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HULLY MONAÍSY ALENCAR LIMA
AVALIAÇÃO DE VARIEDADES RB (REPÚBLICA DO BRASIL) DE CANA-DEAÇÚCAR EM RELAÇÃO AO ATAQUE DE PRAGAS
RIO LARGO, ESTADO DE ALAGOAS, BRASIL
ABRIL DE 2010
HULLY MONAÍSY ALENCAR LIMA
AVALIAÇÃO DE VARIEDADES RB (REPÚBLICA DO BRASIL) DE CANA-DEAÇÚCAR EM RELAÇÃO AO ATAQUE DE PRAGAS
Dissertação apresentada à Universidade Federal de Alagoas,
como parte das exigências do Programa de Pós – Graduação
em Agronomia, para obtenção do título de Mestre em
Proteção de Plantas.
RIO LARGO, ESTADO DE ALAGOAS, BRASIL
ABRIL DE 2010
II
III
OFEREÇO
Aos meus pais, Eronildes Gusmão Lima (in memorian) e Cristina Lúcia Lins de Alencar;
Ao meu irmão, Hadallas Henrique Alencar Lima e
À minha avó, Doracy Gusmão Lima
pelo incentivo aos estudos, esforço, dedicação, carinho, credibilidade, estímulo e
por terem dado exemplo e base sólida para vencer todos os obstáculos.
IV
AGRADECIMENTOS
A Deus por estar sempre presente em minha vida e por toda graça alcançada;
Ao Prof. Dr. Ivanildo Soares de Lima, pela dedicação, oportunidade, determinação e
por todos os seus ensinamentos;
À Prof.ª Dr.ª Adriana Guimarães Duarte, por todo conhecimento transmitido, estímulo
e compreensão;
À Prof.ª Dr.ª Sônia Maria Forti Broglio Micheletti e à Dr.ª Nivia da Silva Dias, pela
contribuição que ambas proporcionaram ao realizar as correções e pelas sugestões;
À FAPEAL, pela concessão da bolsa de mestrado;
Ao Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar (PMGCA-UFAL), pelo
financiamento deste trabalho;
À coordenação e ao colegiado do curso de Pós-Graduação em Agronomia, pelo apoio
concedido;
A todos os professores da Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias;
Aos amigos do Laboratório de Ecologia e Comportamento de Insetos (LECOM), pelo
apoio, contribuição e companheirismo;
Aos amigos Alana de Lima Mendonça, Alice Maria Nascimento de Araújo, Ana Paula
Pereira da Fonseca, Diego Olympio Peixoto Lopes, Edivânia de Lima Salvador, Eliane do
Nascimento Santos, Inaura Patrícia dos Santos, Juliana Ferreira de Lima, José Leonardo
Ferreira Lins, Ludmilla dos Santos Albuquerque, Pedro Bento da Silva, Maria Quiteria
Cardoso dos Santos, Taciana de Lima Salvador, Tatiana de Lima Salvador, Vanessa de Souza
França e Vanessa de Melo Rodrigues por todo estímulo e pelos ótimos momentos vividos;
A todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram com minha vida
acadêmica e/ou com a realização deste trabalho.
V
SUMÁRIO
Pág.
Lista de Figuras .....................................................................................................
VIII
Lista de Tabelas .....................................................................................................
IX
Resumo Geral .........................................................................................................
XI
General Abstract ....................................................................................................
XII
Introdução Geral ...................................................................................................
1
Revisão de Literatura ............................................................................................
5
Literatura Citada ...................................................................................................
15
Capítulo 1: Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-deaçúcar em Relação ao Ataque de Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae)
em Rio Largo, Estado de Alagoas ........................................................................
18
Resumo ...................................................................................................................
19
Abstract ..................................................................................................................
20
Introdução ..............................................................................................................
21
Material e Métodos ................................................................................................
23
Resultados e Discussão ..........................................................................................
27
Conclusões ..............................................................................................................
36
Literatura Citada ...................................................................................................
37
Capítulo 2: Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-deaçúcar em Relação ao Ataque de Mahanarva spp. (Hemiptera: Cercopidae)
em Rio Largo, Estado de Alagoas ........................................................................
39
Resumo ...................................................................................................................
40
Abstract ..................................................................................................................
41
Introdução ..............................................................................................................
42
Material e Métodos ................................................................................................
44
Resultados e Discussão ..........................................................................................
47
Conclusões ..............................................................................................................
55
Literatura Citada ...................................................................................................
56
Capítulo 3: Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-deaçúcar em Relação ao Ataque de Telchin licus licus (Lepidoptera:
Castniidae) em Rio Largo, Estado de Alagoas ....................................................
58
VI
Resumo ...................................................................................................................
59
Abstract ..................................................................................................................
60
Introdução ..............................................................................................................
61
Material e Métodos ................................................................................................
63
Resultados e Discussão ..........................................................................................
66
Conclusões ..............................................................................................................
71
Literatura Citada ...................................................................................................
72
VII
Lista de Figuras
Pág.
Figura 1.
Ciclo biológico de Diatraea saccharalis (Adaptado de: Guagliumi
7
1972-73 e EMBRAPA 2010).....................................................................
Figura 2.
Ciclo biológico de Diatraea flavipennella (Adaptado de: Guagliumi 19727
73)...............................................................................................................
Figura 3.
Ciclo biológico de Mahanarva fimbriolata (Adaptado de: Mendonça &
Mendonça 2005).........................................................................................
Figura 4.
11
Ciclo biológico de Mahanarva posticata (Adaptado de: Mendonça &
Marques 2005)............................................................................................
11
Figura 5.
Ciclo biológico de Telchin licus licus (Adaptado de: Viveiros 2008)........
14
Figura 6.
Croqui das áreas experimentais onde foram realizados os levantamentos,
sequeiro (A) e irrigado (B). Universidade Federal de Alagoas, município
de Rio Largo, Estado de Alagoas...............................................................
Figura 7.
24
Dados climatológicos da área dos experimentos. Unidade Acadêmica
Centro de Ciências Agrárias. Universidade Federal de Alagoas, Rio
Largo – AL, fevereiro de 2008 a fevereiro de 2009...................................
Figura 8.
25
Média da infestação de M. frimbiolata em cana de açúcar e precipitação
mensal (mm), no sistema de cultivo sequeiro, no período de maio a
outubro de 2008. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio
Largo, Estado de Alagoas...........................................................................
47
VIII
Lista de Tabelas
Pág.
Tabela 1.
Média (± EP) da porcentagem da intensidade de dano externo (% I.D.E.)
de Diatraea spp. em oito variedades de cana-de-açúcar, em seis meses de
avaliação, no sistema de cultivo sequeiro. Universidade Federal de
Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2008. Ano III.........
Tabela 2.
28
Média (± EP) da porcentagem da intensidade de dano interno (% I.D.I.)
de Diatraea spp. e parâmetros tecnológicos agroindustriais por ocasião
da colheita em oito variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo
sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo,
Estado de Alagoas, 2008. Ano III................................................................
Tabela 3.
29
Média (± EP) da porcentagem da intensidade de dano externo (% I.D.E.)
de Diatraea spp. em nove variedades de cana-de-açúcar, em seis meses
de avaliação, no sistema de cultivo irrigado. Universidade Federal de
Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2008. Ano II..........
Tabela 4.
33
Média (± EP) da porcentagem da intensidade de dano interno (% I.D.I.)
de Diatraea spp. e parâmetros tecnológicos agroindustriais por ocasião
da colheita em nove variedades de cana-de-açúcar, no sistema de cultivo
irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo,
Estado de Alagoas, 2009. Ano II..................................................................
Tabela 5.
34
Correlação entre % da Intensidade de Dano Interno de Diatraea spp. e os
parâmetros agroindustriais observados por ocasião da colheita nos
sistemas de cultivo sequeiro (dezembro de 2008) e irrigado (março de
2009). Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado
de Alagoas....................................................................................................
Tabela 6.
35
Média (± EP) da infestação de Mahanarva fimbriolata em oito
variedades de cana-de-açúcar, em seis meses de avaliação, no sistema de
cultivo sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio
Largo, Estado de Alagoas, 2008. Ano III.....................................................
IX
49
Tabela 7.
Média (± EP) de parâmetros agroindustriais por ocasião da colheita em
oito variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo sequeiro.
Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de
Alagoas, 2008. Ano III.................................................................................
Tabela 8.
52
Média (± EP) da infestação de M. fimbriolata de nove variedades de
cana-de-açúcar, em seis meses de avaliação, no sistema de cultivo
irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo,
Estado de Alagoas, 2008. Ano II..................................................................
Tabela 9.
53
Média (± EP) de parâmetros agroindustriais por ocasião da colheita em
nove variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo irrigado.
Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de
54
Alagoas, 2009. Ano II..................................................................................
Tabela 10.
Média (± EP) da porcentagem de infestação de T. licus licus e parâmetros
tecnológicos agroindustriais por ocasião da colheita em oito variedades
de cana-de-açúcar, no sistema de cultivo sequeiro. Universidade Federal
de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2008. Ano III....
Tabela 11.
67
Média (± EP) da porcentagem de infestação de T. licus licus e parâmetros
tecnológicos agroindustriais por ocasião da colheita em nove variedades
de cana-de-açúcar, no sistema de cultivo irrigado. Universidade Federal
68
de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2009. Ano II.....
Tabela 12.
Tabela 12. Correlação entre % Infestação de T. licus licus e os
parâmetros agroindustriais observados por ocasião da colheita nos
sistemas de cultivo sequeiro (dezembro de 2008) e irrigado (março de
2009). Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado
de Alagoas....................................................................................................
X
70
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Resumo Geral - O objetivo deste trabalho foi avaliar o comportamento de variedades RB
(República do Brasil) de cana-de-açúcar em relação ao ataque de Diatraea spp. (Lepidoptera:
Crambidae), Mahanarva spp. (Hemiptera: Cercopidae) e Telchin licus licus (Drury, 1770)
(Lepidoptera: Castniidae). Foram utilizados os sistemas de cultivo de sequeiro e irrigado. As
variedades estudadas no cultivo de sequeiro foram: RB72454, RB867515, RB971755,
RB951541, RB931003, RB92579, RB863129, e RB93509. No cultivo irrigado, além das
variedades já citadas, incluiu-se a RB98710. Os resultados de Diatraea spp., no sistema de
cultivo sequeiro mostraram que, ao avaliar as variedades de forma conjunta, verificou-se que
os danos causados pela praga foram estatisticamente semelhantes. No sistema irrigado
constatou-se que a variedade RB971755 destacou-se com a maior porcentagem de dano
externo. Nos dois sistemas de cultivo, com base no complexo broca/podridão, por ocasião da
colheita, as variedades apresentaram comportamento semelhante em relação à porcentagem de
dano interno de Diatraea spp. Os resultados de Mahanarva spp., em ambos os sistemas de
cultivo, mostraram que não foi possível identificar uma variedade com característica marcante
de preferência pela praga. Os resultados de T. licus licus indicaram que, nos dois sistemas de
cultivo, as variedades não diferiram estatisticamente quanto à % de infestação. Em ambos os
sistemas de cultivo, os valores de % de dano interno de Diatraea spp. e de % de infestação de
T. licus licus, não apresentaram correlações significativas com os parâmetros agroindustriais
avaliados.
Palavras-chave: Saccharum spp., Diatraea spp., Mahanarva spp., Telchin licus licus.
XI
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Evaluation of Varieties RB (Republic of Brazil) of Sugar Cane in Relation to the Attack
of Insect Pest in the Municipality of Rio Largo, State of Alagoas
General Abstract - The aim of this work was to evaluate the behavior of varieties RB
(Republic of Brazil) of sugar cane in relation to the attack of Diatraea spp. (Lepidoptera:
Crambidae), Mahanarva spp. (Hemiptera: Cercopidae) and Telchin licus licus (Drury, 1770)
(Lepidoptera: Castniidae). Two systems of cultivations were used, rainfed and irrigated. The
varieties studied in the rainfed cultivation were as follows: RB72454, RB867515, RB971755,
RB951541, RB931003, RB92579, RB863129, and RB93509. For the irrigated system, the
variety RB98710 was also included. In the rainfed system, with all varieties in combined
analysis, the results showed that the damages were not significantly different. In the irrigated
system the variety RB971755 was externally more damaged. Concerning to the complex
borer/rottenness for occasion of the harvest, in both systems, all varieties showed similar
behavior in relation to the attack of Diatraea spp, It was not possible to identify any variety
with a remarkable preference for Mahanarva spp., in both systems. Again, in both systems,
the results showed that the studied varieties did not differ statistically in relation to the attack
of T. licus licus. Finally, the values of internal damages of Diatraea spp. and T. licus licus did
not show any significantly correlations with the agroindustrial parameters evaluated.
Key words: Saccharum spp., Diatraea spp., Mahanarva spp., Telchin licus licus.
XII
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Introdução Geral
Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao
Ataque de Pragas em Rio Largo, Estado de Alagoas
1
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
A cana-de-açúcar, Saccharum officinarum L. (Poaceae), é uma cultura de destaque no
setor agroindustrial do Brasil, porque além do ótimo retorno econômico, possibilita a
produção de fontes alternativas de energia. O setor canavieiro moeu 612 milhões de toneladas
na safra de 2009. Esse volume representa um aumento de 7% do obtido na safra de 2008, ou
seja, uma quantidade de, aproximadamente, 40 milhões de toneladas adicionais do produto. A
região Nordeste foi responsável por 62 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, destacando-se
o estado de Alagoas como o mais produtivo da região, com 26 milhões de toneladas (CONAB
2009).
Em Alagoas, a cana-de-açúcar abrange uma área de aproximadamente 420 mil hectares,
distribuídos por toda a região litorânea, zona da mata e parte do agreste, sendo a cultura de
maior importância sócio-econômica do Estado (Souza et al 2008).
De acordo com Silva et al 2008, a Universidade Federal de Alagoas (UFAL),
integrante da RIDESA
(Rede
Interinstitucional para o Desenvolvimento
do
Setor
Sucroalcooleiro), em parceria com o setor produtivo, desenvolve no Centro de Ciências
Agrárias (CECA), através de seu Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar
(PMGCA), pesquisas que vão desde a prática da hibridação, à avaliação em ensaios de
campo,
liberação
e recomendação de novas variedades RB (República do Brasil) aos
produtores. A avaliação é realizada através de rede de experimentos, que são instalados nas
usinas localizadas em regiões da área canavieira do Estado de Alagoas, as quais apresentam
distintas condições edafoclimáticas.
A atuação dos programas de melhoramento genético desta cultura contribuiu
expressivamente para o desenvolvimento do setor sucroalcooleiro nacional, com a liberação
de variedades mais produtivas e mais resistentes a pragas e doenças (Barbosa et al 2003).
Os principais motivos que levaram os produtores a substituírem, periodicamente, as
variedades de cana-de-açúcar foram o aparecimento de doenças, a tolerância ao déficit
2
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
hídrico, o alto índice de florescimento e o ataque de insetos-praga. O PMGCA leva, em
média, dez anos para liberar uma nova variedade para os produtores. Ao longo desse tempo,
são realizados sucessivos testes em vários ambientes e as análises dos resultados de várias
safras garantem as recomendações descritas para cada variedade nova. Observando-se as
várias características agroindustriais de três variedades (RB92579, RB93509 e RB931530)
obtidas e liberadas pelo PMGCA, percebe-se que não existem informações seguras quanto ao
comportamento em relação ao ataque das principais pragas da cultura (Barbosa et al 2003).
Uma variedade adequada, portanto, deve apresentar um conjunto de qualidade capaz
de competir com as condições existentes e mostrar resultados superiores às expectativas
ambientais. Por outro lado, é praticamente impossível reunir, em uma só variedade, todas as
características desejadas pelo produtor, tendo em vista a constante presença da interação
genótipo x ambiente. Entretanto, com um manejo adequado e de acordo com as
recomendações da pesquisa, plantando-se na época certa, no local certo, realizando-se os
tratos culturais adequados e colhendo-se no período útil de industrialização, certamente, bons
retornos econômicos serão obtidos (Barbosa et al 2003).
A resistência de plantas a insetos é considerada como o método ideal de controle, uma
vez que as populações da praga podem ser reduzidas a níveis inferiores ao de dano econômico
sem qualquer ônus adicional ao agricultor, além da facilidade de utilização e não interferência
no agroecossistema (Lara et al 1980).
Conforme Vendramim (2008), existem três tipos de resistência de plantas a insetos:
antixenose, antibiose e tolerância. A antixenose é verificada quando uma planta ou variedade
é menos utilizada pelo inseto que outra para alimentação, oviposição ou abrigo, estando nas
mesmas condições. O efeito é manifestado no comportamento do inseto, repercutindo
principalmente em redução da atratividade e aceitação do substrato, refletindo-se na redução
do número de ovos e da área consumida. A antibiose caracteriza-se pelo efeito adverso da
3
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
planta sobre o inseto, provocando principalmente alterações no seu desenvolvimento. Os
principais efeitos da antibiose são: mortalidade das formas jovens, mortalidade na
transformação para adulto, redução do tamanho e peso dos indivíduos, redução da
fecundidade, alteração da proporção sexual e alteração no tempo de vida. A tolerância referese à capacidade de suportar o ataque do inseto através da regeneração dos tecidos destruídos,
emissão de novos ramos ou perfilhos ou por outro meio, desde que não ocasione perda na
qualidade e quantidade da produção.
Nas últimas décadas, com ênfase ao manejo integrado de pragas, não se tornou
imperativo que a resistência por si só, resolva o problema da praga, mas sim que ela auxilie na
redução da população do inseto em associação com outros métodos de controle, necessitandose de trabalhos com o objetivo de estudar o comportamento de variedades vegetais em relação
ao ataque das pragas (Vendramim et al 1988).
Assim, o objetivo deste trabalho foi obter informações sobre o comportamento de
variedades RB em relação ao ataque de pragas da cultura da cana-de-açúcar no Estado de
Alagoas.
4
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Revisão de Literatura
Apesar da facilidade de adaptação ao clima do Brasil, a cultura da cana-de-açúcar
enfrenta uma série de problemas fitossanitários, que diminuem a produção e a produtividade,
acarretando em prejuízo econômico para os produtores (Boiça Jr. et al 1997). Dentre os
principais fatores limitantes aparece a incidência de insetos-praga, que podem atacar os
plantios durante os seus vários estágios de desenvolvimento, destacando-se dentre estes, as
brocas comuns, Diatraea saccharalis (Fabricius, 1794) e Diatraea flavipennella (Box, 1931)
(Lepidoptera: Crambidae), a broca gigante, Telchin licus licus (Drury, 1770) (Lepidoptera:
Castniidae) e as cigarrinhas-da-folha Mahanarva posticata (Stål, 1855) e da raiz Mahanarva
fimbriolata (Stål, 1854) (Hemiptera: Cercopidae), que causam sérios danos em todas as
regiões canavieiras do país (Mendonça et al 1996a).
Broca comum da cana-de-açúcar Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae)
Existem cerca de 21 espécies do gênero Diatraea spp. ocorrendo em cana-de-açúcar
no continente americano, porém, nem todas as espécies causam danos à cultura. Deste total,
duas espécies são importantes como inseto-praga: D. saccharalis com ocorrência em todo o
país e D. flavipennella, encontrada no Rio de Janeiro, Minas Gerais e nos estados da região
Nordeste (Mendonça et al 1996a).
No estado de Alagoas sempre houve predominância de D. saccharalis, mas, nos
últimos anos, tem havido inversão na prevalência passando a espécie D. flavipennella a ser a
espécie mais importante (Freitas et al 2006). Em levantamentos populacionais realizados em
canaviais de Alagoas, Freitas et al (2007), verificaram a predominância de D. flavipennella
acima de 97%, em relação a D. saccharalis.
5
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
A broca D. flavipennella causa danos semelhantes aos ocasionados por D. saccharalis,
tendo ainda suas características biológicas semelhantes em algumas fases (Mendonça et al
1996a).
O adulto de D. saccharalis é uma mariposa com as asas anteriores de coloração
amarelo-palha, com alguns desenhos pardacentos e as asas posteriores esbranquiçadas e com
25 mm de envergadura. Após o acasalamento, a fêmea realiza a postura nas folhas da cana,
em número de ovos variável de cinco a 50, colocando-os em massas. As larvas recémemergidas alimentam-se, no início, do parênquima das folhas, convergindo, a seguir, para a
bainha; depois da primeira ecdise, penetram na parte mais mole do colmo e, perfurando-o,
abrem galerias de baixo para cima. Ao atingirem o seu completo desenvolvimento, medem
cerca de 25 mm de comprimento, sendo de coloração amarelo-pálida e cabeça marrom. Fazem
então um orifício para o exterior e, fechando-o com fios de seda e serragem, passam à pupa,
de coloração castanha. O adulto sai pelo orifício feito anteriormente pela larva (Gallo et al
2002).
De acordo com Guagliumi (1972-73), a D. saccharalis apresenta um ciclo biológico
entre 50 a 62 dias (ovo de 4 a 8 dias; larva 40 dias; pupa de 6 a 14 dias e longevidade de
adultos de 7 dias), podendo ocorrer de 3 a 4 gerações por ano (Figura 1).
Os adultos D. flavipennella têm coloração amarelo palha, sem manchas ou listras nas
asas superiores, exceto um pontinho marrom na célula discal e as nervuras levemente escuras,
medem de 15 a 20 mm de envergadura alar. As fêmeas são geralmente maiores, de cor branca
marfim, sem manchas. As larvas da espécie D. flavipennella são esbranquiçadas, com cápsula
cefálica amarela, e duas listras de pontinhos escuros no dorso, sem listras laterais, medem no
último estádio aproximadamente 25 a 30 mm de comprimento (Guagliumi 1972-73).
6
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
O ciclo biológico da D. flavipennella completa-se entre 39 a 51 dias (ovo de 4 a 8 dias;
larva de 25 a 26 dias; pupa de 10 a 17 dias, enquanto a longevidade dos adultos pode chegar a
7 dias) (Figura 2), (Mendonça et al 1996a).
Figura 1. Ciclo biológico de Diatraea saccharalis (Adaptado de: Guagliumi 1972-73 e
EMBRAPA 2010).
Figura 2. Ciclo biológico de Diatraea flavipennella (Adaptado de: Guagliumi 1972-73).
7
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Cigarrinhas da cana-de-açúcar Mahanarva spp. (Hemiptera: Cercopidae)
As cigarrinhas são consideradas pragas de importância econômica em diversos
agroecossistemas, pois, além dos prejuízos diretos decorrentes da sucção contínua de seiva e
das lesões e deformações que provocam, podem injetar substâncias tóxicas em seus
hospedeiros (Gallo et al 2002).
Dentre as espécies do gênero Mahanarva spp., destacam-se M. posticata, conhecida
como cigarrinha-da-folha, que vem ocorrendo e provocando grandes danos desde a década de
1970; e M. fimbriolata, cigarrinha-da-raiz, que vem ocasionando danos desde 1992 nos
canaviais de Alagoas (Carvalho 2007).
O dano mais importante que as cigarrinhas causam é a “queima da cana”, sendo
consequência direta ao ataque nas folhas, devido à injeção de substâncias tóxicas da saliva da
cigarrinha, além de diminuir o teor de sacarose. Os danos causados por M. fimbriolata podem
levar a perdas na produtividade na ordem de 40 a 50% em canaviais colhidos em final de safra
e de 8 a 10% em canaviais colhidos em começo e meio de safra (Dinardo-Miranda et al
2001), causando reduções na porcentagem de sacarose da cana e aumento nos teores de fibra
dos colmos (Dinardo-Miranda et al 2000). Marques (1976) encontrou que a ocorrência de
apenas um adulto de M. posticata por colmo, ocasionou estrias avermelhadas nas folhas e
redução de 21% no peso de cana jovens e que infestações de três a cinco adultos por cana,
provocaram a queima das folhas e posterior morte dessas plantas.
Os adultos das cigarrinhas-das-raizes M. fimbriolata medem cerca de 10 a 13 mm de
comprimento, por cerca de 5,0 a 6,5 mm de largura, sendo as fêmeas maiores e mais escuras
que os machos. Os machos apresentam uma longevidade em torno de 12 a 15 dias, enquanto
as fêmeas podem chegar a 15-20 dias. Em geral, os machos apresentam cores mais vivas que
as fêmeas, ambos com variações intra-específicas muito acentuadas no padrão de cores de
8
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
asas, podendo principalmente os machos, serem encontrados desde a coloração totalmente
vermelha, com ou sem presença de listras ou manchas escuras longitudinais nas asas, até
totalmente preta (Mendonça & Mendonça 2005).
As fêmeas de M. fimbriolata depositam os ovos no solo, na base das touceiras, ou
entre resíduos vegetais, de preferência, nas linhas de plantio da cana, podendo também ser
encontrados com menor freqüência, nas entrelinhas, principalmente se estiverem cobertos
com palha. A maior concentração de ovos, está localizada a uma profundidade máxima de 1
cm no solo, podendo ser encontrados de forma mais rara, em uma profundidade de 2 a 5 cm,
ou mais abaixo disso (Mendonça & Mendonça 2005).
De forma geral, as fêmeas de cigarrinhas da raiz iniciam a postura 2 a 3 dias após
terem sido fecundadas, depositando cerca de 1 a 10 ovos no solo, em cada postura, com um
total de 50 a 80 ovos em média por fêmea, até um máximo de 150 ovos, durante cerca de 10
dias. O período de incubação dos ovos é de 15-25 dias. Após a eclosão, as ninfas se fixam às
raízes e radicelas da cana-de-açúcar, onde permanecem durante todo seu período ninfal, de 30
a 40 dias, passando por cinco ecdises, permanecendo sempre cobertas por uma espuma branca
de alta densidade, por elas secretadas (Guagliumi 1972-73).
Segundo Mendonça et al (1996b), o ciclo biológico normal completo, sem envolver o
tempo que os ovos passam em diapausa, é de 2 a 3 meses, assim distribuído: ovo, de 15 a 20
dias; cinco estágios de ninfas, num total de 30 a 40 dias e longevidade dos adultos, de 12 a 20
dias, com os machos vivendo entre 12 a 15 dias e as fêmeas, entre 15 a 20 dias (Figura 3).
Os machos adultos de M. posticata medem 12 mm de comprimento por 5 mm de
maior largura, enquanto as fêmeas uma pouco maiores, medem 14 mm de comprimento por 6
mm de maior largura (Marques 1976). As fêmeas se mostram sempre mais escuras que os
machos (Mendonça & Marques 2005).
9
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
A cigarrinha-da-folha M. posticata desenvolve seu ciclo completo (Figura 4) durante
um período de 50 a 80 dias, com maior frequência de 55 a 60 dias, sendo que a fase de ovo
dura aproximadamente 17 dias, ninfa 48 dias e a longevidade do adulto macho 7 dias e da
fêmea 11 dias (Mendonça et al 1996b).
De acordo com Mendonça & Marques (2005), durante as horas mais quentes, as
fêmeas adultas se alojam no cartucho ou olhadura da cana ou no interior das bainhas
inferiores, onde são feitas as posturas, na base das bainhas mais baixas, posicionadas no terço
inferior da planta, inserindo os ovos nas extremidades finais da bainha, na região em que essas
áreas se cruzam envolvendo o colmo, próximo à interseção da bainha com o nó, em número
variável, de 20 a 50 ovos, com o máximo observado de 167 ovos (Guagliumi 1972-73).
Ao eclodirem, as ninfas migram da base das bainhas mais baixas para o cartucho da
cana no ápice da planta, onde se alojam, passando a sugar as folhas mais novas,
desenvolvendo seus primeiros ínstares, já protegidas pela espuma branca que produzem. Com
o aparelho bucal já mais desenvolvido, retornam às bainhas mais baixas que se encontram
entreabertas, passando a se alimentar em seu interior até alcançar o quinto e último instar
ninfal (Mendonça & Marques 2005).
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Figura 3. Ciclo biológico de Mahanarva fimbriolata
(Adaptado de: Mendonça & Mendonça 2005).
Figura 4. Ciclo biológico de Mahanarva posticata
(Adaptado de: Mendonça & Marques 2005).
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Broca Gigante da cana-de-açúcar Telchin licus licus (Lepidoptera: Castniidae)
A produtividade da cana-de-açúcar é reduzida pela broca gigante Telchin licus licus,
um dos principais problemas da cultura em algumas áreas das regiões Norte e Nordeste do
Brasil, especialmente nos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte,
Pará e Amapá (Figueiredo et al 2002).
O dano da T. licus licus, está associado ao complexo de podridões e causa a inversão da
sacarose, as perdas chegam até 60% da produção (Mendonça et al 1996c). Viveiros et al
(1992) realizaram estudos para verificar o efeito do dano da broca gigante sobre algumas
características agroindustriais e a capacidade de rebrota da cana-de-açúcar, obtendo reduções
de 0,37% em peso, 0,22% para pol e 1,20% no stand da cultura para a safra seguinte, a cada
1,00% de colmos atacados.
Os adultos de T. licus licus têm cerca de 35 mm de comprimento e 90 mm de
envergadura alar, e são de coloração escura, com algumas manchas brancas na região apical e
uma faixa transversal branca nas asas anteriores. As asas posteriores apresentam uma faixa
curva e transversal de coloração branca e sete manchas vermelhas na parte externa (Gallo et al
2002). Nas fêmeas o frênulo apresenta-se composto geralmente de sete ou mais cerdas
agrupados em formas de pincel, enquanto nos machos tem a forma de um simples espinho
curvo e grosso (Mendonça 1982).
Monte (1934) afirmou que as posturas dessa espécie são feitas nas horas quentes do
dia. As fêmeas efetuam a postura, que é variável de 50 a 100 ovos, em touceiras velhas, de
preferência no meio de detritos e de caules cortados (Gallo et al 2002).
Esses ovos apresentam inicialmente coloração rosada e, posteriormente, tornam-se de
coloração verde-azeitona e alaranjada, têm cerca de 4 mm de comprimento com cinco arestas
longitudinais (Gallo et al 2002). Em geral são encontrados de três a quatro ovos por touceiras,
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
entretanto, em áreas com grandes concentrações de adultos, já foram constatados até 27 ovos
em apenas um orifício entre o solo e o colmo da cana (Mendonça 1982).
As larvas de T. licus licus chegam a alcançar 90 mm de comprimento, após completo
desenvolvimento. Apresentam cor branco marfim, com algumas manchas pardas no pronoto.
A largura do corpo é levemente decrescente, sendo mais grosso na parte torácica e mais
delgada na anal. Em geral é encontrada apenas uma broca por colmo de cana, podendo uma
única broca perfurar mais de um colmo durante seu longo ciclo larval (Mendonça et al
1996c).
Segundo Mendonça (1982), a crisálida apresenta coloração castanho escura, medindo
cerca de 4 cm de comprimento. Encontra-se no interior do colmo sempre envolvida por um
casulo de fibras de cana. Antes de se transformar em crisálida, a larva faz uma pequena
perfuração lateral na base do colmo, por onde sairá o futuro adulto.
Em campo, no Nordeste do Brasil, a T. licus licus completa seu ciclo
de
desenvolvimento geralmente em 177 dias, com 10 dias de incubação, 110 dias de período
larval, 45 dias de crisálida e 12 dias de longevidade do adulto, apresentando dois ciclos
completos durante o ano (PLANALSUCAR 1982) (Figura 5).
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Figura 5. Ciclo biológico de Telchin licus licus
(Adaptado de: Viveiros 2008).
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
CAPÍTULO 1
Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao
Ataque de Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae) em Rio Largo, Estado de Alagoas
HULLY M. A. LIMA1, IVANILDO S. LIMA¹, JOSEMILDO V. A. JUNIOR¹, ALEXANDRE G. DUARTE¹
E ADRIANA G. DUARTE¹
¹Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias/UFAL, Campus Delza Gitaí, BR 104
Norte, Km 85, 57.100-000, Rio Largo-AL.
18
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Resumo - Este trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar o comportamento de
variedades RB (República do Brasil) de cana-de-açúcar em relação ao ataque de Diatraea
spp. Foram utilizados os sistemas de cultivo de sequeiro (terceira folha) e irrigado (segunda
folha). As variedades estudadas no cultivo de sequeiro foram: RB72454, RB867515,
RB971755, RB951541, RB931003, RB92579, RB863129 e RB93509. No cultivo irrigado,
além das variedades citadas, incluiu-se a RB98710. Em ambos os experimentos, as avaliações
foram realizadas a cada 30 dias. Os danos causados pela broca foram observados
externamente em todos os colmos presentes na amostra, obtendo-se a porcentagem de
intensidade de dano externo (% I.D.E.). A avaliação da porcentagem de intensidade de dano
interno (% I.D.I.) foi realizada por ocasião da colheita em 15 colmos de cada parcela. Os
resultados do sistema de cultivo sequeiro mostraram que, ao avaliar as variedades de forma
conjunta, verificou-se que os danos causados pela praga foram estatisticamente semelhantes.
Por outro lado, no sistema irrigado, pode-se verificar que a variedade RB971755 destacou-se
com a maior % I.D.E. Quanto ao complexo broca/podridão, por ocasião da colheita, as
variedades apresentaram comportamento semelhante. A % I.D.I. de Diatraea spp. e os
parâmetros agroindustriais não apresentaram correlações significativas, em ambos os sistemas
de cultivos.
Palavras-chave: Saccharum spp., brocas comuns, resistência de planta.
19
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Evaluation of Varieties RB (Republic of Brazil) of Sugar Cane in Relation to the Attack
of Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae)
Abstract – The aim of this work was to compare the intensity of damage caused by the sugar
cane borer Diatraea spp. in RB varieties. Two systems were used, rainfed (third ratoon) and
irrigated (second ratoon). The varieties studied in the rainfed cultivation were as follows:
RB72454, RB867515, RB971755, RB951541, RB931003, RB92579, RB863129, and
RB93509. For the irrigated system, the variety RB98710 was also included. In both
experiments, the evaluations were realized on a basis of approximately 30 days. The damages
caused by the borer were observed externally on every stalk present on each sample to obtain
the percentage of external damage (% I.D.E.). To evaluate the percentage of internal damage
(%I.D.I.), during the harvest, the samples were comprised of 15 stalks of sugar cane. The
results showed that the combined analysis of all varieties on the rainfed system, did not
present any statistically difference. On the other hand, on the irrigated system, it was observed
that the variety RB971755 showed the highest % I.D.E. Concerning the complex
borer/rottenness, during the harvest, the varieties showed similar behavior. In both systems of
cultivation, the % I.D.I. of Diatraea spp. and the agroindustrial parameters did not show a
positive correlation.
Key words: Saccharum spp., sugar cane borer, plant resistance.
20
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Introdução
A broca da cana-de-açúcar, Diatraea spp. (Lepidoptera: Crambidae), é um inseto de
ocorrência nas Américas, constituindo-se numa praga de grande importância econômica na
maioria dos países onde essa cultura tem se expandido (Botelho 1992).
Os danos provocados pelas larvas de Diatraea saccharalis (Fabricius, 1794) e
Diatraea flavipennella (Box, 1931) podem ser classificados em diretos e indiretos. Os danos
diretos são decorrentes da alimentação da larva, que abre galerias no colmo, ocasionando
perda de peso da planta, enraizamento aéreo, brotações laterais e morte das gemas. Quando a
larva faz galerias transversais, a cana fica mais suscetível ao acamamento pelo vento. Em
plantas novas, o ataque da broca provoca o secamento dos ponteiros, sintoma conhecido como
“coração morto”. Os danos indiretos são provocados por fungos, principalmente Fusarium
moniliforme e Colletotrichum falcatum, que penetram através dos orifícios e galerias feitas
pela broca, provocando a inversão da sacarose e o sintoma conhecido como podridão
vermelha (Gallo et al 2002).
A época adequada para controle da praga é quando for encontrada uma intensidade de
infestação igual ou superior a 3% (Gallo et al 2002). O controle desta praga pode ser realizado
de diferentes maneiras, tais como: coleta manual de larvas, manejo da época de plantio e o
manejo varietal (Mendonça et al 1996). Atualmente, o controle mais eficiente desse inseto
tem sido o biológico, por meio do parasitóide larval Cotesia flavipes (Cameron, 1891)
(Hymenoptera: Braconidae) e do parasitóide de ovos Trichogramma galloi Zucchi, 1988
(Hymenoptera: Trichogrammatidae), o qual tem sido utilizado como base do manejo
integrado da broca da cana-de-açúcar (Botelho et al 1999).
O controle biológico age a médio e longo prazo, exige investimentos incompatíveis
com a capacidade dos pequenos produtores. Mesmo para os grandes produtores que dispõem
de condições para a produção de parasitóides em laboratórios, quando há necessidade de
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
reduzir drasticamente a população da praga em grandes áreas em curto prazo, visando
diminuir os prejuízos, o controle biológico pode ser lento para atingir o objetivo (Macedo &
Botelho 1986).
Dessa forma, o uso de variedades resistentes apresenta inúmeras vantagens, entre elas
a de que a planta resistente é geralmente compatível com a aplicação de outras táticas de
manejo do inseto, incluindo o controle biológico. Todavia, em certos casos, a resistência a
insetos e o controle biológico podem ser antagonistas e é importante que sua interação seja
bem estudada antes dessas táticas serem implementadas em campo (Botelho et al 1999).
Mathes & Charpentier (19621) apud Lourenção et al (1982) assinalaram que a
resistência de cana-de-açúcar às brocas pode resultar de um ou mais dos seguintes fatores: a)
não atratividade da planta hospedeira à oviposição dos adultos; b) caracteres desfavoráveis da
planta ao estabelecimento de brocas em seu interior; c) caracteres da planta que inibem ou
retardam o desenvolvimento da broca, e d) tolerância ou habilidade da planta em produzir
bem, mesmo com alta infestação.
Apesar das vantagens da utilização de variedades resistentes como fator de redução de
incidência de pragas, poucos trabalhos foram realizados para avaliar o comportamento de
variedades de cana-de-açúcar ao ataque de insetos-praga. O presente trabalho objetivou
avaliar o comportamento de variedades RB de cana-de-açúcar nos sistemas de cultivo
sequeiro e irrigado, em relação ao ataque de Diatraea spp. no município de Rio Largo, Estado
de Alagoas.
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22
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Material e Métodos
O estudo foi conduzido em uma área experimental do Campus Delza Gitaí,
pertencente à Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias (U.A.CECA), da Universidade
Federal de Alagoas no município de Rio Largo, Estado de Alagoas (latitude 09°28’02”S,
longitude 35°49’43”W e 127m de altitude). Foram utilizados dois sistemas de cultivo de canade-açúcar, de sequeiro, em cana de terceira folha e de irrigado em cana de segunda folha,
tendo-se ambos um solo do tipo Latossolo Amarelo, Coeso Argissólico de textura média.
O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, com quatro
repetições, sendo que para o sistema cultivado em sequeiro, cada parcela foi constituída por
11 fileiras simples de 20,00 m e para o sistema cultivado sob irrigação foi de cinco fileiras
duplas de 15,00 m. As variedades estudadas no cultivo sequeiro foram: RB72454, RB867515,
RB971755, RB951541, RB931003, RB92579, RB863129, e RB93509 (Figura 6A). Para o
sistema irrigado, foi incluída a variedade RB98710, além das variedades citadas (Figura 6B).
O plantio da cana no cultivo sequeiro foi realizado na primeira quinzena do mês de
setembro de 2005, com um espaçamento de 1,0 m entre linhas, utilizando-se 18 gemas/metro
linear. A adubação da cana foi feita toda em fundação, colocando-se o adubo no fundo do
sulco, com os níveis de 100, 200 e 200 kg/ha respectivamente de N, P2O5 e K2O, além dos
micronutrientes (20 kg/ha de sulfato de manganês, 30 kg/ha de sulfato de zinco e 40 kg/ha de
sulfato de cobre). Para facilitar a distribuição dos micronutrientes, esses produtos foram
misturados com 90 kg de torta de filtro.
No cultivo irrigado a cana foi plantada em 23 de janeiro de 2007, com um
espaçamento de 1,50 m entre linhas, utilizando-se 12 gemas/metro linear. A adubação da cana
foi feita através de fertirrigação, com os níveis de 233, 138 e 152 kg, respectivamente, de N,
P2O5 e KCl, além dos micronutrientes. A irrigação foi feita por gotejamento sub-superficial,
23
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
com fitas gotejadoras de 22 mm, com gotejadores a cada 0,50 m e vazão de 1,0 litro.hora-1 por
emissor.
A
CROQUI EXPERIMENTO SEQUEIRO/PMGCA
Área total = 7568,00 m2
mm2
88,00 m
m
3
2
5
7
1
8
6
4
2
8
7
5
6
4
3
1
8
3
1
4
5
6
7
2
4
1
6
3
7
2
8
5
86,00 m
1= RB72454; 2 = RB867515; 3 = RB971755; 4 = RB951541;
5 = RB931003; 6 = RB92579; 7 = RB863129 e 8 = RB93509.
CROQUI EXPERIMENTO IRRIGADO/PMGCA
66,00 m
84,00 m
B
Área total = 5544,00 m2
6
9
7
1
2
4
3
9
1
2
4
5
3
5
1
8
7
8
6
2
8
6
5
4
9
3
2
3
4
1
8
7
5
7
9
6
1= RB867515; 2 = RB72454; 3 = RB931003; 4 = RB93509;
5 = RB98710; 6 = RB92579; 7 = RB863129; 8 = RB951541 e 9 = RB971755.
Figura 6. Croqui das áreas experimentais onde foram realizados os levantamentos, sequeiro
(A) e irrigado (B). Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de
Alagoas.
24
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Os dados climatológicos de precipitação pluviométrica (mm) e temperatura mínima,
média e máxima (ºC) foram obtidos por uma estação automática de aquisição de dados
Micrologger CR10X (Campbell Scienti.c, Logan, Utah) instalada a 300 m do campo
experimental, no período de fevereiro de 2008 a fevereiro de 2009 (Figura 7).
Figura 7. Dados climatológicos da área experimental. Unidade Acadêmica Centro de Ciências
Agrárias. Universidade Federal de Alagoas, Rio Largo – AL, fevereiro de 2008 a fevereiro de
2009.
Ao longo do ciclo da cultura foram realizados os levantamentos para o cálculo da
porcentagem de intensidade de dano externo (% I.D.E.) de Diatraea spp. No cultivo sequeiro,
os levantamentos foram realizados de maio a outubro de 2008; e no cultivo irrigado, de junho
a novembro de 2008. Por ocasião da colheita realizou-se mais um levantamento, o que
possibilitou avaliar o complexo broca/podridão, nos dois sistemas de cultivo, sequeiro e
irrigado, em dezembro de 2008 e em março de 2009, respectivamente.
Para a análise conjunta dos meses de avaliação de % I.D.E. os levantamentos foram
realizados em 1,0 m linear, tomado ao acaso, com auxilio de um gabarito confeccionado com
25
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
tubos de PVC. De acordo com Mendonça et al (1996), os danos causados pela broca foram
observados através da avaliação da parte externa de todos os colmos presentes na amostra,
sendo o cálculo da % I.D.E. realizado através da fórmula: (n° de entrenós perfurados/n° total
de entrenós) x 100.
Para a avaliação da porcentagem de intensidade de dano interno (% I.D.I.) por ocasião
da colheita, as amostragens foram realizadas em 15 colmos de cada variedade retirados da
leira ao acaso. Todos os colmos foram abertos no sentido longitudinal, obtendo-se assim a
porcentagem de entrenós danificados pelo complexo broca/podridão através da seguinte
fórmula: [n° de entrenós danificados (broca + podridão)/n° total de entrenós] x 100.
A produtividade agrícola de cada variedade foi estimada a partir da pesagem dos
colmos das duas linhas centrais de cada parcela (30 metros lineares), logo após a colheita da
cana, com o auxílio de um dinamômetro. Os parâmetros tecnológicos agroindustriais foram
analisados de acordo com a sistemática de pagamento de cana-de-açúcar pelo teor de
sacarose. Nessas análises foram obtidas Fibra (porcentagem de matéria insolúvel em água
contida no caldo), Pol da cana (porcentagem aparente de sacarose), Brix (porcentagem de
sólidos solúveis, incluindo a sacarose, no caldo) e ATR (açúcar total recuperável, expresso em
kg/t de colmos). As análises agroindustriais foram realizadas no laboratório da Usina Santa
Clotilde, em Rio Largo – AL.
Para a análise estatística, os dados de % I.D.E. e % I.D.I. foram transformados em arco
sen
e, em seguida, todos os parâmetros observados foram comparados pelo teste de
Tukey a 5% de probabilidade. As correlações entre % de intensidade de dano interno de
Diatraea spp. e os parâmetros tecnológicos agroindustriais foram realizadas pelo teste t a 5%
de probabilidade.
26
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Resultados e Discussão
As médias obtidas durante os seis meses de avaliação, no sistema de cultivo sequeiro,
revelaram um aumento no ataque da broca comum ao longo do experimento, constatando-se
diferenças significativas no mês de agosto, onde a variedade RB951541 destacou-se com a
maior intensidade de dano externo, enquanto a variedade RB863129 apresentou-se livre da
praga. Durante este período, as demais variedades apresentaram comportamento semelhante,
não diferindo estatisticamente das variedades citadas anteriormente (Tabela 1). Neste trabalho
apenas se observou o comportamento da praga em variedades RB, impossibilitando uma
comparação com os resultados obtidos por Souza et al (2008), que afirmaram que a incidência
de Diatraea spp. pode ser bastante reduzida com a adoção das variedades SP88-817 e SP76112 de cana-de-açúcar.
Os resultados do levantamento realizado por ocasião da colheita indicaram que, ao
final do terceiro ano de observação, as oito variedades apresentaram comportamento
semelhante em relação ao ataque de Diatraea spp. (Tabela 2). No entanto, no primeiro ano de
observação, Araújo Junior (2008) relatou que a variedade RB971755 havia sido mais
danificada pelo ataque de Diatraea spp. do que as variedades RB92579, RB867515, RB93509
e RB863129. Em cana de segunda folha, Duarte (2009), verificou que a variedade RB951541
apresentou menores índices de infestação, enquanto que RB931003 e RB93509 foram as mais
atacadas pela praga. Viveiros et al (2008) classificaram os genótipos RB92579, RB931580,
RB931611, RB9438, RB9629 e RB971747 como resistentes e SP79-1011, RB971754 e
RB971720 como suscetíveis, tanto em cana-planta como em soca. Lara (1979) mencionou
que muitas plantas apresentam fatores de resistência, que se manifestam em determinada
idade, podendo, portanto, ser consideradas resistentes numa fase e suscetíveis na outra.
27
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Tabela 1. Média (± EP) da porcentagem da intensidade de dano externo (% I.D.E.) de Diatraea spp. em oito variedades de cana-de-açúcar, em
seis meses de avaliação, no sistema de cultivo sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2008.
Ano III.
Variedades
Mai/2008
Jun/2008
Jul/2008
Ago/2008
Set/2008
Out/2008
Média
RB72454
1,21 ± 1,21 a
0,53 ± 0,32 a
1,61 ± 1,14 a
1,61 ± 0,69 ab
1,66 ± 0,65 a
1,92 ± 0,81 a
1,42 a
RB863129
0,21 ± 0,21 a
0,93 ± 0,93 a
0,32 ± 0,32 a
0,00 ± 0,00 a
1,41 ± 1,07 a
1,11 ± 0,55 a
0,66 a
RB951541
0,56 ± 0,56 a
0,71 ± 0,26 a
0,95 ± 0,34 a
3,30 ± 0,96 b
2,85 ± 0,66 a
1,82 ± 0,70 a
1,70 a
RB92579
0,42 ± 0,42 a
0,58 ± 0,39 a
0,52 ± 0,32 a
1,13 ± 0,67 ab
2,57 ± 1,39 a
0,70 ± 0,41 a
0,99 a
RB867515
0,00 ± 0,00 a
0,87 ± 0,51 a
0,89 ± 0,59 a
1,62 ± 1,00 ab
1,02 ± 0,58 a
2,20 ± 0,90 a
1,10 a
RB971755
0,58 ± 0,34 a
1,74 ± 1,17 a
1,23 ± 0,72 a
3,66 ± 2,31 ab
3,33 ± 0,90 a
2,44 ± 0,88 a
2,16 a
RB93509
1,16 ± 1,16 a
0,79 ± 0,55 a
0,48 ± 0,48 a
0,54 ± 0,54 ab
2,04 ± 0,96 a
3,41 ± 1,05 a
1,40 a
RB931003
0,00 ± 0,00 a
0,78 ± 0,56 a
0,50 ± 0,50 a
1,51 ± 0,67 ab
1,85 ± 0,46 a
1,63 ± 0,53 a
1,05 a
Média
0,52
0,87
0,81
1,67
2,09
1,90
CV %
15,36
13,90
12,62
13,29
13,11
12,88
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
28
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Tabela 2. Média (± EP) da porcentagem da intensidade de dano interno (% I.D.I.) de Diatraea spp. e parâmetros tecnológicos agroindustriais por
ocasião da colheita em oito variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio
Largo, Estado de Alagoas, 2008. Ano III.
Produtividade
Variedades
% I.D.I.
(t.ha¹)
Pol
Fibra
Brix
ATR
RB72454
1,92 ± 0,81 a
62,33 ± 5,69 c
20,11 ± 0,18 abc
13,55 ± 0,88 a
22,48 ± 0,20 abc
157,58 ± 2,51 ab
RB863129
1,11 ± 0,55 a
84,67 ± 3,79 abc
17,58 ± 0,36 d
12,43 ± 0,46 a
21,08 ± 0,26 d
145,66 ± 2,57 b
RB951541
1,82 ± 0,70 a
81,67 ± 3,62 abc
20,43 ± 0,28 ab
12,97 ± 0,49 a
22,75 ± 0,18 ab
161,40 ± 2,87 a
RB92579
0,70 ± 0,41 a
95,67 ± 3,51 ab
19,33 ± 0,26 abcd
12,88 ± 0,70 a
22,25 ± 0,25 abcd
155,39 ± 2,48 ab
RB867515
2,20 ± 0,90 a
99,33 ± 7,55 ab
19,68 ± 0,49 abc
12,80 ± 0,61 a
22,33 ± 0,33 abcd
157,33 ± 3,13 ab
RB971755
2,44 ± 0,88 a
74,00 ± 2,65 bc
21,05 ± 0,43 a
14,11 ± 0,73 a
23,45 ± 0,32 a
162,94 ± 2,92 a
RB93509
3,41 ± 1,05 a
100,67 ± 7,09 ab
18,49 ± 0,49 cd
13,83 ± 0,63 a
21,35 ± 0,22 cd
146,72 ± 3,60 b
RB931003
1,63 ± 0,53 a
106,67 ± 8,04 a
19,03 ± 0,46 bcd
13,27 ± 0,20 a
21,77 ± 0,47 bcd
151,63 ± 3,19 ab
CV%
13,45
12,02
3,90
8,65
2,56
3,74
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
29
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Com relação aos parâmetros agroindustriais, a variedade RB931003 destacou-se com
produtividade agrícola superior a 106 toneladas de colmo ha-1, porém diferiu estatisticamente
apenas das variedades RB72454 e RB971755. O pol e o brix da variedade RB971755 foram
significativamente maiores que da variedade RB863129. O ATR das variedades RB951541 e
RB971755 foram significativamente maiores que das variedades RB93509 e RB863129, as
demais variedades não diferiram estatisticamente das variedades citadas anteriormente. Com
relação à fibra não houve diferença significativa entre as variedades (Tabela 2).
As médias obtidas durante os seis meses de avaliação, no sistema de cultivo irrigado,
indicaram um aumento no ataque da broca comum ao longo do experimento, estando, no mês
de junho, todas as variedades livres da praga (Tabela 3). Duarte (2009), avaliando as mesmas
variedades, em cana-planta, constatou que também houve um aumento no ataque de Diatraea
spp. ao longo do experimento, destacando-se as variedades RB72454 e RB92579 como livres
do ataque da praga no mês de junho. A cana-planta sofre ataque mais severo quando
comparadas à soca. Isto de deve ao fato da cana-planta possuir um maior vigor vegetativo e
ficar exposta durante um período maior à praga.
Apenas no mês de novembro verificou-se diferenças significativas entre as variedades,
destacando-se a RB971755 com a maior porcentagem de dano externo, enquanto a variedade
RB93509 apresentou menor dano. As demais variedades apresentaram comportamento
semelhante, não diferindo estatisticamente das variedades citadas anteriormente (Tabela 3).
Ao avaliar-se as nove variedades de forma conjunta, verificou-se que os danos
causados por Diatraea spp. na variedade RB971755, com média igual 2,26%, foram
significativamente superiores ao observado para as variedades RB93509 e RB98710. As
demais variedades não diferiram estatisticamente das variedades citadas anteriormente
(Tabela 3). Uma possível explicação para o bom desempenho das variedades RB93509 e
RB98710 é o fato de que, tanto o perfilhamento como sua rebrota, são excelentes, resultando
30
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
em um maior número de colmos por unidade de área, contribuindo para diluir os danos da
praga, nessa mesma área. O comportamento negativo da variedade RB971755 sugere que, se
cultivada em extensas áreas, poderá apresentar maiores prejuízos em relação às demais
variedades estudadas, devido ao ataque de Diatraea spp.
Os resultados do levantamento realizado por ocasião da colheita indicaram que as
nove variedades apresentaram comportamento semelhante em relação ao ataque de Diatraea
spp. (Tabela 4). Deve-se considerar que a caracterização de uma variedade suscetível ao
ataque de pragas deve ser realizada com base no comportamento médio da mesma, em
diversos anos e locais, visto que as variações edafoclimáticas são de extrema importância.
Duarte (2009), afirmou que, em cana de primeira folha, a variedade RB93509 apresentou
maior tolerância ao ataque das brocas e a variedade RB867515 se revelou como a mais
suscetível. Derneika & Lara (1991) concluíram que as variedades SP71-345, SP71-6113 e
SP71-1081 comportaram-se como moderadamente resistentes, enquanto CP51-22, SP71-3146
e SP71-5574 foram altamente suscetíveis a D. saccharalis e afirmaram que os níveis de
infestação variaram de acordo com a região.
Com relação aos parâmetros agroindustriais, não se constataram diferenças
significativas entre as variedades em relação à produtividade agrícola, ATR, pol e brix.
Quanto à fibra, a variedade RB931003 foi significativamente maior que as variedades
RB863129, RB72454, RB951541 e RB98710, as demais variedades não diferiram
estatisticamente das variedades citadas anteriormente (Tabela 4). Barbosa et al (2008)
verificaram que as variedades RB92579, RB93509 e RB867515 apresentaram altas
produtividades agrícolas e altos teores de açúcares totais recuperáveis, superando em mais de
30% os rendimentos obtidos por outras variedades mais cultivadas.
Nos dois sistemas de cultivo, os valores de % de intensidade de dano interno de
Diatraea spp. não apresentaram correlações significativas com os parâmetros agroindustriais
31
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
avaliados por ocasião da colheita (Tabela 5). No entanto, Botelho et al (1999) relataram, em
cana-planta, em canavial da variedade RB72454, uma redução de 2,2% em peso, 7,5% em
açúcar e 21,8% em álcool em áreas de cana-de-açúcar sem nenhum tipo de controle da broca.
32
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Tabela 3. Média (± EP) da porcentagem da intensidade de dano externo (% I.D.E.) de Diatraea spp. em nove variedades de cana-de-açúcar, em
seis meses de avaliação, no sistema de cultivo irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2008.
Ano II.
Variedades
Jun/2008
Jul/2008
Ago/2008
Set/2008
Out/2008
Nov/2008
Média
RB72454
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
3,03 ± 1,91 a
0,87 ± 0,47 a
1,37 ± 0,45 a
1,00 ± 0,23 ab
1,05 ab
RB863129
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
1,84 ± 0,82 a
0,35 ± 0,35 a
1,43 ± 0,71 a
2,25 ± 0,94 ab
0,98 ab
RB951541
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,53 ± 0,31 a
1,44 ± 0,64 a
1,59 ± 0,50 a
3,58 ± 1,67 ab
1,19 ab
RB92579
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,71 ± 0,71 a
2,06 ± 2,06 a
1,01 ± 0,34 a
2,47 ± 1,59 ab
1,04 ab
RB867515
0,00 ± 0,00 a
0,70 ± 0,41 a
0,34 ± 0,34 a
0,92 ± 0,58 a
0,41 ± 0,25 a
2,05 ± 0,71 ab
0,74 ab
RB971755
0,00 ± 0,00 a
0,77 ± 0,56 a
2,93 ± 1,43 a
3,37 ± 0,95 a
1,88 ± 0,85 a
4,59 ± 2,97 a
2,26 a
RB93509
0,00 ± 0,00 a
0,85 ± 0,85 a
0,00 ± 0,00 a
0,48 ± 0,30 a
0,34 ± 0,21 a
0,51 ± 0,33 b
0,36 b
RB931003
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,98 ± 0,98 a
1,45 ± 0,69 a
0,70 ± 0,51 a
1,18 ± 0,28 ab
0,72 ab
RB98710
0,00 ± 0,00 a
0,93 ± 0,93 a
0,18 ± 0,18 a
0,76 ± 0,46 a
0,65 ± 0,38 a
0,73 ± 0,12 ab
0,54 b
Média
0,00
0,36
1,17
1,30
1,04
2,04
CV %
0,00
13,13
17,57
14,79
12,69
11,08
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
33
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Tabela 4. Média (± EP) da porcentagem da intensidade de dano interno (% I.D.I.) de Diatraea spp. e parâmetros tecnológicos agroindustriais por
ocasião da colheita em nove variedades de cana-de-açúcar, no sistema de cultivo irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio
Largo, Estado de Alagoas, 2009. Ano II.
Produtividade
Variedades
% Infestação
(t.ha¹)
Pol
Fibra
Brix
ATR
RB72454
2,33 ± 0,61 a
116,67 ± 9,08 a
15,82 ± 0,44 a
13,07 ± 0,35 b
18,30 ± 0,33 a
129,60 ± 3,35 a
RB863129
2,83 ± 0,87 a
109,88 ± 4,37 a
15,14 ± 1,34 a
13,07 ± 0,20 b
18,13 ± 1,16 a
124,94 ± 9,83 a
RB951541
2,58 ± 0,30 a
114,81 ± 6,65 a
16,26 ± 0,40 a
13,27 ± 0,24 b
18,38 ± 0,51 a
132,04 ± 2,73 a
RB867515
2,39 ± 0,44 a
124,69 ± 8,60 a
16,28 ± 0,26 a
13,33 ± 0,19 ab
18,75 ± 0,13 a
132,46 ± 1,42 a
RB931003
1,99 ± 0,59 a
134,57 ± 6,76 a
16,11 ± 0,43 a
14,58 ± 0,07 a
18,93 ± 0,48 a
128,63 ± 3,34 a
RB92579
2,15 ± 0,82 a
154,63 ± 10,13 a
17,07 ± 0,59 a
13,63 ± 0,22 ab
19,13 ± 0,72 a
137,32 ± 4,15a
RB93509
2,16 ± 0,85 a
133,33 ± 10,25 a
16,09 ± 0,57 a
13,83 ± 0,33 ab
18,73 ± 0,49 a
130,00 ± 3,86 a
RB971755
4,60 ± 1,52 a
120,99 ± 10,43 a
15,56 ± 0,64 a
13,49 ± 0,24 ab
18,65 ± 0,60 a
127,24 ± 4,77 a
RB98710
2,57 ± 0,67 a
139,81 ± 10,13 a
16,99 ± 1,03 a
13,28 ± 0,23 b
19,70 ± 0,77 a
138,22 ± 7,22 a
CV%
9,00
13,78
8,96
3,84
7,01
7,95
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
34
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Tabela 5. Correlação entre % da Intensidade de Dano Interno de Diatraea spp. e os
parâmetros agroindustriais observados por ocasião da colheita nos sistemas de cultivo
sequeiro (dezembro de 2008) e irrigado (março de 2009). Universidade Federal de Alagoas,
município de Rio Largo, Estado de Alagoas.
Parâmetros
agroindustriais
Produtividade
(t/ha)
Pol da cana
% I.D.I. sistema
sequeiro
0,0381 ns
0,1791 ns
0,7052 ns 0,0749 ns -0,0041 ns
% I.D.I. sistema
irrigado
-0,3680 ns
-0,4476 ns
-0,2756 ns -0,1715 ns -0,3647 ns
Fibra
Brix
ATR
ns – não significativo pelo teste “t” 5%.
35
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Conclusões
No sistema de cultivo irrigado, verifica-se que o dano causado por Diatraea spp. na
variedade RB971755, é significativamente superior ao observado para as variedades RB93509
e RB98710.
Com base no complexo broca/podridão por ocasião da colheita, nos sistemas de
cultivo sequeiro e irrigado, as variedades apresentam comportamento semelhante em relação à
porcentagem de intensidade de dano interno de Diatraea spp.
Nos dois sistemas de cultivo, os valores de % de intensidade de dano interno de
Diatraea spp. não apresentam correlações significativas com os parâmetros agroindustriais.
36
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Literatura Citada
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
CAPÍTULO 2
Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao
Ataque de Mahanarva spp. (Hemiptera: Cercopidae) em Rio Largo, Estado de Alagoas
HULLY M. A. LIMA1, IVANILDO S. LIMA¹, JOSEMILDO V. A. JUNIOR¹, ALEXANDRE G. DUARTE¹
E ADRIANA G. DUARTE¹
¹Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias/UFAL, Campus Delza Gitaí, BR 104
Norte, Km 85, 57.100-000, Rio Largo-AL.
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Resumo - O objetivo deste trabalho foi avaliar o comportamento de variedades RB
(República do Brasil) de cana-de-açúcar em relação ao ataque de Mahanarva spp. Foram
utilizados os sistemas de cultivo de sequeiro (terceira folha) e irrigado (segunda folha). As
variedades estudadas no cultivo de sequeiro foram: RB72454, RB867515, RB971755,
RB951541, RB931003, RB92579, RB863129 e RB93509. No cultivo irrigado, além das
variedades citadas, incluiu-se a RB98710. Ao longo do período de avaliação foram realizados
levantamentos para estimar a infestação de Mahanarva spp. Os resultados do sistema de
cultivo sequeiro mostraram que no mês de maio do ano de 2008 ocorreu um pico populacional
muito nítido de M. fimbriolata, diminuindo significativamente nos meses seguintes. Também
verificou-se que não foi possível identificar uma variedade com característica marcante de
preferência pela praga. Os resultados do sistema de cultivo irrigado mostraram que não se
constatou diferença significativa entre nenhuma das variedades estudadas nas diferentes
épocas de avaliação. Assim como observado no sistema de sequeiro, também não foi possível
identificar uma variedade com característica marcante de preferência pela praga no sistema
irrigado.
Palavras-chave: Saccharum spp., cigarrinhas da cana-de-açúcar, resistência de planta.
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Evaluation of Varieties RB (Republic of Brazil) of Sugar Cane in Relation to the Attack
of Mahanarva spp. (Hemiptera: Cercopidae).
Abstract - The aim of this work was to evaluate the infestation of spittlebugs Mahanarva
spp., in varieties RB (Republic of Brazil) of sugar cane. Two systems of plantation were used,
rainfed (third ratoon) and irrigated (second ratoon). The varieties studied in the rainfed
cultivation were as follows: RB72454, RB867515, RB971755, RB951541, RB931003,
RB92579, RB863129 and RB93509. In the irrigated cultivation, besides the varieties above
mentioned, RB98710 was also included. Observations were carried out along the cycle of the
culture to estimate the infestation of Mahanarva spp. The results of the rainfed system of
cultivation showed that during the month of may it occurred a very clear peak on the M.
fimbriolata population, which decreased significantly on the following months. It was not
possible to identify a variety with a marked preference by the pest. The results of the irrigated
system showed no significant difference among the RB varieties studied at different
evaluation times. As for the rainfed system, it was not possible to identify a variety with
marked preference by the pest on the irrigated system.
Key words: Saccharum spp., spittlebugs of sugar cane, plant resistance.
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Introdução
As cigarrinhas da cana-de-açúcar, Mahanarva spp. (Hemiptera: Cercopidae) têm
causado danos significativos à cultura, por reduzir a produtividade agrícola e a qualidade
tecnológica da cana-de-açúcar, sendo considerada atualmente uma das pragas de maior
importância econômica para a cana-de-açúcar. Dentre as espécies de cigarrinhas que ocorrem
no Brasil, destacam-se, a cigarrinha-da-raiz Mahanarva fimbriolata (Stål, 1854) e a
cigarrinha-da-folha Mahanarva posticata (Stål, 1855) (Guagliumi 1972-73).
O corte mecanizado de cana crua deixando sobre o solo uma espessa camada de palha
vem contribuindo para uma rápida dispersão e aumento dos níveis de infestação da praga. A
camada de palha que permanece sobre o solo após o corte mecanizado da cana crua, age como
uma estufa a céu aberto, em toda extensão do canavial, alterando o microclima da superfície
do solo, passando a oferecer melhores condições climáticas para o desenvolvimento da praga
(Mendonça & Mendonça 2005).
As ninfas M. fimbriolata causam a "desordem fisiológica" em decorrência das picadas
que atingem os elementos traqueais da raiz e os deterioram, dificultando ou impedindo o fluxo
de água e de nutrientes, caracterizado pela desidratação do floema e do xilema. Ao contrário
das ninfas, os adultos alimentam-se das folhas e ocasionam a "queima da cana-de-açúcar",
consequência das toxinas, injetadas ao se alimentar, reduzindo sensivelmente a capacidade de
fotossíntese da planta (Garcia et al 2007).
As ninfas de M. posticata ao contrário das ninfas de M. fimbriolata, parecem não
causar maiores danos à cana-de-açúcar, ao sugarem a seiva na região do cartucho ou das
bainhas. Quando em grandes populações no cartucho da cana, chegam a causar um
amarelecimento temporário nas folhas mais jovens (Mendonça & Marques 2005).
Segundo Mendonça et al (1996), a estratégia de controle das cigarrinhas da raiz e da
folha inicia-se com o monitoramento da praga. O monitoramento das cigarrinhas deverá ser
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
realizado no início do período chuvoso e durante todo o período de infestação, para que se
possa acompanhar a evolução ou o controle da praga. Para a cigarrinha-da-raiz o nível de
dano econômico (NDE) é de 20 ninfas/metro linear e 1 adulto/cana; e o nível de controle
(NC) é de 2-4 ninfas/metro e 0,5 a 0,75 adultos/cana. Para a cigarrinha-da-folha o NDE é de
5 ninfas/metro e 1 adulto/cana; e o NC é de 2,5 ninfas/metro e de 0,5 adultos/cana.
Dinardo-Miranda et al (2003) ressaltam que, embora alguns inseticidas sintéticos se
mostrem eficientes, existe um grande interesse em reduzir as doses utilizadas, não somente
para diminuir os custos do controle, mas também para reduzir a quantidade de produtos
químicos aplicados à lavoura, o que minimizaria os eventuais impactos ambientais causados
por esses produtos.
O controle biológico com macro ou microrganismos é um dos principais componentes
do manejo integrado de cigarrinha (Alves & Almeida 1997). O principal agente de controle
biológico com ocorrência natural, utilizado amplamente em áreas comerciais no Brasil e em
vários países da America Latina é o fungo Metarhizium anisopliae (Metsch) (Sorokin, 1883).
A estratégia de controle deveria envolver táticas do manejo integrado de pragas e a resistência
varietal permitiria obter variedades de cana-de-açúcar que tolerassem a praga sem sofrer
grandes prejuízos, facilitando a prática do controle biológico (Mendonça & Mendonça 2005).
Devido à importância econômica das cigarrinhas para o Estado de Alagoas, o presente
trabalho objetivou avaliar o comportamento de variedades RB (República do Brasil) de canade-açúcar nos sistemas de cultivo sequeiro e irrigado em relação ao ataque de Mahanarva spp.
no município de Rio Largo, Estado de Alagoas.
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Material e Métodos
O estudo foi conduzido em uma área experimental do Campus Delza Gitaí,
pertencente à Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias (U.A.CECA), da Universidade
Federal de Alagoas no município de Rio Largo, Estado de Alagoas (latitude 09°28’02”S,
longitude 35°49’43”W e 127m de altitude). Foram utilizados dois sistemas de cultivo de canade-açúcar, de sequeiro, em cana de terceira folha e de irrigado em cana de segunda folha,
tendo-se ambos um solo do tipo Latossolo Amarelo, Coeso Argissólico de textura média.
O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, com quatro
repetições, sendo que para o sistema cultivado em sequeiro, cada parcela foi constituída por
11 fileiras simples de 20,00 m e para o sistema cultivado sob irrigação foi de cinco fileiras
duplas de 15,00 m. As variedades estudadas no cultivo sequeiro foram: RB72454, RB867515,
RB971755, RB951541, RB931003, RB92579, RB863129, e RB93509 (Figura 6A). Para o
sistema irrigado, foi incluída a variedade RB98710, além das variedades citadas (Figura 6B).
O plantio da cana no cultivo sequeiro foi realizado na primeira quinzena do mês de
setembro de 2005, com um espaçamento de 1,0 m entre linhas, utilizando-se 18 gemas/metro
linear. A adubação da cana foi feita toda em fundação, colocando-se o adubo no fundo do
sulco, com os níveis de 100, 200 e 200 kg/ha respectivamente de N, P2O5 e K2O, além dos
micronutrientes (20 kg/ha de sulfato de manganês, 30 kg/ha de sulfato de zinco e 40 kg/ha de
sulfato de cobre). Para facilitar a distribuição dos micronutrientes, esses produtos foram
misturados com 90 kg de torta de filtro.
No cultivo irrigado a cana foi plantada em 23 de janeiro de 2007, com um
espaçamento de 1,50 m entre linhas, utilizando-se 12 gemas/metro linear. A adubação da cana
foi feita através de fertirrigação, com os níveis de 233, 138 e 152 kg, respectivamente, de N,
P2O5 e KCl, além dos micronutrientes. A irrigação foi feita por gotejamento sub-superficial,
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
com fitas gotejadoras de 22 mm, com gotejadores a cada 0,50 m e vazão de 1,0 litro.hora-1 por
emissor.
Os dados climatológicos de precipitação pluviométrica (mm) e temperatura mínima,
média e máxima (ºC) foram obtidos por uma estação automática de aquisição de dados
Micrologger CR10X (Campbell Scienti.c, Logan, Utah) instalada a 300 m do campo
experimental, no período de fevereiro de 2008 a fevereiro de 2009 (Figura 7).
Ao longo do ciclo da cultura foram realizados levantamentos para estimar a infestação
de Mahanarva spp. As avaliações da infestação, no sistema sequeiro, foram realizadas de
maio a outubro de 2008; e no sistema irrigado, de junho a novembro de 2008.
Nas amostragens foram contados o número de adultos por cana e o número de ninfas
por metro linear. Vale salientar que, para visualizar e possibilitar a contagem das ninfas e
adultos nas raízes, os mesmos, foram retirados da região radicular na sub-superfície do solo,
com auxílio de um palito de madeira, com cerca de 20 cm de comprimento e 0,5 cm de
diâmetro. O reconhecimento da cigarrinha-da-raiz, em campo, foi realizado de acordo com
Mendonça & Mendonça (2005), e o da cigarrinha-da-folha conforme Mendonça & Marques
(2005).
Para a análise conjunta dos meses de avaliação de infestação, os levantamentos foram
realizados em 1,0 m linear de cada parcela experimental, tomado ao acaso com o auxilio de
um gabarito confeccionado com tubos de PVC. Os adultos de cigarrinha-da-raiz foram
contados em todos os colmos do espaço amostral e também nas raízes das plantas. As ninfas
de cigarrinha-da-raiz foram contadas em toda a extensão do espaço amostral.
A produtividade agrícola de cada variedade foi estimada a partir da pesagem dos
colmos das duas linhas centrais de cada parcela (30 metros linear), logo após a colheita da
cana, com o auxílio de um dinamômetro. Os parâmetros tecnológicos agroindustriais foram
analisados de acordo com a sistemática de pagamento de cana-de-açúcar pelo teor de
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
sacarose. Nessas análises foram obtidas Fibra (porcentagem de matéria insolúvel em água
contida no caldo), Pol da cana (porcentagem aparente de sacarose), Brix (porcentagem de
sólidos solúveis, incluindo a sacarose, no caldo) e ATR (açúcar total recuperável, expresso em
kg/t de colmos). As análises agroindustriais foram realizadas no laboratório da Usina Santa
Clotilde, em Rio Largo – AL.
Para a análise estatística, os dados populacionais das cigarrinhas foram transformados
em
e, em seguida, todos os parâmetros observados foram comparados pelo teste de
Tukey a 5% de probabilidade. Uma vez que a maioria das formas biológicas de Mahanarva
spp. encontradas durante as amostragens constituiu-se de ninfas, as análises foram feitas
agrupando-se esses dados aos de adultos encontrados nas folhas e nas raízes.
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Resultados e Discussão
Durante o período de avaliação da infestação de Mahanarva spp., nos sistemas de
cultivo sequeiro e irrigado, não ocorreu infestação por M. posticata.
Através dos dados observados nos levantamentos mensais, no terceiro ano do sistema
de cultivo sequeiro, verificou-se que as ninfas de M. fimbriolata começaram a eclodir no
inicio de maio de 2008, após as condições climáticas se tornarem favoráveis para o seu
desenvolvimento. Neste mês, ocorreu um pico populacional muito nítido, diminuindo
significativamente nos meses seguintes (Figura 8). O ciclo vital dessa cigarrinha ocorre no
período das chuvas, desaparecendo na seca, quando os ovos estão em diapausa (Guagliumi
1972-73). Segundo Duarte (2009), fato semelhante a este ocorreu no segundo ano de
avaliação da infestação de M. fimbriolata em cana-de-açúcar, onde constatou-se que o número
médio de insetos aumentou no mês de junho, período em que o índice de precipitação
começou a aumentar.
Figura 8. Média da infestação de M. frimbiolata em cana de açúcar e precipitação mensal
(mm), no sistema de cultivo sequeiro, no período de maio a outubro de 2008. Universidade
Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas.
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Observando-se os dados relativos a infestação de ninfas e adultos nos diferentes meses
de avaliação, constataram-se diferenças significativas nos meses de maio e junho. No mês
maio de 2008, verificou-se que a variedade RB92579 mostrou-se mais favorável a cigarrinhada-raiz, com infestação significativamente superior a apresentada pela variedade RB931003,
enquanto que as demais variedades apresentaram comportamento semelhante, não diferindo
estatisticamente das variedades citadas anteriormente. No mês de junho, a variedade RB93509
apresentou maior média de infestação por M. fimbriolata, enquanto a variedade RB863129
mostrou-se livre da praga; as demais variedades apresentaram comportamento semelhante. As
avaliações dos meses subseqüentes não apresentaram diferenças significativas entre as
variedades estudadas (Tabela 6). Dinardo-Miranda et al (2001), afirmaram que, nas condições
do município de Guaíra, Estado de São Paulo, as infestações de cigarrinha-da-raiz são maiores
na cultura colhida em maio, e atribuíram esse fato ao maior tamanho das plantas quando do
pico populacional da praga.
Analisando-se as oito variedades de forma conjunta, verificou-se que as infestações de
M. fimbriolata foram estatisticamente semelhantes, ou seja, não foi possível identificar uma
variedade com característica marcante de preferência pela praga (Tabela 6). Araújo Junior et
al (2008), em estudos em cana planta no sistema de cultivo sequeiro, relatou que a infestação
de cigarrinha-da-raiz na variedade RB867515 obteve uma média anual de 7,81 insetos.metro
linear-1, sendo superior às médias encontradas para as variedades RB863129, RB72454,
RB931003, RB93509, RB971755 e RB951541. Mendonça & Mendonça (2005), observaram
que a variedade RB72454, por ter um sistema radicular bem desenvolvido e superficial, é
severamente atacada pela cigarrinha-da-raiz. Neste trabalho, todavia, esse fato não se
confirmou. Vale salientar que muitas plantas apresentam fatores de resistência, que se
manifestam em determinada idade, podendo, portanto, ser consideradas resistentes numa fase
e suscetíveis na outra (Lara 1979).
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Tabela 6. Média (± EP) da infestação de Mahanarva fimbriolata em oito variedades de cana-de-açúcar, em seis meses de avaliação, no sistema
de cultivo sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2008. Ano III.
Variedades
Mai/2008
Jun/2008
Jul/2008
Ago/2008
Set/2008
Out/2008
Média
RB72454
14,75 ± 4,71 ab
0,75 ± 0,48 ab
0,25 ± 0,25 a
0,25 ± 0,12 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
2,67 a
RB863129
6,25 ± 0,48 ab
0,00 ± 0,00 b
0,75 ± 0,48 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,67 a
RB951541
10,00 ± 3,03 ab
0,50 ± 0,50 ab
0,25 ± 0,25 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,25 ± 0,25 a
1,83 a
RB92579
15,00 ± 3,67 a
1,25 ± 0,25 ab
4,00 ± 2,35 a
0,75 ± 0,48 a
0,25 ± 0,25 a
0,00 ± 0,00 a
3,54 a
RB867515
7,75 ± 0,48 ab
0,50 ± 0,29 ab
6,75 ± 4,31 a
0,25 ± 0,25 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
2,54 a
RB971755
15,75 ± 5,51 ab
1,00 ± 0,58 ab
0,50 ± 0,29 a
0,50 ± 0,29 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
2,96 a
RB93509
12,00 ± 4,71 ab
2,25 ± 0,75 a
0,50 ± 0,29 a
0,00 ± 0,00 a
0,25 ± 0,25 a
0,00 ± 0,00 a
2,21 a
RB931003
2,75 ± 1,18 b
0,75 ± 0,75 ab
0,00 ± 0,00 a
0,50 ± 0,25 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,67 a
Média
10,53 a
0,88 b
1,63 b
0,28 b
0,06 b
0,03 b
CV %
24,27
15,42
38,74
8,81
5,55
3,86
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Souza et al (2008) afirmaram que a incidência da cigarrinha-da-raiz pode ser bastante
reduzida com a adoção das variedades SP88-817 e SP76-112 de cana-de-açúcar. DinardoMiranda et al (2001), estudando a infestação de cigarrinhas, em diferentes variedades de canade-açúcar, constataram que IAC83-2396, SP80-1842 e RB825336 foram severamente
atacadas, enquanto que IAC82-3092, IAC87-3187 e PO86-1107 apresentaram menores níveis
populacionais de M. fimbriolata.
Com relação aos parâmetros agroindustriais, a variedade RB931003 destacou-se com
produtividade agrícola superior a 106 toneladas de colmo ha-1, porém diferiu estatisticamente
apenas das variedades RB72454 e RB971755. O pol e o brix da variedade RB971755 foram
significativamente maiores que da variedade RB863129. O ATR das variedades RB951541 e
RB971755 foram significativamente maiores que das variedades RB93509 e RB863129, as
demais variedades não diferiram estatisticamente das variedades citadas anteriormente. Com
relação à fibra não houve diferença significativa entre as variedades (Tabela 7). Garcia et al
(2008) afirmaram que, à medida que o nível de danos por M. fimbriolata aumenta, reduz
significativamente os valores de brix e pol, e aumenta os valores de fibra, indicando que o
ataque da praga promove estresse significativo na planta.
Ao longo dos seis meses de avaliações no sistema de cultivo irrigado, observando-se
os dados relativos a infestação de ninfas e adultos não se constataram diferenças significativas
entre nenhuma das variedades estudadas (Tabela 8).
Ao avaliar as nove variedades de forma conjunta, verificou-se que as infestações de M.
fimbriolata foram estatisticamente semelhantes, ou seja, não foi possível identificar uma
variedade com característica marcante de preferência pela praga (Tabela 8). Duarte (2009),
avaliando o desenvolvimento das mesmas variedades deste estudo, em cana de primeira folha
no sistema de cultivo irrigado, também não encontrou diferenças significativas entre as
variedades em relação à infestação pela cigarrinha-da-raiz. De acordo com Dinardo-Miranda
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Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
(1999 e 2000), os prejuízos causados pela cigarrinha-da-raiz podem ser significativos para as
variedades RB72454, RB825336, RB835486, SP801842 e IAC822396.
Com relação aos parâmetros agroindustriais, não se constataram diferenças
significativas entre as variedades em relação à produtividade agrícola, ATR, pol e brix.
Quanto à fibra, a variedade RB931003 foi significativamente maior que as variedades
RB863129, RB72454, RB951541 e RB98710, as demais variedades não diferiram
estatisticamente das variedades citadas anteriormente (Tabela 9). Barbosa et al (2008)
verificaram que as variedades RB92579, RB93509 e RB867515 apresentaram altas
produtividades agrícolas e altos teores de açúcares totais recuperáveis, superando em mais de
30% os rendimentos obtidos por outras variedades cultivadas no Estado de Alagoas.
51
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Tabela 7. Média (± EP) de parâmetros agroindustriais por ocasião da colheita em oito variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo
sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2008. Ano III.
Produtividade
Variedades
(t.ha¹)
Pol
Fibra
Brix
ATR
RB72454
62,33 ± 5,69 c
20,11 ± 0,18 abc
13,55 ± 0,88 a
22,48 ± 0,20 abc
157,58 ± 2,51 ab
RB863129
84,67 ± 3,79 abc
17,58 ± 0,36 d
12,43 ± 0,46 a
21,08 ± 0,26 d
145,66 ± 2,57 b
RB951541
81,67 ± 3,62 abc
20,43 ± 0,28 ab
12,97 ± 0,49 a
22,75 ± 0,18 ab
161,40 ± 2,87 a
RB92579
95,67 ± 3,51 ab
19,33 ± 0,26 abcd
12,88 ± 0,70 a
22,25 ± 0,25 abcd
155,39 ± 2,48 ab
RB867515
99,33 ± 7,55 ab
19,68 ± 0,49 abc
12,80 ± 0,61 a
22,33 ± 0,33 abcd
157,33 ± 3,13 ab
RB971755
74,00 ± 2,65 bc
21,05 ± 0,43 a
14,11 ± 0,73 a
23,45 ± 0,32 a
162,94 ± 2,92 a
RB93509
100,67 ± 7,09 ab
18,49 ± 0,49 cd
13,83 ± 0,63 a
21,35 ± 0,22 cd
146,72 ± 3,60 b
RB931003
106,67 ± 8,04 a
19,03 ± 0,46 bcd
13,27 ± 0,20 a
21,77 ± 0,47 bcd
151,63 ± 3,19 ab
CV%
12,02
3,90
8,65
2,56
3,74
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
52
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Tabela 8. Média (± EP) da infestação de M. fimbriolata de nove variedades de cana-de-açúcar, em seis meses de avaliação, no sistema de cultivo
irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2008. Ano II.
Variedades
Jun/2008
Jul/2008
Ago/2008
Set/2008
Out/2008
Nov/2008
Média
RB72454
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,25 ± 0,25 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,04 a
RB863129
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 a
RB951541
0,25 ± 0,25 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,25 ± 0,25 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,08 a
RB92579
0,25 ± 0,25 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,04 a
RB867515
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,25 ± 0,25 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,04 a
RB971755
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,25 ± 0,25 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,04 a
RB93509
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
2,50 ± 2,50 a
0,00 ± 0,00 a
0,42 a
RB931003
0,50 ± 0,50 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,08 a
RB98710
0,25 ± 0,25 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,00 ± 0,00 a
0,25 ± 0,25 a
0,08 a
Média
0,14 a
0,00 a
0,00 a
0,11 a
0,28 a
0,03 a
CV %
9,55
0,00
0,00
5,66
23,23
3,64
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
53
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Tabela 9. Média (± EP) de parâmetros agroindustriais por ocasião da colheita em nove variedades de cana-de-açúcar no sistema de cultivo
irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas, 2009. Ano II.
Produtividade
Variedades
(t.ha¹)
Pol
Fibra
Brix
ATR
RB72454
116,67 ± 9,08 a
15,82 ± 0,44 a
13,07 ± 0,35 b
18,30 ± 0,33 a
129,60 ± 3,35 a
RB863129
109,88 ± 4,37 a
15,14 ± 1,34 a
13,07 ± 0,20 b
18,13 ± 1,16 a
124,94 ± 9,83 a
RB951541
114,81 ± 6,65 a
16,26 ± 0,40 a
13,27 ± 0,24 b
18,38 ± 0,51 a
132,04 ± 2,73 a
RB92579
154,63 ± 10,13 a
17,07 ± 0,59 a
13,63 ± 0,22 ab
19,13 ± 0,72 a
137,32 ± 4,15a
RB867515
124,69 ± 8,60 a
16,28 ± 0,26 a
13,33 ± 0,19 ab
18,75 ± 0,13 a
132,46 ± 1,42 a
RB971755
120,99 ± 10,43 a
15,56 ± 0,64 a
13,49 ± 0,24 ab
18,65 ± 0,60 a
127,24 ± 4,77 a
RB93509
133,33 ± 10,25 a
16,09 ± 0,57 a
13,83 ± 0,33 ab
18,73 ± 0,49 a
130,00 ± 3,86 a
RB931003
134,57 ± 6,76 a
16,11 ± 0,43 a
14,58 ± 0,07 a
18,93 ± 0,48 a
128,63 ± 3,34 a
RB98710
139,81 ± 10,13 a
16,99 ± 1,03 a
13,28 ± 0,23 b
19,70 ± 0,77 a
138,22 ± 7,22 a
CV%
13,78
8,96
3,84
7,01
7,95
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
54
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Conclusões
Em ambos os sistemas de cultivo, sequeiro e irrigado, não é possível identificar uma
variedade com características marcantes de preferência por Mahanarva spp.
55
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Literatura Citada
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57
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
CAPÍTULO 3
Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao
Ataque de Telchin licus licus (Lepidoptera: Castniidae) em Rio Largo, Estado de
Alagoas
HULLY M. A. LIMA1, IVANILDO S. LIMA¹, JOSEMILDO V. A. JUNIOR¹, ALEXANDRE G. DUARTE¹
E ADRIANA G. DUARTE¹
¹Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias/UFAL, Campus Delza Gitaí, BR 104
Norte, Km 85, 57.100-000, Rio Largo-AL.
58
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Resumo - Este trabalho foi realizado com o objetivo de comparar a porcentagem de
infestação de Telchin licus licus em variedades RB de cana-de-açúcar. Foram utilizados os
sistemas de cultivo de sequeiro (terceira folha) e irrigado (segunda folha). As variedades
estudadas no cultivo de sequeiro foram: RB72454, RB867515, RB971755, RB951541,
RB931003, RB92579, RB863129 e RB93509. No cultivo irrigado, além das variedades já
citadas, acrescentou-se a RB98710. A avaliação da porcentagem da infestação da broca
gigante foi realizada por ocasião da colheita, selecionando-se ao acaso 15 canas por parcela,
as quais foram cortadas longitudinalmente para verificar os entrenós danificados pela praga.
As correlações entre % de infestação e parâmetros agroindustriais foram realizadas pelo teste
t. Os resultados indicaram que, nos dois sistemas de cultivo, as variedades não diferiram
estatisticamente em relação à infestação por T. licus licus. Os valores de % de infestação não
apresentaram correlações significativas com os parâmetros agroindustriais avaliados, em
ambos os sistemas de cultivos.
Palavras-chave: Saccharum spp., broca gigante, resistência de planta.
.
59
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Evaluation of Varieties RB (Republic of Brazil) of Sugar Cane in Relation to the Attack
of Telchin licus licus (Lepidoptera: Castniidae).
Abstract - This work was carried out with the aim to compare the percentage of infestation
caused by Telchin licus licus in RB varieties of sugar cane. Two systems of cultivation were
used, rainfed (third ratoon) and irrigated (second ratoon). The varieties studied in the rainfed
cultivation were: RB72454, RB867515, RB971755, RB951541, RB931003, RB92579,
RB863129, and RB93509. In the irrigated cultivation, the variety RB98710 was also included.
The evaluation of the percentage of infestation of the giant moth borer was accomplished by
occasion of the harvest. The samples were comprised of fifteen sugar cane stalk, randomly
chosen, for each variety. The stalks were opened to observe the percentage of damaged ones
by the action of the giant moth borer. The correlations between percentage of infestation and
agroindustrial parameters were performed by the t test. In both systems, the results showed
that, the percentage of infestation of T. licus licus did not differ statistically. The values of
percentage of infestation did not present significant correlations with the agroindustrial
parameters.
Key words: Saccharum spp., giant moth borer, plant resistance.
60
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Introdução
A broca gigante da cana-de-açúcar, Telchin licus licus (Drury, 1770) (Lepidoptera:
Castniidae), é uma das pragas mais importantes para a agroindústria sucroalcooleira da
Região Nordeste do Brasil, tendo em vista os expressivos prejuízos provocados à cultura,
tanto no campo como na indústria (Viveiros et al 1992). O principal prejuízo é resultante da
ação das larvas quem fazem galerias verticais no colmo. Pelo seu avantajado tamanho, são
grandes os prejuízos causados, pois às vezes podem destruir praticamente todo o colmo (Gallo
et al 2002).
Segundo Mendonça (1996), em cana jovem, a broca gigante causa a morte de perfilhos
da planta, destrói os rizomas das touceiras, ocasionando falhas na germinação e reduzindo o
stand da cultura. Em cana adulta danificam os entrenós basais, causando atrofia e quebra do
colmo, além de possibilitar infecções por microorganismos, tais como fungos e bactérias,
responsáveis pela inversão da sacarose, ocasionando perdas de até 60% da produção.
A praga permanece no interior do colmo da cana-de-açúcar, durante quase todo o seu
ciclo de vida, dificultando o controle através de métodos químicos ou biológicos. Segundo
Gallo et al (2002), não existe um método de controle eficiente da praga. Atualmente, o
método utilizado consiste da catação manual de larvas e pupas mediante o auxílio do
“enxadeco” ou espetos, e captura de adultos com rede entomológica, que embora envolvam
grande necessidade de mão-de-obra, têm promovido reduções significativas da praga.
O uso de fungos entomopatogênicos Beauveria bassiana (Bals.) Vuill. e Metarhizium
anisopliae (Metsch.) Sorokin têm proporcionado bons resultados em laboratório e
promissores a campo sobre a broca gigante (Anselmi 2007; Figueiredo et al 2002).
Dentre os vários fatores que contribuem para o aumento da infestação e dispersão de T.
licus licus nos canaviais de Alagoas, se destacam a queima da cana-de-açúcar, o preparo
61
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
deficiente do solo, socarias velhas e a destruição de matas (Mendonça et al 1996). Essas
práticas têm acarretado elevadas densidades populacionais da praga e sobreposição de
gerações (Viveiros et al 2008).
Devido às dificuldades encontradas pelos agricultores no controle dessa praga no
Estado de Alagoas, o presente trabalho objetivou avaliar o comportamento das variedades RB
(República do Brasil) de cana-de-açúcar nos sistemas de cultivo sequeiro e irrigado em
relação ao ataque de T. licus licus no município de Rio Largo, Estado de Alagoas.
62
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Material e Métodos
O estudo foi conduzido em uma área experimental do Campus Delza Gitaí,
pertencente à Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias (U.A.CECA), da Universidade
Federal de Alagoas no município de Rio Largo, Estado de Alagoas (latitude 09°28’02”S,
longitude 35°49’43”W e 127m de altitude). Foram utilizados dois sistemas de cultivo de canade-açúcar, de sequeiro, em cana de terceira folha e de irrigado em cana de segunda folha,
tendo-se ambos um solo do tipo Latossolo Amarelo, Coeso Argissólico de textura média.
O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, com quatro
repetições, sendo que para o sistema cultivado em sequeiro, cada parcela foi constituída por
11 fileiras simples de 20,00 m e para o sistema cultivado sob irrigação foi de cinco fileiras
duplas de 15,00 m. As variedades estudadas no cultivo sequeiro foram as seguintes:
RB72454, RB867515, RB971755, RB951541, RB931003, RB92579, RB863129, e RB93509
(Figura 6A). Para o sistema irrigado, foi incluída a variedade RB98710, além das variedades
citadas (Figura 6B).
O plantio da cana no cultivo sequeiro foi realizado na primeira quinzena do mês de
setembro de 2005, com um espaçamento de 1,0 m entre linhas, utilizando-se 18 gemas/metro
linear. A adubação da cana foi feita em fundação, colocando-se o adubo no fundo do sulco,
com os níveis de 100, 200 e 200 kg/ha respectivamente de N, P2O5 e K2O, além dos
micronutrientes (20 kg/ha de sulfato de manganês, 30 kg/ha de sulfato de zinco e 40 kg/ha de
sulfato de cobre). Para facilitar a distribuição dos micronutrientes, esses produtos foram
misturados com 90 kg de torta de filtro.
No cultivo irrigado a cana foi plantada em 23 de janeiro de 2007, com um
espaçamento de 1,50 m entre linhas, utilizando-se 12 gemas/metro linear. A adubação da cana
foi feita através de fertirrigação, com os níveis de 233, 138 e 152 kg, respectivamente, de N,
63
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
P2O5 e KCl, além dos micronutrientes. A irrigação foi feita por gotejamento sub-superficial,
com fitas gotejadoras de 22 mm, com gotejadores a cada 0,50 m e vazão de 1,0 litro.hora-1 por
emissor.
Os dados climatológicos de precipitação pluviométrica (mm) e temperatura mínima,
média e máxima (ºC) foram obtidos por uma estação automática de aquisição de dados
Micrologger CR10X (Campbell Scienti.c, Logan, Utah) instalada a 300 m do campo
experimental, no período de fevereiro de 2008 a fevereiro de 2009 (Figura 7).
Os levantamentos para o cálculo da porcentagem de infestação de Telchin licus licus
foram realizados por ocasião da colheita nos dois sistemas de cultivo, sequeiro e irrigado, em
dezembro de 2008 e em março de 2009, respectivamente.
Para a avaliação da % de infestação por ocasião da colheita, as amostragens foram
realizadas em 15 colmos por parcela, verificando a existência de entrenós danificados pela
ação da broca gigante. O cálculo da porcentagem de infestação foi obtido de acordo com a
seguinte fórmula [(número de canas atacadas/total de colmos) x 100], as quais foram
ranqueadas, conforme seus valores na classificação conjunta de cada bloco e submetidas à
análise estatísticas.
A produtividade agrícola de cada variedade foi estimada a partir da pesagem dos
colmos das duas linhas centrais de cada parcela (30 metros linear), logo após a colheita da
cana, com o auxílio de um dinamômetro. Os parâmetros tecnológicos agroindustriais foram
analisados de acordo com a sistemática de pagamento de cana-de-açúcar pelo teor de
sacarose. Nessas análises foram obtidas Fibra (porcentagem de matéria insolúvel em água
contida no caldo), Pol da cana (porcentagem aparente de sacarose), Brix (porcentagem de
sólidos solúveis, incluindo a sacarose, no caldo) e ATR (açúcar total recuperável, expresso em
kg/t de colmos). As análises agroindustriais foram realizadas no laboratório da Usina Santa
Clotilde, em Rio Largo – AL.
64
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Para a análise estatística, os dados de % de infestação foram transformados em arco
sen
) e, em seguida, todos os parâmetros observados foram comparados pelo teste
de Tukey a 5% de probabilidade. As correlações entre % de infestação e parâmetros
agroindustriais foram realizadas pelo teste t a 5% de probabilidade.
65
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Resultados e Discussão
Os resultados do levantamento, realizado por ocasião da colheita, no terceiro ano do
sistema de cultivo sequeiro, indicaram que as variedades não diferiram estatisticamente em
relação à infestação por Telchin licus licus (Tabela 10). Os resultados diferem dos
encontrados por Araújo Junior et al (2008), que estudando a % de infestação de T. licus licus,
em cana planta, concluíram que a variedade RB72454 se revelou como a melhor hospedeira
da praga, enquanto as variedades RB951541, RB92579, RB971755 e RB93509 foram as
menos infestadas. Duarte (2009), também estudando a % de infestação da broca gigante, em
cana de segunda folha, verificou, novamente, que a variedade RB72454 foi a mais infestada.
Lara (1979) mencionou que muitas plantas apresentam fatores de resistência, que se
manifestam em determinada idade, podendo, portanto, ser consideradas resistentes numa fase
e suscetíveis na outra.
Com relação aos parâmetros agroindustriais, a variedade RB931003 destacou-se com
produtividade agrícola superior a 106 toneladas de colmo ha-1, porém diferiu estatisticamente
apenas das variedades RB72454 e RB971755. O pol e o brix da variedade RB971755 foram
significativamente maiores que da variedade RB863129. O ATR das variedades RB951541 e
RB971755 foram significativamente maiores que das variedades RB93509 e RB863129, as
demais variedades não diferiram estatisticamente das variedades citadas anteriormente. Com
relação à fibra não houve diferença significativa entre as variedades (Tabela 10).
Os resultados do segundo ano do sistema de cultivo irrigado mostraram que as
variedades estudadas apresentaram comportamento semelhante em relação à infestação por T.
licus licus (Tabela 11). Duarte (2009) verificou que a % de infestação da broca gigante, em
cana planta, foi acentuada nas variedades RB72454 e RB863129, ambas obtendo uma média
igual a 20,83%.
66
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Tabela 10. Média (± EP) da porcentagem de infestação de T. licus licus e parâmetros tecnológicos agroindustriais por ocasião da colheita em oito
variedades de cana-de-açúcar, no sistema de cultivo sequeiro. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de Alagoas,
2008. Ano III.
Produtividade
Variedades
% Infestação
(t.ha¹)
Pol
Fibra
Brix
ATR
RB72454
14,59 ± 4,68 a
62,33 ± 5,69 c
20,11 ± 0,18 abc
13,55 ± 0,88 a
22,48 ± 0,20 abc
157,58 ± 2,51 ab
RB863129
12,92 ± 5,11 a
84,67 ± 3,79 abc
17,58 ± 0,36 d
12,43 ± 0,46 a
21,08 ± 0,26 d
145,66 ± 2,57 b
RB951541
15,84 ± 5,29 a
81,67 ± 3,62 abc
20,43 ± 0,28 ab
12,97 ± 0,49 a
22,75 ± 0,18 ab
161,40 ± 2,87 a
RB92579
17,92 ± 2,84 a
95,67 ± 3,51 ab
19,33 ± 0,26 abcd
12,88 ± 0,70 a
22,25 ± 0,25 abcd
155,39 ± 2,48 ab
RB867515
10,00 ± 4,30 a
99,33 ± 7,55 ab
19,68 ± 0,49 abc
12,80 ± 0,61 a
22,33 ± 0,33 abcd
157,33 ± 3,13 ab
RB971755
8,34 ± 4,19 a
74,00 ± 2,65 bc
21,05 ± 0,43 a
14,11 ± 0,73 a
23,45 ± 0,32 a
162,94 ± 2,92 a
RB93509
8,33 ± 3,19 a
100,67 ± 7,09 ab
18,49 ± 0,49 cd
13,83 ± 0,63 a
21,35 ± 0,22 cd
146,72 ± 3,60 b
RB931003
17,50 ± 4,54 a
106,67 ± 8,04 a
19,03 ± 0,46 bcd
13,27 ± 0,20 a
21,77 ± 0,47 bcd
151,63 ± 3,19 ab
CV%
32,60
12,02
3,90
8,65
2,56
3,74
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
67
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Tabela 11. Média (± EP) da porcentagem de infestação de T. licus licus e parâmetros tecnológicos agroindustriais por ocasião da colheita em
nove variedades de cana-de-açúcar, no sistema de cultivo irrigado. Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado de
Alagoas, 2009. Ano II.
Produtividade
Variedades
% Infestação
(t.ha¹)
Pol
Fibra
Brix
ATR
RB72454
8,34 ± 1,67 a
116,67 ± 9,08 a
15,82 ± 0,44 a
13,07 ± 0,35 b
18,30 ± 0,33 a
129,60 ± 3,35 a
RB863129
17,92 ± 3,93 a
109,88 ± 4,37 a
15,14 ± 1,34 a
13,07 ± 0,20 b
18,13 ± 1,16 a
124,94 ± 9,83 a
RB951541
14,59 ± 4,68 a
114,81 ± 6,65 a
16,26 ± 0,40 a
13,27 ± 0,24 b
18,38 ± 0,51 a
132,04 ± 2,73 a
RB867515
9,59 ± 5,37 a
124,69 ± 8,60 a
16,28 ± 0,26 a
13,33 ± 0,19 ab
18,75 ± 0,13 a
132,46 ± 1,42 a
RB931003
9,59 ± 5,37 a
134,57 ± 6,76 a
16,11 ± 0,43 a
14,58 ± 0,07 a
18,93 ± 0,48 a
128,63 ± 3,34 a
RB92579
18,33 ± 1,67 a
154,63 ± 10,13 a
17,07 ± 0,59 a
13,63 ± 0,22 ab
19,13 ± 0,72 a
137,32 ± 4,15a
RB93509
10,00 ± 4,30a
133,33 ± 10,25 a
16,09 ± 0,57 a
13,83 ± 0,33 ab
18,73 ± 0,49 a
130,00 ± 3,86 a
RB971755
1,67 ± 1,67 a
120,99 ± 10,43 a
15,56 ± 0,64 a
13,49 ± 0,24 ab
18,65 ± 0,60 a
127,24 ± 4,77 a
RB98710
12,92 ± 5,79 a
139,81 ± 10,13 a
16,99 ± 1,03 a
13,28 ± 0,23 b
19,70 ± 0,77 a
138,22 ± 7,22 a
CV%
27,62
13,78
8,96
3,84
7,01
7,95
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
68
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Com relação aos parâmetros agroindustriais, não se constataram diferenças
significativas entre as variedades em relação à produtividade agrícola, ATR, pol e brix.
Quanto à fibra, a variedade RB931003 foi significativamente maior que as variedades
RB863129, RB72454, RB951541 e RB98710, as demais variedades não diferiram
estatisticamente das variedades citadas anteriormente (Tabela 11). Barbosa et al (2008)
verificaram que as variedades RB92579, RB93509 e RB867515 apresentaram altas
produtividades agrícolas e altos teores de açúcares totais recuperáveis, superando em mais de
30% os rendimentos obtidos por outras variedades mais cultivadas.
Sampaio Filho et al (1980) e Mendonça (1982) afirmaram que estudos com variedades
resistentes à broca gigante não apresentaram resultados positivos e que deve-se considerar que
algumas variedades de cana-de-açúcar, dependendo de fatores edafoclimáticos, podem
apresentar tolerância ao ataque de insetos-praga.
Nos dois sistemas de cultivo, os valores de % de infestação de T. licus licus não
apresentaram correlações significativas com os parâmetros agroindustriais avaliados por
ocasião da colheita (Tabela 12). Por outro lado, Viveiros (1989) mencionou que para cada 1
% de infestação ocorreram reduções de 0,37 % para peso, 0,07 % para brix, 0,22 % para pol
da cana-de-açúcar, 0,12 % para pureza do caldo e 0,18 % para produção de álcool e
acréscimos de 0,21 para fibra e 0,76 % para açúcares redutores.
69
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Tabela 12. Correlação entre % Infestação de T. licus licus e os parâmetros agroindustriais
observados por ocasião da colheita nos sistemas de cultivo sequeiro (dezembro de 2008) e
irrigado (março de 2009). Universidade Federal de Alagoas, município de Rio Largo, Estado
de Alagoas.
Parâmetros
agroindustriais
Produtividade
(t/ha)
Pol da cana
% I. sistema sequeiro
0,0847 ns
-0,0717 ns
-0,4717 ns -0,0862 ns 0,0270 ns
% I. sistema irrigado
0,2239 ns
0,3149 ns
-0,1867 ns 0,0460 ns 0,3422 ns
Fibra
Brix
ATR
ns – não significativo pelo teste “t” 5%.
70
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Conclusões
Com base na % de infestação por ocasião da colheita, nos sistemas de cultivo sequeiro
e irrigado, as variedades estudadas não apresentam comportamento diferenciado em relação
ao ataque da broca gigante.
Nos dois sistemas de cultivo, os valores de % de infestação de T. licus licus não
apresentam correlações significativas com os parâmetros agroindustriais avaliados por
ocasião da colheita.
71
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
Literatura Citada
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Duarte A G (2009) Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em
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72
Lima, H.M.A. 2010. Avaliação de Variedades RB (República do Brasil) de Cana-de-açúcar em Relação ao...
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Viveiros A J A, Santos J S, Risco B J S, Barbosa G V S, Coletti C, Cruz M M (2008)
Aplicação de fungos entomopatogênicos e inseticidas, para o controle de Telchin licus licus
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Nacional da Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil-STAB. p.53-57.
73
INFORMAÇÕES GERAIS
A Neotropical Entomology publica artigos originais e que representem contribuição
significativa ao conhecimento da Entomologia, desde que não estejam publicados ou
submetidos a outra revista. Os artigos devem ter caráter científico. Trabalhos de cunho
tecnológico como aqueles envolvendo apenas bioensaios de eficácia de métodos de controle
de insetos e ácaros não são considerados para publicação. Os manuscritos são analisados por
revisores ad hoc e a decisão de aceite para publicação pauta-se nas recomendações dos
editores adjuntos e revisores ad hoc.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Sob esse título, disponha as referências bibliográficas em ordem alfabética, uma por
parágrafo, sem espaços entre estes. Cite os autores pelo sobrenome (apenas a inicial
maiúscula) seguido das iniciais do nome e sobrenome sem pontos. Separe os nomes dos
autores com vírgulas. Em seguida inclua o ano da referência entre parênteses. Abrevie os
títulos das fontes bibliográficas, sempre iniciando com letras maiúsculas, sem pontos.
Exemplos:
Suzuki K M, Almeida S A, Sodré L M K, Pascual A N T, Sofia S H (2006) Genetic similarity
among male bees of Euglossa truncata Rebelo & Moure (Hymenoptera: Apidae). Neotrop
Entomol 35: 477-482.
Malavasi A, Zucchi R A (2000) Moscas-das-frutas de importância econômica no Brasil:
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Oliveira-Filho A T, Ratter J T (2002) Vegetation physiognomies and woody flora of the
cerrado biome, p.91-120. In Oliveira P S, Marquis R J (eds) The cerrados of Brazil: ecology
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CITAÇÕES NO TEXTO
Nomes científicos. Escreva os nomes científicos por extenso, seguidos do autor descritor,
para insetos e ácaros, quando mencionados pela primeira vez no Abstract e no corpo do
trabalho. Ex.: Spodoptera frugiperda (J. E. Smith). No restante do trabalho use o nome
genérico abreviado (Ex.: S. frugiperda), exceto nas legendas das figuras e cabeçalhos das
tabelas onde deve ser grafado por extenso.
Fontes de consulta. As referências no texto devem ser mencionadas com o sobrenome do
autor, com inicial maiúscula, seguido pelo ano da publicação (ex.: Martins 1998). No caso de
mais de uma publicação, ordene-as pelo ano de publicação, separando-as com vírgulas (ex.:
Martins 1998, Garcia 2003, 2005, Wilson 2008). Para dois autores, use o símbolo "&" (ex.:
Martins & Gomes 2004). Para mais de dois autores, utilize "et al" (em itálico) (ex.: Avila et al
2009).
