Otavio Leandro Dimas Tenorio

Defesa

Própolis da Jurema-Preta (Mimosa tenuiflora) como fonte de imunonutrição: caracterização fitoquímica do extrato hidroalcoólico e avaliação da sua incorporação em ração para alevinos de tilápia.

Resumo

A procura por aditivos naturais e funcionais para a imunonutrição de peixes vem crescendo em razão da demanda de alternativas aos impulsionadores de crescimento convencionais. Neste cenário, apresentamos este trabalho que caracteriza fitoquimicamente o extrato hidroalcoólico da própolis da jurema-preta (Mimosa tenuiflora) e a avaliação preliminar de parâmetros relevantes para sua incorporação em rações destinadas a alevinos de tilápias do Nilo (Oreochromis niloticus). O extrato de própolis da Jurema preta foi obtido por maceração em etanol 70% (relação 1:10, 72 h) e padronizado por rendimento; as análises incluíram teor fenólico total (TPC, método Folin–Ciocalteu), flavonoides totais (AlCl₃), atividade antioxidante (DPPH, cálculo de IC₅₀) e perfil fenólico por HPLC DAD para seleção de marcadores. Os resultados mostram TPC de 54,52 mg EAG/g (expressão no extrato), flavonoides totais de 37,55 mg/g (valor medido na amostra preparada nas condições de ensaio), e atividade antioxidante expressa por IC₅₀ de 26,8852 mg/mL, indicando redução da absorbância de DPPH com o aumento da concentração do extrato. Estes valores sugerem presença de compostos fenólicos e flavonoides com atividade antioxidante moderada-alta, compatíveis com relatórios sobre variedades brasileiras de própolis e com estudos que mostram efeitos benéficos de extratos de própolis na saúde e resposta imune de tilápia. A análise por HPLC-DAD do extrato hidroalcoólico da própolis de jurema-preta (Mimosa tenuiflora) revelou perfil cromatográfico compatível com diferentes classes de flavonoides, destacando-se prováveis flavonas e flavonóis O metilados, flavanonas metoxiladas e flavonóis 3-O-metilados, entre eles compostos compatíveis com sakuranetina, 3,3'-O-dimetilquercetina, quercetina-3,6,7-trimetil éter, kaempferídeo, santina, ermanina, cirsimaritina e luteolina — perfil coerente com o quimiotipo de própolis da Caatinga associado a essa origem botânica, ainda que a confirmação individual dos compostos dependa de padrões analíticos ou técnicas complementares como LC-MS. Em formulações piloto de ração para alevinos de tilápia, a incorporação desse extrato nas concentrações de 0,5%, 1,0% e 1,5% promoveu aumento do teor de fenóis totais em relação à ração controle, passando de 0,6706% EAG (controle) para 0,7149% (0,5%), 1,2512% (1,0%) e 1,2801% EAG (1,5%). O incremento expressivo observado entre 0,5% e 1,0%, seguido de estabilização em 1,5%, sugere que a inclusão de 1,0% representa um nível promissor para estudos posteriores, alinhando o potencial bioativo identificado na caracterização fitoquímica ao seu efeito funcional na formulação da dieta.

Palavras-chave

própolis jurema-preta
Oreochromis niloticus
fenólicos
flavonoides
DPPH
imunonutrição

Membros da Banca

Elton Lima Santos (Presidente)
UFAL
Rodney Kozlowiski de Azevedo (Interno(a))
UFAL
Jucelane Salvino de Lima (Externo(a) à Instituição)
Informações da Sessão
Out 22
Data e Hora
Terça-feira, 14:00h
Candidato(a)
Otavio Leandro Dimas Tenorio
Local
Centro de Ciências Agrárias – CECA