Évelly Vitória Oliveira de Jesus

Atividade desinfetante do extrato da borra de própolis vermelha contra microrganismos causadores de mastite em vacas e citotoxicidade do extrato frente à Artêmia salina.

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CAMPUS DE ENGENHARIAS E CIÊNCIAS AGRÁRIAS
UNIDADE EDUCACIONAL DE VIÇOSA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA ANIMAL

ÉVELLY VITÓRIA OLIVEIRA DE JESUS

Atividade desinfetante da borra de própolis vermelha frente a microrganismos
causadores de mastite em vacas.

Viçosa - Alagoas
2026

ÉVELLY VITÓRIA OLIVEIRA DE JESUS

Atividade desinfetante da borra de própolis vermelha frente a microrganismos
causadores de mastite em vacas.

Dissertação de mestrado apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Ciência
Animal da Universidade Federal de Alagoas
como requisito parcial para a obtenção do
grau de mestra em Ciência Animal.

Orientadora:

Profª

Chaves da Silva.

Viçosa - Alagoas
2026

Dra.

Karla

Patrícia

FOLHA DE APROVAÇÃO

ÉVELLY VITÓRIA OLIVEIRA DE JESUS

Atividade desinfetante da borra de própolis vermelha frente a microrganismos
causadores de mastite em vacas.

Dissertação submetida ao Programa de PósGraduação

em

Ciência

Animal

da

Universidade Federal de Alagoas e aprovada
em:

_____________________________________________________
Profª Dra. Karla Patrícia Chaves da Silva - UFAL - Orientadora
Banca examinadora:

_____________________________________________________
Profº Dr. Tobyas Maia de Albuquerque Mariz - Examinador interno

_____________________________________________________
Profª Dra. Elizabeth Sampaio de Medeiros - Examinador externo

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Polo Viçosa
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária Responsável: Lucicláudia Silva dos Santos – CRB-4 / 2115
J58a

Jesus, Évelly Vitória Oliveira de.
Atividade desinfetante da borra de própolis vermelho frente a microrganismos
causadores de mastite em vacas / Évelly Vitória Oliveira de Jesus. –2026.
39 f.
Orientadora: Prof. Dra. Karla Patrícia Chaves da Silva
Dissertação (Mestrado em Ciência Animal) – Universidade Federal de Alagoas.
Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal. Viçosa, 2026.
Bibliografia: f. 31-39

1. Bovinocultura leiteira. 2. Controle microbiano. 3. Staphyloccoccus aureus.
4. Escherichia coli. 5. Candida spp. I. Título.
CDU: 636.2:616.98

Dedico este trabalho aos meus familiares
e amigos que me auxiliaram durante esta
caminhada.

AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus por me permitir iniciar e concluir esta etapa da minha
formação acadêmica. Expresso minha imensa gratidão aos meus pais, ao meu irmão
e às minhas avós, Maria Vitória e Josefa Freire. Em especial, à minha avó Vitória (in
memoriam), que eu gostaria que estivesse aqui para contemplar os frutos do que
plantou, juntamente com meus pais, no início da minha vida. O amor que senti e
ainda sinto por ela foi um dos pilares da minha perseverança em diversas áreas da
minha existência.
Aos meus pais, agradeço por todo o apoio e carinho ao longo desta jornada e
de tantas outras. À minha mãe, sou profundamente grata por ser minha base,
fortaleza e amparo em tantos momentos da vida, especialmente nesta etapa. Ao
meu pai e ao meu irmão, agradeço o apoio constante diante das dúvidas e
dificuldades.
Estendo também meus mais sinceros agradecimentos aos meus amigos de
mestrado, Geraldo Araujo, Pamela Thaiany e Rafaelly Lima com quem compartilhei
momentos no laboratório e nas aulas durante esta etapa tão significativa em minha
trajetória. Expresso minha gratidão à professora Karla, por me receber no laboratório
com tanto carinho e pela orientação dedicada ao longo deste período.
Agradeço a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas
(FAPEAL) pelo fornecimento da bolsa de pesquisa que possibilitou a realização
deste estudo.

Antes que houvesse dia, eu sou: e
ninguém há que possa fazer escapar das
minhas

mãos:

operando

eu,

quem

impedirá?”
Isaías 43:13
“Se os teus olhos forem bons, todo o teu
corpo terá luz.”
Mateus 6:22

RESUMO
Objetivou-se avaliar, in vitro, a atividade desinfetante do extrato alcoólico da borra de
própolis vermelha (EBPV) frente a microrganismos, bem como sua citotoxicidade.
Foram utilizadas cepas de Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Candida spp.
para os ensaios. O potencial desinfetante do EBPV foi avaliado utilizando diferentes
concentrações (10%, 5%, 2,5%, 1,25% e 0,625%), e tempos de contato (5, 10 e 30
minutos). O extrato apresentou ação bactericida e fungicida rápida e efetiva nas
concentrações de 10% e 5%, com inibição total do crescimento em todos os tempos
analisados. A concentração de 2,5% também foi eficaz, com inibição completa a
partir de 10 minutos de exposição. Concentrações inferiores não demonstraram
atividade satisfatória. O ensaio de citotoxicidade com Artemia salina revelou
toxicidade dependente da dose, sendo 2,5% considerada a melhor relação entre
eficácia antimicrobiana e segurança biológica. Os resultados demonstram que o
EBPV possui potencial promissor como agente desinfetante natural aplicado ao
manejo pré dipping e pós dipping, podendo contribuir para o controle da mastite
subclínica contagiosa e ambiental. Recomenda-se a continuidade dos estudos em
condições in vivo e a padronização da composição química para viabilizar seu uso
industrial e comercial.
Palavras chave: Bovinocultura leiteira; controle microbiano; Staphylococcus aureus;
Escherichia coli; Candida spp.

ABSTRACT
The aim was to evaluate, in vitro, the disinfectant activity of the alcoholic extract of
red propolis residue (RPRE) against microorganisms, as well as its cytotoxicity.
Strains of Staphylococcus aureus, Escherichia coli, and Candida spp. were used for
the assays. The disinfectant potential of RPRE was assessed using different
concentrations (10%, 5%, 2.5%, 1.25%, and 0.625%) and contact times (5, 10, and
30 minutes). The extract showed rapid and effective bactericidal and fungicidal action
at concentrations of 10% and 5%, with complete growth inhibition at all times
analyzed. The 2.5% concentration was also effective, with complete inhibition
observed from 10 minutes of exposure. Lower concentrations did not show
satisfactory activity. The cytotoxicity assay with Artemia salina revealed dosedependent toxicity, with 2.5% being considered the best balance between
antimicrobial efficacy and biological safety. The results demonstrate that RPRE has
promising potential as a natural disinfectant agent applied in pre-dipping and postdipping management, potentially contributing to the control of contagious and
environmental subclinical mastitis. It is recommended to continue studies under in
vivo conditions and to standardize the chemical composition to enable industrial and
commercial use.
Keywords: Dairy cattle farming; microbial control; Staphylococcus aureus;
Escherichia coli; Candida spp.

LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Inibição do crescimento de E. coli e S. aureus nas placas após o teste de
desinfetante.

29

Tabela 2. Inibição do crescimento de Candida spp. nas placas após o teste de
desinfetante.

30

Tabela 3. Porcentagem de mortalidade da Artemia salina frente ao EBPV.

31

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
°C

Graus Celsius

BHI

Brain Heart Infusion

UFC/ mL

Unidades Formadoras de Colônias por mililitro

µL

Microlitros

%

Porcentagem

EBPV

Extrato da borra de própolis vermelha

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Mastite
2.2 Microrganismos causadores de mastite
2.2.1 Staphylococcus aureus
2.2.2 Escherichia coli
2.2.3 Candida spp.
2.3 Prevenção da mastite: a importância do pré dipping e pós dipping
2.3.1 Desinfetantes comerciais
2.4 Resistência a antimicrobianos (RAM)
2.6 Artemia salina
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
4 ARTIGO
5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

12

1 INTRODUÇÃO
As mastites permanecem sendo um dos principais desafios sanitários em
rebanhos leiteiros. Trata-se de uma doença de múltipla etiologia e distribuição
mundial, cuja prevalência está associada ao manejo sanitário dos animais e às
práticas adotadas durante e após a ordenha. Especialmente na mastite bovina,
configura-se como um importante obstáculo para a pecuária leiteira, impactando
negativamente no que se refere à qualidade do leite, além de ocasionar prejuízos
econômicos e representar risco à saúde pública (Langoni, 2017.)
Diante da crescente preocupação com o consumo de alimentos saudáveis,
livre de resíduos de antimicrobianos e seguros para a saúde da população, a busca
por substâncias naturais com propriedades terapêuticas e que não provoquem
efeitos negativos no meio ambiente e nos produtos de origem animal tem sido
justificada (Correa, 2018).
Nesse contexto, a própolis vermelha é uma alternativa viável. Segundo
Medeiros (2020), a própolis é uma resina balsâmica e resinosa coletada pelas
abelhas das superfícies de plantas. Atualmente há 13 tipos de própolis brasileira,
elas possuem compostos bioativos, e atividades antimicrobianas.
A própolis vermelha brasileira tem sido amplamente estudada por sua
atividade biológica diversa, incluindo efeitos antimicrobianos, anti inflamatórios e
imunomoduladores, atribuídos à sua composição rica em compostos fenólicos,
flavonoides e benzofenonas. Pesquisas recentes demonstram que extratos de
própolis vermelha apresentam atividade antibacteriana in vitro contra bactérias
multirresistentes e efeitos antifúngicos, sugerindo potencial terapêutico como agente
natural em formulações antimicrobianas (Xavier et al., 2023; Vasconcelos, 2025).
Além disso, análises fitoquímicas identificaram compostos fenólicos e
flavonoides associados com atividade antimicrobiana e antioxidante, indicando seu
potencial farmacológico em processos de defesa biológica (Aldana Mejía et al.,
2025). Em ensaios in vitro, a própolis vermelha também mostrou atividade
antimicrobiana frente a diversas bactérias patogênicas, o que reforça sua utilização
como alternativa natural em produtos antimicrobianos e desinfetantes (do
Nascimento & Veras, 2020).

13

Durante sua extração, um dos excedentes da produção, é a borra de própolis
vermelha que conserva características macroscópicas semelhantes ao produto
original.

Buscou-se

desenvolver

desinfetantes

naturais

para

uso

na

descontaminação dos tetos de vacas a partir desse excedente da produção da
própolis vermelha (PV). Dessa forma, objetivou-se avaliar in vitro a capacidade
desinfetante do extrato alcoólico da borra da própolis vermelha frente a bactérias,
fungos causadores da mastite em vacas.

2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Mastite

14

“A mastite bovina é uma enfermidade inflamatória da glândula mamária que
causa expressivas perdas econômicas e riscos à saúde pública” (Scatamburlo;
Werle, 2025).
As mastites podem ser classificadas de duas formas, sendo a mais comum a
classificação de acordo com os sinais clínicos, podendo ser classificadas em mastite
subclínica e mastite clínica. A mastite clínica refere-se aos casos com presença de
manifestações clínicas evidentes na glândula mamária, como edema, aumento da
temperatura local, mudanças na consistência do tecido glandular, dor à palpação e,
principalmente, modificações no leite, incluindo a presença de grumos. Em
determinadas situações, a mastite clínica pode evoluir para um quadro sistêmico,
demonstrado pelo aumento da temperatura retal, depressão, desidratação,
inapetência e expressiva redução da produção de leite. Sendo assim, ela é
facilmente percebida pelo produtor (Souza et al., 2016).
Os autores ainda relatam que, ao contrário da clínica, a mastite subclínica é a
forma prevalente da mastite bovina nos rebanhos leiteiros e caracteriza-se pela
ausência de alterações visíveis na glândula mamária e no leite. Assim, seu
diagnóstico torna-se crucial para minimizar a ocorrência da mastite com a
implementação de medidas de controle eficazes, com o objetivo de reduzir a
presença e minimizar seu impacto em toda a cadeia produtiva do leite.
Além dos problemas relacionados à saúde dos animais, o impacto econômico
da mastite compromete a subsistência de diversas propriedades leiteiras. Segundo
Da Fonseca et al. (2021), o sistema pelo qual o leite é produzido, desde as
propriedades leiteiras à indústria, possui grande importância no produto final. Vários
fatores exercem influência na qualidade do leite, como, por exemplo, a genética dos
animais, o manejo, nutrição, sanidade e a própria forma de retirada do leite.
Mais de 25% dos prejuízos relacionados às doenças no gado leiteiro têm
como causa a mastite, representando um impacto considerável na economia do
setor. O Brasil ocupa uma posição proeminente no cenário mundial da produção de
leite, e a preocupação em relação à produtividade é significativa, bem como os
desafios relacionados à qualidade do leite e à rentabilidade dos produtores (Da
Fonseca et al., 2021).

15

2.2 Microrganismos causadores de mastite
Conforme Da Fonseca et al. (2021), microrganismos como Staphylococcus
aureus estão associados à mastite contagiosa, enquanto Streptococcus uberis,
Streptococcus dysgalactiae e Escherichia coli estão associados à mastite ambiental.
2.2.1 Staphylococcus aureus
Staphylococcus aureus é reconhecido como um dos principais agentes
etiológicos da mastite bovina contagiosa, estando fortemente associado a quadros
crônicos e de difícil resolução terapêutica. Trata-se de uma bactéria coco Grampositiva, coagulase positiva, que se organiza isoladamente, em pares ou em
agrupamentos com aspecto de cacho de uva. Sua principal via de infecção é o canal
do teto, onde pode inicialmente colonizar a extremidade, especialmente na presença
de lesões ou microfissuras, progredindo para a cisterna e estabelecendo-se no
tecido secretor da glândula mamária (Gomes, 2022).
Mesmo com a implementação de programas de controle e manejo, a mastite
causada por S. aureus permanece como importante desafio sanitário nos sistemas
leiteiros, devido à sua persistência e impacto produtivo (Campos et al., 2022).
2.2.2 Escherichia coli
Escherichia coli destaca-se como importante patógeno ambiental associado à
mastite bovina, especialmente em sistemas com deficiências nas condições
higiênico-sanitárias. Essa bactéria apresenta elevada capacidade de adaptação e
pode desenvolver resistência de amplo espectro aos antibióticos comumente
usados, juntamente com uma rápida variação (Yu et al., 2020).
A elevada frequência de isolamento de E. coli em casos de mastite reforça a
necessidade de rigor nas medidas preventivas, com ênfase na higiene pré e pósordenha, adoção de protocolos adequados de pré-dipping e pós-dipping,
manutenção da limpeza da cama e redução da umidade ambiental. Essas práticas
são determinantes para o controle de patógenos ambientais e para a melhoria da
qualidade microbiológica do leite produzido (Salina et al., 2016).
2.2.3 Candida spp.

16

Os fungos são microrganismos eucarióticos e heterotróficos, classificados
principalmente em filamentosos e leveduriformes. Seu potencial patogênico varia
conforme o hospedeiro e os tecidos afetados, sendo que espécies do gênero
Candida podem causar desde infecções superficiais até quadros sistêmicos
(Makabe; Santos; Pires, 2018).
No contexto da mastite bovina, o gênero Candida tem sido identificado tanto
em casos clínicos quanto subclínicos, frequentemente associado ao uso prolongado
ou repetitivo de antibióticos, o que favorece infecções intramamárias crônicas e de
difícil tratamento (Rifatbegović et al., 2024). Espécies como C. albicans, C. krusei, C.
tropicalis e C. parapsilosis têm sido isoladas em leite de vacas com mastite,
apresentando, em alguns casos, resistência antifúngica e elevada capacidade de
formação de biofilmes, fatores que contribuem para a persistência do patógeno e
dificultam o controle da doença (Asfour et al., 2022).
Estudos recentes também destacam a relevância das espécies de Candida
não-albicans (NAC), que demonstram variabilidade nos perfis de suscetibilidade
antifúngica e potencial de virulência associado à formação de biofilme. Nesse
contexto, a identificação laboratorial precisa, torna-se fundamental para o
diagnóstico adequado e para o monitoramento dos fatores de virulência associados
à patogênese da mastite micótica (Asfour et al., 2022).
2.3 Prevenção da mastite: a importância do pré dipping e pós dipping
Bons procedimentos de ordenha constituem uma das principais medidas de
prevenção da mastite bovina, incluindo a limpeza e higienização dos tetos antes da
ordenha e a desinfecção imediatamente após o procedimento. Essas práticas
contribuem de forma significativa para reduzir a transmissão de agentes infecciosos
entre vacas infectadas e não infectadas (National Mastitis Council, 2016).
A prevenção é descrita na literatura como a estratégia mais eficaz para o
controle das enfermidades no rebanho leiteiro, sendo a higienização preventiva e o
sistema de produção fatores determinantes para a qualidade sanitária e produtiva
dos animais (Amorim e Sant’Ana, 2021).
As práticas recomendadas incluem a avaliação dos primeiros jatos de leite
para a detecção de casos de mastite clínica e o descarte adequado. Deve-se

17

garantir a higienização dos tetos, com aplicação de antisséptico antes da ordenha
por, no mínimo, 30 segundos, seguida de secagem com papel toalha descartável e
limpo. Também é indispensável a utilização de luvas limpas pelo ordenhador,
visando reduzir a disseminação de agentes patogênicos contagiosos (Souza et al.,
2016). Nesse contexto, programas preventivos incluem medidas higiênico-sanitárias
profiláticas, com destaque para os protocolos de pré e pós-imersão dos tetos, entre
outras práticas de manejo (Silva et al., 2023).
Conforme descrito por Cotta et al. (2020), o pré-dipping consiste na
desinfecção dos tetos antes da ordenha com o objetivo de reduzir a carga bacteriana
superficial, prevenindo novas infecções intramamárias e diminuindo a contaminação
inicial do leite. O procedimento envolve a imersão completa dos tetos em solução
desinfetante como iodo, ácido lático, hipoclorito de sódio ou dióxido de cloro,
preferencialmente com produtos prontos para uso e aplicados com copo de imersão
sem retorno. A literatura técnica recomenda tempo mínimo de contato e secagem
com papel toalha individual antes da ordenha.
O conjunto de teteiras deve ser acoplado em até no máximo 90 segundos
após o início da preparação do úbere e, ao término da ordenha, é necessária a
interrupção do sistema de vácuo antes da retirada das teteiras (Souza et al., 2016).
O pós-dipping, realizado após a ordenha, é descrito como uma das medidas
isoladas mais eficazes na prevenção de novos casos de mastite, pois reduz a
transferência de microrganismos entre animais e do ambiente para o úbere. Além do
efeito desinfetante, a prática contribui para a manutenção da integridade da pele dos
tetos quando associada a agentes hidratantes na formulação, reduzindo a ocorrência
de rachaduras e lesões cutâneas (Cotta et al., 2020).
Estudos recentes destacam ainda a importância de compreender os níveis de
suscetibilidade dos patógenos mastíticos aos desinfetantes utilizados na imersão
dos tetos, contribuindo para a vigilância da resistência antimicrobiana e para a
definição de concentrações adequadas de uso nas propriedades leiteiras
(Damasceno et al., 2025).
2.3.1 Desinfetantes comerciais

18

Algumas das medidas de prevenção da mastite citadas na literatura está a
adoção de práticas de higiene durante a ordenha, incluindo a desinfecção dos tetos
antes e após a ordenha, essa estratégia é associada à redução de novas infecções
intramamárias, especialmente aquelas que são causadas por patógenos contagiosos
(Ruegg, 2017).
Um levantamento conduzido em fazenda comerciais com vacas da raça
Holandesa (Holstein-Friesian ), observou-se que a clorexidina foi utilizada em 42,9%
dos protocolos de pré-dipping avaliados, enquanto o iodo foi o princípio ativo mais
utilizado no pós dipping (53,8%) demonstrando a variação na escolha dos
desinfetantes conforme a etapa de ordenha (Ózsvári; Iványos, 2022).
A eficácia de desinfetantes iodados foi pesquisada em um estudo de campo,
no qual uma formulação com maior teor de iodo livre foi associada à redução
significativa de novas infecções intramamárias quando comparada a uma formulação
com menor disponibilidade deste princípio ativo (Martins et al., 2017).
Em uma pesquisa conduzida em rebanhos leiteiros, diferentes ingredientes
ativos utilizados em desinfetantes para tetos foram analisados quanto ao seu efeito
sobre bactérias associadas à mastite presentes na pele do teto, sendo observada
uma redução significativa da carga bacteriana após a aplicação dos produtos
testados (Fitzpatrick et al., 2021).
Liu et al. (2026) realizaram um estudo clínico randomizado comparando um
desinfetante à base de dióxido de cloro com um desinfetante à base de iodo
glicerinado em vacas leiteiras. Os autores observaram eficácia bactericida
significativa contra patógenos associados à mastite, sem diferença estatisticamente
significativa entre os tratamentos quanto à contagem de células somáticas ou à
integridade da pele dos tetos.
Além da avaliação da eficácia antimicrobiana, estudos experimentais
demonstraram que a exposição de Klebsiella pneumoniae a concentrações
subinibitórias de clorexidina pode resultar em aumento da concentração inibitória
mínima (CIM) do microrganismo, bem como em alterações associadas à membrana
celular e resistência cruzada à colistina (Wand et al., 2017).

19

2.4 Resistência a antimicrobianos (RAM)
Os antibióticos são essenciais para a preservação da saúde dos animais
destinados à produção de alimentos; contudo, a crescente resistência antimicrobiana
configura uma ameaça significativa à eficácia desses tratamentos (Oliver et al.,
2020).
O aumento da resistência antimicrobiana tem resultado em infecções que não
respondem adequadamente às terapias convencionais. Em humanos, essa
problemática está associada ao uso de antimicrobianos em animais de produção,
uma vez que bactérias resistentes podem ser transmitidas por meio do consumo de
carne, leite e seus derivados, além da exposição a resíduos desses fármacos nos
alimentos (Oliver et al., 2020).
Diante desse cenário, observa-se crescente interesse por estratégias
complementares de prevenção, melhorias no manejo de ordenha e investigação de
alternativas terapêuticas, incluindo produtos de origem natural (Correa, 2018).
Mesmo com o desenvolvimento de abordagens alternativas e novos regimes
terapêuticos, a discussão sobre o surgimento e disseminação da resistência
antimicrobiana permanece ativa na literatura científica (Xu et al., 2020).
2.5 Própolis vermelha e resíduos da produção
A própolis é um produto apícola constituído por uma mistura complexa de
resinas vegetais coletadas por abelhas em diferentes espécies botânicas,
posteriormente modificadas por secreções salivares e cera durante o processamento
na colmeia. Estudos conduzidos nas áreas médica e veterinária têm investigado
suas propriedades biológicas, com destaque para a atividade antimicrobiana.
Resultados experimentais demonstram que a própolis pode exercer efeito
bacteriostático e bactericida contra diferentes gêneros de bactérias Gram-positivas e
Gram-negativas (Pontes, 2019).
A própolis vermelha apresenta origem botânica específica e é descrita como
ocorrendo de forma característica no estado de Alagoas. Esse tipo de própolis é
produzido por abelhas da espécie Apis mellifera, a partir de resinas de coloração

20

avermelhada

obtidas

principalmente

da

planta

Dalbergia

ecastaphyllum,

popularmente conhecida como rabo-de-bugio (Fontes, 2020).
As propriedades biológicas da própolis estão diretamente relacionadas à sua
composição química, a qual pode variar de acordo com fatores geográficos,
botânicos e ambientais. Entre os principais determinantes dessa variação destacamse a origem da vegetação visitada pelas abelhas, características genéticas das
colônias, condições climáticas e período de coleta, fatores que influenciam a
padronização e a qualidade da matéria-prima (Aniceto et al., 2020; Nascimento et
al., 2019).
O extrato de própolis é geralmente obtido por maceração, utilizando solventes
como etanol e água para a produção de extrato hidroalcoólico, ou exclusivamente
água para extrato aquoso. Durante a obtenção do extrato hidroalcoólico, forma-se
um subproduto sólido denominado “borra”, frequentemente descartado no
processamento convencional. Entretanto, investigações recentes indicam que esse
resíduo pode reter frações de compostos bioativos provenientes da matriz resinosa,
sugerindo potencial de aproveitamento biológico e tecnológico (Santos, 2023).
Estudos experimentais demonstram que a própolis e seus constituintes
químicos apresentam atividade antimicrobiana in vitro contra bactérias Gramnegativas,

como

Escherichia

coli,

Pseudomonas

aeruginosa

e

Klebsiella

pneumoniae, bem como contra bactérias Gram-positivas, incluindo Staphylococcus
epidermidis, Staphylococcus aureus, Bacillus cereus e Listeria monocytogenes
(Neves et al., 2016).
Embora a literatura apresente um número crescente de pesquisas sobre a
atividade biológica da própolis vermelha, ainda são limitados os estudos que avaliam
especificamente o potencial biológico da borra resultante do processo de extração
etanólica. Esse material corresponde à fração residual sólida obtida após a extração
alcoólica da resina de própolis e representa uma fonte potencial de compostos ainda
pouco explorados (Aniceto et al., 2020).
2.6 Artemia salina

21

A artemia salina é um microcrustáceo de ambientes salinos empregado
amplamente como organismo modelo em bioensaios toxicológicos preliminares.
Características como facilidade de cultivo em condições laboratoriais, elevada taxa
de eclosão a partir de cistos disponíveis comercialmente e desenvolvimento larval
rápido contribuem para sua aplicabilidade experimental (Banti et al., 2021; Santos et
al., 2023).
Os cistos de A. salina podem permanecer viáveis por longos períodos de
tempo e, quando incubados sob condições adequadas de aeração e salinidade,
originam náuplios sensíveis a diferentes classes de compostos químicos. Em virtude
dessas características, o ensaio de letalidade com A. salina é utilizado amplamente
como ferramenta de triagem preliminar para avaliar a toxicidade de substâncias
naturais e sintéticas, tendo como principal parâmetro de avaliação toxicológica a
taxa de mortalidade dos náuplios expostos (Banti et al., 2021).
Além do usos em bioensaios toxicológicos, revisões recentes destacam sua
utilização como organismo modelo em diferentes áreas da pesquisa científica,
incluindo estudos de interações hospedeiro-microrganismo, microbiologia, ecologia,
genética e testes de toxicidade ambiental (Tiong et al., 2024).

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

22

A mastite é um problema relevante na bovinocultura de leite, associada à
queda da produção, alterações na composição do leite e impactos econômicos
significativos. O controle da doença envolve o uso de antimicrobianos e medidas
preventivas, como a desinfecção dos tetos por meio de pré e pós dipping, contexto
no qual a resistência bacteriana constitui um desafio adicional ao manejo sanitário.
Em razão disso, as alternativas naturais têm ganhado visibilidade, principalmente a
própolis vermelha e seu resíduo, a borra de própolis, estes apresentam ação
desinfetante e contribuem para a redução da carga bacteriana. Portanto, colabora
de maneira sustentável para a prevenção e controle da mastite, além disso favorece
a saúde dos animais e a segurança alimentar.

23

4 ARTIGO

Borra de própolis vermelha contra mastite bovina: ação desinfetante e
citotoxicidade em Artemia salina

Borra de própolis vermelha contra mastite bovina: ação desinfetante e
citotoxicidade em Artemia salina

24

Red propolis residue against bovine mastitis: disinfectant activity and cytotoxicity in
Artemia salina
Évelly Vitória Oliveira de Jesus¹, Geraldo de Almeida Araujo Filho¹, Pamela Thaiany
Filgueira da Silva¹, Rafaelly Silva Lima¹, Julicelly Gomes Barbosa Macedo², Fernando
Nogueira de Souza³, Yamina Coentro Montaldo 2, Karla Patrícia Chaves da Silva².

¹ Mestrando do Programa de Pós Graduação em Ciência Animal - UFAL;
² Docente da Universidade Federal de Alagoas, UFAL.
3

Docente da Universidade de São Paulo, USP.

RESUMO
Objetivou-se avaliar, in vitro, a atividade desinfetante do extrato alcoólico da borra de
própolis vermelha (EBPV) frente a microrganismos, bem como sua citotoxicidade.
Foram utilizadas cepas de Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Candida spp.
para os ensaios. O potencial desinfetante do EBPV foi avaliado utilizando diferentes
concentrações (10%, 5%, 2,5%, 1,25% e 0,625%), e tempos de contato (5, 10 e 30
minutos). O extrato apresentou ação bactericida e fungicida rápida e efetiva nas
concentrações de 10% e 5%, com inibição total do crescimento em todos os tempos
analisados. A concentração de 2,5% também foi eficaz, com inibição completa a
partir de 10 minutos de exposição. Concentrações inferiores não demonstraram
atividade satisfatória. O ensaio de citotoxicidade com Artemia salina revelou
toxicidade dependente da dose, sendo 2,5% considerada a melhor relação entre
eficácia antimicrobiana e segurança biológica. Os resultados demonstram que o
EBPV possui potencial promissor como agente desinfetante natural aplicado ao
manejo pré dipping e pós dipping, podendo contribuir para o controle da mastite
subclínica contagiosa e ambiental. Recomenda-se a continuidade dos estudos em
condições in vivo e a padronização da composição química para viabilizar seu uso
industrial e comercial.
Palavras chave: Bovinocultura leiteira; controle microbiano; Staphylococcus aureus;
Escherichia coli; Candida spp.
ABSTRACT
The aim was to evaluate, in vitro, the disinfectant activity of the alcoholic extract of
red propolis residue (RPRE) against microorganisms, as well as its cytotoxicity.
Strains of Staphylococcus aureus, Escherichia coli, and Candida spp. were used for
the assays. The disinfectant potential of RPRE was assessed using different
concentrations (10%, 5%, 2.5%, 1.25%, and 0.625%) and contact times (5, 10, and
30 minutes). The extract showed rapid and effective bactericidal and fungicidal action
at concentrations of 10% and 5%, with complete growth inhibition at all times
analyzed. The 2.5% concentration was also effective, with complete inhibition
observed from 10 minutes of exposure. Lower concentrations did not show
satisfactory activity. The cytotoxicity assay with Artemia salina revealed dosedependent toxicity, with 2.5% being considered the best balance between
antimicrobial efficacy and biological safety. The results demonstrate that RPRE has

25

promising potential as a natural disinfectant agent applied in pre-dipping and postdipping management, potentially contributing to the control of contagious and
environmental subclinical mastitis. It is recommended to continue studies under in
vivo conditions and to standardize the chemical composition to enable industrial and
commercial use.
Keywords: Dairy cattle farming; microbial control; Staphylococcus aureus;
Escherichia coli; Candida spp.
INTRODUÇÃO
A mastite bovina é uma das enfermidades de maior impacto econômico e
sanitário na pecuária leiteira, pois reduz a produção e representa risco à saúde
pública (Langoni, 2013; Coser et al., 2012). Embora os desinfetantes utilizados no
pré e pós-dipping contribuem no controle da doença, o uso contínuo de agentes
químicos e o avanço da resistência antimicrobiana reforçam a necessidade de
alternativas eficazes e ambientalmente sustentáveis (Xu et al., 2022; Damasceno et
al., 2025).
Nesse

contexto,

cresce

o

interesse

por

substâncias

naturais

com

propriedades terapêuticas e menor impacto ambiental, como a própolis (Correa,
2018). Esse produto natural, formado por resinas vegetais coletadas por abelhas,
apresenta comprovada atividade bacteriostática e bactericida contra diferentes
bactérias Gram-positivas e Gram-negativas (Pontes, 2019). No Brasil, um dos
destaques é a própolis vermelha, encontrada em Alagoas e produzida por abelhas
Apis mellifera a partir da resina da planta Dalbergia ecastaphyllum (Fontes, 2020).
Durante a produção do extrato hidroalcoólico, é gerada a borra de própolis,
um resíduo geralmente descartado, mas que ainda contém compostos bioativos com
potencial farmacológico (Santos et al., 2023). A borra de própolis apresenta atividade
antimicrobiana contra bactérias (Aniceto et al., 2020). Além disso, a própolis, produto
que origina a borra, é eficaz in vitro contra microrganismos Gram-negativos e Grampositivos associados a infecções, incluindo agentes relacionados à mastite bovina
(Neves et al., 2016).
Assim, este estudo teve como objetivo avaliar, in vitro, o potencial
desinfetante do extrato alcoólico da borra de própolis vermelha frente a E. coli, S.
aureus e Candida spp., microrganismos relevantes na mastite bovina e a

26

citotoxicidade do extrato de borra da própolis vermelha (EBPV) frente à Artemia
salina.
MATERIAL E MÉTODOS
Preparo dos inóculos bacterianos para testes in vitro
As cepas de Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Candida spp. foram
utilizadas para este trabalho por serem patógenos frequentemente associados à
mastite bovina. A cepa de Staphylococcus aureus utilizada foi a ATCC 29213,
enquanto Escherichia coli e a Candida spp. eram cepas selvagens advindas de
amostras de leite mastítico, previamente processadas e armazenadas na
bacterioteca do laboratório. As cepas de foram cultivadas em ágar BHI (Brain Heart
Infusion), os inóculos foram preparados em solução salina a 0,9% até alcançarem a
turbidez 0,5 da escala de McFarland, equivalente a 1,5 x 108 UFC/mL.
Para confirmar a densidade bacteriana, foi realizada diluição seriada do
inóculo na proporção de 1:10 (10 1) até 1:10 até 10

, seguida de inoculação de

100 μL de cada diluição em ágar BHI e incubação a 37 °C por 24 horas, com
posterior contagem das colônias para confirmação da concentração bacteriana.
Controle com álcool de cereais
O tratamento controle com o álcool de cereais foi realizado após a diluição
para a obtenção de uma solução com a concentração final de 84,40% (v/v) pela
adição de 10% (v/v) de água destilada esterilizada. A partir dessa solução inicial,
foram preparadas 1 tubo com a solução estoque e quatro diluições diretas
adicionando 1 ml de água destilada esterilizada para obtenção das concentrações
avaliadas. As diluições foram realizadas em tubos de ensaio estéreis e em duplicata
para garantir a reprodutibilidade.
Preparação do extrato da borra de própolis vermelha (EBPV)
A borra de própolis vermelha foi homogeneizada com álcool de cereais para
obtenção de uma solução estoque a 10% (p/v). A solução estoque preparada foi
homogeneizada 3 vezes ao dia por 30 a 45 dias ao abrigo do sol e da luminosidade
em frasco âmbar. A solução "estoque" do extrato da borra de própolis vermelha
(EBPV) foi filtrada com o auxílio de um funil de vidro e filtros esterilizados, após a

27

filtragem foram realizadas as diluições. As diluições foram produzidas diretamente a
partir da solução (EBPV), não sendo realizadas em série.
A sequência de diluições subsequentes foi realizada utilizando pipetas e tubos
de ensaio. Foram utilizados cinco tubos com a solução EBPV, o primeiro tubo com
solução pura e os demais com a adição de 1 ml de água destilada esterilizada
resultando em diferentes concentrações. Todas as diluições foram realizadas em
duplicata para garantir a reprodutibilidade dos resultados.
Ensaio de atividade desinfetante
Após o preparo das diluições, adicionou-se 500 μL do inóculo padronizado
(0,5 de McFarland) aos tubos, e alíquotas de 100 μL foram coletadas nos tempos de
5, 10 e 30 minutos, inoculadas em ágar BHI e incubadas a 37 °C por 24 horas para
avaliação da atividade desinfetante e os tempos necessários para inibição do
crescimento, em ensaios realizados em duplicata, para garantir a reprodutibilidade
dos resultados. A metodologia foi baseada e adaptada de Moreira (2021).
Citotoxicidade com bioensaio de Artemia salina
A citotoxicidade do extrato alcoólico da borra de própolis vermelha (EBPV) foi
avaliada por meio do bioensaio com Artemia salina, conforme metodologias
adaptadas de Silva et al. (2012) e Meyer et al. (1982). Foram testadas as
concentrações de 10%, 5% e 2,5%, foi adicionado no primeiro tubo 1 mL da solução
estoque de EBPV ou controle de álcool de cereais e água destilada estéril,
resultando nas diluições. Após a homogeneização da mistura foi adicionado
aproximadamente 50 náuplios. A contagem de náuplios vivos foi realizada nos
tempos de 5, 10, 30 minutos e 24 horas, classificando-se como tóxica a
concentração com mortalidade superior a 50%. Todos os ensaios foram realizados
em duplicata.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O teste controle com álcool de cereais demonstrou que, em elevadas
concentrações,

o

solvente

possui

ação

antimicrobiana

significativa.

Nas

concentrações de 84,4% e 42,2% (50% da concentração original), observou-se
inibição total do crescimento bacteriano nos tempos de 10 e 30 minutos para ambas

28

as espécies testadas (E. coli e S. aureus). No teste com Candida spp. foi observado
inibição total somente na concentração de 84,4%.
Entretanto, em concentrações inferiores, verificou-se crescimento abundante
dos microrganismos, inviabilizando a contagem de colônias. Esse controle
experimental assegura que o efeito antimicrobiano observado nos demais ensaios
está associado ao extrato da borra de própolis vermelha (EBPV), e não a ação do
etanol residual presente na formulação.
O EBPV mostrou ação antibacteriana relevante em relação às duas bactérias
avaliadas, com destaque para as concentrações de 10%, 5% e 2,5%. Para E. coli,
verificou-se inibição total nos tempos de 5, 10 e 30 minutos nas concentrações de
10% e 5%, indicando efeito bactericida rápido, conforme a tabela 1. Na concentração
de 2,5%, houve inibição parcial aos 5 minutos, progredindo para inibição total a partir
de 10 minutos, sugerindo dependência do tempo de contato nessa faixa de
concentração. Esses resultados indicam um desempenho promissor para situações
de manejo no campo, onde E. coli é frequentemente associada às mastites
ambientais.
O padrão de resposta de S. aureus foi semelhante ao observado para E. coli,
as concentrações de 10% e 5% promoveram inibição total em todos os tempos
avaliados (5, 10 e 30 minutos), conforme a tabela 1. Já na 2,5%, ocorreu inibição
parcial aos 5 minutos e total nos demais intervalos. Tais achados demonstram que,
mesmo em concentrações mais baixas, o extrato apresenta eficácia quando há
tempo mínimo de exposição. Em contrapartida, concentrações inferiores a 2%
(1,25% e 0,625%) não apresentaram desempenho satisfatório, não sendo
recomendadas para formulações desinfetantes.
Tabela 1. Inibição do crescimento de E. coli e S. aureus nas placas após o teste de
desinfetante.
Tempos

Solução estoque 10%

5%

2,5%

1,25%

0,625%

5’

Total

Total

Parcial

Sem inibição

Sem inibição

10’

Total

Total

Total

Sem inibição

Sem inibição

30’

Total

Total

Total

Sem inibição

Sem inibição

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

29

Quanto à atividade antifúngica, o EBPV apresentou relevância em relação à
Candida spp., com destaque para as concentrações 10%, 5% e 2,5%. Verificou-se
inibição total nos tempos de 5, 10 e 30 minutos nas concentrações de 10% e 5%,
indicando efeito fungicida rápido, conforme a tabela 2. Na concentração de 2,5%,
houve inibição parcial aos 5 minutos, progredindo para inibição total a partir de 10
minutos, sugerindo dependência do tempo de contato nessa faixa de concentração.
Assim como o observado nas bactérias, as concentrações inferiores a 2% (1,25% e
0,625%) não apresentaram desempenho satisfatório, não sendo recomendadas para
formulações desinfetantes.
Tabela 2. Inibição do crescimento de Candida spp. nas placas após o teste de
desinfetante.
Tempos

Solução estoque 10%

5%

2,5%

1,25%

0,625%

5’

Total

Total

Parcial

Sem inibição

Sem inibição

10’

Total

Total

Total

Sem inibição

Sem inibição

30’

Total

Total

Total

Sem inibição

Sem inibição

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

Os resultados obtidos corroboram com o estudo de Klahr (2016), que relatou
forte ação antimicrobiana do extrato etanólico de própolis frente a diversas espécies
bacterianas, com maior sensibilidade para Gram-positivas, especialmente S. aureus.
A diferença de sensibilidade entre bactérias Gram-positivas e Gram-negativas pode
ser atribuída à barreira conferida pela membrana externa das últimas, dificultando a
penetração de compostos bioativos.
A eficácia observada neste estudo também está de acordo com os achados
de Aniceto et al. (2020), que reportaram ação antibacteriana da borra de própolis
contra S. aureus, S. epidermidis, Enterococcus faecalis, E. coli e Shigella flexneri.
Esses autores ressaltaram que, mesmo a borra sendo um subproduto normalmente
descartado, ela retém compostos bioativos com potencial terapêutico, achado que
reforça a relevância do presente estudo.
De forma semelhante, Neves et al. (2016) relataram que amostras tanto da
resina bruta em pó quanto do extrato etanólico bruto da própolis vermelha de ambas
as localidades inibiram o crescimento de todas as 12 cepas de Candida testadas,

30

com uma concentração inibitória mínima de 256 μg/mL, evidenciando o amplo
espectro antifúngico desse tipo de própolis.
Loguercio et al. (2006) compararam a atividade antimicrobiana da própolis e
de antimicrobianos rotineiramente utilizados, sendo alguns deles: Ampicilina,
Gentamicina, Oxacilina, Penicilina, Sulfazotrim e Tetraciclina. Dos 63 isolados
bacterianos avaliados, 90,5% apresentaram sensibilidade ao extrato, com destaque
para Staphylococcus coagulase-positivos (94,4%). Esses resultados corroboram os
dados apresentados no presente estudo, especialmente quanto à elevada eficácia
do EBPV frente a S. aureus, reforçando seu potencial como alternativa natural no
controle de patógenos associados à mastite bovina.
Dessa forma, os dados obtidos demonstram que o EBPV possui potencial
desinfetante rápido, podendo ser considerado uma alternativa natural para reduzir a
carga microbiana em situações de risco sanitário na bovinocultura leiteira,
especialmente na prevenção de mastite ambiental.
A toxicidade do EBPV foi dependente da concentração e do tempo de
contato. As concentrações de 10% e 5% apresentaram alta toxicidade, com
mortalidade elevada em curtos períodos (5, 10 e 30 minutos), conforme a tabela 3.
Em contrapartida, a concentração de 2,5% apresentou melhor equilíbrio entre
eficácia desinfetante e citotoxicidade, sendo a mais indicada para estudos in vivo. A
toxicidade observada, especialmente nas concentrações mais altas, pode ser
atribuída ao alto teor de compostos fenólicos e flavonoides típicos da própolis
vermelha, reconhecidos pela forte bioatividade celular. O comportamento é
semelhante ao relatado por estudos com extratos brutos de própolis.
Tabela 3. Porcentagem de mortalidade da Artemia salina frente ao EBPV.
Tempos

Solução estoque 10%

5%

2,5%

5’

100%

0%

0%

10’

100%

90%

50%

30’

100%

100%

100%

24 horas

100%

100%

100%

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

31

Apesar

dos

resultados

promissores,

estudos

complementares

são

recomendados, incluindo avaliação in vivo, padronização da composição química,
estabilidade em formulações comerciais, citotoxicidade e eficácia frente a cepas
multirresistentes, garantindo segurança e aplicabilidade prática.
CONCLUSÃO
Os resultados deste estudo in vitro demonstram que a borra de própolis
vermelha

apresenta

atividade

antimicrobiana

frente

a

Escherichia

coli,

Staphylococcus aureus e Candida spp., com ação rápida e dependente tanto da
concentração quanto do tempo de contato. As concentrações de 10% e 5% foram
eficazes em todos os tempos avaliados, enquanto 2,5% apresentou ação após 10
minutos, indicando um limite mínimo para garantir efeito desinfetante. Considerando
sua eficácia, disponibilidade e baixo custo, a borra de própolis vermelha apresentase

como

candidata

promissora

para

o

desenvolvimento

de

formulações

desinfetantes aplicáveis ao manejo animal na bovinocultura leiteira.
AGÊNCIA FINANCIADORA
Este estudo contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa
do Estado de Alagoas (FAPEAL).
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