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ALEXANDRE GUIMARÃES DUARTE
Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em
Relação ao Ataque das Principais Pragas em Rio Largo, Estado de Alagoas.
RIO LARGO
ALAGOAS - BRASIL
2009
ALEXANDRE GUIMARÃES DUARTE
Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em
Relação ao Ataque das Principais Pragas em Rio Largo, Estado de Alagoas.
Dissertação apresentada à Universidade Federal de
Alagoas, como parte das exigências do Programa de
Pós – Graduação em Agronomia, para obtenção do
título de Mestre em Produção Vegetal.
Orientador
Prof. Dr. Ivanildo Soares de Lima
RIO LARGO
ALAGOAS - BRASIL
2009
ii
iii
Ofereço
Aos meus pais, Adonias Guimarães Duarte e Edileuza Faustino Duarte,
pelo amor e dedicação de uma vida inteira;
À minha avó “Morena” (in memorian)
que sempre estará presente nos meus pensamentos;
Aos meus irmãos, Adriana, Sandro e Sueli;
Aos meus cunhados, Zulene, Ivanildo e Wagner;
Às minhas sobrinhas, Tâmara, Laura e Fernanda.
Dedico
A minha esposa, Aline Priscila Santos,
pelo amor companheirismo, incentivo, compreensão e
por ser a fonte de inspiração para sempre seguir em frente;
À nossa esperada filha Rafaella,
por ser mais um motivo de vitória.
Agradeço Especialmente
A Deus,
pela conquista e
por ter colocado essas pessoas em minha vida.
iv
AGRADECIMENTOS
A DEUS pela vida, pelos ensinamentos, pelas conquistas e pelo caminho que sigo.
Ao Prof. Dr. Ivanildo Soares de Lima por compartilhar suas idéias, seus pensamentos,
sendo um orientador disposto a oferecer estímulos e, principalmente, por expandir meus
conhecimentos, e pela coragem de ousar trabalhar com novas idéias e conceitos;
Ao Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar - PMGCA - UFAL, pelo
financiamento deste trabalho;
À Universidade Federal de Alagoas, pela oportunidade de realização deste curso;
À Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrária – U.A.CECA;
À coordenação e colegiado do curso de Pós-Graduação em Agronomia, pelo apoio
concedido;
À FAPEAL e a CAPES, pela concessão da bolsa de Mestrado;
A todos os meus familiares, que acreditaram em meu crescimento pessoal;
Aos amigos Josemildo Verçosa, Franklin Oliveira, Josevaldo Salustiano, Juliana
Ferreira, Diego Olympio, Vanessa de Souza, Jorge Luiz Xavier, Cícero Teixeira,
Altanys Silva, André, José Edmilson e Rui Palmeira por todo estímulo e apoio
prestados nesses anos de convivência;
A todos os professores e funcionários da Unidade Acadêmica Centro de Ciências
Agrárias;
A todos aqueles que não foram citados, mas que contribuíram com meu crescimento
pessoal. Meu muito obrigado.
v
BIOGRAFIA DO AUTOR
Alexandre Guimarães Duarte, filho de Adonias Guimarães Duarte e Edileuza
Faustino Duarte, nasceu na cidade de Palmeira dos Índios, Estado de Alagoas, em 23
de agosto de 1978.
Ingressou na Universidade Federal de Alagoas, para cursar Agronomia, no
ano de 2002, na qual recebeu o grau de Engenheiro Agrônomo no ano de 2007.
Durante toda vida acadêmica desenvolveu atividades de estágio e monitoria na
disciplina de Entomologia Agrícola.
Participou durante quatro anos, do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação
Científica – PIBIC\CNPq, da Universidade Federal de Alagoas onde despertou seu
interesse pela pesquisa e pela Entomologia Agrícola.
Em março de 2007 iniciou o Curso de Mestrado em Agronomia, com
concentração em Proteção de Plantas, na Unidade Acadêmica Centro de Ciências
Agrárias da Universidade Federal de Alagoas.
vi
RESUMO - Este trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar o comportamento de
variedades RB (República do Brasil) de cana-de-açúcar em relação ao ataque de
Diatraea spp., Mahanarva spp e Telchin licus licus. Foram utilizados os sistemas de
cultivo de sequeiro e irrigado. As variedades estudadas no cultivo de sequeiro foram:
RB72454, RB867515, RB971755, RB951541, RB931003, RB92579, RB863129, e
RB93509. No cultivo irrigado incluiu-se a RB98710. No primeiro ano de cultivo no
sistema de sequeiro, verificou-se que a infestação de cigarrinha da raiz na variedade
RB867515, foi significativamente superior às observadas para as demais variedades. No
segundo ano não foi possível identificar uma variedade com característica marcante de
preferência pela praga. Os resultados do cultivo irrigado mostraram que as infestações
de M. fimbriolata foram estatisticamente semelhantes, não foi possível identificar uma
variedade com característica marcante de preferência pela praga. O último levantamento
aconteceu por ocasião da colheita, o que possibilitou avaliar o complexo broca/podridão
de Diatraea spp. e infestação de T. licus licus. Os resultados mostraram que quando
comparadas com base no complexo broca/podridão, por ocasião da colheita, o primeiro
ano de levantamento do cultivo de sequeiro, indicou que as variedades RB92579,
RB867515, RB93509 e RB863129 foram significativamente menos danificadas pelo
ataque de Diatraea spp. do que a variedade RB971755. No segundo ano constatou-se
que a variedade RB931003 e RB93509 foram as mais atacadas pela praga. Para o
cultivo irrigado, quando comparadas com base no complexo broca/podridão, a
variedade RB93509 apresentou maior tolerância ao ataque das brocas. Na avaliação do
primeiro e do segundo ano, a variedade RB71454 foi a mais infestada pela broca
gigante. No cultivo irrigado as variedades RB971755 e RB98710 foram,
significativamente, menos infestadas pela broca gigante do que as variedades RB72454
e RB863129.
PALAVRAS-CHAVE: Saccharum spp., Telchin lius licus, resistência de plantas.
vii
Evaluation of Varieties RB (Republic of Brazil) of Sugar Cane in Relation to the
Attack of Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae), Mahanarva spp. (Hemiptera:
Cercopidae) and Telchin licus licus (Lepidoptera: Castniidae) in Rio Largo, State
of Alagoas.
ABSTRACT - This study was to evaluate the performance of varieties RB (Republic of
Brazil) from sugar cane in relation to the attack of Diatraea spp., Mahanarva spp and
Telchin licus licus. We used the cropping systems of rainfed and irrigated. The varieties
in cultivation of rainfed studied were: RB72454, RB867515, RB971755, RB951541,
RB931003, RB92579, RB863129, RB93509 and. Included in the irrigated crop is
RB98710. In the first year of cultivation in the dry system, it was found that the
leafhopper infestation of the root in the variety RB867515, was significantly higher than
those observed for other varieties. In the second year was not possible to identify a
range characteristic of preference by the pest. The results of irrigated cultivation showed
that the infestation of M. fimbriolata were statistically similar, we could not identify
with feature a variety of preference by the pest. The last survey occurred during the
harvest, which allowed evaluating the complex drill rot of Diatraea spp. and infestation
of T. licus licus. The results showed that when compared on the basis of complex drill /
rot at the harvest, the first year of lifting the cultivation of drought, indicated that the
varieties RB92579, RB867515, RB93509 and RB863129 were significantly less
damaged by the attack of Diatraea spp. than the variety RB971755. In the second year
it was found that the variety RB931003 and RB93509 were the most attacked by the
pest. For irrigated crops, when compared on the basis of complex drill rot, the variety
RB93509 showed greater tolerance to the attack drills. In evaluating the first and second
year, the variety RB71454 was the most infested by giant drill. In the irrigated crop
varieties RB98710 and RB971755 were significantly less infested than the giant drill
varieties RB72454 and RB863129.
Keywords: Saccharum spp., Telchini lius licus, resistance of plants.
viii
LISTA DE FIGURAS
Pág.
FIGURA 1.
Ciclo biológico de D. saccharalis.
FIGURA 2.
Ciclo biológico de D. flavipennella.
FIGURA 3.
Ciclo biológico de M. fimbriolata.
7
7
9
FIGURA 4.
Ciclo biológico de M. posticata.
FIGURA 5.
Ciclo biológico de T. licus licus.
FIGURA 6.
Croqui das áreas experimentais onde foram realizados os
levantamentos. Universidade Federal de Alagoas, município de
Rio Largo, Estado de Alagoas.
41
Gráfico dos dados climatológicos. Unidade Aadêmica centro de
Ciências Agrárias. Universidade Federal de Alagoas, Rio Largo AL
42
FIGURA 7.
10
13
FIGURA 8.
Gabarito utilizado nos levantamentos mensais de Diatraea spp.
FIGURA 9.
Colmo de cana-de-açúcar sendo aberto no sentido longitudinal
para verificar porcentagem de Intensidade de Dano (% I.D.) por
ocasião da colheita.
43
FIGURA 10. Média (± EP) da infestação de M. frimbiolata em seis épocas de
avaliação, no sistema de cultivo sequeiro. Universidade Federal
de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas.
66
42
ix
LISTA DE TABELAS
Pág.
TABELA 1-
Média (± EP) da porcentagem de intensidade de dano externo de
Diatraea spp. em oito variedades de cana-de-açúcar, em oito
épocas de avaliação, no sistema de cultivo sequeiro. Universidade
Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas,
34
2006. Ano I.
TABELA 2-
Média (± EP) da porcentagem de intensidade de dano externo de
Diatraea spp. em oito variedades de cana-de-açúcar, em oito
épocas de avaliação, no sistema de cultivo sequeiro. Universidade
Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas,
35
2007. Ano II.
TABELA 3-
Média (± EP) da porcentagem da intensidade de dano externo de
Diatraea spp. em nove variedades de cana-de-açúcar, em sete
épocas de avaliação, no sistema de cultivo irrigado. Universidade
Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas,
2007.
36
TABELA 4-
Média (± EP) da porcentagem de intensidade de danos (% I.D.) de
Diatraea spp. e parâmetros tecnológicos agroindustriais por
ocasião da colheita em oito variedades de cana-de-açúcar no
sistema de cultivo sequeiro. Universidade Federal de Alagoas,
37
município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2006. Ano I.
TABELA 5-
Média (± EP) da porcentagem de intensidade de danos (% I.D.) de
Diatraea spp. e parâmetros tecnológicos agroindustriais por
ocasião da colheita em oito variedades de cana-de-açúcar no
sistema de cultivo sequeiro. Universidade Federal de Alagoas,
38
município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2007. Ano II.
TABELA 6-
Média (± EP) da porcentagem de intensidade de danos (% I.D.) de
Diatraea spp. e parâmetros tecnológicos agroindustriais por
ocasião da colheita em nove variedades de cana-de-açúcar no
sistema de cultivo irrigado. Universidade Federal de Alagoas,
39
município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2007.
x
TABELA 7-
Média (± EP) da infestação de M. fimbriolata em oito variedades
de cana-de-açúcar, em quatro épocas de avaliação. Universidade
Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas,
60
março a outubro de 2006. Ano I.
TABELA 8-
Média (± EP) insetos por metro linear de oito variedades de canade-açúcar, em seis épocas de avaliação, no sistema de cultivo
sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio
61
Largo, Estado de Alagoas, abril a setembro de 2007. Ano II.
TABELA 9-
Média (± EP) insetos por metro linear de nove variedades de canade-açúcar, em cinco épocas de avaliação, no sistema de cultivo
irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio
62
Largo, Estado de Alagoas, abril a setembro de 2007.
TABELA 10-
Média (± EP) de parâmetros agroindustriais por ocasião da colheita
em oito variedades de cana-de-açúcar. Universidade Federal de
63
Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2006. Ano I.
TABELA 11-
Média (± EP) de parâmetros agroindustriais por ocasião da colheita
em oito variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo
sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio
64
Largo, Estado de Alagoas, 2007. Ano II.
TABELA 12-
Média (± EP) de parâmetros agroindustriais por ocasião da colheita
em nove variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo
irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio
65
Largo, Estado de Alagoas, 2007.
TABELA 13-
Média (± EP) da porcentagem de infestação de T. licus licus e
parâmetros agroindustriais por ocasião da colheita em oito
variedades de cana-de-açúcar. Universidade Federal de Alagoas,
79
município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2006. Ano I.
TABELA 14-
Média (± EP) da porcentagem de infestação de T. licus licus e
parâmetros agroindustriais por ocasião da colheita em oito
variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo sequeiro.
Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado
de Alagoas, 2007. Ano II.
80
xi
TABELA 15-
Média (± EP) da porcentagem de infestação de T. licus licus e
parâmetros agroindustriais por ocasião da colheita em nove
variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo irrigado.
Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado
81
de Alagoas, 2007.
xii
SUMÁRIO
Pág.
Dedicatória
iv
Agradecimentos
v
Biografia do autor
vi
Resumo
vii
Abstract
viii
Lista de figuras
ix
Lista de tabelas
x
Sumario
xiii
Introdução geral
1
Revisão de literatura
5
Referências
14
Capítulo 1:
18
Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em
Relação ao Ataque de Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae) em Rio
Largo, Estado de Alagoas
Abstract
20
Resumo
21
Introdução
22
Material e Métodos
24
Resultados e Discussão
27
Referências
32
Capítulo 2:
44
Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em
Relação ao Ataque de Mahanarva spp. (Hemiptera: Cercopidae) em Rio
Largo, Estado de Alagoas
Abstract
46
Resumo
47
Introdução
48
Material e Métodos
50
xiii
Resultados e Discussão
53
Referências
58
Capítulo 3:
67
Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em
Relação ao Ataque de Castnia licus (Lepidoptera: Castniidae) em Rio Largo,
Estado de Alagoas
Abstract
69
Resumo
70
Introdução
71
Material e Métodos
72
Resultados e Discussão
74
Referências
78
xiv
Introdução geral
Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao
Ataque das Principais Pragas em Rio Largo, Estado de Alagoas
1
A cultura da cana-de-açúcar é uma das principais culturas exploradas em grande parte
do mundo e suas fronteiras se expandem a cada dia. Esta cultura movimenta um grande
volume de negócios relacionados à exportação de açúcar e ao Programa Nacional de Álcool,
com produção estimada de 528 milhões de toneladas para a safra 2007/2008, um aumento de
11,20% sobre a safra 2006/2007. A previsão da produção de cana-de-açúcar, para 2009,
indica que o total dessa matéria-prima que será processada pelo setor sucroalcooleiro, deverá
atingir um montante de 571.4 milhões de toneladas, correspondendo a 13,9% a mais em
comparação as safras anteriores. Ou seja, a nova colheita será aumentada com um volume
adicional de cana da ordem de 69,9 milhões de toneladas (CONAB, 2008).
De acordo com CONAB (2008), no Brasil as regiões Sudeste e Nordeste são os maiores
produtores de cana-de-açúcar, sendo que, os Estados de Alagoas e Pernambuco são os
maiores produtores, representando 74 % da produção do Nordeste.
No sistema produtivo da cana-de-açúcar, o cultivo de variedades com boas
características agroindustriais é a forma mais consistente de se obter melhorias da
produtividade e qualidade, com baixo custo. A introdução de variedades na lavoura canavieira
do Brasil era feita exclusivamente através da importação, até surgirem, programas autóctones
de melhoramento genético, método mais eficiente de seleção pois tem-se variedades
apropriadas para os ambientes de cultivo da região, por meio de cruzamentos genéticos, e
anos de pesquisa com seleção, experimentação e testes apropriados (Barbosa et al. 2003).
De acordo com Silva (2004), no final da década de 60 foram criados os programas de
melhoramento genético do PLANALSUCAR (Programa Nacional do Melhoramento da Canade-Açúcar) e da COPERSUCAR (Cooperativa de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo),
que deram origem aos híbridos da sigla RB (República do Brasil) e SP (São Paulo),
respectivamente. Após a extinção do PLANALSUCAR, em 1990, e incorporação de seus
acervos físicos, tecnológicos e recursos humanos pelas Universidades Federais, as pesquisas
2
de melhoramento genético das variedades RB passaram a ser realizadas pela RIDESA (Rede
Interinstitucional para o Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro), formada pelas
Universidades Federais de Alagoas, São Carlos-UFSCar, Paraná-UFPR, entre outras, em
parceria com empresas do setor sucroalcooleiro.
Em Alagoas, o PMGCA (Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar) é
desenvolvido pela Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias (U.A.CECA), em
parceria com o setor produtivo canavieiro.
Os principais motivos que levaram os produtores a substituírem, periodicamente, as
variedades de cana-de-açúcar foram: aparecimento de doenças, a tolerância ao déficit hídrico,
o alto índice de florescimento e o ataque de insetos-praga. O PMGCA leva, em média, dez
anos para liberar uma nova variedade para os produtores. Ao longo desse tempo, são
realizados sucessivos testes em vários ambientes e as análises dos resultados de várias safras
garantem as recomendações descritas para cada nova variedade. Observando as várias
características agroindustriais de três variedades (RB92579, RB93509 e RB931530) obtidas e
liberadas pelo PMGCA, percebe-se que não existem informações seguras quanto ao
comportamento em relação ao ataque das principais pragas da cultura (Barbosa et al. 2003).
A resistência de plantas a insetos é considerada como o método ideal de controle, uma
vez que as populações da praga podem ser reduzidas a níveis inferiores ao de dano econômico
sem qualquer ônus adicional ao agricultor, além da facilidade de utilização e não interferência
no agro-ecossistema (Lara et al., 1980).
De acordo com Vendramim (1988), nas últimas décadas, com ênfase ao manejo
integrado de pragas, não se tornou imperativo que a resistência por si só, resolva o problema
da praga, mas sim que ela auxilie na redução da população do inseto em associação com
outros métodos de controle, necessitando-se de trabalhos com o objetivo de estudar o
comportamento de variedades vegetais em relação ao ataque das pragas.
3
Os artrópodes associados à cultura da cana-de-açúcar ocupam todos os nichos
existentes na planta, tanto na parte aérea como subterrânea, estando associados às diferentes
fases fenológicas da cultura e às condições climáticas de cada região (PLANALSUCAR,
1982). No entanto, apenas alguns gêneros são considerados de importância econômica, tais
como: Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae), Mahanarva spp. (Hemiptera: Cercopidae) e
Telchin (Lepidoptera: Castniidae).
Assim, o objetivo deste trabalho foi obter informações sobre o comportamento de
variedades RB em relação ao ataque das principais pragas da cultura no Estado de Alagoas.
4
Revisão de literatura.
A cultura da cana-de-açúcar enfrenta uma série de problemas fitossanitários, incluindo
a incidência de pragas (Lara et al., 1980). Dentre as principais pragas destacam-se as brocas
comuns, Diatraea saccharalis (Fabricius, 1794) e D. flavipennella (Box, 1931) (Lepidoptera:
Crambidae), a broca gigante, Telchin licus licus (Drury, 1770) (Lepidoptera: Castniidae) e as
cigarrinhas da folha Mahanarva posticata (Stal, 1855) e da raiz M. fimbriolata (Stal, 1854)
(Hemiptera: Cercopidae), que causam sérios danos em todas as regiões canavieiras do país
(Mendonça et al. 1996).
As perdas decorrentes do ataque de pragas são enormes. Para cada 1% de intensidade
de infestação da broca comum Diatraea spp. ocorrem perdas correspondentes a 0,48% em kg
de açúcar e 1,4% em litros de álcool por tonelada de cana. A perda agrícola é da ordem de
0,1385% (Macedo & Botelho, 1988). O dano da T. licus licus, está associado ao complexo de
podridões e causa a inversão da sacarose, as perdas chegam até 60% da produção (Mendonça
et al., 1996). Para cada 1% de infestação, ocorre reduções de 0,37% em peso, 0,07% para
brix% do caldo, 0,22% para pol% da cana, 0,12% para pureza do caldo e 0,18% para
produção de álcool (Viveiros, 1989). Dinardo-Miranda et al. (1999), afirmaram que, as perdas
causadas em infestações severas de cigarrinha da raiz, podem ser significativas em função da
época de colheita e da cultivar empregada. Os autores verificaram que, após o ataque intenso
da praga, no verão de 1997/98, as reduções na produtividade do primeiro para o segundo corte
foram altamente significativas, especialmente nas colheitas de agosto e outubro, estando, em
média, ao redor de 42,2% (65,2 t/ha) e 44,8% (64,8 t/ha), respectivamente.
5
Broca comum da cana-de-açúcar Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae)
D. saccharalise D. flavipennella são consideradas pragas-chave da cultura da cana-deaçúcar e ocorrem em todas as regiões canavieiras do Brasil (PLANALSUCAR, 1982).
Existem cerca de vinte e uma espécies de Diatraea ocorrendo em cana-de-açúcar no
continente Americano, entretanto, nem todas elas representam danos de importância
econômica ao cultivo. Apresentam distribuição generalizada por toda América e Caribe,
ocorrendo desde o norte do México até a região noroeste da Argentina, podendo causar sérios
prejuízos à agroindústria sucroalcooleira (Bleszynski,1969).
Ocorrem atacando a cana-de-açúcar no Brasil, duas espécies: D. saccharalis de
distribuição generalizada em todo o país e D. flavipennella conhecida como praga de
importância econômica apenas nos canaviais dos Estados do Rio Grande do Norte, Paraíba,
Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Rio de Janeiro (Mendonça et al., 1996).
Os machos adultos de D. saccharalis são de coloração amarelo pálida, com duas
listras escuras convergentes para frente nas asas superiores, e com 15 a 20 mm de
envergadura alar. As fêmeas são geralmente maiores em tamanho que os machos, de cor mais
clara e com listras apenas perceptíveis ou ausentes (Guagliumi, 1972-73). As lagartas de D.
saccharalis são de cor amarelada, com cápsula cefálica marrom-escura, apresentando
dorsalmente duas séries longitudinais de manchinhas escuras e duas listras acinzentadas nos
dorso laterais, mede em torno de 25 a 30 mm de comprimento, quando no último instar
(Guagliumi, 1972-73).
De acordo com Guagliumi (1972-73), a D. saccharalis apresenta um ciclo biológico
entre 50 a 62 dias (ovo de 4 a 8 dias; lagartas 40; pupa de 6 a 14 dias e longevidade de adultos
de 7 dias), podendo ocorrer de 3 a 4 gerações por ano (Fig. 1).
6
Os adultos machos de D. flavipennella têm coloração amarelo palha, sem manchas ou
listras nas asas superiores, exceto um pontinho marrom na célula discal e as nervuras
levemente escuras medem de 15 a 20 mm de envergadura alar. As fêmeas são geralmente
maiores, de cor branca marfim, sem manchas. As lagartas da espécie D. flavipennella são
esbranquiçadas, com cápsula cefálica amarela, e duas listras de pontinhos escuros no dorso,
sem listras laterais, medem no último estádio por volta de 25 a 30 mm de comprimento
(Guagliumi, 1972-73).
O ciclo biológico da D. flavipennella completa-se entre 39 a 51 dias (ovo de 4 a 8 dias;
lagartas de 25 a 26; pupa de 10 a 17, enquanto a longevidade dos adultos pode chegar a 7
dias) (Fig. 2), (Mendonça et al., 1996).
Figura 1. Ciclo biológico Diatraea saccharalis (Fotos: Lima, 2006).
Figura 2. Ciclo biológico Diatraea flavipennella (Fotos: Lima, 2006).
7
Cigarrinhas da cana-de-açúcar Mahanarva spp. (Hemiptera: Cercopidae)
As cigarrinhas são hospedeiras nativas de pastos silvestres. Desde a introdução da canade-açúcar no Novo Mundo por volta do século 15, muitas das cigarrinhas hospedeiras de
gramíneas nativas, se adaptaram e passaram a causar danos ao novo cultivo (Mendonça et al.,
2005).
A presença de cigarrinhas é relatada em várias partes do mundo, sendo encontradas,
com maior freqüência, nas regiões tropicais e subtropicais do globo (Fewkes, 1969). São
consideradas pragas de importância econômica em diversos agroecossistemas, pois, além dos
prejuízos diretos decorrentes da sucção continua de seiva e das lesões e deformações que
provocam, podem injetar substâncias tóxicas em seus hospedeiros (Gallo et al., 2002).
Segundo Mendonça et al. (2005), o gênero Mahanarva mostra-se como o de maior
distribuição em cana-de-açúcar na América do Sul, com quatro espécies de grande
importância econômica, que são M. fimbriolata (Stal, 1854), M. posticata (Stal, 1855) e M.
rubicunda (Walker, 1851), com destaque para as duas primeiras.
Os adultos de cigarrinhas da raiz M. fimbriolata medem cerca de 10 a 13 mm de
comprimento, por cerca de 5,0 a 6,5 mm de largura, sendo as fêmeas maiores e mais escuras
que os machos. Os machos apresentam uma longevidade em torno de 12 a 15 dias, enquanto
as fêmeas podem chegar a 15-20 dias. Em geral, os machos apresentam cores mais vivas que
as fêmeas, ambos com variações intra-específicas muito acentuadas no padrão de cores de
asas, podendo principalmente os machos, serem encontrados desde a coloração totalmente
vermelha, com ou sem presença de listras ou manchas escuras longitudinais nas asas, até
totalmente preta (Mendonça & Mendonça, 2005).
As fêmeas de M. fimbriolata depositam os ovos no solo, na base das touceiras, ou
entre resíduos vegetais, de preferência, nas linhas de plantio da cana, podendo também ser
encontrados com menor freqüência, nas entrelinhas, principalmente se estiverem cobertos
8
com palha. A maior concentração de ovos, está localizada a uma profundidade máxima de 1
cm no solo, podendo ser encontrados de forma mais rara, em uma profundidade de até 2 a 5
cm, ou mais abaixo disso (Mendonça & Mendonça, 2005).
De forma geral, as fêmeas de cigarrinhas da raiz iniciam a postura 2 a 3 dias após
terem sido fecundadas, depositando cerca de 1 a 10 ovos no solo, em cada postura, com um
total de 50 a 80 ovos em média por fêmea, até um máximo de 150, durante cerca de 10 dias. O
período de incubação dos ovos é de 15-25 dias (Guagliumi, 1972-73).
Segundo Mendonça et al., (1996), o ciclo biológico normal completo, sem envolver o
tempo que os ovos passam em diapausa, é de 2 a 3 meses, assim distribuído: ovo, de 15 a 20
dias; cinco estágios de ninfas, num total de 30 a 40 dias e longevidade dos adultos, de 12 a 20
dias, com os machos vivendo entre 12 a 15 dias e as fêmeas, entre 15 e 20 dias (Fig. 3).
Figura 3. Ciclo biológico de Mahanarva fimbriolata
(Fonte: Mendonça & Mendonça, 2005).
9
Os machos adultos de M. posticata medem 12 mm de comprimento por 5 mm de
maior largura, enquanto as fêmeas uma pouco maiores, medem 14 mm de comprimento por 6
mm de maior largura (Marques, 1976). As fêmeas se mostram sempre mais escuras que os
machos (Fig. 4).
A cigarrinha da folha M. posticata desenvolve seu ciclo completo (Figura 4), durante
um período em cerca de 50 a 80 dias, com maior freqüência em torno de 55 a 60 dias. Sendo
que a fase de ovo dura em torno de 17 dias, ninfa 48 dias e a longevidade do adulto macho 7 e
da fêmea 11 dias (Marques, 1976).
Figura 4. Ciclo biológico de Mahanarva posticata
(Fonte: Gallo, 2002; Mendonça & Marques, 2005: Duarte, 2008).
De acordo com Mendonça et al. (2005), durante as horas mais quentes, as fêmeas
adultas se alojam no cartucho ou olhadura da cana ou no interior das bainhas inferiores, onde
são feitas as posturas. As posturas são feitas na base das bainhas mais baixas, posicionadas no
terço inferior da planta, os ovos são inseridos nas extremidades finais da bainha, na região em
que essas áreas se cruzam envolvendo o colmo, próximo à interseção da bainha com o nó, em
10
número variável, em trono de 20 a 50 ovos, com o máximo observado de 167 ovos
(Guagliumi, 1972-73).
Ao eclodirem dos ovos, as ninfas migram da base das bainhas mais baixas para o
cartucho da cana no ápice da planta, onde se alojam, passando a sugarem as folhas mais
novas, desenvolvendo ai seus primeiros ínstares, já protegidas pela espuma branca que
produzem. Com o aparelho bucal já mais desenvolvido, retornam às bainhas mais baixas que
se encontram entreabertas, passando a se alimentarem em seu interior até alcançarem o quinto
e último instar ninfal (Mendonça & Marques, 2005).
Broca Gigante da cana-de-açúcar Telchin licus licus (Lepidoptera: Castniidae)
A broca gigante T. licus licus é de ocorrência restrita em alguns Estados do Nordeste
brasileiro, nos locais em que ocorre, assume grande importância, destacando-se como o
principal problema da cultura. Pode causar prejuízos de 20 a 60%, afetando a produção de
cana, açúcar e álcool. Devido ao hábito de postura, os maiores prejuízos são causados às
canas mais velhas (Gallo et al., 2002).
Os adultos de T. licus licus apresenta um colorido com reflexos metálicos, furtas cores,
bastante característicos, dominando a cor castanha escura. Apresenta em cada uma das asas,
uma faixa transversal branca, que vai mais ou menos do terço interno do bordo anterior até o
ângulo médio posterior, apresentando ainda algumas manchas na região apical, e asas
posteriores são divididas em duas porções desiguais por uma faixa branca em diagonal, que
vai alargando a medida que alcança a margem interna. Os adultos em geral apresentam 3,0 a
3,5 cm de comprimento de 9,0 cm de envergadura alar. Nas fêmeas o frênulo apresenta-se
composto geralmente de sete ou mais cabelos agrupados em formas de pincel, enquanto nos
machos toma a forma de um simples espinho curvo e grosso (Mendonça, 1982).
11
Monte (1934) afirmou que as posturas dessa espécie são feitas nas horas quentes do
dia. No momento da postura, a fêmea projeta o ovopositor por cerca de 6 mm para colocar os
ovos em locais protegidos no solo (Skinner, 1930). As fêmeas são capazes de depositar 50 a
100 ovos (Ribemboim, 1964). Entretanto Bates (1965), dissecando fêmeas virgens, contatou a
presença de até 282 ovos por fêmea.
Os ovos são depositados soltos entre as canas na touceira, junto ao solo e
principalmente dentro de pequenas aberturas no solo, próximo à base do colmo. Em geral são
encontrados de três a quatro ovos por touceiras, entretanto, em áreas com grandes
concentrações de adultos, já foram constatados até 27 ovos em apenas um orifício entre o solo
e o colmo da cana (Mendonça, 1982).
As lagartas de T. licus licus chegam a alcançar 9 cm, após completo desenvolvimento.
Apresentam cor branco marfim, com algumas manchas pardas no pronoto. A largura do corpo
é levemente decrescente, sendo mais grosso na parte torácica e mais delgada na anal. Em
geral é encontrada apenas uma broca por colmo de cana, podendo uma única broca perfurar
mais de um colmo durante seu longo ciclo larval (Mendonça; Viveiros & Sampaio Filho,
1996).
Segundo Mendonça (1982), a crisálida apresenta coloração castanho escura, medindo
cerca de 4 cm de comprimento. Encontra-se no interior do colmo sempre envolvida por um
casulo de fibras de cana. Antes de se transformar em crisálida, a lagarta faz uma perfuração
lateral na base do colmo, permanecendo apenas uma finíssima camada superficial externa do
colmo, por onde sairá o futuro adulto.
Em condições de campo no Nordeste do Brasil, a T. licus licus completa seu ciclo de
desenvolvimento geralmente em 177 dias, com 10 dias de incubação, 110 dias de período
larval, 45 dias de crisálida e 12 dias de longevidade do adulto, apresentado dois ciclos
completo durante o ano (PLANALSUCAR, 1982) (Fig. 5).
12
Figura 5. Ciclo biológico de Telchin licus licus
(Fonte: Gallo, 2002; Lima, 2006).
13
Referências
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17
CAPÍTULO 1
Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao Ataque de
Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae) em Rio Largo, Estado de Alagoas
18
Alexandre Guimarães Duarte
Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias/UFAL
Campus Delza Gitaí, BR 104 Norte, Km 85
57.100-000, Rio Largo-AL
xandegd@hotmail.com
Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao Ataque de
Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae) em Rio Largo, Estado de Alagoas
ALEXANDRE G. DUARTE¹, IVANILDO S. LIMA¹, JOSEMILDO V. ARAUJO JR.¹,
ADRIANA G. DUARTE¹ & GERALDO V. S. BARBOSA¹.
¹Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias/UFAL, Campus Delza Gitaí, BR 104
Norte, Km 85, 57.100-000, Rio Largo-AL, xandegd@hotmail.com; isl@fapeal.br;
josemildo_j@hotmail.com; agd@fapeal.br; gvsb@fapeal.br
19
ABSTRACT - This work was carried out with the aim to compare the intensity of damage
caused by the sugar cane borer Diatraea spp. in RB varieties. Two systems were used, rainfed
(first and second leaf) and irrigated (first leaf). The varieties studied in the rainfed cultivation
were as follows: RB72454, RB931003, RB867515, RB92579, RB971755, RB863129,
RB951541 and RB93509. For the irrigated system, the variety RB98710 was also included. In
both experiments, the evaluations were realized on a basis of approximately 30 days. The last
evaluation was carried out by the harvest, when the complex sugar cane borer/rottenness was
also evaluated. The results showed that there was not a particular time of the year that the
attack of Diatraea spp was significantly higher than another. When compared the complex
borer/rottenness, for occasion of the harvest, in the first year of rainfed cultivation, the
varieties RB92579, RB867515, RB93509 and RB863129 were significantly less damaged by
the sugar cane borers, than the variety RB971755. In the second year, the variety RB951541
showed lower levels of infestation, while the varieties RB931003 and RB93509 were more
attached by the pest. When compared the complex borer/rottenness, for occasion of the
harvest, in the irrigated system, the variety RB93509 showed a relative tolerance to Diatraea
spp. The variety RB867515was significantly more susceptible and all the other varieties
showed intermediate behavior.
KEY WORDS: Saccharum spp., sugar cane borer, plant resistance.
20
RESUMO – Este trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar o comportamento de
variedades RB (República do Brasil) de cana-de-açúcar em relação ao ataque de Diatraea
spp. Foram utilizados os sistemas de cultivo de sequeiro (primeira e segunda folha) e irrigado
(primeira folha). As variedades estudadas no cultivo de sequeiro foram: RB72454,
RB867515, RB971755, RB951541, RB931003, RB92579, RB863129, e RB93509.
No
cultivo irrigado, além das variedades já citadas, incluiu-se a RB98710. Os levantamentos para
avaliar os danos causados por Diatraea spp foram realizados a cada 30 dias ao longo do ciclo
da cultura. O último levantamento aconteceu por ocasião da colheita, possibilitando avaliar o
complexo broca/podridão. Os resultados mostraram que não houve uma época do ano em que
o ataque de Diatraea spp. fosse significativamente maior que em outras. Quando comparadas
com base no complexo broca/podridão, por ocasião da colheita, o primeiro ano de
levantamento do cultivo de sequeiro, indicou que as variedades RB92579, RB867515,
RB93509 e RB863129 foram significativamente menos danificadas pelo ataque de Diatraea
spp. do que a variedade RB971755. No segundo ano constatou-se que a variedade RB951541
apresentou menores índices de infestação, enquanto RB931003 e RB93509 foram as mais
atacadas pela praga. Para o cultivo irrigado, quando comparadas com base no complexo
broca/podridão, a variedade RB93509 apresentou maior tolerância ao ataque das brocas. A
variedade RB867515 se revelou como a mais susceptível e as demais tiveram comportamento
intermediário.
PALAVRAS-CHAVE: Saccharum spp., brocas comuns, resistência de plantas.
21
As brocas do gênero Diatraea spp., são consideradas pragas-chave da cultura e
ocorrem em todas as regiões canavieiras do Brasil (Planalsucar, 1982; Chagas Neto et al.,
2000).
As lagartas de D. saccharalis (Fabricius, 1794) e D. flavipennella (Box, 1931)
(Lepidoptera: Crambidae), ao penetrarem no colmo, as lagartas provocam danos diretos e
indiretos. Os danos diretos decorrem da alimentação do inseto, quando atacam as canas
jovens, de até quatro meses de idade, causam a morte da gema apical provocando a morte da
planta, apresentando o sintoma conhecido como “coração morto” (Mendonça et al. 1996). Em
cana adulta, além do sintoma mencionado, ocorre brotação lateral, enraizamento aéreo, canas
quebradas e entrenós atrofiados (Mendonça et al. 1996).
O dano indireto é causado por fungos (Fusarium moniliforme Sheldon e/ ou
Colletotrichum falcatum Went) que, ao penetrarem pelos orifícios deixados pelas lagartas,
causam a podridão-vermelha responsável pela inversão da sacarose, diminuição da pureza do
caldo e contaminação no processo de fermentação alcoólica (Planalsucar, 1982; Gallo et al.,
2002).
O controle desta praga pode ser realizado de diferentes maneiras, tais como: coleta
manual de lagartas, tratos culturais, manejo da época de plantio e o manejo varietal
(Mendonça et al. 1996). Atualmente, o controle mais eficiente desse inseto tem sido o
biológico, por meio do endoparasitóide larval Cotesia flavipes (Cameron, 1891)
(Hymenoptera: Braconidae) o qual tem sido utilizado como base do manejo integrado da
broca da cana-de-açúcar. Botelho (1985) observou que o fator-chave de crescimento da
população da broca-da-cana é a fase de ovo, que são parasitados por diversas espécies de
inimigos naturais.
O controle biológico age a médio e longo prazo, exige investimentos incompatíveis
com a capacidade dos pequenos produtores. Mesmo para os grandes produtores que dispõem
22
de condições para a produção de parasitóides em laboratórios, quando há necessidade de
reduzir drasticamente a população da praga em grandes áreas em curto prazo, visando
diminuir os prejuízos, o controle biológico pode ser lento para atingir o objetivo (Macedo &
Botelho, 1986).
Dessa forma, o método ideal para o controle dos insetos-praga na cultura da cana-deaçúcar seria o uso de variedades resistentes, uma vez que a cultura é extensiva e de baixa
renda líquida, não suportando onerosos métodos de controle de pragas (Azzi, 1976).
Apesar das vantagens da utilização de variedades resistentes como fator de redução de
incidência de pragas, poucos trabalhos foram realizados para avaliar o comportamento de
variedades de cana-de-açúcar ao ataque de insetos-praga. O presente trabalho objetivou
avaliar o comportamento de variedades RB (República do Brasil) de cana-de-açúcar no
sistema de cultivo sequeiro e de cultivo irrigado, em relação ao ataque de Diatraea spp. no
município de Rio Largo, Estado de Alagoas.
23
Material e Métodos
O estudo foi conduzido em uma área experimental do Campus Delza Gitaí,
pertencente à Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias (U.A.CECA), da Universidade
Federal de Alagoas no município de Rio Largo, Estado de Alagoas (latitude 09° 40’ S,
longitude 35° 42’ W e 127 m de altitude). Foram utilizados dois sistemas de cultivo da cana, o
de sequeiro, em cana planta e segunda folha e o de irrigado em cana planta, tendo-se ambos
um solo do tipo Latossolo Amarelo, coeso distrófico e relevo plano.
O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, com quatro
repetições, sendo que para o sistema cultivado em sequeiro, cada parcela foi constituída por
12 fileiras simples de 20,00 m e para o sistema cultivado sob irrigação foi de cinco fileiras
duplas de 15,00 m (Fig. 6).
As variedades estudadas no cultivo sequeiro foram: RB72454, RB867515, RB971755,
RB951541, RB931003, RB92579, RB863129, e RB93509. Para o sistema irrigado, foi
incluído a RB98710.
O plantio da cana no cultivo sequeiro foi realizado na primeira quinzena do mês de
setembro de 2005, com um espaçamento de 1,0 m entre linhas, utilizando-se 12 gemas/metro
linear. A adubação da cana foi feita toda em fundação, colocando-se o adubo no fundo do
sulco, com os níveis de 100, 150 e 200 kg/ha respectivamente de N, P2O5 e K2O além dos
micronutrientes.
No cultivo irrigado a cana foi plantada em 23 de janeiro de 2007, com um
espaçamento de 1,50 m entre linhas, utilizando-se 12 gemas/metro linear. A adubação da cana
foi feita em fundação, com os níveis de 50, 190 e 100 kg/ha respectivamente de N, P2O5 e
K2O e no mês de maio foi aplicado 43 kg/ha de N, por fertiirrigação.
24
Os dados climatológicos de precipitação pluviométrica (mm) e temperatura média (ºC)
foram coletados na estação meteorológica da U.A.CECA no período de janeiro a dezembro de
2007 (Fig. 7).
Ao longo do ciclo da cultura foram realizados oito levantamentos no cultivo sequeiro,
para o cálculo da porcentagem de intensidade de danos (% I.D.) externo de Diatraea spp., que
foram realizados mensalmente durante o período de abril a novembro de 2007. No cultivo
irrigado foram realizados sete levantamentos mensais durante o período de maio a novembro
de 2007. Por ocasião da colheita nos dois sistemas de cultivo foram realizados mais um
levantamento, em novembro e dezembro de 2007 respectivamente, o que possibilitou avaliar
o complexo broca/podridão.
Para a análise conjunta das épocas de avaliação de % I.D. os levantamentos foram
realizados em 1,0 m linear, tomado ao acaso, com auxilio de um gabarito confeccionado com
tubos de PVC (Fig. 8). Através da avaliação da parte externa de todos os colmos presentes na
amostra, observou-se os danos causados pela broca. O cálculo da % I.D. foi realizado através
da fórmula: (n° de entrenós perfurados/n° total de entrenós) x 100.
Para a avaliação de % I.D. por ocasião da colheita, as amostragens foram realizadas
em 15 colmos de cada variedade retirados da leira ao acaso. Todos os colmos foram abertos
no sentido longitudinal (Fig. 9), obtendo-se assim a porcentagem de entrenós danificados pelo
complexo broca/podridão através da seguinte fórmula: [n° de entrenós danificados (broca +
podridão)/n° total de entrenós] x 100.
A produtividade agrícola de cada variedade foi obtida através da pesagem dos colmos
logo após a colheita da cana. Os parâmetros tecnológicos agroindústrias foram analisados de
acordo com a sistemática de pagamento de cana-de-açúcar pelo teor de sacarose. Nessas
análises foram obtidas Pureza (porcentagem de sacarose no total de sólidos solúveis), Pol da
cana (porcentagem aparente de sacarose), fibra (porcentagem de matéria insolúvel em água
25
contida no caldo), Brix (porcentagem de sólidos solúveis, incluindo a sacarose, no caldo) e
ATR (açúcar total recuperável, expresso em kg/t de colmos).
Para a análise estatística, os dados de % I.D. foram transformados em arco sen
e, em seguida, todos os parâmetros observados foram comparados pelo teste de
Tukey a 5% de probabilidade.
As correlações entre % de infestação e os parâmetros
tecnológicos agroindustriais foram realizadas pelo teste t a 5% de probabilidade.
26
Resultados e Discussão
Através da análise conjunta, durante os dois anos de levantamentos no cultivo sequeiro
não se constataram diferenças significativas para as épocas de avaliação. Este fato evidencia
que não ocorreu um pico de ataque de Diatraea spp. que se destacasse dos demais durante o
ciclo da cultura. Embora tenha sido verificada a presença da praga durante todo o período do
estudo (Tabelas 1 e 2). Resultado semelhante foi observado no cultivo irrigado, onde não
foram verficados diferenças significativas entre os períodos de avaliação (Tabela 3).
Entretanto, Vendramim et al. (1988) comparando dois métodos para avaliar a
infestação de D. saccharalis em cana-de-açúcar verificaram que, quando as plantas estavam
com 15 e 17 meses de idade, as porcentagens de colmos infestados foram significativamente
superiores àquelas registradas para quando tinham 13 meses de idade no cultivo sequeiro.
Durante o primeiro e o segundo ano de avaliação do cultivo de sequeiro não se
constatou uma época em que o ataque de Diatraea spp. fosse significativamente maior que em
outras. Apesar de não ter sido identificada nenhuma variedade com característica marcante de
não preferência pela praga, RB971755 no primeiro ano se destacou com média de % I.D.
superior às demais variedades, as quais apresentaram médias inferiores a 40,0% (Tabela 1).
No segundo ano foi a variedade RB931003 que se destacou com média de % I.D. superior às
demais variedades (Tabela 2). Esse comportamento sugere que, se cultivada em extensas
áreas, RB971755 e RB931003 poderão apresentar maiores prejuízos em relação às demais
variedades estudadas, devido ao ataque de Diatraea spp.
Na avaliação do cultivo irrigado não foi constatada uma época em que o ataque de
Diatraea spp. fosse significativamente maior que em outras. Porém, RB971755 se destacou
com média de % I.D. superior às demais variedades, as quais apresentaram médias inferiores
a 40,0% (Tabela 3).
27
Os resultados deste estudo mostraram que não existem correlações entre as
precipitações pluviométricas e as médias mensais de temperatura do ar, com a % I.D. externo.
Por outro lado, Botelho et al. (1979) observaram que existem variações populacionais de D.
saccharalis, de um ano para o outro, e atribuíram esse fato às mudanças climáticas e
fisiográficas da região onde se realizou o estudo.
Os resultados do primeiro ano de cultivo de sequeiro, realizado por ocasião da
colheita, indicaram que as variedades RB92579, RB867515, RB93509 e RB863129 foram
significativamente menos danificadas pelo ataque de Diatraea spp. do que RB971755 (Tabela
4). Ao final do segundo ano, constatou-se que a variedade RB951541 apresentou menores
índices de infestação, enquanto que RB931003 e RB93509 foram as mais atacadas pela praga
(Tabela 5).
Os resultados do cultivo irrigado quando comparadas com base no complexo
broca/podridão, por ocasião da colheita, a variedade RB93509 apresentou maior tolerância ao
ataque das brocas. A variedade RB867515 se revelou como a mais susceptível e as demais
tiveram comportamento intermediário (Tabela 6).
Derneika & Lara (1991) classificaram as variedades SP71-345, SP71-6113 e SP711081 como moderadamente resistentes e CP51-22, SP71-3146 e SP71-5574 como altamente
susceptíveis à D. saccharalis e afirmaram que os níveis de infestação variaram de acordo com
a região. Posteriormente, ensaios conduzidos em laboratório por Boiça Jr. et al. (1997),
confirmaram que lagartas de D. saccharalis alimentadas em dieta contendo colmo da
variedade SP71-1081 tiveram aumento da fase larval e pupal, evidenciando uma não
preferência para alimentação, classificando-a também como moderadamente resistente.
Considerando os dados referentes ao primeiro ano de avaliação na produtividade
agrícola do cultivo de sequeiro verificou-se que as variedades RB92579, RB93509 e
RB863129, com médias superiores a 95 toneladas de colmos ha-1 foram significativamente
28
mais produtivas que RB72454, RB951541 e RB971755. Com relação aos parâmetros
tecnológicos avaliados não se constataram diferenças significativas entre as variedades
(Tabela 4).
Os dados referentes ao segundo ano de avaliação na produtividade agrícola do cultivo
sequeiro verificou-se que a variedade RB93509 com média superior a 95 toneladas de colmos
ha-1 foi significativamente mais produtiva que a variedade RB971755, enquanto as demais
variedades tiveram sua produtividade intermediaria. Com relação aos parâmetros
tecnológicos, o brix das variedades RB 867515 e RB971755 foram significativamente
maiores que a variedade RB863129. O ATR, o pol e pureza do caldo da variedade RB863129
foram significativamente menores que as demais variedades. Com relação à fibra não houve
diferença significativa entre as variedades (Tabela 5).
Foi verificado que não houve diferença significativa entre as variedades em relação à
produtividade agrícola no sistema de cultivo irrigado. Com relação ao ATR, pol, fibra e
pureza do caldo não se constataram diferenças significativas entre as variedades. No brix, a
variedade RB92579 foi significativamente maior que as variedades RB863129, RB72454 e
RB971755 (Tabela 6). Elevadas produtividades das variedades RB92579 e RB93509 também
foram encontradas por Barbosa et al. (2002).
Os resultados obtidos do cultivo irrigado, e a do cultivo sequeiro ao longo dos dois
anos permitiram concluir que, com base no complexo broca/podridão por ocasião da colheita,
as variedades apresentaram comportamento diferenciado em relação ao ataque da broca. A
variedade RB863129 em média durante os dois anos de estudo, apresentou uma maior
tolerância ao ataque das brocas e obteve alta produtividade, sugerindo que pode ser
recomendada para as regiões mais infestadas por Diatraea spp.
29
As análises dos anos subseqüentes poderão fornecer subsídios que possam confirmar a
preferência da praga pela variedade RB971755 quando planta e pela variedade RB931003 na
socaria.
30
Agradecimentos
Ao Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar (PMGCA) da Unidade
Acadêmica Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas, a Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela concessão de bolsa de
estudo.
31
Referências
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melhoramento da cana-de-açúcar no Brasil. Brasil Açucareiro, 87: 224-228.
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Boiça Jr., A.A., F.M. Lara & M.P. Bellodi. 1997. Influência de variedades de cana-deaçúcar, incorporadas em dieta artificial, no desenvolvimento de Diatraea saccharalis
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e em quatro locais do Estado de São Paulo. Anais da Sociedade Entomológica do Brasil
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32
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dois métodos para avaliação da infestação pelo complexo broca-podridões em cultivares
de cana-de-açúcar. Anais da ESALQ. 45: 397-421.
33
Tabela 1. Média (± EP) da porcentagem de intensidade de dano externo de Diatraea spp. em oito variedades de cana-de-açúcar, em oito épocas
de avaliação, no sistema de cultivo sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2006. Ano I.
Variedade
Março
RB72454
40,1 ± 6,37 a
RB863129
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Média
30,0 ± 0,00 a 39,1 ± 6,26 a
35,7 ± 3,87 a
36,5 ± 2,76 a
35,3 ± 3,47 a
34,9 ± 2,95 a
36,2 ± 2,12 a
35,9
45,8 ± 5,87 a
35,6 ± 3,53 a 35,3 ± 3,09 a
36,6 ± 2,56 a
37,9 ± 2,75 a
32,4 ± 2,40 a
42,3 ± 7,48 a
41,9 ± 1,67 a
38,5
RB951541
39,7 ± 5,92 a
32,7 ± 2,69 a 34,4 ± 4,37 a
34,7 ± 2,86 a
39,4 ± 1,31 a
46,4 ± 3,65 a
41,2 ± 4,40 a
42,0 ± 2,27 a
38,8
RB92579
33,8 ± 3,78 a
32,8 ± 2,79 a 36,1 ± 3,83 a
44,1 ± 3,03 a
38,2 ± 2,94 a
43,4 ± 5,42 a
33,6 ± 3,64 a
40,5 ± 0,54 a
37,8
RB867515
34,7 ± 4,73 a
32,6 ± 2,58 a 40,5 ± 4,82 a
35,4 ± 3,47 a
34,0 ± 4,07 a
32,1 ± 2,06 a
36,5 ± 2,61 a
36,5 ± 0,85 a
35,3
RB971755
30,0 ± 0,00 a
33,7 ± 3,74 a 41,1 ± 4,60 a
49,2 ± 4,10 a
37,8 ± 3,08 a
47,5 ± 4,28 a
54,7 ± 8,37 a
43,3 ± 3,79 a
42,2
RB93509
30,0 ± 0,00 a
33,1 ± 3,10 a 30,0 ± 0,00 a
31,7 ± 1,69 a
34,5 ± 1,78 a
41,8 ± 4,90 a
36,1 ± 3,58 a
36,7 ± 1,18 a
34,2
RB931003
39,5 ± 5,76 a
34,5 ± 4,56 a 38,3 ± 2,93 a
34,3 ± 4,26 a
33,8 ± 2,21 a
30,0 ± 0,00 a
35,8 ± 3,47 a
37,3 ± 2,81 a
35,5
Média
36,7
33,1
38,8
37,7
36,5
38,6
39,4
39,3
CV%
22,68
16,11
18,52
17,82
15,89
19,85
26,85
28,98
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey (P < 0,05).
34
Tabela 2. Média (± EP) da porcentagem de intensidade de dano externo de Diatraea spp. em oito variedades de cana-de-açúcar, em oito épocas
de avaliação, no sistema de cultivo sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2007. Ano II.
Variedades
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Média
RB72454
37,2 ± 4,22 a
30,0 ± 0,00 a
38,5 ± 3,37 a
43,7 ± 1,85 a 32,6 ± 2,67 a 40,9 ± 4,60 a 45,2 ± 3,88 a 45,1 ± 3,81 a
39,2
RB863129
30,0 ± 0,00 a
41,2 ± 4,81 a
37,2 ± 2,66 a
38,2± 2,94 a
35,6 ± 3,25 a 33,7 ± 2,15 a 37,3 ± 3,61 a 34,4 ± 2,61 a
35,9
RB951541
30,0 ± 0,00 a
31,6 ± 1,63 a
32,9 ± 2,95 a
36,5 ± 2,44 a 34,1 ± 2,79 a 39,2 ± 5,75 a 40,3 ± 1,80 a 41,7 ± 2,50 a
35,8
RB92579
32,2 ± 2,25 a
30,0 ± 0,00 a
33,6 ± 2,11 a
41,9 ± 1,32 a 37,0 ± 2,77 a 39,8 ± 3,62 a 39,8 ± 3,32 a 45,3 ± 2,82 a
37,5
RB867515
32,9 ± 2,95 a
30,0 ± 0,00 a
32,7 ± 2,70 a
43,9 ± 4,26 a 37,2 ± 2,51 a 35,9 ± 2,02 a 40,8 ± 4,22 a 47,1 ± 3,04 a
37,6
RB971755
32,4 ± 2,42 a
33,2± 3,21 a
36,0 ± 4,42 a
40,8 ± 4,38 a 43,3 ± 3,89 a 42,6 ± 4,40 a 42,2 ± 1,88 a 42,8 ± 3,61 a
39,2
RB93509
32,5 ± 2,53 a
31,8± 1,81 a
34,6 ± 2,98 a
46,5± 1,50 a
34,4 ± 2,93 a 37,6 ± 2,84 a 41,4 ± 2,80 a 45,0 ± 4,23 a
38,0
RB931003
37,2 ± 4,22 a
37,5 ± 4,33 a
41,3 ± 1,32 a
41,7 ± 3,99 a 37,9 ± 3,60 a 44,7 ± 6,52 a 46,4 ± 6,86 a 38,3 ± 3,29 a
40,6
Média
33,1
33,2
35,8
41,7
36,5
39,3
41,7
42,5
CV%
16,82
18,49
25,51
14,87
17,12
20,96
17,57
16,60
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey (P < 0,05).
35
Tabela 3. Média (± EP) da porcentagem da intensidade de dano externo de Diatraea spp. em nove variedades de cana-de-açúcar, em sete épocas
de avaliação, no sistema de cultivo irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2007.
Variedades
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Média
RB72454
30,0 ± 0,00 a 30,0 ± 0,00 a 39,6 ± 3,30 a 34,3 ± 2,93 a 39,8 ± 3,41 a 35,7 ± 2,03 a 36,0 ± 2,14 a
35,1
RB863129
32,6 ± 2,58 a 34,7 ± 2,74 a 34,2 ± 4,23 a 41,1 ± 1,17 a 39,0 ± 3,14 a 38,0 ± 2,79 a 39,5 ± 3,77 a
37,0
RB951541
36,3 ± 3,92 a 34,8 ± 2,79 a 39,8 ± 5,37 a 37,2 ± 2,80 a 47,9 ± 5,27 a 43,2 ± 5,92 a 40,5 ± 6,29 a
39,9
RB92579
34,2± 4,21 a
30,0 ± 0,00 a 30,0 ± 0,00 a 37,7 ± 2,76 a 40,1 ± 3,67 a 42,1 ± 4,30 a 41,6 ± 1,04 a
36,5
RB867515
33,2 ± 3,20 a 32,3 ± 2,26 a 33,9 ± 2,33 a 32,8 ± 2,81 a 38,3 ± 5,10 a 37,3 ± 2,53 a 38,4 ± 0,94 a
35,2
RB971755
43,5 ± 8,92 a 41,2 ± 0,83 a 41,2 ± 0,83 a 37,6 ± 4,48 a 46,4 ± 4,41 a 49,2 ± 2,94 a 45,6 ± 1,48 a
43,5
RB93509
40,9 ± 4,64 a 38,2 ± 3,40 a 35,5 ± 1,95 a 31,6 ± 1,64 a 33,7 ± 3,78 a 40,0 ± 4,12 a 36,3 ± 2,22 a
36,6
RB931003
40,1 ± 6,77 a 37,0 ± 2,40 a 35,8 ± 2,10 a 34,7 ± 2,86 a 34,8 ± 2,85 a 41,0 ± 2,36 a 35,0 ± 3,19 a
36,9
RB98710
39,5 ± 6,45 a 34,6 ± 2,73 a 36,7 ± 3,93 a 34,4 ± 2,84 a 40,1 ± 1,08 a 40,5 ± 3,83 a 37,3 ± 0,80 a
37,6
Média
36,7
34,7
36,3
35,7
40,0
40,8
38,9
CV%
27,30
15,50
19,64
16,12
21,34
18,32
13,46
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey (P < 0,05).
36
Tabela 4. Média (± EP) da porcentagem de intensidade de danos (% I.D.) de Diatraea spp. e parâmetros tecnológicos agroindustriais por ocasião
da colheita em oito variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo,
Estado de Alagoas, 2006. Ano I.
Produtividade
Variedades
% I.D.
(t.hai¹)
Pureza
RB72454
55,02 ± 3,33 ab
74,10 ± 3,73 b
15,74 ± 0,45 a 19,22 ± 0,57 a 13,90 ± 0,20 a 21,48 ± 0,58 a 154,45 ± 4,18 a
RB863129
45,87 ± 1,27 b
97,42 ± 3,71 a
14,53 ± 0,33 a 17,51 ± 0,44 a 13,13 ± 0,20 a 20,23 ± 0,45 a 143,79 ± 3,04 a
RB951541
52,23 ± 3,66 ab
77,93 ± 3,39 b
16,02 ± 0,37 a 19,55 ± 0,44 a 13,90 ± 0,23 a
RB92579
41,18 ± 3,80 b
101,39 ± 4,95 a
16,03 ± 0,37 a 19,49 ± 0,50 a 13,64 ± 0,39 a 21,63 ± 0,41 a 156,97 ± 3,31 a
RB867515
42,03 ± 4,27 b
92,54 ± 4,6 ab
13,97 ± 0,73 a 16,94 ± 0,88 a 13,49 ± 0,10 a 20,35 ± 0,55 a 139,18 ± 6,17 a
RB971755
60,69 ± 5,41 a
78,21 ± 5,73 b
14,94 ± 0,37 a 18,19 ± 0,58 a 13,68 ± 0,49 a
RB93509
44,01 ± 3,97 b
98,52 ± 6,47 a
14,36 ± 0,73 a 17,41 ± 0,84 a 13,53 ± 0,22 a 20,03 ± 0,65 a 142,13 ± 6,49 a
RB931003
49,27 ± 3,47 ab
92,87 ± 7,46 ab
15,07 ± 0,51 a 18,45 ± 0,64 a 14,03 ± 0,26 a 20,78 ± 0,48 a 148,30 ± 4,46 a
CV%
12,34
9,02
6,44
Pol na cana
6,74
Fibra
4,28
Brix
21,5 ± 0,49 a
20,5 ± 0,62 a
5,06
ATR
156,68 ± 3,47 a
147,61 ± 3,78 a
5,85
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey (P < 0,05).
37
Tabela 5. Média (± EP) da porcentagem de intensidade de danos (% I.D.) de Diatraea spp. e parâmetros tecnológicos agroindustriais por ocasião
da colheita em oito variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo,
Estado de Alagoas, 2007. Ano II.
Produtividade
Variedades
% I.D.
(t.hai¹)
Pureza
Pol na cana
Fibra
Brix
ATR
RB72454
46,86 ± 1,09 c
71,25 ± 11,85 ab 14,65 ± 0,31 a 17,59 ± 0,29 a 13,34 ± 0,22 a
20,60 ± 0,24 ab
143,61 ± 2,88 a
RB863129
41,97 ± 1,39 c
79,16 ± 8,31 ab
12,92 ± 0,39 b 15,59 ± 0,49 b 13,15 ± 0,38 a
19,60 ± 0,22 b
128,82 ± 3,30 b
RB951541
41,70 ± 2,11 d
71,67 ± 10,82 ab 15,02 ± 0,29 a 17,93 ± 0,39 a 13,06 ± 0,22 a
21,05 ± 0,42 ab
146,92 ± 2,67 a
RB92579
48,22 ± 2,57 b
76,25 ± 6,95 ab
15,23 ± 0,13 a 18,40 ± 0,09 a 13,05 ± 0,24 a
21,22 ± 0,36 ab
149,29 ± 1,11 a
RB867515
48,06 ± 2,46 b
65,83 ± 5,33 ab
15,36 ± 0,31 a 18,63 ± 0,43 a 13,52 ± 0,34 a
21,65 ± 0,25 a
150,30 ± 2,75 a
RB971755
46,16 ± 5,11 bc
60,00 ± 6,08 b
15,13 ± 0,16 a 18,45 ± 0,36 a 13,81 ± 0,55 a
21,57 ± 0,55 a
148,26 ± 1,50 a
RB93509
50,46 ± 4,50 ab
95,83 ± 1,59 a
15,02 ± 0,29 a 18,17 ± 0,33 a 13,42 ± 0,27 a
20,92 ± 0,31 ab
146,92 ± 2,75 a
RB931003
52,46 ± 1,28 a
81,67 ± 3,19 ab
14,71 ± 0,46 a 17,75 ± 0,55 a 13,25 ± 0,20 a
21,05 ± 0,36 ab
144,63 ± 4,08 a
CV%
12,49
18,40
3,44
3,58
3,97
4,06
4,17
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey (P < 0,05).
38
Tabela 6. Média (± EP) da porcentagem de intensidade de danos (% I.D.) de Diatraea spp. e parâmetros tecnológicos agroindustriais por ocasião
da colheita em nove variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo,
Estado de Alagoas, 2007.
Produtividade
Variedades
% Infestação
(t.hai¹)
RB72454
37,81 ± 5,60 cd 131,07 ± 4,34 a
RB863129
38,91 ± 5,27 c
RB951541
Pureza
Brix
ATR
86,63 ± 0,36 a 12,79 ± 0,19 a 12,85 ± 0,08 a
16,67 ± 1,78 b
125,57 ± 1,73 a
154,65 ± 8,36 a
81,78 ± 2,05 a 12,17 ± 1,03 a 12,75 ± 0,42 a
16,33 ± 2,12 b
121,19 ± 9,24 a
37,17 ± 4,19 d
130,99 ± 5,24 a
86,59 ± 2,09 a 14,07 ± 0,51 a 13,44 ± 0,08 a 20,94 ± 1,72 ab
136,72 ± 4,55 a
RB867515
45,52 ± 1,99 a
165,77 ± 4,11 a
81,57 ± 1,08 a 13,06 ± 0,77 a 12,73 ± 0,25 a 18,21 ± 2,04 ab
118,34 ± 7,03 a
RB931003
37,78 ± 4,51 cd 175,72 ± 4,45 a
82,36 ± 2,14 a 12,13 ± 0,50 a 13,49 ± 0,28 a 19,90 ± 2,09 ab
122,09 ± 4,25 a
RB92579
41,16 ± 5,09 b
150,96 ± 4,26 a
87,11 ± 1,29 a 14,30 ± 0,55 a 13,73 ± 0,22 a
26,83 ± 1,53 a
141,07 ± 4,99 a
RB93509
35,59 ± 3,23 e
132,36 ± 7,24 a
81,30 ± 0,56 a 11,97 ± 0,45 a 13,17 ± 0,28 a 20,92 ± 1,34 ab
119,23 ± 4,10 a
RB971755
42,21 ± 4,67 b
183,44 ± 3,91 a
82,87 ± 2,20 a 13,06 ± 0,89 a 13,86 ± 0,38 a
16,99 ± 1,58 b
130,39 ± 7,89 a
RB98710
41,29 ± 6,70 b
140,60 ± 5,44 a
84,89 ± 1,20 a 13,16 ± 0,39 a 12,89 ± 0,14 a 18,95 ± 2,03 ab
132,61 ± 3,42 a
CV%
14,78
20,02
3,63
Pol na cana
10,36
Fibra
3,82
18,73
8,60
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey (P < 0,05).
39
A)
88,00 m
3
2
5
7
1
8
6
4
2
8
7
5
6
4
3
1
8
3
1
4
5
6
7
2
4
1
6
3
7
2
8
5
86,00 m
1= RB72454; 2 = RB867515; 3 = RB971755; 4 = RB951541;
5 = RB931003; 6 = RB92579; 7 = RB863129 e 8 = RB93509.
B)
Figura 6. Croqui das áreas experimentais onde foram realizados os levantamentos, sequeiro
(A) e irrigado (B). Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de
Alagoas.
41
40
35
T em peratura (º C )
P rec ipitaç ão (m m )
250
200
30
150
25
100
20
15
50
10
0
5
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
dez
Mês
Precipitação
Temperatura máxima
Temperatura mínima
Temperatura média
Figura 7. Dados climatológicos da área dos experimentos. Unidade Acadêmica Centro de
Ciências Agrárias. Universidade Federal de Alagoas, Rio Largo – AL, durante o ano de
2007.
Figura 8. Gabarito utilizado nos levantamentos mensais de Diatraea spp.
42
Figura 9. Colmo de cana-de-açúcar sendo aberto no sentido longitudinal para verificar
porcentagem de Intensidade de Dano (% I.D.) por ocasião da colheita.
43
CAPÍTULO 2
Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao
Ataque de Mahanarva spp. (Hemiptera: Cercopidae) em Rio Largo, Estado de
Alagoas
44
Alexandre Guimarães Duarte
Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias/UFAL
Campus Delza Gitaí, BR 104 Norte, Km 85
57.100-000, Rio Largo-AL
xandegd@hotmail.com
Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao
Ataque de Mahanarva spp.(Hemiptera: Cercopidae) em Rio Largo, Estado de Alagoas
ALEXANDRE G. DUARTE¹, IVANILDO S. LIMA¹, JOSEMILDO V. ARAUJO JR.¹,
ADRIANA G. DUARTE¹ & GERALDO V. S. BARBOSA¹.
¹Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias/UFAL, Campus Delza Gitaí, BR 104
Norte, Km 85, 57.100-000, Rio Largo-AL, xandegd@hotmail.com; isl@fapeal.br;
josemildo_j@hotmail.com; agd@fapeal.br; gvsb@fapeal.br
45
ABSTRACT – This work was carried out with the aim to compare the infestation of
leafhopper Mahanarva spp. in RB varieties of sugar cane. Two systems were used, rainfed
(first and second leaf) and irrigated (first leaf). The varieties studied in the rainfed
cultivation were as follows: RB72454, RB931003, RB867515, RB92579, RB971755,
RB863129, RB951541 and RB93509. For the irrigated system, the variety RB98710 was
also included. In the first year of rainfed system, it was observed that the infestation of M.
fimbriolata in the variety RB86 RB867515, with annual average of 2.52 insects meter -¹
was significantly higher than those observed for the varieties RB863129, RB72454,
RB931003, RB93509, RB971755 and RB951541. Although no significant differences, the
variety RB92579 can be considered as intermediate to the attack of M. fimbriolata. In the
second year, it was not possible to identify a variety with a marked preference by the pest.
For the irrigated system, the results showed that the infestation of M. fimbriolata were
statistically similar, ie it was not possible to identify a variety with a marked preference by
the pest. With respect to the agroindustrials parameters evaluated it was not found
significant differences. The infestations of M. fimbriolata showed no significant
correlations with the parameters evaluated during the harvest. Despite the variety
RB867515 was severely infested by the root leafhopper, its good productivity should be
considered during the planning of the planting.
KEYWORDS: Saccharum spp., spittlebugs of sugar cane, plant resistance.
46
RESUMO – Este trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar o comportamento de
variedades RB (República do Brasil) de cana-de-açúcar em relação ao ataque de
Mahanarva spp. Foram utilizados os sistemas de cultivo de sequeiro (primeira e segunda
folha) e irrigado (primeira folha). As variedades estudadas no cultivo de sequeiro foram:
RB72454, RB867515, RB971755, RB951541, RB931003, RB92579, RB863129, e
RB93509. No cultivo irrigado, além das variedades já citadas, incluiu-se a RB98710. No
primeiro ano de cultivo no sistema de sequeiro, verificou-se que a infestação de cigarrinha
da raiz na variedade RB867515, com média anual de 2,5 insetos metro líneari¹, foi
significativamente superior às observadas para as variedades RB863129, RB72454,
RB931003, RB93509, RB971755 e RB951541. Apesar de não existirem diferenças
significativas, a variedade RB92579 comportou-se como intermediária ao ataque de
cigarrinha da raiz. No segundo ano não foi possível identificar uma variedade com
característica marcante de preferência pela praga. Os resultados do cultivo irrigado
mostraram que as infestações de M. fimbriolata foram estatisticamente semelhantes, ou
seja, não foi possível identificar uma variedade com característica marcante de preferência
pela praga. Com relação aos parâmetros agroindustriais avaliados não se constataram
diferenças significativas. As infestações de M. fimbriolata não apresentaram correlações
significativas com os parâmetros agroindustriais avaliados por ocasião da colheita. Apesar
da variedade RB867515 ter sido severamente infestada pela cigarrinha da raiz, a sua boa
produtividade, deve ser levada em consideração por ocasião da programação do plantio.
PALAVRAS-CHAVE: Saccharum spp., cigarrinhas da cana-de-açúcar, resistência de
plantas.
47
Apesar da grande importância da cultura da cana-de-açúcar no Brasil, parte da
produção ainda é perdida devido aos danos causados por várias pragas, dentre as quais, as
cigarrinhas do gênero Mahanarva (Hemiptera: Cercopidae) (Mendonça et al., 1996). Entre
as espécies de cigarrinhas que ocorrem no Brasil, se destacam, pela importância econômica
de seus danos, a cigarrinha da raiz M. fimbriolata (Stal) e a cigarrinha da folha M. posticata
(Stal) (Guagliumi 1972-73).
O principal dano de M. fimbriolata é a “queima da cana-de-acúcar”, conseqüência
da alimentação do adulto. Na cana em crescimento as toxinas, injetadas ao se alimentar,
causam redução no tamanho e grossura dos entrenós, que ficam curtos e fibrosos
(Guagliumi 1972-73).
Nas folhas, produzem pequenas manchas amarelas que, com passar do tempo,
tornam-se avermelhadas e, finalmente, opacas, reduzindo a capacidade de fotossíntese da
planta e, por conseqüência, o conteúdo de sacarose no colmo (El-Kadi, 1977).
As ninfas ocasionam a “desordem fisiológica” em decorrência das picadas que
atingem os vasos lenhosos da raiz e os deterioram, dificultando ou impedindo o fluxo de
água e de nutrientes. A morte de raízes ocasiona desequilíbrio na fisiologia da planta
caracterizado como desidratação do floema e do xilema que podem tornar o colmo oco,
afinado com o posterior aparecimento de rugas na superfície externa (Gallo et al., 2002).
Ao contrário dos adultos que, ao sugarem a seiva causam sintomas e danos
semelhantes aos provocados por M. fimbriolata, as ninfas de M. posticata causam apenas
debilitação da planta (Mendonça et al., 1996).
Dinardo-Miranda et al. (2003) ressaltam que, embora alguns inseticidas se mostrem
eficientes, existe um grande interesse em reduzir as doses utilizadas, não somente para
diminuir os custos do controle, mas também para reduzir a quantidade de produtos
48
químicos aplicados à lavoura, o que minimizaria os eventuais impactos ambientais
causados por esses produtos.
Segundo Mendonça et al. (2005) o principal agente de controle biológico com
ocorrência natural, utilizado amplamente em áreas comerciais no Brasil e em vários países
da America Latina é o fungo Metarhizium anisopliae (Metsch) Sorokin, 1883. A estratégia
de controle deve envolver táticas do manejo integrado de pragas e a resistência varietal
permitiria obter variedades de cana-de-açúcar que tolerassem a praga sem sofrer grandes
prejuízos, facilitando a prática do controle biológico (Mendonça & Mendonça 2005).
A maioria das variedades, cultivadas em escala comercial, se comporta como
susceptíveis à cigarrinha da raiz (Dinardo-Miranda et al., 2001). As variedades que
apresentam tendências de emissão de raízes adventícias ou aéreas no colmo, com folhas
largas e volumosas, são mais susceptíveis à praga, por possibilitarem uma opção a mais
para a instalação das ninfas no colmo, tornando o ambiente mais favorável ao
desenvolvimento das mesmas (Mendonça 1996). Segundo Dinardo-Miranda et al. (2004) as
variedades IAC87-3420, RB83160, SP80-3390, IAC87-2422 e IAC87-3413 destacaram-se
negativamente por suas elevadas infestações de M. fimbriolata.
Devido à importância econômica das cigarrinhas para o Estado de Alagoas, o
presente trabalho objetivou avaliar o comportamento de variedades RB (República do
Brasil) de cana-de-açúcar no sistema de cultivo sequeiro e de cultivo irrigado em relação ao
ataque de Mahanarva spp. no município de Rio Largo, Estado de Alagoas.
49
Material e Métodos
O estudo foi conduzido em uma área experimental do Campus Delza Gitaí,
pertencente à Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias (U.A.CECA), da
Universidade Federal de Alagoas no município de Rio Largo, Estado de Alagoas (latitude
09° 40’ S, longitude 35° 42’ W e 127 m de altitude). Foram utilizados dois sistemas de
cultivo da cana, o de sequeiro, em cana planta e segunda folha e o de irrigado em cana
planta, tendo-se ambos um solo do tipo Latossolo Amarelo, coeso distrófico e relevo plano.
O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, com quatro
repetições, sendo que para o sistema cultivado em sequeiro, cada parcela foi constituída por
12 fileiras simples de 20,00 m e para o sistema cultivado sob irrigação foi de cinco fileiras
duplas de 15,00 m.
As variedades estudadas no cultivo sequeiro foram: RB72454, RB867515,
RB971755, RB951541, RB931003, RB92579, RB863129, e RB93509. Para o sistema
irrigado, foi incluído a RB98710.
O plantio da cana no cultivo sequeiro foi realizado na primeira quinzena do mês de
setembro de 2005, com um espaçamento de 1,0 m entre linhas, utilizando-se 12
gemas/metro linear. A adubação da cana foi feita toda em fundação, colocando-se o adubo
no fundo do sulco, com os níveis de 100, 150 e 200 kg/ha respectivamente de N, P2O5 e
K2O além dos micronutrientes.
No cultivo irrigado a cana foi plantada em 23 de janeiro de 2007, com um
espaçamento de 1,50 m entre linhas, utilizando-se 12 gemas/metro linear. A adubação da
cana foi feita em fundação, com os níveis de 50, 190 e 100 kg/ha respectivamente de N,
P2O5 e K2O e no mês de maio foi aplicado 43 kg/ha de N, por fertiirrigação.
50
Os dados climatológicos de precipitação pluviométrica (mm) e temperatura média
(ºC) foram coletados na estação meteorológica da U.A.CECA no período de janeiro a
dezembro de 2007.
Ao longo do ciclo da cultura foram realizados levantamentos para estimar a
infestação de Mahanarva spp. No primeiro ano de avaliação, do cultivo sequeiro, as
infestações de Mahanarva spp, foram realizadas em quatro épocas de avaliação a partir do
mês de julho de 2006. No segundo ano foram realizadas em seis épocas de avaliação a
partir do mês de abril de 2007. No cultivo irrigado foram realizadas em cinco épocas de
avaliação a partir do mês de maio de 2007.
Nas amostragens foram contados o número de adultos por cana e o número de
ninfas por metro linear. Vale salientar que, para visualizar e possibilitar a contagem das
ninfas e adultos nas raízes, os mesmos, foram retirados da região radicular na subsuperfície do solo, com auxílio de um palito de madeira, com cerca de 20 cm de
comprimento e 0,5 cm de diâmetro. O reconhecimento da cigarrinha da raiz, em campo, foi
realizado de acordo com Mendonça & Mendonça (2005), e o da cigarrinha da folha
conforme Mendonça & Marques (2005).
Para a análise conjunta das épocas de avaliação de infestação, os levantamentos
foram realizados em 1,0 m linear de cada parcela experimental, tomado ao acaso com o
auxilio de um gabarito confeccionado com tubos de PVC. Os adultos de cigarrinha da raiz
foram contados em todos os colmos do espaço amostral e também nas raízes das plantas.
As ninfas de cigarrinha da raiz foram contadas em toda a extensão do espaço amostral.
A produtividade agrícola de cada variedade foi obtida através da pesagem dos
colmos logo após a colheita da cana. As análises dos parâmetros tecnológicos foram
realizadas de acordo com a sistemática de pagamento de cana-de-açúcar pelo teor de
51
sacarose. Nessas análises foram obtidas Pureza (porcentagem de sacarose no total de
sólidos solúveis), Pol da cana (porcentagem aparente de sacarose), fibra (porcentagem de
matéria insolúvel em água contida no caldo), Brix (porcentagem de sólidos solúveis,
incluindo a sacarose, no caldo) e ATR (açúcar total recuperável, expresso em kg/t de
colmos).
Para a análise estatística, os dados populacionais das cigarrinhas foram
transformados em
e, em seguida, todos os parâmetros observados foram
comparados pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Uma vez que a maioria das formas
biológicas de Mahanarva spp. encontradas durante as amostragens constituiu-se de ninfas,
as análises foram feitas agrupando-se esses dados aos de adultos encontrados nas folhas e
nas raízes. As correlações entre dados populacionais de cigarrinhas e parâmetros
agroindustriais foram realizadas pelo teste t a 5% de probabilidade.
52
Resultados e Discussão
No primeiro ano de levantamento do cultivo sequeiro, as ninfas de M. fimbriolata
começaram a eclodir dos ovos no início de julho de 2006, quando as condições climáticas,
principalmente umidade relativa do ar, se tornaram favoráveis. Através da análise conjunta
não se constataram diferenças significativas para as infestações de cigarrinha da raiz, nas
diferentes épocas de avaliação (Tabela 7). Tal fato evidencia que não ocorreu um pico
populacional durante o período estudado. Pelos dados observados, no segundo ano de
levantamento, as ninfas começaram a eclodir dos ovos, no inicio de abril de 2007. No mês
de
junho
ocorreu
um
pico
populacional
de
M.
fimbriolata,
diminuindo-se
significativamente nos meses seguintes (Fig. 10), devido à aplicação de M. anisopliae em
plantios comerciais vizinhos da área experimental.
Observando-se os dados relativos a ninfas + adultos por metro linear de sulco na
primeira e na segunda época de avaliação, não se constatou diferença significativa entre
nenhuma das variedades estudadas. Na terceira época de avaliação, realizada no mês junho
de 2007, verificou-se que as variedades RB971775 e RB863129 mostraram-se mais
favorável a cigarrinha da raiz, com infestações significativamente superiores as
apresentadas pelas variedades RB951541, RB92579, RB93509, RB867515 e RB931003,
enquanto RB72454 apresentou infestação intermediária e não diferiu das variedades
anteriormente citadas. O comportamento das épocas de avaliação seguinte não apresentou
diferenças estatisticas entre as variedades estudadas (Tabela 8). Dinardo-Miranda et al.
(2001), afirmaram que, nas condições do município de Guaíra, Estado de São Paulo, as
infestações de cigarrinha da raiz são maiores na cultura colhida em maio, e atribuíram esse
fato ao maior tamanho das plantas quando da ocorrência da praga.
53
Ao avaliar as oito variedades de forma conjunta, no primeiro ano de cultivo de
sequeiro, verificou-se que a infestação de cigarrinha da raiz na variedade RB867515, com
média anual de 2,5 insetos metro lineari¹, foi significativamente superior às observadas
para as variedades RB863129, RB72454, RB931003, RB93509, RB971755 e RB951541.
Apesar de não existirem diferenças significativas, a variedade RB92579 pode ser
considerada como intermediária, entre as mais e as menos infestadas por cigarrinha da raiz
(Tabela 7).
No segundo ano, verificou-se que as infestações de M. fimbriolata foram
estatisticamente semelhantes, ou seja, não foi possível identificar uma variedade com
característica marcante de preferência pela praga (Tabela 8). Entretanto em estudos
realizados no Estado de Alagoas por Mendonça & Mendonça (2005), verificaram que os
sintomas mais agressivos foram constatados na variedade RB72454, o que também era
esperado nesse estudo devido ao grande número de raízes que essa variedade emite, porém
esse fato não foi confirmado.
Ao longo das cinco avaliações do cultivo irrigado, observou-se que a variedade
RB931003 vem se apresentando como a mais susceptível, com média 1,40 (Tabela 9).
Os dados relativos a ninfas + adultos por metro de sulco na primeira época de
avaliação, não se constatou diferença significativa entre nenhuma das variedades testadas.
Na segunda época de avaliação, realizada no mês junho de 2007, evidenciou, que as
variedades RB93509 e RB931003 mostraram-se mais favorável a cigarrinha da raiz, com
infestações significativamente superiores as apresentadas pelas demais variedades. O
comportamento
das
épocas
de
avaliação
seguinte
não
apresentou
diferenças
estatisticamente entre as variedades estudadas (Tabela 9).
54
Ao avaliar as nove variedades de forma conjunta, no cultivo irrigado, verificou-se
que as infestações de M. fimbriolata foram estatisticamente semelhantes, ou seja, não foi
possível identificar uma variedade com característica marcante de preferência pela praga.
Mendonça & Mendonça (2005), observaram que a variedade RB72454, por ter um sistema
radicular bem desenvolvido e superficial, é fortemente atacada por cigarrinha da raiz. Neste
trabalho, todavia, esse fato não se confirmou.
Considerando os dados referentes ao primeiro ano de avaliação na produtividade
agrícola do cultivo sequeiro, verificou-se que as variedades RB92579, RB93509 e
RB863129, com médias superiores a 95 toneladas de colmos ha-1 foram significativamente
mais produtivas que as variedades RB72454, RB951541 e RB971755. Com relação aos
parâmetros tecnológicos avaliados não se constataram diferenças significativas entre as
variedades (Tabela 10).
Os dados referentes ao segundo ano de avaliação na produtividade agrícola do
cultivo sequeiro verificou-se que a variedade RB93509 com média superior a 95 toneladas
de colmos ha-1 foi significativamente mais produtiva que a variedade RB971755, enquanto
as demais variedades tiveram sua produtividade intermediaria. Com relação aos parâmetros
tecnológicos, o brix das variedades RB 867515 e RB971755 foram significativamente
maiores que a variedade RB863129. O ATR, o pol e pureza do caldo da variedade
RB863129 foram significativamente menores que as demais variedades. Com relação à
fibra não houve diferença significativa entre as variedades (Tabela 11).
Foi verificado que não houve diferença significativa entre as variedades em relação
à produtividade agrícola no sistema de cultivo irrigado. Com relação ao ATR, pol, fibra e
pureza do caldo não se constataram diferenças significativas entre as variedades. No brix, a
variedade RB92579 foi significativamente maior que as variedades RB863129, RB72454 e
55
RB971755 (Tabela 12). Essa condição, entretanto, pode ser atribuída ao fato de as
infestações terem sido muito abaixo dos níveis necessários para que houvesse interferências
na produtividade das variedades em estudo. Elevadas produtividades das variedades
RB92579 e RB93509 também foram encontradas por Barbosa et al. (2002).
Os resultados do cultivo de sequeiro permitiram concluir que, a variedade
RB867515 tem sido severamente atacada pela cigarrinha da raiz o que a coloca como a
preferida pela praga. No entanto, devido a sua produtividade, deve ser levada em
consideração por ocasião da programação do plantio. Para o cultivo irrigado não foi
observado nenhuma variedade como preferida.
56
Agradecimentos
Ao Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar (PMGCA) da Unidade
Acadêmica Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas, a
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela concessão
de bolsa de estudo.
57
Referências
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p.193-207. In Mendonça, A.F. (ed.). Pragas da cana-de-açúcar. Maceió-AL. Insetos &
Cia. p.239.
Mendonça, A.F, G.V.S. Barbosa & E.J. Marques. 1996. As cigarrinhas da cana-deaçúcar (Hemiptera: Cercopidae) no Brasil. p. 171-192. In Mendonça, A.F. (ed.).
Pragas da cana-de-açúcar. Maceió-AL. Insetos & Cia. p.239.
Mendonça, A.F. & C.B.R. Mendonça. 2005. Cigarrinha da raiz Mahanarva fimbriolata
(Hemiptera: Cercopidae). p. 95-140. In Mendonça, A.F. (Ed.), Cigarrinhas da canade-açúcar: Controle biológico. Maceió: Insecta. 317p.
Mendonça, A.F & E.J. Marques. 2005. Cigarrinha da folha Mahanarva posticata (Stal)
(Hemiptera: Cercopidae). p. 141-163. In Mendonça, A.F. (Ed.), Cigarrinhas da canade-açúcar: Controle biológico. Maceió: Insecta. 317p.
Mendonça, A.F, S. Flores & C.E. Sáenz. 2005. Cigarrinhas da cana-de-açúcar na América
Latina e Caribe. p. 51-94. In Mendonça, A.F. (Ed.), Cigarrinhas da cana-de-açúcar:
Controle biológico. Maceió: Insecta. 317p.
Mendonça, J.R. & A.F. Mendonça. 2005. Cigarrinha da folha Mahanarva andigena
(Jacobi) (Hemiptera: Cercopidae). p.165-182. In Mendonça, A.F. (Ed.), Cigarrinhas
da cana-de-açúcar: Controle biológico. Maceió: Insecta. 317p.
59
Tabela 7. Média (± EP) da infestação de M. fimbriolata em oito variedades de cana-de-açúcar, em quatro épocas de avaliação. Universidade
Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, março a outubro de 2006. Ano I.
Variedades
Julho/06
Agosto/06
Setembro/06
Outubro/06
Média
RB72454
1,0 ± 0,00 a
1,4 ± 0,29 a
1,0 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,1 b
RB863129
1,0 ± 0,00 a
1,0 ± 0,00 a
1,3 ± 0,10 a
1,00 ± 0,00 a
1,1 b
RB951541
1,2 ± 0,25 a
2,1 ± 0,76 a
1,0 ± 0,00 a
1,18 ± 0,18 a
1,4 b
RB92579
1,6 ± 0,14 a
2,2 ± 0,76 a
1,4 ± 0,21 a
1,37 ± 0,21 a
1,6 ab
RB867515
3,9 ± 0,37 a
4,1 ± 0,51 a
1,1 ± 0,10 a
1,00 ± 0,00 a
2,5 a
RB971755
2,0 ± 0,15 a
1,0 ± 0,00 a
1,0 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,2 b
RB93509
1,0 ± 0,00 a
1,7 ± 0,55 a
1,0 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,2 b
RB931003
1,5 ± 0,21 a
1,1 ± 0,10 a
1,0 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,1 b
Média
1,6
1,8
1,1
1,1
CV%
23,38
48,05
15,43
17,68
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey (P < 0,05).
60
Tabela 8. Média (± EP) da infestação de M. fimbriolata de oito variedades de cana-de-açúcar, em seis épocas de avaliação, no sistema de cultivo
sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, abril a setembro de 2007. Ano II.
Variedades
Abr/07
Mai/07
Jun/07
Jul/07
Ago/07
Set/07
Média
RB72454
1,1 ± 0,10 a
1,1 ± 0,10 a
2,7 ± 0,23 ab
1,4 ± 0,17 a
1,2 ± 0,10a
1,2 ± 0,08 a
1,4 a
RB863129
1,2 ± 0,10 a
1,2 ± 0,17 a
3,4 ± 0,60 a
1,1 ± 0,10 a
1,1 ± 0,06 a
1,2 ± 0,10 a
1,5 a
RB951541
1,0 ± 0,00 a
1,1 ± 0,06 a
1,7 ± 0,28 b
1,3 ± 0,28 a
1,1 ± 0,10 a
1,4 ± 0,25 a
1,3 a
RB92579
1,0 ± 0,00 a
1,1 ± 0,06 a
1,8 ± 0,47 b
1,1 ± 0,06 a
1,3 ± 0,18 a
1,1 ± 0,06 a
1,2 a
RB867515
1,0 ± 0,00 a
1,1 ± 0,06 a
2,0 ± 0,37 b
1,3 ± 0,13 a
1,4 ± 0,09 a
1,0 ± 0,00 a
1,3 a
RB971755
1,4 ± 0,41 a
1,3 ± 0,19 a
3,5 ± 0,61 a
1,1 ± 0,06 a
1,1 ± 0,06 a
1,3 ± 0,28 a
1,6 a
RB93509
1,3 ± 0,18 a
1,4 ± 0,27 a
1,8 ± 0,43 b
1,2 ± 0,25 a
1,1 ± 0,10 a
1,1 ± 0,06 a
1,3 a
RB931003
1,0 ± 0,00 a
1,5 ± 0,18 a
1,2 ± 0,25 b
1,3 ± 0,28 a
1,2 ± 0,06 a
1,1 ± 0,06 a
1,2 a
Média
1,1
1,2
2,3
1,2
1,2
1,2
CV%
29,33
25,47
37,33
28,82
17,60
24,50
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey (P < 0,05).
61
Tabela 9. Média (± EP) da infestação de M. fimbriolata de nove variedades de cana-de-açúcar, em cinco épocas de avaliação, no sistema de
cultivo irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, abril a setembro de 2007.
Variedades
RB72454
RB863129
RB951541
RB92579
RB867515
RB971755
RB93509
RB931003
RB98710
Média
CV%
Mai/07
1,00 ± 0,00 a
1,06 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,25 ± 0,00 a
1,16 ± 0,00 a
1,11 ± 0,00 a
1,06 ± 0,00 a
1,07
13,72
Jun/07
1,94 ± 0,00 b
1,16 ± 0,00 c
1,76 ± 0,00 b
2,07 ± 0,00 b
1,41 ± 0,00 b
1,21 ± 0,00 c
2,47 ± 0,00 a
2,81 ± 0,00 a
1,71 ± 0,00 b
1,84
32,19
Jul/07
1,00 ± 0,00 a
1,10 ± 0,00 a
1,06 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,25 ± 0,00 a
1,15 ± 0,00 a
1,16 ± 0,00 a
1,10 ± 0,00 a
1,22 ± 0,00 a
1,11
17,02
Ago/07
1,06 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,01
3,72
Set/07
1,06 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,00 ± 0,00 a
1,01
3,72
Média
1,21 a
1,06 a
1,16 a
1,21 a
1,13 a
1,12 a
1,36 a
1,40 a
1,20 a
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey (P < 0,05).
62
Tabela 10. Média (± EP) de parâmetros agroindustriais por ocasião da colheita em oito variedades de cana-de-açúcar. Universidade Federal de
Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2006. Ano I.
Produtividade
Variedades
(t.hai¹)
RB72454
Pureza
Pol na cana
Fibra
Brix
ATR
74,1 ± 3,73 b
15,7 ± 0,45 a
19,2 ± 0,57 a
13,9 ± 0,20 a
21,5 ± 0,58 a
154,4 ± 4,18 a
RB863129
97,4 ± 3,71 a
14,5 ± 0,33 a
17,5 ± 0,44 a
13,1 ± 0,20 a
20,2 ± 0,45 a
143,8 ± 3,04 a
RB951541
77,9 ± 3,39 b
16,0 ± 0,37 a
19,5 ± 0,44 a
13,9 ± 0,23 a
21,5 ± 0,49 a
156,7 ± 3,47 a
RB92579
101,4 ± 4,95 a
16,0 ± 0,37 a
19,5 ± 0,50 a
13,6 ± 0,39 a
21,6 ± 0,41 a
156,9 ± 3,31 a
RB867515
92,5 ± 4,60 ab
13,9 ± 0,73 a
16,9 ± 0,88 a
13,5 ± 0,10 a
20,3 ± 0,55 a
139,2 ± 6,17 a
RB971755
78,2 ± 5,73 b
14,9 ± 0,37 a
18,2 ± 0,58 a
13,7 ± 0,49 a
20,5 ± 0,62 a
147,6 ± 3,78 a
RB93509
98,5 ± 6,47 a
14,4 ± 0,73 a
17,4 ± 0,84 a
13,5 ± 0,22 a
20,0 ± 0,65 a
142,1 ± 6,49 a
RB931003
92,8 ± 7,46 ab
15,1 ± 0,51 a
18,4 ± 0,64 a
14,0 ± 0,26 a
20,8 ± 0,48 a
148,3 ± 4,46 a
CV%
9,0
6,4
6,7
4,3
5,0
5,8
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey (P < 0,05).
63
Tabela 11. Média (± EP) de parâmetros agroindustriais por ocasião da colheita em oito variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo
sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2007. Ano II.
Produtividade
(t.hai¹)
Pureza
Pol na cana
Fibra
Brix
ATR
RB72454
71,2 ± 11,85 ab
14,6 ± 0,31 a
17,6 ± 0,29 a
13,3 ± 0,22 a
20,6 ± 0,24 ab
143,6 ± 2,88 a
RB863129
79,2 ± 8,31 ab
12,9 ± 0,39 b
15,6 ± 0,49 b
13,1 ± 0,38 a
19,6 ± 0,22 b
128,8 ± 3,30 b
RB951541
71,6 ± 10,82 ab
15,0 ± 0,29 a
17,9 ± 0,39 a
13,1 ± 0,22 a
21,0 ± 0,42 ab
146,9 ± 2,67 a
RB92579
76,2 ± 6,95 ab
15,2 ± 0,13 a
18,4 ± 0,09 a
13,0 ± 0,24 a
21,2 ± 0,36 ab
149,3 ± 1,11 a
RB867515
65,8 ± 5,33 ab
15,4 ± 0,31 a
18,6 ± 0,43 a
13,5 ± 0,34 a
21,6 ± 0,25 a
150,3 ± 2,75 a
RB971755
60,0 ± 6,08 b
15,3 ± 0,16 a
18,4 ± 0,36 a
13,8 ± 0,55 a
21,6 ± 0,55 a
148,3 ± 1,50 a
RB93509
95,8 ± 1,59 a
15,0 ± 0,29 a
18,2 ± 0,33 a
13,4 ± 0,27 a
20,9 ± 0,31 ab
146,9 ± 2,75 a
RB931003
81,7 ± 3,19 ab
14,7 ± 0,46 a
17,7 ± 0,55 a
13,2 ± 0,20 a
21,0 ± 0,36 ab
144,6 ± 4,08 a
CV%
18,4
3,9
4,1
4,2
3,4
3,6
Variedades
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey (P < 0,05).
64
Tabela 12. Média (± EP) de parâmetros agroindustriais por ocasião da colheita em nove variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo
irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2007.
Variedades
Produtividade
(t.hai¹)
Pureza
Pol na cana
Fibra
Brix
ATR
RB72454
131,1 ± 4,34 a
86,6 ± 0,36 a
12,8 ± 0,19 a
12,8 ± 0,08 a
16,7 ± 1,78 b
125,6 ± 1,73 a
RB863129
154,6 ± 8,36 a
81,8 ± 2,05 a
12,8 ± 1,03 a
12,7 ± 0,42 a
16,3 ± 2,12 b
121,2 ± 9,24 a
RB951541
130,9 ± 5,24 a
86,6 ± 2,09 a
14,1 ± 0,51 a
13,4 ± 0,08 a
20,9 ± 1,72 ab
136,7 ± 4,55 a
RB867515
165,7 ± 4,11 a
81,6 ± 1,08 a
13,1 ± 0,77 a
12,7 ± 0,25 a
18,2 ± 2,04 ab
118,3 ± 7,03 a
RB931003
175,7 ± 4,45 a
82,4 ± 2,14 a
12,1 ± 0,50 a
13,5 ± 0,28 a
19,9 ± 2,09 ab
122,1 ± 4,25 a
RB92579
150,9 ± 4,26 a
87,1 ± 1,29 a
14,3 ± 0,55 a
13,7 ± 0,22 a
26,8 ± 1,53 a
141,1 ± 4,99 a
RB93509
132,4 ± 7,24 a
81,3 ± 0,56 a
11,9 ± 0,45 a
13,2 ± 0,28 a
20,9 ± 1,34 ab
119,2 ± 4,10 a
RB971755
183,4 ± 3,91 a
82,8 ± 2,20 a
13,1 ± 0,89 a
13,8 ± 0,38 a
16,9 ± 1,58 b
130,4 ± 7,89 a
RB98710
140,6 ± 5,44 a
84,9 ± 1,20 a
13,2 ± 0,39 a
12,9 ± 0,14 a
18,9 ± 2,03 ab
132,6 ± 3,42 a
CV%
20,02
3,63
10,36
3,82
18,73
8,60
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey (P < 0,05).
65
Figura 10. Média (± EP) da infestação de M. frimbiolata em seis épocas de avaliação, no sistema de cultivo sequeiro. Universidade Federal de
N° Médio de Insetos
Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, abril a setembro de 2007.
Meses
66
CAPÍTULO 3
Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao Ataque de
Telchin licus licus (Lepidoptera: Castniidae) em Rio Largo, Estado de Alagoas
67
Alexandre Guimarães Duarte
Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias/UFAL
Campus Delza Gitaí, BR 104 Norte, Km 85
57.100-000, Rio Largo-AL
xandegd@hotmail.com
Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao Ataque de
Telchin licus licus (Lepidoptera: Castniidae) em Rio Largo, Estado de Alagoas
ALEXANDRE G. DUARTE¹, IVANILDO S. LIMA¹, ADRIANA G. DUARTE¹,
JOSEMILDO V. ARAUJO JR.¹ & GERALDO V. S. BARBOSA¹
¹Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias/UFAL, Campus Delza Gitaí, BR 104
Norte, Km 85, 57.100-000, Rio Largo-AL; xandegd@hotmail.com; isl@fapeal.br;
agd@fapeal.br; josemildo_j@hotmail.com; gvsb@fapeal.br.
68
ABSTRACT - The aim of this work was to compare the percentage of infestation caused by
the giant moth borer Telchin licus licus in RB varieties of sugar cane. Two systems were used,
rainfed (plant and first ratoon) and irrigated (plant). The varieties studied in the rainfed
cultivation were: RB72454, RB931003, RB867515, RB92579, RB971755, RB863129,
RB951541 and RB93509. For the irrigated cultivation, the variety RB98710 was also
included. The evaluation of the percentage of infestation of the giant moth borer was
accomplished by occasion of the harvest. The samples were comprised of fifteen sugar cane
stalk, randomly chosen, for each variety. The stalks were opened to observe the percentage of
damaged ones by the action of the giant moth borer. In the rainfed cultivation the results of
the first year showed that the varieties RB93509, RB971755, RB92579 and RB951541 were
significantly less infested by T. licus licus than the variety RB72454. At the end of the second
year, it was verified that the variety RB971755 was significantly less infested than the variety
RB72454. In the evaluation of the plant and first ratoon, the variety RB71454 was more
infested by the giant moth borer. For the irrigated cultivation the results showed that the
varieties RB971755 and RB98710 were, significantly, less infested by the pest than the
varieties RB72454 and RB863129. In both system of cultivation, values of percentage of
infestation did not present significant correlations with the agroindustrial parameters.
KEY WORDS: Saccharum spp., Telchin, plant resistance.
69
RESUMO – Este trabalho foi realizado com o objetivo de comparar a porcentagem de
infestação de Telchin licus licus em variedades RB de cana-de-açúcar. Foram utilizados os
sistemas de cultivo de sequeiro (primeira e segunda folha) e irrigado (primeira folha). As
variedades estudadas no cultivo de sequeiro foram: RB72454, RB867515, RB971755,
RB951541, RB931003, RB92579, RB863129, e RB93509. No cultivo irrigado, além das
variedades já citadas, incluiu-se a RB98710. A avaliação da porcentagem da infestação da
broca gigante foi realizada por ocasião da colheita, escolhendo-se ao acaso 15 canas por
parcela, as quais foram cortadas longitudinalmente para verificar os entrenós danificados pela
praga. No cultivo de sequeiro os resultados do primeiro ano indicaram que as variedades
RB93509, RB971755, RB92579 e RB951541 foram significativamente menos infestadas por
T. licus licus do que a variedade RB72454. Ao final do segundo ano, constatou-se que a
variedade RB971755 foi significativamente menos infestada do que a variedade RB72454.
Na avaliação do primeiro e do segundo ano, a variedade RB71454 foi a mais infestada pela
broca gigante da cana-de-açúcar. No cultivo irrigado os resultados mostraram que as
variedades RB971755 e RB98710 foram, significativamente, menos infestadas pela broca
gigante do que as variedades RB72454 e RB863129. Em ambos os cultivos valores de % de
infestação não apresentaram correlações significativas com os parâmetros agroindustriais.
PALAVRAS-CHAVE: Saccharum spp., Telchin lius licus, resistência de plantas.
70
A broca gigante da cana-de-açúcar, Telchin licus licus (Drury, 1770) (Lepidoptera:
Castniidae), é uma das pragas mais importantes para a agroindústria sucroalcooleira da
Região Nordeste do Brasil, tendo em vista os expressivos prejuízos provocados à cultura,
tanto no campo como na indústria (Viveiros et al., 1992). Isto ocorre em virtude do hábito de
suas formas imaturas, larvas e crisálidas, permanecerem no interior dos colmos, tornando o
seu controle bastante limitado.
Segundo Mendonça (1996), em cana jovem, a broca gigante causa a morte de perfilhos
da planta, destroem os rizomas das touceiras, ocasionando falhas na germinação e reduzindo o
stand da cultura. Em cana adulta danificam os entrenós basais, causando, atrofia e quebra do
colmo, além de possibilitar infecções por microorganismos, tais como fungos e bactérias,
responsáveis pela inversão da sacarose, ocasionando perdas de até 60% da produção.
A praga permanece no interior do colmo da cana-de-açúcar, durante quase todo o seu
ciclo de vida, dificultando o controle através de métodos químicos ou biológicos. Segundo
Mendonça et al., 1996, o método de controle que vem sendo utilizado é o controle manual
logo após o corte do canavial, mediante o auxílio de enxadinhas ou espetos, que embora
envolvam grande necessidade de mão-de-obra, têm promovido reduções significativas da
praga. Dentre os vários fatores que contribuem para o aumento da infestação e dispersão de T.
licus licus nos canaviais de Alagoas, se destacam a queima da cana-de-açúcar, o preparo
deficiente do solo, socarias velhas e a destruição de matas.
Devido às dificuldades encontradas pelos agricultores no controle dessa praga no
Estado de Alagoas, e à escassez de estudos específicos, o presente trabalho objetivou avaliar o
comportamento das variedades RB (República do Brasil) de cana-de-açúcar em relação ao
ataque de T. licus licus no município de Rio Largo, Estado de Alagoas.
71
Material e Métodos
O estudo foi conduzido em uma área experimental do Campus Delza Gitaí,
pertencente à Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias (U.A.CECA), da Universidade
Federal de Alagoas no município de Rio Largo, Estado de Alagoas (latitude 09° 40’ S,
longitude 35° 42’ W e 127 m de altitude). Foram utilizados dois sistemas de cultivo da cana, o
de sequeiro, em cana planta e segunda folha e o de irrigado em cana planta, tendo-se ambos
um solo do tipo Latossolo Amarelo, coeso distrófico e relevo plano.
O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, com quatro
repetições, sendo que para o sistema cultivado em sequeiro, cada parcela foi constituída por
12 fileiras simples de 20,00 m e para o sistema cultivado sob irrigação foi de cinco fileiras
duplas de 15,00 m.
As variedades estudadas no cultivo sequeiro foram: RB72454, RB867515, RB971755,
RB951541, RB931003, RB92579, RB863129, e RB93509. Para o sistema irrigado, foi
incluído a RB98710.
O plantio da cana no cultivo sequeiro foi realizado na primeira quinzena do mês de
setembro de 2005, com um espaçamento de 1,0 m entre linhas, utilizando-se 12 gemas/metro
linear. A adubação da cana foi feita toda em fundação, colocando-se o adubo no fundo do
sulco, com os níveis de 100, 150 e 200 kg/ha respectivamente de N, P2O5 e K2O além dos
micronutrientes.
No cultivo irrigado a cana foi plantada em 23 de janeiro de 2007, com um
espaçamento de 1,50 m entre linhas, utilizando-se 12 gemas/metro linear. A adubação da cana
foi feita em fundação, com os níveis de 50, 190 e 100 kg/ha respectivamente de N, P2O5 e
K2O e no mês de maio foi aplicado 43 kg/ha de N, por fertiirrigação.
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Os dados climatológicos de precipitação pluviométrica (mm) e temperatura média (ºC)
foram coletados na estação meteorológica da U.A.CECA no período de janeiro a dezembro de
2007.
Para a avaliação da % de infestação por ocasião da colheita, as amostragens foram
realizadas em 15 colmos por parcela cortando-as longitudinalmente e verificando a existência
de entrenós danificados pela ação da broca gigante. O cálculo da porcentagem de infestação
foi obtido de acordo com a seguinte fórmula [(número de canas atacadas/total de colmos) x
100], as quais foram ranqueadas, conforme seus valores na classificação conjunta de cada
bloco e submetidas à análise estatísticas.
A produtividade agrícola de cada variedade foi obtida através da pesagem dos colmos
logo após a colheita da cana. As análises dos parâmetros tecnológicos foram realizadas de
acordo com a sistemática de pagamento de cana-de-açúcar pelo teor de sacarose. Nessas
análises foram obtidas Pureza do caldo (porcentagem de sacarose no total de sólidos
solúveis), Pol da cana (porcentagem aparente de sacarose), fibra (porcentagem de matéria
insolúvel em água contida no caldo), Brix (porcentagem de sólidos solúveis, incluindo a
sacarose, no caldo) e ATR (açúcar total recuperável, expresso em kg/t de colmos).
Para a análise estatística, os dados de % de infestação foram transformados em arco
sen
e, em seguida, todos os parâmetros observados foram comparados pelo teste
de Tukey a 5% de probabilidade. As correlações entre % de infestação e parâmetros
agroindustriais foram realizadas pelo teste t a 5% de probabilidade.
73
Resultados e Discussão
Os resultados do levantamento realizado por ocasião da colheita, do primeiro ano do
sistema sequeiro indicaram que as variedades RB93509, RB971755, RB92579 e RB951541
foram significativamente menos infestadas por T. licus licus. A variedade RB72454 se
revelou como a melhor hospedeira da praga, enquanto as demais tiveram comportamento
intermediário (Tabela13).
Considerando-se os dados referentes ao primeiro ano de avaliação na produtividade
agrícola do cultivo sequeiro verificou-se que as variedades RB92579, RB93509 e RB863129,
com médias superiores a 95 toneladas de colmos ha-1 foram significativamente mais
produtivas que as variedades RB72454, RB951541 e RB971755. Com relação aos parâmetros
tecnológicos avaliados não se constataram diferenças significativas entre as variedades
(Tabela 13).
Ao final do segundo ano, constatou-se que a variedade RB971755 foi
significativamente menos infestada do que a variedade RB72454, enquanto as demais tiveram
comportamento intermediário (Tabela 14). Na avaliação do primeiro e do segundo ano, a
variedade RB72454 foi a mais infestada pela broca gigante da cana-de-açúcar.
Os resultados do levantamento do sistema irrigado mostraram que as variedades
RB971755 e RB98710 foram, significativamente, menos infestadas pela broca gigante do que
as variedades RB72454 e RB863129. Essas últimas variedades se revelaram como excelentes
hospedeiras da praga, enquanto as demais tiveram comportamento intermediário (Tabela 15).
Sampaio et al. (1980) e Mendonça (1982) afirmaram que estudos com variedades
resistentes à broca gigante não apresentaram resultados positivos e que deve-se considerar que
algumas variedades de cana-de-açúcar, dependendo de fatores edafoclimáticos, podem
apresentar tolerância ao ataque de insetos-praga.
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Considerando-se os dados referentes ao segundo ano de avaliação na produtividade
agrícola do cultivo sequeiro verificou-se que a variedade RB93509 com média superior a 95
toneladas de colmos ha-1 foi significativamente mais produtiva que a variedade RB971755,
enquanto as demais tiveram sua produtividade intermediaria. Com relação aos parâmetros
tecnológicos, o brix das variedades RB 867515 e RB971755 foram significativamente
maiores que a variedade RB863129. O ATR, o pol e pureza do caldo da variedade RB863129
foram significativamente menores que as demais variedades. Com relação à fibra não houve
diferença significativa entre as variedades. (Tabela 14).
Foi verificado que não houve diferença significativa entre as variedades em relação à
produtividade agrícola no sistema de cultivo irrigado. Com relação ao ATR, pol, fibra e
pureza do caldo não se constataram diferenças significativas entre as variedades. No brix, a
variedade RB92579 foi significativamente maior que as variedades RB863129, RB72454 e
RB971755 (Tabela 15). Elevadas produtividades das variedades RB92579 e RB93509
também foram encontradas por Barbosa et al. (2002).
Nos dois sistemas de cultivo, os valores de % de infestação de T. licus licus não
apresentam correlações significativas com os parâmetros agroindustriais avaliados por ocasião
da colheita. Por outro lado Viveiros (1989) mencionou que para cada 1 % de infestação ocorre
reduções de 0,37 % para peso, 0,07 % para brix, 0,22 % para pol da cana-de-açúcar, 0,12 %
para pureza do caldo e 0,18 % para produção de álcool e acréscimos de 0,21 para fibra e 0,76
% para açúcares redutores.
Os resultados obtidos permitiram concluir que, com base na % de infestação por
ocasião da colheita, as variedades apresentaram comportamento diferenciado em relação ao
ataque da broca gigante. As variedades do cultivo sequeiro RB951541, RB92579, RB971755
e RB93509, nos dois anos de avaliação apresentaram maior tolerância ao ataque da broca,
75
com destaque para variedade RB93509 que obteve altas produtividades, sugerindo, que pode
ser recomendada para as regiões mais infestadas por T. licus licus.
76
Agradecimentos
Ao Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar (PMGCA) da Unidade
Acadêmica Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas, a Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela concessão de bolsa de
estudo.
77
Referências
Barbosa, G.V.S., E.J.S. Barreto, W.C.M. Silva, G.E.G. Silva & A.J.R. Sousa. 2002.
Adaptabilidade e estabilidade de produção de clones RB de cana-de-açúcar da série 92 e
93 em Alagoas. Anais do Congresso da Sociedade dos Técnicos Açucareiros e
Alcooleiros do Brasil, 8: 387-392.
Mendonça, A.F. 1982. A broca gigante Castnia licus Drury, 1770 (Lepidoptera: Castniidae)
no Brasil. Saccharum APC, São Paulo, 5: 53-60.
Mendonça, A.F. 1996. Guia das principais pragas da cana-de-açúcar. p.3-48. In Mendonça,
A.F. (ed.). Pragas da cana-de-açúcar. Maceió-AL. Insetos & Cia. 239p.
Mendonça, A.F., A.J.A. Viveiros & F.F. Sampaio. 1996. A broca gigante da cana-deaçúcar, Castnia licus Drury, 1770 (Lepidoptera: Castniidae). p. 133-167. In Mendonça,
A.F. (ed.). Pragas da cana-de-açúcar. Maceió-AL. Insetos & Cia. 239p.
Sampaio Filho, F., J.A. Moreno & A.F. Mendonça. 1980. Observações preliminares para a
busca de fontes de resistência de variedades de cana-de-açúcar à Castnia licus Drury,
(Lepidoptera: castniidae) no Estado de Alagoas. Campinas. Congresso Brasileiro de
Entomologia, Resumos. p.109.
Viveiros, A.J.A. 1989. Efeitos do dano da broca gigante Castnia licus (Lepidóptera:
Castniidae) sobre algumas características agroindustriais da cana-de-açúcar no Estado
de Alagoas. Recife, UFRPe, 93p. (Dissertação de mestrado).
Viveiros, A.J.A. Olveira, J.V., Barbosa, G.V.S. 1992. Efeito do dano da broca gigante
Castnia licus Drury, 1770 (Lepidoptera, Castniidae) no rendimento agrícola e na
qualidade ecnológica da cana-de-açúcar. Stab - Açúcar Álcool e Subprodutos, São
Paulo, v. 10, n. 5, p. 23-27.
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Tabela 13. Média (± EP) da porcentagem de infestação de T. licus licus e parâmetros tecnológicos agroindustriais por ocasião da colheita em oito
variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo em sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas,
2006. Ano I.
Produtividade
Variedades
% Infestação
(t.hai¹)
Pureza
Pol na cana
Fibra
Brix
ATR
RB72454
46,6 ± 2,18 a
74,1 ± 3,73 b
15,7 ± 0,45 a
19,2 ± 0,57 a
13,9 ± 0,20 a
21,5 ± 0,58 a
154,4 ± 4,18 a
RB863129
35,3 ± 3,44 ab
97,4 ± 3,71 a
14,5 ± 0,33 a
17,5 ± 0,44 a
13,1 ± 0,20 a
20,2 ± 0,45 a
143,8 ± 3,04 a
RB951541
30,0 ± 0,00 b
77,9 ± 3,39 b
16,0 ± 0,37 a
19,5 ± 0,44 a
13,9 ± 0,23 a
21,5 ± 0,49 a
156,7 ± 3,47 a
RB92579
30,0 ± 0,00 b
101,4 ± 4,95 a
16,0 ± 0,37 a
19,5 ± 0,50 a
13,6 ± 0,39 a
21,6 ± 0,41 a
156,9 ± 3,31 a
RB867515
35,3 ± 3,44 ab
92,5 ± 4,60 ab
13,9 ± 0,73 a
16,9 ± 0,88 a
13,5 ± 0,10 a
20,3 ± 0,55 a
139,2 ± 6,17 a
RB971755
31,7 ± 1,72 b
78,2 ± 5,73 b
14,9 ± 0,37 a
18,2 ± 0,58 a
13,7 ± 0,49 a
20,5 ± 0,62 a
147,6 ± 3,78 a
RB93509
33,4 ± 1,98 b
98,5 ± 6,47 a
14,4 ± 0,73 a
17,4 ± 0,84 a
13,5 ± 0,22 a
20,0 ± 0,65 a
142,1 ± 6,49 a
RB931003
37,5 ± 5,46 ab
92,8 ± 7,46 ab
15,1 ± 0,51 a
18,4 ± 0,64 a
14,0 ± 0,26 a
20,8 ± 0,48 a
148,3 ± 4,46 a
CV%
13,7
9,0
6,4
6,7
4,3
5,1
5,8
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey (P < 0,05).
79
Tabela 14. Média (± EP) da porcentagem de infestação de T. licus licus e parâmetros tecnológicos agroindustriais por ocasião da colheita em oito
variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo em sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas,
2007. Ano II.
Produtividade
Variedades
% Infestação
(t.hai¹)
Pureza
Pol na cana
Fibra
Brix
ATR
RB72454
48,8 ± 1,87 a
71,2 ± 11,85 ab
14,6 ± 0,31 a
17,6 ± 0,29 a
13,3 ± 0,22 a
20,6 ± 0,24 ab
143,6 ± 2,88 a
RB863129
42,1 ± 2,51 b
79,1 ± 8,31 ab
12,9 ± 0,39 b
15,6 ± 0,49 b
13,1 ± 0,38 a
19,6 ± 0,22 b
128,8 ± 3,30 b
RB951541
43,3 ± 5,11 b
71,6 ± 10,82 ab
15,0 ± 0,29 a
17,9 ± 0,39 a
13,1 ± 0,22 a
21,0 ± 0,42 ab
146,9 ± 2,67 a
RB92579
41,1 ± 1,56 b
76,2 ± 6,95 ab
15,2 ± 0,13 a
18,40 ± 0,09 a
13,0 ± 0,24 a
21,2 ± 0,36 ab
149,3 ± 1,11 a
RB867515
43,3 ± 1,71 b
65,8 ± 5,33 ab
15,3 ± 0,31 a
18,6 ± 0,43 a
13,5 ± 0,34 a
21,6 ± 0,25 a
150,3 ± 2,75 a
RB971755
38,5 ± 1,73 c
60,0 ± 6,08 b
15,1 ± 0,16 a
18,4 ± 0,36 a
13,8 ± 0,55 a
21,6 ± 0,55 a
148,3 ± 1,50 a
RB93509
45,2 ± 4,36 ab
95,8 ± 1,59 a
15,0 ± 0,29 a
18,2 ± 0,33 a
13,4 ± 0,27 a
20,9 ± 0,31 ab
146,9 ± 2,75 a
RB931003
44,3 ± 1,74 ab
81,6 ± 3,19 ab
14,7 ± 0,46 a
17,7 ± 0,55 a
13,2 ± 0,20 a
21,0 ± 0,36 ab
144,6 ± 4,08 a
CV%
12,5
18,4
3,9
4,1
4,2
3,4
3,6
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey (P < 0,05).
80
Tabela 15. Média (± EP) da porcentagem de infestação de T. licus licus e parâmetros tecnológicos agroindustriais por ocasião da colheita em
nove variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas,
2007.
Produtividade
Variedades
% Infestação
(t.hai¹)
Pureza
Pol na cana
Fibra
Brix
ATR
RB72454
77,8 ± 2,76 a
131,1 ± 4,34 a
86,6 ± 0,36 a
12,8 ± 0,19 a
12,8 ± 0,08 a
16,7 ± 1,78 b
125,6 ± 1,73 a
RB863129
77,8 ± 2,76 a
154,6 ± 8,36 a
81,8 ± 2,05 a
12,2 ± 1,03 a
12,7 ± 0,42 a
16,3 ± 2,12 b
121,2 ± 9,24 a
RB951541
75,1 ± 4,33 ab
130,9 ± 5,24 a
86,6 ± 2,09 a
14,1 ± 0,51 a
13,4 ± 0,08 a
20,9 ± 1,72 ab
136,7 ± 4,55 a
RB867515
72,3 ± 6,40 ab
165,7 ± 4,11 a
81,6 ± 1,08 a
13,1 ± 0,77 a
12,7 ± 0,25 a
18,2 ± 2,04 ab
118,3 ± 7,03 a
RB931003
70,3 ± 4,54 ab
175,7 ± 4,45 a
82,4 ± 2,14 a
12,1 ± 0,50 a
13,5 ± 0,28 a
19,9 ± 2,09 ab
122,1 ± 4,25 a
RB92579
64,8 ± 5,42 ab
150,9 ± 4,26 a
87,1 ± 1,29 a
14,3 ± 0,55 a
13,7 ± 0,22 a
26,8 ± 1,53 a
141,1 ± 4,99 a
RB93509
64,8 ± 3,81 ab
132,4 ± 7,24 a
81,3 ± 0,56 a
11,9 ± 0,45 a
13,2 ± 0,28 a
20,9 ± 1,34 ab
119,2 ± 4,10 a
RB971755
62,8 ± 5,95 b
183,4 ± 3,91 a
82,8 ± 2,20 a
13,1 ± 0,89 a
13,8 ± 0,38 a
16,9 ± 1,58 b
130,4 ± 7,89 a
RB98710
52,5 ± 6,02 b
140,6 ± 5,44 a
84,9 ± 1,20 a
13,2 ± 0,39 a
12,9 ± 0,14 a
18,9 ± 2,03 ab
132,6 ± 3,42 a
CV%
16,2
20,0
3,6
10,4
3,8
18,7
8,6
Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey (P < 0,05).
81
