Emulsões e Estudo das Frações Químicas do Extrato de Annona muricata L. (Annonaceae) para o Controle de Plutella xylostella (L., 1758) (Lepidoptera: Plutellidae)
EMULSE~1.PDF
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PROTEÇÃO DE PLANTAS
RONYCLEIDE DA SILVA SOUSA
EMULSÕES E ESTUDO DAS FRAÇÕES QUÍMICAS DO EXTRATO DE Annona
muricata L. (Annonaceae) PARA O CONTROLE DE Plutella xylostella (L., 1758)
(Lepidoptera: Plutellidae)
Rio Largo, AL
2015
RONYCLEIDE DA SILVA SOUSA
EMULSÕES E ESTUDO DAS FRAÇÕES QUÍMICAS DO EXTRATO DE Annona
muricata L. (Annonaceae) PARA O CONTROLE DE Plutella xylostella (L., 1758)
(Lepidoptera: Plutellidae)
Dissertação apresentada ao Programa de Pós
Graduação em Proteção de Plantas, do Centro
de Ciências Agrárias, da Universidade Federal
de Alagoas, como requisito parcial para
obtenção do título de Mestre em Proteção de
Plantas.
Orientadora: Profª. Drª. Roseane Cristina
Predes Trindade
Coorientador: Prof. Dr. Antônio Euzébio
Goulart de Sant’Ana
Rio Largo, AL
2015
Folha de Aprovação
RONYCLEIDE DA SILVA SOUSA
EMULSÕES E ESTUDO DAS FRAÇÕES QUÍMICAS DO EXTRATO DE Annona
muricata L. (Annonaceae) PARA O CONTROLE DE Plutella xylostella (L., 1758)
(Lepidoptera: Plutellidae)
Dissertação submetida ao corpo
docente do Programa de PósGraduação em Proteção de
Plantas da Universidade Federal
de Alagoas e aprovada em 28 de
Agosto de 2015.
__________________________________________________________________
Profª Drª Roseane Cristina Predes Trindade, Universidade Federal de Alagoas
Orientadora
Banca Examinadora:
_____________________________________________________________________
Profª Drª Sônia Maria F. Broglio, Universidade Federal de Alagoas
________________________________________________________________
Drª Alice Maria Nascimento de Araújo, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural
EMATER
Ofereço
A Deus, pois me proporcionou viver o meu sonho mais ousado.
E por isso me fez continuar, mesmo quando achei que não podia mais...
Dedico
Ao meu esposo Gilson Bernardo pelo apoio e amor incondicional, você foi sem duvida, meu
alicerce e meu incentivo nesta árdua caminhada e a toda minha família pelo incentivo e apoio.
Obrigada!
AGRADECIMENTOS
Primeiramente agradeço a Deus, o centro e o fundamento de tudo em minha vida, por
renovar a cada momento a minha força e disposição e pelo discernimento concedido ao longo
dessa jornada.
Aos meus pais, Rolando Lourenço de Sousa e Maria Margarete da Silva, meu infinito
agradecimento. Sempre acreditaram em minha capacidade e me acharam A MELHOR de
todas, mesmo não sendo. Isso só me fortaleceu e me fez tentar, não ser A MELHOR, mas a
fazer o melhor de mim. Obrigada pelo amor incondicional!
A minha querida avó Marinalva Avelino pela motivação e ao meu querido tio
Alexandre Avelino que sempre apoiou os meus estudos.
A meus tios, tias, primos e primas, que vibraram comigo, desde a aprovação na prova,
e sempre fizeram “propaganda” positiva a meu respeito. Obrigada pela força!
Agradeço também as minhas cunhadas e cunhados e aos meus sogros, Pedro e Marili,
pelo incentivo e apoio. Obrigada pelo carinho!
À Universidade Federal de Alagoas – UFAL e ao Centro de Ciências Agrárias –
CECA pela oportunidade de realizar a pós-graduação.
Aos meus professores, que foram e são de grande importância, em especial para
professora Drª Sônia Maria F. Broglio pela sua dedicação a Entomologia e pela amizade.
À minha orientadora, Prof.ª Dr.ª Roseane Cristina Predes Trindade, que acreditou em
mim; que ouviu pacientemente as minhas considerações partilhando comigo as suas ideias,
conhecimento e experiências e que sempre me motivou. Quero expressar o meu
reconhecimento e admiração pela sua competência profissional e minha gratidão pela sua
amizade, por ser uma profissional extremamente qualificada e pela forma humana com que
conduziu minha orientação.
Ao Prof. Dr. Antônio Euzébio Goulart Sant’Ana , pelo apoio e por contribuir, com a
realização deste trabalho.
Aos técnicos Aldy dos Santos e Margarida Maria do laboratório de Química, pela
disponibilidade, simpatia e gentileza, pois sem a ajuda de vocês nada seria possível. Obrigada
pela ajuda!
A Profª. Drª. Aldenir Feitosa, as alunas Isis Torres e Sheila Tavares do laboratório de
Química, pelo auxílio em algumas etapas dos experimentos.
À coordenação da pós-graduação e a todos os docentes que contribuíram para meu
aprendizado ao longo do curso.
A meus amigos do mestrado, pelos momentos vividos juntos, especialmente à Simone
Costa, Djison Silvestre, Jardel Jean e Letice Souza, que se tornaram verdadeiros amigos e
tornaram mais leve meu trabalho. Aos poucos nos tornamos mais que amigos, quase irmãos...
Obrigada por dividir comigo as angústias e alegrias e ouvirem minhas bobagens. Foi bom
poder contar com vocês!
A todos os meus amigos de disciplinas pela amizade que de alguma maneira tornam
minha vida acadêmica cada dia mais desafiante. Peço a Deus que os abençoe grandemente,
preenchendo seus caminhos com muita paz, amor, saúde e prosperidade.
Aos meus colegas do laboratório de Entomologia Agrícola: Controle alternativo de
pragas do CECA- Sherlly Telles, Anilde da Graça Maciel, Djison Silvestre dos Santos,
Emerson Ferreira, Camila Alexandre, Mirandy Dias, Jéssica Rodrigues, Sávio Gomes,
Pacífico Júnior, Lindinalva Santos e Gilson Bernardo.
Ao meu esposo, Gilson Bernardo, deixei você por último, porque sempre deixo o
melhor para o final, e você é o melhor da minha vida. Obrigada por estar sempre a meu lado,
me pondo para cima e me fazendo acreditar que posso mais que imagino. Devido a seu
companheirismo, amizade, paciência, compreensão, apoio, alegria e amor, este trabalho pôde
ser concretizado graças a sua ajuda. Obrigada por ter feito do meu sonho o nosso sonho!
A CAPES pelo apoio financeiro.
Aos membros da Banca pela contribuição ao participarem da defesa desta dissertação.
Ninguém vence sozinho... OBRIGADA A TODOS!
Nada é coincidência, tudo é providência!
São João, capítulo 15, versículo 16.
RESUMO
O Brasil é um país que lidera a utilização e comercialização de agrotóxicos, devido ao seu uso
indiscriminado nas lavouras, ocasionando, com isso, mecanismos de resistência e
contaminação do meio ambiente e dos consumidores. A cada dia, vem crescendo os estudos
com a utilização de métodos de controle alternativo de pragas, entre eles o uso de plantas
inseticidas, que causam um menor efeito contaminante sobre o ambiente. A traça-dascrucíferas, Plutella xylostella (L., 1758) (Lepidoptera: Plutellidae), é a principal praga de
brássicas em todo o mundo, principalmente por sua fácil dispersão, curto ciclo e grande
capacidade de desenvolver resistência a inseticidas. Por esse motivo, a adoção de métodos de
controle alternativos é importante para a elaboração de um plano de manejo integrado para a
espécie. Dentre esses métodos, tem-se o uso de extratos de plantas com ação inseticida tais
como espécies da família Anonnaceae, como a graviola Annona muricata L. (Annonaceae)
que possui relatos de atividade inseticida, acaricida e vermicida. Com isso, o objetivo deste
trabalho foi obter uma formulação a base de uma emulsão estável do extrato etanólico de
sementes de graviola, avaliar as características organolépticas, analisar a estabilidade dos
sistemas formados a longo e curto prazo e avaliar sua atividade sobre a traça-das-crucíferas.
Como também, realizou-se o fracionamento químico do extrato etanólico de graviola
monitorados pelo reagente de Kedde para a triagem da presença de acetogeninas e para testar
seus efeitos biológicos no controle da P. xylostella. Das cinco formas de obtenção da emulsão,
apenas a emulsão 5 mostrou-se estável e homogênea conseguida pela quantidade de 3,5 g de
Span, 2 g de Tween, 10 g do extrato orgânio e 85 g de H2O. Os resultados mostraram que as
emulsões armazenadas sem a presença do sol direto, mostraram-se estáveis por três meses e
nas emulsões que foram submetidas a testes de estabilidade a curto prazo foi observado que
quando expostas a altas temperaturas se apresentaram instável no período observado. A
estimativa das CL50 e CL99 foi de 0,03 e 4,26%. A emulsão afetou o desenvolvimento da
praga e diminuiu a viabilidade das lagartas cujos resultados encontrados para testemunha,
para o controle químico e para CL50 foram 98,3; 70,0 e 70,0% respectivamente. Porém,
mostrou-se eficiente como repelente de oviposição e também afetou negativamente a fase
embrionária cujos resultados encontrados para testemunha, para o controle químico, para CL50
e para CL99 foram 96,5; 79,50; 87,0; e 21,50 %, respectivamente. Com a realização do
fracionamento químico foram obtidas quatro frações por meio de uma partição-liquidoliquido que foram: clorofórmica, acetato de metila, hexanica e aquosa e foram realizados
testes biológicos com a traça-das-crucíferas e os resultados obtidos foram que mortalidade das
lagartas de P. xylostella foi afetada, após a aplicação de todas as frações do extrato etanólico.
Porém a fração clorofórmica foi a que apresentou uma mortalidade de 67,74% na CL50 e ao
aplicar a CL99, 98,3%. Em seguida foi realizada uma filtração em funil com sílica e
obtiveram-se mais seis frações que foram metanólica, acetato de etila, hexânica, 10% acetato
+ 90% hexano, 25 % acetato+ 75% hexano e 50% acetato+ 50% hexano e a mortalidade das
lagartas de P. xylostella foi elevada em todas as frações passadas pela purificação do funil
com sílica, mais a fração 25% Acetato + 75% Hexano foi a que apresentou maior
mortalidade, apresentando 64,76 % na CL10. Em todas as frações mais ativas foram
confirmadas a presença de acetogeninas pela coloração violácea apresentada em
cromatografia de camada delgada (CCD).
Palavras chave: Traça-das-crucíferas. Graviola. Formulações. Extrato orgânico.
ABSTRACT
The Brazil is a country that leads the use and marketing of pesticides due to indiscriminate
use in crops, leading to resistance mechanisms and contamination of the environment and
consumers. Every day, has been growing studies with the use of alternative pest control
methods, including the use of insecticides, plants that cause a minor effect on the
environment.The Diamondback moth, Plutella xylostella (L., 1758) (Lepidoptera:
Plutellidae), is the main large plague worldwide, mainly due to its easy dispersion, short cycle
and great ability to develop resistance to insecticides. For this reason, the adoption of
alternative control methods is important for the development of an integrated management
plan for the species. One of these methods, the use of plant extracts with insecticidal action
such as species of the family Anonnaceae, such as graviola Annona muricata L. (Annonaceae)
that has reports of activity insecticide, acaricide and vermicida. With this, the aim of this
study was to obtain a formulation based on stable emulsion of ethanolic extract of seeds of
graviola, assess the organoleptic characteristics, analyze the stability of the systems formed in
the long and short term and assess their activity on the moth-cruciferous plants. Also, the
chemical fractionation of the ethanolic extract of graviola monitored by Kedde reagent for the
screening for the presence of acetogeninas and to test its effects on biological control of P.
xylostella. Of the five ways of obtaining the emulsion, the emulsion only 5 showed stable and
homogeneous achieved by the amount of 3.5 g, 2 g Tween Span, 10 g of the extract orgânio
and 85 g of H2O. The results showed that emulsions stored without direct sun, were stable for
three months and the emulsions that were subjected to short-term stability tests it has been
observed that when exposed to high temperatures were unstable in the observed period. The
estimate of the LC50 and LC99 were 0.03 and 4.26%. The emulsion affected the development
of prague and decreased the viability of caterpillars whose results found for witness, to the
chemical control and LC50 were 98.3; and 70.0; 70.0% respectively. However, proved
effective as oviposition repellent and also negatively affected the embryonic stage whose
results found for witness, to the chemical control, to LC50 and LC99 were 96.5; 79.50; 87.0;
and 21.50%, respectively. With the completion of chemical fractionation was obtained four
fractions by means of a partition – liquid – liquid that were: chloroform, Methyl acetate,
hexanica and biological tests were carried out and water with traces of cruciferous and the
data obtained were tracked mortality of p. xylostella was affected after the implementation of
all fractions of the ethanolic extract. However the chloroform fraction was presented a
67.74% LC50 mortality and to apply the LC99 a mortality rate of 98.3%. Then a filtering
funnel with silica and obtained six fractions that were methanol, ethyl acetate, hexane, 10% +
90% acetate, hexane, 25% + 75% acetate 50% acetate, hexane and + 50% hexane and
mortality of caterpillars of P. xylostella was elevated in all fractions passed by hopper with
silica purification, but the fraction 25% + 75% acetate, Hexane was presented the greater
mortality featuring 64.76% on LC10. In all the most active fractions were confirmed the
presence of the violet coloration acetogeninas presented in thin layer chromatography (CCD).
Keywords: Diamondback. Graviola. Emulsion. Chemical fractions.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1-
Ciclo biológico da Plutella xylostella. (A) fase embrionária, (B) fase
larval, (C) fase pupal e (D) fase adulta.........................................................
18
Figura 2-
Estrutura química da uvaricina .....................................................................
29
Figura 3-
Estrutura química básica das acetogeninas...................................................
30
Figura 4-
Microscopia ótica de uma emulsão...............................................................
32
Figura 5-
Emulsões com separação de fases e emulsão estável de óleo Annona
muricata........................................................................................................
62
Figura 6-
Partição líquido-líquido com diferentes solventes no extrato etanolico da
semente de Annona muricata......................................................................
88
Figura 7-
Purificação com diferentes solventes no extrato de semente de
A.muricata.................................................................................................... 89
Figura 8-
Cromatograma do extrato etanólico (A), na fração clorofórmica (B), na
fração 25% Acetato + 75% Hexano (C) e na fração acetato (D)................. 95
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 -
Proporção de homogeneizadores utilizados para o preparo das emulsões
do
extrato
etanólico
orgânico
da
semente
de
Annona
muricata.....................................................................................................
Tabela 2 -
Emulsões preparadas com óleo vegetal de A.muricata com Span 60 e
Tween 80 em proporções diferentes........................................................
Tabela 3 -
55
62
Estudo da estabilidade em ambiente com sol indireto, sol direto e em
ambiente escuro realizado na cidade de Rio Largo/AL entre os meses de
janeiro a abril de 2015..........................................................................
Tabela 4 -
sob diferentes estresses...................................................................
Tabela 5 -
65
Estimativa das concentrações letais da emulsão com o extrato etanólico
da semente de Annona muricata...............................................................
Tabela 6 -
64
Avaliação das propriedades organolépticas das emulsões em curto prazo
66
Médias ± DP da viabilidade e duração das fases larval e pupal e
longevidade do adulto de Plutella xylostella tratadas com a emulsão do
extrato etanólico orgânico da semente de Annona muricata....................
Tabela 7 -
69
Comparação de médias através da Viabilidade (%) ± DP dos ovos de
Plutella xylostella tratados com a emulsão do extrato orgânico etanólico
da semente de Annona muricata e com o produto químico Decis
25CE.......................................................................................................
Tabela 8 -
71
Média ± DP de ovos de Plutella xylostella depositados em folhas de
couve tratadas com a emulsão do extrato orgânico etanólico da semente
de Annona muricata, da testemunha e do tratamento padrão.....................
Tabela 9 -
Avaliação das CLs
73
referente às partições líquido-líquido, do
experimento com extrato de semente de A. muricata analisando a
mortalidade das traças das crucíferas..........................................................
Tabela 10 -
91
Avaliação da CL10 referente às frações extraídas através da purificação
com o funil de sílica, do experimento com extrato de semente de
A.muricata analisando a mortalidade das traças das crucíferas..................
93
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ACGs -
Acetogeninas
CECA -
Centro de Ciências Agrárias
CCD-
Cromatografia de camada delgada
CL -
Concentração Letal
CL10
Concentração letal para matar 10% da população
CL50 -
Concentração Letal para matar 50% da população
CL99 -
Concentração Letal para matar 99% da população
CV% -
Coeficiente de Variação
DMSO -
Dimetilsulfóxido
TWEEN -
Polissorbato
DP -
Desvio padrão
GIFAP -
Grupo Internacional das Associações Nacionais de Fabricantes de Produtos
Agroquímicos
IC -
Intervalo de confiança
LI -
Limite Inferior (CL10)
LS -
Limite Superior (CL99)
NS -
Não significativo
RPM -
Rotações por minuto
UFAL -
Universidade Federal de Alagoas
UR -
Umidade relativa
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO GERAL..............................................................................
14
2
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.......................................................................
16
2.1
Traças das crucíferas (Plutella xylostella).....................................................
16
2.1.1
Características gerais........................................................................................
16
2.1.2
Aspectos biológicos..........................................................................................
16
2.1.3
Danos e prejuízos ............................................................................................
18
2.2
Estratégias de controle...................................................................................
19
2.2.1
Método de controle cultural............................................................................
20
2.2.2
Controle biológico............................................................................................
20
2.2.3
Controle Comportamental.................................................................................
21
2.2.4
Controle químico...............................................................................................
22
2.2.5
Método por resistência de plantas....................................................................
22
2.2.6
Uso de inseticidas botânicos.............................................................................
23
2.3
Uso de plantas inseticidas com potencial de controle de Plutella
xylostella...........................................................................................................
23
2.4
Anonáceas........................................................................................................
25
2.4.1
Importância econômica das Anonáceas..........................................................
25
2.4.2
Anonáceas com ação inseticida........................................................................
26
2.4.3
Estudos fitoquímicos das anonáceas.................................................................
28
2.5
Formulações de inseticida...............................................................................
31
2.5.1
Emulsão............................................................................................................
32
REFERÊNCIAS..............................................................................................
34
3
Emulsão do extrato etanólico de Annona muricata L. (Annonaceae) no
controle de Plutella xylostella (L.,1758) (Lepidoptera: Plutellidae)............
49
RESUMO........................................................................................................
49
ABSTRACT.....................................................................................................
50
3.1
INTRODUÇÃO...............................................................................................
51
3.2
MATERIAL E MÉTODOS............................................................................
53
3.2.1
Condução da cultura.........................................................................................
53
3.2.2
Criação de Plutella xylostella...........................................................................
53
3.2.3
Preparo dos extratos.........................................................................................
54
3.2.4
Preparo da emulsão..........................................................................................
54
3.2.5
Avaliação organoléptica e testes de estabilidade das emulsões estáveis.........
55
3.2.6
Testes de estabilidade normais em longo prazo...............................................
56
3.2.7
Testes de estabilidade acelerados em curto prazo..........................................
56
3.2.8
Estimativa da CL50 e CL99 da emulsão do extrato etanólico da semente de
Annona muricata.............................................................................................
57
3.2.9
Efeito da CL50 na biologia de Plutella xylostella.............................................
58
3.2.10
Efeito da emulsão do extrato orgânico de Annona muricata na fase
embrionária de Plutella xylostella...................................................................
59
3.2.11
Teste de não preferência para oviposição de Plutella xylostella.....................
59
3.3
RESULTADOS E DISCUSSÃO.................................................................
60
3.3.1
Emulsão..........................................................................................................
61
3.3.2
Avaliação organoléptica e testes de estabilidade das emulsões estáveis..........
63
3.3.2.1
Testes de estabilidade normais em longo prazo...............................................
63
3.3.2.2
Testes de estabilidade acelerados a curto prazo................................................
65
3.3.3
Testes biológicos com a emulsão do extrato orgânico etanólico da semente
66
de Annona muricata no controle de Plutella xylostella...................................
3.3.3.1
Estimativa da CL50 e CL99 da emulsão do extrato orgânico etanólico da
semente de Annona muricata para Plutella xylostella....................................
3.3.3.2
Efeito da CL50 da emulsão do extrato etanólico da semente de Annona
muricata na biologia de Plutella xylostella.......................................................
3.3.3.3
65
68
Efeito da emulsão do extrato orgânico de Annona muricata na fase
embrionária de Plutella xylostella.................................................................
70
3.3..3.4
Teste de não preferência para oviposição de Plutella xylostella.......................
72
3.4
CONCLUSÕES...............................................................................................
75
REFERÊNCIAS…..........................................................................................
76
4
Estudo das frações químicas do extrato etanólico de Annona muricata L.
(Annonaceae) no controle de Plutella xylostella (L., 1758) (Lepidoptera:
Plutellidae)......................................................................................................
82
RESUMO.........................................................................................................
82
ABSTRACT.....................................................................................................
83
4.1
INTRODUÇÃO.............................................................................................
84
4.2
MATERIAL E MÉTODOS.........................................................................
86
4.2.1
Condução da cultura......................................................................................
86
4.2.2
Criação de Plutella xylostella........................................................................
86
4.2.3
Coleta das sementes e preparo dos extratos................................................
87
4.2.4
Estudo das frações químicas do extrato etanólico da semente de Annona
muricata..........................................................................................................
4.2.4.1
87
Partição líquido-líquido do extrato orgânico da semente de Annona
muricata.........................................................................................................
87
4.2.4.2
Purificação do extrato etanólico da semente de A.muricata...........................
89
4.2.4.3
Obtenção do reagente de Kedde....................................................................
90
4.2.4.4
Teste para acetogeninas.............................................................................
90
4.3.
RESULTADOS E DISCUSSÃO.................................................................
91
4.3.1
Fracionamento da partição líquido-líquido do extrato orgânico da semente
de Annona muricata.................................................................,.....................
91
4.3.2
Purificação do extrato etanolico da semente de Annona muricata..............
93
4.3.3
Teste para acetogeninas.................................................................................
94
4.4
CONCLUSÕES...........................................................................................
97
REFERÊNCIAS............................................................................................
98
14
1 INTRODUÇÃO GERAL
O uso de plantas com ação inseticida constitui-se num campo de investigação aberto,
amplo e contínuo. A diversidade de substâncias presentes na flora continua sendo um enorme
atrativo na área de controle de insetos, levando-se em consideração que apenas uma pequena
parcela das plantas foi investigada com tal finalidade (SCHMALTZ et al., 2005).
São inúmeras as plantas com potencial inseticida e dentre elas podem-se citar às
espécies pertencentes à família Annonaceae com diversos trabalhos e diferentes espécies
desde os anos 90. As anonáceas se destacam por apresentem em sua composição substâncias
bioativas com alta atividade sobre insetos, conhecida como acetogeninas (ALALI et al.,
1999).
Já foram descritas e registradas 42 espécies de anonáceas com potencial inseticida,
distribuídas em 14 gêneros (Annona, Artabotrys, Asimina, Cardiopetalum, Dennettia,
Duguetia, Guatteria, Monodora, Mkilua, Oxandra, Polyathia, Rollinia, Unonopsis e Xylopia)
com importância para as espécies Annona muricata L. (graviola) e Annona squamosa L.
(fruta-do-conde, pinha, ata), que atualmente são as mais utilizadas para estudos de potencial
inseticida (KRINSKI; MASSAROLI; MACHADO, 2014). Com destaque para a graviola, do
qual muitos trabalhos mostram que possui efeito inseticida para algumas espécies de insetos,
nematicida e bactericida, e a sua semente, fonte promissora de material para a produção de
extrato, é descartada no processo de industrialização (HERNÁNDEZ; ANGEL, 1997).
A principal vantagem relacionada ao uso de extratos vegetais em proteção de plantas,
quando comparados aos produtos sintéticos, deve-se ao fato de gerar novos compostos, os
quais não se tornam capazes de inativar, além de serem menos tóxicos, serem degradados
rapidamente pelo ambiente, possuírem um amplo modo de ação e de serem derivados de
recursos renováveis (FERRAZ; LOPES; AMORA, 2008).
Tendo em vista que, esses inseticidas naturais, geralmente apresentam uma menor
durabilidade após a aplicação, e menor resistência quanto a sua conservação, nota-se a
necessidade da elaboração de formulações que permitam o aumento da viabilidade desses
produtos e sua disponibilação para os agricultores. Entre os diferentes tipos de formulação,
pode-se optar pela emulsão, que consiste na mistura entre dois líquidos imiscíveis, utilizando
métodos como agitação e adição de homogeneizadores (BAJPAI; GIRI, 2002). Com a
emulsão existirá uma uniformidade que consiste em dizer que as gotículas do líquido disperso
no outro apresentam diâmetros iguais, em sua grande maioria. O líquido que está disperso em
15
pequenas gotas é conhecido como fase dispersa, interna ou descontínua, enquanto que o
segundo líquido é chamado de fase de dispersão, externa ou contínua (VOIGT, 1982; ZANIN
et al., 2001 e 2002; PRISTA et al., 2003; GENNARO, 2004).
Esta pesquisa fitoquímica tem como finalidade identificar os constituintes químicos de
espécies vegetais ou determinar a sua presença, quando não se dispõe de estudos químicos
sobre a espécie de estudo. A análise fitoquímica preliminar pode indicar os grupos de
metabólitos secundários (FALKENBERG; SANTOS; SIMÕES, 2001; GAMBETA, 2008).
Esses estudos êm identificado uma série de produtos naturais em espécies de Annonaceae,
com destaque para as acetogeninas (ACG), até então isoladas de um pequeno número de
gêneros (Annona, Asimina, Xilopia, Goniothalamus e Uvaria). As ACGs possuem estruturas
diversificadas e poderosas propriedades citotóxicas, com aplicações potenciais na geração de
fármacos (compostos antitumorais) e de inseticidas agrícolas (COLOM et al., 2007; 2008;
BLESSING et al., 2010).
As brássicas têm sua produção afetada pelo ataque de diferentes pragas, entre elas a
traça-das-crucíferas,
Plutella
xylostella
(L.,
1758)
(Lepidoptera:
Plutellidae)
um
microlepidóptero que está presente em quase todas as regiões produtoras de brássicas e em
praticamente todo período de cultivo da planta, sendo considerada a principal praga não só da
couve, como do repolho e de outras brássicas (TORRES et al., 2006); Por causar danos graves
ao limbo foliar, chegando a comprometer economicamente a cultura e dependendo do sua
infestação pode levar a morte da planta (CASTELO BRANCO et al., 2001).
Desta forma, o objetivo deste estudo é de contribuir satisfatoriamente a uma melhor
forma de controlar uma praga que ataca uma gama de hortaliças cultivadas em diversas
regiões, através da determinação de uma formulação adequada de extratos de sementes de A.
muricata para controlar a traça-das-crucíferas, P. xylostella, como uma estratégia de controle
alternativo, dentro do manejo integrado da praga.
Além disso, objetivou-se estudar as frações químicas do extrato etanólico, a fim de
determinar a presença de acetogeninas como princípio ativo principal, monitorado pelo
reagente de kedde, com atividade biológica para P. xylostella.
16
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Traças das crucíferas (Plutella xylostella)
2.1.1 Características gerais
A traça-das-crucíferas, P. xylostella, é um microlepidoptero, pertencente à família
Plutellidae, considerada a praga chave da cultura das brássicas (MARANHÃO et. al., 1998).
É originaria da região mediterrânea e se encontra disseminada em todos os continentes
acompanhando a disseminação das culturas (FILGUEIRA, 1987; MONNERAT et. al., 2000)
e adaptando-se as mais diversas condições climáticas (CASTELO BRANCO, 1997).
No Brasil, o seu primeiro registro foi feito na Bahia, época em que os ataques
inutilizavam os cultivos de repolho da região (BONDAR, 1928). Segundo Siqueira (1981),
ocorria nos estados de Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio
Grande do Sul e São Paulo, tendo como principais hospedeiros o aipo, brócolis, cenoura,
couve-flor, mostarda, rabanete e principalmente o repolho e a couve, ocorrendo durante todo
o ciclo da cultura.
2.1.2 Aspectos biológicos
Gallo et al. (2002) descreveram os ovos da traça-das-crucíferas como sendo
alaranjados, elípticos, aplanados e com presença de relevos ondulados (Figura 1A). Os ovos
são depositados na parte abaxial das folhas podendo se encontrar isolados ou em grupos de
dois ou três.
Em média o período de incubação pode variar de dois a três dias. Ao final do terceiro
dia, os ovos ficam escurecidos e no quarto dia as lagartas rompem o coríon, eclodindo
primeiro a cabeça (OOI; KELDERMAN, 1979). Pouco antes da eclosão as lagartas podem ser
vistas sob o coríon. Em média menos de 2% dos ovos são inférteis (HARCOURT, 1957).
As lagartas medem cerca de 2 mm de comprimento após a sua eclosão e apresentam o
hábito minador, cujas lagartas penetram no interior da folha passando a alimentar-se do
parênquima, durante dois ou três dias. Em seguida, abandonam a galeria e passam a
alimentar-se da epiderme da face inferior da folha. As lagartas de P. xylostella, apresentam
quatro instares larvais, sendo que no último, inicia a confecção do casulo (MONNERAT et.
al., 2000).
17
As lagartas atingem o máximo desenvolvimento com 8 a 10 mm de comprimento
(Figura 1B), após nove ou 10 dias da eclosão (BIOCONTROLE, 2013). Estas apresentam
coloração uniforme verde-clara, notando-se sobre o corpo alguns pequenos pelos escuros e
cabeça de tonalidade pardacenta (NOGUEIRA, 1981).
Devido ao hábito alimentar do primeiro estádio larval, de se encontrar protegida
dentro do interior das folhas (IMENES et al., 2002), seu controle é dificultado, uma vez que o
produto não consegue entrar em contato direto com a lagarta.
Segundo Ooi & Kelderman (1979) o período larval é de cerca de seis dias, ao fim do
qual a lagarta confecciona um casulo facilmente reconhecido por ser constituído de pequenas
malhas, na face inferior das folhas e no último ínstar pode apresentar dimorfismo sexual, pois
as lagartas que darão origem a adultos machos podem ser reconhecidas por duas manchas
amareladas na parte posterior do abdome. A fêmea é mais clara que o macho, podendo ser
efetuada a sexagem através do segmento abdominal anal visto que os machos exibem divisão
longitudinal dorsal, característica ausente nas fêmeas (ROSARIO; CRUZ, 1986). A pupa é do
tipo obtecta (ROSARIO; CRUZ, 1986) e de acordo com Medeiros et al. (2003) seu período
pode variar entre 3 a 5 dias a 28o C (Figura 1C).
Após cerca de quatro dias da fase de pupa, emerge um microlepidóptero (Figura 1D)
medindo 8 a 9 mm de envergadura (NOGUEIRA, 1981). Nos machos a margem posterior das
asas anteriores é branca e na posição de repouso forma uma mancha alongada característica
sobre a face dorsal (MONNERAT, 1995; BIOCONTROLE, 2013). Os adultos são mais ativos
no final da tarde e início da noite. É nesse momento quando ocorre o acasalamento e a postura
e a fêmea pode colocar os ovos por até quatro dias, podendo ovipositar de 150 a 360 ovos
durante o ciclo (HARCOURT, 1954). O ciclo de vida da traça-das-crucíferas é muito
influenciado pela temperatura, em condições quentes a 35oC em 11 dias, ao passo que a 15ºC
seu ciclo aumenta para 28 dias (DIAS et al., 2004). O numero de gerações pode variar de
cinco a dez por ano, dependendo das condições climáticas e da disponibilidade de alimentos
(CASTELO BRANCO; FRANÇA; VILLAS BOAS, 1997; DIAS; SOARES; MONNERAT,
2004).
18
Figura 1 - Ciclo biológico da Plutella xylostella. (A) fase embrionária, (B) fase larval, (C) fase
pupal e (D) fase adulta.
A
B
C
D
Fonte: Próprio autor, 2015.
2.1.3 Danos e prejuízos
A traça-das-crucíferas é uma das mais impotantes pragas das brássicas e foi verificada
perdas de até 60% no estado de São Paulo na produção de repolho (IMENES, 2002). Em
ataques mais severos, pode ocorrer a inviabilização das áreas de cultivos, devido a um
elevado dano (MORATÓ, 2000). As injúrias causadas pela traça-das-crucíferas ocorrem na
fase larval, cujas lagartas, após a eclosão, penetram no interior das folhas permanecendo 2 a 3
dias alimentando-se do parênquima da folha.
O dano econômico é ocasionado pelas lagartas jovens, que raspam o tecido foliar
deixando apenas a epiderme superior transparente em formato de uma pequena janela, onde,
posteriormente, surgem furos no tecido da folha (CARDOSO; PAMPLONA; MICHEREFF,
2010). Após esse período abandonam a galeria e passam a consumir toda a superfície da
folha, caules, brotos vegetativos de repolhos, couve e ainda das inflorescências, no caso de
couve-flor e brócolis (CASTELO BRANCO; FRANÇA; VILLAS BOAS, 1997; GALLO
et.al., 2002; MEDEIROS; BOIÇA JÚNIOR; TORRES, 2005).
19
Segundo SILVA et al. (2003), o desenvolvimento fenológico da cultura tem uma
relação direta com o dano ocasionado pela P. xylostella que, por serem irreversíveis impõem a
introdução de medidas de controle, que muitas vezes devem ser adotadas ainda no início da
formação da planta, em que se deve buscar uma prevenção e um estudo para ter uma maior
eficiência no método de controle adotado.
No terceiro ínstar as lagartas são mais vorazes causando mais danos que nos três
demais estádios (MAU; KESSING, 2007). Furlong; Wright; Dosdall (2013) relataram que os
danos causados pela traça-das-crucíferas geram um prejuízo mundial de 4 a 5 bilhões de
dólares anualmente, destes, 1,4 bilhão é referente ao controle dessa praga.
Por ser uma praga de ciclo curto, pode produzir em média 20 gerações anuais, o que
torna difícil o seu controle na maioria das regiões produtoras e que segundo MEDEIROS et
al. (2003), os ataques severos causados, principalmente, durante os períodos mais secos do
ano, podem ocasionar perdas totais nos campos de produção. Os danos causados podem
acarretar depreciação do produto, atraso no crescimento da planta e mesmo sua morte.
2.2 Estratégias de controle
A dificuldade de controle da traça-das-crucíferas deve-se a algumas características
inerentes à praga como: a capacidade de se adaptar em diferentes ambientes, alta proliferação,
gerações curtas e alta capacidade migratória. Além destes aspectos deve-se mencionar que a
cerosidade das folhas das brássicas torna a ação dos inseticidas pouco eficientes e que a praga
tem capacidade de desenvolver resistência
aos
mesmos
(CASTELO
BRANCO;
GATEHOUSE, 1997).
Em todo mundo onde as brássicas são cultivadas, são empregadas diferentes táticas de
manejo com o intuito de dimimuir o ataque desta praga, seguindo, muitas vezes, a adoção do
Manejo Integrado de Pragas (MIP). Dentre os métodos de controle de pragas apresentados por
Gallo et al. (2002) estão os métodos legislativos, culturais, controle químico e o método de
resistência de plantas, controle por comportamento (MICHEREFF et al., 2000), controle
biológico (MONNERAT et al., 2000) e uso de inseticidas botânicos (BOICA JUNIOR et al.,
2005; TORRES et al., 2006).
20
2.2.1 Método de controle cultural
O método de controle mecânico, que consiste em catações manuais da praga, não se
mostra viável para a P. xylostella em grandes propriedades. O método cultural conta com
rotações de culturas, aração do solo, épocas de plantio, destruição de restos de culturas, dentre
outras práticas que também não se apresenta muito viável para o controle de P. xylostella,
pois esta apresenta alta capacidade de dispersão, adaptabilidade climática e ambiental. O
mesmo pode ser dito sobre o método de controle físico, que utilizam para o controle de pragas
o fogo, drenagem, inundações, armadilhas luminosas e temperatura, sendo desses, o único
viável é a armadilha luminosa, porém não existem muitos trabalhos sobre esse método.
Existem relatos do uso de irrigação no controle de P. xylostella no Havaí, que se dá pelo
afogamento das lagartas, principalmente as mais jovens que são sensíveis, por aspersão
(WATERHOUSE, 1987; GALLO et al., 2002; MAU; KESSIN, 2007).
2.2.2 Controle biológico
Furlong; Wright; Dosdall (2013) relataram uma série de inimigos naturais já estudados
que são eficazes no controle da traça-das-crucíferas. Dentre esses inimigos há os grupos dos
parasitoides, predadores, vírus, fungos patogênicos e bactérias.
O controle biológico de P. xylostella, quando bem implantado, pode ser uma
alternativa frente às habituais recomendações de controle químico (KRNJAJIC et al., 1997).
O grande número de trabalhos mencionando o complexo de parasitoides nas diferentes
regiões produtoras de crucíferas demonstra a importância desses inimigos naturais para a
manutenção do nível populacional dessa praga abaixo do nível de dano econômico
(MITCHELL; HU GY; OKINE, 1998). Dentre esses agentes de controle biológico, os
parasitoides de ovos do gênero Trichogramma destacam-se pela ampla distribuição
geográfica, por serem altamente especializados, como também pela comprovada eficiência no
controle de pragas, sobretudo aquelas pertencentes à ordem Lepidoptera (ZUCCHI;
MONTEIRO, 1997; HAJI, 1997).
O parasitoide Trichogramma exiguum Pinto & Platner, 1978 (Hymenoptera:
Trichogrammatidae) foi mencionado como eficiente em relação ao seu potencial de uso no
controle de P. xylostella na França (TABONE et al., 1999). No Brasil, à exceção de
BARROS; VENDRAMIM (1999), PRATISSOLI et al. (2004) e PEREIRA; BARROS;
21
PRATISSOLI; 2004), são escassas as pesquisas relatando aspectos biológicos desse inimigo
natural parasitando ovos de P. xylostella.
Dentre as espécies de parasitoides que possuem uma grande eficiência para o controle
de
P.
xylostella
tem-se
Diadegma
semiclausum
(Hellén,
1949)
(Hymenoptera:
Ichneumonidae) que é parasitoide larval-pupal, Cotesia vestalis (Haliday, 1912)
(Hymenoptera:
Braconidae),
parasitoide
larval,
Oomyzus
sokolowskii
Kurdjumov
(Hymenoptera: Eulophidae), que é um parasitoide larval-pupal, dentre muitos outros
(FURLONG; WRIGHT; DOSDALL, 2013).
Furlong; Wright; Dosdall (2013) afirmaram que dentre os patógenos que atacam P.
xylostella,
podem-se
citar
Bacillus
thuringiensis
(Berliner,
1911),
Zoophthora
radicans (Brefeld, 1964), Beauveria bassiana (Vuillemin, 1912), Metarhizium anisopliae
(Metschnikoff, 1879), e Isaria farinosa (Holmsk) Fr.(1832).
Resultados bastante favoráveis de controle de P. xylostella com B. thuringiensis foram
observados por CASTELO BRANCO et al. (2003), chegando a 100% de mortalidade para
larvas de segundo ínstar de P. xylostella. DIAS et al. (2004) também relataram resultados
positivos para diferentes pragas, em trabalho com B. thuringiensis var. kurstaki e var. aizawai,
em formulações comerciais.
2.2.3 Controle Comportamental
Pesquisas realizadas no Japão, China, Malásia, Canadá, Estados Unidos e Costa Rica
evidenciaram que a traça-das-crucíferas pode ser monitorada com o uso de armadilhas com
feromônio sexual. BAKER; SHELTON; ANDAROLO (1982) monitoraram as populações de
P. xylostella com armadilhas de feromônio em culturas de repolho em Nova York,
correlacionando os adultos capturados com a subsequente presença de larvas na cultura.
TANAKA et al. (1990) avaliaram a eficácia do feromônio sexual sintético de P.
xylostella em Kyushu, por meio da contagem de adultos capturados nas armadilhas e presença
de lagartas vivas na cultura e consideraram a técnica eficiente para o controle da praga.
IWATA; TAKAHASHI; KANAI (1991) utilizaram feromônio sexual sintético para interferir
nos acasalamentos de P. xylostella, obtendo redução de prejuízos em cultura de repolho no
Japão. MCLAUGHLIN; MITCHELL; KIRSCH (1994) observaram que a interferência nos
acasalamentos de P. xylostella com o uso de armadilhas de feromônio sexual sintético pode
ser eficiente para proteção da cultura de repolho em áreas menores que oito hectares na
Flórida.
22
2.2.4 Controle químico
Apesar das alternativas utilizadas para reduzir o ataque de P. xylostella e também
minimizar os efeitos adversos causados ao meio ambiente o principal método utilizado pelos
agricultores ainda é o controle químico. A maioria dos inseticidas sintéticos tem ação
semelhante em organismos alvos e não alvos, representando um perigo para os insetos
benéficos, animais selvagens e para homem (CHEN et al., 1996). A busca de novos
compostos para o uso no manejo integrado de pragas sem problemas como a contaminação
ambiental, resíduos nos alimentos, efeitos prejudiciais sobre organismos benéficos e aumento
de frequência de insetos resistentes têm despertado o interesse de vários pesquisadores com
relação aos extratos vegetais (VENDRAMIM, 1997). Além disso, a fitotoxicidade, o efeito
sobre outros organismos não-alvo e o aumento no custo dos agrotóxicos tornou necessária a
busca por produtos biodegradáveis e seletivos (RAGURAMAN; SINGH, 1999).
2.2.5 Método por resistência de plantas
No método de controle por resistência, Furlong; Wright; Dosdall (2013) afirmaram
que a indução de formação de glicosinolato pela planta se mostra eficiente como deterrente
alimentar, já que proporciona um sabor “picante” à planta. Uma outra alternativa, seria a
supressão da produção de isotiocianatos, que é atraente e estimulante para a oviposição, nas
brássicas.
Há também a alternativa de obtenção de brássicas Bt-transgênicas. Hamilton et al.
(2005), avaliaram quatro cultivares de couve (Grand Slam, Green Cornet, Savoy King e
Warrior) e couve-flor (Avsiso, Nautilus, Prestige e White Rock) e cinco de brócolis (Green
Belt, Mascot, Shilo, Viper e Grand Mean) na preferência de oviposição e de duração da fase
larval e pupal da P. xylostella. O experimento mostrou que não houve preferência de
ovoposição entre as variedades de couve-flor e brócolis, mas que a variedade de couve Savoy
King foi a que apresentou maior número de ovos. Quanto à duração das fases, mostrou que a
duração foi maior nessa mesma variedade.
A utilização de cultivares resistentes tem assumido papel relevante no manejo da
traça-das-crucíferas (ULMER et al., 2002) e de outras pragas importantes para essa cultura
(PICOAGA et al., 2003).
23
A resistência de plantas à P. xylostella tem sido avaliada com base em duas
características principais: a cerosidade da superfície foliar, determinada pelo teor de alcano, e
o teor de sinigrina presente nas folhas (EIGENBRODE; SHELTON; DICKSON, 1990;
EIGENBRODE, et.al., 1991; SPENCER, 1996; SPENCER; PILLAI; BERNAYS, 1999;
ULMER et al., 2002). Entretanto, Eigenbrode et al. (1990) consideram que os mecanismos
envolvidos nas características de resistência, relacionadas à quantidade de cera presente na
superfície foliar, não são conclusivos. Normalmente, os constituintes da cera, que podem
influenciar negativamente os insetos, contêm séries homólogas de alcanos, álcoois (primários
e secundários), aldeídos, ácidos, cetonas, ȕ-dicetonas e ésteres, além de metabólitos
secundários como a sinigrina (FERREIRA et al., 2005; LICHSTON; GODOY, 2006).
2.2.6 Uso de inseticidas botânicos
O crescente interesse por substâncias com propriedades deterrentes de origem vegetal
para controlar os insetos como, por exemplo, a ajugarina, a azadiractina e a imperatonina,
sendo esses produtos considerados de baixo impacto para o meio ambiente (SAITO;
LUCHINI, 1998), de baixa nocividade ou toxicidade (SANTOS et al., 1998) e de fácil
decomposição (SAITO; LUCHINI, 1998). Esses produtos levam vantagens sobre os
agrotóxicos, pois não poluem, não apresentam efeitos residuais, não exigem muita precaução
no manuseio (SANTOS et al., 1998). Tais compostos podem proporcionar ao agricultor de
baixa renda, um método fácil, natural e econômico de manejo de insetos, utilizando as
ferramentas do seu próprio ecossistema (HERNANDEZ; VENDRAMIM, 1997), porém, na
opinião de SAITO; LUCHINI (1998), esses produtos vegetais não deixam de ser
componentes químicos, devendo seus efeitos serem estudados.
Segundo MEDEIROS; BOIÇA JÚNIOR; TORRES (2005), produtos naturais
extraídos de plantas constituem em fontes de substâncias bioativas compatíveis com
programas de manejo integrado de pragas (MIP), o que pode reduzir os efeitos negativos
ocasionados pela aplicação descontrolada de inseticidas organossinteticos.
2.3 Uso de plantas inseticidas com potencial no controle de Plutella xylostella
A utilização de produtos naturais de diferentes partes vegetais, consiste num
primoroso recurso que pode vir a ser utilizado devido ao baixo custo, fácil emprego, por
diminuir problemas ambientais e constituir importantes agentes no controle de pragas
24
(Marques; Monteiro; Pereira, 2004), inclusive P. xylostella (Shin-Foon; Yu-Tong 1993).
Segundo Torres; Barros; Pereira (2001) a suscetibilidade de insetos aos aleloquímicos
extraídos de vegetais depende do órgão e da espécie vegetal, forma de extração e espécie do
inseto.
Verkerk; Wright (1993) puderam observar que a azadiractina, principal composto
bioativo da planta de nim (Azadirachta indica A. Juss) apresentam efeito ovicida para P.
xylostella na concentração 3 de 10 a 100 µg/ mL-1. De acordo com CHEN et al. (1996), a
oviposição de P. xylostella foi reduzida pelo extrato aquoso de frutos de Melia azedarach (L.)
(Meliaceae) em 49,6; 86,6 e 93,5% em testes com chance de escolha e, em 46,2; 72,1 e 80,2%
em teste sem chance de escolha, respectivamente nas, concentrações 0,5; 2 e 4%, tornando
evidente que essa redução é proporcional à concentração das substâncias bioativas utilizadas.
TORRES (2000) observou o efeito de extratos aquosos de plantas em relação a P.
xylostella, afirmando que a oviposição da praga foi diretamente correlacionada com o
aumento das concentrações dos extratos, variando de 8% á 14%, independentemente da
espécie vegetal utilizada, e que o efeito repelente se acentua com a quantidade de substâncias
bioativas extraídas e existentes em cada extrato; os extratos de Aspidosperma pyrifolium Mart,
A. indica e Cissampelos aff. glaberrima foram os mais repelentes.
De acordo com Medeiros; Boiça Júnior; Torres (2005), extrato aquoso das folhas de
Enterolobium contortisilliquum Vell. (Fabaceae), Sapindus saponaria L. (Sapindaceae) e
Trichilia pallida Swartz (Meliaceae) apresentaram 100% de deterrência para a oviposição de
P. xylostella, ou seja, interferiram negativamente na postura deste inseto, na concentração de
10%. Também foi estudado o efeito de dos extratos à preferência para oviposição de P.
xylostella em discos de folhas de couve, constataram que os extratos proporcionaram efeito
deterrente na oviposição da praga, com destaque para os extratos de frutos de S. saponaria, de
frutos de E. contortisilliquum e folhas de T. pallida.
Chagas et al. (2003), verificaram que a mortalidade de Myzus persicae (Sulz, 1776)
(Hemiptera: Aphididae) e larvas de segundo ínstar de P. xylostella ocasionada por extratos
etanólicos e aquosos de folhas de Prosopis juliflora Swartz (Fabaceae) foi 90 e 28% com
extrato etanólico e de 6 e 10% com extrato aquoso, respectivamente.
Estudos desenvolvidos por Torres; Barros; Oliveira (2001), mostraram a influência
negativa dos extratos aquosos de A. pyrifolium, A. indica e a formulação de A. indica sobre a
viabilidade larval deste inseto, ou seja, as lagartas que se alimentaram de folhas de couve
impregnadas com estas substâncias não atingiram a fase de pupa, na concentração de 10%.
Estes autores verificaram que a utilização do extrato aquoso de Croton sp. (Euphorbiaceae)
25
afetou a viabilidade pupal de P. xylostella, sendo que de 65% das pupas submetidas ao
tratamento não houve emergência de adultos, na concentração de 10%. Observaram, ainda,
que a viabilidade larval de P. xylostella foi reduzida, em média, 36,67% quando o mesmo
extrato foi utilizado. Estes e outros estudos reforçam o potencial da utilização de produtos
botânicos, especialmente obtidos a partir de espécies de Croton no controle da traça-dascrucíferas.
BOIÇA JUNIOR et al. (2005), avaliando o efeito de extratos aquosos de plantas no
desenvolvimento de P. xylostella, com aplicação dos extratos na concentração de 10% sobre
discos de folha de couve, concluíram que os extratos de S. saponaria. (frutos), T. pallida
(ramos), E. contortisilliquum (Vell.) Morong (frutos) e Nicotiana tabacum L. (folhas),
proporcionaram 100% de mortalidade das larvas dessa praga e a causada pelo extrato dos
frutos de S. saponaria foi superior ao das folhas, com valores de 100,0% e 62,5%
respectivamente.
Sharma et al. (2012) avaliaram extratos de Spilanthes acmella L. (Asteraceae) obtidos
de diferentes solventes (hexano, metano e acetato de etanol) na biologia de P. xylostella e
mostraram que em todos os casos obtiveram resultados promissores, com a CL50 de 1,5 µg/L
para o acetato e 5µg/L para os demais extratos.
2.4 Anonáceas
2.4.1 Importância econômica das Anonáceas
Braga Sobrinho (2010) utiliza a nomenclatura anonácea para representar um nome
genérico para designar as plantas da família Annonaceae constituída por cerca de 120 gêneros
e 2.300 espécies. Essas plantas englobam um grupo de frutíferas de importância econômica
em diversos países como Chile, México, Austrália e Brasil (KAVATI, 1992).
No Brasil, estas culturas são encontradas desde o norte do País até o estado de São
Paulo, mas foi na região semiárida do nordeste que o cultivo destas fruteiras se espalhou. No
Brasil, estão registrados 29 gêneros, dentro dos quais cerca de 260 espécies sendo algumas de
importância econômica. Entre as espécies de maior importância comercial destacam-se a
graviola (Annona muricata L.), pinha (Annona squamosa L.), cherimóia (Annona cherimoia,
Mill.) e a atemóia, híbrido a A. cherimoia e A. squamosa (LEMOS, 2011).
De acordo com Lemos (2014), até às últimas décadas do século XX, as anonáceas
foram consideradas frutas de menor importância comercial no Brasil. Somente a partir da
26
década de 1980, começou a surgir uma demanda de mercado para a pinha e a graviola. Neste
período, somente alguns Estados do Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará e Pernambuco) e
Sudeste (São Paulo) possuíam uma significativa produção de pinha. Hoje, nos estados da
Bahia, Pernambuco, Alagoas e São Paulo encontram-se plantios irrigados com bom nível
tecnológico, a Bahia é o principal produtor seguido dos estados de Pernambuco e Alagoas
(ARAUJO; ARAUJO; ALVES, 1999).
A gravioleira (A. muricata) tem como centro de origem a América Tropical, mais
precisamente a América Central e vales peruanos, sendo considerada a mais tropical das
anonáceas (RAMOS; PINTO; RODRIGUES, 2001). É encontrada tanto na forma silvestre
como cultivada em regiões desde o nível do mar até altitudes superiores a 1.100 m,
distribuídas do Caribe ao Sudeste do México e no Brasil (MORTON, 1966), bem como nas
regiões tropicais e subtropicais da Europa, Ásia, África, Nova Zelândia e Austrália (RAMOS
PINTO; RODRIGUES, 2001; SACRAMENTO; MOURA; COELHO JÚNIOR, 2009).
A espécie foi inserida no Brasil pelos portugueses no século XVI (CORREA, 1931) e
distribuída para diversas regiões, onde passou a ser cultivada em pomares caseiros (RAMOS;
PINTO; RODRIGUES, 2001), tornando-se mais tarde uma fruta de grande importância
econômica para a região Nordeste.
A graviola despontou no século XXI nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará e
Pernambuco como uma alternativa interessante para a pequena agroindústria de polpas
congeladas e de outros produtos industrializados, tais como: sorvetes, sucos, néctares, bebidas
lácteas, etc. Seu cultivo expandiu-se então para outras regiões do Brasil e passou a ser uma
opção interessante para inúmeros pequenos produtores (LEMOS, 2014).
Sabe-se que nas indústrias alimentícias utiliza-se apenas a polpa e ocorre o descarte
das sementes de graviola. Portanto, a semente de graviola se torna uma matéria prima de fácil
acesso, grande quantidade e sem custo de aquisição. Uma vez comprovada sua eficiência no
controle de pragas, se torna um inseticida botânico adequado à preservação do meio ambiente.
2.4.2 Anonáceas com ação inseticida
Várias pesquisas sobre o efeito inseticida de extratos de diferentes espécies de
anonáceas têm sido realizadas, comprovando sua ação inseticida e estes resultados justificam
o fato de pesquisadores utilizarem extratos de semente de plantas, como Chien-Yih Lin et al.
(2009) que demonstraram a eficiência do óleo de sementes da A. squamosa, cuja concentração
de 0,5 % apresentou controle de 90 % nos testes realizados, para o manejo de Bemisia
27
argentifolii Bellows & Perring,1994 (Hemiptera: Aleyrodidae), Aphis gossypii Glover, 1877
(Hemiptera: Aphididae) e Tetranychus kanzawai Kishida,1927 (Acari: Tetranychidae).
Silva; Pereira; Bento (2007) ao avaliarem o efeito do extrato de Annona coriacea
Mart. sobre a traça-do-tomateiro Tuta absoluta Meyrick, 1917 (Lepidoptera: Gelechiidae) nas
concentrações de 0,5; 1,0; 2,0; 4,0 e 8,0% observaram que a menor concentração causou uma
mortalidade de 86,4% e que as demais concentrações causaram mortalidade de 100%.
O extrato etanólico de sementes de A. coriacea é capaz de interromper o
desenvolvimento de ninfas e adultos de Rhodnius neglectus Lent, 1954 (Hemiptera:
Reduviidae). As concentrações de 25, 50, 100 e 200 mg/mL causaram de 90 a 100% de
mortalidade em adultos. Para as ninfas, as concentrações maiores de 100 e 200 mg/L
causaram mortalidade de 80,0 e 93,3%, respectivamente. Nas concentrações mais baixas as
ninfas apresentaram anormalidades morfológicas (CARNEIRO; PEREIRA; GALBIATI,
2013).
Investigações científicas mostraram que as acetogeninas bis-THF-tri-hidroxi dos
extratos de A. cherimoia (Annonaceae) são capazes de exibir efeitos tóxicos sobre lagartas em
50 µg/g de dieta, provocando a morte de mais de 80% das pupas e adultos de Spodoptera
frugiperda (J.E. Smith, 1797) (Lepidoptera: Noctuidae) (ÁLVAREZ et al., 2007) e sobre
ninfas de Oncopeltus fasciatus (Dallas, 1852) (Hemiptera: Lygaeidae) (ÁLVAREZ et al.,
2008) mostraram que as acetogeninas anonacina, anonacina-A, e cis-annonacin-10-ona,
provocou a morte de mais de 50% das ninfas podendo variar as concentração entre 0,1 a
15µg /dieta.
Asmanizar; Idris (2012) avaliaram o extrato de A. muricata e Jatropha curcas
(Linnaeus) (Euphorbiaceae) nas concentrações de 0,5; 1,0; 5,0; 10,0 e 20,0% contra o
coleóptero de grãos armazenados Sitophilus zeamays Motschulsky, 1885 (Coleoptera:
Curculionidae), porém, somente as maiores concentrações dos extratos (5,0; 10,0 e 20,0%)
obtiveram mortalidade elevada entre 70 a 100%.
Bobadilha et al. (2002) também demonstraram o efeito bioinseticida de dois extratos
etanólicos de sementes de A. muricata e A. cherimolia sobre larvas de estágio IV de
Anopheles sp. (Diptera: Culicidae) em que ocorreu 100% de mortalidade de larvas com o uso
dos dois extratos, as avaliações eram realizadas 24 horas depois da aplicação das
concentrações, que foram 0,8 e 1,20 mL / 100 mL.
A atividade inseticida do extrato hexânico de sementes de A. muricata também foi
demostrada por Llanos et al. (2008) sobre a mortalidade de S. zeamays, cuja concentração
testada foi de 5000 ppm e causou 77% de mortalidade dos insetos. Já Rodrigues et al. (2014)
28
encontraram resultados com extrato hexânico da semente de A. muricata na concentração
0,5% apresenta eficiência de 98% para o manejo do pulgão-preto do feijão-caupi, Aphis
craccivora Koch, 1854 (Hemiptera: Aphididae) em condições de laboratório.
Como também, González-Esquinca et al. (2012) que observaram, a ação de extratos de
A. muricata, A. diversifolia Saff. e A. lutescens Saff. (Annonaceae) em Anastrepha ludens
Loew,1873 (Diptera: Tephritidae), in vitro e que após 72 horas de exposição, observaram
mortalidade de 87,0 a 94,0% com os extratos de A. lutescens, 70,0 a 90,0% com A.
diversifolia e 63,0 a 74,0% com A. muricata, em quatro concentrações 1, 10, 100 e 1000
μg·ml-1.
Trindade et al. (2011) também avaliaram o extrato etanólico de A. muricata (5 mg.mL)
cujo resultado causou 100% de mortalidade em lagartas de P. xylostella, quando expostas por
até 12 dias. Nas concentrações mais baixas, também se observou que a viabilidade foi
reduzida.
2.4.3 Estudos fitoquímicos das anonáceas
O metabolismo secundário da A. muricata produz grupos de fitoquímicos bioativos,
onde se destacam as acetogeninas que estão presentes nas folhas, na casca do caule e nas
sementes e também podemos contar com os alcaloides, compostos fenólicos, óleos essenciais,
flavonoides, terpenos e acetogeninas, estas são exclusivas do gênero (PONTES; BARBOSA;
MAAS, 2004). Outros constituintes do fruto da gravioleira são ácidos cítrico, oxálico, caféico,
cumárico, esteárico, linoléico, málico, γ-aminobutírico e ácido oléico; anonol, campesterol,
citrulina, dextrose, etanol, fitosteróis (β-sitosterol, estigmasterol), frutose, ipuranol, manganês,
leucoantocianinas, sacarose, taninos. A transformação química qualitativa mais marcante que
ocorre na maturação dos frutos da gravioleira é a decomposição de carboidratos, notadamente
a conversão de amido em açúcares solúveis. Essa transformação tem efeito no sabor e na
textura dos frutos (CHITARRA; CHITARRA, 1990; MOSCA; CAVALCANTE; DANTAS,
2006).
A maioria dos estudos da fitoquímica de anonáceas não se concentra mais nos
alcaloides, mas numa nova classe de compostos extremamente bioativos que são referidos
como acetonemias anonáceas (RUPPRETCH; HUI; MCLAUGHLIN, 1990; FANG et al.,
1993). As acetogeninas são metabólitos secundários obtidos pela via do ácido acético,
derivados de ácidos graxos de cadeia longa exibindo expressiva atividade biológica e tem sido
considerado como importantes alternativas para o desenvolvimento de drogas antitumorais.
29
As acetogeninas são metabólitos exclusivos dessa família botânica, bastante
promissoras para o controle de diversos insetos (ÁLVAREZ-COLOM et al.; 2010; HOE et
al., 2010; TOLOSA et al., 2012). Há também estudos que atribuem a atividade inseticida de
anonáceas aos terpenos (NGUEMTCHOUIN et al., 2010; ORAFIDIYA et al., 2010; ACIOLE
et al., 2011; COSTA et al., 2011; SILVA et al., 2012 ) e aos alcaloides (FEITOSA et al.,
2009; KABIR, 2010).
Bioquimicamente, as acetogeninas são um grupo de metabólitos secundários
constituído por uma longa cadeia hidrocarbônica, geralmente, C35-C37, sustentando um anel
terminal γ-lactona α,β-insaturado, às vezes rearranjado à cetolactona, comum a três anéis
tetrahidrofuranos localizados ao longo da cadeia hidrocarbônica, onde podem ser encontradas
também funções oxigenadas (hidroxilas, acetoxilas, cetonas, epóxidos, tetrahidrofuranos e
tetrahidropiranos), podendo estar presentes ligações duplas e triplas (ALALI et al., 1998;
BERMEJO et al., 2005; LEITE, 2009). A primeira acetogenina isolada foi a uvaricina, em
1982, com propriedades antitumorais (Figura 2). A partir de então, o interesse por essas
substâncias vem crescendo, principalmente pela variada ação biológica que apresentam e por
serem candidatas promissoras para um futuro de geração de drogas contra tumores
quimioterápico-resistentes (JOLAD et al., 1982; WRIGHT, 2005).
Figura 2 - Estrutura química da uvaricina
As acetogeninas são classificadas de acordo com as quantidades de anéis
tetraidrofurânicos (THF) e de subunidades de γ-lactonas. Elas podem ser mono-THF, bis-THF
adjacentes, bis-THF não adjacentes, as que não possuem anéis THF e as não clássicas,
acetogeninas que possuem anel tetrahidropirânico. Nas estruturas das acetogeninas podem
variar o padrão do anel lactônico. Eles são classificas em γ-lactonas substituídas, cetolactonas
(cis ou trans) ou anel hidroxilado (RUPPRETCH; HUI; MCLAUGHLIN, 1990).
As acetogeninas são conhecidas por serem compostos com potente citotoxicidade. Foi
demonstrado que o mecanismo de ação das acetogeninas está relacionado com a nicotinamida
30
adenina dinucleotídeo reduzida (NADH): ubiquinonaredutase no complexo I, que é a proteína
ligada à membrana do sistema de transporte de elétrons mitocondrial e à NADH oxidase
ligada à ubiquinona nas membranas plasmáticas das células cancerosas (ALALI; LIU;
MCLAUGHLIN, 1999).
Figura 3 - Estrutura química básica das acetogeninas
Em relação aos flavonoides, são poucos os relatos em espécies de Annonaceae.
Contudo, essa família se destaca pela biossíntese de derivados da via do chiquimato que é
responsável pela produção da maioria dos derivados fenólicos produzidos por fontes vegetais.
(SOARES et al., 2000)
Os flavonoides podem sofrer degradação em meio alcalino na presença de oxigênio e
possuem intensa absorção UV, aproximadamente em 350 nm devido à presença de ligações
duplas conjugadas com os anéis aromáticos; são ácidos fracos e, como são substâncias polares
ou moderadamente polares, são solúveis em etanol, metanol e butanol e combinações de
solventes com água (HARBORNE, 1994).
Dentre os compostos aromáticos encontrados na família Annonaceae, podem-se citar:
etilbenzeno, benzeno1-etil-2-metil, trimetilbenzeno, metilbenzoato, acetato de benzila e
acetato-2-fenil-etil (MARCHESE, 2009; JURGENS; WEBBER; GOTTSBERGER, 2000).
Nesse contexto, algumas espécies de Annona são aromáticas devido à presença de óleos
essenciais e seus compostos aromáticos, como os benzoatos. Dentre as análises dessa família,
destacam-se o isolamento de óleos essenciais a partir das folhas A. muricata L. (LEBOEUF et
al., 1982; ESQUINCA, 2005; LUNA, 2006; REIS, 2011).
Em A. squamosa e Annona senegalensis Pers, foram isolados monoterpenos, enquanto
diterpenos foram descritos em A. squamosa e sesquiterpenos em Annona bullata. Inúmeros
31
compostos terpenoides foram isolados do fruto de A. muricata e de Annona reticulata
(RINALDI, 2007).
2.5 Formulações de inseticida
Os agrotóxicos são constituídos por uma larga amplitude de compostos químicos ou
biológicos com a função de exterminar, repelir ou controlar processos específicos. A
constituição dos agrotóxicos é o ingrediente ativo, o diluente e o aditivo (SANTOS, 2000). A
formulação do agrotóxico permite a união do ingrediente ativo com elementos inertes, de
modo a obter uma concentração apropriada para manipulação, aplicação e dispersão do
produto, além de melhorar a sua eficácia contra a espécie alvo a ser controlada. Na maioria
dos casos, os compostos que constituem os ingredientes inertes são mantidos em sigilo por
parte dos fabricantes de agrotóxicos (COX, 1999).
Geralmente, a aplicação direta do ingrediente ativo no ambiente não é adequada, pois
a fim de minimizar as desvantagens dos produtos naturais, que apresentavam baixa
estabilidade e alto custo de produção do material vegetal originado do cultivo, foram
desenvolvidas as formulações, no qual foi denominada de agrotóxicos, pois unia as moléculas
que possuíam o esqueleto básico dos seus constituintes químicos, mas que foram modificadas
com o passar do tempo visando a maior estabilidade, quando utilizadas no campo. Assim,
dava-se início à fase do uso de produtos sintéticos para o controle fitossanitário, o que
aparentava ser a solução para a agricultura mundial, sendo, portanto necessária uma forma
conveniente para utilização efetiva e segura. (SAITO; LUCCHINI, 1998).
As formulações líquidas são produzidas como soluções, emulsões ou suspensões, nas
quais o ingrediente ativo é diluído em solventes adequados. As formulações sólidas são
apresentadas na forma de pó, granulado ou isca, podendo ser aplicadas diretamente ou após
processo de diluição (SUCEN, 2000).
As formulações voltadas para a comercialização são divididas em: formulações para
diluição em água, para diluição em outros solventes e as de aplicação direta. O
desenvolvimento de uma formulação tem como objetivo manter por determinado tempo uma
emulsão estável, para garantir uma aplicação uniforme do ingrediente ativo, obtendo-se assim,
a máxima eficiência do produto para o fim a que foi designado (FONSÊCA, 2005).
Segundo Gallo et al. (2002), dentre as formulações encontradas no mercado para o
controle de pragas, têm-se o pó molhável, o pó solúvel, os produtos granulados, as soluções
concentradas, os aerossóis, produtos gasosos, suspensões líquidas, pastas, microencapsulados
32
e os concentrados emulsionáveis (também chamados de emulsão concentrada ou emulsões e
dispersões aquosas).
2.5.1 Emulsão
Como o extrato da semente de A.muricata apresenta uma alta potencialidade
inseticida, em pragas agrícolas, mas a sua composição geralmente é muito oleosa, dificultando
a sua aplicação no campo, surge o interesse pelas emulsões.
Emulsões são sistemas coloidais largamente utilizados pela indústria de alimentos, e
consistem da mistura, dispersão ou suspensão de dois ou mais líquidos imiscíveis, geralmente,
óleo e água (Figura 4). Esses sistemas apresentam uma fase dispersa, em forma de gotas
esféricas e pequenas (diâmetro de 0,1μm a 100μm), e uma fase contínua (WALSTRA; VAN
VLIET, 2010; MCCLEMENTS, 2011; LAM; NICKERSON, 2013). São termodinamicamente
instáveis, devido à positiva e elevada energia livre (tensão interfacial) existente entre as duas
fases. Entretanto, quanto menor o tamanho das gotas dispersas e maiores a densidade e a
viscosidade da fase contínua, maior e melhor será a estabilidade cinética da emulsão
(MCCLEMENTS, 2011; SAMAVATI et al., 2011).
Figura 4 - Microscopia ótica de uma emulsão
Fonte: ZANIN et al., 2002.
33
Desta forma, para conseguir confeccionar emulsões estáveis é necessário
adicionar excipientes conhecidos como agentes emulsificadores ou tensoativos. Uma emulsão
estável é definida como um sistema que consegue manter, de maneira homogênea, suas
gotículas ou glóbulos na fase contínua. O tensoativo, neste caso, é responsável por manter um
filme entre as fases (entre as gotículas e a fase externa), exercendo assim uma barreira física
que impede a coalescência que pode ser definida como a junção, a união de duas ou mais
gotículas. Caso este filme possua cargas, é considerado que o agente emulsificador exerce,
portanto, uma barreira química (SENHORINI et.al., 2012).
Os agentes emulsificadores podem ser divididos em três classes: agentes
emulsificadores naturais, sólidos finalmente divididos e agentes emulsificadores sintéticos.
Dentre as classes, a mais efetiva a ser utilizada no preparo de emulsões é a última citada, pois
as suas moléculas possuem propriedades tanto hidrofílicas quanto hidrofóbicas, conhecidas
como moléculas anfifílicas. Estes tensoativos sintéticos possuem propriedade anfifílica
descrita pelo valor do balanço hidrofílico-lipofílico (BHL) ou também conhecida como
equilíbrio hidrófilo-lipófilo (EHL) (GENNARO, 2004).
34
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49
3 Emulsão do extrato etanólico de Annona muricata L. (Annonaceae) no controle de
Plutella xylostella (L., 1758) (Lepidoptera: Plutellidae)
RESUMO
A traça-das-crucíferas, Plutella xylostella (L., 1758) (Lepidoptera: Plutellidae), é a principal
praga de brássicas em todo o mundo, principalmente por sua fácil dispersão, curto ciclo e
grande capacidade de desenvolver resistência a inseticidas. Por esse motivo, a adoção de
métodos de controle alternativo é importante para a elaboração de um plano de manejo
integrado para a espécie. Com isso, o objetivo deste trabalho foi obter uma formulação a base
de emulsão estável do extrato etanólico de sementes de Annona muricata L. (Annonaceae),
avaliar as características organolépticas, analisar a estabilidade dos sistemas formados a longo
e curto prazo e avaliar sua atividade sobre a traça-das-crucíferas. Das cinco formas de
obtenção da emulsão, apenas a emulsão 5 mostrou-se estável e homogênea utilizando-se as
quantidades de 3,5 g de Span, 2 g de Tween, 10 g do extrato orgânio e 85 g de H2O. Os
resultados mostraram que as emulsões guardadas sem a presença do sol direto, apresentaramse estáveis por três meses e as emulsões que foram submetidas a testes de estabilidade a curto
prazo foi observado que quando expostas a altas temperaturas se apresentaram instável no
período observado. A estimativa da CL50 e da CL99 foi de 0,03 e 4,26%. A emulsão afetou o
desenvolvimento da praga e diminuiu a viabilidade das lagartas cujos resultados encontrados
para testemunha, para o controle químico e para CL50 foram 98,3; 70,0 e 70,0%,
respectivamente. Porém, mostrou-se eficiente como repelente de oviposição e também afetou
negativamente a fase embrionária cujos resultados encontrados para testemunha, para o
controle químico, para CL50 e para CL99 foram 96,5; 79,50; 87,0; e 21,50 %, respectivamente
A formulação emulsionavel é bastante promissora para ser utilizada pelos agricultores, mas
ainda precisam ser realizados testes em campo.
Palavras-chave: Graviola. Traça-das-crucíferas. Formulação.
50
ABSTRACT
The Diamondback moth, Plutella xylostella (L., 1758) (Lepidoptera: Plutellidae), is the main
large plague worldwide, mainly due to its easy dispersion, short cycle and great ability to
develop resistance to insecticides. For this reason, the adoption of alternative control methods
is important for the development of an integrated management plan for the species. With this,
the aim of this study was to obtain a stable emulsion-based formulation of the ethanolic
extract of seeds of Annona muricata L. (Annonaceae), assess the organoleptic characteristics,
analyze the stability of the systems formed in the long and short term and assess their activity
on the Diamondback moth. Of the five ways of obtaining the emulsion, only the emulsion 5
showed stable and homogeneous using the quantities of 3.5 g of Span, 2 g 10 mL Tween,
orgânio extract and 85 mL of H2O. The results showed that emulsions stored without direct
sun, were stable for three months and the emulsions that were subjected to short-term stability
tests it has been observed that when exposed to high temperatures were unstable in the
observed period. The estimated LC50 and LC99 were 0.03 and 4.26%. The emulsion affected
the development of Prague and decreased the viability of caterpillars whose results found for
witness, to the chemical control and LC50 were 98.3; and 70.0; 70.0%, respectively. However,
it has been shown effective as oviposition repellent and also negatively affected the
embryonic stage whose results found for witness, to the chemical control, to LC50 and LC99
were 96.5; 79.50; 87.0; and 21.50%, respectively the emulsionavel formulation is quite
promising for use by farmers, but still needs to be carried out tests in the field.
Keywords: Graviola. Diamondback. Formulation.
51
3.1 INTRODUÇÃO
A utilização das plantas inseticidas como controle de pragas é bem antiga, sendo o seu
uso é desejável principalmente em cultivos orgânicos. Plantas inseticidas utilizadas antes da
Revolução Verde voltaram a ser estudadas por características como biodegradabilidade e
pouca toxicidade aos seres humanos. Dentre estes vegetais, podem ser citados os da família
Annonaceae, ricos em acetogeninas (LORENZI; MATOS, 2002).
Vários estudos tem apresentado efeito inseticida dos extratos de anonáceas para
diferentes lepidópteros, como para a lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda J. E.
SMITH, 1797 (Lepidoptera: Noctuidae), em que se obteve mortalidade de 82,5% quando
acrescentado em dieta artificial contendo extrato de Rollinia silvatica A. St.-Hil.
(Annonaceae) na concentração de 100% (v/v).Para o curuquerê-da-couve, Ascia monuste
orseis (Latreille,1819) (Lepidoptera:Pieridae), esse mesmo extrato mostrou-se altamente
eficiente em todas as concentrações de 1/1 a 1/8 (v/v), inviabilizando inclusive a condução do
experimento até o final do ciclo de vida dos insetos (MAIRESSE, 2005).
Com relação à atividade frente aos percevejos, os extratos etanólico, hexânico e
metanólico de Annona coriaceae Mart, nas concentrações de 0,5 a 8,0%, ocasionaram
mortalidade de 40 a 100% em ninfas de Dichelops melacanthus Dallas, 1851 (Hemiptera:
Pentatomidae) (SOUZA; CORDEIRO; PEREIRA, 2007). Também o extrato metanólico de
Annona crassiflora Mart, nas concentrações de 1 a 4%, causou efeito antialimentar em adultos
de Euschistus heros Fabricius, 1798 (Hemiptera: Pentatomidae) (OLIVEIRA; PEREIRA,
2009).
Dentre as espécies pertencentes a essa família têm-se a graviola (Annona muricata L.),
cujos trabalhos mostraram que possui efeito inseticida para algumas espécies, nematicida e
bactericida, e a sua semente, fonte promissora de material para a produção de extrato, é
descartada no processo de industrialização (HERNÁNDEZ; ANGEL, 1997). A ação biológica
pode ser encontrada nas cascas de galhos, raiz e, principalmente, em sementes (BERMEJO et
al., 2005; CASTILLO-SÁNCHEZ; JIMÉNEZ OSORNIO; DELGADO-HERRERA, 2010).
De acordo com TRINDADE et al. (2011), o extrato etanólico de A. muricata (5
mg.mL) causou 100% de mortalidade em lagartas de P. xylostella, quando expostas por até 12
dias. Nas concentrações mais baixas, também se observou que a viabilidade foi reduzida No
controle de Rhipicephalus (Boophilus) microplus Canestrini, 1887 (Acari: Ixodidae) em
52
laboratório, o extrato alcoólico das sementes de A. muricata (2%) também apresentou eficácia
de 100% (BROGLIO-MICHELETTI et al., 2009).
A crescente preocupação ambiental tem feito os estudos se intensificarem a busca por
moléculas de baixa toxicidade aos organismos não alvos, de rápida degradação e de eficácia
comprovada para o controle que se deseja efetuar, visando à substituição dos agrotóxicos
sintéticos altamente tóxicos (PRATA, 2002). Entre as moléculas que apresentam tais
características se destacam os produtos naturais, alternativa promissora que, evolutivamente,
passaram a ser produzidos pelas plantas como mecanismo de defesa contra insetos fitófagos
(FERREIRA; CORREIA; VIEIRA, 2001).
Tendo em vista que esses inseticidas naturais, geralmente apresentam uma menor
durabilidade tanto após a aplicação, quanto em sua conservação, nota-se a necessidade da
elaboração de formulações que possibilitem o aumento da viabilidade desses inseticidas e sua
obtenção para os agricultores. Entre os tipos de formulação, pode-se optar pela emulsão, que
consiste na mistura entre dois líquidos imiscíveis, utilizando métodos como agitação e adição
de homogeneizadores (BAJPAI; GIRI, 2002).
A traça-das-crucíferas P. xylostella é considerada na Ásia e nas Américas uma praga
que causa sérios danos aos cultivos de brássicas, sendo a principal praga do repolho
(CASTELO BRANCO; MEDEIROS, 2001; MACHADO; SILVA; OLIVEIRA, 2007).
Furlong; Wright; Dosdall (2013) relataram que os danos causados pela traça-dascrucíferas geram um prejuízo mundial de 4 a 5 bilhões de dólares anualmente, desses, 1,4
bilhão é referente ao controle dessa praga.
Com isso, o objetivo deste trabalho foi obter uma formulação a base de emulsão
estável
do
extrato
etanólico
de
sementes
de
A.
muricata,
avaliar
as
características organolépticas, analisar a estabilidade dos sistemas formados a longo e curto
prazo e avaliar sua atividade sobre a traça-das-crucíferas, além de obter uma nova estratégia
de controle alternativo, dentro do manejo integrado da praga.
53
3.2 MATERIAL E MÉTODOS
O presente trabalho foi conduzido no Laboratório de Entomologia: Controle
Alternativo de Pragas do Centro de Ciências Agrárias em Rio Largo, AL e no Laboratório de
Pesquisas em Recursos Naturais da Universidade Federal de Alagoas, em Maceió, AL.
3.2.1 Condução da cultura
Sementes de couve Georgia, Brassica oleracea var. acephala (Brassicaceae), foram
semeadas, em bandeja de isopor contendo substrato comercial Bioplant® indicado para
preparo de sementeira e mantidas em casa de vegetação. Após 35 dias, as mudas foram
transplantadas para local definitivo em canteiros de alvenaria preenchidos com mistura de
terra preta e torta de filtro na proporção 1:1. Foram adotados tratos culturais segundo
Filgueira (2008), exceto a utilização de inseticidas. Folhas de couve foram utilizadas para os
experimentos a partir de 40 a 55 dias após o transplantio.
3.2.2 Criação de Plutella xylostella
A criação e multiplicação de P. xylostella foram realizadas no Laboratório de
Entomologia: Controle Alternativo de Pragas, sob condições de temperatura de 25 ± 2 °C,
umidade relativa do ar de 67 ± 2 % e fotofase de 12h.
Os adultos foram liberados em gaiolas plásticas transparentes circulares (12 cm de
diâmetro x 15 cm de altura) com abertura lateral fechada com tela antiafídeo, nas quais eram
colocados um pote plástico coberto com espuma umedecida, sobre o qual, colocava-se um
disco de folha de couve medindo 8 cm de diâmetro para servir de substrato à postura e uma
esponja embebida com solução açucarada
a 10%, na parte superior da gaiola, para
alimentação dos adultos. Os discos de folhas eram substituídos diariamente, e os discos
retirados eram mantidos em placas de Petri de 8 cm de diâmetro até a eclosão das lagartas.
Lagartas recém eclodidas eram transferidas para recipientes plásticos (20 cm de
comprimento x 10 cm de largura x 5 cm de altura ) contendo várias folhas de couve. As folhas
eram trocadas diariamente até as lagartas atingirem a fase de pupa. As pupas foram
54
transferidas para tubos de vidro de fundo chato (8,5 cm de comprimento x 1,5 cm de
diâmetro), fechados com filme plástico transparente. Em cada recipiente foram realizados
pequenos furos para que houvesse possibilidade de troca de ar. A cada 24 horas, após a
emergência, os adultos foram transferidos para as gaiolas.
3.2.3 Preparo dos extratos
As sementes de graviola foram obtidas no município de Anadia – AL, em fábrica de
processamento de frutas para confecção de polpa de frutas, acondicionadas em sacos de papel
Kraft, secas em estufa com circulação de ar a uma temperatura de 60°C por 48 horas, moídas
em moinho tipo Wiley e acondicionado em recipiente hermeticamente fechado.
O extrato da semente de graviola foi preparado no Laboratório de Pesquisa em Recursos
Naturais do Instituto de Química e Biotecnologia da UFAL.
Para o preparo do extrato orgânico primeiramente o pó da semente de graviola foi
submetida à extração a frio com hexano [CH3(CH2)4CH3] em percolador de aço inoxidável.
Foram utilizados 2,5 L de hexano em 2,6 kg de pó. Essa extração foi rápida com uma duração
de 2 horas, pois foi realizada apenas uma lavagem no pó, e em seguida foi filtrada. O extrato
foi submetido à evaporação do solvente com o auxílio de rotavapor a 50°C sob pressão
reduzida. Após esse procedimento, o extrato hexânico foi colocado em frasco de vidro
previamente pesado e etiquetado e acondicionados aberto para a evaporação máxima do
solvente. Após a obtenção do extrato hexânico, sobre a torta resultante da extração com
hexano, foi realizado a extração com etanol (C2H6O) seguindo a mesma metodologia anterior,
porém modificando o solvente, que foram 2L de etanol, permanecendo no pó por 48 horas e o
número de repetições, já que foi realizado apenas um ciclo para o extrato hexânico e três
ciclos para o etanólico (as mesmas sementes foram utilizadas três vezes seguidas).
3.2.4 Preparo da emulsão
O preparo das emulsões, de água juntamente com o extrato etanólico, foi realizado no
Laboratório de Controle alternativo de Pragas seguindo a metodologia descrita por Senhorini
(2010), que consistiu em misturar as fases aquosa e oleosa após um pré-aquecimento das duas
55
fases a uma temperatura de 60°C por um periodo de 10 minutos e após a junção das duas
fases houve um novo aquecimento por mais 15 minutos. Antes da mistura das fases, elas
receberam compostos para aumentar a estabilidade da emulsão. A fase oleosa recebeu o
tensoativo monoesterato de sorbitano (Span) e a fase aquosa recebeu o componente
hidrossolúvel monooleato de sorbitano (Tween). Foram testadas diferentes concentrações do
Tween e do Span para verificar o tratamento com melhor estabilidade da emulsão (Tabela 1).
Após o preparo das emulsões em suas diferentes concentrações de Tween e Span com
os extratos orgânicos etanólico, as emulsões foram agitadas manualmente e colocas em
repouso em tubos de vidro para a observação da estabilidade no decorrer do tempo por um
período de 24 horas.
Tabela 1 - Proporção de homogeneizadores utilizados para o preparo das emulsões do extrato
etanólico orgânico da semente de Annona muricata.
Emulsão
Span (g)
Tween (g)
Extrato (g)
H2O (g)
1
4,0
1,0
10
85
2
3,5
1,5
10
85
3
3,0
2,0
10
85
4
0,0
5,0
10
85
5
3,5
2,0
10
85
Fonte: Adaptação de Senhorini (2010)
3.2.5 Avaliação organoléptica e testes de estabilidade das emulsões estáveis
As emulsões estáveis, sem separação de fases, foram avaliadas por meio de suas
características organolépticas (estabilidade física), levando-se em consideração parâmetros
físicos como aspecto ou aparência das emulsões. Este estudo teve por objetivo observar o
comportamento do produto final por um determinado período, para determinar o prazo de
vida útil (shelf-life) do mesmo (ZANIN et al., 2001). As emulsões estáveis desenvolvidas
56
neste trabalho foram avaliadas por três meses. Dentre as características avaliadas foram
consideradas: homogeneidade, brilho, macio, fino e opacidade.
Foram realizados testes de estabilidade normais a longo prazo e acelerados de curto
prazo. Todos os testes foram feitos em triplicata e após 24 horas do preparo de todas as
formulações, período este necessário para que o sistema fosse considerado estável (sem
separação de fases).
3.2.6 Testes de estabilidade normais em longo prazo
Nos testes de estabilidade normais, três frascos de vidro contendo 10 mL foram postos
em ambiente sob a direta ação solar, três frascos em ambiente com sol indireto e três em
ambiente escuro, para formulação que apresentou uma melhor estabilidade em um período de
24 horas. O teste para ambiente com sol indireto foi realizado no interior do laboratório de
pesquisa, o teste em ambiente escuro foi realizado uma caixa escura sem luminosidade, o teste
da luz direta foi realizado em um local próximo ao laboratório deixado sobre a luz do sol
todos os dias. Todo dia, durante três meses, os frascos foram observados, com exceção dos
que permaneceram em ambiente escuro, e as características desejáveis, citadas acima, foram
observadas (Senhorini 2010).
3.2.7 Testes de estabilidade acelerados em curto prazo
Nos testes de estabilidade acelerados, três frascos de vidro contendo 10 mL da
formulação do extrato de A.muricata foram postos em estufa a 50oC por 24 horas, em
geladeira a 10oC durante 24 horas e foram submetidos a centrifugação durante 50 minutos a
3500 rpm. Decorrido o tempo requerido, as mesmas características citadas acima foram
observadas (Senhorini 2012).
57
3.2.8 Estimativa da CL50 e CL99 da emulsão do extrato etanólico da semente de Annona
muricata
Foram realizados testes preliminares com diferentes concentrações da emulsão do
extrato para determinar valores próximos do Limite Superior (LS), que matasse próximo de
100%, e o Limite Inferior (LI) do extrato, que matasse próximo a testemunha, para ser
estimado as concentrações letais.
Após a determinação dos limites do extrato foram avaliadas seis diferentes
concentrações: 0,004; 0,01; 0,02; 0,07; 0,18 e 0,5%, correspondentes à sequência a1, a1.q,
a1.q2, a1.q3, a1.q4 e a1.q5, obtida através da fórmula (BLISS, 1934):
onde: q = razão da progressão geométrica (pg); n = número de concentrações a
extrapolar; an e a1 = limites superior e inferior, respectivamente, da pg (concentrações que
provocam mortalidade de cerca de 95% e semelhante à testemunha, respectivamente
determinadas através de testes preliminares). As concentrações foram preparadas no momento
da utilização através da diluição em água do extrato concentrado. Em seguida os resultados
obtidos foram submetidos à análise de Probit pelo programa computacional SAS para
estimativa da CL50 e da CL99.
Para a realização dos bioensaios foram obtidos discos de 8 cm de diâmetro de folhas
de couve, os quais foram imersos por 30 segundos, nas respectivas suspensões. Para o
tratamento testemunha, água destilada pelo mesmo período.
Os discos tratados e não tratados com os extratos foram distribuídos sobre uma
superfície coberta com papel toalha, onde permaneceram ao ar livre para evaporação do
excesso de água. Lagartas recém-eclodidas foram colocadas em placas de Petri de 15cm de
diâmetro, contendo um disco tratado sobre papel de filtro umedecido com água destilada, para
manutenção da umidade, mantidos em laboratório (temperatura de 26 2C, UR de 60 10%
e fotofase de 12h). A partir do terceiro dia da montagem do experimento, iniciou-se a
avaliação da mortalidade larval.
58
Nesse experimento, foram realizados dez repetições por tratamento contendo seis
lagartas em cada repetição e sete tratamentos, o experimento foi conduzido sob delineamente
inteiramente casualizado.
3.2.9 Efeito da CL50 na biologia de Plutella xylostella
Inicialmente, foram obtidos discos de 8 cm de diâmetro de folhas de couve, os quais
foram imersos por 30 segundos, nas respectivas suspensões, conforme os procedimentos
recomendados pelo Grupo Internacional das Associações Nacionais de Fabricantes de
Produtos Agroquímicos (GIFAP) para lagartas que se alimentam de folhas de hortaliças
(Guedes et al., 1995). Para o tratamento testemunha, água destilada pelo mesmo período.
Os discos tratados e não tratados com os extratos foram distribuídos sobre uma
superfície coberta com papel toalha, onde permaneceram ao ar livre para evaporação do
excesso de água. Lagartas recém-eclodidas foram colocadas em placas de Petri de 15cm de
diâmetro, contendo um disco tratado sobre papel de filtro umedecido com água destilada, para
manutenção da umidade, mantidos em laboratório (temperatura de 26 2C, UR de 60 10%
e fotofase de 12h). A partir do terceiro dia da montagem do experimento, iniciaram-se as
avaliações da mortalidade larval, a qual foi realizada a cada dois dias onde era realizada a
troca das folhas velhas por folhas novas.
Nesse experimento, foram realizados dez repetições por tratamento contendo seis
lagartas em cada repetição e três tratamentos, o experimento foi conduzido sob delineamente
inteiramente casualizado. Para a testemunha foi utilizado um tratamento sem nenhum produto,
o segundo tratamento foi o padrão a base de Decis 25CE (deltametrina), e o terceiro
tratamento foi com a CL50 da formulação do extrato etanólico de A. muricata. Quando as
lagartas se transformavam em pupas, eram coletadas diariamente e individualizadas em tubos
de vidro, observando-se diariamente a emergência dos adultos. Para efeito, foram avaliadas as
seguintes variáveis biológicas: duração e viabilidade das fases larval, e pupal e longevidade
de adultos.
59
3.2.10 Efeito da emulsão do extrato orgânico de Annona muricata na fase embrionária de
Plutella xylostella
Dois casais da traça-das-crucíferas com até 12 h de idade foram selecionados para a
oviposição e colocados em gaiolas plásticas idênticas àquelas da criação. Após 24 horas de
exposição aos adultos, os discos foram retirados das gaiolas e, de acordo com a metodologia
de Torres et al. (2006), cortou-se os discos para que ficassem com 20 ovos em cada repetição.
Em seguida, os ovos foram imersos nos extratos nas concentrações letais (CL99 e CL50), e na
testemunha, além do tratamento químico com o produto Decis 25CE (deltametrina), na
concentração recomendada de 33 mL para 100L de água.
O delineamento foi inteiramente casualizado com quatro tratamentos e dez repetições
tendo cada uma o mínimo de 20 ovos da praga. Diariamente foi analisado o número de
lagartas eclodidas, sendo confrontado com o número de ovos em que se observaram o córion
transparente, indicativo de ter ocorrido a eclosão. Essas avaliações ocorreram durante cinco
dias e foram realizadas com o auxílio de uma lupa estereoscópica de 10x. A análise estatística
foi realizada pela comparação de médias pelo teste de Tukey utilizando-se o programa
estatístico ASSISTAT versão 7.7 (SILVA; AZEVEDO, 2015).
3.2.1 Teste de não preferência para oviposição de Plutella xylostella
Para os testes com chance de escolha, discos de folhas de couve ‘Georgia’ com 8 cm
de diâmetro foram imersos nos extratos nas concentrações letais (CL99 e CL50), na testemunha
e no tratamento químico por 30 segundos e postos sobre papel toalha para secagem ao ar
livre; em seguida, divididos em partes, obtendo-se quatro círculos menores (com 3 cm de
diâmetro) com dimensões semelhantes.
Assim, foi formado um conjunto, constituído por quatro discos dispostos
alternadamente sobre papel de filtro levemente umedecido com água destilada, sendo dois
tratados com os extratos (um com a CL50 e outro com a CL99), outro com a testemunha e um
tratado com o químico DECIS 25CE (deltametrina). Esse conjunto foi colocado em gaiolas
idênticas às utilizadas na criação de P. xylostella. Quatro casais de P. xylostella com até 12
horas de idade, provenientes da criação, foram introduzidos nas gaiolas e mantidos por 24
60
horas para oviposição sendo alimentados com solução açucarada a 10%, embebida em
esponja presa na parte superior da gaiola.
O delineamento estatístico foi inteiramente casualizado com quatro tratamentos (CL50,
CL99, Quimico e Testemunha) com dez repetições para o experimento com a emulsão do
extrato etanólico. A análise foi feita por comparação de médias pelo teste de Tukey utilizando
o programa ASSISTAT versão 7.7 (SILVA; AZEVEDO, 2015).
61
3.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.3.1 Emulsão
Após o preparo de diferentes combinações de Span 60 e o Tween 80, as emulsões 2, 3
e 5 ficaram estáveis após 24 horas em repouso, ou seja, não ocorreu separação de fases, tendo
apresentado aparência leitosa e cremosa. A de numero 4 apresentou separação de fases como
pode ser observado na Figura 5. As emulsões 2 e 3 apresentaram relativa homogeneidade,
com a presença de poucos grumos (aspecto de coalhada), sendo este considerado um resultado
bom. Porém, a emulsão mais estável foi a 5, na qual apresentou-se homogênea, ausente de
grumos, considerado este um resultado excelente (Tabela 2 e Figura 5-E).
Essa estabilidade observada no presente trabalho foi semelhante à apresentada por
Senhorini (2010) que encontrou no preparo das emulsões do óleo de Carapa guianensis Aubl.
(Meliaceae), seguindo o mesmo protocolo, das cinco emulsões testadas (Tabela 1), sendo que
apenas a emulsão 4 (a que não utilizou Span, e usou 5g de Tween) não estabilizou e
separaram rapidamente as fases.
Trabalhos com a utilização de emulsões de nim já foram realizados, como no de
Araújo Junior; Marques; Oliveira (2009), os quais avaliaram a emulsão de Natuneem a 1 e
2%, com resultados de 81 e 90 % de mortalidade do pulgão Lipaphis erysimi (Kalt., 1843)
(Hemiptera: Aphididae).
A obtenção de uma emulsão estável é uma característica importantíssima, pois
viabiliza a utilização desse tipo de formulação na prática pelo agricultor, pois não ocorrerá
quebra das fases durante a aplicação do produto no campo. Como também, sabe-se que o
tensoativo Span 60 ou monoesterato de sorbitol, é um surfactante não iônico, utilizado na
solubilização de óleos em água e o Tween 80 ou polissorbato 80, é também um surfactante
não iônico. Ambos são bastante utilizados como estabilizantes em produtos alimentícios,
farmacêuticos e cosméticos, com grande possibilidade, portanto, de causarem pouca
influência nos testes de toxicidade frente aos testes biológicos (SENHORINI, 2010).
E importante destacar, que uma emulsão contendo os mesmos constituintes, exceto o
extrato etanólico de A. muricata (testemunha) também foi preparada (Figura 5-F) e
apresentaram-se transluzentes com uma coloração esbranquiçada.
62
Tabela 2 - Emulsões preparadas com óleo vegetal de A.muricata com Span 60 e Tween 80 em
proporções diferentes.
Observação após
Emulsão
Span (g)
Tween (g)
1
4,0
1,0
Instável
2
3,5
1,5
Instável
3
3,0
2,0
Instável
4
0,0
5,0
Instável
Separado
5
3,5
2,0
Estável
Homogêneo
24 hs
Aspecto
Resultado
Separado
Ruim
Relativamente
homogêneo
Relativamente
homogêneo
Médio
Médio
Ruim
Excelente
Fonte: Adaptação de Senhorini (2010)
Figura 5 - Emulsões com separação de fases, emulsão 1-A, emulsão 2-B, emulsão 3- C, emulsão
4-D e a emulsão 5-E apresentando-se mais estável com o extrato etanólico de Annona muricata e
o 5-F o aspecto da emulsão obtida sem o óleo (“testemunha”)
A
Fonte: Autoria própria (2015)
B
C
D
E
F
63
3.3.2 Avaliação organoléptica e testes de estabilidade das emulsões estáveis
3.3.2.1 Testes de estabilidade normais em longo prazo
A partir dos resultados obtidos nos bioensaios anteriores foram feitos os testes de
estabilidade com a melhor emulsão que se apresentou estável por um período de 24 horas.
Com relação à estabilidade física das emulsões, em termos de aparência e de aspecto, as
mesmas, tanto expostas em ambientes com sol indireto ou escuro apresentaram a mesma
estabilidade durante os três meses estudados, quanto a não separação de fases aquosa e oleosa.
Porém, quando a emulsão foi exposta a ambiente com sol direto a sua qualidade foi alterada,
tornando-a heterogênea, ou seja, com separação das fases, com brilho opaco e aparência fina
devido a presença da fase oleosa do produto (Tabela 3).
De acordo com a literatura, para avaliação do aspecto ou aparência do produto final, é
preciso definir primeiramente as características que se deseja (ZANIN et al., 2001). Portanto,
dentre estas características organolépticas, é desejado que as emulsões apresentem, como
qualidades aceitáveis, homogeneidade, brilho, macio, fino e opacidade. Dentro destas
qualidades, o produto final que se apresentar heterogêneo, opaco, fibroso, grosso e
opalescente, são considerados defeitos sérios encontrados nas emulsões formuladas. Por outro
lado, homogêneo, brilhante, macio, fino e translúcido ou perolado constitui-se em
características desejáveis para este tipo de produto (ZANIN et al., 2001).
Os resultados encontrados com a emulsão do extrato etanólico de A. muricata
diferiram dos resultados encontrados com o extrato de C. guianensis estudados por Senhorini
(2010), cujas emulsões avaliadas em ambiente com sol indireto, sol direto e em ambiente
escuro foi observado que elas mantiveram seu aspecto físico homogêneo, brilhante, macio,
fino e opaco.
Se nas três condições de armazenamento das emulsões, apenas a que foi estocada em
ambiente que tende a elevar a temperatura e ter muita exposição da luz solar, foi a que alterou
as características organolépticas do produto, pode-se inferir que a emulsão não deve ser
armazenada sob a luz solar e a altas temperaturas, pois pode comprometer não só a
estabilidade, mas também, ocorrer a degradação do princípio ativo do extrato.
64
Tabela 3 - Estudo da estabilidade em ambiente com sol indireto, sol direto e em ambiente escuro
realizado na cidade de Rio Largo/AL entre os meses de janeiro a abril de 2015.
Características
Três meses de avaliação
Três meses de avaliação
(sol indireto e ambiente escuro)
(sol direto)
Homogeneidade
Homogêneo
Heterogêneo
Brilho
Brilhante
Opaco
Macio
Macio
Macio
Fino
Grosso
Fino
Opalescente
Opalescente
avaliadas
Opacidade
Fonte: Autoria própria (2015)
Essa mesma recomendação também foi observada num trabalho realizado por Scott;
Kaushik (2000), cujos autores colocaram o extrato de azadiractina em exposição à luz do sol e
observaram uma meia vida de 36 à 48h, demonstrando maior sensibilidade do composto à luz.
De acordo com Mordue (Luntz); Morgan; Nisbet (2005), uma das maiores preocupações das
empresas é formular produtos que impeçam a degradação da azadiractina por hidrólise e
fotodegradação. Além de que a atividade da azadiractina pode ser reduzida 60 % após quatro
horas de exposição ao sol (MARTINEZ, 2002; CORREIA et al., 2009).
Como também, Caboni et al. (2006) avaliaram a degradação da azadiractina
(formulação Oikos®) em laboratório e determinaram uma meia vida de 0,8 dias. Os autores
determinaram que a luz (ou radiação solar) é o principal responsável pela degradação do
composto.
Essa alternativa de se trabalhar com formulações de extratos vegetais para solucionar
problemas de cobertura e melhor eficiência de aplicação também foi evidenciada por Forim et
al. (2010), numa proposta de nanoencapsular produtos naturais, como o óleo de nim,
propiciando maior estabilidade e proteção das moléculas, fundamentalmente para manter a
ação inseticida desses produtos em condições de campo, já que os processos de degradação,
de intensidade variável ao longo do tempo, dependem de fatores ambientais como a
temperatura, umidade e radiação.
65
3.3.2.2 Testes de estabilidade acelerados a curto prazo
Os testes de estabilidade acelerados em curto prazo mostraram que a estabilidade
física das emulsões estudadas, em termos de aparência e de aspecto foi alterada apenas
quando foram expostas a ciclos de estresse relacionados a um aumento drástico na
temperatura dos sistemas (Tabela 4). Estas alterações sofridas quanto as suas características
avaliadas são consideradas como defeitos sérios e não aceitáveis, como já relatado, nos testes
de estabilidade normais em longo prazo.
No mesmo trabalho realizado por Senhorini (2010) com extrato de C. guianensis foi
encontrado que a aparência e o aspecto da emulsão foram alterados quando expostas a altas
temperaturas e a submissão das rotações, diferindo da emulsão de A. muricata apenas na
agitação do produto por rotação em centrífuga.
Tabela 4 - Avaliação das propriedades organolépticas das emulsões em curto prazo sob
diferentes estresses.
Características
Curto prazo
Curto prazo
Curto prazo
(Geladeira a 10 oC)
(Centrífuga a 3500ppm)
(Estufa a 50 oC)
Homogeneidade
Homogêneo
Homogêneo
Heterogêneo
Brilho
Opaco
Brilhante
Brilhante
Macio
Macio
Macio
Macio
Fino
Fino
Fino
Grosso
Opacidade
Opalescente
Opalescente
Opalescente
avaliadas
Fonte: Autoria própria (2015)
Tendo em vista que os inseticidas naturais, geralmente apresentam uma menor
durabilidade tanto após a aplicação (BLEICHER, 2012), quanto em sua conservação, se faz
necessário desenvolver formulações para que tenham a mesma fixação e a mesma eficiência
que os produtos químicos. Esses extratos de plantas podem ter várias fases, o mais simples
sendo o óleo-em-água.
Portanto, formulações como alguns nanopesticidas, incluindo
nanoemulsões têm um tamanho de partícula de 100-200 nm, e exibem propriedades úteis, tais
como a rigidez, a permeabilidade, a cristalinidade, estabilidade térmica a solubilidade e
biodegradabilidade (BORDES; POLLET; AVÉROUS, 2009).
66
Os nanopesticidas também podem oferecer grande área de superfície específica e,
portanto, aumento da afinidade para o alvo. Além disso, os nanoformulações devem degradarse rapidamente com teores de resíduos abaixo dos critérios reguladores nos gêneros
alimentícios (Khot et al., 2012). Seguindo o mesmo princípio, as emulsões devem ser estáveis
e uniformes a fim de favorecer uma boa cobertura no campo da atividade inseticida do extrato
vegetal, sem deixar resíduos no ambiente e em baixas concentrações.
3.3.3 Testes biológicos com a emulsão do extrato orgânico etanólico da semente de Annona
muricata no controle de Plutella xylostella
3.3.3.1 Estimativa da CL50 e CL99 da emulsão do extrato orgânico etanólico da semente de
Annona muricata para Plutella xylostella
A estimativa das concentrações letais da emulsão do extrato etanólico da semente de
graviola se ajustou ao modelo de Probit com o valor de p = 0,1182. Pela análise, a CL50
(IC95%) estimada para a emulsão do extrato da semente de graviola foi 0,03% (podendo variar
entre 0,02 e 0,04) e a CL99 (IC95%) foi de 4,26% (podendo variar entre 1,83 a 14,69) (Tabela
5).
Tabela 5 - Estimativa das concentrações letais da emulsão com o extrato etanólico da semente de
Annona muricata
Emulsão
n1
GL2
Inclinação
CL50(IC95%)3
CL99(IC95%)3
±EP
(mL.mL-1)
(mL.mL-1)
1,10 ± 0,11
0,03 (0,02 - 0,04)
4,26 (1,83 – 14,69)
X2
p4
7,35
0,11
Extrato
Etanólico
60
4
*
EP: Erro-padrão; CL: Concentração letal; X2 : Qui-quadrado.
1
n: Número de insetos utilizados no teste.
2
GL: Graus de liberdade.
3
IC: Intervalo de confiança.
P: Probabilidade>0,05
Fonte: Autoria própria (2015)
4
A estimativa das concentrações letais determinadas no trabalho de Gomes (2013), com
o mesmo extrato etanólico de graviola utilizado nesse trabalho, foi de 0,01 e 0,08%, para CL50
67
e CL99, respectivamente. Percebe-se que esses valores encontrados pelo referido autor foram
menores do que as concentrações encontradas nesse estudo. O que se pode especular é que ao
se preparar a formulação, torna-se necessário um aquecimento para garantir a estabilidade da
emulsão, e com isso, pode-se ter havido uma perda da atividade dos compostos bioativos com
a temperatura de 50ºC, fazendo com que, as concentrações letais fossem maiores, de 0,03 e
4,26%, para as CL50 e CL99, respectivamente. Deve-se levar em consideração também, que a
emulsão formulada a partir do extrato bruto foi de apenas 10%, e, portanto, uma maior
concentração foi necessária para conseguir matar as lagartas de P. xylostella.
A ação inseticida de formulações de extratos de plantas no controle de P. xylostella já
é conhecida na literatura, porém, a estimativa da concentração letal, é um parâmetro de
extrema importância nos estudos toxicológicos porque determina a potencialidade em termos
de melhor concentração letal para ser utilizada como planta inseticida. Dentre esses estudos,
o mais comum é com formulações do óleo de nim como foi evidenciado por Torres; Barros;
Oliveira (2001), os quais testaram o extrato aquoso e uma formulação comercial da amêndoa
da semente de nim a 10 % e verificaram que os extratos mataram 100% das lagartas. Por
Prijono; Hassan (1993) que mostraram a eficácia da formulação de óleo de nim (azadiractina:
2,5%) em brócolis nas concentrações de 1,8; 2,4 e 3,0L/ha e por Verkerk; Wright (1993) que
avaliaram a atividade das formulações de nim AZT (30mg/mL-1) e NEEm-AZAL(3mg/mL-1)
e AZ (azadiractina sintética) com mortalidade entre 50,0 e 90,0% numa concentração de 1 µg
de AZ mL-1 em 13 dias de avaliação. A formulação de AZT causou a mortalidade de lagartas
e reduziu a alimentação e o peso das lagartas.
Com relação à estimativa das concentrações letais, Torres et al. (2006), apresentaram
resultados similares no controle de P. xylostella onde a CL50 estimada para lagartas de
primeiro ínstar foi de 0,06% com extrato aquoso de A. indica. Estudos da CL50 de extratos
aquosos de A. indica para P. xylostella foram também realizados por SOMBATSIRI et al.
(1986), que obtiveram concentrações letais de 0,84% e 8,6%, para o segundo e quarto ínstares
larvais respectivamente, o uso dessas concentrações maiores podem ser justificados pelo uso
das lagartas maiores.
Como também, Marcomini (2009) utilizou formulação de óleo de nim (Organic
Neem®) e estimou a CL50 de 0,74% em dieta artificial e 0,64% em plantas de milho para S.
frugiperda. Essa diferença observada entre espécies de insetos se deve, ao menos em parte, ao
tamanho das lagartas, demonstrando a importância das estimativas de CL50 para a espécie em
estudo.
68
Quanto a eficácia de emulsões de nim resultados encontrados por Silva (2005)
mostrou que ao avaliar nanocápsulas e emulsão de nim a 1% sobre S. frugiperda constatou
que houve mortalidade de 90 a 100% das lagartas em tempo inferior a seis dias. E resultados
de Fernandes et al. (2010) proporcionaram uma alternativa no controle de populações de
Musca domestica (Linnaeus, 1758) (Diptera: Muscidae), uma vez que a emulsão de nim na
concentração de 10% apresentou uma mortalidade de 10,2% de eficiência, isso mostra a
importância do uso de uma formulação, podendo reduzir as populações das pragas e
consequentemente os problemas ocasionados ao homem e meio ambiente, podendo ser uma
tática viável, além disso com viabilidade econômica. Tendo em vista que esses inseticidas
naturais, geralmente apresentam uma menor durabilidade tanto após a aplicação, quanto em
sua conservação, nota-se a necessidade da elaboração de formulações que possibilitem o
aumento das suas viabilidades.
3.3.3.2 Efeito da CL50 da emulsão do extrato etanólico da semente de Annona muricata na
biologia de Plutella xylostella
A emulsão do extrato etanólico de A. muricata e o tratamento químico apresentram
uma viabilidade larval de P. xylostella com percentuais em torno de 70%, diferindo
estatisticamente da testemunha pelo teste de Tukey (F= 5,89 ; p<0,0074), que apresentou
98,33% de viabilidade mostrando que esses tratamentos foram mais expressivos na
mortalidade das lagartas recém-eclodidas, tornando-as incapazes de passar para a fase de pupa
(Tabela 6).
69
Tabela 6 - Médias ± DP da viabilidade e duração das fases larval e pupal e longevidade do adulto
de Plutella xylostella tratadas com a emulsão do extrato etanólico orgânico da semente
de Annona muricata
Viabilidade larval
(%) ± DP
Duração larval Viabilidade pupal
(dias) ± DP
(%) ± DP
Duração pupal
(dias) ± DP
Longevidade
adulto (dias) ±
DP
Testemunha
98,33 ± 5,27
a
9,8 ± 1,03 a
80,00 ± 13,15 a
3,50 ± 0,53 a
3,4 ± 0,52 a
Padrão
70,00 ± 25,82 b
8,7 ± 0,67 b
66,66 ± 19,25 a
3,10 ± 0,74 a
3,2 ± 0,79 a
Emulsão CL50
70,00 ± 25,82 b
8,7 ± 0,67 b
66,66 ± 19,25 a
3,10 ± 0,74 a
3,2 ± 0,79 a
CV%
26,81
8,96
24,54
20,87
21,73
Médias seguidas da mesma letra, nas colunas, não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey (P 0,05)
*DP = Desvio Padrão
CV% = Coeficiente de variação
Fonte: Autoria própria (2015)
A duração larval diferiu estatisticamente a 1% no teste de Tukey (F=6,11; p<0,0064),
como pode ser observado na Tabela 6, cujos tratamentos com a emulsão do extrato etanólico e
o tratamento químico diferiram da testemunha, porém não diferiram entre si. Essa duração
larval mais curta nos tratamentos, em torno de um dia, se deu em detrimento à mortalidade
das lagartas ter ocorrido logo no início do desenvolvimento, causando uma pequena diferença
na duração da fase, portanto, um resultado diferente do que geralmente é relatado nos estudos
com plantas inseticidas, onde há uma tendência de prolongamento da fase larval. Como no
estudo de Roel; Vendramim (2000) com o efeito do extrato acetato de etila de Trichila pallida
Swartz (Meliaceae) sobre S. frugiperda e concluíram que doses menores que não provocaram
a mortalidade total, afetaram a sobrevivência e alongaram a fase larval do inseto.
Quanto à viabilidade e duração pupal, não foram observadas diferenças significativas,
apresentando uma viabilidade de 80 % para testemunha e para os demais tratamentos de
66,66% e na duração pupal uma média de três dias (Tabela 6).
Embora não tenha havido influência dos extratos na duração da fase de pupa de P.
xylostella, é importante salientar que o atraso ou a completa inibição dessa fase têm sido
observado em outras espécies de insetos tratados com extratos de A. indica ou seus derivados
e metabólitos, bem como de outras meliáceas, a exemplo do ocorrido em S. frugiperda
(RODRIGUEZ; VENDRAMIM, 1997) e Spodoptera exempta Walker, 1856 (Lepidoptera:
Noctuidae), (TANZUBIL; MCCAFFERRY, 1990). Essa discrepância pode ser decorrente da
70
aplicação dos extratos ter sido feita apenas no primeiro ínstar larval, consequentemente ter
havido tempo suficiente para a degradação das substâncias tóxicas dos extratos até a pupação,
já que foi realizada apenas uma aplicação da emulsão do extrato etanólico de A. muricata.
Na longevidade do adulto as médias foram iguais para os tratamentos com a emulsão
do extrato etanólico e para tratamento químico apresentando 3,2 de duração (F=0,26;
p=0,07694). A testemunha apresentou um período de longevidade de 3,4 dias não diferindo
estaticamente dos demais tratamentos (Tabela 6).
Embora os tratamentos não tenham diferido estatisticamente é importante ressaltar
uma diminuição das médias encontradas na longevidade dos adultos no tratamento com a
emulsão do extrato etanólico e no tratamento com o controle químico, pode estar relacionado
ao menor consumo alimentar na fase larval, comprometendo a melhor formação da pupa, pois
pupas menores têm grande possibilidade de produzirem adultos menores e mais fracos, com
menor capacidade de competição para desenvolver as atividades vitais da espécie, como
afirma Rodriguéz; Vendramim (1997).
Isso se torna importante no manejo da cultura, pois a utilização do produto natural
poderá ser uma alternativa menos agressiva ao meio ambiente, contribuindo diretamente no
contexto do manejo integrado de pragas. Porém é importante relatar que, embora trabalhos
científicos apontem para correlação direta entre maior eficiência de controle e o aumento das
concentrações dos extratos, experimentos realizados em campo muitas vezes diferem dos de
laboratório por não apresentarem controle total sobre as variáveis, pois são conduzidos em
uma situação real com interações complexas com o ambiente.
3.3.3.3 Efeito da emulsão do extrato orgânico de Annona muricata na fase embrionária de
Plutella xylostella
A viabilidade dos ovos de P.xylostella foi afetada, após a aplicação da emulsão do
extrato etanólico de A. muricata, pois apenas 21,50 ± 10,55 % dos ovos foram viáveis, ao
aplicar a CL99. O experimento se mostrou diferente significativamente a 1% de probabilidade
para o teste de Tukey (F=98,25; p<0,0001), sendo que apenas o tratamento da emulsão com a
CL50 (87,0%) não diferiu estatisticamente da testemunha, que apresentou 96,50 ± 5,29 % de
ovos viáveis (Tabela7).
71
Tabela 7 - Comparação de médias através da Viabilidade (%) ± DP dos ovos de Plutella
xylostella tratados com a emulsão do extrato orgânico etanólico da semente de Annona
muricata e com o produto químico Decis 25CE.
Tratamentos
% Lagartas eclodidas ± DP*
Testemunha
96,50 ± 5,29 a
Padrão
79,50 ± 15,17 b
Emulsão CL50
87,00 ± 9,77 ab
Emulsão Cl99
21,50 ± 10,55 c
CV%**
15,16
Médias seguidas da mesma letra, nas colunas, não diferem estatisticamente pelo teste de
Tukey (P 0,05);
*DP= Desvio padrão; **CV%= Coeficiente de variação; ***CL50 e CL99 = concentração letal.
Fonte: Autoria própria (2015)
O tratamento com o inseticida químico Decis, mesmo sem ter diferido da testemunha,
ainda apresentou uma viabilidade de ovos considerada alta com uma média de 79,50 ±
15,17%. Esse resultado mostra uma eficácia da emulsão, pois conseguiu inibir a perpetuação
da praga mais eficientemente que o inseticida químico recomendado. Isso mostra,
possivelmente, uma provável resistência adquirida do inseto ao produto químico, pois no
Brasil, a resistência de P. xylostella a deltametrina, foi relatada por Castelo Branco; Amaral
(2002) e Oliveira et al. (2011).
Os efeitos de extratos de plantas na sobrevivência da fase embrionária de lepidópteros
também são pouco conhecidos, em especial a ação ovicida dos compostos bioativos
(TRINDADE et al., 2000). Porém, Torres et al. (2006) obtiveram dados semelhantes na
avaliação da fase embrionária de P. xylostella quando os ovos foram submetidos a três
extratos de plantas que foram A. indica na concentração 0,06% (m/v), M.azedarach na
concentração 12,5% (m/v) e A. pryrifolium na concentração 7% (m/v) as lagartas
apresentaram uma mortalidade de 100, 100 e 40% respectivamente, esses resultados foram
obtidos após a avaliação realizada aos dez dias do confinamento.
Porém, Machado; Silva; Oliveira (2007) destacaram que o efeito ovicida pode variar
de acordo com a espécie do inseto e com as características das substâncias utilizadas, pois
algumas plantas que apresentam atividade inseticida ocasionam baixo ou nenhum efeito sobre
os ovos. Tal fato pôde ser verificado no experimento realizado com os diferentes extratos
aquosos de 10% p/v de Erva de Santa Maria, Chenopodium ambrosioides (Linnaeus)
72
(Amaranthaceae), Eucalipto Cheiroso, Corymbia citriodora (Hill & Johnson) (Mrytaceae),
Crisântemo, Chrysanthemum leucanthemum (Linnaeus) (Asteraceae) e A. indica (Nim) sobre
a porcentagem de lagartas eclodidas de S. frugiperda, ou seja, não apresentaram ação ovicida
(MAZZONETTO et al., 2013).
Nesse experimento, notou-se que a inviabilidade da fase embrionária pela emulsão do
extrato foi correlacionada com as concentrações dos mesmos, mostrando assim, que a ação
ovicida aumenta à medida que se aumenta a concentração da emulsão. Isso quer dizer, que a
concentração estimada para matar as lagartas de P. xylostella, também afeta os ovos da praga
e, isto é importante, quando o produto for adotado no campo favorecendo a um controle de
diferentes fases da praga.
3.3.3.4 Teste de não preferência para oviposição de Plutella xylostella
A CL99 da emulsão do extrato etanólico diferiu a 1% de probabilidade no teste de
Tukey, (F=23,17; p<0,0001), de todos os outros tratamentos. Notou-se que as porções das
folhas de couve tratadas com o extrato apresentaram menores quantidades de ovos, mostrando
assim, que o extrato, interfere na escolha de oviposição da traça-das-crucíferas, e que o
aumento da concentração do extrato proporcionou menores quantidades de ovos (Tabela 8).
Esse comportamento também foi encontrado por Medeiros; Boiça Junior; Torres
(2005) que avaliaram extratos de frutos de S. saponaria e de E. contortisilliquum e folhas de
Tradescantia pallida (Commelinaceae) na concentração de 10% na repelência de oviposição
da P. xylostella, obtendo repelência de oviposição de até 100%. Valores próximos podem ser
observados com o uso da concentração letal do extrato etanólico da semente de graviola, em
concentrações bem menores, que obteve repelência de oviposição de quase 100% para as
concentrações letais de ambos os extratos, o aumento dessa concentração pode ocasionar uma
deterrência de 100%.
73
Tabela 8 - Média ± DP de ovos de Plutella xylostella depositados em folhas de couve tratadas
com a emulsão do extrato orgânico etanólico da semente de Annona muricata, da
testemunha e do tratamento padrão.
Tratamento
N° ovos ± DP*
Testemunha
23,50 ± 5,33 a
Padrão
23,80 ± 7,78 a
CL50***
21,50 ± 7,90 a
CL99***
3,70 ± 3,12 b
CV%**
35,05
Médias seguidas da mesma letra, nas colunas, não diferem estatisticamente pelo teste de
Tukey (P 0,05)
*DP= Desvio padrão
**CV%= Coeficiente de variação
***
CL50 e CL99 = concentração letal que mata 50% e 99% dos indivíduos, respectivamente.
Fonte: Autoria própria (2015)
Jesus et al. (2011) obtiveram um número médio de ovos de P. xylostella por disco de
couve a 10% de cada extrato testado, onde a média total de ovos após 4 dias de análise foram
respectivamente de 280,00; 313,33; 231,16 e 252,50, nos diferentes tratamentos, não
diferiram significativamente entre si, mas todas diferindo da testemunha, que teve uma média
de 556,83, mas um aspecto observado foi que que os extratos A. indica (Nim), S. saponaria
(Sabão de soldado), D. mollis (Faveira) e S. adstringens (Barbatimão) apresentaram efeito
deterrente para a oviposição de adultos.
Em outro estudo, foi observado que, Medeiros; Boiça Júnior; Torres (2005) obtiveram
altos valores de porcentagem média de deterrência na oviposição de P. xylostella para extratos
aquosos a 10% de folhas de N. tabacum (99,5%) e de A. indica (89,1%).
Da mesma forma, porém testando extratos em concentrações mais baixas, TORRES et
al. (2006) obtiveram porcentagem média de repelência de 10,4%, testando extratos aquosos de
amêndoas de A. indica e 16,0% de frutos de M. azedarach. Por outro lado, LIANG et al.
(2003) observaram que três inseticidas comerciais à base de nim (Agroneem, Ecozin e
Neemix) não apresentaram ação como deterrentes na oviposição de P. xylostella.
Segundo Gupta; Thorsteinson (1960), a oviposição de diversos lepidópteros geralmente
é mediada por mecanismos sensoriais, mecano e químio-receptores e, com isso, a emulsão do
extrato etanólico de A. muricata, libera algum volátil repelente para a oviposição.
74
Outro resultado semelhante encontrado foi por Dequech et al. (2009) onde os extratos
aquosos a 10% de folha de cinamomo, de ramo de cinamomo e de pó-de-fumo, além de
DalNeem® a 10%, reduziram a oviposição de P. xylostella em folhas de couve em pelo
menos 50% em relação à testemunha. Outro estudo importante é o de Charleston et al. (2005),
que avaliaram o extrato de cinamomo e nim sobre a preferência de oviposição de P.
xylostella, mostrando que o extrato de cinamomo diferiu da testemunha com 75% de
deterrência de oviposição enquanto que o nim não diferiu da testemunha.
75
3.4 Conclusões
O desenvolvimento de uma formulação emulsionável se apresenta viável para o
extrato etanólico de A. muricata.
A melhor emulsão encontrada foi a emulsão 5 contendo, 3,5 g de Span, 2,0 g de
Tween, 10 g do extrato orgânico etanólico de A. muricata e 85 g de água.
A emulsão do extrato etanólico de A. muricata deve ser armazenada em um local
fresco, arejado e ao abrigo da luz para ter uma boa durabilidade por um período de três meses.
A emulsão do extrato etanólico de A. muricata afeta a biologia de P. xylostella apenas
na fase larval.
A emulsão do extrato etanólico de A. muricata apresenta efeito ovicida e é repelente
para a oviposiçao.
76
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82
4 Estudo das frações químicas do extrato etanólico de Annona muricata L. (Annonaceae)
no controle de Plutella xylostella (L., 1758) (Lepidoptera: Plutellidae)
RESUMO
Estudos fitoquímicos têm identificado uma série de produtos naturais em espécies de
Annonaceae, com destaque para as acetogeninas. Com isso, objetivou-se neste trabalho
realizar o fracionamento do extrato etanólico de A. muricata, a fim de verificar a presença de
acetogeninas como princípio ativo principal, monitorado pelo reagente de kedde, com
atividade biológica para P. xylostella. Realizou-se uma partição líquido-líquido com a
utilização de solventes em ordem crescente de polaridade. Em seguida, com a fração mais
ativa obtida em teste de ação biológica, fez-se uma filtração em funil com sílica, sendo todas
as frações ativas monitoradas pelo reagente de Kedde para a triagem da presença de
acetogeninas. Na partição, a fração clorofórmica foi a que apresentou uma maior percentagem
de mortalidade com 67,74% na CL50 e ao aplicar a CL99 uma mortalidade de 98,3%. Na
filtração obtiveram-se seis frações que foram: metanólica, acetato de metila, hexânica, 10%
acetato + 90% hexano, 25 % acetato + 75% hexano e 50% acetato+ 50% hexano, com médias
de mortalidade de 38,23; 53,16; 38,24; 43,26; 64,76 e 43,18%, respectivamente. Todas as
frações ativas, extrato bruto, fração clorofórmica, acetato e 25 % acetato+ 75% hexano,
apresentaram coloração violácea no teste com o reagente de Kedde em cromatografia de
camada delgada (CCD), positiva para acetogeninas. Desta forma, conclui-se que o princípio
ativo responsável pela atividade biológica do extrato etanólico da semente de A. muricata
para P. xylostella, trata-se de acetogeninas.
Palavras-chave: Semente de graviola. Traça-das-crucíferas. Partição. Purificação.
Cromatografia
83
ABSTRACT
Phytochemical studies have identified a number of natural products in species of Annonaceae,
with emphasis on the acetogeninas. With this, the aim in this work accomplish the
fractionation of the ethanolic extract of A. muricata, in order to determine the presence of
acetogeninas as main active ingredient, monitored by kedde reagent, with biological activity
to P. xylostella. A liquid-liquid partition with the use of solvents in increasing order of
polarity and then, with the most active fraction obtained in test of biological action, a filtering
funnel with silica, being all active fractions by Kedde reagent for the screening for the
presence of acetogeninas. In the partition, the chloroform fraction was presented a higher
percentage of mortality with 67.74% on LC50 and when applying the LC99 a mortality rate of
98.3%. In filtering six fractions were obtained that were methanol, Methyl acetate, hexane,
10% + 90% acetate, hexane, 25% + 75% acetate 50% acetate, hexane and + 50%, hexane,
with mortality of 38.23; 53.16; 38.24; 43.26; 64.76 and 43.18%, respectively. All active
fractions, crude extract, chloroform, acetate and fraction 25% + 75% acetate, hexane, violet
coloration with test submitted the Kedde reagent in thin layer chromatography (CCD),
positive for acetogeninas. Thus, it is concluded that the active ingredient responsible for the
biological activity of ethanolic extract from the seed of a. muricata to P. xylostella, it is
acetogeninas.
Keywords: Extract. Graviola. Plutella xylostella. Partition. Purification. Chromatography
84
4.1 INTRODUÇÃO
Produtos naturais têm uma longa e bem sucedida história nos processos de descoberta
e desenvolvimento de fármacos. Plantas, insetos, microrganismos e organismos marinhos
exibem complexa interação com o meio ambiente e produzem metabólitos utilizados para sua
sobrevivência. Como consequência do papel biológico para os organismos produtores, esses
metabólitos podem exibir amplo espectro de aplicação biológica (PUPO et al., 2006).
Se for considerada a existência de mais de 250.000 plantas no planeta (SILVAAGUAYO, 2012) e que só continuam existindo, graças a mecanismos de defesa, físicos,
morfológicos e principalmente químicos, tem-se a mão um vasto material para a descoberta
de novos inseticidas botânicos. Já o Brasil, segundo Maciel et al. (2010), apresenta enorme
riqueza botânica, com 56 mil espécies de plantas. Nas últimas décadas, a investigação sobre a
interação entre as plantas e os insetos revelou a potencial utilização de metabólitos
secundários de plantas para esta finalidade (KAMARAJ et al ., 2010) .
Dentre as plantas com potencial inseticida, têm-se às espécies pertencentes à família
Annonaceae com diversos trabalhos com diferentes espécies desde os anos 90. As anonáceas
se destacam por apresentarem em sua composição substâncias bioativas com alta atividade
sobre insetos, conhecida como acetogeninas (ACGs) (ALALI et al., 1999).
O Brasil tem se sobressaído como um respeitável produtor e consumidor de frutas, e a
graviola Annona muricata L. (Annonaceae), é empregada, principalmente, na indústria de
polpas alimentícias para refrescos, geleias, doces e sorvetes. A literatura etnofarmacológica
registra vários usos medicinais baseados no senso comum, que lhe atribui várias propriedades,
embora a eficácia e a segurança de suas preparações não tenham sido todas, ainda,
comprovadas cientificamente (PEREIRA; OLIVEIRA; LEMOS, 2004; REIS, 2011).
Estudos fitoquímicos têm identificado uma série de produtos naturais em espécies de
Annonaceae, com destaque para as (ACGs), até então isoladas de um pequeno número de
gêneros (Annona, Asimina, Xilopia, Goniothalamus e Uvaria). As ACGs possuem estruturas
diversificadas e poderosas propriedades citotóxicas, com aplicações potenciais na geração de
fármacos (compostos antitumorais) e de inseticidas agrícolas (COLOM et al., 2007; 2008;
BLESSING et al., 2010).
A pesquisa fitoquímica tem por objetivos conhecer os constituintes químicos de
espécies vegetais ou determinar a sua presença, quando não se dispõe de estudos químicos
85
sobre a espécie de interesse. A análise fitoquímica preliminar pode indicar os grupos de
metabólitos secundários (FALKENBERG; SANTOS; SIMÕES, 2001; GAMBETA, 2008).
Estudos químicos com a A. muricata conduziram ao isolamento de compostos de
diversas classes, tais como acetogeninas, alcaloides, terpenoides, carboidratos, polifenois,
lipídeos e aminoácidos, e algumas dessas substâncias estão associadas ao sequestro dos
radicais livres formados nos processos degenerativos (ANGELO; JORGE, 2007; VILANOVA et al., 2013). Todavia, nos últimos anos, as pesquisas fitoquímicas acerca desta
espécie se dirigiram ao isolamento de compostos da classe das ACGs, principalmente a partir
das folhas (LUNA, 2006; RIBEIRO et al., 2010).
Em virtude dos relatos do potencial das ACGs sobre diferentes pragas, faz-se
necessária a intensificação dos estudos relacionados a essa classe de compostos,
possibilitando, dessa forma, a descoberta de possíveis moléculas novas que possam ser
utilizadas na síntese de compostos inseticidas com qualidades superiores (CASIDA;
QUISTAD, 1998).
A espécie Plutella xylostella L., ou traça-das-crucíferas, é considerada praga-chave das
brássicas em todo o mundo (GODIN; BOIVIN, 1998), podendo atacar couve, couve-flor,
brócolis, entre outras (GALLO et al., 2002). A importância econômica da praga está
relacionada ao seu hábito alimentar. As larvas de primeiro instar minam as folhas enquanto as
de segundo e terceiro estádios consomem todo o tecido foliar, com exceção da epiderme
superior. Já as larvas de quarto instar se alimentam de todas as partes das folhas (CASTELO
BRANCO et al., 1997), causando sérios prejuízos aos agricultores. O seu controle vem sendo
realizado principalmente com o uso de inseticidas químicos sintéticos, no entanto, estes
produtos vêm selecionando populações resistentes da praga (TALEKAR; SHELTON, 1993;
CASTELO BRANCO et al., 1997). Além disso, estes produtos ainda promovem danos
irreparáveis ao meio ambiente, como contaminação do alimento, toxicidade aos mamíferos e
persistência no solo (GONÇALVES et al., 2001).
Portanto, o objetivo deste trabalho foi estudar as frações químicas do extrato etanólico
de A. muricata, a fim de determinar a presença de acetogeninas como princípio ativo
principal, monitorado pelo reagente de kedde, com atividade biológica para P. xylostella (L.,
1758) (Lepidoptera: Plutellidae).
86
4.2 MATERIAL E MÉTODOS
O presente trabalho foi conduzido no Laboratório: controle alternativo de pragas do
Centro de Ciências Agrárias e no Laboratório de Pesquisas em Recursos Naturais (LPqRN) ,
ambos da Universidade Federal de Alagoas.
4.2.1 Condução da cultura
Sementes de couve cultivar Georgia, Brassica oleracea var. acephala (Brassicaceae),
foram semeadas em casa-de-vegetação, em bandeja de isopor contendo substrato comercial
Bioplant® indicado para preparo de sementeira. Após 35 dias, as mudas foram transplantadas
para local definitivo em canteiros de alvenaria preenchidos com mistura de terra preta e torta
de filtro na proporção 1:1. Foram adotados tratos culturais segundo Filgueira (2008), exceto a
utilização de inseticidas. Folhas de couve foram utilizadas para os experimentos a partir de 40
a 55 dias após o transplantio.
4.2.2 Criação de Plutella xylostella
A criação e multiplicação de P. xylostella foram realizadas no Laboratório de
Entomologia: controle alternativo de pragas, sob condições de temperatura de 25 ± 2 °C,
umidade relativa do ar de 67 ± 2 % e fotofase de 12h.
Os adultos eram liberados em gaiolas plásticas transparentes circulares (12cm de
diâmetro x 15cm de altura) com abertura lateral fechada com tela antiafídeo. Em cada gaiola
foi colocado um pote plástico coberto com espuma umedecida, sobre o qual, foi colocado um
disco de folha de couve medindo 8 cm de diâmetro para servir de substrato à postura, no
sentido de simular a folha em condições de campo, e uma esponja embebida com solução
açucarada a 10%, na parte superior da gaiola, para alimentação dos adultos. Os discos de
folhas eram substituídos diariamente, e mantidos em placas de Petri de 8 cm de diâmetro até a
eclosão das lagartas. Lagartas recém-eclodidas, oriundas de posturas realizadas em folhas de
couve, foram transferidas para recipientes plásticos maiores (20 cm de comprimento x 10 cm
de largura x 5 cm de altura ) contendo várias folhas de couve. As folhas foram trocadas
87
diariamente até as lagartas atingirem a fase de pupa. As pupas foram transferidas para tubos
de vidro de fundo chato (8,5 cm de comprimento x 1,5 cm de diâmetro), fechados com filme
plástico transparente. Em cada recipiente foram realizados pequenos furos para que houvesse
possibilidade de troca de ar. A cada 24 horas, após a emergência, os adultos foram
transferidos para as gaiolas.
4.2.3 Coleta das sementes e preparo dos extratos
As sementes de graviola foram obtidas no município de Anadia – AL, em fábrica de
processamento de frutas para confecção de polpa de frutas, acondicionadas em sacos de papel
Kraft, secas em estufa com circulação de ar a uma temperatura de 60°C por 48 horas, moídas
em moinho tipo Wiley e acondicionado em recipiente hermeticamente fechado.
O pó da semente de graviola foi submetido à extração a frio com hexano
[CH3(CH2)4CH3] em percolador de aço inoxidável. Foram utilizados 2,5 L de hexano em 2,6
kg de pó. Essa extração foi rápida com uma duração de 2 horas, pois foi realizada apenas
uma lavagem no pó, e em seguida foi filtrada. O extrato foi submetido à evaporação do
solvente com o auxílio de rotavapor a 50°C sob pressão reduzida. Após esse procedimento, o
extrato hexânico foi colocado em frasco de vidro previamente pesado e etiquetado e
acondicionado aberto para a evaporação máxima do solvente. Após a obtenção do extrato
hexânico, sobre a torta resultante da extração com hexano, foi realizado a extração com etanol
(CH3CH2OH) seguindo a mesma metodologia anterior, só modificando o solvente, que foram
2L de etanol, permanecendo no pó por 48 horas e o número de repetições, já que foi realizado
apenas um ciclo para o extrato hexânico e três ciclos para o etanólico (as mesmas sementes
foram utilizadas três vezes seguidas). Porém após os testes realizados anteriormente, foi
verificado que o extrato que possui uma maior atividade inseticida foi o extrato etanólico,
sendo necessária uma análise mais profunda para isolar e identificar os constituintes químicos
que se encontram presente nesse extrato.
4.2.4 Estudo das frações químicas do extrato etanólico da semente de Annona muricata
4.2.4.1Partição líquido-líquido do extrato orgânico da semente de Annona muricata
88
Na partição líquido-líquido, o extrato etanólico foi ressuspenso em metanol utilizandose um funil de separação e solventes orgânicos de polaridades crescentes, hexano
[CH₃(CH₂)₄CH₃], clorofórmio [CHCl3] e acetato de metila [C3H6O2], como mostra a Figura
6.
Figura 6 - Partição líquido-líquido com diferentes solventes no extrato etanólico da semente de
Annona muricata.
Cada fração obtida da partição foi testada com lagartas recém eclodidas de P.
xylostella com a CL50 (0,02 mL. mL-1) e CL99 (0,1 mL.mL-1) estimadas pela análise de Probit
realizada por Gomes (2013). Os experimentos foram realizados com discos de 8 cm de
diâmetro de folhas de couve, contendo seis lagartas, os quais foram imersos por 30 segundos,
nas respectivas suspensões, e para o tratamento testemunha, os discos foram imersos em água
destilada pelo mesmo período e com dez repetições cada tratamento.
89
Os discos tratados e não tratados com os extratos foram distribuídos sobre uma
superfície coberta com papel toalha, onde permaneceram ao ar livre para evaporação do
excesso de água. Lagartas recém-eclodidas foram colocadas em placas de Petri de 15cm de
diâmetro, contendo um disco tratado sobre papel de filtro umedecido com água destilada, para
manutenção da umidade, acondicionados em laboratório (temperatura de 26 2C, UR de 60
10% e fotofase de 12h). A partir do terceiro dia da montagem do experimento, iniciaram-se
as avaliações da mortalidade larval.
4.2.4.2 Purificação do extrato etanólico da semente de A.muricata
Mediante os resultados obtidos no bioensaio anterior, a fração mais ativa da partição
líquido-líquido de A. muricata foi submetida a um novo fracionamento feito com um funil de
separação contendo sílica. A fração foi pesada e 36 g do material foram adicionados a sílica
em medida aleatória em uma cápsula de porcelana misturando-se os conteúdos até secarem
através da obtenção de um pó. Em seguida, colocou-se esse material em um funil de 1L de
capacidade juntamente com mais sílica, e algumas misturas de solvente, obtendo-se, assim,
mais seis frações (Figura 7).
Figura 7 - Purificação com diferentes solventes no extrato de semente de A.muricata.
90
Cada fração obtida da filtração foi testada com lagartas recém-eclodidas de P.
xylostella seguindo mesmo procedimento experimental anterior, porém com CL10 (0,004
mL.mL-1), estimada pela análise de Probit realizada por Gomes (2013).
4.2.4.3 Obtenção do reagente de Kedde
Seguindo a metodologia descrita por LUNA (2006), o reagente de Kedde foi obtido
por dissolução de 5,6 g de hidróxido de potássio em água destilada até obtenção de 50 mL de
solução, seguido da adição de 1 g de ácido 3,5-dinitrobenzóico em 50 mL de metanol. Esse
reagente é específico para revelação de subunidades
–lactonas α, β-insaturadas presentes em
alguns tipos de acetogeninas.
4.2.4.4 Teste para acetogeninas
A amostra vegetal, de cada fração bioativa, foi solubilizada em metanol e submetida à
cromatografia em camada delgada (CCD). Com o auxílio de capilares a amostra foi aplicada
em placa de sílica tendo como eluente acetato e metanol (AcOEt:MeOH) na proporção de 3:1
Após eluição o cromatograma foi revelado com reagente de Kedde, sendo a cor violácea
positiva para o teste da presença de acetogeninas.
91
4.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.3.1 Fracionamento da partição líquido-líquido do extrato orgânico da semente de Annona
muricata
A mortalidade das lagartas de P.xylostella foi afetada, após a aplicação de todas as
frações oriundas da partição líquido-líquido do extrato etanólico de A. muricata. Porém, a
fração clorofórmica foi a que apresentou uma mortalidade maior, embora não tenha diferido
estaticamente das demais frações, apresentando 67,74 ± 17,09 % ao aplicar a CL50 e, não
diferindo da fração com acetato de etila ao aplicar a CL99 com 98,3 ± 5,37 % de mortalidade
(Tabela 9). O experimento mostrou diferença significativamente a 1% de probabilidade para o
teste de Tukey (F=14,85; p<0,001), para os testes realizados com a CL50 e para os testes
realizados com a CL99 também se mostrou significativo a 1% de probabilidade para o teste de
Tukey (F=104,7; p<0,001).
Tabela 9 - Avaliação das CLs referentes às partições líquido-líquido, do experimento com
extrato de semente de A.muricata analisando a mortalidade das traças das crucíferas.
Partições
CL 50 (0,02%) ±DP*
CL 99 (0,1%) ±DP*
Testemunha
5,1 ± 8,21 b
5,10 ± 8,21 d
F. Clorofórmica
67,74 ± 17,09 a
98,3 ± 5,37 a
F. Acetato de metila
58,13 ±21,02 a
91,54 ± 11,92 ab
F. Hexânica
63,18 ±24,48 a
36,65 ± 10,43 c
F. Aquosa
61,52±30,44 a
79,82 ± 20,48 b
CV%
30,01
19,89
Médias seguidas da mesma letra, nas colunas, não diferem estatisticamente pelo teste de
Tukey (P 0,05)
*DP= Desvio padrão
92
Cunha et al. (2006) observaram que extratos em clorofórmio ou diclorometano são
capazes de apresentar atividade inseticida sobre diversas espécies de insetos, mesmo tendo
sido obtidos de estruturas e de espécies de plantas inseticidas distintas.
Apesar dos dois solventes (hexano e clorofórmio) possuírem polaridades diferentes, o
solvente em clorofórmio pode ter extraído compostos medianamente polares devido a forças
de atração intermolecular de alguns compostos apolares com compostos de polaridade
intermediária. No entanto, dentro de um mesmo grupo químico poderão ser constatadas
substâncias com diferentes bioatividades sobre P. xylostella.
Foi possível verificar que a fração clorofórmica na concentração mais elevada CL99
causou um efeito inseticida com mortalidade bastante elevada das lagartas, porém à medida
que se testou a concentração subletal (CL50) a atividade inseticida foi diminuindo devido a
menor taxa da mortalidade dos insetos. Isso poderia ser atribuído à presença de compostos
tóxicos não específicos, ou de substâncias com propriedades fagoinibidora e inibidoras do
crescimento existentes nas folhas de A. muricata. Esse fato corrobora com resultados de
Ratnayake et al. (1992), os quais mostraram que as acetogeninas de anonáceas apresentam
propriedades fagoinibidora em doses baixas e podem ser fatais em doses elevadas.
Os solventes usados para a extração de acetogeninas são variados, tais como: água
(PÉREZ-PACHECO et al., 2004), etanol (BOBADILLA et al., 2002), acetona
(KHALEQUZZAMAN; SULTANA, 2006), clorofórmio (PARVIN et al., 2003), éter de
petróleo (ÁLVAREZ et al., 2008) e hexano (FONTANA et al., 1998). A partir desta
informação, pode-se inferir que acetogeninas podem variar de muito polares, tais como as
extraídas pela água e etanol, a não polar, que é extraído por hexano.
Valores obtidos por Decio et al. (2013) foram muito próximos ao encontrado neste
estudo para os solventes diclorometano e dimetilsulfóxido (7,29%), bem como no estudo
realizado por Sanada-Morimura; Matsumura (2011) para acetona e metanol. Vários são os
estudos do efeito de solventes (acetona, água deionizada, diclometano dimetilsulfóxido,
metanol e etanol) utilizados na ressuspensão de extratos vegetais sobre os diferentes táxons de
insetos (CASTILLO-SÁNCHEZ et al. , 2010).
Da mesma forma que a A. muricata, outras espécies de anonáceas contêm
componentes tóxicos, principalmente acetogeninas, que dão a planta propriedades inseticidas.
Neste trabalho, foi possível mostrar que os extratos das sementes de A. muricata exibem um
efeito inseticida significante. Com o objetivo de melhor avaliar o potencial da A. muricata
93
como uma alternativa para inclusão em um programa de manejo de pragas, estudos mais
detalhados da fitoquímica dos metabólitos secundários desta planta, são necesssários.
4.3.2 Purificação do extrato etanólico da semente de Annona muricata
A mortalidade das lagartas de P. xylostella foi elevada, em todas as frações passadas
pela purificação do funil com sílica, mesmo estando na CL10 cuja concentração é baixa de
0,004% (Tabela 10). Porém, a fração de 25% Acetato + 75% Hexano foi a que apresentou
uma mortalidade maior com uma média de 64,76 ± 10,67 % ao aplicar a CL10 e o resultado foi
significativo a 1% de probabilidade para o teste de Tukey (F=4,55; p<0,001).
Tabela 10 - Avaliação das CL10 referente às frações extraídas através da purificação com o funil
de sílica, do experimento com extrato de semente de A.muricata analisando a
mortalidade das traças das crucíferas.
Frações do funil de sílica
CL 10 (0,004 %) ± DP*
Testemunha
13,3 ± 17,18 b
Metanol
38,23 ± 8,21 ab
Acetato
53,16 ± 13,23 a
Hexânico
38,24 ± 21,97 ab
10% Acetato + 90% Hexano
43,26 ± 8,96 ab
25% Acetato + 75% Hexano
64,76 ± 10,67 a
50% Acetato + 50% Hexano
43,18 ± 10,67 ab
CV%
44,17
Médias seguidas da mesma letra, nas colunas, não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey (P 0,05)
*DP= Desvio padrão
94
As lagartas mortas pela ação dos extratos apresentaram escurecimento acentuado e
tamanho reduzido. Muitas delas morreram durante a ecdise, por não conseguirem liberar
totalmente a exúvia, que tipicamente permanece presa à parte posterior do abdome,
produzindo a coloração escura observada. Essas alterações morfológicas podem ter sido
resultantes do efeito de componentes químicos no sistema hormonal do inseto. Mordue;
Blackwell (1993), também observaram sintomas semelhantes em lagartas submetidas a
diferentes doses de azadiractina, e atribuíram essas alterações à redução na concentração do
ecdisônio ou atraso da sua liberação na hemolinfa.
Extratos de sementes de A. squamosa também demonstraram possuir propriedades
inseticidas (GRITSANAPAN, 1997; CATARINO; EZEQUIEL, 1999). Através do
fracionamento monitorado pela atividade biológica do extrato das sementes, Londershausen et
al. (1991) estabeleceram que dois dos princípios ativos eram as acetogeninas anonina I e
anonacina A.
O uso potencial de espécies de Annona para o controle de pragas foi demonstrado por
Prates et al. (1999) que avaliaram a atividade inseticida das sementes de araticum (A.
crassiflora) sobre Spodoptera frugiperda (J.E. Smith, 1797) (Lepidoptera: Noctuidae) uma
praga do milho. Extratos de araticum ocasionaram 100% de mortalidade das lagartas 12 dias
após a eclosão, indicando que a planta pode ser uma fonte potencial de inseticidas naturais no
controle dessa praga.
Através dos resultados obtidos, a utilização dos extratos de graviola seria uma
ferramenta adicional para o controle das traça-das-cruciferas. No entanto, novos estudos
deverão ser realizados, principalmente em campo. Segundo Castillo-Sanchéz et al. (2010), são
escassos os trabalhos relacionados às anonáceas em ambiente real e com insetos benéficos.
4.3.3 Teste para acetogeninas
Através da formação de coloração violácea nas placas de CCD foi possível detectar a
presença de acetogeninas (Figura 8) nas amostras bioativas do extrato etanólico bruto na
fração clorofórmica e nas frações purificadas de acetato e a 25% Acetato + 75% Hexano.
Também foi possível perceber que, com o avanço da purificação das frações químicas, a
coloração violácea foi ficando mais ativa, devido a concentração do princípio ativo.
95
Com esse resultado positivo, é possível concluir que o que pode ter ocasionado as
morte das lagartas de P. xylostella foram as acetogeninas que estão presentes nas sementes de
graviola, pois, Chang et al. (2003) encontraram oito acetogeninas mono-THF: muricina H,
muricina
I,
cis-anomontacina,
anonacina,
anonacinone,
anomontacina,
murisolina,
xilomaticina e uma bis- THF: anocatacina A em A. muricata.
Figura 8 - Cromatograma do extrato etanólico (A), na fração clorofórmica (B), na fração 25%
acetato + 75% hexano (C) e na fração acetato (D).
A
B
C
D
Resultados semelhantes também foram encontrados por Cavé et al. (1997), que nos
extratos de Annona cornifolia, frações e grupos resultantes foram submetidos à análise por
CCD, cujas placas foram pulverizadas com reagente Kedde e indicou um resultado positivo
para γ-lactonas α, β-insaturadas, comumente encontradas em acetogeninas.
De acordo com Ugoline (2012) a cromatoplaca foi pulverizada com a solução A,
seguida imediatamente da solução B. Este reagente detecta lactonas de cinco membros α, βinsaturadas, apresentando como resultado positivo o desenvolvimento na CCDS de manchas
de coloração violeta, resultado semelhante quando foi registrado a presença da coloração
violeta apresentada na pelo teste realizado através de CCD no presente trabalho.
96
A fração hexânica do extrato de A. cornifolia foi submetida à cromatografia em
coluna de sílica gel, utilizando-se como eluentes hexano/diclorometano/acetato de
etila/metanol com gradiente de polaridade crescente, sendo obtidas 166 frações que foram
reunidas em 15 grupos com base em seu perfil por cromatografia em camada delgada de
sílica, cujo grupo 9 (frações 30-44; 596 mg) indicou, após revelação com reagentes de
Dragendorff e Kedde e análise do espectro no IV, a presença de acetogeninas (SANTOS;
PIMENTA; BOAVENTURA, 2007) que se assemelham, com os resultados encontrados com
o extrato etanólico de A. muricata que também foi utilizado o reagente de kedde e apresentou
uma coloração violeta confirmando a presença de acetogenina.
Segundo Luna (2006) cinco frações derivadas da cromatografia em coluna de sílica da
folha de A. muricata definidas como compostos AM2, AM3, AM4, AM5 e AM6 foram todos
isolados sob a forma de um material com aspecto de cera. O isolamento desses compostos foi
realizado através de cromatografia líquida de alta eficiência preparativa, uma vez que a
cromatografia em coluna aberta não foi eficiente na separação desses compostos. E também
mostrou uma revelação positiva com o reagente de Kedde que indicou a natureza dessas
substâncias como acetogeninas.
97
4.4 Conclusões
A fração clorofórmica apresenta uma mortalidade mais elevada da partição líquidolíquido;
Na purificação em funil com sílica, a fração 25% Acetato + 75% Hexano é a mais
ativa;
Através da formação de coloração violácea revelada em CCD é possível detectar a
presença de acetogeninas em todas as frações ativas biologicamente, sendo intensificada com
o avanço da purificação.
98
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