ricardo
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
UNIDADE-CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA
CRESCIMENTO DE VARIEDADES RB DE CANA-DEAÇÚCAR IRRIGADAS E FOTOSSÍNTESE MODELADA
PELA RADIAÇÃO SOLAR
Ricardo Araujo Ferreira Junior
RIO LARGO, AL
2010
RICARDO ARAUJO FERREIRA JUNIOR
CRESCIMENTO DE VARIEDADES RB DE CANA-DEAÇÚCAR IRRIGADAS E FOTOSSÍNTESE MODELADA
PELA RADIAÇÃO SOLAR
Dissertação apresentada ao Colegiado do Curso
de Pós-graduação em Agronomia - Produção
vegetal do Centro de Ciências Agrárias da
Universidade Federal de Alagoas, como requisito
parcial para a obtenção do título de Mestre em
Agronomia, Área de Concentração Produção
Vegetal.
Orientação: Prof. Dr. José Leonaldo de Souza
RIO LARGO, AL
2010
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária Responsável: Helena Cristina Pimentel do Vale
F385c
Ferreira Junior, Ricardo Araujo.
Crescimento de variedades RB de cana-de-açúcar irrigadas e fotossíntese
modelada pela radiação solar / Ricardo Araujo Ferreira Junior, 2010.
68f. : grafs., tabs.
Orientador: José Leonaldo de Souza.
Dissertação (mestrado em Agronomia: Proteção de Plantas) – Universidade
Federal de Alagoas. Centro de Ciências Agrárias. Rio Largo, 2010.
Bibliografia: f. 60-66.
Apêndices. f. 67-68.
1. Cana-de-açúcar. 2. Saccharum spp. 3. Radiação fotossintética. 4. Simulação
(Cultivo). I. Título.
CDU: 633.61
TERMO DE APROVAÇÃO
RICARDO ARAUJO FERREIRA JUNIOR
0810M09
CRESCIMENTO DE VARIEDADES RB DE CANA-DE-AÇÚCAR IRRIGADAS E
FOTOSSÍNTESE MODELADA PELA RADIAÇÃO SOLAR
Esta dissertação foi submetida a julgamento como parte dos requisitos
necessários à obtenção do título de Mestre em Agronomia, outorgado pela
Universidade Federal de Alagoas.
A citação de qualquer trecho desta dissertação é permitida, desde que seja
feita de conformidade com as normas da ética científica.
Aprovado em 04 de Fevereiro de 2010.
A Piettra e a minha filha Clara pela
alegria
e
motivação
que
me
proporcionaram durante o percorrer do
curso.
DEDICO
Aos que respeitam a Natureza, não
porque admiram sua beleza, mas sim por
ter a consciência que é parte dela.
OFEREÇO
AGRADECIMENTOS
Ao meu orientador professor Dr. José Leonaldo de Souza, pelos
ensinamentos científicos e moral ao longo desses quase seis anos de
convivência;
Ao professor Iêdo Teodoro pelos ensinamentos, coordenação do
experimento de campo e amizade;
Ao professor Gustavo Lyra pelas sugestões e contribuições da pesquisa.
Aos colegas Lucas Holanda e Givaldo Sampaio Neto, pelo empenho das
atividades de campo.
Aos colegas de laboratório Rui Palmeira, José Edmilson, Marcos Alex,
Mercel José, Anthony Carlos, André Luiz, Franklin dos Anjos, Eduardo Cabral e
Maurício Bruno, pelo sempre agradável ambiente de trabalho.
Aos colegas de turma de mestrado: Renan Cantalice, Tiago Tibola, Pedro
Bento, Sihélio Júlio, Carlos Jorge, Silvia e aos demais, pelo companheirismo nas
disciplinas;
Ao corpo docente do curso de Mestrado em Agronomia-Produção Vegetal
da UFAL, em especial aqueles com os quis convivi: Profª Drª Vilma Marques
Ferreira, Prof. Dr. Gaus Silvestre de Andrade Lima, Prof. Dr Lauricio Endres,
Prof. Dr. Paulo Vanderley Ferreira, Prof. Dr. José Vieira Silva, Prof. Dr. José Paulo
Vieira, Prof. Dr. Gilson Moura Filho, Prof. Dr. José Calazans e Prof. Dr. Leila pelos
ensinamentos;
Ao Professor Geraldo Veríssimo em nome do Programa de Melhoramento
Genético de Cana-de-açúcar - PMGCA/CECA/UFAL, pelo apoio ao Laboratório de
Agrometeorologia e Radiometria Solar.
A todos os funcionários que contribuíram para realização deste trabalho.
Aos funcionários da secretaria de pós-graduação Geraldo Lima e Marcos.
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq) pela concessão da bolsa.
Meus sinceros agradecimentos
BIOGRAFIA DO AUTOR
Ricardo Araujo Ferreira Junior, filho de Ricardo Araujo Ferreira e Denise
Monteiro de Carvalho, nasceu na cidade de Maceió, Estado de Alagoas, em 21 de
outubro de 1981 e, como toda criança curiosa sempre se perguntava sobre algum
fenômeno da natureza, quando estudando para ingressar na universidade, um
amigo (Agnus Bahia) citou quais as áreas de estudo do curso de agronomia, uma
vez que ele já estava cursando há um ano.
Ingressou no Centro de Ciências Agrárias (CECA) da Universidade Federal
de Alagoas (UFAL), para cursar Agronomia no primeiro semestre do ano de 2003,
durante sua graduação a partir de 2005 desenvolveu a atividade de bolsista de
iniciação científica orientado pelo Professor Doutor José Leonaldo de Souza no
Laboratório de Agrometeorologia e Radiométria Solar até meados de 2007
quando passou a ser bolsista do projeto Atlas Solarimétrico preliminar para o
Estado de Alagoas e disseminação da tecnologia solar até fevereiro de 2008.
Em dezembro do ano de 2007 foi graduado Engenheiro Agrônomo.
No próprio CECA, em março de 2008 iniciou o Curso de Mestrado em
Agronomia, área de concentração em Produção Vegetal, na linha de pesquisa em
Agrometeorologia com a orientação do Professor Doutor José Leonaldo de
Souza.
"O amor é paciente, o amor é prestativo;
não é invejoso, não se ostenta, não se
incha de orgulho. Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta."
(1 Cor 13)
RESUMO
Modelos de crescimento para a cultura da cana-de-açúcar expressam o
crescimento das plantas baseados na fotossíntese liquida (fotossíntese bruta
menos respiração). Determinações da fotossíntese bruta (FB) podem ser feitas
em função da radiação solar interceptada através de uma equação hiperbólica
retangular. Assim, objetivou-se com o presente trabalho, realizado no Centro de
Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas, avaliar variedades RB
(RB92579, RB863129, RB931003, RB93509, RB72454, RB867515, RB951541,
RB971755 e RB98710) de canas-de-açúcar irrigadas em relação à radiação
fotossinteticamente ativa interceptada (RFAINT) e a estimativa da FB acumulada,
entre fevereiro de 2008 a fevereiro de 2009. Para isso, foram realizadas medidas
biométricas (área foliar e número de perfilhos) e variáveis de produção (toneladas
de colmos por hectare (TCH) e toneladas de açúcar por hectare (TPH)), em
delineamento experimental em blocos casualizados, com quatro repetições. A
irradiância fotossintética (RFA) foi estimada como 44 % da irradiância solar (Rg) e
a RFAINT como diferença entre RFA e RFA transmitida (RFAT). A RFAT foi
determinada utilizando a Lei de Beer ( RFA T = RFA exp ( − K IAF) ), com o valor do
coeficiente de atenuação da luz (K) igual a 0,58. Na estimativa da FB diária, usouse uma integração numérica com abordagem trapezoidal. Também foi feita a
análise temporal do crescimento, através de simulações do índice de área foliar
(IAF) em função dos graus-dia (GD). Considero-se o inicio do cultivo (365 dias de
duração) no 1° dia de cada mês de quatro anos (2004 -2007). O TCH e o TPH
tiveram correlações com a RFAINT acumulada e com a FB acumulada durante o
ciclo. A média da irradiação solar do período chuvoso da região, maio - agosto,
(71 - 193 dias após o corte), foi 14,9 MJ m-2. A variedade RB92579 foi a que teve
maiores TCH e TPH, com também maiores valores das estimativas da RFAINT e
FB acumuladas no longo do ciclo. Nas simulações de crescimento, para as
variedades RB de cana-de-açúcar, os meses de março e fevereiro tiveram
maiores acumulo RFAINT e FB.
Palavras-chave: Radiação fotossintética, Simulação de cultivo, Saccharum spp.
ABSTRACT
Growth models for the sugarcane crop express plant growth based on the
net photosynthesis (gross photosynthesis less respiration). Determination of gross
photosynthesis (GP) can be made according to the intercepted solar radiation by a
rectangular hyperbolic equation. Therefore, this work, conducted at the Center for
Agrarian Sciences, Federal University of Alagoas, aimed to evaluate RB varieties
(RB92579, RB863129, RB931003, RB93509, RB72454, RB867515, RB951541,
RB971755 and RB98710) of irrigated sugarcane in relation to the intercepted
photosynthetic active radiation (PARINT) and the estimation of accumulated GP
from February 2008 to February 2009. To achieve this, biometric measurements
(leaf area and number of tillers) and production variables: tons of cane per hectare
(TCH) and tons of sugar per hectare (TSH) were performed in a randomized
outline with four repetitions. The photosynthetic irradiance (PAR) was estimated as
44% of the solar irradiation (Rg), and PARINT as the difference between PAR and
transmitted PAR (PART). The PART was determined using the Beer law
( RFA T = RFA exp ( − K IAF) ), with the coefficient of light attenuation (K) equal to 0.58.
The estimation of daily GP was obtained by a numerical integration with
trapezoidal approach. It was also made a temporal analysis of growth through
simulations of leaf area index (LAI) according to degree-days (GD). The start of
the cultivation (365 days duration) was considered the 1st day of each month for
the four years (2004-2007). The TCH and TSH had correlations with the
accumulated PARINT and GP during the cycle. The average solar radiation of the
region's rainy season, from May to August, (71 to 193 days after ratooning) was
14.9 MJ m-2. The RB92579 variety had the highest values TCH and TSH as the
highest estimates of accumulative PARINT and GP during the cycle. In simulations
of growth for the RB varieties of sugarcane, the months of March and February
had the highest accumulation PARINT and GP.
Keywords: Photosynthetic radiation, Crop simulation, Saccharum spp
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Parâmetros da equação Log-Normal do ajuste entre o índice de área
foliar (IAF) e os graus-dia acumulados ao longo do cultivo de variedades
RB de cana-de-açúcar, irrigada por gotejamento, em Rio Largo – AL,
entre 2008 e 2009. ................................................................................ 44
Tabela 2. Índice de área foliar médio de variedades RB de cana-de-açúcar,
irrigada por gotejamento, em Rio Largo – AL, entre 2008 e 2009......... 44
Tabela 3. Produtividade de colmos (TCH), produtividade de açúcar (TPH),
irradiação fotossinteticamente ativa interceptada (RFAINT), e fotossíntese
bruta (FB) para as variedades RB de cana-de-açúcar em cultivo irrigado
por gotejamento em Rio Largo – AL, entre 2008 e 2009. ..................... 48
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Percentagem de luz absorvida, refletida e transmitida de uma folha em
função do comprimento de onda (adaptado de Taiz & Zeiger, 1991). .. 26
Figura 2. Esquema dos espaçamentos entre linhas e posicionamento das
mangueiras de gotejamento. ................................................................. 30
Figura 3. Vista aérea do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de
Alagoas, com destaque da área localizada a Estação Agrometeorológica
(retângulo amarelo) e da área experimental (retângulo vermelho). ...... 32
Figura 4. Entrada (precipitação pluvial + irrigação) e saída (evapotranspiração da
cultura, ETc) de água no cultivo (2° folha) de cana -de-açúcar, em Rio
Largo – AL, entre os anos 2008-2009. .................................................. 40
Figura 5. Déficit (DEF) e excesso hídrico (EXC) no cultivo de cana irrigada (2°
folha) pelo método de Thornthwaite e Mather (1957), em Rio Largo - AL,
entre os anos 2008-2009. ..................................................................... 40
Figura 6. Temperatura média, mínima e máxima do ar em função ao dias após o
corte
(DAC)
durante
o
ciclo
cultura
da
cana-de-açúcar
em
Rio Largo - AL. ...................................................................................... 41
Figura 7. Ajuste de curva Log-Normal, com 4 parâmetros entre o Índice de área
foliar (IAF) de variedades RB de cana-de-açúcar e os graus-dia (GD)
acumulados em cultivo (2° folha) irrigado por gotej amento, entre os anos
2008-2009. ............................................................................................ 43
Figura 8. Índice de claridade (Kt) em função ao dias após o corte (DAC) durante o
ciclo cultura da cana-de-açúcar em Rio Largo - AL, entre os anos 20082009. ..................................................................................................... 46
Figura 9. Irradiação solar global diária (Hg) e fotossinteticamente ativa
interceptada (RFAINT) da variedade RB92579 em função ao dias após o
corte
(DAC)
durante
o
ciclo
cultura
da
cana-de-açúcar
em
Rio Largo - AL, entre 2008 e 2009. ....................................................... 46
Figura 10. Correlação entre a produtividade de colmos (TCH) e a radiação
fotossinteticamente ativa interceptada (RFAINT) acumulada no cultivo de
variedades RB de cana-de-açúcar (2° folha) irrigado por gotejamento em
Rio Largo - AL, entre 2008 e 2009. ....................................................... 49
Figura 11. Correlação entre a produtividade de colmos (TCH) e a fotossíntese
bruta (FB) acumulada no cultivo de variedades RB de cana-de-açúcar
(2° folha) irrigado por gotejamento em Rio Largo - AL, entre 2008 e
2009. ..................................................................................................... 50
Figura 12. Correlações entre produtividade de açúcar (TPH) e a radiação
fotossintética interceptada (RFAINT) acumulada no cultivo de variedades
RB de cana-de-açúcar (2° folha) irrigado por goteja mento em
Rio Largo - AL, entre 2008 e 2009. ....................................................... 50
Figura 13. Correlações entre produtividade de açúcar (TPH) e a fotossíntese bruta
(FB) acumulada no cultivo de variedades RB de cana-de-açúcar irrigado
por gotejamento em Rio Largo - AL, entre 2008 e 2009. ...................... 51
Figura 14. Irradiância fotossintética (RFA) medida e estimada em função da
irradiação diária e o fotoperíodo para: A) dia com índice de claridade
(Kt) = 0,29 (17/07/2008), B) dia com Kt = 0,52 (03/07/2008) e C) dia com
Kt = 0,66 (12/12/2008). ......................................................................... 52
Figura 15. Fotossíntese bruta (FB) diária: A) com dados de irradiância
fotossintetica medida, B) com dados de irradiância fotossintética
estimada pela irradiação em função dos dias após o corte de um cultivo
de cana-de-açúcar e C) desvio entre FB com irradiância medida e
estimada................................................................................................ 54
Figura 16. Plotagem de Bland e Altman para os limites de concordância entre os
valores de fotossíntese bruta com dados de irradiância fotossintética
medida (FBd RFAmedido) e com dados de irradiância fotossintética
estimada pela irradiação (FBd RFAestimado) de um cultivo de cana-deaçúcar irrigado em Rio Largo, entre 2008-2009. DM = desvio médio e
DP = desvio padrão............................................................................... 55
Figura 17. Radiação fotossinteticamente ativa interceptada (RFAINT) acumulada
na simulações de cultivo de cana-de-açúcar (Variedade RB92578) em
relação ao mês de corte, nos anos 2004, 2005, 2006 e 2007............... 56
Figura 18. Fotossíntese Bruta (FB) acumulada nas simulações de cultivo de canade-açúcar (Variedade RB92578) em relação ao mês de corte, nos anos
2004, 2005, 2006 e 2007. ..................................................................... 57
Figura 19. Média mensal da irradiação solar global (Hg) da região de Rio Largo,
Alagoas. .................................................................................................58
LISTA DE SÍMBOLOS
∆
- Inclinação da curva da pressão de vapor saturado versus
temperatura, kPa ºC-1
γ
- Coeficiente psicrométrico, kPa ºC-1
α
- Eficiência fotossintética, kg J-1 de CO2
a, b, c, d
- Coeficientes de regressão do modelo Log-Nomal
AF
- Área foliar
AFD
- Água facilmente disponível, mm
AS
- Área ocupada pela planta, m2
C
- Comprimento da folha +3, cm
CAD
- Capacidade de água disponível, mm
CC
- Capacidade de campo, mm
CECA
- Centro de Ciências Agrárias
CL
- Dia Claro
DAC
- Dias após o corte
DEF
- Déficit hídrico, mm
e
- Pressão do vapor d’água do ar, kPa
es
- Pressão de saturação do vapor d’água do ar, kPa
ET
- Evapotranspiração, mm
ETc
- Evapotranspiração da cultura, mm
ETo
- Evapotranspiração de referência, mm
EUR
- Eficiência do uso da radiação, g MJ-1
EXC
- Excesso hídrico, mm
f
- Fator de depleção
FBd
- Fotossíntese bruta diária, kg m-2 de CO2
FBINST
- Fotossíntese bruta instantânea, kg m-2 s-1 de CO2
FMAX
- Fotossíntese máxima, kg m-2 s-1 de CO2
G
- Fluxo de calor no solo, MJ m-2
GD
- Graus-dia, °C d
GDaj
- Efeito adverso da alta temperatura no desenvolvimento da cultura,
para cada j dia,°C
GDgj
- Graus-dia nas condições de temperaturas sub-ótimas, para cada j
dia, ºC
GDj
- Graus-dia para cada j dia, ºC d.
GDt
- Graus-dia para completar um período, °C d
Hg
- irradiação solar, J m-2
Ho
- irradiação solar no topo da atmosfera, J m-2
IAF
- Índice de área foliar
k
- Coeficiente de extinção
Kc
- Coeficiente da cultura
Kt
- Índice de claridade
L
- Largura da folha +3, cm
N
- Fotoperíodo, s
NB
- Dia nublado
PMP
- Ponto de murcha permanente, mm
PN
- Dia parcialmente nublado
Q10
- Coeficiente de temperatura
RFA
- Radiação fotossinteticamente ativa
RFAINST
- irradiância fotossinteticamente ativa, J m-2 s-1
Rg
- irradiância solar, J m-2 s-1
Rn
- Saldo de radiação, MJ m-2
T
- Temperatura do ar, ºC
Tb
- Temperatura-base, °C
TCC
- Taxa de crescimento da cultura
TCH
- Produtividade de colmos, t ha-1
Tmaxj
- Temperatura máxima do ar do dia, ºC
Tminj
- Temperatura mínima do ar do dia, ºC
To
- Temperatura ótima para o desenvolvimento, ºC
TPH
- Produtividade de açúcar, t ha-1
Ts
- Temperatura de saturação, ºC
u2
- Velocidade do vento a 2 m de altura, m s-1
UFAL
- Universidade Federal de Alagoas
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................. 16
2 REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................ 18
2.1 Origem e Cenário Atual da Cana-de-açúcar............................................... 18
2.2 Influências dos Fatores Ambientais na Produção de Biomassa. ............ 19
2.2.1 Disponibilidade de Água .............................................................................. 19
2.2.2 Temperatura do Ar ...................................................................................... 22
2.2.3 Radiação Solar ............................................................................................ 24
3 MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................. 29
3.1 Características da Área Experimental e Manejo da Cultura ..................... 29
3.2 Medidas Biométricas, Produtividades e Agrometeorológicas ................. 30
3.3 Análise Ambiental ........................................................................................ 33
3.4 Fotossíntese Bruta e Análise Temporal de Crescimento ......................... 36
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................ 39
4.1 Condições Hídricas e Térmicas .................................................................. 39
4.2 Índice de Área Foliar e Graus-Dia ............................................................... 42
4.3 Irradiação Solar, Fotossíntese e Produtividade. ....................................... 45
4.4 Distribuição Diária da RFA para Cálculos de Fotossíntese Bruta ........... 51
4.5 Análise Temporal do Crescimento de Cana-de-açúcar............................. 55
5 CONCLUSÕES ................................................................................................. 59
REFERÊNCIAS ................................................................................................. 60
APÊNDICES ..................................................................................................... 67
1 INTRODUÇÃO
O crescente incentivo pela utilização de energias de fontes renováveis
eleva
à
demanda
de
combustíveis
provenientes
de
biomassa
vegetal
(biocombustíveis), destacando-se o etanol da cana-de-açúcar (Saccharum spp.).
Além disso, as recentes tecnologias industriais para o setor sucroalcooleiro estão
maximizando a geração de energia elétrica a partir do bagaço de cana. Assim, as
usinas se tornam fonte energética alternativa no período da safra. Dependendo da
região, esse período varia de seis a oito meses, porém confiável em
complementação
as
hidroelétricas.
Outros
produtos
dessa
cultura
são
salientados, tais como, aguardente, vinhaça (aplicada como fertilizante), plástico,
o papel e o açúcar que é o principal subproduto. A geração de energia pelo cultivo
de cana-de-açúcar tem possibilidade de ser convertida em créditos de carbono no
mercado internacional, pelo seqüestro de carbono da atmosfera. Desta forma, a
área cultivada com cana-de-açúcar se expande a cada ano. Entretanto, em
regiões canavieiras tradicionais, cujas áreas são restritas para expansão, é
imprescindível o manejo adequado da cultura para alcançar valores de produção
potencial.
Pesquisas, que visam elevar a produtividade de uma cultura em
determinada localidade, priorizam a avaliação de padrões genéticos, manejo
hídrico, nutricional e fitossanitário. Porém, o entendimento da influência dos
fatores ambientais no desenvolvimento e crescimento de uma cultura é
fundamental, uma vez que estão diretamente ligados a vários processos
metabólicos. Assim, diversas vezes, as pesquisas direcionadas a fatores
ambientais interagem ou complementam as demais linhas de pesquisas ligadas à
produção vegetal. O melhoramento genético de plantas é uma dessas linhas de
pesquisas que analisa os efeitos dos fatores ambientais nas diferentes
características morfológicas e fisiológicas de genótipos previamente selecionados,
visando definir as variedades mais adequadas para uma localidade.
Estudos são dirigidos para a elaboração de modelos matemáticos para
estimar o crescimento, o desenvolvimento e o rendimento das culturas. (Pereira &
Machado, 1985; Jones & Kiniry, 1986, etc). Em geral, esses modelos
correlacionam os elementos ambientais com processos fisiológicos e com a
produção das culturas. Isto é possível devido à evolução do conhecimento dos
processos fisiológicos vegetais e dos sistemas computacionais.
A maioria dos modelos de crescimento considera a radiação solar como
variável de entrada primordial (Inman-Bamber, 1991; Keating et al, 1999; Liu &
Bull, 2001), uma vez que é a fonte de energia para a fixação do carbono
atmosférico e, conseqüentemente, para o crescimento das culturas. Porém,
apenas uma porcentagem da radiação solar é utilizada na fotossíntese, que
corresponde à parte da energia da faixa do espectro solar entre os comprimentos
de onda de 400 a 700 nanômetros. Essa energia radiante é denominada de
radiação fotossinteticamente ativa (RFA), ou simplesmente de luz. Nesses
modelos, a radiação fotossintética interceptada em uma cultura geralmente é
função da radiação solar incidente nas plantas, do índice de área foliar (IAF) e do
coeficiente de extinção da luz (k), que expressa à influência das propriedades
óticas das folhas e da geometria do dossel na atenuação da luz (Varlet-Grancher
et al, 1989).
Pelo exposto, o objetivo do presente trabalho foi avaliar a produtividade de
colmos e a de açúcar de variedades RB de cana-de-açúcar irrigada por sistema
de gotejamento subsuperficial em relação à radiação fotossinteticamente ativa
interceptada e a estimativa da fotossíntese bruta acumulada.
17
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Origem e Cenário Atual da Cana-de-açúcar
A literatura sobre a origem da cana-de-açúcar é escassa de informações e
com pouca concordância sobre o assunto. Na literatura Indiana, entre 1400 e
1000 antes de Cristo, a cultura da cana é mencionada, o que indica que a canade-açúcar pode ter se originado nessa região. A ausência de citações em
documentos como, por exemplo, na Bíblia e em outros trabalhos de países como
Egito e China, fortalece a hipótese da origem da cultura na Índia. Por outro lado,
análises detalhadas de vários registros conduziam que a procedência da cana-deaçúcar poderia ser na Oceania, mais provavelmente na Nova Guiné. Vários tipos
de cana de colmos grossos foram achados em jardins de nativos desse País
(Biswas, 1988).
Considerações botânicas indicam que variedades de colmos finos
poderiam ter suas origens na Índia, enquanto as variedades com maior
circunferências dos colmos e altura poderiam ter evoluído na Nova Guiné. Essas
variedades diferem significativamente da cana moderna em relação às
características morfológicas (Biswas, 1988). A cultura da cana-de-açúcar chegou
à Espanha aproximadamente no ano 600 e de lá se difundiu para os outros
Países Europeus. No Brasil, a cultura foi introduzida em torno de 1500, pelos os
Portugueses e, em 1526, ocorria exportação de açúcar de cana-de-açúcar para
Lisboa.
O Brasil produziu no ano de 2008 (safra 2008-2009) aproximadamente 570
milhões de toneladas de colmos de cana-de-açúcar destinados ao setor
sucroalcooleiro, ocupando a primeira posição mundial (CONAB, 2009). No Estado
de Alagoas, na mesma safra, a produção de colmos industrializados foi cerca de
27 milhões de toneladas. Apensar de essa produção representar menos que 5%
da nacional, o Estado foi o quinto maior produto do País, atrás apenas dos
estados de São Paulo (68%), Paraná (9,6%), Minas Gerais (8,4%) e Goiás
(5,7%).
18
2.2 Influências dos Fatores Ambientais na Produção de Biomassa.
A cultura da cana-de-açúcar é objeto de diversas pesquisas ao longo de
sua exploração, com o objetivo de aumentar a eficiência no acúmulo de massa e
sacarose. Porém, apenas após a metade do século XX, a influência dos fatores
ambientais foi incluída nos estudos. A compreensão de como os processos
fisiológicos e bioquímicos de determinada espécie vegetal respondem as
variações dos elementos ambientais, de uma localidade, é fundamental para
adequar o manejo agrícola, de forma a definir condições para que a espécie
possa expressar sua potencialidade de produção por área (produtividade). Nesse
contexto, os elementos meteorológicos que mais influenciam no crescimento e
desenvolvimento da cana-de-açúcar são a radiação solar, a temperatura do ar e a
precipitação pluvial (Muchow et al, 1994).
2.2.1 Disponibilidade de Água
Menos de um por certo da água absorvida pelo sistema radicular de uma
planta é utilizada quimicamente no processo fotossintético. Todavia, a falta de
água para as plantas afeta a fotossíntese através de meios indiretos, como o
fechamento estomático, que ocasiona maior resistência a difusão de CO2 entre a
atmosfera e os cloroplastos, e ainda diminui o fluxo de vapor d’água das folhas
para o ambientes prejudicando os processos de translocação de seiva bruta
(água e sais minerais).
Há condição na qual uma planta sofre efeitos negativos devido à restrição
de água é denominada de estresse hídrico. Esse é associado com períodos secos
- períodos sem precipitação pluvial significativa, no qual o conteúdo de água no
solo é reduzido, de forma que as plantas sofrem com a ausência de água
disponível (Larcher, 2000). A capacidade de água disponível (CAD) é a parte do
total de água armazenada no solo que as plantas conseguem absorver, porém a
partir de determinada fração da CAD, as plantas consomem energia para
absorver a água, e comprometem o crescimento. A fração da água dita como sem
gasto energético é conhecida com água facilmente disponível (AFD). Essa é
definida pela diferença entre o teor de água do solo correspondente a capacidade
de campo (CC) e de ponto de murcha permanente (PMP), multiplicada por um
19
fator de depleção (f). A CC é a teor de água máxima que um solo armazena após
ter perdido a água gravitacional (água drenável). Isto ocorre por que neste
momento a força da gravidade entra em equilíbrio com as forças de capilaridade
dos poros. O PMP é característico do solo e conceituado como o teor de água de
um solo no qual as folhas de uma planta, que nele cresce, atingem, pela primeira
vez, murchamento irrecuperável, a teor de água no PMP equivale à teor sob
tensão de -1,5 MPa (Reichardt & Timm, 2004).
Na cultura da cana-de-açúcar, a limitação de água devido aos períodos
secos tem efeito negativo no desenvolvimento do dossel, pelo retardamento da
produção de novos brotos e folhas, e pela aceleração da senescência foliar
(Inman-Bamber, 2004). Os conhecimentos atuais de resposta da cana-de-açúcar
ao estresse hídrico são incorporados em modelos de crescimento, tais como: o
CANEGRO (Inman-Bamber, 1991) e o APSIM-Sugarcane (Agricultural Production
Systems SIMulator) (Keating et al, 1999). No CANEGRO, por exemplo, os
componentes de expansão do crescimento (comprimento da foliar, área foliar e
área de folhas maturas) sofrem redução em função da falta de água. No modelo
APSIM, o efeito negativo do estresse hídrico sobre o dossel é representado de
forma geral, com a penalização do índice de área foliar (Inman-Bamber, 2004).
Esses efeitos levam a reduções na radiação interceptada pelo dossel, no uso de
água e fotossíntese.
A redução da radiação interceptada é simplesmente devido à diminuição
da área foliar, que conseqüentemente aumenta a radiação transmitida pelo
dossel. A redução no uso da água está associada ao estresse hídrico, e esse é
induzido por dois caminhos: i) pela falta de disponibilidade de água no solo para
absorção radicular, determinado pelo status de água no solo; e, ou ii) pela
excessiva demanda de água das folhas para atmosfera (fluxo transpiratório),
determinado pelo status de água na atmosfera. Porém, nos modelos de
crescimento, o estresse hídrico desenvolve-se como função do sistema solo-raiz,
uma vez que o mesmo não consegue entender a demanda atmosférica por água
(Inman-Bamber, 2004).
Alguns mecanismos da planta para evitar períodos de estiagem são
fundamentais para sua sobrevivência em determinadas regiões, como por
exemplo, as estratégias de fechamento estomático e de redução da área foliar através de retardamento do crescimento, enrolamento foliar e desprendimento de
20
folhas. Porém, as plantas geralmente convivem com a dualidade da conservação
de água e da assimilação de CO2.
Em muitos ambientes de cultivo de cana-de-açúcar a água é o principal
fator limitante da produção. Em regiões tropicais essa limitação por água é mais
acentuada quando comparada as regiões subtropicais, onde a temperatura do ar
também se destaca (Pimentel, 1998; Inman-Bamber & Smith, 2005). É importante
ressaltar, que o déficit de água no solo para as culturas não é limitado apenas às
regiões áridas e semi-áridas do mundo, já que mesmo em regiões úmidas, a
distribuição irregular das chuvas pode, em alguns períodos, limitar o crescimento
(Taiz & Zeiger, 1991).
A zona úmida litorânea do Nordeste brasileiro apresenta precipitação
pluvial média superior a 1.500 mm anual e, apesar da má distribuição ao longo do
ano é uma das grandes regiões produtoras de cana-de-açúcar do Brasil. A
necessidade hídrica da cana-de-açúcar difere, com a fase fenológica e também
com a variedade, sendo entre 1.500 a 2.500 mm por ciclo vegetativo.
A precipitação pluvial não é fator limitante da produtividade da cana-deaçúcar onde existem condições de realizar irrigação. Mas, o excesso de chuva
pode ser prejudicial nesses locais, isso acontece quando causa encharcamento
(saturação com água) e má drenagem dos solos. Assim, como nem sempre as
chuvas atendem a real ou potencial necessidade hídrica de uma cultura, surge à
necessidade de irrigar, que bem planejada, tem retorno econômico significantes.
O manejo de cana-de-açúcar irrigada necessita da suspensão da água
antes da colheita, para reduzir a compactação do solo através das máquinas na
operação de colheita e para aumentar a concentração de sacarose (Robertson &
Donaldson, 1998). Este procedimento é denominado, na língua inglesa, de drying
off. Este, não é providência para economizar água, mas, pode reduzir quantidade
significativa de água, bem como aumentar o teor de sacarose, se não prejudicar o
rendimento de sacarose (Inman-Bamber, 2004). Em alguns sistemas de
produção, o intervalo de rega é estendido gradualmente ao longo da segunda
metade do ciclo para aumentar o teor de sacarose, enquanto que em outros
sistemas, como por exemplo, na Austrália e África do Sul, a irrigação é cessada
completamente antes da colheita (Robertson & Donaldson, 1998). Em várias
localidades canavieiras o pagamento de cana é baseado na produção de
21
sacarose por hectare, assim o estresse hídrico antes colheita (drying off) pode
produzir benefício se o rendimento de sacarose aumentar.
Existem diversos métodos para a estimativa do uso da água pelas culturas.
Entretanto, a abordagem usual, deriva do conceito de evapotranspiração (ET).
Esse é resultado da combinação dos processos de evaporação da água do solo
ou de superfícies de água livre e da transpiração das plantas, através,
principalmente, dos estômatos. A ET potencial de uma cultura (ETc) é
determinada pela multiplicação da ET de referência (ETo) e um coeficiente da
cultura (Kc). A ETo é a taxa de evatranspiração de um cultivo de referência, com
características similares a grama, sem restrição de água e nutrientes e livres de
pragas e doenças. Baseado na ETo é possível avaliar o poder evaporativo da
atmosfera, uma vez que independe do tipo de cultura, do estádio de
desenvolvimento e práticas de manejos (Allen et al, 1998). ETc é específica de
determinada cultura, em que as características que diferenciam essa cultura da
cultura de referência estão inclusas no Kc. Assim, é necessário previamente
definir a ET de cada cultura e de suas fases de desenvolvimento, visto que o Kc é
uma relação entre ETc e ETo. Valores de Kc variam de acordo com as fases
fenológicas de determinada cultura e com as condições climáticas observadas
durante essas fases e com as características edáficas do local. Na cultura de
cana-de-açúcar Kc varia de 0,4 - 1,3 do início do cultivo até o máximo
desenvolvimento do dossel e diminui para 0,7 no final do ciclo vegetativo
(colheita) (Doorenbos & Kassan, 1979; Allen et al, 1998).
Existem inúmeros métodos para estimar ETo, sendo o método de PenmanMonteith parametrizado pela FAO (Penman-Monteith FAO), o que apresenta
melhores estimativas em diferentes tipos de climas, e por isso, é recomendado
como método padrão para a estimativa da evapotranspiração de referência (Allen
et al, 1998).
2.2.2 Temperatura do Ar
Vários processos fisiológicos dos vegetais são diretamente influenciados
pela temperatura do ar, já que esse elemento meteorológico é indicador da
energia térmica disponível no ambiente para o crescimento e desenvolvimentos
dos seres vivos. Assim, a maioria das reações metabólicas é influenciada pela
22
temperatura de ar (Jones, 1992). A dependência da temperatura aumenta em
processos que as moléculas envolvidas necessitam de quantidade mínima de
energia para iniciar (energia de ativação). No geral, quanto mais alta for à energia
de ativação do processo maior será a sensibilidade a temperatura.
Ambientes com altas temperaturas do ar provocam nas plantas com
mecanismo de fixação de CO2 “tipo C3” aumento da fixação de O2 ao invés de
CO2. Esse mecanismo de assimilação de O2 é conhecido com fotorespiração. Isto
ocorre porque a enzima responsável pela fixação do CO2 (rusbico) também tem a
capacidade de assimilar O2 presente na atmosfera. Com o aumento da
temperatura, a difusibilidade do O2 aumenta em relação à do CO2 (Taiz & Zeiger,
1991), logo diminui a razão entre as concentrações de CO2 e O2 dentro do sítio de
atuação da rusbico. Assim a atividade oxigenase da rubisco torna-se
proporcionalmente maior com o aumento da temperatura, o que reduz a
assimilação de CO2 (Pimentel, 1998). A diminuição da atividade fotossintética em
plantas C3 a altas temperaturas (apesar de ser devido principalmente ao aumento
da
fotorespiração)
também
está
associada
à
destruição
de
estruturas
cloroplásticas (Pimentel, 1998).
Alguns grupos de plantas desenvolveram mecanismos alternativos de
fixação fotossintética, através da enzima fosfoenolpiruvato carboxilase (PEPcase), que não apresenta afinidade ao oxigênio atmosférico. Assim, as plantas
desses grupos não sofrem o efeito da oxigenação (fotorespiração), sendo mais
eficientes em altas temperaturas. Um grupo de plantas que apresenta esse
mecanismo é denominado de C4, como por exemplo, a cana-de-açúcar. Essa
denominação é devida os primeiros intermediários estáveis no processo serem
compostos de quatro carbonos (malato ou aspartato).
A respiração tipicamente aumenta com temperatura do ar. A relação da
velocidade de reação com a temperatura (relação de Van’t Hoff) mostra aumento
exponencial (Larcher, 2000). A aceleração das reações causada pelo aumento de
10 °C na temperatura do ar é expressa por um coefic iente de temperatura,
conhecido como Q10. Esse coeficiente de temperatura é comumente usado em
estudos de modelagem na determinação da respiração. Entre 0 e 30 °C, o
aumento na taxa respiração para cada 10 °C de aumen to é aproximadamente de
2, ou seja, a taxa de respiração dobra a cada aumento de 10 °C. Acima de 30 °C
a taxa de respiração freqüentemente aumenta mais lentamente, chegando a um
23
platô entre 40 a 50°C, e, decrescendo em temperatur as superiores. Sob elevadas
temperaturas, a velocidade dos processos bioquímicos é tão alta que a
disponibilidade de substrato e metabólitos (por exemplo, ADP), como também o
transporte de energia e material, não acompanha essa velocidade. Logo, a
intensidade da respiração cai rapidamente (Larcher, 2000). As altas temperaturas
noturnas são associadas às altas taxas de respiração de plantas tropicais (Teh,
2006).
Uma aplicação prática da temperatura do ar na tomada de algumas
decisões na agricultura é o uso de um índice bioclimático denominado graus-dia
(GD), também conhecido como unidades de calor ou sistema de unidades
térmicas. Em 1735, o físico Reaumur foi o primeiro a mostrar que o somatório das
temperaturas médias diárias do ar necessário para uma espécie vegetal qualquer
apresenta determinado estádio de desenvolvimento era similar. Os graus-dia são
usados como guia para a determinação da data aproximada de quando a cultura
vai apresenta determinada etapa de desenvolvimento como, por exemplo, a
floração ou a própria colheita. A determinação dos GD, comumente usado, é
através da subtração da temperatura média do ar e uma temperatura de
referencia, também denominada de temperatura base. O conceito de GD assume
que a ocorrência de temperatura abaixo da temperatura basal, a planta não tem
crescimento ou desenvolvimento. Então, por exemplo, se a média da temperatura
do ar de um dia for 20 °C, o resultado da expressão , caso a temperatura base
fosse 10°C (cultura do milho) seria 10 GD nesse dia . Um novo método para
calcular os graus-dia para a cultura da cana-de-açúcar foi proposto por Liu et al.
(1998). Essa nova técnica inclui o efeito da alta temperatura do ar no
desenvolvimento da cultura, através da aplicação de uma faixa ideal de
desenvolvimento (temperatura ótima) e uma temperatura de saturação.
2.2.3 Radiação Solar
A radiação proveniente do Sol, que incide na superfície terrestre, é fonte
primária de energia para vários processos físicos e químicos que possibilitam a
vida vegetal. Essa variável destaca-se entre os elementos meteorológicos por ser
fonte de energia para fixação de carbono atmosférico pelos vegetais, logo é a
fonte básica de energia do planeta. O processo de fixação de carbono através da
24
transformação de energia pelas plantas é denominado de fotossíntese. Na
fotossíntese, parte da energia solar é convertida em energia química, que será
utilizada na fixação do CO2 presente na atmosfera, para formar fotoassimilados
(carboitrados). A radiação solar é o elemento meteorológico com maior influência
na evapotranspiração (Allen et al., 1998). Cerca de 60 - 90% da energia radiante
disponível em uma superfície (saldo de radiação - Rn) é utilizado nesse processo
de transferência de água da superfície para atmosfera. Todavia, a radiação solar
também influência sobremaneira vários processos fundamentais para o
desenvolvimento de uma planta, tais como: a fotomorfogênese e as trocas
gasosas.
Na
fotomorfogênese,
a
luz
induz
mudanças
morfológicas
(principalmente em plântulas) e crescimento em sua direção (fototropismo). Nas
trocas gasosas, a luz azul funciona como o sinal ambiental para a abertura
estomática (Taiz & Zeiger, 1991).
O processo fotossintético necessita de energia na faixa de comprimento de
onda entre 400 a 700 nm, que freqüentemente é denominada de radiação
fotossinteticamente ativa (RFA) ou simplesmente luz. A sigla PAR oriunda da
grafia da língua inglesa Photonsynthetically Active Radiation também é
comumente usada na literatura. Segundo Monteith (1972) a radiação difusa
(fótons que foram espalhados na atmosfera e chegaram à superfície) contém,
proporcionalmente, maior fração de RFA que a radiação direta (fótons que
chegam diretamente do feixe solar). Logo, a RFA incidente no topo da copa de
uma cultura depende das condições atmosféricas (grau de nebulosidade) e da
época do ano, e pode apresentar variações entre 44 e 58 % de radiação solar
total (Britton & Dodd,1976; Pinto & Sá, 1989). Dessa porcentagem de RFA, as
folhas vegetais sadias utilizam cerca de 92 % na faixa do azul (400 a 500 nm),
71 % no verde (500 a 600 nm) e 84 % no vermelho (600 a 700 nm) (Loomis,
1965), ou seja, absorvem preferencialmente na faixa do azul e vermelho do
espectro,
tanto
que
a
luz
refletida
e
transmitida
pelas
folhas
é
predominantemente verde (Figura 1).
A absorção de fótons está associada, principalmente, à energia que os
mesmos têm para causar excitação de um elétron, ou seja, a sua transição de um
determinado nível energético para um nível maior. Nos pigmentos envolvidos na
fotossíntese, como as clorofilas a e b e os carotenóides, cujas estruturas químicas
das moléculas são complexas e contêm duplas ligações, ocorrem os elétrons π
25
(elétrons em orbitais π ). Esses níveis energéticos dos orbitais π permitem que os
elétrons absorvam fótons em
em comprimentos de onda na banda do visível
(Angelocci, 2002).
Figura 1. Percentagem de luz absorvida, refletida e transmitida de uma folha em
função do comprimento de onda (adaptado de Taiz & Zeiger,, 1991).
A densidade de luz (fótons
(fótons por unidade de área por unidade de tempo)
interceptada tem influência direta no crescimento vegetal (Sinclair
(Sinclair & Muchow,
1999) e, conseqüentemente,
conseqüentemente sobre a produtividade das culturas agrícolas.
A determinação da radiação interceptada, pelo dossel
dossel vegetativo, é simplesmente
subtrair da componente de radiação incidente a componente transmitida pelo
dossel. Esta energia interceptada é dito como potencialmente disponível para a
fotossíntese e transpiração e a fração da radiação solar transmitida é disponível
para a evaporação de água do solo (Teh,
(
, 2006). Todavia, inúmeros modelos de
crescimento consideram a radiação interceptada para estimar a taxa de
crescimento da cultura em determinado intervalo de tempo e a eficiência de
conversão dessa luz interceptada
terceptada em biomassa.
A
porcentagem
de
luz
interceptada
em
uma
cultura
depende
principalmente da densidade da folhagem, do ângulo das folhas, arquitetura do
dossel e arranjo das plantas (Varlet-Grancher
(
et al,, 1989). A densidade de folhas
em uma vegetação
o pode ser expressa quantitativamente por meio do índice de
área foliar (IAF), que é usualmente definido como a razão entre a área das folhas
verdes da planta e a área útil da superfície do solo ocupado pela mesma.
26
A radiação solar no trajeto através da copa atravessa camadas de folhas
sobrepostas, e sofre atenuação exponencialmente com o aumento do IAF
(Larcher, 2000). Porém, o conceito de IAF considera que todas as folhas então na
posição horizontal. A folha na horizontal, independentemente da orientação dos
raios solar, terá a área sombreada sempre igual a sua área foliar. Já em folhas
com posição não horizontal a sombra é maior ou menor que sua área. Em dosséis
reais, as folhas ocupam orientações diversas, daí a forma exp(-IAF) é insuficiente
para descrever a radiação transmitida. Assim deve-se incluir um índice chamado
de coeficiente de extinção (k) resultando na expressão exp(-IAF k) (Teh, 2006).
Nesse contexto, a radiação solar sofre uma atenuação exponencial ao
atravessar um dossel vegetal, similar ao descrito pela lei de Beer-LambertBouguer, conhecida simplesmente como lei de Beer. Sendo k uma constante
adimensional dependente das propriedades óticas das folhas e da geometria do
dossel (Caron et al., 2002; Rosenthal & Gerik, 1991) e um importante parâmetro
para determinação do grau de transmissão pelo dossel. O coeficiente de extinção
é definido por alguns autores como a área sombreada pelo dossel em uma
superfície horizontal dividida pela área foliar (Monteith, 1973; Campbell, 1986).
Em diversos modelos de simulação de crescimento de cultura, a influência
da radiação solar é representada por um parâmetro conhecido como eficiência do
uso da radiação (EUR), ou RUE (Radiation Use Efficiency), em que a espécie
vegetal precisa ser cultivada sem limitações hídricas e/ou minerais. Nessas
condições, considera-se uma relação linear entre o acúmulo de matéria seca e a
quantidade de radiação fotossinteticamente ativa interceptada pela cultura
(Monteith, 1977; Tei et al, 1996). Na literatura comumente encontram-se
diferenças entre os valores de EUR de plantas do tipo C3 e C4. De maneira geral,
plantas C3 têm valores de 2,0 a 3,0 g MJ-1 de RFA interceptada (Rosenthal &
Gerik, 1991), por outro lado na planta do tipo C4, os valores variam de 3,0 a 4,0 g
MJ-1 (Kiniry et al, 1989).
Um método proposto por Monteith (1977) para estimar a taxa de
crescimento da cultura (TCC) diária através da radiação fotossinteticamente ativa
(RFA)
interceptada
(RFAINT)
e
da
EUR
é
de
comprovada
utilização,
particularmente quando as condições ambientais são favoráveis ao crescimento
potencial da cultura (Lizaso et al, 2005), ou seja, quando a cultura se encontra
principalmente sem restrições térmicas (temperatura do ar e do solo) e hídricas
27
(disponibilidade hídrica do solo) (Monteith, 1977; Tei et al, 1996). Modelo como o
CANEGRO e as primeiras versões do CERES-Maize usam esse método para
estimar a TCC diária.
Esse método, baseado no parâmetro EUR, para representa o crescimento,
têm limitações, já que alguns dos principais processos fisiológicos que influenciam
no
crescimento
das
culturas
(fotossíntese
e
a
respiração)
respondem
diferentemente as variações das condições ambientais (Loomis & Amthor, 1999;
Lizaso et al, 2005). Alguns modelos, como exemplo, o QCANE (Liu & Bull, 2001),
tem mais preocupação com a relação dos fatores ambientais com os processos
fisiológicos. Nesse modelo o processo de crescimento da cultura inclui estimativas
da fotossíntese e a respiração, e são funções do desenvolvimento da cultura e
das variações dos elementos ambientes.
Segundo Goudriaan (1986), para a computação da fotossíntese bruta de
uma folha considera-se a curva de resposta da assimilação de CO2 em função da
RFA absorvida ou interceptada expressa a forma hiperbólica. Nos modelos
existentes, a fotossíntese é simulada após a contabilização da variação de luz
diária e da atenuação da luz dentro do dossel, ou seja, da luz interceptada, mais
alguns parâmetros fotossintéticos da cultura, tais como a eficiência fotossintética
e a fotossíntese máxima. Esses últimos parâmetros expressam o caráter
assintótico da taxa fotossintética em função de uma crescente densidade de fluxo
de luz até a saturação. A mais comum equação usada para descrever está
relação é uma hiperbólica retangular, e, é base de muitos modelos de
crescimento de cultura (Thornley, 1976). Além da necessidade de mensurar os
parâmetros fisiológicos, a grande dificuldade em estimar a fotossíntese é a
contabilização da variação de luz ao longo do dia, uma vez que medidas de
irradiância solar (Rg - densidade de fluxo de energia solar que chega em uma
superfície por unidade de tempo e unidade de área, em J m-2 s-1) são escassas.
Porém, existem algumas equações na literatura que modelam a variação da
irradiância no decurso do dia através da irradiação solar (Hg - quantidade de
energia solar que chega a uma superfície durante certo período de tempo, em J
m-2) total diária (Anisimov & Fukshansky, 1997; Liu, 1996).
As equações dos modelos, de um modo geral, assumem que a produção
de biomassa é apenas função da radiação solar interceptada, e consideram a
ausência de estresse ambiental.
28
3 MATERIAL E MÉTODOS
3.1 Características da Área Experimental e Manejo da Cultura
A pesquisa foi conduzida na área experimental do Centro de Ciências
Agrárias (CECA) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Campus Delza
Gitaí (09°28’02”S; 35°49’43”W; 127m) em Rio Largo, Alagoas. A área total de
cultivo foi de 5.292 m2. O solo local foi classificado como Latossolo Amarelo
Distrocoeso argissólico, de textura média/argilosa. As avaliações foram realizadas
no período de 02/2008 a 02/2009, na primeira soca (segunda folha) de nove
variedades de cana-de-açúcar (RB92579, RB863129, RB931003, RB93509,
RB72454, RB867515, RB951541, RB971755 e RB98710).
O cultivo foi irrigado por um sistema de gotejamento subsuperficial,
funcionando com fitas gotejadoras de 22 mm, com gotejadores de vazão de
1 L h-1, espaçado a cada 0,5 metros, a uma pressão de 1,4 kg cm-2.
O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com quatro
repetições. As parcelas foram constituídas de nove linhas de 15 m, conforme
croqui da área experimental (Figura 1 do Anexo). As plantas foram distribuídas
em espaçamento combinado de 1,40 e 0,40 m (média de 0,9m), conforme
ilustrado na Figura 2, e toletes distribuídos de maneira que o arranjo fosse em
média 18 gemas por metro linear.
A adubação realizada em fundação, antes do plantio no fundo dos sulcos,
foi de 50 kg ha-1 de nitrogênio (N), 145 kg ha-1 de pentóxido de fósforo (P2O5), 100
kg ha-1 de óxido de potássio (K2O). As adubações ditas de coberturas foram feitas
por meio de fertirrigação. A adubação feita no primeiro ano (primeira folha - cana
planta) foi de 100 kg ha-1 de N e os micronutrientes aplicados foram sulfato de
zinco (7 kg ha-1), sulfato de cobre (5 kg ha-1), sulfato de manganês (12 kg ha-1) e
HB (6,5 kg ha-1). No segundo ano (segunda folha - cana soca) foi feita adubação
com 233 kg ha-1 de uréia, 152 kg ha-1 de cloreto de potássio, 138 kg ha-1 de
sulfato de potássio, o que equivale a 104 kg ha-1 de N, 91 e 69 kg ha-1 de K2O,
respectivamente. As doses de micronutrientes utilizadas foram 9,25 Kg ha-1 de
polifol G5 (4,5% de Mg, 6% de S, 6% de B, 2% de Cu, 0,1% de Mo, 4% de Zn) e
6 Kg ha-1 de polifol Mn (22% de Mn).
29
Figura 2. Esquema dos espaçamentos entre linhas e posicionamento das
mangueiras de gotejamento.
3.2 Medidas Biométricas, Produtividades e Agrometeorológicas
As medidas biométricas (comprimento e largura das folhas), para a
determinação da área foliar (AF) da cultura, foram realizadas em 12 plantas por
variedades, nos seguintes dias após o corte (DAC) da cana planta (20/02/08): 90,
128, 146, 176, 203, 245, 266, 299 e 336 dias. Nos mesmos dias avaliou-se o
perfilhamento (número de plantas por metro), utilizando-se de três metros lineares
da mesma linha no qual estavam as plantas consideradas na determinação do
comprimento e largura das folhas, em cada parcela.
O índice de área foliar (IAF) foi obtido como a razão entre a AF e a área
ocupada pela planta (AS), conforme a seguinte equação:
IAF = AF/ AS
(1)
em que AF foi determinada segundo a metodologia descrita por Hermann e
Câmara (1999), pela seguinte equação:
30
AF = (C L 0,75)(n+2)
(2)
em que, C é o comprimento da folha +3 (cm), L é a largura da folha +3 (cm), 0,75
é o fator de forma para área foliar para a cultura do milho (Francis et al,1969),
também utilizado para a cultura da cana-de-açúcar e n é o número de folhas
abertas com pelo menos 20% de área verde, dois (2) é um fator de ponderação
para folhas que ainda não estão expandidas completamente. Já AS foi obtido em
relação ao espaçamento (E, 90 cm) do cultivo e um metro linear (H, 100 cm), pois
a AF média das plantas determinada por parcela era multiplicada pelo número de
perfilhos (NP) (colmos viáveis) médios em um metro linear. Assim, o IAF
(adimensional) foi calculado como:
IAF =
(C . L . 0,75) . (n + 2) . NP
E .H
(3)
Para o cálculo do IAF diário no decorrer do cultivo, tomaram-se os valores
medidos e efetuaram-se ajustes de funções matemáticas em relação aos grausdia acumulado no longo do cultivo através de programa computacional.
A equação utilizada foi a da distribuição Log-Normal, com quatro parâmetros.
2
Ln(x/c
y = a + b exp − 0,5
d
(4)
em que, “a” é mínimo de y, “b” é a amplitude de y (IAF), “c” é o valor de x (GD) no
qual y é máximo e “d” indica o grau de decaimento da variável y.
A produtividade agrícola ou toneladas de colmos por hectare (TCH) foi
determinada com auxílio de um dinamômetro, com capacidade para 1.000 kg,
acoplado a uma carregadeira, as duas linhas centrais de cada parcela (30 metros
lineares). As análises da variável agroindustrial foram feitas no Laboratório da
Usina Santa Clotilde, localizada em Rio Largo - AL. A produtividade de açúcar ou
toneladas de açúcar por hectare (TPH) foi obtida através do produto entre a TCH
e a POL de cana correspondente de cada parcela, divido por cem. O TCH e o
31
TPH das variedades foram submetidas à análise de variância, através do
programa estatístico SISVAR 4.0 (Ferreira, 2000).
Os dados agrometeorológicos usados no estudo foram obtidos na estação
agrometeorológica do CECA localizada, próxima da área experimental (Figura 3).
A precipitação pluvial foi medida por um pluviômetro automático (TB3,
Hydrological Services PTY. LTD., Sydney, Austrália) instalado a 1,5 m acima da
superfície do solo. A temperatura e umidade relativa do ar foram mensuradas por
um termohigrômetro automático (HMP45C, Campbell Scientific, Logan, Utah),
instalado a 2,0 m acima da superfície do solo. A irradiância solar global (Rg,
W m-2) foi obtida por um piranômetro (CM5, Kipp and Zonen, , Delft, The
Netherlands) e faixa espectral de 305-2800 nm. A velocidade do vento a 2 m foi
obtida por anemômetros automáticos (Modelo RM Young, Campbell Scientific).
Os sensores estavam interligados a um sistema de aquisição de dados
(Microlloger 21XL, Campbell Scientific), realizando medidas a cada 10 segundos e
armazenando médias a cada 10 minutos.
Figura 3. Vista aérea do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de
Alagoas, com destaque da área localizada a Estação Agrometeorológica
(retângulo amarelo) e da área experimental (retângulo vermelho).
32
3.3 Análise Ambiental
A evapotranspiração de referência (ETo) foi estimada pelo método de
Penman-Monteith-FAO (Allen et al, 1998) conforme a equação:
900
u (e s − e)
0,408 ∆ (Rn − G) + γ
T + 273 2
ETo =
∆ + γ (1+ 0,34 u )
2
[
(5)
]
em que, Rn é o saldo de radiação (MJ m-2 dia-1), , G é o fluxo de calor no solo
(MJ m-2 dia-1), foi considerado igual a 0 (zero), u2 é a velocidade do vento a 2 m de
altura (m s-1), es é a pressão de saturação do vapor d`água do ar (kPa), e é a
pressão do vapor d`água do ar (kPa), T é a temperatura do ar (ºC), ∆ = inclinação
da curva da pressão de vapor saturado versus temperatura (kPa ºC-1) e
γ = coeficiente psicrométrico (kPa ºC-1). A Rn foi obtida como fração da Hg (Rn =
0,572 Hg; com coeficiente de determinação (r2) igual a 0,927), feita com medições
em grama com condições padrões (Allen et al, 1998), realizadas pelo Laboratório
de Agrometeorologia e Radiometria Solar (LARAS) da UFAL.
A evapotranspiração da cultura (ETc) foi calculada multiplicando-se a ETo
pelo coeficiente de cultura (Kc):
ETc = ET0 Kc
(6)
em que, a variação do Kc nas fases de desenvolvimento da cultura de cana-deaçúcar foi definida através de observações de cultivo (cobertura foliar e altura de
planta) e da estação do ano, seguindo a metodologia indicada por Doorenbos &
Kassan (1979).
O balanço hídrico em escala decendial (dez dias) foi feito pelo método de
Thornthwaite
&
Mather
(1957).
Foi
considerada
uma
capacidade
de
armazenamento água disponível (CAD) no solo de 60,0 mm, em uma
profundidade efetiva do sistema radicular em torno de 0,60 m, conforme dados
físico-hídricos do solo da área da pesquisa, determinada no Laboratório de Solo,
Água e Energia - CECA/UFAL. Foi considerada com entrada de água no sistema
33
a precipitação pluvial mais a irrigação e a saída a evapotranspiração da cultura
(ETc). Os cálculos foram realizados através de uma planilha no Microsoft Excel.
Os cálculos dos graus-dia foram realizados seguindo a metodologia de Liu
et al. (1998), considerando os valores da temperatura média do ar, da
temperatura-base e as temperaturas ótima, sub-ótimas e supra-ótimas, para a
cana-de-açúcar, de acordo com as seguintes considerações:
n
GD t = ∑ GD j
(7)
j =1
em que, GDt é o graus-dia para completar o ciclo ou período considerado (ºC d); n
é o número de dias do período, GDj é o graus-dia para cada j dia (ºC d).
GDj = GDgj − GDaj − Tb
(8)
em que, GDgj é o graus-dia nas condições de temperaturas sub-ótimas, para cada
j dia (ºC); GDaj é o efeito adverso da alta temperatura no desenvolvimento da
cultura, no dia j considerado (ºC); Tb é o temperatura-base (20°C), que foi
baseada em pesquisas de Bachi & Souza (1978) e Liu et al. (1998), que na fase
de alongamento dos colmos (fase de maior tempo de duração) utilizaram essa
temperatura.
Tmin j + Tmax j
,
2
Tmin j + Tmax j
(Tb − Tminj) 2
,
GDg j =
+
2
2(Tmax j − Tmin j )
Tb,
Tb ≤ Tmin j
Tmin j < Tb < Tmax j
(9)
Tb ≥ Tmax j
em que, Tminj é a temperatura mínima do ar do dia (ºC); Tmaxj é a temperatura
máxima do ar do dia (ºC).
34
0,
2
(Ts− Tb)(Tmaxj − To)
2(Ts− to) (Tmax − Tmin ) ,
j
j
Tmaxj (Tmaxj− 2Tb)− To(Ts− Tb)+ TsTb
,
2 (Ts− To)
GDaj= (Ts− Tb) (Tmaxj+ Tminj− 2To)
,
2(Tmaxj− Tminj)
Tmax + Tmin
(To− Tb) (Ts− Tminj)2
j
j
− Tb −
,
2
2 (Ts− To) (Tmaxj− Tminj)
Tmaxj+ Tminj
− Tb,
2
Tmaxj < To
To > Tminj, Tmaxj < Ts
To > Tminj, Tmaxj≥ Ts
To ≤ Tminj < Ts, Tmaxj < Ts
(10)
To ≤ Tminj < Ts, Tmaxj ≥ Ts
Tminj > Ts
em que, Ts é a temperatura de saturação (40 ºC); To é a temperatura ótima para
o desenvolvimento da cana (30 ºC).
A RFA foi estimada como 44 % da Hg. Essa relação representa o valor
médio determinado para a região de estudo (Souza et al, 2003a). A RFAINT foi
calculada por diferença, pela seguinte relação (Varlet-Grancher et al, 1989):
RFAINT = RFA − RFAT
(11)
em que, RFAT é a radiação fotossinteticamente ativa transmitida, estimada usando
a equação similar a Lei de Beer :
RFA T = RFA exp ( − k IAF)
(12)
em que, k é o coeficiente de extinção da luz pelo dossel (adimensional). O
coeficiente de extinção utilizado foi obtido de Inman-Bamber (1994), com valor
igual a 0,58.
Caracterizaram-se as condições diárias de nebulosidade pelo o índice de
claridade (Kt). Quando Kt ≤ 0,3 o dia foi definido como nublado (NB), 0,3 < Kt <
0,7 parcialmente nublado (PN) e Kt ≥ 0,7 céu claro (CL). O Kt foi determinado pela
razão entre a irradiação (integral da irradiância) solar diária (Hg) e a irradiação
solar esperada numa superfície horizontal no topo da atmosfera (Ho):
35
Kt =
Hg
(13)
Ho
em que Ho foi obtido em função da latitude local, declinação solar e o ângulo
horário (Iqbal, 1983; Souza et al, 2005).
3.4 Fotossíntese Bruta e Análise Temporal de Crescimento
A estimativa da fotossíntese bruta diária (FBd, kg m-2 de CO2) foi através de
uma solução numérica, baseada em uma abordagem trapezoidal, conforme
metodologia de Liu (1996):
FB d =
N n−1
∑
n i=0
[
FBINST [RFA INST ( t i )]+FBINST [RFA INST ( t i +1)]
2
]
(14)
em que, taxa fotossintética bruta instantânea (FBINST, kg m-2 s-1 de CO2) é obtida
por:
(
)
F
α k RFA INST (t i )+(1− τ) FMAX
FBINST = MAX Ln α k RFA
− k IAF
(t
)
e
+
(1
−
τ)
F
INST i
MAX
k
(15)
em que, α (kg J-1 de CO2) é a eficiência fotossintética, RFAINST é a irradiância
fotossinteticamente ativa (W m-2), FMAX (kg m-2 s-1 de CO2) é a fotossíntese
máxima, ou seja, é o valor assintótico da taxa fotossintética em densidade de
fluxo de luz saturante, N é o fotoperíodo calculado em função do dia do ano e a
latitude, n é o numero de trapézios. Os valores de α e FMAX para cana-de-açúcar
foram respectivamente, 10,88 kg J-1 de CO2 e 1,57 x 10-6 kg m-2 s-1 de CO2 (Liu,
1996; Hartt & Burr, 1967).
A FBd também foi calculada com a RFAINST estimada pela irradiação diária
fotossintética e pelo fotoperíodo. Assumiu-se que a variação diária de RFAINST é
simétrica, similar a uma curva-seno. Através de uma equação usada por Monteith
(1965), conforme foi mostrado por Liu (1996).
36
RFA INST (t i ) =
πRFA
πi
sen
2N
n
(16)
A análise de concordância da FB calculada com a irradiância estimada pela
irradiação e o fotoperíodo, em comparação a FB determinada com a irradiância
medida, foi feita com base no índice de concordância “d” (Willmontt, 1982), que
indica em termos relativos, a concordância entre métodos e medidas. O índice “d”
foi obtido pela expressão:
n
2
∑ (Pi − O i )
,
d = 1 − ni=1
( P' − O' )2
i
i
∑
i =1
0 ≤ d≤1
(17)
em que, Oi é os resultados obtidos da FB com irradiância medida, Pi é os
resultados obtidos da FB com irradiância estimada pela irradiação e fotoperíodo,
P ' i = Pi − O , O ' i = Oi − O , O é a média dos resultados obtidos da FB com
irradiância medida e n é o número de dados analisados. Os limites de
concordância e distribuição individual entre as dois métodos foram avaliados
através da técnica de plotagem proposta por Bland & Altman (1986). Onde, os
limites de concordância são determinados como as diferenças média dos dois
métodos ± o produto de 1,96 pelo desvio padrão das diferenças (média ± 1,96
DP).
As correlações de produtividade agrícola com RFAINT e FB acumuladas no
ciclo e as de TPH com a RFAINT e FB acumuladas no ciclo das variedades
pesquisadas foram feitas através do solfware Microcal (TM) Origin® versão 6.0.
Para realização das análises temporal de crescimento da cultura, (IAF e os
conseqüentes acúmulos de RFAINT e FB em diferentes épocas de início de
cultivos) considerou-se que a cultura foi cortada no primeiro dia de cada mês do
ano e tinha um ciclo de 365 dias. O IAF usado nessa análise foi referente ao da
variedade RB93579 (Variedade com maior produtividade). Primeiramente foram
estimados os IAF, na escala diária, em função dos graus-dia acumulados.
Posteriormente, considerando que a dinâmica do IAF representa o cultivo
37
simulado, calculo-se as diárias RFAINT e FB, conforme as equações 11 e 14,
respectivamente. Por fim, foram integradas as RFAINT e FB diárias ao longo do
ciclo para a obtenção dos valores acumulados dessas variáveis. As análises
foram realizadas para quatro anos, utilizando os dados meteorológicos de cinco
anos consecutivos (2004 – 2008). Os meses de início das simulações foram
plotados com os seus correspondentes valores acumulados de RFAINT e FB dos
quatro anos, e foram submetidos a análise de regressão por um modelo
polinomial de terceiro grau, através do solfware SigmaPlot versão 10.0 para
Windows.
38
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Condições Hídricas e Térmicas
A precipitação pluvial durante os 12 meses de cultivo foi de 1.923 mm
(Figura 4). Esse total superou o consumo hídrico potencial ou evapotranspiração
da cultura que, no mesmo período, foi de 1.510 mm. Porém, devido à irregular
distribuição da chuva, foi necessário aplicar uma lâmina bruta de irrigação de 699
mm. A ETc média diária foi de 4,3 mm, valor próximo ao encontrado por Lyra et
al. (2007), para a mesmo região de estudo, que foi de 4,6 mm d-1.
Na Figura 4, notou-se que em vários decêndios ocorreu elevada
precipitação pluvial, o que resultou na aplicação de apenas 61 mm de irrigação,
entre os decêndios 5 (11-20/02/2008) e 25 (01-10/09/2008). Porém, a partir do
decêndio 26 (11-20/09/08), quando inicia a estação seca da região (Souza et al.,
2003b), até o 1° decêndio de 2009 (01-10/01/2009), o correu maior consumo de
água pela cultura que a precipitação pluvial, sendo necessária a aplicação de
637 mm via irrigação. No segundo decêndio do ano de 2009 (11-20/01/2009),
após ser suspensa a irrigação (07/01/2009), para aumentar a concentração de
sacarose nos colmos e reduzir a compactação do solo pelas máquinas de
colheita, ocorreu precipitação (40,6 mm), e, nos dois decêndios subseqüentes
(21/01-10/02/2009) houve também precipitação de 106,1 mm, que praticamente
ocorreu (102,1 mm) em um dia (349 DAC). Assim, após essa chuva a colheita foi
realizada depois de apenas quinze dias, pressupondo que a concentração de
sacarose sofreu interferência.
O balanço hídrico da cultura no decorrer do ciclo de cultivo mostrou déficit
hídrico de apenas 92 mm (Figura 5), uma vez que a área do cultivo foi irrigada.
Desse total, 67 mm ocorreu após o primeiro decêndio de 2009, ou seja, no
decêndio que foi programada a suspensão da irrigação. Logo, de maneira geral, o
cultivo não teve restrição hídrica que desfavorecessem os processos fisiológicos
de crescimento e desenvolvimento.
39
Figura 4. Entrada (precipitação pluvial + irrigação) e saída (evapotranspiração da
cultura, ETc) de água no cultivo (2° folha) de cana-de- açúcar, em Rio Largo – AL,
entre os anos 2008-2009.
Figura 5. Déficit (DEF) e excesso hídrico (EXC) no cultivo de cana irrigada (2°
folha) pelo método de Thornthwaite e Mather (1957), em Rio Largo - AL, entre os
anos 2008-2009.
40
Durante o ciclo da cultura, a temperatura média diária do ar variou entre
20,1 e 28,2 °C (Figura 6), não ocorrendo limitação térm ica para o desenvolvimento das plantas, visto que, quando a temperatura ultrapassa 20 °C, há
aumento na taxa de crescimento da cultura, sendo que o intervalo entre 25 °C e
33 °C é considerado ótimo ao desenvolvimento vegetativo da cana-de-açúcar
(Almeida et al., 2008). As temperaturas do ar inferior a 20 °C que ocorreram
durante o ciclo da cultura (Figura 6), não ocasionaram perda de eficiência dos
processos de crescimento, tal como a fotossíntese, uma vez que foram
observados no período noturno. Assim, pressupõe-se que as baixas temperaturas
do ar ocorridas durante a noite ao invés de causar perdas proporcionaram
ganhos, já que a diminuição do metabolismo (respiração) (Teh, 2006).
36
Temperatura do ar (°C)
34
32
30
28
26
24
22
20
18
16
0
50
100
150
200
250
300
350
DAC
Tmed
Tmx
Tmn
Figura 6. Temperatura média, mínima e máxima do ar em função ao dias após o
corte (DAC) durante o ciclo cultura da cana-de-açúcar em Rio Largo - AL.
A temperatura do ar do inicio do cultivo (fevereiro) até o 175 DAC (agosto),
teve tendência de decréscimo. Essa tendência está, principalmente, associada à
maior nebulosidade. Na metade final do ciclo ocorreu o oposto, ou seja, o padrão
foi de aumento da temperatura, devido ao fim da estação chuvosa, com redução
da nebulosidade, o que resultou em maior disponibilidade de radiação e aumento
da partição da energia para o aquecimento do ar.
41
4.2 Índice de Área Foliar e Graus-dia
Os valores de IAF das variedades RB de cana-de-açúcar ao longo do ciclo
quando correlacionados com os graus-dia acumulados (GD) (Figura 7),
apresentaram elevados r2 entre 0,81 - 0,96 (Tabela 1). As correlações entre o IAF
e GD são primordiais para a estimação dos valores de IAF diários ao longo do
cultivo, e possibilitam a estimativa dos componentes do balanço de radiação em
escala diária, já que a área foliar, representada pelo IAF, é variável da planta que
causa a atenuação da radiação solar incidente. A radiação interceptada é o
componente de maior interesse em estudos relacionados com a eficiência de
conversão de energia solar em biomassa para determinada cultura, pois é a
energia radiante disponível ao processo fotossintético.
A variedade RB93590 foi a que apresentou o maior valor de IAF (IAF
Máximo), estimado pelo ajuste com os GD, seguida da variedade RB98710 com
IAF de 5,04 (930,685 °C d) e 4,84 (976,331°C d), re spectivamente (Figura 7).
Porém, essas variedades apresentaram diminuição dos valores máximos de IAF
até a colheita, com taxa de variação superior a das demais variedades. Esse
comportamento pode ser observado pelo parâmetro d da equação Log-Normal,
quanto menor for o valor de d, maior é o grau de decréscimo do IAF após o
máximo (Tabela 1). Assim, foi possível que as outras variedades, relativamente,
tenham ao final do cultivo interceptado quantidades similares de radiação
fotossintética acumulada, tais como as variedades RB931003 e RB92579. No
entanto, a variedade RB92579, apesar do IAF máximo (3,84) inferior as
variedades RB98710 e RB93509, destacou-se pela maior interceptação de luz
acumulada no final do ciclo. Esse desempenho ocorreu devido às elevadas taxas
de crescimento do IAF no inicio do cultivo.
Após o corte da cana-planta, a variedade RB92579 apresentou a melhor
capacidade de rebrota, com cerca de 23 % a mais de brotos que as variedades
com melhor rebrota após essa variedade (RB92710 e RB867515) no 13 DAC.
Esses maiores valores de IAF da variedade RB92579 no início do ciclo coincidem
com altos fluxos de radiação solar, o que teoricamente aumenta a diferença da
radiação interceptada dessa variedade em relação às demais.
42
Figura 7. Ajuste de curva Log-Normal, com 4 parâmetros entre o Índice de área foliar (IAF) de variedades RB de cana-de-açúcar e os
graus-dia (GD) acumulados em cultivo (2° folha) irr igado por gotejamento, entre os anos 2008-2009.
43
Tabela 1. Parâmetros da equação Log-Normal do ajuste entre o índice de área
foliar (IAF) e os graus-dia acumulados ao longo do cultivo de variedades RB de
cana-de-açúcar, irrigada por gotejamento, em Rio Largo – AL, entre 2008 e 2009.
Variedades
RB971755
RB72454
RB951541
RB863129
RB867515
RB931003
RB92579
RB98710
RB93509
a
0,0662
0,0680
0,0742
0,0863
0,0903
0,0544
0,0825
0,0266
0,1520
b
2,8231
2,8291
3,1022
3,1373
3,3220
3,7827
3,7573
4,8147
4,8926
C
969,8769
1132,2123
1391,2756
967,2700
1194,7634
1007,8375
950,3443
976,3309
930,6848
D
0,4616
0,5993
0,7634
0,5328
0,5625
0,4736
0,5663
0,4508
0,3920
r²
0,8832
0,9272
0,9591
0,8348
0,9456
0,9267
0,8172
0,8055
0,8693
A análise de variância do IAF, ao nível de 5% de probabilidade, apresentou
diferença significativa entre as variedades (Tabela 1 do Anexo). E, de acordo com
os resultados do teste de Tukey, as variedades RB93509, RB931003, RB98710 e
RB92579 não tiveram diferenças significativas (0,05) (Tabela 2), essas variedades
foram as de maiores produtividades agrícolas, respectivamente.
Tabela 2. Índice de área foliar médio de variedades RB de cana-de-açúcar,
irrigada por gotejamento, em Rio Largo – AL, entre 2008 e 2009.
Variedades
RB971755
RB72454
RB951541
RB863129
RB867515
RB931003
RB92579
RB98710
RB93509
IAF
2.234 a
2.345 ab
2.585 abc
2.610 abc
2.639 abc
3.030 bcd
3.239 cd
3.657 d
3.679 d
Médias seguidas das mesmas letras não diferem entre se pelo teste de Tukey (0,05).
44
4.3 Irradiação Solar, Fotossíntese e Produtividade.
A média diária da Hg foi de 20,9 MJ m-2 do corte da cultura até 70 DAC
(fevereiro - abril), período em que ocorreu a brotação (8 DAC) e iniciou o
crescimento da área foliar. Por conta disso, a média diária da RFAINT da variedade
RB92579 (variedade de maior interceptação no ciclo) nessa fase inicial foi baixa
(1,9 MJ m-2). No dia 30/04/2009 (70 DAC), quando o IAF dessa variedade
apresentou valor igual a 1,45, e acumulou até esse dia 121,28 MJ m-2 de RFAINT.
Nessa ocasião, a variedade RB92579 apresentou a maior fração de RFAINT
(fRFAINT) que foi de 0,57 entretanto a variedade RB971755 mostrou a menor
fRFAINT (0,31).
Apesar da baixa interceptação de luz, de fevereiro a abril (70 DAC), em
relação aos valores posteriores do ciclo, a média da Hg diária foi elevada quando
comparada com a do período chuvoso da região, maio - agosto (71 - 193 DAC),
que apresentou valor médio de 14,9 MJ m-2 (Figura 8). Os menores valores de Hg
nos meses chuvosos foram devidos, principalmente, a elevada nebulosidade (Kt
média de 0,48) (Figura 9) e pequena diminuição da radiação extraterrestre, esse
último, devido o aumento do ângulo zenital dessa época do ano. Com isso, no
período de alta demanda energética da cultura (fase de crescimento vegetativo
intenso), a interceptação absoluta de luz pela plantas não é maximizada por conta
da redução da radiação solar incidente. Já que o aparato interceptador (área
foliar) apresentou continuo crescimento ao longo deste período. A variedade
RB93509 apresentou o maior valor de IAF (4,79) e as variedades RB951541 e
RB72454 os menores (2,51). Durante o período chuvoso a amplitude da RFA
interceptada das variedades foi 0,42 a 0,84, sendo que a variedades RB98710,
interceptou no final desse período (193 DAC) 95 % da RFA. Essa porcentagem é
considerada como o completo fechamento da cobertura vegetal. Pesquisa
realizada por Robertson et al. (1996), em Queensland, Australia (18,7°S;
146,2°E), reportaram o completo fechamento do dossel (> 0,95 de radiação
interceptada) foi alcançada em 150 DAC, sem limitação de água. Indicando que,
essa variedade Australiana tem elevado potencial de interceptação da radiação
solar.
45
30
-1
Radiação (MJ m dia )
25
-2
20
15
10
5
0
0
50
100
150
200
250
300
350
DAC
Hg
RFAINT(variedade RB92579)
Figura 8. Irradiação solar global diária (Hg) e fotossinteticamente ativa
interceptada (RFAINT) da variedade RB92579 em função ao dias após o corte
(DAC) durante o ciclo cultura da cana-de-açúcar em Rio Largo – AL, entre 2008 e
2009.
0,8
0,7
0,6
0,5
Kt
0,4
0,3
0,2
0,1
0,0
0
50
100
150
200
250
300
350
DAC
Figura 9. Índice de claridade (Kt) em função ao dias após o corte (DAC) durante o
ciclo cultura da cana-de-açúcar em Rio Largo - AL, entre os anos 2008-2009.
A média diária de RFAINT do período chuvoso, das variedades, variou de
4,28 (RB72454) a 5,33 MJ m-2 (RB92579 e RB93509). A variedade RB92579
continuou sendo a que mais interceptou luz, com uma acumulo de 776,5 MJ m-2
46
de RFAINT e a variedade RB971755 a que menor acumulo do início do cultivo até
o período (193 DAC) somando 587,7 MJ m-2. O período do ciclo da cultura com
maior média diária de RFAINT (7,49 a 9,02 MJ m-2) ocorreu entre 194 DAC e 365
DAC (colheita), essa alta média foi resultante da elevada média diária de Hg (23,3
MJ m-2) e da maior fração de RFAINT média, variou de 0,73 (RB971755) a 0,88
(RB98710).
As variedades RB92579 e RB98710 foram as que tiveram maior matéria
fresca de colmos industrializados (produtividade agrícola) com médias de 154,63
(± 10,13) e 139,81 (± 10,12) toneladas por hectare, respectivamente (Tabela 3).
Porém, entre as variedades avaliadas não existiu diferença significativa, pela
ANOVA, ao nível de 5% de probabilidade. O quadro da análise de variância para
a produtividade de colmos industrializados pode ser observado na Tabela 2 do
Anexo.
Na avaliação da produtividade de açúcar houve uma considerável
amplitude entre as variedades (9,60 t ha-1), onde a variedade RB863129 teve o
menor valor (16,61 t ha-1), entretanto a RB92579 destacou-se com 26,21
toneladas de açúcar por hectares (Tabela 3). Todavia, a análise de variância, ao
nível de 5% de probabilidade, não apresentou diferença significativa entre as
variedades em estudo. O quadro da análise de variância para a produtividade de
açúcar pode ser observado na Tabela 3 do Anexo.
A variedade RB92579 também foi a que obteve a maior estimativa da
fotossíntese bruta (17,46 kg m-2 de CO2) seguida, novamente, da variedade
RB98710, que teve fixação bruta de CO2 de 17,26 kg m-2. Entretanto, a radiação
fotossinteticamente ativa acumulada nos ciclos dessas variedades foram
similares, com diferença menor que 2,0 MJ m-2 (Tabela 3). Do início do cultivo até
o 115 dias após o corte, período que as plantas da variedade RB92579 tinham
valores de IAF superior aos apresentados pela RB98710, o dossel da RB92579
interceptou 81,76 MJ m-2 a mais que o da RB98710. Em relação à FB acumulada
teve diferença de 426,02 gramas por metro quadrado entre as mesmas
variedades, sendo maior na RB92579. A média da Hg nesse período foi elevada
com valor de 18,42 MJ m-2. A partir do dia 116 após o corte, a variedade RB98710
interceptou mais RFA que a RB92579, o que resultou em acumulo de RFAINT
similar para as duas variedades ao final do ciclo. Todavia, o total de FB e a
47
produtividade agrícola da variedade RB92579 foram superiores aos obtidos pela
RB98710.
Como a densidade de fluxo de luz interceptado pelo dossel é maior quando
as plantas têm elevados IAF, a eficiência fotossintética e a fotossíntese máxima
(saturação da fotossíntese) minimizaram a diferença da estimativa de FB após o
116 DAC até o fim do ciclo, período que a RB98710 teve IAF e RFAINT superiores
a RB92579, e conseqüentemente maior FB. Entretanto, não foi suficiente para
superar a diferença que a RB92579 obteve no inicial do ciclo. Assim, mesmo as
variedades interceptando valores totais de luz próximos, a variedade RB92579
teve acentuada vantagem de fixação bruta de CO2 total, que esta relacionada
principalmente com a capacidade de rebrotamento inicial.
Tabela 3. Produtividade de colmos (TCH), produtividade de açúcar (TPH),
irradiação fotossinteticamente ativa interceptada (RFAINT), e fotossíntese bruta
(FB) para as variedades RB de cana-de-açúcar em cultivo irrigado por
gotejamento em Rio Largo – AL, entre 2008 e 2009.
RB863129
RB951541
RB72454
RB971755
RB867515
RB93509
RB931003
RB98710
RB92579
TCH
(t ha-1)
109,88 ± 4,37
114,81 ± 6,65
116,67 ± 9,07
120,99 ± 10,43
124,69 ± 8,60
133,33 ± 10,25
134,57 ± 6,76
139,81 ± 10,12
154,63 ± 10,13
TPH
(t ha-1)
16,61
18,62
18,42
18,72
20,29
21,54
21,66
23,59
26,21
RFAINT
(MJ m-2)
2.075,07
2.098,24
1.995,55
1.875,97
2.080,21
2.223,42
2.128,47
2.260,75
2.262,21
FB
(kg m-2)
16,30
16,46
15,22
14,98
16,32
17,13
16,53
17,26
17,47
± erro padrão de quatro repetições.
A estimativa da produtividade de colmos, considerando todas as
variedades, em função da RFAINT acumulada, através de uma regressão linear
passando pela origem, apresentou um coeficiente de determinação de 0,52 e um
coeficiente angular de 0,061 (± 0,002) (Figura 10). Porém, quando foi excluída da
análise a variedade RB971755 o r2 foi de 0,71 e o b de 0,060 (± 0,002). A
variedade RB971755 apresentou comportamento diferenciado, uma vez que,
mesmo com a menor RFAINT, a variedade teve a produtividade superior a de três
variedades que tiveram maior interceptação de luz (RB863126, RB951541 e
48
RB72454). Isto pode evidencia que a variedade RB97175 tenha melhor eficiência
de conversão da radiação solar em biomassa.
160
y = 0,061 (±0,0016) x
2
r =0,52
RB92579
150
-1
TCH (t ha )
RB98710
140
RB931003
RB93509
130
RB867515
RB971755
120
RB951541
RB72454
110
RB863129
1900
2000
2100
2200
2300
-2
RFAINT (MJ m )
Figura 8. Correlação entre a produtividade de colmos (TCH) e a radiação
fotossinteticamente ativa interceptada (RFAINT) acumulada no cultivo de
variedades RB de cana-de-açúcar (2° folha) irrigado po r gotejamento em Rio
Largo – AL, entre 2008 e 2009.
A regressão linear, forçada a passa pela origem, entre a produtividade de
colmos e a fotossíntese bruta acumulada ao longo do ciclo, teve um r2 de 0,49 e
um coeficiente angular de 7,764 (± 0,220) (Figura 11). Porém houve algumas
variedades
(RB863129,
RB72454
e
RB971755)
que
apresentaram
comportamentos diferenciados das demais. Assim, quando a análise foi feita sem
as variedades RB863129, RB72454 e RB971755 o r2 apresentou acréscimo, com
o valor igual a 0,72 e coeficiente angular similar (7,732). A análise feita por
modelo linear passando pela origem, parecer ser o mais adequado quando se
relaciona fenômenos biológicos. A estimativa da produtividade de açúcar (TPH)
das variedades RB em função da RFAINT acumulada, através de uma regressão
linear forçada a passa pela origem, apresentou um r2 de 0,57 e um coeficiente
angular de 0,0098 (± 0,0003) (Figura 12). A TPH também pode ser estimada pela
FB acumulada, por um fator de 1,2555 (±0,0475) e um r2 de 0,55 (Figura 13).
49
160
y = 7,764 (±0,220) x
2
r =0,49
RB92579
150
RB98710
RB931003
-1
TCH (t ha )
140
RB93509
130
RB867515
RB971755
120
RB72454
RB951541
110
RB863129
15,0
15,5
16,0
16,5
17,0
17,5
-2
FB (kg m de CO2)
Figura 9. Correlação entre a produtividade de colmos (TCH) e a fotossíntese
bruta (FB) acumulada no cultivo de variedades RB de cana-de-açúcar (2° folha)
irrigado por gotejamento em Rio Largo – AL, entre 2008 e 2009.
26
RB92579
y = 0,0098 (±0,0003) x
2
r =0,57
-1
TPH (t ha )
24
RB98710
22
RB931003
RB93509
20
RB867515
RB971755
18
RB72454
RB951541
RB863129
16
1900
2000
2100
2200
2300
-2
RFAINT (MJ m )
Figura 10. Correlações entre produtividade de açúcar (TPH) e a radiação
fotossintética interceptada (RFAINT) acumulada no cultivo de variedades RB de
cana-de-açúcar (2° folha) irrigado por gotejamento em Rio Largo – AL, entre 2008
e 2009.
50
Figura 11. Correlações entre produtividade de açúcar (TPH) e a fotossíntese
bruta (FB) acumulada no cultivo de variedades RB de cana-de-açúcar (2° folha)
irrigado por gotejamento em Rio Largo – AL, entre 2008 e 2009.
4.4 Distribuição Diária da RFA para Cálculos de Fotossíntese Bruta
A variação da irradiância solar incidente na superfície terrestre é
dependente da condição de nebulosidade (índice de claridade, Kt), do ângulo de
elevação do sol e da sazonalidade (variação do ângulo zenital) em função do
movimento de translação da terra. A curva de distribuição da RFA ao longo do dia
é diretamente proporcional a da irradiância solar global. Porém, existe variação na
fração entre essas variáveis (RFAINST/Rg) em função do índice de claridade da
atmosfera, com valores de 0,435 para condição de céu limpo (CL), 0,445 para
parcialmente nublado (PN) e 0,460 para nublado (NB) baseado em medidas
realizadas por SOUZA et al. (2003a) para a região de estudo.
A equação (16) usada para estimar a variação da irradiância fotossintética
pela irradiação diária e o fotoperíodo tem notadamente falta de conformidade com
a curva mesurada nas condições reais. Pois, a curva de distribuição estimada
pela irradiação apresenta simetria entre o período da amanhã e o da tarde, e
considera que não existisse atenuação das nuvens. Assim, sempre haverá
diferença entre os valores de irradiância medidos e estimados como mostra dos
dias plotados na Figura 14.
51
Figura 12. Irradiância fotossintética (RFA) medida e estimada em função da
irradiação diária e o fotoperíodo para: A) dia com índice de claridade (Kt) = 0,29
(17/07/2008), B) dia com Kt = 0,52 (03/07/2008) e C) dia com Kt = 0,66
(12/12/2008).
52
Em todos os dias avaliados, nas diferentes condições de nebulosidade, os
picos de irradiância fotossintética foram subestimados. Porém, como essa
estimativa da irradiância fotossintética é para ser usada em cálculos de
fotossíntese bruta diária, há compensação entre os picos e as depressões. Os
resultados das FB diárias calculada através dos dados oriundos da equação (16),
que estima a distribuição de luz foram satisfatórias, uma vez que, apresentaram
elevada concordância (“d” = 0,997) e também alto coeficiente de determinação
(R2=0,992) quando relacionadas com as FB diárias calculadas com os valores de
RFAINST medidos. A análise de regressão linear dessa relação resultou na
seguinte equação: y = 0,973 x, na qual, y é a FB com a variação diária da
radiação medida e x é a FB com a variação diária radiação estimada. Na Figura
16, a plotagem de Bland e Altman mostra com maior sensibilidade a concordância
entre os métodos. O desvio médio (DM) das diferenças foi de -1,68, o que indica
uma proximidade entre os métodos, e que os valores da FB com a radiação
estimada foram maiores que os com a radiação medida. As maiorias dos dados
encontraram-se dentro dos limites de concordância, que apresentaram baixos
valores (2,04 e -5,40).
A Figura 15-A e B mostram a FB diária com a RFA medida e estimada em
função dos DAC. Os desvios entre as duas curvas (Figura 15-C) mostra que
ocorreu variação entre os cálculos de FB em função da irradiância usada com
entrada (medida ou estimada). Notadamente, observou-se através dos desvios,
que antes de 252 DAC, os dias tiveram as FB calculada com a irradiância
estimada superiores em relação às FB com irrandiância medida. Os dias que os
desvios foram negativos (FB com irradiância estimada maior) apresentaram Kt
médio igual a 0,52. Todavia, o período com dias de desvios positivos (FB com
irradiância estimada menor) tiveram média de Kt mais elevada, com valor igual a
0,66. Todas as vezes que o Kt mostrou-se inferior a 0,55 o desvio foi negativo. O
maior desvio negativo (-5,8) ocorreu no dia 03/07/2008, no qual o Kt foi igual a
0,52 (Figura 14-B). Dias com Kt inferior a 0,3 (dia de céu nublado) a tendência é
de a diferença diminuir, mas do desvio continua negativo, como por exemplo, no
dia 17/07/08 (Figura 14-A), que apresentou desvio de -2,9. Nos dias que o Kt foi
superior a 0,66, os desvios foram positivos. Porém, o máximo desvio positivo
ocorreu no dia 12/12/08 (Figura 14-C) e o Kt foi 0,66.
53
Figura 13. Fotossíntese bruta (FB) diária: A) com dados de irradiância
fotossintetica medida, B) com dados de irradiância fotossintética estimada pela
irradiação em função dos dias após o corte de um cultivo de cana-de-açúcar e C)
desvio entre FB com irradiância medida e estimada.
54
FBd RFAmedido - FBd RFAestimado
6
4
Média + 1,96DP
2,04
2
0
DM
-1,68
-2
-4
Média - 1,96DP
-5,40
-6
0
10
20
30
40
50
60
70
80
-2
FBdRFAmedido (g m de CO2)
Figura 14. Plotagem de Bland e Altman para os limites de concordância entre os
valores de fotossíntese bruta com dados de irradiância fotossintética medida
(FBd RFAmedido) e com dados de irradiância fotossintética estimada pela irradiação
(FBd RFAestimado) de um cultivo de cana-de-açúcar irrigado em Rio Largo, entre
2008-2009. DM = desvio médio e DP = desvio padrão.
4.5 Análise Temporal do Crescimento de Cana-de-açúcar
Nas análises de crescimento baseadas no IAF simulado em função dos
GD, em diferentes épocas de cultivos, a RFAINT acumulada foi mais (menos)
acentuada quando o início da simulação de cultivo (corte da folha passada)
ocorreu nos meses de maior (menor) densidade de fluxo de radiação solar
incidente, o que correspondeu à estação seca (chuvosa) da região. Como na
estação seca (chuvosa), a temperatura do ar é mais (menos) elevada, por conta
da maior (menor) disponibilidade de radiação e aumento (diminuição) da partição
energia para o aquecimento do ar. Os índice de área foliares das simulações de
cultivos apresentaram dinâmicas diferentes nos meses do ano, uma vez que
foram estimados em função dos graus-dia acumulados. Assim, nos meses de
início das simulações, que têm elevadas temperatura do ar, o acumulo térmico é
mais expressivo, proporcionando maiores taxas de crescimento do IAF e
conseqüentemente maior radiação fotossintética ativa acumulada pelo dossel na
fase inicial de crescimento. Entre os meses da estação seca, destacaram-se
fevereiro e março, com as maiores médias de temperatura do ar durante os anos
(2004-2008) utilizados para a realização das simulações de crescimento, com
55
valor de 26,4 e 26,0 °C, respectivamente. Os meses co m menor média de
temperatura do ar ocorrem na estação chuvosa da região, onde julho (22,38 ° C)
e agosto (22,4 °C) apresentaram as menores médias de temperatura do ar
durante os anos de simulações.
A simulação do cultivo (variedade RB92579) com início em março teve a
maior RFAINT acumulada (2327,546 MJ m-2) estimada pelo ajuste e quando
iniciada em agosto teve o menor acumulo (2079,140 MJ m-2). Conforme a Figura
17, a RFAINT acumulada das simulações de cultivos nos meses do ano
apresentou diferença significativa (F= 37,148 e P<0,0001) e um coeficiente de
determinação (r2 = 0,717).
Figura 15. Radiação fotossinteticamente ativa interceptada (RFAINT) acumulada
na simulações de cultivo de cana-de-açúcar (Variedade RB92578) em relação ao
mês de corte, nos anos 2004, 2005, 2006 e 2007.
Conforme apresentado, a RFAINT mostrou correlação como a produtividade
agrícola. Assim, o início do cultivo de cana-de-açúcar no mês que a temperatura
do ar for elevada e conseqüentemente a interceptação de luz do dossel
maximizada, em virtude do rápido crescimento da área foliar proporcionará ganho
de produção. Logo, o planejamento para que o plantio e/ou corte da cultura (em
56
sistema irrigado) ocorra entre os meses que proporcionem maior luz interceptada
ao longo do ciclo é essencial para o aumento de produtividade.
Em relação à fotossíntese bruta acumulada, as simulações de cultivo
(Variedade RB92579), iniciadas nos diferentes meses do ano, mostraram
aspectos similares para a RFAINT. Aqui também a simulação que iniciou no mês
de março teve a maior fixação bruta de CO2 (17,907 kg m-2) estimada pelo ajuste.
Porém o mês de início da simulação com menor FB acumulada foi julho (16,339
kg m-2), não coincidindo com o mês de menor RFAINT acumulada. A FB
acumulada das simulações dos cultivos nos mês do ano apresentou diferença
significativa, com F= 27,696 e P < 0,0001. O ajuste polinomial de 3° grau
apresentou um coeficiente de determinação (r2 = 0,654) (Figura 18).
Figura 16. Fotossíntese Bruta (FB) acumulada nas simulações de cultivo de
cana-de-açúcar (Variedade RB92578) em relação ao mês de corte, nos anos
2004, 2005, 2006 e 2007.
A variabilidade anual da irradiação solar global dos anos usados para as
simulações de cultivo (Figura 19) influenciaram nas quantidades de RFAINT e FB
acumuladas. Pode-se observar nas Figuras 17 e 18 que ocorreu diferença
significativa entre as RFAINT e FB acumuladas de um mês específico de início de
simulação. Essas variações estão relacionadas com a variabilidade dos
57
elementos meteorológicos usados nas estimativas, com destaque para a radiação
solar, pois é o fator ambiental que influência fortemente nos demais.
Figura 17. Média mensal da irradiação solar global (Hg) da região de Rio Largo,
Alagoas.
58
5 CONCLUSÕES
Conclui-se que no cultivo de variedades RB de cana-de-açúcar irrigada nos
Tabuleiros Costeiros de Alagoas apresenta correlações entre as produtividades
(de colmos e de açúcar) e a radiação fotossinteticamente ativa acumulada e com
a fotossíntese bruta acumulada durante o ciclo.
A variedade RB92579 é a que tem maiores rendimentos de colmos e de
açúcar, com também maiores valores das estimativas da RFAINT e FB acumaladas
no longo do ciclo, em cultivo irrigado por gotejamento subsuperficial.
O cálculo da fotossíntese bruta diária usando a variação da irradiância
fotossintética estimada, através da irradiação (faixa do visível) e o fotoperíodo,
tem alto grau de concordância com o calculado com a irradiância medida.
Nas
simulações
de
crescimento,
para
cana-de-açúcar
(variedade
RB92579), os meses de março e fevereiro têm maior interceptação de radiação
fotossintética e fotossíntese bruta acumulada para os anos avaliados (20042008).
59
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66
APÊNDICES
Tabela 1. Quadro da Análise de Variância do índice de área foliar de variedades
RB de cana-de-açúcar em cultivo irrigado por gotejamento em Rio Largo – AL,
entre 2008 e 2009.
Causa de Variação
GL
SQ
QM
F
Variedades
8
83.290
10.411
9.188**
Blocos
3
17.953
5.984
5.281**
Erro
312
353.537
1.133
Total corr.
35
454.780
CV (%)
20,81
NOTA: (**) Não significativo no nível de 5% de probabilidade
Tabela 2. Quadro da Análise de Variância da produtividade de colmos
industrializados de variedades RB de cana-de-açúcar em cultivo irrigado por
gotejamento em Rio Largo – AL, entre 2008 e 2009.
Causa de Variação
GL
SQ
QM
F
Variedades
8
6.483,000
810,375
1,148ns
Blocos
3
2.936,000
978,667
1,386ns
Erro
24
16.941,000
705,875
Total corr.
35
26.360,000
CV (%)
20,81
NOTA: (ns) Não significativo no nível de 5% de probabilidade.
Tabela 3. Quadro da Análise de Variância da produtividade de açúcar (TPH) de
variedades RB de cana-de-açúcar em cultivo irrigado por gotejamento em Rio
Largo – AL, entre 2008 e 2009.
Causa de Variação
GL
SQ
QM
F
Variedades
8
282.537
35.317
1.987 ns
Blocos
3
86.234
28.745
1.617 ns
Erro
24
426.626
17.776
Total corr.
35
795.397
CV (%)
7,91
NOTA: (ns) Não significativo no nível de 5% de probabilidade.
67
Figura 1. Croqui da área experimento do cultivo de variedades RB de cana-de-açúcar irrigado por gotejamento em Rio Largo – AL,
entre 2008 e 2009.
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