2006) verificaram efeitos tóxicos de extratos aquosos de amêndoas de A.
indica, córtex do lenho de A. pyrifolium e frutos de Melia azedarach (Meliaceae) com uma
concentração letal de 0,6;, 7,0 e 12,5% para a P. xylostella.
Vieira & Silva (2007) avaliaram a performace de extratos etanólicos de folhas e caules
de 4 espécies de Croton sp. Benth (Euphorbiaceae) na mortalidade de P. xylostella em
diferentes concentrações, observando que o aumento das concentrações causava uma maior
mortalidade, que passava dos 90%.
Dequech et al. (2009) avaliaram extratos de A. indica, M. azadarach e N. tabacum,
todos a 10% de concentração, na oviposição e mortalidade de P. xylostella e mostraram que
os tratamentos diferiram da testemunha no total de ovos colocados pelas fêmeas nas folhas
tratadas sem diferir entre si, e que na avaliação de mortalidade, os três tratamentos alcançaram
valores de 75 a 100% de mortalidade não diferindo entre si ao final do experimento.
Sharma et al. (2012) avaliaram extratos de Spilanthes acmella L. (Asteraceae) obtidos
de diferentes solventes (hexano, metano e acetato de etanol) na biologia de P. xylostella e
mostraram que em todos os casos obtiveram resultados promissores, com a CL50 de 1,5 µg/L
para o acetato e 5µg/L para os demais extratos.
2.4 Anonáceas
2.4.1 Importância econômica das Anonáceas
Segundo Lemos (2011), atualmente no Brasil, as anonáceas mais tradicionais são a
graviola (A. muricata), a pinha (Anonna squamosa) e a atemóia (A. squamosa x Anonna
cherimola). Dessas, existem cerca de 15 mil hectares cultivados no Brasil, sendo que em sua
grande maioria, de pequenos agricultores de até 5 hectares e com baixo nível tecnológico,
estão principalmente localizada na região Nordeste e Sudeste. Atualmente, toda a produção
brasileira de anonáceas é comercializada para o consumo interno da fruta fresca e processada.
Braga Sobrinho (2010) afirma que as anonáceas englobam frutíferas de importância
econômica para muitos países, como Chile, México, Venezuela, Austrália e Brasil. No Brasil,
as anonáceas se encontram distribuídas do Norte do País até São Paulo, sendo que se espalhou
27
de forma mais abrangente na região semi-áriada do Nordeste, onde a Bahia é o maior produtor
de graviola, seguido por Pernambuco e Alagoas.
Estima-se que haja em torno de 10.000 hectares de pinha, 2.500 hectares de graviola,
1.000 de atemóia e 120 de cherimóia no Brasil. Em 2005 foram comercializadas 2.727
toneladas de pinha e 1.719 toneladas de atemóia a um preço médio de R$ 14,00 a caixa de
pinha com 3,7kg enquanto que a atemóia variou entre 12,50 e 21,00 reais a caixa (BRAGA
SOBRINHO, 2010).
Segundo Braga Sobrinho (2010), em trabalho realizado pela Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária (Embrapa), apesar de não haver dados estatísticos sobre a produção de
graviola, sabe-se que a demanda pela popa é crescente, tanto no mercado interno quanto no
externo. Afirma também, que so no Estado de São Paulo existem cerca de 247 mil pés de
fruta-do-conde (pinha) e 105 mil pés de atemóia. São Paulo, Bahia e Minas Gerais são os
maiores produtores de anonáceas, principalmente de pinha e atemóia, com ofertas desses
frutos durante o ano todo, onde São Paulo conta com 26% da produção de pinha e 47% da
produção de atemóia, Bahia com 52% da produção de pinha e Minas Gerais com 37% da
produção de atemóia na CEAGESP (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São
Paulo).
Originária da América Central, podendo ser encontrada praticamente em toda faixa
equatorial do planeta, a graviola (A. muricata) foi introduzida no Brasil pelos portugueses no
século XVI, e atualmente os maiores produtores desse fruto são Bahia e São Paulo (BRAGA
SOBRINHO, 2010).
Sabe-se que nas indústrias de polpa, há o descarte da semente de graviola, sendo
utilizada somente a polpa. Portanto, a semente de graviola se torna uma matéria prima de fácil
acesso, grande quantidade e sem custo de aquisição. Uma vez compravada sua eficiência no
controle de pragas, se torna um inseticida botânico adequado à preservação do meio ambiente.
2.4.2 Anonáceas com ação inseticida
Além de sua importância na alimentação e na medicina popular, as anonáceas
apresentam propriedades inseticidas. Segundo dados de Hernández & Angel (1997), tem-se
reportado 29 espécies, em 14 gêneros de anonáceas com propriedades inseticidas,
28
principalmente uma espécie dos gêneros Anaxagorea, Artabotrys, Cananga, Cleistopholis,
Monodora,
Oxandra,
Pachypodanthium,
Polyathia,
Popowia,
Xylopia,
Asimina,
Goniothalamus, Rollinia e Annona.
Silva; Pereira; Bento (2007) ao avaliarem o efeito do extrato de Annona coriacea
Mart. sobre a traça-do-tomateiro Tuta absoluta Meyrick, 1917 (Lepidoptera: Gelechiidae) nas
concentrações de 0,5; 1,0; 2,0; 4,0 e 8,0%, observaram que a menor concentração causou uma
mortalidade de 86,4% e que as demais concentrações causaram mortalidade de 100%.
Asmanizar & Idris (2012) avaliaram o extrato de A. muricata e Jatropha curcas
(Euphorbiaceae) nas concentrações de 0,5; 1,0; 5,0; 10,0 e 20,0% contra o coleóptero de grãos
armazenados Sitophilus zeamais Motschulsky, 1885 (Coleoptera: Curculionidae), porém,
somente as maiores concentrações dos extratos (5,0; 10,0 e 20,0%) obtiveram mortalidade
elevada.
Extratos de A. coriacea, também foram testados contra larvas do mosquito Aedes
aegypti Linnaeus 1762 (Diptera: Culicidae) nas concentrações de 50 e 100 ppm, com
avaliações semanais, e mostraram que o uso do extrato a 100 ppm acarreta uma mortalidade
de 100% nas larvas aos 15 dias (DILL; PEREIRA; COSTA, 2012).
Ao avaliar o efeito do extrato de Annona crassiflora Mart. sobre o percevejo Euchistus
heros (Fabr., 1794) (Heteroptera: Pentatomidae), Oliveira (2009) observou que o extrato
apresentou efeito fagodeterrentes, principalmente na maior concentração (4%), com
resultados 50% menores que a testemunha.
Gonzales-Esquinca et al. (2012) avaliaram três espécies de anonáceas (A. muricata , A.
diversifolia e A. lutescens Saff) nas concentrações de 100µg.ml e 1000µg.ml com 24 e 72
horas e obtiveram resultados que mostram que com 72 horas houve uma maior mortalidade de
larvas de Anastrepha ludens Loew (Diptera: Tephritidae) assim como com a maior
concentração, com mortalidades de 74% para a graviola e 90% para as demais.
Khalequzzaman e Sultana (2006) obtiveram resultados satisfatórios ao avaliar extrato
de A. squamosa no controle de Tribolium castaneum Herbst, 1797 (Coleoptera:
Tenebrionidae), utilizando diversas formas para a obtenção do extrato e uma dose letal
inferior a 0,03µg/cm² para todos eles.
Souza, Cordeiro e Pereira (2007) avaliaram a ação inseticida de extratos de A.
coriacea sobre ninfas do percevejo verde Dichelops melacanthus (Dallas, 1851) (Hemipetra:
29
Pentatomidae), nas concentrações de 0,5 a 8,0% e mostraram que o extrato etanólico foi o
mais eficiente com mortalidade acima de 80% para todas as concentrações.
2.4.3 O princípio ativo das anonáceas
Já foram isolados princípios ativos de importância inseticida em anonáceas, tanto em
folhas quanto em frutos, sendo os mais importantes pertencentes aos grupos das acetogeninas
e alcaloides (FANG et al., 1993; ZENG et al., 1996; HERNÁNDEZ & ANGEL, 1997;
ZAFRA-POLO et al., 1998).
Inseticidas botânicos têm sido tradicionalmente preparados a partir de sementes de
espécies de Annona. Investigações detalhadas na década de 80 mostraram o isolamento de um
número de acetogeninas, responsáveis pela ação inseticida (ISMAN, 2006).
Segundo uma revisão sobre acetogeninas de anonáceas realizada por Rupprecht; Hui;
McLauughlin (1990), a asimicina foi o primeiro exemplo de acetogenina com propriedades
inseticidas, porém outras acetogeninas têm sido reportadas com essa atividade biológica
como, bullatacina, annonina, annonacina, goniothalamicina e sylvaticina.
As propriedades biológicas de acetogeninas de anonáceas têm atraído a atenção de
muitos
pesquisadores
bioquímicos,
biólogos,
botânicos,
químicos,
entomologistas,
farmacognosistas e fitoquímicos. As propriedades inseticidas das acetogeninas já estão
bastante estabelecidas, porém tornam-se necessárias pesquisas para o desenvolvimento de
formulações para adequação desse material como tática de controle num manejo integrado de
pragas, segundo Alali; Liu; McLaughlin (1999).
“Acetogeninas são metabólicos secundários de ocorrência restrita à família
Annonaceae, a qual compreende 130 gêneros e 2300 espécies. São policetídeos que
compreendem uma série de substâncias com 35 ou 37 carbonos derivados de ácidos
graxos de 32 ou 34 carbonos. Estes estão combinados com uma unidade de álcool 2propanol formando uma ϒ -lactona α,β-insaturada terminal e com ciclizações
frequentes para formar de um a três anéis tetraidrofurano ou tetraidropirano no meio
da cadeia alifática. Ocorre também a presença de ligações duplas, grupos hidroxilas,
acetilas e carbonilas nas estruturas destes metabólitos”(CORRÊA & VIEIRA, 2007).
30
Até o ano de 2005, foram descritas mais de 400 estruturas diferentes de acetogeninas,
as quais apresentam bastante interesse pelos pesquisadores por suas ações citotóxicas,
antitumoral, antimalárica, antimicrobiana, parasiticida e pesticida (CORRÊA & VIEIRA,
2007)
Corrêa & Vieira (2007) relata que dentre as acetogeninas promissoras com atividade
inseticida estão as asimicina, annonina e annonacina, e que elas possuem mecanismo de ação
semelhante ao da rotenona, que atua através do bloqueio da produção de energia na
mitocôndria de insetos e mamíferos.
Dentre as 3 acetogeninas, a asimicina se destaca por apresentar elevada atividade
contra os besouros das espécies Epicachna varvestis Mulsant (Coleoptera:Coccinellidae) e
Acalymma vittatum (Coleoptera: Chrysomelidae), pulgões da espécie Aphis gossypii Glover
(Hemiptera: Aphididae), larvas das espécies A. aegypti
e Calliphora vicin (Diptera:
Calliphoridae) e nematoides da espécie Caenorhabditis elegans (Rhabditida: Rhabditidae).
Testes com a asimicina mostraram que ela possui um maior potencial inseticida do que a
rotonina e a peritrina, já que causou mortalidades de 100% para nematoides a 0,1ppm, 100%
para larvas de mosquito a 1ppm, 100% para o pulgão do melão a 500ppm e 70% para
besouros a 10ppm, enquanto que as rotenonas e piretrinas não apresentaram atividade nas
mesmas concentrações. Devido a sua potencialidade como pesticida, em 1988 foi originada
uma patente americana com a asimicina no controle de pragas (GONZALEZ-ESQUINCA et
al., 2011)
A busca por extratos de plantas da família Annonaceae com atividade inseticida se
mostra com uma atrativa alternativa aos inseticidas sintéticos, principalmente por apresentar
em sua composição uma mistura complexa de substâncias ativas, diminuindo assim, a
possibilidade do desenvolvimento de insetos resistentes.
2.5 Formulações de inseticidas
Os agrotóxicos são constituídos por uma vasta gama de compostos químicos ou
biológicos com a função de exterminar, repelir ou controlarem processos específicos. A
constituição básica dos agrotóxicos é formada pelo ingrediente ativo, o diluente e o aditivo. O
ingrediente ativo corresponde a produtos químicos, na forma sólida ou líquida, que se
encontra em pequenas porções nas formulações sendo o responsável pelo combate à praga ou
31
doença que se deseja tratar. Sua concentração é expressa em gramas por litro do produto
comercial ou em percentagem. O diluente ajuda a manter a dispersão e suspensão do
ingrediente ativo. Sua presença aumenta a segurança no manuseio do pesticida, além de
proporcionar uma repartição mais homogênea do ingrediente ativo no alvo a ser tratado. Os
aditivos são substâncias que melhoram a eficiência do agrotóxico pela alteração de suas
propriedades físicas, químicas e biológicas (SANTOS, 2000).
Geralmente, a aplicação direta do ingrediente ativo no ambiente não é adequada,
sendo, portanto necessária uma forma conveniente para utilização efetiva e segura. A
formulação do agrotóxico permite a união do ingrediente ativo com elementos inertes, de
modo a obter uma concentração apropriada para manipulação, aplicação e dispersão do
pesticida, além de melhorar a eficácia do produto contra a espécie alvo a ser controlada. Na
maioria dos casos, os compostos que constituem os ingredientes inertes são mantidos em
sigilo por parte dos fabricantes de pesticidas (COX, 1999).
Existem diversos tipos de formulações comercializadas e, em muitos casos, diferentes
com o mesmo ingrediente ativo (SUCEN, 2000).
Existem dois tipos de formulações: as não comerciais e as comerciais. As formulações
não comerciais equivalem aos produtos técnicos, que são substâncias obtidas diretamente da
matéria prima por processos químicos, físicos ou biológicos, e aos produtos de padrão
analítico, os quais são utilizados para controlar a qualidade das preparações formuladas
(SUCEN, 2000).
As formulações comerciais são fabricadas sob as formas líquidas ou sólidas. As
formulações líquidas são produzidas como soluções, emulsões ou suspensões, nas quais o
ingrediente ativo é diluído em solventes adequados. As formulações sólidas são apresentadas
na forma de pó, granulado ou isca, podendo ser aplicadas diretamente ou após processo de
diluição (SUCEN, 2000).
As formulações voltadas para a comercialização são divididas em: formulações para
diluição em água, para diluição em outros solventes e as de aplicação direta.
Segundo Gallo et al. (2002), dentre as formulações encontradas no mercado para o
controle de pragas, têm-se o pó molhável, o pó solúvel, os produtos granulados, as soluções
concentradas, os aerossóis, produtos gasosos, suspensões líquidas, pastas, microencapsulados
e os concentrados emulsionáveis (também chamados de emulsão concentrada ou emulsões e
dispersões aquosas).
32
2.5.1 Emulsão
As emulsões são sistemas compostos por duas fases líquidas e imiscíveis, nas quais
um dos líquidos está disperso de maneira uniforme no outro. Esta uniformidade consiste em
dizer que as gotículas do líquido disperso no outro apresentam diâmetros iguais, em sua
grande maioria. O líquido que está disperso em pequenas gotas é conhecido como fase
dispersa, interna ou descontínua, enquanto que o segundo líquido é chamado de fase de
dispersão, externa ou contínua (VOIGT, 1982; ZANIN et al., 2001 e 2002; PRISTA et al.,
2003; GENNARO, 2004).
Desta forma, para conseguir confeccionar emulsões estáveis é necessário adicionar
excipientes conhecidos como agentes emulsificadores ou tensoativos. Uma emulsão estável é
definida como um sistema que consegue manter, de maneira homogênea, suas gotículas ou
glóbulos na fase contínua. O tensoativo, neste caso, é responsável por manter um filme entre
as fases (entre as gotículas e a fase externa), exercendo assim uma barreira física que impede
a coalescência que pode ser definida como a junção, a união de duas ou mais gotículas. Caso
este filme possua cargas, é considerado que o agente emulsificador exerce, portanto, uma
barreira química. As emulsões oleosas (concentrado emulsionável, emulsão de água em óleo e
emulsão de óleo em água) são amplamente utilizadas na área farmacêutica e cosmética, mas,
até o momento, não há muitos estudos que empregaram este tipo de tecnologia no combate às
pragas agrícolas que acometem as diversas culturas existentes (SENHORINI, 2010).
Silva; Pereira; Bento, (2007) avaliaram três concentrações e emulsões elaboradas com
óleo de nim no controle de Spodoptera frugiperda (J.E. Smith, 1797) (Lepidoptera:
Noctuidae) obtendo mortalidade de 100% nas três concentrações (0,25; 0,5 e 1,0%).
2.5.2 Microencapsulamento
Os processos micro/nanotecnológicos vêm sendo aplicados, principalmente, na
indústria farmacêutica e cosmética porque torna mais eficiente a veiculação de moléculas
bioativas no organismo, bem como facilita a penetração desses compostos nas camadas mais
profundas da pele, potencializando o efeito dos produtos. Para os fármacos já existem muitos
estudos publicados. Por outro lado, já no campo dos cosméticos as informações são mais
restritas, o que pode ser explicado por este uso mais recente (SCHMALTZ; SANTOS;
33
GUTERRES, 2005; NEVES, 2008). A aplicação da micro/nanotecnologia no controle de
pragas agrícolas é muito incipiente, constituindo-se em um vasto campo a ser explorado.
O processo tecnológico responsável pela produção de micro/nanopartículas é
conhecido como micro/nanoencapsulação. Este consiste em envolver, com um fino filme de
uma matriz qualquer, pequenas gotículas de certa substância ativa, sendo esta chamada de
núcleo (GHARSALLAOUI et al., 2007). Segundo Giunchedi & Conte (1995), o processo de
nano/microencapsulação, para ser considerado ideal, tem que apresentar como características:
simplicidade, reprodutibilidade, rapidez, facilidade em transpor à escala industrial, além de
ser pouco dependente das características de solubilidade do princípio ativo e da matriz
encapsulante em questão.
O desenvolvimento de vetores micro/nanoparticulados poliméricos, como sistemas de
liberação modificada de produtos naturais (óleos vegetais com atividade inseticida
comprovada, por exemplo) é uma alternativa promissora para promover o controle de
população de pragas em geral, sem causar contaminação ambiental e toxicidade aos
organismos não-alvo (BAJAPAI & GIRI, 2002).
Goertz (2000) relatou que a microencapsulação de defensivos apresentam vantagens
quando comparado com outras formulações, pois além de serem mais seguros para o meio
ambiente ao liberar o ingrediente ativo gradativamente, também é mais seguro para o
trabalhador, que tem sua exposição com o produto minimizado.
A técnica de spray drying é uma técnica que vem sido utilizada desde os anos 30, que
consiste em homogeneizar a substância em uma solução aquosa ou dispersão que contenha o
agente encapsulante que é atomizado em uma corrente de ar quente, onde então ocorre a
evaporação do solvente e a rápida solidificação das gotículas (BRAGA, 2005). É uma técnica
simples, rápida, com baixo custo e que não necessita eliminar resíduos de solventes
(AFTABROUCHAD & DOELKER, 1992).
Para o emprego da técnica de spray drying é importante observar a temperatura de
entrada e saída do ar, o fluxo de arraste, a geometria da câmara e a umidade (KISSEL et al.,
2006). Outra questão a ser observada é o calor, que pode afetar as propriedades de compostos
termossensíveis, porém esse problema não se torna muito grave devido ao pequeno tempo que
as partículas ficam em contanto com esse calor (GIUNCHEDI & CONTE, 1995). No campo,
a interferência do calor não é grande, uma véz que o ingrediente ativo, já se encontra envolto
pela cápsula protetora.
34
Silva et al. (2005) avaliaram duas formas de microencapsulação, além de pó molhável
e concentrado emulsionáveis de A. indica no controle de S. frugiperda
a 1% para os
microencapsulados e pó molhável, e 0,25; 0,5 e 1,0% para os concentrados, onde todos os
tratamentos obtiveram mortalidade maior que 90%.
Kanis et al. (2012) testaram microcápsulas de Copaifera multijuga e Capaifera
reticulata (Leguminosae), feitas com PEMA ( Poli(acrilato de metilo)) e CA ( acetato de
celulosa) como polímeros, contra o mosquito A. aegypti, mostrando que o uso desses
polímeros auxiliaram na dispersão do óleo favorecendo assim a uma maior mortalidade do
inseto.
35
3. MATERIAL E MÉTODOS
O presente trabalho foi conduzido no Laboratório de Entomologia: controle alternativo
de pragas e em casa-de-vegetação do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de
Alagoas, em Rio Largo, AL, de coordenadas geográficas 9º 27‟ 06‟‟ S e 35º 49‟ 05‟‟ O, entre
o período de agosto de 2011 a julho de 2013.
3.1 Condução da cultura
Sementes de couve Georgia, B. oleracea var. acephala, foram semeadas em casa-devegetação, em bandeja de isopor contendo substrato comercial Bioplant® indicado para
preparo de sementeira. Após 35 dias, as mudas foram transplantadas para local definitivo em
canteiros de alvenaria preenchidos com mistura de terra preta e torta de filtro. Foram adotados
tratos culturais segundo Filgueira (2008), exceto a utilização de inseticidas. Folhas de couve
foram utilizadas para os experimentos a partir de 40 a 55 dias após o transplantio.
3.2 Criação de Plutella xylostella
A criação e multiplicação de P. xylostella foram realizadas no Laboratório de
Entomologia: controle alternativo de pragas, sob condições de temperatura de 25 ± 2 °C,
umidade relativa do ar de 67 ± 2 % e fotofase de 12h, a partir de pupas oriundas de criação do
Laboratório de Entomologia Agrícola da Universidade Federal Rural de Pernambuco
(UFRPE) e de uma área de plantio do Centro de Ciências Agrárias em Rio Largo - AL.
Após a emergência, os adultos eram liberados em gaiolas plásticas transparentes
circulares (12cm de diâmetro x 15cm de altura) com abertura lateral fechada com tela
antiafídeo (Figura 2- A) . Em cada gaiola foi colocado um pote plástico coberto com espuma
umedecida, sobre o qual, foi colocado um disco de folha de couve medindo 8 cm de diâmetro
para servir de substrato à postura, no sentido de simular a folha em condições de campo, e
uma esponja embebida com solução açucarada a 10%, na parte superior da gaiola, para
alimentação dos adultos. Os discos de folhas eram substituídos diariamente, e mantidos em
36
placas de Petri de 8 cm de diâmetro até a eclosão das lagartas (Figura 2 - B). Lagartas recém
eclodidas, oriundas de posturas realizadas em folhas de couve, foram transferidas para
recipientes plásticos maiores (20 cm de comprimento x 10 cm de largura x 5 cm de altura )
contendo várias folhas de couve (Figura 2- C). As folhas foram trocadas diariamente até as
lagartas atingirem a fase de pupa. As pupas foram transferidas para tubos de vidro de fundo
chato (8,5 cm de comprimento x 1,5 cm de diâmetro), fechados com filme plástico
transparente (Figura 2- D). Em cada recipiente foram realizados pequenos furos para que
houvesse possibilidade de troca de ar. A cada 24 horas, após a emergência, os adultos foram
transferidos para as gaiolas.
Figura 2 – Etapas da criação de Plutella xylostella. 1A – Gaiolas dos adultos. 1B – ovos da traça.
1C – lagartas nos potes. 1D – pupas retiradas dos potes.
Fonte: Autor, 2013
A
B
D
C
37
3.3 Obtenção das sementes e preparo dos extratos
As sementes de graviola foram obtidas no município de Anadia – AL, em fábrica de
processamento de frutas para confecção de polpa de frutas. As sementes foram
acondicionadas em sacos de papel Kraft e postas para secar em estufa com circulação de ar a
uma temperatura de 60°C por 48 horas. Após a secagem total das sementes, realizou-se a
moagem em moinho tipo Wiley para a obtenção do pó de baixa granulometria, que foi
acondicionado em recipiente hermeticamente fechado devidamente identificado até o
momento do preparo dos extratos.
Para o preparo do extrato aquoso o pó das sementes foi submetido à extração aquosa em
percolador de aço inoxidável, onde a extração permaneceu em repouso por um período de 48
horas e foi filtrada e diluída para as concentrações desejadas.
No preparo do extrato orgânico primeiramente o pó da semente de graviola foi
submetida à extração a frio com hexano [CH3(CH2)4CH3] em percolador de aço inoxidável.
Foram utilizados 5L de hexano em 2,3 kg de pó. Essa extração permaneceu em repouso por
um período de 72 horas e então, filtrada. O extrato foi submetido à evaporação do solvente
com o auxílio de rotavapor a 50°C sob pressão reduzida. Após esse procedimento, o extrato
hexânico foi colocado em frasco de vidro previamente pesado e etiquetado e acondicionados
aberto para a evaporação máxima do solvente. Após a obtenção do extrato hexânico, sobre a
torta resultante da extração com hexano, foi realizado a extração com etanol (CH3CH2OH)
seguindo a mesma metodologia anterior, só modificando o solvente, que foram 4,6 L de
etanol e o número de repetições, já que foi realizado apenas um ciclo para o extrato hexânico
e três ciclos para o etanólico (as mesmas sementes foram utilizadas três vezes seguidas).
3.4 Experimentos com extratos aquosos e orgânicos da semente de Annona muricata
3.4.1 Determinação e efeito da CL50 e CL99 dos extratos da semente de Annona muricata
na biologia de Plutella xylostella
38
Foram realizados pré-testes com os extratos aquoso e orgânicos (hexânico e etanólico)
em diferentes concentrações para determinar valores próximos do Limite Superior (LS) e
Limite Inferior (LI) dos extratos e assim observar qual extrato era mais viável.
Após a determinação dos limites todos os extratos foram solubilizados em água
destilada, utilizando-se um solvente solubilizante, o dimetilsulfóxido (DMSO) a 1% (v/v),
para obtenção das concentrações 0,0; 1,25; 2,5; 5,0; 10,0 e 20,0 % para o extrato aquoso, 0,0;
0,01; 0,05; 0,1 e 0,2% para os extratos orgânicos hexânico e etanólico.
Inicialmente, foram obtidos discos de 8cm de diâmetro de folhas de couve. No
tratamento com os extratos, os discos foliares foram imersos por 30 segundos, nas respectivas
suspensões, conforme os procedimentos recomendados pelo Grupo Internacional das
Associações Nacionais de Fabricantes de Produtos Agroquímicos (GIFAP) para lagartas que
se alimentam de folhas de hortaliças (Guedes et al., 1995). Para o tratamento testemunha, os
discos foram imersos em água destilada e DMSO a 1% pelo mesmo período.
Os discos tratados e não tratados com os extratos foram distribuídos sobre uma
superfície coberta com papel toalha, onde permaneceram ao ar livre para evaporação do
excesso de água. Lagartas recém eclodidas foram colocadas em placas de Petri de 15cm de
diâmetro, contendo um disco tratado sobre papel de filtro umedecido com água destilada, para
manutenção da umidade, mantidos em laboratório (temperatura de 26
2 C, UR de 60
10%
e fotofase de 12h). A partir do terceiro dia da montagem do experimento, iniciaram-se as
avaliações da mortalidade larval, a qual foi realizada a cada dois dias onde era realizada a
troca das folhas velhas por novas folhas tratadas.
Para determinada a CL50 e CL99 foram feitas aplicações das respectivas doses de cada
tipo de extrato seguindo procedimento semelhante ao anterior. Nesse experimento, foram
realizados 10 repetições por tratamento contendo seis lagartas em cada repetição. Como
testemunha foram utilizados um tratamento sem nenhum produto, e um segundo tratamento
padrão a base de Decis 25CE (deltametrina). Quando as lagartas se transformavam em pupas,
eram coletadas diariamente e individualizadas em tubos de vidro, observando-se diariamente
a emergência dos adultos. Para efeito, foram avaliados os seguintes parâmetros biológicos:
duração e viabilidade das fases larval, e pupal e longevidade de adultos.
O experimento foi conduzido sob delineamente inteiramente casualizado com seis
tratamentos e cinco repetições para a determinação da concentração letal e subletal de cada
39
extrato. Foi utilizada a análise de Probit pelo programa computacional SAS para determinação
da CL50.
3.4.2 Efeito dos extratos de Annona muricata na fase embrionária de Plutella xylostella
Dois casais da traça-das-crucíferas com até 12 h de idade foram selecionados para a
oviposição e colocados em gaiolas plásticas idênticas àquelas da criação. Após 24 horas de
exposição aos adultos, os discos foram retirados das gaiolas, selecionand-se discos que
apresentavam um mínimo de 20 ovos. Realizou-se esse método, em vez do método seguido
por Torres et al. (2006), onde cortavam-se os discos para que tivessem 20 ovos em cada
repetição, porque, observou-se que com a diminuição do tamanho dos discos após o corte, os
mesmos ressecavam mais rapidamente, o que poderiam prejudicar a eclosão das lagartas sem
estar relacionado com os tratamentos. Em seguida, os ovos foram imersos nos extratos na
concentração letal e sub letal (CL50) de cada extrato vegetal, e na testemunha em água
destilada, além do tratamento químico, realizado com o produto Decis 25 CE (deltametrina),
na mesma concentração utilizada para o teste de não preferência para que houvesse uma
padronização.
O delineamento foi inteiramente casualizado com 6 tratamentos e cinco repetições
tendo cada uma o mínimo de 20 ovos da praga. Diariamente foi analisado o número de
lagartas eclodidas, sendo confrontado com o número de ovos em que se observaram o córion
transparente, indicativo de ter ocorrido a eclosão. Essas avaliações ocorreram durante oito
dias e foram realizadas com o auxílio de uma lupa estereoscópica de 10 vezes. A análise
estatística foi realizada pela comparação de médias pelo teste de Tukey utilizando-se o
programa estatístico ASSISTAT versão 7.5 (SILVA; AZEVEDO, 2009).
3.4.3 Teste de não preferência para oviposição de Plutella xylostella
Para os testes com chance de escolha, discos de folhas de couve „Georgia‟ com 8 cm
de diâmetro foram imersos nos extratos nas concentrações letal e subletal (CL50) e no
tratamento químico por 30 segundos e postos sobre papel toalha para secagem ao ar livre; em
40
seguida, divididos em partes, obtendo-se quatro círculos menores (com 2 cm de diametro)
com dimensões semelhantes.
Discos retirados das mesmas folhas de couve foram imersos em água destilada e
usados como padrão nos testes de repelência. Assim, foi formado um conjunto, constituído
por quatro triângulos dispostos alternadamente sobre papel de filtro levemente umedecido
com água destilada, sendo dois tratados com os extratos (um com a concentração subletal e
outro com a concentração letal), outro um tratado com água destilada e um tratado com o
químico DECIS 25EC (deltametrina). Esse conjunto foi colocado em gaiolas idênticas às
utilizadas na criação de P. xylostella. Dois casais de P. xylostella com até 12 horas de idade,
provenientes da criação, foram introduzidos nas gaiolas e mantidos por 24 horas para
oviposição sendo alimentados com solução açucarada a 10%, embebida em esponja presa na
parte superior da gaiola.
O tratamento químico utilizado nesse experimento foi o produto Decis 25CE
(deltametrina), porém a concentração utilizada foi 1/3 menor que a recomendada (33 mL para
100L de água), isso (deltametrina) porque o odor emanado do produto após a diluição
recomendada era muito forte, e houve preocupação que tal concentração pudesse prejudicar
ou até mesmo matar os adultos.
O delineamento estatístico foi inteiramente casualizado com quatro tratamentos (CL50,
CL99, Quimico e Testemunha) com 7 repetições para o experimento etanólico e para o
hexânico. A análise foi feita por comparação de médias pelo teste de Tukey utilizando o
programa ASSISTAT versão 7.5 (SILVA; AZEVEDO, 2013).
3.4.4 Efeito residual dos extratos de Annona muricata sobre Plutella xylostella
Para avaliar a persistência dos extratos de graviola nas concentrações letal e subletal
(CL50) foram realizados grupos de 4 plântulas que foram pulverizados com os respectivos
extratos, na face superior ou inferior das folhas com diferentes intervalos de aplicação. As
folhas do primeiro grupo de plântulas foram oferecidas a lagartas recém-eclodidas duas horas
após a pulverização (dia zero), o segundo grupo dois dias após a pulverização e o terceiro
quatro dias após a pulverização. Para o tratamento testemunha, as plantas foram pulverizadas
com água destilada. Após três dias da montagem do experimento, foi avaliada a mortalidade
41
das lagartas. Todos os tratamentos continham Tween a 1% como espalhante adesivo, já que
devido ao fato das plantas serem muito novas, a cerosidade das folhas era alta.
Os experimentos do efeito residual dos extratos foram em delineamento inteiramente
casualizado em esquema fatorial (3 x 2 x 2) + 1, ou seja, 3 intervalos de aplicação, 2
concentrações e 2 extratos + 1 testemunha. As médias foram comparadas pelo teste de Tukey
através do programa computacional ASSISTAT versão 7.5 (SILVA; AZEVEDO, 2013).
3.5. Experimentos com formulações dos extratos orgânicos da semente de Annona
muricata
3.5.1 Preparo da emulsão
O preparo das emulsões, de água em óleo, foi realizado no Laboratório de Química da
UFAL seguindo a metodologia descrita por Senhorini (2010), que consiste em misturar as
fases aquosa e oleosa após um pré-aquecimento das duas fases a uma temperatura de 60°C,
sendo que foram realizados testes sem a realização de um pré-aquecimento para observar se
afetaria a estabilidade da emulsão. Antes da mistura das fases, elas receberam compostos para
aumentar a estabilidade da emulsão. A fase oleosa recebeu o tensoativo monoesterato de
sorbitano (Span) e a fase aquosa recebeu o componente hidrossolúvel monooleato de
sorbitano (Tween). Foram testadas diferentes concentrações do Tween e do Span para
verificar o tratamento com melhor estabilidade da emulsão. Também foram utilizados
diferentes Tween‟s (componente hidrossolúvel), o Tween 80 e o Tween 40, enquanto que o
Span (componente tensoativo) testado foi apenas o Span 20 (Tabela 1).
Tabela 1: Proporção de homogeneizadores utilizados para o preparo das emulsões dos extratos
orgânicos da semente de Annona muricata
Emulsão Span (g)
1
4,0
2
3,5
3
3,0
4
0,0
Tween
(g)
1,0
1,5
2,0
5,0
Fonte: Adaptação de Senhorini (2010)
Extrato (mL)
10
10
10
10
H2 O
(mL)
85
85
85
85
42
Após o preparo das emulsões em suas diferentes concentrações de Tween e Span com
os extratos orgânicos hexânico e etanólico, as emulsões foram agitadas e colocas em repouso
em tubos de vidro para a observação da estabilidade no decorrer do tempo.
Outra emulsão foi realizada, utilizando-se, 20% de goma arábica sendo misturadoa em
agitador por 5 minutos.
3.5.2 Microencapsulamento
A microencapsulação foi realizada no Laboratório de Farmácia da UFAL utilizando o
aparelho de modelo BUCHI Mini Spray Dryer B-290 (Figura 3), selecionado para trabalhar a
uma temperatura de entrada de 180°C, rotação 33 e velocidade de alimentação cinco. Foram
realizadas duas formas de microencapsulação, a primeira utilizando 50 mL de extrato
orgânico, acrescido de 150 mL de álcool etílico absoluto P.A e 150 mL de água milli-q,
misturado e, posteriormente adicionado aerosil (polímero) calculado a partir do peso de sólido
contido em 1 mL do extrato. O peso de sólido no extrato foi realizado colocando 1 mL do
extrato em estufa a 145°C por 4 horas e posteriormente pesado. A outra maneira foi
realizando o microencapsulamento a partir de uma emulsão, substituindo apenas o aerosil por
goma arábica a 20% e misturado.
Figura 3: Detalhe do Mini Spray Dryer B-290 (A) e seu recipiente de coleta (B)
A
Fonte: Autor, 2013
B
43
3.5.2.1 Determinação e efeito da CL50 e CL99 dos extratos da semente de Annona
muricata microencapsulado na biologia de Plutella xylostella
Devido ao fato de ocorrerem perdas de extrato durante o processo de
microencapsulação, foi decidido realizar um novo teste de CL50, LI e LS para o
microencapsulado. Esse experimento seguiu a metodologia dos demais experimentos de
extrato aquoso e orgânico. As concentrações utilizadas foram de 0,01; 0,025; 0,05; 0,1 e
0,25% e um outro tratamento foi a testemunha que não foi tratada.
Discos de 8cm de diâmetro de folhas de couve foram imersos por 30 segundos, nas
respectivas suspensões, para o tratamento testemunha, os discos foram imersos em água
destilada pelo mesmo período.
Os discos tratados e não tratados com os extratos foram distribuídos sobre uma
superfície coberta com papel toalha, onde permaneceram ao ar livre para evaporação do
excesso de água. Lagartas recém-eclodidas foram colocadas em placas de Petri de 15cm de
diâmetro, contendo um disco tratado sobre papel de filtro umedecido com água destilada, para
manutenção da umidade, acondicionados em laboratório (temperatura de 26
2 C, UR de 60
10% e fotofase de 12h). A partir do terceiro dia da montagem do experimento, iniciaram-se
as avaliações da mortalidade larval, a qual foi realizada a cada dois dias onde era realizada a
troca das folhas velhas por novas folhas tratadas.
Quando as lagartas se transformavam em pupas, eram coletadas diariamente e
individualizadas em tubos de vidro, observando-se diariamente a emergência dos adultos.
Foram avaliados os seguintes parâmetros biológicos: viabilidade e duração das fases larval e
pupal e longevidade de adultos.
O experimento seguiu o delineamento inteiramente casualizado e a estimativa da CL50
foi realizada pela análise de Probit utilizando o programa computacional SAS (Statical
Analysis System, versão 9.3).
44
3.5.2.2 Efeito residual dos extratos microencapsulados de Annona muricata sobre
Plutella xylostella
Para avaliar a persistência do microencapsulado, extrato etanolico de graviola e
microencapsulado na concentração sub letal (CL50) foi realizado grupos com 4 plantas que
foram pulverizados com o extrato, na face superior ou inferior das folhas com diferentes
intervalos de aplicação. As folhas do primeiro grupo de plântulas foram oferecidas a lagartas
recém eclodidas duas horas após a pulverização (dia zero), o segundo grupo dois dias após a
pulverização e o terceiro quatro dias após a pulverização. Para o tratamento testemunha, as
plantas foram pulverizadas com água destilada. Após três dias da montagem do experimento,
foi avaliada a mortalidade das lagartas.
O experimento do efeito residual dos extratos foi em delineamento inteiramente
casualizado em esquema fatorial (3 x 2) + 1, ou seja, 3 intervalos de aplicação, 2 extratos + 1
testemunha. As médias foram comparadas pelo teste de Tukey através do programa
computacional ASSISTAT versão 7.5 (SILVA; AZEVEDO, 2013).
45
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Experimentos com extratos aquosos e orgânicos da semente de Annona muricata
4.1.1 Determinação da CL50 e CL99 dos extratos aquosos e orgânicos da semente de
Annona muricata para Plutella xylostella
A análise do extrato aquoso se ajustou com o modelo de Probit com o valor de p =
0,5972. Esse resultado pode ser explicado pela função: -0,6609 (± 0,3854) + 1,9254 (±
0,6808) LOG DOSE. Pela análise, o Limite Inferior (LI), a CL50 e o Limite Superior (LS) IC95
para o extrato aquoso da semente de graviola foram respectivamente 0,07275% (podendo
variar entre 0,0001 e 0,3728), 2,3393% (podendo variar entre 0,6151 a 4,1755) e 35,223%
(podendo variar entre 21,6433 e 87,05) (Tabela 2). Percebe-se que o LS não se enquadrou
bem á realidade do experimento, já que a concentração 20% conseguiu matar todas as
lagartas, porém a sua variação chegou bem próximo do resultado observado durante o
experimento.
Tabela 2: Análise de Probit para os extratos aquoso, etanólico e hexânico da semente de Annona
muricata
Extrato
GL
n1
CL50(IC95%)3
(mL.mL-1)
X2
p4
Extrato Aquoso
Extrato Hexânico
Extrato Etanólico
4
5
5
50
60
60
2,33 (0,61 - 4,17)
0,02 (0,01 - 0,03)
0,01 (0,01 - 0,02)
1,03
2,12
0,38
0,59
0,82
0,98
*
EP: Erro-padrão; CL: Concentração letal; X2 : Qui-quadrado; DAA: Dias após aplicação.
1
GL: Graus de liberdade.
2
n: Número de insetos utilizados no teste.
3
IC: Intervalo de confiança.
4
P: Probabilidade>0,05
Fonte: Autor, 2013.
46
A ação inseticida de extratos aquosos de plantas no controle de P. xylostella já é
conhecida na literatura tanto na oviposição (CHARLESTON; VET; DICKE, 2005;
MEDEIROS; BOIÇA JÚNIOR; TORRES, 2005; TORRES et al., 2006; DEQUECH et al.,
2009; JESUS et al., 2011) quanto no desenvolvimento (CHARLESTON; VET; DICKE, 2005;
TORRES et al., 2006; JESUS et al., 2011; BOIÇA JÚNIOR et al., 2013).
Geralmente plantas extraídas com água necessitam de concentrações mais elevadas
para ter uma atividade inseticida mais eficiente. Isto pode ser exemplificado com o nim onde
Torres et al. (2006) encontraram uma CL50 de 0,6% de extratos aquosos na mortalidade de P.
xylostella.
A análise do experimento do extrato hexânico se ajustou com o modelo de Probit com
o valor de p = 0,8318. Esse resultado pode ser explicado pela função: 4,1728 (±0,9030) +
2,6091 (±0,6010) LOG DOSE. Na análise de Probit do extrato hexânico LC95, o Limite
Inferior (LI) apresentado foi de 0,0032% (podendo variar de 0,0004 a 0,0071), a CL50 foi de
0,0251% (podendo variar de 0,0148 a 0,0363) e o Limite Superior (LS) foi de 0,196%
(podendo variar de 0,1052 a 0,8866) (Tabela 2).
É possível observar que a quantidade de extrato necessário para obter uma maior
mortalidade é muito menor que o extrato aquoso, tornando assim o extrato hexânico mais
eficiente do que o aquoso (Figura 4).
Figura 4: Mortalidade larval de Plutella xylostella em diferentes concentrações dos extratos
aquoso, hexânico e etanólico da semente de Annona muricata
Mortalidade larval (%)
100
80
60
Hexano
40
Etanol
20
Extrato Aquoso
0
0 0,01 0,05 0,1 0,2 1,25 2,5
5
Concentração (% mL.mL-1)
Fonte: Autor, 2013.
10 20
47
O extrato etanólico se ajustou com o modelo de Probit com o valor de p = 0,9957.
Esse resultado pode ser explicado pela função: 5,4412 (±1,4097) + 2,9007 (±0,8280) LOG
DOSE. A concentração do Limite inferior (LI) encontrada foi de 0,0021% (variando entre
0,0001 a 0,0051), a CL50 foi de 0,0133% (podendo variar de 0,0058 a 0,0199) e o limite
superior (LS) foi de 0,0843 (variando entre 0,0464 e 0,5389) (Tabela 2).
A Figura 4 mostra a taxa de mortalidade larval à medida que há o aumento das
concentrações dos extratos aquoso, etanólico e hexânico. Percebe-se que a CL50 e o Limite
Superior podem ser observados na figura, e que se assemelham aos dados encontrados na
análise de Próbit.
A Tabela 3 faz um resumo da CL50 e do Limite Superior dos extratos aquoso, hexânico
e etanólico e os seus devidos intervalos de confiança (IC), onde a partir da sobreposição desse
intervalo é possível verificar se as concentrações nos diferentes extratos diferem entre si.
Tabela 3: Resumo da concentração letal e subletal dos extratos orgânicos e aquoso da semente
de Annona muricata sobre a mortalidade de lagartas de Plutella xylostella
TRATAMENTO
Extrato Aquoso
Extrato Hexânico
Extrato Etanólico
CL50 (%)
LS (%)
mL.mL
IC (95%)
mL.mL
IC (95%)
2,3393
0,6151 - 4,1755 35,233 21,644 - 87,05
0,0251
0,0148 - 0,0363 0,196 0,1052 - 0,9966
0,0133
0,0058 - 0,0199 0,084 0,0464 - 0,5389
X2
P
1,03 0,59
2,12 0,82
0,38 0,98
*CL: Concentração letal; LS: Limite Superior X2; Qui-quadrado
IC: Intervalo de confiança.
P: Probabilidade>0,05
Fonte: Autor, 2013.
Pode-se perceber a menor eficiência de extratos aquosos quanto a atividade inseticida
pelo trabalho de Gonzalez-Esquinca et al. (2012), quando avaliaram extratos aquosos e
etanólicos de anonáceas sobre larvas de mosca das frutas, Anastrepha ludens (Loew) (Diptera:
Tephritidae), os quais observaram que os valores das concentrações letal e subletal dos
extratos orgânicos eram menores que as do extrato aquoso. Da mesma forma como aconteceu
no presente trabalho, onde ambos os extratos orgânicos apresentaram concentrações letal e
subletal muito inferiores ao extrato aquoso.
48
Comparando as sobreposições do intervalo de confiança da CL50, do Limite Inferior e
do Limite Superior, dada pela análise de Probit, dos extratos orgânicos hexânico e etanólico
percebe-se que eles não diferiram estatisticamente. Porém, a partir desses valores, quando
comparado com os valores do extrato aquoso e extrato hexânico, nota-se que o extrato
etanólico possui o mesmo efeito sobre a mortalidade da lagarta utilizando concentrações
menores (Tabela 4).
Tabela 4: Comparação do limite inferior, superior e CL50 dos extratos aquoso, hexânico e
etanólico da semente de Annona muricata sobre a mortalidade larval de Plutella
xylostella
TRATAMENTO
Extrato Aquoso
Extrato Hexânico
Extrato Etanólico
LI (%) mL.mL
0,0727 a
0,0032 a
0,0021 a
CL50 (%)
mL.mL
2,3393 a
0,0251 b
0,0133 b
LS (%)
mL.mL
35,223 a
0,1960 b
0,0843 b
Médias seguidas da mesma letra, nas colunas, não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey (P
0,05)
Fonte: Autor, 2013.
Esta diferença se deve ao fato de que a maior ou menor atividade de um extrato está
associada ao tipo de solvente utilizado em sua preparação, outros fatores devem também ser
levados em consideração, como a época, a parte do vegetal utilizada na preparação dos
extratos ou mesmo as espécies de insetos utilizados no bioensaio (TRINDADE et al., 2000),
mas no presente trabalho, apenas o solvente de extração é que foi modificado.
Essa necessidade de maiores concentrações do extrato hexânico está de acordo com
resultados obtidos por outros autores que também observaram que extratos altamente apolares
são menos eficientes do que aquele com polaridade intermediária, como o etanólico
(ASCHER et al., 1984; ROEL et al., 2000). Borges et al. (2007) relataram, ao comparar
extratos elaborados com diferentes solventes em ordem crescente de polaridade, que os
preparados com solventes de menores polaridades apresentaram menores atividades.
Outro fator que pode influenciar o efeito inseticida do extrato é a época em que a parte
vegetal foi coletada. Trindade et al. (2011), analisaram o efeito de extrato etanólico de folhas
de A. muricata sobre P. xylostella e chegaram a conclusão de que o efeito inseticida sobre as
lagartas da traça variaram em relação ao mês em que as folhas de graviola foram coletadas,
49
mostrando assim que a graviola acumula compostos secundários de forma diferenciada para
cada época do ano, com um aumento desses compostos nos períodos de seca.
A parte da planta coletada também interfere sobre o efeito inseticida, como por
exemplo, o extrato de A. pyrifolium estudados por Trindade et al. (2008) que, ao aplicarem o
extrato etanólico da casaca do caule, da raíz e do fruto de A. pyrifolium sobre lagartas de P.
xylostella determinaram que o extrato mais promissor para o controle da traça é o preparado a
base da casca da planta, com uma mortalidade de 57% na dosagem de 5mg L-1.
Outros autores também têm avaliado extratos de plantas obtidos a partir de solventes
de diferentes polaridades, sobre diversas espécies de insetos. Khalequzzaman & Sultana
(2006) ao avaliarem extratos de A. squamosa contra T. castaneum encontraram a dose subletal
de 0,031µgcm², onde essa dose alterou dependendo da forma que o extrato foi obtido, do
mesmo modo que no presente trabalho, em que os extratos tenham sido obtidos da mesma
parte da planta, a sua forma de obtenção influenciou nos resultados.
Souza; Cordeiro; Pereira (2007) avaliaram três formas de obtenção de extrato
(etanólico, hexânico e metanólico) de A. coriacea sobre ninfas D. melacanthus nas
concentrações de 0,5; 1,0; 2,0; 4,0 e 8,0% e obtiveram resultados semelhantes, uma vez que
os extratos etanólicos se mostraram mais eficientes que o hexânico, da mesma forma que
ocorreu no presente experimento. Porém, foi necessária a utilização de concentrações mais
elevadas para causar maior mortalidade, mostrando assim, que as ninfas desse inseto são mais
resistentes à ação da planta.
Bandeira (2009) demostrou que todos os extratos do fruto e da flor de Muntingia
calabura L. (Muntingiaceae) sobre a P. xylostella apresentaram toxidez às lagartas, porém os
resultados variavam de acordo com a matriz vegetal e o solvente utilizado para a obtenção do
extrato, sendo que o melhor resultado foi obtido com o extrato etanólico da flor com uma
concentração subletal encontrada de 1,63mg/mL, ou seja, valores muito acima da encontrada
com o extrato de Annona.
Yang; Deng; Hou (2008) encontraram a concentração subletal de dois constituintes
químicos isolados de frutos de Ginko biloba (Ginkgoaceae) no controle de P. xylostella, o
bilobol e o ácido ginkgóico com CL50 respectivas de 2,06g/L e 4,6g/L, concentrações muito
acima da encontrada no extrato de graviola para a mesma praga.
50
Lee (2005) também trabalhando com a mesma praga, encontrou a CL50 de dois
constituintes químicos de Piper longun (Linn) (Piperaceae), os pipemonalina com uma CL50
de 125ppm e o piperoctadecalidina com uma CL50 de 95,5ppm.
Kumar et al. (2010), observaram que o extrato etanólico de A. squamosa para
Sitophilus oryzae (Linnaeus, 1763) (Coleoptera: Curculionidae) nas concentrações de 1 e 5%
p/v causaram mortes de 100% em 39,6 e 14,5 minutos respectivamente. Percebe-se que as
concentrações causaram 100% de mortalidade, diferenciando somente no tempo para que
todos os insetos estivessem mortos. No presente trabalho, percebeu-se que ao utilizar
concentrações acima de 1% do extrato de graviola, se etanólico ou hexânico nos pré-testes,
houve mortalidade de 100% em período menor que 30 minutos, assemelhando-se assim com
os resultados desses autores.
Pela menor eficiência do extrato aquoso, necessitando de uma grande quantidade de
material vegetal para a obtenção da concentração letal, os próximos experimentos foram
realizados apenas com os extratos orgânicos (hexânico e etanólico), pois esse experimento
tinha a finalidade de selecionar o extrato mais promissor para o controle de P. xylostella.
4.1.2 Efeito da CL50 dos extratos da semente de Annona muricata na biologia de
Plutella xylostella
Os extratos orgânicos de A. muricata e o tratamento químico afetaram a viabilidade
larval de P. xylostella com percentuais em torno de 30%, diferindo estatisticamente no teste
de Tukey (F= 14,27; p<0,001) da testemunha, que apresentou 80% de viabilidade mostrando
que esses tratamentos foram mais expressivos na mortalidade das lagartas recém-eclodidas,
tornando-as incapazes de passar para a fase de pupa.
A ação de extratos vegetais sobre a diminuição da viabilidade larval de P. xylostella
também foi observada por alguns autores, como no trabalho de Silva et al. (2007) onde os
extratos de diferentes espécies de Croton (Euphorbiaceae) apresentaram-se eficientes para o
controle de P. xylostela, uma vez que, Croton jacobinensis (folha e caule), Croton
rhamnifolius (folha e caule), Croton sellowii (folha e caule) e Croton micans (folha) nas
maiores concentrações utilizadas ocasionaram mortalidades larvais de 95, 100, 100 e 95%,
respectivamente. Como também, Jesus et al. (2011) relataram que as lagartas que se
alimentaram de folhas de couve contendo o extrato de A. indica (nim) apresentaram alto
51
índice de mortalidade com poucas lagartas atingindo a fase de pupa, como também no extrato
de S. saponaria (sabão de soldado) a vialidade foi de apenas 40%. E no trabalho de Souza et
al. (2011) avaliando extrato hexânico de J.curcas a 0,5% a viabilidade larval também foi
afetada, pois apenas 11,0% das lagartas atingiram a fase de pupa, valor inferior ao registrado
na testemunha com 80,0%.
Segundo Aguiar Menezes (2005), os extratos de nim atuam como inseticida, podem
ser repelentes, ou ainda agem como antialimentar, inibindo o inseto a iniciar a alimentação, o
que provavelmente ocorreu quando foi adicionado os extratos orgânicos de sementes de A.
muricata e do produto químico às folhas de couve oferecidas às lagartas, causando uma alta
mortalidade na fase inicial do inseto.
Para outros lepidópteros a ação de extratos vegetais na diminuição da viabilidade
larval também foi observada, como no trabalho de Webber (2009) que estudou a ação de
extratos etanólicos de barbatimão Stryphnodendron coriaceum (Benth.) (Fabaceae) sobre S.
frugiperda que obteve valores da viabilidade larval de 0,0; 2,0 e 74,0% nas concentrações de
1,0; 2,0 e 4%, respectivamente.
A duração larval diferiu estatisticamente a 1% no teste de Tukey (F=6,16; p<0,001),
como pode ser observado na Tabela 5, cujos tratamentos com os extratos etanólico e hexânico
e o tratamento químico diferiram da testemunha, porém não diferiram entre si.
Tabela 5: Médias ± DP da viabilidade e duração das fases larval e pupal e longevidade do adulto
de Plutella xylostella tratadas com extratos orgânicos da semente de Annona muricata
Test.
Padrão
Hexano
Etanol
CV%
Viabilidade
Duração
larval (%) ±
larval (dias) ±
DP*
DP
81,6 ± 09,45 a 7,1 ± 0,45 a
38,3 ± 19,42 b 4,8 ± 1,41 b
38,3 ± 23,63 b 4,8 ± 1,32 b
31,6 ± 21,44 b 5,0 ± 1,78 b
29,42
24,52
Viabilidade
pupal (%) ± DP
83,8 ± 12,86 ns
70,8 ± 32,21 ns
82,9 ± 24,86 ns
58,3 ± 37,88 ns
31,3
Longevidade
Duração pupal adulto (dias) ±
(dias) ± DP
DP
3,82 ± 0,16 ns 3,95 ± 0,51 a
3,18 ± 1,20 ns 3,61 ± 0,82 ab
3,75 ± 0,35 ns 2,90 ± 0,65 b
2,98 ± 1,61 ns 2,85 ± 0,49 b
28,73
9,89
Médias seguidas da mesma letra, nas colunas, não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey (P
*DP = Desvio Padrao
Ns = Não significativo
CV = coeficiente de variação
Fonte: Autor, 2013.
0,05)
52
Essa duração larval mais curta se deu em detrimento a mortalidade das lagartas terem
ocorrido logo no início do desenvolvimento, causando uma menor duração da fase, portanto,
um resultado diferente do que geralmente é relatado nos estudos com plantas inseticidas, onde
há uma tendência de prolongamento da fase larval (TORRES et al., 2001; TORRES et al.,
2006; SILVA et al., 2007; SOUZA et al., 2011; JESUS et al., 2011) em razão da inibição
alimentar ou deterrência alimentar dos extratos vegetais, além de outras ações (MORDUE,
BLACKWELL & NISBET, 1993). Outra hipótese, relatada por Rodrigues et al. (2008) é que
a redução dessa fase poderia ser uma forma utilizada pela praga para compensar as condições
inadequadas da fonte de alimento, empupando em menor tempo.
Segundo as discussões dos trabalhos de Torres et al. (2001; 2006), o prolongamento da
fase larval de P. xylostella, adicionalmente à mortalidade da fase larval, mediante aplicação
de extratos vegetais é muito importante em campo, pois aumentará o tempo de exposição da
praga aos inimigos naturais, bem como o tempo médio de cada geração, reduzindo o
crescimento populacional da praga. Porém, a ação inseticida apresentada pelos extratos
orgânicos de A. muricata, como também se assemelhando ao tratamento químico, é mais
eficiente, já que atua logo nas primeiras fases do inseto estudado, diminuindo seu ataque e
contribuindo para o decréscimo das populações subsequentes (RODRIGUEZ &
VENDRAMIM, 1996). No presente trabalho, o encurtamento da fase larval, se demostra um
fator favorável, uma vez que se percebe que as lagartas mudaram de fase sem uma quantidade
suficiente de nutrientes, o que acarretou numa maior inviabilidade larval.
Roel e Vendramim (2000) testaram o efeito do extrato acetato de etila de Trichila
pallida Swartz (Meliaceae) sobre S. frugiperda e concluíram que doses menores que não
provocaram a mortalidade total, afetaram a sobrevivência e alongaram a fase larval do inseto.
O que pode ser verificado na presente avaliação devido à baixa viabilidade apresentada em
todos os tratamentos testados com a CL50 que causou uma diminuição na duração larval.
A duração e viabilidade pupal não diferiram entre os tratamentos e a testemunha. Esse
resultado está de acordo com diversas citações (ROEL et al., 2000; SILVA, 2007; MATOS et
al., 2010), pois geralmente os maiores efeitos de ação das plantas inseticidas são verificados
na fase larval, o que está de acordo com Torrecillas & Vendramim (2001). Estes autores, ao
estudarem o efeito de extrato aquoso de ramos de T. pallida e de genótipos de milho sobre o
desenvolvimento de S. frugiperda, observaram que os maiores efeitos observados na fase
larval, se dão pelo fato de ser nessa fase que o inseto se alimenta, tornando-o mais exposto aos
possíveis aleloquímicos presentes no genótipo resistente e na planta inseticida.
53
Quanto a duração pupal, não foram observadas diferenças significativas, durando, na
média, três dias (Tabela 4). Sugere-se que o inseto, ao passar para o estágio de pupa, pode ser
afetado pelo produto natural nas suas funções vitais, o que reflete no parâmetro mortalidade,
porém não se notaram efeitos quanto ao tempo de desenvolvimento (CAMPOS & BOIÇA
JUNIOR, 2012).
Na longevidade do adulto as médias foram menores para os tratamentos com os
extratos etanólico e hexânico, 2,85 e 2,90, respectivamente, não diferindo do período de 3,61
dias do tratamento químico (F=3,53; p=0,038). A testemunha apresentou um período de
longevidade de 3,95 dias não diferindo do tratamento químico.
Essa menor longevidade dos adultos nos tratamentos com os extratos etanólicos e
hexânicos, pode estar relacionado ao menor consumo alimentar na fase larval comprometendo
a melhor formação da pupa, pois pupas menores tem grande possibilidade de produzir adultos
menores e mais fracos, com menor capacidade de competição para desenvolver as atividades
vitais da espécie, como afirma Rodriguéz & Vendramim (1997).
Neste trabalho não foi possível realizar a etapa de avaliação da fecundidade e
fertilidade dos insetos, pois como poucos adultos foram formados nos tratamentos com baixa
viabilidade larval, não foi possível formar os casais com repetições satisfatórias. Esta
avaliação seria de grande importância, pois já é relatado na literatura que a deficiência
nutricional e os distúrbios alimentares podem causar esterilidade dos insetos, podendo
ocasionar a diminuição de gerações (ENGELMAN, 1998).
Torres et al. (2006), apresentaram resultados similares no controle de P. xylostella
utilizando a concentração letal e subletal (CL50) do extrato hexânico de amêndoas de A.indica,
casca de A. pyrifolium e frutos de M. azedarach , onde as variáveis viabilidade larval e pupal,
duração pupal e longevidade do adulto não diferiram entre os tratamentos. Somente a duração
larval diferiu estatisticamente, onde houve um aumento da duração larval, que foi atribuído a
um crescimento mais lento das lagartas devido a presença de inibidores de crescimento,
deterrentes de alimentação ou substâncias tóxicas presentes nos extratos. Foi possível
perceber que no experimento do trabalho citado acima e no presente experimento, o extrato
afetou principalmente a fase larval, que entrou em contato com o produto, muito embora
visivelmente haja diferença nos demais fatores.
54
4.1.3 Efeito dos extratos de Annona muricata na fase embrionária de Plutella xylostella
O experimento se mostrou diferente significativamente a 1% de probabilidade para o
teste de Tukey (F=8,77; p<0,001). Somente o tratamento Etanol CL99 diferir estatisticamente
da testemunha, com menores valores na viabilidade dos ovos (Tabela 6).
Tabela 6: Viabilidade (%) ± DP dos ovos de Plutella xylostella tratados com extratos orgânicos
da semente de Annona muricata
Tratamentos
Testemunha
Padrão
Hexano CL50***
Hexano CL99***
Etanol CL50
Etanol Cl99
CV%**
% Lagartas eclodidas ± DP*
98,4 ± 1,93 a
95,4 ± 9,01 a
80,5 ± 16,5 ab
65,5 ± 5,86 ab
82,1 ± 10,6 ab
58,4 ± 12,5 b
13,11
Médias seguidas da mesma letra, nas colunas, não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey (P
0,05)
*DP= Desvio padrão
**CV%= Coeficiente de variação
***
CL50 e CL99 = concentração letal que mata 50% e 99% dos indivíduos
Fonte: Autor, 2013.
O efeito de extratos vegetais na fase embrionária de lepidópteros é pouco conhecido,
isso devido ao baixo ou nenhum efeito desses extratos sobre os ovos. Essa ineficiência dos
extratos pode estar relacionada ao fato dos ovos possuírem uma camada lipídica ou cerosa na
parte interna do córion, que reteria as substâncias tóxicas dos extratos. Logo, a ação ovicida
dos extratos teria sua ação interferida pela forma e composição dos ovos dos insetos (SMITH
& SALKELD, 1966; SCHMUTTERER, 1990).
Os efeitos de extratos de plantas na sobrevivência da fase embrionária de lepidópteros
também são pouco conhecidos, em especial a ação ovicida dos compostos bioativos
(TRINDADE et al., 2000). Machado; Silva; Oliveira (2007) destacaram que o efeito ovicida
pode variar de acordo com a espécie do inseto e com as características das substâncias
utilizadas. Porém, este mesmo autor menciona que plantas com atividade inseticida
ocasionam baixo ou nenhum efeito sobre os ovos. Tal fato pode ser verificado no experimento
realizado com os diferentes extratos aquosos de a 10% p/v de Erva de Santa Maria,
55
Chenopodium ambrosioides (Linnaeus) (Amaranthaceae), Eucalipto Cheiroso, Corymbia
citriodora (Hill & Johnson) (Mrytaceae), Crisântemo, Chrysanthemum leucanthemum
(Linnaeus) ( Asteraceae) e A. indica (Nim) sobre a porcentagem de lagartas eclodidas de S.
frugiperda, ou seja, não apresentaram ação ovicida (MAZZONETTO et al., 2013).
Porém, no presente trabalho houve uma inviabilidade dos ovos tratados com os
extratos, mostrando assim que a ação ovicida depende do extrato, da concentração e das
características dos ovos do inseto estudado, onde, nesse caso, percebe-se que os ovos da traçadas-crucíferas possuem características que favorecem a ação de produtos no embrião.
Torres et al. (2006) obtiveram dados semelhantes na avaliação da fase embrionária de
P. xylostella quando os ovos foram submetidos a três extratos de plantas nas concentrações
letal e subletal. Nesse experimento, a mortalidade da fase embrionária pelos extratos foi
correlacionada com as concentrações dos mesmos, mostrando assim, que a ação ovicida
aumenta à medida que se aumenta a concentração do extrato. Percebe-se que além do extrato,
a concentração também influencia no embrião, onde no presente trabalho, a concentração letal
do extrato etanólico foi mais eficiente do que a concentração subletal (CL50).
Ainda segundo Torres et al. (2006), observações realizadas através de microscopia,
verificaram microporos de 0,8 µm, que poderiam explicar a ação ovicida dos extratos, além
da textura rugosa do córion que pode ser favorável para a fixação dos extratos. Portanto, no
presente trabalho, um dos fatores que influenciaram na eficiência dos extratos foi a
característica dos ovos da traça-das-crucíferas mostradas por este estudo.
Kumar (2009) observou que lagartas de S. frugiperda alimentadas com extrato de
A.squamosa ovipositaram um maior número de ovos inviáveis ao completar o ciclo biológico.
Esse trabalho mostra que além dos extratos afetarem a fase embrionária quando os ovos são
tratados, existe também a possibilidade da fase embrionária ser afetada pelo maior número de
ovos inviáveis colocados pelos adultos que foram submetidos a alimentos tratados quando
lagartas. Essa avaliação não foi possível devido à alta inviabilidade larval e pupal, além de
números inadequados de casais para esse experimento, problemas de delineamento
experimental.
A ação ovicida para P. xylostella já foi relatada para inseticidas químicos, como no
trabalho de Mohamoudvand; Garjan; Abbsipour (2011), que avaliou diferentes inseticidas
para determinar o efeito ovicida sobre a P. xylostella, obtendo diferentes médias de
inviabilidade para os diferentes produtos, podendo chegar a 100% para Spinosad e Pyridalyl.
56
Porém, essas médias variavam em função da concentração utilizada. Portanto, embora os
produtos químicos tenham obtido uma mortalidade embrionária de 100%, essa média só foi
obtida com concentrações maiores, acima da recomendada pelos produtos, pois geralmente,
os produtos químicos são recomendados para a fase larval do inseto. Isto está de acordo com o
resultado do produto químico utilizado nesse estudo, onde se obteve 95,4 % de ovos viáveis,
pois foi utilizada a dose recomendada pelo fabricante, valendo lembrar, que foi utilizada 1/3
da concentração recomendada do produto. Provavelmente, o aumento da concentração dos
extratos, acarretaria num aumento da inviabilidade de ovos.
Biermann et al. (2009) avaliaram extratos vegetais de várias espécies na concentração
de 10% e produtos comerciais a base de nim a 1 e 5% sobre ovos de Ascia monuste orseis
(Lepidoptera: Pieridae) obtendo inviabilidade larval de até 100% para o pó-de-fumo e 94%
para os produtos comerciais. Embora, as inviabilidades dos ovos tenham sido maiores que os
resultados obtidos no presente trabalho, as concentrações utilizadas também ultrapassam em
muito, as concentrações usadas com o extrato da semente de graviola, mostrando assim, que,
provavelmente, poderia atingir 100% de inviabilidade dos ovos caso aumenta-se sua
concentração, sem necessariamente, ser uma concentração tão elevada como a utilizada.
Para estudos com ação ovicida sem ser com Lepidoptera também já e conhecido como
no trabalho de Vasconcelo, Godim Júnior & Barros (2006), os quais avaliaram extratos
aquosos de folha e semente de duas espécies vegetais sobre ovos de mosca branca Bemisia
tabaci (Genn., 1889) biótipo B (Hemiptera: Aleyrodidae). Nesse experimento, a parte da
planta utilizada influenciou na inviabilidade dos ovos. Enquanto que para Leucaena
leucocephala (Lam.) (De Wit.) (Mimosidae) a melhor parte foi a semente com 60% de ovos
inviáveis, e 10% quando se utilizou as folhas. Já para a Sterculia foetida L. (Sterculiaceae) a
melhor parte vegetal foi a folha, com uma inviabilidade de ovos de 41% e apenas 8% quando
utilizado as sementes. Ou seja, além da parte vegetal utilizada, a época de coleta e a forma de
extração influenciam no efeito ovicida e inseticida do extrato vegetal.
Gonçales (2010), ao avaliar a ação ovicida de extratos aquosos e etanólicos de folhas e
ramos de nim e cinamomo sobre Aleurocanthus woglumi Ashby (Aleyrodidae), mostrou que
apenas o extrato etanólico de cinamomo diferiu da testemunha com uma inviabilidade de ovos
de 50%. Já a mortalidade de ninfas não diferiu em nenhum tratamento. Mostrando, assim
como nesse experimento, que o extrato orgânico, consegue extrair de forma mais ampla, os
compostos com ação ovicida.
57
4.1.4 Teste de não preferência para oviposição de Plutella xylostella
Foram realizados testes separados para o extrato etanólico e o hexânico, devido ao
tamanho das gaiolas. O extrato etanólico diferiu a 1% de probabilidade no teste de Tukey,
(F=9,38; p<0,001) eo hexânico a 5% (F=3,43; p=0,032). Nota-se que as porções das folhas de
couve tratadas com os extratos apresentaram menores quantidades de ovos, mostrando assim,
que os extratos, interferem na escolha de oviposição da traça-das-crucíferas, e que o aumento
da concentração dos extratos proporcionou menores quantidades de ovos (Tabela 7).
Tabela 7: Média ± DP de ovos de Plutella xylostella depositados em folhas de couve tratadas com
extrato orgânico da semente de Annona muricata, da testemunha e do tratamento
padrão.
Tratamento
Testemunha
Padrão
CL50***
CL99***
CV%**
Etanol
N° ovos ± DP*
23,0 ± 12,5 a
15,7 ± 5,46 a
21,0 ± 7,93 a
2,28 ± 3,09 b
28,89
Hexano
N° ovos ± DP
21,8 ± 15,1 a
19,7 ± 14,3 a
11,0 ± 9,83 ab
3,71 ± 6,1
b
48,57
Médias seguidas da mesma letra, nas colunas, não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey (P
0,05)
*DP= Desvio padrão
**CV%= Coeficiente de variação
***
CL50 e CL99 = concentração letal que mata 50% e 99% dos indivíduos
Fonte: Autor, 2013.
Torres et al. (2006), obtiveram
resultados semelhantes com o número de ovos
colocados por P. xylostella em folhas de couve tratadas com A. pyrifolium, M. azedarach e A.
indica, onde a principal diferença entre os tratamentos está relacionada a concentração
utilizada no controle (Letal e Subletal), relatando que tais resultados podem estar ligados com
a ação repelente dos compostos ou pela irritabilidade causada nas fêmeas em contato com a
superfícies tratadas. O mesmo pode ser observado com a concentração letal do presente
trabalho, que tiveram uma média de ovos menores que 5.
Outro trabalho que mostra a deterrência de oviposição de P. xylostella quando as
folhas foram tratadas com extratos é o de Dequech et al. (2009), ao avaliar a oviposição de P.
58
xylostella, com extratos de pó-de-fumo e cinamomo a 10% obtiveram uma deterrência de pelo
menos 50% na oviposição das folhas tratadas em relação à testemunha. Já Charleston et al.
(2005), avaliaram extrato de cinamomo e nim sobre a escolha de oviposição de P. xylostella
mostrando que o extrato de cinamomo diferiu da testemunha com 75% de deterrência de
oviposição enquanto que o nim não diferiu da testemunha.
Martins et al. (2007), avaliaram o efeito de extratos aquosos de nim, pimenta,
cinamomo e triquila sobre a preferencia de oviposição de P. xylostella observando que a
média de ovos da testemunha foi pelo menos cinvo vezes maior que a média dos demais
tratamentos.
Neiri et al. (2006), mostraram que o nim possui efeito de deterrência de oviposição
sobre a mosca branca, e que o aumento da concentração acarretou num menor número de
ovos, com uma média de 300 ovos para a testemunha e 60 para a maior concentração testada,
10%. Esses experimentos mostram que além de efeito inseticida, os extratos vegetais também
podem ser viáveis como repelente de oviposição, fato comprovado no presente trabalho.
Medeiros; Boiça Junior; Torres (2005) avaliaram extratos de frutos de S. saponaria e
de E. contortisilliquum e folhas de Tradescantia pallida (Commelinaceae) na concentração de
10% na repelência de oviposição da P. xylostella, obtendo repelência de oviposição de até
100%. Valores próximos podem ser observados com o uso da concentração letal do extrato
etanólico da semente de graviola, em concentrações bem menores, que obteve repelência de
oviposição de quase 100% para as concentrações letais de ambos os extratos, o aumento dessa
concentração pode ocasionar uma deterrência de 100%.
Outro exemplo de efeito de repelência de oviposição é o experimento realizado por
Jesus et al. (2011), observaram o efeito de quatro plantas inseticidas (nim, sabão de soldado,
faveira e barbatimão) a 10% na oviposição de P. xylostella, onde a média total de ovos após 4
dias de análise foram respectivamente de 280,00; 313,33; 231,16 e 252,50, todas diferindo da
testemunha, que teve uma média de 556,83, porém, sem diferirem entre si.
4.1.5 Efeito residual dos extratos de Annona muricata sobre Plutella xylostella
O experimento de persistência dos extratos orgânicos da semente de graviola diferiu
estatisticamente na análise de variância, para os fatores tempo, concentração e tipo de extrato
59
a 1% de probabilidade (p<0,001). Somente a interação tempo x concentração diferiu
estatisticamente a 5% de probabilidade (F=4,42; p=0,018) como mostrado na Tabela 8.
Percebe-se que, separadamente, o fator Tempo apresenta maior mortalidade com zero dias,
diminuindo com o passar dos dias, a concentração letal ocasionou uma maior mortalidade em
relação a subletal e que o extrato etanólico foi mais eficiente em relação ao Hexânico (Tabela
9).
A Tabela 8 mostra a interação do tempo com os extratos nas concentrações letais e
subletais. É possível perceber que a mortalidade causada pela concentração letal apresentou
médias que não diferiram entre si, mostrando assim que a concentração letal apresentou
persistência até quatro dias após a aplicação. Já a concentração subletal, diferiu ao longo do
tempo, com redução do efeito inseticida, mostrando assim que a concentração subletal
apresentou uma persistência menor que a concentração letal. As duas concentrações não
diferiram com zero dia, porém diferiram com dois e quatro dias.
Tabela 8: Média da mortalidade larval de Plutella xylostella para os fatores tempo de aplicação,
concentração e ação do extrato da semente de Annona muricata
Mortalidade ± DP
(%) para o fator
Mortalidade ± DP (%)
tempo
para o fator concentração
0 dias
2 dias
4 dias
CV%
55,00 ± 19,3 a
48,12 ± 22,3 ab
38,75 ± 23,1 b
24,46
CL50
CL99
38,33 ± 23,9 a
56,25 ± 16,3 b
24,46
Mortalidade ± DP* (%)
para o fator extrato
Hexano
Etanol
35,83 ± 21,1 a
58,75 ± 17,1 b
24,46
Médias seguidas da mesma letra, nas colunas, não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey (P
*DP = Desvio Padrao
CV = coeficiente de variação
Fonte: Autor, 2013.
0,05)
60
Tabela 9: Média da mortalidade larval (%) de Plutella xylostella para a interação Tempo x
Concentração da aplicação do extrato da semente de Annona muricata
Tempo
CL50 ± DP
CL99± DP
0 dias
2 dias
4 dias
CV%
53,75 ± 15,8 aA
38,75 ±23,2 abB
22,50 ±24,1 bB
56,25 ± 13,8 aA
57,50 ± 7,07 aA
55,00 ± 20,6 aA
24,46
Médias seguidas da mesma letra, nas colunas, não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey (P
0,05)
*DP = Desvio Padrao
CV = coeficiente de variação
Fonte: Autor, 2013.
A baixa persistência dos extratos vegetais apresenta-se como vantagem e ao mesmo
tempo limitação do seu uso como planta inseticida. Devido às características de baixo impacto
ambiental e de baixa toxicidade aos organismos benéficos e aos mamíferos, formas
alternativas de prolongar o efeito dos princípios ativos são almejadas (FERREIRA, 2011).
Carvalho & Ferreira (1990) avaliaram a persistência de extrato de folhas e frutos de
M.. azadarach sobre adultos de Diabrotica speciosa Germar (Coleoptera: Chrysomelidae) em
feijoeiro (Phaseolus vulgaris) de 0 a 8 dias após a aplicação. Os resultados mostraram que
houve persistência dos extratos mesmo com oito dias após a aplicação, com uma percentagem
de área consumida menor que 1% para os tratamentos com 0 dias após a aplicação e de 22 e
36% para os extratos de folhas e frutos respectivamente oito dias após a aplicação em relação
a testemunha (100%). Embora se justifique a utilização de extratos vegetais no controle de
pragas devido ao fato de não permanecerem muito tempo no ambiente, sua permanência
também não é tão reduzido, proporcionando assim um maior intervalo de tempo entre as
aplicações do que o esperado. Os resultados se assemelham com os obtidos no presente
trabalho uma vez que houve uma persistência mínima de quatro dias, e existe uma diminuição
da eficácia com o passar dos dias.
Costa et al. (2010) avaliaram diferentes concentrações de nim (0,2, 1,5 e 5%)
misturados com melaço, sobre S. frugiperda com 1, 4, 8 e 12 dias após a aplicação. Os
resultados mostraram que as três concentrações diferiram da testemunha nos quatro dias
avaliados, sendo que no primeiro dia a mortalidade foi de 100%, aumentando com o tempo
para 40, 54 e 82% (nas respectivas concentrações) no 12° dia após a aplicação. Mostrando
61
que assim como no presente trabalho, o fator tempo e concentração influenciaram
estatisticamente nos resultados.
Dill; Pereira; Costa (2012) observaram o efeito residual de A. coriceaei sobre A.
aegypti nas concentrações de 50 e 100ppm até 48 dias, sendo avaliadas com 1, 8, 15, 30 e 48
dias após a aplicação do extrato nos recipientes. Os resultados apontaram que na avaliação
feita com 1 dia após a aplicação a mortalidade no extrato a 100ppm foi de 100% e a do 50ppm
foi de aproximadamente 90%, não havendo diferença entre as concentrações entre a primeira
e a segunda avaliação (8 dias). Notou-se também que houve uma redução da eficiência dos
extratos gradativamente, sendo que com 30 dias a mortalidade foi de 53% para o extrato a
100ppm e 35% para o extrato a 50ppm. Finalizando o experimento com 48 dias, não houve
diferença dos extratos com a testemunha. Percebe-se que a persistência do extrato variou em
função do tempo e da concentração, da mesma forma que no presente trabalho.
Poucos estudos com extratos vegetais abordam o período de atividade inseticida
desses produtos, não se conhecendo sua persistência no ambiente. A utilização de produtos
vegetais oferece vantagens em relação aos impactos ambientais e à segurança alimentar, pois
não deixam resíduos nos alimentos e são facilmente degradados. Entretanto, dada a menor
persistência, tornam-se pouco eficientes como pesticida, devido à necessidade de repetidas
aplicações. De acordo com SCHMUTTERER (1990), os produtos naturais possuem limitada
persistência no ambiente, sendo que temperatura, umidade, raios ultravioleta, pH, chuva, entre
outros, influenciam negativamente na sua atividade.
4.2 Experimentos com formulações dos extratos orgânicos da semente de Annona
muricata
4.2.1 Emulsão
Sabe-se que o tensoativo Span 60 ou monoesterato de sorbitol, é um surfactante não
iônico, utilizado na solubilização de óleos em água e o Tween 80 ou polissorbato 80, é
também um surfactante não iônico. Ambos são bastante utilizados como estabilizantes em
produtos alimentícios, farmacêuticos e cosméticos, com grande possibilidade, portanto, de
62
causarem pouca influência nos testes de toxicidade frente aos testes biológicos (SENHORINI,
2010).
A quantidade de cada extrato adicionado ao Span 60 e ao Tween 80 foi de 10 g, e,
portanto, percebeu-se que nenhuma das emulsões se tornou estável por mais de 30 minutos,
havendo a separação das fases com o passar do tempo (Figura 5). Desta forma, independente
do extrato e da quantidade variável dos tensoativos houve sempre a separação das fases em
menos de meia hora.
Essa instabilidade observada no presente trabalho foi totalmente diferente do que
Senhorini (2010) encontrou no preparo das emulsões do óleo de Carapa guianensis Aubl.
(Meliaceae) seguindo o mesmo protocolo, pois das quatro emulsões testadas (Tabela 1),
apenas a emulsão 4 (a que não utilizou Span, e usou 5g de Tween) não estabilizou, separou as
fases e se mostrou com grumos (aspecto de coalhada). Uma suposição do protocolo não ter se
adequado ao estudo, é que Senhorini (2010) partiu do óleo puro de andiroba e no presente
trabalho utilizaram-se frações oriundas de extração com solventes de polaridades diferentes,
hexano (apolar) e etanol (polaridade intermediária), partindo, então, de extratos com
característica oleosa, mas não óleo puro.
Essa característica de instabilidade das fases inviabiliza a utilização desse tipo de
formulação, devido ao curto espaço de tempo, não dando tempo para sua aplicação pelo
agricultor no campo.
63
Figura 5: Separação das fases aos 15 minutos da emulsão dos extratos orgânicos da semente de
Annona muricata. (A) Emulsão hexânica 0 min. (B) Emulsão etanólica 0 min. (C)
Emulsão hexânica 15 min. (D) Emulsão etanólica 15 min.
AA
B
B
CC
D
Fonte: Autor, 2013.
O grande interesse neste tipo de formulação na área farmacêutica consiste em tornar
alguns óleos minerais e vegetais, com propriedades terapêuticas e nutritivas, mais palatáveis,
aumentando a acaeitação pelo paciente (GENNARO, 2004). Quando os óleos estão na forma
de pequenas gotículas possuem uma absorção aumentada, portanto, as emulsões oleosas são
amplamentes utilizadas na área farmacêutica e cosmética, mas, até o momento, não há muitos
estudos que empregam esse tipo de tecnologia no combate as pragas (SENHORINI, 2010).
Trabalhos com a utilização de emulsões de nim já foram realizados, como no de
Araújo Junior et al. (2009), os quais avaliaram a emulsão de Natuneem a 1 e 2% , com
resultados de 81 e 90 % de mortalidade do pulgão Lipaphis erysimi (Kalt., 1843) (Hemiptera:
Aphididae).
A segunda emulsão, onde foi utilizada somente a Goma Arábica, se apresentou estável
por um período superior, e por tal motivo se mostrou viável sua preparação. Porém, a partir da
emulsão conseguida, quando foi realizada a diluição para as concentrações adequadas (letal e
64
subletal), não se conseguiu estabilidade, e, portanto, não haveria diferença em realizar a
diluição do extrato orgânico no momento da aplicação e a emulsão instável, necessitando
assim, de mais estudos e diferentes técnicas para a obtenção de uma emulsão estável nas
concentrações desejadas.
4.2.2 Microencapsulamento
Ao se tentar realizar o microencapsulamento do extrato orgânico adicionado com água
milli-q + etanol + aerosil, o mesmo se mostrou ineficaz, já que não formou o pó (as
microcápsulas contendo o ingrediente ativo), e continuou na forma líquida.
Na segunda tentativa, onde foi substituído o aerosil por goma arábica, houve a
formação do pó, mostrando assim, que essa seria a forma viável de se realizar a
microencapsulação do extrato orgânico etanólico de sementes de graviola (Figura 6A e 6B). A
microencapsulação do extrato orgânico hexânico não ocorreu de forma correta e ela continuou
na forma líquida nas duas tentativas. Acredita-se que esse extrato possua óleos essenciais, que
dificultam seu microencapsulamento.
Figura 6: Microencapsulação do extrato etanólico da semente de Annona muricata com aerosil
que permaneceu no estado líquido do extrato etanólico (A). Microencapsulação com
goma arábica, que formou o pó do extrato etanólico (B).
A
Fonte: Autor, 2013
B
65
4.2.2.1 Determinação da CL50 e CL99 do extrato etanólico da semente de Annona
muricata microencapsulado para Plutella xylostella
A análise desse experimento se ajustou com o modelo de Probit com o valor de p =
0,4841. Esse resultado pode ser explicado pela função: 3,4306 (±0,3916) + 2,1599 (±0.2621)
LOG DOSE. Pela análise de Probit, a concentração do limite inferior foi de 0,00216%,
podendo variar entre 0,0008512 e 0,0039. A CL50 e o Limite Superior também foram
encontrados e são, respectivamente, 0,0258% (variando entre 0,019 e 0,0329) e 0,30816%
(variando entre 0,1944 e 0,6291) (Tabela 10).
Tabela 10: Análise de Probit do extrato etanólico da semente de Annona muricata
microencapsulado
Extrato
GL
n1
CL50(IC95%)3
(mL.mL-1)
CL99(IC95%)
(mL.mL-1)
X2
p4
Microencapsulado
4
50
0,025 (0,02 - 0,03)
0,3 (0,2 - 0,6)
17,5
0,48
*
EP: Erro-padrão; CL: Concentração letal; X2 : Qui-quadrado; DAA: Dias após aplicação.
1
GL: Graus de liberdade.
2
n: Número de insetos utilizados no teste.
3
IC: Intervalo de confiança.
4
P: Probabilidade>0,05
Fonte: Autor, 2013.
Na Figura 7, é possível observar o aumento da taxa de mortalidade larval, à medida
que há um aumento da concentração do microencapsulado.
66
Figura 7: Mortalidade Larval de Plutella xylostella (%) em função da concentração do extrato
etanólico da semente de Annona muricata microencapsulado
120
Microencapsulado
Mortalidade larval (%)
100
80
60
40
20
0
0
0,01
0,05
Concentração mL.mL-1 (%)
0,1
0,25
Fonte: Autor, 2013.
Quando se sobrepõe o intervalo de confiança dado pela analise de Probit da CL50 e o
Limite Superior do extrato etanólico com o do microencapsulado, pode-se perceber que os
resultados se sobrepõem, mostrando assim que não diferiram estatisticamente entre si, como
mostra a Tabela 11.
Tabela 11: Comparação do limite inferior, superior e subletal do extrato etanólico da semente de
Annona muricata microencapsulado
TRATAMENTO
Extrato etanólico
Microencapsulado
LI (%)
mL.mL
0,0021 ns
0,0021 ns
CL50 (%)
mL.mL
0,0133 ns
0,0258 ns
LS (%)
mL.mL
0,0843 ns
0,3081 ns
LI, CL50, LS – Concentração para matar 10, 50 e 99% da população.
Ns – não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey (p>0,005)
Fonte: Autor, 2013.
Os dados observados se assemelham com as concentrações letal e subletal encontrados
com a aplicação do extrato etanólico da graviola em tratamento realizado anteriormente,
67
mostrando que ao microencapsular o extrato a ação inseticida não foi alterada. Esse mesmo
comportamento foi observado por Marcomini (2009) ao avaliar nanoformulações de nim
sobre S. frugiperda, o qual constatou mortalidades de 40 a 46% nas concentrações de 0,5 e
0,75g, assim como redução de peso das lagartas. Mostrando assim que a microencapsulação
mantém o principio ativo do extrato e o aumento da concentração do microencapsulado
acarreta em maiores mortalidades, como visto no presente trabalho. E por Silva (2007), ao
avaliar nanocápsulas e emulsão de nim a 1% sobre S. frugiperda constatou que houve
mortalidade de 90 a 100% das lagartas em tempo inferior a seis dias. Embora as espécies
analisadas sejam diferentes, percebe-se que o microencapsulado do extrato etanólico de
graviola é mais eficiente no controle da traça-das-crucíferas do que o nim contra a lagarta-docartucho, por que a concentração é bem mais baixa.
Kanis et al. (2012) relataram que microencapsulados de Copaifera sp. (Leguminosae)
apresentaram redução de atividade no primeiro dia, porém a ação inseticida permaneceu
acima dos 40% por 17 dias. A redução da atividade no primeiro dia pode ser explicada pelo
fato do microencapsulado liberar o principio ativo lentamente, diferentemente do extrato puro,
onde o principio ativo é liberado todo de uma só vez. No presente trabalho, a mortalidade das
lagartas tratadas com o microcoencapsulado ocorreu distribuída no decorrer da avaliação,
confirmando assim o principio de liberação lenta do extrato.
4.2.2.2 Efeito da CL50 e CL99 do extrato etanólico da semente de Annona muricata
microencapsulado na biologia de Plutella xylostella
Na presente avaliação, a duração (F=8,52; p<0,001) e viabilidade larval (F=20,72;
p<0,001) diferiram significativamente a 1% de probabilidade no teste de Tukey, os demais
parâmetros (viabilidade e duração pupal e longevidade dos adultos) não diferiram entre si,
obtendo resultado semelhante ao encontrado quando utilizado a CL50 do extrato etanólico
(Tabela 12).
68
Tabela 12: Médias ± DP da viabilidade e duração das fases larval e pupal e longevidade dos
adultos de Plutella xylostella tratadas com extrato etanólico da semente de Annona
muricata e microencapsulado.
Test.
Padrão
Micro.
CV%
Viabilidade
larval (%) ±
DP
83 ± 14,1 a
35 ± 16,5 b
38 ± 23,9 b
21,03
Viabilidade
Duração larval pupal (%) ±
(dias) ± DP
DP
7,7 ± 0,66 a
83,94 ± 16,1 ns
5,8 ± 1,31 b
82,91 ± 26,7 ns
5,8 ± 1,46 b
79,16 ± 27,7 ns
18,47
21,19
Duração
Longevidade
pupal (dias) ± adulto (dias)
DP
± DP
3,82 ± 0,19 ns 3,21 ± 0,39 ns
3,82 ± 0,62 ns 3,07 ± 0,73 ns
3,64 ± 0,73 ns 2,76 ± 1,00 ns
12,94
23,97
Médias seguidas da mesma letra, nas colunas, não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey (P
Ns= não significativo
0,05)
*DP = Desvio Padrao
CV% = Coeficiente de variação
Fonte: Autor, 2013.
A viabilidade larval, com valores inferiores a 40% para o microencapsulado e o
extrato etanólico (Tabela 12), foi mantido com o uso da formulação, mostrando que o
microencapsulado não foi alterado em relação a sua capacidade de afetar o desenvolvimento
de P. xylostella. Resultado semelhante foi encontrado por Ferreira; Vendramim; Forim (2012)
de duas formulações NC40 aquoso e NC40 pó, de 22 nanoformulações de nim testadas contra
T. absoluta, afetaram o desenvolvimento do inseto.
Esse comportamento de eficiência da formulação microencapsulada não foi observada
por Marcomini (2009), ao testar seis nanoformulações do nim contra S. frugiperda, onde
nenhuma afetou a viabilidade larval e pupal. Porém, com relação à duração larval, o autor
encontrou um maior alongamento da fase larval com a dieta contendo as nanoformulações. Já
no presente trabalho, o extrato microencapsulado de A. muricata não alongou a duração
larval, com uma média de 5,8 dias, diferindo estatisticamente da testemunha com 7,7 dias
(Tabela 12), porém causou uma diminuição na alimentação das lagartas (Figura 8).
69
Figura 8: Comparação alimentar de Plutella xylostella entre a testemunha (A) e a folha tratada
(B) com a concentração subletal do extrato etanólico da semente de Annona muricata
microencapsulado
Fonte: Autor, 2013.
Carvalho (2012) avaliou a eficácia de 19 nanoformulações a base de derivados de nim
no controle de ninfas de B. tabaci biótipo B por meio da ação sistêmica do ingrediente ativo
liberado. Duas nanoformulações foram selecionadas (NC L5-2 e NC L6-1) por causarem
mortalidade semelhante ao do óleo comercial de nim. A ação sistêmica do óleo e das
nanoformulações depende das condições ambientais em que são aplicadas e que as
nanoformulações são bioativas por 30 dias após a aplicação.
4.2.2.3 Efeito residual do extrato microencapsulado de Annona muricata sobre
Plutella xylostella
A análise fatorial do teste de efeito residual da concentração subletal do
microencapsulado não diferiu para o fator tempo, e nem para o fator produto, mostrando
assim, que embora o microencapsulado tenha obtido médias de mortalidades menores que o
extrato etanólico puro, ele não difere estatisticamente do extrato (p>0.05). Isso mostra que
embora ocorram perdas da viabilidade durante o processo de microencapsulamento, essa
perda não foi significativa, e é um processo viável para sua aplicação (Tabela 13).
70
Tabela 13: Mortalidade larval ± DP (%) de Plutella xylostella em função dos dias após a
aplicação da CL50 do extrato etanólico da semente de Annona muricata e seu
microencapsulado
Tempo (dias)
0
2
4
CV%
Mortalidade
42,5 ns
38,75 ns
38,75 ns
Produto
41,16 ns
Extrato
Microencapsulado 38,83 ns
29,26
CV%= Coeficiente de variação
Ns=não significativo
Fonte: Autor, 2013.
A Tabela 14 confirma os resultados anteriores, uma vez que a interação tempo x
produto não diferiu estatisticamente (pelo teste F p>0,05). Por isso, é possível confirmar que
além do microencapsulado não diferir da testemunha, ele possui persistência de pelo menos 4
dias, começando baixa, porém constante.
Quando se analisa teste de Tukey dos resultados obtidos pelo microencapsulado com a
testemunha, percebe-se que o microencapsulado aplicado nos dias 0, 2 e 4 diferiram da
testemunha a 5% de probabilidade, sem diferirem entre si (F=5,53; p=0,0128), mostrando
assim, a persistência do microencapsulado de pelo menos quatro dias sobre a planta (Tabela
15).
Tabela 14: Interação fator Tempo x Produtos
Tempo
(dias)
0
2
4
CV%
Extrato
47,5 ns ns
42,5 ns ns
42,5 ns ns
Microencapsulado
37,5 ns ns
35,0 ns ns
35,0 ns ns
29,24
CV%= Coeficiente de variação
Ns= não significativo
Fonte: Autor, 2013.
Essa baixa persistência do extrato microencapsulado pode estar relacionada ao pouco
tempo de avaliação do experimento, que foi realizado apenas com quatro dias após a
71
inoculação das lagartas, podendo ser um tempo insuficiente para o polímero ter a capacidade
liberar lentamente o princípio ativo de A. muricata, ou houve uma degradação lenta do
polímero liberando pouca quantidade do composto, como foi observado por Marcomini
(2009) com o uso de nanoformulação de nim contra S. frugiperda. Baseada nesta hipótese,
tórna-se necessário estudos futuros com outro polímero para avaliar essa melhor eficiência de
liberação e no aumento de dias avaliados.
Tabela 15: Mortalidade larval ± DP (%) de Plutella xylostella em função dos dias após aplicação
da CL50 do microencapsulado
Tratamento
Testemunha
0 dias
2 dias
4 dias
CV%
Mortalidade larval ± DP
(%)
5,00 ± 5,47 a
37,5 ± 20,49 b
35,0 ± 16,73 b
35,0 ± 15,16 b
24,61
Médias seguidas da mesma letra, nas colunas, não diferem
estatisticamente pelo teste de Tukey (P 0,05)
CV%= Coeficiente de variação
DP= Desvio padra
Fonte: Autor, 2013.
A encapsulação do extrato de A. muricata dentro de membrana ou paredes poliméricas
pode melhorar a eficiência, pois nota-se que embora os resultados do microencapsulado
tenham sido menores, eles não diferiram, e pode ainda auxiliar numa maior persistência do
produto na planta. A membrana ou a parede polimérica protege o ingrediente ativo contra
diversas reações, pode controlar a taxa de liberação dos compostos e prevenir as perdas de
compostos voláteis, aumentando a sua estabilidade no ambiente. Além disso, a
microencapsulação pode converter extratos líquidos em pó, que pode facilitar na manipulação
e preparo da calda de aplicação no campo (RIYAJAN; SAKDAPIPANICH, 2009).
72
5. CONCLUSÕES
A avaliação dos diferentes extratos mostrou que o extrato etanólico causa uma maior
mortalidade na traça-das-crucíferas, afetando a biologia do inseto ao aumentar a duração
larval e diminuir a viabilidade pupal, além de se apresentar de forma repelente para a
oviposiçao e um efeito residual de pelo menos 4 dias.
O desenvolvimento de uma formulação só se apresentou viável com o uso da
tecnologia de microencapsulação, com resultados semelhantes aos encontrados com o extrato
etanólico.
73
REFERÊNCIAS
AFTABROUCHAD, C., DOELKER, E. Preparation methods for biodegradable
microparticles loades with water-soluble drugs. STP Pharma Science, v. 2, p. 365-380. 1992.
AGUIAR MENEZES, E.L.M. Inseticidas Botânicos: Seus Princípios Ativos, Modo de Ação
e Uso Agrícola. Seropédica/RJ: Embrapa Agrobiologia. 2005. 58 p. (Embrapa Agrobiologia.
Documentos 205).
AHMAD, I. Dosage mortality studies with Bacillus thuringiensis and Neem extract on
diamondback moth, Plutella xylostella (L.) (Lepidoptera: Plutellidae). Indonesian Journal of
Plant Protection, v. 5, n. 2, p. 67-71, 1999.
ALALI, F.Q.; LIU, X. & McLAUGHLIN, J.L. Annonaceous acetogenins: recent progress.
Journal of Natural Products, v. 62, n. 3, p. 504-540, 1999.
ALMEIDA, M. F.; BARROS, R.; GODIM JUNIOR, M.C.G.; FREITAS,S. Biologia de
Ceraeochrysa claveri Navás (Neuroptera: Chrysopidae) predando Plutella xylostella (L.)
(Lepidoptera: Plutellidae). Ciência Rural. v. 39, n. 2, p. 313-318, 2009.
ARAUJO JUNIOR, J.M.; MARQUES, E.J.; OLIVEIRA, J.V. Potencial de Isolados de
Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana e do Óleo de Nim no Controle do Pulgão
Lipaphis erysimi (Kalt.) (Hemiptera: Aphididae). Neotropical Entomology, v. 38, n. 4, p.
520-525, 2009.
ASCHER, K.R.S.; ELIYAHU, M.; NEMNY, N.E.; MEISNER, J. Neem seed kernel extract
as an inhibitor or growth and fecundity in Spodoptera littoralis. In: SCHMUTTERER, H. &
ASCHER, K.R.S. (Eds.). Natural pesticides from the neem tree (Azadirachta indica A. Juss)
and other tropical plants. Proceedings of the neem conference, 2., 1983. p.331-344. 1984
ASMANIZAR, A. D.; IDRIS, A. B. Evoluation of Jatropha curcas and Annona muricata seed
crude extracts against Sitophilus zeamais infesting stored rice. Journal of Entomology, v. 9
n.1, p. 13-22, 2012.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO COMÉRCIO DE SEMENTES E MUDAS. Dados
Socioeconômicos da cadeia produtiva de hortaliças do Brasil. 2013. Disponível em:
http://www.abcsem.com.br/docs/direitos_reservados.pdf. Acesso em; 4 jul 2013.
74
BAJPAI, A.K. & GIRI, A. Swelling dynamics of a macromolecular hydrophilic network and
evaluation of its potential for controlled release of agrochemicals. Reactive and Functional
Polymer, v. 53, pp. 125-141. 2002
BANAAG, A.B.; HONDA, H.; SHONE, T. Effects of non-alkaloid extracts from tropical
yam, Dioscorea hispida against the diamondback moth, Plutella xylostella (Lepidoptera:
Yponomeutidae). Applied Entomology and Zoology, v. 33, n. 3, p. 369-373, 1998.
BANDEIRA, G.N. Efeito de extratos vegetais e óleos essenciais no desenvolvimento de
Plutella xulostella (L.) (Lepidoptera: Plutellidae). Dissertação apresentada ao programa de
Pós-Graduação em Entomologia Agrícola, da Universidade Federal Rural de Pernambuco,
como parte dos requisitos para obtenção do grau de Mestre em Entomologia Agrícola.
UFRPE – Entomologia Agrícola. Recife – PE, 2009.
BATTA, Y.A. Efficacy of endophytic and applied Metarhizium anisopliae (Metch.) Sorokin
(Ascomycota: Hypocreales) against larvae of Plutella xylostella L. (Yponomeutidae:
Lepidoptera) infesting Brassica napus plants. Journal homepage Crop Protection. 2013.
BERTELS, A. Entomologia Agrícola Sul-Brasileira. Ministério da Agricultura Serie
Didática n. 16. Rio de Janeiro. 458p. 1956.
BIERMANN, A.C.S.; PONCIO, S.; ROSALINO, P.K.; RIBEIRO, L.P.; DEQUECH, S.T.B.
Ação de extratos vegetais sobre posturas de Ascia monuste orseis (LEPIDOPTERA:
PIERIDAE). V Encontro Internacional de Produção Cientifica Cesumar. Maringá,
Paraná. 27 a 30 de Outubro, 2009.
BIOCONTROLE. Plutella xylostella. 2013. Disponível em:
http://www.biocontrole.com.br/?area=pragas&id=16. Acesso em: 4 juh 2013.
BOIÇA JÚNIOR, A.L.; MEDEIROS, C.A.M.; TORRES, A.L.; CHAGAS FILHO, N.R.
Efeito de extratos aquosos de plantas no desenvolvimento de Plutella xylostella (L.)
(Lepidoptera: Plutellidae) em couve. Arquivos do Instituto Biológico. São Paulo, v.72, n.1,
p.45-50, 2005.
BOIÇA JUNIOR, A.L.; JANINI, J.C.; SOUZA, B.H.S.; RODRIGUES, N.E.L. Efeito de
cultivares de repolho e doses de extratos aquosos de nim na alimentação e biologia de Plutella
xylostella (Linnaeus) (Lepidoptera: plutellidae). Bioscience Journal, v. 29, n. 1, 2013.
BORGES, L.R.; ASTOFI, V.; MOSSI, A.J.; CANSIAN, R.L. Determinação de Atividades
Biológicas em Extratos de Carqueja (Baccharis trimera (Less). D.C.). Anais do VII
Congresso de Ecologia do Brasil, 23 a 28 de Setembro de 2007, Caxambu – MG.
75
BRAGA, G.K. Determinação das especificações do processo de spray drying na obtenção
de micropartículas biodegradáveis para a liberação sustentada de princípios ativos com
aplicação odontológica. Ribeirão Preto, Dissertação apresentada para obtenção de Grau de
Mestre em Ciências Farmacêuticas pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão
Preto da Universidade de São Paulo. 2005
BRAGA SOBRINHO, R. Potencial de exploração de annonaceas no Nordeste do Brasil.
EMBRAPA Agroindústria Tropical. XII Agroflores – 17ª Semana Internacional da
Fruticultura, Floricultura e Agroindústria., 2010.
BUKOVINSZKY, T., POTTING, R.P.J., CLOUGH, Y., VAN LENTEREN, J.C., VET,
L.E.M.,. The role of pre- and post-alighting detection mechanisms in the responses to
patch size by specialist herbivores. Oikos v. 109, 435–446. 2005
CAMPOS, A.P.; BOIÇA JUNIOR, A.L. Lagartas de Spodoptera frugiperda (J. E. SMITH)
(Lepidoptera: Noctuidae) submetidas a diferentes concentrações de óleo de nim. Revista
Brasileira de Milho e Sorgo, v. 11, n. 2, p. 137-144, 2012.
CAMPOS, L.C.A.; CASTELO BRANCO, M. & JUNQUEIRA, A.M.R. Suscetibilidade de
três populações de traça-das-crucíferas a Bacillus thuringiensis. Horticultura Brasileira, v.
15, n. 1, p. 40-42, 1997.
CARVALHO, S. M.; FERREIRA, D. T. Santa-Bárbara contra a vaquinha. Tome Ciência.
v.2, p. 66, 1990.
CARVALHO, S.S. Avaliação do efeito sistêmico de nanoformulações a base de derivados
de nim Azadirachta indica A. Juss) sobre Bemisia tabaci (Genn.) biótipo B (Hemiptera:
Aleyrodidae) em tomateiro. Piracicaba, 2012. 78f. Dissertação de Mestrado- Escola
Superior Luiz de Queiroz, 2012.
CASTELO BRANCO, M. & GUIMARÃES, A.L. Controle da traça das crucíferas em
repolho, 1989. Horticultura Brasileira, v. 8, n. 1, p. 24-25, 1990.
CASTELO BRANCO, M. Avaliação da eficiência de formulações de Bacilus thuringiensis
para o controle da traça-das-crucíferas em repolho no Distrito Federal. Horticultura
Brasileira, v. 17, n. 3, p. 237-240, 1999.
CASTELO BRANCO, M. Inseticidas para o controle de traça-das-crucíferas: avaliação
da eficiência, resistência e impacto sobre inimigos naturais. Brasília: Embrapa-CNPH. 7p.
1998.
76
CASTELO BRANCO, M.; FRANÇA, F.H.; MEDEIROS, M.A.; LEAL, J.G.T. Uso de
inseticidas para o controle da traça-do-tomateiro e traça-das-crucíferas: um estudo de caso.
Horticultura Brasileira. Brasília, v.19, n. 1, p.60-63, 2001.
CASTELO BRANCO, M.; GATEHOUSE, A. G. Insecticide resistance in Plutella xylostella
(L.) (Lepidóptera: Yponomeutidae) in the Federal District, Brazil. Anais da Sociedade
Entomológica do Brasil, v26, n.1 p. 75-79, 1997.
CASTELO BRANCO, M; VILLAS BOAS, G. L. Traça-das-cruciferas Plutella xylostella –
Artrópodes de importância econômica. Comunicado Técnico da Embrapa Hortaliças INSS
1414-9850 Dezembro 1997.
CHARLESTON, D. S.; KFIR, R.; VET, L.E.; DICKE, M. Behavioural responses of
diamondback moth Plutella xylostella (Lepidoptera: Plutellidae) to extracts derived from
Melia azedarach and Azadirachta indica. Bulletin of Entomological Research, v.95, p. 457465, 2005.
CHARLESTON, D. S.; KFIR, R.; VET, L.E.; DICKE, M. Impact of botanical pesticides
derived from Melia azedarach and Azadirachta indica on the biology of two parasitoid
species of the diamondback moth. Biological Control 33, p. 131-142, 2005.
CORRÊA,A.G.; VIEIRA, P.C. Produtos naturais no controle de insetos – (Série de textos
da escola de verão em química, vol. III) 2 ed., EdUFSCar, 150p. 2007.
COSTA, M. A.; VIANA, P.F.; RIBEIRO, P.E.A.; NUARTE, P.D. Persistência de extrato
aquoso de folhas de nim em mistura com melaço para o controle de Spodoptera frugiperda,
no milho. XXVIII Congresso Nacional de Milho e Sorgo. Associação Brasileira de Milho e
Sorgo, 2010.
COX, C. “INERT INGREDIENTS IN PESTICIDES: WHO‟S KEEPING SECRETS? ”
Journal of Pesticide Reform, v. 19, n. 3, 1999.
DEQUECH, S.T.B.; EGEWARTH, R.; SAUSEN, C.D.; STURZA, V.S.; RIBEIRO, L.P.
Ação de extratos de plantas na oviposição e na mortalidade da traça-das-crucíferas. Ciência
Rural, v.39, n.2, p.551-554, mar. 2009.
DICKSON, M. H.; SHELTON, A. M., EIGENBRODE, S. D., VAMOSY, M. L., MORA, M.
Selection for resistance to diamondback moth (Plutella xylostella) in cabbage. Hortscience,
v. 25, n. 12, p. 1643-1646, 1990.
77
DILL, E. M.; PEREIRA, M. J. B.; COSTA, M. S. Efeito residual do extrato de Annona
coriácea sobre Aedes aegypti. Arquivo do Instituto de Biologia. v. 79, n. 4, p. 595-601,
2012.
ECOLE, C. C.; ANJOS, N. A.; FILHO, M.M.; PICANÇO,M.C.. Determinação do número de
ínstares larvais em Plutella xylostella (L.) (Lepidoptera: Yponomeutidae). Acta Scientiarum,
v. 21 p. 331-335, 1999.
ENGELMAN, F. Reproduction in insects. In. HUFFAKER, C.B.; GUTIERREZ, A.P. (Eds.).
Ecological Entomology.. P. 123-158, 1998.
FANG, X.; RIESER, M.J.; GU, Z.; ZHAO, G.; McLAUGHLIN, J.L. Annonaceous
acetogenins: an updated review. Phytochemical Analysis, v. 4, p. 27-48, 1993.
FERREIRA, F.T.R.; VENDRAMIM, J.D.; FORIM, M.R. Bioatividade de nanoformulações
de nim sobre a traça-do-tomateiro. Ciência Rural, v. 42, n.8, p. 1347-1353, 2012.
FILGUEIRA, F. A. R. Manual de Olericultura. São Paulo: Agronômica Ceres, 1982. 357p.
FILGUEIRA, F. A. R. Novo manual de olericultura: agrotecnologia moderna na produção e
comercialização de hortaliças. Viçosa: UFV, 402 p. 2000.
FILGUEIRA, F. A. R. Novo Manual de Olericultura: Agrotecnologia Moderna na produção
e comercialização de hortaliças. 2° edição, revista e ampliada. Viçosa: UFV, 2003.
FILGUEIRA, F.A.R. Novo manual de olericultura: agrotecnologia moderna na produção e
comercialização de hortaliças. 3. ed. Viçosa. MG: Universidade Federal de Viçosa, 421p.
2008;
FOOD INGREDIENTS BRASIL. Extratos vegetais. Revista Food Ingredients Brasil, n. 11,
p. 16-20. Disponível em: http://www.revista-fi.com. Acesso em: 20 de junho de 2013.
FURLONG, M. J.; WRIGHT, D. J.; DOSDALL, L. M. Diamondback moth ecology and
management: problems, progress, and prospects. Annual Reviews Entomology, v.58, p. 517541, 2013.
GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R.P.L.; BAPTISTA, G.C.;
BERTI FILHO, E.; PARRA, J.R.P.; ZUCCHI,R.A.; ALVES, S.B.; VENDRAMIM, J.D.;
78
MARCHINI, L.C.; LOPES, J.R.S; OMOTO, C. Entomologia agrícola. Piracivaba: FEALQ,
2002. 902p.
GENNARO, A. R. Remington: A Ciência e a Prática da Farmácia. 20 ed., p. 759-763, 2004.
GHARSALLAOUI, A.; ROUDAUT, G.; CHAMBIN, O.; VOILLEY, A.; SAUREL, R.
Applications of spray-drying in microencapsulation of food ingredients: An overview. Food
Research Internatinal., vol. 40, p. 1107- 1121, 2007.
GIUNCHEDI, P.; CONTE, U. Spray-drying as a preparation method of microparticulate drug
delivery systems: overview. STP Pharma Science., vol. 5, p. 276-290, 1995.
GOERTZ, H.M. Controlled release technology, agricultura. In: Kirk-Othomer (Ed.)
Encyclopedia of Chemical Technology, 4° Edição. Hoth Wiley & Sons, Inc, pp. 251- 274.
2000.
GONÇALES, M.S. Atividade ovicida e ninficida de diferentes extratos de meliáceas sobre
a mosca-negra-dos-citros, aleurocanthus woglumi Ashby (Aleyrodidae) em condições de
laboratório. Monografia de conclusão de curso. Manaus 2010. 89p.
GONZÁLEZ-ESQUINCA, A. R.; MERCEDES, L.L.-C.; GUZMÁN, M.A.S.; CHACÓN,
I.C.; HERNANDÉZ, G.L.; BRECEDA, S.F.; GERALDO, P.M. In vitro larvicial avaluation of
Annona muricara L., A. diversifolia Saff. and A. lutescens Saff. extracts against Anastrepha
ludens lavae (Diptera, Tephritidae). Redalyc – Scientific Information System. Network of
Scientific Journals from Latin America, the Caribbean, Spain and Portugal. v.37, n. 4,
Abril, 2012.
GONZALEZ-ESQUINCA, A.R.; LUNA-CAZÁRES, L.M.; GUTIÉRREZ-JIMÉNEZ, J.;
GUZMÁN, M.A.S.; LÓPEZ, D.G.V. Anonáceas: Plantas antiguas, estudioes recientes.
Coleccíon Jaguar. UNICACH. 2011.
GUEDES, R.N.C.; LIMA, J.O.L.; SANTOS, J.P.; CRUZ, C.D. Resistence to DDT and
pyrethroids in Brazilian populations of Sitophilus zeamais Motsch (Coleoptera:
Curculionidae). Journal Ecology Entomology. v.31, p. 145-150, 1995.
GUERRA, M.P.& NODARI, R.O. Biodiversidade: aspectos biológicos, geográficos, locais e
éticos. Cap.1 p. 140. In: SIMÕES, C.M.O.; SEBENKEL, E.P.; GOSMANN, G.; MELLO,
J.C.P.; MENTZ, L.A. & PETROVICK, P.R. Farmacognosia da planta ao medicamento.
3ed. 2001. 833p.
79
HAMILTON, A. J.; ENDERBY, N. M.; RIDLAND, P.M.; ZHANG, J.; NEAL, M. Effects of
cultivar onoviposition preference, larval feeding and developmenttime of diamondback moth,
Plutella xylostella (L.)(Lepidoptera: Plutellidae), on some Brassica oleracea vegetables
in Victoria. Australian Journal of Entomology v. 44, n. 3, p. 284-287, 2005.
HARCOURT, D.G. The biology and ecology of the diamondback moth, Plutella
maculipennis, Curtis, in eastern Ontario. Phd thesis. Cornell Univ., Ithaca, NY, 107p. 1954
HERNANDÉZ, C.R.; ANGEL, D.N. Anonaceas con propiedades insecticidas. In: SÃO
JOSÉ, A.R.; SOUZA, I.V.B.; MORAIS, O.M. & REBOUÇAS, T.N.H. Anonáceas produção e
mercado (pinha, graviola, atemóia e cherimólia). p. 229-239, 1997.
IMENES, S.D.L.; CAMPOS, T.B.; RODRIGUES NETTO S.M.; BERGMANN, E.C.
Avaliação da atratividade de feromônio sexual sintético da traça-das-crucíferas, Plutella
xylostella (L.) (Lepidóptera: Plutellidae), em cultivo orgânico de repolho. Arquivos do
Instituto Biológico, v. 69, n. 1, p. 81-84, 2002.
ISMAN, M.B. Botanical insecticides, deterrents, and repellents in modern agriculture and
increasingly regulated world. Annual Review Entomology. v.51, p. 45-66, 2006.
JESUS, F.G.; PAIVA, L.A.; GONÇALVES, V.C.; MARQUES, M.A.; BOIÇA JNIOR, A.L.
Efeito de plantas inseticidas no comportamento e biologia de Plutella xylostella (Lepidoptera:
Plutellidae). Arquivo do Instituto de Biologia, v.78, n.2, p. 279-285, 2011..
KANIS, L.A.; PROOHIRO, J.S.; VIEIRA, E.S.; NASCIMENTO, E.P.; ZEPON, K.M.;
SILVA, O.S. Larvacidal activity of Copaifera sp. (Leguminosae) oleoresin microcapsules
against Aedes aegypti (Diptera: Culicidae) larvae. Parasitol Research Journal, v. 2, p. 4851, 2012.
KHALEQUZZAMAN, M; SULTANA. S. Insecticidal activity of Annona squamosa L. seed
extracts against the red flour beetle, Triboulium castaneum (Herbst). Journal bio-science, v.
14, p. 107-112, 2006.
KISSEL, T. MARETSCHEK, S., PACKHAUSER, C., SCHNIEDERS, J. e SEIDEL, N.
Microencapsuation techniques for parenteral depot systems and their application in the
pharmaceutical industry. In: Benita, S. Microencapsulation: methods and industrial
application. Boca Raton, p.104. 2006
KUMAR, A.R.V.; JAYAPPA, J. & CHANDRASHEKARA, K. Relative inseticidal value: An
index for identifying neem trees with high inseticidal yield. Current Science, v. 79, n. 10, p.
1474-1478, 2000.
80
KUMAR, J. A.; REKHA, T.; DEVI, S.S.; KANNAN, M.; JASWANTH, A.; GOPAL, V.
Inseticidal activity of ethanolic extract of leaves of Annona squamosa. Journal of Chemical
and Pharmaceutical Research, v.2, n 5, p. 177-180, 2010.
LARA, F. M.; DAL‟ACQUA FILHO, A.; BARBOSA, J.C. Integração de variedade resistente
de couve (Brassica oleracea var acephala) com casca de arroz, no controle de Brevicoryne
brassicae (Linnaeus, 1758). Anais da Sociedade Entomológica do Brasil, Londrina, v.11,
n.2, p.209-219, 1982.
LEE, H. S. Pesticidal Constituents Derived from Piperaceae Fruits. Agricultural Chemical
Biotechonology, v.48, p. 65-74, 2005
LEMOS, E.E.P. Panaroma de lãs anonas cultivadas em Brasil: saramuyo, guanábana y
atemoya. In: Anonáceas: plantas antiguas, estudos recientes. Gonzales-Esquinca, A.R. et
al. Colección Jaguar, p.21-34. 2011
LIANG, G.M.; CHEN, W. & LIU, T.X. Effects of three neem-based insecticides on
diamondback moth (Lepidoptera: Plutellidae). Crop Protection, v. 22, n. 2, p. 333-340,
2003.
LIU, T.X.; SPARKS, A.N. & CHEN, W. Toxicity, persistence and efficacy of indoxacarb and
two other inseticides on Plutella xylostella (Lepidoptera: Plutellidae) immatures in cabbage.
Internacional Journal of Pest Management, v. 49, n. 3, p. 235-241, 2003.
LIU, Y; TABASHNIK, B.E. & PUSZTAI-CAREY, M. Field-evolved resistance to Bacillus
thuringiensis toxin cryIC in diamondback moth (Lepidoptera: Plutellidae). Journal of
Economic Entomology, v. 89, n. 4, p. 798-804, 1996.
LOGES, V. Danos causados pela traça das crucíferas Plutella xylostella (Linnaeus, 1758)
em cultivares de repolho Brassica oleracea var. capitata (L.) e efeito sobre populações da
praga e do parasitóide Oomyzus sokolowskii (Kurdjumov, 1912), em condições de campo.
1996. 98 f. Dissertação (Mestrado em Agronomia - Entomologia) - Universidade Federal
Rural de Pernambuco, Recife, 1996.
LOHR, B., GATHU, R. Evidence of adaptation of diamondback moth, Plutella xylostella
(L.), to pea, Pisum sativum L. Insect Science. Appl. v.22, p.161–174, 2002.
MACHADO, L.A.; SILVA, V.B.; OLIVEIRA, M.M. Uso de extratos vegetais no controle de
pragas em horticultura. O Biológico, v. 69, p. 103-106, 2007.
81
MARCOMINI, A.M. Bioatividade e efeito residual de nanoformulações de nim sobre
Spodoptera frugiperda (J.E. Smith). Piracicaba. 2009. Dissertação de Mestrado. Escola
superior de Agricultura, Luiz de Queiroz. 2009. 83p.
MARTINELLI, S.; MONTAGNA, M.A.; PICINATO, N.C.; SILVA, F.M.A.; FERNANDES,
O.A. Eficácia do indoxacarb para o controle de pragas em hortaliças. Horticultura
Brasileira. Brasília, v.21, n.3, p.501-505, 2003.
MARTINEZ, S.S. O nim – Azadirachta indica: natureza, usos múltiplos, produção. Instituto
Agronômico do Paraná – IAPAR. Londrina, 2002. 142p.
MARTINS, L.R.; FARIAS, C.L.S.; CUNHA, D.D.; ALMEIDA, D.X.; NAVA, D.E.;
MELO,M. Efeito de extratos aquosos de plantas na oviposição de Plutella xylostella Linneus
(Lepdoptera: Plutellidae) em mostarda (Brassica sp.) em laboratório. XVI Congresso de
Iniciação Cientifica. 2007.
MATOS, C.H.C.; OLIVEIRA, C.R.F.; SANTOS, M.P.F.; FERRAZ, C.S. Utilização de
modelos didáticos no ensino de entomologia. Revista de Biologia e Ciencias da terra, v.9,
n.1, p.37-39, 2010.
MAU, R.F.L.; KESSING, J.L.M. Plutella xylostella (Linnaeus). 2007. Disponivel em:
http://www.extento.hawaii.edu/kbase/crop/Type/plutella.htm. Acesso em 15 de jun. 2012.
MAZZONETTO, F.; CORADINI, F. ; CORBANI, R.Z.; DALRI, A.B. Ação de inseticidas
botânicos sobre a preferência alimentar e sobre posturas de Spodoptera frugiperda (J.E.
Smith) (Lepdoptera: Noctuide) em milho. EntomoBrasilis.v.6, Abril, 2013.
MEDEIROS, C.A.M. Efeito inseticida de extratos vegetais aquosos sobre Ascisa monuste
orseis (Latreille) em couve (Brassica oleracea L. var. acephala DC.). Dissertação
(Mestrado) - Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Universidade Estadual Paulista
2004. 83p.
MEDEIROS, C.A.M.; BOIÇA JUNIOR, A.L.; TORRES, A.L.Efeito de extratos aquosos de
plantas na oviposição da traçadas-crucíferas, em couve. Bragantia, v.64, n.2, p.227-232,
2005.
MEDEIROS, P. T.; DIAS, J.M.C.; MONNART, R.G.; SOUZA, N.S. Instalação e manutenção
de criação massal da traça-das-cruciferas (Plutella xylostella). Circular Técnico, 29 da
Embrapa INSS 1516 – 4349, Outubro 2003.
82
MOHAMOUDVAND, M.; GARJAN, A.S.; ABBASIPOUR, H. Ovicidal Effect of Some
Insecticides on the Diamonthback Moth, Plutella xylostella (L.) (Lepidoptera:
Yponomeutidae). Chilean Journal of Agricultural Research. v. 72, Junho, 2011.
MONNERAT, R. G., Interrelations entre la teigne dês crucuferes, Plutella xylostella, son
parasitoide Diadegma SP. Et La bacterie entomopathogene Bacillus thurigiensis
Berliner. Tese de dotorado em Ciências Agronomicas. 1995. 160p;
MORATÓ, M. G. Plagas y enfermedad en el cultivo de coliflor. Descripción e control. Vida
Rural, v. 8, n. 107, p. 1-5, 2000
MORDUE, A. J.; BLACKWELL, A.; NISBET, C.J. Azadirachtin: an update. Journal Insect
of Physiology, Exeter, v.39, p.903-924, 1993.
NERI, D.K.P.; GOÉS, G.B.; MARACAJÁ, P.B.; MEDEIROS, D.C.; NUNES, G.H.S. Efeito
do extrato aquoso de nim sobre Bemisia tabaci Biótipo B (Gennadius) (Hemiptera:
Aleyrodidae), em meloeiro. Revista Verde, Mossoró-RN, v.1, n.2, p.48-53, dezembro, 2006.
NEVES, K. Nanotecnologia em cosméticos. Cosmetic & Toiletries, 20, 22, 2008.
OLIVEIRA, A. C. Suscetibilidade de populações da traça-das-crucíferas, Plutella
xylostella (L., 1758) (Lepidoptera: Plutellidae) a inseticidas. Dissertação apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Entomologia Agrícola, da Universidade Federal Rural de
Pernambuco, como parte dos requisitos para obtenção do grau de Mestre em Entomologia
Agrícola. Recife – PE, 2009.
POELKING, A. Diamondback moth in the Philippines and its control witch Diadegma
semiclausaum, p. 271-278. In N.S Talekar (ed.), Diamondback moth and other crucifer pests.
Proceedings of the Second Internacional Workshop. AVRDC, Taiwan, 603p. 1992.
POSER, G.L.V. & MENTZ, L.A. Diversidade biológica e sistemas de classificação. In:
SIMÕES, C.M.O.; SEBENKEL, E.P.; GOSMANN, G.; MELLO, J.C.P.; MENTZ, L.A. &
PETROVICK, P.R. Farmacognosia da planta ao medicamento. 3ed. Rev. Porto Alegre 2001.
833p.
PRISTA, L. N.; ALVES, A. C.; MORGADO, R.; LOBO, J. S. Tecnologia Farmacêutica. 6
ed., vol. 1, p.597-669, 2003.
RAU, P., Método Biológico: Cultura da Couve de Folhas. Revista Jardins, Maio 2009.
83
REVISTA FI. Extratos Vegetais. Food Ingredients Brasil, n. 11, 2010. Disponível em
www.revista-fi.com, acessado em 20 de julho de 2013.
RIYAJAN, S.; SAKDAPIPANICH, J.T. Development of a controlled release neem capsule
with a sodium alginate matrix, crosslinked glutaraldehyde and coated with natural rubber.
Polymer Bulletin, Berlin, 2009. Disponível em: http://www.springerlink.com/ Acesso em:
15 agosto 2013.
RODRIGUES, S.R.; COUTINHO, G.V.; GARCEZ, W.S.; GARCEZ, F.R.; ZANELLA,
D.P.F. Atividade inseticida de extratos etanólicos de plantas sobre Spodoptera frugiperda
(J.E.Smith) (Lepitopdera: Noctuidae). Agrarian, v. 1, n. 1, p. 133-144, 2008.
RODRÍGUEZ, H.C.; VENDRAMIM, J.D. Avaliação da bioatividade de extratos aquosos de
Meliaceae sobre Spodoptera frugiperda (J.E. Smith). Revista de Agricultura, v. 72, p. 305318, 1997.
ROEL A.R.; VENDRAMIM, J.D. Atividade tóxica de extratos orgânicos de Trichilia pallida
(Swartz) (Meliaceae) sobre Spodoptera frugiperda (J. E. Smith). Anais da Sociedade
Entomológica do Brasil, v. 29, p. 799-808, 2000
ROEL, A.R.; VENDRAMIM, J.D.; FRIGHUETTO, R.T.S.; FRIGHUETTO, N. Efeito do
extrato de acetato de etila de Trichilia pallida Swartz (Meliaceae) no desenvolvimento e
sobrevivência da lagarta-do-cartucho. Bragantia, v. 59, n. 1, p. 53-58, 2000.
RUPPRECHT, J.K.; HUI, Y; McLAUUGHLIN, J.L. Annonaceous acetogenins: a
review.Journal of Natural Products, v. 53, n. 2, p. 237-278, 1990.
SALINAS, P.J. Studies on the behavior of the larvae of Plutella xylostella L. (Lepidoptera:
Plutellidae), a world pest of cruciferous crops. Normal and spacing behavior. Turrialba. V.
34, n. 1, p. 77-84, 1984.
SANTOS, F. Aplicação de pesticidas em agricultura. Departamento de Fitotecnia e
Engenharia Rural, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real. 2000.
SAS® Satatical Analysis System, SAS Institute Inc.,2003.
SCHMALTZ, C.; SANTOS, J.V.; GUTERRES, S.S. Nanocápsulas como uma tendência
promissora na área cosmética: a imensa potencialidade deste pequeno grande recurso.
Infarma, 16, 80, 2005.
84
SCHMUTTERER, H. Insect growth-disrupting and fecundityreducingingredients from the
neem and chynaberry trees. In: MORGAN, E.D.; MANDAVA, N.B. Handbook of Natural
Pesticides: Volume III, Insect Growth Regulators, Part B. Washington: CRC, 1987. p. 119167.SMITH, E.H.; SALKELD, E. H. The use and action of ovicides. Annual Review of
Entomology, v.11, p.331-368, 1966.
SHUMUTTERER, H. Proprerties and potential of natural pesticides from the neem tree
Azadirachta indica. Annual Reviews of entomology. v. 35, p 271- 297, 1990.
SENHORINI, G.A. Micropartículas Poliméricas de PHBVe Emulsões Contendo Extrato
Vegetal de Carapa guianensis: Desenvolvimento, Caracterização e Aplicação. Dissertação
de Mestrado. 2010. 89p.
SEPLANDE, Secretaria de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico,
Disponível em: www.planejamento.al.gov.br. Acessado em: 15 de janeiro de 2013
SHARMA, A.; KUMAR, V.; RATTAN, R.S.; KUMAR, N.; SINGH, B. Insecticidal toxicity
of apilanthol from Spilanthes acmella Murr. against Plutella xylostella L. Scientific Research
- American Journal of Plant Sciences 3, 1568-1572, 2012.
SILVA JÚNIOR, A.A. Repolho: Fitotecnia, Tecnologia Alimentar e Mercadologia.
EMPASC, 198. 295 p. ilust, 1987.
SILVA, A. D. Ação inseticida de óleo de Nim, Azadirachta indica nas formulações de
nanocápsula, pó molhável e concentrado emulsionável sobre Spodoptera frugiperda (J. E.
Smith) (Lepidoptera: Noctuidae). Dissertaçao de Mestrado. Faculdade de Ciências Agrárias
e Veterinárias – Agronomia. Jabotical – SP. 2005
SILVA, A. P. T.; PEREIRA, M. J. B.; BENTO, L. F. Extrato etanólico da semente de
aracitum (Annona coriacea) (Mart.) sobre a mortalidade da traça-do-tomateiro (Tuta
absoluta). Resumos do V CBA – Manejo de Agroecossistemas Sustentáveis. Revista
Brasileira de Agroecologia, v. 2, n. 2, p. 1150-1153, 2007.
SILVA, C.G.V. Bioatividade de extratos etanólicos de Croton sobre Plutella xylostella (L.)
e ação fumigante e composição química de óleos essenciais de Croton grevioides (Baill.)
sobre Zabrotes subfasciatus (Boheman). Dissertação de Mestrado. Programa de Pósgraduação em entomologia Agrícola . UFRPE. 2007. 45f.
SILVA, F de A.S.; AZEVEDO, C.A.V.de A. ASSISTAT, Assistência estatística. Versão 7,5
beta 2013.
85
SILVA-FILHO, M.C. & FALCO, M.C. Interação planta-inseto. Adaptação dos insetos aos
inibidores de proteinases produzidos pelas plantas. Biotecnologia Ciência e Desenvolvimento,
n. 12, p. 1-8, 2000. (Disponível em: www.biotecnologia.com.br/bio/12_h.htm, Acesso em
17de junho de 2013.
SMITH, E.H.; SALKELD, E. H. The use and action of ovicides. Annual Review of
Entomology, v.11, p.331-368, 1966
SOUZA, E. M.; CORDEIRO, J. R.; PEREIRA, M. J. B. Avaliação da atividade inseticida dos
diferentes extratos das sementes de Annona coriacea sobre Dichelops melacanthus (Dallas,
1851). Resumos do V CBA – Manejo de Agroecossistemas Sustentáveis. Revista Brasileira
de Agroecologia, v. 2, n. 2, p. 1150-1153, 2007.
SOUZA, P.V.; SILVA, D.A.; JESUS, F.G.; ARAÚJO, M.S. Atividade inseticida de extratos
hexânicos de Jatropha curcas L. sobre população de Plutella xylostella (L.) (Lepidoptera:
Plutellidae). In. Anais do IX Seminário de Iniciação Científica, VI Jornada de Pesquisa e
Pós-Graduação e Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Universidade Estadual de
Goiás. 2011. 4p.
SOW, G.; ARVANITAKIS, L.; NIASSY, S.; DIARRA, K.; BORDAT, D. Performance of the
parasitoid Oomyzus sokolowskii (Hymenoptera: Eulophidae) on its host Plutella xylostella
(Lepidoptera: Plutellidae under laboratory conditions. International Journal of Tropical
Insect Science, v. 3, n. 1, p. 38-45, 2013.
SUPERINTENDÊNCIA DE CONTROLE DE ENDEMIAS (SUCEN). MANUAL DE
SEGURANÇA QUÍMICA E CONTROLE DE VETORES, 2000. , Disponível em:
http://www.saude.sp.gov.br/resources/Sucen/arquivos-segurança-do-trabalho/sequi3.pdf.
Acesso em: 11 jul. 2013
TORRECILLAS, S.M.; VENDRAMIM J.D. Extratos aquosos de ramos de Trichilia pallida e
o desenvolvimento de Spodoptera frugiperda em genótipos de milho. Scientia Agrícola,
v.58, n.1, p.27-31, 2001.
TORRES, A.L.; BOIÇA JUNIOR, A.L.; MEDEIROS, C.A.M.; BARROS, R. Efeito de
extratos aquosos de Azadirachta indica, Melia azedarach e Aspidosperma pryrifolium no
desenvolvimento e oviposição de Plutella xylostella. Bragantia, v. 65, n. 3, p. 447-457, 2006.
TORRES, AL,; BARROS, R.; OLIVEIRA, J. V. Efeito de extratos aquosos de plantas no
desenvolvimento de Plutella xylostella (L.) (Lepdoptera: Plutellidae). Neotropical
Entomology, v.30, p. 151-156, 2001.
86
TRINDADE, R.C.P., MARQUES, I.M.R., XAVIER, H.S.; OLIVEIRA, J.V. Extrato
metanólico da amêndoa da semente de nim e a mortalidade de ovos e lagartas da traça-dotomateiro. Scientia Agrícola, v. 57, p. 407-413, 2000.
TRINDADE, R.C.P.; LUNA, J.D.; LIMA, M.R.F.; SILVA, P.P.; SANT‟ANA, A.E.G.
Larvicidal activity and seasonal variation of Annona muricata (Anonaceae) extract on
Plutella xylostella (Lepidoptera: Plutellidae). Revista Colombiana de Entomologia. v.37,
p.223-227. 2011.
TRINDADE, R.C.P.; SILVA, P.P.; ARAÚJO-JUNIOR, J.X.; LIMA, I.S.; PAULA, J.E.;
SANT‟ANA, A.E.G. Mortality of Plutella xylostella larvae treated with Aspidosperma
pyrifoliumi etanol extracts. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.43, n.12, p. 1813-1816,
dez. 2008.
ULMER, B. C.; GILLOTT, C.; WOODS, D.; ERLANDSON, M. Diamondback moth,
Plutella xylostella (L.), feeding and oviposition preferences on glossy and waxy Brassica
rapa (L.) lines. Crop Protection, v. 21, n. 4, p. 327-331, 2002.
VASCONCELO, G.J.N.; GODIN JUNIOR, M.C.G.; BARROS,R. Extratos aquosos de
Leucaena leucocephala e Sterculia foetida no controle de Bemisia tabaci biótipo B
(Hemiptera: Aleyrodidae). Ciência Rural , v.36, n.5, p.1353-1359, out. 2006.
VICKERS, R.A., FURLONG, M.J.; WHITE, A.; PELL, J.K. Initiation of fungal epizootics in
diamondback moth populations within a large field cage: proof of concept of autodissemination. Entomology Experimentallis Applicata., v. 111, p. 7-17, 2004.
VIEIRA E SILVA, C.G. Bioatividade de Extratos Etanólicos de Croton Sobre Plutella
xylostella (L.) e Ação Fumigante e Composição Quimica de óleos Essenciais de Croton
grevioides (Baill.) Sobre Zabrotes subfasciatus (Boheman). Dissertação.Recife –PE. Julho,
2007.
VIEIRA, P.C.; FERNANDES, J.B. & ANDREI, C.C. Plantas inseticidas. Cap. 34, p. 751766. In: SIMÕES, C.M.O.; SEBENKEL, E.P.; GOSMANN, G.; MELLO, J.C.P.; MENTZ,
L.A. & PETROVICK, P.R. Farmacognosia da planta ao medicamento. 3ed. Rev. Porto
Alegre / 2001. 833p.
VILLAS BÔAS, G.L.; CASTELO BRANCO, M. & GUIMARÃES, A.L. Controle químico
da traça das crucíferas no Distrito Federal. Horticultura Brasileira, v. 8, n. 2, p. 10-11,
1990.
87
VOIGT, R. Tratado de Tecnología Farmacéutica. Zaragoza ( Espanha ): Acribia, p. 367375, 1982.
WATERHOUSE, D.F. Plutella xylostella(Linneus) Lepidoptera: Yponomeutidae,
diamondback cabbage moth. In: WATERHOUSE, D.F. NORRIS, K.R. (Ed). Biological
control: pacific prospect. Melbourne: Inkata Press, 1987. c. 22, p. 177-191.
WATSON, L.; DALLWITZ, M.J. The families of flowering plants: descriptions,
illustrations, identification, and information retrieval. 1992. Version: 10th April 2008.
Disponível em: http://delta-intkey.com. Acessado em 06 de maio de 2013.
WEBBER, G.L. Efeito de extratos de barbatimão Stryphnodendron coriaceum (Benth.)
na biologia de Spodoptera frugiperda (Smith. 1797) (Lepidoptera: Noctuidae). Dissertação
de Mestrado. UFPI. 95f. 2009.
WU, Q.J.; ZHANG, S.; YAO, J.; XU, B.; WANG, S.; ZHANG, Y. Management of
diamondback moth, Plutella xylostella (Lepidoptera: Plutellidae) by mating disruption. Insect
Science, v. 19, p. 643-648, 2012.
YANG, Z. DENG, M. HOU, Y. Insecticidal
Sarcotesta. V.26, p. 68-71. 2008
Ingredient of Ginkgo biloba L.
ZAFRA-POLO, M.C.; FIGADRE, B.; GALLARDO, T.; TORMO, J.R.; CORTES, D. Natural
acetogenins from annonaceae, synthesis and mechanisms of action. Phytochemistry, v. 48, n.
7, p. 1087-1117, 1998.
ZANIN, S. M. W.; MIGUEL, M. D.; CHIMELLI, M. C.; OLIVEIRA, A. B. Determinação do
equilíbrio hidrófilo-lipófilo (EHL) de óleos de origem vegetal. Visão Acadêmica, vol. 3, n.1.
p. 13-18, jan./jun. 2002.
ZANIN, S. M. W.; MIGUEL, M. D.; CHIMELLI, M.; DALMAZ, A. C. Parâmetros físicos no
estudo da estabilidade das emulsões. Visão Acadêmica, vol. 2, n. 2. p. 47-58, jul./dez. 2001.
ZENG, L.; YE, Q; OBERLIES, N.H., SHI, G.; GU, Z.; HE, K.; McLAUGHLIN. Recent
advances in annonaceous acetogenins. Natural Product Reports, v. 13, n. 4, p. 275-306,
1996.
88
