Everto T B Almeida
EVERTON TALVANES BARROS DE ALMEIDA.pdf
Documento PDF (728.7KB)
Documento PDF (728.7KB)
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
AVALIAÇÃO DE GENÓTIPOS DE BATATA-DOCE (Ipomoea batatas (L.)
Lam.), EM CULTIVO CONVENCIONAL NO MUNICÍPIO DE RIO LARGO
ALAGOAS.
EVERTON TALVANES BARROS DE ALMEIDA
RIO LARGO – ALAGOAS
DEZEMBRO - 2011
III
EVERTON TALVANES BARROS DE ALMEIDA
AVALIAÇÃO DE GENÓTIPOS DE BATATA-DOCE (Ipomoea batatas (L.)
Lam.), EM CULTIVO CONVENCIONAL NO MUNICÍPIO DE RIO LARGO
ALAGOAS.
Trabalho de Conclusão de
Curso apresentado ao Centro
de Ciências Agrárias como
parte dos requisitos para
obtenção
do
título
de
Engenheiro Agrônomo.
Orientador:
Prof.
Jair Tenório Cavalcante.
ALAGOAS
2011
M.Sc.
Aos meus pais, Geraldo Candido de Almeida e Jivanete Mendonça Barros, que
me deram educação, ensinando a respeitar e viver de forma digna, e em
quaisquer circunstâncias estiveram presentes e souberam me guiar no caminho
em que devo andar...
...a vocês que se doaram inteiros e muitas vezes renunciaram aos seus sonhos,
para que os meus fossem realizados.
DEDICO
III
A todos meus familiares, amigos e professores que sempre me apoiaram estando
ao meu lado em todos os momentos dessa caminhada, aos que confiam e me
olham com carinho, a todos os que de alguma forma me ajudaram, enfim, aos que
tornaram este sonho possível.
OFEREÇO
IV
AGRADECIMENTOS
Agradeço em primeiro lugar a Deus por ter me dado à oportunidade de
estar no mundo, a meus pais a qual posso amar e ser fortalecido na reciprocidade
do mesmo amor, pelo apoio e incentivo durante toda minha vida acadêmica, me
incentivado a realizar esse sonho. A Ericson Barros de Almeida e Elison Rodrigo
Barros de Almeida, que além de irmãos são verdadeiros amigos e incentivadores
dessa minha realização;
Aos meus amigos que tenho certeza que sempre estarão ao meu lado da
mesma forma que eu sempre estarei com eles por toda minha vida: Pedro Lopes,
Benigno França, Iago Mendonça, Anthony Gomes e Paola Regina pela presença
constante, estímulo prestado nesses anos de convivência durante todos esses
anos;
Aos meus amigos de graduação, Lucas Emanuel Barros, Ana Caroline,
João Victor, Jonhclécio, Dallas Diego, José Anderson, Naciel Campos, Nayane
dos Santos, Raphael José, Manacés, Ellem Rebecca, Lais Fernanda e a todos os
outros colegas de classe pela amizade, ao longo do curso e incentivo nas
dificuldades contribuindo para um engrandecimento na vida;
Ao Centro de Ciências Agrárias (UFAL), pelo cumprimento do seu papel
social na formação de ótimos profissionais, aos meus professores que doaram de
seu tempo, atenção para passar o conhecimento por eles adquirido.
Um agradecimento especial ao professor e orientador Jair Tenório
Cavalcante, pelas oportunidades, orientações e amizade, contribuindo de forma
fundamental para a minha formação de vida e profissional;
E também ao professor Paulo Vanderlei Ferreira pela honra e oportunidade
de estagiar em seu setor de Melhoramento Genético de Plantas fazendo parte
desta equipe, contribuindo muito para meu progresso acadêmico.
Aos companheiros da equipe do Setor de Melhoramento Genético de
Plantas da U. A. CECA/UFAL: Lucas dos Santos Medeiros, Lucas Silva, Alonso
Barros da Silva, Paulo Ricardo, Anderson Tenório, Samuel França, Kleiton Danilo
que participaram e executaram este trabalho Comigo. Ao Engº. Agrônomo
Ronaldo Bernardino pela união, apoio e companheirismo sempre que precisei
SUMÁRIO
V
DEDICATÓRIA........................................................................................................III
OFERECIMENTO...................................................................................................IV
AGRADECIMENTOS..............................................................................................V
LISTA DE TABELAS..............................................................................................VI
RESUMO...............................................................................................................VII
INTRODUÇÃO.......................................................................................................02
2 – REVISÃO DE LITERATURA............................................................................03
2.1 – Descrição geral da cultura batata-doce...............................................03
2.2 – Clima....................................................................................................04
2.3 – Solo......................................................................................................05
2.4 – Preparo do solo....................................................................................05
2.5 – Adubação.............................................................................................06
2.6 – Épocas de plantio.................................................................................07
2.7 – Formas de propagação........................................................................07
2.8 – Métodos de plantio...............................................................................08
2.9 – Tratos culturais.....................................................................................08
2.9.1 – Capina...............................................................................................08
2.9.2 – Amontoa............................................................................................09
2.9.3 – Irrigação............................................................................................09
2.9.4 – Controle fitossanitario.......................................................................10
2.10 – Principais doenças.............................................................................10
2.11 – Principais pragas................................................................................12
3 – MATERIAL E MÉTODOS.................................................................................15
3.1 – Local e ano do experimento.................................................................15
3.2 – Origem dos genótipos avaliados..........................................................15
3.3 – Delineamento experimental.................................................................15
3.4 – Manejo cultural adotado.......................................................................16
3.5 – Caracteres avaliados...........................................................................16
3.6 – Análise estatística do experimento......................................................17
4 – RESULTADOS E DISCUSSÃO.......................................................................18
5 – CONCLUSÕES................................................................................................21
6 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................22
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Análise química do solo da área experimental da U. A. CECA/UFAL, antes
da instalação do experimento. Rio Largo-AL, 2010.....................................15
Tabela 2 - Resumo das análises de variância da avaliação de genótipos de batata-doce
no município de Rio Largo-AL para as variáveis avaliadas, 2010................17
Tabela 3 - Médias1/ de cinco variáveis avaliadas de 7 genótipos de batata-doce. Rio
Largo-AL, 2010 ............................................................................................17
VI
RESUMO
ALMEIDA, E. T. B. AVALIAÇÃO DE GENÓTIPOS DE BATATA-DOCE (Ipomoea
batatas (L.) Lam.), EM CULTIVO CONVENCIONAL NO MUNICÍPIO DE RIO
LARGO ALAGOAS. (Trabalho de Conclusão de Curso).
O presente trabalho foi conduzido durante o ano de 2010 no Centro de Ciências
Agrárias da Universidade Federal de Alagoas (CECA/UFAL), localizado no
Campus Delza Gitaí, BR 104 Norte, km 85; onde foram avaliadas duas variedades
locais de batata-doce, Rainha de Penedo (genótipo 06) e Sergipana (genótipo 07)
como testemunhas e cinco clones de batata-doce desenvolvidos no Setor de
Melhoramento Genético de Plantas do CECA/UFAL, obtidos a partir de sementes
botânicas de populações de polinização livre, em novembro/97. São eles: CL-01
(genótipo 01), CL-03 (genótipo 02) e CL-10 (genótipo 05), provenientes da cultivar
Co Copinha; CL-06 (genótipo 03), proveniente da cultivar 60 Dias; CL-09
(genótipo 04), proveniente da cultivar Paulistinha Branca. Foi utilizado o
delineamento em blocos casualisados com 7 genótipos de batata-doce em 3
repetições. O solo onde foi conduzido o experimento recebeu correção através da
calagem e adubação mineral com NPK, de acordo com as recomendações para a
cultura. As parcelas experimentais foram constituídas por três leiras de 6,0m de
comprimento com 0,30m de altura cada, com 15 plantas por leira, no
espaçamento de 0,80m x 0,40m, foi considerado como área útil a fileira central.
Durante o período de condução do experimento os genótipos de batata-doce
receberam todos os tratos culturais necessários para um bom desenvolvimento da
cultura. A colheita foi realizada aos 130 dias após o plantio, onde foram avaliados
os seguintes caracteres: número de raízes comerciais (NRC); em unid.ha-1;
rendimento de raízes comerciais (RRC) em t.ha -1; número de raízes não
comerciais (NRNC); em unid.ha-1; rendimento de raízes não comerciais (RRNC)
em t.ha-1 e rendimento total das raízes (RTR) em t.ha-1. Os clones desenvolvidos
pelo SMGP/CECA/UFAL, apresentaram rendimento médio acima da média do
Estado de Alagoas.
Palavras-chaves: clones, melhoramento de plantas, adubação e rendimento.
VII
1- INTRODUÇÃO
A batata-doce (Ipomoea batatas (L.) Lam) é considerada uma das doze mais
importantes culturas do mundo (BARRERA, 1989). É uma hortaliça tuberosa muito
popular e cultivada em todo território brasileiro. A planta é rústica, de ampla
adaptação, alta tolerância à seca e de fácil cultivo (MIRANDA et al., 1995). O Brasil
é o décimo maior produtor de batata-doce do mundo, sendo esta a quarta hortaliça
mais produzida no país e o consumo per capita é de 3,60 kg/ano (OLIVEIRA, 2000;
MENEZES, 2002; KOTH et al. 2004) é fonte de energia, minerais e vitaminas C e do
complexo B. Algumas cultivares são ricas em vitaminas A, podendo ser consumida
assada, cozida ou frita (SOARES et al., 2002).
Em termos de maiores produtores mundial de batata-doce estão: China,
Indonésia, Índia e Japão, sendo que a China destaca-se como maior produtor
mundial, atingindo 150 milhões de toneladas por ano. No continente Latino
Americano, o Brasil surge como o principal produtor contribuindo com 3 milhões de
toneladas anuais. No Brasil os estados de maior produção são Rio Grande do Sul,
Santa Catarina, Bahia e Paraná (SOARES et al., 2009). Conforme Prata (1983), os
tubérculos podem ser ingeridos cozidos, assados, fritos ou sob a forma de purê e
doces. Quando cozidos, possuem agradável paladar, são bastante alimentícios.
A cultura de batata doce tem grande importância meio à agricultura brasileira,
mas como toda hortaliça é produzida em pequena escala e trabalhada como uma
atividade múltipla de produção agrícola, feita sem tecnologia e sem orientação
profissional, obtendo-se baixa produtividade e qualidade de produtos, pois é
cultivada de forma empírica. A cultura da batata-doce tem como característica uma
alta eficiência em absorção de nutrientes por constituir de um sistema radicular bem
ramificado (MIRANDA et al., 1987). Contudo deve-se considerar que a extração de
nutrientes depende da cultivar, das características químicas e físicas do solo, do
clima e do ciclo da cultura, esses fornecimentos de nutrientes são feitos com a
finalidade de aumentar e manter a alta capacidade produtiva da cultura.
De acordo com dados do IBGE (2009), a situação de Alagoas é crucial, pois
apresenta produtividade média de 8,87 t.ha-1. E ainda não existe cultivares
selecionadas para a região (CAVALCANTE et al., 2003). No entanto, o Setor de
Melhoramento Genético de Plantas do Centro de Ciências Agrárias da Universidade
Federal de Alagoas (SMGP/CECA/UFAL) desenvolve pesquisas em alguns
02
municípios alagoanos, com o intuito de obter variedades promissoras para as
diversas regiões do Estado.
Este trabalho teve como objetivo avaliar clones de batata-doce do
(SMGP/CECA/UFAL), em cultivo convencional no município de Rio Largo-AL.
2 - REVISÕES DE LITERATURA
2.1 - Descrição geral da cultura da batata-doce
A batata-doce, é originária da América Central e do Sul, sendo encontrada
desde a Península de Yucatam, no México, até a Colômbia. Relatos de seu uso
remontam de mais de dez mil anos, com base em análise de batatas secas
encontradas em cavernas localizadas no vale de Chilca Canyon, no Peru e em
evidências contidas em escritos arqueológicos encontradas na região ocupada pelos
Maias, na América Central (EMBRAPA, 2004).
A batata doce é pertencente à classe das Dicotiledôneas, família
Convolvulácea, gênero Ipomoea e espécie (Ipomoea batatas (L.) Lam.).
De acordo com Prata (1983), a batata-doce é cultivada em pequenas áreas e
desde os tempos coloniais, em todos os recantos do Brasil. No Nordeste é plantada
durante todo o ano nos baixios úmidos ou nas vazantes dos açudes, lagoas e no
leito arenoso dos rios periódicos. É durante as grandes secas uma planta
providencial, pois que pode suprir de alimento em curto prazo o homem sertanejo,
quando plantada sob irrigação, ou mesmo na faixa úmida da periferia dos açudes.
Conforme Barrera (1989), é uma planta herbácea, de crescimento rasteiro,
podendo suas ramas atingir de 2 a 3 metros, em algumas variedades pode chegar
até 10 metros de comprimento, com coloração que variam de verde claro, escuro a
roxo e diâmetro variando de 5 a 8 mm. Segundo Filgueira (2008), o ciclo da planta
inclui uma etapa vegetativa na qual as substâncias fotossintetizadas na parte aérea
são translocadas para as raízes tuberosas, que se tornam ricas em amido e
açúcares. Na etapa reprodutiva, ocorre o florescimento com produção de sementes
utilizadas pelos fitomelhoristas na obtenção de novas cultivares.
O sistema radicular é amplo e complexo. Assim, é formado por raízes
superficiais, que se concentram até 10 cm de profundidade, originárias dos nós nas
ramas. Também há uma raiz principal, que se aprofunda no solo, atingindo 90 cm, e
raízes laterais. Essas raízes secundárias são ativas na absorção de nutrientes,
03
sendo mais numerosas á maior profundidade, e algumas se tornando raízes
tuberosas. É por causa desse tipo de sistema radicular que a batata-doce é uma
cultura olerácea altamente resistente à seca (FILGUEIRA, 2008).
Segundo Miranda et al. (1995), o potencial produtivo da batata-doce é
enorme, por ser uma das culturas com maior capacidade de produzir energia por
unidade de área e tempo (Kcal/ha/dia). Em experimentos realizados no
CNHP/EMBRAPA foram obtidos valores de produtividade na faixa de 25 a 30 t.ha -1
em ciclo de 120 a 150 dias.
2.2 – Clima
De acordo com Barrera (1989), a batata-doce, como uma planta típica das
regiões tropicais, exige para seu cultivo um clima com temperatura entre os 22° e
28° graus centígrados. Tanto melhor produzirá quanto mais quente for o clima, uma
vez que, para completar o seu ciclo vegetativo, necessita de apreciável quantidade
de calor (PRATA, 1983). Para o seu bom desempenho, pode ser cultivada numa
faixa entre 40° de latitude norte e 40° ao sul em altitudes de até 2.700 m acima do
nível do mar (MIRANDA et al., 1995).
As maiores áreas cultivadas localizam-se em regiões que apresentam clima
constantemente quente e alta luminosidade. Entretanto, embora a planta vegete e
produza ao longo do ano, o desenvolvimento das raízes tuberosas é beneficiado por
temperatura noturna amena e por fotoperíodo mais curto. Sob temperaturas
constantemente amenas, a cultura também é viável, desde que não ocorra frio por
período prolongado. Em solo com baixas temperaturas, a planta desenvolve-se mal,
sendo inadaptável a solos frios (FILGUEIRA, 2008).
A batata-doce se desenvolve melhor em regiões com pluviosidade anual entre
750 a 1.000 mm anuais, sendo que 500 a 600 mm são necessário durante o ciclo do
crescimento. A fase crítica no ciclo da cultura ocorre na primeira semana após o
plantio, pois as ramas ainda não possuem sistema radicular. Nesse período é
necessário fazer pelo menos duas irrigações, sendo uma logo após o plantio
(EMBRAPA, 2004).
04
2.3 – Solo
Preferem os solos leves, desde os arenosos aos sílicos-argilosos fofos de boa
drenagem. Os terrenos muitos compactos devem ser rejeitados. É uma planta
esgotante, mas, devido a sua rusticidade, pode com relativo sucesso ser plantada
mesmos nos solos pobres como, por exemplo, nas areias pouco humosas (PRATA
1983). Solos arenosos facilitam o crescimento lateral das raízes, evitando a
formação de batatas tortas ou dobradas. Além disso, facilita a colheita, permitindo o
arranquio das batatas com menor índice de danos e menor esforço físico. Solos
ácidos, com pH entre 4,5 e 5,5 resultam em menor ocorrência de sarna, que é uma
bacteriose causada por Streptomyces spp. Entretanto, solos muito ácidos,
geralmente têm níveis elevados de alumínio solúvel, o que é prejudicial ao
desenvolvimento das plantas (EMBRAPA, 2004).
Em muitos solos a calagem é desnecessária, mas, caso seja efetuada, deve
elevar a saturação por bases para 60% (FILGUEIRA, 2008).
2.4 – Preparo de solo
O preparo do solo é essencial para o bom desenvolvimento da batata-doce. É
importante fazer a análise química e física do solo. As amostras devem ser
coletadas e enviadas a um laboratório especializado, no mínimo, quatro a cinco
meses antes do plantio, a calagem, se necessário, deve ser feita noventa dias antes
do plantio, com base na análise do solo (MIRANDA et al., 1995).
Segundo Filgueira (2008), esta cultura tuberosa é exigente de preparo do
solo, devendo-se arar a 30-35 cm de profundidade, seguindo-se a gradagem. Depois
disso, sulca-se a 15 cm de profundidade, no espaçamento de 80 cm. Aduba-se o
fundo do sulco. Levantam-se leiras, com cerca de 25 cm de altura, passando-se um
sulcador de asas abertas entre os sulcos. Portanto, as leiras sobre as quais será
efetuado o plantio situam-se sobre os sulcos adubados.
05
2.5 – Adubação
A planta de batata-doce possui um sistema radicular muito ramificado o que a
torna eficiente na absorção de nutrientes, especialmente o fósforo. Por isso, são
raros os resultados positivos de adubação fosfatada (CAMARGO, 1951; CAMARGO
et al, 1962;BREDA FILHO et al, 1966). Para uma produção de 13 a 15 t.ha-1 de
raízes, a batata-doce extrai do solo 60 a 113 kg de nitrogênio; 20 a 45,7 kg de
fósforo (P2O5); 100 a 236 kg de potássio (K2O); 31 a 35 kg de cálcio (CaO) e 11 a 13
kg de magnésio (MgO). Para a produção de 30 t.ha -1 de raízes, extrai 129 kg.ha-1 de
N; 50 kg.ha-1 de P2O5 e 257 kg.ha-1 de K2O (MIRANDA et al., 1995).
Segundo Cavalcante et al. (2003), as exigências minerais da cultura são em
ordem decrescente: potássio, nitrogênio, fósforo, cálcio e magnésio.
A planta tem se mostrado notoriamente pouco exigente de nutrientes, razão
pela qual tem sido cultivada dependendo, muitas vezes, tão-somente da fertilidade
natural do solo, ou do resíduo de adubações anteriores. Muitos produtores
consideram que “batata doce prefere terra pobre”. Na verdade, ocorre notável
habilidade das raízes desta planta em utilizar formas menos aproveitáveis de P,
devido a uma útil associação com microrrizafungos filamentos que habitam as
raízes. Quando são aplicados fertilizantes, essa vantagem natural é perdida
(FILGUEIRA, 2008).
O potássio favorece a formação e translocação de carboidratos e o uso
eficiente da água pela planta; equilibra o excesso de aplicação de nitrogênio,
melhora a qualidade do produto, conseqüentemente, o valor de mercado. O potássio
juntamente com o fósforo é responsável pelo aumento da produtividade, sendo
necessária a remoção de 340 kg/ha-1 de K2O para que ocorra produção máxima de
raízes comerciais, já que o potássio desempenha papel importante na formação das
raízes tuberosas. Em função, disso, quando ocorre deficiência desse nutriente, há
redução da produção de raízes comerciais, e maior formação de raízes curtas e
irregulares.
A resposta ao N tem sido menor e variável, ocorrendo inclusive efeito
negativo. A aplicação de N deve ser cuidadosamente dosada, já que pode resultar
em diminuição na produtividade, demonstrada em alguns experimentos. Excesso de
N, em solo naturalmente rico em matéria orgânica, provoca um grande crescimento
06
vegetativo em detrimento da formação e desenvolvimento das batatas, que se
apresentam com menor teor de açúcares (FILGUEIRA, 2008).
2.6 - Épocas de plantio
A época de plantio varia em função das condições locais (temperatura,
luminosidade, fotoperíodo) e da cultivar (precoce vigor e tipo de planta). Deve-se
considerar ainda a disponibilidade ou não de equipamento de irrigação.
A melhor época para o plantio da batata-doce é na metade do período
chuvoso, nos meses de novembro, dezembro e janeiro, nos Estados do CentroOeste, Sudeste e Sul do Brasil. No Nordeste, deve-se plantar no início da estação
chuvosa, de abril a junho, entretanto, sob condições de irrigação, pode-se plantar
durante todo o ano, desde que não ocorram temperaturas menores que 10 °C por
períodos longos (SOARES et al., 2002).
2.7 - Formas de propagação
A propagação é exclusivamente efetuada pelo plantio de órgãos vegetativos,
são eles: a própria batata-doce brotada; brotos destacados da batata; ramas velhas,
coletadas em culturas; e ramas novas, obtidas em viveiros. Há unanimidade entre os
pesquisadores brasileiros, no que se refere ao fato de as ramas novas, produzidas
em viveiros, serem o melhor material de plantio. As principais razões de as ramas
velhas obtidas em cultura estabelecida não serem consideradas o melhor material
de plantio são: alto risco de introdução de doenças e pragas na nova cultura; menor
capacidade vegetativa em relação às ramas novas; ciclo até a colheita mais
prolongado; e obtenção de produtividade menor (FILGUEIRA, 2008).
A produção de ramas a partir de batatas é utilizada apenas em locais com
inverno muito rigoroso, quando não se tem a opção de obter material de reprodução
em lavouras em crescimento no campo (EMBRAPA, 2007). Segundo Miranda et al.
(1995), a propagação por raízes (batatas) não é recomendada para fins comerciais,
porque reduz a produtividade, aumenta o ciclo da cultura, produz batatas pequenas
e de má qualidade, encarece o custo de produção e ainda facilita a transmissão de
doenças e pragas, porém o emprego de batatas é de grande utilidade na formação
de viveiro para a produção de mudas ou ramas de boa qualidade.
07
Conforme Filgueira (2008), são cortadas ramas novas em pedaços de 30-40
cm de comprimentos e 8-10 entrenós, que correspondem ao mesmo número de
folhas. Devem ser cortadas na véspera do plantio, para murcharem, evitando-se que
se partam ao serem enterradas.
2.8 - Métodos de plantio
No plantio, enterram-se 3-4 entrenós, à profundidade de 10–12 cm, no topo
das leiras já construídas. Um bom instrumento auxiliar é o plantador-bengala, com
ponta escavada em forma de “U”. Um operador vai à frente, colocando as ramas
transversalmente sobre as leiras, e a outra força a rama para baixo, com a ponta do
instrumento, tocando-a pela ponta. O plantio deve ser efetuado com o solo da leira
previamente umedecido (FILGUEIRA, 2008).
Segundo Filgueira (2008), constata-se que, ao serem enterrados poucos
entrenós, obtêm-se pouca batata, porém todas graúdas. Contrariamente, muitos
entrenós enterrados resultam em numerosas batatas, com possível aumento na
produtividade (em peso por área), as quais apresentam menor tamanho e talvez não
atendam à preferência do consumidor. Parece que enterrar 3–4 entrenós é um modo
adequado de atender a todos os requisitos. O espaçamento de plantio sobre as
leiras deve ser de 80–90 cm entre fileiras e de 25–40 cm nas fileiras. Espaçamentos
maiores resultam em aumento no tamanho e no peso das batatas colhidas, o que
pode não ser bem aceito pelo mercado, além de reduzir a produtividade.
2.9 - Tratos culturais
2.9.1- Capina
Esta é uma cultura pouco exigente de tratos culturais. Entretanto, as leiras
podem exigir reparos, efetuados pela passagem de um sulcador de asa larga, o qual
também realiza uma capina. Outras capinas são realizadas por meio de cultivadores.
Deve-se manter a cultura livre de mato nos primeiros 60 dias, uma vez que a maior
competição ocorre até 45 dias do plantio. A partir de então a vegetação compete,
vantajosamente, com as plantas invasoras. Não há tradição no uso de herbicidas
(FILGUEIRA, 2008).
08
2.9.2 – Amontoa
A amontoa consiste em reformar as leiras. Esta operação tem a finalidade de
escarificar o solo, tornando-o mais frouxo e, portanto com menor resistência ao
crescimento lateral das raízes de reserva, o que favorece a formação de raízes
menos tortuosas. Outra função da amontoa é vedar as rachaduras do solo formadas
pelo crescimento das raízes. Por meio dessas rachaduras, alguns insetos-praga
fazem a postura diretamente nas raízes, favorecendo a sua danificação. A amontoa
é geralmente realizada uma única vez, alguns dias após a última capina. Deve ser
uma operação exclusiva, pois nesse caso o operário trabalha caminhando
lateralmente, utilizando uma enxada para retirar terra da entrelinha para reformar a
leira. O tempo dado após a capina é necessário para que ocorra a desidratação e
morte das plantas cortadas durante a capina (EMBRAPA, 2004).
2.9.3 – Irrigação
Conforme Filgueira (2008), a batata-doce exige pouca água – é uma das
hortaliças mais resistentes à seca – devido à eficiência do sistema radicular. Por
isso, a maioria dos plantios não é irrigada. Quando se planta durante o outono,
visando preços elevados na colheita, irriga-se por aspersão ou no sulco. A maior
exigência de água ocorre na fase inicial do crescimento das ramas, até que a
vegetação cubra o solo. O excesso de água pode provocar alto desenvolvimento da
parte aérea e diminuição no número de tubérculos, e com a aproximação da colheita
prejudica também o sabor do produto e a capacidade de conservação, além de
aumentar a incidência de podridões.
2.9.4 – Controle fitossanitário
Em geral no controle fitossanitário utilizam-se materiais de propagação
sadios, cultivares resistentes, rotação de culturas, amontoas adequada para redução
dos danos causados por insetos do solo; evitar armazenar batatas por período
superior a 30 dias; evitar colheitas tardias e eliminar restos culturais.
09
A aplicação de inseticidas de solo no plantio é antieconômico e ineficiente no
controle das pragas da batata-doce, portanto é preferível utilizar cultivares
resistentes (MIRANDA et al., 1995).
2.10 – Principais doenças
A planta de batata-doce é conhecida pela rusticidade e é possível cultivá-la
sem a aplicação de agrotóxicos, mas fungos, vírus, nematoides, micoplasma e
bactérias utilizam-se da planta como hospedeira. Em condições favoráveis, os danos
causados por um ou mais desses patógenos podem atingir níveis prejudiciais. De
acordo com Miranda et al. (1995), as principais doenças são:
a) Doenças provocadas por fungos:
Mal-do-pé (Plenodumus destruens Harter, 1913) - Pode causar grandes
perdas e até inviabilizar o cultivo na mesma área por vários anos. Os sintomas
aparecem inicialmente no caule, ao nível do solo, como pequenos pontos escuros,
que vão aumentando de tamanho até tomar toda a base da planta, que fica
enegrecida. Como consequência, a planta murcha e morre, caso não haja brotação
secundária das ramas. A infecção pode atingir as raízes tuberosas, que apodrecem
a partir do ponto de união do caule com a raiz.
Ferrugem
branca
(Albugo
ipomoea
Singh,
1963)
-
De
ocorrência
generalizada, esta doença raramente provoca danos que justifiquem medidas
especiais de controle. A ferrugem branca se manifesta com pequenas manchas
amareladas na parte superior das folhas e com pústulas esbranquiçadas na parte
inferior. Com o desenvolvimento da doença, as áreas afetadas ficam deformadas,
como se fossem bolhas. Pústulas esbranquiçadas podem também aparecer no
caule.
Sarna (Monilochaetes infuscans Harter, 1916) - A sarna ataca somente as
raízes, provocando manchas escuras e difusas, que afetam a película das batatas,
desvalorizando-as comercialmente, embora a polpa não seja afetada.
Mancha-de-alternária (Alternaria ssp. Sorauer, 1896) - O sintoma principal é o
amarelecimento das folhas, ocasionado pela toxina liberada pelo fungo em
desenvolvimento, em lesões no limbo e pecíolos foliares. Essa doença só tem
10
importância econômica quando cultivares suscetíveis são plantadas sob condições
de temperatura e umidade altas.
Mancha-parda (Phyllosticta batatas Cooke, 1878) - De ocorrência pouco
frequente, essa doença ataca somente as folhas, formando manchas arredondadas
com bordas marrons e centro cor de palha, onde podem ser observados pequenos
pontos negros, que são estruturas do fungo. Às vezes, as lesões ficam rasgadas ou
se desprendem, deixando a folha furada.
Podridão-mole (Rhizopus sp. Ehrend, 1820) - A podridão-mole ocorre
principalmente após a colheita, mas pode ocorrer no campo se a colheita estiver
atrasada ou o solo estiver muito úmido. As batatas atacadas apresentam uma
podridão mole, porém não muito úmida. A raiz afetada pode ser facilmente quebrada
e não apresenta mau cheiro. Já no armazém, raízes atacadas apresentam
rapidamente a formação de um mofo preto, que se propaga facilmente para outras
raízes.
b) Doenças causadas por vírus:
Muitos vírus foram isolados de plantas de batata-doce e entre eles ocorrem
interações. O vírus identificado como o mais prejudicial é o Feathery mottle ou vírus
do mosqueado, cujo sintoma é um mosaico suave. As plantas atacadas apresentam
pequeno crescimento, as folhas se tornam estreitas e amareladas. A principal fonte
de contaminação da lavoura é o plantio de ramas infectadas e a disseminação se
dá, principalmente, por pulgões.
c) Micoplasmose:
Conhecida também como doença do enraizamento caracteriza-se pela
superbrotação e deformação do limbo foliar, formando um aglomerado de pequenos
brotos afiliados.
d) Doenças causadas por nematoides:
A susceptibilidade aos nematoides contribui para a limitação do potencial
produtivo, em especial, os nematoides do gênero Meloidogyne. Estes, além de
11
impedirem um desenvolvimento satisfatório das raízes, podem provocar rachaduras
longitudinais e/ou irregularidades no formato (FREITAS et al., 2001).
2.11 – Principais pragas
De acordo com Silva et al. (2004), as principais pragas que afetam a cultura
da batata-doce são:
Broca-da-raiz
–
Eucepes
postfasciatus
Fairmaire,
1849
(Coleoptera,
Curculionidae) são besouros com 3 a 5 mm de comprimento, com coloração
castanha ou marrom, tendo manchas claras. As fêmeas depositam seus ovos nas
ramas, de preferência nos nós e nas partes mais grossas, junto ao caule, e nas
raízes tuberosas, as fêmeas fazem um orifício de ovoposição e colocam um ovo por
orifício. Após eclodirem as larvas cavam galerias danificando as raízes interna e
externamente, desvalorizando-as e alterando o seu aspecto físico, odor e sabor,
tornando-as imprestáveis para o consumo.
Broca-do-coleto - Megastes pusialis Snellen, 1875 (Lepidóptera, Pyralidae) As fêmeas depositam seus ovos no caule e nas hastes da planta próximo à base,
por isso recebem o nome de “borca-do-coleto”. As lagartas desta praga formam
galerias largas dentro do caule e hastes largas, podendo se estender até as batatas.
Vaquinha
ou
bicho-do-alfinete
-
Diabrotica
speciosa
German,
1824
(Coleoptera, Chrysomelidae) - Os adultos são besouros verdes, com manchas
amarelas nos élitros e medem 5 a 8 mm. A fêmea põe os ovos no solo ou na base
do caule da planta. As larvas são geralmente brancas e atingem até 10 mm de
comprimento e seus principais danos são pequenos furos na raiz, e além do dano
direto, a perfuração na raiz facilita a entrada de fungos e bactérias.
Besouro ou Larva-arame – Conodus sp. Eschuscholtz, 1829 (Coleoptera,
Elateridae) - Os adultos apresentam a forma do corpo afilada, típica de elaterídeos.
As larvas medem até 20 mm de comprimento, apresenta corpo rígido, cilíndrico,
fortemente quitinizadas. Ataca as batatas, perfura o caule e outras partes
subterrâneas da planta, os furos são profundos, o que diminui o valor comercial das
raízes, além de facilitar a entrada de fungos e bactéria.
12
2.12 – Colheita
De acordo com Filgueira (2008), quando se efetua o plantio na primaveraverão, por efeito da seca e do frio invernais, a parte aérea amarelece e grande parte
das folhas seca e cai, caracterizando o ponto de colheita. Em regiões quentes, com
inverno suave, a cultura mostra a sua perenidade, vegetando ao longo do ano, não
ocorrendo, assim, no final do ciclo. Neste caso, colhem-se as batatas quando elas
atingirem o tamanho adequado, podendo-se realizar colheitas parceladas. Colhendo
em solo seco, obtém-se produto de melhor qualidade e maior conservação livre de
podridões.
No caso das cultivares precoces, do plantio de ramas novas até a colheita
decorrem 100 - 115 dias e, para aquelas de ciclo tardio, 140 – 170 dias (FILGUEIRA,
2008). Segundo Miranda et al. (1995), para a indústria, a batata pode ser colhida
mais tarde, com raízes atingindo maior peso médio. Para forragem animal, também
deve ser colhida mais tarde, pois, nesse caso, o que interessa é a produção de
matéria seca por unidade de área. Para o consumo humano, a colheita deve ser
feita tão logo as raízes atinjam o tamanho ideal exigido ou aceito pelo mercado,
considerando também, o local, época de plantio, cultivar, espaçamento e adubação.
Colhe-se manualmente, com auxílio de enxada encabada em ângulo reto,
podendo a colheita ser escalonada. Em grandes áreas, utilizam-se arado de aíveca,
sulcador e colhedeira de batatinha. Deve-se eliminar a parte aérea no dia anterior ao
da colheita, manualmente, ou adaptando-se discos e ganchos na parte dianteira de
um trator. Pode-se secar as batatas, expondo-as à luz solar, por cerca de 30
minutos, sob temperaturas elevadas. Em culturas tecnicamente conduzidas, a
produtividade varia de 20 a 40 t/ha-1, sendo muito influenciada pelo material utilizado
no plantio (FILGUEIRA, 2008).
Se houver necessidade de armazenamento para comercialização em
mercados mais exigentes, deve-se proceder à cura. Depois colocam-se em caixas
em ambiente de alta temperatura (28 a 30°C) e alta umidade relativa do ar (85 a
90%), por quatro a sete dias (MIRANDA et al., 1995). O beneficiamento, para a
comercialização, consiste na lavagem e secagem. Em seguida, as batatas são
classificadas e embaladas. Mercados exigentes preferem batatas com 13 – 15 cm
de comprimento, peso unitário de 200 – 400 g, lisas, de formato fusiforme-alongado,
13
isentas de danos causados por pragas ou anomalias fisiológicas (FILGUEIRA,
2008).
14
3 – MATÉRIAL E MÉTODOS
3.1 – Local e ano do experimento
O experimento foi conduzido na área experimental do Centro de Ciências
Agrárias da Universidade Federal de Alagoas, (CECA/UFAL), km 85, Rio Largo Alagoas no ano de 2010. Com solo do tipo Latossolo Amarelo coeso (Lax)
(EMBRAPA, 1999), situado a uma altitude de 9 o 27 ’S, longitude de 35 o 27 ’W e
uma altitude média de 127 m acima do nível do mar, com temperaturas médias de
máxima 29 oC e mínima de 21 oC, e pluviosidade média anual de 1.267,7 mm
(CENTENO e KISHI, 1994).
3.2 - Origem dos genótipos avaliados
Foram avaliadas duas variedades locais de batata-doce, Rainha de Penedo e
Sergipana como testemunhas e cinco clones de batata-doce desenvolvidas pelo
Setor de Melhoramento Genético de Plantas do CECA/UFAL. Os Clones foram
obtidos a partir de sementes botânicas de populações de polinização livre, em
novembro/97. São eles: CL-01, CL-03 e CL-10, provenientes da cultivar Co Copinha;
CL-06, proveniente da cultivar 60 Dias; CL-09, proveniente da cultivar Paulistinha
Branca.
3.3 – Delineamento experimental
Neste experimento foi utilizado o delineamento em blocos casualisados com
(sete), genótipos batata-doce em (três), repetições. As parcelas experimentais foram
constituídas por três leiras de 6,0m de comprimento com 0,30m de altura cada, com
15 plantas por leira, no espaçamento de 0,80m x 0,40m, considerando-se como área
útil as 11 plantas da fileira central que ocupou uma área de 3,52m2/parcela.
15
3.4 - Manejo cultural adotado
Antes do plantio foram retiradas amostras do solo da área experimental para
análise química. O solo foi preparado através de duas gradagens, o corretivo foi
aplicado sobre as leiras e incorporadas manualmente através de enxadas a uma
profundidade de 25 cm. A adubação mineral de fundação (15g/planta a 10cm de
profundidade), foi efetuada na ocasião do plantio, 90 dias após a correção
(Tabela1).
Tabela 1 - Análise química do solo da área experimental da CECA/UFAL, antes da
instalação do experimento. Rio Largo-AL, 2010.
Ph
P
H+A
Al
L
H2O
%
-------%------5,96
13,70
Ca+M
K
Na
SB
T
V
g
mg.dm-3 ------------------------- Cmolc.dm-3 -------------------------
3,30
0,05
3,80
35
11
3,9
7,2
4
4
54,40
As leiras foram construídas com 0,30m de altura, espaçadas de 0,80m
através do sulcador tratorizado. O plantio foi realizado no dia 20/08/2010 utilizando
ramas novas de noventa dias, sadias, com 8 a 9 entrenós, dos quais 3 a 4 entrenós
foram enterrados no topo das leiras a 0,05m de profundidade, espaçadas de 0,40m.
Foi necessária a utilização de irrigação suplementar por aspersão, por ocorrência de
veranicos nos primeiros 60 dias após plantio, a campina e amontoa foi efetuada
manualmente com auxílio de enxadas.
Aos 130 dias após o plantio foi realizada a colheita, com utilização de
enxadas para a coleta de 11 plantas da fileira central de cada parcela, eliminando-se
as duas primeiras e últimas plantas em cada extremidade da leira.
16
3.5 – Caracteres avaliados
Foram avaliados os seguintes caracteres: número de raízes não comerciais
(NRNC) em unid.ha-1; número de raízes comerciais (NRC) em unid.ha-1; de raízes
não comerciais (RRNC) em t.ha-1; rendimento rendimento de raízes comerciais
(RRC) em t.ha-1; e peso total das raízes (RTR) em t.ha-1.
3.6 - Análise estatística do experimento
As análises de variância do ensaio foram efetuadas em blocos casualisados e
as comparações entre médias dos genótipos de batata-doce realizadas utilizando-se
o critério de Tukey ao nível de 5% de probabilidade, seguindo as recomendações de
Ferreira (2000), utilizando o aplicativo computacional SISVAR (FERREIRA, 2003).
17
4 – RESULTADOS E DISCUSSÃO
De acordo com a tabela 2, houve diferença significativa (p<0,01) dos
genótipos sobre as variáveis NRC, RRC e RTR, rejeitando-se a hipótese de
nulidade, sendo assim, pelo menos dois genótipos diferem entre si. Os coeficientes
de variação apresentaram valores entre 9,11% (RTR) e 30,12% (RRNC), com um
CV médio de 18,67% que segundo Ferreira (2000), indica uma precisão
experimental regular ou aceitável.
Por outro lado, como há dificuldades do controle do ambiente é comum obter
coeficientes de variação altos para variáveis relacionadas a orgãos e/ou estrutras
subterrâneas (CAVALCANTE et al. 2003).
Tabela 2 - Resumo das análises de variância da avaliação de genótipos de batatadoce no município de Rio Largo-AL para as variáveis NRNC, NRC, RRNC,
RRC, RTR.
QM
Fonte
de
GL
Variação
NRNC
NRC
RRNC
RRC
RTR
Blocos
2
93775051.67
126720653.00
0.13
28.00
29.53
Genótipos
6
320781058.63ns
149414920.00**
1.21ns
87.53**
76.29**
Resíduo
12
131885600.48
104343536.40
0.52
1,67
1.82
28,39
15,33
30,12
10,40
9,11
CV%
NRNC=Número de raízes não comerciais; NRC=Número de raízes comerciais;
RRNC=Rendimento de raízes comerciais; RRC=Rendimento de raízes comerciais;
RTR=Rendimento total de raízes, **= significativo a 1%; ns=não significativo.
Os resultados obtidos referentes às comparações de médias das cinco
variáveis dos sete genótipos de batata-doce aos 130 dias após plantio no município
de Rio Largos-AL, encontram-se na Tabela 3, seguindo o critério de Tukey no nível
de 5% de probabilidade.
18
Tabela 3 - Médias1/ de cinco variáveis avaliadas de 7 genótipos de batata-doce.
Genótipos
NRNC
NRC
-1
-1
RRNC
RRC
RTR
-1
-1
(unid/ ha )
(unid/ ha )
(t.ha )
(t.ha )
(t.ha-1)
Clone 01
55.871.21 a
53.977.27 ab
3.32 a
8,28 b
11,60 b
Clone 03
41.666,67 a
69.602.27 bc
2.35 a
13,58 c
15,94 cd
Clone 06
22.727,27 a
57.765,15 ab
1.28 a
16,12 cd
17,40 d
Clone 09
45.454,54 a
36.931,81 a
2.69 a
3,94 a
6,64 a
Clone 10
40.719,70 a
55.871,21 ab
2.41 a
9,76 b
12,18 bc
R. de Penedo
43.560,7 a
94.697,00 c
2.69 a
15,79 c
18,48 de
Sergipana
33.143,94 a
97.537,88 c
2,00 a
19,68 d
21,68 e
Média Geral
40.449,14
66.626,08
2.39
10,40
14,84
1/: Médias representadas com pelo menos uma mesma letra em cada coluna, não
diferem entre si pelo teste Tukey de 5% de probabilidade.
NRNC=Número de raízes comerciais; NRC=Número de raízes comerciais; RRNC=
Rendimento de raízes comerciais; RRC= Rendimento de raízes comerciais; e
RTR=Rendimento total de raízes.
De acordo com a Tabela 3, não houve diferença significativa entre os
genótipos para a variável NRNC, onde apresentaram média geral de 40.449,14
raízes não comerciais por hectare.
Para a variável NRC, os genótipos 07 e 06, apresentaram as maiores
quantidades de raízes comerciais por hectare, apesar de não diferirem do genótipo
02 com 69.602.27 unid/ ha-1, sendo superior em relação ao obtido por Cavalcante
(1999), que foi de 19.650.00 unid/ ha-1, enquanto que o genótipo 04 apresentou a
menor quantidade de raízes comerciais por hectare, não diferindo estatisticamente
dos genótipos 01,03 e 05.
A variável RRNC, não houve diferença significativa entre os genótipos,
mesmo variando entre 1,28 t.ha-1 (genótipo 03) e 3,32 t.ha-1 (genótipo 01),
apresentando uma média geral de 2,39 t.ha-1.
Para variável RRC, os genótipos 07 e 03 demonstraram superioridade aos
demais, apresentando produtividade de 19,68 t.ha-1 e 16,12 t.ha-1 , respectivamente,
sendo maiores que 13,66 t.ha-1 genótipo 07, obtida por Júnior (2008) e 12,71 t.ha-1
genótipo 03, obtido por Cavalcante (2001). Observa-se que o genótipo 02, não
19
diferiu das testemunhas, apresentando média superior a nacional (11,4 t.ha-1) e
regional (8,87 t.ha-1) conforme os dados do IBGE (2009). Os genótipos 01 e 05
obtiveram boa produtividade, não diferindo entre-si, enquanto que o génótipo 04
apresentou a menor média em rendimento de raízes comerciais 3,94 t.ha-1.
Quanto a variável RTR, o genótipo 07 foi superior, tendo uma produtividade
de 21,68 t.ha-1, porém não diferiu do genótipo 06 com produtividade de 18,48 t.ha -1.
Os genótipos 03, 02 e 05 apresentaram um bom desempenho com produtividade de
17,40 t.ha-1, 15,94 t.ha-1 e 12,18 t.ha-1 , respectivamente , apesar do genótipo 01 não
diferir estatisticamente do genótipo 05, quando comparado com os demais seu
desempenho foi regular, ao passo que, novamente o genótipo 04 com 6,64 t.ha-1
não obteve sucesso apresentando a menor média em rendimento total de raízes por
hectare, no entanto, apresentou média superior a obtida por Júnior (2008), que foi de
3,03 t.ha-1.
20
5 – CONCLUSÕES
1- Dos clones estudados, 40% apresentaram desempenhos produtivos superiores a
média regional, sendo materiais com potencial genético promissor, clone 06,
clone 03;
2- Para esta forma de cultivo as variedades testemunhas confirmam à suas
estabilidades de produtividades. Porém em alguns casos não diferindo
estatisticamente dos clones em estudo, como é o caso do clone 06;
3- Dos clones de batata-doce desenvolvidos pelo SMGP/CECA/UFAL, o clone 06,
se destacou, com rendimento de raízes comerciais superior a média nacional e
estadual e semelhante as testemunhas utilizadas. Material promissor, podendo
num futuro próximo ser lançado como variedade.
21
6 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AZEVEDO, S. M.; FREITAS, J. A.; MALUF, W. R.; SILVEIRA, M. A. Desempenho de
clones de batata-doce e métodos de plantio de batata-doce. Acta Scientiarum, v.
22, n. 4, p. 901-905. 2000.
BARRERA, P. Batata doce. 2. ed. São Paulo: ÍCONE Editora Ltda. 1989. 93 p.
BREDA FILHO, J; FREIRE, E. S.; ABRAMIDES, E. Adubação de batata-doce com
diferentes doses de nitrogênio, fósforo e potássio. Bragantina, Campinas, v.25,
n.26, p.291-296, 1966.
CAMARGO, A. P. Adubação da batata-doce em São Paulo – Parte II – Efeito da
adubação mineral. Bragantina, Campinas, v. 11, n. 01 e 03, p. 55-76, março de
1951.
CAVALCANTE, J.T. Avaliação de clones de batata-doce (Ipomoea batatas (L.
(Lam)), em Rio Largo Alagoas, 2001.
CAVALCANTE, J.T.,FERREIRA, P.V., SOARES, L. Avaliação de clones de batatadoce (Ipomoea batatas (L. (Lam)), em Rio Largo Alagoas, Magistra, Crus das
Almas – BA, v. 15, n. 1, jan/jun., 2003.
CENTENO, J. A. S.; KISH, R. T Recursos hídricos do estado de Alagoas.
Secretária de planejamento estadual de meteorologia e recursos hídricos. 1994. 41p.
Cultura da Batata Doce, Embrapa Hortaliças Sistemas de Produção , versão
Eletrônica Disponível em: http://www.cnph.embrapa.br/sistprod/batatadoce/index.htm
2004, acesso em: 22/07/2011.
Cultura da Batata Doce, Embrapa Hortaliças Sistemas de Produção , versão
Eletrônica Disponível em: http://www.cnph.embrapa.br/sistprod/batatadoce/index.htm
2007, acesso em: 22/07/2011.
EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Sistema Brasileiro de
Solos. Rio de Janeiro: EMBRAPA/CNPS, 1999, 412p.
22
FERREIRA, P. V. Estatística experimental aplicada à agronomia. 3. ed. Maceió:
EDUFAL, 2000, 420p.
FERREIRA, D. F. Análises estatísticas por meio do sisvar para o Windows versão
4.0 In: 45 Reunião Anual da Região Brasileira da Sociedade Internacional de
Biometria. USFCAR, São Carlos - São Paulo, 2003, p. 255-258.
FILGUEIRA, F. A. R. Novo Manual de Olericultura. Agrotecnologia moderna na
produção e comercialização de hortaliças. 3ª Ed. Viçosa. UFV. 2008. 371-376p.
FREITAS, A. F.; SANTOS, G. C.; SOUZA, V. S.; AZEVEDO, S. M. Resistência de
clones de batata-doce, Ipomoea batatas L. aos nematóides causadores de galhas.
Acta Scientiram. v. 23, n. 5, p. 1257-1261. 2001.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Versão
Eletrônica Disponível em:
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/pam/2009/default_zip_temp.shtm
Acesso em: 02/03/2011.
JÚNIOR, R. B. S. AVALIAÇÃO DE GENÓTIPOS DE BATATA-DOCE (Ipomoea
batatas (L.) Lam.) NO MUNICÍPIO DE RIO LARGO-AL. Dezembro-2008.
KROTH, L. L.; DANIELES, J.; PIEROBOM, C. R. Degenerescência de algumas
amiláceas de algumas tuberosas. Ciência e tecnologia de alimentos. v. 22, n 1, p.
65-69. 2004.
MIRANDA, J. E. C.; FRANÇA, F. H.; CARRIJO, O. A.; SOUZA, A. F. PEREIRA, W;
LOPES, C. A. e SILVA, J. B. C. A cultura da batata-doce. Brasília: EMBRAPA.
1995. 94p. (Coleção Plantar).
MIRANDA, J. E. C.; FRANÇA, F. H.; CARRIJO, O. A.; SOUZA, A. F. Batata-doce.
Brasília: EMBRAPA-CNPH, 1987, 14p.
MENEZES, E. L. A. A broca da batata-doce (Euscepes postfasciatus): Descrição,
Bioma e Controle. Rio de Janeiro: EMBRAPA. 2002, 12p (Circular Técnico 6).
OLIVEIRA, A. A. C. B.; SEDIYAMA, M. A. N.; SEDIYAMA, T.; CRUZ, C. D. Avaliação
da divergência genética em batata-doce por procedimentos multivariados. Acta
Scientiarum. v. 22, n. 4, p. 895-900. 2000.
23
PRATA, F. C. Principais culturais do Nordeste. 2º Ed. Mossoró. EDITERRA. 1983.
215p.
SILVA, J. B. C.; LOPES, C. A.; MAGALHÃES, J. S. Cultura da batata-doce.
Brasília: EMBRAPA. 2004. 2-24p. (Sistemas de Produção, 6).
SOARES, K. T.; MELO, A. S.; MATIAS, E. C. A cultura da batata-doce (Ipomoea
batatas (L.) Lam). João Pessoa: EMEPA-PB, 2009. 20p.
SOARES, K. T.; MELO A. S.; MATIAS, E. C. A cultura da batata-doce (Ipomoea
batatas L. Lam). João Pessoa: EMEPA-PB, 2002. 26p. (EMEPA-PB. Documento,
41).
24
