Nairene Duarte Barbosa

Nova abordagem terapêutica para otites caninas: potencial do uso combinado de óleo essencial de Origanum vulgare e óleo de girassol ozonizado

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS - UFAL
CAMPUS DE ENGENHARIAS E CIÊNCIAS AGRÁRIAS - CECA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA ANIMAL - PPGCA

NAIRENE DUARTE BARBOSA

Nova abordagem terapêutica para otites caninas: potencial do uso combinado
de óleo essencial de Origanum vulgare e óleo de girassol ozonizado

Viçosa-AL
2025

Nairene Duarte Barbosa

Nova abordagem terapêutica para otites caninas: potencial do uso combinado
de óleo essencial de Origanum vulgare e óleo de girassol ozonizado

Dissertação
de
Mestrado
apresentada ao Programa de PósGraduação em Ciência Animal –
PPGCA como requisito parcial
para obtenção de grau de Mestre
em Ciência Animal.

Orientadora: Profª. Drª. Annelise
Castanha Barreto Tenório Nunes

Viçosa-AL
2025

3

FICHA CATALOGRÁFICA

Catalogação na fonte Universidade
Federal de Alagoas Biblioteca Polo Viçosa
Bibliotecário Responsável: Stefano João dos santos

D812n

Barbosa, Nairene Duarte
Nova abordagem terapêutica para otites caninas: potencialdo uso
combinado de óleo essencial de origanum vulgare e óleo de girassol
ozonizado/ Nairene Duarte Barbosa - 2025.
46f. ; il.
Dissertação (Mestrado em Ciência animal) Programa de pós – graduação em
ciência animal - PPGCA - Universidade Federal de Alagoas, Campus Ceca, Polo
Viçosa, 2025.
Orientação: Prof.ª . Dr.ª Annelise Castanha Barreto Tenório Nunes

Inclui bibliografia.

FOLHA DE APROVAÇÃO

Autora: Nairene Duarte Barbosa

Nova abordagem terapêutica para otites caninas: potencial do uso combinado
de óleo essencial de Origanum vulgare e óleo de girassol ozonizado

Dissertação submetida ao corpo
docente do Programa de PósGraduação em Ciência Animal
da Universidade Federal de
Alagoas e aprovada em 28 de
agosto de 2025

Prof.ª Dr.ª Annelise Castanha Barreto Tenório Nunes (Orientadora)
Universidade Federal de Alagoas

Banca Examinadora:

Prof.ªDr.ª Karla Patrícia Chaves da Silva (Examinadora interna)
Universidade Federal de Alagoas

Prof.ª Dr.ª Francisca Neide Costa (Examinadora externa)
Universidade Estadual do Maranhão
Viçosa-AL
2025

AGRADECIMENTOS

Primeiramente, agradeço a Deus, fonte de toda sabedoria, por iluminar meu caminho,
me dar forças nos momentos mais desafiadores e permitir que eu chegasse até aqui.
Sem a Sua presença, nada disso seria possível.
À minha família, pelo amor incondicional, paciência e incentivo em cada etapa dessa
jornada. Aos meus pais e ao meu irmão, por serem meu alicerce, acreditando em mim
mesmo quando as dificuldades pareciam intransponíveis. Vocês me ensinaram
valores que levarei por toda a vida.
Ao meu namorado, Carlos, pelo apoio, carinho, por toda ajuda e compreensão nos
momentos em que precisei abrir mão de tempo juntos para me dedicar a esta
pesquisa. Sua presença tornou essa caminhada mais leve e feliz.
Ao meu companheiro de quatro patas, Luke, por me lembrar todos os dias da
importância da Medicina Veterinária, por ter sido meu alicerce para fazer essa
pesquisa, sem você isso não seria possível, por ser uma fonte constante de alegria,
amor e motivação.
Á minha orientadora, Annelise, pela dedicação, paciência e confiança depositada em
mim. Seus ensinamentos foram fundamentais para meu crescimento acadêmico e
profissional. Sou grata por cada orientação, incentivo e palavra de apoio durante o
desenvolvimento deste trabalho.
Por fim, agradeço a todos que, de alguma forma, contribuíram para a concretização
desta dissertação. Cada gesto, palavra e apoio fizeram a diferença nesta conquista.

RESUMO
A otite externa é uma enfermidade comum em cães, caracterizada por inflamação e
infecção do conduto auditivo externo, podendo evoluir para quadros crônicos. A
doença é multifatorial, associada a fatores predisponentes, primários e perpetuantes,
incluindo doenças dermatológicas, características anatômicas, corpos estranhos e
infecções por bactérias (Pseudomonas sp., Proteus sp., Enterococcus sp.,
Streptococcus sp., Corynebacterium sp.) e fungos (Malassezia spp.). O tratamento
convencional com antibióticos e antifúngicos tem favorecido a resistência microbiana
e a recidiva, reforçando a necessidade de terapias alternativas. Nesse contexto,
destacam-se o óleo essencial de orégano (Origanum vulgare L.), rico em compostos
fenólicos como carvacrol e timol, com reconhecida ação antimicrobiana, e o óleo de
girassol ozonizado, com propriedades bactericidas, fungicidas e regeneradoras. Este
estudo avaliou a eficácia do óleo de girassol ozonizado, isolado e associado ao óleo
essencial de orégano, no tratamento da otite externa canina. Foram incluídos 30 cães,
distribuídos em três grupos: Grupo A (óleo de girassol ozonizado), Grupo B (óleo de
girassol ozonizado + óleo essencial de orégano 3%) e Grupo C (óleo de girassol
ozonizado + óleo essencial de orégano 5%). O tratamento foi realizado por 15 dias,
com avaliações clínicas e citológicas nos dias 0, 5, 10 e 15. O tratamento do Grupo B
apresentou maior eficácia, com redução significativa de Malassezia spp., bactérias e
inflamação em comparação aos demais grupos. Conclui-se que a associação do óleo
de girassol ozonizado ao óleo essencial de orégano a 3% representa uma alternativa
terapêutica promissora para o manejo da otite externa em cães, promovendo melhora
clínica e citológica com baixo risco de efeitos adversos.

Palavras - chave: Otite externa, Óleo essencial, Orégano, Ozônio, Cães, Fitoterapia

ABSTRACT

Otitis externa is a common condition in dogs, characterized by inflammation and
infection of the external auditory canal, which can progress to chronic conditions. The
disease is multifactorial, associated with predisposing, primary, and perpetuating
factors, including dermatological diseases, anatomical characteristics, foreign bodies,
and infections by bacteria (Pseudomonas sp., Proteus sp., Enterococcus sp.,
Streptococcus sp., Corynebacterium sp.) and fungi (Malassezia spp.). Conventional
treatment with antibiotics and antifungals has favored microbial resistance and
recurrence, reinforcing the need for alternative therapies. In this context, oregano
essential oil (Origanum vulgare L.), rich in phenolic compounds such as carvacrol and
thymol, with recognized antimicrobial action, and ozonated sunflower oil, with
bactericidal, fungicidal, and regenerative properties, stand out. This study evaluated
the efficacy of ozonated sunflower oil, isolated and combined with oregano essential
oil, in the treatment of canine otitis externa. Thirty dogs were included, distributed into
three groups: Group A (ozonated sunflower oil), Group B (ozonated sunflower oil + 3%
oregano essential oil), and Group C (ozonated sunflower oil + 5% oregano essential
oil). Treatment was performed for 15 days, with clinical and cytological evaluations on
days 0, 5, 10, and 15. Group B treatment demonstrated superior efficacy, with a
significant reduction in Malassezia spp., bacterial load, and inflammatory response
when compared to the other groups.It is concluded that the association of ozonated
sunflower oil with 3% oregano essential oil represents a promising therapeutic
alternative for the management of otitis externa in dogs, promoting clinical and
cytological improvement with a low risk of adverse effects.

Keywords: Otitis externa, Essential oil, Oregano, Ozone, Dogs, Herbal medicine

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

07

2 REVISÃO DE LITERATURA

10

2.1 Otites caninas

10

2.2 Resistência antimicrobiana

12

2.3 Homeopatia

13

2.3.1 Origanum vulgare L.

15

2.4 Critérios para utilização de plantas medicinais e fitoterápicos

17

2.5 Ozonioterapia

18

2.5.1 Óleo de girassol ozonizado

18

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

21

4 ARTIGO CIENTÍFICO

22

REFERÊNCIAS

38

ANEXO

44

7

1 INTRODUÇÃO

A otite externa é um processo inflamatório que atinge os pavilhões auriculares
e o meato acústico externo de diversos animais (Radlinsky et al. 2005). Pode ser
aguda ou crônica. Processos inflamatórios crônicos no canal auditivo externo podem
desencadear hiperplasia e dilatação das glândulas, aumento da espessura do epitélio
e hiperceratose. Essas condições resultam no acúmulo excessivo de cerúmen,
contribuindo para um ambiente mais úmido e com pH elevado, que facilita a instalação
de infecções secundárias. (Bajwa, 2019).
De acordo com O, Neill et al. (2021), a ocorrência de otite externa em cães
apresenta grande variabilidade, a qual está associada a múltiplos fatores
predisponentes. Entre esses, destacam-se a presença de doenças dermatológicas
simultâneas, principalmente as alérgicas, bem como características anatômicas
inerentes à raça, como o formato do pavilhão auricular e o grau de sua dobradura, que
podem favorecer a retenção de umidade e a redução da ventilação no conduto auditivo
externo.
Segundo Linzmeier, Endo e Lot (2009), os fatores primários mais comuns que
são capazes de iniciar a inflamação no ouvido são: atopia, corpos estranhos, infecção
microbiana e ácaros da orelha. Por sua vez, fatores perpetuantes ou persistentes dão
continuidade à resposta inflamatória. As infecções bacterianas e fúngicas são os
exemplos mais comuns (Gotthelf, 2007). Entre as bactérias comumente implicadas
nos casos de otite, destacam-se Pseudomonas sp., Proteus sp., Enterococcus sp.,
Streptococcus sp. e Corynebacterium sp.; Malassezia spp. são um agente fúngico
comum na otite externa canina, e alguns cães desenvolvem hipersensibilidade a essa
levedura, manifestando coceira intensa e desconforto acentuado (Bajwa, 2019).
Quadros de otite em cães costumam manifestar-se por prurido, eritema, dor,
agitação da cabeça, presença de secreção fétida, escoriações auriculares decorrentes
da coceira e desconforto ao toque. Em certas situações, também são observados
sinais como vocalização, inquietude e hiperexcitabilidade (Nelson; Couto, 2010).
O uso indiscriminado de antibióticos e antifúngicos para o tratamento dos
quadros de otites, sem buscar a causa primária e a identificação do agente causador,
está correlacionado com o desenvolvimento de resistência microbiana, cronicidade da
enfermidade e casos de recidiva (Silva, 2002). Isto limita as opções de tratamento,

8

gerando consequências clínicas e econômicas graves, contribuindo com o aumento
da morbimortalidade em animais (Loureiro et al., 2016).
Nas últimas décadas, estudos intensivos têm avaliado plantas como fonte de
produtos efetivos para a conservação da saúde humana (Bertini et al., 2005). Os óleos
essenciais são misturas complexas de substâncias, geralmente odoríferas e líquidas,
sendo sua principal característica a volatilidade. Em sua grande maioria, estes óleos
são de aroma agradável e intenso, sendo chamados de óleos essências (Jesus et al.,
2007).
O Origanum vulgare L., popularmente conhecido como orégano, tem se
destacado não apenas como condimento aromático de uso culinário, mas também
pelo

crescente

reconhecimento

de

suas

propriedades

farmacológicas.

Tradicionalmente, suas folhas têm sido utilizadas na medicina popular; entretanto, o
óleo essencial extraído da planta tem despertado especial interesse em pesquisas
científicas devido à sua ampla atividade biológica. Essa atividade é atribuída,
principalmente, à presença de compostos fenólicos, como o carvacrol e o timol,
responsáveis por efeitos antimicrobianos relevantes contra bactérias, fungos e outros
microrganismos patogênicos (Lambert et al., 2001; Manohar et al., 2001; Souza et al.
2005; Cleff et al., 2010a; Cleff et al., 2010b).
Com relação a utilização de fitoterápicos no tratamento de infecções em
animais causadas por leveduras e até mesmo por bactérias, ainda são escassos. Por
sua vez, a busca por melhor qualidade de vida e, o crescente número de animais de
estimação vem estimulando o estudo destas plantas com potencial terapêutico
(Galuppi et al., 2010).
Korad (2020) descreve a ozonioterapia como o uso de ozônio como
medicamento ativo para o tratamento das mais variadas doenças. O ozônio medicinal
é sempre uma mistura de ozônio com oxigênio, em quantidades e concentrações que
variam conforme a doença a ser tratada. Possui efeito bactericida, fungicida e de
inativação viral, razão pela qual pode ser empregada tanto na antissepsia de lesões
infectadas, como em algumas doenças causadas por bactérias, fungos ou vírus.
O gás ozônio pode ser utilizado de diferentes maneiras: na forma tópica, na
forma de água ozonizada, óleo ozonizado ou até mesmo o gás aplicado diretamente
no local desejado em forma de “bags”. O produto da reação do ozônio com o óleo
vegetal de girassol é rico em O3, capaz de liberar de forma gradual peróxido oleoso

9

que pode ser utilizado como bactericida e como estimulante da regeneração tecidual
(Bocci, 2000).
A realização de um estudo in vivo, ou seja, diretamente em cães com otite
externa, é fundamental para validar os achados laboratoriais e avaliar a eficácia,
segurança e tolerância do óleo de Orégano em um ambiente real. Esse tipo de
pesquisa permite verificar a concentração ideal, a formulação mais adequada (por
exemplo, em uma emulsão ou gel) e a frequência de aplicação necessárias para o
tratamento.
Assim, a pesquisa se justifica pela necessidade de encontrar alternativas
eficazes e seguras para o tratamento da otite canina, combatendo a resistência
microbiana e atendendo à busca por opções mais naturais na medicina veterinária.
Os resultados podem abrir caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos,
beneficiando a saúde e o bem-estar dos cães.
Objetivou-se avaliar a eficácia do óleo de girassol ozonizado, isolado ou
associado a óleo essencial de orégano em diferentes concentrações (3% e 5%), no
tratamento da otite externa em cães, por meio da análise clínica e citológica dos sinais
inflamatórios e da presença de microrganismos no canal auditivo.

10

2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Otites caninas
A otite canina é um processo inflamatório que pode afetar diferentes segmentos
da orelha, com variada apresentação clínica. Sua etiologia envolve agentes
infecciosos associados a fatores predisponentes, como anatomia, alergias, alterações
hormonais e condições ambientais. Inicia-se, geralmente, no ouvido externo e, sem
tratamento adequado, pode evoluir para formas crônicas e graves, comprometendo
ouvido médio, interno e estruturas neurológicas, como o sistema vestíbulo-coclear
(Leite, 2000).
As otites em cães podem ser classificadas de acordo com a localização:
externa (pavilhão auricular e meato acústico externo), média (cavidade timpânica) e
interna (orelha interna). Quanto à evolução clínica, podem ser agudas (início súbito e
curta duração), crônicas (persistentes) ou recidivantes (repetidas ao longo do tempo)
(Oliveira et al., 2006).
As infecções bacterianas e fúngicas são as principais causas de otite em cães
(Gotthelf, 2007). Entre as bactérias mais isoladas estão Pseudomonas spp., Proteus
spp., Enterococcus spp., Streptococcus spp. e Corynebacterium spp., envolvidas em
quadros agudos e crônicos. Dentre os fungos, Malassezia spp. é o mais comum,
podendo desencadear hipersensibilidade com prurido, eritema e intenso desconforto
auricular (Bajwa, 2019).
A otite em cães consiste em uma afecção inflamatória da orelha, cuja etiologia
é complexa e envolve múltiplos fatores predisponentes e agentes etiológicos, que
podem ou não estar relacionados a processos infecciosos (Leite, 2000).
As manifestações clínicas da otite canina variam de inflamações superficiais a
lesões graves que acometem a orelha interna e o sistema vestíbulo-coclear, podendo
gerar sinais vestibulares. A doença é classificada pela localização (externa, média ou
interna) e pela evolução (aguda, crônica ou recidivante) (Oliveira et al., 2006).
Entre os microrganismos envolvidos, destacam-se fungos, parasitas e
bactérias, sendo Staphylococcus spp. um dos patógenos mais comumente
associados a essa condição (Cardoso et al., 2010; Lilenbaum et al., 2000; Oliveira et

11

al., 2008). O diagnóstico da otite externa geralmente são simples quando os sinais
clínicos são evidentes, como prurido, eritema, edema, secreção auricular, odor
desagradável e dor à palpação. Casos graves podem evoluir para otohematomas,
alopecia e escoriações, enquanto manifestações discretas podem retardar o
tratamento (August, 1988; Jacobson, 2002; Coatesworth, 2011).
A otite externa crônica (OEC) é um processo inflamatório recorrente ou
persistente por seis meses ou mais, representando cerca de 80% dos casos em cães,
associada à persistência de fatores etiológicos e alterações estruturais (Logas, 1994;
Oliveira et al., 2006).
A afecção pode ser unilateral ou bilateral, sendo o diagnóstico baseado em
palpação, inspeção, exame otoscópico e análise citológica, considerada a ferramenta
mais informativa para orientar o tratamento (Bajwa, 2019).
A otite média é uma inflamação que acomete a mucosa da orelha média,
estendendo-se da membrana timpânica às cavidades da tuba auditiva. Geralmente
decorre de otite externa crônica grave, em que a ruptura do tímpano permite a
propagação da inflamação. Pode atuar tanto como consequência quanto como fator
perpetuante da OEC, ressaltando a importância do diagnóstico precoce e do
tratamento adequado para prevenir complicações (Cole et al., 1998; Leite, 2000;
Colombini; Merchant; Hosgood, 2000; Oliveira et al., 2006).
O isolamento de microrganismos em casos de otite externa canina revela
grande diversidade de agentes, incluindo bactérias e fungos. Infecções mistas são
frequentes e dificultam o tratamento. Entre os patógenos mais comuns destacam-se
Malassezia pachydermatis e Staphylococcus intermedius, embora outros também
possam estar presentes, reforçando a importância da investigação microbiológica
individualizada para orientar o manejo clínico (Cardoso et al., 2010; Oliveira et al.,
2008).
O diagnóstico clínico da otite é baseado na anamnese e no exame físico
específico do canal auditivo. Aliado ao diagnóstico clínico da otite está o diagnóstico
laboratorial que é fundamental para se determinar os agentes específicos
desencadeadores dessa patologia (Moura, 2010).
Com a emergência de grande proporção de cepas bacterianas resistentes aos
antibióticos comumente utilizados nos casos de otite externa canina aumenta a
necessidade de realização de cultura bacteriana e antibiograma (Moraes, 2014).

12

O manejo das otites caninas tipicamente envolve a prescrição de
antimicrobianos, associados ou não a anti-inflamatórios, com o objetivo de reduzir a
carga infecciosa e a resposta inflamatória local. Entretanto, a eficácia do tratamento
pode ser limitada, uma vez que os microrganismos causadores da doença apresentam
padrões variáveis de sensibilidade, sendo comum a ocorrência de resistência a
antibióticos (Cardoso et al., 2010; Lilenbaum et al., 2000; Morris et al., 2006; Oliveira
et al., 2008).
A otite externa crônica (OEC), em particular, demonstra refratariedade ao
manejo farmacológico em muitos casos, devido à combinação de múltiplos agentes
etiológicos, alterações estruturais do conduto auditivo e o surgimento de resistência
bacteriana, ressaltando a importância de diagnósticos precisos e estratégias
terapêuticas individualizadas (Oliveira et al., 2008).

2.2 Resistência antimicrobiana
O surgimento dos antibióticos durante a Segunda Guerra Mundial representou
um marco significativo na história da medicina. A penicilina passou a ser amplamente
utilizada no tratamento de infecções do trato respiratório superior, septicemias e
pneumonias causadas por Streptococcus e Staphylococcus spp. Entretanto, pouco
tempo após sua introdução, observou-se a resistência ao fármaco por Staphylococcus
aureus, devido à produção de enzimas capazes de degradar a penicilina. Diante desse
cenário, pesquisadores passaram a buscar novos fármacos e estratégias terapêuticas
capazes de contornar os mecanismos de resistência. Essa resistência crescente
comprometeu a eficácia de importantes antibióticos, exigindo constante investimento
em pesquisa e inovação (Ortega, 2019).
O emprego de antibióticos na clínica veterinária para o tratamento de infecções
bacterianas, como otite externa, doenças cutâneas, infecções respiratórias,
gastrointestinais e urinárias, tem se intensificado nos últimos anos. Contudo, seu uso
freqüentemente ocorre de forma empírica e sem a identificação do agente patogênico,
favorecendo a emergência de resistência bacteriana (Arias; Carrilho, 2012). Além
disso, cães e gatos podem contribuir para a disseminação ambiental desses agentes
resistentes, uma vez que os resíduos excretados impactam outros animais e seres

13

humanos, configurando um problema de saúde pública relevante (Nepomuceno;
Weber, 2022).
A resistência antimicrobiana pode ser dividida em natural e adquirida. A
resistência natural corresponde à capacidade inata de algumas bactérias resistirem à
ação de determinados antibióticos, podendo resultar da ausência de processos
metabólicos específicos que seriam alvos do fármaco ou de características
morfológicas da espécie que dificultam sua ação. Por outro lado, a resistência
adquirida surge por meio de mutações genéticas, conferindo resistência a um
antibiótico específico, ou pela transferência horizontal de genes de resistência, em
que a bactéria recebe material genético de outros microrganismos. Esse mecanismo
pode levar à presença de vários genes de resistência, promovendo a resistência
múltipla, na qual o microrganismo se torna resistente a diversos antibióticos
simultaneamente (Teixeira et al., 2019).
A estrutura da parede celular bacteriana representa um fator importante na
eficácia do tratamento antimicrobiano. Bactérias de parede Gram-negativa possuem
membranas externas relativamente mais permeáveis, o que pode facilitar a
penetração de certos antibióticos. Em contraste, microrganismos de parede Grampositiva apresentam parede celular mais espessa e complexa, podendo dificultar a
ação de diversos fármacos. Dessa forma, o diagnóstico laboratorial in vitro torna-se
essencial, pois permite a identificação do agente causador e a escolha do
antimicrobiano mais adequado, otimizando o tratamento e minimizando falhas
terapêuticas (Mcvey et al., 2016).
Devido a esses fatores, surge a importância de utilização de terapia
antimicrobiana consciente e estratégica levando em consideração, principalmente os
tipos de micro-organismos presente e o local a ser tratado.

2.3 Homeopatia
A utilização de plantas medicinais para fins terapêuticos constitui uma das
práticas mais antigas da medicina humana (Yunes; Calixto, 2001). O homem primitivo
descobriu, por meio da busca por alimentos e recursos naturais, espécies vegetais
com efeitos medicinais ou tóxicos, desenvolvendo um conhecimento empírico e

14

sistemático baseado na experiência. Registros históricos apontam que o uso de
plantas para tratamento de doenças esteve presente nas primeiras civilizações,
consolidando sua importância na medicina popular (Simões et al., 2003).
O uso de plantas medicinais acompanha a trajetória da humanidade, sendo
frequentemente aplicado de forma popular no tratamento de diversas doenças,
mesmo

na

ausência

de

comprovação

científica

formal.

Ressalta-se

que

aproximadamente 80% da população de baixa renda não possui acesso adequado a
serviços farmacêuticos, tornando as plantas medicinais uma alternativa viável e
acessível para o manejo de enfermidades (Veiga Junior et al., 2005).
Devido à sua vasta biodiversidade, o Brasil possui um grande número de
espécies vegetais com potencial medicinal. Considerando que muitos fármacos foram
desenvolvidos a partir do conhecimento tradicional, essa riqueza natural representa
um importante recurso para pesquisas (Brasil, 2011).
O desenvolvimento de novas substâncias com atividade antimicrobiana,
aliando segurança e mínima ocorrência de efeitos adversos, tem sido um desafio
constante para a comunidade cientifica (Lorenzi; Matos, 2002; Cleff et al., 2010a;
Galuppi et al., 2010). Nesse cenário, o crescimento da atenção voltada ao uso de
plantas medicinais e à exploração de seus compostos, se torna uma alternativa
terapêutica eficaz (Cimanga et al., 2002; Duarte et al., 2005; Moreira et al., 2010).
No cenário da busca por alternativas terapêuticas, os óleos essenciais
merecem destaque por constituírem compostos naturais com expressiva atividade
biológica, incluindo propriedades antimicrobianas, antifúngicas e antivirais (Baratta et
al., 1998; Cleff et al., 2010b; Nostro et al., 2004; Santurio et al., 2007; Saeed; Tariq,
2009). Tais efeitos são atribuídos à presença de monoterpenos e sesquiterpenos,
compostos que participam ativamente dos mecanismos antimicrobianos (Lambert et
al., 2001; Busatta et al., 2006). Outro ponto relevante é o baixo risco de resistência
bacteriana associado ao uso desses óleos in vitro (Daferera; Ziogas; Polissiou, 2003;
Nostro et al., 2004).
De forma geral, os óleos essenciais correspondem a uma mistura líquida
complexa composta por substâncias voláteis, lipofílicas e tendo características
aromáticas. Embora possam ser produzidos por todos os órgãos vegetais, a
composição química desses óleos é altamente variável, sendo influenciada por fatores

15

como condições climáticas, características do solo, localização geográfica e período
de coleta (Simões et al., 2003).
Uma ampla variedade de plantas tem sido analisada quanto ao seu potencial
terapêutico, como extratos aquosos, etanólicos, hidroalcoólicos, tinturas e óleos
essenciais. Tais investigações demonstram atividades antimicrobianas, antioxidantes,
anticarcinogênicas, antiparasitárias e anti-inflamatórias (Baratta et al., 1998; Dorman
et al., 2000; Nery et al., 2009; Cleff et al., 2010a; Cleff et al., 2012). A maior parte dos
estudos encontra-se direcionada para o campo da alimentação e da medicina humana
(Klein et al., 2009; Souza et al., 2005). Contudo, pesquisas envolvendo isolados de
casos clínicos em animais permanecem escassas (Cleff et al., 2008; Cleff et al.,
2010a; Cleff et al., 2010b).
Entre as espécies de interesse atual, destaca-se o Origanum vulgare L.,
conhecido popularmente como orégano. Além de seu uso consagrado na culinária,
essa planta aromática possui reconhecido valor medicinal. As folhas são
tradicionalmente utilizadas na medicina popular, e estudos têm evidenciado a eficácia
do óleo essencial, especialmente quanto à sua atividade antimicrobiana (Lambert et
al., 2001; Manohar et al., 2001; Souza et al., 2005; Cleff et al., 2010a; Cleff et al.,
2010b).
Na prática veterinária, a aromaterapia com óleos essenciais consiste em um
tratamento holístico, em que os aromas das substâncias voláteis atuam sobre o
sistema nervoso, proporcionando estímulos específicos ou relaxamento (Bell, 2002).
Essa abordagem tem sido utilizada como terapia complementar em dermatopatias
zoonóticas, destacando-se como intervenção relevante no contexto de Saúde Única
(Mateus, 2016; Faria, 2011; Baptista, 2015).

2.3.1 Origanum vulgare L.
O Origanum vulgare, conhecido como orégano, é uma planta originária da
região mediterrânea, pertencente à família Lamiaceae, com aproximadamente 38
espécies. Entre as mais conhecidas e utilizadas destacam-se O. vulgare L., O. hirtum
(orégano grego), O. onites L. (orégano turco), Coridothymus capitatus L. (orégano
espanhol) e Lippia graveolens (orégano mexicano) (Arcila-Lozano et al., 2004). A

16

espécie de O.vulgare L. é capaz de produzir óleos essenciais aromáticos, ricos em
fenóis, com destaque para carvacrol e timol, compostos associados a sua atividade
biológica (Simões et al., 2003).
O Origanum vulgare é amplamente empregado tanto na culinária quanto na
medicina popular, e atualmente vem sendo estudado para comprovar seus efeitos
terapêuticos em diversas enfermidades. Seu óleo essencial apresenta alta
estabilidade, ausência de contaminação microbiológica e uma diversidade de
componentes químicos, que têm sido amplamente explorados devido ao seu potencial
antimicrobiano (Lambert et al., 2001; Manohar et al., 2001; Souza et al., 2005).
Estudos in vitro demonstraram que o óleo essencial de orégano possui
propriedades antifúngicas significativas. Cleff et al. (2008a) evidenciaram sua ação
contra Sporothrix schenckii, enquanto Manohar et al. (2001), Chami et al. (2004) e
Cleff et al. (2010b) relataram eficácia frente a Candida, Cryptococcus neoformans e
Malassezia pachydermatis, com CIM e CFM entre 0,015 e 0,001%. Estudos adicionais
(Prestes et al., 2008; Rusenova; Parvanov, 2009) observaram efeito antifúngico em
concentrações de 0,06% a 0,25%, e Galuppi et al. (2010) indicaram que o óleo de
orégano está entre os mais eficientes entre 23 óleos testados contra espécies de
Malassezia.
Sivropoulou et al. (1996) avaliaram a toxicidade celular do óleo essencial de O.
vulgare ssp. e observaram níveis elevados de efeito citotóxico em quatro linhagens
celulares, sendo duas humanas tumorais (carcinoma epitelial de colo do útero e
carcinoma epidermoide de laringe), uma de rim de macaco africano e uma de pele de
coelho. Embora os estudos sobre a toxicidade do óleo essencial de orégano sejam
ainda limitados, Cleff et al. (2008b) investigaram a toxicidade pré-clínica de uma
solução a 3% administrada diariamente por 30 dias em ratas Wistar, via oral e intravaginal. Os resultados não evidenciaram alterações macroscópicas nos órgãos
avaliados, incluindo trato reprodutivo, digestório, fígado, baço e rins, tampouco foram
observadas mudanças nas avaliações clínicas, hematológicas e histopatológicas.
O O. vulgare tem sido utilizado em animais domésticos sem registro de
efeitos adversos (Giannenas et al., 2003; Chami et al., 2004). Pesquisas com
compostos isolados, como eugenol e carvacrol, confirmaram que não houve efeitos
tóxicos ou colaterais em ratos (Chami et al., 2004). Apesar disso, em humanos, o
orégano pode apresentar alergenicidade, e seu uso excessivo durante a gravidez

17

deve ser evitado devido a propriedades sedativas e abortivas (Arcila-Lozano et al.,
2004). Estudos com extrato aquoso a 20% em fêmeas prenhes demonstraram leve
atraso no desenvolvimento embrionário, porém o número de embriões anormais
permaneceu insignificante, atribuível ao efeito antioxidante e antimutagênico do
extrato (Benavides et al., 2000).

2.4 Critérios para utilização de plantas medicinais e fitoterápicos
As plantas, extratos e óleos essenciais com finalidades terapêuticas vêm
sendo

difundidos

mundialmente,

principalmente

por

suas

propriedades

antifúngicas, antibacterianas e antioxidantes (Baratta et al., 1998). As plantas
apresentam inúmeros compostos bioativos que podem ser utilizados na formulação
de fármacos (Yunes; Calixto, 2001). Porém, toda substância química deve ser
considerada como um potencial agente tóxico, havendo assim, a necessidade de
conhecer o tipo de efeito tóxico, e estabelecer as condições de uso seguro desses
compostos visando à manutenção da sanidade animal e humana (Veiga Junior et
al., 2005).
Os fitoterápicos são uma classe de medicamentos largamente utilizados no
país. Para que estes produtos sejam registrados e disponibilizados à população, a
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia diversos critérios de
qualidade, eficácia e segurança, exigindo requisitos muito semelhantes aos
requeridos para os medicamentos convencionais. Este controle objetiva desvincular
a ideia de que os fitoterápicos são produtos de qualidade inferior ou sem potencial
de risco tóxico (Carvalho et al., 2007).
O principal objetivo quando um fitoterápico é indicado, principalmente na
medicina humana, é aumentar as opções terapêuticas dos profissionais de saúde
ofertando medicamentos equivalentes, registrados, talvez com custos mais baixos,
com espectros de ação maiores e, possivelmente, com indicações terapêuticas
complementares às medicações existentes e efeitos adversos menores. Outro fator
importante seria a valorização das tradições populares e o fornecimento de
substrato para o desenvolvimento da indústria farmacêutica local (Simões et al.,
2003).

18

2.5 Ozonioterapia
O uso do ozônio como agente terapêutico é descrito desde o século XIX (Bocci,
1994). Durante a I Guerra Mundial, o gás ozônio foi utilizado pela primeira vez com
finalidade terapêutica para tratar soldados alemães afetados pela gangrena gasosa
causada por Clostridium spp. (Travagli, 2010). Atualmente, o uso clínico do ozônio é
reconhecido em diversos países, porém ainda restrito na Medicina Veterinária (Araujo,
2006).
Dentre as suas características, o ozônio tem a capacidade de aumentar o
aporte sanguíneo e a oxigenação celular, além de facilitar e estimular a circulação do
sangue, fazendo com que processos cicatriciais se resolvam de forma mais rápida
(Bocci, 2006). Visando essas características, o ozônio tem sido utilizado para
potencializar a cicatrização no tratamento de feridas contaminadas em equinos e até
mesmo em casos de infecções crônicas, como otite (Matos et al., 2012). Esses relatos
inferem que a aplicação do ozônio pode ser realizada em diversas situações na rotina
clínica veterinária, principalmente nas situações em que se objetiva tornar o manejo
de feridas abertas mais ágil e simples (Bocci, 2006; Garcia et al., 2008; Viglino, 2008).
Três formas principais de administração de O3 são: a aplicação tópica, através
do uso de óleos e cremes ozonizados; a infiltrativa, pela via subcutânea e
intramuscular; e a sistémica, através do sangue (auto-hemoterapia), via retal, oral,
vaginal, pleural e peritoneal (Sciorsci et al., 2020). Porém, a sua administração através
da via inalatória não é recomendada por ser considerado tóxico para as vias aéreas
(Mozart; Okman, 2019; Sciorsci et al., 2020).

2.5.1 Óleo de girassol ozonizado
Ozônio é um gás presente na troposfera, altamente oxidante que pode ser
produzido de duas maneiras: naturalmente através dos raios ultravioleta do sol que
em interação com as moléculas de oxigênio (O2) quebram seus átomos, estes unemse a novas moléculas de oxigênio e formam o ozônio (O3 ) e artificialmente utilizando
um gerador, cuja ação na produção do ozônio ocorre a partir da passagem de oxigênio

19

puro por uma descarga elétrica de alta voltagem e alta frequência realizando um
processo similar ao natural (Rubin, 2003; Cardoso, 2021).
Em termos químicos é um alótropo triatômico do oxigênio e sua denominação
deve-se à palavra grega ozein (cheiro), isso porque o ozônio exala um odor bem
peculiar. As propriedades deste gás são descritas como: potente agente desinfetante,
bactericida, fungicida, viricida, capaz de ativar o sistema enzimático, melhorar as
propriedades hematológicas e circulatórias. Seu maior potencial de atuação é
resultante da sua capacidade oxidante, que, com ação direta nos micro-organismos
reage primeiro na parede celular da bactéria e, depois, ao se inserir na estrutura
interna da célula, oxida os aminoácidos e ácidos nucléicos (Haddad et al., 2009;
Travagli et al., 2010; Martins et al., 2012).
Chamamos de ozonólise o processo ao qual os óleos são submetidos às
condições de ozonização para ter como produto um óleo ozonizado, ou seja, que este
óleo em sua composição química passe a ser portador de moléculas de ozônio em
forma de ozonídeos. A reação das cadeias de ácidos graxos insaturados e a
modificação estrutural das moléculas permite também a formação de peróxidos de
hidrogênio e de outros peróxidos orgânicos. Portanto, ao final deste processo, são
gerados muitos componentes que irão conferir ao produto inicial diversas
características químicas que podem ser benéficas, como exemplo, temos o potencial
antimicrobiano (Almeida et al., 2013; Cardoso et al., 2021).
As sementes do girassol (Helianthus annuus L.) dão origem a um óleo com
grande qualidade nutricional, rico em lipídeos e proteínas. Por meio dos processos
tecnológicos usados na extração e refino do óleo pode-se classificá-los como:
refinado, semi-refinado e bruto, sendo que no processo de extração a frio é possível
preservar a maior integridade do óleo, pois as sementes não são submetidas a outros
tratamentos que não lavagem, decantação, centrifugação e filtragem (Correia et al.,
2014).
As características físico-químicas e a composição de ácidos graxos
determinam a qualidade do óleo. Segundo a resolução nº 481/2021 e IN nº 87/2021
da Anvisa, dispõem sobre os requisitos sanitários para óleos e gorduras vegetais, e a
lista de espécies vegetais autorizadas, as designações, a composição de ácidos
graxos e os valores máximos de acidez e de índice de peróxidos para óleos e gorduras
vegetais, respectivamente (Brasil, 2021a; Brasil, 2021b). Na Farmacopeia Brasileira o

20

óleo de girassol está descrito como excipiente farmacotécnico, ou seja, é uma
substância que pode ser empregada com finalidade específica adicionadas às
formulações farmacêuticas que embora sem ação farmacológica carreiam os
farmoquímicos para os organismos a que se destinam humano ou veterinário (Correia
et al., 2014).

21

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A otite canina constitui uma condição inflamatória multifatorial, cuja
complexidade decorre da interação entre agentes infecciosos, fatores predisponentes
e características individuais dos animais. O manejo clínico eficaz depende de um
diagnóstico preciso, incluindo avaliação clínica detalhada, exames laboratoriais e
identificação dos microrganismos envolvidos. A persistência da otite externa crônica
e o surgimento de resistência bacteriana reforçam a necessidade de estratégias
terapêuticas individualizadas e o uso criterioso de antimicrobianos.
A resistência antimicrobiana é um desafio crescente na medicina veterinária,
exigindo práticas responsáveis de prescrição e a realização de testes laboratoriais
para orientar o tratamento. O conhecimento sobre os mecanismos de resistência e as
particularidades estruturais das bactérias auxilia na escolha adequada de
antimicrobianos e contribui para a minimização de falhas terapêuticas.
Alternativas terapêuticas, como o uso de plantas medicinais e óleos essenciais,
têm se mostrado promissoras, oferecendo potencial antimicrobiano, antifúngico e
antiviral com menor risco de induzir resistência. O Origanum vulgare L. destaca-se por
suas propriedades biológicas e baixo perfil de toxicidade em animais, consolidandose como recurso complementar relevante na prática veterinária.
Adicionalmente, a ozonioterapia e o uso de óleos ozonizados, como o de
girassol, apresentam efeitos antimicrobianos e promotores da cicatrização, podendo
integrar protocolos terapêuticos inovadores, especialmente em casos de infecções
crônicas.
Diante do exposto, evidencia-se a importância da combinação entre terapias
convencionais e alternativas, aliada à investigação científica contínua, para aprimorar
o manejo de otites em cães. Pesquisas futuras devem concentrar-se na avaliação
clínica dos fitoterápicos e óleos essenciais, sua toxicidade em diferentes espécies
animais, bem como na eficácia de protocolos combinados, visando consolidar práticas
seguras, eficazes e sustentáveis na medicina veterinária.

22

4 ARTIGO CIENTÍFICO

Nova abordagem terapêutica para otites caninas: potencial do uso combinado
de óleo essencial de Origanum vulgare e óleo de girassol ozonizado

(Artigo submetido ao periódico Caderno Pedagógico – Qualis A2)

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Nova abordagem terapêutica para otites caninas: potencial do uso combinado
de óleo essencial de Origanum vulgare e óleo de girassol ozonizado
New therapeutic approach for canine otitis: potential of the combined use of
Origanum vulgare essential oil and ozonated sunflower oil
Nuevo enfoque terapéutico para la otitis canina: potencial del uso combinado
de aceite esencial de Origanum vulgare y aceite de girasol ozonizado
DOI:10.54033/cadpedv22n11-309
Originals received: 8/25/2025
Acceptance for publication:9/19/2025

Nairene Duarte Barbosa
Mestre em Ciência Animal
Universidade Federal de Alagoas
Maceió, Alagoas, Brasil
mvnaireneduarte@gmail.com
Karina Pessoa Oliveira
Mestre em Ciência Animal
Universidade Federal de Alagoas
Fazenda São Luiz, Zona Rural, Viçosa-AL
karina.oliveira@vicosa.ufal.br
Annelise Castanha Barreto Tenório Nunes
Doutorado em Biociência Animal
Universidade Federal de Alagoas
Fazenda São Luiz, Zona Rural, Viçosa-AL
annelise.nunes@vicosa.ufal.br

RESUMO
A otite externa é uma afecção comum em cães, frequentemente associada a fatores
predisponentes, infecções bacterianas e fúngicas, e ao uso indiscriminado de
antimicrobianos. Este estudo teve como objetivo avaliar a eficácia do óleo de girassol
ozonizado, isolado ou em associação ao óleo essencial de orégano (3% e 5%), no
tratamento da otite externa canina. Foram selecionados 30 cães com diagnóstico
clínico e citológico de otite, distribuídos aleatoriamente em três grupos de tratamento
durante 15 dias. As avaliações clínicas e citológicas demonstraram que o óleo de
girassol ozonizado associado ao óleo essencial de orégano a 3% apresentou os

24

melhores resultados, com significativa redução dos sinais inflamatórios e maior taxa
de melhora para corneócitos, bactérias, Malassezia spp. e leucócitos. Conclui-se que
essa combinação representa uma alternativa terapêutica eficaz e segura para o
manejo da otite externa em cães, reduzindo o risco de resistência antimicrobiana e
efeitos adversos.
Palavras-chave: Fitoterapia, ozonioterapia, medicina natural, cães.
ABSTRACT
Otitis externa is a common condition in dogs, often associated with predisposing
factors, bacterial and fungal infections, and the indiscriminate use of antimicrobials.
This study aimed to evaluate the efficacy of ozonized sunflower oil, alone or combined
with oregano essential oil (3% and 5%), in the treatment of canine otitis externa. Thirty
dogs with clinical and cytological diagnosis of otitis were randomly assigned to three
treatment groups and treated for 15 days. Clinical and cytological evaluations showed
that ozonized sunflower oil combined with 3% oregano essential oil yielded the best
outcomes, with a significant reduction of inflammatory signs and higher improvement
rates for corneocytes, bacteria, Malassezia spp., and leukocytes. It is concluded that
this combination represents an effective and safe therapeutic alternative for the
management of canine otitis externa, reducing the risk of antimicrobial resistance and
adverse effects.
Keywords: Phytotherapy; ozonetherapy; natural medicine; dogs.
RESUMEN
La otitis externa es una afección común en perros, frecuentemente asociada a factores
predisponentes, infecciones bacterianas y fúngicas, y al uso indiscriminado de
antimicrobianos. El objetivo de este estudio fue evaluar la eficacia del aceite de girasol
ozonizado, solo o combinado con aceite esencial de orégano (3% y 5%), en el
tratamiento de la otitis externa canina. Se seleccionaron 30 perros con diagnóstico
clínico y citológico de otitis, distribuidos aleatoriamente en tres grupos de tratamiento
durante 15 días. Las evaluaciones clínicas y citológicas demostraron que el aceite de
girasol ozonizado asociado al aceite esencial de orégano al 3% presentó los mejores
resultados, con una reducción significativa de los signos inflamatorios y una mayor
tasa de mejoría en corneocitos, bacterias, Malassezia spp. y leucocitos. Se concluye
que esta combinación representa una alternativa terapéutica eficaz y segura para el
manejo de la otitis externa en perros, reduciendo el riesgo de resistencia
antimicrobiana y efectos adversos.
Palabras clave: Fitoterapia; ozonoterapia; medicina natural; perros.

1 INTRODUÇÃO
A otite externa é um processo inflamatório que atinge os pavilhões auriculares
e o meato acústico externo de diversos animais (Radlinsky et al. 2005). Pode ser

25

aguda ou crônica. Processos inflamatórios crônicos no canal auditivo externo podem
desencadear hiperplasia e dilatação das glândulas, aumento da espessura do epitélio
e hiperceratose. Essas condições resultam no acúmulo excessivo de cerúmen,
contribuindo para um ambiente mais úmido e com pH elevado, que facilita a instalação
de infecções secundárias. (Bajwa, 2019).
De acordo com O’Neill et al. (2021), a ocorrência de otite externa em cães
apresenta grande variabilidade, a qual está associada a múltiplos fatores
predisponentes. Entre esses, destacam-se a presença de doenças dermatológicas
simultâneas, principalmente as alérgicas, bem como características anatômicas
inerentes à raça, como o formato do pavilhão auricular e o grau de sua dobradura, que
podem favorecer a retenção de umidade e a redução da ventilação no conduto auditivo
externo.
Segundo Linzmeier, Endo e Lot (2009), os fatores primários mais comuns que
são capazes de iniciar a inflamação no ouvido são: atopia, corpos estranhos,
infecçãomicrobianae ácaros da orelha. Por sua vez, fatores perpetuantes ou
persistentes dão continuidade à resposta inflamatória. As infecções bacterianas e
fúngicas são os exemplos mais comuns (Gotthelf, 2007).Entre as bactérias
comumente implicadas nos casos de otite, destacam-se Pseudomonas, Proteus,
Enterococcus, Streptococcus e Corynebacterium. Malassezia spp. é um agente
fúngico comum na otite externa canina, e alguns cães desenvolvem hipersensibilidade
a essa levedura, manifestando coceira intensa e desconforto acentuado (Bajwa,
2019).
Quadros de otite em cães costumam manifestar-se por prurido, eritema, dor,
agitação da cabeça, presença de secreção fétida, escoriações auriculares decorrentes
da coceira e desconforto ao toque. Em certas situações, também são observados
sinais como vocalização, inquietude e hiperexcitabilidade (Nelson; Couto, 2010).
O uso indiscriminado de antibióticos e antifúngicos para o tratamento dos
quadros de otite, sem buscar a causa primária e a identificação do agente causador,
está correlacionado com o desenvolvimento de resistência microbiana, cronicidade da
enfermidade e casos de recidiva (Silva, 2002). Isto limita as opções de tratamento e
trazendo consequências clínicas e econômicas graves, contribuindo com o aumento
da morbimortalidade em animais (Loureiro et al., 2016).

26

Nas últimas décadas, estudos intensivos têm avaliado plantas como fonte de
produtos efetivos para a conservação da saúde humana (Bertini et al., 2005). Os óleos
essenciais são misturas complexas de substâncias, geralmente odoríferas e líquidas,
sendo sua principal característica a volatilidade. Em sua grande maioria, estes óleos
são de aroma agradável e intenso, sendo chamados de óleos essências (Jesus et al.,
2007).
O Origanum vulgare L., popularmente conhecido como orégano, tem se
destacado não apenas como condimento aromático de uso culinário, mas também
pelo

crescente

reconhecimento

de

suas

propriedades

farmacológicas.

Tradicionalmente, suas folhas têm sido utilizadas na medicina popular; entretanto, o
óleo essencial extraído da planta tem despertado especial interesse em pesquisas
científicas devido à sua ampla atividade biológica. Essa atividade é atribuída,
principalmente, à presença de compostos fenólicos, como o carvacrol e o timol,
responsáveis por efeitos antimicrobianos relevantes contra bactérias, fungos e outros
microrganismos patogênicos (Lambert et al., 2001; Manohar et al., 2001; Souza et al.,
2005; Cleff et al., 2010a; Cleff et al., 2010b).
Com relação a utilização de fitoterápicos no tratamento de infecções em
animais causadas por leveduras e até mesmo por bactérias, ainda são escassos. Por
sua vez, a busca por melhor qualidade de vida e, o crescente número de animais de
estimação vem estimulando o estudo destas plantas com potencial terapêutico, visto
que em humanos esta linha de pesquisa vem sendo bem desenvolvida (Galuppi et al.,
2010).
Korad (2020) descreve a ozonioterapia como o uso de ozônio como
medicamento ativo para o tratamento das mais variadas doenças. O ozônio medicinal
é sempre uma mistura de ozônio com oxigênio, em quantidades e concentrações que
variam conforme a doença a ser tratada. Possui efeito bactericida, fungicida e de
inativação viral, razão pela qual pode ser empregada tanto na antissepsia de lesões
infectadas, como em algumas doenças causadas por bactérias, fungos ou vírus.
O gás ozônio pode ser utilizado de diferentes maneiras: na forma tópica, na
forma de água ozonizada, óleo ozonizado ou até mesmo o gás aplicado diretamente
no local desejado em forma de “bags”. O produto da reação do ozônio com o óleo
vegetal de girassol é rico em O3, capaz de liberar de forma gradual peróxido oleoso

27

que pode ser utilizado como bactericida e como estimulante da regeneração tecidual
(Bocci, 2000).
A realização de um estudo in vivo, ou seja, diretamente em cães com otite
externa, é fundamental para validar os achados laboratoriais e avaliar a eficácia,
segurança e tolerância do óleo essencial de Orégano em um ambiente real. Esse tipo
de pesquisa permite verificar a concentração ideal, a formulação mais adequada (por
exemplo, em uma emulsão ou gel) e a frequência de aplicação necessárias para o
tratamento.
O objetivo desse trabalho consiste em avaliar a eficácia do óleo de girassol
ozonizado, isolado ou associado a óleo essencial de orégano em diferentes
concentrações (3% e 5%), no tratamento da otite externa em cães, por meio da análise
clínica e citológica dos sinais inflamatórios e da presença de microrganismos no canal
auditivo.
2 METODOLOGIA
Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Animal da
Universidade Federal de Alagoas, protocolo nº 05/2024, estando de acordo com os
Princípios Éticos na Experimentação Animal.
Os óleos utilizados neste trabalho foram adquiridos comercialmente, o óleo de
girassol ozonizado (Blustratum®) e o óleo essencial de orégano (dōTERRA®).
Foram selecionados 30 cães provenientes do município de Maceió – Alagoas,
independente de sexo, idade, raça, tipo de orelha, que apresentavam no momento da
avaliação os sinais clínicos de otite externa aguda e não poderiam ter sido tratados
para otites por no mínimo 15 dias. No aceite dos responsáveis para que o animal
participasse da pesquisa, foi entregue o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Este foi devidamente explicado e assinado.
As concentrações e o N de animais utilizados neste trabalho foram baseados
no artifgo de Neves et al. (2012).
Antes do início do tratamento, foi realizada coleta com um swab estéril do
material presente no conduto auditivo, fazendo-se rotação de 360° no sentido horário,
para análise citológica. O animal que apresentasse resultado positivo com a presença

28

de bactérias, leveduras ou ambos os agentes microbiológicos, era posto em um dos
grupos.
Os animais foram distribuídos aleatoriamente em três grupos de acordo com o
produto a ser testado. Cada grupo continha 10 animais em sua formação.
Grupo A: sendo tratados apenas com o óleo de girassol ozonizado;
Grupo B: sendo tratados com o óleo de girassol ozonizado acrescido de óleo
essencial de orégano a 3%;
Grupo C: sendo tratados com o óleo ozonizado de girassol acrescido de óleo
essencial de orégano a 5%.
Para a identificação dos animais foi utilizado uma tabela com a distribuição de
cada grupo organizado por colunas de acordo com os grupos selecionados no sorteio
e identificando os animais com números de 1 a 10.
O tratamento constituiu na aplicação de três gotas a cada 12 horas nos ouvidos
acometidos, durante 15 dias. Antes da aplicação do tratamento, era feita a limpeza
com um ceruminolítico. Durante o tratamento, os cães permaneceram em sua
residência mantendo a sua rotina.
Nos dias 5, 10 e 15, os animais foram avaliados clinicamente e por otoscopia,
e realizada coleta de material citológico para acompanhar a evolução do tratamento.
As lâminas com o material colhido foram fixadas em álcool absoluto (99,5%) e
coradas pelo método do Panótico Rápido, baseado no princípio estabelecido por
Romanowsky (Gurr, 1971). Após a coloração, as lâminas foram secas em temperatura
ambiente e, em seguida, efetuada a análise em microscopia óptica. Para as análises
dos dados foram considerados os seguintes termos: Ausente, Discreto, Moderado e
Acentuado. Classificando assim o grau de intensidade das otites. Foram analisadas
nas citologias a presença de: Corneócitos, Leveduras (Malassezia), Bactérias e
Leucócitos

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Observamos que 83,3% (25/30) dos cães apresentaram otite bilateral e 16,7%
(05/30) otites unilaterais. De acordo com Moura (2010) uma anamnese e avaliação

29

física detalhada do canal auditivo é importante para o diagnóstico clínico (Moura,
2010).
No grupo A: sete animais tinham otites bilaterais e três animais tinham otites
unilaterais, nesse grupo foram analisadas 17 orelhas. No grupo B: oito animais tinham
otites bilaterais e dois animais tinham otites unilaterais, e foram analisadas 15 orelhas.
Neste grupo dois animais apresentaram reação ao produto utilizado e saíram do
experimento. Um apresentava otite bilateral e o outro unilateral. No grupo C: 10
animais tinham otites bilaterais e nesse grupo foram analisadas 20 orelhas.
Na avaliação clínica dos animais do grupo A, todos (100%) apresentaram no
dia 0, os sinais clínicos de prurido, edema, descamação, eritrema, excesso de
cerúmen e balançar de cabeça. No dia 5, 100% dos animais, mantiveram a produção
de cerúmen, prurido leve e diminuição da inflamação. No dia 10, 50% dos animais
tiveram uma redução do cerúmen, mas continuaram com prurido leve, diminuição de
descamação e diminuição do processo inflamatório. No dia 15, 50% dos animais
continuaram com a produção de cerúmen e um leve prurido.
Os resultados da citologia auricular dos cães do Grupo A (tratado com óleo de
girassol ozonizado), estão apresentados na tabela 1.
Tabela 1: Resultados do Grupo A – tratamento da otite externa em cães com Óleo de Girassol
Ozonizado, Maceió, 2025
Parâmetro

% Melhora

% Piora

% Sem alteração

Corneócitos

52,9 (09/17)

17,7 (05/17)

29,4 (3/17)

Malassezia*

25 (03/12)

33,3 (04/12)

41,7 (05/12)

Bactérias**

50 (08/16)

6,3 (01/16)

43,7 (07/16)

Leucócitos***

77,8 (07/09)

11,1 (01/09)

11,1 (1/9)

(Elaborada pelo autor, 2025)
*cinco animais apresentaram resultado negativo em todas as citologias
**um animal apresentou resultado negativo em todas as citologias
*** oito animais apresentaram resultado negativo em todas as citologias

De acordo com as avaliações clínicas, 50% dos animais tiveram a diminuição
dos sintomas clínicos, como redução ao balançar de cabeça, melhora na descamação
e 30% tiveram melhora na quantidade da produção de cerúmen, os outros 50% dos
animais continuaram com a persistência desses sintomas ao longo de todo o
tratamento. Na citologia auricular 52,9% dos animais tiveram melhora para
corneócitos, 25% tiveram melhora no quadro de Malassezia, 50% melhoraram o

30

quadro para bactérias e 77,8% melhoraram o processo inflamatório. 17,7% dos
animais apresentaram piora para corneócitos, 33,3% no quadro para Malassezia,
6,3% para bactérias e 11,1% no processo inflamatório. Nesse mesmo grupo 29,4%
dos animais não tiveram alteração significativa para corneócitos, 43,7% não tiveram
alteração para Malassezia, 43,7% para bactérias e 11,1% não tiveram alteração no
quadro inflamatório.
Os animais do grupo B, os principais sinais clínicos dos animais no dia 0 eram:
prurido, excesso na produção de cerúmen, vermelhidão, balançar de cabeça e dor na
manipulação. No dia 5, já era possível observar a diminuição do prurido, vermelhidão,
diminuição na produção do cerúmen, diminuição do balançar de cabeça e diminuição
da dor a manipulação, se mantiveram assim até o dia 15. Nesse grupo, dois animais,
no dia 5 da avaliação, tiveram reação alérgica após começarem o tratamento
experimental, onde foi observado alteração no conduto auditivo com aumento do
prurido, vermelhidão e formação de crostas na parte externa. Devido a reação
apresentada, estes animais não continuaram o tratamento experimental e passaram
a utilizar o tratamento convencional (Auritop®).
De acordo com as avaliações clínicas, 40% dos animais tiveram melhora na
sensibilidade ao toque, melhora na descamação da orelha, uma leve redução do
cerúmen, mas outros 60% dos animais continuaram com a persistência dos sinais
clínicos. Um dos animais desse grupo apresentava otohematoma, esse não teve
alteração do mesmo ao longo do tratamento.
Os resultados da citologia auricular dos cães do Grupo B (tratado com óleo de
girassol ozonizado associado a óleo essencial de orégano a 3%), estão apresentados
na Tabela 2.
Tabela 2: Resultados do grupo B – Tratamento da otite externa em cães com óleo de girassol
acrescido do óleo essencial de orégano a 3%, Maceió, 2025.
Parâmetro

% Melhora

% Piora

% Sem alteração

Corneócitos

33,3 (05/15)

20 (03/15)

46,7 (07/15)

Malassezia*

64,3 (09/14)

14,3 (02/14)

21,42 (03/14)

Bactérias

60 (09/15)

6,7 (01/15)

33,3 (05/15)

Leucócitos**

71,4 (05/07)

28,6 (02/07)

0,0

(Elaborada pelo autor, 2025)
*um animal apresentou resultado negativo em todas as citologias
** oito animais apresentaram resultado negativo em todas as citologias

31

Na avaliação citológica foi observado que 33,3% dos animais tiveram melhora
no quadro para corneócitos, 64,3% para Malassezia, 60% bactérias e 71,4% no
quadro de inflamação. Nesse mesmo grupo 20% dos animais tiveram piora para
corneócitos, 14,3% no quadro de Malassezia, 6,7% tiveram piora para bactérias e
28,6% não tiveram redução no quadro de inflamação. 46,7% dos animais desse grupo
não tiveram alterações significativas para corneócitos, 21,42% não para Malassezia,
33,33% no quadro bacteriano e 0% no processo inflamatório.
As alterações clínicas observadas antes e após o tratamento podem ser
visualizadas na Figura 1. Antes da intervenção (Figura 1A), o conduto auditivo externo
apresentava-se com processo inflamatório acentuado, descamação, textura irregular
a pele. Após 15 dias de aplicação do protocolo terapêutico (Figura 1B), foi possível
observar redução do processo inflamatório, melhora da textura da pele e melhora na
descamação, demonstrando resposta positiva ao tratamento.
Figura 1. Fotografias ilustrativas do conduto auditivo externo: (A) antes da aplicação do
protocolo terapêutico, com presença de processo inflamatório, descamação e textura irregular
da pele; (B) após 15 dias de tratamento, evidenciando redução do processo inflamatório e
ausência de secreção.

Fonte: arquivo pessoal, 2025

Os animais do grupo C, na avaliação clínica em 100% dos animais foram
observados os seguintes sintomas: prurido, inflamação, balançar de cabeça e redução
do cerúmen. 70% dos animais desse grupo, se mantiveram com leves sintomas

32

clínicos ao longo do tratamento, mas 30% deles foi observado que o prurido,
sensibilidade ao toque e balançar de cabeça tiveram diminuição.
Os resultados da citologia auricular dos cães do Grupo C (tratado com óleo de
girassol ozonizado associado a óleo essencial de orégano a 5%), estão apresentados
na Tabela 3.
Tabela 3 Resultados do grupo C: tratamento da otite externa de cães em óleo de girassol
acrescido do óleo essencial de orégano a 5%, Maceió, 2025.
Parâmetro
Corneócitos
Malassezia*
Bactérias
Leucócitos**

% Melhora
45 (09/20)
5,3 (01/19)
50 (10/20)
33,3 (04/12)

% Piora
25 (05/20)
15,8 (03/19)
25 (05/20)
41,7 05/12)

% Sem alteração
30 (06/20)
78,9 (15/19)
25 (05/20)
25 (03/12)

(Elaborada pelo autor, 2025)
*um animal apresentou resultado negativo em todas as citologias
** oito animais apresentaram resultado negativo em todas as citologias

Na análise citológica foram observados os seguintes resultados, 45% dos
animais obtiveram melhora para corneócitos, 5,3% para Malassezia, 50% no quadro
bacteriano e 33,3% no quadro inflamatório. 25% dos animais tiveram uma piora para
cornéocitos, 15,8% no quadro de Malassezia, 25% no quadro bacteriano e 41,7% no
quadro inflamatório. 30% dos animais não tiveram alteração para corneócitos, 78,9%
no quadro de Malassezia, 25% no quadro bacteriano e 25% no processo inflamatório.
A análise dos grupos A, B e C mostrou que o óleo de girassol ozonizado, isolado
ou combinado com óleo essencial de orégano, teve efeitos variáveis na saúde
otológica de animais. Grupo A teve a maior porcentagem de melhora em corneócitos
(52,9%) e leucócitos (77,8%), mostrando melhor desempenho geral e maior eficácia
clínica e citológica. Grupo B apresentou um efeito mais estável com muitos animais
sem alteração significativa, além de boa melhora em Malassezia (64,3%) e bactérias
(60%), mas com menor melhora para corneócitos (33,3%) e uma resposta estável
para animais sem alteração. Grupo C apresentou resultados mais negativos, com
maior taxa de animais sem alteração, especialmente para Malassezia (78,9%), e
menor melhora clínica geral, indicando que a concentração de 5% pode ser menos
eficaz por causar mais reações adversas. Na Figura 1 são apresentados os resultados
positivos (melhora) nos parâmetros avaliados (corneócitos, Malassezia, bactérias e
leucócitos), comparando os três tratamentos realizados.

33

Figura 2: Resultados da Citologia das Orelhas dos Caninos que apresentaram resposta positiva (melhora) após
tratamento para Otite Externa com óleo de girassol ionizado (grupo A), óleo de girassol ionizado + óleo essencial de
orégano a 3% (grupo B) e óleo de girassol ionizado + óleo essencial de orégano a 5% (grupo C)

90.00%
80.00%
70.00%
60.00%
50.00%
40.00%
30.00%
20.00%
10.00%
0.00%
Corneócitos

Malassezia
GRUPO A

GRUPO B

Bactérias

Leucócitos

GRUPO C

(Elaborada pelo autor, 2025)

Silva e Santos (2017) relataram que os principais sinais clínicos observados na
otite externa incluem prurido, eritema, edema, descamação, ulceração e alopecia do
pavilhão auricular, bem como inclinação da cabeça, dor à palpação dos canais
auditivos, presença de otohematomas e exsudação. Neste estudo não foram
identificados casos de otite em estágio severo.
Em alguns casos, a infecção pode provocar alterações secundárias no canal
auditivo, comprometendo o sucesso terapêutico e podendo evoluir para doença
auricular avançada. Essas alterações incluem lesões glandulares graves, fibrose,
estenose e calcificação ao longo do canal auditivo externo (Bajwa, 2019). No presente
estudo os animais que estiveram durante os 15 dias de tratamento não apresentaram
evolução para doença auricular avançada.
No estudo realizado por Santin et al. (2014), verificou-se que Malassezia
pachydermatis apresentou sensibilidade ao óleo essencial de orégano, mesmo em
baixas concentrações. Assim, o óleo essencial de orégano se destaca como um
potencial candidato na bioprospecção de novos fármacos destinados ao tratamento
de otites e dermatites na clínica de pequenos animais. Nesse estudo 64,3% das
orelhas avaliadas apresentaram melhora para Malassezia utilizando o óleo essencial

34

de orégano a 3% durante 15 dias de tratamento.
A atividade antimicrobiana do Origanum vulgare é atribuída, principalmente,
aos compostos fenólicos presentes em alta concentração no seu óleo essencial. Entre
esses, destacam-se os monoterpenos e sesquiterpenos, como α-terpineno, γterpineno, ρ-cimeno, carvacrol e timol (Cleff et al., 2008). 50% e 60% dos animais que
utilizaram o óleo essencial de orégano 5% e a 3%, repctivamente, tiveram melhora no
quadro bacteriano, mostrando a ação dos seus compostos.
De acordo com Bocci (2000), a reação do ozônio com o óleo vegetal de girassol
resulta na formação de compostos ozonizados capazes de liberar, de forma gradual,
peróxidos oleosos. Esses compostos apresentam propriedades bactericidas e
potencial para estimular a regeneração tecidual.No estudo conduzido por Conceição
et al. (2022), foi demonstrado que o óleo de girassol ozonizado pode ser utilizado
como terapia alternativa no tratamento de otites em cães. Nesse presente estudo os
animais tiveram boas respostas para corneócitos (52,9%), bactérias (50%) e uma
melhora mais significativa na redução de leucócitos (77,8%), mostrando que o óleo de
girassol ozonizado também pode ser usado como terapia adjuvante para o tratamento
de otites.
Segundo Sciorsci et al. (2020), a ozonioterapia vem se consolidando como uma
abordagem terapêutica integrativa, empregando o gás ozônio em diferentes formas
de aplicação, como gás puro, cremes, águas e óleos. Essa técnica tem sido utilizada
na medicina veterinária para o manejo de diversas condições clínicas, incluindo
doenças dermatológicas e infecções agudas ou crônicas de origem viral, bacteriana,
fúngica

ou

parasitária,

inclusive

aquelas

resistentes

aos

antimicrobianos

convencionais.
A eficácia do óleo de girassol ozonizado puro pode ser justificada por sua ação
antimicrobiana e anti-inflamatória direta e balanceada, sem a possível irritação
causada pelo óleo essencial de orégano em concentrações maiores. O óleo essencial,
apesar de suas propriedades terapêuticas, pode apresentar efeitos adversos quando
usado em concentrações elevadas, como observado no Grupo C, onde houve maior
incidência de piora nos quadros clínicos e citológicos.
Mueller et al. (2022) destacam que o uso adequado de formulações
farmacológicas derivadas de plantas pode contribuir de forma significativa para a

35

saúde animal, auxiliando no tratamento de doenças inflamatórias, infecciosas,
distúrbios metabólicos e condições alérgicas, entre outras.

4 CONCLUSÃO
De acordo com os dados analisados, o tratamento com óleo essencial de
orégano a 3% associado ao óleo de girassol ozonizado demonstrou ser eficiente no
controle da otite externa em cães, apresentando os maiores índices de melhora clínica
e citológica, além de menores taxas de piora nos parâmetros avaliados.
Portanto, o uso óleo essencial de orégano a 3% associado ao óleo de girassol
ozonizado é recomendado como uma alternativa segura e eficaz para o tratamento da
otite externa em cães, promovendo a melhora dos sinais clínicos e a recuperação da
saúde do conduto auditivo com menor risco de irritações ou efeitos colaterais.

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