Taciana de Lima Salvador
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM
AGRONOMIA
UFAL
CECA
TACIANA DE LIMA SALVADOR
CARACTERIZAÇÃO MORFOLÓGICA DE GENÓTIPOS E FORMAÇÃO DE
RAÍZES EM ESTACAS CAULINARES DE PINHEIRA (Annona squamosa L.)
RIO LARGO - AL
2011
TACIANA DE LIMA SALVADOR
CARACTERIZAÇÃO MORFOLÓGICA DE GENÓTIPOS E FORMAÇÃO DE
RAÍZES EM ESTACAS CAULINARES DE PINHEIRA (Annona squamosa L.)
Dissertação apresentada à Universidade Federal de
Alagoas, como parte das exigências do Programa de
Pós – Graduação em Agronomia, para obtenção do
título de Mestre em Produção Vegetal.
Orientador: Prof. Dr. Eurico Eduardo Pinto de Lemos
RIO LARGO - AL
2011
CARACTERIZAÇÃO MORFOLÓGICA DE GENÓTIPOS E FORMAÇÃO DE
RAÍZES EM ESTACAS CAULINARES DE PINHEIRA (Annona squamosa L.)
TACIANA DE LIMA SALVADOR
Dissertação defendida e aprovada em 10 de Junho de 2011 pela banca examinadora:
Examinadores:
Ao meu precioso Deus, pelas bênçãos recebidas durante minha vida.
A Maria Santíssima, minha mãe do céu, que me protege sempre com seu manto.
Aos meus amáveis pais:
José Petrúcio Salvador e Edmilza Jatobá de Lima Salvador;
Pelo amor e educação, ensinando-me a lutar sempre pelos meus objetivos.
DEDICO
As minhas queridas irmãs:
Edilânia de Lima Salvador; Edivânia de Lima Salvador e Tatiana de Lima Salvador;
Pelo exemplo de irmãs que somos; por todo amor, respeito e união.
Ao meu cunhado:
Carlos André Cavalcante Correia de Santana;
Pelo apoio e estímulo.
Ao meu amado noivo:
Wanderson Andrade de Lima;
Por todo amor, paciência, dedicação, companheirismo
e felicidade compartilhada em todos os momentos.
OFEREÇO
AGRADECIMENTOS
A Deus primeiramente, razão da minha existência e iluminador das minhas
ações;
À Maria Santíssima, mãe agraciada, exemplo em minha vida;
Ao Prof. Dr. Eurico Eduardo Pinto de Lemos, pela oportunidade, confiança,
amizade, orientação e por todos os seus ensinamentos;
À Prof.ª Dr.ª Leila de Paula Rezende (UFAL) pela amizade e estímulo;
Ao Prof.º Dr. Júlio Alves Cardoso Filho (UFAL) pela amizade e apoio;
Ao Prof. Dr. Antônio Valeriano Pereira dos Santos (UFAL), pela amizade,
ensinamentos e auxílio inicial durante a fase experimental de anatomia das estacas de
pinheira.
Ao Prof. Dr. Gilberto Dias Alves (UPE), pela amizade, acolhida e auxílio na
fase experimental da anatomia das estacas de pinheira.
À Prof. ª Dr.ª Rejane Magalhães de Mendonça Pimentel (UFRPE), pelo auxílio
nas fotografias digitais do material vegetal em microscópio.
Ao CNPq, pela concessão da bolsa de mestrado;
À coordenação e ao colegiado do curso de Pós-Graduação em Agronomia, pelo
apoio concedido;
A todos os professores da Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias;
Aos amigos do Laboratório de Biotecnologia Vegetal (BIOVEG), pelo
companheirismo;
À Edivânia de Lima Salvador, Maria Quiteria Cardoso dos Santos e Tatiana de
Lima Salvador pelo companheirismo, carinho e colaboração no trabalho;
A todos os colegas do mestrado;
Aos amigos Alice Maria Nascimento de Araújo, Ana Cristina Nascimento dos
Santos, Clênio da Silva Santana, Eliane do Nascimento Santos, Emanuelle Dias dos
Santos, Hully Monaisy Alencar Lima, José Leonardo Ferreira Lins, José Petrúcio
Fonseca Neto, Lamartine Silva Ferreira Júnior, Luiz Sérgio da Costa Duarte Filho,
Maria Érika Francisca de Sales Oliveira, Maria Inajal Rodrigues da Silva das Neves,
Maria Juliana da Silva, Marcondes Inácio da Silva, Pedro Bento da Silva, Rafael José
Correia de Lima, Vanessa de Melo Rodrigues, por todo estímulo, carinho, amizade e
ótimos momentos vividos;
Aos Engenheiros Agrônomos da Secretaria de Agricultura do Estado de Alagoas
(SEAGRI-AL), Péricles Gabriel Barros e Rousseau da Silva Campos, pela amizade e
auxílio durante a fase experimental;
À técnica do Laboratório de Histologia e Embriologia do Instituto de Ciências
Biológicas da Universidade de Pernambuco (UPE), Ivana Porto Farias, pela amizade,
disponibilidade e auxílio no preparo das lâminas histológicas.
À minha amada família de Pernambuco, meu primo Givanildo, sua esposa
Edvânia e minha prima Maria Eduarda, por todo amor e gentil acolhida em sua
residência no período que passei em Recife.
Aos funcionários do Laboratório de Biotecnologia Vegetal (BIOVEG), Gilvânia
Moreira da Silva e Hélio do Carmo Lima, pela amizade, apoio e auxílio nas atividades
laboratoriais.
Aos funcionários da Chácara das Anonáceas, Antonio da Silva e Josefa Maria
da Conceição pela amizade e auxílio nas atividades em campo;
A todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram com minha vida
acadêmica e/ou com a realização deste trabalho.
MUITO OBRIGADA!
Deus abençoe a todos!
E Deus disse: “Eis que vos entrego todas as
plantas que dão semente sobre a terra e todas as
árvores que produzem fruto com sua semente,
para vos servirem de alimento”. Gn. 1,29.
RESUMO GERAL
A pinheira (Annona squamosa L.), espécie frutífera tropical, tem despertado o interesse
de novos mercados de frutas, em todo o mundo, devido ao seu sabor exótico e atrativo.
Em pomares brasileiros, diferenças genotípicas entre plantas podem ser encontradas
decorrentes do perfil alogâmico de cruzamento da espécie e da possibilidade de
mutações naturais em campo. Esse trabalho objetivou: estabelecer descritores
morfológicos mínimos para a caracterização genética de cultivares de pinheira, por
comparação entre as cultivares Crioula típica e um mutante com algumas características
distintas ao tipo padrão denominado de cv. Verdinha. Em segundo lugar, estudou-se
um protocolo de propagação assexuada por estaquia para os novos cultivares onde,
estacas semilenhosas de pinheiras da cv. Verdinha foram submetidas a tratamentos com
auxina sintética (AIB) na forma de pó ou líquida aplicada em sua base, nas
concentrações de 0, 1000, 2000, 3000 e 4000 mg/kg, associada à aplicação do inibidor
da ação do etileno tiosulfato de prata (STS) nas concentrações de 0, 2 e 4 mM. Por
último, estudou-se o surgimento das raízes adventícias nas bases das estacas de
pinheiras, espécies tida como de difícil enraizamento. Os resultados obtidos mostraram
que é possível diferenciar morfologicamente genótipos de pinheiras utilizando-se uma
lista de descritores mínimos morfológicos fáceis de serem observados visualmente nos
ramos, folhas, frutos. A clonagem das plantas por estaquia é uma técnica viável e
possivelvente de aplicação comercial. Os estudos anatômicos da formação das raízes
adventícias nas estacas tem origem indireta, ou seja, surgem a partir dos calos de
cicatrização formados nas bases das estacas enfolhadas de pinheira independente do uso
do AIB.
Palavras-chave: Annonaceae, ata, estaquia, raiz.
GENERAL ABSTRACT
Sugar apple (Annona squamosa L.), tropical fruit species, has brought attention of the
new fruit markets around the world due to its exotic taste and attractive skin. In
Brazilian orchards, genotypic differences among plants can be found arising from its
alogamic sexual profile and the possibility of occuring natural mutations in the field.
This study aimed primarily to establish a minimum list of morphologycal descriptors
able to compare, separate and establish sugar apple cultivars. For this, we compared the
typical cv. Crioula with the cv. Verdinha, a natural mutant that shows some differences
to the standard Crioula type. Secondly, we studied a protocol for vegetative propagation
by cuttings to clone the new established cultivar. For this, softwood cuttings of the cv.
Verdinha treated with synthetic auxin (IBA) in the form of powder or liquid, at
concentrations of 0, 1000, 2000, 3000 and 4000 mg/kg, associated to silver thiosulfate
(STS) an known inhibitor of ethylene action at concentrations of 0, 2 and 4 mM.
Finally, we studied the emergence of adventitious roots at the base of sugar apple
cuttings, a considered difficult-to-root species. The results showed that it is possible to
differentiate genotypes of sugar apple by using a list of simple morphological
descriptors easily observed in branches, leaves and fruits. Cloning sugar apple by
cuttings is a viable technique and it will possibly have commercial applications.
Anatomical studies on adventitious roots formation in sugar apple leafy cuttings showed
they arise indirectly from the healing callus tissues regardless of the use of IBA.
Keywords: Annonaceae, anona, cuttings, root.
LISTA DE FIGURAS
REVISÃO DE LITERATURA
Figura 1.
Diagrama da formação de raízes adventícias direta e indireta.
Quando um potencial de iniciação de raiz já está presente, as
divisões celulares iniciais levam a produção de raízes. Quando
não há potencial para isto, rotas alternativas que conduzam a
criação de um sistema radicular são mostradas. Enraizamento nem
sempre ocorre. Adaptado de Hartmann et al. (2002)........................
23
CAPÍTULO 1
Figura 1.
Folhas de pinheira apresentando diferenças em sua coloração.
Folhas com cera e coloração verde claro fosco na cv. Crioula (A)
e ausência de cera e coloração verde intenso brilhante na cv.
Verdinha (B).....................................................................................
Figura 2.
Genótipos distintos de Annona squamosa L. localizados na região
de Palmeira dos Índios – Alagoas: Crioula (A) e Verdinha (B).......
Figura 3.
46
Frutos de pinheira mostrando diferentes tons de verde. (A) cv.
Crioula; (B) cv. Verdinha.................................................................
Figura 4.
45
47
Frutos de pinheira: cv. Crioula (A) e cv. Verdinha (B) destacando
diferenças na textura da casca dos frutos.......................................... 48
CAPÍTULO 2
Figura 1.
Matriz de pinheira da cv. Verdinha com quatro anos de idade....
Figura 2.
Novas brotações da cv. Verdinha (A) e estaca preparada com
15
cm
de
comprimento
com
suas
folhas
57
cortadas
transversalmente ao meio (B).......................................................
58
Figura 3.
Distribuição das estacas em bancadas suspensas estabelecidas
em tubetes de 150 cm³ na estufa com nebulização
intermitente...................................................................................
Figura 4.
59
Estacas enraizadas de pinheira (Annona squamosa L.) tratadas
com: (A) AIB na forma de pó; (B) AIB na forma líquida, após
10 semanas....................................................................................
Figura 5.
67
Presença de raízes em estacas de pinheira (Annona squamosa
L.) tratadas com: (A) AIB na forma de pó; (B) AIB na forma
líquida após 10 semanas...............................................................
68
CAPÍTULO 3
Figura 1.
Estacas de pinheiras tradada com AIB na forma de pó e
dispostas em tubetes de 150 cm³ em bancada suspensa (B)..........
Figura 2.
81
Estacas de pinheiras com e sem raízes em frascos contendo
álcool 70% (A); Base da estaca selecionada para os cortes
anatômicos (B)...............................................................................
82
Figura 3.
Bases das estacas de pinheiras imersas em parafina líquida..........
83
Figura 4.
Confecção dos blocos na Barra de Leucart (A); Blocos prontos
para serem cortados em micrótomo (B).........................................
83
Figura 5.
Micrótomo do tipo Leica RM 2125RT..........................................
84
Figura 6.
Lâminas histológicas distribuídas em placa aquecedora (Vertex
DB2) para a dissolução da parafina.............................................
Figura 7.
84
Seção longitudinal da base de estacas caulinares de Annona
squamosa L. aos 25 dias: (a) tecido parenquimático do calo; (b)
floema
secundário;
(c,d)
xilema
secundário;
(e)
calo.
Barra=200µm..............................................................................
Figura 8.
86
Base de uma estaca de pinheira aos 15 dias (A). Seções
longitudinais da base de estacas caulinares de Annona
squamosa
L.
(B).
Detalhe
da
região
do
início
do
desenvolvimento do calo de cicatrização (C). Barra=200µm.......
87
Figura 9.
Estaca de pinheira aos 20 dias após plantio em substrato.
Estrutura calosa em desenvolvimento em sua base (A); Seções
longitudinais da base de estacas caulinares de Annona
squamosa L. (B) e detalhe do corte anatômico (C).
Barra=200µm..............................................................................
Figura 10.
88
Estaca de pinheira aos 25 dias. Estrutura calosa bem
desenvolvida e surgimento das raízes adventícias (A); Seção
longitudinal da base de estacas caulinares de Annona
saquamosa L. (B). Detalhe do corte anatômico (C).
Barra=200µm..............................................................................
Figura 11.
89
Estaca de pinheira aos 30 dias. Estrutura calosa bem
desenvolvida e surgimento das raízes adventícias a partir dos
calos de cicatrização (A). Seção longitudinal na base de
estacas caulinares de Annona squamosa L. (B). Detalhe do
corte anatômico (C). Barra=200µm............................................
Figura 12.
90
Estaca de pinheira aos 35 dias (A). Estrutura calosa bem
desenvolvida e surgimento das raízes adventícias a partir dos
calos de cicatrização (B). Seção longitudinal na base de
estacas caulinares de Annona squamosa L. Detalhe do corte
anatômico (C). Barra=200µm.....................................................
90
LISTA DE TABELAS
CAPÍTULO 1
Tabela 1.
Listas de descritores morfológicos mínimos para a caracterização
de dois genótipos de pinheira (Annona squamosa L.) em Alagoas,
2010..................................................................................................
44
CAPÍTULO 2
Tabela 1.
Porcentagem de enraizamento, número de folhas remanescentes,
porcentagem de calo, número e comprimento médio de raízes de
estacas de pinheira (Annona squamosa L.) tratadas com diferentes
concentrações de STS (0, 2 e 4 mM). (Maceió-AL, 2010)................
Tabela 2.
61
Porcentagem de enraizamento, número de folhas remanescentes,
porcentagem de calo, número e comprimento médio de raízes de
estacas de pinheira (Annona squamosa L.) tratadas com AIB nas
concentrações de 0, 1000, 2000, 3000 e 4000 mg/kg (Maceió-AL,
2010)...................................................................................................
Tabela 3.
63
Porcentagem de enraizamento, número de folhas remanescentes,
porcentagem de calo, número e comprimento médio de raízes de
estacas de pinheira (Annona squamosa L.) tratadas com diferentes
formas de aplicação e concentrações de AIB: 0, 1000, 2000, 3000 e
4000 mg/kg (Maceió-AL, 2010).........................................................
65
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO GERAL.....................................................................................
15
2 REVISÃO DE LITERATURA............................................................................
17
2.1 Considerações gerais sobre a cultura...............................................................
17
2.2 Características botânicas...................................................................................
18
2.3 Cultivares.................................................................................................,..........
19
2.4 Descritores morfológicos para registro e proteção de cultivares...................
19
2.5 Propagação........................................................................................................
20
2.5.1 Propagação sexuada.........................................................................................
20
2.5.2 Propagação assexuada.......................................................................................
21
2.5.2.1 Enxertia........................................................................................................... 21
2.5.2.2. Estaquia.........................................................................................................
22
2.6. Princípios fisiológicos do enraizamento........................................................... 24
2.6.1. Auxinas............................................................................................................
24
2.7 Fatores que afetam o enraizamento de estacas................................................
26
2.7.1 Aspectos fisiológicos.......................................................................................
26
2.7.2 Tipo e tamanho da estaca..................................................................................
26
2.7.3 Folhas................................................................................................................
27
2.7.4 Época do ano....................................................................................................
27
2.8 Ação do etileno na abscisão foliar.....................................................................
27
2.9 Tiossulfato de prata............................................................................................
28
2.10 A técnica da estaquia para a pinheira............................................................
28
3 REFERÊNCIAS....................................................................................................
30
CAPÍTULO 1: Descritores morfológicos mínimos para a diferenciação de
cultivares de pinheira (Annona squamosa L.)............................ 37
RESUMO................................................................................................................... 37
ABSTRACT..............................................................................................................
38
INTRODUÇÃO........................................................................................................
39
MATERIAIS E MÉTODOS....................................................................................
41
RESULTADOS E DISCUSSÃO.............................................................................
43
CONCLUSÃO........................................................................................................... 50
REFERÊNCIAS........................................................................................................ 51
CAPÍTULO 2: Efeito do método de aplicação do ácido indolbutírico e da
presença de folhas no enraizamento de estacas de pinheira
(Annona squamosa L.).................................................................. 53
RESUMO................................................................................................................... 53
ABSTRACT..............................................................................................................
54
INTRODUÇÃO........................................................................................................
55
MATERIAIS E MÉTODOS....................................................................................
57
RESULTADOS E DISCUSSÃO.............................................................................
61
CONCLUSÃO........................................................................................................... 70
REFERÊNCIAS........................................................................................................ 71
CAPÍTULO 3: Estudo histológico da formação de raízes adventícias em
estacas caulinares de pinheira (Annona squamosa L.) cv.
Verdinha........................................................................................ 76
RESUMO................................................................................................................... 76
ABSTRACT..............................................................................................................
77
INTRODUÇÃO........................................................................................................
78
MATERIAIS E MÉTODOS....................................................................................
80
RESULTADOS E DISCUSSÃO.............................................................................
86
CONCLUSÕES......................................................................................................... 91
REFERÊNCIAS........................................................................................................ 92
APÊNDICES.............................................................................................................
95
15
1 INTRODUÇÃO GERAL
Dentre as anonáceas, a pinha (Annona squamosa L.) é a mais conhecida e mais
fácil de ser encontrada nas feiras-livres e supermercados brasileiros, embora não seja
nativa do país (PINTO et al., 2005). É notória a demanda crescente no mercado interno
pela fruta in natura, o que tem motivado os fruticultores e estimulado pesquisadores em
desenvolver tecnologias para acompanhar essa demanda, oferecendo qualidade e
quantidade de frutos (ALVES et al., 2000).
No Brasil são cultivados cerca de 10.500 ha de pinheira, com uma média de
21.000 toneladas de frutos/ano (IBGE, 2010), o que é considerada uma produção
pequena, devido à baixa tecnologia ainda aplicada por muitos produtores. Agricultores
que fazem uso de tecnologias associadas a uma alta densidade de plantio (2 x 4 metros)
podem atingir uma produção de 15 ton/ha/ano de frutas de alta qualidade (média de 300
gramas), sendo, de fato, bem aceitas nos melhores mercados brasileiros, com preços
variando entre 2 e 3 US$ o quilo, visto que, os preços tendem a ser mais compensadores
na época da entressafra (DIAS et al., 2004).
A produção da pinha no Brasil tem destaque nos estados da Bahia, Pernambuco,
Alagoas, Minas Gerais e São Paulo onde se encontram alguns dos plantios com melhor
nível tecnológico (PINTO et al., 2005). O Nordeste representa 70% da produção
Nacional e o estado da Bahia é o principal produtor seguido de Pernambuco e Alagoas
(IBGE, 2010). Em Alagoas, estima-se que existam mais de 2000 hectares com a cultura
(OLIVEIRA et al., 2005).
Não existem cultivares de pinheiras definidas e registradas no Brasil, mas os
produtores fazem o uso da tradicional cv. “Crioula”, domesticada e cultivada desde a
sua introdução no século XVII na Bahia pelo Conde de Miranda (PINTO et al., 2005).
Por ser uma espécie alógama, cruzamentos intra e inter específicos vem acontecendo
durante séculos que aliados às mutações naturais podem ter influenciado a origem de
algumas variações genotípicas no formato, cor e textura observadas na espécie.
Em Alagoas, no município de Palmeira dos Índios, foi observada uma
interessante planta mutante com características morfológicas diferentes da cv. Crioula.
Essa planta vem sendo clonada por enxertia na Universidade Federal de Alagoas desde
o início dos anos 2000 e tem sido denominada de cv. “Verdinha” por apresentar como
característica principal a cloração verde intensa de suas folhas e frutos. A coloração
16
verde intensa pode estar associada a ausência de uma cobertura cerosa típica existente
em folhas e frutos da cultivar tradicional Crioula (LEMOS et al., 2010a).
A manutenção de características genéticas entre gerações de plantas alógamas
somente é possível através de uso de técnicas de propagação assexuada. A propagação
assexuada ou vegetativa é uma prática comum para diversas frutíferas, porém, para a
pinheira, essa técnica ainda é pouco utilizada. A propagação de pinheira por enxertia
tem sido utilizada com sucesso por Lemos et al. (2010b).
A propagação vegetativa por estaquia se constitui em um dos métodos mais
simples, fáceis e rápidos de clonagem de fruteiras lenhosas, e baseia-se no princípio da
totipotência vegetal, onde é possível se regenerar adventiciamente uma planta inteira a
partir de um segmento de outra (HARTMANN et al., 2002).
Essa técnica em pinheira tem sido estudada por alguns autores (CASAS et al.,
1984; GETTYS et al., 1995; SAMPAIO, 1992 e SILVA, 2003) porém, o seu sucesso
tem sido bastante limitado, pois, segundo os autores, trata-se de uma espécie de difícil
enraizamento.
Estudos de enraizamento de estacas são necessários para identificar os tecidos
alvo e as zonas preferenciais para indução de primórdios radiculares, pois o sucesso ou
o insucesso da técnica pode estar relacionado a barreiras anatômicas ou falhas no
protocolo técnico (ONO e RODRIGUES, 1996).
O objetivo deste trabalho foi estabelecer uma lista de descritores morfológicos
mínimos para diferenciar cultivares de pinheiras (A. squamosa L.), definir um protocolo
para o enraizamento de estacas semilenhosas e estudar anatomicamente a origem dos
primórdios radiculares das estacas, visando à produção comercial de mudas clonais de
alta qualidade.
17
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Considerações gerais sobre a cultura
A pinheira (Annona squamosa L.), também conhecida como ata e fruta-doconde, é uma fruteira indígena da América Central/Norte que está amplamente
difundida por todos os países tropicais, especialmente nas Filipinas e na Índia
(CAVALCANTI, 1987).
Segundo diversos autores, baseados nos trabalhos pioneiros de Popenoe (1952),
a pinha é originária da América Central e Antilhas, tendo sido introduzida no Brasil em
1626 pelo Conde Diogo Luiz de Miranda, de onde se originou a sua denominação de
“fruta-do-conde”.
Segundo Ferreira (1997), a A. squamosa L. apresenta várias sinonímias: em
Português - ata, pinha, fruta-do-conde, fruta-da-condessa; em Espanhol - anon, anona
blanca, atta del Brasil, chirimoya, rinon, saramuyo; em Inglês - custardapple, sugarapple, sweetsop; e em Francês - attier, anone écailleuse, corossolier écailleux, pommecanelle.
Em relação ao cultivo da pinha, é nos estados da Bahia, Pernambuco, Alagoas,
Ceará, norte de Minas Gerais e São Paulo que se encontram os melhores plantios com
bom nível tecnológico (SÃO JOSÉ, 1997).
A região do Nordeste é a principal área produtora de pinha do Brasil, com 70%
do total, com destaque para o estado da Bahia nas regiões de Presidente Prudente e
Juazeiro. No estado de Pernambuco a principal área produtora se encontra em Petrolina
e no estado de Alagoas destaca-se a região de Palmeira dos Índios. No sudeste destacase a zona de Jales em São Paulo e o norte de Minas Gerais. Em sua grande maioria, são
regiões de clima predominantemente semi-árido tropical e altitudes inferiores a mil
metros (NIETSCHE et al., 2008).
Em Alagoas, a produção de pinha está distribuída principalmente na Zona do
Agreste e Sertão onde se estima que existam mais de 2000 hectares com a cultura
(OLIVEIRA et al., 2005). A cultura da pinha tem se expandindo para os municípios
alagoanos de Coruripe (Litoral Sul), Feliz Deserto (Baixo São Francisco) e Arapiraca
(Agreste), devido aos bons preços obtidos com a fruta in natura fora das épocas
tradicionais de safra (CAMPOS, 2002).
Segundo Oliveira (1991), a cultura da pinha encontrou condições climáticas
favoráveis ao seu desenvolvimento na região Agreste do Estado de Alagoas,
18
precisamente nos municípios de Palmeira dos Índios, Estrela de Alagoas e Igaci devido
a solos favoráveis, pluviosidade entre 800 e 1200 mm/ano com um período seco bem
definido, proporcionando condições favoráveis ao seu desenvolvimento e alta
produtividade quando manejada racionalmente.
2.2 Características botânicas
A pinheira apresenta a seguinte classificação botânica: Reino: Vegetal, Divisão:
Angiospermae, Classe: Eudicotyledoneae, Ordem: Magnoliales, Família: Annonaceae,
Subfamília: Annonoideae, Gênero: Annona, Espécie: Annona squamosa L. (MANICA,
2003).
Na família Annonaceae, os três gêneros mais importantes são: Annona, Rollinia
e Aberonoa, (MANICA et al., 2003). O gênero Annona é o mais importante
economicamente e tem na A. squamosa uma de suas principais espécies por produzir
frutos delicados e, considerados por alguns, os melhores do gênero (ALVES et al.,
2000).
As principais espécies que constituem o gênero Annona são: a graviola (Annona
muricata L), a ata, fruta-do-conde ou pinha (Annona squamosa L.), a cherimólia
(Annona cherimola Mill), a condessa (Annona reticulata L.), a atemóia (híbrido de
Annona cherimola L. x Annona squamosa L.), a cabeça-de-negro (Annona coriaceae), o
araticum-do-campo (Annona dióica), o araticum-do-brejo (Annona paludosa) e a ilama
ou papausa (Annona diversifolia) (MANICA et al. 2003).
A pinheira típica é considerada uma árvore pequena, de até 5m de altura e com
muitas ramificações. As folhas são decíduas, de lâminas oblongo-elípticas, de ápice
obtuso ou arredondado, medindo de 5 a 15 cm de comprimento por 2 a 6 cm de largura,
sendo de coloração verde-brilhante na página superior e de cor verde-azulada na página
inferior. Esta espécie apresenta as partes masculinas e femininas na mesma planta e na
mesma flor, sendo, portanto, classificada como uma planta hermafrodita, com as flores
que se originam dos pequenos ramos novos, sendo pendentes, solitárias ou em grupo de
duas a quatro (HOEHNE, 1946).
Trata-se de uma planta prioritariamente alógama, devido à dicogamia
protogínica, ou seja, não consegue se autopolinizar, pois a parte masculina da flor libera
o pólen apenas quando a parte feminina já não está mais receptiva à fecundação,
necessitando assim, a utilização do pólen de outra flor (SCALOPPI JÚNIOR, 2007).
19
O fruto da pinheira é um sincarpo arredondado, ou baga composta, ovóide,
esférico ou cordiforme, e possui de 5 a 13 cm de diâmetro, o qual é formado por
carpelos destacados na maioria dos tipos cultivados. Quando o fruto apresenta-se
completamente maduro, normalmente pode-se verificar os carpelos separados um dos
outros, visualizando assim em seu interior a polpa branca ou amarelada. A polpa
envolve isoladamente cada uma das numerosas sementes, as quais possuem coloração
preta brilhante ou castanha-clara e tem a forma elíptica, medindo de 1,4 a 2,3 cm de
comprimento por 0,8 a 1,2 cm de largura (HOEHNE, 1946; MANICA et al., 2003).
O sistema radicular da pinheira é do tipo pivotante e, em plantas jovens, possui
um crescimento superior à sua parte aérea. Em mudas, a profundidade atingida pela raiz
pivotante é em média 5,5 vezes superior a altura do caule, proporcionando à planta
grande tolerância em relação às variações hídricas do solo (OLIVEIRA et al., 2005).
2.3 Cultivares
Não existem cultivares bem definidas de pinha no Brasil, excetuando-se a pinha
sem sementes, denominada ateira Cearense ou Pitaguari (GOMES, 1972), porém sem
registro, originária de mutação somática ocorrida no Ceará, que produz frutos
partenocárpicos, pequenos, desiguais e com alta perecibilidade, não aceitos
comercialmente. Em Cuba, existe uma cultivar denominada “Seedless Cuban Sugar
Apple”, também sem sementes, com boas características de frutos, porém de menor
produção e de sabor menos atraente (OLIVEIRA et al., 2005). Plantas com ramos e
frutos roxos, provavelmente originários da América Central, são também conhecidos e
começam a ser cultivados no Brasil (LEMOS et al., 2010a)
2.4 Descritores morfológicos para registro e proteção de cultivares
Os descritores morfológicos são comumente utilizados para a caracterização de
cultivares de diversas espécies vegetais. Apesar de amplamente recomendado, o
emprego destes descritores apresenta algumas limitações, pois como são baseados no
fenótipo das plantas podem sofrer o efeito da interação genótipo/ambiente, e muitos
precisam ser avaliados na fase adulta das plantas, o que requer tempo e espaço físico
para avaliações (VIEIRA, 2000).
20
O número de descritores escolhidos em cada uma das categorias vai depender da
cultura e sua importância para a sua descrição (CHERLA, 2008).
De acordo com a Nova Lei de Sementes e Mudas (BRASIL, 2003), uma cultivar
para ser protegida, deve ser registrada e submetida ao teste de Distinguibilidade,
Homogeneidade e Estabilidade, denominado de teste DHE que consiste na avaliação de
uma série de características morfológicas, nos diferentes estádios de desenvolvimento
da planta, denominada de descritores mínimos, as quais são específicas para cada
espécie e recomendadas pelo Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC)
(VIEIRA et al., 2009). No Brasil este teste é realizado por melhoristas e segue uma
metodologia própria para cada espécie, necessitando que o examinador apresente um
conhecimento aprofundado da espécie, seu comportamento, grupos e variedades
existentes da mesma, sendo indispensáveis, em alguns casos, a utilização de cultivares
de referência para a caracterização da nova cultivar (MAPA, 2010).
A proteção dos direitos intelectuais sobre a cultivar se realiza mediante a
concessão de um certificado de proteção de cultivar, sendo a única forma de proteção e
de direitos que poderá obstar a livre autorização de plantas ou de suas partes, de
reprodução ou multiplicação vegetativa no País. Pela Lei de Proteção de Cultivares, são
protegidas as espécies superiores de plantas (MAPA, 2010).
2.5 Propagação
A propagação da pinheira pode ser feita de duas formas: a forma sexuada através
da semente, comumente utilizada pelos produtores, e a forma assexuada ou vegetativa,
mediante o uso de partes do vegetal que se deseja propagar (GAMA e MANICA, 1994).
2.5.1 Propagação sexuada
A pinheira é propagada normalmente por sementes na maioria das regiões
produtoras. Como é uma planta alógama - prioritariamente de fecundação cruzada e
heterozigota – apresenta um razoável grau de variabilidade entre plantas, o que tem
dado origem a pomares desuniformes com variações qualitativa e quantitativa na
produção dos frutos, dificultando ainda mais a comercialização interna e externa. Além
disso, o método de propagação seminífera acarreta num longo período juvenil e
improdutivo (OLIVEIRA et al., 2005).
21
2.5.2 Propagação assexuada
A propagação assexuada, vegetativa ou clonal é o método mais utilizado na
produção comercial de diversas culturas ornamentais e frutíferas tendo como vantagens
a reprodução de todas as características da planta matriz, a uniformidade e qualidade na
produção (HARTMANN et al., 2002).
É um processo que ocorre por mecanismos de divisão e diferenciação celular,
por meio de regeneração de partes da planta. Esse processo é baseado em dois
princípios: a totipotencialidade, onde as células da planta contêm toda a informação
genética necessária para a perpetuação da espécie, com a capacidade de originar um
novo indivíduo e a regeneração de células, onde as células somáticas e os tecidos
apresentam a capacidade de regeneração de órgãos adventícios (FACHINELLO et al.,
2005).
Este tipo de propagação é especialmente útil, principalmente por manter
inalterada a constituição genética do clone durante as gerações. Além disso, reduz o
período improdutivo, antecipando a floração, permitindo a obtenção de plantas com
precocidade, boa produtividade e qualidade dos frutos, quando comparada aos
indivíduos propagados via sementes (CASAGRANDE et al., 2000).
2.5.2.1 Enxertia
A enxertia é uma prática mundialmente utilizada em larga escala em diversas
espécies frutíferas, onde sua utilização permite a reprodução integral do genótipo que
apresenta características desejáveis. Como vantagem adicional, a propagação por
enxertia permite que as plantas entrem em fase de produção mais cedo (CARVALHO et
al., 2000).
Lemos et al. (2010b) estabeleceram com sucesso um protocolo para enxertia
precoce da pinheira, mostrando que porta-enxertos com três meses de idade
desenvolvidos em tubetes com capacidade de 150cm³ e 230cm³ e enxertia do tipo
garfagem de topo em fenda cheia atingiram níveis ótimos de pegamento. O uso de
tubetes, além de reduzir o volume do substrato, melhorou o aproveitamento do espaço
no viveiro e reduziu o peso e o custo de transporte de mudas quando comparado com a
produção de sacolas convencionais plásticas com capacidade de 1500cm³.
22
2.5.2.2 Estaquia
A estaquia é um dos métodos de propagação vegetativa mais utilizados e
apresenta como ponto crítico o início do desenvolvimento de um sistema radicular
funcional (THOMAS e SCHIEFELBEIN, 2002). A formação de raízes adventícias pode
ser considerada como uma sequência de eventos bioquímicos e histológicos
(MOREIRA et al., 2000).
As raízes formadas nas estacas são uma resposta ao traumatismo produzido pelo
corte feito na base das estacas no momento do seu preparo, predominando os aspectos
da diferenciação, onde as células de um tecido já diferenciado retornam à atividade
meristemática e da totipotência do vegetal, com a capacidade de apenas uma célula
originar um novo indivíduo (FACHINELLO et al., 2005).
Durante a iniciação das raízes, quatro etapas de modificações morfológicas
podem ser destacadas: a desdiferenciação de algumas células adultas; a diferenciação de
algumas células em primórdios de raízes próximas aos feixes vasculares; a formação de
primórdios radiculares e o desenvolvimento dos primórdios de emergências, por meio
do córtex e epiderme da estaca, das raízes adventícias, acompanhado da sua conexão
com o sistema vascular da estaca (FACHINELLO et al., 2005).
O termo raiz adventícia possui diversas definições, sendo empregado para
designar raízes que se originam em partes aéreas da planta, em caules subterrâneos, e
em regiões mais ou menos velhas das próprias raízes. As raízes adventícias são
encontradas em quase todas as plantas vasculares, com a possibilidade de formação em
diversos pontos, podendo ocorrer ao nível dos nós em associação com gemas de ramos
axilares, ou independente destes. O desenvolvimento destas desempenha papel
importante na propagação das plantas (ESAU, 1977).
A origem e o desenvolvimento destas raízes é geralmente endógena e formam-se
junto aos tecidos vasculares crescendo através dos tecidos localizados ao redor do seu
ponto de origem. A maioria das raízes adventícias origina-se de células que apresentam
a capacidade de tornarem-se meristemáticas. Em estacas de plantas lenhosas, as raízes
originam-se no tecido do floema secundário jovem ou de outros tecidos, como o câmbio
vascular, os raios vasculares e a medula (HARTMANN et al., 2002) ou do periciclo
(RAVEN et al., 2007).
A formação de raízes adventícias pode ocorrer direta ou indiretamente. A
formação direta compreende o inicio das raízes a partir das proximidades do sistema
vascular, típico de espécies de fácil enraizamento. Na formação indireta, os primórdios
23
radiculares se formam nos tecidos dos calos e daí evoluem para uma conexão com o
sistema vascular, característica típica de espécies de difícil enraizamento. No caso das
células dos calos não possuírem potencial para a formação de raízes, estas não se
formarão (HARTMANN et al., 2002). Todo esse processo é esquematizado na
FIGURA 1.
FIGURA 1- Diagrama da formação de raízes adventícias direta e indireta. Quando um
potencial de iniciação de raiz já está presente, as divisões celulares iniciais levam a
produção de raízes. Quando não há potencial para isto, rotas alternativas que conduzam
à criação de um sistema radicular são mostradas. Enraizamento nem sempre ocorre.
Adaptado de Hartmann et al., 2002.
24
Na propagação por estacas, somente é necessário que se forme um novo sistema
radicular, visto que já existe um sistema caulinar no ramo em potencial (uma gema).
Muitas células nas regiões de maturação têm capacidade de tornarem-se meristemáticas
e produzir novos sistemas de raiz, caule ou de ambos, os quais tornam possível a
propagação por estacas (HARTMANN et al., 2002).
Com o preparo da estaca, a partir do corte longitudinal ou bisel feito na base,
ocorre uma lesão tanto nos tecidos do xilema quanto nos do floema, resultando num
traumatismo, que é seguido por um processo de cicatrização, formando uma capa de
suberina, que reduz a desidratação na área lesada. Nesta região frequentemente se forma
uma massa de células parenquimáticas desorganizadas, pouco diferenciadas e em
diferentes estágios de lignificação, denominadas de calo. De acordo com Torres e
Caldas (1990) calo é o grupo ou massa de células em crescimento desorganizado e com
certo grau de diferenciação. Assim as células que se tornam meristemáticas dividem-se
e originam primórdios radiculares, ocorrendo formação de raízes adventícias nas células
adjacentes ao câmbio e ao floema.
Segundo HARTMANN et al. (2002) a formação de calo e de raízes são
processos independentes na maioria das plantas, sendo que a ocorrência simultânea é
devido à dependência de condições internas e ambientais semelhantes. Entretanto, em
algumas plantas, a formação de calo pode ser precursora da formação de raízes
adventícias.
2.6 Princípios fisiológicos do enraizamento
A capacidade que uma estaca possui de emitir raízes está relacionada a fatores
endógenos e às condições ambientais proporcionadas ao enraizamento. Tem sido
observado que a formação de raízes adventícias deve-se a interação de fatores existentes
nos tecidos e à translocação de substâncias localizadas nas folhas e gemas das plantas.
Entre esses fatores, as auxinas têm influência direta sobre o enraizamento
(FACHINELLO et al., 2005).
2.6.1 Auxinas
A auxina foi o primeiro hormônio de crescimento descoberto em plantas, além
de ser o grupo hormonal mais conhecido entre os reguladores do crescimento. O ácido
indol-3-acético (AIA) é uma auxina natural sendo o primeiro hormônio isolado em
25
plantas, onde um dos primeiros usos práticos foi para o enraizamento adventício em
estacas (HINOJOSA, 2005; TAIZ e ZEIGER, 2009).
A síntese da principal auxina natural nas plantas, o AIA, ocorre em locais de
crescimento ativo como os meristemas e folhas jovens. Este hormônio se movimenta
polarmente de forma basípeta através do parênquima que envolve os feixes vasculares
sem penetrar nos tubos crivosos e sem sofrer as variações que se produzem no floema
por demanda de assimilados (LEYSER, 2001). Assim, para se estimular a produção de
raízes adventícias, se utiliza a aplicação de um composto sintético (AIB ou ANA), na
forma líquida ou sólida, na base das estacas (HINOJOSA, 2005).
A aplicação da auxina natural AIA na parte aérea de plantas não tem sido
utilizada nos trabalhos de enraizamento de estacas, mas sua ação sobre as plantas é
conhecida há mais de um século (HARTMMAN et al., 2002). Esse fato tem sido
também demonstrado pela necessidade que muitas estacas têm de manter algumas
folhas na porção apical durante a indução ao enraizamento, independentemente da
utilização de auxinas sintéticas na base (MARINHO et al., 2007).
O aumento da concentração de auxina exógena, aplicada em estacas, gera efeito
estimulador de raízes até um valor máximo, a partir do qual qualquer acréscimo de
auxinas tem efeito inibitório. O teor adequado de auxina exógena, para estímulo do
enraizamento, depende da espécie e da concentração de auxina existente no tecido
(FACHINELLO et al., 2005).
As auxinas sintéticas têm sido amplamente utilizadas na indução da formação de
raízes adventícias em estacas caulinares durante a propagação assexuada de diversas
espécies lenhosas (SODRÉ, 2007), sendo o hormônio sintético AIB mais utilizado
(MACHADO et al., 2005) e o mais eficaz por possuir comprovada atividade auxínica
(LOPES et al., 2003) e estimular a síntese de etileno, que favorece a emissão de raízes
(NORBERTO et al., 2001).
A aplicação exógena de auxinas, principalmente o AIB, é uma prática
comumente utilizada na propagação de plantas frutíferas de interesse agronômico
(BASSAN et al., 2009; RONCATTO et al., 2008; ZIETEMANN et al., 2007) porém,
poucos trabalhos são encontrados no que diz respeito à aplicação para a propagação por
estaquia em pinheiras (SCALOPPI JUNIOR et al., 2007).
26
2.7 Fatores que afetam o enraizamento de estacas
O sucesso na propagação por estaquia pode ser influenciado por diversos fatores
entre características inerentes à própria planta e às condições do meio ambiente. Dentre
os fatores que podem melhorar os resultados, destacam-se a presença de folhas e gemas
nas estacas, as condições ambientais, o substrato e o balanço hormonal, o estádio de
desenvolvimento da planta e do próprio ramo, além da época do ano em que as estacas
são coletadas (FACHINELLO et al., 2005).
2.7.1 Aspectos fisiológicos
O estádio fisiológico da planta matriz é muito importante para o estabelecimento
de mudas por estaquia, uma vez que este processo só é possível em função da
totipotência. Entretanto, esta capacidade de regeneração vai sendo perdida com o
avanço da ontogenia do vegetal (HARTMANN et al., 2002).
A condição nutricional da planta matriz afeta fortemente o enraizamento das
estacas. No que se refere ao teor de carboidratos, tem-se observado que reservas mais
abundantes
correlacionam-se
com
maiores
percentagens
de
enraizamento
e
sobrevivência de estacas. A importância dos carboidratos refere-se ao fato de que a
auxina requer uma fonte de carbono para a biossíntese dos ácidos nucléicos e proteínas,
para a formação das raízes (FACHINELLO et al., 2005).
2.7.2 Tipo e tamanho da estaca
O tipo de estaca utilizada na propagação de plantas vai variar com a espécie ou
cultivar. Em muitos casos, as estacas retiradas de plantas jovens mostram uma maior
tendência a formar raízes adventícias que aquelas retiradas de plantas maduras. Esta
condição de juvenilidade apresenta importância em vários aspectos da propagação
(HARTMANN et al., 2002).
Outro fator importante é o tamanho e a quantidade de gemas presentes nas
estacas. HARTMANN et al. (2002) recomendam o tamanho das estacas de acordo com
o tamanho do lenho, ou seja, para as estacas de ramos lenhosos arbóreos, o
comprimento das estacas pode variar de 10 a 76 cm dependendo da espécie e para
ramos lenhosos arbustivos e de caules herbáceos, o comprimento pode variar de 7,5 a
12,5 cm.
27
Sugere-se que o melhor tamanho para as estacas é aquele que varia de 10 a 15cm
de comprimento, com presença de dois nós, o que aumentam a porcentagem de
enraizamento (ONO e RODRIGUES, 1996).
2.7.3 Folhas
As folhas e as gemas são de grande importância no enraizamento de estacas,
devido a produção de auxinas e de outras substâncias que atuam diretamente no
enraizamento. Dependendo da espécie, a remoção das gemas pode reduzir por completo
a formação de raízes. A presença de folhas nas estacas possui grande influência na
formação de raízes. Os carboidratos, resultantes da atividade fotossintética das folhas,
também contribuem para a formação de raízes, embora os efeitos estimuladores de
folhas e gemas se devam, principalmente, à produção de auxina (PAIVA e GOMES,
2001).
2.7.4 Época do ano
Fachinello et al., (2005) afirmam que a época mais adequada para a obtenção das
estacas difere entre espécies, podendo ser atribuída também às condições climáticas,
assim como a temperatura e disponibilidade de água.
2.8 Ação do etileno na abscisão foliar
O etileno é um hormônio vegetal sintetizado em quase todos os órgãos vegetais
superiores, de natureza gasosa, e está inteiramente ligado a abscisão foliar (BARRIA,
2005).
A folha jovem tem a capacidade de sintetizar níveis de auxinas relativamente
altos. O processo de abscisão foliar ocorre como resultado do desenvolvimento de uma
especial camada de células, chamada de camada ou zona de abscisão, próxima à base do
pecíolo. Durante a senescência, como o órgão envelhece, a síntese de auxinas no limbo
foliar diminui consideravelmente e as paredes da célula na zona de abscisão
enfraquecem, promovendo o rompimento do pecíolo na camada de abscisão
(PELINSON, 2003).
Durante a senescência, ao mesmo tempo em que diminui o fluxo de auxinas no
pecíolo, ocorre um aumento na produção de etileno na região de abscisão. A diminuição
no nível de auxinas aparentemente torna as células da região de abscisão mais sensíveis
28
à ação do etileno. O etileno inibe o transporte de auxinas no pecíolo provocando a
síntese e o transporte de enzimas que atuam na parede celular (celulases) e na lamela
média (pectinases) (PELINSON, 2003).
A dissolução parcial ou total da parede celular e da lamela média forma a região
de abscisão por afrouxamento de ligação entre as células e enfraquecimento do feixe
vascular (BONATO e SANTOS, 2002).
Hinojosa (2005), afirma que a abscisão pode ser retardada com a aplicação de
compostos de prata ou de uma atmosfera com altas concentrações de CO2.
2.9 Tiossulfato de prata
A taxa de produção do etileno pelas plantas superiores é variável de um órgão
para outro (WOLTERING et al., 1994) e com os distintos estádios de desenvolvimento
(BROWN et al., 1986). A regulação da produção de etileno nas plantas deve-se a fatores
internos, ambientais ou a estresses (ABELES et al., 1992).
O etileno pode causar muitos efeitos adversos em plantas, como perda da cor
verde, murchamento prematuro (HARDENBURG et al., 1988), abscisão de flores e
folhas e aceleração da senescência (KERBAUY, 2004; HINOJOSA, 2005; TAIZ e
ZEIGER, 2009), reduzindo o valor comercial de folhas, flores, frutos e hortaliças
(KADER, 1985).
A prata tem sido utilizada como inibidor não-competitivo da ação do etileno
(BEYER, 1976; KNEE, 1992). Acredita-se que os íons prata atuem sobre grupos tióis
de alguma proteína da parede celular vegetal, ou sobre proteína receptora localizada na
superfície externa da membrana plasmática, ou ainda sobre proteínas que estejam
envolvidas na transdução do sinal (KNEE, 1992; SANDERS et al., 1986), suprimindo a
ação do gás e, portanto, aumentando a longevidade de flores de corte (NICHOLS et al.,
1982).
2.10 A técnica da estaquia para a pinheira
A estaquia tem grande importância na propagação das plantas frutíferas, uma
vez que, a maioria das cultivares são altamente heterozigotas e algumas de suas
características podem ser perdidas se propagadas por meio de sementes (FACHINELLO
et al., 2005; HARTMANN et al., 2002).
Estudo realizado por Silva (2008) sobre o enraizamento de estacas de pinheira,
gravioleira e atemoeira, constatou os efeitos das auxinas ANA e AIB na emissão das
29
raízes. Assim, a melhoria das técnicas de propagação vegetativa, tende ao aumento da
produtividade, além de manter a homogeneidade e a qualidade dos pomares
(SCALOPPI JUNIOR, 2007).
30
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37
CAPÍTULO 1
Descritores morfológicos mínimos para a diferenciação de cultivares de pinheira
(Annona squamosa L.)
RESUMO
A caracterização morfológica através de descritores botânicos visíveis e mensuráveis é
um dos métodos mais utilizados para distinguir cultivares de diversas espécies vegetais.
Na família Anonaceae, a caracterização morfológica de cultivares foi proposta apenas
para a cherimóia (Annona cherimola L.) pela sua grande variabilidade natural e obtida
através de programas de melhoramento em todo o mundo. A domesticação e a crescente
importância de outros membros dessa família na produção de frutas tem feito surgir
uma forte demanda por novas cultivares mais produtivas e com atributos comerciais. No
caso da pinheira (Annona squamosa L.), que há séculos vem sendo propagada
sexuadamente, não existem cultivares registradas nos países produtores. Todavia,
variações significativas tem sido observadas entre os tipos já cultivados no Brasil.
Algumas dessas plantas possuem grande apelo comercial e, se multiplicadas
vegetativamente, poderiam dar origem a novas cultivares comerciais. Em Palmeira dos
Índios, Alagoas, em uma tradicional área de cultivo foi encontrada uma planta mutante
com características morfológicas e agronômicas diferentes do cultivar tipo Crioula. Essa
nova cultivar tem sido provisoriamente denominada de Verdinha e apresenta como
características principais a alta produtividade e frutos e folhas sem a cobertura cerosa
típica da cultivar Crioula. Este trabalho objetivou determinar descritores morfológicos
mínimos para distinguir genótipos de pinheiras distintas do tipo padrão Crioulo. Para
tanto se estabeleceu caracteres morfológicos típicos da cultivar padrão Crioula
examinando-se 20 plantas cultivadas típicas e comparou-se com os caracteres
morfológicos de 20 plantas da cv. Verdinha. Nos resultados constatou-se diferenças
morfológicas acentuadas entre os dois tipos nos ramos, folhas e frutos. A diferença mais
marcante estabelecida entre os dois tipos foi a ausência de cobertura cerosa na folhas e
frutos da cv. Verdinha, o que confere uma cor verde intensa nesses órgãos. Uma lista de
descritores mínimos é proposta.
Palavras-chave: anona, ata, fruta-do-conde, morfologia.
38
Minimum morphological descriptors to differentiate sugar apple (Annona
squamosa L.) cultivars
ABSTRACT
The morphological characterization through visible and measurable botanical
descriptors is one of the methods used to distinguish different cultivars of plant species.
In the Annonaceae family morphological characterization of cultivars has been
proposed only for cherimoya (Annona cherimoya L.) because of its large genetic
variability obtained through breeding programs worldwide. Domestication of other
members of this family and their growing importance in fruit production has given rise
to a strong demand for new cultivars with more productive and commercial attributes.
In the case of sugar apple (Annona squamosa L.), which for centuries has been sexually
propagated, there is no cultivars established yet in Brazil, although, significant
variations have been observed. Some of these plants have great commercial appeal and,
if vegetatively propagated, could lead to new cultivars. In Palmeira dos Índios, Alagoas,
in a traditional area of cultivation, was found a mutant plant with different
morphological and agronomic characteristics of the tipic cv. Creole. This new cultivar
has been provisionally named Verdinha and its main characteristics are high
productivity and fruit and leaves waxyless. This study aimed to establish the minimum
descriptors to distinguish different genotypes of sugarapple. Therefore, some
morphological characters of 20 plants of the standard cv. Creole was compared to 20
plants of the cv. Verdinha. Us results it was found differences in the morphology in the
branches, leaves and fruits between the two types. The most striking difference
established was the lack of wax covering the leaves and fruits of the cv. Verdinha, give
induces an intense green color in these organs. A list of minimum descriptors is
proposed.
Keywords: anona, ata, custard apple, morphology.
39
INTRODUÇÃO
A pinheira (Annona squamosa L.) é uma fruteira de importância econômica
originária das terras baixas da América Central e México (MOSCA et al., 2006).
Acredita-se que a pinheira foi introduzida pela primeira vez no Brasil no início do
século XVII pelo Conde de Miranda, a partir de sementes trazidas da América Central
(PINTO et al., 2005). Desde então essa espécie tem sido cultivada em quase todo o país,
mas é no Nordeste que o seu cultivo tem se disseminado, sendo uma das espécies do
gênero Annona de maior expressão econômica no Brasil (ALVES et al., 2000).
Por ter-se originado de um conjunto inicial de sementes bastante restrito, no
Brasil, a pinheira tem uma população aparentemente homogênea. Porém, considerando
ser uma espécie preferencialmente alógama, por apresentar nas suas flores o fenômeno
da protogenia, as populações de pinheira e de outras espécies de anonáceas nativas e
compatíveis tem se entrecruzado naturalmente durante séculos, influenciando assim o
surgimento de algumas variações genotípicas interessantes (LEMOS et al., 2010a).
Mutações também parecem ter ocorrido ao longo dos séculos e genótipos
incomuns como frutos sem sementes, de coloração variando do verde ao roxo, exocarpo
liso ou pontiagudo, plantas anãs ou desprovidas de cutícula serosa, distinções na sua
textura, entre outros aspectos podem ser visto entre as pinheiras cultivadas no Brasil
(LEMOS et al., 2010a).
Partindo dessas diferenças, novas cultivares podem ser selecionadas,
contribuindo assim para o crescimento da cultura no Brasil e no mundo. Somente com a
identificação e caracterização de novos genótipos pode-se proceder a seleção e o
registro de cultivares. O registro de cultivares é um processo importante para os
programas de melhoramento, pois assegura a identidade genética e a qualidade varietal
das cultivares, além dos direitos intelectuais dos obtentores. Adicionalmente ao registro,
há a proteção das cultivares, a qual possibilita que órgãos e empresas públicas e
privadas possam se beneficiar com a soma de recursos decorrentes dos direitos autorais
obtidos, dando assim, sustentabilidade parcial ou total à continuidade dos programas de
melhoramento (CARVALHO et al., 2009).
A pinheira típica cultivada no Brasil e explorada comercialmente desde sua
introdução possui características botânicas definidas que se repetem em milhões de
plantas dando-lhe assim uma identidade morfológica facilmente reconhecível. Esse
genótipo típico tem sido chamado por produtores e pesquisadores de pinha “Crioula”.
40
Plantas com diferenças mensuráveis do tipo padrão Crioulo têm sido observadas
aqui e acolá nas diferentes áreas de cultivo no Brasil e em outras partes do mundo. Em
Alagoas, uma planta com algumas características morfológicas claramente diferentes do
tipo Crioula foi identificada por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas e
Secretaria de Agricultura e vem despertando o interesse de produtores. Entre as
variações que mais chamam a atenção está a ausência de cera em suas folhas e casca dos
frutos o que confere a estes uma coloração verde intensa bem diferente da cv. Crioula.
Embora as características agronômicas desse novo tipo ainda estejam sendo avaliadas e
comparadas à cultivar típica, tem-se como certo que trata-se de um genótipo de grande
potencial econômico para a cadeia produtiva da pinha.
A fixação de características genéticas de novos genótipos e a sua multiplicação
em espécies de polinização cruzada como a pinheira somente é possível através de
técnicas de propagação assexuada. Esse novo genótipo tem sido implantado em algumas
regiões de Alagoas através do uso de mudas propagadas vegetativamente por enxertia.
Contudo, é necessário a caracterização morfológica, o registro, a proteção, a
multiplicação e o lançamento da primeira cultivar de pinha no Brasil.
O International Plant Genetic Resources Institute (IPGRI) tem proposto
descritores para muitas espécies vegetais cultivadas que, em sua maioria, caracteriza-se
por uma lista simples de caracteres morfológicos que podem ser identificados com
facilidade quando se compara genótipos distintos. Variações na forma, tamanho,
textura, cor entre outras observadas em troncos, ramos jovens, folhas, flores e frutos
podem e devem ser usadas para separar cultivares de acordo com Serviço Nacional de
Proteção a Cultivares (SNPC) (CARVALHO et al., 2009).
O objetivo deste trabalho foi estabelecer descritores mínimos com as principais
características morfológicas da pinheira que permitam, por comparação com o genótipo
Crioulo típico cultivado, diferenciar e caracterizar novas cultivares.
41
MATERIAIS E MÉTODOS
Características morfológicas de 20 plantas de pinheiras da cultivar típica Crioula
com idade de seis anos e propagadas por sementes e 20 plantas do novo genótipo
mutante (cv. Verdinha) com idade de quatro anos propagadas por enxertia, submetidas
aos mesmos tratos culturais, foram avaliadas em um pomar comercial da Fazenda
Paxiúba, localizado no Povoado Moreira, no município de Palmeira dos Índios, Alagoas
(9º 26‟ 22,4” S, 36º 41‟ 2,6” W e 295 m de altitude).
Nesse trabalho cada órgão aéreo das plantas estudadas foi observado quanto a
forma, o tamanho, a textura, a coloração e a presença ou ausência de estruturas
associadas como cera e pelos, em trocos, ramos, folhas, flores, frutos e sementes. Pela
natural dificuldade de observação, as raízes não foram consideradas nesse estudo.
Caracterização morfológica
Para o estabelecimento dos descritores mínimos utilizados na comparação dos
dois genótipos de pinheira utilizou-se como base a lista de descritores morfológicos
proposta pelo International Plant Genetic Resources Institute (IPGRI) para cherimóia
(Annona cherimola Mill.) (CHERLA, 2008).
Amostras de 100 folhas, 100 flores, 10 frutos originários de polinização manual
e 100 sementes de cada planta foram colhidas, colocadas em saco de papel e levadas ao
Laboratório de Biotecnologia Vegetal do Centro de Ciências Agrárias da Universidade
Federal de Alagoas em Rio Largo-AL (9º 27‟ 57” S, 34º 50‟ 1” W e 127 m de altitude),
tomando-se o cuidado necessário para garantir a integridade das mesmas.
Para as características morfológicas dos frutos da pinheira foram considerados
os aspectos no formato, cor, textura, dimensões e presença de cera; para as folhas,
avaliações foram realizadas para o quesito cor, formato, dimensões e presença de cera.
Nas flores e nas sementes, as diferenças foram baseadas na coloração e dimensões das
mesmas. As flores foram medidas a partir da inserção do pedúnculo no receptáculo
floral até a ponta da pétala. Comprimento e largura foram realizados com o auxílio de
um paquímetro.
Caracterização visual da morfologia de folhas e frutos foi realizada através da
comparação da cor e textura dentro do mesmo grupo e entre grupo. A cor e a textura
desses órgãos foram comparadas pondo-se amostras aleatórias de frutos dos dois
42
genótipos lado a lado por 20 vezes. Para se certificar de que esse era um bom critério
para compor a lista de descritores mínimos, amostras de cada tipo foram examinadas
separadamente para constatar se haviam divergências dentro de um mesmo genótipo.
Para o caso de troncos e ramos, um exame e descrição individual foi feita para
cada genótipo separadamente e, depois, os resultados quando consistentes foram
comparados entre os dois genótipos.
Somente diferenças fáceis de serem observadas e simples de serem descritas por
qualquer pessoa com um mínimo de treinamento e equipamentos foram consideradas
para compor a lista de descritores mínimos proposta nesse trabalho.
43
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As comparações entre os dois genótipos apontaram diferenças morfológicas que
possibilitaram estabelecer um padrão de observações com consistência suficiente para
se garantir que trata-se de tipos distintos e que, portanto, podem separar cultivares. O
Quadro 1 propõe uma lista de 25 descritores mínimos para se comparar genótipos
diferentes de pinheiras em campo. Embora alguns descritores apresentados no Quadro 1
não tenham apresentado diferenças entre os genótipos estudados, avaliações
preliminares em campo com outros genótipos mostraram que estes podem sofrer
variações consideráveis e, portanto, valem à pena ser fazer parte da lista.
44
TABELA 1 – Lista de descritores morfológicos mínimos para a caracterização de dois
genótipos de pinheira (Annona squamosa L.) em Alagoas, 2010.
CULTIVARES
DESCRITORES
Crioula Típica
Verdinha
1
Cor tronco
Cinza claro
Cinza médio
2
Cor ramo jovem
Verde claro opaco
Verde escuro brilhante
3
Cor ramo adulto
Verde claro opaco
Verde escuro brilhante
4
Cor da folha jovem
Verde claro opaco
Verde escuro brilhante
5
Cor da folha adulta
Verde claro opaco
Verde intenso brilhante
6
Formato folha
Elípitica
Elípitica
7
Formato base da folha
Obtusa
Obtusa
8
Limbo foliar
Lisa
Lisa
9
Forma lamina foliar
Simétrica
Simétrica
10
Cutícula (cera)
Presente
Ausente
11
Comprimento médio da lâmina foliar*
12,5 cm
13,6 cm
12
Largura média da lâmina foliar*
6,2 cm
6,7 cm
13
Cor flor
Creme amarelado
Creme amarelado
14
Cor pétala interior
Creme
Creme
15
Cor interna da base da pétala
Púrpura
Púrpura
16
Comprimento da flor*
2,4 cm
2,9 cm
17
Cor da casca do fruto
Verde claro/cinza
Verde intenso
18
Formato fruto
Cordiforme/redondo
Cordiforme
19
Formato do gineceu
Arredondada
Cordiforme
20
Textura do exocarpo
Tuberculata com saliências
suaves
Tuberculata com saliências
rugosas acentuadas
21
Comprimento médio do fruto**
9,3 cm
11,5 cm
22
Largura média do fruto**
9,0 cm
9,4 cm
23
Comprimento médio da semente*
1,2 cm
1,1 cm
24
Largura média da semente*
0,6 cm
0,5 cm
25
Cor da semente
Marrom escuro
Marrom escuro
* Média de 100 dados por planta; ** Média de 10 dados por planta
Os descritores morfológicos que mais apresentaram distinções visíveis entre a
cv. Crioula e a cv. Verdinha foi a coloração de ramos jovens, folhas e casca dos frutos.
Nestes casos foi observado que a coloração verde mais intensa e brilhante da cv.
45
Verdinha estava associada a ausência de uma cobertura cerosa nesses órgãos. Por
contraste, na cv. Crioula, a presença de uma camada de cera estabelece um tom de verde
claro fosco quase cinza (FIGURA 1). Essa camada de cera estabelece uma reação
hidrofóbica na superfície das folhas, ramos jovens e frutos que a rigor não se molham
com a aspersão de água sobre esses órgãos.
A
B
FIGURA 1 – Folhas de pinheira apresentando diferenças em sua coloração. Folhas com
cera e coloração verde claro fosco na cv. Crioula (A) e ausência de cera e coloração
verde intenso brilhante na cv. Verdinha (B). Fotos: Eurico E. P. Lemos, 2009.
Não foi possível avaliar se a ausência de cera sobre tais órgãos produzem
vantagens ou desvantagens biológicas competitivas para a cv. Verdinha em relação à cv.
Crioula. Todavia, a coloração verde intensa da casca dos frutos certamente produz um
contrate que chama a atenção de produtores, comerciantes e consumidores e pode se
constituir em um diferencial em favor dessa cultivar. Contudo, é necessário uma análise
de aceitação de mercado.
A cor da casca e da polpa dos frutos tem sido um foco importante em programa
de melhoramento de frutas em todo o mundo. A atratividade da cor da casca dos frutos
pode definir o sucesso ou o fracasso de uma nova variedade. De uma forma geral, cores
mais intensas e brilhantes são preferidas em relação a casca mais claras e opacas
(TREVISAN et al., 2006). Em espécies que não possuem possibilidades de cores entre
o amarelo intenso e o roxo, a cor verde mais intensa pode ser um diferencial importante
para o sucesso comercial de uma cultivar (SOUZA, 2006).
Na ausência de variações organolépticas entre os genótipos, que parece ser o
caso dessas duas cultivares estudadas, a coloração dos frutos pode se constituir num
importante diferencial de apelo comercial. Embora testes científicos para determinar a
46
preferência dos consumidores não tenham sido conduzidos no mercado local,
observações preliminares espontâneas apontam nessa direção 1.
Estudos sobre características morfológicas de plantas tem como principal
objetivo ampliar o conhecimento sobre determinada espécie, expandindo assim o
reconhecimento e identificação das plantas de determinada região (OLIVEIRA, 1993).
O estudo da morfologia do vegetal é de fundamental importância para caracterizar a
diversidade de variedades que ocorrem na região estudada (GUIMARÃES, 2005).
As avaliações mostraram diferenças visíveis também na coloração das folhas das
cultivares de pinheiras avaliadas. A cv. Crioula apresenta uma coloração verde clara
típica bem diferente da cv. Verdinha que confere à planta uma cor verde intensa que a
distingue facilmente no meio de outras Crioulas no pomar (FIGURA 2) ou mesmo no
viveiro. Andrade e Martins (2007), em trabalho realizado com caramboleira (Averrhoa
carambola L.), verificaram que é possível diferenciar as cultivares a partir das
distinções morfológicas nas folhas, permitindo classificá-las mesmo em condições de
viveiro.
A
B
FIGURA 2- Genótipos distintos de Annona squamosa L. localizados na região de
Palmeira dos Índios-Alagoas: cv. Crioula (A) e cv. Verdinha (B). Fotos: Eurico E. P.
Lemos, 2008.
A pinheira possui mecanismos morfológicos e fisiológicos que permitem
conviver de forma produtiva em ambientes ecologicamente diferentes quanto à
disponibilidade de água. A espécie pode produzir economicamente em zonas semiáridas onde faz uso de mecanismos de resistência ao estresse hídrico para evitar a
1
Informação pessoal, Eurico Eduardo Pinto de Lemos.
47
desidratação por transpiração e, na pinheira, a cutícula serosa em suas folhas participa
ativamente deste mecanismo (OLIVEIRA et al., 2005). O sucesso da cultura da pinha
em zonas de baixa precipitação como o agreste de Alagoas e os sertões de Pernambuco
e da Bahia mostra que essa é uma espécie com adaptações morfo-fisiológicas para estes
ambientes.
A camada cerosa que recobre as folhas da pinheira é uma característica
xeromórfica e tem como função reduzir a transpiração de água dos tecidos
subepidérmicos (LEMOS, 1994). Apesar da ausência da cutícula serosa nas folhas da
cv. Verdinha, esta falta parece não interferir no processo de crescimento e
desenvolvimento da planta, assim como a formação das flores e dos frutos, pelo
contrário, frutos dessa cultivar apresentam características superiores (FIGURA 3), e que
vem chamando a atenção dos pesquisadores.
A
B
FIGURA 3 – Frutos de pinheira mostrando diferentes tons de verde (A) cv. Crioula; (B)
cv. Verdinha. Fotos: Eurico E. P. Lemos, 2009.
A textura encontrada nas cascas dos frutos das pinheiras da cv. Verdinha revela
saliências mais acentuadas do que a da cv. Crioula, outra característica que pode ser
usada para diferenciar as duas cultivares (FIGURA 4).
48
A
B
FIGURA 4 – Frutos de pinheira: cv. Crioula (A) e cv. Verdinha (B) destacando
diferenças na textura da casca dos frutos. Fotos: Eurico E. P. Lemos, 2009.
As mutações espontâneas apresentam-se como uma das fontes mais importantes
para introdução de variabilidade genética em programas de melhoramento que visam
obter cultivares com maior produção, com frutos mais firmes, de boa aparência,
resistentes a doenças e saborosos (SOARES FILHO et al., 2003). Em tomateiro (L.
esculentum) diversos mutantes têm sido identificados, onde apresentam aspectos
alterados em sua coloração e processo de amadurecimento (MOURA et al., 2004).
A comercialização no setor frutícola é dependente de apreciação positiva pelo
consumidor que está relacionada principalmente com a aparência e as características
sensoriais, além da garantia de segurança e qualidade, possibilitando o estabelecimento
de estratégias diferenciadas de comercialização, e a orientação de programas de
melhoramento genético de plantas frutíferas (ROMBALDI et al., 2007).
Rombaldi et al. (2007) em pesquisa realizada com consumidores de frutas no Sul
do Brasil, afirmaram que a aparência dos frutos constitui um dos fatores de maior
relevância na decisão para adquirir uma determinada fruta. Nota-se que o consumidor é
atraído pela aparência do fruto, e posteriormente, outras características são observadas
como a coloração, ausência de lesões e podridões, aroma e sabor.
A lista de descritores mínimos pode ser usado para descrever as diferenças na
morfologia de genótipos de pinheira e representa uma importante ferramenta que pode
auxiliar melhoristas na caracterização de novas cultivares de pinheira.
49
Estudos relacionados às características pomológicas e agronômicas como
produção/safra, peso do fruto, rendimento de polpa, brix, acidez titulável etc, poderão
auxiliar na obtenção de dados completos referentes a esta nova cultivar.
A avaliação de parâmetros fisiológicos decorrentes dessa variação (ausência de
cera) na cv. Verdinha sob diferentes condições de estresses ambientais poderá fornecer
informações relevantes para predizer a sua resistência em campo.
Sugere-se o encaminhamento de uma proposta ao SNPC do Ministério da
Agricultura de reconhecimento da lista de descritores mínimos morfológicos aqui
apresentada como padrão para o registro e proteção de cultivares de pinheira até que
novos padrões genéticos de comparação possam ser propostos.
50
CONCLUSÃO
Os descritores mínimos morfológicos podem ser utilizados para descrever as
diferenças na morfologia de genótipos de pinheira e representa uma importante
ferramenta que pode auxiliar melhoristas na caracterização de novas cultivares de
pinheira.
51
REFERÊNCIAS
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53
CAPÍTULO 2
Efeito do método de aplicação do ácido indolbutírico e da presença de
folhas no enraizamento de estacas de pinheira (Annona squamosa L.)
RESUMO
A pinheira (Annona squamosa L.) é uma fruteira tipicamente de clima tropical e
apresenta boas perspectivas econômicas para a fruticultura brasileira. É notório o
aumento da demanda pelos seus frutos, tanto no mercado interno como no mercado
externo. Tal demanda motiva os fruticultores e empresários, e tem forçado a pesquisa a
desenvolver tecnologias para que o produtor possa acompanhá-la, tanto na qualidade
como na quantidade de frutos ofertados. A propagação vegetativa de plantas de elite e
de variedades selecionadas é o método mais recomendado para a formação de pomares
uniformes e produtivos. Dentre os métodos de clonagem de plantas, a estaquia apresenta
uma série de vantagens que incluem a facilidade da técnica e o seu baixo custo.
Todavia, para o sucesso dessa técnica em plantas lenhosas de difícil enraizamento,
como a pinheira, está a necessidade de se induzir a produção de auxinas endógenas ou
fazer a aplicação de auxinas exógenas como indutoras do enraizamento. A manutenção
de folhas ou parte delas em estacas lenhosas garantem parte do suprimento necessário
de auxinas endógenas e a aplicação de auxinas sintéticas como o ácido indol butírico
(AIB) na base da estaca garante o suprimento exógeno. Este trabalho objetivou
estabelecer a ação do tiossulfato de prata (STS), um conhecido inibidor da ação do
etileno e consequentemente da abscisão foliar, associada ao método de aplicação do
AIB no estímulo ao enraizamento de estacas de pinheira. Para isso, foi conduzido um
experimento inteiramente casualizado com desenho fatorial 3 X 2 X 5, sendo três
concentrações de tiossulfato de prata (0, 2 e 4 mM), dois métodos de aplicação do ácido
indol butírico (pó ou líquido) e cinco concentrações de AIB (0, 1000, 2000, 3000 e 4000
mg/kg). As estacas foram avaliadas durante 10 semanas em câmara de nebulização e
apresentaram grande capacidade de enraizar independente das doses de STS ou AIB
utilizadas. A aplicação do AIB em pó foi significativamente mais eficiente para a
formação das raízes do que na forma líquida.
Palavras-chave: AIB, fruta-do-conde, propagação, tiossulfato de prata.
54
Effect of the application methods of indolbutiric acids and the presence of leaves
in the rooting cuttings of sugar apple (Annona squamosa L.)
ABSTRACT
Sugar apple (Annona squamosa L.) is a tropical fruit tree that presents good economic
perspectives for the Brazilian fruit growers. Its fruits have shown a perceptive growing
demand in both internal and external tropical fruit market. Such demand has motivated
growers and entrepreneurs to invest and also forced the researches to develop new
technologies to improve both quality and quantity of fruit offered. The vegetative
propagation of selected cultivars is the most recommended method to establish uniform
and productive orchards. Among the methods of cloning plants, stem cuttings presents a
series of advantages including the simplicity of the technique and its low cost. However,
to stimulate roots on difficult-to-root species such sugar apple, it is necessary to use
endogenous or exogenous auxins to encourage root formation on woody cuttings.
Maintaining leaves on cuttings is an way to supply at least part of the necessary
endogenous auxins to stimulate rooting. Also, by applying synthetic auxins such as
indole butyric acid (IBA) at the base of cuttings ensures the exogenous supply. This
work aimed to establish the effect of silver thiosulphate (STS), a known inhibitor of
ethylene action and leaf abscission, associated with the method of IBA application in
stimulating rooting in cuttings of sugar apple. Therefore, an experiment was carried out
in an entirely randomized design (factorial 3 X 2 X 5), using three concentrations of
silver thiosulphate (0, 2 and 4 mM), two methods of IBA application (powder or liquid),
and five concentrations of IBA (0, 1000, 2000, 3000 and 4000 mg/kg). The cuttings
were evaluated during 10 weeks in a fogging unit and showed high rooting ability
independent of the dosages of STS or IBA used. The application of IBA was
significantly more efficient for root formation in powder than in a liquid form.
Keywords: IBA, custard apple, propagation, silver thiosulphate.
55
INTRODUÇÃO
A produção de pinha vem crescendo a cada ano em várias regiões do Brasil com
destaque para a região Nordeste que, graças aos recursos da irrigação, tem possibilitado
o cultivo de até duas safras ao ano na zona semi-árida, gerando emprego e renda para as
populações de vários municípios (MENEZES et al., 2002; DIAS et al., 2004).
No Brasil, o maior produtor de pinha é o estado da Bahia, com uma área superior
a 7.000 hectares e uma safra anual de aproximadamente 18 mil toneladas (MATTOS,
2007). Alagoas, que no passado foi um destaque na produção de pinha, tem perdido a
competitividade principalmente por falta de áreas irrigadas e o baixo nível tecnológico
dos seus plantios (OLIVEIRA et al., 2005).
Numa tentativa de reverter a situação da cultura da pinha em Alagoas, a
Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e a Secretaria de Agricultura do Estado de
Alagoas (SEAGRI-AL) vêm desenvolvendo uma série de tecnologias para o seu cultivo.
Entre as novas tecnologias propostas pela pesquisa estadual está a seleção de uma nova
cultivar de pinheira denominada de “Verdinha”. Essa cultivar tem sido testada com
sucesso em algumas regiões do Estado através do uso de mudas propagadas
vegetativamente por enxertia. A busca de métodos de propagação vegetativa eficientes
tem sido almejada para reduzir o custo e compatibilizar a demanda de produtores por
mudas clonais dessa variedade.
Para a formação dos novos pomares de pinheira em Alagoas, produtores utilizam
ainda mudas oriundas de sementes, as quais nem sempre reproduzem os melhores
caracteres genéticos das plantas que as originam (MARINHO et al., 2007).
O uso dos fitorreguladores do grupo das auxinas é uma prática comum entre
viveiristas para o processo de enraizamento de estacas. Entre as auxinas, o ácido indol
butírico (AIB) tem sido a mais utilizada por ser altamente efetiva ao enraizamento, em
função da sua menor mobilidade, menor fotossensibilidade e maior estabilidade química
na planta (HARTMANN et al., 2002).
Tem sido observado por diversos autores que a presença de folhas nas estacas
auxilia no enraizamento das mesmas. Essa característica é sempre associada à
capacidade das folhas serem fontes ativas na produção do ácido indol acético (AIA),
uma auxina natural nas plantas, e à capacidade de produzir açúcares através da
fotossíntese (TAIZ e ZEIGER, 2009). Estes compostos produzidos nas folhas são
translocados pelo floema para a base das estacas e, ali estimulam a multiplicação e
56
diferenciação celular culminando na formação de raízes adventícias (HARTMANN et
al., 2002).
A pinheira é uma planta decídua e sob condições de estresses ambientais perdem
rapidamente suas folhas (LEMOS e BLAKE, 1996). A abscisão foliar é um processo
fisiológico atribuído à ação do hormônio etileno sobre sítios específicos do pecíolo
sensíveis à hidrólise da parede celular (ABELES et al., 1992). Enzimas, primariamente
pectinases são responsáveis pela degradação da lamela média (ADDICOTT e WIATR,
1977). A celulase tem sido também apresentada como responsável pela degradação da
camada de separação das células (WRIGHT e OSBORNE, 1974). Estudos comprovam
que a maioria dos efeitos do etileno pode ser antagonizada por inibidores de sua ação,
como por exemplo, o tiossulfato de prata (STS), já utilizado com sucesso na inibição da
abscisão foliar em cultivo in vitro da pinheira (LEMOS e BLAKE, 1996).
A estaquia da pinheira foi estudada por Casas et al. (1984) e Gettys et al. (1995)
que afirmaram ser uma espécie de difícil enraizamento, não obtendo sucesso mesmo
com a utilização de fitorreguladores. Outros autores como Sampaio (1992), Marinho e
Lemos (1996) e Silva (2003), confirmam essa hipótese. O corte e o tratamento das
estacas para o enraizamento é per si um estresse que induz a produção de etileno nos
tecidos lesionados e tem potencial suficiente para disparar o mecanismo de abscisão
foliar (LEMOS e BLAKE, 1996). Portanto, a utilização de um inibidor da ação do
etileno nas folhas poderia auxiliar a manutenção das mesmas nas estacas e garantir um
fluxo contínuo de AIA e fotossintatos para a base das estacas favorecendo a indução de
raízes adventícias.
Este trabalho objetivou viabilizar a técnica de estaquia da pinheira utilizando um
inibidor da ação de etileno, tiossulfato de prata (STS) e, consequentemente da abscisão
foliar, associada ao método de aplicação do AIB no estímulo ao enraizamento de estacas
de pinheira.
57
MATERIAIS E MÉTODOS
O experimento foi conduzido no período de novembro de 2009 a janeiro de
2010, na estufa do Laboratório de Biotecnologia Vegetal do Centro de Ciências
Agrárias da Universidade Federal de Alagoas em Rio Largo-AL (9º 27‟ 57” S, 34º 50‟
1” W e 127 m de altitude).
O experimento foi organizado em delineamento experimental inteiramente
casualizado, em esquema fatorial 3x2x5 [concentrações do STS (0, 2 e 4 mM) x método
de aplicação do AIB (pó e líquido) x concentrações do AIB (0, 1000, 2000, 3000 e 4000
mg/kg)], totalizando 30 tratamentos, três repetições e três estacas por parcela.
Estacas semilenhosas foram obtidas de brotações vigorosas de pinheiras com
quatro anos de idade da cv. Verdinha (FIGURA 1), propagadas por enxertia e
estabelecidas no pomar comercial da Fazenda Paxiúba, localizado no Povoado Alto
Vermelho, no município de Palmeira dos Índios, Alagoas (9º 26‟ 22,4” S, 36º 41‟ 2,6”
W e 295 m de altitude).
FIGURA 1. Matriz de pinheira da cv. Verdinha com quatro anos de idade. Foto: Eurico
E. P. Lemos, 2010.
58
As estacas coletadas foram padronizadas com quatro folhas cortadas
transversalmente ao meio (FIGURA 2), e reduzidas ao comprimento de 12 cm com
cortes transversais nas bases. Em seguida, as estacas foram mergulhadas em solução
fungicida à base de tiofanato metílico (Cercobim 700 PM) na concentração de 4g/L por
cinco minutos. Após o tratamento, renovou-se o corte em bisel na base de cada estaca
com o auxílio de um estilete esterilizado.
Tratamento hormonal das estacas
Para a aplicação da auxina na forma de pó, diluiu-se o sal de AIB em talco inerte
nas concentrações de 0, 1000, 2000, 3000 e 4000 mg/kg. Em seguida, as bases das
estacas cortadas em bisel foram “meladas” no pó. Para a aplicação da auxina na forma
líquida, primeiramente dissolveu-se o sal do AIB em 20mL de álcool etílico 96°GL e
diluiu-se em água destilada para obter-se as mesmas concentrações descritas acima. Em
seguida, mergulhou-se cerca de 2 cm das bases das estacas cortadas em bisel por 5
minutos nas soluções.
A
B
FIGURA 2. Novas brotações da cv. Verdinha (A) e estaca preparada com 15 cm de
comprimento com suas folhas cortadas transversalmente ao meio (B). Fotos: Taciana
Lima Salvador, 2010.
59
Tratamento das estacas com tiossulfato de prata (STS)
A solução de STS foi preparada conforme Faragher et al. (2002) misturando-se
6,8 mmoles de tiossulfato de sódio (Na2S2O3.5H2O) e 64,3 mmoles de nitrato de prata
(AgNo3) dissolvidos em 0,5L de água destilada para formar uma solução de 4mM de
STS, e dissolvidos em 1,0L de água para formar uma solução de 2mM de STS. Na
solução controle foi utilizada apenas água destilada. Estas soluções foram conservadas
em frascos escuros na geladeira com temperatura entre 2 e 4ºC. A aplicação do STS foi
feita por pulverização das folhas das estacas até o ponto de escorrimento.
Condições de cultivo na estufa
Após tratadas, as estacas foram plantadas na profundidade de 4 cm em tubetes
plásticos de 150 cm³ contendo o substrato comercial Bioplant® e mantidas em bancada
suspensa dentro de uma estufa com nebulização intermitente constituída por uma linha
de 3 nebulizadores Netafin® modelo Coolnet® com pressão de trabalho de 3 bar,
impulsionados por uma bomba Ferrari (¾ CV) atingindo diâmetro de molhadura de 2,0
m. O funcionamento do sistema de nebulização era controlado por um temporizador
regulado para funcionar por 10 minutos a cada intervalo de 20 minutos durante o dia e
desligado à noite (FIGURA 3). A estufa de nebulização (24 m²) era constituída por uma
câmara exposta ao sol coberta na sua parte superior por uma tela do tipo Sombrite®
com 50% de sombreamento e lateralmente fechado com lona agrícola plástica
transparente, com o intuito de manter a umidade relativa do ar no interior superior a
90%.
FIGURA 3. Distribuição das estacas em bancadas suspensas estabelecidas em tubetes
de 150 cm3 na estufa com nebulização intermitente. Fotos: Taciana Lima Salvador,
2010.
60
Após 60 dias na estufa, foram avaliados a porcentagem de estacas enraizadas, o
número de folhas remanescentes nas estacas, a porcentagem de estacas com calos nas
bases, o número e o comprimento médio de raízes.
As estacas enraizadas foram transferidas para sacolas plásticas com capacidade
de 500 cm³ contendo o substrato Bioplant® e aclimatadas em viveiro telado coberto
com tela de 80% por uma semana e em seguida transferidas para telado com 50% de
sombreamento onde completaram a aclimatização por cerca de 4 semanas.
Os dados experimentais foram submetidos a análise de variância e as médias
obtidas foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. O programa
estatístico usado foi ASSISTAT Versão 7.5 (SILVA e AZEVEDO, 2008).
61
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Efeito do Tiossulfato de prata (STS)
A aplicação do STS (0 mM, 2 mM e 4 mM ) às folhas das estacas de pinheira,
independente da concentração do AIB ou do método de aplicação utilizados, não
influenciou a porcentagem de enraizamento, calos, número de folhas remanescentes,
número médio de raízes e comprimento médio de raízes (TABELA 1).
TABELA 1- Porcentagem de enraizamento, número de folhas remanescentes,
porcentagem de calo, número e comprimento médio de raízes de estacas de pinheira
(Annona squamosa L.) tratadas com diferentes concentrações de STS (0, 2 e 4mM).
(Maceió-AL, 2010).
Variáveis analisadas
Doses
STS
(mM)
Estacas
enraizadas
(%)
Número de
folhas
remanescentes
Estacas
calejadas
(%)
Número médio
de raízes
Comprimento
médio de raízes
0
74.43 a
2.54 a
83.34 a
4.65 a
5.24 a
2
73.34 a
2.63 a
76.67 a
3.61 a
5.82 a
4
80.01 a
2.20 a
84.44 a
4.90 a
5.05 a
Teste F
0.55 ns
2.48 ns
0.97 ns
2.54 ns
0.91 ns
CV%
34.64
31.69
28.6
53.49
42.99
Médias seguidas da mesma letra na coluna, não diferem significativamente pelo Teste de Tukey a 5% de
probabilidade.
ns – Não significativo.
As doses de STS aplicadas às folhas não influenciaram significativamente a
porcentagem de enraizamento que variou entre 73 e 80% entre os diferentes
tratamentos, nem o número de folhas mantidas nas estacas que em todas as doses,
inclusive a testemunha sem STS, foi sempre superior a duas folhas por estaca
(TABELA 1). Esses dois fenômenos podem estar associados, uma vez que a presença
de folhas nas estacas é fundamental no processo de enraizamento por estar
correlacionada com o aumento da translocação de carboidratos para a base da estaca
(HAISSIG, 1984) ou pela produção de auxinas pelas folhas e seu transporte polar em
direção à base (TCHOUNDJEU et al., 2002).
62
No caso da pinheira, uma espécie naturalmente decídua e muito sensível a ação
do etileno, experiências com STS conduzidas por Lemos e Blake (1996) inibiram a ação
do etileno e evitaram a abscisão foliar da cultura in vitro. No experimento aqui relatado,
as estacas de todos os tratamentos mantiveram pelo menos duas das quatro folhas
deixadas inicialmente o que parece ter sido suficiente para estimular o seu
enraizamento. Assim, a redução no número de folhas de quatro para dois não parece ter
afetado substancialmente a capacidade das folhas remanescentes em estimular a
iniciação de raízes adventícias nas estacas de pinheira, e que o número inicial de quatro
folhas seja acima do necessário para estimular o enraizamento.
Curiosamente, as estacas utilizadas nesse experimento não apresentaram um
padrão de abscisão foliar suficientemente grande para inibir o enraizamento adventício,
anulando assim o uso dos íons prata nas soluções de STS. O estresse a que foram
submetidas durante o processo de corte e preparação não foi suficiente para induzir a
produção mais acentuada do etileno e a consequente queda das folhas. É possível que a
qualidade das estacas colhidas e os cuidados tomados no seu transporte, preparo e
plantio tenham sido satisfatórios para igualar os tratamentos.
Ensaios com microestacas de pinheira realizados por Lemos e Blake (1996)
mostraram que quando desfolhadas elas eram incapazes de produzir raízes adventícias
independentemente da concentração de AIB utilizada e somente estacas enfolhadas
apresentaram essa capacidade.
Em outras situações de maior estresse, o uso do STS foi de fundamental
importância para reduzir os efeitos da ação de etileno pós-trauma em estacas de pinheira
(LEMOS e BLAKE, 1996), citros (BAR et al., 1998) e ingá (SANTOS et al., 2007).
Fenômeno semelhante ocorreu com a produção de calos observada nas bases das
estacas. Tais tecidos aparecem após o corte das estacas quando ocorre um lesionamento
dos tecidos do câmbio e do floema, resultando em posterior formação de um tecido de
cicatrização, constituído por uma massa de células parenquimatosas e desorganizadas
em diferentes etapas de lignificação (FACHINELLO, 2005).
O número e o comprimento médio das raízes nas estacas enraizadas não foram
influenciados pelas diferentes concentrações do STS aplicadas, mostrando que essas
variáveis também devem estar associadas à manutenção de folhas nas estacas o que
ficou demonstrado por Silva et al. (2007).
63
Efeito da concentração do ácido indolbutírico (AIB)
O enraizamento de estacas de pinheira tem sido descrito como difícil por Bankar
(1984) que obteve taxas de 26% quando utilizou concentrações entre 2500 e 3000
mg/kg de AIB na forma líquida e taxa de apenas 4% no controle sem AIB. Da mesma
maneira, Marinho e Lemos (1996) apresentaram taxas máximas de 18,6% de
enraizamento quando utilizaram a concentração de 2000 mg/kg de AIB. O trabalho aqui
apresentado obteve valores muito superiores a estes, chegando a um mínimo de 70,36%
no controle e 79,64% na concentração de 1000 mg/kg sem diferir estatisticamente entre
si (TABELA 2).
TABELA 2- Porcentagem de enraizamento, número de folhas remanescentes,
porcentagem de calo, número e comprimento médio de raízes de estacas de pinheira
(Annona squamosa L.) tratadas com AIB nas concentrações de 0, 1000, 2000, 3000 e
4000 mg/kg. (Maceió-AL, 2010).
Variáveis analisadas
Concentração
AIB
(mg/kg)
Estacas
enraizadas
(%)
Número de
folhas
remanescentes
Estacas
calejadas
(%)
Número
médio de
raízes
Comprimento
médio de raízes
0
70,36 a
2.73 a
85,19 a
3,72 a
5.20 a
1000
79,64 a
2.18 a
64,81 a
5,80 a
4.92 a
2000
74,08 a
2.70 a
88,89 a
4,57 a
5.26 a
3000
77,79 a
2.19 a
92,60 a
3,72 a
5.41 a
4000
77,78 a
2.49 a
75,92 a
4.14 a
6.05 a
Teste F
0.36 ns
2.09 ns
4,15 ns
2.43 ns
0.60 ns
CV%
34.64
31.69
28.6
53.49
42.99
Médias seguidas da mesma letra na coluna, não diferem significativamente pelo Teste de Tukey a 5%
de probabilidade.
Valores de enraizamento também elevados foram obtidos por Ferreira et al.
(2008) com estacas de atemoieira (Annona cherimola Mill. x Annona squamosa L.) cv.
„Gefner‟ tratadas com 0,5% de AIB. Eles obtiveram cerca de 80% de enraizamento no
tratamento controle, não diferindo das estacas tratadas com 0,5% do hormônio
(96,67%). Santos (2010), trabalhando com estacas de graviola (Annona muricata L.),
apresentou uma média de 81,66% de estacas enraizadas quando utilizou concentrações
superiores a 2000 mg/kg de AIB.
64
Valores superiores a 70% de enraizamento são considerados comercialmente
satisfatórios por Oliveira et al. (2003); Mindêllo Neto et al. (2006); Marinho et al.
(2009); Santos (2010). Nesse experimento tais valores foram obtidos em todos os
tratamentos não
sendo
possível,
portanto, estabelecer
diferenças
estatísticas
significativas entre as estacas controle e as estacas que receberam AIB (TABELA 2).
Scaloppi Júnior et al. (2003) afirmam que o sucesso no enraizamento de estacas
em Annonaceae (Annona glabra L., Annona montana Macfad, Rollinia emarginata e
Rollinia mucosa Baill.) é dependente da espécie e da época do ano, havendo assim, um
período favorável à realização da estaquia. Os mesmos autores alegam que o momento
ideal para enraizamento dessas espécies está no período posterior ao inverno e anterior
ao início do outono, período este que coincidiu com o período do experimento aqui
apresentado, o que pode ter sido um fator contribuinte para o sucesso do enraizamento
das estacas de pinheira.
Nesse trabalho, a presença de calos não variou significativamente entre os
tratamentos e deve ter sido induzida como resposta à cicatrização dos tecidos e não à
aplicação da auxina AIB (TABELA 2).
O aparecimento de calos na base de estacas durante o processo de enraizamento
é um fenômeno bem conhecido. Os calos podem surgir com ou sem a aplicação de
auxinas como resposta das células do parênquima vizinhas ao tecido lesionado que no
processo de cicatrização recuperam a atividade meristemática adormecida. Em algumas
espécies o padrão de formação de raízes parece estar relacionado diretamente com a
presença de calo na base das estacas, pois a desdiferenciação dos tecidos pode contribuir
para uma posterior reorganização em um novo padrão radicular (HARTMANN et al.,
2002).
O número e o comprimento médio de raízes das estacas também não foram
influenciados pela aplicação exógena do AIB (TABELA 2). Esses dados divergem
daqueles obtidos por Scaloppi Júnior (2007), quando observou que estacas jovens de
araticum-mirim (Rollinia emarginata) apresentaram maior número de raízes (duas) e
comprimento de raízes (1,7cm) quando receberam AIB na concentração de 100 mg/L.
Da mesma maneira, a aplicação do AIB exógeno na concentração de 12,50 mM
favoreceu um maior comprimento médio de raiz de Ingá - Inga fagifolia (L.) Willd. Ex
Benth e de estacas jovens de araticum-mirim (Rollinia emarginata) (SANTOS et al.,
2007).
65
As diferentes concentrações de AIB também não influenciaram o número de
folhas remanescentes nas estacas variando de 2,18 a 2,73, o que corresponde a menos de
duas folhas caídas por estaca (TABELA 2).
Efeito do método de aplicação (pó ou líquido) do ácido indolbutírico (AIB)
O método de aplicação do AIB utilizado (pó ou líquido) influenciou
significativamente a porcentagem de estacas enraizadas, o número médio de raízes e o
comprimento médio de raízes das estacas enraizadas, mas não influenciou nem na
formação de calos nem na manutenção das folhas (TABELA 3).
TABELA 3- Porcentagem de enraizamento, número de folhas remanescentes,
porcentagem de calo, número e comprimento médio de raízes de estacas de pinheira
(Annona squamosa L.) tratadas com diferentes formas de aplicação e concentrações de
AIB: 0, 1000, 2000, 3000 e 4000 mg/kg. (Maceió-AL, 2010).
Variáveis analisadas
Forma de
aplicação
(AIB)
Estacas
enraizadas (%)
Número Folhas
remanescentes
Estacas
calejadas (%)
Numero médio
de raízes
Comprimento
médio de raízes
Pó
85.92 a
2.48 a
85.92 a
5.25 a
6.09 a
Líquido
65.92 b
2.43 a
77.04 a
3.52 b
4.64 b
Teste F
13.01**
0.12ns
3.27ns
12.18**
8.86**
CV%
34.64
31.69
28.60
53.49
42.99
Médias seguidas da mesma letra na coluna, não diferem significativamente pelo Teste de Tukey a 5% de
probabilidade.
ns – Não significativo.
** – Significativo ao nível de 5% de probabilidade.
O método de aplicação do AIB na forma de pó mostrou-se significativamente
superior ao método por via líquida apresentando uma porcentagem de enraizamento das
estacas de 86% contra 66%, independentemente da concentração do AIB utilizada
(TABELA 3) (FIGURA 4). Resposta similar foi obtida por Bortolini et al. (2008) onde
verificaram que o AIB aplicado na forma de pó se mostrou mais eficaz do que a
aplicação líquida, sendo que a maior porcentagem de enraizamento foi encontrada para
a concentração de 3000 mg/kg de AIB (32,50%) em estacas de quaresmeira (Tibouchina
sellowiana (Cham.) Cogn., Melastomataceae) e Yamamoto et al. (2010), que
66
constataram enraizamento superior em 16% das estacas de goiabeira (Psidium guajava
L.), tratadas com o hormônio via pó na concentração de 2000 mg/kg.
A maior eficiência da via sólida na aplicação do AIB para as estacas de pinheira
pode estar relacionada a uma exposição mais longa e moderada do AIB sobre os
tecidos-alvo, uma vez os cristais da auxina são insolúveis em água e, em contato com a
base ferida da estaca, vão sendo dissolvidos somente à medida que as células reagem
com ao produto.
Por outro lado, a exposição das estacas ao AIB durante 5 minutos por via líquida
pode ter provocado um forte pulso de contato das células-alvo com a auxina acima da
necessária à indução ao enraizamento e, consequentemente, alguma toxidez moderada
aos tecidos. As auxinas têm sido relatadas como fundamentais apenas na primeira fase
de indução ao enraizamento. A sua presença contínua sobre as células provoca inibição
de raízes e estimula o aparecimento de calos de diversos tipos (HINOJOSA, 2005).
Outra possibilidade também plausível para uma resposta inferior da indução de raízes
em meio líquido é a possibilidade de toxicidade da solução aos tecidos da base da estaca
em decorrência de no seu preparo terem sido adicionadas gotas de NaOH 1N + álcool
96° GL para facilitar a dissolução dos cristais de AIB em água.
De acordo com Fachinello et al. (2005), a exposição por um tempo mais
prolongado em soluções concentradas podem ocasionar efeitos fitotóxicos, como a
inibição do desenvolvimento das gemas, o amarelecimento e a queda de folhas e até
mesmo a morte das estacas. Ainda, de acordo com o mesmo autor, o uso de AIB na
forma de pó, mesmo em concentrações maiores, parece ser mais seguro e prático por
não necessitar da adição de nenhum outro componente e evitar a morte de células da
base das estacas.
Almeida et al. (2007) utilizando as mesmas duas formas de aplicação do AIB
para o enraizamento de mini-estacas de eucalipto (Eucalyptus cloeziana), encontraram
resultados semelhantes com superioridade para a forma em pó.
67
A
B
FIGURA 4. Estacas enraizadas de pinheira (Annona squamosa L.) tratadas com AIB na
forma de pó (A) e AIB na forma líquida (B), após dez semanas. Fotos: Taciana Lima
Salvador, 2010.
O número e o comprimento médio das raízes produzido pelas estacas foram
significativamente influenciados pelo método de aplicação do AIB, independente da
concentração utilizada (TABELA 3). Essas variáveis são importantes como balizadoras
da qualidade das raízes e vigor das futuras mudas. Dessa forma, raízes maiores e em
maior número em geral indicam melhor conexão com os vasos de xilema e floema e,
consequentemente, melhor transporte de nutrientes minerais e orgânicos entre fonte e
dreno (JESUS et al., 2006).
Avaliando a influência da forma de aplicação do AIB no comprimento de raízes
de estacas de goiabeira 'Século XXI', Yamamoto et al., (2010) verificaram que as
médias obtidas pela auxina na forma de pó (2,89 cm) foram significativamente
superiores à forma líquida (0,20 cm) nas estacas tratadas com a concentração de 1000
mg/kg de AIB.
Tratando-se do número de raízes formadas, Bortolini et al. (2008), verificaram
que as estacas de quaresmeira (Tibouchina granulosa) tratadas com AIB na forma de
pó, apresentaram um maior número de raízes (7,2 cm), mostrando-se superior a forma
líquida.
68
A
B
FIGURA 5. Presença de raízes em estacas de pinheira (Annona squamosa L.) tratadas
com: (A) AIB na forma de pó; (B) AIB na forma líquida após dez semanas. Fotos:
Taciana Lima Salvador, 2010.
Zietemann e Roberto (2007) afirmam que a emissão de raízes em maior número
e comprimento é fundamental quando o objetivo é a produção de mudas em escala
comercial, visto que essas variáveis indicam mudas de melhor qualidade na constituição
do pomar. Isso porque um sistema radicular bem formado aumenta o volume de solo a
ser explorado, favorecendo a absorção de nutrientes e água, e proporciona um melhor
desenvolvimento da muda quando levada a campo (FRACARO e PEREIRA, 2004;
CARVALHO JUNIOR, 2009).
Análise das Interações
A análise das interações entre a concentração de STS x concentração de AIB foi
significativa somente para a variável porcentagem de calos formados, o que explica que
os fatores foram dependentes. No desdobramento realizado da interação STS
X AIB, verifica-se que houve diferença significativa ao nível de 5% e 1% para as
concentrações de STS em relação às concentrações de 1000 mg/kg e 4000 mg/kg de
AIB respectivamente. A manutenção das folhas, as quais fornecem quantidades de
auxinas endógenas aos tecidos, associada às concentrações de AIB exógeno aplicado à
base das estacas após o ferimento, pode ter estimulado a formação do calo (SILVA,
2007); o método de aplicação (AIB) x concentração (AIB) e a concentração (STS) x
método de aplicação (AIB) x concentração (AIB), para o enraizamento, porcentagem de
calo, número de folhas remanescentes, comprimento e número de raízes das estacas de
69
pinheira não apresentaram nenhuma diferença significativa segundo a análise de
variância.
70
CONCLUSÃO
As concentrações de STS ou AIB utilizadas nesse trabalho não influenciaram o
enraizamento das estacas de pinheira em nenhuma das variáveis estudadas, mostrando
que o estabelecimento de um sistema de produção comercial de mudas de pinheira por
estaquia depende muito mais da qualidade da estaca e do método de aplicação do AIB
do que da sua concentração.
71
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75
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coleta no enraizamento de estacas herbáceas de goiabeira, cvs. paluma e século
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76
CAPÍTULO 3
Estudo histológico da formação de raízes adventícias em estacas caulinares de
pinheira (Annona squamosa L.) cv. Verdinha
RESUMO
A estaquia é o método de propagação vegetativa mais utilizado e um dos mais eficazes
para clonagem de plantas. Estudos têm sido realizados em diversas espécies vegetais
buscando respostas quanto às zonas preferenciais para o surgimento das raízes. Os
tecidos cambiais e tecidos adjuntos aos vasos de floema são considerados as regiões
alvo para a formação de centros meristemáticos onde os primórdios radiculares
ocorrem. A estrutura anatômica da estaca pode interferir no processo de enraizamento
de algumas espécies. As auxinas frequentemente são utilizadas como indutores do
enraizamento adventício em estacas, porém, em muitas espécies, o surgimento das
raízes parece estar mais associado às auxinas endógenas naturais produzidas pelas
folhas e gemas da própria estaca do que pela aplicação exógena de auxinas sintéticas na
base. No presente trabalho, avaliou-se anatomicamente o surgimento de raízes
adventícias em estacas de pinheiras (Annona squamosa L.) tratadas ou não com a auxina
sintética AIB. As estacas foram cortadas com 12 cm de comprimento e deixadas com
quatro folhas cortadas à metade. O experimento foi conduzido em estufa com
nebulização intermitente. As estacas foram avaliadas em 15, 20, 25, 30 e 35 dias após o
tratamento, quando já era possível visualizar as raízes adventícias emergidas das bases
das estacas. Cortes histológicos foram feitos na região da base da estaca para se
observar a formação dos centros meristemáticos originadores das raízes adventícias. Os
resultados mostraram que as raízes adventícias se iniciaram a partir dos calos originados
nas bases das estacas em decorrência do corte das mesmas. As estacas analisadas
apresentaram potencial para desenvolver calos e, destes, raízes adventícias mesmo sem
a aplicação do AIB.
Palavras-chave: anatomia, anonácea, calos, enraizamento.
77
Histological study of adventitious root formation in stem cuttings of sugar apple
(Annona squamosa L.) cv. Verdinha
ABSTRACT
Stem cuttings is one of vegetative propagation methods most used and most effective
for plant cloning. Several studies have been carried out in several plant species seeking
for cells and tissues that are able to respond for rooting stimuli. Cambium tissues and
adjuncts tissues to phloem vessels are considered target regions for the initiation of
meristematic centers where the root primordia should occur. The anatomical structure of
the cuttings may interfere with the rooting ability of some species. Auxins are often
used as inducers of adventitious rooting in cuttings, but in many species, the emergence
of roots appears to be associated much more with natural endogenous auxin produced
by the leaves and buds of the cutting itself than by exogenous application of synthetic
auxins at its base. In this work, cuttings of sugar apple (Annona squamosa L.) were
evaluated anatomically for evidence of adventitious roots, in treatments with and
without the synthetic auxin IBA. The stems were trimmed to 12 cm long and left with
four leaves cut in half. The experiment was carried out in a greenhouse with intermittent
mist. Cuttings were evalueted at 15, 20, 25, 30 and 35 days after planting and
histological sections were collected from the base of the cuttings to see the formation of
meristematic centers originators of adventitious roots. The results showed that the
adventitious roots were initiated from callus tissues formed at the bases of the cuttings
due to the injury. The cuttings evaluated showed high potential to develop calluses and,
from these, adventitious roots even without the application of IBA.
Keywords: anatomy, Annonaceae, callus, rooting.
78
INTRODUÇÃO
O sucesso para o surgimento de raízes adventícias em estacas está relacionado
aos cuidados especiais como o manuseio do material, o tratamento com reguladores de
crescimento, a utilização de estufas com condições de manter altos níveis de umidade
relativa do ar impedindo a desidratação das folhas e um substrato capaz de sustentar e
aquecer a base das estacas, criando assim as melhores condições para a formação de um
sistema radicular adventício funcional (PEIXE et al., 2007).
A importância do conhecimento da estrutura interna do caule da espécie
utilizada na propagação por estaquia pode permitir revelar sucesso ou o insucesso do
enraizamento que, em alguns casos, ocorre pela presença de barreiras anatômicas à
emergência dos primórdios radiciais (ONO e RODRIGUES, 1996).
Durante o processo de iniciação das raízes, quatro etapas de modificações
morfológicas são observadas: a) desdiferenciação de algumas células adultas na base do
corte; b) diferenciação dos primórdios de raízes próximas aos feixes vasculares; c)
formação de primórdios radiculares e d) desenvolvimento dos primórdios e sua
emergência, através do córtex e epiderme da casca, das raízes adventícias,
acompanhadas de sua conexão com o sistema vascular da estaca (HARTMANN et al.,
2002).
Quando a auxina é aplicada às plantas, o aumento de sua concentração produz
um efeito estimulante na indução ao enraizamento até um ponto máximo, a partir do
qual passa a ser inibitório, assim, a resposta da planta à auxina endógena ou exógena
depende da natureza do tecido e da concentração da substância presente, sendo variável
em raízes, caules e gemas (FACHINELLO et al., 2005).
Algumas mudanças morfológicas estão associadas à formação de raízes
adventícias em estacas, como a formação ou não de um tecido caloso na base, o
desenvolvimento do primórdio radicular e a emergência da raiz (THOMAS e
SHIEFELBEIN, 2002).
Os aspectos anatômicos do enraizamento adventício em estacas compreendem a
capacidade das células do parênquima de reiniciarem a função meristemática
proporcionando a regeneração de tecidos e órgãos, através de sucessivas divisões e,
posterior, diferenciação (ALVARENGA e CARVALHO, 1983).
79
O local da emissão dos primórdios radiculares é variável conforme a espécie e o
tipo de estaca utilizada. Em estacas lenhosas, elas podem surgir a partir do xilema
secundário, câmbio, floema, medula (FACHINELLO, 2005) ou periciclo (RAVEN et
al., 2007). As raízes adventícias também podem ser formadas a partir dos calos
presentes nas bases das estacas, embora a formação de calos e a formação de raízes
sejam processos independentes, mas que deve ser considerado um fator importante,
pois, em muitas espécies, as primeiras raízes surgem a partir do tecido caloso formado
em suas bases (HARTMANN et al., 2002).
Estudos histológicos sobre os tecidos que estão envolvidos diretamente no
processo de diferenciação das raízes adventícias, tem sido desenvolvidos por autores
como Biricolti et al. (1994) e Rodriguez et al. (1988). No entanto, não há como
apresentar uma conclusão generalizada sobre a formação das raízes em estacas lenhosas,
pois cada espécie em estudo poderá apresentar comportamentos histológicos e
bioquímicos distintos no processo de enraizamento, mas que poderá fornecer
informações importantes para a sua compreensão (PEIXE et al., 2007).
Em pinheira, diversos autores afirmam o baixo percentual de enraizamento em
estacas (CASAS et al., 1984; SAMPAIO, 1992; GETTYS et al., 1995; MARINHO e
LEMOS, 1996; SILVA, 2008), porém, não se sabe se há barreiras anatômicas nessas
estacas que possam impedir a emissão das raízes adventícias. Assim, estudos
anatômicos nas bases de suas estacas, tratamentos específicos com a utilização de
hormônios sintéticos e cuidados no manuseio durante a execução do experimento
podem sugerir o provável sucesso na formação das raízes adventícias.
Desta forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar anatomicamente as bases das
estacas de pinheira (Annona squamosa L.) tratadas ou não com AIB e postas para
enraizar para identificar a origem dos seus primórdios radiculares.
80
MATERIAIS E MÉTODOS
O experimento foi conduzido no período de outubro de 2010 a dezembro de
2010, na estufa do Laboratório de Biotecnologia Vegetal do Centro de Ciências
Agrárias da Universidade Federal de Alagoas em Rio Largo-AL (9º 27‟ 57” S, 34º 50‟
1” W e 127 m de altitude).
Cinquenta estacas semilenhosas foram obtidas de brotações vigorosas de
pinheira da cv. Verdinha propagadas por enxertia, com quatro anos de idade, em uma
propriedade rural localizada no Povoado Alto Vermelho, no município de Palmeira dos
Índios- AL ( 9º 26‟ 22,4” S, 36º 41‟ 2,6” W e 295 m de altitude).
As
estacas
coletadas
foram
mantidas
com
quatro
folhas
cortadas
transversalmente ao meio, e reduzidas ao comprimento de 12 cm com cortes
transversais nas bases. Em seguida, as estacas foram mergulhadas em solução fungicida
à base de tiofanato metílico (Cercobim 700 PM) na concentração de 4g/L por cinco
minutos. Após o tratamento, renovou-se o corte em bisel na base de cada estaca com o
auxílio de um estilete esterilizado.
Tratamento hormonal das estacas e condições de cultivo
Dois tratamentos foram aplicados às estacas: AIB na forma de pó na
concentração de 2000 mg/kg e a testemunha, sem a adição do hormônio. Para a
aplicação da auxina, diluiu-se o sal de AIB em talco inerte. Em seguida, as bases das
estacas foram “meladas” no pó. As estacas do tratamento testemunha tiveram suas bases
lavadas com água destilada.
Após tratadas, as estacas foram plantadas na profundidade de 4 cm em tubetes
plásticos de 150 cm³ contendo substrato comercial Bioplant® e mantidas em bancada
suspensa na câmara de nebulização intermitente (FIGURA 1). O funcionamento do
sistema de nebulização era controlado por um temporizador regulado para funcionar por
10 minutos, a cada intervalo de 10 minutos, durante o dia e desligado à noite a fim de
manter a umidade relativa do ar sempre próxima de 90%.
81
FIGURA 1 – Estacas de pinheiras tratadas com AIB na forma de pó e dispostas em
tubetes de 150 cm³ em bancada suspensa. Fotos: Taciana Lima Salvador, 2010.
Seleção das estacas para análise histológica
Cinco estacas foram coletadas do experimento aos 15, 20, 25, 30 e 35 dias e
tiveram os últimos 10 cm das bases removidos, lavados em água destilada e transferidas
para frascos contendo álcool 70% (FIGURA 2 - A), e conservadas no período de um
mês até a análise histológica.
Para a análise histológica, foram retiradas amostras dos últimos 2 cm das bases
das estacas (FIGURA 2 - B) e levadas ao Laboratório de Histologia e Embriologia do
Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade de Pernambuco (UPE). A
observação do local de origem das raízes adventícias foi realizada por meio de secções
anatômicas longitudinais em cinco estacas para cada tratamento dentro de cada tempo
de coleta. O preparo de lâminas histológicas foi feito de acordo com a metodologia
proposta por Ribeiro et al. (2011).
82
A
B
FIGURA 2 – Estacas de pinheiras com e sem raízes em frasco contendo álcool 70%
(A); base da estaca selecionada para os cortes anatômicos (B). Fotos: Taciana Lima
Salvador, 2011.
Metodologia para desidratação e diafanização
No processo de desidratação foi utilizado álcool em concentrações crescentes
(70% - 100%) com o objetivo de extrair a água tecidos vegetais. No processo de
diafanização, foi utilizado o xilol, retirando as impurezas do material e deixando os
cortes translúcidos, prontos para receber a parafina.
Metodologia para infiltração (impregnação da parafina)
Após o processo de desidratação e diafanização, os materiais foram transferidos
para o borel contendo parafina líquida pura e levados para estufa com temperatura de
±65ºC por 24 horas, repetindo o processo com a troca da parafina por mais 24 horas
(FIGURA 3). Com este procedimento, a parafina penetra nos tecidos, dando-lhes,
depois de solidificada, certa dureza, permitindo a obtenção de cortes finos a serem
observados em microscópio.
83
FIGURA 3 - Bases das estacas de pinheiras imersas em parafina líquida. Foto: Taciana
Lima Salvador, 2011.
Metodologia para inclusão
A inclusão foi feita através da passagem dos materiais que estavam na estufa
para uma forma (Barra de Leucart) (FIGURA 4-A) onde receberam parafina líquida
através do dispensador de parafina da marca Lupe, e transferidos para refrigeração
abaixo de 0ºC para serem resfriados mais rapidamente, solidificando a parafina e dando
origem aos chamados “blocos de parafina” (FIGURA 4-B).
A
B
FIGURA 4 - Confecção dos blocos na Barra de Leucart (A); blocos prontos para serem
cortados em micrótomo (B). Fotos: Taciana Lima Salvador, 2011.
Metodologia para os cortes em micrótomo
Cortes com espessuras de 7µm (0,007 mm) foram obtidos em micrótomo de
rotação do tipo Leica RM 2125RT com navalha descartável (FIGURA 5).
Posteriormente, os cortes foram distendidos em água previamente aquecida a ±38ºC em
banho-maria do tipo Lupe, e pescados sobre lâmina histológica.
84
FIGURA 5 - Micrótomo do tipo Leica RM 2125RT. Foto: Taciana Lima Salvador,
2011.
Metodologia para extensão dos cortes anatômicos
As lâminas com os cortes fixados foram transferidas para a placa aquecedora
(Vertex DBII), para dissolução da pequena parafina restante nas placas e extensão do
material (FIGURA 6).
FIGURA 6 - Lâminas histológicas colocadas em placa aquecedora (Vertex DBII) para a
dissolução da parafina. Foto: Taciana Lima Salvador, 2011.
Metodologia para coloração
A coloração possui a finalidade de dar contraste aos componentes dos tecidos,
tornando-os visíveis e destacados uns dos outros. Após o processo de extensão, o
material vegetal foi preparado para receber a coloração em Azul de Astra e Safranina
(IWAZAKI et al., 2006).
85
Os tecidos corados em azul (corante azul de Astra) são os que apresentam
células com paredes celulares mais finas. Os tecidos cujas células apresentam paredes
celulares mais espessas coram em vermelho (corante Safranina).
Feita a coloração, as lamínulas foram fixadas nas lâminas com resina sintética
Entellan®. Este processo impede que haja a hidratação do material cortado pela
umidade do ambiente, permitindo que estas permaneçam estáveis por tempo indefinido.
Após a fixação das lamínulas, as lâminas ficaram prontas para a visualização no
microscópio óptico de marca Opton e fotografado por uma câmera digital do tipo CCD
Sansung acoplada a ele.
86
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Independente do tratamento com a aplicação do AIB ou testemunha, todas as
estacas de pinheira foram capazes de formar calos e dar origem as raízes adventícias,
confirmando os resultados encontrados no capítulo 2 deste trabalho.
Os cortes histológicos longitudinais realizados nas bases das estacas de pinheira
revelaram que as raízes adventícias surgem dos tecidos parenquimatosos do calo que se
iniciam a partir da região do floema (FIGURA 7). O tecido caloso meristematicamente
ativo é representado por diversas camadas de células com aparência parenquimática
distribuídas em toda a extensão da estrutura do tecido. Na maioria dos casos, essas
camadas celulares originam-se nas áreas floemáticas (PACHECO et al., 1998), o que foi
verificado nas bases das estacas de pinheira (FIGURA 7).
d
c
b
e
a
FIGURA 7 – Seção longitudinal da base de estacas caulinares de Annona squamosa L.
aos 25 dias: (a) tecido parenquimático do calo; (b) floema secundário; (c, d) xilema
secundário; (e) calo. Barra=200µm. Foto: Rejane M. M. Pimentel, 2011.
Segundo Hartmann et al. (2002), os tecidos responsáveis pelo surgimento das
raízes adventícias parecem estar relacionados com a espécie e as técnicas de propagação
utilizadas. Apesar do vegetal em si já apresentar a potencialidade para a formação de
raízes, estudos mostram que há mudanças na capacidade de gerar raízes adventícias
87
(BOEGER et al., 2004) e esta capacidade pode variar de acordo com a idade da planta e
a posição do ramo coletado (HARTMANN et al., 2002).
Aos 15 dias, as bases das estacas de pinheiras apresentavam uma massa de
tecido parenquimático, típico de calo de cicatrização (FIGURA 8).
A
B
C
FIGURA 8 – Base de uma estaca de pinheira aos 15 dias (A). Seções longitudinais da
base de estacas caulinares de Annona squamosa L (B). Detalhe da região do início do
desenvolvimento do calo de cicatrização (C). Barra=200µm. Fotos: (A) Taciana Lima
Salvador; (B,C) Rejane M. M. Pimentel, 2011.
Aos 20 dias, nota-se uma maior proliferação das células no local do corte em
bisel das estacas (FIGURA 9), uma tendência esperada, já que as células vivas estão em
constante diferenciação para suprir a lesão feita pelo corte.
88
A
B
C
FIGURA 9- Estaca de pinheira aos 20 dias após plantio em substrato. Estrutura calosa
em desenvolvimento em sua base (A); Seções longitudinais da base de estacas
caulinares de Annona squamosa L. (B) e detalhe do corte anatômico (C). Barra=200µm.
Fotos: (A) Taciana Lima Salvador; (B,C) Rejane M. M. Pimentel, 2011.
A presença de calos na base das estacas indica a possibilidade de estímulo
natural de enraizamento, a qual pode ser potencializada, dependendo da espécie
utilizada, com a utilização de fitorreguladores (SILVA et al., 2004). O mesmo autor,
trabalhando com enraizamento de estacas herbáceas de nespereira (Eriobotrya japonica
Lindl), verificaram que as raízes se originaram das bases das estacas, na região calosa
no local onde foi realizado o corte em bisel.
Aos 25 dias, as estacas coletadas para análise anatômica, já apresentavam raízes
emergidas a partir dos calos nas bases das mesmas (FIGURA10).
89
A
B
C
FIGURA 10- Estaca de pinheira aos 25 dias. Estrutura calosa bem desenvolvida e
surgimento das raízes adventícias (A). Seção longitudinal da base de estacas caulinares
de Annona squamosa L. (B). Detalhe do corte anatômico (C). Barra=200µm. Fotos: (A)
Taciana Lima Salvador; (B,C) Rejane M. M. Pimentel, 2011.
Raízes formadas a partir de calos também foram encontradas por autores como
Hamann (1998) e Ono et al. (1992) em ensaios realizados em Coffea Sp., e PerézFrancés et al. (2001) em trabalhos desenvolvidos com Leucadendron discolor, que
confirmam ser característica comum em espécies de difícil enraizamento.
Apesar da formação do calo habitualmente ser um processo independente da
formação de raízes (HARTMANN et al., 2002), no trabalho realizado por Peixe et al.
(2007) com estacas caulinares de oliveira (Olea europaea L.) verificou-se que a
correlação entre os dois fatores mostrou dependência, ou seja, a formação do calo
pareceu estar intimamente ligada a formação de raízes adventícias, isto porque,
ocasionalmente, as raízes aparecem após a formação de calos por meio da diferenciação
das células parenquimatosas formadas dele.
As estacas coletadas nos respectivos dias 30 e 35 apresentaram a mesma
tendência: calos em desenvolvimento em suas bases e um acentuado surgimento e
desenvolvimento de raízes adventícias nas bases a partir dos calos em formação
(FIGURAS 11 e 12).
90
A
B
C
FIGURA 11- Estaca de pinheira aos 30 dias. Estrutura calosa bem desenvolvida e
surgimento das raízes adventícias a partir dos calos de cicatrização (A). Seção
longitudinal da base de estacas caulinares de Annona squamosa L. (B). Detalhe do corte
anatômico (C). Barra=200µm. Fotos: (A) Taciana Lima Salvador; (B,C) Rejane M. M.
Pimentel, 2011.
A
B
C
FIGURA 12- Estaca de pinheira aos 35 dias (A). Estrutura calosa bem desenvolvida e
surgimento das raízes adventícias a partir dos calos de cicatrização (B). Seção
longitudinal da base de estacas caulinares de Annona squamosa L. Detalhe do corte
anatômico (C). Barra=200µm. Fotos: (A) Taciana Lima Salvador; (B,C) Rejane M. M.
Pimentel, 2011.
Flygh et al. (1993) e Shcwarz et al. (1999), trabalhando com estacas de Acacia
baileyana e Pinus sylvestris, respectivamente, verificaram que os primórdios radiculares
surgiram de calos adjacentes após conexão com o floema, associado à proliferação dos
raios vasculares.
Ferriani et al. (2008), mostraram que estacas de vassourão branco (P.
Angustifólia) formaram primórdios radiculares a partir dos calos nas bases e
apresentaram evidências de uma conexão vascular posterior à sua formação.
91
CONCLUSÕES
As estacas caulinares de pinheira são capazes de formar calos e raízes,
independentes de serem ou não tratadas com a auxina AIB.
A formação de raízes adventícias em pinheira ocorre de forma indireta sendo os
seus primórdios iniciados dos calos cicatriciais formados nas bases das estacas, e tendo
a sua conexão vascular ocorrido na sequência do seu crescimento.
Os primeiros sinais visíveis do surgimento exterior das raízes podem ser
observados a partir de 25 dias após o plantio das estacas no substrato e aos 35 dias as
raízes emersas, apresentam completa conexão vascular com o xilema e floema.
92
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94
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APÊNDICES
96
CAPÍTULO 2
TABELA 1 - Análise de variância da porcentagem de enraizamento de estacas de
pinheira tratadas com diferentes concentrações de STS, AIB e Formas de aplicação
(FA) do AIB.
Fonte de
Variação
GL
Soma dos
quadrados
Quadrado
médio
F
Significância
STS
2
767.53622
383.76811
0.5547
--
FA
1
9000.00000
9000.00000
13.0097
**
AIB
4
991.23933
247.80983
0.3582
--
STS x FA
2
965.26067
482.63033
0.6977
Ns
STS x AIB
8
2568.76933
321.09617
0.4642
Ns
FA x AIB
4
3654.93889
913.73472
1.3208
Ns
STS x FA x
AIB
8
2866.10044
358.26256
0.5179
Ns
Resíduo
60
41507.44000
691.79067
CV (%)
34,64
-- Os tratamentos são quantitativos. O Teste F não se aplica.
** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p < .01).
ns não significativo (p >= .05).
TABELA 2 - Análise de variância do número de folhas remanescentes das estacas de
pinheira tratadas com diferentes concentrações de STS, AIB e Formas de aplicação
(FA) do AIB.
Fonte de
Variação
GL
Soma dos
quadrados
STS
2
3.01867
FA
1
AIB
Quadrado
médio
F
Significância
1.50933
2.4820
--
0.07511
0.07511
0.1235
Ns
4
5.10378
1.27594
2.0982
--
STS x FA
2
1.13156
0.56578
0.9304
Ns
STS x AIB
8
6.93356
0.86669
1.4252
Ns
FA x AIB
4
5.25489
1.31372
2.1603
Ns
STS x FA x
AIB
8
5.13178
0.64147
1.0549
Ns
Resíduo
60
36.48667
0.60811
CV (%)
31,69
-- Os tratamentos são quantitativos. O Teste F não se aplica.
ns não significativo (p >= .05).
97
TABELA 3 - Análise de variância da porcentagem de calos formados nas estacas de
pinheira tratadas com diferentes concentrações de STS, AIB e Forma de aplicação (FA)
do AIB.
Fonte de Variação
GL
STS
2
FA
Soma dos
quadrados
Quadrado
médio
F
Significância
1060.718
530.35900
0.9762
--
1
1776.889
1776.8890
3.2707
Ns
AIB
4
9020.249
2255.0622
4.1509
--
STS x FA
2
1407.926
703.96300
1.2958
Ns
STS x AIB
8
11294.349
1411.7937
2.5987
*
FA x AIB
4
3531.50711
882.87678
1.6251
Ns
STS x FA x AIB
8
6249.60622
781.20078
1.4380
Ns
Resíduo
60
32596.3200
1184.18086
CV (%)
28,61
-- Os tratamentos são quantitativos. O Teste F não se aplica.
* significativo ao nível de 5% de probabilidade (p < .01).
ns não significativo (p >= .05).
TABELA 4 - Análise de variância com desdobramento da interação Forma de aplicação (FA) X AIB,
para estudar o comportamento da formação dos calos nas estacas de pinheira.
Fonte de Variação
GL
Soma dos
quadrados
Quadrado
médio
F
STS dentro do AIB
(0 mg/kg)
2
495.80444
247.9022
0.456
ns
STS dentro do AIB
(1000 mg/kg)
2
5314.3244
2657.1622
4.891
*
STS dentro do AIB
(2000 mg/kg)
2
370.7411
185.3705
0.341
ns
STS dentro do AIB
(3000 mg/kg)
2
123.2100
61.6050
0.113
ns
STS dentro do AIB
(4000 mg/kg)
2
6050.9877
3025.4938
5.569
**
Resíduo
60
32596.3200
543.2720
CV (%)
28,61
** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p < .01).
* significativo ao nível de 5% de probabilidade (p < .01).
ns não significativo (p >= .05).
Significância
98
TABELA 5 - Análise de variância para o número médio de raízes das estacas de
pinheira tratadas com diferentes concentrações de STS, AIB e Forma de aplicação (FA)
do AIB.
Fonte de Variação
GL
Soma dos
quadrados
STS
2
28.11898
FA
1
AIB
Quadrado
médio
F
Significância
14.05949
2.5483
--
67.20192
67.20192
12.1804
**
4
53.69640
13.42410
2.4331
--
STS x FA
2
13.21751
6.60875
1.1978
ns
STS x AIB
8
23.21712
2.90214
0.5260
ns
FA x AIB
4
55.57568
13.89392
2.5183
ns
STS x FA x AIB
8
24.91437
3.11430
0.5645
ns
Resíduo
60
331.03327
5.51722
CV (%)
31,69
-- Os tratamentos são quantitativos. O Teste F não se aplica.
** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p < .01).
ns não significativo (p >= .05).
TABELA 6 - Análise de variância do comprimento médio de raízes das estacas de
pinheira tratadas com diferentes concentrações de STS, AIB e Forma de aplicação (FA)
do AIB.
Fonte de Variação
GL
Soma dos
quadrados
STS
2
9.71822
FA
1
AIB
Quadrado
médio
F
Significância
4.85911
0.9117
--
47.23378
47.23378
8.8626
**
4
12.85511
3.21378
0.6030
--
STS x FA
2
10.25156
5.12578
0.9618
ns
STS x AIB
8
80.43289
10.05411
1.8865
ns
FA x AIB
4
51.18844
12.79711
2.4012
ns
STS x FA x AIB
8
20.43956
2.55494
0.4794
ns
Resíduo
60
319.77333
5.32956
CV (%)
31,69
-- Os tratamentos são quantitativos. O Teste F não se aplica.
** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p < .01).
ns não significativo (p >= .05).
99
CAPÍTULO 3
Metodologia para desidratação e diafanização
Sequência de tempos utilizados no processo de desidratação e diafanização do
material:
Álcool 80% (30 minutos)
Álcool 90% (30 minutos)
Álcool 100% (30 minutos)
Álcool 100% (30 minutos)
Xilol 3:1 (30 minutos)
Xilol 1:1 (30 minutos)
Xilol 1:3 (30 minutos)
Xilol puro (30 minutos)
Xilol puro (30 minutos)
Metodologia para coloração
Sequência de tempos utilizados no processo de coloração do material:
Xilol I (5 minutos)
Xilol II (5 minutos)
Álcool Absoluto I (5 minutos)
Álcool Absoluto II (5 minutos)
Álcool 90% (5 minutos)
Álcool 70% (5 minutos)
Água (5 minutos)
Safranina + Azul de Astra (10 minutos)
Álcool 70% (5 minutos)
Álcool 90% (5 minutos)
Álcool Absoluto I (5 minutos)
100
Álcool Absoluto II (5 minutos)
Xilol I (5 minutos)
Xilol II (5 minutos)
101
NORMAS PARA PUBLICAÇÃO NA REVISTA BRASILEIRA DE
FRUTICULTURA
INSTRUÇÕES PARA AUTORES
1. A Revista Brasileira de Fruticultura (RBF) destina-se à publicação de artigos e
comunicações técnico-científicos na área da fruticultura, referentes a resultados de
pesquisas originais e inéditas, redigidas em português, espanhol ou inglês e/ou 1 ou 2
revisões por número, de autores convidados.
2. É imperativo que todos os autores assinem o ofício de encaminhamento,
mencionando que: “OS AUTORES DECLARAM QUE O REFERIDO TRABALHO
NÃO FOI PUBLICADO ANTERIORMENTE, OU ENCAMINHADO PARA
PUBLICAÇÃO A OUTRA REVISTA E CONCORDAM COM A SUBMISSÃO E
TRANSFERÊNCIA DOS DIREITOS DE PUBLICAÇÃO DO REFERIDO ARTIGO
PARA A RBF.” Trabalhos submetidos como artigo não serão julgados ou publicados na
forma de Comunicação Científica, e vice-versa.
3. A RBF só aceitará trabalhos com no máximo cinco autores.
4. Os trabalhos (on line) devem ser encaminhados em 1 via (uma via completa com o
nome do(s) autor(es) sem abreviações e notas de rodapé para nosso arquivo), e as
submissões no papel devem ser enviadas em 4 vias, sendo uma completa ( nomes sem
abreviações e notas de rodapé) e 3 vias sem nomes dos autores e notas de rodapé; Em
papel tamanho A4 (210 x 297mm), numerando linhas e páginas, margens de 2 cm, em
espaço entre linhas de um e meio, fonte Times New Roman, no tamanho 13 e impressos
em uma única face do papel. O texto deve ser escrito corrido, separando apenas os itens
como Introdução, Material e Métodos, Resultados e Discussão, Conclusão,
Agradecimentos e Referências, as Tabelas e Figuras em folhas separadas, no final do
artigo após as Referências.
5. O Custo para publicação para Artigo ou Comunicação é de R$ 250,00 por trabalho de
até 12 ou 8 páginas respectivamente, será cobrado R$ 50,00 por página adicional, ou
seja, trabalhos submetidos (no formato Word) que excederem ao limite de 12 páginas
para Artigo e 8 páginas para Comunicação Científica (incluso tabelas e figuras), este
valor será calculado no aceite do trabalho.
TAXA DE PUBLICAÇÃO:
a. No encaminhamento inicial, efetuar o pagamento de R$ 100,00, e com a aprovação
do trabalho, o restante da taxa, incluindo páginas adicionais se for o caso;
b. R$ 150,00 para sócios (PRIMEIRO AUTOR DEVESRÁ SER SÓCIO);
c.
R$
300,00
para
não
sócios;
d. DEPÓSITO no Banco do Brasil, agência nº 0269-0 e Conta-Corrente nº 8356-9
(enviar cópia do comprovante juntamente com o trabalho submetido no papel ou para
102
submissões on line anexar por e-mail, ou encaminhar como documento suplementar);
OBS: Para trabalhos denegados ou encerrados, não será devolvido o pagamento inicial.
6. Para as submissões impressas, os trabalhos devem ser encaminhados para o Editorchefe da RBF, Prof. Carlos Ruggiero/ REVISTA BRASILEIRA DE FRUTICULTURA;
endereço: Via de Acesso Prof. Paulo Donato Castellane, s/n – Unesp/FCAV - CEP
14884-900 – Jaboticabal-SP.
1. e-mail para dúvidas e contato: rbf@fcav.unesp.br ;
1. = Instruções das submissões on line, acessar a home Page: http://www.rbf.org.br/,
item RBF on line (clique aqui), abrirá um link com todas as instruções pertinentes aos
autores.
* Sistema ScIELO de Publicação: http://submission.scielo.org/index.php/rbf/index
(home page).
7. Uma vez publicados, os trabalhos poderão ser transcritos, parciais ou totalmente,
mediante citação da RBF, do(s) autor (es) e do volume, número, paginação e ano. As
opiniões e conceitos emitidos nos artigos são de exclusiva responsabilidade do(s) autor
(es).
8. Os artigos deverão ser organizados em Título, Nomes dos Autores COMPLETOS
(sem abreviações e separados por vírgula, e no caso de dois autores, separadas por &), e
no Rodapé da primeira página deverão constar a qualificação profissional de cada autor,
cargo seguido da Instituição pertencente, endereço (opcional), E-MAIL DE TODOS OS
AUTORES (imprescindível) e menções de suporte financeiro; Resumo (incluindo
Termos
para
Indexação),
Title,
Abstract
(incluindo
Index
Terms),
Introdução, Material e Métodos, Resultados e Discussão, Conclusão, Agradecimentos
(opcional), Referências, Tabelas e Figuras ( vide normas para tabelas e figuras). O
trabalho deve ser submetido à correção de Português e Inglês, por profissionais
habilitados, antes de ser encaminhado à RBF.
9. As Comunicações Científicas deverão ter estrutura mais simples com 8 páginas, texto
corrido, sem destacar os itens ( Introdução, Material, Resultados e Conclusões), exceto
Referências.
10. As Legendas das Figuras e Tabelas deverão ser autoexplicativas e concisas. As
Figuras coloridas terão um custo adicional de R$ 400,00 em folhas que as contenham
(por página). As legendas, símbolos, equações, tabelas, etc. deverão ter tamanho que
permita perfeita legibilidade, mesmo numa redução de 50% na impressão final da
revista; a chave das convenções adotadas deverá ser incluída na área da Figura; a
colocação de título na Figura deverá ser evitada, se este puder fazer parte da legenda; as
fotografias deverão ser de boa qualidade.
11. Nas Tabelas, devem-se evitar as linhas verticais e usar horizontais, apenas para a
separação do cabeçalho e final das mesmas, evitando o uso de linhas duplas.
12. Apenas a VERSÃO FINAL do trabalho deve ser acompanhada por cópia em CD
(para submissões impressas), usando-se preferencialmente os programas Word for
103
Windows (texto) e Excel (gráficos), as figuras, gráficos e fotos deverão ser gravadas em
arquivos separados no formato JPG ( vide normas de tabelas e figuras abaixo).
13. As Citações de autores no texto deverão ser feitas com letras minúsculas, quando
fora dos parênteses; e separadas por "e", quando dois autores, e se dentro dos
parênteses as citações devem ser em letras maiúsculas separadas por ponto e
vírgula; quando mais de dois autores, citar o primeiro seguido de “et al.” (não use
“itálico”).
REFERÊNCIAS:
NORMAS PARA REFERENCIA (ABNT NRB 6023, Ago. 2002)
As referências no fim do texto deverão ser apresentadas em ordem alfabética nos
seguintes formatos:
ARTIGO DE PERIÓDICO
AUTOR (es). Título do artigo. Título do periódico, local de publicação, v., n., p., ano.
ARTIGO DE PERIÓDICO EM MEIO ELETRONICO
AUTOR(es). Título do artigo. Título do Periódico, cidade, v., n., p., ano. Disponível
em:<endereço eletrônico>. Acesso em: dia mês (abreviado). Ano.
AUTOR(es). Título do artigo. Título do Periódico, local de publicação, v., n. p., ano.
CD-ROM.
LIVRO
AUTOR(es). Título: subtítulo. edição (abreviada). Local: Editora, ano. p. (total ou
parcial).
CAPÍTULO DE LIVRO
AUTOR. Título do capítulo. In: AUTOR do livro. Título: subtítulo. Edição (abreviada).
Local: Editora, ano. páginas do capítulo.
LIVRO EM MEIO ELETRÔNICO
AUTOR(es). Título. Edição (abreviada). Local: Editora, ano. p. (total ou parcial).
Disponível em<endereço eletrônico>.Acesso em: dia mês (abreviado). Ano.
AUTOR (es). Título. edição(abreviada). Local: Editora, ano. p. CD-ROM.
EVENTOS
AUTOR.Título do trabalho. In: NOME DO EVENTO, numeração, ano, local de
realização. Título... Local de publicação: editora, ano de publicação. p.
104
EVENTOS EM MEIO ELETRÔNICO
AUTOR. Título do trabalho. In: NOME DO EVENTO, numeração, ano, local de
realização. Título...Local de publicação: Editora, data de publicação. Disponível em:
<endereço eletrônico>. Acesso em: dia mês (abreviado) ano.
AUTOR. Título do trabalho. In: NOME DO EVENTO, numeração, ano, local de
realização. Título...Local de publicação: Editora, ano de publicação. CD-ROM.
DISSERTAÇÃO, TESES E TRABALHOS DE GRADUAÇÃO
AUTOR. Título. ano. Número de folhas ou volumes. Categoria da Tese (Grau e área de
concentração)- Nome da faculdade, Universidade, ano.
14. NORMAS PARA TABELAS E FIGURAS:
TABELA - Microsoft Word 97 ou versão superior; Fonte: Times New Roman, tamanho
12; Parágrafo/Espaçamento simples; Largura da tabela em 10 ou 20,6 cm; título ou
rodapé deverá ser digitado no MS Word.
GRÁFICO - Microsoft Excel/ Word 97 ou versão superior; Fonte: Times New Roman,
tamanho 12; Parágrafo/Espaçamento simples; Largura da em 10 ou 20,6 cm; Além de
constar no FINAL do ARTIGO, o arquivo do gráfico deverá ser enviado
separadamente, como imagem ( na extensão jpg, tif ou gif com 300 dpi de
resolução). No caso de uma figura com 2,4,6 ou mais gráficos/figuras, estes deverão ser
enviados em um único arquivo de preferência gravados em JPG. O título ou rodapé
deverá ser digitado no MS Word.
FOTOS - Todas as fotos deverão estar com 300 dpi de resolução em arquivo na
extensão: jpg, jpeg, tif ou gif; Além de estarem no corpo do trabalho, as fotos devem
estar em arquivos separados; O título ou rodapé deverá ser digitado no MS Word.
FIGURAS OU IMAGENS GERADAS POR OUTROS PROGRAMAS – As imagens
geradas por outros programas que não sejam do pacote Office Microsoft, devem estar
com 300 dpi na extensão: jpg, tif ou gif; Largura de 10 ou 20,6 cm; O título ou rodapé
deverá ser digitado no MS Word.
