Manejo de solo e coberturas vegetais no controle de plantas daninhas na cultura do feijão-caupi (Vigna unguiculata L. (WALP))
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1
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRARIAS
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM PROTEÇÃO DE PLANTAS
Luciene Ribeiro de Andrade
MANEJO DE SOLO E COBERTURAS VEGETAIS NO CONTROLE DE PLANTAS
DANINHAS NA CULTURA DO FEIJÃO CAUPI (Vigna unguiculata L. (WALP))
Rio Largo
2017
2
Luciene Ribeiro de Andrade
MANEJO DE SOLO E COBERTURAS VEGETAIS NO CONTROLE DE PLANTAS
DANINHAS NA CULTURA DO FEIJÃO CAUPI (Vigna unguiculata L. (WALP))
Dissertação
apresentada
ao
Programa de Pós-Graduação em Proteção
de plantas da Universidade Federal de
Alagoas, como requisito para obtenção do
título de Mestre
Orientadora: Prof. Dra. Ligia Sampaio Reis
Rio Largo
2017
3
4
Dedicatória
A Deus pelo dom da vida, por tamanha fidelidade com a humanidade e entregar seu
filho para morrer cruelmente, em favor e nossos pecados e pelo infinito, bondoso e
misericordioso amor para comigo. Por nunca me abandonares mesmo sendo cruelmente tão
pecadora.
E a minha mãezinha pela sua enorme insistência em nunca me abandonar e nunca
desistir de mim, por ser minha amiga primeira, minha confidente fiel e meu porto seguro em
todos os momentos.
5
Agradecimentos
Agradeço primeiramente a Deus, por me dar força e amparo para que eu conseguisse
terminar este trabalho e chegar até aqui.
Em especial a minha mãe (Lucinha) que foi a minha base, para os momentos de
angustia, tristeza, saudade, raiva, dúvida, doença e também nos dias de alegria.
Aos meus irmãos e irmãs (Lucimar, Luzimar, Lucio, Luciano, Lucieldo, Luana e
Danísia) e meus cunhados e cunhadas (Aiana, Damiana, Márcia, Ivan, Zailton e Anailson).
Aos pequenos que me influenciam a querer um mundo melhor e ser exemplo, meus
amados sobrinhos e sobrinhas (Thiago, João, Vanessa, Viviane, Davi, Laura, Clara, Luiza e
Ravih).
Aos meus lindos avôs (Manoel e Manoel) que estão no céu, mas em muitos momentos
ainda sinto a presença de todos vocês aqui comigo, me servem de exemplo a ser seguido com
relação à honestidade, justiça, sabedoria, alegria, bondade e amor.
As minhas avós, minhas tias e tios, primos e primas, pelo apoio, aconselhamento,
amizade e companheirismo, por fazerem parte da minha história.
Ao meu padrinho (Chico) e as minhas madrinhas (Chica e Ritinha), por serem meus
exemplos e por todo o apoio que me deram em toda a vida.
A minha incrível psicóloga Tatiane, por me ajudar em várias áreas da minha vida e
nesse momento principalmente a encontrar a determinação para conclusão desse trabalho.
Aos meus colegas de apartamento (Jailma e Tião) também aos amigos e vizinhos de
condomínio (Geane, Val, Ivomberg, Aldair, Gustavo, Ivens e Renan)
A minha incrível orientadora (Ligia) por ter aceitado me orientar e pela ilimitada
paciência que teve comigo, por não me abandonar no meio do caminho, por todos os
ensinamentos que me proporcionou durante esse tempo, sejam esses científicos ou para a
vida, por ser tão sensível e compreensiva todo esse tempo.
Aos meus queridíssimos professores desde a primeira lá no pré-escolar até a da última
disciplina do Mestrado que em algum momento contribuíram para minha formação que antes
de ser profissional, me formaram cidadã com princípios e valores construídos ao longo de
toda a minha vida escolar e acadêmica.
A minha amiga irmã e comadre que trago da Graduação para a vida (Karol) que
sempre foi minha companheira, conselheira e confidente e ao seu esposo compadre Gustavo,
que também se tornou um amigo.
6
Aos amigos e amigas que fiz durante a Graduação e estão comigo até hoje (Amanda,
Silvana, Rose, Sammara, Manu, Meiry, Begna, Aninha, Joyce, Keliane, Jardel e Expedito) por
me fazerem rir para esquecer os problemas, várias vezes para desabafar e para pular de alegria
com as vitórias.
Aos meus dois melhores amigos feitos em Maceió (Vevel e Jessyka) companheiros
das pistas de corrida que levarei para toda vida.
Aos demais amigos adquiridos em Alagoas (Patrícia, Wallakys, Vitória, Marcio,
Victor, Andrea, Andressa, Leo, Jhu, Gleyca, Dailson, Renato, Ivanido, Lekson, Joelma,
pescoço, Jean, Zú, Marilia, Feipe, May, Saymon, Henrique, Erivânia, Hector, Caio, Luan,
Wesley, felipe, Herácliton, Mirandir, Michel, Luiz, Ana, Sue, Derick, Delck, Júnior, Lucas,
Alex, Fábio, Hugo e Paulo)
Agradeço em especial ao Programa de Pós-Graduação em Proteção de Plantas, tanto
os professores como também os colegas alunos, por me acolher e me proporcionar tantas
vivencias incríveis nessa caminhada e a CAPES pelo provimento financeiro.
A Universidade Federal de Alagoas por me acolher. Em especial a este Campus por
me proporcionar inúmeras vivencias que serviram para o meu amadurecimento pessoal e
profissional.
Ao estado de Alagoas por me acolher como filha aqui por esses dois anos que por aqui
estive.
E em meio a algumas lágrimas finalizo este momento dizendo: A todos o meu muito
obrigado.
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Epigrafe
“Vá para onde Você queira ir. Seja o que você quiser ser, porque você possui apenas uma vida e
nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos. Tenha felicidade bastante para fazê-la
doce. Dificuldades para fazê-la forte. E esperança suficiente para fazê-la feliz”.
Clarice Lispector
8
RESUMO
Manejos mais eficientes das plantas daninhas podem ser alcançados com o conhecimento de
sua modificação no tempo. A população de plantas daninhas é modificada de acordo com o
manejo realizado, uma vez que o uso de plantas de cobertura e o manejo do solo modifica a
dinâmica dessas plantas. O presente trabalho teve como objetivo avaliar os seguintes métodos
alternativos de manejo de solo: diferentes métodos de solarização associados e não associados
a diferentes coberturas vegetais mortas, visando o controle de plantas daninhas na cultura do
feijão-caupi. Os métodos utilizados foram: solarização com plástico preto de 50µc, com
coletor solar e com plástico transparente de 100µc, foram testadas as seguintes coberturas
vegetais: mamona, crotalaria e vegetação espontânea. O delineamento experimental foi
inteiramente casualizados, com quatro repetições. Cada experimento realizado contou com 8
tratamentos (solarização + mamona (T1); solarização + crotalaria (T2); solarização +
vegetação espontânea (T3); solarização (T4); mamona (T5); crotalaria (T6); vegetação
espontânea (T7); testemunha (T8)) com 4 repetições, que totalizaram 32 parcelas por
experimento. A pesquisa foi dividida em três épocas do ano. Utilizado a quantidade de
sementes indicada para o cultivo em monocultura/ha-1 de cada espécie. Foi realizada análise
fitossociológica das plantas daninhas. Avaliou-se, ainda dados fisiológicos do feijoeiro como:
massa fresca e seca de parte aérea e raiz, número de folhas por planta (NFP), número de
vagens por planta (NVP), tamanho médio das vagens (TMV), número médio de grãos por
vagem (NG/V), altura de plantas (ALP), peso de 100 sementes (PCS), grau de umidade das
sementes (GUS) e peso seco de raízes (PSR). A produção de massa seca das plantas daninhas
nos tratamentos com aplicação de solarização e coberturas vegetais foi inferior ao tratamento
testemunha. A tiririca apresentou maior índice de valor de importância relativa em todos os
tratamentos. Nesse sentido, as plantas de cobertura proporcionaram redução na massa seca
das plantas daninhas em todas as épocas avaliadas. A mamona e crotalaria associadas a
solarização foram eficientes na redução de massa seca e do número de plantas daninhas nas
épocas avaliadas. A cobertura de vegetação espontânea não associada a solarização
apresentou similaridade com a testemunha na maioria das características avaliadas. Com a
pesquisa concluiu-se além da eficiência no controle das populações infestantes o aumento da
produtividade na cultura devido a menor densidade de espécies daninhas convivendo com a
cultura.
Palavras-chave: Controle físico; espécies infestantes; solarização e cobertura vegetal.
9
ABSTRACT
More efficient management can be achieved with the knowledge of its modification in time. The
weed population was modified according to the management carried out, since the useof cover
crops and soil management modifies the dynamics of these plants. This work had as objective to
evaluate te following alternative methods of soil management: different solarization methods
associated with and not associated with and not associated with diferent dead plant cover, aiming
at the control of wedds in cowpea. The methods used where: solarização with black plastic 50
µc, with solar collector and with 100 µc clear plastic, the following dead coverages were tested:
mamona, crotalaria and spontaneous vegetation. The experimental design was completely
randomized, with four replicates: solarization + castor (T1), solarization + crotalaria (T2),
solarization + spontaneous vegetation (T3), solarization (T4), castor (T5), crotalaria (T6),
spontaneous vegetation (T7) and witness (T8). with 4 replicates, which totaled 32 plots per
experiment. The number of seeds indicated for monocultural-1 cultivation of each species was
used. Phytosociological analyses of weeds was performed. It was also evaluated the
physiological data of the common bean as: fresh and dry mass of shoot and root, number of
leaves per plant (NFP), number of of pods per plant (NVP), average number of pods (TMV),
mean number of grains per pod (NS/V), number of plants (ALP), weight of seeds (PCS), seed
moisture content (GUS) and dry weight of treatments with solarization and vegetation cover
treatments was lower than the. The highest value index of importance was presented in all
treatments. In sense, the cover plants provided a reduction in the dry mass of weeds at all times
evaluated. Crotalaria associated to solarization were efficient in reduction of dry mass and
number of weeds in the evaluated periods. The spontaneous vegetation cover not associated with
solarization presented similarity to the evaluated characteristics. With the research, it was
conclude, besides the efficiency in the control of the weeds populations, the attainment of the
productivity in the culture due to the lower density of opportunistic species living with the crop.
Key words: Physical control, weed species, solarization and plan cover.
10
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Solarização com diferentes métodos ................................................................ 25
Figura 2 - Temperaturas durante o desenvolvimento da pesquisa..................................... 26
Figura 3 - Cobertura morta sobre o solo em plantio de feijão-caupi ao 6° DAP...............
27
Figura 4 - Amostragem de emergência de PD com quadrado inventário.......................... 28
Densidade populacional das 5 espécies de plantas daninhas com maior
Figura 5 - índice de valor de importância durante todo o ciclo de desenvolvimento da
cultura...............................................................................................................
33
Figura 6 - Densidade populacional das 5 espécies de plantas daninhas com maior
índice de valor de importância de acordo com o tipo de solarização ..............
34
Figura 7 - A – Abundância de PD de acordo com o tipo de solarização utilizado............ 36
Efeito do manejo do solo e de coberturas vegetais sobre algumas
Figura 8 - características de crescimento. Peso seco de raiz nos três tipos de
solarização......................................................................................................... 43
11
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 –
Análise de solo..............................................................................................
Tabela 2 -
Relação das plantas daninhas presentes na área experimental identificadas
por espécie, família botânica e nome comum...............................................
Tabela 3 -
24
32
Índices fitossociológicos: F; D pl m-2; A; MS g m-2; Fr; Dr; Ar = A; MSr;
IVI; (IVI-MS)................................................................................................ 32
Tabela 4 -
Tabela 5
Massa seca total de plantas daninhas aos 80 DAS........................................ 36
Efeito do manejo do solo e de coberturas vegetais na sobre abundância de
PD aos 80 DAS. ............................................................................................. 37
Tabela 6 -
ALP= Altura de Plantas em metros; QFP= Quantidade de folhas;................ 38
Tabela 7 -
MFPA=Massa fresca de parte aérea do feijão em gramas; MSPA= Massa
seca de parte aérea do feijão em gramas.......................................................
Tabela 8 -
39
NVP= Número médio de vagens por planta; TMV=Tamanho médio das
vagens............................................................................................................. 40
Tabela 9 -
PFS= Peso fresco de 100 sementes; PSS = Peso seco de 100 sementes.......
41
Tabela 10 - Número médio de sementes por vagem; GUS=Grau de umidade de
sementes........................................................................................................
42
12
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ALP
Altura de Plantas
CECA Centro de Ciências Agrárias
CV
Coeficiente de Variação
CMV
Comprimento Médio de Vagens
DAS
Dias Após a Semeadura
DMS
Diferença Mínima Significativa
Dr
Densidade relativa
Fr
Frequência relativa
IVI
Índice de Valor de Importância
IVIr
Índice de Valor de Importância relativo
MFPA Massa Fresca de Parte Aérea
MS
Massa Seca
MSr
Massa Seca relativa
MSR
Massa Seca de Raiz
MSPA Massa Seca de Parte Aérea
NG/V
Número de Grãos por vagem
NV/P
Número de Vagens por Plantas
PD
Plantas daninhas
PFS
Peso Fresco de Sementes
PSPD
Peso Seco de Plantas Daninhas
PSS
Peso Seco de Sementes
QFP
Quantidade de Folhas por Planta
SCS
Solarização com Coletor Solar
SPP
Solarização com Plástico Preto
SPT
Solarização com Plástico Transparente
TMV
Tamanho Médio de Vagens
UFAL
Universidade Federal de Alagoas
13
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO.............................................................................................................. 14
2. REVISÃO BIBLOGRAFICA ........................................................................................ 16
2.1 Aspectos Gerais Da Cultura Do Feijão-Caupi...................................................
3.
2.2 Características Fisiológicas da Cultura..............................................................
2.3 Mecanismos de Interferência..............................................................................
2.4 Ecofisiologia de Plantas Daninhas.....................................................................
2.5 Tecnologias de Controle de Plantas Daninhas...................................................
2.5
2.6 Cobertura Morta.................................................................................................
2.6
2.7 Cobertura Morta.................................................................................................
2.4
3. MATERIAL E MÉTODOS............................................................................................
2.8
3.1 Caracterização da Área Experimental................................................................
3.3 Caracterização do Solo.......................................................................................
3.4 Delineamento Experimental e Tratamentos.......................................................
3.5 Solarização.........................................................................................................
3.6 Cobertura Morta.................................................................................................
3.7 Instalação e condução da pesquisa.....................................................................
3.8 Fitossociologia....................................................................................................
3.9 Características Agronômicas Avaliadas na Cultura do Feijão...........................
3.10 Análise Estatística............................................................................................
16
17
18
19
20
21
22
24
24
24
25
25
26
26
27
29
30
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO.................................................................................... 31
4.1 Fitossociologia.................................................................................................... 31
4.2 Características agronômicas e de produtividade da cultura do feijão................ 38
5. CONCLUSÃO............................................................................................................... 44
REFERÊNCIAS.................................................................................................................... 45
14
1. INTRODUÇÃO
A produtividade de diversas culturas inclusive a do feijão-caupi, pode ser afetada por
uma série de estresses bióticos e abióticos, que alteram seu crescimento e desenvolvimento
(SILVA et al. 2012). O uso indiscriminado, sem o devido conhecimento e em larga escala de
defensivos agrícolas sintéticos para o controle de pragas e plantas daninhas resulta em
desequilíbrios ecológicos, além disso, danos devido ao seu efeito tóxico ao ambiente e a
outros organismos vivos, incluindo os seres humanos (DAS et al., 2008). Nesse sentido a
metodologia mais eficaz para suavização desses ataques é o manejo integrado, que preconiza
o uso não específico de um só método, mas um conjunto de técnicas ao longo do ciclo dos
cultivos (FONTES et al., 20016).
Na relação de convivência entre a cultura e as plantas daninhas a influência de um
indivíduo sobre o outro exerce ação de competição que limita a disponibilidade dos recursos
ambientais como: água, luz e nutrientes (MONQUERO, 2014). Tal relação pode também ser
influenciada pela da presença de mediadores químicos ou substancias aleloquímicas com
efeitos inibitórios ou estimulatórios de uma planta sobre a outra (GATTI et al, 2010).
As plantas daninhas afetam lavouras por todo o mundo, reduzindo o rendimento e
a qualidade das culturas, atrasando ou interferindo a colheita, evitando ainda o fluxo de água
no solo, como parasitas de plantas cultivadas, etc. As plantas daninhas são comuns em todos
os lugares e causam muitos bilhões de perdas em colheitas anualmente, com um custo global
de controle das mesmas em bilhões de dólares ( KRAEHMER e BAUR, 2013 ).
As plantas de cobertura têm recebido expressiva atenção de pesquisas, pois constituem
uma alternativa para o controle de plantas daninhas, principalmente na fase inicial da cultura,
além de ainda proporcionarem aumento de matéria orgânica no solo (VERONESE et al.,
2012). Isso se deve também ao fato de a população de plantas daninhas modificar na presença
de plantas de cobertura, em que a supressão é atribuída a fatores de natureza física, química e
biológica proporcionados pela presença da palhada.
O conhecimento da população de plantas daninhas, com base no levantamento
fitossociológico de espécies infestantes, é um fator de suma importância no processo de
tomada de decisão dos métodos que serão incorporados no manejo integrado (BRAGA et al.,
2012). Assim, a realização do estudo fitossociológico é uma ferramenta importante para o
sucesso do estabelecimento do sistema produtivo em novas áreas, uma vez que a identificação
15
da flora presente no local facilita o controle das mesmas, não permitindo que estas causem
prejuízos significativos ao sistema (NAGAHAMA et al., 2014)
Estima-se que a redução no rendimento de grãos em plantas de feijão proporcionada
pela presença de plantas infestantes pode superar 25% (CIESLIK, 2012). Freitas 2009 diz
que a presença de plantas daninhas na cultura do feijão-caupi reduz a produtividade de grãos
em até 90%. As perdas no rendimento das culturas causadas pela interferência destas plantas
são variáveis com relação as condições de manejo da lavoura (PARREIRA et al., 2011).
Por outro lado, medidas alternativas associadas que apresentem menores riscos à saúde
humana e ao ambiente vêm sendo avaliadas, fato este somado à demanda crescente por
produtos alimentícios saudáveis, ambientalmente sustentáveis e livres de resíduos de
agrotóxicos (RODRIGUES et al 2015).
As praticas culturais e manejo do solo de plantas daninhas podem gerar benefícios
econômicos e maximizar os benefícios na propriedade. A solarização desenvolvida por Katan
et al, (1976) vem sendo adotada e apresentando resultados satisfatórios em diversos países,
essa técnica faz uso da energia solar para a desinfestação de propágulos no solo. A
composição de uma população de plantas daninhas pode ser modificada pela adoção de
medidas como a utilização de plantas de cobertura como manejo do solo, reduzindo
significativamente a sua emergência e desenvolvimento Vimcensi et. al (2011). A associação
em conjunto desses dois métodos de controle de plantas daninhas pode ser uma alternativa
eficaz na minimização de perdas causadas pela infestação das plantas daninhas em lavouras
de feijão caupi.
O presente trabalho teve como objetivo o control3 de plantas daninhas e avaliar os
diferentes métodos utilizados o manejo de controle físico com palhada sobre a diversidade
populacional de plantas daninhas em área de produtividade de feijão-caupi, (Vigna
unguiculata (L.) WALP).
16
2. REVISÃO BIBLIOGRAFICA
2.1 Aspectos Gerais Da Cultura Do Feijão-Caupi
O feijão-caupi é cultivado e comercializado em quase todos os continentes,
predominando na África Ocidental e Central, Sul da Ásia e Nordeste da América do Sul
(BEMVINDO 2007). A Nigéria, Níger e o Brasil são os países que possuem a maior área
cultivada de feijão-caupi do mundo, entretanto, a Croácia, República de Macedônia, Trinidad,
Tobago, Bósnia Herzegovina, Egito e Filipinas detêm os maiores índices de produtividade,
acima de 2.500 kg ha-1 (FAOSTAT, 2011)
No Brasil a introdução do feijão-caupi deve ter ocorrido na segunda metade do século
XVI, por colonizadores portugueses e espanhóis, assim como por africanos trazidos como
escravos que desembarcaram na Bahia. A partir da Bahia o feijão-caupi foi disseminado pelo
restante do país (FREIRE FILHO et al., 2005). No Brasil são cultivadas diversas espécies de
feijão, entretanto, para efeito de regulamento técnico, somente o feijão-comum, espécie
Phaseolus vulgaris (L.) e o feijão-caupi, espécie V. unguiculata (L.) Walp. São consideradas
como feijão pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA (BRASIL,
2008).
Cultura classificada como Dicotyledonea, pertencente à ordem Fabales, família
Fabaceae, subfamília Faboideae, tribo Phaseoleae, subtribo Phaseolinea, gênero Vigna e
espécie Vigna unguiculata (L.) Walp. É uma das leguminosas mais consumidas no Brasil e no
mundo, caracterizada por ser uma espécie de alto valor nutritivo, uma das mais importantes
fontes de proteína, energia, fibras e minerais, além de importante gerador de emprego e renda
(OLIVEIRA 2015). Tendo seu uso também em forma de forragem verde, feno, ensilagem,
farinha para alimentação animal, adubo verde e proteção do solo (DUTRA & TEÓFILO
2007)
Acreditava-se que seu centro de origem se localizava no continente Asiático,
entretanto, a ausência de espécies selvagens na Ásia, como possíveis genitores, gerou
questionamentos sobre a validade dessa afirmação (TIMKO; SINGH, 2008). Nesse sentido,
evidências sugerem que a espécie teria surgido no continente Africano, pois, espécies
selvagens de feijão-caupi são encontradas apenas na África e em Madagascar (TIMKO et al.,
2007).
17
Atualmente, o Brasil ocupa a terceira posição em relação à produção mundial de feijãocaupi, que é cultivado principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país (TORRES et al.,
2015). Entretanto, o seu cultivo nessas regiões ainda possui baixos índices produtivos,
diferentemente do que ocorre na região Centro-Oeste, onde desde 2006, vem constantemente
se expandindo para os cerrados, lugar em que o cultivo ocorre em grandes áreas, utilizando-se
de lavoura altamente tecnificada, decorrente do investimento de médios e grandes
empresários (ROCHA et al., 2013)
De maneira semelhante ao restante da região Nordeste, no Estado de Alagoas, a
cultura do feijão-caupi é explorada, na sua grande maioria, por pequenos produtores, em
regime de subsistência, com pouca adoção de técnicas de cultivo e utilização de semente de
baixo potencial produtivo (RODRIGUES et., al 2015).
2.2 Características Fisiológicas da Cultura
O feijão-caupi caracteriza-se pela plasticidade e pela adaptação à ampla faixa de
ambientes nas regiões tropicais e subtropicais do mundo. Diante das perspectivas de
mudanças climáticas e da necessidade geral por alimentos, é uma cultura de grande potencial
estratégico (Freire Filho et al., 2011). Desta forma, no Brasil, especialmente nas regiões Norte
e Nordeste, esta leguminosa representa uma das principais alternativas socioeconômicas para
as populações rurais (FIGUEIRAS et al., 2009), sendo importante gerador de emprego e
renda, visto que essas regiões são caracterizadas por condições de estresse hídrico, térmico e
salino (FREIRE FILHO et al., 2005).
O feijão-caupi se adapta bem a todos os tipos de solos, tendo preferência por latossolos
amarelos, latossolos vermelho-amarelos, argissolos vermelho-amarelos e neossolos flúvicos,
alcançando bons rendimentos em solos com pH em torno de 6,0, devendo ser estes profundos
e apresentar elevados teores de matéria orgânica. Desenvolve-se em ampla faixa geográfica,
deste a latitude 40° N até 30° S, adaptando-se a terras altas e baixas (FREIRE FILHO et al.,
2005). A temperatura adequada para o desenvolvimento da cultura situa-se entre 18 °C e 34
°C. Sofre grande influência de temperaturas elevadas principalmente durante o período de
floração, podendo ter o crescimento paralisado em períodos de baixas temperaturas
(VALADARES et al., 2010).
18
É uma das leguminosas mais adaptadas, versáteis e nutritivas entre as espécies
cultivadas, é bastante cultivada nos trópicos semiáridos da África, América do Sul, América
Central, Ásia, Oceania, e Sudeste da Europa (BENVINDO, 2007). Os grãos de feijão-caupi
estão entre as principais fontes de proteína e energia para o homem, com cerca de 25% de
proteínas e 63% de carboidratos nos grãos (TORRES, 2015).
2.3 Mecanismos de Interferência
De acordo com Barros et al. (2012), o feijoeiro é uma planta sensível a estresses pelo
fato de apresentar um sistema radicular relativamente curto. Por ser uma planta com
metabolismo C3, caracteriza-se pela capacidade fotossintética limitada e baixa eficiência no
aproveitamento de água (FANCELLI, 2015). Devido à alta capacidade adaptativa das plantas
invasoras a interferência dessas espécies na lavoura pode causar significativas perdas de
produtividade, especialmente em culturas com menor capacidade de competição por recursos
com as espécies invasoras (CONCENÇO et al 2013).
Dentre os vários fatores que influenciam o crescimento, o desenvolvimento e a
produtividade do feijão caupi, pode-se citar a interferência por competição entre plantas
daninhas e a cultura, que competem por recursos essenciais ao seu crescimento e
desenvolvimento como: luz, nutrientes e água, além de aumentar os custos operacionais de
colheita, secagem e beneficiamento dos grãos (FREITAS et al., 2009) Uma planta só passa a
competir com outra quando existe uma sobreposição de nichos de forma que elas necessitem
do mesmo recursos para o seu desenvolvimento e os recursos não estão disponíveis na
quantidade suficientemente capazes de suprir as necessidades de ambas (LEONARDECZ
NETO et al., 2003).
A agressividade da competição pode ser atribuída às diferentes condições de
fertilidade e umidade do solo, época de cultivo, espécie de planta daninha presente na lavoura,
cultivar, arranjo e população de plantas (CORRÊA et a. 2015). Dentre os mecanismos
desenvolvidos que favorecem o aumento da agressividade da competição das plantas daninhas
pode-se citar a produção de um alto número de sementes com ampla facilidade de dispersão,
diferente potencial germinativo e de dormência, (SILVA et a., 2002) além de potencial
propagativo por meio de tubérculos e rizomas que resistem no solo por longos períodos
(LORENZI, 2008).
19
O efeito negativo resultante dessa competição entre a cultura e as plantas daninhas
geralmente é a redução na produção da planta cultivada, que pode ser definido como a
redução percentual na produção econômica de determinada cultura, provocada pela
interferência da comunidade infestante (KOSLOWSKI, 2002).
2.4 Ecofisiologia de Plantas Daninhas
Plantas daninhas são quaisquer de plantas superiores que venham a causar interferência
ao interesse do homem no meio ambiente causando prejuízo (PITELLI 2015). As plantas
daninhas representam um dos principais fatores bióticos recorrentes nos sistemas agrícolas e
têm a capacidade de interferir no desenvolvimento e na produtividade das culturas (KUVA et
al., 2003).PB
Quanto ao desenvolvimento das plantas daninhas, sabe-se que existem altercações
específicas dos propágulos que promovem a desuniformidade temporal no processo de
germinação, isso decorre principalmente, da coexistência de inúmeros mecanismos de
dormência em cada propágulo e da distribuição diferencial destes no perfil do solo (PITELLI
& PITELLI, 2004).
As sementes das plantas daninhas dispersas em solos agrícolas têm sua germinação e
dormência regidas por diversos fatores intrínsecos das espécies e, também, por características
do meio, como: disponibilidade de água, luz, temperatura e profundidade de semeadura
(CARMONA, 1992). Várias características da planta cultivada relacionam-se diretamente
com sua capacidade de competitividade em relação às plantas daninhas, dentre as quais
podem-se citar: matéria seca da parte aérea, estatura, tamanho das folhas, índice de área foliar
e cobertura do solo (BIANCHI et al., 2010). Essa diversidade de características permite
realizar seleção para se obter cultivares mais competitivas com plantas daninhas (PLACE et
al., 2010).
20
2.5
Tecnologias de Controle de Plantas Daninhas
O uso intensivo de dessecantes agrícolas no manejo para finalidades do plantio direto,
propiciou a seleção de biótipos resistentes de diversas espécies de plantas daninhas, como já
foi relatado o caso de Conyza ssp. (VARGAS et al., 2005) Lolium multiflorum (FERREIRA et
a., 2006) Digitaria insularis (CARVALHO et al., 2011). A melhor alternativa para minimizar
os impactos causados pelo uso desenfreado desses compostos consiste na utilização do
manejo integrado de plantas daninhas (MIPD), prática essa que consiste na aplicação conjunta
de vários métodos de controle, minimizando assim a presão de seleção causada pelos
herbicidas (NUNES et al., 2010).
O Manejo integrado das plantas daninhas que consiste em suprimir o crescimento e/ou
reduzir a quantidade de indivíduos por área até que estejam em níveis que não causem danos
econômicos a cultura (VARGAS, 2008)
Os possíveis mecanismos de controle de plantas daninhas por solarização são: matança
térmica de sementes, matança térmica de sementes induzidas a germinar, quebrando a
dormência da semente e consequentemente matando a semente germinadora (ZIMDAHL,
2013). Durante a solarização, a temperatura do solo é aumentada em 8 a 20 oC (Rao, 2000), O
efeito da solarização é maior na camada de 5 a 10 cm da superfície do que nas camadas
inferiores. Isso explica a eficácia da solarização na germinação de sementes de plantas
daninhas e no crescimento de plântulas Patri et al . (2006).
De acordo com Oliveira et al. 2014, o efeito inibitório da cobertura orgânica sobre
plantas daninhas pode ser devido tanto ao efeito físico (a passagem reduzida de radiação solar
e à temperatura na camada superficial do solo) como a supressão de emergência e os possíveis
efeitos químicos decorrentes de aleloquímicos liberados pela cobertura que pode ter
contribuído para a redução de emergência. Além disso, a interação alelopática e os efeitos
químicos / biológicos do mulching incluem mudanças no pH e na dinâmica dos nutrientes no
solo.
21
2.6 COBERTURAS VEGETAIS E DINÂMICA POPULACIONAL DE PLANTAS
DANINHAS
A composição de uma população de plantas daninhas pode ser modificada pela adoção
de medidas como a utilização de plantas de cobertura como manejo do solo, reduzindo
significativamente a sua emergência e desenvolvimento Vimcensi et. al (2011). A cobertura
morta pode interferir a germinação e a taxa de sobrevivência das plântulas de algumas
espécies de plantas daninhas, atuando na redução da germinação de sementes fotoblásticas
positivas, as quais requerem incidência de luz solar para germinar, e a reduzindo também a
germinação de sementes que necessitam de grande amplitude térmica para iniciar o processo
germinativo (GUIMARÃES et al., 2002).
O uso da cobertura vegetal também pode afetar biologicamente o desenvolvimento das
plantas daninhas com a deposição de resíduos orgânicos sobre o solo e o consequente
aumento do teor de matéria orgânica, associado a uma menor vulnerabilidade dos
microrganismos nesse ecossistema, proporcionam condições para a instalação de uma densa e
diversificada microbiocenose na camada superficial do solo, com organismos que utilizam
sementes e plântulas de plantas daninhas como fontes de energia. (PITELLI & DURIGAN,
2001). A cobertura morta cria também um abrigo seguro para alguns inimigos naturais, como
roedores, insetos e outros pequenos animais que são predadores de sementes e plântulas das
espécies de plantas daninhas (MONQUERO et. al 2009).
Fiametti et al. (2010), avaliando a produtividade de morangueiro sob diferentes
coberturas de solo no Paraná, observaram que maravalha e o feno proporcionaram as mesmas
produtividades que a cobertura com polietileno preto. Contudo, outro ponto importante a ser
observado é a eficiência destas coberturas, não apenas em aspectos de produtividade, mas sim
considerando a efetividade no controle de plantas daninhas, uma vez que, embora com
produtividades semelhantes, algumas coberturas podem demandar necessidade de capina dos
canteiros, por exemplo. Em estudo realizado em Santa Catarina, Silva & Mueller (2010)
avaliando a infestação de plantas daninhas e produtividade de tomate não se observou
diferenças na produtividade, no entanto para ocorrência de plantas daninhas houve diferenças
significativas entre os tratamentos avaliados.
22
A absorção da energia solar depende da intensidade da radiação e da absortividade e
refletividade do solo, que tem relação com a presença ou ausência da biomassa em sua
superfície (CARNEIRO et al., 2014). O aquecimento do solo pode reduzir a umidade do solo,
que afeta a respiração dos microrganismos e o crescimento de raízes (BAO et al., 2016) O uso
de mulching no solo aumentou o rendimento de grãos em 17%, o armazenamento de água do
solo (até 41%) aumentou a eficiência de uso de água de grãos em 14% e reduziu a perda de
água de 0 a 30 cm de profundidade do solo segundo Unger et al., 2010.
2.7 Solarização
A pratica de tratamento do solo por meio da solarização desenvolvida por Katan et al,
(1976) vem sendo adotada e apresentando resultados satisfatórios em diversos países, essa
técnica faz uso da energia solar para a desinfestação de propágulos de plantas daninhas no
solo. A solarização envolve o uso de folhas de polietileno transparentes para absorver o calor
da radiação solar para aumentar a temperatura do solo em níveis que são letais para as
sementes de ervas daninhas e mudas (ABOUZIENA et. al 2016). Com o aquecimento das
camadas do solo, o material propagativo das espécies daninhas é danificado, reduzindo sua
infestação (FRAGOSO et. al 2016). O Brasil tem grande potencial para a utilização da técnica
de solarização, com as altas temperaturas e elevada incidência solar principalmente no
período de estiagem (REIS et. al 2017).
Além da redução na emergência de plantas daninhas, já foi testado por Rocha e
Carneiro 2016 os efeitos da solarização associada à incorporação de material orgânico com o
objetivo de avaliar sua eficiência no controle de dois patógenos fúngicos: Sclerotium rolfsii e
Sclerotinia sclerotiorum, ambos causadores de podridões de raízes e colo em uma vasta gama
de espécies vegetais de interesse econômico.
(HAIDAR & SIDAHMED 2000) constataram que a solarização por 2, 4 e 6 semanas
com esterco de frango resultou em aumento no peso médio das plantas de repolho em 55, 70 e
75%, respectivamente, em comparação com o controle apenas com estrume de frango.
Segundo Candidoa et al. (2011) o rendimento comercializável médio da alface sempre foi
encontrado significativamente maior quando cultivado em solo solarizado do que no controle
não tratado, tanto na estufa como no campo. Schreiner et al. (2001) relataram que a
23
solarização do solo é um método promissor para reduzir as populações de pragas e ervas
daninhas causadas pelo solo sem usar pesticidas.
A eficácia do controle de plantas daninhas é dependente de solo úmido, temperaturas de
ar suficientemente altas e radiação solar e um período de exposição adequado. O solo húmido
é essencial para a condutividade térmica e para manter as sementes em um estado embebido
mais suscetível. Os efeitos da solarização no surgimento de ervas daninhas foram evidentes
por um curto período de tempo após a remoção do plástico. Durante os primeiros dois meses
após a remoção, o número de anuais emergentes foi inferior a 15% de uma parcela não tratada
(ABOUZIENA et. al 2016).
24
3. MATERIAL E MÉTODOS
3.2
Caracterização da Área Experimental
Os experimentos foram instalados em ambiente protegido na unidade experimental do
CECA (Centro de Ciências Agrárias) da UFAL (Universidade Federal de Alagoas) no
município de Rio Largo-AL (09° 28’ S, 35° 49’ W e 127 m de altitude) cujo clima é quente
úmido. A cultura foi instalada em vasos contendo 8kg de solo,
3.3
Caracterização do Solo
Antes da instalação dos experimentos, foram coletadas amostras de solo, na
profundidade de 0-0,20 m e submetidas a análises químicas. O solo da área experimental foi
classificado como Latossolo Amarelo coeso – LAx, textura francoargilo-arenosa, cujas
características químicas e granulométricas são apresentadas na Tabela 1.
Tabela 1. Caracterização química e granulométrica do solo (0-20 cm de profundidade) da área
experimental antes da instalação do experimento*. Rio Largo, AL, 2016.
pH
M.O.
P
3
g/dm Mg/dm3
4,5
26
27
Características químicas*
H+Al
K
Ca
Mg
3
Mmolc/dm
41
8,8
16
11
Características Granulométricas*
Areia total (g/kg)
Argila (g/kg)
602
352
* Análises realizadas no Laboratório de Solos da UNESP-Botucatu
SB CTC Na
36
77
Silte (g/kg)
46
V
%
0,3 47
25
3.4
Delineamento Experimental e Tratamentos.
A pesquisa foi constituída por três etapas em diferentes períodos do ano, sendo elas:
de outubro a dezembro de 2016; janeiro a abril de 2017; abril a julho de 2017. Em cada uma
dessas etapas testou-se um método para solarização, associadas e não associadas a três tipos
de cobertura morta.
O delineamento experimental foi inteiramente casualizados, com quatro repetições.
Cada experimento realizado contou com 8 tratamentos (solarização + mamona (T1);
solarização + crotalaria (T2); solarização + vegetação espontânea (T3); solarização (T4);
mamona (T5); crotalaria (T6); vegetação espontânea (T7); testemunha (T8)) com 4 repetições,
que totalizaram 32 parcelas por experimento.
3.5
Solarização
A solarização foi feita com plástico preto (50µc) onde o solo foi peneirado, irrigado
até a capacidade de campo, aplanado e totalmente envolvido pelo plástico, numa camada de
~10cm de altura (Figura 1A) durante 30 dias. Esse método além do aquecimento do solo a
uma temperatura de 37 a 45 ºC, impede a penetração dos raios solares no solo o que inibindo
o desenvolvimento dos propágulos de plantas daninhas (PD). No segundo experimento a
solarização foi feita em um coletor solar que consiste em um conjunto de canos de PVC
pretos dispostos horizontalmente sobre um suporte de madeira, esse processo aquece o solo a
uma temperatura de 60 a 67º C. O solo depois de peneirado e irrigado foi colocado dentro dos
canos (Figura 1-B), para o processo de aquecimento durante 15 dias
O terceiro experimento a solarização foi feita com plástico transparente (100µc)
exposto ao sol durante 20 dias (Figura 1-C), nessa etapa o solo passou pelos mesmos
tratamentos prévios, a temperatura obtida com essa metodologia foi entre 40 e 50º C, as
temperaturas foram coletadas no período da tarde entre as 13:00 e 15:000 horas.
26
A
B
C
Figura 1. Solarização com diferentes métodos: A - com plástico preto de 50micrometros; B –
u
u de 100micrometros.
com coletor solar; C – com plástico transparente
m
m
a
Os dados referentes à temperatura média
(ºC) durante a condução doa experimento
estão na Figura 2.
c
i
t
a
ç
ã
o
c
i
t
a
ç
ã
o
d
o
d
o
d
d
o
o
c
c
u
u
m
m
e
e
n
n
t
Figura 2- Dados referentes a temperatura média
a julho de
t (⁰C) no período de junho de 2016
o
2017, período de condução do experimento. Dados
cedidos pelo laboratório ode irrigação e
agrometeorologia coletados na estação meteorológica do CECA-UFAL.
3.6 Coberturas Vegetais
o
u
o
u
o
o
r
r
e
e
Foram testados três tipos coberturas svegetais sobre o solo, foram selas: Mamona
u todas foram
u
(Ricinus communis), Crotalaria (Crotalaria ochroleuca)
e Vegetação Espontânea,
m
m
testadas associadas e não associadas com a solarização
em
cada
um
dos
experimentos.
Quanto
o
o
obtenção das coberturas vegetais, tanto a Crotalaria quanto a Mamona, foram previamente
d
d
cultivadas na área experimental do CECA, a Vegetação
Espontânea também foi
e coletada de
e
áreas próximas. Depois de coletado esse material (folhas e galhos), foi uprocessado e
u
m em um vaso
incorporados ao solo de forma que cobrisse toda
m a superfície do solo que estava
a
a
q
u
e
s
q
u
e
s
com diâmetro de 30cm (imagem 2) para isso foi necessária 100g de cada material por vaso, as
27
coberturas foram adicionadas ao 6º dia após o plantio, momento esse onde as plantas já
haviam emitido o seu primeiro par de folhas (imagem 2).
Figura 3. Cobertura vegetal sobre o solo em plantio de feijão-caupi ao 6° DAS.
3.7
Instalação e condução da pesquisa
As sementes de feijão-caupi utilizadas foram cedidas por produtores rurais do interior
do estado, essas foram submetidas a um procedimento de desinfestação emergidas em solução
de hipoclorito de sódio + água a uma concentração de 10% antes da semeadura.
Anteriormente a montagem do experimento as sementes foram submetidas a um teste de
germinação para testar a viabilidade das mesmas.
O solo utilizado foi proveniente da área experimental do CECA, que antes de ser
implantado o experimento foi peneirado, irrigado, adubado, corrigido, parte dele solarizado e
colocado em baldes.
28
A semeadura do primeiro experimento aconteceu no dia 17 de outubro de 2016, a
semeadura foi realizada em vasos drenados com 25 cm de diâmetro por 27 cm de altura,
contendo 8kg de solo, foram semeadas três sementes em cada vaso a uma profundidade de
aproximadamente 3-4 centímetros. No 6º dia após a semeadura (DAS) foi realizado um
desbaste, deixando apenas uma planta por vaso e em seguida adicionado a cobertura, a
irrigação foi feita a cada 48 horas adicionando se a quantidade de 1000ml no início da fase
vegetativa da cultura, até que atingisse o estágio fenológico V3, após isso a quantidade de
água adicionada passou a ser de 1500ml até que a planta chegasse ao estágio reprodutivo onde
necessita de uma maior quantidade de água para realização dos processos metabólicos, então
a irrigação foi aumentada para 2000ml de água por vaso em cada aplicação. O segundo
experimento foi semeado no dia 25 de janeiro de 2017, seguindo a mesma metodologia do
primeiro experimento. A semeadura do terceiro experimento aconteceu no dia 19 de maio de
2017, também respeitando os mesmos procedimentos metodológicos.
A cada 15 dias era feito uma amostragem das plantas daninhas que emergiram durante
o cultivo, a amostragem foi feita por meio de coleta do material foi obtida pelo método de
quadrado inventário (BRAUN-BLANQUET, 1979), medindo 5x5cm (imagem 3) jogado ao
acaso dentro da parcela, as amostras foram levadas para identificação no setor de irrigação e
drenagem do CECA através dos seguintes manuais de identificação de plantas daninhas:
Manual de identificação de plantas daninhas da cultura da soja de Gazziero, D. L. P. et al.
2015; Manual de Identificação e Manejo de Plantas Daninhas em Cultivos de Cana-de-açúcar
de Brighenti (2010). Os dados foram organizados em planilhas para posterior avaliação.
Figura 4. Amostragem de emergência de plantas daninhas com quadrado inventário.
29
Aos 80 dias após a semeadura foram identificadas todas as espécies presentes nos
vasos e com base nos dados obtidos, determinou-se os seguintes índices: Frequência;
Densidade; Abundância; Frequência relativa, Densidade relativa e Abundância relativa; índice
de valor de importância (IVI), e o índice de valor de importância incluindo a massa seca (IVIMS)
Para o cálculo das variáveis foram utilizadas as seguintes fórmulas:
Frequência (F) = (Nº de parcelas que contém a espécie / Nº total de parcelas
utilizadas);
Densidade (D) = Nº total de indivíduos por espécie / Área total coletada;
Abundância (A) = Nº total de indivíduos por espécie / Nº total de parcelas contendo a
espécie;
Massa seca (MS) = Massa seca total de indivíduos por espécie / Área total coletada;
Frequência relativa (Fr) = Frequência da espécie x 100 / Frequência total de todas as
espécies;
Densidade relativa (Dr) = Densidade da espécie x 100 / Densidade total de todas as
espécies;
Abundância relativa (Ar) = Abundância da espécie x 100 / Abundância total de todas
as espécies;
Massa Seca relativa (MSr) = massa seca da espécie x 100 / Massa seca total de todas
as espécies;
Índice de Valor de Importância (IVI) = (Fr + Dr + Ar)/3;
Índice de Valor de Importância incluindo a Massa Seca (IVI-MS) = (Fr + Dr + Ar +
MSr)/4.
Para obtenção dos dados foi avaliada a massa fresca através do método de pesagem em
uma balança eletrônica de precisão, em seguida o material foi levado a uma estufa a 65º C.
durante 48 horas acondicionados em sacos de papel fechados, ao serem retirados da estufa
foram imediatamente pesados na mesma balança para se determinar massa seca, foi avaliado
ainda o número de espécies e a densidade total de plantas daninhas por vaso.
30
3.8
Características agronômicas avaliadas na cultura do feijão
Aos 80 DAS foram avaliados dados fisiológicos do feijoeiro como: massa fresca e
seca de parte aérea e raiz (MFPA, MSPA, MFR e MSR) utilizando o mesmo método seguido
para avaliar os mesmos parâmetros que foram realizados para avaliar massa fresca e seca das
plantas daninhas. Foram ainda avaliados: número de folhas por planta (NFP), número de
vagens por planta (NVP), tamanho médio das vagens (TMV), número médio de grãos por
vagem (NG/V), altura de plantas (ALP), peso de 100 sementes (PCS) e grau de umidade das
sementes (GUS) esse dado foi obtido através da subtração do peso seco das sementes sobre o
peso fresco.
3.9
Análise Estatística
Os dados obtidos foram relacionados: dados fisiológicos e de produção com a
incidência das plantas daninhas em cada tratamento e ainda foram comparados os dados dos
três experimentos para se conhecer a relação das variações entre os tipos de solarização. Os
dados foram submetidos à análise de variância pelo teste F a 1 e 5% de probabilidade e as
médias das variáveis foram comparadas pelo teste de Tukey, com o auxílio computacional do
programa de análise estatística ASISTAT.
31
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1
Fitossociologia
Aos 80 DAS foram identificadas e contabilizadas todas as plantas daninhas emergidas
na área, essas contabilizaram 533 plantas, identificadas em 14 espécies de plantas daninhas
pertencentes a 7 famílias botânicas (Amaranthaceae, Asteraceae, Cyperaceae, Euphorbiaceae,
Lamiaceae, Malvaceae e Poaceae)
As famílias que apresentaram maior densidade populacional foram: Cyperaceae com
154, Poaceae com 126 e Amaranthaceae com 117 indivíduos, porém as famílias que
apresentaram maior diversidade de espécies foram: Asteraceae com 4 espécies, seguida pela
Poaceae que teve representantes de 3 espécies distintas. As espécies que apresentaram maior
densidades foram Brachiaria decumbens, Cyperus rotundus e Amaranthus deflexus. Essas
estão identificadas por espécie, família botânica e nome comum na (Tabela 2).
Tabela 2. Relação das plantas daninhas presentes na área experimental, identificadas por
espécie, família botânica e nome comum. Rio Largo, AL, 2016/2017.
Família
Amaranthaceae
Asteraceae
Cyperaceae
Euphorbiaceae
Lamiaceae
Malvaceae
Poaceae
Nome cientifico
Amaranthus deflexus
Amaranthus spinosus
Bidens spp
Conyza spp
Galinsoga parviflora
Tridax procumbens
Cyperus rotundus
Chamaesyce hirta
Leonotis nepetifolia
Sida rhombifolia
Brachiaria decumbens
Brachiaria brizantha
Digitaria horizontalis
Fonte: Dados obtidos através da pesquisa
Espécies
Nome comum
Caruru-rasteiro
Caruru-de-espinho
Picão-preto
Buva
Picão-branco
Erva-de-touro
Tiririca
Erva-de-santa-luzia
Cordão-de-frade
Guaxuma ou Vassourinha
Capim-braquiária
Brizantão
Capim-colchão
32
A família das Amarantáceas quando somadas tem um índice de valor de importância
que corresponde a 24,1% representando com isso a família de maior importância dentre as
famílias encontradas. A família Poaceae com representantes de três espécies tem o índice de
valor de importância correspondente a 21,75%, com isso ocupa o status de segunda família
com maior importância dentre as encontradas na pesquisa (Tabela 3).
A família Cyperaceae apresentou apenas uma espécie a Cyperus rotundus L., porém
foi a erva espontânea registrada com maior frequência relativa (Fr) com 20,83%, densidade
relativa (Dr) de 28,96%, abundância (A) 2,91, abundância relativa (Ar) 13,54% e Índice de
importância relativa (IVIr) de 20,70.
Tabela 3. Índices fitossociológicos: F= frequência; D pl m-2= densidade; A = abundancia; MS
g m-2= Massa seca total de indivíduos por área coletada; Fr = frequência relativa; Dr =
Densidade relativa; Ar = Abundancia relativa; MSr = Massa seca relativa; IVI = Índice de
valor de importância (IVI) = (Fr + Dr + Ar)/3; Índice de Valor de Importância incluindo a
Massa Seca (IVI-MS) = (Fr + Dr + Ar + MSr)/4. Rio Largo, AL, 2016/2017.
Espécie
A. deflexus
A. spinosus
A. tenella
B. brizantha
B. decubens
Bidens spp.
C. hirta
C. rotundus
Conyza spp.
D. sanguinalis
G. parviflora
L. nepetifolia
S .rhombifolia
T. procumbens
Total
F
0,54
0,15
0,03
0,05
0,57
0,05
0,07
0,55
0,21
0,05
0,08
0,04
0,18
0,07
2,64
D
pl
m-2
2,72
0,53
0,11
0,16
3,19
0,19
0,19
4,28
1,33
0,14
0,31
0,19
1,25
0,19
14,7
8
MS
g m2
Fr
(%)
Dr
(%)
Ar
(%)
MSr
(%)
IVI
(%)
1,8
1,3
8
1,3
6
1,2
3
2,0
0
1,4
9
1,0
0
2,9
0
2,4
1
0,0
0
1,4
5
1,7
0
2,6
5
0,0
5
21,
7
3,44
0,76
0,11
0,21
2,46
0,25
0,23
2,45
0,85
0,15
0,33
0,18
1,00
0,15
12,5
20,46
5,68
1,14
1,89
21,59
1,89
2,65
20,83
7,96
1,89
3,03
1,52
6,82
2,65
100
18,3
3,48
0
0,74
1,08
21,5
1,28
8
1,28
28,9
8,90
6
0,84
2,90
1,28
8,45
1,29
100
8,75
6,33
6,18
5,58
9,73
6,52
4,65
13,5
11,1
4
0,23
7
6,52
8,14
12,3
0,33
3
100
27,3
6,05
6
0,88
1,67
19,5
1,98
7
1,83
19,5
6,76
0
1,19
2,63
1,43
7,96
1,19
100
15,84
5,16
2,68
2,85
17,63
2,61
2,86
21,11
9,34
1,00
4,15
3,65
9,20
1,42
100
49
7
A
IVIMS
(%)
18,72
5,38
2,24
2,56
18,15
2,92
2,60
20,70
8,70
1,04
3,77
3,09
8,90
1,37
100
As espécies com maior índice de valor de importância foram: C. rotundus, B.
decubens, A. deflexus e Conyza spp. (Tabela 3).
33
Lima et. al 2012 Avaliando a comunidade de plantas espontâneas na bananicultura
constatou elevados índices fitossociológicos da tiririca (C. rotundus L.) como a densidade
relativa, evidencia a baixa cobertura vegetal da área, nestas condições a espécie se multiplica
facilmente, corroborando com os dados encontrados no trabalho de (RODRIGUES et al.
2017) da fitossociologia de plantas espontâneas sob cultivo agroecológico na bananeira no
Sertão paraibano, onde a espécie a tiririca apresentou uma densidade relativa de 38,70%
representando com isso a espécie mais abundante dentre as encontradas na pesquisa.
A tiririca foi a que planta teve maior importante na área, ao final das avaliações,
alcançando 21% de IVI (Tabela 3). O capim braquiária foi o segundo mais importante
atingindo IVI de 17,63%. Duarte Júnior et al. (2009) também constataram maior IR% de
tiririca em relação à comunidade infestante no plantio direto de cana-de-açúcar em palhada de
Mucuna aterrima. Por se tratar de uma espécie perene, pela ampla adaptabilidade a muitos
ambientes agrícolas e pela capacidade de se reproduzir sexuada e assexuadamente, a tiririca
encontra-se entre as 20 espécies daninhas que mais causam prejuízos no mundo (PANOZZO
et al., 2009).
Segundo Forte (2017) os manejos no sistema de plantio direto interferiram
significativamente na fitossociologia de plantas daninhas infestantes da cultura do feijão, em
seu experimento as PD de maior destaque foram: Capim colchão foi a espécie que apresentou
maior destaque (> IVIr), seguida de Picão-preto e Erva-de-santa-luzia, essas espécies em
nossa não atingiram níveis significativos de valor de importância não chegando a 7% de IVIr
quando somadas.
Nas amostragens realizadas quinzenalmente observou-se que houve um decréscimo
em torno de 19% na densidade total de PD aos 45 DAS, que foi de 82 no DAS para 66 aos 45
DAS, o que pode ter ocorrido devido ao ciclo curto de algumas espécies de plantas daninhas.
E o estágio em que as plantas daninhas apresentam maior densidade é aos 60 dias como pode
ser observado no gráfico a seguir (figura 5).
A Caruru-rasteiro teve um crescimento maior aos 30 e 60 DAS e inferior aos 45, o
mesmo aconteceu com Braquiária e Guaxuma, o crescimento da tiririca manteve o mesmo
durante todo o desenvolvimento da pesquisa, o crescimento de Buva apresentou seu ápice aos
15 DAS manteve-se estável aos 30 e 45 DAS e decresceu aos 60.
34
Silva et. al (2017) quando testou a interferência de plantas daninhas na cultura do
milho em segunda safra com dois espaçamentos observou um decréscimo na densidade de
espécies 30 dias após a emergência da cultura.
Figura 5. Densidade populacional das 5 espécies de plantas daninhas com maior índice de valor de importância
durante todo o ciclo de desenvolvimento da cultura.
Os valores dos índices fitossociológicos estudados na comunidade infestante da
cultura do feijão variaram em função das épocas de amostragem e da presença de plantas de
cobertura e manejo de solo.
Quando comparado dentre os sistemas de manejo de solo utilizados (Figura 6),
observou-se uma maior abundância plantas daninhas mostrou-se maior na testemunha (T8),
chegando a atingir abundância de até 69% maior do que em demais tratamentos. Outro fator a
ser observado é que aos tratamentos que não receberam solarização (T5, T6, T7 e T8) houve
um crescente aumento na abundância de Tiririca de até 53% superior aos tratamentos com
solarização + cobertura.
35
Figura 6. Nº total de indivíduos por espécie / Nº total de parcelas contendo a espécie;
No trabalho de Pereira et al, 2011, A densidade de plantas de tiririca nos manejos com
presença de palha diferiu da testemunha, sendo, neste último, três vezes superior à média dos
demais. Este efeito ocorreu, provavelmente, em razão do desenvolvimento da tiririca ser
afetado pelo sombreamento do solo, em que nessa condição, segundo Kuva et al. (1995) é
retardado o desenvolvimento dessas plantas daninhas. Contudo, observações a seu respeito
são fundamentais, pois essa espécie apresenta-se com muita agressividade nas lavouras, é
perene, com grande capacidade de reproduzir-se sexuada e assexuadamente e é de difícil
controle (KISSMANN & GROTH, 1997). Porém, neste trabalho a utilização da palha
ocasionou um efeito supressor satisfatório sobre essas plantas.
A analise conjunta dos dados do ensaio realizado (Tabela 4) mostrou que as coberturas
de mamona, crotalaria e vegetação espontânea associadas e não associadas a solarização
proporcionaram menor densidade de plantas daninhas, de até 90%. A solarização sem adição
de cobertura no solo teve um crescimento de 100% maior que nos tratamentos com a
solarização adicionada de coberturas, pórem teve crescimento 40% menor que a testemunha.
A utilização de plantas de cobertura na supressão de plantas espontâneas pode ser de
grande relevância e eficácia, na redução e competição ente à cultura cultivada e as plantas
companheiras (Bonjorno et al., 2010). A cotalaria pode apresentar efeito alelopático, que é o
efeito inibitório ou estimulativo de uma planta sobre outras espécies, resultado da liberação de
substâncias químicas no ambiente, contribuindo também na redução da população infestante
(SCHOLBERG et al. 2006). O uso de plantas de cobertura pode reduzir a dependência por
defensivos, evitando poluições e degradações ambientais (ROBACER et al., 2015).
36
Tabela 4. Massa seca total de plantas daninhas aos 80 DAS.
Tioo de Cobertura
Massa Seca Total de Plantas Daninhas
Solo solarizado
Solo não solarizado
Mamona
3.205 c
8.855 bc
Crotalaria
6,683 c
9.342 bc
Vegetação Espontânea
9,155 bc
10.490 bc
Sem Cobertura
21.197 ab
35.470 a
A produção de resíduos vegetais, além de disponibilizar nutrientes pode interferir
positivamente no controle de plantas daninhas, pela supressão das mesmas, ou mesmo pela
liberação de compostos alelopáticos. Essa prática de manejo pode ser um forte aliado no
controle de espécies que apresentam resistências aos herbicidas, como é o caso da Conyza
bonariensis, diminuindo consideravelmente a entrada de luz no solo, dificultando assim a
emergência da maioria das plantas daninhas (PAULA et al., 2011).
Quando comparado abundância de plantas daninas dentre os tipos de solarização
aplicada (Figura 7), para caruru-rasteiro, braquiaria, tiririca, buva e guaxuma no tratamento
com solarização com plastico preto apresentaram respectivamente 56%, 57%, 32%, 100% e
96% maiores do que nos outros tipos de solarização. Entre os tratamentos feitos com
solarização com coletor solar e plástico transparente as médias para abundância de plantas não
se diferenciaram .
Figura 7. A – Abundância de PD de acordo com o tipo de solarização utilizado.
37
As médias de abundância de plantas daninhas nos tratamentos que receberam
solarização + cobertura vegetal nos três experimentos foram em torno de 80 a 85% menores
que na testemunha, As médias nos tratamentos que receberam apenas solarização não
diferiram da testemunha nos experimentos 1 e 2.
Tabela 5. A – Efeito do manejo do solo e de coberturas vegetais na sobre abundância de
plantas daninhas aos 80 DAS.
Tratamentos
T1
T2
T3
T4
T5
T6
T7
T8
DMS
CV%
SPP
2.25 Bb
3.25 Bb
3.00 Bb
19.50 Aa
4.50 Bb
3.75 Bb
3.75 Bb
21.25 Aa
7.906
4 38.62
25.50000
a
5
4.50000
b
6
b
4.50000
b
8
23.25000
a
SPT
1.50 Cd
2.25 Ccd
2.50 Ccd
3.750
ab
6.75 Bb
3.75 Bbcd
3.500 ab
4.50 Bcd
5.00
4.750Bbc
ab
10.75 Aa
3.168ab
3.750
29.28
3.750 ab
3.250 bc
2.250 b
3.75000
7
NTPD
SCS
1.25 Cb
1.25 Cb
3.00 Bab
5.75 Aa
3.00 Bab
4.00 Bab
4.50 Ba
7.75 Aa
3.095
37.13
2.500 b
38
4.2
Características agronômicas e de produtividade da cultura do feijão
As médias para altura e quantidade de folhas por planta no tratamento que recebeu
solarização + mamona (T1) obteve as melhores médias em todos os tipos de solarização. A
quantidade de folhas foi inferior no experimento em que a solarização foi feita com plástico
preto aos experimentos com os outros tipos de solarização. Esse fato pode estar associado a
menor índices de produção de massa seca de plantas daninhas no tratamento que favoreceu o
melhor desenvolvimento da cultura. Devido ao extrato de ricina presente nas folhas (Borges et
al 2011) diz que a espécie pode apresentar efeito alelopático, que é o efeito inibitório ou
estimulativo de uma planta sobre outras espécies, resultado da liberação de substâncias
químicas no ambiente, contribuindo também na redução da população infestante.
Tabela 6: Efeito do manejo do solo e de coberturas vegetais na sobre algumas características
de crescimento. ALP = Altura de Plantas em metros; NFP = Numero de folhas; (Experimento
3).
ALP
NFP
Tratamentos
SPP
SCS
SPT
SPP
SCS
SPT
S+M
1.66 Aa
1.24 Ca
1.63 Aa
44.25 Ca 61.75A a
59.75 Ba
S+C
1.58 Aa
1.20 Cab
1.44 Bbc 42.50 Ca 48.25 Bab 53.00 Aab
S+VE
1.46 Aabc 1.19 Bab
1.40 Abc 49.25 Ba 54.25 Aab 52.00 Aab
S
1.31 Abc
1.01 Cab
1.28 Bc
22.75 Cb 44.50 Aab 44.25 Ab
M
1.43 Bbc
1.11 Cab
1.51 Aab 41.25 Ca 49.00 Aab 47.50 Bab
C
1.39 Abc
1.11 Cab
1.34 Bbc 39.25 Ba 47.25 Aab 48.50 Aab
VE
1.54 Aab
1.07 Cab
1.34 Bbc 45.75 Ba 50.25 Aab 51.75 Aab
Testemunha
1.25 Ac
0.92 Cb
0.98 Bd 20.25 Cb 43.75 Ab 44.00 Ab
DMS
CV%
0.271
7.97
0.279
10.78
0.223
6.98
10.831
12.13
17.546
15.03
14.009
11.95
Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de
probabilidade.
As médias de massa fresca seca de parte aérea do Feijão nos experimentos 2 e 3 não
diferenciaram estatisticamente, apenas no experimento 1 dentro do tipo de solarização, porém
entre os tipos de solarização as médias no experimento em que a solarização foi feita com
plástico preto foram inferiores as médias obtidas nos experimentos com os outros tipos de
solarização. Fator que também pode estar associado a menor eficiência desse método de
solarização no controle de PD.
39
Tabela 7: Efeito do manejo do solo e de coberturas vegetais sobre algumas características de
crescimento. MFPA=Massa fresca de parte aérea do feijão em gramas; MSPA= Massa seca de
parte aérea do feijão em gramas; (Experimento 3).
Tratamentos
SPP
S+M
128.66 Ca
S+C
132.86 Ca
S+VE
127.80 Ca
S
100.79 Dbc
M
129.11 Ca
C
126.28 Cab
VE
119.75 Cbc
Testemunha 96.2175Dc
DMS
CV%
25.813
9.18
MFPA
SCS
187.15 Aa
195.53 Aa
193.84 Aa
163.51B a
184.72 Aa
210.52 Aa
187.86 Aa
170.63 Aa
SPT
194.24 Aa
198.03 Aa
199.34 Aa
177.26 Aa
191.47Aa
198.52 Aa
187.86 Aa
173.63 Aa
53.584
12.26
33.223
7.47
SPP
34.65 Bab
34.15 Bab
30.84 Ccd
26.96 Bcd
32.19Bbc
37.11 Ba
31.59 Cbc
25.14 BCd
MSPA
SCS
41.07 Aab
40.75 Aab
49.72 Aa
34.80 Ab
35.48 Aab
41.55 Aab
46.08 Bab
35.25 Aab
SPT
41.93 Aa
40.01 Aa
45.73 Aa
34.28 Aa
37.86 Aa
39.55 Aa
40.66 Aa
34.19 Aa
6.147
8.32
14.752
15.53
12.345
13.43
Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de
probabilidade.
Para a característica número de vagens por planta nas solarizações com polietileno
preto e transparente os resultados foram significativos a nível de 1% de probabilidade para os
tratamentos que associaram a solarização e a cobertura morta. No experimento onde a
solarização foi feita com plástico transparente todos os tratamentos que receberam a
solarização tiveram resultados positivos a nível de 5% de probabilidade.
Com relação ao tamanho de vagens de vagens por planta nos experimentos
onde a solarização foi feita com plástico preto e com coletor solar as médias diferiram de
probabilidade da testemunha, no experimento em que a solarização foi feita com plástico
transparente o tamanho médio das vagens nos tratamentos que receberam solarização
associada as coberturas mortas, assim como os que receberam apenas a cobertura morta
apresentaram diferenciação estatística a nível de 1% de probabilidade dos tratamentos que não
receberam cobertura morta.
40
Tabela 8: Efeito do manejo do solo e de coberturas vegetais sobre algumas características de
crescimento. NVP= Número médio de vagens por planta; TMV=Tamanho médio das vagens;
S+M
S+C
S+VE
S
M
C
VE
Testemunha
SPP
3.50 Bbc
3.25 Bbc
4.50 Aab
2.00 Cc
4.25 Aab
5.50 Aa
4.75 Aab
3.25 Abc
NVP
SCS
4.50 Aa
4.00 Aab
4.50 Aa
3.00 Aab
3.75 Bab
3.75 Cab
3.75 Bab
2.25 Bb
SPT
4.75 Aa
4.00 Aab
4.25 Cab
2.75 Bb
3.75 Bab
3.50 Cab
3.75 Bab
2.50 Bb
DMS
CV%
1.911
21.07
1.969
22.82
1.771
20.70
Tratamentos
SPP
15.62 Bab
17.87 Bab
17.67 Cab
14.17 Cab
18.87 Ca
18.30 Bab
17.50 Bab
14.07 Ab
TMV
SCS
19.52 Aab
20.95 Aa
22.62 Aa
18.50 Aab
20.25 Aab
21.00 Aa
18.50 Aab
14.92 Ab
SPT
19.30 Aa
18.87 Bab
18.42 BCab
15.32 Bbc
17.30 Cabc
17.45 Cab
16.50 Cabc
13.60 Bc
4.722
12.04
5.887
12.88
3.728
9.32
Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de
probabilidade.
Forte (2017) obteve resultados que demonstram haver diferenças para o número de
vagens por planta (NVP), sendo a variável afetada negativamente quando o feijão foi
cultivado após o uso de nabo como cobertura de inverno. Porém tanto o número de grãos por
vagem (NGV) como o número de grãos por planta (NGP) não apresentaram efeito
significativo entre os manejos adotados antes da semeadura do feijão.
As médias de peso fresco e seco de sementes apresentaram resultados significativos
em todos os tipos de solarização, para aqueles tratamentos que receberam solarização
associada a cobertura vegetal, dentre esses as melhores médias foram do tratamento T1
(solarização + Mamona) a média para peso fresco e seco de sementes no T1 foi
aproximadamente 55% maior que na testemunha nos três experimentos.
41
Tabela 9. Efeito do manejo do solo e de coberturas vegetais sobre algumas características de
crescimento. PFS= Peso fresco de 100 sementes; PSS = Peso seco de 100 sementes.
PFS
Tratamentos
SPP
PSS
SCS
SPT
SPP
SCS
SPT
S+M
S+C
37.22 Aa 38. 07 Aa
31.65 Bbc 36. 99 Aab
37.99 Aa
36.07 Aa
21.55 Aa
21.50 Aa
17.35 Ba
15.16 Bab
14.09 Ca
14.44 Ba
S+VE
33.27 Bb
36.36 Aab
37.61 Aa
20.92 Aa
15.12 Bab
13.39Cab
S
25.67 Cef
31.40 Abc
28.41Bc
14.65 Ac
12.73 Bbc
12.06Bab
M
32.17 Bbc 35.95 Aab
20.07 Aa
14.41Cbc
13.66 Ca
C
30.12 Bcd 35.41 Aab
33.90Ba
d
34.28Aa
b
16.75 A b
15.72 Bab
15.35 Ba
VE
28.37 Bde 28.41 Bcd
30.85Ab
b
24.35
Ad
c
16,45 Abc
11.88 Cbc
13.45Bab
14.60 Ac
9.98 Cc
9.98 Cb
Testemunha
23.47 Bf
25.04
Ad
DMS
2.784
5.920
4.641
1.912
4.456
3.630
CV%
3.93
7.56
6.02
4.46
13.56
11.66
Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de
probabilidade.
No cultivo do feijão o efeito das culturas de cobertura, pode ser observado no aumento
do rendimento de grãos, conforme relatado por Oliveira et al. (2002). Fontes et al. (2016)
constatou eficiência no controle de plantas daninhas com uso de cobertura morta obtida
através da utilização de dessecantes 7 dias antes da semeadura, que possibilitou aumento na
produção de grãos de feijão-caupi.
Com relação as médias para número de sementes por vagem, os números foram
significativos a 1% de probabilidade nos experimentos de solarização com o plástico preto,
nesse experimento as médias na testemunha foram 30% menor que nos tratamentos com
solarização e cobertura vegetal, no experimento com coletor solar e com plástico transparente
a testemunha teve numero de sementes 40% menor que nos tratamentos com os dois manejos
associados.
O grau de umidade das sementes teve diferença de 60% maior umidade nos
tratamentos que receberam solarização e cobertura vegetal nos experimentos 1 e 2, e em torno
de 80% no experimento 3.
42
Tabela 10. Efeito do manejo do solo e de coberturas vegetais sobre algumas características de
crescimento. NS/V= Número médio de sementes por vagem; GUS=Grau de umidade de
sementes, obtida através de (Peso Fresco – Peso Seco);
Tratamentos
SPP
S+M
11.62 Bab
S+C
12.25 Ba
S+VE
12.20 Ba
S
10.00 Aab
M
11.55 Cab
C
12.25 Ba
VE
11.68 Bab
Testemunha 8.48 Bb
DMS
CV%
3.709
14.08
NS/V
SCS
14.25 Aab
15.50 Aa
14.75 Aab
11.75 Aab
15.00 Aab
15.00 Aab
12.75 Aab
10.50 Ab
SPT
14.00 Aab
15.00 Aa
14.50 Aab
11.00 Abc
12.75 Bab
12.75 Bab
12.12 Aabc
9.12 Bc
4.752
14.84
3.570
12.06
SPP
15.67 Ca
13.65 Cb
12.35Cb
9.40
Cde
c
12.10Cb
11.62
Cc
c
10.77Cc
d8.875Ce
GUS
SCS
24.75 Aa
22.64 Aab
20.91 Aab
16.25 Acd
21.53 Aab
18.06 Abc
18.42Abc
13.15 Ad
SPT
24.59 Aa
21.28 Abc
22.13Aab
17.40 Ac
20.53Abc
18.93Abc
18.42Abc
12.29 Bd
1.710
6.19
4.640
10.19
4.244
9.33
Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de
probabilidade.
O Sistema de Plantio Direto é adotado na sua essência em culturas como o feijão,
milho e soja, as quais juntas representam 93% da área cultivada para produção de grãos no
Brasil (Conab, 2017)
Silva (2015) afirmou que dentre as espécies mais empregadas para a produção de
palhada para o sistema de plantio direto, destacam-se as gramíneas, como as braquiárias e o
milheto, coberturas de solo que têm produzido quantidades razoáveis de fitomassa e possuem
taxa de decomposição lenta se comparadas às leguminosas, por apresentarem maior relação
C/N, que resulta em maior período de proteção do solo.
O uso de culturas de cobertura de solo com potencial alelopático é de fundamental
importância no manejo integrado de plantas daninhas, pois além de favorecer o controle,
proporciona um ganho econômico e a preservação do ambiente nos sistemas agrícolas
(JABRAN et al., 2015).
As médias de peso seco de raiz diferenciaram significativamente para os tratamentos
que não receberam cobertura morta (T4 e T8) isso se deu devido a maior exposição da
superfície do solo que favorece maior evaporação das partículas de água contidas no solo para
a atmosfera. Esse é mais um dos benefícios do uso de cobertura do solo, proporciona um
43
melhor aproveitamento da água. O peso seco de raízes foi em torno de 80 a 90% maior na
testemunha.
Figura 8. Efeito do manejo do solo e de coberturas vegetais sobre algumas características de
crescimento. Peso seco de raiz nos três tipos de solarização.
Não existe receita a ser seguida quando se fala em controle de plantas daninhas, tudo
pode ser modificado em funções de variáveis como clima, nível de infestação, quantidade de
cobertura, variedade utilizada e etc. Por isso a importância de se conhecer a dinâmica e a
interferência das plantas daninhas a partir desse conhecimento é possível tornar a escolha do
tipo de manejo a ser utilizado (LIMA 2017).
44
5. CONCLUSÃO
Nas condições em que a pesquisa foi conduzida conclui-se que A presença da
comunidade infestante interferiu na produção de grãos, grau de umidade das sementes,
crescimento de raízes, número médio de vagens por planta, tamanho médio de vagens.
As espécies com maiores frequências, densidades e índice de importância encontrados
na pesquisa foram: Cyperus rotundus, Brachiaria decubens, Amarantus deflexus, Conyza spp.
e Sida rhombifolia.
As plantas daninhas obtiveram níveis de frequência e abundancia mais elevados na
testemunha e no tratamento que recebeu apenas a solarização indicando que a solarização
quando usada sem o auxílio de outro método não é eficiente no controle destas espécies.
Aos tratamentos onde foram aplicados apenas as coberturas mortas e não receberam
solarização (T5, T6, T7 e T8) ouve um crescente aumento na densidade de C. rotundus. Fato
que comprova a eficiência da solarização no controle desta espécie.
A solarização com plástico preto foi o manejo menos eficiente dentre os tipos de
solarização utilizados.
45
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