Artropodofauna da Cultura do Arroz de Várzea em Alagoas-Brasil
Artropodofauna da Cultura do Arroz de Várzea em Alagoas-Brasil.pdf
Documento PDF (1.2MB)
Documento PDF (1.2MB)
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO CIÊNCIAS AGRÁRIAS
CURSO DE PÓS- GRADUAÇÃO EM PROTEÇÃO DE PLANTAS
Janaina Alves Feitosa
ARTROPODOFAUNA DA CULTURA DO ARROZ DE VÁRZEA EM ALAGOASBRASIL
Rio Largo- AL
2014
JANAINA ALVES FEITOSA
ARTROPODOFAUNA DA CULTURA DO ARROZ DE VÁRZEA EM ALAGOASBRASIL
Dissertação
apresentada
ao
Programa de Pós-Graduação em
Proteção de Plantas, do Centro de
Ciências Agrárias, da Universidade
Federal de Alagoas, como parte dos
requisitos para obtenção do título de
Mestre em Proteção de Plantas.
Orientador: Prof. Dr. Edmilson
Santos Silva
Rio Largo – AL
2014
JANAINA ALVES FEITOSA
ARTROPODOFAUNA DA CULTURA DO ARROZ DE VÁRZEA EM ALAGOASBRASIL
Dissertação submetida à banca
avaliadora como requisito para
conclusão do curso de Mestrado em
Proteção de Plantas.
_______________________________________________________________
(Bióloga, Janaina Alves Feitosa, UFAL)
BANCA EXAMINADORA:
Prof. Dr. Edmilson Santos Silva - UFAL Campus Arapiraca
Orientador
Dr. Elio César Guzzo - Embrapa Tabuleiros Costeiros
Avaliador
Dr. Fabio Aquino de Albuquerque - Embrapa Algodão
Avaliador
Rio Largo – AL
2014
Aos meus pais: Anunciada e José Lourenço,
irmã Josicleide, Avó Gedalva, esposo Isaac,
em especial a Antony Moura in memoria e
família Moura.
Dedico
AGRADECIMENTOS
Primeiramente a Deus, por renovar minhas forças a cada dia para continuar lutando
e vencendo todos os obstáculos em busca dos meus objetivos.
Aos meus pais Anunciada Alves Feitosa e José Lourenço Alves Filho, minhas irmãs
Josicleide Alves Feitosa e Jaiana Suely Alves Feitosa, Avó Gedalva Feitosa, pelo
apoio incondicional, conselhos e ajuda financeira para que eu pudesse me manter
nos momentos tão difíceis que passei sem bolsa.
Ao meu amado e admirado esposo Isaac Nunes de Oliveira por todos os momentos
me ajudando e me compreendendo em tudo.
Ao Rodolfo, pelo período de ajuda em coletas e triagens.
Ao Antony Moura in memoria, pela ajuda e apoio que sempre me deu com a
pesquisa, por estar sempre à disposição para qualquer dúvida.
Ao meu orientador Professor Dr. Edmilson Santos Silva, pela orientação, pelo apoio
dado no trabalho, pela preocupação que sempre demonstra em todos os momentos.
A todos do Laboratório de Entomologia e Acarologia da Universidade Federal de
Alagoas, que de alguma forma me ajudaram (Mércia, Daniella, Tatiane, Henrrique,
Rogério e demais membros).
Aos que compõe o Laboratório de Entomologia do Ceca que também sempre
estiveram à disposição para ajudar em especial (Jackeline e Ellém...).
À Universidade Federal de Alagoas, mais precisamente ao Centro de Ciências Agrárias,
por ter me proporcionado a oportunidade de realizar meu mestrado.
A todos os professores e profissionais que compõe o Programa de Pós Graduação em
Proteção de Plantas, que tiveram uma colaboração com o meu crescimento profissional.
A todos, meu MUITO OBRIGADO!!
RESUMO
A cultura do arroz se destaca por desempenhar papel estratégico tanto em nível
econômico quanto social para vários povos. Durante o seu desenvolvimento, é
afetado por diversas pragas, que podem reduzir significativamente a sua
produtividade. Objetivou-se com esse trabalho, conhecer a fauna de artrópodes
associados à cultura do arroz de várzea no município de Igreja Nova, no Estado de
Alagoas. Foram realizadas 10 coletas quinzenais durante cinco (5) meses. Em cada
avaliação, foram coletadas 30 plantas e realizada uma varredura aleatoriamente de
uma hora com rede entomológica. O material vegetal coletado foi colocado em
sacos de papel revestidos com sacos plásticos e acondicionado em caixa de isopor
refrigerada. O material coletado com a rede entomológica foi transferido para
frascos com álcool 70% e em alguns casos, em envelopes entomológicos. Todo o
material foi encaminhado ao Laboratório de Entomologia/ Acarologia da
Universidade Federal de Alagoas- Campus Arapiraca e triado com o auxilio de
pincel de cerdas finas em microscópio estereoscópico. Os artrópodes encontrados
foram armazenados em potes plásticos e tubos eppendorfs contendo álcool a 70%.
Posteriormente os insetos foram montados, em caixas entomológicas e os ácaros
em lâminas contendo meio de Hoyer, para microscopia, sendo então identificados
utilizando-se microscópio estereoscópico, microscópio de contraste de fases e
chaves dicotômicas especializadas. Foi coletado um total 7128 artrópodes (adultos
e imaturos), distribuídos nos seguintes táxons: Insecta (4856), Acari (1929),
Araneae (239) e Collembola (104).
Palavras-chave: Acarofauna. Oryza sativa L. Artrópodes-Praga.
ABSTRACT
Rice crop stands out for its strategic role to various peoples in both social and
economics levels. During its development, the crop is affected by various pests,
which can significantly reduce productivity. The objective of this work was to know
the arthropod’s fauna associated to lowland rice cultivation in the municipality of
Igreja Nova, in the State of Alagoas, Brazil. During five months, ten fortnightly
samples were done, each one consisting of a one-hour scan with insect net and the
collection of 30 plants. The vegetal material was placed in paper bags coated with
plastic bags and packed in a refrigerated Styrofoam box. The material collected with
entomological net was transferred to plastic jars containing 70% alcohol or, in some
cases, to entomological envelopes. All material was taken to the Laboratory of
Entomology / Acarology of the Federal University of Alagoas- Campus Arapiraca and
examined under stereoscopic microscope. Arthropods found were stored in plastic
jars and Eppendorf tubes containing alcohol at 70%, and then properly mounted.
Insects were pinned and displayed in entomological boxes and mites were mounted
on slides with Hoyer’s medium for microscopy. Subsequently, specimens were
identified to the lower possible taxonomic level, using stereoscopic microscope,
phase contrast microscope and specialized dichotomous keys. It was collected an
amount of 7128 arthropods (adults and immatures), distributed in the following taxa:
Insecta (4856), Acari (1929), Araneae (239) and Collembola (104).
Keywords: Mite fauna, Oryza sativa L., Arthropod pests.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 -
Área da coleta de plantas e artrópodes de arroz em Igreja Nova Alagoas: A - Localização em mapa; B - Cultura do arroz implantada...32
Figura 2 -
A - Coleta de artrópodes em campo, utilizando-se rede entomológica e
B - Coleta de plantas, no município de Igreja Nova- AL. ...................... 33
Figura 3 -
A - Material coletado em campo, transferido para frascos com álcool a
70%; B - Realização da triagem em laboratório; C - Montagem dos
exemplares de acordo com a classe de artrópodes ............................. 33
Figura 4 -
A - Acondicionamento do material coletado, em caixa térmica para
transporte até o Laboratório de Entomologia/ Acarologia da
Universidade Federal de Alagoas - Campus Arapiraca; B - Triagem de
material utilizando microscópio estereoscópico; C - Montagem dos
ácaros encontrados. ............................................................................. 33
Figura 5 -
Classificação dos artrópodes com microscópio de contraste de fases. 34
Figura 6 -
Escala fenológica do arroz ................................................................... 37
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Total de artrópodes coletados e classificados da fauna da cultura do
arroz, no município de Igreja Nova- AL, 2014. .......................................................... 38
Tabela 2 - Análise faunística das famílias de insetos adultos classificados na
cultura do arroz, no município de Igreja Nova- AL, 2014. ......................................... 39
Tabela 3 - Totais e percentuais de Famílias de ácaros classificados na cultura do
arroz, no município de Igreja Nova- AL, 2014. .......................................................... 41
Tabela 4 - Total de gêneros e morfoespécies classificadas na cultura do arroz, no
município de Igreja Nova- AL, 2014. ......................................................................... 42
Tabela 5 - Análise faunística dos gêneros e morfoespécies de ácaros classificados
na cultura do arroz, no município de Igreja Nova- AL. .............................................. 43
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO ............................................................................................. 11
2
REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................ 12
2.1
Aspectos gerais sobre a cultura do arroz ..................................................... 12
2.1.1
Cultivo de arroz no mundo e no Brasil .......................................................... 13
2.1.2
Importância econômica do arroz................................................................... 15
2.2
Fauna de artrópodes da cultura do arroz...................................................... 16
2.2.1
Os insetos ..................................................................................................... 18
2.2.2
Os insetos-praga e benéficos ....................................................................... 19
2.2.3
Fauna de ácaros ........................................................................................... 20
2.2.4
Ácaros-praga da cultura do arroz ................................................................. 21
2.2.5
Ácaros predadores ....................................................................................... 24
2.2.6
Fauna de aranhas......................................................................................... 25
2.2.7
Fauna de Collembola.................................................................................... 26
2.3
Controle das pragas na cultura ..................................................................... 28
2.3.1
Problemas ambientais que o controle causa no sistema específico várzea . 29
2.4
Biodiversidade .............................................................................................. 30
3
MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................. 31
3.1
Levantamento da população de artrópodes da cultura do arroz ................... 32
3.2
Classificação ao nível máximo dos artrópode-praga encontrados ............... 34
3.3
Análise faunística.......................................................................................... 34
3.4
Montagem de uma coleção de referência de artrópodes-praga do arroz ..... 36
4
RESULTADOS ............................................................................................. 37
4.1
Insecta .......................................................................................................... 38
4.1.1
Ordens e famílias de insetos coletados na cultura do arroz ......................... 38
4.1.2
Análise faunística das famílias de insetos classificadas ............................... 38
4.2
Ácaros .......................................................................................................... 41
4.2.1
Famílias de ácaros coletados na cultura ...................................................... 41
4.2.2
Análise faunística dos gêneros e morfoespécies de ácaros classificados .... 42
5
DISCUSSÃO ................................................................................................ 43
5.1
Famílias de insetos na cultura do arroz ........................................................ 44
5.2
Famílias de ácaros na cultura do arroz......................................................... 47
5.3
Táxon Araneae na cultura do arroz .............................................................. 48
5.4
Táxon Collembola na cultura do arroz .......................................................... 49
6
CONCLUSÃO............................................................................................... 46
7
REFERÊNCIAS ............................................................................................ 50
11
1 INTRODUÇÃO
O arroz (Oryza sativa L.) é uma planta herbácea, classificada na família
Poaceae; adaptada a diferentes condições de solo e clima, em especial solos
alagados; caracteriza-se por ter caules redondos e ocos, flores sésseis reduzidas de
cor verde e cariopses como frutos e apresenta regime anual (PINHEIRO;
HEINEMANN, 2000; GUIMARÃES; FAGERIA; BARBOSA, 2002; NUNES, 2007;
VIEIRA et al., 2011).
O arroz é um dos cereais mais produzidos e consumidos em todos os
continentes, considerado alimento básico de mais da metade da população mundial.
A cultura se destaca pela produção e área de cultivo, apresentando grãos de
excelente balanceamento nutricional, sendo considerado um dos mais importantes
produtos em termos de valor econômico e social com destaque nos países em
desenvolvimento da Ásia, África e América Latina (SILVA et al., 2010; CONAB,
2011). O Brasil exerce papel estratégico na categoria econômica e social, com
produção anual de aproximadamente 600 milhões de toneladas, figurando entre os
10 maiores produtores de arroz. Todas as regiões brasileiras são produtoras da
cultura, obtendo maior destaque as regiões Sul, Norte e Nordeste (WALTER;
MARCHEZAN; AVILA, 2008; CONAB, 2014).
No Nordeste do Brasil, a cultura do arroz é bastante difundida. No estado de
Alagoas, destacam-se os municípios de Penedo e Igreja Nova, com sistemas de
arroz de sequeiro e irrigado (CONAB, 2004). Este último município, caracteriza-se
como região produtora da cultura de arroz de várzea. Em um último levantamento
realizado pela CODEVASP (2013), as estimativas de produção para a safra
2012/2013 de arroz foi de 14 mil toneladas do grão, um valor de produção de cerca
de R$ 7 milhões, desta forma, Igreja Nova apresenta produção bastante
considerável economicamente. Porém, a produção e comercialização da cultura
sofrem prejuízos e as pragas estão entre um dos principais fatores responsáveis.
Dentre as pragas de ocorrência na cultura, são citadas na literatura aquelas
que consomem estruturas da planta de arroz. De acordo com a sua biologia, as
pragas podem ser agrupadas em três tipos: pragas do solo, da parte aérea e dos
grãos armazenados, e estas são responsáveis por, aproximadamente, 35% das
perdas anuais (PITOMBEIRA, 2006). Estas pertencem ao filo Arthropoda
(artrópodes) e são distribuídas em vários grupos taxonômicos.
12
Os artrópodes correspondem a aproximadamente 80% do reino animal, sendo
a classe Insecta a mais numerosa e diversa dentro deste filo, com mais de um
milhão de espécies descritas (GALLO et al., 2002). Além dessas, outras classes
também são numerosas e importantes, com muitas espécies pragas e também
benéficas, como é o caso dos Arachnida, sub-classe Acari. Os ácaros (Acari) estão
inseridos no segundo maior grupo de artrópodes conhecidos (MORAES;
FLECHTMAN, 2008). Tanto os insetos quanto os ácaros, possuem em sua maioria
das espécies, indivíduos potencialmente causadoras de danos à agricultura.
No entanto, os artrópodes não se caracterizam apenas por apresentarem
espécies pragas, também apresentam espécies benéficas, responsáveis pelo
controle biológico de diversas pragas, inclusive daquelas nocivas à cultura
(APRILE, 2011). Diversos ácaros plantícolas também são predadores e
apresentam grande potencialidade para atuar no controle natural de pragas nocivas
a cultura (LOFEGO; MORAES, 2006).
Dessa forma, o levantamento periódico da fauna de artrópodes durante o ciclo
da cultura se torna uma importante ferramenta para o estudo e desenvolvimento de
novas técnicas de manejo, possibilitando a identificação das pragas potenciais
causadoras de danos. Além disso, pode proporcionar um reconhecimento e
descobertas de espécies benéficas. Portanto, buscou-se levantar a fauna de
artrópodes da cultura do arroz de várzea no município de Igreja Nova e identificar as
principais pragas para que o agricultor possa direcionar o seu controle, bem como,
iniciar uma coleção de referência desses artrópodes no estado de Alagoas.
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Aspectos gerais sobre a cultura do arroz
O arroz (Oryza sativa L) é uma Angiosperma considerada como o segundo
cereal mais produzido no mundo superado apenas pelo milho. O cultivo do arroz
está intimamente envolvido na cultura, alimentação e economia de vários povos
(PITOMBEIRA, 2006; GURGEL, 2006).
Taxonomicamente, o arroz é da classe das Monocotiledôneas (caracterizada
por apresentar plantas que possuem embrião com um só cotilédone), ordem
Glumiflora, família Poaceae, subfamília Bambusoideae ou Oryzoideae (estabelecida
13
mais tarde), tribo Oryzeae, e gênero Oryza (MAGALHÃES et al., 2004). De acordo
com a literatura, no gênero Oryza são encontradas 24 espécies, das quais, somente
duas são cultivadas: Oryza glaberrima Steud; cultivada no Oeste da África e da Ásia
e O. sativa L., cultivada em todo mundo (GURGEL, 2006; NASCIMENTO, 2008).
Entre as plantas das quais se explora o grão, o arroz é a única cultivada com
maior destaque para a alimentação humana; compondo a dieta essencial de bilhões
de pessoas. É utilizado na indústria de fabricação de álcool, perfumarias, algumas
bebidas, vinagre, acetona, farinhas alimentícias, etc. (PITOMBEIRA, 2006).
O arroz representa notável fonte de energia, em razão da alta concentração
de amido, oferecendo também proteínas, vitaminas e minerais, e dispõe de baixa
taxa de lipídios. Em países em desenvolvimento, o arroz figura como um dos
principais alimentos da dieta, propiciando, em média, 27% dos carboidratos, 20%
das proteínas e 3% dos lipídios na alimentação (WALTER; MARCHEZAN; AVILA,
2008).
Em geral, a cultura do arroz conclui seu ciclo num período de três a seis
meses, considerando o período desde a germinação da semente até o
amadurecimento. O ciclo da cultura pode ser dividido em três fases: vegetativa,
reprodutiva e de maturação (PITOMBEIRA 2006; GURGEL, 2006).
A fase vegetativa compreende o período da germinação da semente até a
iniciação da panícula. A fase vegetativa, em clima tropical, dura, normalmente, 65 a
70 dias e é a fase mais inconstante devido ao estabelecimento das plantas no
sistema. Esta variação em dias é devida à interferência da temperatura e de
fotoperíodo da região (GUIMARÃES; FAGERIA; BARBOSA, 2002; GURGEL, 2006).
A fase reprodutiva consiste da iniciação da panícula ao final do florescimento. Tem
duração moderadamente constante, exigindo normalmente 35 dias em regiões
tropicais. A fase de maturação perdura do final do florescimento à maturação dos
grãos. Em regiões de clima tropical, a fase de maturação prolonga-se por em média
35 dias após a emergência das panículas; em áreas temperadas, de 30 a 60 dias
(GUIMARÃES; FAGERIA; BARBOSA, 2002; GURGEL, 2006).
2.1.1 Cultivo de arroz no mundo e no Brasil
Vários estudiosos indicam o sudeste da Ásia como a região de origem do
arroz. A Índia é uma das regiões mais heterogêneas e onde ocorrem diversas
14
variações endêmicas, as províncias de Bengala, Assam e Mianmar são as áreas
indicadas como locais exatos de origem da espécie (PITOMBEIRA; GURGEL, 2006).
A introdução da cultura na Europa teria ocorrido através dos árabes em
contato com a Macedônia e a Índia. Há relatos de que os espanhóis introduziram a
cultura nas Américas (GURGEL, 2006). No Brasil, o arroz foi introduzido pela frota
de Pedro Alvares Cabral, como um dos presentes dados para os índios. No entanto,
no Brasil, o relato do cultivo para consumo próprio se deu só em 1530 na capitania
de São Vicente. No Rio Grande do Sul, atual estado com maior produção. A história
registra a existência de lavouras do cereal nos anos de 1820/21, alguns autores
citam que os colonos alemães de Santa Cruz do Sul e Taquara são os introdutores
da cultura no Estado. Porém, foi em 1904, no município de Pelotas, que teve origem
a primeira lavoura empresarial, já com cultivo irrigado. Daí em diante, a cultura foi se
disseminando, ganhando espaço e se tornando um produto de grande importância
social e econômica até os dias atuais (GURGEL, 2006).
A cultura do arroz no período comercial 2013/14 segundo o Departamento de
Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apresentou estimativa de produção mundial
de 471,15 milhões de toneladas, a safra brasileira com produção aproximada de 13
milhões de toneladas com expectativa de importar média de um milhão de toneladas
e exportar 1,3 milhões de toneladas (base casca) e concluir o ano comercial, em
fevereiro de 2015, com 2,11 milhões de toneladas (CARVALHO et al., 2014).
Os países declarados maiores consumidores mundiais de arroz é também os
dois países mais populosos do mundo, China e Índia, que consomem sozinhos mais
de 50% do consumo mundial, e devem expandir mais ainda esse consumo em 3,2%
(CARVALHO et al., 2014).
O Brasil situa-se entre os dez principais produtores mundiais de arroz, com
produção aproximada de 13 milhões de toneladas para 2014 (CONAB, 2014). O Rio
Grande do Sul é o estado com maior produção do Brasil, com 8.384,4 mil toneladas,
o que equivale a 95% das exportações brasileiras do grão. Em segundo lugar está
Santa Catarina, com 1.067 mil toneladas produzidas, representando 8,5% da safra
nacional. Em terceiro lugar está o estado do Mato Grosso, apontando expressivo
aumento (49,4%) no tamanho da lavoura cultivada frente à safra anterior, que
representará 6% da colheita nacional, com uma produção de 789 mil toneladas
(CONAB, 2014).
15
2.1.2 Importância econômica do arroz
O arroz é uma planta hidrófila, porém seu processo evolutivo propiciou uma
ampla adaptabilidade a diferentes tipos de solo e clima (SANTOS; RABELO, 2008;
CRISPIM, 2012). O arroz é estimado como produto de maior importância econômica
em países em desenvolvimento, sendo a espécie de maior potencial de ampliação
da produção, também citado como alimento de combate à fome no mundo
(SANTOS; RABELO, 2008). Em média, 90% de todo o arroz do mundo é cultivado
na Ásia por pequenos produtores, em mais de 250 milhões de propriedades, através
do sistema de produção irrigado. Nestas regiões, grande parte da população
alimenta-se de arroz pelo menos duas vezes ao dia. A cultura se sobressai
exercendo função tática em nível econômico e social para os povos das regiões
mais populosas da Ásia, África e América Latina (MAGALHÃES, 2007; SANTOS;
RABELO, 2008).
No Brasil o arroz é cultivado em dois regimes: sequeiro, em regiões de terras
altas sem inundação, e em várzeas que são regiões de terras baixas, podendo ser
com irrigação controlada ou inundadas (PITOMBEIRA, 2006). A maior parcela da
produção de arroz no Brasil é proveniente do ecossistema várzeas, onde a
rizicultura irrigada é responsável por 69% da produção nacional (SANTOS;
RABELO, 2008).
A valorização do potencial do arroz como fonte de alimento, se dá pelo fato de
o cereal constituir uma excelente fonte de energia devido ao tipo de carboidrato e à
alta concentração de amido no grão (WALTER; MARCHEZAN; AVILA, 2008). Em
países de primeiro mundo, o consumo do arroz sob a forma industrializada está
diretamente ligado ao poder aquisitivo da população, este tem sido convertido em
diversos produtos prontos, de preparo rápido ou instantâneo, facilitando assim o dia
a dia da população de forma saudável (SANTOS; RABELO, 2008).
Outras formas de utilização do arroz em diversos países são os subprodutos,
com atribuições alimentar e não alimentar. Os produtos à base da farinha de arroz,
que são gerados a partir da farinha ou da modificação de seu amido, obtêm-se
múltiplos derivados, como leite de arroz, bebidas esportivas, bebidas para diabéticos
e variados ingredientes que geram a produção secundária de géis, pudins, sorvetes
etc. (SANTOS; RABELO, 2008).
16
Dados da CONAB, (2012), ressaltam um fato importante na geração de renda
com a cultura, destacando que o último censo agropecuário, divulgado pelo IBGE,
indicou que 34% de toda a produção de arroz advêm da agricultura familiar. Dentre
os principais problemas enfrentados por agricultores cita-se o ataque de pragas que
podem causar grandes prejuízos à cultura.
As
pragas
estão
entre
os
fatores
relevantes
que
interferem
no
desenvolvimento do cultivo, que além de atrasar o crescimento e a produção da
planta, podem provocar perdas significativas. Inúmeros insetos e ácaros são
relatados atacando a cultura. Geralmente, os danos ocasionados pelas populações
de artrópodes-praga são de ordem econômica, sendo diretos ou indiretos
(MACHADO, 2010; GALLO et al, 2002).
O aparecimento dessas pragas se dá especialmente pela implantação do
sistema de monocultura, que contribui para a instabilidade do ambiente, favorecendo
a expansão populacional de pragas. Quando uma espécie praga obtém as
possiblidades ideais para sua alimentação e desenvolvimento, e pequeno número ou
ausência de inimigos naturais, esta espécie predispõe-se a se desenvolver de uma
maneira fora de controle, no ambiente, tornando-se assim uma praga para a cultura
de interesse econômico (MACHADO, 2010).
As pragas que habitualmente ocorrem na cultura do arroz de várzea são
classificadas de acordo com a parte da planta em que causam o dano. Sementes e
raízes são acometidas por larvas e adultos de Coleopteros no período antes ou
depois da inundação, colmos e folhas costumam ser atacados por insetos
mastigadores, sugadores e raspadores, constituindo os dois primeiros grupos como
os mais importantes, e os grãos são depreciados, pela ação de múltiplos insetos
sugadores que prejudicam profundamente sua quantidade e qualidade (MACHADO,
2010).
2.2. Fauna de artrópodes da cultura
Os artrópodes são animais segmentados, apresentam como característica
distinguível o exoesqueleto quitinoso ou cutícula, que recobre todo o seu corpo, e
compõem o maior grupo de espécies dentro do reino Animal (RUPPERT; BARNES,
1996).
17
Embora alguns representantes dos artrópodes sejam considerados pragas de
diversas culturas, outros são considerados benéficos, caracterizados como inimigos
naturais de espécies-praga, gerando a mortalidade natural destas e mantendo um
nível de equilíbrio no ecossistema. Ainda, são responsáveis por uma série de fatores
favoráveis na natureza como aeração do solo, ciclagem de nutrientes, polinização,
produção de alimentos, produção de matéria prima para diversos produtos
industrializados, etc. (GALLO et al., 2002; PEREIRA; JESUS, 2010; SOUZA et al.,
2012).
Os artrópodes ocupam uma ampla diversidade de microhabitats e nichos,
desenvolvendo importante função ecológica no ecossistema. São também bons
bioindicadores da interferência humana na qualidade do habitat, devido a alta
diversidade de espécies em conexão com aspectos físicos e biológicos, apontando o
grau de alteração que ocorreu em determinado ambiente (ROCHA; NETTO; LOZI,
2005; LEIVAS; FISCHER, 2008).
A fauna presente na cultura do arroz é bastante diversificada. Com base em
diagnósticos já realizados em algumas regiões produtoras, foram identificados
insetos das seguintes ordens: Lepidoptera, Orthoptera, Hemiptera e Coleoptera
estes considerados pragas; e entre as principais espécies de insetos observados
como os mais prejudiciais ao arroz irrigado: broca-do-colmo Rupela albinella
(Cramer) (Lepidoptera: Crambidae); lagarta dos arrozais Spodoptera frugiperda (J.
E. Smith) (Lepidoptera: Noctuidae); lagarta-da-folha Diatraea saccharalis (Fabricius)
(Lepidoptera: Pyralidae); gorgulho aquático Oryzophagus oryzae (Costa Lima),
gorgulho Sitophilus oryzae (Linné) ambos (Coleoptera: Curculionidae); cascudo-preto
Euetheola humilis (Burmeister) (Coleoptera: Scarabaeidae); percevejo-do-colmo
Tibraca limbativentris (Stal), percevejo-do-grão Oebalus poecilus (Dallas) ambos
(Hemiptera: Pentatomidae); cigarrinha das pastagens Deois flavopicta (Stall)
(Hemiptera: Cercopidae) (PITOMBEIRA, 2006; GURGEL, 2006; SANTOS; RABELO,
2008).
E como artrópodes benéficos considerados inimigos naturais de espéciespraga da cultura foram agrupadas espécimes das seguintes ordens: Odonata,
Araneae, Hymenoptera e Coleoptera (MACHADO; GARCIA, 2010).
18
2.2.1 Os insetos
Os insetos estão classificados na superclasse Hexapoda, classe Insecta,
compõe o grupo mais diverso de organismos na terra, compreendendo cerca de
70% de todas as espécies de animais, e representando numericamente mais de um
milhão de espécies identificadas. De acordo com alguns especialistas, esse número
evidencia apenas 20% das espécies ainda a serem descobertas, identificadas e
estudadas. Mesmo sendo pequenos, os insetos assumem uma importância
socioeconômica muito grande, em razão da sua diversidade e abundância em
ecossistemas naturais e antrópicos (GALLO et al., 2002; PEREIRA; JESUS, 2010).
A classe Insecta se distingue das demais classes de artrópodes por
apresentar três pares de pernas e por serem ectognatos (possuir peças bucais livres
e salientes); o seu corpo é segmentado, com pernas articuladas, e está divido em
três regiões distintas: cabeça, tórax e abdome (GALLO et al., 2002; VANIN, 2012).
A cabeça é composta pelos apêndices fixos (olhos composto e ocelos) e os
móveis (antenas e peças bucais). O tórax possui três segmentos, todos com um par
de pernas, podendo apresentar ou não asas no do 2º e 3º segmento. Pelo número
de asas que apresentam podem ser ápteros (ausência de asas), dípteros (presença
de duas asas) ou ainda tetrápteros. O abdome apresenta de seis a 11 segmentos, e
contém as principais vísceras do inseto, sendo o local onde ocorrem os movimentos
respiratórios (GALLO et al., 2002; MARQUES, 2012).
O corpo do inseto é revestido por um tegumento que é constituído por
diversas camadas, responsável pela manutenção da forma geral do corpo. A
respiração dos insetos se realiza de várias formas, por meio de um sistema traqueal
bem diferenciado. Em quase todas as espécies terrestres e aquáticas, o ar penetra
no sistema, sendo eliminado pelo mesmo ou em grande parte pelo tegumento
(GALLO et al., 2002; MARQUES, 2012).
O sistema circulatório dos insetos distingue-se muito do dos vertebrados, não
executando, na grande maioria dos casos, função no transporte de oxigênio para os
tecidos e remoção de gás carbônico para o sistema respiratório, mas serve
essencialmente como um meio de trocas químicas entre os órgãos do corpo do
inseto, atuando no transporte de materiais nutritivos, produtos de excreção,
hormônios etc. O meio circulante dos insetos designa-se hemolinfa, o líquido não é
vermelho, apresenta coloração amarelada ou esverdeada e funciona também como
19
fluido hidráulico para transmissão e manutenção da pressão do “sangue” durante
certos eventos tais como a eclosão, ecdise etc (MARQUES, 2012).
A digestão ocorre nos intestinos anterior, chamado de (estomodeu), médio
(mesêntero) e posterior (proctodeu). O sistema nervoso dos insetos é observado na
porção ventral do corpo e consiste do cérebro localizado na região da cabeça que se
conecta a um par de nervos ao redor do estomodeu e uma série de gânglios da
corda nervosa ventral. A reprodução é em geral sexuada. No desenvolvimento pósembrionário dos insetos, ocorrem mudanças na forma, fenômeno este chamado de
metamorfose, que pode ser classificado em três tipos: ametabolia (onde não ocorre
mudança de forma, o inseto recém-eclodido já possui a forma do adulto);
hemimetabolia (o inseto recém-eclodido assemelha-se ao adulto, com diferença
externa de tamanho, ausência de asas e órgãos genitais imaturos) e holometabolia
(ocorre metamorfose completa, que compreende as fases de: ovo, larva, pupa e
adulto) (GALLO et al., 2002; MARQUES, 2012 ).
2.2.2 Os insetos-praga e benéficos
Para o homem, basicamente, um organismo é considerado praga quando é
constatado que a sua existência no agroecossistema está causando danos
econômicos, sejam de natureza direta ou indireta, ou ainda, quando prejudicam a
saúde e o bem-estar do homem e animais (PICANÇO, 2010). Ao se iniciar uma
discussão sobre este conceito, ele se torna bastante intrigante e toma dimensões
antropogênicas, pois “pragas” são organismos que entram em divergência com o
interesse humano, que em geral é a disputa por alimento produzido, seus produtos
ou sobprodutos ou por territórios. Tal conceito é inerente a tempo e a espaço, pois o
que é tido como praga para um agricultor pode não ser para outro que cultiva a
mesma cultura; ou ainda, o que é praga para uma região especifica pode não ser em
outra; e o que é conceituado como uma praga hoje pode não ser mais uma praga
nos próximos dias (PEREIRA; JESUS, 2010).
A praga-chave pode ser definida como aquele organismo ou inseto que ataca
uma determinada cultura, causando dano maior que o causado pelas demais
pragas, atingindo um nível de controle. Leva-se em consideração ainda, que a
praga-chave pode ser diversificada nos distintos estágios de desenvolvimento da
20
planta, tal como entre microrregiões e ao longo dos anos, devido às mudanças
climáticas (PEREIRA; JESUS, 2010; PICANÇO, 2010).
Embora geralmente vistos como nocivos, especialmente como pragas e ainda
transmissores de determinadas doenças, muitas espécies de insetos desempenham
ações benéficas ao homem. Dentre essas ações, se sobressaem a polinização das
plantas, produção de mel, o controle biológico de insetos-praga e a atuação nos
processos de decomposição da matéria orgânica, reciclagem de nutrientes e
manutenção da fertilidade dos solos (LEIVAS; FISCHER, 2008; ERTHAL; GUARUS
2011).
Ainda existem espécies que geram produtos que possuem valor comercial e
correspondem a atividades econômicas significativas, como a apicultura e a
produção de seda. São fontes importantes de substâncias bioativas com potencial
valor comercial, especialmente na área farmacêutica. E por serem caracterizados
com tamanho pequeno e ciclo de vida curto, podem ser criados em pequenos
espaços com baixo custo, tornando-se excelentes modelos para estudos científicos,
em áreas como genética, evolução, fisiologia e comportamento. Também são
considerados excelentes bioindicadores devido a sua grande diversidade e
capacidade de dispersão, colonização e reprodução (ERTHAL; GUARUS, 2011).
De modo geral, os insetos desempenham papel-chave nos ecossistemas por
estarem envolvidos nos mais variados processos e interações ecológicas. As ordens
de insetos que se destacam como benéficas são: Coleoptera, Odonata, Neuroptera,
Hymenoptera, Diptera e Hemiptera (NICHOLLS; ALTIERI; LUIGI, 2007).
2.2.3 Fauna de ácaros
Ácaros correspondem a um dos maiores grupos de artrópodes. São
organismos que, em geral, apresentam quatro pares de pernas nas fases póslarvais, corpo não segmentado, apêndices articulados e exoesqueleto. Habitam os
mais diferentes ambientes e possuem hábitos alimentares bastante diversificados,
podem ser predadores ou parasitos de animais, ou ainda se alimentarem de matéria
orgânica em decomposição, microrganismos ou diferentes partes vegetais. A maioria
das espécies exerce função importante no controle de organismos indesejáveis, ao
atuarem como inimigos naturais de outros ácaros, insetos e plantas daninhas, ou
21
como presas alternativas para diferentes grupos de predadores (MORAES;
FLECHTMANN, 2008).
Nos sistemas de classificação mais recentes, os ácaros estão inclusos no filo
Arthropoda, subfilo Chelicerata a classe Arachnida, e sub-classe Acari. Esta
subclasse
encontra-se
dividida
em
duas
superordens
conhecidas
como
Parasitiformes e Acariformes, e seis ordens, com aproximadamente 400 famílias. Na
superordem Parasitiformes, estão presentes as ordens Opilioacarida, Holothyrida,
Ixodida e Mesostigmata. Na superordem Acariformes, estão os ácaros das ordens
Trombidiformes e Sarcoptiformes (KRANTZ et al., 2009).
O corpo dos ácaros é denominado como idiossoma, e este é constituído por
diferentes regiões que recebem nomenclaturas específicas. Sendo assim, além do
idiossoma, existe também o gnatossoma, região correspondente às peças bucais,
contemplando as quelíceras e palpos. Na região látero-ventral do idiossoma estão
inseridas as pernas. A região corpórea correspondente aos dois pares de pernas
anteriores é conhecida como propodossoma e, além deste, existe o metapodossoma
que é a região correspondente aos dois pares de pernas posteriores. Posteriormente
ao último par de pernas, é denominado de opistossoma (KRANTZ et al., 2009).
Quanto ao desenvolvimento dos ácaros, geralmente apresentam as fases de
ovo, larva, protoninfa, deutonifa e adulto (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
2.2.4 Ácaros-praga da cultura do arroz
A maioria dos ácaros fitófagos é inserida na subordem Prostigmata, essa
subordem é bastante heterogênea e diversa, estando descritas aproximadamente
20.000 espécies em todo o mundo e distribuídas em mais de 1.300 gêneros e 130
famílias; seus representantes apresentam hábito alimentar extremamente diversificado,
os ácaros causadores de danos na agricultura encontram-se agrupados nas seguintes
famílias: Tetranychidae, Tarsonemidae, Tenuipalpidae e Eriophyiidae (MORAES;
FLECHTMANN, 2008; KRANTZ et al., 2009).
Os ácaros pertencentes à família Tetranychidae, são também conhecidos
como “ácaros-de-teia”, por apresentar a produção de teia como característica
particular da família. As teias desempenham funções variadas como proteção contra
predadores e estratégia para impedir o estabelecimento de outra espécie no seu
território; Tetranychidae compreendem uma família relativamente grande de ácaros
22
estritamente fitófagos. Agrupam cerca de 1.270 espécies (MIGEON; DORKELD,
2011) em 70 gêneros (GERSON; SMILEY; OCHOA, 2003). Os ácaros referentes a
essa família exibem uma extensa variedade de plantas hospedeiras. A superfície do
corpo pode ser lisa ou estriada; as espécies se apresentam com coloração variando
de verde claro a escuro, alaranjado ou vermelho, essa variação se deve em grande
parte pela alimentação, mudam gradativamente de cor visível pela transparência do
tegumento (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
A familia Eriophyidae pertence à superfamília Eriophyoidea, que apresenta
aproximadamente 301 gêneros e 3442 espécies (AMRINE, 2003). Os ácaros dessa
família são conhecidos como microácaros, por apresentar dimensões reduzidas. Os
eriofiídeos ocupam o segundo lugar como ácaros-praga de maior importância
econômica, sendo superados apenas pelos tetraniquídeos em todo mundo. São
vermiformes e possuem dois pares de pernas em todos os seus estádios de
desenvolvimento, as peças bucais são adaptadas para a perfuração dos tecidos
vegetais. Uma característica peculiar para a maioria das espécies de microácaros,
principalmente daquelas que se alimentam de plantas dicotiledôneas, é sua alta
especificidade hospedeira (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Os Tarsonemidae compreendem aproximadamente 545 espécies conhecidas,
pertencentes a 45 gêneros. Estes ácaros possuem hábitos alimentares muito
diversificados, incluindo espécies que se alimentam de fungos, algas e plantas, bem
como espécies predadoras e parasitas de insetos. A espécie de maior importância
agrícola, Polyphagotarsonemus latus Banks, é polífaga e ataca diversas culturas de
grande importância agrícola. O adulto é pequeno, com tamanho variando de 0,1-0,3
mm de comprimento, apresenta o tegumento rígido e brilhante, os dois pares de
pernas anteriores estão bem separados dos demais, o idiossoma destaca-se com
um nítido sulco sejugal, e apresentam dimorfismo sexual (MORAES; FLECHTMANN,
2008).
Os Tenuipalpidae são agrupados na superfamilia Tetranychoidea que incluem
aproximadamente 2.000 espécies (KRANTZ et al., 2009). São conhecidos também
como ácaros-planos e falsos-ácaros-de-teia. Esses ácaros são especificamente
fitófagos. Embora o número de espécies apontadas como pragas seja reduzido, de
notável relevância, pois algumas espécies podem ser vetores de viroses. No Brasil,
Brevipalpus phoenicis Geijskes, é a espécie de maior importância, por ser vetor de
diferentes vírus causadores de doenças em plantas e/ou por injetar toxinas nas
23
plantas que acometem. A coloração dos adultos é característica da espécie,
variando em geral de verde a vermelha; frequentemente apresentam quatro pares de
pernas nos estágios de protoninfa, deutoninfa e adulto, exceto em algumas espécies
(WELBOURN et al., 2003; MESA-COBO, 2005; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Dentre os ácaros que são citados na literatura como pragas do arroz, destaca-se
o ácaro Steneotarsonemus spinki Smiley, (Prostigmata: Tarsonemidae). Este foi
descrito como praga da cultura em 1985 na Ásia Tropical, desde então, é
considerado praga nos países asiáticos (China, Coréia do Sul, Coréia do Norte,
Filipinas, Índia, Sri Lanka, Tailândia e Taiwan), onde tem sido responsabilizado por
perdas de até 70%. Em 1990, o ácaro foi constatado na América Central,
inicialmente na região do Caribe (Cuba, Haiti e República Dominicana) e, em 2004,
em países continentais (Costa Rica, Nicarágua e Panamá). Em Cuba, S. spinki foi
declarado um dos principais problemas fitossanitários dos últimos anos, provocando
perdas de até 90% (DOSSMANN; BOTERO; GARCÍA, 2005; MENDONÇA; NAVIA;
CABRERA, 2004).
Trabalhos relatam o controle biológico deste ácaro através do uso de ácaros
predadores das famílias Phytoseiidae e Ascidae, ou ainda, o uso de larvas
predadoras
e fungos entomopatogênicos como
Hirsutella
nodulosa Petch,
(DOSSMANN; BOTERO; GARCÍA, 2005; CABRERA, 2005). Este ácaro ainda não
foi referido no Brasil, onde é tido como uma praga com importância de “alerta
máximo”; tendo em consideração o risco de introdução no território nacional,
conforme a Instrução Normativa SDA nº. 38, de 14 de outubro de 1999
(DOSSMANN; BOTERO; GARCÍA, 2005; MENDONÇA; NAVIA; CABRERA, 2004).
Outra espécie evidenciada como praga do arroz em Cuba
é o ácaro
Schizotetranychus elymus McGregor, (Tetranychidae) (CABRERA et al., 2004).
No
Brasil,
as
espécies
constatadas
como
pragas
são:
ácaro
Schizotetranychus oryzae Simons, 1966 (Tetranychidae), observado pela primeira
vez em 1972, em plantas de diversas cultivares de arroz, em casa de vegetação e
em campos experimentais da sede do Instituto de Pesquisa e Experimentação
Agropecuárias do Centro Sul (IPEACS), município de Itaguaí, Estado do Rio de
Janeiro e Espirito Santo. O ácaro ocasionou sérios prejuízos à folhagem da planta,
que apresenta um grande número de diminutas áreas descoloridas, demonstrando
um aspecto aveludado, que se expandiu gradativamente com o desenvolvimento da
população do ácaro. Com o tempo, ao longo das nervuras, observaram-se manchas
24
lineares esbranquiçadas, provocadas pelo desenvolvimento da teia. O ácaro exposto
foi designado de "ácaro-do-arroz" (BARCELLOS et al., 1979).
Atualmente este ácaro é um dos principais fatores limitantes da produção de
cultivares de arroz no Rio Grande do Sul, que produz anualmente uma média de um
milhão de hectares de arroz irrigado, equivalendo a 62% da produção nacional
(ROCHA, et al., 2011; BLASI et al., 2013).
No estado de São Paulo, em 1987, foram observadas em grãos de arroz
armazenados obtidos de distribuidores de supermercados, populações de ácaros
primários. Nestes, estavam presentes especimes de Tyrophagus putrescentiae
Schrank, Aleuroglyphus ovatus Troupeau, Glycyphagus domesticus DeGeer,
Chortoglyphus arcuatus Troupeau, Suidasia pontifica Oudemans, Blomia tropicalis
Bronswi jck, Cook e Oshima, Histiostoma sp. e Dermatophagoides pteronyssinus
Trouessart. Ácaros secundários também foram encontrados, entre eles: Tarsonemus
sp., Cheyletus malaccensis Oudemans e Blattisocius dendriticus Berlese, no
entanto, foi verificado que estes ácaros não provocaram danos relevantes (BAGGIO
et al.,1987).
2.2.5 Ácaros predadores
A maioria dos ácaros predadores são organismos classificados como
Mesostigmata, sendo esta ordem composta por aproximadamente 12.000 espécies
descritas, distribuídas em 560 gêneros, 72 famílias e 26. Estes apresentam hábitos
bastante diversificados, são encontrados especialmente sobre plantas e têm como
alimento principal ácaros fitófagos. Porém, esses ácaros apresentam outras
preferências alimentares, como pólen, fungos, exsudado de plantas e insetos
(KRANTZ et al., 2009).
A ordem agrupa espécies caracterizadas por apresentarem um par de
estigmas localizados lateralmente no idiossoma, entre as coxas do segundo e quarto
pares de pernas. O tamanho do corpo varia de 200 a 1200 µm, uma variedade de
espécies apresenta alta esclerotização em seu tegumento, com escudos ou placas
no dorso (WALTER; PROCTOR, 1999; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Outras espécies importantes de ácaros predadores estão inseridas na ordem
Trombidiforme. Os Trombidiforme formam um conjunto diversificado de ácaros que
25
atualmente compõem duas subordens: Prostigmata e Sphaerolichida (MORAES;
FLECHTMANN, 2008; KRANTZ et al., 2009).
A diversidade de características morfológicas e comportamentais dos
Prostigmatas é superior à de todas as outras categorias de Acari. Estes ácaros
caracterizam-se por apresentar o idiossoma geralmente pouco esclerotizado e
dividido em duas regiões, propodossoma e histerossoma, pelo chamado sulco
sejugal (MORAES; FLECHTMANN, 2008; KRANTZ et al., 2009).
As principais famílias de ácaros predadores de relevante importância para o
controle de espécies-praga são as seguintes: Phytoseiidae, Ascidae, Stigmaeidae,
Bdellidae e Laelapidae (REIS et al., 2000).
Com relação à identificação taxonômica destes ácaros, trabalhos realizados
têm evidenciado que ainda existe certa deficiência, não só no Brasil, mas
mundialmente. É bastante reduzido o número de pessoas instruídas para identificálos. As reais informações sobre estes ácaros no Brasil restringem-se à descrição de
ocorrência e identificações ao nível de gêneros e/ou morfoespécies (CASTILHO,
2008).
2.2.6 Fauna de aranhas
As aranhas são artrópodes terrestres bastante diverso, inclusas na classe
Arachnida e ordem Araneae, representando um dos grupos mais diversos de
organismos, e sendo o segundo maior em número de espécies entre os aracnídeos,
com mais de 42.000 espécies descritas distribuídas apraximadamente 110 famílias
(PLATNICK, 2011).
Estão presentes em quase todos os ambientes terrestres e ainda aquáticos,
e sua abundância e diversidade estão relacionadas positivamente à complexidade
estrutural do ambiente e manutenção do equilíbrio ecológico devido principalmente
ao seu hábito alimentar (RODRIGUES; MENDONÇA; OTT, 2008).
O tamanho das aranhas varia em média de 0,5 mm a 10 cm de comprimento.
Seu corpo é dividido em cefalotórax (região anterior) e abdome (região posterior). O
cefalotórax, região denominada de prossomo, é uma carapaça sobre a qual são
observados até quatro pares de olhos. Nesta mesma região do corpo localizam-se
também seis pares de apêndices. O anterior é chamado de quelíceras (consiste de
uma presa e uma peça bucal), utilizada para apreender, triturar e injetar veneno em
26
suas presas. Na sequência, vêm os pedipalpos, que nas fêmeas são curtos em
forma de pernas, utilizados para defesa e orientação, e nos machos, modificam-se
como órgão copulatório com o último segmento bastante aumentado, os outros
pares de apêndices são as pernas que variam em comprimento e peso, a depender
da espécie e hábito alimentar (RUPPERT; BARNES, 1996; SILVA, S. et al., 2005).
O abdômem pode variar de globoso ou alongado e liga-se ao prossomo
através de uma pequena porção estreita denominada pedicele, e apresenta
ventralmente as aberturas genitais e os espiráculos dos pulmões laminares em cada
lado. Ainda nesta face, medial ou distalmente, encontra-se um grupo de apêndices
modificados: os órgãos fiadores (fiandeiras), órgãos que originam os fios de seda.
As trocas gasosas nas aranhas se realizam de duas maneiras: em pulmões
laminares e por traqueias (RUPPERT; BARNES, 1996; SILVA, S. et al., 2005).
As aranhas são predadoras, e se alimentam principalmente de insetos, porém
existem grandes espécies que se alimentam de pequenos vertebrados. A presa é
percebida através de estímulos visuais e táteis. A maior parte das aranhas se
apresenta solitárias, no entanto algumas espécies evoluíram e exibem hábitos
sociais com teia comunitária e cooperação na captura da presa, além da
preocupação parental com os ovos e a prole. As aranhas habitam praticamente
todas as regiões da Terra. São observadas nos mais diversos ecossistemas,
inclusive nos aquáticos. Vivem em teias geométricas ou irregulares, ocupando
buracos naturais no solo, em fendas de barrancos, em árvores e arbustos, sob
troncos podres, em cupinzeiros, em moradias humanas, em depósitos, garagens e
construções (RUPPERT; BARNES, 1996; SILVA, S. et al., 2005).
2.2.7 Fauna de Collembola: Superclasse Hexapoda
Collembola: do grego kolla = adesivo; embolon = êmbolo, pino. Refere-se ao
colóforo, saliência ventral da região anterior do abdome, que viabiliza o indivíduo
fixar-se ao substrato. Os colêmbolos já fizeram parte da ordem Insecta, mas após
estudos filogenéticos mais detalhados, foram reunidos em uma classe diferenciada
depois de observado que diferem dos insetos por se apresentarem entognatos com
as peças bucais retraídas. São conhecidos vulgarmente como pulga-de-jardim, são
cosmopolitas e ametabólicos, incluindo mais de 7.500 espécies descritas em cerca
de 600 gêneros e 31 famílias. No Brasil, há evidência confirmando a existência de
27
231 espécies, dispostas em 19 famílias e 88 gêneros, (GALLO et al., 2002;
ZEPPELINI, 2012).
São minúsculos, costumam apresentar até 5 mm de comprimento, seu corpo
é globoso e bastante sensível, e a coloração varia de branco a escuro e até brilhoso.
Sua cabeça é pequena, com ocelos laterais e ausência de olhos compostos. Suas
antenas são curtas; o aparelho bucal é mastigador, e algumas espécies apresentam
um órgão sensorial olfativo denominado pós-antenal. As pernas são ambulatórias,
com presença de tarsos monômeros. No abdômen, existem até seis segmentos,
com apêndices ventrais. No segmento I está o colóforo, ou tubo ventral, que atua
como uma ventosa; permitindo-o fixar-se em superfícies lisas. No segmento III,
existe o retináculo ou tenáculo, estrutura que fica alojada quando se encontra
imóvel; e a fúrcula que se localiza no segmento IV ou V. E está estrutura é um
apêndice saltatório bífido, constituída pela parte basal ou manúbrio, e um par de
ramos distais ou dentes e garras, denominadas muero (GALLO et al., 2002;
ZEPPELINI, 2012).
Os colêmbolos são importantes na base da cadeia alimentar e têm função
importante
como
catalisadores
na
ciclagem
de
nutrientes,
propiciando
o
enriquecimento do solo para a sustentação de florestas e a agricultura. A
abundância de espécies e a densidade das populações de colêmbolos de solo
dependem de diferentes elementos, visto que são particularmente sensíveis às
pertubações ambientais. São capazes de explorar variadas fontes de alimento, entre
elas os microorganismos e fungos associados à matéria orgânica do solo e folhiço.
Diversos grupos alimentam-se de fezes de vertebrados e invertebrados de solo,
além do curioso fato de ingerir suas próprias exúvias. São capazes de suportar
grandes períodos sem se alimentar, sendo que esse tempo varia muito em função
da espécie. Esse fato é muito influenciado pela adaptação e as condições do habitat
da espécie (ZEPPELINI, 2012).
Ocasionalmente, sua alimentação vai se tornar danosa a culturas agrícolas,
havendo evidências de danos mínimos em sementeiras. Quando ocorrem,
prejudicam as plantas recém-germinadas, possibilitando a penetração de fungos do
solo (GALLO et al., 2002; ZEPPELINI, 2012).
Ainda, servem de alimento para diversos grupos de animais, como ácaros,
aranhas de pequeno porte, besouros, formigas, quilópodes, peixes, sapos, lagartos,
aves, pequenos marsupiais, mamíferos, etc. São estimados como descontaminantes
28
ambientais, como exemplo o DDT, em concentrações ponderadas, podem ser
metabolizados por algumas espécies. Sua atuação é importante na recuperação de
solos contaminados e na operação de despoluição de áreas agrícolas e industriais
(ZEPPELINI, 2012).
2.3 Controle das pragas na cultura
Dentre os principais métodos de controle que se aplicam ás pragas que
atacam a cultura do arroz, destacam-se o controle biológico, o controle químico, o
tratamento de sementes, a resistência varietal e as práticas de tratos culturais
(SOSBAI, 2007). O controle biológico é feito utilizando predadores naturais das
espécies-praga
e
parasitoides,
além
de
fungos,
bactérias
e
vírus
entomopatogênicos. No controle químico, há a utilização de produtos fitossanitários
específicos para cada espécie. Existe, ainda, como medida de controle preventivo, o
tratamento de sementes e a resistência varietal, que se dá através do
desenvolvimento de cultivares resistentes em diversos aspectos como a tolerância, a
antixenose e a antibiose. Por fim, a prática de tratos culturais também tem se
mostrado bastante eficiente como medida preventiva no controle das pragas
(CASTRO et al., 1999; SOSBAI, 2007; SANTOS; RABELO, 2008).
O manejo integrado de pragas (MIP), que vem sendo bastante enfatizado nos
estudos de métodos de controle, basicamente consiste na utilização de duas ou mais
táticas de controle integradas, para reduzir a infestação ou danos causados pelos
insetos. De acordo com Picanço (2010), trata-se de um sistema de controle de
pragas que busca preservar e intensificar os fatores de mortalidade natural das
pragas com o uso integrado dos métodos de controle selecionados de acordo com
parâmetros técnicos, econômicos, ecológicos e sociológicos.
Essas táticas criteriosas referenciam principalmente os métodos culturais
(preparo do solo, época de plantio, eliminação de hospedeiros alternativos, irrigação,
drenagem, rotação de culturas, adubação balanceada, e destruição dos restos
culturais ao fim da colheita), em conjunto com outras táticas como a resistência
varietal, o controle biológico com inimigos naturais e inseticidas variados, que devem
ter o uso fundamentado em sua seletividade e eficiência, e aplicados, quando de
fato for indispensável, em situações adversas de infestação ou de dano econômico.
Para conhecer o nível de infestação e avaliar as populações das principais pragas,
29
se faz necessário o monitoramento, que é geralmente feito por amostragens que são
coletadas em pontos determinados ao acaso, percorrendo-se o campo em
ziguezague, em sentido diagonal (CASTRO et al., 1999; SANTOS; RABELO, 2008).
Infelizmente, o uso do MIP como medida de controle é restrito para maioria
dos produtores, porque exige um conhecimento mais aprofundado dos métodos e
um tempo maior de preparo para sua execução, visto que segue cuidadosamente
uma sequência de passos: reconhecimento da praga-chave, constatação e
avaliação de inimigos naturais, influências climáticas sobre a praga e inimigos
naturais, estabelecer o nível de dano econômico e controle da praga (fenologia da
cultura e fisiologia da planta, prejuízos da praga, custo do controle, e preço da
produção), avaliação populacional (amostragem), e análise dos métodos mais
adequados para que, assim, possam ser introduzidos no programa de manejo
(GALLO et al., 2002). Esta sequência de medidas a se seguir se torna um fator
negativo, pois há pressa do produtor em controlar a praga e, sendo assim, sua
melhor alternativa é o uso abusivo do controle químico; que desencadeia uma série
de desequilíbrios ambientais.
2.3.1 Problemas ambientais que o controle causa no sistema específico várzea
Um ponto a se considerar é que “quando introduzidos no ambiente, cerca de
55% do total de agrotóxicos aplicados não atingem o alvo, dispersando-se para
outros compartimentos ambientais como água, solo e atmosfera” (MARTINI, et al.
2012). A prática constante do controle químico tem provocado sérios problemas de
caráter ambiental, econômico e social, tais como: a contaminação do solo, da água e
dos animais; a resistência de patógenos, de pragas e de plantas invasoras; o
desequilíbrio biológico com a eliminação de organismos benéficos; a redução da
biodiversidade; a contaminação dos alimentos; o surgimento de doenças
iatrogênicas (as que ocorrem devido ao uso de agrotóxicos) e a intoxicação de
agricultores (MICHEREFF; BARROS, 2001; WIT et al., 2009). No caso da rizicultura,
a contaminação do lençol freático se torna mais preocupante, por se tratar de um
local alagado. Isto porque há o uso de um grande volume de água que em seguida é
parcialmente devolvida às nascentes, com a presença de resíduos liberados pelo
cultivo, produzindo mudanças nas variáveis ambientais do ecossistema, e podendo
gerar grandes perturbações ao meio ambiente (CADORIN, 2011). Ainda a respeito
30
da contaminação da água percebe-se que o uso intenso dos defensivos agrícolas
acaba por atingir ecossistemas aquáticos, que se contaminados, considera-se que
todos os demais elementos bióticos e abióticos local também serão contaminados,
visto que a água torna-se presente em todas as partes (CADORIN, 2011).
O uso abusivo dos defensivos agrícolas pode permitir não somente a
contaminação direta durante sua aplicação, mas pode permitir que eles se
propaguem pela cadeia alimentar e, consequentemente, cheguem ao homem; lhe
causando sérios problemas de saúde (CADORIN, 2011).
Dados da Organização Mundial e Saúde (OMS) fazem referência à
contaminação humana, indicando que cerca de 500 milhões de pessoas que se
expõem com frequência a essas práticas agrícolas encontram-se diretamente
ligadas aos efeitos prejudiciais desses produtos. Desse total, cerca de um milhão de
pessoas apresentam intoxicações agudas, responsáveis por aproximadamente 20
mil mortes anuais. No Brasil, a estimativa é de que em torno de 13,7 milhões de
pessoas continuam ainda em situação de risco pelas condições de trabalho em que
se encontram (ARAÚJO et al., 2007). Assim, a forma mais eficiente e econômica de
prevenir os danos causados por esses artrópodes e minimizar os impactos
ambientais, é restringir o uso do controle químico, e isso é possível através do
monitoramento de artrópodes comumente encontrados na cultura.
2.4 Biodiversidade
O termo Biodiversidade, ou Diversidade Biológica, trata-se da variedade de
vida no planeta, o conceito procura integrar a numerosa variedade de organismos
vivos, nos mais distintos níveis, abrangendo os ecossistemas terrestres, marinhos, e
aquáticos, incluindo a variedade genética dos organismos que constitui as
populações, que pertencem a espécies, estas variedades de espécies se estendem
a espécies da flora, da fauna e de microrganismos que em sua generalidade formam
comunidades que integram os ecossistemas (CASSINI, 2005; GUEDES; SOARES,
2007; PERONI; HERNÁNDEZ, 2011).
Deste modo é relevante salientar a inserção, da espécie humana como
elemento fundamental do sistema e altamente dependente da riqueza ambiental
disponibilizada pela natureza (GUEDES; SOARES, 2007). Sendo assim a
31
biodiversidade engloba a totalidade dos recursos biológicos, da herança genética, e
seus componentes (CASSINI, 2005).
A Biodiversidade é uma das riquezas essenciais da natureza, responsável
pelo equilíbrio e manutenção dos ecossistemas. A Biodiversidade tornou-se uma das
fontes principais para a base das atividades econômicas entre elas: agrícolas,
pesqueiras, florestais, biotecnologia, dentre outros. Este processo se dá através da
interdependência que existe entre os organismos na cadeia alimentar e reprodutiva
das espécies (CASSINI, 2005).
Ao longo dos anos a perda da biodiversidade vem aumentando devido à ação
antrópica, e o crescimento acelerado da população humana e ainda a distribuição
desigual da riqueza na sociedade, envolvendo aspectos culturais, sociais,
econômicos e científicos. E aponta-se como os principais responsáveis pela perda
da biodiversidade, processos em sua maioria gerados pela ação do homem como á
perda de habitats; inserção de espécies e doenças exóticas; exploração demasiada
de espécies de plantas e animais; uso intensificado da monocultura na agroindústria
e nos programas de reflorestamento; contaminação do solo, água, e atmosfera por
poluentes industriais e produtos fitossanitários entre outros (CASSINI, 2005).
Sendo assim é evidente a necessidade de que devemos agir de forma
preventiva, a reduzir os impactos ambientais na natureza, pois o homem é uma das
principais espécies a sofrer as consequências com a perda da biodiversidade.
3 MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi desenvolvido em área com histórico da cultura do arroz no
município de Igreja Nova no Estado de Alagoas (10° 08. 495’ S, 136° 38. 666’ W, 10
m) (Figura 1). A cultura em questão teve como cultivar EPAGRI SCS 117 CL. O
clima da região é classificado como tropical chuvoso com verão seco; o período
chuvoso começa no outono/inverno; a precipitação média anual é de 1.128,6mm
(CPRM, 2005). Foram realizadas coletas quinzenais ao longo do ciclo da cultura, no
período de 13 de outubro de 2013 a 14 de fevereiro de 2014; perfazendo-se 10
coletas. O período de coletas foi em função de se tratar de uma cultura de ciclo
curto. As triagens foram realizadas no Laboratório de Entomologia/Acarologia da
Universidade Federal de Alagoas - Campus Arapiraca (9° 45′ S, 36° 39′ W, 280 m).
32
Figura 1 - Área da coleta de plantas e artrópodes de arroz em Igreja Nova - Alagoas. A- Localização
em mapa; B- Cultura do arroz implantada.
Fonte: (A) https://maps.google.com.br/maps; (B) Feitosa, J. A.(2014)
3.1 Levantamento da população de artrópodes da cultura do arroz
Os trabalhos de levantamento foram realizados na região acima citada, em
áreas de produtores de arroz. Foram realizadas coletas diretas de artrópodes em
campo, utilizando-se rede entomológica e coleta de plantas (Figura 2). Para a
coleta de artrópodes com a rede, foi realizada em cada coleta uma varredura de
uma hora em campo, a fim de se conhecer a população desses organismos na
cultura do arroz. Todo material coletado foi transferido para frascos com álcool a
70%, e em alguns casos, em envelopes entomológicos. Todo material foi triado e a
montagem dos exemplares foi realizada de acordo com a classe de artrópode e,
posteriormente, foram postos para secar em estufa a 55ºC durante sete dias. Em
seguida,
os
exemplares
foram
etiquetados
e
armazenados
em
caixas
entomológicas para insetos e caixas de lâminas para ácaros, para seus devidos
fins (Figura 3).
Para a coleta de plantas em campo, foram tomadas 30 plantas de arroz que
continham todas as partes, inclusive raiz, para realização de triagens minuciosas
em lupa; objetivando conhecer artrópodes-praga que não são visíveis a olho nu.
Todo material coletado foi acondicionado em sacos de papel e o conjunto foi
colocado em sacola plástica para manter a turgidez das folhas até o momento da
triagem. Após este procedimento, todo material foi acondicionado em caixas
térmicas resfriadas e transportado para o laboratório, onde foram processadas as
triagens e montagens dos exemplares (Figura 4).
33
Figura 2 - A- Coleta de artrópodes em campo, utilizando-se rede entomológica e B- Coleta de
plantas, no município de Igreja Nova- AL.
Fonte: (A e B) Silva, R. L. (2014).
Figura 3 - A- Material coletado em campo, transferido para frascos com álcool a 70%; B - Realização
da triagem em laboratório; C - Montagem dos exemplares de acordo com a classe de artrópodes.
Fonte: (A, B e C) Feitosa, J. A; Silva, R. L. (2014).
Figura 4 - A- Acondicionamento do material coletado em caixa térmica, para transporte até o
Laboratório de Entomologia/ Acarologia da Universidade Federal de Alagoas- Campus Arapiraca; BTriagem de material utilizando microscópio estereoscópico; C- Montagem dos ácaros encontrados.
Fonte: (A, B e C) Silva, R. L.; Oliveira, I. N. (2014).
34
3.2 Classificação dos artrópodes-praga encontrados
Com material didático disponível, para realizar as classificações/identificações,
foram utilizadas chaves dicotômicas especializadas, microscópio estereoscópico e
microscópio de contraste de fases para a observação precisa dos caracteres citados
nas chaves e contidos nos artrópodes.
Figura 5 – Classificação dos artrópodes com microscópio de contraste de fases.
Fonte: Oliveira, I. N.(2014)
3.3 Análise faunística
Os dados obtidos foram submetidos à análise faunística, os índices calculados
foram de frequência, constância, riqueza, dominância, índice de diversidade
(Diversidade de Shanon-Wiener H’), abundância e equitabilidade, propostos por
Silveira Neto et al. (1976); onde:
Frequência: trata-se do percentual de indivíduos de uma espécie (família ou
gênero) em relação ao total de indivíduos coletados.
F = ni/N x 100, onde ni: número de indivíduos da espécie i e N: total de
indivíduos coletados.
De acordo com os resultados obtidos, foi estabelecida a classe de frequência
correspondente a cada espécie (família ou gênero), através do intervalo de
confiança (IC) a 5% de probabilidade.
Pouco frequente (PF) = F < limite inferior (LI) do IC a 5% de probabilidade;
Frequente (F) = F situado dentro do IC a 5% de probabilidade;
Muito frequente (MF) = F > limite superior (LS) do IC a 5% de probabilidade.
Constância: refere-se à porcentagem de ocorrência das espécies (família ou
gênero) no levantamento.
35
C = p.100/N, onde p: número de coletas contendo a espécie e N: número total
de coletas efetuadas.
Classificação das espécies quanto à constância:
Espécie constante: que está presente em mais de 50% das coletas.
Espécie acessória: Presente em 25-50% das coletas.
Espécie acidental: Presente em menos de 25% das coletas.
Riqueza (S): número total de espécies (famílias ou gêneros) observadas.
Dominância: uma espécie (famílias/gêneros) é considerada dominante quando
apresenta frequência superior a 1/S, a onde S é o número total de espécies
observadas.
Índice de Diversidade (Diversidade de Shanon-Wiener H’): a diversidade é
uma função do número de espécies (famílias ou gêneros) e da equitabilidade dos
valores de importância da mesma; cálculo realizado através do Ecological Software
DivEs - Diversidade de Espécies v3.0.
Equitabilidade: expressa a uniformidade da distribuição dos indivíduos nas
coletas, se estes possuem abundância semelhante ou divergente. A equitabilidade é
mais comumente expressada pelo Índice de Pielou, calculado pelo Ecological
Software DivEs - Diversidade de Espécies v3.0.
Abundância: expressa o número de indivíduos de determinada espécie (família
ou gênero) por unidade de superfície e volume variando no espaço e tempo (Silveira
Neto et al., 1976), é determinada pela soma total do indivíduos, com o emprego de
um dada medida de dispersão por meio do cálculo do intervalo de confiança (IC) da
média aritmética, para 1% e 5% de probabilidade; por meio da fórmula
(
̅
̅ ) Como segue:
A expressão abaixo é usada para calcular a média de um conjunto de dados.
̅
Onde ̅ é média, ∑
∑
(1)
é a soma dos totais de indivíduos coletados e
tamanho da amostra (riqueza).
A variância é dada pela expressão abaixo,
∑
(∑ )
(2)
é o
36
Em que
é a variância, ∑
é a soma de cada total por espécie elevada ao
quadrado, (∑ ) é o total de indivíduos elevado ao quadrado e
é o tamanho da
amostra (riqueza).
Com esses dados obtidos das expressões (1) e (2) é possível calcular o erro
padrão descrito na expressão abaixo.
̅
Onde
̅ é o erro padrão,
(3)
√
é o desvio padrão em relação à média e
é o tamanho
da amostra. Uma vez definido o erro da média, é possível determinar o intervalo de
confiança através da expressão:
̅
(
Nesta expressão ̅ é a média da amostra,
̅)
(5)
é o valor de crítico com
graus de
liberdade, a 1% e a 5% de probabilidade. Este valor pode ser encontrado em uma
tabela de para uma distribuição student (VIEIRA, 2008).
Foram estabelecidas as seguintes classes de abundância:
Rara (r) = número de indivíduos < que o limite inferior (LI) do IC a 1% de
probabilidade;
Dispersa (d) = número de indivíduos situados entre os limites inferiores do
IC a 5% e 1% de probabilidade;
Comum (c) = número de indivíduos situados dentro do IC a 5%;
Abundante (a) = número de indivíduos situado entre os limites superiores
(LS) do IC a 5% e 1% de probabilidade;
Muito abundante (m) = número de indivíduos > o limite superior do IC a 1%
de probabilidade.
3.4 Montagem de uma coleção de referência de artrópodes-praga do arroz
Os artrópodes coletados compõem uma atual coleção de referência
entomológica da instituição. Esta foi arquivada para futuras consultas e estudos
sobre os organismos presente na área estudada.
37
4 RESULTADOS
A escala fenológica do arroz pode ser resumida em três fases: fase
vegetativa, fase reprodutiva e fase de maturação (GUIMARÃES; FAGERIA;
BARBOSA, 2002; OLMOS, 2007) (Figura 6).
Figura 6 - Escala fenológica do arroz.
Reprodutiva
Vegetativa
Maturação
Fonte: Adaptado de Guimarães; Fageria; Barbosa, 2002; Olmos, 2007.
Foi coletado neste trabalho um total de 7.128 artrópodes (adultos e imaturos),
distribuídos nos seguintes táxons: Insecta (4.856), Acari (1.929), Araneae (239) e
Collembola (104) (Tabela 1). Os táxons que apresentaram maior proporção de
indivíduos
foram
respectivamente.
Insecta,
seguida
por
Acari,
Araneae
e
Collembola,
38
Tabela 1-Total de artrópodes coletados e classificados da fauna da cultura do arroz, no município de
Igreja Nova- AL, 2014.
Táxons
Quantidade
Estágio de desenvolvimento
%
Adulto
Imaturo
Insecta
Coleoptera
148
2,076
106
42
Hemiptera
1.690
23,709
849
841
Orthoptera
271
3,802
102
169
Hymenoptera
54
0,758
54
0
Odonata
845
11,855
845
0
Diptera
1.793
25,154
1.793
0
Lepidoptera
24
0,337
13
11
Thysanoptera
31
0,435
30
1
4.856
69,59
3.792
1.064
Total
Arachnida
Araneae
239
3,353
239
0
Acari
1.929
27,062
1.929
0
30,41
1,459
100
2.168
104
6.064
0
0
1.064
Total
2.168
Collembola
104
Total geral
7.128
Fonte: Feitosa, J. A. (2014).
4.1 Insecta
4.1.1 Ordens e famílias de insetos coletados na cultura do arroz
Do total de insetos coletados 4.820 foram com o auxilio de rede entomológica
e 36 foram coletados sobre as plantas na triagem em lupa.
Os insetos foram dispostos em oito ordens, sendo as ordens mais frequentes:
Diptera (36,92%), Hemiptera (34,80%), Odonata (17,40%) e Orthoptera (5,58%)
(Tabela 1).
4.1.2 Análise faunística das famílias de insetos classificadas
No total das coletas foi possível classificar 37 famílias, destas seis foram
consideradas como dominantes; com relação à constância sete são constantes, 10
39
acessórias e 20 são acidentais; quanto à frequência seis são muito frequentes, sete
frequentes e 24 pouco frequentes; na categoria de abundância 15 são raras, nove
dispersas, sete comuns e seis muito abundantes (Tabela 2). O índice de diversidade
(Shanon-Wiener) total foi de 0,977 e o índice de equitabilidade J (Pielou) total foi de
0,627.
Tabelas 2- Análise faunística das famílias de insetos adultos classificados na cultura do arroz, no
Constância (%)
Constância (tipo)
(8)
0,369
PF
ND
2
20
ACD
D
Passalidae
1
0,026
PF
ND
1
10
ACD
R
Chrysomelidae
1
0,026
PF
ND
1
10
ACD
R
Hydrophilidae
2
0,053
PF
ND
1
10
ACD
R
Coccinellidae
51
1,345
F
ND
5
50
ACS
C
Lampyridae
3
0,079
PF
ND
2
20
ACD
R
Bruchidae
6
0,158
PF
ND
2
20
ACD
D
Lagriidae
Curculionidae
Belostomatidae
9
19
3
0,237
0,501
0,079
PF
PF
PF
ND
ND
ND
1
3
1
10
30
10
ACD
ACS
ACD
D
D
R
Cicadellidae
527
13,898
MF
D
8
80
CNT
MA
Membracidae
1
0,026
PF
ND
1
10
ACD
R
Delphacidae
Pentatomidae
317
1
8,360
0,026
MF
PF
D
ND
8
1
80
10
CNT
ACD
MA
R
Gryllidae
10
0,264
PF
ND
3
30
ACS
D
Romaleidae
81
2,136
F
ND
7
70
CNT
C
Tettigoniidae
11
0,290
PF
ND
3
30
ACS
D
Libellulidae
55
1,450
F
ND
7
70
CNT
C
Coenagrionidae
790
20,833
MF
D
8
80
CNT
MA
Fonte: Feitosa, J. A. (2014).
Abundância
Pa
(7)
(4)
14
(5)
Frequência (tipo)
Carabidae
Dominância
Frequência (%)
(6)
(3)
(1)
Total
(2)
Famílias
Odonata
(845)
Orthoptera
(102)
Hemiptera
(849)
Coleoptera
(106)
Ordens
(nº de espécimes)
município de Igreja Nova- AL, 2014.
Continua...
40
Tabelas 2- Análise faunística das famílias de insetos adultos classificados na cultura do arroz, no
Constância (%)
Constância (tipo)
(8)
1,055
F
ND
5
50
ACS
C
Scollidae
3
0,079
PF
ND
2
20
ACD
R
Chalcididae
2
0,053
PF
ND
2
20
ACD
R
Eulophidae
5
0,132
PF
ND
1
10
ACD
R
Trichogrammatidae
1
0,026
PF
ND
1
10
ACD
R
Ichneumonidae
Siricidae
Cecidomyiidae
2
1
360
0,053
0,026
9,494
PF
PF
MF
ND
ND
D
1
1
4
10
10
40
ACD
ACD
ACS
R
R
MA
Dolichopodidae
311
8,201
MF
D
7
70
CNT
MA
Culicidae
52
1,371
F
ND
2
20
ACD
C
Chironomidae
909
23,972
MF
D
7
70
CNT
MA
Otitidae
1
0,026
PF
ND
1
10
ACD
R
Simuliidae
Syrphidae
Asilidae
96
18
46
2,532
0,475
1,213
F
PF
F
ND
ND
ND
4
4
4
40
40
40
ACS
ACS
ACS
C
D
C
Crambidae
4
0,105
PF
ND
1
10
ACD
R
Hesperidae
9
0,237
PF
ND
3
30
ACS
D
Phlaeothripidae
30
0,791
PF
ND
2
20
ACD
D
Total de Espécimes
3.792
Riqueza
37
(1)
Total de espécimes da família capturados nas coletas.
(2)
Percentual de indivíduos da família coletados.
(3)
Frequência (tipo) - PF: pouco frequente; F: frequente; MF: muito frequente.
(4)
Dominância - ND: não dominante; D: dominante.
(5)
Pa - quantidade de coletas em que a família apareceu.
Abundância
Pa
(7)
(4)
40
(5)
Frequência (tipo)
Formicidae
Dominância
Frequência (%)
(6)
(3)
(1)
Total
(2)
Continuação.
Famílias
Thysanoptera
(30)
Lepidoptera
(13)
Diptera
(1793)
Hymenoptera
(54)
Ordens
(nº de espécimes)
município de Igreja Nova- AL, 2014.
41
(6)
Constância % - valor do percentual de ocorrência das famílias.
(7)
Constância (tipo) - ACD: acidental; ACS: acessória; CNT: constante.
(8)
Abundância - R: rara; D: disperso; C: comum; MA: muito abundante.
Fonte: Feitosa, J. A. (2014).
4.2 Ácaros
Foi coletado neste estudo, um total de 1.929 ácaros (adultos e imaturos),
sendo que 1.574 foram coletados através do arraste da rede entomológica sobre as
plantas, e 355 foram coletados na planta através de triagem em lupa. O maior
número de ácaros coletados foi Mesostigmata (98,86%), seguido por Astigmatina
(0,88%), Oribatida (0,21%) e Prostigmata (0,05%).
4.2.1 Famílias de ácaros coletados na cultura
Foram obtidos representantes de cinco famílias, sendo três de Mesostigmata
(Phytoseiidae, Laelapidae e Rhodacaridae), uma de Astigmatina (Suidasiidae), e
uma de Prostigmata (Tarsonemidae). Os representantes de Oribatida eram imaturos,
por isso não foi possível identificar as famílias (Tabela 3).
Tabelas 3- Totais e percentuais de Famílias de ácaros classificados na cultura do arroz, no município
de Igreja Nova- AL, 2014.
Famílias de ácaros classificados
Táxons
Quantidade
Mesostigmata
(1.793)
Phytoseiidae
1.616
Laelapidae
176
Rhodacaridae
1
Astigmatina
(15)
Suidasiidae
15
Prostigmata
(1)
Tarsonemidae
1
Oribarida
(4)
Total
1.813
Fonte: Feitosa, J. A. (2014).
%
89,13
9,71
0,06
0,83
0,06
0,22
100.00
Dos ácaros coletados, um total de 114 só foi possível classificar ao nível de
ordem (Mesostigmata) e alguns ao nível de família (Phytoseiidae), por se tratar de
imaturos, ou pelo fato de algumas lâminas apresentarem problemas de montagem.
42
Das famílias classificadas, foi obtido um total de sete gêneros, apresentando
maior quantidade a família Phytoseiidae. Os gêneros identificados foram: Neoseiulus
sp.1, Neoseiulus sp.2, Typhlodromus, Stratiolaelaps, um gênero de Rhodacaridae, o
qual ficou determinado como morfoespécie, uma espécies da família Suidasiidae e
Tarsonemus (Tabela 4).
Tabela 4- Total de gêneros e morfoespécies classificadas na cultura do arroz, no município de Igreja
Nova- AL, 2014.
Morfoespécies de ácaros
Phytoseiidae
Neoseiulus sp.1
Neoseiulus sp.2
Typhlodromus
Laelapidae
Stratiolaelaps
Rhodacaridae
Rhodacaridae sp.
Suidasiidae
Suidasiidae sp.
Tarsonemidae
Tarsonemus
TOTAL
Quantidade
(1.616)
786
676
154
(176)
176
(1)
1
(15)
15
(1)
1
1.809
(%)
43,45
37,37
8,51
9,73
0,06
0,83
0,06
100
Fonte: Feitosa, J. A. (2014).
4.2.2 Análise faunística dos gêneros e morfoespécies de ácaros classificados
No decorrer das coletas foram obtidos sete gêneros. O índice de diversidade
(Shanon-Wiener) total foi de 0.527 e o índice de equitabilidade J (Pielou) total foi de
0.624 (Tabela 5). Dentre os gêneros de ácaros encontrados, tem destaque o
Neoseiulus em quantidade (1.462) e número de espécies (2), sendo estes ácaros
predador encontrado geralmente associado a ácaros praga.
43
(2)
Percentual de indivíduos dos gêneros e morfoespécies coletados.
(3)
Frequência (tipo) - PF: pouco frequente; F: frequente; MF: muito frequente.
(4)
Dominância - ND: não dominante; D: dominante.
(5)
Pa - quantidade de coletas em que gênero e morfoespécie apareceram.
(6)
Constância % - valor do percentual de ocorrência dos gêneros e morfoespécies.
(7)
Constância (tipo) - ACD: acidental; ACS: acessória; CNT: constante.
(8)
Abundância - R: rara; D: disperso; C: comum; MA: muito abundante.
(8)
Abundância
Constância
(7)
(tipo)
(5)
Pa
Dominância
Frequência
(3)
(tipo)
Total
(2)
ACS
ACS
ACD
ACD
ACD
ACD
ACD
(1)
Neoseiulus sp.1
786
43,449
MF
D
5
50
Neoseiulus sp.2
676
37,369
MF
D
5
50
Typhlodhomus
154
8,513
F
ND
2
20
Stratiolaelaps
176
9,729
F
ND
2
20
Rhodacaridae sp.
1
0,055
PF ND
1
10
Suidasiidae sp.
15
0,829
PF ND
1
10
Tarsonemus
1
0,055
PF ND
1
10
Total de espécimes
1.809
Riqueza
7
(1)
Total de espécimes dos gêneros e morfoespécies capturados nas coletas.
Táxons
Constância
(6)
(valor)
(4)
Freqência (%)
Tabelas 5- Análise faunística dos gêneros e morfoespécies de ácaros classificados na cultura do
Arroz, no município de Igreja Nova- AL, 2014.
MA
MA
C
C
R
R
R
Fonte: Feitosa, J. A. (2014).
5 DISCUSSÃO
Os artrópodes ocupam posição importante como pragas e inimigos naturais
nos ecossistemas de arroz, mostrando diferenças em sua composição, diversidade e
riqueza das espécies presentes. Aspectos como estes puderam ser verificados pelo
levantamento e análise dos dados obtidos neste trabalho.
Dentre os táxons de artrópodes encontrados neste estudo, os insetos foram
maiores em proporção, seguida por Acari, Araneae e Collembola. Os artrópodes
apresentam enorme capacidade adaptativa, que os permite sobreviver em
praticamente em todos os ambientes (RUPPERT; BARNES, 1996). Resultados
semelhantes foram observados por Fritz (2009), que obteve no seu levantamento na
cultura do arroz os mesmos táxons com proporções aproximadas. Já no trabalho de
Costa (2007), também na cultura do arroz obtiveram-se os mesmos táxons, com
proporções diferenciadas, exceção para Acari. Isto possivelmente é função da
44
metodologia empregada que foi realizada juntamente com o tratamento das
amostras com inseticidas, diferente da utilizada neste trabalho.
5.1 Famílias de insetos na cultura do arroz
A grande proporção de Diptera no local se deve provavelmente por se tratar
de um ambiente irrigado, sendo uma área propícia para a reprodução e proliferação
das formas imaturas dos insetos. Esta informação é apoiada pelos trabalhos de
Forattini et al. (1989); Pinho (2008) e Capellari (2013). Em função da condição
ambiental local, observou-se que as famílias encontradas em grande proporção
foram: Cecidomyiidae, Dolichopodidae e Chironomidae, sendo a fase imatura destas
famílias de ocorrência na água (FORATTINI et al. 1989; PINHO, 2008 e CAPELLARI,
2013).
Cecidomyiidae foi constante, acessória, muito abundante e muito frequente. A
família agrupa espécies fungívoras, fitófagas (causadoras de galhas ou de vida
livre) e predadoras. Os adultos dos Cecidomyiidae apresentam vida efêmera e
raramente se alimentam. A maioria das larvas é galhadora e algumas espécies são
consideradas importantes pragas agrícolas, em especial nas regiões Neártica e
Paleártica (MAIA, 2005). De acordo com Souza (2006) grande parte das espécies
causadoras de galhas provavelmente não se alimenta na fase adulta. Segundo
Larson; Royer; Royer (2006), os cecidomídeos são também caracterizados como
polinizadores de algumas espécies de plantas. De modo geral, verificou-se que a
presença desses organismos não estava prejudicando a cultura, pois a presença
de galhas não foi observada como sintoma em nenhum momento ao longo do ciclo
da cultura. Possivelmente, estavam ali como predadores ou frungívoros, trazendo
benefícios a cultura, ou a cadeia alimentar.
Para
Dolichopodidae;
os
elevados
índices
faunísticos
encontrados
possibilitam inferir que o ambiente é propício para a proliferação da mesma. Nos
trabalhos de Brooks (2005) e Ulrich (2005) são discutidos os hábitos alimentares das
espécies da família Dolichopodidae, em que os adultos são caracterizados como
predadores, alimentando-se preferencialmente de pequenos artrópodes de corpo
mole e anelídeos, e ainda de larvas e adultos de outros Diptera, que são as presas
mais frequentemente observadas (especialmente de Chironomidae e Culicidae).
Outras presas comuns são algumas espécies de Hemiptera, Collembola, ácaros e
45
Thysanoptera;
sendo
mencionados
ainda
crustáceos,
anfípodes,
pequenos
miriápodes, ovos de libélulas, cupins, psocopteras, larvas de alguns besouros
(Scolytinae e Curculionidae), lagartas, artrópodes mortos, etc. Sobre os hábitos
alimentares das larvas de Dolichopodidae; há poucos estudos. Acredita-se que a
maioria seja predadora ou saprofaga. Portanto, são tidas como importantes inimigos
naturais de diversas pragas agrícolas, como citado anteriormente. Sendo assim,
justifica-se a grande abundância da família, pois a cultura possibilita a manutenção
de uma grande diversidade de organismos que servem como substrato alimentar
dos indivíduos desta família.
Chironomidae são considerados excelentes indicadores de qualidade
ambiental, por serem bem sensíveis a mudanças no nível de oxigênio, teor de
matéria orgânica, nutrientes, sedimentos, PH e salinidade, entre outros fatores
ambientais (DONATO; MASSAFERRO; BROOKS, 2008). Nos trabalhos realizados
por Oliveira; Nessimian; Dorvillé (2003) e Silva et al. (2008); com estudos sobre os
hábitos alimentares das larvas de Chironomidae; foi verificado que a maior parte dos
imaturos é onívora oportunistas, os quais ingerem grande variedade alimentar. Dos
itens ingeridos pelos indivíduos dessa família; os mais comuns são algas,
microrganismos, fungos, detritos vegetais, pólen e alguns invertebrados. E sobre os
adultos, há estudos que relatam que se alimentam de néctar (REICHERT, 2010). A
partir dessas observações, constata-se então que a presença de espécimes da
família Chironomidae na área estudada tende a ser um fator positivo, pois seus
hábitos não são desfavoráveis ao ecossistema, contribuindo, no entanto, com o
equilíbrio do ambiente, o qual disponibilizou alimento para sua permanência.
Com relação às famílias de Hemiptera (Cicadellidae e Delphacidae) que
foram dominantes, constantes, muito abundantes e muito frequentes, de maneira
geral; estas apresentam características bem semelhantes. Ambas são constituídas
de insetos fitófagos, que se alimentam sugando a seiva das partes aéreas e raízes
das plantas, fato que classifica estas como pragas de importância agrícola,
causando prejuízos diretos que ocasionam devido à sucção contínua de seiva,
deformações foliares e lesões produzidas nas plantas, as cigarrinhas são capazes
de inocular nas plantas substâncias tóxicas que vão causar o amarelecimento das
folhas que evoluem para secamento e morte da planta (GALLO et al., 2002).
Algumas espécies de cigarrinhas da família Cicadellidae ainda podem transmitir
46
vírus, bactérias e outros patógenos agravando ainda mais os prejuízos na cultura
(GALLO et al., 2002).
Visto a caracterização das famílias, e observações realizadas durante as
coletas em campo, análise detalhada de sintomas e dos danos ocasionados nas
plantas, entre esses o amarelecimento e secamento das folhas e a observação
frequente de postura endofitica e pelos resultados obtidos nas análises faunísticas,
considera-se como principal praga na cultura às espécies de Cicadellidae e
Delphacidae. Sendo assim, confirma-se que a presença destas famílias tem sido um
fator negativo à cultura. No trabalho de Costa (2007), as cigarrinhas também foram
apontadas como praga principal da cultura do arroz, após a análise dos dados e
considerações sobre seus hábitos como insetos sugadores, causando danos diretos
e indiretos (transmitindo patógenos), e com a constatação do aumento populacional.
Mesmo não sendo de costume classificar as cigarrinhas como principal praga do
arroz irrigado no Brasil, pode-se considerar esse fato a partir de tais observações.
No que diz respeito às famílias de Odonata, adultos e ninfas dessa ordem
destacam-se por serem predadores e se alimentarem de invertebrados (FULAN;
HENRY, 2008). Coenagrionidae é caracterizada por libélulas de tamanho pequeno;
com o corpo fino e o abdome pequeno (LENCIONI, 2005), e são considerados
controladores populacionais de outros insetos, em especial de Diptera. A família tem
se destacado em estudos como indicadores de biodiversidade e estado de
preservação do habitat que ocupa (GIL-PALACIO, 2007). Com isso; a família
destaca-se como grupo de organismos benéficos não só para a cultura, mas a toda
comunidade local.
Dentre os Orthoptera, Romaleidae foi o destaque em representatividade da
ordem. Os Orthoptera, em geral, são fitófagos e indefinidos quanto à preferência
alimentar das plantas hospedeiras. Vivem muitas vezes de modo oportunista, e já
foram observados desfolhando leguminosas, gramíneas entre outras plantas. Alguns
autores afirmam que sua presença em gramíneas é apenas casual (GALLO et al.,
2002; AZEREDO; CARVALHO; PUJOL-LUZ, 2005). Os Orthoptera não são
considerados pragas preocupantes em plantas cultivadas. Em um trabalho realizado
sobre levantamento de insetos no cultivo do arroz de sequeiro, Link; Link; Antunes
(2005) observaram que os Hortoptera foram uma das ordens mais expressivas entre
os fitófagos, porém estes não estavam causando desfolhamento expressivo para
cultura.
47
Visto a importância de cada família na cultura, é possível comparar os
resultados com os trabalhos de Costa (2007) e Fritz (2009). Ambos obtiveram
resultados semelhantes aos do presente trabalho, ao realizarem levantamento de
artrópodes na cultura do arroz, e também verificaram maior ocorrência das ordens
de insetos fitófagos Hemiptera (Cigarrinhas) e Orthoptera. Costa (2007) diferiu
apenas sobre Odonata, da qual obteve um número inferior ao encontrado na
presente pesquisa. Porém; (Fritz) 2009 também obteve a ordem Odonata como uma
das mais expressivas na classificação de inimigos naturais. No trabalho de Didonet
et al. (2001), não ocorreu a presença de Odonata, visto que seu estudo foi
desenvolvido em lavoura de terras altas, fato que justifica a ausência desses
organismos, já que um dos principais fatores que propiciam sua presença nas
lavouras de arroz é a existência da lâmina d’água.
De acordo com os conceitos de Odum (1988) e Silveira Neto (1976), o índice
de diversidade (Shanon-Wiener) total de 0,977 apresenta-se num nível considerável
de diversidadede e o índice de equitabilidade J (0,627) (Pielou) revela baixa
equitabilidade, indicando que não houve uma uniformidade representativa na
distribuição das famílias de insetos identificadas ao longo do desenvolvimento da
cultura.
As demais famílias classificadas de insetos não foram expressivas. Esse fato
pode estar relacionado com os hábitos alimentares de cada organismo em contraste
com a fenologia da planta.
5.2 Famílias de ácaros na cultura do arroz
Acari foi disposto inicialmente em quatro táxons obtendo expressividade
apenas na ordem Mesotigmata, com dominância da família Phytoseiidae, sendo o
gênero Neoseiulus dominante, acessório, muito abundante e muito frequente;
enquanto Typhlodromus foi não dominante, acidental.
De acordo com MORAES (2002) os ácaros Phytoseiidae são caracterizados
como eficientes predadores por apresentarem uma baixa necessidade alimentar,
desenvolvimento
acelerado,
capacidade
de
sobrevivência
em
substratos
alternativos, e plantas com baixa infestação de presas. Os fitoseídeos mais
especialistas são capazes de encontrar presas alternativas para se alimentar na
vegetação natural durante a escassez de alimento, e espécies mais generalistas
48
podem se alimentar de pólen, néctar, outras substâncias secretadas pelas plantas e
por alguns insetos, e outras presas como pequenos insetos ou de seus ovos
(MORAES; FLECHTMANN, 2008; REIS, 2010). Este comportamento alimentar pode
vir fundamentar sua presença na cultura, mesmo na ausência ou escassez de
ácaros fitófagos.
No trabalho de Fritz (2009), em que foi realizado levantamento de artrópodes
em agroecossistemas orizícolas, Phytoseiidae foi a família de ácaros de maior
expressividade entre os inimigos naturais.
Os índices faunísticos para diversidade e equitabilidade para gêneros de
ácaros ao longo das coletas não foram expressivos. Neste sentido, houve um
domínio de apenas três gêneros. Na leitura de valores para os índices mencionados
Odum (1988) e Silveira Neto (1976) apontam que o índice de diversidade (ShanonWiener) para os valores encontrados no presente trabalho (0,527) caracteriza-se
como pouco diverso, e o índice de equitabilidade J (Pielou) (0,624) baixa
equitabilidade, indicando que não houve uma uniformidade representativa na
distribuição dos gêneros dos ácaros identificados.
5.3 Táxon Araneae na cultura do arroz
Quanto a Araneae, é de costume estar presente em cultivos de arroz. Em
trabalhos de levantamento na cultura como o de Costa (2007) e Machado; Garcia
(2010); Araneae também foi um dos grupos presentes entre os inimigos naturais,
porém com maior expressividade. Entre os principais aspectos importantes sobre o
papel das aranhas nos agroecossistemas é sua atuação como agentes do controle
biológico de insetos fitófagos como predadoras, além da sua constante presença e
abundância relativa em todas as fases de desenvolvimento da cultura (Aguilar 1988).
De acordo com Oliveira et al. (2007), as aranhas são importantes no controle
de pragas agrícolas, pela ação predadora, pois não danificam as plantas, possuem
capacidade de ampliar rapidamente o número de descendentes e não há riscos de
aumentos descontrolado da população devido às características de territoriedade e
canibalismo.
49
5.4 Táxon Collembola na cultura do arroz
Collembola foi o menor grupo em termos de expressividade entre os demais;
são importantes na base da cadeia alimentar e têm função relevante como
catalisadores na ciclagem de nutrientes. Promovem a decomposição de matéria
orgânica, e também atuam como bioindicadores visto que são particularmente
sensíveis às perturbações ambientais. Exploram variadas fontes de alimento; entre
elas pólen, microrganismos e fungos associados à matéria orgânica do solo,
ingerem fezes de vertebrados e invertebrados de solo e ainda servem de recurso
alimentar para outros artrópodes (BANDYOPADHYAYA; CHOUDHURI; PONGE,
2002; RAFAEL et al., 2012). Com isso, possivelmente a presença dos espécimes no
cultivo do arroz revela a importância da cultura na manutenção de comunidades de
invertebrados, deixando enfático que os indivíduos encontrados provavelmente
estavam ali causando benefícios ao ecossistema local. A presença de Collembola na
cultura do arroz também foi observada no trabalho de Fritz (2009), no entanto, os
mesmos estavam em maior número e sem causar problemas para a cultura.
6 CONCLUSÕES
Insecta foi o táxon mais frequente.
As cigarrinhas foram consideradas como a principal praga na cultura.
Os insetos predadores mais freqüentes foram Coenagrionidae (Odonata);
Chironomidae, Cecidomyiidae e Dolichopodidae (Diptera).
Os ácaros Phytoseiidae foram os mais abundantes e frequentes.
50
REFERÊNCIAS
AGUILAR, P. Las arañas como controladoras de plagas insectiles en la agricultura
peruana. Revista Peruana de Entomología, Piura, v. 31, p. 1-8, 1988.
AMRINE, J.W.JR. Catalog of the Eriophyoidea. A working catalog of the
Eriophyoidea of the world. 2003. Disponível em: http://insects.tamu.edu >. Acesso
em: 01 de jun. de 2013.
APRILE, M. Artrópodes: filo representa 80% do Reino animal. 2011. Disponível em:
<http://educacao.uol.com.br/disciplinas/biologia/artropodes-filo-representa-80-doreino-animal.htm07/01/201109h16>. Acesso em: 28 de fev. 2014.
ARAÚJO et al. Exposição múltipla a agrotóxicos e efeitos à saúde: estudo
transversal em amostra de 102 trabalhadores rurais. Ciência & Saúde Coletiva,
Nova Friburgo, v. 12, n. 1, p.115-130, 2007.
AZEREDO, E. H.; CARVALHO, G.;PUJOL-LUZ, C. V. A. Registro e preferência
alimentar de Tropidacris cristata Linnaeus [Eutropidacris cristata] (Orthoptera:
Acridoidea, Romaleidae) em Acacia mangium Willd (Leguminosae), ocorrentes no
município de Pinheiral, RJ. Revista Universidade Rural, v. 25, n. 2, p. 80-84, 2005.
BAGGIO, D. et al. Avaliação da presença de ácaros em cereais armazenados na
grande são Paulo. In: anais da E.S.A, Luiz de Queiroz, Vol XLIV 1987.
BANDYOPADHYAYA, I.; CHOUDHURI, D. K.; PONGE, J. Effects of some physical
factors and agricultural practices on Collembola in a multiple cropping programme in
west Bengal (India). European Journal of Soil Biology v. 38, n. 1, p. 111-117,
2002.
BARCELLOS, D.F. et al. Ocorrência do ácaro-do-arroz, nos estados do Rio de
Janeiro e Espírito Santo. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 14, n. 2, p
181-184, 1979.
BLASI, E. A. R. et al. Avaliação fisiológica e molecular da interação de plantas de
arroz (Oryza sativa) com ácaros fitófagos (Schizotetranychus oryzae). In: Simpósio
Interdisciplinar de Saúde e Ambiente (3. : 2013 : Lajeado, RS); Semana
Interdisciplinar em Saúde (9.: 2013 : Lajeado, RS) e Seminário de Educação
Permanente em Saúde (2.: 2013 : Lajeado, RS) Ed. da Univates, 2013. 163 p.
BROOKS, S. E. 2005. Characteristics and Natural History of Dolichopodidae s.str.
Dispinível em: <http://www.nadsdiptera.org/Doid/Dolichar/Dolichar.htm>. Acesso em:
28 de fev. 2014.
CABRERA, R. I. et al. Hirsutella sp., un nuevo parásito para el ácaro
Schizotetranychus elymus (Acari: Tetranychidae) en el cultivo del arroz.
FItosanidad, La Habana, vol. 8, n. 1, 2004.
51
CABRERA, R. I. Hirsutella nodulosa y otros hongos asociados al ácaro tarsonémido
del arroz Steneotarsonemus spinki (Acari: Tarsonemidae) en Cuba. Folia
Entomológica Mexicana, México, v. 44 n. 2, p. 115-121, 2005.
CADORIN. C. B. Procedimentos de perícia ambiental aplicados na atividade da
rizicultura: avaliação de impactos ambientais causados pelo uso de defensivos
agrícolas na região sul do estado de Santa Catarina. 2011. 72 f. Especialização
(Especialista em Perícia e Auditoria Ambiental) - Universidade do Extremo Sul
Catarinense, Criciúma, 2011.
CAPELLARI, R. S. Análise cladística de Diaphorinae (Diptera: Dolichopodidae).
2013. 145 f. Tese (Doutor em Ciências) - Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto,
2013.
CARVALHO. C. et al. Anuário brasileiro do arroz 2014. Santa Cruz do Sul: Editora
Gazeta Santa Cruz, 136 p. 2014.
CASSINI, S. T. Ecologia: conceitos fundamentais. Vitoria: Programa de pósgraduação em engenharia ambiental-UFES, 2005, 69 p.
CASTILHO, R. C. Taxonomia de ácaros Rhodacaridae (Acari: Mesostigmata) e
controle biológico de moscas Sciaridae (Diptera: Sciaridae) com ácaros
predadores mesostigmata em cultivo de cogumelos. Piracicaba, 2008. 112 f.
Dissertação (Mestrado em Entomologia Agrícola) - Escola Superior de Agricultura
Luiz de Queiroz – Universidade de São Paulo.
CASTRO, E. M. et al. Qualidade de grãos em arroz. Santo Antônio de Goiás:
Embrapa Arroz e Feijão, 1999. 30 p, (Circular Técnica, 34).
CODEVASF- Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do
Parnaíba. Colheita de arroz e cana no Perímetro Irrigado do Boacica movimenta
quase R$ 13 milhões no Baixo São Francisco alagoano. 2013. Disponível em:
<http ://www.conab.gov.br/conteudos.php?a=1253&t=2>. Acesso em: 20 out. 2014.
http://www.codevasf.gov.br/noticias/2007/colheita-de-arroz-e-cana-no-perimetroirrigado-do-boacica-movimenta-quase-r-13-milhoes-no-baixo-sao-franciscoalagoano/
CONAB - Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento da safra
brasileira de grãos: safra 2011/2012. 2011. Disponível em: <http
://www.conab.gov.br/conteudos.php?a=1253&t=2>. Acesso em: 01 out. 2011.
CONAB - Companhia Nacional de Abastecimento. Estudos de prospecção de
mercado safra 2012/2013. Brasília (DF), setembro de 2012.
CONAB - Companhia Nacional de Abastecimento: conjuntura regional de Alagoas –
Dezembro de 2004. Disponível em: <http://www.conab.gov.br/
OlalaCMS/uploads/arquivos/91f41390f8da7a656bb2296de93f0bba.pdf > Acesso em:
28 de out. 2012.
52
CONAB- Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento de safra
brasileira: grãos, nono levantamento, junho 2013- Brasília: Conab, 2013.
CONAB - Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento da safra
brasileira Grãos. v. 1 - safra 2013/14. n. 6 - Sexto Levantamento, Brasilia. p.1-83,
mar. 2014. ISSN 2318-6852.
COSTA, E. L. N. Ocorrência de artrópodes e seletividade de inseticidas na
cultura do arroz irrigado. 2007, 73f. Tese (Doutor em Fitotecnia) - Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007.
CPRM – Serviço Geológico do Brasil. Projeto cadastro de fontes de abastecimento
por água subterrânea. Diagnóstico do município de Igreja Nova estado de Alagoas.
Organizado [por] João de Castro Mascarenhas, Breno Augusto Beltrão, Luiz Carlos
de Souza Junior. Recife: CPRM/PRODEEM, 2005.
CRISPIM, B. C. F. Variabilidade genética no gênero Oryza.
Revista Faculdade Montes Belos, Montes Belos, v. 5, n. 4, 2012.
DIDONET, J. et al. Incidência e densidade populacional de pragas e inimigos
naturais em arroz de terras altas em Guriti- TO. Bioscience Journal, Tocantins, v.
17, n.1, p. 67-76, 2001.
DONATO, M.; MASSAFERRO, J.; BROOKS, S. J. Chironomid (Chironomidae:
Diptera) checklist from Nahuel Huapi National Park, Patagonia, Argentina. Revista
Sociedade Entomológica Argentina. Argentina, V. 67, p.163-170, 2008.
DOSSMANN, J.; BOTERO, C.; GARCÍA, J. El ácaro tarsonémido del arroz
Steneotarsonemus spinki Smiley. Cultivos y Semillas el Aceituno. Departamento de
investigación. 2005. Disponível em:< http://www.elaceituno. com/images/spinki.pdf>
Acesso em: 01 Nov. 2013.
ERTHAL, M. J.; GUARUS, IFF. Controle biológico de insetos pragas. In: Seminário
mosaico ambiental: olhares sobre o ambiente. I. 2011. Rio de Janeiro.
FORATTINI, O.P. et al. Observações sobre mosquitos Culicidae adultos em cultivo
irrigado de arroz no Vale do Ribeira, Estado de São Paulo, Brasil. Revista Saúde
pública, S. Paulo, v.23, p. 307-12, 1989.
FRITZ, L. L. Biodiversidade de artrópodes em agroecossistemas orizícolas do
Rio Grande do Sul. Brasil. 2009. 119 f. Dissertação (Mestrado em Biologia) –
Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, 2009.
FULAN J. A. ; HENRY. R. Variação anual da biomassa de Telebasis (Odonata:
Coenagrionidae), junto à EIchhornia azurea (sw.) Kunth,
na lagoa do Camargo (lateral ao Rio Paranapanema, São Paulo. Estudos de
Biologia. São Paulo, v. 30, p.117-23, 2008.
GALLO, D. et al. Entomologia agrícola. Piracicaba: FEALQ, 2002. 920 p.
53
GERSON, U; SMILEY, R.L.; OCHOA, R. Mites (Acari) for pest control. Oxford:
Blackwell Science, 2003. 539 p.
GUEDES, L. V.; SOARES, N.C. Conceito de biodiversidade: educação ambiental e
percepção de saberes. In: Congresso de Ecologia do Brasil, 8, 2007, Caxambu.
Anais... Caxambu, MG:SEB, 2007.
GIL-PALACIO, Z. N. et al. Las libélulas y su rol em el ecossistema de la zona
cafetera. Avances Técnicos 357/ Programa de investigação cientifica, Colombia,
2007.
GUIMARÃES, C. M.; FAGERIA, N. K. ; BARBOSA, M.P.F. Encarte de informações
agronômicas: Como a planta de arroz se desenvolve. nº 99 – set. 2002. Disponível
em: <http://www. ipni.org.br/ ppiweb/brazil.n sf/87cb8a9 8bf72572b
8525693e0053ea70/d5fbc829a2f54298832569f8004695c5/$FILE/Encarte%2099.pdf
>. Acesso em: 20 de out. 2012.
GURGEL. F. L. Grandes Culturas – a cultura do arroz . 2006. Disponível em: <
www.ebah.com.br/content/ABAAAem-8AJ/a-cultura-arroz> Acesso em: 01 out. 2011.
KRANTZ, G. W et al. Manual of Acarology. 3ª ed. Texas Tech University Press;
Lubbock, Texas, 2009. 807 p.
LARSON, D. L.; ROYER, R. A.; ROYER, M. Insect visitation and pollen deposition in
an invaded prairie plant community. Biological Conservation, v.130, p.148-159,
2006.
LEIVAS, F. W. T.; FISCHER, M. L. Avaliação da composição de invertebrados
terrestres em uma área rural localizada no município de Campina Grande do Sul,
Paraná, Brasil. Biotemas, Florianópolis, v.21, n.1, p. 65-73, 2008.
LENCIONI, F. The Damselflies of Brazil: an illustrated identification guide. II Coenagrionidae. Hit Counter, 2005.
LINK, D. LINK, F. M.; ANTUNES, V. M. Insetos associados ao cultivo do arroz de
sequeiro em Santa Maria, RS (UFSM) – Centro de Ciências Rurais. In: VII
Congresso de ecologia do Brasil. 2005 Caxambu.
LOFEGO, A. C.; MORAES, G. M. Ácaros (Acari) associados a Mirtáceas (Myrtaceae)
em áreas de Cerrado no Estado de São Paulo com análise faunística das famílias
Phytoseiidae e Tarsonemidae. Neotropical Entomology. Piracicaba, v. 35, n. 6, p.
731-746, 2006.
MACHADO, R. C. M. Cultura do arroz: importância econômica e principais pragas no
Rio Grande do Sul. 2010. Artigo em Hypertexto. Disponível em:
<http://www.infobibos.com/Artigos/2010_1/arroz/index.htm>. Acesso em: 14/4/2014.
MACHADO, R. C. M.; GARCIA, F. R. M. Levantamento de pragas e inimigos naturais
ocorrentes em lavoura de arroz no município de Cachoeirinha, Rio Grande do Sul.
Revista de Ciências Ambientais, Canoas, v.4, n.2, p. 57-68, 2010.
54
MAGALHÃES, J. A. M. et al. Aspectos genéticos, morfológicos e de desenvolvimento de
plantas de arroz irrigado. In: GOMES, A. S.; MAGALHÃES JÚNIOR, A. M. Arroz
irrigado no Sul do Brasil. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2004. p. 143160.
MAGALHÃES, A. M. J. Recursos genéticos de arroz (Oryza sativa L.) no Sul do Brasil
Pelotas. 2007, 160f. Tese (Doutorado em Ciências) - Universidade Federal de Pelotas,
Pelotas, 2007.
MAIA, V.C. Catálogo dos Cecidomyiidae (Diptera) do Estado do Rio de Janeiro. Biota
Neotropica . Rio de Janeiro, v. 5 n. 2, 2005.
MARQUES, M. D. Anatomia interna e fisiologia. In: RAFAEL, J. A. et al. Insetos do
Brasil: Diversidade e taxonomia. Ribeirão Preto: Halos, 2012. P. 33-79.
MARTINI. L. F. D. et al. Risco de contaminação das águas de superfície e
subterrâneas por agrotóxicos recomendados para a cultura do arroz irrigado.
Ciência Rural, Santa Maria, v.42, n.10, p.1715-1721, 2012.
MENDONÇA, R. S. NAVIA, D. CABRERA, R. I. Steneotarsonemus spinki Smiley,
1967 (Acari: Prostigmata: Tarsonemidae) – uma ameaça para a cultura do arroz no
Brasil. Brasília: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, 54p. 2004.
MESA-COBO, N. C. Ácaros Tepuipalpidae (Acari: Protigmata) no Brasil, novos
relatos para a América do Sul e Caribe e variabilidade morfológica e
morfométrica de Brevipalpus phoenicis (Geijski). Piracicaba, 2005. 393p. Tese
(Doutorado em Ciências) - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. 2005.
MICHEREFF, S.; BARROS, J. R. Proteção de plantas na agricultura
sustentável. Recife: UFRPE, Imprensa Universitária, 2001. 368 p.
MIGEON A.; DORKELD F. Spider Mites Web. Montpellier, France, 2011.
Disponível em: <http://www.catalogueoflife.org>. Acesso em: 01 de jun de
2013.
MORAES, G. J. Controle biológico de ácaros fitófagos com predadores, p. 225-237.
In: JRP. PARRA, P.S.M. BOTELHO, B.S. CORRÊA-FERREIRA & J.M.S. BENTO
(eds.), Controle biológico: patrasitóides e predadores. São Paulo, Manole, 635 p.
2002.
MORAES, G. J., FLECHTMANN. C. H. W. Manual de Acarologia: Acarologia
Básica e Ácaros de Plantas Cultivadas no Brasil. Ribeirão Preto: Holos. 2008
NASCIMENTO, W. F. Caracterização morfoagronômica de acessos de arroz (Oryza
sativa L.) de terras altas. 2008. 83 f. Dissertação (Mestrado em Agronomia) –
Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, 2008.
NICHOLLS, C. I. ; ALTIERE, M.; LUIGI P. Controle biológico de pragas através
do manejo de agroecossistemas. Brasília: MDA, 2007 33 p.
55
NUNES, J. L. S. Características do Arroz (Oryza sativa). 2007. Agrolink. Disponível
em:< http://www.agrolink.com.br/culturas/arroz/caracteristicas.aspx >. Acesso em: 10
de ou. 2012.
OLIVEIRA, H. A. L.; NESSIMIAN, J. L.; DORVILLÉ, L. F. M.Feeding habits of
Chironomid larvae (Insecta: Diptera) from a stream in the floresta da Tijuca, Rio de
Janeiro, Brazil. Brazilian Journal of Biology, Rio de Janeiro v. 63 n. 2, p. 269-281,
2003.
OLIVEIRA, J. V. de et al. 2007. Seletividade de alguns inseticidas na população
de aranhas em arroz irrigado. Disponível em: <http://www.irga.rs.gov.br/
arquivos/20071107160629.pdf>. Acesso em: 13 de jun 2014.
ODUM, E. P. Ecologia. Rio de Janeiro: Guanabara, 1988.
PEREIRA. A. I. A. JESUS, F. G. Insetos: ferramenta biológica de controle de pragas
no campo. II SEMAGRO. Urutaí, 2010.
PERONI, N.; HERNÁNDEZ, M. I. M. Ecologia de populações e comunidades.
Florianópolis: CCB/EAD/UFSC, 2011.123 p.
PICANÇO, M. C. Entomologia agrícola. Viçosa: Universidade Federa de Viçosa
Departamento de Biologia Animal – Setor de Entomologia. 2010.
PINHO, L.C. 2008. Diptera. In: Guia on-line: Identificação de larvas de Insetos
Aquáticos do Estado de São Paulo. Froehlich, C.G. (org.). Disponível em:
http://sites.ffclrp.usp.br/aguadoce/guiaonline.
PINHEIRO, B. S.; HEINEMANN, A. B. Árvore do conhecimento arroz. Ageitec, 2000.
Disponível em: <http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/arroz/arvore
/CONT000fe75wint02wx5eo07qw4xeclygdut.html.>.Acesso em: 11de out. 2012.
PITOMBEIRA, J. B. Cultura do arroz (Documento de circulação restrita). Universidade
Federal do Ceará. Ceará, 2006.
PLATNICK, N.I., 2011. The World Spider Catalog, versão 12.0. Publicação online
disponível em: <http://research.amnh.org/iz/spiders/catalog/>. Acessado em:
18.11.2011.
RAFAEL, J. A. et al. Insetos do Brasil: Diversidade e Taxonomia. Ribeirão Preto:
Halos, 2012.
REIS, P. R. et al. Ácaros da família Phytoseiidae associados aos citros no município
de Lavras, sul de Minas Gerais. Anais da Sociedade Entomologica do Brasil,
Londrina, v. 29, p. 95-104, 2000.
REIS, P. R. Fundamentos de Acarologia Agrícola. São Paulo: Lavras, 2010.
REICHERT, L. M. M. A importância dos dípteros como visitantes
56
florais: uma revisão de literatura. 2010. 105 f. Monografia (Bacharel em Ciências
Biológicas) - Universidade Federal de Pelotas, pelotas 2010.
ROCHA, G. O.; NETTO, M. C. B.; LOZI, L. R. P. Diversidade, riqueza e abundância
da entomofauna edáfica em área de cerrado do Brasil Central. Universidade
Estadual de Goiás. 2005. Anápolis - GO. Disponível em: <www.sebecologia.org.br/viiceb/resumos/1036a.pdf> Acesso em: 14/02/2014.
ROCHA, M. S. et al. Bioecologia da acarofauna associada à cultura do arroz
(Oriza sativa: poaceae) em Taquari e Cachoeirinha, Rio Grande do Sul, Brasil. In:
Congresso de iniciação cientifica III amostra cientifica. XX.; Rio Grande do Sul,
UFPEL. 2011.
RODRIGUES E. N. L; MENDONÇA, M. S. J.; OTT, R. Fauna de aranhas (Arachnida,
Araneae) em diferentes estágios de cultivo do arroz irrigado em cachoeirinha, RS,
Brasil. Iheringia, Série Zoologia, Porto Alegre, v. 98, n.3, p. 362-371, 2008.
RUPPERT, E. E.; BARNES, R.D. Zoologia dos Invertebrados. 6ºed. São
Paulo: Roca, 1996.
SANTOS, A. B.; RABELO, R. R. Informações Técnicas para a cultura do arroz
irrigado no Estado do Tocantins: Embrapa Arroz e Feijão. Documentos 218,
Santo Antonio de Goiás, 136 p., 2008.
SILVA. A. F. et al. Teste de qualidade do arroz. Revista Brasileira de
Sementes, Goiânia, v. 33, n. 3, p. 490-500, 2010.
SILVA, F. L. et al. Hábitos alimentares de larvas de Chironomidae (Insecta:
Diptera) do córrego Vargem Limpa, Bauru, SP, Brasil. Bauru, Biotemas, v. 21,
n. 2, p. 155-159, 2008.
SILVA. S. T. et al. Conversando sobre Ciências em Alagoas: escorpiões,
aranhas e serpentes: aspectos gerais e espécies de interesse médico no
Estado de Alagoas. Maceió: EDUFAL, 2005. 54p.
SILVEIRA N. et al. Manual de Ecologia dos Insetos. Piracicaba: Agronômica
Ceres, 1976. 416 p.
SOUZA et al., Impact of insecticides on non-target arthropods in watermelon
crop. Ciências Agrárias, Londrina, v. 33, n. 5, p. 1789-1802, 2012.
SOUZA, J. M. T. 2006. Cecidomyiidae- Ecologia e Biologia: o estado da arte.
Disponível em: <www.zoo.bio.ufpr/bz730/Cecidomyiidae.pps> Acesso em: 21
de Mar. 2014.
SOSBAI. Arroz Irrigado: Recomendações da pesquisa para o Sul do Brasil.
Santa Maria: Sosbai, 2007. p 89-92.
57
ULRICH, H. 2005. Predation by adult Dolichopodidae (Diptera): a review of
literature with an annotated prey-predator list. Studia Dipterologica 11: 369403.
VANIN, S. A. Filogenia e classificação. In: RAFAEL, J. A. et al. Insetos do Brasil:
Diversidade e taxonomia. Ribeirão Preto: Halos, 2012. p 82.
VIEIRA, A. R. et al. Qualidade de sementes de arroz irrigado produzidas com
diferentes doses de silício, Revista Brasileira de Sementes, vol. 33, 2011.
Disponível em:<http: // www.scielo.br/scielo.php?pid=S010131222011000300012&script=sci_arttext. Acesso em: 16 out. 2012.
VIEIRA, S. Introdução à Bioestatística. Rio de Janeiro: Elsevier. 4º ed. 2008.
WALTER, D. E.; PROCTOR, H. C. Mites: ecology, evolution and behaviour.
Sydney: University of New South Wals Press, 1999. 322 p.
WALTER, M.; MARCHEZAN, E.; AVILA, L. A. Arroz: composição e características
nutricionais. Ciência Rural, Santa Maria, v. 38, n.4, p.1184-1192, 2008.
WELBOURN, W. C. et al. Morphological observations on Brevipalpus phoenicis
(Acari: Tenuipalpidae) including comparisons with B. californicus and B. obovatus.
Experimental and Applied Acarology, Amsterdam, v. 30, p. 107-133, 2003.
WIT, J. P. et al. Integração de métodos físicos e biológicos para o controle de
doenças e pragas em lírios e espatifilo. In: BETTIOL, W.; MORANDI, M. A. B.
Biocontrole de doenças de plantas: usos e perspectivas, Embrapa: JaguariúnaSP, Cap. 22, p. 330-335. 2009.
ZEPPELINI, D. Collembola. In: RAFAEL, J. A. et al. Insetos do Brasil: Diversidade e
taxonomia. Ribeirão Preto: Halos, 2012. p 201-211.
