Paulo R A Clemente

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                    Universidade Federal de Alagoas - UFAL
Centro de Ciências Agrárias - CECA
Curso de Graduação em Agronomia

PAULO RICARDO APRÍGIO CLEMENTE

CRESCIMENTO E ACÚMULO DE NUTRIENTES PELA CROTALARIA
JUNCEA EM FUNÇÃO DA ÉPOCA DE SEMEADURA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
à Coordenação do curso de Agronomia do
Centro do Ciências Agrárias - CECA, da
Universidade Federal de Alagoas – UFAL como
requisito para obtenção do título de Engenheiro
Agrônomo.

RIO LARGO - AL, 2012

ii

PAULO RICARDO APRÍGIO CLEMENTE

CRESCIMENTO E ACÚMULO DE NUTRIENTES PELA CROTALARIA
JUNCEA EM FUNÇÃO DA ÉPOCA DE SEMEADURA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
à Coordenação do curso de Agronomia do
Centro do Ciências Agrárias - CECA, da
Universidade Federal de Alagoas – UFAL como
requisito para obtenção do título de Engenheiro
Agrônomo.

Orientador: Prof. Dr. Mauro Wagner de Oliveira

RIO LARGO - AL, 2012

iii

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
COORDENAÇÃO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

ATA DE REUNIÃO DE BANCA EXAMINADORA DE DEFESA DE
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
Aos 02 (dois) dias do mês de Fevereiro do ano de 2012, às 09h (nove) horas, sob a
Presidência do Professor Mauro Wagner de Oliveira, em sessão pública na sala 3 do
Programa de Pós-Graduação do Centro de Ciências Agrárias, km 85 da BR 104 Norte,
Rio Largo-AL, reuniu-se a Banca Examinadora de defesa do Trabalho de Conclusão de
Curso (TCC) intitulado “CRESCIMENTO E ACÚMULO DE NUTRIENTES PELA
CROTALARIA JUNCEA EM FUNÇÃO DA ÉPOCA DE SEMEADURA” do aluno
Paulo Ricardo Aprígio Clemente, sob matrícula 2008g0241 requisito obrigatório para
conclusão do Curso de Agronomia, assim constituída: Prof. Dr. Mauro Wagner de
Oliveira, CECA/UFAL (Orientador); Prof. MSc. Jakes Halan de Queiroz Costa,
CECA/UFAL e Prof. MSc. Cícero Alexandre Silva, CECA/UFAL. Iniciados os
trabalhos, foi dado a cada examinador um período máximo de 30 (trinta) minutos para a
argüição ao candidato. Terminada a defesa do trabalho, procedeu-se o julgamento final,
cujo resultado foi o seguinte, observada a ordem de argüição: Prof. MSc. Cícero
Alexandre Silva, nota 9,5 (Nove e meio), Prof. MSc. Jakes Halan de Queiroz Costa,
nota 9,5 (Nove e meio) e Prof. Dr. Mauro Wagner de Oliveira, nota 9,5 (Nove e meio)
Apuradas as notas, o candidato foi considerado APROVADO, com média geral 9,5
(Nove e meio). Na oportunidade o candidato foi notificado do prazo de máximo de 30
(trinta) dias, a partir desta data, para entregar a Coordenação do Trabalho de Conclusão
de Curso, devidamente protocolada, da versão definitiva do trabalho defendido, em 4
(quatro) vias, impressas e encadernadas e uma cópia digitalizada em CD com as
correções sugeridas pela Banca, sem o que está avaliação se tornará sem efeito,
passando o aluno a ser considerado reprovado. Nada mais havendo a tratar, os trabalhos
foram encerrados para a lavratura da presente ATA, que depois de lida e achada
conforme, vai assinada por todos os membros da Banca Examinadora, pela
coordenadora do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e pela coordenadora do Curso
de Agronomia, do Centro de Ciências Agrárias, da Universidade Federal de Alagoas.
Rio Largo/AL, 02 de Fevereiro de 2012.
1º Examinador

_________________________________________________________
Prof. Dr. Mauro Wagner de Oliveira (Orientador)

2º Examinador

_________________________________________________________
Prof. MSc. Jakes Halan de Queiroz Costa

3º Examinador

_________________________________________________________
Prof. MSc. Cícero Alexandre Silva
Coordenador do TCC _________________________________________________________
Profa. Dra. Roseane Cristina Prédes Trindade

Coordenador do Curso de Agronomia ____________________________________________
Profa. Dra. Leila de Paula Rezende

iv

Primeiramente a Deus, pai de
infinita bondade.
Aos meus pais José Paulo Clemente
e Irani Aprígio Clemente.
Ao meu irmão Pablo Irvyng Aprígio
Clemente.
DEDICO

v

A todos os meus familiares, em
especial à minha mãe.
A minha namorada, Sacha Natália
pelo incentivo.
À todos os amigos e docentes, que
ajudaram nesta árdua caminhada.
OFEREÇO

vi

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente à Deus, pela vida, por estar sempre no meu
caminho, iluminando e guiando às escolhas certas.
Aos meus pais: José Paulo Clemente e Irani Aprígio Clemente, que foram
à base de tudo pra mim, apoiando-me nos momentos difíceis com força,
confiança, amor, ensinando-me a persistir nos meus objetivos e ajudando
a alcançá-los.
Ao meu irmão Pablo Irvyng Aprígio Clemente, agradeço pela
companhia, carinho e momentos de descontração vividos a cada dia, que
nos ajudaram a superar as diferenças.
À toda minha família em especial minhas avós Iracy Aprígio e Marinete
Clemente e aos meus padrinhos Gerenaldo Sabino e Dagilza dos Santos.
Àos meus amigos e colegas de graduação em especial à: Vinicius Santos
Gomes da Silva, Yolanda de Melo de Oliveira, Rivan Júnior Estrela
Pinto e Luiz Eduardo Rocha e Silva.
Ao meu orientador, professor e amigo Dr. Mauro Wagner de Oliveira,
agradeço os ensinamentos, as cobranças, exigências, dinamismo,
confiança e por acreditar em meu potencial.
Aos professores José Paulo Vieira da Costa, Jakes Halan Queiroz Costa e
Cícero Alexandre Silva que contribuíram bastante para minha formação
profissional.
Enfim a todos que contribuíram de forma direta ou indireta para o
sucesso deste trabalho.

Muito obrigado.

vii

LISTA DE TABELAS

TABELA 01

Quadrados médios da análise de variância para os efeitos de épocas 23
de semeaduras (Ep. Sem.), dias após as semeaduras (DAS) e,
interação de épocas de semeadura com dias após a semeadura (Ep.
Sem. x DAS) sobre o índice de área foliar da crotalaria juncea
semeada em quatro épocas.

TABELA 02

Valores médios do índice de área foliar das quatro épocas de 24
semeaduras.

TABELA 03

Valores médios do índice de área foliar das avaliações realizadas aos 25
24, 48, 72 e 96 dias após a semeadura, para as quatro épocas de
semeaduras.

TABELA 04

Quadrados médios da análise de variância para os efeitos de épocas 29
de semeaduras (Ep. Sem.) sobre a altura de plantas, acúmulo de
matéria seca (Ac. MS), acúmulo de nitrogênio (Ac. N), acúmulo de
fósforo (Ac. P) e acúmulo de potássio (Ac. K) na biomassa da parte
aérea da crotalaria juncea.

TABELA 05

Valores médios da altura de planta e acúmulo de matéria seca, por 29
ocasião da colheita das plantas, em função da época de semeadura.

viii

SUMÁRIO

Pág

RESUMO....................................................................................................

9

1. INTRODUÇÃO........................................................................................

11

2. REVISÃO DE LITERATURA ................................................................

13

2.1. ADUBAÇÃO VERDE E ORGÂNICA.................................................

14

2.2. CARACTERÍSTICAS DA CROTALARIA JUNCEA...........................

15

2.3. CRESCIMENTO, ACÚMULO DE NUTRIENTES E ALELOPATIA...

16

3. MATERIAL E MÉTODOS.......................................................................

21

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO .............................................................

23

4.1. ÍNDICE DE ÁREA FOLIAR .............................................................

23

4.2. CRESCIMENTO E ACÚMULO DE NUTRIENTES..........................

28

4.3. ALTURA DA PLANTA E ACÚMULO DE MATÉRIA SECA..............

29

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................

34

6. REFERÊNCIAS BIBIOGRÁFICAS ........................................................

35

ix

RESUMO
CLEMENTE, P. R. A. Crescimento e acúmulo de nutrientes pela crotalaria
juncea em função da época de semeadura. Rio Largo: CECA – UFAL, 2011.
(TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO).
As condições climáticas, especialmente o comprimento da noite, têm
grande influência na fisiologia e desenvolvimento das leguminosas usadas
como adubo verde, uma vez que sob noites longas crescentes as plantas são
induzidas ao florescimento, interrompendo ou diminuindo seu crescimento
vegetativo. Nesse contexto o presente trabalho teve o objetivo de estudar o
crescimento e acúmulo de nutrientes na crotalaria juncea semeada em quatro
épocas, visando determinar o período de semeadura que propicia os maiores
acúmulos de matéria seca e de nutrientes. As semeaduras da crotalaria foram
realizadas em 02 de outubro, 16 de outubro, 02 de novembro, 17 de novembro.
O estudo foi conduzido no Centro de Ciências Agrárias da Universidade
Federal de Alagoas (CECA/UFAL), localizado no município de Rio Largo,
Alagoas. O delineamento experimental foi o de blocos casualizados, com
quatro repetições. Antecedendo a implantação do estudo aplicou-se composto
orgânico na área experimental, em quantidade equivalente a dez toneladas de
matéria seca por hectare. No transcorrer do ciclo da cultura não houve
necessidade de controlar pragas ou doenças. Realizaram-se avaliações do
índice de área foliar (IAF), da altura das plantas e do acúmulo de matéria seca
e de nitrogênio, fósforo e potássio na biomassa da parte aérea. As avaliações
do IAF foram realizadas aos 24, 48, 72 e 96 dias após a semeadura (DAS).
Para cada época de semeadura, na fase de grãos em formação mediu-se a
altura das plantas, cortando-as, a seguir, rente ao solo e determinou-se
posteriormente o acúmulo de matéria seca e de nitrogênio, fósforo e potássio
na biomassa da parte aérea. Os resultados do IAF, altura de plantas e acúmulo
de nutrientes foram submetidos a análise de variância e as médias comparadas
pelo teste de Scott- Knott a 5% de probabilidade. Houve efeito significativo da
época de semeadura sobre o IAF, altura de plantas e acúmulo de matéria seca
na biomassa da parte aérea, por outro lado, o acúmulo de N, P e K não foi
influenciado pela época de semeadura. O IAF das plantas originárias das
semeaduras realizadas em 02 de outubro, 16 de outubro e 02 de novembro
foram estatisticamente semelhantes, obtendo-se valor médio para o período de

x

24 a 96 DAS, de 4,9. O IAF das plantas da quarta época de semeadura foi de
4,1, havendo, portanto redução de cerca de 20% em relação às demais
épocas. Considerando o valor médio do IAF de cada uma das quatro
avaliações, verificou-se que houve efeito significativo de época apenas nas
avaliações realizadas aos 72 e 96 dias. As plantas de crotalaria juncea
originárias da quarta época de semeadura apresentaram comparativamente às
outras três épocas, reduções de 16 e 22%, para as avaliações realizadas aos
72 e 96 dias. Como consequência da redução da área foliar na fase de
crescimento das plantas e também de alterações na fisiologia da crotalaria,
principalmente da indução ao florescimento, o atraso na semeadura repercutiu
em menor altura de planta e acúmulo de matéria. Entretanto, não houve efeito
de no acúmulo de N, P e K na biomassa da parte aérea, possivelmente devido
à adubação com composto e a alta fertilidade do solo da área experimental. A
altura média de planta e o acúmulo médio de matéria seca na biomassa da
parte

aérea

para

as

três

primeiras

épocas

de

semeadura

foram,

respectivamente de 287 cm e 13, 5 t/ha, enquanto a média da quarta época foi
de 255 cm e de 10,7 t/ha. O acúmulo médio de N, P e K biomassa da parte
aérea foi respectivamente de 265, 25 e 256 kg/ha. As semeaduras realizadas
no início de outubro a início de novembro proporcionaram os maiores índices
de área foliar, crescimento da planta e acúmulo de matéria seca.
Palavras-chave: adubação verde, acúmulo de matéria seca, acúmulo de
nutrientes.

11

1. INTRODUÇÃO
A adubação verde é uma prática cultural que melhora as propriedades
física, químicas e biológicas do solo, resultando em aumento de produtividade
da cultura subsequente. Na cultura da cana-de-açúcar adota-se a prática da
adubação verde, sobretudo com leguminosas, por ocasião da reforma do
canavial, após o quinto ou sexto corte e antes do plantio da cana de ano e
meio. A crotalaria juncea é uma das plantas mais usadas como adubo verde
em áreas de reforma de canavial, principalmente devido ao seu rápido
crescimento e grande acúmulo de matéria seca e nitrogênio (AMABILE et al.,
2000, DUARTE JÚNIOR & COELHO, 2008; OLIVEIRA et al., 2007) .
A quantidade de biomassa acumulada pela crotalaria juncea é
dependente de vários fatores, mas de um modo geral os que mais interferem
são as condições climáticas como nictoperíodo (comprimento da noite),
disponibilidade hídrica, radiação solar, temperaturas diurnas e noturnas; época
de semeadura (inverno, primavera ou verão), práticas culturais e fertilidade do
solo. Em Alagoas estudos conduzidos por Aristides et al. (2009) no Centro de
Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas (CECA-UFAL), com a
semeadura dos adubos verdes realizada em maio, portanto sob noites longas
crescentes, constatou-se florescimento precoce dos adubos, reduzindo muito o
acúmulo de matéria seca na biomassa da parte aérea, especialmente o da
crotalaria juncea.
Há relatos de vários pesquisadores (RODRIGUES 1994; PERIN et al.,
2004; AMABILE et al., 2000, WUTKE & ARÉVALO, 2006; OLIVEIRA et al.,
2007; DUARTE JÚNIOR & COELHO, 2008) que a capacidade de acúmulo de
matéria pela crotalaria

varia de 12 a 18 t de matéria seca por hectare,

enquanto o nitrogênio acumulado na parte aérea da planta alcança 300 kg/ha
ou mais, sendo que cerca de 60 a 70% desse nitrogênio é originário da fixação
biológica do N2 atmosférico (PERIN et al., 2004; OLIVEIRA et al., 2007). Por
esses motivos, o cultivo desta leguminosa em áreas de reforma de canavial
permite elevar a eficiência do uso de insumos, da terra e da mão-de-obra, além
contribuir para aumentar a sustentabilidade do sistema e a produtividade da
lavoura (VITTI & MAZZA, 2002; WUTKE & ARÉVALO, 2006; OLIVEIRA et al.,
2007; DUARTE JÚNIOR & COELHO, 2008).

12

Não foram encontrados na literatura consultada trabalhos que
avaliassem na região nordeste do Brasil o crescimento e o acúmulo de matéria
seca e nutrientes pela crotalaria juncea semeada na primavera. Assim, no
presente estudo, conduzido no CECA/UFAL, avaliou-se o crescimento e
acúmulo de nutrientes pela crotalaria juncea semeada nos meses de outubro e
novembro, com o objetivo de comparar os resultados obtidos com os do centrosul do Brasil, onde essa leguminosa é muito utilizada na adubação verde em
áreas de reforma de canavial.
Pretende-se com esse estudo estimular trabalhos de seleção e
melhoramento de plantas de crotalaria juncea com período juvenil mais longo,
menos sensíveis ao comprimento da noite e portanto de maior potencial
produtivo, quando semeada no inverno.

13

2. REVISÃO DE LITERATURA
Na atualidade, há grande preocupação com o meio ambiente,
especialmente com a conservação dos recursos naturais, com a ciclagem de
nutrientes e com a sustentabilidade dos sistemas agrícolas. Nesse contexto,
têm-se utilizado a adubação verde com leguminosas como plantas recobridoras
do solo, recicladoras de nutrientes e fixadoras de nitrogênio do ar atmosférico
(CÁRCERES & ALCARDE, 1995; FERNANDES et al., 1999; AMABILE et al.,
2000; FAVERO et al., 2001). O crescimento destas plantas depende de fatores
edafoclimáticos e, dentre os fatores climáticos, o comprimento da noite exerce
grande influência, pois quando a semeadura ocorre sob noites longas
crescentes há redução na fase vegetativa, conseqüentemente ocorre menor
acúmulo de minerais e de proteína e carboidratos solúveis (AMABILE et al.,
2000; OLIVEIRA et al, 2007).
No centro-sul do Brasil o período de semeadura das leguminosas,
especialmente nas áreas de reforma do canavial, ocorre sob noites longas
decrescentes e, nestas condições têm-se observado grande acúmulo de
matéria seca e de nutrientes na biomassa da parte aérea das leguminosas
(VITTI & MAZZA, 2002; MENDES et al, 2003, OLIVEIRA et al, 2010). Em
Alagoas e Pernambuco, a semeadura dessas leguminosas ocorre no início do
período chuvoso: abril – início de maio, sob noites longas crescentes e,
portanto, o potencial produtivo dessas plantas é menor que o verificado no
centro-sul (ARISTIDES et al., 2009; WUTKE & ARÉVALO, 2006; DUARTE
JÚNIOR & COELHO, 2008).
A adubação verde com crotalaria juncea é sem dúvida uma das
tecnologias de grande potencial para aumentar a eficiência de insumos, da
terra e da mão de obra na cultura da cana-de-açúcar, à semelhança do
verificado em outras regiões produtoras de cana no Brasil (DEMATTÊ, 2005;
WUTKE & ARÉVALO, 2006; OLIVEIRA et al., 2010), uma vez que o manejo
inadequado das terras agrícolas associado às práticas de queima de restos
culturais, aração e gradagem, tem contribuído para degradar o terreno,
especialmente por reduzir seu teor de matéria orgânica. A matéria orgânica do
solo, originária em sua maior parte da vegetação e de seus resíduos, exerce
ação protetora contra a desagregação e também melhora as propriedades
física, químicas e biológicas do terreno. Há diversas formas de se manter ou

14

elevar o teor de matéria orgânica do solo, porém o uso de adubos verdes tem
sido uma das mais utilizadas; tanto em pequenas, quanto em médias e grandes
propriedades (OLIVEIRA et al., 2007; AMABILE et al., 2000).

2.1 ADUBAÇÃO VERDE E ORGÂNICA
Adubação verde é o cultivo de plantas com o propósito de incorporá-las
ao solo, visando aumentar o teor de matéria orgânica do solo e manter ou, até
mesmo, elevar sua fertilidade. Dentre as principais características desejáveis
de uma planta a ser utilizada como adubo verde podem-se destacar:
possibilidade de mecanização desde a semeadura até a colheita de sementes;
capacidade de se associar às bactérias fixadoras do nitrogênio do ar
atmosférico; crescimento rápido para controlar plantas daninhas; possuir
mecanismos, ou sintetizar compostos, que auxiliem no controle de pragas
como, por exemplo, nematóides e doenças; ausência de sementes dormentes;
sistema radicular vigoroso e profundo que auxilie na reciclagem de nutrientes
das camadas mais profundas e na descompactação dos solos, pois o uso
intensivo do solo com práticas convencionais, como a excessiva mecanização,
tem reduzido a matéria orgânica e causado compactação desses solos
(AMABILE et al., 2000; WUTKE & ARÉVALO, 2006; ARISTIDES et al., 2009).
Diversas leguminosas possuem estas características, mas de modo geral há
preferência pela crotalaria juncea na região Centro-Sul do Brasil e, pela
Crotalaria

spectabilis

em

Alagoas

e

Pernambuco

(DEMATTÊ,

2005;

ARISTIDES et al, 2009; OLIVEIRA et al, 2010).
Outro aspecto a ser considerado é o fornecimento de substrato orgânico
e mineral para os microorganismos do solo, assim, a adubação verde também
contribui para a melhoria da qualidade biológica do terreno (DUARTE JÚNIOR
& COELHO, 2008; OLIVEIRA et al., 2007), OLIVEIRA et al., 2011)
A adubação verde pode ser implantada tanto em áreas em que se faz o
preparo do solo para incorporar restos culturais, calcários, fosfatos ou outros
pós de rocha, como em áreas cobertas por palhadas ou restos culturais que
devem ter sido roçados ou picados. Para a adubação verde em áreas de
reforma de canavial, normalmente, é dada preferência ás leguminosas
sobretudo por causa de sua capacidade de fixação do nitrogênio do ar,
entretanto, outras espécies são também utilizadas como adubos verdes ou

15

como plantas de cobertura (WUTKE & ARÉVALO, 2006; AMBROSANO et al.,
2005). Alvarenga et al. (2001) e Oliveira et al. (2007) citam que na escolha de
plantas de adubação verde e cobertura de solo é imprescindível conhecer sua
adaptação à região e sua capacidade de crescer num ambiente menos
favorável, devendo-se considerar a produtividade de fitomassa, disponibilidade
de sementes, rusticidade quanto a déficit hídrico e potencial dessas plantas
para controle de pragas e doenças e, se possível o efeito sobre a cultura
subsequente, especialmente a produtividade.

2.2 CARACTERÍSTICAS DA CROTALARIA JUNCEA
A crotalaria juncea é uma planta anual, ereta, de porte arbustivo e que
diminui a formação de folhas quando começa a florescer. É preciso atenção no
seu cultivo em solos que nunca foram corrigidos, pois é muito sensível ao
alumínio, presente em quase todos os solos brasileiros (AMBROSANO et al.,
2005, OLIVEIRA et al, 2007). A deficiência de cátions básicos, associada aos
altos teores de alumínio, ferro e manganês, é prejudicial ao crescimento do
sistema radicular e, consequentemente, de toda a planta. Especialmente em
relação ao alumínio há muitas observações experimentais indicando que a
maior parte da ação fitotóxica desse elemento ocorre no sistema radicular,
causando redução no elongamento radicular (OLIVEIRA et al., 2007).
De forma geral, a grande maioria dos pesquisadores refere-se à toxidez
do Al, mas o Al(OH)2+ e o Al3+ são as formas fitotóxicas do alumínio, que
afetam a divisão celular; inibem o crescimento das raízes; causam a
precipitação do fósforo, tanto no solo como no interior das raízes; diminuem a
absorção de água e de nutrientes; afetam a fotossíntese e, por consequência, a
produtividade das culturas. Após a aplicação do calcário há elevação do pH do
solo e essa neutralização da acidez do solo forma Al(OH)3 e precipita o
alumínio (RAIJ et al, 1996; OLIVEIRA et al, 2007).
Assim, torna-se necessário realizar a análise de solos para se
determinar a necessidade de calagem e gessagem, visando neutralizar o
alumínio e fornecer cálcio e magnésio, inclusive para a cultura subsequente á
adubação verde. Antecedendo a implantação da crotalaria juncea recomendase coletar amostras de solo das camadas de 0 a 20 e de 20 a 40 cm de
profundidade. Os resultados da análise da camada de 0 a 20 cm serão

16

utilizados para recomendar a adubação e a calagem e os da camada de 20 a
40 cm, para os cálculos da necessidade de gessagem. Antecedendo a coleta
das amostras de solo, é necessário dividir a área em unidades homogêneas,
levando-se em consideração, dentre outros, o histórico da área, os tipos de
solo (cor, textura, profundidade), a localização e topografia (várzea, encosta,
platô), a cobertura vegetal e as adubações anteriores (RAIJ et al, 1996; VITTI &
MAZZA, 2002; OLIVEIRA et al, 2007) .
Para adubação verde e produção de sementes, recomenda-se utilizar
espaçamentos variando de 25 a 50 cm entre linhas, distribuindo-se 25 a 40
sementes por metro (WUTKE & ARÉVALO, 2006, OLIVEIRA et al, 2007).

2.3 CRESCIMENTO, ACÚMULO DE NUTRIENTES E ALELOPATIA
A crotalaria juncea apresenta alta taxa de crescimento e esse rápido
crescimento resulta em grande altura da planta. Oliveira et al. (2011) citam
taxas de crescimento em altura, da crotalaria juncea, variando de três a cinco
cm por dia, durante a fase máxima de crescimento da cultura, que ocorre entre
45 a 75 dias após a semeadura. A associação de alta taxa de crescimento com
elevada altura de planta, causa sombreamento do solo, com efeito sobre as
outras plantas, especialmente as daninhas. Essa característica da crotalaria a
torna uma planta passível de ser utilizada em método de controle cultural de
plantas daninhas (OLIVEIRA et al., 2007). Os métodos culturais são práticas
que visam tornar a cultura mais competitiva em relação às plantas daninhas e
englobam a redução de espaçamentos de plantio, cultivos intercalares ou
rotação com adubos verdes (OLIVEIRA et al., 2007; WUTKE & ARÉVALO,
2006).
Informações sobre o efeito da crotalaria juncea sobre as plantas
daninhas podem ser obtidas no estudo conduzido por Wutke e Arévalo (2006),
em área de renovação de canavial, em Piracicaba - SP, onde as principais
plantas espontâneas eram o capim colonião, a tiririca e a aneleira. O objetivo
do trabalho foi quantificar a redução da biomassa das plantas daninhas por
herbicidas e adubos verdes e, para tanto, houve parcelas em pousio
(testemunha), parcelas que receberam aplicação dos herbicidas Sulfentrazona
(Boral 500 SC em pré-emergência) e Halosulfurona (Sempra 750 GRDA +
Aterbane a 0,5%, ambos em pós-emergência) e parcelas nas quais foram

17

semeados os adubos verdes: crotalaria juncea, crotalaria spectabilis, feijão
guandu, feijão de porco, girassol, lab-labe e mucuna preta.
Aos 150 dias após a implantação do trabalho, e imediatamente antes da
implantação do canavial, avaliou-se o controle do mato quantificando-se a
redução de biomassa das plantas daninhas em cada parcela, em relação à
testemunha. Verificou-se que a crotalaria juncea e a mucuna preta reduziram a
biomassa das plantas daninhas em mais de 90% (Figura 1), revelando-se,
portanto, como excelente método de controle cultural.

A altura média da

crotalaria juncea foi de 2,95 m, com acúmulo de matéria seca de 12,8 t/ha,
enquanto nas parcelas testemunha, mesmo com a presença de capim
colonião, o acúmulo de biomassa foi de apenas 5,5 t de matéria seca por
hectare. Assim, a semeadura da crotalaria além de reduzir a infestação por
plantas daninhas aumentou a matéria orgânica a ser incorporada ao solo. A
planta também é considerada “má” hospedeira dos nematóides formadores de
galhas (Meloydogyne spp), sendo, portanto, interessante na rotação com
culturas que são sujeitas ao ataque desses nematóides, como forma de reduzir
sua infestação na área (AMABILE et al., 2000; OLIVEIRA et al, 2007; DUARTE

100
90
80
70
60
50
40
30
20
10

H
al

G
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0

Te
st
em
un
ha

% de biomassa de plantas daninhas

JÚNIOR & COELHO, 2008).

Figura 1 - Percentual de infestação por plantas daninhas, aos 150 dias de ciclo, em área de
renovação de canavial, mantidas em pousio (Testemunha), cultivadas com adubos ou
pulverizadas com herbicida (Halosulfurona e Sulfentrazona).
Fonte: Wutke & Arévalo (2006).

Efeito supressor da crotalaria juncea sobre as plantas daninhas é citado por
Oliveira et al. (2007), ao constatarem que a semeadura da crotalaria em área

18

densamente infestada com capim marmelada, reduziu a biomassa dessa
gramínea em 60% e, aumentou o aporte de matéria seca em 5,0 t/ha e o de
nitrogênio em 180 kg/ha. Estes resultados foram confirmados por Duarte Júnior
e Coelho (2008), pois verificaram que a crotalaria juncea destacou-se quanto à
taxa de cobertura do solo, tendo-se observado que aos 50 dias após a
emergência, as plantas recobriam 100% do solo, contribuindo para o controle
da erosão e das plantas daninhas.
Além do efeito físico de sombreamento, a crotalaria juncea libera
compostos orgânicos, originários do seu metabolismo secundário, designados
de compostos alelopáticos, que inibem a germinação das sementes das
plantas daninhas ou retardam seu desenvolvimento (WUTKE & ARÉVALO,
2006; OLIVEIRA et al., 2011). Observações de campo realizada por OLIVEIRA
et al (2011), mostrada na figura 2, comprovam esse efeito alelopático sobre as
plantas daninhas, constatado pela ausência de mato em entrelinha ensolarada.
A semeadura desta crotalaria foi realizada em uma área vizinha a uma
pastagem de Brachiaria, e, portanto o banco de sementes dessa área deveria
ser grande.

A

B

Figura 2 – Crotalaria juncea na fase inicial de crescimento (A) e seu efeito alelopático sobre as
plantas daninhas (B), constatado pela ausência de mato em entrelinha ensolarada.
Fonte: Oliveira et al. (2011)

A crotalaria juncea é muito sensível ao comprimento da noite
(nictoperíodo), florescendo precocemente sob noites longas crescentes e,
conseqüentemente, interrompendo o crescimento e diminuindo o acúmulo de
matéria seca e ciclagem de nutrientes, especialmente de nitrogênio (AMABILE,
2000, VITTI & MAZZA, 2002). Em estudo conduzido por Oliveira et al. (2010),

19

verificou-se para semeaduras realizadas nas três primeiras épocas, início de
outubro a início de novembro, o acúmulo de matéria seca e de nitrogênio na
biomassa da parte aérea da crotalaria juncea, bem como a altura da planta
foram estatisticamente semelhantes. Para as semeaduras realizadas em
meados de novembro, início e meados de dezembro verificaram-se reduções
percentuais médias no acúmulo de matéria seca, comparativamente ao início
de outubro, de cerca de 20, 35 e 40%. Em relação ao acúmulo de nitrogênio,
as reduções observadas foram da ordem de 20, 30 e 40%. Para a altura da
planta,

essas

reduções

situaram-se

em

torno

de

6,

13

e

24%,

comparativamente à altura das plantas da primeira época de semeadura.
Devido a sensibilidade da crotalaria juncea ao nictoperíodo atraso na
semeadura repercute em florescimento precoce. Em estudos conduzidos por
Oliveira et al. (2010, 2011) em diversas regiões produtoras de cana de Minas
Gerais foi observado que por volta de quarenta dias após a emergência, as
plantas estão aptas a receber o estímulo para a indução floral, assim para as
semeaduras realizadas a partir de meados de novembro, quando as plantas
tiverem cerca de quarenta dias pós-emergência, as noites estarão aumentando
de comprimento e ocorrerá florescimento precoce das plantas. A época do ano
mais favorável ao

cultivo

de

crotalaria

juncea

está

relacionada ao

aproveitamento mais adequado da água, temperatura e luz disponíveis, que
são fatores que interferem diretamente na produção maior ou menor de massa
verde e de sementes. Como esses fatores variam de região para região, as
melhores épocas de semeadura também variam (ALVARENGA et al.,2001).
Amabile et al. (2000) em estudo do comportamento de espécies de adubos
verdes em diferentes épocas de semeadura, observaram que o florescimento e
o crescimento da crotalaria juncea foram influenciados pela época de
semeadura, uma vez que comparando, por exemplo, a semeadura realizada
em 12 de novembro com a de 07 de janeiro, constaram-se decréscimos
superiores a 50% no acúmulo de matéria seca na biomassa da parte aérea.
Nos estudos conduzidos por Oliveira et al. (2010) o acúmulo de
nitrogênio na biomassa da parte aérea da crotalaria juncea variou em função
da época de semeadura. Para as semeaduras realizadas de início de outubro a
início de novembro, os acúmulos de nitrogênio na biomassa da parte aérea da
crotalaria oscilam em torno de 300 kg/ha, confirmando as observações de

20

Amabile et al. (2000), Alvarenga et al. (1995), Duarte Júnior e Coelho (2008) e,
Perin et al. (2004). Do total do nitrogênio acumulado na biomassa da parte
aérea da crotalaria, cerca de 60% a 70% originou-se das associações
simbióticas das raízes da leguminosa com as bactérias fixadoras de N 2 do ar
atmosférico, resultando em aporte de quantidades expressivas deste nutriente
ao sistema solo-planta (PERIN et al., 2004), contribuindo para maior
sustentabilidade da cultura subsequente. Para efeito comparativo, cita-se o
sulfato de amônio, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados: em 100 kg
desse fertilizante tem-se 20 kg de N, assim, para se obter 200 kg de N haveria
necessidade de utilizar-se 1.000 kg de sulfato de amônio.

21

3. MATERIAL E MÉTODOS
O estudo foi conduzido em área experimental do campus Delza Gitaí do
Centro de Ciências Agrárias (CECA), da Universidade Federal de Alagoas
(UFAL), em Latossolo Amarelo Coeso Distrófico, sendo o clima tropical
chuvoso, com verões secos. A área experimental havia recebido calagem e
gessagem a um ano e cultura antecessora foi soja no verão e pousio no
inverno.
Antecedendo a implantação do estudo foi aplicado composto orgânico
originário de resíduos da indústria sucroalcooleira, em dose equivalente a 10 t
de matéria seca por hectare. Previamente coletaram-se amostra desse
composto, que foi analisada quimicamente, seguindo-se métodos descritos por
Malavolta et al. (1989). O composto apresentou teores de 24, 22, 8, 27 e 8 g/kg
de matéria seca, respectivamente para N, P, K, Ca e Mg, sendo de 55% o teor
de matéria seca.
O estudo constou de quatro épocas de semeadura de crotalaria juncea:
02 de outubro, 16 de outubro, 02 de novembro, 17 de novembro. As sementes
de crotalaria juncea, cultivar IAC-KR1, foram cedidas pela Empresa Piraí. A
densidade de semeadura foi duas vezes maior que a recomendada pela
empresa (50 sementes/m de sulco), desbastando-se para 25 plantas por metro
de sulco aos sete dias após a emergência das plantas. Não foi realizada
inoculação das sementes com rhizobium. O delineamento experimental
utilizado foi o de blocos ao acaso, com quatro repetições. As parcelas foram
constituídas de seis sulcos de três metros de comprimento, espaçados de 0,50
metro. Adotou-se esse espaçamento com o objetivo de facilitar a irrigação,
realizada manualmente com regadores. O turno de rega foi de 2 a 3 dias,
aplicando-se volume de água que variou de 10 a 20 mm, conforme exigência
da cultura. No transcorrer do ciclo da cultura não houve necessidade de
controlar pragas ou doenças.
Realizaram-se avaliações do índice de área foliar (IAF), da altura das
plantas e do acúmulo de matéria seca e de nitrogênio, fósforo e potássio na
biomassa da parte aérea. As avaliações do IAF foram realizadas aos 24, 48,
72 e 96 dias após a semeadura (DAS), utilizando-se um integrador, modelo “LI3100 Area Metter” (LI-Cor)

22

Para cada época de semeadura, na fase de grãos em formação, mediuse a altura das plantas, cortando-as, a seguir, rente ao solo. Após a
determinação da matéria fresca, o material vegetal foi passado em picadeira de
forragem, subamostrado, seco a 65 °C em estufa de ventilação forçada e, após
atingirem massa constante, foi determinada a matéria seca. Para a
quantificação do acúmulo de nitrogênio, fósforo e potássio, as subamostras,
após secas, foram moídas em moinho inoxidável e submetidas à digestão
sulfúrica e nítrico-perclórica, seguindo métodos descritos por Malavolta et al.
(1989).
Os valores de IAF, altura da planta por ocasião da colheita, biomassa
seca e acúmulo de nitrogênio, fósforo e potássio foram submetidos à análise de
variância e as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott.

23

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 ÍNDICE DE ÁREA FOLIAR
Houve efeito altamente significativo das épocas de semeaduras, dos
dias após a semeadura e, da interação de épocas de semeadura com dias
após a semeadura sobre o índice de área foliar da crotalaria juncea semeada
em 02 de outubro, 16 de outubro, 02 de novembro e 17 de novembro (Tabela
1).

TABELA 1- Quadrados médios da análise de variância para os efeitos de
épocas de semeaduras (Ep. Sem.), dias após as semeaduras (DAS) e,
interação de épocas de semeadura com dias após a semeadura (Ep. Sem. x
DAS) sobre o índice de área foliar da crotalaria juncea semeada em quatro
épocas.

Fonte de variação

Quadrado médio

Ep. Sem.
DAS
Ep. Sem. x DAS

2,56***
183,97***
1,077**

C.V.(%)1

12,65

**, ***, significativo a 1 e 0,1%,
respectivamente pelo teste F. 1 Coeficiente
de variação

Na tabela 2 é mostrado o valor médio do IAF de cada uma das quatro
épocas de semeadura. Somente o IAF médio da semeadura realizada em 17
de novembro foi estatisticamente diferente das demais. Para a semeadura
realizada em 17 de novembro, cerca da metade do ciclo das plantas foi sob
noites crescente, induzindo a planta ao florescimento mais precoce.

24

TABELA 2- Valores médios do índice de área foliar para as quatro épocas de
semeaduras.

Época de Semeadura

IAF ( m2/m2)

17 de novembro
16 de outubro
02 de outubro

4,11 a
4,86 b
4,89 b

02 de novembro

4,96 b

Médias seguidas de mesma letra na
coluna não diferem estatisticamente entre
si, pelo teste de Scott-Knott a 5% de
probabilidade.

A crotalaria juncea é uma planta muito sensível ao nictoperíodo,
florescendo precocemente quando o comprimento das noites aumenta,
conforme observado por Amabile et al. (2000) e Oliveira et al. (2010). Nos
estudos conduzidos por Souza (1953), no campo experimental da Universidade
Federal de Goiás, localizado no Centro de Ciências Agrárias e Biológicas no
Campus de Jataí, Estado de Goiás, com latitude de 17°53’S e longitude
51°43’W, observou que a crotalaria juncea foi a leguminosa que floresceu
primeiro. A semeadura foi realizada em 23 de fevereiro e aos 67 dias após a
semeadura a crotalaria juncea estava em florescimento pleno. A crotalaria
spectabilis estava em florescimento pleno aos 89 após a semeadura e o feijão
guandu (Cajanus cajan L.) aos 98 dias. Aristides et al. (2009) conduziu estudos
no Centro de Ciências Agrárias (CECA), da Universidade Federal de Alagoas
(UFAL). A semeadura dos sete adubos verdes: crotalaria juncea, crotalaria
ochroleuca, crotalaria spectabilis, mucuna cinza, feijão de porco, mucuna preta,
feijão guandu fava larga, foi realizada no início de abril. Esses autores também
constataram que a crotalaria juncea foi a espécie de florescimento mais
precoce.
O efeito de épocas de amostragem sobre o IAF, dentro das quatro
épocas de semeaduras, foi notado nas avaliações realizadas aos 72 e 96 dias
após a semeadura, uma vez que, como citado na tabela 1, houve efeito
interativo de época de semeadura e dias após a semeadura. Na tabela 3 estão
apresentados os valores médios do índice de área foliar das avaliações
realizadas aos 24, 48, 72 e 96 dias após a semeadura, para as quatro épocas
de semeaduras.

25

TABELA 3 - Valores médios do índice de área foliar das avaliações realizadas
aos 24, 48, 72 e 96 dias após a semeadura, para as quatro épocas de
semeaduras.

Época de semeadura

24

Dias após a semeadura
48
72
2

02 de outubro
16 de outubro
02 de novembro
17 de novembro

1,42 a
1,50 a
1,47 a
1,44 a

96

2

IAF (m /m )
2,53 a
6,10 b
2,58 a
6,35 b
2,45 a
6,27 b
2,50 a
5,20 a

9,53 b
9,02 b
9,67 b
7,32 a

Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem
estatisticamente entre si, pelo teste de Scott-Knott a 5% de
probabilidade.

Analisando a tabela 3 observa-se que o valor médio do IAF para as
avaliações realizadas aos 24 e 48, oscilou em torno de 1,5 e 2,5,
respectivamente. A crotalaria juncea apresenta alta taxa de crescimento, tanto
em semeaduras de primavera, quanto verão e inverno (OLIVEIRA et al, 2007;
AMABILE et al.,2000; ARISTIDES et al., 2009), tornando uma espécie com
grande potencial de controle de erosão, uma vez que mesmo nas fases iniciais
de crescimento observa-se elevado índice de área foliar, que repercute em alto
percentual de recobrimento de solo. Manter a superfície do solo coberta por
materiais vegetais ou resíduos é, segundo Alvarenga et al. (1995) e Amado et
al. (1987), o manejo mais recomendado para proteção e conservação do solo.
A velocidade com que determinada espécie cobre o solo tem grande influência
no controle da erosão, pois no período inicial de crescimento das culturas
semeadas em áreas aradas ou gradeadas, o solo se encontra desprotegido e,
portanto mais susceptível a erosão e, é também nessa época que ocorrem as
chuvas de maior potencial erosivo (AMADO et al.,1987; BERTOL et al., 2002;
OLIVEIRA et al., 2007).
O potencial de recobrimento dos solos pela crotalaria juncea é conhecido
a várias décadas. Souza (1953), citado por Alvarenga et al. (1995), em sua tese
de doutoramento, com competição de adubos verdes em área de cultivo de
cana-de-açúcar, observou que a crotalaria juncea apresentou maior rapidez e
uniformidade na emergência, menor variação na densidade de plantas, maior
resistência às condições adversas e maior produção de massa verde e seca do

26

que a mucuna anã, a mucuna preta, o feijão guandu, o feijão de porco, a soja
perene e as crotalarias paulina e spectabilis.
Em estudo conduzido por Alvarenga et al. (1995) em um argissolo, na
Universidade Federal de Viçosa, pode-se observar que crotalaria juncea foi um
dos adubos que recobriu o solo mais rapidamente, sendo superada apenas
pelo feijão de porco. Aos 20 dias após a emergência a cobertura do solo nas
parcelas com feijão de porco era de aproximadamente 60% e a da crotalaria
juncea de 40%. O autor obteve equação de regressão, relacionando cobertura
do solo (Cobertura) e a idade das plantas (x), em dias após a emergência
crescimento igual a:
Cobertura = 88, 1621/ (1 + e (2,7627 – 0,1277x), com R2 de 0,98.
Amado (1989), em estudos conduzidos em Santa Catarina e, Bertol et al.
(2002) em pesquisa conduzidas em lavouras de milho, constataram que o
recobrimento uniforme de 20% do solo, com resíduos vegetais, resulta em
redução de perda de aproximadamente 50% em relação ao solo descoberto.
A crotalaria juncea também foi o destaque quanto à taxa de cobertura do
solo nos estudos conduzidos por Duarte Júnior e Coelho (2008). Aos 51 dias
após a emergência estimou-se que a crotalaria proporcionou 100% de
cobertura.

Essa característica de alta velocidade de cobertura no período

inicial confere à crotalaria bom potencial no controle da erosão e proteção do
solo em curto espaço de tempo. A alta taxa de cobertura inicial da crotalaria
superou significativamente a vegetação espontânea ou plantas daninhas.
Espécies de adubos verdes com rápida taxa de cobertura do solo, além dos
benefícios citado anteriormente, exerce efeito supressivo sobre as plantas
daninhas auxiliando no seu manejo ou até mesmo no controle.
Excelente recobrimento do solo e controle de plantas daninhas foi
observado por Oliveira et al. (2011) em estudos conduzidos na Zona da Mata
Mineira. Aos 40 dias após a emergência a plantas estavam com altura
oscilando em torno de 1,5 m, com IAF de aproximadamente em torno de 3,0.
Desta forma a adubação verde com crotalaria foi um método eficaz de controle
de erosão (Figura 3) uma vez que o solo da área era declivoso e foi arado e
gradeado, após a aplicação de calcário e gesso.

27

Figura 3 – Crotalaria juncea aos 40 dias após a emergência, cultivada em solo de encosta.
Pode-se notar a excelente cobertura do solo e o abafamento das plantas daninhas pela
leguminosa.
Fonte: Oliveira et al. (2011)

Houve efeito significativo da época de semeadura para o IAF, nas
avaliações realizadas aos 72 e 96 dias (Tabela 3). As plantas de crotalaria
juncea

originárias

da

quarta

época

de

semeadura

apresentaram

comparativamente às outras três épocas, reduções de 16 e 22%, para as
avaliações realizadas aos 72 e 96 dias. Essas diferenças devem ter sido
originárias de alterações na fisiologia da planta, especialmente da indução do
florescimento (Figura 4), que resulta em menor crescimento e formação de
área foliar, uma vez que as vagens passam a ser drenos preferenciais dos
fotoassimilados. Nos trabalhos conduzidos por Amabile et al. (2000) verificouse antecipação no florescimento da crotalaria de 30 dias, quando comparou-se
a semeadura de 07 de janeiro com a de 12 de novembro.

28

A

B

Figura 4 – Planta de crotalaria, da quarta época de semeadura, na fase inicial de indução de
florescimento (A) e, flor da crotalaria juncea (B).
Fonte: Oliveira, M.W.

As observações do presente estudo reforçam os relatos de outros
autores (WUTKE & ARÉVALO, 2006; AMBROSANO et al., 2005, OLIVEIRA et
al., 2010) de que por volta de quarenta dias após a emergência, as plantas
estão aptas a receber o estímulo para a indução floral. Assim para as
semeaduras realizadas a partir de meados de novembro, quando as plantas
tiverem cerca de quarenta dias pós-emergência, as noites estarão aumentando
de comprimento e plantas florescerão mais cedo, diminuindo a altura das
plantas e o acúmulo de matéria seca na biomassa da parte aérea.

4.2 CRESCIMENTO E ACÚMULO DE NUTRIENTES
Houve efeito significativo das épocas de semeaduras na altura de planta
e acúmulo de matéria seca na biomassa da parte aérea da crotalaria juncea,
porém não se constatou efeito para os acúmulos de nitrogênio, fósforo e
potássio (Tabela 4).

29

TABELA 4 - Quadrados médios da análise de variância para os efeitos de
épocas de semeaduras (Ep. Sem.) sobre a altura de plantas, acúmulo de
matéria seca (Ac. MS), acúmulo de nitrogênio (Ac. N), acúmulo de fósforo (Ac.
P) e acúmulo de potássio (Ac. K) na biomassa da parte aérea da crotalaria
juncea.
Altura de planta
Ac. MS
Ac. N
Ac. P
Ac. K
Fonte de
variação . --------------------- Quadrado médio -------------------------- .
Ep. Sem.
1

C.V.(%)

1.086,90**

7.770.991,73* 282,16 ns 33,06 ns

4,18

7,11

6,88

17,73

298,75 ns
8,36

4.3 ALTURA DE PLANTA E ACÚMULO DE MATÉRIA SECA
Na tabela 5 estão apresentados os testes de médias para a altura de
planta e acúmulo de matéria seca, por ocasião da colheita das plantas, em
função da época de semeadura.

TABELA 5 - Valores médios da altura de planta e acúmulo de matéria seca,
por ocasião da colheita das plantas, em função da época de semeadura.

Época
de Altura de planta
semeadura
.------cm------.
02 de outubro
285 b
16 de outubro
292 b
02 de novembro
283 b
17 de novembro
254 a

Ac. MS
kg/ha
13.467 b
13.645 b
13.156 b
10.614 a

Na semeadura realizada em 17 novembro foi observado os menores
valores médios de altura de planta e acúmulo de matéria seca na biomassa da
parte aérea, possivelmente, consequência do menor índice de área foliar
observada nessa época de semeadura, nas avaliações realizadas aos 72 e 96
dias após a semeadura, conforme citado na tabela 3. Mesmo tendo ocorrido
redução de 12% na altura de planta e 20% no acúmulo de matéria seca, os
valores médios obtidos na semeadura de 17 de novembro são cerca de três
vezes maiores que os relatados por Aristides et al. (2009), para a crotalaria
juncea semeada no CECA/UFAL em abril, reforçando a grande influência do
nictoperíodo na fisiologia desse adubo verde.

30

Os acúmulos de matéria seca obtidos nas três primeiras épocas de
semeadura, cerca de 13 t/ha, são de mesma ordem dos citados por Mendes et
al. (2003), Oliveira et al. (2007), Oliveira et al. (2010) em diversos estudos
conduzidos na Zona da Mata Mineira, também com a semeadura crotalaria
juncea sendo realizada no período de início de outubro a início de novembro.
Desta forma pode-se especular que a obtenção de plantas de crotalaria juncea
com maior período juvenil deverá elevar a produção de matéria seca, uma vez
que acúmulo de matéria seca da crotalaria semeadas em abril (ARISTIDES et
al., 2009), logo no início do período chuvoso em Alagoas, são cerca de três
vezes menor que os do presente estudo.
A crotalaria juncea devido ao rápido crescimento na fase inicial da cultura
e ao porte elevado apresenta vantagem competitiva quando semeada em área
infestadas por plantas daninhas, como observado por Mendes et al (2003).
Esses autores semearam crotalaria juncea em área de grande infestação de
capim

marmelada

(Brachiaria

plantaginea)

e

verificaram

grande

competitividade da crotalaria juncea comparada com a gramínea, pois ocorreu
redução de 60% na biomassa desta brachiaria, mas, por outro lado, o cultivo da
crotalaria juncea aumentou em cerca de 120% o acúmulo de biomassa seca
sobre o solo. Wutke & Arévalo (2006) em observações realizadas em área de
reforma de canavial, em Piracicaba, SP, verificaram, em média e, em relação
ao pousio, controle eficiente, pois o cultivo de adubos verdes reduziu a
biomassa dos adubos verdes em mais de 80%, controle semelhante ao
controle químico à base de sulfentrazona. Os adubos verdes usados pelos
autores foram: crotalária júncea, cv IAC-1; crotalaria spectabilis; feijão-deporco; guandu, cv IAC-Fava Larga; lab-labe, cv IAC-697 e mucuna preta.
Estudos do potencial alelopático de folhas e hastes de crotalaria juncea
foram desenvolvidos por Oliveira et al. (2011), usando extratos hidroalcoólicos.
Os extratos hidroalcoólicos foram elaborados a partir de folhas, secas em
estufa a 40 °C, moídas e maceradas em etanol. Realizaram-se três extrações,
de sete dias cada. Os extratos foram reunidos e utilizados para o teste de
atividade alelopática. Os extratos hidroalcoólicos foram dissolvidos em etanol,
obtendo-se soluções com concentração de 0,25; 0,50; 1,0 e 2,0%. Disco de
papéis de filtro Whatman n°. 1, impregnados com 1,0 ml dessas soluções,
foram colocados em placas de Petri, transferindo-se a seguir 25 sementes de

31

alface

para

cada placa.

Foram

usadas cinco

replicatas para

cada

concentração, incluindo-se uma testemunha. A germinação foi conduzida em
fotoperíodo de 12 horas de luz / 12 horas de escuro, a 25°C, sendo os discos
regados diariamente com água destilada. Os resultados dos testes de atividade
alelopática confirmaram as observações de campo. A redução percentual da
germinação, aos sete dias após iniciado os testes, foi de 47,5; 66,0; 75,3 e
95,9%, para as concentrações de extrato etanólico a 0,25; 0,50; 1,0 e 2,0%,
respectivamente. No sétimo dia após iniciado os testes, o extrato etanólico a
0,25; 0,50; 1,0 e 2,0% causou, respectivamente, reduções de crescimento na
radícula e no caulículo das plântulas de alface de 17,9 e 54,4; 34,9 e 69,3; 54,8
e 80,8 e, 88,9 e 97%, comparativamente à testemunha.
O acúmulo de nutrientes na biomassa da parte aérea da crotalaria
juncea não foi influenciado pelas épocas de semeadura (Tabela 4), talvez
devido à adubação orgânica realizada antes da semeadura e, a fertilidade do
solo. Os valores médios de nitrogênio, fósforo e potássio acumulado na
biomassa da parte aérea da crotalaria juncea foram, respectivamente, 265; 26
e 256 kg/ha, que são de mesma ordem de grandeza dos relatados por Amabile
et al. (2000), Alvarenga et al. (1995), Duarte Júnior & Coelho (2008) e, Perin et
al. (2004). Do total do nitrogênio acumulado na biomassa da parte aérea da
crotalaria, aproximadamente 60% origina-se das associações simbióticas das
raízes da leguminosa com as bactérias fixadoras de N 2 do ar atmosférico,
resultando em aporte de quantidades expressivas deste nutriente ao sistema
solo-planta (PERIN et al., 2004), contribuindo para maior sustentabilidade da
cultura subsequente. Para efeito comparativo, cita-se o sulfato de amônio, um
dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados: em 100 kg desse fertilizante temse 20 kg de N, assim, para se obter 200 kg de N haveria necessidade de
utilizar-se 1.000 kg de sulfato de amônio.
Atingir sustentabilidade, segundo Oliveira et al. (2010), significa reduzir,
ou pelo menos estabilizar, a carga ambiental total criada pela totalidade das
atividades de produção e, uma das maneiras de alcançar bons resultados,
pode estar na mudança de tecnologia usada nesses sistemas ou a maneira
como está sendo conduzida a produção. Assim, poder-se-ia pensar na
inoculação das sementes de crotalaria juncea com bactérias fixadoras do
nitrogênio do ar atmosférico como uma forma de aumentar a fixação biológica

32

do N2 e o aporte de nitrogênio no sistema solo-planta. Entretanto, trabalhos
conduzidos em três fazendas da Zona da Mata Mineira, duas Usinas da Zona
da Mata Alagoana e em áreas experimentais do Centro de Ciências Agrárias
da Universidade Federal de Alagoas, mostraram que a inoculação das
sementes de crotalaria com bactérias fixadoras do nitrogênio do ar atmosférico
não aumentou o aporte de nitrogênio no sistema solo-planta (GAVA et al.,
2011).
Uma das possíveis causas seria a elevada população nativa destas
bactérias nos solos, entretanto, como citado por Ribeiro Júnior & Ramos (2006)
e Gava et al. (2011), o fato de as leguminosas apresentarem alta nodulação
com estirpes nativas não significa que aquelas bactérias tenham eficiência
máxima, pois muitas dessas estirpes têm alta capacidade competitiva,
dificultando a introdução de outras estirpes via inoculação das sementes. Uma
das maneiras para avaliar a eficiência da população nativa é o estudo da
resposta da leguminosa à adubação mineral e, nesses estudos, têm-se
verificado que a associação simbiótica pode não fixar o nitrogênio atmosférico
em quantidade suficiente, revelando, desta forma, que a eficiência desta
associação precisa ser melhorada (OLIVEIRA et al, 2007; GAVA et al., 2011;
OLIVEIRA et al, 2010). Rodrigues et al. (1994), conduziram estudo em um solo
podzólico vermelho amarelo, série Itaguaí, para verificarem o efeito da
inoculação das sementes de mucuna-preta com as estirpes de rhizobium BR7701 e BR-7702 e, as de feijão de porco, com as estirpes BR-3102 e BR-2003.
Os autores também observaram que a inoculação das sementes desses dois
adubos verdes com rhizobium não gerou um aumento do acúmulo de matéria
seca e de nitrogênio pelas plantas, uma vez que não houve diferença entre os
tratamentos com sementes inoculadas e a testemunha. Esses autores citam
ainda trabalhos anteriores nos quais se verificou que a inoculação de sementes
de adubos verdes, com estirpes selecionadas de rhizobium, não resultou em
aumento de acúmulo de matéria seca e de nitrogênio.
Outro item que deve ser mencionado é o aumento de produtividade da
cana nas áreas de reforma de canavial, anteriormente cultivadas com crotalaria
juncea. Para acúmulo de matéria seca pela crotalaria juncea, da ordem de 13
t/ha, têm-se observado incremento de produtividade no ciclo de cana-planta e
primeira rebrota, variando de 20,8 a 40 t de colmos industrializáveis por hectare

33

(MASCARENHAS et al.,1994, WUTKE & ARÉVALO, 2006; OLIVEIRA et al.,
2007, DUARTE JÚNIOR & COELHO, 2008; OLIVEIRA et al., 2010) que
cobriram com folga os custos de produção, que variam, em preços
equivalentes, de 8 a 12 t de colmos por hectare (MASCARENHAS et al.,1994;
OLIVEIRA et al., 2010).

34

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados obtidos no presente estudo mostraram que a crotalaria
juncea, semeada na primavera, tem grande potencial de acúmulo de matéria
seca e nitrogênio;
O nictoperíodo influenciou no desenvolvimento da crotalaria juncea,
tendo-se verificado efeito significativo da época de semeadura sobre o índice
de área foliar, altura de plantas e acúmulo de matéria seca na biomassa da
parte aérea, por outro lado, o acúmulo de N, P e K não foi influenciado pela
época de semeadura;
O índice de área foliar das plantas originárias das semeaduras
realizadas em 02 de outubro, 16 de outubro e 02 de novembro foram
semelhantes e, cerca de 20% maiores que o das plantas da semeadura de 17
de novembro;
A redução do IAF na fase de crescimento das plantas repercutiu em
menor desenvolvimento e acúmulo de matéria seca;
A quantidade de nitrogênio fixado/reciclado pela crotalaria juncea pode
contribuir para maior sustentabilidade do sistema e aumento da produção da
cultura subsequente, especialmente da cana-de-açúcar;
A implementação de um programa de seleção/obtenção de plantas de
crotalaria juncea com período juvenil mais longo pode ser uma das alternativas
para se aumentar o potencial de produção de matéria seca dessa leguminosa,
para semeaduras realizadas no início do período chuvoso, sob noites
crescentes.

35

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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