Vanessa de melo
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM
AGRONOMIA
UFAL
CECA
VANESSA DE MELO RODRIGUES
AVALIAÇÃO DE VARIEDADES RB (REPÚBLICA DO BRASIL) DE CANA-DEAÇÚCAR EM RELAÇÃO AO ATAQUE DE PRAGAS
RIO LARGO - AL
2011
VANESSA DE MELO RODRIGUES
AVALIAÇÃO DE VARIEDADES RB (REPÚBLICA DO BRASIL) DE CANA-DEAÇÚCAR EM RELAÇÃO AO ATAQUE DE PRAGAS
Dissertação apresentada à Universidade Federal de Alagoas,
como parte das exigências do Programa de Pós – Graduação
em Agronomia, para obtenção do título de Mestre em
Proteção de Plantas.
Orientador: Prof. Dr. Ivanildo Soares de Lima
RIO LARGO - AL
2011
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária: Helena Cristina Pimentel do Vale
R696a
Rodrigues, Vanessa de Melo.
Avaliação de variedades RB (República do Brasil) de cana-de-açúcar em
relação ao ataque de pragas / Vanessa de Melo Rodrigues. – 2011.
90f. : il., fots., grafs.
Orientador: Ivanildo Soares de Lima.
Dissertação (mestrado em Agronomia : Produção Vegetal e Proteção de
Plantas) – Universidade Federal de Alagoas. Centro de Ciências Agrárias,
Rio Largo, 2011.
Inclui bibliografia.
1.Cana-de-açúcar . 2. Pragas agrícolas. 3. Saccharum spp. 3. Diatraea
spp. 4. Mahanarva spp. 5. Telchin licus licus. I. Título.
CDU: 633.15
Aos meus queridos pais;
Valter Rodrigues Sabino e Mariluce de Melo Rodrigues,
Que me ofereceram a melhor educação
E me ensinaram a lutar e ser digna.
Aos meus queridos irmãos; Waleska de Melo Rodrigues,
Walter Rodrigues Sabino Júnior e Katiúscia Maria de Melo Rodrigues,
Pelos momentos de alegria e de conforto nas dificuldades.
Aos meus adoráveis sobrinhos;
Lucas Rodrigues Tenório e Matheus Rodrigues Tenório
Que sempre me proporcionaram momentos de alegria.
Ao meu amado esposo;
José Orlando de Barros Tenório,
Pela sua dedicação, amor,
Companheirismo e por me fazer feliz.
OFEREÇO
AGRADECIMENTOS
A Deus pela vida e força de estar concluindo um sonho e pela possibilidade de crescer
a cada dia;
Ao Prof. Dr. Ivanildo Soares de Lima, pelo exemplo profissional, pela orientação,
amizade e compreensão do meu modo de ser;
À Profª. Drª. Sônia Maria Forti Broglio, pela amizade, sugestões e ensinamentos na
área de entomologia;
Ao Dr. Elio Cesar Guzzo, pelas críticas e sugestões para o aprimoramento desta
dissertação.
Ao Prof. Dr. Júlio Alves Cardoso Filho, pelas contribuições e sugestões de correções
desta dissertação;
À Profª. Drª. Adriana Guimarães Duarte, pela amizade, ensinamentos e pelos
momentos vividos;
À Drª. Nivia da Silva Dias, pela amizade, oportunidades e pelos livros que me
emprestou para a escrita desta dissertação;
Ao Prof. Iedo Teodoro e à Usina Santa Clotilde pelo fornecimento dos dados de
parâmetros agroindustriais;
À FAPEAL e à CAPES, pela bolsa concedida;
Ao Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar (PMGCA-UFAL), pelo
financiamento deste trabalho;
Aos professores da Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias pelo
aprendizado;
À coordenação e ao colegiado do curso de Pós-Graduação em Agronomia, por sua
atenção e carinho no atendimento aos mestrandos;
Aos colegas do Laboratório de Ecologia e Comportamento de Insetos (LECOM),
Anderson Rodrigues Sabino, Daniel da Silva Torres, Diego Olympio Peixoto Lopes, Hully
Monaísy Alencar Lima e Vanessa de Souza França, pelo apoio no desenvolvimento deste
trabalho;
Aos queridos e inesquecíveis amigos; Alice Araújo, Ana Paula Fonseca, Eliane
Santos, Hully Monaísy, José Leonardo Lins, Maria Quiteria e Taciana Salvador, pela
amizade sincera e companheirismo sempre;
Por fim, a todos que de alguma forma contribuíram para a realização deste trabalho.
“Podemos perdoar a destruição do passado,
causada pela ignorância. Agora, no entanto, temos
a responsabilidade de examinar eticamente, o que
herdamos e o que passaremos às gerações
futuras."
Dalai Lama
RESUMO GERAL
Neste trabalho, compararam-se diferentes variedades RB (República do Brasil) de cana-deaçúcar quanto ao ataque de Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae), Mahanarva spp.
(Hemiptera: Cercopidae) e Telchin licus licus (Drury, 1773) (Lepidoptera: Castniidae). Foram
utilizados dois sistemas de cultivo: sequeiro e irrigado. As variedades estudadas foram:
RB72454, RB867515, RB971755, RB951541, RB931003, RB92579, RB863129 e RB93509.
No sistema de cultivo irrigado além das variedades citadas, incluiu-se a RB98710. Ao se
avaliar as variedades de forma conjunta, no sistema de cultivo sequeiro, verificou-se que as
variedades RB867515, RB863129, RB93509, RB92579 e RB931003 apresentaram a menor
porcentagem de dano externo de Diatraea spp. Para o cultivo irrigado, as variedades
RB72454, RB92579 e RB93509 foram as menos infestadas. Em ambos os sistemas de cultivo,
o complexo broca/podridão, avaliado por ocasião da colheita, não indicou diferenças
significativas entre as variedades em relação aos danos de Diatraea spp. Os resultados
encontrados para Mahanarva spp., no cultivo sequeiro, apontaram as variedades RB72454,
RB863129 e RB951541 como as menos infestadas. Para o cultivo irrigado, os resultados
foram estatisticamente semelhantes, não sendo possível identificar uma variedade com
característica marcante de preferência pela praga. Os resultados da % de infestação de T. licus
licus indicaram que, nos dois sistemas de cultivo, as variedades não diferiram estatisticamente
entre si. Em ambos os sistemas de cultivo, os valores de % de dano interno de Diatraea spp. e
de % de infestação de T. licus licus, não apresentaram correlações significativas com os
parâmetros agroindustriais avaliados.
Palavras-chave: Saccharum spp., Diatraea spp., Mahanarva spp., Telchin licus licus.
GENERAL ABSTRACT
In this work, several varieties RB (Republic of Brazil) of sugar cane were compared in
relation to the attack of Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae) Mahanarva spp. (Hemiptera:
Cercopidae) and Telchin licus licus (Drury, 1773) (Lepidoptera: Castniidae). Two systems of
cultivation were used, rainfed and irrigated. The varieties studied in the rainfed cultivation
were as follows: RB72454, RB867515, RB971755, RB951541, RB931003, RB92579,
RB863129, and RB93509. For the irrigated system, the variety RB98710 was also included.
In the rainfed system, with all varieties in combined analysis, it was found that the varieties
RB867515, RB863129, RB93509, RB92579 and RB931003 showed the lowest percentage of
external damage by Diatraea spp. In the irrigated system, the varieties RB72454, RB92579
and RB93509 were the least infested. In both cropping systems, the complex borer/rottenness,
assessed at harvest, indicated no significant differences between the varieties in respect of
damages by Diatraea spp. The results for Mahanarva spp. in the rainfed cultivation, indicated
the varieties RB72454, RB863129 and RB951541 as the least infested. For irrigated crop, the
results were statistically similar, it was not possible to identify a variety with striking
characteristic of preference by the pest. The results of % infestation of T. licus licus indicated
that, in the two cropping systems, the varieties did not differ statistically. In both cropping
systems, the values o f % of internal damage by Diatraea spp. and % infestation by T. licus
licus did not show any significantly correlation with the agroindustrial parameters evaluated.
Keywords: Saccharum spp. Diatraea spp. Mahanarva spp. Telchin licus licus.
LISTA DE FIGURAS
Pág.
Figura 1.
Estágios do ciclo biológico de Diatraea saccharalis (Fabricius, 1794)
(Lepidoptera: Crambidae). A-Adulto; B-Ovos; C-Larvas; e D-Pupas.
(Fonte: www.cetma.com.br)......................................................................
Figura 2.
20
Estágios do ciclo biológico de Diatraea flavipennella (Box, 1931)
(Lepidoptera: Crambidae). A-Adulto; B-Ovos; C-Larva; e D-Pupa.
(Adaptado de: Guagliumi1972/73).............................................................
Figura 3.
Casal de Mahanarva fimbriolata (Stål, 1854) (Hemiptera: Cercopidae).
(Fonte: Marques et al 2005).......................................................................
Figura 4.
24
Ciclo biológico de Mahanarva posticata (Stål, 1855) (Hemiptera:
Cercopidae) (Adaptado de: Mendonça & Marques 2005).........................
Figura 6.
23
Ciclo biológico de Mahanarva fimbriolata (Stål, 1854) (Hemiptera:
Cercopidae) (Adaptado de: Mendonça & Mendonça 2005).......................
Figura 5.
21
25
Estágios do ciclo biológico da broca gigante Telchin licus licus (Drury,
1773) (Lepidoptera: Castniidae). A-Adulto; B-Ovos; C-Larva; e DPupa. (Adaptado de Jornal Paraná e CTC-Centro de Tecnologia
Canavieira).................................................................................................
Figura 7.
26
Croqui das áreas experimentais onde foram realizados os levantamentos,
sequeiro (A) e irrigado (B). Universidade Federal de Alagoas, município
de Rio Largo, Estado de Alagoas...............................................................
Figura 8.
38
Dados climatológicos da área experimental. Unidade Acadêmica Centro
de Ciências Agrárias. Universidade Federal de Alagoas, Rio Largo –
AL, janeiro a dezembro de 2009................................................................
Figura 9.
Avaliação da parte externa de todos os colmos presentes na amostra,
para
o
cálculo
da
%I.D.E
de
Diatraea
spp.
(Lepidoptera:
Crambidae).................................................................................................
Figura 10.
39
40
Avaliação da %I.D.I. de Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae). A amostragem em 15 colmos de cada variedade retirados da leira ao acaso;
B – colmos abertos no sentido longitudinal...............................................
40
Figura 11.
Levantamento de Mahanarva spp. (Hemiptera: Cercopidae); A- Um
metro linear, com auxilio de um gabarito; B-Contagem em toda a
extensão do espaço amostral......................................................................
Figura 12.
60
Média da infestação de Mahanarva fimbriolata (Stål, 1854) (Hemiptera:
Cercopidae), em cana-de-açúcar e precipitação mensal (mm), no sistema
de cultivo sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio
Largo, Estado de Alagoas. 1Médias seguidas pela mesma letra não
diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade......................
Figura 13.
63
Média da infestação de Mahanarva fimbriolata (Stål, 1854) (Hemiptera:
Cercopidae), em cana-de-açúcar e precipitação mensal (mm), no sistema
de cultivo sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio
Largo, Estado de Alagoas. 1Médias seguidas pela mesma letra não
diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade......................
Figura 14.
66
Entrenós danificados pela ação de Telchin licus licus (Drury, 1773)
(Lepidoptera: Castniidae)...........................................................................
81
LISTA DE TABELAS
Pág.
Tabela 1.
Média (± EP) da porcentagem da intensidade de dano externo (% I.D.E.)
de Diatraea spp. em oito variedades de cana-de-açúcar, em seis meses de
avaliação, no sistema de cultivo sequeiro. Universidade Federal de
Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2009. Ano IV.........
Tabela 2.
44
Média (± EP) da porcentagem da intensidade de dano interno (% I.D.I.)
de Diatraea spp. e parâmetros tecnológicos agroindustriais por ocasião
da colheita em oito variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo
sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo,
Estado de Alagoas, 2009. Ano IV................................................................
Tabela 3.
45
Média (± EP) da porcentagem da intensidade de dano externo (% I.D.E.)
de Diatraea spp. em nove variedades de cana-de-açúcar, em seis meses
de avaliação, no sistema de cultivo irrigado. Universidade Federal de
Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2009. Ano III.........
Tabela 4.
47
Média (± EP) da porcentagem da intensidade de dano interno (% I.D.I.)
de Diatraea spp. e parâmetros tecnológicos agroindustriais por ocasião
da colheita em nove variedades de cana-de-açúcar, no sistema de cultivo
irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo,
Estado de Alagoas, 2010. Ano III................................................................
Tabela 5.
48
Correlação entre % da Intensidade de Dano Interno de Diatraea spp. e os
parâmetros agroindustriais observados por ocasião da colheita nos
sistemas de cultivo sequeiro (dezembro de 2009) e irrigado (janeiro de
2010). Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado
de Alagoas....................................................................................................
Tabela 6.
50
Média (± EP) da infestação de Mahanarva fimbriolata em oito
variedades de cana-de-açúcar, em seis meses de avaliação, no sistema de
cultivo sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio
Largo, Estado de Alagoas, 2009. Ano IV....................................................
64
Tabela 7.
Média (± EP) de parâmetros agroindustriais por ocasião da colheita em
oito variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo sequeiro.
Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de
Alagoas, 2009. Ano IV.................................................................................
Tabela 8.
67
Média (± EP) da infestação de Mahanarva fimbriolata de nove
variedades de cana-de-açúcar, em seis meses de avaliação, no sistema de
cultivo irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio
Largo, Estado de Alagoas, 2009. Ano III.....................................................
Tabela 9.
70
Média (± EP) de parâmetros agroindustriais por ocasião da colheita em
nove variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo irrigado.
Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de
Alagoas, 2010. Ano III.................................................................................
Tabela 10.
71
Média (± EP) da porcentagem de infestação de Telchin licus licus e
parâmetros tecnológicos agroindustriais por ocasião da colheita em oito
variedades de cana-de-açúcar, no sistema de cultivo sequeiro.
Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de
Alagoas, 2009. Ano IV.................................................................................
Tabela 11.
85
Média (± EP) da porcentagem de infestação de Telchin licus licus e
parâmetros tecnológicos agroindustriais por ocasião da colheita em nove
variedades de cana-de-açúcar, no sistema de cultivo irrigado.
Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de
Alagoas, 2010. Ano III.................................................................................
Tabela 12.
86
Correlação entre % Infestação de Telchin licus licus e os parâmetros
agroindustriais observados por ocasião da colheita nos sistemas de
cultivo sequeiro (dezembro de 2009) e irrigado (janeiro de 2010).
Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de
Alagoas.........................................................................................................
87
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO GERAL..................................................................................
15
2 REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................
19
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................
30
3 AVALIAÇÃO DE VARIEDADES RB (REPÚBLICA DO BRASIL) DE
CANA-DE-AÇÚCAR EM RELAÇÃO AO ATAQUE DE DIATRAEA
SPP. (LEPIDOPTERA: CRAMBIDAE) EM RIO LARGO, ESTADO DE
ALAGOAS .........................................................................................................
33
RESUMO ...........................................................................................................
33
ABSTRACT .......................................................................................................
34
3.1 Introdução .......................................................................................................
35
3.2 Material e métodos .........................................................................................
37
3.3 Resultados e discussão ...................................................................................
42
3.4 Conclusões .......................................................................................................
51
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...........................................................
52
4 AVALIAÇÃO DE VARIEDADES RB (REPÚBLICA DO BRASIL) DE
CANA-DE-AÇÚCAR EM RELAÇÃO AO ATAQUE DE MAHANARVA
SPP. (HEMIPTERA: CERCOPIDAE) EM RIO LARGO, ESTADO DE
ALAGOAS .........................................................................................................
54
RESUMO ...........................................................................................................
54
ABSTRACT .......................................................................................................
55
4.1 Introdução .......................................................................................................
56
4.2 Material e métodos .........................................................................................
59
4.3 Resultados e discussão ....................................................................................
62
4.4 Conclusões .......................................................................................................
72
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................
73
5 AVALIAÇÃO DE VARIEDADES RB (REPÚBLICA DO BRASIL) DE
CANA-DE-AÇÚCAR EM RELAÇÃO AO ATAQUE DE TELCHIN LICUS
LICUS (LEPIDOPTERA: CASTNIIDAE) EM RIO LARGO, ESTADO DE
ALAGOAS .............................................................................................................
RESUMO ...........................................................................................................
76
76
ABSTRACT .......................................................................................................
77
5.1 Introdução ........................................................................................................
78
5.2 Material e métodos ..........................................................................................
80
5.3 Resultados e discussão .....................................................................................
83
5.4 Conclusões ........................................................................................................
88
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................
89
1. INTRODUÇÃO GERAL
A cana-de-açúcar foi descrita por Linneu, em 1753, que a classificou como Saccharum
officinarum e Saccharum spicatum, pertencentes à família Poaceae. É originária da NovaGuiné e foi levada para o sul da Ásia onde inicialmente foi usada na forma de xarope. A
primeira evidência do açúcar em sua forma sólida, data do ano 500, na Pérsia (Mozambani et
al 2006).
No Brasil, a cultura foi introduzida em 1532 por Martin Afonso de Souza (Fernandes
1990). Devido às condições climáticas e pedológicas favoráveis, a cultura se expandiu em
engenhos pelo litoral do país, e o Brasil tornou-se o maior produtor mundial com 648 milhões
de toneladas, seguido pela Índia (348 milhões de toneladas), China (124 milhões de
toneladas), Tailândia (73 milhões de toneladas) e Paquistão (64 milhões de toneladas) (FAO
2008).
Depois de enriquecer substancialmente a culinária mundial e servir de matéria prima,
para a produção de bebidas alcoólicas, o etanol derivado da cana, foi consagrado como
combustível limpo e renovável. A cana-de-açúcar está fortemente associada à matriz
energética, inclusive na co-geração de eletricidade e ainda promete uma nova geração de
plásticos “verdes” e biodegradáveis. Segundo Miranda (2008), a cana-de-açúcar pode ser
considerada uma das maiores conquistas da nação brasileira.
A produção nacional de cana-de-açúcar, destinada à indústria sucroalcooleira, para a
safra 2010/2011, em uma área de 8,03 milhões de hectares, estar prevista para 625 milhões de
toneladas, das quais 53,8% serão destinadas para a produção de álcool e 46,2% para a
fabricação de açúcar. Na safra atual ocorreu um aumento de 3,4% em relação à safra anterior
(CONAB 2011).
A cana-de-açúcar é uma das culturas mais importantes do Brasil, sendo as regiões
Sudeste e Nordeste as maiores produtoras. Na região Nordeste, os estados de Alagoas e
Pernambuco são os maiores produtores, atingindo 72,38% da produção regional e quase
7,29% da produção nacional (CONAB 2011). Por suas condições edafoclimáticas favoráveis
ao cultivo da cana-de-açúcar, Alagoas tem uma produção superior a dos demais estados do
15
Nordeste, destacando-se como o maior produtor de açúcar e álcool da região (Lima 1997,
CONAB 2011).
A cadeia produtiva da cana-de-açúcar e de seus produtos e subprodutos, tais como o
açúcar e principalmente o álcool, contribuem para a distribuição de riqueza, além de ser fonte
de energia líquida e renovável propiciando a redução da poluição ambiental (Matsuoka et al
2005).
No sistema produtivo canavieiro brasileiro, o cultivo de variedades com boas
características agroindustriais é a melhor forma de se obter ganhos da produtividade com
baixo custo. A atuação dos programas de melhoramento genético desta cultura contribuiu
expressivamente para o desenvolvimento do setor sucroalcooleiro nacional, com a liberação
de variedades mais produtivas e mais resistentes a pragas e doenças (Barbosa et al 2003).
O Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar (PMGCA) da rede
interuniversitária para o desenvolvimento do setor sucroalcooleiro (RIDESA), composto pela
UFAL, UFRPE, UFS, UFV-MG, UFRRJ, UFSCar-SP, UFPR e UFG, as quais obtêm as
variedades RB (República do Brasil). Em Alagoas, o PMGCA situa-se na Unidade
Acadêmica Centro de Ciências Agrárias (CECA) da UFAL, em parceria com o setor
produtivo canavieiro. As inovações tecnológicas desenvolvidas pelo PMGCA/CECA/UFAL e
transferidas para o setor produtivo vêm contribuindo significativamente para a elevação da
produtividade e da qualidade das unidades produtoras de açúcar, etanol e bioeletricidade
(RIDESA 2010).
A utilização de variedades resistentes aos insetos é a tática ideal de controle de pragas,
pois reduz as populações de insetos a níveis que não causam danos; não interfere com o
ecossistema, pois não promove desequilíbrio ambiental; seu efeito é cumulativo e persistente;
não é poluente; não acarreta ônus ao custo de produção e, finalmente, não exige conhecimento
específico, por parte dos agricultores, para sua utilização (Lara 1991).
Conforme Vendramim (2008) existem três tipos de resistência de plantas a insetos:
antixenose, antibiose e tolerância. A antixenose é verificada quando uma planta ou variedade
é menos utilizada pelo inseto que outra para alimentação, oviposição ou abrigo, estando nas
mesmas condições. O efeito é manifestado no comportamento do inseto, repercutindo
principalmente em redução da atratividade e aceitação do substrato, refletindo-se na redução
16
do número de ovos e da área consumida. A antibiose caracteriza-se pelo efeito adverso da
planta sobre o inseto, provocando principalmente alterações no seu desenvolvimento. Os
principais efeitos da antibiose são: mortalidade das formas jovens, mortalidade na
transformação para adulto, redução do tamanho e peso dos indivíduos, redução da
fecundidade, alteração da proporção sexual e alteração no tempo de vida. A tolerância referese à capacidade de suportar o ataque do inseto através da regeneração dos tecidos destruídos,
emissão de novos ramos ou perfilhos ou por outro meio, desde que não ocasione perda na
qualidade e quantidade da produção.
Segundo Rossetto (19671) apud Lara (1991), todos os métodos de controle têm suas
vantagens e limitações; o controle de pragas com variedades resistentes não é a solução para
todos os males, mas é o método cujo estudo deve ser incluído num programa amplo e racional
de controle integrado, isto é: de controle baseado na utilização vantajosa de mais de um tipo
de controle.
Historicamente, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) foi primeiramente estimulado
durante os anos de 1960 (Gullan & Cranston 2007). Segundo Kogan (19982) apud Gallo et al
(2002), o MIP é definido como: “Sistema de decisão para uso de táticas de controle,
isoladamente ou associadas harmoniosamente, numa estratégia de manejo baseada em
análises de custo/benefício que levam em conta o interesse e/ou impacto nos produtores,
sociedade e ambiente”.
A cultura da cana-de-açúcar expande suas fronteiras a cada ano por todo o território
nacional e com isso aumenta, em proporções gigantescas, a quantidade de biomassa que será
aproveitada pelo homem, para a produção de açúcar e álcool, e também por outros
organismos, que terão alimento em abundância. Nesta cultura, as pragas que ocorrem com
frequência são as dos gêneros Diatraea (Lepidoptera: Crambidae) e Mahanarva (Hemiptera:
Cercopidae), e a espécie Telchin licu licus (Drury, 1773) (Lepidoptera: Castniidae) (Pinto et
al 2006).
1
Rosseto C J (1967) Agron. Campinas-SP. p.27. (Bol. 175)
2
Kogan M (1998) Integrated Pest Managememnt: Historical Perspectives and Contemporary Development. Ann.
Rev. Entomol., 43: 243-270
17
Assim, o objetivo deste trabalho foi obter informações sobre o comportamento de
variedades RB de cana-de-açúcar, em relação ao ataque de pragas da cultura da cana-deaçúcar no Estado de Alagoas.
18
2. REVISÃO DE LITERATURA
A cultura da cana-de-açúcar, no Brasil, apresenta grande expansão econômica, sendo
cultivada em extensas áreas. Ela é uma das mais importantes do país, tanto pela área que
ocupa, como do ponto de vista econômico, ambiental e social. As grandes extensões de áreas
ocupadas pela monocultura canavieira, aliada às novas técnicas mecanizadas e colheita crua
(sem queima), têm proporcionado o aumento das populações de insetos nocivos, assim como
o surgimento de novos insetos associados a esta cultura no país (Urquiaga et al 1991). Dentre
os principais insetos-praga, podemos destacar as brocas comuns, Diatraea saccharalis
(Fabricius, 1794) e Diatraea flavipennella (Box, 1931) (Lepidoptera: Crambidae), a broca
gigante, Telchin licus licus (Drury, 1773) (Lepidoptera: Castniidae) e as cigarrinha-das-folhas
Mahanarva posticata (Stål, 1855) e das raízes Mahanarva fimbriolata (Stål, 1854)
(Hemiptera: Cercopidae), que causam sérios danos em todas as regiões canavieiras do país
(Mendonça et al 1996a). Esses insetos ocasionam prejuízos econômicos significativos à
cultura de cana-de-açúcar (Almeida Filho 1995).
Brocas comuns da cana-de-açúcar Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae)
A broca-da-cana-de-açúcar, D. saccharalis, ocorre em todo o Brasil se alimentando
não somente da cana-de-açúcar, mas do milho, do sorgo, do arroz, e de plantas selvagens com
caules mais grossos. Outra espécie que ocorre no Brasil é D. flavipennella, tendo sido
registrada no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e nos estados do Norte e Nordeste
(Pinto et al 2006).
No Estado de Alagoas sempre houve predominância de D. saccharalis, mas, nos
últimos anos, tem havido inversão na prevalência, passando a espécie D. flavipennella a ser a
espécie mais importante. Em levantamentos populacionais realizados em canaviais de
Alagoas, verificou-se a predominância de D. flavipennella acima de 97%, em relação a D.
saccharalis (Freitas et al 2006).
O adulto de D. saccharalis é uma mariposa com as asas anteriores de coloração
amarelo-palha, com alguns desenhos pardacentos e as asas posteriores esbranquiçadas e com
25 mm de envergadura (Figura 1A). Após o acasalamento, a fêmea realiza a postura nas
19
folhas da cana, em número de ovos variável de cinco a 50, colocando-os em massas (Figura
1B). As larvas recém-eclodidas alimentam-se, no início, do parênquima das folhas,
convergindo, a seguir, para a bainha; depois da primeira ecdise, penetram na parte mais mole
do colmo e, perfurando-o, abrem galerias de baixo para cima. Ao atingirem o seu completo
desenvolvimento, medem cerca de 25 mm de comprimento, sendo de coloração amarelopálida e cabeça marrom (Figura 1C). Fazem então um orifício para o exterior e, fechando-o
com fios de seda e serragem, passam à pupa, de coloração castanha (Figura 1D). O adulto sai
pelo orifício feito anteriormente pela larva (Gallo et al 2002).
Segundo Mendonça et al (1996a), o ciclo biológico de D. saccharalis varia de 50 a 62
dias (ovo de 4 a 8 dias; larva 40 dias; pupa de 6 a 14 dias e longevidade de adultos de 7 dias),
podendo ocorrer de 3 a 4 gerações por ano.
Figura 1. Estágios do ciclo biológico de Diatraea saccharalis (Fabricius, 1794) (Lepidoptera:
Crambidae). A-Adulto; B-Massas de ovos; C-Larvas; e D-Pupas.
A
B
C
D
(Fonte: CETMA 2010).
Os adultos D. flavipennella têm coloração amarelo palha, sem manchas ou listras nas
asas anteriores, exceto um pontinho marrom na célula discal e as nervuras levemente escuras,
medem de 15 a 20 mm de envergadura alar (Figura 2A). As fêmeas são geralmente maiores,
de cor branca marfim, sem manchas. Os ovos e as pupas são semelhantes aos de D.
saccharalis (Figura 2B e 2D). As larvas de D. flavipennella são esbranquiçadas, com cápsula
cefálica amarela, e duas fileiras de pontinhos escuros no dorso, sem listras laterais, medem no
último estádio aproximadamente 25 a 30 mm de comprimento (Guagliumi 1972-73) (Figura
2C).
20
Figura 2. Estágios do ciclo biológico de Diatraea flavipennella (Box, 1931) (Lepidoptera: Crambidae).
A-Adulto; B-Massas de ovos; C-Larva; e D-Pupa
Fonte: (Adaptado de Guagliumi 1972-73).
O primeiro trabalho realizado em laboratório sobre o ciclo biológico de D.
flavipennella foi publicado por Freitas et al (2007), ou seja, 76 anos depois da descrição da
espécie. Neste trabalho, foi avaliado o período de desenvolvimento de ovos, pupas e adultos
desta espécie em temperatura de 22 ± 1ºC, umidade relativa de 70 ± 10% e fotofase de 12
horas. Já as larvas, foram avaliadas em temperatura de 26 ± 1ºC, umidade relativa de 80 ±
10%, fotofase de 12 horas e alimentadas com dieta artificial desenvolvida por Hensley &
Hammond (1968). Sob estas condições, os autores observaram que o período médio de
incubação dos ovos, duração média da fase larval, duração média da fase de pupa e
longevidade dos adultos foi de 8,35 dias, 34,87 dias, 12,75 dias e 9,17 dias, respectivamente.
Ainda segundo Freitas et al (2007), o período de desenvolvimento de D. flavipennella
alimentada com dieta artificial, foi diferente daquele relatado para insetos alimentados com
dieta natural.
Para Mendonça et al (1996a), o ciclo biológico de D. flavipennella completa-se entre
39 a 51 dias (ovo de 4 a 8 dias; larva de 25 a 26 dias; pupa de 10 a 17 dias, enquanto a
longevidade dos adultos pode chegar a 7 dias).
21
Cigarrinhas da cana-de-açúcar Mahanarva spp. (Hemiptera: Cercopidae)
A presença de cigarrinha é relatada em várias partes do mundo, sendo encontrada, com
maior frequência, nas regiões tropical e subtropical do globo (Fewkes 1969). São
consideradas pragas de importância econômica em diversos agroecossistemas, pois, além dos
prejuízos diretos decorrentes da sucção contínua da seiva e das lesões e deformações que
provocam, podem injetar substâncias tóxicas em seus hospedeiros (Gallo et al 2002). Essas
substâncias, um complexo de enzimas e aminoácidos, têm ação fitotóxica e provocam a
destruição dos cloroplastos, o entupimento dos vasos do floema e a morte de tecidos
(Guagliumi 1972-73).
No Brasil, o principal gênero é Mahanarva, destacando-se as espécies M. fimbriolata,
M. posticata e M. rubicunda indentata, conhecidas respectivamente como cigarrinha-dasraízes, cigarrinha-das-folhas e cigarrinha do cartucho (Mendonça et al 1996b). Os adultos
desse inseto vivem sobre a parte aérea da planta sugando as folhas (Stingel 2005) ao mesmo
tempo em que injetam toxinas que produzem manchas nas mesmas (Macedo 2005).
Os adultos das cigarrinhas-das-raizes M. fimbriolata medem cerca de 10 a 13 mm de
comprimento, por cerca de 5,0 a 6,5 mm de largura, sendo as fêmeas maiores e mais escuras
que os machos (Figura 3). Os machos apresentam uma longevidade em torno de 12 a 15 dias,
enquanto as fêmeas podem chegar a 15-20 dias. Em geral, os machos apresentam cores mais
vivas que as fêmeas, ambos com variações intra-específicas muito acentuadas no padrão de
cores de asas podendo, principalmente os machos, serem encontrados desde a coloração
totalmente vermelha, com ou sem presença de listras ou manchas escuras longitudinais nas
asas, até totalmente preta (Mendonça & Mendonça 2005).
22
Figura 3. Casal de Mahanarva fimbriolata (Stål, 1854) (Hemiptera: Cercopidae).
♀
♂
Fonte: (Marques et al 2005).
As fêmeas de M. fimbriolata depositam os ovos no solo, na base das touceiras, ou
entre resíduos vegetais, de preferência, nas linhas de plantio da cana, podendo também ser
encontrados com menor freqüência, nas entrelinhas, principalmente se estiverem cobertos
com palha. A maior concentração de ovos, está localizada a uma profundidade máxima de 1
cm no solo, podendo ser encontrados de forma mais rara, em uma profundidade de 2 a 5 cm,
ou mais abaixo disso (Mendonça & Mendonça 2005).
Cada fêmea pode ovipositar, em média 340 ovos. Vinte dias após a postura, ocorre a
eclosão das ninfas. Estas são bem semelhantes aos adultos, diferindo quanto ao tamanho,
ausência de asas e de aparelho reprodutor maduro. Inicialmente são ativas, movimentando-se
em busca de alimento. Algumas se fixam, imediatamente, nos coletos e radicelas da cana-deaçúcar e começam a sugar seiva e a produzir uma espuma, com a qual, em pouco tempo,
ficam cobertas. Outras ficam percorrendo a superfície do solo, entre as touceiras, durante
algumas horas, até se fixarem. Esta fase tem um período médio de 37 dias, dependendo das
condições climáticas (Garcia & Botelho 2006).
Segundo Mendonça et al (1996b), o ciclo biológico normal completo de M.
fimbriolata, sem contar o tempo que os ovos passam em diapausa, é de 2 a 3 meses, assim
distribuído: ovo, de 15 a 20 dias; cinco estádios de ninfas, num total de 30 a 40 dias e
longevidade dos adultos, de 12 a 20 dias, com os machos vivendo entre 12 a 15 dias e as
fêmeas, entre 15 a 20 dias (Figura 4).
23
Figura 4. Ciclo biológico de Mahanarva fimbriolata (Stål, 1854) (Hemiptera: Cercopidae)
Fonte: (Adaptado de Mendonça & Mendonça 2005).
Os machos adultos de M. posticata medem 12 mm de comprimento por 5 mm de
maior largura, enquanto as fêmeas são pouco maiores, medindo 14 mm de comprimento por 6
mm de maior largura (Marques 1976). As fêmeas se mostram sempre mais escuras que os
machos (Mendonça & Marques 2005).
De acordo com Mendonça & Marques (2005), durante as horas mais quentes, as
fêmeas adultas de M. posticata se alojam no cartucho, na olhadura ou no interior das bainhas
inferiores da cana-de-açúcar. As posturas são realizadas na base das bainhas mais baixas,
posicionadas no terço inferior da planta, inserindo os ovos nas extremidades finais da bainha,
na região em que essas áreas se cruzam envolvendo o colmo, próximo à interseção da bainha
com o nó, em número variável, de 20 a 50 ovos, com o máximo observado de 167 ovos
(Guagliumi 1972-73).
Ao eclodirem, as ninfas migram da base das bainhas mais baixas para o cartucho da
cana no ápice da planta, onde se alojam, passando a sugar as folhas mais novas,
desenvolvendo seus primeiros ínstares, já protegidas pela espuma branca que produzem. Com
o aparelho bucal mais desenvolvido, retornam às bainhas mais baixas que se encontram
entreabertas, passando a se alimentar em seu interior até alcançar o quinto e último instar
ninfal (Mendonça & Marques 2005).
24
A cigarrinha-das-folhas M. posticata desenvolve seu ciclo completo (Figura 5) durante
um período de 72 a 76 dias, sendo que a fase de ovo dura aproximadamente 17 dias, a de
ninfa 48 dias e a longevidade do adulto macho é de 7 dias e da fêmea é de 11 dias (Mendonça
et al 1996b).
Figura 5. Ciclo biológico de Mahanarva posticata (Stål, 1855) (Hemiptera: Cercopidae)
Fonte: (Adaptado de: Mendonça & Marques 2005).
Broca Gigante da cana-de-açúcar Telchin licus licus (Drury, 1773) (Lepidoptera:
Castniidae)
A incidência da broca gigante T. licus licus aumenta consideravelmente, preocupando
os produtores envolvidos com o controle dessa praga em canaviais das regiões Norte e
Nordeste do Brasil. Sua distribuição inclui os Estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia,
Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do
Norte, Sergipe (Pinto et al 2006) e São Paulo (Anselmi 2008).
25
Risco (19783) apud Mendonça et al (1996c) estimou uma perda em torno de 9.500
toneladas de açúcar, durante a safra 1976/77, causada por T. licus licus aos canaviais dos
Estados de Alagoas e Pernambuco.
Viveiros et al (1992) realizaram estudos para verificar o efeito do dano da broca gigante
sobre algumas características agroindustriais e a capacidade de rebrota da cana-de-açúcar,
obtendo reduções de 0,37% em peso, 0,22% para pol e 1,2% no stand da cultura para a safra
seguinte, a cada 1% de colmos atacados.
Os adultos de T. licus licus têm cerca de 35 mm de comprimento e 90 mm de
envergadura alar, e são de coloração escura, com algumas manchas brancas na região apical e
uma faixa transversal branca nas asas anteriores. As asas posteriores apresentam uma faixa
curva e transversal de coloração branca e sete manchas vermelhas na margem externa (Gallo
et al 2002) (Figura 6A). Nas fêmeas, o frênulo apresenta-se composto geralmente de sete ou
mais cerdas agrupadas em forma de pincel, enquanto nos machos tem a forma de um simples
espinho curvo e grosso (Mendonça 1982).
Figura 6. Estágios do ciclo biológico da broca gigante Telchin licus licus (Drury, 1773)
(Lepidoptera: Castniidae). A-Adulto; B-Ovos; C-Larva; e D-Pupa.
B
A
C
D
Fonte: (Adaptado de Jornal Paraná 2009 e CTC-Centro de Tecnologia Canavieira 2010).
3
Risco, S. H. (1978) A broca da cana-de-açúcar: Castnia licus Drury (Lep., Castniidae), um grave problema
entomológico no Nordeste do Brasil. Encontro Nacional de Entomologia do Planalsucar, 3, Recife. Palestras
técnicas. 10p
26
As fêmeas efetuam a postura, que é variável de 50 a 100 ovos, em touceiras velhas, de
preferência no meio de detritos e de caules cortados. Esses ovos têm cerca de 4 mm de
comprimento com cinco arestas longitudinais (Gallo et al 2002) (Figura 6B). Em geral são
encontrados de três a quatro ovos por touceiras, entretanto, em áreas com grandes
concentrações de adultos, já foram constatados até 27 ovos em apenas um orifício entre o solo
e o colmo da cana (Mendonça 1982).
Acreditava-se que os ovos apresentavam inicialmente coloração rosada e,
posteriormente, tornavam-se de coloração verde-azeitona e alaranjada quando as larvas
estavam prestes a eclodir. Porém, Almeida et al (2010), estudando o ciclo biológico dessa
praga em laboratório, observaram que a coloração do ovo é uma característica que varia de
acordo com a fêmea.
A eclosão das larvas ocorre cerca de 10 dias depois da oviposição, e as larvas brancoleitosas, medindo próximo de 0,5 cm, penetram, pela base da touceira de cana, atingindo após
completo desenvolvimento até 9 cm de comprimento (Mendonça et al 1996c).
As larvas de T. licus licus apresentam cor branco marfim, com algumas manchas
pardas no pronoto (Figura 6C). A largura do corpo é levemente decrescente, sendo mais
grosso na parte torácica e mais delgada na anal, podendo, à primeira vista, ser confundidas
com larvas de Coleoptera: Cerambycidae. Em geral, é encontrada apenas uma broca por
colmo de cana, podendo uma única broca perfurar mais de um colmo durante seu longo ciclo
larval (Mendonça et al 1996c). Durante o corte, ela se protege na base da touceira e, em
seguida, se esconde na parte inferior do colmo, realizando o fechamento do orifício, com
restos de alimento (Pinto et al 2006, Anselmi 2008) por meio de um processo conhecido
como “tamponamento”, que demora de 10 a 15 minutos (Anselmi 2008).
Segundo Mendonça (1982), a crisálida apresenta coloração castanho escura, medindo
cerca de 4 cm de comprimento. Encontra-se no interior do colmo sempre envolvida por um
casulo de fibras de cana (Figura 6D). Antes de se transformar em crisálida, a larva faz uma
pequena perfuração lateral na base do colmo, por onde sairá o futuro adulto.
Em campo, no Nordeste do Brasil, T. licus licus completa seu ciclo de
desenvolvimento geralmente em 177 dias, com 10 dias de incubação dos ovos, 110 dias de
27
período larval, 45 dias de crisálida e 12 dias de longevidade do adulto, apresentando dois
ciclos completos durante o ano (PLANALSUCAR 1982) (Figura 6).
Almeida et al (2010), estudando o ciclo biológico de T. licus licus em laboratório,
observaram que o ciclo variou de 78 a 208 dias, sendo o período médio de incubação dos
ovos, duração média da fase larval, duração média da fase de pupa e longevidade dos adultos,
de 15,7 dias, 84,4 dias, 26,5dias e 7dias, respectivamente.
Aspectos gerais das variedades estudadas, de acordo com o catálogo da Rede
Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (RIDESA 2010):
•RB72454: alto teor de sacarose, crescimento regular, porte alto, alta produtividade
agrícola, boa brotação nas socas, florescimento eventual, médio teor de fibra, sem restrição
ambiental, tombamento raro. Tolerante à escaldadura e resistente à ferrugem marrom.
•RB863129: médio teor de sacarose, crescimento regular, porte alto, alta produtividade
agrícola, boa brotação nas socas, mesmo colhidas sem queima, florescimento eventual, médio
teor de fibra, sem restrições ambientais, tombamento raro. Resistente à escaldadura e
moderadamente suscetível à ferrugem marrom.
•RB951541: alto teor de sacarose, crescimento rápido, porte alto, média produtividade
agrícola, boa brotação nas socas, mesmo colhidas sem queima, florescimento eventual, médio
teor de fibra, sem restrições ambientais, tombamento eventual. Resistente à escaldadura e à
ferrugem marrom.
•RB92579: alto teor de sacarose, crescimento lento, porte alto, alta produtividade
agrícola, boa brotação nas socas colhidas sem queima e, muito boa brotação nas socas,
colhidas com queima, florescimento eventual, médio teor de fibra, média restrição ambiental,
tombamento frequente. Resistente à escaldadura e tolerante à ferrugem marrom, ao ataque da
broca comum e à cigarrinha da folha.
28
•RB867515: alto teor de sacarose, crescimento rápido, porte alto, alta produtividade
agrícola, boa brotação nas socas colhidas sem queima e, muito boa brotação nas socas
colhidas com queima, florescimento eventual, médio teor de fibra, média restrição ambiental,
tombamento eventual. Resistente à ferrugem marrom e tolerante ao mosaico, à escaldadura e
ao carvão.
•RB971755: clone precoce em fase de experimentação.
•RB93509: alto teor de sacarose, crescimento rápido, porte alto, alta produtividade
agrícola, boa brotação nas socas, mesmo colhidas sem queima, florescimento frequente,
médio teor de fibra, média restrição ambiental, tombamento raro. Resistente à escaldadura e à
ferrugem marrom.
•RB931003: médio teor de sacarose, crescimento rápido, porte alto, alta produtividade
agrícola, boa brotação nas socas, mesmo colhidas sem queima, florescimento eventual, médio
teor de fibra, média restrição ambiental, tombamento raro. Resistente à escaldadura, à
ferrugem marrom e ao carvão.
•RB98710: alto teor de sacarose, crescimento lento, porte médio, alta produtividade
agrícola, muito boa brotação nas socas, mesmo colhidas sem queima, florescimento raro,
baixo teor de fibra, com restrições ambientais, tombamento raro. Resistente ao mosaico e
ferrugem marrom e moderadamente suscetível ao carvão e à escaldadura.
29
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23-27.
32
CAPÍTULO 1
3. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao
Ataque de Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae) em Rio Largo, Estado de Alagoas
VANESSA M. RODRIGUES, IVANILDO S. LIMA, JOSEMILDO V. A. JUNIOR, ALEXANDRE G.
DUARTE, HULLY M. A. LIMA E ADRIANA G. DUARTE
RESUMO - O objetivo deste trabalho foi avaliar o comportamento de variedades RB
(República do Brasil) de cana-de-açúcar em relação ao ataque de Diatraea spp. Foram
utilizados dois sistemas de cultivo: sequeiro e irrigado. As variedades estudadas foram:
RB72454, RB867515, RB971755, RB951541, RB931003, RB92579, RB863129 e RB93509.
Para o cultivo irrigado, inclui-se a RB98710. Em ambos os experimentos, as avaliações foram
realizadas a cada 30 dias. Os danos causados pela broca foram observados externamente em
todos os colmos presentes na amostra, obtendo-se a porcentagem de intensidade de dano
externo (% I.D.E.). A avaliação da porcentagem de intensidade de dano interno (% I.D.I.) foi
realizada por ocasião da colheita em 15 colmos de cada parcela. Ao avaliar as variedades de
forma conjunta no cultivo sequeiro, verificou-se que a %I.D.E. de Diatraea spp, foi
significativamente maior na variedade RB951541, quando comparada com as variedades
RB863129, RB92579, RB867515, RB93509 e RB931003. Por outro lado, no cultivo irrigado,
a variedade RB971755 destacou-se com maior %I.D.E. de Diatraea spp., quando comparada
com as variedades RB72454, RB92579, RB867515, RB93509 e RB931003. Quanto ao
complexo broca/podridão, por ocasião da colheita, as variedades apresentaram
comportamento semelhante. A % I.D.I. de Diatraea spp. e os parâmetros agroindustriais não
apresentaram correlações significativas, em ambos os sistemas de cultivo.
Palavras-chave: Saccharum spp., brocas comuns, resistência de plantas.
33
Evaluation of Varieties RB (Republic of Brazil) of Sugar Cane in Relation to the Attack
of Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae)
ABSTRACT - The purpose of this study was to evaluate the performance of varieties RB
(Republic of Brazil) from sugar cane in relation to the attack of Diatraea spp. We used two
cropping systems: rainfed and irrigated. The varieties studied were: RB72454, RB867515,
RB971755, RB951541, RB931003, RB92579, RB863129 and RB93509. For irrigated crop,
includes the RB98710. In both experiments, assessments were performed every 30 days. The
damage caused by the borer were observed externally on all stems present in the sample and
the percentage of intensity of external damage (% I.D.E.). The evaluation of the percentage of
intensity of internal damage (% I.D.I.) was performed at harvest on 15 stems in each plot. In
assessing the varieties together in the dryland cropping, it was found that the % I.D.E of
Diatraea spp, was significantly greater in variety RB951541 compared with varieties
RB863129, RB92579, RB867515, RB93509 and RB931003. Moreover, in irrigated crop,
variety RB971755 stood out with greater %I.D.E. of Diatraea spp. when compared with the
varieties RB72454, RB92579, RB867515, RB93509 and RB931003. As for the complex borer
/ rot at harvest, the varieties were similar. In both systems of cultivation, the %I.D.I. of
Diatraea spp. and the agroindustrial parameters did not a positive correlation.
Key words: Saccharum spp., sugar cane borer, plant resistance.
34
3.1 Introdução
As brocas da cana-de-açúcar, Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae), se constituem
nas pragas de maior importância econômica e de maior distribuição em todo Continente
Americano (Mendonça et al 1996).
A cana-de-açúcar sofre o ataque da broca durante todo o seu desenvolvimento. A
incidência é maior à medida em que a planta vai crescendo, principalmente na época em que
os entrenós estão formados. O ataque é bastante variável, dependendo da variedade de cana,
época do ano, do ciclo da cultura, entre outros fatores (Macedo & Botelho 1988).
Os danos causados pelas larvas de Diatraea saccharalis (Fabricius, 1794) e D.
flavipennella (Box, 1931) podem ser classificados em diretos e indiretos. Os danos diretos são
decorrentes da alimentação da larva, que abre galerias no colmo, ocasionando perda de peso
da planta, enraizamento aéreo, brotações laterais e morte das gemas. Quando a larva faz
galerias transversais, a cana fica mais suscetível ao acamamento pelo vento. Em plantas
novas, o ataque da broca provoca o secamento dos ponteiros, sintoma conhecido como
“coração morto”. Os danos indiretos são provocados por fungos, principalmente Fusarium
moniliforme e Colletotrichum falcatum, que penetram através dos orifícios e galerias feitos
pela broca, causando a inversão da sacarose e o sintoma conhecido como podridão vermelha
(Gallo et al 2002).
O controle químico da praga D. saccharalis foi intensamente testado, porém os
resultados não foram significativos (Degaspari et al 1981). Em consequência disso, em 1974
foi introduzido em Alagoas o parasitóide de larvas Cotesia flavipes (Cameron, 1891)
(Hymenoptera: Braconidae), procedente da República de Trinidad e Tobago (situada no
sudeste da América Central) e multiplicado no laboratório do extinto Programa Nacional do
Melhoramento da Cana-de-açúcar (PLANALSUCAR), permitindo o controle efetivo da praga
pelo parasitóide (Mendonça-Filho 1978).
O controle biológico age a médio e longo prazo, exigindo investimentos incompatíveis
com a capacidade dos pequenos produtores. Mesmo para os grandes produtores que dispõem
de condições para a produção de parasitóides em laboratórios, quando há necessidade de
35
reduzir drasticamente a população da praga em grandes áreas em curto prazo, visando
diminuir os prejuízos, o controle biológico pode ser lento para atingir o objetivo (Macedo &
Botelho 1986).
O uso de variedades resistentes tem sido reconhecido por inúmeros pesquisadores
como um dos principais métodos, por apresentar custos compatíveis com uma cultura
extensiva e por ser adequado à integração com o controle biológico (Botelho & Macedo,
1988).
Por isso, visando suprir as necessidades crescentes do mercado, os programas de
melhoramento genético têm buscado desenvolver novas variedades de cana-de-açúcar mais
produtivas, com maior riqueza e precocidade, resistentes a pragas e doenças e estresses
abióticos (Matsuoka et al 2005).
Mathes & Charpentier (19624) apud Lourenção et al (1982) assinalaram que a
resistência de cana-de-açúcar às brocas pode resultar de um ou mais dos seguintes fatores: a)
não atratividade da planta hospedeira à oviposição dos adultos; b) caracteres desfavoráveis da
planta ao estabelecimento de brocas em seu interior; c) caracteres da planta que inibem ou
retardam o desenvolvimento da broca, e d) tolerância ou habilidade da planta em produzir
bem, mesmo com alta infestação.
Poucos trabalhos foram realizados para avaliar o comportamento de variedades de
cana-de-açúcar ao ataque de insetos-praga, apesar das vantagens da utilização de variedades
resistentes.
Considerando a importância da cultura no Estado de Alagoas e a necessidade de se
conhecer a intensidade de infestação por Diatraea spp. em diferentes variedades da cana-deaçúcar, o presente trabalho objetivou avaliar o comportamento de variedades RB de cana-deaçúcar nos sistemas de cultivo sequeiro e irrigado, em relação ao ataque de Diatraea spp. no
município de Rio Largo, Estado de Alagoas.
4
Mathes R, Charpentier L J (1962) Some techniques and observations in studying the resistance of sugarcane
varietes to the sugar cane borer in Louisiana. In: CONGRESS OF THE INTERNATIONAL SOCIETY OF
SUGAR CANE TECHNOLOGISTS, 11, Mauritius. Proceedings. p.594-604.
36
3.2 Material e métodos
O estudo foi conduzido em uma área experimental do Campus Delza Gitaí,
pertencente à Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias (U.A.CECA), da Universidade
Federal de Alagoas no município de Rio Largo, Estado de Alagoas (latitude 09°28’02”S,
longitude 35°49’43”W e 127m de altitude). Foram utilizados dois sistemas de cultivo de canade-açúcar, de sequeiro, em cana de quarta folha e irrigado em terceira folha, ambos cultivados
em um solo do tipo Latossolo Amarelo, Coeso Argissólico de textura média.
O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, com quatro
repetições, sendo que para o sistema cultivado em sequeiro, cada parcela foi constituída por
11 fileiras simples de 20,00 m e para o sistema irrigado foi de cinco fileiras duplas de 15,00
m. As variedades estudadas no cultivo sequeiro foram: RB72454, RB867515, RB971755,
RB951541, RB931003, RB92579, RB863129, e RB93509 (Figura 7A). Para o sistema
irrigado, foi incluída a variedade RB98710, além das já citadas (Figura 7B).
O plantio da cana no cultivo sequeiro foi realizado na primeira quinzena do mês de
setembro de 2005, com um espaçamento de 1,0 m entre linhas, utilizando-se 18 gemas/metro
linear. A adubação foi feita em fundação, colocando-se o adubo no fundo do sulco, com os
níveis de 100, 200 e 200 kg/ha respectivamente de N, P2O5 e K2O, além dos micronutrientes
(20 kg/ha de sulfato de manganês, 30 kg/ha de sulfato de zinco e 40 kg/ha de sulfato de
cobre). Para facilitar a distribuição dos micronutrientes, esses produtos foram misturados com
90 kg de torta de filtro.
No cultivo irrigado a cana foi plantada em 23 de janeiro de 2007, com um
espaçamento de 1,50 m entre linhas, utilizando-se 12 gemas/metro linear. A adubação foi feita
através de fertirrigação, com os níveis de 233, 138 e 152 kg, respectivamente, de N, P 2O5 e
KCl, além dos micronutrientes. A irrigação foi feita por gotejamento sub-superficial, com
fitas gotejadoras de 22 mm, com gotejadores a cada 0,50 m e vazão de 1,0 litro/hora por
emissor.
37
Figura 7. Croqui das áreas experimentais onde foram realizados os levantamentos, sequeiro
(A) e irrigado (B). Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de
Alagoas.
CROQUI EXPERIMENTO SEQUEIRO/PMGCA
88,00 m
m
A
Área total = 7568,00 m2
mm2
3
2
5
7
1
8
6
4
2
8
7
5
6
4
3
1
8
3
1
4
5
6
7
2
4
1
6
3
7
2
8
5
86,00 m
1= RB72454; 2 = RB867515; 3 = RB971755; 4 = RB951541;
5 = RB931003; 6 = RB92579; 7 = RB863129 e 8 = RB93509.
CROQUI EXPERIMENTO IRRIGADO/PMGCA
66,00 m
84,00 m
B
Área total = 5544,00 m2
6
9
7
1
2
4
3
9
1
2
4
5
3
5
1
8
7
8
6
2
8
6
5
4
9
3
2
3
4
1
8
7
5
7
9
6
1= RB867515; 2 = RB72454; 3 = RB931003; 4 = RB93509;
5 = RB98710; 6 = RB92579; 7 = RB863129; 8 = RB951541 e 9 = RB971755.
38
Os dados climatológicos de precipitação pluviométrica (mm) e temperaturas mínima,
média e máxima (ºC) (Figura 8) foram obtidos por uma estação automática de aquisição de
dados Micrologger CR10X (Campbell Scientic, Logan, Utah) instalada a 300 m do campo
experimental, no período de janeiro a dezembro de 2009.
Figura 8. Dados climatológicos da área experimental. Unidade Acadêmica Centro de Ciências
Agrárias. Universidade Federal de Alagoas, Rio Largo – AL, janeiro a dezembro de 2009.
500
40
450
35
30
300
25
250
200
20
150
15
(ºC)
350
Temperatura
Precipitação
(mm)
400
100
10
50
0
5
jan/09 fev/09 mar/09 abr/09 mai/09 jun/09 jul/09 ago/09 set/09 out/09 nov/09 dez/09
Mês/Ano
Precipitação
Temperatura máxima
Temperatura mínima
Temperatura média
Ao longo do ciclo da cultura, foram realizados levantamentos para o cálculo da
porcentagem de intensidade de dano externo (% I.D.E.) de Diatraea spp. No cultivo sequeiro,
os levantamentos foram realizados de maio a outubro de 2009; e no cultivo irrigado, de junho
a novembro de 2009. Por ocasião da colheita realizou-se mais um levantamento, o que
possibilitou avaliar o complexo broca/podridão, nos dois sistemas de cultivo, sequeiro e
irrigado, em dezembro de 2009 e em janeiro de 2010, respectivamente.
Para a análise conjunta dos meses de avaliação de % I.D.E., os levantamentos foram
realizados em 1,0 m linear, tomado ao acaso, com auxilio de um gabarito confeccionado com
39
tubos de PVC. De acordo com a metodologia de Mendonça et al (1996), os danos causados
pela broca foram observados através da avaliação da parte externa de todos os colmos
presentes na amostra (Figura 9), sendo o cálculo da % I.D.E. realizado através da fórmula: (n°
de entrenós perfurados/n° total de entrenós) x 100.
Figura 9. Avaliação da parte externa de todos os colmos presentes na amostra, para o cálculo
da % I.D.E de Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae).
Para a avaliação da porcentagem de intensidade de dano interno (% I.D.I.) por ocasião
da colheita, as amostragens foram realizadas em 15 colmos de cada variedade retirados da
leira ao acaso. Todos os colmos foram abertos no sentido longitudinal (Figura 10), obtendo-se
assim a porcentagem de entrenós danificados pelo complexo broca/podridão através da
seguinte fórmula: [n° de entrenós danificados /n° total de entrenós] x 100.
Figura 10. Avaliação da % I.D.I. de Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae). A - amostragem
em 15 colmos de cada variedade retirados da leira ao acaso; B - colmos abertos no sentido
longitudinal.
A
B
40
A produtividade agrícola de cada variedade foi estimada a partir da pesagem dos
colmos das duas linhas centrais de cada parcela (30 metros lineares), logo após a colheita da
cana, com o auxílio de um dinamômetro. Os parâmetros tecnológicos agroindustriais foram
analisados de acordo com a sistemática de pagamento de cana-de-açúcar pelo teor de
sacarose. Nessas análises, foram obtidas Fibra (porcentagem de matéria insolúvel em água
contida no caldo), Pol da cana (porcentagem aparente de sacarose), Brix (porcentagem de
sólidos solúveis, incluindo a sacarose, no caldo) e ATR (açúcar total recuperável, expresso em
kg/t de colmos). As análises agroindustriais foram realizadas no laboratório da Usina Santa
Clotilde, em Rio Largo – AL.
Para a análise estatística, os dados de % I.D.E. e % I.D.I. foram transformados em arco
sen
e, em seguida, todos os parâmetros observados foram comparados pelo teste de
Tukey a 5% de probabilidade. As correlações entre % de intensidade de dano interno de
Diatraea spp. e os parâmetros tecnológicos agroindustriais foram realizadas pelo teste t a 5%
de probabilidade.
41
3.3 Resultados e discussão
Os resultados obtidos durante os seis meses de avaliação, no sistema de cultivo
sequeiro, revelaram que não houve diferença significativa entre as variedades, em relação à
intensidade de dano externo de Diatraea spp. Também não houve uma época em que o ataque
de Diatraea spp. foi significativamente maior que em outra (Tabela 1).
Através da análise conjunta, verificou-se que os danos causados por Diatraea spp. na
variedade RB951541, com média igual a 1,10%, foram significativamente superiores ao
observado para as variedades RB863129, RB92579, RB867515, RB93509 e RB931003. As
demais variedades não diferiram estatisticamente das variedades citadas anteriormente
(Tabela 1). Estes resultados discordam dos de Araújo Júnior (2008), Duarte (2009) e Lima
(2010) que ao avaliarem cana planta, soca e primeira ressoca respectivamente, não
encontraram diferença significativa entre as mesmas variedades deste estudo, em relação à
intensidade de dano externo de Diatraea spp. Uma possível explicação para os dados
divergentes deste trabalho com os dos autores citados anteriormente, é o fato de que os dados
de precipitação variaram no decorrer dos anos, apresentando um menor índice pluviométrico
durante os levantamentos realizados por estes autores. É possível que as diferenças estatísticas
encontradas tenham sido devidas aos altos índices pluviométricos que, possivelmente, alterou
a fisiologia da planta.
As médias obtidas no levantamento realizado por ocasião da colheita, indicaram que
não houve diferença significativa entre as variedades em relação à intensidade de dano interno
de Diatraea spp. no cultivo sequeiro (Tabela 2). Estes resultados concordam com os de Lima
(2010) que em levantamento realizado em cana de terceira folha, também não verificou
diferença significativa. Entretanto, Araújo Junior (2008), avaliando cana planta, relatou que a
variedade RB971755 havia sido mais danificada pelo ataque de Diatraea spp. do que as
variedades RB92579, RB867515, RB93509 e RB863129. Em cana de segunda folha, Duarte
(2009), verificou que as variedades RB931003 e RB93509 apresentaram maiores índices de
infestação, enquanto a variedade RB951541 foi a menos atacada pela praga. Lara (1991)
mencionou que muitas plantas apresentam fatores de resistência, que se manifestam em
42
determinada idade, podendo, portanto, ser consideradas resistentes numa fase e suscetíveis na
outra.
Com relação aos parâmetros agroindustriais, não houve diferença significativa entre as
variedades com relação à produtividade agrícola e fibra. O pol das variedades RB971755,
RB92579, RB867515 e RB72454 foi significativamente maior que das variedades RB951541
e RB863129. O brix das variedades RB971755 e RB92579 foi significativamente maior que
das variedades RB951541 e RB863129. O ATR das variedades RB92579, RB971755 e
RB867515 foi significativamente maior que das variedades RB951541 e RB863129 (Tabela
2). Barbosa et al (2008) verificaram que as variedades RB92579, RB93509 e RB867515
apresentaram altas produtividades agrícolas e altos teores de açúcares totais recuperáveis,
superando em mais de 30% os rendimentos obtidos por outras variedades mais cultivadas.
43
Tabela 1. Média (± EP) da porcentagem da intensidade de dano externo (% I.D.E.) de Diatraea spp. em oito variedades de cana-de-açúcar, em
seis meses de avaliação, no sistema de cultivo sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2009.
Ano IV.
Variedades
Mai/2009
Jun/2009
Jul/2009
Ago/2009
Set/2009
Out/2009
Média
RB72454
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,71 ± 0,71 a
0,94± 0,94 a
0,00± 0,00 a
0,28 ab
RB863129
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00± 0,00 a
0,17± 0,17 a
0,03 a
RB951541
2,50 ± 2,50 a
0,00 ± 0,00 a
0,85 ± 0,85 a
1,08 ± 0,39 a
0,00± 0,00 a
2,17± 0,98 a
1,10 b
RB92579
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,40 ± 0,40 a
0,00± 0,00 a
0,00± 0,00 a
0,07 a
RB867515
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00± 0,00 a
0,00± 0,00 a
0,00 a
RB971755
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,19 ± 0,19 a
1,52± 1,52 a
0,66± 0,66 a
0,40 ab
RB93509
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,34 ± 0,34 a
0,00± 0,00 a
0,00± 0,00 a
0,06 a
RB931003
0,93 ± 0,93 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,22 ±0,22 a
0,00± 0,00 a
0,00± 0,00 a
0,19 a
Média
0,43 A
0,00 A
0,11 A
0,37 A
0,31 A
0,38 A
CV %
16,36
0,00
7,65
11,25
13,40
10,09
Médias seguidas por letras minúsculas iguais, nas colunas, e letras maiúsculas iguais, na linha, não diferem significativamente entre si, pelo teste
de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
44
Tabela 2. Média (± EP) da porcentagem da intensidade de dano interno (% I.D.I.) de Diatraea spp. e parâmetros tecnológicos agroindustriais por
ocasião da colheita em oito variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio
Largo, Estado de Alagoas, 2009. Ano IV.
Produtividade
(t.ha ¹)
Variedades
% I.D.I.
Fibra
Brix
RB72454
1,37 ± 0,61 a
56,27
3,13 a
17,81
0,14 a
13,33 ± 0,12 a
19,83 ± 0,12 ab
143,69
2,51 ab
RB863129
0,81 ± 0,49 a
73,20
3,49 a
16,70
0,21 bc
12,84 ± 0,05 a
18,34 ± 0,28 b
135,98
2,57 bc
RB951541
1,92 ± 0,55 a
74,37
10,14 a
16,63
0,29 c
13,44 ± 0,28 a
18,28 ± 0,69 b
133,97
2,87 c
RB92579
0,47 ± 0,18 a
99,27
14,68 a
18,24
0,01 a
13,35 ± 0,16 a
20,40 ± 0,12 a
147,08
2,48 a
RB867515
0,83 ± 0,39 a
98,40
5,46 a
17,98
0,20 a
13,24 ± 0,09 a
19,94 ± 0,07 ab
145,15
3,13 a
RB971755
1,44 ± 0,53 a
63,53
22,34 a
19,19
0,06 a
13,63 ± 0,37 a
20,56 ± 0,19 a
146,13
2,92 a
RB93509
0,93 ± 0,58 a
94,10
3,73 a
17,60
0,03 abc
13,14 ± 0,39 a
19,57 ± 0,08 ab
142,50
3,60 ab
RB931003
0,25 ± 0,08 a
65,03
14,54 a
17,71
0,20 ab
13,90 ± 0,15 a
19,58 ± 0,31 ab
141,32
3,19 abc
CV%
11,35
3,40
3,23
30,60
Pol
2,02
ATR
1,99
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
45
No sistema de cultivo irrigado, durante os seis meses de avaliação, o mês de novembro
foi significativamente superior aos meses de junho e setembro em relação à intensidade de
danos externos de Diatraea spp., estes dados também revelaram que ocorreu um aumento no
ataque da praga ao longo do período do experimento, estando no mês de junho, todas as
variedades livres da praga (Tabela 3). Duarte (2009) e Lima (2010), avaliando essas mesmas
variedades, em cana planta e cana soca, respectivamente, também constataram um aumento
no ataque de Diatraea spp. ao longo do período experimental.
Não foram encontradas diferenças significativas entre as variedades, nos diferentes
meses de avaliação em relação à intensidade de dano externo de Diatraea spp. (Tabela 3).
Ao analisar as nove variedades de forma conjunta, observou-se que a variedade
RB971755 apresentou danos causados por Diatraea spp. significativamente superiores aos
observados para as variedades RB72454, RB92579, RB867515, RB93509 e RB931003. As
demais variedades não diferiram estatisticamente das variedades citadas anteriormente
(Tabela 3). Lima (2010), avaliando as mesmas variedades, em cana de segunda folha, também
constatou que a variedade RB971755 foi a mais danificada pela praga, e as variedades
RB93509 e RB98710 foram as menos afetadas. Entretanto, Duarte (2009), em cana planta,
não encontrou diferença significativa entre as mesmas variedades deste estudo.
De acordo com Lara (1991), a resistência é hereditária, isto é, todas as vezes que se
testar a variedade resistente em comparação com as mesmas outras variedades testadas,
aquela característica deverá manifestar-se, caso contrário, o genótipo em questão não pode ser
considerado resistente e esteve sob influência de algum fator que provocou essa falsa
resistência. Sugere-se que haja um estudo mais amplo em laboratório com as variedades
RB971755 e RB93509 para que sejam confirmados os resultados observados em campo.
Os resultados levantados por ocasião da colheita revelaram que as nove variedades não
diferiram entre si em relação à intensidade de dano interno de Diatraea spp. (Tabela 4).
46
Tabela 3. Média (± EP) da porcentagem da intensidade de dano externo (% I.D.E.) de Diatraea spp. em nove variedades de cana-de-açúcar, em
seis meses de avaliação, no sistema de cultivo irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2009.
Ano III.
Variedades
Jun/2009
Jul/2009
Ago/2009
Set/2009
Out/2009
Nov/2009
Média
RB72454
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 b
RB863129
0,00 ± 0,00 a
0,36 ± 0,36 a
0,00 ± 0,00 a
0,18 ± 0,18 a
0,00 ± 0,00 a
0,48 ± 0,48 a
0,17 ab
RB951541
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,38 ± 0,22 a
0,40 ± 0,26 a
0,13 ab
RB92579
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,11 ± 0,11 a
0,02 b
RB867515
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,15 ± 0,15 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,38 ± 0,38 a
0,09 b
RB971755
0,00 ± 0,00 a
0,36 ± 0,36 a
0,49 ± 0,49 a
0,11 ± 0,11 a
0,44 ± 0,26 a
1,16 ± 0,96 a
0,43 a
RB93509
0,00 ± 0,00 a
0,33 ± 0,33 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,06 b
RB931003
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,30 ± 0,30 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,09 ± 0,09 a
0,07 b
RB98710
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,44 ± 0,26 a
0,20 ± 0,20 a
0,11 ab
Média
0,00 A
0,12 AB
0,10 AB
0,03 A
0,14 AB
0,31 B
CV %
0,00
8,01
7,07
4,10
6,28
10,03
Médias seguidas por letras minúsculas iguais, nas colunas, e letras maiúsculas iguais, na linha, não diferem significativamente entre si, pelo teste
de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
47
Tabela 4. Média (± EP) da porcentagem da intensidade de dano interno (% I.D.I.) de Diatraea spp. e parâmetros tecnológicos agroindustriais por
ocasião da colheita em nove variedades de cana-de-açúcar, no sistema de cultivo irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio
Largo, Estado de Alagoas, 2010. Ano III.
Produtividade
(t.ha ¹)
Variedades
% I.D.I.
Pol
Fibra
Brix
RB72454
2,21 ± 0,80 a
96,47
2,36 a
15,28
RB863129
2,37 ± 1,01 a
95,00
2,32 a
RB951541
2,38 ± 0,37 a
118,47
RB92579
4,53 ± 2,10 a
RB867515
ATR
0,67 ab
12,67 ± 0,22 a
17,32 ± 0,51 ab
125,84
4,55 abc
14,58
0,16 ab
12,52 ± 0,16 a
16,84 ± 0,18 ab
121,04
1,05 abc
5,24 a
16,38
0,81a
13,10 ± 0,17 a
18,41 ± 0,66 ab
133,33
5,90 ab
138,50
14,42 a
17,22
0,14 a
12,40 ± 0,10 a
18,92 ± 0,09 a
141,15
1,29 a
2,55 ± 0,49 a
125,90
4,10 a
15,87
1,00 ab
13,20 ± 0,31 a
18,11 ± 0,73 ab
129,36
6,73 abc
RB971755
2,84 ± 0,27 a
88,40
10,93 a
15,58
0,69 ab
12,99 ± 0,29 a
18,03 ± 0,52 ab
127,84
4,44 abc
RB93509
1,62 ± 0,94 a
105,76
8,37 a
13,25
0,94 b
12,86 ± 0,20 a
16,09 ± 0,58 b
110,84
6,31 c
RB931003
1,83 ± 0,47 a
90,73
12,05 a
14,27
1,08 ab
13,23 ± 0,52 a
16,56 ± 0,93 b
117,08
6,89 bc
RB98710
8,10 ± 5,17 a
129,13 ± 25,88 a
14,39 ± 0,40 ab
12,39 ± 0,13 a
17,16 ± 0,29 ab
120,38 ± 2,70 bc
CV%
20,41
22,60
8,63
3,94
5,74
7,03
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
48
Lima (2010), também não encontrou diferença significativa entre as mesmas variedades em
relação à % I.D.I. de Diatraea spp., em cana de segunda folha. Entretanto, Duarte (2009), ao
avaliar cana plana, constatou que a variedade RB867515 sofreu maior ataque de Diatraea
spp., e como variedade menos infestada, destacou a RB93509.
Na literatura há poucos trabalhos que abordam resistência de cana-de-açúcar a
Diatraea spp. Viveiros et al (2008) classificaram as variedades RB92579, RB931580,
RB931611, RB9438, RB9629 e RB971747 como resistentes e SP79-1011, RB971754 e
RB971720 como suscetíveis, tanto em cana-planta como em soca. Derneika & Lara (1991)
concluíram que as variedades SP71-345, SP71-6113 e SP71-1081 comportaram-se como
moderadamente resistentes, enquanto CP51-22, SP71-3146 e SP71-5574 foram altamente
suscetíveis a D. saccharalis e afirmaram que os níveis de infestação variaram de acordo com
a região.
Com relação aos parâmetros agroindustriais, não se constataram diferenças
significativas entre as variedades em relação à produtividade agrícola e fibra. O pol das
variedades RB92579 e RB951541 foi significativamente maior que da variedade RB93509. O
brix da variedade RB92579 foi significativamente maior que das variedades RB93509 e
RB931003. O ATR das variedades RB92579 foi significativamente maior que das variedades
RB93509, RB931003 e RB98710 (Tabela 4).
Para ambos sistemas de cultivo, os valores de % de intensidade de dano interno de
Diatraea spp. não apresentaram correlações significativas com os parâmetros agroindustriais
avaliados por ocasião da colheita (Tabela 5). No entanto, Botelho et al (1999) relataram, em
cana-planta, em canavial da variedade RB72454, uma redução de 2,2% em peso, 7,5% em
açúcar e 21,8% em álcool em áreas de cana-de-açúcar sem nenhum tipo de controle da broca.
Os insetos vêm sendo mais considerados nas pesquisas de melhoramento, porém há
um reduzido número de entomologistas trabalhando nessa área, além da dificuldade de
integração das diversas áreas necessárias em uma equipe multidisciplinar. As variedades RB
ocupam hoje 58% de toda a área plantada com cana no Brasil (Sindaçúcar-AL 2010), e existe
a necessidade de estudos mais aprofundados com as variedades RB de cana-de-açúcar, tendo
em vista que a demanda por essas variedades é crescente em nosso país.
49
Tabela 5. Correlação entre % da Intensidade de Dano Interno de Diatraea spp. e os
parâmetros agroindustriais observados por ocasião da colheita nos sistemas de cultivo
sequeiro (dezembro de 2009) e irrigado (janeiro de 2010). Universidade Federal de Alagoas,
município de Rio Largo, Estado de Alagoas.
Parâmetros
agroindustriais
Produtividade
(t/ha)
Pol
Fibra
Brix
ATR
% I.D.I. sistema
sequeiro
-0,3541 ns
-0,1375 ns
-0,0690 ns
-0,2867 ns
-0,3617 ns
% I.D.I. sistema
irrigado
0,6002 ns
0,0998 ns
-0,6311 ns
0,2064 ns
0,1622 ns
ns – não significativo pelo teste “t” 5% de probabilidade.
50
3.4 Conclusões
Os danos de Diatraea spp. são significativamente maiores na variedade RB951541,
quando comparadas com as variedades RB863129, RB92579 RB867515, RB93509 e
RB931003, no cultivo sequeiro.
No sistema de cultivo irrigado, verifica-se que o dano causado por Diatraea spp. na
variedade RB971755, é significativamente superior ao observado para as variedades
RB72454, RB92579 e RB93509.
Com base no complexo broca/podridão por ocasião da colheita, em ambos os sistemas
de cultivo, as variedades apresentam comportamento semelhante em relação à porcentagem
de intensidade de dano interno de Diatraea spp.
Nos dois sistemas de cultivo, os valores de % de intensidade de dano interno de
Diatraea spp. não apresentam correlações significativas com os parâmetros agroindustriais.
.
51
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Crambidae). Anais do 9º Congresso Nacional da Sociedade dos Técnicos Açucareiros e
Alcooleiros do Brasil-STAB. p.137-141.
53
CAPÍTULO 2
4. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao
Ataque de Mahanarva spp. (Hemiptera: Cercopidae) em Rio Largo, Estado de Alagoas
VANESSA M. RODRIGUES, IVANILDO S. LIMA, JOSEMILDO V. A. JUNIOR, ALEXANDRE G.
DUARTE, HULLY M. A. LIMA E ADRIANA G. DUARTE
RESUMO – Este trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar o comportamento de
variedades RB (República do Brasil) de cana-de-açúcar em relação ao ataque de Mahanarva
spp. Foram utilizados dois sistemas de cultivo: sequeiro (quarta folha) e irrigado (terceira
folha). As variedades estudadas foram: RB72454, RB867515, RB971755, RB951541,
RB931003, RB92579, RB863129 e RB93509. No cultivo irrigado incluiu-se a RB98710. Em
ambos os experimentos, as avaliações foram realizadas a cada 30 dias para estimar a
infestação de Mahanarva spp. Os resultados do sistema de cultivo sequeiro mostraram que
não houve um mês em que o ataque de M. fimbriolata fosse maior que nos demais. Verificouse que a variedade RB867515 foi significativamente mais atacada pela praga do que as
variedades RB72454, RB863129 e RB951541. Os resultados do sistema de cultivo irrigado
mostraram que no mês de agosto de 2009 as variedades foram significativamente mais
infestadas por M. fimbriolata do que nos outros meses de avaliação. Não foram constatadas
diferenças significativas entre nenhuma das variedades estudadas nas diferentes épocas de
avaliação no sistema irrigado e por isso, não foi possível identificar uma variedade com
característica marcante de preferência pela praga. Durante o período das avaliações, não
ocorreram infestações por M. posticata nos dois sistemas de cultivo.
Palavras-chave: Saccharum spp., cigarrinhas da cana-de-açúcar, resistência de plantas.
54
Evaluation of Varieties RB (Republic of Brazil) of Sugar Cane in Relation to the Attack
of Mahanarva spp. (Hemiptera: Cercopidae).
ABSTRACT – This study was conducted to evaluate the performance of varieties RB
(Republic of Brazil) from sugar cane in relation to the attack Mahanarva spp. We used two
cropping systems: rainfed (fourth leaf) and irrigated (third leaf). The varieties studied were:
RB72454, RB867515, RB971755, RB951541, RB931003, RB92579, RB93509 and
RB863129. In irrigated farming has been included in the RB98710. In both experiments,
assessments were performed every 30 days to estimate the infestation Mahanarva spp. The
results of the dryland cropping system showed that there was a month when the attack of M.
fimbriolata was larger than the others. It was found that the variety RB867515 was
significantly more attacked by the plague of the varieties RB72454, RB863129 and
RB951541. The results of the irrigated cropping system showed that in August of 2009 the
varieties were significantly more infested by M. fimbriolata than in other months of
evaluation. There were no significant differences among the varieties studied at different
times of the irrigation system evaluation and therefore was not possible to identify a variety
with striking characteristic of preference by the pest. During the evaluation period, there were
no infestations M. posticata in two cropping systems.
Key words: Saccharum spp., spittlebugs of sugar cane, plant resistance.
55
4.1 Introdução
As cigarrinhas são insetos sugadores pertencentes à ordem Hemiptera e à família
Cercopidae. Esta família envolve todos os gêneros de cigarrinhas da cana-de-açúcar e das
pastagens que se originaram e evoluíram na região zoogeográfica Neotropical, compreendida
desde o México e ilhas do Caribe até a América do Sul. Possuem como plantas hospedeiras,
exclusivamente, gramíneas a algumas ciperáceas (Mendonça et al 2005).
Esta praga ocorre somente em determinados meses do ano, justamente no período
chuvoso, pois a umidade é fator limitante para o seu desenvolvimento (Botelho et al 1976).
No Estado de Alagoas, este período se situa, geralmente, entre os meses de abril e julho.
Alves (1998) cita as cigarrinhas Mahanarva posticata (Stål, 1855) e Mahanarva
fimbriolata (Stål, 1854) como as principais pragas da cana-de-açúcar, sendo a primeira
conhecida como cigarrinha-das-folhas, por atacar a parte aérea das plantas, e a segunda, como
cigarrinha-das-raízes, cujo ataque das ninfas ocorre nas raízes ao nível do solo, e do adulto
nas folhas.
O ataque dessa praga pode provocar perdas na produtividade agrícola que podem ser
superiores a 40% (Guagliumi 1969). Também interfere na qualidade da matéria-prima, com
redução de até 30% no teor de sacarose (Guagliumi 1968, Dinardo-Miranda et al 2000).
Em decorrência do aumento da área de cana colhida mecanicamente e da crescente
proibição da queima para o corte, vem se observando mudanças no manejo da cultura e, em
muitas regiões, o aumento na população da cigarrinha-das-raízes. As cigarrinhas eram
contidas, particularmente, pelo controle cultural realizado com a despalha da cana a fogo
antes da colheita, que contribui para destruir suas formas biológicas, especialmente os ovos
em diapausa. Esse aumento ocorre especialmente em locais de temperatura elevada, que
aliada às condições de alta umidade, proporcionadas pela abundante cobertura vegetal deixada
no solo pela colheita da cana crua, é favorável ao inseto (Pinto et al 2006).
As ninfas de M. fimbriolata causam a "desordem fisiológica" em decorrência das
picadas que atingem os elementos traqueais da raiz, células que fazem a condução do xilema
(Taiz & Zeiger 2004), deteriorando-os e dificultando ou impedindo o fluxo de água e de
56
nutrientes, caracterizado pela desidratação do floema e do xilema. Ao contrário das ninfas, os
adultos alimentam-se das folhas e ocasionam a "queima da cana-de-açúcar", consequência das
toxinas, injetadas ao se alimentar, reduzindo sensivelmente a capacidade de fotossíntese da
planta (Garcia et al 2007).
No passado, suspeitava-se que os adultos de M. fimbriolata poderiam inocular algum
tipo de patógeno durante o processo de sucção da seiva e que seria a doença por ele provocada
responsável pelos prejuízos à cana-de-açúcar (Costa Lima 1942). Sabe-se, no entanto, que
durante a sucção da seiva, juntamente com a saliva, é injetado um complexo de enzimas e
aminoácidos para facilitar a fluxo de seiva ou auxiliar a quebra da sua estrutura, facilitando a
assimilação de nutrientes pelo inseto (Mendonça 1996).
As ninfas de M. posticata ao contrário das ninfas de M. fimbriolata, parecem não
causar maiores danos à cana-de-açúcar, ao sugarem a seiva na região do cartucho ou das
bainhas. Quando em grandes populações no cartucho da cana, chegam a causar um
amarelecimento temporário nas folhas mais jovens (Mendonça & Marques 2005).
Para que se tenha êxito no controle dessas pragas, devem ser feitos monitoramentos e
avaliações populacionais com vistas ao acompanhamento dos níveis de infestação de ninfas e
adultos, evitando que se chegue ao nível considerado como Nível de Dano Econômico (NDE).
O monitoramento das cigarrinhas deve ser realizado no início do período chuvoso e durante
todo o período de infestação, para que se possa acompanhar a evolução ou o controle da praga
(Mendonça et al 1996).
Ainda de acordo com Mendonça et al (1996), para a cigarrinha-das-raízes o nível de
dano econômico (NDE) é de 20 ninfas/metro linear e 1 adulto/cana; e o nível de controle
(NC) é de 4-12 ninfas/metro e 0,5 a 0,75 adultos/cana, já para a cigarrinha-da-folha o NDE é
de 5 ninfas ou 1 adulto/cana; e o NC é de 2,5 ninfas/cana e 0,5 adultos/cana.
Um dos principais métodos de controle desta praga tem sido o fungo
entomopatogênico Metarhizium anisopliae (Metsch) (Sorokin, 1883), na concentraçõa de 5 x
1012 conídios viáveis/hectare. Às vezes, aplicações de M. anisopliae mostram resultados
pouco satisfatórios, especialmente sob altas infestações da praga. Porém, o emprego de
inseticidas no controle de cigarrinhas também é recomendado e, neste caso, deve ser utilizado
57
em situações que exija resposta rápida de controle, sob o risco de não conter os prejuízos
potencias da praga (Dinardo-Miranda et al 2001, Dinardo-Miranda & Gil 2005).
A resistência de plantas a insetos é o método mais indicado para o controle das
cigarrinhas, pois apresenta a vantagem do baixo custo aliado à facilidade de ser assimilado e
adotado pelo produtor, uma vez que o controle estará sendo efetivo simplesmente por meio da
aquisição de semente (Koller & Valério 1987).
Estudos relacionados com variedades resistentes de cana-de-açúcar ao ataque das
cigarrinhas são incipientes no Brasil. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar o
comportamento de variedades RB (República do Brasil) de cana-de-açúcar nos sistemas de
cultivo sequeiro e irrigado em relação ao ataque de Mahanarva spp. no município de Rio
Largo, Estado de Alagoas.
58
4.2 Material e métodos
O estudo foi conduzido em uma área experimental do Campus Delza Gitaí,
pertencente à Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias (U.A.CECA), da Universidade
Federal de Alagoas no município de Rio Largo, Estado de Alagoas (latitude 09°28’02”S,
longitude 35°49’43”W e 127m de altitude). Foram utilizados dois sistemas de cultivo de canade-açúcar, de sequeiro, em cana de quarta folha e irrigado em terceira folha, ambos cultivados
em um solo do tipo Latossolo Amarelo, Coeso Argissólico de textura média.
O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, com quatro
repetições, sendo que para o sistema cultivado em sequeiro, cada parcela foi constituída por
11 fileiras simples de 20,00 m e para o sistema irrigado foi de cinco fileiras duplas de 15,00
m. As variedades estudadas no cultivo sequeiro foram: RB72454, RB867515, RB971755,
RB951541, RB931003, RB92579, RB863129, e RB93509 (Figura 7A). Para o sistema
irrigado, foi incluída a variedade RB98710, além das já citadas (Figura 7B).
O plantio da cana no cultivo sequeiro foi realizado na primeira quinzena do mês de
setembro de 2005, com um espaçamento de 1,0 m entre linhas, utilizando-se 18 gemas/metro
linear. A adubação foi feita em fundação, colocando-se o adubo no fundo do sulco, com os
níveis de 100, 200 e 200 kg/ha respectivamente de N, P2O5 e K2O, além dos micronutrientes
(20 kg/ha de sulfato de manganês, 30 kg/ha de sulfato de zinco e 40 kg/ha de sulfato de
cobre). Para facilitar a distribuição dos micronutrientes, esses produtos foram misturados com
90 kg de torta de filtro.
No cultivo irrigado a cana foi plantada em 23 de janeiro de 2007, com um
espaçamento de 1,50 m entre linhas, utilizando-se 12 gemas/metro linear. A adubação foi feita
através de fertirrigação, com os níveis de 233, 138 e 152 kg, respectivamente, de N, P 2O5 e
KCl, além dos micronutrientes. A irrigação foi feita por gotejamento sub-superficial, com
fitas gotejadoras de 22 mm, com gotejadores a cada 0,50 m e vazão de 1,0 litro/hora por
emissor.
Os dados climatológicos de precipitação pluviométrica (mm) e temperaturas mínima,
média e máxima (ºC) foram obtidos por uma estação automática de aquisição de dados
59
Micrologger CR10X (Campbell Scientic, Logan, Utah) instalada a 300 m do campo
experimental, no período de janeiro a dezembro de 2009 (Figura 8).
Ao longo do ciclo da cultura foram realizados levantamentos para estimar a infestação
de Mahanarva spp. As avaliações da infestação, no sistema sequeiro, foram realizadas de
maio a outubro de 2009; e no sistema irrigado, de junho a novembro de 2009.
Nas amostragens foram contados o número de adultos por cana e o número de ninfas
por metro linear. Vale salientar que, para visualizar e possibilitar a contagem das ninfas e
adultos nas raízes, os mesmos, foram retirados da região radicular na sub-superfície do solo,
com auxílio de um palito de madeira, com cerca de 20 cm de comprimento e 0,5 cm de
diâmetro. O reconhecimento da cigarrinha-da-raiz, em campo, foi realizado de acordo com
Mendonça & Mendonça (2005), e o da cigarrinha-da-folha conforme Mendonça & Marques
(2005).
Para a análise conjunta dos meses de avaliação de infestação, os levantamentos foram
realizados em 1,0 m linear de cada parcela experimental, tomado ao acaso com o auxílio de
um gabarito confeccionado com tubos de PVC (Figura 11A). Os adultos de cigarrinha-dasraízes foram contados em todos os colmos do espaço amostral e também nas raízes das
plantas. As ninfas de cigarrinha-da-raiz foram contadas em toda a extensão do espaço
amostral (Figura 11B).
Figura 11. Levantamento de Mahanarva spp. (Hemiptera: Cercopidae); A- Um metro linear,
com auxilio de um gabarito; B-Contagem em toda a extensão do espaço amostral.
Foto: Hully Monaísy
60
A produtividade agrícola de cada variedade foi estimada a partir da pesagem dos
colmos das duas linhas centrais de cada parcela (30 metros linear), logo após a colheita da
cana, com o auxílio de um dinamômetro. Os parâmetros tecnológicos agroindustriais foram
analisados de acordo com a sistemática de pagamento de cana-de-açúcar pelo teor de
sacarose. Nessas análises foram obtidos teores de Fibra (porcentagem de matéria insolúvel em
água contida no caldo), Pol da cana (porcentagem aparente de sacarose), Brix (porcentagem
de sólidos solúveis, incluindo a sacarose, no caldo) e ATR (açúcar total recuperável, expresso
em kg/t de colmos). As análises agroindustriais foram realizadas no laboratório da Usina
Santa Clotilde, em Rio Largo – AL.
Para a análise estatística, os dados populacionais das cigarrinhas foram transformados
em
e, em seguida, todos os parâmetros observados foram comparados pelo teste de
Tukey a 5% de probabilidade. Uma vez que a maioria das formas biológicas de Mahanarva
spp. encontradas durante as amostragens constituiu-se de ninfas, as análises foram feitas
agrupando-se esses dados aos de adultos encontrados nas folhas e nas raízes.
61
4.3 Resultados e discussão
Os insetos encontrados durante as amostragens constituíram-se apenas de M.
fimbriolata. Durante todo o período de observação, não ocorreram infestações por M.
posticata. Portanto, todos os resultados descritos neste capítulo são de M. fimbriolata.
Alves et al (2008) cita que em Alagoas, no período de 1977 a 1991, foram
pulverizados com o fungo entomopatogênico M. anisopliae, aproximadamente 670.000 ha de
cana infestada por M. posticata, havendo uma redução de aproximadamente 72% nos índices
de manifestação desta praga. A Usina Santa Clotilde, de Rio Largo-AL, região próxima ao
experimento, utiliza o fungo M. anisopliae no combate de M. posticata há mais de dez anos,
conseguindo um parasitismo de 48-70% (Sampaio 2005). Ainda de acordo com esse autor há
uma maior dificuldade na redução da população de M. fimbriolata que se aloja em locais
menos acessíveis. Mesmo assim, o controle da praga nesta usina fica entre 40-45%. O
controle biológico, bastante utilizado em Alagoas para o controle das cigarrinhas, poderia
explicar a baixa infestação encontrada nos campos experimentais.
Os resultados dos levantamentos mensais, realizados no sistema de cultivo sequeiro,
em cana de quarta folha, demonstraram que as ninfas de M. fimbriolata começaram a eclodir
no início de julho de 2009, quando as condições climáticas se tornaram favoráveis para o seu
desenvolvimento, e que ao longo dos seis meses de avaliação, não houve diferença
significativa entre os meses, em relação à infestação de M. fimbriolata (Figura12). Segundo
Duarte (2009), em cana de segunda folha, as ninfas de M. fimbriolata, começaram a eclodir
em junho de 2007, na mesma área estudada. O ciclo vital dessa cigarrinha ocorre no período
das chuvas, desaparecendo na seca, quando as fêmeas põem ovos de diapausa (Guagliumi
1972-73).
62
Figura 12. Média da infestação de Mahanarva fimbriolata (Stål, 1854) (Hemiptera:
Cercopidae), em cana-de-açúcar e precipitação mensal (mm), no sistema de cultivo sequeiro.
Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas. 1Médias
seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
Analisando as oito variedades de forma conjunta, verificou-se que a variedade
RB867515 apresentou infestação significativamente superior à apresentada pelas variedades
RB72454, RB863129 e RB951541, enquanto as demais apresentaram comportamento
semelhante, não diferindo estatisticamente das variedades citadas anteriormente (Tabela 6).
Resultados semelhantes foram encontrados por Araújo Júnior et al (2008) avaliando cana
planta do sistema de cultivo sequeiro, onde também relataram que a variedade RB867515 foi
a mais infestada e como variedades menos infestadas além das RB72454, RB863129 e
RB951541, as RB971755, RB93509 e RB931003.
Porém, Duarte (2009) e Lima (2010) estudando cana de segunda e terceira folhas
respectivamente, ao analisar as mesmas variedades deste estudo de forma conjunta, não
encontraram diferença significativa entre as variedades em relação à infestação por M.
fimbriolata.
63
Tabela 6. Média (± EP) da infestação de Mahanarva fimbriolata em oito variedades de cana-de-açúcar, em seis meses de avaliação, no sistema
de cultivo sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2009. Ano IV.
Variedades
Mai/2009
Jun/2009
Jul/2009
Ago/2009
Set/2009
Out/2009
Média
RB72454
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,25 ± 0,25 a
0,00 ± 0,00 a
0,04 a
RB863129
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,25 ± 0,25 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,04 a
RB951541
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,25 ± 0,25 a
0,04 a
RB92579
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,25 ± 0,25 a
0,00 ± 0,00 a
0,75 ± 0,75 a
0,17 ab
RB867515
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,75 ± 0,75 a
0,00 ± 0,00 a
2,25 ± 2,25 a
3,75 ± 3,12 a
1,13 b
RB971755
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,50 ± 0,29 a
0,00 ± 0,00 a
0,08 ab
RB93509
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,50 ± 0,50 a
0,75 ± 0,25 a
0,21 ab
RB931003
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,50 ± 0,50 a
0,08 ab
Média
0,00 A
0,00 A
0,09 A
0,06 A
0,44 A
0,75 A
CV %
0,00
0,00
10,07
11,42
24,24
29,25
Médias seguidas por letras minúsculas iguais, nas colunas, e letras maiúsculas iguais, na linha, não diferem significativamente entre si, pelo teste
de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
64
Essas observações de campo realizadas no período de 2006 a 2009, no município de
Rio Largo, Estado de Alagoas, revelaram que em cana planta e cana de quarta folha (2ª
ressoca), a variedade RB867515 foi a mais susceptível à infestação por M. fimbriolata, e as
variedades RB72454, RB863129 e RB951541 as mais resistentes. Em cana de segunda folha
(soca) e de terceira folha (ressoca), não houve diferenças significativas entre as variedades em
relação à infestação desta praga. Dinardo-Miranda (2003), constatou que os danos causados
pelo ataque da cigarrinha-das-raízes podem variar com a época de colheita do canavial.
São poucas as informações disponíveis na literatura sobre resistência de cana-deaçúcar a M. fimbriolata. Stingel (20055) apud Garcia (2006), em observações realizadas no
período de 1999 a 2002 em 10 usinas do Estado de São Paulo, avaliou a população de ninfas
de M. fimbriolata/metro linear em, aproximadamente, 60.000 hectares de cana Tomando por
base a porcentagem de áreas com infestações superiores a 5 ninfas/metro, o autor constatou
que nenhum campo com SP79-1011 atingiu este nível, enquanto que para RB72454 e
RB835486 os valores situaram-se entre 1 e 9%; para SP80-1816 entre 10 e 19%, 20% das
áreas apresentavam densidades iguais ou superiores a 5 ninfas/metro.
Segundo Lara (1991) todas as vezes que se testar a variedade resistente em
comparação com as demais variedades estudadas, aquela característica deverá manifestar-se, e
caso isso não ocorra, o genótipo em questão não pode ser considerado como resistente, sendo
que o resultado observado, provavelmente esteve sob influência de algum outro fator que
provocou a manifestação dessa falsa resistência. Estas informações reforçam a necessidade de
se aprofundar os trabalhos de resistência variental com cigarrinha-das-raízes.
Com relação aos parâmetros agroindustriais, não houve diferença significativa entre as
variedades com relação à produtividade agrícola e fibra. O pol das variedades RB971755,
RB92579, RB867515 e RB72454 foi significativamente maior que das variedades RB951541
e RB863129. O brix das variedades RB971755 e RB92579 foi significativamente maior que
das variedades RB951541 e RB863129. O ATR das variedades RB92579, RB971755 e
RB867515 foi significativamente maior que das variedades RB951541 e RB863129 (Tabela
7). Garcia et al (2008) afirmaram que, à medida que o nível de danos por M. fimbriolata
aumenta, reduz significativamente os valores de brix e pol, e aumenta os valores de fibra,
indicando que o ataque da praga promove estresse significativo na planta.
5
Stingel E. (Centro de Tecnologia Canavieira). Comunicação Pessoal, 2005.
65
No sistema de cultivo irrigado, em cana de terceira folha, as ninfas de M. fimbriolata
começaram a eclodir no início de agosto de 2009. Neste mês, foi registrada a segunda maior
precipitação (245 mm) e ocorreu um pico populacional, diminuindo significativamente nos
meses seguintes. Ao longo dos seis meses de avaliação, o mês de agosto foi
significativamente superior aos demais meses em relação ao número médio de insetos (Figura
13).
Figura 13. Média da infestação de Mahanarva fimbriolata (Stål, 1854) (Hemiptera:
Cercopidae), em cana-de-açúcar e precipitação mensal (mm), no sistema de cultivo irrigado.
Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas. 1Médias
seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
66
Tabela 7. Média (± EP) de parâmetros agroindustriais por ocasião da colheita em oito variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo
sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2009. Ano IV.
Produtividade
Variedades
(t.ha ¹)
Pol
Fibra
Brix
ATR
RB72454
56,27
3,13 a
17,81
0,14 a
13,33 ± 0,12 a
19,83 ± 0,12 ab
143,69
2,51 ab
RB863129
73,20
3,49 a
16,70
0,21 bc
12,84 ± 0,05 a
18,34 ± 0,28 b
135,98
2,57 bc
RB951541
74,37
10,14 a
16,63
0,29 c
13,44 ± 0,28 a
18,28 ± 0,69 b
133,97
2,87 c
RB92579
99,27
14,68 a
18,24
0,01 a
13,35 ± 0,16 a
20,40 ± 0,12 a
147,08
2,48 a
RB867515
98,40
5,46 a
17,98
0,20 a
13,24 ± 0,09 a
19,94 ± 0,07 ab
145,15
3,13 a
RB971755
63,53
22,34 a
19,19
0,06 a
13,63 ± 0,37 a
20,56 ± 0,19 a
146,13
2,92 a
RB93509
94,10
3,73 a
17,60
0,03 abc
13,14 ± 0,39 a
19,57 ± 0,08 ab
142,50
3,60 ab
RB931003
65,03
14,54 a
17,71
0,20 ab
13,90 ± 0,15 a
19,58 ± 0,31 ab
141,32
3,19 abc
3,40
3,23
CV%
30,60
2,02
1,99
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
67
Observando-se os dados relativos à infestação de M. fimbriolata entre as variedades
nos diferentes meses no cultivo irrigado, constatou-se diferença significativa apenas no mês
de agosto, onde verificou-se que a variedade RB98710 apresentou maior média de infestação,
enquanto a variedade RB863129 e RB971755 mostraram-se livres da praga. As demais
variedades, não diferiram das variedades citadas anteriormente (Tabela 8). Estes resultados
discordam com os de Duarte (2009), que em cana de segunda folha, encontrou diferença
significativa entre as variedades em relação ao ataque de M. fimbriolata, somente no mês de
junho de 2007, apontando a RB971755 como a mais infestada; e com os de Lima (2010), que
em cana de terceira folha constatou como variedades mais infestadas as RB92579 e RB93509
nos meses de maio e junho de 2008 respectivamente.
Ao avaliar as nove variedades de forma conjunta, verificou-se que as infestações de M.
fimbriolata foram estatisticamente semelhantes, ou seja, não foi possível identificar uma
variedade com característica marcante de preferência pela praga (Tabela 8). Estudos
realizados por Duarte (2009) e Lima (2010), avaliando de forma conjunta, o desenvolvimento
das mesmas variedades deste estudo, em cana de primeira e segunda folha respectivamente,
no sistema de cultivo irrigado, também não encontraram diferenças significativas entre as
variedades em relação à infestação por M. fimbriolata. De acordo com Dinardo-Miranda et al
(1999), os prejuízos causados por M. fimbriolata podem ser significativos para as variedades
RB72454, RB825336, RB835486, SP801842 e IAC822396.
Com relação aos parâmetros agroindustriais, não se constataram diferenças
significativas entre as variedades em relação à produtividade agrícola e fibra. O pol das
variedades RB92579 e RB951541 foi significativamente maior que da variedade RB93509. O
brix da variedade RB92579 foi significativamente maior que das variedades RB93509 e
RB931003. O ATR das variedades RB92579 foi significativamente maior que das variedades
RB93509, RB931003 e RB98710 (Tabela 9). A redução da área de fotossíntese causada pelos
danos de M. fimbriolata, ocasiona sérios prejuízos à cana-de-açúcar, retardando a maturação,
atrofiando os entrenós, e reduzindo o acúmulo de sacarose no colmo, com graves repercussões
na qualidade do caldo e consequente queda nos rendimentos agrícolas e industriais
(Mendonça 1996).
Barbosa et al (2008) verificaram que as variedades RB92579, RB93509 e RB867515
apresentaram alta produtividade agrícola e altos teores de açúcares totais recuperáveis,
68
superando em mais de 30% o rendimento obtido por outras variedades cultivadas no Estado
de Alagoas.
Quando se trabalha em condições naturais, nem sempre se consegue infestações
satisfatórias para detectar diferenças entre os materiais testados (Lara et al 1980a6 apud Lara
1991).
Macedo & Macedo (2004), ressaltaram que embora tenham sido observadas variações
significativas nos níveis de infestação e de danos conforme as variedades, na prática, todas as
variedades cultivadas comercialmente sofrem ataque e estão sujeitas a perdas expressivas
quando a pressão de população na área é elevada. Neste caso, o máximo que pode ser feito é
reduzir a participação de variedades suscetíveis no contingente de variedades plantadas.
6
Lara F M, Lordello A I L, Barbosa F GC (1980a) Científica v.8. p. 89-193
69
Tabela 8. Média (± EP) da infestação de Mahanarva fimbriolata de nove variedades de cana-de-açúcar, em seis meses de avaliação, no sistema
de cultivo irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2009. Ano III.
Variedades
Jun/2009
Jul/2009
Ago/2009
Set/2009
Out/2009
Nov/2009
Média
RB72454
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
1,00 ± 1,00 ab
0,75 ± 0,75 a
0,00 ± 0,00 a
0,75 ± 0,75 a
0,42 a
RB863129
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 b
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,75 ± 0,75 a
0,13 a
RB951541
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,75 ± 0,48 ab
0,25 ± 0,25 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,17 a
RB92579
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,75 ± 0,48 ab
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,13 a
RB867515
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
5,50 ± 3,57 ab
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,92 a
RB971755
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 b
0,25 ± 0,25 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,04 a
RB93509
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
1,00 ± 1,00 ab
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,17 a
RB931003
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
3,50 ± 2,25 ab
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,25 ± 0,25 a
0,63 a
RB98710
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
15,00 ± 9,67 a
0,25 ± 0,25 a
0,00 ± 0,00 a
0,50 ± 0,50 a
2,63 a
Média
0,00 A
0,00 A
3,06 B
0,17 A
0,00 A
0,25 A
CV %
0,00
0,00
58,75
18,02
0,00
25,93
Médias seguidas por letras minúsculas iguais, nas colunas, e letras maiúsculas iguais, na linha, não diferem significativamente entre si, pelo teste
de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
70
Tabela 9. Média (± EP) de parâmetros agroindustriais por ocasião da colheita em nove variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo
irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2010. Ano III.
Produtividade
Variedades
(t.ha ¹)
Pol
Fibra
Brix
ATR
RB72454
96,47
2,36 a
15,28
0,67 ab
12,67 ± 0,22 a
17,32 ± 0,51 ab
125,84
4,55 abc
RB863129
95,00
2,32 a
14,58
0,16 ab
12,52 ± 0,16 a
16,84 ± 0,18 ab
121,04
1,05 abc
RB951541
118,47
5,24 a
16,38
0,81a
13,10 ± 0,17 a
18,41 ± 0,66 ab
133,33
5,90 ab
RB92579
138,50
14,42 a
17,22
0,14 a
12,40 ± 0,10 a
18,92 ± 0,09 a
141,15
1,29 a
RB867515
125,90
4,10 a
15,87
1,00 ab
13,20 ± 0,31 a
18,11 ± 0,73 ab
129,36
6,73 abc
RB971755
88,40
10,93 a
15,58
0,69 ab
12,99 ± 0,29 a
18,03 ± 0,52 ab
127,84
4,44 abc
RB93509
105,76
8,37 a
13,25
0,94 b
12,86 ± 0,20 a
16,09 ± 0,58 b
110,84
6,31 c
RB931003
90,73
12,05 a
14,27
1,08 ab
13,23 ± 0,52 a
16,56 ± 0,93 b
117,08
6,89 bc
RB98710
129,13 ± 25,88 a
14,39 ± 0,40 ab
12,39 ± 0,13 a
17,16 ± 0,29 ab
120,38 ± 2,70 bc
CV%
22,60
8,63
3,94
5,74
7,03
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
71
4.4 Conclusões
O aparecimento de M. fimbriolata está condicionado ao excedente hídrico.
A infestação por M. fimbriolata é significativamente maior na variedade RB867515
quando comparada com as variedades RB72454, RB863129 e RB951541 em cana ressoca.
No sistema irrigado, as variedades não diferem entre si, em relação à infestação por M.
fimbriolata em cana ressoca.
Em ambos os sistemas de cultivo, sequeiro e irrigado, não é possível identificar uma
variedade com características marcantes de preferência por M. fimbriolata.
72
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75
CAPÍTULO 3
5. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao
Ataque de Telchin licus licus (Drury, 1773) (Lepidoptera: Castniidae) em Rio Largo,
Estado de Alagoas
VANESSA M. RODRIGUES, IVANILDO S. LIMA, JOSEMILDO V. A. JUNIOR, ALEXANDRE G.
DUARTE, HULLY M. A. LIMA E ADRIANA G. DUARTE
RESUMO – O objetivo deste trabalho foi comparar como se comportam as variedades RB de
cana-de-açúcar em relação à porcentagem de infestação de Telchin licus licus. Foram
utilizados os sistemas de cultivo de sequeiro (quarta folha) e irrigado (terceira folha).
Utilizaram-se oito variedades RB de cana-de-açúcar (RB72454, RB931003, RB867515,
RB92579, RB971755, RB863129, RB951541 e RB93509) para o cultivo sequeiro, e para o
cultivo irrigado foram utilizadas as mesmas variedades incluindo a variedade RB98710. A
avaliação da porcentagem de infestação da broca gigante foi realizada por ocasião da colheita,
selecionando-se ao acaso 15 canas por parcela, as quais foram cortadas longitudinalmente
para verificar os entrenós danificados pela praga. As correlações entre % de infestação e
parâmetros agroindustriais foram realizadas pelo teste t. Durante o levantamento realizado por
ocasião da colheita, não houve preferência de Telchin licus licus entre as variedades testadas,
nos dois sistemas de cultivo. Os valores de % de infestação não apresentaram correlações
significativas com os parâmetros agroindustriais avaliados, em ambos os sistemas de cultivos.
Palavras-chave: Saccharum spp., broca gigante, resistência de plantas.
76
Evaluation of Varieties RB (Republic of Brazil) of Sugar Cane in Relation to the Attack
of Telchin licus licus (Drury, 1773) (Lepidoptera: Castniidae).
ABSTRACT – The purpose of this study was to compare how they behave RB varieties of
cane sugar compared to the percentage of infestation of Telchin licus licus. We used the
dryland cropping systems (fourth leaf) and irrigated (third leaf). We used eight varieties RB
of cane sugar (RB72454, RB931003, RB867515, RB92579, RB971755, RB863129, RB93509
and RB951541) for rainfed farming, irrigated farming and the same varieties were used
including a variety RB98710. The assessment of the percentage of infestation of giant borerl
was held at harvest time, selecting at random 15 canes per plot were cut lengthwise to check
the internodes damaged by this pest. The correlations between % of
infestation and
agroindustrial parameters were performed by t test. During the survey conducted during
harvest, there was no preference Telchin licus licus among the varieties tested in two cropping
systems. The values of % infestation did not correlate significantly with the parameters
agroindustrial evaluated in both culture systems.
.
Key words: Saccharum spp., giant moth borer, plant resistance.
77
5.1 Introdução
A broca gigante da cana-de-açúcar, Telchin licus licus (Drury, 1773) (Lepidoptera:
Castniidae), é a mais importante praga endêmica que ataca a cana-de-açúcar na região
Nordeste do Brasil, onde está disseminada desde 1927, ocupando uma área de,
aproximadamente, 320 mil hectares, na qual foram observados níveis de infestação, avaliados
em tocos danificados, da ordem de 7%, o que representa um prejuízo equivalente a R$ 34,5
milhões a cada safra. Esse lepidóptero apresenta particular importância em função dos danos
que causa à cultura da cana-de-açúcar, na base de perfilhos, nos colmos e na base de colmos
em desenvolvimento ou na base de colmos maduros (CTC 2008).
O crescimento da colheita mecanizada, com a consequente diminuição da queima da
palha, e a expansão do setor sucroalcooleiro, que ocasiona, por exemplo, uma intensa
movimentação de mudas, estão alterando a entomofauna dos canaviais. No Estado de São
Paulo, T. licus licus foi registrada pela primeira vez na região de Limeira, em julho de 2007
(Almeida et al 2007), esse inseto surge como um grande problema para os canaviais da região
Centro-Sul, pelo seu tamanho, ciclo longo, danos causados e pela ausência de medidas
eficientes para o seu controle (Anselmi 2008).
Segundo Mendonça (1996), em cana jovem, a broca gigante causa a morte de perfilhos
da planta, destrói os rizomas das touceiras, ocasionando falhas na germinação e reduzindo o
stand da cultura. Em cana adulta danificam os entrenós basais, causando atrofia e quebra do
colmo, além de possibilitar infecções por microorganismos, tais como fungos e bactérias,
responsáveis pela inversão da sacarose, ocasionando perdas de até 60% da produção.
A praga permanece no interior do colmo da cana-de-açúcar, durante quase todo o seu
ciclo de vida, dificultando o controle através de métodos químicos ou biológicos. Segundo
Gallo et al (2002), não existe um método de controle eficiente da praga. Atualmente, o
método utilizado consiste da catação manual de larvas e pupas mediante o auxílio do
“enxadeco” ou espetos, e captura de adultos com rede entomológica, que embora envolvam
grande necessidade de mão de obra, têm promovido reduções significativas da praga.
Os fungos entomopatogênicos Beauveria bassiana (Bals.) Vuill. e Metarhizium
anisopliae (Metsch.) Sorok. são mundialmente conhecidos e utilizados como agentes
78
biocontroladores de inúmeras pragas agrícolas. Alguns trabalhos realizados com o fungo B.
bassiana demonstram possibilidades de utilização desse microrganismo no controle biológico
de T. licus licus (Figueiredo et al 2002). Resultados negativos foram obtidos quando
Guagliumi (1972-73) testou M. anisopliae sobre lagartas de T. licus licus. No entanto, o
trabalho de Marques et al (2001) comprovou que alguns isolados de M. anisopliae
apresentaram patogenicidade para T. licus licus.
Em Alagoas, algumas usinas estão testando um novo método de controle da broca
gigante. As empresas fazem a pulverização de fungos (B. bassiana) ou produtos químicos no
processo de colheita mecanizada ou na irrigação por gotejamento para controlar a praga nos
canaviais. A aplicação é simultânea com a colheita mecanizada e os dados levantados nas
usinas de Alagoas apontam para uma eficiência de 60% no sistema proposto, tanto com o
controle químico quanto com o uso do fungo, além de reduzir a mão de obra, na medida em
que o aplicador é integrado à colhedeira (Sindaçúcar-AL 2009).
A busca de novas alternativas para o controle desta praga é de extrema relevância para
o aumento da produção, pois os métodos de controle atualmente utilizados são empíricos e de
baixa eficiência. Por isso, o presente trabalho objetivou avaliar o comportamento das
variedades RB (República do Brasil) de cana-de-açúcar nos sistemas de cultivo sequeiro e
irrigado em relação ao ataque de T. licus licus no município de Rio Largo, Estado de Alagoas.
79
5.2 Material e métodos
O estudo foi conduzido em uma área experimental do Campus Delza Gitaí,
pertencente à Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias (U.A.CECA), da Universidade
Federal de Alagoas no município de Rio Largo, Estado de Alagoas (latitude 09°28’02”S,
longitude 35°49’43”W e 127m de altitude). Foram utilizados dois sistemas de cultivo de canade-açúcar, de sequeiro, em cana de quarta folha e de irrigado em cana de terceira folha, tendose ambos um solo do tipo Latossolo Amarelo, Coeso Argissólico de textura média.
O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, com quatro
repetições, sendo que para o sistema cultivado em sequeiro, cada parcela foi constituída por
11 fileiras simples de 20,00 m e para o sistema cultivado sob irrigação foi de cinco fileiras
duplas de 15,00 m. As variedades estudadas no cultivo sequeiro foram as seguintes:
RB72454, RB867515, RB971755, RB951541, RB931003, RB92579, RB863129, e RB93509
(Figura 7A). Para o sistema irrigado, além das variedades citadas, foi incluída a variedade
RB98710 (Figura 7B).
O plantio da cana no cultivo sequeiro foi realizado na primeira quinzena do mês de
setembro de 2005, com um espaçamento de 1,0 m entre linhas, utilizando-se 18 gemas/metro
linear. A adubação da cana foi feita em fundação, colocando-se o adubo no fundo do sulco,
com os níveis de 100, 200 e 200 kg/ha respectivamente de N, P2O5 e K2O, além dos
micronutrientes (20 kg/ha de sulfato de manganês, 30 kg/ha de sulfato de zinco e 40 kg/ha de
sulfato de cobre). Para facilitar a distribuição dos micronutrientes, esses produtos foram
misturados com 90 kg de torta de filtro.
No cultivo irrigado a cana foi plantada em 23 de janeiro de 2007, com um
espaçamento de 1,50 m entre linhas, utilizando-se 12 gemas/metro linear. A adubação da cana
foi feita através de fertirrigação, com os níveis de 233, 138 e 152 kg, respectivamente, de N,
P2O5 e KCl, além dos micronutrientes. A irrigação foi feita por gotejamento sub-superficial,
com fitas gotejadoras de 22 mm, com gotejadores a cada 0,50 m e vazão de 1,0 litro/hora por
emissor.
Os dados climatológicos de precipitação pluviométrica (mm) e temperaturas mínima,
média e máxima (ºC) foram obtidos por uma estação automática de aquisição de dados
80
Micrologger CR10X (Campbell Scientic, Logan, Utah) instalada a 300 m do campo
experimental, no período de janeiro a dezembro de 2009 (Figura 8).
Os levantamentos para o cálculo da porcentagem de infestação de T. licus licus foram
realizados por ocasião da colheita nos dois sistemas de cultivo, sequeiro e irrigado, em
dezembro de 2009 e em janeiro de 2010, respectivamente.
Para a avaliação da % de infestação por ocasião da colheita, as amostragens foram
realizadas em 15 colmos por parcela, verificando a existência de entrenós danificados pela
ação da broca gigante (Figura 14). O cálculo da porcentagem de infestação foi obtido de
acordo com a seguinte fórmula [(número de colmos atacados/total de colmos) x 100], e os
dados submetidos à análise estatística.
Figura 14. Entrenós danificados pela ação de Telchin licus licus (Drury, 1773) (Lepidoptera:
Castniidae).
Foto: Araújo Júnior
A produtividade agrícola de cada variedade foi estimada a partir da pesagem dos
colmos das duas linhas centrais de cada parcela (30 metros lineares), logo após a colheita da
cana, com o auxílio de um dinamômetro. Os parâmetros tecnológicos agroindustriais foram
analisados de acordo com a sistemática de pagamento de cana-de-açúcar pelo teor de
sacarose. Nessas análises foram obtidas Fibra (porcentagem de matéria insolúvel em água
contida no caldo), Pol da cana (porcentagem aparente de sacarose), Brix (porcentagem de
81
sólidos solúveis, incluindo a sacarose, no caldo) e ATR (açúcar total recuperável, expresso em
kg/t de colmos). As análises agroindustriais foram realizadas no laboratório da Usina Santa
Clotilde, em Rio Largo – AL.
Para a análise estatística, os dados de % de infestação foram transformados em arco
sen
) e, em seguida, todos os parâmetros observados foram comparados pelo teste
de Tukey a 5% de probabilidade. As correlações entre % de infestação e parâmetros
agroindustriais foram realizadas pelo teste t a 5% de probabilidade.
82
5.3 Resultados e discussão
Na amostragem, não foram assinaladas diferenças estatísticas em relação à infestação
por T. licus licus para todas as variedades em estudo, no cultivo sequeiro de quarta folha
(Tabela 10). Estes resultados corroboram com os de Lima (2010), que estudando estas
mesmas variedades em relação à infestação por T. licus licus em cana de terceira folha do
cultivo sequeiro, também não encontrou diferença significativa.
Duarte (2009), concluiu em cana de segunda folha, que a variedade RB72454
apresentou a maior % de infestação de T. licus licus, enquanto a variedade RB971755 foi a
menos infestada. Araújo Júnior et al (2008), também aponta a variedade RB72454 como a
mais infestada em cana planta, já como variedades menos infestada pela praga, além da
RB971755, as RB951541, RB92579, e RB93509.
Levando-se em conta todas as informações levantadas, é possível afirmar, que nos dois
primeiros anos de cultivo, a variedade RB72454 foi a mais suscetível, e a RB971755 a mais
resistente a T. licus licus. Contudo, nos dois anos subsequentes, estas variedades não
diferiram entre si e das demais, em igualdade de condições de estudo. Lara (1991) mencionou
que muitas plantas apresentam fatores de resistência, que se manifestam em determinada
idade, podendo, portanto, ser consideradas resistentes numa fase e suscetíveis na outra.
Ainda de acordo com Lara (1991), a resistência é hereditária, ou seja, as progênies de
uma planta resistente devem se comportar da mesma forma quando testadas nas condições em
que a resistência se revelou, além disso, é necessário que haja consistência, que é a
confirmação de um resultado a partir da repetição do experimento, pelo mesmo pesquisador
ou por outros.
Com relação aos parâmetros agroindustriais, não houve diferença significativa entre as
variedades com relação à produtividade agrícola e teor de fibra. O pol das variedades
RB971755, RB92579, RB867515 e RB72454 foi significativamente maior que das variedades
RB951541 e RB863129. O brix das variedades RB971755 e RB92579 foi significativamente
maior que das variedades RB951541 e RB863129. O ATR das variedades RB92579,
RB971755 e RB867515 foi significativamente maior que das variedades RB951541 e
RB863129 (Tabela 10).
83
Os resultados do levantamento, realizado no cultivo irrigado de terceira folha,
mostram que as nove variedades estudadas, apresentaram comportamento semelhante em
relação à infestação de T. licus licus (Tabela 11). Estes dados são coincidentes com aqueles
obtidos por Lima (2010) em cana de segunda folha.
Entretanto, Duarte (2009), em estudo semelhante em cana planta, verificou que as
variedades RB72454 e RB863129 apresentaram a maior % de infestação de T. licus licus, e
que as variedades RB971755 e RB98710 foram as menos infestadas pela praga.
Sampaio Filho et al (1980) e Mendonça (1982) afirmaram que estudos com variedades
resistentes à broca gigante não apresentaram resultados positivos e que deve-se considerar que
algumas variedades de cana-de-açúcar, dependendo de fatores edafoclimáticos, podem
apresentar tolerância ao ataque de insetos-praga.
Com relação aos parâmetros agroindustriais, não se constatou diferenças significativas
entre as variedades com relação à produtividade agrícola e fibra. O pol das variedades
RB92579 e RB951541 foi significativamente maior que da variedade RB93509. O brix da
variedade RB92579 foi significativamente maior que das variedades RB93509 e RB931003.
O ATR da variedade RB92579 foi significativamente maior que das variedades RB93509,
RB931003 e RB98710 (Tabela 11). Barbosa et al (2008) verificaram que as variedades
RB92579, RB93509 e RB867515 apresentaram altas produtividades agrícolas e altos teores
de ATR, superando em mais de 30% os rendimentos obtidos por outras variedades mais
cultivadas.
84
Tabela 10. Média (± EP) da porcentagem de infestação de Telchin licus licus e parâmetros tecnológicos agroindustriais por ocasião da colheita
em oito variedades de cana-de-açúcar, no sistema de cultivo sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de
Alagoas, 2009. Ano IV.
Produtividade
(t.ha ¹)
Variedades
% Infestação
Fibra
Brix
RB72454
5,00 ± 3,19 a
56,27
3,13 a
17,81
0,14 a
13,33 ± 0,12 a
19,83 ± 0,12 ab
143,69
2,51 ab
RB863129
1,67 ± 1,67 a
73,20
3,49 a
16,70
0,21 bc
12,84 ± 0,05 a
18,34 ± 0,28 b
135,98
2,57 bc
RB951541
5,00 ± 3,19 a
74,37
10,14 a
16,63
0,29 c
13,44 ± 0,28 a
18,28 ± 0,69 b
133,97
2,87 c
RB92579
1,67 ± 1,67 a
99,27
14,68 a
18,24
0,01 a
13,35 ± 0,16 a
20,40 ± 0,12 a
147,08
2,48 a
RB867515
0,00 ± 0,00 a
98,40
5,46 a
17,98
0,20 a
13,24 ± 0,09 a
19,94 ± 0,07 ab
145,15
3,13 a
RB971755
0,00 ± 0,00 a
63,53
22,34 a
19,19
0,06 a
13,63 ± 0,37 a
20,56 ± 0,19 a
146,13
2,92 a
RB93509
0,00 ± 0,00 a
94,10
3,73 a
17,60
0,03 abc
13,14 ± 0,39 a
19,57 ± 0,08 ab
142,50
3,60 ab
RB931003
0,00 ± 0,00 a
65,03
14,54 a
17,71
0,20 ab
13,90 ± 0,15 a
19,58 ± 0,31 ab
141,32
3,19 abc
CV%
26,85
3,40
3,23
30,60
Pol
2,02
ATR
1,99
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
85
Tabela 11. Média (± EP) da porcentagem de infestação de Telchin licus licus e parâmetros tecnológicos agroindustriais por ocasião da colheita
em nove variedades de cana-de-açúcar, no sistema de cultivo irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de
Alagoas, 2010. Ano III.
Produtividade
(t.ha ¹)
Variedades
% Infestação
Pol
Fibra
Brix
RB72454
10,00 ± 1,92 a
96,47
2,36 a
15,28
RB863129
3,34 ± 1,93 a
95,00
2,32 a
RB951541
11,67 ± 3,19 a
118,47
RB92579
6,67 ± 3,85 a
RB867515
ATR
0,67 ab
12,67 ± 0,22 a
17,32 ± 0,51 ab
125,84
4,55 abc
14,58
0,16 ab
12,52 ± 0,16 a
16,84 ± 0,18 ab
121,04
1,05 abc
5,24 a
16,38
0,81a
13,10 ± 0,17 a
18,41 ± 0,66 ab
133,33
5,90 ab
138,50
14,42 a
17,22
0,14 a
12,40 ± 0,10 a
18,92 ± 0,09 a
141,15
1,29 a
3,34 ± 1,93 a
125,90
4,10 a
15,87
1,00 ab
13,20 ± 0,31 a
18,11 ± 0,73 ab
129,36
6,73 abc
RB971755
5,00 ± 3,19 a
88,40
10,93 a
15,58
0,69 ab
12,99 ± 0,29 a
18,03 ± 0,52 ab
127,84
4,44 abc
RB93509
6,67 ± 3,85 a
105,76
8,37 a
13,25
0,94 b
12,86 ± 0,20 a
16,09 ± 0,58 b
110,84
6,31 c
RB931003
6,67 ± 3,85 a
90,73
12,05 a
14,27
1,08 ab
13,23 ± 0,52 a
16,56 ± 0,93 b
117,08
6,89 bc
RB98710
8,33 ± 3,19 a
129,13 ± 25,88 a
14,39 ± 0,40 ab
12,39 ± 0,13 a
17,16 ± 0,29 ab
120,38 ± 2,70 bc
CV%
29,08
22,60
8,63
3,94
5,74
7,03
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
86
Nos dois sistemas de cultivo, os valores de % de infestação de T. licus licus não
apresentaram correlações significativas com os parâmetros agroindustriais avaliados por
ocasião da colheita (Tabela 12). Por outro lado, Viveiros (1989) calculou que, para cada 1%
de infestação ocorreram reduções de 0,37% para peso, 0,07% para brix, 0,22% para pol da
cana-de-açúcar, 0,12% para pureza do caldo e 0,18% para produção de álcool e acréscimos de
0,21% para fibra e 0,76% para açúcares redutores.
Tabela 12.
Correlação entre % Infestação de Telchin licus licus e os parâmetros
agroindustriais observados por ocasião da colheita nos sistemas de cultivo sequeiro
(dezembro de 2009) e irrigado (janeiro de 2010). Universidade Federal de Alagoas, município
de Rio Largo, Estado de Alagoas.
Parâmetros
agroindustriais
Produtividade
(t/ha)
Pol da cana
% I. sistema sequeiro
-0,3843 ns
-0,4770 ns
-0,1276 ns -0,4407 ns -0,4556 ns
% I. sistema irrigado
0,1489 ns
0,1469 ns
-0,0477 ns 0,1275 ns 0,1485 ns
Fibra
Brix
ATR
ns – não significativo pelo teste “t” 5% de probabilidade.
87
5.4 Conclusões
Não há diferenças estatísticas em relação à infestação por T. licus licus para todas as
variedades em estudo, no cultivo sequeiro de quarta folha e no irrigado de terceira folha.
Nos dois sistemas de cultivo, os valores de % de infestação de T. licus licus não
apresentam correlações significativas com os parâmetros agroindustriais avaliados por
ocasião da colheita.
Através dos resultados obtidos neste trabalho, não há possibilidade de identificar uma
variedade resistente a T. licus licus.
88
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90
