Thamires de Oliveira Soares
Bebedouros com fonte elétrica para felinos domésticos: comportamento ingestivo e parâmetros séricos
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA ANIMAL
BEBEDOUROS COM FONTE ELÉTRICA PARA FELINOS
DOMÉSTICOS: COMPORTAMENTO INGESTIVO E
PARÂMETROS SÉRICOS
THAMIRES DE OLIVEIRA SOARES
VIÇOSA – AL
2024
1
THAMIRES DE OLIVEIRA SOARES
BEBEDOUROS COM FONTE ELÉTRICA PARA FELINOS
DOMÉSTICOS: COMPORTAMENTO INGESTIVO E
PARÂMETROS SÉRICOS
Dissertação
apresentada
ao
Programa de Pós-Graduação em
Ciência animal da Universidade
Federal de Alagoas, como requisito
para Defesa do Mestrado em Ciência
Animal.
Orientador: Prof. Dr. Tobyas Maia
de Albuquerque Mariz
VIÇOSA – AL
2024
2
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Polo Viçosa
Bibliotecário Responsável: Stefano João dos santos
S676b
Soares, Thamires de Oliveira
Bebedouros com fonte elétrica para felinos domésticos:
comportamento ingestivo e parâmetros séricos / Thamires de Oliveira
Soares.- 2024.
69f. ; il.
Dissertação (Mestrado em Ciência Animal) - Universidade
Federal de Alagoas, Campus Ceca, Polo Viçosa, 2024.
Orientação: Prof. Dr. Tobyas Maia de Albuquerque Mariz
Inclui bibliografia.
1. Felis catus. 2. . 3. Ingestão. I. Título
CDU: 619
Folha de Aprovação
THAMIRES DE OLIVEIRA SOARES
Bebedouros com fonte elétrica para felinos domésticos:
comportamento ingestivo e parâmetros séricos
Dissertação
apresentada
a
banca
examinadora, como requisito à obtenção
do título de Mestre em Ciência Animal,
em 30 de setembro de 2024.
Banca Examinadora:
_____________________________________________________________
Orientador: Prof°. Dr°. Tobyas Maia de Albuquerque Mariz
(Universidade Federal de Alagoas)
_______________________________________________________________
Examinador interno: Prof°. Dr°. Pierre Barnabé Escodro
(Universidade Federal de Alagoas)
_____________________________________________________________
Examinador Externo: Prof°. Dr°. Henrique Nunes Parente
(Universidade Federal do Maranhão)
AGRADECIMENTOS
Escrever essa dissertação foi um dos momentos mais difíceis, pois me remeteu a
fase final da minha graduação onde precisei recolher meu luto para finalizar o grande
sonho dos meus avós que hoje são anjos que me protegem e me guiam no céu. Mas, eu
sempre soube que nunca estive sozinha nesse percurso. Por isso, meus sinceros
agradecimentos.
À Deus por sempre me iluminar, abençoar e me guiar da melhor forma para os
melhores caminhos.
Ao programa de pós-graduação em Ciência Animal da Universidade Federal de
Alagoas – PPGCA/UFAL com todo seu corpo docente e administrativo pela oportunidade
de aprimorar meus conhecimentos. Assim como a Fundação de Amparo à Pesquisa de
Alagoas – FAPEAL, pelo financiamento concedido durante todo o período da pesquisa,
possibilitando chegar aos resultados desta.
A senhora Agnes Cristina - CEO da empresa CatMyPet pela colaboração com a
doação das fontes bebedoras, modelo escolhido para a realização do experimento.
Ao meu orientador, Profº. Drº. Tobyas Maia de Albuquerque Mariz, por me
direcionar com muita maestria e sabedoria, uma área bem diferente do seu convívio, mas
soube entender e me ajudar a enfrentar as dificuldades encontradas no caminho para que
pudéssemos chegar ao final, se não fosse seu apoio acho que nada disso teria acontecido.
Também quero agradecer ao Prof°. Dr°. Pierre Escodro por toda oportunidade me
concedida em realizar o experimento em seu projeto “Focinho Responsável” e a todos do
GRUPEQUI no apoio nos momentos das coletas.
E por último e mais importante minha família que sempre acreditaram que eu
poderia chegar muito longe, me motivaram a não desistir. Em especial minha mãe que é
minha maior inspiração de vida. E aos meus amigos que me deram um apoio sem tamanho
nesses últimos anos em especial Raquel, Andreia, Jaqueline, Jadna, Suellen e Kiria Lane.
E jamais vou deixar de agradecer a minha querida e adorada psicóloga Deyser
Freser por todo apoio nesses momentos, ela é a peça fundamental para eu conseguir
vencer todos meus medos e desafios e ao meu amigo e patrão Daniel Tenorio por jamais
desistir de mim e sempre acreditar no meu profissionalismo e competência junto a equipe
PetAki.
4
RESUMO
Este estudo analisou o efeito da utilização de bebedouros elétricos sobre o comportamento
ingestivo e parâmetros séricos de gatos domésticos. O estudo foi conduzido com 40 gatos
divididos em quatro grupos: G1 (ração seca e bebedouro convencional), G2 (ração seca,
bebedouro convencional e alimento úmido), G3 (ração seca e bebedouro elétrico), e G4
(ração seca, bebedouro elétrico e alimento úmido), distribuídos em um delineamento
inteiramente casualizado, com 04 tratamentos e 10 repetições por tratamento, totalizando
40 unidades experimentais. Os resultados indicaram maior frequência de idas ao
bebedouro nos grupos G3 e G4. Os gatos com bebedouro elétrico (G3 e G4) apresentaram
valores superiores (p<.0001) nas variáveis relacionadas ao consumo de água (82,41 e
77,13 idas) e à micção (4,00 e 3,90 vezes), respectivamente, em comparação com os
grupos que utilizavam bebedouros convencionais (G1: 64,23; 2,64 e G2: 67,05; 3,27 idas
ao bebedouro e urinando, respectivamente). O consumo médio de água foi de 65,6 ml
para os tratamentos que utilizaram os bebedouros convencionais (G1 e G2) e 79,8 ml para
os que utilizaram bebedouros elétricos (G3 e G4). Houve aumento nos níveis de ureia nos
grupos G3 (66,28 mg/dL) e G4 (67,53 mg/dL), em comparação com G1 (56,36 mg/dL) e
G2 (56,82 mg/dL), enquanto os níveis de creatinina mantiveram-se dentro dos parâmetros
normais, com valores ligeiramente superiores para G3 (1,37 mg/dL) e G4 (1,38 mg/dL).
A frequência de ingestão alimentar foi semelhante entre os grupos, com consumo médio
de ração de 51,36 g (G1) e 55,54 g (G2) para os bebedouros convencionais, e 51,27 g
(G3) e 50,63 g (G4) para os bebedouros elétricos. Os resultados destacam a importância
de oferecer opções que incentivem a ingestão de água pelos felinos domésticos,
especialmente quando alimentados com ração seca, já que a ingestão adequada de água é
crucial para a saúde renal. Os bebedouros elétricos mostraram-se uma alternativa eficaz
para aumentar o consumo de água, recomendando-se, portanto, sua utilização com este
objetivo.
Palavras-chave: água, consumo, etologia, Felis catus.
5
ABSTRACT
This study analyzed the effect of using electric water fountains on the ingestive behavior
and serum parameters of domestic cats. The study was conducted with 40 cats divided
into four groups: G1 (dry food and conventional water fountain), G2 (dry food,
conventional water fountain and wet food), G3 (dry food and electric water fountain), and
G4 (dry food, electric water fountain and wet food), distributed in a completely
randomized design, with 04 treatments and 10 replicates per treatment, totaling 40
experimental units. The results indicated a higher frequency of visits to the water fountain
in groups G3 and G4. Cats with electric waterers (G3 and G4) presented higher values
(p<.0001) in variables related to water consumption (82.41 and 77.13 trips to the waterer)
and urination (4.00 and 3.90 times), respectively, compared to the groups that used
conventional waterers (G1: 64.23; 2.64 and G2: 67.05; 3.27 trips to the waterer and
urination, respectively). The average water consumption was 65.6 ml for the treatments
that used conventional waterers (G1 and G2) and 79.8 ml for those that used electric
waterers (G3 and G4). There was an increase in urea levels in groups G3 (66.28 mg/dL)
and G4 (67.53 mg/dL), compared to G1 (56.36 mg/dL) and G2 (56.82 mg/dL), while
creatinine levels remained within normal parameters, with slightly higher values for G3
(1.37 mg/dL) and G4 (1.38 mg/dL). The frequency of food intake was similar between
groups, with average food consumption of 51.36 g (G1) and 55.54 g (G2) for conventional
drinkers, and 51.27 g (G3) and 50.63 g (G4) for electric drinkers. The results highlight
the importance of offering options that encourage water intake by domestic felines,
especially when fed dry food, since adequate water intake is crucial for kidney health.
Electric water fountains have proven to be an effective alternative for increasing water
consumption, and their use for this purpose is therefore recommended.
Keywords: water, consumption, ethology, Felis catus.
6
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Rim direito do gato, superfície dorsal (A) e plano médio frontal (B)
(GETTY et al., 1986)..............................................................................................
13
Figura 2 - Corte esquemático do rim, representando a topografia geral do órgão
(lado esquerdo). Localização cortical e medular dos componentes de um néfron
justaglomerular
(lado
direito
da
figura)
(JUNQUEIRA;
CARNEIRO,
2004)..........................................................................................................................
15
7
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
DM
Diabetes Mellitus
DRC
Doença Renal Crônica
NRC
National Research Council
8
LISTA DE SÍMBOLOS
mL
Mililitros
mg/dL
Miligramas por decilitro
g/dL
Gramas por decilitro
L/dia
Litros por dia
9
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO GERAL........................................................................
11
2. CAPÍTULO 1 – REVISÃO DE LITERATURA..................................
13
2.1.
Anatomia e fisiologia renal em gatos domésticos......................
2.2.
Fatores que afetam a função renal em gatos domésticos........... 16
2.3.
Importância da água na saúde renal de gatos ............................ 20
2.4.
Estratégias para incentivar a ingestão adequada de água em
gatos domésticos.................................................................................
2.5.
Referências bibliográficas ..........................................................
13
22
25
3. ARTIGO: COMPORTAMENTO INGESTIVO E RESPOSTA
BIOQUÍMICA PARA UTILIZAÇÃO DE BEBEDOUROS COM
FONTE ELÉTRICA PARA FELINOS DOMÉSTICOS......................
3.1. Introdução.................................................................................... 33
3.2. Material e Métodos....................................................................... 34
3.3.
Resultados.....................................................................................
36
3.4.
Discussões.....................................................................................
39
3.5.
Conclusão......................................................................................
42
3.6.
Agradecimentos............................................................................
42
3.7.
3.8.
Conflito de interesse..................................................................... 42
Financiamento.............................................................................. 42
3.9.
Aprovação ética............................................................................
43
3.10. Consentimento informado...........................................................
43
3.11. Referências...................................................................................
43
4. ANEXO – COMPROVANTE DE SUBMISSÃO DO ARTIGO
CIENTÍFICO ......................................................................................................
46
10
1. INTRODUÇÃO GERAL
Os gatos tendem a ingerir menos água do que cães em situações semelhantes. Esse
comportamento é influenciado pelo fato de que os gatos domésticos são originários de
regiões áridas, mesmo os animais jovens e saudáveis não bebem grandes volumes de
água. No entanto, essa questão se torna ainda mais preocupante em gatos com patologias
que levam à poliúria e polidipsia, como é o caso do diabetes mellitus (DM) e da doença
renal crônica (DRC) (HAMPER et al., 2015; LITTLE, 2015).
A água é um nutriente essencial para as funções vitais do organismo. É o principal
constituinte do sangue, dos tecidos e fluidos corporais e desempenha um importante papel
como solvente para inúmeros processos químicos intra e extracelulares, promovendo o
transporte de oxigênio e nutrientes para as células, controla a termorregulação corporal e
excreção de resíduos através da urina e fezes (CASE; CAREY; HIDREAKAWA., 1998).
Dentre os fatores de risco para desenvolvimento de doenças renais em gatos pode
ser citados o envelhecimento, acarretando o declínio da função renal, condição corporal
ruim, cistite, hipertensão, doença periodontal, dietas desbalanceadas e a desidratação.
Além disso, é possível que outros fatores, tanto individuais quanto ambientais, também
aumentem o risco geral de um indivíduo desenvolver a doença (GREENE et al., 2014;
JEPSON, 2016).
Os rins desempenham diversas funções, incluindo a excreção de resíduos
metabólicos, além de serem essenciais para manter o equilíbrio hidroeletrolítico e ácidobase adequados para a vida. Quando a função renal é comprometida por um insulto tóxico,
isquêmico ou infeccioso, a homeostase é afetada, levando a consequências graves e de
difícil controle para a equipe médica veterinária. Em muitos casos, essas consequências
podem evoluir para a morte do animal (GRANT; FORRESTER, 2008).
A manutenção da saúde renal pode ser garantida por uma nutrição e hidratação
adequada dos animais, visto que a ingestão de água é importante para a diluição urinária,
reduzindo assim os fatores de risco para surgimento de doenças renais em gatos
domésticos (ZENTEK; SCHULS, 2004).
A expectativa de vida dos animais domésticos tem aumentado e esse fato pode ser
atribuído a diversos fatores, tais como, conscientização dos tutores sobre a importância
dos cuidados e visitas regulares ao veterinário para prevenir agravamento de patologias,
maior atenção médica, avanços da medicina veterinária, além da descoberta de vacinas
11
que protegem contra doenças fatais, dentre outros. A expectativa de vida de gatos
domésticos é de aproximadamente 12 a 14 anos, considerada alta em comparação com
gatos que vivem em ambientes livres, cuja expectativa de vida é de 4,7 anos
(BUTTERWICK, 2015).
Sendo assim, são necessárias pesquisas que investiguem a utilização de dietas que
mantenham o equilíbrio hídrico através da análise de composição de dietas, formas de
fornecimento de água e qualidade do ambiente que o animal está inserido. Visto que, o
gato por ser de origem desértica, consegue se adaptar a condições de baixa
disponibilidade de água concentrando a urina como adaptação fisiológica. Porém, pode
levar a um comprometimento do seu trato urinário levando ao surgimento de doenças
renais.
Neste sentido, têm-se com hipótese deste trabalho que a utilização de bebedouros
com fonte elétrica aumenta a ingestão de água e a frequência de micção, e melhoram os
parâmetros séricos em gatos domésticos, contribuindo para a manutenção saudável dos
parâmetros renais. Assim, objetivou-se com este estudo avaliar o impacto do uso de
bebedouros elétricos sobre o comportamento ingestivo e parâmetros séricos de gatos
domésticos.
12
2. CAPÍTULO 1 – REVISÃO DE LITERATURA
2.1. Anatomia e fisiologia renal em gatos domésticos
O sistema urinário dos mamíferos é constituído por diferentes órgãos, incluindo
dois rins, dois ureteres, uma vesícula urinária e a uretra. É importante destacar que a urina
é produzida pelos rins e, posteriormente, é transportada pelos ureteres até a bexiga
urinária, onde é armazenada até que ocorra a eliminação através da uretra durante a
micção (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013).
Os rins estão localizados bilateralmente no espaço retroperitoneal, que fica entre
o peritônio e a parede abdominal. Anatomicamente, em felinos, o rim direito situa-se entre
a primeira e a quarta vértebras lombares, enquanto o rim esquerdo situa-se entre a segunda
e a quinta vértebras lombares. É importante destacar que ambos os rins ficam
posicionados ventralmente aos processos transversos (LANDIM, 2019).
Os rins dos felinos domésticos possuem um formato semelhante ao de um feijão,
porém mais arredondado e são mais móveis em comparação com outras espécies,
permitindo sua fácil palpação. Eles são espessos e apresentam uma superfície dorsal
levemente achatada e uma coloração que varia do vermelho intenso ao amarelo escuro
avermelhado. Em média, têm 38 a 44 mm de comprimento, 27 a 31 mm de largura e 20
a 25 mm de espessura, com peso que varia de 15 a 30 g (ELLENPORT, 1986; GETTY et
al., 1986) (Figura 1).
A
B
Figura 1: Rim direito do gato, superfície dorsal (A) e plano médio frontal (B) (GETTY
et al., 1986).
13
Os rins são órgãos altamente vascularizados, recebendo cerca de 20% do débito
cardíaco através do fluxo sanguíneo renal (SENIOR, 2001). A inervação dos rins é
realizada por fibras nervosas simpáticas, que têm efeito vasoconstritor, bem como por
fibras parassimpáticas que seguem os vasos sanguíneos e se ramificam ao longo deles. A
artéria renal é responsável pelo suprimento vascular dos rins, ramificando-se a partir da
aorta em artérias interlobares que formam anastomoses em arco entre o córtex e a medula
renal. Os pequenos ramos laterais chamados vasos aferentes são formados pelos
glomérulos, que dão origem aos vasos eferentes. Esses vasos se estendem como uma rede
capilar peritubular, que é fundamental para a reabsorção e excreção, e desembocam nas
veias renais (KOLB, 1980).
Os rins são responsáveis por desempenhar diversas funções para garantir a
homeostase do organismo. Eles realizam a filtragem do sangue, eliminando resíduos
metabólicos e retendo as substâncias necessárias para o corpo. Quando há desequilíbrios
nos níveis de água, eletrólitos e ácido-base, os rins podem alterar a taxa de reabsorção ou
secreção. Adicionalmente, eles produzem hormônios que regulam a Pressão Arterial
Sistólica (PAS) e a produção de eritrócitos (KLEIN, 2014). Além disso, os rins têm
excretam a maior parte do excesso de íons de hidrogênio, principalmente no túbulo
proximal e no ducto coletor. O túbulo proximal é o principal responsável pela secreção
do ácido, enquanto o ducto coletor é responsável pelo controle da excreção de ácido e
pelo pH final da urina (VERLANDER, 2009).
O rim é unilobar e composto por um grupo de néfrons, recoberto por uma cápsula
fibrosa, que diminui o potencial de expansão do órgão e com um parênquima que possui
uma região medular e cortical. A proporção corticomedular nos pequenos animais é de
aproximadamente 1:2 ou 1:3 (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013; JERICÓ et al., 2015).
O néfron é a unidade funcional básica do rim, composto por glomérulo, túbulo
contorcido proximal, alça de Henle, túbulo contorcido distal e ducto coletor. Em gatos,
há cerca de 200.000 néfrons por rim (JERICÓ et al., 2015). A partir da alça de Henle, que
se caracteriza por ser uma estrutura em formato de U e constituída por quatro seguimentos
(espesso curto ascendente, delgado descendente, delgado ascendente e espesso
ascendente) a urina segue pelo túbulo coletor no sentido do ducto coletor, seguindo para
a papila, cálice menor, cálice maior e pélvis renal, saindo pelo ureter (JUNQUEIRA;
CARNEIRO, 2004). Dessa forma, a formação da urina ocorre em três etapas - filtração
glomerular, reabsorção tubular e secreção tubular - que são reguladas por hormônios de
14
origem renal e não renal (JERICÓ et al., 2015). Então, forma-se um sistema de túbulos
contínuos dentro do rim, os quais são suportados por um interstício de tecido conectivo
que contém nervos e vasos sanguíneos (KÖNIG; LIEBICH, 2016) (Figura 2).
Figura 2: Corte esquemático do rim, representando a topografia geral do órgão (lado
esquerdo). Localização cortical e medular dos componentes de um néfron justaglomerular
(lado direito da figura) (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2004).
No glomérulo, uma intensa rede de capilares retém os elementos celulares e
proteínas de peso molecular médio e alto, filtrando o sangue e produzindo um líquido
eletrolítico e aquoso muito semelhante ao plasma, conhecido como filtrado glomerular.
A taxa de filtração glomerular (TFG) é um dos parâmetros mais importantes para avaliar
a função renal e é expressa em mililitros de filtrado glomerular formado por minuto, por
quilograma de peso corporal. A medição da TFG é considerada o padrão para avaliar a
função renal, refletindo a velocidade com que o organismo pode depurar o plasma de
alguma substância. Na clínica, essa taxa pode ser utilizada para avaliar a efetividade da
função renal e a dosagem da creatinina endógena é usada para estimar a TFG, já que ela
é livremente filtrada e não é secretada. Além disso, a medição da relação
proteína/creatinina urinária é frequentemente utilizada como outro teste na prática clínica
(SYME et al., 2006; VERLANDER, 2009).
15
A barreira de filtração é seletivamente permeável e seleciona quais substâncias
são filtradas e quais são retidas com base em suas características estruturais e químicas,
como tamanho de partícula. Substâncias com o tamanho da albumina ou maiores, como
elementos celulares e proteínas plasmáticas, geralmente permanecem na corrente
sanguínea (VERLANDER, 1999).
Após a produção da urina, ela é armazenada na bexiga, também conhecida como
vesícula urinária. A bexiga é composta por uma camada mucosa e uma camada muscular,
esta última dividida em camadas interna e externa (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013).
A bexiga é um órgão oco, capaz de se expandir consideravelmente, por isso não possui
um formato fixo. Quando vazia, é pequena e arredondada, mas quando está cheia de urina,
sua forma se assemelha a uma pera (DYCE, 2010; GARCIA, 2011). O tamanho, posição
e localização da bexiga na cavidade abdominal podem variar dependendo da quantidade
de urina presente em seu interior (KONIG; LIEBICH, 2016).
2.2. Fatores que afetam a função renal em gatos domésticos
Alguns estudos indicam que não há diferença na frequência das doenças renais
entre gatos machos e fêmeas. Porém, a raça pode ser considerada um fator de risco
potencial para o surgimento de doenças renais em gatos, apresentando maior incidência
em British Shorthair, Birmaneses, Somali e Angorá, que têm cinco vezes mais chances
de desenvolver a doença (ROSS et al., 2006; BOYD et al., 2008). Outros estudos também
citam raças como Maine Coon, Abissínia, Siamesa e Azul da Rússia como suscetíveis às
doenças renais (PALACIO, 2010).
Em 2004, a Sociedade Internacional de Interesse Renal (IRIS) realizou um estudo
que coletou dados de 789 gatos com doenças renais em todo o mundo, por meio de um
banco de dados. Descobriu-se que desses 51,3% eram machos e 48,7% fêmeas. A maioria
dos animais eram esterilizados (91,2%) e apenas 8,8% permaneciam inteiros. A idade
média dos gatos afetados foi de 13 anos e cerca de 88,3% tinham mais de 6 anos de idade.
Não foram encontradas diferenças significativas entre as raças, mas neste estudo, os gatos
domésticos de pelo comprido (Persas, Siameses, Europeus e os Birmaneses) foram as
raças mais afetadas (IRIS, 2004).
Outras fontes potenciais de causa de lesão renal aguda (LRA) em felinos são a
utilização de medicamentos como aminoglicosídeos, anti-inflamatórios não esteroides e
agentes antineoplásicos, além de intoxicações (REYNOLDS; LEFEBVRE, 2013). Como
16
exemplo, algumas plantas ornamentais do gênero Lilium também são consideradas
nefrotóxicas para gatos. A intoxicação por lírio pode causar necrose tubular e
insuficiência renal aguda, o que pode levar à morte. Sinais clínicos podem aparecer entre
1 e 6 horas após a ingestão da planta, e os sinais de insuficiência renal costumam ocorrer
de 12 a 72 horas após a ingestão (PANZIERA et al., 2019).
Há outras causas menos comuns podem levar a distúrbios do trato inferior em
felinos, como neoplasias, anormalidades anatômicas, traumas e estenose uretral. A
vesícula urinária é o principal local onde as neoplasias se desenvolvem, sendo que o
carcinoma de células de transição representa 50% desses casos. Acredita-se que essa
predisposição neoplásica pode ocorrer devido à exposição constante do epitélio da
vesícula urinária a substâncias cancerígenas presentes na urina dos felinos (FONTE,
2010; LANDIM, 2019).
Algumas doenças estão associadas a doenças renais em gatos, como por exemplo,
anemia, hipertensão, cálculos urinários, hipertireoidismo, doenças cardiovasculares,
infecções urinárias, diabetes melittus e doença periodontal.
Pacientes com doença renal crônica (DRC) frequentemente apresentam anemia,
que foi descrita em 1836 pela primeira vez em humanos por Richard Bright como uma
complicação, após observar que um paciente com nefrite perdeu a "coloração saudável
do semblante" (KING et al., 1992). Essa complicação é uma das várias consequências da
DRC e é comum em cães e gatos, especialmente nos estágios III e IV definidos pela IRIS
em 2017 (FISHBANE, 2008; POLZIN, 2011; IRIS, 2017). A anemia na doença renal
crônica é comum e do tipo arregenerativa normocítica, normocrômica, sendo leve no
estágio inicial, mas pode se tornar grave conforme a função renal declina. As causas são
multifatoriais, sendo a falha na resposta renal para aumentar a produção de eritropoietina.
Além disso, o excesso de toxinas urêmicas, micros sangramentos gastrointestinais
crônicos e a redução da sobrevida dos eritrócitos também são fatores contribuintes de
causas de DRC (WHITE; REINE,2009b; LANKHORST; WISH, 2010; CHALHOUB et
al., 2011; POLZIN, 2011).
A elevação da pressão arterial sistêmica é frequentemente associada à anemia,
devido à reversão do mecanismo de vasodilatação como forma de compensação, o que
aumenta a resistência vascular periférica (WHITE; REINE, 2009a; BROWN, 2016). A
hipertensão em gatos pode ser responsável pelas lesões renais iniciais ou podem existir
fatores que estão envolvidos no controle da homeostase renal e que podem ter como
consequências a hipertensão sistêmica. Animais com a DRC podem apresentar uma
17
elevação da pressão arterial nos rins causando proteinúria e progressão das doenças renais
(PIMENTA et al., 2013).
Outro fator que pode estar relacionado a lesões renais em gatos é a hiperglicemia.
Animais obesos, com idade avança ou fatores ligados a genética podem ser fontes de risco
para desenvolverem diabetes tipo 2, o que acarretará resistência à insulina e disfunção das
células beta do pâncreas (NELSON; REUSCH, 2014; GILOR et al., 2016).
Os rins são órgãos que podem sofrer alterações significativas com o processo de
envelhecimento. Essas mudanças podem ser tanto estruturais como funcionais, incluindo
a diminuição da taxa de filtração glomerular, fluxo sanguíneo renal, capacidade de
concentração urinária, manutenção da homeostase ácido-base e da produção endócrina.
Além disso, também pode ocorrer diminuição no peso renal, volume e aparência
histológica, com o tecido conjuntivo fibroso substituindo o parênquima ativo
(FORRESTER; ADAMS; ALLEN, 2010).
As doenças renais têm uma maior prevalência em gatos idosos e geriátricos, sendo
o envelhecimento considerado um fator de risco. Gatos com mais de nove anos de idade
apresentam relevante taxa de mortalidade por doenças renais (LAWLER et al., 2006). De
acordo com estudo realizado por Jepson et al. (2009) foi possível observar através da
dosagem de creatinina plasmática e proteinúria que cerca de 30,5% dos gatos idosos,
aparentemente saudáveis, podem se tornar azotêmicos (acúmulo de substâncias como
creatinina e ureia devido a uma diminuição na taxa de filtração glomerular por perda de
néfrons) em 12 meses com lesões tubulointersticiais que se agravam com o passar do
tempo.
É crucial salientar que um dos efeitos do processo de envelhecimento em felinos
é a diminuição da sensibilidade à sede, levando a um aumento no perigo de desidratação.
Mesmo os gatos com função renal aparentemente normal podem estar sob risco. Além
disso, os animais idosos perdem mais água em relação aos mais jovens, provavelmente
devido à capacidade reduzida de concentrar urina, mesmo sem quaisquer sintomas claros
de doença renal crônica (LITTLE, 2015).
A desidratação pode prejudicar a função renal e o fluxo sanguíneo, resultando em
problemas mais graves e sendo considerada a principal causa de mortalidade e de doença
renal em gatos idosos. A perda natural de até 75% dos néfrons pode ocorrer durante o
processo de envelhecimento, sem que haja sinais clínicos ou bioquímicos evidentes em
muitos casos (CASE et al., 2012).
18
Os fatores que podem aumentar os riscos e/ou agravar o desenvolvimento das
doenças renais são multifatoriais, dentre eles tem-se a obesidade, mudanças na dieta,
alimentos secos, inclusão de aminoácidos, proteínas, acidificantes e alguns minerais que
podem levar a reduzida ingestão e eliminação de água (LEWIS et al., 1978; ZENTEK;
SCHULZ, 2004; BARTGES; KIRK, 2006; NUTRIENT..., 2006; SOUZA; DANIEL,
2008). Dessa forma, os gatos adultos jovens, sedentários e com sobrepeso, especialmente
aqueles que usam liteiras e não têm acesso ao exterior, são mais propensos a desenvolver
neoplasias e inflamações, contribui para aproximadamente 45% dos casos de doenças
renais, com a formação de urólitos de estruvita e oxalato de cálcio sendo as mais comuns
(CASE et al., 1998; OSBORNE et al., 2004). Além disso, a dieta é um fator primordial,
com o teor de água e os níveis de minerais, como magnésio e cálcio, desempenhando
importante papel na prevenção e manejo dessas doenças (MARKWELL et al., 1998). A
manipulação da dieta para aumentar o volume de urina, por meio de uma maior ingestão
de água ou alimentos úmidos, tem mostrado resultados positivos na redução da formação
de cristais urinários e na prevenção da reincidência de cálculos (GASKELL, 1985;
CARCIOFI, 2007).
A nutrição é um fator importante em gatos de idade avançada, visto que, ocorrem
várias transformações que impactam a disposição ou habilidade do animal para se
alimentar (CASE et al., 2012). Dietas ricas em proteínas e ácidos e com baixas
concentrações de potássio é capaz de induzir doenças renais crônicas em gatos saudáveis
(DIBARTOLA et al., 1993). A inclusão de acidificantes urinários, como metionina e
cloreto de amônio, tem sido amplamente utilizada para reduzir o pH urinário e prevenir a
formação de cristais de estruvita em gatos, porém, seu uso excessivo pode gerar efeitos
adversos. Embora esses acidificantes possam auxiliar na acidificação da urina e evitar a
precipitação de cristais, teores inadequados podem causar acidose metabólica, depressão
das reservas de potássio, disfunção renal e aumentar o risco de formação de cristais de
oxalato de cálcio (OSBORNE et al., 2004). Além disso, o fornecimento prolongado de
dietas com altos níveis de minerais como magnésio, cálcio e fósforo pode gerar impactos
negativos na saúde urinária. Esses componentes, quando presentes em quantidades
elevadas, não apenas promovem a formação de cristais, mas também podem levar a uma
redução na ingestão hídrica e, consequentemente, afetar o volume de urina excretado,
aumentando o risco de reaparecimento de urolitíase (CARCIOFI, 2007; MARKWELL et
al., 1998). Portanto, o equilíbrio adequado de minerais na dieta e o uso ponderado de
acidificantes são essenciais para manter a saúde do trato urinário dos felinos. Por isso,
19
estudos sobre as necessidades nutricionais dos gatos idosos têm sido realizados para
promover a manutenção de sua saúde, aumentar sua expectativa de vida e reduzir o risco
de desenvolvimento de doenças crônicas (STURGESS; HURLEY, 2005).
2.3.Importância da água na saúde renal de gatos
A água é um nutriente essencial para a saúde renal dos gatos domésticos, sendo
que a ingestão adequada é crucial para a manutenção da função renal, pois ajuda a
eliminar resíduos e toxinas do corpo. Deve-se salientar que a desidratação representar
relevante fator de risco para o desenvolvimento de doenças renais nessa espécie (LUND
et al., 2005). Além disso, gatos com idade avançada apresentam uma grande sensibilidade
à sede, que diminui nessa fase e é naturalmente baixa quando comparada a outras
espécies. Esse desequilíbrio hídrico é ainda mais problemático para gatos que consomem
somente ração seca (HAND et al., 2000; STURGESS; HURLEY, 2005).
A baixa tolerância à desidratação pode levar a formação de cálculos renais e
insuficiência renal. Culminando também a uma diminuição da produção de urina, o que
pode causar acúmulo de resíduos no corpo, como elevação na concentração de ureia no
sangue, que é considerada um indicador de função renal prejudicada (BUFFINGTON et
al., 1997). O aumento significativo no número de casos de cálculos renais em animais
pode estar relacionado ao uso frequente de dietas comerciais, à falta de atividade física e
à baixa ingestão de água. Esses fatores combinados podem contribuir para o
desenvolvimento de doenças renais em animais domésticos (ARIZA, 2012). De acordo
com Houston (2006), gatos saudáveis geralmente bebem entre 20 e 40 ml de água por
quilograma de peso corporal por dia, mas esse valor pode variar significativamente devido
a vários fatores, como a preferência pela dieta seca ou úmida. Bartges (2000), por sua
vez, sugere que a ingestão diária normal de água para gatos é de cerca de 60 a 80 mL por
quilograma de peso corporal. Já em estudo realizado por Sturgess e Hurley (2005)
concluíram que para satisfazer as necessidades hídricas, um gato saudável deve ingerir,
no mínimo, 150 mL de água por dia. Isso mostra que há uma grande variação nas
estimativas de diferentes autores em relação a esse parâmetro.
O manejo nutricional de gatos, tanto saudáveis quanto aqueles com doença renal
crônica, requer atenção especial à ingestão hídrica. Esse aspecto é ainda mais importante
em estágios mais avançados da doença. Uma maneira de incentivar a ingestão de água é
através da alimentação úmida, que tende a aumentar a quantidade total de água ingerida
20
pelos felinos, de forma espontânea. Segundo Carciofi et al. (2005), a alimentação úmida
é uma opção preferível para gatos, uma vez que geralmente resulta em maior consumo
total de água, em comparação com outros tipos de alimentos. Sabe-se também que felinos
alimentados com dietas enlatadas (que possuem alta umidade) ingerem uma quantidade
maior de água e apresentam uma densidade urinária inferior em comparação com gatos
que se alimentam de dietas secas (RISHNIW; BICALHO, 2015).
Gatos que recebem dieta úmida apresentam uma ingestão de água
significativamente menor do que os gatos que receberam a dieta seca. No entanto, os
gatos que ingerem uma dieta úmida apresentam uma produção de urina
significativamente maior, o que indica que a dieta úmida pode ajudar a manter o equilíbrio
hídrico do gato. Ou seja, a inclusão de alimentos úmidos e de alta digestibilidade na dieta
dos gatos pode ajudar a prevenir a desidratação e reduzir o risco de doenças renais. Além
disso, a dieta úmida pode ser uma opção para gatos que têm dificuldade em ingerir água
suficiente (CARCIOFI et al., 2005).
No entanto, é importante lembrar que a qualidade da dieta hídrica é essencial. Um
estudo realizado por Larsen et al. (2019) mostrou que a inclusão de água em alimentos
comerciais secos não é suficiente para atender às necessidades de hidratação dos gatos.
Outro fator preponderante, são as condições ambientais, que desempenham um papel
relevante na ingestão de água pelos gatos, especialmente em condições em que as
temperaturas são elevadas. Embora raramente sejam expostos a ambientes extremos ou
realizem atividades físicas intensas como os cães, os gatos ainda podem ter suas
necessidades hídricas aumentadas em climas quentes. Estudos sugerem que, em
temperaturas ao redor de 35°C, a necessidade de água pode aumentar de 8 a12 mL por
quilo de peso corporal, com o objetivo de compensar as perdas por evaporação (ADAMS
et al., 1970 citado por NUTRIENT..., 2006). Dessa forma, gatos que vivem em locais de
altas temperaturas, é essencial fornecer água suficiente para que possam manter a
regulação de sua hidratação, com estimativas sugerindo que o dobro da quantidade
recomendada pode ser necessário para garantir que todas as suas necessidades sejam
supridas adequadamente. Portanto, é importante escolher alimentos úmidos de qualidade
e fornecer água fresca, limpa e em quantidade suficiente diariamente.
21
2.4.Estratégias para incentivar a ingestão adequada de água em gatos domésticos
Os gatos possuem uma tendência natural a ingerir menos água em comparação
com outras espécies. Assim, diversas estratégias têm sido adotadas para o aumento do
consumo voluntário de água, considerando que a ingestão recomendada é essencial para
evitar problemas de saúde. Dentre as maneiras mais eficientes é a utilização de fontes de
água em movimento, como os bebedouros com circulação ou queda livre de água, que
podem despertar o interesse dos gatos, visto que muitos tem preferência por água corrente
em vez de água parada (GRANT, 2010). No entanto, é sabido que os gatos que sofrem
de doença renal crônica, caracterizada pela diurese anormal e a incapacidade renal de
concentrar a urina, apresentando maior risco de desidratação (LANGSTON, 2008). Para
prevenir a desidratação em gatos com doenças renais, é essencial fornecer acesso livre à
água, alimentos úmidos, fontes de água e disponibilizar mais potes de água pelo ambiente
(HAND, 2000; DIBARTOLA; WESTROPP, 2015).
É importante que os tutores ofereçam diferentes fontes de água potável em
abundância para seus gatos (água corrente, fonte de água, água saborizada, cubos de gelo
aromatizados, dentre outras) e dietas úmidas ( sachês e patês) para estimular a ingestão.
(SCHERK, 2015; SPARKES et al., 2016). Além dos benefícios voltados para a
hidratação, dietas com maior conteúdo de água pode promover uma redução significativa
na ingestão calórica e uma moderada perda de peso nos gatos, sem alterar sua composição
corporal, principalmente aqueles com predisposição à obesidade destacando a
importância da água tanto no manejo nutricional quanto na saúde geral dos felinos (WEI
et al., 2011).
Alipourmazandarani (2021) observou que o consumo de água por gatos
domésticos alimentados com rações úmidas era menor que o recomendado. Além disso,
os hábitos de consumo variavam entre o dia e a noite, com alguns gatos preferindo beber
mais à noite. Fatores como a frequência de limpeza do bebedouro e a localização do
mesmo também influenciaram o consumo de água. Assim, sugeriu que para aumentar o
consumo de água sejam adotadas medidas como o uso de fontes de água (em vez de
tigelas paradas), limpeza frequente dos bebedouros e o fornecimento de alimentos úmidos
em vez de secos. Essas estratégias visam prevenir doenças relacionadas à baixa ingestão
de água, como a doença renal crônica e doenças do trato urinário.
No entanto, a adição de teores elevados de acidificantes na dieta (dietas
extrusadas) podem não se mostrarem eficazes, devido a não alteração da ingestão de água
22
de bebida, água do alimento, volume e pH urinário dos animais, como demonstrado por
Coutinho et al. (2017). Assim como a inclusão de aminoácidos (L-prolina, L-ornitina, Lcisteína) na água de bebida não foram suficientes para aumentar o consumo de água, e a
água contendo L-prolina não afetou o consumo e a digestibilidade da ração (PENA et al.,
2018).
Alguns gatos podem preferir água fresca e limpa, enquanto outros preferem a água
corrente ou com temperaturas diferentes, como demonstrado por Tatlıağız e Akyazı
(2023), que observaram o efeito da temperatura da água no consumo de gatos domésticos.
O estudo testou como a água fria influenciava a ingestão voluntária, comparando a
quantidade consumida quando a água estava em temperatura ambiente e após ser resfriada
com cubos de gelo. Os resultados indicaram que a água resfriada aumentou
significativamente o consumo, sugerindo que a adoção de métodos simples, como o
resfriamento da água, pode aumentar o consumo de líquidos e reduzir riscos à saúde dos
gatos associados à baixa ingestão hídrica. Por isso, é importante oferecer diferentes
opções de água para que o animal possa escolher (WELLS; HEPPER, 2000). As fontes
de água são opções eficazes, já que são equipamentos que permitem que a água fique em
constante movimento, o que pode ser atraente para muitos gatos. Estudos mostram que
gatos que bebem de fontes de água tendem a consumir mais líquidos do que aqueles que
consomem água parada (BUFFINGTON et al., 2006; PACHEL; NEILSON, 2010).
Gatos podem ser particularmente sensíveis a mudanças em seu ambiente,
incluindo a localização de sua tigela de água. Oferecer várias tigelas de água em diferentes
locais da casa pode incentivá-los a beberem mais água. Existem também águas
adicionadas de aditivos com sabor, que podem ser utilizadas para torná-la mais atraente.
Isso pode ajudar a aumentar a ingestão de água em gatos que são particularmente
exigentes em relação à água (VAN DEN BERG; LANGSTON, 2019). Além disso, um
suplemento de água pode servir como um método alternativo ou complementar à
modificação da dieta com um alimento de alta umidade ou enriquecimento de sódio para
aumentar a ingestão de água em gatos. Em trabalho realizado por Zanghi, Gerheart e
Gardner (2018), pode ser verificado que os achados indicaram que gatos saudáveis podem
ter maior ingestão total de água e melhores índices associados à hidratação quando uma
água enriquecida com nutrientes palatáveis é fornecida para beber.
Dessa forma, estratégias alternativas devem ser desenvolvidas para melhorar a
hidratação, aumentar a ingestão de água ou ambos para gatos que precisam de suporte
veterinário adicional para diminuir o risco de formação de urólitos ou que requerem
23
tratamento para insuficiência renal ou hipohidratação resultante da idade, lesão ou
cirurgia.
24
2.5. REFERÊNCIAS
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31
3. ARTIGO
Obs.: Artigo formatado nas regras de submissão da revista Journal of Feline Medicine
And Surgery, para apreciação pelos membros da banca de qualificação de mestrado.
Comportamento ingestivo e resposta sérica em felinos domésticos
utilizando bebedouros com fonte elétrica
Thamires de Oliveira Soares1, Pierre Barnabé Escodro2, Paulo Otávio Silva Cavalcante3,
Thamyres Valeriano Teixeira1, Aline dos Santos Oliveira1, Bruno de Melo Corrêa4,
Henrique Nunes Parente5, Yane Fernandes Moreira6, Tobyas Maia de Albuquerque
Mariz2
1
Mestranda PPGCA- Universidade Federal de Alagoas - Campus de Engenharias e Ciências AgráriasUnidade Educacional Viçosa, Viçosa-AL, Brasil
2
Prof. Dr. - Universidade Federal de Alagoas - Campus de Engenharias e Ciências Agrárias, Rio LargoAL, Brasil
3
Doutor em Zootecnia - Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife-PE, Brasil
4
Graduando em Zootecnia - Universidade Federal de Alagoas - Campus de Engenharias e Ciências Agrárias
– Rio Largo-AL, Brasil
5
Prof. Dr. - Universidade Federal do Maranhão - Centro de Ciências de Chapadinha, Chapadinha-MA,
Brasil
6
Médica Veterinária
Autor correspondente:
Tobyas Maia de Albuquerque Mariz, Médico Veterinário, Doutor em Zootecnia, Universidade Federal de
Alagoas
Palavras-chave: água, consumo, etologia, Felis catus
Resumo
Objetivos Esta pesquisa visou avaliar os efeitos da utilização de bebedouro com fonte
elétrica sobre o comportamento ingestivo e os parâmetros séricos em gatos domésticos.
Métodos Foi utilizado um delineamento inteiramente casualizado (DIC) com 4
tratamentos e 10 repetições cada, totalizando 40 unidades experimentais, contemplando
os seguintes grupos amostrais: Grupo 1 alimentação seca e água disponível em
bebedouro convencional; Grupo 2 alimentação seca e água disponível em bebedouro
convencional, sendo ofertada adicionalmente 1 refeição com alimento úmido; Grupo 3
alimentação seca e água disponível em bebedouro com fonte elétrica; e Grupo 4
alimentação seca e água disponível em bebedouro com fonte elétrica, sendo ofertada
adicionalmente 1 refeição com alimento úmido. Foram avaliados o comportamento
ingestivo dos animais, bem como parâmetros hematológicos e séricos.
Resultados Foi observado maior frequência de idas ao bebedouro para os gatos que
estavam com bebedouro de fonte elétrica e recebendo ração seca, bem como valores
superiores (p<.0001) para as variáveis urinando e consumindo água por parte dos
32
animais dos grupos 3 e 4 em relação aos demais. Verificou-se um leve aumento nos
níveis de proteína em todos os tratamentos, e de uréia para os animais dos grupos 3 e 4,
ocasionados por uma maior ingestão de alimento a vontade e consequente metabolização
de proteína, sem alterar valores de creatinina o que comprova a preservação da função
renal.
Conclusões e relevância Os resultados apontam para um efeito positivo do uso dos
bebedouros elétricos sobre os parâmetros de consumo de água e frequência de urina,
bem como no consumo de alimentos. Comprovam-se os benefícios do uso dessa
ferramenta para gatos domésticos e evidencia-se uma alternativa de manejo com redução
dos riscos potenciais do baixo consumo de água por esses animais.
Introdução
Os felinos domésticos tendem a ingerir menos água, proporcionalmente, do que
cães em situações semelhantes. No entanto, essa questão se torna mais preocupante em
gatos com patologias que levam à poliúria e polidipsia, como é o caso do diabetes mellitus
(DM) e da doença renal crônica (DRC),1,2 assim como para gatos machos castrados que
apresentam estreitamento de uretra o que gera aumento a predisposição de obstrução por
urólitos.
A água é o principal constituinte do sangue, dos tecidos e fluidos corporais e
desempenha um importante papel como solvente para inúmeros processos químicos intra
e extracelulares, promovendo o transporte de oxigênio e nutrientes para as células,
controla a termorregulação corporal e excreção de resíduos através da urina e fezes. 3
A manutenção da saúde renal pode ser garantida por uma nutrição e hidratação
adequada dos animais, visto que a ingestão de água é importante para a diluição urinária,
reduzindo assim os fatores de risco para surgimento de doenças renais em gatos
domésticos.4 Sendo assim, são necessárias pesquisas que investiguem a utilização de
dietas que mantenham o equilíbrio hídrico através da análise de sua composição, formas
de fornecimento de água e qualidade do ambiente que o animal está inserido.
O manejo nutricional de gatos, tanto saudáveis quanto aqueles com doença renal
crônica, requer atenção especial à ingestão hídrica. Uma maneira de incentivar a ingestão
de água é através da alimentação úmida, que tende a aumentar a quantidade total de água
ingerida pelos felinos, de forma espontânea. Entretanto, as dietas secas podem ser mais
convenientes para os tutores, tanto na questão da facilidade na oferta quanto na questão
de custos, o que aumenta a necessidade de busca de estratégias que possam estimular a
33
ingestão direta de água por animais alimentados dessa maneira. Os gatos são animais
curiosos e podem ser atraídos por água em movimento, como uma fonte ou uma tigela
com um pequeno fluxo de água, que traz uma conotação de frescor e limpeza que eles
podem não identificar na água parada.5
Assim, têm-se com hipótese deste trabalho que a utilização de bebedouros com
fonte elétrica aumenta o consumo de água e a frequência de miccção por parte de gatos
domésticos, além de melhorar seus parâmetros séricos. Neste contexto, objetivou-se com
esse estudo avaliar o comportamento ingestivo e os parâmetros séricos em gatos
domésticos utilizando bebedouro com fonte elétrica.
Material e métodos
O experimento foi realizado nas instalações do Instituto Integra Animal, no
período de 01 de setembro a 30 de novembro de 2023, aprovado pela Comissão de Ética
no Uso de Animais da Universidade Federal de Alagoas – CEUA/UFAL, sob protocolo
nº13/2023.
Foi utilizado um delineamento inteiramente casualizado (DIC) com 4
tratamentos e 10 repetições cada, totalizando 40 unidades experimentais. O
planejamento estatístico contemplou os seguintes grupos amostrais:
- G1: 10 animais, que receberam alimentação seca em oferta fracionada em 4x ao dia, e
água disponível em bebedouro convencional, por um período de avaliação de 20 dias;
- G2: 10 animais, que receberam alimentação seca em oferta fracionada em 4x ao dia e
água disponível em bebedouro convencional, sendo ofertada adicionalmente 1 refeição
com alimento úmido por dia, por um período de avaliação de 20 dias;
- G3: 10 animais, que receberam alimentação seca em oferta fracionada em 4x ao dia, e
água disponível em bebedouro com fonte elétrica, por um período de avaliação de 20
dias;
- G4: 10 animais, que receberam alimentação seca em oferta fracionada em 4x ao dia e
água disponível em bebedouro com fonte elétrica, sendo ofertada adicionalmente 1
refeição com alimento úmido por dia, por um período de avaliação de 20 dias.
O peso vivo médio dos animais em kilos (kg) foi de 3,55 no grupo 1, 3,63 no
grupo 2, 3,79 no grupo 3 e 3,71 no grupo 4. Para os grupos G3 e G4, utilizou-se os
bebedouros elétricos modelo Magicat Gold da marca Catmypet. Todos os animais
permaneceram em box individuais, medindo 1 metro de altura por um metro de largura
por um metro de profundidade, recebendo dieta individualizada com alimento Premium,
de acordo com as exigências do NRC,6 e passando por 15 dias de adaptação antes do
34
período experimental de 20 dias. Foram realizadas observações do comportamento
ingestivo dos animais entre 18 h de um dia e 18 h do dia seguinte, de acordo com a
técnica de amostragem instantânea,7 com intervalos de cinco minutos, em três períodos
de 24 horas cada (primeiro dia de experimento, 9 dia de experimento, 19 dia de
experimento), registrando-se as variáveis: ócio em pé (OEP), ócio deitado (OD), em pé
comendo (EPC), em pé bebendo (EPB), lambendo-se (LAM) e arranhando (ARR). A
partir desses dados, foram calculados os tempos médios diários gastos com cada
variável. Durante os períodos de observação foram registrados ainda o número de vezes
em que o animal comeu, bebeu água, urinou e defecou.
O consumo de água (CAGUA L/dia) foi determinado 3 vezes, com médias de
três dias consecutivos, a saber:
- Momento um: dias 02, 03 e 04 do período experimental;
- Momento dois: dias 11, 12 e 13 do período experimental;
- Momento três: dias 21, 22 e 23 do período experimental.
Foram ofertados 500 ml de água para cada animal em cada dia, medindo-se o
consumo diário em proveta graduada. Os dias de análise comportamental e de consumo
de água não foram os mesmos de coleta de material biológico, para evitar interferência
no comportamento natural dos animais. A temperatura da água também foi monitorada,
através do uso de termômetro tipo espeto, às 9:00, 12:00, 15:00 e 17:00 horas do dia,
nos dias de avaliação do consumo de água citados anteriormente.
Coletou-se sangue por venopunção da veia jugular ou cefálica, utilizando seringa
de 3 ml e armazenado em 2 (dois) tubos, sendo 1 para hemograma e 1 para parâmetros
bioquímicos (proteína, uréia e creatinina). O hemograma completo bem como as análises
de preteína, uréia e creatinina foram realizados conforme descrito por Lopes et al. 8
Coletou-se também urina por cistocentese para realização de urinálise,
avaliando-se cor, odor, aspecto, densidade, pH, proteínas, bilirrubinas, glicose, sangue,
uribilinogênio, corpos cetônicos, hemácias, leucócitos, muco, cilindros, cristais e
bactárias, conforme recomendado por Lopes et al.8
Para coleta de sangue e urina, os animais foram contidos de acordo com Feitosa9
mantendo presa a cabeça do animal dentro da palma da mão do auxiliar, associada a
contenção dos membros posteriores devidamente esticados. Após a colocação do animal
em decúbito lateral na coleta de sangue e ventral na coleta de urina, passou-se uma toalha
de mão dobrada em volta do pescoço do gato, mantendo dois dedos entre a toalha e a
pele do animal, adequando-se a pressão exercida e evitando assim que se asfixiassem. O
35
sangue e a urina foram coletados em dois momentos:
- Momento 1: Coleta 2 dias antes do início do período experimental;
- Momento 2: Coleta no término do período experimental.
Os dados foram tabulados em planilhas eletrônicas, e analisados em estatística
descritiva, além de aplicação de um teste de médias (Tukey) a 5% de probabilidade.
Todas as variáveis foram avaliadas com o teste de normalidade seguindo a
metodologia de Shapiro-Wilk, após obter a normalidade dos dados, foram submetidos à
análise de variância. Quando detectou-se diferenças estatísticas, as médias foram
submetidas ao teste de Tukey com nível de significância de 5%.
Resultados
Não observou-se efeito significativo para a variável “comendo”, entretanto, para
a variável bebendo foi observada diferença (<.0001), o que reflete uma variação entre os
tratamentos (Tabela 01). Foi observada maior frequência de idas ao bebedouro para os
gatos que estavam com bebedouro de fonte elétrica e recebendo ração seca (4,27) e menor
frequência para os gatos com bebedouros convencionais e recebendo ração úmida uma
vez ao dia (2,72). O tratamento 4 se assemelhou estatisticamente aos tratamentos 1 e 2.
Possivelmente, esses resultados estejam relacionados a inclusão do alimento úmido
fornecido uma vez ao dia, permitindo o consumo de água de forma indireta pelos animais.
Tabela 1 – Frequência dos valores médios das variáveis comportamentais em gatos
submetidos a diferentes tratamentos.
Variáveis avaliadas
Grupos
CV%
P>valor
3,63
33,7
0,946
4,27b
3,36a
25,8
0,001
5,09
6,00
2,72
75,5
0,131
50,18ab
65,00c
62,45ac
40,36b
20,49
<.0001
208,64a
193,63ab
187,00b
220,72ac
8,03
<.0001
Brincando/Roçando
6,18
5,72
7,64
5,73
59,35
0,593
Se limpando
10,54a
11,18a
14,45b
8,27a
23,94
<.0001
Outro
2,54ab
1,90a
3,27b
2,36ab
41,74
0,033
1
2
3
4
Comendo
3,90
3,90
3,90
Bebendo
3,18a
2,72a
Vocalizando
3,90
Ócio em pé
Ócio deitado
*Médias seguidas de letras diferentes na mesma linha indicam diferença significativa (P<0,05) pelo teste
de Tukey. CV% = coeficiente de variação. 1- Bebedouro convencional + ração seca; 2- Bebedouro
36
convencional + alimento úmido; 3- Bebedouro fonte elétrica + ração seca; 4- Bebedouro fonte elétrica +
alimento úmido.
Seguindo-se na análise dos dados, verifica-se valores superiores (p<.0001) para
as variáveis urinando e consumindo água por parte dos animais dos tratamentos 3 e 4 em
relação aos demais (Tabela 2).
Tabela 2 – Valores médios das observações de comportamento e médias de consumo de
ração (g/dia) e de água (ml/dia) em gatos domésticos submetidos a diferentes tratamentos.
Grupos
Variáveis
avaliadas
CV%
P>valor
6,18
22,27
0,709
8,09
7,90
13,53
0,052
3,27ab
4,00b
3,90b
21,28
<.0001
1,63
1,91
2,00
1,45
36,34
0,181
51,36
55,54
51,27
50,63
14,14
64,23a
67,05a
82,41b
77,13b
10,63
1
2
3
4
Comendo
5,90
6,00
6,54
Bebendo
7,27
7,00
Urinando
2,64a
Defecando
Consumo Ração
(g/dia)
Consumo de
Água (ml/dia)
0,392
<.0001
*Médias seguidas de letras diferentes na mesma linha indicam diferença significativa (P<0,05) pelo teste
de Tukey. CV% = coeficiente de variação. 1- Bebedouro convencional + ração seca; 2- Bebedouro
convencional + alimento úmido; 3- Bebedouro fonte elétrica + ração seca; 4- Bebedouro fonte elétrica +
alimento úmido.
As Figuras 1 e 2 apresentam a avaliação de padrão nictemeral de comportamento
dos animais, em forma gráfica, no que tange ao número de vezes ao longo de 24 horas
que os animais se alimentaram, ingeriram água, defecaram e urinaram.
37
5.9
G1: Ração Seca+Bebedouro Convencional
7.3
G2: Ração Seca/Úmida+Bebedouro
Convencional
6.0
7.0
6.5
G3: Ração Seca+Bebedouro Elétrico
8.1
6.2
G4: Ração Seca/Úmida+Bebedouro Elétrico
7.9
Ingestão de Alimento
Ingestão de Água
Figura 1: Número de vezes ao dia em que os animais ingeriram alimento e ingeriram água, de
acordo com os tratamentos experimentais
2.6
G1: Ração Seca+Bebedouro Convencional
1.6
G2: Ração Seca/Úmida+Bebedouro
Convencional
3.3
1.9
4.0
G3: Ração Seca+Bebedouro Elétrico
2.0
3.9
G4: Ração Seca/Úmida+Bebedouro Elétrico
1.5
Micção
Defecação
Figura 2: Número de vezes ao dia em que os animais urinaram e defecaram, de acordo com os
tratamentos experimentais
Tabela 3 – Valores médios de variáveis séricas de gatos submetidos a diferentes
tratamentos obtidos no final de cada tratamento.
Grupos
Variáveis
avaliadas (mg/dL)
Proteína
plasmática
1
2
3
4
8,41
9,09
8,98
8,98
CV%
8,73
P>valor
0,201
38
Ureia
56,36a
56,82a
66,28ab
67,53b
14,66
0,006
Creatinina
1,24b
0,89a
1,37b
1,38b
17,38
<.0001
*Médias seguidas de letras diferentes na mesma linha indicam diferença significativa (P<0,05) pelo teste
de Tukey. CV% = coeficiente de variação. 1- Bebedouro convencional + ração seca; 2- Bebedouro
convencional + alimento úmido; 3- Bebedouro fonte elétrica + ração seca; 4- Bebedouro fonte elétrica +
alimento úmido.
Discussões
Os resultados da urinálise dos animais apresentaram-se dentro da normalidade
para todas as variáveis, em ambos os momentos de coleta, para todos os grupos
experimentais, assim como o hematócrito, conforme Lopes et al.8
É possível verificar que os animais do grupo 3 apresentaram o comportamento de
limpeza maior do que os dos demais grupos. Os gatos domésticos apresentam a prática
de higiene em situações de pré-repouso, nos períodos de sono, em condições de estresse,
como forma de evitar brigas com outros gatos e após as refeições.10 Esse comportamento
também pode estar relacionado a verificação de palatabilidade dos alimentos. Quando o
alimento é palatável, o gato apresenta o hábito de lamber os lábios, cheirar ao redor do
alimento e consumi-lo e após a refeição realizar sua autolimpeza (lambendo-se).11 Assim,
é provável que, a maior ingestão de água neste grupo experimental que utilizava o
bebedouro com fonte elétrica, tenha produzido resultado semelhante na variável em
questão associada à ação de autolimpeza por parte dos animais.
Por parte dos animais dos tratamentos 3 e 4 em relação aos demais, os resultados
comprovam uma relação de aumento de frequência concomitante entre essas duas
variáveis, por influência direta da utilização de bebedouros com fontes elétricas,
corroborando com o estudo de Grant.12 A provável preferência dos gatos por fontes de
água correntes e frescas pode estar associada ao comportamento dos seus ancestrais, que
eram selvagens e tinham um forte instinto de escolha no momento de se hidratarem, para
evitarem águas sujas e contaminadas.13
É interessante observar que em valores absolutos, os animais do tratamento 3, que
tinham acesso ao bebedouro com fonte elétrica associada a uma oferta de ração seca,
tiveram maior consumo de água, fato importante uma vez que quando os gatos são
alimentados com dietas secas sua ingestão total de água pode diminuir significativamente,
variando de 29% a 63% em comparação com aqueles que consomem alimentos úmidos,
como enlatados e sachês.14
39
Observa-se de imediato efeito positivo do uso dos bebedouros com fontes elétricas
sobre os parâmetros de consumo de água e frequência de urina, bem como no consumo
de alimentos nos animais avaliados nesse estudo (Tabelas 1 e 2 e as Figuras 1 e 2).
Os gatos tendem a ingerir menos água do que cães em situações semelhantes e
esse comportamento é determinado pelo fato de serem originários de regiões áridas, o que
ao longo do processo evolutivo da espécie acabou impondo que mesmo os animais jovens
e saudáveis não bebam grandes volumes de água.1,2 Contudo, a ingestão adequada de água
é crucial para a função renal normal, pois ajuda a eliminar resíduos e toxinas do corpo,
sendo a desidratação um fator de risco importante para o desenvolvimento de doenças
renais nessa espécie.15
Na Figura 1, nota-se que o uso de bebedouros com fontes elétricas para os gatos
aumentou não só o consumo de água propriamente dito, mas também o consumo de
alimento, independentemente do tipo de dieta ofertada aos animais. Entretanto, ao
comparar-se mais especificamente as duas condições experimentais em que empregou-se
o uso dos bebedouros automatizados (G3 e G4), fica claro que o uso dessa tecnologia no
manejo de felinos domésticos não só influencia positivamente o comportamento de busca
pela fonte de água pelo animal, mas evita inclusive um efeito substitutivo da ingestão
direta de água quando se faz uso de parte de alimento úmido em sua dieta.
Ainda, analisando diretamente a variável consumo de água, identifica-se uma
média de consumo para os tratamentos que usaram bebedouros convencionais (G1 e G2)
de 65,6 ml por dia, contra 79,8 ml de média de consumo entre os tratamentos que
utilizaram os bebedouros elétricos (G3 e G4), o que gerou um incremento de consumo de
14,1 ml por dia, equivalente a 21,5%. O consumo total de água por gatos é influenciado
por vários fatores e varia muito na literatura, uma vez que as características próprias da
espécie oriundas do processo de evolução em climas desérticos lhe proporcionam por
exemplo, maior capacidade de concentrar urina e de resistir a desidratação 6.
Considerando o peso dos animais em cada grupo desse experimento, verifica-se um
consumo de 18,1, 18,5, 21,7 e 20,8 ml/kg de peso vivo nos tratamentos 1, 2, 3 e 4,
respectivamente. Estes resultados ficam próximos aos citados por Buckley et al 16, que
relataram consumo médio de água por felinos domésticos em torno de 21 ml/kg de peso
vivo, especialmente para os animais dos tratamentos 3 e 4, que foram mantidos com
acesso a bebedouros com fontes elétricas. Os valores encontram-se abaixo do relatado
por Zanghi et al17, que reportaram um consumo de 26 ml/kg.
40
Segundo Carciofi et al18 a alimentação úmida é uma opção preferível para gatos,
uma vez que geralmente resulta em maior consumo total de água, em comparação com
outros tipos de alimentos. Sabe-se também que felinos alimentados com dietas enlatadas
(que possuem alta umidade) ingerem uma quantidade maior de água e apresentam uma
densidade urinária inferior em comparação com gatos que se alimentam de dietas secas. 19
Contudo, Wei et al20 avaliaram o efeito do teor de água em um alimento enlatado sobre a
ingestão voluntária de alimentos e peso corporal em gatos, e concluíram que a oferta de
água incluída através do uso de dietas úmidas diminui a ingestão total de energia e
consequentemente o peso dos animais, demonstrando que tal estratégia embora possa
apresentar vantagens na procura pelo alimento não necessariamente mostra-se eficiente
quanto a ingestão de nutrientes.
Isto posto, e sabendo-se que a grande maioria dos tutores de gatos utilizam na
rotina diária de alimentação de seus pets a ração seca, por essas serem mais convenientes
para eles tanto na facilidade da oferta quanto na questão de investimento financeiro,
mostra-se evidente a significância que o emprego da tecnologia do bebedouro elétrico
pode promover no aumento da busca por água por parte do animal, com potenciais efeitos
benéficos a sua saúde renal.
Alguns gatos podem preferir água fresca e limpa, enquanto outros preferem a água
corrente ou a água mais fria, de forma que pode ser importante oferecer diferentes opções
de água para que o animal possa escolher,21,5 e alguns estudos já apontaram que gatos que
bebem de fontes de água em movimento tendem a consumir mais líquidos do que aqueles
que consomem água parada.22 É válido ressaltar que neste estudo, a temperatura média
da água foi de 26,2°C nos bebedouros com fontes elétricas e de 26,7°C nos bebedouros
convencionais, gerando, portanto, uma diferença de 0,5°C entre as formas de oferta de
água testadas, evidenciando que no modelo de equipamento empregado no experimento,
a movimentação da água pode ajudar em um leve refrescamento da mesma.
A análise da Figura 2 também corrobora com o efeito benéfico do emprego dos
bebedouros eletrônicos no consumo de água por felinos domésticos, uma vez que verificase aumento na quantidade de vezes que os animais dos grupos G3 e G4 urinaram no
período de 24 horas avaliado. Ao comparar-se mais uma vez as duas condições
experimentais em que empregou-se o uso dos bebedouros automatizados (G3 e G4),
constata-se o mesmo padrão de resposta no que tange a ingestão de água pelos animais
demonstrada anteriormente na Figura 1, o que pode demonstrar uma correlação positiva
41
entre o aumento da procura por água e o aumento dos eventos de excreção da urina
(micção).
Quanto às análises séricas, observa-se inicialmente que os parâmetros encontrados
podem ser considerados dentro de níveis de normalidade para espécie, com um leve
aumento nos níveis de proteína plasmática que deveriam estar na faixa de 5,4 a 7,8 g/dL
em todos os grupos, e um leve aumento nos níveis de ureia que deveriam estar entre 42,8
e 64,2 mg/dl no G3 e G4, conforme preposto por Lopes et al.8 Segundo os mesmos
autores, aumentos em proteínas plasmáticas são normalmente verificados em casos de
desidratação e inflamação. Como os animais não apresentaram sinais de desidratação, e
tiveram consumo voluntário de água dentro da normalidade, é possível que
procedimentos de coleta de sangue e de urina (cistocentese) tenham desencadeado esse
aumento.
É possível que variações no consumo a vontade da dieta pelos animais, inclusive
incrementada pelo uso dos bebedouros com fontes elétricas nos tratamentos 3 e 4 (Figura
1), tenha promovido maior disponibilidade de aminoácidos para absorção no trato
gastrointestinal, e o seu eventual excesso veio a ser convertido em ureia para eliminação
dos resíduos nitrogenados do organismo.23,24,25 É importante ressaltar, contudo, que
apesar do aumento da ureia, os níveis de creatinina estão dentro dos parâmetros de
normalidade, indicando que a função renal está totalmente preservada, e que realmente
existe uma maior degradação de proteína em excesso nos animais.25
As concentrações de ureia e creatinina são de extrema importância em gatos, visto
que a perda da função excretora causa retenção de substâncias nitrogenadas, as quais são
eliminadas durante a filtração glomerular. O não funcionamento desse mecanismo pode
levar a casos de azotemia ou uremia.26 À medida que a taxa de filtração glomerular
diminui, as concentrações de ureia e creatinina no sangue aumentam. No entanto, esses
níveis não ultrapassarão os limites normais até que cerca de três quartos da função renal
sejam comprometidos.27,28
Portanto, ao promover o uso de bebedouros elétricos e oferecer ração úmida aos
gatos, os tutores podem contribuir para a saúde renal de seus felinos, ajudando a garantir
uma função renal adequada e a prevenir problemas relacionados à excreção dessas
substâncias.
Conclusões
Os bebedouros com fontes elétricas propiciam aumento no consumo de água e
42
consumo de alimentos, apontando para importância do uso desse equipamento na rotina
diária de gatos domésticos. Recomenda-se a utilização com este objetivo.
Agradecimentos
Ao Instituto Integra Animal, à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas –
FAPEAL e a empresa CatMyPet.
Conflito de interesses
Os autores declararam não haver potenciais conflitos de interesse com relação à
pesquisa, autoria e/ou publicação deste artigo.
Financiamento
Este estudo foi financiado pela FAPEAL, através da consessão de bolsa de estudo, e teve
o apoio da empresa CatMyPet na disponibilização dos bebedouros com fontes elétricas.
Aprovação ética
O trabalho descrito neste manuscrito envolveu o uso de animais experimentais e o
estudo, portanto, teve aprovação ética prévia de um comitê estabelecido (ou ad hoc)
conforme declarado no manuscrito.
Consentimento informado
O consentimento informado (verbal ou escrito) foi obtido do proprietário ou custodiante
legal de todos os animais descritos neste trabalho (animais experimentais ou não
experimentais, incluindo cadáveres) para todos os procedimentos realizados (estudos
prospectivos ou retrospectivos). Nenhum animal ou pessoa é identificável nesta
publicação e, portanto, não foi necessário consentimento informado adicional para
publicação.
43
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45
Journal of Feline Medicine and Surgery
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Ingestive Behavior and Serum Response in Domestic Cats
Using Electric Water Fountains
Journal:
Journal of Feline Medicine and Surgery
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Journal of Feline Medicine and Surgery
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Keywords:
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Original Article
n/a
Soares, Thamires; Universidade Federal de Alagoas
Escodro, Pierre; Universidade Federal de Alagoas
Cavalcante, Paulo Otávio; Universidade Federal Rural de Pernambuco
Teixeira, Thamyres; Universidade Federal de Alagoas
Silva, Aline; Universidade Federal de Alagoas
Corrêa, Bruno; Universidade Federal de Alagoas
Parente, Henrique; Universidade Federal do Maranhão
Moreira, Yane; Universidade Federal de Alagoas
Maia de Albuquerque Mariz, Tobyas; Universidade Federal de Alagoas
water, consumption, ethology, Felis catus
Abstract:
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Objectives his research aimed to evaluate the effects of using an electric
fountain water dispenser on the ingestive behavior and serum
parameters of domestic cats.
Methods A completely randomized design (CRD) was used with 4
treatments and 10 replications each, totaling 40 experimental units,
including the following sample groups: Group 1 - dry food and water
available in a conventional water dispenser; Group 2 - dry food and water
available in a conventional water dispenser, with an additional meal of
wet food offered; Group 3 - dry food and water available in an electric
fountain water dispenser; and Group 4 - dry food and water available in
an electric fountain water dispenser, with an additional meal of wet food
offered. The ingestive behavior of the animals, as well as hematological
and serum parameters, were evaluated.
Results A higher frequency of visits to the water dispenser was observed
for cats using the electric fountain water dispenser and receiving dry
food, as well as significantly higher values (p<.0001) for the variables
urination and water consumption for animals in Groups 3 and 4 compared
to the other groups. There was a slight increase in protein levels across
all treatments, and an increase in urea for the animals in Groups 3 and 4.
caused by greater ad libitum food intake and consequent protein
metabolism, without altering creatinine values, which confirms the
preservation of renal function.
Conclusions and Relevance The results indicate a positive effect of using
electric fountain water dispensers on water consumption and urination
frequency, as well as on food intake. The benefits of using this tool for
domestic cats are confirmed, highlighting an alternative management
method that reduces the potential risks associated with low water intake
in these animals.
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Journal of Feline Medicine and Surgery
Plain Language Summary Title:
CUST_PLAIN_LANGUAGE_SUMMARY_TITLE :No data available.
Plain Language Summary:
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Cats are animals that naturally have a low water intake. This characteristic can predispose them to
various kidney problems. For this reason, research aimed at identifying strategies to increase water
consumption in cats is important. This study was conducted to determine if the use of electric water
fountains, which keep the water flowing, increases water consumption in cats compared to bowl-type
waterers. Four experimental groups were set up with ten cats each, varying both the type of water
dispenser and the type of food available to the animals. In Group 1, the cats were fed dry food and had
water available in a conventional bowl; in Group 2, the cats were fed dry food and had water available in
a conventional bowl, with an additional meal of wet food; in Group 3, the cats were fed dry food and
had water available in an electric water fountain; and in Group 4, the cats were fed dry food and had
water available in an electric water fountain, with an additional meal of wet food. A higher frequency of
drinking and urination was observed in the cats in Groups 3 and 4, which had access to the electric
water fountains, as well as an average increase of 21.5% in the volume of water consumed by these
groups compared to those that used bowl-type waterers in Groups 1 and 2. The results confirmed the
positive effect of these devices, which keep the water moving, in attracting cats and encouraging water
intake.
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Ingestive Behavior and Serum Response in Domestic Cats Using Electric Water
Fountains
1.
Thamires de Oliveira Soares Pierre Barnabé Escodro2. Paulo Otávio Silva Cavalcante3.
Thamyres Valeriano Teixeira1. Aline Rocha Silva1. Bruno de Melo Corrêa4. Henrique
Nunes Parente5. Yane Fernandes Moreira6. Tobyas Maia de Albuquerque Mariz2
1 Master's student PPGCA- Universidade Federal de Alagoas - Campus de Engenharias e
Ciências Agrárias-Unidade Educacional Viçosa, Viçosa-AL, Brazil
2 Prof. Dr. - Federal University of Alagoas - Campus of Engineering and Agrarian
Sciences, Rio Largo-AL, Brazil
3 PhD in Animal Science - Federal Rural University of Pernambuco, Recife-PE, Brazil
4 Graduating student in Zootechnics - Federal University of Alagoas - Campus of
Engineering and Agrarian Sciences - Rio Largo-AL, Brazil
5 Prof. Dr. - Federal University of Maranhão - Chapadinha Science Center, ChapadinhaMA, Brazil
6 Veterinarian
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Corresponding author:
Tobyas Maia de Albuquerque Mariz, Veterinarian, PhD in Animal Science, Federal
University of Alagoas
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Keywords: water, consumption, ethology, Felis catus
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Abstract
Objectives his research aimed to evaluate the effects of using an electric fountain water
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3
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25
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dispenser on the ingestive behavior and serum parameters of domestic cats.
27
Methods A completely randomized design (CRD) was used with 4 treatments and 10
28
replications each, totaling 40 experimental units, including the following sample groups:
29
Group 1 - dry food and water available in a conventional water dispenser; Group 2 - dry
30
food and water available in a conventional water dispenser, with an additional meal of
31
wet food offered; Group 3 - dry food and water available in an electric fountain water
32
dispenser; and Group 4 - dry food and water available in an electric fountain water
33
dispenser, with an additional meal of wet food offered. The ingestive behavior of the
34
animals, as well as hematological and serum parameters, were evaluated.
35
Results A higher frequency of visits to the water dispenser was observed for cats using
36
the electric fountain water dispenser and receiving dry food, as well as significantly
37
higher values (p<.0001) for the variables urination and water consumption for animals
38
in Groups 3 and 4 compared to the other groups. There was a slight increase in protein
39
levels across all treatments, and an increase in urea for the animals in Groups 3 and 4.
40
caused by greater ad libitum food intake and consequent protein metabolism, without
41
altering creatinine values, which confirms the preservation of renal function.
42
Conclusions and Relevance The results indicate a positive effect of using electric
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1
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fountain water dispensers on water consumption and urination frequency, as well as on
44
food intake. The benefits of using this tool for domestic cats are confirmed, highlighting
45
an alternative management method that reduces the potential risks associated with low
46
water intake in these animals.
47
48
Introduction
Domestic felines tend to consume less water, proportionally, than dogs in similar
50
situations. However, this issue becomes more concerning in cats with conditions that lead
51
to polyuria and polydipsia, such as diabetes mellitus (DM) and chronic kidney disease
52
(CKD),1.2 as well as in neutered male cats, which have a narrowed urethra, increasing
53
their predisposition to obstruction by uroliths.
Fo
49
Water is the main constituent of blood, tissues, and body fluids, playing a crucial
55
role as a solvent for numerous intra- and extracellular chemical processes. It facilitates
56
the transport of oxygen and nutrients to cells, regulates body temperature, and aids in the
57
excretion of waste through urine and feces.3
ee
rP
54
The maintenance of renal health can be ensured by proper nutrition and hydration
59
of animals, as water intake is important for urine dilution, thereby reducing risk factors
60
for the development of kidney diseases in domestic cats.4 Therefore, research is needed
61
to investigate the use of diets that maintain water balance by analyzing their composition,
62
methods of water provision, and the quality of the environment in which the animal is
63
placed.
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58
64
Nutritional management of cats, both healthy and those with chronic kidney
65
disease, requires special attention to water intake. One way to encourage water
66
consumption is through wet food, which tends to increase the total amount of water
67
ingested by felines spontaneously. However, dry diets may be more convenient for pet
68
owners, both in terms of ease of offering and cost, which increases the need for strategies
69
to stimulate direct water intake in animals fed in this manner. Cats are curious animals
70
and can be attracted to moving water, such as a fountain or a bowl with a small stream of
71
water, which conveys a sense of freshness and cleanliness that they may not associate
72
with still water.5
73
Thus, the hypothesis of this study is that the use of electric fountain water
74
dispensers increases water consumption and urination frequency in domestic cats, in
75
addition to improving their serum parameters. In this context, the objective of this study
76
was to evaluate the ingestive behavior and serum parameters in domestic cats using an
2
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electric fountain water dispenser.
78
79
Material and method
The experiment was conducted at the facilities of the Integra Animal Institute
81
from September 1 to November 30. 2023. approved by the Ethics Committee on Animal
82
Use of the Federal University of Alagoas – CEUA/UFAL, under protocol no. 13/2023.
83
A completely randomized design (CRD) was used with 4 treatments and 10
84
replications each, totaling 40 experimental units. The statistical design included the
85
following sample groups:
86
- G1: 10 animals, which received dry food offered in 4 portions per day, with water
87
available in a conventional water dispenser, for a 20-day evaluation period;
88
- G2: 10 animals, which received dry food offered in 4 portions per day, with water
89
available in a conventional water dispenser, and an additional meal of wet food per day,
90
for a 20-day evaluation period;
91
- G3: 10 animals, which received dry food offered in 4 portions per day, with water
92
available in an electric fountain water dispenser, for a 20-day evaluation period;
93
- G4: 10 animals, which received dry food offered in 4 portions per day, with water
94
available in an electric fountain water dispenser, and an additional meal of wet food per
95
day, for a 20-day evaluation period.
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80
The average body weight of the animals in kilograms (kg) was 3.55 in group 1.
97
3.63 in group 2. 3.79 in group 3. and 3.71 in group 4. For groups G3 and G4. the Magicat
98
Gold electric water dispensers from the Catmypet brand were used. All animals were
99
housed in individual boxes measuring 1 meter in height, 1 meter in width, and 1 meter
100
in depth, receiving individualized diets with Premium food according to NRC
101
requirements,6 and undergoing a 15-day adaptation period before the 20-day
102
experimental period. Observations of the animals' ingestive behavior were made
103
between 6 p.m. on one day and 6 p.m. the following day, using the instantaneous
104
sampling technique,7 with five-minute intervals, on three 24-hour periods (first day of
105
the experiment, 9th day of the experiment, and 19th day of the experiment). The
106
following variables were recorded: standing idle (SI), lying idle (LI), standing and eating
107
(SE), standing and drinking (SD), grooming (GRO), and scratching (SCR). From these
108
data, the average daily time spent on each variable was calculated. During the
109
observation periods, the number of times the animals ate, drank water, urinated, and
110
defecated were also recorded.
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O Water consumption (CAGUA L/day) was determined 3 times, with averages
112
taken over three consecutive days, as follows:
113
- Moment one: days 02. 03. and 04 of the experimental period;
114
- Moment two: days 11. 12. and 13 of the experimental period;
115
- Moment three: days 21. 22. and 23 of the experimental period.
A total of 500 ml of water was offered to each animal daily, with daily
117
consumption measured using a graduated cylinder. The days of behavioral analysis and
118
water consumption were not the same as the days for biological material collection, to
119
avoid interference with the animals' natural behavior. The water temperature was also
120
monitored using a probe thermometer at 9:00 a.m., 12:00 p.m., 3:00 p.m., and 5:00 p.m.
121
on the previously mentioned water consumption evaluation days.
Fo
116
Blood was collected by venipuncture of the jugular or cephalic vein, using a 3
123
ml syringe, and stored in two tubes: one for complete blood count and one for
124
biochemical parameters (protein, urea, and creatinine). The complete blood count as well
125
as the analyses of protein, urea, and creatinine were performed as described by Lopes et
126
al.8
ee
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122
Urine was also collected via cystocentesis for urinalysis, evaluating color, odor,
128
appearance, density, pH, proteins, bilirubins, glucose, blood, urobilinogen, ketone
129
bodies, red blood cells, white blood cells, mucus, casts, crystals, and bacteria, as
130
recommended by Lopes et al.8
ev
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127
For blood and urine collection, the animals were restrained according to Feitosa's
132
method9 with the assistant holding the animal's head in the palm of their hand, combined
133
with the restraint of the hind limbs, which were properly extended. After placing the
134
animal in lateral recumbency for blood collection and in ventral recumbency for urine
135
collection, a folded hand towel was placed around the cat's neck, keeping two fingers
136
between the towel and the animal's skin to adjust the pressure and prevent asphyxiation.
137
Blood and urine were collected at two different moments:
138
- Moment 1: Collection 2 days before the start of the experimental period;
139
- Moment 2: Collection at the end of the experimental period.
iew
131
140
The data were tabulated in electronic spreadsheets and analyzed using
141
descriptive statistics, in addition to the application of a mean test (Tukey) with a 5%
142
probability level. All variables were evaluated using the Shapiro-Wilk normality test.
143
After confirming data normality, they were subjected to analysis of variance (ANOVA).
4
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144
When statistical differences were detected, the means were subjected to the Tukey test
145
with a 5% significance level.
146
147
Results
No significant effect was observed for the variable "eating." However, for the
149
variable "drinking," a significant difference was noted (p < .0001), reflecting variation
150
between treatments (Table 01). A higher frequency of visits to the water dispenser was
151
observed for cats using the electric fountain and receiving dry food (4.27), and a lower
152
frequency for cats using conventional dispensers and receiving wet food once a day
153
(2.72). Treatment 4 was statistically similar to treatments 1 and 2. These results are
154
possibly related to the inclusion of wet food provided once a day, allowing the animals to
155
consume water indirectly.
156
rP
Fo
148
Table 1 – Frequency of average values of behavioral variables in cats subjected to
158
different treatments.
1
ee
157
2
3
4
Eating
3.90
3.90
3.90
Drinking
3.18a
2.72a
Vocalizing
3.90
Idle standing
50.18ab
65.00c
Idle lying down
208.64a
Playing/Rubbing
Groups
P>value
3.63
33.7
0.946
4.27b
3.36a
25.8
0.001
5.09
6.00
2.72
75.5
0.131
62.45ac
40.36b
20.49
<.0001
193.63ab
187.00b
220.72ac
8.03
<.0001
6.18
5.72
7.64
5.73
59.35
0.593
Grooming
10.54a
11.18a
14.45b
8.27a
23.94
<.0001
Other
2.54ab
1.90a
3.27b
2.36ab
41.74
0.033
Variables
iew
ev
CV%
rR
Evaluated
159
160
161
162
163
*Means followed by different letters in the same row indicate a significant difference
(P<0.05) according to Tukey's test. CV% = coefficient of variation. 1- Conventional water
dispenser + dry food; 2- Conventional water dispenser + wet food; 3- Electric fountain
dispenser + dry food; 4- Electric fountain dispenser + wet food.
164
Following the data analysis, significantly higher values (p<.0001) were observed
165
for the variables urinating and drinking water in animals from treatments 3 and 4
166
compared to the others (Table 2).
167
5
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168
Table 2 – Average values of behavioral observations and average food consumption
169
(g/day) and water consumption (ml/day) in domestic cats subjected to different
170
treatments.
Groups
Evaluated
Variables
CV%
P>value
6.18
22.27
0.709
8.09
7.90
13.53
0.052
3.27ab
4.00b
3.90b
21.28
<.0001
1.91
2.00
1.45
36.34
0.181
1
2
3
4
Eating
5.90
6.00
6.54
Drinking
7.27
7.00
Urinating
2.64a
Defecating
1.63
Food
0.392
(g/day)
Consumption
64.23a
67.05a
51.27
50.63
14.14
<.0001
82.41b
77.13b
10.63
ee
(ml/day)
55.54
rP
Water
51.36
Fo
Consumption
*Means followed by different letters in the same row indicate a significant difference
(P<0.05) according to Tukey's test. CV% = coefficient of variation. 1- Conventional water
dispenser + dry food; 2- Conventional water dispenser + wet food; 3- Electric fountain
dispenser + dry food; 4- Electric fountain dispenser + wet food.
177
pattern, in graphical form, regarding the number of times over 24 hours that the animals
178
ate, drank water, defecated, and urinated.
rR
171
172
173
174
175
176
179
iew
ev
Figures 1 and 2 present the evaluation of the animals' nycthemeral behavior
G1: Dry Food + Conventional Water
Dispenser
5.9
G2: Dry Food/Wet Food + Conventional
Water Dispenser
6.0
7.3
7.0
6.5
G3: Dry Food + Electric Fountain Water
Dispenser
8.1
6.2
G4: Dry Food/Wet Food + Electric Fountain
Water Dispenser
180
Food Intake
7.9
Water Intake
6
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181
Figure 1: Number of times per day that the animals ate and drank water, according to
182
the experimental treatments
183
2.6
G1: Dry Food + Conventional Water Dispenser
1.6
3.3
G2: Dry Food/Wet Food + Conventional Water
Dispenser
1.9
G3: Dry Food + Electric Fountain Water
Dispenser
2.0
4.0
3.9
Urination
rP
Fo
G4: Dry Food/Wet Food + Electric Fountain
Water Dispenser
184
1.5
Defecation
Figure 2: Number of times per day that the animals urinated and defecated, according
186
to the experimental treatments
187
rR
ee
185
188
Table 3 – Average values of serum variables of cats subjected to different treatments
189
obtained at the end of each treatment.
ev
Evaluated
Groups
Variables
CV%
P>value
8.98
8.73
0.201
66.28ab
67.53b
14.66
0.006
1.37b
1.38b
17.38
<.0001
2
Plasma Protein
8.41
9.09
8.98
Urea
56.36a
56.82a
Creatinin
1.24b
0.89a
(mg/dL)
3
4
iew
1
190
191
192
193
194
*Means followed by different letters in the same row indicate a significant difference
(P<0.05) according to Tukey's test. CV% = coefficient of variation. 1- Conventional water
dispenser + dry food; 2- Conventional water dispenser + wet food; 3- Electric fountain
dispenser + dry food; 4- Electric fountain dispenser + wet food.
195
Discussions
196
The urinalysis results of the animals were within the normal range for all
197
variables, at both collection times, for all experimental groups, as well as the hematocrit,
198
according to Lopes et al.8
7
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199
It is possible to observe that the animals in group 3 exhibited more grooming
200
behavior than those in the other groups. Domestic cats practice hygiene in pre-rest
201
situations, during sleep periods, in stressful conditions as a way to avoid fights with other
202
cats, and after meals.10. This behavior can also be related to assessing the palatability of
203
food. When the food is palatable, the cat tends to lick its lips, sniff around the food,
204
consume it, and then perform self-cleaning (licking itself)11 after the meal. Thus, it is
205
likely that the increased water intake in this experimental group, which used the electric
206
fountain dispenser, produced a similar result in the grooming variable associated with the
207
animals' self-cleaning behavior.
For the animals in treatments 3 and 4 compared to the others, the results
209
demonstrate a concomitant increase in frequency between these two variables, directly
210
influenced by the use of electric fountain dispensers, corroborating Grant's study.12 The
211
probable preference of cats for running and fresh water may be associated with the
212
behavior of their ancestors, who were wild and had a strong instinct for selecting water
213
sources to hydrate themselves, avoiding dirty and contaminated water.13
ee
rP
Fo
208
It is interesting to note that, in absolute values, the animals in treatment 3, which
215
had access to the electric fountain dispenser along with dry food, had a higher water
216
intake. This is significant because when cats are fed dry diets, their total water intake can
217
decrease considerably, ranging from 29% to 63% compared to those consuming wet
218
foods, such as canned food and pouches.14
ev
rR
214
A positive effect of using electric fountain dispensers on water intake and
220
urination frequency, as well as on food consumption, is immediately observed in the
221
animals evaluated in this study (Tables 1 and 2 and Figures 1 and 2).
iew
219
222
Cats tend to drink less water than dogs in similar situations, and this behavior is
223
determined by the fact that they originate from arid regions, which, over the evolutionary
224
process of the species, has led to even young and healthy animals not drinking large
225
volumes of water.1.2 However, adequate water intake is crucial for normal kidney
226
function, as it helps eliminate waste and toxins from the body. Dehydration is a significant
227
risk factor for the development of kidney diseases in this species.15
228
In Figure 1, it is evident that the use of electric water fountains for cats not only
229
increased water consumption but also food intake, regardless of the type of diet provided
230
to the animals. However, when specifically comparing the two experimental conditions
231
that employed the use of automated water fountains (G3 and G4), it becomes clear that
232
this technology in the management of domestic cats positively influences their water8
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233
seeking behavior. Additionally, it prevents a substitution effect of direct water intake
234
when wet food is included as part of their diet.
Additionally, when directly analyzing the variable of water consumption, an
236
average daily intake of 65.6 ml was observed for the treatments that used conventional
237
water bowls (G1 and G2), compared to an average of 79.8 ml for the treatments that used
238
electric fountains (G3 and G4), resulting in an increase of 14.1 ml per day, equivalent to
239
21.5%. The total water consumption in cats is influenced by several factors and varies
240
greatly in the literature, as the species' evolutionary adaptations to desert climates allow
241
them, for example, to concentrate urine more efficiently and resist dehydration6.
242
Considering the weight of the animals in each group of this experiment, a water
243
consumption of 18.1, 18.5, 21.7, and 20.8 ml/kg of body weight was observed in
244
treatments 1, 2, 3, and 4, respectively. These results are close to those cited by Buckley
245
et al.16, who reported an average water consumption of around 21 ml/kg of body weight
246
in domestic cats, especially for animals in treatments 3 and 4, which had access to electric
247
water fountains. The values are lower than those reported by Zanghi et al.17, who recorded
248
a consumption of 26 ml/kg.
ee
rP
Fo
235
According to Carciofi et al.18, wet food is a preferable option for cats, as it
250
generally results in higher total water consumption compared to other types of food. It is
251
also known that felines fed canned diets (which have high moisture content) consume a
252
greater amount of water and exhibit lower urinary density compared to cats that consume
253
dry diets.19 However, Wei et al.20 evaluated the effect of water content in canned food on
254
voluntary food intake and body weight in cats, and concluded that the inclusion of water
255
through wet diets decreases total energy intake and consequently the animals' weight.
256
This demonstrates that while such a strategy may offer advantages in terms of food
257
appeal, it does not necessarily prove efficient in terms of nutrient intake.
iew
ev
rR
249
258
Given this, and knowing that the vast majority of cat owners use dry food in their
259
pets' daily feeding routine, as it is more convenient both in terms of ease of offering and
260
financial investment, it becomes evident that the use of electric water fountain technology
261
can significantly increase the animal's water intake, with potential beneficial effects on
262
their renal health.
263
Some cats may prefer fresh, clean water, while others might prefer running or
264
colder water. Therefore, it may be important to offer different water options for the animal
265
to choose from21.5, and some studies have already shown that cats drinking from moving
266
water sources tend to consume more fluids than those drinking still water.22 It's worth
9
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267
noting that in this study, the average water temperature was 26.2°C in the electric water
268
fountains and 26.7°C in the conventional bowls, resulting in a 0.5°C difference between
269
the two water supply methods. This suggests that in the equipment model used in the
270
experiment, water movement may contribute to a slight cooling effect.
The analysis of Figure 2 also supports the beneficial effect of using electric water
272
fountains on water consumption in domestic cats, as there was an increase in the number
273
of times that animals in groups G3 and G4 urinated within the evaluated 24-hour period.
274
When comparing the two experimental conditions using the automated water fountains
275
(G3 and G4), the same response pattern observed in water intake in Figure 1 is confirmed,
276
suggesting a positive correlation between increased water consumption and the number
277
of urination events).
Fo
271
Regarding the serum analyses, it is initially observed that the parameters found
279
can be considered within the normal range for the species, with a slight increase in plasma
280
protein levels, which should be between 5.4 and 7.8 g/dL in all groups, and a slight
281
increase in urea levels, which should be between 42.8 and 64.2 mg/dL in G3 and G4, as
282
suggested by Lopes et al.8 According to the same authors, increases in plasma proteins
283
are typically observed in cases of dehydration and inflammation. Since the animals did
284
not show signs of dehydration and had normal voluntary water intake, it is possible that
285
the blood and urine collection procedures (cystocentesis) may have triggered this
286
increase.
ev
rR
ee
rP
278
It is possible that variations in ad libitum diet consumption by the animals, further
288
enhanced by the use of electric water fountains in treatments 3 and 4 (Figure 1), promoted
289
greater availability of amino acids for absorption in the gastrointestinal tract, and their
290
eventual excess was converted into urea for the elimination of nitrogenous waste from
291
the body.23.24.25 It is important to note, however, that despite the increase in urea levels,
292
creatinine levels remain within normal parameters, indicating that kidney function is fully
293
preserved and that there is indeed greater degradation of excess protein in the animals.25
294
The concentrations of urea and creatinine are extremely important in cats, as the
295
loss of excretory function causes the retention of nitrogenous substances, which are
296
typically eliminated during glomerular filtration. When this mechanism fails, it can lead
297
to conditions such as azotemia or uremia.26 As the glomerular filtration rate decreases, the
298
concentrations of urea and creatinine in the blood increase. However, these levels will not
299
exceed normal limits until approximately three-quarters of kidney function is
300
compromised.27.28
iew
287
10
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301
Therefore, by promoting the use of electric water fountains and offering wet food
302
to cats, pet owners can contribute to the renal health of their felines, helping to ensure
303
proper kidney function and prevent problems related to the excretion of these substances.
304
305
Conclusions
Electric water fountains increase both water and food consumption, highlighting
307
the importance of using this equipment in the daily routine of domestic cats. Its use is
308
recommended for this purpose.
309
Acknowledgments
310
We thank the Integra Animal Institute, the Alagoas State Research Support Foundation
311
(FAPEAL), and the company CatMyPet.
312
Conflict of Interest
313
The authors have declared no potential conflicts of interest regarding the research,
314
authorship, and/or publication of this article.
315
Funding
316
This study was funded by FAPEAL through the provision of a scholarship and supported
317
by the company CatMyPet, which provided the electric water fountains.
318
Ethical Approval
319
The work described in this manuscript involved the use of experimental animals, and
320
therefore, the study received prior ethical approval from an established (or ad hoc)
321
committee as declared in the manuscript.
322
Informed Consent
323
Informed consent (verbal or written) was obtained from the owner or legal custodian of
324
all animals described in this work (whether experimental or non-experimental, including
325
cadavers) for all procedures performed (prospective or retrospective studies). No animal
326
or person is identifiable in this publication; therefore, no additional informed consent for
327
publication was required.
iew
ev
rR
ee
rP
Fo
306
328
329
References
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Fo
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338
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340
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iew
ev
rR
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Fo
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G1: Dry Food + Conventional Water
Dispenser
5.9
G2: Dry Food/Wet Food + Conventional
Water Dispenser
6.0
7.3
7.0
6.5
G3: Dry Food + Electric Fountain Water
Dispenser
8.1
6.2
G4: Dry Food/Wet Food + Electric Fountain
Water Dispenser
Fo
Food Intake
7.9
Water Intake
iew
ev
rR
ee
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Figure 1: Number of times per day that the animals ate and drank water, according to
the experimental treatments
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2.6
G1: Dry Food + Conventional Water Dispenser
1.6
3.3
G2: Dry Food/Wet Food + Conventional Water
Dispenser
1.9
G3: Dry Food + Electric Fountain Water
Dispenser
2.0
4.0
3.9
G4: Dry Food/Wet Food + Electric Fountain
Water Dispenser
1.5
Urination
Defecation
Fo
Figure 2: Number of times per day that the animals urinated and defecated, according to
the experimental treatments
iew
ev
rR
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rP
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Table 1 – Frequency of average values of behavioral variables in cats subjected to
different treatments.
Groups
Evaluated
CV%
P>value
3.63
33.7
0.946
4.27b
3.36a
25.8
0.001
5.09
6.00
2.72
75.5
0.131
50.18ab
65.00c
62.45ac
40.36b
20.49
<.0001
Idle lying down
208.64a
193.63ab
187.00b
220.72ac
8.03
<.0001
Playing/Rubbing
6.18
5.72
7.64
5.73
59.35
0.593
Grooming
10.54a
11.18a
14.45b
8.27a
23.94
<.0001
2.54ab
1.90a
3.27b
2.36ab
41.74
0.033
Variables
1
2
3
4
Eating
3.90
3.90
3.90
Drinking
3.18a
2.72a
Vocalizing
3.90
Idle standing
Fo
Other
iew
ev
rR
ee
rP
*Means followed by different letters in the same row indicate a significant difference
(P<0.05) according to Tukey's test. CV% = coefficient of variation. 1- Conventional
water dispenser + dry food; 2- Conventional water dispenser + wet food; 3- Electric
fountain dispenser + dry food; 4- Electric fountain dispenser + wet food.
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Journal of Feline Medicine and Surgery
Table 2 – Average values of behavioral observations and average food consumption
(g/day) and water consumption (ml/day) in domestic cats subjected to different
treatments.
Groups
Evaluated
Variables
CV%
P>value
6.18
22.27
0.709
8.09
7.90
13.53
0.052
3.27ab
4.00b
3.90b
21.28
<.0001
1.91
2.00
1.45
36.34
0.181
1
2
3
4
Eating
5.90
6.00
6.54
Drinking
7.27
7.00
Urinating
2.64a
Defecating
1.63
Food
(g/day)
Consumption
64.23a
67.05a
51.27
50.63
14.14
<.0001
82.41b
77.13b
ee
(ml/day)
55.54
rP
Water
51.36
Fo
Consumption
0.392
10.63
iew
ev
rR
*Means followed by different letters in the same row indicate a significant difference
(P<0.05) according to Tukey's test. CV% = coefficient of variation. 1- Conventional
water dispenser + dry food; 2- Conventional water dispenser + wet food; 3- Electric
fountain dispenser + dry food; 4- Electric fountain dispenser + wet food.
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Journal of Feline Medicine and Surgery
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Table 3 – Average values of serum variables of cats subjected to different treatments
obtained at the end of each treatment.
Evaluated
Variables
Groups
CV%
P>value
8.98
8.73
0.201
66.28ab
67.53b
14.66
0.006
1.37b
1.38b
17.38
<.0001
1
2
3
4
Plasma Protein
8.41
9.09
8.98
Urea
56.36a
56.82a
Creatinin
1.24b
0.89a
(mg/dL)
iew
ev
rR
ee
rP
Fo
*Means followed by different letters in the same row indicate a significant difference
(P<0.05) according to Tukey's test. CV% = coefficient of variation. 1- Conventional
water dispenser + dry food; 2- Conventional water dispenser + wet food; 3- Electric
fountain dispenser + dry food; 4- Electric fountain dispenser + wet food.
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