Osvaldo T Gameleira Junior
OSVALDO TENÓRIO GAMELEIRA JÚNIOR.pdf
Documento PDF (168.7KB)
Documento PDF (168.7KB)
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
OSVALDO TENÓRIO GAMELEIRA JÚNIOR
CUSTO DE IMPLANTAÇÃO DE UM HECTARE DE CANA-DEAÇÚCAR EM TABULEIRO PARA UM FORNECEDOR EM MATRIZ DO
CAMARAGIBE - AL
RIO LARGO
ESTADO DE ALAGOAS
2011
1
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
OSVALDO TENÓRIO GAMELEIRA JÚNIOR
CUSTO DE IMPLANTAÇÃO DE UM HECTARE DE CANA-DE-AÇÚCAR EM
TABULEIRO PARA UM FORNECEDOR EM MATRIZ DO CAMARAGIBE - AL
Trabalho
de
conclusão
de
curso
apresentado no Centro de Ciências
Agrárias como parte dos requisitos para
obtenção do título de EngenheiroAgrônomo.
RIO LARGO
ESTADO DE ALAGOAS
2011
2
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
COORDENAÇÃO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE
CURSO
UFAL
CECA
ATA DE REUNIÃO DE BANCA EXAMINADORA DE DEFESA DE
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
Dia 20 do mês de Maio do ano de 2011, às 09h00min (nove) horas, sob a Presidência do
(a) Professor (a) Guilherme Bastos Lyra, em sessão pública na sala do PMGCA, do
Centro de Ciências Agrárias, km 85 da BR 104 Norte, Rio Largo-AL, reuniu-se a Banca
Examinadora de defesa do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) intitulado “CUSTO
DE IMPLANTAÇÃO DE UM HECTARE DE CANA-DE-AÇÚCAR EM
TABULEIRO PARA UM FORNECEDOR EM MATRIZ DO CAMARAGIBE AL” do aluno Osvaldo Tenório Gameleira Júnior, sob matrícula 2006G1999,
requisito obrigatório para conclusão do Curso de Agronomia, assim constituída: Prof.
Dr. Guilherme Bastos Lyra, CECA/UFAL (orientador), Prof. M. Sc Jakes Halan de
Queiroz Costa CECA/UFAL e M. Sc Ricardo Araujo Ferreira Júnior; foi dado a cada
examinador um período máximo de 30 (trinta) minutos para a argüição ao candidato.
Terminada a defesa do trabalho, procedeu-se o julgamento final, cujo resultado foi o
seguinte, observada a ordem de argüição: Profº. Dr., Guilherme Bastos Lyra, nota
8,00 (oito), M. Sc. Ricardo Araujo Ferreira Junior, nota 8,00 (oito), Profº. M. Sc. Jakes
Halan de Queiroz Costa, nota 8,00 (oito). Apurando as notas, o candidato foi
considerado APROVADO, com média final de 8,00 oito. Na oportunidade o candidato
foi notificado do prazo de máximo 30 (trinta) dias, a partir desta data de defesa, para
entregar a Coordenação do Trabalho de Conclusão de Curso, a versão final corrigida
com as alterações sugeridas pela Banca do trabalho hoje definido, em 4 (quatro) vias,
impressas e encadernadas e uma cópia digitalizada em CD. Nada mais havendo a tratar,
os trabalhos foram suspensos para a lavratura da presente ATA, que depois de lida e
achada conforme, vai assinada por todos os membros da Banca Examinadora, pela
coordenadora do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e pela coordenadora do Curso
de Agronomia do Centro de Ciência Agrárias, da Universidade Federal de Alagoas.
Orientador:
_____________________________________________
Prof. Dr. Guilherme Bastos Lyra (Orientador)
1º Examinador:
_____________________________________________
Prof. M. Sc. Jakes Halan de Queiroz Costa
2º Examinador:
_____________________________________________
M. Sc. Ricardo Araujo Ferreira Júnior
Coordenador do TCC __________________________________________
Profª Drª Roseane Cristina Prédes Trindade
Coordenador do Curso de Agronomia ________________________________
Profª Drª Leila de Paula Rezende
3
DEDICATÓRIA
Dedico primeiramente a Deus.
Aos meus pais, Osvaldo Gameleira (in memorian) e Concilia Pinto, tenho
muito a agradecer, por tanto que se dedicaram a mim.
A minhas irmãs, cunhados e aos meus sobrinhos por estarem sempre
próximos quando eu precisei.
Ao meu avô João Martins Pinto (in memorian) que sempre foi exemplo
de honestidade e de um homem do campo.
A toda minha família que direta ou indiretamente me ajudou e me deu
força nesta caminhada especialmente para meus tios Fernando Pinto e João
Bonfim.
Aos meus primos e primas em especial pra João Martins, João Bonfim,
João Pinto.
4
AGRADECIMENTOS
Ao Benedito Gomes de Lima, administrador da Fazenda Santa Ana
pelas informações transmitidas.
Aos meus amigos de sala em especial a João Câncio, Renato Guedes,
Carlos Casado, Lucas Holanda e Ricardo Andrade por terem me proporcionado
bons momentos.
Aos professores e funcionários que fazem parte do Centro de Ciências
Agrárias da Universidade Federal de Alagoas.
Ao meu orientador Guilherme Bastos Lyra por seu profissionalismo,
atenção e dedicação e aos professores Jakes Halan de Queiroz Costa e
Ricardo Araujo Ferreira Júnior pela atenção de compor a banca.
As Usinas que tive oportunidade de conhecer e estagiar.
5
SUMÁRIO
SUMÁRIO..................................................................................................
5
LISTA DE FIGURAS..................................................................................
6
LISTA DE TABELAS..................................................................................
7
RESUMO...................................................................................................
8
1 INTRODUÇÃO.......................................................................................
9
2 REVISÃO DE LITERATURA.................................................................
12
2.1 Cana-de-açúcar
12
2.2 Setor sucroalcooleiro
13
2.3 Análise de viabilidade econômica
14
3 MATERIAL E MÉTODOS......................................................................
16
3.1 Coleta de dados e caracterização do local
16
3.2 Caracterização do sistema de custeamento
16
3.2.1 Preparo de solo
16
3.2.2 Cana-semente
16
3.2.3 Plantio
17
3.2.4 Insumos agrícolas
17
3.2.5 Tratos culturais
17
3.2.6 Remuneração da terra
17
3.2.7 Administração
18
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES..........................................................
19
5 CONCLUSÕES...................................................................................... 26
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................
27
6
LISTA DE FIGURAS
Figura1. Média pluviométrica de trinta e oito anos no município de
Matriz de Camaragibe-AL...........................................................
19
Figura 2. Porcentagem dos custos totais................................................... 21
Figura3. Custo dos insumos agrícolas......................................................
22
Figura 4. Custo da cana-semente.............................................................
23
Figura 5. Custo dos tratos culturais...........................................................
23
Figura 6. Custo do preparo do solo...........................................................
24
Figura 7. Custo do plantio.......................................................................... 25
7
LISTA DE TABELA
Tabela 1 - Custos do plantio de um hectare de cana-de-açúcar em
tabuleiro na fazenda Santa Ana no plantio de inverno de 20
2010...................................................................................
8
RESUMO
GAMELEIRA JÚNIOR, O. T. Custo de implantação de um hectare de canade-açúcar em tabuleiro para fornecedor em Matriz do Camaragibe,
Alagoas. Rio Largo, AL: CECA/UFAL, 2011 (Trabalho de Conclusão de Curso).
O objetivo do presente trabalho é avaliar o custo de implantação de um
hectare de cana-de-açúcar, para um fornecedor, em uma área de topografia
suave e mecanizada na região de Matriz do Camaragibe, Alagoas. A avaliação
foi feita na Fazenda Santa Ana, situada no município de Matriz do CamaragibeAL, com área de 166 ha, com topografia predominante de encostas, de
propriedade de fornecedor de cana-de-açúcar. O plantio se iniciou em julho e
terminou em agosto, foram plantados no total 27 ha de cana-de-açúcar todo ele
de renovação de área. A propriedade analisada teve o custo de R$ 4.252,37,
sendo o fator de maior representatividade os insumos agrícolas com 46% dos
custos totais, seguido de preparo do solo com 12%, cana-semente com 11%,
plantio com 9%, administração com 9%, tratos culturais com 7% e por ultimo
remuneração da terra com 6%. O que se deve o custo dos insumos ser tão alto
é o preço da tonelada da cana-semente que representou 46% dos custos dos
insumos agrícolas.
9
1.
INTRODUÇAO
A cana-de-açúcar é conhecida desde 8000 a.C., cultivada por
horticultores neolíticos em Nova Guiné e difundiu-se pela China e Índia. É uma
planta que pertence ao gênero Saccharum L. Há pelo menos seis espécies do
gênero, sendo cultivado um híbrido multiespecífico, recebendo a designação
Saccharum spp. As espécies de cana-de-açúcar são provenientes do Sudeste
Asiático. A planta é a principal matéria-prima para a fabricação do açúcar e
álcool (etanol) (LUCCHESI, 1995).
No Brasil a sua entrada ocorreu no inicio da colonização pela exploração
dos portugueses. Foi trazida por Martin Afonso de Sousa em 1520, para criar
uma estrutura produtiva que levasse a colônia a se tornar um dos principais
produtores de açúcar. Entretanto, houve evolução lenta e gradual, instalandose em engenhos com o intuito de produzir açúcar e posteriormente à
aguardente, com importante participação na formação dos costumes do povo
brasileiro. Esta cultura foi à base da economia do nordeste brasileiro, na época
dos engenhos (MACIEL, 2007).
A principal força de trabalho empregada foi a da mão-de-obra
escravizada, primeiramente indígena e em seguida majoritariamente de origem
africana. Os regimes de trabalho eram muito forçados em que esses
trabalhadores, na ocasião da colheita, chegavam a trabalhar até 18 horas
diárias, sendo utilizada até o final do século XIX. Com a mudança da economia
brasileira para a monocultura do café, esses trabalhadores foram deslocados
gradativamente dos engenhos para as grandes fazendas cafeeiras. Com o
tempo, a economia dos engenhos entrou em decadência, sendo praticamente
substituído pelas usinas. O termo engenho hoje em dia é usado para as
propriedades que plantam cana-de-açúcar e a vendem, para ser processada
nas usinas e transformada em produtos derivados (MACIEL, 2007).
10
O Município de Matriz do Camaragibe é uma região com clima tropical
quente e úmido com temperatura máxima de 31° C e mínima de 18° C, possui
área de 330,07 km² e esta localizada na região Norte do estado, sua economia
se baseia na indústria (açúcar e álcool), agricultura e pecuária. Possui uma
usina canavieira que é a usina Camaragibe, em que conta com a parceria de
seu fornecedores.
Na busca por combustíveis renováveis e menos poluentes surgiram à
necessidade de se aumentar a produção de cana-de-açúcar, incorporando-se,
assim, novas áreas ao setor sucroalcooleiro. De acordo com a Companhia
Nacional de Abastecimento (2009), a produção de cana-de-açúcar destinada
ao setor sucroalcooleiro, em 2008, foi de 577,6 milhões de toneladas, numa
área de 7,09 milhões de hectares, totalizando produtividade média de 81
toneladas por hectare. A produção total de cana a ser moída pela indústria
sucroalcooleira no Brasil em 2010/11 é considerada recorde nacional, de
acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento. A previsão total de cana
será de aproximadamente 625 milhões de toneladas, cerca de 3,40% a mais
que a safra 2009/10 (Conab, 2010).
Atualmente a cana-de-açúcar está plantada em várias regiões do país e
passa por um processo de expansão. Entretanto nesse mercado, em que se
busca cada vez mais competitividade, a análise criteriosa em relação a custo
de produção é fator indispensável para a sustentabilidade das empresas e dos
produtores. Um dos fatores que influenciam no sistema produtivo da cana de
açúcar é a dinâmica do mercado em que constantemente se faz necessário
analisar a viabilidade econômica da cultura (MORAES, 2009).
11
Gerenciar qualquer atividade rural requer ampla abrangência de
informações em termos de desempenho técnico e financeiro. Entretanto, a
maioria das empresas rurais, principalmente as de pequeno porte, são
estruturadas de forma familiar, muitas das informações necessárias são
registradas somente na memória do proprietário ou em anotações informais.
Os negócios da propriedade rural se misturam com os do proprietário,
sobretudo quando este reside na própria fazenda, resultando assim, na
inobservância do princípio da entidade (MARION, 2003), quando os gastos da
família e os da propriedade devem ser controlados de maneira distinta.
Os estudos de custos são importantes para os empresários e médios
produtores, a quem cabe as decisões sobre a combinação dos recursos
disponíveis, O que indicou o volume de produção que minimiza os custos, em
face do tamanho de suas cotas e da rentabilidade do capital. O sistema
produtivo envolve inúmeros fatores de custo, como tecnologia aplicada, mãode-obra, topografia, terra, administração e investimentos, pois isso resultará em
maior eficácia e eficiência na produção, deixando o planejamento mais fácil e
alcançando maiores lucros. Entretanto, os custos de produção estão aliados a
vários tipos de cenários produtivos, em que o investidor necessita de uma
estratégia para obtenção do menor custo e conseqüentemente maiores lucros
(LYRA, 2004).
Diante do relatado, o objetivo do presente trabalho é determina os
custos da implantação de um hectare de cana-de-açúcar para fornecedor na
região de Matriz do Camaragibe - AL.
12
2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Cana-de-açúcar
A diversidade de climas determina períodos de plantio e colheita
distintos para as diversas regiões. Em São Paulo, de modo geral, planta-se de
outubro a março e colhe-se de maio a outubro; enquanto no nordeste o plantio
se faz de julho a novembro e a colheita de dezembro a maio. A cana-de-açúcar
exige calor e umidade. Sem essas condições não produzirá bem. A
temperatura ideal da cana é de 30 a 34°C. Abaixo de 20°C e acima de 35°C o
crescimento é lento, e acima de 38°C é nulo. A cana-de-açúcar é exigente
quanto à água precisa de 1 500 mm de chuvas anuais (LANDELL, 2007).
Solos profundos, pesados, bem estruturados, férteis e com boa
capacidade de retenção são os ideais para a cana-de-açúcar que, devido à sua
rusticidade, se desenvolve satisfatoriamente em solos arenosos e menos
férteis, como os de cerrado. Solos rasos, isto é, com camada impermeável
superficial ou mal drenada, não devem ser indicados para a cana-de-açúcar.
Para trabalhar com segurança em culturas semi-mecanizadas, que constituem
a maioria das nossas explorações, a declividade máxima deverá estar em torno
de 12%; declividade acima desse limite apresenta restrições às práticas
mecânicas. Para culturas mecanizadas, com adoção de colheitadeiras
automotrizes, o limite máximo de declividade cai para 8 a 10% (RAIJ et al.
2007).
13
2.2.
Setor sucroenergético
O setor sucroalcooleiro brasileiro despertou o interesse de diversos
países, principalmente pelo baixo custo de produção de açúcar e álcool. Este
último tem sido cada vez mais importado por nações de primeiro mundo, que
visam reduzir a emissão de poluentes na atmosfera e a dependência de
combustíveis fósseis. Ao longo dos anos, os custos de produção do álcool
combustível de cana-de-açúcar vêm ganhando competitividade frente aos
custos do petróleo, atualmente em torno da metade do preço médio no
mercado internacional. Portanto, mesmo que o preço do petróleo retome o seu
patamar do início do século XXI, entre US$ 30 e 35 o barril, o preço do álcool
brasileiro ainda seria competitivo (UNICAMP, 2005).
As elevações do preço do petróleo e o aumento da preocupação mundial
com as questões ambientais vêm estimulando a busca por energias
alternativas. As energias renováveis vêm ganhando grande importância, pois
possuem a capacidade de substituir, pelo menos em parte, os combustíveis
fósseis e são menos poluentes. Diversos países estão interessados na mistura
álcool-gasolina com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito
estufa, e alguns já estão iniciando suas produções internas. No entanto, o
mercado de energias renováveis possui dificuldades em competir com o de
combustíveis fósseis, os quais além de ainda possuírem menores custos de
produção, já possuem um mercado consolidado (SOUZA, 2006).
Na cultura da cana-de-açúcar, um dos maiores agronegócios do Brasil,
têm-se desenvolvido estudos visando gerenciar os fatores de produção, para
que o custo da tonelada de cana seja economicamente atrativo.
14
2.3.
Análise de viabilidade econômica
Do ponto de vista empresarial, desenvolver um processo de produção
sem ter idéia precisa de seus custos e resultados constituem atitude irracional.
Um dos principais estrangulamentos da gerência agrícola brasileira encontra-se
na inobservância da necessidade de elaborar orçamentos e de apurar os
custos. Esta situação decorre, na maioria dos casos, de desconhecimento dos
procedimentos necessários e dos elementos importantes de custo em
agricultura (Echeverra, 1981). A alocação de recursos pelos agricultores é
influenciada pelos riscos e incertezas envolvidos. Assim, qualquer avaliação de
projeto que não contemple a possibilidade de reduzir os riscos dificilmente
produzirá resultados satisfatórios.
A viabilidade de um sistema de produção depende do adequado manejo
na sua condução, carecendo de análises econômicas dos insumos aplicados
para que se possa tomar a decisão mais adequada (LYRA, 2007). Em um
processo de apuração dos custos de um produto agrícola ou agropecuário a
contabilidade calcula custos para, além de avaliação de estoques, auxiliarem
no controle e na tomada de decisões do gerente ou do proprietário rural.
O estabelecimento do custo correto de produção evita que as
informações obtidas induzam a decisões equivocadas - quando houver super
avaliação dos custos, implicará em preços maiores do que os clientes estão
dispostos a pagar, comprometendo assim a capacidade produtiva; - quando
houver subavaliação dos custos, levará a preços competitivos, entretanto,
quanto mais se produza e venda, maior será o prejuízo (MARION, 1996).
15
A produtividade média brasileira de cana-de-açúcar tem apresentado
significativa elevação de 50% nos últimos 20 anos, de 44 para 67 toneladas de
cana por hectare, observa-se que muito ainda pode ser melhorado, em relação
ao setor sucroalcooleiro. O estado de São Paulo, o maior produtor brasileiro
apresenta produtividade média de 78 toneladas de cana por hectare, e possui
diversas unidades produtoras que ultrapassaram a marca de 90 a 95 toneladas
de cana por hectare (MACEDO, 2008).
A produção de cana-de-açúcar contribui com o meio ambiente, com a
sustentabilidade em cadeias produtivas. Sua utilização sistemática pode
promover o progresso técnico e induzir o advento de mudanças positivas no
impacto ecológico e nas condições de trabalho (ORLANDO FILHO, 2007).
Nas ultimas décadas (1990 á 2000) o Brasil dobrou sua área de cana
plantada, basicamente em função da produção do álcool carburato, essa
expansão ocorreu principalmente em regiões de solo fértil e climas favoráveis
(TAKESHI, 2008). Sabe-se que o Brasil é o maior produtor de cana, com
capacidade de dobrar sua produtividade, visando à máxima produção e o lucro.
16
3. MATERIAL E METÓDOS
O material e métodos são formados por todas as operações feitas para á
implantação do canavial. Que é formado por coleta de dados, caracterização
do sistema de custeamento que é formado por todas as operações feitas, está
entre elas preparo do solo, cana-semente, plantio, insumos agrícolas, tratos
culturais, remuneração da terra e administração.
3.1 Coleta de dados e caracterização do local:
A avaliação foi feita na Fazenda Santa Ana situada no município de Matriz
do Camaragibe-AL, com área de 166 ha, topografia predominante de encostas,
de propriedade de fornecedor de cana-de-açúcar, realizado no período de julho
a agosto de 2010, em regime de sequeiro.
3.2 Caracterização do sistema de custeamento:
O sistema de custeamento utilizado tem por objetivo definir qual é o custo
do plantio por hectare. O custo total do plantio do canavial foi o somatório de
todos os seus fatores e subfatores que são inerentes a produção os quais
serão elencados a seguir:
3.2.1 Preparo de solo:
São todas as atividades inerentes a preparação do solo para a
renovação da cultura da cana-de-açúcar, estão entres elas a análise do solo, a
gradagem leve, aplicação de calcário e a sulcação da área desejada.
3.2.2 Corte da Cana-semente:
É formado pelo corte da cana-semente (colmos não maduros in natura
destinado a multiplicação do canavial), carregamento e descarregamento,
transporte da cana-semente para a área desejada e encargos trabalhistas.
17
3.2.3 Plantio:
São operações manuais formada por distribuição da cana-semente, o
plantio, corte dos rebolos para facilitar a brotação, aplicação de cupinicida que
é essencial para uma longa vida do canavial, cobertura dos sulcos feita
manualmente mais encargos trabalhistas.
3.2.4 Insumos agrícolas:
As aplicações do calcário e fertilizante são realizadas através da
recomendação da análise química do solo. É formado pelos valores da canasemente, cupinicida (Regent 800 usado no controle dos cupins), três tipos de
herbicidas (Hexaron, 2.4. D, Diuron sendo todos eles de pós-emergencia,
utilizados contra folha larga, estreita e é seletiva a cana-de-açúcar), fertilizante
e calcário.
3.2.5 Tratos culturais:
São operações realizadas com intuito de facilitar o desenvolvimento da
cana-de-açúcar e evitar a competição das plantas daninhas ou invasoras. É
formado pela a aplicação dos herbicidas, adubação manual, transporte dos
insumos agrícolas utilizados e encargos trabalhistas.
3.2.6 Remuneração da terra:
O preço do arrendamento rural de terra por hectare, depende de região
para região e o preço utilizado foi de 6 toneladas de cana-de-açúcar
por
hectare, na época do plantio o preço da tonelada da cana-de-açúcar era de R$
46,00 reais.
18
3.2.7 Administração:
Foi adotado um referencial de 10% do custo total. Valor referente aos
custos de administração da fazenda, luz, telefone, contador, EPI, entre outros.
O CCT (corte, carregamento e transporte) não será inserido nos referente
trabalho, pois essas operações bem como seus custos são feitas pela unidade
agroindustrial e que no referido ano não foi repassado ao fornecedor analisado.
19
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A figura 1 mostra os dados de precipitação da região de Matriz do
Camaragibe no período de 1972 a 2010, como da pra se observa o mês com
maior precipitação pluvial é o de junho, enquanto que as menores precipitações
ocorrem em novembro, esse dado foi obtido na usina Camaragibe (informação
pessoal). O plantio foi realizado entre julho e agosto de 2010, com isso não se
utilizou irrigação na área avaliada, pois o solo apresentava condições ideais de
umidade, facilitando assim a brotação e o desenvolvimento da cana-de-açúcar,
e reduzindo eventuais gastos com a irrigação. Em 2010 precipitou 1.988 mm.
400
Precipitação (mm)
350
300
250
200
150
100
50
0
JAN
FEV MAR ABR MAIO JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
Meses
Figura 1: Média pluviométrica de trinta e oito anos no município de Matriz de
Camaragibe-AL.
Para o plantio de um hectare na região de Matriz do Camaragibe, em área
de tabuleiro na Fazenda Santa Ana (nível de fornecedor), os resultados dos
custos de plantio obtidos foram bastante distintos e estão detalhados por seus
fatores e subfatores em cada fator analisado (Tabela 1). Podendo observa os
principais fatores preparo de solo, cana-semente, plantio, insumos agrícolas,
tratos culturais, remuneração da terra e administração da área.
20
Tabela 1: Custos do plantio de um hectare de cana-de-açúcar em tabuleiro na
fazenda Santa Ana no plantio de inverno de 2010.
ITEM
Quant.
Unidade
R$ / un.
R$ / ha
511,00
1- Preparo do solo
Análise química do solo
1
análise
30,00
30,00
Grade leve
2
hora
74,00
148,00
Sulcação Mecanizada
3
hora
74,00
222,00
Aplicação de calcário
1.5
hora
74,00
111,00
471,60
2- Cana-semente
Mão-de-obra (corte)
12
tonelada
10,00
120,00
Carregamento e descarregamento
2
diária
18,00
36,00
Transporte
3
hora
74,00
222,00
Encargos
60
%
156,00
93,60
392,99
3- Plantio
Distribuição
3
diária
18,00
54,00
plantio
1
ha
41,32
41,32
Corte dos rebolos
1.5
diária
18,00
27,00
Aplicação de cupinicida
1
diária
20,00
20,00
Coberta manual da cana-semente
1
ha
103,30
103,30
Encargos
60
%
245,62
147,37
1.941,50
4- Insumos Agrícolas
Valor da cana-semente
12
tonelada
75,00
900,00
Cupinicida(Regent 800)
0,250
kg
600,00
162,50
Herbicida (Diuron)
1
kg
17,00
17,00
Herbicida (Hexaron)
2
kg
20,00
40,00
Herbicida (2.4. D)
1,5
litro
8,00
12,00
Fertilizante
0,6
tonelada
850,00
510,00
Calcário
3
tonelada
100,00
300,00
282,80
5- Tratos Culturais
Adubação Manual
1
ha
18,00
18,00
Aplicação manual de Herbicida
1
diária
20,00
20,00
Transporte de insumos
3
hora
74,00
222,00
Encargos
60
%
38,00
22,80
276,00
6- Remuneração da Terra
Arredamento rural canavieiro
7- Administração
6
tonelada
46,00
276,00
10
%
3.764,89
376,48
R$
TOTAL
4.252,37
21
Na região de Matriz do Camaragibe o custo total encontrado foi de R$
4.252,37 e o fator de maior custo foi o insumo agrícola chegando a 46% dos
custos totais (figura 2). Na região de Capela o custo encontrado por Morais
(2009) foi de R$ 3.581,27 e o fator de maior custo foi o insumo agrícola
representando 42% dos custos totais. Já na região de Coruripe o custo
encontrado por Albuquerque (2009) foi de R$ 3.236,96 e o fator insumo
agrícola foi o mais representativo com 48% dos custos totais. A grande
diferença entre os três trabalhos se deu ao preço da tonelada de cana-semente
que teve um aumento de 63,33% de 2009 á 2010.
A figura 2 mostra os custos totais do plantio e tem os seguintes fatores
insumos agrícolas com 46%, preparo do solo com 12%, cana-semente com
11%, plantio com 9%, administração com 9%, tratos culturais com 7% e
remuneração da terra com 6%.
1- Preparo do solo
9%
2- Cana-semente
12%
6%
3- Plantio
11%
7%
4- Insumos Agrícolas
9%
5- Tratos Culturais
46%
6- Remuneração da Terra
7- Administração
Figura 2: Porcentagem dos custos totais.
22
O
fator
mais
oneroso
foi
o
insumo
agrícola
que
teve
alta
representatividade no gráfico com 46% dos custos totais, dentro deste fator se
destaca com maior custo o subfator preço da cana-semente, que se da ao bom
preço que a matéria prima se encontra, sendo que quando se fala de semente
de cana-de-açúcar o preço é uma vez e meia o valor da cana normal.
A figura 3 apresenta o custo dos insumos agrícolas e mostra que o valor
da cana semente é o subfator mais representativo com 46% dos custos em
seguida vem o preço do fertilizante com 26% dos custos, uma cana-semente
de boa qualidade e um bom fertilizante são indispensáveis para um bom plantio
com alta rigorosidade e longevidade. O cupinicida é um dos subfatores
fundamentais para uma grande longevidade do canavial, sendo de alto custo
às vezes não é utilizado por pequenos fornecedores de cana-de-açúcar, mais
como se mostra na figura ele só representa 8% dos custos.
16%
Valor da cana-semente
Cupinicida
46%
Herbicida (pré-emergência1)
Herbicida (pré-emergência 2)
Herbicida (pré-emergência 3)
26%
Fertilizante
Calcário
1%
2%
8%
1%
Figura 3: Porcentagem dos custos dos insumos agrícolas utilizado pelo fornecedor no
plantio de inverno de 2010.
A Figura 4 mostra os custos detalhado da cana-semente sendo o
transporte o subfator mais alto com 47% dos custos totais. Isso se deve o alto
preço da hora maquina.
23
20%
25%
8%
Mão-de-obra
(corte)
Carregamento e
descarregamento
Transporte
Encargos
47%
Figura 4: Custo cana-semente.
A figura 5 mostra que nos tratos culturais o subfator de maior custo foi o
transporte chegando a 79% isso se da ao alto preço da hora maquina.
8%
6%
7%
Adubação Manual
Aplicação manual de Herbicida
Transporte de insumos
Encargos
79%
Figura 5: Custo dos tratos culturais.
24
A figura 6 mostra os custos do preparo do solo. A análise de solo muitas
vezes não é feita, entretanto, seu preço é muito pequeno comparado aos seus
benefícios, pois indica a quantidade necessária de calcário e adubo para o
solo. A sulcação foi o subfator de maior custo representando 43% dos custos
totais.
6%
Análise química do solo
22%
Aplicaçao de calcario
43%
Grade leve
29%
Sulcação Mecanizada
Figura 6: Custo do preparo do solo.
Observa-se na figura 7 o custo do plantio e o subfator de maior custo foi os
encargos trabalhista que representa 37% dos custos totais do plantio. Os encargos
ficou tão alto porque todas as atividades alavancadas foram feita de forma manual.
25
Distribuição
14%
37%
Semeio
11%
7%
5%
26%
Corte dos rebolos
Aplicação de cupinicida
Coberta manual da
cana-semente
Encargos
Figura 7: Custo do plantio.
Este trabalho mostra o custo do plantio de um hectare de cana-deaçúcar em Matriz do Camaragibe. Entretanto se faz necessário, em futuros
trabalhos, definir a viabilidade econômica do cultivo cana-de-açúcar na região,
com o intuito de medir os riscos e incertezas da cultura.
26
5. CONCLUSÕES
Na região de Matriz do Camaragibe o custo total encontrado foi de R$
4.252,37 e o fator de maior custo no orçamento foi o insumo agrícola chegando
a 46% dos custos totais e o de menor custo foi remuneração da terra com 6%
dos custos totais.
O fator insumo agrícola foi o mais alto chegando a 46% dos custos totais
e o subfator mais representativo foi o preço da cana semente que chegou a
46% dos custos dos insumos agrícolas.
Para se diminuir o custo da implantação de um hectare de cana-deaçúcar é necessário que o fornecedor produza sua própria cana-semente,
diminuindo 37% os custos totais da implantação de um hectare de cana-deaçúcar.
É importante que a terra seja própria, pois vai diminuir assim eventuais
gasto com a remuneração da terra que chega a 6,2% mês.
27
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALBUQUERQUE, P. A. F. Custo de implantação de um hectare de cana-deaçúcar para um produtor da região de Coruripe - Alagoas. Rio Largo, AL:
CECA/UFAL, 2009 (Trabalho de Conclusão de Curso).
ASSOCIAÇAO BRASILEIRA DE ENGENHARIA DE PRODUÇAO. Custo de
produção
e
tecnologia
em
cultura
de
cana-de-açúcar
Disponível
produtividade.
de
alta
em
:
http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2003_TR0111_1154.pdf.
Acesso
em: 06 jan 2011.
BING. Cana-de-açucar. Diponivel em: fcr.org.br/estudousinas/docs/a-cana-deacucar.doc. Acesso em: 03 jan 2011.
CONAB – COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO 20010. Avaliação
da
safra
agrícola
de
cana-de-açúcar
2010/2011
Disponível
em:
http://www.conab.gov.br/conabweb/safra.pdf. Acesso em: 05 mar 2011.
ECHEVERRA, B. Elaboração de projetos agropecuários, 1º ed. São Paulo,
SP. 1981. 210p.
EMBRAPA cana-de-açúcar. Disponível em:
http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/cana-deacucar/arvore/CONTAG01_2_31120089817.html. Acesso em: 04 jan 2011
Landell, M. G. A. Cultura da cana-de-açúcar - tecnologia para o pequeno
produtor ( 2007).
LUCCHESI, A. A. Processos Fisiológicos da cultura da Cana-de-açúcar.
Piracicaba-SP, 1995., 50 p. (ESALQ/CENA, Boletim Técnico: 7).
28
LYRA, G. B. Estimativas do níveis ótimos econômicos de irrigação e de
adubação nitrogenada nos mamoeiros (Carica papaya L.) cultivar golden
e do híbrido uenf caliman 01. UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE
FLUMINENSE, CAMPOS DOS GOYTACAZA (Tese Doutorado em Produção
Vegetal, 2007).
LYRA, P. H. N. Avaliação do custo de implantação de um hectare de canade-açúcar para médio produtor de Alagoas em área de tabuleiro em canaplanta na safra 2002/2003. Maceió, UFAL, 2004. Monografia (Graduação em
Agronomia) Universidade Federal de Alagoas, Maceió-AL, 2004.
MACEDO,N.Variedades da cana-de-açúcar,2008.ComCiência. Disponível
em: <http://www.comciencia.br/comciencia/?section=23hjd=258>. Acesso em:
02 outubro 2010.
MACIEL J., A. V.; Importância Estratégica e Cenários Futuros para o Setor
Sucroalcooleiro. FAZU, Uberaba-MG, 2007. 63p.
MARION, J. C. Contabilidade Rural. 4ª Ed., São Paulo, Atlas, 1996.
MARION, J. C. (2003) - Contabilidade Empresarial. Editora Atlas. São Paulo.
MORAIS, J. V. M. Custo de implantação de um hectare de cana-de-açúcar
no primeiro ciclo para fornecedores em encostas de Capela, Alagoas. Rio
Largo, AL: CECA/UFAL, 2009 (Trabalho de Conclusão de Curso).
ORLANDO FILHO,J. A produção da cana, 2007. Disponível em:
<http//www.palazo.pro/cana/archives/net>. Acesso em: 02 fev 2011.
Raij, B. et al. Recomendações de adubação e calagem para o Estado de
São Paulo (2007).
29
SEMIÁRIDO PRODUÇAO DE CANA-DE-AÇÚCAR disponível em:
http://nossosemiarido.blogspot.com/2010/01/producao-de-cana-de-acucar.html
Acesso em: 06 jan 2011.
SILVA, E. M. Usina Camaragibe, dados pluviométricos (2010), comunicação
pessoal.
SOUZA, R. R. Panorama, oportunidades e desafios para o mercado
mundial de álcool automotivo. 2006. Dissertação (Mestrado Em Tecnologia
De Processos Químicos E Bioquímicos) – Escola de Química, UFRJ, R. J.
2006.
TAKESHI,H.Cana no estado e São Paulo, 2008.Disponível em:
http//www.takeshi.inf.br>.Acesso em: 02 fev 2011.
TENDENCIAS E MERCADO disponível em:
http://www.tendenciasemercado.com.br/negocios/producao-de-cana-de-acucarbate-recorde-em-2010/ Acesso em: 14 jan 2011.
UNICAMP – Centro de Gestão e Estudos Estratégicos. Estudo sobre as
possibilidades e impactos da produção de grandes quantidades de etanol
visando à substituição parcial de gasolina no mundo – Relatório Final.
Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético, Universidade Estadual de
Campinas, Campinas, 2005. Acesso em: 25 mai 2011.
30
