Luana Torres
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALGOAS
UNIDADE ACADÊMICA CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
UFAL
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
CECA
LUANA TORRES
NODULAÇÃO DO FEIJOEIRO COMUM (Phaseolus vulgaris L.) SUBMETIDO
A DOSES DE MOLIBDÊNIO E COBALTO APLICADAS NA SEMENTE.
RIO LARGO – AL
2011
LUANA TORRES
NODULAÇÃO DO FEIJOEIRO COMUM (Phaseolus vulgaris L.) SUBMETIDO
A DOSES DE MOLIBDÊNIO E COBALTO APLICADAS NA SEMENTE.
Trabalho
Curso
de
apresentado
Acadêmica
Centro
Conclusão
de
a
Unidade
de
Ciências
Agrárias como parte dos requisitos
para obtenção do título de Engenheiro
Agrônomo.
Orientador: Aloísio Gomes Martins
Rio Largo – AL
2011
“Quando o trabalho é prazer, a vida é uma grande alegria. Quando o
trabalho é dever, a vida é uma escravidão”.
(Máximo Gorki)
AGRADECIMENTOS
A minha mãe e aos meus padrinhos pelo esforço em dar-me a melhor
educação possível;
Ao professor Aloísio Gomes Martins pela orientação, amizade e boa
vontade em ajudar e a passar seus conhecimentos com tanta dedicação;
As amigas Araceli Palmeira Oliveira, Ellen Rebeca e Nayane Michelle
Bezerra dos Santos pela contribuição. Sem a ajuda delas esse trabalho jamais
seria o mesmo.
Aos companheiros de turma pelo longo e árduo caminho percorrido
nesses anos;
Aos
professores
da
graduação
em
Agronomia
pelos
valiosos
ensinamentos repassados;
A todos os integrantes diretos e indiretos do Centro de Ciências Agrárias
e a todo corpo docente da UFAL por me proporcionar a valiosa oportunidade
de tornar-me Engenheira Agrônoma.
Agradeço também a meu padrasto José Antônio e minhas irmãs
Andressa e Jasmine.
Aos amigos Lara, Tati, Guia, Sérgio, Adilene, Junior, Neto e Roseane
pelos sorrisos nas horas de angústia e pela eterna amizade.
Agradeço aos Amigos do Senar pela oportunidade de aprimorar meus
conhecimentos.
A todos aqueles que contribuíram com este trabalho, estimo meus
sinceros agradecimentos.
DEDICO
A Deus, por me dar o milagre da vida e a força para conquistar todos os
meus sonhos. A minha mãe Maria das Graças Helena Torres por todo o amor e
dedicação, aos meus padrinhos Álvaro Arthur e Vera Lúcia. Dedico a Juliana,
Thaísa, Arthur, Maria Fernanda, Matheus, Arthur e Davi.
Dedico também a todos os tios e tias, primos e primas, a meu avô e a
minha avó.
LISTAS DE FIGURAS
Figura 1 Unidades experimentais utilizadas na realização do trabalho .................. 19
Figura 2 Esquema do delineamento experimental do trabalho. ................................ 20
Figura 3 Número de nódulos correspondente aos tratamentos. .............................. 23
Figura 4 Peso dos nódulos (mg) correspondentes aos tratamentos....................... 24
Figura 5 Peso das raízes (mg) correspondentes aos tratamentos. .......................... 25
Figura 6 Peso das vagens correspondente aos tratamentos. ................................... 26
Figura 7 Andamento do Experimento. .............................................................................. 33
LISTA DE TABELAS
Quadro 1 – Característica química do solo da área experimental.............18
Tabela 1 – Descrição dos tratamentos utilizados no experimento........................19
Tabela 2 Quadrados médios e coeficientes de variação obtidos na análise de
variância para rendimento do feijoeiro em função de doses de molibdênio e
cobalto ................................................................................................................................. 22
RESUMO
O presente trabalho teve como objetivo avaliar o efeito de diferentes
doses de molibdênio e cobalto sobre a nodulação na parte radicular da planta.
O feijão (Phaseolus vulgaris L.) é um nome comum para uma grande variedade
de
sementes
de
plantas
de
alguns
gêneros
da
família
Fabaceae
(anteriormente, grão). O delineamento experimental foi em blocos ao acaso
com três repetições e 16 tratamentos disposto em esquema fatorial 4 x 2,
constituídos de quatro doses crescentes de molibdênio (0, 40, 80 e 120 g há-1)
e cobalto ( 0, 4, 8 e 12 g ha-1), e cada parcela foi definida por dois vasos,
totalizando 48 parcelas. As fontes de molibdênio e de cobalto utilizadas foram o
molibdato de sódio (Na2MoO4.2H2O) e o cloreto de cobalto (CoCl2.6H2O),
respectivamente. Ao longo do trabalho não houve grandes diferenças
significativas, mas o resultado final mostra que houve um aumento no número
de nódulos e no peso de nódulos a partir da interação entre molibdênio e
cobalto. Isoladamente, o molibdênio e o cobalto não foram significativos no
peso de raiz, mas a interação dos elementos apresentou um acréscimo no
peso, porém não foi um acréscimo significativo. A melhor dose atuante nos
quesitos avaliados foi Co2+Mo2.
Palavras-chave: Phaseolus vulgaris L., molibdato de sódio e cloreto de cobalto.
ABSTRACT
This study aimed to evaluate the effect of different doses of molybdenum
and cobalt on nodulation on the roots of the plant. The bean (Phaseolus
vulgaris L.) is a common name for a wide variety of plant seeds of some genera
of Fabaceae (formerly, grain). The experimental design was randomized blocks
with three replications and 16 treatments arranged in 4 x 2 factorial scheme,
consisting of four increasing doses of molybdenum (0, 40, 80 and 120 g ha-1)
and cobalt (0, 4 , 8 and 12 g ha-1), and each plot was defined by two vessels,
totaling 48 plots. The sources of molybdenum and cobalt used were sodium
molybdate (Na2MoO4.2H2O) and cobalt chloride (CoCl2.6H2O), respectively.
Throughout the work there were no major differences, but the end result shows
that there was an increase in nodule number and weight of nodules from the
interaction between molybdenum and cobalt. Separately, molybdenum and
cobalt were not significant in root weight, but the interaction of the elements
showed an increase in weight, but it was not a significant increase. The best
acting dose was evaluated in the categories Co2 + Mo2.
Keywords: Phaseolus vulgaris L., sodium molybdate and cobalt chloride.
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 10
2
REVISÃO DE LITERATURA .......................................................................................... 12
2.1
Feijoeiro Comum .......................................................................................................... 12
2.2
Inoculação de Sementes ............................................................................................. 13
2.3
A fixação biológica de nitrogênio no feijão comum com rizóbio............................ 14
2.4
Molibdênio na cultura do feijoeiro comum ................................................................ 15
2.5
Cobalto na Cultura do Feijoeiro Comum................................................................... 16
3
MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................................ 18
4
RESULTADOS E DISCUSSÃO ..................................................................................... 22
4.1
Número de nódulos ...................................................................................................... 22
4.2
Peso dos nódulos ......................................................................................................... 24
4.3
Peso da raiz................................................................................................................... 25
4.4
Massa seca das vagens .............................................................................................. 26
5
CONCLUSÃO ................................................................................................................... 28
6
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................. 29
7
ANEXO ............................................................................................................................... 33
1
INTRODUÇÃO
O feijão (Phaseolus vulgaris L.) é um nome comum para uma grande
variedade de sementes de plantas de alguns gêneros da família Fabaceae
(anteriormente, grão). O feijoeiro é planta considerada exigente em nutrientes
devido ao seu ciclo curto e sistema radicular pouco profundo.
Cultivado por pequenos e grandes produtores, em diversificados
sistemas de produção e em todas as regiões brasileiras, o feijoeiro comum
reveste-se de grande importância econômica e social. Seu aspecto nutricional
é notório. O feijão tem um alto teor protéico, assim como também contém
vitaminas do complexo B, ferro e cálcio.
No Brasil, o feijão é cultivado, na maioria das vezes, em condições de
solos ácidos, situação em que a fixação biológica de nitrogênio (FBN) é
deficiente. Nessas condições, a deficiência de molibdênio pode contribuir para
redução do fornecimento de nitrogênio para as plantas, uma vez que esse
micronutriente é essencial para o crescimento vegetal, participando como cofator de enzimas envolvidas em reações bioquímicas importantes no
metabolismo do nitrogênio. O Molibdênio tem importantes funções no sistema
enzimático do metabolismo do nitrogênio, e, por esse motivo, plantas
dependentes de simbiose, quando sujeitas à deficiência desse nutriente, ficam
carentes de N.
No caso do feijoeiro, cujo sistema de fixação de nitrogênio é de baixa
eficiência, a necessidade do nutriente está mais relacionada à atividade da
redutase do nitrato, enzima indispensável no aproveitamento dos nitratos
absorvidos pela planta, pois é responsável pela redução do nitrato a nitrito, no
processo de assimilação do nitrogênio. Dessa forma, a aplicação de doses
elevadas de nitrogênio, pode não resultar em altas produções, provavelmente
devido ao possível acúmulo de nitrato na planta, resultado da nitrificação do
amônio e síntese insuficiente de redutase do nitrato, por falta de Molibdênio.
Além disso, a aplicação foliar de Molibdênio aumenta a redução do acetileno e
a remobilização do nitrogênio durante o estádio de enchimento de vagens, e os
10
efeitos combinados desses processos resultam em maior produtividade de
grãos.
Devido à exportação de molibdênio pelas sementes, à deficiência natural
de alguns solos, à intensificação da produção e a não realização de adubação
molíbdica pela maioria dos agricultores, aos poucos estão se exaurindo as
reservas naturais de molibdênio no solo, o que pode afetar a capacidade
produtiva das culturas (MALAVOLTA, 1979).
O cobalto também influencia a absorção de nitrogênio por via biológica
porque faz parte da estrutura das vitaminas B12, necessárias à síntese de
leghemoglobina, que determina a atividade dos nódulos (SOMASEGARAN e
HOBEN, 1994; MENGEL e KIRKBY, 2001).
O cobalto não é considerado essencial para o feijoeiro, entretanto, sabese que está intimamente ligado ao processo de fixação biológica de nitrogênio
e, consequentemente, é essencial aos microrganismos fixadores de nitrogênio.
O Cobalto é indispensável à produção do feijoeiro quando a necessidade em
nitrogênio está sendo suprida através da associação simbiótica feijoeirobactéria, já que esta última depende do Cobalto para seus mecanismos de
fixação. A aplicação do cobalto, assim como a do molibdênio, pode ser por via
foliar ou ainda por aplicação na semente.
O objetivo do trabalho foi avaliar o efeito de diferentes doses de
molibdênio e cobalto, sobre a nodulação na raiz do feijoeiro através da coleta
de dados específicos referentes à parte radicular da planta, tais como peso de
nódulos, peso das raízes, número de nódulos e massa seca das vagens.
11
2
REVISÃO DE LITERATURA
2.1
Feijoeiro Comum
O feijão é uma leguminosa de grande importância na economia brasileira
tanto por questões sociais, relacionadas com seu papel na alimentação
humana, por ser uma alternativa de exploração econômica para propriedades
rurais, inclusive as pequenas e por ser uma alternativa que ocupa mão-de-obra
menos qualificada (FERREIRA e BARROS, 2002).
O feijão (Phaseolus vulgaris L.) é a leguminosa mais importante para o
consumo humano, principalmente nos países em desenvolvimento (FAGERIA,
2002). É cultivado principalmente em climas tropical e subtropical. Em nível
mundial, a maior produção está nas Américas do Sul e Central, no Caribe, na
Ásia e na África. A América do Norte e a Europa também cultivam-no, mas em
menor escala. O feijão, rico em proteína (20-25%), é a principal fonte de
alimento da população das Américas do Sul e Central, do Caribe e da África. A
proteína do feijão é deficiente em aminoácidos essenciais, como os sulfurados
metionina e cistina, mas rica em lisina e treonina, nos quais os cereais são
deficientes. Contém também aproximadamente 2% de gorduras e 50% de
carboidratos (FAGERIA, 1989).
Feijão é uma das mais importantes fontes de proteína na dieta alimentar
do povo brasileiro, de consumo diário pela população rural e urbana. Em razão
da sua boa adaptação às mais variadas condições edafoclimáticas do Brasil, o
feijão (Phaseolus vulgaris L.) faz parte da maioria dos sistemas produtivos de
pequenos e médios produtores, cuja produção é direcionada ao consumo
familiar e à comercialização do excedente. A cultura passou, recentemente, a
atrair produtores usuários de tecnologias mais avançadas, como a adubação
nitrogenada, foliar e tratamento de sementes com macro e micronutrientes e
estimulantes enraizadores (COELHO, 1998).
A cultura do feijão é cultivada em todas as partes do mundo, mas
aproximadamente 47% da produção estão concentradas na América Latina e
no Caribe, embora com baixa produtividade (DELAVALE et al., 1999).
12
O feijoeiro apresenta características que o fazem um material de alta
qualidade nos estudos de controle do desenvolvimento vegetal e da absorção
de nutrientes. Devido, a sua relevância, tem sido realizados numerosos
estudos visando seus aspectos culturais, melhoramento genético, tratamento
com defensivos e outros, podendo os reguladores vegetais virem a contribuir
para melhorar as características morfológicas e fisiológicas do feijoeiro
(CASTRO et al.,1990).
A aplicação de produtos vias sementes ou foliar tem se tornado uma
prática agrícola rotineira, destacando-se o uso de fungicidas, inseticidas,
inoculantes, antibióticos, hormônios, dentre outros. Muito embora, as
finalidades destes produtos sejam as mais diversas, de modo geral, os
objetivos são de proporcionar algum nível de melhoria na cultura, tanto em
relação à produção, como no desenvolvimento vegetativo das plantas
(DELAVALE et al., 1999). Segundo a Embrapa, o Brasil é o segundo produtor
mundial de feijão do gênero Phaseolus e o primeiro na espécie Phaseolus
vulgaris (LOLLATO et al., 2001).
Além do caráter social da cultura, o feijoeiro é um produto agrícola com
alto significado econômico, plantado em 4,2 milhões de hectares, com uma
produção anual em torno de 3,5 milhões de toneladas (AGRIANUAL, 2010).
2.2
Inoculação de Sementes
O procedimento é muito simples, basta misturar as sementes com o
inoculante de rizóbio para o feijão até formar uma pasta homogênea. Deixar as
sementes inoculadas secando a sombra, em local fresco e arejado, até que
seja feita a semeadura. As sementes devem ser plantadas até no máximo dois
dias depois, senão, deve-se proceder a uma nova inoculação. Deve-se sempre
verificar o prazo de validade do inoculante, que geralmente é de apenas seis
meses, e nunca usar inoculante vencido. O inoculante contém bactérias vivas,
por isto deve ser guardado em lugar fresco, de preferência na parte de baixo da
geladeira. É preciso cuidado no transporte e no armazenamento dos pacotes
de inoculante, nunca os deixando exposto ao sol, dentro do carro, por exemplo.
As sementes inoculadas também não podem ficar expostas ao sol, por isto
13
deve-se fazer a inoculação das sementes nas horas mais frescas do dia, pela
manhã ou à tardinha, e deixar secar à sombra. As sementes inoculadas devem
ser plantadas o mais rapidamente possível, mantendo-as sempre protegidas do
sol (STRALIOTTO, 2003).
2.3
rizóbio
A fixação biológica de nitrogênio no feijão comum com
A associação do feijoeiro com bactérias do grupo dos rizóbios, capazes
de fixar o nitrogênio atmosférico e fornecê-lo à cultura, é uma tecnologia capaz
de substituir, pelo menos parcialmente, a adubação nitrogenada resultando em
benefícios ao pequeno produtor. Apesar do conceito geral de que o feijoeiro
apresenta baixa capacidade fixadora, os resultados de pesquisa, obtidos em
condições de campo, indicam que é possível que a planta se beneficie da
inoculação com o rizóbio, atingindo níveis de produtividade entre 1500 e 2000
kg/ha. Os rizóbios são bactérias benéficas presentes no solo, as quais são
atraídas para as raízes das plantas leguminosas, ou seja, aquelas que
produzem vagens como o feijoeiro e outros (STRALIOTTO, 2003).
Estas bactérias, uma vez em contato com as raízes do feijoeiro, por
exemplo, induzem a formação de pequenas bolinhas, chamadas de nódulos.
No interior dos nódulos ocorre o processo de aproveitamento nitrogênio do ar
por estas bactérias. Este processo é chamado de fixação biológica de
nitrogênio, e permite que o agricultor economize na adubação nitrogenada.
Esta associação do rizóbio com as raízes das leguminosas é chamada de
"simbiose", termo que define um tipo de relação benéfica entre os parceiros,
neste caso a planta e a bactéria. O rizóbio utiliza os carboidratos provenientes
da fotossíntese da planta hospedeira para gerar a energia necessária para
promover o processo de fixação biológica de nitrogênio. Existem rizóbios no
solo, mas estes, pelo menos no caso do feijoeiro, são geralmente muito pouco
eficientes no processo de fixação biológica de nitrogênio, embora formem
nódulos e muitas vezes atrapalhem a nodulação pelo rizóbio presente no
inoculante (STRALIOTTO, 2003).
14
2.4
Molibdênio na cultura do feijoeiro comum
O molibdênio é um dos mais importantes micronutrientes para as
plantas, pois está presente em várias reações essenciais do metabolismo
vegetal, além de ser componente de enzimas mitocôndrias das bactérias
fixadoras de nitrogênio atmosférico (CAMARGO e SILVA, 1975). Esse
micronutriente desempenha um importante papel no sistema enzimático de
fixação do nitrogênio. Plantas que dependem da simbiose para obter
nitrogênio, quando sujeitas às deficiências de molibdênio, apresentam também
carência de nitrogênio (OLIVEIRA e THUNG, 1988).
Alguns autores afirmam que o melhor é aplicar o Mo no solo, antes da
semeadura (VARGAS & RAMIREZ, 1989). Entretanto, em face da sua
imobilização no solo, a sua eficiência seria muito inferior, requerendo, para
isso, quantidades necessárias de Mo superiores em dez vezes, para equiparar
eficiência com a de outros métodos. Em face da facilidade, do baixo custo e da
eficiência de aplicação, e há alternativa de aplicação do Mo é via semente, por
ocasião da semeadura, imediatamente antes do inoculante (CAMPO &
LANTMANN, 1998).
Na planta, o molibdênio participa como co-fator integrante nas enzimas
nitrogenase, redutase do nitrato e oxidase do sulfato, e está intimamente
relacionado com o transporte de elétrons durante as reações bioquímicas das
plantas, sendo a FBN seriamente afetada, quando ocorre deficiência de Mo
(LANTMANN, 2002).
Devido à exportação de molibdênio pelas sementes, à deficiência natural
de alguns solos, à intensificação da produção e a não realização de adubação
molíbdica pela maioria dos agricultores, aos poucos estão se exaurindo as
reservas naturais de molibdênio no solo, o que pode afetar a capacidade
produtiva das culturas (MALAVOLTA, 1979).
O molibdênio é o micronutriente mais estudado na cultura do feijoeiro
(VIEIRA, 1998). A aplicação de pequenas quantidades de Mo, isolada ou em
combinação com outros nutrientes, tem aumentado a produção, o número de
nódulos e os teores de N, de proteínas, de aminoácidos, de carboidratos, de
15
caroteno, de clorofila e de ácido ascórbico (BARBOSA FILHO et al., 1979). As
respostas das plantas à aplicação de Mo têm se mostrado variável entre as
espécies e mesmo entre os cultivares da mesma espécie. Tal comportamento é
conseqüência das variações na capacidade de absorção, translocação,
acúmulo nos tecidos e utilização do nutriente pela planta (PIRES et al., 2002).
O molibdênio faz parte da enzima nitrogenase, do centro ativo da
enzima, e em sua ausência a enzima não fará seu papel de desdobrar a
molécula de N2. Como as fontes minerais de Mo no solo são muito poucas e
anualmente as culturas vão esgotando o nutriente existente originalmente,
torna-se necessária sua reposição para que se obtenham elevadas
produtividades. Hoje, na cultura da soja, o uso de Mo já é uma prática
indispensável e não se admite cultivar soja ou feijão sem a adição de Mo
(CERETTA et al., 2005).
O Mo tem importantes funções no sistema enzimático do metabolismo
do nitrogênio (N), e, por esse motivo, plantas dependentes de simbiose,
quando sujeitas à deficiência desse nutriente, ficam carentes de N
(MARSCHNER, 1995; VIEIRA et al., 1998; PESSOA ET al., 2000).
A aplicação foliar de Mo aumenta a redução do acetileno e a
remobilização do N durante o estádio de enchimento de vagens, e os efeitos
combinados desses processos resultam em maior produtividade de grãos
(VIEIRA et al., 1998, JESUS JÚNIOR et al., 2004).
No caso do Mo, apesar de sua importância, ainda não foi determinado
em que parte constituinte da semente ele se encontra. Sabe-se apenas que do
total de Mo absorvido pelas plantas de feijão, 24% a 65% é translocado para as
sementes e que a adubação foliar aumenta a concentração de Mo nas
sementes (JACOB NETO e ROSSETO, 1998; PESSOA et al., 2000).
2.5
Cobalto na Cultura do Feijoeiro Comum
Existem poucos estudos mostrando os benefícios do cobalto (Co) nas
plantas. Especificamente, este elemento não é considerado essencial para o
feijoeiro, entretanto, sabe-se que está intimamente ligado ao processo de
16
fixação biológica de nitrogênio (FBN) e, consequentemente, é essencial aos
microrganismos fixadores de N (VIEIRA, 1998).
De acordo com OLIVEIRA et al. (1996), o Co é indispensável à produção
do feijoeiro quando a necessidade em nitrogênio está sendo suprida através da
associação simbiótica feijoeiro-bactéria, já que esta última depende do Co para
seus mecanismos de fixação. A maioria dos trabalhos tem sido desenvolvida
com aplicação de cobalto no solo ou via semente, com resultados positivos
(JUNQUEIRA NETTO et al., 1977; CORRÊA et al., 1990).
Entretanto, apesar de serem conhecidos os efeitos benéficos do Co nas
leguminosas, não existem recomendações precisas de doses do nutriente para
o feijoeiro em aplicações foliares. Poucos são, entretanto, os estudos
envolvendo aplicação foliar de Co, sendo que a maioria deles não apresenta
efeito significativo.
Os experimentos com cobalto e molibdênio, essenciais para a atividade
do rizóbio, são, normalmente, usadas em doses baixas variando de 0,25 a 2,0
kg ha-1 (VIEIRA, 1998).
O cobalto, por sua vez, faz parte da cobalamina (vitamina B12),
essencial nos processos bioquímicos da fixação. Também faz parte do
processo de formação da nitrogenase e da leghemoglobina (PESSOA, 2000).
17
3
MATERIAL E MÉTODOS
O presente trabalho foi desenvolvido na Casa de Vegetação no Centro
de Ciências Agrárias, localizado no município de Rio Largo, Estado de Alagoas.
A análise química do solo revelou o seguinte resultado: pH 6,0; 2,64 cmolc dm-3
de H+ + Al3+; 2,90 cmolc dm-3 de Ca2+; 1,10 cmolc dm-3 de Mg2+; 0,11cmolc dm-3
de K+; 7,13 mg dm-3 de P; 61,37% de saturação por base como mostra o
Quadro 1.
O solo usado nos vasos foi coletado nas áreas experimentais do próprio
Centro de Ciências Agrárias.
Quadro 1 – Característica química do solo da área experimental
Características
pH
P
K
K na CTC
Na
Na na CTC
Ca + Mg
Ca + Mg na CTC
Ca
Ca na CTC
Mg
Mg na CTC
Al
Al na CTC
H + Al
H + Al na CTC
S
T
V
Unidade
_
mg dm-3
mg dm-3
%
mg dm-3
%
cmolc dm-3
%
cmolc dm-3
%
cmolc dm-3
%
cmolc dm-3
%
cmolc dm-3
%
cmolc dm-3
cmolc dm-3
%
Valor
6
7,13
45
1,68
18
1,15
4
58,54
2,9
42,44
1,1
16,1
0,05
1,19
2,64
37,9
4,19
6,83
61,37
Como unidades experimentais foram utilizados sementes de feijão
comum, vasos plásticos com capacidade para 2,5 L e terra vegetal 140 L, como
são mostrados na Figura 1.
18
Figura 1 Unidades experimentais utilizadas na realização do trabalho
O delineamento experimental foi em blocos ao acaso com 3 repetições e
16 tratamentos disposto em esquema fatorial 2 x 4, constituídos de quatro
doses crescentes de cada substância molibdênio (0, 40, 80 e 120 g ha-1) e
cobalto ( 0, 4, 8 e 12 g ha-1), e cada parcela foi definida por dois vasos,
totalizando 48 parcelas. As fontes de molibdênio e de cobalto utilizadas foram o
molibdato de sódio (Na2MoO4.2H2O) e o cloreto de cobalto (CoCl2.6H2O),
respectivamente. A tabela 2 mostra a disposição de cada tratamento.
Tabela 1 – Descrição dos tratamentos utilizados no experimento
Tratamentos
Co0 + Mo0
Co0 + Mo1
Co0 + Mo2
Co0 + Mo3
Co1 + Mo0
Co2 + Mo0
Co3 + Mo0
Co1 + Mo1
Co1 + Mo2
Co1 + Mo3
Co2 + Mo1
Co2 + Mo2
Co2 + Mo3
Co3 + Mo1
Co3 + Mo2
Co3 + Mo3
Descrição
0g de cobalto e molibdênio
40g de molibdênio
80g de molibdênio
120g de molibdênio
4g de cobalto
8g de cobalto
120g de cobalto
4g de cobalto + 40g de molibdênio
4g de cobalto + 80g de molibdênio
4g de cobalto + 120g de molibdênio
8g de cobalto + 40g de molibdênio
8g de cobalto + 80g de molibdênio
8g de cobalto + 120g de molibdênio
12g de cobalto + 40g de molibdênio
12g de cobalto + 80g de molibdênio
12g de cobalto + 120g de molibdênio
19
Foram utilizadas 500 sementes de feijão comum, e estas foram divididas
em 16 placas contendo 25 sementes cada. As sementes foram imersas em
soluções com as doses crescentes de molibdênio e cobalto já citadas. O
período de imersão das sementes foi de 12 minutos, exceto para as sementes
da testemunha.
Após a imersão, as sementes foram inoculadas com rizóbio. Esse
procedimento foi realizado com a utilização de uma solução de água destilada
e goma arábica. Essa solução foi misturada ao inoculante até que se formou
uma pasta homogênea. Em seguida, misturaram-se as sementes até que elas
ficassem completamente cobertas pelo inoculante. Depois, as sementes foram
levadas ao campo para a semeadura. A figura 2 mostra como ficou o
delineamento experimental.
Figura 2 Esquema do delineamento experimental do trabalho.
A semeadura foi realizada manualmente em sulcos de aproximadamente
5 cm de profundidade, utilizando 5 sementes por vaso, as quais, após duas
20
semanas de semeadura foram desbastadas, permanecendo 3 plantas por
vaso.A adubação utilizada na semeadura foi de 198 kg.ha-1 da fórmula 10 – 60
– 40 (N - P2O5 - K2O), conforme os resultados de análise de solo. As sementes
foram submetidas à inoculação com rizóbio.
A análise do efeito sobre a nodulação da raiz do feijoeiro foi realizada
pela determinação do número de nódulos, peso dos nódulos e pelo peso das
raízes, colhidas aos 60 dias após o plantio, usando o programa para cálculo
estatístico The ASSISTAT Software: statistical assistance.
21
4
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os quadrados médios obtidos da análise de variância dos resultados
deste trabalho encontram-se na Tabela 1, onde observa significância isolada
do fator molibdênio e do fator cobalto para as variáveis de peso de nódulo,
peso de raiz, número de nódulos e peso seco das vagens. Também é mostrado
os valores da interação molibdênio e cobalto para variáveis as mesmas
variáveis já citadas.
Tabela 2 Quadrados médios e coeficientes de variação obtidos na análise
de variância para rendimento do feijoeiro em função de doses de
molibdênio e cobalto
VARIÁVEL
Nº de nódulos
BLOCO
ns
1,2851
MOLIBDÊNIO
ns
2,1006
COBALTO
INTERAÇÃO
MO VS CO
CV(%)
ns
1,3433
ns
77,72
ns
2,4300
Peso de nódulos
1,2573
0,3979
0,9950
1,9818ns
134,93
Peso de raiz
0,9353ns
1,8648ns
0,3444ns
1,1931ns
74,59
1,8779
0, 0446*
ns
1,5941
3,8981*
33,58
2
3
3
9
P.S. das vagens
G.L
ns
ns
ns
P.S. = Peso Seco; ns = não significativo, * = significativo ao nível de 5% de probabilidade
4.1
Número de nódulos
A figura 3 está ilustrando os resultados obtidos a partir do número de
nódulos.
22
Figura 3 Número de nódulos correspondente aos tratamentos.
O
tratamento
isoladamente
de
molibdênio
que
obteve
melhor
desempenho sobre o número de nódulos foi o molibdênio 2, apesar de não ser
significativo segundo o teste de Tukey. O molibdênio não apresentou um bom
resultado quando utilizado em doses menores que o molibdênio 2. Houve um
decréscimo nos resultados ao utilizar doses crescentes de molibdênio.
Isoladamente o cobalto não foi significativo segundo o teste Tukey, mas
a melhor dose foi a cobalto 2.
Sobre as interações molibdênio e cobalto, o tratamento que apresentou
melhor rendimento foi o Co2 + Mo2, apesar de não ser significativo segundo o
teste Tukey.
O tratamento Co1 + Mo1 não obteve um bom desempenho e não foi
significativo segundo o teste Tukey.
Verificou-se o menor valor no tratamento que recebeu a dose de 4g.ha-1
de cobalto e 0g.ha-1 de molibdênio.
23
4.2
Peso dos nódulos
A figura 4 ilustra os resultados obtidos quanto ao peso dos nódulos
coletados em cada tratamento.
Figura 4 Peso dos nódulos (mg) correspondentes aos tratamentos.
Os tratamentos com molibdênio isolado apresentou poucas variações e
o tratamento que apresentou melhor desempenho foi o Molibdênio 2 apesar de
não ser significativo segundo o teste de Tukey.
Os tratamentos isolados com cobalto apresentou um decréscimo nas
doses inferiores e também nas doses superiores ao Co2, sendo assim, o
tratamento que obteve o melhor desempenho foi o Cobalto 2, apesar de não
ser significativo segundo o teste Tukey.
As interações molibdênio e cobalto apresentaram pequenas variações e
o que apresentou o maior valor foi o tratamento Co2+Mo2 (8g.ha-1 e 80g.ha-1,
respectivamente) apesar de não ser significativo segundo o teste de Tukey.
24
Os tratamentos Co1+Mo0, Co1+Mo3 e Co3+Mo1 não obtiveram bom
desempenho e seus valores foram semelhantes.
4.3
Peso da raiz
A figura 5 ilustra os resultados obtidos quanto ao peso da raiz de cada
tratamento.
Figura 5 Peso das raízes (mg) correspondentes aos tratamentos.
O tratamento que melhor se destacou nesse quesito foi o Co0+Mo0, ou
seja, as testemunhas.
Isoladamente o molibdênio e o cobalto não foram significativos para o
trabalho, segundo o teste Tukey.
O tratamento Co1+Mo1 obteve um bom desempenho, apresentando um
valor muito próximo ao valor da testemunha.
25
O pior desempenho com relação ao peso de raiz foi observado no
tratamento Co3+Mo2, com as doses de 12g.ha-1 e 80g.ha-1, respectivamente.
4.4
Massa seca das vagens
A figura 6 ilustra os resultados obtidos a partir da massa seca das
vagens coletadas em cada tratamento.
Figura 6 Massa seca das vagens correspondente aos tratamentos.
Os tratamentos com molibdênio isolado apresentaram uma variação e
foram significativos segundo o teste Tukey, diferindo a 5% das testemunhas. O
melhor desempenho foi obtido pela dose de molibdênio 3.
Os tratamentos com cobalto isolado também apresentaram uma
pequena variação, mas não foram significativos segundo o teste Tukey. O
melhor tratamento foi a dose de cobalto 3.
Nas interações molibdênio e cobalto houve pequenas variações, onde o
maior valor foi do tratamento cobalto 3 mais molibdênio 3, sendo significativos
26
segundo o teste Tukey, diferindo a 5% das testemunhas. O menor valor foi do
cobalto 2 mais molibdênio 2..
27
5
CONCLUSÃO
As doses intermediárias tanto do cobalto quanto do molibdênio
promoveram um aumento no número de nódulos encontrados na raiz do
feijoeiro e também foram eficazes no aumento do peso desses nódulos. Vale
ressaltar que um maior número de nódulos não significa necessariamente um
aumento no peso dos nódulos.
Os tratamentos que não continham molibdênio e cobalto, ou seja, as
testemunhas obtiveram melhor resposta relativa ao peso da raiz. Isso pode ter
ocorrido pelo fato de que as substâncias usadas podem ter inibido o
crescimento da raiz em razão do aumento do número e do peso de nódulos.
Ao longo do trabalho não houve grandes diferenças significativas, mas o
resultado final mostrou que houve aumento em todas as variáveis analisadas.
28
6
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32
7
ANEXO
A figura 7 ilustra o desenvolvimento do projeto na casa de vegetação.
Figura 7 Andamento do Experimento.
33
