levantamento e caracterização da entomofauna associada ao cultivo de eucalipto no estado de Alagoas.
Dissertação Elmadã Pereira.pdf
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS - UFAL
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS – CECA
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM PROTEÇÃO DE PLANTAS
ELMADÃ PEREIRA GONZAGA
LEVANTAMENTO E CARACTERIZAÇÃO DA ENTOMOFAUNA
ASSOCIADA AO CULTIVO DE EUCALIPTO NO ESTADO DE ALAGOAS
RIO LARGO, AL
2019
ELMADÃ PEREIRA GONZAGA
LEVANTAMENTO E CARACTERIZAÇÃO DA ENTOMOFAUNA
ASSOCIADA AO CULTIVO DE EUCALIPTO NO ESTADO DE ALAGOAS
Dissertação apresentada ao Programa de
Pós-Graduação em Proteção de Plantas,
do Centro de Ciências Agrárias, da
Universidade Federal de Alagoas, como
parte dos requisitos para obtenção do
título de Mestre em Proteção de Plantas.
Orientador(a): Profa. Dra. Mariana Oliveira Breda
Coorientador (a): Jakeline Maria dos Santos
RIO LARGO, AL
2019
Catalogação na fonte
Universidade Federal de
Alagoas
Biblioteca Setorial do Centro de Ciências
Agrárias
Bibliotecário: Erisson Rodrigues de Santana
G642l Gonzaga, Elmadã Pereira.
Levantamento e caracterização da entomofauna associada ao
cultivo de eucalipto no estado de Alagoas. Rio Largo-AL – 2019.
79 f.; il; 33 cm
Dissertação (Mestrado em Proteção Vegetal - Agronomia) Universidade Federal de Alagoas, Centro de Ciências Agrárias. Rio
Largo, 2019.
Orientador(a): Profª. Drª. Mariana Oliveira Breda.
AGRADECIMENTOS
Primeiramente аo meu bom Deus qυе esteve sempre presente, abençoando e cuidando
nessa e em outras jornadas e proporcionando grandes realizações;
Ao meu pai Serapião Pereira Gonzaga (“in memorian”) e a minha mãe Maria das Mercês
de Jesus Gonzaga, pelo carinho, apoio e incentivo. Amo vocês!
Ao Centro de Ciências Agrárias, em especial ao Programa de Pós-Graduação em Proteção
de Plantas, pela oportunidade de realizar do curso;
A CAPES pela concessão da bolsa;
A minha orientadora Mariana Oliveira Breda, pela amizade, ensinamentos, confiança e
paciência;
A Jakeline Maria pela co-orientação, contribuindo para a realização de nosso trabalho,
auxiliando na identificação dos insetos;
Aos meus familiares. Amo vocês!
Ao Bruno Sousa, pelo companheirismo, amor e paciência;
Ao Prof. Dr. Maurício Silva de Lima e Dr. João Gomes da Costa, membros da banca
examinadora, pela disposição para a avaliação desse trabalho;
A Maria Eugênia Vieira Xavier, pela amizade, companheirismo e pela imprescindível
ajuda na condução deste trabalho;
Ao Djison Silvestre pela amizade e ajuda nas coletas;
Ao Thales, por acompanhar e auxiliar nas coletas;
Ao Laboratório de Entomologia Agrícola e Florestal no Centro de Ciências Agrárias
(CECA/UFAL);
Ao Mauricio que abriu as portas do Laboratório de Microscopia para a realização desse
trabalho;
Aos meus amigos de curso. Em especial o Erasmo, Karen, Leonara e Renato por todo
apoio, carinho, amizade, conselhos, pelos momentos vividos e incentivo;
A Lindinalva, pela amizade;
Aos meus amigos, Laura Melissa, Rita Maria e Wallypher Mesquita, pela cumplicidade,
companheirismo e amizade de sempre;
Aos meus amigos que a graduação me deu, João Paulo, Stephanie Weigel, Ana Patrícia,
Paula Roberta, Mayara Cordeiro, Jessica e Amanda Nivea;
A todos os professores que participaram da minha formação. Em especial ao professor
Marcos Lenes, a professora Nadja Duarte, a professora Maria Lausanne e a professora
Flávia Izidoro, pelos ensinamentos, apoio e principalmente incentivo;
A todos que contribuíram direta ou indiretamente para a realização deste trabalho.
Muito obrigada!
LEVANTAMENTO E CARACTERIZAÇÃO DA ENTOMOFAUNA ASSOCIADA
AO CULTIVO DE EUCALIPTO NO ESTADO DE ALAGOAS
RESUMO
A cultura do eucalipto vem assumindo grande contribuição na atividade econômica do
Brasil, devido à sua adaptabilidade aos mais variados solos e climas, além do seu rápido
crescimento. A implantação de povoamentos florestais de Eucalyptus spp. no estado de
Alagoas ainda é recente, porém promissora para a diversificação dos cultivos na região e
produção de biomassa. Entretanto, devido a abundância hospedeira e a utilização de
povoamentos florestais clonais, que contribuem para a baixa diversidade genética, a
ocorrência de insetos-praga nativos e exóticos torna-se frequentes. Assim, o presente
trabalho teve como objetivo realizar o levantamento e a caracterização da entomofauna
associada ao híbrido E. urograndis no estado de Alagoas. Para o levantamento, foram
realizadas coletas manuais e com armadilha de solo tipo pitfall em povoamento florestal
experimental clonal de E. urograndis (clones TP361, VCC865, I144 e VE41). Através da
coleta manual, foram coletados 619 indivíduos, distribuídos em 10 ordens e 46 táxons. A
ordem Coleoptera foi a que apresentou o maior número de insetos coletados 30,04 %,
seguida de Hemiptera 23,58%, Araneae 14,53%, Hymenoptera 13,73% e Diptera 12,27%.
Durante o período de avaliação, foi identificado um surto populacional de Costalimaita
ferrugínea (Coleoptera: Chrysomelidae) em todos os clones avaliados. Os táxons que
apresentaram maiores índices de dominância, abundância, frequência e constância, para
todos os clones, foram Aranaeae, Formicidae e Cicadellidae. O clone I144 apresentou
maior índice de diversidade de Shannon-Weaner. No levantamento com armadilha de
solo tipo pitfall, foram coletados 5.960 indivíduos distribuídos em 15 grupos
taxonômicos, onde, as famílias Formicidae e Araneae e Cicadellidae mostraram-se com
maiores índices de dominância, abundância, frequência e constância em todos os clones
avaliados. O clone VE41 apresentou maior índice de diversidade de Shannon-Weaner.
Durante o período de avaliação, foi possível relatar a ocorrência constante de formigas
do gênero Atta, consideradas insetos-praga na cultura de Eucalyptus spp.
Palavras-chave: entomologia florestal; Eucalyptus urograndis; análise faunística; coleta
manual; pitfall.
SURVEY AND CHARACTERIZATION OF THE ENTOMOFAUNA
ASSOCIATION WITH Eucalyptus IN THE STATE OF ALAGOAS
IN
ABSTRACT
The eucalyptus crop has been a great contribution to the economic activity in Brazil, due
to its adaptability to the most varied soils and climates, in addition to its fast growth. The
implantation of forest stands of Eucalyptus spp. in the state of Alagoas, is still recent but
promising for the diversification of crops and biomass production in the region. However,
due to host abundance and the use of clonal forest stands, which contribute to low genetic
diversity, the occurrence of native and exotic pest insects becomes frequent. Thus, the
present work had the objective to perform the survey and characterization of the
entomofauna associated with the hybrid E. urograndis in the state of Alagoas. For the
survey, manual collection and pitfall traps were used in an experimental clonal forest
stand of E. urograndis (TP361, VCC865, I144 and VE41 clone). Through manual
collection, 619 individuals were collected, distributed in 10 orders and 46 taxa. The order
Coleoptera presented the highest number of insects collected 30.04%, followed by
Hemiptera 23.58%, Araneae 14.53%, Hymenoptera 13.73% and Diptera 12.27%. During
the evaluation period, a population outbreak of Costalimaita ferruginea (Coleoptera:
Chrysomelidae) was identified in all clones evaluated. The taxa with the highest indexes
of dominance, abundance, frequency and constancy, for all clones, were Aranaeae,
Formicidae and Cicadellidae. The I144 clone showed the highest diversity index of
Shannon-Weaner. In the pitfall survey, 5,960 individuals were collected in 15 taxonomic
groups, where Formicidae, Araneae and Cicadellidae showed higher rates of dominance,
abundance, frequency and constancy in all the clones evaluated. The VE41 clone had the
highest diversity index of Shannon-Weaner. During the evaluation period, it was possible
to report the constant occurrence of ants of the genus Atta, considered to be major pest
insects in the Eucalyptus spp. crops.
Keywords: forest entomology; Eucalyptus urograndis; faunistic analysis; manual
collection; pitfall.
LISTA DE FIGURAS
CAPÍTULO I
Figura 1. Croqui de povoamento florestal experimental clonal de E. urograndis e distribuição
dos clones TP361, VCC865, I144 e VE41 (B), no Centro de Ciências Agrárias (CECA) da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em Rio Largo, Alagoas. Fonte: autor, 2018. .......... 35
Figura 2. Porcentagem (%) de indivíduos/ordens após 13 meses de coleta manual em povoamento
florestal clonal de Eucalyptus urograndis. Janeiro 2018- Janeiro 2019. Rio Largo, AL. ........... 38
Figura 3. Número médio de indivíduos coletados por ordens em povoamento florestal clonal de
Eucalyptus urograndis, ao longo de 13 meses de coleta manual. Janeiro 2018- Janeiro 2019. Rio
Largo, AL. ** P<0,0001; *P≤0,05; ns P≥0,05. Significância através do teste d de Tukey a 5%.
..................................................................................................................................................... 39
Figura 4. Flutuação populacional de Costalimaita ferruginea (Coleoptera: Chrysomelidae) em
diferentes clones de Eucalyptus urograndis (TP361, VCC865, I144 e VE 41), ao longo de 13
meses de coleta manual. Janeiro de 2018- Janeiro 2019. Rio Largo, AL. .................................. 40
Figura 5. Número total de insetos coletados por ordens, em diferentes clones de Eucalyptus
urograndis (TP361, VCC865, I144 e VE 41), após 13 meses de coleta manual. Janeiro 2018 Janeiro 2019. Rio Largo, AL. ...................................................................................................... 41
CAPÍTULO II
Figura 1. Croqui de povoamento florestal experimental clonal de E. urograndis e distribuição
dos clones TP361, VCC865, I144 e VE41 (B), no Centro de Ciências Agrárias (CECA) da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em Rio Largo, Alagoas. Fonte: autor, 2018. .......... 59
LISTA DE TABELAS
CAPÍTULO I
Tabela 1. Índices faunísticos para táxons coletados através de coleta manual em povoamento
florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis, clone TP361. Rio Largo - AL. 2018. . 42
Tabela 2. Índices faunísticos para táxons coletados através de coleta manual em povoamento
florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis, clone VCC865. Rio Largo - AL. 2018.
..................................................................................................................................................... 44
Tabela 3. Índices faunísticos para táxons coletados através de coleta manual em povoamento
florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis, clone I144. Rio Largo - AL. 2018. .... 46
Tabela 4. Índices faunísticos para táxons coletados através de coleta manual em povoamento
florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis, clone VE41. Rio Largo - AL. 2018. .. 48
Tabela 5. Índices faunísticos para táxons coletados através de coleta manual em povoamento
florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis (I144, TP361, VE41 e VCC865). Rio
Largo - AL. 2018......................................................................................................................... 50
CAPITULO II
Tabela 1. Índices faunísticos para táxons coletados com armadilha de queda do tipo pitfall em
povoamento florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis, clone TP361. Rio Largo AL. 2018. .................................................................................................................................... 63
Tabela 2. Índices faunísticos para táxons coletados com armadilha de queda do tipo pitfall em
povoamento florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis, clone VCC865. Rio Largo AL. 2018. .................................................................................................................................... 65
Tabela 3. Índices faunísticos para táxons coletados com armadilha de queda do tipo pitfall em
povoamento florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis, clone I144. Rio Largo - AL.
2018. ............................................................................................................................................ 68
Tabela 4. Índices faunísticos para táxons coletados com armadilha de queda do tipo pitfall em
povoamento florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis, clone VE41. Rio Largo AL. 2018. .................................................................................................................................... 71
SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS ................................................................................................................. 9
CAPÍTULO I ........................................................................................................................... 9
CAPÍTULO II.......................................................................................................................... 9
LISTA DE TABELAS............................................................................................................... 10
CAPÍTULO I ......................................................................................................................... 10
CAPITULO II........................................................................................................................ 10
1. INTRODUÇÃO GERAL ...................................................................................................... 13
2. REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................................ 15
2.1. O setor florestal brasileiro ............................................................................................. 15
2.2. O gênero Eucalyptus ....................................................................................................... 16
2.3. Principais insetos associados a Eucalyptus spp. ........................................................... 17
2.4.
Manejo Integrado de Pragas Florestais................................................................... 20
2.4.1. Levantamento da entomofauna em povoamentos florestais de Eucalyptus spp. 20
2.5. Análises Faunísticas ....................................................................................................... 21
3.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................ 24
CAPITULO I - LEVANTAMENTO DA ENTOMOFAUNA E ANÁLISE FAUNÍSTICA
EM CLONES DE Eucalyptus urograndis NO ESTADO DE ALAGOAS ATRAVÉS DE
COLETA MANUAL ................................................................................................................. 31
1.
INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 33
2.
MATERIAL E MÉTODOS .............................................................................................. 34
2.1.
Área de estudo ........................................................................................................... 34
2.2.
Levantamento da entomofauna................................................................................ 35
2.3.
Análises Faunísticas .................................................................................................. 36
3.
RESULTADOS E DISCUSSÃO ...................................................................................... 38
4.
CONCLUSÕES ................................................................................................................. 51
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ................................................................................ 52
CAPITULO II - LEVANTAMENTO E CARACTERIZAÇÃO DA ARTROPODOFAUNA
EDÁFICA EM POVOAMENTO FLORESTAL CLONAL DE Eucalyptus urograndis NO
ESTADO DE ALAGOAS. ........................................................................................................ 55
1.
INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 57
2.
MATERIAL E MÉTODOS .............................................................................................. 58
2.1.
Área de estudo ........................................................................................................... 58
2.2.
Levantamento da entomofauna edáfica .................................................................. 59
2.3.
Análises Faunísticas .................................................................................................. 60
3.
RESULTADOS E DISCUSSÃO ...................................................................................... 62
4.
CONCLUSÕES ................................................................................................................. 77
5.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................ 78
1. INTRODUÇÃO GERAL
O setor florestal ocupa lugar de destaque entre os segmentos econômicos
estabelecidos no Brasil, sendo o cultivo de Eucalyptus spp. o emblema do negócio
florestal brasileiro na atualidade. A seleção de espécies, utilização de híbridos e a pesquisa
genética, colocam o país na vanguarda na implantação de povoamentos florestais clonais,
apresentando a mais avançada tecnologia de cultivo e manejo, com expressivos resultados
de produtividade e rentabilidade (TABACOF, 2009).
Dentre as espécies de Eucalyptus spp. cultivadas no Brasil, a clonagem do híbrido
E. urograndis apresenta-se como o material genético mais utilizado, servindo aos mais
variados fins, como carvão, madeira, extração de óleo essencial, além da produção de
celulose e papel (SILVA et al., 2006; ARFLORA, 2013).
Recentemente, a implantação de povoamentos florestais experimentais clonais de
E. urograndis. no estado de Alagoas vem sendo incentivada através de políticas públicas
do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), vinculado ao Ministério da
Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com o objetivo de ampliar as ações no Nordeste,
de modo a proporcionar a diversificação produtiva (APIMEC, 2015).
De modo geral, perdas ocasionadas por insetos-praga são de representativa
importância para o setor florestal brasileiro Muitos desses insetos são pragas exóticas,
originárias da Austrália, região do centro de origem do gênero Eucalyptus, que quando
introduzidas, deparam-se com uma grande disponibilidade de material vegetal e a
ausência de inimigos naturais, favorecendo sua disseminação (WINGFIELD et al. 2008).
No Brasil, a introdução de insetos exóticos como o psilídeo-de-concha, Glycaspis
brimblecombei Moore, 1964 (Hemiptera: Psyllidae) em 2003 no Rio Grande do Sul; o
percevejo-bronzeado, Thaumastocoris peregrinus Carpintero e Dellapé, 2006
(Hemiptera: Thaumastocoridae) em 2008, em São Paulo; e a vespa-da-galha, Leptocybe
invasa Fisher & LaSalle, 2004 (Hymenoptera: Eulophidae) em 2008, na Bahia,
configuram-se como os principais entraves fitossanitários para o avanço do cultivo clonal
de Eucalyptus spp. (WILCKLEN et al., 2003; WILCKLEN, 2008; WILCKLEN &
BERTI FILHO, 2008).
Além de espécies exóticas introduzidas, o gênero Eucalyptus apresenta alta
susceptibilidade a espécies de insetos nativos, que se adaptaram com sucesso ao
hospedeiro exótico. Um exemplo de grande adaptação é a lagarta-desfolhadora
Thyrinteina arnobia (Stoll, 1782) (Lepidoptera: Geometridae), que naturalmente atacava
13
espécies nativas da família Myrtaceae e é citada como o lepidóptero mais importante para
a eucaliptocultura no país (ZANUNCIO et al., 1993; HOLTZ, 2001). O besouro amarelo
do eucalipto, Costalimaita ferruginea (Fabricius, 1801) (Coleoptera: Chrysomelidae)
também merece destaque, principalmente em áreas próximas ou anteriormente cultivadas
com cana-de-açúcar e gramíneas em geral (KASSAB et al., 2011).
Nesse sentido, em povoamentos florestais experimentais clonais de E. urograndis
no estado de Alagoas, Breda et al. (2018) e Xavier et al (2018) relataram a ocorrência de
T. arnobia e C. ferruginea, respectivamente. Entretanto, os estudos sobre a entomofauna
associada ao cultivo de Eucalyptus spp. no estado de Alagoas ainda são incipientes.
Entende-se que, o conhecimento da entomofauna associada a povoamentos
florestais proporciona a identificação e registro de ocorrência de espécies de insetos
nativos e exóticos, com potencial de danos à cultura ou de atuação como agentes de
controle biológico (HOLLOWAY et al. 1987). Diversas técnicas de levantamento da
entomofauna vem sendo aplicadas com sucesso em povoamentos florestais de Eucalyptus
spp., dentre elas a avaliação direta através da coleta manual de insetos e o uso de
armadilhas, incluindo armadilhas de solo do tipo pitffall, para caracterização da
entomofauna edáfica (GARLETT, 2010).
Dessa maneira, o presente estudo tem como objetivo o levantamento e
caracterização da entomofauna associada a povoamentos florestais experimentais clonais
de E. urograndis no estado de Alagoas, constituindo um componente básico para o
desenvolvimento de programas de Manejo Integrado de Pragas Florestais (MIP
Florestas), auxiliando na tomada de decisão e aplicação de métodos de controle eficientes
e específicos para a necessidade e realidade das condições locais do sistema florestal.
14
2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1. O setor florestal brasileiro
O setor florestal brasileiro teve sua expansão inicial na década de 60 e adquiriu
notoriedade nacional a partir da expressiva contribuição para o desenvolvimento social,
ambiental e econômico do país, com geração significativa de emprego e renda (NOVAIS,
2006; ABRAF, 2013). Nesse sentido, foram estabelecidas, ao longo das últimas décadas,
diversas políticas governamentais de incentivos fiscais, com o intuito de fomentar e
ampliar a implantação de povoamentos florestais, nas mais diversas regiões produtoras
do Brasil (IBÁ, 2017).
Entende-se como povoamento florestal, tendo como sinônimos maciço florestal e
talhão florestal, uma associação de árvores, em determinada área, para produção de
produtos florestais madeireiros e não-madeireiros (FERREIRA & SILVA, 2008).
Economicamente, a exploração de povoamentos florestais oferece uma ampla variedade
de produtos, atendendo demandas de grandes e pequenos produtores, além de populações
extrativistas, com fins comerciais ou de subsistência. Ambientalmente, tais povoamentos,
podem reduzir a exploração de produtos florestais madeireiros em áreas de vegetação
natural, evitando consequentemente, o desmatamento de florestas nativas (ABRAF,
2013).
De acordo com a Associação da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), o Brasil
apresenta aproximadamente 7,84 milhões de hectares de povoamentos florestais
implantados, entre espécies exóticas, como Eucalyptus spp. (Myrtaceae), Pinus spp.
(Pinaceae) e Tectona grandis L.f. (Lamiaceae), além de espécies nativas, como Araucaria
spp. (Araucariaceae) e Schizolobium amazonicum Herb (Fabaceae). Dentre essas
espécies, os povoamentos florestais de Eucalyptus spp. correspondem, atualmente, a mais
de 70% das implantações florestais no país, visando a produção de madeira, papel,
celulose, carvão vegetal, produção energética e biomassa (IBÁ, 2017).
Assim, o setor florestal brasileiro vem investindo de forma significativa no
melhoramento genético, na hibridização e na clonagem do gênero Eucalyptus, em busca
de características desejáveis, tais como, rápido crescimento, aumento da produtividade,
padronização da matéria-prima e baixo-custo de manutenção, passando a ser reconhecido
como referência mundial de produção sustentável, competitiva e inovadora (FERREIRA
et al., 1997).
15
Em contrapartida, as diversas espécies, híbridos e/ou clones do gênero Eucalyptus
podem apresentar respostas significativamente diferentes quando expostos aos estímulos
ambientais, levando em consideração a diversidade de características edafoclimáticas de
cada nicho ecológico (ODA et al., 2007). Diante disto e devido a ampla implantação
experimental de povoamentos florestais clonais de Eucalyptus spp. nas diferentes regiões
produtoras do país (SANTANA et al., 2008; ARFLORA, 2013), faz-se necessária o
acompanhamento e avaliação da sua capacidade de adaptação, desenvolvimento e
produção, como também suas interações com insetos e doenças, garantindo a
continuidade do sucesso do setor florestal brasileiro.
2.2. O gênero Eucalyptus
O gênero Eucalyptus é originário da Austrália, Tasmânia e outras ilhas da
Oceania, possuindo mais de 700 espécies descritas. Este gênero é pertencente à família
Myrtaceae, que abrange espécies nativas do Brasil, como a goiabeira Psidium guajava L.,
a guabiroba Campomanesia xanthocarpa O.Berg. e a jaboticabeira Myrciaria cauliflora
(Mart.), entre outras (HOLTZ, 2001; VITAL, 2007; MORA & GARCIA, 2000; COSTA et
al., 2012).
Acredita-se que a introdução do gênero Eucalyptus no Brasil ocorreu no estado do
Rio Grande do Sul, em 1868. Inicialmente, foi utilizado para a produção de madeira para fins
múltiplos, como lenha para combustíveis, mourões de cercas, postes, além da construção de
estações e vilas (MORA & GARCIA, 2000). Atualmente, as espécies cultivadas desse
gênero podem ser utilizadas para os mais variados fins. Das folhas, pode-se extrair óleos
essenciais; das flores, produtos apícolas; da casca, taninos para a produção de colas e
floculantes; enquanto a madeira é usada na produção de móveis, na construção civil e
principalmente para a extração de celulose e na fabricação de papel (SILVA et al., 2006;
ARFLORA, 2013).
Segundo dados da Indústria Brasileira de produtores de Árvores (IBÁ, 2017) os
cultivos de Eucalyptus spp. ocupam 5,7 milhões de hectares, localizados principalmente
nos Estados de Minas Gerais (24%), São Paulo (17%) e Mato Grosso do Sul (15%). De
acordo com Vital (2007), as espécies mais cultivadas no Brasil são: Eucalyptus saligna,
E. grandis, E. urophila e o híbrido E. urograndis.
O híbrido E. urograndis, proveniente do cruzamento de E. grandis com E.
urophilla, foi desenvolvido no Brasil na década de 80, impulsionando o ritmo de
16
crescimento florestal no país. Em 2013, a utilização de E. urograndis correspondeu a mais
de 600.000ha plantados, constituindo a base da silvicultura clonal brasileira
(RODRIGUES et al., 2013). Das espécies selecionadas para cruzamento e hibridização,
E. grandis possui característica de crescimento em altura, enquanto E. urophyla de
crescimento em diâmetro. A junção dessas duas características promoveu melhorias no
rendimento e qualidade da madeira (BRIGATTI et al., 1980). Além disso, essa
combinação resulta em plantios comerciais para produção de matéria-prima como
celulose, carvão e madeira serrada (PALUDZYSZYN et al., 2004).
Em 2014, o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), vinculado
ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), lançou a iniciativa de
implantação de unidades experimentais clonais de Eucalyptus spp., de modo a
proporcionar a diversificação produtiva na região. No Estado de Alagoas, essas
implantações apresentam um grande potencial na produção de biomassa energética para
fábricas de gesso e cerâmicas, e usinas de cana-de-açúcar, gerando renda principalmente
aos produtores do setor canavieiro (APIMEC, 2015).
O processo de escolha de espécies, híbridos e/ou clones de Eucalyptus spp.,
potencialmente aptas para plantio em cada região, é primariamente baseado em critérios
edafoclimáticos (BARROS et al., 1990; BORGES, 2012). Porém, a ocorrência de insetos
e doenças também devem ser fatores levados em consideração, sendo capazes de afetar
as mais diversas fases de implantação, desenvolvimento e condução de um povoamento
florestal (DEL QUIQUI et al., 2001).
2.3. Principais insetos associados a Eucalyptus spp.
Segundo a Embrapa (2017), em povoamentos florestais de Eucalyptus spp., a
ocorrência e o desenvolvimento de populações de insetos é esperada como uma constante
ameaça à produtividade. No Brasil, já foram registradas 177 espécies de insetos em
plantios de Eucalyptus spp., incluindo espécies nativas e exóticas, com destaque para
insetos das ordens Hymenoptera, Lepidoptera, Coleoptera, Hemiptera e Isoptera.
Dentre as espécies nativas, as formigas cortadeiras dos gêneros Atta spp. e
Acromyrmex spp. (Hymenoptera: Formicidae), e os cupins (Isoptera: Termitidae,
Rhinotermitidae), apresentam grande importância na fase inicial de implantação da
cultura. Além disso, destacam-se a lagarta parda do eucalipto, Thyrinteina arnobia (Stoll,
17
1782) (Lepidoptera: Geometridae) e o besouro amarelo do eucalipto, Costalimaita
ferruginea (Fabricius, 1801) (Coleoptera: Chrysomelidae).
As formigas-cortadeiras do gênero Atta, também conhecidas como saúvas,
apresentam duas espécies de importância econômica para o cultivo de Eucalyptus spp. no
Brasil, sendo elas, Atta laevigata (Smith, 1858) (saúva-cabeça-de-vidro) e Atta sexdens
rubropilosa Forel, 1908 (saúva-limão). Estas formigas constroem ninhos grandes e
profundos com um grande número de câmaras, facilmente localizados nos plantios
(ZANUNCIO & PIRES, 2008). Por sua vez, as formigas-cortadeiras do gênero
Acromyrmex (Mayr, 1865), vulgarmente chamadas de quenquéns, englobam várias
espécies de importância florestal, tanto na fase de implantação quanto no
desenvolvimento e condução dos povoamentos florestais de Eucalyptus spp. Diferente de
Atta spp., as espécies de Acromyrmex spp. constroem ninhos com poucas câmaras, baixa
profundidade e difícil localização (ZANUNCIO & PIRES, 2008).
Os cupins, geralmente pertencentes a duas famílias de importância florestal,
Termitidae e Rhinotermidae, abrangem diversos gêneros e são responsáveis por danos
severos em povoamentos florestais de Eucalyptus spp. durante a implantação das mudas
no campo, além de possuírem ocorrência frequente no cerne de árvores adultas (SILVA
et al., 2015).
A lagarta parda do eucalipto, T. arnobia já foi registrada nos Estados de RS, SC,
SP, MG, ES, BA, GO, DF, AM, PA, AP, PE e AL (ANJOS et al., 1987; ZANUNCIO &
PIRES, 2008; BREDA et al., 2018), apresentando uma ampla distribuição geográfica no
país. É considerada a principal lagarta desfolhadora em Eucalyptus spp. no Brasil,
ocasionando, após ataques sucessivos, paralisia no crescimento das árvores (ZANUNCIO
& PIRES, 2008). A ocorrência de T. arnobia é relatada nas mais diversas fases de
implantação, causando danos em mudas de apenas um mês de idade, até em povoamentos
florestais com 23 anos de idade (WILCKLEN, 1996).
O besouro amarelo do eucalipto, C. ferruginea, vem ganhando importância a partir
da expansão do cultivo de Eucalyptus spp. no país, com surtos populacionais frequentes.
Na fase larval, C. ferruginea vive no solo e se torna praga potencial para as raízes de
gramíneas; só quando adultos, possuem o gênero Eucalyptus como hospedeiro. De forma
geral, esse inseto apresenta preferência por brotações jovens, ocasionando perdas do
parênquima clorofiliano, prejudicando o desenvolvimento dos povoamentos florestais
(KASSAB et al., 2011).
18
Além dos insetos nativos, a possibilidade de introdução de espécies exóticas,
advindas do centro de origem de Eucalyptus spp., provoca grande preocupação ao setor
florestal brasileiro (GARLET, 2010). Nas últimas décadas, a introdução de insetos
exóticos possui registros de ocorrência para o psilídeo-de-concha, Glycaspis
brimblecombei Moore, 1964 (Hemiptera: Psyllidae) em 2003 no Rio Grande do Sul; o
percevejo-bronzeado, Thaumastocoris peregrinus Carpintero e Dellapé, 2006
(Hemiptera: Thaumastocoridae) em 2008, em São Paulo; e a vespa-da-galha, Leptocybe
invasa Fisher & LaSalle, 2004 (Hymenoptera: Eulophidae) em 2008, na Bahia
(WILCKLEN et al., 2003; WILCKLEN, 2008; WILCKLEN & BERTI FILHO, 2008).
O psilídeo-de-concha, G. brimblecombei é um inseto especialista, que possui
apenas o gênero Eucalyptus como hospedeiro, ocorrendo preferencialmente em brotações
e folhas jovens. Sua presença e infestação é facilmente reconhecida pela excreção
açucarada em forma de ‘concha’ que envolve as ninfas, protegendo-as de predadores e
evitando a perda de água. G. brimblecombei provoca danos como a queda de folhas e o
secamento de ponteiros em espécies, híbridos e/ou clones de Eucalyptus spp. resistentes,
chegando a causar mortalidade de materiais suscetíveis (ZANUNCIO & PIRES, 2008).
O percevejo bronzeado, T. peregrinus perfura as folhas e ramos finos para sucção
da seiva, provocando o bronzeamento, secamento e queda parcial e/ou total das folhas
afetadas, deixando a árvore com aspecto ressecado (WILCKLEN, 2008; GARLET, 2010;
WILCKLEN, 2010)
A vespa-da-galha, L. invasa, provoca a formação de galhas na nervura central do
limbo foliar e/ou nos pecíolos das folhas, ocasionando o enfraquecimento e a morte das
árvores. A ocorrência de L. invasa é evidenciada em plantios jovens, na fase de
implantação ou em mudas ainda nos viveiros (MENDEL et al., 2004).
De maneira geral, os plantios clonais de Eucalyptus spp. no Brasil, se destacam
por possuírem áreas extensas, uniformes e contiguas, oferecendo assim, condições
ambientais favoráveis, como grande quantidade de alimento e abrigo, para o
estabelecimento de populações de insetos (BERGER et al., 2002). Assim, o conhecimento
da entomofauna e o entendimento da sua relação com os povoamentos florestais
implantados, nos seus mais variados níveis, possui grande relevância, uma vez que
possibilita o acesso a informações base para o desenvolvimento de planos de manejo
adequados e eficazes, reduzindo a ocorrência de danos e prejuízos econômicos
(HOLLOWAY et al. 1987).
19
2.4.
Manejo Integrado de Pragas Florestais
A avaliação da qualidade do manejo florestal é uma ferramenta que assegura o
desenvolvimento sustentável de povoamentos florestais, abrangendo seus objetivos
econômicos, ambientais e sociais. O Forest Stewardship Council (FSC) desenvolveu, na
década de 90, um padrão internacional de manejo florestal, incluindo diversos princípios
e critérios, que abordam desde aspectos sociais, observando as relações com as
comunidades e direitos trabalhistas, até a preservação da biodiversidade, através do
monitoramento dos povoamentos florestais, incluindo o manejo de populações de insetos
(AULD et al., 2008).
Nesse sentido, o Manejo Integrado de Pragas Florestais (MIP Florestas) apresentase como um sistema de manejo de pragas que harmoniza aspectos ambientais associados
ao estudo da dinâmica populacional de insetos, utilizando todas as técnicas e métodos
disponíveis, de maneira compatível, para a manutenção do equilíbrio do sistema
(QUINTELA et al., 2007).
A ocorrência frequente de insetos nativos e exóticos em povoamentos florestais
de Eucalyptus spp., têm despertado o setor florestal brasileiro para a necessidade da
elaboração programas de manejo de pragas que atendam às demandas de sustentabilidade
social, ambiental e econômica. Além disso, tais programas de manejo devem ser
necessariamente flexíveis e dinâmicos, com a utilização de táticas promissoras e adição
contínua de pesquisas e desenvolvimento de novos métodos, adaptados às características
específicas de cada região produtora (IEDE, 2012).
2.4.1. Levantamento da entomofauna em povoamentos florestais de Eucalyptus
spp.
Levantamentos
populacionais
são
considerados
ferramentas
essenciais,
apresentando-se como a primeira etapa para o desenvolvimento de programas de Manejo
Integrado de Pragas Florestais (MIP Florestas), contribuindo para as definições de fatores
ecológicos e consequente integração de técnicas de controle (ALMEIDA et al., 1998;
CIVIDANES & CIVIDANES, 2008).
Através do levantamento e monitoramento da entomofauna local, é possível
conhecer a biodiversidade, os ciclos biológicos, picos de ocorrência, flutuação e
densidade populacional dos insetos associados aos povoamentos florestais, determinando
20
os insetos-não praga, os potenciais agentes de controle biológico, o registro de novas
ocorrências e a identificação de insetos-praga potenciais para a cultura (GARLET, 2010).
Segundo Vieira et al. (2011), o levantamento de insetos pode ser realizado através
de coletas direta ou indireta. A coleta direta, é alcançada através de vistorias e coleta
manual dos espécimes, com auxilio ou não de equipamentos, planta-a-planta. Já na coleta
indireta, a captura das espécies é realizada através da utilização de armadilhas, sem a
intervenção do coletador. De forma geral, o uso de armadilhas é considera a técnica
menos onerosa para o levantamento da maioria dos insetos. Porém, no levantamento e/ou
monitoramento de inimigos naturais e insetos benéficos, a coleta manual torna-se mais
adequada, por se tratar de espécies complexas que exigem um maior entendimento de
bioecologia.
Diversas técnicas de levantamento direto e/ou indireto da entomofauna em
Eucalyptus spp. vêm sendo aplicadas com sucesso no Brasil. Rocha et al. (2016)
realizaram levantamento da entomofauna associada a Eucalyptus spp. na região sudoeste
da Bahia utilizando dois tipos de armadilhas, a Moericke (bandejas coloridas) e pitfall
(armadilhas de solo), além da coleta manual. Durante o levantamento, foram identificados
9.698 indivíduos distribuídos em dez ordens, sendo a ordem Hymenoptera representante
de 70,4% dos insetos coletados.
Laranjeiro (2003) realizou um levantamento de insetos no Espírito Santo, através
de coletas mensais com armadilhas luminosas e Malaise (armadilhas de interceptação de
vôo), coletando 225.605 indivíduos, distribuídos em quinze ordens, sendo Coleoptera,
Hymenoptera e Lepidoptera correspondentes a 90, 58% dos insetos coletados.
2.5. Análises Faunísticas
A demanda por povoamentos florestais comerciais de Eucalyptus spp. que
mantenham os recursos naturais através da conservação da biodiversidade é um dos
pontos prioritários do setor florestal brasileiro. De forma geral, a preservação da
biodiversidade, passa necessariamente, pelo estabelecimento e entendimento de padrões
de riqueza, abundância e interação dos componentes da entomofauna local (KNEESHAW
et al., 2002).
Nesse sentido, a biodiversidade de uma comunidade pode ser estimada através de
modelos matemáticos, nos quais inclui-se a análise faunística. Esse método é amplamente
utilizado na mensuração de índices de diversidade, capazes de gerar informações que
21
auxiliam na determinação do estado de preservação da comunidade, na identificação das
espécies componentes e sua interação com o ambiente (SILVEIRA NETO et al. 1976;
GOTELLI, 2009).
Dessa maneira, os índices de diversidade são ferramentas indispensáveis que
fornecem informações sobre o grau de integridade dos ambientes em que se encontram
(LUTINSKI & GARCIA 2005). De forma simplificada, a diversidade pode ser
classificada em alfa (α), beta (β) e gama (γ), onde a diversidade α corresponde à
diversidade local, representada pelo total de espécies em um determinado habitat
homogêneo. A diversidade β, diversidade diferencial, é responsável pela mensuração das
diferenças de constituição de espécies entre comunidades em um determinado gradiente
ambiental. Por sua vez, a diversidade γ, diversidade regional, é caracterizada pelo número
total de espécies observado no total de habitats avaliados (WHITTAKER, 1972).
Paz et al. (2012) realizaram levantamento em um plantio experimental com três
clones de Eucalyptus spp. no estado de Sergipe, utilizando armadilhas de solo, do tipo
pitfall, e redes entomológicas. Na avaliação da diversidade, os parâmetros de abundância
e riqueza dos insetos foram analisados através dos Índice de Riqueza (IR), que
correspondeu ao número de ordens coletados na área total; Índice de Diversidade de
Gleason (Dg), que considerou o número de ordens coletadas em relação ao logaritmo do
número total de insetos coletados; e Diversidade de Menhinick (Db), que representou o
número de ordens / raiz quadrada do total de insetos coletados. Durante a coleta foram
identificadas oito ordens, sendo Hymenoptera e Orthoptera correspondentes a 89% dos
indivíduos coletados, apresentando altos níveis de abundância, estando presentes em
todas as áreas coletadas e armadilhas. De forma geral, os índices de diversidade obtidos
foram considerados baixos, evidenciando pouca riqueza na comunidade de insetos
presente no ambiente em estudo.
Garlet et. al (2016) realizaram levantamento populacional da entomofauna
associada a plantios de Eucalyptus spp., no Rio Grande do Sul, por meio de armadilhas
luminosas, utilizando índices de frequência, abundância, constância e diversidade. Foram
coletados 3.623 indivíduos distribuídos em oito ordens (Blattodea, Coleoptera,
Dermaptera,
Hemiptera,
Hymenoptera,
Lepidoptera,
Mantodea
e
Odonata),
identificando-se três espécies e três gêneros de lepidópteros desfolhadores considerados
de importância econômica: Automeris illustris, Eupseudosoma sp., Sabulodes sp.,
Sarsina sp., Thyrinteina arnobia e Agrotis ípsilon, além da coleobroca Phoracantha
semipunctata. Pelos resultados obtidos, os autores concluíram que existem espécies-praga
22
importantes da cultura de Eucalyptus spp. já estabelecidas na região, necessitando,
portanto, de monitoramento constante para que estas espécies não ocasionem danos aos
plantios.
Neste contexto, a partir da expansão das implantações de povoamentos florestais
clonais de Eucalyptus spp. para novas regiões produtoras no Brasil, o levantamento da
entomofauna faz-se necessário para a caracterização da comunidade de insetos, através
de estudos faunísticos, permitindo o conhecimento da biodiversidade local, dinâmica e
flutuação populacional das espécies estudadas nos mais variados ecossistemas, visando
dentre outros objetivos, a obtenção de informações que possam auxiliar na elaboração de
programas de Manejo Integrado de Pragas Florestais (MIP Florestas) (GARLET, 2010).
Em Alagoas, devido à recente implantação desses povoamentos, de forma
experimental, estudos que caracterizem as comunidades de insetos, através de análise
faunísticas ainda são escassos. Assim, a realização de pesquisas preliminares possui
grande relevância para o entendimento das interações, ocorrências e diversidade de
insetos nativos e/ou exóticos associados ao cultivo de Eucalyptus spp. no estado,
contribuindo para o crescimento e amplo desenvolvimento do setor florestal na região.
23
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Horizonte, v.29, n.242, p., jan./fev, 2008.
30
CAPITULO I - LEVANTAMENTO DA ENTOMOFAUNA E ANÁLISE
FAUNÍSTICA EM CLONES DE Eucalyptus urograndis NO ESTADO DE
ALAGOAS ATRAVÉS DE COLETA MANUAL
Elmadã Pereira Gonzaga1, Maria Eugênia Vieira Xavier1, Djison Silvestre1, Jakeline
Maria dos Santos1, Mariana Oliveira Breda1.
1
Programa de Pós-Graduação em Proteção de Plantas do Centro de Ciências Agrárias
(CECA) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) - Rio Largo, Al.
RESUMO
A implantação de povoamentos florestais experimentais clonais do híbrido Eucalyptus
urograndis no estado de Alagoas vem sendo estimulada para a diversificação dos cultivos
na região e produção de biomassa energética. Porém, devido ao cultivo em monocultura,
com áreas extensas, a abundância de alimento e a baixa variabilidade genética, favorecem
a ocorrência de insetos-praga nativos e exóticos. Assim, o presente estudo objetivou a
realização do levantamento e análise faunística da entomofauna associada a povoamento
florestal experimental clonal de E. urograndis (clones TP361, VCC865, I144 e VE41),
através de coleta manual. O levantamento foi realizado mensalmente, no período de
janeiro de 2018 a janeiro de 2019, analisando-se a presença de indivíduos em 25 plantas
de cada clone de E. urograndis. Foram coletados 619 indivíduos, distribuídos em 10
ordens e 46 táxons. A ordem Coleoptera foi a que apresentou o maior número de insetos
coletados 30,04 %, seguida de Hemiptera 23,58%, Araneae 14,53%, Hymenoptera
13,73% e Diptera 12,27%. Nos meses de fevereiro a maio de 2018, foi identificado um
surto populacional de Costalimaita ferruginea (Coleoptera: Chrysomelidae) em todos os
clones avaliados. As famílias que apresentaram os maiores índices de dominância,
abundância, frequência e constância, para todos os clones durante o período de avaliação
foram Araneae, Formicidae e Cicadellidae. O clone I144 apresentou maior índice de
diversidade de Shannon-Weaner, seguido de TP361, VE41 e VCC865.
Palavras-chave: entomologia florestal, coleta de copa, índices de diversidade, eucalipto.
31
ENTOMOFAUNA SURVEY AND FAUNISTIC ANALYSIS ON Eucalyptus
urograndis CLONES IN THE STATE OF ALAGOAS THROUGH MANUAL
COLLECTION
ABSTRACT
The implantation of clonal experimental forest stands of the hybrid Eucalyptus
urograndis in the State of Alagoas has been stimulated for crop diversification and
biomass energy production in the region. However, monoculture cultivation, with
extensive areas, abundance of food and low genetic variability, favors the occurrence
of native and exotic pest insects. Thus, the present study aimed to perform the survey
and faunistic analysis of the entomofauna associated to clonal experimental forest
stands of E. urograndis (TP361, VCC865, I144 and VE41 clones), through manual
collection. The survey was performed monthly, from January 2018 to January 2019,
analyzing the presence of individuals in 25 plants of each clone of E. urograndis. A
total of 619 individuals were collected, distributed in 10 orders and 46 taxa. The order
Coleoptera presented the highest number of insects collected 30.04%, followed by
Hemiptera 23.58%, Araneae 14.53%, Hymenoptera 13.73% and Diptera 12.27%.
From February to May 2018, a population outbreak of Costalimaita ferruginea
(Coleoptera: Chrysomelidae) was identified in all clones evaluated. The taxa that
presented the highest indexes of dominance, abundance, frequency and constancy for
all clones during the evaluation period were Araneae, Formicidae and Cicadellidae.
The I144 clone presented the highest diversity index of Shannon-Weaner, followed
by TP361, VE41 and VCC865 clones.
Keywords: forest entomology, canopy collection, diversity index, eucalyptus
32
1. INTRODUÇÃO
O gênero Eucalyptus originário da Austrália, ganhou notoriedade devido às
variedades de espécies e híbridos, rápido crescimento, alta produtividade e ampla
capacidade de adaptação as condições edafoclimáticas do Brasil (MORA & GARCIA,
2000). Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Floresta Plantada (ABRAF),
72,5% das áreas plantadas com Eucalyptus spp. no país estão destinadas a produção de
papel e celulose; 19,5% para a siderurgia e carvão vegetal; 7,3% para painéis de madeira
industrializada e 0,7% para produtores independentes (ABRAF, 2013).
No Brasil, diversos insetos nativos e exóticos são relatados associados a
povoamentos florestais de Eucalyptus spp., desde a fase de produção de mudas em viveiro
até o final do seu ciclo. Dentre eles, destacam-se as formigas-cortadeiras dos gêneros Atta
Fabricius, 1804 e Acromyrmerx Mayr, 1865; os lepidópteros nativos, como Thyrinteina
arnobia (Stoll, 1782) (Lepidoptera: Geometridae); e os coleópteros desfolhadores, como
o besouro amarelo do eucalipto Costalimaita ferruginea (Fabricius, 1801) (Coleoptera:
Chrysomelidae) (SANTOS et al., 2008; GARLET, 2010).
Além disso, a ocorrência de insetos exóticos apresenta-se como um dos maiores
entraves para o desenvolvimento do setor florestal, incluindo o psilídeo-de-concha,
Glycaspis brimblecombei Moore, 1964 (Hemiptera: Psyllidae); o percevejo-bronzeado,
Thaumastocoris peregrinus Carpintero e Dellapé, 2006 (Hemiptera: Thaumastocoridae);
e a vespa-da-galha, Leptocybe invasa Fisher & LaSalle, 2004 (Hymenoptera: Eulophidae)
(WILCKEN et al., 2003; WILCKLEN, 2008; WILCKEN & BERTI FILHO, 2008).
Devido à importância econômica dos povoamentos florestais clonais de
Eucalyptus spp. no país, o levantamento da entomofauna associada torna-se uma
ferramenta fundamental para a determinação da ocorrência, registro e acompanhamento
da disseminação e flutuação populacional de insetos nativos e exóticos. Garlet (2010),
avaliou a flutuação populacional de T. peregrinus e Ctenarytania spatulata Taylor, 1997
(Hemiptera: Psyllidae) em plantios de E. urograndis (E. grandis x E. urophylla) no
município de Alegrete, no Rio Grande do Sul, através do levantamento da entomofauna,
utilizando coleta manual, que consistia em sacudir um ramo de E. urograndis por oito
vezes dentro de um saco plástico.
Segundo Santos et al. (2008) o levantamento da entomofauna é de extrema
importância, pois garante a sustentabilidade do setor florestal no país, estimando a
biodiversidade dos povoamentos florestais, através da mensuração de índices de
33
diversidade, que auxiliam na determinação do estado de preservação da comunidade, na
identificação das espécies componentes e sua interação com o ambiente (SILVEIRA
NETO et al. 1976; GOTELLI, 2009). Porém, no estado de Alagoas, estudos sobre a
entomofauna associada a povoamentos florestais clonais de Eucalyptus spp. ainda são
escassos.
Assim, o estudo teve como objetivo realizar o levantamento da entomofauna
associada a um povoamento florestal experimental clonal do híbrido E. urograndis
(clones TP361, VCC865, I144 e VE41), através de coleta manual, utilizando índices de
frequência, abundância, constância, diversidade e análise faunística, através dos índices
de Shannon (H’) (diversidade); Margalef (DMg) (riqueza de táxons); e equitabilidade de
Pielou (J´).
2. MATERIAL E MÉTODOS
O presente estudo foi realizado entre o período de janeiro de 2018 a janeiro de
2019, em área experimental e no Laboratório de Entomologia Agrícola e Florestal
(LEAF-UFAL), do Centro de Ciências Agrárias (CECA), na Universidade Federal de
Alagoas (UFAL), em Rio Largo -AL.
2.1. Área de estudo
A área experimental correspondeu a um povoamento florestal clonal do híbrido
E. urograndis (E. grandis X E. urophylla), clones TP361, VCC865, I144 e VE41, com
espaçamento aproximado de 3x3 e implantação em agosto de 2017. O povoamento
florestal possui área de aproximadamente 2,5 ha, localizada no Centro de Ciências
Agrárias (CECA-UFAL) no município de Rio Largo, Alagoas, com coordenadas
geográficas 9º47’46’’ de latitude Sul e 35º’82’’ de longitude oeste, e altitude de 130m.
A distribuição dos clones TP361, VCC865, I144 e VE41 na área, obedece ao
croqui representado em 50 parcelas de aproximadamente 440m2, contendo em torno de
49 árvores/clone/parcela (Figura 1).
34
Figura 1. Croqui de povoamento florestal experimental clonal de E. urograndis e distribuição
dos clones TP361, VCC865, I144 e VE41 (B), no Centro de Ciências Agrárias (CECA) da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em Rio Largo, Alagoas. Fonte: autor, 2018.
A condução do plantio consistiu de manejo florestal tradicional, com capinas
manuais, adubação de base realizada na fase de implantação, adubação de cobertura
semestral, além do controle de formigas cortadeiras (Hymenoptera: Formicidae), com
aplicação de iscas granuladas, Mirex S-Max® (Sulfonamidas Fluoroalifáticas), 8g/m2 de
terra solta do formigueiro, ao longo dos carreiros ou trilhas próximas aos olheiros ativos.
2.2. Levantamento da entomofauna
Para o levantamento da entomofauna, foram realizadas coletas manuais,
inspecionando-se visualmente todos os quadrantes da árvore, mensalmente, no período
de janeiro de 2018 a janeiro de 2019. A cada avaliação mensal, foram avaliadas 25
plantas/clone, totalizando 100 plantas/mês. A cada coleta, o levantamento da
entomofauna foi realizado em pontos diferentes, para cada clone do povoamento florestal,
seguindo metodologias propostas para monitoramento no Manejo Integrado de Pragas
Florestais (MIP Florestas), garantindo a abrangência total da área.
35
Os insetos coletados eram acondicionados em potes plásticos com tampa (100ml),
rotulados (data da coleta e clone) e transportados para o Laboratório de Entomologia
Agrícola e Florestal (LEAF). As amostras foram armazenadas em álcool 70% para a
conservação dos insetos e posteriormente identificadas.
A identificação das amostras foi realizada a nível de ordem e família, através de
chaves dicotômicas como Insetos do Brasil: Diversidade e Taxonomia (RAFAEL el al.,
2012) e Insetos de importância econômica: guia ilustrado para identificação de famílias
(FUJIHARA et al., 2011) , sendo o nível de espécie atingindo apenas para os insetos
comumente relatados como praga potencial em povoamentos florestais de Eucalyptus
spp.
2.3. Análises Faunísticas
A partir da identificação dos indivíduos amostrados, os táxons foram
caracterizados através do uso dos seguintes índices faunísticos: dominância, abundância,
frequência e constância. Os índices foram determinados através do software “ANAFAU”
(MORAES et al., 2003), que calcula os valores, segundo Silveira Neto et al. (1976).
Os critérios utilizados pelo software para classificar os índices faunísticos foram
os seguintes:
As espécies quanto à dominância são classificadas em: Super- dominante (SD);
Dominante (D), frequência maior que o limite da dominância; e Não- dominante (ND),
frequência menor que o limite da dominância.
A abundância foi classificada nas seguintes classes: Rara (R), número de
indivíduos menor que o limite inferior ao intervalo de confiança (IC) da média; Dispersa
(D), número de indivíduos entre os limites inferior e superior do IC da média; Comum
(C), número de indivíduos entre os limites inferior e superior do IC da média; Abundante
(A), número de indivíduos entre os limites superiores do IC; Muito abundante (MA),
número de indivíduos maior que o limite superior do IC da média; e Super abundante
(SA).
As classes de freqüência foram: Pouco frequente (PF), freqüência menor que o
limite inferior do IC da média; Freqüente (F), freqüência entre os limites inferior e
superior do IC da média; Muito frequente (MF), freqüência maior que o limite superior
do IC da média; e Super frequente (SF).
36
Na classificação do ANAFAU, a classe extrema (Super) é referente a valores
discrepantes de número de insetos, discriminados através da análise de resíduos.
Em relação a constância os taxa foram classificados conforme a seguir: constante
(W) – maior que o limite do IC; acessória (Y) – número situado dentro do IC; e acidentais
(Z) – menor que o limite inferior de IC.
Além disso, o cálculo de diversidade alfa (α), foi obtido através dos índices de
Shannon (H’) (diversidade); Margalef (DMg) (riqueza de táxons); e equitabilidade de
Pielou (J´), para estimar a uniformidade em termos de abundância de indivíduos entre as
espécies amostradas. Esses índices foram calculados conforme as equações abaixo,
utilizando o software “ANAFAU” (MORAES et al. 2003):
Índice de Shannon (H’):
(I)
Onde, S: número de táxons;
pi: proporção do táxon i na comunidade.
Índice de Margalef (DMg = α):
(II)
Onde, S: número de táxons;
N: número de indivíduos.
(III)
Índice de equitabilidade de Pielou (J’ = E):
Onde, H’: índice de Shannon;
S: número de táxons.
Os índices de Shannon (H’) foram comparados estatisticamente através dos limites
superiores e inferiores.
37
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram coletados 619 indivíduos distribuídos em 10 ordens e 46 táxons. A ordem
Coleoptera foi a que apresentou o maior número de insetos coletados 30,04 %, seguida
de Hemiptera 23,58%, Araneae 14,53%, Hymenoptera 13,73%, Diptera 12,27%,
Lepidoptera 3,39%, Orthoptera 1,61%, Mantodea e Neuroptera ambos com 0,32%, e
Odonata com 0,16% (Figura 2).
Número total de indivíduos coletados
200
150
100
50
Co
le
op
te
Le
ra
pi
do
pt
er
a
Di
pt
Hy
er
a
m
en
op
te
ra
He
m
ip
t
Or era
th
op
te
ra
Od
on
at
a
M
an
to
Ne dea
ur
op
te
ra
Ar
an
ea
0
Ordens coletadas
Figura 2. Porcentagem (%) de indivíduos/ordens após 13 meses de coleta manual em povoamento
florestal clonal de Eucalyptus urograndis. Janeiro 2018- Janeiro 2019. Rio Largo, AL.
Ao longo dos meses, foram observadas diferenças significativas entre as ordens
coletadas (Figura 3).
38
Coleoptera
Lepidoptera
Diptera
Hymenoptera
Hemiptera
Orthoptera
Odonata
Mantodea
Neuroptera
Araneae
5,0
Média de indivíduos coletados/mês
4,5
**
**
4,0
3,5
**
3,0
2,5
2,0
**
*
*
ns
*
*
**
ns
*
1,5
ns
1,0
0,5
0,0
18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 19
n/ ev/ ar/ br/ ai/ un/ Jul/ go/ et/ ut/ ov/ ez/ an/
a
S
J
J
J
F
O N
A
M
D
M
A
Meses de avaliação
Figura 3. Número médio de indivíduos coletados por ordens em povoamento florestal clonal de
Eucalyptus urograndis, ao longo de 13 meses de coleta manual. Janeiro 2018- Janeiro 2019. Rio
Largo, AL. ** P<0,0001; *P≤0,05; ns P≥0,05. Significância através do teste de Tukey a 5%.
Nos meses de fevereiro (F=11,71; P<0,0001), março (F=13,76; P<0,0001) e abril
(F=18,67; P<0,001) de 2018, verificou-se um aumento expressivo na coleta de
Coleoptera, relacionado à um surto populacional de C. ferruginea em todos os clones de
E. urograndis (TP361, VCC865, I144 e VE 41) (Figura 3).
39
TP361
VE41
VCC865
I144
25
20
15
10
5
0
Ja
n/
18
Fe
v/
1
M 8
ar
/1
Ab 8
r/1
M 8
ai
/1
8
Ju
n/
18
Ju
l/1
Ag 8
o/
18
Se
t/ 1
8
Ou
t/ 1
No 8
v/
1
De 8
z/
18
Ja
n/
19
Número total de Costalimaita ferruginea coletados/clone
30
Meses de avaliação
Figura 4. Flutuação populacional de Costalimaita ferruginea (Coleoptera: Chrysomelidae) em
diferentes clones de Eucalyptus urograndis (TP361, VCC865, I144 e VE 41), ao longo de 13
meses de coleta manual. Janeiro de 2018- Janeiro 2019. Rio Largo, AL.
Segundo Kassab et al. (2011), C. ferruginea é considerado um dos principais
besouros desfolhadores de Eucalyptus spp., com ocorrência frequente em plantios jovens,
corroborando com os resultados de flutuação populacional encontrados no presente
estudo, nos quais, C. ferruginea apresentou elevada população entre fevereiro e abril de
2018, quando o povoamento florestal clonal de E. urograndis apresentava idade entre 6
e 8 meses.
Em junho (F=9,92; P<0,0001) de 2018, a ordem Hemiptera apresentou diferença
significativa, representada majoritariamente por indivíduos da família Cicadellidae.
Senado et al. (2015) analisando a entomofauna associada a Eucalyptus sp. no estado do
Pará relatou a ocorrência de Cicadellidae como a família de segunda maior dominância
representando 11,5% dos indivíduos coletados.
No último mês de avaliação, em janeiro de 2019 (F=9,20; P<0,0001) foi
observado um elevado número de indivíduos da ordem Diptera, representados pela
família Muscidae. De acordo com Mendes e Linhares (1993) várias espécies de
40
muscídeos apresentam graus variáveis de adaptação a ambientes antropizados e/ou
agroecossistemas. Essa associação é devido a família Muscidae explorar substâncias e
resíduos orgânicos, como fezes e resíduos vegetais, utilizados como alimento e substrato
de oviposição.
De forma geral, não foram relatados surtos populacionais de insetos de
importância agrícola como a lagarta-parda-do-eucalipto, T. arnobia, cuja ocorrência
limitou-se a alguns indivíduos coletados no mês de agosto de 2018. Em relação aos
insetos exóticos, nenhuma das espécies com registro de ocorrência para o Brasil foi
encontrada durante o período de avaliação. Esse fato pode ser explicado devido a
ocorrência de T. arnobia, G. brimblecombei e T. peregrinus serem geralmente relatadas
em povoamentos florestais com idades superiores a 12 meses de implantação
(WILCKLEN, 2008; GARLET, 2010).
Em relação aos diferentes clones de E. urograndis (TP361, VCC865, I144 e VE
41), a distribuição das ordens seguiu o padrão geral, sendo Coleoptera, Hemiptera,
Araneae e Hymenoptera as com maiores representatividades (Figura 5).
Coleoptera
Lepidoptera
Diptera
Hymenoptera
Hemiptera
Orthoptera
Odonata
Mantodea
Neuroptera
Aranea
Número de indivíduos coletados / ordens
60
50
40
30
20
10
0
TP361
VCC865
I144
VE41
Clones de Eucalyptus urograndis
Figura 5. Número total de insetos coletados por ordens, em diferentes clones de Eucalyptus
urograndis (TP361, VCC865, I144 e VE 41), após 13 meses de coleta manual. Janeiro 2018 Janeiro 2019. Rio Largo, AL.
41
Em relação às análises faunísticas realizadas, após 13 meses de avaliação, o clone
TP361 apresentou um total de 165 indivíduos coletados, distribuídos em dez ordens e 28
famílias (Tabela 1). Para ordem Coleoptera, a espécie C. ferruginea apresentou
classificação de dominância, abundância, frequência e constância como dominante, muito
abundante, muito frequente e acidental, respectivamente. Em Hymenoptera, a família
Formicidae se destacou por ser dominante, muito abundante, muito frequente e constante.
Outra família que merece destaque é Vespidae, que se apresentou como dominante,
porém comum, frequente e acessória. Na ordem Hemiptera, a família Cicadellidae
apresentou dominante, muito abundante, muito frequente e constante. Já a família
Membracidae mostrou-se dominante, muito abundante, muito frequente e acessória.
Nessa mesma ordem, a família Cicadidae apresentou-se dominante, comum, frequente e
acessória. A família Araneae, apresentou-se como dominante, muito abundante, muito
frequente e constante.
Tabela 1. Índices faunísticos para táxons coletados através de coleta manual em povoamento
florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis, clone TP361. Rio Largo - AL. 2018.
ORDEM
TÁXON
TP361
N.
N. coletas
indivíduos
Coleoptera
Lepidoptera
Domin*
(1)
(2)
Abund Freq Const
Costalimaita
ferruginea
(Chrysomelidae)
38
3
D
D
ma
MF
Z
Outros
Chrysomelidae
9
5
D
D
ma
MF
Y
Lampyridae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Curculionidae
3
2
ND
ND
c
F
Z
Tenebrionidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Coccinellidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Arctiinae (Erebidae) 2
1
ND
ND
d
PF
Z
Thyrinteina arnobia 1
1
ND
ND
r
PF
Z
Hesperiidae
1
ND
ND
r
PF
Z
1
42
Geometridae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Outros Lepidópteras 2
1
ND
ND
d
PF
Z
Dolichopodidae
3
2
ND
ND
c
F
Z
Culicidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Muscidae
5
1
ND
ND
c
F
Z
Drosophilidae
2
1
ND
ND
d
PF
Z
Calliphoridae
2
2
ND
ND
d
PF
Z
Outros Dípteras
2
1
ND
ND
d
PF
Z
Formicidae
18
7
D
D
ma
MF
W
Vespidae
7
6
D
D
c
F
Y
Outros
Hymenopteras
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Cicadellidae
15
7
D
D
ma
MF
W
Membracidae
9
4
D
D
ma
MF
Y
Coreidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Alydidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Dactylopiidae
2
2
ND
ND
d
PF
Z
Cicadidae
6
4
D
D
c
F
Y
Acrididae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Romaleidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Odonata
Libellulidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Mantodea
Mantidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Neuroptera
Chrysopidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Araneae
-
25
8
D
D
ma
MF
W
Total
165
S
32
Diptera
Hymenoptera
Hemiptera
Orthoptera
D = dominância: SD (superdominate) D (dominante), ND (não dominante) onde (1) Método de Laroca e
Mielke e o (2) Método de Sakagami e Larroca. A = abundância: sa (superabundante), ma (muito abundante),
c (comum), r (rara), d (dispersa). F = frequência: SF (super frequente), MF (muito frequente), F (frequente),
PF (pouco frequente). C = constância: W (constante), Y (acessória), Z (acidental). S = riqueza (número de
espécies).
43
O clone VCC865 apresentou um total de 115 indivíduos coletados, distribuídos em
sete ordens e 18 famílias (Tabela 2). Assim como no clone anterior, em Coleoptera, C.
ferruginea mostrou-se dominante, muito abundante, muito frequente e acidental. Em
Hymenoptera, a família Formicidae apresentou-se dominante, comum, frequente e
acidental. Na ordem Hemiptera, a família Cicadellidae apresentou dominante, muito
abundante, muito frequente e constante. A família Araneae foi dominante, muito
abundante, muito frequente e constante.
Tabela 2. Índices faunísticos para táxons coletados através de coleta manual em povoamento
florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis, clone VCC865. Rio Largo - AL. 2018.
ORDEM
TÁXON
VCC865
N.
N. coletas
indivíduos
Coleoptera
Lepidoptera
Diptera
Hymenoptera
Domin*
(1)
(2)
Abund Freq Const
Costalimaita
ferruginea
(Chrysomelidae)
28
3
D
D
ma
MF
Z
Outros
Chrysomelidae
7
5
D
D
c
F
Y
Curculionidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Tenebrionidae
4
2
ND
ND
c
F
Z
Coccinellidae
2
1
ND
ND
d
PF
Z
Arctiinae (Erebidae) 2
2
ND
ND
d
PF
Z
Outros Lepidopteras 2
2
ND
ND
d
PF
Z
Ulidiidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Muscidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Syrphidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Outros Dípteras
9
6
D
D
a
MF
Y
Formicidae
7
3
D
D
c
F
Z
Apidae
2
1
ND
ND
d
PF
Z
Vespidae
2
2
ND
ND
d
PF
Z
44
Hemiptera
Orthoptera
Araneae
Cicadellidae
20
5
D
D
ma
MF
Y
Membracidae
5
4
ND
ND
c
F
Y
Flatidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Cicadidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Heteroptera
2
1
ND
ND
d
PF
Z
Acrididae
2
2
ND
ND
d
PF
Z
Tettigoniidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
-
14
7
D
D
ma
MF
W
Total
115
S
22
D = dominância: SD (superdominate) D (dominante), ND (não dominante) onde (1) Método de Laroca e
Mielke e o (2) Método de Sakagami e Larroca. A = abundância: sa (superabundante), ma (muito abundante),
c (comum), r (rara), d (dispersa). F = frequência: SF (super frequente), MF (muito frequente), F (frequente),
PF (pouco frequente). C = constância: W (constante), Y (acessória), Z (acidental). S = riqueza (número de
espécies).
O clone I144 apresentou um total de 176 indivíduos coletados, distribuídas em
sete ordens e 27 famílias (Tabela 3). Assim como nos clones anteriores, em Coleoptera,
C. ferruginea mostrou-se dominante, muito abundante, muito frequente e acidental. Em
Diptera, as famílias Culicidae e Muscidae foram dominantes, comuns, frequentes e
acidentais. Em Hymenoptera, a família Formicidae apresentou-se dominante, muito
abundante, muito frequente e acessória, enquanto a família Vespidae mostrou-se
dominante, comum, frequente e acessória. Na ordem Hemiptera a família Cicadellidae
Membracidae e Cicadidae apresentaram dominância, muita abundância e muita
frequência, diferindo só na constância. Araneae mostrou-se dominante, muito abundante,
muito frequente e constante.
45
Tabela 3. Índices faunísticos para táxons coletados através de coleta manual em povoamento
florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis, clone I144. Rio Largo - AL. 2018.
ORDEM
TÁXON
I144
N.
N. coletas
indivíduos
Coleoptera
Lepidoptera
Diptera
Hymenoptera
Domin*
(1)
(2)
Abund Freq Const
Costalimaita
ferruginea
(Chrysomelidae)
34
3
D
D
Ma
MF
Z
Outros
Chrysomelidae
4
3
ND
ND
C
F
Z
Curculionidae
1
1
ND
ND
R
PF
Z
Tenebrionidae
2
2
ND
ND
D
PF
Z
Coccinellidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Arctiinae (Erebidae) 1
1
ND
ND
r
PF
Z
Thyrinteina arnobia 3
(Geometridae)
1
ND
ND
c
F
Z
Saturniidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Outros Lepidoptera
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Dolichopodidae
3
2
ND
ND
c
F
Z
Culicidae
7
2
D
D
c
F
Z
Tachinidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Muscidae
6
1
D
D
c
F
Z
Drosophilidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Caliophoridae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Syrphidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Outros Dípteras
12
5
D
D
ma
MF
Y
Formicidae
16
6
D
D
ma
MF
Y
Pompilidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Apidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
46
Hemiptera
Orthoptera
Araneae
Vespidae
6
4
D
D
c
F
Y
Outros
Hymenopteras
4
1
ND
ND
c
F
Z
Cicadellidae
11
7
D
D
ma
MF
W
Membracidae
11
4
D
D
ma
MF
Y
Flatidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Coreidae
2
1
ND
ND
d
PF
Z
Alydidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Cicadidae
10
3
D
D
ma
MF
Z
Heteroptera
2
1
ND
ND
d
PF
Z
Acrididae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Tettigoniidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
-
28
8
D
D
ma
MF
W
Total
176
S
32
D = dominância: SD (superdominate) D (dominante), ND (não dominante) onde (1) Método de Laroca e
Mielke e o (2) Método de Sakagami e Larroca. A = abundância: sa (superabundante), ma (muito abundante),
c (comum), r (rara), d (dispersa). F = frequência: SF (super frequente), MF (muito frequente), F (frequente),
PF (pouco frequente). C = constância: W (constante), Y (acessória), Z (acidental). S = riqueza (número de
espécies).
O clone VE41 apresentou um total de 163 indivíduos coletados, distribuídos em
nove ordens e 23 famílias (Tabela 4). Assim como nos clones anteriores, em Coleoptera,
C. ferruginea mostrou-se dominante, muito abundante, muito frequente e acidental. Em
Hymenoptera, a família Formicidae e Vespidae mostraram-se dominantes, comuns,
frequentes e acessórias. Na ordem Hemiptera, as famílias Cicadellidae e Membracidae
mostraram-se dominantes, muito abundantes e muito frequentes, onde Cicadellidae foi
constante na área e Membracidae acessória. A família Cicadidae, apresentou-se
dominante, comum, frequente e acessória. A família Araneae foi dominante, muito
abundante, muito frequente e constante.
47
Tabela 4. Índices faunísticos para táxons coletados através de coleta manual em povoamento
florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis, clone VE41. Rio Largo - AL. 2018.
ORDEM
TÁXON
VE41
N.
N. coletas
indivíduos
Coleoptera
Lepidoptera
Diptera
Hymenoptera
Hemiptera
Domin*
(1)
(2)
Abund Freq Const
Costalimaita
ferruginea
(Chrysomelidae)
40
3
D
D
ma
MF
Z
Outros
Chrysomelidae
2
2
ND
ND
d
PF
Z
Curculionidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Tenebrionidae
3
2
ND
ND
c
F
Z
Coccinellidae
3
2
ND
ND
c
F
Z
Arctiinae (Erebidae) 1
1
ND
ND
r
PF
Z
Notodontidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Nymphalidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Psychidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Dolichopodidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Culicidae
6
1
D
ND
c
F
Z
Muscidae
4
1
ND
ND
c
F
Z
Drosophilidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Outros Dípteras
5
3
ND
ND
c
F
Z
Formicidae
9
4
D
D
c
F
Y
Vespidae
7
5
D
D
c
F
Y
Outros
Hymenoptera
4
2
ND
ND
c
F
Z
Cicadellidae
22
7
D
D
ma
MF
W
Membracidae
12
4
D
D
ma
MF
Y
Flatidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
48
Pentatomidae
2
2
ND
ND
d
PF
Z
Cicadidae
7
4
D
D
c
F
Y
Heteroptera
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Orthoptera
Acrididae
3
2
ND
ND
c
F
Z
Mantodea
Mantidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Neuroptera
Chrysopidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Araneae
-
23
9
D
D
ma
MF
W
Total
163
S
27
D = dominância: SD (superdominate) D (dominante), ND (não dominante) onde (1) Método de Laroca e
Mielke e o (2) Método de Sakagami e Larroca. A = abundância: sa (superabundante), ma (muito abundante),
c (comum), r (rara), d (dispersa). F = frequência: SF (super frequente), MF (muito frequente), F (frequente),
PF (pouco frequente). C = constância: W (constante), Y (acessória), Z (acidental). S = riqueza (número de
espécies).
De forma geral, a ordem Araneae e as famílias Formicidae e Cicadellidae
demonstraram altos índices de dominância, abundância, frequência e constância para
todos os clones de E. urograndis analisados. De acordo com Wise et al. (1999) o papel
de aranhas em agroecossistemas tem sido focado primariamente na função de agentes de
controle biológico desempenhada por esses indivíduos. Porém, as aranhas também
pertencem às teias de decomposição da matéria orgânica do solo, contribuindo para a
disponibilidade de nutrientes e, consequentemente, maior equilíbrio no ecossistema.
Em relação a ocorrência de Formicidae, é importante relatar que nessa família,
não foi registrada, em coleta manual para nenhuma das avaliações em nenhum dos clones
estudados, a incidência dos gêneros Atta sp. e Acromyrmex sp., frequentemente
associados como inseto-praga em povoamentos florestais de Eucalyptus spp. Esse fato
pode ser explicado pelos controles realizados na área experimental, através do uso de isca
inseticida, durante o período de levantamento.
A família Cicadellidae não é frequentemente citada em levantamentos de
entomofauna ou associada como uma família de insetos-praga em Eucalyptus spp. no
Brasil. Porém, Ohmart (1983) realizando levantamento de copa em diferentes espécies do
gênero Eucalyptus na Austrália, relatou a ocorrência de Cicadellidae como um
significativo componente da comunidade de insetos fitófagos, especialmente para E. dives
Schauer.
49
Em relação aos índices de diversidade de Shannon-Weaner (H’), o clone I144
apresentou valor de diversidade significativamente maior quando comparado aos demais
clones, seguido do clone TP361, VE41 e o clone VCC865 que apresentou menor índice
de diversidade. Para o índice de uniformidade ou equitabilidade (E), os valores variaram
de 0,80 para o clone I144 a 0,77 para o clone TP361. Os valores do índice de diversidade
de Margalef (α), variaram de 6,07 para TP361 a 4,42 para VCC865 (Tabela 5).
Tabela 5. Índices faunísticos para táxons coletados através de coleta manual em povoamento
florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis (I144, TP361, VE41 e VCC865). Rio
Largo - AL. 2018.
Clone
H’
E
Α
I144
2,783 a
0,80
5,99
TP361
2,692 b
0,77
6,07
VE41
2,596 c
0,78
5,10
VCC865
2,479 d
0,80
4,42
H’ = índice de diversidade de Shannon-Weaner; E = índice de uniformidade ou equitabilidade; α = índice
de diversidade de Margalef.
Segundo Magurran (1988) o índice de Shannon-Weaner (H’) expressa a
uniformidade dos valores através de todas as amostras e raramente ultrapassa o valor de
4,5. Garlet (2010) e Laranjeiro (2003), realizando levantamento da entomofauna em
Eucalyptus sp. encontraram valores que corroboram ao presente estudo, variando entre
2,3 e 2,4.
50
4. CONCLUSÕES
Pelos dados obtidos no levantamento da entomofauna em povoamento
florestal experimental clonal de E. urograndis, através de coleta manual, pode-se
concluir que as ordens mais coletadas foram Coleoptera, Hemiptera, Araneae,
Hymenoptera e Diptera. Nos meses de fevereiro a maio de 2018, foi identificado um
surto populacional de C. ferrugínea em todos os clones avaliados. A presença de
Aranaeae, Formicidae e Cicadellidae apresentou altos níveis de dominância,
abundância, frequência e constância em todos os clones durante o período de
avaliação. O clone I144 apresentou maior índice de diversidade de Shannon-Weaner.
De forma geral, o monitoramento deve ser constante em povoamentos florestais, a
fim de possibilitar o conhecimento da entomofauna e a adoção de práticas de manejo
de forma eficiente, auxiliando no estabelecimento do setor florestal na região.
51
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
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estatístico da ABRAF 2013 ano base 2012 / ABRAF. – Brasília: 148 p.: il. color; 21
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52
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WILCKLEN, C. F.; COUTO, E. B.; ORLATO, C.; FERREIRA FILHO, P. J.;
FIRMINO, D. C. Ocorrência do Psilídeo-de-concha (Glycaspis brimblecombei)
(Hemiptera: Psyllidae) em forestas de eucalipto no Brasil. Piracicaba, São Paulo:
Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Circular técnica, 201), 2003.
53
SILVEIRA NETO, S.; NAKANO, O.; BARBIN, D.; VILLA NOVA, N. Manual de
ecologia dos insetos. São Paulo: Ceres. 419 p., 1976.
54
CAPITULO
II
-
LEVANTAMENTO
E
CARACTERIZAÇÃO
DA
ARTROPODOFAUNA EDÁFICA EM POVOAMENTO FLORESTAL CLONAL
DE Eucalyptus urograndis NO ESTADO DE ALAGOAS.
Elmadã Pereira Gonzaga1, Maria Eugênia Vieira Xavier1, Djison Silvestre2, Jakeline
Maria dos Santos3, Mariana Oliveira Breda4.
1
Programa de Pós-Graduação em Proteção de Plantas do Centro de Ciências Agrárias
(CECA) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) - Rio Largo, Al.
RESUMO
A fauna edáfica corresponde à comunidade de organismos que vivem
permanentemente, ou que passam uma ou mais fases de seu desenvolvimento no solo e
desempenham importantes funções no ecossistema. Assim, o conhecimento e
caracterização da entomofauna edáfica em povoamentos florestais de Eucalyptus spp.
constitui uma ferramenta base essencial para o desenvolvimento de programas de Manejo
Integrado de Pragas Florestais. Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi realizar o
levantamento e a caracterização da fauna edáfica associada a povoamento florestal
experimental clonal de E. urograndis (clones TP361, VCC865, I144 e VE41) no estado
de Alagoas, utilizando armadilha de solo tipo pitfall. Cinco armadilhas foram instaladas
mensalmente, de dezembro de 2017 a dezembro de 2018, em cada clone de E. urograndis.
As avaliações eram realizadas sete dias após a instalação em campo. Foram coletados
5.960 indivíduos, distribuídos em 15 grupos taxonômicos, dentre os quais, Formicidae,
Araneae e Cicadellidae apresentaram os maiores índices faunísticos de dominância,
abundância, frequência e constância, para todos os clones avaliados. Através do
levantamento com armadilha tipo pitfall, foi possível identificar a ocorrência constante
de formigas do gênero Atta, consideradas insetos-praga de grande importância no cultivo
de Eucalyptus spp. O clone VE41 apresentou o maior índice de diversidade de ShannonWeaner, seguido por I144, VCC865 e TP361.
Palavras-chave: entomologia florestal; eucalipto; armadilha de solo; análise faunística.
55
SURVEY AND CHARACTERIZATION OF EDAPHIC ARTROPODOFAUNA ON
CLONAL FOREST STANDS OF Eucalyptus urograndis IN THE STATE OF
ALAGOAS.
ABSTRACT
The edaphic fauna corresponds to the organisms community that live permanently, or
which pass one or more stages of their development in the soil and play important roles
in the ecosystem. Thus, the knowledge and characterization of edaphic entomofauna in
forest stands of Eucalyptus spp. constitutes an essential base tool for the development of
Forest Integrated Pest Management programs. Thus, the objective of the present study
was to survey and characterize the edaphic fauna associated to a clonal forest stand of E.
urograndis (TP361, VCC865, I144 and VE41 clones) in the State of Alagoas, using pitfall
traps. Five traps were installed monthly, from December 2017 to December 2018, in each
clone of E. urograndis. Evaluations were performed seven days after field installation. A
total of 5,960 individuals were collected, distributed among 15 taxonomic groups.
Formicidae, Araneae and Cicadellidae presented the highest rates of dominance,
abundance, frequency and constancy for all clones evaluated. Through pitfall trap survey,
it was possible to identify the constant occurrence of ants on the genus Atta, considered
pest insects of major importance in Eucalyptus spp. The VE41 clone had the highest
diversity index of Shannon-Weaner, followed by I144, VCC865 and TP361 clones.
Keywords: forest entomology; eucalyptus; soil traps; faunistic analysis.
56
1. INTRODUÇÃO
A fauna edáfica, corresponde à comunidade de organismos que vivem
permanentemente ou que passam uma ou mais fases de seu desenvolvimento no solo,
podendo ser caracterizada por uma grande diversidade de indivíduos, desde
microrganismos até invertebrados (CORREIA & OLIVEIRA, 2000; AQUINO &
CORREIA, 2005; MOÇO et al., 2005). De acordo com Wardle e Lavelle (1997), a fauna
edáfica é classificada em microfauna, composta por organismos com 4 a 100 µm de
diâmetro corporal; mesofauna, que possui entre 100 µm e 2 mm de diâmetro corporal; e
macrofauna, com indivíduos entre 2 e 20 mm, sendo responsáveis por diferentes funções
no ambiente em que vivem.
Esses organismos desempenham importantes e indispensáveis funções no
ecossistema, agindo de maneira indireta na ciclagem de nutrientes; regulando populações
microbianas; contribuindo na fragmentação e redistribuição do resíduo vegetal, afetando
diretamente a estruturação do solo; além de atuarem na predação de invertebrados,
principalmente na regulação da população de insetos (SWIFT et al., 1979).
Segundo Correia e Oliveira (2000) o levantamento e monitoramento da
entomofauna edáfica é uma ferramenta de extrema importância para o desenvolvimento
de programas de Manejo Integrado de Pragas Florestais (MIP Florestas), avaliando o
funcionamento do sistema de produção, intimamente associado aos processos de
decomposição, ciclagem de nutrientes e identificação de potenciais agentes de controle
biológico na interface solo-planta.
Em povoamentos florestais de Eucalyptus spp. o levantamento da entomofauna
edáfica é geralmente realizado através da utilização de armadilhas do tipo “pitfall”, que
consiste em um recipiente ao nível do solo, com liquido para matar e conservar os insetos,
podendo permanecer por horas ou até dias no campo (GARLET, 2010). Oliveira et al.
(1995) utilizaram armadilhas de queda do tipo pitfall para a caracterização da fauna de
formigas em povoamento de E. urograndis no Amapá. Tacca et al. (2017), realizaram
levantamento da atropodofauna em E. grandis e mata nativa em Santa Catarina, utilizando
armadilhas do tipo pitfall, no qual 8.745 indivíduos foram coletados, distribuídos em 18
táxons, destes, 3.166 indivíduos (36,95%) no bosque de eucalipto (N=15 ordens) e .5579
indivíduos na mata nativa (63,05%) (N=19 ordens), sendo os grupos Hymenoptera,
Collembola e Diptera detentores das maiores porcentagens de coleta.
57
No estado de Alagoas, a recente implantação experimental de povoamentos
florestais clonais de E. urograndis, em substituição às áreas de produção de cana-deaçúcar, áreas de pastagens em processo de degradação e/ou áreas já degradadas, tem
gerado ambientes extensos, contíguos e de baixa variabilidade genética, o que pode
favorecer o desenvolvimento de populações de insetos de forma desequilibrada
(BERGER et al.,, 2012; APIMEC, 2015). Dessa forma, o conhecimento da entomofauna
edáfica associada a esses plantios, faz-se essencial para a continuidade, crescimento e
estabelecimento do setor florestal na região.
Assim, o objetivo deste estudo foi realizar o levantamento e caracterização da
entomofauna edáfica associada a um povoamento florestal clonal do híbrido Eucalyptus
urograndis (clones TP361, VCC865, I144 e VE41) no estado de Alagoas, utilizando
armadilha pitfall, visando a obtenção de informações base para o desenvolvimento de
programas de Manejo Integrado de Pragas Florestais (MIP Florestas).
2. MATERIAL E MÉTODOS
O presente estudo foi conduzido entre o período de dezembro de 2017 a dezembro
de 2018, em área experimental e no Laboratório de Entomologia Agrícola e Florestal
(LEAF-UFAL), do Centro de Ciências Agrárias (CECA), na Universidade Federal de
Alagoas (UFAL), em Rio Largo -AL.
2.1.Área de estudo
A área experimental correspondeu a um povoamento florestal clonal do híbrido
E. urograndis (E. grandis X E. urophylla), clones TP361, VCC865, I144 e VE41, com
espaçamento aproximado de 3x3 e implantação em agosto de 2017. O povoamento
florestal possui área de aproximadamente 2,5 ha, localizada no Centro de Ciências
Agrárias (CECA-UFAL) no município de Rio Largo, Alagoas, com coordenadas
geográficas 9º47’46’’ de latitude Sul e 35º’82’’ de longitude oeste, e altitude de 130m.
A distribuição dos clones TP361, VCC865, I144 e VE41 na área, obedece ao
croqui representado em 50 parcelas de aproximadamente 440m2, contendo em torno de
49 árvores/clone/parcela (Figura 1).
58
Figura 1. Croqui de povoamento florestal experimental clonal de E. urograndis e distribuição
dos clones TP361, VCC865, I144 e VE41 (B), no Centro de Ciências Agrárias (CECA) da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em Rio Largo, Alagoas. Fonte: autor, 2018.
A condução do plantio consistiu de manejo florestal tradicional, com capinas
manuais, adubação de base realizada na fase de implantação, adubação de cobertura
semestral, além do controle de formigas cortadeiras (Hymenoptera: Formicidae), com
aplicação de iscas granuladas, Mirex S-Max® (Sulfonamidas Fluoroalifáticas), 8g/m2 de
terra solta do formigueiro, ao longo dos carreiros ou trilhas próximas aos olheiros ativos.
2.2. Levantamento da entomofauna edáfica
Para o levantamento da entomofauna do solo, foram instaladas mensalmente, de
dezembro de 2017 a dezembro de 2018, cinco armadilhas de queda do tipo “pitfall” para
cada clone de E. urograndis (TP361, VCC865, I144 e VE41), totalizando 20
armadilhas/coleta. A cada coleta, o levantamento da entomofauna edáfica foi realizado
em pontos diferentes, para cada clone do povoamento florestal, seguindo metodologias
propostas para monitoramento no Manejo Integrado de Pragas Florestais (MIP Florestas),
garantindo a abrangência total da área.
As armadilhas de queda do tipo “pitfall”, foram constituídas de um recipiente
plástico redondo com capacidade para 1,8L (150 mm x 147 mm), contendo
59
aproximadamente 400mL de líquido conservante, composto por água, sal e detergente
(250 ml de água + 20 g de sal + 4ml de detergente). Após instalação no solo, as armadilhas
permaneciam em campo durante 07 dias.
A cada avaliação mensal, as amostras em campo eram devidamente
acondicionadas em potes plásticos com tampa (100ml), etiquetadas (data da coleta, clone
e armadilha) e transportadas para o Laboratório de Entomologia Agrícola e Florestal
(LEAF-UFAL), onde era realizada a limpeza e a triagem dos indivíduos para posterior
identificação. A separação dos organismos coletados foi realizada por meio de catação
manual, a olho nu, com a utilização de pinças e, quando necessário, lupa binocular. As
amostras foram armazenadas em álcool 70%, para conservação dos insetos.
A identificação das amostras foi realizada a nível de ordem e família, através de
chaves dicotômicas como Insetos do Brasil: Diversidade e Taxonomia (RAFAEL el al.,
2012) e Insetos de importância econômica: guia ilustrado para identificação de famílias
(FUJIHARA et al., 2011) , sendo o nível de espécie atingindo apenas para os insetos
comumente relatados como praga potencial em povoamentos florestais de Eucalyptus
spp.
2.3.Análises Faunísticas
A partir da identificação dos indivíduos amostrados, os táxons foram
caracterizados através do uso dos seguintes índices faunísticos: dominância, abundância,
frequência e constância. Os índices foram determinados através do software “ANAFAU”
(MORAES et al., 2003), que calcula os valores, segundo Silveira Neto et al. (1976).
Os critérios utilizados pelo software para classificar os índices faunísticos foram
os seguintes:
As espécies quanto à dominância são classificadas em: super dominante (SD);
dominante (D) – frequência maior que o limite da dominância; e não-Dominante (ND) –
frequência menor que o limite da dominância.
A abundância foi classificada nas seguintes classes: rara (R) – número de
indivíduos menor que o limite inferior ao intervalo de confiança (IC) da média; dispersa
(D) – número de indivíduos entre os limites inferior e superior do IC da média; comum
(C) – número de indivíduos entre os limites inferior e superior do IC da média; abundante
(A) – número de indivíduos entre os limites superiores do IC; muito abundante (MA) –
60
número de indivíduos maior que o limite superior do IC da média; e super abundante
(SA).
As classes de freqüência foram: pouco frequente (PF) – freqüência menor que o
limite inferior do IC da média; freqüente (F) – freqüência entre os limites inferior e
superior do IC da média; muito frequente (MF) – freqüência maior que o limite superior
do IC da média; e super frequente (SF).
Na classificação do ANAFAU, a classe extrema (super) é referente aos valores
discrepantes de número de insetos, discriminados através da análise de resíduos.
Em relação a constância os taxa foram classificados conforme a seguir: constante
(W) – maior que o limite do IC; acessória (Y) – número situado dentro do IC; e acidentais
(Z) – menor que o limite inferior de IC.
Além disso, o cálculo de diversidade alfa (α), foi obtido através dos índices de
Shannon (H’) (diversidade); Margalef (DMg) (riqueza de táxons); e equitabilidade de
Pielou (J´), para estimar a uniformidade em termos de abundância de indivíduos entre as
espécies amostradas. Esses índices foram calculados conforme as equações abaixo,
utilizando o software “ANAFAU” (Moraes et al. 2003):
(IV)
Índice de Shannon (H’):
Onde, S: número de táxons;
pi: proporção do táxon i na comunidade.
(V)
Índice de Margalef (DMg = α):
Onde, S: número de táxons;
N: número de indivíduos.
(VI)
Índice de equitabilidade de Pielou (J’= E):
61
Onde, H’: índice de Shannon;
S: número de táxons.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Armadilhas de queda do tipo pitfall podem ser utilizadas em vários tipos de
estudos, incluindo levantamentos de riqueza, comparações de abundância relativa,
marcação e recaptura, ecologia de populações, monitoramento e amostragens de
potenciais insetos-pragas e/ou agentes de controle biológico (CORN, 1994). Havek &
Buias (1997), chamam a atenção para o importante fato de que o uso de armadilhas de
queda elimina os vieses causados pelas variações, entre coletores, na capacidade de
encontrar insetos visualmente.
O clone TP361 apresentou um total de 1801 indivíduos coletados, distribuídos em
13 ordens e 38 famílias (Tabela 1). As ordens Coleoptera, Diptera, Hymenoptera,
Hemiptera, Orthoptera e Araneae apresentaram as famílias com índices mais
significativos. Na ordem Coleoptera, destacou a família Chrysomelidae apresentando-se
dominante, abundante, muito frequente e acessória. Na ordem Diptera, a família Ulidiidae
se mostrou dominante, abundante, muito frequente e acessória. Em Hymenoptera, se
destacou o gênero Atta com dominância, apresentando-se muito abundante, muito
frequente e constante, além de outros indivíduos da família Formicidae que se mostram
super dominante, super abundante, super frequente e constante. Na ordem Hemiptera, a
família Cicadellidae se destacou das demais por apresentar dominância, muita
abundância, muita frequência e serem constante. Em Orthoptera, as famílias que se
destacaram foram Acrididae e Gryllidae onde ambas se apresentaram dominante, muito
abundante, muito frequente e constante. A ordem Araneae mostrou-se dominante, muito
abundante, muito frequente e constante na área estudada.
62
Tabela 1. Índices faunísticos para táxons coletados com armadilha de queda do tipo pitfall em
povoamento florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis, clone TP361. Rio Largo AL. 2018.
ORDEM
TÁXON
TP361
N.
N. coletas
indivíduos
Coleoptera
Lepidoptera
Diptera
Hymenoptera
Domin*
(1)
(2)
Abund Freq Const
Costalimaita
ferruginea
(Chrysomelidae)
1
1
ND
ND
R
PF
Z
Outros
Chrysomelidae
24
5
D
D
A
MF
Y
Staphylinidae
4
2
ND
ND
D
PF
Z
Scarabaeidae
17
6
D
D
C
F
Y
Carabidae
22
10
D
D
C
F
W
Tenebrionidae
3
1
ND
ND
r
PF
Z
Arctiinae (Erebidae) 1
1
ND
ND
r
PF
Z
Nymphalidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Hesperiidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Dolichopodidae
9
4
D
ND
c
F
Y
Culicidae
3
1
ND
ND
r
PF
Z
Tachinidae
6
3
D
ND
d
PF
Z
Asilidae
2
2
ND
ND
r
PF
Z
Ulidiidae
25
6
D
D
a
MF
Y
Tipulidae
4
3
ND
ND
d
PF
Z
Psychodidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Muscidae
6
2
D
ND
d
PF
Z
Phoridae
10
3
D
ND
c
F
Z
Outros Dípteras
17
3
D
D
c
F
Z
Atta spp.
98
8
D
D
ma
MF
W
63
Formicidae
1116
13
SD
SD
sa
SF
W
Acromyrmex spp.
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Braconidae
3
2
ND
ND
r
PF
Z
Mutillidae
2
2
ND
ND
r
PF
Z
Scoliidae
4
2
ND
ND
d
PF
Z
Pompilidae
5
4
ND
ND
d
PF
Y
Sphecidae
6
3
D
ND
d
PF
Z
Apidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Vespidae
2
2
ND
ND
r
PF
Z
Outros
Hymenopteras
3
2
ND
ND
r
PF
Z
Cicadellidae
56
10
D
D
ma
MF
W
Cydnidae
6
3
D
ND
d
PF
Z
Reduviidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Coreidae
3
3
ND
ND
r
PF
Z
Acrididae
105
12
D
D
ma
MF
W
Gryllidae
82
11
D
D
ma
MF
W
Tettigoniidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Mantodea
Mantidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Isoptera
Termitidae
3
2
ND
ND
r
PF
Z
Outros isopteras
6
1
D
ND
d
PF
Z
Blattodea
Blattellidae
3
3
ND
ND
r
PF
Z
Myriapoda
Diplopoda
2
2
ND
ND
r
PF
Z
Chilopoda
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Araneae
129
12
D
D
ma
MF
W
Bothriuridae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
3
3
ND
ND
r
PF
Z
Hemiptera
Orthoptera
Arachnida
Opiliones
Total
1801
64
S
46
D = dominância: SD (superdominate) D (dominante), ND (não dominante) onde (1) Método de Laroca e
Mielke e o (2) Método de Sakagami e Larroca. A = abundância: sa (superabundante), ma (muito abundante),
c (comum), r (rara), d (dispersa). F = frequência: SF (super frequente), MF (muito frequente), F (frequente),
PF (pouco frequente). C = constância: W (constante), Y (acessória), Z (acidental). S = riqueza (número de
espécies).
O clone VCC865 apresentou um total de 1567 indivíduos coletados, distribuídos
em 14 ordens e 48 famílias (Tabela 2). As ordens que apresentaram famílias com os
índices mais significativos foram Coleoptera, Hymenoptera, Hemiptera, Orthoptera e
Arachnida. Na ordem Coleoptera, destacou as famílias Scarabaeidae e Carabidae
apresentando-se dominante, muito abundante, muito frequente e constante. Em
Hymenoptera o gênero Atta destacou-se com dominância, apresentando-se muito
abundante, muito frequente e constante, além de outros indivíduos da família Formicidae
que se mostram super dominante, super abundante, super frequente e constante. Na ordem
Hemiptera, a família Cicadellidae apresentou dominância, muita abundância, muita
frequência e constante. Em Orthoptera, as famílias que se destacaram foram Acrididae e
Gryllidae, onde ambas se apresentaram dominante, muito abundante, muito frequente e
constante. Em Arachnida, a ordem Araneae mostrou-se super dominante, super
abundante, super frequente e constante.
Tabela 2. Índices faunísticos para táxons coletados com armadilha de queda do tipo pitfall em
povoamento florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis, clone VCC865. Rio Largo AL. 2018.
ORDEM
TÁXON
VCC865
N.
N. coletas
indivíduos
Coleoptera
Domin*
(1)
(2)
Abund Freq Const
Chrysomelidae
8
4
D
ND
c
F
Y
Bolboceratidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Staphylinidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Elateridae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Curculionidae
6
4
D
ND
c
F
Y
65
Lepidoptera
Diptera
Hymenoptera
Hemiptera
Scarabaeidae
23
8
D
D
ma
MF
W
Carabidae
30
8
D
D
ma
MF
W
Tenebrionidae
9
3
D
D
c
F
Z
Arctiinae (Erebidae) 1
1
ND
ND
r
PF
Z
Thyrididae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Dolichopodidae
4
2
ND
ND
d
PF
Z
Culicidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Tachinidae
8
5
D
ND
c
F
Y
Asilidae
8
4
D
ND
c
F
Y
Ulidiidae
4
2
ND
ND
d
PF
Z
Tipulidae
2
1
ND
ND
r
PF
Z
Sarcophagidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Calliphoridae
2
1
ND
ND
r
PF
Z
Syrphidae
3
1
ND
ND
d
PF
Z
Phoridae
55
2
D
D
ma
MF
Z
Outros Dípteras
4
1
ND
ND
d
PF
Z
Atta spp.
29
8
D
D
ma
MF
W
Formicidae
873
13
SD
SD
sa
SF
W
Braconidae
3
3
ND
ND
d
PF
Z
Chalcididae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Ichneumonidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Scoliidae
4
2
ND
ND
d
PF
Z
Pompilidae
8
7
D
ND
c
F
W
Sphecidae
5
1
ND
ND
c
F
Z
Bethylidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Apidae
2
2
ND
ND
r
PF
Z
Vespidae
5
4
ND
ND
c
F
Y
Cicadellidae
36
8
D
D
ma
MF
W
66
Cydnidae
8
5
D
ND
c
F
Y
Membracidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Coreidae
5
2
ND
ND
c
F
Z
Alydidae
2
1
ND
ND
r
PF
Z
Aphididae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Cicadidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Outros Hemipteras
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Acrididae
58
12
D
D
ma
MF
W
Gryllotalpidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Gryllidae
66
11
D
D
ma
MF
W
Tettigoniidae
6
3
D
ND
c
F
Z
Mantodea
Mantidae
4
2
ND
ND
d
PF
Z
Isoptera
Kalostermitidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Outros Isopteras
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Neuroptera
Chrysopidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Blattodea
Blattellidae
3
3
ND
ND
d
PF
Z
Myriapoda
Diplopoda
2
2
ND
ND
r
PF
Z
Chilopoda
2
2
ND
ND
r
PF
Z
Araneae
258
13
SD
SD
sa
SF
W
Bothriuridae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Opiliones
-
2
1
ND
ND
r
PF
Z
Thysanoptera
Phlaeothripidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Total
1567
S
55
Orthoptera
Arachnida
D = dominância: SD (superdominate) D (dominante), ND (não dominante) onde (1) Método de Laroca e
Mielke e o (2) Método de Sakagami e Larroca. A = abundância: sa (superabundante), ma (muito abundante),
c (comum), r (rara), d (dispersa). F = frequência: SF (super frequente), MF (muito frequente), F (frequente),
PF (pouco frequente). C = constância: W (constante), Y (acessória), Z (acidental). S = riqueza (número de
espécies).
67
O clone I144 apresentou um total de 1702 indivíduos coletados, distribuídos em
14 ordens e 46 famílias (Tabela 3). As ordens que apresentaram famílias com os índices
mais significativos foram Coleoptera, Diptera, Hymenoptera, Hemiptera, Orthoptera e
Arachnida. Na ordem Coleoptera, destacou as famílias Scarabaeidae com dominância,
apresentando-se comum, frequente e acessória; e Carabidae apresentando-se dominante,
muito abundante, muito frequente e constante. Em Diptera, a família Ulidiidae se
destacou das demais por apresentar-se dominante, muito abundante, muito frequente e
acessória. Na ordem Hymenoptera, o gênero Atta destacou-se com dominância,
apresentando-se muito abundante, muito frequente e constante, além de outros indivíduos
da família Formicidae que se mostram super dominante, super abundante, super frequente
e constante. Na ordem Hemiptera, a família Cicadellidae apresentou dominância, muita
abundância, muita frequência e constante. Em Orthoptera, as famílias Acrididae e
Gryllidae destacaram, onde ambas se apresentaram dominante, muito abundante, muito
frequente e constante. Em Arachnida, a ordem Araneae mostrou-se dominante, muito
abundante, muito frequente e constante.
Tabela 3. Índices faunísticos para táxons coletados com armadilha de queda do tipo pitfall em
povoamento florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis, clone I144. Rio Largo - AL.
2018.
ORDEM
TÁXON
I144
N.
N. coletas
indivíduos
Coleoptera
Domin*
(1)
(2)
Abund Freq Const
Costalimaita
ferruginea
(Chrysomelidae)
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Outros
Chrysomelidae
13
6
D
ND
c
F
Y
Staphylinidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Curculionidae
2
1
ND
ND
r
PF
Z
Scarabaeidae
20
5
D
D
c
F
Y
Carabidae
28
8
D
D
ma
MF
W
Tenebrionidae
4
2
ND
ND
d
PF
Z
68
Lepidoptera
Diptera
Hymenoptera
Hemiptera
Coccinellidae
2
2
ND
ND
r
PF
Z
Sesiidae
2
2
ND
ND
r
PF
Z
Outros Lepidópteras 1
1
ND
ND
r
PF
Z
Dolichopodidae
6
3
D
ND
c
F
Z
Culicidae
4
1
ND
ND
d
PF
Z
Tachinidae
10
4
D
ND
c
F
Y
Asilidae
3
3
ND
ND
d
PF
Z
Ulidiidae
41
4
D
D
ma
MF
Y
Tipulidae
4
2
ND
ND
d
PF
Z
Sarcophagidae
2
1
ND
ND
r
PF
Z
Stratiomyidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Oestridae
3
1
ND
ND
d
PF
Z
Muscidae
14
5
D
ND
c
F
Z
Drosophilidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Syrphidae
2
2
ND
ND
r
PF
Z
Phoridae
44
4
D
D
ma
MF
Y
Outros Dípteras
6
1
D
ND
c
F
Z
Atta spp.
59
8
D
D
ma
MF
W
Formicidae
880
13
SD
SD
sa
SF
W
Braconidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Scoliidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Pompilidae
4
3
ND
ND
d
PF
Z
Sphecidae
2
1
ND
ND
r
PF
Z
Apidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Vespidae
2
1
ND
ND
r
PF
Z
Outros
Hymenopteras
4
3
ND
ND
d
PF
Z
Cicadellidae
89
9
D
D
ma
MF
W
69
Cydnidae
7
4
D
ND
c
F
Y
Reduviidae
2
2
ND
ND
r
PF
Z
Nepidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Coreidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Cercopidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Aphididae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Pentatomidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Cicadidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Acrididae
85
13
D
D
ma
MF
W
Gryllotalpidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Gryllidae
106
11
D
D
ma
MF
W
Mantodea
Mantidae
1
1
ND
ND
R
PF
Z
Isoptera
Termitidae
5
1
ND
ND
D
PF
Z
Outros Isopteras
4
3
ND
ND
D
PF
Z
Dermaptera
Anisolabididae
1
1
ND
ND
R
PF
Z
Blattodea
Blattellidae
2
2
ND
ND
R
PF
Z
Myriapoda
Diplopoda
3
3
ND
ND
D
PF
Z
Chilopoda
1
1
ND
ND
R
PF
Z
Araneae
210
11
D
D
Ma
MF
W
Bothriuridae
1
1
ND
ND
R
PF
Z
Opiliones
-
3
2
ND
ND
D
PF
Z
Sarcoptiformes
Acaridae
6
1
D
ND
C
F
Z
Total
1702
S
56
Orthoptera
Arachnida
D = dominância: SD (superdominate) D (dominante), ND (não dominante) onde (1) Método de Laroca e
Mielke e o (2) Método de Sakagami e Larroca. A = abundância: sa (superabundante), ma (muito abundante),
c (comum), r (rara), d (dispersa). F = frequência: SF (super frequente), MF (muito frequente), F (frequente),
PF (pouco frequente). C = constância: W (constante), Y (acessória), Z (acidental). S = riqueza (número de
espécies).
70
O clone VE41 apresentou um total de 890 indivíduos coletados, distribuídos em
11 ordens e 42 famílias (Tabela 4). As ordens Coleoptera, Diptera, Hymenoptera,
Hemiptera, Orthoptera e Arachnida apresentaram as famílias com índices mais
significativos. Na ordem Coleoptera, destacou a família Chrysomelidae com dominância,
abundancia, muito frequente e acessória; a família Carabidae apresentando-se dominante,
com abundancia, muito frequente e constante; além da família Scarabaeidae que mostrouse dominante, muito abundante, muito frequente e constante. Na ordem Diptera, a família
Ulidiidae se mostrou dominante, abundante, muito frequente e acidental. Em
Hymenoptera, se destacou o gênero Atta com dominância, apresentando-se muito
abundante, muito frequente e acessória, além de outros indivíduos da família Formicidae
que se mostram super dominante, super abundante, super frequente e constante. Na ordem
Hemiptera, a família Cicadellidae se destacou das demais por apresentar dominância,
muita abundância, muita frequência e por ser constante. Em Orthoptera, as famílias que
se destacaram foram Acrididae e Gryllidae, onde ambas se apresentaram dominante,
muito abundante, muito frequente e constante. Em Arachnida, a ordem Araneae mostrouse dominante, muito abundante, muito frequente e constante na área.
Tabela 4. Índices faunísticos para táxons coletados com armadilha de queda do tipo pitfall em
povoamento florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis, clone VE41. Rio Largo AL. 2018.
ORDEM
TÁXON
VE41
N,
N, coletas
indivíduos
Coleoptera
Domin*
(1)
(2)
Abund Freq Const
Costalimaita
ferruginea
(Chrysomelidae)
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Outros
Chrysomelidae
14
6
D
D
a
MF
Y
Staphylinidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Curculionidae
5
4
ND
ND
c
F
Y
Buprestidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Scarabaeidae
25
7
D
D
ma
MF
W
71
Diptera
Hymenoptera
Hemiptera
Carabidae
14
8
D
D
a
MF
W
Tenebrionidae
3
2
ND
ND
d
PF
Z
Coccinellidae
4
2
ND
ND
c
F
Z
Nymphalidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Outros Lepidópteras 1
1
ND
ND
r
PF
Z
Dolichopodidae
2
1
ND
ND
r
PF
Z
Culicidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Tachinidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Asilidae
4
3
ND
ND
c
F
Z
Ulidiidae
15
2
D
D
a
MF
Z
Tipulidae
3
1
ND
ND
d
PF
Z
Cecidomyiidae
2
1
ND
ND
r
PF
Z
Muscidae
4
3
ND
ND
c
F
Z
Drosophilidae
5
1
ND
ND
c
F
Z
Phoridae
3
2
ND
ND
d
PF
Z
Outros Dípteras
2
1
ND
ND
r
PF
Z
Atta spp.
30
6
D
D
ma
MF
Y
Formicidae
457
12
SD
SD
as
SF
W
Ichneumonidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Mutillidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Scoliidae
3
2
ND
ND
d
PF
Z
Pompilidae
10
4
D
D
c
F
Y
Sphecidae
2
1
ND
ND
r
PF
Z
Apidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Vespidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Outros
Hymenopteras
2
1
ND
ND
r
PF
Z
Cicadellidae
46
7
D
D
ma
MF
W
72
Cydnidae
6
5
D
ND
c
F
Y
Psyllidae
2
1
ND
ND
r
PF
Z
Pentatomidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Cicadidae
2
2
ND
ND
r
PF
Z
Acrididae
28
8
D
D
ma
MF
W
Proscopiidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Gryllotalpidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Gryllidae
74
10
D
D
ma
MF
W
Tettigoniidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Mantodea
Mantidae
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Isoptera
Outros Isopteras
1
1
ND
ND
r
PF
Z
Blattodea
Blattellidae
8
6
D
ND
c
F
Y
Myriapoda
Diplopoda
3
3
ND
ND
d
PF
Z
Chilopoda
2
1
ND
ND
r
PF
Z
Araneae
90
10
D
D
ma
MF
W
Bothriuridae
2
2
ND
ND
r
PF
Z
Total
890
S
50
Orthoptera
Arachnida
D = dominância: SD (superdominate) D (dominante), ND (não dominante) onde (1) Método de
Laroca e Mielke e o (2) Método de Sakagami e Larroca. A = abundância: sa (superabundante), ma (muito
abundante), c (comum), r (rara), d (dispersa). F = frequência: SF (super frequente), MF (muito frequente),
F (frequente), PF (pouco frequente). C = constância: W (constante), Y (acessória), Z (acidental). S = riqueza
(número de espécies).
De forma geral, Formicidae apresentou índices significativos de dominância,
abundância, frequência e constância para todos os clones de E. urograndis avaliados. As
formigas são insetos que possuem uma distribuição cosmopolita, sendo relatadas mais de
10.000 espécies ao redor do mundo, onde, aproximadamente 1.020 espécies foram
catalogadas no Brasil (BUZZI, 2013). De acordo com Rocha et al., (2015) a diversidade
e a riqueza desses organismos tendem a aumentar com a disponibilidade de alimento que
o habitat oferece. Os representantes da família Formicidae, assim como muitos outros
73
insetos, são excelentes indicadores de qualidade ambiental (PEREIRA & SILVA, 2009)
devido a sua alta abundância e riqueza, por apresentarem uma grande quantidade de
táxons especializados, pela facilidade de amostrar e por serem sensíveis a mudanças no
ambiente (MAJER, 1983).
Em Formicidae, o gênero Atta apresentou índices representativos durante os
períodos de avaliação. As formigas Atta spp. merecem destaque por acarretar prejuízos
expressivos em povoamentos florestais de Eucalyptus spp., provocando danos em
qualquer fase de desenvolvimento da cultura, realizando cortes em partes da planta, desde
das folhas até as flores (GARLET, 2010).
O segundo táxon mais representativo durante a coleta foram as aranhas (Araneae).
De acordo com Brusca e Brusca (2007) o grupo apresenta uma grande diversidade, com
aproximadamente 35.000 espécies descritas, de hábito alimentar predador, apresentando
alta potencialidade para o controle biológico natural, auxiliando na redução de insetos
considerados pragas agrícolas.
A ordem Orthoptera apresentou índices significativos para todos os clones
avaliados, majoritariamente representado pelas famílias Gryllidae e Acrididae.
Dentre os coleópteros, a família Carabidae se destacou nas coletas do presente
estudo, apresentando-se abundante e com diversidade em todos os clones avaliados. A
maioria das espécies da família Carabidae são predadores desde sua fase larval, assim
como adultos, sendo considerados importantes agentes de controle biológico de insetos
tais como afídeos, ovos e larvas de crisomelídeos, curculionídeos e outros coleópteros,
além de larvas de lepidópteros (SIQUEIRA et al., 2015).
Outro grupo que merece destaque é Scarabaeidae, que utilizam massas fecais e
carapaças de animais mortos como fonte alimentar (SILVA et al., 2013). O Sacarabaeidae
desempenha funções importantes no ecossistema, dentre elas, ciclagem de nutrientes,
dispersão secundária de sementes, sendo capazes de incorporar a matéria orgânica e
realizar aeração no solo. Indivíduos dessa família ainda podem realizar o controle de
populações de dípteros hematófagos e nematoides gastrointestinais de bovinos em áreas
de pastagem (SILVA et al., 2014).
De maneira geral, diversos autores realizaram levantamento da fauna edáfica,
através de armadilhas de solo do tipo pitfall, em povoamentos florestais de Eucalyptus
spp. Dantas et al. (2012) realizaram um levantamento da entomofauna em sistema
agroflorestal, obtendo como resultado 766 insetos coletados, onde as ordens
Hymenoptera (63,18%) e Orthoptera (27,80%) foram as mais abundantes. Nesse
74
levantamento, a família Formicidae representou 61,48% do total de insetos coletados e
97,31% da ordem Hymenoptera; e a família Gryllidae representou 23,89% do total de
insetos e 85,91% da ordem Orthoptera.
Garlet et al. (2017) averiguaram a fauna edáfica em plantio inicial de Eucalyptus
sp. em Santa Maria no Rio Grande do Sul, onde foram coletados 26.136 espécimes,
distribuídos em quatro classes (Arachnida, Chilopoda, Diplopoda e Insecta) e 13 grupos
taxonômicos (Araneae, Blattodea, Chilopoda, Collembola, Coleoptera, Diplopoda,
Diptera, Hemiptera, Hymenoptera, Termitoidea, Orthoptera, Opiliones e formas jovens).
Do total de indivíduos coletados, 71,5% corresponderam ao grupo Hymenoptera, com
predomínio de indivíduos da família Formicidae, constituído de formigas cortadeiras dos
gêneros Atta e Acromyrmex.
Copatti e Gasparetto (2012), verificando a diversidade de insetos em povoamento
florestal de Eucalyptus spp., coletaram 5.826 indivíduos distribuídos em 78 famílias,
dentre as quais, Formicidae foi a família mais abundante com 2.089 indivíduos,
correspondendo 35,86% de insetos coletados, corroborando com os resultados obtidos no
presente estudo como a família mais expressiva.
Oliver e Beattie (1996) apontaram que comunidades de formigas podem ser
indicadores da diversidade de organismos de outros grupos taxonômicos, especialmente
Coleoptera e Araneae. De acordo com esses autores, a riqueza de Formicidae reflete na
riqueza desses dois outros grupos. No presente trabalho, pode-se considerar que
Formicidae, Coleoptera e Araneae apresentaram altos índices faunísticos.
Em relação aos índices de diversidade de Shannon-Weaner (H’), o clone VE41
apresentou maior valor de diversidade (2,071) quando comparado aos demais clones,
sendo o clone TP361 considerado como o de menor diversidade avaliada (1,689). Os
índices de uniformidade ou equitabilidade (E) variaram de 0,44 no clone TP361 a 0,52
para o clone VE41. Os índices de diversidade de Margalef (α) variaram de 6,0 no clone
TP361 a 7,39 no clone I144.
75
Tabela 5. Índices faunísticos para táxons coletados através de armadilha de solo tipo pitfall em
povoamento florestal experimental clonal de Eucalyptys urograndis (I144, TP361, VE41 e
VCC865). Rio Largo - AL. 2018.
Clones
H’
E
Α
VE41
2,071 a
0,52
7,21
I144
1,987 c
0,49
7,39
VCC865
1,821 d
0,45
7,34
TP361
1,689 b
0,44
6,00
H’ = índice de diversidade de Shannon-Weaner; E = índice de uniformidade ou equitabilidade; α = índice
de diversidade de Margalef.
Estudando a fauna edáfica em diferentes coberturas vegetais em povoamento
florestal de Eucalyptus sp. Moço et al. (2005) obtiveram índice de Shannon de 2,66
próximo ao valor encontrado neste estudo.
Tacca et al. (2017) ao estudar a
artropodofauna do solo em um bosque de Eucalyptus sp. no sul do Brasil, obtiveram o
índice de Shannon de 3,91, mostrando superior do presente estudo, podendo ser explicado
pela idade da planta e tamanho da área estudada (10ha).
Ao realizar a caracterização da fauna edáfica e sua relação com as variáveis
meteorológicas em plantios de Eucalyptus spp., Garlet (2013) relatou que no ano de
avaliação de 2006 as espécies E. urograndis, E. dunnii e E. grandis apresentaram o índice
de diversidade de Shannon de 1,83; 1,58 e 1,76 respectivamente. Em 2007, as espécies
E. grandis x E. urophylla, E. dunnii e E. grandis apresentam o índice de 1,57; 1,79; 1,73
respectivamente. A autora ainda aponta que conforme o aumento da idade do povoamento
os índices tendem a aumentar, fato explicado pelo aumento da matéria orgânica
depositada na serapilheira.
76
4. CONCLUSÕES
Pelos dados obtidos no levantamento da entomofauna em povoamento florestal
experimental clonal de E. urograndis, através de coleta com armadilha de solo tipo pitfall
pode-se concluir que as ordens mais coletadas foram Hymenoptera, Araneae e Hemiptera.
As famílias Formicidae e Araneae e Cicadellidae mostraram-se com maiores índices de
dominância, abundância, frequência e constância em todos os clones avaliados. O clone
VE41 apresentou maior índice de diversidade de Shannon-Weaner. seguido por I144,
VCC865 e TP361. Durante o período de avaliação, foi possível relatar a ocorrência
constante de formigas do gênero Atta, consideradas insetos-praga na cultura de
Eucalyptus spp. sendo assim, necessário o monitoramento constante para evitar os
possíveis surtos do inseto na área estudada.
77
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