Identificação de espécies de Colletotrichum em orquídeas no Brasil e sensibilidade a fungicidas

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PROTEÇÃO DE PLANTAS

JANAÍNE ROSSANE ARAÚJO SILVA CABRAL

IDENTIFICAÇÃO DE ESPÉCIES DE Colletotrichum EM ORQUÍDEAS NO BRASIL E
SENSIBILIDADE A FUNGICIDAS

RIO LARGO – AL
2019

JANAÍNE ROSSANE ARAÚJO SILVA CABRAL

IDENTIFICAÇÃO DE ESPÉCIES DE Colletotrichum EM ORQUÍDEAS NO BRASIL E
SENSIBILIDADE A FUNGICIDAS

Tese de Doutorado apresentada ao Programa de PósGraduação em Proteção de Plantas do Centro de
Ciências Agrárias da Universidade Federal de
Alagoas como requisito parcial para obtenção do
grau de Doutora em Proteção de Plantas.

Orientadora: Profa. Dra. Iraildes Pereira Assunção
Coorientadora: Profa. Dra.Jaqueline Figueredo de
Oliveira Costa

RIO LARGO – AL
2019

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Agrárias
Bibliotecário: Erisson Rodrigues de Santana

C117i Cabral, Janaíne Rossane Araújo Silva
Identificação de espécies de Colletotrichum em orquídeas no Brasil
e sensibilidade a fungicidas. Rio Largo-AL – 2019.
71 f.; il; 33 cm
Tese (Doutorado em Proteção de Plantas) - Universidade Federal
de Alagoas, Centro de Ciências Agrárias. Rio Largo, 2019.
Orientador(a): Profª. Drª. Iraildes Pereira Assunção.
Co-orientador: Profª. Drª. Jaqueline Figueredo de
Oliveira Costa.
1. Antracnose. 2. Controle químico. 3. Filogenia multi-locus. 4.
Orchidaceae. I. Título.
CDU: 632.9

“Bendito és Tu, ó Senhor, Deus de nosso pai Israel, de eternidade
em eternidade. Tua é, Senhor, a magnificência, e o poder, e a
glória, e a vitória, e a majestade, porque Teu é tudo quanto há nos
céus e na terra; Teu é, ó Senhor, o reino, e tu te exaltaste como
chefe sobre todos. Tanto riquezas como honra vêm de ti, e tu
dominas sobre tudo, e na tua mão há força e poder; e na tua mão
está o engrandecer e o dar força a tudo. Agora, pois, ó Deus
nosso, graças te damos, e louvamos o nome da tua glória. Porque
quem sou eu, e quem é o meu povo, para que pudéssemos
oferecer voluntariamente coisas semelhantes? Porque tudo vem
de Ti, e do que é teu To damos.” 1 Crônicas 29:10-14.

AGRADECIMENTOS

A minha maior gratidão a Deus, meu consolo e fortaleza nos momentos de dificuldade.
Agradeço imensamente a minha família. Meus pais, Maria da Silva e José Araújo da Silva,
uma das razões de eu não desistir de sonhar e lutar, pelo amor, apoio, incentivo, investimento,
dedicação e esforços despendidos a mim para realização deste sonho. Aos meus irmãos Jamila
Ranyelle Araújo Silva Frutuoso, Janiele Rayssa Araújo Silva Melo e Jamis Henri Araújo
Silva e a minha sobrinha Maria Luiza Araújo Frutuoso pela amizade, cuidado e amor. Ao meu
esposo, Marlisson Araújo Cabral, pelo amor, paciência, companhia e apoio em todos os
momentos desta longa caminhada. Vocês são meu porto seguro! Não existe amor mais
profundo e amizade mais sincera. A vocês todo meu amor e gratidão.
A Profa. Dra. Iraildes Pereira Assunção pela confiança e orientação na realização deste
trabalho. Ao Prof. Dr. Gaus Silvestre de Andrade Lima pela confiança e apoio.
A Profa. Dra. Jaqueline Figueredo Oliveira Costa pela amizade e coorientação. Mais que uma
coorientadora você foi um ombro amigo em muitas ocasiões. Nossa parceria nos trabalhos
começou em 2012 e espero que perdure por muitos anos (rsrsrsrs...). Obrigada de coração!
A Profa. Dra. Sarah Jacqueline Cavalcanti Silva pela amizade, ajuda e colaboração em muitos
momentos desta minha trajetória na pós-graduação. Valeu, Sarita! Você é um ser humano e
uma profissional maravilhosa.
À CAPES pela concessão da bolsa de estudo.
Ao corpo docente do Programa de Pós-graduação em Proteção de Plantas do Centro de
Ciências Agrárias pelos ensinamentos que contribuíram para minha formação.
Aos funcionários da pós-graduação pelo serviço prestado. Em especial a Michele Cristina
Mela pela convivência e simpatia.
Aos colegas do Laboratório de Fitopatologia Molecular e Virologia Vegetal que tive a
oportunidade de conhecer e conviver ao longo destes 7 anos. Foram muitas experiências,
saberes e resenhas compartilhadas. Todo esse tempo foi de muito apredizado e crescimento
para mim. Em especial a Élida Marins, Lauristela Hermógenes, Maria Érika Sales e Maria
Jussara pela amizade e incentivo. Deus me deu a amizade de vocês de presente.
Aos colegas e amigos da pós-graduação pela convivência durante a realização do curso. Em
especial a Caio Holanda, Luan Paz e Mayra Ferro. Levarei as boas lembraças das aulas,
trabalhos e horas de estudo compartilhadas.
E a todos que, direita ou indiretamente, contribuíram para a realização desse trabalho.

RESUMO GERAL

O gênero Colletotrichum é cosmopolita e tem sido considerado um dos patógenos fúngicos
mais importantes do mundo. A antracnose é a principal doença causada pelas espécies deste
gênero e ocorre sobre uma vasta gama de hospedeiros. Em espécies da família Orchidaceae a
doença causa sérios problemas na produtividade, principalmente em regiões tropicais e
subtropicais. Embora cerca de 43 espécies do gênero tenham sido relatadas causando
antracnose em orquídeas em diferentes partes do mundo, pouco se sabe sobre a etiologia da
doença no Brasil. O objetivo deste estudo foi identificar espécies do gênero Colletotrichum
que estão associadas a plantas de orquídeas no nordeste do Brasil. Seis espécies de
Colletotrichum foram identificadas neste estudo: Colletotrichum fructicola, C.
gloeosporioides sensu stricto, C. karstii, C. orchidophilum, C. siamense e C. tropicale. Este é
o primeiro relato das espécies C. tropicale e C. fructicola em orquídeas no mundo e de C.
orchidophilum no Brasil. Estas espécies também foram avaliadas em relação a sensibilidade
micelial in vitro a quatro fungicidas de diferentes princípios ativos. Os fungicidas
tebuconazole, difenoconazole, tiofanato metílico e azoxistrobina+tebuconazole foram
considerados eficientes no controle in vitro das seis espécies de Colletotrichum, mas a
resposta de sensibilidade micelial das espécies variou de acordo com o fungicida e a
concentração. Tebuconazole e difenoconazole apresentaram-se como os mais eficientes na
inibição do crescimento micelial, enquanto que tiofanato metílico foi o menos eficiente. As
espécies de Colletotrichum foram classificadas como alta e moderadamente sensíveis aos
fungicidas baseado no cálculo da EC50.
Palavras-chave: antracnose, controle químico, filogenia multi-locus, Orchidaceae.

GENERAL ABSTRACT

The genus Colletotrichum is cosmopolitan and has been considered one of the most important
fungal pathogens in the world. Anthracnose is the main disease caused by the species of this
genus and occurs on a wide range of hosts. In species of the family Orchidaceae the disease
causes serious problems in productivity, mainly in tropical and subtropical regions. Although
more than 40 species of the genus have been reported causing anthracnose in orchids in
different parts of the world, little is known about the etiology of the disease in Brazil. The
objective of this study was to identify species of the genus Colletotrichum associated to
orchid plants in northeastern Brazil. Six species of Colletotrichum were identified in this
study: Colletotrichum fructicola, C. gloeosporioides sensu stricto, C. karstii, C.
orchidophilum, C. siamense and C. tropicale. This is first report of the species C. tropicale
and C. fructicola on orchids in the world and of C. orchidophilum in Brazil. These species
were also evaluated in relation to the mycelial sensitivity in vitro to four fungicides of
different active principles. The fungicides tebuconazole, difenoconazole, thiophanate methyl
and azoxystrobin+tebuconazole were considered efficient in the in vitro control of the six
species of Colletotrichum, but the mycelial sensitivity of the species varied according to
fungicide and concentration. Tebuconazole and difenoconazole were the most efficient in
inhibiting mycelial growth, whereas methyl thiophanate was the least efficient.
Colletotrichum species were classified as high and moderately sensitive to fungicides based
on EC50 calculation.
Key words: anthracnose, chemical control, multi-locus phylogeny, Orchidaceae.

SUMÁRIO
CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO GERAL.................................................................................9
1.1 A Cultura da Orquídea..........................................................................................................9
1.2 A Antracnose em Orquídeas...............................................................................................11
1.3 O Gênero Colletotrichum....................................................................................................13
1.4 O Controle da Antracnose em Orquídeas...........................................................................15
Referências................................................................................................................................18
CAPÍTULO 2 – IDENTIFICAÇÃO DE ESPÉCIES DE Colletotrichum EM ORQUÍDEAS
NO NORDESTE DO BRASIL.................................................................................................26
RESUMO..................................................................................................................................27
ABSTRACT..............................................................................................................................27
2.1 INTRODUÇÃO..................................................................................................................28
2.2 MATERIAL E MÉTODOS................................................................................................29
2.3 RESULTADOS...................................................................................................................32
2.4 DISCUSSÃO......................................................................................................................34
2.5 CONCLUSÕES..................................................................................................................38
REFERÊNCIAS........................................................................................................................38
CAPÍTULO 3 – SENSIBILIDADE A FUNGICIDAS DE ESPÉCIES DE Colletotrichum EM
ORQUÍDEAS............................................................................................................................53
RESUMO..................................................................................................................................54
ABSTRACT..............................................................................................................................54
3.1 INTRODUÇÃO..................................................................................................................55
3.2 MATERIAL E MÉTODOS................................................................................................56
3.4 RESULTADOS...................................................................................................................57
3.5 DISCUSSÃO......................................................................................................................60
3.6 CONCLUSÕES..................................................................................................................63
REFERÊNCIAS........................................................................................................................64

9

CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO GERAL

1.1 A Cultura da Orquídea

As orquídeas são plantas herbáceas e perenes que pertencem a família botânica
Orchidaceae, dividida em cinco subfamílias: Cypripedioideae, Apostasioideae, Vanilloideae,
Orchidoideae e Epidendroideae (CHASE et al., 2003; ZHAI et al., 2013). Estima-se que
existem cerca de 24 mil espécies de orquídeas, inseridas em cerca de 800 gêneros, e mais de
77.400 híbridos naturais e artificiais, distribuídos em todos os continentes, exceto na
Antártida (CHANDANKUMAR, 2009; fay; chase, 2009). No entanto, sua maior diversidade
está presente principalmente nas regiões tropicais das Américas do Sul e Central, da África e
da Ásia Equatorial. O Brasil possui uma das maiores floras orquidáceas do mundo,
representada por 235 gêneros e cerca de 2.419 espécies (BARROS et al., 2010;
RODRIGUES, 2011).
A ampla distribuição geográfica das orquídeas se deve a sua adaptação a diferentes
habitats. Desta forma, as orquídeas podem ser: terrestres - crescem sobre o solo; rupícolas crescem sobre rochas; saprófitas - sobrevivem em matéria orgânica em decomposição; e
epífitas - crescem sobre outras plantas ou suportes, mas sem parasitá-los, sendo este último o
modo de crescimento mais comum da família, compreendendo cerca de 73% das espécies
(TERAO; CARVALHO; BARROSO, 2005; RODRIGUES, 2011).
As espécies desta família têm sido consideradas um dos mais diversos e evoluídos
grupos de plantas angiospermas. E apesar de apresentarem grande variabilidade das
características botânicas, basicamente compartilham as seguintes estruturas: caules, composto
por rizoma e pseudobulbo; raízes fasciculadas, envolvidas por uma ou mais camadas de
células suberificadas e mortas constituindo o velame; folhas de formato e cor variadas com
nervuras paralelas; inflorescência, podendo ter de uma a muitas flores; flores hermafroditas,
raramente unissexuais, com uma estrutura básica de três sépalas e três pétalas, sendo a pétala
oposta ao estame fértil, morfologicamente modificada, chamada labelo. O estigma e os
estames são unidos formando o ginostêmio. Os grãos de pólen estão unidos em uma massa
compacta, denominada polínia; e frutos capsulares, quase secos, com sementes minúsculas,
embrião rudimentar e desprovidas de endosperma (TERAO; CARVALHO; BARROSO,
2005; RODRIGUES, 2011).

10

A imensa variabilidade de cores, tamanhos, formatos e fragrâncias das flores
conferem extrema beleza as orquídeas e despertam o interesse de pesquisadores,
orquidicultores e orquidófilos amadores em todo o mundo. Embora o interesse pelas
orquídeas remonta a civilizações antigas, sua acessão no mercado da floricultura iniciou com
as explorações das orquídeas tropicais após o descobrimento das américas e o aprimoramento
das técnicas de cultivo pelos europeus. Com o passar do tempo, o cultivo de orquídeas cresceu
e se tornou uma atividade mundial economicamente importante (TERAO; CARVALHO;
BARROSO, 2005; FAY; CHASE, 2009).
Alguns dos principais gêneros cultivados no mundo são: Arundia, Sobralia,
Coelogyne, Dendrobium, Bulbophyllum, Pleurothallis, Epidendrum, Cattleya, Phalaenopsis,
Vanda, Maxillaria, Bifrenaria, Cymbidium, Catasetum, Stanhopea, Oncidium e Ionopsis.
Estes pertencem a subfamília Epidendroideae, considerada a maior subfamília das
orquidáceas. A maioria são plantas epífitas das regiões tropicais da América e sudeste da
Ásia. Podemos destacar também o gênero Vanilla, da subfamília Vanilloideae, que é
amplamente cultivado para extração da baunilha (SHIRAKI; DIAZ, 2012).
O comércio de orquídeas representa cerca de 8% do comércio de flores ornamentais,
movimentando cerca de US$ 20 bilhões a cada ano, e está baseado na importação e
exportação de mudas, de flores de corte e plantas em vaso. Países como Holanda, Estados
Unidos, Alemanha, Malásia, Tailândia, Inglaterra, Taiwan, Austrália, África do Sul,
Colômbia, Peru e Equador merecem destaque no comércio internacional desta planta
(STANCATO; BEMELMANS; VEGRO, 2001; REIS, 2011; MANTOVANI, 2013). No
Brasil, a orquidicultura tem aumentado progressivamente, consolidando-se como importante
atividade econômica em várias regiões do país (STANCATO; BEMELMANS; VEGRO,
2001; REIS, 2011) e contribuindo para o crescimento da floricultura que faturou R$ 6,65
bilhões em 2016 (IBRAFLOR, 2017).
Além da beleza e diversidade, o fácil cultivo das orquidáceas é um dos fatores que
contribui para o sucesso da sua comercialização. As orquídeas são consideradas plantas
rústicas que conseguem sobreviver a condições adversas ao seu desenvolvimento por um
longo tempo. Assim, o fornecimento de condições adequadas de temperatura, luz, umidade,
aeração, substrato e nutrientes tem permitido o cultivo destas plantas dentro de casa, ripados,
telados, estufas ou até mesmo ao ar livre (TERAO; CARVALHO; BARROSO, 2005;
SHIRAKI; DIAZ, 2012).

11

O surgimento de técnicas para propagação e multiplicação in vitro destas plantas
também é outro fator importante para a disseminação e comercialização de espécies e híbridos
de orquídeas. Na natureza, a reprodução das orquídeas pode ocorrer de diversas formas, desde
a apomixia até a polinização cruzada obrigatória (quase todas dependentes de insetos), e a
germinação das sementes depende de uma relação simbiótica com fungos micorrízicos que
fornecem nutrientes para o seu desenvolvimento até que a plântula possa realizar fotossíntese.
Com a utilização de técnicas como a cultura de tecidos e a micropropagação, inúmeras mudas
podem ser facilmente produzidas em um ambiente controlado e totalmente estéril. No mundo
todo, centenas de laboratórios comerciais de cultura de tecidos, micropropagam orquídeas e
ajudam a revolucionar a orquidicultura em vários países (STANCATO; BEMELMANS;
VEGRO, 2001; TERAO; CARVALHO; BARROSO, 2005; CHANDANKUMAR, 2009).

1.2 A Antracnose em Orquídeas

Na

orquidicultura,

problemas

fitossanitários

limitam

significativamente

a

produtividade. Com o mercado de flores cada vez mais exigente, plantas ou flores com sinais
de ataque de pragas ou sintomas de doenças se tornam depreciadas e ficam abaixo dos
padrões de qualidade exigidos pelo setor (BUAINAIN; BATALHA, 2007; BARROS et al.,
2009). As orquídeas são suscetíveis a um grande número de doenças, sendo um sério
problema no cultivo, especialmente as de origem fúngicas que são de ocorrência comum
(KLEIN, 2008).
A doença antracnose, causada por espécies do gênero Colletotrichum, é considerada
uma das principais doenças fúngicas das orquidáceas. Presente em orquidários do mundo
todo, é um grave problema para regiões tropicais e subtropicais. Os sintomas iniciam-se
geralmente na face superior da folha, com o aparecimento de lesões escuras e de formato bem
definido, circular ou elíptico. Estas aumentam rapidamente de tamanho e formam grandes
manchas que podem ocupar todo o limbo foliar. O centro é deprimido e de coloração
castanho-pardacenta, com inúmeros anéis concêntricos. É possível observar a presença de
pequenos pontos escuros nas lesões, os acérvulos, de onde emerge uma massa de conídios
envolta numa matriz mucilaginosa de coloração rosada ou alaranjada. Outras partes da planta
podem apresentar sintomas, porém com menor frequência. Nas flores, os sintomas
caracterizam-se pelo aparecimento de pontuações escuras nas pétalas (KIMATI et al., 1997;
KLEIN, 2008; MANTOVANI, 2013).

12

A disseminação ocorre pelos respingos de água de chuva ou irrigação e a infecção é
facilitada por ferimentos, injúrias mecânicas ou bióticas (incidência de raios solares e frio)
que funcionam como porta aberta para entrada do patógeno. As condições favoráveis para o
desenvolvimento da doença são alta umidade, períodos de dias nublados e temperatura em
torno de 20 a 25 °C (KIMATI et al., 1997; KLEIN, 2008; MANTOVANI, 2013).
Até o momento, quarenta e três espécies de Colletotrichum foram associadas a
antracnose em diferentes espécies de orquídeas ao redor do mundo: Colletotrichum acutatum
J.H. Simmonds, C. arxii F. Liu, L. Cai, Crous & Damm, C. bletiae Halst., C. bletillum Tao,
Liu, Liu, Gao & Cai, C. boninense Moriwaki, Toy. Sato & Tsuki, C. cattleyicola Damm &
Toy. Sato, C. caudasporum Tao, Liu, Liu, Gao & Cai, C. cereale Manns, C.cinctum (Berk. &
M.A. Curtis) Stoneman, C. cirrhopetali Sawada, C. cliviae Yan L. Yang, Zuo Y. Liu, K.D.
Hyde & L. Cai, C. cliviicola Damm & Crous, C. coelogynes Damm, C. crassipes (Speg.) Arx,
C. crossandrae Patel,Kamat & C.B. Pande, C. cymbidiicola Damm, P.F. Cannon, Crous, P.R.
Johnst. & B. Weir, C. dematium (Pers.) Grove, C. destructivum O'Gara, C. duyunensis G.
Tao, Zuo Y. Liu & L. Cai, C. effiguratum Sydow, C. endophytum G. Tao, Zuo Y. Liu & L.
Cai, C. excelsum-altitudinum G. Tao et al., C. gloeosporioides sensu stricto (s.s.) (Penz.)
Penz. & Sacc., C. guizhouensis G. Tao, Zuo Y. Liu & L. Cai, C. kahawae J.M Waller &
Bridge, C. karstii Y.L.Yang, Zuo Y. Liu, K.D. Hyde & L. Cai, C. liriopes Damm, P.F.
Cannon & Crous, C. lujae Verpl. & Clem., C. macrosporum Wheeler W. H.; C. miscanthi
J.A. Crouch, B.B. Clarke, J.F. White & B.I. Hillman, C. ochracea Tao, Liu, Liu, Gao & Cai,
C. oncidii Damm, P.F. Cannon & Crous, C. orchidearum Allesch., C. orchidophilum Damm,
P.F. Cannon & Crous, C. parsonsiae Damm, P.F. Cannon, Crous, P.R. Johnst. & B. Weir, C.
phalaenopsidis Sawada, K., C. plurivorum Damm, Alizadeh & Toy. Sato, C. siamense
Phoulivong, L. Cai & K.D. Hyde, C. sojae Damm & Alizadeh, C. stanhopeae Henn., C.
tofieldiae (Pat.) Damm, P.F. Cannon & Crous, C. tropicicola Phouliv. et al., C. vanillae Scalia
(SACCARDO,

1896;

PATEL;

KAMAT;

PANDE,

1953;

MORIWAKI;

SATO;

TSUKIBOSHI, 2003; TALUBNAK; SOYTONG, 2010; CHEN et al., 2011; YANG et al.,
2011; DAMM et al., 2012a; DAMM et al., 2012b; SATO et al., 2012; TAO et al., 2013;
CHOWDAPPA et al., 2014; YAO et al., 2013; LIU et al., 2014; ALMANZA-ÁLVARES et
al., 2017; FARR; ROSSMAN, 2018; DAMM et al., 2019).
Muitas destas espécies foram identificadas e nomeadas com base em características
fenotípicas, gama de hospedeiros e análise de sequências da região ITS-rDNA. Segundo
YANG et al. (2011) alguns destes nomes entraram em desuso, não sendo encontrados na

13

literatura científica atual, enquanto outros deveriam ser considerados ambíguos, uma vez que
suas culturas ex-tipo não estão disponíveis para novos estudos, como: C. bletiae, C.cinctum,
C. cirrhopetali, C. effiguratum, C. lujae, C. macrosporum, C. phalaenopsidis, C. stanhopeae
e C. vanillae. Além disso, novas espécies foram relatadas e reclassificadas com o avanço da
molecular, contribuindo para elevar o número de espécies associada a este hospedeiro (YANG
et al., 2011; JADRANE et al., 2012; NOIREUNG et al., 2012; SATO et al., 2012;
CHOWDAPPA et al., 2014; DAMM et al., 2019).
No Brasil, os estudos de identificação do gênero Colletotrichum em orquídeas ainda
são escassos. Apenas levantamentos de gêneros fúngicos e identificações baseadas em
morfologia e análise da região ITS-rDNA são encontrados, sendo C. gloeosporioides s.s. a
única espécie relatada (MAFIA et al., 2005; KLEIN, 2008; BARROS et al., 2009; SOUZA,
2010; OLIVEIRA et al., 2011; SANTOS, 2012; OLIVEIRA et al., 2014).

1.3 O Gênero Colletotrichum

O gênero Colletotrichum Corda (1831) pertence ao grupo dos fungos anamórficos e
está inserido na classe-forma Celomicetos (AMORIM; REZENDE; BERGAMIN FILHO,
2011). A fase teleomórfica de suas espécies, quando conhecida, é atribuída ao gênero
Glomerella, filo Ascomycota. Baseado em estudos filogenéticos, ambas as formas estão
acomodadas na classe Sordariomycetes, ordem Glomerellales e família Glomerellaceae
(ZHANG et al., 2006; RÉBLOVÁ et al., 2011;).
As principais características morfológicas de Colletotrichum são: micélio septado;
conidioma acervular, frequentemente pouco desenvolvido e geralmente com setas escuras
bem

desenvolvidas;

conidióforos

pouco

desenvolvidos,

tendo

pequenas

células

conidiogênicas aglomeradas em forma de frasco, que apresentam conidiogênese
enteroblástica; e conídios cilíndricos, fusiformes ou semilunares, hialinos, de paredes finas e
unicelulares que germinam para produzir apressórios marrom-escuros com formatos
circulares a irregulares (PUTZKE, J.; PUTZKE, M., 2002; CANNON; KIRK, 2007;
LINS;ABREU; ALVES, 2007).
As espécies deste gênero são amplamente estudadas devido sua importância
econômica como patógenos de plantas, atuando como hemibiotróficos, saprofíticos e
endofíticos (DEAN et al., 2012; GAN et al., 2013; JAYAWARDENA et al., 2016). A
identificação precisa das espécies de Colletotrichum é essencial para compreender a etiologia

14

da doença e estabelecer um manejo adequado. No entanto, a taxonomia do gênero foi
considerada confusa e várias revisões foram realizadas ao longo dos anos (VON ARX, 1957;
SUTTON, 1980; HYDE et al., 2009; CANNON et al., 2012; JAYAWARDENA et al., 2016).
Após a introdução do gênero por Corda em 1831 até meados do século XX, cerca de
750 nomes foram incluídos em Colletotrichum, baseados na especificidade do hospedeiro
(CANNON et al., 2012). Em 1957, o trabalho monográfico de Von Arx trouxe um grande
impacto sobre a taxonomia de Colletotrichum. Em seu trabalho, o gênero foi reorganizado
com base na morfologia das espécies e o número foi reduzido para 11. Além disso, espécies
fúngicas dos gêneros Colletotrichum, Vermicularia e Gloeosporium foram consideradas
pertencentes a um mesmo gênero, sendo conservado o nome Colletotrichum. No entanto, Von
Arx identificou muitos destes táxons baseados em descrições da literatura e não na avaliação
dos espécimes tipo. Sutton (1980) ao observar esta incoerência no trabalho de Von Arx,
reconheceu no gênero 22 espécies, baseado na morfologia e características culturais. Estudos
baseados nestas características continuou a elevar o número de espécies para 40 em Sutton
(1992) e 60 no Dicionário de Fungos (KIRK et al., 2008).
Após o início da década de 1990, foram registradas as primeiras aplicações do DNA
para distinguir espécies em Colletotrichum e o número de artigos utilizando métodos
moleculares para elucidar as relações dentro do gênero aumentaram rapidamente (CANNON
et al., 2012). Inicialmente, a maioria dos estudos estavam baseados em análises da região ITSrDNA, mas outras regiões genômicas começaram a ser utilizadas em análises filogenéticas
multi-locus (SREENIVASAPRASAD; BROWN; MILLS, 1992; SHERRIFF et al., 1994;
JOHNSTON; JONES, 1997; TALHINHAS et al., 2002; GUERBER et al., 2003; DU et al.,
2005).
Muitos trabalhos apresentaram as limitações das características morfoculturais e o
uso de apenas uma região genômica na delimitação de espécies de Colletotrichum,
principalmente da região ITS-rDNA (CAI et al., 2009; HYDE et al., 2009; DAMM et al.,
2009; CANNON et al., 2012; SHARMA; PINNAKA; SHENOY, 2013). Hyde et al. (2009)
enfatizaram a necessidade de epitificação das espécies e o uso de análises filogenéticas multilocus, com genes mais informativos. Cai et al. (2009) indicaram o uso de uma abordagem
polifásica que inclui a utilização de dados moleculares, morfológicos, fisiológicos e
relacionados à patogenicidade para uma identificação mais precisa e confiável das espécies,
visto que a antiga forma de classificação tornou os limites das espécies ambíguos e confusos.

15

A partir de então, as análises filogenéticas multi-locus passaram a ser norma e as
principais regiões genômicas utilizadas são: gliceraldeido-3-fosfato desidrogenase (GAPDH),
actina (ACT), quitina sintetase (CHS-1), β-tubulina (TUB2), calmodulina (CAL), histona
(HIS3), glutamina sintetase (GS), superóxido-dismutase de manganês (SOD) e a região do
espaçador interno transcrito (ITS) (CANNON et al., 2012; WEIR; JOHNSTON; DAMM,
2012). O gene GAPDH tem sido indicado como barcode secundário na identificação de
espécies do gênero Colletotrichum, pois sua combinação com outros genes tem permitido
distinguir de forma confiável a maioria dos táxons (WEIR; JOHNSTON; DAMM, 2012) e
vem sendo utilizado como medida inicial de diversidade em estudos de identificação de
espécies do gênero associadas a um hospedeiro específico (LIMA et al., 2013; SHARMA;
SHENOY, 2013; LIU et al., 2016; SILVA et al., 2017; OLIVEIRA et al., 2018; WACULICZANDRADE et al., 2018).
Com base nesta abordagem, iniciou-se uma revisão do gênero, ainda em curso, em
que várias espécies foram revisadas e tipificadas ou recém-descritas e vários complexos de
espécies foram detectados. Atualmente, 201 espécies são reconhecidas em Colletotrichum,
sendo 18 espécies isoladas (singleton) e 183 espécies agrupadas em um dos 14 complexos
reconhecidos: C. gloeosporioides, C. gigasporum, C. boninense, C. acutatum, C. graminicola,
C. caudatum, C. spaethianum, C. destructivum, C. dematium, C. truncatum, C. orbiculare, C.
dracaenophilum, C. magnum e C. orchidearum (CROUCH; INGUAGIATO, 2009; DAMM et
al., 2009; CANNON et al., 2012; DAMM et al., 2012a; DAMM et al., 2012b; WEIR;
JOHNSTON; DAMM, 2012; DAMM et al., 2013; CROUCH, 2014; DAMM et al., 2014;
HYDE et al., 2014; LIU et al., 2014; LIU et al., 2015; HOU et al., 2016; JAYAWARDENA
et al., 2016; DAMM et al., 2019).

1.4 Controle da Antracnose em Orquídeas

O controle de doenças de plantas é um princípio fundamental para minimizar as
perdas e garantir o máximo na produtividade. No entanto, há uma escassez na literatura
científica no que diz respeito ao controle da antracnose em orquídeas. A grande maioria do
material produzido está disponível em sites, blogs, manuais e livros como resultado do
esforço da comunidade orquidófila.
Dentre os métodos mais indicados estão práticas preventivas que integram controle
cultural e físico, como: a utilização de material propagativo sadio; irrigação adequada com

16

água de boa qualidade, evitando o molhamento das folhas; adoção de medidas de sanitização,
removendo e destruindo plantas invasoras, restos vegetais e partes doentes das plantas; adoção
de práticas de desinfestação, mantendo bancadas, equipamentos e utensílios de corte limpos,
principalmente quando usados em plantas diferentes; utilização de substrato esterilizado,
através de solarização; disposição das plantas nos telados, ripados e estufas que devem ser
mantidas a mais de um metro do solo, em locais ventilados e sem aglomeração, evitando
baixadas, acúmulo de umidade e baixas temperaturas; adubação balanceada, evitando
principalmente o excesso de nitrogênio; e em casos de ataques severos, isolar a planta doente
até seu completo restabelecimento. Todas estas medidas visam a erradicação, exclusão,
evasão e regulação da doença, evitando a disseminação, a formação de microclima favorável
ao patógeno e minimizando a produção de inóculo (MAFIA et al., 2005; MANTOVANI,
2013; AGROFIT, 2018).
O controle químico também é utilizado de forma preventiva com os fungicidas
mancozeb, oxicloreto de cobre e tiofanato metílico, assim como o uso de fumigantes para
desinfestação de substrato (MANTOVANI, 2013; AGROFIT, 2018). Adicionalmente, os
fungicidas sistêmicos a base de azoxistrobina, difenoconazole e bitertanol são usados para
tratamento curativo da doença, principalmente em caso de ataque severo (ZAGER, 2018).
Dentre estes químicos, apenas o mancozeb e o oxicloreto de cobre são recomendados para a
cultura pelo Ministério da Agricultura (AGROFIT, 2018).
Alguns estudos, realizados com fungicidas no controle da antracnose em orquídeas,
obtiveram resultados satisfatórios com o fosfonato de potássio, mancozeb, cimoxanil,
carbendazim, iprodione e fenamidona contra C. gloeosporioides s.s. em Phalaenopsis
(MEERA et al., 2016) e calda bordalesa, clorotalonil, rabicida e mancozeb contra C.
orchidearum em orquídeas (FENGLI et al., 1990).
Podemos citar ainda o uso do controle biológico, recomendado como alternativa ao
controle químico. Estudos com Emericella nidulans em Vanilla planifolia (TALUBNAK;
SOYTONG, 2010), Bacillus subtilis B6 na orquídea Lady's Slipper (KUENPECH;
AKARAPISAN, 2014), B. subtilis SSE 4 em Dendrobium (PRAPAGDEE et al., 2008) e
Streptomyces hygroscopicus em orquídeas (PRAPAGDEE et al., 2012) apresentaram
resultados significativos no combate à doença, utilizando isolados identificados como C.
gloeosporioides s.s.
Embora exista um enorme número de espécies de Colletotrichum associadas a
antracnose em orquídeas no mundo, apenas C. gloeosporioides s.s. e C. orchidearum têm sido

17

utilizados nos estudos de controle da doença. Já foi demostrado que as espécies de
Colletotrichum apresentam comportamento diferenciado frente aos diferentes fungicidas e que
este conhecimento pode ser utilizado para auxiliar e direcionar a escolha dos ingredientes
ativos mais adequados no controle da doença (LIMA et al., 2015). Portanto, estudos
comparativos do efeito dos diferentes fungicidas sobre as diferentes espécies que ocorrem em
orquídeas precisam ser desenvolvidos com o objetivo de evitar a resistência dos patógenos
pelo uso indiscriminado destes químicos.

18

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26

CAPÍTULO 2

IDENTIFICAÇÃO DE ESPÉCIES DE Colletotrichum EM ORQUÍDEAS NO NORDESTE
DO BRASIL

27
1

IDENTIFICAÇÃO DE ESPÉCIES DE Colletotrichum EM ORQUÍDEAS NO

2

NORDESTE DO BRASIL

3
4

Janaíne Rossane Araújo Silva-Cabral1

5

1

6

Largo, AL, 57100-000, Brasil, janaine_rossane@hotmail.com.

Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Alagoas, Br 104, Km 85 Norte, Rio

7
8

Resumo - As doenças fúngicas são de ocorrência comum sobre espécies da família

9

Orchidaceae. A antracnose é uma das doenças mais importantes da orquidofloria,

10

principalmente em regiões tropicais. Muitas espécies do gênero Colletotrichum são

11

responsáveis por causar esta doença em orquídeas no mundo todo, no entanto, pouco se sabe

12

sobre a etiologia da doença no Brasil. O objetivo deste estudo foi identificar espécies do

13

gênero Colletotrichum que infectam orquídeas no Nordeste do Brasil, utilizando análises

14

filogenéticas multi-locus associadas a características morfoculturais. Vinte e dois isolados,

15

obtidos de plantas de orquídeas com sintomas de antracnose, se agruparam com seis espécies

16

de Colletotrichum: C. fructicola, C. gloeosporioides sensu stricto, C. karstii, C.

17

orchidophilum, C. siamense e C. tropicale. Este é o primeiro relato de C. tropicale e C.

18

fructicola em orquídeas no mundo e de C. orchidophilum no Brasil.

19

Palavras-chave: antracnose, filogenia multi-locus, Orchidaceae.

20
21

Abstract - Fungal diseases are a common occurrence on species of the Orchidaceae family.

22

The anthracnose is one of the most important diseases of the orchid, mainly in tropical

23

regions. Many species of the genus Colletotrichum are responsible for causing this disease in

24

orchids worldwide, however, little is known about the etiology of the disease in Brazil. The

25

objective of this study was to identify species of the genus Colletotrichum that infect orchids

26

in the northeastern Brazil, using multi-locus phylogenetic analyzes associated with morpho-

27

cultural characteristics. Twenty-two isolates, obtained from orchid plants with symptoms of

28

anthracnose, gathered with six species of Colletotrichum: C. fructicola, C. gloeosporioides

29

s.s., C. karstii, C. orchidophilum, C. siamense and C. tropicale. This is the first report of C.

30

tropicale and C. fructicola in orchids in the world and C. orchidophilum in Brazil.

31

Keywords: anthracnose, multi-locus phylogeny, Orchidaceae.

32
33

28
34

2.1 INTRODUÇÃO

35
36

As orquídeas pertencem a família Orchidaceae, uma das mais diversas e numerosas

37

famílias botânicas do mundo (FAY; CHASE, 2009). Devido a beleza e extensa diversidade de

38

suas flores são grande potencial econômico para floricultura nacional e internacional. O Brasil

39

possui uma das maiores floras orquidáceas, por isso tem se inserido cada vez mais no

40

mercado nacional e internacional de orquídeas, como centro exportador de plantas em vaso,

41

flores cortadas e espécies para colecionadores (STANCATO; BEMELMANS; VEGRO,

42

2001; TERAO; CARVALHO; BARROSO, 2005). As doenças de origem fúngicas são um dos

43

principais fatores limitantes para a produção comercial de orquídeas. A antracnose, doença

44

causada por espécies fúngicas do gênero Colletotrichum, é de ocorrência comum em

45

orquidáceas e causa lesões necróticas em folhas, flores e bulbos. As lesões depreciam

46

esteticamente as plantas e flores, comprometendo sua comercialização (MAFIA et al., 2005;

47

ALMANZA-ÁLVAREZ et al., 2017).

48

Até o momento, quarenta e três espécies do gênero Colletotrichum estão associadas a

49

antracnose em orquídea no mundo: Colletotrichum acutatum J.H. Simmonds, C. arxii F. Liu,

50

L. Cai, Crous & Damm, C. bletiae Halst., C. bletillum Tao, Liu, Liu, Gao & Cai, C. boninense

51

Moriwaki, Toy. Sato & Tsuki, C. cattleyicola Damm & Toy. Sato, C. caudasporum Tao, Liu,

52

Liu, Gao & Cai, C. cereale Manns, C.cinctum (Berk. & M.A. Curtis) Stoneman, C.

53

cirrhopetali Sawada, C. cliviae Yan L. Yang, Zuo Y. Liu, K.D. Hyde & L. Cai, C. cliviicola

54

Damm & Crous, C. coelogynes Damm, C. crassipes (Speg.) Arx, C. crossandrae Patel,Kamat

55

& C.B. Pande, C. cymbidiicola Damm, P.F. Cannon, Crous, P.R. Johnst. & B. Weir, C.

56

dematium (Pers.) Grove, C. destructivum O'Gara, C. duyunensis G. Tao, Zuo Y. Liu & L. Cai,

57

C. effiguratum Sydow, C. endophytum G. Tao, Zuo Y. Liu & L. Cai, C. excelsum-altitudinum

58

G. Tao et al., C. gloeosporioides sensu stricto (s.s.) (Penz.) Penz. & Sacc., C. guizhouensis G.

59

Tao, Zuo Y. Liu & L. Cai, C. kahawae J.M Waller & Bridge, C. karstii Y.L.Yang, Zuo Y.

60

Liu, K.D. Hyde & L. Cai, C. liriopes Damm, P.F. Cannon & Crous, C. lujae Verpl. & Clem.,

61

C. macrosporum Wheeler W. H.; C. miscanthi J.A. Crouch, B.B. Clarke, J.F. White & B.I.

62

Hillman, C. ochracea Tao, Liu, Liu, Gao & Cai, C. oncidii Damm, P.F. Cannon & Crous, C.

63

orchidearum Allesch., C. orchidophilum Damm, P.F. Cannon & Crous, C. parsonsiae Damm,

64

P.F. Cannon, Crous, P.R. Johnst. & B. Weir, C. phalaenopsidis Sawada, K., C. plurivorum

65

Damm, Alizadeh & Toy. Sato, C. siamense Phoulivong, L. Cai & K.D. Hyde, C. sojae Damm

66

& Alizadeh, C. stanhopeae Henn., C. tofieldiae (Pat.) Damm, P.F. Cannon & Crous, C.

29
67

tropicicola Phouliv. et al., C. vanillae Scalia (PATEL; KAMAT; PANDE, 1953;

68

MORIWAKI; SATO; TSUKIBOSHI, 2003; TALUBNAK; SOYTONG, 2010; CHEN et al.,

69

2011;YANG et al., 2011; DAMM et al., 2012a; DAMM et al., 2012b; SATO et al., 2012;

70

TAO et al., 2013, YAO et al., 2013; CHOWDAPPA et al., 2014; LIU et al., 2014;

71

ALMANZA-ÁLVARES et al., 2017; FARR; ROSSMAN, 2018; DAMM et al., 2019). No

72

Brasil, os trabalhos de identificação de Colletotrichum spp. em orquídeas ainda são escassos e

73

se baseiam apenas em morfologia e análise da região ITS-rDNA (MAFIA et al., 2005;

74

FREIRE; MOSCA, 2009; OLIVEIRA et al., 2014).

75

Atualmente, a identificação de espécies do gênero Colletotrichum está baseada em

76

uma abordagem polifásica que compreende a utilização de análises filogenéticas multi-locus

77

associadas a características morfoculturais. Esta nova abordagem tem contribuído

78

significativamente para o entendimento do gênero Colletotrichum, possibilitando uma

79

identificação mais precisa das espécies, resolvendo ambiguidades causadas pelos antigos

80

critérios de classificação e ampliando o registro de novas espécies em diferentes hospedeiros

81

ao redor do mundo (YANG et al., 2011; CANNON et al., 2012; DAMM et al., 2012b;

82

NOIREUNG et al., 2012; HOU et al., 2016; JAYAWARDENA et al., 2016; SILVA et al.,

83

2017; OLIVEIRA et al., 2018; VELOSO et al., 2018; WACULICZ-ANDRADE et al., 2018;

84

DAMM et al., 2019).

85

O objetivo deste estudo foi identificar espécies de Colletotrichum associadas a

86

antracnose em orquídeas no Nordeste do Brasil, utilizando análises filogenéticas multi-locus e

87

características morfoculturais.

88
89

2.2 MATERIAL E MÉTODOS

90
91

2.2.1 Obtenção dos isolados de Colletotrichum

92
93

Para a obtenção dos isolados fúngicos de Colletotrichum foram realizadas coletas de

94

folhas, flores e bulbos de orquídeas com sintomas típicos de antracnose nos municípios de

95

Maceió, Bezerros e Paulo Afonso nos estados de Alagoas, Pernambuco e Bahia do nordeste

96

brasileiro, respectivamente. Os isolados foram obtidos de lesões individuais, normalmente, a

97

partir de duas lesões por folha/planta coletada. Fragmentos do tecido, obtidos da região de

98

transição entre o tecido doente e o sadio, foram desinfestados superficialmente, em álcool a

99

70% por 30 segundos e hipoclorito de sódio a 1% por 1 minuto, lavados duas vezes em água

30
100

destilada esterilizada (ADE), secos em papel filtro e transferidos para placas de Petri com

101

meio de cultura Batata-Dextrose-Ágar (BDA). As placas foram mantidas sob temperatura de

102

25ºC até o crescimento do micélio, a partir do qual foram retirados discos das bordas das

103

colônias e transferidos para novas placas de Petri contendo o meio de cultura BDA.

104

Culturas monospóricas foram obtidas dos isolados identificados como pertencentes

105

ao gênero Colletotrichum baseado na morfologia dos conídios (SUTTON, 1980). Os isolados

106

foram preservados pelo método de armazenamento por congelamento em tiras de papel-filtro

107

(ALFENAS; MAFIA, 2007) e em seguida depositados na Coleção de Culturas de Fungos

108

Fitopatogênicos da Universidade Federal de Alagoas (COUFAL). Análises moleculares e

109

morfoculturais foram realizadas a partir da obtenção das culturas monospóricas.

110
111

2.2.2 Caracterização molecular

112
113

Todos os isolados foram cultivados por 5 dias em meio Sacarose-Extrato de

114

levedura-Asparagina sem adição de ágar, mantidos em temperatura ambiente. O micélio foi

115

coletado e o DNA total foi extraído usando o protocolo de Doyle; Doyle (1987).

116

As sequências parciais do gene do gliceraldeído-3-fosfatodesidrogenase (GAPDH)

117

foram amplificadas de todos os isolados para uma identificação preliminar das espécies

118

presentes em orquídeas. Para posicionamento taxonômico definitivo das espécies do gênero

119

Colletotrichum, isolados representativos de cada espécie identificada foram submetidos à

120

amplificação da região do espaçador interno transcrito ribossomal (ITS) e do gene β-tubulina

121

2 (TUB2). As reações foram realizadas com tampão 10X (3 µL), MgCl2 50 mM (0,9 µL), 10

122

mM DNTP's (2,4 µL), 10 µM de cada oligonucleotídeo (2 µL), 1U Taq DNA polimerase(0,2

123

µL) e DNA 1μL (25ng/µL). O volume final das reações foi ajustado para 30μL com água

124

desionizada esterilizada (Milli-Q). As condições de termociclagem e primers utilizados na

125

amplificação dos genes GAPDH, TUB2 e da região ITS foram realizados como descritos por

126

Weir et al. (2012). Em seguida, os produtos de PCR foram purificados e sequenciados pela

127

Macrogen Inc., Seul, Coréia do Sul.

128

As sequências consenso de cada região genômica foram montadas e editadas usando

129

o Staden Package software (STADEN; BEAL; BONFIELD, 1998) e foram depositados no

130

GenBank (http://www.ncbi.nlm.nih.gov). Estas sequências foram inicialmente analisadas com

131

o algoritmo BLASTn do banco de dados de nucleotídeos não-redundante GenBank para

132

determinar as espécies fúngicas com as quais elas compartilhavam maior identidade

31
133

nucleotídica. Posteriormente, alinhamentos múltiplos para cada região genômica foram

134

montados usando o algoritmo MUSCLE (EDGAR, 2004) e manualmente ajustados usando o

135

MEGA6 (Molecular Evolutionary Genetics Analysis). Sequências de referência disponíveis

136

no GenBank para cada região genômica foram obtidas e incluídas nos alinhamentos

137

(Tabela1).

138

As árvores de inferência Bayesiana foram construídas utilizando os alinhamentos das

139

sequências parciais do gene GAPDH e dados concatenados (GAPDH, TUB2 e ITS),

140

separadamente, empregando o método da cadeia de Markov Monte Carlo, no portal web

141

CIPRES (MILLER et al., 2010) usando MrBayes v. 3.2.3 (RONQUIST et al., 2012). O

142

melhor modelo de substituição de nucleotídeos foi determinado para cada região genômica

143

usando MrModeltest 2.3 (POSADA; BUCKLEY, 2004) de acordo com o Akaike Information

144

Criterion (AIC). As árvores foram visualizadas e editadas no software FigTree v. 1.4

145

(ztree.bio.ed.ac.uk/software/figtree).

146
147

2.2.3 Estudos morfoculturais das espécies de Colletotrichum

148
149

A caracterização cultural consistiu na obtenção da taxa de crescimento micelial

150

(TCM) dos isolados. A partir de colônias cultivadas em meio BDA durante 7 dias, foram

151

retirados cinco discos (5mm) da borda da colônia e transferidos para o centro de cinco placas

152

de Petri contendo meio BDA sintético. As placas foram mantidas em incubadora a 25°C em

153

fotoperíodo de 12 horas, durante 7 dias. Para obtenção da TCM, o diâmetro das colônias foi

154

mensurado diariamente. Após os 7 dias, também foi observado a coloração das colônias.

155

A caracterização morfológica baseou-se na avaliação da forma e tamanho de 50

156

conídios e apressórios. As medidas de comprimento e largura destas estruturas foram obtidas

157

por meio de imagens capturadas por câmera digital Olympus SC30 acoplada ao microscópio

158

de luz (Olympus CKX41), utilizando o software Cellsenses Standard.

159
160

Para os estudos morfoculturais foram selecionados isolados de cada espécie
identificada nas análises filogenéticas multi-locus.

161
162

2.2.4 Teste de patogenicidade e gama de hospedeiros

163
164

Isolados das espécies de Colletotrichum identificadas no presente estudo foram

165

selecionados para realização dos testes de patogenicidade e gama de hospedeiros. Os isolados

32
166

foram inoculados em folhas destacadas de orquídeas para o teste de patogenicidade e em

167

frutos sadios para o teste de gama de hospedeiros.

168

As orquídeas foram selecionadas de acordo com a obtenção dos isolados, sendo cada

169

isolado testado na orquídea de onde foi obtido. E os frutos foram selecionadas de acordo com

170

o hospedeiro original das espécies, ou seja, o hospedeiro em que a espécie foi identificada

171

pela primeira vez.

172

Folhas

assintomáticas

dos

gêneros

Cattleya,

Oncidium,

Phalaenopsis

e

173

Schomburgkia e frutos de goiaba (Psidium guajava L.), mamão (Carica papaya L.), manga

174

(Mangifera indica L.) e pera (Pyrus communis L.) foram lavadas em água corrente,

175

desinfestadas superficialmente em solução de hipoclorito de sódio (NaOCl) a 1% por 3

176

minutos, lavados 3 vezes em ADE e secos com papel estéril. O inóculo consistiu de uma gota

177

de 10µL de suspensão de esporos com concentração de 105 conídios/mL, para as folhas de

178

orquídeas, e para os frutos, discos de BDA (5mm) retirados das margens de colônias crescida

179

por sete dias. Os inóculos foram depositados sobre a superfície de cada órgão vegetal ferido

180

com auxílio de uma agulha estéril, com quatro repetições. Como testemunha foi utilizado

181

ADE e BDA. As folhas e os frutos foram acondicionadas em gerbox com papel filtro

182

esterilizado umedecido com ADE, cobertos com saco de polietileno e incubados em estufa

183

Biochemistry Oxigen Demand (BOD) a 25 ºC e fotoperíodo de 12 h até o aparecimento dos

184

sintomas. O fungo foi reisolado para comprovar a patogenicidade das espécies e verificar as

185

características morfoculturais.

186
187

2.3 RESULTADOS

188
189

2.3.1 Obtenção dos isolados de Colletotrichum

190
191

Um total de vinte e dois isolados de Colletotrichum foram obtidos de sete diferentes

192

gêneros de orquídeas nativas e comercias (Tabela 1). Doze isolados foram obtidos do gênero

193

Cattleya, seguido por Oncidium com 3 isolados e Phalaenopsis com 2 isolados. Os demais

194

gêneros foram representados por apenas um isolado. As folhas foram os órgãos vegetais mais

195

coletados e com o maior número de isolados. Apenas um isolado foi obtido de bulbo e

196

nenhum de flores.

197
198

33
199

2.3.2 Caracterização molecular

200
201

Baseado nos resultados de pesquisa BLAST do banco de dados GenBank e na análise

202

inicial realizada com as sequências parciais do gene GAPDH, dezenove isolados de

203

Colletotrichum spp. obtidos neste estudo foram alocados no complexo C. gloeosporioides,

204

dois isolados no complexo C. boninense, e um isolado foi relacionado a espécie singleton, C.

205

orchidophilum.

206

Para representar as espécies identificadas na análise com o gene GAPDH, doze

207

isolados de orquídeas foram selecionados e submetidos a análises filogenéticas multi-locus

208

(GAPDH, TUB2 e ITS). A filogenia das espécies do complexo C. gloeosporioides incluiu

209

nove isolados representativos, que foram agrupados em 4 clados com alto suporte de

210

probabilidade posterior Bayesiana: O isolado COUFAL0213 foi atribuído ao clado da espécie

211

C. gloeosporioides strictu sensu, os isolados COUFAL0215 e COUFAL0225 foram

212

agrupados no clado da espécie C. fructicola Prihastuti, L. Cai & K.D. Hyde, COUFAL0209,

213

COUFAL0216 e COUFAL0223 ao clado de C. siamense e o clado de C. tropicale E.I. Rojas,

214

S.A. Rehner & Samuels agrupou os isolados COUFAL0205, COUFAL0214 e COUFAL0217

215

(Figura 1).

216

A identidade dos isolados de orquídeas que foram relacionados ao complexo C.

217

boninense e a espécie C. orchidophilum é apresentada na Figura 2. Os isolados

218

COUFAL0220 e COUFAL0221 foram atribuídos a espécie C. karstii, enquanto o isolado

219

COUFAL0219 a espécie singleton C. orchidophilum.

220
221

Os

alinhamentos

e

árvores

foram

depositados

no

TreeBASE

(http://www.treebase.org; números de acesso: 20248; 20260).

222
223

2.3.3 Estudos morfoculturais das espécies de Colletotrichum

224
225

Os isolados representando as seis espécies de Colletotrichum encontradas neste

226

estudo foram identificados como pertencentes ao gênero Colletotrichum, de acordo com seus

227

caracteres morfológicos e culturais (Figura 3). Embora a coloração predominante tenha sido o

228

branco e o laranja, os isolados se mostraram muito heterogêneos em relação as características

229

das colônias. Os valores médios do diâmetro das colônias, comprimento e largura de conídios

230

e apressórios apresentaram-se superiores ou inferiores aqueles observados para as espécies

231

identificadas, no entanto, os intervalos de tamanhos foram semelhantes as características das

34
232

espécies do complexo Colletotrichum gloeosporioides (WEIR; JOHNSTON; DAMM, 2012),

233

complexo C. boninense (DAMM et al., 2012b) e a espécie C. orchidophilum (DAMM et al.,

234

2012a) (Tabela 2).

235
236

2.3.4 Teste de patogenicidade e gama de hospedeiros

237
238

Todos os isolados foram patogênicos as folhas de orquídeas e frutos sadios (Figura 4

239

e 5), que induziram sintomas entre cinco a dezoito dias após a inoculação, sendo o isolado

240

COUFAL0220, inoculado em orquídea, o mais tardio.

241

Em orquídeas, os isolados das espécies de Collettrichum induziram lesões necróticas

242

deprimidas pequenas na superfície das folhas com ferimento. Nos frutos, as lesões foram

243

necróticas, deprimidas, enxarcadas e com diferentes tamanhos.

244

gloeosporioides s.s., e C. siamense induziram as maiores lesões quando inoculadas em

245

mamão (2,0-1,5cm) e pera (2,7-2,5cm) , respectivamente. Nenhum sintoma foi observado na

246

testemunha (Tabela 2).

As espécies C.

247
248

2.4 DISCUSSÃO

249
250

Neste estudo a filogenia multi-locus combinada aos dados morfoculturais revelou

251

uma alta diversidade de espécies de Colletotrichum associadas à antracnose em orquídeas no

252

nordeste do Brasil. Seis espécies foram identificadas: C. fructicola, C. gloeosporioides s.s., C.

253

karstii, C. orchidophilum, C. siamense e C. tropicale.

254

A vasta diversidade de espécies de Colletotrichum ocorrendo em orquídeas já era

255

esperada, uma vez que 43 espécies do gênero foram relatadas neste hospedeiro ao redor do

256

mundo (FARR; ROSSMAN, 2018). Dentre as espécies identificadas apenas C. tropicale e C.

257

fructicola nunca foram anteriormente relatadas em orquídeas.

258

A espécie C. orchidophilum forma um grupo basal ao complexo C. acutatum e é

259

classificada como uma espécie singleton, pois não pertence a nenhum complexo reconhecido

260

do gênero. O nome desta espécie advém de seu hospedeiro, já que é relatada somente em

261

espécies da família Orchidaceae, e não existem relatos de sua ocorrência em nenhum outro

262

hospedeiro. Colletotrichum orchidophilum já foi relatada em Cycnoches aureum, no Panamá,

263

Ascocenda sp. e Dendrobium sp. nos Estados Unidos, Phalaenopsis sp. no Reino Unido e V.

264

planifolia em Reunião (DAMM et al., 2012a; CHARRON et al., 2018). O isolado

35
265

COUFAL0219 correspondente a C. orchidophilum foi obtido somente de Ca. labiata Lindl.,

266

espécie originária do nordeste brasileiro conhecida como rainha do Nordeste. Segundo nossos

267

conhecimentos, este é o primeiro relato desta espécie em orquídeas no Brasil e em Cattleya

268

sp. no mundo.

269

Colletotrichum fructicola, C. gloeosporioides s.s., C. siamense e C. tropicale,

270

membros do complexo C. gloeosporioides e C. karstii, membro do complexo C. boninense

271

são espécies amplamente disseminadas que ocorrem sobre uma vasta gama de hospedeiros de

272

importância econômica (DAMM et al., 2012b; WEIR; JOHNSTON; DAMM, 2012;

273

UDAYANGA et al., 2013; ALANIZ; HERNÁNDEZ; MONDINO, 2015; LIU et al., 2015;

274

LIU et al., 2016; VELOSO et al., 2018).

275

Colletotrichum gloeosporioides s.s. é a segunda espécie mais relatada em orquídeas

276

no mundo, sendo associada as seguintes espécies e gêneros da família Orchidaceae:

277

Anoectochilus roxburghii (Wall.) Lindl., Ca. gaskelliana (N.E.Br.) Rchb.f., Cattleya sp.,

278

Cymbidium sp., Cy. insigne Rolfe, Cy. kanran Makino, Cy. sinense [And.] Willd., Cy. sp. var.

279

wondrous, Coelogyne graminifolia Rchb. f., Dendrobium chrysotoxum Lindl., D. moschatum

280

(Buch.-Ham.) Sw., D. nobile Lindl., D. officinale Kimura & Migo, Epidendrum sp.,

281

Hoffmannseggella cinnabarina (Batem. ex Lindl.) H.G.Jones, Laeliocattleya sp., Oncidium

282

altissimum (Jacq.) Sw., Oncidium sp., Phalaenopsis sp., Phaius tankervilleae (Banks) Blume,

283

Saccolabium sp., Schomburgkia tibicinis (Bateman ex Lindl.) Rolfe, Spatiglotis sp.,

284

Stanhopea sp., Vanda sp., V. planifolia, em Austrália, África do Sul, Brasil, China, Coréia,

285

Cuba, EUA, Ilhas Virgens, Índia, Indonésia, Maurícia, Porto Rico e Tailândia (FREIRE;

286

MOSCA, 2009; YUAN et al., 2009; BOCOURT et al., 2011;YANG et al., 2011;

287

CHOWDAPPA et al., 2012; HUANG et al., 2012; OLIVEIRA et al., 2014; LAN et al., 2016;

288

FARR; ROSSMAN, 2018).

289

A maioria destes registros estão baseados em morfologia, gama de hospedeiro e

290

análise da região ITS, com alguns poucos estudos utilizando análise filogenética multi-locus.

291

A revisão destes relatos mais antigos seria oportuna, uma vez que o complexo C.

292

gloeosporioides agrupa inúmeras espécies crípticas e muitos isolados foram erroneamente

293

identificados como C. gloeosporioides s.s. com base nos antigos critérios de classificação. A

294

espécie C. gloeosporioides var. minor (como var. minus), por exemplo, foi reclassificada

295

como C. queenslandicum por Weir; Johnston; Damm (2012), e existem relatos de C.

296

gloeosporioides var. minor em orquídeas (SIMMONDS, 1966), porém nenhum isolado deste

297

hospedeiro foi avaliado nesta revisão.

36
298

Os resultados do presente estudo contrariam a abundância desta espécie em

299

orquídeas, pois somente o isolado COUFAL0213 obtido de Ca. alba correspondeu a C.

300

gloeosporioides s.s., além disso, as outras espécies deste complexo relatadas aqui foram mais

301

frequentes do que C. gloeosporioides s.s.. A espécie C. tropicale foi a mais prevalente,

302

representada por 10 isolados, seguida por C. siamense, com 6 isolados e por C. fructicola com

303

2 isolados. Colletotrichum tropicale e C. fructicola não foram relatadas em nenhuma orquídea

304

no mundo, enquanto que a espécie C. siamense foi relatada apenas em Arundina graminifolia

305

((D.Don) Hochr.) na China (YANG et al., 2011). Concluímos, então, que este é o primeiro

306

relato de C. tropicale em Brassia longissima [Rchb.f] Nash, Cattleya sp., Ca. labiata, Ca.

307

maikai, Maxilaria sp., Oncidium sp. e Phalaenopsis sp.; de C. fructicola em Cattleya sp.

308

(híbrida) e Phalaenopsis sp.; de C. gloeosporioides s.s. em Ca. alba e de C. siamense em

309

Cattleya sp., Ca. labiata, Ca. maikai, Harpophyllum giganteum Hartweg ex Lindl. e S. crispa

310

no mundo.

311

Interessante notar que as espécies C. fructicola, C. tropicale e C. siamense foram

312

relacionados a infecções mistas em Ca. labiata e Phalaenopsis sp., sendo identificadas de

313

isolados obtidos de lesões distintas da mesma folha/planta. Foi o caso dos isolados

314

COUFAL0205 e COUFAL0206, obtidos de folhas de Ca. labiata, identificados como C.

315

tropicale e C. siamense, respectivamente. E os isolados COUFAL0214 e COUFAL0215 que

316

foram obtidos de folhas de Phalaenopsis sp., identificados como C. tropicale e C. fructicola,

317

respectivamente.

318

A espécie C. karstii foi identificada pela primeira vez em orquídeas (A. graminifolia,

319

Calanthe argenteostriata C.Z. Tang & S.J. Cheng, Eria coronaria (Lindl.) Rchb.f., Pleione

320

bulbocodioides (Franchet) Rolfe e Vanda sp. na China (YANG et al., 2011). Posteriormente

321

foi relatada em Phalaenopsis sp. (híbrido) nos EUA e Bletilla ochracea Schltr. na China

322

(JADRANE et al., 2012; TAO et al., 2013). Porém, esta espécie não é restrita a orquídeas,

323

sendo considerada a espécie mais comum e geograficamente diversificada do complexo C.

324

boninense. Na revisão deste complexo, muitos isolados obtidos de Dracaena sp., Passiflora

325

edulis Sims, Cucumis melo L., Clivia miniata (Stuefer) Engels, Eucaluptus sp. Leucospermum

326

sp. e Protea cynaroides (L.) L. na África do Sul, Austrália, EUA, Japão e Zimbábue,

327

anteriormente identificados como C. boninense, foram reclassificados como C. karstii

328

(DAMM et al., 2012b). Alguns destes isolados revisados foram obtidos do estudo de

329

Moriwaki; Sato; Tsukiboshi (2003), onde a espécie C. boninense foi identificada de isolados

330

oriundos de Cattleya sp., Cymbidium sp. e D. kingianum Bidwill ex Lindl. no Japão, no

37
331

entanto estes isolados de orquídeas não foram incluídos na revisão de Damm et al. (2012b).

332

Talvez subestimando a abrangência desta espécie em gêneros de orquidáceas. No presente

333

estudo C. karstii é relatado pela primeira vez em O. sherry baby O’Flaherty e Ca. labiata.

334

Em relação a heterogeneidade observada nas características morfoculturais dos

335

isolados neste estudo, podemos notar que estas características são altamente variáveis. Outros

336

estudos mostraram a mesma variabilidade destas características. Weir; Johnston; Damm

337

(2012) concluíram que existem pequenas variações entre isolados de uma mesma espécie em

338

relação ao tamanho dos conídios e forma dos apressórios,e que os intervalos de tamanho dos

339

conídios entre as espécies são geralmente pequenos e se sobrepõem. Eles encontraram

340

também uma alta divergência na aparência macroscópica das culturas, provavelmente

341

refletindo diferentes históricos de armazenamento. Damm et al. (2012b) relataram uma alta

342

variabilidade na morfologia dos isolados da espécie C. karstii e Damm et al. (2012a)

343

observaram diferenças no tamanho de conídios e apressórios entre os isolados examinados da

344

espécie C. orchidophilum e também uma variação na coloração da colônia dependendo do

345

meio utilizado. Segundo Cai et al. (2009) as características fenotípicas podem variar

346

dependendo do meio de cultura, temperatura e das condições de cultivo. Todas estas

347

observações refletem a fragilidade da identificação de Colletotrichum spp. baseada apenas em

348

dados morfoculturais.

349

No teste de patogenicidade e gama de hospedeiro, as espécies de Colletotrichum

350

induziram lesões mais evidentes nos frutos do que nas folhas de orquídeas, hospedeiro

351

original dos isolados testados. Estes resultados corroboram com outros estudos de

352

patogenicidade cruzada deste gênero desenvolvidos em diferentes hospedeiros e regiões do

353

mundo que confirmam a inespecifidade das espécies de Colletotrichum em relação ao

354

hospedeiro. Este comportamento evidencia que a interação patógeno/hospedeiro deste gênero

355

precisa ser melhor explorada, uma vez que pode estar associado com particularidades do

356

isolado e/ou dos frutos inoculados, como por exemplo, níveis de suscetibilidade do

357

hospedeiro e densidade do inóculo (SILVA et al., 2006; LIMA et al. 2015; PHOULIVONG et

358

al., 2010; YANG et al., 2011).

359

O presente estudo demonstrou que a diversidade de espécies de Colletotrichum

360

associadas à antracnose de orquídeas no nordeste do Brasil tem sido subestimada. Seis

361

espécies foram identificadas como agentes causais da antracnose, sendo o primeiro relato da

362

maioria destas espécies em orquídeas no Brasil. A aplicação de estudos filogenéticos na

363

identificação de espécies de Colletotrichum é fundamental para conhecer a diversidade,

38
364

estrutura populacional, gama de hospedeiros e distribuição geográfica deste grupo de fungos.

365

Este conhecimento contribui significativamente para o desenvolvimento de medidas de

366

controle mais efetivas da doença.

367
368

2.5 CONCLUSÕES

369
370
371
372
373
374
375
376
377
378
379

As espécies C. fructicola, C. gloeosporioides s.s., C. karstii, C. orchidophilum, C.
siamense e C. tropicale são associadas à antracnose em orquídeas no Nordeste do Brasil.
Este é o primeiro relato de C. fructicola e C. tropicale em orquídeas no mundo e de
C. orchidophilum no Brasil.
As espécies C. gloeosporioides s.s., C. karstii, C. siamense e C. orchidophilum são
relatadas pela primeira vez em pelo menos um dos gêneros de orquídeas aqui estudados.
Colletotrichum tropicale é a espécie mais prevalente entre os gêneros de orquídeas,
ocorrendo em Cattleya, Maxillaria, Brassia, Phalaenopsis e Oncidium.
O gênero Cattleya apresenta maior diversidade de Colletotrichum spp. associadas à
doença antracnose no Nordeste do Brasil.

380
381

AGRADECIMENTOS

382
383

O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal

384

de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001. Agradecemos também à

385

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas - FAPEAL.

386
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590

44
591
592

Tabela 1. Espécies de Colletotrichum com detalhes do hospedeiro, localização e número de acesso das culturas e do GenBank utilizados para a análise filogenética neste
estudo.
Espécies

Código da cultura

Hospedeiro

Localização

C. aenigma

ICMP 18608*
ICMP18686
ICMP 17673*
ICMP17919*
ICMP18122
ICMP 12071*
ICMP18621
CBS129826*
ICMP18580*
MTCC11680
CBS123755*
CBS128547
CGMCC3.18118*
CGMCC3.18117
CGMCC3.15227*
CAUG17*
LC0324*
LC0327
ICMP18581*
ICMP17921
COUFAL0215
COUFAL0225
IMI356878*
LF318
COUFAL0213
JZB330028*
CBS128500
CBS128550
COUFAL0220
COUFAL0221
ICMP 19119*
ICMP17817
ICMP 12944*
ICMP 12064
ICMP18187*
ICMP17940
CBS 632.80*
COUFAL0219

Persea americana
Pyrus pyrifolia
Aeschynomene virginica
Dioscore alata
Dioscore alata
Malus domestica
Persea americana
Hevea brasiliensis
Coffea arabica
Mangifera indica
Crinum asiaticum var. Sinicum
Camellia sp.
Camellia japonica
Camellia japonica
Citrus unshiu
Capsicum annuum
Pennisetum purpureum
Pennisetum purpureum
Coffea Arabica
Ficus edulis
Phalaenopsis sp.
Cattleya sp. (híbrida)
Citrus sinensis
Camellia sinensis
Cattleya alba
Vitis vinifera
Annona cherimola
Annona cherimola
Oncidium sherry baby
Cattleya labiata
Musa sp.
Musa sapientum
Capsicum annum
Citrus grapefruit
Nuphar lutea subsp. polysepala
Nymphaea ordorata
Dendrobium sp.
Cattleya labiata

Israel
Japão
EUA
Índia
Nigéria
Nova Zelândia
Nova Zelândia
Colômbia
Tailândia
Índia
Japão
Nova Zelândia
Japão
Japão
China
China
Tailândia
Tailândia
Tailândia
Alemanha
Brasil
Brasil
Itália
China
Brasil
China
Nova Zelândia
México
Brasil
Brasil
EUA
Quênia
Nova Zelândia
Nova Zelândia
EUA
EUA
EUA
Brasil

C. aeschynomenes
C. alatae
C. alienum
C. annellatum
C. asianum
C. boninense
C. camelliae-japonicae
C. citricola
C. conoides
C. endophytica
C. fructicola

C. gloeosporioides

C. hebeiense
C. karstii

C. musae
C. novae-zelandiae
C. nupharicola
C. orchidophilum

Número de acesso do GenBank
ITS
GAPDH
TUB2
JX010244
JX010044
JX010389
JX010243
JX009913
JX010390
JX010176
JX009930
JX010392
JX010190
JX009990
JX010383
JX010191
JX010011
JX010449
JX010251
JX010028
JX010411
JX010246
JX009959
JX010386
JQ005222
JQ005309
JQ005656
FJ972612
JX010053
JX010406
JQ894679
JQ894623
JA894601
JQ005153
JQ005240
JQ005588
JQ005159
JQ005246
JQ005333
KX853165
KX893584
KX893580
KX853164
KX893583
KX893579
KC293576
KC293736
KC293656
KP890168
KP890162
KP890174
KC633854
KC832854
KC633855
KC832846
JX010165
JX010033
JX010405
JX010181
JX009923
JX010400
MH939970 MH939936 MH939958
MH939969 MH939937 MH939959
JX010152
JX010056
JX010445
KJ955127
KJ954828
KJ955275
MH939971 MH939938 MH939960
KF156863
KF377495
KF288975
JQ005202
JQ005289
JQ005636
JQ005219
JQ005306
JQ005653
MH939979 MH939957 MH939967
MH939978 MH939956 MH939966
JX010146
JX010050
HQ596280
JX010142
JX010015
JX010395
JQ005228
JQ005315
JQ005662
JQ005228
JQ005316
JQ005663
JX010187
JX009972
JX010398
JX010188
JX010031
JX010399
JQ948151
JQ948481
JQ949802
MH939980 MH939955 MH939968

45
C. petchii
C. phyllanthi
C. proteae
C. pseudoacutatum
C. queenslandicum
C. salsolae
C. siamense

C. tropicale

C. viniferum

CBS378.94*
CBS379.94
CBS175.67*
CBS132882*
CBS134301
CBS 436.77*
ICMP1778*
ICMP18705
ICMP19051*
ICMP18578*
ICMP18121
COUFAL0206
COUFAL0209
COUFAL0212
COUFAL0216
COUFAL0218
COUFAL0223
ICMP18653*
ICMP18672
COUFAL0205
COUFAL0207
COUFAL0208
COUFAL0210
COUFAL0211
COUFAL0214
COUFAL0217
COUFAL0222
COUFAL0226
COUFAL0224
GZAAS 5.08601*
GZAAS 5.08608

Dracaena marginata
Dracaena marginata
Phyllanthus acidus
Protea sp.
Protea sp.
Pinus radiata
Carica papaya
Coffea sp.
Salsola tragus
Coffea arabica
Dioscorea rotundata
Cattleya labiata
Harpophyllum giganteum
Cattleya sp.
Cattleya maikai
Orchidaceae
Schomburgkia crispa
Theobroma cacao
Litchi chinensis
Cattleya labiata
Cattleya labiata
Maxillaria sp.
Brassia longissima
Cattleya maikai
Phalaenopsis
Cattleya maikai
Oncidium sherry baby
Cattleya sp.
Oncidium sp.
Vitis vinifera cv. shuijing
Vitis vinifera cv. hongti

Itália
Itália
Índia
África do Sul
África do Sul
Chile
Austrália
Fiji
Hungria
Tailândia
Nigéria
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
Panamá
Japão
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
Brasil
China
China

*ex-holotype or ex-epitypecultures. Os isolados obtidos neste estudo estão destacados em negrito.

JQ005223
JQ005224
JQ005221
KC297079
KC842385
JQ948480
JX010276
JX010185
JX010242
JX010171
JX010245
MH939973
MH939974
MH939972
JX010264
JX010275
MH939975
MH939976
MH939977
JN412804
JN412802

JQ005310
JQ005311
JQ005308
KC297009
KC842379
JQ948811
JX009934
JX010036
JX009916
JX009924
JX009942
MH939939
MH939940
MH939942
MH939941
MH939943
MH939944
JX010007
JX010020
MH939945
MH939946
MH939947
MH939948
MH939952
MH939949
MH939953
MH939954
MH939950
MH939951
JN412798
JN412800

JQ005657
593
JQ005658
JQ005655
KC297101
KC842387
JQ950131
JX010414
JX010412
JX010403
JX010404
JX010402
MH939962
MH939961
JX010407
JX010396
MH939964
MH939965
MH939963
JN412813
-

46
595

Tabela 2. Resumo das características morfológicas e culturais das espécies de Colletotrichum.
Conídios (µm)

Apressórios (µm)

Espécies
Comprimento

596
597
598
599
600
601
602
603
604

C.fructicola
15.50
COUFAL0215
(10.63-26.36)
COUFAL0225
C. gloeosporioides
15.31
COUFAL0213
(11.03-18.09)
C. orchidophilum
17.51
COUFAL0219
(15.70-19.83)
C. siamense
16.26
COUFAL0223
(11.78-22.18)
COUFAL0216
C. tropicale
14.53
COUFAL0205
(10.62-18.11)
COUFAL0217
C. karstii
16.17
COUFAL0220
(13.4-18.37)
COUFAL0221*
*Este isolado não produziu apressórios.

Largura

Formato

Comprimento

Largura

5.21
(3,62-6.94)

Cilíndrico

11.91
(8.08-20.29)

8.01
(4.20-14.89)

9.8
(3.8-16.0)
9.03
(5.68-13.51)

7.7
(2.9-12.4)
5.81
(4.31-8.63)

5.31
(3.54-7.09)
4.21
(3.11-5.44)

Cilíndrico
Cilíndrico

TCM
(cm/dia)

Colônias

0.85

Teste de
patogenicidade
Orquídeas

Frutos

Branca

0.4-0.3

0.8-0.6

1.02

Cinza rosado com
bordas brancas

0.3-0.3

2.0-1.5

0.81

Branca

0.2-0.4

-

0.2-0.3

2.7-2.5

0.1-0.2

0.6-0.7

0.3-0.4

0.5-0.5

5.14
(4.0-6.36)

Cilíndrico

11.61
(6.40-19.62)

8.51
(4.32-11.81)

0.66

5.17
(2,04-6.26)

Cilíndrico

9.13
(4.69-15.23)

7.34
(3.97-11.05)

1.06

7.85
(6.89-8.93)

Cilíndrico

11.13
(7.84-22.09)

9.43
(6.71-13.72)

0.88

Branco a alaranjado
com bordas cinza e
brancas
Branco a alaranjado
com bordas cinza e
brancas
Branco a alaranjado
com bordas beges

47
605
606
607
608
609

610
611
612
613
614
615
616
617
618
619
620
621
622
623
624

Figura 1. Árvore filogenética de inferência Bayesiana do complexo Colletotrichum gloeosporioides baseada em
sequências concatenadas dos genes GAPDH, TUB2 e ITS. Valores de probabilidade posteriores Bayesianos
>0,60 são indicados nos nós. Colletotrichum boninense foi utilizado como grupo externo. Os isolados obtidos
neste estudo estão destacados em negrito. As culturas ex-tipo estão marcadas com um asterisco. A barra de
escala (0,02) representa substituições de nucleotídeos por sítio.

48
625
626
627
628
629

630
631
632
633
634
635
636
637
638
639
640
641
642

Figura 2. Árvore filogenética de inferência Bayesiana do complexo Colletotrichum boninense baseada em
sequências concatenadas dos genes GAPDH, TUB2 e ITS. Valores de probabilidade posteriores Bayesianos
>0,94 são indicados nos nós. Colletotrichum gloeosporioides foi utilizado como grupo externo. Os isolados
obtidos neste estudo estão destacados em negrito. As culturas ex-tipo estão marcadas com um asterisco. A barra
de escala (0,03) representa substituições de nucleotídeos por sítio.

49
643
644
645
646
647
648
649
650
651
652
653
654
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656
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658
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660
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663
664
665
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670
671
672
673
674
675
676
677
678
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680
681
682
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685
686
687
688
689
690
691
692
693
694
695
696
697
698
699
700
701
702

Figura 3. Características morfoculturais das espécies de Colletotrichum: a. colônia, b. conídios e c. apressórios
de C. fructicola; d. colônia, e. conídios e f. apressórios de C. gloeosporioides; g e h. colônias, i. conídios e
apressórios de C. karstii; j. colônia, k. conídios e apressórios de C. orchidophilum; l e m. colônias, n. conídios e
o. apressórios de C. siamense; p e q. colônias, r. conídios e s. apressórios de C. tropicale.

a

c

b
a

d

g

j

e

f

h

i

k

50
703
704
705
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708
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711
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721
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724
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730
731
732
733
734
735
736
737
738
739
740
741
742
743
744
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746
747
748
749
750
751
752
753
754
755
756
757
758
759
760
761

l

m

o

n

p

q

r

s

51
762
763
764
765
766

Figura 4. Teste de patogenicidade em folhas de orquídeas: a. Colletotrichum gloeosporioides (COUFAL0213)
em Cattleya alba; b. C. karstii (COUFAL0220) em Oncidium sherry baby; c. C. siamense (COUFAL0223) em
Schomburgkia crispa; d. C. tropicale (COUFAL0205) em Ca. labiata; e. C. orchidophilum (COUFAL0219) em
Ca. labiata; f. C. fructicola (COUFAL0215) em Phalaeonopsis.

767
768
769
770

T
T

771

f

772
773
774
775
776

T

777
778
779
780
781
782

T

783
784
785
786
787
788
789
T

790
791
792
793
794
795
796

e

52
797
798
799
800
801

Figura 5. Teste de gama de hospedeiros em frutos de goiaba, mamão, manga e pera: a. Colletotrichum
gloeosporioides (COUFAL0213) em mamão; b. C. karstii (COUFAL0220) em mamão; c. C. siamense
(COUFAL0223) em pera; d. C. tropicale (COUFAL0205) em manga; e. C. fructicola (COUFAL0205) em
goiaba; f. Testemunha da goiaba.

802
803
804
805
806

a

b

c

d

e

f

807
808
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830
831

53
832
833
834
835
836
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838
839
840
841
842
843
844
845
846
847

CAPÍTULO 3

848
849
850
851
852
853
854
855
856
857
858
859
860
861
862
863
864

SENSIBILIDADE A FUNGICIDAS DE ESPÉCIES DE Colletotrichum EM ORQUÍDEAS

54
865

SENSIBILIDADE

866

ORQUÍDEAS

A

FUNGICIDAS

DE

ESPÉCIES

DE

Colletotrichum

EM

867
868

Janaíne Rossane Araújo Silva-Cabral1;

869

1

870

Largo, AL, 57100-000, Brasil, janaine_rossane@hotmail.com.

Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Alagoas, Br 104, Km 85 Norte, Rio

871
872

Resumo – A antracnose em orquídeas é causada por várias espécies do gênero

873

Colletotrichum. O desenvolvimento de estatrégias de controle mais eficientes para esta

874

doença deve levar em consideração os níveis de resistência apresentados pelas espécies de

875

Colletotrichum a fungicidas. O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito de diferentes

876

fungicidas sobre o crescimento micelial de seis espécies de Colletotrichum obtidos de

877

orquídeas. Testes in vitro com os fungicidas tiofanato metílico, difenoconazole, tebuconazole

878

e azoxistrobina+difeconazole foram realizados pelo método de incorporação de fungicidas ao

879

meio de cultura BDA. Todos os fungicidas foram eficientes no controle in vitro das seis

880

espécies de Colletotrichum, mas a resposta de sensibilidade micelial das espécies variou de

881

acordo com o fungicida e a concentração. Tebuconazole e difenoconazole apresentaram-se

882

como os mais eficientes na inibição do crescimento micelial, enquanto que tiofanato metílico

883

foi o menos eficiente. A concentração de 10 µg/ml -1 do ingrediente ativo induziu os menores

884

índices de crescimento micelial para todos os fungicidas. As espécies de Colletotrichum

885

foram classificadas como alta e moderadamente sensíveis aos fungicidas baseado no cálculo

886

da EC50.

887

Palavras-chave: antracnose, benzimidazois, estrobilurinas, Orchidaceae, triazois.

888
889

Abstract - Anthracnose in orchids is caused by several species of the genus Colletotrichum.

890

The development of more efficient control strategies for this disease should take into account

891

the resistance levels presented by Colletotrichum species to fungicides. The objective of this

892

study was to evaluate the effect of different fungicides on mycelial growth of six

893

Colletotrichum species obtained from orchids. In vitro tests with the fungicides methyl

894

thiophanate, difenoconazole, tebuconazole and azoxitrobin+difeconazole were carried out by

895

the method of incorporation of fungicides into the BDA culture medium. All fungicides were

896

efficient in the in vitro control of the six Colletotrichum species, but the mycelial sensitivity

897

response of the species varied according to fungicide and concentration. Tebuconazole and

55
898

difenoconazole were the most efficient in inhibiting mycelial growth, whereas methyl

899

thiophanate was the least efficient. The concentration of 10 μg/ml-1 of the active ingredient

900

induced the lowest mycelial growth rates for all fungicides. Colletotrichum species were

901

classified as high and moderately sensitive to fungicides based on EC50 calculation.

902

Keywords: anthracnose, benzimidazoles, strobilurins, Orchidaceae, triazoles.

903
904

3.1 INTRODUÇÃO

905
906

A antracnose é uma das principais doenças fúngicas associadas a orquídeas no

907

mundo, ocorrendo principalmente nas regiões tropicais e subtropicais. O controle da doença

908

está baseado em medidas culturais, físicas e químicas aplicadas de maneira preventiva (Mafia

909

et al., 2005; Agrofit, 2018). Em caso de ataques severos, fungicidas sistêmicos são indicados

910

para o controle curativo. Somente os fungicidas mancozeb e oxicloreto de cobre são

911

recomendados para o controle químico das orquidáceas no Brasil (Agrofit, 2018). No entanto,

912

estudos com os fungicidas carbendazin, cimoxanil, iprodione, fenamidona e clorotalonil

913

mostraram resultados positivos no controle de isolados obtidos de orquídeas (Fengli et al.,

914

1990; Meera et al., 2016). Adicionalmente, os fungicidas tiofanato metílico, azoxistrobina,

915

difenoconazole e bitertanol são aplicados em casos severos da doença pela comunidade

916

orquidófila (Zanger, 2018).

917

Embora um número considerável de espécies do gênero Colletotrichum tenha sido

918

associado a antracnose em orquídeas em diferentes países do mundo, no Brasil, a doença foi

919

atribuída exclusivamente a C. gloeosporioides (Mafia et al., 2005; Oliveira et al., 2014; Farr;

920

Rossman, 2018; Damm et al., 2019). No entanto, um estudo filogenético multi-locus realizado

921

com isolados obtidos de orquídeas no Nordeste do Brasil revelou que seis espécies de

922

Colletotrichum (C. fructicola, C. gloeosporioidess.s., C. karstii, C. orchidophilum, C.

923

siamense e C. tropicale) são responsáveis por causar antracnose neste hospedeiro (dados não

924

publicados).

925

O conhecimento de espécies que ocorrem sobre um determinado hospedeiro e o

926

efeito de fungicidas é importante para auxiliar e direcionar a escolha dos ingredientes ativos

927

mais adequados para seu controle e otimizar o manejo da doença (Lima et al., 2015). O uso

928

intensivo e indiscriminado dos fungicidas aumenta o risco de resistência adquirida pelo

929

patógeno, assim como diminui a eficiência dos mesmos (Parreira et al., 2009; Prapagdee et al,

930

2012).

56
931
932

O objetivo deste estudo foi avaliar in vitro o efeito de fungicidas sobre o crescimento
micelial das seis espécies de Colletotrichum associadas a orquídeas no Nordeste do Brasil.

933
934

3.2 MATERIAL E MÉTODOS

935
936

3.2.1 Obtenção dos isolados fúngicos

937
938

Dez isolados representativos de seis espécies de Colletotrichum obtidos de orquídeas

939

no nordeste do Brasil foram adquiridos da Coleção de Culturas de Fungos Fitopatogênicos da

940

Universidade Federal de Alagoas (COUFAL) e utilizados nos experimentos (Tabela 1). Estes

941

isolados foram identificados por meio de análise filogenética multi-locus baseada em

942

Inferência Bayesiana utilizando a região do espaçador interno transcrito ribossomal (ITS) e as

943

sequências parciais dos genes gliceraldeído-3-fosfato desidrogenase (GAPDH) e β-tubulina

944

(TUB2).

945
946

3.2.2 Teste de sensibilidade micelial das espécies de Colletotrichum a fungicidas

947
948

Para determinar a sensibilidade das seis espécies de Colletotrichum aos fungicidas

949

foi avaliado o crescimento micelial em meio de cultura suplementado com fungicida. As

950

formulações comerciais dos fungicidas tiofanato metílico (Cercobin 700 WP, 700 g kg-1 de

951

ingrediente ativo (i.a.), Iharabras, São Paulo, Brasil), difenoconazole (Score EC, 250 gl-1 i.a.,

952

Syngenta, São Paulo, Brasil), tebuconazole (Folicur 200EC, 200gl-1 i.a., BAYER, São Paulo,

953

Brasil) e azoxistrobina (Amistar 500 WG, 500 g kg-1i.a., Syngenta, São Paulo, Brasil) foram

954

utilizadas nos testes in vitro. Cada fungicida foi testado individualmente, com exceção de

955

azoxistrobina que foi testado juntamente com tebuconazole, pois estudos tem demonstrado a

956

baixa eficiência deste fungicida no controle in vitro de espécies de Colletotrichum quando

957

usado isoladamente (Lima et al., 2015; Oliveira, 2018). Os fungicidas foram dissolvidos em

958

dimetilsulfóxido (DMSO) e adicionados ao meio de cultura sintético de batata dextrose ágar

959

(BDA) fundente (45°C), para alcançar as concentrações de 0.5, 1.0, 5.0 e 10.0 μg/ml-1de i.a. A

960

concentração final do DMSO no meio de cultura foi de 0.1% (v/v).

961

Em seguida, 20 mL do meio BDA sintético suplementado com fungicida foram

962

vertidos em placas de Petri. Placas de Petri contendo BDA sintético sem fungicidas foram

963

utilizadas como testemunhas. Discos de micélio (5 mm diâmetro) de cada isolado foram

57
964

removidos da margem de colônias com 7 dias de crescimento em meio BDA e transferidos

965

para o centro das placas de Petri contendo meio BDA sintético suplementado com os

966

fungicidas. As placas foram incubadas a 25 °C no escuro durante 7 dias. O delineamento

967

experimental foi inteiramente casualizado, com 96 tratamentos e cinco repetições em arranjo

968

fatorial triplo (6 espécies-isolado x 4 fungicidas x 4 concentrações).

969

Diariamente, o crescimento micelial de cada colônia foi mensurado em dois sentidos

970

perpendiculares para se obter o índice de crescimento micelial (ICM). O ICM foi determinado

971

pela fórmula ICM=[(C1/N1)+(C2/N2)+...+(Cn/Nn)], sendo C1, C2 e Cn o crescimento

972

micelial do fungo na primeira, segunda e última avaliação, respectivamente; e N1, N2, Nn é o

973

número de dias após a inoculação. Os dados foram submetidos à análise de variância

974

(ANOVA) (p<0,05) pelo Teste de Tukey e, quando significativos, à análise de regressão

975

utilizando o programa ASSISTAT 7.6 beta (Santos; Silva, 2013).

976

A EC50, concentração de ingrediente ativo capaz de inibir 50% do crescimento

977

micelial, também foi calculada. Após o cálculo da EC50, as espécies de Colletotrichum foram

978

classificadas em quatro categorias de sensibilidade, de acordo com a escala de Edgington et

979

al. (1971), em que: EC50: <1 μg/ml-1: alta sensibilidade (AS); EC50: 1-10 μg/ml-1: moderada

980

sensibilidade (MS); EC50: >10-50 μg/ml-1: baixa sensibilidade (I); EC50: >50 μg/ml-1:

981

insensibilidade (I).

982
983

3.3 RESULTADOS

984
985

3.3.1 Avaliação da sensibilidade micelial das espécies de Colletotrichum a fungicidas

986
987

Os resultados da análise da variância dos dados de índice de crescimento micelial

988

(ICM) indicaram que existe diferença significativa entre as interações dos três fatores:

989

fungicidas, concentrações e espécies de Colletotrichum.

990

Todos os fungicidas foram eficientes no controle in vitro das seis espécies de

991

Colletotrichum quando comparados à testemunha, com ICM’s: 6.99 cm (C. tropicale), 7.76

992

cm (C. siamense), 8.03 cm (C. fructicola), 6.93 cm (C. karstii), 7.40 (C. gloeosporioides) e

993

6.59 (C. orchidophilum), no entanto, induziram diferentes níveis de controle sobre as mesmas.

994

Os quatro fungicidas diferiram significativamente entre si para as espécies C. siamense, C.

995

gloeosporioides e C. karstii, enquanto que difenoconazole e tebuconazole não diferiram entre

58
996

si para C. fructicola e C. orchidophilum, sendo os mais eficientes no controle destas espécies

997

(Figura 1).

998

Difenoconazole e tebuconazole foram os mais eficientes no controle de todas as

999

espécies, porém, difenoconazole diferiu significativamente dos demais fungicidas para as

1000

espécies C. siamense, C. gloeosporioides e C. tropicale, induzindo as menores médias de

1001

ICM (2.58, 1.69 e 1.89, respectivamente) e tebuconazole para C. karstii, com ICM de 1.71

1002

cm. Para todas as espécies o fungicida tiofanato metílico foi o menos eficiente na inibição do

1003

crescimento

1004

estatisticamente de tiofanato metílico apenas para a espécie C. tropicale.

micelial,

seguido

por

azoxistrobina+tebuconazole

que

não

diferiu

1005

A espécie C. siamense apresentou as maiores médias de ICM (2.58 – 4.33 cm),

1006

diferindo significativamente das demais espécies para todos os fungicidas. Colletotrichum

1007

orchidophilum foi a espécie com maior inibição micelial para os fungicidas difenoconazole e

1008

tebuconazole, seguida por C. karstii para os fungicidas azoxistrobina+tebuconazole e

1009

tiofanato metílico. No entanto, C. karstii não diferiu de C. gloeosporioides para tiofanato

1010

metílico, que por sua vez não diferiu de C. fructicola.

1011

A interação entre fungicidas e concentrações evidenciou uma relação inversamente

1012

proporcional entre as médias de ICM e as concentrações, onde a medida que a concentração

1013

aumentava, diminuía-se o ICM. Assim, todos os fungicidas foram mais eficientes no controle

1014

in vitro das espécies de Colletotrichum na concentração de 10.0 µg/ml-1 do ingrediente ativo.

1015

As concentrações, 0.5 e 1.0 µg/ml-1 foram as que mais induziram variabilidade na

1016

sensibilidade micelial das espécies para todos os fungicidas. Na concentração 5.0 µg/ml-1 não

1017

houve diferença estatística significativa entre os fungicidas difenoconazole e tebuconazole,

1018

que foram mais eficientes no controle das espécies nesta concentração, apresentando uma

1019

média de ICM de 1.58 e 1.49 cm, respectivamente. Estes mesmos fungicidas diferiram

1020

estatisticamente dos fungicidas tiofanato metílico e azoxistrobina+tebuconazole, que por sua

1021

vez não diferiram entre si. Na concentração 10.0µg/ml-1 os fungicidas foram mais

1022

homogêneos no controle das espécies, com exceção de azoxistrobina+tebuconazole que foi

1023

menos eficiente na redução do ICM (Figura 2).

1024

A interação dos três fatores confirmou o mesmo padrão observado anteriormente,

1025

onde os menores ICM’s foram encontrados na concentração de 10.0 µg/ml-1 e os maiores

1026

ICM’s na concentração de 0.5 µg/ml-1 para todos os fungicidas. Adicionalmente, a resposta de

1027

sensibilidade micelial variou de acordo com o fungicida, a concentração e a espécie de

1028

Colletotrichum (Tabela 2). A espécie C. siamense apresentou os maiores valores de ICM para

59
1029

todos os fungicidas e concentrações, diferindo significativamente de todas as

demais

-1

1030

espécies, exceto de C. orchidophilum e C. tropicale na concentração 10.0 µg/ml de tiofanato

1031

metílico e C. tropicale nas concentrações 0.5, 1.0, 5.0 e

1032

azoxistrobina+tebuconazole. Apenas na concentração 5.0 µg/ml-1 de tiofanato metílico, a

1033

espécie C. orchidophilum apresentou ICM maior (3.19 cm) que as demais espécies. Os

1034

menores ICM (1.70 e 1.65 cm) da espécie C. siamense foram induzidos pelos fungicidas

1035

tebuconazole e tiofanato metílico, respectivamente, na concentração de 10 µg/ml-1.

10.0 µg/ml-1

em

1036

Colletotrichum orchidophilum apresentou valores de ICM menor que as demais

1037

espécies nas concentrações 0.5 e 1.0 µg/ml-1 para os fungicidas difenoconazole e

1038

tebuconazole. O mesmo comportamento foi observado na espécie C. karstii para os fungicidas

1039

azoxistrobina+tebuconazole nas mesmas concentrações e tiofanato metílico na concentração

1040

0.5 µg/ml-1. O melhor controle para C. orchidophilum ocorreu a 10.0 µg/ml-1 com os

1041

fungicidas tebuconazole e difenoconazole, que induziram a inibição total do crescimento

1042

micelial. Já para C. karstii o melhor controle ocorreu na concentração 5.0 e 10.0 µg/ml-1 de

1043

tebuconazole e 10.0 µg/ml-1 de tiofanato metílico.

1044

Na concentração mais efetiva do ingrediente ativo (10.0 µg/ml-1) no controle das

1045

espécies de Colletotrichum, os menores valores de ICM para a espécie C. tropicale foram

1046

encontrados nos fungicidas difenoconazole (1.32 cm) e tebuconazole (1.34 cm). Para a

1047

espécie

1048

azoxistrobina+tebuconazole (1.39 cm), tebuconazole (1.32 cm) e tiofanato metílico (1.31 cm)

1049

na mesma concentração e em difenoconazole (1.35 e 1.30 cm) nas concentrações de 5.0 e 10.0

1050

µg/ml-1.

C.

fructicola,

os

menores

valores

de

ICM

foram

obtidos

com

1051

Colletotrichum gloeosporioides obteve menores valores de ICM com difenoconazole

1052

(1.37 cm) na concentração de 10.0 µg/ml-1, tebuconazole (1.31 e 1.30 cm) e tiofanato metílico

1053

(1.30 cm) nas concentrações de 5.0 e 10.0 µg/ml-1. Nas concentrações 5.0 e 10.0 µg/ml-1 do

1054

fungicida tebuconazole, as espécies não diferiram entre si estatisticamente, onde apenas C.

1055

siamense diferiu significativamente das demais espécies. O mesmo comportamento foi

1056

observado na concentração 5.0 µg/ml-1 de azoxistobina+tebuconazole, onde C. siamense e

1057

C.tropicale diferiram das demais espécies, mas não diferiram entre si.

1058

Todas as espécies foram classificadas como altamente sensíveis (AS) aos fungicidas

1059

difenoconazole e tebuconazole, apresentando EC50 <1 µg/ml-1, variando de 0.000 a 0.885

1060

µg/ml-1 (Tabela 3). Moderada sensibilidade foi observada nas espécies C orchidophilum e C.

60
1061

siamense ao fungicida tiofanato metílico, e em C. tropicale aos fungicidas tiofanato metílico e

1062

azoxistrobina+tebuconazole, com EC50 entre 1,203 e 3,777 µg/ml -1.

1063
1064

3.4 DISCUSSÃO

1065
1066

Os resultados obtidos neste estudo demonstraram que as espécies de Colletotrichum

1067

oriundas de orquídeas no Nordeste do Brasil exibem diferentes respostas em relação a

1068

fungicidas. O fungicida azoxistrobina+tebuconazole seria mais efeciente no controle da

1069

antracnose se o agente causal fosse a espécie C. karstii e menos efetivo se a espécie fosse C.

1070

siamense. Este comportamento tem sido observado em estudos realizados com as espécies C.

1071

asianum, C. fioriniae, C. fructicola, C. karstii, C. nymphaeae, C. siamense, C. tropicale e C.

1072

truncatum obtidas de manga e pêssego no Brasil e EUA, onde os autores sugerem que a

1073

escolha do fungicida adequado para um controle efetivo da antracnose deve levar em

1074

consideração a espécie prevalente na área. É importante considerar também a aplicação de

1075

fungicidas em mistura, uma vez que, em condições de campo, mais de uma espécie está

1076

associada a doença (Lima et al., 2015; Chen et al., 2016).

1077

Esta variabilidade na sensibilidade pode ser observada até mesmo em isolados

1078

diferentes de uma mesma espécie como relatado por Lopes et al. (2015) e Ferreira et al.

1079

(2009) para a espécie C. gloeosporioides obtida de café (Coffea arabica L.), pera, caqui

1080

(Diospyrus kaki L.), soja (Glycine max (L.) Merr.), iuca (Yucca sp. L.), mandioca (Manihot

1081

esculenta Crantz.), antúrio (Anthurium andraeanum Linden.), dracena (Dracaena sp. L.), uva

1082

(Vitis vinifera L.) e tomate (Solanum lycopersicum L.) e por Gao et al. (2017) para C.

1083

acutatum obtida de pimenta (Capsicum sp. L.).

1084

Em seu estudo, Lopes et al. (2015) observaram que os isolados de caqui e iuca

1085

foram mais sensíveis aos fungicidas aplicados quando comparados com isolados obtidos de

1086

culturas com maior expressão econômica, como a soja. Segundo os autores este

1087

comportamento deve-se a menor pressão de seleção sobre populações resistentes de

1088

Colletotrichum, dado a menor quantidade de moléculas químicas registradas e de uso para

1089

controle da antracnose nestas culturas. Esta hipótese parece se aplicar aos isolados de

1090

Colletotrichum obtidos de orquídeas, que embora variaram na resposta aos fungicidas foram

1091

considerados alta e moderamente sensíveis pelo cálculo da EC50, provavelmente pelo fato de

1092

terem sido obtidos de coleções particulares onde aplicações de fungicidas são escassas ou

1093

nulas.

61
1094

Além da sensibilidade das espécies, as características dos fungicidas e seu modo de

1095

ação devem ser considerados. De modo geral, os fungicidas sistêmicos são mais eficientes que

1096

fungicidas protetores, ainda assim devem ser bem selecionados pois apresentam maiores

1097

chances de promover resistência devido sua especificidade (Amorim; Rezende; Bergamin

1098

Filho, 2011). Os principais fungicidas sistêmicos utilizados e avaliados no controle da

1099

antracnose em orquídeas pertencem aos seguintes grupos: Benzimidazois (tiofanato metílico e

1100

carbendazim); Inibidores da quinona oxidase - QoI (azoxistrobina, fenamidona); Inibidores de

1101

biossintese de esterois (bitertanol, difenoconazole e tebuconazole); Inibidores de oomicetos

1102

(cimoxanil) e Dicarboximidas (iprodione) (Fengli et al., 1990; Meera et al., 2016; Zanger,

1103

2018).

1104

Dentre estes fungicidas, os benzimidazois são os que apresentam alto risco de falhas,

1105

enquanto que os triazois apresentam baixo risco (Amorim; Rezende; Bergamin Filho, 2011).

1106

O fungicida tiofanato metílico foi o menos eficiente no controle das espécies de

1107

Colletotrichum neste estudo, principalmente para as espécies C. siamense e C. orchidophilum.

1108

Resultados semelhantes foram relatados por Lopes et al. (2015) para a espécie C.

1109

gloeosporioides, que apresentou valores altos de ICM na presença de tiofanato metílico, como

1110

também por Tavares; Souza (2005) que indicaram resistência cruzada para os isolados desta

1111

mesma espécie devido ao uso contínuo dos fungicidas tiofanato metílico e thiabendazol pelos

1112

produtores.

1113

Já os fungicidas do grupo químico dos triazois (difeconazole e tebuconazole) foram

1114

os mais eficientes na inibição do crescimento micelial in vitro das espécies avaliadas. A

1115

eficiência de fungicidas do grupo químico dos triazóis na inibição do crescimento micelial in

1116

vitro de Colletotrichum tem sido comprovada em outros estudos: testes com difeconazole

1117

induziram valores de EC50 abaixo de 1 µg/mL para C. acutatum (Gao et al., 2017); o

1118

crescimento micelial de C. gloeosporioides do mamão foi inibido em 100% a partir da

1119

concentração 10ppm dos fungicidas propiconazole e tebuconazole, sendo considerados

1120

altamente eficientes no controle desta espécie (Tavares; Souza, 2005); e dentre seis

1121

fungicidas do grupo químico dos triazóis testados sobre as espécies C. siamense, C.

1122

fructicola, C. fioriniae, C. nymphaeae e C. truncatum obtidas de pêssego, os fungicidas

1123

propiconazole e difeconazole apresentaram melhor eficiência no controle das mesmas, como

1124

também tebuconazole e metconazole, exceto para C. truncatum (Chen et al., 2016).

1125

A mistura de azoxistrobina+tebuconazole apresentou os maiores valores de ICM para

1126

todas as espécies depois de tiofanato metílico, exceto para espécie C. karstii. Provavelmente,

62
1127

esta eficiência sobre a espécie C. karstii seja atribuída ao fungicida tebuconazole, que

1128

diferente do observado para as outras espécies testadas, foi mais eficiente que o fungicida

1129

difeconazole. O fungicida azoxistrobina pertence ao grupo químico das estrobilurinas e desde

1130

seu lançamento no mercado foi amplamente utilizado por apresentar um amplo espectro de

1131

ação, atuando sobre vários patógenos, e por seus efeitos positivos na produtividade de

1132

algumas culturas, levando ao surgimento de muitos patógenos fúngicos resitentes. Estudos

1133

evidenciaram que mecanismos bioquímicos e genéticos estão envolvidos na resistência de

1134

fungos a fungicidas inibidores de quinona, como: alterações nos mecanismos de respiração

1135

dos fungos e a troca de aminoácidos, sendo a mutação no sítio G143A do citocromo-b a causa

1136

mais comum de resistência (Parreira; Neves; Zambolim, 2009; Amorim; Rezende; Bergamin

1137

Filho, 2011).

1138

Embora uma grande parte dos defensivos consumidos no mundo em diferentes

1139

culturas sejam de produtos formulados em misturas de estrobilurinas com triazois, neste

1140

trabalho a mistura de azoxistrobina+tebuconazole não pareceu otimizar a eficiência dos

1141

fungicidas contra a maioria das espécies testadas. A baixa eficiência de azoxistrobina no

1142

controle de espécis de Colletotrichum foi também demonstrada por Oliveira (2018) e Lima et

1143

al. (2015), onde azoxistrobina apresentou os menores valores de % de inibição micelial para a

1144

maioria das espécies, corroborando com nossos resultados e levantando indícios de uma

1145

resistência adquirida pelo patógeno para este fungicida. No entanto, C. karstii foi

1146

satisfatoriamente inibido por azoxistrobina no estudo de Oliveira (2018), reforçando a

1147

necessidade de se conhecer as espécies presentes em uma determinada área e suas interaçãos

1148

com os fungicidas para auxiliar na tomada de decisão.

1149

Segundo os resultados de Hu et al. (2015), onde avaliaram a resistência de isolados

1150

de C. siamense e C. fructicola obtidos de pêssego, morango (Fragaria vesca L.) e mirtilo

1151

(Vaccinium myrtillus L.) para azoxistrobina e tiofanato metilíco, C. fructicola foi sensível a

1152

ambos os fungicidas, enquanto que C. siamense apresentou isolados com diferentes níveis de

1153

resistência. Neste trabalho, as espécies C. siamense e C. tropicale apresetaram moderada

1154

sensibilidade a fungicidas. Estas espécies são frequentemente relatadas em culturas de

1155

importância econômica no nordeste do Brasil (LIMA et al., 2013; SILVA et al., 2017;

1156

SOUSA et al. 2018; VELOSO et al. 2018; VIEIRA et al., 2017), nas quais aplicações de

1157

fungicidas são utilizadas para o controle da antracnose. Isto sugere que a aplicação destes

1158

fungicidas em campo esteja favorecendo o estabelecimento de isolados resitentes destas

1159

espécies devido uma constante pressão de seleção.

63
1160

Ainda sobre a insensibilidade das espécies de Colletorichum a azoxistrobina, estudos

1161

apontam que esta resistência se deve pela alteração na rota de respiração do fungo, uma vez

1162

que após a adição do ácido salicilhidroxâmico (SHAM), conhecido como inibidor da enzima

1163

oxidase alternativa, o controle in vitro das espécies torna-se efetivo. Segundo os resultados de

1164

Oliveira (2018), onde avaliou os efeitos de azoxistrobina com e sem adição de SHAM sobre

1165

espécies de Colletotrichum de pinha e graiola, os tratamentos com adição de SHAM foram

1166

altamente eficientes no controle de todas as espécies testadas. Adicionamelnte, Gao et al.

1167

(2017) ao avaliar o efeito dos fungicidas picoxistrobina, piraclostrobina, azoxistrobina,

1168

difenoconazole, tiofanato metílico e mancozeb no controle de C. acutatum em pimenta,

1169

mostraram que os fungicidas do grupo das estrobilurinas, piraclostrobina e azoxistrobina, com

1170

adição de SHAM, foram mais eficientes na inibição do crescimento micelial e a germinação

1171

de conídios dos isolados, do que os fungicidas do grupo dos triazois.

1172

O uso destes fungicidas em programas de manejo da doença antracnose em orquídeas

1173

poderá ser recomendado, porém mais estudos devem ser realizados. Contudo, o presente

1174

estudo aponta para importância de observar as espécies prevalentes na área, o efeitos dos

1175

fungicidas sobre elas, as alterações de sensibilidade dos isolados no campo, a dose do produto

1176

recomendada e a aplicação alternada ou em mistura de fungicidas com diferentes modos de

1177

ação no controle da doença, sem esquecer do uso de técnicas integradas de manejo para evitar

1178

o desenvolvimento de resistência e garantir um controle mais efetivo (Parreira; Neves;

1179

Zambolim, 2009; Gao et al., 2017).

1180
1181

3.5 CONCLUSÕES

1182
1183

Os fungicidas azoxistrobina+ tebuconazole, difenoconazole, tebuconazole e tiofanato

1184

metílico são eficientes no controle in vitro das seis espécies de Colletotrichum associadas à

1185

antracnose em orquídeas.

1186
1187
1188
1189

A sensibilidade micelial de Colletotrichum spp. difere em relação ao ingrediente
ativo e suas concentrações.
Difenoconazole e tebuconazole são os fungicidas mais eficientes no controle das
espécies de Colletotrichum.

1190

As espécies são altamente sensíveis a todos os fungicidas, exceto C. siamense, C.

1191

tropicale e C. orchidophilum que são moderadamente sensíveis ao fungicida tiofanato

1192

metílico e C. tropicale ao fungicida Azoxistrobina+Tebuconazole.

64
1193

AGRADECIMENTOS

1194
1195

O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal

1196

de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001. Agradecemos também à

1197

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas - FAPEAL.

1198
1199

REFERÊNCIAS

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1288

1289
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1299
1300
1301

Tabela 1. Isolados de Colletotrichum obtidos de orquídeas no Nordeste do Brasil.
Código do isolado

Espécies

Localização

COUFAL0223
COUFAL0209
COUFAL0205
COUFAL0217
COUFAL0225
COUFAL0215
COUFAL0213
COUFAL0220
COUFAL0221
COUFAL0219

Colletotrichum siamense
C. siamense
Colletotrichum tropicale
C. tropicale
Colletotrichum fructicola
C. fructicola
Colletotrichum gloeosporioides
Colletotrichum karstii
C. karstii
Colletotrichum orchidophilum

Bezerros – PE
Maceió – AL
Maceió – AL
Maceió – AL
Maceió – AL
Maceió – AL
Maceió – AL
Paulo Afonso – BA
Maceió – AL
Maceió – AL

68
1302
1303
1304

Figura 1. Relação de interação entre os fungicidas azoxistrobina+tebuconazole, difenoconazole, tebuconazole e tiofanato metílico sobre as espécies de Colletotrichum
associadas a orquídeas.
9,00

1305
1306

1308
1309
1310
1311
1312
1313

8,00
Índice de Crescimento Micelial (cm)

1307

dA
dA

6,00
5,00
4,00

3,00

aB
aC

aD

bB
cB

bB

aE

cD bC

2,00
1,00

1315

0,00

1317

bcA

cdA

7,00

1314

1316

aA

abA

C. siamense

C. tropicale

Azoxistrobina+Tebuconazole

eC

cdD
cdD

dB

C. fructicola
Difenoconazole

deB

dC
dE

cD

C. gloeosporioides
Tebuconazole

fD bC

eB

cC

dE

C. karstii

Tiofanato Metílico

eD eD

C. orchidophilum
Testemunha

1318
1319
1320
1321
1322
1323
1324

Médias seguidas pelas letras minúsculas iguais não diferem entre si para as diferentes espécies de Colletotrichum sob um mesmo fungicida, e letras maiúsculas iguais não
diferem entre si para a mesma espécie de Colletotrichum sob os diferentes fungicidas pelo teste Tukey ao nível de 5% de probabilidade.

69
1325
1326

Figura 2. Relação de interação entre os fungicidas azoxistrobina+tebuconazole, difenoconazole, tebuconazole e tiofanato metílico e as concentrações testadas.

1327
1328

1330
1331
1332
1333
1334
1335
1336
1337
1338
1339
1340
1341
1342
1343
1344
1345
1346

5,00
Índice de Crescimento Micelial (cm)

1329

a

6,00

4,00
3,00

a

b
d

c

b
d

c

2,00

a

b

a
b

a

b

b

b

1,00
0,00
0,5 µg/ml
Azoxistrobina+Tebuconazole

1 µg/ml
Difenoconazole

5 µg/ml

10 µg/ml

Tebuconazole

Tiofanato Metílico

Médias seguidas das mesmas letras não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.

70
1347
1348
1349

Tabela 2. Efeitos das diferentes concentrações dos fungicidas azoxistrobina+tebuconazole, difenoconazole, tebuconazole e tiofanato metílico sobre o índice de crescimento
micelial (cm) das espécies de Colletotrichum obtidas de orquídeas.
Espécies
C. siamense
C. tropicale
C. fructicola
C. gloeosporioides
C. karstii
C. orchidophilum

0.5 µg/mL

-1

4.40a
4.21a
3.13c
3.24c
2.51d
3.78b

Azoxistrobina+Tebuconazole
1.0 µg/mL-1
5.0 µg/mL-1
10.0 µg/mL-1
3.71a
3.63a
2.37c
2.48c
2.02d
3.09b

2.53a
2.35a
1.50b
1.79b
1.62b
1.57b

1.99a
1.80ab
1.39c
1.58bc
1.37c
1.34c

0.5 µg/mL

-1

3.50a
2.54bc
2.40cd
2.22d
2.79b
1.85e

Difenoconazole
1.0 µg/mL-1
5.0 µg/mL-1
2.96a
2.16b
1.99bc
1.74cd
2.19b
1.55d

2.07a
1.54bc
1.35c
1.43c
1.74b
1.35c

10.0 µg/mL-1
1.81a
1.32bc
1.30c
1.37bc
1.61ab
1.30c

1350
1351
Espécies
C. siamense
C. tropicale
C. fructicola
C. gloeosporioides
C. karstii
C. orchidophilum

Tebuconazole
0.5 µg/mL
4.42a
3.52b
2.64c
2.85c
2.29d
1.79e

-1

1.0 µg/mL
3.74a
2.61b
1.99c
2.15c
1.94c
1.54d

-1

5.0 µg/mL
2.04a
1.52b
1.44b
1.31b
1.30b
1.33b

Tiofanato Metílico
-1

10.0 µg/mL
1.70a
1.34b
1.32b
1.30b
1.30b
1.30b

-1

0.5 µg/mL
7.29a
4.84c
4.95c
4.72c
3.73d
6.13b

-1

1.0 µg/mL-1

5.0 µg/mL-1

10.0 µg/mL-1

6.18a
3.59c
2.02e
2.53d
2.80d
5.46b

2.21b
1.58cd
1.68c
1.30d
1.43cd
3.19a

1.65a
1.50ab
1.31b
1.30b
1.31b
1.55ab

CV%

1352
1353
1354
1355
1356
1357
1358
1359
1360

Médias seguidas das mesmas letras na coluna não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.

7.01

71
1361

Tabela 3. Classificação da sensibilidade das espécies de Colletotrichum em relação aos fungicidas baseada nos valores da EC50.
Espécies

1362
1363

Azoxistrobina+Tebuconazole

EC50 (μg/ml-1)
Difenoconazole

Tebuconazole

Tiofanato Metílico

Sensibilidade

C. siamense
0.885
0.217
0.855
2.800*
AS/MS*
C. tropicale
1.203*
0.041
0.393
1.301*
AS/MS*
C. fructicola
0.079
0.005
0.013
0.479
AS
C. gloeosporioides
0.148
0.001
0.070
0.694
AS
C. karstii
0.023
0.052
0.014
0.549
AS
C. orchidophilum
0.816
0.002
0.000
3.777*
AS/MS*
Classificação em função da EC50, onde EC50 <1μg/ml-1: alta sensibilidade (AS); EC50= 1-10μg/ml-1 : moderada sensibilidade (MS); EC50= >10-50μg/ml-1: baixa
sensibilidade (BS); EC50= >50mg/ ml-1: insensibilidade (IS).