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                    ANGELO MARCIO MENEZES DANTAS JUNIOR

DESENVOLVIMENTO DE Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (HEMIPTERA:
ALYDIDAE) EM PLANTA ALIMENTÍCIA ALTERNATIVA, Macroptilium
atropurpureum Urb. (LEGUMINOSAE: PAPILIONOIDEAE), EM LABORATÓRIO

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
RIO LARGO, ESTADO DE ALAGOAS
2009
UFAL

CECA

ANGELO MARCIO MENEZES DANTAS JUNIOR

DESENVOLVIMENTO DE Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (HEMIPTERA:
ALYDIDAE) EM PLANTA ALIMENTÍCIA ALTERNATIVA, Macroptilium
atropurpureum Urb. (LEGUMINOSAE: PAPILIONOIDEAE), EM LABORATÓRIO

Dissertação apresentada ao Colegiado do Curso de
Mestrado em Agronomia, área de concentração em
Proteção de Plantas, da Universidade Federal de
Alagoas, como requisito para a obtenção do título de
Mestre.
Orientação: Profa. Dra. Iracilda Maria de Moura Lima

RIO LARGO – ESTADO DE ALAGOAS – BRASIL
OUTUBRO DE 2009

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária Responsável: Maria Auxiliadora G. da Cunha
D192d

Dantas Junior, Angelo Marcio Menezes.
Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera:
Alydidae) em planta alimentícia alternativa, Macroptilium atropurpureum Urb.
(Leguminosae: Papilionoideae), em laboratório / Angelo Marcio Menezes Dantas Junior,
2009.
xiii, 48 f. : il. tabs., gráfs. Fots. color.
Orientadora: Iracilda Maria de Moura Lima.
Dissertação (mestrado em Agronomia :Produção vegetal) – Universidade
Federal de Alagoas. Centro de Ciências Agrárias. Rio Largo, 2009.
Bibliografia: f. 33-36.
Apêndices: f. 37-42
Anexos: f. 43-46.
Índices: f. 47-48
1. Planta alimentícia. 2. Bioecologia. 3. Insecta. 4. Fitófago. 5. Leguminosa
Percevejo. 6. Planta hospedeira. I. Título.
CDU: 595.7

TERMO DE APROVAÇÃO

DESENVOLVIMENTO DE Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (HEMIPTERA:
ALYDIDAE) EM PLANTA ALIMENTÍCIA ALTERNATIVA, Macroptilium
atropurpureum Urb. (LEGUMINOSAE: PAPILIONOIDEAE), EM LABORATÓRIO

Angelo Marcio Menezes Dantas Junior
(Matrícula: 2007M21D009S-9)

A dissertação acima especificada foi submetida ao Curso de Mestrado em Agronomia, na área
de concentração em Produção Vegetal e Proteção de Plantas, do Centro de Ciências Agrárias
da Universidade Federal de Alagoas, como requisito parcial na integralização dos créditos
para obtenção do grau de Mestre, tendo sido aprovado pela banca examinadora formada pelos
seguintes doutores:
Profa. Dra. Iracilda Maria de Moura Lima
Setor de Biodiversidade e Ecologia
Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS)
Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Orientadora

Dr. Elio César Guzzo

Embrapa Tabuleiros Costeiros
Unidade de Execução de Pesquisa e Desenvolvimento de Rio Largo
(UEP – Rio Largo, Estado de Alagoas)
Membro Titular

Prof. Dr. Edmilson Santos Silva
Campus Arapiraca
Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Membro Titular

Profa. Dra. Sônia Maria Forti Broglio Micheletti
Departamento de Fitotecnia e Fitossanidade
Centro de Ciências Agrárias (CECA)
Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Membro Titular

Rio Largo, Estado de Alagoas, Brasil
23 de outubro 2009

Dedico este trabalho

Aos meus pais,
Ângelo Márcio Menezes Dantas e Maria das Graças Ferreira Dantas
pela educação, dedicação, conselhos e por acreditarem nos meus sonhos.

À Natália Larissa da Silva Santos
pelo amor, compreensão, apoio, força, paz, serenidade, proteção,
paciência e companheirismo.

A Deus ofereço.

AGRADECIMENTOS

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal), através da Coordenação do Curso de Graduação
em Ciências Biológicas, pela oportunidade de realizar este curso.
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas pela concessão da Bolsa
(Processo: 2002.08.017-08).
A Coordenação do curso de Pós-graduação em Agronomia, concentração em
produção vegetal e proteção de plantas.
Ao Dr. Antônio Ricardo Panizzi, pela identificação e depósito da espécie
Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera: Heteroptera: Alydidae: Alydinae).
A Bióloga Rosângela Pereira de Lyra Lemos do Herbário MAC do Instituto do Meio
Ambiente do Estado de Alagoas (IMA), pela identificação botânica da espécie Macroptilium
atropurpureum Urb. (Leguminosae: Papilionoideae).
A Helena Cristina Pimentel do Vale, bibliotecária da Ufal, pela elaboração da ficha
catalográfica.
Aos professores das disciplinas cursadas durante todo período do Mestrado: Cícero
Carlos de Souza Almeida (Genética), Edna Peixoto da Rocha Amorim (Fitopatologia), Eurico
Eduardo Pinto Lemos (Propagação de Plantas), Iracilda Maria de Moura Lima (Produção
de Textos Científicos), Ivanildo Soares de Lima (Infoquímicos na Entomologia), Laurício
Endres (Fisiologia Vegetal), Leila de Paula Rezende (Seminários), Paulo Vanderlei Ferreira
(Estatística), Sônia Maria Forti Broglio-Micheleti (Controle Biológico de Insetos) e Vilma
Marques Ferreira (Fisiologia Vegetal).

A professora Dra. Iracilda Maria de Moura Lima, pela contribuição para minha
formação ao ter me aceito como estagiário e orientando.
Aos membros da Banca Examinadora pelas valiosas sugestões na versão dessa
dissertação apresentada para defesa.
Ao Museu de História Natural da UFAL, onde foi realizada a experimentação prática
do projeto de mestrado e aos colegas de laboratório.
Aos secretários do Curso de Pós-graduação em Agronomia: Geraldo de Lima e
Marcos Antonio Lopes pela contribuição para a realização deste curso.

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS ..................................................................................................................... viii
LISTA DE TABELAS .................................................................................................................... x
LISTA DE APÊNDICES E ANEXOS .......................................................................................... xi
RESUMO ......................................................................................................................................... xii
ABSTRACT ..................................................................................................................................... xiii
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 1
2. REVISÃO DA LITERATURA .................................................................................................. 3
2.1 Gênero Neomegalotomus (Schaffner & Schaefer 1998) ...................................................... 3
2.1.1 Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) ............................................................. 4
2.1.1.1 Aspectos morfológicos ................................................................................... 5
2.1.1.2 Danos ............................................................................................................. 6
2.1.1.3 Inimigos Naturais: parasitóides ...................................................................... 6
2.1.1.4 Oviposição ..................................................................................................... 6
2.1.1.5 Criação em laboratório ................................................................................... 7
2.1.1.6 Desenvolvimento Ninfal ................................................................................ 9
2.1.1.7 Fase Adulta .................................................................................................... 10
2.1.1.8 Hábito alimentar ............................................................................................. 10
2.1.1.9 Plantas Alimentícias ....................................................................................... 11
2.1.1.10 Hábito gregário ............................................................................................ 12
2.1.1.11 Mirmecomorfia ............................................................................................ 13
3. METODOLOGIA ....................................................................................................................... 14
3.1 Área da Coleta ...................................................................................................................... 14
3.2 Coleta e criação dos percevejos ........................................................................................... 15
3.3 Conservação e envio de insetos para identificação .............................................................. 17
3.4 Envio da planta-alimentícia para identificação .................................................................... 17
3.5 Registro dos dados do desenvolvimento .............................................................................. 17
3.6 Procedimentos estatísticos empregados na análise dos dados ............................................. 18
4. RESULTADOS ........................................................................................................................... 19
4.1 Identificação das espécies: inseto e planta alimentícia ................................................ 19
4.2 Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus ............................................................. 20

4.3 Viabilidade de ovos e sobrevivência ao longo do desenvolvimento........................... 27
4.4 Dimorfismo e Razão sexual.................................................................................................. 29
5. CONCLUSÕES ........................................................................................................................... 32
6. REFERÊNCIAS .......................................................................................................................... 33
APÊNDICES ................................................................................................................................ 37
ANEXOS ....................................................................................................................................... 43
ÍNDICE DE GÊNEROS E ESPÉCIES CITADAS................................................................... 47

LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1. Cladograma da subfamília Alydinae, com a inclusão do gênero
Neomegalotomus (Schaffner & Schaefer 1998)...................................... 5
FIGURA 2. Comportamento de oviposição de Neomegalotomus parvus
(Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae) em vagens de Cajanus
cajan Druce (guandu), segundo VENTURA & PANIZZI (2000: 396).
A) N. parvus fica inicialmente imóvel; B) Movimentos alternados das
antenas; C) Realiza a antenação quando se aproxima da vagem; D)
Tateamento/antenação, primeiro com a antena e depois com a
extremidade do labium; E) O ovipositor é esfregado para trás e para
frente; F) Os ovos são depositados em brechas nas vagens.................... 8
FIGURA 3. Exúvias representativas das cinco ecdises do desenvolvimento de
Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae).
Da esquerda para a direita 1º, 2º, 3º, 4º e 5º ínstares ninfais................ 10
FIGURA 4. Área da coleta da espécie Macroptilium atropurpureum Urb.
(Leguminosae: Papilionoideae) e dos exemplares adultos de
Neomegalotomus
parvus
(Westwood,
1842)
(Hemiptera:
Alydidae)................................................................................................. 14
FIGURA 5. Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae).
A) Ovo viável (1,40 mm) com exúvia à direita. B e C) Ninfa de
segundo ínstar (3,31 mm) ....................................................................... 15
FIGURA 6. Vista lateral de ninfas de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)
(Hemiptera: Alydidae). Da esquerda para a direita, ninfa do 1º ínstar
(1,97 mm), do 2º ínstar (3,31 mm) e do 3º ínstar (4,45 mm)................ 16
DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

viii

FIGURA 7. A) Recipiente de plástico transparente (600 mL) de criação de
Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae).
B) Tubos plásticos de filme fotográfico preto (35 mL) onde se
depositavam as vagens que serviam de alimento para os
percevejos................................................................................................ 16
FIGURA 8. Tubo de Eppendorf (10 mL). Recipiente para armazenamento e
conservação de exúvias........................................................................... 17
FIGURA 9. Macroptilium atropurpureum Urb. (Leguminosae: Papilionoideae),
planta alimentícia de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)
(Hemiptera: Alydidae). A) Aspecto geral das folhas. B) Aspecto geral
do arbusto................................................................................................ 20
FIGURA 10. Duração média do período embrionário e dos ínstares do
desenvolvimento pós-embrionário de Neomegalotomus parvus
(Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae) alimentando-se de vagens
imaturas de Macroptilium atropurpureum Urb. (Leguminosae:
Papilionoideae), em laboratório (26,8 ± 0,2ºC e 54,4 ± 1,4% UR)......... 21
FIGURA 11. Exemplar de macho (11,5 mm) de Neomegalotomus parvus
(Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae). A) vista dorsal. B) vista
ventral. C) vista Lateral esquerda. D) vista lateral direita....................... 30
FIGURA 12. Exemplar de fêmea (12,5 mm) de Neomegalotomus parvus
(Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae). A) vista dorsal. B) vista
ventral. C) vista Lateral esquerda. D) vista lateral direita....................... 30
FIGURA 13. Exemplares de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)
(Hemiptera: Alydidae), em vista lateral. A) Fêmea (12,5 mm). B)
Macho (11,5 mm).................................................................................... 31

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

ix

LISTA DE TABELAS

TABELA 1. Estatísticas descritivas da duração em dias, das fases do desenvolvimento
de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae)
alimentando-se de vagens imaturas de Macroptilium atropurpureum Urb.
(Leguminosae: Papilionoideae) em laboratório (26,8 ± 0,2ºC e 54,4 ±
1,4% UR)..................................................................................................... 21
TABELA 2. Duração absoluta média (em dias) e duração relativa do período
embrionário e ínstares do desenvolvimento de Neomegalotomus parvus
(Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae) alimentando-se de vagens
imaturas de Macroptilium atropurpureum Urb. (Leguminosae:
Papilionoideae) em laboratório (26,8 ± 0,2ºC e 54,4 ± 1,4% UR).............. 22
TABELA 3. Duração das fases no desenvolvimento de espécies de hemípteros da
família Alydidae, para fins de comparação com parâmetros obtidos para
Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae)
alimentando-se de vagens imaturas de Macroptilium atropurpureum Urb.
(Leguminosae: Papilionoideae) (destacado em cinza) em laboratório
(26,8 ± 0,2ºC e 54,4 ± 1,4% UR)................................................................. 23
TABELA 4.

Viabilidade de ovos e sobrevivência, em cada um dos períodos do
desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)
(Hemiptera: Alydidae) alimentando-se de vagens de Macroptilium
atropurpureum Urb. (Leguminosae: Papilionoideae), em laboratório
(26,8 ± 0,2ºC e 54,4 ± 1,4% UR)................................................................. 27

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

x

LISTA DE APÊNDICES E ANEXOS
APÊNDICE 1. Planilha para coleta de dados: registro das datas de ocorrência dos
eventos biológicos (eclosão, ecdises ninfais e emergência de adultos)
para a determinação da duração dos períodos do desenvolvimento de
Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae)
alimentado com vagens de Macroptilium atropurpureum Urb.
(Leguminosae: Papilionoideae), em laboratório (26,8 ± 0,2ºC e 54,4 ±
1,4% UR.)................................................................................................ 38
APÊNDICE 2. Planilha para registro dos valores da duração, em dias, dos estádios do
desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)
(Hemiptera: Alydidae) alimentados com vagens imaturas de
Macroptilium atropurpureum Urb. (Leguminosae: Papilionoideae),
em laboratório (26,8 ± 0,2ºC e 54,4 ± 1,4% UR).................................... 40
APÊNDICE 3. Planilha com dados sobre os dias ao longo do desenvolvimento de
Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae)
alimentados com vagens imaturas de Macroptilium atropurpureum
Urb. (Leguminosae: Papilionoideae), em laboratório (26,8 ± 0,2ºC e
54,4 ± 1,4% UR)...................................................................................... 41
APÊNDICE 4. Planilhas com registros das condições do laboratório (temperatura e
umidade) durante a criação de Neomegalotomus parvus (Westwood,
1842) (Hemiptera: Alydidae) alimentados com vagens imaturas de
Macroptilium atropurpureum Urb. (Leguminosae: Papilionoideae),
em laboratório (26,8 ± 0,2ºC e 54,4 ± 1,4% UR).................................... 42
ANEXO 1. E-mail do especialista contendo a identificação da espécie de
Hemiptera................................................................................................ 44
ANEXO 2. Confirmação da planta alimentícia.......................................................... 45
ANEXO 3. Normas da Revista Brasileira de Entomologia........................................ 46

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

xi

RESUMO
Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae) se distribui na região
neotropical desde o México até o norte da Argentina e Caribe. No Brasil, tem sido relatado
em soja e feijão nas regiões de cerrados. Esta espécie é conhecida popularmente como
“formigão”, pois as ninfas mimetizam formigas. O ataque deste percevejo pode transmitir o
fungo Nematospora coryli Peglion, que causa a doença “mancha-de-levedura”, a qual reduz a
qualidade e o rendimento da cultura. Macroptilium atropurpureum Urb. (Leguminosae:
Papilionoideae) é uma leguminosa herbácea e trepadeira, conhecida popularmente como
siratro. Originária do México foi introduzida no Brasil para ser usada em cultivo associado
com gramíneas forrageiras. No entanto, pela falta de controle, tornou-se uma planta-invasora.
Em campo, os percevejos foram coletados em M. atropurpureum em terreno baldio no
município de Maceió, Estado de Alagoas (9°40’11.7”S e 35º44’38.8”W). Foram obtidos 32
ovos, as ninfas eclodidas foram individualizadas em recipientes feitos com garrafas PET 2 L,
sendo o volume final de 300mL. O alimento (ramos com vagens verdes) era trocado a cada
três dias. Os estádios, em dias de N. parvus, foram [média±erro-padrão, amplitude total (mínmáx) e coeficiente de variação (CV)]: Período embrionário= 8,9±0,2, 3(7-10) dias,
CV=11,4%; N1= 2,5±0,1, 1(2-3) dias, CV=20,4%; N2=5,2±0,4, 8(4-12) dias, CV=35,0%;
N3=3,9±0,2, 3(3-6) dias, CV=21,3%; N4=4,6±0,2, 3(4-7) dias, CV=19,4%; N5=9,7±0,6, 9(514) dias, CV=31,3%. O Desenvolvimento total foi 34,9±0,8, 12(28-40) dias, CV=11,0%. A
razão sexual foi de 0,5 indicando equilíbrio entre os sexos. A viabilidade dos ovos foi de
100% e a mortalidade ao longo do desenvolvimento foi de 31,2%. Esse desempenho com
obtenção de adultos viáveis, indica que M. atropurpureum pode ser considerada como plantaalimentícia alternativa.
Palavras-chave: bioecologia, estádios, planta-hospedeira.

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

xii

ABSTRACT
Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae) is distributed in the
neotropical region from Mexico to northern Argentina and Caribbean. In Brazil it has been
reported in soybean and bean in the Cerrado biome. This species is known as " broad-headed
bugs" because the nymphs mimic ants. the attack of this bug can transmit the fungus
Nematospora coryles Peglion, which causes the "blight-yeast" disease which reduces the
quality and crop yield. Macroptilium atropurpureum Urb (Leguminosae: Papilionoideae) is a
leguminous plant, herbaceous and climbing, popularly known as siratro. Originally from
Mexico, it was introduced in Brazil to be cultivated in association with grasses. However, due
to the lack of control, it has become an invasive plant. In the field, the bugs were collected in
M. atropurpureum in a vacant lot in the city of Maceió, Alagoas State (9°40'11.7"/S and
35°44'38.8"/W). We obtained 32 eggs and, after hatching, nimphs were isolated in containers
made with 2 L PET bottles with 300mL final volume. And food (branches with green pods),
wich was changed every three days. The N. parvus stadiums length in days, were [mean ±
standard error, total amplitude (min-max), coefficient of variation (CV)]: embryonic period=
8.9 ± 0.2, 3(7-10) days, CV=11.4%; N1= 2.5 ± 0.1, 1(2-3) days, CV=20.4%; N2=5.2 ± 0.4,
8(4-12) days, CV= 35.0%; N3=3.9 ± 0.2, 3(3-6) days, CV=21.3%; N4= 4.6 ± 0.2, 3(4-7) days,
CV= 19.4%; N5=9.7 ± 0.6, 9(5-14) days, CV=31.3%. The total development was 34.9 ± 0.8,
12 (28-40) days, CV=11.0%. The sex ratio was 0.5 indicating a balance between sexes. The
viability of eggs was 100% and mortality during development was 31.2%. This performance
with obtaining viable adults indicates that M. atropurpureum can be considered as an
alternative plant-food.
Keywords: bio-ecology, stadia, host-plant.

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

xiii

1. INTRODUÇÃO

Integrantes da Família Alydidae (Hemiptera: Heteroptera) estão distribuídos em diversas
partes do mundo, principalmente nas regiões Neártica, Holártica e Oriental, com registros
para países como Estados Unidos, Filipinas, China, Coréia, Japão, Bangladesh e Paraguai,
onde foram registrados atacando vagens em plantações de soja, feijão e outras leguminosas
(SANTOS & PANIZZI 1998a: 388).
Dentre as espécies conhecidas, destacam-se as da região neotropical pertencentes ao
gênero Neomegalotomus (Schaffner & Schaefer 1998), os representantes desse gênero são
denominados popularmente por “formigão”, pois suas ninfas mimetizam formigas (GALLO et
al. 2002: 499). Indivíduos desse gênero já foram relatados em plantios de soja e feijão nas
regiões de cerrados, principalmente em cultivo de verão (KISHINO 1980: 85-127),
destacando-se o Estado de São Paulo onde foi observada a presença da espécie
Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) em cultivos de soja (MASSARIOL et al. 1979:
84-86). Segundo SCHAEFER & AHMAD (2008: 36) essa espécie tem sua distribuição desde
o México, atravessando a América Central até o norte da Argentina, e em direção à Venezuela
e ilhas caribenhas.
O formigão era considerado uma praga secundária, mas, devido ao crescimento de
suas populações, aliado a mudanças no seu comportamento, acabou se tornando, em algumas
regiões, um problema sério. Essa elevação de status de praga secundária para primária pode
ser explicada através do seguinte fato: com a introdução da soja, N. parvus que já se
alimentava de leguminosas nativas, começou a se alimentar dessa nova cultura de forma
alternativa, e com o passar do tempo, como não houve nenhum tipo de controle, o inseto
passou a ser uma praga importante (SCHAEFER 1998: 502).

1

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

2

Atualmente, mesmo com uma população de baixa densidade, esses percevejos
conseguem causar danos significativos, pois se alimentam diretamente dos grãos desde o
início da formação das vagens, causando danos nas vagens e nos grãos, que ficam menores,
enrugados, e mais escuros: antes, o dano causado por esses percevejos se limitava à sucção de
grãos das sementes de soja em seu período reprodutivo, sendo que atualmente, também se
alimentam de plantas mais jovens, podendo interferir no desenvolvimento futuro da planta
(QUINTELA 2002: 39).
Além disso, a associação deste inseto com a soja tem trazido grandes prejuízos, pois os
percevejos, além do dano direto, também podem transmitir patógenos como Nematospora
coryli Peglion, que contribuem para a redução da produção e da qualidade dos grãos,
provocando manchas e deformações nas vagens e nos grãos (PARADELA-FILHO et al.
1972: 6-8).
Apesar de no Estado de Alagoas, a produção agrícola estar voltada para o monocultivo
da cana-de-açúcar, outras culturas são exploradas principalmente nas regiões do Agreste e do
Sertão, destacando-se o feijão voltado para o consumo humano, com produção total de 42.490
toneladas/ano. A soja também tem sido plantada de forma expressiva, principalmente no
município de Arapiraca, para fins de produção de ração animal, com uma produção de 264
toneladas/ano (IBGE 2006).
A existência dessas culturas e a comprovação da presença do percevejo no Estado são
elementos importantes para se justificar o estudo da biologia desse inseto, incluindo a
detecção de plantas alimentícias alternativas, geralmente plantas invasoras, que ocorrem nos
agroecossistemas da soja e do feijão. Ainda nesse sentido, não podem deixar de ser
investigados os agentes de controle natural responsáveis pelo equilíbrio da população dos
percevejos.
Apesar de sua importância econômica, ainda são poucos os estudos que vêm sendo
realizados sobre aspectos biológicos dessa espécie. No entanto, destaque deve ser dado aos
trabalhos realizados por SANTOS & PANIZZI (1997: 577), que revelaram que o controle
natural de N. parvus pode ser feito com a utilização de parasitóides, principalmente moscas da
família Tachinidae (Diptera).
Considerando o prejuízo que as espécies desse gênero de percevejo podem causar aos
plantios de soja e de outras leguminosas como o feijão, este trabalho traz contribuições para o
conhecimento da bioecologia de N. parvus, por estudar seu ciclo de vida a partir de ninfas
alimentadas com vagens imaturas de uma espécie exótica de Macroptilium (Leguminosae:
Papilionoideae).

2. REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Gênero Neomegalotomus (Schaffner & Schaefer 1998)
O gênero Neomegalotomus é relativamente novo, e foi criado para acolher as espécies
neotropicais que estavam incluídas no gênero Megalotomus Fieber, 1861 (SCHAFFNER &
SCHAEFER 1988: 395-396). Esse fato se deu por as espécies neotropicais desse gênero não
serem congenéricas, inclusive o holótipo M. simplex Westwood, 1842.
Na revisão do gênero Megalotomus realizada por SCHAFFNER & SCHAEFER
(1998: 395-396) foi proposta sua divisão em dois gêneros: (1) Megalotomus, restrito à região
Holártica (regiões biogeográficas Neártica1 e Paleártica2); e (2) Neomegalotomus, novo
gênero, característico da região Neotropical3.
O gênero Neomegalotomus apresenta duas espécies válidas: N. parvus (Westwood,
1842) e N. rufipes (Westwood, 1842). Estudos de caracteres morfológicos demonstraram que
muitas espécies do gênero deveriam ser consideradas sinônimas, excetuando-se N. debilis
(Walker, 1871) e N. vicinus (Westwood, 1842) que ainda não foram estudadas. Dessa forma,
N. rufipes apresenta N. jamaicensis (Distant, 1901) e N. consobrinus (Westwood, 1842) como
seus sinônimos; e N. simplex (Westwood, 1842), N. latifascia (Berg, 1894) e N. pallescens
(Stål, 1858) atualmente são sinônimos de N. parvus (SCHAEFER & AHMAD 2008: 36-38).

1

A região neártica corresponde às áreas temperado-frias da América do Norte, no Canadá, Estados Unidos
(excluindo o sul da Florida) e o norte do México (MORRONE 2004: 155).
2
A região paleártica corresponde a Europa, Ásia ao norte do Himalaia, África ao norte do Saara e Groenlândia
(MORRONE 2004: 155).
3
A região neotropical compreende os trópicos do novo mundo, a maior parte da América do Sul, toda América
Central, o sul do México, as Antilhas e o sul da península da Flórida (MORRONE 2004: 157).
3

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

4

Em relação à posição sistemática, o gênero Neomegalotomus está incluído na
subfamília Alydinae (Hemiptera: Heteroptera: Alydidae) conforme recente classificação,
construída a partir de análise cladística (FIG. 1) onde são considerados apenas caracteres
apomórficos4 (os plesiomórficos5 não foram utilizados), destacando-se dois que são
responsáveis pela sua inclusão nessa subfamília: (1) o terceiro segmento labial, que é o menor
dos quatro segmentos em todos os gêneros; e (2) os tricobótrios6 do 5º segmento abdominal
que aparecem em arranjo linear, ou seja, abaixo (inferior) ou anterior ao espiráculo (ABBAS
2002: 319-324).
Sua inclusão na tribo Alydini decorre do fato de apresentarem cabeça distintamente
declivente e fêmur posterior um pouco alongado, ultrapassando o ápice do abdome; por
apresentar a tíbia posterior reta, com ápice denteado, está incluído no grupo Alydus; a
presença do aparelho odorífero bilobado com o peritrema7 caracteriza o gênero
Neomegalotomus; e se diferencia dos outros gêneros do grupo Alydus (que incluem os gêneros
Neomegalotomus; Euthetus Dallas, 1852; Tollius Stål, 1870; Burtinus, Stål 1859;
Megalotomus e Alydus Fabricius, 1803) pela ausência de plectro estridulatório8 complexo
(ABBAS 2002: 319-324).

2.1.1 Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)
Neomegalotomus parvus é uma espécie que está distribuída em onze países da região
Neotropical, ocorrendo desde o México, passando por Honduras, Panamá, ilhas caribenhas,
Guiana Francesa, Colômbia, Venezuela, Peru, Bolívia, Paraguai, Norte da Argentina e Brasil,
com registros para os Estados de Rondônia, Mato Grosso, Distrito Federal, Goiás, Maranhão,
Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa
Catarina (SCHAEFER & AHMAD 2008: 30).
4

Apomórfico é o estado ou condição de uma estrutura que apresenta uma apomorfia (estado derivado de um
caráter em uma série de transformação; é uma condição mais recente que outra homóloga, pré-existente, a partir
da qual se originou) (AMORIM 2002: 147).
5
Plesiomórfico é o estado de uma estrutura que apresenta uma plesiomorfia (a condição mais antiga, préexistente, em uma série de transformação) (AMORIM 2002: 149).
6

Tricobótrios (ou órgãos pseudo-estigmáticos) consistem de um conjunto de cerdas próximos a uma área sensível
da superfície do corpo (ZOMBORI & STEINMANN 1998: 249).
7
8

Esclerito que circunda a abertura espiracular dos insetos (SNODGRASS 1993: 462).

Plectro estridulatório é uma estrutura móvel para produção de sons (ZOMBORI & STEINMANN 1998: 175;
221).

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

5

FIGURA 1. Cladograma da subfamília Alydinae, com a inclusão do gênero
Neomegalotomus (Schaffner & Schaefer 1998). Adaptado de ABBAS (2002: 324).

2.1.1.1 Aspectos morfológicos
A espécie N. parvus possui comprimento que varia entre 10 a 15 mm, o corpo é estreito,
coloração marrom com o dorso marrom-claro ou escuro, sendo que alguns indivíduos
possuem pronoto amarelo; a cabeça é destacada e as antenas possuem o segmento mediano
mais claro (GALLO et al. 2002: 499; PARADELA-FILHO et al. 1972: 8).

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

6

Os ovos são marrons e postos individualmente; as ninfas mimetizam formigas,
apresentam coloração marrom, e não se alimentam no primeiro instar (GALLO et al. 2002:
499; PANIZZI & PARRA 1991: 260).

2.1.1.2 Danos
Estudos feitos em casa-de-vegetação por SANTOS & PANIZZI (1998a: 392), mostraram que
a abundância do percevejo durante a maturação dos grãos pode comprometer a qualidade da
produção em campos de soja. No entanto, baixas populações durante o período de enchimento
das vagens acabam não causando danos significativos na produção.
Outro fator importante a ser considerado é a capacidade de N. parvus transmitir o
patógeno Nematospora coryli Peglion, agente causador da mancha de levedura. A infecção
ocorre pelo ato alimentar: o inseto introduz o estilete na semente; com isso se dá a
transmissão da levedura; uma vez infectadas, as sementes ficam deformadas e com manchas,
comprometendo a qualidade de sementes e grãos (PARADELA-FILHO et al. 1972: 6-8).

2.1.1.3 Inimigos Naturais: parasitóides
Os parasitóides são os mais importantes inimigos naturais dos insetos, pois geralmente
apresentam altas taxas reprodutivas e são específicos para o hospedeiro (SILVEIRA-NETO et
al. 1976: 314). As únicas observações de parasitismo em N. parvus foram registradas por
SANTOS & PANIZZI (1997: 577-578): percevejos coletados em Cajanus cajan Druce
(guandu) e em Dolichos lablab L. (lablab) (Leguminosae) estavam parasitados por
taquinídeos pertencentes a três gêneros Hyalomyia, Hyalomyodes e Trichopoda.

2.1.1.4 Oviposição
As fêmeas de N. parvus possuem um ritmo cicardiano de oviposição, pois a maioria dos ovos
é depositada durante a tarde. Os ovos são preferencialmente colocados em fendas ou brechas
nas vagens da planta alimentícia (FIG. 2F). Estas fendas são escolhidas por movimentos de

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

7

esfregamento do ovipositor, onde as mecanosensilas estão localizadas (VENTURA &
PANIZZI 2000: 398).
Inicialmente a fêmea fica imóvel, sem movimento visível (FIG. 2A), e em seguida
move as antenas alternadamente para cima e para baixo (FIG. 2B). O tateamento/antenação é
feito primeiramente só com as antenas (FIG. 2C) e logo após com as antenas e a extremidade
labial (FIG. 2D). Portanto, eles não são específicos quanto à escolha do local de oviposição. É
mais um mecanismo pelo qual os percevejos provam um substrato potencial para a
alimentação e oviposição subsequentes.
Na etapa seguinte, o ovipositor é exposto e esfregado sobre a superfície da vagem ou
da superfície da gaiola (FIG. 2E). Em vagens, esfregar o ovipositor rapidamente leva à
oviposição. Após a fêmea esfregar o ovipositor algumas vezes, os ovos são postos
imediatamente (FIG. 2F). A ação de esfregar o ovipositor na superfície da vagem é específica
e, portanto, esse comportamento é um mecanismo para localizar um sítio de oviposição.
Informações sobre o sítio provavelmente são fornecidas pela mecanosensila localizada no
ovipositor (VENTURA & PANIZZI 2000: 394).
Os ovos não são colocados em forma de placa como em muitas famílias de percevejos,
eles são postos isoladamente sobre as vagens ou folhas (PARADELA-FILHO et al. 1972: 9),
e possuem uma substância adesiva que os fixam nas superfícies em que são postos
(VENTURA & PANIZI 2000: 395).

2.1.1.5 Criação em laboratório
Segundo VENTURA & PANIZZI (1997: 580), N. parvus é uma excelente espécie para uso
em experimentação e para fins didáticos em entomologia, devido à sua abundância e
freqüência em campo, e também pela facilidade de sua criação em laboratório com uso de
sementes maduras de guandu.
VENTURA & PANIZZI (1997: 580) elaboraram uma metodologia de criação em
laboratório para N. parvus que consiste na criação dos percevejos em caixas plásticas do tipo
“gerbox” (12,0 x 12,0 x 3,8 cm), forradas com papel filtro e contendo o alimento [sementes
maduras de leguminosas hospedeiras como, C. cajan (guandu) e D. lablab] e a água (algodão
hidrófilo embebido em água) onde foram colocadas cerca de 14 ninfas. O alimento e o
algodão devem ser substituídos semanalmente. Para ninfas de 5º ínstar e adultos, a troca do
alimento e água deve ser feita duas vezes por semana, devido à maior contaminação da água e

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

8

das sementes em decorrência da maior produção de fezes. Os adultos obtidos devem ser
separados e colocados em outros recipientes.
Os recipientes de criação devem ser mantidos em câmaras climatizadas (25ºC e 70%
UR), o que protege os insetos de predadores como formigas. Os ovos postos pela fêmea
podem ser facilmente retirados com o uso de pincel, caso estejam espalhados nas paredes das
gaiolas, devem ser retirados com pincel embebido em água para remover a substância adesiva
que mantém o ovo preso.

A

B

C

D

E

F

FIGURA 2. Comportamento de oviposição de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)
(Hemiptera: Heteroptera: Alydidae: Alydinae) em vagens de Cajanus cajan Druce (guandu),
segundo VENTURA & PANIZZI (2000: 396). A) N. parvus fica inicialmente imóvel; B)
Movimentos alternados das antenas; C) Realiza a antenação quando se aproxima da vagem; D)
Tateamento/antenação, primeiro com a antena e depois com a extremidade do labium; E) O
ovipositor é esfregado para trás e para frente; F) Os ovos são depositados em brechas nas vagens.

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VENTURA & PANIZZI (1997: 580) elaboraram uma metodologia de criação em
laboratório para N. parvus que consiste na criação dos percevejos em caixas plásticas do tipo
“gerbox” (12,0 x 12,0 x 3,8 cm), forradas com papel filtro e contendo o alimento [sementes
maduras de leguminosas hospedeiras como, C. cajan (guandu) e D. lablab] e a água (algodão
hidrófilo embebido em água) onde foram colocadas cerca de 14 ninfas. O alimento e o
algodão devem ser substituídos semanalmente. Para ninfas de 5º ínstar e adultos, a troca do
alimento e água deve ser feita duas vezes por semana, devido à maior contaminação da água e
das sementes em decorrência da maior produção de fezes. Os adultos obtidos devem ser
separados e colocados em outros recipientes.
Os recipientes de criação devem ser mantidos em câmaras climatizadas (25ºC e 70%
UR), o que protege os insetos de predadores como formigas. Os ovos postos pela fêmea
podem ser facilmente retirados com o uso de pincel, caso estejam espalhados nas paredes das
gaiolas, devem ser retirados com pincel embebido em água para remover a substância adesiva
que mantém o ovo preso.

2.1.1.6 Desenvolvimento Ninfal
As ninfas recém eclodidas, ninfas do primeiro ínstar, não se alimentam durante esse período,
elas possuem uma reserva de energia oriunda do estágio de ovo que foi acumulada pela
fêmea: esta adaptação deve ter ocorrido, pois as ninfas de primeiro ínstar possuem as peças
bucais muito frágeis, e as características das vagens como a pilosidade e espessura das
paredes, dentre outras, fazem com que as sementes se tornem inacessíveis a uma perfuração
pelo aparelho bucal destas ninfas (PANIZZI & PARRA 1991: 260).
Em laboratório, as ninfas de N. parvus (SANTOS & PANIZZI 1998b: 447) e de outros
alidídeos como Riptortus dentipes Fabricius (EWETE & JODA 1996: 348) e Leptocorisa
chinensis Dallas 1852 (ISHIZAKI et al. 2008: 560) apresentam cinco ínstares durante o
desenvolvimento, ou seja, sofrem cinco ecdises (FIG. 3) até atingirem o estágio adulto.
O período de desenvolvimento, a sobrevivência e outros fatores dependem do tipo de
alimentação e de outras pressões sofridas pelo inseto. Em média, o desenvolvimento ninfal de
N. parvus, excetuando-se o primeiro ínstar em que a ninfa não se alimenta, pode durar cerca
de 20 dias, e a diferença do período de desenvolvimento ninfal entre machos e fêmeas não é
significativo (SANTOS & PANIZZI 1998b: 446).

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2.1.1.7 Fase Adulta
Fêmeas e machos são semelhantes, mas diferem em coloração, forma do corpo e,
principalmente em tamanho. Estas características são usadas para a sexagem, ou seja, para
separar adultos dos dois sexos (PANIZZI & PARRA 1991: 261). Em relação à coloração, os
machos de N. parvus são marrom-claros, com uma faixa clara ao longo do corpo; as fêmeas
são marrom-escuras e não possuem essa faixa clara. Outra forma de se determinar o sexo
desses percevejos é massa corporal: fêmeas possuem um peso fresco com valores
significativamente maiores que os dos machos (PANIZZI & PARRA 1991: 265).

FIGURA 3. Exúvias representativas das cinco ecdises do
desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood,
1842) (Hemiptera: Alydidae). Da esquerda para a direita 1º,
2º, 3º, 4º e 5º ínstares ninfais.

2.1.1.8 Hábito alimentar
A espécie N. parvus é fitófaga, pois normalmente seus representantes são encontrados se
alimentando de vagens e sementes de plantas da família Leguminosae. No entanto, em casos
de extrema necessidade, como quando há escassez de alimento, essa espécie pode apresentar
um comportamento onívoro, predando ninfas e adultos da mesma espécie (canibalismo) e
também sugando líquidos de carcaças e de fezes de animais (VENTURA et al. 2000b: 840).
Esses mesmos autores verificaram que quando não são oferecidas sementes a ninfas de

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

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segundo ínstar estas passaram a se alimentar exclusivamente das ninfas mortas e conseguiram
atingir o terceiro ínstar.
Ninfas e adultos de N. parvus respondem a estímulos alimentares através do
tateamento/antenação e comportamento de busca; localizando os alimentos utilizando sinais
visuais e/ou olfativos. A preferência alimentar de N. parvus é influenciada pela densidade das
ninfas, pois, uma vez que um inseto visita o alimento, os outros tendem a se concentrar de
forma gregária sobre este alimento (VENTURA et al. 2000a: 311-314).

2.1.1.9 Plantas Alimentícias
Os alidídeos são encontrados, principalmente, alimentando-se de vagens e sementes de
leguminosas, demonstrando uma estreita relação entre inseto e planta. Eles são generalistas
com relação a leguminosas, não se alimentando exclusivamente de uma única espécie,
podendo ser considerados oligófagos (SCHAEFER & MITCHELL 1983: 604).
Dentre as várias espécies de leguminosas, N. parvus foi encontrado em Cassia
occidentalis L. (fedegoso) e Glycine max (L.) Merril (soja) (SILVA et al. 1968: 49; PANIZZI
1988: 281), Cj. cajan (feijão-guandu), Canavalia ensiformes DC. (feijão-de-porco),
Crotalaria juncea L. (PARADELA-FILHO et al. 1972: 9), D. lablab (SANTOS & PANIZZI
1998b: 446), Lupinus sp. L. (tremoço) (SCHAEFER & PANIZZI 2000: 324), P. vulgaris L.
(feijão comum) (CHANDLER 1989: 84), Sesamum indicum L. (gergelim) e V. unguiculata
(L.) (feijão-de-corda ou feijão caupi) (VENTURA & PANIZZI 2003: 34). Em feijoeiro e soja,
N. parvus é considerado praga, trazendo prejuízos para os agricultores destas culturas
(SANTOS & PANIZZI 1998a: 389).
Plantas de outras famílias também foram citadas por SILVA et al. (1968: 49) como
hospedeiras de N. parvus, são elas: Gossypium sp. (Malvaceae) (algodoeiro) e Lycopersicon
sp. (Solanaceae) (tomateiro).
Para a espécie N. rufipes, foram registradas as leguminosas Vigna sp. e Lespedeza
coriacea Desv. em Cuba (BARBER & BRUNER 19479 apud SANTOS & PANIZZI 1998b:
445). No Brasil SILVA et al. (1968: 49) registrou este mesmo hemíptero, no Estado de São
Paulo, associados às leguminosas Cr. juncea e Phaseolus panduratus Mart. ex Benth. (Feijão-

9

Barber, H. G. & S. C. Bruner. 1947. The Coreidae of Cuba and the Isle of Pines with the description of a new
species (Hemiptera: Heteroptera). Memorias de la Sociedad Cubana de Historia natural 19: 77- 88.

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Oró), e também registrou outras espécies como Asclepia curassavica L. (Asclepiadaceae)
(Oficial-de-sala) e Gossypium sp. (Malvaceae) (algodoeiro).

2.1.1.10 Hábito gregário
A agregação é um comportamento comum em diversas ordens de insetos, e se apresenta como
um componente importante na atividade alimentar dos insetos sugadores de sementes, pois
auxilia na sobrevivência das ninfas durante os primeiros ínstares, influenciando positivamente
na alimentação: esse hábito otimiza o uso da saliva produzida pelos hemípteros por ocasião da
alimentação aumentando, conseqüentemente, sua eficiência (PANIZZI & PARRA 1991: 257).
No caso de N. parvus, o comportamento gregário também pode ser visto com um
mecanismo de proteção, seja pela falta de alimento como por ataque de predadores.
Observações pessoais de Ventura registram que, após um indivíduo do grupo alçar vôo, os
outros também começam a voar para longe e as ninfas caem no solo; fato provavelmente, de
natureza evolutiva, pois, em vez de terem adquirido uma característica como a
impalatabilidade10, esse comportamento foi desenvolvido para escapar e, assim, a agregação
tornou-se um traço evolutivo favorável (VENTURA & PANIZZI 2003: 36).
Provavelmente, a fuga de muitos insetos do grupo após o vôo do primeiro indivíduo,
pode estar associada com algum feromônio de alarme ou estímulo visual: feromônio de
alarme já foi verificado para o alidídeo R. clavatus por LEAL & KADOSAWA (1992)11
apud VENTURA & PANIZZI (2003: 37).
VENTURA & PANIZZI (2004: 533), em um experimento avaliando as respostas
relativas de N. parvus a cores em armadilhas, constataram que as armadilhas que continham
machos capturaram significativamente mais machos do que as armadilhas que serviram como
testemunhas (só continham alimento), podendo ser um indício da produção do feromônio de
agregação.

10

É um mecanismo anti-predação, onde o animal impalatável é um animal que possui substâncias químicas em
seu corpo que confere um sabor nada agradável para quem o predar (TRIGO 2000: 558).
11

Leal, W. S. & T. Kadosawa. 1992. (E)-2-Hexenyl hexanoate, the alarm pheromone of the bean bug Riptortus
clavatus (Heteroptera: Alydidae). Bioscience, Biotechnology & Biochemistry 56: 1004-1005.

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2.1.1.11 Mirmecomorfia
A mirmecomorfia é um fenômeno mimético onde alguns insetos se parecem com formigas em
forma, cor, e até em comportamento (NAVARRO et al. 2007: 500).
As espécies mirmecomórficas oferecem variadas oportunidades a serem exploradas,
não só nos aspectos ecológicos, como também nos aspectos evolutivos do mimetismo, e
podem levar a uma profunda compreensão de campos relacionados, como a organização
social das formigas, a sistemática, e as relações predador-presa (MCLVER & STONEDAHL
1993: 372). Mais de 2000 espécies de artrópodes mirmecomórficos foram descritas até o
momento, pertencentes a mais de 200 gêneros e 54 famílias (MCLVER & STONEDAHL
1993: 351).
Em alguns insetos hemimetabólicos, como representantes das famílias Alydidae e
Mantidae, os imaturos mimetizam formiga (MCLVER & STONEDAHL 1993: 355). É o caso
dos imaturos das espécies de Hyalymenus Amyot and Serville, 1843 (Alydidae) que imitam
formigas tanto na sua morfologia quanto no seu comportamento (OLIVEIRA 1985: 371-384).
As ninfas de Hyalymenus se diferenciaram a tal ponto na sua morfologia em relação ao
mimetismo com as formigas, que passaram por várias adaptações estruturais. A semelhança é
reforçada pelo comportamento das ninfas que é muito parecido com o das formigas, a rápida
locomoção em zig-zag, as antenas constantemente agitadas, bem como o movimento para
cima e para baixo do abdome, semelhante a uma formiga em posição de alarme (OLIVEIRA
1985: 376).
A pressão seletiva por predadores sobre N. parvus e sobre outros Alidídeos também
condicionaram o desenvolvimento do mimetismo em ninfas, que adquiriram aspectos de
formigas (OLIVEIRA 1985: 382). COSTA-LIMA (1940: 90) registra o mimetismo das
ninfas de Neomegalotomus sp., que se assemelham a formigas do gênero Camponotus Mayr,
1861.

3. METODOLOGIA

O trabalho foi desenvolvido no Laboratório de Entomologia do Setor de Zoologia do Museu
de História Natural (MHN) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) em condições não
controladas de 26,8 ± 0,2ºC e 54,4 ± 1,4% UR, com início de coletas em junho de 2006.
3.1 Área da Coleta
Os insetos foram observados se alimentando de vagens de uma espécie de Macroptilium
(Leguminosae: Papilionoideae) localizado no estacionamento do Instituto de Ciências
Biológicas e da Saúde, localizado no bairro do Prado (FIG. 4), área urbana de Maceió, Estado
de Alagoas, com as seguintes coordenadas geográficas 9°40’11,7”S e 35º44’38,8”W.

FIGURA 4. Local da coleta da espécie Macroptilium
atropurpureum Urb. (Leguminosae: Papilionoideae) e dos
exemplares adultos de Neomegalotomus parvus
(Westwood,
1842)
(Hemiptera:
Alydidae).
14

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3.2 Coleta e criação dos percevejos
Foram coletados 4 percevejos adultos (3 machos e 1 fêmea) em julho de 2006, e levados ao
Laboratório de Entomologia do Museu de História Natural da Ufal, em recipiente de plástico
contendo vagens. Um casal foi isolado para observação e registro de acasalamento e
subseqüente postura. O acondicionamento do casal foi realizado num aquário circular de vidro
(35 cm de altura e 20 cm de diâmetro da base) para criação. Esse recipiente teve sua abertura
coberta por organdi fixado com elástico, o que garantia aeração e segurança contra fuga dos
insetos e a entrada de inimigos naturais.
Após a observação das posturas (isoladas), foram recolhidos com auxílio de pincel
macio, pouco umedecido com água, 32 ovos (FIG. 5A), todos viáveis, os quais foram
acondicionados em placas-de-petri de vidro (diâmetro interno da base de 9 cm), de acordo
com as datas das posturas (03/VII/2006, 04/VII/2006, 05/VII/2006, 06/VII/2006,
09/VII/2006).
Após a eclosão, as ninfas (FIG. 5B, 5C e 6) foram individualizadas em recipientes
plásticos transparentes (600 mL) feitos com garrafas PET (polietileno tereftalato) de 2L (FIG.
7A). Dentro de cada recipiente foram depositadas vagens tenras e frescas de Macroptilium
sp. fixadas em tubinhos de filme fotográfico preto, contendo água para a conservação do
alimento túrgido. Na base de cada recipiente de criação foi colocado papel toalha com
algodão para absorver água, caso o tubo com alimento tombasse, o que poderia matar a ninfa
por afogamento, a parte superior foi vedada com tecido tipo organdi fixado com elástico.

A

B

C

FIGURA 5. Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae). A) Ovo viável
(1,40 mm) com exúvia à direita. B e C) Ninfa de segundo ínstar (3,31 mm). Fotos: Maria
Dulce Leão Marcicano.

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16

Os recipientes foram etiquetados, para registro das datas de ocorrência dos fenômenos
biológicos. A água foi trocada diariamente e os recipientes limpos, o alimento oferecido foi
trocado a cada três dias (tempo em que as vagens se mantinham túrgidas).
As vagens foram coletadas da planta com o auxílio de tesoura, e acondicionadas em
tubos plásticos de filme fotográfico preto (35 mL) (FIG. 7B), preenchido com água para
manter a turgescência. Estes recipientes foram vedados com a própria tampa, contendo um
orifício central, onde a haste das vagens foi fixada.

FIGURA 6. Vista lateral de ninfas de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)
(Hemiptera: Alydidae). Da esquerda para a direita, ninfa do 1º ínstar (1,97 mm), do 2º ínstar
(3,31 mm) e do 3º ínstar (4,45 mm).

A

B

FIGURA 7. A) Recipiente de plástico transparente (600 mL) de
criação de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera:
Alydidae). B) Tubos plásticos de filme fotográfico preto (35 mL)
onde se depositavam as vagens de M. atropurpureum que serviam de
alimento para os percevejos.

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3.3 Conservação e envio de insetos para identificação
A cada ecdise, as exúvias eram coletadas com pincel e acondicionadas em microtubos de 10
mL (Eppendorf®) (FIG. 8). Os adultos foram acondicionados em tubos contendo álcool 70%
como líquido conservante e foram enviados para identificação da espécie por especialista da
Embrapa Soja, Londrina, Estado do Paraná (ANEXO 1). A conservação dos adultos foi feita
de acordo com recomendações de ALMEIDA et al. (1998: 46-50).
3.4 Envio da planta-alimentícia para identificação
A planta-alimentícia foi enviada para o herbário do Instituto do Meio Ambiente do Estado de
Alagoas (IMA-AL) para confirmação da espécie e depósito da exsicata (ANEXO 2).
3.5 Registro dos dados do desenvolvimento
Os dados do desenvolvimento foram anotados em planilhas específicas (APÊNDICES 1, 2 e
3) para registro das datas dos eventos biológicos (eclosão da ninfa, ecdise e saída de adultos).
Também foram anotados diariamente os dados referentes à umidade relativa do ar e à
temperatura, obtidos de termo-higrômetro digital (APÊNDICE 4).
Para a medição das ninfas e adultos, foi utilizado paquímetro digital (Litz® nº 3016,
com escala de 0-150 mm).
Para o cálculo da razão sexual, dividiu-se o número de fêmeas, pelo total de
indivíduos (machos + fêmeas), conforme recomenda SILVEIRA-NETO et al. (1976: 230).

FIGURA 8. Tubo Eppendorf (10 mL).
Recipiente para armazenamento e
conservação de exúvias.

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

18

3.6 Procedimentos estatísticos empregados na análise dos dados
Foram determinadas as estatísticas descritivas — medidas de tendência central (média, moda
e mediana) e as medidas de dispersão (amplitude, valor mínimo e máximo; erro-padrão da
média e coeficiente de variação) conforme recomendam PAGANO & GAUVREAU (2004:
35-47, 193), utilizando-se para os cálculos o Programa Microsoft Office Excel 2003 (Sistema
operacional Windows Vista). O cálculo da média e do erro-padrão da média da temperatura e
umidade foi realizado utilizando-se o programa Statistical Analysis System (SAS) versão 9.0.
Para o Coeficiente de Variação (CV), foram utilizadas quatro classes para
interpretação: (1) Homogêneo (<10%); (2) relativamente homogêneo (10-20%); (3)
relativamente heterogêneo (20-30%); e (4) heterogêneo (>30%) (BORN & LIMA 2005: 524).

4. RESULTADOS

4.1 Identificação das espécies: inseto e planta alimentícia
A espécie do hemíptero foi confirmada como sendo Neomegalotomus parvus (Westwood,
1842), pertencente à ordem Hemiptera, família Alydidae, subfamília Alydinae (ANEXO 1).
Sua planta alimentícia foi identificada como Macroptilium atropurpureum Urb., (FIG.
9) pertencente à família Leguminosae (Papilionoideae), com o nome popular de siratro,
registrada no herbário do Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas (IMA-AL) com o
número MAC 25959 (ANEXO 2). Trata-se de uma planta perene originária do México
(LORENZI & SOUZA 2000: 430), com flores roxo-avermelhadas ricas em néctar que são um
atrativo para espécies da ordem Hymenoptera como as abelhas, uns de seus principais
visitantes florais (TOLEDO et al. 2005: 107).
De acordo com LORENZI & SOUZA (2000: 430) M. atropurpureum é encontrado em
beiras de estradas e terrenos baldios e, por se tratar de uma planta invasora, pode causar
grandes infestações que cobrem totalmente o solo e o que estiver por perto. No entanto, sua
importância primária é como planta forrageira, utilizada em associação com gramíneas para
aumentar a qualidade das pastagens (SOUZA et al. 2002: 1557). Por sua capacidade de
fornecimento de nitrogênio para as culturas de interesse comercial, também é utilizada como
cobertura viva em associação com outras leguminosas herbáceas perenes (MARIN et al.
1999: 14), como é o caso do consórcio com bananeiras, que tem demonstrado resultados
satisfatórios como o aumento da altura, da produtividade e da proporção de cachos colhidos ,
e também a redução do tempo de colheita quando comparada à vegetação espontânea
(ESPINDOLA et. al. 2006: 419).

19

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

A

20

B

FIGURA 9. Macroptilium atropurpureum Urb. (Leguminosae: Papilionoideae), planta
alimentícia de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae). A)
Aspecto geral das folhas. B) Aspecto geral do arbusto.

4.2 Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus

O Desenvolvimento Total apresentou cinco ínstares ninfais, com variação de 28 a 40 dias,
com média de 34,9 dias, erro padrão de 0,8, a moda de 39 dias e mediana de 36 dias (TAB. 1).
Os dados podem ser considerados relativamente homogêneos, uma vez que o coeficiente de
variação foi de 11,0%.

Não foram localizados trabalhos que apresentem resultados

relacionados à duração do desenvolvimento total de insetos dessa família.
O Período Embrionário (TAB. 1) (FIG. 10) apresentou variação de 7 a 10 dias, com média
de 8,9 dias, moda de 9 dias igual à mediana mediana, o que indica uma distribuição próxima
da normal (média = moda = mediana). Os dados podem ser considerados relativamente
homogêneos, uma vez que o coeficiente de variação foi de 11,4%. A duração relativa (TAB.
2) do período embrionário correspondeu a 25,6% do desenvolvimento pré-imaginal.
A inexistência de informações sobre espécies de Neomegalotomus fez com que se
utilizasse resultados referentes a outros alidídeos como Riptortus dentipes Fabricius, 1787.
EWETE & JODA (1996: 348) encontraram resultados inferiores para esta espécie de alidídeo,
alimentado com vagens maduras de três variedades de soja - TGX 536-02D, TGX 996-28E e
TGX 849-294D e os resultados foram respectivamente 6,9 dias com variação de 5 a 10 dias;
7,0 dias com variação de 5 a 9 dias; e 6,4 dias com variação de 4 a 9 dias (TAB. 3).

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

21

TABELA 1. Estatísticas descritivas da duração em dias, das fases do desenvolvimento de
Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae) alimentando-se de vagens imaturas
de Macroptilium atropurpureum Urb. (Leguminosae: Papilionoideae) em laboratório (26,8 ± 0,2ºC e
54,4 ± 1,4% UR).

Fase

Média ± EP(1)

Duração das fases
(dias)
Moda/
Amplitude Total
Mediana (Mínimo-Máximo)

CV(2)
(%)

Embrionário

8,9 ± 0,2

9/9

3 (7 – 10)

11,4

N1

2/2,5

1 (2 – 3)

20,4

N2
N3
N4
N5

2,5 ± 0,1
5,2 ± 0,4
3,9 ± 0,2
4,6 ± 0,2
9,7 ± 0,6

4/5
4/4
4/4
7/10

8 (4 – 12)
3 (3 – 6)
3 (4 – 7)
9 (5 – 14)

35,0
21,3
19,4
31,3

Ninfal Total

25,9 ± 0,7

23/26

11 (21 – 32)

12,7

Desenvolvimento Total

34,9 ± 0,8

39/36

12 (28 – 40)

11,0

(2)

EP = erro-padrão da média.
CV= coeficiente de variação.

12
Duração média (dias)

(1)

10
8
6
4
2
0
Emb.

N1

N2

N3

N4

N5

Ínstare s do Desenvolviment o

FIGURA 10. Duração média do período embrionário e dos ínstares do
desenvolvimento pós-embrionário de Neomegalotomus parvus
(Westwood, 1842) (Hemiptera: Heteroptera: Alydidae: Alydinae)
alimentando-se de vagens imaturas de Macroptilium atropurpureum Urb.
(Leguminosae: Papilionoideae), em laboratório (26,8 ± 0,2ºC e 54,4 ±
1,4% UR).

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

22

TABELA 2. Duração absoluta média (em dias) e duração relativa do período embrionário e
ínstares do desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera:
Alydidae) alimentando-se de vagens imaturas de Macroptilium atropurpureum Urb.
(Leguminosae: Papilionoideae) em laboratório (26,8 ± 0,2ºC e 54,4 ± 1,4% UR).

Fase

Absoluta
(em dias)

Duração das fases
(dias)
Relativa
(%)
Em relação ao
Em relação ao
período ninfal
período total

Embrionário

8,9

-

25,6

N1

2,5

9,6

7,2

N2

5,2

20,1

14,9

N3

3,9

15,0

11,2

N4

4,6

17,8

13,2

N5

9,7

37,5

27,9

Ninfal total

25,9

100,0

74,4

Desenvolvimento
total

34,8

-

100,00

EWETE & JODA (1996: 348) encontraram resultados inferiores para Riptortus
dentipes Fabricius, 1787 (Hemiptera: Alydidae) alimentado com vagens maduras de três
variedades de soja - TGX 536-02D, TGX 996-28E e TGX 849-294D e os resultados foram
respectivamente: 22,19 dias com variação de 21-26 dias; 23,07 dias com variação de 21 a 25
dias; e 25,21 dias com variação de 23-30 dias (TAB. 3).
O Primeiro ínstar (N1) apresentou variação de 2 a 3 dias, com média de 2,5 dias, erro padrão
de 0,1, moda de 2 dias e mediana de 2,5 dias (TAB. 1) (FIG. 10). Os dados podem ser
considerados relativamente heterogêneos, uma vez que o Coeficiente de variação foi de
20,4%. A duração relativa do primeiro ínstar corresponde a 9,6% do período ninfal e a 7,2%
do desenvolvimento pré-imaginal (TAB. 2).

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

23

TABELA 3. Duração das fases no desenvolvimento de espécies de hemípteros da família Alydidae, para fins de comparação com parâmetros obtidos para
Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae) alimentando-se de vagens imaturas de Macroptilium atropurpureum Urb. (Leguminosae:
Papilionoideae) em laboratório (26,8 ± 0,2ºC e 54,4 ± 1,4% UR).

Espécie de
Alydidae

Planta-Alimentícia

Glycine Max L. Merril (Leguminosae)

Neomegalotomus
parvus (Westwood,
1842)

Cajanus cajan Druce (Leguminosae)

Dolichos lablab L. (Leguminosae)
Macroptilium atropurpureum Urb.
(Leguminosae)*
Riptortus dentipes
Fabricius, 1787

Leptocorisa
chinensis Dallas,
1852

G. max

Parte da planta
que serviu de
alimento

Duração Média
(dias)
(Mínimo - Máximo)

Referência

Embr.

N1

N2

N3

N4

N5

Ninfal
Total

Vagens imaturas

-

-

5,6

5,0

5,7

5,3

21,6

-

Vagens maduras

-

-

5,4

4,4

5,1

7,0

21,9

-

Sementes maduras

-

-

3,6

4,2

6,4

6,8

21,0

-

Vagens imaturas

-

-

4,9

3,8

4,6

5,8

19,1

-

Vagens maduras

-

-

4,8

3,8

4,8

6,4

19,8

-

Sementes maduras

-

-

3,3

3,9

4,1

7,4

18,7

-

Sementes maduras
Vagens imaturas

Var. TGX 536-02D

Vagens maduras

Var. TGX 996-28E

Vagens maduras

Var. TGX 849-294D

Vagens maduras

Total

-

-

5,0

4,1

5,9

6,9

20,9

-

8,9
(7-10)
6,9
(5-10)
7,0
(5-9)
6,4
(4-9)

2,5
(2-3)
2,93
(2-4)
3,33
(2-4)
3,87
(3-4)

5,2
(4-12)
3,93
(2-5)
3,87
(3-5)
4,2
(4-6)

3,9
(3-6)
3,73
(3-5)
3,67
(3-5)
4,47
(4-5)

4,6
(4-7)
4,33
(4-5)
4,6
(4-5)
4,67
(4-5)

9,7
(5-14)
7,27
(7-8)
7,6
(6-11)
8,0
(7-12)

25,9
(21-32)
22,19
(21-26)
23,07
(21-25)
25,21
(23-30)

34,9
(28-40)
29,09
30,07
31,61

Poa annua L. (Poaceae)

Sementes maduras

-

-

-

-

-

-

20,7

-

Lolium multiflorum Lam. (Poaceae)

Sementes maduras

-

-

-

-

-

-

28,0

-

Dactylis glomerata L. (Poaceae)

Sementes maduras

-

-

-

-

-

-

24,8

-

Setaria viridis P. Beauv. (Poaceae)

Sementes maduras

-

-

-

-

-

-

19,9

-

Paspalum dilatatum Poir. (Poaceae)

Sementes maduras

-

-

-

-

-

-

34,0

-

Digitaria ciliaris (Retz.) Koeler (Poaceae)

Sementes maduras

-

-

-

-

-

-

24,5

-

Sementes maduras

-

-

-

-

-

-

18,4

-

Sementes maduras

-

-

-

-

-

-

18,1

Echinochloa crus-galli (L.)P. Beauv.
(Poaceae)
Oryza sativa L. (Poaceae)
* Resultados deste trabalho.

23

SANTOS &
PANIZZI
(1998b: 447)

EWETE &
JODA (1996:
348)

ISHIZAKI et
al. (2008:
561)

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

24

EWETE & JODA (1996: 348) encontraram resultados superiores para R. dentipes
alimentado com vagens maduras de três variedades de soja - TGX 536-02D, TGX 996-28E e
TGX 849-294D, e os resultados foram respectivamente: 2,93 dias com variação de 2-4 dias;
3,33 dias com variação de 2 a 4 dias; e 3,87 dias com variação de 3 a 4 dias (TAB. 3).
O Segundo ínstar (N2) apresentou variação de 4 a 12 dias, com média de 5,2 dias, erro
padrão de 0,4, moda de 4 dias e mediana 5 dias (TAB. 1, FIG. 10). Os dados podem ser
considerados heterogêneos, com coeficiente de variação de 35,0%. A duração relativa do
segundo ínstar corresponde a 20,1% do período ninfal e a 14,9% do desenvolvimento préimaginal (TAB. 2).
SANTOS & PANIZZI (1998b: 447) obtiveram médias semelhantes para o segundo
instar de N. parvus alimentado com vagens imaturas de G. max (5,6 dias) e com vagens
maduras (5,4 dias), e com sementes maduras de D. lablab (5,0 dias). Quando alimentado com
vagens imaturas de C. cajan a média foi um pouco inferior (4,9 dias) e, quando alimentados
com vagens maduras a média foi de 4,8 dias (TAB. 3). Em sementes maduras de G. max e C.
cajan, as médias foram inferiores (3,6 e 3,3 dias respectivamente).
EWETE & JODA (1996: 348) encontraram resultados inferiores para R. dentipes
alimentado com vagens maduras de três variedades de soja - TGX 536-02D, TGX 996-28E e
TGX 849-294D e os resultados foram de: 3,93 dias com variação de 2 a 5 dias; 3,87 dias com
variação de 3 a 5 dias; e 4,2 dias com variação de 4 a 6 dias respectivamente (TAB. 3).
O Terceiro ínstar (N3) variou de 3 a 6 dias, com média de 3,9 dias, erro padrão de 0,2, moda
e mediana foram de 4 dias (TAB. 1) (FIG. 10). Os dados podem ser considerados
relativamente heterogêneos, com coeficiente de variação de 21,3%. A duração relativa do
terceiro ínstar corresponde a 15,0% do período ninfal e a 11,2% do desenvolvimento préimaginal (TAB. 2).
Para o terceiro instar, N. parvus teve média de desenvolvimento semelhante em C.
cajan (3,8 dias em vagens imaturas e maduras, e 3,9 dias em sementes maduras), sendo que
em vagens imaturas e maduras, e em sementes maduras de G. max as médias foram superiores
(5,0; 4,4 e 4,2 dias). A média para sementes maduras de D. lablab foi de 4,1 dias (SANTOS
& PANIZZI 1998b: 447), um pouco superior ao obtido para N. parvus em vagens imaturas de
M. atropurpureum (TAB. 3).
EWETE & JODA (1996: 348) encontraram resultados semelhantes para R. dentipes
alimentado com vagens maduras das variedades de soja TGX 536-02D e TGX 996-28E e os
24

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

25

resultados foram de: 3,73 dias com variação de 3 a 5 dias e de 3,67 dias com variação de 3 a 5
dias respectivamente. A média encontrada para a variedade TGX 849-294D foi superior, com
4,47 dias e variação de 4 a 5 dias (TAB. 3).
O Quarto ínstar (N4) apresentou variação de 4 a 7 dias, com média de 4,6 dias, erro padrão
de 0,2, moda e mediana de 4 dias (TAB. 1) (FIG. 10). Os dados podem ser considerados
relativamente homogêneos, com coeficiente de variação de 19,4%. A duração relativa do
quarto ínstar corresponde a 17,8% do período ninfal e a 13,2% do desenvolvimento préimaginal (TAB. 2).
Segundo SANTOS & PANIZZI (1998b: 447), as médias de duração do quarto ínstar
para vagens imaturas e maduras, e sementes maduras de C. cajan foram de: 4,6 dias, 4,8 dias
e 4,1 dias respectivamente. Essas médias assemelharam-se à média de N. parvus em M.
atropurpureum, sendo que em vagens imaturas e maduras, e em sementes maduras de G. max
as médias foram superiores: 5,7 dias, 5,1 dias e 6,4 dias respectivamente. A média em
sementes maduras de D. lablab também foi superior (5,9 dias) (TAB. 3).
As médias observadas por EWETE & JODA (1996: 348) para R. dentipes alimentado
com vagens maduras das variedades de soja TGX 536-02D, TGX 996-28E e TGX 849-294D
(4,33 dias com variação de 4 a 5 dias, 4,6 dias com variação de 4 a 5 dias e 4,67 dias com
variação de 4 a 5 dias, respectivamente) também foram semelhantes a média encontrada em
N. parvus alimentado com vagens imaturas de M. atropurpureum (TAB. 3).
O Quinto ínstar (N5) apresentou variação de 5 a 14 dias, com média de 9,7 dias, erro padrão
de 0,6, a moda foi de 7 e a mediana foi de 10 dias (TAB. 1) (FIG. 10). Os dados podem ser
considerados heterogêneos, com coeficiente de variação de 31,3%. A duração relativa do
quinto ínstar corresponde a 37,5% do período ninfal e a 27,9% do desenvolvimento préimaginal (TAB. 2).
No quinto instar, a média de duração para N. parvus em M. atropurpureum foi
superior às encontradas por SANTOS & PANIZZI (1998b: 447) em vagens imaturas, vagens
maduras e sementes maduras de G. max, que foram de 5,3 dias, 7,0 dias e 6,8 dias,
respectivamente; em vagens imaturas, vagens maduras e sementes maduras de C. cajan, que
foram de 5,8 dias, 6,4 dias e 7,4 dias, respectivamente; e em sementes maduras de D. lablab
que teve média de 6,9 dias (TAB. 3).
As médias observadas por EWETE & JODA (1996: 348) para R. dentipes alimentado
com vagens maduras das variedades de soja TGX 536-02D, TGX 996-28E e TGX 849-294D
25

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

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também foram inferiores à média encontrada em N. parvus alimentado com vagens imaturas
de M. atropurpureum, os resultados foram de: 4,27 dias com variação de 7 a 8 dias; 7,6 dias
com variação de 6 a 11 dias; e 8,0 dias com variação de 7 a 12 dias, respectivamente (TAB.
3).
O Período Ninfal Total com a inclusão do primeiro ínstar (N1), apresentou variação de 21 a
32 dias, com média de 25,9 dias, erro padrão de 0,7, moda de 23 dias e mediana de 26 dias
(TAB. 1). Os dados podem ser considerados relativamente homogêneos, com coeficiente de
variação de 12,7%. A duração relativa do período ninfal corresponde a 74,4% do
desenvolvimento pré-imaginal (TAB. 2).
As médias observadas por EWETE & JODA (1996: 348) para R. dentipes alimentado
com vagens maduras das variedades de soja TGX 536-02D, TGX 996-28E e TGX 849-294D
foram próximas à média encontrada em N. parvus alimentado com vagens imaturas de M.
atropurpureum, os resultados foram de: 22,19 dias com variação de 21 a 26 dias; 23,07 dias
com variação de 21 a 25 dias; e 25,21 dias com variação de 23 a 30 dias, respectivamente
(TAB. 3).
Devido às ninfas de primeiro instar não se alimentarem, alguns pesquisadores
(SANTOS & PANIZZI 1998b; ISHIZAKI et al. 2008) excluem asninfas de primeiro ínstar do
período ninfal, e o consideram a partir do segundo ínstar, então o resultado do período ninfal
total fica sendo a soma de N2 a N5, com a exclusão de N1. Considerando o que exposto, se o
resultado do primeiro ínstar for retirado, o período ninfal de N. parvus alimentado com vagens
imaturas de M. atropurpureum fica 23,4 dias.
Seguindo o raciocínio utilizado no parágrafo anterior, SANTOS & PANIZZI (1998b:
447) encontraram resultados inferiores para N. parvus alimentado com: vagens imaturas,
vagens maduras e sementes maduras de G. max, as médias foram 21,6 dias, 21,9 dias e 21,0
dias; vagens imaturas, vagens maduras e sementes maduras de C. cajan, foram 19,1 dias, 19,8
dias e 18,7 dias; sementes maduras de D. lablab a média foi de 20,9 dias.
Da mesma forma, ISHIZAKI et al. (2008: 561) também encontraram resultados
inferiores para Leptocorisa chinensis Dallas, 1852 (Hemiptera: Alydidae) alimentada com
sementes maduras de representates da família Poaceae: Poa annua L., Setaria viridis P. Beauv.,
Echinochloa crus-galli (L.) P. Beauv. e Oryza sativa L., os resultados foram: 20,7 dias, 19,9
dias, 18,4 dias e 18,1 dias. Em contrapartida encontraram resultados superiores com sementes
maduras de: Lolium multiflorum Lam., Dactylis glomerata L., Paspalum dilatatum Poir. e

26

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

27

Digitaria ciliaris (Retz.) Koeler (Poaceae) os resultados foram: 28,0 dias, 24,8 dias, 34,0 dias e
24,5 dias, respectivamente.
Para os alimentos testados para o desenvolvimento de N. parvus, excetuando o primeiro
ínstar SANTOS & PANIZZI (1998b: 446) observaram que o quinto ínstar foi, em geral, o mais
longo, e o terceiro ínstar, o mais curto. O mesmo foi verificado no desenvolvimento em M.
atropurpureum.

4.3 Viabilidade de ovos e sobrevivência ao longo do desenvolvimento
Os resultados sobre a viabilidade dos ovos e a sobrevivência nos períodos do
desenvolvimento estão apresentados na TABELA 4.
TABELA 4. Viabilidade de ovos e sobrevivência, em cada um dos períodos do
desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae)
alimentando-se de vagens de Macroptilium atropurpureum Urb. (Leguminosae:
Papilionoideae), em laboratório (26,8 ± 0,2ºC e 54,4 ± 1,4% UR).

Período do
Desenvolvimento

Unidades de Prova
(número)

Sobrevivência
(%)

Mortalidade
(%)

Inicial

Final

Embrionário (viabilidade)

32

32

100,0

0,0

N1

32

32

100,0

0,0

N2

32

27

84,4

15,6

N3

27

26

96,3

3,7

N4

26

25

96,2

3,8

N5

25

22

88,0

12,0

Ninfal Total

32

22

68,8

31,2

TOTAL (ovo a adulto)

32

22

68,8

31,2

27

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

28

Período Embrionário - A viabilidade dos 32 ovos obtidos através da postura da fêmea em
laboratório foi de 100%.
Primeiro ínstar (N1) - Com um número inicial de 32 ninfas, sem registro de mortes, a
sobrevivência para o primeiro ínstar foi de 100%.
EWETE & JODA (1996: 348) registraram para R. dentipes alimentado com vagens
maduras das variedades de soja TGX 536-02D, TGX 996-28E e TGX 849-294D resultados
para sobrevivência de 80%, 33% e 67%, menores do que a sobrevivência de N. parvus em M.
atropurpureum.
Segundo ínstar (N2) - A sobrevivência para o segundo ínstar foi de 84,4% e mortalidade de
15,6%, representando a morte de 5 ninfas.
SANTOS & PANIZZI (1998b: 447) registraram taxa de sobrevivência menor para N.
parvus em vagens imaturas de G. max durante o segundo ínstar, uma sobrevivência de 25%
(10 ninfas vivas) e mortalidade de 75% (morte de 30 ninfas), a partir de um número inicial de
ninfas igual a 40. Enquanto que, alimentando-se com vagens imaturas de C. cajan, a
sobrevivência foi maior (97,14%) e mortalidade de 2,86% (com apenas uma morte).
EWETE & JODA (1996: 348) registraram resultados maiores para a sobrevivência de
R. dentipes alimentado com vagens maduras das variedades de soja TGX 536-02D, TGX 99628E, ambas obtiveram sobrevivência de 100%, enquanto na variedade TGX 849-294D a
sobrevivência foi menor 56,3%.
Terceiro ínstar (N3) - Para o terceiro ínstar, a sobrevivência foi de 96,3% e a mortalidade de
3,7%, representando a morte de uma ninfa.
SANTOS & PANIZZI (1998b: 447) registram sobrevivência de 100% de N. parvus
em vagens imaturas de G. max no terceiro ínstar. Em vagens imaturas de C. cajan, SANTOS
& PANIZZI (1998: 447) registram uma sobrevivência de 94,12% e mortalidade de 5,88%
(registrando apenas duas mortes).
Quarto ínstar (N4) - Para o quarto ínstar, a sobrevivência foi de 96,2% e a mortalidade de
3,8%, representando a morte de uma ninfa.
SANTOS & PANIZZI (1998b: 447) registram sobrevivência de 100% de N. parvus
em vagens imaturas de G. max no quarto ínstar. Enquanto em vagens imaturas de C. cajan,
SANTOS & PANIZZI (1998b: 447) registram uma sobrevivência de 93,75% e mortalidade de
6,25% (com duas mortes).
28

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

29

Quinto ínstar (N5) - Para o quinto instar, a sobrevivência foi de 88,0% e mortalidade de
12,0%, representando a morte de 3 ninfas.
SANTOS & PANIZZI (1998: 447) registram para o quinto instar de N. parvus em
vagens imaturas de G. max a sobrevivência de 90% (9 ninfas vivas) e a mortalidade de 10%
(morte de uma ninfa). Enquanto em vagens imaturas de C. cajan, SANTOS & PANIZZI
(1998b: 447) registram uma sobrevivência de 96,66% e mortalidade de 3,34% (registrando-se
uma morte), ambas superiores as encontradas em M. atropurpureum.
Desenvolvimento Total - Ao final do desenvolvimento, foram obtidos 22 adultos,
representando no total 68,8% de sobrevivência e 31,2% de mortalidade, com um total de 10
mortes.
Para este período do desenvolvimento, SANTOS & PANIZZI (1998b: 447)
registraram para N. parvus alimentados com vagens imaturas de G. max, uma sobrevivência
total de 22,5% e mortalidade de 77,5%, com um total de 31 mortes.
Em vagens imaturas de C. cajan, SANTOS & PANIZZI (1998b: 447) registram ara
essa mesma espécie uma sobrevivência de 86,90% e mortalidade de 17,10%, com um total de
seis mortes.

4.4 Dimorfismo e Razão sexual

Em vista dorsal, machos (FIG. 11A), e fêmeas (FIG. 12A) são semelhantes. Em vista ventral e
lateral as fêmeas (FIG. 12B, 12C e 12D) possuem abdome mais pronunciado que os do macho
(FIG. 11B, 11C e 11D), mas o que diferencia é a presença de uma linha clara na lateral do
corpo que vai da cabeça ao abdome no macho (FIG. 13B) a fêmea não apresenta esta linha
(FIG. 13A) (PANIZZI & PARRA 1991: 265).
Com a sexagem dos percevejos foram obtidos 11 machos e 11 fêmeas perfazendo uma
razão sexual de 0,5 indicando equilíbrio entre os sexos.
SANTOS & PANIZZI (1998b: 447) também encontraram resultados semelhantes para
a razão sexual de N. parvus. Dos indivíduos que se desenvolveram se alimentando de vagens
imaturas de G. max, a razão sexual foi de 0,4, e para os que se alimentaram de C. cajan, a
razão sexual foi de 0,5.

29

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

30

C

A

B

D

Figura 11. Exemplar de macho (11,5 mm) de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)
(Hemiptera: Alydidae). A) vista dorsal. B) vista ventral. C) vista Lateral esquerda. D) vista lateral
direita.

C

A

B

D

Figura 12. Exemplar de fêmea (12,5 mm) de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera:
Alydidae). A) vista dorsal. B) vista ventral. C) vista Lateral esquerda. D) vista lateral direita.

30

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

A

31

B

FIGURA 13. Exemplares de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera:
Alydidae), em vista lateral. A) Fêmea (12,5 mm). B) Macho (11,5 mm).

31

5. CONCLUSÕES

1. Este é o primeiro registro de N. parvus para o Estado de Alagoas, e o primeiro registro
de M. atropurpureum como planta alimentícia dessa espécie de percevejo.

2. As ninfas de N. parvus alimentadas com vagens de M. atropurpureum chegam à fase
adulta, confirmando essa espécie de Macroptilium como planta-alimentícia do inseto.
3. O desenvolvimento de N. parvus apresenta cinco ínstares ninfais, não tendo sido
detectada extranumeralidade.
4. A razão sexual de N. parvus de 0,5, demonstra o equilíbrio entre machos e fêmeas.

32

6. REFERÊNCIAS

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Referências elaboradas segundo normas da Revista
Brasileira de Entomologia (ANEXO 3).

APÊNDICES

37

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

38

APÊNDICE 1. Planilha para coleta de dados: registro das datas de ocorrência dos eventos biológicos (eclosão, ecdises ninfais e emergência de
adultos) para a determinação da duração dos períodos do desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae)
alimentado com vagens de Macroptilium atropurpureum Urb. (Leguminosae: Papilionoideae), em laboratório (26,8 ± 0,2°C e 54,4 ± 1,4% UR).
Nº
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25

Postura
03/VII/06
03/VII/06
03/VII/06
03/VII/06
03/VII/06
03/VII/06
03/VII/06
03/VII/06
03/VII/06
03/VII/06
03/VII/06
04/VII/06
04/VII/06
04/VII/06
04/VII/06
04/VII/06
04/VII/06
04/VII/06
04/VII/06
04/VII/06
04/VII/06
04/VII/06
04/VII/06
05/VII/06
05/VII/06

Eclosão
10/VII/06
10/VII/06
10/VII/06
11/VII/06
11/VII/06
11/VII/06
11/VII/06
11/VII/06
12/VII/06
12/VII/06
12/VII/06
12/VII/06
13/VII/06
13/VII/06
13/VII/06
13/VII/06
13/VII/06
14/VII/06
14/VII/06
14/VII/06
14/VII/06
14/VII/06
14/VII/06
14/VII/06
15/VII/06

DATA
Eventos Biológicos (Estádios do Desenvolvimento)
N1
N2
N3
N4
N5
13/VII/06 17/VII/06 22/VII/06 26/VII/06
01/VIII/06
13/VII/06 18/VII/06 23/VII/06 27/VII/06
02/VIII/06
13/VII/06 18/VII/06 22/VII/06 26/VII/06
02/VIII/06
13/VII/06
13/VII/06 18/VII/06 22/VII/06 28/VII/06
14/VII/06 18/VII/06 22/VII/06 26/VII/06
01/VIII/06
14/VII/06 18/VII/06 22/VII/06 26/VII/06
02/VIII/06
14/VII/06 26/VII/06 30/VII/06 03/VIII/06
12/VIII/06
15/VII/06
14/VII/06
14/VII/06 19/VII/06 23/VII/06 27/VII/06
03/VIII/06
15/VII/06
15/VII/06 20/VII/06 24/VII/06 29/VII/06
12/VIII/06
15/VII/06 21/VII/06 24/VII/06 31/VII/06
10/VIII/06
15/VII/06 20/VII/06 24/VII/06 29/VII/06
12/VIII/06
15/VII/06 21/VII/06 26/VII/06 30/VII/06
12/VIII/06
15/VII/06 19/VII/06 23/VII/06 28/VII/06
11/VIII/06
16/VII/06 24/VII/06 27/VII/06 31/VII/06
07/VIII/06
17/VII/06 21/VII/06 24/VII/06 29/VII/06
12/VIII/06
17/VII/06 21/VII/06 25/VII/06 30/VII/06
11/VIII/06
17/VII/06 21/VII/06 24/VII/06 29/VII/06
10/VIII/06
17/VII/06 21/VII/06 24/VII/06 29/VII/06
16/VII/06 21/VII/06 24/VII/06 31/VII/06
07/VIII/06
16/VII/06 21/VII/06 25/VII/06 30/VII/06
10/VIII/06
17/VII/06

SEXO
Adulto
01/VIII/06
02/VIII/06
02/VIII/06

♂
♂
♀
Morte
Morte

-

01/VIII/06
02/VIII/06
12/VIII/06

♂
♂
♀
Morte
Morte

-

03/VIII/06

♂
Morte

-

12/VIII/06
10/VIII/06
12/VIII/06
12/VIII/06
11/VIII/06
07/VIII/06
12/VIII/06
11/VIII/06
10/VIII/08

♂
♀
♂
♀
♀
♂
♀
♂
♀
Morte

-

07/VIII/06
10/VIII/06
-

OBSERVAÇÕES

♂
♀
Morte

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

39

APÊNDICE 1 (Continuação). Planilha para coleta de dados: registro das datas de ocorrência dos eventos biológicos (eclosão, ecdises ninfais e
emergência de adultos) para a determinação da duração dos períodos do desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)
(Hemiptera: Alydidae) alimentado com vagens de Macroptilium atropurpureum Urb. (Leguminosae: Papilionoideae), em laboratório (26,8 ±
0,2°C e 54,4 ± 1,4% UR).
Nº
26
27
28
29
30
31
32

Postura
05/VII/06
05/VII/06
06/VII/06
06/VII/06
09/VII/06
09/VII/06
09/VII/06

Eclosão
15/VII/06
15/VII/06
15/VII/06
15/VII/06
18/VII/06
18/VII/06
18/VII/06

DATA
Eventos Biológicos (Estádios do Desenvolvimento)
N1
N2
N3
N4
N5
17/VII/06 21/VII/06 26/VII/06 30/VII/06
10/VIII/06
18/VII/06 24/VII/06 30/VII/06 03/VII/06
10/VIII/06
18/VII/06 23/VII/06
18/VII/06 23/VII/06 26/VII/06 31/VII/06
10/VIII/06
20/VII/06 24/VII/06 27/VII/06 31/VIII/06
10/VIII/06
20/VII/06 30/VII/06 03/VIII/06 09/VIII/06
20/VII/06 31/VII/06
-

SEXO
Adulto
10/VIII/06
10/VIII/06
10/VIII/06
10/VIII/06
-

OBSERVAÇÕES

♀
♀
Morte
♂
♀
Morte
Morte

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

APÊNDICE 2. Planilha para registro dos valores da duração, em dias, dos estádios do
desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae)
alimentado com vagens imaturas de Macroptilium atropurpureum Urb. (Leguminosae:
Papilionoideae), em laboratório (26,8 ± 0,2°C e 54,4 ± 1,4% UR).
Desenvolvimento
(em dias)
Ninfal

Inseto
Embrionário
1
2
3
6
7
8
11
13
14
15
16
17
18
19
20
21
23
24
26
28
29
30

7
7
7
8
8
8
9
9
9
9
9
9
10
10
10
10
10
9
10
10
9
9

N1

N2

N3

N4

N5

3
3
3
3
3
3
2
2
2
2
2
2
2
3
3
3
2
2
3
2
3
2

4
5
5
4
4
12
5
5
6
5
6
4
8
4
4
4
5
5
5
4
6
4

5
5
4
4
4
4
4
4
3
4
5
4
3
3
4
3
4
3
3
5
6
3

4
4
4
4
4
4
4
5
7
5
4
5
4
5
5
5
5
7
5
4
4
4

5
6
7
6
7
9
7
14
10
14
13
14
7
14
12
12
11
7
10
11
7
10

Ninfal
Total
21
23
23
21
22
32
22
30
28
30
30
29
24
29
28
27
27
24
26
26
26
23

Total
28
30
30
29
30
40
31
39
37
39
39
38
34
39
38
37
37
33
36
36
35
32

40

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

41

APÊNDICE 3. Planilha com dados sobre os dias ao longo do desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera: Alydidae) alimentados

com vagens imaturas de Macroptilium atropurpureum Urb. (Leguminosae: Papilionoideae), em laboratório (26,8 ± 0,2°C e 54,4 ± 1,4% UR).
Desenvolvimento (em dias)

Inseto
1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

20

21

22

23

24

25

26

27

28

29

30

1
2
3
6
7
8
11
13
14
15
16
17
18
19
20
21
23
24
26
28
29
30

Legenda:

Período Embrionário
Primeiro Instar (N1)

Segundo Instar (N2)
Terceiro Instar (N3)

Quarto Instar (N4)
Quinto Instar (N5)

31

32

33

34

35

36

37

38

39

40

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

42

APÊNDICE 4. Planilhas com registros das condições do laboratório (temperatura e
umidade) durante a criação de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842) (Hemiptera:
Alydidae) alimentado com vagens imaturas de Macroptilium atropurpureum Urb.
(Leguminosae: Papilionoideae), em laboratório (26,8 ± 0,2°C e 54,4 ± 1,4% UR).
Data
03/VII/06
04/VII/06
05/VII/06
06/VII/06
07/VII/06
08/VII/06
09/VII/06
10/VII/06
11/VII/06
12/VII/06
13/VII/06
14/VII/06
15/VII/06
16/VII/06
17/VII/06
18/VII/06
19/VII/06
20/VII/06
21/VII/06
22/VII/06
23/VII/06
24/VII/06
25/VII/06
26/VII/06
27/VII/06
28/VII/06
29/VII/06
30/VII/06
31/VII/06
01/VIII/06
02/VIII/06
03/VIII/06
05/VIII/06
05/VIII/06
06/VIII/06
07/VIII/06
08/VIII/06
09/VIII/06
10/VIII/06
11/VIII/06
12/VIII/06

Horário

Temperatura (ºC)
Máxima
Média
Mínima
28,5
24,5
27,9
24,4
27,9
24,3
27,8
24,4
27,8
24,0
27,6
24,0
27,9
24,9
28,0
24,9
26,4
24,9
28,6
24,3
27,9
25,1
27,9
24,1
27,9
24,1
28,9
25,5
28,1
24,8
28,4
24,8
28,4
24,1
27,9
24,8
27,9
24,6
28,9
25,1
28,0
24,1
28,0
24,1
28,1
24,1
28,1
24,9
27,9
24,9
27,9
26,0
28,3
25,1
27,3
24,4
27,1
24,0
27,5
24,6
27,9
24,6
27,6
24,0
28,9
25,6
28,9
25,4
28,6
25,6
28,0
24,9
28,3
24,9
28,6
25,4
28,4
24,9

Máxima
64
65
63
61
64
66
66
66
66
66
62
62
64
75
63
64
67
65
66
70
67
67
67
61
66
72
70
69
73
74
69
66
70
64
64
65
63
61
66

Umidade (%)
Média

Mínima
40
40
40
40
41
42
41
41
41
39
40
40
41
40
39
40
40
44
44
43
42
42
42
42
43
56
44
43
49
49
48
48
46
43
43
43
43
42
44

ANEXOS

43

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

44

ANEXO 1. E-mail do especialista contendo a identificação da espécie de Hemiptera.

Ângelo Márcio Menezes Dantas Júnior <angelo.dantas@gmail.com>

Percevejos
2 mensagens
Panizzi <panizzi@cnpso.embrapa.br>
Para: "\"Ângelo Márcio Menezes Dantas Júnior\"" <angelo.dantas@gmail.com>

27 de março de 2008 08:48

Oi Angelo,
Recebi os percevejos. Muito obrigado.
Trata-se de Neomegalotomus parvus ( Alydidae). Alguns tem uma mancha mais amarelada no pronoto, e
comentei isso com o Dr. Schaefer, mas trata-se da mesma espécie.
Veja no último número da Neotropical Entomology - volume 37 (1) - o artigo de Schaefer & Ahmad sobre o
gênero Neomegalotomus.
Um abraço,
Panizzi
******************************************************
At 08:38 20/3/2008, you wrote:
Olá professor!!
Os percevejos foram enviados ontem via sedex!!
Abraço e Muito Obrigado!!
Ângelo M. M. Dantas Jr.

Antonio R. Panizzi
Embrapa Soja
Caixa Postal 231
Londrina, PR 86001-970
BRASIL
Telefone: (43) 3371-6123
FAX: (43) 3371-6100
Celular: (43) 9943-7588

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

ANEXO 2. Confirmação da planta alimentícia.

45

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

ANEXO 3. Normas da Revista Brasileira de Entomologia.

46

ÍNDICE DE GÊNEROS E ESPÉCIES CITADAS
Alydus Fabricius, 1803 (Hemiptera: Alydidae) ............................................................................4
Asclepia curassavica L. (Asclepiadaceae) (Oficial-de-sala)......................................................12
Burtinus, Stål 1859 (Hemiptera: Alydidae)................................................................................. 4
Cajanus cajan Druce (Leguminosae) (guandu)…………6, 7, 8, 9, 11, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29
Camponotus Mayr, 1861 (Hymenoptera: Formicidae)...............................................................13
Canavalia ensiformes DC. (Leguminosae) (feijão-de-porco).....................................................11
Cássia occidentalis L. (Leguminosae) (fedegoso)......................................................................11
Crotalaria juncea L. (Leguminosae) (crotalaria)........................................................................11
Dactylis glomerata L. (Poaceae) (dactila)............................................................................23, 26
Digitaria ciliaris (Retz.) Koeler (Poaceae) (digitaria)..........................................................23, 27
Dolichos lablab L. (Leguminosae) (lablab)............................................6, 7, 9, 11, 23, 24, 25, 26
Echinochloa crus-galli (L.) P. Beauv. (Poaceae) (barnyard grass)……………………......23, 26
Euthetus Dallas, 1852 (Hemiptera: Alydidae)……………..........................................................4
Glycine max (L.) Merril (Leguminosae) (soja)................................ 11, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29
Gossypium sp. (Malvaceae) (algodoeiro)....................................................................................12
Hyalomyia sp. (Diptera: Tachinidae)............................................................................................6
Hyalomyodes sp. (Diptera: Tachinidae)........................................................................................6
Hyalymenus Amyot and Serville, 1843 (Hemiptera: Alydidae)…………….............................13
Leptocorisa chinensis Dallas 1852 (Hemiptera: Alydidae)..............................................9, 23, 26
Lespedeza coriacea Desv. (Leguminosae) (lespedesa)...............................................................11
Lolium multiflorum Lam. (Poaceae) (azevém)......................................................................23, 26
Lupinus sp. L. (Leguminosae) (tremoço)....................................................................................11
Lycopersicon sp. (Solanaceae) (tomateiro).................................................................................11
Macroptilium (Leguminosae)...........................................................................................2, 14, 15
M. atropurpureum Urb. (Leguminosae) (siratro).............................12, 13, 15, 16, 19, 20, 21, 22,
23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 31
Megalotomus Fieber, 1861 (Hemiptera: Alydidae)…………………………………………..3, 4
M. simplex Westwood, 1842 (Hemiptera: Alydidae) ...................................................................3
Nematospora coryli Peglion (Fungi: Ascomycota) .................................................................2, 6
Neomegalotomus (Schaffner & Schaefer 1998) (Hemiptera: Alydidae) .............1, 3, 4, 5, 13, 20
N. consobrinus (Westwood, 1842) ...............................................................................................3
N. debilis (Walker, 1871) .............................................................................................................3
N. jamaicensis (Distant, 1901)......................................................................................................3
N. latifascia (Berg, 1894)..............................................................................................................3
N. pallescens (Stål, 1858).............................................................................................................3
N. parvus (Westwood, 1842)…………...……1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16,
19, 20 , 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31
N. rufipes (Westwood, 1842)…..............................................................................................3, 11
47

DANTAS JUNIOR, A. M. M. 2009. Desenvolvimento de Neomegalotomus parvus (Westwood, 1842)...

N. simplex (Westwood, 1842).......................................................................................................3
N. vicinus (Westwood, 1842) .......................................................................................................3
Oryza sativa L. (Poaceae) (arroz).........................................................................................23, 26
Paspalum dilatatum Poir. (Poaceae).....................................................................................23, 26
Phaseolus panduratus Mart. ex Benth. (Leguminosae) (feijão-oró)..........................................11
P. vulgaris L. (feijão comum).....................................................................................................11
Poa annua L. (Poaceae)........................................................................................................23, 26
Riptortus clavatus (Thunberg, 1783) (Hemiptera: Alydidae)………….....................................12
Riptortus dentipes Fabricius, 1787 (Hemiptera: Alydidae)............... 9, 20, 22, 23, 24, 25, 26, 28
Sesamum indicum L. (Leguminosae) (gergelim)........................................................................11
Setaria viridis P. Beauv. (Poaceae).......................................................................................23, 26
Tollius Stål, 1870 (Hemiptera: Alydidae)……………………………………………………….4
Trichopoda sp. (Diptera: Tachinidae)...........................................................................................6
Vigna unguiculata (L.) (Leguminosae) (feijão-caupi)................................................................11
Vigna sp.......................................................................................................................................11

48