Thamyres Valeriano Teixeira

MARCHA BATIDA E MARCHA PICADA: INFLUÊNCIA DE MEDIDAS ZOOMÉTRICAS E ANGULARES SOBRE PARÂMETROS FISIOLÓGICOS E TERMOGRÁFICOS DE EQUINOS MANGALARGA MARCHADOR

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CAMPUS DE ENGENHARIAS E CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA ANIMAL

THAMYRES VALERIANO TEIXEIRA

MARCHA BATIDA E MARCHA PICADA: INFLUÊNCIA DE MEDIDAS
ZOOMÉTRICAS E ANGULARES SOBRE PARÂMETROS FISIOLÓGICOS E
TERMOGRÁFICOS DE EQUINOS MANGALARGA MARCHADOR

RIO LARGO - AL
2026

THAMYRES VALERIANO TEIXEIRA

MARCHA BATIDA E MARCHA PICADA: INFLUÊNCIA DE MEDIDAS
ZOOMÉTRICAS E ANGULARES SOBRE PARÂMETROS FISIOLÓGICOS E
TERMOGRÁFICOS DE EQUINOS MANGALARGA MARCHADOR
Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa
de Pós-Graduação em Ciência Animal da
Universidade Federal de Alagoas na área de
Medicina Veterinária, como requisito parcial para
obtenção do título de Mestra.
Orientador: Prof.
Albuquerque Mariz

RIO LARGO - AL
2026

Dr.

Tobyas

Maia

de

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária: Lucicláudia Silva dos Santos – CRB-4 /2115
T266m

Teixeira, Thamyres Valeriano.
Marcha batida em marcha picada: influência de medidas zoométricas e angulares
sobre parâmetros fisiológicos e termográficos de equinos mangalarga machador /
Thamyres Valeriano Teixeira. – 2026.
57f. : il. color.

Orientador: Prof. Dr. Tobyas Maia de Albuquerque Mariz.
Dissertação (Mestrado em Ciência Animal) – Universidade Federal de Alagoas.
Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal. Rio Largo, 2026. .
Bibliografia: f. 30-33
1. Desempenho fisiológico.
I. Título.

2. Morfometria equina.

3. Recuperação térmica.
CDU: 619.1:363.1

FOLHA DE APROVAÇÃO

THAMYRES VALERIANO TEIXEIRA

MARCHA BATIDA E MARCHA PICADA: INFLUÊNCIA DE MEDIDAS
ZOOMÉTRICAS E ANGULARES SOBRE PARÂMETROS FISIOLÓGICOS E
TERMOGRÁFICOS DE EQUINOS MANGALARGA MARCHADOR
Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa
de Pós-Graduação em Ciência Animal da
Universidade Federal de Alagoas na área de
Medicina Veterinária, como requisito parcial para
obtenção do título de Mestra, apresentado em
23/02/ 2026.

Banca Examinadora:
________________________________________________________
Orientador: Prof. Dr. Tobyas Maia de Albuquerque Mariz
(Universidade Federal de Alagoas)

____________________________________________________
Examinador Externo: Prof. Dr. Alexandre Fernandes Perazzo
(Universidade Federal do Piauí)

____________________________________________________
Examinador Externo: Prof. Dr. Henrique Nunes Parente
(Universidade Federal do Maranhão)

Dedico...
À minha mãe, que sonhou antes de mim e tornou possível
cada conquista em minha vida.
À Nossa Senhora de Fátima, presença silenciosa de fé
em todos os meus passos.

AGRADECIMENTOS
Ao Senhor, meu Deus, “Não temas, porque eu estou contigo; não te assustes, porque eu sou teu
Deus. Eu te fortaleço, eu te ajudo e te sustento com minha mão vitoriosa.” (Isaias 41, 10).
A minha família, que foi meu porto seguro durante essa caminhada, em especial, ao meu esposo
que me incentiva, apoia em todos os meus sonhos e me ajuda em tudo, sempre ao meu lado;
Nosso filho José Benício, que me acompanhou desde as pesquisas a campo quando estava sendo
gerado, e hoje é meu maior motivo para persistir em meus sonhos, tudo por você meu filho.
Amo vocês.
Aos meus Pais, Tarciso e Aparecida, que nunca mediram esforços para investir em minha
educação, sou grata por tudo que tenho e sou, se hoje estou aqui parte desse mérito é de vocês;
meus irmãos Thacito e Thayane, meus sobrinhos Bianca e Davi, por todo apoio emocional, por
sempre estarem ao meu lado e pelo incentivo, cada conquista também é por vocês. Amo vocês.
Ao Professor Drº Tobyas Mariz pela paciência e companheirismo, sempre incentiva os seus
orientados para que possam entregar o seu melhor, e assim contribuindo de maneia significativa
com o desenvolvimento da pesquisa. A você minha gratidão.
Aos meus compadres Macdowell David, Tia do Lanche (Ceicilania), Thamires Martins e
Mônica Ribeiro, pessoas que sempre estiveram comigo, em oração, carinho, vibração,
conselhos, incentivo por sempre vibrarem com as minhas conquistas e estarem presente em
todas; Ao meu irmão de vida, que foi meu maior incentivador para seguir na pós-graduação Drº
Luiz Arthur, ele segue sendo uma das minhas maiores inspirações.
Aos criadores de cavalo Mangalarga Marchador que abriram as portas para que pudéssemos
fazer as coletas: Haras CEL – Gláucio Macário; Haras Mangabeira – Claudio Peixoto; Haras
Paraíso das Águas – Jaime Tavares; Haras Maraba – Mauro Paiva; Haras Cavaleiros – Ana
Rosa e Haras Boa Vontade – Leandro Lamenha. Obrigada por contribuírem para o
desenvolvimento da pesquisa sobre o Marchador Alagoano.
Aos colegas, que sem vocês essas coletas não teriam sido possíveis: Bruno Correa, Giovano
Junior, Alana Tenório, Pedro Gustavo e Seu Heleno (motorista). Obrigada pela disponibilidade
e companheirismo nos dias de coletas.

RESUMO
Objetivou-se com este trabalho avaliar a influência de medidas zoométricas e angulares de
equinos Mangalarga Marchador sobre parâmetros fisiológicos e padrão termográfico, de acordo
com o tipo de marcha. Foram utilizados 22 animais, sendo 11 de marcha batida (MB) e 11 de
marcha picada (MP). As medidas zoométricas, obtidas utilizando hipômetro, incluíram as
alturas da cernelha e da garupa, os comprimentos corporal, dorso-lombo, pescoço, escápula e
da garupa, e a largura do peito e da garupa. Mediu-se via artrogoniômetro os ângulos escapulosolo, escapulo-umeral, úmero-radial, metacarpo-falangeano, coxal-solo, coxo-femoral, fêmurtibial, tíbio-metatarsiano e metatarso-falangeano. As imagens termográficas e os parâmetros
fisiológicos frequência cardíaca (FC), frequência respiratória (FR) e temperatura retal (TR)
obtiveram-se no pré-exercício, logo após o exercício, e aos 10, 30 e 60 minutos de descanso
após o exercício. A análise estatística foi realizada via modelo misto no SAS (PROC
GLIMMIX), considerando Marcha, Tempo e interação Marcha×Tempo como efeitos fixos, e o
animal como efeito aleatório. Embora as variáveis zoométricas não tenham apontado diferença
significativa entre os tipos de marcha, as variáveis associadas à estrutura posterior (coxofemoral, fêmur-tibial e garupa) apresentaram maior peso na função discriminante. Nas
avaliações termográficas, apenas a variável antebraço (vista cranial) apresentou interação
significativa entre marcha e tempo (p=0,005), indicando padrão distinto de recuperação térmica
entre as marchas. Conclui-se que a zoometria dos membros posteriores exerce maior influência
na diferenciação entre os tipos de marcha, destacando-se o comprimento do segmento fêmurtibial estar associada à expressão da marcha batida. Na situação experimental proposta,
identificou-se efeito do tipo de marcha apenas no padrão térmico diferenciado na região do
músculo extensor carpal radial na vista cranial antebraço dos animais de marcha batida.

Palavras-chave: desempenho fisiológico; morfometria equina; recuperação térmica.

ABSTRACT
The objective of this study was to evaluate the influence of zoometric and angular
measurements of Mangalarga Marchador horses on physiological parameters and
thermographic patterns according to gait type. A total of 22 animals were used, including 11
horses with marcha batida (MB) and 11 with marcha picada (MP). Zoometric measurements
were obtained using a hippometer and included withers height, croup height, body length, back–
loin length, neck length, scapula length, croup length, and chest and croup width. Joint angles
were measured using an arthrogoniometer, including scapula–ground, scapulohumeral,
humeroradial, metacarpophalangeal, hip–ground, coxofemoral, femorotibial, tibiometatarsal,
and metatarsophalangeal angles. Thermographic images and physiological parameters—heart
rate (HR), respiratory rate (RR), and rectal temperature (RT)—were obtained before exercise,
immediately after exercise, and at 10, 30, and 60 minutes of recovery following exercise.
Statistical analysis was performed using a mixed model in SAS (PROC GLIMMIX),
considering gait type, time, and the gait × time interaction as fixed effects, and animal as a
random effect. Although zoometric variables did not show significant differences between gait
types, variables associated with the hindquarter structure (coxofemoral, femorotibial, and croup
measurements) presented greater weight in the discriminant function. In the thermographic
evaluations, only the forearm variable (cranial view) showed a significant interaction between
gait and time (p = 0.005), indicating a distinct thermal recovery pattern between gaits. It is
concluded that hind limb zoometry exerts greater influence on the differentiation between gait
types, highlighting that the length of the femorotibial segment is associated with the expression
of marcha batida. Under the proposed experimental conditions, an effect of gait type was
identified only in the differentiated thermal pattern in the region of the extensor carpi radialis
muscle, observed in the cranial view of the forearm in marcha batida horses.
Keywords: physiological performance; equine morphometr; thermal recovery.

LISTA DE FIGURAS
Figura 1 -

Critérios de avaliação da morfologia de equinos Mangalarga Marchador
para registro definitivo..............................................................................

19

Figura 2 -

Padrões de apoio nas marchas do Mangalarga Marchador.......................

20

Figura 3 -

Termogramas infravermelhos das regiões distais dos membros de um
cavalo saudável.........................................................................................

Figura 4 -

26

Pontos de referência adotados para a mensuração das variáveis
morfométricas lineares (A) e angulares (B) em equinos Mangalarga
Marchador..................................................................................................

40

Figura 5 -

Câmera termográfica modelo FLIR Systemis Brasil - FLIR i7................

42

Figura 6 -

Lado esquerdo membro torácico (LEMT –figura A), lado esquerdo
membro pélvico (LEMP – figura B), lado esquerdo (LE – figura C),
vista cranial (figura D), lado direito (LD – figura E) e vista caudal
(figura E) ..................................................................................................

Figura 7 -

43

Articulação metacarpofalangeana (A) e termograma da vista cranial do
boleto (B)...................................................................................................

52

LISTA DE TABELAS
Tabela 1 -

Definição das medidas morfométricas avaliadas em equinos da raça
Mangalarga Marchador............................................................................

Tabela 2 -

38

Coeficientes canônicos padronizados e contribuição das variáveis
morfológicas para a separação dos grupos de marcha em cavalos da
raça Mangalarga Marchador......................................................................

Tabela 3 -

42

Significância estatística (p-value) do efeito da marcha, momento da
avaliação (tempo) e sua interação sobre as variáveis fisiológicas de
equinos da raça Mangalarga Marchador submetidos a exercício de
simulação de competição...........................................................................

Tabela 4 -

43

Respostas fisiológicas e padrões de recuperação de equinos da raça
Mangalarga Marchador após submissão a exercício de simulação de
competição agrupadas pelo efeito do tempo.............................................

Tabela 5 -

45

Médias ajustadas (± erro padrão) da variável Temperatura de Antebraço
em Vista Cranial segundo as marchas (Batida e Picada) e os diferentes
tempos de avaliação (Efeito Marcha*Tempo) ..........................................

Tabela 6 -

46

Médias e desvio padrão das variáveis fisiológicas e termográficas de
cavalos mangalarga Marchador, considerando momento de avaliação.....

48

Sumário
1.

INTRODUÇÃO GERAL ........................................................................................................12

2.

REVISÃO DE LITERATURA ...............................................................................................13
2.1 RELEVÂNCIA DO MANGALARGA MARCHADOR NO BRASIL .................................13
2.2 MORFOLOGIA E PADRÃO RACIAL DO CAVALO MANGALARGA MARCHADOR
.....................................................................................................................................................15
2.2.1 Aparência geral.................................................................................................................15
2.2.2 Cabeça..............................................................................................................................15
2.2.3 Pescoço ............................................................................................................................16
2.2.4 Tronco ..............................................................................................................................16
2.2.5 Membros anteriores ..........................................................................................................16
2.2.6 Membros posteriores ........................................................................................................17
2.2.7 Avaliação Morfológica .....................................................................................................17
2.3 A MARCHA DO MANGALARGA MARCHADOR: CARACTERÍSTICAS E
FUNCIONALIDADE ..................................................................................................................20
2.4 PARÂMETROS FISIOLÓGICOS EM EQUINOS EM RESPOSTA AO EXERCÍCIO
FÍSICO ........................................................................................................................................22
2.5 TERMOGRAFIA INFRAVERMELHA NA AVALIAÇÃO DE EQUINOS .......................24

3.

CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................................30

REFERÊNCIAS ..............................................................................................................................31
4.

ARTIGO ..................................................................................................................................35
1. Introdução ...............................................................................................................................36
2. Material e métodos ..................................................................................................................37
2.1 Dados gerais ........................................................................................................................37
2.2 Coleta das medidas zoométricas e angulares ........................................................................38
2.3 Parâmetros fisiológicos e Imagens Termográficas ................................................................40
2.4 Delineamento experimental e as análises estatísticas ............................................................41
4. Resultados................................................................................................................................42
4.1 Temperatura ambiente e umidade relativa ............................................................................42
4.2

Avaliação das medidas zoométricas e angulares................................................................43

4.3 Variáveis fisiológicas ..........................................................................................................45
4.4 Avaliação dos termogramas infravermelhos .........................................................................46
4. Discussão .................................................................................................................................50
5. Conclusão ................................................................................................................................53
Referências ..................................................................................................................................54
5. ANEXO A – COMPROVANTE DE SUBMISSÃO DO ARTIGO ............................................56

12

1. INTRODUÇÃO GERAL
A indústria equestre no Brasil, com um rebanho de aproximadamente 5,7 milhões de
animais, movimenta mais de R$ 30 bilhões anualmente e gera mais de três milhões de
empregos, desempenhando papel relevante na economia nacional. Entre as raças mais criadas
no país, destaca-se o Mangalarga Marchador, genuinamente brasileiro e originário de Minas
Gerais, que representa cerca de 31% do rebanho nacional e é reconhecido como patrimônio
nacional pela lei nº 12.975/2014, garantindo sua preservação e diversidade genética. A
Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) concentra
o maior número de animais registrados e associados, sendo a maior entidade desse tipo na
América Latina (IBGE, 2024; TEIXEIRA et al., 2025).
As marchas características do Mangalarga Marchador, batida e picada, são naturais,
simétricas e de quatro tempos, com posturas laterais e diagonais alternadas das pernas,
intercaladas por momentos de tríplice apoio. O padrão ideal envolve um movimento regular e
elástico, com membros posteriores estendidos, movimento semicircular dos membros
anteriores e boa flexibilidade articular (FONSECA et al., 2023; ABCCMM, 2025). Um aspecto
relevante é a dissociação diagonal, que se refere às sutis diferenças de tempo na fase de
aterrissagem entre os membros diagonais. Embora não avaliada especificamente nos
andamentos do Mangalarga Marchador, em cavalos que realizam o trote essa dissociação
positiva (membro posterior primeiro) contribui para a estabilidade do tronco e para a eficiência
mecânica do movimento (MARTINS et al., 2025).
A mensuração das características morfométricas do cavalo, como altura da cernelha,
comprimento do dorso e lombo, perímetro torácico e comprimento e largura da garupa, são
fundamentais para a avaliação da qualidade da raça e influenciam diretamente à execução das
marchas. Essas medidas auxiliam na seleção de animais com melhor desempenho locomotor e
maior conforto durante o movimento (BASTOS et al., 2023).
Durante o exercício, neste caso representado pela execução da marcha, ocorrem importantes
alterações fisiológicas, incluindo aumento da frequência cardíaca, frequência respiratória e do
metabolismo muscular, culminando em maior produção de calor corporal. A avaliação do bemestar físico e da adaptação ao esforço em equinos depende do monitoramento integrado desses
parâmetros, uma vez que refletem a eficiência dos sistemas cardiovascular, respiratório e
musculoesquelético frente à demanda imposta pelo exercício. Paralelamente, a redistribuição

13

do fluxo sanguíneo periférico constitui um dos principais mecanismos de termorregulação,
favorecendo a dissipação do calor produzido pelo metabolismo muscular. (Simon et al., 2006;
Oliveira et al., 2018; Verdegaal et al., 2023).
Nesse contexto, a termografia infravermelha surge como uma ferramenta não invasiva
capaz de detectar alterações térmicas associadas à atividade muscular e ao esforço físico,
permitindo avaliar o impacto das diferentes marchas sobre os membros e identificar
desequilíbrios ou sobrecargas musculoesqueléticas (KRULJC, 2023). Apesar do potencial da
técnica, estudos ainda são escassos sobre como a marcha batida e picada influenciam os
parâmetros morfométricos e térmicos do Mangalarga Marchador.
A integração entre avaliações morfológicas, análise fisiológica e termografia
infravermelha possibilita uma abordagem mais abrangente do desempenho locomotor,
contribuindo para o aprimoramento de estratégias de manejo, treinamento e seleção genética.
Desta forma, o presente estudo teve como objetivo avaliar a influência das características
zoométricas e angulares de equinos da raça Mangalarga Marchador sobre os parâmetros
fisiológicos e o padrão termográfico, considerando os diferentes tipos de marcha, batida e
picada.
2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1 RELEVÂNCIA DO MANGALARGA MARCHADOR NO BRASIL
O cavalo Mangalarga Marchador ocupa posição de destaque no cenário equino
brasileiro, sendo reconhecido não apenas por suas características morfológicas e funcionais,
mas também por sua relevância histórica, cultural e econômica. A raça teve origem no sul de
Minas Gerais, há mais de 200 anos, a partir do cruzamento entre um garanhão Alter Real,
proveniente da Península Ibérica, e éguas nativas brasileiras, provavelmente descendentes dos
primeiros equinos trazidos pelos colonizadores portugueses no século XVI (BAENA et al.,
2022).
O Alter Real, parente da raça Andaluza, descende de equinos das penínsulas Berbere,
Germânica e Ibérica. Ao longo de seu desenvolvimento, o Mangalarga Marchador também
recebeu influência genética de raças como Árabe e Crioula, o que contribuiu para aprimorar
suas características de resistência, agilidade e andamento. A formação da raça ocorreu na
Fazenda Campo Alegre, no sul de Minas Gerais, propriedade de Gabriel Francisco Junqueira,
o Barão de Alfenas, considerado o principal responsável por sua consolidação. Seu sobrinho,
José Frausino Junqueira, também teve papel importante nesse processo, reconhecendo o valor

14

dos cavalos marchadores para longas jornadas e atividades rurais (BAENA et al., 2022;
ABCCMM, 2024).
Com o passar dos anos, a crescente popularidade do Mangalarga Marchador e a
necessidade de padronizar suas características levaram à criação de uma entidade
representativa. Assim, em 16 de julho de 1949, foi fundada, em Caxambu (MG), a Associação
Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador, atualmente sediada em Belo
Horizonte (MG). Reconhecida como a maior associação de criadores de uma única raça na
América Latina, conta com mais de 24 mil associados e 56 núcleos regionais (ABCCMM,
2024).
O reconhecimento da raça alcançou um novo patamar com a promulgação da Lei
Federal n° 12.975/2014, que definiu oficialmente como “a raça nacional”. Desde então, o
Mangalarga Marchador vem apresentando crescimento contínuo e consolidando-se como uma
das principais representações do agronegócio brasileiro.
Embora originária do sul de Minas Gerais, a raça está presente em todos os estados do
país, com destaque para a expansão em regiões como o Nordeste e Centro-Oeste, além de
alcançar mercados internacionais. Em 2024, o efetivo registrado foi de 746.417 animais,
distribuídos em todo território nacional e também em países como Estados Unidos, Alemanha,
Holanda, Bélgica, Portugal, Itália, Canadá, Israel, Peru, Uruguai, Argentina, Congo, França e
Dinamarca. Minas Gerais permanece como principal centro de criação, reunindo mais de
300.000 exemplares, responsáveis por movimentar milhões de reais em vendas diretas,
exposições e leilões, além de gerar empregos no setor do agronegócio ligado ao cavalo
(SANTIAGO, 2016; ABCCMM, 2024).
O impacto econômico da raça é igualmente expressivo. O Mangalarga Marchador
movimenta um amplo mercado que envolve criação, comércio de animais, turismo rural e
realização de eventos, contribuindo diretamente para a geração de renda e postos de trabalho
em diferentes regiões do país. Estima-se que o mercado equestre brasileiro movimente cerca de
R$ 38 bilhões por ano, dos quais aproximadamente 31% são atribuídos à participação do
Mangalarga Marchador (CEPEA; CNA, 2016).
Além da relevância econômica, a raça possui forte importância cultural. O Mangalarga
Marchador consolidou-se como símbolo nacional, presente em cavalgadas, provas de marcha e
eventos tradicionais que atraem turista e fortalece a identidade equestre brasileira. Sua
notoriedade está intimamente ligada ao andamento, a marcha, que não apenas caracterizam a
raça, mas também dão origem a competições e encontros que reúnem criadores e admiradores

15

em todo o país. Essas particularidades funcionais, associadas aos padrões raciais estabelecidos,
reforçam o papel do Mangalarga Marchador como referência no cenário equestre nacional.

2.2 MORFOLOGIA E PADRÃO RACIAL DO CAVALO MANGALARGA
MARCHADOR
O padrão racial do Mangalarga Marchador reúne as qualidades morfozootécnicas que
buscam equilibrar, compensar e harmonizar as regiões do corpo, assegurando a conformação
adequada e a funcionalidade desejada nos animais (NASCIMENTO, 1999; FREIRE et al.,
2025). Esse padrão, aprovado pelo Conselho Deliberativo Técnico da Associação dos Criadores
do Cavalo Mangalarga Marchador em 11 de fevereiro de 2003 e homologado pelo Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em 8 de dezembro do mesmo ano, define
as principais características morfofuncionais da raça, contemplando aspectos de expressão
racial, conformação e andadura.
Em equinos, a caracterização morfológica está diretamente associada ao valor
econômico, uma vez que as medidas morfométricas influenciam no desempenho e na aptidão
funcional dos animais. No caso do Mangalarga Marchador, para que um exemplar seja
registrado na associação, são avaliados aspectos de morfologia e andamento por meio de doze
medidas corporais, entre as quais se destacam altura da cernelha e da garupa, perímetros
torácico e da canela, além da largura da cabeça e da garupa, comparados a valores de referência
estabelecidos pela associação (MEIRA et al., 2013; COSTA et al., 2012).
2.2.1 Aparência geral
A aparência geral do cavalo Mangalarga Marchador é marcada por porte médio,
estrutura forte, bem proporcionada, transmitindo expressão vigorosa e sadia, visualmente leve
na aparência. A raça apresenta pele fina e lisa, pelos curtos, lisos e sedosos, aliados a um bom
temperamento e ao mesmo tempo dócil, características que reforçam sua funcionalidade e
versatilidade. Quanto à altura, para os machos considera-se ideal a média de 1,52 m, sendo
aceitos, para registro definitivo, valores entre 1,47 m e 1,57 m. Já para as fêmeas, a altura ideal
é de 1,46 m, com limites que variam de 1,40 m a 1,54 m, conforme os padrões estabelecidos
pela associação da raça (SOUZA et al., 2019; FREIRE et al., 2025; ABCCMM, 2025).
2.2.2 Cabeça
A cabeça apresenta formato triangular, tamanho médio e boa proporção, com fronte
larga e perfil predominantemente retilíneo, podendo variar para levemente subcôncavo no
chanfro. Os olhos, amplos e lateralizados, favorecem amplo campo de visão, característica

16

funcional importante para percepção ambiental e resposta aos estímulos durante o manejo e a
equitação. As orelhas são médias, bem implantadas e móveis, refletindo boa responsividade.
Narinas amplas, ganachas afastadas e garganta definida favorecem eficiência respiratória,
enquanto boca proporcional e lábios firmes contribuem para funcionalidade e leveza do
conjunto cefálico (NASCIMENTO, 1999; ABCCMM, 2025).
2.2.3 Pescoço
O pescoço apresenta forma piramidal, aspecto leve e proporcional, inserção oblíqua e
musculatura forte, o que confere equilíbrio e flexibilidade. Sua ligação ao tronco ocorre no terço
superior do peito, sendo admitida, nos machos, uma discreta convexidade na borda dorsal como
expressão de caráter sexual secundário. As crinas são ralas, finas e sedosas. As características
do pescoço, associadas às da cabeça, influenciam diretamente a sustentação da frente do animal,
contribuindo para um andamento mais elegante e harmonioso. Anatomicamente, é formado por
sete vértebras cervicais, cuja disposição, associada à espessura dos discos intervertebrais, define
sua forma e comprimento, resultando em concavidade dorsolombar e ventrolateral na transição
com o tórax (SILVA, 2009; ABCCMM, 2025).

2.2.4 Tronco
O tronco do Mangalarga Marchador apresenta cernelha bem definida e longa,
proporcionando boa direção à borda dorsal do pescoço. Essa região tem função importante na
locomoção, pois, quando curta, dificulta a formação do semicírculo realizado pelos membros
torácicos durante a marcha, reduzindo a capacidade de amortecimento e absorção de impactos
e comprometendo a maciez percebida na montaria (NASCIMENTO, 1999).
O peito é profundo, largo, musculoso e não saliente. Peito profundo e costelas arqueadas
ampliam capacidade torácica, condição associada a melhor desempenho sob esforço
prolongado (FERNANDES et al., 2022).
O dorso possui comprimento médio, é reto, musculado e proporcional, harmonizandose com a cernelha e o lombo. Este, por sua vez, é curto, reto e bem coberto por musculatura. A
Garupa longa e levemente inclinada está relacionada à eficiência propulsiva. A inclinação e o
comprimento dessa região influenciam a amplitude de passada e a capacidade de impulsão,
conforme evidenciado em análises morfométricas recentes (SOUZA et al., 2019).

2.2.5 Membros anteriores
Os membros anteriores apresentam conformação associada ao equilíbrio e à eficiência
locomotora. Espáduas longas e oblíquas favorecem maior amplitude de movimento, enquanto

17

braços e antebraços bem alinhados e musculados contribuem para adequada transmissão de
força, estabilidade e resistência durante a marcha. Joelhos amplos e bem alinhados asseguram
correção dos aprumos, enquanto canelas curtas e tendões definidos contribuem para resistência
estrutural. Boletos e quartelas adequadamente articulados, associados a cascos sólidos e
proporcionais, garantem sustentação e absorção eficiente de impactos, favorecendo a
regularidade e a suavidade da marcha (SILVA, 2009; TORRES; JARDIM, 1985).
Avaliações associando características fenotípicas ao desempenho em competições
oficiais indicam que correção de aprumos anteriores está positivamente relacionada à
regularidade da marcha e à eficiência locomotora (Nogueira et al., 2023).

2.2.6 Membros posteriores
Os membros posteriores do Mangalarga Marchador destacam-se pela robustez e pelo
equilíbrio, fundamentais para impulsão e sustentação durante a marcha. Quando observados de
perfil, apresentam quatro angulações que formam o desenho semelhante à letra “Z”,
característica que favorece as forças de suspensão e propulsão, resultando em maior amplitude
das passadas e regularidade no movimento (NASCIMENTO, 1999).
As coxas apresentam musculatura desenvolvida, porém moderada, condição que
favorece geração eficiente de força propulsiva sem comprometer elasticidade e suspensão
(GNAGEY, 2006). Pernas longas e bem alinhadas, associadas a jarretes firmes e corretamente
angulados, são determinantes para estabilidade e impulsão. Canelas curtas com tendões
definidos, boletos bem articulados e quartelas de inclinação adequada contribuem para
resistência estrutural e dissipação de forças. Cascos proporcionais e consistentes asseguram
suporte mecânico durante a locomoção. A correção dos aprumos posteriores está diretamente
relacionada à regularidade do movimento e à eficiência biomecânica da marcha (SOUZA et al.,
2019; ARAUJO et al., 2024; FREIRE et al., 2025).
2.2.7 Avaliação Morfológica
O padrão da raça Mangalarga Marchador define características morfofuncionais para
expressão, conformação e andadura, detalhando as qualidades da cabeça, pescoço, tronco,
membros e movimento. Para avaliação, são utilizadas doze medidas corporais, como alturas da
cernelha e da garupa, perímetros torácicos e da canela, e larguras da cabeça e da garupa, com
padrões estabelecidos para valores específicos (FREIRE et al., 2025).
A avaliação morfológica do Mangalarga Marchador é realizada tanto no momento do
registro genealógico quanto em competições oficiais, nas quais são realizados campeonatos de

18

morfologia e marcha. No registro genealógico, além da avaliação subjetiva da conformação
geral do animal, são aferidas 12 medidas corporais padronizadas, conforme descrito por Lage
et al. (2009), Santiago et al. (2016) e Freire et al. (2025). As medidas incluem:
▪

Altura da cernelha- distância vertical entre o processo espinhoso da quarta vértebra
torácica e o solo;

▪

Altura da garupa- distância vertical entre a tuberosidade sacral do ílio e o solo;

▪

Comprimento da cabeça- distância entre o vértice da cabeça e a ponta do focinho;

▪

Comprimento do pescoço- distância entre a nuca (osso atlas) e o terço médio da
escápula;

▪

Comprimento do dorso- distância entre a base da cernelha e a tuberosidade sacral do
ílio;

▪

Comprimento da garupa- distância entre a porção cranial da tuberosidade ilíaca e a
caudal da tuberosidade isquiática;

▪

Comprimento da espádua- distância entre a articulação escapuloumeral e a cartilagem
escapular;

▪

Comprimento do corpo- distância entre a articulação escapuloumeral e a tuberosidade
isquiática;

▪

Largura da cabeça- distância entre as faces externas das arcadas orbitárias;

▪

Largura das ancas- distância entre as tuberosidades coxais dos ossos ilíacos;

▪

Perímetro do tórax- diâmetro obtido ao nível dos processos espinhosos da oitava e
nona vértebra torácica;

▪

Perímetro da canela- diâmetro medido no terço médio do osso metacarpiano.
Utilizando essas doze medidas corporais e a avaliação da andadura, os animais são

pontuados para fins de registro no livro de genealogia da associação da raça (Figura 1).
Figura 1 - Critérios de avaliação da morfologia de equinos Mangalarga Marchador para registro
definitivo.

19

Fonte: ABCCMM, 2025.
A avaliação morfológica do Mangalarga Marchador, baseada em medidas corporais
padronizadas, fornece parâmetros objetivos que permitem selecionar e aprimorar o plantel,
garantindo conformação equilibrada, funcionalidade adequada e desempenho característico da
raça. Esses critérios asseguram que os atributos físicos do animal estejam harmonizados,
refletindo diretamente na eficiência da sua marcha.

20

2.3 A MARCHA DO MANGALARGA MARCHADOR: CARACTERÍSTICAS E
FUNCIONALIDADE
Os cavalos podem apresentar diferentes tipos de andamento e podem ser categorizados
em “cavalos de andamento”. Esses movimentos são caracterizados por um ritmo de quatro
tempos e pela ausência de fase de suspensão, o que proporciona suavidade e conforto ao
cavaleiro. Ao longo da passada, o corpo do animal pode ser sustentado por dois ou três
membros, ocasionalmente por apenas um ou até mesmo por quatro, mas nunca ocorre uma fase
em que todos os membros estejam fora do solo. Na andadura, a sequência de apoios segue a
ordem: membro posterior esquerdo (PE), membro anterior esquerdo (AE), membro posterior
direito (PD) e membro anterior direito (AD), conferindo estabilidade e regularidade ao
deslocamento (NICODEMOS; CLAYTON, 2003; SIMONATO et al., 2021).
Dentro do grupo de andamentos, a marcha é amplamente utilizada tanto em atividades
de lazer quanto em competições específicas, como provas de andamento, cabresto e
conformação. No Mangalarga Marchador, ela se apresenta em duas modalidades principais: a
marcha batida e a marcha picada, ambas caracterizadas como um andamento natural, simétrico
e a quatro tempos. Nelas, ocorrem apoios alternados dos bípedes laterais e diagonais,
intercalados por momentos de tríplice apoio (Figura 2). As características ideais desse
andamento incluem regularidade, elasticidade, equilíbrio e ocorrência de sobrepegada ou
ultrapegada. Além disso, o movimento dos anteriores deve ser discreto, descrevendo um
semicírculo quando observado de perfil, aliado à boa flexibilidade articular (FONSECA et al.,
2023; ABCCMM, 2025).
Figura 2 - Padrões de apoio nas marchas do Mangalarga Marchador.

21

Fonte: Dittrich, 2018.
A marcha batida é caracterizada pelo maior tempo de apoio nos bípedes diagonais,
apresentando movimento equilibrado, elástico e com avanço sempre em diagonal. Já a marcha
picada distingue-se pelo predomínio dos apoios laterais e do tríplice apoio, conferindo maior
comodidade ao cavaleiro. Em ambos os casos, o andamento é simétrico, regular e de quatro
tempos, marcado pela suavidade e ausência de fase de suspensão, o que o torna um dos grandes
diferenciais funcionais da raça. As diferenças entre os tipos de marcha são avaliadas visual e
qualitativamente por técnicos e juízes oficiais da ABCCMM, que classificam os animais em
competições específicas. Desde cedo os cavalos são preparados para essas avaliações,
participando de provas de cabresto a partir dos 12 meses de idade e, posteriormente, de
competições sob sela a partir dos 36 meses, quando já se exige maior desempenho
(BARCELOS et al., 2016).
As variações nos padrões de apoio entre os diferentes tipos de marcha influenciam
diretamente a distribuição de cargas e o esforço articular dos equinos. Tais diferenças
biomecânicas refletem-se também nas respostas fisiológicas durante o exercício, evidenciando
a importância da análise de parâmetros corporais, fundamental para compreender as adaptações
do organismo às exigências de cada tipo de andamento.

22

2.4 PARÂMETROS FISIOLÓGICOS EM EQUINOS EM RESPOSTA AO EXERCÍCIO
FÍSICO
Durante o exercício, diversos sistemas corporais atuam de forma integrada, promovendo
adaptações fisiológicas que permitem a manutenção da atividade física. Entre os principais,
destacam-se os sistemas cardiovascular, respiratório, muscular, termorregulador, endócrino e
locomotor. A avaliação do bem-estar físico dos equinos depende do monitoramento de
parâmetros relacionados a esses sistemas, os quais fornecem informações essenciais sobre a
capacidade de adaptação do organismo frente à carga de trabalho. Respostas fisiológicas
inadequadas ou anormais podem indicar a necessidade de ajustes no treinamento, a fim de
preservar a saúde e o desempenho do animal (AARTS et al., 2025).
Entre os parâmetros mais utilizados na fisiologia do exercício estão a frequência
cardíaca (FC) e a variabilidade da frequência cardíaca (VFC). A FC em equinos varia de
aproximadamente 35-45 batimentos por minuto em repouso até cerca de 220-240 batimentos
por minuto durante o esforço máximo, refletindo a intensidade do exercício. Enquanto a FC
indica o número médio de batimentos por minuto, a VFC representa as flutuações nos intervalos
entre batimentos cardíacos e é considerada um indicador sensível do equilíbrio entre os ramos
simpático e parassimpático do sistema nervoso autônomo (SANTIS et al., 2023).
O sistema respiratório é um fator limitante para o desempenho dos cavalos, pois o
treinamento não promove adaptações significativas como ocorre nos sistemas cardiovascular e
musculoesquelético. Além de transportar oxigênio (O₂) e dióxido de carbono (CO₂), o sistema
respiratório desempenha funções essenciais durante o exercício, incluindo umidificação,
aquecimento e filtragem do ar inspirado, regulação ácido-base e termorregulação
(FIGUEIREDO et al., 2021).
A frequência respiratória (FR), definida como o número de movimentos respiratórios
por minuto (mpm), varia em repouso entre 12 e 20 mpm, podendo aumentar devido a fatores
como temperatura corporal elevada ou esforço. Durante o exercício, a FR pode superar 180
mpm, ajustando-se à intensidade do esforço e à demanda de oxigênio. Após a interrupção do
exercício, a FR diminui gradualmente, permanecendo entre 60 e 100 mpm até que o equilíbrio
do fluxo de O₂ seja restabelecido. Em seguida, a resposta respiratória depende da temperatura
corporal, se estiver baixa, a FR retorna aos valores de repouso, se elevada, o cavalo ofega para
dissipar calor (FIGUEIREDO et al., 2021).
Durante o exercício, a produção de calor aumenta devido à intensificação da atividade
metabólica e muscular. Uma termorregulação eficiente é essencial para prevenir hipertermia e

23

manter o desempenho físico. A quantidade de calor gerada depende de fatores como condições
ambientais, grau de aclimatação, tipo e intensidade do exercício, estado de treinamento e
condição corporal do cavalo. A regulação da temperatura ocorre principalmente por evaporação
(suor e respiração), e em menor grau por convecção e radiação, podendo ser avaliada por meio
da temperatura retal ou da temperatura da pele (AARTS et al., 2025).
A temperatura retal (TR) varia normalmente entre 37,2 °C e 38,6 °C, com média de 38,0
°C. Durante exercícios intensos, a TR pode atingir 39-40 °C cerca de 10 minutos após o término
da atividade, diminuindo gradualmente nos 10-20 minutos subsequentes. O aumento térmico
ocorre porque apenas cerca de 20-25% da energia química usada para a contração muscular é
convertida em movimento, os 75-80% restantes são liberados como calor. Caso esse calor não
seja dissipado adequadamente, há risco de elevação patológica da temperatura corporal,
comprometendo a performance. Fatores como temperatura e umidade do ambiente, hidratação
e espessura do pelo influenciam a magnitude desse aumento (FIGUEIREDO et al., 2021).
A temperatura da pele é menos invasiva de medir, mas mais suscetível a influências
externas e, portanto, não substitui a TR como indicador da temperatura central. Outro parâmetro
relevante é a taxa de suor, principal mecanismo de dissipação de calor nos cavalos, junto com
a respiração. A taxa de suor pode ser medida por higrometria, utilizando um higrômetro na pele
para quantificar a evaporação, ou por métodos indiretos, como a coleta direta de suor ou a
determinação da perda de água corporal durante o exercício (calculada pela diferença de peso
antes e após a atividade, ajustada por perdas respiratórias e excretas). Este último método
fornece apenas uma estimativa da perda de calor por evaporação (MATSUI et al., 2002;
VERDEGAAL et al., 2023).
Sob a perspectiva biomecânica, a locomoção equina pode ser analisada por meio de dois
enfoques complementares: cinético e cinemático. A análise cinética investiga as forças
envolvidas no movimento, especialmente as forças de reação do solo, enquanto a análise
cinemática descreve o deslocamento e a rotação das estruturas corporais nos três planos do
espaço, permitindo caracterizar o padrão de movimento. Como a mensuração de forças em
condições de campo ainda apresenta limitações práticas, a maioria dos estudos tem se
concentrado na análise cinemática (AARTS et al., 2025).
Atualmente, a captura de movimento tridimensional (3D) com câmeras e marcadores
refletivos é amplamente utilizada para esse tipo de avaliação. No entanto, sistemas mais
portáteis e acessíveis, baseados em Unidades de Medição Inercial (IMU), vêm sendo
desenvolvidos e validados, permitindo a mensuração de parâmetros de locomoção de forma

24

prática e precisa em diferentes contextos de manejo e treinamento (CRECAN; PESTEAN,
2023; AARTS et al., 2025).
Do ponto de vista fisiológico, o sistema muscular é fundamental para a produção de
força e movimento, sendo determinante no desempenho e bem-estar dos equinos atletas. Entre
os diversos indicadores metabólicos utilizados para avaliar sua resposta ao exercício, o lactato
sanguíneo destaca-se como o parâmetro mais amplamente estudado, por refletir de forma direta
o equilíbrio entre a oferta e o consumo de oxigênio durante o esforço. O aumento de sua
concentração indica maior solicitação anaeróbica e serve como ferramenta valiosa para
determinar a intensidade do exercício, o nível de condicionamento físico e o limiar de fadiga
(FIGUEIREDO et al., 2021; AARTS et al., 2025).
Além do lactato, outros biomarcadores também contribuem para a compreensão das
adaptações e exigências musculares, como glicose, creatina quinase (CK), aspartato
aminotransferase (AST), lactato desidrogenase (LDH), além de bicarbonato e eletrólitos, que
auxiliam na avaliação do equilíbrio metabólico e na identificação de possíveis danos ou
sobrecargas musculares decorrentes do treinamento ou da competição (FIGUEIREDO et al.,
2021).
A análise integrada desses parâmetros contribui para compreender de forma mais
completa as adaptações fisiológicas e musculares dos equinos ao exercício. Nesse contexto, o
uso de ferramentas complementares, como a termografia infravermelha, mostra-se promissor
para identificar variações térmicas associadas à atividade muscular e possíveis alterações
decorrentes do esforço físico, especialmente após a prova de marcha, estabelecendo uma
interface entre a avaliação fisiológica e o monitoramento do desempenho atlético.

2.5 TERMOGRAFIA INFRAVERMELHA NA AVALIAÇÃO DE EQUINOS
A termografia é uma técnica de diagnóstico por imagem não invasiva, baseada na
detecção da radiação emitida pela superfície corporal. Essa ferramenta permite identificar
regiões com aumento ou diminuição de temperatura, refletindo alterações fisiológicas e
fisiopatológicas associadas ao fluxo sanguíneo, à taxa metabólica e à produção de calor
tecidual. As mudanças térmicas registradas podem indicar estresse físico, lesões, condições
médicas e influências ambientais (KRULJC, 2023).
O princípio físico da termografia fundamenta-se na emissão de energia térmica pelos
corpos, uma vez que qualquer objeto com temperatura acima do zero absoluto emite energia
radiante, formando um espectro eletromagnético que pode ser absorvido por outros corpos ou
sensores. As câmeras infravermelhas detectam essa radiação e geram imagens nas quais as

25

variações de cor correspondem às diferenças de temperatura, permitindo identificar até mesmo
alterações mínimas (ROBERTO et al., 2014).
O funcionamento da câmera termográfica baseia-se na captação da radiação
infravermelha emitida pelo corpo e sua conversão em sinais elétricos por meio de sensores
específicos. Esses sinais são processados e transformados inicialmente em imagens em escala
de cinza, que posteriormente são convertidas em termogramas coloridos por softwares
especializados, possibilitando a visualização da distribuição térmica corporal (ROSA; BECK;
FERREIRA, 2019).
Para garantir resultados precisos, é essencial padronizar as condições de exame e
controlar fatores internos e externos que influenciam a temperatura corporal. A termografia
apresenta sensibilidade até dez vezes superior à palpação manual, porém é suscetível a
variações ambientais e fisiológicas, por isso, a análise deve ocorrer em ambiente controlado e
considerando o estado fisiológico do animal, reduzindo variabilidade e minimizando erros de
interpretação (SOROKO; HOWELL, 2018).
Diferente de técnicas convencionais como radiografia ou ultrassonografia, a termografia
permite uma avaliação fisiológica dinâmica, pois registra mudanças térmicas em tempo real.
Essa característica representa uma vantagem significativa, tornando-a útil não apenas para
diagnóstico, mas também para monitoramento preventivo e acompanhamento terapêutico.
Alterações sutis de temperatura em indivíduos aparentemente saudáveis podem indicar
desequilíbrios metabólicos ou inflamatórios iniciais, permitindo intervenções precoces e o
ajuste do manejo ou treinamento dos animais (RADAELLI et al., 2014).
Apesar de suas vantagens, a técnica apresenta limitações como o alto custo de câmeras
de qualidade e manutenção, além da necessidade de interpretação cuidadosa dos resultados.
Embora identifique áreas com alterações fisiológicas, a termografia não permite determinar,
isoladamente, a causa ou a natureza da lesão, sendo necessária a associação com outros métodos
diagnósticos para a definição de condutas adequadas (RADAELLI et al., 2014).
Em equinos, os padrões termográficos são estabelecidos pela topografia das estruturas
anatômicas, normalmente apresentam uma alta simetria entre os lados direito e esquerdo do
corpo (Figura 3). As regiões de maior temperatura nos membros dos equinos concentram-se ao
longo dos principais vasos sanguíneos superficiais. Nos membros anteriores, as áreas mais
quentes acompanham as artérias e veias palmares, tanto nos aspectos lateral quanto medial,
enquanto nos membros posteriores seguem as artérias e veias plantares. Essa distribuição
térmica reflete o trajeto vascular e a perfusão sanguínea periférica (SOROKO; HOWELL,
2018).

26

Figura 3 - Termogramas infravermelhos das regiões distais dos membros de um cavalo
saudável. (A) Vista dorsal dos membros anteriores; (B) vista dorsal dos membros posteriores;
(C) vista palmar dos membros anteriores; (D) vista plantar dos membros posteriores; (E) vistas
lateral esquerda e medial direita dos membros anteriores; e (F) vistas lateral esquerda e medial
direita dos membros posteriores. Fonte: Soroko; Howell, 2018.
Nos aspectos distais, estruturas como o terceiro metacarpiano e o terceiro metatarsiano,
bem como as articulações metacarpofalangeanas e metatarsofalangeanas, tendem a apresentar
temperaturas mais baixas. Entre os tendões flexores e esses ossos, observa-se uma faixa de
temperatura mais elevada, associada à presença da artéria e da veia palmar digital. De modo
geral, o calor dos membros tende a acompanhar as principais vias vasculares, como a veia
cefálica na região anterior e a veia safena na região caudal, demonstrando o padrão fisiológico
de irrigação e dissipação térmica (ROSA; BECK; FERREIRA, 2019).
A termografia é útil para a detecção precoce de alterações nos tecidos, permitindo
intervenções em estágios iniciais até duas semanas antes dos sinais clínicos se manifestarem.

27

Pode ser aplicada em todas as regiões do corpo, sendo especialmente eficaz na identificação de
distúrbios musculoesqueléticos e processos inflamatórios, comuns em diversas doenças e
lesões. Além disso, a técnica possibilita o monitoramento da evolução e do sucesso do
tratamento, frequentemente detectando alterações antes que sinais clínicos ou outros métodos
de imagem se tornem evidentes (KRULJC, 2023; CASAS-ALVARADO et al., 2024).
A aplicabilidade da termografia em equinos pode ser abordada sob três principais
perspectivas. A primeira é o uso como ferramenta de avaliação fisiológica, auxiliando na
identificação de assimetrias térmicas e mudanças sutis na temperatura superficial, que podem
indicar áreas anatômicas suspeitas. A segunda forma de aplicação é a utilização diagnóstica da
termografia como técnica de imagem complementar. Nesse contexto, tanto o aumento quanto
a diminuição da temperatura cutânea possuem relevância, uma vez que o termograma permite
localizar áreas de interesse que podem ser posteriormente avaliadas por ultrassonografia,
radiografia ou outros métodos complementares (RADAELLI et al., 2014).
Durante o exame termográfico, processos inflamatórios mesmo sem alterações visíveis
podem resultar em aumentos detectáveis de temperatura superficial, já que tecidos inflamados
apresentam circulação alterada e vasodilatação local (MCMANUS et al., 2016). Além disso, a
atividade muscular também influencia o padrão térmico, pois aproximadamente 75% da energia
gerada pelo aparelho locomotor durante o exercício é dissipada na forma de calor. O cavalo
mantém sua temperatura corporal dentro da faixa fisiológica de 37 a 40 °C por meio de
mecanismos de termorregulação que envolvem a convecção e a evaporação, responsáveis por
reduzir a temperatura superficial. Assim, durante a atividade física, a produção de calor aumenta
proporcionalmente à intensidade do esforço, o que se reflete nas imagens termográficas
(RADAELLI et al., 2014).
Um estudo de Simon et al. (2006), o efeito do exercício sobre as temperaturas
superficiais dos membros torácicos e pélvicos em cavalos. Os animais foram submetidos a um
protocolo padronizado em esteira, composto por etapas de passo, trote e galope, com varreduras
termográficas realizadas antes, imediatamente após e até seis horas após o exercício. Os
resultados mostraram elevação significativa da temperatura muscular e das regiões metacarpal
e metatarsal, com aumento de aproximadamente 6 °C e 8 °C, respectivamente, logo após o
término do treino. Mesmo após 45 minutos de repouso, as temperaturas permaneceram acima
dos valores basais, retornando aos níveis normais cerca de 60 minutos após o exercício. Esses
achados demonstram a sensibilidade da termografia para detectar alterações térmicas
decorrentes da atividade física e o tempo necessário para a recuperação térmica das estruturas
musculares e distais dos membros.

28

Um estudo recente de Teixeira Neto et al. (2020) avaliou as variações na temperatura
superficial dos membros torácicos e pélvicos de cavalos Mangalarga após o exercício de
marcha, utilizando termografia infravermelha. Os animais foram submetidos a um protocolo de
exercício moderado de 20 minutos de marcha, e os resultados indicaram que esse esforço não
promoveu aumento suficiente da temperatura corporal para ser detectado pela técnica. Ainda
assim, a termografia mostrou-se segura e sensível para identificar pequenas variações térmicas,
destacando a necessidade de estudos adicionais que relacionem a intensidade do exercício às
respostas fisiológicas dos equinos.
Alterações musculoesqueléticas e articulares também podem ser identificadas pela
técnica. Traumas diretos ou indiretos estão entre as principais causas de afecções articulares em
equinos, e o estresse excessivo sobre a cartilagem sadia ou o esforço normal sobre a cartilagem
alterada podem desencadear processos degenerativos (ROSA; BECK; FERREIRA, 2019).
Soroko et al. (2013) observaram que diferenças térmicas de 1,25 °C entre as partes
distais direita e esquerda dos membros podem indicar inflamação subclínica do tendão flexor
digital superficial em cavalos de corrida. Turner (1991) verificou aumentos locais de 1–2 °C
sobre o terceiro metacarpo dorsal nos estágios iniciais da doença do metacarpo dorsal.
Entretanto, Soroko (2018) alertarque uma maior sustentação de peso em repouso sobre um
membro não lesionado pode resultar em aumento compensatório da temperatura a longo prazo.
A termografia tem se mostrado útil no diagnóstico de diversas lesões dos membros,
como tendinopatias (Turner, 2001), inflamações articulares do joelho (Purohit; Turner; Pascoe,
2006), carpo e tarso, além de canelas arqueadas. Também é empregada na detecção de doenças
neuromusculares da região toracolombar, inflamações musculares e subluxações vertebrais. A
identificação dessas condições é de grande relevância, pois estão diretamente associadas à
redução do desempenho esportivo, permitindo à termografia atuar como ferramenta preventiva
e auxiliar no monitoramento musculoesquelético dos equinos atletas (SOROKO; HOWELL,
2018).
A terceira forma de uso é no monitoramento do bem-estar animal, considerando que as
variações de temperatura da pele refletem respostas fisiológicas e emocionais associadas à
vasoconstrição periférica, o que torna a técnica útil na avaliação do estado emocional e de
estresse dos equinos. Outros usos relatados incluem o acompanhamento de procedimentos
clínicos, como monitoramento do efeito de medicamentos, terapia de choque, avaliação de
consolidação de fraturas e até a detecção de alterações relacionadas a programas antidoping
(RADAELLI et al., 2014).

29

Nesse contexto, a termografia também se mostra valiosa para avaliar como os cavalos
reagem a situações estressantes específicas, como durante competições. Durante esses eventos,
os animais são expostos a diversos fatores estressantes que podem comprometer o bem-estar e
o desempenho. A termografia infravermelha, especialmente pela avaliação da temperatura
ocular máxima, tem se mostrado uma ferramenta não invasiva e eficaz na detecção de respostas
fisiológicas ao estresse agudo e crônico. Estudos indicam que variações na temperatura ocular
podem refletir alterações hormonais e que a TRI tem sido utilizada também como critério em
programas de melhoramento, auxiliando na seleção de animais com melhor adaptação
fisiológica e menor sensibilidade ao estresse (VALERA et al., 2012; SÁNCHEZ;
BARTOLOMÉ; VALERA, 2016; NEGRO et al., 2018).
Além disso, a termografia pode ser empregada na reabilitação, permitindo a detecção de
distensões musculares, inflamações e alterações neuromusculares, e fornecendo imagens que
orientam a aplicação de exames diagnósticos complementares ou tratamentos terapêuticos,
como ultrassom, massagem ou acupuntura. Apesar do potencial demonstrado, mais estudos são
necessários para consolidar sua eficácia na monitorização da reabilitação (SOROKO;
HOWELL, 2018).
A termografia tem se mostrado uma ferramenta relevante na equinocultura, capaz de
identificar alterações fisiológicas e musculoesqueléticas de forma não invasiva e precisa. Sua
aplicação na avaliação da marcha do Mangalarga Marchador é especialmente importante, dada
a variabilidade natural dos movimentos e o impacto que pequenas alterações podem ter no
desempenho e no bem-estar do animal. No entanto, ainda são escassos os estudos que
investigam o uso da termografia para analisar as diferentes marchas, batida e picada,
evidenciando uma lacuna importante que precisa ser explorada para consolidar seu potencial na
prática esportiva.

30

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A compreensão integrada das características do Mangalarga Marchador é essencial para
otimizar seu desempenho e bem-estar. O estudo das marchas batida e picada permite avaliar as
respostas fisiológicas ao esforço durante o exercício. A análise de parâmetros fisiológicos
fornece informações valiosas sobre a capacidade de adaptação dos animais às exigências do
treinamento e das provas de marcha. Nesse contexto, a termografia infravermelha se destaca
como uma ferramenta não invasiva e complementar, capaz de detectar alterações térmicas
relacionadas à atividade muscular e ao esforço físico, auxiliando na identificação precoce de
desequilíbrios ou sobrecargas. A integração dessas abordagens proporciona uma avaliação mais
precisa do desempenho locomotor, favorecendo estratégias de manejo, treinamento e seleção
que promovam a saúde e o rendimento atlético dos equinos.

31

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35

4. ARTIGO
Marcha batida e marcha picada: influência de medidas zoométricas e angulares sobre
parâmetros fisiológicos e termográficos de equinos Mangalarga Marchador

RESUMO: Objetivou-se com este trabalho avaliar a influência de medidas zoométricas e
angulares de equinos Mangalarga Marchador sobre parâmetros fisiológicos e padrão
termográfico, de acordo com o tipo de marcha. Foram utilizados 22 animais, sendo 11 de
marcha batida (MB) e 11 de marcha picada (MP). As medidas zoométricas, obtidas utilizando
hipômetro, incluíram as alturas da cernelha e da garupa, os comprimentos corporal, dorsolombo, pescoço, escápula e da garupa, e a largura do peito e da garupa. Mediu-se via
artrogoniômetro os ângulos escapulo-solo, escapulo-umeral, úmero-radial, metacarpofalangeano, coxal-solo, coxo-femoral, fêmur-tibial, tíbio-metatarsiano e metatarso-falangeano.
As imagens termográficas e os parâmetros fisiológicos frequência cardíaca (FC), frequência
respiratória (FR) e temperatura retal (TR) obtiveram-se no pré-exercício, logo após o exercício,
e aos 10, 30 e 60 minutos de descanso após o exercício. O experimento foi conduzido em
delineamento inteiramente casualizado, em esquema fatorial 2 × t (dois tipos de marcha e t
momentos de avaliação). A análise estatística foi realizada via modelo misto no SAS (PROC
GLIMMIX), considerando Marcha, Tempo e interação Marcha×Tempo como efeitos fixos, e o
animal como efeito aleatório. Os resultados da função canônica indicam que há tendência
morfológica diferenciada, ainda que não estatisticamente comprovada na amostra atual, as
variáveis associadas à estrutura posterior (coxo-femoral, fêmur-tibial e garupa) apresentaram
maior peso na função discriminante. Nas avaliações termográficas, apenas a variável vista
cranial do antebraço apresentou interação significativa entre marcha e tempo (p=0,005),
indicando padrão distinto de recuperação térmica entre as marchas. Conclui-se que a zoometria
dos membros posteriores exerce maior influência na diferenciação entre os tipos de marcha,
destacando-se o comprimento do segmento fêmur-tibial estar associada à expressão da marcha
batida. Na situação experimental proposta, identificou-se efeito do tipo de marcha apenas no
padrão térmico diferenciado na região do músculo extensor carpal radial na vista cranial
antebraço dos animais de marcha batida.
Palavras-chave: Desempenho fisiológico, morfometria equina, recuperação térmica.

36

1. Introdução
O cavalo Mangalarga Marchador destaca-se amplamente no cenário equino brasileiro, sendo
reconhecido não apenas por sua conformação e desempenho funcional, mas também por sua
relevância histórica, cultural e econômica para o país (Barbosa et al., 2020).
A marcha, andamento característica da raça, apresenta-se na maioria dos indivíduos em duas
modalidades, batida (MB) e picada (MP), ambas naturais, simétricas e de quatro tempos, com
alternância entre apoios laterais e diagonais, intercaladas por momentos de tríplice apoio, numa
variação bastante própria que, por diminuir o estágio de suspensão dos quatro membros em
relação ao solo característico do trote, proporcionam menor impacto e consequentemente maior
conforto para o cavaleiro. O padrão ideal envolve movimento regular e elástico, com boa
extensão dos membros posteriores, ação semicircular dos anteriores e adequada flexibilidade
articular (Abccmm, 2020; Fonseca et al., 2023).
No contexto do desempenho locomotor, compreender as respostas fisiológicas ao exercício
torna-se essencial, já que o organismo equino ativa uma série de mecanismos coordenados para
sustentar o esforço físico (Ferreira et al., 2008). Entre esses ajustes, destacam-se a atuação
integrada dos sistemas cardiovascular, respiratório e termorregulador. Durante a atividade, a
frequência cardíaca (FC) aumenta para suprir a maior demanda de oxigênio; a frequência
respiratória (FR) se eleva para intensificar as trocas gasosas; e a temperatura retal (TR) tende a
subir devido ao calor produzido pela contração muscular, exigindo mecanismos eficientes de
dissipação térmica para a manutenção da homeostase (Melo et al., 2021). A interação
harmoniosa dessas respostas garante que o cavalo suporte diferentes intensidades de trabalho
sem comprometer o desempenho (Andrade et al., 2018).
A avaliação morfológica exerce papel determinante na definição do valor funcional e
econômico dos equinos, uma vez que as medidas corporais estão diretamente relacionadas à
aptidão e ao rendimento esportivo (Teixeira et al., 2023). No Mangalarga Marchador, o
processo de registro oficial na ABCCMM exige a análise simultânea da conformação e do
andamento. Para isso, são avaliadas doze medidas zoométricas, incluindo altura da cernelha e
da garupa, perímetros torácico e da canela, além das larguras da cabeça e da garupa, que são
comparadas a padrões previamente estabelecidos pela associação (Abccmm, 2025).
Nesse conjunto de ferramentas aplicadas à compreensão da performance e da saúde dos
equinos, a termografia infravermelha aparece como método moderno e não invasivo, capaz de
captar a radiação térmica emitida pela superfície corporal (Pompermayer, et al., 2019;
Verdegaal, et al., 2023). O mapeamento térmico permite identificar variações sutis de
temperatura relacionadas ao fluxo sanguíneo, à atividade metabólica e à produção de calor nos

37

tecidos, indicando possíveis adaptações ao exercício, estresse fisiológico, inflamações, lesões
musculoesqueléticas ou até influências ambientais. Por fornecer essa leitura funcional e
sensível das alterações superficiais, a técnica tem se consolidado como recurso valioso voltada
ao monitoramento de animais atletas (Kruljc, 2023).
A integração entre avaliações morfológicas, análises fisiológicas e termografia infravermelha
permite uma compreensão mais abrangente do desempenho locomotor de equinos, ampliando
a capacidade de identificar variações biomecânicas e respostas fisiológicas associadas ao
exercício. Essa abordagem integrada contribui para o aprimoramento de estratégias de manejo,
treinamento e seleção genética, favorecendo o desempenho atlético e o bem-estar dos animais.
Nesse contexto, parte-se da hipótese de que as diferenças entre os tipos de marcha do
Mangalarga Marchador promovem alterações distintas nos parâmetros fisiológicos e no padrão
termográfico, refletindo adaptações específicas relacionadas à dinâmica locomotora de cada
andamento.
Assim, objetivou-se por meio desse trabalho, avaliar a influência de medidas zoométricas e
angulares sobre parâmetros fisiológicos e padrão termográfico em equinos dessa raça, de acordo
com o tipo de marcha, batida e picada.

2. Material e métodos
O protocolo experimental foi aprovado pela Comissão de Ética no Uso de Animais da
Universidade Federal de Alagoas – CEUA/UFAL, sob no12/2024. A realização do estudo
contou com a autorização dos proprietários dos haras, formalizada mediante assinatura do
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
2.1 Dados gerais
O estudo foi conduzido em seis haras no estado de Alagoas de acordo com o tipo de marcha
dos animais. O treinamento dos animais era direcionado para a preparação e participação em
competições regionais e nacionais organizadas pela ABCCMM. Foram avaliados 22 animais,
sendo 11 MB e 11 MP, todos com andamento natural de marcha e devidamente registrados na
associação da raça.
Os dados de temperatura (T) e umidade relativa (UR) do ambiente foram obtidas através de
um higrômetro digital.

38

2.2 Coleta das medidas zoométricas e angulares
Foram realizadas 18 medições corporais (9 lineares e 9 angulares) utilizando-se um hipômetro
e um artrogoniômetro. As medidas (figura 1 – A e B) seguiram as descrições propostas por
Torres e Jardim (1992) e Lage (2009).
Tabela 1 – Definição das medidas morfométricas avaliadas em equinos da raça Mangalarga
Marchador.
Variável
Altura da cernelha
Altura da garupa
Comprimento corporal
Largura do peito
Comprimento do pescoço
Comprimento do dorso-lombo
Comprimento da garupa
Comprimento da escápula
Largura da garupa
Angulação escapulo-solo
Angulação escapulo-umeral
Angulação úmero-radial

Angulação metacarpo-falangeana
Angulação coxal-solo
Angulação coxo-femoral
Angulação femorotibial
Angulação tíbio-metatarsiano
Angulação metatarso-falageano

Descrição
medida do ponto mais alto da região interescapular até o solo
partindo do ponto mais alto da tuberosidade sacral do íleo até o solo
distância que se estende da extremidade distal da escápula à ponta distal do
ísquio
distância entre as extremidades laterais das articulações escapulo-umerais direita
e esquerda
distância entre a extremidade cranial do arco dorsal do atlas e o terço médio da
borda cranial da escápula
distância entre o final da cernelha, processo espinhoso da 8ª vértebra torácica, e
a tuberosidade ilíaca
distância que vai do ângulo externo do íleo (ponta da anca) ao ângulo posterior
ou externo do ísquio (ponta da nádega)
distância entre a borda dorsal da cartilagem escapular e o centro da articulação
escapulo-umeral (ponta da escápula)
distância entre as extremidades laterais das tuberosidades ilíacas, direita e
esquerda (região das ancas direita e esquerda)
aferida apoiando-se o centro do artrogoniômetro no ponto determinado pelo
encontro da escápula com o úmero, mantendo a haste fixa no sentido horizontal
paralela ao solo e a haste móvel passando no ponto marcado na crista da escápula
aferida a partir do encontro da escápula com o úmero, com a haste fixa passando
pelo ponto marcado na região mediana da linha que liga a ponta da escápula ao
codilho e a haste móvel passando pelo ponto marcado na crista da escápula
aferida apoiando-se o centro do artrogoniômetro no ponto marcado da
articulação entre o capítulo do úmero e a cabeça do rádio, com a haste fixa
acompanhando paralelamente o antebraço e a haste móvel passando pelo ponto
marcado no encontro da escápula com o úmero
aferida apoiando-se o centro do artrogoniômetro no ponto marcado na região
mediana do boleto, mantendo-se a haste fixa paralela ao metacarpo e a haste
móvel acompanhando paralelamente a face lateral da quartela e do casco
aferida apoiando-se o centro do artrogoniômetro na articulação dos ossos íleo e
fêmur, mantendo-se a haste fixa no sentido horizontal paralela ao solo e haste
móvel passando pela ponta do íleo
aferida apoiando-se o centro do artrogoniômetro na articulação dos ossos íleo e
fêmur, com a haste móvel passando pela ponta do íleo, levando-se a haste fixa
até o ponto marcado na soldra
aferida apoiando-se o centro do artrogoniômetro no ponto marcado na soldra,
com a haste fixa passando pelo ponto marcado na articulação dos ossos íleo e
fêmur e a haste móvel passando pelo ponto marcado na região mediana do jarrete
aferida apoiando-se o centro do artrogoniômetro na região mediana do jarrete,
mantendo-se a haste fixa paralelamente ao osso metatarso e a haste móvel
passando pelo ponto marcado na soldra
aferida apoiando-se o centro do artrogoniômetro no ponto marcado na região
mediana do boleto, mantendo-se a haste fixa paralela ao metatarso e a haste
móvel acompanhando paralelamente a face lateral da quartela e do casco

Figura 4 – Pontos de referência adotados para a mensuração das variáveis morfométricas
lineares (A) e angulares (B) em equinos Mangalarga Marchador.

39

A

Altura da cernelha (1); Altura da garupa (2); Comprimento corporal (3); Largura do peito (4); Comprimento do
pescoço (5); Comprimento do dorso-lombo (6); Comprimento da garupa (7); Comprimento da espádua (8);
Largura da garupa (9).

B

Fonte: Arquivo pessoal.
Angulação escapulo-solo (1); Angulação escapulo-umeral (2); Angulação úmero-radial (3); Angulação metacarpofalangeana (4); Angulação coxal-solo (5); Angulação coxo-femoral (6); Angulação fêmur-tibial (7); Angulação
tíbio-metatarsiano (8); Angulação metatarso-falangeano (9).

40

2.3 Parâmetros fisiológicos e Imagens Termográficas
Os parâmetros fisiológicos e termográficos foram obtidos antes e após a atividade física. O
exercício consistiu em uma simulação de prova de marcha, conduzida em redondéis presentes
em todos os haras, a uma velocidade média de 15 km/h, durante 30 minutos ininterruptos,
conforme metodologia descrita por Teixeira Neto et al., (2020). As avaliações foram realizadas
nos seguintes momentos: Tempo 1: antes do exercício; Tempo 2: assim que finalizou o
exercício; Tempo 3: 10min após o término; Tempo 4: 30min após o término; Tempo 5: 60min
após o término do exercício de marcha.
Os parâmetros fisiológicos mensurados foram a frequência cardíaca (FC) usando um
estetoscópio no lado esquerdo do tórax por 15 segundos e multiplicando o resultado por 4, a
frequência respiratória (FR) medida pela contagem dos movimentos do flanco durante 30
segundos, e a temperatura retal (TR) utilizando um termômetro digital.
As imagens termográficas foram registradas utilizando uma câmera termográfica modelo FLIR
Systemis Brasil - FLIR i7 (Figura 2), a uma distância padronizada de 1 metro, com a escala
definida na opção de paleta frio/quente e com a temperatura variando entre 15 e 44ºC cobrindo
o animal todo e a extensão das articulações dos membros torácicos (MT) e pélvicos (MP), sendo
obtidas as seguintes imagens (Figura 3): lado esquerdo MT (LEMT – figura A), lado esquerdo
MP (LEMP – figura B), lado esquerdo (LE – figura C), vista cranial (figura D), lado direito
(LD – figura E) e vista caudal (figura E).

Figura 5 - Câmera termográfica modelo FLIR Systemis Brasil - FLIR i7

Fonte: Arquivo pessoal.

41

Figura 6 - Lado esquerdo membro torácico (LEMT – figura A), lado esquerdo membro pélvico
(LEMP – figura B), lado esquerdo (LE – figura C), vista cranial (figura D), lado direito (LD –
figura E) e vista caudal (figura E).

A

B

C

D

E

F
Fonte: Arquivo pessoal.

2.4 Delineamento experimental e as análises estatísticas
O estudo foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado, em esquema fatorial 2 × t,
sendo dois tipos de marcha (Marcha Batida e Marcha Picada) e t momentos de avaliação
(quando aplicável às variáveis fisiológicas e termográficas), com medidas repetidas no tempo.
As unidades experimentais foram compostas por equinos da raça Mangalarga Marchador,
distribuídos de acordo com o tipo de marcha.
Foram realizadas utilizando o software Statistical Analysis System Institute (SAS, 2000). Para
cada variável fisiológica e termográfica, foi aplicado o seguinte modelo linear misto:
Yijk = μ + Mi + Tj + (M × T)ij + Ak + εijk
Onde:
• Yijk = valor observado da variável para o animal k, no tipo de marcha i e no tempo j;
• μ = média geral;

42

• Mi = efeito fixo do tipo de marcha (Picada ou Batida);
• Tj = efeito fixo do tempo de avaliação (Pré, Pós, 10 min, 30 min, 60 min);
• (M×T)ij = efeito fixo da interação marcha × tempo;
• Ak = efeito aleatório do animal, para controlar a correlação entre medições repetidas no
tempo;
• εijk = erro residual, assumindo distribuição normal com média zero e variância constante.
As variáveis foram analisadas utilizando o procedimento de PROC GLIMMIX do SAS que
corresponde ao modelo misto, considerando o TEMPO de avaliação como efeito fixo e os
ANIMAIS como efeito aleatório para controlar a repetição das medições nos indivíduos
avaliados.
Foram calculadas as médias, desvios-padrão, e o coeficiente de variação (CV) que foi incluído
para avaliação da variabilidade relativa. Quando o teste global indicou significância entre os
tempos, foram realizadas comparações múltiplas pelo método de Tukey, para determinar as
diferenças estatísticas entre os diferentes momentos de avaliação (Pré, Pós, 10 min, 30 min, 60
min).
Para a avaliação morfológica, foi considerada ainda a utilização de Análise Discriminante
Canônica. Os dados foram previamente padronizados pelo procedimento STANDARD do
software estatístico SAS (Statistical Analysis System, versão 9.4). Em seguida, foram
realizadas as análises multivariadas por meio dos procedimentos STEPDISC, DISCRIM e
CANDISC.

4. Resultados
4.1 Temperatura ambiente e umidade relativa
Em todos os haras foi possível encontrar um ambiente coberto (natural ou artificial), protegido
do sol para realizar as avaliações, verificando-se uma temperatura média do ambiente aberto de
exercício de no mínimo 26,32 e no máximo de 27,64ºC e de umidade relativa do ar mínima de
68,8% e máxima de 70%.
Gráfico 1 – Valores médios da máxima e mínima da temperatura e umidade durante as
avaliações antes e durante o exercício de marcha

43

Parâmetros ambientais
76

80

68,8

68,2

70

60

60
50
40

27,64

30

27,37

25,52

26,32

20
10
0
Tmax

Tmin

UrMáx
Picada

UrMin

Batida

4.2
Avaliação das medidas zoométricas e angulares
A estrutura canônica permitiu identificar quais variáveis morfológicas (Tabela 5) apresentaram
maiores contribuições positivas para variação entre as marchas, com maior magnitude para os
ângulos coxo-femoral (0,222), fêmur-tibial (0,229), e menor magnitude para os ângulos largura
de garupa (0,120) e tíbio-metatarsiano (0,097). A Magnitude refere-se ao tamanho absoluto do
coeficiente canônico: quanto mais longe do zero, maior é a influência daquela variável na
separação dos grupos; quanto mais perto do zero, menor é a contribuição.

Tabela 2 – Coeficientes canônicos padronizados e contribuição das variáveis morfológicas para
a separação dos grupos de marcha em cavalos da raça Mangalarga Marchador
Variável
ACernelha
AGarupa
CompCorpo
CompPescoco
LargPeito
CompEscapula
CompDorsoLombo
CompGarupa
LargGarupa
Esc.-Solo
Esc.-Umeral
Umero-Radial

Can1
-0,155
-0,090
0,155
0,076
0,019
-0,102
0,013
-0,023
0,120
-0,114
-0,077
0,094

44

Variável
Metacarpo-Falan.
Coxal-Solo
Coxo-Femoral
Fêm.-Tibial
Tib.-Metatarsiano
Metatarso-Falan.
Correlação canônica
Variação (%)

Can1
-0,025
-0,035
0,222
0,229
0,097
-0,018
0,94
99,8

ACernelha = altura da cernelha; AGarupa = altura da garupa; CompCorpo = comprimento do corpo; CompPescoço =
comprimento do pescoço; LargPeito = largura do peito; CompEscápula = comprimento da escápula; CompDorsoLombo =
comprimento do dorso-lombo; CompGarupa = comprimento da garupa; LargGarupa = largura da garupa; Esc.-Solo = ângulo
escápulo-solo; Esc.-Umeral = ângulo escápulo-umeral; Umero-Radial = ângulo úmero-radial; Metacarpo-Falan. = ângulo
metacarpo-falangeano; Coxal-Solo = ângulo coxal-solo; Coxo-Femoral = ângulo coxo-femoral; Fêm.-Tibial = ângulo fêmurtibial; Tib.-Metatarsiano = ângulo tíbio-metatarsiano; Metatarso-Falan. = ângulo metatarso-falangeano.

A segunda função canônica não pôde ser gerada no procedimento PROC CANDISC devido a
existência de apenas dois grupos (batida e picada) e a função utilizada é sempre (o número de
grupos -1), então 2-1 = 1 função canônica. Nesse sentido o Gráfico 4 apresentado é em uma
dimensão (1D) com ejeção lateral entre os grupos, para evitar a sobreposição dos pontos e
permitir a visualização da distribuição das observações por marcha, deslocando cada grupo
verticalmente de forma artificial. Assim, o eixo vertical não representa uma dimensão canônica
real, servindo apenas para organizar visualmente os grupos. Observa-se que os indivíduos da
marcha picada se concentram predominantemente em valores negativos da função canônica 1,
enquanto os indivíduos da marcha Batida ocupam majoritariamente valores positivos.
Gráfico 2 - Medidas zoométricas em uma dimensão com separação por tipo de marcha

45

4.3 Variáveis fisiológicas
Observou-se (Tabela 1) efeito significativo do momento da avaliação (tempo) sobre todas as
variáveis fisiológicas (FC, FR e TR) avaliadas (p < 0,0001).
Tabela 3. Significância estatística (p-value) do efeito da marcha, momento da avaliação (tempo)
e sua interação sobre as variáveis fisiológicas de equinos da raça Mangalarga Marchador
submetidos a exercício de simulação de competição
Variável
Frequência Cardíaca (FC, bpm)
Frequência Respiratória (FR, mpm)
Temperatura Retal (TR, °C)

Marcha
6.848
4.664
2.706

Tempo
<.0001
<.0001
<.0001

Marcha×Tempo
7.557
6.994
4.671

Identifica-se aumento significativo (p < 0,05) nas variáveis fisiológicas (Tabela 2) após o
exercício, com declínio durante o período de recuperação avaliado. A FR e FC exibiram redução
acentuada nos primeiros 10 minutos de recuperação, respectivamente, 82,09 ± 23,02 mpm para
56.86 ± 16.56 mpm e 98.82 ± 10.56 bpm para 68.64 ± 11.93 bpm, seguida de queda (Gráfico
2) mais gradual entre 30 e 60 minutos, aproximando-se dos valores basais de recuperação
adequados para espécie equina ao final do período de avaliação. Esse comportamento

46

(especialmente, essa queda acentuada aos 10 minutos) sugere resposta fisiológica compatível
com exercício moderado, sendo o tempo de recuperação influenciado tanto pela intensidade do
esforço quanto pela condição física dos animais avaliados.
O coeficiente de variação (CV) indicou maior variabilidade nas respostas de FC (39,71 %) e
FR (33,5 %), o que é comum em respostas fisiológicas agudas ao exercício, possivelmente
associadas a diferenças individuais no condicionamento físico, temperamento e nível de
treinamento.
Tabela 4 - Respostas fisiológicas e padrões de recuperação de equinos da raça Mangalarga
Marchador após submissão a exercício de simulação de competição agrupadas pelo efeito do
tempo
Momento de
Avaliação

FR Média ± DP
(mpm)

FC Média ± DP
(bpm)

TR Média ± DP
(°C)

Pré-exercício
Logo após o
exercício

36.55±4.98 A

48.95±8.01 A

37.71±0.22 A

82.09±23.02 B

98.82±10.56 C

39.89±0.46 B

10min após

56.86±16.56 C

68.64±11.93 B

39.33±0.57 C

30min após

50.18±11.56 CD

51.32±6.50 A

38.61±0.45 D

60min após

42.45±9.11 AD

49.64±8.61 A

38.20±0.37 E

33,5

39,71

2,28

CV(%)

Frequência Cardíaca (FC, bpm); Frequência Respiratória (FR, mpm); Temperatura Retal (TR, °C) Médias e desvio
padrão seguidos por letras diferentes na mesma coluna, diferem significativamente pelo teste de Tukey (p<0.05).
DP: Desvio Padrão.

4.4 Avaliação dos termogramas infravermelhos
O momento de avaliação exerceu efeito significativo (p<0,05) sobre a maioria das variáveis
termográficas, confirmando alterações imediatas após o exercício e posterior retorno gradual
em direção aos valores iniciais ao longo do período de recuperação estudado (10, 30 e 60
minutos).
Entretanto, foi observada interação significativa marcha x tempo no tempo de 60min (Tabela
4; gráfico 3) para a temperatura do antebraço em vista cranial (p=0,005), resultado sugestivo
de que determinados pontos corporais podem apresentar dinâmica distinta de recrutamento e
recuperação conforme o tipo de marcha executada. Esse achado sugere que a região do
antebraço pode demandar maior atenção no período de recuperação após o exercício, podendo
ser considerada em estratégias de manejo e conforto muscular pós-atividade.

47

Tabela 5. Médias ajustadas (± erro padrão) para temperatura de antebraço em vista cranial
segundo as marchas (Batida e Picada) e os diferentes tempos de avaliação (Efeito
Marcha*Tempo).

Tempo
Pré-exercício
Logo após o exercício
10min após
30min após
60min após

Batida (n=11)
32.16 ± 1,72 abA
31.84 ± 2,15 aA
32.73 ± 1,60 abcA
33.35 ± 1,66 bcA
34.43 ± 1,72 cA

Picada (n=11)
33.10 ± 2,18 aA
32.72 ± 2,01 aA
30.95 ± 2,27 bB
32.96 ± 1,94 abA
33.74 ± 1,62 abA

letras minúsculas compara os tempos dentro de cada marcha
letras maiúsculas compara marchas dentro de cada tempo. Teste Tukey, p < 0,05.

Gráfico 3 - Interação tempo × marcha para temperatura do antebraço em vista cranial

De forma semelhante, a variável temperatura do joelho em vista cranial (VCJoelho) apresentou
tendência de aumento gradual ao longo do período pós-exercício. Observou-se efeito
significativo do tempo de avaliação para diversas variáveis termográficas (p < 0,05). De modo

48

geral, houve redução das temperaturas logo após o exercício e/ou aos 10 minutos, seguida de
elevação progressiva, com maiores valores registrados aos 60 minutos.
Na vista cranial, as variáveis VCCasco, VCLMT e VCBoleto apresentaram queda nos
momentos iniciais e aumento significativo aos 60 minutos, enquanto VCJoelho não diferiu entre
os tempos.
Na vista lateral, as variáveis VLLMT, VLPAntebraço, VLPJoelho, VLPBoleto, VLPCasco,
VLPJarrete e VLPCasco2 apresentaram menores valores aos 10 minutos e elevação aos 60
minutos. VLLMP, VLPOlho, VLPPerna e VLPBoleto2 mantiveram-se estáveis ao longo do
momento de avaliação.
Na vista caudal, as variáveis VCAPerna, VCAJarrete, VCABoleto e VCALMP apresentaram
aumento significativo aos 60 minutos. Linha do Pescoço e Elipse do Corpo também
apresentaram maiores temperaturas nesse momento. VCAGarupa manteve-se estável ao longo
do momento de avaliação.
O coeficiente de variação variou de 4,17% a 11,31%, indicando adequada homogeneidade
experimental.

49

Tabela 6. Médias e desvio padrão das variáveis fisiológicas e termogramas de cavalos mangalarga Marchador, considerando momento de avaliação
Variável
VCJoelho
VCBoleto
VCCasco
VCLMT
VLLMP
VLLMT
VLPOlho
VLPAntebraco
VLPJoelho
VLPBoleto
VLPCasco
VLPPerna
VLPJarrete
VLPBoleto2
VLPCasco2
VCAGarupa
VCAPerna
VCAJarrete
VCABoleto
VCALMP
LinhaPescoco
ElipseCorpo

Pré-exercício
32.42 ± 2.60 a
32.34 ± 3.03 ba
31.90 ± 2.70 bc
31.60 ± 2.50 ba
32.04 ± 2.19 a
32.17 ± 2.17 ba
33.82 ± 1.83 a
33.94 ± 1.53 ba
32.42 ± 2.29 b
32.34 ± 2.91 ba
33.02 ± 3.54 ba
33.62 ± 1.83 a
32.31 ± 1.48 ba
31.47 ± 2.10 a
32.12 ± 1.23 b
35.39 ± 1.97 a
33.26 ± 2.02 b
30.62 ± 2.27 ba
30.15 ± 2.01 ba
31.25 ± 2.01 ba
33.26 ± 2.02 bc
34.35 ± 2.02 c

Logo após o exercício
31.06 ± 2.40 a
29.73 ± 2.65 b
29.32 ± 2.04 d
30.63 ± 2.28 ba
32.45 ± 1.93 a
31.92 ± 2.86 ba
34.10 ± 0.99 a
33.96 ± 1.37 ba
32.08 ± 1.70 b
30.75 ± 1.99 bc
30.63 ± 2.10 c
34.20 ± 1.97 a
32.13 ± 2.86 ba
31.10 ± 2.26 a
32.61 ± 1.97 ba
34.11 ± 2.57 a
33.26 ± 2.85 ba
30.62 ± 2.26 b
30.15 ± 2.26 ba
31.25 ± 2.26 ba
33.26 ± 2.26 bc
34.35 ± 2.26 bac

10min após
31.07 ± 2.55 a
29.51 ± 2.74 b
29.70 ± 3.21 cd
30.10 ± 2.18 b
32.01 ± 2.19 a
31.00 ± 2.19 b
34.13 ± 1.26 a
32.93 ± 1.59 b
31.38 ± 1.88 b
30.05 ± 2.32 c
31.03 ± 2.34 bc
33.60 ± 1.83 a
31.17 ± 2.23 b
31.70 ± 1.67 a
32.98 ± 2.81 b
35.39 ± 3.15 a
33.80 ± 1.36 b
30.96 ± 2.22 b
29.95 ± 2.22 b
30.90 ± 2.22 b
33.26 ± 2.22 c
34.35 ± 2.22 c

30min após
31.41 ± 2.44 a
29.76 ± 3.50 b
32.33 ± 3.42 ab
30.12 ± 6.21 b
32.62 ± 2.46 a
31.85 ± 2.76 ba
34.44 ± 1.40 a
34.15 ± 1.42 ba
31.70 ± 2.26 b
30.77 ± 2.55 bc
32.65 ± 2.69 bc
34.25 ± 2.51 a
31.46 ± 3.44 b
31.89 ± 2.57 a
33.24 ± 2.70 ba
35.49 ± 2.84 a
33.80 ± 2.24 a
30.96 ± 2.57 b
29.94 ± 2.70 b
30.96 ± 2.57 b
33.25 ± 2.57 ba
35.20 ± 2.57 ba

60min após
33.05 ± 1.97 a
32.59 ± 2.45 ab
34.44 ± 1.90 a
32.98 ± 1.79 a
33.55 ± 2.06 a
33.51 ± 2.44 a
34.88 ± 1.43 a
34.98 ± 1.50 a
34.55 ± 2.56 a
34.47 ± 2.60 a
34.90 ± 1.43 a
34.79 ± 2.56 a
33.86 ± 2.60 a
33.33 ± 2.00 a
34.55 ± 2.85 a
36.75 ± 3.70 a
34.61 ± 2.33 a
32.97 ± 1.75 a
32.23 ± 2.55 a
33.10 ± 1.75 a
35.64 ± 1.97 a
35.80 ± 1.97 a

CV (%)
7.85
10.08
10.32
11.31
6.74
6.82
4.17
4.70
7.33
9.37
8.99
5.05
7.71
6.05
5.72
8.51
6.10
8.87
8.99
6.05
5.72
5.72

Letras diferentes na mesma linha indicam diferenças estatistica entre os tempos estudados para cada variável (Tukey, p < 0,05). CV = Coeficiente de variação (%). Vista cranial do joelho
(VCJoelho), vista cranial do boleto (VCBoleto), vista cranial do casco (VCCasco), vista cranial linha do membro torácico (VCLMT), vista lateral linha do membro pélvico (VLLMT), vista lateral
pontos do olho (VLPOlho), vista lateral pontos antebraço (VLPAntebraço), vista lateral ponto joelho (VLPJoelho), vista lateral ponto boleto (VLPBoleto), vista lateral ponto casco (VLPCasco),
vvista lateral ponto perna (VLPPerna), vista lateral ponto jarrete (VLPJarrete), vista lateral ponto boleto posterior (VLPBoleto 2), vista lateral ponto posterior casco (VLPCasco 2), vista caudal da
garupa (VCAGarupa), vista caudal da perna (VCAPerna), vista caudal jarrete (VCAJarrete), vista caudal boleto (VCABoleto), vista caudal linha membro posterior (VCALMP), linha do pescoço
e elipse do cor

50

4. Discussão
Foram adotados cuidados rigorosos com os animais antes da realização do exercício, a fim de
minimizar estímulos estressores durante a saída das baias para evitar alterações na temperatura
corporal superficial que pudessem interferir na acurácia dos registros termográficos e nos
parâmetros fisiológicos. Segundo Simon et al. (2006), a termografia em equinos pode ser
realizada em temperaturas ambientais menores que 30ºC, para que não haja interferência nos
resultados, condição esta verificada neste estudo.
Os achados das variáveis fisiológicas (FC, FR e TR) confirmam que o exercício causou
alteração fisiológica esperada após a simulação de uma prova de marcha (MB vs. MP). Os
animais avaliados apresentaram FC entre 80–150 bpm, recuperação rápida e respiração e
temperatura aumentam, mas retornam gradualmente ao basal, característica de esforço
moderado. Esse comportamento fisiológico estar relacionado à eficiência biomecânica da
marcha em equinos marchadores, que apresentam menor deslocamento vertical e maior
continuidade do movimento, resultando em menor custo energético e, consequentemente,
menor demanda cardiovascular para manutenção da locomoção.
Lage et al. (2016) em estudo com equinos Mangalarga Marchador, identificou que não houve
diferença significativa na frequência cardíaca máxima (FCmáx) entre marchadores de MB e
MP. Esses resultados indicam que, na prática de competição, a exigência fisiológica pode ser
muito similar entre os dois andamentos, reforçando que a diferença no tipo de marcha não
necessariamente implica em maior estresse cardíaco ou térmico.
O tipo de atividade física interfere diretamente na variação de resultados de parâmetros
fisiológicos de equinos encontrados em estudos. Saints de Souza (2009) avaliaram seis éguas
Quarto de Milha, obtendo valores médios da TR, FR e FC sob repouso de 37.45ºC, 21.08 mpm
e 39.85 bpm respectivamente, sendo que após o exercício físico, ocorreu um incremento
significativo desses valores (TR: 39.07 ºC, FR: 75.35 mpm e da FC: 82.40 bpm). Sartoreto
(2023) avaliando os parâmetros fisiológicos de 29 equinos Quarto de Milha em uma prova de
laço em dupla (team roping), identificaram parâmetros fisiológicos médias no período précorrida de 37,48ºC, 40,00 mpm e 32,41 bpm para TR, FR e FC, respectivamente, com
incremento significativo no momento pós-corrida (TR: 38,68 ºC, FR: 62,34mpm e FC: 66,37
bmp).

51

O fator marcha (picada vs. batida), não apresentou diferenças significativas na maior parte das
variáveis analisadas, indicando comportamento termográfico semelhante entre os dois tipos de
andamento. Entretanto, na MB, observou-se um aumento progressivo da temperatura até 60
min (34.43 ± 1,72 cA) na vista cranial do antebraço, indicando maior perfusão muscular tardia
para o músculo extensor carpal radial. O comportamento térmico dessa porção muscular ao
longo do período de recuperação demonstra que existe um aumento de fluxo sanguíneo, mas
não imediatamente após o início do exercício, gerando um padrão biomecânico diferente em
relação ao observado nos animais de Marcha Picada. A significância observada na vista cranial
do antebraço pode ser explicada pelas particularidades anatômicas e biomecânicas dessa região,
que a tornam mais sensível às demandas do exercício e, consequentemente, às variações
térmicas. O antebraço abriga musculaturas fundamentais para a estabilização do carpo, para o
controle da passada e para absorção do impacto durante o apoio, além de participar ativamente
da fase inicial de alçamento do membro torácico. Esses músculos realizam contrações
concêntricas e excêntricas repetidas, capazes de gerar maior produção de calor e induzir
vasodilatação local (Clayton e Hobbs, 2019). A marcha batida caracteriza-se por maior
amplitude de passada e consequente melhor rendimento locomotor (Santiago, 2013). Nesse
contexto, o músculo extensor carpal radial, atuante na estabilização e extensão do carpo durante
a fase de avanço do membro anterior, apresenta variações de ativação de acordo com as
condições de exercício impostas, as quais puderam ser identificadas nesse experimento.
Por outro lado, os animais da MP apresentaram queda acentuada aos 10 min, seguida por
recuperação térmica, comportamento que pode representar um mecanismo de dissipação inicial
de calor mais eficiente, seguido por vasodilatação de recuperação (Biglia et al., 2007).
As respostas fisiológicas e termogramas dos equinos sofreram oscilações significativas ao
longo do tempo pós-exercício, evidenciando o papel do esforço físico sobre a redistribuição
térmica e o aumento do metabolismo muscular. Estudos (Basile, 2012; Soroko at al., 2017;
Azevedo et al., 2024; Barreira et al., 2021) com cavalos atletas têm demonstrado que a
articulação metacarpofalangeana (Figura 4) apresenta elevada sensibilidade às variações
térmicas ambientais quando analisada por termografia infravermelha. Além disso, apresenta
elevada sensibilidade as varações térmicas ambientais, visto que é considerada um dos
principais pontos de sobrecarga mecânica durante o exercício.
Figura 7 – Articulação metacarpofalangeana (A) e termograma da vista cranial do boleto (B)

52

A

B

Fonte: Arquivo pessoal.

Regiões como o olho, que apresentou o menor CV, tendem a manter temperatura mais estável
devido ao seu papel na termorregulação autonômica, refletindo de maneira consistente o estado
simpático-parassimpático do animal. Em contrapartida, áreas como o membro anterior
(VCLMT), representadas pelos maiores CVs, mostraram maior variabilidade possivelmente
devido à influência direta da atividade muscular, mecânica do movimento e carga física
característica da MB e MP. Nessas regiões, o exercício tende a aumentar o fluxo sanguíneo
periférico, o acúmulo de calor metabólico e a demanda mecânica, elevando progressivamente
a temperatura média e ampliando a variabilidade entre indivíduos, especialmente em estruturas
como tendões e articulações, que respondem rapidamente à carga repetitiva.
Algumas regiões anatômicas apresentaram maior dispersão dos valores de temperatura entre os
animais avaliados, corroborando achados de Prochno et al., (2020), que mostraram que nem
todas as regiões corporais respondem termicamente com a mesma sensibilidade ao exercício.
Cada variável do coeficiente canônico contribui para separar os grupos, de forma que valores
próximos de zero tem pouca contribuição, valores altos positivos (+) puxam a função para um
grupo e valores altos negativos (-) puxam para outro grupo (Tabela 5). Apesar da ausência de
significância, algumas variáveis apresentaram maior peso discriminante na função canônica,
destacando-se: O comprimento do fêmur-tibial apresentou o maior coeficiente (0,229),
indicando maior contribuição dessa variável para a formação da função canônica e maior

53

capacidade de discriminar os animais classificados como marcha batida (MB) e marcha picada
(MP). Do ponto de vista morfofuncional, essa medida está relacionada à mecânica dos membros
posteriores, que exercem papel importante na propulsão e no comprimento da passada, podendo
influenciar diretamente o padrão locomotor observado. A largura de garupa também participou
desse processo, embora com contribuição moderada (0,120), sugerindo influência secundária
na diferenciação entre os grupos, possivelmente associada à conformação da região pélvica e à
distribuição da musculatura responsável pela propulsão. Por outro lado, o comprimento da
escápula apresentou coeficiente semelhante em magnitude, porém negativo (–0,102), indicando
que sua contribuição ocorreu em direção oposta na função discriminante., o que não implica
pior desempenho, mas indica que sua influência ocorreu em direção oposta às demais variáveis,
deslocando os escores canônicos para o lado inverso na matriz discriminante.
Os resultados da função canônica encontrados, indicam que há tendência morfológica
diferenciada, ainda que não estatisticamente comprovada na amostra atual, especialmente em
variáveis relacionadas à angulação e comprimento dos membros posteriores. A separação
observada é coerente (Gráfico 4) com as cargas canônicas encontradas na Tabela 5: variáveis a
exemplo da angulação fêmur-tibial, largura de garupa e comprimento corporal, que
apresentaram as maiores contribuições positivas, estão associadas ao deslocamento dos
indivíduos para o lado positivo do eixo - região onde predominam os animais de MB. Já
variáveis com pesos negativos, como comprimento de escápula, altura de cernelha e escapulosolo, por exemplo, puxam os indivíduos para o lado negativo, característico dos animais de MP.
Não é possível afirmar que os tipos de marcha estudados possam ser discriminados com base
nos parâmetros morfométricos dos animais. Nesse sentido, são necessários estudos com
maiores números de observações para determinar com precisão.
5. Conclusão
Conclui-se que a zoometria dos membros posteriores exerce maior influência na diferenciação
entre os tipos de marcha, destacando-se o comprimento do segmento fêmur-tibial, indicando
que a estrutura óssea dessa região corporal estar associada à expressão da marcha batida. Nas
condições experimentais avaliadas, não foi identificado efeito do tipo de marcha sobre
parâmetros fisiológicos, evidenciando-se apenas um padrão térmico diferenciado na região do
músculo extensor carpal radial, que compõe a região do antebraço dos animais, com uma
variação térmica maior no período de recuperação para marcha batida.

54

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56

5. ANEXO A – COMPROVANTE DE SUBMISSÃO DO ARTIGO