Vinicius S G Silva
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Universidade Federal de Alagoas - UFAL
Centro de Ciências Agrárias - CECA
Curso de Graduação em Agronomia
VINICIUS SANTOS GOMES DA SILVA
ESTADO NUTRICIONAL, ACÚMULO DE NUTRIENTES, QUALIDADE
DO CALDO E PRODUÇÃO DE AÇÚCARES POR QUATRO
VARIEDADES DE CANA
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à
Coordenação do Curso de Agronomia, do Centro de
Ciências Agrárias - CECA, da Universidade Federal
de Alagoas – UFAL, como requisito para obtenção do
título de Engenheiro Agrônomo.
RIO LARGO/AL
2012
i
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
COORDENAÇÃO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
VINICIUS SANTOS GOMES DA SILVA
ESTADO NUTRICIONAL, ACÚMULO DE NUTRIENTES, QUALIDADE
DO CALDO E PRODUÇÃO DE AÇÚCARES POR QUATRO
VARIEDADES DE CANA
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à
Coordenação do Curso de Agronomia, do Centro de
Ciências Agrárias - CECA, da Universidade Federal
de Alagoas – UFAL, como requisito para obtenção do
título de Engenheiro Agrônomo.
Orientador: Prof. Dr. Mauro Wagner de Oliveira
RIO LARGO/AL
2012
ii
ATA DE REUNIÃO DE BANCA EXAMINADORA DE DEFESA DE TRABALHO DE
CONCLUSÃO DE CURSO
Aos 01 (um) dias do mês de Fevereiro do ano de 2012, às 9 horas, sob a Presidência do (a)
Professor Mauro Wagner de Oliveira, em sessão pública na sala do PPG – AGRONOMIA
sala 03, do Centro de Ciências Agrárias, km 85 da BR 104 Norte, Rio Largo-AL, reuniu-se a
Banca Examinadora de defesa do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) intitulado
ESTADO NUTRICIONAL, ACÚMULO DE NUTRIENTES, QUALIDADE DO CALDO E
PRODUÇÃO DE AÇÚCARES POR QUATRO VARIEDADES DE CANA” do (a) aluno (a)
Vinicius Santos Gomes da Silva, sob matrícula 2008G0264, requisito obrigatório para
conclusão do Curso de Agronomia, assim constituída: Prof. Dr. Mauro Wagner de Oliveira,
CECA/UFAL (Orientador); Prof. MSc. Jakes Halan de Queiroz Costa, CECA/UFAL e
Prof. MSc. Cícero Alexandre da Silva, CECA/UFAL. Iniciados os trabalhos, foi dado a cada
examinador um período máximo de 30 (trinta) minutos para a argüição ao candidato.
Terminada a defesa do trabalho, procedeu-se o julgamento final, cujo resultado foi o seguinte,
observada a ordem de argüição: Prof. MSc. Cícero Alexandre da Silva, nota 10,00 (dez),
Prof. MSc. Jakes Halan de Queiroz Costa, nota 10,00 (dez) e Prof. Dr. Mauro Wagner de
Oliveira, nota 10,00 (dez). Apuradas as notas, o candidato foi considerado APROVADO,
com média geral 10,00 (dez). Na oportunidade o candidato foi notificado do prazo de
máximo de 30 (trinta) dias, a partir desta data, para entregar a Coordenação do Trabalho de
Conclusão de Curso, devidamente protocolada, da versão definitiva do trabalho defendido, em
4 (quatro) vias, impressas e encadernadas e uma cópia digitalizada em CD com as correções
sugeridas pela Banca, sem o que está avaliação se tornará sem efeito, passando o aluno a ser
considerado reprovado. Nada mais havendo a tratar, os trabalhos foram encerrados para a
lavratura da presente ATA, que depois de lida e achada conforme, vai assinada por todos os
membros da Banca Examinadora, pelo coordenador (a) do Trabalho de Conclusão de Curso
(TCC) e pelo coordenador (a) do Curso de Agronomia do Centro de Ciências Agrárias, da
Universidade Federal de Alagoas. Rio Largo/AL, 01 de Fevereiro de 2012.
1º Examinador
_________________________________________________________
Prof. Dr. Mauro Wagner de Oliveira (Orientador)
2º Examinador
_________________________________________________________
Prof. MSc. Jakes Halan Queiroz Costa
3º Examinador
_________________________________________________________
Prof. MSc. Cícero Alexandre Silva
Coordenador do TCC _________________________________________________________
Profa. Dra. Roseane Cristina Prédes Trindade
Coordenador do Curso de Agronomia ____________________________________________
Profa. Dra. Leila de Paula Rezende
iii
Ao meu pai José Valdemy Gomes da
Silva.
OFEREÇO
Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar
a vida e viver com paixão. Perder com classe e
vencer com ousadia, pois o triunfo pertence a
quem mais se atreve. A vida é muito para ser
insignificante.
Charlie Chaplin
A minha mãe Eliane e a minha irmã Elaine;
DEDICO
iv
AGRADECIMENTOS
A Deus, pai de infinita bondade, por ter concedido o dom da vida.
Ao meu orientador e amigo Prof. Mauro Wagner de Oliveira, um
grande exemplo de profissional.
Aos professores José Paulo Vieira da Costa, Jakes Halan de Queiroz
Costa e Cícero Alexandre da Silva que contribuíram bastante para
minha formação profissional.
Aos meus amigos de classe Paulo Ricardo Aprígio Clemente, Luiz
Eduardo Rocha e Silva, Rivan Júnior Estrela Pinto e Yolanda de Melo
Oliveira.
A companheira Edna Aristides pela sua grande amizade e, sobretudo,
pela grande ajuda na condução do trabalho de conclusão.
A todos que contribuíram de maneira direta ou indireta para minha
formação profissional.
v
SUMÁRIO
Pág.
RESUMO....................................................................................................................
6
1. INTRODUÇÃO...................................................................................................... 7
2. REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................
8
2.1 PANORAMA ATUAL.........................................................................................
8
2.2 CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS .................................................................. 8
2.3 FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIÇÃO MINERAL....................................... 9
2.3.1 Avaliação da fertilidade do solo.................................................................. 9
2.3.2 Calagem........................................................................................................ 10
2.3.3 Gessagem......................................................................................................
12
2.3.4 Adubação mineral........................................................................................ 12
2.4 ANÁLISE DO CRESCIMENTO E DO ESTADO DE NUTRICIONAL............. 12
2.4.1 Análise quantitativa do crescimento........................................................
13
2.4.2 Avaliação do estado nutricional...............................................................
14
3. MATERIAL E MÉTODOS..................................................................................
16
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ..........................................................................
18
4.1 ANÁLISE DE CRESCIMENTO .........................................................................
18
4.2. ESTADO NUTRICIONAL..................................................................................
19
4.3. ACÚMULO DE NUTRIENTES ......................................................................... 20
4.4. QUALIDADE DO CALDO ................................................................................
22
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................
24
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................. 25
vi
RESUMO
SILVA, Vinicius Santos Gomes da. Estado nutricional, acúmulo de nutrientes, qualidade
do caldo e produção de açúcares por quatro variedades de cana. Rio Largo: CECA –
UFAL, 2012. (Trabalho de Conclusão de Curso).
No presente trabalho estudou-se no ciclo de cana-planta, a área foliar, o estado
nutricional, o acúmulo de nutrientes, a qualidade do caldo e a produção de açúcares em quatro
variedades: RB867515, RB92579, SP813250 e VAT90212. O experimento foi conduzido na
Usina Triunfo, localizado no município de Boca da Mata, Alagoas. Adotou-se o esquema em
delineamento experimental em blocos casualizados, com 4 tratamentos e 5 repetições. Os
tratamentos foram constituídos de parcelas de seis sulcos de 10,0 m comprimento, espaçados
de 1,00 m. Na fase do crescimento máximo da cultura avaliou-se a área foliar
fotossinteticamente ativa e o estado nutricional. A área foliar fotossinteticamente ativa foi
avaliada por medidas lineares da folha. Por ocasião da maturação, em janeiro de 2011, foram
avaliados o acúmulo de nutrientes na biomassa da parte aérea, a produção de colmos
industrializáveis, produção de açúcar, teores de fósforo e fenóis no caldo. Os valores médios
de área foliar fotossinteticamente ativa, estado nutricional, acúmulos de nutrientes na
biomassa da parte aérea, a produção de colmos industrializáveis, produção de açúcar , teores
de fósforo e fenóis no caldo, foram submetidos à análise de variância e a teste de médias. A
maior área foliar foi observada na RB92579, com valor médio de 5,08, significativamente
maior que os das demais variedades. Em relação ao estado nutricional observou-se diferença
varietal quanto aos teores foliares de nutrientes, mas não houve nenhuma variedade com
maior teor foliar para todos os elementos. Todas as variedades apresentaram-se deficientes em
nitrogênio e cobre. Não houve diferença entre as variedades quanto à produção de colmos
industrializáveis e de açúcares, que oscilaram em torno de 130 e 14 t ha-1, respectivamente.
Por outro lado, houve diferença significativa entre os teores de fenóis e Pi no caldo. A
VAT90212 apresentou os maiores teores de Pi e os menores de fenóis: 89 e 692 mg L-1 de
caldo. Para a RB867515, RB92579 e SP813250, os teores de Pi e fenóis, foram
respectivamente de 35 e 791, 52 e 887 e, 54 e 826 mg L-1 de caldo.
Palavras-chave: cana-planta, acúmulo de nutrientes, qualidade do caldo.
7
1. INTRODUÇÃO
A cultura da cana-de-açúcar está entre as mais plantadas no Brasil, sendo a área
cultivada inferior apenas a de soja e milho, uma vez que na safra 2010/2011 foram cultivados
cerca de 8,5 milhões de hectares (IBGE, 2011). Atualmente o setor sucroalcooleiro ocupa
uma posição destaque no cenário socioeconômico brasileiro, devido sua importância na
geração de empregos, rendas e divisas para o país.
O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, com previsão do total de cana
moída na safra 2010/2011 de 624,9 milhões de toneladas de cana. Este volume representa,
para o setor sucroalcooleiro, um incremento de 3,40 % em relação à safra 2009/2010, sendo
que, do total produzido, 46,2% destinam-se à fabricação de açúcar e 53,8% à produção de
etanol. O Estado de Alagoas encontra-se o sexto lugar, com produção média estimada em
26,752 milhões de toneladas de cana, sendo superado apenas por São Paulo, Minas Gerais,
Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul com rendimentos médios de produção de 359,2; 55,1;
47,9; 43,9 e 34,3 milhões de toneladas de cana, respectivamente (CONAB, 2011).
Segundo Vitti e Mazza (2002) para uma maior exploração econômica da cana de
açúcar é necessário que os canavicultores realizem o planejamento de suas atividades desde o
plantio até a colheita, visto que a análise dos componentes de produção permite uma escolha
mais racional das técnicas a serem adotadas, insumos, máquinas, implementos, serviços,
variedades a serem utilizadas, distribuição destas nos tipos de solos a serem explorados,
épocas de plantio, entre outras.
Com a finalidade de elevar o rendimento da cultura da cana-de-açúcar e torná-la ainda
mais competitiva, os produtores rurais têm escolhido uma série de técnicas agrícolas, que
possibilitam a melhoria das propriedades físico-químicas do solo e permitem a
sustentabilidade da cultura ao longo dos anos. Entre estas práticas estão incluídas a calagem,
gessagem, adubação química, adubação verde e uso de composto orgânico (OLIVEIRA et al.,
2007). Outra prática de grande importância para o sucesso da lavoura canavieira é a escolha
de variedades de cana-de-açúcar que ampliem a produtividade de energia (açúcar, álcool e
fibra), pois cultivares obtidos a partir de seleções regionais comumente promovem ganhos
substanciais de produção (LANDELL e BRESSIANI, 2008).
Ante a estas considerações, no presente estudo, avaliou-se, no ciclo de cana planta das
variedades RB867515, SP 813250, RB92579 e VAT 90212 o estado nutricional, acúmulo de
nutrientes, qualidade do caldo e produção de açúcares.
8
2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1 PANORAMA ATUAL
A cultura da cana-de-açúcar está entre as mais plantadas no Brasil, sendo a área
cultivada inferior apenas a de soja e milho, uma vez que na safra 2010/2011 foram cultivados
cerca de 8,5 milhões de hectares (IBGE, 2011). Atualmente o setor sucroalcooleiro ocupa
uma posição destaque no cenário socioeconômico brasileiro, devido sua importância na
geração de empregos, rendas e divisas para o país.
O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, com previsão do total de cana
moída na safra 2010/2011 de 624,9 milhões de toneladas de cana. Este volume representa,
para o setor sucroalcooleiro, um incremento de 3,40 % em relação à safra 2009/2010, sendo
que, do total produzido, 46,2% destinam-se à fabricação de açúcar e 53,8% à produção de
etanol. O Estado de Alagoas encontra-se o sexto lugar, com produção média estimada em
26,752 milhões de toneladas de cana, sendo superado apenas por São Paulo, Minas Gerais,
Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul com rendimentos médios de produção de 359,2; 55,1;
47,9; 43,9 e 34,3 milhões de toneladas de cana, respectivamente (CONAB, 2011).
2.2 CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS
A cana-de-açúcar pertence a família Poaceae e ao gênero Saccharum. É uma planta
monocotiledônea, perene e própria de climas tropicais e subtropicais. Seus atuais cultivares
são híbridos interespecíficos, sendo que nas constituições genéticas participam principalmente
as espécies S. officinarum e S. spontaneum. O centro de origem dessas espécies tem sido
reportado por diversos autores, como sendo as Ilhas do Arquipélago da Polinésia, a Nova
Guiné e aÍndia, dessa forma acredita-se que a cana de açúcar seja nativa do sudeste da Ásia,
embora o exato centro de origem seja incerto (FIGUEIREDO, 2008).
Trata-se de uma planta de reprodução sexuada, porém, quando cultivada
comercialmente, é multiplicada assexuadamente, por propagação vegetativa. É caracterizada
pela inflorescência do tipo panícula, flor hermafrodita, caule de crescimento cilíndrico
composto de nós e entrenós, e folhas alternas, opostas, presas aos nós dos colmos, com
lâminas de sílica em suas bordas, e bainha aberta (SILVA et al., 2010).
9
2.3 FERTILIDADE DO SOLO E NURIÇÃO MINERAL
O solo é o meio principal para o crescimento das plantas (LOPES e GUILHERME,
2007), fato que o torna um dos componentes mais importantes na construção de altas
produtividades. Com a finalidade de alavancar sempre produtividades elevadas faz-se
necessário a obtenção de informações referentes à exigência nutricional da cana-de-açúcar a
fim de indicar as quantidades de nutrientes que devem ser fornecidos a cultura (COLETI et
al., 2006).
A cultura da cana-de-açúcar é grande extratora de nutrientes do solo, Malavolta et al.
(1997) considerando colmo, folhas e
palmito, afirmam que a quantidade de nutrientes
extraída por 1,25 t de cana é de: 1,2 kg de N; 0,37 kg de P2O5; 1,49 kg de K2O; 1,12 kg de
CaO; 0,68 kg de MgO e 1,07 kg de SO4. Em relação aos micronutrientes, a quantidade
extraída é de 300 g de B, 270 g de Cu; 8.900 g de Fe; 5.700 g de Mn e 720 g de Zn.
Estando ciente da alta capacidade de remoção de nutrientes pela cultura, faz-se
necessário o uso de avaliações para determinar a capacidade de fornecimento desses
nutrientes pelo solo e, se necessário, complementá-la com adubações químicas, orgânicas e
resíduos agroindustriais (OLIVEIRA et al., 2007).
2.3.1 Avaliação da fertilidade so solo
A análise de solo é uma ferramenta bastante usada na canavicultura com a finalidade
de avaliar o estado de fertilidade do solo para possíveis correções seja para aplicação de
corretivos, fertilizantes ou condicionadores de solo.
Para Orlando Filho et al. (1994) análise química do solo pode ser dividida em 4 etapas
ou fases distintas, a amostragem, análise química, interpretação dos resultados
e
recomendação de adubação. A amostragem consiste no fator mais restritivo, visto que um
volume muito pequeno de solo é utilizado na representação de alguns hectares, nesse sentido
faz-se necessário a tomada de uma amostra que represente bem a área estudada, além disso,
conforme Anghioni e Salet (1998) os erros contidos na amostra não mais poderão ser
corrigidos, resultando em recomendações de quantidades insuficientes ou excessiva de
insumos, que se refletirá em qualquer um dos casos, em prejuízos e rendimentos das culturas e
lucros do produtor.
A exatidão ou acurácia dos resultados obtidos através da análise de solo será maior
quanto maior for à homogeneidade do solo. Assim a área amostrada deve ser dividida em
10
estratos, glebas ou talhões, fundamentando-se em indicadores de macrovariações, facilmente
perceptíveis (CANTARUTTI et al., 2007).
Para a cana-de-açúcar tem sido recomendado coletar amostras de solo das camadas de
0 a 20 e de 20 a 40 cm de profundidade (DEMATTÊ, 2005; OLIVEIRA et al., 2007; VITTI &
MAZZA, 2002). Os resultados da análise da camada de 0 a 20 cm serão utilizados para
calcular a adubação e a calagem e os da camada de 20 a 40 cm, para os cálculos da
necessidade de gessagem. Antecedendo a coleta das amostras de solo, é necessário dividir a
área em unidades homogêneas, levando-se em consideração, dentre outros, o histórico da
área, os tipos de solo (cor, textura, profundidade), a localização e topografia (várzea, encosta,
platô), a cobertura vegetal e as adubações anteriores (OLIVEIRA et al., 2007). Em relação aos
resultados da análise química do solo, o potássio, o cálcio, o magnésio, o sódio e o alumínio
são analisados quanto ao teor trocável e, mesmo havendo grande variação dos extratores
químicos utilizados por diferentes laboratórios, a precisão e exatidão dessas análises são
muito grandes (DEMATTÊ, 2005, OLIVEIRA et al., 2007).
2.3.2 Calagem
A maioria dos solos brasileiros apresenta limitações ao estabelecimento e
desenvolvimento dos sistemas de produção de grande parte das culturas em decorrência dos
efeitos de acidez. Essa pode estar de modo geral associada à presença de Al e Mn em
concentrações tóxicas e de baixos teores de cátions de caráter básico, como Ca e Mg (SOUSA
et al., 2007).
Os solos podem ser naturalmente ácido, em decorrência da pobreza dos materiais de
sua formação, que podem apresentar baixos teores de cátions básicos, ou em virtude das
condições de pedogênese ou de formação do solo que podem proporcionar a remoção de
elementos químicos do solo. Além disso o processo de acidificação dos solos pode ser
incrementado através de determinados fertilizantes e cultivos sucessivos( RAIJ, 1985).
Segundo Raij (1991) a reação do solo é primeiro fator que deve ser conhecido em uma
gleba a cultivar. Isso porque, caso ela não seja favorável, dever ser tomadas medidas
corretivas com antecedência aos cultivos e até o preparo do solo.
A prática da calagem é de vital importância na agricultura uma vez que a mesma
proporciona a correção da acidez, neutralização do alumínio tóxico, fornece cálcio e
magnésio, eleva a disponibilidade de alguns nutrientes a melhoria da estrutura dos solos e a
atividade microbiana (BRADY, 1989).
11
Para Alcarde (1992) o sucesso da calagem depende fundamentalmente de três fatores:
da dosagem adequada, do produto ou melhor, das características do corretivo utilizado e da
aplicação correta.
Vários materiais podem ser usados como corretivos da acidez de solos, sendo os mais
empregados os calcários calcíticos, magnesianos e dolomíticos e os silicatos de cálcio e
magnésio, designados de escórias de siderurgias. Nessas escórias, o teor de óxido de
magnésio oscila em torno de 8%, enquanto os calcários calcíticos possuem teores de MgO
inferiores a 5%, os magnesianos entre 6 e 12% e os dolomíticos acima de 12%. A eficiência
desses produtos na correção da acidez do solo depende, dentre outros fatores, da sua
granulometria, da distribuição uniforme no campo e da disponibilidade hídrica do solo. Em
relação à dosagem do corretivo, existem alguns métodos para estimar a quantidade do produto
a ser aplicado. Esses métodos baseiam-se na granulometria e poder neutralizante do corretivo,
bem como nas características químicas do solo, principalmente teores de cálcio, magnésio,
potássio, alumínio e hidrogênio (MORELLI et al., 1992; OLIVEIRA et al.,1997; OLIVEIRA
et al., 2007).
São vários os métodos para a determinação da necessidade de calagem como: Método
da incubação, método do Al 3+ + (Ca2+ + Mg2+), Método da Saturação por bases e Método
SMP.
Na maioria dos Estados brasileiros, a dose de corretivo a ser aplicada tem sido
estimada pelo método da neutralização da acidez trocável e da elevação dos teores de cálcio e
magnésio (SOUZA et al., 1997) ou pelo método de saturação por bases (RAIJ et al., 1996).
Para a cana-de-açúcar, tem sido recomendado elevar a saturação por bases (V) a 60%.
Segundo Raij et al. (1996), a quantidade de calcário (QC) a ser usada, quando se emprega o
método de saturação por bases, é calculada pela seguinte expressão:
QC (t ha-1) = [(60 – V) x T] ÷ PRNT (Eq. 1)
sendo V = saturação por bases atual do solo; T = capacidade de troca catiônica a pH 7,0; e
PRNT = poder relativo de neutralização total do corretivo utilizado.
Dias e Rossetto (2006) recomendam um acréscimo de
20% na necessidade da
calagem, esse adicional deve-se, principalmente à deriva de aplicação, à acidificação do solo
provacada pelo adubo, e ao processo de decomposição do sistema radicular da cana- deaçúcar.
12
2.3.4 Gessagem
De acordo Sousa et al. (2007) uma opção de manejo da acidez em profundidade é o
uso do gesso com a finalidade de melhorar o ambiente radicular. É um produto que tem sido
utilizado em solos ácidos como um complemento ao calcário, com o objetivo de diminuir a
toxicidade do Al e aumentar a concentração de Ca em profundidade, a grande mobilidade
vertical de cátions ocasionada pelo gesso deve-se a maior solubilidade desse produto em
relação ao calcário, a inalteração das cargas elétricas, e a permanência do aniôn sulfato quase
que totalmente na solução do solo.
Em trabalhos com a utilização de gesso agrícola são propostos mecanismos de
correção da acidez em profundidade que se baseiam na possibilidade do SO42-, proveniente da
solubilização do CaSO4.2H2O, movimentar-se no perfil do solo e acumular-se nas camadas
mais profundas, neutralizando os efeitos nocivos do Al3+ pela formação de AlSO4+, bem como
liberação de OH- da superfície de óxidos e hidróxidos que podem reagir com o alumínio e
formar precipitados como o Al(OH)3 (SALDANHA et al., 2007).
Na cultura da cana-de-açúcar Oliveira et al. (2007) informa que as doses de gesso a
serem aplicadas podem se basear na necessidade de calagem ou na textura do solo. A
quantidade de gesso a ser aplicada tem variado de 25 a 30% da necessidade de calagem,
multiplicado por um fator de correção de profundidade (perfil a ser corrigido/20).
2.3.4. Adubação mineral
O uso de fertilizantes tem possibilitado ganhos em produtividade, fazendo com que se
necessite de áreas menores para a obtenção de uma mesma produção. Dentre as culturas de
alta expressão em termos de extensões de áreas, a cana-de-açúcar ocupa o segundo lugar em
consumo de fertilizantes, contando com cerca de 15 % dos fertilizantes utilizados no Brasil
(ANDA, 2005).
A adubação mineral da cana com nitrogênio, fósforo e potássio baseia-se nos
resultados da análise de solo, na camada de 0 a 20 cm, e na produtividade que se deseja obter
(OLIVEIRA et al., 2007). Conforme Demattê (2005) a extração de N, P e K oscilam em torno
de 1,2, 0,15 a 0,3 e, 1,5 kg por tonelada de matéria natural da parte aérea.
2.4. ANÁLISE DO CRESCIMENTO E DO ESTADO NUTRICIONAL
Nos estudos de nutrição e adubação conduzidos com a cultura da cana-de-açúcar, além
das avaliações da produção de colmos industriais e de sacarose aparente, recomenda-se
13
determinar a área foliar fotossinteticamente ativa, a densidade populacional (plantas/m2), o
estado nutricional das plantas e o acúmulo de matéria seca e de nutrientes na biomassa.
Quando houver interesse em se conhecer mais detalhadamente o crescimento da cultura,
sugere-se realizar a análise quantitativa do crescimento (OLIVEIRA et al., 2011).
2.4.1. Análise quantitativa do crescimento
O estudo de área foliar em cultivares de cana de açúcar permite correlacioná-la com o
seu potencial produtivo, seja em massa seca, quantidade de açúcar ou taxas de crescimento. A
folha é a estrutura responsável pela produção da maior parte dos carboidratos essenciais ao
crescimento e desenvolvimento dos vegetais (HERMANN & CÂMARA, 1999).
Leme et al.(1984) citam que o índice de área foliar (IAF) é efetivo para avaliar o
rendimento final, sendo que os maiores valores durante o ciclo de desenvolvimento estariam
relacionados com a maior produção final de colmos. Nesse sentido, o conhecimento da
dinâmica de desenvolvimento da área foliar, bem como da arquitetura do sistema foliar
poderá permitir melhor compreensão das relações dessas características com o rendimento
final.
Nos estudos de área foliar tem-se usado com bastante frequência o método proposto
por Hermann e Câmara (1999), uma adaptação do método de Francis et al. (1969). No método
de Francis et al. (1969), a área é obtida pelo produto do C x L, sendo C o comprimento do
limbo sobre a nervura principal desde o ponto de inserção do limbo com a bainha até o ápice
da folha e L, a maior largura perpendicular à nervura principal da folha. O referido produto
deverá ser corrigido pelo fator 0,75. Este método prevê a tomada de medidas de todas as
folhas fotossinteticamente ativa da planta. O segundo, uma simplificação proposta por
Hermann e Câmara (1999), baseia-se na maior largura perpendicular à nervura principal da
folha +3 e no comprimento do limbo sobre a nervura principal da folha +3, “sistema Kuijper”
descrito por Bacchi (1983), multiplicado pelo fator 0,75 proposto por Francis et al. (1969). A
área foliar da planta é obtida após correção pelo coeficiente N+2, sendo N, o número de
folhas totalmente abertas e com, pelo menos 20% de área verde e 2, fator de correção que
considera a existência de pelo menos, duas folhas mais novas que a folha zero.
Desta forma, podem-se resumir as equações utilizadas pelos dois métodos em:
1) Método de Francis (método 1): AF = (C x L x 0,75), em que:
AF = área foliar estudada; C = comprimento da folha estudada; L = largura da folha
estudada; 0,75 = fator de forma.
14
2) Método de Hermann e Câmara (método 2): AF= [C x L x 0,75 x (N + 2)], em
que:
C = comprimento da folha +3 estudada; L = largura da folha +3 estudada;
N = nº de folhas totalmente abertas com mais 20% de área verde; 2 = fator de
correção.
2.4.2. Avaliação do estado nutricional
A análise química das folhas da cana-de-açúcar é uma das formas de avaliar o estado
nutricional das lavouras. A preferência pelas folhas deve-se ao fato de elas serem a parte da
planta que, de um modo geral, melhor refletem as variações no suprimento de nutrientes, tanto
do solo quanto das adubações. Em cana-de-açúcar tem sido recomendado coletar as folhas +2
ou +3. A folha +1 é, no sentido descente do caule, a primeira que apresenta a lígula (região de
inserção da bainha foliar no colmo) totalmente visível (Figura 1). Para a análise química
utiliza-se o terço mediano da folha +2 ou +3, excluída a nervura central.
O uso de uma tesoura de aço inoxidável para coletar das folhas +3, ao invés de um
canivete ou faca inoxidáveis, evita cortes acidentais em quem realiza a coleta, além de
aumentar o rendimento do trabalho. As amostras do terço mediano devem ser primeiramente
lavadas em água corrente limpa e, posteriormente, em água destilada. A seguir o material
deve ser seco a 65 ºC até peso constante, caso não seja possível esta secagem, deve-se enviar
rapidamente as amostras para o laboratório onde serão analisadas.
Figura 1- Identificação das folhas +1, + 2 e + 3. A folha +3 é a indicada pela seta vermelha e que está
sendo cortada com a tesoura, para posterior análise química.
15
Os valores de concentração de nutrientes no terço médio das folhas +3 serão
comparados com valores de referências, para se avaliar o estado nutricional das plantas. Na
tabela 1 estão citadas as faixas de concentrações de nutrientes, consideradas adequadas,
conforme citação de pesquisadores brasileiros.
Tabela 1- Faixas de concentração de nutrientes no terço médio da folha +2, ou +3, consideradas
adequadas.
Autores
Malavolta et al. (1989)*
Malavolta et al. (1989) **
Raij et al. (1996)
Orlando Filho (1983)
---------------------------------- Nutrientes ------------------------------N
P
K
Ca
Mg
S
---------------------------------- g kg-1--------------------------------19-21
2,0-2,4
11-13
8,0-10
2,0-3,0
2,5-3,0
20-22
1,8-2,0
13-15
5,0-7,0
2,0-2,5
2,5-3,0
18-25
1,5-3,0
10-16
2,0-8,0
1,0-3,0
1,5-3,0
16 - 26
2,0-3,5
6 -14
4,3-7,6
1,1-3,6
1,3-2,8
B
Autores
Malavolta et al. (1989)*
Malavolta et al. (1989) **
Raij et al. (1996)
Orlando Filho (1983)
Cu
Fe
Mn
Mo
Zn
--------------------------------- mg kg-1 -------------------------------15-50
8-10
200-500
100-250
0,15-0,30
25-50
----8-10
80-150
50-125
----25-30
10-30
6-15
40-250
25-250
0,05-0,20
10-50
6-29
9-17
76-392
73-249
---------
* e **: Faixas de concentração para a cana-planta e rebrotas, respectivamente.
16
3. MATERIAL E MÉTODOS
A pesquisa foi conduzida na Usina Triunfo, localizada no município de Boca da Mata,
Alagoas, onde os invernos são chuvosos e os verões secos.
Antecedendo a implantação do estudo foram coletadas amostras de solo da área
experimental, nas camadas de 0 a 20 e de 20 a 40 cm. De posse dos resultados da análise
química dessas amostras de solo foi avaliada a necessidade de aplicação de calcário e de
gesso, visando elevar a saturação por bases a 60% na camada arável e, reduzir a saturação por
alumínio na camada de 20 a 40 cm, conforme proposto por Oliveira et al. (2007). Após a
aplicação do calcário, a área experimental foi arada e gradeada, sulcando-se a seguir. A
densidade de plantio oscilou em torno de 15 a 18 gemas por metro de sulco.
Para a condução do estudo adotou-se o esquema em delineamento experimental em
blocos casualizados, com 4 tratamentos e 5 repetições. Os tratamentos foram quatro
variedades de cana-de-açúcar RB867515, RB92579, SP813250 e VAT90212, cultivada em
parcelas de seis sulcos de 10,0 metros de comprimento, espaçados de 1,00 metro. A adubação
química, aplicada no fundo do sulco, foi a utilizada rotineiramente pela usina: 60;100 e 150
kg.ha-1 de nitrogênio, fósforo e potássio respectivamente.
Foi avaliada a área foliar fotossinteticamente na fase de crescimento máximo. Nesta
avaliação adotou-se o método proposto por Hermann e Câmara (1999), que se baseia em
medidas lineares do comprimento e da largura da folha + 3 e, no número de folhas totalmente
abertas e com pelo menos 20% de área verde.
Na fase de crescimento máximo da cana, também foi realizada a coleta das folhas + 3,
para avaliação do estado nutricional das plantas, seguindo-se métodos descritos por Malavolta
et al. (1989). As amostragens foram realizadas nos quatro sulcos centrais da parcela. O limbo
foliar foi analisado quanto aos teores de N, P, K, Ca, Mg, S, boro, cobre, ferro, manganês e
zinco.
Por ocasião da maturação da cana, no início de janeiro, foi realizada a colheita da cana
e avaliados os acúmulos de matéria seca e de nutrientes na parte aérea das quatro variedades,
a produção de colmos industrializáveis e a qualidade do caldo. À semelhança da coleta da
folha +3, as amostragens foram realizadas nos quatro sulcos centrais da parcela.
Após a determinação da matéria fresca, uma subamostra de toda a parte aérea foi
passada em picadeira de forragem e seca a 65 °C em estufa de ventilação forçada até massa
constante, para posteriormente realizar a determinação da matéria seca. Essas subamostras
foram passadas em moinho tipo Willey, sendo, posteriormente quantificado o teor de
17
nutrientes (N, P, K, Ca, Mg, S, boro, cobre, ferro, manganês e zinco), segundo método
descrito por Malavolta et al. (1989).
Outra subamostra constituída dos colmos industrializáveis foi passada em picadeira de
forragem, homogeneizada, prensada e o caldo obtido avaliado quanto à qualidade,
determinando-se os teores de sacarose aparente (“Pol”), sólidos solúveis (“Brix”), fósforo
orgânico e inorgânico e fenóis, seguindo-se métodos descritos por Delgado et al. (1984),
Malavolta et al. (1989), Caldas (1998) e Qudsieh et al. (2002).
Os valores médios da área foliar, do estado nutricional, do acúmulo de matéria seca e
de nutrientes em toda a planta, de sacarose aparente, de sólidos solúveis, de fósforo orgânico e
inorgânico, potássio e fenóis, foram submetidos à análise de variância e a teste de médias.
18
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 ANÁLISE DE CRESCIMENTO
Os resultados da análise de variância para o comprimento das folhas, largura das
folhas, numero de plantas, número de folhas e índice de área foliar nas variedades VAT90212,
RB92579, RB867515 e SP813250 encontra-se na tabela 2. Para as variáveis supracitadas foi
verificado diferença significativa, exceto para largura de folhas.
TABELA 2- Quadrados médios da análise de variância do comprimento das folhas (CF), largura das
folhas (LF), número de plantas (NP), número de folhas (NF) e índice de área foliar (IAF) de quatro
variedades de cana-de-açúcar.
Fonte de
variação
Variedade
CF
LF
NF
IAF
-------------------------------------QUADRADO MÉDIO-------------------------313,009**
0,1051ns
------------------cm -----------------
1
NP
6,9833**
493,933**
0,7554**
NP
NF
IAF
Média Geral
160,42
4,7009
8,85
78,30
4,52
C. V (%)
3,78
4,83
8,51
7,52
7,79
ns,** e *: não significativo e, significativo a; 1; 5%, respectivamente, pelo teste F.
Observa-se que apesar da variedade RB 92579 ter o menor comprimento de folhas, a
mesma como conseqüência de apresentar o maior número de plantas e de folhas, apresenta o
maior índice de área foliar tabela 3.
Silva (2007) em estudo conduzido no CECA/UFAL, com avaliações realizadas a
intervalos médios de 30 dias, observou que o índice médio de área foliar e densidade
populacional variedade RB92579 foi, estatisticamente, sempre maior que a RB867515. No
período de 130 a 370 dias após o plantio da cana, o valor médio do índice de área foliar da
RB867515 e RB92579 foi, respectivamente de 2,3 e 3,0, enquanto para a densidade
populacional observaram-se médias de 10 e 14 plantas/m2. Na fase de crescimento máximo o
índice de área foliar da RB92579 alcançou valores próximos a 5,0, enquanto para a
RB867515 o índice de área foliar foi de aproximadamente 4,0, concordantes, portanto com os
valores obtidos no presente estudo.
19
TABELA 3- Médias de comprimento das folhas (CF), largura das folhas (LF), numero de plantas (NP),
número de folhas (NF) e índice de área foliar (IAF) de quatro variedades de cana-de-açúcar.
CF
LF
NP
NF
IAF
VAT90212
167.80b
4,82a
8,40a
72,40a
4,52a
SP813250
159,44b
4,50a
9,00a
77,40a
4,27a
RB867515
164,70b
4,72a
7,60a
70,80a
4,24a
RB92579
149,74a
4,82a
10,40b
92,60b
5,08b
VARIEDADE
1
Médias seguidas de mesma letra não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Scott-Knott, a 5% de
probabilidade.
4.2 ESTADO NUTRICIONAL
Os resultados da análise de variância para teores de nitrogênio ,fósforo ,potássio ,
cálcio, magnésio, enxofre, zinco, ferro, manganês, cobre e boro no terço médio da folha +3,
e os testes de médias de quatro variedades de cana encontram-se nas tabelas 4 e 5.
Foi observado efeito varietal para a concentração de nitrogênio, fósforo, potássio,
cálcio, magnésio, enxofre e zinco no terço médio da folha +3, utilizada na avaliação do estado
nutricional das plantas.
Comparando-se os teores de nutrientes das folhas +3 das variedades, com os relatados
por Malavolta et al. (1989), Raij et al. (1996) e Orlando Filho (1983), constantes na tabela 1,
constata-se que todas as variedades estavam deficientes em nitrogênio e cobre. Para o fósforo,
apenas a RB867515 e a RB92579 apresentaram teores médios inferiores a 1,5 g kg-1, limite
inferior da concentração adequada. Em relação ao enxofre, a RB92579 e VAT90212 estavam
deficientes, mas por outro lado somente a VAT90212 apresentou-se com teor médio adequado
de Mn, Houve deficiência generalizada de cobre, reforçando resultados obtidos em estudos
conduzidos no Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas (CECAUFAL) por Aristides et al. (2009). Em pesquisas recentes conduzidas por Oliveira et al.
(2011) em diversas lavouras de cana de açúcar do Estado de Alagoas e do vale do Mucuri, no
nordeste de Minas Gerais, também observou-se que os teores foliares de cobre e manganês
estavam em concentração inferior ao valor mínimo citados por Malavolta et al. (1989) e
Oliveira et al. (2007).
20
TABELA 4- Quadrados médios da análise de variância para os teores de macro e micronutrientes na folha +3 das variedades de cana-de-açúcar VAT90212,
RB92579, RB867515 e SP813250.
Fonte de
variação
Variedade
Média Geral
C. V (%)
N
P
K
Ca
Mg
S
Zn
Fe
Mn
Cu
B
------------------------------------------------------------Quadrados médios ------------------------------------------------------------------------3, 36**
0.21**
1.97*
1.00*
1.62**
0.13*
11.53*
3499.51ns
56.18ns
0,20ns
1.01ns
----------------------------------g kg-1---------------------------------------------------------------mg kg-1----------------------------14,005
1.615
8.840
3,625
3,245
1,38
14,30
59,75
23.350
2,10
6,97
5,35
10,14
8,62
10,62
10,30
15,36
11,22
96,55
18,63
28,83
9,63
1
ns,** e *: não significativo e, significativo a; 1; 5%, respectivamente, pelo teste F.
TABELA 5 – Médias dos teores de macro e micronutrientes na folha +3 das variedades de cana-de-açúcar VAT90212, RB92579, RB867515 e SP813250.
Variedade
VAT90212
N
P
K
Ca
Mg
S
-1
------------------------------------g kg -----------------------------------13,24a
1,68b
9,76b
3,52b
1,24ª
3,08a
Zn
Fe
Mn
Cu
B
-1
------------------------- mg kg --------------------------15,2b
45,4a
28,0a
7,10a
2,20a
RB813250
13,70a
1,88b
8,40a
3,94b
3,42b
1,50b
12,4a
99,4a
22,8a
2,20a
7,10a
RB867515
13,92b
1,44a
8,72a
3,44a
3,64b
1,54b
15,8b
48,0a
22,6a
2,20a
6,32a
RB92579
15,16b
1,46a
8,48a
4,04b
2,40a
1,24ª
13,8a
46,2a
20,0a
1,80a
7,36a
Médias seguidas de mesma letra não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Scott-Knott, a 5% de probabilidade.
21
4.3 ACÚMULO DE NUTRIENTES
Os resultados da análise de variância para o acúmulo de nutrientes na biomassa das
variedades VAT90212, RB92579, RB867515 e SP813250 e testes de médias para acúmulo de
nutrientes na biomassa da cana encontram-se na tabela 6 e 7, respectivamente. Não foi
constatado efeito de variedades sobre o acúmulo de nutrientes na biomassa da parte aérea das
variedades de cana.
TABELA 6- Quadrados médios da análise de variância para acúmulo de macro e micronutrientes na
biomassa da parte aérea das variedades de cana-de-açúcar VAT90212, RB92579, RB867515 e
SP813250.
N
P
K
Ca
Mg
S
Zn
Fe
Mn
Cu
B
Fonte de
variação
-------------------------------------------------------------------------Quadrados médios -------------------------------------------------------------
Variedade
185,22ns
52,01ns
1735,13ns
120,78ns
79,14ns
200,40ns
---------------------------kg/ha-----------------------------
Média geral
4803,83ns
374167.01ns
36456.71ns
53,27ns
4322,17ns
------------------------------------g/ha-----------------------
Média Geral
182,10
27,75
219,83
66,62
60,26
59,49
345,39
4204,59
578,83
74,63
349,31
C. V (%)
14,87
21,15
10,81
10,62
22,83
15,36
31,72
19,91
18,63
18,85
30,41
1
ns,** e *: não significativo e, significativo a; 1; 5%, respectivamente, pelo teste F.
Tabela 7 - Médias de acúmulo de nutrientes de quatro variedades de cana-de-açúcar.
Variedade
VAT90212
N
P
K
Ca
Mg
S
-------------------------kg ha-1----------------------176
29
221
65
57
51
Zn
Fe
Mn
Cu
B
------------------------ g ha-1-----------------------313
4.395
639
75
341
SP813250
177
26
216
71
59
64
335
4.438
634
78
345
RB867515
190
31
243
69
66
64
387
4.138
585,42
73
389
RB92579
183
24
198
60
57
58
345
3.845
456
71
319
Para uma produção de cerca de 100 t de colmos industrializáveis, o acúmulo de
nutrientes na parte aérea da planta é da ordem de 150, 40, 180, 90, 50 e 40 kg de N, P, K, Ca,
Mg e enxofre, respectivamente. No caso dos micronutrientes ferro, manganês, zinco, cobre e
boro, os acúmulos na biomassa da parte aérea, também para uma produção de 120 t, são por
volta de 8,0; 3,0; 0,6; 0,4; e 0,3 kg, respectivamente (OLIVEIRA et al, 2002; ORLANDO
FILHO, 1993 ).
22
4.4 QUALIDADE DO CALDO.
Os resultados da análise de variância para produção de colmos industrializáveis (TCH)
e sacarose por hectare (TPH), massa do total de açúcares recuperáveis por tonelada de colmos
industrializáveis (TAR), fibra, pureza do caldo (Pureza), percentual de sacarose nos colmos
(Sac. Colm.) e teores de fenóis (Fenóis) e de fósforo inorgânico (Pi) no caldo das variedades
RB867515, RB92579, SP813250 e VAT90212, estão citados nas tabelas 8 e 9.
Essa produção pode ser considerada de média a alta para o Estado de Alagoas, onde a
fase de máximo crescimento máximo da cana de açúcar ocorre em dias curtos e, portanto sob
baixa luminosidade, diferentemente do Centro-Sul do Brasil, onde o aumento da
luminosidade coincide com a maior disponibilidade hídrica (OLIVEIRA et al., 2011). A não
coincidência da máxima disponibilidade hídrica com a luminosa influencia negativamente
menor produtividade da cana em Alagoas, quando comparada ao Centro-Sul (OLIVEIRA et
al., 2007). Em trabalhos conduzidos em Viçosa-MG, em solos com baixo teor de P e média
saturação por bases, Silveira et al. (2002) avaliaram o crescimento e a produção de sacarose
por seis variedades de cana e verificaram que a RB867515 destacou-se pelo acúmulo de
matéria seca e açúcares recuperáveis, com médias de 56 e 16,6 toneladas por hectare,
respectivamente.
As concentrações de sólidos solúveis, sacarose aparente no caldo, pureza e açúcares
recuperáveis (ATR) situaram-se próximas as citadas por Fernandes (2000); Barbosa et al.
(2002), Oliveira et al (2011) observadas em canaviais bem conduzidos e com alto rendimento
industrial, podendo-se, portanto, inferir que as variedades estavam madura e o caldo tinha
bons teores de açúcares. Em relação aos teores de fenóis e fósforo no caldo foi constatado
efeito varietal: a variedade VAT90212. descatou-se positivamente pelo maior teor de fósforo
e menor de fenóis. Contudo, o teor de fósforo inorgânico de todas as variedades, inferior a 90
mg dm-3 (Tabela 9), é considerado baixo, uma vez que segundo César et al. (1987) para que
ocorra boa clarificação, o teor de fósforo inorgânico deve ser superior a 100 mg por litro de
caldo.
Os teores de fenóis no caldo das quatro variedades de cana foram, a exceção da
VAT90212, superiores a 750 mg L-1,
próximos aos observados em estudos anteriores
conduzidos por este grupo de pesquisa em diversas lavouras de cana de açúcar do Estado de
Alagoas e do vale do Mucuri, no nordeste de Minas Gerais (OLIVEIRA et al., 2011), porém
cerca do dobro dos relatados para a cana do centro-sul do Brasil (SIMIONI et al., 2006) e na
Malásia (QUDSIEH et al., 2002). A deficiência de cobre e de manganês, constatada pelo
23
estado nutricional das plantas (Tabela 5), além de comprometer o potencial produtivo das
variedades, possivelmente causou alterações metabólicas na qualidade do caldo, pois esses
nutrientes são constituintes das metaloenzimas polifenol oxidase e amilase (MALAVOLTA et
al., 1989) e, portanto, sob atuação deficiente destas enzimas há acúmulo de compostos
fenólicos e de amido (ROBSON et al, 1981;OLIVEIRA et al., 2007). Os compostos fenólicos,
o amido e as clorofilas são substâncias que influenciam negativamente na cor do caldo e
conseqüentemente na do açúcar, diminuindo a qualidade e a aceitabilidade do produto
(QUDSIEH et al., 2002; SIMIONI et al., 2006, OLIVEIRA et al., 2011).
TABELA 8. Análise de variância para produção de colmos industrializáveis (TCH) e de sacarose por
hectare (TPH), massa do total de açúcares recuperáveis por tonelada de colmos industrializáveis
(TAR), fibra, pureza do caldo (Pureza), percentual de sacarose nos colmos (Sac. Colm.) e teores de
fenóis (Fenóis) e de fósforo inorgânico (Pi) no caldo das variedades RB867515, RB92579, SP813250 e
VAT90212.
Fonte de
variação
Variedade
Média geral
TCH
TPH
TAR
Fibra
Pureza
Sac.
Colm.
Fenóis
Pi
176,58 ns
3,07 ns
21,70 ns
0,167 ns
0,596 ns
0,247 ns
33.132**
2.533**
t ha-1
t ha-1
kg t-1
------------------% ------------------
126,7
14,17
145,6
12,76
85,74
14,84
11,26
14,17
5,84
4,15
2,43
5,95
C.V. (%)
ns; ***; ** e *: não significativo e, significativo a 0,1; 1; 5%, respectivamente, pelo teste F.
---------mg L-1-----799
57,6
6,75
30,38
TABELA: 9 Teores médios de fósforo inorgânico e fenóis no caldo das variedades RB867515,
RB92579, SP813250 e VAT90212.
Variedade
Fósforo inorgânico
Fenóis
-----------------------mg L-1 ---------------------
1
RB867515
35 a
791 b
RB92579
52 a
887 c
SP813250
54 a
826 b
VAT 90212
89 b
692 a
Médias seguidas de mesma letra não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Scott-Knott, a 5% de
probabilidades.
24
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados obtidos no presente estudo permitem concluir que as variedades
RB867515, RB92579, SP813250 e VAT90212 são de alto potencial produtivo, mas
apresentam diferenças quanto a área foliar, estado nutricional e qualidade do caldo. A maior
área foliar foi observada na RB92579, com valor médio de 5,08, significativamente maior que
os das demais variedades. Em relação ao estado nutricional embora houvesse diferença
varietal quanto aos teores foliares de nutrientes, nenhuma variedade apresentou
generalizadamente maior concentração foliar para todos os nutrientes, contudo, todas as
variedades apresentaram teores foliares deficientes em nitrogênio e cobre. Em relação aos
teores de fenóis e Pi no caldo houve destaque para a VAT90212 que apresentou os maiores
teores de Pi e os menores de fenóis: 89 e 692 mg L-1 de caldo. Para a RB867515, RB92579 e
SP813250, os teores de Pi e fenóis, foram respectivamente de 35 e 791, 52 e 887 e, 54 e 826
mg L-1 de caldo. O estudo está em andamento e novas avaliações serão realizadas, visando
avaliar a área foliar, o estado nutricional, acúmulo de nutrientes, produção e qualidade do
caldo nas rebrotas.
25
6 . REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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