Aplacação do cálcio e de fontes de silício na severidade da antracnose do feijão-fava (Phaseolus lunatus L.)
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PROTEÇÃO DE PLANTAS
ANTONIO DUARTE DO NASCIMENTO
APLICAÇÃO DO CÁLCIO E DE FONTES DE SILÍCIO NA SEVERIDADE DA
ANTRACNOSE DO FEIJÃO-FAVA (Phaseolus lunatus L.)
Rio Largo, AL
2015
ANTONIO DUARTE DO NASCIMENTO
APLICAÇÃO DO CÁLCIO E DE FONTES DE SILÍCIO NA SEVERIDADE DA
ANTRACNOSE DO FEIJÃO-FAVA (Phaseolus lunatus L.)
Dissertação apresentada ao Programa de
Pós-Graduação em Proteção de Plantas, do
Centro
de
Ciências
Agrárias,
da
Universidade Federal de Alagoas, como
parte dos requisitos para obtenção do título
de Mestre em Proteção de Plantas.
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Lígia Sampaio Reis
Coorientador: Prof. Drº. Gaus Silvestre de
Andrade Lima
Rio Largo, AL
2015
ANTONIO DUARTE DO NASCIMENTO
APLICAÇÃO DO CÁLCIO E DE FONTES DE SILÍCIO NA SEVERIDADE DA
ANTRACNOSE DO FEIJÃO-FAVA (Phaseolus lunatus L.)
Dissertação submetida à banca
avaliadora como requisito para
conclusão do curso de Mestrado em
Proteção de Plantas.
____________________________________________________________________________
Prof.ª Dr.ª Lígia Sampaio Reis – Centro de Ciências Agrárias - UFAL
Orientadora
BANCA EXAMINADORA:
____________________________________________________________________________
Profª. Drª. Maria de Fátima Silva Muniz - Centro de Ciências Agrárias - UFAL
Avaliador Interno
____________________________________________________________________________
Profº. Dr. Abel Washington de Albuquerque – Centro de Ciências Agrárias - UFAL
Avaliador Externo
Rio Largo, AL
2015
Aos meus pais, Genézio Araújo do Nascimento e
Ananete Duarte do Nascimento, por todo esforço
dedicado no sentido de melhor educar e à
Comunidade Doce Mãe de Deus pelas orações
que, sem sinal de dúvidas, foram ouvidas e fizeram
a diferença nos momentos em que as forças
humanas me faltaram.
Dedico
AGRADECIMENTOS
Antes de tudo agradeço a Deus, pelo olhar misericordioso lançado sobre cada página
de minha história, me trazendo vida e direção que permitiu que eu fosse além às veredas
profissionais – também a espiritual. Ainda a São Copertino – Padroeiro dos estudantes e
Minha Mãe Maria Santíssima por seus cuidados, não cessando de interceder por mim ao Pai;
À minha orientadora, Profª. Drª. Lígia Sampaio Reis, por todo conhecimento
transmitido e pelo apoio e confiança depositados, o que certamente facilitou a condução do
trabalho. Agradeço ainda por sua amizade e carinho o que tornou ainda mais fácil a
aproximação e diálogo que sempre resultava em novas ideias e maior aprendizado;
Ao coorientador, Profº. Dr. Gaus Silvestre de Andrade Lima, que apostou em mim
desde o período de graduação me acolhendo como orientado de iniciação científica. Sua
competência e seu amor à ciência fez despertar cada dia um pouco mais o desejo pela
especialização na área de fitopatologia;
Aos meus pais, Genézio Araújo do Nascimento e Ananete Duarte do Nascimento, por
todo amor e dedicação com os quais me educaram e me formaram para vida;
Aos meus irmãos, Cícero, Maria Aparecida, Célio Roberto, Sirleide, Paulo Sérgio,
Maria Cícera e Daniele, que desde cedo acompanharam e me apoiaram neste caminho que
iniciara a trilhar;
De forma especial agradeço ao irmão e companheiro Paulo Sérgio, por sua amizade e
por seus incentivos que impulsionavam sempre ir além;
À Comunidade Doce mãe de Deus, pelas orações e pelo apoio fraterno nos momentos
mais difíceis que aos poucos transformavam-se nos mais descontraídos risos partilhados entre
irmãos que testemunham em comum a providência de Deus em suas vidas;
À minha namorada, Tereza Izabel Pereira de Melo Silva, por seu amor,
companheirismo e motivações constantes, acreditando e me convencendo de um potencial que
existe dentro de mim;
Aos meus grandes amigos, Cleidson Messias da Silva e Edjane dos Anjos Ulisses, por
estarem sempre próximos, dividindo os momentos tensos e de alegria;
Aos meus colegas de turma, Sara Padilha de Farias, Renato Nunes do Nascimento,
Jane Cléa Gomes Moreira, Paulo Henrique Nascimento Lima e Camila Lima Vicente da
Silva, pela troca de conhecimento e pela unidade que foi priorizada por todos em cada
momento;
Aos meus grandes amigos-irmãos, Frederico Monteiro Feijó e Wellington Costa da
Silva, pela grande amizade e respeito, pelos conselhos e concretas contribuições durante a
execução deste trabalho;
À equipe de trabalho, em especial aos graduandos: Aleska, Fabiano, Jessé e Amanda,
que muito me ajudaram durante toda a pesquisa, além de tornar o ambiente de trabalho mais
agradável e prazeroso;
Ao Centro de Ciências Agrárias - CECA/UFAL e ao Programa de Pós-Graduação em
Proteção de Plantas, pelos competentes professores e demais funcionários;
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pela
bolsa concedida durante esse período;
A todos, meu MUITO OBRIGADO!
RESUMO
Feijão-fava (Phaseolus lunatus L.), Além de constituir uma das alternativas de renda e
alimento para a população é também utilizado como alimentação animal e adubação verde.
Entretanto, a incidência de doenças tem constituído um dos fatores limitantes no incremento
da produtividade, sendo a antracnose, causada por Colletotrichum truncatum, uma das mais
importantes. O objetivo desse trabalho foi estudar a influência do silício e do cálcio na
severidade da antracnose do feijão-fava. Os experimentos foram conduzidos em delineamento
inteiramente casualizado. Foram avaliadas quatro doses de carbonato de cálcio (2, 4, 6 e 8 g
kg-1 de solo) e quatro doses de Rocksil e de MB4 (0,05; 0,075; 0,1 e 0,15 g kg-1 de solo).
Observou-se redução de 66,4%; 75,34% e 77,58% na severidade da doença em plantas
tratadas com carbonato de cálcio, Rocksil e MB4 respectivamente. Não houve correlação
entre as fontes de cálcio e silício testadas com o peso de grãos ou com o teor de clorofila nas
plantas avaliadas.
Palavras-chave: Calcário. Rocksil. MB4. Controle. Colletotrichum truncatum.
ABSTRACT
Fava beans (Phaseolus lunatus L.), besides constituting one of the alternative sources of
income and food for the population, it is also used as animal feed and green manure.
However, the incidence of diseases has been one of the limiting factors of increasing
productivity, and anthracnose, caused by Colletotrichum truncatum, is one of the most
important diseases. The objective of this work was to study the influence of silicon and
calcium in anthracnose severity of the fava beans. The experiment was conducted in a
completely randomized design. In series, was evaluated four dosages of calcium carbonate (2,
4, 6 and 8 g kg-1 of soil) and four dosages of Rocksil and MB4 (0,05; 0,075; 0,1 e 0,15 g kg-1
de solo). It was observed a reduction of 66,4%; 75,34% to 77,58% in the severity of disease in
plants treated with calcium carbonate, Rocksil and MB4, respectively. There was no
correlation between sources of calcium and silicon tested with seed weight or with the content
of chlorophyll in plants evaluated.
Keywords: Limestone. Rocksil. MB4. Control. Colletotrichum truncatum.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 - Sintomas de antracnose na parte aérea de plantas de feijão-fava em condições de
infecção natural em campo (vagem) e inoculação em casa de vegetação (folha). .. 19
Figura 2 -Deposição do cálcio na lamela média. ...................................................................... 22
Figura 3 - Efeito do silício no controle de doenças de plantas ................................................ 24
Figura 4- Vasos de plástico instalados em interior de casa de vegetação onde foram
conduzidos os experimentos. ................................................................................... 26
Figura 5 - Tensiômetro instalado em um dos vasos onde foi cultivado o feijão-fava .............. 27
Figura 6 - Aspecto geral das plantas de feijão-fava aos 30 dias após a germinação ................ 28
Figura 7 - Avaliação comparativa da severidade da antracnose em folhas de feijão-fava
utilizando a escala de Godoy et al (1997)................................................................30
Figura 8 - Escala diagramática de Godoy, para avaliação da severidade da antracnose em
folhas de feijão comum............................................................................................30
Figura 9 - Curva da severidade da antracnose em folhas de feijão-fava em função das
dosagens de CaCO3. ............................................................................................... 31
Figura 10 - Curva da severidade da antracnose em folhas de feijão-fava em função das
dosagens de Rocksil...............................................................................................33
Figura 11 - Curva da severidade da antracnose em folhas de feijão-fava em função das
dosagens de MB4...................................................................................................35
Figura 12 – Índice SPAD (Teor de clorofila) nas folhas de feijão-fava em função das doses de
CaCO3, MB4 e Rocksil..........................................................................................38
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Características físicas e químicas do solo utilizado nos experimentos................... 25
Tabela 2 – Coeficiente de correlação (r) entre severidade da antracnose e o peso de 100 grãos
de feijão-fava nas diferentes fontes testadas.............................................................................36
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 13
2REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................................ 16
2.1 Gênero Phaseolus ............................................................................................................... 16
2.1.1 Feijão-fava ....................................................................................................................... 16
2.1.2 Aspectos botânicos .......................................................................................................... 16
2.2 Importância econômica e social..........................................................................................17
2.3 Antracnose no feijão-fava ................................................................................................... 18
2.3.1 Agente causal................................................................................................................... 20
2.3.2 Infecção e colonização..................................................................................................... 20
2.4 Influência do cálcio no controle de doenças de plantas...................................................... 21
2.5 Influência do silício no controle de doenças de plantas ..................................................... 22
3 MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................................ 25
3.1 Área experimental................................................................................................................25
3.2 Instalação dos experimentos...............................................................................................25
3.2.1 Delineamento experimental.............................................................................................26
3.3 Plantio e condução da cultura.............................................................................................27
3.4 Obtenção do isolado de C. truncatum, preparo da suspensão do inóculo e
inoculação.................................................................................................................................28
3.5 Avaliações da severidade....................................................................................................29
3.6 Determinação do teor de clorofila nas folhas......................................................................29
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO.........................................................................................31
4.1 Efeito do cálcio na antracnose do feijão-fava.....................................................................31
4.2 Efeito do silício na antracnose do feijão-fava.....................................................................33
4.3 Correlação entre severidade da antracnose e peso de grãos de feijão-fava.........................36
4.4 Teor de clorofila nas folhas................................................................................................36
5 CONCLUSÕES.............................................................................................................39
REFERÊNCIAS……………………………………………………………………………..40
13
1 INTRODUÇÃO
O cultivo do feijão comum (Phaseolus vulgaris L.), cultura de maior expressão do
gênero Phaseolus, apresenta grande importância econômica e social para o Brasil que se
destaca como maior produtor mundial (PAULA JUNIOR et al., 2008). Em seguida, o feijãofava (Phaseolus lunatus L.), aparece representando a segunda cultura de maior importância do
gênero Phaseolus (CARVALHO, 2012). No Brasil, o feijão-fava constitui uma cultura de
relevante importância social, representando fonte de proteínas para pequenos agricultores
(CAVALCANTE et al., 2012). Segundo dados do IBGE (2010), a produção nacional de grão
seco atingiu 7349 toneladas numa área cultivada de 29825 hectares, resultando numa
produtividade de 265 kg há-1. No Nordeste, além de constituir uma das alternativas de renda e
alimento para a população, é também utilizada na alimentação animal, como adubo verde e
cultura de cobertura para proteção do solo (ALCÂNTARA, 1998; PEGADO et al., 2008). A
região destaca-se como maior produtora nacional contribuindo com cerca de 90% da
produção. A produção do estado de Alagoas, cerca de 118 toneladas em uma área de 297
hectares, com maior produção nas cidades de Palmeira dos Índios e União dos Palmares,
representa em torno de 1,8% da produção do Nordeste (IBGE, 2010).
Embora bem adaptada às condições edafo-climáticas do Nordeste brasileiro, a
ocorrência de doenças, favorecidas pelas condições precárias de manejo, tem limitado a
produtividade do feijão-fava (SILVA et al., 2010). Seu cultivo em pequenas propriedades, em
consórcio com outras culturas e sem adoção de tecnologia, sem programa de nutrição mineral
específico tem contribuído para o aumento da incidência de doenças limitando assim sua
produtividade (CARVALHO, 2012; ALVES et al., 2008; PEREIRA et al., 2004). Dentre as
doenças, se destaca a antracnose, causada pelo fungo Colletotrichum truncatum, que pode
tornar-se problema com a expansão da cultura (FIGUEIREDO, 2001). Segundo Carvalho
(2009) a antracnose é a doença mais prevalente da cultura no Nordeste do Brasil, porém
precisa ser melhor estudada.
A antracnose é caracterizada inicialmente por manchas avermelhadas nas nervuras
foliares na face abaxial espalhando-se por todo limbo foliar. Já nas vagens as lesões
apresentam-se arredondadas de coloração avermelhada, de tamanho variável. A doença pode
14
atacar toda parte aérea da planta apresentando sintomas semelhantes (PAULA JÚNIOR et al.,
1995).
Considerando que o cultivo de feijão-fava é praticado principalmente por pequenos
agricultores o controle químico da antracnose geralmente não é empregado, pois sua adoção
eleva significativamente os custos de produção. Assim, o emprego da resistência genética
constitui um dos métodos mais eficientes para o manejo da doença (CAVALCANTE et al.,
2012); de fácil acesso aos produtores e econômico.
O Cálcio e o Silício vêm sendo estudados por apresentarem propriedades de induzir
resistência em plantas. Tais elementos são empregados na redução da severidade de
determinadas doenças, especialmente em frutos, como relatado na literatura (POZZA et al.,
2004; KORNDORFER, 2001; ZAMBOLIM, et al., 2001; YAMADA, 2004). O cálcio é
absorvido pelas plantas junto com a água do solo, por fluxo de massa, e se desloca,
principalmente, para os órgãos de transpiração, acumulando-se nas folhas, sendo limitado o
seu transporte, via floema, para os frutos (BLAKENAU, 2007). Do mesmo modo, o silício é
transportado em quase sua totalidade para as células das folhas depositando-se na parede
externa da célula da epiderme. (BARBOSA et al., 2002). Ambos, ao se acumular na parece
celular, constituem barreira mecânica que dificulta ou impede a penetração de fitopatógenos.
Dentre os elementos minerais estudados, o silício (Si) contribuiu para a redução da
intensidade de doenças em várias culturas.
Para o caso do feijoeiro comum, os trabalhos relativos ao emprego de Si são ainda
incipientes e pouco conclusivos (FRANZOTE et al., 2005; NASCIMENTO et al., 2005),
especialmente aqueles que procuram esclarecer a relação da nutrição com problemas
ocasionados pelas doenças e sua relação com os aspectos agronômicos da cultura.
Embora observada a eficiência destes elementos no controle de doenças de plantas,
obtendo-se resultado positivo para algumas doenças em várias culturas, até o presente
momento esse aspecto pouco foi estudado no caso da antracnose do feijão-fava. Tendo em
vista a importância desses estudos para o manejo sustentável da cultura, o presente trabalho
objetivou estudar o efeito de diferentes doses e fontes de cálcio e silício na indução de
15
resistência do feijão-fava ao C. truncatum, buscando assim alternativas para o manejo
sustentável da antracnose nesta cultura.
16
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Gênero Phaseolus
Com mais de 720 gêneros e 19.325 espécies distribuídas em todo mundo, a família
Fabaceae é considerada a maior dentro do grupo de dicotiledôneas. Dentro dessa família, os
gêneros são agrupados em três subfamílias: Mimosoideae, Caesalpinioideae e Papilionoideae.
Dentro desta última encontra-se o gênero Phaseolus (LEWIS et al., 2005) que agrupa cerca de
31 a 52 espécies originadas do continente americano. Dentre essas espécies apenas cinco são
cultivadas: P. vulgaris L. (feijão-comum), P. lunatus L. (feijão-fava), P. coccineus L. (feijãoayocote), P. acutifolius (feijão-topari) e P. polyanthus (DEBOUCK, 1991,1999).
2.1.1 Feijão-fava
Representando
a
segunda
espécie
mais
importante
do
gênero
Phaseolus
(CARVALHO, 2012), o feijão-fava, também conhecido como feijão-lima (SANTOS et al.,
2002), teve origem na Guatemala, onde encontram-se as formas silvestres, sendo dispersado
para outras regiões acompanhando as rotas de comércio (MACKIE, 1943; VIEIRA, 1967).
2.1.2 Aspectos botânicos
O feijão-fava pertence ao filo Magnoliophyta, à classe Magnoliopsida e ordem Fabales
(CRONQUIST, 1988). Apresenta ciclo anual, bianual ou perene, com germinação epígea
(BEYRA e ARTILES, 2004), suas raízes são semelhantes às de outras espécies do gênero,
com uma raiz principal de onde saem às ramificações. O caule é herbáceo, é dependente do
hábito de crescimento da planta e apresenta nós e internódios (CARVALHO, 2012). As folhas
primárias são simples, originadas do próprio cotilédone e as demais são compostas,
trifolioladas com filotaxia alterna e mais escuras que as encontradas em outras espécies do
gênero, mesmo depois do amadurecimento das vagens (MELO, 2005). Tais vagens são
compridas, curvadas e coriáceas apresentando coloração bege quando secas e comportando de
duas a quatro sementes. O tamanho e a coloração do tegumento das sementes variam bastante
de acordo com as diferentes variedades da espécie (SANTOS et al., 2002).
17
Quanto ao hábito de crescimento, encontram-se variedades de feijão-fava de
crescimento determinado e indeterminado. O tipo de crescimento determinado caracteriza-se
pelo completo desenvolvimento da gema terminal resultando em uma inflorescência,
enquanto no crescimento indeterminado a gema continua a se desenvolver sendo conduzida
em um tutor-guia que direciona seu crescimento (SANTOS et al., 2002). Uma vez que o
crescimento dos ramos se mantém durante o ciclo, emitindo nós e florações, plantas com
crescimento indeterminado apresentam potencial produtivo superior às plantas de crescimento
determinado (OLIVEIRA et al., 2011). Variedades de crescimento determinado apresentam
uma maior uniformidade na maturação das vagens, enquanto as de crescimento indeterminado
apresentam maturação tardia e desuniforme possibilitando várias colheitas no mesmo ciclo
(OLIVEIRA et al., 2004).
2.2 Importância econômica e social
O feijão-fava é uma das principais leguminosas cultivadas em regiões tropicais,
apresentando potencial nutritivo e de renda para população a do Nordeste Brasileiro, onde a
cultura é utilizada tradicionalmente na alimentação, consumindo-a na forma de grãos maduros
ou verdes (PEGADO, 2008; CARVALHO, 2012). Segundo dados do IBGE o Nordeste
representa a região maior produtora de fava do Brasil com uma produção de 6.667 toneladas
em uma área plantada de 28.628 hectares. Isto representa mais de 90% da produção nacional e
cerca de 96% da área plantada em todo país. Os estados, Paraíba, Pernambuco e Ceará se
destacam como maiores produtores da cultura com produção de 2.826, 1.275 e 917 toneladas
respectivamente. Os três juntos representam cerca de 68% da produção nacional e 75% da
produção do Nordeste. Já o Estado de Alagoas é o menor produtor da região com uma
produção em torno de 118 toneladas, porém tem a terceira maior produtividade. Produzindo
cerca 397 Kg ha-1 fica abaixo apenas de Sergipe e Pernambuco (461 e 420 Kg ha-1
respectivamente) (IBGE, 2010).
Mesmo com capacidade de adaptação superior ao feijão-comum, desenvolvendo-se
melhor em regiões de clima quente e úmido e com maior tolerância a temperaturas altas e
déficit hídrico, o feijão-fava tem uma distribuição menor quando comparado com outras
espécies do gênero (SANTOS et al. 2002; CARVALHO, 2012). Segundo Guimarães et al.
(2007), as principais razões para seu cultivo limitado podem ser: a tradição do consumo de
18
feijão-comum, o paladar da fava e o seu tempo de cocção mais longo. Por conta da presença
do ácido cianídrico (HCN), que dá à fava um sabor amargo, requer, em alguns casos, antes de
seu consumo, um ou dois pré-cozimentos com o objetivo de eliminar a toxina (MELO, 2005).
Outro fator que contribui para redução da produção é o motivo da maior parte ser
oriunda de pequenos produtores, em locais de difícil acesso, nos quais são adotados os
métodos mais tradicionais de plantio e cultivo (SILVA et al., 2010). Seu cultivo é realizado
geralmente em consorcio com milho (Zea mays L), mandioca (Manihot esculenta Crantz) ou
mamona (Ricinus communis L), tomando as plantas dessas culturas como suporte
(AZEVEDO et al., 2003). Também é muito plantada junto às cercas, muros ou telas de arame,
que servem de suporte para suas ramas que possuem, em muitas variedades, hábito de
crescimento indeterminado.
Sendo cultivado sem auxílio de técnicas que visem o aumento da produtividade e sem
muitos cuidados, pode favorecer a incidência de doenças. Entre as doenças de maior
severidade nesta cultura destacam-se o míldio (EVANS et al., 2002; 2007; DAVIDSON et al.,
2008), a ferrugem (LYNCH et al., 2006; BONDE et al., 2008), a podridão de raiz
(DAVIDSON et al., 2002; DAVEY et al., 2008 ), a antracnose e mela (PAULA JÚNIOR et
al.,1995). Além destas, as doenças viróticas também são importantes, destacando-se as
causadas pelo Bean golden mosaic virus (BGMV), pelo Cowpea severe mosaic virus
(CPSMV) pelo Bean common mosaic virus (BCMV) e pelo Bean common mosaic necrosis
virus (BCMNV) (MELGAREJO et al., 2007). De todas estas, a antracnose, causada por C.
truncatum, é a mais comum e representa um dos maiores obstáculos para o incremento da
produtividade da fava atacando as folhas, os ramos e as vagens da planta.
2.3 Antracnose no feijão-fava
A antracnose, doença que ataca diferentes espécies de plantas cultivadas, é causada
por espécies de fungo do gênero Colletotrichum que é considerando um dos grupos de fungo
mais importante do mundo por causar doenças de grande expressão econômica em diversas
frutíferas, cereais, hortaliças e leguminosas (LIMA, 2012; FEIJÓ, 2012; SERRA et al. 2008).
Os danos pós-colheita são os que causam perdas econômicas mais significativas aos
produtores (LIMA, 2012). Segundo Carvalho et al., (2010), a espécie que causa antracnose na
19
cultura do feijão-fava é C. truncatum. É facilmente observado na região Nordeste, onde as
condições climáticas favorecem seu desenvolvimento, principalmente em plantios de
pequenos produtores verificando-se também em áreas experimentais (CARVALHO et al.,
2010), entretanto precisa ser melhor estudada (PAULA JÚNIOR et al.,1995).
Os sintomas podem ser observados em toda parte aérea da planta e nas sementes onde
as lesões são pequenas e deprimidas, de coloração marrom-escura ou até mesmo negra
quando observadas nos cotilédones (CARVALHO et al., 2010). Nas folhas a antracnose causa
sintomas de escurecimento das nervuras e manchas deprimidas com formato elíptico, seguidas
de necrose na superfície, tanto nas faces adaxial quanto na abaxial resultando em folhas
encarquilhadas e plantas subdesenvolvidas (COSTA, 1986) (Figura 1). Nas vagens, onde se
formam os acérvulos do patógeno, com aspecto de uma massa esbranquiçada, de onde saem
numerosas setas, o fungo causa lesões deprimidas, grandes e avermelhadas e ainda
deformações (Figura 1) (PAULA JÚNIOR et al.,1995). Lesões avermelhadas e necrosadas
podem também ser observadas no hipocótilo, pecíolos e nervuras das plantas (COSTA, 1986).
Figura 1 – Sintomas de antracnose na parte aérea de plantas de feijão-fava em condições de infecção
natural em campo (vagem) e inoculação em casa de vegetação (folhas).
Fonte: Autor, 2012
No controle de qualquer patógeno vale ressaltar que o conhecimento sobre as
características, ciclo de vida, penetração e colonização no hospedeiro é de suma importância
para a adoção de técnicas de controle (NASCIMENTO, 2012).
20
2.3.1 Agente causal
Colletotrichum truncatum, causador de antracnose, é um fungo anamórfico
pertencente à classe Coelomycetes, ordem Melanconiales e família Melanconiaceae. Sua
identificação se dá através das características morfológica dos conídios, coloração da colônia
e presença ou ausência do seu teleomorfo Glomerella cingulata (Ascomycota). A espécie
apresenta micélio bem desenvolvido onde são encontradas setas sobre acérvulos e conídios
hialinos de formato falcado. (AGRIOS, 2005; SUTTON, 1980; NECHET e HALFELDVIERA, 2008).
Em estudos de avaliação do tamanho dos conídios de C. truncatum na cultura da fava,
LIMA, (2012) observou que o tamanho dos conídios variou de 17,18 - 22,64 µm para o
comprimento e 2,19 - 2,47 µm para a largura. Os conídios apresentaram-se hialinos,
unicelulares, forma falcado com ápices afilados e dispostos em acérvulos com setas
asseptadas de coloração marrom escuro. Verificou também a alta variabilidade morfométrica
dos conídios entre diferentes isolados.
2.3.2 Infecção e colonização
O fungo é capaz de sobreviver em restos de culturas e pode ser transmitido através de
sementes contaminadas, pela água da chuva e a longa distância através do vento. Os conídios
podem também ser disseminados através dos respingos da água de irrigação (NECHET e
HALFELD-VIERA, 2008). Espécies de Colletotrichum geralmente apresentam ciclo de vida
hemibiotrófico (fase biotrófica seguida de necrotrófica). Primeiro o fungo produz sobre a
cutícula do hospedeiro, um apressório escuro, seguindo com a penetração de hifas primárias,
sem causar a morte das células (estágio biotrófico). Em seguida, são formadas hifas
secundárias que se espalham e matam as células do hospedeiro (estágio necrotrófico). Este
último começa entre 48 a 72 horas após a inoculação dependendo das condições ambientais
(MÜNCH et al., 2008).
As estratégias de colonização de Colletotrichum variam de acordo com a espécie e a
suscetibilidade do hospedeiro. Em lentilha (Lens culinarias Medik), o processo de infecção
por isolados de C. truncatum inicia-se com a germinação dos conídios de 3 a 6 horas após a
21
inoculação. A formação dos apressórios, na extremidade do tubo germinativo, inicia-se de 6 a
12 horas após a inoculação com penetração diretamente na cutícula e células da epiderme.
Passadas 24 horas da inoculação, as hifas crescem inter e intracelularmente no tecido do
hospedeiro. Em cultivares suscetíveis, o aparecimento das lesões varia de 72 a 144 horas e em
cultivares resistentes até 14 dias após a inoculação (CHONGO et al., 2002). Em folhas de
feijão-caupi, o conídio começa a germinar a partir de 6 horas após a inoculação, formando
apressórios diretamente no conídio ou na extremidade do tubo germinativo. Com 14 horas,
inicia-se a penetração das hifas primárias no tecido do hospedeiro. Depois de
aproximadamente 48 horas surgem lesões marrons na folha e aproximadamente 70 horas após
a inoculação, surgem acérvulos com uma ou duas setas escuras (SMITH et al., 1999).
2.4 Influência do cálcio no controle de doenças de plantas
A capacidade que as plantas têm de se defender é sem dúvida influenciada pelo vigor e
seu estádio fenológico. Uma planta com deficiências nutricionais é normalmente mais
vulnerável ao ataque de patógenos do que outra em condições nutricionais ótimas
(ZAMBOLIM, 2001). O calcário e o gesso são essenciais para estabelecer o pH ótimo do solo
e fornecer Ca para o crescimento do sistema radicular das culturas. Além de melhorar a
estrutura, a permeabilidade e a infiltração de água no solo, ajuda a planta a suportar o estresse
por salinidade (BLAKENAU, 2007).
O cálcio é importante para o crescimento das raízes e dos brotos e aumentar a
tolerância ao estresse por calor, vento e frio. O crescimento de novas raízes permite a
substituição de raízes velhas e/ou danificadas por patógenos, tornando possível uma maior
absorção de nutrientes, inclusive elementos que conferem resistência contra patógenos.
Lembrando que planta bem nutrida é sinônimo de planta mais resistente (BLAKENAU,
2007).
O calcário é absorvido pelas plantas junto com a água do solo, por fluxo de massa, e se
desloca principalmente para os órgãos de transpiração, acumulando-se nas folhas, sendo
limitado o seu transporte, via floema, para os frutos. Assim, ele não é redistribuído das folhas
mais velhas para as mais novas, nem das folhas para os frutos ou sementes (BLAKENAU,
22
2007). Dessa forma, os poligalacturonatos de cálcio são requeridos na lamela média para a
estabilidade da parede celular (Figura 2).
Figura 2 – Deposição do cálcio na lamela média.
Fonte:
BLAKENAU, 2007
Muitos fungos parasíticos e bactérias invadem o tecido vegetal através da produção
extracelular de enzimas pectolíticas como a poligalacturonase, que dissolve a lamela média. A
atividade desta enzima é inibida pelo cálcio (YAMADA, 2004). Esse elemento modifica as
pectinas hidrossolúveis em polipectato insolúvel, o qual é resistente às enzimas pectolíticas
dos patógenos. Por outro lado, também protege a membrana celular das células do hospedeiro
e reduz a ligação eletrolítica induzida pelo patógeno (ZAMBOLIM, et al., 2001).
2.5 Influência do silício no controle de doenças de plantas
O silício pode estar presente na crosta terrestre na forma de rochas e, de acordo com a
indústria que as beneficiam, recebe nomenclaturas como MB4 (melhorador de solos formado
por dois tipos de rocha) e Rocksil (oriundo de argilas silicatadas), sendo assim identificado no
mercado (PAULINO e ALBUQUERQUE, 2013). Depois do oxigênio, o silício (Si) é o
primeiro elemento encontrado no solo. Porém, não é considerado um elemento essencial, de
acordo com os conceitos de essencialidade dos nutrientes minerais, uma vez que este não
participa da constituição de nenhuma molécula essencial à planta além destas conseguirem
completar seu ciclo de vida sem a sua presença (MALAVOLTA et al., 1997). Ainda que
considerado não essencial, alguns autores (PAULINO e ALBUQUERQUE, 2013; FEITOSA
23
et al., 2010; FERREIRA et al, 2009) afirmam que a utilização do silício como fertilizante tem
apresentado resultados positivos como resistência ao estresse hídrico, aumento da taxa
fotossintética e a diminuição do ataque de patógenos.
Por serem altamente eficientes na absorção do silício, as monocotiledôneas foram as
primeiras plantas nas quais se estudou o uso deste elemento no controle de doenças.
Posteriormente, motivados pelo interesse nos estudos de patossistemas de dicotiledôneas,
testou-se o silício, neste grupo de plantas, como controlador de doenças obtendo-se assim,
também, alguns resultados positivos (POZZA et al., 2004; MORAES et al., 2006).
Após a absorção pelas raízes, o silício é transportado pelos vasos xilema depositandose na parede celular. Uma vez depositado, este se torna imóvel e não mais se redistribui na
planta (BALASTRA et al., 1989). Dessa forma o silício vai se acumulando nas paredes das
células constituindo barreira mecânica de forma a dificultar ou impedir a penetração de
fitopatógenos (Figura 3). O acúmulo de sílica na folha também provoca redução na
transpiração, limitando a perda de água, devido à formação de uma dupla camada de sílica, o
que causa redução da transpiração por diminuir a abertura dos estômatos (OLIVEIRA, 2002).
O acúmulo de silício ainda permite uma ereção nas folhas, o que contribui para diminuir o
auto-sombreamento e reduzir o acamamento e ataque de fungos. Além disso, o Si previne a
herbivoria, conferindo rigidez e elasticidade a parede celular, o que prejudica o aparelho bucal
de insetos mastigadores (EPSTEIN, 1994; MARSCHNER,1995). O silício pode também
ativar várias estratégias de defesa da própria planta como a produção de compostos fenólicos,
quitinases, peroxidases, polifenoloxidases e acúmulo de lignina. Esses mecanismos de defesa
podem ser ativados pela alteração que este elemento causa no pH da rizosfera da planta
induzindo a absorção de elementos essenciais que têm esta função (FIGUEIREDO e
RODRIGUES, 2004; AMARAL et al., 2008). Assim o silício constitui uma ótima alternativa
para o controle de doenças de plantas sem agredir o ambiente.
24
Figura 3 – Efeito do silício no controle de doenças de plantas
Fonte: WINDHAM, et al., 2010
25
3 MATERIAL E MÉTODOS
3.1 Área experimental
O experimento foi conduzido no período de julho de 2015 a dezembro de 2015, em
condições de casa de vegetação, numa área de terras pertencentes à Universidade Federal de
Alagoas, no município de Rio Largo, AL. A área experimental está localizada nas
coordenadas geográficas: l 9°29'45"S, 35°49'54"W e com altitude de 165 metros. De acordo
com a classificação de Köppen o clima da região foi classificado como As, ou seja, climático
tropical com estação chuvosa no inverno e seca no verão. O solo de onde foram coletadas as
amostras para análise química e para o preenchimento dos vasos, foi classificado como
Argisolo Amarelo Distrófico típico a moderado, textura Franco-areno (18% de argila). Os
resultados da análise química do solo se encontram na Tabela 1.
Tabela 1 - Características físicas e químicas do solo utilizado nos experimentos.
Fonte: Central Analítica. Maceió-AL, 2014
3.2 Instalação dos experimentos
Foram conduzidos três experimentos, sendo um para avaliar o efeito do cálcio e dois
para avaliar o efeito do silício sobre a severidade da antracnose em feijão-fava. Ambos os
elementos foram testados em um genótipo de feijão-fava, suscetível a antracnose, oriundo do
banco de germoplasma do Centro de Ciências Agrárias da UFAL, identificado como (G35).
26
3.2.1 Delineamento experimental
O delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado (DIC). Para cada
experimento foi testado quatro doses de um produto mais uma testemunha (dose 0) com seis
repetições, a qual foi utilizada para os três experimentos. Para o experimento com cálcio o
produto testado foi o carbonato de cálcio (CaCO3) nas seguintes doses: 0, 2, 4, 6 e 8 g kg-1 de
solo. Para os experimentos com silício foram testadas duas fontes: Argila silicatada - Rocksil
e o melhorador de solo - MB4 nas doses: 0; 0,05; 0,075; 0,1 e 0,15 g kg-1 de solo. Com o
objetivo de controlar a drenagem e assim os níveis de cálcio e silício ao longo do tempo, as
sementes de feijão-fava foram plantadas em vasos de plástico de capacidade 11 litros que
foram instalados no interior de casa de vegetação (Figura 4). As doses de silício foram
aplicadas no solo 2 dias antes do plantio enquanto as doses de cálcio foram aplicadas 20 dias
antes do plantio.
Figura 4 – Vasos de plástico instalados em interior de casa de vegetação onde foram conduzidos os
experimentos.
Fonte: Autor, 2014.
27
3.3 Plantio e condução da cultura
O plantio foi realizado de forma direta pela disposição de três sementes por vaso.
Quinze dias após a germinação, as plântulas foram desbastadas deixando-se apenas uma
planta por vaso o que representou cada parcela experimental. O teor de umidade do solo foi
acompanhado através de tensiômetro instalado em um dos vasos (Figura 5) e a reposição de
água
através
de
sistema
de
irrigação
por
gotejamento
utilizando
gotejadores
autocompensantes de vazão 8L h-1. A duração da irrigação era de 15 minutos por dia,
assegurando uma umidade em torno da capacidade de campo calculada anteriormente (2 litros
por vaso). Por se tratar de plantas de crescimento indeterminado, estas foram tutoradas
utilizando-se estacas de sabiá de altura aproximada de 1,5 m.
Figura 5 – Tensiômetro instalado em um dos vasos onde foi cultivado o feijão-fava
Fonte: Autor, 2014
28
3.4 Obtenção do isolado de C. truncatum , preparo da suspensão de inóculo e inoculação
Para preparar a suspensão de conídios foi necessário obter um isolado de C. truncatum
e cultivá-lo em placas de petri. Para tanto, foi coletado em uma área experimental do Centro
de Ciências Agrárias, folhas com sintomas característicos de antracnose, as quais foram
levadas ao laboratório de fitopatologia onde se procedeu a técnica de isolamento indireto,
obtendo-se um isolado de C. truncatum. O procedimento consistiu de uma desinfecção
superficial de fragmentos do tecido foliar com sintomas da doença, imergindo-os em álcool
70% por um minuto e depois em hipoclorito de sódio a 1% também por um minuto. Após
serem lavados, duas vezes, em ADE (água destilada e esterilizada), estes fragmentos foram
transferidos para placas de petri contendo meio BDA (batata dextrose e ágar). Decorridos 5
dias, quando o micélio tornou-se evidente foi repicado para novas placas de petri onde
permaneceu até produzir esporos (cerca de 10 dias).
A partir de colônias de C. truncatum, preparou-se a suspensão de esporos adicionandose 15 ml de ADE a uma placa contendo o fungo cultivado. Na sequência, com auxílio de uma
escova de dentes macia, foram removidas as estruturas do fungo. A suspensão foi filtrada em
gaze e ajustada, com auxílio de câmara de Neubauer, para concentração de 106 conídeos ml-1
(LINS et al., 2007). Aos 30 dias após a germinação (Figura 6), as plantas foram inoculadas
através da pulverização da suspensão esporos.
Figura 6 – Aspecto geral das plantas de feijão-fava aos 30 dias após a germinação
29
Fonte: Autor, 2014
3.5 Avaliações da severidade
Aos 25, 40, 55, 70 e 85 dias após a inoculação a severidade da antracnose nas folhas
foi avaliada com o auxílio de uma escala de notas desenvolvida por Godoy et al. (1997) para a
antracnose do feijão comum (P. vulgaris) (Figura 7 e 8). Os dados foram obtidos a partir de
cada planta, tomando-se a média de cinco folíolos de onde foi calculada, posteriormente, a
severidade média por tratamento. Na maturação da cultura, foi avaliado o rendimento de grãos
(peso de cem grãos) para cada tratamento. As médias das severidades das cinco avaliações
foram submetidas à análise de variância e posteriormente feita análise de regressão. O peso de
100 grãos foi submetido ao teste de correlação com o grau de severidade da doença.
3.6 Determinação do teor de clorofila nas folhas
Aos 60, 75, 90 e 105 dias após a germinação das sementes, foi analisado, com o
auxílio do medidor indireto de clorofila Minolta SPAD-502, o teor de clorofila nas folhas das
plantas de feijão-fava. Em cada planta tomou-se a média de cinco folíolos de onde calculouse, posteriormente, a média por tratamento.
30
Figura 7 – Avaliação comparativa da severidade da antracnose em folhas de feijão-fava utilizando a escala
de Godoy et al (1997).
Fonte: Autor, 2015.
Figura 8 – Escala diagramática de Godoy, para avaliação da severidade da antracnose em folhas de feijão
comum.
Fonte: Godoy et al. (1997)
31
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Efeito do cálcio na antracnose do feijão-fava
A análise dos dados pelo teste F mostrou-se significativa ao nível de 5% de
probabilidade. Verificou-se que o uso de carbonato de cálcio – CaCO3 (calcário) no solo
diminuiu a severidade da antracnose em plantas de feijão-fava. A fim de determinar a dose de
maior eficiência do produto no controle da antracnose, procedeu-se a análise de regressão que
ajustou a equação quadrática y= 0,2036x2 - 1,5284x + 3,42, com coeficiente de determinação
de 90,5% (Figura 9), onde observou-se uma redução superior a 60%. Pelo teste de Tukey,
todas as doses avaliadas diferiram significativamente da testemunha, contudo não houve
diferença significativa entre as doses testadas.
Figura 9 - Curva da severidade da antracnose em folhas de feijão-fava em função das dosagens de CaCO3
(Dose 0 – Testemunha; Dose 1 – 2 g Kg-1 de solo; Dose 2 – 4 g Kg-1 de solo; Dose 3 – 6 g Kg-1 de solo;
Dose 4 – 8 g Kg-1 de solo).
3,00
2,50
Severidade (%)
2,23
y = 0,2036x2 - 1,1213x + 2,0951
R² = 0,905
Test. - 0,0 g/kg solo
D1 - 2,0 g/kg solo
D2 - 4,0 g/kg solo
D3 - 6,0 g/kg solo
D4 - 8,0 g/kg solo
2,00
1,50
1,00
0,88
0,75
0,76
0,75
0,50
0,00
0
1
2
3
4
Doses de CaCO3
Fonte: Autor, 2015.
Muniz et al. (1991), avaliando a influência da nutrição com nitrato de cálcio sobre a
antracnose do feijão comum, encontraram variações na severidade da doença em função das
doses de cálcio, onde observaram maior severidade da antracnose nas plantas tratadas com as
32
menores doses deste elemento. Os autores propõem que o papel do cálcio na redução desta
enfermidade esteja relacionado com a absorção de outros nutrientes. Admitem também que o
patógeno estudado é bastante variável e que a interação entre outras cultivares de feijão e
outras raças do fungo possa resultar em respostas diferentes. Já Muchovej et al. (1980),
atribuem a redução da antracnose da soja, causada por C. dematium var. truncata, a baixa
atividade de enzimas pécticas produzidas pelo patógeno sobre o pectato de cálcio na parede
celular. Tal hipótese parece aceitável, pois as poligalacturonases produzidas por esse gênero
de fungos podem ser inibidas por cálcio (YAMADA, 2004).
Tal elemento tem demonstrado eficiência também no controle de outras doenças
fúngicas. Estudando o efeito de combinações de potássio e cálcio sobre a severidade da
ferrugem da soja, Pinheiro et al. (2011) observaram que o cálcio reduziu a severidade da
ferrugem em todas as combinações com o potássio, podendo essa redução ultrapassar 86%.
Constataram também que o potássio reduziu a severidade da doença apenas quando o
suprimento de cálcio foi adequado. Segundo os mesmo autores o potássio aumenta a
severidade da doença quando as doses de cálcio são baixas. Resultados semelhantes foram
obtidos por Garcia Júnior et al. (2003) que também observaram o efeito positivo do cálcio na
redução da incidência da cercosporiose do cafeeiro. Os autores perceberam que a incidência
da doença decresceu linearmente com o aumento das doses de cálcio, obtendo a menor
incidência com a maior dose, que inibiu o ataque do patógeno em 85,22%.
Segundo Zambolim e Vale (2001), a aplicação de cálcio tem controlado a murcha do
tomateiro, causada por Fusarium oxysporum, em condições experimentais. Os autores
informam ainda que muitos fungos fitopatogênicos invadem o tecido vegetal através da
produção de enzimas como a poligalacturonase, que dissolvem a lamela média das células. O
cálcio, além de proporcionar estabilidade à parede celular, possui a capacidade de inibir a
ação destas enzimas dificultando assim a entrada de patógenos (YAMADA, 2004). Esta
informação pode justificar o efeito do CaCO3 aplicado no solo, sobre a severidade do C.
truncatum nas folhas do feijão-fava. O nutriente, rico em cálcio, pode ter inibido a ação das
enzimas produzidas pelo patógeno o que dificultou sua penetração e posterior colonização do
tecido vegetal.
33
4.2 Efeito do silício na antracnose do feijão-fava
Pode-se observar que tanto no experimento utilizando a argila silicatada (Rocksil)
como no experimento com o melhorador de solo (MB4), há redução significativa, em relação
à testemunha, para severidade das lesões causadas por C. truncatum nas folhas das plantas de
feijão-fava (Tabela 2). Para o Rocksil, a análise de regressão ajustada com a equação
quadrática: y = 0,2395x2 - 1,2886x + 2,0879, com coeficiente de determinação de 91,42%,
representada na Figura 10, revela uma redução de 75,34% quando aplicado uma dose de
0,075g do produto por kg de solo (dose 2). No entanto, este percentual de redução não difere
estatisticamente dos resultados encontrados para as doses de 0,05; 0,1 e 0,15g kg-1 (doses 1, 3
e 4), que reduziram a severidade da doença em 67,26%, 74% e 70,8% respectivamente.
Figura 10 - Curva da severidade da antracnose em folhas de feijão-fava em função das dosagens de
Rocksil (Dose 0 – Testemunha; Dose 1 – 0,05 g Kg-1 de solo; Dose 2 – 0,075 g Kg-1 de solo; Dose 3 – 0,1 g
Kg-1 de solo; Dose 4 – 0,15 g Kg-1 de solo).
3,00
y = 0,2395x2 - 1,2886x + 2,0879
R² = 0,9142
Severidade (%)
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
0,00
-1
0
1
2
3
4
5
Doses de Rocksil (g/kg)
Fonte: Autor, 2015.
Resultados semelhantes foram encontrados em trabalhos conduzidos por Pratissoli et
al. (2007) que observaram menor severidade da varíola do mamoeiro, causada pelo fungo
Asperisporium caricae, nas folhas de plantas tratadas com Rocksil. A capacidade deste
34
produto em induzir resistência contra fitopatógenos, foi também verificada por Androcioli et
al. (2012), que observaram redução de até 71% na incidência da cercosporiose e 60% na
incidência da ferrugem em folhas de cafeeiro. Segundo os mesmos autores, o efeito deste
produto na incidência e na severidade das doenças de plantas é devido ao silício presente em
sua composição.
Brancaglione et al. (2009), estudando o efeito curativo do Rocksil sobre a severidade
de Xanthomonas axonopodis em mudas de maracujazeiro-amarelo também encontraram
resultados satisfatórios. Todas as doses testadas proporcionaram significativo controle em
relação à testemunha, entretanto não diferiram significativamente entre si pelo teste de Tukey
ao nível de 5% de probabilidade. Os autores ressaltam que, além do efeito direto sobre
fitopatógenos, a argila silicatada pode aumentar o grau de resistência das plantas às injúrias
mecânicas (ferimentos) na epiderme, vias que podem facilitar a penetração de patógenos no
hospedeiro.
Para o experimento utilizando o MB4 como fonte de silício, o gráfico com a equação:
y = 0,2129x2 - 1,2214x+ 2,0917 e o coeficiente de determinação de 92,24% (Figura 11),
possibilita visualizar uma redução significativa na severidade da doença, em relação à dose 0
– tratamento controle. A maior dose aplicada, 0,15g de MB4 por kg de solo (dose 4), foi a que
atingiu o maior controle da doença (77,58%). Porém, pelo teste de Tukey a 5% de
probabilidade, não houve diferença significativa em relação a menor dose do produto – 0,05g
kg-1 (dose 1), onde verifica-se uma redução da severidade da doença em torno de 65%. As
doses 0,075 e 0,1g kg-1- (dose 2 e 3), reduziram o ataque do C. truncatum em 74% e 75,8%
respectivamente.
35
Figura 11 - Curva da severidade da antracnose em folhas de feijão-fava em função das dosagens de MB4
(Dose 0 – Testemunha; Dose 1 – 0,05 g Kg-1 de solo; Dose 2 – 0,075 g Kg-1 de solo; Dose 3 – 0,1 g Kg-1 de
solo; Dose 4 – 0,15 g Kg-1 de solo)
y = 0,2129x2 - 1,2214x + 2,0917
R² = 0,9224
3,00
Severidade (%)
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
0,00
-1
0
1
2
3
4
5
Doses de MB4 (g/kg)
Fonte: Autor, 2015.
O uso de silício nas culturas vem sendo bastante estudado (POZZA et al., 2004;
MORAES et al., 2006; ALBUQUERQUE et al., 2013; FERNANDES et al., 2009). Teixeira
et al. (2008) observaram redução significativa da antracnose, mancha angular e crestamento
bacteriano em folhas de feijão-comum (Phaseolus vulgaris L.) utilizando o silício como
indutor de resistência. Os resultados estão de acordo com o trabalho de Moraes et al. (2006)
que encontraram redução em torno de 56% na severidade da antracnose em folhas de feijoeiro
utilizando o silicato de sódio como fonte de silício. Em outros trabalhos utilizando silicato de
cálcio, Moraes et al., (2009) também reportaram a redução da doença em função do aumento
das doses. Os dados encontrados demonstraram que, embora o feijoeiro não seja classificado
como planta acumuladora de silício, o teor desse elemento nas folhas das plantas
suplementadas por este foi alto.
A capacidade do silício em atenuar o ataque de patógenos de plantas foi observada por
vários autores (COSTA et al., 2007; REIS et al., 2008; POZZA et al., 2003; MORAES et al.,
2006). Segundo Fernandes et al., (2009), várias doenças causadas por fungos e bactérias em
diversas culturas, bem como algumas pragas podem ser reduzidas significativamente com a
fertilização silicatada. O silício depositado na parede celular forma uma camada que favorece
36
o fortalecimento da parede celular, por participar da formação de barreiras que impedem ou
dificultam o acumulo e a penetração dos microrganismos (COGO et al., 2011). Assim, o
elemento tem como função a proteção mecânica dos tecidos vegetais onde há grande
penetração de patógenos (FERNANDES et al., 2009), o que justifica a redução da severidade
da antracnose nas folhas tratadas com Rocksil e com MB4.
4.3 Correlação entre severidade da antracnose e peso grãos de feijão-fava
Verificou-se uma correlação negativa entre a severidade da antracnose e o peso de 100
grãos de feijão-fava, independente da fonte ou da dose de cálcio ou silício (Tabela 2). Ou seja:
à medida que a severidade da doença aumentou, o peso de 100 grãos de feijão-fava foi
reduzido. Porém não houve diferença significativa.
Tabela 2 – Coeficiente de correlação (r) entre severidade da antracnose e o peso de 100 grãos de feijãofava nas diferentes fontes testadas.
Fonte
CaCO3
Rocksil
MB4
r
-0,185
-0,705
-0,604
Significância
NS
NS
NS
Teixeira et al. (2008), atribuem o maior rendimento de grãos de feijão comum obtidos
no período seco, a menor incidência de doenças, dentre elas à antracnose. Porém, os próprios
autores admitem a carência de estudos que comprovem esta relação. No caso do feijão-fava,
os estudos que relacionam produtividade com severidade de antracnose ainda são pouco
conclusivos, sendo necessárias novas pesquisas, principalmente em nível de campo e com
infecção natural da doença.
4.4 Teor de clorofila nas folhas
Em relação ao teor de clorofila presente nas folhas de feijão-fava, não houve diferença
significativa independentemente das doses e dos produtos (Figura 12A– C). Pinheiro et al.
(2011), avaliando a severidade da ferrugem da soja em função do suprimento de cálcio,
perceberam que a taxa fotossintética também não aumentou significativamente em função do
aumento deste elemento. A maior taxa de fotossíntese coincidiu com o maior grau de
37
severidade da doença e os autores justificam que a doença inicialmente causa maior estímulo
à planta que aumenta sua atividade fotossintética por um período reduzido seguido da redução
por causa do surgimento de áreas cloróticas (PINHEIRO et al.,2011; PASCHOLATI e
LEITE, 1995). No caso do silício, embora citado na literatura sua influência na taxa
fotossintética por conta do favorecimento da arquitetura foliar (KORNDÖRFER e
DATNOFF, 1995), não existem estudos que comprovem o aumento do teor de clorofila em
função da suplementação deste elemento.
Figura 12 – Índice SPAD (Teor de clorofila) nas folhas de feijão-fava em função das doses de CaCO3, MB4
e Rocksil.
Teor de Clorofila
27
24
CaCO3
MB4
Oxil
21
18
Fonte:Autor, 2015
D1
D2
D 3
D4
38
5 CONCLUSÕES
A aplicação de calcário, Rocksil e de MB4 no solo como fontes de cálcio e de
silício promove redução na severidade da antracnose em folhas de feijão-fava;
O peso de 100 sementes de feijão-fava não foi influenciado significativamente
pelo tratamento com nenhuma fonte de cálcio ou de silício testada;
O índice SPAD não foi influenciado significativamente pelo tratamento com
nenhuma fonte de cálcio ou de silício testada.
39
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