Eduarda Viana Mafra Cardoso

ANÁLISE DOS MARCADORES DE RESISTÊNCIA ÀS LACTONAS MACROCÍCLICAS - GLICOPROTEÍNA-P e 𝛃 TUBULINA - EM AMOSTRAS SANGUÍNEAS DE CÃES DO ESTADO DE ALAGOAS INFECTADOS COM Dirofilaria immitis

Arquivo
Dissertao_Com_Ficha_Catalogrfica.pdf
Documento PDF (2.2MB)
                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS - UFAL
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA ANIMAL - PPGCA
CENTRO DE ENGENHARIA E CIÊNCIAS AGRÁRIAS - CECA

EDUARDA VIANA MAFRA CARDOSO

ANÁLISE DOS MARCADORES DE RESISTÊNCIA ÀS LACTONAS MACROCÍCLICAS
- GLICOPROTEÍNA-P (P-GP) e β-TUBULINA - EM AMOSTRAS SANGUÍNEAS DE
CÃES DO ESTADO DE ALAGOAS, INFECTADOS COM Dirofilaria immitis

Maceió - AL
2025

EDUARDA VIANA MAFRA CARDOSO

ANÁLISE DOS MARCADORES DE RESISTÊNCIA ÀS LACTONAS MACROCÍCLICAS
- GLICOPROTEÍNA-P (P-GP) e β-TUBULINA - EM AMOSTRAS SANGUÍNEAS DE
CÃES DO ESTADO DE ALAGOAS INFECTADOS COM Dirofilaria immitis

Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de
Pós-Graduação em Ciência Animal, da Universidade
Federal de Alagoas, como requisito parcial para
obtenção do título de mestre em Ciência Animal.
Orientador: Prof. Dr. Wagnner José Nascimento
Porto
Coorientador: Prof. Dr. Abelardo Silva Júnior

Maceió - AL
2025

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Polo Viçosa
Bibliotecário Responsável: Stefano João dos santos

C268a

Cardoso, Eduarda Viana Mafra
Análise dos marcadores de resistência às lactonas macrocíclicas –
glicoproteína – P (P –GP) e β-tubulina – em amostras sanguíneas de cães do
estado de Alagoas , infectados com dirofilaria immitis/ Eduarda Viana Mafra
Cardoso - 2025.
61f. ; il.
Dissertação (Mestrado em Ciência animal) Programa de pós – graduação em
ciência animal - PPGCA - Universidade Federal de Alagoas, Campus Ceca,
Polo Viçosa, 2025.
Orientação: Prof. Dr. Wagnner José Nascimento Porto
Coorientador: Prof. Dr. Abelardo Silva Júnior
Inclui bibliografia.

EDUARDA VIANA MAFRA CARDOSO

ANÁLISE DOS MARCADORES DE RESISTÊNCIA ÀS LACTONAS MACROCÍCLICAS
- GLICOPROTEÍNA-P (P-GP) e β-TUBULINA - EM AMOSTRAS SANGUÍNEAS DE
CÃES DO ESTADO DE ALAGOAS, INFECTADOS COM Dirofilaria immitis

Dissertação de Mestrado submetida à banca
examinadora do programa de Pós-Graduação em
Ciência Animal, da Universidade Federal de Alagoas,
como requisito parcial para obtenção do título de
mestre em Ciência Animal e aprovada 21 agosto de
2025.

Dr. Wagnner José Nascimento Porto, UFAL
Orientador/Presidente
BANCA EXAMINADORA:

Dra. Thaís Fernanda de Campos Fraga da Silva, UFAL
Examinadora Interna

Dr. Thiago José Matos Rocha, UNCISAL
Examinador Externo

Maceió – AL
2025

“Antes de ter amado um animal,
parte da nossa alma permanece desacordada”
Anatole France

RESUMO
A dirofilariose, causada por Dirofilaria immitis, é uma parasitose de grande relevância global
na medicina veterinária, afetando principalmente cães, mas também gatos e, acidentalmente,
humanos. Transmitida por mosquitos culicídeos, sua prevalência é maior em regiões tropicais
e subtropicais devido às condições ambientais favoráveis ao vetor. Os parasitos adultos de D.
immitis se localizam nas artérias pulmonares e, principalmente no lado direito do coração dos
cães, com a gravidade clínica diretamente relacionada à carga parasitária e à duração da
infecção. O ciclo biológico do parasito no mosquito vetor é um processo complexo e termodependente, que impacta tanto a transmissão quanto a patogenia da dirofilariose. O diagnóstico
da dirofilariose é fundamental para o controle e baseia-se na combinação de métodos diretos,
como o teste de Knott modificado para detecção de microfilárias, e indiretos, como a pesquisa
de antígenos de parasitos adultos. A biologia molecular, particularmente a Reação em Cadeia
da Polimerase (PCR), tem se tornado uma ferramenta essencial por sua alta sensibilidade e
capacidade de diferenciar espécies, sendo crucial para identificar infecções ocultas e auxiliar
em inquéritos epidemiológicos. Em relação à profilaxia e ao tratamento da dirofilariose, as
lactonas macrocíclicas (LMs), fármacos eficazes na eliminação de microfilárias e na prevenção
da infecção, vem sendo utilizados rotineiramente na clínica de pequenos animais. Contudo, a
emergência e disseminação de cepas de D. immitis resistentes às LMs representa um desafio
crescente para a eficácia profilática, impactando o controle da doença globalmente. Casos de
resistência já foram descritos, inclusive com evidências recentes na Europa e indícios no Brasil,
sugerindo que o uso inadequado dos fármacos e mutações em genes como os da glicoproteínaP (P-gp) (P-gp) e β-tubulina (β-Tub) contribuem para esse fenômeno. Diante desse cenário de
resistência e da lacuna de dados acerca dos marcadores genéticos em D. immitis, este trabalho
objetivou analisar os possíveis polimorfismos nos genes glicoproteína-P (P-gp) e β-tubulina (βTub)em amostras de D. immitis circulantes no estado de Alagoas. Para tanto, 39 amostras de
sangue de cães, previamente confirmadas como microfilarêmicas por técnica parasitológica ou
com presença de antígenos circulantes detectados por meio de testes imunocromatográficos e
provenientes de diversos municípios alagoanos, foram reavaliadas pela técnica de Knott
modificada para confirmação laboratorial, e seu DNA foi extraído. Posteriormente, as amostras
foram submetidas à PCR convencional, utilizando primers específicos para glicoproteína-P (Pgp) e 𝛃-tubulina. Dos ensaios realizados, 22 amostras apresentaram amplificação para ao menos
um dos genes: 11 reagiram para ambos (P-gp e 𝛃-Tub), e 11 reagiram para apenas um (P-gp ou
𝛃-tub), enquanto as 17 restantes não amplificaram para nenhum. Em etapa posterior, utilizando
Nested-PCR, 12 amostras amplificaram para o gene da glicoproteína-P (P-gp) e nenhuma para
o gene da β-tubulina (β-Tub), das que amplificaram foi realizado o sequenciamento por Sanger.
Três amostras sequenciadas apresentaram qualidade adequada para análise da posição 11, um
dos loci associados à resistência, porém, não apresentaram polimorfismo. Este estudo é pioneiro
na análise desses marcadores de resistência em amostras de cepas de D. immitis de Alagoas,
gerando informações cruciais para o entendimento da dinâmica da doença e para o
desenvolvimento de futuras estratégias de tratamento e prevenção na região.
Palavras-chave: Dirofilariose, Resistência a fármacos, Biologia molecular.

ABSTRACT
Heartworm disease, caused by Dirofilaria immitis, is a parasitic disease of great global
importance in veterinary medicine, primarily affecting dogs, but also cats and, incidentally,
humans. Transmitted by culicid mosquitoes, its prevalence is higher in tropical and subtropical
regions due to environmental conditions favorable to the vector. Adult D. immitis parasites are
located in the pulmonary arteries and, primarily, in the right side of the heart in dogs, with
clinical severity directly related to the parasite load and duration of infection. The biological
cycle of the parasite in the mosquito vector is a complex and thermodependent process, which
impacts both the transmission and pathogenesis of heartworm disease. Diagnosis of heartworm
disease is essential for control and is based on a combination of direct methods, such as the
modified Knott test for microfilariae detection, and indirect methods, such as the detection of
adult parasite antigens. Molecular biology, particularly the Polymerase Chain Reaction (PCR),
has become an essential tool due to its high sensitivity and ability to differentiate species, crucial
for identifying occult infections and aiding in epidemiological investigations. Regarding the
prophylaxis and treatment of heartworm disease, macrocyclic lactones (MLs), drugs effective
in eliminating microfilariae and preventing infection, have been routinely used in small animal
clinical practice. However, the emergence and spread of ML-resistant D. immitis strains poses
a growing challenge to prophylactic efficacy, impacting disease control globally. Cases of
resistance have been described, including recent evidence in Europe and evidence in Brazil,
suggesting that inappropriate use of these drugs and mutations in genes such as P-glycoprotein
(P-gp) and β-tubulina (β-Tub)contribute to this phenomenon. Given this resistance scenario
and the lack of data on genetic markers in D. immitis, this study aimed to analyze possible
polymorphisms in the P-glycoprotein and α-tubulin genes in D. immitis samples circulating in
the state of Alagoas. To this end, 39 blood samples from dogs previously confirmed as
microfilaremic by parasitological techniques or with the presence of circulating antigens
detected by immunochromatographic tests and originating from various municipalities in
Alagoas were reevaluated using the modified Knott technique for laboratory confirmation, and
their DNA was extracted. Subsequently, the samples were subjected to conventional PCR using
primers specific for P-glycoprotein (P-gp) and β-tubulin. Of the assays performed, 22 samples
showed amplification for at least one of the genes: 11 reacted for both (P-gp and β-tubulin), and
11 reacted for only one (P-gp or β-tubulin), while the remaining 17 did not amplify for either.
In a later step, using nested PCR, 12 samples amplified for the P-glycoprotein gene and none
for the β-tubulin gene and were sent for sequencing by Sanger. Three sequenced samples
showed adequate quality for analysis of position 11, one of the loci associated with resistance,
but did not show polymorphism. This study is a pioneer in the analysis of these resistance
markers in samples of D. immitis strains from Alagoas, generating crucial information for
understanding the dynamics of the disease and for the development of future treatment and
prevention strategies in the region.
Keywords: Heartworm disease, Drug resistance, Molecular biology.

SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO
1
2

INTRODUÇÃO....................................................................................................
6
OBJETIVOS.........................................................................................................
8
2.1
Geral......................................................................................................................
8
2.2
Específicos.............................................................................................................
8
3
REVISÃO DE LITERATURA............................................................................
9
3.1
Aspectos gerais sobre Dirofilaria immitis...........................................................
9
3.2
Morfologia da Dirofilaria immitis........................................................................
9
3.3
Ciclo Biológico da Dirofilaria immitis.................................................................
11
3.4
Epidemiologia da infecção canina.......................................................................
14
3.4.1
Distribuição geográfica no Brasil...................................................................
15
3.4.2
Distribuição geográfica em Alagoas...............................................................
17
3.4.3
Hospedeiro intermediários e definitivos........................................................
18
3.5
Sinais Clínicos da Infecção Canina – Dirofilariose...........................................
19
3.6
O Diagnóstico de Dirofilaria immitis...................................................................
20
3.6.1
Técnica de Knott Modificado........................................................................... 21
3.6.2
Técnica para detecção de Antígenos – ELISA................................................. 21
3.6.3
Biologia Molecular........................................................................................... 22
3.6.4
Exames Complementares.................................................................................. 23
3.7
Prevenção à Dirofilariose e o uso das Lactonas Macrocíclicas........................
24
3.7.1
Iparasitoctina..................................................................................................... 25
3.7.2
Milbemicina Oxima.......................................................................................... 26
3.7.3
Moxidectina...................................................................................................... 27
3.7.4
Selamectina....................................................................................................... 27
3.7.5
Outras Lactonas Macrocíclicas: Abamectina, Doramectina e Nemadectina.... 28
3.8
A Resistência às Lactonas Macrocíclicas...........................................................
29
Glicoproteína-P (P3.8.1
30
gp)..............................................................................................
β-tubulina (β3.8.2
30
Tub).......................................................................................................
Interação entre Glicoproteína-P (P-gp) e β-tubulina (β3.8.3
31
Tub).................................................
3.9
Considerações Finais............................................................................................
32
REFERÊNCIAS...................................................................................................
33
4
ARTIGO................................................................................................................
42

6

1. INTRODUÇÃO
A Dirofilariose, causada pelo nematódeo Dirofilaria immitis, família Onchocercidae,
gênero Dirofilaria, subgênero Dirofilaria, espécie immitis, é uma doença parasitária de grande
relevância na medicina veterinária, acometendo principalmente os cães, Canis lupus familiaris
(hospedeiro definitivo), além de gatos, furões e seres humanos (Leidy, 1856). Conhecida como
"parasito do coração", sua transmissão ocorre por meio da picada de mosquitos culicídeos,
como Aedes sp., Culex sp. e Anopheles sp., que atuam como hospedeiros intermediários
(Cancrini, 2007). Em gatos, embora menos prevalente, a doença é clinicamente complexa
devido à resposta inflamatória exacerbada (Dantas-Torres et al., 2020). Em humanos, os casos
são raros, mas quando ocorrem, estão associados a nódulos pulmonares ou subcutâneos (Simón
et al., 2012).
Os parasitos adultos normalmente são encontrados no lado direito do coração e nos
vasos sanguíneos adjacentes dos cães, sendo responsáveis por condição debilitante que
compromete o sistema respiratório e cardíaco. Cães sem sinais clínicos da doença podem
albergar uma média de 25 parasitos. Quando os primeiros sinais clínicos como intolerância ao
exercício e tosse começam a aparecer, é provável que haja cerca 50 parasitos nos seus locais de
predileção. Em cães com sinais de falência hepática aguda, apatia generalizada, anorexia, dentre
outros, cerca de 100 parasitos estão concentrados na veia cava e no átrio direito (Jackson et al.,
1966).
O tratamento e controle da dirofilariose têm sido historicamente baseados no uso de
fármacos da classe das lactonas macrocíclicas (LMs), como a ivermectina, milbemicina oxima,
selamectina e moxidectina, que são eficazes na eliminação das microfilárias e na prevenção da
infecção (McCall et al., 2008).
Recentemente, foi descrito o primeiro caso de resistência às LMs em D. immitis na
Europa. Um cão importado dos Estados Unidos para a Itália em 2023 apresentou infecção por
uma cepa resistente, apesar do uso mensal de milbemicina oxima após sua chegada. A análise
genética revelou mutações em posições específicas de nucleotídeos que indicam resistência,
destacando o risco real de disseminação global de cepas resistentes. (Traversa & Prichard, et
al., 2024).
No Brasil, indícios de resistência também foram identificados, destacando a hipótese de
que o uso inadequado ou indiscriminado desses antiparasitários favorece a seleção de cepas
resistentes, resultando na fixação de mutações em genes relacionados à sensibilidade
farmacológica (Bourguinat et al., 2011; Prichard, et al., 2021). O uso inadequado refere-se a

7

situações em que há indicação para o tratamento, mas a administração ocorre de forma
incorreta, como por exemplo em doses subterapêuticas, intervalos de aplicação impróprios ou
utilização em espécies e condições não recomendadas. Já o uso indiscriminado corresponde à
aplicação do fármaco sem critério técnico ou diagnóstico prévio, muitas vezes de forma
rotineira ou preventiva, sem justificativa epidemiológica. Ambas as práticas contribuem para a
pressão seletiva sobre as populações parasitárias, favorecendo o surgimento e a disseminação
de fenótipos resistentes (Oliveira et al., 2024). Estudos recentes demonstraram que mutações
no gene da glicoproteína-P (P-gp) (P-gp) e na β-tubulina (β-Tub) constituem potenciais
marcadores moleculares de resistência às lactonas macrocíclicas (Geary et al., 2011; Will, et
al., 2018).
Diante desse cenário, investigações sobre a presença desses polimorfismos em
microfilárias circulantes tornam-se fundamentais para mapear a distribuição e a prevalência de
cepas resistentes. Tal diagnóstico molecular é crucial para nortear estratégias de controle e
preservar a eficácia dos tratamentos disponíveis.
Assim, considerando a crescente preocupação com o surgimento de cepas de D. immitis
resistentes às lactonas macrocíclicas (LMs) e o histórico de uso inadequado e uso
indiscriminado desses antiparasitários em cães no Brasil, hipotetiza-se que as populações de D.
immitis circulantes no estado de Alagoas apresentam polimorfismos nos genes da glicoproteínaP (P-gp) (P-gp) e β-tubulina (β-Tub), os quais podem atuar como marcadores moleculares de
resistência, refletindo a possível existência de cepas menos sensíveis aos regimes profiláticos
convencionais.
Essa hipótese parte do pressuposto de que práticas de manejo e profilaxia incorretas ou
sem critérios técnicos podem gerar pressão seletiva sobre os parasitos, favorecendo a
emergência e a fixação de mutações em genes associados à sensibilidade farmacológica. A
confirmação dessa hipótese fornecerá informações inéditas sobre o perfil genético de D. immitis
na região, contribuindo para a implementação de estratégias de controle mais eficazes e
embasadas em evidências moleculares.

8

2. OBJETIVOS
2.1 Objetivo Geral
Analisar os possíveis polimorfismos existentes nos genes codificantes das proteínas
glicoproteína-P (P-gp) e β-tubulina (β-Tub) como marcadores de resistência às Lactonas
Macrocíclicas em amostras de sangue de cães com D. immitis provenientes do estado de
Alagoas.
2.2 Objetivos Específicos
Detectar a circulação de microfilária entre cães domésticos com base em técnicas
laboratoriais de rotina, a partir de amostras sanguíneas cedidas de caninos atendidos em serviços
veterinários de vários municípios do estado;
Analisar através de técnicas moleculares se as amostras de sangue de cães com presença
de microfilárias, são amostras de D. immitis;
Verificar se os marcadores de glicoproteína-P (P-gp) e β-tubulina (β-Tub) estão
presentes em todas as amostras;
Sequenciar as amostras em que os marcadores de glicoproteína-P (P-gp) e β-tubulina
(β-Tub)foram encontrados;
Verificar possíveis polimorfismos nos marcadores da glicoproteína-P (P-gp) e 𝛃tubulina.

9

3. REVISÃO DE LITERATURA
3.1 Aspectos Gerais sobre a Dirofilaria immitis
As microfilárias são formas larvais de nematódeos da família Onchocercidae, que
incluem parasitos de importância médica e médica veterinária. Essas larvas circulam na corrente
sanguínea ou nos tecidos dos hospedeiros vertebrados e são transmitidas por vetores artrópodes,
como mosquitos (Bowman, 2020). Em cães/canídeos, duas espécies de Dirofilaria se destacam,
a D. immitis e a Dirofilaria repens, sendo a D. immitis considerada a mais importante. Os
mosquitos responsáveis por sua transmissão são os Culicídeos, principalmente Aedes sp., Culex
sp. e Anopheles sp. atuando como hospedeiro intermediário (McCall et al., 2008).
Quadro 1: Classificação sistemática do parasito.

Fonte da imagem: Mafra, et al., 2025.

3.2 Morfologia da Dirofilaria immitis
A morfologia desta espécie apresenta características distintas em suas diferentes fases
de desenvolvimento: microfilárias (larvas), larvas infectantes e parasitos adultos. De forma
geral, a D. immitis é um nematódeo de corpo cilíndrico e alongado, com extremidades afiladas
e de coloração branca/acinzentada, com aparência ligeiramente translúcida (Khanmohammadi,
et al., 2020). Seu tegumento é liso e resistente, o que confere proteção contra agressões

10

mecânicas e químicas. Como outros nematódeos, seu corpo é revestido por uma cutícula
espessa, composta por camadas de colágeno, proporcionando resistência e flexibilidade
(Anderson, 2000. Bowman, 200).
Os parasitos adultos, apresentam diferenças marcantes no tamanho e morfologia, tendo
o macho de 12 a 18 cm de comprimento e cerca de 0,7 mm de diâmetro e a fêmea de 25 a 30
cm de comprimento e cerca de 1 mm de diâmetro. A cabeça do macho é arredondada e sem
estruturas evidentes, como lábios ou ganchos. Sua cauda é curvada ventralmente e possui duas
espículas desiguais utilizadas para cópula. Nas fêmeas, a cauda é reta ou ligeiramente afilada
(Noack, 2021). Em relação ao sistema reprodutivo, as fêmeas são vivíparas, liberando
microfilárias diretamente na corrente sanguínea do hospedeiro. Já os machos possuem testículos
e canais deferentes que desembocam na cloaca, junto às espículas copulatórias (Bowman,
2020).
As larvas de microfilárias no estágio L1 são aquelas liberadas no sangue periférico do
hospedeiro definitivo. Elas medem aproximadamente 280 a 320 µm de comprimento e 5 a 7
µm de largura, e apresentam extremidades arredondadas, bem como ausência de bainha.
Movimentam-se ativamente na corrente sanguínea e isso é essencial para a transmissão no
momento do repasto sanguíneo do mosquito vetor (Bowman, 2020).
As larvas de microfilárias no estágio L3, se tornam infectantes ainda dentro do mosquito
vetor. Elas medem 1 mm de comprimento e apresentam um corpo fino e alongado, além de
serem ativas e altamente móveis, localizando-se na região bucal do mosquito para serem
inoculadas no novo hospedeiro (Noack, 2021).
Em relação às estruturas internas, os parasitos têm sistema digestório completo, com
boca sem lábios evidentes, esôfago longo e intestino tubular. O sistema nervoso apresenta
cordões nervosos longitudinais. O sistema excretor é composto por células excretoras
especializadas, localizadas próximas ao esôfago. Quanto ao sistema reprodutivo, as fêmeas
possuem um útero duplo, liberando microfilárias vivas, e os machos apresentam testículos e
canais deferentes, extremidade posterior espiralada, espículos desiguais em tamanho e estrutura
e angulados e papilas pré e pós-cloacais (Figura 1) (Bowman, 2020; Noack, 2021).

11

FIGURA 1: Morfologia de Dirofilaria immitis. A1: Adulto macho-extremidade anterior do corpo,
abertura oral (1). Papilas cefálicas (2), esôfago (3), anel nervoso (4); A2: Espículas pequenas
espículas (1), grandes espículas (2). B1: partes distais das pequenas espículas (1) e grandes espículas
(2); B2: Papilas cloacais (1) e pós cloacais (2). C: Adulto fêmea- C1: Vulva, C2: Anus

Fonte da imagem: Panayotova-Pencheva, et al. (2016). Fonte da legenda: Barros, 2021.

A morfologia da D immitis está diretamente relacionada ao seu ciclo de vida parasitário.
Sua estrutura alongada facilita a circulação nos vasos sanguíneos, enquanto as microfilárias,
adaptadas à corrente sanguínea, permitem a transmissão eficiente pelo mosquito vetor. O
dimorfismo sexual evidente e as adaptações reprodutivas garantem a persistência da espécie
nos hospedeiros, reforçando sua importância na medicina veterinária e na saúde pública
(Bowman, 2020).
3.3 Ciclo biológico da Dirofilaria immitis
O ciclo biológico da D. immitis é do tipo heteroxênico, envolvendo hospedeiros
intermediários (culicídeos), hospedeiros definitivos vertebrados portadores de microfilárias e
hospedeiros definitivos vertebrados susceptíveis e seu ciclo é longo, com duração entre seis e
nove meses, a depender de fatores ambientais e fisiológicos (Kartman, 1953; Lok, 1988).
As fêmeas adultas de D. immitis, localizadas predominantemente nas artérias
pulmonares e, secundariamente, no ventrículo direito do coração, liberam microfilárias (L1) na
corrente sanguínea. Essas microfilárias podem persistir no sangue periférico por até dois anos,
aguardando serem ingeridas por um mosquito vetor durante o repasto sanguíneo (Bowman et
al., 2021).
Durante a hematofagia, mosquitos dos gêneros Aedes, Culex e Anopheles ingerem
sangue contendo microfilárias. Após penetrarem a parede do intestino médio, as microfilárias

12

migram para os túbulos de Malpighi, onde ocorre a continuidade do desenvolvimento larval
(McCall et al., 2008).
No interior dos túbulos de Malpighi do mosquito vetor, as microfilárias de D. immitis
sofrem transformações sequenciais, evoluindo para larvas de segundo (L2) e de terceiro estádio
(L3), que representam a forma infectante do parasito. Esse processo de maturação larval é
fortemente influenciado pela presença de bactérias endossimbióticas do gênero Wolbachia, que
desempenham papel essencial na manutenção metabólica e no desenvolvimento dos estágios
larvais, promovendo a produção de energia necessária para a ecdise, fundamental para a
continuidade do ciclo reprodutivo (Taylor et al., 2017).
A metamorfose das larvas no vetor é um fenômeno temperatura-dependente, exigindo
condições ambientais específicas para que o desenvolvimento larval ocorra com sucesso.
Temperaturas abaixo de 18 °C não permitem a progressão das formas imaturas para os estágios
infectantes. No entanto, quando a temperatura ambiental ultrapassa esse limiar, a transformação
completa para L3 pode ocorrer em até 30 dias. Em regiões onde as temperaturas médias se
mantêm acima de 27 °C, esse processo é acelerado, podendo ser concluído em um período de
10 a 14 dias (American Heartworm Society, 2020).
Uma vez atingido o estágio L3, as larvas migram ativamente em direção à cabeça e ao
aparelho bucal do mosquito, onde se localizam nas proximidades do lábio superior (labro).
Durante o próximo repasto sanguíneo, as larvas rompem a extremidade distal do labro e são
depositadas ativamente na pele do hospedeiro definitivo, geralmente cães ou, eventualmente,
seres humanos. Nesse momento, penetram o tecido subcutâneo juntamente com a hemolinfa
liberada, dando início à infecção no hospedeiro vertebrado (Bowman, 2020).
Após a penetrarem, as larvas L3 migram através dos tecidos subcutâneos,
desenvolvendo-se em larvas de quarto estádio (L4), em cerca de 3 a 12 dias. Posteriormente,
elas continuam sua migração, alcançando circulação sanguínea e dirigindo-se às artérias
pulmonares e ao coração, onde amadurecem, transformando-se em parasitos adultos (Bowman,
2020).
Após a maturação, os parasitos adultos se reproduzem, e as fêmeas liberam novas
microfilárias na corrente sanguínea, reiniciando assim, todo o ciclo (Noack, 2021).

13

Figura 2: Ciclo biológico da Dirofilaria immitis

Fonte: Adaptado de Prichard et al., 2021.

3.4 Epidemiologia da infecção canina
A dirofilariose, causada por D. immitis, é uma parasitose de distribuição cosmopolita,
com prevalência endêmica em zonas de clima tropical, subtropical e temperado. Tais regiões
favorecem a proliferação dos mosquitos vetores, que atuam como hospedeiros intermediários
essenciais no ciclo do parasito. A enfermidade manifesta-se com maior frequência em
localidades litorâneas de clima quente, embora sua ocorrência não seja restrita a essas áreas,
com relatos de casos também em regiões interiores e afastadas da costa (Ferreira et al., 1999,
Fernandes et al., 2000).
A manutenção da transmissão de D. immitis depende de múltiplos fatores
epidemiológicos. Estes incluem a existência de uma população de hospedeiros definitivos (cães,
principalmente) susceptíveis, a presença de reservatórios selvagens do parasito, uma densidade
adequada de vetores e condições ambientais propícias para o desenvolvimento das larvas no
mosquito, especialmente temperaturas entre 17 °C e 27 °C e alta umidade relativa (Suassuana
et al., 2003; Mattos Junior, 2008).
Estudos epidemiológicos em diversas regiões demonstram que a prevalência da
dirofilariose canina é significativamente maior em cães com mais de dois anos de idade (Souza

14

et al., 1997; Rosa et al., 2002; Araújo et al., 2003; Maia et al., 2007; Silva et al., 2008; Vezzani
et al., 2011; Ogawa et al., 2013; Labarthe et al., 2014; Leão Filho et al., 2024). Essa observação
reflete o tempo necessário para a maturação do parasito e o acúmulo de exposições ao longo da
vida do animal. A presença de microfilárias no sangue de filhotes, quando identificada, está
geralmente associada à transmissão transplacentária ou, mais raramente, a transfusões
sanguíneas. Contudo, é fundamental ressaltar que, nessas situações, o parasito não atinge a fase
adulta, uma vez que seu ciclo biológico é obrigatoriamente dependente da passagem por
hospedeiros intermediários (mosquitos vetores) para a maturação das larvas infectantes (L3)
(Mantovani; Jackson, 1966; Todd; Howland, 1983).
Análises de fatores de risco para infecção por D. immitis revelam padrões consistentes:
i) machos apresentam maior susceptibilidade, com chances de infecção até quatro vezes
superiores em comparação a fêmeas; ii) cães que habitam ambientes abertos (como áreas rurais
ou quintais) exibem um risco cinco vezes maior, provavelmente devido à maior exposição aos
mosquitos vetores; iii) a faixa etária de 3 a 15 anos concentra a maioria dos casos, refletindo o
acúmulo de exposição ao longo da vida; e iv) raças de grande porte são mais acometidas,
possivelmente em função de características anatômicas ou comportamentais que favorecem a
picada de vetores (Blagburn, 2013).
Apesar de os felinos domésticos serem suscetíveis à infecção por D. immitis, eles
apresentam uma resistência natural consideravelmente superior à observada em cães. Essa
resistência resulta em menor taxa de infecção, com cargas parasitárias geralmente baixas,
frequentemente inferior a seis parasitos adultos. Contudo, uma vez estabelecida a infecção,
mesmo um número reduzido de parasitos pode desencadear manifestações clínicas severas nos
gatos. Tal gravidade decorre da intensa resposta inflamatória imunomediada, particularmente
durante a migração larval e a morte dos parasitos, culminando em quadros como a Síndrome
Respiratória Associada à Dirofilariose (HARD) e, potencialmente, morte súbita. Essa maior
reatividade inflamatória do hospedeiro felino sugere uma sensibilidade imunológica exacerbada
frente ao parasito, contrastando com a resposta imunológica geralmente mais branda observada
em cães (Genchi et al., 2008; Dillon et al., 2017). Assim, embora os gatos apresentem menor
probabilidade de infecção, os casos clínicos estabelecidos tendem a ser de maior gravidade em
virtude das características particulares de sua resposta imune.

15

3.4.1 Distribuição geográfica no Brasil
A dirofilariose canina no Brasil possui um histórico que remonta a 1878, com os
primeiros registros da enfermidade. Ao longo do século XX, especialmente entre meados e o
final, os estudos epidemiológicos concentraram-se predominantemente na Região Sudeste,
onde foram documentadas taxas variáveis de infecção, com maior prevalência em áreas
costeiras (Labarthe et al., 2002)
Nos anos 2000, levantamentos nacionais começaram a delinear as tendências evolutivas
da doença. Em 2001, observou-se uma ocorrência de 2,2% no Sudeste, 2,5% no Nordeste, 2,0%
no Centro-Oeste e 2,0% no Sul (Labarthe et al., 2003). Regionalmente, as prevalências médias
de microfilárias circulantes foram 10,6% no Nordeste, 17,2% no Sudeste, 5,8% no CentroOeste e 12,0% no Sul, reforçando a predominância da infecção em localidades litorâneas.
Um estudo abrangente realizado em 2014 na costa brasileira apontou um aumento
expressivo na prevalência: 26,3% no Sudeste, 29,7% no Nordeste e 13,2% no Sul (Labarthe et
al., 2014; Soares et al., 2014; Figueiredo et al., 2017). As localidades costeiras com maior
incidência incluíram Rio Grande do Sul (1,1%), Santa Catarina (12%), Paraíba (12,4%), Pará
(10,7%), Alagoas (12,5%), Rio de Janeiro (21,3%) e Recife – PE (2,3%).
A infecção por D. immitis é, de fato, endêmica no Brasil, e a literatura recente continua
a registrar sua prevalência em diversas regiões: Sul, Sudeste, Norte e Centro-Oeste (Leite et al.,
2007; Kannenberg et al., 2019, Trancoso et al., 2020; Mendes de Almeida et al., 2021, Ogawa
et al., 2013; Moreira et al., 2019; Barbosa et al., 2023, Fernandes et al., 2000).
Na Região Norte, Belém do Pará já apresentava, em 1997, 10,74% de positividade para
D. immitis (Souza et al., 1997). Na Ilha do Marajó, a frequência de microfilárias em amostras
atingiu 73,5% em 34 animais testados (Garcez, 2006). Mais recentemente, um estudo em
Manaus demonstrou uma prevalência de 3,7% em cães domésticos (Barbosa et al., 2023).
Na Região Centro-Oeste, Fernandes et al. (2000) encontraram 5,8% de cães com
microfilárias de D. immitis no estado do Mato Grosso.
A Região Sudeste destacou-se com uma prevalência de 26,3% em 2014, percentual
majoritariamente influenciado pelos dados do Rio de Janeiro (Labarthe et al., 2014; Soares et
al., 2014; Figueiredo et al., 2017). Em São Paulo, há variações notáveis entre o litoral (12,2%)
e a capital (3,9%) (Souza et al., 2001).
A Região Sul registrou 13,2% em 2014, com Santa Catarina contribuindo
significativamente para esse resultado (Labarthe et al., 2014; Soares et al., 2014; Figueiredo et
al., 2017). Estudos anteriores em Guaratuba, Paraná, já indicavam baixas prevalências em cães

16

errantes (1,0% e 0,9%) e domiciliados (4,2% e 3,0%) em bairros com condições sanitárias
precárias (Cirio, 2005; Leite, 2005). No entanto, dados mais recentes apontam para a
persistência da doença (Kannenberg et al., 2019)
Na década de 2010, a prevalência na Bahia atingiu 20,3% em Lauro de Freitas e 20%
em Salvador. Em Pernambuco, Itamaracá apresentou 49,5% e Recife 36,7% (Labarthe et al.,
2014). Mais recentemente, em 2016, a prevalência no Recife foi de 11,54% (Ramos et al.,
2016).
Figura 3: Prevalência da Dirofilaria immitis nas cinco regiões do Brasil, desde 1997.

Fonte: arquivo pessoal

Conforme evidenciado pelas pesquisas apresentadas, a ocorrência da dirofilariose é
predominantemente observada em áreas litorâneas tropicais ou subtropicais. No entanto, a
doença tem sido cada vez mais relatada em áreas distantes do litoral, indicando uma expansão
geográfica (Labarthe et al., 1997; Calvert et al., 2003; Willi et al., 2012; Little et al., 2014).
O surgimento de casos em áreas anteriormente consideradas livres ou de baixa
prevalência pode ser atribuído a uma complexa interação de fatores, incluindo alterações
climáticas, modificações ecológicas antrópicas, expansão demográfica urbana, globalização,
surgimento de novas espécies de mosquitos vetores e a participação de hospedeiros silvestres
na manutenção do ciclo parasitário (Genchi et al., 2007; Otranto et al., 2009; Morchón et al.,
2012)
Além dos aspectos epidemiológicos e ambientais, questões relacionadas ao manejo
canino e à quimioprofilaxia também são cruciais. Fatores como o uso inconsistente ou

17

indiscriminado de lactonas macrocíclicas na prevenção, a absorção inadequada do princípio
ativo, as diferenças biológicas entre os hospedeiros no metabolismo do medicamento e na
resposta imune, bem como a suscetibilidade do parasito ao fármaco, associada à possível
resistência às lactonas macrocíclicas, contribuem para a persistência e o aumento dos casos de
infecção por D. immitis em determinadas regiões (Reifur et al., 2001; Genchi et al., 2009;
Brown et al., 2012; Alho et al., 2014; Rinaldi et al., 2014; Wang et al., 2014).
3.4.2 Distribuição geográfica em Alagoas
Em Maceió, um estudo publicado no ano 2000 descreveu uma prevalência de 3,1% para
a dirofilariose canina (Brito et al., 2000). Já em 2001 o mesmo grupo descreveu uma
prevalência de 1,3% de cães infectados com D. immitis em Maceió (Brito et al., 2001). No ano
de 2024, em trabalho publicado por Leão Filho e colaboradores (2024), os dados referentes à
cidade de Maceió demonstraram que 18,75% dos cães analisados estavam positivos para D.
immitis. Apesar de não ter sido possível comparar a frequência de casos encontrada no estudo,
com a prevalência relatada no estudo de Brito e colaboradores, os resultados de 2024 sugerem
que houve um aumento de casos na cidade de Maceió nos últimos 20 anos.
Em relação à cidade de Paripueira, um estudo publicado em 2001 demonstrou que 218
cães foram analisados e não foi encontrado nenhum cão infectado por D. immitis (Brito et al.,
2001).
Aproximadamente vinte anos após os primeiros levantamentos, o estudo de Leão Filho
et al. (2024) revelou uma prevalência de 14,8% (27 cães) na cidade de Paripueira, localizada
no litoral norte e adjacente a Maceió. A emergência de casos nessa localidade, que antes não
registrava infecções, sugere uma influência de fatores ambientais e ecológicos, como as
mudanças na vegetação e fauna decorrentes da expansão imobiliária e construção de
condomínios residenciais entre os dois municípios. De forma mais abrangente, a mesma
pesquisa indicou uma frequência de 12,7% de cães infectados distribuídos por todo o litoral
alagoano, com apenas um município não apresentando casos positivos (Leão Filho et al., 2024).
3.4.3 Hospedeiros intermediários e definitivos
Mosquitos dos gêneros Aedes, Anopheles e Culex destacam-se como hospedeiros
intermediários na transmissão de D. immitis, agente etiológico da dirofilariose (Ludlam et al.,
1970). Contudo, apenas algumas espécies desses gêneros possuem efetiva capacidade vetorial,

18

uma vez que a competência para transmitir o parasito depende de fatores intrínsecos ao vetor,
como sua habilidade em permitir o desenvolvimento completo das larvas do nematódeo (L1 a
L3) e sobreviver ao processo (Labarthe et al., 1998 a, b). Estudos realizados no Brasil, por
exemplo, demonstram variações significativas na eficiência de transmissão entre espécies de
Aedes e Culex, influenciadas por características fisiológicas e ecológicas (Ahid et al., 1999;
Carvalho et al., 2013).
O sucesso do ciclo parasitário no mosquito está condicionado à superação de barreiras
físicas e imunológicas. Durante a migração das larvas no vetor, danos teciduais podem levar à
morte do inseto antes que as larvas L3 infectantes se formem (Vegni et al., 1994). Além disso,
a resposta imune do culicídeo, incluindo mecanismos como encapsulamento ao redor do
parasito e melanização (deposição de melanina para neutralizá-lo), são obstáculos críticos à
sobrevivência das larvas (Christensen et al., 2005). Esses processos são regulados por vias
bioquímicas complexas, como a via da fenoloxidase, que desencadeia reações de defesa
específicas (Bartholomay, 2014). A interação entre a virulência do parasito e a resistência do
vetor determina, assim, a eficiência da transmissão, reforçando a importância de estudos locais
para identificar espécies vetoras em diferentes regiões (Serrão et al., 2001).
No Brasil, após a década de 1990, estudos apontaram Culex quinquefasciatus (Say,
1823) como mais um possível vetor no Rio de Janeiro (Labarthe et al., 1998b) e em São Luís,
MA (Ahid et al., 1999). Um estudo realizado em área litorânea de Maceió, AL, verificou a
presença de exemplares de Cx. quinquefasciatus infectados com D. immitis na região de maior
prevalência da infecção (Brito et al., 2001).
Quanto à espécie Cx. quinquefasciatus, os criadouros potenciais são depósitos e
recipientes temporários, assim como ralos e poços de residências, favorecendo a proliferação
em áreas urbanas (Consoli e Oliveira, 1994; Costa et al., 1994).
Em relação aos hospedeiros definitivos, aquele que melhor se adapta à infecção por D
immitis, é o cão doméstico (Canis familiaris) (Olsen, 1974; Labarthe et al., 2002). Entretanto,
canídeos silvestres podem ser acometidos, sendo capazes de desenvolver a infecção (McCall et
al., 2008). Eventualmente, outras espécies de mamíferos também podem se infectar (Knight,
1987; Acha & Szyfres, 1986).
Desde 1979, a infecção por D. immitis é reconhecida como zoonose pela Organização
Mundial da Saúde (OMS). Em humanos, a infecção é acidental e o ciclo biológico do parasito
não se completa. Isso ocorre porque as microfilárias inoculadas por mosquitos vetores (como
Aedes e Culex) geralmente não atingem a maturidade sexual, sendo eliminadas pelo sistema
imunológico no tecido subcutâneo ou migrando para outros órgãos, onde formam nódulos

19

granulomatosos. Em casos raros, microfilárias imaturas podem alcançar o coração ou a
circulação pulmonar. Quando os parasitos morrem, são transportados para o tecido pulmonar,
desencadeando lesões nodulares que podem ser confundidas com neoplasias em exames de
imagem (McCall et al., 2008).
3.5 Sinais Clínicos da Infecção Canina – Dirofilariose
A dirofilariose canina manifesta-se clinicamente de forma variável, dependendo de
fatores como a carga parasitária, a duração da infecção, a resposta inflamatória do hospedeiro
e a localização dos parasitos adultos. Animais assintomáticos, por exemplo, geralmente
hospedam uma carga parasitária baixa (≤ 5 parasitos adultos), com os parasitos localizados
predominantemente nas artérias lobares e na artéria pulmonar principal. À medida que a carga
parasitária aumenta, os parasitos podem se estender ao ventrículo direito (American Heartworm
Society – Current Canine Guidelines, 2024). Cães com mais de 40 parasitos, ou mesmo cargas
menores em indivíduos mais sensíveis, têm maior probabilidade de desenvolver a Síndrome da
Veia Cava (SVC), na qual os parasitos manobram para o ventrículo direito, átrio direito e veia
cava, interferindo na função valvar e no fluxo sanguíneo, produzindo hemólise, disfunção
hepática e renal e insuficiência cardíaca (Atwell & Buoro, 1988; Ishihara et al., 1978; Jackson,
1974, American Heartworm Society, 2024).
A Síndrome da Veia Cava (SVC), a condição clínica mais grave da dirofilariose, é
caracterizada pelo deslocamento massivo de parasitos das artérias pulmonares para o átrio e
ventrículo direitos, e, frequentemente, para a veia cava caudal. Essa migração provoca uma
obstrução mecânica crítica da via de saída do ventrículo direito, comprometendo severamente
a função da válvula tricúspide e elevando a pressão venosa. Clinicamente, a SVC manifesta-se
com hemólise aguda, hemoglobinúria, disfunção hepática e renal, insuficiência cardíaca
congestiva direita e, frequentemente, leva à morte súbita se não tratada prontamente (Noack,
2021; Simón et al., 2012).
Em infecções severas e de evolução crônica, cães frequentemente apresentam sinais
clínicos sistêmicos que refletem o comprometimento dos sistemas cardiovascular e pulmonar.
Tais sinais incluem letargia, perda de peso progressiva e intolerância ao exercício. Uma tosse
crônica, persistente e improdutiva, por vezes acompanhada de hemoptise, é um sinal comum e
debilitante, resultante da inflamação, fibrose e danos vasculares pulmonares induzidos pelos
parasitos adultos e pela resposta do hospedeiro (Jericó et al., 2023; Ettinger, 2022).

20

Os sinais clínicos observados podem variar em intensidade, mas comumente englobam:
tosse, taquipneia, dispneia, intolerância ao exercício, perda de peso, epistaxe, hemoptise, ascite,
inapetência, anorexia, oligúria, hepatomegalia e esplenomegalia. Em casos avançados, além da
SVC, podem ocorrer hemorragia pulmonar e até morte súbita (Jericó et al., 2023; Ettinger,
2022; Simón et al., 2012).
Além de todos os sinais clínicos citados, é possível a ocorrência de endoarterite
proliferativa, que são exacerbadas pela morte dos parasitos – seja de forma natural ou induzida
por filaricidas (como as lactonas macrocíclicas), resultando em eventos agudos como
tromboembolismo pulmonar (TEP) e hipertensão arterial pulmonar (HAP), que, por sua vez,
podem levar à insuficiência cardíaca congestiva (ICC) direita (Simón et al., 2012). Deve-se
ressaltar, ainda, que, embora raro, as larvas ou parasitos erráticos podem causar lesões em locais
atípicos, como olhos, fígado, cavidade peritoneal, sistema nervoso central e subcutâneo, dada a
persistência prolongada dos parasitos na circulação sistêmica (Simón et al., 2012; Noack,
2021).
3.6 O Diagnóstico de Dirofilaria immitis
O diagnóstico baseia-se inicialmente na observação de sinais clínicos sugestivos de
dirofilariose como tosse, dispnéia, intolerância a exercícios e fraqueza, associados ao histórico
e a exames complementares. Na anamnese é importante obter informações sobre possíveis
viagens a áreas endêmicas, assim como sobre a administração ou não de medicamentos
profiláticos (dentre eles as Lactonas Macrocíclicas) para animais que residem em áreas
endêmicas. A realização de exames complementares também é importante, pois podem auxiliar
no diagnóstico, fornecer informações sobre o estado geral de saúde do paciente e gravidade da
doença, e direcionar o clínico na escolha do tratamento adequado (Venco, 2007).
Os testes diagnósticos disponíveis para a detecção de D. immitis baseiam-se em técnicas
parasitológicas, sorológicas e moleculares, que variam em sensibilidade e especificidade
(Ferreira et al., 2017; Moreira et al., 2019; Trancoso et al., 2020).
3.6.1 Técnica de Knott Modificado
Os testes de análise microscópica são amplamente utilizados para a detecção de
microfilárias circulantes em casos de dirofilariose canina. Entre esses métodos, destacam-se os
esfregaços sanguíneos diretos, realizados a partir de veias periféricas ou capilares, e o teste de

21

Knott modificado, um método de concentração (Pastrav et al., 2018, Newton; Wright, 1956).
Ambos são valorizados por sua rapidez e baixo custo. Contudo, uma limitação inerente a esses
testes reside na dificuldade de diferenciação precisa entre espécies de microfilárias (como D.
immitis e Dirofilaria repens) e, em alguns estudos, na sua baixa sensibilidade para detecção
noturna, embora essa última característica seja mais relevante para microfilárias com
periodicidade (Kamiyngkird et al., 2017)
O teste de Knott modificado é reconhecido como o método de referência para a análise
morfológica e a medição das dimensões das microfilárias, características essenciais para a
identificação da espécie (McCall et al., 2008). A sensibilidade e a especificidade deste teste são
consideráveis, atingindo, respectivamente, 85,71% e 91,66% em alguns estudos (Ranjbar-Ba et
al., 2007). No entanto, uma limitação crucial do teste de Knott é sua incapacidade de
diagnosticar

a dirofilariose

cardiopulmonar

em sua forma oculta. Estima-se que

aproximadamente 30% dos cães afetados por D. immitis sejam amicrofilarêmicos, ou seja, não
apresentam microfilárias circulantes, inviabilizando o diagnóstico por este método (European
Scientific Counsel Companion Animal Parasites, 2023). Essas infecções ocultas ocorrem em
casos de infecções por parasitos de um único sexo, em animais sob quimioprofilaxia que
suprime as microfilárias, ou devido à resposta imune do hospedeiro que elimina as microfilárias.
Para otimizar a detecção, o teste de Knott modificado requer a coleta de uma quantidade
maior de sangue (geralmente 1 mL), o que aumenta a probabilidade de encontrar microfilárias,
caso presentes. O protocolo detalhado para a realização do teste de Knott modificado pode ser
consultado em Soares (2022).
3.6.2 Técnica para detecção de Antígenos - ELISA
Os testes de detecção de antígenos circulantes são os métodos mais sensíveis para
triagem em populações caninas assintomáticas e para avaliação de casos suspeitos, sendo
recomendada a sua associação ao exame parasitológico para maior sensibilidade no diagnóstico
(Diakou et al., 2016). Esses métodos detectam a presença de fêmeas adultas por meio de testes
imunocromatográficos de fluxo lateral e ensaio imunoenzimático indireto (ELISA), sendo
altamente sensíveis e específicos, o que facilita a detecção de infecções ocultas (Nelson et al.,
2014).

22

3.6.3 – Biologia Molecular
A Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) tem se consolidado como uma ferramenta
diagnóstica avançada e é atualmente recomendada como um teste espécie-específico para a
detecção do material genético de Dirofilaria immitis (Ramos et al., 2016; Moreira et al., 2019)
Métodos moleculares, como a PCR, oferecem alta sensibilidade, permitindo uma
melhor caracterização e diferenciação entre espécies filariais. Essa capacidade é crucial,
especialmente quando há necessidade de discriminar D. immitis de outras microfilárias
morfologicamente semelhantes que infectam cães, como D. repens ou Acanthocheilonema
reconditum. Além disso, a PCR consegue detectar animais com baixa parasitemia, confirmar
casos que seriam falsos negativos por outros métodos e, consequentemente, fornecer uma
estimativa mais precisa da real prevalência do parasito em uma população (Nuchprayoon, 2009;
Kamiyngkird et al., 2017). A associação de diferentes testes diagnósticos, incluindo a PCR, é
reconhecida como uma estratégia epidemiológica fundamental para a detecção de animais
parasitados em uma dada população e região (Paranese et al., 2020). Essa abordagem integrada
auxilia na realização de diagnósticos precisos e, consequentemente, contribui para a redução da
transmissão de D. immitis para outros animais e humanos (Genchi et al., 2019).
Pesquisas que avaliam a eficiência da PCR e de outros testes diagnósticos para a
detecção de D. immitis em cães domésticos têm sido amplamente realizadas em diversas regiões
do Brasil, reforçando a aplicabilidade e a necessidade desses métodos no cenário nacional
(Ramos et al., 2016; Kannenberg et al., 2019; Moreira et al., 2019; Trancoso et al., 2020;
Mendes-De-Almeida et al., 2021).
Dessa forma, a PCR emerge como uma ferramenta sensível e precisa, capaz de
discriminar microfilárias de diferentes parasitos filariais que infectam cães. Diversos métodos
de PCR, utilizando diferentes primers, foram desenvolvidos ao longo do tempo para essa
finalidade (Casiraghi et al., 2006; Favia et al., 1996; Mar et al., 2002; Rishniw et al., 2006).
Seu uso é particularmente aconselhável em casos de anormalidades morfológicas de
microfilárias (que não são incomuns em cães tratados incorretamente com medicamentos
preventivos) ou quando infecções múltiplas com mais de uma espécie de parasito filarial
dificultam a diferenciação morfológica por métodos convencionais. Além disso, a PCR é uma
ferramenta indispensável para o levantamento molecular de infecções filariais em mosquitos
vetores, permitindo a identificação precisa de larvas filariais nos vetores, o que é vital para
estudos epidemiológicos e de controle (Cancrini et al., 2006; Sang-Eun et al., 2007).

23

3.6.4 – Exames Complementares
Para uma avaliação completa da dirofilariose e suas manifestações, diversos exames
complementares são essenciais, permitindo identificar alterações condizentes com a doença,
determinar sua gravidade e progressão, e avaliar o comprometimento cardiopulmonar.
A radiografia torácica é um exame crucial, utilizado para identificar alterações em
artérias pulmonares e parênquima pulmonar que são sugestivas de dirofilariose (Litster et al.,
2005; Venco, 2007; Hock & Strickland, 2008). Sinais radiográficos podem variar conforme a
espécie e a cronicidade da infecção, sendo importante ressaltar que nem sempre indicam a
ocorrência de infecção ativa ou se correlacionam diretamente com a carga parasitária (Litster
et al., 2005; Venco, 2007; Hock & Strickland, 2008).
A ecocardiografia é um método diagnóstico complementar de grande valor, pois permite
a visualização direta dos parasitos adultos de D. immitis nas artérias pulmonares e/ou nas
câmaras cardíacas direitas, fornecendo um diagnóstico definitivo da infecção (American
Heartworm Society – Current Canine Guidelines, 2024). Além de confirmar a presença do
parasito, o ecocardiograma é indicado para evidenciar a dilatação ventricular direita e a
disfunção cardíaca direita. Também é fundamental para estimar a carga parasitária, avaliar a
presença de regurgitação tricúspide e quantificar a gravidade da hipertensão arterial pulmonar
(HAP), além de possibilitar o rápido diagnóstico da Síndrome da Veia Cava (Hock &
Strickland, 2008; Ware, 2010).
Já o eletrocardiograma (ECG) é utilizado para detectar arritmias e distúrbios de ritmo
cardíaco, que são comuns em casos de dilatação ventricular direita e outras alterações cardíacas
associadas à dirofilariose (Hock & Strickland, 2008).
O hemograma, embora não seja um exame diagnóstico definitivo por si só, pode sugerir
a presença da doença quando correlacionado a outros achados. Alterações clinicopatológicas
como eosinofilia, basofilia, neutrofilia e monocitose são achados hematológicos comuns na
dirofilariose. A anemia regenerativa discreta tem maior probabilidade de ocorrer em cães
gravemente acometidos, enquanto a trombocitopenia pode ser ocasionada pelo consumo de
plaquetas no sistema arterial pulmonar, especialmente após o tratamento adulticida (Nelson &
Couto, 2021).
Os exames bioquímicos de função hepática podem evidenciar elevações leves a
moderadas na atividade enzimática do fígado, particularmente em pacientes que desenvolvem
sinais de insuficiência cardíaca congestiva (ICC) direita. Em relação à função renal, pacientes
acometidos com dirofilariose frequentemente apresentam azotemia pré-renal ou secundária à

24

glomerulonefrite avançada. A proteinúria é encontrada em 10% a 30% dos cães afetados e é
mais provável de ocorrer na doença crônica. (Nelson & Couto, 2021).
Por fim, a necropsia é um meio de diagnóstico post-mortem de grande importância,
especialmente em casos de óbito súbito ou para fins de pesquisa e epidemiologia. Permite a
identificação e contagem direta dos parasitos adultos e a avaliação macroscópica e
histopatológica das lesões em órgãos como coração, pulmões e vasos, reforçando a importância
da prevenção da doença e contribuindo para o entendimento da patogenia (Rocha, 2010).
3.7 Prevenção à Dirofilariose e o uso das Lactonas Macrocíclicas
Na década de 1980, as lactonas macrocíclicas (LMs) revolucionaram o controle da
dirofilariose (Jackson, 1969; Otto, 1969; Fowler et al., 1970). Desde então, fármacos desse
grupo, como a ivermectina, milbemicina oxima e moxidectina, tornaram-se a base da
quimioprofilaxia da dirofilariose canina devido à sua eficácia e segurança comprovadas
(Hampshire, 2005; Campbell, 2012).
O mecanismo de ação das LMs baseia-se na interferência com a neurotransmissão em
parasitos invertebrados. Sua principal ação ocorre sobre os canais de cloro glutamato (GluCls),
que são encontrados em nematódeos, insetos e carrapatos. As aparasitoctinas e milbemicinas se
ligam irreversivelmente a esses canais, promovendo sua abertura. Esse processo resulta em uma
hiperpolarização das células nervosas ou musculares do parasito e, consequentemente, em
paralisia flácida. Nos nematódeos, os músculos da faringe, responsáveis pela ingestão de
nutrientes, apresentam maior sensibilidade às LMs, e o bloqueio de seu movimento muscular
impede a alimentação e sobrevivência do parasito (Webster, 2004; Spinosa, 2006; Omura,
2008; Geary; Moreno, 2012).
Figura 4 - Representação esquemática do mecanismo de ação das LM.

Fonte: Adaptado de Riviere, Papich, 2021.

25

Além de sua ação direta sobre os canais iônicos, a administração contínua desses
fármacos inibe o desenvolvimento dos estágios pré-larvares no útero das fêmeas adultas de D.
immitis (Lok et al.,1988). Foi também observado que as LMs inibem a secreção de proteínas
imunomoduladoras no sistema excretor das microfilárias, o que, torna o parasito mais suscetível
à resposta do sistema imune do hospedeiro (Geary; Moreno, 2012).
3.7.1 Ivermectina
A ivermectina, uma mistura de 22,23-dihidroaparasitoctina B1a/B1b, é derivada de
Streptomyces avermitilis e atua ligando-se aos canais de cloreto controlados pelo glutamato. No
Brasil, a primeira apresentação de ivermectina específica para uso em cães foi introduzida em
1992 (Labarthe et al., 1996; Labarthe, 2002).
Sua administração mensal demonstra eficácia superior a 99% na eliminação dos estágios
larvais (L3 e L4) de D. immitis, sendo, por isso, amplamente empregada na prevenção da
dirofilariose canina (Mccall et al., 2008; Bowman et al., 2009; American Heartworm Society,
2024). Embora não possua ação direta sobre os parasitos adultos em doses profiláticas, a
ivermectina reduz significativamente a produção de microfilárias, contribuindo para a
diminuição da transmissibilidade da infecção (Mccall et al., 2008; Bowman et al., 2009).
Em geral, esses agentes são seguros quando administrados nas doses recomendadas. No
entanto, a ivermectina é contraindicada para cães que apresentam mutações no gene ABCB1
(anteriormente conhecido como MDR1), uma condição comumente observada em raças como
Collie, Pastor de Shetland e Old English Sheepdog (Geyer; Janko, 2012). A presença dessa
mutação compromete a funcionalidade da glicoproteína-P (P-gp), uma proteína transportadora
presente na barreira hematoencefálica, aumentando a permeabilidade de determinadas
substâncias neurotóxicas ao sistema nervoso central. Em casos de exposição a doses excessivas,
pode ocorrer neurotoxicidade, manifestando-se por sinais clínicos como ataxia, tremores,
midríase, depressão do sistema nervoso central e, em casos graves, convulsões. O mecanismo
primário da toxicidade envolve a inibição dos canais de cloro mediados pelo ácido gamaaminobutírico (GABA), essencial para a neurotransmissão inibitória nos mamíferos (Papich,
2016).
Após a ivermectina, outras LMs foram aprovadas para quimioprofilaxia preventiva, em
ordem cronológica de aprovação: milbemicina oxima, selamectina e moxidectina (Bowman;
Mannella, 2011).

26

3.7.2 Milbemicina Oxima
A milbemicina oxima também integra o grupo das LMs, sendo um derivado
semissintético das milbemicinas naturais, produzidas pela fermentação da espécie bacteriana
Streptomyces hygroscopicus subesp. aureolacrimosus (Shoop et al., 1995). Esse composto foi
desenvolvido com o objetivo de expandir as opções de controle parasitário em medicina
veterinária, apresentando estrutura similar a outras LMs, como a ivermectina.
De forma análoga à ivermectina, a milbemicina oxima atua como agonista dos canais
de cloro mediados pelo ácido gama-aminobutírico (GABA) e pelo glutamato em nematódeos e
artrópodes. Sua ação consiste em aumentar a permeabilidade da membrana celular ao íon
cloreto, resultando em hiperpolarização neuronal e paralisia flácida do parasito, culminando em
sua morte (Shoop et al., 1995; Prichard et al., 2012)
Em comparação com outras lactonas macrocíclicas, a milbemicina oxima apresenta um
perfil de segurança semelhante, sendo bem tolerada em doses terapêuticas recomendadas
(McCall et al., 2008; Bowman et al., 2009; A. H. S., 2024). Frequente em formulações
combinadas com outros fármacos antiparasitários, como o praziquantel, visa ampliar o espectro
de ação contra cestódeos, além dos nematódeos.
Devido à sua eficácia em baixas doses, elevada atividade lipofílica, estabilidade e
segurança, as avermectinas e milbemicinas encontram-se comercialmente disponíveis em
diversas apresentações, incluindo formulações para uso oral, tópico ou injetável (Novotny et
al., 2000; Mccall et al., 2005; Snyder et al., 2011; Bowman et al., 2011; Prichard et al., 2012).
3.7.3 Moxidectina
A moxidectina é uma LM semissintética derivada das milbemicinas, produzida pela
fermentação de Streptomyces cyanogriseus subesp. noncyanogenus (Shoop et al., 1995).
Desenvolvida como uma alternativa de amplo espectro para o controle de parasitos internos e
externos, a moxidectina destaca-se por sua alta lipofilicidade e longa meia-vida em comparação
com outras LMs, como ivermectina e milbemicina oxima.
Seu mecanismo de ação é similar ao das demais lactonas macrocíclicas, atuando como
agonista dos canais de cloro (Shoop et al., 1995). No entanto, sua elevada lipofilicidade permite
um efeito prolongado devido ao acúmulo em tecidos gordurosos e à liberação gradual na
corrente sanguínea, o que aumenta sua eficácia com administrações menos frequentes
(American Heartworm Society, 2024). Isso inclui versões injetáveis de liberação prolongada,

27

capazes de proporcionar proteção por até seis meses, uma vantagem significativa em relação a
outros antiparasitários do mesmo grupo (McCall et al., 2008; Bowman et al., 2009).
Adicionalmente, a moxidectina apresenta menor risco de neurotoxicidade em cães com
mutação no gene ABCB1 (MDR1), tornando-se uma opção mais segura para raças sensíveis
(Geyer et al., 2012). Um estudo que comparou a farmacocinética entre ivermectina e
moxidectina demonstrou que a meia-vida de eliminação da moxidectina (25,9 dias) foi oito
vezes maior que a da ivermectina (3,3 dias) (Al-Azzam et al., 2007). A moxidectina é
caracterizada por um substituto olefinico na cadeia lateral na posição 25 e uma metoxima na
posição 23, estruturas específicas não observadas nas outras LMs (Prichard et al., 2012).
3.7.4 Selamectina
A selamectina é um composto semissintético pertencente à classe das LMs, amplamente
utilizada na medicina veterinária como agente antiparasitário. Seu mecanismo de ação baseiase na interferência com a neurotransmissão em parasitos invertebrados, atuando como um
agonista dos receptores de canais de íons cloreto glutamato e GABA. Essa interação leva à
hiperpolarização das células nervosas e musculares dos parasitos, resultando em sua paralisia e
morte. Além de sua eficácia contra ectoparasitos como pulgas e ácaros, a selamectina apresenta
atividade contra nematódeos gastrointestinais e, crucialmente, contra os estágios larvais de D.
immitis (McTier, 2000).
No contexto da profilaxia da dirofilariose, a selamectina é um dos fármacos
recomendados pelas principais diretrizes internacionais, como as da American Heartworm
Society. Administrada mensalmente por via tópica (spot-on), a selamectina atua prevenindo o
estabelecimento da infecção por D. immitis ao eliminar as larvas de estágio L3 e L4, que são
transmitidas pelos mosquitos vetores antes que possam migrar e se desenvolver para a fase
adulta no hospedeiro definitivo (American Heartworm Society, 2024). A persistência sistêmica
da selamectina no plasma após a aplicação tópica permite manter concentrações eficazes
durante o intervalo de 30 dias entre as doses (American Heartworm Society, 2024).
A eficácia da selamectina na prevenção da dirofilariose tem sido consistentemente
demonstrada em estudos de campo e laboratoriais, mesmo em cães expostos a altas cargas
infecciosas. A recomendação atual da AHS enfatiza a administração contínua e durante todo o
ano de quimioprofiláticos, incluindo a selamectina, para otimizar a eficácia e reforçar a
aderência do proprietário ao protocolo preventivo (American Heartworm Society, 2024). Essa
estratégia é vital para o controle da doença, considerando a crescente preocupação com a

28

reemergência da dirofilariose e a possível resistência de cepas de D. immitis às lactonas
macrocíclicas em algumas regiões.
3.7.5 Outras Lactonas Macrocíclicas: Abamectina, Doramectina e Nemadectina
Além das LMs mais comumente empregadas na profilaxia da dirofilariose canina, como
ivermectina, milbemicina oxima, moxidectina e selamectina, já descritas, existem outras LMs
que, embora compartilhem o mesmo mecanismo de ação geral, apresentam diferentes perfis de
uso e espectro de atividade na medicina veterinária. É importante distinguir entre LMs
amplamente aprovadas para a prevenção da dirofilariose e aquelas cujo uso se restringe a outras
parasitoses ou espécies animais.
A doramectina é uma LM da classe das avermectinas, utilizada no controle de parasitos
internos e externos em diversas espécies de animais de produção, como bovinos, suínos e
ovinos. Embora possua um longo período de ação e seja eficaz contra uma variedade de
nematódeos e artrópodes, a doramectina não é rotineiramente recomendada ou aprovada para a
profilaxia da dirofilariose em cães e gatos, especialmente devido à falta de estudos extensivos
que comprovem sua segurança e eficácia em doses preventivas para D. immitis nessas espécies,
bem como seu perfil de toxicidade em raças sensíveis (Drugbank, 2016; Researchgate, 2015).
Seu uso em pequenos animais é, em geral, off-label e restrito a indicações específicas, sempre
com cautela.
A abamectina é outra avermectina amplamente utilizada na pecuária para o controle de
verminoses gastrintestinais e pulmonares, além de ectoparasitoses como bernes, piolhos e
sarnas em bovinos. Embora pertença à mesma classe de compostos com atividade contra
nematódeos, sua formulação e indicações são específicas para grandes animais.
Quanto à nemadectina, as informações sobre seu uso específico como fármaco na
medicina veterinária, especialmente em relação à dirofilariose em pequenos animais, são
limitadas na literatura recente. Embora o termo possa remeter a uma lactona macrocíclica
devido ao nome, sua aplicabilidade prática e aprovação para a quimioprofilaxia de D. immitis
em cães e gatos não são amplamente reconhecidas nas diretrizes e publicações de referência
atuais (American Health Society, 2024).

29

Figura 5 - Origem das lactonas macrocíclicas: da bactéria do solo aos produtos terapêuticos.

Fonte: Adaptado de Prichard, R. K. et al, 2012.

3.8 A Resistência às Lactonas Macrocíclicas
Há alguns anos, o surgimento de cepas de Dirofilaria immitis com resistência às LMs
tem sido uma preocupação crescente e um desafio significativo para o controle da dirofilariose
globalmente (Geary et al., 2011; Pulaski et al., 2014). Essa resistência, confirmada em diversas
regiões, especialmente no sudeste dos Estados Unidos, compromete a eficácia das estratégias
de profilaxia (McCall et al., 2021; Bowman; Atkins, 2023; Bourguinat et al., 2024).
A resistência às LMs em D. immitis é um fenômeno complexo, influenciado por fatores
genéticos, ambientais e operacionais, como o uso inadequado dos fármacos (Bourguinat et al.,
2015; Diakou; Prichard, 2021). Estudos têm demonstrado que mutações genéticas em genes
associados à ação desses fármacos, como os que codificam canais de cloreto dependentes de
glutamato, podem estar envolvidas no mecanismo de resistência (Bourguinat et al., 2011;
Guthrie et al., 2023). Adicionalmente, a falta de testes diagnósticos rápidos e precisos para
detectar a resistência em campo dificulta a implementação de estratégias de manejo eficazes
(Prichard et al., 2011; Ballesteros et al., 2018).
A resistência às lactonas macrocíclicas em D. immitis tem sido consistentemente
associada a alterações genéticas em marcadores moleculares específicos. Dentre eles, destacamse a glicoproteína-P (P-gp) (P-gp), um transportador de efluxo, e a 𝛃-tubulina, uma proteína
estrutural, que desempenham papéis cruciais na modulação da sensibilidade do parasito aos
fármacos (Lespine et al., 2012; Prichard et al., 2012; Diakou; Prichard, 2023).

30

3.8.1 Glicoproteína-P (P-gp)
A glicoproteína-P (P-gp) (P-gp) é uma proteína transportadora de efluxo pertencente à
superfamília ABC (ATP-binding cassette). Localizada na membrana celular, a P-gp atua como
uma "bomba", removendo ativamente diversas substâncias, incluindo fármacos, do interior das
células. Em parasitos, a superexpressão ou mutações no gene da glicoproteína-P (P-gp) podem
levar à resistência a medicamentos, pois o fármaco é rapidamente expulso da célula antes de
exercer seu efeito terapêutico (Lespine et al., 2012; Ardelli, 2014).
Estudos em D. immitis têm fornecido evidências do papel da P-gp na resistência às LMs.
Por exemplo, isolados de D. immitis resistentes apresentaram maior expressão de glicoproteínaP (P-gp) em comparação com isolados sensíveis (Bourguinat et al., 2011c). Além disso, o
mesmo grupo de pesquisa demonstrou que mutações específicas no gene P-gp-11 e P-gp-618,
estavam correlacionadas com a resistência à ivermectina e à moxidectina (Bourguinat et al.,
2011c, Bourguinat et al., 2015). A identificação desses polimorfismos de nucleotídeo único
(SNPs) no gene da P-gp é um importante avanço na compreensão da resistência genética em D.
immitis (Guthrie et al., 2023).
3.8.2 β-tubulina (β-Tub)
A β-tubulina (β-Tub) é uma proteína estrutural que compõe os microtúbulos, elementos
essenciais do citoesqueleto celular e cruciais para a divisão e motilidade celular dos
nematódeos. Embora a β-tubulina (β-Tub) seja o principal alvo de fármacos anti-helmínticos
como os benzimidazóis, mutações nessa proteína também têm sido associadas à resistência à
LM em alguns nematódeos, embora o mecanismo exato em D. immitis ainda não seja
completamente elucidado (Prichard et al., 2012; Diakou; Prichard, 2021).
Estudos em D. immitis ainda são limitados em relação ao papel direto da β-tubulina (βTub) na resistência às LMs. Contudo, pesquisas em outros nematódeos filariais, como
Onchocerca volvulus e Haemonchus contortus, sugerem que mutações na β-tubulina (β-Tub)
podem contribuir para a resistência a múltiplas classes de anti-helmínticos, incluindo LMs
(Prichard et al., 2012; Diakou; Prichard, 2023). Um estudo de Bourguinat et al. (2015) sugeriu
que a 𝛃-tubulina, nas posições 561 e 2755, pode estar envolvida em mecanismos de resistência
indiretos em D. immitis, possivelmente por meio da regulação da expressão de glicoproteína-P
(P-gp) (Bourguinat et al., 2011c).

31

3.8.3 Interação entre Glicoproteína-P (P-gp) e β-tubulina (β-Tub)
A resistência às lactonas macrocíclicas em D. immitis parece ser um fenômeno
multifatorial, envolvendo a interação complexa entre diferentes marcadores genéticos. A
Glicoproteína-P (P-gp) e a β-tubulina (β-Tub) podem atuar em vias complementares,
potencializando o mecanismo de resistência:
A β-tubulina (β-Tub) pode modular a expressão da glicoproteína-P (P-gp) através de
vias de sinalização celular, aumentando a capacidade de efluxo de fármacos e, assim, a
resistência do parasito (Lespine et al., 2012; Prichard et al., 2012).
Mutações em ambos os marcadores podem amplificar o efeito de resistência, tornando
o parasito menos suscetível a múltiplas classes de anti-helmínticos (Prichard et al., 2012;
Diakou; Prichard, 2021).
A identificação de marcadores de resistência, como a glicoproteína-P (P-gp) e a βtubulina (β-Tub), possui implicações importantes para o controle da dirofilariose canina: a)
Desenvolvimento de testes diagnósticos para detecção de mutações nesses genes, e, assim,
orientar estratégias de tratamento mais eficazes e personalizadas (Bourguinat et al., 2015); b)
O entendimento aprofundado dos mecanismos de resistência para direcionar o desenvolvimento
de fármacos que inibam a glicoproteína-P (P-gp) ou que tenham como alvo vias alternativas no
parasito, superando a resistência existente (Geary et al., 2011; Lespine et al., 2012) e c) O uso
racional de lactonas macrocíclicas, a adesão rigorosa aos protocolos de profilaxia e a rotação
de classes de anti-helmínticos (quando aplicável) como estratégias essenciais para retardar o
surgimento e a disseminação da resistência (Prichard et al., 2012; American Heartworm
Society, 2024).
3.10 Considerações Finais
Em suma, a dirofilariose canina é uma enfermidade de complexa epidemiologia e
patogênese, com manifestações clínicas variadas e um diagnóstico que exige a integração de
diferentes métodos. Embora a profilaxia com lactonas macrocíclicas seja a base do controle, a
emergência de falhas terapêuticas e a suspeita de resistência reforçam a necessidade de um
monitoramento contínuo e da caracterização de populações parasitárias regionais. Nesse
sentido, a ausência de dados atualizados sobre a prevalência e sobres os aspectos moleculares
da D. immitis no Brasil, particularmente no Nordeste, justifica a relevância de investigações
locais.

32

REFERÊNCIAS
ACHA, P. N. & SZYFRES, B. Zoonosis y Enfermedades Transmisibles Comunes al Hombre
y a los Animales. 2a Ed. Publicación Científica. Washington: Organización Panamericana de
la Salud, n 503, 1986. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2005000300038
AMERICAN HEARTWORM SOCIETY. Guidelines for the diagnosis, prevention, and
management
of heartworm
Dirofilaria
immitis
infection
in dogs, 2020.
https://www.heartwormsociety.org/veterinary-resources/american-heartworm-societyguidelines.
AMERICAN HEARTWORM SOCIETY CANINE Guidelines for the Prevention, Diagnosis,
and Management of Heartworm (Dirofilaria immitis) Infection in Dogs Revised, 2024.
https://www.heartwormsociety.org/veterinary-resources/american-heartworm-societyguidelines.
ANDERSON, R. C. Nematode parasites of vertebrates: their development and transmission. 2.
ed. Wallingford: CABI Publishing, 2000.
AHID, S. M. et al. Canine heartworm on São Luis Island, Northeastern Brazil: a potential
zoonosis. Cadernos de Saúde Pública, v. 15, n. 2, 1999. https://doi.org/10.1590/S0102311X1999000200025
ALHO, A. M. et al. Prevalence and seasonal variations of canine dirofilariosis in Portugal.
Veterinary Parasitology, v. 206, n. 1-2, 2014. DOI: 10.1016/j.vetpar.2014.08.014
ALVES, L. C. et al. Survey of canine heartworm in the city of Recife, Pernambuco, Brazil.
Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, v. 94, n. 5, 1999. https://doi.org/10.1590/S007402761999000500004
ALMOSNY, N. R. P. Hemoparasitoses em pequenos animais domésticos e como zoonoses. 1.
ed. Rio de Janeiro: L.F. Livros de Veterinária Ltda., 2002.
ATWELL R. B. et al. Caval syndrome. In Boreman PFL, Atwell RB (eds): Dirofilariasis. Boca
Raton, FL: CRC Press, 1988.
ARAUJO, R.T.; et al. Canine dirofilariasis in the region of Conceição Lagoon, Florianópolis,
and in the Military Police kennel, Sao Jose, State of Santa Catarina, Brazil. Veterinary
Parasitology, v. 113, n. 3-4, 2003. DOI: 10.1016/s0304-4017(03)00077-3
ATKINS, C. Prevalence of naturally occurring Dirofilaria immitis infection among
nondomestic cats housed in an area in which heartworms are endemic. J Am Vet Med Assoc.,
v. 227, n. 1, 2005. DOI: 10.2460/javma.2005.227.139
ATKINS, C. Canine and Feline Heartworm Disease. In: ETTINGER, S. J. F. Textbook of
Veterinary Internal Medicine. 8. ed. Elsevier, 2017.
BARBOSA, U. C. et al. Dirofilaria immitis is endemic in rural areas of the Brazilian Amazonas
state capital, Manaus. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, [S.L.], v. 32, n. 2,
2023. DOI: 10.1590/S1984-29612023018

33

BARBOSA, C. L. et al. Dirofilariose canina: situação atual no Brasil. Revista do Conselho
Federal de Medicina Veterinária, v.1, 2006.
BARROS, A. P. M. C. Dirofilaria sp em amostra de citologia cutânea - relato de caso. Trabalho
de Conclusão de Curso (Graduação em Medicina Veterinária) – Universidade Federal Rural
da Amazônia, Belém, 2021.
BARTHOLOMAY, L.C. Infection barriers and responses on mosquito-filarial worm
interactions. Current Opinion in Insect Science, v. 2, 2014. DOI: 10.1016/j.cois.2014.08.006
BLAGBURN, B. Heartworms and Heartworm Disease: They Will Find a Way to Fool You! In:
Atlantic Coast Veterinary Conference 2013, Auburn. College of Veterinary Medicine:
Auburn University, 2013.
BOURGUINAT, C. et al. P-glycoprotein-like protein, a possible genetic marker for
iparasitoctin resistance selection in Onchocerca volvulus. Molecular and Biochemical
Parasitology, v. 158, n. 2, 2008. DOI: 10.1016/j.molbiopara.2007.11.017
BOURGUINAT, C., et al. Macrocyclic lactone resistance in Dirofilaria immitis. Veterinary
Parasitology, v. 181, n. 2-4, 2011a. DOI: 10.1016/j.ijpara.2021.08.006
BOURGUINAT, C. et al. Correlation between loss of efficacy of macrocyclic lactone
heartworm anthelmintics and P-glycoprotein genotype. Veterinary Parasitology, v. 176, n. 4,
2011b. DOI: 10.1016/j.vetpar.2011.01.024
BOURGUINAT, C. et al. Genetic polymorphism in Dirofilaria immitis. Veterinary
Parasitology, v. 176, n. 4, 2011c. DOI: 10.1016/j.vetpar.2011.01.023
BOURGUINAT, C. et al. Macrocyclic lactone resistance in Dirofilaria immitis: Failure of
heartworm preventives and investigation of genetic markers for resistance. Veterinary
Parasitology, v. 210, n. 3-4, 2015. DOI: 10.1016/j.vetpar.2015.04.002
BOWMAN, D. D. et al. Survey of 11 western states for heartworm (Dirofilaria immitis)
infection, heartworm diagnostic and prevention protocols, and fecal examination protocols for
gastrointestinal parasites. Veterinary therapeutics: research in applied veterinary
medicine, v. 8, n. 4, 2007. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18183548/
BOWMAN, D. D. et al. Prevalence and geographic distribution of Dirofilaria immitis, Borrelia
burgdorferi, Ehrlichia canis, and Anaplasma phagocytophilum in dogs in the United States:
results of a national clinic-based serologic survey. Veterinary Parasitology, v. 160, n. 1-2,
2009. https://doi.org/10.1016/j.vetpar.2008.10.093
BOWMAN, D. D.; ATKINS, C. E. Heartworm biology, treatment, and control. The
Veterinary Clinics of North American. Small Animal Practice, v. 39, n. 6, 2009.
DOI: 10.1016/j.cvsm.2009.06.003
BOWMAN, D. D. et al. Georgis - Parasitologia veterinária. Tradução de Adriana Pittella
Sudré - Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

34

BOWMAN, D. D. et al. Macrocyclic lactones and Dirofilaria immitis microfilariae. Topics in
Companion Animal Medicine, v. 26, n. 4, 2011. DOI: 10.1053/j.tcam.2011.07.001
BOWMAN, D. D. Heartworms, macrocyclic lactones, and the specter of resistance to
prevention in the United States. Parasites and Vectors, v. 5, n., 2012.
DOI: 10.1053/j.tcam.2011.07.001
BOWMAN, D. D. Georgis' Parasitology for Veterinarians. 11th ed. Elsevier, 2020.
BRITO, A. C. et al. Prevalence of canine filariasis by Dirofilaria immitis and Dipetalonema
reconditum in Maceio, Alagoas State, Brazil. Cadernos de Saúde Pública, v. 17, n. 6, 2001.
DOI: 10.1590/s0102-311x2001000600021
BRITO, A. C. et al. Dirofilaria immitis infection in dogs from Maceió, Alagoas, Northeast
region of Brazil. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v. 52, n.3, 2000.
https://doi.org/10.1590/S0102-09352000000300005
BROWN, H. E. et al. Key factors influencing canine heartworm, Dirofilaria immitis, in the
United States. Parasites and Vectors, v. 5, 2012. DOI: 10.1186/1756-3305-5-245
CALVERT, C. A. et al. Dirofilariose. In: Birchard, S. J.; Scherding, R. G. Manual
Saunders: clínica de pequenos animais. São Paulo: Editora Roca, 2003.
CANCRINI G. et al. Natural vectors of dirofilariasis in rural and urban areas of the Tuscany
region, central Italy. J. Med. Entomol. 43, 2006. DOI: 10.1603/00222585(2006)43[574:nvodir]2.0.co;2
CANCRINI G. et al. Vectors of Dirofilaria nematodes: biology, behaviour and host/parasite
relationships.
Mappe
Parassitologiche,
v.
8,
2007.
https://www.cabidigitallibrary.org/doi/pdf/10.5555/20083097530
CARVALHO G. A. et al. Evaluation of Larval Development of Dirofilaria immitis in Different
Populations of Aedes aegypti and Aedes albopictus. Journal of Veterinary Medicine, v. 3,
2013. DOI: 10.4236/ojvm.2013.36045
CASIRAGHI, M. et al. A simple molecular method for discrimination common filarial
nematodes
of
dogs
(Canis
familiaris).
Vet.
Parasitol.,
v.141,
2006.
DOI: 10.1016/j.vetpar.2006.06.006
CHRISTENSEN, B. M. et al. Melanization immune responses in mosquito vectors. Trends in
Parasitology, v. 21, n. 4, 2005. DOI: 10.1016/j.pt.2005.02.007
CONSOLI, R. A.G. B., e OLIVEIRA, R.L. Principais mosquitos de importância sanitária no
Brasil. [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 1994.
DANTAS-TORRES F. et al. Overview on D. immitis in the Americas, with notes on other
filarial worms infecting dogs. Veterinary Parasitology, v. 282, 2020.
DOI: 10.1016/j.vetpar.2020.109113

35

DANTAS-TORRES F. et al. Tratamento adulticida contra dirofilariose: uma perspectiva
tropical. Parasites & Vectors, v.16, 2023. https://doi.org/10.1186/s13071-023-05690-8
DIAKOU A. et al. Dirofilaria infections in dogs in diferente areas of Greece. Parasit. Vect.,
v. 9, n. 1, 2016. https://doi.org/10.1186/s13071-016-1797-6
DILLON, A. R, et al. Heartworm-associated respiratory disease (HARD) induced by immature
adult Dirofilaria immitis in cats. Parasites & Vectors, v. 10, n. 2, 2017. DOI: 10.1186/s13071017-2452-6
ESCCAP FRANCE, 2023. La dirofilariose cardiopulmonaire ou « maladie du ver du cœur ».
ESCCAP France, 2023. https://www.esccap.fr/maladies-vectorielles/dirofilariose-filaires-vercoeur.html
ETTINGER, S. J., et al. Tratado de Medicina Veterinária: Doenças do Cão e do Gato.
Grupo GEN – Guanabara Koogan. Rio de Janeiro - RJ, 2022. E-book. ISBN 9788527738880.
FAVIA, G. et al. Polymerase chain reaction-identification of Dirofilaria repens and Dirofilaria
immitis. Parasitology, v. 113, 1996. DOI: 10.1017/s0031182000067615
FERNANDES, C. G. N., et al. Ocorrência de dirofilariose canina na região da Grande Cuiabá,
Estado de Mato Grosso - Brasil. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal
Science, v. 36, n. 5, 1999. https://doi.org/10.1590/S1413-95961999000500007
FERNANDES, C. G. N. et al. Aspectos epidemiológicos da dirofilariose canina no perímetro
urbano de Cuiabá, Mato Grosso: emprego do "Immunoblot" e do teste de Knott modificado.
Braz. J. Vet. Res. Anim. Sci., v. 37, n. 6, 2000. https://doi.org/10.1590/S141395962000000600009
FERREIRA, A. F. et al. Ocorrência da dirofilariose canina na cidade de Uberlândia, MG, Brasil.
Vet Notícias, v. 5, n. 1, 1999.
FERREIRA, C. et al. Molecular characterization of Dirofilaria spp. circulating in Portugal.
Parasites Vectors v.10. n. 1-8, 2017. DOI: 10.1186/s13071-017-2180-y
GEARY, T. G. et al. Evidence for macrocyclic lactone anthelmintic resistance in Dirofilaria
immitis. Topics in Companion Animal Medicine, v. 26, n. 4, 2011.
DOI: 10.1053/j.tcam.2011.09.004
GENCHI, C. et al. Efficacy of moxidectin for the prevention of adult heartworm (Dirofilaria
immitis)
infection
in
dogs.
Parassitologia,
v.
43,
n.
3,
2001.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11921542/
GENCHI, C. et al. Is heartworm disease really spreading in Europe? Veterinary Parasitology,
v. 133, n. 2-3, 2005. DOI: 10.1016/j.vetpar.2005.04.009
GENCHI, C. et al. Epidemiology and prevention of Dirofilaria infections in dogs and cats. In:
CRINGOLI,
G.
(Ed.).
Mappe
Parassitologiche,
2007.
https://www.cabidigitallibrary.org/doi/pdf/10.5555/20083097550

36

GENCHI, C. et al. Guideline for the laboratory diagnosis of canine and feline Dirofilaria
infections.
In:
CRINGOLI,
G.
(Ed.).
Mappe
Parassitologiche,
2007.
https://www.cabidigitallibrary.org/doi/pdf/10.5555/20083097549
GENCHI, C. et al. Feline heartworm (Dirofilaria immitis) infection: a statistical elaboration of
the duration of the infection and life expectancy in asymptomatic cats. Veterinary
Parasitology, v. 158, n. 3, 2008. DOI: 10.1016/j.vetpar.2008.09.005
GENCHI, C. et al. Climate and Dirofilaria infection in Europe. Veterinary Parasitology, v.
163, n. 4, 2009. DOI: 10.1016/j.vetpar.2009.03.026
GENCHI, C. et al. Changing climate and changing vector-borne disease distribution: the
example of Dirofilaria in Europe. Veterinary Parasitology, v. 176, n. 4, 2011.
https://doi.org/10.1016/j.vetpar.2011.01.012
GENCHI, C. et al. Canine heartworm disease (Dirofilaria immitis) in Western Europe: survey
of veterinary awareness and perceptions. Parasites and Vectors, v. 7, p. 206. 2014.
DOI: 10.1186/1756-3305-7-206
GENCHI, M et al. Dirofilaria immitis and D. repens in dog and cat: A questionnaire study in
Italy. Vet Parasitol, v. 267, 2019. DOI: 10.1016/j.vetpar.2019.01.014
HAGIWARA, M. K. Y. et al. Prevalência de microfilárias em diferentes populações caninas.
Revista da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo,
v. 21, n. 1, 1984. https://doi.org/10.11606/issn.2318-3659.v21i1p37-41
ISHIHARA K. et al. Clinicopathological studies on canine dirofilarial hemoglobinuria. Jap J
Vet Sci., v. 40, 1978. DOI: 10.1292/jvms1939.40.525
JACKSON R. F. et al. The venae cavae syndrome. Proceedings of the Heartworm
Symposium
1974,
Auburn,
AL.
American
Heartworm
Society,
1974.
https://www.cabidigitallibrary.org/doi/pdf/10.5555/19760829870
JACKSON R. F. et al. Distribution of heartworms in the right side of the heart and adjacent
vessels of the dog. J Am Vet Med Assoc., 1966. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/6008241/
JERICÓ, M. M., et al. Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos. Grupo GEN –
Guanabara Koogan. Rio de Janeiro – RJ, 2015. https://repositorio.usp.br/item/002649418
KAMYINGKIRD K., et al. Prevalence and risk factors associated with Dirofilaria immitis
infection in dogs e cats in Songkhla and Satun provinces, Thailand. Agricult. Nat, 2017.
https://doi.org/10.1016/j.anres.2017.05.003
KANNENBERG, A. K. et al. Occurrence of filarid parasites in household and sheltered dogs
in the city of Joinville – Santa Catarina, Brazil. Ciencia Anim. Bras., v. 20, 2019.
https://doi.org/10.1590/1809-6891v20e-53529
KARTMAN, L. On the growth of Dirofilaria immitis in the mosquito. Am J Trop Med Hyg.
v.2, n.6, 1953. DOI: 10.4269/ajtmh.1953.2.1062

37

KHANMOHAMMADI M. et al. Morphological Description, Phylogenetic and Molecular
Analysis of Dirofilaria immitis Isolated from Dogs in the Northwest of Iran. Iran J Parasitol.
v. 15, n. 1, 2020. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32489376/
KNOTT, J. W. A method for making microfilarial surveys on day blood. Transactions of the
Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene, v. 33, n. 2, 1939.
https://doi.org/10.1016/S0035-9203(39)90101-X
LABARTHE, N. V. et al. Update on the distribution of Dirofilaria immitis in the State of Rio
de Janeiro, Brazil. In: XVII World Small Animal Veterinary Association, 1992.
LABARTHE, N. V. et al. Survey of Dirofilaria immitis (Leidy, 1856) in random source cats in
metropolitan Rio de Janeiro, Brazil, with descriptions of lesions. Veterinary Parasitology, v.
71, n. 4, 1997. 10.1016/s0304-4017(97)00041-1
LABARTHE, N. V. et al. Mosquito frequency and feeding habits in an enzootic canine
dirofilariasis area in Niteroi, state of Rio de Janeiro, Brazil. Memorias do Instituto Oswaldo
Cruz, v. 93, n. 2, 1998a. https://doi.org/10.1590/S0074-02761998000200002
LABARTHE, N. V. et al. Potential vectors of Dirofilaria immitis (Leidy, 1856) in Itacoatiara,
oceanic region of Niteroi municipality, state of Rio de Janeiro, Brazil. Memorias do Instituto
Oswaldo Cruz, v. 93, n. 4, 1998b. https://doi.org/10.1590/S0074-02761998000400001
LABARTHE, N. V. et al. Dirofilariose em pequenos animais domésticos e como zoonose. In:
Almosny NRP. Hemoparasitoses em pequenos animais domésticos e como zoonoses. Rio
de Janeiro: L.F. Livros de Veterinaria Ltda, 2002.
LABARTHE, N. V. et al. Serologic prevalence of Dirofilaria immitis, Ehrlichia canis,
and Borrelia burgdorferi infections in Brazil. Vet. Ther, v. 4, 2003.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12756637/
LABARTHE, N. V. et al. Updated canine infection rates for Dirofilaria immitis in areas of
Brazil previously identified as having a high incidence of heartworm-infected dogs. Parasite
& Vectors, v. 7, n. 493, 2014. DOI: 10.1186/s13071-014-0493-7
LARSSON, M.H. Prevalência de microfilárias de Dirofilaria immitis em cães do Estado de São
Paulo. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, v. 27, n.2, 1990.
DOI: 10.11606/issn.0000-0000.272183-186
LEÃO FILHO, W. F. B. et al. Dirofilaria immitis in dogs from the coastal tourist region of the
state of Alagoas, Brazil. Braz J Vet Parasitol, v. 33, n. 3, 2024. DOI: 10.1590/S198429612024055
LEIDY, J. A New Species of Nematode Worm from the Heart of the Dog. Proceedings of the
Academy of Natural Sciences of Philadelphia, v. 8, 1856.
LITTLE, S. E. et al. Canine infection with Dirofilaria immitis, Borrelia burgdorferi,
Anaplasma spp., and Ehrlichia spp. in the United States, 2010-2012. Parasites and Vectors,
v. 7, p. 257. 2014. DOI: 10.1186/s13071-020-04514-3

38

LITTLE, S. E. et al. Pre-treatment with heat facilitates detection of antigen of Dirofilaria
immitis in canine samples. Veterinary Parasitology, v. 203, n. 1- 2, 2014.
DOI: 10.1016/j.vetpar.2014.01.007
LOK, J. B. et al. Abnormal patterns of embryogenesis in Dirofilaria immitis treated with
iparasitoctin. Journal of Helminthology, v. 62, n. 3, 1988. DOI: 10.1017/s0022149x00011482
LUDLAM, K. W., et al. Potential vectors of Dirofilaria immitis. Journal of the American
Veterinary
Medical
Association,
v.
157,
1970.
https://avmajournals.avma.org/view/journals/javma/157/10/javma.1970.157.10.1354.xml
MAIA, A. L. P.; et al. Ocorrência de Dirofilaria immitis em cães da Ilha do Marajó e Nordeste
Paraense, detectada por métodos parasitológico e sorológico. Revista da Universidade Rural
– Série Ciências da Vida, v. 27, 2007.
MANTOVANI, A.; JACKSON, R. F. Transplacental transmission of microfilariae of
Dirofilaria immitis in the dog. The Journal of Parasitology, v. 52, n. 1, 1966.
MAR, P. H. et al. Specific polymerase chain reaction for differential diagnosis of Dirofilaria
immitis and Dipetalonema reconditum using primers derived from internal transcribed spacer
region 2 (ITS2). Vet. Parasitol., v. 106, 2002. DOI: 10.1016/s0304-4017(02)00032-8
McCALL. et al. Heartworm disease in animals and humans. Adv Parasitol. v. 66, 2008.
DOI: 10.1016/S0065-308X(08)00204-2
McTIER, T. L, et al. Evaluation of the effects of selamectin against adult and immature stages
of fleas (Ctenocephalides felis felis) on dogs and cats. Vet Parasitol., v. 23, n. 91, 2000. DOI:
10.1016/s0304-4017(00)00292-2
MENDES-DE-ALMEIDA F. et al. Infection with Dirofilaria immitis and other infections in
cats and dogs from Rio de Janeiro, Brazil: the need for prophylactic enforcement. Act.
Parasitol., v. 66, n. 3, 2021. DOI: 10.1007/s11686-021-00345-z
MORCHON, R. et al. Heartworm Disease (Dirofilaria immitis) and their Vectors in Europe New Distribution Trends. Frontiers in Physiology, v. 3, p. 196. 2012.
DOI: 10.3389/fphys.2012.00196
MOREIRA, H. R. et al. Dirofilaria immitis infection in dogs in Algodoal Island, Brazilian
Amazon. Pesqui. Vet. Bras. v. 39, n. 7, 2019. https://doi.org/10.1590/1678-6160-PVB-5916
NELSON, R. W., COUTO, G. C., et.al. Medicina Interna de Pequenos Animais. Rio de
Janeiro: Editora Mundial, 5ª edição - Elsevier, 2015.
NELSON, R. W. COUTO, C. G., et al. Medicina Interna de Pequenos Animais, 5th ed. Grupo
GEN – Guanabara Koogan, Rio de Janeiro – RJ, 2021. E-book.
NELSON, R. W. COUTO, C. G., et al. Medicina Interna de Pequenos Animais, 6th ed. Grupo
GEN – Guanabara Koogan, Rio de Janeiro – RJ, 2023.

39

NOACK, S., et al. Heartworm disease – Overview, intervention, and industry perspective.
International Journal For Parasitology: Drugs and Drug Resistance, v. 16, 2021.
DOI: 10.1016/j.ijpddr.2021.03.004
NUCHPRAYOON, S. DNA-basead diagnosis of lymphatic filariasis. South. Asi. J. Trop.
Med. Publ. Heal., v.40, n. 5, 2009. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19842372/
OGAWA, G.M. et al. Canine heartworm disease in Porto Velho: first record, distribution map
and occurrence of positive mosquitoes. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, v.
22, n. 4, 2013. https://doi.org/10.1590/S1984-29612013000400017
OLIVEIRA, G. G. D. et a. Resistência parasitária a anti-helmínticos e saúde única: desafios e
oportunidades na integração de abordagens de saúde humana e animal. Revista IberoAmericana de Humanidades, Ciências e Educação (REASE), São Paulo, v. 10, n. 11, 2024.
DOI: https://doi.org/10.51891/rease.v10i11.17248
OLSEN, W. O. Animal Parasites: Their life cycles and ecology. Baltimore: University Park
Press, 1974.
OTRANTO, D. et al. Changing distribution patterns of canine vector borne diseases in Italy:
leishmaniosis vs. dirofilariosis. Parasites and Vectors, v. 2, n 1, 2009. DOI: 10.1186/17563305-2-S1-S2
PANAYOTOVA-PENCHEVA, et al. Dirofilaria immitis infection in carnivores from Bulgaria:
2012-2013 update. Bulgarian Journal of Veterinary Medicine. 2015 Online first.
10.15547/bjvm.918.
PARANESE, R. et al. Comparison of diagnostic tools for the detection of Dirofiliria immitis
infection in dogs. Pathogens, v. 9, 2020. DOI: 10.3390/patógenos9060499
PASTRAV, I. R. et al. Peripheral venous vs. capillary microfilariaemia in a dog co-infected
with Dirofilaria repens and D. immitis: a comparative approach using triatomine bugs for blood
collection. Vet. Parasitol., v. 257, 2018. DOI: 10.1016/j.vetpar.2018.05.017
PRICHARD, R. K. et al. Macrocyclic lactone resistance in Dirofilaria immitis: risks for
prevention of heartworm disease. Int J Parasitol. v. 51, n. 13-14, 2021.
DOI: 10.1016/j.ijpara.2021.08.006
RAMOS, R. A. N. et al. Filarioids infection dogs in northeastern Brazil. Vet. Parasitol., v. 226,
2016. DOI: 10.1016/j.vetpar.2016.06.025
RANJBAR-BA, S. et al. Evaluation of Different Methods for Diagnosis of Dirofilaria immitis.
Pakistan Journal of Biological Sciences, v. 10, n 11, 2007. DOI: 10.3923/pjbs.2007.1938.1940
REIFUR, L. et al. Epidemiological aspects of filariosis in dogs on the coast of Parana state,
Brazil: with emphasis on Dirofilaria immitis. Veterinary Parasitology, v. 122, n. 4, 2004.
DOI: 10.1016/j.vetpar.2004.05.017
RINALDI, L. et al. Mapping and modeling Dirofilaria infections in Europe. Parasites and
Vectors, v. 7, n. S1, 2014. DOI: 10.1186/1756-3305-7-S1-O2

40

RISHNIW, M. et al. Discrimination between six species of canine microfilariae by a single
polymerase chain reaction. Vet. Parasitol., v. 135, 2006. DOI: 10.1016/j.vetpar.2005.10.013
RIVIERE, J. E., PAPICH, M. G. Adams Booth - Farmacologia e Terapêutica Veterinária.
Grupo GEN, 2021. E-book. ISBN 9788527738309.
ROSA, A. et al. Prevalence of canine dirofilariosis in the City of Buenos Aires and its outskirts
(Argentina). Veterinary Parasitology, v. 109, n. 3-4, 2002. DOI: 10.1016/s03044017(02)00286-8
SANG-EUN, L. et al. Molecular survey of Dirofilaria immitis and Dirofilaria repens by direct
PCR for wild caught mosquitoes in the Republic of Korea. Vet. Parasitol., v. 148, n. 1, 2007.
DOI: 10.1016/j.vetpar.2007.04.015
SERRÃO, M. L. et al. Vectorial competence of Aedes aegypti (Linnaeus 1762) Rio de Janeiro
strain, to Dirofilaria immitis (Leidy 1856). Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, v. 96, n. 5,
2001. https://doi.org/10.1590/S0074-02762001000500001
SILVA, A. M. A., et al. Dirofilariose canina no município de Coari, Amazonas, Brasil.
Archives of Veterinary Science, v. 13, n. 2, 2008. https://doi.org/10.5380/avs.v13i2.11613
SIMÓN F., et al. Human and animal dirofilariasis: the emergence of a zoonotic mosaic. Clin
Microbiol Rev., v. 25, n. 3, 2012. DOI: 10.1128/CMR.00012-12
SIQUEIRA-BATISTA, R. Parasitologia - Fundamentos e Prática Clínica. Grupo GEN –
Guanabara Koogan. Rio de Janeiro – RJ, 2020. E-book. ISBN 9788527736473.
SOARES, L. et al. Parasitological, serological and molecular diagnosis of Dirofilaria immitis
in dogs in Northeastern Brazil. Experimental Parasitology, v. 236-237, 2022.
https://doi.org/10.1016/j.exppara.2022.108233
SOUZA, N. F., LARSSON, M. H. M. A. et al. Frequência de dirofilariose canina (D. immitis)
em algumas regiões do Estado de São Paulo por meio da detecção de antígenos circulantes.
Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. v.53, n. 3, 2001. https://doi.org/10.1590/S010209352001000300009
SOUZA, N. F. B., et al. Prevalência de Dirofilaria immitis em cães no município de BelémPA, com base na microfilaremia. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, v. 6, n. 1,
1997.
TAYLOR, M. A., et al. Parasitologia Veterinária, 4ª edição. Grupo GEN – Guanabara
Koogan. Rio de Janeiro – RJ, 2017.
TODD, K. S.; HOWLAND, T. P. Transplacental transmission of Dirofilaria immitis
microfilariae in the dog. The Journal of Parasitology, v. 69, n. 2, 1983.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/6854475/

41

TRANCOSO, T. A. L., et al. Detection of Dirofilaria immitis using microscopic, serological
and molecular techniques among dogs in Cabo Frio, RJ, Brazil. Rev Bras Parasitol Vet. v. 29,
n. 1, 2020. DOI: 10.1590/S1984-29612020009
TRAVERSA D., et al. First case of macrocyclic lactone-resistant Dirofilaria immitis in Europe
- Cause for concern. Int J Parasitol Drugs Drug Resist., v. 25, 2024.
DOI: 10.1016/j.ijpddr.2024.100549
VEGNI TALLURI, M.; CANCRINI, G. An ultrastructural study on the early cellular response
to Dirofilaria immitis (Nematoda) in the Malpighian tubules of Aedes aegypti (refractory
strains). Parasite, v. 1, n. 4, 1994. DOI: 10.1051/parasita/1994014343
VERGNAUD, M. Étude de la prévalence de la dirofilariose cardiopulmonaire chez le Chien en
Nouvelle-Calédonie.
Médecine
vétérinaire
et
santé
animale,
2023.
https://dumas.ccsd.cnrs.fr/dumas-04309289v1
VEZZANI, D. et al. Epidemiology of canine heartworm in its southern distribution limit in
South America: Risk factors, inter-annual trend and spatial patterns. Veterinary Parasitology,
v. 176, n. 2-3, 2011. DOI: 10.1016/j.vetpar.2010.10.046
WANG, D. et al. Factors influencing U.S. canine heartworm (Dirofilaria immitis) prevalence.
Parasite and Vectors, v. 7, 2014. DOI: 10.1186/1756-3305-7-264
WILLI, L. M. V. LABARTHE, N. V, et al. Polimorfismos da glicoproteína-P (P-gp) e da βtubulina (β-Tub)podem ser usados como marcadores genéticos de resistência em Dirofilaria
immitis do Rio de Janeiro, Brasil? BMC Res Notes, v. 11, n. 152, 2018. DOI: 10.1186/s13104018-3259-z
WILLI, L. et al. Dirofilaria immitis em paisagens distintas no estado do Rio de Janeiro. In:
XVII Congresso Brasileiro De Parasitologia Veterinária, 2012.

42

ANÁLISE DOS MARCADORES DE RESISTÊNCIA ÀS LACTONAS MACROCÍCLICAS
- GLICOPROTEÍNA-P (P-GP) e β-tubulina (β-Tub)- EM AMOSTRAS DE SANGUE DE
CÃES DO ESTADO DE ALAGOAS INFECTADOS COM Dirofilaria immitis
Eduarda Viana Mafra Cardoso¹, Camila Rose Bezerra de Lima¹, Jean Phellipe Marques3, Ranna
Letícia Santos de Barros¹, Clarício Alvim Bugarim Neto¹, Patrícia Karla de Luna Magalhães¹,
Fernanda Danielle Maria Gonçalves2, Flávia Silva Damasceno¹, Abelardo Silva-Júnior¹,
Wagnner José Nascimento Porto¹
¹ Programa de Pós-graduação em Ciência Animal – PPGCA, Universidade Federal de Alagoas
– UFAL
2
Médica Veterinária Autônoma
3
LACEN/AL - Laboratório Central de Saúde Pública de Alagoas
RESUMO
A dirofilariose, causada pelo nematódeo Dirofilaria immitis e popularmente conhecida como
"verme do coração", é uma zoonose de relevância para a abordagem de Uma Só Saúde,
acometendo principalmente cães (Canis lupus familiaris), além de gatos e seres humanos.
Desde 2003, observa-se um aumento da infecção em cães no Brasil e, mais recentemente,
relatos de resistência às lactonas macrocíclicas (LMs), utilizadas na profilaxia e tratamento da
infecção. Este estudo teve como objetivo investigar a presença de polimorfismos nos genes da
glicoproteína-P (P-gp) e da β-tubulina (β-Tub), associados à resistência às LMs, em amostras
de D. immitis provenientes do estado de Alagoas. Foram analisadas 39 amostras sanguíneas
previamente testadas por métodos parasitológicos e/ou imunológicos, oriundas de diferentes
municípios e cedidas por laboratórios clínicos. Após a triagem pela técnica de Knott
modificada, procedeu-se à extração de DNA e à amplificação por PCR convencional utilizando
primers específicos. Das 39 amostras, 22 apresentaram amplificação para pelo menos um dos
genes-alvo, sendo 11 positivas para ambos. Em etapa posterior, utilizando Nested-PCR, 12
amostras amplificaram para o gene da glicoproteína-P (P-gp) e nenhuma para o gene da βtubulina (β-Tub). As 12 amostras foram enviadas para sequenciamento por Sanger. Três
amostras sequenciadas apresentaram qualidade adequada para análise da posição 11, um dos
loci associados à resistência. No entanto, não foram identificados polimorfismos nessa posição.
As três amostras eram oriundas da região metropolitana de Maceió. Assim, até o momento, não
há evidências da circulação de cepas com mutações associadas à resistência às lactonas
macrocíclicas no estado de Alagoas.
Palavras-chave: Dirofilariose, Polimorfismo genético, Resistência antiparasitária.

43

ABSTRACT
Dirofilariasis, caused by the nematode Dirofilaria immitis and popularly known as
"heartworm," is a zoonosis relevant to the One Health approach, primarily affecting dogs (Canis
lupus familiaris), as well as cats and humans. Since 2003, there has been an increase in infection
in dogs in Brazil, and more recently, reports of resistance to macrocyclic lactones (MLs), used
for prophylaxis and treatment of the infection. This study aimed to investigate the presence of
polymorphisms in the P-glycoprotein and β-tubulin genes associated with ML resistance in D.
immitis samples from the state of Alagoas. Thirty-nine blood samples previously tested by
parasitological and/or immunological methods, originating from different municipalities and
provided by clinical laboratories, were analyzed. After screening using the modified Knott
technique, DNA extraction and conventional PCR amplification were performed using specific
primers. Of the 39 samples, 22 showed amplification for at least one of the target genes, with
11 positive for both. In a subsequent step, using nested PCR, 12 samples amplified the Pglycoprotein gene and none for the β-tubulin gene. All 12 samples were sent for sequencing by
Sanger. Three sequenced samples presented adequate quality for analysis of position 11, one of
the loci associated with resistance. However, no polymorphisms were identified at this position.
All three samples originated from the metropolitan region of Maceió. Therefore, to date, there
is no evidence of the circulation of strains with mutations associated with resistance to
macrocyclic lactones in the state of Alagoas.
Keywords: Dirofilariosis, Genetic polymorphism, Antiparasitic resistance

44

INTRODUÇÃO
A dirofilariose, causada pelo nematódeo Dirofilaria immitis, é uma parasitose de
significativa relevância global, afetando principalmente cães, mas também gatos, furões e,
raramente, humanos (Dantas-Torres et al., 2020). Transmitida por mosquitos culicídeos (Aedes
sp., Culex sp., Anopheles sp.), sua prevalência é maior em regiões de clima tropical e subtropical
devido às condições ambientais favoráveis ao vetor e à presença de hospedeiros definitivos
(Silva & Langoni, 2009; Holanda et al., 2020; Leão Filho et al., 2024). Em canídeos, a infecção
pode variar de subclínica a quadros graves, com parasitos adultos localizados nas artérias
pulmonares, causando sinais como tosse crônica, dispneia, intolerância ao exercício e, em casos
avançados, insuficiência cardíaca direita (Ames et al., 2020).
O diagnóstico da dirofilariose baseia-se frequentemente, na detecção de microfilárias
(por exemplo, pelo teste de Knott modificado) e na pesquisa de antígenos de parasitos adultos
(testes imunocromatográficos/enzimáticos). Atualmente, a biologia molecular, como a Reação
em Cadeia da Polimerase (PCR), tem se tornado uma ferramenta essencial, aumentando a
sensibilidade e precisão diagnóstica, sendo crucial para identificar infecções ocultas e
diferenciar espécies (Favia et al., 1997). O controle e tratamento são historicamente centrados
nas lactonas macrocíclicas (LMs), eficazes na eliminação de microfilárias e na prevenção da
infecção (McCall et al., 2008; American Heartworm Society, 2024).
No entanto, o surgimento de cepas de D. immitis resistentes às LMs representa um
desafio crescente e de grande preocupação para a eficácia profilática, impactando globalmente,
o controle da doença (Savadelis, 2022). Estudos indicam que essa resistência está associada a
mutações em genes como os da glicoproteína-P (P-gp) (P-gp) e β-tubulina (β-Tub)(Prichard et
al., 2021). Diante da relevância da dirofilariose e da crescente preocupação com a resistência
parasitária às LMs, é fundamental aprofundar o conhecimento sobre a possível existência de
cepas resistentes às LMs, especialmente em áreas onde dados moleculares são escassos. Assim,
objetivou-se com este estudo analisar a presença de polimorfismos nos genes glicoproteína-P
(P-gp) e β-tubulina (β-Tub) como possíveis marcadores de resistência às LMs em amostras de
D. immitis circulantes no estado de Alagoas. A relevância deste trabalho se destaca por ser o
primeiro a examinar amostras de D. immitis de Alagoas por PCR e sequenciamento para análise
desses genes marcadores de resistência, gerando informações inéditas e essenciais para futuras
pesquisas sobre novas formas de tratamento e prevenção da dirofilariose na região.

45

MATERIAL E MÉTODOS
Aspectos Éticos e Legais para Obtenção das Amostras
As 39 amostras analisadas neste estudo foram cedidas por laboratórios particulares de
análises clínicas veterinárias do estado de Alagoas, provenientes de pacientes atendidos por
essas instituições, em tubos com anticoagulante, refrigerados em caixas térmicas, para análise
no laboratório de Parasitologia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Os pesquisadores
receberam as amostras exclusivamente para fins de processamento laboratorial, sem qualquer
envolvimento na coleta.
De acordo com o item 6.1.10 da Resolução Normativa nº 55, de 05 de outubro de 2022,
que institui a Diretriz Brasileira para o Cuidado e a Utilização de Animais em Atividades de
Ensino ou de Pesquisa Científica (DBCA),quando o material biológico não for proveniente
diretamente de atividades de ensino ou pesquisa, como nos casos de sobras de amostras
biológicas obtidas durante procedimentos clínicos ou cirurgias eletivas realizadas com
finalidade terapêutica, os responsáveis pela atividade devem seguir as diretrizes éticas e legais
pertinentes, mas sem necessidade de autorização da CEUA.
Área de Estudo e Amostragem
Este estudo foi conduzido com amostras sanguíneas provenientes de cães naturalmente
infectados por D. immitis. As amostras, provenientes de diversos municípios do estado de
Alagoas, Nordeste do Brasil, foram cedidas por um laboratório de análises clínicas veterinárias.
Foram recebidas 39 amostras de sangue total de cães previamente diagnosticados como
microfilarêmicos, distribuídas da seguinte forma: 8 de Maragogi, 3 de Porto de Pedras, 1 de
Paripueira, 12 de Maceió, 3 de Marechal Deodoro, 10 de Coruripe, 1 de Palmeira dos Índios e
1 de Boca da Mata. As amostras foram selecionadas por conveniência e disponibilidade do
laboratório particular colaborador, conforme ilustrado na Figura 1.

46

Figura 1. Porcentagem de cães infectados com Dirofilaria immitis em cada município e a localização
geográfica deles dentro do estado de Alagoas.

Fonte: Arquivo pessoal

Triagem e Confirmação da Presença de Microfilárias (Técnica de Knott Modificado)
Para a triagem e confirmação da presença de microfilárias nas amostras cedidas,
empregou-se a Técnica de Knott Modificado, um método de concentração de microfilárias. Esta
técnica é reconhecida por sua sensibilidade na recuperação e exame microscópico de
microfilárias, sendo a versão modificada (onde houve a substituição de formol por água
destilada) preferida em muitos laboratórios por facilitar a observação e, consequentemente, a
identificação da espécie (Grieve et al., 1983; Newton; Wright, 1956). Além de ser de custo mais
acessível que métodos baseados em detecção de antígenos, a pesquisa de microfilárias constitui
um dos mais simples e eficazes testes de triagem no diagnóstico da dirofilariose canina (Rizzo
et al., 1986; Newland, 1991).
Para cada amostra, foram preparadas lâminas em duplicata, as quais foram lidas
integralmente sob lente objetiva de 10x e, para confirmação morfológica e contagem das
microfilárias, sob 40x. A leitura foi realizada à medida que as amostras foram recebidas e
processadas. A presença de microfilárias foi confirmada em todas as 39 amostras cedidas.

47

Biologia Molecular
Extração de DNA
Após a triagem e confirmação da presença de microfilárias em todas as 39 amostras de
sangue, o DNA genômico foi extraído para as análises moleculares subsequentes, que incluíram
a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) convencional e o sequenciamento por Sanger.
A extração do DNA das amostras de sangue foi realizada utilizando o kit comercial
EasyPure Blood Genomic DNA Kit, seguindo rigorosamente as recomendações do fabricante
para garantir a qualidade e pureza do material genético (Green & Sambrook, 2012). Este kit é
amplamente reconhecido por sua eficácia na obtenção de DNA de alta qualidade a partir de
amostras sanguíneas, minimizando a contaminação por inibidores da PCR (Sambrook; Russell,
2001).
Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) Convencional
Todas as 39 amostras de DNA genômico com presença de microfilárias foram
submetidas à reação em cadeia da polimerase (PCR) convencional, com o objetivo de amplificar
regiões específicas dos genes da Glicoproteína-P (P-gp) (P-gp) e da 𝛃-tubulina.
Para isso, foram utilizados primers previamente desenvolvidos e otimizados para a
detecção de D. immitis e a análise desses marcadores de resistência (Bourguinat et al., 2011)
utilizando-se primers específicos, conforme quadro a seguir.
Figura 2 - Quadro dos primers específicos para do gene da glicoproteína-P (P-gp) (P-gp) e do gene
da ß-tubulina (Tub) de Dirofilaria immitis
Gene
Nome
do
Sequência do primer de 5’ para 3’
primer
Glicoproteína-P
PGP_F
GGACAATTATCCGGTCA*
(P-gp)
PGP_R
TCGCAAATTTCCTCCCACTT*
PGP_R2
CTCTTGATGTGTTCCCTGCT**
TUB1_F
TCAAGCTGGTCAGTGTGGC*
TUB1_R
CGTTATAGTAGACATTGATTCG*
TUB7_F
ATGTGATCCACGTCATGGCC*
TUB7_R
CATGTTGTATTTATTCCTCTTGC*
TUB7a_F2
TGCTGAGCTACTCAACAGG**
TUB7a_R2
GAATGTTGCGCTCATCTTCA**
Fonte: Adaptado de *Bourguinat, C, et al., 2011, **Willi, L. M. V, et al, 2018.

𝛃-tubulina

48

Amplificação do Gene da Glicoproteína-P (P-gp)
Para a amplificação do gene da P-gp, utilizou-se um protocolo de Semi-nested-PCR,
com duas etapas sequenciais de amplificação para aumentar a sensibilidade e especificidade.
Primeira PCR: Cada reação continha 12,5 µL de GoTaq® Green MasterMix (Promega),
1 µL de cada primer (P-gp-F e P-gp-R) na concentração de 10 µM, 5,5 µL de água livre de
nucleases e 5 µL da amostra de DNA genômico.
Segunda PCR: Foram utilizados 12,5 µL de GoTaq® Green MasterMix (Promega), 1
µL de cada primer (P-gp-F e P-gp-R2) na concentração de 10 µM, 5,5 µL de água livre de
nucleases e 5 µL da amostra de DNA genômico.
A amplificação do gene da P-gp foi realizada em um termociclador, sob as seguintes
condições: desnaturação inicial a 94 ºC por 3 minutos, seguida de 35 ciclos de desnaturação a
94 ºC por 45 segundos, anelamento a 56 ºC por 45 segundos, extensão a 68 ºC por 2 minutos, e
uma extensão final a 68 ºC por 5 minutos. O fragmento esperado para a amplificação do gene
da P-gp foi de aproximadamente 623 pares de bases.
Amplificação do Gene da β-tubulina (β-Tub)
Para a amplificação do gene da β-tubulina (β-Tub), também foi empregado um
protocolo de Semi-nested-PCR, com duas etapas:
Primeira PCR: As reações foram compostas por 12,5 µL de GoTaq® Green MasterMix
(Promega), 1 µL de cada primer (TUB1-F e TUB1-R) na concentração de 10 µM, 5,5 µL de
água livre de nucleases e 5 µL da amostra de DNA genômico.
Segunda PCR: Cada reação continha 12,5 µL de GoTaq® Green MasterMix (Promega),
1 µL de cada primer (TUB7-F e TUB7-R) na concentração de 10 µM, 5,5 µL de água livre de
nucleases e 5 µL de DNA genômico.
A amplificação do gene da β-tubulina (β-Tub)foi realizada em um termociclador, com
desnaturação inicial a 94 ºC por 3 minutos, seguida de 35 ciclos de desnaturação a 94 ºC por 45
segundos, anelamento a 58 ºC por 45 segundos, extensão a 72 ºC por 2 minutos, e uma extensão
final a 72 ºC por 5 minutos. Os fragmentos esperados para a amplificação do gene da β-tubulina
(β-Tub)variaram entre 692 e 832 pares de bases.
Eletroforese em Gel de Agarose
Para a confirmação da amplificação dos genes-alvo (P-gp e β-Tub), os produtos das
reações de PCR foram submetidos à eletroforese em gel de agarose 2%, com tampão de corrida
TBE 1 X (pH 8,3), e 5uL do corante fluorescente SYBR™ Safe DNA Gel Stain (Thermo Fisher

49

Scientific). Utilizou-se 10uL de marcador de peso molecular de 100 pares de bases (Ladder
100) e 10uL de amostra em cada poço em cuba eletroforética a 100V/30min, com 623pb
esperados para amplificação da P-gp, e 692 e 832 pb, para β-tubulina (β-Tub).
Após cada reação, os produtos foram visualizados e fotografados em um
transiluminador ultravioleta. A visualização de um fragmento de tamanho esperado confirmou
a presença da amplificação do gene alvo nas amostras.
Amplificação dos fragmentos para sequenciamento
Para a obtenção dos fragmentos de DNA destinados ao sequenciamento por Sanger, os
produtos das reações de PCR (Nested-PCR) dos genes da Glicoproteína-P (P-gp) e β-tubulina
(β-Tub) foram utilizados como molde em uma nova amplificação por PCR convencional. Essa
etapa visou garantir a pureza e a quantidade ideais de fragmento para o sequenciamento.
Figura 03: Primers usados para amplificação e sequenciamento do gene da glicoproteína-P (P-gp)
(P-gp) e do gene da ß-tubulina (Tub) de Dirofilaria immitis, respectivamente.
Gene

GlicoproteínaP (P-gp)

𝛃-tubulina

Posição
no gene

Primer
usado
amplificação

Primer
usado
sequenciamento

618

PGP_F/PGP_R

PGP_F

561

TUB1_F/TUB1_R

TUB1_R

11

PGP_F/PGP_R2

TUB7_F/TUB7_R
TUB7a_F2/
TUB7a_R2
Fonte: Adaptado de Willi, L. M. V, et al, 2018.
2755

PGP_R2

TUB7_F
TUB7a_F2

Cada reação de PCR foi preparada em um volume final de 25 µL, contendo 12,5 µL de
GoTaq® Green Master Mix 2X (Promega Corporation, Madison, EUA), 1 µL de cada primer
específico, nas combinações, a) para o gene da glicoproteína-P (P-gp): P-gp-F e P-gp-R2 e para
o gene da β-tubulina (β-Tub): TUB7-F/TUB7a-F2, TUB7-F/TUB1-R, ou TUB7a-F2/TUB1-R
(Prichard et al., 2012; Bourguinat et al., 2011; Willi, et al, 2018), 5 µL de DNA genômico (o
produto da PCR interna) e 5,5 µL de água ultrapura livre de nucleases.
As condições de amplificação termocíclicas para essa PCR de preparo de
sequenciamento seguiram o mesmo protocolo utilizado nas PCRs anteriores para cada gene.

50

Purificação dos Produtos de PCR para Sequenciamento
Para a obtenção dos fragmentos de DNA destinados ao sequenciamento por Sanger, os
produtos amplificados das reações de PCR (Nested-PCR) dos genes da Glicoproteína-P (P-gp)
e β-tubulina (β-Tub) foram excisos do gel de agarose com lâmina estéril e purificados com a
utilização do kit ReliaPrep™ DNA Clean-Up and Concentration System (Promega) seguindo
as recomendações do fabricante. Essa etapa visou garantir a pureza e as quantidades ideais de
material para o sequenciamento genético.
Quantificação dos Produtos de PCR Purificados
Após a purificação com o kit ReliaPrep™ DNA Clean-Up and Concentration System, a
concentração dos fragmentos de DNA amplificados foi determinada para garantir a quantidade
e a qualidade ideais para as etapas subsequentes de sequenciamento.
A quantificação foi realizada utilizando o sistema fluorométrico Qubit (Invitrogen,
Thermo Fisher Scientific), empregando o kit Qubit dsDNA HS Assay Kit (High Sensitivity).
Para cada amostra, uma alíquota do produto de PCR purificado foi adicionada à solução de
trabalho do kit, que contém um fluorocromo que se liga especificamente ao DNA de fita dupla.
A leitura da concentração em nanogramas por microlitro (ng/µL) foi efetuada utilizando o
fluorímetro Qubit, conforme as recomendações do fabricante (Invitrogen/Thermo Fisher
Scientific).
Sequenciamento e Análises de Bioinformática
Os fragmentos amplificados de cada amostra para os genes da P-gp foram enviados para
purificação e sequenciamento na empresa Macrogen Incorporation1.
As sequências obtidas foram analisadas utilizando o software Ugene (versão 52.1).
Inicialmente, os cromatogramas foram inspecionados visualmente para verificar a qualidade
das bases (Phred score 30), sendo descartadas regiões com sinais de baixa resolução. Em
seguida, as sequências foram alinhadas contra a sequência de referência correspondente
(GenBank HM596853) utilizando a ferramenta de alinhamento de sequências do Ugene, com
parâmetros padrão (Phred score = 30 e Percentual de Similaridade de Mapeamento de >= 80%).
Regiões com discrepâncias ou polimorfismos foram revisadas manualmente, e sequências
consenso foram geradas a partir das leituras forward e reverse.

1 Macrogen Inc.,1007 World Meridian Venture Center, #60-24, Gasan-dong, Geumchun-gu, Seoul, 153-781,

Korea.

51

Nos cromatogramas dos sequenciamentos dos genes da P-gp de cada amostra, foi
realizada a pesquisa dos polimorfismos pontuais (SNPs) nas posições 11 e 618 do gene parcial
da P-gp (Bourguinat et al, 2011c).
Por fim, as sequências editadas foram exportadas no formato Fasta.
RESULTADOS
As 39 amostras de sague canino recebidas pelos pesquisadores, passaram por
confirmação da presença de microfilárias através da Técnica de Knott modificado, confirmando
a presença de microfilárias em todas as amostras. Das 39 amostras submetidas às técnicas
moleculares, 11 amostras apresentaram resultado positivo simultaneamente para os genes da
glicoproteína-P (P-gp) e da β-tubulina (β-Tub), enquanto outras 11 amostras apresentaram
amplificação apenas para um dos dois genes, seja P-gp ou β-Tub. Assim, um total de 22
amostras obteve amplificação para pelo menos um dos marcadores-alvo. No entanto, das 22
amostras submetidas à purificação, obteve-se 12 amostras com qualidade adequada o envio ao
sequenciamento por Sanger.
Figura 4 - Amplificação de um fragmento do gene da glicoproteína P (623pb) em
amostras do estudo - Gel de agarose (2%) de amostras amplificadas pela reação
em cadeia pela polimerase. Peso molecular (PM) – ladder 100.

Fonte: Arquivo pessoal

52

Figura 5 - Amplificação de fragmento do gene da ß-tubulina (832pb) em amostras do
estudo - Gel de agarose (2%) de amostras amplificadas pela reação em cadeia pela
polimerase. Peso molecular (PM) – ladder 100.

Fonte: Mafra, et al., 2025.

Das 12 amostras de DNA amplificadas e sequenciadas para seguimento parcial do gene
da P-gp, a observação da posição 11 foi possível em 3 amostras (Figura 6), e não foi possível a
observação na posição na posição 618. Nos cromatogramas destas amostras não foi observada
presença de polimorfismos pontuais (SNPs). Devido à baixa qualidade dos picos nas posições
11 e 618, respectivamente, as demais amostras não foram analisadas.
Figura 6 - Cromatogramas obtidos pelos sequenciamentos das amostras dos pools de microfilárias
de Dirofilaria immitis sequenciadas para o gene parcial da glicoproteína-P (P-gp) com marcação da
posição
11.

Fonte: Arquivo pessoal.

53

Ressalte-se que as sequências acima relacionadas são referentes às amostras de números
174 e 175. Ambas as sequências apresentaram boa qualidade, o que pode ser notado pelos picos
dos cromatogramas, altos e bem definidos.
As amostras sequenciadas com bons resultados são de cães provenientes da região
metropolitana de Maceió, sendo 1 cão de Paripueira, outro de Maceió e o último de Marechal
Deodoro.
DISCUSSÃO
Os resultados obtidos neste estudo, conduzido de forma inédita no estado de Alagoas,
revelaram a ausência de polimorfismos no loci 11 do gene da P-gp em três amostras de boa
qualidade de D. immitis provenientes da região metropolitana de Maceió. Embora o número de
sequências válidas seja limitado, esse achado é consistente com estudos prévios que sugerem
que tal mutação não está amplamente distribuída em todas as populações do parasito
(Bourguinat et al., 2011b; Willi, 2016). A ausência de mutações detectáveis reforça a hipótese
de que, até o momento, não há evidências robustas da circulação de cepas resistentes às LMs
em cães do estado de Alagoas.
É importante destacar que, dos 39 cães analisados, mais da metade apresentou
amplificação em pelo menos um dos genes-alvo, e 12 amostras foram submetidas ao
sequenciamento para o gene da P-gp. Esse desempenho está dentro do esperado em estudos
com helmintos filarídeos, nos quais fatores como a baixa parasitemia, a degradação do DNA
durante o transporte e o armazenamento, além de variações na composição genética entre
isolados geográficos, impactam diretamente o sucesso da amplificação e a qualidade do
sequenciamento (Simón et al., 2012; Laidoudi et al., 2020). Esses obstáculos não devem ser
interpretados como falhas metodológicas, mas como reflexos das dificuldades inerentes à
biologia molecular aplicada a parasitos com genoma complexo, reforçando a necessidade de
padronização e otimização contínua das técnicas empregadas.
Outro aspecto relevante refere-se à diversidade genética de D. immitis no Brasil. Estudos
recentes demonstraram a existência de haplótipos regionais distintos em genes mitocondriais e
ribossomais (Laidoudi et al., 2022), o que pode explicar diferenças na performance de primers
desenhados com base em populações de outros continentes. Essa variabilidade genética reforça
a importância de estudos locais como o presente, uma vez que a extrapolação de dados obtidos
em outras regiões pode não refletir a realidade epidemiológica brasileira.

54

O fato de três amostras sequenciadas com sucesso serem oriundas de municípios
costeiros da região metropolitana de Maceió (Paripueira, Maceió e Marechal Deodoro) é
particularmente relevante, considerando que áreas litorâneas apresentam condições ambientais
altamente favoráveis à manutenção do ciclo vetorial e, portanto, ao risco aumentado de
disseminação da dirofilariose (Holanda et al., 2020). A ausência de mutações detectáveis nessas
áreas endêmicas contribui com informações estratégicas para a vigilância epidemiológica no
estado.
A resistência às lactonas macrocíclicas (LMs) em D. immitis constitui uma preocupação
crescente na medicina veterinária e na saúde pública, pois compromete a eficácia da principal
estratégia terapêutica e profilática contra a dirofilariose canina. Desde os primeiros relatos nos
Estados Unidos, sobretudo na região do Delta do Mississippi, a atenção da comunidade
científica voltou-se para a investigação de polimorfismos genéticos que possam atuar como
marcadores moleculares de resistência (Bourguinat et al., 2011; Willi et al., 2018). Entre os
genes mais estudados, destacam-se a glicoproteína-P (P-gp) e a β-tubulina (β-Tub), cujas
mutações já foram associadas a fenótipos de menor suscetibilidade às LMs em diferentes
espécies de nematódeos (Xu et al., 1998; Eng & Prichard, 2005; Geary et al., 2011).
Ainda que não tenham sido detectados polimorfismos nos loci investigados, a
contribuição deste estudo é significativa, pois trata-se do primeiro levantamento molecular
sobre resistência às LMs em D. immitis no estado de Alagoas. Esse resultado representa um
ponto de partida para a construção de uma base de dados genéticos regional, capaz de subsidiar
futuras pesquisas com maior número de amostras, abrangência geográfica ampliada e inclusão
de outros marcadores moleculares.
Do ponto de vista prático, a ausência de evidências de resistência em Alagoas indica
que, até o momento, as lactonas macrocíclicas permanecem eficazes como ferramenta de
profilaxia e controle da dirofilariose canina na região. No entanto, é imperativo manter o
monitoramento molecular contínuo, uma vez que a pressão seletiva imposta pelo uso extensivo
desses fármacos pode favorecer o surgimento de cepas resistentes ao longo do tempo. Nesse
sentido, estudos como o presente contribuem não apenas para a medicina veterinária, mas
também para a abordagem integrada da Uma Só Saúde (One Health), visto que a dirofilariose
constitui uma zoonose com implicações diretas na saúde humana.
Em síntese, os achados reforçam a necessidade de vigilância genética sistemática da D.
immitis em diferentes regiões do Brasil, visando antecipar possíveis cenários de resistência e
garantir a sustentabilidade das medidas de prevenção atualmente disponíveis. Este trabalho

55

inaugura essa linha de investigação em Alagoas, oferecendo subsídios científicos para a
formulação de estratégias de controle mais eficientes e adaptadas à realidade local
CONCLUSÃO
O presente estudo representa o primeiro esforço sistematizado para investigar, sob a
perspectiva molecular, a presença de polimorfismos associados à resistência às lactonas
macrocíclicas em D. immitis no estado de Alagoas. A análise de amostras obtidas de cães
positivos revelou ausência de mutações no loci 11 do gene da glicoproteína-P (P-gp), indicando,
até o momento, a não detecção de cepas resistentes circulantes na região.
Apesar das limitações inerentes à biologia molecular aplicada a helmintos, como a
variabilidade genética entre isolados e a qualidade do DNA extraído, os resultados obtidos
possuem relevância científica e epidemiológica. Eles contribuem para a construção de uma base
de dados regional inédita, que poderá orientar futuros estudos com maior abrangência amostral,
inclusão de outros genes de interesse e padronização metodológica voltada à realidade genética
das populações brasileiras de D. immitis.
Do ponto de vista prático, a manutenção da eficácia das lactonas macrocíclicas em
Alagoas reforça a importância de programas de prevenção sistemática, ao mesmo tempo em
que evidencia a necessidade de vigilância molecular contínua para antecipar potenciais cenários
de resistência. Nesse sentido, este trabalho inaugura uma linha de investigação essencial para a
saúde animal e humana, integrando-se aos princípios da Uma Só Saúde (One Health) e
contribuindo para o fortalecimento das estratégias de controle da dirofilariose no estado e no
país.

56

REFERÊNCIAS
AMERICAN HEARTWORM SOCIETY. Guidelines for the diagnosis, prevention, and
management of heartworm Dirofilaria immitis infection in dogs, 2024.
AMES M. K, Atkins CE. Treatment of dogs with severe heartworm disease. Vet Parasitol., v.
283, 2020. DOI: 10.1016/j.vetpar.2020.109131
BLOM, M. P. K. Oportunidades e desafios para arquivos de tecidos de biodiversidade de alta
qualidade na era do sequenciamento de leitura longa. Mol Ecol, v. 30,
2021. https://doi.org/10.1111/mec.15909
BOURGUINAT, C. et al. P-glycoprotein-like protein, a possible genetic marker for
iparasitoctin resistance selection in Onchocerca volvulus. Molecular and Biochemical
Parasitology, v. 158, n. 2, 2008. DOI: 10.1016/j.molbiopara.2007.11.017
BOURGUINAT, C., et al. Macrocyclic lactone resistance in Dirofilaria immitis. Veterinary
Parasitology, v. 181, n. 2-4, 2011a. DOI: 10.1016/j.ijpara.2021.08.006
BOURGUINAT, C. et al. Correlation between loss of efficacy of macrocyclic lactone
heartworm anthelmintics and P-glycoprotein genotype. Veterinary Parasitology, v. 176, n. 4,
2011b. DOI: 10.1016/j.vetpar.2011.01.024
BOURGUINAT, C. et al. Genetic polymorphism in Dirofilaria immitis. Veterinary
Parasitology, v. 176, n. 4, 2011c. DOI: 10.1016/j.vetpar.2011.01.023
BOURGUINAT, C. et al. Macrocyclic lactone resistance in Dirofilaria immitis: Failure of
heartworm preventives and investigation of genetic markers for resistance. Veterinary
Parasitology, v. 210, n. 3-4, 2015. DOI: 10.1016/j.vetpar.2015.04.002
BOWMAN, D. D. Heartworms, macrocyclic lactones, and the specter of resistance to
prevention in the United States. Parasites and Vectors, v. 5, n., 2012.
https://doi.org/10.1186/1756-3305-5-138
BOWMAN, D. D.; ATKINS, C. E. Heartworm biology, treatment, and control. The Veterinary
Clinics of North American. Small Animal Practice, v. 39, n. 6, 2009.
DOI: 10.1016/j.cvsm.2009.06.003
BOWMAN, D. D. et al. Macrocyclic lactones and Dirofilaria immitis microfilariae. Topics in
Companion Animal Medicine, v. 26, n. 4, 2011. DOI: 10.1053/j.tcam.2011.07.001
BUS, M., ALLEN, M. Collecting and preserving biological samples from challenging
environments for DNA analysis. Biopreserv Biobank. v. 12, n. 1, 2014. DOI:
10.1089/bio.2013.0060
CANCRINI G. et al. Vectors of Dirofilaria nematodes: biology, behaviour and host/parasite
relationships.
Mappe
Parassitologiche,
v.
8,
2007.
https://www.cabidigitallibrary.org/doi/pdf/10.5555/20083097530

57

CHOCOBAR, M. L. E., et al. The Distribution, Diversity, and Control of Dirofilariosis in
Brazil: A Comprehensive Review. Animals (Basel), v. 24, n.14, 2024.
DOI: 10.3390/ani14172462.
CROSSLEY B. M., et al. Guidelines for Sanger sequencing and molecular assay monitoring. J
Vet Diagn Invest., v. 32, n 6, 2020. DOI: 10.1177/1040638720905833
DANTAS-TORRES F. et al. Overview on Dirofilaria immitis in the Americas, with notes on
other filarial worms infecting dogs. Veterinary Parasitology, v. 282, 2020.
DOI: 10.1016/j.vetpar.2020.109113
DANTAS-TORRES F. et al. Tratamento adulticida contra dirofilariose: uma perspectiva
tropical. Parasites & Vectors, v.16, 2023. https://doi.org/10.1186/s13071-023-05690-8
FAVIA, G. et al. Polymerase chain reaction-identification of Dirofilaria repens and Dirofilaria
immitis. Parasitology, v. 113, 1996. DOI: 10.1017/s0031182000067615
FERNANDES, C. G. N. et al. Aspectos epidemiológicos da dirofilariose canina no perímetro
urbano de Cuiabá, Mato Grosso: emprego do "Immunoblot" e do teste de Knott modificado.
Braz. J. Vet. Res. Anim. Sci., v. 37, n. 6, 2000. https://doi.org/10.1590/S141395962000000600009
GANDASEGUI, et al. Genome structure and population genomics of the canine heartworm
Dirofilaria immitis, 2023. DOI: 10.1101/2023.04.25.538225
GEARY, T. G. et al. Evidence for macrocyclic lactone anthelmintic resistance in Dirofilaria
immitis. Topics in Companion Animal Medicine, v. 26, n. 4, 2011.
DOI: 10.1053/j.tcam.2011.09.004
GENCHI, C. et al. Canine heartworm disease (Dirofilaria immitis) in Western Europe: survey
of veterinary awareness and perceptions. Parasites and Vectors, v. 7, p. 206. 2014.
DOI: 10.1186/1756-3305-7-206
GRIEVE, R. B. et al. Epidemiology of canine heartworm infection. Epidemiologic Reviews,
v.5, 1983. DOI: 10.1093/oxfordjournals.epirev.a036260
GRIEVE, R. B. et al. Canine Dirofilaria immitis infection in a hyperenzootic area: Examination
by parasitologic findings at necropsy and by two serodiagnostic methods. American Journal
Veterinary Research, v.47, n.2, 1986. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3954214/
HOLANDA. Dirofilaria immitis em cães: revisão de literatura. In: Victor Hugo Vieira
Rodrigues. (org.) Atualidades na saúde e bem-estar animal. Fortaleza: Editora In Vivo, 2020.
DOI: 10.47242/978-65-991243-2-7-72
KHANMOHAMMADI M. et al. Morphological Description, Phylogenetic and Molecular
Analysis of Dirofilaria immitis Isolated from Dogs in the Northwest of Iran. Iran J Parasitol.
v. 15, n. 1, 2020. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32489376/
KNOTT, J. W. A method for making microfilarial surveys on day blood. Transactions of the
Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene, v. 33, n. 2, 1939.

58

LABARTHE, N. V. et al. Updated canine infection rates for Dirofilaria immitis in areas of
Brazil previously identified as having a high incidence of heartworm-infected dogs. Parasite &
Vectors, v. 7, n. 493, 2014. https://doi.org/10.1186/s13071-014-0493-7
LAIDOUDI, Y., et al. Genetic and geographical delineation of zoonotic vector-borne helminths
of canids. Sci Rep., v. 24, n. 12, 2022. DOI: 10.1038/s41598-022-10553-w
LAIDOUDI, Y., et al. Detecção de filariose transmitida por vetores caninos e seus
endosimbiontes Wolbachia na Guiana Francesa. Microorganisms, v. 8, 2020.
https://doi.org/10.3390/microorganisms8050770
LEÃO FILHO, W. F. B. et al. Dirofilaria immitis in dogs from the coastal tourist region of the
state of Alagoas, Brazil. Braz J Vet Parasitol, v. 33, n. 3, 2024. https://doi.org/10.1590/S198429612024055
LEIDY, J. A New Species of Nematode Worm from the Heart of the Dog. Proceedings of the
Academy of Natural Sciences of Philadelphia, v. 8, 1856.
LITTLE, S. E. et al. Canine infection with Dirofilaria immitis, Borrelia burgdorferi,
Anaplasma spp., and Ehrlichia spp. in the United States, 2010-2012. Parasites and Vectors, v.
7, p. 257. 2014. DOI: 10.1186/s13071-020-04514-3
LITTLE, S. E. et al. Pre-treatment with heat facilitates detection of antigen of Dirofilaria
immitis in canine samples. Veterinary Parasitology, v. 203, n. 1- 2, 2014.
DOI: 10.1016/j.vetpar.2014.01.007
LOK, J. B. et al. Abnormal patterns of embryogenesis in Dirofilaria immitis treated with
iparasitoctin. Journal of Helminthology, v. 62, n. 3, 1988. DOI: 10.1017/s0022149x00011482
MANI, T et al. Interaction of macrocyclic lactones with a Dirofilaria immitis P-glycoprotein,
International
Journal
for
Parasitology,
v.
46,
n.
10,
2016.
https://doi.org/10.1016/j.ijpara.2016.04.004
McCALL. et al. Heartworm disease in animals and humans. Adv Parasitol. v. 66, 2008.
DOI: 10.1016/S0065-308X(08)00204-2
OLSEN, W. O. Animal Parasites: Their life cycles and ecology. Baltimore: University Park
Press, 1974.
OTRANTO, D. et al. Changing distribution patterns of canine vector borne diseases in Italy:
leishmaniosis vs. dirofilariosis. Parasites and Vectors, v. 2 Suppl 1, 2009. DOI: 10.1186/17563305-2-S1-S2
PRICHARD, R. K. et al. Macrocyclic lactone resistance in Dirofilaria immitis: risks for
prevention of heartworm disease. Int J Parasitol. v. 51, n. 13-14, 2021.
DOI: 10.1016/j.ijpara.2021.08.006
RAMOS, R. A. N. et al. Filarioids infection dogs in northeastern Brazil. Vet. Parasitol., v. 226,
2016. DOI: 10.1007/s11686-024-00834-x

59

REEVES, L. E., et al. Manutenção da integridade do DNA do hospedeiro em repastos de sangue
de mosquitos (Diptera: Culicidae) preservados em campo para identificação por código de
barras de DNA. Parasites Vectors, v. 9, n. 503, 2016. DOI: https://doi.org/10.1186/s13071016-1791-z
RHEE, J. K., et al. Periodicity exhibited by Dirofilaria immitis microfilariae identified in dogs
of Korea. Korean J Parasitol., v. 6, n. 4, 1998. DOI: 10.3347/kjp.1998.36.4.235
RIZZO, D.M.; WARE, W.A. Canine heartworm disease. Iowa State University Veterinarian,
v.51, n.2, 1989.
SAMBROOK, J e RUSSELL, D. W. Molecular Cloning: A Laboratory Manual. Cold Spring
Harbor Laboratory Press, 2012.
SILVA, R. C.; LANGONI, H. Dirofilariose: zoonose emergente negligenciada. Ciência Rural,
v. 39, 2009. https://doi.org/10.1590/S0103-84782009005000062
SIMÓN F. et al. Human and animal dirofilariasis: the emergence of a zoonotic mosaic. Clin
Microbiol Rev., v. 25, n. 3, 2012. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3416488/
TRANCOSO, T. A. L., et al. Detection of Dirofilaria immitis using microscopic, serological
and molecular techniques among dogs in Cabo Frio, RJ, Brazil. Rev Bras Parasitol Vet. v. 29,
n. 1, 2020. DOI: 10.1590/S1984-29612020009
WILLI, L. M. V. LABARTHE, N. V, et al. Polimorfismos da glicoproteína-P (P-gp) e da βtubulina (β-Tub)podem ser usados como marcadores genéticos de resistência em Dirofilaria
immitis do Rio de Janeiro, Brasil? BMC Res Notes, v. 11, n. 152, 2018. DOI: 10.1186/s13104018-3259-z
ZHU, X. J., et al. Guanine-rich sequences inhibit proofreading DNA polymerases. Sci Rep.,
v.28, 2016. DOI: 10.1038/srep28769
ZIZKA, V., et al. Long-term archival of environmental samples empowers biodiversity
monitoring and ecological research. Environmental Sciences Europe, v. 40, n. 34, 2022. DOI:
https://doi.org/10.1186/s12302-022-00618-y