Patricia Karla de Luna Magalhães

Defesa

HELMINTOFAUNA GASTROINTESTINAL DE SAGUI-DE-TUFO-BRANCO ( Callithrix jacchus Linnaeus, 1758) EM ÁREAS URBANAS DE MACEIÓ, NORDESTE DO BRASIL

Resumo

O sagui-de-tufo-branco (Callithrix jacchus), primata neotropical nativo do Nordeste brasileiro e reconhecido por sua elevada plasticidade ecológica e capacidade de persistir em ambientes antropizados, constitui um importante modelo para a investigação das interações parasito–hospedeiro em paisagens urbanas. A urbanização e a fragmentação florestal promovem alterações na estrutura e na dinâmica dos ecossistemas, modificando a disponibilidade de recursos, os padrões de contato entre hospedeiros e as condições ambientais que sustentam diferentes estratégias de transmissão parasitária. Nesse contexto, a fundamentação teórica desta dissertação aborda a ecologia de C. jacchus, a diversidade e a composição da helmintofauna de primatas neotropicais, os ciclos biológicos e as estratégias de transmissão dos principais grupos de helmintos, bem como a influência do comportamento do hospedeiro e da antropização sobre a estrutura e a dinâmica das comunidades parasitárias. Experimentalmente, objetivo-se caracterizar a helmintofauna gastrointestinal de C. jacchus de vida livre provenientes de áreas urbanas e periurbanas do município de Maceió, Alagoas. Entre agosto de 2023 e junho de 2025, foram examinados os conteúdos intestinais de 105 animais provenientes de vigilância passiva de epizootias em fragmentos urbanos de Mata Atlântica. As amostras foram analisadas por esfregaço fecal e pelas técnicas de sedimentação de Hoffman (HPJ) e flutuação de Willis, além da recuperação e identificação de helmintos adultos diretamente do conteúdo intestinal. Os descritores ecológicos foram calculados para os helmintos adultos, e os locais de origem das carcaças foram georreferenciados para caracterização da distribuição espacial dos registros. Na análise coproparasitológica, foram identificados ovos de helmintos em 12,4% (13/105) das amostras, compatíveis com Platynosomum sp. (3,8%), Primasubulura jacchi (2,9%), Prosthenorchis sp. (1,9%), Strongylida (1,9%), Ascarididae (1,0%) e Cestoda (1,0%). Helmintos adultos foram recuperados em 36 (34,3%) dos 105 animais examinados, sendo Primasubulura jacchi (Nematoda: Subuluridae) a espécie mais representativa, com prevalência de 26,7%, seguida por Prosthenorchis elegans (Acanthocephala: Oligacanthorhynchidae) (9,52%) e Trypanoxyuris callithrix (Nematoda: Oxyuridae) (0,95%). Os registros ocorreram em diferentes áreas da matriz urbana, sem concentração espacial aparente. A ocorrência de helmintos com diferentes estratégias de transmissão evidencia a manutenção de interações parasito-hospedeiro em ambientes urbanos e contribui para a compreensão da ecologia parasitária de primatas neotropicais sob influência da antropização. Os resultados ampliam o conhecimento sobre a helmintofauna de C. jacchus no Nordeste brasileiro e estabelecem uma linha de base para o monitoramento parasitológico e para futuras investigações taxonômicas, moleculares, anatomopatológicas e ecológicas.

Palavras-chave

Helmintos
primatas neotropicais
animais silvestres.

Membros da Banca

Muller Ribeiro Andrade (Presidente)
UFAL
Vanessa Doro Abdallah Kozlowiski (Interno(a))
UFAL
Ita Oliveira e Silva (Externo(a) à Instituição)
Informações da Sessão
Out 22
Data e Hora
Terça-feira, 14:00h
Candidato(a)
Patricia Karla de Luna Magalhães
Local
ICBS / Google Meet