Joao Ribeiro

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
CURSO DE MESTRADO EM AGRONOMIA
RIO LARGO-AL.

CARACTERIZAÇÃO MORFO-AGRONÔMICA E AVALIAÇÃO DA RESISTÊNCIA
EM ACESSOS DE FAVA AO MOSAICO DOURADO E À ANTRACNOSE.

JOÃO RIBEIRO DA SILVA NETO

JOÃO RIBEIRO DA SILVA NETO

CARACTERIZAÇÃO MORFO-AGRONÔMICA E AVALIAÇÃO DA RESISTÊNCIA
EM ACESSOS DE FAVA AO MOSAICO DOURADO E À ANTRACNOSE.

Dissertação apresentada à Universidade Federal de
Alagoas como parte das exigências do Programa de Pós Graduação em Produção Vegetal e Proteção de Plantas,
para obtenção do título de Mestre.

Orientação: Prof. Dr. Gaus Silvestre de Andrade Lima
Co-orientação: Profa. Dra. Iraildes Pereira Assunção

RIO LARGO-AL.
Abril de 2010

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária: Lucia Lima do Nascimento
S586c

Silva Neto, João Ribeiro da.
Caracterização morfo-agronômica e avaliação da resistência em acessos de
fava ao mosaico dourado e à antracnose /João Ribeiro da Silva Neto. – 2010.
93 f. :il. grafs. e tabs.
Orientador: Gaus Silvestre de Andrade Lima.
Co-Orientadora: Iraildes Pereira Assunção.
Dissertação (mestrado em Agronomia: Produção Vegetal e Proteção de Plantas) –
Universidade Federal de Alagoas. Centro de Ciências Agrárias. Rio Largo, 2010.
Inclui bibliografia.
1. Phaseolus lunatus. 2. Phaseolus lunatus – Doenças. 3. Germoplasma vegetal.
4. Mosaico dourado. 5. Antracnose. I. Título.
CDU: 633.35

A minha mãe Geruza Adelaide de Silva e ao meu pai Manoel Ribeiro da Silva (In memória)
exemplos de sabedoria e dedicação na orientação e encaminhamento de seus filhos.

OFEREÇO

A minha singela esposa, pela confiança, amor, amizade e dedicação a mim depositada durante
a realização deste trabalho.

DEDICO

AGRADECIMENTOS

A Deus, fonte de amor, bondade e sabedoria; obrigado pela providencia;
À Universidade Federal de Alagoas, por minha formação e auxílio para realização da
pesquisa;
Ao Centro Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento, pela concessão da bolsa de
estudos e financiamento do projeto de pesquisa com Phaseolus lunatus;
Ao. Prof. Dr. Gaus Silvestre de Andrade Lima, por compartilhar suas idéias, seus
pensamentos, sendo um orientador disposto a oferecer estímulos e, ouvir com interesse e
ânimo todas as questões, dúvidas e problemas que surgiam durante a pesquisa, e pela coragem
de ousar orientar um aluno oriundo de outra área de pesquisa, obrigado pela orientação,
incentivo, apoio e em especial pela amizade.
Ao Dr. José Antônio Madalena da Silva, pelos ensinamentos, amizade e sugestões
sensatas e objetivas nas análises estatísticas deste trabalho;
Aos professores do Programa de Pós-Graduação em Agronomia, pelos ensinamentos
transmitidos. Em especial ao prof. Dr. José Paulo Vieira da Costa, por ter permitido a
mudança de projeto e continuar nos auxiliando;
Aos alunos, estagiários do Laboratório de Fitopatologia, obrigado pelo auxílio durante a
coleta de dados;
A Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias - CECA UFAL;
A Coordenação e Colegiado do Curso da Pós-graduação em Agronomia, por todo apoio
concedido;
A todos meus familiares, que acreditaram em meu crescimento pessoal;
Aos amigos de graduação Adriana Claudino da Silva e Erivaldo Gomes de
Vasconcelos, por todo estímulo e; ao Prof. Dr. Cícero Luís Calazans de Lima, por todo apoio
prestado;
Ao Prof. Cícero Alexandre da Silva pelas experiências transmitidas, amizade e
confiança;
A todos os professores e funcionários do Centro de Ciências Agrárias;
A todos que, com boa intenção, colaboraram para a realização e finalização desse
trabalho, possibilitando alcançar mais um degrau na infinita escada do conhecimento.

BIOGRAFIA

JOÃO RIBEIRO DA SILVA NETO, décimo filho de Manoel Ribeiro da Silva e
Geruza Adelaide da Silva, nasceu no Sítio Boqueirão zona rural do Município de Coité do
Nóia, Estado de Alagoas, às 22 horas em 10 de outubro de 1972.
Ingressou no campo do conhecimento, em 1982, na única sala de aula multiseriada, no
Sítio Tipí, município de Limoeiro de Anadia/AL, concluindo a quarta série em 1985 na
Escola Municipal D. Pedro II, no bairro do Quilombo em Santa Luzia do Norte/AL.
Em 1986, ingressou no ginásio na Escola Municipal de Primeiro Grau Santa Luzia de
Siracusa. Em 1990, após aprovação em teste de seleção foi aceito como aluno em regime de
seme-internato do curso de Técnicas Agrícolas da Escola Agrotécnica Federal de Satuba/Al,
sendo filho e neto de agricultores aguçou seu interesse pelas Ciências Agrárias, formando-se
Técnico Agrícola em. 1992.
Trabalhou como Técnico Agrícola na Usina Triunfo S/A em 1995, agente recenseador
do IBGE no Censo Agropecuário e contagem de população em 1996 e agente de endemias na
Secretária Municipal de Saúde de Santa Luzia do Norte de 1997 a 1998.
Ingressou na Universidade Federal de Alagoas, para o curso de Agronomia, no ano de
1999, após o quarto vestibular prestado, recebendo o grau de Engenheiro Agrônomo em junho
de 2004.
Na acadêmica desenvolveu atividades de monitoria nas disciplinas de Zoologia
Aplicada a Agronomia e Solos II, foi bolsista de iniciação científica, desenvolveu atividades
de pesquisa e extensão em alguns municípios do Estado, nos Programas: Plano de
Desenvolvimento de Assentamento (PDA) e Plano de Recuperação de Assentamentos (PRA),
Convênio INCRA/UFAL.
Fez estágio no Departamento de Solos Engenharia e Economia Rural da Universidade
Federal da Alagoas, no ano de 2003.
Em março de 2008 iniciou o Curso de Mestrado em Agronomia, concentração em
Produção Vegetal, na Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias da Universidade
Federal de Alagoas. O próximo passo..., é uma página em branco.

“Andei
Por caminhos difíceis, eu sei.
Mas olhando o chão sob meus pés, vejo a vida correr.
E assim a cada passo que der
Tentarei fazer o melhor que puder.
Aprendi
Não tanto quanto quis, mas vi que conhecendo.
O universo ao meu redor e aprendo a me conhecer melhor
Assim escutarei o tempo que me ensinará
A tomar a decisão certa a cada momento.
E partirei
Em busca de muitos ideais,
Mas sei que hoje se encontram meu passado, presente e futuro.
Hoje sinto em mim a emoção da despedida.
Hoje é o ponto de chegada.
Mas, ao mesmo tempo, tempo de partida”.
(Autor desconhecido)

CARACTERIZAÇÃO MORFO-AGRONÔMICA E AVALIAÇÃO DA RESISTÊNCIA
EM ACESSOS DE FAVA AO MOSAICO DOURADO E À ANTRACNOSE

RESUMO

O objetivo deste trabalho foi realizar a caracterização morfo-agronômica, grau da resistência
ao mosaico-dourado e à antracnose em acessos de fava, foi avaliado setenta acessos de
Phaseolus lunatus L., provenientes dos bancos ativos de germoplasma das Universidades
Federal do Piauí e Federal Rural de Pernambuco, além de sementes oriundas dos Estados de
Alagoas, Pernambuco, Sergipe e Paraíba, todas obtidas diretamente de lavouras e/ou em feiras
livres, cultivadas no ano agrícola de 2008. A semeadura foi realizada em maio início das
águas. A caracterização foi feita com características da planta, flor, vagem e semente, segundo
recomendações do IPGRI. Para a avaliação da incidência do mosaico-dourado o delineamento
foi em blocos casualizados com duas repetições, na avaliação da caracterização e resistência à
antracnose utilizadou-se um bloco único, representado por setenta acessos, em fileiras
simples. A severidade do fungo foi avaliada nas folhas das plantas, ocorreu maior severidade
na época das chuvas, já a ação de mosca-branca e incidência do vírus ocorreu na época da
seca, causando prejuízos à produção da fava. Os acessos apresentaram diferentes graus
polimorfismo em relação a todos os caracteres avaliados; incidência de mosaico dourado e
resistência à antracnose. As informações sistematizadas puderam ser usadas nos programas de
melhoramento, manejo da cultura, formação e manutenção de bancos de germoplasma de
fava.
Palavras-chave: Phaseolus lunatus, Morfologia, Germoplasma Vegetal, Mosaico Dourado e
Antracnose.

MORPHO-AGRONOMIC CHARACTERIZATION AND EVALUATION OF
RESISTANCE GOLDEN MOSAIC AND ANTHRACNOSE OF ACCESS TO FAVA.

ABSTRACT
The aim of this study was to characterize morphological and agronomic, degree of resistance
to golden mosaic and anthracnose on bean accessions, was evaluated seventy accessions of
Phaseolus lunatus L., from the active germplasm banks of the Federal University of Piauí and
the Federal Rural de Pernambuco, and seeds from the states of Alagoas, Pernambuco, Sergipe
and Paraíba, all taken directly from fields and / or fairs, planted in crop year 2008. Seeds were
sown in early May the waters. The characterization was made with plant characteristics,
flower, pod and seed, according to recommendations of IPGRI. To evaluate the impact of the
golden mosaic design was randomized blocks with two replicates in characterization and
evaluation of resistance to anthracnose utilized is a single block, represented by seventy
access, single row, the severity of the fungus was evaluated in leaves of plants, a greater
severity during the rainy season, since the action of whitefly and virus incidence occurred in
the dry season, causing damage to production of lima bean. The accessions showed different
degrees of polymorphism in relation to all traits; incidence of bean golden mosaic and
anthracnose resistance. Systematized information might be used in breeding programs, crop
management, training and maintenance of germplasm banks bean.
Keywords: Phaseolus lunatus, Morphology, Plant Germplasm, Golden Mosaic and
Anthracnose.

LISTA DE TABELAS

CAPÍTULO I
Pág.
Tabela 1

Resumo Mensal e Anual de temperatura, umidade relativa do ar e
precipitação, Estação Agro meteorológica....................................................

Tabela 2

Procedência dos acessos (Phaseolus lunatus) utilizados na condução
experimento sob condições de campo...........................................................

Tabela 3

46

47

Características morfométricas de plantas em 70 acessos de fava
(Phaseolus lunatus)........................................................................................ 53

Tabela 4

Características morfológicas das flores em 70 acessos de fava
(Phaseolus lunatus)......................................................................................... 57

Tabela 5

Características morfométricas de vagens em 70 acessos de fava
(Phaseolus lunatus)........................................................................................

Tabela 6

60

Características morfométricas de sementes em 70 acessos de fava
(Phaseolus lunatus)......................................................................................... 62

Tabela 7

Características morfo-agronômicas de sementes em 70 acessos de fava
(Phaseolus lunatus)......................................................................................... 69
CAPÍTULO II
Pág.

Tabela 8 Resumo Mensal e Anual de temperatura, umidade relativa do ar e
precipitação

de

janeiro

a

dezembro

de

2009.

Estação

Agra

meteorológica..................................................................................................

78

Tabela 9 Procedência dos acessos (Phaseolus lunatus) utilizados na condução
experimento sob condições de campo...........................................................

79

Tabela 10 Incidência do mosaico dourado, produção de plantas doentes e sadias em
70 acessos de fava (Phaseolus lunatus)........................................................... 84
Tabela 11 Reação de acessos de fava (Phaseolus lunatus) à antracnose causada por
Colletotrichum truncatum em condições de campo........................................

87

LISTA DE FIGURAS

CAPITULO II
Pág.
Figura 1

Figura 2

Figura 3

Figura 4

Figura 5

Figura 6

Figura 7

Figura 8

Descritores para hábitos de crescimento de fava (Phaseolus
lunatus). A: hábito de crescimento indeterminado (esquerdo e
direito) e determinado (central); B: Freqüência de hábito de
crescimento
observado
nos
70
acessos
de
fava
avaliados...........................................................................................
Descritores para pigmentação do caule principal de fava
(Phaseolus lunatus) determinado de 4 a 6 semanas após a
semeadura: A: (a) caule sem pigmentação; (b) caule com
pigmentação generalizada; B: Freqüência de pigmentação do
caule observada nos 70 acessos de fava avaliados...........................
Descritores para forma do folíolo de fava (Phaseolus lunatus). A:
formas do folíolo observadas: redondo (a); oval (b); oval
lanceolado (c), e lanceolado (d) com pigmentação generalizada;
B: Freqüência das formas do folíolo observada nos 70 acessos de
fava avaliados...................................................................................
Descritores da flor de plantas de fava (Phaseolus lunatus), A: Cor
das pétalas observadas nos diferentes acessos, (a) violeta, (b)
branco e (c) róseo claro. B: Freqüências de coloração das pétalas
observadas para asas e estandarte nos 70 acessos de fava
avaliados...........................................................................................
Descritores da flor para abertura das asas de plantas de fava
(Phaseolus lunatus), A: abertura das asas observadas nos
diferentes acessos, (a) paralelas, (b) mediamente abertas e (c)
muito abertas. B: Freqüências de abertura das asas observadas
para asas em 70 acessos de fava avaliados......................................
Descritores para curvatura da vagem de fava (Phaseolus lunatus)
A: tipos de curvatura de vagens observados nos acessos avaliados,
ereta (superior), ligeiramente curva (centro) e curva (inferior). B:
Freqüência observada para curvatura da vagem em 70 acessos de
fava..................................................................................................
Descritores para forma do ápice das vagens de fava (Phaseolus
lunatus) A: Formas de ápice observadas, curto (a), médio (b),
grosso (c) e longo (d). B: Freqüências observadas para forma do
ápice das vagens dos 70 de fava avaliados......................................
Descritores das sementes de plantas de fava (Phaseolus lunatus),
A: tamanho das sementes observadas nos diferentes acessos, (a)
média, (b) pequena, (c) grande e (d) normal. B: Freqüências de
tamanho de sementes observadas em 70 acessos de fava
avaliados..........................................................................................

50

51

52

54

55

58

59

63

Figura 9

Figura 10

Figura 11

Figura 12

Figura 13

Figura 14

Descritores das sementes de plantas de fava (Phaseolus lunatus),
A: perfil das sementes observadas nos diferentes acessos, (a)
semi-achatada, (b) achatada e (c) fora do padrão. B: Freqüências
do perfil de sementes observadas em 70 acessos de fava
avaliados..........................................................................................
Descritores de formas de sementes de plantas de fava (Phaseolus
lunatus), A: forma das sementes observadas nos diferentes
acessos, (a)elíptica, (b) esférica (c) fora do padrão e (d) reniforme.
B: Freqüências de forma de sementes observadas em 70 acessos
de fava avaliados.............................................................................
Descritores de cores de sementes de plantas de fava (Phaseolus
lunatus), A: cor padrão das sementes observadas nos diferentes
acessos fava. B: Freqüências de cor padrão de sementes
observadas em 70 acessos de fava avaliados...................................
Descritores de cores de sementes de plantas de fava (Phaseolus
lunatus), A: Segunda cor padrão das sementes observadas nos
diferentes acessos fava. B: Freqüências de segunda cor padrão de
sementes observadas em 70 acessos de fava avaliados....................
Descritores de cores de sementes de plantas de fava (Phaseolus
lunatus), A: cor do fundo de sementes observados nos diferentes
acessos fava. B: Freqüências de cor do fundo de sementes
observadas em 70 acessos de fava avaliados..................................
Descritores de padrão de tegumento de sementes de plantas de
fava (Phaseolus lunatus), A: Padrão de tegumento de sementes
observados nos diferentes acessos fava. B: Freqüências de padrão
de tegumento de sementes observadas em 70 acessos de fava........

63

64

65

65

66

67

CAPITULO II
Pág.
Figura 15

Vegetação espontânea com sintomas de mosaico dourado. A:
Picão-grande (Blainvillea rhomboidea) e B: anileira (Indigofera
hirsuta L.)......................................................................................... 79

Figura 16

Escala diagramática desenvolvida por Godoy et al. (1996) para a
cultura do feijoeiro utilizada na avaliação da antracnose da
fava................................................................................................... 80
Mosaico dourado em 70 acessos de fava (Phaseolus lunatus), A:
Planta de fava com sintomas de mosaico dourado, B: Detalhe do
mosaico dourado em folhas de fava................................................. 83
Antracnose em 70 acessos de fava (Phaseolus lunatus), A: Planta
de fava com sintomas de antracnose, B: Detalhe da antracnose em
folhas de fava................................................................................... 87

Figura 17

Figura 18

LISTA DE SIGLAS

CATIE

Centro Agronômico Tropical de Investigação e Enseñanza e Escola de
Biologia.

CENARGEN

Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia.

CECA

Centro de Ciências Agrárias.

CIAT

Centro Internacional de Agricultura Tropical.

CUNSUROC

Centro Universitário de Sur Occidente e Universidade de San Carlos.

FAO

Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação.

DNA

Ácido Desoxirribonucléico.

IBGE

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

INEAGRO

Instituto de Ecologia Aplicada de Guerrero.

INIFAT

Investigações Fundamentais em Agricultura Tropical.

INIAP

Estação Experimental Portoviejo.

IPGRI

International Institute of Plant Genetic Resources.

LAPA

Laboratório de Análise de Produtos Agropecuário.

OMS

Organização Mundial da Saúde.

ONU

Organização das Nações Unidas.

UFAL

Universidade Federal de Alagoas.

UFRPE

Universidade Federal Rural de Pernambuco.

UFPI

Universidade Federal do Piauí.

UNHEVAL

Estação Experimental Agropecuária La Molina, Universidade Nacional
Hermilio Valdizan e Universidade Nacional Agrária La Molina, Peru.

VMDF

Vírus do mosaico dourado da fava.

ICTV

Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus.

WDV

Wheat dwaf virus.

DSV

Digitaria streak virus.

MSV

Maize streak virus.

BCTV

Beet curly top virus.

TPCTV

Tomato pseodo

BGYMV

Bean golden yellow mosaic virus.

ACMV

African cassava mosaic virus.

TGMV

Tomato golden mosaic virus.

SLCV

Squash leaf curl virus.

TLCV

Tomato leaf curl virus.

CP

Proteína capsidial.

TobYDV

Tobacco yellow dwarf virus.

BeYDV

Bean yellow dwarf virus.

RF

Forma replicativa.

LBGMV

Lima bean golden mosaic virus.

MaGMV

Macroptilium golden mosaic virus.

SUMÁRIO
Página
LISTA DE TABELAS
LISTA DE FIGURAS
LISTA DE SIGLAS
RESUMO
ABSTRACT
1 INTRODUÇÃO GERAL

18

2 REVISÃO DE LITERATURA

19

2.1 Origem, Aspectos Gerais e Desenvolvimento

19

2.1.1Classificação Botânica

19

2.1.2 Centro de Origem da Variabilidade

19

2.1.3 Aspectos Gerais e Diversidade

20

2.1.4 Conservação da Espécie

21

2.1.5 Diversidade Gênica

22

2.2 Caracterização Morfo-Agronômica

23

2.2.1 Seleção de Descritores

24

2.3 Mosaico Dourado

26

2.3.1 Família Geminiviridae

26

2.3.2 Taxonomia, Origem e Evolução dos Geminivírus

26

2.3.3 Importância Econômica

27

2.3.4 Transmissão Natural dos Geminivírus

28

2.3.5 Geminivirus em Phaseolus spp

28

2.4Antracnose

30

2.4.1 Etiologia e Distribuição do Patógeno

30

2.4.2 Importância

30

2.4.3 Antracnose em Fava

31

3 REFERÊNCIAS

33

CAPÍTULO I
CARACTERIZAÇÃO MORFO-AGRONÔMICA DE ACESSOS DE FAVA
RESUMO

43

ABSTRACT

44

4. INTRODUÇÃO

45

4.1 Material e Métodos

46

4.2 Caracterização da Área Experimental

46

4.3 Material Genético

47

4.4 Caracterização dos Acessos

48

4.4.1 Descritores da Planta

48

4.4.2 Descritores da Flor

49

4.4.3 Descritores da Vagem

49

4.4.4 Descritores da Semente

49

4.5 Análise Estatística

50

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

51

5.1 Descritores da Planta

51

5.1.2 Descritores da Flor

54

5.1.3 Descritores da Vagem

58

5.1.4 Descritores da Semente

61

6 REFERÊNCIAS

72

CAPÍTULO II
RESISTÊNCIA EM ACESSOS DE FAVA (Phaseolus lunatus L.) AO MOSAICODOURADO (Bean golden mosaic virús) E À ANTRACNOSE (Colletotrichum truncatum)
RESUMO

74

ABSTRCT

75

7 INTRODUÇÃO

76

7.1 Material e Métodos

78

7.1.1 Caracterização da Área Experimental

78

7.1.2 Material Genético

79

7.1.3 Avaliação da Resistência ao Mosaico Dourado e a Antracnose

80

7.1.4 Análise Estatística

82

8 RESULTADOS E DISCUSSÃO

83

8.1 Reação de Acessos de Fava ao Mosaico Dourado

83

8.2 Reação de Acessos de Fava à Antracnose

87

9 CONCLUSÕES GERAIS

89

10 REFERÊNCIAS

90

18

1 INTRODUÇÃO GERAL

O Brasil é um dos maiores detentores da biodiversidade vegetal do planeta, e deve
assumir um papel importante, estratégico, de interesse múltiplo neste novo cenário, com
especial enfoque nas áreas de bioenergia, farmacologia, biotecnologia e, sobretudo,
agricultura. Uma vez que tem uma tendência natural para produção, principalmente grãos,
sendo que, neste contexto o gênero Phaseolus tem papel importante na economia nacional e
regional, uma vez que, constitui fonte de renda complementar, e uma das principais fontes de
proteína vegetal de alto valor biológico, ao alcance da maioria da população (PETERSEN,
2001).
A caracterização morfológica de genótipos fornece uma série de informações a
respeito da variabilidade genética de cada acesso estudado. Esses dados auxiliam na
caracterização de germoplasma, possibilitando grandes avanços na descrição da divergência
genética e ou morfológica entre acessos (SINGH, 2001).
Apesar de sua importância alimentar, a fava tem tido pouca atenção por parte dos
órgãos gestores, o que, segundo PEREIRA et al. (2004), contribui para uma baixa
produtividade e um alto índice de infestação de pagas e doenças. Dentre as moléstias que
acometem o gênero, a antracnose da fava e do feijão comum (Phaseolus vulgaris L.) constitui
uma das doenças de origem fungica de maior importância dessa cultura em todo mundo.
Quanto ao mosaico-dourado da fava, doença causada por um vírus do gênero
Begomovirus transmitido pela mosca-branca (Bemisia tabaci) é um dos principais problemas
nas culturas de feijões na América Latina (GALVEZ e MORALES, 1989). Provoca perdas
econômicas que podem variar de 30% a 100%, dependendo da espécie, estádio de
desenvolvimento da planta, população do vetor, presença de hospedeiros alternativos e
condições ambientais (FARIA et al. 1986).
A fava (Phaseolus lunatus L.), juntamente com outras plantas do gênero Phaseolus,
tem uma relevante importância socioeconômica para uma grande parte da população
brasileira, apesar desta importância, verificam-se na literatura poucos trabalhos visando
determinar sua caracterização bem como a identificação e o controle de suas principais
doenças. Assim, nesse trabalho, objetivou-se realizar a caracterização morfo-agronômica e
resistência ao mosaico-dourado e à antracnose de acessos de fava em condições de campo.

19

2 REVSÃO DE LITERATURA
2.1 Origem, Aspectos Gerais e Diversidade do Gênero Phaseolus.

2.1.1 Classificação Botânica

Conforme estudos de MELCHIOR (1964), o gênero Phaseolus pertence à ordem
Rosalis, subordem Phaseolinae, tribo Phaseoleae, subfamília Papilionoideae e família
Leguminosea, porém, CRONQUIST (1988) classificou-o pertencente à subclasse Rosidea,
ordem Fabales e família Fabaceae. HERNÁNDEZ et al. (2003), afirma ser está família uma
das maiores entre as dicotiledôneas, com 643 gêneros e 18.000 espécies com distribuição
geográfica em todo mundo, principalmente nos trópicos e subtrópicos.
Neste contexto, o número exato de espécies classificadas do gênero Phaseolus diverge
entre uma literatura e outra. Segundo SILVA et al. (2003), revisões de gênero indicam que,
esses números tendem de 31 a 52 espécies, todas originárias das Américas, das quais apenas
cinco são cultivadas: P. vulgaris. (feijão comum), P. lunatus. (fava), P. coccioneus. (feijãoayocote), P. acutifolius A. Gray (feijão-topari) e P. polyanthus Greemer (feijão de toda uma
vida) (DEBOUK, 1991).
Segundo ZIMMERMANN e TEIXEIRA (1996), P. lunatus pode ser identificado
como uma leguminosa de germinação epígena; onde as folhas geralmente apresentam
coloração escura, mais persistente que em outras espécies do gênero, mesmo depois do
amadurecimento das vagens; bractéolas pequenas e pontiagudas; vagens bastante compridas e
de forma geralmente oblonga e recurvada, com duas alturas distintas (ventral e dorsal) e
número de sementes por vagem variando de duas a quatro. Tais sementes exibem grande
variação de tamanho e cor de tegumento (SANTOS et al. 2002). Uma característica marcante
da fava, que a distingue facilmente de outros feijões, são as linhas que se irradiam do hilo para
a região dorsal das sementes, mas em algumas variedades essas linhas podem não ser tão
facilmente observadas (VIEIRA, 1992).

2.1.2 Centro de Origem da Variabilidade

Alguns autores consideram o continente asiático como o Centro de Origem da
Variabilidade de P. lunatus, no entanto, de acordo com a teoria de MACKIE (1943), a origem

20

da variabilidade do feijão-fava encontra-se na América Central, especificamente Guatemala,
de onde se dispersou em três direções, possivelmente seguindo a rota do comércio:

1. Ramificação Hopi, seguindo para o norte, atingindo os Estados Unidos, região de
clima frio. As sementes dessa ramificação são médias e achatadas, definidas como
grupo Sieva;
2. Ramificação Caribe, seguindo para leste, atingindo as Antilhas e, daí, para o norte da
América do Sul, extensão caracterizada por zonas calcáreas e secas (desde Yucatan até
as Antilhas). As sementes são pequenas e globosas, definidas como grupo Batata;
3. Ramificação Inca, seguindo para o sul, atingindo a América Central pela Colômbia,
Equador e Peru. As sementes são grandes e achatadas, definidas como grupo Big
Lima.

No gênero Phaseolus, tanto as espécies silvestres como as cultivadas apresentam-se
distribuídas em três centros localizados na América Latina, definidos como centro
Mesoamericano, Norte e Sul Andino. O Centro Mesoamericano compreende mais de 40
espécies, entre as quais estão as cinco cultivadas, P. vulgaris L., P. lunatus L., P. coccineus
L., P. acutifolius A. Gray e P. polyanthus Greeman; o centro Norte dos Andes, o mais pobre
em espécies, contém somente quatro das cultivadas e algumas espécies silvestres; e o centro
Sul Andino, comporta duas espécies cultivadas, P. vulgaris e P. lunatus, seus respectivos
ancestrais silvestres e poucas espécies silvestres (DEBOUCK, 1991).
As variedades Mesoamericanas de P. lunatus, são provenientes do sudeste dos Estados
Unidos até o Panamá, tendo como zonas principais o México, Guatemala, Nicarágua, El
Salvador, Honduras e Costa Rica, apresentam sementes pequenas de cor escura (grupo Sieva),
todavia, na Europa são mais cultivados variedades com sementes grandes, achatadas e
tegumento branco (grupo Big Lima).

2.1.3 Aspectos Gerais e Diversidade

A fava é considerada a espécie mais importante do gênero depois do feijão comum (P.
vulgaris L.), é uma leguminosa tropical caracterizada por elevada diversidade genética e
elevado potencial de produção, que se adaptam às mais diferentes condições ambientais, mas
desenvolvem-se melhor nos trópicos úmidos e quentes (MAQUET et al. 1999). A cultura se

21

adequa melhor em solo areno-argiloso, fértil e bem drenado, tendo bom rendimento com pH
entre 5,6 e 6,8 (VIEIRA, 1992).

2.1.4 Conservação da Espécie

De acordo com KNUDSEN (2000), conforme dados do Internacional Institute of Plant
Genetic Resources (IPGRI), as coleções de germoplasma de P. lunatus podem ser encontradas
nas seguintes instituições: Estação Experimental Agropecuária Salta, Argentina; Instituto de
Investigação Agrícola El Vallecito e Universidade Autônoma Gabriel René Moreno, Bolívia;
Faculdade de Ciências Agrárias e Universidade Austral de Chile, Chile; Centro Internacional
de Agricultura Tropical (CIAT), Colômbia, com entradas provenientes de diferentes países
(Belice, Brasil, Colômbia, Honduras, México, Panamá, Filipinas e Venezuela); Centro
Agronômico Tropical de Investigação e Enseñanza (CATIE) e Escola de Biologia, Costa
Rica; Instituto de Investigações Fundamentais em Agricultura Tropical (INIFAT), Cuba;
Estação Experimental Portoviejo, INIAP, Equador; Centro Universitário de Sur Occidente
(CUNSUROC) e Universidade de San Carlos, Guatemala; Ciências Agropecuárias e Instituto
de Ecologia Aplicada de Guerrero (INEAGRO), México; Estação Experimental Agropecuária
La Molina, Universidade Nacional Hermilio Valdizan (UNHEVAL) e Universidade Nacional
Agrária La Molina, Peru.
No Brasil, o Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia
(CENARGEN), localizado em Brasília, DF, conserva uma Coleção de Base de Phaseolus
ssp., com 12.488 sub-amostras de 20 espécies, 6 subespécies e 16 variedades, sendo que 32,20
% dessas sub-amostras foram coletados no país; P.lunatus é a segunda espécie com maior
número de sub-amostras presentes na coleção, perfazendo 7,80 % (WETZEL et al. 2006). Em
Viçosa, MG, no Banco de Germoplasma de Hortaliças, encontram-se 401 variedades
tradicionais de feijão-fava do Brasil (KNUDSEN, 2000). Na região Nordeste, nos Estados de
Pernambuco e Piauí, encontram-se também Coleções de Germoplasma, principalmente de
variedades crioulas, na Universidade Federal Rural de Pernambuco, em Recife, e na
Universidade Federal do Piauí, em Teresina, com sub-amostras, obtidas a partir de coletas
efetuadas na região Meio-Norte do Brasil e intercâmbios com outras instituições (COSTA et
al. 2007).

22

2.1.5 Diversidade Gênica

As espécies do gênero Phaseolus são todas diplóides, cujo número cromossômico
predominante é 2n=22, no entanto, nesse gênero, o número cromossômico pode, raramente,
variar, ocorrendo 2n=20 (MERCADO-RUARO; DELGADO-SALINAS 1998).
Trabalhos realizados por MARECHAL et al. (1978) estabeleceram distâncias
taxonômicas entre as espécies cultivadas do gênero Phaseolus, que posteriormente foram
confirmadas pelos estudos químicos e moleculares de GEPTS (1990), permitindo estabelecer,
para o gênero, três conjuntos gênicos distintos: o primário, o secundário e o terciário. No
conjunto primário, o fluxogênico ocorre de maneira relativamente livre e a fertilidade é plena
(barreiras genéticas inexistentes), porém, os descendentes de cruzamentos entre espécies
cultivadas e silvestres podem ter menor adaptação; devido à seleção de uma determinada
característica tida como agronômica em detrimento de outra menos desejável. Neste conjunto,
são encontradas quatro espécies: P. vulgaris, P. lunatus, P. coccineus e P. acuntifolius.
No conjunto secundário, o fluxo gênico é possível, apresentando, fertilidade reduzida
(barreiras genéticas moderadas) comporta as espécies: P. coccineus e P. vulgaris. O terceiro
conjunto gênico caracteriza-se por apresentar fluxo gênico difícil e fertilidade baixíssima
(barreira genética forte). A este conjunto, há a necessidade de resgate de embriões para
viabilizar os descendentes, estando inclusos neste grupo as espécies: P. acutifolius, P.
filiformis, P. vulgaris, P. coccineus, P. resinsis, P. metcalfei e P. polystachus (BAUDOIN;
2001).
No que se refere ao P. lunatus, a diversidade das espécies esta organizada em conjunto
gênico primário, formado pelos respectivos parentes silvestres; conjunto gênico secundário,
organizado pelas espécies: P. pachyrrhizoides, P. august e P. bolivanus; e conjunto gênico
terciário, formado por: P. maculatus, P. ritensis, P. polystachyus e P. salicifolius, sendo que
todos os conjuntos são compostos por espécies silvestres (BAUDOIN, 2001).
Conforme SILVA e COSTA (2003), o conhecimento do “pool gênico”, ou complexo
gênico, oferece a possibilidade de estruturar a diversidade genética de forma a estimular a sua
utilização. A determinação desses conjuntos gênicos para as espécies do gênero Phaseolus
possibilita ampliar a base genética e maximizar os ganhos de seleção (CAMARENA, 2005).
Os estudos sobre a divergência genética, utilizando as técnicas multivariadas,
realizam-se por meio de avaliação simultânea de vários caracteres, que permitem inúmeras
inferências a partir do conjunto de dados existentes (CRUZ et al. 2004) Essas técnicas,

23

empregadas tanto para caracteres expressos por dados quantitativos quanto qualitativos, tem
facilitado o estudo sobre a diversidade de diferentes grupos de organismos e gerando
informações importantes para o melhoramento e manutenção dos recursos genéticos vegetais
(BENIN et al.; 2002; RIBEIRO et al. 2005). A análise por componentes principais, por
variáveis canônicas e os métodos aglomerativos, são procedimentos multivariados que podem
ser aplicados. A escolha do método tem sido determinada pela precisão desejada pelo
pesquisador, pela facilidade de análise e a forma como os dados foram obtidos (CRUZ e
REGAZZI, 2001).

2.2 Caracterização Morfo-Agronômica.

Os caracteres morfológicos contribuem para o entendimento da variabilidade das
espécies vegetais, estando presentes nas listas de descritores publicados pelo IPGRI (2001), e
juntamente com os caracteres agronômicos e físico-químicos das sementes, contribuem para a
descrição completa dos germoplasmas.
As características morfológicas relatadas para a espécie P. lunatus são: caule
herbáceo, formado por uma sucessão de nós e entrenós, com as raízes concentradas na base do
caule, quase na superfície do solo; folhas trifoliadas, compostas por um folíolo central e dois
laterais, opostos e assimétricos; flores dispostas em inflorescências; o fruto é um legume
conhecido por vagem, as quais são compridas e de formato oblongo ou recurvado, com
número de grãos variando de dois a quatro; a cor do fruto é característica da cultivar, podendo
ser verde, lisa ou com estrias, vermelhas, violetas, roxas, amarelas, com ou sem estrias
vermelhas ou roxas, e até marrom; a semente pode ter forma arredondada, elíptica, reniforme
ou oblonga e apresentar tamanhos variados, com cores variando do preto, bege, roxo, róseo,
vermelho, marrom, amarelo, até o branco (SILVA e COSTA, 2003).
Os programas de melhoramento têm incluído propriedades tecnológicas, nutricionais e
estéticas das sementes entre os critérios de seleção, procurando associá-las com características
agronômicas relacionadas à produtividade. Segundo HERRERA et al. (2002), a transferência
de caracteres dos grãos, que influem em sua aceitação comercial, possibilita a oferta de
melhores cultivares para produtores e consumidores. Crescente a preocupação em fornecer
alimentos com boa qualidade nutricional, devido aos novos hábitos criados pela indústria
alimentícia, marcados pelo excesso de produtos artificiais (BLEIL, 1998).

24

De acordo com o IPGRI (2001), a caracterização consiste no registro daquelas
características que são altamente hereditárias, as quais podem ser facilmente observáveis e
que se expressam em todos os ambientes. Para isso, o profissional da área de melhoramento
utiliza-se de parâmetros botânicos, morfológicos, agronômicos e genéticos que visam um
melhor entendimento do estudo de características que contribuem para a definição de uma
espécie.
O Nordeste brasileiro dispõe de inúmeras variedades de feijão-fava introduzidas há
muitos anos, as quais são cultivadas até hoje na agricultura de sequeiro consorciada e de
subsistência em pequenos estabelecimentos agrícolas. Segundo QUEROL (1993), é preciso
evitar a perda desses ricos bancos de alelos, presentes entre os agricultores, sendo necessário à
coleta destes materiais e sua caracterização.
A caracterização é uma atividade primordial para geração de conhecimento sobre
germoplasmas conservados em bancos ou coleções, por permitir um melhor manejo dos
acessos e fornecer subsídios para conservação e preservação, bem como a utilização em
programas de melhoramento.
A caracterização morfo-agronômica tem sido efetuada em coleções de germoplasma
para gerar informações sobre a descrição e a classificação do material conservado. Na maioria
das coleções, é de praxe a obtenção de dados morfológicos e agronômicos
concomitantemente, o que explica a fusão dos nomes. Em plantas perenes e semiperenes, os
caracteres podem ser obtidos em diferentes estágios (germinação, juvenil e adulto), grupos
(vegetativos, reprodutivos, produtivos) e modos, ou seja, por observações, registrada em
escala de notas (qualitativa), e/ou por mensuração (quantitativa). A obtenção de descritores
em várias etapas é feita com o objetivo de identificar caracteres que possam ser úteis na
seleção precoce. Desta forma, tem sido comum a observação e/ou mensuração de vários
caracteres em um mesmo genótipo (CURY, 1993).

2.2.1 Seleção de Descritores

O P. lunatus é reconhecido por muitos cientistas como uma proteaginosa bem
adaptada às terras baixas sub-úmidas e úmidas das zonas tropicas. Apesar de ser originária da
América Latina, esta cultura também pode ser cultivada e estudada em regiões temperadas
subtropicais de outros continentes, (FAO, 1990). Mesmo sendo uma cultura de ampla
distribuição geográfica, a fava teve por muito tempo como referencial para sua caracterização,

25

os descritores para a cultura do feijoeiro comum. Somente por volta de 2001, foi possível
reunir uma lista de descritores para fava, resultado da tradução do original do IBPGR, 1982
(atual IPGRI), estando de acordo com as indicações técnicas dadas, sobre os descritores e
estádios dos descritores, por especialistas de todo mundo.
A conservação da diversidade genética intra-específica de P. lunatus ocorre nos
bancos de germoplasma, principalmente nos Estados Unidos (USDA), México (INIFAP) e
Colômbia (CIAT), que têm coletado germoplasma para resgatar material tradicional cultivado
em várias regiões do trópico americano, onde o desaparecimento tem sido mais rápido
(CAMARENA, 2005).
As atividades de um banco de germoplasma são: coleta, caracterização, avaliação,
documentação e conservação da espécie. A coleta dos recursos genéticos pode ser realizada
em lavouras familiares, hortas e pomares caseiros, mercados, feiras e habitates silvestres. No
caso dos feijões, as principais coletas têm sido feitas em propriedades de pequenos produtores
e feiras livres (QUEROL, 1993).
Nas coleções de germoplasma, o termo descritor é utilizado para se referir a um
atributo ou caráter que se observa ou se mensura nos acessos, sendo capaz de discriminar um
acesso do outro QUEROL (1993).
De acordo com CASTINEIRAS (1991), são reconhecidos três tipos de fava baseados
na forma e peso de 100 sementes, as quais são chamadas como “papas” (sementes pequenas,
com 35 a 50 g / 100 sementes), “sieva” (sementes médias, com 50 a 70 g / 100 sementes) e
“big lima” (sementes grandes, com 70 a 110 g / 100 sementes).
No Brasil, estudos realizados por SANTOS et al. (2002) e YAGUIU et al. (2003), com
o objetivo de distinguir variedades de fava através dos caracteres morfológicos, utilizaram as
seguintes variáveis: hábito de crescimento; comprimento e larguras das vagens; comprimento;
largura e espessura da semente; peso de 100 sementes; coloração do hipocótilo; da flor e da
semente (branca, amarela, vermelha, violeta, preta e rajada).
A caracterização morfológica fornece uma série de informações a respeito da
variabilidade genética de cada acesso estudado. Esses dados auxiliam na caracterização de
germoplasma, possibilitando grandes avanços na descrição da divergência genética entre
acessos, sendo que tal caracterização pode ser feita por meio de marcadores ou descritores
morfológicos e/ou moleculares (SINGH, 2001). Diversos autores (BEEB et al. 2000;
WALMA et al. 2007), tem utilizado marcadores RAPD e descritores morfológicos no
agrupamento de genótipos de feijão, fava, cana-de-açúcar etc., o que de acordo com o centro

26

de domesticação tem sido eficaz na validação da variabilidade genética dentro e entre
populações de plantas e elucidação de parentescos ente acessos, bem como a identificação de
indivíduos superiores.

2.3 Mosaico Dourado

2.3.1 Família Geminiviridae

2.3.2 Taxonomia, Origem e Evolução dos Geminivírus.

A família Geminiviridae é constituída atualmente por 110 espécies (NCBI, 2006),
sendo os geminivirus classificados em quatro gêneros: Mastrevirus, Curtovirus, Begomovirus
e Topocuvirus, dependendo da organização genômica, gama de hospedeiros e tipo de inseto
vetor (FAUQUET et al. 2003). A família é caracterizada estruturalmente pela morfologia
geminada da partícula viral, com aproximadamente 18-30 nm e geneticamente por possuir
uma (monopartidos) ou duas (bipartidos) moléculas de DNA circular de fita simples
(ssDNA). Cada uma das moléculas apresenta aproximadamente 2500-3000 nucleotídeos
encapsidados por uma única proteína estrutural que se arranja na forma de 22 capsômeros
formando dois icosaedros incompletos que conferem o aspecto geminado das partículas virais,
característico desta família de vírus de plantas (LARAROWITZ, 1992).
O gênero Begomovirus inclui os geminivirus que podem possuir genoma tanto
monopartidos quanto bipartidos, são transmitidos por biótipos de mosca-branca (Bemisia
tabaci) e infectam um amplo ciclo de plantas dicotiledôneas tanto no “velho” quanto no
“novo mundo” (ROJAS et al. 2005). Entre os membros mais comumente estudados que
apresentam genoma bipartido estão o Bean golden yellow mosaic virus (BGYMV), espécie
tipo do gênero (FAUQUET et al., 2000), African cassava mosaic virus (ACMV), Tomato
golden mosaic virus (TGMV) e Squash leaf curl virus (SLCV). Entre os monopartidos
destaca-se a espécie Tomato yellow leaf curl virus (GUTIERREZ, 2002).
Sobre a origem dos geminivirus, a hipótese mais aceita é aquela que propõe a origem a
partir de bacteriófagos, como ФX174, e de plasmídeos bacterianos com genoma composto de
DNA fita simples (ssDNA) (KOONIN e ILYANA, 1992). Esta hipótese é baseada na
similaridade entre seqüências e em processo como o mecanismo de círculo rolante utilizado
na replicação do genoma destes organismos. Além disso, já foi demonstrado que o promotor

27

da proteína capsidial dos geminivirus é funcional em Escherichia coli (PETTY et al. 1986) e
que o TLCV (Tomato leaf curl virus) é replicado eficientemente em Agrobacterium
tumefaciens (RIDGEN et al. 1996). Estas observações fornecem evidencias para a teoria de
que estes vírus com genoma composto por ssDNA circular evoluíram a partir de replicons
epissomais de células procariontes (FARIA e ZERBINI, 2000).

2.3.3 Importância Econômica

Os begomovírus possuem grande importância econômica, sendo uma das maiores
ameaças à agricultura, principalmente nas regiões tropicais e subtropicais (MORALES e
ANDERSON, 2001; MONCI et al. 2002; BRIDDON, 2003). O aumento mundial da
população e da distribuição do inseto vetor facilita o surgimento de novas doenças limitando a
produção agrícola (ROJAS et al. 2005). Espécies como o African cassava mosaic virus
(ACMV) em mandioca (Manihot esculenta) nos países africanos (VARMA e MALATHI,
2003), Bean golden mosaic virus (BGMV) em feijoeiro (Phaseolus vulgaris) nas Américas
(MORALES e ANDERSON, 2001), Maize streak virus (MSV) em milho (Zea mays) na
África (MARTTIN et al. 1999) e em tomate (Solanum lycopensicum) o Tomato leaf curl virus
(ToLCV) e Tomato yellow leaf curl virus (TYLCV) na África, nas Américas, Ásia, Austrália
e partes da Europa (VARMA e MALATHI, 2003) têm causado sérios problemas na
agricultura mundial, Perdas econômicas devido a infecções provocadas por geminivirus em
mandioca são estimadas em 2 bilhões de dólares anuais na África (ROJAS et al. 2005), 5
bilhões, entre 1992-97, para o algodão no Paquistão (BRIDDON e MARKHAM, 2000), 300
milhões de dólares anuais em leguminosas na Índia (VARMA et al. 1992), e 140 milhões de
dólares entre 1991-92 na Flórida somente em tomate (MOFFAT, 1999). Nas últimas duas
décadas a incidência e severidades das doenças causadas por geminivirus têm aumentado
rapidamente em várias áreas do mundo. O aumento na incidência de vírus, membros do
gênero begomovírus no Brasil, está especificamente associado à explosão populacional da
mosca-branca (Bemisia tabaci) (RIBEIRO et al. 2002).
No Brasil, em condições de campo, as perdas ficam em torno de 40 a 85 %, podendo
chega a 100 % (GÁLVEZ e MORALES, 1989), portanto a incidência da doença e a extensão
das perdas variam dependendo da população do inseto vetor, da cultivar, do estágio das
plantas quando infectadas, do isolado do vírus e das condições ambientais (GARRIDORAMIREZ et al. 2000; ARAGÃO e FARIA 2004). Segundo COSTA (1976) relatou como

28

hospedeiros do BGMV-BR apenas Phaseolus vulgaris L., P. lunatus L., P. accutifolius Gray,
P. longepe-donculatus Mart., P. polystachyus (L). Britt, Stern & Pagg e Macroptilium
lathyroides L. (Phaseolus lathyroides L.), informando que são espécies bastante suscetíveis
nos quais, o vetor adquire o vírus facilmente. Além do BGMV, outras espécies de
Begomovirus causam mosaico dourado em Phaseolus ssp. , assim como, o Bean golden
yellow mosaic virus (BGYMV), Lima bean golden mosaic virus (LBGMV) e Macroptilium
golden mosaic virus (MaGMV). Em alagoas, dados referentes à incidência da doença e a
extensão das perdas provocadas em nível de campo são inexistentes carecendo de maiores
investigações.

2.3.4 Transmissão Natural dos Geminivírus

Os geminivírus não são transmitidos via semente ou por contato manual. Portanto, a
única forma de dispersão desses vírus na natureza, ocorre via vetor (DHAR e SINGH, 1995).
Os vetores de geminivírus são insetos sugadores classificados na ordem Hemíptera, subordem
Homóptera, incluindo as moscas-brancas (Aleyrodidae) e as cigarrinhas (Cicadellidae e
Auchenorrhynca) (LARAROWITZ et al., 1992; VILLAS BOÂS et al. 1997). No caso dos
begomovírus, a transmissão é realizada por mosca-branca (Bemisia tabaci), que se trata de
uma espécie cosmopolita, cujo centro de origem supõe-se ser o Oriente ou o Paquistão, tendo
sido introduzida na Europa, África e Américas pelo homem, através de material vegetal
(BROWN e BITD, 1992; MELO 1992). A mosca-branca é encontrada geralmente nos
trópicos e subtropicos e em todos os continentes (FRANÇA et al. 2000). Sua distribuição está
estreitamente relacionada à expansão da monocultura da maioria das espécies cultivadas, às
condições dos sistemas agrícolas modernos, o aumento da utilização de agrotóxicos e,
principalmente, à grande facilidade em se adaptar aos diversos hospedeiros (BROWN et al.
1993). O inseto vetor ao se alimentar, deposita as partículas virais (dsDNA) nas células
floemáticas do hospedeiro, sendo a modalidade de transmissão de begomovírus por mosca
branca do tipo circulativa não propagativa (BROWN et al. 1997). Nesta o vírus circula na
hemolinfa, mas não replica no vetor, envolvendo a passagem de partículas virais do intestino
de inseto, da hemolinfa para as glândulas salivares e desta para outras plantas (GHANIM et
al. 1998).

29

2.3.5 Geminivírus em Phaseolus spp.

O mosaico dourado do feijoeiro, causado pelo Bean golden mosaic virus (BGMV), foi
inicialmente descrito como uma doença que, a princípio, não teria importância econômica
(COSTA, 1965). No inicio dos anos 70, as plantações de feijoeiro nos estados de São Paulo,
Paraná e Minas Gerais foram severamente atingidas pela doença. Esse fato foi atribuído ao
avanço da cultura da soja e outras culturas hospedeiras da mosca branca (FARIA et al. 1994).
Atualmente a doença encontra-se disseminada por todas as regiões produtoras do Brasil e em
outros países das Américas, tais como Cuba, Guatemala, Republica Dominicana, Porto Rico,
Jamaica, Estados Unidos, México, Belize, Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua,
Costa Rica, Panamá, Venezuela e Colômbia (BLAIR et al. 1995; ARAGÃO e FARIA 2004).
É uma doença causada por um Geminivirus transmitido pela mosca-branca (Bemisia tabaci) e
constitui um dos principais problemas nas culturas de feijões, no Brasil e América Latina
(GALVEZ e MORALES, 1989). Provoca perdas econômicas que podem variar de 30% a
100%, dependendo da espécie, estádio da planta, população do vetor, presença de hospedeiros
alternativos e condições ambientais (FARIA et al. 1996).
O principal sintoma celular é a mudança da morfologia dos cloroplastos,
especialmente no sistema lamelar, mas podem ocorrer sintomas também nos tecidos do
floema e células adjacentes ao parênquima. Ocorre aumento de tamanho do nucléolo que se
condensa em regiões granulares fibrilares, e mais tarde toma a forma de anéis, de tamanho e
número variados por núcleo. Finalmente, quando partículas virais aparecem no núcleo, a
capacidade de translocação de solutos na planta é dificultada, afetando a produtividade do
feijoeiro (FARIA et al., 1996).
O controle de geminiviroses é difícil. Medidas como o controle químico do inseto
vetor (mosca branca) visando à eliminação ou a redução das fontes do vírus, vêm sendo
utilizadas. Portanto, este tipo de controle é dificultado devido a constante migração das
grandes populações do inseto de lavouras mais velhas para as mais novas, e também pela
rápida resistência FARIA (2000). Uma outra medida usada é o controle cultural, com a
eliminação de hospedeiros alternativos, que funcionam como reservatório de vírus, além da
execução do plantio em períodos menos favoráveis ao inseto vetor. Porém estas estratégias
não têm demonstrado ser efetivas para controlar as doenças causadas por geminivírus.
A obtenção de imunidade ao vírus através do melhoramento para resistência varietal
seria a medida de controle mais adequada e a única realisticamente eficiente (ARAGÃO e

30

FARIA, 2004). Fontes de imunidade ou elevados graus de resistência têm sido buscadas nos
bancos de germoplasma de feijão. Em cerca de 15.000 acessos de germoplasma de P. vulgaris
e alguns de P. lunatus, P. accutifolius e P. coccineus, em El Salvador, Costa Rica Guatemala,
México e Brasil, encontrou-se apenas níveis baixos e moderados de resistência ou tolerância à
doença (GÁLVEZ e MORALES, 1989; FARIA e MAXWELL, 1999).

2.4 Antracnose

2.4.1 Etiologia e Distribuição do Patógeno

O gênero Colletotrichum é o agente etiológico da antracnose, principal doença de uma
ampla variedade de espécies cultivadas pelo homem (BALARDIN, 1997). É um dos mais
importantes gêneros de fungos fitopatogênicos em todo o mundo, especialmente em regiões
tropicais e subtropicais. Causa doenças em culturas economicamente importantes como
cereais, gramíneas, leguminosas e solanáceas.
No Brasil, o gênero Colletotrichum já foi relatado causando antracnose em várias
culturas. Como exemplo, pode-se citar as espécies: C. acutatum e C. gloeosporioides
causando antracnose em solanáceas, C. lindemuthianum, infectando feijoeiro, entre outros
(SILVA et al. 2006). O C. acutatum que é patogênico a fava, também causa doenças a outras
espécies de leguminosas, como Phaseolus actifolius, Phaseolus coccineus, Vigna unguiculata
e Vicia faba (TU 1992; KIMATI et al. 1997).
Está doença é de distribuição ampla; já tendo sido constatada em vários países da
Europa, África, Ásia e América (RAVA et al. 1993). No Brasil, ocorrem de Norte a Sul do
país, nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, Paraná, São Paulo,
Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Paraíba (BALARDIN, 1997; DALLA
PRIA; AMORIM; BERGAMIN FILHO, 2003; PEREIRA; SANTOS; ABREU, 2004).

2.4.2 Importância

A antracnose da fava e do feijão comum é uma das doenças de maior importância
dessas cultuas em todo mundo. Quanto mais precoce for o aparecimento da doença, maiores
poderão ser as perdas (DALLA PRIA; AMORIM; BERGAMIN FILHO 2003), podendo
atingir até 100% da lavoura quando são utilizadas sementes de baixa qualidade, cultivar

31

suscetível, e sementes infectadas em condições ambientais favoráveis ao seu desenvolvimento
(KIMATI et al. 1997; EMBRAPA, 2004).
A antracnose é mais fácil de ser reconhecida nas vagens, onde as lesões que
caracterizam os sintomas se apresentam de forma arredondada, deprimida, de tamanho
variável e com o centro claro, delimitado por um anel negro, um pouco saliente, cercado por
bordas cor de café avermelhada. Porém pode atacar todas as partes da planta, principalmente
quando as condições de umidade e temperatura são favoráveis, onde nestas condições formase no centro das lesões, uma massa de esporos de coloração rosada (KIMATI et al. 1997;
SPONHOLZ et al. 2006; MICHEREFF et al. 2008).

2.4.3 Antracnose em Fava

C. truncatum é o agente causal da antracnose da fava, doença que infecta as folhas
(nervuras, pecíolos), ramos, pedúnculo e vagens, as quais apresentam deformação, ficando
contorcidas (EMBRAPA, 2003). Os sintomas comuns apresentados pela presença deste
fitopatógeno são as manchas de coloração marrom-escura, de tamanho e conformação
variados. Na superfície das lesões, despontam as frutificações do patógeno (acérvulos)
(SPONHOLZ et al. 2006).
O fungo pode aparecer em todos os estágios de crescimento e em toda a parte aérea da
planta, provocando lesões em folhas, caule, ramos, vagens e sementes. Quando atinge as
nervuras das folhas, promove a desestruturação da lamela média e, conseqüentemente, o
colapso do sistema de feixes vasculares, reduz a translocação de fotoassimilados, provoca a
concentração de carboidratos e diminuição da taxa de assimilação de CO2 (KIMATI et al.
1997). Segundo DALLA PRIA et al. (2003), além de diminui o rendimento da cultura,
deprecia a qualidade do produto por ocasionar manchas nos grãos, o que os torna impróprios
para o consumo.
Dentre os hospedeiros de C. truncatum pode-se destacar a soja (Glycine max (L.)
Merril), feijoeiro (Phaseolus vulgaris L.) e a fava (Phaseolus lunatus L.) (NECHET e
HALFELD-VIEIRA, 2003). O fungo sobrevive em restos de cultura, mas sementes infectadas
são a principal via de sobrevivência e disseminação (VECHIATO et al. 2001). No entanto de
acordo com KIMATI et al. (1997), o patógeno pode ser disseminado por outras formas, tais
como: respingo da chuva, o homem e insetos, que podem contribuir de maneira significativa
na dispersão deste.

32

Para diminuir as perdas causadas pela doença, recomenda-se a prática integrada no
controle do agente patogênico, isolamento da cultura, utilização de sementes sadias,
tratamento químico da semente, rotação de culturas, incorporação de resto culturais, aplicação
de fungicidas e semeadura de genótipos resistentes tem se mostrado bastante eficaz no
controle da antracnose em Phaseolus (EMBRAPA, 2004).
O presente trabalho teve por objetivo realizar a caracterização morfo-agronômica e
avaliação da resistência ao mosaico dourado e à antracnose de setenta acessos de fava,
cultivados em Rio Largo, AL.

33

3 REFERÊNCIAS

ARAGÃO, F. J. L. & FARIA, J. C. Obtenção de feijoeiro resistente ao virus do mosaico.
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e Embrapa Arroz e Feijão (trabalho). Brasília,
13 p., 2004. Disponível em: <www.cnpat. embrapa .gov.br> Acesso 15 de setembro de 2009.

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Rio Grande do Sul – Brasil. Fitopatologia Brasileira, v. 22, n. 1, p. 1-4, 1997.

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43

CAPÍTULO I

CARACTERIZAÇÃO MORFO-AGRONÔMICA DE ACESSOS DE FAVA (Phaseolus
lunatus L.).
RESUMO

O objetivo do presente trabalho foi à caracterização morfo-agronômica de acessos de fava.
Foram avaliados 70 acessos, provenientes dos bancos ativos de germoplasma da Universidade
Federal Rural de Pernambuco e Universidade Federal do Piauí e sementes obtidas em feiras
livres e de lavouras localizadas nos Estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Sergipe. O
experimento foi conduzido no campo experimental do Centro de Ciências Agrárias, Campus
Delza Gitaí, da Universidade Federal de Alagoas (CECA/UFAL), Rio Largo-AL, no ano de
2009. Foram avaliados 26 descritores morfo-agronômico, sendo quatro da planta, quatro da
folha, cinco da inflorescência, quatro da vagem e treze da semente. Observou-se grande
variação entre os acessos para todos os descritores, em especial nos descritores da semente.
Os acessos F-51 e F-33, procedentes da UFRPE, apresentaram-se mais produtivos com
produção de 84,22 kg. ha-1 e 79.20 kg. ha-1 respectivamente. A caracterização dos acessos
com relação aos descritores da planta, flor e semente podem auxiliar em programas de
melhoramento direcionado a espécie lunatus. Alguns acessos podem ser utilizados para
aumentar a produtividade do feijão-fava por meio de cruzamentos com cultivares ou
linhagens melhoradas.

Palavras-chave: Phaseolus lunatus, recursos genéticos, germoplasma.

44

MORPHO-AGRONOMIC CHARACTERIZATION OF ACCESS TO FAVA (Phaseolus
lunatus L.)
ABSTRACT

The aim of this study was to characterize morphological and agronomic access bean. We
evaluated 70 accessions, from the active germplasm banks of the Federal Rural University of
Pernambuco and Federal University of Piauí and seed produced in free markets and farms
located in the states of Alagoas, Pernambuco, Paraíba and Sergipe. The experiment was
conducted at the experimental field of Agricultural Sciences Center, Campus Delza Gitaí,
Federal University of Alagoas (CECA / UFAL), Rio Largo-AL, in 2009. Were measured 24
morphological and agronomic descriptors, two of the plants, two of the leaf, pod four, five
and ten inflorescence seed. We found great variation among accessions for all descriptors,
especially in the descriptors of the seed. Accessions F-51 and F-33, coming from UFRPE,
were more productive with production of 84.22 kg. ha-1 and 79.20 kg. ha-1 respectively. The
characterization of the accessions with respect to the descriptors of the plant, flower and seed
may help in breeding programs aimed at sort lunatus. Some approaches can be used to
increase the productivity of the lima bean by mating with improved cultivars or strains.

Keywords: Phaseolus lunatus, genetic resources, germplasm.

45

4 INTRODUÇÃO

A fava (P. lunatus L.) é a segunda leguminosa de maior importância do gênero
Phaseolus e devido ao conteúdo protéico e paladar característico, é mundialmente utilizado
em pratos, nas mais diferentes culinárias, recebendo várias denominações em função da
região onde é cultivada ou da forma de utilização na alimentação. Nos Estados Unidos é
conhecido popularmente como lima bean, butter bean, sieva bean e sugar bean; na França,
haricot de lima, haricot du cap epois du cap; no México, feijol lima; na Alemanha, limabohne
e mondbohne; na Espanha, frijol de luna, haba lima, judia de lima ou pallar; no Japão, lai
mame ou aoimame (GRIN, 2008; NIAS, 2008); e no Brasil, fava, feijoal, bonge, mangalôamargo, fava-Belém, fava-terra, feijão-espadinho, feijão-farinha, feijão-favona, feijãofígadode-galinha, feijão-verde ou feijão-de-lima (OLIVEIRA et al. 2004; GRIN, 2008).
Segundo o IBGE (2006), no Brasil foram produzidas 14.951 t de grãos secos de fava,
numa área plantada de 37.521 ha. Os Estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará,
Pernambuco, Piauí, Sergipe, Maranhão e Alagoas, em ordem decrescente, são os maiores
produtores, e juntos fazem do Nordeste, a maior região produtora, com 14.128 t em 36.209 ha.
Nessa região, a fava é usada como fonte alternativa de alimento e renda pela população,
principalmente por pequenos produtores. A região Sudeste tem o Estado de Minas Gerais
como único produtor com, 711 t; a região Sul produz apenas 112 t, tendo o Rio Grande do Sul
como único produtor. O Estado da Paraíba, um dos principais produtores de fava, segundo
dados do (IBGE, 2006) safra 2005/2006 teve uma produção de 9.347 t. em 19.637 ha com
rendimento médio de 476 kg ha-1 de grãos secos.
Em Alagoas, a área plantada com fava é de 356 está localiza-se na região serrana do
Estado, mais precisamente no Vale do Mundaú, tendo os municípios de União dos Palmares e
Santana do Mundaú como os maiores produções, segundo dados do (IBGE, 2006) safra
2005/2006 o Estado produziu cerca de 115 t. de grãos secos numa área de 356 há. À exemplo,
de outros estados produtores, o plantio é conduzido sem a adoção de tecnologia que vise o
aumento da produtividade (SANTOS et al. 2002), como o uso de variedades melhoradas.
Assim, objetivou-se realizar a caracterização morfo-agronômica em setenta acessos
fava (P. lunatus) cultivados em Rio Largo-AL.

46

4.1 Material e Métodos

4.1.2 Caracterização da Área Experimental

O experimento foi conduzido no campo experimental do Centro de Ciências Agrárias,
Campus Delza Gitaí da Universidade Federal de Alagoas (CECA/UFAL), Rio Largo-AL, no
período de 03/05/2009 a 30/12/2009.
O município de Rio Largo está situado na latitude Sul (9º29’45”), longitude oeste
(35º49’54”) a oeste de Greenwich e com altitude de 165 metros e o clima, segundo
classificação de Koppen, é A’s (tropical quente e úmido com estações seca de primaveraverão e chuvosa de outono-inverno) (CARMO FILHO e OLIVEIRA, 1989).
A partir de análise física e química o solo da área experimental foi classificado como
Latossolo Amarelo coeso distrófico, textura franca arenosa, de relevo plano e boa drenagem
(EMBRAPA, 1999). Desta área foi retirada uma amostra de solo, cuja análise química foi
processada no Laboratório de Análise de Produtos Agropecuários - LAPA - CECA/UFAL),
apresentando os resultados a seguir: pH (água 1:2, 5) = 6,28; Ca + Mg = 5 cmolc kg-1; Al =
0,15 cmolc kg-1 ; (H+Al) = 2; P= 16,1 mg kg-1; K = 85 mg kg-1; Na = 16 mg kg-1.
Os dados de temperatura média, umidade relativa do ar e precipitação pluvial estão
apresentados na Tabela 1.

Tabela 1. Resumo mensal e anual de temperatura, umidade relativa do ar e precipitação
pluvial. Estação Agro meteorológica, de janeiro a dezembro de 2009.
Jan.

fev.

Mar

Abr.

Mai

Jun.

Jul.

Ago.

Set

Out.

Nov.

Dez

2

1

Temp. 0c

26,3

25,7

26,2

26,1

24,4

23,5

22,9

22,6

23,7

23,3

23,5

26,0

24,52

1

Umidade %

78,2

83,3

83,6

85,4

92,5

91,7

90,7

90,9

86,1

80,0

79,6

81,8

85,32

1

44,7

219,2

161

224

453

268

168

245

53,8

5,3

68,6

41,7

148,8

Precip. mm

Média

1

Dados médios mensais de temperatura, umidade e precipitação.
Médias anual de temperatura, umidade e precipitação.

2

O preparo do solo constou de uma aração e uma gradagem, os acessos foram
semeados em covas com espaçamento de 1,0 x 1,0 m. Em cada cova foram plantadas quatro
sementes, sendo que, quatro semanas após a emergência das plântulas realizou-se o desbaste
deixando-se uma planta por cova. No plantio aplicou-se o equivalente a 300 kg.ha-1 da
fórmula 05 - 17 - 30 sendo usados como fontes desses nutrientes, a amônia com 45% de N,
superfosfato simples com 18% de P2 O5 e cloreto de potássio com 32% de K2O5, juntamente

47

com o equivalente a 25 kg.ha-1 dos micronutrientes: sulfato de cobre, sulfato de zinco, sulfato
de manganês e ácido bórico, de acordo com a recomendação baseada em análise química de
solo. Foram feitas capinas mecânicas no período anterior ao estágio de floração para controlar
as plantas invasoras. Os acessos que apresentaram crescimento indeterminados, foram
conduzidos em tutores de madeira, com cerca de 1,5 m.
A unidade experimental foi montada ocupando uma área total de 1500 m2 em um
bloco contínuo, tendo como área útil 1400 m2. Cada acesso foi representado por uma fileira de
20 metros de comprimento, totalizando 20 plantas/fileira com espaçamento de 1 m entre
linhas por 1 m entre plantas.

4.1.3 Material Genético

Foram avaliados setenta acessos de feijão-fava oriundos dos bancos ativos de
germoplasma da Universidade Federal Rural de Pernambuco e da Universidade Federal do
Piauí e sementes obtidas em feiras livres e/ou de produtores em vários municípios dos Estados
de Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Paraíba. (Tabela 2).

Tabela 2. Procedência dos acessos (Phaseolus lunatus) utilizados na condução do
experimento sob condições de campo.
Acessos
F-1
F-2
F-3
F-4
F-5
F-6
F-7
F-8
F-9
F-10
F-11
F-12
F-13
F-14
F-15
F-16
F-17
F-18
F-19
F-20

Procedência
Aquidabã, SE
Cedro de São João, SE.
Aquidabã, SE
Aquidabã, SE
Cedro de São João, SE.
Santana do Mundaú, AL.
Santana do Mundaú, AL.
Santana do Mundaú, AL.
Arapiraca, AL
Arapiraca, AL
Arapiraca, AL
União dos Palmares, AL.
União dos Palmares, AL.
União dos Palmares, AL.
São João, PE.
São João, PE.
São João, PE.
São João, PE.
São João, PE.
São João, PE.

Acessos
F-37
F-38
F-39
F-40
F-41
F-42
F-43
F-44
F-45
F-46
F-47
F-48
F-49
F-50
F-51
F-52
F-53
F-54
F-55
F-56

Procedência
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE

48

F-21
F-22
F-23
F-24
F-25
F-26
F-27
F-28
F-29
F-30
F-31
F-32
F-33
F-34
F-35
F-36

Areia, PB
Areia, PB
Areia, PB
Areia, PB
Areia, PB
Areia, PB
Areia, PB
Areia, PB
Areia, PB
UFRPE1
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE

F-57
F-58
F-59
F-60
F-61
F-62
F-63
F-64
F-65
F-66
F-67
F-68
F-69
F-70

UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFPI2
UFPI
UFPI
UFPI
UFPI
UFPI
UFPI
UFPI

1

Banco de Germoplasma da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, PE.
Banco de Germoplasma da Universidade Federal do Piauí, Teresina, PI.

2

4.2 Caracterização dos Acessos

Os acessos foram caracterizados a partir dos seguintes descritores morfológicos e
agronômicos, para P. lunatus, relacionados a partir da relação do IPGRI (Iternational plant
Genetic Resources Istitute) (IPGRI, 2001), conforme descrito abaixo.

4.2.1 Descritores da Planta
 Padrão de crescimento: Média de 10 plantas, ao acaso de cada acesso estudado, tanto
para crescimento determinado quanto para crescimento indeterminado.
 Pigmentação do caule principal: determinada de 4-6 semanas depois da semeadura,
média de 10 plantas, ao acaso de cada acesso estudado, considerando a presença de
antocianina ou não e sua localização ao longo do caule.
 Comprimento do folíolo: medido com o auxilio de um paquímetro digital determinado
em cm, mensuração média tomada em dez plantas por acesso e em cinco folhas por
planta, do folíolo terminal da terceira folha trifoliada, desde a base do limbo até à
respectiva extremidade.
 Forma do folíolo: Comparação com o padrão tomada ao acaso em dez plantas por
acesso, considerando o ápice foliar do folíolo terminal da terceira folha trifoliada.

49

4.2.2 Descritores da Flor
 Dias para floração: número de dias desde a emergência até o estádio em que 50% das
plantas do acesso correspondente, estejam em plena floração.
 Tamanho do botão floral: medido com o auxilio de um paquímetro digital
determinado em cm, mensuração média tomada em dez plantas por acesso e em cinco
botões florais por planta, imediatamente antes da abertura.
 Cor das asas: Comparação com o padrão tomada ao acaso em dez plantas por acesso e
em cinco flores por planta.
 Abertura das asas: Comparação com o padrão tomada ao acaso em dez plantas por
acesso e em cinco flores por planta, flores recentemente abertas.
 Cor do estandarte: Comparação com o padrão tomada ao acaso em dez plantas por
acesso e em cinco flores por planta, parte superior do interior do estandarte.

4.2.3 Descritores da Vagem
 Comprimento da vagem: medido com o auxilio de um paquímetro digital em cm.
tomada ao acaso em dez plantas por acesso, tomada de cinco vagens maduras por
planta.
 Número de lóculos por vagem: número de funículos tomado ao acaso em dez plantas
por acesso, tomada de cinco vagens por planta escolhidos ao acaso.
 Curvatura da vagem: observada ao acaso em dez plantas por acesso, tomada de
cinco maduras, mas completamente desenvolvidas.
 Forma do ápice da vagem: observado em dez plantas por acesso, tomada de cinco
vagens maduras completamente desenvolvidas.

4.2.4 Descritores da semente
 Comprimento da semente: média, em mm, de 10 sementes secas, por acesso tomado
ao acaso.
 Largura da semente: média, em mm, de 10 sementes secas, por acesso escolhida ao
acaso.

50

 Espessura da semente: média, em mm, de 10 sementes secas, por acesso escolhida ao
acaso.
 Forma da semente: semente retirada da parte média da vagem.
 Cor padrão: incluindo o aureolo; se o padrão for bicolor apenas a cor mais clara do
padrão é considerada.
 Segunda cor padrão: a cor mais clara do padrão.
 Cor do fundo da semente: a cor mais clara.
 Padrão do tegumento: as diferentes formas e localização dos pigmentos observadas
na testa da semente formam a base para esta classificação em vários padrões.

Na caracterização física das sementes foram avaliados: 1 - Comprimento (C),
largura (L) e espessura (E), correspondendo às medidas em milímetros, determinadas com
paquímetro digital, em dez sementes tomadas ao acaso por acesso; 2 - Peso; em grama de 100
sementes (P100S) por acesso ao acaso; 3 - Tamanho; classificado segundo VILHORDO et al.
(1996), em: pequena (massa de 100 sementes menor que 30 g), média (31 a 40 g), normal (41
a 59 g), e grande (massa de 100 sementes maior que 60 g). 4 - Forma; classificada em função
do índice J, obtido pela relação entre comprimento e largura (C/L), em: esférica (1,16 a 1,42
mm), elíptica (1,43 a 1,65 mm) e oblongo-reniforme curta (1,66a 1,85 mm) e 5 - Perfil;
classificado em função do índice H, com base na relação espessura/largura (E/L), em:
achatada (menor que 0,69 mm) e semi achatada (0,70 a 0,79 mm), segundo VILHORDO et al.
(1996).
Produção: obtida pela razão entre a massa total das sementes colhidas e número de
plantas em produção por acesso. Pesados em balança eletrônica com capacidade de 5,0 kg e
precisão de 0,01g. O resultado foi expresso em Kg.ha-1/ acesso, obtendo-se uma média para
cada acesso e uma média geral para todos os acessos estudados.

4.3 Análise Estatística

Foram estimadas as médias aritméticas, os valores mínimos e máximos para os
acessos, considerando a avaliação conjunta de cada descritor. Estimou-se o coeficiente de
variação entre as médias dos acessos para cada descritor, juntamente com o intervalo de
confiança, utilizando-se o programa GENES da UFV.

51

4.5 Resultados e Discussão

4.5.1 Descritores da Planta

Nas avaliações morfológicas realizadas nos 70 acessos de fava visando sua
caracterização, foi possível observar polimorfismo em relação a todos os caracteres avaliados,
o que Segundo COIMBRA e CARVALHO (1998) indicam a presença de variabilidade
genética entre os acessos estudados, conseqüentemente, possibilidade de diferenciação entre
acessos e obtenção de ganhos genéticos com a seleção de genótipos superiores.
Na caracterização para o padrão de crescimento, foi possível observar diferentes
hábitos de crescimento entre os acessos avaliados (Tabela 3), 67 acessos apresentaram
crescimento indeterminado enquanto que 3 acessos apresentaram crescimento determinado.
(Figura 1 A e B).

A

B

Indeterminado
95,72%

4,28%

Determinado
HÁBITO DE CRESCIMENTO

Foto: João Ribeiro, 2009.

Figura 1: Descritores para hábitos de crescimento de fava (Phaseolus lunatus). A: hábito de
crescimento indeterminado (esquerdo e direito) e determinado (central); B: Freqüência de
hábito de crescimento observado nos 70 acessos de fava avaliados.
Quanto à coloração do caule, 59 acessos apresentaram caule verde sem pigmentação,
seis apresentaram caule de coloração verde com pigmentação generalizada ao longo da haste
principal e cinco tiveram a pigmentação localiza nos nós (Figura 2 A 1, A2 e B). Segundo
VILHORDO & MULLER, (1981) a variação da coloração ao longo do caule principal nas
plantas de Phaseolus ssp., está relacionado com o teor de antocianina e provavelmente essa

52

substância também deve ser a responsável pela pigmentação do caule do feijão-fava. A Figura
6 ilustra dois dos três padrões de pigmentação do caule observados no material estudado.

A

a

b

Fotos: João Ribeiro, 2009.

B

Sem pigmentação
84, 29%

Localizada nos nós
7, 14%

Generalizada
8, 57%
PIGMENTAÇÃO DO CAULE

Figura 2: Descritores para pigmentação do caule principal de fava (Phaseolus lunatus)
determinado de 4 a 6 semanas após a semeadura: A: (a) caule sem pigmentação; (b) caule
com pigmentação generalizada; B: Freqüência de pigmentação do caule observada nos 70
acessos de fava avaliados.
Conforme o IPGRI (2001), a forma do folíolo é caracterizada pelo ápice do folíolo
central da terceira folha trifoliada de acordo com a relação entre o comprimento e a largura.
Dentre os acessos avaliados 13 possuíam folíolos de forma oval, sete apresentou folíolos ovallanceolado e dois folíolos lanceolado. Todavia, a maioria dos acessos (48) apresentou folíolos
com a forma redonda (Figura 2 A (a, b, c e d) e B).

53

A

B
Oval
68, 57%

(a)

(b)

(c)

(d)

Lanceolada
2, 86%

Redondo
18, 57%

Oval lanceolada
10%

FORMA DO FOLÍOLO

Fotos: João Ribeiro, 2009.

Figura 3: Descritores para forma do folíolo de fava (Phaseolus lunatus). A: formas do folíolo
observadas: redondo (a); oval (b); oval lanceolado (c),e lanceolado (d) com pigmentação
generalizada; B: Freqüência das formas do folíolo observada nos 70 acessos de fava
avaliados.
Com relação ao comprimento do folíolo central, os genótipos de fava apresentaram
baixa variação. O menor valor médio foi registrado para o acesso F-48, o qual alcançou 7,37
cm, enquanto que o acesso F-32, teve o maior comprimento (11,13 cm) (Tabela 3).

Tabela 3. Características morfométricas de plantas em 70 acessos de fava (Phaseolus
lunatus).
Acesso
s

Padrão de
Cresc.

F-1
F-2
F-3
F-4
F-5
F-6
F-7
F-8
F-9
F-10
F-11
F-12
F-13
F-14
F-15

I
I
I
I
I
I
I
I
D
I
I
I
I
I
I

Pig.
do
Caule
G
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp

Forma
do
folíolo
O
O
Ol
O
O
O
O
O
O
Ol
R
R
O
O
O

Comp.
do
folíolo
7,52
8,20
9,39
9,60
9,48
9,06
8,75
8,20
9,20
8,41
8,53
8,92
8,83
7,71
7,67

Acessos
F-37
F-38
F-39
F-40
F-41
F-42
F-43
F-44
F-45
F-46
F-47
F-48
F-49
F-50
F-51

Padrão
de
Cresc.
I
I
I
I
I
D
I
I
I
I
I
I
I
I
I

Pig.
do
caule
Sp
G
Sp
G
Sp
Sp
G
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
G

Forma
do
folíolo
O
O
O
R
O
O
Ol
O
O
O
O
O
O
O
O

Comp.
do
folíolo
9,12
8,24
8,79
9,36
8,44
10,68
8,60
8,53
9,17
8,66
7,93
7,37
8,03
8,35
7,92

54

F-16
F-17
F-18
F-19
F-20
F-21
F-22
F-23
F-24
F-25
F-26
F-27
F-28
F-29
F-30
F-31
F-32
F-33
F-34
F-35
F-36

I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I

Sp
Sp
Sp
Sp
Ln
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Ln
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Ln
Sp
Ln
Ln
Sp

O
O
O
R
O
R
O
L
O
O
O
O
O
R
R
R
L
O
O
O
O

8,94
8,39
8,84
7,79
8,88
8,21
7,80
10,72
8,51
8,54
8,64
8,03
7,81
8,00
8,86
7,97
11,13
8,59
8,61
9,16
8,70

F-52
F-53
F-54
F-55
F-56
F-57
F-58
F-59
F-60
F-61
F-62
F-63
F-64
F-65
F-66
F-67
F-68
F-69
F-70

I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I

Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
G
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp
Sp

Ol
O
O
O
O
O
Ol
O
R
Ol
O
R
R
R
R
Ol
O
O
O

8,42
8,89
7,83
8,42
9,21
8,31
9,93
8,67
9,01
9,33
8,93
9,94
7,89
8,80
8,06
8,42
8,11
9,49
8,67

Média (cm)
Mínimo (cm)
Máximo (cm)
CV%

8,67
7,37
11,13
8,40
8,48
8,84

IC95%

4.5.2 Descritores da Flor

No presente trabalho, seguindo as orientações de IPGRI (2001), avaliou-se as cores
das asas e do estandarte, que são pétalas modificadas das Fabaceae. Em ambos os casos a
variabilidade observada foi pequena e as cores de asas e estandarte de um mesmo genótipo
sempre coincidiram. Constataram-se um predomínio da cor branca, seguida da cor violeta,
com 52 e 17 acessos, respectivamente (Figura 6 A e B). Um único acesso F-27 desviou desses
padrões, apresentando a coloração rosa clara.
As flores, órgãos de reprodução das Angiospermae, têm como uma das principais
características a pigmentação das pétalas. Trabalhos conduzidos por VILHORDO (1976)
demonstraram que as flores de representantes do gênero Phaseolus, apresentam uma ampla
variabilidade de cores com predomínio de branco, róseo claro e violeta.

55

A

a

b

c

Fotos: João Ribeiro, 2009.

COR DAS ASAS

Rosa claro
1, 43%

B

BRANCO
74, 29%

Violeta
24, 29%

COR DO ESTANDARTE

Figura 4: Descritores da flor de plantas de fava (Phaseolus lunatus), A: Cor das pétalas
observadas nos diferentes acessos, (a) violeta, (b) branco e (c) róseo claro. B: Freqüências de
coloração das pétalas observadas para asas e estandarte nos 70 acessos de fava avaliados.
Na flor, a disposição das asas determina o padrão de sua abertura o que conforme o
IPGRI (2001) pode ser: paralelas (fechadas), mediamente aberta e muito aberta. A maior parte
dos acessos caracterizados (36 dos 70) apresentou asas com abertura paralela, em 30 acessos
as asas se abriram de maneira mediana e apenas quatro tiveram asas classificadas como muito
abertas (Figura 7 A e B).

56

A

a

c

b

Fotos: João Ribeiro, 2009.

B
Asas mediamente
abertas
42, 86%

Asas
separadas
5,7 1%

Asas paralelas
51, 43%

ABERTURA DAS ASAS

Figura 5: Descritores da flor para abertura das asas de plantas de fava (Phaseolus lunatus),
A: abertura das asas observadas nos diferentes acessos, (a) paralelas, (b) mediamente abertas e
(c) muito abertas. B: Freqüências de abertura das asas observadas para asas em 70 acessos de
fava avaliados.
A plena floração, estágio em que 50% das plantas em cada acesso encontram-se
floradas apresentou grande variação entre os acessos avaliados. Constatou-se que o tempo
médio foi de 65 dias, com amplitude de 59 dias. Os genótipos mais precoces atingiram a plena
floração aos 39 dias, enquanto o mais tardio aos 98 dias (Tabela 5). Essa característica
determina o quanto uma planta pode ser precoce ou não. Com esse aspecto avaliado, foi
possível identifica diferentes épocas de floração entre os acessos estudados, resultados que

57

estão de acordo com RIBEIRO (2005) e podem gerar informações imprescindíveis para o
melhoramento e manutenção dos recursos genéticos vegetais.
O tamanho do botão floral característica avaliada nesse estudo variou de 0,46 a 0,91
cm, valores que de um modo geral se contrapõe entre os limites descritos pelo o IPGRI (2001)
para P. lunatus. Segundo esse instituto o botão floral pode ser considerado pequeno (3,6-4,5
cm); médio (5,6-6,5cm) ou grande (7,6-8,5cm).

Tabela 4. Características morfológicas de flores em 70 acessos de fava (Phaseolus lunatus).
Acessos
F-01
F-02
F-03
F-04
F-05
F-06
F-07
F-08
F-09
F-10
F-11
F-12
F-13
F-14
F-15
F-16
F-17
F-18
F-19
F-20
F-21
F-22
F-23
F-24
F-25
F-26
F-27
F-28
F-29
F-30
F-31
F-32
F-33
F-34
F-35

Cor das
asas
V
B
B
B
B
V
B
B
B
V
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
V
Rc
B
B
B
B
V
B
B
B

Abertura das
asas
Ap
Ap
Ap
Ap
Ama
Ap
Ama
Ap
Ap
Ap
Ap
Ap
Ap
Ama
Ama
Ap
Ap
Ama
Ama
Ama
Ap
Ama
Ama
Ama
Ama
Ama
Ama
Ama
Ama
Ama
As
Ap
As
Ama
Ama

Cor do
estandarte
V
B
B
B
B
V
B
B
B
V
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
V
Rc
B
B
B
B
V
B
B
B

Nº dias para
floração
40
66
74
74
61
56
78
83
61
53
61
61
61
39
39
82
83
78
53
83
83
83
83
83
83
53
83
53
83
88
53
78
53
53
53

Tamanho do botão
floral (cm)
0,55
0,61
0,61
0,65
0,58
0,64
0,51
0,69
0,60
0,62
0,56
0,57
0,60
0,62
0,62
0,55
0,69
0,56
0,67
0,57
0,58
0,58
0,59
0,57
0,56
0,56
0,62
0,57
0,64
0,63
0,66
0,60
0,62
0,58
0,56

58

F-36
F-37
F-38
F-39
F-40
F-41
F-42
F-43
F-44
F-45
F-46
F-47
F-48
F-49
F-50
F-51
F-52
F-53
F-54
F-55
F-56
F-57
F-58
F-59
F-60
F-61
F-62
F-63
F-64
F-65
F-66
F-67
F-68
F-69
F-70

V
V
V
B
V
V
B
V
B
B
B
V
B
V
V
V
V
B
B
B
V
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B

Ap
Ama
Ama
Ama
Ap
Ama
Ap
Ama
Ap
Ap
Ap
Ap
Ap
Ap
Ama
Ama
Ap
As
Ap
Ama
Ap
Ap
As
Ama
Ap
Ap
Ap
Ama
Ap
Ap
Ap
Ama
Ap
Ama
Ap

V
V
V
B
V
V
B
V
B
B
B
V
B
V
V
V
V
B
B
B
V
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
B
Média
Mínimo
Máximo
CV%
IC95%

58
53
39
39
53
39
61
53
61
53
78
58
78
56
75
53
56
55
74
78
53
53
98
53
39
61
74
78
78
57
53
95
95
74
74
65
39
98
23,86
61,13
68,80

0,60
0,58
0,53
0,59
0,53
0,70
0,59
0,68
0,60
0,61
0,57
0,57
0,55
0,67
0,56
0,58
0,65
0,56
0,55
0,58
0,62
0,50
0,91
0,57
0,60
0,58
0,65
0,59
0,59
0,59
0,60
0,46
0,58
0,63
0,72
0,60
0,46
0,91
10,0
0,58
0,61

Obs.: As variáveis qualitativas estão subdivididas por diversas cores a seguir: B - branco; V -Violeta, Rc - rósea claro,
Ap - asas paralelas; Ama - asas mediamente aberta e As - asas separadas.

4.5.3 Descritores da Vagem

Dos 70 acessos caracterizados, o descritor para curvatura da vagem, apresentou grau
de expressão igual, para vagens ligeiramente curvas e vagens eretas, com 34 acessos (Figura 4

59

A e B). As exceções foram os acessos F- 16 e F-37, que produziram vagens curvas,
correspondendo a cerca de 3% do total de acessos. A figura 8 ilustra os diferentes tipos de
curvatura de vagens observados nos genótipos estudados
De acordo com a lista dos descritores da fava publicada pelo IPGRI, genótipos de P.
lunatus podem apresentar vagens com três formas distintas: direita (ereta), ligeiramente curva
e curva. Segundo ZIMMERMANN e TEIXEIRA (1996) as vagens são bastante compridas e
de forma geralmente oblonga e recurvada, com duas alturas distintas (ventral e dorsal). Ao
tempo que a forma do ápice das vagens pode ser: curto, médio, longo e grosso.

A

Curva
2,86%

B

Direita
48,57%

Ligeiramente curva
48,57%
CURVATURA DA VAGEM

Fotos: João Ribeiro, 2009.

Figura 6: Descritores para curvatura da vagem de fava (Phaseolus lunatus) A: tipos de
curvatura de vagens observados nos acessos avaliados, ereta (superior), ligeiramente curva
(centro) e curva (inferior). B: Freqüência observada para curvatura da vagem em 70 acessos
de fava.
Observou-se grande variação na forma do ápice da vagem (Figura 7 A (a, b, c e d) e
B), com maioria dos acessos (45) apresentando ápice grosso, seguido por 19 acessos com
ápice curto, três acessos com ápice médio e três com ápice longo. Freqüências semelhantes
foram obtidas por SANTOS et al. (2002), que trabalharam com a caracterização de 30
genótipos de fava.

60

A

(a)

Ápice grosso
64, 28%

B

(b)

(c)
Ápice médio
4, 29%

(d)

Ápice curto
27, 14%

Ápice longo
4, 29%

FORMA DO ÁPICE DA VAGEM

Fotos: João Ribeiro, 2009.

Figura 7: Descritores para forma do ápice das vagens de fava (Phaseolus lunatus) A: Formas
de ápice observadas, curto (a), médio (b), grosso (c) e longo (d). B: Freqüências observadas
para forma do ápice das vagens dos 70 de fava avaliados.
Para o descritor comprimento de vagem, os valores oscilaram ente 8,89 e 5,67 cm,
valores esses registrados para os acessos F-17 e F-10, respectivamente (Tabela 4).
Outra característica analisada foi o número de lóculos na vagem, a qual por sua vez,
tem relação direta com o numero de sementes por vagem, que para a espécie P. lunatus varia
de dois a quatro (SANTOS et al. 2002). Nesse contexto dentre os 70 acessos estudados o
número de lóculos por vagem apresentou média de 3,03, com mínimo de 2 e máximo de 3,7.
Os acessos F-30 e F-31, ambos procedentes da UFRPE, apresentaram os maiores valores, 3,6
e 3,7, respectivamente. (Tabela 4).

Tabela 5. Características morfométricas de vagens em 70 acessos de fava (Phaseolus
lunatus).
Acesso

F-01
F-02
F-03
F-04
F-05
F-06
F-07

Curvat.
da
vagem

Forma do
ápice da
vagem

Comp. da
vagem (cm)

Número
de
lóculos

Acesso

Curvat.
da
vagem

Forma do
Ápice da
vagem

Comp. da
vagem (cm)

Número
de
lóculos

Lc
Lc
D
D
Lc
Lc
Lc

Ag
Ag
Ag
Ag
Ag
Ag
Ac

7,91
6,90
7,52
7,66
8,04
7,92
8,00

3,00
3,00
3,00
3,40
3,30
3,40
3,00

F-37
F-38
F-39
F-40
F-41
F-42
F-43

C
Lc
D
D
D
Lc
Lc

Ag
Ag
Ag
Ag
Ag
Ag
Ag

7,83
7,91
7,63
7,02
7,52
7,34
7,91

3,60
2,80
3,00
2,85
3,00
3,50
3,00

61

F-08
F-09
F-10
F-11
F-12
F-13
F-14
F-15
F-16
F-17
F-18
F-19
F-20
F-21
F-22
F-23
F-24
F-25
F-26
F-27
F-28
F-29
F-30
F-31
F-32
F-33
F-34
F-35
F-36

D
D
Lc
Lc
D
D
Lc
D
C
D
D
D
Lc
D
D
D
D
D
Lc
Lc
Lc
D
Lc
D
D
D
Lc
D
Lc

Ac
Ac
Ac
Ag
Ac
Ag
Ag
Ag
Ac
Am
Ag
Ag
Ac
Ac
Ac
Ac
Ag
AL
Ag
Ag
Ag
Ag
Ac
Ag
Ac
Am
Ag
Ag
Ac

7,24
7,40
5,67
7,40
6,39
7,99
7,72
7,83
6,45
8,89
7,93
7,68
7,94
7,84
7,50
7,33
7,38
7,40
8,18
6,74
7,98
5,81
7,10
6,32
7,74
7,86
5,90
7,34
7,57

3,00
2,70
3,30
2,80
3,10
3,00
2,80
2,90
3,30
3,50
3,00
2,80
3,00
3,00
3,60
2,80
3,00
3,00
3,00
3,00
3,00
3,10
3,60
2,90
3,70
3,10
2,80
2,80
2,90

F-44
F-45
F-46
F-47
F-48
F-49
F-50
F-51
F-52
F-53
F-54
F-55
F-56
F-57
F-58
F-59
F-60
F-61
F-62
F-63
F-64
F-65
F-66
F-67
F-68
F-69
F-70

Lc
Lc
Lc
D
Lc
Lc
Lc
Lc
D
Lc
D
Lc
D
D
D
Lc
Lc
Lc
D
D
Lc
D
Lc
D
Lc
Lc
D

Ag
Ag
Ag
Ag
Ag
Ag
Ag
Ag
Ag
Ac
Ag
Ag
Ag
Ac
Ag
Ag
Ag
Ag
Am
Al
Ac
Ac
Ag
Al
Ac
Ag
Ac

7,83
7,89
7,08
7,03
7,86
7,40
8,02
7,83
6,78
7,19
7,24
7,84
7,19
7,34
7,87
7,93
7,74
7,60
7,64
7,53
7,72
8,64
8,13
7,56
7,87
7,75
7,14

3,00
3,00
3,00
2,22
3,00
3,00
3,20
3,00
2,00
2,70
3,00
3,00
3,00
2,60
3,10
3,00
3,00
3,00
3,50
2,70
3,10
3,40
3,20
3,00
3,00
3,00
3,50

Média
Mínimo
Máximo
CV%

7,50
5,67
7,89
7,81
7,35
7,64

3,03
2,00
3,70
9,48
2,96
3,10

IC95%

Obs.: As variáveis qualitativas; Sp - sem pigmentação, G - generalizada, Ln - localizada nos nós; C - curva, Lc - ligeiramente
curva e D - direita; Al - ápice longo, Ac - ápice curto, Am - ápice médio e Ag - ápice grosso.

4.5.4 Descritores da Semente

Considerando os padrões de cor do tegumento das sementes (Tabela 5), verificou-se
que as sementes dos acessos de fava apresentam ampla variação, constituindo-se numa
excelente opção de incremento estético de grãos, entre as leguminosas usadas para
alimentação humana.
Na classificação das sementes dos acessos caracterizados (Tabela 6), de acordo com o
peso de 100 sementes foi possível identificar, 13 acessos com sementes pequenas, 21 acessos
com sementes médias, 19 acesso sementes normal e 12 acesso com sementes grandes (Figura
8).

62

De acordo com a lista dos descritores da fava publicada pelo IPGRI os programas de
melhoramento têm incluído as propriedades tecnológicas, nutricionais e estéticas dos grãos
entre os critérios de seleção, procurando associá-las com características agronômicas
relacionadas à produtividade.
Segundo HERRERA et al. (2002), a transferência de caracteres das sementes, que
influem em sua aceitação comercial, possibilita a oferta de melhores cultivares para
produtores e consumidores. Tais características exibem grande variação de tamanho e cor de
tegumento (SANTOS et al. 2002).
Tabela 6. Características morfométricas de sementes em 70 acessos de fava (Phaseolus
lunatus).
Acessos Comprimento da
semente (mm)

F-01
F-02
F-03
F-04
F-05
F-06
F-07
F-08
F-09
F-10
F-11
F-12
F-13
F-14
F-15
F-16
F-17
F-18
F-19
F-20
F-21
F-22
F-23
F-24
F-25
F-26
F-27
F-28
F-29
F-30
F-31

16,51
11,59
11,06
10,40
17,10
16,39
15,47
9,13
9,67
9,69
11,25
11,18
10,08
14,45
14,74
12,85
11,99
10,84
15,59
12,64
11,32
12,57
11,31
10,28
8,61
17,15
18,72
10,84
11,33
12,49
11,98

Largura da
semente (mm)

10,92
7,71
7,92
7,69
11,92
11,44
10,34
8,13
7,69
7,88
7,80
7,81
5,60
10,96
10,30
8,31
8,15
7,85
10,96
8,79
8,61
8,58
7,69
7,74
7,75
10,29
12,03
8,80
8,10
9,25
8,88

Espessura da
Peso de 100 Produção (g)
semente (mm) Semente (g)

6,83
5,49
5,03
6,06
4,81
5,58
5,65
5,42
4,95
6,57
5,45
5,27
3,30
6,39
5,77
5,96
4,96
6,27
6,12
4,86
4,76
5,24
4,28
5,27
5,07
5,45
5,51
5,90
4,61
5,55
6,72

77,09
35,08
29,97
30,43
54,8
60,74
42,16
30,05
30,8
30,79
30,8
29,21
46,6
49,81
62,95
31,96
30,96
34,97
76,32
56,5
35,62
31,29
34,02
30,03
30,04
66,59
82,20
38,96
29,75
42,82
46,55

225,71
55,73
23,46
58,10
44,72
228,0
96,04
48,66
14,76
86,77
34,12
44,17
38,11
227,83
82,87
57,76
29,45
37,7
111,88
30,39
45,85
36,18
30,72
27,39
21,93
305,67
72,40
115,30
33,02
40,57
195,5

63

F-32
F-33
F-34
F-35
F-36
F-37
F-38
F-39
F-40
F-41
F-42
F-43
F-44
F-45
F-46
F-47
F-48
F-49
F-50
F-51
F-52
F-53
F-54
F-55
F-56
F-57
F-58
F-59
F-60
F-61
F-62
F-63
F-64
F-65
F-66
F-67
F-68
F-69
F-70

13,00
14,14
10,75
13,27
14,06
12,81
16,76
15,50
10,60
16,26
11,70
14,67
11,18
16,31
13,71
9,48
9,95
11,80
10,62
16,90
9,80
18,40
10,11
10,26
10,00
12,41
19,96
15,48
13,81
10,16
10,32
17,82
11,73
10,78
14,89
10,36
11,44
11,16
12,61

8,83
9,89
8,45
8,99
9,49
10,27
10,99
10,87
8,68
10,97
7,77
9,91
7,65
10,89
8,54
7,69
7,40
10,05
7,67
10,80
8,25
11,97
7,86
8,24
8,17
8,39
12,67
10,62
10,19
7,68
7,55
12,88
7,75
7,80
10,43
7,96
8,22
7,86
9,47

4,76
5,64
6,27
5,53
5,54
5,88
6,31
5,25
6,48
5,74
5,63
6,13
5,70
6,95
5,42
6,44
5,30
5,25
5,66
6,75
6,85
5,94
6,39
5,63
6,82
5,81
5,42
6,35
6,26
5,67
5,41
5,04
5,48
5,26
5,71
6,29
5,67
5,43
5,73

37,21
45,79
36,43
37,49
41,40
59,03
71,22
46,02
46,26
63,58
29,07
44,06
31,11
69,08
35,59
32,06
30,30
45,17
26,98
75,45
35,54
81,98
31,94
30,66
35,25
34,15
96,80
59,70
49,96
34,41
30,94
61,97
36,28
26,72
46,35
33,48
34,31
30,93
43,36

52,25
316,80
199,44
224,95
132,29
62,90
253,62
150,59
118,41
175,29
62,94
232,17
45,06
274,17
76,54
83,45
36,92
288,33
49,85
336,85
109,22
157,39
95,73
28,41
76,14
49,58
64,91
209,11
141,96
30,44
24,72
63,51
47,82
15,17
182,27
22,28
47,03
53,57
145,92

Média
Mínimo
Máximo
CV%

12,77
8,61
19,96
21,18
12,08
13,42

9,08
5,60
12,88
16,81
8,69
9,44

5,67
3,30
6,95
11,61
5,50
5,82

43,97
26,72
96,80
37,18
39,80
47,87

103,42
14,76
336,85
83,12
81,52
123,96

IC95%

64

Média (a)

A
Média
30%

B

Pequena (b)
Grande (c)
Pequena
25, 71%

Normal (d)

Grande
17, 14%

Normal
27, 14%
TAMANHO DA SEMENTE

Foto: João Ribeiro, 2009.

Figura 8: Descritores das sementes de plantas de fava (Phaseolus lunatus), A: tamanho das
sementes observadas nos diferentes acessos, (a) média, (b) pequena, (c) grande e (d) normal.
B: Freqüências de tamanho de sementes observadas em 70 acessos de fava avaliados.
Trabalhos anteriores realizados por ESQUIVEL (1990) comprovaram a ampla
variabilidade das sementes de P.lunatus, além dos grupos Sieva, Batata e Big lima, sementes
com algumas características intermediárias a esses três grupos, capazes de formar novos
grupos: o Batata-Sieva e o Sieva-Big lima. É possível que os acessos que apresentaram
sementes fora dos padrões possam ser inclusos nos grupos com características intermediárias.
Quanto ao perfil das sementes dos acessos avaliados (Figura 9 A e B), apresentaram
sementes achatadas 49 acessos do total, semi-achatada 15 acessos, porém, 6 acessos
apresentaram padrão fora do perfil (Tabela 6).

A

Semi-achatada (a)

B

Semi-achatada
21, 43%

Fora do padrão
8, 57%

Achatada (b)
Fora do padrão (c)

Achatada
70%
PERFIL DA SEMENTE

Foto: João Ribeiro, 2009.

65

Figura 9: Descritores das sementes de plantas de fava (Phaseolus lunatus), A: perfil das
sementes observadas nos diferentes acessos, (a) semi-achatada, (b) achatada e (c) fora do
padrão. B: Freqüências do perfil de sementes observadas em 70 acessos de fava avaliados.
Na classificação das sementes dos acessos avaliados (Figura 10 A e B), prevaleceram
às formas elípticas e esféricas, 34 acessos apresentaram forma elíptica, 32 esféricas, oblongoreniforme com apenas dois acessos F-13 procedente de União dos Palmares-AL e F-26
procedente de Areias-PB, estando de acordo com os padrões de classificação de VILHORDO
(1996). No entanto o acesso F-08 e F-25 (Tabela 6) procedentes de Santana do Mundaú-AL e
Areia-PE; respectivamente, apresentaram padrão de forma diferente daquela classificação
proposta por VILHORDO (1996). Trabalhos anteriores realizados por ESQUIVEL (1990)
comprovaram a ampla variabilidade das sementes de P.lunatus, além dos grupos Sieva, Batata
e Big lima, sementes com algumas características intermediárias a esses três grupos, capazes
de formar novos grupos: o Batata-Sieva e o Sieva-Big lima. É possível que os acessos que
apresentaram sementes fora dos padrões possam ser incluídos nos grupos com características
intermediárias.

A

B

Elíptica (a)

Reniforme
2, 86%

Esférica (b)

Elíptica
48, 51%

Fora do padrão (c)

Fora do padrão
2, 86%

Reniforme (d)

Esférica
45, 71%
FORMA DA SEMENTE

Foto: João Ribeiro, 2009.

Figura 10: Descritores de formas de sementes de plantas de fava (Phaseolus lunatus), A:
forma das sementes observadas nos diferentes acessos, (a)elíptica, (b) esférica (c) fora do
padrão e (d) reniforme. B: Freqüências de forma de sementes observadas em 70 acessos de
fava avaliados.
Observou-se certa variação na cor padrão das sementes entre os acessos avaliados, 27
acessos apresentaram cor padrão castanho claro, 18 acessos tiveram cor padrão ausente, 11
acessos apresentaram cor padrão castanho escuro, 6 acessos apresentaram cor padrão

66

vermelho-púrpura seguida pelas cores vermelhas e preta com 4 acessos respectivamente
(Figura 11 A e B).
A

B
Vermelho
Púrpura

Vermelho

Preto

5,72%

5,72%

Castanho
Claro

8,57%

38,57%

Castonho
Escuro
15,71%

Ausente
25,71%

COR PADRÃO

Foto: João Ribeiro, 2009.

Figura 11: Descritores de cores de sementes de plantas de fava (Phaseolus lunatus), A: cor
padrão das sementes observadas nos diferentes acessos fava. B: Freqüências de cor padrão de
sementes observadas em 70 acessos de fava avaliados.
Com relação à segunda cor padrão houve entre os acessos predominância da ausência
de cor com 27 acessos, seguida da cor vermelho-púrpura com 20 acessos; preta com 14
acessos e 9 acessos apresentaram a segunda cor vermelho-escuro (Figura 11 A e B).

A

B

Vermelho
Escuro
12,86%

Ausente
38,57%

Vermelho
Púrpura
28,57%

Preto
20%
SEGUNDA COR PADRÃO

Foto: João Ribeiro, 2009.

Figura 12: Descritores de cores de sementes de plantas de fava (Phaseolus lunatus), A:
Segunda cor padrão das sementes observadas nos diferentes acessos fava. B: Freqüências de
segunda cor padrão de sementes observadas em 70 acessos de fava avaliados.

67

Quanto à cor do fundo da semente (Figuras 13 A e B), destacaram-se os acessos com
cores do fundo branco com 17 acessos, castanho claro com 13 acessos e castanho escuro com
12 acessos; respectivamente, as demais cores observadas no fundo das sementes dos acessos
estudados foram: rósea, cinza, vermelho-escuro, vermelho-púrpura, cor de tijolo, amarelo e
preto.

A

B
Cinza
7,14%

Vermelho
Escuro
5,71%

Vermelho
Cor de Tijolo Púrpura
4,29%
4,29%

Preto
2,86%

Amarelo
2,86%
Branco
24,29%

Rosa
12,86%

Castanho
17,14%

Castanho
Claro
18,57%

COR DO FUNDO DA SEMENTE

João Ribeiro, 2009.

Figura 13: Descritores de cores de sementes de plantas de fava (Phaseolus lunatus), A: cor
do fundo de sementes observados nos diferentes acessos fava. B: Freqüências de cor do fundo
de sementes observadas em 70 acessos de fava avaliados.

Houve grande variação quanto ao padrão do tegumento, com maioria dos acessos
apresentando ausência de coloração no padrão do tegumento (21,43%), seguida pelo padrão
apenas em volta do aureolo (15,71%), os outros padrões observados foram: aureolo distinto
com manchas em 50% do corpo (14,29%), aureolo semelhante ao padrão, maculado na região
do hilo, corpo com manchas orientadas radialmente e transversalmente (10%), aureolo
distinto com poucos sinais no corpo (8,57%), aureolo distinto com manchas em menos de
50% do corpo (8,57%), aureolo semelhante ao padrão, maculado na região do hilo e o lado
frontal, possível presença de alguns sinais (5,71%), aureolo distinto com muitos sinais no
corpo, aureolo semelhante ao padrão, maculado na região do hilo, lado frontal, lado de trás e
em baixo; aureolo semelhante ao padrão, maculado na região do hilo corpo com bandas
radiadas a partir da região do hilo; corpo dispersamente marmoreado; corpo moderadamente
marmoreado, formando algumas manchas (2,86%) respectivamente e, apenas um acesso

68

(1,43%) com aureolo semelhante ao padrão, maculado na região do hilo (mais desenvolvidas
próximo do micrófilo), presença de alguns sinais (Figura 14 A e B).

A

Foto: João Ribeiro, 2009.

Corpo moderamente
Aurelo semelhante ao padrão maculado
marmoreado
na região do hilo elado, frontal, trás e
Aurelo
Aurelo distinto
2,86%
embaixo 2,86%
semelhante com muitos
Corpo inteirramente
Aurelo semelhante ao padrão maculado
ao padrão
sinais no corpo
marmoreado
na região do hilo com bordas radiais
maculado
2,86%
2,86%
2,86%
Ausente
na região
21,43%
do hilo e
lado frontal

B

5,71%
Aurelo
distinto com
manchas em
- de 50% do
corpo
8,57%

Padrão
apenas em
volta do
aurelo
15,71%

Aurelo distinto com
poucos sinais
no corpo
Aurelo semelhanta
8,57%
ao padrão com manchas
orietadas radialmente
10%

Aurelo semelhante ao padrão
maculado na região do hilo
2,86%

Aurelo destinto com manchas
em + de 50% do corpo
14,29%

PADRÃO DO TEGUMENTO

Figura 14: Descritores de padrão de tegumento de sementes de plantas de fava (Phaseolus
lunatus), A: Padrão de tegumento de sementes observados nos diferentes acessos fava. B:
Freqüências de padrão de tegumento de sementes observadas em 70 acessos de fava
avaliados.
As variações na cor do padrão de tegumento encontradas nos acessos caracterizados é
uma característica marcante do feijão-fava, que a distingue facilmente de outros feijões, são as

69

linhas que se irradiam do hilo para a região dorsal das sementes, mas em algumas variedades
essas linhas podem não ser tão facilmente observadas (VIEIRA, 1992).
Para os caracteres morfológicos da semente, as médias do comprimento, largura,
espessura e massa de 100 sementes foram de 12,77 mm, 9,08 mm, 5,67 mm e 43,97 g,
respectivamente. Os acessos F-27 e F-58 procedentes de (Areia-PB e UFRPE), apresentaram
as maiores médias, com valores de 19,96 mm; 18,72 mm para comprimento; 12,67 mm, 12,03
para largura mm; 5,42 mm; 5,51 mm para espessura e 96,8 g, 82,2 g para massa,
respectivamente para esses caracteres (Tabela 6). Os mais baixos valores situaram-se entre
8,61 a 9,13 mm, para o comprimento; 5,60 a 12,88 mm, para a largura; 3,30 a 6,65 mm,
quanto à espessura e para massa de 100 sementes, entre 26,72 a 96,80 g. Os CV's, com
amplitude de 21,18% (comprimento das sementes) a 16,81% (largura das sementes), foram
considerados satisfatórios, 11,60% (espessura das sementes) com boa precisão para os
descritores utilizados. Nos acessos avaliados houve grande variação para a característica
produção, porém todos os acessos estudados apresentaram produção média de 103,42g valor
muito abaixo da média nacional, o acesso F-9 apresentou a menor produção média 14,76g,
entre os acessos estudados enquanto que o acesso F-54 apresentou a maior média com 336,76
g.
Considerando os padrões de cor do tegumento das sementes (Tabela 5), verifica-se que
o feijão-fava apresenta bastante variação, constituindo-se numa excelente opção de
incremento estético de grãos, entre as leguminosas usadas para alimentação.

Tabela 7. Características morfo-agronômicas de sementes em 70 acessos de fava (Phaseolus
lunatus).
Cor
Acessos
padrão

2a cor
Padrão

F-01
F-02
F-03
F-04
F-05
F-06
F-07
F-08
F-09
F-10
F-11
F-12
F-13
F-14

Ve
Au
P
vp
Au
Au
Au
Au
Ve
P
P
vp
vp
P

Ce
Vp
Cc
Ce
AU
Cc
Ce
Ce
Vp
Cc
Ce
Cc
Vp
Au

Cor do
Padrão
fundo
do
da
tegumento
Ssemente

vp
vp
c
Cc
B
c
Cc
Ct
c
Cz
c
Cc
B
B

I
E
N
Q
D
N
M
D
E
I
F
H
J
Q

Forma Comp.
da
da
semente semente
(mm)

El
El
E
E
El
El
El
E
E
E
El
El
Ob
E

16,51
11,59
11,06
10,40
17,10
16,39
15,47
9,13
9,67
9,69
11,25
11,18
10,08
14,45

Largura
da
semente
(mm)

Espessura
da
semente
(mm)

10,92
7,71
7,92
7,69
11,92
11,44
10,34
8,13
7,69
7,88
7,80
7,81
5,60
10,96

6,83
5,49
5,03
6,06
4,81
5,58
5,65
5,42
4,95
6,57
5,45
5,27
3,30
6,39

Peso de
Produção
100
(g)
semente(g)

77,09
35,08
29,97
30,43
54,8
60,74
42,16
30,05
30,8
30,79
30,8
29,21
46,6
49,81

225,71
55,73
23,46
58,10
44,72
228,0
96,04
48,66
14,76
86,77
34,12
44,17
38,11
227,83

70

F-15
F-16
F-17
F-18
F-19
F-20
F-21
F-22
F-23
F-24
F-25
F-26
F-27
F-28
F-29
F-30
F-31
F-32
F-33
F-34
F-35
F-36
F-37
F-38
F-39
F-40
F-41
F-42
F-43
F-44
F-45
F-46
F-47
F-48
F-49
F-50
F-51
F-52
F-53
F-54
F-55
F-56
F-57
F-58
F-59
F-60
F-61
F-62
F-63
F-64
F-65
F-66
F-67
F-68
F-69
F-70
Média
Mínimo
Máximo

Cc
Vp
Ce
Ce
Cc
Cc
Au
Cc
Cc
Ce
V
Cc
P
Au
Vp
Cc
Au
Ce
Cc
Au
Au
P
P
Ce
Ce
Cc
V
Au
Cc
Cc
Au
Cc
Cc
Au
Cc
Au
Cc
Cc
Au
Au
Cc
Cc
Cc
V
Au
Au
Cc
Cc
V
P
Au
Au
Cc
Au
Vp
Cc

Ve
vp
vp
Au
P
Au
Au
ve
vp
vp
ve
vp
Au
Au
vp
P
Au
P
ve
Au
Au
Au
Au
ve
vp
Au
ve
vp
Au
vp
P
P
P
P
Au
Au
vp
P
Au
Au
P
P
vp
vp
Au
Au
Au
Au
ve
vp
Au
Au
vp
vp
vp
vp

c
r
c
c
r
Ct
r
Cc
Cc
c
ve
Cc
B
B
r
Cc
B
Cz
Ct
B
B
vp
P
P
c
a
ve
r
a
Cc
B
Cc
Cz
r
c
B
ve
Cz
B
B
c
Cz
r
B
B
B
Cc
B
ve
Cc
r
B
Cc
c
r
Cc

K
I
F
F
N
D
E
K
H
I
D
L
H
D
I
K
D
O
E
E
E
D
D
I
N
E
D
M
E
F
O
F
I
N
N
D
H
I
D
D
H
I
K
L
E
E
F
E
D
H
D
D
N
I
G
G

El
El
El
E
E
El
E
El
El
E
E
Ob
El
E
E
E
E
El
El
E
El
El
E
El
El
E
El
El
El
El
El
El
E
E
E
E
El
E
El
E
E
E
El
El
El
E
E
E
E
El
E
El
E
E
E
E

14,74
12,85
11,99
10,84
15,59
12,64
11,32
12,57
11,31
10,28
8,61
17,15
18,72
10,84
11,33
12,49
11,98
13,00
14,14
10,75
13,27
14,06
12,81
16,76
15,50
10,60
16,26
11,70
14,67
11,18
16,31
13,71
9,48
9,95
11,80
10,62
16,90
9,80
18,40
10,11
10,26
10,00
12,41
19,96
15,48
13,81
10,16
10,32
17,82
11,73
10,78
14,89
10,36
11,44
11,16
12,61
12,77
8,61
19,96

10,30
8,31
8,15
7,85
10,96
8,79
8,61
8,58
7,69
7,74
7,75
10,29
12,03
8,80
8,10
9,25
8,88
8,83
9,89
8,45
8,99
9,49
10,27
10,99
10,87
8,68
10,97
7,77
9,91
7,65
10,89
8,54
7,69
7,40
10,05
7,67
10,80
8,25
11,97
7,86
8,24
8,17
8,39
12,67
10,62
10,19
7,68
7,55
12,88
7,75
7,80
10,43
7,96
8,22
7,86
9,47
9,08
5,60
12,88

5,77
5,96
4,96
6,27
6,12
4,86
4,76
5,24
4,28
5,27
5,07
5,45
5,51
5,90
4,61
5,55
6,72
4,76
5,64
6,27
5,53
5,54
5,88
6,31
5,25
6,48
5,74
5,63
6,13
5,70
6,95
5,42
6,44
5,30
5,25
5,66
6,75
6,85
5,94
6,39
5,63
6,82
5,81
5,42
6,35
6,26
5,67
5,41
5,04
5,48
5,26
5,71
6,29
5,67
5,43
5,73
5,67
3,30
6,95

62,95
31,96
30,96
34,97
76,32
56,5
35,62
31,29
34,02
30,03
30,04
66,59
82,20
38,96
29,75
42,82
46,55
37,21
45,79
36,43
37,49
41,40
59,03
71,22
46,02
46,26
63,58
29,07
44,06
31,11
69,08
35,59
32,06
30,30
45,17
26,98
75,45
35,54
81,98
31,94
30,66
35,25
34,15
96,80
59,70
49,96
34,41
30,94
61,97
36,28
26,72
46,35
33,48
34,31
30,93
43,36
43,97
26,72
96,80

82,87
57,76
29,45
37,7
111,88
30,39
45,85
36,18
30,72
27,39
21,93
305,67
72,40
115,30
33,02
40,57
195,5
52,25
316,80
199,44
224,95
132,29
62,90
253,62
150,59
118,41
175,29
62,94
232,17
45,06
274,17
76,54
83,45
36,92
288,33
49,85
336,85
109,22
157,39
95,73
28,41
76,14
49,58
64,91
209,11
141,96
30,44
24,72
63,51
47,82
15,17
182,27
22,28
47,03
53,57
145,92
103,42
14,76
336,85

71

CV%

21,18
12,08
13,42

IC95%

16,81
8,69
9,44

11,61
5,50
5,82

37,18
39,80
47,87

83,12
81,52
123,96

Obs.: As variáveis qualitativas, PC, SCP e CFS estão subdivididas em diversas cores a seguir: A - amarelo Au - ausente, b branco c - castanho, Cc - castanho claro, Ce - castanho escuro, Ct - cor de tijolo, Cz - cinza, P - preto V - vermelho, Ve vermelho escuro Vp - vermelha púrpura e r - rosa. Já o PT, subdividi-se em: D - ausente, E - padrão apenas em volta do
aureolo, F - aureolo distinto com poucos sinais no corpo, G - aureolo distinto com muitos sinais no corpo, H - aureolo distinto
com manchas em menos de 50% do corpo, I - aureolo distinto com manchas em mais de 50% do corpo, J - aureolo
semelhante ao padrão, maculado na região do hilo (mais desenvolvidas próximo do microfilo), presença de alguns sinais, K aureolo semelhante ao padrão, maculado na região do hilo e o lado frontal, possível presença de alguns sinais, L - aureolo
semelhante ao padrão, maculado na região do hilo, lado frontal, lado de trás e em baixo, M - aureolo semelhante ao padrão,
maculado na região do hilo corpo com bandas radiadas a partir da região do hilo, N - aureolo semelhante ao padrão,
maculado na região do hilo, corpo com manchas orientadas radialmente e transversalmente, O - corpo dispersamente
marmoreado, Q - corpo moderadamente marmoreado, formando algumas manchas e S - corpo intensamente marmoreado,
fundo da semente quase invisível, a forma da semente – FS está dividida em: E-esferica, El-eliptica e Ob-oblongo-reniforme.

Os resultados obtidos para todos os componentes de caracterização morfoagronômicas, concordam com trabalhos realizados por SILVA et al. (2002) e GUIMARÃES
et al. (2007), no que se refere às características de plantas, flores, frutos e sementes de fava.
Porém, o presente trabalho teve maior abrangência para os caracteres avaliados e acessos
estudados, no qual se avaliou vinte e cinco características e setenta acessos, sobrepondo-se a
trinta acessos estudados pelos referidos autores.

72

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Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e do Fosfato (POTAFOS), 786p,
1996.

74

CAPÍTULO II

RESISTÊNCIA DE ACESSOS DE FAVA (Phaseolus lunatus L.) AO MOSAICO
DOURADO E À ANTRACNOSE.
RESUMO

O objetivo deste trabalho foi avaliar a reação de acessos de fava ao mosaico dourado e à
antracnose, ocasionadas por Begomovírus e pelo Colletotrichum truncatum (Schwein)
respectivamente. Foram avaliados, em campo experimental da UFAL em Rio largo, setenta
acessos de fava provenientes dos bancos ativos de germoplasma das Universidades Federal do
Piauí e Federal Rural de Pernambuco, além de sementes oriundas dos Estados de Alagoas,
Pernambuco, Sergipe e Paraíba obtidos diretamente de lavouras e/ou em feiras livres,
cultivadas no ano agrícola de 2008. A semeadura foi realizada no início maio de 2009. No
caso do mosaico dourado foi avaliada a incidência de plantas sintomática dentro de cada
genótipo e para a antracnose avaliou-se a severidade, utilizando-se uma escala de notas
variando de 0,1 a 24% da área foliar lesionada, desenvolvida para a cultura do feijoeiro. O
mosaico dourado foi observado em todos os genótipos, com incidência variando de 2,5 a
100%, sendo considerados promissores 14 genótipos cuja incidência foi inferior a 50%. Para a
maioria dos genótipos foram registradas perdas significativas na produção, em função da
incidência da virose. No caso da antracnose um genótipo foi considerado altamente resistente,
sendo a severidade nesse caso inferior a 1% de área lesionada. O genótipo F-65, procedente
da UFPI, mostrou a menor incidência do mosaico dourado, sendo considerado também
altamente resistente à antracnose. Entretanto, apresentou uma das menores produtividades
dentre os 70 genótipos. Tais resultados são importantes, pois, constituem os primeiros estudos
com um número tão expressivo de genótipos de fava.

Palavras-chave: Phaseolus lunatus, severidade, Colletotrichum truncatum, Begomovirus.

75

RESISTANCE OF ACCESS TO FAVA (Phaseolus lunatus L.) AND THE GOLDEN
MOSAIC ANTHRACNOSE.
ABSTRACT
The aim of this study was to evaluate the reaction of hits from the lima bean golden mosaic
and anthracnose, caused by begomovírus and by Colletotrichum truncatum (Schwein)
respectively. Were examined in the experimental field of UFAL off in Rio, seventy accessions
from bean germplasm banks' assets from the Federal University of Piauí and the Federal Rural
de Pernambuco, and seeds from the states of Alagoas, Pernambuco, Sergipe and Paraíba
obtained directly from crops and / or fairs, planted in crop year 2008. Seeds were sown in
early May 2009. In the case of golden mosaic evaluated the incidence of symptomatic plants
within each genotype and anthracnose severity was evaluated, using a scale ranging from 0.1
to 24% injured leaf area was developed for culture bean. The golden mosaic was observed in
all genotypes, with an incidence ranging from 2.5 to 100%, and 14 looked promising
genotypes whose incidence was less than 50%. For most genotypes were recorded significant
losses in production, according to the incidence of viral disease. In the case of anthracnose a
genotype was considered highly resistant, and the severity of this case less than 1% of the
injured area. Genotype F-65, founded the UFPI showed a lower incidence of bean golden
mosaic, and also considered highly resistant to anthracnose. However, presented one of the
lowest yields among the 70 genotypes. These results are important because they constitute the
first studies with such a significant number of bean genotypes.

Keywords: Phaseolus lunatus, severity, Colletotrichum truncatum, Begomovirus.

76

6 INTRODUÇÃO

A fava (Phaseolus lunatus L.), também conhecida como feijão lima ou fava, é uma das
cinco espécies do gênero Phaseolus exploradas comercialmente (SANTOS et al. 2002). Os
grãos verdes e secos, as vagens verdes e as folhas deste, podem ser consumidos, pois
apresenta potencial para o fornecimento de proteína vegetal à população (SILVA et al. 2003).
A espécie foi domesticada na América do Sul ou Central, ou em ambas, e é subtropical
(ZIMMERMANN e TEIXEIRA, 1996; GUIMARÃES et al. 2007). É uma das principais
leguminosas cultivadas na região tropical e apresenta potencial para fornecer proteína vegetal
à população, diminuindo a dependência quase exclusiva dos feijões do grupo carioca
(VIEIRA, 1992).
No Nordeste do Brasil, a fava (P. lunatus L.) constitui uma cultura relevante no
contexto da agricultura familiar, sendo cultivada geralmente durante a estação chuvosa em
consórcio com o milho. No ano de 2006, foram produzidas, no país 14.951 toneladas de grãos
secos de fava, numa área plantada de 37.541 ha, (IBGE, 2006), com destaque para Região
Nordeste, onde se concentram 35.241 ha de área cultivada com esta leguminosa, tendo os
estados da Paraíba e do Ceará como os maiores produtores. Em Alagoas, a área cultivada com
fava foi de 356 ha com uma produção de 115 toneladas, sendo os municípios de União dos
Palmares e Santana do Mundaú os que apresentam as maiores produções (IBGE, 2006).
Apesar da importância econômico-social da fava para Região Nordeste, poucos
trabalhos têm sido conduzidos com foco nessa cultura e provavelmente este fato contribui
para a baixa tecnologia empregada na condução da cultura e, conseqüentemente, na baixa
produtividade. Contudo a situação deve melhorar devido à crescente valorização da cultura.
Um dos maiores obstáculos para o incremento da produção da fava é a incidência de doenças,
como o mosaico-dourado e antracnose (SANTOS et al. 2002).
O mosaico-dourado é causado pelo Bean golden mosaic virus (BGMV), a espécie-tipo
do gênero Begomovirus, família Geminiviridae (FARIA et al. 2000). As plantas infectadas
apresentam um intenso mosaico amarelo, distorção foliar, redução do porte e queda da
produtividade. Além de Begomovirus, a família Geminiviridae apresenta outros três gêneros
(Topocuvirus, Mastrevirus e Curtovirus). Contudo Begomovirus considerado o gênero mais
numeroso, o que apresenta maior gama de hospedeiras e mais amplamente distribuído no
mundo, dentre os geminivirus.

77

O vetor do BGMV e de outros begomovirus são insetos sugadores conhecidos
popularmente como moscas-brancas (Bemisia spp.) (Hemíptera: Aleyrodidae). Trata-se de um
inseto cosmopolita, cujo centro de origem supõe ser o Oriente ou Paquistão, provavelmente
foi introduzido na Europa, África e nas Américas pelo homem, através de material vegetal
(BROW e BRID, 1992). Atualmente, é encontrado nos trópicos e subtrópicos e em todos os
continentes (FRANÇA et al. 2000).
Mesmo com a alta prevalência do mosaico da fava os estudos sobre essa doença são
escassos no Brasil, sendo até o momento o Bean golden mosaic virus o único Begomovirus
relatado sobre a cultura (SOBRINHO, 2010).
Por sua vez a antracnose, é uma doença causada pelo fungo Colletotrichum truncatum
(Schwein), que incide sobre as folhas, os ramos e as vagens, podendo causar perdas
significativas (CARVALHO et al. 2009). A antracnose caracteriza-se por manchas
avermelhadas inicialmente observadas ao longo das nervuras, na face inferior das folhas,
sobre a haste e pecíolos jovens. Nas vagens, as lesões são deprimidas, grandes e
avermelhadas, sobre as quais se formam os acérvulos do patógeno (PAULA JÚNIOR et al.
1995).
Dentre os hospedeiros de Colletotrichum truncatum pode-se citar, além da fava, a soja
(Glycine max (L.) Merril) o feijão (Phaseolus vulgaris L.) e a lentilha (Lens culinaris L.)
(NECHET e HALFELD-VIEIRA, 2003). O Colletotrichum. truncatum é um fungo
mitospórico que tem como fase perfeita o ascomiceto Glomerella truncata (ARMSTRONGCHO e BANNIZA, 2006).
O trabalho conduzido por CARVALHO (2009) parece ser o único estudo conduzido
com o objetivo de avaliar o comportamento da fava à antracnose. Porém nesse estudo apenas
três

genótipos

foram

avaliados,

mesmo

assim

foi

possível

observar

diferentes

comportamentos desses materiais, pelo menos aos cincos dias após a inoculação.
Desta forma, o principal objetivo do trabalho foi avaliar a resistência ao mosaico
dourado e á antracnose de 70 genótipos de fava cultivados em Rio Largo, AL.

78

6.1 Material e Métodos

6.1.1 Caracterização da Área Experimental

O experimento foi conduzido no campo experimental do Centro de Ciências Agrárias,
Campus Delza Gitaí da Universidade Federal de Alagoas (CECA/UFAL), Rio Largo-AL, no
período de 03/05/2009 a 30/12/2009.
O município de Rio Largo está situado na latitude Sul (9º29’45”), longitude oeste
(35º49’54”) a oeste de Greenwich e com altitude de 165 metros, e o clima, segundo
classificação de Koppen, é A’s (tropical quente e úmido com estações seca de primaveraverão e chuvosa de outono-inverno) (CARMO FILHO e OLIVEIRA, 1989).
A partir de análise física e química o solo da área experimental foi classificado como
Latossolo Amarelo coeso distrófico, textura franca arenosa, de relevo plano e boa drenagem
(EMBRAPA, 1999). Desta área foi retirada uma amostra de solo, cuja análise química foi
processada no Laboratório de Análise de Produtos Agropecuários - LAPA - CECA/UFAL),
apresentado os resultados a seguir: pH (água 1:2, 5) = 6,28; Ca + Mg = 5 cmolc kg-1; Al = 0,15
cmolc kg-1 ; (H+Al) = 2; P= 16,1 mg kg-1; K = 85 mg kg-1; Na = 16 mg kg-1.
Os dados de temperatura média, umidade relativa do ar e precipitação pluvial estão
apresentados na Tabela 1.

Tabela 8. Resumo mensal e anual de temperatura, umidade relativa do ar e precipitação,
Estação Agro meteorológica, de janeiro a dezembro de 2009.
Jan.

fev.

Mar

Abr.

Mai

Jun.

Jul.

Ago.

Set

Out.

Nov.

Dez

2

1

Temp. 0c

26,3

25,7

26,2

26,1

24,4

23,5

22,9

22,6

23,7

23,3

23,5

26,0

24,52

1

Umidade %

78,2

83,3

83,6

85,4

92,5

91,7

90,7

90,9

86,1

80,0

79,6

81,8

85,32

1

44,7

219,2

161

224

453

268

168

245

53,8

5,3

68,6

41,7

148,8

Precip. mm

Média

1

Dados médios mensais de temperatura, umidade e precipitação.
Médias anual de temperatura, umidade e precipitação.

2

O preparo do solo constou de uma aração e uma gradagem, os acessos foram
semeados em covas com espaçamento de 1,0 x 1,0 m. Em cada cova foram plantadas quatro
sementes, sendo que, quatro semanas após a emergência das plântulas realizou-se o desbaste
deixando-se uma planta por cova. No plantio aplicou-se o equivalente a 300 kg.ha-1 da
fórmula 05 - 17 - 30 sendo usados como fontes desses nutrientes, a amônia com 45% de N,
superfosfato simples com 18% de P2 O5 e cloreto de potássio com 32% de K2O5, juntamente

79

com o equivalente a 25 kg.ha-1 dos micronutrientes: sulfato de cobre, sulfato de zinco, sulfato
de manganês e ácido bórico, de acordo com a recomendação baseada em análise química de
solo. Foram feitas capinas mecânicas no período anterior ao estágio de floração para controlar
as plantas invasoras. Os acessos que apresentaram crescimento indeterminado foram
conduzidos em tutores de madeira, com cerca de 1,5 m.
A unidade experimental, para a avaliação da incidência do mosaico dourado, foi
ocupada uma área total de 3025 m2 em dois blocos, tendo 2800 m2 de área útil, cada acesso
foi representado por uma fileira de 20 metros de comprimento, totalizando 20 plantas /fileira.
Com espaçamento de 1 m entre linhas por 1 m entre plantas. A unidade experimental, para a
avaliação da severidade de antracnose, foi ocupando uma área total de 1500 m2 em um bloco
contínuo, tendo como área útil 1400 m2. Cada acesso foi representado por uma fileira de 20
metros de comprimento, totalizando 20 plantas/fileira com espaçamento de 1 m entre linhas
por 1 m entre plantas.

6.1.2 Material Genético

Foram avaliados setenta acessos de feijão-fava oriundos dos bancos ativos de
germoplasma da Universidade Federal Rural de Pernambuco e da Universidade Federal do
Piauí e sementes obtidas em feiras livres e/ou de produtores em vários municípios dos Estados
de Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Paraíba, (Tabela 2).
Tabela 9. Procedência dos acessos (Phaseolus lunatus) utilizados na condução do
experimento sob condições de campo.
Acessos
F-1
F-2
F-3
F-4
F-5
F-6
F-7
F-8
F-9
F-10
F-11
F-12
F-13
F-14

Procedência
Aquidabã, SE
Cedro de São João, SE.
Aquidabã, SE
Aquidabã, SE
Cedro de São João, SE.
Santana do Mundaú, AL.
Santana do Mundaú, AL.
Santana do Mundaú, AL.
Arapiraca, AL
Arapiraca, AL
Arapiraca, AL
União dos Palmares, AL.
União dos Palmares, AL.
União dos Palmares, AL.

Acessos
F-37
F-38
F-39
F-40
F-41
F-42
F-43
F-44
F-45
F-46
F-47
F-48
F-49
F-50

Procedência
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE

80

F-15
F-16
F-17
F-18
F-19
F-20
F-21
F-22
F-23
F-24
F-25
F-26
F-27
F-28
F-29
F-30
F-31
F-32
F-33
F-34
F-35
F-36

São João, PE.
São João, PE.
São João, PE.
São João, PE.
São João, PE.
São João, PE.
Areia, PB
Areia, PB
Areia, PB
Areia, PB
Areia, PB
Areia, PB
Areia, PB
Areia, PB
Areia, PB
UFRPE1
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE

F-51
F-52
F-53
F-54
F-55
F-56
F-57
F-58
F-59
F-60
F-61
F-62
F-63
F-64
F-65
F-66
F-67
F-68
F-69
F-70

UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFRPE
UFPI2
UFPI
UFPI
UFPI
UFPI
UFPI
UFPI
UFPI

1

Banco de Germoplasma da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, PE.
Banco de Germoplasma da Universidade Federal do Piauí, Teresina, PI.

2

6.1.3 Avaliação da Resistência ao Mosaico e à Antracnose

Observou-se ao redor da área experimental, na época de semeadura e durante a
condução do experimento, diversas espécies de vegetação espontânea, como picão-grande
(Blainvillea rhomboidea) e anileira (Indigofera hirsuta L.) descritos como hospedeiras da
mosca-branca (CHAGAS et al., 1981; TOMASSO, 1993).

A

B

Blainvillea rhomboidea

Indigofera hirsuta L.

Figura 15. Vegetação espontânea com sintomas de mosaico dourado. A: Picão-grande
(Blainvillea rhomboidea) e B: anileira (Indigofera hirsuta L.)

81

A incidência ao vírus-do-mosaico-dourado na área experimental foi monitorada
periodicamente, por meio de inspeção visual dos sintomas, sendo a planta assintomática
avaliadas pela técnica de PCR, para comprovação da ausência do vírus em seus tecidos. As
avaliações foram realizadas aos 30; 60; 90; 120; 160 e 180 dias após a germinação, sendo
considerados resistentes os acessos para os quais os valores de incidência foram inferiores a
50%. A produção foi quantificada avaliando-se o peso final em gramas das sementes
produzidas por cinco plantas doentes e cinco plantas sadias de cada acesso estudado.
Para a avaliação da severidade da antracnose foi utilizada uma escala diagramática
desenvolvida por Godoy et al. (1996) para o feijoeiro, que varia de 0,1 a 24 % de área foliar
lesionada (Figura 2). Foram realizadas três avaliações aos 60, 74 e 88 dias após o plantio. A
severidade foi avaliada em 10 plantas de cada acesso, escolhidas aleatoriamente. De cada
planta foram consideradas cinco folhas trifoliadas da porção mediana da planta, sendo
avaliado apenas o folíolo central de cada folha.

Figura 16. Escala diagramática desenvolvida por Godoy et al. (1996) para a cultura do
feijoeiro utilizada na avaliação da antracnose da fava.
Para fins de quantificação da resistência à antracnose os acessos foram agrupados em
cinco classes segundo o grau de severidade, conforme a seguir: altamente resistente (< 1,0 %
de área do folíolo lesionada), resistente (> 1,0 a ≤ 2,0 % de área do folíolo lesionada),
medianamente resistente (> 2,0 a ≤ 4,0 % de área do folíolo lesionada), suscetível (> 4,0 a ≤
6,0 % de área do folíolo lesionada) e altamente suscetível (> 6,0 % de área do folíolo
lesionada).

82

6.1.4 Análise Estatística

Foram estimadas as médias aritméticas entre os acessos, considerando a avaliação
conjunta de cada variável, por meio do teste de Scott-Knott. Para isto utilizou-se o programa
GENES da UFV.

83

6.2 Resultados e Discussão

6.2.1 Reação de Acessos de Fava ao Mosaico Dourado

O sintoma do mosaico dourado (Figura 3) começou a ser observado na área
experimental após 28 dias do plantio, contudo inicialmente observou-se cerca de 25% das
plantas apresentando sintomas. Aproximadamente, aos 90 dias após o plantio, a virose foi
constatada em todos os genótipos, com incidência variando de 2,5 a 95%, dependendo do
genótipo considerado. Provavelmente esse fato, ocorreu devido às condições climáticas
desfavoráveis à proliferação do inseto vetor nos primeiros três meses de condução da cultura
no campo.

A

B

Fotos: João Ribeiro, 2009.

Figura 17. Mosaico dourado em 70 acessos de fava (Phaseolus lunatus), A: Planta de fava
com sintomas de mosaico dourado, B: Detalhe do mosaico dourado em folhas de fava.

84

Tabela 10. Incidência do mosaico dourado, produção de plantas doentes e sadias em 70
acessos de fava (Phaseolus lunatus).
Acessos

Médias

Acessos

Incidência

Produção

Produção

(%)

de plantas

de plantas

doentes (g)

sadias (g)

Médias
Incidência Produção
(%)

Produção

de plantas

de plantas

doentes (g)

sadias (g)

F-01

60,0a

55,4a

57,4b

F-36

47,5a

18,7b

47,3b

F-02

60,0a

10,0b

17,8c

F-37

55,0a

6,7a

24,6c

F-03

55,0a

10,4b

6,2c

F-38

62,5a

21,3b

105,4a

F-04

57,5a

13,5b

15,5c

F-39

72,5a

20,4b

54,8b

F-05

57,5a

10,1b

12,2c

F-40

67,5a

21,5b

37,6c

F-06

62,5a

46,8a

67,2b

F-41

65,0a

29,4b

58,1b

F-07

57,5a

10,8b

37,1c

F-42

70,0a

12,4b

23,9c

F-08

42,5b

12,7b

11,7c

F-43

55,0a

51,4a

64,6b

F-09

52,5a

5,4b

1,9c

F-44

52,5a

8,3b

14,1c

F-10

70,0a

31,6a

11,7c

F-45

75,0a

53,8a

83,1a

F-11

75,0a

9,3b

7,6c

F-46

87,5a

7,5b

30,7c

F-12

75,0a

7,6b

14,4c

F-47

87,5a

4,6b

37,0c

F-13

70,0a

5,7b

13,2c

F-48

82,5a

4,6b

13,8c

F-14

60,0a

44,3a

19,5c

F-49

75,0a

62,0a

82,1b

F-15

67,5a

19,4b

21,9c

F-50

82,5a

5,3b

19,5c

F-16

60,0a

17,0b

11,8c

F-51

95,0a

72,4a

95,9a

F-17

70,0a

8,3b

6,3c

F-52

90,0a

8,8b

45,7b

F-18

75,0a

8,5b

10,3c

F-53

92,5a

17,7b

60,9b

F-19

80,0a

24,4b

31,5c

F-54

85,0a

23,5b

24,3c

F-20

80,0a

4,5b

5,6c

F-55

62,5a

7,0b

7,1c

F-21

77,5a

10,9b

11,9c

F-56

72,5a

8,7b

29,3c

F-22

72,5a

10,7b

7,3c

F-57

72,5a

9,2b

15,5c

F-23

65,0a

5,8b

9,4c

F-58

57,5a

8,2b

24,3c

F-24

57,5a

6,3b

7,5c

F-59

85,0a

15,4b

89,1a

F-25

57,5a

5,4b

5,5c

F-60

85,0a

10,1b

60,8b

F-26

60,0a

66,8a

85,9a

F-61

50,0a

3,6b

11,5c

85

F-27

25,0b

14,8b

21,3c

F-62

27,5b

2,2b

10,0c

F-28

32,5b

32,6a

25,2c

F-63

37,5b

10,5b

21,2c

F-29

22,5b

5,5b

10,9c

F-64

37,5b

17,2b

6,9c

F-30

30,0b

11,3b

8,8c

F-65

2,5b

5,9b

1,6c

F-31

37,5b

48,0a

49,6b

F-66

7,5b

36,5a

54,6b

F-32

25,0b

15,2b

10,9c

F-67

12,5b

6,8b

4,3c

F-33

30,0b

64,3a

94,0a

F-68

17,5b

9,8b

13,6c

F-34

20,0b

40,6a

59,1b

F-69

5,0b

15,5b

11,2c

F-35

17,5b

55,6a

56,8b

F-70

20,0b

28,3b

44,7b

1

Médias e/ou % seguidas pela mesma letra, em cada coluna, pertencem a uma mesma classe, 1Médias e/ou % seguidas pela
mesma letra, em cada linha, não difere entre se, de acordo com o teste de Scott-Knott (P<0,05).

Utilizando-se o teste de agrupamento de Scot-knott foi possível observar a formação
de dois grupos distintos para incidência do mosaico-dourado. A maioria dos acessos (51
acesso) foi reunida no grupo com altos valores de incidência, ou seja, entre 47,5 a 95,0 %. O
segundo grupo, com 19 acessos, apresentou grau de incidência variando entre 2,5 a 42,5 %,
destacando-se o acesso F-65 com a menor incidência. Os dezenove acessos que compuseram
o grupo de plantas com menor incidência seram selecionados para as próximas avaliações a
serem realizadas em campo e em casa de vegetação, para confirmar a resistência desses
genótipos ao BGMV.
De acordo com GÁLVEZ & MORALES, (1989); FARIA & MAXWELL (1999),
fontes de imunidade ou elevados graus de resistência a Begomovírus têm sido buscadas nos
bancos de germoplasma de Phaseolus spp., contudo, até o momento encontrou-se apenas
níveis baixos e moderados de resistência ou tolerância ao mosaico-dourado.
Apesar de animadores, esses resultados são preliminares e a baixa incidência da
doença em alguns genótipos não implica necessariamente na resistência do material, uma vez
que o fator escape não pode ser descartado por enquanto. Para isso faz-se necessário, repetir o
experimento em campo, bem como avaliar a resistência sob inoculações controladas.
É importante também enfatizar que mesmo nos genótipos com alta incidência, a
resistência pode estar presente em algumas plantas, pois a fava é uma espécie autógama, mas
apresenta alguma taxa de alogamia e que os agricultores e/ou feirantes costumam misturar as
sementes de plantas geneticamente distintas. Caso seja confirmada a resistência em alguns
genótipos de fava essa característica poderá ser transferida também para o feijoeiro, uma vez

86

que cruzamentos entre essas duas espécies podem resultar em plantas viáveis, desde que se
utilize a técnica de resgate e embriões.
A comparação das médias de produção de plantas doentes e sadias revelou uma
redução de mais de 35% na produção, estando em consonância com aquelas verificadas em
nível de campo para a cultura do feijoeiro (GARRIDO-RAMIREZ et al., 2000; ARAGÃO &
FARIA, 2004; FARIA & YOKOIAMA, 2008). Esses dados constituem o primeiro relato de
perdas ocasionadas por Begomovirus na cultura da fava no Brasil e evidenciam a importância
econômica do mosaico-dourado, justificando ainda mais a busca pela resistência genética.

6.2.2 Reação de Acessos de Fava à Antracnose

Com relação à antracnose, os primeiros sintomas começaram a ser observados na área
experimental aproximadamente aos 20 dias após a germinação. Inicialmente os sintomas
foram observados sobre as folhas e os ramos. Nas folhas foram observadas lesões marrons
escuras ligeiramente deprimidas no meio nas bordas do limbo e sobre as nervuras (Figura 4).
Posteriormente, com o surgimento das vagens, foi possível observar manchas deprimidas, de
coloração vermelha a castanha sobre as vagens.

A

B

Fotos: João Ribeiro, 2009.

Figura 18. Antracnose em 70 acessos de fava (Phaseolus lunatus), A: Planta de fava com
sintomas de antracnose, B: Detalhe da antracnose em folhas de fava.

87

Constatou-se uma reação diferenciada dos acessos à antracnose, pois durante as três
avaliações, a quantidade de genótipos altamente resistentes baixou de 44, na primeira
avaliação, para apenas 1, na terceira avaliação. No outro extremo, os genótipos altamente
suscetíveis variaram de zero a cinco na primeira e na terceira avaliação, respectivamente,
demonstrando que independente do genótipo considerado, a quantidade de doença aumentou
durante as avaliações.
Dos setenta acessos avaliados apenas o F-65, procedente da UFPI, apresentou-se
altamente resistente com grau de severidade de 0,93% da área do folíolo central lesionada
(Tabela 4). Ressalta-se que, esse mesmo genótipo apresentou a menor incidência ao mosaico
dourado, constituindo numa fonte promissora para resistência a essas doenças, contudo, sua
produção foi uma das menores, dentre os acessos avaliados. No outro extremo comportaramse como altamente suscetíveis, os acessos, F-10 procedente de Arapiraca-AL; F-17 e F-19
ambos procedentes de São João-PE; e F-38 e F-58 procedentes da UFRPE, os quais
apresentaram graus de severidade variando de 6,01 a 8,24% da área do folíolo central
lesionado.

Tabela 11. Reação de acessos de fava (Phaseolus lunatus) à antracnose causada por
Colletotrichum truncatum em condições de campo.
Classe
Altamente
resistente
Resistente

Medianamente
resistente

Suscetível

Altamente
suscetível
1

Severidade
(%) 1
< 1,0

Acessos
F-65

F-4, F-24, F-32, F-33, F-34,
> 1,0 e < 2,0 F- 47, F-54, F-62, F-64,
F-67, F- 68, F-69, e F-70
F-1, F2-, F5-, F-6, F-7, F15,
F-16, F-20, F-28, F-35, F41,
> 2,0 e < 4,0 F-45, F-46, F-48, F-50, F-51, F52, F-53, F-55, F-56, F-57, F60, F-61 e F-63
F-3,F-8,F-9, F-11, F-12, F13,
F-14, F-18, F-21, F-22, F-23,
> 4,0 e < 6,0 F-25, F-26, F-27, F-29, F-30,
F-31, F-36, F-37, F-39, F-40,
F-42, F-43, F-44, F-49, F-59,
e F-66
> 6,0
F-10, F-17, F-19, F-38 e F-58

Freqüência
1,43%

18,57%

34,29%

38,57%

7,14%

% da área do folíolo central lesionada, determinada com a escala desenvolvida por Godoy et al. (1996).

88

Os demais acessos tiveram comportamentos intermediários, sendo 13 classificados
como resistentes, 24 como mediamente resistentes e 27 como suscetíveis. Quando se avaliousse o grau de resistência entre as classes, verificou-se que a classe tida como altamente
resistente, correspondem a apenas 1,43% do total dos acessos estudados. A classe resistente
representa 18,57%, a mediamente resistente 34,29%, a classe suscetível 38,57%; enquanto
que a classe altamente suscetível representa a apenas 7,14% do total de genótipos avaliados.
Apesar de sua importância social, sobretudo para Região Nordeste, poucos trabalhos
têm investigado os aspectos sanitários da cultura da fava. Sabe-se, no entanto que a
antracnose é a mais ou pelo menos uma das doenças mais prevalentes da cultura e
considerando que a fava é cultivada no âmbito da agricultura familiar a resistência também é a
melhor opção para o manejo da doença. Portanto, o presente trabalho constitui uma
importante contribuição, pois até o momento nenhuma pesquisa foi conduzida com o objetivo
de avaliar um número tão expressivo de genótipos em condições de campo. Antes dessa
pesquisa CARVALHO (2009) avaliou a reação de três genótipos da fava à antracnose,
constatando reação distinta entre os genótipos.
No presente trabalho, foi identificado, genótipos de fava altamente resistentes, e
resistentes à antracnose, os quais dependendo das demais características agronômicas, podem
ser recomendados para o cultivo em regiões onde a antracnose é fator limitante da cultura, a
exemplo do que ocorre para a antracnose do feijão caupi, causada por C. lindemuthianum
(PASTOR-CORRALES e TU, 1989).
No caso do feijoeiro comum, tem sido demonstrado que a resistência à antracnose, em
muitos genótipos, está sob o controle de um único gene dominante, o que facilita os
programas de melhoramento genético (MOLIN et al., 1999). Para a cultura da fava essa
informação ainda não está disponível, mas considerando-se o estreito relacionamento entre P.
vulgaris e P. lunatus é possível que a mesma situação seja verdadeira para a antracnose da
fava, contudo esse aspecto carece ser investigado.
Além da resistência genética, outras medidas, de manejo cultural, podem ser
recomendadas para o manejo da antracnose da fava com base no que ocorre para a antracnose
do feijoeiro, como por exemplo, a destruição dos restos culturais, rotação de culturas,
aumento do espaçamento, dentre outras (CANTERI et al. 1999).

89

7 CONCLUSÕES

As observações evidenciaram uma ampla variabilidade para os caracteres estudados no
que diz respeito à planta, às flores e aos frutos.
A caracterização morfo-agronômica realizada nos acessos de fava, gerou informações
que podem aperfeiçoar a manutenção e o manejo dos acessos estudados, facilitando a
obtenção de novos conjuntos gênicos aos melhoristas, assim como poderá contribuir para a
formação de uma coleção de germoplasma de fava na UFAL.
Foram identificados acessos como fontes promissoras de resistência ao mosaico
dourado, com ênfase para o acesso F-65 procedente da UFPI, uma vez que se mostrou
resistente ao mosaico-dourado e altamente resistente a antracnose.
A incidência do mosaico dourado, juntamente com a severidade da antracnose
contribuiu de forma direta e significativa na redução da produção dos acessos de fava
estudados.

90

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