Preparo do microencapsulado de Annona squamosa L. (Annonaceae) e toxicidade letal e subletal do microencapsulado a Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae)

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PROTEÇÃO DE PLANTAS

ANILDE DA GRAÇA SOUSA MACIEL

Preparo do microencapsulado de Annona squamosa L. (Annonaceae) e toxicidade letal e
subletal do microencapsulado a Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae)

Rio Largo, AL
2018

ANILDE DA GRAÇA SOUSA MACIEL

Preparo do microencapsulado de Annona squamosa L. (Annonaceae) e toxicidade letal e
subletal do microencapsulado a Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae)

Tese apresentada ao Programa de PósGraduação em Proteção de Plantas, do Centro
de Ciências Agrárias, da Universidade Federal
de Alagoas, como parte dos requisitos para
obtenção do título de Doutora em Proteção de
Plantas.
Orientadora: Profa Dra Roseane Cristina Predes
Trindade
Coorientador: Prof. Dr. Edmilson Santos Silva

Rio Largo, AL
2018

Dedico aos meus pais, Antonio Maciel Filho
e Maria da Conceição da Costa Sousa Maciel
pelo apoio, dedicação, amor e compreensão!

Dedico

AGRADECIMENTOS
Primeiramente a Deus por me conceder saúde, força e paciência para conquistar meus
objetivos.
A minha família, que é a base da minha vida, principalmente aos meus pais, Maria da
Conceição C. S. Maciel e Antonio Maciel Filho, pelo amor incondicional, pelas orações e apoio
em cada escolha da minha vida. Aos meus irmãos Amarildo de Jesus S. Maciel e Anailde da
Conceição S. Maciel, pelo apoio e carinho.
Ao meu “amoRRR”, Anderson Rodrigues Sabino, agradeço com todo carinho pela
atenção, dedicação, disposição em ajudar e companheirismo.
A minha orientadora Profa. Dra. Roseane Cristina P. Trindade, pela disponibilidade em
orientar, apoio dado no trabalho e por todo conhecimento que me foi passado.
Ao meu coorientador Prof. Dr. Edmilson S. Silva, pela orientação, apoio e conhecimento
que me foi passado.
A todos do laboratório de Entomologia/Controle Alternativo do Centro de Ciências
Agrárias da Universidade Federal de Alagoas - CECA/UFAL, principalmente Mirandy Dias
pela parceria nos trabalhos e amizade.
Aos membros do Laboratório de Pesquisa em Recursos Naturais (LPqRN) da UFAL,
principalmente ao Prof. Dr. Antônio Euzébio G. Sant’Ana e ao Sr. Aldy pela ajuda.
Aos membros do Laboratório de Tecnologia de Controle de Medicamentos da
Universidade Federal da UFAL, principalmente ao Prof. Dr. Irinaldo Diniz Basílio Júnior, aos
alunos Valdemir, Lucas, Gerson, Abiane e Saulo pela disposição em ajudar e apoio aos
trabalhos.
Ao Prof. Dr. Ticiano Gomes do Nascimento, pelo auxílio na análise em cromatografia
líquida de alta eficiência no Laboratório de Análises Farmacêuticas e Alimentícias da UFAL.
Ao Prof. Dr. Johnnatan Duarte de Freitas pelo auxílio no trabalho relacionado à
Microscopia Eletrônica de Varredura.
Agradeço aos meus amigos pela companhia nessa jornada, principalmente a Márcia
Daniela, Josefa Tatiana, Simone, Djison, Ronycleide, Gilson, Sara, Pedro, David, Alice,
Mirandy, Sherlly, Marcos David, Janynne, Fernanda, Leonara, Karen e Jhosué.
A Universidade Federal de Alagoas, principalmente ao Centro de Ciências Agrárias, por
ter me proporcionado a oportunidade de realizar o doutorado.
A CAPES, pela conseção de bolsa de estudos.
Aos membros da banca.

RESUMO GERAL
O ácaro rajado, Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae), é uma praga que
causa perdas consideráveis em frutíferas, hortaliças, plantas ornamentais e medicinais. O
controle com a utilização de acaricidas botânicos é uma prática adotada desde a antiguidade e
voltou a ser abordada. Esses produtos podem causar efeitos letais e subletais às pragas. No
entanto, geralmente possuem uma rápida degradação, o que pode ser minimizado com o preparo
de formulações microencapsuladas. A Annona squamosa L. (Annonaceae) é uma planta que
tem substâncias em sua composição com grande potencial acaricida. Portanto, o presente
trabalho teve como objetivo, a preparação de extratos orgânicos da semente de A. squamosa,
caracterização química do extrato hexânico de A. squamosa, toxicidade letal dos extratos
orgânicos a T. urticae, preparação e caracterização do microencapsulado de A. squamosa,
toxicidade letal do microencapsulado a T. urticae e toxicidade subletal do extrato hexânico e
do microencapsulado a T. urticae. Os extratos hexânico e etanólico da semente de A. squamosa
foram preparados através de extração à frio. Em seguida, as concentrações letais foram
estimadas pela análise de Probit. A caracterização química do extrato hexânico foi realizada
através da partição do extrato e cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) das frações
clorofórmica e hidrometanólica. A preparação do microencapsulado foi realizada por spray
drying, utilizando o extrato hexânico e os polímeros: amido, maltodextrina, gelatina e aerosil.
Em seguida, foi feita a caracterização do microencapsulado através da análise de tamanho de
partícula, microscopia eletrônica de varredura e estudos termogravimétricos. As concentrações
letais do microencapsulado a T. urticae foram estimadas pela análise de Probit. Os efeitos
subletais formam avaliados através da toxicidade sobre os ovos, efeito repelente, taxa
instantânea de crescimento populacional (ri) e efeito residual. O extrato hexânico teve CL50 e
CL99 estimadas em 1,41 e 26,05 g/L, respectivamente. Para o extrato etanólico, as CL50 e CL99
estimadas foram 2,08 e 53,27 g/L, respectivamente. O teste da CLAE mostrou provável
presença de acetogeninas no extrato hexânico. O microencapsulado apresentou micropartículas
lisas, sem rachaduras, com pouca variação de tamanho e quatro processos de decomposição. O
microencapsulado teve CL50 e CL99 estimadas em 5,37 e 45,26 g/L, respectivamente. O
microencapsulado na CL99 foi o tratamento que teve a menor viabilidade de ovos com 7,5 ±
2,70 % de ovos viáveis. O efeito repelente para o extrato hexânico ocorreu a partir da CL95 e
para o microencapsulado a partir da CL50. O valor de ri para ambos produtos decresceu com o
aumento das concentrações, no entanto para CL95 do microencapsulado o valor foi negativo,
indicando declínio da população com tendência a supressão dos ácaros. No efeito residual,
observou-se que o microencapsulado na CL99 foi eficiente até o 8° DAP com mortalidade de
61,2 ± 10,4 %. E o extrato hexânico na CL99 foi eficiente até o 15° DAP com mortalidade de
61,2 ± 11,0 %, no experimento conduzido em casa de vegetação. Para o experimento de campo
1, o microencapsulado na CL99 foi eficiente até o 6° DAP com mortalidade de 61,2 ± 8,1 %. E
o extrato hexânico na CL99 foi eficiente até o 7° DAP com mortalidade de 58,7 ± 10,3 %. No
experimento de campo 2, o extrato hexânico na CL99, teve eficiência até o 10° DAP, com 75,0
± 6,0 % de mortalidade e o microencapsulado até o 9° DAP com 61,2 ± 6,1 % de
mortalidade.Conclui-se que tanto o extrato hexânico, quanto o microencapsulado de A.
squamosa são eficientes no controle de T. urticae, podendo causar toxicidade letal e subletal,
no entanto, o microencapsulado apresenta propriedades que possam ser favoráveis, pois protege
o ingrediente ativo no seu núcleo, diminuindo a contaminação ambiental e do homem.
Palavras-chave: Ácaro rajado. Pinha. Acaricida botânico. Microencapsulação.

ABSTRACT
The two-spotter mite, Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae) is a pest that
causes considerable losses in fruit, vegetables, ornamental and medicinal plants. The control
with the use of botanical acaricides is a practice adopted since antiquity and was once again
addressed. These products can cause lethal and sublethal effects to pests. However, they
generally possess rapid degradation, which can be minimized by the preparation of
microencapsulated formulations. The Annona squamosa L. (Annonaceae) is a plant that has
substances in its composition with great acaricidal potential. The objective of this work was to
prepare A. squamosa seeds of extracts, chemical characterization of A. squamosa of hexanic
extract, lethal toxicity of T. urticae extracts, preparation and characterization of A. squamosa
of microencapsulated, toxicity lethal microencapsulated of T. urticae and sublethal toxicity of
hexanic extract and microencapsulated of T. urticae. The hexanic and ethanolic of the seed of
A. squamosa extracts were prepared by cold extraction. Then, lethal concentrations were
estimated by Probit analysis. The chemical characterization of the hexanic extract was
performed through the extract partition and high performance liquid chromatography (HPLC)
of the chloroform and hydrometanolic fractions. The preparation of the microencapsulated was
performed by spray drying, using the hexanic extract and the polymers: starch, maltodextrin,
gelatin and aerosil. Next, the characterization of the microencapsulated was performed through
particle size analysis, scanning electron microscopy and thermogravimetric studies. The lethal
concentrations of T. urticae microencapsulated were estimated by Probit analysis. The sublethal
effects are evaluated through the ovicidal effect, repellent effect, instantaneous rate of
population growth (ri) and residual effect. The hexanic extract had LC50 and LC99 estimated at
1.41 and 26.05 g/L, respectively. For the ethanolic extract, the estimated LC50 and LC99 were
2.08 and 53.27 g/L, respectively. The HPLC test showed a probable presence of acetogenins in
the hexanic extract. The microencapsulated presented smooth microparticles, with no cracking,
with little variation in size and four decomposition processes. The microencapsulated had LC50
and LC99 estimated at 5.37 and 45.26 g/L, respectively. The microencapsulated in LC99 was the
treatment that had the lowest viability of eggs with 7.5 ± 2.70 % of viable eggs. The repellent
effect for the hexanic extract occurred from LC95 and microencapsulated from LC50. The value
of (ri) for both products decreased with increasing concentrations, however for LC95 of the
microencapsulated the value was negative, indicating a decline in the population with a
tendency to suppress mites. In the residual effect, it was observed that the microencapsulated
in the LC99 was efficient until the 8th DAP with mortality of 61.2 ± 10.4 %. And the hexanic
extract in the LC99 was efficient until the 15 th DAP with mortality of 61.2 ± 11.0 %, in the
experiment conducted in greenhouse. For the field experiment 1, the microencapsulated in the
LC99 was efficient until the 6th DAP with a mortality of 61.2 ± 8.1 %. And the hexanic extract
in LC99 was efficient until the 7th DAP with mortality of 58.7 ± 10.3%. In the field experiment
2, hexanic extract in CL99 had efficiency up to 10th DAP, with 75.0 ± 6.0 % mortality and
microencapsulation up to 9th DAP with 61.2 ± 6.1 % mortality. It is concluded that both the
hexanic and microencapsulated extracts of A. squamosa are efficient in controlling T. urticae,
which may cause lethal and sublethal toxicity. However, the microencapsulate has properties
that may be favorable because it protects the active ingredient in the its core, reducing
environmental and man-made contamination.
Key words: Two-spotter mite. Sugar apple. Botanical acaricide. Microencapsulation.

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 - Estágios de desenvolvimento do ácaro rajado, Tetranychus urticae ....................... 17
Figura 2 - Representação esquemática da microencapsulação por spray drying ..................... 26
Figura 3 - Esquema ilustrativo dos tipos de micropartículas poliméricas ................................ 27
Figura 4 - Esquema de partição líquido-líquido com diferentes solventes no extrato hexânico
da semente de Annona squamosa............................................................................. 49
Figura 5 - Cromatograma obtido por CLAE da fração clorofórmica do extrato hexânico da
semente de Annona squamosa ................................................................................. 54
Figura 6 - Espectros de absorção dos constituintes referentes aos maiores picos (6, 7, 10, 21 e
23) da fração clorofórmica do extrato hexânico da semente de Annona squamosa
................................................................................................................................ ..55
Figura 7 - Cromatograma obtido por CLAE da fração hidrometanólica do extrato hexânico da
semente de Annona squamosa e espectros de absorção dos constituintes referentes
aos maiores picos. .................................................................................................... 57
Figura 8 - Espectros de absorção dos constituintes referentes aos maiores picos (6, 8, 11, 14 e
28) da fração hidrometanólica do extrato hexânico da semente de Annona squamosa
.................................................................................................................................. 57
Figura 9 - Distribuição de tamanho de partícula do microencapsulado de Annona squamosa
obtida por difração a laser ........................................................................................ 60
Figura 10 - Fotomicrografias do microencapsulado de Annona squamosa. Aumento de (A)
500x, (B) 1000x, (C) 2000x e (D) 5000x................................................................. 61
Figura 11 - Curvas de TGA do microencapsulado, do extrato hexânico de Annona squamosa e
dos materiais de revestimento aplicados nos estudos de microencapsulação .......... 63
Figura 12 - Taxa instantânea de crescimento populacional (ri) de Tetranychus urticae expostos
a concentrações do extrato hexânico de Annona squamosa (A) e do
microencapsulado de Annona squamosa (B) ........................................................... 85
Figura 13 - Efeito residual do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa
(CL50 e CL99) sobre Tetranychus urticae inoculado até 15 dias após pulverização em
plantas de feijão-de-porco na casa de vegetação ..................................................... 87
Figura 14 - Efeito residual do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa
(CL50 e CL99) sobre Tetranychus urticae inoculado até 15 dias após pulverização em
plantas de feijão-de-porco no campo, experimento 1 .............................................. 88

Figura 15 - Efeito residual do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa
(CL50 e CL99) sobre Tetranychus urticae inoculado até 15 dias após pulverização em
plantas de feijão-de-porco no campo, experimento 2 .............................................. 90

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Porcentagem do material excipiente utilizado no preparo da formulação .............. 50
Tabela 2 - Concentração letal (CL) (g/L) dos extratos orgânicos da semente de Annona
squamosa sobre Tetranychus urticae ....................................................................... 52
Tabela 3 - Toxicidade das frações do extrato hexânico da semente de Annona squamosa a
Tetranychus urticae ................................................................................................. 54
Tabela 4 - Principais picos obtidos por CLAE da fração clorofórmica do extrato hexânico da
semente de Annona squamosa ................................................................................. 56
Tabela 5 - Principais picos obtidos por CLAE da fração hidrometanólica do extrato hexânico
da semente de Annona squamosa............................................................................. 58
Tabela 6 - Índice de Polidispersidade e diâmetro médio de partículas em volume D [4,3] do
microencapsulado de Annona squamosa ................................................................. 60
Tabela 7 - Dados termogravimétricos do microencapsulado, do extrato hexânico da semente de
Annona squamosa e dos materiais de revestimento aplicados nos estudos de
microencapsulação ................................................................................................... 63
Tabela 8 - Concentração Letal (CL) (g/L) do microencapsulado de Annona squamosa sobre
Tetranychus urticae ................................................................................................. 65

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CECA - Centro de Ciências Agrárias
CLs - Concentrações letais
CLAE- Cromatografia Líquida de Alta Eficiência
CV - Coeficiente de variação
DAP - Dias após a pulverização
DP - Desvio padrão
EP - Erro padrão
GL - Grau de liberdade
IBGE – Instituto Brasileiro de Geográfia e Estatística
IOBC/WPRS - International Organization for Biological Control of Noxious Animals
and Plants/ West Paleartic Regional Section
IR - Índice de repelência
ITEP - Instituto Tecnológico de Pernambuco
Kv - Kilovolt
Ma – Miliampère
MEV - Microscópio eletrônico de varredura
TGA - Estudos termogravimétricos
UFAL - Universidade Federal de Alagoas
UR - Umidade relativa
UV - Ultravioleta

SUMÁRIO

1

INTRODUÇÃO GERAL ................................................................................................ 14

2

REVISÃO DE LITERATURA ...................................................................................... 16

2.1

Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae) ...................................... 16

2.2

Injúrias e danos causados pelo ácaro rajado, Tetranychus urticae ........................ 18

2.3

Controle do ácaro rajado, Tetranychus urticae ........................................................ 19

2.4

Família Annonaceae ................................................................................................... 21

2.4.1 Annona squamosa ......................................................................................................... 22
2.4.2 Princípio ativo das anonáceas ....................................................................................... 23
2.5

Controle de ácaros com produtos de origem botânica ............................................ 24

2.6

Microencapsulação ..................................................................................................... 25

2.7

Agentes encapsulantes ................................................................................................ 28

2.7.1 Amido ........................................................................................................................... 29
2.7.2 Maltodextrina ................................................................................................................ 29
2.7.3 Gelatina ......................................................................................................................... 30
2.7.4 Dióxido de silício coloidal ............................................................................................ 30
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 32
3

PREPARO E CARACTERIZAÇÃO DO MICROENCAPSULADO DO EXTRATO
DA SEMENTE DE Annona squamosa L. (ANNONACEAE) E TOXICIDADE
LETAL A Tetranychus urticae (KOCH, 1836) (ACARI: TETRANYCHIDAE) .. 43

RESUMO................................................................................................................................. 43
ABSTRACT ............................................................................................................................ 44
3.1

Introdução ................................................................................................................... 45

3.2

Material e Métodos ..................................................................................................... 46

3.2.1 Obtenção e criação do ácaro Tetranychus urticae ........................................................ 46
3.2.2 Preparo dos extratos orgânicos da semente de Annona squamosa ............................... 46
3.2.3 Toxicidade letal dos extratos orgânicos a Tetranychus urticae .................................... 47
3.2.4 Caracterização química do extrato hexânico da semente de Annona squamosa .......... 48
3.2.4.1 Partição líquido-líquido do extrato hexânico da semente de Annona squamosa
.......................................................................................................................................48
3.2.4.2 Análise em cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE)........................................49
3.2.5 Microencapsulação do extrato da semente de Annona squamosa ................................ 50
3.2.6 Caracterização do microencapsulado de Annona squamosa ........................................ 50

3.2.6.1 Análise de tamanho de partículas do microencapsulado .............................................. 50
3.2.6.2 Caracterização morfológica do microencapsulado através do microscópio eletrônico de
varredura (MEV) .......................................................................................................... 51
3.2.6.3 Estudos Termogravimétricos (TGA) ............................................................................ 51
3.2.7 Toxicidade letal do microencapsulado a Tetranychus urticae...................................... 51
3.3

Resultados e Discussão ............................................................................................... 52

3.3.1 Toxicidade letal dos extratos orgânicos da semente de Annona squamosa a Tetranychus
urticae............................................................................................................................52
3.3.2 Caracterização química do extrato hexânico da semente de Annona squamosa .......... 53
3.3.3 Caracterização do microencapsulado de Annona squamosa ........................................ 59
3.3.3.1 Análise de tamanho de partículas do microencapsulado de Annona
squamosa.......................................................................................................................59
3.3.3.2 Caracterização morfológica do microencapsulado de Annona squamosa através do
microscópio eletrônico de varredura (MEV) ................................................................ 61
3.3.3.3 Estudos Termogravimétricos (TGA) ............................................................................ 62
3.3.3.4 Toxicidade letal do microencapsulado de Annona squamosa a Tetranychus
urticae................................. .......................................................................................... 64
3.4

Conclusões ................................................................................................................... 66

REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 67
4

EFEITOS LETAIS E SUBLETAIS DO EXTRATO HEXÂNICO E DO
MICROENCAPSULADO DE Annona squamosa L. (ANNONACEAE) A
Tetranychus urticae (Koch, 1836) (ACARI: TETRANYCHIDAE) ........................ 71

RESUMO................................................................................................................................. 71
ABSTRACT ............................................................................................................................ 72
4.1

Introdução ................................................................................................................... 73

4.2

Material e Métodos ..................................................................................................... 74

4.2.1 Obtenção e criação do ácaro Tetranychus urticae ........................................................ 74
4.2.2 Preparo dos extratos orgânicos da semente de Annona squamosa ............................... 74
4.2.3 Microencapsulação do extrato da semente de Annona squamosa ................................ 75
4.2.4 Concentrações letais do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa
sobre fêmeas Tetranychus urticae ................................................................................ 76
4.2.5 Efeito ovicida do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa a
Tetranychus urticae ...................................................................................................... 77
4.2.6 Efeito repelente do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa a
Tetranychus urticae ...................................................................................................... 77
4.2.7 Taxa instantânea de crescimento populacional (ri) de Tetranychus urticae ................. 78

4.2.8 Efeito residual do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa sobre
Tetranychus urticae ...................................................................................................... 79
4.3

Resultados e Discussão ............................................................................................... 80

4.3.1 Toxicidade do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa sobre ovos
de Tetranychus urticae. ................................................................................................ 81
4.3.2 Efeito repelente do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa a
Tetranychus urticae ...................................................................................................... 82
4.3.3 Taxa instantânea de crescimento populacional (ri) de Tetranychus urticae ................. 84
4.3.4 Efeito residual do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa sobre
Tetranychus urticae ...................................................................................................... 86
4.4

Conclusões ................................................................................................................... 93

REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 94

14

1

INTRODUÇÃO GERAL

O ácaro rajado, Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae), é uma das
pragas mais importantes ao nível mundial com perdas consideráveis em diversas culturas
economicamente importantes, entre elas, espécies de frutíferas, hortaliças, plantas ornamentais
e medicinais (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Em altas infestações esse ácaro pode causar descoloração de folhas, seguida de uma
necrose, perda da capacidade fotossintética, queda precoce da mesma e, eventualmente, morte
das plantas. Além disso, o acúmulo de excrementos e teias afeta a aparência das plantas e
diminui o valor comercial (DEVINE; BARBER; DENHOLM, 2001; MORAES;
FLECHTMANN, 2008).
O controle químico ainda é o mais utilizado, no entanto, o uso intensivo de acaricidas
químicos sintéticos tem selecionado populações de ácaros resistentes (NICASTRO; SATO;
SILVA, 2010). Atualmente há registro de 501 casos de resistência de T. urticae a acaricidas em
95 ingredientes ativos (APRD, 2018).
Além disso, o uso indiscriminado de acaricidas químicos pode causar a ressurgência de
pragas, devido à mortalidade dos inimigos naturais, contaminação ao meio ambiente e ao
homem (MEYER; KOVALESKI; VALDEBENITO-SANHUEZA, 2009; MARSARO
JÚNIOR et al., 2012).
Os efeitos mencionados acima podem ser atenuados com a utilização de acaricidas
botânicos, devido a características peculiares, por serem produtos naturais provenientes de
recursos renováveis e compostos de uma mistura de vários ingredientes bioativos, agindo
sinergicamente, previnem a seleção de populações resistentes (BARRETO, 2005). Além disso,
apresentam rápida degradação, podendo reduzir o impacto aos inimigos naturais, ao homem e
ao ambiente (BRITO et al., 2008a).
No entanto, a rápida degradação também é considerada uma desvantagem, pois
geralmente, os intervalos entre as aplicações são curtos, o que aumenta os custos para o produtor
(PAVELA; BENELLI, 2016). Uma alternativa para amenizar essa rápida degradação é o
preparo de formulações, que apresentam características de estabilidade e liberação lenta, como
por exemplo, formulações microencapsuladas.
Existem duas grandes barreiras ao setor brasileiro de inseticidas botânicos que precisam
ser vencidas. A primeira, é que existe a necessidade de pesquisa e desenvolvimento de produtos
estáveis e padronizados, com tempo de ação em campo prolongado e mantendo sua baixa
toxicidade ao homem e aos organismos não-alvo. A segunda, é que há necessidade de técnicas

15

de enriquecimento e controle de qualidade nos produtos a serem disponibilizados no comércio
assegurando a reprodutibilidade de sua eficácia (MARCOMINI, 2009).
O processo tecnológico de microencapsulação é responsável pela produção de
micropartículas que consiste em envolver, com um fino filme de uma matriz qualquer, pequenas
gotículas de uma substância ativa, sendo esta chamada de núcleo (GHARSALLAOUI et al.,
2007). A microencapsulação pode oferecer um sistema de liberação lenta e controlada dos
extratos como forma de diminuir a quantidade de ingrediente ativo aplicado no controle de
pragas.
Entre uma diversidade de plantas com potencial inseticida/acaricida destacam-se as
espécies da família Annonaceae, distribuídas em 14 gêneros com destaque para as espécies
Annona muricata L. (graviola) e Annona squamosa L. (fruta-do-conde, pinha, ata) (KRINSKI;
MASSAROLI; MACHADO, 2014).
As anonáceas produzem acetogeninas, que são metabólitos secundários importantes na
bioatividade de diversas espécies, são encontradas nas folhas, galhos, raízes e em sementes
(BERMEJO et al. 2005; CASTILLO-SÁNCHEZ; JIMÉNEZ-OSORNIO; DELGADOHERRERA, 2010). Esses metabólitos agem como inibidoras do transporte de elétrons
mitocondrial, afetando a ação do NADH-ubiquinona oxiredutase (ÁLVARES COLOM et al.,
2007).
Portanto, o objetivo do presente trabalho foi a produção de extratos orgânicos de
semente de A. squamosa, produção do microencapsulado de A. squamosa, caracterização
química do extrato hexânico e do microencapsulado de A. squamosa e avaliação da toxicidade
letal e subletal (efeito ovicida, efeito repelente, taxa instantânea de crescimento populacional e
efeito residual) do extrato e do microencapsulado ao ácaro rajdo, T. urticae.

16

2

REVISÃO DE LITERATURA

2.1

Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae)

Segundo Krantz e Walter (2009), os ácaros são Arthropoda, classificados como
Chelicerata, da classe Arachnida e subclasse Acari. Essa subclasse é dividida em duas
superordens conhecidas como Parasitiformes e Acariformes, compostas por seis ordens, com
aproximadamente 400 famílias. Parasitiformes é composta pelas ordens Opilioacarida,
Holothyrida, Ixodida e Mesostigmata; e Acariformes, pelas ordens Trombidiformes e
Sarcoptiformes.
A família Tetranychidae está inserida na ordem Trombidiformes, subordem
Prostigmata, e compreende uma grande variedade de ácaros estritamente fitófagos, os quais se
alimentam através da inserção dos estiletes nos tecidos das folhas, preferencialmente na face
abaxial, sugando o conteúdo celular extravasado (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Os tetraniquídeos são conhecidos por tecerem teias sobre as folhas nas quais se
alimentam. As teias os protegem de alguns predadores, pois dificultam a movimentação destes
entre os fios da teia. Também impedem o estabelecimento de outra espécie no mesmo local e
protegem a colônia contra as gotículas das chuvas. Além de facilitar a dispersão dos ácaros,
através do processo conhecido como “balonismo”, no qual ocorre formação de teia em grande
quantidade na parte superior da planta e acúmulo dos ácaros, que são dispersos pelo vento,
ocorrendo quando as plantas estão altamente infestadas e os recursos alimentares tornam-se
escassos (MORAES; FLECHTMANN, 2008; CLOTUCHE et al., 2011).
A dispersão dos tetraniquídeos também pode ser realizada de forma ativa, por
caminhamento, ou de forma passiva, como por exemplo, por transporte de plantas ou partes
vegetais, ferramentas ou por pessoas (ZHANG, 2003).
Dentre as espécies da família Tetranychidae, o Tetranychus urticae (Koch, 1836),
ácaro rajado, é considerado uma das mais importantes pragas agrícolas, por ser uma espécie
cosmopolita e polífaga, podendo ocorrer em mais de 150 famílias de plantas de importância
econômica (ZHANG, 2003; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
O ácaro rajado passa por cinco estágios de desenvolvimento: ovo, larva, protoninfa,
deutoninfa e adulto (Fig.1), com duração que varia conforme a fase e a temperatura. Após a
eclosão, a larva possui três pares de pernas, com tamanho próximo ao do ovo, podendo ser
observados dois ocelos avermelhados na região dorsal. A larva se desenvolve e muda para

17

protoninfa, já com quatro pares de pernas, e na sequência, deutoninfa e adulto, sendo que entre
estes estágios, o ácaro permanece em estado quiescente (MORAES; FLECHTMANN, 2008).

Figura 1 - Estágios de desenvolvimento do ácaro rajado, Tetranychus urticae

Fonte: BARBOSA et al., 2017.

O período de ovo a adulto varia de dez a doze dias (25°C), sendo que temperaturas
elevadas (30°C) e baixa umidade relativa (<60%) são favoráveis ao seu desenvolvimento,
nessas condições o período pode ocorrer em sete dias (ZHANG, 2003; ESTEVES FILHO et
al., 2010; MORO et al., 2012).
O desenvolvimento imaturo também pode ser influenciado pela espécie de planta
utilizada como hospedeira, assim como pode ocorrer variação intraespecífica, em função dos
diferentes genótipos utilizados nos cultivos comerciais (GRECO; PEREYRA; GUILLADE,
2006; MEENA et al., 2013).
Uma fêmea é capaz de ovipositar aproximadamente 10 ovos por dia, e até 100 ovos
em duas semanas numa temperatura de 25°C. Os ovos apresentam coloração amarelada,
formato esférico, normalmente são depositados nas teias ou diretamente nas folhas, próximos
à nervura (ZHANG, 2003; FADINI et al., 2006; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
O ácaro rajado é de coloração esverdeada, com um par de manchas laterais escuras,
devido à presença da massa alimentar que permanece nos dois primeiros pares de cecos
gástricos. Os machos possuem as pernas mais longas e medem, aproximadamente, 0,25 mm de
comprimento, diferindo das fêmeas, que são maiores, medindo 0,46 mm de comprimento. Além
do tamanho, o macho pode ser diferenciado da fêmea por apresentar o corpo notadamente

18

afilado na região posterior. (ZHANG, 2003; MORAES; FLECHTMANN, 2008; BERNARDI
et al., 2010).
O seu nível de importância como praga está relacionado à alta capacidade de
desenvolver resistência aos acaricidas (SATO et al., 2009; NICASTRO; SATO; SILVA, 2010;
MONTEIRO et al., 2015). Algumas características favorecem o rápido desenvolvimento de
resistência a vários acaricidas, como por exemplo, o alto potencial reprodutivo, a
consanguinidade, a reprodução arrenótoca através de um sistema haplo-diploide, onde os ovos
não fertilizados desenvolvem machos haploides, o que permite a seleção precoce de resistência,
e o ciclo de vida curto, resultando em várias gerações por ano (DEVINE; BARBER;
DENHOLM, 2001; AY; YORULMAZ, 2010; VAN LEEUWEN et al., 2010, 2013).

2.2

Injúrias e danos causados pelo ácaro rajado, Tetranychus urticae

De modo geral, o ataque de T. urticae em altas infestações pode causar descoloração de
folhas, perda da capacidade fotossintética e queda prematura das folhas, eventualmente,
ocasiona a morte de plantas. Além disso, o acúmulo de excrementos e teias pode afetar a
aparência das plantas e seu valor comercial (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
O ácarao rajado é praga-chave em diversas culturas de importância agrícola, dentre elas
o morangueiro, tomateiro, roseira, videira, feijoeiro, mamoeiro, macieira, entre outras.
No morangueiro o ataque do ácaro rajado pode reduzir a produção de frutos, quando
não controlado. O fruto, quando atacado, fica endurecido, seco e com coloração marrom e as
folhas apresentam manchas difusas de coloração avermelhada, que progridem para necrose e
queda de folhas. Em casos de alta infestação da praga, pode haver redução na produtividade,
afetando a quantidade e a qualidade de frutos (MOURA, 2015).
No algodoeiro, o ácaro tem preferência pelas folhas mediana e basal, que quando
atacadas apresentam manchas avermelhadas a partir das nervuras. Em seguida ocorre o
aparecimento de áreas necrosadas e queda das folhas. A infestação inicial se dá em reboleiras e
as plantas atacadas têm seu ciclo encurtado e a produção reduzida, produzindo maçãs pequenas
e fibras de má qualidade. Quando o ataque ocorre em plantas logo após a germinação, o ácaro
pode causar a perda total da cultura, pois inviabiliza seu crescimento, causando a morte das
plantas (MORAES; FLECHTMANN, 2008; MIRANDA, 2010).
No tomateiro, geralmente a consequência do ataque do ácaro é uma injúria mecânica
causada pela perfuração das células e consequente morte das mesmas. As folhas danificadas
são prejudicadas pela perda de água e de clorofila levando-a a redução na intensidade de

19

fotossíntese. Ataques intensos em época seca resultam em secamento de folhas e queda
prematura, deixando os frutos expostos ao sol, não adquirindo a cor avermelhada característica,
o que deprecia o produto (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Na roseira, causa manchas cloróticas nas folhas, acarretando em queda, perda de
qualidade, diminuição do crescimento das plantas e redução na produção de botões (ACOSTA
et al., 2001). O ácaro pode depositar em média até 112 ovos, um número muito maior que
aquele observado em outras ornamentais (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
O ataque em videira ocorre geralmente em folhas mais jovens, produzindo áreas
cloróticas na face abaxial das folhas, entre as nervuras principais, com necrose posterior, e na
face adaxial surgem tons avermelhados. Altas infestações podem causar desfolhamento, e o
ataque aos cachos causa bronzeamento das bagas (BOTTON, 2005; OLIVEIRA; MOREIRA,
2009).

2.3

Controle do ácaro rajado, Tetranychus urticae

A utilização de acaricidas químicos é a forma mais comum de controle de ácaros na
agricultura. Os acaricidas utilizados para T. urticae são caracterizados por uma grande
variedade de estruturas químicas e modos de ação, sendo encontrados compostos que são
tóxicos para os ácaros fitófagos, incluindo, inibidores de transporte de elétron mitocondrial,
compostos neurotóxicos, inibidores do crescimento, entre outros (DEKEYSER, 2005; ATTIA
et al., 2013).
Os acaricidas podem ter efeitos letais e subletais sobre os ácaros. Alguns podem causar
mortalidade imediata, podem também afetar o desenvolvimento geral, inibindo o movimento,
reduzindo o forrageamento ou diminuindo a taxa de oviposição (STEINER; SPOHR;
GOODWIN, 2011; ATTIA et al., 2013).
No entanto, T. urticae é capaz de desenvolver resistência aos compostos sintéticos.
Além disso, a utilização desses compostos pode causar mortalidade de polinizadores,
predadores e parasitoides (CARVALHO et al., 2009; AY; YORULMAZ, 2010; ESTEVES
FILHO, 2012; ATTIA et al., 2013). Também, podem deixar resíduos, causando impacto
ambiental, devido à sua bioacumulação e persistência no solo (ATTIA et al., 2013).
A utilização de cultivares resistentes para o controle de T. urticae pode ser de grande
contribuição, pois é um método eficaz, visto que mantém as populações abaixo do nível de dano
econômico. Esse tipo de controle possui efeito permanente sobre a população da praga, além
de não afetar diretamente seus inimigos naturais (LARA, 1991).

20

A detecção de plantas resistentes aos ácaros pode ser observada em função do menor
desenvolvimento populacional das espécies em campo (não-preferência) (SILVA et al., 2011),
ou por efeito negativo no ciclo biológico da praga (antibiose) (DEHGHAN et al., 2009;
VALADÃO, 2012).
O controle biológico é um fenômeno natural que consiste no uso de inimigos naturais
com o objetivo de diminuir a população de uma espécie-praga abaixo do seu nível de dano
econômico. Esta tática de controle existe naturalmente, mas o homem pode de alguma forma
favorecer a ação de inimigos naturais, para reduzir os níveis de organismos indesejáveis
(MORAES, 2002; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Os ácaros predadores são os principais inimigos naturais de ácaros-praga em diversas
culturas (MORAES, 2002; SATO et al., 2007). As principais famílias de ácaros que abrigam
espécies predadores são: Anystidae, Ascidae, Bdellidae, Cheyletidae, Cunaxidae, Laelapidae,
Macrochelidae, Phytoseiidae, Rhodacaridae e Stigmaeidae (MORAES, 2002; CARRILLO;
MORAES; PEÑA, 2015). Entre estas, merecem destaque as famílias Laelapidae e Phytoseiidae,
das quais certas espécies vêm sendo comercializadas como agentes de controle biológico no
Brasil.
As espécies de Phytoseiidae mais comercializadas no mundo para o controle do ácaro
rajado são: Galendromus (Galendromus) occidentalis (Nesbitt, 1951), Neoseiulus cucumeris
(Oudemans, 1930), Phytoseiulus longipes (Evans 1958), P. macropilis (Banks, 1905) e
Neoseiulus californicus (McGregor, 1954).Essas duas últimas espécies têm sido utilizadas para
o controle do ácaro rajado em diferentes culturas no Brasil, como por exemplo, algodão, soja,
frutíferas, ornamentais e hortaliças (MONTEIRO, 2002; SATO et al., 2007; POLETTI;
OMOTO, 2012; SOUZA-PIMENTEL et al., 2014).
Alguns insetos também são predadores de ácaros, e contribuem no controle biológico,
estão inseridos principalmente nas ordens Diptera, Coleoptera e Thysanoptera (ROTT;
PONSONBY 2000; BIDDINGER; WEBER; HULL, 2009; PAKYARI et al., 2009; GHADA;
MOHAMED, 2013).
Vírus e fungos entomopatogênicos têm sido identificados em condições naturais. Os
fungos são os mais frequentemente encontrados, contribuindo para o controle em diferentes
culturas (TAMAI; ALVES; NEVES, 1999). Isolados de Beauveria bassiana (Balsamo)
Vuillemin e Metarhizium anisopliae (Metsch.) Sorokin mostraram-se patogênicos a T. urticae
(TAMAI; ALVES; NEVES, 1999; TAMAI et al., 2002; GATARAYIHA; LAING; MILLER,
2010; MORO et al., 2011).

21

Uma forma de controle que vem sendo amplamente abordada é a utilização de produtos
derivados de partes de plantas, essa prática adotada desde a idade antiga, voltou a ser abordada
no controle de pragas (VIEGAS JÚNIOR, 2003). Esses produtos podem causar diversos efeitos
sobre ácaros e insetos, tais como repelência, inibição de oviposição e da alimentação, alterações
no sistema hormonal, causando distúrbios no desenvolvimento, deformações, infertilidade e
mortalidade nas diversas fases (ÇALMAŞUR; ASLAN; ŞAHIN, 2006; ATTIA et al., 2011;
ROH; PARK; PARK, 2012; KHERADMAND et al., 2015; MACIEL et al., 2015).
Diversos produtos derivados de plantas têm ação acaricida comprovada sobre T. urticae
e outros tetraniquídeos. Produtos formulados à base de nim, como o Azamax®, Neemseto® e
Natuneem®, que são extraídos das sementes da planta Azadirachta indica A. Juss. (Meliaceae),
são utilizados no controle de diversas pragas agrícolas, interferindo principalmente como
fagoinibidor e no desenvolvimento dos insetos/ácaros. A azadiractina é o principal composto
com atividade inseticida do nim, pertencente ao grupo dos limonoides (SCHLESENER et al.,
2013; SILVA et al., 2013).
Exitem alguns estudos sobre o efeito inseticida/acaricida de produtos extraídos de
plantas pertencentes às famílias Lamiaceae, Annonaceae, Meliaceae, Asteraceae neles há
comprovação da eficácia dos extratos em seu poder de mortalidade sobre as pragas
(ÇALMAŞUR; ASLAN; ŞAHIN, 2006; ATTIA et al., 2012; SCHLESENER et al., 2013;
SILVA et al., 2013; MACIEL et al., 2015).

2.4

Família Annonaceae

A família Annonaceae tem distribuição predominantemente tropical (PINHEIRO et al.,
2009). Na literatura, alguns autores mostram que existem distinções entre a quantidade de
gêneros, com relatos de 130, até aproximadamente 200 gêneros, e cerca de 2.500 espécies
descritas (SAUQUET et al., 2003).
No Brasil, apenas a pinha (Annona squamosa L.) e a graviola (A. muricata L.) são
anonáceas populares na maioria dos Estados, como fonte de frutos comestíveis, aminoácidos e
proteínas. A atemoia (híbrido A. squamosa x A. cherimola) introduzida a partir da segunda
metade do século XX permanece desconhecida da maioria da população. No entanto, essa fruta
possui características para atingir os melhores mercados nacionais de frutas frescas e ser
também exportada. A cherimólia (Annona cherimola), pelas suas exigências em temperaturas
mais baixas do que as demais anonáceas, somente tem condições de ser produzida nas áreas
mais frias do Sudeste e Sul do Brasil (LEMOS, 2014).

22

Algumas espécies também despertam o interesse para a produção de biocompostos
extraídos de várias partes das plantas por apresentar importância medicinal, alelopática ou
inseticida, tais como: A. glabra, A. crassiflora, A. muricata, A. squamosa, A. bullata, A. mucosa,
Duguetia furfuracea e Xylopia cericea (INOUE et al., 2009; GAJALAKSHMI et al., 2011).

2.4.1 Annona squamosa

A Annona squamosa, conhecida popularmente como ata, fruta-do-conde ou pinha, é
nativa das Antilhas, onde era chamada de “anón” pelos espanhóis no século XVI. Chegou ao
Brasil por meio do Conde de Miranda que plantou o primeiro exemplar da árvore na Bahia, em
1626, originando daí um de seus nomes vulgares, fruta-do-conde (BRITO et al., 2008b). É
conhecida na língua inglesa com “sugar apple” ou “sweet sop”, “rinon” em espanhol e “ata”
em francês (BRAGA SOBRINHO; MESQUITA; HAWERROTH, 2012).
Somente em meados do século XX, a pinha passou a ser explorada comercialmente. De
acordo com dados do censo de 2012 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
os principais produtores de pinha no Brasil são: Bahia, Alagoas, Pernambuco, São Paulo e
Ceará. A Bahia possui área total de mais de 3.500 ha cultivados e produção de 20,8 mil
toneladas. São Paulo e Minas Gerais são Estados de outra região que não a Nordeste, que
apresenta produção significativa de pinha (LEMOS, 2014).
A pinheira é considerada uma árvore baixa, com quatro a seis metros de altura e muito
ramificada. As folhas são decíduas, de lâminas oblongo-elípticas, de ápice obtuso ou
acuminado, medindo de 4,5 a 15,6 cm de comprimento por 2,1 a 6,2 cm de largura, sendo de
coloração verde-brilhante na face superior e de cor verde azulada na face inferior (MANICA,
2003).
Esta espécie é hermafrodita, ou seja, apresenta as partes masculinas e femininas na
mesma planta e na mesma flor. Com as flores que se originam dos pequenos ramos novos,
sendo pendentes, solitárias ou em grupo de duas a quatro. O fruto é um sincarpo arredondado,
ou baga composta, ovóide, esférico ou codiforme, tem de 5 a 13 cm de diâmetro e é formado
por carpelos muito proeminentes na maioria dos cultivares, coberto externamente de saliências
achatadas em forma de tubérculos regularmente expostos. Os carpelos estão separados por uma
linha creme, alaranjada ou roxa, característica da cultivar. Quando o fruto está completamente
maduro, normalmente, os carpelos ficam separados uns dos outros, sendo possível ver no seu
interior a polpa branca (MANICA, 2003).

23

2.4.2 Princípio ativo das anonáceas

Na literatura, são relatadas 42 espécies de Annonaceae com potencial inseticida,
distribuídas em 14 gêneros (Annona, Artabotrys, Asimina, Cardiopetalum, Dennettia,
Duguetia, Guatteria, Monodora, Mkilua, Oxandra, Polyathia, Rollinia, Unonopsis e Xylopia)
com destaque para as espécies A. muricata e A. squamosa que atualmente são as espécies mais
utilizadas para estudos de potencial inseticida (KRINSKI; MASSAROLI; MACHADO, 2014).
Do ponto de vista fitoquímico, a família Annonaceae se destaca pelos variados tipos de
metabólitos secundários. Dados quimiotaxonômicos caracterizam esta família pela presença de
alcaloides, flavonoides e terpenoides. Além da presença das acetogeninas, principais
constituintes bioativos encontrados em gêneros específicos de anonáceas, que são uma classe
de compostos com ampla atividade biológica, tais como citotóxicas, imunossupressora,
pesticida, antitumoral, antiparasitária, antimicrobiana e antioxidante (BERMEJO et al., 2005;
SILVA et al., 2009; LIMA; PIMENTA; BOAVENTURA, 2010; MATSUMOTO et al., 2010;
MIAO et al., 2016).
As acetogeninas são caracterizadas por apresentarem uma cadeia longa alifática com 32
a 34 átomos de carbono e um anel γ- lactônico terminal insaturado ou saturado. Ao longo da
cadeia podem apresentar um número variável de anéis tetrahidrofuranos (THF) ou
tetraidropiranos (THP), e grupos funcionais oxigenados (hidroxilas, cetonas ou epóxidos)
(ALALI; LIU; McLAUGHLIN, 1999).
Em mais de 30 anos de estudo, o número de acetogeninas identificadas já passa de 500
(LIAW et al., 2010). Podem ser extraídas das cascas, ramos, folhas, sementes e frutos verdes
de anonáceas, através de solventes orgânicos, como o etanol, metanol, hexano e diclorometano
(MAIRESSE, 2005).
Com relação às propriedades inseticidas, são inibidoras do transporte de elétrons
mitocondrial, afetando a ação do NADH-ubiquinona oxiredutase (ÁLVARES COLOM et al.,
2007).
A annonina IV, annonina VIII, annonina XIV e annonina XVI foram isoladas das
sementes de A. squamosa, através de métodos como ressonância magnética nuclear de
hidrogênio e carbono e espectrometria de massas (NONFON et al., 1990), além da
esquamocina-O (1) e esquamocina-O (2), utilizando métodos semelhantes (ARAYA et al.,
2002).
A asimicina, annonina e annonacina, são exemplos de acetogeninas promissoras na
obtenção de substâncias protótipos com propriedades inseticidas naturais. A asimicina, isolada

24

da espécie Asimina triloba L., teve elevada atividade contra os besouros Epilachna varivestis
Mulsant e Acalymma vittatum F. (Coleoptera: Coccinellidae e Crysomelidae), Aphis gossypii
(Glover) (Hemiptera: Aphididae), larvas de Aedes aegypti L. e Calliphora vicina RobineauDesvoidy, 1830 (Diptera: Culicidae e Calliphoridae) e o nematoide Caenorhabditis elegans
Maupas, 1900 (Nematoda: Rhabditida) (RUPRECHT et al., 2007).
Das sementes da espécie Annona cornifolia A. St. Hil. já foram isoladas duas classes de
acetogeninas: a esquamocina-L e esquamocina-M, que apresentaram atividade larvicida
significativa sobre o microcrustáceo Artemia salina L., 1758 (Anostraca: Artemiidae)
(SANTOS; PIMENTA; BOAVENTURA, 2007).

2.5

Controle de ácaros com produtos de origem botânica

Vários estudos sobre o efeito acaricida de extratos à base de plantas têm sido realizados,
comprovando seu efeito tóxico letal e subletal. Os extratos de folhas de A. squamosa, Calendula
officinalis L. (Asteraceae) e Coffea arabica L. (Rubiaceae) na concentração 11200 ppm,
causaram mortalidade até no décimo dia após a pulverização, notando-se que a maior
porcentagem foi encontrada para a A. squamosa, chegando a 90% de mortalidade do ácaro
Oligonychus ilicis (McGregor, 1917) (Acari:Tetranychidae) (CARVALHO et al., 2008).
Os extratos hidroalcoólico de Capsicum frutescens L. (Solanaceae), Coriandrum
sativum (Apiaceae) e Calendula officinalis L. (Asteraceae) foram repelente ao T. urticae nas
concentrações de 10 mg/mL a 100 mg/mL no período de avaliação de 2 e 24 horas (OLIVEIRA,
2013).
Nos estágios imaturo e adulto do ácaro-vermelho, Tetranychus evansi (Acari:
Tetranychidae), após 24 horas da aplicação do extrato hexânico das sementes de A. muricata
sobre folhas de tomateiro, observou-se 98% da mortalidade dos ácaros na concentração de 5,0%
e após 48 horas da aplicação observou-se 100% de mortalidade (LIMA et al., 2014).
Os extratos de Croton blanchetianus (Baill) (Euphorbiaceae), Myracrodruon urundeuva
(Allemão) (Anacardiaceae) Ziziphus joazeiro (Mart) (Rhamnaceae) nas concentrações de 15,
20 e 25% tiveram efeito repelente para o ácaro verde da mandioca Mononychellus tanajoa
(Bondar, 1938) (Tetranychidae) (SIQUEIRA et al., 2014).
O extrato etanólico de semente de A. muricata apresentou CL99 estimada em 12,07
mg/mL para o ácaro rajado, T. urticae, além de ter causado aproximadamente 90% de
inviabilidade dos ovos nessa concentração (MACIEL et al., 2015).

25

Os óleos essenciais de laranja pera (Citrus sinensis Osbeck var. Pera) e laranja lima
(Citrus aurantium L.) tiveram efeitos repelentes ao T. urticae, de até três horas, em condições
de laboratório (CAMARA et al., 2015).
Já os óleos essenciais de Cuminum cyminum (Cumin) (Apiaceae), de Syzygium
aromaticum (Clove) (Myrtaceae), e de Mentha spicata (Spearmint) (Lamiaceae), foram
repelentes ao ácaro T. urticae nas concentrações 2,46; 2,69 e 4,52 μL L-1 de ar, respectivamente
(KHERADMAND et al., 2015).
O extrato etanólico de Chenopodium quinoa Willd. (Chenopodiacae) após 24 h nas
concentrações testadas: 2, 3 e 4% proporcionaram efeito repelente com porcentagens de 96, 99
e 100%, respectivamente, dos ácaros T. urticae, permanecendo na parte não tratada do disco
foliar (HARDER; TELLO; GILIOMEE, 2016).
O extrato etanólico das raízes da planta ornamental Costus speciosus Koen (Costaceae),
causou 79,67 ± 4,01% de mortalidade nos ovos de T. urticae, além de atrasar significativamente
o período de incubação (ISMAIL, 2017).
O extrato aquoso de raiz de S. officinalis L. e as nanopartículas de S. officinalis
fabricadas com prata foram tóxicos para ovos de T. urticae com CL50 e CL90 de 3,1 e 13,1 g L1

, respectivamente, para as nanopartículas. E CL50 e CL90 de 13,8 e 18,8 g L-1, respectivamente,

para o extrato (PAVELA et al., 2017).
Fernandes et al. (2017), ao estudarem o efeito da Annona vepretorum sobre T. urticae,
obtiveram CL50 estimada do extrato metanólico de 10,96 mg mL-1 para o efeito tópico + residual
e de 22,07 mg mL-1 para o efeito residual. A CL50 estimada para o extrato hexânico foi de 50,61
mg mL-1. O extrato metanólico na CL50 interferiu na fecundidade e na longevidade das fêmeas.
E para ambos os extratos, nos testes com múltipla escolha, os ácaros apresentaram preferência
significativa pelo controle, quanto à alimentação e à oviposição.
Apesar das informações sobre grande número de plantas com atividade acaricida, ainda
falta o adequado desenvolvimento de produtos que possam ser disponibilizados
comercialmente (VASANTHARAJ, 2008).

2.6

Microencapsulação

Novas técnicas visando melhorar o dessempenho de inseticidas/acaricidas estão sendo
usadas por indústrias químicas apoiadas pelo conhecimento na tecnologia para encapsular as
moléculas de ingrediente ativo. Tais aplicações, na agricultura podem aumentar a eficiência dos
produtos químicos e naturais, diminuir seus problemas com fotodegradação, obter maior

26

segurança no manuseio, reduzindo os riscos de toxicidade para o homem e contaminação do
meio ambiente, além de proporcionar a liberação de ingredientes ativos de forma controlada
(MATTOSO; MEDEIROS; MARTIN NETO, 2005; PEREZ-DE-LUQUE; RUBIALES, 2009).
O conceito da microencapsulação tem como base a idealização do modelo celular, no
qual o núcleo é envolvido por uma membrana semipermeável que o protege do meio externo e,
ao mesmo tempo, controla a entrada e saída de substâncias na célula (RÉ, 2006). Assim, a
microencapsulação compreende um processo em que ocorre a incorporação de substâncias de
interesse, designado núcleo ou material ativo, em um sistema de revestimento, que é chamado
de material de parede, agente encapsulante, ou membrana (GHARSALLAOUI et al., 2007;
OBEIDAT, 2009; TIWARI, et al., 2010).
As substâncias que serão encapsuladas se apresentam, geralmente, no estado líquido ou
sólido, podendo também ser um gás (FAVARO-TRINDADE; PINHO; ROCHA, 2008).
A microencapsulação realizada pelo método de spray drying é conhecida há muitos
anos, e é utilizada em diversos produtos tais como: pigmentos naturais, probióticos, vitaminas,
fármacos em geral, inseticidas, aditivos naturais, aromas e produtos alimentícios, como leite,
café, sopas e chás (FAVARO-TRINDADE et al., 2010; OLIVEIRA; PETROVICK, 2010;
JOYE; McCLEMENTS, 2014; SINGH; DIXIT, 2014; CHEN; ZHANG; ZHONG, 2015).
Na microencapsulação por spray drying, a substância a ser encapsulada é
homogeneamente dispersa ou dissolvida em uma solução aquosa ou dispersão, contendo o
agente encapsulante. Em seguida, o sistema é atomizado em uma corrente de ar quente que vai
promover a evaporação do solvente, obtendo-se a rápida solidificação das gotículas que depois
serão recolhidas no ciclone em forma de pó (Fig. 2) (NUNES, 2014).

Figura 2 - Representação esquemática da microencapsulação por spray drying

Fonte: adaptado de BURGAIN et al., 2011.

27

As variáveis deste processo envolvem a temperatura de entrada e saída de ar do sistema,
o fluxo de ar ou fluído de arraste, a distribuição da temperatura e umidade, o tempo de
permanência e temperatura da câmara. Estes parâmetros determinarão a eficiência do processo,
juntamente, com as características do agente encapsulante (tamanho de moléculas,
solubilidade) e características do material ativo (polaridade, pressão de vapor, tamanho de
molécula) (RÉ, 1998; KISSEL et al., 2006).
Um dos parâmetros de maior importância é a temperatura do ar de entrada, sendo
determinante na qualidade do produto obtido. O aumento na temperatura do material de entrada
facilita o processo de secagem, pois normalmente reduz a tensão superficial e a viscosidade,
facilitando a formação de gotículas (SOARES, 2002). O tempo de exposição do material ao
calor é curto (1 a 2 segundos), e a temperatura do núcleo não ultrapassa 40°C, o que reduz a
ocorrência de alterações indesejáveis em compostos termosensíveis (GHARSALLAOUI et al.,
2007).
Em relação à estrutura física, as micropartículas podem ser classificadas como
microcápsulas ou microesferas (Fig. 3). As microcápsulas consistem em micropartículas, onde
o núcleo está envolvido por uma camada ou filme polimérico formando um sistema do tipo
reservatório. Já nas microesferas, o polímero forma uma rede tridimensional onde o material a
ser microencapsulado pode estar adsorvido, incorporado ou ligado covalentemente à matriz
polimérica, formando sistemas de dissolução, dispersão ou sistemas porosos. Nestes sistemas,
a área central consiste em um vazio resultante da expansão das partículas durante os estágios
finais da secagem (JAFARI et al., 2008).

Figura 3 - Esquema ilustrativo dos tipos de micropartículas poliméricas

Fonte: Adaptado de SILVA et al., 2003.

28

Podem ainda, ser classificadas em cápsulas mono ou polinucleares e esferas hetero ou
homogêneas. Nas mononucleares o princípio ativo está na forma de um único núcleo envolto
pela matriz utilizada no processo, enquanto que, nas polinucleares, o ativo está subdividido em
vários núcleos cercados pela matriz. Nas esferas heterogêneas o material de núcleo encontra-se
suspenso de forma não homogênea na matriz enquanto que, nas esferas homogêneas, a
substância ativa está dissolvida em seu estado molecular na matriz utilizada (Fig. 3) (SILVA et
al., 2003).
As cápsulas podem ser classificadas por tamanho em três categorias: macro- (> 5000
μm), micro- (0,2-5000 μm) e nanocápsulas (< 0,2 μm) (AZEREDO, 2005).

2.7

Agentes encapsulantes

Os agentes encapsulantes são responsáveis pelo revestimento do material ativo,
proporcionando proteção durante o armazenamento prolongado, evitando que ocorram
alterações químicas e sensoriais no material encapsulado, além de conferir forma à
microcápsula. Podem ser de origem natural, semissintética ou sintética, incluindo materiais
poliméricos, hidrófilos, hidrófobos ou uma associação de ambos (GOUIN, 2004; AZEREDO,
2005; GHARSALLAOUI et al., 2007).
Algumas características são necessárias para que o agente encapsulante seja considerado
ideal, tais como apresentar baixa viscosidade em concentrações elevadas; ser fácil de manusear
durante o processo de microencapsulação; apresentar baixa higroscopicidade para evitar
aglomerações; ter elevada capacidade de incorporar o material a encapsular; proteger o material
que será encapsulado de circunstâncias adversas, como oxigênio, luz e pH; não reagir com o
composto a encapsular; apresentar propriedades desejadas de liberação do material a
encapsular, ter sabor agradável quando administrado por via oral; não possuir aroma (SANTOS;
MEIRELES, 2010).
Os agentes encapsulantes ainda devem possuir a capacidade de formar película coesa
com o material do núcleo, proporcionando compatibilidade química e física que vai conferir
algumas propriedades desejadas às microcápsulas, tais como flexibilidade, resistência,
impermeabilidade e estabilidade na preparação. Na prática, muitas vezes, pelo fato de um
mesmo composto não englobar todas essas propriedades, usam-se misturas (VENKATESEN;
MANAVALAN; VALLIAPPAN, 2009).
Dentre os agentes encapsulantes mais estudados pelo método de spray drying,
destacam-se os biopolímeros, provenientes de várias fontes como as gomas naturais (goma

29

arábica, alginatos, carragenas), carboidratos (amido, dextrinas e sacarose), as celuloses
(carboximetilcelulose, acetilcelulose, nitrocelulose); os lipídeos (parafina, mono e
diglicerídeos, óleos e gorduras), proteínas (gelatina, derivados do leite, glúten e albumina) e
materiais inorgânicos (sulfato de cálcio e silicatos) (GHARSALLAOUI et al., 2007;
VEHRING, 2008; SERVAT et al., 2010).

2.7.1 Amido

Os grânulos de amido são formados por dois tipos de polímeros, a amilose e a
amilopectina, ambos formados por unidade de D-glicose e que representam de 98 a 99% do seu
peso seco, sendo que a relação dos dois polissacarídeos varia de acordo com a origem botânica
do amido (TESTER; KARKALAS; QI, 2004).
O amido é um biopolímero, biocompatível, utilizado isolado ou em associação a outros
polímeros, nos sistemas de liberação controlada. Sua principal propriedade é a gelatinização,
capacidade de tornar-se viscoso em água com o aumento da temperatura (KRIEGER et al.,
1997; WANG et al., 2010; CHAN et al., 2011).
Amidos e ingredientes à base de amido (amidos modificados, maltodextrinas, βciclodextrinas) são amplamente utilizados na indústria de alimentos, com a funcionalidade de
reter e proteger compostos voláteis (MADENE et al., 2006). O amido tem sido amplamente
estudado como potencial agente encapsulante, devido ao seu preço relativamente baixo e sua
fácil aquisição (SPADA, 2011). Além disso, é uma matéria-prima abundante, renovável,
biodegradável e não tóxica que pode ser extraído com elevada pureza por meio de processos
industriais relativamente simples e ser facilmente convertido em várias substâncias por
processos químicos e bioquímicos. Esses fatores, somados, determinam o imenso potencial
agrícola e industrial do amido (LEONEL et al., 2011).

2.7.2 Maltodextrina

Maltodextrina, [(C6 H12 O5)n H2O], é um carboidrato formado por hidrólise parcial,
através da ação de ácidos ou enzimas e está disponível em diferentes níveis de dextrose
equivalente, indicando o nível de hidrólise do polímero de amido. Apresenta elevada
solubilidade em água, baixa viscosidade e produz soluções incolores (GIBBS et al., 1999;
GHARSALLAOUI et al., 2007).

30

A maltodextrina vem sendo utilizada com sucesso na microencapsulação de compostos
bioativos, atuando na sua proteção e melhorando sua estabilidade. Por exemplo, os compostos
fenólicos presentes no extrato aquoso de erva mate possuem características de instabilidade
frente à presença de luz, oxigênio e temperatura, sofrendo degradação por estes fatores. Assim,
a tecnologia de microencapsulação, em que a maltodextrina é utilizada como agente
encapsulante, aparece como alternativa de grande potencial para exercer efeito protetor nestes
compostos (NEDOVIC et al., 2011). Desta forma, a maltodextrina apresenta habilidade de
proteção dos materiais encapsulados, sendo este fato atribuído à sua capacidade de formar
filme, às suas propriedades plásticas e ao seu poder redutor (ELNAGGAR et al., 2010;
BARRETO et al., 2015).

2.7.3 Gelatina

A gelatina é uma proteína derivada da hidrólise parcial do colágeno, que é o principal
constituinte de peles de animais, ossos, tendões e tecido conectivo. É composta por 18
aminoácidos diferentes que estão unidos por ligações peptídicas na formação da molécula de
gelatina, cujo peso molecular médio varia entre 20.000 a 250.000, dependendo do grau de
hidrólise do colágeno (VOGLER, 2011).
É uma proteína solúvel em água relativamente barata, que tem sido selecionada para a
construção de partículas de biopolímeros. É uma ótima opção para produção de microesferas
devido às suas boas características de formação de películas, boas propriedades plastificantes e
de aderência. Ela é o produto da dissociação térmica ou química das cadeias polipeptídicas do
colágeno (ZUANON, 2012; JOYE; McCLEMENTS, 2014).
2.7.4 Dióxido de silício coloidal

O dióxido de silício coloidal de nome comercial Aerosil® é uma sílica pirogênica com
elevada pureza, amorfa e de finíssima granulometria, com caráter hidrofílico, possui
propriedade dessecante (KRYSZTAFKIEWICZ; BINKOWSKI; JESIONOWSKI, 2002;
FONTES; CHIAVEGATTO; ALVES, 2012).
É produzido por um processo contínuo de hidrólise de clorosilanos. Durante esse
processo, o tetracloreto de silício (SiCl4) é convertido a gás e depois reage espontaneamente
com o vapor d’água formado em uma atmosfera contendo oxigênio e hidrogênio com perda
considerável de calor. O único subproduto dessa reação é o ácido clorídrico (gasoso), que é

31

separado da sílica. Vários grupos podem ser ligados quimicamente à superfície da sílica como,
por exemplo, compostos organosilicios para alteração das características superficiais
(hidrofilicidade e hidrofobicidade) (CARVALHO; LIMA; SOARES, 2015).

32

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43

3

PREPARO E CARACTERIZAÇÃO DO MICROENCAPSULADO DO
EXTRATO DA SEMENTE DE Annona squamosa L. (ANNONACEAE) E
TOXICIDADE LETAL A Tetranychus urticae (KOCH, 1836) (ACARI:
TETRANYCHIDAE)
RESUMO

Acaricidas químicos, em geral, são os mais utilizados no controle do ácaro rajado, Tetranychus
urticae (KOCH, 1836), praga de grande importância para frutíferas, hortaliças e plantas
ornamentais. No entanto, o uso desses produtos pode ser ineficiente. Desta forma, a utilização
de acaricidas botânicos é uma alternativa e a formulação desses produtos os torna mais estável
e padronizados, com tempo de ação em campo prolongado, reduzindo as concentrações
aplicadas e mantendo baixa toxicidade ao homem e aos organismos não-alvo. Assim, o objetivo
do trabalho foi o preparo de extratos de sementes de Annona squamosa L. (Annonaceae), a
avaliação da toxicidade letal dos extratos a T. urticae, a caracterização química do extrato
hexânico, o preparo e a caracterização do microencapsulado de A. squamosa e a avaliação da
toxicidade letal do microencapsulado a T. urticae. Para tanto, o extrato hexânico e o etanólico
da semente de A. squamosa foram preparados através de extração à frio. Em seguida, ambos
foram pulverizados sobre discos de folhas de feijão-de-porco, Canavalia ensifomis L. DC)
(Fabaceae) em diferentes concentrações, utilizando-se torre de Potter para avaliar a toxicidade
letal a T. urticae. Foram transferidas dez fêmeas para cada disco, disposto em placas de Petri e
após 72 horas foi avaliada a sua mortalidade. As concentrações letais foram estimadas através
da análise de Probit. A caracterização química do extrato hexânico foi realizada através da
partição do extrato e cromatografia liquida de alta eficiência das frações clorofórmica e
hidrometanólica. A preparação do microencapsulado foi realizada com o extrato hexânico,
utilizando o aparelho de modelo BUCHI Mini Spray Dryer B-290, os polímeros utilizados
foram: amido, maltodextrina, gelatina e aerosil. Em seguida, foi feita a caracterização do
microencapsulado pela da análise de tamanho de partícula, microscopia eletrônica de varredura
e estudos termogravimétricos. A toxicidade letal do microencapsulado a T. urticae também foi
avaliada através da analise de Probit. O extrato hexânico apresentou maior toxicidade ao T.
urticae, com CL50 e CL99 estimadas em 1,41 e 26,05 g/L, respectivamente. Para o extrato
etanólico, as CL50 e CL99 estimadas foram 2,08 e 53,27 g/L, respectivamente. As frações mais
eficientes na mortalidade de T. urticae foram a clorofórmica e a hidrometanólica e os testes na
cromatografia líquida de alta eficiência mostraram a provável presença de acetogeninas nessas
frações. O microencapsulado apresentou micropartículas lisas, sem rachaduras e com pouca
variação de tamanho ao longo da amostra, com índice de polidispersidade de 5,872 e os estudos
termogravimétricos revelaram cinco processos de decomposição. O microencapsulado de A.
squamosa teve CL50 e CL99 estimadas em 5,37 e 45,26 g/L, respectivamente. Conclui-se que
extrato hexânico de A. squamosa e o microencapsulado de A. squamosa foram eficientes na
mortalidade de T. urticae. Além da eficiência na mortalidade, este último possui também a
vantagem de diminuir o efeito deletério ao meio ambiente, visto que o extrato se apresenta
encapsulado com materiais que não são tóxicos.
Palavras-chave: Ácaro rajado. Pinha. Formulação.

44

ABSTRACT

Chemical acaricides, in general, are the most commonly used in the control of the two-spotter
mite, Tetranychus urticae (KOCH, 1836), a pest of great importance for fruit, vegetables and
ornamental plants. However, the use of these products may be inefficient. Thus, the use of
botanical acaricides is an alternative and the formulation of these products makes them more
stable and standardized, with prolonged field action time, reducing applied concentrations and
maintaining low toxicity to humans and non-target organisms. The objective of the work was
to prepare extracts of seeds of Annona squamosa L. (Annonaceae), the evaluation of the lethal
toxicity of the extracts to T. urticae, the chemical characterization of the hexanic extract, the
preparation and the characterization of the microencapsulated of A. squamosa and the
evaluation of the lethal toxicity of microencapsulated to T. urticae. For this, the hexanic and
ethanolic extract of seeds the A. squamosa were prepared by cold extraction. Afterwards, both
were pulverized on discs of jack bean leaf, Canavalia ensifomis L. (DC) (Fabaceae) in different
concentrations, using Potter's Tower to evaluate the lethal toxicity to T. urticae. Ten females
were transferred to each disc, placed in Petri dishes and after 72 hours their mortality was
evaluated. The lethal concentrations were estimated through Probit Analysis. The chemical
characterization of the hexanic extract was carried out through the partitioning of the extract
and high performance liquid chromatography of the chloroform and hydrometanolic fractions.
The preparation of the microencapsulated was carried out with the hexanic extract, using the
model BUCHI Mini Spray Dryer B-290, the polymers used were: starch, maltodextrin, gelatin
and aerosil. Next, the characterization of the microencapsulated was performed through particle
size analysis, scanning electron microscopy and thermogravimetric studies. The lethal toxicity
of the microencapsulated to T. urticae mite was also evaluated through Probit Analysis. The
hexanic extract presented higher toxicity to T. urticae, with LC50 and LC99 estimated at 1.41
and 26.05 g/L, respectively. For the ethanolic extract, the estimated LC50 and LC99 were 2.08
and 53.27 g/L, respectively. The most efficient fractions in mortality of T. urticae were
chloroform and hydromethanolic, and the tests in high performance liquid chromatography
showed the probable presence of acetogenins in these fractions. The microencapsulated showed
smooth, non-cracking microparticles with little variation in size throughout the sample, with a
polydispersity index of 5.872 and thermogravimetric studies revealed four decomposition
processes. The microencapsulated of A. squamosa had LC50 and LC99 estimated at 5.37 and
45.26 g/L, respectively. It is concluded that hexanic extract of A. squamosa and
microencapsulated of A. squamosa were efficient in the mortality of T. urticae. Besides the
efficiency in mortality, the latter also has the advantage of reducing the deleterious effect to the
environment, since the extract is encapsulated with non-toxic materials.
Key works: Two-spotter mite. Sugar apple. Formulation.

45

3.1

Introdução

O ácaro rajado, Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae), é uma das
pragas mais importantes ao nível mundial, provocando perdas consideráveis em cultivos no
campo e em casa de vegetação. Atacando frutíferas, hortaliças e plantas ornamentais (VAN
LEEUWEN et al., 2007; MORAES; FLECHTMANN, 2008).
Entre os métodos de controle indicados para essa praga, o controle químico ainda é o
mais utilizado, no entanto,

o uso intensivo de acaricidas químicos tem selecionado

populações de ácaros resistentes (NICASTRO; SATO; SILVA, 2010), causando ressurgência
de pragas, devido à mortalidade dos inimigos naturais. Além dos riscos de contaminação ao
meio ambiente e ao homem (MEYER; KOVALESKI; VALDEBENITO-SANHUEZA, 2009;
MARSARO JÚNIOR et al., 2012).
Os danos provocados por pragas aliados aos efeitos maléficos do controle químico
podem ser atenuados ou eliminados com a utilização de produtos botânicos, que possuem
degradação mais rápida, o que pode reduzir o impacto aos inimigos naturais, ao homem e ao
ambiente (BRITO et al., 2008). Além disso, por serem produtos naturais provenientes de
recursos renováveis e compostos de uma mistura de vários ingredientes bioativos, agindo
sinergicamente, podem previnem a seleção de populações resistentes (BARRETO, 2005).
Observa-se que a rápida degradação dos produtos botânicos, causada devido a
fotodegradação e a temperatura, também pode ser considerada desvantagem, pois a curta
duração de persistência do efeito significa que sua aplicação deve ser repetida, o que aumenta
os custos para o produtor (PAVELA; BENELLI, 2016). Uma alternativa para amenizar essa
rápida degradação é o preparo de formulações, que venham a apresentar características de
estabilidade e liberação lenta, como por exemplo, formulações microencapsuladas.
A aplicação da nanotecnologia ou microtecnologia no setor de produtos agropecuários
tem a finalidade de desenvolver produtos estáveis e padronizados, com tempo de ação em
campo prolongado e mantendo sua baixa toxicidade ao homem e aos organismos não-alvo,
reduzindo dessa forma as concentrações aplicadas (MATTOSO; MEDEIROS; MARTIN
NETO, 2005; MARCOMINI, 2009).
O processo tecnológico de microencapsulação é responsável pela produção de
micropartículas que consiste em envolver, com um fino filme de uma matriz qualquer, pequenas
gotículas de uma substância ativa, sendo esta chamada de núcleo (GHARSALLAOUI et al.,
2007). A microencapsulação pode oferecer um sistema de liberação lenta e controlada de

46

produtos botânicos, como forma de diminuir a quantidade de ingrediente ativo aplicado no
controle de pragas.
A pinha, ata ou fruta-do-conde, Annona squamosa L. (Annonaceae) se destaca entre
uma diversidade de plantas com potencial inseticida/acaricida. Entre as substâncias encontradas
nas anonáceas, as acetogeninas são consideradas as mais importantes por apresentarem
bioatividade contra diversas espécies de pragas. Agem como inibidoras do transporte de
elétrons mitocondrial, afetando a ação do NADH-ubiquinona oxiredutase. São encontradas nas
cascas de galhos, raízes e, principalmente, em sementes. Além das acetogeninas também podem
estar presentes alcaloides, compostos fenólicos, óleos essenciais, flavonoides e terpenos
(BERMEJO et al., 2005; ÁLVARES COLOM et al., 2007; CASTILLO-SÁNCHEZ;
JIMÉNEZ-OSORNIO;

DELGADO-HERRERA,

2010;

KRINSKI;

MASSAROLI;

MACHADO, 2014).
Com base no exposto, o presente trabalho teve como objetivo a produção dos extratos
orgânicos de sementes de A. squamosa e avaliação da toxicidade letal dos extratos a T. urticae,
a caracterização química do extrato hexânico, a produção e caracterização do microencapsulado
de A. squamosa e a toxicidade do microencapsulado a T. urticae.

3.2

Material e Métodos

3.2.1 Obtenção e criação do ácaro Tetranychus urticae

Os ácaros foram provenientes de criação mantida no Laboratório de Entomologia:
Controle Alternativo de Pragas no CECA/UFAL, em Rio Largo, AL a temperatura ambiente de
26 ± 1°C, 60 ± 10 % de umidade relativa e fotofase de 12 horas.
Esses ácaros foram mantidos em mudas de feijão-de-porco (Canavalia ensifomis L. DC)
(Fabaceae) cultivadas em vasos de polietileno com capacidade de 5 L, contendo uma mistura
de solo e esterco bovino 10-10, em casa de vegetação. Para a manutenção da criação,
constantemente vasos contendo mudas novas foram colocados próximos das mudas contendo a
criação do ácaro.

3.2.2 Preparo dos extratos orgânicos da semente de Annona squamosa

Sementes de A. squamosa foram retiradas de frutos coletados em área experimental do
setor de fruticultura do CECA/UFAL. As sementes (7,0 kg) foram lavadas para retirada dos

47

resíduos, colocadas em sacos de papel Kraft e levadas para secagem em estufa com circulação
de ar a temperatura de 50°C por 72 horas. Em seguida, foram trituradas em triturador Trapp
para a obtenção do pó, que foi devidamente armazenado em recipientes de vidro
hermeticamente fechados até o preparo dos extratos.
Os extratos foram preparados no Laboratório de Pesquisa em Recursos Naturais da
UFAL. O pó das sementes, foi submetido à extração à frio em percolador de aço inoxidável,
primeiramente utilizando como solvente extrator três litros de hexano, ficando 2 h em
maceração, em seguida, o macerado foi retirado e concentrado em rotaevaporador a 50ºC, à
pressão reduzida.
Depois sobre a torta resultante após a filtração, foi acrescentado o etanol como solvente
extrator na quantidade de 3,3 L ficando em maceração por 72 horas. O macerado foi retirado e
concentrado em rotaevaporador e o solvente readicionado ao percolador. Este processo se
repetiu três vezes.
Obteve-se rendimento de 1,00 kg de resíduos concentrados para o extrato hexânico e
0,70 kg para o extrato etanólico. Posteriormente os extratos foram colocados em frasco de vidro,
vedados, etiquetados e armazenados em temperatura ambiente.

3.2.3 Toxicidade letal dos extratos orgânicos a Tetranychus urticae

Foram realizados pré-testes com os extratos hexânico e etanólico em diferentes
concentrações para determinar valores próximos do limite superior, com aproximadamente
100% de mortalidade, e próximos do limite inferior, com mortalidade quase nula. Em seguida,
as concentrações testadas foram obtidas pela fórmula de BLISS (1934): q = (an ÷ a1) 1 / n + 1 onde:
q = razão da progressão geométrica (pg); n = número de concentrações a extrapolar; a n e a1 =
limites superior e inferior, respectivamente, da pg. As concentrações testadas para o extrato
etanólico foram: 0,30; 0,57; 1,25; 2,59; 5,57 e 11,52 g/L, e para o extrato hexânico formam:
0,46; 0,84; 1,86; 3,25; 6,14 e 12,10 g/L. As soluções dos extratos foram solubilizadas em água
destilada acrescentando-se o emulsificante Tween 80 (0,05%). O controle utilizado foi uma
solução de água destilada e Tween 80 (0,05%).
Foram confeccionados discos de 5,0 cm de diâmetro com folhas de feijão-de-porco, os
quais foram pulverizados com os extratos em diferentes concentrações, utilizando-se torre de
Potter (Burkard, Rickmansworth, UK). A aplicação foi realizada a uma pressão de 5 psi/pol²
utilizando-se um volume de calda de 1,6 mL, correspondendo a um depósito de 2,0 ± 0,27
mg/cm². Esta quantidade aplicada está de acordo com o recomendado pela IOBC/WPRS

48

(International Organization for Biological Control of Noxious Animals and Plants/ West
Paleartic Regional Section) e representa o que ocorrerá no campo (REIS et al., 1998).
Em seguida, os discos foram colocados para secar sobre papel toalha à temperatura
ambiente durante uma hora e transferidos para placas de Petri (8,5 cm de diâmetro) contendo
um alfinete colado com silicone no fundo da mesma e água destilada para evitar a fuga dos
ácaros. No centro de cada disco foi feito um orifício para passagem do alfinete e fixação do
disco foliar. Desta forma, os discos permaneceram sem tocar na parede da placa, deslocandose apenas com o nível da água (REIS; ALVES 1997). Um total de 10 fêmeas do ácaro rajado
foram retiradas aleatoriamente da colônia de manutenção e transferidas para cada disco
(repetição), totalizando seis repetições por concentração.
A mortalidade dos ácaros foi avaliada com 72 horas após a pulverização, sendo
considerados mortos quando não conseguiam se mover a uma distância equivalente ao
comprimento de seu corpo (SATO et al., 2002). As concentrações letais (CLs) foram estimadas
através da análise de Probit, pelo programa estatístico SAS (SAS Institute, 2003). Para os testes
seguintes foi utilizado apenas o extrato avaliado como mais eficiente, ou seja, com menor CLs
estimada para o T. urticae.

3.2.4 Caracterização química do extrato hexânico da semente de Annona squamosa

3.2.4.1 Partição líquido-líquido do extrato hexânico da semente de Annona squamosa

A partição líquido-líquido foi realizada no Laboratório de Pesquisa em Recursos
Naturais da UFAL. O extrato hexânico foi ressuspenso em metanol utilizando-se um funil de
separação e solventes orgânicos de polaridades crescentes, hexano, clorofórmio e acetato de
etila, como pode-se observar na Fig. 4.
Cada fração obtida da partição foi testada para avaliar o efeito na mortalidade do ácaro
rajado, utilizando-se a CL99 estimada para o extrato hexânico de A. squamosa, de acordo com a
metodologia de Reis et al. (1998). Foram utilizadas seis repetições por tratamentos.
Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de
Tukey, a 5% de probabilidade, pelo Assistat 7.7 pt (SILVA; AZEVEDO, 2017).

49

Figura 4 - Esquema de partição líquido-líquido com diferentes solventes no extrato hexânico da
semente de Annona squamosa

Fonte: Autora, 2018.

Foi avaliado o efeito das frações na mortalidade do ácaro rajado, utilizando-se a
concentração referente a CL99 estimada para o extrato hexânico bruto. Desta forma, a fração
com maior percentual de mortalidade foi selecionada para realizar a análise em cromatografia
líquida de alta eficiência.

3.2.4.2 Análise em cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE).

As análises foram realizadas no Laboratório de Análises Farmacêuticas e Alimentícias
da UFAL, em cromatógrafo líquido Shimadzu (Japão).
Para o teste em CLAE foram utilizadas as duas frações com maior atividade biológica
ao ácaro rajado. As amostras foram dissolvidas em éter a fim de se obter uma concentração de
50 mg/mL. Em seguida, 2 μL da solução foram utilizadas para o teste cromatográfico. A
separação ocorreu empregando um método isocrático, usando como fase móvel a mistura
acetonitrila e água ultra-pura como solventes (ACN/H2O 85:15 v/v). A fase móvel foi eluída

50

usando uma coluna C18 modelo Júpiter Phenomenex (250 x 4,6 mm; 5m), à 35°C, com fluxo
de 1,0 mL/min e detector de UV operando a 205 nm durante um período de 31 minutos, de
acordo com metodologia adaptada de Wu (2003).

3.2.5 Microencapsulação do extrato da semente de Annona squamosa

A microencapsulação foi realizada no Laboratório de Tecnologia de Controle de
Medicamentos da UFAL utilizando o aparelho de modelo BUCHI Mini Spray Dryer B-290, a
uma temperatura de entrada de 200°C, fluxo de ar de 80 m³/min e velocidade de rotação de 26
RPM. Foram testados os encapsulantes: amido, gelatina, maltodextrina e aerosil em diversas
proporções e selecionada a mais adequada para a formação da micropartícula. A seleção do
percentual de cada um foi baseada no teor de matéria-seca, que foi igual a 94,4 %, obtido através
do método gravimétrico, por meio de balança eletrônica de umidade Shimadzu MOC-120H®,
com precisão de 1 mg e com secador de infravermelho. Para tanto, cerca de 1 mL do extrato
hexânico foi seco sob temperatura de 120 ° C, até obter perda de umidade inferior a 0,01
(Tab.1).
A solução foi preparada em agitação constante, nas proporções do material excipiente
indicadas abaixo, para cada 80 mL de água destilada (a 40 °C) e 85 mL de álcool etílico absoluto
P.A (Tab. 1). O rendimento final do microencapsulado foi de 73,37%.

Tabela 1 - Porcentagem do material excipiente utilizado no preparo da formulação
Material
Extrato hexânico de pinha
Maltodextrina
Gelatina em pó sem sabor
Amido
Aerosil

Porcentagem (%)
50,00
24,50
9,50
9,50
6,49

Fonte: Autora, 2018.

3.2.6 Caracterização do microencapsulado de Annona squamosa

3.2.6.1 Análise de tamanho de partículas do microencapsulado

As distribuições granulométricas das micropartículas obtidos por atomização em Spray
Dryer formam analisadas por difração a laser em aparelho Malvern Mastersizer 2000 (Malvern

51

Instruments, Inglaterra) no Instituto Tecnológico de Pernambuco (ITEP). Pequenas quantidades
do microencapsulado foram dispersos em água com auxílio de ultrassom até atingirem o índice
de obscuração requisitado pelo aparelho e analisadas na faixa de 0.020 – 2000 μm. O tamanho
médio foi determinado considerando-se o diâmetro médio de uma esfera de mesmo volume
(Diâmetro de De Brouckere D[4,3]). A polidispersidade foi dada pelo índice span o qual é
calculado por (D0.9 – D0,1) / D0.5, onde D0.9, D0.5 e D0.1 são respectivamente os diâmetros das
partículas correspondentes a 90, 50 e 10% da distribuição amostral.

3.2.6.2 Caracterização morfológica do microencapsulado através do microscópio eletrônico de
varredura (MEV)

O material foi analisado no Laboratório de Microscopia da Coordenação de Química do
Instituto Federal de Alagoas.
Uma pequena quantidade do microencapsulado foi fixada com fita metálica adesiva de
carbono de dupla face e montada sobre o stubs do microscópio com altura de 1,0 cm de altura
e diâmetro de 1,0 cm. Este material foi transferido para um metalizador QUORUM Q150R ES
para ser recoberto com uma camada de ouro. Foi aplicado uma corrente de 45 mA por 200
segundos. O material foi analisado em MEV modelo TESCAN VEGA3 com distância de
trabalho de 15,97 mm e com aceleração de voltagem igual a 20 kV.

3.2.6.3 Estudos Termogravimétricos (TGA)

As curvas termogravimétricas do microencapsulado e dos agentes encapsulantes
(amido, gelatina e maltodextrina) foram obtidas em aparelho Shimadzu modelo TGA-50H, no
Labortatório de de Tecnologia de Controle de Medicamentos da UFAL, sob fluxo de ar sintético
de 20 mL.min-1 e razão de aquecimento de 10 ºC.min-1, até uma temperatura final de 900 º C,
utilizando cadinho de alumina e massa da amostra igual a 5,0 ± 0,5 mg. O aerosil não foi
avaliado, pois é pouco denso, sendo inviável esse procedimento. Os dados termoanalíticos
foram analisados utilizando o software TA-60WS Collection Monitor.

3.2.7 Toxicidade letal do microencapsulado a Tetranychus urticae

Foram realizados pré-testes com o microencapsulado em diferentes concentrações para
determinar valores próximos do limite superior, com aproximadamente 100% de mortalidade,

52

e próximos do limite inferior, com mortalidade quase nula. Em seguida, as concentrações a
serem testadas foram obtidas através da fórmula de BLISS (1934): q = (an ÷ a1) 1 / n + 1 onde: q
= razão da progressão geométrica (pg); n = número de concentrações a extrapolar; a n e a1 =
limites superior e inferior, respectivamente, da pg. As concentrações testadas foram: 3,5; 5,1;
7,4; 10,8; 15,9 e 23,2 g/L. As soluções dos extratos foram solubilizadas em água destilada
acrescentando-se o emulsificante Tween 80 (0,05%).
Os experimentos seguiram a mesma metodologia da toxicidade letal dos extratos e as
concentrações letais (CLs) foram estimadas através da análise de Probit pelo programa
estatístico SAS (SAS Institute, 2003).

3.3

Resultados e Discussão

3.3.1 Toxicidade letal dos extratos orgânicos da semente de Annona squamosa a
Tetranychus urticae

O extrato hexânico proporcionou maior toxicidade ao T. urticae, em comparação ao
extrato etanólico, visto que foi requerida uma menor quantidade do extrato para causar
mortalidade aos ácaros, apresentando CL50 e CL99 estimadas em 1,41 e 26,05 g/L,
respectivamente. E o extrato etanólico, teve as CL50 e CL99 estimadas em 2,08 e 53,27 g/L,
respectivamente (Tab. 2).

Tabela 2 - Concentração letal (CL) (g/L) dos extratos orgânicos da semente de Annona
squamosa sobre Tetranychus urticae
Tratamentos

a

na

GLb

Inclinação ±
EPc

CL50
(IC 95%)

RTd
50

CL99
(IC 95%)

RT99

χ 2e

P

Extrato
etanólico

360

4

1,65 ± 0,16

2,08
(1,69-2,58)

1,47

53,27
(30,48-118,30)

2,04

7,43

0,11

Extrato
hexânico

360

4

1,83 ± 0,18

1,41
(1,14-1,70)

-

26,05
(16,39-50,82)

-

7,57

0,11

Número de ácaros utilizados em cada experimento.
Grau de liberdade do qui-quadrado
c
Erro Padrão
d
Razão de toxicidade entre os extratos = maior CL50 e CL99/menor CL50 e CL99 dos demais
e
Qui-quadrado
Fonte: Autora, 2018.
b

53

A razão de toxicidade (RT) para o extrato etanólico foi de 1,47 na CL50 e de 2,04 na
CL99, ou seja, a concentração do extrato etanólico estimada para causar 50% de mortalidade na
população de T. urticae é 1,47 vezes maior se comparada à concentração do extrato hexânico e
para causar 99% de mortalidade na população de T. urticae é 2,04 vezes maior.
Embora, diversos autores têm destacado uma relação direta entre a polaridade do
solvente utilizado na extração e a atividade do extrato sobre pragas, observando que geralmente,
solventes com menor polaridade ou apolares, como o hexânico, tem menor atividade
inseticida/acaricida que aqueles com polaridade intermediária, como o etanólico (POTENZA
et al., 2005; MACIEL et al., 2015; TRINDADE et al., 2018). No presente estudo, entretanto,
observou-se que o extrato obtido com o hexano possibilitou maior atividade, sendo, portanto,
mais eficiente em relação ao extrato etanólico, no que se refere ao efeito acaricida à T. urticae.
Também para o extrato de semente de A. squamosa, o extrato hexânico (apolar) teve
maior efeito tóxico ao pulgão Aphis gossypii (Glover, 1887) (Hemiptera: Aphididae), com CL99
estimada em 4,39%, em comparação ao extrato etanólico (maior polaridade) com CL99 estimada
em 5,47% (SANTOS, 2016). Evidenciando que nem sempre é possível selecionar um extrato
com maior atividade em relação à determinada praga, levando em consideração apenas a
polaridade dos solventes utilizados para sua extração. É provável que A. squamosa tenha
alguma substância em sua composição com maior atividade, visto que, outros autores tiveram
em seus estudos resultados mais eficientes para extratos preparados com solventes mais polares
com outras espécies de Annonaceae, que não A. squamosa.
Como exemplo, Fernandes et al. (2017), ao estudarem o efeito acaricida de Annona
vepretorum sobre o ácaro rajado, tiveram no efeito residual, para o extrato metanólico CL50 de
22,07 mg mL-1 e para o extrato hexânico CL50 de 50,61 mg mL-1, diferindo do presente trabalho,
quando se observa que o extrato mais eficiente, ou seja, aquele que precisou de menor
concentração para causar mortalidade nos ácaros, foi o de maior polaridade.
Outro estudo mostra que o extrato hexânico de semente de A. muricata foi mais eficiente
que o extrato etanólico com CL99 estimada em 31,87 mg/mL e 12,07 mg/mL, respectivamente,
para o ácaro rajado, T. urticae (MACIEL et al., 2015).

3.3.2 Caracterização química do extrato hexânico da semente de Annona squamosa

Ao testar as frações: acetato de etila, clorofórmica, hexânica e hidrometanólica na
concentração equivalente à CL99 do extrato hexânico bruto (26,05 g/L), observou-se que houve

54

diferença significativa entre os tratamentos a 5% de probabilidade pelo teste de Tukey (F =
32,34; p < 0,001; CV = 22,69) (Tab. 3).
As frações que causaram maior percentual de mortalidade do ácaro T. urticae foram a
clorofórmica e a hidrometanólica, com 86,66 ± 3,33 % e 75,00 ± 7,64 % de mortalidade (Tab.
3), indicando provavelmente maior quantidade de compostos com efeito acaricida. Desta forma,
as análises de caracterização fitoquímica em CLAE seguiram com essas duas frações.

Tabela 3 - Toxicidade das frações do extrato hexânico da semente de Annona squamosa a
Tetranychus urticae
Frações
Clorofórmica
Hidrometanólica
Hexânica
Acetato de etila
Testemunha

Mortalidade (Média ± EPa)
86,66 ± 3,33 a
75,00 ± 7,64 ab
61,66 ± 4,01 b
53,33 ± 6,66 b
8,33 ± 1,66 c

Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey (p 0,001).
a
Erro padrão
Fonte: Autora, 2018.

Na fração clorofórmica submetidas à CLAE o cromatograma obtido (Fig. 5) apresentou
maior percentual de constituintes no tempo de retenção entre 5 e 11 minutos e entre 25 e 26
minutos com absorção no comprimento de onda de 205 nm.
Os picos com maior percentual de área estão no tempo de retenção de 5,84; 7,76; 10,72;
25,69 e 26,78 minutos, com área de 15,72; 8,17; 5,77; 4,87 e 6,55 %, respectivamente (Fig. 6 e
Tab. 4).

Figura 5 - Cromatograma obtido por CLAE da fração clorofórmica do extrato hexânico da
semente de Annona squamosa

6

7

10
21

23

55

Figura 6 - Espectros de absorção dos constituintes referentes aos maiores picos (6, 7, 10, 21 e
23) da fração clorofórmica do extrato hexânico da semente de Annona squamosa

6

7

10

21

23

56

Tabela 4 - Principais picos obtidos por CLAE da fração clorofórmica do extrato hexânico da
semente de Annona squamosa
Pico

Tempo de retenção
(min)
3,63
4,19
4,33
4,84
5,58
5,84
7,76
9,40
9,85
10,72
13,02
13,49
16,83
21,09
21,95
22,66
23,23
23,76
24,06
24,96
25,69
26,36
26,78
28,03

1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24

Área
(%)
1,98
1,61
1,91
3,03
2,71
15,72
8,17
2,29
2,72
5,77
3,29
2,00
0,96
0,46
0,51
0,49
0,91
0,35
0,22
0,42
4,87
1,86
6,55
3,37

Comprimento de onda
(λ1)
194
194
231
194
209
209
194
208
194
208
209
209
208
194
194
194
194
194
194
194
194
194
194
194

Comprimento de onda
(λ2)
273
233(om)
275
240
241
236
235
235
238
236
233
233
235
235

Fonte: Autora, 2018.

Na fração hidrometanólica submetidas à CLAE o cromatograma obtido (Fig. 7)
apresentou maior percentual de constituintes no tempo de retenção entre 4 e 11 minutos e em
26,96 minutos com absorção no comprimento de onda de 205 nm.
Os picos com maior percentual de área estão no tempo de retenção de 4,85; 5,86; 7,77;
10,73 e 26,96 minutos, com área de 4,02; 15,97; 4,67; 4,97 e 4,39 %, respectivamente (Fig. 8 e
Tab. 5).

57

Figura 7 - Cromatograma obtido por CLAE da fração hidrometanólica do extrato hexânico da
semente de Annona squamosa e espectros de absorção dos constituintes referentes
aos maiores picos.

8

6
11

14
28

Figura 8 - Espectros de absorção dos constituintes referentes aos maiores picos (6, 8, 11, 14 e
28) da fração hidrometanólica do extrato hexânico da semente de Annona squamosa

8

6

11

14

58

28

Tabela 5 - Principais picos obtidos por CLAE da fração hidrometanólica do extrato hexânico
da semente de Annona squamosa
Pico
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29

Tempo de retenção
(min)
3,40
3,63
3,92
4,08
4,33
4,85
5,59
5,86
6,41
7,31
7,77
9,42
9,88
10,73
13,06
13,53
16,88
21,13
21,98
22,68
23,26
23,80
24,10
24,99
25,38
25,87
26,44
26,96
27,94

Fonte: Autora, 2018.

Área
(%)
3,69
3,29
2,48
3,47
2,04
4,02
3,50
15,97
1,84
2,92
4,67
2,44
3,07
4,97
2,23
3,65
0,87
0,52
0,66
0,33
0,58
0,34
0,30
0,50
0,36
1,90
0,78
4,39
0,98

Comprimento de onda
(λ1)
209
194
209
194
194
194
203
208
207
209
194
208
209
194
208
208
208
194
194
194
194
194
194
194
194
194
194
194
194

Comprimento de onda
(λ2)
275(om)
272
207
217
266
272
272
272
242
241
216
240
215
215
240
223
224
223
235
223

59

Na fração clorofórmica observou-se um constituinte no tempo de retenção de 5,84
minutos, com percentual de área igual a 15,72 % e comprimento de onda de 209 nm. Resultado
semelhante apresentou a fração hidrometanólica, no tempo de retenção de 5,86 minutos, com
percentual de área igual a 15,97 % e comprimento de onda de 208 nm, levando a indicar que se
trata de um mesmo constituinte, com apenas uma pequena variação na concentração e
comprimento de onda.
A faixa de absorção máxima para as acetogeninas de Annonaceae é de 190 nm a 225
nm (GU et al., 1999; LIAW et al., 2005). Desta forma, levando em consideração a análise da
absorbância máxima de UV para a camada de picos presentes nos cromatogramas obtidos, os
picos principais das frações clorofórmica e hidrometanólica são possivelmente acetogeninas,
visto que se encontram nessa faixa. Para confirmação é necessário o estudo de forma mais
detalhada através da identificação em ressonância magnética, comparação com bibliotecas entre
outros métodos.
Na literatura são relatadas cerca de quarenta acetogeninas isoladas de A. squamosa
(SALAZAR; SOTO, 2012). Das quais se pode citar a dieposabadelin, squamocenina, lepirenina
e dotistenin (NDOB et al., 2009), annoglaxin, asiminacin (squamocin-D), bullatacin
(squamocin-G), sesacetyluvaracin (squamocin-L), isoacetyluvaracin, squamocin e murisolin
(YANG et al., 2010), annonacin, annonastatin, annonin VI, annotemoyin-2, squamocin-O1 e
squamocin-O2 (PANDEY; BARVE, 2011). Sendo assim é grande a chance de se identificar a
acetogenina no presente trabalho com pesquisas posteriormente.

3.3.3 Caracterização do microencapsulado de Annona squamosa

3.3.3.1 Análise de tamanho de partículas do microencapsulado de Annona squamosa

A distribuição do tamanho de partículas consiste em expressar a frequência da
quantidade de partículas sólidas em cada faixa de tamanho, que normalmente é dada em fração
mássica ou volumétrica, em função dos diferentes diâmetros de partícula encontrados em uma
amostra (SATO, 2005).
As partículas apresentaram diâmetros variando de 0,55 a 79,43 µm sendo, portanto,
classificadas como micropartículas que podem variar de 0,2 a 5000 μm, segundo Azeredo
(2005).
Na Fig. 9 e Tab. 6, observa-se que as partículas têm uma distribuição bimodal, em
função da apresentação de dois picos, que representam dois tamanhos de partículas

60

predominantes. Este resultado é importante quando se considera o armazenamento do pó, uma
vez que a população de partículas menores pode penetrar nos espaços presentes entre as
partículas maiores, ocupando menos espaço. A presença de partículas maiores pode ser
atribuída a um começo do processo de aglomeração onde a formação de pontes de ligação
irreversíveis para a produção de partículas com maior tamanho (TONON; BRABET;
HUBINGER, 2009).

Figura 9 - Distribuição de tamanho de partícula do microencapsulado de Annona squamosa
obtida por difração a laser

O índice de polidispersidade foi igual a 5,872, e quanto menor esse valor mais próximo
está o percentual de diâmetro das partículas, indicando menor variação de tamanho ao longo da
amostra, como no presente trabalho (Tab.6).

Tabela 6 - Índice de Polidispersidade e diâmetro médio de partículas em volume D [4,3] do
microencapsulado de Annona squamosa

Índice de Polidispersidade
5,872
Fonte: Autora, 2018.

Tamanho (µm)
D (v,0,1)

D (v,0,5)

D (v,0,9)

D [4,3]

1,191

3,988

24,608

9,137

61

3.3.3.2 Caracterização morfológica do microencapsulado de Annona squamosa através do
microscópio eletrônico de varredura (MEV)

A microscopia eletrônica de varredura fornece informações sobre as características
morfológicas das micropartículas, permitindo uma análise rápida e direta da eficiência do
processo de encapsulação. Fornece informações do formato, tamanho e sobre a superfície da
micropartícula, tais como a presença de fissuras e poros. A presença de fissuras e rachaduras
pode comprometer a proteção oferecida ao encapsulado (ROSENBERG; KOPELMAN;
TALMON, 1990; MUZZARELLI et al., 2004).
As micropartículas apresentaram formato esférico com variedade em tamanho, o que é
característico das partículas produzidas pelo processo de spray drying (Fig. 10).

Figura 10 - Fotomicrografias do microencapsulado de Annona squamosa. Aumento de (A)
500x, (B) 1000x, (C) 2000x e (D) 5000x

62

As superfícies das micropartículas foram predominantemente lisas, sem fissuras ou
rachaduras aparentes, o que é um ponto positivo, uma vez que essa característica representa
menor permeabilidade das cápsulas a gases, aumenta a proteção e retenção do material ativo
dentro da matriz encapsulante (CARNEIRO, 2011). Características morfológicas similares
foram encontradas na microencapsulação do óleo de linhaça (TONON; GROSSO;
HUBINGER, 2011) e do óleo de café verde, produzido com amidos modificados
(CARVALHO; SILVA; HUBINGER, 2014).
Na microencapsulação do óleo essencial de alecrim produzido com inulina ou isolado
proteico de soro, embora as partículas não tenham apresentado fissuras, foi observado aspecto
rugoso na superfície ao aumentar a concentração de inulina (FERNANDES, et al., 2016).
Ao longo da amostra do microencapusulado de A. squamosa foi possível observar
formação de matriz compactada “colada”. Esse fator ocorre pela presença da gelatina na
composição da formulação, conforme observado em outros microencapsulados contendo
gelatina (ZHAO; WHISTLER, 1994; BASÍLIO JÚNIOR, 2009).

3.3.3.3 Estudos Termogravimétricos (TGA)

Os estudos de estabilidade térmica do microencapsulado, do extrato hexânico e dos
materiais de revestimento foram realizados por TGA e os resultados são apresentados na Tab.
7 e Fig. 10, com perdas de massas ocorridas e representadas nas curvas termogravimétricas.
O processo de termodecomposição inicia-se com o aquecimento, é relativo à perda de
água (umidade) ou perda de água de cristalização dos seus componentes (MACÊDO et al.,
1996).
Os estudos termogravimétricos do microencapsulado de A. squamosa tiveram cinco
processos de decomposição: o primeiro teve início a 27,32 ºC e término a 101,81 ºC com perda
de massa de 2,99 %, correspondente a umidade contida no microencapsulado. O segundo
processo ocorreu num intervalo de temperatura entre 101,81 ºC e 239,72 ºC com perda de massa
de 6,07 %. O terceiro teve início a 239,72 ºC e término a 329,53 ºC, com perda de massa de
21,41 %. O quarto teve início a 329,53 °C e término a 398,49° C, com perda de massa de 28,50
% e o quinto processo teve início a 398,49 °C e término a 899,90 °C com perda de massa de
31,79 %. A termodecomposição total correspondeu a perda de massa de 90,81 % e resíduo
mineral de 9,19 % (Tab. 7 e Fig. 11).

63

Tabela 7 - Dados termogravimétricos do microencapsulado, do extrato hexânico da semente de
Annona squamosa e dos materiais de revestimento aplicados nos estudos de
microencapsulação
Etapa
a

Amostra

Microencapsulado

Extrato hexânico

Amido

Gelatina

Maltodextrina
a

I
II
III
IV
V
I-V
I
II
III
IV
V
I-V
I
II
III
I-III
I
II
III
IV
I-IV
I
II
III
I-III

Ti (°C)
27,32
101,81
239,72
329,53
398,49
27,32
20,71
127,54
274,76
409,52
457,59
20,71
21,90
128,16
316,59
21,95
24,24
205,69
323,80
632,34
24,24
22,79
157,93
313,59
22,79

TG
Tf (°C)
101,81
239,72
329,53
398,49
899,90
899,90
127,54
274,76
409,52
457,59
899,93
899,93
128,16
316,59
898,67
898,67
205,69
323,80
632,34
899,80
899,80
157,93
313,59
899,90
899,90

b

c

%m
2,99
6,07
21,41
28,50
31,79
90,81
0,63
4,39
48,08
37,89
5,16
96,21
11,56
27,86
53,77
93,58
14,01
22,77
38,59
12,64
88,27
6,12
30,85
56,97
93,28

Ti: temperatura inicial; bTf: temperatura final; c%m: perda de massa.

Fonte: Autora, 2018.

Figura 11 - Curvas de TGA do microencapsulado, do extrato hexânico de Annona squamosa e
dos materiais de revestimento aplicados nos estudos de microencapsulação

64

A curva termogravimétrica do extrato hexânico de A. squamosa teve cinco processos de
decomposição: o primeiro teve início a 20,71 °C e término a 127,54 °C com perda de massa de
0,63 % correspondente a umidade contida no extrato e provavelmente uma pequena quantidade
do hexano, o solvente utilizado na preparação do extrato. O segundo processo ocorreu no
intervalo de 127,54 °C e 274,76 °C com perda de massa de 4,39 %. O terceiro teve início a
274,76 °C e término a 409,52 °C com perda de massa de 48,08 %. O quarto processo teve início
a 409,52 °C e término 457,59 °C com perda de massa de 37,89 %. O quinto teve início a 457,59
°C e término a 899,93 °C com perda de massa de 5,16 %. A termodecomposição total
correspondeu a perda de massa de 96,21 % e resíduo mineral de 3,79 % (Tab.7 e Fig. 11).
A curva termogravimétrica do amido teve três processos de decomposição: o primeiro
teve início a 21,90 ºC e término a 128,16 ºC com perda de massa de 11,56 %. O segundo
processo ocorreu num intervalo de temperatura entre 128,16 ºC e 316,59 ºC com perda de massa
de 27,86 %. O terceiro teve início a 316,59 ºC e término a 898,67 ºC, com perda de massa de
53,77 %. A termodecomposição total correspondeu a perda de massa de 93,58 % e resíduo
mineral de 6,42 % (Tab. 7 e Fig. 11).
A curva termogravimétrica da gelatina teve quatro processos de decomposição: o
primeiro teve início a 24,24 ºC e término a 205,69 ºC com perda de massa de 14,01 %. O
segundo processo ocorreu num intervalo de temperatura entre 205,69 ºC e 323,80 ºC com perda
de massa de 22,77 %. O terceiro teve início a 323,80 ºC e término a 632,34 ºC, com perda de
massa de 38,59 %. O quarto teve início a 632,34 °C e término a 899,80 °C, com perda de massa
de 12,64 %. A termodecomposição total correspondeu a perda de massa de 88,27 % e resíduo
mineral de 11,73 % (Tab. 7 e Fig. 11).
A curva termogravimétrica da maltodextrina teve três processos de decomposição: o
primeiro teve início a 22,79 ºC e término a 157,93 ºC com perda de massa de 6,12 %. O segundo
processo teve início a 157,93 ºC e término a 313,59 ºC com perda de massa de 30,85 %. O
terceiro teve início a 313,59 ºC e término a 899,90 ºC, com perda de massa de 56,97 %. A
termodecomposição total correspondeu a perda de massa de 93,28 % e resíduo mineral de 6,72
% (Tab. 7 e Fig. 11).
3.3.3.4 Toxicidade letal do microencapsulado de Annona squamosa a Tetranychus urticae

O microencapsulado de A. squamosa teve CL50 e CL99 estimadas em 5,37 e 45,26 g/L,
respectivamente, para o ácaro T. urticae (Tab. 8).

65

Tabela 8 - Concentração Letal (CL) (g/L) do microencapsulado de Annona squamosa sobre
Tetranychus urticae
na

GLb

Microencapsulado 360

4

Tratamento

Inclinação ±
EPc
2,51 ± 0,29

CL50
(IC 95%)
5,37
(4,47-6,20)

CL99
χ2
P
d
(IC 95%)
45,26
7,56 0,10
(31,85-78,15)

a

Número de ácaros utilizados em cada experimento.
Grau de liberdade do qui-quadrado
c
Erro Padrão
d
Qui-quadrado
Fonte: Autora, 2018.
b

Considerando que na produção do microencapsulado foi utilizado 50 % do extrato
hexânico e os outros 50 % representam os polímeros. Podemos concluir que, o
microencapsulado teve eficiência semelhante ao extrato hexânico, porém com a vantagem de
diminuir o seu efeito tóxico ao meio ambiente, visto que o extrato está encapsulado com
materiais que não são tóxicos, podendo ocorrer a aplicação do produto pelos agricultores de
forma mais segura, com menor risco de causar intoxicações. Assim como, possuir uma
liberação controlada e com semelhante toxicidade letal sobre a praga.
Outros autores, observaram que nanopartículas de enxofre em comparação ao enxofre
tem efeitos mais significativos sobre adultos e ninfas de T. urticae, com concentrações letais
menores para as nanopartículas de enxofre, tanto nos bioensaios laboratoriais como em casa de
vegetação (GAVANJI et al., 2013). Nanopartículas de prata também foram eficientes, causando
mortalidade ao ácaro T. urticae em experimentos com metodologia de imersão, no entanto,
quando pulverizado apresentou maior mortalidade (JALALIZAND et al., 2013).
O extrato de raiz de Saponaria officinalis L. (Caryophyllaceae) e as nanopartículas de
S. officinalis fabricadas com prata, também tiveram eficácia como acaricida. A CL50 da
nanopartícula para ninfas foi de 1,2 g L-1 e a CL90 foi de 2,8 g L-1, significativamente menor se
comparada com o extrato com CL50 igual a 7,8 g L-1 e CL90 igual a 11,9 g L-1. Os adultos de T.
urticae mostraram menor sensibilidade, com CL50 de 6,1 e 19,9 g L-1 para nanopartículas e
extrato, respectivamente. E CL90 igual a 15,4 e 36,1 g L-1 para nanopartículas e extrato,
respectivamente (PAVELA et al., 2017).
Para o sucesso na produção e comercialização do acaricida microencapsulado de extrato
de semente de A. squamosa, ainda existem algumas etapas, como avaliação do efeito fitotóxico,
tempo de validade do produto, período de carência, toxicidade a mamíferos, identificação e
quantificação do princípio ativo, entre outros. No entanto, partindo do presente trabalho é

66

sabido do seu efeito acaricida e a partir do exposto, novas pesquisas devem ser realizadas com
a finalidade de regulamentação do produto.

3.4

Conclusões

- O extrato hexânico é mais eficiente na mortalidade do ácaro T. urticae quando
comparado ao extrato etanólico de semente de Annona squamosa.
- O microencapsulado apresenta micropartículas lisas, sem rachaduras e com pouca
variação de tamanho ao longo da amostra e tem cinco processos de decomposição.
- O controle do ácaro T. urticae com o uso do microencapsulado de A. squamosa é
promissor, por causar toxicidade letal na praga.

67

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71

4

EFEITOS LETAIS E SUBLETAIS DO EXTRATO HEXÂNICO E DO
MICROENCAPSULADO DE Annona squamosa L. (ANNONACEAE) A
Tetranychus urticae (Koch, 1836) (ACARI: TETRANYCHIDAE)

RESUMO

O ácaro rajado, Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae), é de grande
importância, podendo causar perdas consideráveis em frutíferas, hortaliças, plantas ornamentais
e medicinais. Indivíduos que sobrevivem à exposição de acaricidas podem sofrer com efeitos
subletais. A pinha, ata ou fruta-do-conde, Annona squamosa L. (Annonaceae) se destaca entre
plantas com potencial acaricida. O presente trabalho teve como objetivo avaliar a toxicidade
subletal referente ao efeito ovicida, efeito repelente, taxa instantânea de crescimento
populacional e efeito residual do extrato hexânico de A. squamosa e do o microencapsulado de
A. squamosa ao ácaro rajado, T. urticae. Desta forma, para o efeito ovicida foram utilizadas as
CL50 e CL99 de ambos os produtos e foram aplicadas em discos de folhas de feijão-de-porco
(Canavalia ensifomis L. DC) (Fabaceae) contendo 10 ovos, totalizando 20 repetições para cada
tratamento, durante 144 horas a eclosão das larvas foi avaliada. Para avaliar o efeito repelente,
discos de folhas de feijão-de-porco foram pulverizadas com água (controle) ou com os
tratamentos (CLs 5, 25, 50, 75, 95 e 99 do extrato hexânico e do microencapsulado de A.
squamosa). Em seguida, foram colocados em uma placa de Petri e foram conectados por uma
lamínula, ficando de um lado o disco foliar com tratamento e do outro o controle. No centro da
lamínula 10 fêmeas de T. urticae foram liberadas e após 2 horas foi avaliado o número de
fêmeas em cada disco, foram feitas 15 repetições por tratamento. Para a taxa instantânea de
crescimento populacional (ri), discos de feijão-de-porco foram pulverizados com o extrato
hexânico e o microencapsulado de A. squamosa (CLs 5, 25, 50, 75 e 95) e a testemunha. Foram
transferidas cinco fêmeas por disco e utilizadas cinco repetições por tratamento. Após sete dias,
o número total de ácaros foi contabilizado. Para avaliar o efeito residual mudas de feijão-deporco foram pulverizadas com a CL50 e CL99 do extrato e do microencapsulado e água destilada.
Após 2 h da aplicação e durante o período de 15 dias após aplicação (DAP) foram retirados
discos foliares, colocados em placas de Petri e transferidas 10 fêmeas de T. urticae, a avaliação
da mortalidade foi 72 h após. O microencapsulado na CL99 foi o tratamento que presentou a
menor viabilidade de ovos com 7,5 ± 2,70 % de ovos viáveis. Foi observado efeito repelente
para o extrato hexânico de A. squamosa a partir da CL95 e para o microencapsulado de A.
squamosa a partir da CL50. A taxa instantânea populacional para ambos os produtos decresceu
com o aumento das concentrações. No efeito residual, observou-se que o microencapsulado na
CL99 foi eficiente até o 8° DAP com mortalidade de 61,2 ± 10,4 %. E o extrato hexânico na
CL99 foi eficiente até o 15° DAP com mortalidade de 61,2 ± 11,0 %, no experimento conduzido
em casa de vegetação. Para o experimento de campo 1, o microencapsulado na CL99 foi
eficiente até o 6° DAP com mortalidade de 61,2 ± 8,1 %. E o extrato hexânico na CL99 foi
eficiente até o 7° DAP com mortalidade de 58,7 ± 10,3 %. No experimento de campo 2, o
extrato hexânico na CL99, apresentou eficiência até o 10° DAP, com 75,0 ± 6,0 % de
mortalidade e o microencapsulado até o 9° DAP com 61,2 ± 6,1 % de mortalidade. Conclui-se
que o extrato hexânico e o microencapsulado de A. squamosa podem causar efeito subletal a T.
urticae podendo serem utilizados no manejo da praga.
Palavras-chave: Ácaro rajado. Pinha. Acaricida botânico.

72

ABSTRACT
The two-spotter mite, Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae), is of great
importance, may cause considerable losses in of fruit, vegetables, ornamental and medicinal
plants. Individuals who survive the exposure of acaricides may suffer from sublethal effects.
The sugar apple, Annona squamosa L. (Annonaceae) stands out among a diversity of plants
with insecticidal/acaricidal potential. The objective of this work was to test the sublethal
toxicity related to ovicidal effect, repellent effect, instantaneous population growth rate and
residual effect of the A. squamosa hexanic extract and the microencapsulated of A. squamosa,
on T. urticae. Thus, for the ovicidal effect the LC50 and LC99 of both products were used and
were applied in jack bean leaf (Canavalia ensifomis L. DC) (Fabaceae) containing 10 eggs,
totaling 20 replicates for each treatment, during 144 hours the hatching of the eggs was
evaluated. To evaluate the repellent effect, leaves of pigs were sprayed with water (control) or
with the treatments (CLs 5, 25, 50, 75, 95 and 99 of the hexanic extract and the
microencapsulate of A. squamosa). Afterwards, they were placed in a Petri dish and connected
by a coverslip, leaving on one side the leaf disc with treatment and the other on the control. At
the center of the coverslip 10 females of T. urticae were released and after 2 hours the number
of females on each disc was evaluated, 15 replicates were made per treatment. For the
instantaneous rate of population growth (ri), bean discs were sprayed with the hexanic extract
and the microencapsulated of A. squamosa (LCs 5, 25, 50, 75 and 95) and the control. Five
females were transferred per disc and five replicates were used per treatment. After seven days,
the total number of mites was counted. To evaluate the residual effect seedlings of pigs were
sprayed with the LC50 and LC99 of the extract and the microencapsulated and distilled water.
After 2 h of application and during the period of 15 days after pulverization (DAP) leaf discs
were removed, placed in Petri dishes and transferred 10 females of T. urticae, the mortality
evaluation was 72 h after. The microencapsulated in LC99 was the treatment that presented the
lowest viability of eggs with 7.5 ± 2.70 % of viable eggs. A repellent effect was observed for
the hexanic extract of A. squamosa as from LC95 and for the microencapsulated A. squamosa
as from LC50. The instantaneous population rate for both products decreased with increasing
concentrations. In the residual effect, it was observed that the microencapsulated in the LC 99
was efficient until the 8th DAP with mortality of 61.2 ± 10.4 %. And the hexanic extract in the
LC99 was efficient until the 15 th DAP with mortality of 61.2 ± 11.0 %, in the experiment
conducted in greenhouse. For the field experiment 1, the microencapsulated in the LC 99 was
efficient until the 6th DAP with a mortality of 61.2 ± 8.1 %. And the hexanic extract in LC99
was efficient until the 7th DAP with mortality of 58.7 ± 10.3 %. In the field experiment 2,
hexanic extract in LC99 showed efficiency up to 10th DAP, with 75.0 ± 6.0% mortality and
microencapsulation up to 9th DAP with 61.2 ± 6.1% mortality. It is concluded that the hexanic
extract and the microencapsulate of A. squamosa can cause sublethal effect at T. urticae and
can be used in pest management.
Key works: Two-spotter mite. Sugar apple. Botanical acaricide.

73

4.1

Introdução

O ácaro rajado, Tetranychus urticae (Koch, 1836) (Acari: Tetranychidae), é uma praga
de grande importância, devido à alta capacidade de obter resistência e por ser uma espécie
polífaga, podendo causar perdas consideráveis em diversas culturas, por exemplo, espécies de
frutíferas, hortaliças, plantas ornamentais e medicinais (MORAES; FLECHTMANN 2008;
SATO et al., 2009; NICASTRO; SATO; SILVA, 2010; MONTEIRO et al., 2015).
As concentrações letais são amplamente utilizadas para avaliar a toxicidade de
acaricidas/inseticidas às pragas. No entanto, é considerada uma medida incompleta de avaliação
da toxicidade, visto que considera apenas a mortalidade como parâmetro (STARK; BANKS,
2003; DESNEUX; DECOURTYE; DELPUECH, 2007).
Indivíduos que sobrevivem à exposição desses produtos podem sofrer com efeitos
subletais que podem ser observados por interferências na taxa de oviposição (SIVIRA et al.,
2011; ALVES et al., 2011), na viabilidade de ovos (MACIEL et al., 2015), na taxa de
crescimento populacional e no forrageamento (TEODORO; PALLINI; OLIVEIRA, 2009;
SOTO et al., 2010) e interferências em aspectos biológicos (SILVA et al., 2013).
A pinha, ata ou fruta-do-conde, Annona squamosa L. (Annonaceae) se destaca entre
uma diversidade de plantas com potencial inseticida/acaricida. Plantas dessa família apresentam
acetogeninas como principal composto ativo. Agem como inibidoras do transporte de elétrons
mitocondrial, afetando a ação do NADH-ubiquinona oxiredutase (ÁLVARES COLOM et al.
2007; KRINSKI; MASSAROLI; MACHADO, 2014).
Os acaricidas botânicos geralmente são menos tóxicos aos mamíferos, ao ambiente e
aos inimigos naturais e normalmente previnem a seleção de populações resistentes, por serem
provenientes de uma mistura de compostos, ao invés de uma simples molécula tóxica. Além
disso, apresentam uma rápida degradação pela luz solar, umidade e precipitação (BLEICHER,
2012).
No entanto, essa rápida degradação, também pode ser considerada uma desvantagem,
pois a curta duração de persistência do efeito significa que sua aplicação deve ser repetida, o
que aumenta os custos para o produtor (PAVELA; BENELLI, 2016). Uma alternativa para isso
é o preparo de formulações, que venham a apresentar características de estabilidade e liberação
lenta, como por exemplo, formulações microencapsuladas.
O processo de microencapsulação é responsável pela produção de micropartículas que
consiste em envolver, com um fino filme de uma matriz qualquer, pequenas gotículas de uma
substância ativa, sendo esta chamada de núcleo (GHARSALLAOUI et al., 2007).

74

Com base no exposto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a toxicidade letal
e subletal referentes ao efeito ovicida, ao efeito repelente, a taxa instantânea de crescimento
populacional e ao efeito residual do extrato hexânico de A. squamosa e do o microencapsulado
de A. squamosa ao ácaro rajado, T. urticae.

4.2

Material e Métodos

4.2.1 Obtenção e criação do ácaro Tetranychus urticae

Os ácaros foram provenientes de criação mantida no Laboratório de Entomologia:
Controle Alternativo de Pragas no CECA/UFAL, em Rio Largo, AL a temperatura ambiente de
26 ± 1°C, 60 ± 10 % de UR e fotofase de 12 horas.
Esses ácaros foram mantidos em mudas de feijão-de-porco (Canavalia ensifomis L. DC)
(Fabaceae) cultivadas em vasos de polietileno com capacidade de 5 L, contendo uma mistura
de solo e esterco bovino 10-10, em casa de vegetação. Para a manutenção da criação,
constantemente vasos contendo mudas novas foram colocados próximos das mudas contendo a
criação do ácaro.

4.2.2 Preparo dos extratos orgânicos da semente de Annona squamosa

Sementes de A. squamosa foram retiradas de frutos coletados em área experimental do
setor de fruticultura do CECA/UFAL. As sementes (7,0 kg) foram lavadas para retirada dos
resíduos, colocadas em sacos de papel Kraft e levadas para secagem em estufa com circulação
de ar a temperatura de 50°C por 72 horas. Em seguida, foram trituradas em triturador Trapp
para a obtenção do pó, que foi devidamente armazenado em recipientes de vidro
hermeticamente fechados até o preparo dos extratos.
Os extratos foram preparados no Laboratório de Pesquisa em Recursos Naturais da
UFAL. O pó das sementes, foi submetido à extração à frio em percolador de aço inoxidável,
primeiramente utilizando como solvente extrator três litros de hexano ficando 2 h em
maceração, em seguida, o macerado foi retirado e concentrado em rotaevaporador a 50 ºC, à
pressão reduzida.
Depois sobre a torta resultante após a filtração, foi acrescentado o etanol como solvente
extrator na quantidade de 3,3 mL ficando em maceração por 72 horas. O macerado foi retirado

75

e concentrado em rotaevaporador e o solvente readicionado ao percolador. Este processo se
repetiu três vezes.
Obteve-se rendimento de 1,00 kg de resíduos concentrados para o extrato hexânico e
0,70 kg para o extrato etanólico. Posteriormente os extratos foram colocados em frasco de vidro,
vedados e armazenados em temperatura ambiente. Para os testes seguintes foi utilizado apenas
o extrato avaliado como mais eficiente, ou seja, com menor CLs estimada para o T. urticae.

4.2.3 Microencapsulação do extrato da semente de Annona squamosa

A microencapsulação foi realizada no Laboratório de Tecnologia de Controle de
Medicamentos da UFAL utilizando o aparelho de modelo BUCHI Mini Spray Dryer B-290, a
uma temperatura de entrada de 200°C, fluxo de ar de 80 m³/min e velocidade de rotação de 26
RPM. Foram testados os encapsulantes: amido, gelatina, maltodextrina e aerosil em diversas
proporções e selecionada a mais adequada para a formação da micropartícula. A seleção do
percentual de cada um foi baseada no teor de matéria-seca, que foi igual a 94,4 %, obtido através
do método gravimétrico, por meio de balança eletrônica de umidade Shimadzu MOC-120H®,
com precisão de 1 mg e com secador de infravermelho. Para tanto, cerca de 1 mL do extrato
hexânico foi seco sob temperatura de 120 ° C, até obter perda de umidade inferior a 0,01
(Tab.9).
A solução foi preparada em agitação constante, nas proporções do material excipiente
indicadas abaixo, para cada 80 mL de água destilada (a 40 °C) e 85 mL de álcool etílico absoluto
P.A (Tab. 9). O rendimento final do microencapsulado foi de 73,37%.

Tabela 9 - Porcentagem do material utilizado no preparo da formulação do microencapsulado
de Annona squamosa
Material
Extrato hexânico de pinha
Maltodextrina
Gelatina em pó sem sabor
Amido
Aerosil
Fonte: Autora, 2018.

Porcentagem (%)
50,00
24,50
9,50
9,50
6,49

76

4.2.4 Concentrações letais do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa
sobre fêmeas Tetranychus urticae

Foram realizados pré-testes com o extrato hexânico e com o microencapsulado de A.
squamosa em diferentes concentrações para determinar valores próximos do limite superior,
com aproximadamente 100% de mortalidade, e próximos do limite inferior, com mortalidade
quase nula. Em seguida, as concentrações testadas foram obtidas pela fórmula de BLISS (1934):
q = (an ÷ a1) 1 / n + 1 onde: q = razão da progressão geométrica (pg); n = número de concentrações
a extrapolar; an e a1 = limites superior e inferior, respectivamente, da pg. As concentrações
testadas para o extrato hexânico formam: 0,46; 0,84; 1,86; 3,25; 6,14 e 12,10 g/L, e para o
microencapsulado foram: 3,5; 5,1; 7,4; 10,8; 15,9 e 23,2 g/ L. As soluções dos extratos foram
solubilizadas em água destilada acrescentando-se o emulsificante Tween 80 (0,05 %). O
controle utilizado foi uma solução de água destilada e Tween 80 (0,05 %).
Foram confeccionados discos de 5,0 cm de diâmetro com folhas de feijão-de-porco, os
quais foram pulverizados com os extratos em diferentes concentrações, utilizando-se torre de
Potter (Burkard, Rickmansworth, UK). A aplicação foi realizada a uma pressão de 5 psi/pol²
utilizando-se um volume de calda de 1,6 mL, correspondendo a um depósito de 2,0 ± mg/cm².
Esta quantidade aplicada está de acordo com o recomendado pela IOBC/WPRS (International
Organization for Biological Control of Noxious Animals and Plants/ West Paleartic Regional
Section) e representa o que ocorrerá no campo (REIS et al., 1998).
Em seguida, os discos foram colocados para secar sobre papel toalha à temperatura
ambiente durante uma hora e transferidos para placas de Petri (8,5 cm de diâmetro) contendo
um alfinete colado com silicone no fundo da mesma e água destilada para evitar a fuga dos
ácaros. No centro de cada disco foi feito um orifício para passagem do alfinete e fixação do
disco foliar. Desta forma, os discos permaneceram sem tocar na parede da placa, deslocandose apenas com o nível da água (REIS; ALVES 1997). Um total de 10 fêmeas do ácaro rajado
foi transferido para cada disco (repetição), totalizando seis repetições por concentração.
A mortalidade dos ácaros foi avaliada com 72 horas após a pulverização, sendo
considerados mortos quando não conseguiam se mover a uma distância equivalente ao
comprimento de seu corpo (SATO et al., 2002). As concentrações etais (CLs) foram estimadas
através da análise de Probit, pelo programa estatístico SAS (SAS Institute, 2003).

77

4.2.5 Efeito ovicida do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa a
Tetranychus urticae

Fêmeas adultas de T. urticae de idade não conhecida foram retiradas das colônias e
transferidas para discos de folhas de feijão-de-porco de 3,0 cm de diâmetro dispostos em placas
de Petri (14 cm de diâmetro), contendo algodão hidrófilo umedecido. Após 24 horas, as fêmeas
foram retiradas e deixados 10 ovos por disco. Estes foram pulverizados com o extrato e
microencapsulado nas CL50 e CL99 e controle (água + Tween 80), utilizando-se torre de Potter,
segundo metodologia adaptada de Schlesener et al. (2013).
Foram utilizadas 20 repetições para cada tratamento. A avaliação da eclosão das larvas
foi realizada diariamente até 144 h após a instalação do experimento. Os dados foram
submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey, a 5 % de
probabilidade, pelo Assistat 7.7 pt (SILVA; AZEVEDO, 2017).

4.2.6

Efeito repelente do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa a
Tetranychus urticae

Discos foliares (5,0 cm de diâmetro) de feijão-de-porco foram pulverizados com o
extrato hexânico de A. squamosa ou com o microencapsulado de A. squamosa em diferentes
concentrações, e água destilada (controle) utilizando-se torre de Potter (Burkard,
Rickmansworth, UK). A aplicação foi realizada a uma pressão de 5 psi/pol² utilizando-se um
volume de calda de 1,6 mL, correspondendo a um depósito de 2,0 ± mg/cm². Esta quantidade
aplicada está de acordo com o recomendado pela IOBC/WPRS (International Organization for
Biological Control of Noxious Animals and Plants/ West Paleartic Regional Section) e
representa o que ocorrerá no campo (REIS et al., 1998). Em seguida foram colocados lado a
lado, e conectados por uma lamínula de vidro (18 x 18 mm). De um lado o disco foliar com o
tratamento e do outro com água destilada (controle). Esse conjunto, foi disposto sobre papel de
filtro saturado em água destilada no interior de placas de Petri (14 cm de diâmetro), segundo
metodologia adaptada de Esteves Filho et al. (2010).
Foram utilizadas 15 repetições por tratamento e as concentrações testadas foram
referentes as CLs 5, 25, 50, 75, 95 e 99 do extrato hexânico de A. squamosa e do
microencapsulado de A. squamosa.
Na porção mediana da lamínula foram liberadas dez fêmeas de T. urticae, obtidas da
criação, e após duas horas foi avaliado o número de fêmeas em cada disco.

78

O índice de Repelência (IR) foi calculado de acordo com a fórmula: IR = 2G/(G+P) de
acordo com Kogan e Goeden (1970), onde G é o número de ácaros no tratamento e P é o número
de ácaros no controle. O intervalo de segurança utilizado para considerar se o tratamento foi ou
não repelente foi obtido a partir da média dos IR calculado e seu respectivo desvio padrão (DP).
Seguindo-se os padrões para o índice em questão, como seguem: se a média do IR for menor
que 1 – DP, o produto é repelente. Se a média for maior que 1 + DP o produto é atraente e se a
média estiver entre 1 – DP e 1 + DP o produto é considerado neutro.

4.2.7 Taxa instantânea de crescimento populacional (ri) de Tetranychus urticae

Discos de folhas de feijão-de-porco (5,0 cm de diâmetros) foram pulverizados com o
extrato hexânico e o microencapsulado de A. squamosa (CLs 5, 25, 50, 75 e 95) e a testemunha,
utilizando-se torre de Potter (Burkard, Rickmansworth, UK). Em seguida, os discos foram
colocados para secar sobre papel toalha à temperatura ambiente durante uma hora e transferidos
para placas de Petri (8,5 cm de diâmetro) contendo um alfinete colado com silicone no fundo
da mesma e água destilada para evitar a fuga dos ácaros. No centro de cada disco foi feito um
orifício para passagem do alfinete e fixação do disco foliar. Desta forma, os discos
permaneceram sem tocar na parede da placa, deslocando-se apenas com o nível da água (REIS;
ALVES 1997).
Foram transferidas cinco fêmeas adultas da mesma idade, por disco. Para cada
concentração foram feitas cinco repetições, sendo que cada repetição foi representada por um
disco de folha de feijão-de-porco.
Após sete dias, o número total de fêmeas adultas de T. urticae, assim como de seus
estágios imaturos foi contabilizado. Com base nesta contagem, a taxa instantânea de
crescimento populacional (ri), que estima o crescimento de uma população através da análise
da sobrevivência e fecundidade, foi calculada. Essa taxa é definida como uma medida direta de
crescimento de uma população em um determinado período de tempo (STARK; BANKS,
2003).
O valor positivo de ri significa que a população está em crescimento, ri= 0 indica que
estabilidade populacional, enquanto um valor negativo de ri indica que a população está em
declínio, podendo levar a extinção. O ri é calculado pela seguinte fórmula:
ri= ln (Nf / N0)/ Δt
Onde: Nf é o número final de ácaros (adultos e imaturos), N0 é o número inicial de
ácaros, Δt é a variação de tempo (duração do experimento = 7 dias), ou seja, o tempo de

79

exposição dos ácaros aos produtos (STARK; BANKS, 2003). Os dados foram submetidos à
análise de regressão pelo programa SAS (SAS Institute, 2003), e as curvas de regressão foram
feitas pelo Programa SigmaPlot 10 (Systat Software, 2006).

4.2.8 Efeito residual do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa sobre
Tetranychus urticae

Mudas de feijão-de-porco (12 dias após a germinação/ contendo duas folhas), cultivadas
em vasos de polietileno com capacidade de 5L, contendo uma mistura de solo e esterco bovino
10-10, foram pulverizadas com a CL50 e CL99 do extrato e do microencapsulado e água destilada
(controle) utilizando-se pulverizador manual (1,5 L de capacidade) até o molhamento total das
folhas, depositando-se um volume de calda de aproximadamente 26 mL/muda, foram utilizadas
20 mudas para cada tratamento. Após 2 h da aplicação e durante o período de 15 dias após
aplicação (DAP) foram retirados dessas mudas, discos foliares (5,0 cm de diâmetro) e colocados
em placas de Petri contendo água destilada, para evitar a fuga dos ácaros. Foram transferidas
10 fêmeas de T. urticae, segundo metodologia adaptada de Schlesener et al. (2013). A
mortalidade foi avaliada 72 horas após o confinamento.
Os experimentos foram realizados em condições de casa de vegetação, no qual foi
verificada com o auxílio de um termohigrômetro as condições de temperatura e umidade
relativa do ar. E em condições de campo, em dois períodos: 14/03/17 a 29/03/17 e 30/11/17 a
15/12/17. Os dados meteorológicos foram disponibilizados pela Estação Agrometeorológica do
CECA-UFAL, Rio Largo - AL.
Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de
Tukey, aplicando o esquema fatorial (5x16) no programa Assistat 7.7 pt (SILVA; AZEVEDO,
2017

80

4.3

Resultados e Discussão

4.3.1

Concentrações letais do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa sobre fêmeas Tetranychus urticae

Tabela 10 - Concentrações letais (CL) (g/L) do extrato hexânico da semente de Annona squamosa e do microencapsulado utilizadas para avaliar
os efeitos subletais

Tratamento

na

GLb

Inclinação

CL5

CL25

CL50

CL75

CL90

CL95

CL99

± EPc

(IC 95%)

(IC 95%)

(IC 95%)

(IC 95%)

(IC 95%)

(IC 95%)

(IC 95%)

Extrato hexânico

360

0,18

0,60

1,41

3,28

7,03

11,08

26,05

Microencapsulado

360

1,19

2,90

5,37

9,96

17,38

24,24

45,26

χ 2d

a

Número de ácaros utilizados em cada experimento.
Grau de liberdade do qui-quadrado
c
Erro Padrão
d
Razão de toxicidade entre os extratos = maior CL50 e CL99/menor CL50 e CL99 dos demais
e
Qui-quadrado
Fonte: Autora, 2018.
b

As concentrações letais estimadas do extrato hexânico da semente de A. squamosa e do microencapsulado (Tab.10), foram utilizadas para
a avaliação dos efeitos subletais referentes ao efeito ovicida, efeito repelente, taxa instantânea de crescimento populacional e efeito residual.

81

4.3.2 Toxicidade do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa sobre
ovos de Tetranychus urticae.

A viabilidade dos ovos de T. urticae foi afetada, após a aplicação do extrato hexânico
de A. squamosa e do microencapsulado de A. squamosa. Houve diferença significativa em
relação aos tratamentos (CV% = 32,26; F = 90,59; p < 0,001).
O extrato na CL50 e o microencapsulado na CL50 apresentaram viabilidade de ovos
semelhantes estatisticamente com 72,5 ± 4,34 % e 71,0 ± 5,07 % de ovos viáveis,
respectivamente (Tab. 11).

Tabela 11 - Viabilidade de ovos de Tetranychus urticae submetidos ao extrato hexânico da
semente de Annona squamosa e ao microencapsulado de Annona squamosa
Tratamentos

Média ± erro padrão

Testemunha

99,0 ± 0,68 a

Extrato CL50

72,5 ± 4,34 b

Extrato CL99

24,5 ± 5,10 c

Microencapsulado CL50

71,0 ± 5,07 b

Microencapsulado CL99

7,5 ± 2,70 d

Fonte: Autora, 2018.

O tratamento com microencapsulado na CL99 teve a menor viabilidade com 7,5 ± 2,70
% de ovos viáveis, seguido pelo tratamento do extrato hexânico na CL99, com 24,5 ± 5,10 %.
Observa-se, portanto, maior efeito ovicida quando utilizado o microencapsulado (Tab. 11).
Levando em consideração, que as concentrações letais (CLs) utilizadas foram as
estimadas para a fase adulta do ácaro rajado e observando que quando utilizada a CL50
(concentração letal capaz de causar mortalidade de 50% dos ácaros adultos) houve viabilidade
de ovos maior que 50% e quando utilizada as CL99 (concentração letal capaz de causar
mortalidade de 99 % dos ácaros adultos) ainda houve viabilidade de ovos de 24,5 %. Pode-se
explicar que isto ocorreu, provavelmente, porque para os ovos o modo de ação foi de contato e
para os adultos foi contato + ingestão. Além disso, vale ressaltar que os ovos apresentam o
córion, estrutura que serve para proporcionar a respiração do embrião, mas que também protege
de condições externas.
Segundo Gonçalves et al. (2001), os embriões podem morrer devido a penetração e
toxicidade dos compostos bioativos no interior dos ovos, pois os estigmas embrionários são

82

conectados ao córion e se ligam a uma região especializada da membrana intermediária, a qual
é dotada de perfurações, que são prováveis locais de trocas gasosas com o ambiente.
Outros autores, também observaram que após a aplicação da CL99 (12,07 mg/ mL),
estimada para fêmeas de ácaro da mesma espécie em estudo, do extrato etanólico de sementes
de A. muricata, apenas 9,5 ± 2,8 % dos ovos de T. urticae foram viáveis (MACIEL et al., 2015).
Pavela et al. (2017), estimaram as CLs do extrato de raiz de S. officinalis L. e das
nanopartículas S. officinalis fabricadas com prata, para ovos de T. urticae, e obtiveram CL50 de
3,1 e 13,8 g L-1 para as nanopartículas e extrato, respectivamente. E CL90 de 13,1 e 18,8 g L-1,
para nanopartículas e extrato, respectivamente.
Outros produtos naturais à base de plantas da família Myrtaceae, Meliaceae, Poaceae,
Asteraceae e Costaceae também ocasionaram baixa viabilidade de ovos, evidenciando que
acaricidas naturais são eficientes no controle de ovos de T. urticae (YANAR; KADIOĞLU;
GÖKÇE 2011; ATTIA et al., 2012; MACIEL et al., 2015; ISMAIL, 2017).
É interessante ressaltar que o ácaro rajado possui alto potencial reprodutivo, uma fêmea
pode ovipositar em média 10 ovos por dia (ZHANG, 2003). Desta forma, o uso de produtos
que controlam o estágio inicial de uma praga é uma propriedade relevante a se considerar, pois
retarda o aumento da população, diminuindo ou inviabilizando a eclosão de larvas,
consequentemente reduz as injúrias causadas pela praga (ESTEVES FILHO; OLIVEIRA;
GONDIM JÚNIOR, 2008).

4.3.3 Efeito repelente do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa a
Tetranychus urticae

As concentrações testadas referentes às CLs 5, 25, 50, 75 e 90 do extrato hexânico de
A. squamosa apresentaram efeito neutro ao ácaro T. urticae, ou seja, a média do IR dos referidos
tratamentos, encontra-se entre 1 – DP e 1 + DP, de acordo com Kogan e Goeden (1970). Assim
como, as CLs 5 e 25 do microencapsulado de A. squamosa e o Branco (micropartículas apenas
com os materiais de revestimento, na concentração equivalente a CL50 do microencapsulado)
(Tab. 12)
O efeito repelente do extrato hexânico a T. urticae foi observado somente a partir da
CL95. Para o microencapsulado o efeito repelente ocorreu a partir da CL50, ou seja, a média do
IR dos referidos tratamentos é menor que 1 – DP, de acordo com Kogan e Goeden (1970) (Tab.
12).

83

Tabela 12 - Efeito repelente do extrato hexânico da semente de Annona squamosa e do
microencapsulado de Annona squamosa a Tetranychus urticae

Tratamentos

Concentração

Média (± DPa) dos Índice de
Repelênciab

Efeito

Brancoc

5 g/L

0,97 ± 0,38

Neutro

CL5

0,97 ± 0,24

Neutro

CL25

1,24 ± 0,35

Neutro

CL50

0,88 ± 0,48

Neutro

CL75

0,81 ± 0,28

Neutro

CL90

0,90 ± 0,31

Neutro

CL95

0,59 ± 0,34

Repelente

CL99

0,21 ± 0,17

Repelente

CL5

1,24 ± 0,34

Neutro

CL25

0,82 ± 0,43

Neutro

CL50

0,57 ± 0,41

Repelente

CL75

0,41 ± 0,32

Repelente

CL90

0,41 ± 0,30

Repelente

CL99

0,21 ± 0,19

Repelente

Extrato hexânico

Microencapsulado

a

b

Desvio Padrão; Índice de Repelência calculado de acordo com a fórmula descrita por Kogan & Goeden (1970).
Microencapsulado sem o extrato.
Fonte: Autora, 2018.
c

O Branco refere-se ao microencapsulado produzido sem o extrato, e a concentração
utilizada foi equivalente à CL50, menor concentração que teve IR com efeito repelente.
Comprovando, portanto que a repelência foi causada pelo material ativo e não por seu material
de revestimento.
Embora, o microencapsulado tenha na sua composição apenas 50 % de extrato hexânico
e esse material ativo encontra-se no interior da micropartícula, esse fato, não teve consequências
negativas. Ocorrendo efeito repelente a partir da CL50 do microencapsulado (5,37 g/L) diferente
do extrato hexânico, o qual teve efeito repelente a partir da CL95 (11,08 g/L), provavelmente o
material de revestimento ajudou a manter o efeito, protegendo-o e evitando, por exemplo, que
ocorresse a evaporação de forma rápida.

84

Resultados semelhantes foram observados, quando aplicado extrato etanólico de A.
muricata, atividade repelente foi a partir da CL75 (3,10 mg/mL) sobre o mesmo ácaro-praga
(MACIEL et al., 2015).
A ação de repelência também foi constatada para o óleo de nim (Nim-I-Go®) em
Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) (Tenuipalpidae), nas primeiras 24 horas após a
infestação dos ácaros, nas concentrações 0,5; 1,0; 1,5 e 2,0 % de v/v (JUSTINIANO et al.,
2009).
Os extratos aquosos de folhas de Croton blanchetianus (Baill) (Euphorbiaceae),
Myracrodruon urundeuva (Allemão) (Anacardiaceae) Ziziphus joazeiro (Mart) (Rhamnaceae)
nas concentrações de 15, 20 e 25 % tiveram efeito repelente para o ácaro verde da mandioca
Mononychellus tanajoa (Bondar, 1938) (Tetranychidae) (SIQUEIRA et al., 2014).
Os óleos essenciais das sementes de Cuminum cyminum (Cumin) (Apiaceae), de flores
de Syzygium aromaticum (Clove) (Myrtaceae), e de folhas de Mentha spicata (Spearmint)
(Lamiaceae), foram repelentes ao ácaro T. urticae nas concentrações 2,46; 2,69 e 4,52 μL L-1
de ar, respectivamente (KHERADMAND et al., 2015).
O extrato etanólico de Chenopodium quinoa Willd. (Chenopodiacae) também causou
repelência ao T. urticae. Após 24 h as três concentrações testadas (2, 3 e 4 %) foram
extremamente repelentes com porcentagens de 96, 99 e 100 %, respectivamente (HARDER;
TELLO; GILIOMEE, 2016).
O efeito repelente do extrato hexânico e do microencapsulado de A. squamosa é
considerado uma adição ao controle do ácaro T. urticae, pois mesmo em concentrações abaixo
daquela capaz de causar 99 % de mortalidade na população do ácaro, o produto pode causar
repelência em populações que possam ter sobrevivido ao seu efeito letal ou evitar infestação.

4.3.4 Taxa instantânea de crescimento populacional (ri) de Tetranychus urticae

As taxas instantâneas de crescimento populacional diminuíram com o aumento da
concentração tanto para o extrato hexânico, quanto para o microencapsulado de A. squamosa.
Apesar do decréscimo, nenhuma concentração testada do extrato hexânico de A. squamosa foi
capaz de estabilizar a população de T. urticae (ri= 0). Populações expostas às CLs 5, 25, 50, 75
e 95, tiveram valores positivos de ri, iguais a 0,56 ± 0,01; 0,60 ± 0,00; 0,57 ± 0,02; 0,59 ± 0,00
e 0,15 ± 0,07 respectivamente (Fig. 12A).

85

Figura 12 - Taxa instantânea de crescimento populacional (ri) de Tetranychus urticae expostos
a concentrações do extrato hexânico de Annona squamosa (A) e do
microencapsulado de Annona squamosa (B)
y= 0,558+0,006x-0,0001x2

A

R2= 0,68; p <.0001

Taxa instantânea de crescimento (ri)

0,7
0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0,0
-0,1
0

5

25

50

75

95

Concentrações letais (CLs)

B
0,8

y= 0,704-0,008x

Taxa instantânea de crescimento (ri)

R2= 0,79; p <.0001
0,6

0,4

0,2

0,0

-0,2

-0,4

-0,6
0

5

25

50

75

95

Concentrações letais (CLs)

As populações de T. urticae expostas às CLs 5, 25, 50, 75 do microencapsulado de A.
squamosa, também tiveram valores positivos de ri, iguais a 0,62 ± 0,00; 0,58 ± 0,00; 0,40 ±
0,05 e 0,19 ± 0,04, respectivamente. No entanto, para a concentração referente a CL95, o valor
de ri foi negativo igual a - 0,21 ± 0,10 indicando declínio da população com tendência a
supressão dos ácaros (Fig. 12B).
O declínio populacional causado pelo uso de acaricidas pode ser ocasionado devido não
somente a mortalidade dos ácaros, mas também a uma diminuição da alimentação, que acarreta,

86

provavelmente, redução na sua fecundidade ou interferência no período de protoninfa a adulto
(PONTES, 2006).
Outros autores ao estudarem extratos hidroalcoólicos de pimenta malagueta e coentro,
observaram que a taxa instantânea de crescimento populacional para os ácaros T. urticae e
Polyphagotarsonemus latus (Banks, 1904) (Tarsonemidae) decresceu linearmente com o
aumento das concentrações dos extratos. O extrato de calêdula afetou apenas o T. urticae
(OLIVEIRA, 2013).
A taxa instantânea de crescimento populacional do ácaro-vermelho-do-cafeeiro
Oligonychus ilicis (McGregor, 1917) (Acari: Tetranychidae) diminuiu com o aumento da
toxicidade dos extratos de nim. Houve diminuição linear das curvas dos extratos de óleo de
torta, sementes e folhas até as concentrações de 0,075; 15,0 e 144,0 mg/mL, respectivamente,
a partir das quais as populações de O. ilicis foram extintas (MOURÃO, et al., 2004)
O crescimento populacional de M. tanajoa em discos de folhas de mandioca foi afetado
pelos extratos aquosos de C. blanchetianus, M. urundeuva e Z. joazeiro em todas as
concentrações testadas (1, 5, 10, 15, 20 e 25 %), que proporcionaram declino populacional
(SIQUEIRA et al., 2014).

4.3.5

Efeito residual do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa
sobre Tetranychus urticae
No experimento realizado em casa de vegetação, houve diferença significativa na

interação tratamentos e dias após pulverização (DAP) a 5 % de probabilidade (F = 3,41; p <
0,001) pelo teste de Tukey. Foi constatada temperatura de 32 ± 1 °C e 42 ± 3 % de umidade
relativa, durante a condução do experimento.
Do dia “zero” (1 h após a pulverização) até o 2° DAP, o microencapsulado e o extrato
hexânico, ambos na CL99, foram semelhantes entre si. O microencapsulado na CL99 causou
mortalidade de 92,5 ± 1,6; 80,0 ± 5,9 e 75,0 ± 7,1 %, no dia “zero”, 1° DAP e 2 ° DAP,
respectivamente. E para o extrato houve mortalidade de 100 ± 0,0; 100 ± 0,0 e 95,0 ± 5,0 %, no
dia “zero”, 1° DAP e 2° DAP, respectivamente (Fig. 13).

87

Mortalidade (%)

Figura 13 - Efeito residual do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa
(CL50 e CL99) sobre Tetranychus urticae inoculado até 15 dias após pulverização
em plantas de feijão-de-porco na casa de vegetação
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

13

14

15

Dias após pulverização
Extrato CL99

Extrato CL50

Microencapsulado CL99

Microencapsulado CL50

Testemunha

Considerando que um produto com boa eficiência deve causar em média 60 % de
mortalidade dos ácaros (CARVALHO et al., 2008). Observou-se que o microencapsulado na
CL99 foi eficiente até o 8° DAP com mortalidade de 61,2 ± 10,4 %. E o extrato hexânico na
CL99 foi eficiente até o 15° DAP com mortalidade de 61,2 ± 11,0 % (Fig. 13).
A CL50 do microencapsulado e do extrato hexânico foram semelhantes entre si, durante
praticamente todo o período de avaliação do experimento, a mortalidade para o
microencapsulado foi de 72,5 ± 5,9 % e para o extrato de 65,0 ± 6,0 %, no dia “zero”. A partir
do 7° DAP não diferiram da testemunha, indicando perda da eficiência (Fig. 13).
Os percentuais de mortalidade no 15° DAP, não tiveram diferença significativa para o
microencapsulado na CL99 e CL50, extrato hexânico na CL50 e testemunha, com valores iguais
a 25,0 ± 3,7; 13,75 ± 5,3; 15,0 ± 4,2 e 5,0 ± 3,7 %, respectivamente (Fig. 13).
Observa-se

maior

estabilidade

do

extrato

hexânico

em

comparação

ao

microencapsulado, isso pode ter ocorrido devido a baixa umidade apresentada na casa de
vegetação (42 ± 3 % UR) visto que o microencapsulado apresenta gelatina na sua formulação
e a umidade ajudaria na liberação do extrato que está localizado no interior da partícula do
microencapsulado.
No experimento de campo 1, houve diferença significativa na interação tratamentos e
dias após pulverização (DAP) a 5 % de probabilidade (F = 3,82; p < 0,001) pelo teste de Tukey
(Fig. 14).

88

Segundos dados obtidos pela Estação Agrometeorológica do CECA-UFAL, durante o
período do experimento de campo 1 (período chuvoso), houve uma radiação solar de 22,3 ± 1
MJ m-2, temperatura de 27 ± 1°C e 69 ± 4 % de umidade relativa.
No dia “zero” e no 1° DAP, o microencapsulado e o extrato hexânico, ambos na CL99,
foram semelhantes entre si e tiveram maior percentual de mortalidade de T. urticae, diferindo
dos demais tratamentos, com valores de 88,75 ± 3,5 e 78,75 ± 6,4 % de mortalidade, no dia
“zero” e no 1° DAP, respectivamente para o microencapsulado e de 100 ± 0,0 e 98,7 ± 1,2 %,
no dia “zero” e no 1° DAP, respectivamente para o extrato hexânico (Fig. 14).

Mortalidade (%)

Figura 14 - Efeito residual do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa
(CL50 e CL99) sobre Tetranychus urticae inoculado até 15 dias após pulverização
em plantas de feijão-de-porco no campo, experimento 1

100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

13

14

15

Dias após pulverização
Extrato CL99

Extrato CL50

Microencapsulado CL99

Microencapsulado CL50

Testemunha

No 2°, 3° e 4° DAP houve índice de precipitação pluvial igual a 6,1; 2,0 e 1,5 mm, com
ocorrência das chuvas no período da tarde. Considerando que a montagem do experimento foi
realizada no período da manhã, esse fato fez com que no 3° DAP ocorresse uma queda no
percentual de mortalidade, o que se deu provavelmente com a “lavagem” das folhas,
diminuindo a quantidade dos produtos e consequentemente, o seu efeito sobre os ácaros. Assim
a mortalidade se manteve estatisticamente igual para cada tratamento, até o 2° DAP, diminuindo
a partir daí.
Os tratamentos do extrato hexânico e do microencapsulado, ambos na CL50, tiveram
eficiência até o 3° DAP, sendo semelhantes entre si no dia “zero”, 1°, 2° e 3° DAP, com valores
de 41,2 ± 13,3; 51,2 ± 7,9; 58,7 ± 9,0 % de mortalidade, respectivamente, para o extrato

89

hexânico, e de 60 ± 9,1; 50 ± 4,2 e 48,7 ± 8,5 %, respectivamente, para o microencapsulado
(Fig. 14).
No tratamento do extrato hexânico na CL99 no 6° DAP, é observado uma queda de
mortalidade com valor de 16,2 ± 7,3 % e em seguida aumento da mortalidade, esse fato pode
ter ocorrido devido as condições de campo à qual as plantas estavam e devido a precipitação
que ocorreu nos dias anteriores, podendo ter levado a seleção de uma folha que já estava bem
“limpa”, com pouca quantidade do produto, pois no dia seguinte (7° DAP), o percentual de
mortalidade se manteve novamente, igual a 58,7 ± 10,2 % (Fig. 14).
Observou-se que o microencapsulado na CL99 foi eficiente até o 6° DAP com
mortalidade de 61,2 ± 8,1 %. E o extrato hexânico na CL99 foi eficiente até o 7° DAP com
mortalidade de 58,7 ± 10,3 %. (Fig. 14).
O maior índice de precipitação pluvial foi no 8° DAP, com 20,1 mm, no entanto, para o
microencapsulado na CL99 e CL50 observou-se um pequeno aumento da mortalidade no 9°
DAP, esse fato pode ter ocorrido por algum fator externo, como por exemplo, referente a
biologia dos ácaros selecionados, visto que a tendência do percentual de mortalidade foi
mantida chegando no 15° DAP, com mortalidade de 28,7 ± 6,9; 20,0 ± 7,3 e 2,5 ± 1,6 %, para
o microencapsulado na CL99, na CL50 e testemunha, respectivamente.
A partir do 10° DAP todos os tratamentos tiveram valores de mortalidade baixos, com
a maioria dos dias de avaliações sem diferença significativa, chegando ao 15° DAP, com valores
semelhantes, iguais a 28,75 ± 6,9; 20,0 ± 7,3; 12,5 ± 4,5; 8,7 ± 4,0 e 2,5 ± 1,6 %, para o
microencapsulado na CL99, microencapsulado na CL50, extrato na CL99, extrato na CL50 e
testemunha, respectivamente.
Os maiores valores da radiação solar foram no 6° DAP e 13° DAP, com 26,1 e 26,3 MJ
m-2, respectivamente. A fotodegradação é um fator que causa a diminuição da persistência do
produto. Ainda que, o experimento de campo 1 foi realizado em período chuvoso, a radiação
solar nesse período causou degradação do produto ao longo do tempo.
No experimento de campo 2, houve diferença significativa na interação tratamentos e
dias após pulverização (DAP) a 5 % de probabilidade (F = 5,03; p < 0,001) pelo teste de Tukey
(Fig. 15).
Segundos dados obtidos pela Estação Agrometeorológica do CECA-UFAL, durante o
período do experimento de campo 2 (período seco), houve uma radiação solar de 22,7 ± 1 MJ
m-2, temperatura de 27 ± 1°C e 67 ± 4 % de umidade relativa.

90

O tratamento do extrato hexânico na CL99 diferiu dos demais tratamentos e teve maior
percentual de mortaldiade, até o 2° DAP, com valores de 96,2 ± 1,8; 96,7 ± 1,2 e 93,7 ± 1,8%,
para o dia “zero”, 1° DAP e 2° DAP, respectivamente (Fig. 15).
Os tratamentos do microencapsulado na CL99 e CL50 e o extrato hexânico na CL50 não
tiveram diferença significativa até o 1° DAP, com médias de 62,5 ± 10,8; 43,5 ± 6,8 e 66,2 ±
5,6 % de mortalidade no dia “zero, respectivamente. E no 1° DAP tiveram médias de 51,2 ±
9,9; 50 ± 6,3; 53,7 ± 8,2 % de mortalidade para o do microencapsulado na CL99 e CL50 e o
extrato hexânico na CL50, respectivamente (Fig. 15).

Mortalidade (%)

Figura 15 - Efeito residual do extrato hexânico e do microencapsulado de Annona squamosa
(CL50 e CL99) sobre Tetranychus urticae inoculado até 15 dias após pulverização
em plantas de feijão-de-porco no campo, experimento 2

100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

13

14

15

Dias após pulverização
Extrato CL99

Extrato CL50

Microencapsulado CL99

Microencapsulado CL50

Testemunha

O tratamento do microencapsulado na CL99 do 3° DAP, teve um pico maior do que os
demais DAP, com 86,2 ± 4,6 % de mortalidade, esse fato pode ter ocorrido por algum fator
externo, como por exemplo, a idade dos ácaros selecionados. Observando em seguida a
diminuição da mortalidade com o aumento dos dias após a pulverização (Fig. 15).
O extrato hexânico na CL99, teve eficiência até o 10° DAP, com 75,0 ± 6,0 % de
mortalidade. Para o microencapsulado ocorreu eficiência até 9° DAP com 61,2 ± 6,1 % de
mortalidade. No entanto, observou-se do 4° ao 6° DAP médias menores que 60%, o que pode
ter ocorrido por seleção de folhas com pouca concentração do produto (Fig. 15).
No 14° e 15 ° DAP os tratamentos não tiveram diferença significativa entre si, com
médias iguais a 16,25 ± 5,0; 16,25 ±5,6; 13,75 ± 3,7; 5,0 ± 2,7; 3,75 ± 2,6 % de mortalidade no

91

15° DAP, para o microencapsulado na CL99, microencapsulado na CL50, o extrato hexânico na
CL99, extrato hexânico na CL50 e a testemunha, respectivamente (Fig. 15).
Durante o período do experimento em campo 2 ocorreu precipitação apenas no 3° DAP,
no valor de 1,78 mm, o que provavelmente não interferiu nos resultados.
Os maiores valores da radiação solar foram no 6° DAP e 14° DAP, com 27,9 e 27,4 MJ
m-2, respectivamente. Esses valores foram maiores do que no experimento de campo 1,
justamente por ter sido realizado no período seco, em que os dias apresentam maior radiação,
embora a média da radiação solar do período tenha sido igual para ambos.
Observou-se maior tempo do efeito residual dos produtos para o ácaro rajado no
experimento de campo 2, provavelmente pelo menor índice de precipitação em comparação ao
experimento de campo 1.
Observou-se também no presente estudo, que o percentual de mortalidade foi maior no
experimento realizado em casa de vegetação, do que aqueles realizados em campo. De acordo
com Irulandi et al. (2008), resultados discrepantes relacionados a estudos laboratoriais ou de
ambiente protegido e de campo, podem ser explicados pela ação da radiação solar sobre os
produtos levando a fotodegradação. Além do fator umidade relativa do ar e precipitação.
Outros trabalhos com extratos de folhas de A. squamosa, Calendula officinalis L.
(Asteraceae) e Coffe arabica L. (Rubiaceae) na concentração 11200 ppm, tiveram mortalidade
até no décimo dia após a pulverização, notando-se que a maior porcentagem foi encontrada para
a A. squamosa, chegando a 90% de mortalidade do ácaro Oligonychus ilicis (McGregor, 1917)
(Tetranychidae). O percentual de mortalidade provavelmente foi maior do que o do presente
estudo, pois o ácaro foi transferido para discos de folhas tratados, apenas no primeiro dia de
pulverização e as avaliações foram feitas por dez dias consecutivos, além disso, trata-se de outra
espécie de ácaro, embora pertença a mesma família do ácaro T. urticae (CARVALHO et al.,
2008).
Resultado semelhante foi observado em um experimento realizado em casa de vegetação
com o extrato etanólico de semente de A. muricata, que pertence a mesma família da planta do
presente estudo, o qual teve percentual de mortalidade constante até o quinto dia após a
pulverização com 92% de mortalidade também para o ácaro rajado (MACIEL et al., 2015).
Schlesener et al. (2013), observaram em estudos de efeito residual, mas neste caso com
produtos à base de nim que a eficiência de controle do ácaro rajado reduziu significativamente
três dias após pulverização. Ao avaliarem a persistência do Azamax® e do Neemseto® ambos
nas concentrações 0,5 e 1,0%, observaram que a partir de 72 h após pulverização os valores de
mortalidade foram iguais ao da testemunha. Dos produtos formulados a base de plantas, aqueles

92

à base de nim são os mais fabricados e utilizados, no entanto, têm baixo efeito residual, sendo
necessário o estudo de outros produtos à base de planta com maior persistência e que
apresentem em sua formulação ingredientes não tóxicos como é o caso do microencapsulado
de A. squamosa do presente estudo.
Devido aos malefícios causados pela utilização em larga escala de produtos químicos
existe a necessidade de desenvolver novas tecnologias a fim de minimizar seus efeitos. Além
disso, há crescente interesse por produtos livres de agrotóxicos, assim como a conscientização
de produtores e consumidores levando-os a atitudes ecologicamente corretas. Todos estes
aspectos impulsionam a busca por produtos alternativos que não agridam o ambiente, a saúde
humana e que possam controlar pragas agrícolas de maneira eficaz (CORRÊA; SALGADO,
2011; KRINSKI; MASSAROLI; MACHADO, 2014).
Sobre o uso de formulações microencapsuladas, é interessante ressaltar que a membrana
ou a parede polimérica protege o princípio ativo contra diversas reações, pode controlar a taxa
de liberação dos compostos e prevenir as perdas de compostos voláteis, aumentando a sua
estabilidade no ambiente, evitando também a contaminação do ambiente e de agricultores.
Além disso, a microencapsulação pode converter extratos líquidos em pó, que pode facilitar na
manipulação e preparo da calda de aplicação no campo (RIYAJAN; SAKDAPIPANICH,
2009).
No presente estudo, o processo de microencapsulação do extrato hexânico de A.
squamosa ajuda a proteger o príncipio ativo e além disso pode diminuir a contaminação do
meio ambiente, visto que o extrato hexânico é muito tóxico ao meio ambiente por ter sido
utilizado o solvente hexano como agente extrator, geralmente ainda pode ficar algum resíduo
do solvente, o que pode ser minimizado com esse processo. Além disso, o extrato hexânico de
A. squamosa é muito oleoso o que dificulta a sua aplicação de forma eficiente, mesmo
utilizando espalhante ou emulsificante, sendo que a solubilização do microencapsulado é
completa.

93

4.4

Conclusões

- O extrato hexânico e o microencapsulado de A. squamosa causam efeitos subletais a
T. urticae.
- O extrato hexânico e o microencapsulado de A. squamosa, afetam a viabilidade de
ovos de T. urticae, têm efeito repelente, afetam a taxa instantânea de crescimento populacional,
diminuindo a população da espécie e tem efeito residual eficiente sobre o ácaro T. urticae,
quando utilizadas doses subletais.

94

REFERÊNCIAS
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