Clemens Rocha Fortes

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CLEMENS ROCHA FORTES

AVALIAÇÃO DE GENÓTIPOS DE BATATA-DOCE [Ipomoea batatas (L.) Lam.], EM
DIFERENTES TIPOS DE CULTIVOS, NA REGIÃO DE TABULEIROS COSTEIROS
DO ESTADO DE ALAGOAS

UFAL

CECA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
UNIDADE ACADÊMICA CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA
(PRODUÇÃO VEGETAL)

RIO LARGO, ESTADO DE ALAGOAS
2010

0

1

CLEMENS ROCHA FORTES

AVALIAÇÃO DE GENÓTIPOS DE BATATA-DOCE [Ipomoea batatas (L.) Lam.], EM
DIFERENTES TIPOS DE CULTIVOS, NA REGIÃO DE TABULEIROS COSTEIROS
DO ESTADO DE ALAGOAS
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação
em Agronomia (Produção Vegetal), do Centro de
Ciências Agrárias, da Universidade Federal de Alagoas,
como requisito parcial para obtenção do título de
Mestre em Agronomia.

Orientação: Prof. Dr. Paulo Vanderlei Ferreira

RIO LARGO, ESTADO DE ALAGOAS
Agosto de 2010

2

F738a

Fortes, Clemens Rocha.
Avaliação de genótipos de batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], em
diferentes tipos de cultivos, na região de tabuleiros costeiros do estado de
Alagoas. /Clemens Rocha Fortes – Rio Largo, 2010.
103 f.: il. tabs., grafs.
Orientador: Paulo Vanderlei Ferreira.

Dissertação (mestrado em Agronomia: Produção vegetal) – Universidade
Federal de Alagoas. Centro de Ciências Agrárias. Rio Largo, 2010.
Bibliografia: f. 84-100.

Apêndices: f. 101-102.
Índice: f. 103.
1. Batata doce – Cultivo biodinâmico. 2. Batata doce – Cultivo orgânico.
3. Batata doce –Cultivo agricultor familiar. 4. Batata doce – Cultivo químico.
5. Ipomoea batatas. I. Título.
CDU: 633.492

3

TERMO DE APROVAÇÃO

AVALIAÇÃO DE GENÓTIPOS DE BATATA-DOCE [Ipomoea batatas (L.) Lam.], EM
DIFERENTES TIPOS DE CULTIVOS, NA REGIÃO DE TABULEIROS COSTEIROS
DO ESTADO DE ALAGOAS.

CLEMENS ROCHA FORTES
Matrícula: 08130104

Dissertação apresentada à Coordenação do Curso de Mestrado em Agronomia (Produção
Vegetal), do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas, como
requisito parcial para a obtenção do grau de mestre em Agronomia, tendo sido aprovada pela
seguinte Banca Examinadora:

Prof. Dr. Paulo Vanderlei Ferreira
CECA-UFAL
Orientador
(Presidente)

Engª Agrª Dra. Adriane Leite do Amaral
EMBRAPA- UEP ALAGOAS
(Membro)

Prof. Dr. Cícero Luiz Calazans de Lima
CECA-UFAL
(Membro)

Engº Agrº Dr. Jose Wilson da Silva
Bolsista DCR FAPEAL-CECA
(Membro)

Rio Largo, Estado de Alagoas
23 de agosto de 2010
ii

4

Aos meus queridos e saudosos pais Jesus Gerardo
Parentes

Fortes

e

Norma

Rocha

Fortes

(In

memoriam), por tudo que fizeram por mim;

Aos meus amados filhos Carlos Gonzaga, Jesus
Gerardo, Maria e Carla Dulce, por tudo que são e
representam para mim;

Aos meus queridos netinhos Júlia, Laura e Pedro Luiz,
pelo amor e alegria que me proporcionam;

Aos meus queridos Irmãos Pedro, Norma, Gerardo,
Ceres e Maria Leonídia (In memoriam) pelo amor a
eles e companheirismo;

Aos

meus

sobrinhos(as)

cunhados(as),

engrandecimento do amor e da casa;
A todos meus amigos e amigas...
iii

pelo

5

Agradecimentos

Ao professor Paulo Vanderlei Ferreira, pela ajuda constante e entusiasmo;
A professora Maria Iracilda de Moura Lima, pelas correções no trabalho e em mim;
A zootecnista Maria Caroline de Almeida Cavalcante, por sua grandiosa ajuda;
As pessoas do Grupo Agro Ecológico Craibeiras, pela enorme ajuda;
A todos os alunos, que me ajudaram em meus trabalhos no experimento;
A todas as pessoas, que direta e indiretamente me ajudaram.

iv

6

LISTA DE FIGURAS

Figura 01 Etapas do processo de montagem da pilha de compostagem. Centro de Ciências
Agrárias da Universidade Federal de Alagoas, Rio Largo, Estado de Alagoas,
2009. A – Escolha da área; B – Início do processo de montagem; CPosicionamento de estacas para ventilação; D- Controle da temperatura; E –
Revolvimento; F – Contaminação por microorganismos. ....................................

28

Figura 02 A - Pilha de compostagem protegida contra a ação das chuvas; B – Área de
pousio com vegetação nativa antes do preparo do solo e instalação do
experimento; C - Distribuição da compostagem nos camaleões; D- Aspecto
geral do experimento aos 12 dias após o plantio. .................................................

30

Figura 03 Produção total em ton.ha-1 de tubérculos de batata doce [Ipomoea batatas (L.)
Lam.], de diferentes genótipos no município de Rio Largo, Estado de Alagoas.
U.A.CECA-UFAL, 2010. ......................................................................................

43

-1

Figura 04 Produção em t.ha de tubérculos de batata- doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.],
por faixa de peso de diferentes genótipos no município de Rio Largo, Estado de
Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2010. .......................................................................

60

Figura 05 Produção total em t.ha-1 de tubérculos de batata- doce [Ipomoea batatas (L.)
Lam.], por faixa de peso de diferentes tipos de cultivos no município de Rio
Largo, Estado de Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2010. ..........................................

63

v

7

LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Resumo da análise de variância para as variáveis PTT (Peso Total de
Tubérculos, em t.ha-1), PPA (Produção de Massa da Parte Aérea, em t.ha1
), NTT (Número Total de Tubérculos, unid.ha-1), DMT (Diâmetro Médio
de Tubérculos, em mm) e CMT (Comprimento Médio de Tubérculos, em
mm), para diferentes tipos de cultivos e genótipos de batata-doce
[Ipomoea batatas (L.) Lam.], no município de Rio Largo, Estado de
Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2010. ............................................................
Tabela 2 – Médias obtidas para variância PTT (Peso Total de Tubérculos em t.ha-1),
PPA (Produção de Massa da Parte Aérea, em t.ha-1), NTT (Número Total
de Tubérculos produzidos por hectare), DMT (Diâmetro Médio de
Tubérculos em cm) e CMT (Comprimento Médio de Tubérculos em cm),
para tratamentos com diferentes tipos de cultivo em batata-doce [Ipomoea
batatas (L.) Lam.], no município de Rio Largo, Estado de Alagoas.
U.A.CECA-UFAL, 2010. ...........................................................................
Tabela 3 – Médias obtidas para variáveis PTT (Peso Total de Tubérculos em t.ha-1),
PPA (Produção de Massa da Parte Aérea, em t.ha-1), NTT (Número Total
de Tubérculos produzidos por hectare), DMT (Diâmetro Médio de
Tubérculos em cm) e CTT (Comprimento Médio de Tubérculos em cm),
para diferentes tipos de genótipos de batata-doce [Ipomoea batatas (L.)
Lam.], no município de Rio Largo, Estado de Alagoas. CECA-UFAL,
2010. ...........................................................................................................
Tabela 4 – Resumo da análise de variância para as variáveis MS(%)PA (Percentagem
de Matéria Seca na Parte Aérea), MM(%)PA (Percentagem de Matéria
Mineral na Parte Aérea) e MM(%)R (Percentagem de Matéria Mineral na
Raiz), para diferentes tipos de cultivos e genótipos de batata-doce
[Ipomoea batatas (L.) Lam.], no município de Rio Largo, Estado de
Alagoas. CECA-UFAL, 2010.......................................................................
Tabela 5 – Médias obtidas para as variáveis MS(%)PA (Percentagem de Matéria Seca
da Parte Aérea), MM(%)PA (Percentagem de Matéria Mineral da Parte
Aérea) e MM(%)R (Percentagem de Matéria Mineral da Raiz), para
diferentes tipos de cultivos em batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.],
no município de Rio Largo, Estado de Alagoas. CECA-UFAL, 2010. .....

vi

38

39

44

47

48

8

LISTA DE TABELAS
(Continuação)
Tabela 6 – Médias obtidas para as variáveis MS(%)PA (Percentagem de Matéria Seca
da Parte Aérea), MM(%)PA (Percentagem de Matéria Mineral da Parte
Aérea) e MM(%)R (Percentagem de Matéria Mineral da Raiz), para
diferentes tipos de genótipos de batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.],
no município de Rio Largo, Estado de Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2010.
Tabela 7 – Resumo da análise de variância, com desdobramento, para as variáveis
PB(%)PA (Percentual de Proteína Bruta da Parte Aérea), MS(%)R
(Percentual de Matéria Seca da Raiz) e PB(%)R (Percentual de Proteína
Bruta da Raiz), para diferentes tipos de cultivos e genótipos de batatadoce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], no município de Rio Largo, Estado de
Alagoas.CECA-UFAL, 2010. .....................................................................
Tabela 8 – Médias obtidas para o percentual de proteína bruta da parte aérea,
PB(%)PA, de genótipos de batata doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.],
dentro do cultivo no município de Rio Largo, Estado de Alagoas.
U.A.CECA-UFAL, 2010. ...........................................................................
Tabela 9 – Médias obtidas para o percentual de matéria seca da raiz MS(%)R, de
genótipos de batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], dentro de tipo de
cultivo,no município de Rio Largo, Estado de Alagoas.CECA-UFAL,
2010. ...........................................................................................................
Tabela 10 – Médias obtidas para o percentual de proteína bruta da raiz PB(%)R, de
genótipos de batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], dentro de tipo de
cultivo, no município de Rio Largo, Estado de Alagoas. U.A.CECAUFAL, 2010. ..............................................................................................
Tabela 11 – Percentual (%) e resultados médios de produção, em t.ha-1, obtidos por
estratificação dos tubérculos de batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.],
para diferentes genótipos no município de Rio Largo, Estado de Alagoas.
U.A.CECA-UFAL, 2010. ...........................................................................
Tabela 12 – Percentual (%) e resultados médios de produção, em t.ha-1, obtidos por
estratificação dos tubérculos, para diferentes tipos de cultivos em batatadoce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], no município de Rio Largo, Estado de
Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2010. ............................................................
Tabela 13 – Médias obtidas em t.ha-1 para as diferentes faixas de peso de tubérculos de
batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], em tipos de cultivos, no
município de Rio Largo, Estado de Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2010. ....

vii

50

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62

9

LISTA DE ABREVIATURAS1

ABREVIATURA
%
FAO
kg.ha-1
t. ha-1
IBGE
kcal.ha-1.dia
mm
cm
42ºN
35ºS
pH
per capita
kg.habitante.ano
kcal
g
mg
IG
kcal.kg
NDT
kg
L
L.ha-1
DAP
Apud
mg.dm3
mmol.dm3
C/N
kg.m3
m
ºC

DEFINIÇÃO
Percentagem............................................................................
Food and Agriculture Organization of the United Nations
Quilos por hectare ...................................................................
Toneladas por hectare..............................................................
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ........................
Quilocaloria por hectare por dia..............................................
Milímetro.................................................................................
Centímetro...............................................................................
42 graus Norte.........................................................................
35 graus Sul.............................................................................
Potencial hidrogeniônico.........................................................
Do latim “por pessoa”.............................................................
Quilo por habitante por ano.....................................................
Quilocaloria.............................................................................
Grama......................................................................................
Miligrama................................................................................
Índice glicêmico......................................................................
Quilocalorias por quilo............................................................
Nutrientes Digestíveis Totais..................................................
Quilo........................................................................................
Litro.........................................................................................
Litro por hectare......................................................................
Dias após plantio.....................................................................
Do latin “citação indireta”.......................................................
Miligrama por decímetro cúbico.............................................
Milimois por decímetro cúbico...............................................
Relação carbono nitrogênio.....................................................
Quilograma por metro cúbico..................................................
Metro.......................................................................................
Graus centígrados....................................................................

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Continua ...

1

Incluída apenas a primeira vez que aparece

viii

10

LISTA DE ABREVIATURAS
(Continuação)
ABREVIATURA
9o 27’S
35o 27’W
pol.
Cv
m2
P
K
Na
H+Al
Ca+Mg
Ca
Mg
Al
V
MO
5%

DEFINIÇÃO
9 graus e 27 minutos Sul.........................................................
35 graus e 27 minutos Oeste....................................................
Polegadas.................................................................................
Cavalo vapor............................................................................
Metro quadrado.......................................................................
Fósforo.....................................................................................
Potássio....................................................................................
Sódio........................................................................................
Hidrogênio+Alumínio.............................................................
Cálcio + Magnésio...................................................................
Cálcio.......................................................................................
Magnésio.................................................................................
Alumínio..................................................................................
Índice de saturação de bases....................................................
Matéria Orgânica.....................................................................
Significância à 5% de probabilidade pelo teste de Tukey.......

ix

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39

11

RESUMO

Este trabalho teve por objetivo avaliar os genótipos de batata-doce [Ipomoea batatas (L.)
Lam.], Sergipana, clone 03, clone 06, clone 09 e clone14, em cultivo biodinâmico, orgânico,
agricultor familiar e químico em tabuleiros costeiros. O experimento foi conduzido na
Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Estado de
Alagoas, situada no município de Rio Largo, durante o ano de 2009. O delineamento usado
foi o de blocos casualizados, em um esquema fatorial 5x4, com cinco genótipos, quatro tipos
de cultivos, com três repetições. Foram avaliadas as variáveis: produção de tubérculos, peso
da parte aérea, número de tubérculos por ha-1, diâmetro e comprimento médio, matéria seca,
matéria mineral e proteína bruta dos tubérculos e das partes aéreas. O clone 06, clone 14 e a
variedade Sergipana foram os genótipos mais produtivos do experimento em t.ha-1 de
tubérculos, variável para consumo humano e animal, o mesmo verificado para número de
tubérculos por hectare. Os genótipos Sergipana, clone 03, 06 e 14, foram os mais produtivos
para massa da parte aérea em t.ha-1, utilizada para consumo animal, assim como na variável
comprimento de tubérculos. O clone 06, clone 14 e a variedade Sergipana foram os melhores
genótipos nos percentuais de matéria seca e mineral, variáveis com a finalidade de
alimentação humana e animal. Os clones 06, clone 14 e a variedade Sergipana, foram
superiores na estratificação por faixa de peso. O cultivo químico foi superior aos demais tipos
de cultivos na faixa Especial de estratificação de peso dos tubérculos. Na faixa de peso Extra
A os tratamentos Biodinâmico, Agricultor Familiar foram superiores aos demais genótipos.
Palavras-chaves: batata-doce, cultivos: biodinâmico, orgânico, agricultor familiar, químico.
x

12

ABSTRACT

The aim of this work was to evaluate the following sweet potato [Ipomoea potatoes (L.)
Lam.] genotypes, Sergipana, clone 03, clone 06, clone 09 and clone14, in biodynamic
cultivation, organic, familiar farmer and chemical in coastal board areas. The experiment was
carried out at academic unit Centro de Ciências Agrárias of the Universidade Federal de
Alagoas, situated in the municipality of Rio Largo, Alagoas, in the year of 2009. A 5x4
randomized block factorial design was used, with five genotypes and four types of
cultivations, replicated three times. The variables evaluated were: production of root-tubers,
from the aerial portion and number of root-tubers per ha-1, diameter and medium length, dry
matter, mineral matter and gross protein of the root-tubers and of the aerial parts. The clone
06 and the Sergipana variety were the best genotypes of the experiment, because they were
more productive in tons of root-tubers per hectare, in number of root-tubers per ha-1, in
medium diameter, and in length, as agricultural variables, analyzed for productivity and
human consumption. The clone 06 and the variety Sergipana also were the best genotypes to
the production of mass from the aerial part, percentage of dry matter and mineral with the
purpose of animal rearing. The clones 06 and 14 were the best genotypes in the stratification
zone by weight. The chemical cultivation was the best type for the production in tons of roottubers per hectare. The chemical and biodynamic cultivation were the best in the stratification
zone by weight.

Key Words: Sweet potato, biodynamic cultivation, organic, familiar farmer, chemical.
xi

1

SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS...........................................................................................................
LISTA DE TABELAS...........................................................................................................
LISTA DE ABREVIATURAS.............................................................................................
RESUMO...............................................................................................................................
ABSTRACT...........................................................................................................................

vi
vii
ix
xi
xii

1 INTRODUÇÃO..................................................................................................................

01

2 A CULTURA DA BATATA-DOCE: REVISÃO DA LITERATURA.........................

05

2.1 Aspectos Taxonômicos, Anatômicos e Morfológicos................................................
2.2 Origem..........................................................................................................................
2.3 Condições Climáticas e Edáficas................................................................................
2.4 Uso e Características Nutricionais.............................................................................
2.4.1 Alimentação humana........................................................................................
2.4.2 Alimentação animal..........................................................................................
2.4.3 Outros usos........................................................................................................
2.4.4 Classificação dos tubérculos.............................................................................
2.5 Desenvolvimento do Ciclo Produtivo........................................................................
2.6 Tipos de Cultivo...........................................................................................................
2.6.1 Sem utilização de insumos – Agricultor Familiar...........................................
2.6.2 Orgânico..............................................................................................................
2.6.2.1 Formas....................................................................................................
2.6.2.1.1 Orgânica..................................................................................
2.6.2.1.2 Biodinâmica.............................................................................
2.6.2.2 Tecnologia Orgânica (Compostagens).................................................
2.6.2.2.1 Compostagem orgânica..........................................................
2.6.2.2.2 Compostagem biodinâmica....................................................
2.6.3 Químico..............................................................................................................

05
06
06
08
08
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11
11
11
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13
14
14
14
15
17
17
22
24

Continua ...

xii

1

3 MATERIAL E MÉTODOS..............................................................................................

26

3.1 Descrição do Local do Experimento.........................................................................
3.2 Material Genético do Experimento..........................................................................
3.2.1 Ramas do material genético................................................................................
3.3 Tipos de Cultivos Utilizados......................................................................................

3.6 Instalação e Condução do Experimento..................................................................
3.7 Fertilização.................................................................................................................
3.8 Procedimentos Estatísticos........................................................................................

26
26
26
27
27
27
27
28
28
28
28
28
31
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33
34
34

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO.......................................................................................

35

4.1 Variáveis Agronômicas..............................................................................................
4.1.1 Influência do tipo de cultivo e dos genótipos...................................................
4.1.1.1 Produção total dos tubérculos (PTT) por ha-1...............................
4.1.1.2 Produção total de massa da parte aérea (PPA) por ha-1....................
4.1.1.3 Número total de tubérculos (NTT) por ha .........................................
4.1.1.4 Diâmetro médio dos tubérculos (DMT)...............................................
4.1.1.5 Comprimento médio dos tubérculos (CMT).......................................
4.1.2 Influência do tipo de cultivo nas médias das variáveis agronômicas. ..........

35
36
36
36
37
37
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40
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42
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48
48
49
49
49

3.3.1 Cultivo biodinâmico.......................................................................................................
3.3.2 Cultivo orgânico.............................................................................................................
3.3.3 Cultivo agricultor familiar............................................................................................
3.3.4 Cultivo químico...............................................................................................................

3.4 Elaboração da Compostagem....................................................................................
3.4.1 Componente vegetal.......................................................................................................
3.4.2 Esterco.............................................................................................................................
3.4.3 Montagem e condução das pilhas de compostagem....................................................

3.5 Delineamento Experimental e Análise Estatística.................................................
3.5.1 Variáveis agronômicas...................................................................................................
3.5.2 Variáveis bromatológicas...............................................................................................

4.1.2.1 Médias do peso total de tubérculos (PTT) em t.ha-1...........................
4.1.2.2 Produção total de massa da parte aérea (PPA) por ha-1...................
4.1.2.3 Médias do número total de tubérculos (NTT) produzidos por ha....
4.1.2.4 Diâmetro médio dos tubérculos (DMT)...............................................

4.1.2.5 Comprimento médio dos tubérculos (CMT).......................................
4.1.3 Influência dos genótipos nas médias das variáveis agronômicas...................
4.1.3.1 Médias de peso total dos tubérculos comerciais (PTT) em t.ha-1......
4.1.3.2 Médias da produção de massa da parte aérea em (PPA) t.ha-1.........
4.1.3.3 Médias do número total de tubérculos produzidos por (NTT) ha-1..
4.1.3.4 Médias do diâmetro dos tubérculos (DMT)........................................
4.1.3.5 Médias de comprimento dos tubérculos (CMT).................................

4.2 Variáveis Bromatológicas .........................................................................................
4.2.1 Influência do Tipo de Cultivo e dos Genótipos................................................
4.2.1.1 Matéria seca da parte aérea..................................................................
4.2.1.2 Matéria mineral da parte aérea............................................................
4.2.1.3 Matéria mineral da raiz........................................................................

4.2.2 Influência do Tipo de Cultivo nas Variáveis Bromatológicas........................
4.2.2.1 Matéria seca da parte aérea..................................................................
4.2.2.2 Matéria mineral da parte aérea............................................................
4.2.2.3 Matéria mineral da raiz........................................................................

xiii

1

4.2.3 Influência dos Genótipos nos Percentuais de MS(%)PA, MM(%)PA e
MM(%)R

49

4.2.3.1 Matéria seca da parte aérea .................................................................
4.2.3.2 Matéria mineral da parte aérea ...........................................................
4.2.3.3 Matéria mineral da raiz .......................................................................

50
51
51
51
51
51
52
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53
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55
55
56
56
57
57
57
57
57
58

4.2.4 Desdobramento da Interação Genótipo versus Tipo de Cultivo ..........
4.2.4.1 Proteína bruta da parte aérea .............................................................
4.2.4.2 Matéria seca da raiz...............................................................................
4.2.4.3 Proteína bruta da raiz...........................................................................

4.2.5 Médias de Proteína Bruta da Raiz PB(%)PA..................................................
4.2.5.1 Genótipos dentro do cultivo biodinâmico para PB(%)PA.................
4.2.5.2 Genótipos dentro do cultivo orgânico para PB(%)PA.......................
4.2.5.3 Genótipos dentro do cultivo agricultor familiar para PB(%)PA......
4.2.5.4 Genótipos dentro do cultivo químico para PB(%)PA........................

4.2.6 Médias de Matéria Seca da Raiz MS(%)R......................................................
4.2.6.1 Genótipos dentro do cultivo biodinâmico para MS(%)R.................
4.2.6.2 Genótipos dentro do cultivo orgânico para MS(%)R .......................
4.2.6.3 Genótipos dentro do cultivo agricultor familiar para MS(%)R.......
4.2.6.4 Genótipos dentro do cultivo químico para MS(%)R.........................

4.2.7 Médias de Proteína Bruta da Raiz PB(%)R....................................................
4.2.7.1 Genótipos dentro do cultivo biodinâmico para PB(%)R..................
4.2.7.2 Genótipos dentro do cultivo orgânico para PB(%)R.........................
4.2.7.3 Genótipos dentro do cultivo agricultor familiar para PB(%)R........
4.2.7.4 Genótipos dentro do cultivo químico para PB(%)R..........................

4.3 Classificação das Faixas de Pesos dos Tubérculos por Genótipo, Tipo de
Cultivo e Interação Genótipo versus Tipo de Cultivo.............................................
4.3.1 Classificação das Faixas de Peso dos Tubérculos por Genótipos..................

59

4.3.1.1 Não Comercial........................................................................................
4.3.1.2 Diverso Inferior .....................................................................................
4.3.1.3 Especial...................................................................................................
4.3.1.4 Extra A....................................................................................................
4.3.1.5 Extra B....................................................................................................
4.3.1.6 Diverso Superior....................................................................................

4.3.2 Classificação das Faixas de Peso dos Tubérculos por Tipo de Cultivo.........

60
61
61
61
61
61
62

4.3.2.1 Não Comercial........................................................................................
4.3.2.2 Diverso Inferior .....................................................................................
4.3.2.3 Especial...................................................................................................
4.3.2.4 Extra A....................................................................................................

64
64
64
64

4.3.2.5 Extra B....................................................................................................

64

4.3.2.6 Diverso Superior....................................................................................

64

5 Considerações Finais.........................................................................................................
6 CONCLUSÃO ...................................................................................................................

65

REFERÊNCIAS ...................................................................................................................

68

APÊNDICES .........................................................................................................................
ÍNDICES DAS ESPÉCIES CITADAS................................................................................

85
87

xiv

67

1

1 INTRODUÇÃO
Consumida há muito tempo pelos nativos das Américas na era pré-colombiana
(PEIXOTO e MIRANDA, 1984), somente após sua descoberta, a batata-doce [Ipomoea
batatas (L.) Lam.], foi introduzida através da Espanha, e disseminada pelo mundo durante os
séculos XVI e XVII (GROTH, 1911). Atualmente encontra-se entre as 15 espécies de plantas
cultivadas que representam cerca de 90% do volume total de alimentos consumidos pelo
homem (os outros 10% correspondem a pouco menos de 300 espécies vegetais)
(PATERNIANI, 2000).
De acordo com informações da FAO (2006), a batata-doce é considerada uma
hortaliça de estimável valor nutritivo, sendo atualmente um alimento consumido em quase
todo o mundo, principalmente pela população mais pobre. Destaque para a China que é o
maior produtor, com uma safra de 105 milhões de toneladas anuais, seguida pela Indonésia,
Índia e Japão.
Na China, por seu valor econômico, a cultura da batata-doce representa o sexto
produto agrícola (FAO, 2005). As estimativas de colheita e produção mundial chegam a 21,8
milhões de hectares com uma produção total de 123,5 milhões de toneladas (TOLAND,
2008). Uma vez que é produzida nas mais variadas regiões do mundo, a batata-doce é
apreciada por milhões de pessoas em todos os tipos de clima, desde a zona temperada,
mediterrânea e principalmente das regiões tropicais e subtropicais (CHEN et al., 1992).
O Brasil ocupa o décimo quinto lugar na produção mundial com aproximadamente
548.438 toneladas por ano, em uma área plantada de 45.597 ha, com produtividade média de
12.027 kg.ha-1 (IBGE, 2008). Apesar de essa média ser considerada baixa (SOUZA, 2000;
SILVA, LOPES e MAGALHÃES, 2004), uma produção superior a 25 t.ha-1 de batata-doce
pode ser facilmente alcançada, desde que a cultura seja conduzida com uma tecnologia
adequada.

2

Na América do Sul, o Brasil aparece como principal produtor, sendo plantada em
todas as regiões do país principalmente nas regiões sul e nordeste, onde se destacam,
respectivamente, os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, para a região sul,
e Paraíba e Pernambuco para a região nordeste (SILVA et al. 2002). Informações mais
recentes revelam que durante o ano de 2008, no Estado de Alagoas, foram cultivados 2.082
hectares de batata-doce, obtendo-se 18.898 toneladas desse tubérculo (IBGE, 2008).
Devido aos seus altos valores de vitaminas e minerais, e como fonte de calorias, a
batata-doce é de grande importância na alimentação, principalmente nas regiões tropicais e
subtropicais; a raiz é a parte da planta que serve para consumo humano (VASCONCELOS,
1998). A batata-doce tem uma grande importância social e econômica por ser um alimento
que fornece suprimento de calorias, vitaminas e minerais na alimentação humana, e destaca-se
de muitas outras culturas por apresentar elevado rendimento por área (MIRANDA, 2003).
Segundo ALMEIDA et al. (1987), as ramas da batata-doce podem ser utilizadas na
alimentação animal, principalmente para ruminantes e suínos, na forma de forragem verde ou
de silagem, cruas, cozidas ou desidratadas na forma de raspa, tendo como vantagens o baixo
custo, e a fácil obtenção aliadas às qualidades nutricionais: são ricas em amido, açúcares,
vitaminas e possuem alta porcentagem de proteína bruta e alta digestibilidade.
O cultivo da batata-doce é desenvolvido em sua grande maioria de maneira rudimentar
sem emprego de tecnologia, predominantemente em sistema de agricultura familiar para
subsistência, com o excedente da produção comercializável. Trata-se de cultura bastante
rústica, com boa tolerância à seca e ampla adaptação a diversos tipos de clima e solo. (SILVA
et al., 2002). Além de ser uma espécie rústica, de fácil aquisição no mercado e baixa
manutenção, é considerada tolerante à deficiência hídrica no solo, possui capacidade de
adaptação e, por isso, é cultivada em praticamente todos os estados brasileiros (MIRANDA,
2003).
Por possuir um alto potencial de produção a cultura da batata-doce coloca-se entre
uma das culturas de maior capacidade de produzir energia por unidade de área tempo
(Kcal/ha/dia). Em comparação com outras culturas como o arroz, a banana, o milho e o sorgo,
a batata-doce é mais eficiente em quantidade de energia líquida produzida por unidade de área
e por unidade de tempo. Isso ocorre porque a batata-doce tem um grande volume de raízes em
um ciclo relativamente curto, a um custo baixo, durante o ano inteiro (SILVA & LOPES,
1995).

3

Após o advento da revolução verde, o paradigma da produção agrícola com o uso de
produtos químicos de diferentes fontes e emprego, têm se mostrado altamente oneroso ao
meio ambiente, uma vez que causam a poluição dos solos, dos mananciais, da atmosfera,
chegando a provocar mortes e doenças à população humana, acelerando o processo de
desertificação em milhares de hectares anualmente, e conseqüentemente aumentando as
perspectivas de exaustão dos recursos naturais. Aliado a esse quadro, está o aumento
exagerado da população mundial, que em apenas 40 anos, de 1960 a 1999, dobrou, e hoje esse
número já ultrapassa a soma de cerca de 6,7 bilhões de habitantes (NICOLAE-BALAN &
VASILE, 2000).
O uso generalizado de produtos naturais nos cultivos de plantas no início do século
XX foi substituído, a partir da segunda guerra mundial, por produtos químicos sintéticos até o
início da década de 1970, quando o homem passou a se conscientizar da necessidade de
adotar uma conduta de preservação e sustentabilidade ambiental, em nível mundial, como
forma de manter o planeta vivo.
Nesse sentido, a cada dia que passa tem aumentado o número de pessoas e de
empresas, voltados à adoção de estratégias para o uso de produtos naturais resultantes de
procedimentos que visam à isenção do emprego de produtos químicos. Dessa forma, associar
o que existe de tecnologia disponível aos conhecimentos de cultivos naturais, torna-se, hoje,
um elemento de fundamental importância para que se alcance patamares significativos de
redução de produtos químicos utilizados na exploração agropecuária. Dentre as estratégias
para o aumento da produção, o emprego da compostagem de esterco de ruminantes e
palhadas, utilizado há séculos na agricultura, bem como o uso de produtos naturais para o
controle de pragas e doenças, destacam-se como alternativas viáveis, respectivamente, para a
fertilização dos solos e para o controle de ataques de insetos e fitopatógenos.
Apesar da importância social, ainda há carência de informações científicas
principalmente no que se refere ao estudo de novos genótipos adaptados a cultivos naturais
como a agricultura biodinâmica, orgânica e familiar, de modo a viabilizar o incremento da
produção desse vegetal de grande importância na alimentação humana e animal. A falta de
cultivares selecionadas é um dos principais fatores responsáveis pela baixa produtividade
média da cultura no Brasil (MIRANDA, 1989).
No Estado de Alagoas a situação da produtividade é ainda mais crítica, pois a região
não dispõe de cultivares capazes de atender as características locais (CAVALCANTE et al.,
2006). É de fundamental importância o aumento na oferta de alimentos, pois, a desnutrição
representou 29% das causas evitáveis de mortalidade infantil no ano de 2009 no Estado de

4

Alagoas, principalmente nas cidades próximas a região metropolitana de Maceió (SUVISA,
2009), alem do aumento paulatino do sobrepeso, agravando os problemas de saúde a curtos e
longos prazos (FERREIRA e LUCIANO, 2010).
Assim sendo, na tentativa de desenvolver novas variedades de batata-doce via
Programa de Melhoramento Genético de Plantas do Centro de Ciências Agrárias da
Universidade Federal de Alagoas, foram colocados no experimento os clones 03, clone 06,
clone 09 e clone 14, já considerados como promissores devido aos resultados alcançados
(CAVALCANTE et al., 2006); (CAVALCANTE, FERREIRA e SOARES (2003).
Nesse sentido, esse trabalho foi desenvolvido com a finalidade de avaliar genótipos de
batata-doce submetidos a diferentes tipos de cultivos orgânicos, e químico, na região de
tabuleiros costeiros no Município de Rio Largo, Estado de Alagoas.

5

2 A CULTURA DA BATATA-DOCE: REVISÃO DA LITERATURA
2.1 Aspectos Taxonômicos, Anatômicos e Morfológicos

A batata doce é classificada como planta da seguinte maneira: reino Plantae, divisão
Magnoliophyta, classe Magnoliopsida, subclasse Asteridae, ordem Solanales, família
Convolvulaceae, gênero Ipomoea, espécie Ipomoea batatas (L.) Lam. (VEASEY et al. 2008;
SELL e MURRELL, 2009).
Segundo PRATA (1973) e FILGUEIRA (2003) trata-se de planta com raízes
adventícias e verdadeiras para acumular substâncias de reservas, de tamanhos variados e
forma alongada (fusiforme) ou ovóide (piriforme), apresentando-se externamente lisa ou
rugosa, com coloração variada, desde a esbranquiçada até a roxa; caule tenro, reptante,
cilíndrico, ligeiramente achatado, esverdeado e com manchas violáceas de acordo com a
variedade e exposição ao sol, com espessura em torno de 8 mm e tamanho que pode chegar a
vários metros dependendo da variedade e riqueza do solo; folhas com longos pecíolos
alternados, limbo cordiforme, hastes sagitadas ou truncadas em sua base; inflorescência
cimosa com três a nove flores, sépalas ovais, oblongas, obtusas ou acuminadas, corola
campanulado-afunilada de cor alva, vermelha ou roxa, cada flor medindo de 2 a 4 cm de
diâmetro por 2,5 a 4 de comprimento; gineceu bi carpelar, ovário súpero e bilocular com dois
óvulos em cada lóculo; estilete indiviso com estigma captado ou bi globoso, e androceu de
cinco estames desiguais; pólen pulverulento, claro e equinulado; fruto em cápsula globosa
com 4 valvas e 4 lóculos contendo sementes achatadas e negras com 3 mm de comprimento
(PRATA, 1973; FILGUEIRA, 2003).

6

A parte aérea é bastante agressiva, competindo de forma vantajosa com outras plantas,
fornecendo cobertura ao solo, e apesar de cultivada de maneira anual, trata-se de uma planta
perene (PRATA, 1973).
A espécie é auto-hexaplóide (2n=6x=90) e é propagada, em sua maior parte, por via
assexuada (CHEN et al., 1992), e de diversas maneiras a depender do fim a que se propõem,
por mudas, ramas, raízes, sementes ou, ainda, por cultura de tecidos. Para o produtor a
propagação sexuada não tem nenhum interesse, somente para os programas de melhoramentos
genéticos de plantas (PEIXOTO e MIRANDA, 1984).

2.2 Origem

Existem duas hipóteses quanto à origem da batata-doce, a menos provável é a que
relata sobre a possibilidade da origem da batata-doce ser asiática, Filipinas e Malásia
(WOOLFE, 1992), a que tem evidências mais consistentes ficam por conta das análises feitas
em amostras de batata-doce secas encontradas dentro de cavernas no vale de Chilca Canyon,
no Peru, e em partes da América Central, antes ocupadas pelos Maias, sustentam que seu uso
remonta de oito a dez mil anos, datados por radio-carbono (SILVA et al., 2002), corroborados
por YEN, (1976) que afirma ser a batata-doce originária do continente Americano e (CHEN et
al., 1992) relatam ser de origem específica da América Tropical. Dessa forma, parece ser
mais consistente que a batata-doce, possivelmente é originária das Américas Central e do Sul,
sendo encontrada desde a Península de Yucatan, no México, até a Colômbia (EDMOND e
AMMERMAN, 1971; FOLQUER, 1978; PEIXOTO e BARRERA, 1986), onde são
encontradas as maiores diversidades genéticas (SINHA e SHARMA, 1992),
Por sua vez, a América do Sul, principalmente Peru e Equador, é considerada o centro
secundário de dispersão (ZHANG et al., 2000), assim como o território brasileiro, uma vez
que nestes também se verifica grande variabilidade genética (AUSTIN, 1988; RITSCHEL et
al., 1998; SOARES et al., 2002).

2.3 Condições Climáticas e Edáficas

O cultivo da batata-doce é feito em diversas partes do mundo, localiza-se desde a
latitude 42ºN até 35ºS, encontrando plantios que vão desde o nível do mar até 3000 m de
altitude. Diversos são os climas e altitudes em que se cultiva a batata-doce, destacando-se
locais como as Cordilheiras dos Andes; regiões de clima tropical, como o da Amazônia;

7

subtropical, como no Rio Grande do Sul e até desértico, como o da costa do Pacífico (SILVA,
et al. 2002).
Para o desenvolvimento do ciclo produtivo e para que apresente um índice elevado de
produtividade, a cultura da batata-doce necessita um total de cerca de 500 mm de lâmina de
água (PEIXOTO e MIRANDA, 1989; SILVA et al., 2004). A cultura tem desenvolvimento e
é bem produtiva em qualquer tipo de solo, variando desde os franco-arenosos até os mais
argilosos, os podzólicos, muito embora sejam os solos ideais aqueles bem estruturados, soltos,
leves, bem drenados e com fertilidade de média a alta, que facilitam o crescimento lateral das
raízes evitando assim a formação de raízes tortas ou dobradas (PEIXOTO e MIRANDA 1984;
PEIXOTO e MIRANDA, 1989). Além do mais, promovem a facilidade na hora da colheita,
permitindo um melhor arranquio das raízes tuberosas com menos esforço físico e índice de
dano (sic).
Segundo SILVA et al. (2002), o solo deve ser preferencialmente arenoso, ter uma boa
drenagem, não apresentar alumínio tóxico, com pH ligeiramente ácido e com alta fertilidade
natural. No entanto também pode se desenvolver em outros tipos de solo, desde que o cultivo
seja em região que tenha no mínimo, quatro meses de dias quentes e ensolarados,
acompanhados de chuvas moderadas (HAMED et al. 1973).
De fácil manutenção, é uma cultura que apresenta boa tolerância a seca, ampla
adaptação e custo de produção relativamente baixo, com investimentos mínimos e retorno
elevado (VASCONCELOS, 1998). A cultura tem um sistema radicular mais profundo se
comparado com a maioria das hortaliças, chegando a 90 cm de profundidade, o que lhe
confere uma condição muito boa para explorar maior volume de solo e água, embora sua área
foliar seja abundante, permitindo maiores perdas de água (VILAS BOAS, 1999).
Segundo SILVA et al. (2004) apresenta outras características também importantes,
principalmente nos casos de agricultura familiar: (1) ciclo de colheita considerado longo,
permitindo que o período para consumo ou comercialização se estenda de acordo a
conveniência; (2) boa resistência a pragas e doenças; (3) crescimento rápido, fazendo com
que, em cerca de 45 dias, ocorra a cobertura vegetal da toda a superfície da área plantada,
agindo como uma planta protetora do solo.
Essa capacidade de adaptação da batata-doce permite que sejam aplicadas diversas
técnicas para produção desde aquelas mais rudimentares, com baixo custo de produção, até as
que utilizam tecnologias mais aprimoradas como as normalmente utilizadas em outras
hortaliças, incluindo mecanização e aplicação de fertilizantes e agrotóxicos sintéticos (SILVA
et al., 2004).

8

2.4 Usos e Características Nutricionais

Da planta se faz utilidade de todas as partes, as ramas e raízes tuberosas são
consumidas em larga escala para a alimentação humana e animal, assim como serve de
matéria-prima nas indústrias de alimento, tecido, papel, cosmético, preparação de adesivos e
álcool carburante. O consumo é bastante variado dependendo da região do planeta, podendo
atingir altos índices como em Burundi, no continente Africano, aonde se chega à quantidade
per capita de 114 kg/habitante/ano, ou a pequena marca de apenas 2 kg.habitante.ano, nos
Estados Unidos (CIP, 2001).

2.4.1 Alimentação Humana

Depois de colhida suas raízes apresentam aproximadamente 30% de matéria seca e
com média de 85% de carboidratos, sendo o amido seu principal componente. Quando
comparada com outros vegetais amiláceos a batata-doce possui maiores teores de matéria
seca, carboidratos, lipídios, cálcio e fibra que a batata inglesa, mais carboidratos e lipídios que
o inhame e mais proteína que a mandioca (SILVA, LOPES e MAGALHÃES, 2004), possui
em média 111,0 kcal por 100 g de massa fresca, o inhame tem 103,0 kcal e a batata inglesa
tem 80 kcal. Em geral possui baixos teores de proteína, em torno de 1,5%, e tem elevados
índices de vitamina A, 300,0 mg, e vitamina B, 96,0 mg (WOOLFE, 1992; LUENGO et al.,
2000).
A batata-doce é uma planta que possui grandes quantidades do aminoácido que é
essencial para o bem estar do homem, a metionina, além de ser um alimento muito rico em
teores de açucares, carboidratos, vitaminas A, C e as do complexo B, portanto um alimento
excelente em fontes de nutrientes e energia (MIRANDA et al., 1989; AZEVEDO et al., 2002).
As proteínas da batata-doce contem os seguintes aminoácidos: ácido aspártico, ácido
glutâmico, serina, glicina, teomina, alanina, lisina, tirosina, histidina, arginina, valina,
metionina, prolina, isoceucina e triptófano (HAMED et al., 1973).
Em países em que há escassez de trigo, a adição de farinha de batata-doce na
fabricação de pães, pode diminuir a importação desse cereal com vantagens econômicas
HAMED et al. (1973). Comparando com a farinha de trigo, a incorporação de 40% de farinha
de batata-doce obteve um resultado similar na fabricação de bolos, inclusive com maiores
teores de fibra e menores de glúten, melhorando os valores nutricionais e de textura (SINGH,
2008).

9

A batata-doce como ingrediente principal ou substituindo parcialmente a farinha de
trigo, depois de cozida e amassada, também pode ser utilizada para a confecção de salgados:
purê, pastel, torta salgada ou doces: torta doce, balas, bolo, pudim, doce glaceado e vários
outros produtos (SILVA, LOPES e MAGALHÃES, 2004).
O teor de açúcar nos alimentos e seu efeito no nível de glicose do sangue são dados
pelo índice glicêmico (IG), o da batata-doce da batata-doce é (44), comparado ao do arroz
branco que é de (64) e ao do pão branco (71), confere a esse alimento um grande sucesso na
dieta de atletas, sendo importante se ressaltar que, quanto menor esse índice melhor para a
saúde (PERES, 2006).
A presença de nutrientes como carotenos e retinol (vitamina A) faz com que a batatadoce de polpa alaranjada seja indicada como alimento de baixo custo, a ser administrado a
mulheres grávidas ou na fase posterior ao aleitamento, que desejam optar por uma dieta
saudável (MALANZELE, 2002); (LOW et al., 2000).
Os índices da composição química de batata-doce crua demonstram que é um alimento
rico em vitaminas, principalmente nas do grupo A e B, e que a tornam um importante
componente da dieta para população de baixa renda, quando comparado ao arroz que é a base
alimentar dessa classe social (SILVA et al., 2002). Valores de 3.247 a 3.590 kcal.kg, de
energia bruta, foram encontrados em resíduos de raízes de várias cultivares em diferentes
idades de colheita por PEREIRA et al. (2010).

2.4.2 Alimentação animal

Um dos destinos da produção é a alimentação animal, tanto as ramas quanto as raízes
podem ser fornecidas frescas, principalmente para os animais ruminantes, mas as folhas e
brotos também podem ser consumidos por aves e peixes. Como é um alimento apetitoso que
contém o inibidor de digestão, quando fornecido à vontade pela primeira vez, pode causar
congestão intestinal. A raspa, constituída de raízes picadas e secas, é um excelente
complemento alimentar energético que pode ser adicionado à ração de animais, tanto de
ruminantes como não ruminantes. A grande limitação para este tipo de utilização é o alto teor
de umidade contido nas batatas frescas (70%), o que pode tornar a secagem artificial
antieconômica (SILVA et al., 2002).
O emprego das ramas com ou sem raízes administradas na forma de silagem ou
mesmo frescas, é bastante utilizado para a alimentação de suínos em países orientais como a
China e Vietnã. Essa prática não é comum no Brasil, onde as ramas somente são utilizadas na

10

alimentação animal em uma escala muito pequena, presumindo-se que a maior parte não seja
aproveitada, sendo simplesmente descartada como resíduo inaproveitável (MONTEIRO et al.,
2007). As ramas de batata-doce possuem alta porcentagem de proteína bruta e digestibilidade,
bem como elevada concentração de energia (NDT) nas raízes (ALMEIDA, GANDIN e
AMADO, 1987).
A farinha de batata-doce, em base natural, apresenta 3,87% de proteína bruta, 62,90%
de amido, 3% de matéria mineral, 3.875 kcal.kg de energia bruta, 2.706 kcal.kg de energia
metabolizável para aves, 8,80% de fibra detergente neutra, 3,60% de fibra detergente ácida,
logo pode vir a ser uma alternativa ao milho para a alimentação animal (ROSTAGNO, 2005).
Em experiência e pesquisa a batata-doce tem mostrado potencial no seu
aproveitamento na forma de raízes ou resíduos descartados, na composição para rações de
aves coloniais, principalmente em regiões de agricultura familiar produtoras de fumo, onde se
pode aproveitar os secadores para as raízes. Isto por apresentar uma generalizada
disponibilidade de resíduos de batata-doce, baixo custo de secagem, uma necessidade menor
de insumos externos dando maior autonomia ao agricultor familiar, utilização mais racional
de equipamentos e produtos e um custo ambiental menor para a produção de rações
(ZABALETA et al., 2009).
As raízes são utilizadas de maneira crua, cozida ou em raspas para alimentação de
bovinos, aves e suínos, podendo ainda ser administrada na forma de silagem para gado
leiteiro, possuindo riqueza em amido, açúcares, proteína e vitaminas (MIRANDA, 1989).
Obtêm-se em média, 300 kg de resíduos que podem ser utilizados para produção de farinha ou
ração animal, em uma tonelada de batata-doce, no processo de fabricação de álcool, rendendo
até 180 L (CASTRO e EMYGIDIO, 2008).
Em trabalho com rendimento de carcaça de frango de corte (NUNES et al. 2008),
conclui que a farinha de batata-doce pode ser incluída na formulação da dieta em até 40%.
Muitos produtores de batata-doce localizados ao norte da China fatiam as raízes e as secam
antes de usar como alimentação para suínos (LU et al., 1989). Em Taiwan, onde esse tipo de
procedimento simples freqüentemente tem lugar em pequenas propriedades, o fatiamento e a
secagem ao sol das raízes é um processo também conhecido de produção de alimentação de
suínos com batata-doce (CALKINS, 1979).

11

2.4.3 Outros Usos

A batata-doce possui um amido de alta qualidade que pode ser empregado na indústria
de papel, cosméticos, na preparação de glucose, adesivos, e como fonte de obtenção de álcool
podendo produzir de 4.500 a 5.300 L.ha-1. Algumas variedades que apresentam crescimento
vegetativo muito vigoroso e de coloração arroxeadas em suas hastes e folhas, são cultivadas
sem adubação, crescem rapidamente e com ótimo efeito ornamental (MIRANDA, 1989).

2.4.4 Classificação dos Tubérculos

Existe uma variação entre autores com relação à padronização da classificação dos
tubérculos de batata-doce: SOUZA (2000), contabilizou como raízes comerciais as que
possuíam entre 120 e 800 g, recomendando a necessidade de se desenvolver uma metodologia
para avaliação de rendimento comercial.
SOARES et al. (2002) afirmam que a classificação deve ser feita segundo o tamanho e
as condições gerais dos tubérculos, e que não existe nenhuma norma oficial de classificação,
motivo pelo qual adotaram uma classificação semelhante à de SILVA et al. (2002), que tem
sido aplicada em alguns mercados, apesar de as raízes com pesos abaixo de 80 g e as de peso
acima de 400 g, não serem tipificadas.
AZEVEDO et al. (2000) classificam as raízes comerciais aquelas que tem entre 150 a
300 g. Alguns autores como DAROS e AMARAL JUNIOR (2000), apresentam uma
classificação simplificada, quantificando como comerciais as raízes com peso acima de 80 g.

2.5 Desenvolvimento do Ciclo Produtivo

Fisiologicamente são identificadas três fases durante o crescimento anual da planta de
batata-doce: a primeira como sendo a fase em que predomina o desenvolvimento da parte
aérea, embora aí sejam formadas as raízes absorventes e as aptas à tuberização; a segunda fase
é a que ocorre os crescimentos radicais (tuberização) e vegetativos; e a terceira fase
caracteriza-se como a que prevalece a tuberização (QUEIROGA et al., 2007). As ramassementes têm capacidade de emitir raízes em tempo relativamente curto, que pode variar de
três a cinco dias, dependendo da temperatura e da idade do tecido (SILVA et al., 2002).
A batata-doce possui raízes de reserva que se formam desde o início do
desenvolvimento da planta, sendo essas estruturas constituídas de reservas para a própria,

12

alem de unidades de reprodução, emitindo novas brotações quando da eliminação da parte
aérea ou ainda de seu ressecamento por deficiência hídrica prolongada (SILVA et al., 2004).
O ápice caulinar, disco de internódio e a gema axilar de batata-doce, podem ser utilizados
para induzir e manter a proliferação de calos, capazes de regenerar estruturas semelhantes a
brotos adventícios (LUZ et al., 1990).
O processo de formação de viveiros de batata-doce consiste em escolher raízes sadias
e produtivas, sem que tenham rachaduras e isentas de doenças e pragas, com peso variando
entre 80 a 150 g. As raízes devem permanecer armazenadas por um período de 2 a 6 semanas,
em local de alta umidade relativa do ar sem serem lavadas. A ramas podem sem retiradas para
plantio a partir de 90 dias, e a cada 30 dias subseqüentemente, por mais três vezes (VILAS
BOAS, OKUMURA e MALUF, 1999).
Em geral a colheita da batata-doce para consumo caseiro pode ser feita assim que
atinja o tamanho ideal de comercialização (entre 151 a 800 g), em mercados que não são
muito exigentes, o que geralmente ocorre entre 100 e 110 dias após plantio (DAP), para as
cultivares precoces; e aos 180 DAP para as que são colhidas mais tarde para a indústria
(RESENDE, 2000), caso em que as raízes tuberosas ficam mais desenvolvidas, podendo
ultrapassar 800 g, quando também ocorrem alterações em suas características qualitativas
(valores geralmente mais elevados para os percentuais de matéria seca e carboidratos (SILVA
e LOPES, 1995). No entanto, colheita da batata-doce em condições ideais de cultivo, pode ter
seu início já aos 90 dias após o plantio, muito embora, geralmente, ela ocorra entre 120 e 150
dias (SILVA et al., 2002).

2.6 Tipos de Cultivo
A humanidade cultiva e semeia a terra há milhares de anos, e ao longo da história
muitos sistemas de cultivo surgiram e desapareceram (PEREIRA et al., 2007). Durante
séculos a prática da agricultura permaneceu estável até no começo do século XVIII.
Recentemente, nos países em desenvolvimento foram introduzidos padrões, práticas e pacotes
tecnológicos que tiveram uma repercussão negativa na autogestão dos recursos ambientais
pelas comunidades locais, visto que substituíram as culturas tradicionais (policulturas) pelas
monoculturas consideradas inadequadas para o ecossistema tropical (MONTEIRO, 1997),
citado por OLIVEIRA et al. (2005).
O sistema convencional em relação ao sistema orgânico tem entre suas diferenças
fundamentais a manutenção na unidade produtiva dos ciclos biológicos e a promoção da agro

13

biodiversidade, em busca da sustentabilidade econômica, social e ambiental da unidade. Na
agricultura convencional a racionalidade é tão somente para a viabilidade econômica, ao
passo que na agricultura orgânica são levadas em considerações outras racionalidades, tais
como: a necessidade de preservação de outras espécies; qualidade da água; qualidade da
estrutura e vida microbiana do solo (DULLEY, 1977). Concebe-se que na produção orgânica
os níveis de desenvolvimentos ambientais são bem melhores, uma vez que é proibido o uso de
fertilizantes sintéticos e agrotóxicos, e na pecuária tem o veto ao uso de confinamentos de
animais e antibióticos (FREITAS et al., 2005). Dessa forma, a presença da flora representa
uma importância muito grande quando as espécies do solo atuam como suas protetoras,
hospedeiras alternativas de inimigos naturais, patógenos, pragas ou ainda como cicladoras de
nutrientes (PEREIRA e MELO, 2008).
Trabalhando com manejo de solos, BATISTA et al. (2009) concluíram afirmando que
as futuras gerações também precisarão tirar sustento desta terra, e para isso leva em conta que
os recursos naturais são finitos e que inevitavelmente teremos de buscar novas formas de
produzir. Sugere que a agricultura ecológica deve substituir a produção extensiva que gera
danos ao meio ambiente, sendo ela economicamente viável aos pequenos e grandes
produtores por ter seus custos menores.
“Fundamentalmente o problema da agricultura moderna é que ela não é sustentável,
ainda que fosse tão produtiva como se afirma, o desastre ecológico apenas seria passado pra
mais adiante. Está claro que devemos também controlar nossos números de habitantes, se
queremos alimentar essas massas crescentes” (LUTZEMBERGER, 2001).
2.6.1 Sem Utilização de Insumos - Agricultor Familiar
A agricultura familiar tem em sua organização características específicas: a mão-deobra é familiar; a unidade produtiva é de dimensão menor; e a lógica empregada é voltada não
para as necessidades do mercado e sim para atender as necessidades familiares (FINATTO e
SALAMONI, 2008). É sempre lembrada dada a importância na absorção da mão-de-obra e na
produção de alimentos voltados principalmente para o autoconsumo, focalizando suas funções
mais para o social do que para o econômico, devido à menor produtividade e incorporação
tecnológica. A agricultura familiar é um fator de redução do êxodo rural e fonte de recursos
para famílias de baixa renda, contribuindo expressivamente para a geração de riqueza e
economia do setor agropecuário e do país (GUILHOTO, 2007), considerando que, embora
notórios, os avanços científicos e tecnológicos ainda não conseguiram eliminar a "base

14

natural" sob a qual se assenta a produção de alimentos e fibras, e muito menos subverter os
processos produtivos agrícolas (CARNEIRO, 1996).

2.6.2 Orgânico
Foi através de Albert Howard na década de 1920, na Índia, que ocorreram os primeiros
estudos relativos aos cultivos orgânicos, desenvolvendo pesquisas para a manutenção da vida
e da fertilidade dos solos, pela matéria orgânica, e como conseqüência a nutrição das plantas.
Durante 40 anos trabalhando com cultivos não convencionais, resultou em uma publicação em
1940, An Agricultural Testament, contendo várias informações da interação positiva entre a
saúde humana e ambiental e a agricultura saudável e equilibrada. Considera que a propriedade
orgânica é um agro ecossistema e dependente da biodiversidade local, da interação biológica
entre as espécies, e principalmente, da vida que existe no solo, e que a diversificação é de
fundamental importância para um sistema equilibrado e sustentável de cultivo de longo prazo
(SILVA, LOPES e MAGALHÃES, 2004).
2.6.2.1 Formas
Mesmo existindo várias formas de cultivo orgânico tecnificado, para o
desenvolvimento desse trabalho são considerados apenas dois: o

cultivo orgânico

propriamente dito e o biodinâmico.
2.6.2.1.1 Orgânica

A agricultura orgânica pode ser conceituada como um sistema que leva em
consideração e maneja as unidades agrícolas como um organismo, visando o equilibrio
dinâmico do agroecossistema através de processos biológicos para uma produção saudável
(RAUPP e KÖNIG, 1996). A denominação “Orgânica” passou a ser mundialmente a mais
difundida, sendo consagrada com a fundação da IFOAM – Federação Internacional de
Movimentos de Agricultura Orgânica em 1972 (PASCHOAL, 1994).
Uma das diferenças fundamentais do sistema orgânico em relação ao convencional é a
promoção da agro biodiversidade e da manutenção dos ciclos biológicos na unidade
produtiva, procurando a sustentabilidade econômica, social e ambiental da unidade, no tempo
e no espaço. Neste contexto, a flora presente assume grande importância quando as espécies
da comunidade atuam como protetoras do solo, como hospedeiras alternativas de inimigos

15

naturais, pragas, patógenos ou como mobilizadoras ou cicladoras de nutrientes (PEREIRA e
MELO, 2008).
Quando comparados com os produtos do sistema convencional, o alimento do sistema
orgânico tem uma maior diversificação em sua composição, são ricos em aminoácidos, fito
hormônios, minerais e proteínas, e ainda com maiores teores de carboidrato e matéria seca
(SOUZA, 2003).
Existem variações nos agros ecossistemas tradicionais orgânicos, de acordo com
circunstâncias históricas e geográficas, embora várias de suas características estruturais e
funcionais compartilhem entre si, assim sendo:
-Existe uma grande diversidade de espécies;
-Usa vários microambientes de diferentes características, como: solo, água,
temperatura, altitude, declividade ou fertilidade, isso em um único campo de cultivo, ou em
uma região;
-Recicla os materiais mantendo eficientemente os ciclos;
-Mantém um grau de supressão biológica de pragas através do suporte de
interdependências biológicas complexas;
-Mobilizam os recursos energéticos baseado no homem e no animal, utilizando
baixos níveis de insumos tecnológicos;
- Produzem para consumo local (ALTIERI, 2004).
“Sucessivamente a indústria vem se apropriando de parte crescente nas atividades dos
agricultores, se apoderando dos lucros seguros, deixando vários riscos, dentre eles o insucesso
das colheitas por mau tempo, e o de perder dinheiro pela crescente dependência com relação
aos insumos agrícolas sempre mais caros, e a venda dos produtos conseguidos cada vez mais
baratos” (LUTZEMBERGER, 2001).

2.6.2.1.2 Biodinâmica

A agricultura biodinâmica foi desenvolvida a partir de oito palestras sobre agricultura
proferidas pelo cientísta e filósofo austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), para um grupo de
agricultores próximo a cidade de Breslau, parte da antiga Alemanha, hoje, Polônia (STEVE
DIVER, 1999; PERUMAL e VATSALA, 2010), onde foi repassado os conhecimentos sobre
como tratar o solo, a planta e o homem, de uma maneira diferente e com espiritualidade, ou
seja, de maneira com a antroposofia. Tratar sobre a agricultura biodinâmica sem a
antroposofia, a ciência espiritual, é uma incoerência (BERTALOT, 2010).

16

É difícil se dar uma definição concisa do método biodinâmico, no entanto algumas
considerações são inerentes ao produtor biodinâmico, tais como:
-Os agricultores biodinâmicos têm que ser diversificados em relação a todos os
habitat, cultivar inclui o balanço entre a melhoria e a exaustão das colheitas.
-Os principais materiais para a adubação são produzidos na própria fazenda. Os
efeitos do esterco na vida do solo e das plantas são incrementados com os preparados
biodinâmicos.
-Uma taxa adequada de ocupação da terra é muito importante para os campos. Boas
produções com saúde dos solos são mais importantes que os picos produtivos.
-Os agricultores que seguem esses caminhos melhoram a qualidade do sistema
ecológico, do qual ele faz parte. Os valores dos produtos são melhores, não somente pelo
motivo de não se usar a agricultura química que pode causar problemas de resíduos, mas
principalmente porque a qualidade é alcançada com o pensamento em se obter uma ótima
relação entre os fatores de desenvolvimento para o solo, a atmosfera e a influência cósmica
(KOEPF, PETTERSON e SCHAUMANN, 1976).
Semelhante a um agricultor orgânico, o agricultor biodinâmico não precisa de
pesticidas e fertilizantes sintéticos, ele enfatiza a vivificação do solo com o composto
orgânico, adubos de animais e vegetais, rotação de culturas e biodiversidade. A principal
diferença é que os agricultores biodinâmicos usam oito preparados específicos para controle
de doenças e pragas, aumentando a qualidade e quantidade dos alimentos, e a saúde dos solos
(PERUMAL e VATSALA, 2010). LORAND (1996), usa um modelo de paradigma descrito
por EGON GUBA, em The Alternative Paradígm, para esclarecer a crença essencial para
sustentar as práticas biodinâmicas:
1- Crenças sobre a natureza da realidade no que diz respeito à agricultura. Crença
ontológica;
2- Crença sobre a natureza da relação entre o praticante e a agricultura. Crença
epistemológica;
3. Crença em como o praticante deve ir trabalhando com a agricultura. Crença
metodológica.
Em revisão de literatura sobre agricultores biodinâmicos, REGANOLD (1995),
resume que na comparação com agricultores convencionais de produtos químicos, geralmente
os agricultores biodinâmicos tem melhor qualidade de solo, menores produções, igual ou
superior retorno líquido por hectare, e que em estudos com e sem preparados biodinâmicos,

17

houve uma melhoria nas propriedades biológicas do solo e um aumento no crescimento das
raízes, para os tratamentos com preparados biodinâmicos.
O ser humano é o ponto central da agricultura biodinâmica, que conclui a criação a
partir de suas intenções espirituais, baseadas numa verdadeira cognição da natureza, com esse
ser humano transformando seu sítio ou fazenda num organismo em si, concluso e o mais
diversificado possível, do qual produza uma renovação (SIXEL, 2006).
Em poucas palavras a biodinâmica pode ser entendida como a combinação de práticas
de agricultura dinâmica e biológica. “Praticas biológicas” incluem uma série de saberes
técnicos de uma propriedade orgânica que melhora a saúde do solo. “Práticas dinâmicas” são
entendidas como a influência biológica bem como aspectos metafísicos da fazenda (como
aumento da força vital), ou para a adaptação na fazenda aos ritmos naturais. O princípio
fundamental da agricultura biodinâmica é que os alimentos acrescidos biodinamicamente têm
melhores sabores que os produzidos pelos métodos convencionais (DIVER, 1999).

2.6.2.2 Tecnologia orgânica (Compostagens)

No cultivo orgânico e cultivo biodinâmico a compostagem aparece como ténica mais
importante, pois além de visar a fertilização, também é empregada na melhoria das
características biológicas e físico-químicas do solo. Dependendo da forma de cultivo orgânico
a compostagem requer procedimentos específicos, a seguir descritos.

2.6.2.2.1 Compostagem orgânica
A origem da palavra composto é do latim “compositu”, que tem o significado de um
complexo de vários elementos juntos DINIZ FILHO (2007), compostagem é a maneira de se
obter o composto. Compostagem é o processo controlado de preparo de fertilizante natural,
capaz de potencializar a degradação biológica da matéria orgânica, na presença de oxigênio,
que após a cura, transforma-se em uma substância enriquecedora, mantenedora e protetora
dos solos agrícolas.
A prática da compostagem em pilhas está registrada na China a mais de 2000 anos. Foi
também descrita a mais de 1000 anos por Abu Zacharia Iahia, em Servilha, através do
manuscrito “El Doctor Excellente” relatando os 3000 anos antecedentes, posteriormente
publicados após tradução do árabe para o espanhol, como “El Libro de Agricultura”. Onde o
autor recomenda a mistura de resíduos vegetais na proporção de 5 a 10 vezes mais que os

18

dejetos de cama de animais, aproveitando as urinas, ao invés da aplicação deles frescos.
Posteriormente na Europa durante os séculos XVIII e XIX, os agricultores ao retornarem das
cidades com seus produtos, apanhavam resíduos sólidos para utilização nas suas terras como
corretivos orgânicos do solo, fazendo reciclagem para sustentação da produção vegetal
(BRITO, 2010).
Há muito tempo os homens convivem em aglomerados cada vez maiores e mais
concentrados acumulando seus excedentes de usos diários, o lixo, em volumes quase
impossíveis de se administrar. Esse lixo urbano tem um grande potencial poluidor, assim
como o lodo de esgoto e resíduos industriais. Destinar ambientalmente correto e
economicamente viável esses resíduos constitui uma grande desafio ao homem (MELO et al.,
2007). Em trabalho com tratamento de lixo domiciliar para áreas degradadas (SILVA, 2007),
afirma do crescente aumento na produção de resíduos decorrente das atividades humanas na
indústria, na agricultura, no comércio e na área residencial, devido às mudanças no consumo
da sociedade, crescendo as ofertas no mercado sem a devida destinação final dos resíduos.
Essas grandes produções de resíduos orgânicos são geralmente incineradas ou
descartadas em terrenos baldios, constituindo uma grande preocupação para os municípios,
pelo problema relacionado ao saneamento ambiental e também pelo desperdício de nutrientes.
A reciclagem devidamente adequada desses resíduos resolve a questão ambiental além de
gerar insumos orgânicos para a agricultura (LOUREIRO et al., 2007). O despejo desses
materiais nesses locais e em aterros, freqüentemente se associa a produção de chorume, que é
altamente poluente, contaminando desde os solos até os mananciais de água para consumo
humano e suas demais atividades. Sendo assim, a compostagem desempenha função relevante
absorvendo grande parte desses resíduos, reciclando a matéria orgânica e dando um
tratamento seguro a esses materiais propiciando uma série de benefícios as comunidades
carentes (PEREIRA NETO, 1992). Ainda, BELTRAME (2008), cita a destruição de vários
patógenos e parasitas no processo de compostagem, tais como: Salmonella typosa,
Escherichia coli, Taenia saginata, Brucella abortus, B. suis, Mycobacterium tuberculosis var.
hominis, Corynebacterium diphteriae.
ALBUQUERQUE et al (2009) constataram uma produção mensal de 750 quilos de
resíduos orgânicos na sede da Embrapa no Estado de Roraima, oriundos das atividades e
serviços locais, podendo resolver esse problema transformando, valorizando e reutilizando em
pomares e jardins, como fertilizantes orgânicos, após o processo de compostagem.
Obtido do lixo, sem contaminação de materiais pesados, de restos de culturas e dejetos
de animais, o composto é um adubo orgânico de ótima qualidade. Tendo como princípio

19

básico a transformação de restos orgânicos pela ação de microorganismos do solo (bactérias,
actinomicetos, fungos e protozoários), resultando na matéria orgânica humificada, na presença
do ar, por se tratar de um processo aeróbico, para melhor atividade microbiana. No processo
de produção do composto, procura-se fazer uma mistura de materiais ricos e pobres em
nitrogênio, para que a decomposição seja rápida e sem perdas do elemento, aumentando
consideravelmente a produção de adubos orgânicos, visto que, todo material orgânico pode
ser utilizado (LOURES, 1983). É de coloração escura, possui cerca de 50 a 70% de matéria
orgânica e é rico em húmus, classificando-se como adubo orgânico por ser preparado de
materiais de origem animal e vegetal (OLIVEIRA et al., 2004).
Restos de origem de vegetais como: raízes de plantas; cascas de frutas danificadas por
insetos ou doenças; restos de alimentação de animais; restos de capinas; colheitas; podas;
folhas; galhos; caules; cascas de árvores; inflorescências; palhas; sabugos; bagaços; cama de
animais; plantas aquáticas; e restos de animais, tais como: cascas de mariscos em geral; casca
de ovo; vísceras; ossos; penas e esterco; desprezados como lixo, constituem material de
excelente qualidade para produção de adubo orgânico, rico em nutrientes e matéria orgânica,
que estimula a vida e a fertilidade do solo e contribui para o desenvolvimento e nutrição das
plantas (NUNES, 2009).
A compostagem é de grande importância econômica, pois alem de reciclar os resíduos
que seriam perdidos, proporciona trabalho e diminui os altos consumos de fertilizantes
químicos, auxiliando também na destruição de ervas daninhas e de patógenos presentes.
FIORI et al. (2008), atentam que a objetividade da reciclagem de resíduos não se resume em
recuperar elementos valiosos como N,P e K, considera que a produção de alimentos, energia e
outros benefícios como o controle da poluição a melhoria de condições de saúde pública.
OLIVEIRA et al. (2004), explicam que, no solo, a matéria orgânica não é somente
fornecedora de nutrientes para as plantas, mas principalmente um agente modificador na
melhoria das características físicas e biológicas.
O composto possui várias características benéficas, dentre elas podemos enumerar
algumas: melhora as características físicas estruturais do solo, aumenta a capacidade do solo
em reter água e ar, ativa deveras a vida microbiana do solo, aumenta o teor de macro e micro
nutrientes, possui ação agregadora do solo, aumenta a estabilidade do pH, auxilia o processo
de recuperação de solos degradados e propicia o desenvolvimento radicular das plantas e
melhora as condições de saúde pública eliminando doenças relacionadas ao lixo (PEREIRA
NETO, 1992, 1995). Organicamente o manejo do solo é conduzido pela reciclagem da
biomassa, envolvendo restos culturais, via compostagem, adição de cobertura morta e outras

20

práticas condizentes com a reciclagem de nutrientes. O mundo inteiro adota o uso de
compostos orgânicos, como base central dos sistemas orgânicos (OLIVEIRA et al., 2004).
A adição de composto melhora as qualidades de retenção de água em solos arenosos,
reduzindo danos às plantas pela seca. Quanto acrescido em solos pesados o composto
aumenta a capacidade de aeração e drenagem (BASS et al., 1995).
Geralmente a aplicação de composto no solo melhora sua estrutura e incrementa as
lavouras, reduzindo a densidade e resistência das raízes, promovendo uma penetração mais
profunda. A estabilidade de agregados dos solos é altamente dependente do conteúdo de
húmus, que por sua vez pode ser aumentado com a adição de composto. Sua incorporação
geralmente aumenta a sua porosidade e a capacidade de troca de cátions dos solos
(BALDIWIN e GREENFIELD, 2009).
Outra maneira de se fazer a compostagem aeróbica, é a compostagem laminar,
disposta em lâminas, no local de utilização do composto, podendo ser nas projeções das copas
das árvores ou ainda no local onde poderá ser montados os canteiros de cultivos. Nesse tipo, é
dispensado o reviramento manual, os insetos e minhocas que se desenvolvem no local fazem
o trabalho (NUNES, 2009).
A maioria das compostagens orgânicas é preparada com estercos de bovinos e
caprinos sendo que o esterco de eqüinos constitui mais uma alternativa para esse fim GOMES
et al. (2008) apud SILVA et al. (2006). Em trabalho realizado com esterco de eqüinos e
leucena ―Leucaena leucocephalla (Lam.) de Wit. (Leguminosae)―, GOMES et al. (2008),
relatam que o tratamento com a proporção de 75 kg de esterco de eqüinos e 25 kg de leucena,
apresentou teores de elementos químicos excelentes, comparados aos outros compostos, com
matéria orgânica de 14,9%, fósforo 875 mg/dm3, magnésio 77,5 mmol/dm3, com pH de 6,5 e
níveis ideais de potássio 15,8 mmol/dm3 e cálcio com 44,8 mmol/dm3.
A compostagem pode ser feita de todos os resíduos agrícolas, em princípio, muito
embora, para se obter um composto de qualidade em um menor tempo, é necessário que os
teores de carbono e nitrogênio estejam em proporções adequadas, C/N=30/1, dessa maneira as
colônias de microorganismos envolvidas no processo são favorecidas em suas atividades e
crescimento. Isto devido ao fato de ser essa proporção a que os microorganismos absorvem
esses elementos, podendo ter variação entre 26/1 a 35/1, como limites recomendados para
uma rápida e eficiente compostagem, ajustando essas medidas com materiais celulosos para
aumentar a quantidade de carbono, ou com materiais como estercos, camas de animais e torta
vegetais, ricos em nitrogênio. No final do processo dependendo do teor da umidade e do

21

material utilizado a compostagem pode render de 1/3 a 1/2 do volume inicial, ou seja, de 400
a 600 kg.m3 (CARVALHO, 1999).
Alguns requisitos básicos devem ser atendidos para uma boa compostagem, tais como:
o tamanho das partículas, devem ser pequenas para não comprometer o processo de aeração e
evitar a compactação das pilhas, os resíduos com partículas grandes reduzem a superfície de
contato com microorganismos, os restos de cultura como soja, feijão, gramas folhas, podem
ser compostados inteiros, a umidade deve esta em torno de 40% a 60%, níveis abaixo de 35%
compromete a ação dos microorganismos e acima de 65%, começa a ter problemas de aeração
da pilha, o arejamento é de fundamental importância permitindo a troca de calor liberada
pelos microorganismos e evita maus odores. A temperatura é o indicativo do processo de
decomposição, deve-se monitorar para diagnosticar os estágios da fermentação dos resíduos.
As pilhas devem ser montadas em camadas obedecendo à relação C/N, com altura entre 1,5 a
1,8m e comprimento variável de acordo com a quantidade de material. O uso da
compostagem deve ser imediatamente após o processo de decomposição onde ele apresenta
sua maior eficiência (CARVALHO, 1999).
Foi desenvolvido um processo para se obter compostagem rápida em apenas 2 a 3
semanas. São requeridos esforços extras em troca dessa economia de tempo, mas uma grande
quantidade de composto pode ser processada em um curto espaço de tempo. Existem fatores
muito importantes que são essenciais para se produzir composto rápido, tais como: tamanho
do material de 1,5 cm a 4 cm, relação C/N deve ser de 30/1, umidade em torno de 50%,
revolvimento contínuo para a aeração e evitar aquecimento acima de 71ºC, revolvimento
diário o composto fica pronto em 2 semanas ou um pouco mais, controle de temperatura pela
umidade das pilhas de compostagem. A rápida decomposição pode ser detectada pelo cheiro
agradável, pelo calor produzido, pelo crescimento de fungos brancos no material, pela
redução do volume da pilha e pela coloração marrom escuro do material. Quando a
decomposição está próxima de se completar sua temperatura baixa dos 40ºC até a temperatura
ambiente, quando finalmente nenhum ou pouco calor é produzido, então está pronta para ser
usada (GEISEL e UNRUH, 1991).
A compostagem não promete resolver todos os problemas de manuseio do estrume, é
trabalhoso, requer tempo e outras atividades, que são onerosas no seu manejo e manutenção.
Quando se processa pequenos volumes de resíduos os equipamentos necessários geralmente
estão disponíveis na fazenda. Porém, se esse volume for grande, a compostagem passa a ser
rapidamente um processo caro e de trabalho intenso, podendo ter investimento principalmente

22

em equipamentos de compostagem que podem custar de US$ 7.000 a mais de US$ 100.000
(LACROSS e GRAVES, 2002).
Em áreas bastante erodidas o uso da compostagem permite o estabelecimento da
vegetação e diminui a erosão. Em um estudo conduzido, mostrou-se que a aplicação de
composto no solo reduz em 86% a erosão comparada com um solo descoberto, sedimentos
que atingem águas superficiais nas proximidades em 99% quando comparados com cercas de
lodo, e 38% quando comparada a aplicação de semeadura em águas. O composto controla a
erosão das seguintes maneiras: aumenta a infiltração de água na superfície do solo, diminui o
transporte de partículas do solo através do escoamento superficial, aumenta o crescimento das
plantas e cobertura do solo, aumenta a capacidade de retenção de água reduzindo o
escoamento superficial, estabiliza o pH aumentando o estabelecimento do crescimento
vegetativo, alivia a compactação do solo pelo aumento na composição de sua estrutura
(DEMARS, 1998).
De acordo com o Departamento de Agricultura, os Estados Unidos perdem por ano
mais de 2 bilhões de toneladas de solos superficiais devido à erosão, remove solos férteis, rico
em nutrientes e matéria orgânica, reduzindo a habilidade das plantas em se estabelecer,
crescer e a saúde do solo. A redução no crescimento das plantas e sua subseqüente diminuição
de resíduos causam uma menor cobertura dos solos, permitindo a perpetuação do processo de
erosão. O perigo desse processo é que ele pode ser imperceptível, e eventualmente pode
tornar o solo infértil (RISSE e FAUCETTE, 2009).
2.6.2.2.2 Compostagem biodinâmica
Na individualidade agrícola biodinâmica a compostagem obedece ao princípio
indispensável de retornar à terra todo resíduo biodegradável. A biodinâmica conta com dois
preparados para a planta e o solo, e seis preparados para a pilha do composto. Os preparados
não são meros organismos para acelerar processos, e sim catalisadores que dão melhoria e
direcionam os processos que acontecem na transformação da matéria prima original para a
estabilização e humificação (ÁVILA, 2010).
Cada preparado tem uma função específica, assim segue: o Preparado (502)
Preparado de Mil-folhas ―Achillea millefolium, L. (Asteraceae)―, a base de bexiga de
cervo-vermelho ―Cervus elaphus, Linnaeus,1758

(Mammalia: Cervidae)―, atua no

composto através do potássio e enxofre trazendo forças de vivificação. O Preparado (503)
Preparado de Camomila ―Matricaria chamomilla, L. (Asteraceae)―, erva medicinal, serve
como organizador e condutor (forças de estruturação) dos processos de fermentação e

23

decomposição, suplementando a compostagem, o esterco, chorume e biofertilizante. O
Preparado (504) Preparado de Urtiga ―Urtica dioica, L.(Urticaceae), traz forças
construtivas e saneantes para o solo, plantas, animais e o homem. O Preparado (505),
Preparado de Casca de Carvalho ―Quercus robur, L. (Fagaceae)―, de forças curativas
esse preparado protege contra doenças fúngicas e ataques de insetos. O Preparado (506),
Preparado de Dente de Leão ―Taraxacum officinale, L. (Asteraceae)―, planta portadora
do silício que a faz um órgão de sentido peculiar para a luz sensitiva. Traz sensibilização para
o composto e para o solo. O Preparado (507), Preparado de Valeriana ―Valeriana
officinalis, L. (Valerianaceae)―, tem propriedades justas com relação a substâncias
fosforosas. Forma uma capa protetora ao composto e favorece a desenvolvimento de
minhocas (ÁVILA, 2010).
Um ponto de discórdia entre os praticantes da biodinâmica e os não praticantes é o uso
das quantias dos preparados. Na preparação do composto biodinâmico o total dos preparados
pesa entre 15-20 g, aplicado em 13,6 t de material para compostagem, dando uma
concentração de 1,1 mg de preparado para cada kg de composto. O que parece uma
quantidade muito pequena para causar algum efeito aparente. Muitos componentes bioativos
que afetam o crescimento de importantes organismos são mais efetivos em minúsculas
quantidades (STOUTEMYER, 1981), com uma quantidade de menos de uma parte por
milhão, o etileno é biologicamente ativo (TAIZ e ZEIGER, 2006). Trabalhando com
preparados biodinâmicos para saber seus efeitos no desenvolvimento do composto
CARPENTER-BOGGS et al., (2000), concluíram que os preparados afetam perceptivelmente
na composição química e nos parâmetros biológicos.
Existem muitas variáveis que sugerem que a compostagem biodinâmica é diferente da
compostagem que não é biodinâmica. A compostagem com tratamento biodinâmico é
consideravelmente mais quente que a não tratada, e essa elevação de temperatura geralmente
é causada devido a uma maior atividade microbiana resultando em uma decomposição mais
rápida e um melhor controle de sementes de plantas daninhas e patógenos (POINCELOT,
1972).
Torta de filtro, bagaço e lama de decantação são resíduos da industrialização da canade-açúcar e servem para compostagem, e quando colocada em latossolos é uma alternativa
econômica e viável, que efetivamente causa aumento de rendimentos, principalmente se o
composto é combinado com preparados biodinâmicos (DÁRIO et al., 2010).
As plantas de adubação nitrogenada são normalmente mais atacadas por pulgão
(SCHUPHAN, 1970), e observando que eles requerem mais aminoácidos livres dos fluxos de

24

feixes vasculares das plantas (SHAFFER, 1961; MARKKULA e LAURENS, 1967), viu que
as plantas desenvolvidas organicamente são menos susceptíveis a pulgões por três razões: (1)
elas tem maior espessamento colenquimatoso e conseqüentemente maior resistência na parede
celular; (2) elas tem menor quantidade de água; e (3) elas tem menores conteúdos de
aminoácidos livres, citados por (HILDEBRAND, 1983).
Em trabalho com batata ―Solanum tuberosum L. (Solanaceae)―, a infestação de
cisto causado pelo namatoides Globodera spp., foi menor em todos os tratamentos,
biodinâmico, convencional e a misturas dos dois anteriores, sendo que a redução foi maior no
tratamento biodinâmico, resultando em uma maior produção (DEVRAJAN et al., 2000).

2.6.3 Químico
O cultivo químico também conhecido como agricultura moderna é formado por um
conjunto de técnicas produtivas que advém de meados do século xix, também designada como
a segunda revolução agrícola, onde foi baseada no lançamento de fertilizantes químicos por
Liebig, baseia-se no uso de sementes manipuladas geneticamente para o aumento da
produtividade e o uso de agro químico (agrotóxicos e fertilizantes) alem da maquinaria
agrícola Por sua vez o agricultor torna-se dependente de tecnologias/recursos/capital do setor
industrial, e devido ao seu fluxo unidirecional leva a degradação do ambiente e a
descapitalização, criando uma situação insustentável a longo prazo (Ambientebrasil, 2008).
Para manter a competitividade há a necessidade de aumento de todos os setores da
economia globalizada, não sendo a agricultura diferente. Esta vem sendo vista de outra forma
com a evolução de tecnologias como geoprocessamento, informática, sistema de
posicionamento global e muitas outras, transformando uma única propriedade em várias
outras, porem com características específicas. Devido a essa nova maneira de lidar com a
agricultura o produtor rural mais e mais se transforma em um empresário rural, devido ao
controle cada vez maior da linha de produção. É necessária essa mudança para que se tenha
um tratamento à propriedade de maneira não homogênea, tendo o produtor que ter
conhecimento de cada metro quadrado de sua propriedade, na linha de produção
(TSCHIEDEL e FERREIRA, 2002).
Os principais fatores que afetam a produtividade mundial estão ligados a varios
aspectos agros ecológicos e socioeconômicos, condicionando de maneira geral a configuração
de diversos sistemas produtivos. Assim, a quantidade e a qualidade dos recursos produtivos
utilizados, e também a tecnologia empregada na transformação desses recursos em produtos,

25

formam determinantes fundamentais no desempenho produtivo na agricultura. Dessa forma,
quanto maior seja a industrialização, maior tenderá a produtividade, influenciada fortemente
por recursos em pesquisa e desenvolvimento e pelas condições infra-estruturares e
características regionais (LAZZAROTTO e LEITE, 2007).

26

3 MATERIAL E MÉTODOS

3.1 Descrições do Local do Experimento

O presente trabalho foi conduzido no ano de 2009 na área experimental da Unidade
Acadêmica Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas (U.A.CECA),
localizada na BR 104 Norte, km 85, município de Rio Largo, Estado de Alagoas. O solo é
classificado como Latossolo Vermelho Amarelo Distrófico (LVd05) (EMBRAPA, 2006). O
município de Rio Largo está localizado a uma latitude de 9o 27’S, longitude de 35o 27’W e
uma altitude média de 127 m acima do nível do mar, com temperaturas médias de máxima de
29oC e mínima de 21oC, com pluviosidade média anual de 1.267,7mm. (CENTENO e KISHI,
1994).

3.2 Material Genético do Experimento

Os genótipos escolhidos para a experimentação foram os clones promissores do
Programa de Melhoramento Genético da Unidade, sendo: Clone 03, Clone 06, Clone 09 e
Clone 14, além da variedade Sergipana, considerada padrão para a região e para este
experimento.

3.2.1 Ramas do material genético

O experimento foi plantado com ramas de batata-doce provenientes de um único local
de multiplicação, plantado na mesma época e recebendo todos os tratos culturais idênticos,
sem adição de fertilizantes e agrotóxicos sintéticos, localizado em uma área próxima do
ensaio.

27

3.3 Tipos de Cultivos Utilizados

Foram utilizados 4 tipos distintos de cultivos para a cultura da batata-doce, porem
diversas atividades foram executadas igualmente para todos os tratamentos. O preparo do solo
foi feito com trator de pneus de 80 cv, com uma grade aradora de discos de 28 pol., para
revolvimento e incorporação da matéria orgânica na forma de capim, e uma grade niveladora
com discos de 20 pol. para desestruturar os torrões do solo. A confecção dos camaleões foi
feita com um sulcador de 2 bicos, no sentido contrários a pequena declividade existente, e a
predominância dos ventos locais.

3.3.1 Cultivo biodinâmico

Após a instalação do experimento, foi aspergido no solo das parcelas do cultivo
biodinâmico o Preparado 500 (Preparado Chifre-Esterco), elaborado a partir de esterco de
vacas em lactação, inseridos em chifres de vacas, e com 30 e 60 dias após o plantio, nas ramas
de batata-doce o Preparado 501 (Preparado Chifre-Sílica), elaborado a partir de sílica moída
em chifre de vacas, ambos dinamizados em recipiente de madeira durante uma hora.
Aplicação de inseticida/fungicida orgânico, extrato de nim, aos 30, 60, 90, 105, 120, 135 e
150 dias de plantio, e fertilização oriunda de compostagem biodinâmica. Foram executadas
capinas manuais e freqüentes, para deixar livre de mato competição ao redor das ramas.

3.3.2 Cultivo orgânico

Aplicação de inseticida/fungicida orgânico aos 30, 60, 90, 105, 120 dias de plantio, e
fertilização oriunda de compostagem orgânica. Capinas freqüentes e manuais, para deixar
livre de mato competição ao redor das ramas.

3.3.3 Cultivo do agricultor familiar

Os tratos culturais referentes a esse tipo de cultivo ficaram resumidos as capinas
manuais, visto que na região esse procedimento é o mais freqüentemente utilizado pelos
agricultores familiares.

28

3.3.4 Cultivo químico

Fertilização química e aplicação de inseticida/fungicida orgânico, extrato de nim, aos
30, 60, 90, 105, 120, 135 e 150 dias de plantio. Capinas freqüentes e manuais para deixar livre
de mato competição ao redor das ramas.

3.4 Elaboração da Compostagem

Dois tipos de compostagem foram utilizados no experimento: a orgânica e a
biodinâmica. Ambos foram elaborados sob as mesmas condições, porém com diferença para a
compostagem biodinâmica que recebeu preparados biodinâmicos.

3.4.1 Componente vegetal

O material vegetal utilizado para elaborar a compostagem foi obtido por meio de roço
mecânico em uma área do CECA, em regime de repouso por cinco anos, isenta de aplicação
de quaisquer tipos de produtos químicos, com grande predominância de capim gordura
―Melines minutiflora Pall de Beauv. (Poaceae).

3.4.2 Esterco

O esterco utilizado para a elaboração das pilhas de compostagem foi proveniente de
uma propriedade localizada na região do agreste, no Município de Major Izidoro, Estado de
Alagoas, de vacas predominantemente da raça girolando, com três parições em média,
alimentadas com palma forrageira ―Opuntia fícus-indica (L.) P. Mille. (Cactaceae)―, e
pastagens nativas isentas de aplicação de produtos e fertilizantes químicos.

3.4.3 Montagem e condução das pilhas de compostagem

As pilhas de compostagem foram montadas em local previamente escolhido, com uma
sutil declividade, sombreada naturalmente por árvores no sentido leste/oeste e com ventilação
natural (Fig. 1 A). A proporção utilizada foi de três partes de material vegetal para uma parte
de esterco seco, para a compostagem biodinâmica e orgânica.

29

A montagem foi feita no solo em cima de uma simples grade de madeiras roliças
cortadas das árvores do sombrio, dispostas em camadas, sendo a primeira e última de capim,
recebendo uma pequena quantidade de água para tornar o material úmido, por camada. Ao
longo das pilhas de compostagem foram colocadas estacas para facilitar a aeração, e
finalmente totalmente envoltas com capim seco (Fig. 1C).
À pilha de compostagem biodinâmica foram acrescentados os seguintes materiais
biodinâmicos:
(1) Preparado 502, também conhecido como “Preparado Mil-folhas”, Achillea
millefolium, L. (Asteraceae), elaborado à base de flores, em bexiga de cervo-vermelho macho,
Cervus elaphus, Linnaeus, 1758 (Mammalia: Cervidae);
(2) Preparado 503 ou “Preparado Camomila” Matricaria chamomilla, L. (Asteraceae),
elaborado à base das flores em tripas de bovino;
(3) Preparado 504 ou “Preparado de Urtiga” Urtica dioica, L. (Urticaceae), elaborada
com a planta da urtiga e envolvida em uma camada de turfa;
(4) Preparado 505 ou “Preparado Casca de Carvalho”, Quercus robur, L. (Fagaceae),
elaborado a base de farelo da casca de carvalho em crânio de animal doméstico;
(5) Preparado 506 à base “Preparado de Dente de Leão”, Taraxacum officinale, L.
(Asteraceae), elaborado com flores de dente de leão envolvidas em mesentério de vaca;
(6) Preparado 507 ou “Preparado Valeriana”, Valeriana officinalis, L. (Valerianaceae),
preparado a base de flores de valeriana (HERMINIO, 2010).
Após a primeira semana da montagem foi feito um monitoramento da temperatura das
pilhas de compostagem (Fig. 1D), para controle e determinação de aguadas e reviramentos
esporádicos (Fig. 1E, F).
Com a finalidade de evitar perdas de nutrientes pela ação das chuvas que ocorreram
durante a fase final da decomposição (mineralização), providenciou-se a cobertura das pilhas
com material plástico (Fig. 2A).

30

A

C

E

B

D

F

Figura 1 – Etapas do processo de montagem da pilha de compostagem.
A – Escolha da área; B – Início do processo de montagem; C- Posicionamento de estacas
para ventilação; D- Controle da temperatura; E – Revolvimento; F – Desenvolvimento de
microorganismos decompositores de matéria orgânica.

31

3.5Delineamento Experimental e Análise Estatística

O experimento foi instalado numa área que previamente estava em pousio (Fig. 2B).
Foi adotado um delineamento em blocos casualizados, com 3 repetições em um arranjo
fatorial 5 x 4 (5 genótipos e 4 sistemas de cultivos), ficando cada bloco constituído de 20
parcelas e o experimento com um total de 60 parcelas (APÊNDICE 1). As parcelas foram
constituídas de três camaleões de 0,30 m de altura, espaçados de 1 m e com 6 m de
comprimento (Fig. 2C). Cada camaleão tinha um total de 15 plantas espaçadas de 0,5 m entre
as covas. O aspecto da área de estudo 12 dias após o plantio pode ser observado na Figura 2D.

A

C

B

D

Figura 2 – A - Pilha de compostagem protegida contra a ação das chuvas; B – Área de
repousio com vegetação nativa antes do preparo do solo e instalação do
experimento; C - Distribuição da compostagem nos camaleões; D- Aspecto geral
do experimento aos 12 dias após o plantio.
A área útil de cada parcela ficou constituída pelo camaleão central, descartando duas
plantas de bordaduras em cada extremidade, ou seja, um total de 11 plantas a serem avaliadas,

32

totalizando uma área de 5,5 m2, um pouco superior a utilizada por AZEVEDO et al. (2000),
em trabalho para seleção de clones de batata-doce (4,8 m2 de área útil por parcela).
Por se tratarem de determinações e finalidades bastante distintas, as variáveis
avaliadas foram divididas em dois segmentos: (1) variáveis agronômicas, e (2) variáveis
bromatológicas.

3.5.1 Variáveis agronômicas

Os tubérculos foram colhidos aos 150 dias e as variáveis agronômicas foram
determinadas em produção total de tubérculos por hectare (PTT), massa da parte aérea (PPA),
pesadas no campo com balança digital, médias de comprimento dos tubérculos (CMT) e de
diâmetro médio dos tubérculos (DMT), ambas medidas com paquímetro digital, além do
número total de tubérculos por hectare (NTC).
Para o cálculo dos percentuais da estratificação por peso, composta de sete faixas,
tomou-se como padrão a variedade Sergipana (Tabela 11), e o cultivo Químico (Tabela 12),
dentro de cada faixa, sendo: (1) PRODUÇÃO TOTAL, a soma de toda produção, (2) NÃO
COMERCIAL, para os tubérculos com peso menor que 80 g; (3) DIVERSOS INFERIOR,
para os tubérculos com peso entre 80 e 150 g, (4) ESPECIAL, para os tubérculos com peso de
151 a 200 g; (5) EXTRA A, para os tubérculos acima de 201 a 300 g; e (6) EXTRA B, para os
tubérculos entre 301 e 400 g. e (7) DIVERSOS SUPERIOR, para os tubérculos com peso
acima de 400 g; adaptado de MIRANDA et al. (1989).

3.5.2 Variáveis bromatológicas

A retirada das amostras de tubérculos e de partes aéreas dos genótipos de batata-doce
foram colhidas aos 150 dias, na área útil do ensaio, pesadas, e depois submetida à présecagem em estufa com ventilação de ar forçada a 55 °C, moídas com peneira de malha de 2
mm, e acondicionadas em sacos plásticos devidamente identificados para posteriores
determinações das seguintes variáveis bromatológicas: (1) teores de matéria seca (MS%); (2)
proteína bruta (PB%) e (3) matéria mineral (MM%), segundo SILVA e QUEIROZ (2002).

33

3.6 Instalação e Condução do Experimento

O experimento foi instalado após a aplicação, no solo, do Preparado 500 ou
Preparado Chifre-Esterco, nas parcelas com tratamento biodinâmico, no dia 15 de maio de
2009, em uma área preparada com grades aradora e de nivelamento, e sulcador mecânico. No
plantio foram utilizadas ramas sadias com 8 e 10 entrenós, dos quais 3 a 4 foram enterrados
no topo, lateralmente a leira. Foram feitas diversas limpas de enxada e manual, mantendo o
ensaio sem a competição de mato, excetuando-se as partes de corredores dos tratamentos
orgânicos e biodinâmicos.
Os tratamentos biodinâmico, orgânico e químico, receberam aplicações quinzenais de
extrato de nim ―Azadirachta indica A. Juss. (Meliaceae)―, para controle de eventuais
pragas e doenças. Durante o desenvolvimento, aos 30 e 60 dias, as parcelas com tratamento
biodinâmico receberam aplicação com o Preparado 501 ou Preparado Chifre-Sílica.
Posteriormente, foi aplicada irrigação por aspersão com lâmina de água igual para todos os
tratamentos com turno de rega de 4 dias durante o período de escassez hídrica a partir de final
do mês de agosto até a colheita manual aos 150 dias, em 15 de outubro de 2009.

3.7 Fertilização

Os resultados obtidos pela análise de solo até 20 cm de profundidade do local do
experimento teve os seguinte valores: pH= 5,64; P= 25,13; K= 28,00; Na= 13,00; H+Al=
5,70; Ca+Mg= 5,10; Ca=3,8; Mg= 1,30; Al=0,10; V= 47,84 e MO= 15,51 g.kg-1.
O tratamento tipo de cultivo “Agricultor Familiar”, não recebeu nenhum tipo de
fertilização, CARDOSO et al. (2005), em avaliação de clones de batata-doce, no sudoeste do
Estado da Bahia, não aplica calagem nem adubação com objetivo de simular pequenos e
médios agricultores da região, caracterizados como agricultores familiares. Os tratamentos,
tipo de cultivo Biodinâmico e Orgânico, receberam em aplicação única, fertilização de
compostagem incorporada no dia do plantio, cada qual com fórmula específica, e o tratamento
tipo de cultivo “Químico” recebeu adubação química, todos no dia do plantio. A
recomendação do Laboratório de Análises de Produtos Agropecuários (LAPA) do CECA foi
de 15 t.ha-1 de compostagem orgânica/compostagem biodinâmica, e de 500 kg.ha-1 de adubo
químico da fórmula 12-6-24. Em experimento com aplicação parcelada de esterco na
produção de batata-doce, PEREIRA JUNIOR (2008), relata não haver diferença significativa
no parcelamento para a produção total de raízes.

34

3.8 Procedimentos Estatísticos

As análises da variância do ensaio e no delineamento de blocos casualizados no
esquema fatorial de 5x4 e as comparações entre médias de genótipos de batata-doce e tipos de
cultivos foram realizadas utilizando-se o teste de Tukey no nível de 5% de probabilidade,
seguindo as recomendações de FERREIRA (2000), utilizando o programa computacional
SISVAR.

35

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Apesar de sua importância como uma cultura alimentar no Brasil, são poucos os
trabalhos de pesquisas visando selecionar e recomendar cultivares de batata-doce para
diferentes regiões do país (SILVA e LOPES, 1995).
O coeficiente de variação (CV%) para as variáveis: produção total de tubérculos
comerciais por hectare (PTT) e produção total de massa da parte aérea (PPA) (Tabela 1) neste
experimento foi elevado, levando-se em consideração os ensaios em agronomia de uma
maneira geral, no entanto, conforme CAVALCANTE et al. (2006), afirmam que valores altos
de CV(%) são comuns de serem encontrados nas variáveis relacionadas a órgãos e/ou
estruturas subterrâneas, devido o controle do ambiente ter sido dificultado. CARDOSO et al.
(2005), encontraram CV(%) de até 59% para produção comercial de tubérculos de batata
doce, corroborado pelos resultados que foram encontrados por (AZEVEDO et al., 2000), com
CV(%) de 44% para produção comercial de tubérculos de batata-doce, corroborando os
valores deste experimento.

4.1 Variáveis Agronômicas

As variáveis escolhidas para análise estatística desse experimento constam de: PTT
(produção total de tubérculos comerciais por hectare), PPA (produção de massa da parte aérea
por hectare), NTT (número total de tubérculos por hectare), DMT (diâmetro médio de
tubérculos) e CMT (comprimento médio de tubérculos).

36

4.1.1 Influência do tipo de cultivo e dos genótipos

Os resultados da análise de variância são abordados seguindo a disposição de como as
variáveis estão distribuídas na Tabela 1, ou seja: primeiramente foi relatada a variável PTT,
PPA, NTT, DMT, e por último a variável CMT, com seus respectivos resultados dentro dos
tratamentos: “Tipo de Cultivo” (TC), seguido pelo tratamento “Genótipo” (G) e por último
pela “Interação” (TC x G).
4.1.1.1 Produção total de tubérculos (PTT) por ha-1

Os resultados da análise de variância para produção total de tubérculos (PTT) mostram
que os tratamentos, tipos de cultivos e genótipos de batata-doce, foram significativos no nível
de 5% de probabilidade pelo teste F, indicando que os mesmos (tratamentos) têm efeito sobre
a produção.
No entanto, a interação entre os tipos de cultivos e genótipos foi não significativa no
nível de 5% de probabilidade pelo teste de F, indicando que os dois tratamentos são
independentes entre si, não interferindo na produção total de tubérculos (Tabela 1).
4.1.1.2 Produção total de massa da parte aérea (PPA) por ha-1

A produção total de massa da parte aérea de batata-doce obteve como resultado da
análise de variância que o tratamento tipo de cultivo (TC) foi não significativo, indicando que
a produção total de massa foi independente quanto aos tipos de cultivos utilizados. No
entanto, o tratamento genótipo obteve resultados que demonstraram ser significativos no nível
de 5% pelo teste F, demonstrando que a variedade e clones utilizados no experimento
diferiram entre si (Tabela 1).
A interação entre os tratamentos, tipo de cultivo e genótipo, foi não significativa pelo
teste de F, demonstrando neste experimento que não houve interferência quando se analisa os
tratamentos interagindo entre si (Tabela 1).
Em experimento com clones de batata-doce que constam neste mesmo ensaio,
CAVALCANTE et al. (2003) chegaram à conclusão que houve interferência dos genótipos na
produção total de massa por hectares, muito embora no nível de 1% de probabilidade pelo
teste F, quando neste experimento os resultados foram significativos no nível de 5% de
probabilidade.

37

4.1.1.3 Número total de tubérculos (NTT) por ha

Os resultados obtidos na Tabela 1, para a variável NTT da análise de variância,
indicam que os resultados diferem entre si quanto ao tratamento tipo de cultivo, que foram
significativos no nível de 1% de probabilidade pelo teste de F, o mesmo comportamento
também ficou evidenciado quando analisados os dados para genótipos de batata-doce.
A interação, tipos de cultivos versus genótipos, foi não significativa, no nível de 5%
de probabilidade pelo teste de F, os resultados demonstram que existe uma independência
entre os tratamentos.

4.1.1.4 Diâmetro médio dos tubérculos (DMT)

Na Tabela 1 a análise de variância para os resultados de diâmetro médio de tubérculos,
em diferentes tipos de cultivos, foi não significativa pelo teste de F, sendo, portanto,
independente, o diâmetro dos tubérculos em relação a esses tratamentos. Em relação à análise
de variância para o tratamento genótipos, os resultados foram significativos no nível de 1% de
probabilidade pelo teste de F, ou seja, houve interferência dos genótipos quanto ao diâmetro
médio dos tubérculos de batata-doce.
A interação tipos de cultivo versus genótipos foi não significativa no nível de 5% de
probabilidade pelo teste de F, demonstrando a independência entre os tratamentos tipo de
cultivo e genótipo.

4.1.1.5 Comprimento médio dos tubérculos (CMT)

O tratamento tipo de cultivo, aplicado para avaliar o comportamento do comprimento
de tubérculos de batata doce, na Tabela 1, teve em sua análise de variância o resultado não
significativo no nível de 1% de probabilidade pelo teste de F, indicando neste experimento
que o comprimento do tubérculo de batata-doce não teve interferência de tipos de cultivos. No
entanto, o tratamento genótipos obteve como resultado a significância de 1% de probabilidade
pelo mesmo teste, demonstrando haver interferência dos genótipos utilizados no comprimento
dos tubérculos.
Na tabela 1 os resultados da análise de variância para a interação entre tipos de cultivo
versus genótipos, foram não significativos no nível de 5% de probabilidade mostrando não
haver nenhuma interferência da interação no comprimento dos tubérculos.

38

TABELA 1 Resumo da análise de variância para as variáveis PTT (Peso Total de Tubérculos, em t.ha-1), PPA (Produção de Massa da Parte
Aérea, em t.ha-1), NTT (Número Total de Tubérculos, unidades por ha-1), DMT (Diâmetro Médio de Tubérculos, em mm) e CMT (Comprimento
Médio de Tubérculos, em mm), para diferentes tipos de cultivos e genótipos de batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], no município de Rio
Largo, Estado de Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2009.
CAUSA DE VARIAÇÃO

GL

QM
PTT

PPA

NTT

DMT

CMT

TIPO DE CULTIVO (TC)

3

37,1461 **

35.414,9556 ns

815.746.316,9370 **

50,8842 ns

1.201,2358 ns

ENÓTIPO (G)

4

48,5229 **

67.607,1417 *

406.272.626,7024 **

876,3295 **

2.047,8115 *

INTERAÇÃO (TC X G)

12

4,2288 ns

21.675,7194 ns

125.220.222,1405 ns

44,9723 ns

411,4325 ns

BLOCOS

2

-

-

-

-

18.138,4877

93.158.081,4109

53,0895

603,5323

55,68

29,87

13,32

18,00

RESÍDUO
CV(%)

4,7137
38
-

44,99

**: SIGNIFICATIVO A 1% DE PROBABILIDADE PELO TESTE F.
*: SIGNIFICATIVO A 5% DE PROBABILIDADE PELO TESTE F.
ns
: NÃO SIGNIFICATIVO A 5% DE PROBABILIDADE PELO TESTE F.

-

39

4.1.2 Influência do tipo de cultivo nas médias das variáveis de produção

Na Tabela 2, é mostrada a interferência que houve entre os tratamentos tipos de
cultivo: (1) Biodinâmico; (2) Orgânico; (3) Agricultor familiar e (4) Químico, nas
médias das variáveis agronômicas: PTT, PPA, NTT, DMT e CMT, para a cultura da
batata-doce.
Trabalhando com a finalidade de detectar a influência da matéria orgânica de
húmus em batata-doce, SANTOS et al. (2009), concluíram que a adição de 15 t.ha-1, foi
responsável pelo incremento de até 110% no rendimento total de tubérculos. De outra
maneira, OLIVEIRA et al. (2006), constataram que a adição de diferentes doses de
P2O5, resulta em incrementos significativos na produção de raízes comerciais de batadoce.

TABELA 2 Médias obtidas para variáveis PTT (Peso Total de Tubérculos em t.ha-1),
PPA (Produção de Massa da Parte Aérea, em t.ha-1), NTT (Número Total de Tubérculos
produzidos por hectare), DMT (Diâmetro Médio de Tubérculos em cm) e CMT
(Comprimento Médio de Tubérculos em cm), para tratamentos com diferentes tipos de
cultivos em batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], no município de Rio Largo,
Estado de Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2009.
TIPOS DE CULTIVO

VARIÁVEIS
PTT

PPA

NTT

DMT

CMT

BIODINÂMICO

4,15 a

2,29 a

28.926,41 a

5,22 a

13,52 a

ORGÂNICO

3,81a

2,39 a

28.196,97 a

5,46 a

13,70 a

AGRICULTURA FAMILIAR

4,17 a

1,90 a

28.769,70 a

5,66 a

12,59 a

QUÍMICO

7,17 b

3,07 a

43.366,67 b

5,53 a

14,77 a

2,13

1,32

9.471,51

0,72

2,41

5%

40
4.1.2.1 Médias do peso total de tubérculos (PTT) em t.ha-1
A média de peso dos tubérculos para o tratamento, tipo de cultivo, foi abaixo da
média para o Estado de Alagoas, que é em torno de 9,07 t.ha-1, em todos os tratamentos,
(IBGE, 2010). Trabalhando com clones de batata-doce visando avaliação genética de
cruzamentos AZEVEDO (1995), encontrou resultados ainda mais baixos para a variável
tonelada de tubérculos por hectares, com valores de 1,23 e 1,30 t.ha-1, para os clones:
92688 e 92764, respectivamente. RADEL et al. (2006) mostram resultados ainda
menores para clones de batata-doce em melhoramento genético da cultura, com valores
de apenas 0,38, 0,46 e 0,88 t.ha-1, para os clones BR#08, 02#20 e 09#02,
respectivamente, no entanto CARDOSO et al. (2005) chegaram a resultados de peso de
tubérculos de clone de batata-doce que variaram de 4,10 a 28,50 t.ha-1, sem nenhuma
adição de fertilizante. Notadamente, os valores encontrados na Tabela 2, poderiam ter
sido menor para os tratamentos, orgânico e biodinâmico, sem a adição da matéria
orgânica do composto, visto que SANTOS et al. (2006) obtiveram incremento na
produção de tubérculos de batata-doce na ordem de 112 e 154% dos resultados, com a
adição de 30 e 32 t.ha-1 de esterco bovino, respectivamente, em solos de baixo teor de
matéria orgânica, comparados com tratamentos na ausência do esterco. A aplicação de
esterco bovino provavelmente tenha sido o responsável por esses aumentos de
produção, pois o emprego da matéria orgânica contida no esterco fornece nutrientes à
planta, aumenta à capacidade de retenção de água do solo, melhora sua estrutura e
aumenta a capacidade de trocas catiônicas pela formação do complexo húmus-argila
(MARCHESINI et al.,1988; YAMADA e KAMATA, 1989).
Somente o tratamento químico obteve média semelhante com 7,15 t.ha-1 àquela
produtividade, diferenciando significativamente no nível de 5% de probabilidade pelo
teste de Tukey em relação aos demais tratamentos que foram semelhantes entre si. O
tratamento orgânico foi o que obteve o menor desempenho de todos os genótipos do
experimento, com uma média de 3,81 t.ha-1. Os resultados dos tratamentos: biodinâmico
e orgânico, foram muito próximos um do outro, além de não apresentarem diferenças
estatísticas. SANTOS JUNIOR et al. (2008), obtiveram resultados significativos para a
variedade Sergipana e os clones 06 e 14, com resultados de 7,51 t ha-1, 6,52 t ha-1, 7,30
t ha-1, respectivamente, sendo os melhores desempenhos do experimento sem adubação
(Tabela 2).

41
4.1.2.2 Produção total de massa da parte aérea (PPA) por ha-1
Os resultados da produção de massa da parte aérea desse experimento não
diferiram estatisticamente no nível de 5% de significância pelo teste de Tukey,
indicando que não houve nenhuma interferência dos tipos de cultivos: biodinâmico,
orgânico, agricultor familiar ou químico, no peso médio da produção de ramos e folhas
da cultura da batata-doce (Tabela 2).
Estes resultados são corroborados pelos de ANDRADE JUNIOR et al. (2009),
que trabalhando com seleção de clone de batata-doce constataram não haver diferenças
significativas na produção total de massa verde entre os clones testados, diferentemente
do resultado encontrado por SANTOS et al. (2005), obtido em ensaio de comparação de
diferentes doses de esterco, onde se encontraram diferenças de 101% quando da
aplicação da dose de 15 t.ha-1 de esterco comparada a testemunha sem esterco, em
conformidade com o trabalho desenvolvido com efeito de composto, incidência de
plantas daninhas e efeito de herbicida na produção de batata-doce, corroborado com os
resultados que foram encontrados por CARDOSO et al. (2005), em ensaio com clones
de batata-doce sem nenhuma aplicação de fertilizantes, com produções que variaram
significativamente de 2,10 a 11,50 t.ha-1 (Tabela 2).
Resultados significantes estatisticamente foram obtidos por ALENCAR,
OLIVEIRA e NAVAL (2006), para produção da parte aérea de clones de batata-doce
irrigados com água de esgoto complementada com adubação química, com altas
produções variando de 15,00 a 38,30 t.ha-1. Em experimento de competição de
genótipos de batata-doce os resultados foram estatisticamente diferentes, com variações
entre 4,40 a 14,70 t.ha-1 (SOUZA JUNIOR, 1988) (Tabela 2).

4.1.2.3 Médias do número total de tubérculos (NTT) produzidos por hectare

O resultado obtido para o tratamento cultivo químico foi o que apresentou o
maior número de tubérculos por hectare 43.366.67, dentre os demais tratamentos,
diferenciando significativamente no nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey,
sendo os demais tratamentos iguais entre si, com valores bem próximos, para a variável
média do número total de tubérculos (Tabela 2).
O tratamento orgânico foi o que obteve os menores índices da variável,
28.196,97 unidades por hectare. Os resultados obtidos por SOUZA (2000), com
introdução de clones de batata-doce também diferem estatisticamente entre si, muito

42
embora tenham sido plantados em área sem aplicação de fertilizantes e com valores
numéricos maiores (Tabela 2).

4.1.2.4 Diâmetro médio dos tubérculos (DMT)

Os tratamentos não diferenciaram significativamente no nível de 5% de
probabilidade pelo Teste de Tukey, para a variável, diâmetro dos tubérculos. Sendo o
tratamento do agricultor familiar o que alcançou o maior índice com média de 5,66 cm,
e o menor foi obtido no tratamento biodinâmico, com média de 5,22 cm, diferente dos
resultados encontrados por CAVALCANTE et al. (2003), que, trabalhando com os
mesmos clones em um local muito próximo, em experimento sem a aplicação de
fertilizante, concluiu com variações significativas para essa variável de 4,05 a 5,78 cm.
Trabalho feito com os mesmos clones de batata-doce, dentre outros, em experimento
com caracteres de rendimento, o diâmetro médio foi a variável que mais influenciou na
produção de raízes comerciais (CAVALCANTE et al. 2006), diante disso, pode-se
pressupor que outros fatores foram os responsáveis pela diferença nas produções
(Tabela 2).
4.1.2.5 Comprimento médio dos tubérculos (CMT)

Os resultados mostraram que não houve diferença estatística para os tratamentos
com relação à variável comprimento médio de tubérculos no nível de 5% de
probabilidade pelo teste de Tukey, em que pese o tratamento químico ter proporcionado
o maior índice entre todos os demais genótipos, e o cultivo do agricultor familiar com o
menor índice entre todos os genótipos estudados. Muito embora CARDOSO et al.
(2005), avaliando clone de batata-doce tenham encontrado resultados significativos com
relação ao comprimento de clones de batata-doce com variações de 12,21 a 20,69 cm
(Tabela 2).
O comprimento da raiz é uma das variáveis importantes no processo de seleção
de clones de batata-doce (CAVALCANTE et al., 2006). Sem aplicação de nenhum
fertilizante orgânico ou químico, em trabalho de avaliação de clones de batata-doce,
CAVALCANTE et al. (2003), avaliando os mesmos clones utilizado neste experimento,
concluíram que houve diferenças significativas entre o clone 09, que obteve o melhor

43
desempenho em relação aos demais e não diferindo dos clones 03 e 06, porém diferindo
do clone 14 (Tabela 2).
4.1.3 Influência dos genótipos nas médias das variáveis agronômicas
A influência exercida pelos genótipos: (1) sergipana; (2) clone 03; (3) clone 06;
(4) clone 09 e (5) clone 14, sobre as variáveis: PTT, PPA, NTT, DMT e CMT, são
mostradas na Figura 3, com o resultado da análise de médias pelo teste de Tukey a 5%
de probabilidade.

Figura 03 Produção total em ton.ha-1 de tubérculos de batata doce [Ipomoea batatas
(L.) Lam.], de diferentes genótipos no município de Rio Largo, Estado de Alagoas.
U.A.CECA-UFAL, 2009.

7.14

5,95
5,54

3,19

2,30

SERGIPANA

CLONE 03

CLONE 06

CLONE 09

CLONE14

44
4.1.3.1 Médias do peso total de tubérculos (PTT) em t.ha-1
A variedade Sergipana foi o que obteve a maior produção em toneladas de
tubérculos por hectare, com índice de 7,14 t.ha-1, muito embora não tenha diferido
estatisticamente no nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey, dos clones 06 e
14 que foram semelhantes entre si, mesmo com menores produções, já o clone 03
diferiu estatisticamente da variedade sergipana, resultados também encontrado por
SILVA et al. (2008). O clone 09 foi o de menor desempenho com relação aos demais
com média 2,30 t.ha-1 muito abaixo da produtividade local. Esses resultados foram
próximos aos obtidos por SANTOS JUNIOR et al. (2009), para os clones 06, 14 e a
variedade Sergipana, colhidos aos 90 dias após o plantio, com valores de 6,52, 7,30 e
7,17 t.ha-1, respectivamente, mas diferente aos 120 dias (Tabela 3).
TABELA 3 Médias obtidas para variáveis PTT (Peso Total de Tubérculos em t.ha-1),
PPA (Produção de Massa da Parte Aérea, em t.ha-1), NTT (Número Total de Tubérculos
produzidos por hectare), DMT (Diâmetro Médio de Tubérculos em cm) e CMT
(Comprimento Médio de Tubérculos em cm), para diferentes tipos de genótipos de
batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], no município de Rio Largo, Estado de
Alagoas.CECA-UFAL, 2009.
GENÓTIPOS
Sergipana
Clone 03
Clone 06
Clone 09
Clone 14
5%

PTT
7,14 c
3,19 ab
5,54 bc
2,30 a
5,95 c
2,54

PPA
2,74 ab
2,25 ab
2,20 ab
3,47 b
1,44 a
1,57

VARIÁVEIS
NTT
36.606,06 b
30.590,91 ab
33.468,62 ab
23.181,82 a
37.727,27 b
11.285,14

DMT
6,06 b
4,54 a
6,00 b
4,54 a
6,22 b
0,85

CMT
14,52 ab
13,47 ab
12,93 ab
15,31 b
11,99 a
2,87

1/ Nas colunas, as médias com pelo menos uma mesma letra não difere entre si pelo teste de Tukey a 5%
de probabilidade.

45
4.1.3.2 Médias da produção de massa da parte aérea (PPA) em t.ha-1

O clone 09 foi o genótipo que obteve o melhor desempenho para o item de
produção de massa da parte aérea por hectare, muito embora não tenha diferido
estatisticamente no nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey dos clones 03 e 06
e da variedade Sergipana, com produções de 3,47, 2,25, 2,20 e 2,74 t.ha-1,
respectivamente. O clone 14 com uma produção de massa da parte aérea de 1,44 t.ha-1,
foi o menor desempenho entre todos os genótipos do experimento, diferindo
estatisticamente do clone 09. CAVALCANTE et al. (2003) obtiveram resultados
diferentes em relação à significância na produção de massa da parta aérea por hectare,
pois os clones não diferiram estatisticamente entre si, muito embora as produções
tenham sido bem inferiores a deste experimento, com 1,13, 0,86, 2,16 e 1,54 t.ha-1, para
os clones 03, 06, 09 e 14, respectivamente (Tabela 3).
4.1.3.3 Médias do número total de tubérculos produzidos (NTT) por ha-1

O desempenho do clone 14 com a média de 37.727,27 tubérculos por hectare
obteve a primeira colocação, porem sem diferir do clones 03 e 06, e do genótipo
Sergipana, no nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey. O clone 09 foi o que
teve o menor desempenho de todos os genótipos do ensaio, muito embora não tenha
diferido dos clones 03 e 06, estatisticamente (Tabela 3).

4.1.3.4 Médias do diâmetro dos tubérculos (DMT)

Com a maior média entre todos os genótipos para a variável diâmetro médio de
tubérculos, o clone 14 teve o melhor desempenho, seguido do clone 06 e da variedade
Sergipana, sem diferir estatisticamente no nível de 5% de probabilidade pelo teste de
Tukey. Os clones 03 e clone 09, foram estatisticamente iguais, diferindo dos genótipos
anteriores. CAVALCANTE et al. (2003), encontraram resultados semelhantes para os
clones 14 e clone 06 que não diferiram estatisticamente, quando comparados aos
resultados deste experimento no nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey
(Tabela 3).

46
4.1.3.5 Médias de comprimento dos tubérculos (CMT)

O melhor desempenho para a variável média de comprimento de tubérculos, foi
alcançado pelo clone 09, que não diferiu estatisticamente dos clones 03 e 06 e da
variedade Sergipana, no nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey. O clone 14
não diferiu da variedade Sergipana e dos clones 03 e 06, muito embora tenha tido o
menor desempenho em relação a todos os genótipos do experimento.
As médias de comprimentos em experimento conduzido com os mesmos clones
de batata-doce, obtido por CAVALCANTE et al. (2003), foram superiores em 27,5%,
28,3%, 26,4% e 24,9%, para os clones: 03, 06, 09 e 14, respectivamente, quando
comparadas com as médias deste experimento, sendo o clone 09 o de melhor
desempenho e diferente estatisticamente dos demais clones no nível de 5% de
probabilidade pelo teste de Tukey (Tabela 3).
4.2 Variáveis Bromatológicas
Na Tabela 4 são apresentados os resultados resumidos da análise de variância
para o comportamento dos tratamentos: 1- Tipo de Cultivo (TC), 2- Genótipo (G) e 3Interação (TC x G), em relação às variáveis: 1- Percentagem de Matéria Seca na Parte
Aérea MS(%)PA, 2- Percentagem de Matéria Mineral na Parte Aérea MM(%)PA e
Percentagem de Matéria Mineral na Raiz MM(%)R.
4.2.1 Influência do tipo de cultivo e dos genótipos
Os tipos de cultivos não tiveram interferência no percentual de produção de
matéria seca e matéria mineral da parte aérea, no nível de 1% de probabilidade pelo
teste F, já o percentual da produção de matéria mineral da raiz foi significativo a 5% de
probabilidade. Os genótipos tiveram interferência direta no percentual de matéria seca e
matéria mineral da parte aérea no nível de 1% de probabilidade pelo teste F, e sem
interferência na produção matéria mineral da raiz, por apresentar os resultados não
significativos no nível de 1% de probabilidade pelo teste F. A interação foi não
significativa, indicando não haver interferência no nível de 5% de probabilidade pelo
teste F (Tabela 4).

47
TABELA 4 Resumo da análise de variância para as variáveis MS(%)PA (Percentagem
de Matéria Seca na Parte Aérea), MM(%)PA (Percentagem de Matéria Mineral na Parte
Aérea) e MM(%)R (Percentagem de Matéria Mineral na Raiz), para diferentes tipos de
cultivos e genótipos de batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], no município de Rio
Largo, Estado de Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2009.
Causa de Variação
QM
GL

MS (%) PA

MM (%) PA

MM (%) R

Tipo de Cultivo (TC)

3

1,0492 ns

0,4620 ns

2,1311 *

Genótipo (G)

4

25,5964 **

7,0734 **

0,7240 ns

Interação (TC x G)

12

4,2793 ns

0,6118 ns

0,4679 ns

Blocos

2

-

-

-

Resíduo

38

4,0540

0,7882

0,6179

CV(%)

-

9,39

10,84

25,66

**-SIGNIFICATIVO A 1% DE PRABILIDADE PELO TESTE F.
*-SIGNIFICATIVO A 5% DE PROBABILIDADE PELO TESTE F.
ns
-NÃO SIGNIFICATIVO A 5% DE PROBABILIDADE PELO TESTE F.

4.2.1.1 Matéria seca da parte aérea

Os resultados da análise de variância para MS(%)PA foram não significativos no
nível de 5% de probabilidade pelo teste F, indicando que seu conteúdo independe do
tipo de cultivo utilizado. Por outro lado, quando analisada em relação aos genótipos o
resultado foi significativo no nível de 1% de probabilidade pelo teste de F,
demonstrando que os genótipos exerceram influência direta sobre a percentagem da
matéria seca da parte aérea da batata-doce.
A interação tipo de cultivo versus genótipo foi não significativa no nível de 5%
de probabilidade, o que indica que há uma independência entre o tipo de cultivo
utilizado e o genótipo (Tabela 4).

4.2.1.2 Matéria mineral da parte aérea

A percentagem de matéria mineral (cinzas) da parte aérea MM(%)PA da batatadoce não sofreu nenhuma interferência em relação aos tipos de cultivos utilizados, de
acordo com os resultados da análise de variância, no nível de 5% de probabilidade pelo
teste F. No entanto, os genótipos apresentaram resultados significativos, indicando que
os mesmo têm influência direta nos resultados.

48
Os resultados para a interação tipo de cultivo versus genótipos demonstram que
não existe nenhuma interferência dos tipos de cultivos que foram empregados em
relação aos genótipos (Tabela 4).

4.2.1.3 Matéria mineral da raiz

O tratamento tipo de cultivo foi significativo no nível de 5% de probabilidade
pelo teste F, indicando que existe uma variação para os diferentes tipos de cultivos
utilizados na quantidade de matéria mineral da raiz. O tratamento genótipo e a interação
tipo de cultivo versus genótipo foram não significativos no nível de 5% de
probabilidade pelo teste F, indicando que não houve interferência dos tipos de cultivos e
da interação na produção de matéria mineral da raiz (Tabela 4).
4.2.2 Influência do tipo de cultivo nas variáveis bromatológicas
Na Tabela 5, são apresentados os resultados resumidos da análise de variância
para o comportamento dos tratamentos: 1- Tipo de Cultivo (TC), 2- Genótipo (G) e 3Interação (TC x G), em relação às variáveis: (1) MS(%)PA (Percentagem de Matéria
Seca da Parte Aérea); (2) MM(%)PA (Percentagem de Matéria Mineral da Parte Aérea);
e (3) MM(%)R (Percentagem de Matéria Mineral da Raiz).
TABELA 5 Médias obtidas para as variáveis MS(%)PA (Percentagem de Matéria Seca
da Parte Aérea), MM(%)PA (Percentagem de Matéria Mineral da Parte Aérea) e
MM(%)R (Percentagem de Matéria Mineral da Raiz), para diferentes tipos de cultivos
em batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], no município de Rio Largo, Estado de
Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2009.
Tipo de cultivo
Variáveis
MS (%) PA

MM (%) PA

MM (%) R

Biodinâmico

21,12 a

8,06 a

2,74 a

Orgânico

21,35 a

8,11 a

2,84 ab

Agricultura familiar

21,56 a

8,45 a

3,09 ab

Químico

21,72 a

8,15 a

3,58 b

1,98

0,87

0,77

5%

1/ Nas colunas, as médias com pelo menos uma mesma letra não difere entre si pelo teste de Tukey a 5%
de probabilidade.

49
4.2.2.1 Matéria seca da parte aérea
Os resultados dos percentuais de matéria seca da parte aérea foram muito
próximos, não havendo diferença estatística pelo teste de Tukey no nível de 5% de
probabilidade, assim sendo, os tipos de cultivos não interferem na quantidade de
matéria seca da parte aérea da batata-doce, obtendo resultados médios de 21,44%
(Tabela 5).
4.2.2.2 Matéria mineral da parte aérea
A quantidade de matéria mineral na parte aérea da batata-doce não tem nenhuma
interferência quanto ao tipo de cultivo utilizado, os resultados obtidos foram bem
próximos e não diferiram estatisticamente no nível de 5% de probabilidade pelo teste de
Tukey (Tabela 5).

4.2.2.3 Matéria mineral da raiz

O tratamento químico foi o que obteve o melhor desempenho em relação aos
demais tipos de cultivo com relação à produção de matéria mineral da raiz, seu
percentual foi de 3,58, enquanto o menor índice foi para o tratamento biodinâmico, com
2,74%, diferindo estatisticamente no nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey.
SILVA et al. (2008), encontraram resultados não significativos para os mesmos
genótipos, com uma produção de 2,21, 1,86, 1,99, 1,80 e 2,66 t.ha-1, para a variedade
sergipana e os mesmos clones: 03, 06, 09 e 14, respectivamente, em experimento
realizado na mesma região (Tabela 5).

4.2.3 Influência dos genótipos nos percentuais de MS(%)PA,

MM(%)PA e

MM(%)R

Na Tabela 6, são apresentados os resultados resumidos da análise de variância
para o comportamento dos tratamentos: 1- Tipo de Cultivo (TC), 2- Genótipo (G) e 3Interação (TC x G), em relação às variáveis: (1) MS(%)PA (Percentagem de Matéria
Seca da Parte Aérea); (2) MM(%)PA (Percentagem de Matéria Mineral da Parte Aérea);
e (3) MM(%)R (Percentagem de Matéria Mineral da Raiz).

50
4.2.3.1 Matéria seca da parte aérea

O clone 06 obteve resultados superiores e estatisticamente significativos aos
demais clones e a variedade Sergipana, no nível de 5% de probabilidade pelo teste de
Tukey, com percentuais de 23,93%, e o menor índice com o clone 14, 20,53%. A
matéria seca, portanto, tem influência significativa em relação ao genótipo utilizado
neste experimento (Tabela 6).

TABELA 6 Médias obtidas para as variáveis MS(%)PA (Percentagem de Matéria Seca
da Parte Aérea), MM(%)PA (Percentagem de Matéria Mineral da Parte Aérea) e
MM(%)R (Percentagem de Matéria Mineral da Raiz), para diferentes tipos de genótipos
de batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], no município de Rio Largo, Estado de
Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2009.
Genótipos

Variáveis
MS(%)PA

MM(%)PA

MM(%)R

Sergipana

20,56 a

8,75 bc

3,26 a

Clone 03

21,56 a

7,41 a

3,23 a

Clone 06

23,93 b

8,00 ab

3,00 a

Clone 09

20,60 a

7,59 a

2,67 a

Clone 14

20,53 a

9,21 c

3,18 a

2,35

1,04

0,92

5%

1/ Nas colunas, as médias com pelo menos uma mesma letra não difere entre si pelo teste de Tukey a 5%
de probabilidade.

51
4.2.3.2 Matéria mineral da parte aérea

Existe interferência do genótipo utilizado nos percentuais de matéria mineral da
parte aérea da batata-doce, neste experimento, o clone 14 e a variedade Sergipana foram
superiores embora o clone 06 não tenha diferido desta. Os demais clones tiveram
resultados inferiores e estatisticamente significantes no nível de 5% de probabilidade
pelo teste de Tukey (Tabela 6).

4.2.3.3 Matéria mineral da raiz
O percentual de matéria mineral na raiz não foi influenciado por nenhum dos
genótipos utilizados neste experimento, os resultados foram iguais estatisticamente no
nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey (Tabela 6).

4.2.4 Desdobramento da interação genótipo versus tipo de cultivo
Houve diferença significativa a 1% e 5% de probabilidade pelo teste F entre os
genótipos de batata-doce dentro dos cultivos biodinâmico, orgânico, agricultor familiar
e químico, para as variáveis, proteína bruta da parte aérea PB(%)PA, matéria seca da
raiz MS(%)R e proteína bruta da raiz PB(%)R (Tabela 7).
4.2.4.1 Proteína bruta da parte aérea
Todos os resultados no resumo da análise de variância para os percentuais de
proteína bruta da raiz foram significativos no nível de 1% de probabilidade para o teste
de F, indicando que houve interferência direta dos genótipos de batata-doce nos
percentuais de produção de proteína bruta da parte aérea (Tabela 7).
4.2.4.2 Matéria seca da raiz
Os resultados do resumo da análise de variância para os cultivos biodinâmico e
orgânico foram significativos no nível de 1% de probabilidade, e os cultivos do
agricultor familiar e o cultivo químico foram significativos no nível de 5% de
probabilidade pelo teste de F. Houve, portanto, independente do nível de significância,
interferência direta dos genótipos de batata-doce no percentual da produção de matéria
seca da raiz (Tabela 7).

52
4.2.4.3 Proteína bruta da raiz
Todos os resultados do resumo da análise de variância, para a variável
percentual de proteína bruta da raiz de batata-doce foram significativos no nível de 1%
de probabilidade pelo teste F. Indicando que houve interferência direta dos genótipos
em todos os tipos de cultivos (Tabela 7).

TABELA 7 Resumo da análise de variância, com desdobramento, para as variáveis
PB(%)PA (Percentual de Proteína Bruta da Parte Aérea), MS(%)R (Percentual de
Matéria Seca da Raiz) e PB(%)R (Percentual de Proteína Bruta da Raiz), para diferentes
tipos de cultivos e genótipos de batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], no município
de Rio Largo, Estado de Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2009.
Causa de Variação

QM
GL

PB(%)PA

MS(%)R

PB(%)R

Genótipos dentro do Cultivo Biodinâmico

4

2,7525 **

29,0910 **

0,1442 **

Genótipos dentro do Cultivo Orgânico

4

3,0366 **

42,0305 **

0,1858 **

Genótipos dentro do Cultivo Agricultor Familiar

4

3,1470 ** 13,8086 *

0,2129 **

Genótipos dentro do Cultivo Químico

4

6,1592 ** 13,5627 *

0,3699 **

Tipos de cultivo

3

-

-

-

Blocos

2

-

-

-

Resíduo

38

0,4040

4,3597

0,0244

14,68

6,26

10,25

CV(%)

**-SIGNIFICATIVO A 1% DE PROBABILIDADE PELO TESTE F.
*-SIGNIFICATIVO A 5% DE PROBABILIDADE PELO TESTE F.

53
Tabela 8 Médias obtidas para o percentual de proteína bruta da parte aérea PB(%)PA,
de genótipos de batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], dentro de tipo de cultivo, no
município de Rio Largo, Estado de Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2009.
TIPO DE CULTIVO
GENÓTIPO

Biodinâmico

Orgânico

Agricultor.

Químico

Familiar
Sergipana

3,00a

6,61b

5,40b

3,00a

Clone 03

2,47a

4,26a

3,89a

4,77b

Clone 06

4,99b

5,39ab

4,76ab

5,55b

Clone 09

3,57ab

5,81b

3,77a

2,22a

Clone 14

3,92ab

4,32a

6,19b

2,71a

1,49

1,49

1,49

1,49

5%

1/ Nas colunas, as médias com pelo menos uma mesma letra não difere entre si pelo teste de Tukey a 5%
de probabilidade.

4.2.5 Médias de proteína bruta da parte aérea PB(%)PA

Na Tabela 8 são mostrados os resultados dos efeitos dos genótipos de batatadoce: Sergipana, clone 03, clone 06, clone 09 e clone 14, dentro do tipo de cultivo
utilizado: cultivo biodinâmico, cultivo orgânico, cultivo do agricultor familiar e cultivo
químico nos percentuais de produção de proteína bruta da parte aérea, e analisado pelo
teste de Tukey a 5% de probabilidade.

4.2.5.1 Genótipos dentro do cultivo biodinâmico para PB(%)PA

O genótipo Sergipana, os clones 03, o clone 09 e o clone 14, foram iguais entre
si estatisticamente pelo teste de Tukey no nível de 5% de probabilidade, o clone 06
obteve resultados maiores que os demais genótipos, porém diferindo estatisticamente
somente dos genótipos Sergipana e clone 03. Indicando que o clone 06 foi o genótipo
que teve a maior interferência dentro do cultivo biodinâmico, dentre os demais
genótipos do experimento (Tabela 8).

54
4.2.5.2 Genótipos dentro do cultivo orgânico para PB(%)PA
Os clones 06 e clone 09, e a variedade Sergipana foram os genótipos que
obtiveram os maiores percentuais de proteína bruta em relação aos demais genótipos,
diferença essa que foi significativa no nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey,
sendo a variedade Sergipana, o genótipo que obteve o maior percentual, 6,61%,
indicando que esses genótipos foram os que tiveram uma maior interferência dentro do
cultivo orgânico. Os clones 03 e clone 14 obtiveram os menores valores em percentuais
de proteína bruta com 4,26% e 4,32%, respectivamente (Tabela 8).

4.2.5.3 Genótipos dentro do cultivo agricultor familiar para PB(%)PA
Para o cultivo do agricultor familiar, a variedade Sergipana e os clones 06, e
clone 14, obtiveram os maiores percentuais de proteína bruta da raiz, que foram
estatisticamente diferentes no nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey,
demonstrando que esses genótipos apresentaram a maior interferência na produção de
proteína bruta do experimento, sendo o clone 14 o genótipo com o maior percentual da
variável. Os clones 03 e o clone 09 obtiveram os menores valores de percentual de
proteína bruta dentro do cultivo do agricultor familiar, muito embora não tenha diferido
estatisticamente do clone 06 (Tabela 8).

4.2.5.4 Genótipos dentro do cultivo químico para PB(%)PA

Houve diferença significativa no nível de 5% de probabilidade pelo teste de
Tukey para os resultados dos clones 03 e clone 06, que obtiveram os maiores
percentuais de proteína bruta da raiz de batata-doce, com valores de 4,77% e 5,55%,
respectivamente, em relação os demais genótipos, demonstrando que esses genótipos
tiveram maior interferência na produção de proteína bruta da parte aérea dos genótipos
de batata-doce. A variedade Sergipana e os clones 09 e clone 14 diferiram
estatisticamente em seus resultados dos genótipos anteriores, exercendo, portanto uma
menor interferência na produção, para o tratamento “cultivo químico” (Tabela 8)

55
Tabela 9 Médias obtidas para o percentual de matéria seca da raiz MS(%)R, de
genótipos de batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], dentro de tipo de cultivo, no
município de Rio Largo, Estado de Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2009.
TIPO DE CULTIVO
GENÓTIPO

Biodinâmico

Orgânico

Químico

29,64a

Agricultor.
Familiar
31,26a

Sergipana

29,70a

Clone 03

38,08b

38,81c

31,33ab

34,51a

Clone 06

33,01a

33,52ab

36,14b

30,93a

Clone 09

33,97ab

36,24bc

32,88ab

35,80a

Clone 14

31,75a

31,04a

34,74ab

31,37a

4,88

4,88

4,88

4,88

5%

31,96a

1/ Nas colunas, as médias com pelo menos uma mesma letra não difere entre si pelo teste de Tukey a 5%
de probabilidade.

4.2.6 Médias de matéria seca da raiz MS(%)R
A Tabela 9 apresenta os resultados médios analisados pelo teste de Tukey a 5%
de probabilidade para o percentual da produção de matéria seca da raiz, pelos genótipos
de batata-doce, dentro dos cultivos utilizados.

4.2.6.1 Genótipos dentro do cultivo biodinâmico para MS(%)R
O resultado do clone 03 foi o melhor entre os demais genótipos de batata-doce
dentro do cultivo biodinâmico, embora não tenha diferenciado significativamente no
nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey, do clone 09, que por sua vez também
não diferiu dos demais genótipos do experimento. Indicando que os clones 03 e o clone
09 foram os que mais interferiram na produção de matéria seca da raiz no cultivo
biodinâmico (Tabela 9).

4.2.6.2 Genótipos dentro do cultivo orgânico para MS(%)R
O clone 03 obteve resultados médios superiores aos demais genótipos do
experimento, sem diferir estatisticamente no nível de 5% de probabilidade pelo teste de
Tukey do clone 09. A variedade Sergipana, os clones 06 e o clone 14 tiveram os
menores valores no percentual de matéria seca da raiz dos genótipos de batata-doce,

56
dentro do cultivo orgânico. Indicando serem aqueles os genótipos de maior interferência
na produção (Tabela 9).

4.2.6.3 Genótipos dentro do cultivo agricultor familiar para MS(%)R

O menor desempenho de todos os genótipos dentro do cultivo do agricultor
familiar foi o da variedade Sergipana, embora não tenha diferido estatisticamente no
nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey, dos clones 03, clone 09 e clone 14. O
melhor desempenho ficou por conta do clone 06, que não diferiu estatisticamente dos
demais clones do experimento, indicando ser o genótipo de batata-doce que exerceu a
maior interferência na produção de matéria seca da raiz, no cultivo do agricultor
familiar (Tabela 9).
4.2.6.4 Genótipos dentro do cultivo químico para MS(%)R
Não houve diferença estatística significativa no nível de 5% de probabilidade
pelo teste de Tukey para os genótipos de bata-doce, dentro do cultivo químico, as
interferências foram iguais, em que pese o clone 09 tenha tido o melhor desempenho
com um valor de 35,80% de matéria seca da raiz, contra o menor valor obtido pelo
clone 06, com 30,93% (Tabela 9).

Tabela 10 Médias obtidas para o percentual de proteína bruta da raiz PB(%)R, de
genótipos de batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], dentro de tipo de cultivo, no
município de Rio Largo, Estado de Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2009.
TIPO DE CULTIVO
GENÓTIPO

Biodinâmico

Orgânico

Químico

1,31a

Agricultor.
Familiar
1,41ab

Sergipana

1,54ab

Clone 03

1,33a

1,55ab

1,44bc

1,27a

Clone 06

1,63ab

1,44a

1,29ab

2,18b

Clone 09

1,88b

1,88b

1,80c

1,48a

Clone 14

1,81b

1,25a

1,07a

1,45a

0,37

0,37

0,37

0,37

5%

1,49a

1/ Nas colunas, as médias com pelo menos uma mesma letra não difere entre si pelo teste de Tukey a 5%
de probabilidade.

57
4.2.7 Médias de proteína bruta da raiz PB(%)R
Na tabela 10 os resultados médios para percentual de produção de proteína bruta,
são apresentados por genótipos de batata-doce, dentro dos tipos de cultivos utilizados.
4.2.7.1 Genótipos dentro do cultivo biodinâmico para PB(%)R
Os genótipos de batata-doce Sergipana, os clones 06, clone 09, este com o
melhor desempenho, 1,88 de PB(%)R, e o clone 14, foram os que obtiveram os
melhores resultados e semelhantes estatisticamente, não diferindo entre si no nível de
5% de probabilidade pelo teste de Tukey, em percentuais, na produção de proteína bruta
da raiz dentro do cultivo biodinâmico. O clone 03 teve o menor valor dentre os demais
genótipos do experimento, embora não tenha diferido da variedade Sergipana e do clone
06 (Tabela 10).
4.2.7.2 Genótipos dentro do cultivo orgânico para PB(%)R

Dentro do cultivo orgânico o clone 09, com de 1,88 de PB(%)R, foi o que
apresentou o melhor desempenho dentre os demais genótipos de batata-doce na
produção de proteína bruta da raiz, embora o clone 03, com 1,55 de PB(%)R, não tenha
diferido estatisticamente no nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey. O menor
valor para a variável do experimento ficou com o clone 14, 1,25% (Tabela 10).

4.2.7.3 Genótipos dentro do cultivo agricultor familiar para PB(%)R

O resultado obtido pelo clone 09, com 1,80 de PB(%)R, foi o maior em relação
aos demais genótipos de batata-doce, para a produção de proteína bruta da raiz, contudo,
sem diferir do clone 03, com 1,44 de PB(%)R, no nível de 5% de probabilidade pelo
teste de Tukey, dentro do cultivo do agricultor familiar. Com o menor valor do
experimento o clone 14, 1,07 de PB(%)R, ficou com o pior desempenho, diferindo
estatisticamente dos clones 09 e clone 03 (Tabela 10).

4.2.7.4 Genótipos dentro do cultivo químico para PB(%)R

A maior interferência dentro do cultivo químico no percentual de proteína bruta
da raiz de batata-doce foi do clone 06, com o valor de 2,18 de PB(%)R, que diferiu dos

58
demais genótipos, variedade Sergipana, clones 03, clone 09, e clone 14, do
experimento, no nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey. Sendo o clone 03, o
de menor desempenho (Tabela 10).

4.3 Classificação das Faixas de Pesos dos Tubérculos por Genótipo, Tipo de
Cultivo e Interação Genótipo versus Tipo de Cultivo
Os resultados da análise de variância para a classificação das faixas de pesos dos
tubérculos de batata-doce encontram-se na Tabela 11. Para os tratamentos: Tipos de
Cultivos houve diferença significativa para algumas variáveis nos níveis de 1% e 5% de
probabilidade estatística e para outras variáveis não houve diferença significativa no
nível de 5% de probabilidade estatística pelo teste F. Também ocorreu o mesmo
comportamento para os tratamentos: Genótipos. A interação genótipos versus tipos de
cultivo não foi significativa no nível de 5% de probabilidade estatística pelo teste F para
todas as variáveis, indicando que o desempenho dos genótipos não sofreu influência dos
tipos de cultivos utilizados em relação à produção de tubérculos por faixa de peso.

TABELA 11 Resumo da análise de variância para as faixas de pesos nas variáveis, Não
Comercial, Diverso Inferior, Especial, Extra A, Extra B e Diverso Superior para
diferentes tipos de cultivos (TC), genótipos (G) e interação tipo de cultivo versus
genótipo, de tubérculos de batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], no município de
Rio Largo, Estado de Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2009.
Causa
Variação

de

QM
GL

1

1

2

Diverso
Inferior
0,7505ns

3

Especial

4

Extra A

5

1,6606**

1,6534*

1,3025ns

0,8412ns

Tipo
de
Cultivo (TC)
Genótipo (G)

3
4

0,3575*

0,3898ns

1,1845**

3,8062**

Interação (TC
x G)
Blocos

12

0,1256ns

0,3864ns

0,2046ns

0,4165ns

3,1798*
*
0,6859ns

2

-

-

-

-

-

-

Resíduo

38

0,1048

0,5222

0,2010

0,4553

0,5388

2,2527

CV(%)

-

52,40

60,57

57,26

78,98

115,93

201,33

NÃO COMERCIAL- <80 g.
DIVERSOS INFERIOR- 80-150g
3
ESPECIAL- 151-200 g.
4
EXTRA A- 201-300 g.
5
EXTRA B- 301-400 g.
6
DIVERSOS SUPERIOR- >400 g.
**-SIGNIFICATIVO A 1% DE PROBABILIDADE PELO TESTE F.
*-SIGNIFICATIVO A 5% DE PROBABILIDADE PELO TESTE F.
ns
-NÃO SIGNIFICATIVO A 5% DE PROBABILIDADE PELO TESTE F.
2

Extra B

6

Não
Comercial
0,0884ns

Diverso
Superior
2,0621ns
7,9889*

59
4.3.1 Classificação das faixas de peso dos tubérculos por genótipos

Na Tabela 12, constam as comparações das médias dos tratamentos: Genótipos
pelo teste de Tukey no nível de 5% de probabilidade para todas as diferentes faixas de
peso de tubérculos.
Tabela 12 Médias obtidas em t.ha-1 para as diferentes faixas de peso dos tubérculos de
genótipos de batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], no município de Rio Largo,
Estado de Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2009.
1

Genótipo

Não
Comercial

Sergipana
Clone 03
Clone 06
Clone 09
Clone 14

0,41a
0,89b
0,51ab
0,62ab
0,67ab
0,39

5%

2

Diverso
Inferior

1,26a
1,07a
1,32a
0,94a
1,37a
0,84

3

Especial

1,25b
0,60a
0,69a
0,45a
0,93ab
0,52

4

Extra A

1,38b
0,42a
0,83ab
0,19a
1,46b
0,79

5

Extra B

0,81ab
0,15a
1,33b
0,10a
0,78ab
0,86

6

Diverso
Superior

2,04b
0,09a
0,86ab
0,00a
0,74ab
1,75

/ Nas colunas, as médias com pelo menos uma mesma letra não difere entre si pelo teste de Tukey a 5%
de probabilidade.
1
NÃO COMERCIAL- <80 g.
2
DIVERSO INFERIOR- 80-150g
3
ESPECIAL- 151-200 g.
4
EXTRA A- 201-300 g.
5
EXTRA B- 301-400 g.
6
DIVERSO SUPERIOR- >400 g.

60
Figura 04 Produção em t.ha-1 de tubérculos de batata- doce [Ipomoea batatas (L.)
Lam.], por faixa de peso de diferentes genótipos no município de Rio Largo, Estado de
Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2009.
2,5

2

SERGIPANA

1,5

CLONE 03
CLONE 06

1

CLONE 09
CLONE 14

0,5

0
NÃO
DIVERSOS
COMERCIAL INFERIOR

ESPECIAL

EXTRA A

EXTRA B

DIVERSOS
SUPERIOR

1

NÃO COMERCIAL- <80 g.
DIVERSOS INFERIOR- 80-150g
3
ESPECIAL- 151-200 g.
4
EXTRA A- 201-300 g.
5
EXTRA B- 301-400 g.
6
DIVERSOS SUPERIOR- >400 g.
2

Na Figura 04 consta o panorama das produções de tubérculos de batata-doce dos
genótipos Sergipana, clone 03, clone 06, clone 09 e clone14, nas faixas de peso Não
Comercial, Diversos Inferior, Especial, Extra A, Extra B e Diverso Superior.

4.3.1.1 Não Comercial
Na faixa de peso Não Comercial, compreendida dos pesos dos tubérculos abaixo
de 80 g, o genótipo de batata-doce que obteve o melhor desempenho foi a variedade
Sergipana com 0,41 t.ha-1, diferindo estatisticamente do clone 03, que produziu 0,89
t.ha-1, porem, a variedade Sergipana não diferiu estatisticamente dos clones 06, 09 e 14,
que produziram 0,51, 0,62 e 0,67 t.ha-1, respectivamente. Para essa faixa de peso o
genótipo que obteve o menor resultado foi o de melhor classificação considerando a
comercialização para consumo humano (Tabela 12).

61
4.3.1.2 Diverso Inferior

Não houve diferença estatística entre todos os genótipos avaliados para a faixa
de peso Diverso Inferior, compreendida dos pesos dos tubérculos entre 80 até 150 g, os
quais apresentaram, em média, 1,19 t.ha-1 de tubérculos (Tabela 12).

4.3.1.3 Especial

Para a faixa de peso Especial, cujos pesos dos tubérculos estão acima de 150 g
até 200 g, a variedade Sergipana e o clone 14 obtiveram os melhores desempenhos,
sendo semelhantes entre si, com produções de 1,25 e 0,93 t.ha-1, respectivamente.
Também, esta mesma variedade diferiu estatisticamente dos demais genótipos, ou seja,
dos clones 03, 06 e 09 (Tabela 12).

4.3.1.4 Extra A

A variedade Sergipana, o clone 06 e o clone 14 produziram 1,38, 0,83 e 1,46
t.ha-1, respectivamente, sendo semelhantes entre si, e obtiveram os melhores resultados
do ensaio para a faixa Extra A (> 200 g a 300 g). Por outro lado, o clone 14 e a
variedade Sergipana diferiram estatisticamente dos clones 03 e clone 09 (Tabela 12).

4.3.1.5 Extra B

As produções de tubérculos de batata-doce da variedade Sergipana, do clone 06
e do clone 14 foram semelhantes entre si, na faixa de peso Extra B (> 300 g até 400 g),
com 0,81, 1,33 e 0,78 t.ha-1, respectivamente, e obtiveram os melhores desempenhos
nesta faixa de peso. No entanto, o clone 06 diferiu estatisticamente dos clones 03 e 09
(Tabela 12).

4.3.1.6 Diverso Superior

Não houve diferença estatística para a variedade Sergipana e os clones 06 e 14,
na faixa de peso Diverso Superior (> 400 g), com produções de 2,04, 0,86 e 0,74 t.ha-1,
respectivamente, sendo eles os genótipos que apresentaram os melhores desempenhos

62
de tubérculos para, principalmente, o consumo animal e/ou industrial. No entanto, a
variedade Sergipana diferiu estatisticamente dos clones 03 e 09 (Tabela 12).

4.3.2 Classificação das faixas de peso dos tubérculos por tipo de cultivo
Na Tabela 13, constam as comparações das médias dos tratamentos: Tipos de
Cultivo pelo teste de Tukey no nível de 5% de probabilidade para todas as diferentes
faixas de peso de tubérculos.
Tabela 13 Médias obtidas em t.ha-1 para as diferentes faixas de peso de tubérculos de
batata-doce [Ipomoea batatas (L.) Lam.], em tipos de cultivos, no município de Rio
Largo, Estado de Alagoas. U.A.CECA-UFAL, 2009.
Tipo de
Cultivo
Biodinâmico
Orgânico
Agri. Fam.**
Químico
5%

1

Não
Comercial

0,61a
0,57a
0,56a
0,73a
0,32

2

Diverso
Inferior

1,04a
1,10a
1,10a
1,53a
0,71

3

Especial

0,54a
0,65a
0,66a
1,28b
0,44

4

Extra A

0,91ab
0,55a
0,66ab
1,30b
0,66

5

Extra B

0,39a
0,49a
0,60a
1,06a
0,72

6

Diverso
Superior

0,66a
0,45a
0,58a
1,29a
1,47

/ Nas colunas, as médias com pelo menos uma mesma letra não difere entre si pelo teste de Tukey a 5%
de probabilidade.
**Agricultor Familiar
1
NÃO COMERCIAL- <80 g.
2
DIVERSOS INFERIOR- 80-150g
3
ESPECIAL- 151-200 g.
4
EXTRA A- 201-300 g.
5
EXTRA B- 301-400 g.
6
DIVERSOS SUPERIOR- >400 g.

63
Na Figura 05 consta o panorama das produções de tubérculos de batata-doce em
relação aos diferentes tipos de cultivos utilizados: Biodinâmico, Orgânico, Agricultor
Familiar e Químico, nas faixas de peso Não Comercial, Diversos Inferior, Especial,
Extra A, Extra B e Diverso Superior.

Figura 05 Produção total em t.ha-1 de tubérculos de batata- doce [Ipomoea batatas (L.)
Lam.], por faixa de peso de diferentes tipos de cultivos no município de Rio Largo,
Estado

de

Alagoas.

U.A.CECA-UFAL,

2009.

1,80
1,60
1,40
1,20
1,00

BIODINÂMICO

0,80

ORGÂNICO
AGR FAMILIAR

0,60

QUÍMICO

0,40
0,20
0,00
NÃO
DIVERSOS
COMERCIAL INFERIOR
1

NÃO COMERCIAL- <80 g.
DIVERSOS INFERIOR- 80-150g
3
ESPECIAL- 151-200 g.
4
EXTRA A- 201-300 g.
5
EXTRA B- 301-400 g.
6
DIVERSOS SUPERIOR- >400 g.
2

ESPECIAL

EXTRA A

EXTRA B

DIVERSOS
SUPERIOR

64
4.3.2.1 Não Comercial
Não houve diferença estatística entre todos os tipos de cultivo avaliados para a
faixa de peso Não Comercial (< 80 g), os quais apresentaram, em média, 0,61 t.ha-1 de
tubérculos (Tabela 13).

4.3.2.2 Diverso Inferior

Não houve diferença estatística entre todos os tipos de cultivo avaliados para a
faixa de peso Diverso Inferior (80 até 150 g), os quais apresentaram, em média, 1,19
t.ha-1 de tubérculos (Tabela 13).

4.3.2.3 Especial

O cultivo Químico obteve o melhor desempenho do ensaio para a faixa de peso
Especial (>150 g até 200 g), com produção de 1,28 t.ha-1, diferindo estatisticamente dos
demais tipos de cultivos (Tabela 13).

4.3.2.4 Extra A

Os tipos de cultivo biodinâmico, agricultor familiar e químico não diferiram
estatisticamente e apresentaram os melhores desempenhos na faixa Extra A (> 200 g a
300 g). No entanto, o cultivo químico diferiu do cultivo orgânico (Tabela 13).

4.3.2.5 Extra B

Não houve diferença estatística entre todos os tipos de cultivo avaliados para a
faixa de peso Extra B (> 300 g até 400 g), os quais apresentaram, em média, 0,67 t.ha-1
de tubérculos (Tabela 13).

4.3.2.6 Diverso Superior
Não houve diferença estatística entre todos os tipos de cultivo avaliados para a
faixa de peso Diverso Superior (> 400 g), os quais apresentaram, em média, 0,74 t.ha-1
de tubérculos (Tabela 13).

65

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tornam-se necessários alguns esclarecimentos introdutórios para efeito de uma
melhor compreensão dos resultados obtidos neste experimento, de maneira a resumir
tudo o que foi desenvolvido, visto que, além do ineditismo do experimento em relação à
comparação entre os cultivos utilizados, o que dificultou as comparações dos resultados
por falta de dados, a cultura da batata-doce teve um comportamento diferente, a menor,
com relação às produções médias dos ensaios em geral, a saber:
1- Das onze variáveis analisadas, agrícolas e bromatológicas, os genótipos foram
responsáveis pela quase totalidade das variações existentes, apenas a variável matéria
mineral da raiz teve resultado estatisticamente não significativo, o que se deduz como o
maior responsável pelas interferências ocorridas;
2- Os tipos de cultivos por sua vez interferiram em seis variáveis, sendo duas
variáveis agrícolas e quatro bromatológicas;
3- A interação “tipo de cultivo” versus “genótipo”, não foi significativa em todas
as variáveis agrícolas e em três das bromatológicas, tendo sido significativa em outras
três variáveis bromatológicas;
4- A área escolhida para a instalação do experimento encontrava-se sem
nenhuma atividade agrícola ha mais de oito anos, muito embora tenha sido uma área de
plantio mecanizado de cana-de-açúcar, o que provavelmente deve ter influenciado na
baixa produtividade, talvez possa ter sido por problemas de natureza estrutural do solo.
Segundo SOUZA (1998), em experimentos realizados com olerícolas na região serrana
do Estado do Espírito Santo, durante dez anos consecutivos com compostagem
orgânica, constatou-se uma excelente produtividade e padrão comercial. Trabalhando
em conversão de cultivo convencional para o cultivo orgânico CARMO (1998), afirma
que o retorno na transição é de médio a longo prazo, obtendo alimentos de alto valor
biológico, sem resíduos químicos e com elevado objetivo social. Para se produzir
orgânicamente uma boa colheita, FEIDEN et al. (2002) relatam que tem que se fazer
adoção de práticas como a rotação de culturas, sistemas de policultivos, associando-se

66
leguminosas e adubação verde aos cultivos, aumentando dessa maneira a
biodiversidade, a autonomia de nitrogênio no local e a fertilidade dos solos. Por outro
lado, REZENDE (2000) e REZENDE et al. (2002) afirmam ser, os horizontes coesos,
que prejudicam os atributos de natureza físico dos solos que são responsáveis pelo
desenvolvimento das plantas, como; aeração, retenção e disponibilidade de água,
disponibilidade de nutrientes, regime térmico e resistência à penetração do sistema
radicular, em tabuleiros costeiros de Alagoas, podendo ter interferido na baixa
produtividade obtida neste experimento de batata-doce.
5- Os resultados experimentais constatam que a variedade Sergipana, o clone 06
e o clone 14 foram estatisticamente superiores em produção total de tubérculos por
hectare, quando comparados ao clone 03 e clone 09, fato esse que se configura na
estratificação por faixa por peso de tubérculos, desta feita, em varias ocasiões, essa
diferença diminui em sua significância.
6- Para a estratificação por faixa de peso dos tubérculos de batata-doce em
relação aos diferentes tipos de cultivos utilizados, apenas constatou se diferença para
duas das seis faixas, na faixa Especial e Extra A, muito embora nessa última com
genótipos de comportamento semelhantes.

67

6 CONCLUSÃO

Nas circunstâncias em que o experimento foi desenvolvido com a finalidade de
indicar genótipos de batata-doce adequados a diferentes tipos de cultivo na região de
tabuleiros costeiros do Município de Rio Largo-Alagoas, ressaltando que ainda são
necessários estudos adicionais para confirmação dos resultados aqui obtidos, a partir das
variáveis diretamente relacionadas com a produção comercial de tubérculos, conclui-se,
que:
- O clone 06, o clone 14 e a variedade Sergipana foram os genótipos que
apresentaram os melhores desempenhos médios e são os mais indicados para consumo
humano e animal.
- O cultivo químico apresentou o melhor desempenho médio entre os demais
tipos de cultivo.

68

REFERÊNCIAS2
ALBUQUERQUE, T.C.S. de.; SOUSA, R.C.P. de.; FIGUEIREDO, C.L.S.; COSTA,
S.D.O. Compostagem de resíduos orgânicos na Embrapa Roraima. Boa Vista: EmbrapaRoraima,

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AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS - ANA. Plano Nacional de Recursos Hídricos.
Documento

Base

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Referência.

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ana.gov.br/Bacias/NorteNordeste/BacAtlatrechosNorteNordeste.htm>. Acesso em: 20
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ALMEIDA, E. X.; GANDIN, L. C; AMADO, T. J. C. Batata doce na alimentação
animal. Florianópolis: EMPASC, 1987. 4p. (EMPASC. Pesquisa em Andamento, 72).

2

Referências elaboradas segundo a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR
6023: informação e documentação: referências: elaboração. Rio de Janeiro, 2002.

69
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AUSTIN, D. F. The taxonomy, evolution, and genetic diversity of sweet potatoes and
related wild species. In: Exploration, maintenance, and utilization of sweet potato
genetic resources. Lima: International Potato Center, 1988. p. 27-60.

ÁVILA,

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21

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86

APÊNDICES
Apêndice 1 – Panorama do delineamento experimental utilizado para a avaliação de genótipos de batata-doce Ipomoea batatas (L.) Lam. em
diferentes tipos de cultivo em tabuleiros costeiros do Estado de Alagoas em 2009.

DELINEAMENTO EXPERIMENTAL PARA AVALIAÇÃO DE GENÓTIPOS DE
BATATA DOCE
P1
BLOCO I

BLOCO II

BLOCO III

C3

P2 C4

P3 C3

P4

C3

P6 C2

P7 C2

P8

P11 C1

P12 C2

P13 C3

P14 C4

P15 C1

P16 C1

P17 C2

P21 C2

P22 SC1

P23 C1

P24 C3

P25 C4

P26 C2

P31 C1

P32 C4

P33 C3

P34 C3

P35 C1

P41 C2

P42 C3

P43 C1

P44 C3

P51 C4

P52 C1

P53 C4

P54 C1

C4

P5

C3

P10 C1

P18 C4

P19 C1

P20 C2

P27 C2

P28 C4

P29 C1

P30 C4

P36 C4

P37 C3

P38 C2

P39 C2

P40

P45 C2

P46 C3

P47 C2

P48 C2

P49 C4

P50 C3

P55 C3

P56 C2

P57 C1

P58 C4

P59 C1

P60C4

C4

P9

C3

Continua ...

87

P1...60 – NÚMERO DA PARCELA
C1 – CULTIVO BIODINÂMICO
C2 – CULTIVO ORGÂNICO
C3 – CULTIVO AGRICULTOR FAMILIAR
C4 – CULTIVO QUÍMICO
SERGIPANA

CLONE 3

CLONE 6

ESPAÇAMENTO ENTRE LEIRAS – 1,00 METRO
ESPAÇAMENTO ENTRE COVAS – 0,50 METRO
NÚMERO DE LEIRAS POR PARCELA – 03
NÚMERO DE COVAS POR LEIRA – 15
NÚMERO DE LEIRAS ÚTEIS POR PARCELA - 01
NÚMERO DE COVAS ÚTEIS POR LEIRA - 11

CLONE 9

CLONE 14

88

ÍNDICE DAS ESPÉCIES CITADAS

NOME

Página(s)

Achillea millefolium, L. (Asteraceae) ............................................................................ 23, 29
Azadirachta indica A. Juss. (Meliaceae)

.................................................................... 31

Brucella abortus

.................................................................... 19

B. suis

.................................................................... 19

Cervus elaphus, Linnaeus,1758 (Mammalia: Cervidae) ................................................. 23,29
Corynebacterium diphteriae

.................................................................... 19

Escherichia coli

.................................................................... 19

Globodera spp.

.................................................................. 25

Ipomoea batatas (L.) Lam.

.................................................................... 01

Leucaena leucocephalla (Lam.) de Wit.

.................................................................... 21

Matricaria chamomilla, L. (Asteraceae)

.............................................................. 23, 29

Melines minutiflora Pall de Beauv. (Poaceae)

.................................................................... 28

Mycobacterium tuberculosis var. hominis

.................................................................... 19

Opuntia fícus-indica (L.) P. Mille. (Cactaceae)

.................................................................. 28

Quercus robur, L. (Fagaceae)

.............................................................. 23, 29

Salmonella typosa

.................................................................... 19

Solanum tuberosum L.

............................................................... 24,25

Taenia saginata

.................................................................... 19

Taraxacum officinale, L. (Asteraceae)

.............................................................. 24, 29

Urtica dioica, L.(Urticaceae)

.............................................................. 23, 29

Valeriana officinalis, L. (Valerianaceae)

.............................................................. 24, 29