Efeito da temperatura e períodos de permanência em câmara úmida na intensidade das manchas dos cladódios da palma forrageira (Nopalea cochenillifera) e avaliação de cultivar em relação às doenças.

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PROTEÇÃO
DE PLANTAS

CECA

UFAL

JANE CLÉA GOMES MOREIRA

EFEITO DA TEMPERATURA E PERIODO DE PERMANÊNCIA EM CÂMARA
ÚMIDA NA INTENSIDADE DAS MANCHAS DOS CLADÓDIOS DA PALMAFORRAGEIRA (Nopalea cochenillifera) E AVALIAÇÕES DE CULTIVAR EM
RELAÇÃO ÀS DOENÇAS

RioLargo
2015

JANE CLÉA GOMES MOREIRA

EFEITO DA TEMPERATURA E PERIODO DE PERMANÊNCIA EM CÂMARA
ÚMIDA NA INTENSIDADE DAS MANCHAS DOS CLADÓDIOS DA PALMAFORRAGEIRA (Nopalea cochenilifera) E AVALIAÇÕES DE CULTIVAR EM
RELAÇÃO ÀS DOENÇAS

Dissertação
apresentada
ao
Programa de Proteção de Plantas,
da Universidade Federal de
Alagoas, como requisito para
obtenção do titulo de Mestre em
Agronomia.
Orientador: Prof. Dr. Gaus
Silvestre de Andrade Lima
Co-orintador: Profa. Dra. Iraildes
Pereira Assunção

RioLargo
2015

JANE CLÉA GOMES MOREIRA

EFEITO DA TEMPERATURA E PERIODO DE PERMANÊNCIA EM CÂMARA
ÚMIDA NA INTENSIDADE DAS MANCHAS DOS CLADÓDIOS DA PALMAFORRAGEIRA (Nopalea cochenilifera) E AVALIAÇÕES DE CULTIVAR EM
RELAÇÃO ÀS DOENÇAS

Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado
em Proteção de Plantas, do Centro de Ciências
Agráriasda Universidade Federal de Alagoas.
Aprovada pela seguinte Banca Examinadora:

Prof. Dr. Gaus Silvestre de Andrade Lima –
Universidade Federal de Alagoas (Orientador)

Profa. Dra. Maria de Fátima Silva Muniz – Universidade Federal de Alagoas
(Examinador Interno)

Dr. Jaime Honorato Júnior – Fazenda Sucupira
(Examinador Externo)

Rio Largo
2015

Dedico à Deus primeiramente por ter
me
capacitado
e
me
dado
oportunidade de vencer mais uma
etapa importante em minha vida.
Aos meus pais Mauricio Moreira e
Benilda Gomes pelo incentivo
porterem confiado e apostado em mim
durante esses anos, estando ao meu
lado em todas as etapas de minha
vida.
A minha irmã Angélica Aline pelo
amor, carinho e incentivo aos meus
estudos.

Ao meu noivo Anderson Salles, por
ter sido meu amigo e companheiro
durante todos os momentos dessa
caminhada.

OFEREÇO

AGRADECIMENTOS

As minhas tias Benilta Gomes e Cícera Januária, por acreditarem na minha
capacidade e estarem sempre presente em minha vida. A querida Amiga Laudjane pelo
incentivo e carinho.
Aos meus Compadres Aline Rubenstaine e Evi Araujo, pela confiança e incentivo, a
minha Afilhada Evillyn pelo seu amor e carinho.
À Universidade Federal de Alagoas – UFAL, ao Centro de Ciências Agrárias–
CECA, juntamente com o Laboratório de Fitopatologia Molecular e a Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pela oportunidade da realização e
concretização do meu curso de Mestrado e pela concessão da minha bolsa de estudo.
Aos meus Professores Iraíldes Pereira Assunção, Gaus Silvestre de Andrade Lima,
pela confiança, orientações, muita paciência e dedicação durante todaa minha permanência
no programa de Pós – Graduação em Proteção de plantas (OBRIGADA!).
Agradeço ao doutorando Frederico Monteiro Feijó por sua disponibilidade que foi de
suma importância para realização de todo o trabalho, dedicando seu tempo para me auxiliar
em todas as etapas do trabalho.
Aos meus amigos Jean Phillipe, Renato Nascimento, Lurdes Regina que contribuíram
para a concretização deste trabalho e pela Amizade.
A todos os colegas (Mayra, Lucas, Aline, Juçara, Luiz, Maria Eugênia, Janaíne,
Jackeline, Leonardo, Roberto) do Laboratório de Fitopatologia Molecular que contribuíram
de forma direta ou indireta para realização deste trabalho.

RESUMO

A palma-forrageira é uma cultura de importância socioeconômica no semiárido nordestino,
constituindo uma das principais alternativas para alimentar os rebanhos na época da
estiagem. Em Alagoas a palma-forrageira é a segunda cultura mais plantada, sendo superada
apenas pela cana-de-açúcar. A cultura também alcança relevância nos estados de
Pernambuco, Paraíba e Ceará. Apesar de rústica, a palma-forrageira pode ser hospedeira de
uma série de patógenos, os quais em determinadas condições podem comprometer a
produção. Dentre as doenças se destaca a mancha dos cladódios, que causa lesões circulares,
inicialmente amareladas e posteriormente necróticas que comumente atravessam toda a
espessura do cladódio. A doença foi relatada em vários estados brasileiros, tendo sido
associada a diferentes fungos fitopatogênicos. Os aspectos epidemiológicos da doença ainda
não foram investigados, bem como á interação planta-patógeno. Dessa forma o presente
trabalho teve como objetivos verificar o efeito da temperatura e permanência em câmara
umidade na intensidade das manchas dos cladódios causadas por Colletotrichum
gloeosporioidese Fusarium sp. e avaliar a resposta de cultivar em relação a o s mesmos
patógenos. Para os experimentos que investigaram os efeitos da temperatura e da umidade no
desenvolvimento da doença foram inoculados cladódios da variedade “miúda” com um
isolado de Collettrichum gloeosporioides e um de Fusarium sp. Para testar o efeito da
temperatura, após as inoculações os cladódios foram incubados em BOD ajustadas para 22,
26, 30 ou 340C. No experimento para determinar o efeito da umidade os cladódios foram
mantidos, após as inoculações, em câmara úmida por períodos de 12, 24, 36 e 48 horas. Em
ambos os experimentos se determinou o diâmetro das lesões aos sete dias após a inoculação.
Para testar a resposta das cultivar em relação aos dois patógenos, cladódios de “Miúda”,
“Texas Nopalera”, “Palma Alagoas”, “Negro Michoacan” e “Tamazunchale” foram
inoculados e mantidos em BOD a 22 0C durante sete dias, quando os diâmetros das lesões
foram determinados. De um modo geral temperaturas mais amenas e períodos de umidade
mais prolongados favoreceram o desenvolvimento da doença, sendo 220C e 48 horas de
permanência na câmara úmida as condições que proporcionaram as lesões mais extensas,
seja para C.gloeosporioides, seja para Fusarium sp. Com relação ao comportamento das
cultivar verificou-se que “Texas Nopalera” e “Tamazunchale” desenvolveram lesões
significativamente menores que as demais cultivar quando inoculadas com Fusarium sp. Em
relação a C. gloeosporioides se destacaram “Negro Michoacan” e “Tamazuchale” como as
mais resistentes.
Palavras Chaves: Nopalea spp., Epidemiologia, Doença da palma-forrageira.

ABSTRACT

The sweet cactus is a culture of socioeconomic importance in the semi-arid northeastern,
constitute one of the main alternatives to feed the flocks in the season of the drought. In
Alagoas the sweet cactus is the second crop more planted, being surpassed only by the sugarcane. Culture also reaches relevance in the states of Pernambuco, Paraíba and Ceará.
Although rustic, sweet cactus can be a host for a series of pathogens, which under certain
conditions may compromise the production. Among the diseases that highlights the stain of
cladodes, which causes lesions circulars, initially yellowish and subsequently necrotic that
commonly cross the whole thickness of the cladode (pad). The disease was reported in several
Brazilian states, having been associated to different phytopathogenic fungi. The
epidemiological aspects of the disease has not yet been investigated, as well as plant-pathogen
interaction will be. In this way the present work had as objective to verify the effect of
temperature and moisture chamber permanence in the intensity of the spots of cladodes
caused by Colletotrichum gloeosporioidese, Fusarium sp. and assess response to cultivate in
relation to the same pathogens. For the experiments that have investigated the effects of the
temperature and humidity in the development of the disease were inoculated cladodes variety
"Streetwise" with one isolate of Collettrichum gloeosporioides and one of Fusarium sp. To
test the effect of temperature, after the inoculations the cladodes were incubated in BOD
adjusted for 22, 26, 30 or 34ºC. In experiment to determine the effect of moisture the cladodes
were kept, after inoculations, in a humid chamber for periods of 12, 24, 36 and 48 hours. In
both experiments if determined the diameter of lesions to seven days after inoculation. To test
the response of the cultivar in relation to two pathogens, cladodes of "Streetwise", "Texas
Nopalera", "Palma Alagoas", “Negro Michoacan” and “Tamazunchale” were inoculated and
kept in BOD at 22 0C for seven days, when the diameters of the lesions were determined.
Generally milder temperatures and humidity more prolonged periods favored the development
of the disease, being 22ºC and 48 hours of permanence in the wet chamber conditions that
have provided more extensive lesions, whether for C. gloeosporioides, either for Fusarium sp.
With regard to the behavior of the cultivar was found that "Texas Nopalera" and
"Tamazunchale" developed lesions significantly lower than the other cultivar when inoculated
with Fusarium sp. In relation to C. gloeosporioides stood out, "Negro Michoacán" and
"Tamazuchale" as the most resistant.
Key words: Nopalea spp., Epidemiology, Sweet cactus disease.

LISTA DE FIGURAS

Figura – 1 Origem e obtenção dos isolados............................................................................... 19
Figura – 2 Preservação dos isolados C14 e F43.........................................................................20
Figura – 3 Teste de patogenecidade com e sem ferimento.........................................................25
Figura – 4 Caracterização morfológica dos isolados C14 e F43................................................26
Figura – 5 Aspecto das colônias dos isolados C14 e F45 aos sete dias de Idade......................27
Figura – 6 Efeito da temperatura ( 22, 26, 30 e 34 0C ) sobre o tamanho médio
das lesões Causadas por C. gloeosporioides e Fusarium sp.....................................30
Figura – 7 Efeito de período de permanência em câmara úmida sobre tamanho
Médio das lesões causadas por C. gloesporioides e Fusarium sp. Em
Cladódios de palma – forrageira .............................................................................33
Figura – 8 Comportamento de cultivares de palma – forrageira á C. gloesporioides
e Fusarium sp...........................................................................................................35

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico - 1 Efeito de diferentes temperaturas sobre o tamanho médio das
Lesões causadas por C. gloeosporioides e Fusarium sp.............................29
Gráfico – 2 Efeito de períodos de permanência em câmara úmida sobre o
o tamanho médio das lesões causada por C. gloeosporioides e
Fusarium sp.................................................................................................32
Gráfico – 3 Resposta de cultivares depalma-forrageira miúda à mancha
Dos cladódios causadas por C. gloeosporioides e Fusarium sp..................34

LISTA DE TABELAS

Tabela – 1 Quadro da análise de regressão para o efeito da temperatura sobre
a severidade das machas de cadódios ocasionada pela antracnose............................28
Tabela - 2 Quadro da análise de regressão para o efeito da temperatura sobre
a severidade das machas de cadódios ocasionapela fusariose..……………...............30
Tabela – 3 Quadro da análise de regressão para o período de permanência em
câmara Úmida para antracnose………………………………….…….......................31
Tabela - 4 Quadro da análise de regressão para o período de permanência em
câmara úmida para fusariose…………………………………..…………………....32
Tabela – 5 Quadro de análise de variância da resposta de cultivaresde
palma forrageira miúda a C. gloesporioides aos 7 dias após
inoculação (DAI)………….........................................................................................34
Tabela - 6 Quadro de análise de variância da resposta de cultivares de
palma forrageira miúda a Fusarium spaos 7 dias após
inoculação (DAI)……………….................................................................................34

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÂO ............................................................................................................. 13
2 REVISÃO DE LITERATURA................................................................................15
2. 1 Aspectos botânicos da cultura da palma-forrageira.........................................15
2. 2 Importância econômica-social da palma-forrageira..........................................15
2. 3 Doenças da palma-forrageira............................................................................15
2. 4 Efeito da temperatura e tem em câmara úmida sob a severidade das
doenças.............................................................................................................16
3 MATERIAL E MÉTODOS..................................................................................18
3. 1 Orige e obtenção dos isolados...........................................................................18
3. 2 Cultura monospórica..........................................................................................18
3. 3 Preservação dos isolados...................................................................................19
3. 4 Teste de patogenicidade....................................................................................20
3. 5 Identificação e caracterização dos isolados.......................................................20
3. 5. 1 Caraterização cultural................................................................................21
3. 5. 2 Caracterização morfológica.......................................................................21
3. 6 Caracterização molecular..................................................................................22
3. 6. 1 Extração de DNA.....................................................................................22
3. 6. 2 Amplificação do DNA e seqüenciamento dos produtos de PCR.............23
3. 7 Efeito da temperatura na severidade da doença...............................................23
3. 8 Efeito da umidade na severidade da doença....................................................24
3. 9 Respostas de diferentes cultivar de palma-forrageira miúda (Nopalea
cochenillifera) a Colletotrichum gloesporioides e Fusarium sp......................24
4 RESUTADOS E DISCUSSÃO............................................................................25
4. 1 Obtenção dos isolados e teste de patogenicidade............................................25
4. 2 Caracterização morfocultural e molecular........................................................26
4. 3 Efeito da temperatura na severidade da mancha dos cladódios......................28
4. 4 Efeito de período de permanência em câmara úmida na severidade das
manchas dos cladódios da palma forrageira.....................................................31
4. 5 Resposta de cultivares de palma-forrageira miúda (Nopalea
cochenillifera) às manchas dos cladódios ocasionadas por
Colletotrichum gloesporioides e Fusarium sp...................................................34
CONCLUSÕES.........................................................................................................37
REFERÊNCIAS.......................................................................................................38

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AD

Água Destilada

ADE

Água Destilada Esterilizada

ASSISTAT

Assistência Estatística

BDA

Batata-Dextrose-Ágar

BLAST (NCBI)

Basic Local Alignment Search Tool (National Centerfor

BiotechnologyInformation)
BOD

Biochemical Oxygen Demand

CAM

Metabolismo do ácidocrassuláceo

CECA

Centro de Ciências Agrárias

CTAB

Cetil Trimetil Brometo de Amônio DNA

EMBRAPA

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

GPDH

Gliceraldeído 3-Fosfato Desidrogenase

IPA

Empresa pernambucana depesquisa Agropecuária

ITS

Internal transcribedspacer

PCR

Reação em Cadeia da Polimerase

rDNA

DNA ribossômico

TMLC

Tamanho médio das lesões de Colletotrichum

TMLF

Tamanho médio das lesões de Fusarium

UFAL

Universidade Federal deAlagoas

13

1 INTRODUÇÃO

Palma-forrageira (Nopalea cochonillifira, Salm Dyck) é o nome popular que
determinadas espécies da família Cactaceae recebem. Algumas dessas espécies apresentam
importância econômica, sendo utilizadas na alimentação animal e como criatório para a
cochonilha do carmim (Dactylopius coccus, Costa), aqual é empregada como fonte de um
corante muito utilizado na indústria de cosméticos e na indústria alimentícia (Santos etal.,
2006).
Nos últimos anos, a área cultivada com palma-forrageira no Brasil vem crescendo,
chegando a aproximadamente 500 mil hectares, concentrados principalmente nos municípios
das bacias leiteiras de Alagoas, Pernambuco, Ceará e Paraíba. O Brasil se destaca como o
maior produtor mundial depalma-forrageira seguido por África do Sul, México e Peru
(Santos et al.,2006).
Deacordo com Santos (2001) outra vantagem importante da palma-forrageira, é que
diferentemente de outras forragens, apresenta alta taxa de digestão ruminal, sendo a matéria
seca degradada rapidamente, favorecendo maior taxa de passagem e, conseqüentemente,
consumo semelhante ao dosconcentrados.
Segundo Santos et al. (1990), no Brasil são exploradas comercialmente três
variedades.A Graúda ou Gigante e a Redonda pertencem à espécie Opuntia fícus-indica, e a
Miúda ou Doce, à espécie Nopalea cochenilifera sendo que as duas primeiras têm se mostrad
mais rústicas que amiúda.Em Pernambuc na Paraíba predominam as cultivar Gigante e
Redonda, enquanto que em Alagoas a palma-forrageira Miúda é mais plantada.
A empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária – IPA temsido referência no
melhoramento genético da palma-forrageira no Brasil, bem como no desenvolvimento de
sistema de produção mais eficientes para a cultura. O IPA detém um banco de germoplasma
na Estação Experimental de Arcoverde, (PE), com cerca de 1.400 entradas de diferentes
variedades, sendo 200 destas introduzidas do México, EUA, África do Sul, Argélia, Chile
entre outros (Silva et al.,2006).
De acordo com Santos et al. (2006) a utilização de culturas anuais como milho (Zea
mays L.), sorgo (Sorghum Bicolor L.Moench), feijã (Phaseolus vulgaris L.), f e i j ã o - fava
(Phaseolus lunatusL.), jerimum (Cucurbita pepo L.), mandioca (Manihot esculenta Crantz)

14

etc.,intercaladas com a palma forrageira tem sido uma prática adotada pelos produtores com
o objetivo de viabilizar o cultivo em termos econômicos e de tratos culturais desta forrageira.
No Brasil poucos estudos foram conduzidos com foco nas doenças da palmaforrageira, dentre as doenças descritas no Nordeste, destacam-se as podridões dos cladódios,
as podridões de raízes e raquetes da base e as manchas dos cladódios (Santos et al, 2002).
Contudo, a mancha de Alternaria, pelo menos para apalma-forrageirada variedade
miúda, parece ser a doença mai importante, pela freqüente observação no campo. Os
sintomas caracterizam-se por manchas de coloração preta nas raquetes, nas formas circulares
ou elípticas, medindo 1,0-3,0 cm de diâmetro com abundante esporulação na superfície da
lesão. Frequentemente as lesões são secas e se estendem de uma face à outra da raquete,
exibindo perfurações devido à queda do tecido infectado. As manchas podem coalescer,
formando grandes áreas necrosadas e causando queda das raquetes. (Santos et al, 2002)
Dependendo da região considerada, diferentes patógenos tem sido relatados como
agentes etiológicos das manchas dos cladódios, sendo os fungos Altenaria sp., C.
gloeosporioides e Cercosporidium sp. os mais frequentes (Santos et al., 2006; QuezadaSalinas et al., 2006; Rosa et al.2008;Lima et al.2011).
Apesar da importância das manchas dos cladódios da palma-forrageira nenhum
trabalho foi desenvolvido com o intuito de se verificar o efeito de fatores ambientais como a
temperatura e o periodo de permanência em câmara úmida na incidência porcentagem
(freqüência) da planta doente ou orgãos doentes e na severidade das doenças porcentagem da
área de tecido doente (sintomas e/ou sinais visíveis). De acordo com Santos et al.(2006 a
expansão da cultura da palma-forrageira e o plantio adensado podem contribuir para o
aumento da incidência dessa e de outras doenças,justificando estudos mais detalhados,
principalmente no que se refere ao efeito dos fatores ambientais e às medidas de controle,
pois até o momento tais informações não estão disponíveis.
Também não se encontrou estudos sobre á reação de diferentes cultivares de palmaforrageira em relação às doenças, pois dadas as características da cultura, notadamente ao
fato de ser praticad por pequenos agricultores/criadores, a resistência genética seria a medida
de manejo mais indicada.Visto que além do alto potencial de rendimento, boa resistência às
doenças, garantem a estabilidade da produção e aceitação dos agricultores.
Diante do exposto o presente trabalho teve como objetivos investigar o efeito da
temperatura e permanência em câmara umidade na severidade das manchas doscladódios da
palma-forrageira e avaliar a resposta de cinco cultivar de palma-forrageira miúda (Nopalea

15

cochonillifera) em relação àdoença.

2 REVISÃO DELITERATURA

2.1 Aspectos botânicos da cultura da palma-forrageira

As espécies de palma-forrageira forrageira estão inseridas na Classe Angiospermae,
Família Cactaceae; Subfamília Puntioideae, Gênero Opuntia; subgênero Opuntia e Nopalea
(Chiacchio et al. 2006). As espécies são consideradas xerófilas, apresentando adaptações às
condições edafoclimáticas adversas do semiárido. A sua fisiologia é caracterizada pelo
processo

fotossintético

denominado

metabolismo

do

ácido

crassuláceo

(CAM)

(Fariasetal.,2000).
De acordo com Fabricantes et al., (2014) algumas características morfológicas das
palma forrageiras incluem caules suculentos, ramificados, clorofilados, achatados, de
coloração verde-acinzentada, mais compridos, variando de densamente espinhosos até
desprovidos de espinhos, deporte arbustivo, com altura entre 1,5 e 3 m. As folhas são
excepcionalmente pequenas, decíduas e precoces.As flores são vistosas, amarelas ou laranjas
brilhantes e possuem numerosos estames. Os frutos são amarelos- avermelhados, suculentos,
com aproximadamente 8 cm de comprimento,com tufos de diminutos espinhos.

2.2 Importância econômica-social da palma-forrageira

As espécies Opuntia ficus-indica e Nopalea cochenillifera se destacam como as mais
plantadas e de acordo com Broglio-Micheletti et al.(2008), provavelment são originárias das
Ilhas Canárias, tendo sido introduzidas no Brasil pelos portugueses no século XIX, para se
iniciar a multiplicação da cochonilha (Dactylopius coccus Costa), que produz o corante
carmim, de grande valor commercial á epoca.
Segundo a literatura, atualmente a cochonilha do carmirn não sobrevive em
condições de campo aberto e o seu “cultivo” tem sido realizado sob condições especiais de
temperatura e luminosidade, o que provavelmente causou o insucesso da produção da
cochonilha, as cactáceas introduzidas passaram a ter valo como planta ornamental e
posteriormente como forrageira.

16

Apalma-forrageira possui caracteres que atornam importante para a pecuária tanto
pela capacidade de adaptação, rusticidade e longevidade no semiárido como pela boa
palatabilidade pelo gado (Silva et al.,2010).
Atualmente, a palma-forrageira é cultivada visando principalmenteà subsistência das
famílias pecuarista do Nordestedo Brasil, onde são cultivadas entre as espécies de palmaforrageira a Cv. “gigante” (Opuntia fícus-indica), Cv.“redonda” (Opuntiasp), e Cv.“miúda”
(Nopalea cochenillifera SalmDick).
A palma-forrageira miúda apresenta maior palatabilidade ao gado, entretanto, menor
resistência à seca Silva et al.,2010).
A palma-forrageira possui aspecto fisiológico especial quanto à absorção,
aproveitamento e perda de água, sendo bem adaptada às condições adversas do semiárido,
suportando prolongados períodos de estiagem (Silvae Santos 2006). Além de fornecer
nutrientes aos ruminantes no período de seca a palma-forrageira ajuda os animais suprirem
grande parte da água necessária ao corpo (Wanderley et al.,2002).
Para o nordeste Brasileiro, a palma-forrageira, é uma cultura considerada como uma
das melhores alternativas de suporte forrageiro, que pode atender, durante o período seco,
boa parte das necessidades dos bovinos e caprinos.
Para o estado de Alagoas a cultura da palma-forrageira é de suma importância, visto
que é a segunda cultura econômica mais plantada no estado para suprir as necessidades da
pecuária, perdendo apenas para a cultura da cana de açúcar.
2.3 Doenças da palma-forrageira

Pesquisas que abordam doenças da palma-forrageira são escassas no Brasil e,de um
modo geral, se limitam a registros de ocorrência e descrição de sintomas. Os fungos são os
patógenos mais observados sobre a cultura e infectam preferencialmente as raquetes, ricas
em umidade (Benna,1991;Granatae Sidoti,2000).
Diversos fungos têm sido relatados como agente das podridões dos cladódios e das
raízes e raquetes da base da palma-forrageira, podendo-se cita Lasiodiplodia theobromae
(Pat.) Griff & Maubl., Sclerotium rolfsiiSacc, Scytalidium lignicola Pes,. Fusarium solani
(Mart.) Sacc e Rhizoctonia solani Kuhn. A podridão de raquetes da base também pode ter
como agente etiológico a bactéria Pectobacterium carotovora (Santos et al., 2006). Por sua
vez, as manchas dos cladódios são provocadas principalmente por Alternaria sp.,
Colletotrichum gloeosporioides e pó Pseudocercospora sp.(Quezada- salinas et al., 2006,

17

Rosa et al., 2008; Hernándes-Peres et al.,2009).
No caso da palma-forrageir miúd a mancha dos cladódios parece ser uma das doenças
mais importantes, pela frequente observação no campo, visto que seus sintomas são bem
caracteristicos.
De acordo com Santos et al. (2006) uma mancha doscladódios, atribuída a Alternaria
sp. foi assinalada no município de São Bento – PE, ocorrendo epidemia com 70% de
incidência em palma-forrageira Cv. miúda e causando intensa queda de raquetes. Lima et al.
(2011) também verificaram alta incidência da mancha dos cladódios nos municípios de
Batalha - AL e São João - PE. Em ambas as situações os autores observaram que Alternaria
sp. era o agente etiológico da doença.
No México, a partir de raquetes com sintomas semelhantes aos da mancha de
Alternaria, foram isolados os fungos C. gloeosporioidese Cercosporidium sp. (QuezadaSalinas et al., 2006). Os autores verificaram que a inoculação de conídios de Cercosporidium
apenas ou misturados a conídios de C.gloeosporioides resultava em lesões semelhantes às
observadas em campo, no entanto nenhum sintoma foi observado quando a inoculação se fez
apenas com conídios de C.gloeosporioides.
Por outro lado, Rosa et al. (2008) relataram que as manchas dos cladódios observadas
em Pernambuco e na Paraíba foram ocasionadas por C.gloeosporioides.Segundo esses
autores as lesões geralmente são marrons claras, ligeiramente deprimidas e com aspecto
úmido, medindo de 0,5 a 2,0 cm de diâmetro, as quais também podiam atravessar toda a
espessura dos cladódios.
Todavia, no caso de Alternaria sp. A identificação foi baseada apenas em caracteres
morfológicos não sendo possível chegar á espécies e, C. gloeosporioides, a identificação foi
feita com base no sequenciamento da região ITS, o que tem se mostrado insuficiente para
identificação precisa do patógeno (DAMM et al., 2012). Também é possível que outros
patógenos possam causar sintomas semelhantes em cladódios de palma-forrageira.
De acordo com Freire, (2009) á Antracnose foi detectada em poucas plantas da
cultura da palma-forrageira, especialmente em período chuvoso. Causada pelo fungo
Colletotrichum sp., a enfermidade foi observada afetando a parte terminal da planta,
provocando uma extensa lesão decoloração azulada, às vezes com linhas concêntricas.
Colletotrichum é um gênero que pertence à classe dos ascomicetos, abrangendo
várias espécies que causam antracnose em diversas culturas (BAYLEY, JEGER ,1992). O
gênero Colletotrichum foi recentemente apontado por fitopatologistas de todo o mundo como
o oitavo gênero de fungos fitopatogênicos mais importante (DEAN, et al.,2012).

18

2.4 Efeito da temperatura e tempo em câmara umidade sob a severidade das doenças

Segundo Agrios (1997) a temperatura e a umidade na superfície da planta são os
fatores ambientais que mai afetam o início e o progresso de doenças infecciosas em plantas.
Os patógenos diferenciam-se desenvolvendo por alta ou baixa temperatura, uma vez que a
mesma afeta a germinação de esporos e o número de esporos formados. Existem quatro
combinações de temperatura e umidade que favorecem um grande número de doenças e seus
agentes causais: quente e seco, quente e úmido, frio e seco, frio e úmido (Kenaga,1974).
A umidade é indispensáve para a germinação da maioria dos esporos fúngicos e para a
penetração do tubo germinativo no hospedeiro, além de aumentar a suscetibilidade a certos
patógenos, afetando a incidência e a severidade permitindo a ocorrência de doenças
(Arinze,1986).
Menezes (2006) relata que condições particulares do ambiente, do patógeno e do
hospedeiro determinam a ocorrência de uma doença, sua incidência e severidade.

3 MATERIAL EMÉTODOS

O trabalho foi conduzido no Laboratório de Fitopatologia Molecular do Centro de
Ciências Agrárias (CECA) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), localizado no
município de Rio Largo, no período de abril de 2013 à março de2015.

3.1 Origem e obtenção dos isolados

Para a condução do experimento, foram obtidos cladódios de Cv. miúda apresentando
sintomas de manchas necróticas circulares em sua superfície. Os cladódios foram coletados
em áreas produtoras localizadas no município de São João-PE. No Laboratório, os cladódios
foram lavados e secos naturalmente. Foi realizada a técnica de isolamento indireto onde
foram retirados fragmentos da área de transição entre o tecido sadio e o doente, os quais
foram desinfestados com soluções de álcool 70% por 30 segundos, hipoclorito de sódio1%
por um minuto, lavados em água destilada esterilizada (ADE), postos para secar em papel de
filtro e posteriormente transferidos para placas de Petri contendo meio BDA (BatataDextrose-Ágar).Após a formação das colônias, pequenos discos de meio de cultura contendo

19

o crescimento do patógeno, foram retirados das bordas das colônias e transferidos para
placas de Petri contendo meio BDA e mantidos em temperatura ambiente por 10 dias, até o
surgimento das estruturas de reprodução do patógeno (Figura 1).

Figura 1: Origem e obtenção dos isolados
Lavagem dos cladódios (A); fragmentos de tecido lesionado (B) Cabine de fluxo laminar (C); isolamento do
patógeno (D), e Crescimento do patógeno após isolamento (E).A)

B

A

C

D

E

Fonte; MOREIRA, 2015.

3.2 Cultura monospórica

Aparti dos isolamentos realizados procedeu-se a metodologia para a obtenção de
culturas monospóricas para garantir a pureza genética dos isolados. A suspenção de esporos
foi obtida através de uma raspagem superficial sobre a colônia e colocada em um recipiente
contendo 1mL de ADE.Em seguida, foram realizadas contagens de esporos em camara de
neubauer de forma a ajustar a suspenão para 10-5 esporos/mL. Após a diluição foram
colocados 40µl desta solução em uma placa de petri contendo BDA e espalhada
uniformemente com auxílio de uma alça de Drigalski.
As placas de Petri contendo os esporos foram examinadas no microscópio óptico e os
esporos individuais e germinados foram transferidos para placas contendo BDA, onde foram
mantidas à temperatura ambiente.

20

3.3 Preservação dos isolados

Foram aplicados dois métodos para preservação dos isolados da cultura monospórica.
Para o primeiro método foram utilizados tubos de ensaio contendo meio de cultura BDA,
i n o c u l a d o s c o m disco de micélio do fungo 5mm. O segundo método utilizado foi o de
Castellani, onde cinco discos de 5mm contendo o micélio foram armazenados em frascos de
vidro (10 mL) contendo 5mL de ADE (figura 2).
Figura 2 - Preservação dos isolados
Método de Castellani e tubos de ensaio com meio BDA.

Fonte; MOREIRA, 2015.

3.4 Teste de patogenicidade

O teste de patogenicidade foi realizado em cladódios sadios destacados da palma
forrageira miuda. Os cladódios foram tratados com solução de hipoclorito de sódio a1% por
cinco minutos, lavados em água destilada (AD) e secos c o m a t e m p e r a t u r a a m b i e n t e .
Foram utilizados dois métodos para o teste de patogenicidade. O primeiro a inoculação foi
feita através da deposição de quatro gotas de 40µL de uma suspensão de esporos (106
conídios/mL) sobre a superfície dos cladódios ( com ou sem ferimentos) os ferimentos foram
feitos com o auxílio de uma agulha previamente esterilizada na chama. Na testemunha foi
utilizada apenas água destilada esterilizada (ADE). No segundo método discos demicélio
(5mm) retirados da cultura monospórica contendo estruturas do patógeno, foram
depositados sobre cladódios (com ou sem ferimentos) com o auxílio de uma alça de platina
previamente flambada. Na testemunha foi utilizada apenas discos de BDA. Após a

21

inoculação cada cladódio foi acondicionado separadamente em bandejas plásticas contendo
papel filtro umedecido com água destilada autoclavada. O experimento foi mantido em
incubadora BOD a 25±1ºC e fotoperíodo de 12 horas durante 10 dias.

3.5 Identificação e caracterização dos isolamentos

Isolados fúngicos que tiveram sua patogenicidade confirmada foram caracterizados
quanto aos aspectos morfologicos, culturais e moleculares.

3.5.1 Caracterização cultural

Foram utilizados os 2 isolados monospóricos C14 e F43. Para a condução deste
ensaio, discosde 5mm contendo micélio foram transferidos para o centro de placas de Petri
contendo meio de cultura BDA, sendo 4 repetições por isolado. As placas contendo os discos
foram incubadas em B.O.D. a 25±1 ºC, com fotoperíodo de 12 horas de luz, por sete dias.
Foram realizadas avaliações diárias do crescimento micelial dos isolados em duas
direções diametralmente opostas no fundo externo dasplacas, com auxílio de régua
milimetrada, por um período de sete dias. As médias obtidas foram utilizadas para calcular o
índice de crescimento micelial – ICM (mm/dia) utilizando a seguinte formula:
ICM = C1 + C2 … + Cn
N1

N2Nn

Onde:
ICM= índice de crescimento micelial
C1= crescimento micelial no primeiro dia
N1= número de dias

Também foram observadas a coloração das colônias e o aspecto domicélio para cada
patógeno.

22

3.5.2 Caracterização morfológica

A caracterização morfológica baseou-se no tamanho e forma dos conídios e
apressórios de cada isolado observados com auxílio de microscópioóptico, com aumento de
40 vezes. A produção de esporos dos isolados foi obtida por meio do cultivo em meio BDA
emtemperaturade 25±1°C por 10 dias e fotoperíodo de 12 horas. Imagens da morfologia dos
conídios foram capturadas e posteriormente cinquenta conídios de cada isolado tiveram
largura e comprimento medidos por meio da mensuração projetadas em monitor de
computador, através do software Cellsenses Standard.
Foi utilizado o método de microcultivo em ágar-água para avaliação do formato dos
apressórios. As lâminas foram observadas em microscópio óptico e a mensuração dos
apressórios feita como descrito para os conídios. O formato dos conídios e apressórios foi
avaliado de acordo com chave de identificação proposta por Sutton (1980; 1992).

3.6 Caracterização molecular

3.6.1 Extração de DNA

Para a obtenção do DNA dos isolamentos foi utilizado o protocolo de Ferreira e
Grattapaglia (1998), onde o micélio dos isolados crescidos em BDA durante sete dias foram
lavados com ADE e em seguida, macerados com nitrogênio líquido em almofariz de
porcelana com auxílio de um pistilo. Em seguida adicionou-se 2000µL de tampão de
extração CTAB4% (CTAB4%, NaCl 1,4/M, EDTA 20/mM, Tris-HCl 100 mM, PVP 1%) e 4
µL de β-mercaptoetanol, onde apenas 500µL do micélio triturado foi transferido para tubos
de micro centrífuga com capacidade de 1,5 mL. Os tubos foram mantidos em banho Maria a
65°C por 30 minutos.
Posteriormente, as amostras foram centrifugadas a 12.000 rpm por 15 minutos. O
sobrenadante foi transferido para um novo tubo onde foi adicionado 600µL de CIA
(clorofórmio: álcoolisso- amílico - 24:1) e 40µL de CTAB 10% aquecido a 65 °C. Após
centrifugação, a fase aquosa foi transferida para um novo tubo e foi acrescentando 400µL de
etanol absoluto. O DNA precipitado foi lavado com etanol 70% e seco em temperatura
ambiente e, em seguida, ressuspendido com 40µL de TE (Tris- HCl 10mM, EDTA 1 mM ) (
10mL) + RNAse (50µL) ,na proporção de 1:49. O DNA obtido foi armazenado sob

23

temperatura de -20°C até sua utilização para amplificação.

3.6.2 Amplificação do DNA e sequenciamento dos produtos de PCR

Inicialmente representantes de todos os isolamentos obtidos tiverama região ITS
(espaçador transcrito interno) do DNA ribossomal (rDNA) amplificada e sequenciada. Para
amplificação foram utilizados os oligonucleotídeos universais, ITS1 (5'TTC CGT AGG TGA
ACC TGC GG 3') e ITS4 (5'TCCTCCGCTTATTGATATGC3') (Bonants et al.,2000; Rosa et
al., 2006). O volume final da reação foi ajustado para 60μL com água Milli-Q. As condições
de termociclagem da PCR foram: desnaturação inicial a 95°C por 2 minutos, seguida de 38
ciclos a 95°C por 1 minuto, 55ºC por 30 segundos, 72ºC por 45 segundos para anelamento dos
oligonucleotídeos e extensão final a 72°C por 10 minutos. Após a amplificação os produtos de
PCR foram submetidos à eletroforese em gel de agarose 1,2%, corados com brometo de etídio
e observados sob luz UV, posteriormente, purificados utilizando o Kit illustraTM GFXTM
PCR DNA and Gel Band Purification Kit (GE Healthcare) de acordo com protocolo fornecido
pelo fabricante.
As sequencias obtidas foram utilizadas para análises filogenéticas para determinação
do gênero. Dependendo do gênero considerado outras regiões genômicas foram amplificadas
e seqüenciadas para se chegar à espécie. As composições das reações de amplificação e as
condições em que ocorreram variaram conforme a região genômica alvo e podem ser
consultadas em Carbone & Kohn (1999).
Todas as reações de sequenciamento foram realizadas na Empresa Macrogen (Seul,
Coréia do Sul).

3.7 Efeito da temperatura na severidade da doença

O efeito da temperatura sobre o tamanho médio das leões causadas por C.
gloeosporioides e Fusarium sp. foi avaliado em incubadoras B.O.D. ajustadas para as
temperaturas de 22, 26, 30 e 34ºC. Cada cladódio foi inoculado com três discos de micélio
de cada patógeno depositado sobre um ferimento de 0,8 tamanho médio das lesões realizado
com uma agulha hipodérmica flambada. Após a inoculação os cladódios foram mantidos em
câmara úmida, formada por um saco plástico contendo um chumaço de algodão umedecido

24

com ADE por 48 horas. Na testemunha discos contendo de meio de cultura BDA foram
utilizados em substituição aos discos contendo estruturas do patógeno.
A severidad d doença foi mensurada por meio da determinação do diâmetro das
lesões, realizada sete dias após as inoculações. Oexperimento foi mantido em BOD com
fotoperíodo de 12 horas e o delineamento experimental utilizado foi o inteiramente
casualizado com cinco repetições, cada repetição representad por uma raquete Foram
realizadas análises de regressão entre avariável temperatura e o diâmetro médio das lesões de
cada patógeno e os valores médios foram submetidos à análise de variância e comparados
pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade utilizando o software ASSISTAT
7.7beta.

3.8 Efeito da umidade na severidade da doença

Os experimentos para determinação do efeito de períodos de permanência em câmara
úmida também foram conduzidos em incubadoras BOD, ajustadas para 22 ºC e fotoperíodo
de 12/h, variando-se o tempo de permanência dos cladódios em câmara úmida após
inoculação com C.gloeosporioides ou Fusarium sp. As inoculações, avaliações da severidade
e análise estatísitica dos dados seguiram os mesmos procedimentos dos ensaios para
determinação do efeito da temperatura na severidade da doença, ou seja, realizadas análises
de regressão entre a variável tempo em câmara úmida e o tamanho médio das lesões de cada
patógeno e os valores médios foram submetidos à análise de variância e comparados pelo
teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidadeutilizando o software ASSISTAT 7.7beta.

3.9 Resposta

de

diferentes

cultivar

de

palma-forrageira

miúda

(Nopalea

cochenillifera) a Colletotrichum gloesporioides e Fusariumsp.

Para a condução desse experimento foram avaliadas cinco cultivar de palmaforrageira miúda (Nopaleasp.): “Palma-forrageira Miúda”, “Negro Michoacan”, “Palmaforrageira Alagoas”, “Texas Nopalera” e “Tamuzunchale”. Cinco cladódios de cada
variedade foram inoculados com C. gloeosporioides e cinco com Fusarium sp. Após as
inoculações os cladódios foram mantidos em câmara úmida em BODs ajustadas para 22 ºC.
Sete dias após as inoculações a severidade da doença foi determinada, mesurando-se o

25

diâmetro das lesões. Os experimentos foram montados em delineamento inteiramente
casualizado e a média do diâmetro médio das lesões foram submetidos à análise de variância
e comparados pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade utilizando o software
ASSISTAT7.7 beta.

4. Resultados e discussão

4.1 Obtenção de isolados e testes depatogenicidade

Dos sete isolados obtidos nesse estudo, apenas dois (C14 e F43) foram patogênicos
aos cladódios de palma-forrageira miúda (Nopalea sp.) Para ambos os patógenos os sintomas
foram observados apartir do sétimo dia após a inoculação, inicialmente como manchas
circulares e necróticas que posteriormente chegou a ser observada na outra face do cladódio
(Figura 3). Provavelment o processo patogênico dos dois isolados está relacionado a
produção de enzimas pectolíticas, responsáveis pela dissolução do tecido colonizado, que se
expressa por meio dos orifícios visualizados dos cladódios. Esse mesmo tipo de lesão foi
relatado por Lima et al. (2011), porém o patógeno envolvido era Alternaria sp.
Os sintomas foram observados apenas quando se realizou ferimentos nas raquestes,
o que de certa forma corrobora com as observações de Varvaro, et al.,(1993) que afirmam
que a maior severidade da doença está sempre associada a ferimentos nas raquetes e excesso
de umidade.

Figura 3. Teste de patogenecidade com e sem ferimento.

Fonte: MOREIRA, 2015.

26

4.2 Caracterização morfocultural e molecular

Para a caracterização morfológica, o isolado C14 apresentou conídios retos com um
dos lados afilados, hialinos e unicelulares. O tamanho dos conídios variou de 6,20 – 14,47
μm para o comprimento e 2,02 – 6,15 μm para a largura. Não foram observadas setas nos
acévulos. Os apressórios apresentaram-se de cor escura (melanizado) e forma ovalada e
clavada com suas dimensões variando de 2,51 - 5,04 μm de comprimento 2,30 - 4,93 μm de
largura (Figura 4). Portanto os dados de morfologia indicam que o patógeno em questão
pode ser considerado como pertencente ao gênero Colletrotrichum, possivelmente do
complexo C.gloeosporioides Vinnere (2004), Serraetal. (2011).
O isolado F43, produziu apenas microconídios hialinos de forma cilíndrica a oval
sem presença de septos e com tamanho variando de 3,88- 8,82μm de comprimento e 1,64
2,48μm de largura. Na microcultura foi observado conídios formados em cadeia nas
extremidades dos conidióforos e em meio de cultura SNA esse isolado produziu
clamidósporos abundantemente, mas não produziu peritécio (Figura4). Tais características
permitem posicionar o referido isolado no gênero Fusarium, sendo necessários testes
adicionais para determinação específica.

Figura 4. Caracterização morfológica dos isolados C14 e F43.
* A – Conídios do isolado C14; B – apressórios do isolado C14; C – microconídios doisolado F43 e D –
clamidósporo do isolado F43.

Fonte; MOREIRA, 2015.

27

Na caracterização cultural, o isolado C14 e F43 apresentaram os seguintes dados para
o índice de crescimento micelial (ICM), que correspondeu a 10,41 e 10,27 mm/dia
respectivamente. O isolado C14 exibiu micélio moderadamente abundante (colônias com
micélio aéreo de até 3 mm de altura) de coloração branco acinzentado, característica de
C.gloesporioides (Figura 5).
O isolado F43 apresentou micélio aéreo reduzido (colônias com o micélio crescido
rente ao meio de cultura), apresentando coloração arroxeadano centro da colônia e formação
de arcos concêntricos de coloração alaranjada/amarelada e branco leitosa nas bordas aos 7
dias e coloração arroxeada em toda a colônia aos 14 dias de inoculação (Figura5).

Figura 5. Aspecto das colônias dos isolados C14 e F43 aos sete dias de idade.
A – colônia do isolado C14 e B – colônia do isolado F43

Fonte; MOREIRA, 2015.

As características culturais observadas para os isolados C14 e F43 são compatíveis
com características de C. gloesporioides e Fusarium sp., respectivamente. O fato de o um
isolado de Fusarium não ter produzido macroconídios, apesar de não usual já foi relatados
por outras fontes. Conforme proposto por Nelson et al. (1983), a taxonomia de espécies do
gênero Fusarium é bastante controversa, sendo de fundamental importânciaa caracterização
filogenética.
O seqüenciamento da região ITS e a análise filogenética realizada a partir desses
dados suportam a hipótese de que o isolado C14 pertence ao gênero Colletotrichum enquanto
que o isolado F43 ao gênero Fusarium, sendo que outras regiões genômicas estão em
processo de seqüenciamento para determinação específica desses patógenos.

28

4.3 Efeito da temperatura na severidade da mancha dos cladódios

Nos testes para determinar o efeito da temperatura no desenvolvimento das lesões da
mancha dos cladódios, os maiores tamanhos médios das lesões (TML) foram observados no
tratamento a 22ºC para antracnose, apresentando diferença significativa dos demais
tratamentos e a análise de regressão (tabela 1) ajustou para uma equação linear y =- 0,0222x
+ 1,8605 e coeficiente de determinação 96,37% (Gráfico1).

Tabela 1. Quadro da análise de regressão para o efeito da temperatura sobre a severidade das
machas de cladódios ocasionada pela antracnose.

FONTE

DE

VARIAÇÃO

GL

SQ

QM

F

REG. LINEAR

1

0.20250

0.20250

22.4377 *

QUADRÁTICA

1

0.14792

0.14792

16.3900 *

TRATAMENTOS

3

0.36252

0.20250

13.3895 --

RESÍDUO

16

0.14440

0.14792

TOTAL

19

0.50692

0.01210

CV (%)

7,67

REG.

* Significativo ao nível de 5% de probabilidade (.01 =< p < .05), ns não significativo (p >= .05). Fonte:
MOREIRA, 2015.

De acordo com Menezesetal, (2004), a faixa ótima de temperatura para a maioria das
espécies do gênero Colletotrichum varia de 20-30ºC, mostrando que o isolado utilizado nesse
estudo está dentro da faixa de temperatura encontrada na literatura (Figura 6). Dias et al.,
2005, enfatizaram que a temperatura é uma das principais variáveis climáticas responsáveis
pela infecção e posterior colonização de patógenos do gênero Colletotrichum.

29

Gráfico 1. Efeito de diferentes temperaturas sobre o tamanho médio das lesões causada por
Colletotrichum gloeosporioides e Fusariumsp.
TMLCF – Tamanho médio das lesões de Colletotrichum gloesporioides e Fusarium sp.

2.0

Colletotrichum sp., y = - 0,0222x + 1,8605, R² = 0,543
Fusarium sp., y = - 0,0355x + 2,264, R² = 0,870
1.8

TMLCF (cm)

1.6

1.4

1.2

1.0

0.8
20

22

24

26

28

30

32

34

36

Temperatura (ºC)

Em trabalho recente, Soares-Collettie Lourenço (2014) relatam que a maior
incidência da antracnose em frutos de goiabeira (100%) ocorreu a 25 e 30°C e 6h de
duração

do molhamento para ambas

as

espécies de Colletotrichum (C.acutatum e

C.gloeosporooides) cerca de10diasapósa inoculação. No trabalho de Lima (2013) é relatado
que temperaturas acima de 100C proporcionaram o desenvolvimento de lesões em frutos de
manga inoculadas com as espécies de Colletotrichum.
Temperaturas mais baixas também favoreceram o desenvolvimento das lesões
ocasionadas por Fusarium sp., em cladódios de palma-forrageira, como pode ser observado
no Gráfico 1. A temperatura de 22/ºC proporcionou as maiores lesões, diferindo
significativamente das demais temperaturas avaliadas. A análise de regressão (Tabela 2)
ajustou para uma equação linear y = -0,0355x + 2,264 como coeficiente de determinação
87,06%.

30

Tabela 2. Quadro da análise de regressão para o efeito da temperatura sobre a severidade das
machas de cladódios ocasionada pela fusariose.

FONTE

DE

GL

SQ

QM

F

1

0.49562

0.49562

133.5892 *

1

0.00098

0.00098

0.2642 ns

TRATAMENTOS

3

0.56842

0.18947

51.0710 --

RESÍDUO

16

0.05936

0.00371

TOTAL

19

0.62778

CV (%)

4,79

VARIAÇÃO
REG. LINEAR
REG.
QUADRÁTICA

* Significativo ao nível de 5% de probabilidade (.01 =< p < .05), ns não significativo (p >=
.05). Fonte: MOREIRA, 2015.

Figura 6. Efeito da temperatura (22, 26, 30 e 34 ºC) sobre o tamanho médio das lesões
causadas por C. gloeosporioides e Fusarium sp.

Fonte: MOREIRA, 2015.

Segundo Doohan et al. (2003) temperatura e luz são fatores que influenciam a
reprodução do Fusarium. Agrios (2004) relata que alguns fungos, como, por exemplo, o
Fusarium sp., crescem mais rápido em temperaturas que variam de 18 – 30/°C, isso pode ser
comprovado nesse estudo, onde a temperatura de 22ºC mostrou o maior desenvolvimento do
patógeno (Figura 6).
De acordo com Nobel (1995) as temperaturas diurna\noturna do semiárido

31

Pernambucano variam de 25 a 15/0C, o que abrange afaixa ótima para as manchas dos
cladódios da palma-forrageira, conforme abordado nesse trabalho.

4.4 Efeito de periodo de permanencia em câmara úmida na severidade das manchas dos
cladódios da palma-forrageira
Com relação ao periodo de tempo em câmara umidade houve comportamentos
diferentes de acordo com o patógeno considerado. Para C. gloeosporioides as maiores
severidades foram observadas com os maiores períodos de permanência da câmara úmida, ou
seja, 48 e 60h, como pode ser observado no Gráfico 2, com a análise de regressão (Tabela 3)
significativamente ajustada para a equação linear y = 0,0066x + 0,8393 com o coeficiente de
determinação 78,83%.

Tabela 3. Quadro da análise de regressão para o período de permanência em câmara úmida para
antracnose.

FONTE

DE

GL

SQ

QM

F

1

0.31363

0.31363

32.5750 *

1

0.02881

0.02881

2.9919 ns

TRATAMENTOS

4

0.39666

0.09917

10.2998 --

RESÍDUO

20

0.19256

0.00963

TOTAL

24

0.58922

CV (%)

9,13

VARIAÇÃO
REG. LINEAR
REG.
QUADRÁTICA

* significativo ao nível de 5% de probabilidade (.01 =< p < .05), ns não significativo (p >= .05). Fonte:
MOREIRA, 2015.

Enquanto que para a mancha dos cladódios ocasionada por Fusarium sp. os períodos de
permanência na câmara úmida utilizados não interferiram na severidade da doença (Gráfico
2). A análise de regressão (Tabala 4) foi ajustada para a fórmula y = 0,0149x + 1,8557
apresentando um coeficiente de determinação 86,62%.

32

Tabela 4. Quadro da análise de regressão para o período de permanência em câmara úmida para
fusariose.

FONTE

DE

VARIAÇÃO

GL

SQ

QM

F

REG. LINEAR

1

1,59847

1,59857

10.3949 *

1

0,03937

0.03937

0.2560 ns

TRATAMENTOS

4

1.84222

0.46056

2.9950 --

RESÍDUO

20

3.07548

0.15377

TOTAL

24

4.91770

CV (%)

16,39

REG.
QUADRÁTICA

* significativo ao nível de 5% de probabilidade (.01 =< p < .05), ns não significativo (p >= .05). Fonte:
MOREIRA, 2015.

Contudo, ao se comparar as severidades das doenças constata-se que as lesões
ocasionadas por Fusarium sp. Foram mais extensas que aquelas ocasionadas por C.
gloeosporioides independentemente do período de permanência na câmara úmida.
Gráfico 2. Efeito de períodos de permanência em câmara úmida sobre o tamanho médio das
lesões causadas por C. gloeosporioides e Fusarium sp.
Tamanho médio das lesões (TML, em cm) ocasionadas por Colletotrichum gloesporioides e Fusarium sp.

33

3.0

Colletotrichum sp., y = 0,0066x + 0,8393, R² = 0,788
Fusarium sp., y = 0,0149x + 1,8557, R² = 0,866

TMLCF (cm)

2.5

2.0

1.5

1.0

0.5
0

20

40

60

Períodos de umidade (horas)

Como pode ser observado na (Figura 7), o tamanho médio das lesões dos cladódios
foi crescente para ambos os patógenos à medida que operíodo de permanência na câmara
úmida aumentou.
Figura 7. Efeito de períodos de permanência em câmara úmida sobre o tamanho médio das lesões
causadas por C. gloesporioides e Fusarium sp. Em cladódios de palma-forrageira.
A raquetes inoculadas com Colletotrichum gloesporioides e B raquetes inoculadas com Fusarium sp. 12, 24,
36, 48 e 60 (tempo em horas)

Fonte: MOREIRA, 2015.

Esses resultados corroboram com o relato de Silva et, al. (2001) onde a umidade em termos de
quantidade e duração, é essencial no processo infeccioso para vários fitopatógenos, inclusive
Colletotrichum sp. e Fusarium sp.

Agrios (1997) descreve que o teor de umidade do ambiente é outro fator considerado
indispensável para germinação de espóros da maioria dos fungos, além da influenciar na
penetração do tubo germinativo, a umidade pode aumentar a suscetibilidade a certos
patógenos afetando a incidênciae severidade das doenças.

34

4.5 Resposta de cultivares de palma-forrageira miúda (Nopalea cochenillifera) às
manchas dos cladódios ocasionadas por Colletotrichum gloesporioides e Fusarium sp.
O quadro de análise de variância (TABELA 5 e 6), demostrou que houve diferença
significativa entre as variedades avaliadas em relação ao tamanho médio das lesões causadas
por C. gloesporioides e Fusarium sp. pelo teste F ao nível de 5% de probabilidade aos sete
dias após a inoculação.

Tabela 5. Quadro de análise de variância da resposta de cultivares de palma-forrageira miúda a
C. gloesporioides aos 7 dias após inoculação (DAI).

FONTE

DE

GL

SQ

QM

F

TRATAMENTOS

4

0.30866

0.07716

6.3135 *

RESÍDUO

20

0.24444

0.01222

TOTAL

24

0.55310

CV (%)

8,70

VARIAÇÃO

* significativo ao nível de 5% de probabilidade (.01 =< p < .05).

Tabela 6. Quadro de análise de variância da resposta de cultivares de palma-forrageira miúda a
Fusarium sp. aos 7 dias após inoculação (DAI).

FONTE

DE

GL

SQ

QM

F

TRATAMENTOS

4

11.90194

2.97549

131.4725 *

RESÍDUO

20

0.45264

0.02263

TOTAL

24

12.35458

CV (%)

5,90

VARIAÇÃO

* significativo ao nível de 5% de probabilidade (.01 =< p < .05), ns não significativo (p >= .05). Fonte:
MOREIRA, 2015.

35

As cultivar Negro Michoacan e Tamazunchale mostraram uma maior resistência a
C.gloesporioides, diferindo das cultivar Palma-forrageira miúda, Texas Nopalera e Alagoas,
que mostratam menor resistência e não diferiram entre si (Gráfico 3, Figura 8).

Gráfico 3. Resposta de cultivares de palma-forrageira miúda à mancha dos cladódios
causadas por Colletotrichum gloesporioides e Fusarium sp.
Variedades: MI – Miúda; T.N. – Texas nopalera; P.A. – Palma- alagoas; N.M. – Negro
michoacan e TAM – Tamazunchal. TML CF – Tamanho médio das lesões (em cm)
ocasionadas por C. gloesporioides e Fusariumsp.

4
Colletotrichum sp.
Fusarium sp.

a

a

TMLCF (cm)

3

b
c

2

ab

ab

c
a
c

bc

1

0
MI.

T.N.

P.A.

N.M.

TAM.

Variedades

Nopalera e Tamazunchale mostraram-se maior resistência a Fusarium sp., diferindo
das cultivares Palma-forrageira Miúda, Negro Michoacan e Palma - Alagoas, que mostraramse mais susceptíveis ao patógeno (Gráfico 3, Figura 8).

FIGURA 8.Comportamento de cultivar e palma-forrageira a C.gloesporioides e Fusarium sp.
A – Raquetes inoculadas com C. gloesporioides e B – raquetes inoculadas com Fusarium sp.

36

Fonte: MOREIRA, 2015.

Durante o levantamento bibliográfico realizado não se encontrou qualquer referência
sobre a resposta de diferentes cultivares de palma-forrageira em relação às doenças, sendo
esse, provavelmente, o primeiro estudo abordando esse tema. O fato de terem sido
constatadas diferenças nas reações das cultivares em relação a ambas as doenças e cultivares
com lesões significativamente menores abre as perspectivas de que essas variedades,
sobretudo Negro Michoacan, Texas Nopalera e Tamazunchale, por mostraram boa resposta
às duas doenças, possam ser mais plantadas no semiárido nordestino. Evidentemente um
número maior de genótipos deve ser avaliado em busca de cultivares ainda mais promissoras
e que aliem não só resistência às manchas dos cladódios, mas outras características
agronômicas interessantes.

37

CONCLUSÕES

O isolado C14 pertence ao gênero Colletotrichum, e provavelmente dentro do complexo
gloesporioides e o isolado F43 pertence ao gênero Fusarium.

A temperatura que apresentou maior severidade para C. gloesporioides e Fusarium sp foi a de
220C. Para
C. gloeosporioides os maiores severidades foram observadas com os maiores períodos de
permanência da câmara úmida (48 e 60h). No caso de Fusarium sp. os períodos de
permanência na câmara umidade não interferiram na severidade das manchas.

As variedades Negro Michoacan e Tamazunchale para C. gloeosporioides e Texas nopalera e
Tamazunchale para Fusarium sp. apresentaram as menores severidades.

38

39

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