Keityane de Oliveira e Silva

Impactos das ações intervencionistas de apoio animal na qualidade de vida dos cães e gatos nos bairros acometidos pela subsidência em Maceió, Alagoas

Arquivo
Dissertao_-_Keityane.pdf
Documento PDF (2.3MB)
                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CAMPUS DE ENGENHARIAS E CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA ANIMAL

KEITYANE DE OLIVEIRA E SILVA

IMPACTOS DAS AÇÕES INTERVENCIONISTAS DE APOIO ANIMAL NA
QUALIDADE DE VIDA DOS CÃES E GATOS NOS BAIRROS ACOMETIDOS PELA
SUBSIDÊNCIA EM MACEIÓ, ALAGOAS

VIÇOSA-AL
2025

KEITYANE DE OLIVEIRA E SILVA

Impactos das ações intervencionistas de apoio animal na qualidade de vida dos cães e
gatos nos bairros acometidos pela subsidência em Maceió, Alagoas

Dissertação de Mestrado apresentada
ao Programa de Pós-graduação em
Ciência

Animal

da

Universidade

Federal de Alagoas, como requisito
parcial para obtenção do grau de
Mestre em Ciência Animal

Orientador: Prof. Dr. Pierre Barnabé Escodro

Viçosa-AL
2025

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Polo Viçosa
Bibliotecário Responsável: Stefano João dos santos

S586i

Silva, Keityane de Oliveira e
Impactos das ações intervencionistas de apoio animal na
qualidade de vida dos cães e gatos nos bairros acometidos pela
subsidência em Maceió, Alagoas / Keityane de Oliveira e Silva - 2025.
44f. ; il.
Dissertação (Mestrado em Ciência Animal) - Universidade Federal
de Alagoas, Campus Ceca, Polo Viçosa, 2024.
Orientação: Prof.ª Dr. Pierre Barnabé Escodro
Inclui bibliografia.
1. Felinos. 2. Maceio. I.
CDU: 619

Folha de Aprovação

AUTOR: KEITYANE DE OLIVEIRA E SILVA

(Impactos das ações intervencionistas de apoio animal na qualidade de vida dos cães e gatos
nos bairros acometidos pela subsidência em Maceió, Alagoas / dissertação de mestrado em
Ciência animal, da Universidade Federal de Alagoas, na forma normalizada e de uso
obrigatório)

Dissertação submetida ao corpo
docente do Programa de PósGraduação em Ciência Animal da
Universidade Federal de Alagoas e
aprovada em 28/02/2025

______________________________________________
Prof. Dr. Pierre Barnabé Escodro, Docente da UFAL – Orientador

BANCA EXAMINADORA

________________________________________________
Prof. Dr. Tobyas Maia de Albuquerque Mariz, Docente UFAL, (Examinador Interno)

________________________________________________
Profa. Dra, Rita de Cassia Maria Garcia, Universidade Federal do Paraná (Examinador
Externo)

DEDICATÓRIA

Ao meu irmão, Jefferson Keitho de Oliveira (in
memoriam), e a minha avó, Quitéria Pereira de Oliveira
(in memoriam). A imensidão do universo jamais se
comparará ao meu amor por vocês.

AGRADECIMENTOS
À Pessoa mais importante da minha vida, Deus, o Dono do meu existir, do meu respirar e do
meu falar. Comecei esse mestrado com a permissão dEle e estou finalizando-o da mesma forma.
Sem o Senhor nada disso seria possível. Obrigada Paizinho por preparar lindos sonhos para
mim!
À pessoa mais forte, guerreira e corajosa que eu conheço, a dona Maria Evalda, vulgo, a minha
mãe. Obrigada Mãezinha por ter sido abrigo, rocha, proteção, luz e amparo nos dias mais
difíceis, sem o seu apoio e amor incondicionais eu jamais teria alçado voos tão longos. Tudo,
absolutamente tudo que eu fiz e faço sempre será por você. Eu te amo mais do que palavras
poderiam expressar.
Ao meu amor, o meu noivo José Marcos, que apesar de todas as tempestades jamais largou a
minha mão e permanece fiel ao meu lado, sendo minha âncora e minha bússola nos momentos
que me encontro sem direção. Obrigada por cuidar tão bem de mim e de nós.
À Carolina Ferreira, minha amiga da graduação e que também me acompanhou durante o
mestrado, você tornou a jornada mais leve e os dias mais fáceis. Obrigada por permanecer
apesar do tempo e da distância.
A todos os meus amigos que direta e indiretamente me deram força, me arrancaram sorrisos
quando o que eu mais queria era desabar, ou mesmo que contribuíram com seu conhecimento
ou sua força braçal (rs) para que esse trabalho pudesse acontecer. Agradeço imensamente a
Deus pela vida de cada um de vocês.
Agradeço de forma muito especial a Laura Beatriz e Maysa Medeiros, sem vocês esse trabalho
aqui não seria possível de ser realizado (pelo menos não em um período tão curto). Obrigada
por toparem minhas loucuras e principalmente por serem tão incríveis. Vocês são únicas!
Ao professor Pierre Barnabé Escodro, por tamanha confiança em mim e por sempre nos
incentivar a sermos profissionais melhores. O senhor é sinônimo de resiliência, força e
sabedoria. Obrigada por tudo!
Ao meu Kiko, o meu fiel escudeiro e o meu amor de 4 patas. Você trouxe mais alegria e cor a
minha vida. Obrigada por me entender apenas com um olhar!
A toda minha grande e amorosa família Venceslau. Vocês preenchem meus dias de luz, amor e
cuidado. Gratidão a Deus por ter o sangue de vocês correndo em minhas veias!

EPÍGRAFE

"A grandeza de uma nação e seu progresso moral podem ser julgados pela forma como seus
animais são tratados."
— Mahatma Gandhi

RESUMO
Os desastres naturais e antrópicos, incluindo a subsidência do solo decorrente da mineração,
causam impactos significativos tanto para comunidades humanas quanto para a fauna. Este
estudo revisa a literatura nacional e internacional sobre os efeitos desses fenômenos, com ênfase
na relação entre desastres ambientais e o abandono de cães e gatos. Discute-se a influência dos
felinos e caninos errantes na biodiversidade, considerando sua participação na predação de
espécies nativas, na competição por recursos e na disseminação de patógenos. Em seguida,
analisam-se os impactos físicos e psicológicos dos desastres sobre os animais, abrangendo
lesões, desnutrição, exposição a agentes parasitários e desenvolvimento de distúrbios
comportamentais, como ansiedade e estresse pós-traumático. A revisão também explora a
relação entre a realocação compulsória de populações humanas e o consequente abandono de
animais domésticos, destacando suas implicações para a saúde pública e o bem-estar animal.
Por fim, enfatiza-se a necessidade da inclusão dos animais em planos de emergência e
estratégias de resgate, recomendando-se medidas preventivas e mitigatórias, tais como
campanhas educativas, infraestrutura adequada e políticas públicas voltadas à proteção animal.
Conclui-se que a adoção de estratégias eficazes para o manejo de animais em contextos de
desastres pode minimizar os impactos ambientais e sociais, promovendo maior bem-estar
animal e fortalecendo a resiliência das comunidades afetadas.
Palavras-chave: desastres ambientais, consequências na fauna, abandono animal, saúde
pública, bem-estar animal.

ABSTRACT

Natural and anthropogenic disasters, including land subsidence caused by mining activities,
have significant impacts on both human communities and wildlife. This study reviews national
and international literature on the effects of these phenomena, with an emphasis on the
relationship between environmental disasters and the abandonment of dogs and cats. The
influence of stray felines and canines on biodiversity is discussed, considering their role in the
predation of native species, competition for resources, and pathogen transmission. The study
further analyzes the physical and psychological impacts of disasters on animals, including
injuries, malnutrition, exposure to parasitic agents, and the development of behavioral disorders
such as anxiety and post-traumatic stress disorder. Additionally, the review explores the link
between the forced relocation of human populations and the subsequent abandonment of
domestic animals, highlighting its implications for public health and animal welfare. Finally,
the need to incorporate animals into emergency plans and rescue strategies is emphasized,
recommending preventive and mitigating measures such as educational campaigns, adequate
infrastructure, and public policies aimed at animal protection. It is concluded that the adoption
of effective strategies for managing animals in disaster contexts can minimize environmental
and social impacts, promote greater animal welfare, and strengthen the resilience of affected
communities.
Keywords: environmental disasters, impact on fauna, animal abandonment, public health,
animal welfare.

SUMÁRIO

CAPÍTULO 1: CONSEQUÊNCIAS DA SUBSIDÊNCIA DE MINERAÇÃO NO
ABANDONO E MAUS TRATOS DE CÃES E GATOS: REVISÃO DE LITERATURA .. 10
1.

INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 10

2.

DANOS AMBIENTAIS E SUBSIDÊNCIA DE MINERAÇÃO.............................. 13

3.

CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 30

CAPÍTULO 2: INFLUÊNCIA DO MONITORAMENTO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL
NA DIMINUIÇÃO DA TAXA DE ABANDONO ANIMAL EM REALOCAÇÕES DE
DOMICÍLIOS NOS BAIRROS ACOMETIDOS PELA SUBSIDÊNCIA EM MACEIÓALAGOAS, BRASIL .......................................................................................................... 31
CAPÍTULO 3: PREVALÊNCIA DE AFECÇÕES EM CÃES E GATOS RESGATADOS
NOS BAIRROS ACOMETIDOS PELA SUBSIDÊNCA NA CIDADE DE MACEIÓ-AL... 45
CAPÍTULO 4: INCIDÊNCIA DE ABANDONO E ESTRATÉGIAS PARA MITIGAÇÃO
DE MAUS-TRATOS A ANIMAIS NOS BAIRROS ACOMETIDOS PELA SUBSIDÊNCIA
EM MACEIÓ- ALAGOAS .................................................................................................. 62
REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 79
APÊNDICES ...................................................................................................................... 88

CAPÍTULO 1: CONSEQUÊNCIAS DA SUBSIDÊNCIA DE MINERAÇÃO NO
ABANDONO E MAUS TRATOS DE CÃES E GATOS: REVISÃO DE LITERATURA

INTRODUÇÃO

1.

Fenômenos naturais são recorrentes em diferentes regiões do planeta, sendo inerentes a
dinâmica do globo terrestre ou mesmo desencadeados pela ação humana. (Costa & Giudice,
2012; Pereira, 2019; Souza, 2019). A exemplo destes fenômenos está a subsidência do solo
(Vassileva et al., 2021) suscitada pelo esgotamento intensivo das águas subterrâneas, (Chen et
al., 2016; Haghshenas Haghighi & Motagh, 2019), como consequência da combinação de carga
e compactação de sedimentos lacustres não consolidados, através da drenagem de construções
subterrâneas ou ainda por meio da mineração de evaporitos, rochas formadas por sal (SolanoRojas, 2020).
Fenômenos como a subsidência causam graves impactos na fauna e flora locais. A formação
de crateras, o afundamento do solo e a contaminação de áreas naturais comprometem os
ecossistemas, levando à perda de habitats e à desestabilização da biodiversidade (Silva &
Andrade, 2017). As alterações no solo e os desmoronamentos forçam o deslocamento de
animais terrestres e aquáticos para áreas menos afetadas, intensificando a competição por
recursos (Antunes & Silva, 2024).
Todavia, a ameaça destes fenômenos surge quando há uma possibilidade de implicar em
detrimentos de difícil superação no corpo social vitimizado, podendo este ser associado a uma
catástrofe (Souza, 2019). Apesar de sua imprevisibilidade, desastres naturais ou antrópicos
apresentam padrões recorrentes que permitem prever as necessidades emergentes, seja no
âmbito humano ou particularmente na assistência veterinária aos animais e na evolução desses
cuidados. A identificação dessas tendências possibilita uma resposta mais eficiente e adaptada
a cada situação (Souza, 2019), de modo a minimizar os efeitos negativos ocasionados (Pereira,
2019).
Sendo assim, a Medicina de Catástrofe baseia-se em ações intervencionistas para respostas
rápidas frente a desastres iminentes (Bandeira, 2008), de modo a preservar vidas e minimizar
os danos causados. Porém, seu principal foco é o cuidado humano, o que frequentemente resulta
na negligência aos animais domésticos após situações de calamidades e na exclusão de tais
indivíduos nos planos de preparação em diversas nações (Pereira, 2019; Nunes, 2022). No
10

entanto tal negligência pode agravar o nível de catástrofe, visto que a perda de um animal de
companhia pode contribuir para agravos na saúde mental dos responsáveis, como aumento dos
sintomas de depressão, maior nível de ansiedade e principalmente transtorno de estresse póstraumático (Heat et al, 2001a & 2001b; Hunt et al., 2008; Austin, 2013; Gomes et al., 2020;
Brugnerotto et al., 2024). Além disso, o lado emocional da relação humano x animal pode
influenciar a prontidão para evacuar, resultando no fracasso dos planos de ação e
consequentemente em um maior número de perdas (Heat et al., 2001a & 2001b; Bandeira,
2008; Brugnerotto et al., 2024). Outro ponto a ser considerado, é o vínculo fraco entre tutores
e seus pets, podendo gerar uma das principais consequências dos desastres, que é o abandono,
afetando diretamente o bem-estar animal, e contribuindo para a disseminação de zoonoses
(Austin, 2013; Pereira, 2019; Gomes et al., 2020; Rojas et al., 2021; Nunes, 2022; Brugnerotto
et al., 2024).
O abandono animal trata-se de uma problemática cotidiana em toda América Latina,
promovendo danos à saúde pública, ambiental e econômica, além de estar intrínseco ao bemestar destes indivíduos (Alves et al., 2013; Rojas et al., 2021). Entre as principais causas de
abandono estão listados distúrbios comportamentais, dificuldade em alocação destes, condição
financeira e mudança no estilo de vida dos tutores, falta de informação sobre a guarda
responsável, inexistência ou inadequação de medidas para proteção animal, falta de campanhas
de castração e situações de calamidades (Alves et al., 2013; Rojas et al., 2021; Brugnerotto et
al., 2024).
Os efeitos do abandono no bem-estar animal são notáveis e, embora haja evidências que
sugerem que o bem-estar dos cães errantes possa ser aceitável, é importante ressaltar sua
significativa relevância (Castañeda et al., 2002; Rojas et al., 2021). Isso se deve à instabilidade
tanto em termos de saúde física quanto mental dos animais, que podem ser agravadas pela sua
maior vulnerabilidade ao sofrimento e à exposição a maus-tratos (Stafford, 2007; Rojas et al.,
2021; Brugnerotto et al., 2024).
No início de 2018, os bairros Mutange, Bebedouro, Bom Parto, Farol e Pinheiro, em
Maceió, Alagoas, enfrentaram uma série de abalos sísmicos, fissuras e formações de crateras
decorrentes das atividades de exploração de sal-gema, culminando em uma das crises
ambientais mais notáveis do Brasil (Gomes & Brandão, 2019; Vassileva et al., 2021; Teixeira,
2024; Antunes & Silva, 2024). Os riscos inerentes à mineração tornaram-se particularmente
evidentes após o terremoto, acarretando a paralisação das operações da mineradora nesses
11

bairros em 2019. Como consequência, houve o fechamento temporário de vias e edifícios
públicos, onde mais de 46 mil edificações foram designadas como estando dentro das zonas de
risco, levando ao deslocamento de 60 mil pessoas dos locais atingidos, além do abandono de
animais e graves repercussões sociais e ambientais (Hartwig et al., 2023; Teixeira et al., 2024;
Mantovani et al., 2024; Antunes & Silva, 2024). Em dezembro de 2023 foi comunicado pela
Defesa Civil de Maceió o colapso da mina 18, operada pela Braskem no bairro do Mutange,
além disso também foi detectado subsidência significativa em bairros mais afastados como
Levada sugerindo que os efeitos das falhas geológicas atrelados a mineração são mais extensos
do que se havia documentado (Teixeira, 2024).
De acordo com os dados fornecidos pela mineradora e pela Defesa Civil do Estado de
Alagoas em 2020, durante a realocação das famílias no bairro do Mutange, havia
aproximadamente 567 animais cadastrados, dos quais apenas 245 foram relocados. Isto indica
que 56,8% dos animais foram abandonados ou se perderam no processo de desocupação do
bairro (Gomes & Brandão, 2019; CPRM, 2020). Em resposta a essa situação, foi desenvolvido
um plano para realocar as famílias afetadas e adotar medidas para mitigar os impactos do
desastre (DPU, 2020; Mantovani et al, 2024).
Como parte destas medidas, em outubro de 2020, iniciou-se o Projeto Integra Animal, uma
iniciativa do Grupo de Pesquisa e Extensão em Equídeos e Saúde Integrativa da Universidade
Federal de Alagoas através de uma parceria com a mineradora. Este projeto objetiva realizar
intervenções destinadas ao acolhimento de animais abandonados nos bairros acometidos,
promoção sobre a conscientização dos maus-tratos e a guarda responsável, além de implementar
metodologias de captura e esterilização de animais errantes nos bairros afetados pelo fenômeno
geológico ocorrido em Maceió. As atividades do projeto estão fundamentadas na tríade
composta por Educação, Saúde Pública e Bem-Estar Animal.

1.1 Objetivo Geral
Objetiva-se com essa revisão fazer um levantamento de referências internacionais e
nacionais, sobre o impacto dos desastres ambientais, impacto dos felinos e caninos na fauna,
impactos psicológicos e físicos nos animais pós-subsidência, além dos efeitos da subsidência
no abandono e maus tratos de cães e gatos.

12

2.

DANOS AMBIENTAIS E SUBSIDÊNCIA DE MINERAÇÃO

2.1 Contexto Global
Em diversas regiões do planeta, a ocorrência de fenômenos naturais é um evento comum,
integrado à dinâmica geológica da Terra, ou, em outros casos, desencadeados por ações
antropogênicas (Costa & Giudice, 2012; Pereira, 2019; Souza, 2019). Furacões, Inundações,
Tsunâmis, Deslizamentos de terra, Seca e Incêndios florestais são exemplos de fenômenos
naturais severos, cujas manifestações são influenciadas por características regionais, como
topografia, composição das rochas, tipo de solo, vegetação e condições climáticas (Kobiyama
et al., 2006; Pereira, 2019). Quando tais eventos ocorrem sobre um sistema social, resultando
em danos como desestabilização econômica, agravos à saúde, mortes, além da capacidade de
modificar ecossistemas lesando a fauna e flora estes são classificados como “desastres naturais”
(Bandeira, 2008; Guerra; Souza, 2017; Souza, 2019; Lima Filho et al., 2023).
Nas últimas décadas, o número de desastres naturais registrados em diversas regiões do
mundo tem aumentado significativamente. Esse crescimento está relacionado a fatores como o
aumento populacional, a ocupação desordenada do solo e os processos intensivos de
urbanização e industrialização (Kobyama et al., 2006; Monteiro & Pinheiro, 2012). Nas áreas
urbanas, a impermeabilização do solo, o adensamento das construções, a intensificação do
efeito de ilha de calor e a poluição atmosférica são os principais agravantes. Já nas áreas rurais,
a compactação dos solos, o assoreamento dos rios, o desmatamento e as queimadas se destacam
como os fatores predominantes (IPCC, 2024; Pereira, 2019). Além disso, esses desastres, que
impactam diretamente as atividades humanas, têm se agravado ao longo do tempo devido ao
mau gerenciamento das bacias hidrográficas e à falta de planejamento urbano. A situação é
ainda mais crítica diante do aquecimento global, que tem intensificado a frequência e a
severidade de fenômenos climáticos extremos, como chuvas intensas, ventanias e granizos,
contribuindo para o aumento da incidência de desastres naturais. (Kobyama et al., 2006; Vieira,
2016; Pereira, 2019; IPCC, 2024).
Os danos ambientais causados pela ação humana podem desencadear desastres tecnológicos
de alcance global, gerando impactos significativos. Exemplos notáveis incluem o acidente
nuclear de Chernobyl, ocorrido em 1986, na Ucrânia; o vazamento de petróleo no Golfo do
13

México, em 2010, nos Estados Unidos; o desastre nuclear de Fukushima, no Japão (Yamashita
& Shigemura, 2013); e o rompimento da barragem com rejeitos de mineração em Mariana,
Brasil, em 2015 (Vieira, 2016).
A atividade mineradora está profundamente ligada a perturbações ambientais que podem ser
temporárias ou permanentes, impactando a fauna, a flora e a paisagem (Lima Filho, 2023).
Além de influenciar o clima e contaminar rios e aquíferos, a mineração pode causar danos
irreversíveis à biodiversidade, deixando marcas duradouras em áreas afetadas por desastres
ambientais, como a subsidência (Lima Filho, 2023). Esse fenômeno está associado ao
esgotamento intensivo de águas subterrâneas em cidades como Las Vegas (BELL et al., 2008),
Tucson (Cabral-Cano et al., 2008), Pequim (Chen et al., 2016) e Teerã (HAGHSHENAS
Haghighi & Motagh, 2019), à compactação de sedimentos lacustres não consolidados, como na
Cidade do México (Solano-Rojas, 2020), e da influência de construções subterrâneas (Vassileva
et., 2021).
O fenômeno da subsidência também pode estar associado à mineração de evaporitos, rochas
formadas por sal. Esse impacto foi registrado em diversos países, como China (ZHANG et al.,
2019), Romênia (Mesescu, 2011), França (Contrucci et al., 2011), Reino Unido (Cooper, 2002),
Espanha (Lucha et al., 2008), Mar Morto (Al-Halbouni et al., 2021), Estados Unidos (Johnson,
2008; Martinez & Johnson, 1998), Bósnia e Herzegovina (Mancini et al., 2009) e Polônia
(Perski et al., 2009).
Segundo o The International Disaster Database do Centre for Research on the
Epidemiolopgy of Disasters, somente em 2018 foram registrados 494 desastres dos quais 334
tiveram origem "natural" e 160 de origem "tecnológica". Esse número é considerado o mais
baixo dos últimos 24 anos, entretanto afetou mais de 84 milhões de pessoas, excluindo-se os
impactos sobre os animais.

2.1.2 Contexto Brasileiro
No Brasil, tem-se observado um aumento nos registros de desastres naturais, impulsionados
pela intensificação de eventos geodinâmicos, hidrometeorológicos e climáticos em
determinadas regiões (Nobre & Marengo, 2017; EM-DAT, 2024). Esse crescimento está
relacionado, em grande parte, à maior exposição à ocupação de áreas vulneráveis a tais
14

fenômenos (Nobre & Marengo, 2017). Os eventos mais observados em todo o país incluem
inundações, deslizamentos de terra, secas, enxurradas, alagamentos, estiagens, incêndios
florestais e processos de erosão, além de desastres tecnológicos associados a mineração
(Monteiro & Pinheiro, 2012; Garcia et al., 2017).
Em 2007, cerca de 2,7 milhões de pessoas foram afetadas no Brasil em decorrência dos
desastres naturais. Já em 2008, o Vale do Itajaí, em Santa Catarina, sofreu grandes prejuízos
econômicos e sociais devido as chuvas intensas, enchentes e deslizamentos, resultando em 135
mortes, milhares de desabrigados e desalojados em 60 municípios, com perdas estimadas em
mais de R$ 5 bilhões (Tominaga et al., 2009; Banco Mundial, 2012a). Entre o final de 2009 e
o início de 2010, fortes chuvas causaram destruição em Angra dos Reis e Ilha Grande, deixando
53 mortos e danos superiores a R$ 440 milhões (Ribeiro, 2010). Em 2010, enchentes violentas
atingiram Pernambuco, Alagoas e Rio de Janeiro, provocando centenas de mortes e afetando
cerca de 12 milhões de pessoas, sendo metade desse número concentrada no Rio de Janeiro
(Nobre & Marengo, 2017).
Entre 2015 e 2016, o estado de Roraima, na Amazônia, sofreu uma severa seca causada pelo
fenômeno El Niño Southern Oscillation (ENSO), que intensificou a ocorrência de incêndios
(Fonseca et al., 2017).
Em 25 de janeiro de 2019, o município de Brumadinho, em Minas Gerais, foi palco de um
desastre envolvendo o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração, pertencente à
VALE S.A. O evento impactou profundamente a pesca local, com a morte imediata de peixes,
restrições ao uso de recursos hídricos e dúvidas sobre a segurança do pescado para consumo.
Além disso, os danos ambientais tiveram consequências socioeconômicas significativas,
afetando gravemente as comunidades ribeirinhas e os pescadores da região (Guimarães et al.,
2024).
Um episódio semelhante ocorreu em 5 de novembro de 2015, em Mariana, também em
Minas Gerais, quando 43 milhões de metros cúbicos de lama tóxica da empresa SAMARCO
S.A se espalhou pelo Rio Doce, resultando na morte de 19 pessoas e afetando a biodiversidade
em centenas de quilômetros do rio. Esse desastre, é considerado um dos maiores eventos
socioambientais e tecnológicos do mundo (Fernandes et al., 2016; Petesse et al., 2023; Garcia
et al., 2017).

15

Segundo Garcia e colaboradores (2017), até 2016 o Brasil registrou mais de 80 desastres
ambientais associados à atividade mineradora. Além disso, após um levantamento das áreas de
mineração da América do Sul no último século, foi observado uma taxa geral de falhas de 19%,
o que pode justificar a quantidade de desastres associados a tais práticas.
O evento mais recente provocado pela mineração e considerado como o maior desastre em
andamento no Brasil e na América Latina (Lima Filho, 2023; Teixeira et al., 2024) resultou na
subsidência do solo em alguns bairros na cidade de Maceió, devido a extração do sal-gema. O
sal-gema é formado pela precipitação de sais da evaporação de água salina, consistindo
principalmente de halita (NaCl), que é processada em vários produtos como soda cáustica e
cloreto de polivinila utilizado na indústria química (Teixeira et al., 2024).
Devido à grande profundidade e às propriedades químicas dos depósitos de halita, a
extração é frequentemente realizada por meio de mineração por solução. Esse método utiliza
líquidos para dissolver o mineral, permitindo sua extração na forma líquida, que é
posteriormente recuperada (Hartwig et al., 2023; Teixeira et al., 2024). O colapso do solo,
causado pela dissolução de cavernas em minas de sal, é um problema comum na indústria
química. Esse fenômeno apresenta riscos geológicos significativos, como a formação de
buracos, deslizamentos de terra e danos à infraestrutura, resultando em prejuízos extensos e
frequentemente imprevisíveis a longo prazo (Vassileva et al., 2021; Lima Filho, 2023; Teixeira
et al., 2024).
As áreas litorâneas, enfrentam maior vulnerabilidade, pois a subsidência pode contribuir
para o aumento do nível do mar, elevando o risco de inundações e intensificando a degradação
ambiental (Mantovani, 2024; Lima Filho, 2023; Lima Filho, 2024).
Na cidade costeira de Maceió, localizada no estado de Alagoas, no Nordeste do Brasil,
posicionada entre a Lagoa Mundaú a leste e o Oceano Atlântico a oeste, encontram-se
sequências evaporíticas estratificadas, compostas por rochas formadas pela precipitação
química de sais devido à evaporação da água salgada, com profundidades superiores a 900 m,
na Bacia Sedimentar de Sergipe-Alagoas (Hartwig et al., 2023; Teixeira et al., 2024)
Desde a década de 1970, nesta cidade, a região da Lagoa Mundaú tem sido um importante
polo de extração de sal-gema, com 35 poços localizados nos bairros de Mutange, Pinheiro e
Bebedouro. Contudo, essa intensa atividade de mineração trouxe riscos geológicos
consideráveis para a população local (Teixeira et al., 2024).
16

No início de 2018, moradores dos bairros Pinheiro, Bom Parto, Mutange, Bebedouro e Farol
relataram o aparecimento de rachaduras em imóveis e a formação de depressões no solo. O
alarme se intensificou após um terremoto de magnitude 2,4 em 3 de março de 2018, em que
várias construções públicas, incluindo um hospital psiquiátrico e um cemitério, foram
evacuados no mesmo ano. Mais de 46.000 edificações foram designadas como estando dentro
de zonas de risco, levando à realocação de cerca de 60.000 moradores para áreas mais seguras.
Os riscos dessas atividades de mineração tornaram-se particularmente evidentes após o
terremoto de 2018, que levou à cessação das operações da empresa química BRASKEM nos
bairros afetados em 2019. (Vassileva et al., 2021; Hartwig et al., 2023; Teixeira, 2024;
Mantovani et al., 2024).
Após investigações, constatou-se que as minas de sal operadas pela Braskem S.A.
provocaram a desestabilização das cavidades subterrâneas devido à extração do sal-gema. Esse
processo resultou no movimento do sal subterrâneo, conhecido como halocinese, o que causou
o recalque do terreno, além de fissuras no solo e em edificações na região (Lima Filho, 2023).
O mais recente incidente aconteceu em 10 de dezembro de 2023, com o colapso da Mina
18, uma das 35 minas da região. Situada na orla da Lagoa Mundaú, a mina causou o
afundamento de várias áreas dos cinco bairros vizinhos, conforme relatado pela mídia local
(Teixeira et al., 2024). Segundo Teixeira e Colaboradores (2024) esse colapso, aliado à
topografia da área, torna a região vulnerável a inundações, podendo agravar ainda mais a
instabilidade do solo. Além disso, após estudos os autores detectaram subsidência significativa
em bairros distantes como Levada e Bom Parto, sugerindo que os efeitos de falhas geológicas
e atividades de mineração são mais extensos do que se havia documentado.

2.1.3 Os animais no contexto da subsidência
Os animais desempenham um papel importante e significativo na vida humana, seja como
fonte de alimentação, segurança, renda, companhia ou para o equilíbrio dos ecossistemas
(Sakoh, 2009). A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO),
dedicado ao combate à fome, destaca a estreita relação entre o bem-estar humano e animal
(Sakoh, 2009). Segundo Fraser e colaboradores (2009) a relação de um indivíduo com um
animal de companhia tem um impacto positivo no desenvolvimento social e na qualidade de
vida, indicando benefícios psicológicos e físicos para a saúde humana.
17

Em contrapartida, estudos também relatam que a perda de um animal contribui para agravos
na saúde mental dos responsáveis, como aumento dos sintomas de depressão, maior nível de
ansiedade e principalmente transtorno de estresse pós-traumático em situações de calamidade
(Heat et al., 2001a & 2001b; Hunt et al., 2008; Austin, 2013; Gomes et al., 2020)
Embora exista esse estreito vínculo entre humanos e animais, em muitos países (Nunes,
2022; Heat et al., 2001b), esses indivíduos ainda são frequentemente negligenciados nos planos
de preparação para desastres, incluindo o Brasil (Pereira, 2019; Gomes et al., 2020). Embora
no Brasil haja leis e programas focados na proteção de pessoas em casos de desastres naturais,
como a Lei nº 12.340/2010, que cria o Fundo Nacional para Calamidades Públicas (Funcap), e
a Lei nº 12.608/2012, que institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, nada menciona
sobre resgate de animais, embora a Constituição Federal atribua ao Poder Público a
responsabilidade de proteger a fauna e garantir que os animais sejam resgatados de práticas
cruéis (Art. nº 225, §1º, VII) (Gomes et al., 2020).
Segundo Gomes e colaboradores (2020), os desastres causam diversas consequências e
impactos na população animal, especialmente quando o vínculo entre tutores e seus pets é fraco
- o que ocorre quando esse vínculo não se desenvolve ou é rompido, podendo gerar uma das
principais consequências dos desastres: o abandono (Austin, 2013; Pereira, 2019; Gomes et al.,
2020; Nunes, 2022; Brugnerotto et al., 2024).
Na saúde pública, indivíduos deixados para trás possuem grande potencial de adoecer e
contribuírem na disseminação de zoonoses (Austin, 2013; Pereira, 2019). O caos gerado pode
influenciar diretamente em seu comportamento, tornando agressivos animais que outrora eram
dóceis. Além disso, há uma probabilidade de tutores retornarem às áreas afetadas para resgatar
seus animais, atrasarem sua saída ou se recusarem a deixar suas residências, elevando a
exposição de riscos (Heat et al., 2001a; 2001b; Hunt et al., 2008; Sakoh, 2009).
As mudanças climáticas também intensificam a gravidade das doenças e reduzem a
resistência dos hospedeiros, em grande parte devido à maior suscetibilidade a infecções causada
por alterações no comportamento dos animais. Por exemplo, o aumento das secas e a
consequente escassez de água levam a uma maior concentração de indivíduos ao redor dos
poucos recursos hídricos disponíveis. Isso intensifica as interações entre animais da mesma
espécie e de espécies diferentes, elevando o risco de transmissão e disseminação de infecções
(Sakoh, 2009)
18

Dessa forma, esses indivíduos ficam suscetíveis a reprodução desenfreada, afogamentos,
queimaduras, hipotermia, fome, ferimentos e doenças (Sakoh, 2009; Austin, 2013; Gomes et
al., 2020; Rasool et al., 2021). Mesmo animais saudáveis, ao serem resgatados, enfrentam riscos
em abrigos superlotados e sem planejamento sanitário preventivo, devido à ausência de
condições adequadas para recebê-los (Sakoh, 2009; Gomes et al., 2020; Rasool et al., 2021).
Diferente dos humanos, os animais não têm alternativas para fugir dos impactos causados
pelos desastres. Aqueles que conseguem migrar para novas áreas podem entrar em conflito ou
competição com outros animais, buscando sua sobrevivência, podendo provocar danos
irreversíveis a fauna local, como a extinção direta ou indireta de algumas espécies (Nava et al.,
2008; Sakoh, 2009; Assis et al., 2023). Em muitos casos, complicações adicionais surgem
devido à complexidade das interações entre espécies e às diferentes sensibilidades de cada uma
às mudanças ambientais. Animais que permanecem no mesmo local podem precisar se adaptar,
seja por meio de respostas comportamentais, como a mudança no período de reprodução, ou
por respostas genéticas, como o aumento da proporção de indivíduos mais tolerantes ao calor.
No entanto, para as espécies que não conseguem se adaptar, a morte torna-se uma consequência
provável (Sakoh, 2009).

2.2 IMPACTOS DOS CANINOS E FELINOS NA FAUNA
As invasões biológicas figuram entre as maiores ameaças à biodiversidade mundial.
Espécies domésticas, apesar de muitas vezes não serem vistas dessa forma, podem ser
consideradas invasoras quando estabelecem populações na natureza ou têm acesso irrestrito a
ambientes naturais, interagindo com a fauna silvestre (Assis et al., 2023).
Os felinos domésticos podem causar diversos impactos negativos à fauna, especialmente
quando são errantes, comunitários ou criados em regime outdoor, isto é, de forma semidomiciliada (Assis et al., 2023). Esses impactos decorrem principalmente de seu
comportamento predatório natural, da ausência de predadores naturais e de sua alta densidade
populacional em comparação aos carnívoros nativos (Blancher, 2013; Doherty et al., 2017;
Assis et al., 2023).
Estima-se que as colônias felinas tenham contribuído diretamente para a extinção de pelo
menos 63 espécies em todo o mundo, incluindo répteis, aves e mamíferos (Doherty et al., 2016).
19

Nos Estados Unidos, os felinos errantes são responsáveis pela morte anual de aproximadamente
1,4 a 3,7 Bilhões de aves e 6,9 a 20,7 bilhões de mamíferos (Loss et al., 2013). Na Austrália,
há registros de predação por gatos domésticos em pelo menos 50 espécies de mamíferos
terrestres ameaçados de extinção (Denny & Dickman, 2010; Woolley et al., 2019). Já no Brasil,
cerca de 48 espécies de vida selvagem são predadas por gatos domésticos, com a maioria delas
localizada na Mata Atlântica (incluindo três anfíbios, oito répteis, 14 aves e 23 mamíferos)
(Assis et al., 2023). Embora ainda não haja registros de gatos domésticos predando espécies
ameaçadas de extinção, essa situação pode estar ocorrendo, especialmente em áreas onde os
gatos vivem próximos a regiões que abrigam táxons ameaçados (Assis et al., 2023).
Felinos semi-domiciliados ou errantes podem representar uma ameaça para predadores
nativos, como o Demônio da Tasmânia, devido à competição por recursos (Denny & Dickman,
2010; Doherty et al., 2020). Isso pode resultar em baixa disponibilidade de alimento,
impactando diretamente a sobrevivência de animais silvestres com hábitos de caça, ou até
mesmo levando a confrontos diretos que podem resultar em mortes (Denny & Dickman, 2010;
Doherty et al., 2017; Loss et al., 2022).
Há evidências de que os gatos representam uma ameaça potencial para as espécies nativas
devido à transmissão de doenças, como a esporotricose, de origem fúngica, e a toxoplasmose,
de origem parasitária. A esporotricose, causada pelo fungo Sporothrix spp., é uma micose
adquirida pela inoculação do fungo presente no solo, em plantas ou por arranhaduras de
animais, manifestando-se por lesões ulcerativas na pele. Os felinos têm um papel significativo
na disseminação dessa zoonose, pois eliminam grande quantidade do fungo através de suas
lesões. Já o protozoário Toxoplasma gondii (T. gondii), causador da toxoplasmose, tem os gatos
como únicos hospedeiros definitivos, sendo essa registrada em diversas espécies nativas
(Denny & Dickman, 2010; Doherty et al., 2017).
Além disso, felinos domésticos podem acasalar com gatos selvagens nativos (Beutel et al.,
2017; Trouwborst et al., 2020), gerando preocupação, especialmente quando essas espécies são
raras (Magle, 2023). Dessa forma a hibridação pode levar a extinção de espécies nativas, seja
de forma direta ou indireta, resultando em perda do potencial reprodutivo, introdução de alelos
mal adaptados em populações selvagens, risco para transferência de doenças, além da perda da
integridade genética fazendo com que ocorra a “inundação genética”, dificultando a
identificação dos felinos selvagens nativos que necessitam de proteção, afetando diretamente o
estado de conservação do indivíduo ou da população (Leonard, 2013; Magle, 2023)
20

Assim como os gatos os caninos estão entre os predadores invasores mais comuns do
mundo, podendo afetar negativamente a vida selvagem de muitas maneiras (Guedes et al.,
2021). Estudos mostram que a população mundial de cães varia entre 700 milhões e 1 bilhão
de indivíduos (Hughes & Macdonald, 2013; Gompper, 2014). Aqueles que fogem ou são
abandonados tornam-se animais de vida livre ou errantes, podendo depender de comunidades
humanas para alimentação e abrigo, ou se tornarem cães selvagens, vivendo na natureza sem
contato com humanos (Guedes, et al., 2021).
Cães selvagens, errantes ou semi-domiciliados representam uma ameaça significativa, com
impactos negativos tanto à vida selvagem quanto à saúde humana (Guedes et al., 2021).
Globalmente, os cães domésticos já contribuíram para a extinção de pelo menos 11 espécies de
vertebrados, enquanto os de vida livre afetaram mais de 188. No Brasil, ao menos 35 espécimes
foram identificados como presas de caninos domésticos (Guedes et al., 2021). Esses animais
frequentemente perseguem e capturam outras espécies, seja por instinto ou diversão, causando
ferimentos e até mortes, embora nem sempre consumam suas presas (Gompper, 2013).
Caninos podem representar uma ameaça a espécies predadoras nativas, como a onçapintada, uma vez que matilhas são capazes de emboscar os grandes felinos e contribuírem para
a transmissão de patógenos (Young et al., 2011; Lessa et al., 2016). Como exemplo tem-se a
situação que ocorreu no Parque Estadual do Ivinhema (São Paulo), onde o vírus da cinomose
canina (VDC) foi identificado em nove onças-pintadas (Panthera onca), correspondendo a 60%
da população local. Acredita-se que o vírus tenha se originado de cães que viviam nos arredores
do parque, já que 100% desses indivíduos testaram positivo para a doença (Nava et al., 2008).
Portanto, assim como os gatos, os cães domésticos exercem impactos diretos sobre a fauna,
seja por meio da transmissão de zoonoses, da predação, da competição por recursos e abrigo,
da hibridização com outros canídeos ou dos custos associados a perdas de gado e tratamentos
médicos resultantes de mordidas (Guedes et al., 2021).

2.2.1 Formação de colônias e matilhas
Nas últimas décadas os biólogos têm reconhecido o felino doméstico como uma espécie
social. Ainda que alguns indivíduos disponham de vidas solitárias, essa condição geralmente é
desencadeada por fatores ambientais adversos, que incluem a escassez de alimentos (Jaroš,
21

2016). Dessa forma, felinos domésticos formam colônias, grupos sociais variados com mais de
três indivíduos sexualmente maduros, cuja estrutura depende diretamente da disponibilidade de
alimento e abrigo, sendo a alimentação o fator determinante para definir o tamanho do grupo.
(Price, 2005; Flinker & Terkel, 2010; Rodan, 2010; Grieco et al., 2021). A área que estuda o
comportamento felino distingue dois tipos de colônias: Colônias de gatos livres e colônias de
gatos confinados (Jaroš, 2016). Em ambos os grupos, as populações consistem em fêmeas e
machos que podem ou não serem advindos de outro grupo (Prince, 2005).
As colônias livres formam-se de forma natural, por meio do deslocamento ou
nascimento de indivíduos, onde sua alimentação pode ser fornecida por meio de protetores
independentes, mas que não possuem influência direta na estruturação do grupo (Jaroš, 2016;
Natoli et al., 2022). Já as colônias confinadas, são aquelas formadas pela escolha humana, sendo
os animais encontrados em laboratório, abrigos ou residências, onde estes não possuem
necessariamente qualquer relação genética (Jaroš, 2016).
A organização social das colônias é baseada na cooperação entre fêmeas, que
amamentam e criam os filhotes em conjunto (Macdonald, et al., 1987; Rodan, 2010). Por outro
lado, os machos são afastados pelas mães ao atingirem a maturidade sexual, como forma de
prevenir a consanguinidade (Gassmann, 2022). Após serem afastados, os machos podem
integrar-se a um único grupo de fêmeas, associar-se a múltiplos grupos ou adotar um
comportamento nômade, sem vínculo fixo com uma colônia específica. Entretanto, o principal
fator que determina sua permanência em uma colônia é o acesso às fêmeas (Bradshaw, 2016).
Os gatos reconhecem com facilidade os membros de seu grupo, e geralmente, tendem a
ser agressivos com indivíduos desconhecidos. Para que esses possam fazer parte da colônia é
necessário persistência e interações graduais (Rodan, 2010). Nesse contexto, os gatos
escolherão seus indivíduos preferidos, sendo aqueles em que o felino se encontra mais próximo,
quando comparados aos outros da colônia. Eles mostram afeto e cuidado com os demais,
espalhando o cheiro da colônia por meio do contato físico (Crowell-Davis et al., 2007). Dessa
forma, é comum observar entre esses felinos toques de narizes, lambidas na cabeça e pescoço,
além do contato lateral e de caudas (Crowell-Davis et al., 2007; Rodan, 2010)
Já a organização social de cães domésticos (Canis lupus familiaris) é influenciada por
fatores como ambiente, disponibilidade de recursos e interações sociais. Diferente dos lobos
(Canis lupus), seus ancestrais, os caninos apresentam maior flexibilidade social devido a
22

domesticação e convivência com humanos (Mech & Boitani, 2003; Bradshaw et al., 2009).
Nesse contexto, os cães podem formar grupos denominados de matilhas, onde variam em
diferentes contextos, sendo as matilhas familiares, matilhas em lares humanos e matilhas de
vida livre ou ferais (Bradshaw, 2012).
As matilhas familiares são formadas por cães aparentados, geralmente mãe e
descendentes, que podem permanecer juntos por algum tempo. (Bonanni & Cafazzo, 2014). As
matilhas em lares humanos são compostas por cães de tutor, onde sua organização social é
moldada por meio da interação com seus responsáveis e pelo temperamento dos indivíduos,
uma vez que os cães veem os humanos como membros do seu grupo (Mech & Boitani, 2003;
Marshall-Pescini et al., 2017). As matilhas de cães de vida livre são formadas por indivíduos
errantes que se agrupam principalmente para facilitar o acesso a alimento e proteção. No
entanto, esses grupos tendem a ser instáveis, pois os cães entram e saem conforme suas
necessidades. Essa instabilidade está diretamente relacionada à disponibilidade de recursos
humanos, como lixo e restos de comida, que reduzem a dependência de estratégias cooperativas
para caça e sobrevivência (Bonanni & Cafazzo, 2014).
Historicamente, acreditava-se que os cães errantes seguiam uma hierarquia linear de
dominância, semelhante à dos lobos, em que um indivíduo “alfa” lidera o grupo (Silva, 2020).
No entanto, estudos indicam que essa visão é simplista e não reflete com precisão a
complexidade das interações sociais caninas (Bradshaw et al., 2009; Bonanni & Cafazzo, 2014;
Marshall-Pescini et al., 2017; Silva et al., 2020). As pesquisas mostram que, embora exista um
modelo linear de dominância entre os cães, ele é menos rígido do que o dos lobos. A posição
hierárquica dentro da matilha é influenciada por diversos fatores:
•

Idade e experiência: Cães mais velhos tendem a ser dominantes sobre os mais jovens e
a iniciar os deslocamentos do grupo (Bradshaw et al., 2009).

•

Sexo: Machos geralmente ocupam posições superiores às das fêmeas da mesma idade
(Marshall et al., 2017).

•

Submissão afiliativa: Cães que recebem gestos de submissão de outros indivíduos e que
mantem laços sociais mais fortes com os demais membros, possuem maior status dentro
da matilha, e são mais propensos a serem seguidos durante os movimentos coletivos
(Marshall-Pescini, 2014).

23

A organização social dos cães de vida livre, caracterizada por sua dinâmica flexível e
baseada tanto em interações competitivas quanto em vínculos sociais, influencia diretamente o
papel de cada indivíduo dentro da matilha (Bradshaw et al., 2009; Bonanni & Cafazzo, 2014).
Indivíduos de posição hierárquica inferior, por não possuírem status elevado dentro do grupo,
assumem papéis mais passivos e podem, eventualmente, optar pela dispersão ou pela formação
de novos grupos (Bradshaw et al., 2011). Essa mobilidade social, distinta da estrutura mais
rígida dos lobos, permite que os cães ajustem suas interações de acordo com fatores ambientais,
disponibilidade de recursos e relações sociais, garantindo maior adaptabilidade ao meio em que
vivem (Mech & Boitani, 2003; Bradshaw et al., 2009).

2.2.2 Realocação de colônias e matilhas em desastres ambientais
A realocação de colônias e matilhas durante desastres naturais é um fenômeno que,
apesar da escassez de estudos específicos, pode ser analisado a partir de pesquisas sobre o
impacto dessas situações em cães e gatos. De acordo com Perrota (2022), eventos catastróficos
frequentemente levam animais a se deslocarem em busca de abrigo e recursos, estabelecendo
moradias temporárias em vielas, terrenos baldios e prédios abandonados (Crowell-Davis et al.,
2004; ICNF, 2023).
Desastres como o Furacão Katrina e o tsunami no Japão, em 2011, demonstram que
muitos animais migram para áreas menos afetadas, enquanto outros permanecem presos nas
zonas de impacto (Urabe et al., 2013; Antonio, 2016; Animal Ethics, 2016). Nesse contexto, os
felinos, por serem territorialistas, tendem a evitar deslocamentos longos e preferem se esconder
em locais elevados ou sob escombros, principalmente em situações de impacto repentino
(Turner & Bateson, 2000; Bradshaw, 2016). Já os cães, com maior capacidade de percorrer
grandes distâncias, costumam se movimentar em busca de novos recursos, sendo a direção de
deslocamento influenciada pela hierarquia da matilha (Mech & Boitani, 2003; Lord, 2013).
Além da movimentação que ocorre após os desastres, há evidências de que os animais
podem detectar alterações ambientais antes que esses eventos aconteçam. Sensíveis a mudanças
como variações na pressão atmosférica e vibrações sísmicas, alguns indivíduos demonstram
inquietação, nervosismo ou outros comportamentos atípicos, sugerindo uma percepção
antecipada do perigo e, em alguns casos, levando-os a um deslocamento prévio (Travers et al.,
2017; Nakagomi et al., 2021; Sharma, 2023).
24

Além da migração espontânea observada nesses eventos, a realocação de animais
também pode ocorrer por meio da intervenção humana (Gomes et al., 2020; UNDRR, 2021).
Países que incluem animais em seus planos de contingência adotam protocolos específicos para
garantir o bem-estar e a segurança desses indivíduos (Nunes, 2022). Geralmente, essas medidas
envolvem:
•

Avaliação inicial da situação, mapeando áreas afetadas e estimando o número de
animais atingidos e suas condições de saúde;

•

Estabelecimento de protocolos humanitários para captura, transporte e realocação,
minimizando o estresse e os riscos de lesões;

•

Escolha de locais adequados para a adaptação dos animais, oferecendo condições
ambientais semelhantes às originais e acesso a recursos necessários.

Dessa forma, a realocação de cães e gatos em desastres naturais ocorre tanto de maneira
espontânea quanto por meio de estratégias organizadas por humanos (Souza, 2019; Nunes,
2022). Enquanto fatores instintivos e comportamentais influenciam a movimentação natural
dos animais, ações planejadas buscam garantir sua sobrevivência e bem-estar nos momentos de
crise (Bradshaw, 2016; Gomes et al., 2020)

2.3 IMPACTOS PSICOLÓGICOS E FÍSICOS NOS ANIMAIS PÓS SUBSIDÊNCIA
Os animais são considerados seres sencientes, capazes de sentir raiva, medo, alegria e
compaixão (Prada, 2008). Segundo Camps e Manteca (2019), experiências emocionais intensas
e estressantes, como as que vividas durante calamidades podem ativar mecanismos
neurobiológicos complexos, que podem gerar consequências deletérias tanto físicas quanto
emocionais.
O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é uma patologia mental caracterizada pela
instalação de sintomas após a exposição de um indivíduo a uma ou mais situações traumáticas,
como a guerra, violência e desastres naturais (Nichiporuk et al., 2023). Aproximadamente 7%
da população da população civil e 12% dos militares Estadunienses sofrem deste transtorno
mental debilitante (Zhang et al., 2019). Apesar de ser mais retratada em humanos, esta condição
também pode ocorrer em animais de companhia (Nichiporuk et al., 2023).

25

Em um estudo feito por Kardiner (1941), felinos que eram expostos a situações traumáticas
que eram incontroláveis e imprevisíveis apresentaram medo intenso, reações defensivas,
agitação, fobias, passividade, frequência cardíaca irregular e rápida. O autor observou que os
efeitos persistiam mesmo após um mês, sem que houvesse a presença de gatilhos, confirmando
assim os efeitos de longo prazo causados pelo TEPT.
Yamamoto (2003) relatou que após um terremoto no Japão em 2001, 82 cães de 155
apresentavam comportamento anormal, e destes, 15 desenvolveram TEPT com tremores
recorrentes, anorexia, uivos intermitentes, excitação ou diarreia, tais sinais persistiram por um
1 ano em um cão, 3-4 semanas em 9 cães e menos de 10 dias em cinco cães.
A espécie canina pode desenvolver sinais de ansiedade, mesmo na ausência de ameaças
reais. Eles tendem a buscar contato constante com o responsável sofrendo intensamente com
qualquer separação (Mendl et al., 2010). Além disso, é comum o desenvolvimento de
comportamentos compulsivos, como lambeduras excessivas, andar em círculos e
automutilação, sendo este último sinal que acomete principalmente gatos. Tais sintomas
desencadeiam inapetência e distúrbios do sono, além de reduzir interações, podendo em casos
mais graves, levar à depressão (Nichiporuk et al., 2023).
Os desastres naturais e outras calamidades não apenas impactam o bem-estar psicológico
dos animais, mas também acarretam sérias consequências físicas. Segundo estudos sobre o
impacto dos desastres em animais (Sakoh, 2009; Austin, 2013), esses eventos os tornam
vulneráveis à desidratação e desnutrição devido à escassez ou má qualidade dos recursos
disponíveis (Leonard et al., 2013). Além disso, os animais podem sofrer ferimentos e traumas
causados por destroços, produtos químicos e superfícies aquecidas, bem como mordidas e
arranhões de outros animais, que se tornam mais agressivos devido à competição por alimento
(Macdonald et al., 1987; Sakoh, 2009; Hwang et al., 2018; Loss et al., 2022).
Nesse cenário, há também um aumento da suscetibilidade a doenças parasitárias e
infecciosas, uma vez que o contato com ambientes contaminados eleva o risco de infecções
bacterianas, virais e fúngicas, além de infestações por ectoparasitas e endoparasitas,
favorecendo a disseminação de microrganismos (Macdonald et al., 1987; Sakoh, 2009;
Protopopova et al., 2021; Grieco et al., 2021).
Os riscos respiratórios também são acentuados pela exposição prolongada a poeira, fumaça
e produtos químicos, podendo desencadear doenças como bronquite, pneumonia e síndrome da
26

angústia respiratória (Lima Filho et al., 2024). As condições climáticas extremas ainda expõem
os animais à hipotermia ou hipertermia (Sakoh, 2009; Austin, 2013; Loss et al., 2022). Além
disso, problemas dermatológicos podem surgir devido ao contato com lama, água contaminada
e substâncias químicas, resultando em irritações cutâneas, dermatites e infecções (Sakoh, 2009,
Austin, 2013; Garcia et al., 2017; Rasool et al., 2021).
Por fim, problemas oculares e auditivos também são frequentes, visto que detritos e
substâncias irritantes podem causar conjuntivite e úlcera de córnea, enquanto sons intensos,
como explosões ou tempestades, podem provocar danos auditivos temporários ou permanentes
(Sakoh, 2009; Rasool et al., 2021; Nichiporuk et al., 2023).

2.4 MAUS TRATOS E ABANDONO ANIMAL
Os maus-tratos contra animais podem ser definidos como qualquer ato ou omissão que
cause sofrimento físico, emocional ou psicológico aos animais (CFMV, 2018). O abandono é
uma forma específica de maus-tratos, caracterizada pela negligência do responsável em prover
assistência e cuidados essenciais, como alimentação, abrigo, saúde e segurança (CFMV, 2018).
No entanto, nem todos os casos de maus-tratos envolvem o abandono, evidenciando a
complexidade dessa questão.
No Brasil, a legislação vigente criminaliza os maus-tratos contra animais. De acordo
com a Lei nº 9.605/1998, essa prática pode resultar em sanções penais e administrativas,
incluindo penas de três meses a um ano de detenção, além de multa (BRASIL, 1998). Para casos
específicos envolvendo cães e gatos, a Lei nº 14.064/2020 prevê punições mais severas, com
reclusão de dois a cinco anos (BRASIL, 2020).

2.4.1 Efeitos e Fatores da subsidência no abandono e maus tratos de cães e gatos
O abandono animal, além de configurar um ato ilegal, representa um problema global e
recorrente, impactando não apenas o bem-estar dos animais, mas também a sociedade como um
todo. A ausência de cuidados básicos contribui para o crescimento descontrolado da população
de animais em situação de rua, expondo-os a riscos como fome, doenças, acidentes e novas
formas de maus-tratos (Sousa & Soares, 2019; Garzón-Rosero & Chávez-Intriago, 2021;
Gomes et al., 2021; Estévez-Pérez, 2024).
27

O abandono de animais é uma questão complexa e multifatorial, influenciada por diversos
aspectos relacionados tanto ao comportamento dos próprios animais quanto às condições e
decisões dos tutores. Entre as principais razões para o abandono, destacam-se os distúrbios
comportamentais dos animais, como agressividade, latidos excessivos e destruição de objetos,
que podem gerar frustração nos tutores e levá-los a desistir da guarda responsável. (Castañeda
et al., 2002; Vucinic et al., 2009; Alves et al., 2013).
Outro aspecto fundamental é a falta de conscientização sobre a responsabilidade envolvida
na adoção de um animal (Garzón-Rosero & Chávez-Intriago, 2021). Muitas pessoas decidem
adotar por impulso, sem considerar o compromisso a longo prazo, os custos envolvidos e a
necessidade de adaptação do estilo de vida. Mudanças na rotina, como mudança de cidade,
casamento, nascimento de filhos ou até mesmo a falta de tempo para dedicar ao animal, acabam
levando ao abandono (Gourkow, 2001; Delabary, 2012; Alves et al., 2013).
Além disso, questões financeiras exercem um impacto significativo na decisão de manter
ou abandonar um animal. O custo da alimentação, vacinas, consultas veterinárias e outros
cuidados essenciais pode se tornar um peso para tutores que enfrentam dificuldades
econômicas, levando-os a abrir mão da posse responsável. Esse problema se agrava em
situações de crise financeira ou calamidades públicas, quando os recursos são ainda mais
escassos e a manutenção dos animais se torna um desafio (Alves et al., 2013; Faria et al., 2013;
Pereira, 2019).
Autores revelam que, em situações de desastres, a falha na evacuação de animais de
estimação está associada ao vínculo fraco entre tutor e animal, ou a baixos índices de apego e
compromisso dos responsáveis com seus tutelados (Heath et al., 2001a; Heath et al., 2001b).
Além disso, animais que não necessitavam de cuidados especiais, como medicação ou ração
específica, que não foram levados ao veterinário no ano anterior à calamidade e que não
possuíam identificação, eram mais propensos a serem deixados para trás. Sendo assim,
fenômenos como a subsidência podem acelerar o processo de abandono (Heath et al., 2001b;
Pereira, 2019).
Em um estudo conduzido por Heat (2001b) em Yuba, Califórnia, durante enchentes, revelou
que 25,4% dos entrevistados foram aconselhados a deixarem seus animais pelas autoridades de
emergência. Nesse contexto, é possível observar que além dos fatores comportamentais,
financeiros e de conscientização sobre guarda responsável, o despreparo da equipe que está à
28

frente da gestão de riscos corrobora diretamente para a intensificação do abandono (Pereira,
2019).
2.4.2 Medidas de contenção
A redução do abandono de animais em situações de desastres exige uma abordagem
ampla e integrada, que combine planejamento prévio, políticas públicas eficazes e
conscientização da população. Nesse contexto, a inclusão dos animais nos planos de emergência
se torna essencial, pois, conforme apontam Antonio e Valencio (2016), em desastres
hidrometeorológicos no Brasil, os animais costumam ser socialmente invisibilizados,
recebendo pouca ou nenhuma atenção por parte das autoridades. Essa realidade reforça a
necessidade de integrar a proteção animal aos protocolos de defesa civil, garantindo recursos e
estratégias específicas para o resgate e o cuidado desses seres vulneráveis (Sakoh, 2009).
Além das ações governamentais, o papel da sociedade civil e das organizações não
governamentais (ONGs) é crucial para garantir suporte logístico, abrigos temporários e
assistência veterinária. Exemplos notáveis desse protagonismo incluem a mobilização da
sociedade civil organizada na proteção de animais afetados pelo desastre em Teresópolis/RJ,
em 2011, e as operações de resgate realizadas em Nova Orleans após o furacão Katrina. Nessa
ocasião, equipes voluntárias percorreram bairros destruídos, utilizando barcos e caminhões para
resgatar animais que estavam à beira da fome e da desnutrição (Sakoh, 2009; Antonio &
Valencio, 2016).
Outro aspecto fundamental é o investimento em infraestrutura adequada para o resgate
e abrigo de animais durante desastres. Planos municipais de emergência devem contemplar
recursos específicos para os animais de companhia, garantindo que recebam os cuidados
necessários tanto durante quanto após eventos catastróficos (Vieira, 2016; Gomes et al., 2020;
Nunes, 2022). Isso inclui a criação de abrigos emergenciais adaptados para diferentes espécies,
com espaços adequados para acomodação segura, alimentação e atendimento veterinário.
No entanto, um dos principais desafios para a efetivação dessas medidas é a falta de
percepção social de que os animais também são vítimas em desastres naturais. De acordo com
Perrota (2022), essa visão faz com que decisões emergenciais priorizem bens materiais em
detrimento da vida animal. Para reverter essa situação, é fundamental investir em campanhas
educativas em escolas e para a sociedade em geral (Estévez-Pérez et al., 2024), além de
fortalecer parcerias comunitárias, com o treinamento de voluntários para o resgate e
29

acolhimento de animais afetados (Gomes et al., 2020). O uso estratégico da mídia, como a
divulgação de guias práticos para a evacuação de animais, também desempenha um papel
fundamental (Sousa & Soares, 2019). Com essas iniciativas, os tutores estarão mais preparados
para agir de maneira responsável e humanitária, garantindo a proteção e o bem-estar animal em
situações de desastre.

3.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A subsidência causada pela mineração impacta não apenas comunidades humanas, mas

também os animais, que frequentemente são negligenciados em planos emergenciais. O
abandono e os maus-tratos nesses cenários evidenciam a necessidade de integrar o bem-estar
animal às estratégias de resposta a desastres, minimizando impactos à saúde pública e ao meio
ambiente.
O vínculo entre tutores e animais desempenha um papel determinante na decisão de
abandono, tornando fundamental a promoção da posse responsável e da conscientização sobre
a importância do resgate animal em situações de calamidade.
A implementação de medidas preventivas e de contenção, como campanhas educativas,
infraestrutura adequada para acolhimento de animais e protocolos emergenciais bem
estruturados, se tornam essenciais para reduzir os impactos da subsidência. O envolvimento de
autoridades, organizações de proteção animal e da sociedade civil pode assegurar respostas
mais eficientes e humanizadas, ampliando a capacidade de resgate e realocação responsável.
Garantir a segurança e o bem-estar dos animais não apenas reduz os impactos negativos
sobre a fauna e a sociedade, mas também fortalece a resiliência das comunidades diante de
eventos futuros.

30

CAPÍTULO 2: INFLUÊNCIA DO MONITORAMENTO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL
NA DIMINUIÇÃO DA TAXA DE ABANDONO ANIMAL EM REALOCAÇÕES DE
DOMICÍLIOS NOS BAIRROS ACOMETIDOS PELA SUBSIDÊNCIA EM MACEIÓALAGOAS, BRASIL

Keityane De Oliveira e Silva, Helena Emília Oliveira Teodosio, Juliana de Oliveira
Bernardo, Sharacely de Souza Farias, Pierre Barnabé Escodro

RESUMO:
Em março de 2018, ocorreram abalos sísmicos em Maceió, no nordeste do Brasil,
causados pela mineração de sal-gema, que geraram à necessidade imediata de
realocação de todas as famílias, com consequência aditiva vinculada ao abandono
animal. Entre março de 2018 e setembro de 2020, a Defesa Civil havia registrado 567
animais nos endereços afetados e em fase de realocação, sendo que apenas 245
(43,2%) acompanharam as famílias. Em resposta, o Projeto Integra Animal foi criado,
implantando ações de educação ambiental; monitoramento das realocações; manejo
sanitário e controle populacional. Até dezembro de 2024, o projeto monitorou 2.559
mudanças e 6.673 animais. Comparado aos dados iniciais, ocorreu significativa
redução em relação ao abandono animal, indo de 56,8% para 5,45% em 2024. Esses
resultados ressaltam o impacto positivo do monitoramento das realocações para
proteção animal, conservação ambiental e saúde pública frente à emergência
geológica.
PALAVRAS-CHAVE: Mineração, Desamparo animal, Guarda-responsável, Mudança.

INTRODUÇÃO:
No início de 2018, moradores de cinco bairros da cidade de Maceió, capital de
Alagoas, notaram o surgimento de rachaduras em prédios e depressões no solo. A
preocupação aumentou com a ocorrência de um terremoto de magnitude 2,4 em 3 de
março do mesmo ano (Teixeira, 2024). Como resultado, mais de 14 mil edifícios foram
classificados como localizadas em áreas de risco, levando à realocação de
aproximadamente 55 mil pessoas para regiões mais seguras. Investigações
31

apontaram que a extração de sal-gema, realizada por mais de quatro décadas,
provocou a instabilidade das cavidades subterrâneas, o que levou à suspensão das
atividades da empresa mineradora nas áreas afetadas em 2019 (Hartwig et al., 2023).
Esse fenômeno desencadeou o deslocamento do sal no subsolo, resultando no
afundamento do terreno e na formação de fissuras em edificações (Lima Filho, 2023;
Mantovani et al., 2024).
No aspecto ambiental, a subsidência acarreta impactos severos à fauna e à
flora, uma vez que a formação de crateras, o colapso do solo e a contaminação de
áreas naturais comprometem ecossistemas inteiros, provocando a destruição de
habitats e afetando a biodiversidade local (Sakoh, 2009; Garcia et al., 2017; Fonseca
et al., 2017). Além disso, a remoção das famílias desses locais agrava o abandono de
animais domésticos, que passam a competir por alimento com predadores silvestres
e recorrem a fauna nativa como fonte de nutrição. Esse desequilíbrio ecológico pode
contribuir para a extinção de espécies locais e a disseminação de zoonoses, tornandose um problema ambiental e de saúde pública (Freitas, 2021; Loss et al., 2022;
Ribeiro, 2024).
Nesse cenário, medidas como educação ambiental focada na guarda
responsável, controle populacional de animais e ações de medicina veterinária
preventiva se mostram fundamentais para reduzir os impactos do abandono, uma
questão recorrente na América Latina, com sérias implicações para a saúde pública e
a economia (Oliveira et al., 2018; Amaral et al., 2024). Animais errantes, embora
consigam sobreviver em certas condições, estão frequentemente expostos a
situações adversas, impactando negativamente seu bem-estar físico e mental
(Castañeda et al., 2002; Stafford, 2007).
Dados divulgados pela mineradora responsável e pela Defesa Civil de Alagoas
em 2020 indicam que, no bairro do Mutange — o primeiro a ser interditado e demolido
—, foram cadastrados 567 animais antes da desocupação, mas apenas 245 foram
realocados. Isso sugere que 56,8% desses animais foram abandonados ou fugiram
durante o processo de evacuação da área (CPRM, 2020).
Em resposta a essa problemática, o Ministério Público Estadual de Alagoas
(MPE-AL) iniciou, em outubro de 2020, uma série de reuniões com a mineradora e
outros agentes envolvidos para desenvolver estratégias voltadas ao enfrentamento do
32

abandono e ao controle populacional de animais nos bairros afetados pela
subsidência em Maceió. A partir dessas discussões, foi criado o Projeto Integra
Animal, resultado de uma parceria entre a mineradora e a Universidade Federal de
Alagoas (UFAL), sob supervisão do MPE-AL. A iniciativa tem como principais objetivos
o acolhimento de animais, a promoção de educação ambiental sobre guarda
responsável e abandono, além da esterilização de cães e gatos nos bairros atingidos.
Suas ações estão fundamentadas em três pilares: Educação, Saúde Pública e BemEstar Animal.
Este artigo tem como objetivo avaliar os impactos do mapeamento e das ações
de educação ambiental do Projeto Integra Animal no acolhimento e realocação de
animais, visando reduzir os casos de abandono nos bairros de Maceió, Alagoas.

MATERIAL E MÉTODOS
Esta pesquisa-ação foi aprovada pela Comissão de Ética no Uso de Animais
da Universidade Federal de Alagoas (CEUA/UFAL) nº 33/2020 e registrado na PróReitoria de Extensão da Universidade Federal de Alagoas sob identificação PJ 1742020.
Os dados analisados foram coletados por meio das atividades desenvolvidas
pelo projeto de extensão Integra Animal, realizadas entre outubro de 2020 e dezembro
de 2024, nos bairros Bebedouro, Farol, Bom Parto, Mutange e Pinheiro, em Maceió.
O projeto acompanhou as famílias tutoras de animais ao longo do processo de
realocação das áreas atingidas pela subsidência, garantindo suporte até a conclusão
do ressarcimento financeiro e a realocação definitiva. Em diversas situações, as
famílias precisaram ser realocadas até três vezes, incluindo mudanças para bairros e
municípios vizinhos.
As informações registradas incluíam o número de residências monitoradas
durante a realocação, além de dados como nome do tutor, endereço, quantidade e
espécie dos animais sob sua responsabilidade, tipo de transporte utilizado na
mudança, condições das caixas de transporte disponibilizadas pelas empresas
contratadas, ocorrências de fugas e número de animais resgatados. O monitoramento
era contínuo e abrangia todas as etapas da transferência dos tutores com seus
33

animais. Para isso, visitas prévias eram realizadas 48 horas antes da mudança,
garantindo a imunização antirrábica, a administração de antiparasitários internos e
externos e a orientação sobre os cuidados necessários no dia da transferência.
Para otimizar o processo, foram promovidos treinamentos a cada quatro meses
para os profissionais envolvidos na realocação, incluindo funcionários das
transportadoras, operários das empresas de demolição, assistentes sociais, agentes
da Defesa Civil e equipes de segurança.
Além disso, a iniciativa fortaleceu a educação ambiental, promovendo a
conscientização dos tutores sobre as necessidades físicas e emocionais dos animais,
práticas adequadas de alimentação, abrigo e cuidados veterinários, bem como a
importância do controle populacional para minimizar o abandono. Também foram
abordados os impactos ambientais causados por animais domésticos semidomiciliados ou de vida livre, seus efeitos sobre a fauna e a flora e os riscos da
transmissão de zoonoses, incentivando a vacinação e o controle de parasitas.
A ação ainda enfatizou a importância da participação comunitária na redução
de conflitos relacionados a animais soltos, barulho e higiene, ao mesmo tempo em
que esclareceu os direitos e deveres dos tutores quanto à posse responsável. Durante
o processo de realocação, foi realizada uma supervisão direta para garantir a
segurança dos animais, seguida de uma visita pós-mudança, assegurando sua
adaptação ao novo ambiente. Nessa etapa, também foram concluídos os protocolos
sanitários e, quando autorizado pelo tutor, realizada a esterilização dos animais.
Os dados foram extraídos do banco de dados do Projeto Integra Animal,
tabulados e filtrados antes de serem organizados para análise estatística. A
abordagem descritiva foi utilizada, e a correlação de Pearson foi aplicada para avaliar
a relevância das associações encontradas.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram acompanhadas e reassentadas 2.559 famílias ao longo do período
analisado, com monitoramento de 534 residências em 2020, 1.320 em 2021, 435 em
2022, 236 em 2023 e 34 em 2024. A variação no número de residências reflete a
diferença no tempo de acompanhamento, que foi de três meses em 2020 e de 12
34

meses nos anos seguintes. Em 2024, a taxa de realocação apresentou uma redução
significativa em relação aos anos anteriores, evidenciando o avanço das estratégias
voltadas à desocupação das áreas de risco. Em relação a distribuição geográfica,
observou-se que o bairro com o maior número de mudanças foi Bebedouro (971/38%),
seguido por Pinheiro (576/22,5%), Farol (574/22,4%), Bom Parto (383/15%) e
Mutange (55/2,1%).
Ao longo do tempo, 6.673 animais foram atendidos e transferidos para novas
localidades, resultando em uma média de 2,6 animais por residência. A distribuição
percentual ao longo dos anos foi de 20% (1.340) entre outubro e dezembro de 2020,
48% (3.243) entre janeiro e dezembro de 2021, 16% (1.071) em 2022, 14% (909) em
2023 e 2% (110) em 2024 (Figura 2). A análise estatística revelou uma correlação
negativa de –0,75 entre os anos, indicando uma tendência de queda no número de
animais atendidos e realocados ao longo do tempo, diretamente associada à eficácia
do processo de desocupação.
De acordo com informações da Defesa Civil, antes da implantação do projeto,
dos 567 animais cadastrados somente 245 foram realocados (43,2%), representando
o período de março de 2018 a setembro de 2020. No entanto, após a adoção das
iniciativas e a realização do diagnóstico da região, entre outubro de 2020 e dezembro
de 2024, houve um crescimento significativo de 91,5% no número total de animais
cadastrados, assim como um aumento de 90,4% nas realocações monitoradas.
Dentro do escopo do programa Integra Animal, foram registrados 2.531 gatos,
2.254 cães e 1.188 animais de outras espécies, incluindo equinos, suínos, aves,
quelônios, peixes, roedores e coelhos. Observa-se uma forte correlação positiva (1)
entre os registros de cães e gatos, sugerindo que o número de atendimentos a essas
espécies tende a oscilar de maneira conjunta ao longo do tempo. Em contrapartida,
as correlações entre gatos e demais espécies, assim como entre cães e outros
animais, apesar de também serem positivas, demonstram uma intensidade menor.
Esse fenômeno pode estar associado ao fato de cães e gatos serem animais de
companhia, e, por isso, possuírem uma presença mais ativa no cotidiano humano.
Ao examinar os dados separadamente por espécie, observou-se que os gatos
obtiveram a maior quantidade de registros na maioria dos períodos analisados: 37%
em 2020, 39,6% em 2021, 37,3% em 2022 e 47,3% em 2024 (Figura 1). Um fator que
35

pode explicar esse comportamento é a crença amplamente difundida entre os
responsáveis de que os felinos são indivíduos autossuficientes e demandando menos
cuidados do que os cães. Essa percepção, baseada no senso comum, pode ter
influenciado os resultados, assim como a maior propensão dos gatos a fugirem
durante o processo de realocação (Pereira, 2019).

1400

1285

1200
1000

1133

800

600
400

496
465

400

825

394

386

379

298

277

200

52
37
21

225
0

2020

2021
GATOS

2022
CÃES

2023

2024

OUTROS

Figura 1 – Número de animais atendidos por espécie durante as realocações nos bairros acometidos
pela subsidência em Maceió, no período de outubro de 2020 a dezembro de 2024 na cidade de Maceió,
Alagoas. Projeto Integra Animal (2024).

Para viabilizar a realocação dos animais atendidos, foram analisadas as
opções de transporte disponíveis. A maior parte das transferências, um total de 4.192
(78,7%), foi realizada através de transportadoras fornecidas pela mineradora
responsável, enquanto 1.136 (21,3%) ocorreu de maneira particular, ficando a cargo
dos próprios tutores.
Nas mudanças conduzidas pela transportadora, avaliou-se a qualidade e a
adequação das caixas utilizadas. Entre as 244 caixas de transporte inspecionadas, 89
(36,5%) apresentavam algum tipo de dano estrutural. Além disso, em 151 das 4.192
36

(3,6%) mudanças feitas pela transportadora, as caixas não chegaram a tempo.
Quanto aos casos de fuga, foram registrados dois cães (1%) e 204 gatos (99%),
sugerindo uma relação entre caixas ausentes ou avariadas e a evasão dos animais,
problema já abordado por Pereira (2019).
Os felinos se destacaram nas ocorrências de fuga, possivelmente devido à sua
alta sensibilidade a mudanças ambientais. O estresse gerado pelo deslocamento os
leva a buscar locais mais seguros e confortáveis, conforme apontado por Nascimento
et al. (2022). Para minimizar esses episódios, o projeto adotou diversas estratégias
preventivas e corretivas, incluindo treinamentos para a equipe envolvida, visitas
domiciliares pós-mudança com equipamentos de captura e um canal de comunicação
contínuo para acompanhamento dos casos junto aos tutores. Além disso, foi
implementado um sistema de monitoramento que incluiu a alimentação de colônias
de animais errantes nas áreas próximas, por meio da Ronda Noturna auxiliando na
identificação e recuperação de desaparecidos.
A análise das taxas de fuga revelou uma queda expressiva ao longo dos anos,
especialmente entre 2020 (87/1340 - 6,5%) e 2021 (61/3243 - 1,9%), bem como entre
2022 (44/1071 - 4,12%) e 2023 (8/909 - 0,9%). Entretanto, em 2024, houve um leve
aumento (6/110 - 5,45%), atribuído à ausência de confinamento prévio por parte de
alguns tutores, o que facilitou as fugas. Apesar disso, a correlação de –0,98 indica
uma forte tendência de redução desses incidentes ao longo do tempo.
Após a ocorrência de fugas, a equipe realizava intervenções nos locais para
resgatar os animais e reintegrá-los aos seus tutores. A taxa de recuperação variou
conforme a espécie, atingindo 100% para cães, enquanto, entre os felinos, o
percentual foi de 20,6% (42 de 204). Ao avaliar os índices por período, observou-se
que em 2020 a taxa de recuperação foi de 32,6% (28/86), seguida por 8,2% (5/61) em
2021, 11,6% (5/43) em 2022, 12,5% (1/8) em 2023 e 16,67% (1/6) em 2024 (Figura
2). Além disso, a correlação positiva de 0,85 indica que a quantidade de recuperações
tende a acompanhar as variações no número de fugas.

37

100
90

86

80

70

61

60
50

43

40
30

28

20
5

10

8

5

6
1

0

2020

2021

2022
RECUPERADOS

2023

1

2024

FUGAS

Figura 2 – Comparação da porcentagem de fugas e animais recuperados durante as realocações nos
bairros acometidos pela subsidência em Maceió- AL no período de outubro de 2020 a dezembro de
2024. Projeto Integra Animal (2024).

Os treinamentos quadrimestrais voltados para os colaboradores foram
realizados uma vez em 2020 e três vezes por ano entre 2021 e 2024. O objetivo
dessas capacitações era conscientizar as equipes envolvidas no processo de
realocação sobre a importância do monitoramento para reduzir ocorrências de fuga.
Além disso, os trabalhadores da área de segurança e dos canteiros de obra receberam
orientações para identificar e lidar com possíveis casos de abandono. No total, 583
pessoas participaram das formações ao longo do período, distribuídas da seguinte
forma: 42 em 2020, 157 em 2021, 145 em 2022, 121 em 2023 e 118 em 2024,
resultando em uma média aproximada de 45 participantes por ciclo.
Quanto ao controle sanitário dos animais, 4.716 (67%) receberam vacina
antirrábica e foram submetidos à vermifugação. No entanto, apenas 2.302 (33%)
possuíam carteira de vacinação e seguiam um protocolo de imunização atualizado,
evidenciando a baixa adesão a medidas preventivas. Esses números estão alinhados
com os dados da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE, 2009), que aponta
38

desafios econômicos como um dos principais obstáculos ao acesso a serviços
veterinários em diversos países em desenvolvimento. Além disso, estudos indicam
que continentes como África e Ásia ainda enfrentam dificuldades na implementação
de políticas públicas eficazes para medicina preventiva (Alleweldt et al., 2012; Elelu et
al., 2019). Essa falta de estrutura reflete diretamente no baixo nível de cuidado com
os animais, especialmente entre populações mais vulneráveis, situação que também
foi observada nesta pesquisa (OIE, 2009).
A ausência de medidas preventivas eficientes impacta não apenas a saúde dos
animais, mas também a saúde pública, contribuindo para a disseminação de zoonoses
como a raiva. A doença é responsável por um número estimado entre 24 mil e 60 mil
mortes por ano em nível global (Alleweldt et al., 2012; Regea, 2017). Somente na Ásia,
ocorrem cerca de 31 mil óbitos anuais, dos quais aproximadamente 20 mil são
registrados apenas na Índia. Além das consequências para a saúde, os impactos
econômicos da doença são expressivos, com prejuízos que chegam a 5,5 bilhões de
dólares (US$) por ano em todo o mundo (Regea, 2017; Franc et al., 2018).
Segundo Regea (2017), na América Latina, aproximadamente 60% dos cães
são vacinados. No entanto, os índices de cobertura vacinal são bem menores em
regiões como Ásia e África, onde apenas 16% e 14% da população canina,
respectivamente, recebe imunização. Os resultados desta pesquisa divergem dos
dados latino-americanos, já que apenas 33% dos animais analisados apresentavam
um protocolo vacinal atualizado.
Ao longo do período, também foram promovidas ações voltadas ao controle
populacional dos animais. No total, 873 cães (282 fêmeas e 591 machos) e 1.711
gatos (828 fêmeas e 883 machos) foram esterilizados, representando 38,7% e 67%
das populações canina e felina, respectivamente. A castração é uma estratégia
fundamental para diminuir a quantidade de animais errantes, atenuando impactos
ambientais, prevenindo a disseminação de zoonoses, promovendo o bem-estar
animal e combatendo o abandono (Howe, 2006; Garcia et al., 2018). Entretanto, a
pesquisa apontou uma resistência considerável por parte dos tutores, com taxas de
recusa de 61,3% (1381/2254) para cães e 33% (820/2531) para gatos.
Para acompanhar possíveis casos de abandono nas áreas desocupadas, foram
realizadas rondas noturnas e diurnas. No ano de 2022, observou-se um aumento no
39

número de registros, seguido por uma redução expressiva nos anos posteriores
(Figura 3). A análise dos dados revelou uma correlação negativa (-0,34), indicando
uma tendência gradual de queda ao longo do tempo. Esses resultados demonstram
que as estratégias implementadas pelo projeto, aliadas a ações de conscientização,
mostraram-se eficazes na redução do abandono e na promoção da posse
responsável.

424

450
400
350

322
223

300
250

123

200
150
100 55
50
0
2020

2021

2022

2023

2024

Figura 3 – Número de abandono animal registrado pelo Integra Animal no período de outubro de 2020
a dezembro de 2024. Projeto Integra Animal (2024).

Apesar dos resultados satisfatórios demonstrados pelo presente trabalho é
importante ressaltar alguns vieses que o mesmo trás. É possível que o número de
abandonos registrados no período avaliado seja ainda maior do que o contabilizado,
visto que pessoas que transitavam pelos bairros acometidos poderiam recolher
aqueles animais e levá-los para casa. Além disso, é factível que animais deixados nas
áreas afetadas tenham migrado para outras localidades, tentando retornar a seus
locais de origem.
Fatores externos como a condição econômica e/ou social de tutores residentes
nos bairros ou mesmo de áreas circunvizinhas podem ter influenciado no abandono,
uma vez que os responsáveis com menor poder aquisitivo não tinham como fornecer
os cuidados básicos que os indivíduos necessitavam. Além disso, era de
40

conhecimento público que animais alocados naquelas mediações não ficavam
desamparados, pois recebiam hospedagem, alimentação e atendimento veterinário.
É válido destacar que devido aos vieses do estudo atual, este não é passível
de replicação, pois retrata uma situação pontual vivenciada no município de Maceió.
Porém, as ações desenvolvidas podem servir como modelo de Reintegração para
outras localidades que vivem cenários semelhantes.

CONCLUSÃO:
O acompanhamento e a assistência prévia e posterior às mudanças
contribuíram significativamente para a redução das fugas e abandonos de animais
durante o período de execução, destacando a importância de intensificar o
monitoramento de felinos e a supervisão das transportadoras envolvidas no processo.
Esse impacto positivo é reforçado pelo elevado número de animais realocados sob
rigoroso monitoramento e pela baixa taxa de fugas, demonstrando que ações como a
educação ambiental, a implementação de protocolos sanitários e a castração de
animais têm papel essencial na promoção do bem-estar animal e na saúde pública. A
continuidade dessas iniciativas, aliada ao monitoramento contínuo das áreas em
Maceió-AL, permitirá a expansão do projeto e a prevenção de novos casos de
abandono nas regiões afetadas, consolidando os avanços alcançados.

REFERÊNCIAS
Alleweldt, F., Upton, M., Kara, S., & Beteille, R. (2012). Cost of national prevention
systems for animal diseases and zoonoses in developing and transition countries. Rev
Sci Tech, 31, 619-30.
Amaral, L. R., da Silva Peixoto, M., Monteiro, P., dos Santos, G. C. S., & Mesquita, M.
O. (2024). Ações de educação ambiental, saúde animal e controle populacional de
cães e gatos em comunidades urbanas reassentadas em Porto Alegre. Revista da
Extensão, 23-31.
Castañeda, H., Castellanos, A., & Calderón, N. (2002). Evaluación del comportamiento
social de un grupo de individuos de la población canina callejera en la Gaitana
41

localidad de Suba (Trabalho de conclusão de curso). Universidad Distrital Francisco
José de Caldas, Facultad de Ciencias y Educación.
CPRM- Serviço Geológico do Brasil. (2020). Informativo Técnico 01/2002:
Monitoramento da instabilidade do terreno nos bairros pinheiro, Mutange, Bebedouro
e

Bom

Parto

(Maceió-AL).

Disponível

em:

http://dspace.cprm.gov.br/bitstream/doc/21734/1/informe_01_instabilidade_maceio.p
df.
Defensoria Pública da União (DPU) e Ministério Público Federal (MPF) divulgam nota
conjunta

sobre

o

caso

Braskem,

2020.

Disponível

em:

https://direitoshumanos.dpu.def.br/dpu-e-mpf-divulgam-nota-conjunta-sobre-o-casobraskem/.
Elelu, N., Aiyedun, J. O., Mohammed, I. G., Oludairo, O. O., Odetokun, I. A.,
Mohammed, K. M., ... & Nuru, S. (2019). Neglected zoonotic diseases in Nigeria: Role
of the public health veterinarian. Pan African Medical Journal, 32(1).
Fonseca, M. G., Anderson, L. O., Arai, E., Shimabukuro, Y. E., Xaud, H. A., Xaud, M.
R., ... & Aragão, L. E. (2017). Climatic and anthropogenic drivers of northern Amazon
fires during the 2015–2016 El Niño event. Ecological applications, 27(8), 2514-2527.
Franc, K. A., Krecek, R. C., Häsler, B. N., & Arenas-Gamboa, A. M. (2018). Brucellosis
remains a neglected disease in the developing world: a call for interdisciplinary
action. BMC public health, 18, 1-9.
Freitas, L. I. (2021). Impactos Sobre A Biodiversidade Da Fauna Devido À Predação
Por Felinos Domésticos. Revista Multidisciplinar de Educação e Meio Ambiente, 2(2),
62-62.
Garcia, L. C., Ribeiro, D. B., de Oliveira Roque, F., Ochoa‐Quintero, J. M., & Laurance,
W. F. (2017). Brazil's worst mining disaster: corporations must be compelled to pay the
actual environmental costs. Ecological applications, 27(1), 5-9.
Garcia, R. C., Amaku, M., Biondo, A. W., & Ferreira, F. (2018). Dog and cat population
dynamics in an urban area: evaluation of a birth control strategy. Pesquisa Veterinária
Brasileira, 38(03), 511-518.

42

Hartwig, M. E., Gama, F. F., da Silva, J. L., Jofré, G. C., & Mura, J. C. (2023). The
significance of geological structures on the subsidence phenomenon at the Maceió salt
dissolution field (Brazil). Acta Geotechnica, 18(10), 5551-5573.
Howe,

L.

M.

(2006).

Surgical

methods

of

contraception

and

sterilization. Theriogenology, 66(3), 500-509.
Lima Filho, W. A., Levino, N. A., & Guanieri, P. (2023). Mining-Business: Analysis of
the Socio-Environmental Impacts of an Environmental Disaster in the City of Maceió,
Brazil.
Loss, S. R., Boughton, B., Cady, S. M., Londe, D. W., McKinney, C., O'Connell, T. J.,
... & Robertson, E. P. (2022). Review and synthesis of the global literature on domestic
cat impacts on wildlife. Journal of Animal Ecology, 91(7), 1361-1372.
Mantovani, J. R., Alcântara, E., Lima, T. A. S., & Simões, S. (2024). An assessment of
ground subsidence from rock salt mining in Maceió (Northeast Brazil) from 2019 to
2023 using remotely sensed data. Environmental Challenges, 16, 100983.
Nascimento, A. T. D. B., Pedrosa, P. L., Nascimento, D. A., Vale, I. S., Ventura, B. P.,
de Paulo Moreira, L., ... & Aptekmann, K. P. (2022). Estresse em gatos:
Revisão. Pubvet, 16, 133.
Oliveira Jerônimo, R. E., da Silva, J. G., da Silva Filho, L. A. P., de Medeiros, L. K. S.,
de Brito, L. A., & de Azevedo, C. F. (2018). Ações de educação ambiental para o bemestar animal com crianças do ensino infantil no município de Campina Grande-PB.
Revista Latino-Americana de Direitos da Natureza e dos Animais, 1(1), 126-141.
Pereira, Z. C. M. (2019). Atuação médico veterinária em situação de catástrofes
naturais ou induzidas pelo homem.
Regea, G. (2017). Review on economic importance’s of rabies in developing countries
and its controls. Archives of preventive medicine, 2(1), 015-021.
Ribeiro, C., Oshio, L. T., & Dias, A. M. (2024). Os cães ferais e seus impactos no meio
ambiente: Revisão. Pubvet, 18(09), e1652-e1652.
Sakoh, M. (2009). Unnatural disasters. The impacts of climate-related emergencies on
wildlife, livestock, and companion animals.
43

Stafford, K. (2007). The welfare of dogs. The Netherlands: Springer.
Teixeira, A. C., Bakon, M., Perissin, D., & Sousa, J. J. (2024). InSAR Analysis of
Partially Coherent Targets in a Subsidence Deformation: A Case Study of
Maceió. Remote Sensing, 16(20), 3806.
World Organisation for Animal Health (OIE). (2009). Meeting of the OIE Terrestrial
Animal Health Standards Commission: Paris, 7–18 September 2009. Retrieved from
https://citeseerx.ist.psu.edu/document?repid=rep1&type=pdf&doi=7de05455987d537
66e05a4a768658ab3d348177

44

CAPÍTULO 3: PREVALÊNCIA DE AFECÇÕES EM CÃES E GATOS RESGATADOS
NOS BAIRROS ACOMETIDOS PELA SUBSIDÊNCA NA CIDADE DE MACEIÓ-AL

Keityane De Oliveira e Silva, Jussyane Maria Bezerra, Sharacely de Souza Farias,
Pierre Barnabé Escodro

RESUMO
A subsidência ocorrida em Maceió-AL, decorrente da exploração de sal-gema,
resultou no abandono de muitos animais, aumentando sua vulnerabilidade a doenças
e impactando o bem-estar animal. Este estudo analisou a prevalência de afecções em
cães e gatos acolhidos pelo Projeto Integra Animal entre março de 2021 e dezembro
de 2024, analisando a origem da doença, o sistema acometido e o tipo de afecção.
Foram registradas 6.134 complexidades, das quais 5.468 (89,1%) envolveram animais
não domiciliados. As doenças infecciosas foram predominantes em ambas as
espécies, correspondendo a 43,9% dos casos nos gatos e 34,3% nos cães, com
destaque para o Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV) e o Complexo Respiratório
Felino em felinos e para a erliquiose em cães. A análise etária revelou que os adultos
errantes de ambas espécies e felinos adultos de tutor foram os mais acometidos por
doenças, enquanto cães idosos tutelados apresentaram maior prevalência de
neoplasias (29,3%) e inflamações (24,1%). Além disso, as afecções dermatológicas,
principalmente infestações por ectoparasitas e infecções cutâneas, foram comuns em
caninos e felinos. Os resultados evidenciam a necessidade de estratégias de controle
sanitário, vacinação e programas de guarda responsável, além da inclusão de
protocolos específicos para o manejo de animais em situações de desastres
ambientais, a fim de minimizar os impactos sobre a saúde animal e pública.
PALAVRAS-CHAVE: saúde animal, doenças infecciosas, abandono, epidemiologia,
desastre ambiental.

INTRODUÇÃO
Em 2018, os bairros Mutange, Bebedouro, Bom Parto, Farol e Pinheiro, em
Maceió (AL), foram impactados por abalos sísmicos, fissuras e crateras decorrentes
da exploração de sal-gema, desencadeando uma das maiores crises ambientais do
45

Brasil (Gomes & Brandão, 2019; Vassileva et al., 2021). O terremoto evidenciou os
riscos da mineração, levando à suspensão das operações da mineradora em 2019,
ao bloqueio de vias e edifícios públicos, ao deslocamento de 55 mil pessoas e ao
abandono de animais (Hartwig et al., 2023; Mantovani et al., 2024; Antunes & Silva,
2024). Durante a realocação das famílias do Mutange, em 2020, constatou-se que
56,8% dos animais cadastrados foram abandonados ou fugiram no processo de
realocação (Gomes & Brandão, 2019; CPRM, 2020). Dados do Projeto Integra Animal
corroboram essa realidade, indicando que 63% dos animais acolhidos foram
abandonados, enquanto 3,1% fugiram durante a mudança.
O abandono impacta significativamente o bem-estar animal. Embora algumas
pesquisas sugiram que animais errantes possam manter um nível de bem-estar
aceitável, sua vulnerabilidade a problemas de saúde física e mental, além da
exposição a maus-tratos, reforça a gravidade da situação (Castañeda et al., 2002;
Stafford, 2007).
Situações de calamidade agravam essa vulnerabilidade, tornando os animais
mais suscetíveis à desidratação e desnutrição devido à escassez ou baixa qualidade
dos recursos disponíveis (Sakoh, 2009; Austin, 2013; Leonard et al., 2013). Além
disso, eles podem sofrer ferimentos causados por destroços, produtos químicos e
superfícies aquecidas, bem como agressões de outros animais, que se tornam mais
hostis diante da competição por alimento (Macdonald et al., 1987; Sakoh, 2009;
Hwang et al., 2018; Loss et al., 2022).
Nesse contexto, a exposição a ambientes contaminados também aumenta o
risco de infecções bacterianas, virais e fúngicas, além da proliferação de ectoparasitas
e endoparasitas, favorecendo a disseminação de microrganismos (Macdonald et al.,
1987; Sakoh, 2009; Protopopova et al.; Grieco et al., 2021).
Diante desses riscos, países que incluem animais em seus planos de
contingência adotam protocolos específicos para garantir sua segurança e bem-estar,
destacando a necessidade de resgate e assistência adequada (Nunes, 2022).
Medidas como a seleção de locais apropriados para a hospedagem, garantindo
condições ambientais semelhantes às originais, e o fornecimento de alimentação e
tratamentos específicos para cada tipo de afecção são essenciais para minimizar os
impactos dessas crises sobre os animais.
46

Nesse contexto, para mitigar os impactos da subsidência em Maceió-AL, foi
desenvolvida uma agenda de ações resolutivas (DPU, 2020; Mantovani et al., 2024)
em colaboração com o Ministério Público Estadual de Alagoas (MPE-AL), a empresa
mineradora e outras instituições. Dentro dessa estratégia, foi criado o Projeto Integra
Animal, uma iniciativa do Grupo de Pesquisa e Extensão em Equídeos e Saúde
Integrativa da Universidade Federal de Alagoas, em parceria com a mineradora. O
projeto tem como objetivo resgatar e acolher animais abandonados, promover a
conscientização sobre maus-tratos e guarda responsável, além de implementar
métodos de captura e esterilização de animais errantes, com foco na educação, saúde
pública e bem-estar animal.
Este estudo tem como objetivo analisar a prevalência das afecções em cães e
gatos acolhidos após a subsidência, identificar as principais doenças, sua origem e os
sistemas afetados por ela.

MATERIAL E MÉTODOS
Esta pesquisa ação foi aprovada pela Comissão de Ética no Uso de Animais da
Universidade Federal de Alagoas (CEUA/UFAL) nº 33/2020 e registrado na PróReitoria de Extensão da Universidade Federal de Alagoas sob identificação PJ 1742020.
A pesquisa utilizou dados provenientes das complexidades de cães e gatos
errantes e de tutor hospedados pelo Projeto Integra Animal, entre o período de março
de 2021 a dezembro de 2024. Esses dados foram coletados por meio de fichas
clínicas, chamadas "complexidades", que eram periodicamente enviadas à empresa
mineradora para relatar a situação geral dos animais. Cada complexidade incluía
informações sobre o estado clínico do animal no momento de sua entrada no projeto
e qualquer comorbidade que necessitasse de tratamento
As complexidades continham dados como nome, espécie, sexo, idade,
endereço, código de registro do animal, nome do responsável, queixa clínica principal,
tipo e origem da doença, sistema orgânico afetado, tratamento realizado, e a data
(mês e ano) do atendimento.

47

Dependendo do tempo em que o animal permanecia no projeto, este podia ter
mais de uma complexidade, caso desenvolvesse uma nova doença ou apresentasse
uma enfermidade crônica que requeresse acompanhamento periódico. Além disso,
uma complexidade era obrigatoriamente aberta no momento da entrada do animal no
projeto, ou quando era necessária uma atualização no protocolo sanitário.
Os

dados

coletados

foram

organizados,

tabulados

e

analisados

estatisticamente de forma descritiva. O teste Qui-quadrado de aderência foi utilizado
para verificar a existência de diferenças significativas nos resultados obtidos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Entre março de 2021 e dezembro de 2024, foram registradas 6.134
complexidades, das quais 5.468 (89,1%) envolveram animais não domiciliados e/ou
errantes e 666 (10,9%) animais com tutor (Figura 1). Do total, 1.676 (27,3%) eram
cães e 4.458 (72,7%) gatos (Figura 1), sendo a média mensal de 133 atendimentos.
A maior prevalência de consultas a animais errantes pode estar associada ao elevado
número de hospedagens dessa classe no período avaliado (91,3% – 1.667/1.826).
Além disso, os felinos foram examinados com maior frequência do que os cães, o que
pode estar envolvido com a maior predominância dessa espécie entre os animais
acolhidos (80,6% – 1.472/1.826).

666

1.676

5.468

ERRANTES

TUTOR

4.458

CÃES

GATOS

48

Figura 1 – Origem e espécie dos animais atendidos pelo Integra Animal no período de março de 2021
a dezembro de 2024. Projeto Integra Animal (2024).

Dos 6.134 animais atendidos, 4.539 (74%) foram considerados saudáveis,
sendo 3.187 gatos (70,2%) e 1.352 cães (29,8%). Entre esses, as fêmeas
representaram 53,7% (2.439/4.539), enquanto os machos corresponderam a 46,3%
(2.100/4.539), indicando maior prevalência de fêmeas saudáveis (p < 0,05).
Quanto à faixa etária, 2.209 (48,7%) dos animais saudáveis tinham até um ano
de idade (1.754 gatos e 455 cães), 1.990 (43,8%) estavam entre um e seis anos (1.312
gatos e 678 cães) e 340 (7,5%) tinham mais de seis anos (121 gatos e 219 cães). De
maneira geral, os filhotes apresentaram melhores condições de saúde, enquanto entre
os cães, os indivíduos de um a seis anos foram os mais prevalentes nesse grupo.
Os animais não domiciliados apresentaram maior probabilidade de adoecer em
comparação aos tutelados (26,8% vs. 19,7%). Essa vulnerabilidade pode ser atribuída
à exposição frequente a patógenos devido ao contato com ambientes insalubres,
deficiência nutricional, estresse crônico, ausência de vacinação e maior incidência de
traumas, como brigas e atropelamentos (Sakoh, 2009; Pesavento & Murphy, 2014;
Day et al., 2016).

6000

5468

5000
4000

3000

2000

1466

1000

656
129

0
DOENTES
TUTOR

SAUDÁVEIS
ERRANTES

49

Figura 2 – Comparação entre animais saudáveis e doentes, sendo de tutor e errantes, atendidos pelo
Integra Animal no período de março de 2021 a dezembro de 2024. Projeto Integra Animal (2024).

Entre a classe dos não domiciliados, felinos adultos foram os mais acometidos
por doenças (63,5% – 807/1271), seguidos pelos filhotes (26,5% – 337/1271) e idosos
(10% – 127/1271). Entre os cães, os adultos também apresentaram maior
predisposição a doenças (45,5% – 121/266), seguidos pelos filhotes (34,6% – 92/266)
e idosos (19,9% – 53/266). Já entre os cães com tutor, os idosos foram os mais
afetados (55,2% – 32/58).
A maioria das doenças diagnosticadas em felinos apresentou origem
Infecciosa, correspondendo a 43,9% dos casos (562/1271). Em seguida, destacaramse as doenças parasitárias, com 23,7% (298/1271), as inflamatórias, com 11,8%
(150/1271), e as traumáticas, representando 11,6% (147/1271). As doenças
Adquiridas corresponderam a 7,3% (93/1271), enquanto as congênitas e neoplásicas
foram menos frequentes, com 0,9% (11/1271) e 0,8% (10/1271), respectivamente.
Entre as comorbidades mais prevalentes, aquelas com incidência superior a
10% do total de casos incluíram o Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV), com 16,3%
(207/1271), o Complexo Respiratório Felino, representando 16,1% (205/1271), e as
doenças parasitárias, tanto por ectoparasitas, com 12,6% (160/1271), quanto por
endoparasitas, com 12,1% (154/1271).
A infecção pelo FIV foi significativamente mais comum em gatos errantes
adultos (82,6%), especialmente em machos (75,8%), um achado que corrobora os
dados de Burling et al. (2017), em um estudo realizado nos Estados Unidos e no
Canadá com 62.301 felinos. Esse padrão pode ser atribuído ao comportamento
territorial e agressivo dos machos, que facilita a transmissão do vírus por meio de
mordidas durante disputas.
No caso do Complexo Respiratório Felino, observou-se uma maior incidência
em fêmeas (55,6% – 114/205). Os dados do presente estudo divergem com o de
outros autores (Rodrigues, 2012; Matos, 2021), onde relatam que machos foram os
mais acometidos. Já para Burns e colaboradores (2011), não houve diferença
significativa entre fêmeas e machos. A partir desses resultados é possível observar
50

que gênero não interfere na suscetibilidade a doença, convergindo com Gaskell et al.
(2007) que afirma não haver predisposição sexual.
Quanto as faixas etárias houve predomínio em adultos (50,2% – 103/205) e
filhotes (43,4% – 89/205), contrapondo outros estudos (Becker et al., 2020; Matos,
2021), que revelam um maior índice de felinos até um ano como mais acometidos.
Além disso, verificou-se que gatos com tutor apresentaram uma taxa mais elevada da
doença (19,7% – 14/71) em comparação aos errantes (15,9%), possivelmente
associado ao maior contato com animais errantes já expostos aos patógenos
envolvidos, bem como ao estresse na vida em abrigos.
Nos casos de ectoparasitoses, como infestações por ácaros, pulgas, piolhos e
carrapatos, não houve diferença significativa entre os sexos, estando de acordo com
os resultados encontrados por Mendes-de-Almeida et al. (2011), onde estudaram a
ocorrência de ectoparasitas em 292 gatos urbanos na cidade do Rio de Janeiro. No
entanto, os gatos adultos foram os mais afetados (58,8% – 94/160), o que pode estar
relacionado a fatores ambientais e deficiências no sistema imunológico.
Já entre os gatos acometidos por endoparasitas, como nematoides e cestóides,
houve uma predominância de machos (56,5% – 87/154) e adultos (69,5% – 107/154),
divergindo dos estudos de Ramos et al. (2020), que demonstram não haver
predominância de sexo nos endoparasitas encontrados em felinos de abrigo no Rio
de Janeiro. Porém, se reforça a importância da realização de exames regulares bem
como a atualização dos protocolos de vermifugação, especialmente em populações
errantes e em abrigos, onde a reinfecção é frequente.
Entre as comorbidades de frequência moderada, representando entre 5% e
10% dos casos, destacam-se a otite (7,7% – 98/1271), as feridas (6,9% – 88/1271) e
o Complexo Gengivite Estomatite Felina (CGEF) (5,7% – 72/1271). Embora essas
condições sejam menos prevalentes do que as doenças infecciosas e parasitárias,
elas ainda representam desafios relevantes para a saúde dos felinos em abrigos,
exigindo atenção e manejo adequado.
A otite foi mais frequentemente diagnosticada em gatos machos (64,3% –
63/98) e adultos (73,5% – 72/98), convergindo com Batista et al. (2023), onde
encontraram resultados semelhantes em um ensaio realizado em Fortaleza com 60
51

felinos, sendo a aglomeração colocada como um importante fator para a infestação
(Souza et al., 2023).
As feridas, comumente resultantes de brigas territoriais ou traumas acidentais,
apresentaram maior prevalência em machos (65,9% – 58/88) e em animais adultos
(65,9% – 58/88). Esse padrão pode estar associado ao comportamento territorial e
competitivo dos machos, tornando-os mais suscetíveis a confrontos físicos. Embora
muitas dessas feridas possam estar relacionadas a brigas e traumas, é fundamental
considerar a possibilidade de lesões resultantes de agressões intencionais, como
violência física e traumas causados por armas de fogo ou armas brancas (Marlet &
Maiorka, 2010). Estudos indicam que aproximadamente 9% dos felinos acometidos
por esses ferimentos são vítimas de maus-tratos (Marlet & Maiorka, 2010;
Hammerschmid & Molento, 2012; Tanrisever et al., 2017; Brandão, 2020).
O Complexo Gengivite Estomatite Felina (CGEF), uma inflamação crônica e
dolorosa da cavidade oral, seguiu o mesmo padrão de distribuição das demais
doenças, sendo mais prevalente em machos (69,4% – 50/72) e adultos (62,5% –
45/72). Essa condição está fortemente associada a infecções virais, como o calicivírus
felino (FCV), além de disfunções imunológicas que podem comprometer a resposta
inflamatória e agravar o quadro clínico.
Além disso, outras doenças foram encontradas nos felinos hospedados, porém
foram menos prevalentes comparadas as demais, representando < 5% do total de
casos atendidos (Quadro 1).

SISTEMA ACOMETIDO

DOENÇAS
Acne Felina, Alopecia, Carcinoma, Complexo
Granuloma Eosinofílico, Dermatite bacteriana,

DERMATOLÓGICO

Dermatite fúngica, Dermatite herpética, Dermatofitose,
Esporotricose, Hiperplasia Mamária, Mastite, Necrose
Tecidual e Neoplasia

DIGESTÓRIO - BOCA

Abcesso facial, Fenda palatina e Disfagia orofaríngea

GASTROINTESTINAL

Isosporose, Neoplasia, Constipação e Prolapso Retal

52

HEMATOPOIÉTICO

HEPÁTICO

IMUNOLÓGICO

Hemoparasitose, Anaplasmose e Leishmaniose
Ascite, Carcinoma, Colangiohepatite, Falência hepática
e Lipidose Hepática
Clamidiose, Vírus da Leucemia Felina (FELV) e
Panleucopenia Felina
Choque hipovolêmico, Desnutrição, Envenenamento,

METABÓLICO

Peritonite por ruptura uterina, Peritonite Infecciosa
Felina (PIF) e Tríade neonatal

MUSCOLOESQUELÉTICO

NEUROLÓGICO

Escoliose, Fratura, Hérnia, Luxação e Pectus
Excavatum
Trauma cranioencefálico, Síndrome Vestibular e
Meningoencefalite
Conjuntivite, Blefarite, Úlcera de córnea, Protrusão de

OFTÁLMICO

globo ocular, Ceratoconjuntivite seca, Protrusão da
terceira pálpebra e Epífora

REPRODUTIVO

Criptorquidismo, Piometra e Corrimento Vaginal

RESPIRATÓRIO

Rinotraqueíte, Pneumotórax e Broncopneumonia

URINÁRIO

Cistite, Doença Renal Aguda (DRA), Nefropatia e
Obstrução Uretral

Quadro 1 – Relação dos sistemas acometidos e as doenças menos prevalentes em felinos.

Entre os cães doentes avaliados, as enfermidades infecciosas foram as mais
prevalentes, representando 34,3% dos casos (111/324), seguidas por doenças
parasitárias (21,9%; 71/324), traumáticas (16,4%; 53/324), adquiridas (11,1%;
36/324), neoplásicas (8,9%; 29/324), inflamatórias (6,2%; 20/324) e congênitas (1,2%;
4/324).
Ao analisar especificamente os cães com tutor, observou-se um perfil distinto
de prevalência de doenças. Excluindo as enfermidades infecciosas, as mais comuns
53

foram as neoplásicas (29,3%; 17/58), inflamatórias (24,1%; 14/58), traumáticas
(15,5%; 9/58), adquiridas (12,1%; 7/58), parasitárias (10,3%; 6/58) e congênitas
(1,7%; 1/58). Esses dados sugerem que, apesar da presença de tutores, há uma
incidência significativa de doenças crônicas e degenerativas, como neoplasias e
inflamações, além de traumas possivelmente relacionados ao ambiente e ao estilo de
vida desses animais.
Entre as doenças com incidência superior a 5%, as enfermidades causadas por
ectoparasitas foram as mais frequentes (14,2%; 46/324), seguidas por feridas
traumáticas (10,2%; 33/324), otite (9,6%; 31/324), endoparasitoses (6,2%; 20/324) e
erliquiose (5,9%; 19/324).
A análise revelou que as afecções causadas por ectoparasitas não
apresentaram diferença significativa entre os sexos. No entanto, filhotes de até um
ano foram os mais acometidos (80,4%; 37/46), indicando maior vulnerabilidade nessa
faixa etária. Já as feridas traumáticas foram mais prevalentes em machos (73%;
24/33) e em adultos (63,6%; 21/33), possivelmente associadas a comportamentos
mais ativos ou agressivos. Assim como ocorre em gatos, a alta incidência de feridas
traumáticas em cães pode estar relacionada a atos de maus-tratos, considerando que
essa espécie é frequentemente mais afetada do que os felinos. De acordo com
Brandão (2020), 59,8% dos cães vitimados sofrem com esse tipo de prática.
A otite foi diagnosticada com maior frequência em fêmeas (77,4%; 24/31) e em
adultos (71%; 22/31). Trata-se de uma doença multifatorial, associada a fatores
genéticos, bem como o estresse, além de condições ambientais, devido a alta
densidade populacional, contato entre animais saudáveis e doentes, umidade
excessiva nas baias devido à higienização diária e disseminação de patógenos por
fômites, como galochas e aventais dos funcionários (Oliveira, 2022).
No caso das endoparasitoses, não houve diferença significativa entre os sexos,
porém adultos (50%; 10/20) e filhotes (35%; 7/20) foram os mais afetados,
convergindo com os resultados de Mariani e Calaboradores (2014), o que pode ser
relacionado a animais adultos vítimas de abandono sofrerem um alto nível de
estresse, acarretando imunossupressão, estando mais suscetíveis a infecções. Além
disso, a imaturidade imunológica nos mais jovens pode contribuir para um maior índice

54

de afecções por endoparasitas nessa faixa etária (Katagiri & Oliveira-Sequeira, 2007;
Mariani et al., 2014).
A erliquiose apresentou maior prevalência em fêmeas (78,9%; 15/19), sendo os
idosos (47,4%; 9/19) e adultos (36,8%; 7/19) os mais acometidos. A predominância da
doença nesses grupos etários pode indicar um efeito cumulativo da exposição ao vetor
ao longo da vida, além de possíveis diferenças imunológicas que aumentam a
susceptibilidade dos animais mais velhos.
As doenças de frequência moderada, representando entre 2% e 5% dos casos
totais, incluíram dermatite fúngica (4,9%; 16/324), piodermite (4,6%; 15/324),
dermatite atópica e tumor venéreo transmissível (TVT), ambos com 2,2% (9/324),
além de doença periodontal, fratura e neoplasia, cada uma correspondendo a 2,19%
(7/324).
Dentre essas sete enfermidades, quatro foram de origem dermatológica,
incluindo as neoplasias, evidenciando a alta prevalência dessas afecções em cães de
abrigo. Esse padrão pode estar associado a condições ambientais adversas, à
imunossupressão induzida pelo estresse, bem como a aglomeração de animais, fator
que contribui diretamente para a disseminação de patógenos, achado que corrobora
com os de Souza e Colaboradores (2023) que realizaram um estudo da prevalência
de afecções dermatológicas em animais de abrigo em Belém-PA. A análise do
presente estudo indicou que as fêmeas foram mais acometidas por essas
enfermidades (63,2%; 31/49), enquanto a distribuição entre diferentes faixas etárias
não apresentou diferença estatisticamente significativa (p > 0,05).
Por outro lado, o TVT, as doenças periodontais, as fraturas e as neoplasias
afetaram machos e fêmeas de maneira equitativa (50%; 15/30). Em relação à idade,
adultos foram os mais acometidos (60%; 18/30), seguidos pelos idosos (30%; 9/30),
sugerindo um impacto cumulativo da exposição a fatores predisponentes ao longo da
vida, como dieta inadequada, higiene precária, maior risco de traumas e predisposição
ao desenvolvimento de tumores em idade avançada.
Outras doenças foram identificadas em cães hospedados, porém com menor
frequência, representando menos de 2% do total de casos atendidos (Quadro 2).

55

SISTEMA ACOMETIDO

DOENÇAS

CARDIOVASCULAR

Cardiopatia, Dirofilariose e ICC

DERMATOLÓGICO

Carcinoma, Dermatofitose, Hiperplasia mamária,
Lipoma, Mastocitoma, Necrose tecidual, Neoplasia
mamária, Otohematoma, Papilomatose e Reação
alérgica

ENDÓCRINO

Diabetes mellitus e Hiperadrenocorticismo

GASTROINTESTINAL

Fístula em região perianal, Gastrite e Neoplasia
perianal

HEMATOPOIÉTICO

Anaplasmose, Babesiose e Leishmaniose

HEPÁTICO

Hepatopatia, Ascite e Neoplasia hepática

METABÓLICO

Desnutrição e Obesidade

MUSCULOESQUELÉTICO

Artropatia crônica progressiva, Degeneração articular
coxofemoral, Doenças articular crônica, Hematoma,
Hérnia e Luxação

NEUROLÓGICO

Cinomose, Estado comatoso, Hérnia de disco,
Síndrome da cauda equina e Síndrome Vestibular

OFTÁLMICO

Blefarite, Ceratoconjuntivite seca, Conjuntivite,
Protrusão da 3ª pálpebra, Úlcera de córnea e Uveíte

REPRODUTIVO

Piometra, Ovários Policísticos, Maceração fetal,
Complicações pós-operatórias, Parto distócico,
Neoplasia uterina, Criptorquidismo, Piometra,

RESPIRATÓRIO

Traqueobronquite infecciosa canina

TODOS

Metástase

Quadro 2 – Relação dos sistemas acometidos e as doenças menos prevalentes em caninos.

Os resultados deste estudo evidenciam a alta prevalência de doenças
infecciosas e parasitárias entre os animais errantes acolhidos após a subsidência em
Maceió-AL, com destaque para o Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV) e o Complexo
Respiratório Felino em gatos, além de doenças bacterianas e parasitárias em cães. A
análise demonstrou que a vulnerabilidade dos errantes está associada à exposição a
ambientes adversos, deficiências nutricionais e ausência de cuidados preventivos,
56

enquanto os cães com tutor apresentaram maior incidência de doenças crônicas,
como neoplasias e inflamações.
A predisposição etária também foi relevante, com adultos errantes
apresentando maior taxa de infecções e idosos tutelados sendo mais acometidos por
enfermidades degenerativas. Além disso, a alta incidência de doenças dermatológicas
reforça o impacto das condições ambientais nos abrigos. Esses achados destacam a
necessidade de estratégias eficazes de controle sanitário, vacinação e manejo
adequado, além da inclusão de políticas públicas voltadas ao bem-estar animal em
cenários de calamidade.

CONCLUSÃO
A análise epidemiológica dos cães e gatos acolhidos pelo Projeto Integra
Animal revelou um alto impacto das doenças infecciosas e parasitárias, com maior
prevalência entre os animais errantes devido à exposição a ambientes nocivos,
desnutrição e traumas. Nos gatos, 43,9% das doenças eram infecciosas, com
destaque para o Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV) e o Complexo Respiratório
Felino, ambos com incidência superior a 16%. Já nos cães, as infecções foram as
mais frequentes (34,3%), seguidas por doenças parasitárias (21,9%) e traumáticas
(16,4%). Cães com tutor apresentaram maior prevalência de doenças crônicas, como
neoplasias (29,3%) e inflamações (24,1%), indicando desafios distintos no manejo
desses grupos.
A predisposição etária foi evidente nos achados: filhotes apresentaram
melhores condições gerais de saúde, mas eram mais suscetíveis a infecções
parasitárias devido à imaturidade imunológica. Em ambas as espécies, os adultos
errantes foram os mais afetados, enquanto nos cães com tutor, os idosos
apresentaram maior incidência de doenças (55,2%), especialmente neoplasias e
inflamações, demonstrando o impacto cumulativo da idade. Além disso, a
predominância de doenças dermatológicas em cães e gatos, principalmente
infestações por ectoparasitas e infecções cutâneas, reforça a influência das condições
ambientais nos abrigos.
Esses achados evidenciam a necessidade de medidas preventivas, como
vacinação, controle de ectoparasitas e implementação de protocolos sanitários mais
57

eficazes, especialmente em locais com alta densidade animal. Além disso, destacase a importância de estratégias específicas para o resgate e manejo de animais em
situações de desastres ambientais, visando reduzir os impactos sobre a saúde animal
e pública. Os dados obtidos reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à
guarda responsável, controle populacional e assistência veterinária preventiva,
garantindo o bem-estar dos animais afetados e minimizando os impactos da
subsidência e outras crises ambientais.

REFERÊNCIAS
ANTUNES, V. N. B.; SILVA, M. S. Danos ambientais e subsidência de mineração:
lições extraídas de uma revisão sistemática da literatura. Confins, v. 64, n. 64, 2024.
AUSTIN, Jessica J. Shelter from the storm: Companion animal emergency planning in
nine states. J. Soc. & Soc. Welfare, v. 40, p. 185, 2013.
BATISTA, Thais Maria Araújo et al. Estudo da ocorrência de otopatias em felinos
domésticos no município de Fortaleza/CE. Ciência Animal, v. 33, n. 1, p. 107-116,
2023.
BECKER, Alice S. et al. High occurrence of felid alphaherpesvirus 1 and feline
calicivirus in domestic cats from southern Brazil. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 40,
n. 9, p. 685-689, 2020.
BRANDÃO, Thiago da Silva et al. Maus-tratos em cães e gatos: aspectos clínicos,
epidemiológicos e legais. 2020.
BURLING, Amie N. et al. Seroprevalences of feline leukemia virus and feline
immunodeficiency virus infection in cats in the United States and Canada and risk
factors for seropositivity. Journal of the American Veterinary Medical Association, v.
251, n. 2, p. 187-194, 2017.
BURNS, R. E.; WAGNER, D. C.; LEUTENEGGER, C. M.; PESAVENTO, P. A.
Histologic and molecular correlation in shelter cats with acute upper respiratory
infection. Journal of Clinical Microbiology, v.49, p 2454-2460, 2011.
CASTAÑEDA,

H.;

CASTELLANOS,

A.;

CALDERÓN,

N.

Evaluación

del

comportamiento social de un grupo de individuos de la población canina callejera en
58

la Gaitana localidad de Suba. 2002. Trabalho de conclusão de curso (graduação).
Universidad Distrital Francisco Jose de Caldas Facultad de Ciencias y Educación.
CPRM- Serviço Geológico do Brasil. Informativo Técnico 01/2002: Monitoramento da
instabilidade do terreno nos bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto
(Maceió-AL).

2020.

Disponível

em:

<http://dspace.cprm.gov.br/bitstream/doc/21734/1/informe_01_instabilidade_maceio.
pdf>. Acesso em: 12 ago. 2024.
DAY, Michael J. et al. WSAVA Guidelines for the vaccination of dogs and cats. The
Journal of small animal practice, v. 57, n. 1, p. E1, 2016.
DEFENSORIA PUBLICA DA UNIÃO. DPU e MPF divulgam nota conjunta sobre o caso
Braskem. 2020. Disponível em: <https://direitoshumanos.dpu.def.br/dpu-e-mpfdivulgam-nota-conjunta-sobre-o-casobraskem/#:~:text=No%20Pinheiro%2C%20um%20tradicional%20bairro,como%20a
%20responsável%20pelos%20danos>. Acesso em: 3 set. 2024.
GASKELL, R.; DAWSON, S.; RADFORD, A.; THIRY, E. Feline herpesvirus. Veterinary
Research, v.38, n. 2, p.337-354, 2007
GOMES, T.; BRANDÃO, T. Laudo aponta que instabilidade no Pinheiro é proveniente
da

extração

de

sal-gema.

2019.

Disponível

em:

<https://gazetaweb.globo.com/portal/noticia/2019/05/laudoaponta-que-instabilidadeno-pinheiro-e-proveniente-da-extracao-de-sal-gema_76362.php>. Acesso em: 13
ago. 2020.
GRIECO, Valeria et al. Causes of death in stray cat colonies of Milan: A five-year report.
Animals, v. 11, n. 11, p. 3308, 2021.
HAMMERSCHMID, Janaina; MOLENTO, Carla Forte Maiolino. Análise retrospectiva
de denúncias de maus-tratos contra animais na região de Curitiba, Estado do Paraná,
utilizando critérios de bem-estar animal. Brazilian Journal of Veterinary Research and
Animal Science, v. 49, n. 6, p. 431-441, 2012.
HARTWIG, Marcos Eduardo et al. The significance of geological structures on the
subsidence phenomenon at the Maceió salt dissolution field (Brazil). Acta
Geotechnica, v. 18, n. 10, p. 5551-5573, 2023.
59

HWANG, J.; GOTTDENKER, N. L.; OH, D. H.; NAM, H. W.; LEE, H.; CHUN, M. S.
Disentangling the link between supplemental feeding, population density, and the
prevalence of pathogens in urban stray cats. PeerJ, v. 2018, n. 6, p. 1–27, 2018.
KATAGIRI, S.; OLIVEIRA-SEQUEIRA, T. C. G. Zoonoses causadas por parasitas
intestinais de cães eo problema do diagnóstico. Arquivos do Instituto Biológico, v.
74, n. 2, p. 175-184, 2007.
LEONARD, Jennifer A. et al. Impact of hybridization with domestic dogs on the
conservation of wild canids. Free-ranging dogs and wildlife conservation, v. 170, 2013.
LOSS, S. R.; BOUGHTON, B.; CADY, S. M.; LONDE, D. W.; MCKINNEY, C.;
O’CONNELL, T. J.; RIGGS, G. J.; ROBERTSON, E. P. Review and synthesis of the
global literature on domestic cat impacts on wildlife. Journal of Animal Ecology, v. 91,
n. 7, p. 1361–1372, 2022.
MACDONALD, David W. et al. Social dynamics, nursing coalitions and infanticide
among farm cats, Felis catus. Ethology, 1987
MANTOVANI, José Roberto et al. Uma avaliação da subsidência do solo pela
mineração de sal-gema em Maceió (Nordeste do Brasil) de 2019 a 2023 usando dados
de sensoriamento remoto. Desafios Ambientais , v. 16, p. 100983, 2024.
MARIANI, Renata; TOMAZZONI, V. F.; RODRIGUES, Adriana Dalpicolli. Prevalência
de parasitas intestinais em cães de um abrigo de animais no sul do Brasil. Ciência em
Movimento, v. 33, p. 85-92, 2014.
MARLET, Elza Fernandes; MAIORKA, Paulo César. Análise retrospectiva de casos de
maus tratos contra cães e gatos na cidade de São Paulo. Brazilian Journal of
Veterinary Research and Animal Science, v. 47, n. 5, p. 385-394, 2010.
MATOS, Daniele de Sousa et al. Levantamento clínico e epidemiológico de complexo
respiratório felino em gatos atendidos no Hospital Veterinário Universitário “Francisco
Edilberto Uchôa Lopes” da Universidade Estadual do Maranhão–UEMA. 2021.
MENDES-DE-ALMEIDA, Flavya et al. Characterization of ectoparasites in an urban
cat (Felis catus Linnaeus, 1758) population of Rio de Janeiro, Brazil. Parasitology
research, v. 108, p. 1431-1435, 2011.

60

NUNES, Ana Paula. REFERÊNCIAS A PROCEDIMENTOS COM ANIMAIS NOS
PLANOS MUNICIPAIS DE EMERGÊNCIA E PROTEÇÃO CIVIL EM SITUAÇÃO DE
CATÁSTROFE EM PORTUGAL. 2022
OLIVEIRA, Marina Romano de. Otite canina em animais de abrigo municipal: etiologia
e perfil de suscetibilidade a antimicrobianos e a óleos essenciais. 2022.
PESAVENTO, P. A.; MURPHY, B. G. Common and emerging infectious diseases in the
animal shelter. Veterinary pathology, v. 51, n. 2, p. 478-491, 2014.
PROTOPOPOVA, Alexandra et al. Climate change and companion animals: identifying
links and opportunities for mitigation and adaptation strategies. Integrative and
Comparative Biology, v. 61, n. 1, p. 166-181, 2021.
RAMOS, Nilcéia de Veiga et al. Endoparasites of household and shelter cats in the city
of Rio de Janeiro, Brazil. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, v. 29, n. 1, p.
e012819, 2020.
RODRIGUES, Cláudia Vanessa de Barros. Prevalência de vírus da imunodeficiência
felina, vírus da leucemia felina, calicivírus felino, herpesvírus felino tipo 1 e candida
spp. em felinos errantes e possível associação a gengivo-estomatite crónica felina e
a doença respiratória felina. 2012. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) –
Universidade Técnica de Lisboa, Faculdade de Medicina Veterinária, Lisboa, 2012.
SAKOH, M. Unnatural disasters. The impacts of climate-related emergencies on
wildlife, livestock, and companion animals. 2009.
SOUZA, Caio Cezar Nogueira et al. AVALIAÇÃO DERMATOLÓGICA DE GATOS
DOMÉSTICOS RESIDENTES EM UM ABRIGO EM BELÉM-PARÁ. Revista IberoAmericana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 9, n. 4, p. 1601-1609, 2023.
STAFFORD, K. The Welfare of Dogs. The Netherlands: Springer, 2007.
TANRISEVER, Murat; KARABULUT, Enis; CANPOLAT, Ibrahim. The clinical and
radiological evaluation of firearm injuries in dogs. Iosr J. Agricul. Vet. Scie, v. 10, n. 4,
p. 58-62, 2017.
VASSILEVA, Magdalena et al. A decade-long silent ground subsidence hazard
culminating in a metropolitan disaster in Maceió, Brazil. Scientific Reports, v. 11, n. 1,
p. 7704, 2021.
61

CAPÍTULO 4: ABANDONO DE ANIMAIS: ANÁLISE DE OCORRÊNCIAS E
ESTRATÉGIAS PARA MITIGAÇÃO DE SEUS EFEITOS NOS BAIRROS
ACOMETIDOS PELA SUBSIDÊNCIA EM MACEIÓ- ALAGOAS

Keityane De Oliveira e Silva, Dallyne Ventura Santos, Sharacely de Souza Farias,
Pierre Barnabé Escodro
RESUMO

Em 2018, a subsidência causada pela extração de sal-gema em Maceió-AL forçou a
evacuação de milhares de pessoas, resultando no abandono de animais e no aumento
da vulnerabilidade de cães e gatos. O presente estudo analisou estas ocorrências nos
bairros afetados e avaliou o impacto das intervenções do Projeto Integra Animal,
implementado a partir de 2020, para a mitigar esse problema. Foram coletados dados
de resgates e adoções entre outubro de 2020 e dezembro de 2024, além de delitos
registrados em 2023 pelo Disk Denúncia 181, revelando o impacto das atividades
mineradoras nos animais. Ao todo, 1.147 animais foram resgatados, dos quais 78,7%
eram gatos e 21,3% cães, com maiores episódios nos bairros do Pinheiro (35,5%) e
Bebedouro (28,7%). Quanto às adoções, 864 animais receberam novos lares, com
uma prevalência significativa de gatos (71,1%) em relação aos cães (28,9%) (p <
0,05). A análise do perfil dos adotados revelou que 71% dos animais tinham até 1 ano
de idade, indicando uma preferência por filhotes. As ações do Projeto Integra Animal,
como feiras de adoção, campanhas educativas e parcerias com escolas, promoveram
uma inversão positiva na relação entre abandono e adoção a partir de 2023,
demonstrando o impacto das ações de sensibilização. Os resultados evidenciam a
importância da educação ambiental e da mobilização comunitária na promoção da
guarda responsável e na redução do abandono animal, servindo de modelo para
intervenções em outras regiões com desafios semelhantes.

Palavras-chave: Adoção; Lei sansão; Bem-estar animal; Educação ambiental; Maustratos

62

INTRODUÇÃO
A subsidência iniciada em 2018, decorrente da extração de sal-gema nos
bairros Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro, em Maceió-AL, provocou
impactos socioambientais significativos, como rachaduras e afundamento do solo.
Esses danos resultaram na desocupação de mais de 55 mil pessoas e no abandono
de inúmeros animais (Hartwig et al., 2023).
Segundo dados da mineradora responsável e da Defesa Civil de Alagoas, em
2020, durante a realocação das famílias no bairro do Mutange — o primeiro a ser
interditado e demolido — foram cadastrados cerca de 567 animais. Contudo, apenas
245 foram realocados, evidenciando que 56,8% dos animais foram abandonados ou
fugiram no processo (CPRM, 2020). Com a evacuação, além dos animais deixados
para trás, os bairros passaram a servir como ponto de descarte de animais vindos de
regiões vizinhas, agravando ainda mais o cenário de abandono.
O abandono animal é uma forma de maus-tratos, caracterizada pela
negligência em oferecer alimentação, abrigo, saúde e segurança ao animal (CFMV,
2018). No Brasil, maus-tratos são crimes previstos na Lei nº 9.605/1998, com penas
de três meses a um ano de detenção, além de multa (BRASIL, 1998). Para casos
específicos envolvendo cães e gatos, a Lei nº 14.064/2020 estabelece penas de
reclusão de dois a cinco anos, com aumento de 1/3 a 1/6 em caso de morte do animal
(BRASIL, 2020).
Esse fenômeno é uma questão complexa e multifatorial, influenciada por
diversos fatores relacionadas ao comportamento do animal, dificuldades na
realocação, restrições financeiras, mudanças no estilo de vida dos tutores,
desconhecimento sobre a responsabilidade e os custos envolvidos na posse
responsável. Situações de calamidade agravam o cenário, especialmente quando o
vínculo entre tutor e animal é frágil, acelerando a incidência de abandono diante de
desastres iminentes (Alves et al., 2013; Pereira, 2019).
Nesse contexto, surge o Projeto Integra Animal, com o objetivo de promover o
bem-estar animal por meio de ações como acolhimento, controle populacional, posse
responsável e monitoramento dos bairros afetados para evitar novos casos de
abandono. O projeto realiza atividades práticas, como castração, vacinação e
vermifugação, além de campanhas educativas sobre a importância de adotar e cuidar
adequadamente dos animais.
63

Diante da relevância desse tema para a saúde pública, o presente estudo tem
como objetivo analisar a ocorrência de abandono nos bairros impactados pela
mineração em Maceió-AL, avaliar o impacto das ações implementadas pelo Projeto
Integra Animal na mitigação desse problema e comparar os dados de abandono com
as denúncias registradas pelo Disk Denúncia 181 da Secretaria de Segurança Pública
do Estado de Alagoas (SSP-AL).

METODOLOGIA

O projeto Integra Animal foi aprovado pela Comissão de Ética no Uso de
Animais da Universidade Federal de Alagoas (CEUA/UFAL) sob o número 33/2020 e
registrado na Pró-Reitoria de Extensão da mesma instituição com a identificação PJ
174-2020.
A pesquisa utilizou dados provenientes da hospedagem de animais, bem como
as adoções no projeto de extensão Integra Animal e em seu subprojeto Focinho
Responsável (responsável pelas adoções do programa). O levantamento abrangeu o
período de outubro de 2020 a dezembro de 2024, considerando os bairros Bebedouro,
Farol, Bom Parto, Mutange e Pinheiro, em Maceió-AL. Os dados coletados incluíram
a origem dos cães e gatos hospedados (tutor, abandonados, errantes monitorados e
não monitorados), número de animais que retornaram aos tutores, sexo e idade dos
animais abandonados, bairro de ocorrência do abandono, além de informações sobre
o perfil dos animais adotados.
O levantamento das denúncias de abandono animal foi realizado com base nos
dados fornecidos pelo Disk Denúncias 181, da Secretaria de Segurança Pública do
Estado de Alagoas (SSP-AL), referentes ao ano de 2023, uma vez que não havia
registros filtrados por bairro em anos anteriores. As informações foram organizadas
de acordo com três critérios: data da denúncia, para determinar o momento do relato;
localização, para mapear as áreas mais críticas; e descrição do caso, para analisar a
natureza dos maus-tratos e as condições dos animais.
Em 2023, a Secretaria de Segurança Pública firmou uma parceria com o Grupo
de Pesquisa e Extensão em Equídeos e Saúde Integrativa (GRUPEQUI), responsável
pelo Integra Animal, para desenvolver um plano de conscientização e combate aos
64

maus-tratos. A iniciativa incluiu apoio clínico e cirúrgico aos animais, criação de um
fluxo operacional para denúncias e a implementação de um protocolo de atendimento,
com fichas de ocorrência, atendimento e relatório de visita técnica. O objetivo foi
integrar profissionais da Polícia Civil e da Medicina Veterinária no enfrentamento dos
maus-tratos a animais.
Em 2023, identificou-se a necessidade de conscientizar alunos de escolas
públicas e particulares sobre a posse responsável de animais de estimação, seus
impactos na saúde mental humana e os direitos e deveres dos tutores. Diante disso,
a Universidade Federal de Alagoas, em parceria com a Escola Estadual Princesa
Isabel — localizada perto das áreas afetadas pela mineração —, criou o projeto de
extensão Meu pet, minha responsabilidade. O objetivo era fortalecer a percepção
sobre bem-estar animal, posse responsável e saúde única.
Entre setembro e dezembro, foram ministradas sete aulas sobre esses temas,
incentivando a adoção responsável. Outras ações incluíram a criação de uma
disciplina regular, mutirões de atendimento veterinário gratuito, campanhas
educomunicativas com apoio da rádio escolar "Realeza" e suporte a um canal de
adoção de cães e gatos.
Para ampliar o impacto, o GRUPEQUI-UFAL, em conjunto com os alunos da
Escola Estadual Princesa Isabel, lançou a campanha Quem Adota Mais, incentivando
a adoção responsável.
Os dados coletados foram tabulados e organizados no banco de dados do
Projeto Integra Animal, sendo posteriormente analisados estatisticamente de forma
descritiva. A correlação de Pearson foi utilizada para avaliar a relevância das
informações, bem como o teste Qui-quadrado de aderência para verificar a existência
de diferenças significativas nos resultados encontrados.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Por meio do monitoramento e da Ronda Noturna do projeto Integra Animal, foi
realizado o levantamento dos animais recolhidos e hospedados entre outubro de 2020
e dezembro de 2024. No período, foram acolhidos 1.826 animais, sendo 1.472 gatos
(80,6%) e 354 cães (19,4%). Destes, 283 (15,5%) eram errantes monitorados
65

pertencentes a colônias e matilhas, acompanhados diariamente pela ronda noturna,
enquanto 237 (12,9%) eram errantes não monitorados, aparecendo esporadicamente
nos bairros afetados. Além disso, 159 (8,6%) possuíam tutores, cujas famílias
receberam apoio clínico, cirúrgico e hospedagem temporária até o ressarcimento
financeiro e a realocação definitiva. Por fim, 1.147 (63%) foram identificados como
abandonados, com uma média de 22 abandonos por mês (Figura 1).

Figura 1 – Número de animais hospedados pelo Integra Animal, no período de outubro de 2020 a
dezembro de 2024 na cidade de Maceió, Alagoas. Projeto Integra Animal (2024).

Entre os 159 animais que possuíam tutores, apenas 9 (5,7%) foram
recuperados por seus responsáveis (3 cães e 6 gatos). Isso significa que os 150
demais tiveram sua guarda transferida ou permaneceram no abrigo após o abandono.
Esses achados estão em consonância com os relatos de Heat et al. (2001a) e Pereira
(2019), que apontam que a fragilidade do vínculo entre tutores e seus animais
aumenta a probabilidade de abandono, especialmente quando esses animais não
estão integrados à rotina familiar nem requerem cuidados específicos. Em cenários
de crise, como desastres, esse fenômeno pode ser ainda mais acelerado.
Em relação aos 1.147 animais abandonados hospedados, 55 (4,8%) foram
deixados em 2020, 322 (28,1%) em 2021, 424 (37%) em 2022, 223 (19,4%) em 2023
e 123 (10,7%) em 2024. A análise da correlação indicou um resultado negativo (-0,34),
66

sugerindo uma tendência de redução no número de abandonos ao longo do período
analisado. No que se refere à distribuição geográfica dos casos de abandono,
observou-se que o bairro com maior ocorrência foi o Pinheiro, com 407 registros
(35,5%), seguido por Bebedouro (329 - 28,7%), Farol (204 - 17,8%), Bom-Parto (142
- 12,4%), e Mutange (65 - 5,7%).
A análise do perfil dos animais abandonados revelou que, dos 1.147 indivíduos,
246 (21,3%) eram cães, dos quais 119 (48,4%) eram machos e 127 (51,6%) fêmeas.
Já os outros 901 animais (78,7%) eram gatos, sendo 428 (47,5%) machos e 473
(52,5%) fêmeas. Os dados não indicam diferenças significativas no abandono entre
machos e fêmeas, tanto em cães quanto em gatos (p ≥ 0,05), podendo tal fato estar
ocorrendo de forma aleatória ou mesmo reforçar que o abandono independe do sexo.
Esses resultados divergem com os de Fatjó et al. (2015), que identificaram os cães
machos como a espécie mais admitida em abrigos, e com os de Casey e
colaboradores (2009) e Marston e Bennett (2009), que relataram maior incidência de
abandono entre gatas.
Ao avaliar a idade, observou-se que 869 (75,8%) dos cães (C) e gatos (F)
tinham até 1 ano de idade, sendo 729 com até 6 meses (120 C – 609 F) e 140 entre
6 meses e 1 ano (38 C – 102 F). Além disso, 236 animais (63 C – 173 F, 20,6%) tinham
entre 1 e 6 anos, enquanto 42 (25 C – 17 F, 3,6%) tinham mais de 6 anos. Os dados
indicam uma maior prevalência de filhotes abandonados em relação a adultos e
idosos. No entanto, observou-se uma taxa mais elevada de cães idosos abandonados
(60%) em comparação aos gatos. Esses resultados divergem com os da Fundação
My Affinity (2022) e de Marston et al. (2005), que apontam maior entrada de cães
adultos em abrigos (61,5%) e uma taxa de 46% para gatos filhotes, enquanto, neste
estudo, os cães e gatos filhotes com até 1 ano de idade, representaram 64,2%
(158/246) e 78,9% (711/901) dos casos respectivamente.
No período de janeiro a dezembro de 2023, o Disque Denúncia 181 da
Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) registrou 784 ocorrências, das
quais 52 (6,6%) estavam relacionadas a maus-tratos e abandono em bairros
impactados pela mineração. O número de registros mensais variou entre 1 e 8 casos,
com maior incidência nos bairros Bebedouro (19 casos - 36,5%), Farol (17 - 32,7%),
Pinheiro (8 - 15,4%) e Bom Parto (8 - 15,4%), enquanto Mutange não apresentou

67

registros. As infrações envolveram situações de risco, crueldade e omissão de
cuidados.
A análise estatística não indicou variação significativa na distribuição temporal
e geográfica das ocorrências (p > 0,05). No entanto, observou-se uma tendência maior
de abandono em Bebedouro e Farol, possivelmente devido à densidade populacional,
ao fluxo intenso de pessoas e à presença de espaços ainda ocupados e rotas de fuga
acessíveis, fatores que podem favorecer o abandono de animais nessas áreas.
Com base nos relatos de alguns denunciantes, constatou-se que 36 homens
(83,7%) e 7 mulheres (16,3%) estavam envolvidos em casos de abandono e/ou maustratos de animais. Esses dados revelam uma predominância masculina nessas
práticas, alinhando-se aos achados de Jacobetty e colaboradores (2019). O estudo
citado sugere que, quando os homens eram os principais responsáveis pelos animais,
tendiam a enxergá-los como um fardo ou a negligenciar os deveres associados à
guarda responsável, o que resultava em uma maior incidência de abandono por parte
dos tutores.
Entre as 52 denúncias examinadas, essas envolviam 109 animais, sendo 107
(98,2%) cães e apenas 2 (1,8%) gatos, em contraste com os dados do Integra Animal.
Essa discrepância pode estar relacionada às diferenças comportamentais entre as
espécies, uma vez que cães abandonados frequentemente são amarrados, o que
facilita sua permanência no local e sua vocalização devido a fome ou sede,
aumentando a chance de denúncia. Por outro lado, gatos tendem a se dispersar,
tornando sua identificação e relato mais difíceis.
As diferenças entre os dados do Disque Denúncia 181 e os registros de
monitoramento e ronda noturna do projeto Integra Animal em 2023 (Figura 2)
demonstram como o deslocamento da população dos bairros impactados pela
mineração influenciou as denúncias de maus-tratos e abandono de animais. No
entanto, a análise da distribuição dessas denúncias revelou uma similaridade entre os
dados da Polícia e os do Integra Animal (p > 0,05). Com a redução do número de
moradores e a consequente diminuição da circulação na região, os animais tornaramse menos visíveis para a comunidade, que tradicionalmente teria um papel
fundamental na identificação e denúncia desses casos. A ausência de testemunhas
no local reduziu a probabilidade de registros, uma vez que a população já não estava
presente no cotidiano desses espaços para observar e relatar os abusos.
68

40
34

35

32

30
24

25
20

22
19

17

17

16
13

15
10
5

16

7

6

4

5

6

13

8
4

5

1

1

3

2

0

jan/23 fev/23 mar/23 abr/23 mai/23 jun/23 jul/23 ago/23 set/23 out/23 nov/23 dez/23
DADOS INTEGRA

DADOS POLÍCIA

Figura 2 – Comparação entre o número de animais abandonados hospedados pelo Integra Animal com
o número de denúncias de abandono feitos pelo Disk Denúncia no período de janeiro de 2023 a
dezembro de 2023 na cidade de Maceió, Alagoas. Projeto Integra Animal (2024).

Segundo Tápia (1997), a crueldade contra animais pode representar um
indicativo preocupante de comportamento violento, já que 50% dos indivíduos que
cometiam esses atos também estavam envolvidos em crimes graves contra pessoas,
como homicídios, agressões físicas e roubos (Brandão, 2020). Esse dado reforça a
importância da atuação familiar e governamental na identificação e intervenção
precoce desses casos. A ausência de medidas pode levar à escalada da violência,
afetando tanto animais quanto seres humanos. Iniciativas educativas e campanhas de
adoção têm se destacado como alternativas eficazes para reduzir o abandono de
animais e promover a conscientização social.
Nesse contexto, entre setembro e dezembro de 2023 durante as aulas na
Escola Estadual Princesa Isabel, em parceria com o Grupo de Pesquisa e Extensão
em Equídeos e Saúde Integrativa (GRUPEQUI) da UFAL, os alunos desenvolveram
uma maior consciência sobre sua responsabilidade em relação aos animais. Eles
foram capacitados para reconhecer situações de maus-tratos e demonstraram grande
interesse em aprender sobre os cuidados adequados com os animais. Além disso,
participaram ativamente das discussões em sala de aula e se comprometeram a
compartilhar os conhecimentos adquiridos com familiares, amigos e vizinhos,
69

ampliando o impacto da conscientização sobre a causa animal. Os temas abordados
foram baseados nos capítulos do livro Proteção Jurídica aos Animais Domésticos, de
Lima (2022).

Aula Ministrada

TEMA

Aula 1

Maus-tratos aos animais
domésticos

Aula 2

Proteção Jurídica e legislativa dos
animais domésticos

Aula 3

Bem-estar animal

Aula 4

Destino dos animais

Aula 5

Dados ambientais causados pelos
animais errantes

Aula 6

Animais sencientes

Aula 7

Aula de fixação e plantão de
dúvidas

Quadro 1 - Capítulos abordados nas aulas com os alunos da EEPI. Projeto de extensão “Meu pet é
minha responsabilidade” (2023).

A campanha de adoção “Quem adota mais” organizada pelos alunos do projeto foi
dividida em 6 equipes, com a responsabilidade de facilitar a adoção de cães e gatos. A
campanha foi realizada em dezembro de 2023, utilizando um formato presencial por
meio de panfletos (Figura 3) e on-line pela página no Instagram “Focinho Responsável”.
Assim como a ONG “Adote um Gatinho” que usa a internet como ferramenta de
divulgação, onde resgata, trata, castra e doa gatinhos para lares seguros em São Paulo
e no ABC (Santo André, São Bernardo e São Caetano).

70

Figura 3. Folder explicativo referente a campanha “Quem adota mais?”. Escola Estadual Princesa
Isabel

A feira ocorreu no Pet Parque, localizado no Parque Shopping Maceió (figura 4)
onde foram adotados 3 cães e 9 felinos. No mesmo mês, a escola realizou a
culminância da campanha, onde todas as turmas apresentaram palestras sobre os
temas discutidos em sala de aula (figura 5), compartilhando os conhecimentos
adquiridos durante o projeto com a comunidade escolar e ampliando a conscientização
sobre a adoção responsável e o bem-estar animal.

71

Figura 4 - Feira de adoção no Parque Shopping em Maceió - AL. Projeto Integra Animal

Figura 5 – Culminância da campanha. A) Apresentação sobre o novembro azul (mês de
conscientização sobre o câncer de próstata em cães e gatos). B) Apresentação sobre zoonoses. Escola
Estadual Princesa Isabel.

Além das iniciativas desenvolvidas na Escola Princesa Isabel, o Projeto Integra
Animal criou, no mesmo ano de sua fundação (2020), o subprojeto Focinho
Responsável, com o objetivo de promover a guarda responsável como estratégia para
reduzir o abandono de cães e gatos. Por meio das redes sociais (Figura 6) e das feiras
de adoção, realizadas entre outubro de 2020 e dezembro de 2024, foram viabilizadas
864 adoções, sendo 250 cães (28,9%) — 124 machos e 126 fêmeas — e 614 felinos

72

(71,1%) — 281 machos e 333 fêmeas, resultando em uma média de 17 adoções por
mês.

Figura 6 – Redes sociais do Focinho Responsável. Projeto Integra Animal (2025)

A análise estatística indicou uma prevalência significativa na adoção de gatos
em relação a cães (p < 0,05), enquanto não houve diferença significativa entre o
número de machos e fêmeas adotados em ambas as espécies. Esses achados
divergem dos resultados de Fatjó et al. (2015), que apontaram os cães como a espécie
mais adotada. Além disso, diferem do estudo de Mondelli et al. (2004), no qual foi
observada uma maior taxa de adoção de fêmeas.
Ao analisar o perfil dos animais adotados, observou-se que a maioria, 614 cães
e gatos (71%), tinha até 1 ano de idade (303 cães e 311 felinos). Outros 239 animais
(27,7%) tinham entre 1 e 6 anos (99 cães e 140 felinos), enquanto apenas 11 (1,3%)
possuíam mais de 6 anos (3 cães e 8 felinos). Esses dados indicam uma maior
prevalência na adoção de filhotes em ambas as espécies, o que está em conformidade
com estudos anteriores (Fatjó et al., 2015; Fundação My Affinity, 2022).
Essa preferência pode estar relacionada à percepção social de que animais
adultos vindos de abrigos podem apresentar problemas comportamentais (Fatjó et al.,
2015). No entanto, essa ideia é contrariada por evidências científicas, pois pesquisas
recentes indicam que não há uma correlação significativa entre o comportamento dos
filhotes e sua conduta na idade adulta (Riemer et al., 2014).

73

Além disso, estudos mostram que cães adquiridos em pet shops têm maior
propensão a desenvolver agressividade, medo e problemas de higiene quando
comparados aos obtidos de criadores não comerciais (McMillan et al., 2013). Vale
ressaltar que o comportamento de cães e gatos é fortemente influenciado pelo
ambiente físico e social, sendo moldado, em grande parte, pelas atitudes e pelo
manejo de seus tutores (Diesel et al., 2005; Weng et al., 2006).
As ações de educação ambiental promovidas pelo Projeto Integra Animal, como
as feiras de adoção, iniciativas educativas em escolas e a criação de um canal de
adoção, contribuíram significativamente para a redução dos casos de abandono
(Figura 7).
424

450
400
322

350

300
250

223

294

200
150
100

123

211
153
55

50

148
48

0

2020

2021

2022

Nº DE ABANDONADOS

2023

2024

Nº ADOTADOS

Figura 7 – Comparação entre o número de abandonados x adotados. Projeto Integra Animal (2025).

Além disso, foi identificada uma correlação positiva (0,96) entre as taxas de
abandono e adoção ao longo do tempo, especialmente em 2022, antes do início da
parceria com a Escola Princesa Isabel. No entanto, entre 2023 e 2024, observa-se
uma inversão nessa relação, com um aumento no número de adoções em
comparação aos abandonos. Esse resultado sugere que as ações de conscientização
tiveram um impacto positivo, reforçando a importância da educação ambiental na
promoção da guarda responsável e na redução do abandono de animais.

74

CONCLUSÃO

Os impactos da subsidência nos bairros de Maceió evidenciaram não apenas
um problema estrutural e social, mas também uma grave crise no abandono de
animais. A realocação das famílias contribuiu para um aumento significativo no
número de cães e gatos deixados para trás, reforçando a necessidade de ações
voltadas para a guarda responsável e o bem-estar animal.
Neste contexto, as estratégias implementadas pelo Projeto Integra Animal,
como a promoção de feiras de adoção, campanhas educativas e parcerias com
escolas, demonstraram ser eficazes na mitigação do abandono e na conscientização
da população. A análise dos dados revelou uma correlação entre abandono e adoção,
com uma inversão positiva a partir de 2023, sugerindo que as ações educativas
tiveram um impacto direto na redução dos casos de abandono.
Além disso, os achados indicaram uma preferência na adoção de filhotes e uma
prevalência significativa de gatos adotados em relação a cães. No entanto, não houve
diferença estatística entre a adoção de machos e fêmeas, reforçando que o fator idade
pode ser mais determinante na decisão de adoção do que o sexo do animal.
Diante desses resultados, conclui-se que a educação ambiental e a mobilização
social são ferramentas essenciais para combater o abandono e promover a guarda
responsável. Iniciativas como as do Projeto Integra Animal podem servir de modelo
para outras regiões que enfrentam desafios semelhantes, mostrando que a
combinação entre conscientização, políticas públicas e envolvimento comunitário
pode transformar realidades e garantir um futuro mais digno para os animais em
situação de vulnerabilidade.

REFERÊNCIAS
ADOTE UM GATINHO. Como faço para adotar um gatinho? 2024. Disponível em:
https://www.adoteumgatinho.org.br. Acesso em: 15 nov. 2024.
ALVES, A. J. S.; GUILLOUX, A. G. A.; ZENTUN, C. B.; POLO, G.; BRAGA, G. B.;
PANACHÃO, L. I.; SANTOS, O.; DIAS, R. A. Abandono de cães na América Latina:
revisão de literatura. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e
Zootecnia do CRMV-SP, v. 11, n. 2, p. 34-41, 2013.
75

BRANDÃO, Thiago da Silva et al. Maus-tratos em cães e gatos: aspectos clínicos,
epidemiológicos e legais. 2020.
BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e
administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Diário
Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 13 fev. 1998. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm. Acesso em: 1 fev. 2025.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Maus-tratos a animais. Brasília, 2025.
Disponível

em:

https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/biodiversidade-e-

biomas/direitos-animais/maus-tratos-aanimais#:~:text=Maltratar%20animais%20%C3%A9%20crime%20no,de%20dois%2
0a%20cinco%20anos. Acesso em: 1 fev. 2025.
CASEY, Rachel A. et al. Reasons for relinquishment and return of domestic cats (Felis
silvestris catus) to rescue shelters in the UK. Anthrozoös, v. 22, n. 4, p. 347-358, 2009.
CFMV. Conselho Federal de Medicina Veterinária. Resolução nº 1.236, de 26 de
outubro de 2018. Dispõe sobre os procedimentos para apuração de infrações éticodisciplinares no âmbito do Sistema CFMV/CRMV. Diário Oficial da União: seção 1,
Brasília,

DF,

26

out.

2018.

Disponível

em:

https://manual.cfmv.gov.br/arquivos/resolucao/1236.pdf. Acesso em: 1 fev. 2025.
CPRM- Serviço Geológico do Brasil. (2020). Informativo Técnico 01/2002:
Monitoramento da instabilidade do terreno nos bairros pinheiro, Mutange, Bebedouro
e

Bom

Parto

(Maceió-AL).

Disponível

em:

http://dspace.cprm.gov.br/bitstream/doc/21734/1/informe_01_instabilidade_maceio.p
df.
DIESEL, G.; PFEIFFER, D. U.; BRODBELT, D. Factors affecting the success of
rehoming dogs in the UK during 2005. Preventive veterinary medicine, v. 84, n. 3-4, p.
228-241, 2008.
ESTÉVEZ-PÉREZ, Laura et al. Perception of animal abuse among adolescents:
influence of social and demographic factors. Animals, v. 14, n. 6, p. 972, 2024.
FATJÓ, Jaume et al. Epidemiology of dog and cat abandonment in Spain (2008–2013).
Animals, v. 5, n. 2, p. 426-441, 2015.
FUNDAÇÃO AFFINITY. Las cifras del abandono de perros y gatos aún lejos de
descender. Fundación Affinity, 14 jun. 2022. Disponível em: https://www.fundacion-

76

affinity.org/es/las-cifras-del-abandono-de-perros-y-gatos-aun-lejos-de-descender.
Acesso em: 17 fev. 2025.
GARZÓN-ROSERO, Lourdes Edith; CHÁVEZ-INTRIAGO, Mariela Yesenia. Violation
of the rights of animals abandoned in street situation. Revista Científica y Arbitrada de
Ciencias Sociales y Trabajo Social: Tejedora. ISSN: 2697-3626, v. 4, n. 7, p. 157-167,
2021.
GOMES, Laiza Bonela et al. Diagnosis of animal abuse: A Brazilian study. Preventive
veterinary medicine, v. 194, p. 105421, 2021.
HARTWIG, Marcos Eduardo et al. The significance of geological structures on the
subsidence phenomenon at the Maceió salt dissolution field (Brazil). Acta
Geotechnica, v. 18, n. 10, p. 5551-5573, 2023.
HEATH, S., BECK, A., KASS, P., & GLICKMAN, L. (2001B). Risk factors for pet
evacuation failure. Journal of American Veterinary Medical Association, 218: 19051910
HEATH, S., KASS, P., BECK, A., & GLICKMAN, L. (2001a). Human and pet-related
risk factors for household evacuation failure during a natural disaster. American
Journal of Epidemiology, 153: 659-665.
JACOBETTY, Rita et al. Psychological correlates of attitudes toward pet
relinquishment and of actual pet relinquishment: the role of pragmatism and obligation.
Animals, v. 10, n. 1, p. 63, 2019.
LIMA, J. L. A. PROTEÇÃO JURÍDICA AOS ANIMAIS DOMÉSTICOS. Iguatu, CE:
Quipá,

2022.

Disponível

em:

https://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/705117/2/LIVRO%20PROTECAO%2
0JURIDICA%20ANIMAIS%20DOMESTICOS.pdf. Acesso em: 09 nov. 2024
MARSTON, Linda C.; BENNETT, Pauleen C. Admissions of cats to animal welfare
shelters in Melbourne, Australia. Journal of Applied Animal Welfare Science, v. 12, n.
3, p. 189-213, 2009.
MARSTON, Linda C.; BENNETT, Pauleen C.; COLEMAN, Grahame J. What happens
to shelter dogs? Part 2. Comparing three Melbourne welfare shelters for nonhuman
animals. Journal of Applied Animal Welfare Science, v. 8, n. 1, p. 25-45, 2005.
MCMILLAN, Franklin D. et al. Differences in behavioral characteristics between dogs
obtained as puppies from pet stores and those obtained from noncommercial breeders.

77

Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 242, n. 10, p. 1359-1363,
2013.
MONDELLI, Francesca et al. The bond that never developed: adoption and
relinquishment of dogs in a rescue shelter. Journal of Applied Animal Welfare Science,
v. 7, n. 4, p. 253-266, 2004.
PEREIRA, Zélia Carina Monteiro. Atuação médico veterinária em situação de
catástrofes naturais ou induzidas pelo homem. 2019.
RIEMER, Stefanie et al. The predictive value of early behavioural assessments in pet
dogs–a longitudinal study from neonates to adults. PloS one, v. 9, n. 7, p. e101237,
2014.
SOUSA, Bruno; SOARES, Daniela. Combat to abandonment and mistreatment of
animals: a case study applied to the Public Security Police (Portugal). Case Studies
on Social Marketing: A Global Perspective, p. 245-252, 2019.
TÁPIA, F. Children who are cruel to animals. RANDALL, LOCKOOD e ASCIONE
(coord.). Cruelty to animals and interpersonal violence: reading in research and
application. Indiana: Purdue University Press, 1997.
WENG, Hsin-Yi et al. Risk factors for unsuccessful dog ownership: An epidemiologic
study in Taiwan. Preventive Veterinary Medicine, v. 77, n. 1-2, p. 82-95, 2006.

78

REFERÊNCIAS
AL-HALBOUNI, Djamil et al. Dynamics of hydrological and geomorphological processes in
evaporite karst at the eastern Dead Sea–a multidisciplinary study. Hydrology and Earth
System Sciences, v. 25, n. 6, p. 3351-3395, 2021.
ALVES, A. J. S. et al. Abandono de cães na América Latina: revisão de literatura. Revista de
Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, v. 11, n. 2, p.
34-41, 2013.
ANIMAL ETHICS. Animais em desastres naturais.
<https://www.animal-ethics.org/animais-desastres-naturais/>.

2016.

Disponível

em:

ANTONIO, Layla Stassun; VALENCIO, N. F. L. S. Animais de estimação em contexto de
desastres: desafios de (des) proteção. Desenvolvimento e Meio Ambiente, v. 38, p. 741-767,
2016.
ANTUNES, V. N. B.; SILVA, M. S. Danos ambientais e subsidência de mineração: lições
extraídas de uma revisão sistemática da literatura. Confins, v. 64, n. 64, 2024.
ASSIS, C. L. et al. Predation of vertebrates by domestic cats in two Brazilian hotspots:
incidental records and literature review. Neotropical Biodiversity, v. 9, n. 1, p. 10-16, 2023.
AUSTIN, Jessica J. Shelter from the storm: Companion animal emergency planning in nine
states. Journal of Social & Social Welfare, v. 40, p. 185, 2013.
BANCO MUNDIAL. Avaliação de perdas e danos: inundações bruscas em Santa Catarina –
novembro de 2008. Brasília: Banco Mundial, 2012.
BANDEIRA, R. Medicina de Catástrofe. Porto, Portugal: Editora da Universidade do Porto,
2008.
BELL, J. W.; AMELUNG, F.; FERRETTI, A.; BIANCHI, M.; NOVALI, F. Permanent scatterer
InSAR reveals seasonal and long-term aquifersystem response to groundwater pumping and
artificial recharge: Permanent scatterer InSAR. Water Resour. Res., v. 44, 2008.
BELL, J. W.; AMELUNG, F.; FERRETTI, A.; BIANCHI, M.; NOVALI, F. Permanent scatterer
InSAR reveals seasonal and long-term aquifer system response to groundwater pumping and
artificial recharge: Permanent scatterer InSAR. Water Resour. Res., v. 44, 2008.
BEUTEL, Tanja et al. Spatial patterns of co-occurrence of the European wildcat Felis silvestris
silvestris and domestic cats Felis silvestris catus in the Bavarian Forest National Park. Wildlife
Biology, v. 2017, n. 1, p. 1-8, 2017.
BLANCHER, P. Estimated Number of Birds Killed by House Cats (Felis catus) in Canada.
Avian Conservation and Ecology, v. 8, n. 2, p. 3, 2013.
BONANNI, Roberto; CAFAZZO, Simona. The social organisation of a population of freeranging dogs in a suburban area of Rome: a reassessment of the effects of domestication on
dogs’ behaviour. In: The social dog. Academic Press, 2014. p. 65-104.
79

BRADSHAW, John WS. Sociality in cats: A comparative review. Journal of veterinary
behavior, v. 11, p. 113-124, 2016.
BRADSHAW, John WS.; BLACKWELL, Emily J.; CASEY, Rachel A. Dominance in domestic
dogs—useful construct or bad habit?. Journal of Veterinary Behavior, v. 4, n. 3, p. 135-144,
2009.
BRADSHAW, John. Dog sense: How the new science of dog behavior can make you a better
friend to your pet. Hachette UK, 2012.
BRASIL. Lei nº 14.064, de 29 de setembro de 2020. Aumenta a pena para o crime de maustratos aos animais quando se tratar de cão ou gato. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília,
DF, 30 set. 2020. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20192022/2020/lei/l14064.htm>. Acesso em: 1 fev. 2025.
BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e
administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Diário Oficial da
União:
seção
1,
Brasília,
DF,
13
fev.
1998.
Disponível
em:
<https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm>. Acesso em: 1 fev. 2025.
CABRAL-CANO, E. et al. Space geodetic imaging of rapid ground subsidence in Mexico City.
Geol. Soc. Am. Bull., v. 120, p. 1556–1566, 2008.
CAMPS, Tomàs; AMAT, Marta; MANTECA, Xavier. A review of medical conditions and
behavioral problems in dogs and cats. Animals, v. 9, n. 12, p. 1133, 2019.
CASTAÑEDA, H.; CASTELLANOS, A.; CALDERÓN, N. Evaluación del comportamiento
social de un grupo de individuos de la población canina callejera en la Gaitana localidad
de Suba. 2002. Trabalho de conclusão de curso (graduação). Universidad Distrital Francisco
Jose de Caldas Facultad de Ciencias y Educación.
CFMV. Conselho Federal de Medicina Veterinária. Resolução nº 1.236, de 26 de outubro de
2018. Dispõe sobre os procedimentos para apuração de infrações ético-disciplinares no âmbito
do Sistema CFMV/CRMV. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 26 out. 2018.
Disponível em: https://manual.cfmv.gov.br/arquivos/resolucao/1236.pdf. Acesso em: 1 fev.
2025.
CHEN, M. et al. Imaging land subsidence induced by groundwater extraction in Beijing (China)
using satellite radar interferometry. Remote Sens., v. 8, p. 468, 2016.
CONTRUCCI, I. et al. Multi-parameter monitoring of a solution mining cavern collapse: First
insight of precursors. Comptes Rendus. Geosci., v. 343, p. 1–10, 2011.
COOPER, Anthony H. Halite karst geohazards (natural and man-made) in the United Kingdom.
Environmental Geology, v. 42, p. 505-512, 2002.
COSTA, J. de J.; GIUDICE, D. S. Fenômenos Naturais e Ação Antrópica: Problemática de
Salvador - BA. Revista Geonorte, v. 3, n. 5, p. 477–486, 2012. Disponível em:
<http://periodicos.ufam.edu.br/index.php/revista-geonorte/article/view/2100>. Acesso em: 18
fev. 2025.
80

CPRM- Serviço Geológico do Brasil. Informativo Técnico 01/2002: Monitoramento da
instabilidade do terreno nos bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto (MaceióAL).
2020.
Disponível
em:
<http://dspace.cprm.gov.br/bitstream/doc/21734/1/informe_01_instabilidade_maceio.pdf>.
Acesso em: 12 ago. 2024.
CROWELL-DAVIS, Sharon L. Cat behaviour: social organization, communication and
development. In: The welfare of cats. Dordrecht: Springer Netherlands, 2007. p. 1-22.
CROWELL-DAVIS, Sharon L.; CURTIS, Terry M.; KNOWLES, Rebecca J. Social
organization in the cat: a modern understanding. Journal of Feline Medicine and Surgery, v.
6, n. 1, p. 19-28, 2004.
DEFENSORIA PUBLICA DA UNIÃO. DPU e MPF divulgam nota conjunta sobre o caso
Braskem. 2020. Disponível em: <https://direitoshumanos.dpu.def.br/dpu-e-mpf-divulgamnota-conjunta-sobre-o-casobraskem/#:~:text=No%20Pinheiro%2C%20um%20tradicional%20bairro,como%20a%20resp
onsável%20pelos%20danos>. Acesso em: 3 set. 2024.
DELABARY, Barési Freitas. Aspectos que influenciam os maus tratos contra animais no meio
urbano. Revista eletrônica em gestão, educação e tecnologia ambiental, v. 5, n. 5, p. 835840, 2012.
DENNY, Elizabeth A.; DICKMAN, C. R. Review of cat ecology and management strategies in
Australia. Invasive Animals Cooperative Research Centre, Canberra, 2010.
DOHERTY, T. S. et al. Impacts and management of feral cats Felis catus in Australia. Mammal
Review, v. 47, n. 2, p. 83-97, 2017.
EM-DAT, C. R. E. D. Centre for research on the epidemiology of disasters, EM Dat The
international Disaster Database [em linha]. 2024.
ESTÉVEZ-PÉREZ, Laura et al. Perception of animal abuse among adolescents: influence of
social and demographic factors. Animals, v. 14, n. 6, p. 972, 2024.
FARIA, J. A.; ALVES, N. D.; FILHO, E. F. N.; SILVA, C. D. Os animais, cães e gatos, no meio
urbano e o problema ambiental. In: SEABRA, G. Qualidade de Vida, Mobilidade e
Segurança nas Cidades. v. 3. Ed. João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2013, p.130141.
FERNANDES, Geraldo Wilson et al. Deep into the mud: ecological and socio-economic
impacts of the dam breach in Mariana, Brazil. Natureza & Conservação, v. 14, n. 2, p. 35-45,
2016.
FINKLER, Hilit; TERKEL, J. Cortisol levels and aggression in neutered and intact freeroaming female cats living in urban social groups. Physiology & Behavior, v. 99, n. 3, p. 343347, 2010.
FONSECA, Marisa G. et al. Climatic and anthropogenic drivers of northern Amazon fires
during the 2015–2016 El Niño event. Ecological Applications, v. 27, n. 8, p. 2514-2527, 2017.
81

FRASER, D. et al. Capacity building to implement good animal welfare practices. Report of
the FAO Expert Meeting, Rome, 30 September-3 October, 2008. 2009.
GARCIA, Letícia Couto et al. Brazil's worst mining disaster: corporations must be compelled
to pay the actual environmental costs. Ecological Applications, v. 27, n. 1, p. 5-9, 2017.
GARZÓN-ROSERO, Lourdes Edith; CHÁVEZ-INTRIAGO, Mariela Yesenia. Violation of the
rights of animals abandoned in street situation. Revista Científica y Arbitrada de Ciencias
Sociales y Trabajo Social: Tejedora. ISSN: 2697-3626, v. 4, n. 7, p. 157-167, 2021.
GASSMANN, Natascha Iris. O comportamento felino e sua relação com humanos: revisão
integrativa. 2022. Monografia (Graduação em Medicina Veterinária) – FACULDADE DE
ENFERMAGEM NOVA ESPERANÇA, João Pessoa, 2022. Disponível em:
https://www.sistemasfacenern.com.br/repositoriopb/admin/uploads/arquivos/7bb16972da003e
87724f048d76b7e0e1.pdf?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 21 jan. 2025
GOMES, L. B.; REIS, S. T.; ATAYDE, I. B.; BASTOS, A. L. F.; MIRANDA, C. M. S. de. Plano
Nacional de Contingência de Desastres em Massa Envolvendo Animais. Conselho Federal de
Medicina Veterinária, v. 1a, p. 107, 2020.
GOMES, Laiza Bonela et al. Diagnosis of animal abuse: A Brazilian study. Preventive
veterinary medicine, v. 194, p. 105421, 2021.
GOMES, T.; BRANDÃO, T. Laudo aponta que instabilidade no Pinheiro é proveniente da
extração
de
sal-gema.
2019.
Disponível
em:
<https://gazetaweb.globo.com/portal/noticia/2019/05/laudoaponta-que-instabilidade-nopinheiro-e-proveniente-da-extracao-de-sal-gema_76362.php>. Acesso em: 13 ago. 2020.
GOMPPER, Matthew E. The dog–human–wildlife interface: assessing the scope of the
problem. Free-ranging dogs and wildlife conservation, v. 1, p. 9-54, 2014.
GOURKOW, N. Factors affecting the welfare and adoption rate of cats in animal shelter. 59p.
Master of Animal Science, University of British Columbia, 2001.
GRIECO, Valeria et al. Causes of death in stray cat colonies of Milan: a five-year report.
Animals, v. 11, n. 11, p. 3308, 2021.
GUEDES, J. J. M. et al. The impacts of domestic dogs (Canis familiaris) on wildlife in two
Brazilian hotspots and implications for conservation. Animal Biodiversity and Conservation,
v. 44, n. 1, p. 45-58, 2021.
GUERRA, S. Natural Disasters and the Emergence of International Disaster Law. Cadernos
de
Direito
Actual,
p.
331–346,
2017.
Disponível
em:
<http://smhis.kmu.ac.ir/Images/UserUpload/Document/SMHIS/modiriat%2520colg/%2
5D8%25B3%25>.
GUIMARÃES, V. de O. G. et al. Mining disaster in Brumadinho (Brazil): Social vulnerability
from the perspective of the fisherman community. International Journal of Disaster Risk
Reduction,
v.
112,
n.
June,
p.
104814,
2024.
Disponível
em:
<https://doi.org/10.1016/j.ijdrr.2024.104814>.
82

HAGHSHENAS HAGHIGHI, M.; MOTAGH, M. Ground surface response to continuous
compaction of aquifer system in Tehran, Iran: Results from a long-term multi-sensor InSAR
analysis. Remote Sens. Environ., v. 221, p. 534–550, 2019.
HEATH, S.; BECK, A.; KASS, P.; GLICKMAN, L. Risk factors for pet evacuation failure.
Journal of American Veterinary Medical Association, v. 218, p. 1905-1910, 2001b.
HEATH, S.; KASS, P.; BECK, A.; GLICKMAN, L. Human and pet-related risk factors for
household evacuation failure during a natural disaster. American Journal of Epidemiology, v.
153, p. 659-665, 2001a.
HUGHES, Joelene; MACDONALD, David W. A review of the interactions between freeroaming domestic dogs and wildlife. Biological Conservation, v. 157, p. 341-351, 2013.
HUNT, M. et al. Psychological Sequelae of Pet Loss Following Hurricane Katrina. Anthrozoös,
v. 21, n. 2, p. 109-121, 2008.
HWANG, J. et al. Disentangling the link between supplemental feeding, population density,
and the prevalence of pathogens in urban stray cats. PeerJ, v. 2018, n. 6, p. 1–27, 2018.
INSTITUTO DA CONSERVAÇÃO DA NATUREZA E DAS FLORESTAS (ICNF).
Estratégia Nacional para os Animais Errantes. 2023. Disponível em:
<https://www.icnf.pt/api/file/doc/41f8f44aee23be1a>. Acesso em: 29 jan. 2025.
IPCC - Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Mudança do Clima 2023.
Disponível
em:
<https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-omcti/sirene/publicacoes/relatorios-do-ipcc/arquivos/pdf/IPCC_mudanca2.pdf>. Acesso em: 1
abr. 2024.
JAROŠ, Filip. Cats and human societies: A world of interspecific interaction and interpretation.
Biosemiotics, v. 9, n. 2, p. 287-306, 2016.
JOHNSON, Kenneth S. Evaporite-karst problems and studies in the USA. Environmental
Geology, v. 53, p. 937-943, 2008.
KARDINER, A. The traumatic neuroses of war. National Research Council, 1941.
KOBIYAMA, M. et al. PREVENÇÃO DE DESASTRES NATURAIS - Conceitos Básicos.
2006. p. 109.
LEONARD, Jennifer A. et al. Impact of hybridization with domestic dogs on the conservation
of wild canids. Free-ranging dogs and wildlife conservation, v. 170, 2013.
LESSA, Isadora et al. Domestic dogs in protected areas: a threat to Brazilian mammals?.
Natureza & Conservação, v. 14, n. 2, p. 46-56, 2016.
LIMA FILHO, Walter Araujo; DE ALMEIDA LEVINO, Natallya; GUARNIERI, Patrícia.
Analysis of the socio-environmental impacts of an environmental disaster caused by a mining
company in the city of Maceió, Brazil. Discover Environment, v. 2, n. 1, p. 80, 2024.

83

LIMA FILHO, Walter Araujo; LEVINO, Natallya Almeida; GUANIERI, Patrícia. MiningBusiness: Analysis of the Socio-Environmental Impacts of an Environmental Disaster in
the City of Maceió, Brazil. 2023.
LORD, Kathryn. A comparison of the sensory development of wolves (Canis lupus lupus) and
dogs (Canis lupus familiaris). Ethology, v. 119, n. 2, p. 110-120, 2013.
LOSS, S. R. et al. Review and synthesis of the global literature on domestic cat impacts on
wildlife. Journal of Animal Ecology, v. 91, n. 7, p. 1361–1372, 2022.
LUCHA, Pedro et al. Natural and human-induced dissolution and subsidence processes in the
salt outcrop of the Cardona Diapir (NE Spain). Environmental Geology, v. 53, n. 5, p. 10231035, 2008.
MACDONALD, David W. et al. Social dynamics, nursing coalitions and infanticide among
farm cats, Felis catus. Ethology, 1987.
MAGLE, Seth B.; CROWTHER, Mathew S. Ecological impacts of domestic cat activity on
wildlife. Frontiers in Ecology and Evolution, v. 11, p. 1282679, 2023.
MANCINI, Francesco et al. Monitoring ground subsidence induced by salt mining in the city
of Tuzla (Bosnia and Herzegovina). Environmental Geology, v. 58, p. 381-389, 2009.
MANTOVANI, José Roberto et al. Uma avaliação da subsidência do solo pela mineração de
sal-gema em Maceió (Nordeste do Brasil) de 2019 a 2023 usando dados de sensoriamento
remoto. Desafios Ambientais, v. 16, p. 100983, 2024.
MARSHALL-PESCINI, Sarah et al. Integrating social ecology in explanations of wolf–dog
behavioral differences. Current Opinion in Behavioral Sciences, v. 16, p. 80-86, 2017.
MARTINEZ, Joseph D.; JOHNSON, Kenneth S.; NEAL, James T. Sinkholes in evaporite
rocks: surface subsidence can develop within a matter of days when highly soluble rocks
dissolve because of either natural or human causes. American Scientist, v. 86, n. 1, p. 38-51,
1998.
MECH, L. D.; BOITANI, L. (Eds.). Wolves: Behavior, Ecology, and Conservation.
University of Chicago Press, 2003.
MENDL, Michael et al. Dogs showing separation-related behaviour exhibit a ‘pessimistic’
cognitive bias. Current Biology, v. 20, n. 19, p. R839-R840, 2010.
MESESCU, Adrian Andrei. The Ocnele Mari salt mine collapsing sinkhole–a NATECH
breakdown in the Romanian sub-carpathians. Carpathian Journal of Earth and
Environmental Sciences, v. 6, n. 1, p. 215-220, 2011.
MONTEIRO, J. B.; PINHEIRO, D. R. de C. O Desastre Natural Como Fenômeno Induzido
Pela Sociedade: Abordagens Teóricas E Metodologias Operacionais Para Identificação /
Mitigação De. Revista de Geografia, v. 1, p. 1–9, 2012. Disponível em:
<https://geografia.ufjf.emnuvens.com.br/geografia/article/view/33/33>.

84

NAKAGOMI, Caroline Shigema et al. Alteração comportamental de animais antes de
terremotos e tsunamis. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, v. 4, n. 3,
p. 2902-2906, 2021.
NATOLI, Eugenia; LITCHFIELD, Carla; PONTIER, Dominique. Coexistence between
humans and ‘misunderstood’domestic cats in the anthropocene: Exploring behavioural
plasticity as a gatekeeper of evolution. Animals, v. 12, n. 13, p. 1717, 2022.
NAVA, Alessandra Ferreira Dales et al. First evidence of canine distemper in Brazilian freeranging felids. Ecohealth, v. 5, p. 513-518, 2008.
NICHIPORUK, S. et al. Post-traumatic stress disorder in dogs under the conditions of martial
state. Scientific and Technical Bulletin of State Scientific Research Control Institute of
Veterinary Medical Products and Fodder Additives and Institute of Animal Biology, v. 24,
n. 2, p. 137-144, 2023.
NOBRE, Carlos A.; MARENGO, José A. Mudanças climáticas em rede: um olhar
interdisciplinar. São Paulo: Canal6 Editora, 2017.
NUNES, Ana Paula. REFERÊNCIAS A PROCEDIMENTOS COM ANIMAIS NOS
PLANOS MUNICIPAIS DE EMERGÊNCIA E PROTEÇÃO CIVIL EM SITUAÇÃO DE
CATÁSTROFE EM PORTUGAL. 2022.
PEREIRA, Zélia Carina Monteiro. Atuação médico veterinária em situação de catástrofes
naturais ou induzidas pelo homem. 2019.
PERROTA, Ana Paula. Animais domesticados e desastres: entre a preocupação sanitária e
humanitária. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 37, n. 108, p. e3710811, 2022.
PERSKI, Zbigniew et al. InSAR analyses of terrain deformation near the Wieliczka Salt Mine,
Poland. Engineering Geology, v. 106, n. 1-2, p. 58-67, 2009.
PETESSE, Maria Letizia; POMARO, Sofia Bergamo; DE CASTRO CAMPANHA, Paula
Maria Gênova. Are fish assemblages recovering after the huge disaster of mining tailing dam
collapse in Mariana (Brazil-MG)? Environmental Monitoring and Assessment, v. 195, n. 11,
p. 1263, 2023.
PRADA, Irvenia LS. Os animais são seres sencientes. I SIMPÓSIO MULTIDISCIPLINAR
SOBRE RELAÇÕES HARMÔNICAS ENTRE, p. 10, 2008.
PRICE, Ginny. The sociability of cats: how their group structure affects our lives. 2005.
PROTOPOPOVA, Alexandra et al. Climate change and companion animals: identifying links
and opportunities for mitigation and adaptation strategies. Integrative and Comparative
Biology, v. 61, n. 1, p. 166-181, 2021.
RASOOL, Sanober et al. The impact of natural disasters on livestock sector: a review. Journal
ISSN, v. 2766, p. 2276, 2021.
RIBEIRO, Alexandre Milczanowski. Os desastres naturais e a interferência humana em
suas causas e consequências: caso Angra dos Reis 2010.
85

RODAN, Ilona. Understanding feline behavior and application for appropriate handling and
management. Topics in companion animal medicine, v. 25, n. 4, p. 178-188, 2010.
SAKOH, M. Unnatural disasters. The impacts of climate-related emergencies on wildlife,
livestock, and companion animals. 2009.
SHARMA, Renu Kochhar. A Study of Animal Behavior and Natural Disasters. In: International
Handbook of Disaster Research. Singapore: Springer Nature Singapore, 2023. p. 197-209.
SILVA, Diogo Cesar Gomes et al. Uma nova perspectiva sobre organização social em cães:
modelo contingêncial. Ciência Animal, v. 30, n. 4, p. 77-91, 2020.
SILVA, Marina Lima da; ANDRADE, Márcia Cristiane Kravetz. OS IMPACTOS
AMBIENTAIS DA ATIVIDADE MINERADORA. Caderno Meio Ambiente e
Sustentabilidade, Paraná, ed. 11, ano 2017, n. 6, 8 dez. 2017.
SOLANO-ROJAS, D.; WDOWINSKI, S.; CABRAL-CANO, E.; OSMANOĞLU, B.
Detecting differential ground displacements of civil structures in fast-subsiding metropolises
with interferometric SAR and band-pass filtering. Sci. Rep., v. 10, p. 15460, 2020.
SOUSA, Bruno; SOARES, Daniela. Combat to abandonment and mistreatment of animals: a
case study applied to the Public Security Police (Portugal). Case Studies on Social Marketing:
A Global Perspective, p. 245-252, 2019.
SOUZA, M. V. Medicina veterinária de catástrofes. Sinapse Múltipla, v. 6, p. 90-92, 2017.
SOUZA, Marcos Vinícius. Medicina veterinária de mega catástrofes no Brasil: história e
despreparo
repetidos.
Pubvet,
v.
13,
p.
127,
2019.
Disponível
em:
https://ojs.pubvet.com.br/index.php/revista/article/view/859.Acesso em: 18 fev. 2025.
STAFFORD, K. The Welfare of Dogs. The Netherlands: Springer, 2007.
TEIXEIRA, Ana Cláudia et al. InSAR Analysis of Partially Coherent Targets in a Subsidence
Deformation: A Case Study of Maceió. Remote Sensing, v. 16, n. 20, p. 3806, 2024.
TOMINAGA, L.; SANTORO, J.; DO AMARAL, R. Desastres Naturais: conhecer para
prevenir. 1. ed. São Paulo: Instituto Geológico, 2009. 196 p.
TRAVERS, Cheryl; DEGELING, Chris; ROCK, Melanie. Companion animals in natural
disasters: a scoping review of scholarly sources. Journal of Applied Animal Welfare Science,
v. 20, n. 4, p. 324-343, 2017.
TROUWBORST, Arie; MCCORMACK, Phillipa C.; MARTÍNEZ CAMACHO, Elvira.
Domestic cats and their impacts on biodiversity: A blind spot in the application of nature
conservation law. People and Nature, v. 2, n. 1, p. 235-250, 2020.
TURNER, Dennis C.; BATESON, Paul Patrick Gordon (Ed.). The domestic cat: the biology of
its behaviour. Cambridge University Press, 2000.

86

UNITED NATIONS OFFICE FOR DISASTER RISK REDUCTION. Annual Report 2021.
Disponível em: <https://www.undrr.org/publication/undrr-annual-report-2021>. Acesso em: 06
set. 2024.
URABE, Jotaro et al. Immediate ecological impacts of the 2011 Tohoku earthquake tsunami on
intertidal flat communities. PloS One, v. 8, n. 5, p. e62779, 2013.
VASSILEVA, Magdalena et al. A decade-long silent ground subsidence hazard culminating in
a metropolitan disaster in Maceió, Brazil. Scientific Reports, v. 11, n. 1, p. 7704, 2021.
VIEIRA, J. F. M. Medicina veterinária de desastres e catástrofes. Master of Science,
Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal, 2016.
VUCINIC, M.; DJORDJEVIC, M.; TEODOROVIC, R.; JANKOVIC, L.; RADENKOVICDAMNJANOVIC B.; RADISAVLJEVIC, K. Reasons for relinquishment of owned dogs in a
municipal shelter in Belgrade. Acta veterinaria, v. 59, n. 2-3, p. 309–317, 2009.
WOOLLEY, Leigh-Ann et al. Introduced cats Felis catus eating a continental fauna: inventory
and traits of Australian mammal species killed. Mammal Review, v. 49, n. 4, p. 354-368, 2019.
YAMAMOTO, Toshio. Unusual behaviour and a post-traumatic stress-like syndrome
(PTSD) in dogs after a vigorous earthquake on a seismic scale of 5+. 2003.
YAMASHITA, Jun; SHIGEMURA, Jun. The Great East Japan Earthquake, tsunami, and
Fukushima Daiichi nuclear power plant accident: a triple disaster affecting the mental health of
the country. Psychiatric Clinics, v. 36, n. 3, p. 351-370, 2013.
YOUNG, Julie K. et al. Is wildlife going to the dogs? Impacts of feral and free-roaming dogs
on wildlife populations. BioScience, v. 61, n. 2, p. 125-132, 2011.
ZHANG, Guimin et al. Mechanism of collapse sinkholes induced by solution mining of salt
formations and measures for prediction and prevention. Bulletin of Engineering Geology and
the Environment, v. 78, p. 1401-1415, 2019.

87

APÊNDICES

88

89

90

91

92

93

94