Daniel G. L. B. Silva

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
CURSO DE AGRONOMIA
UFAL

CECA

MOSCAS-DAS-FRUTAS (DIPTERA: TEPHRITIDAE) E SEUS PARASITOIDES
EM CULTIVO ORGÂNICO DE PITANGA (Eugenia uniflora L.)
(MYRTACEAE) EM MACEIÓ, AL

DANIEL GONÇALVES LIMA BORGES DA SILVA

RIO LARGO,
Estado de Alagoas
2011

DANIEL GONÇALVES LIMA BORGES DA SILVA

MOSCAS-DAS-FRUTAS (DIPTERA: TEPHRITIDAE) E SEUS PARASITOIDES
EM CULTIVO ORGÂNICO DE PITANGA (Eugenia uniflora L.)
(MYRTACEAE) EM MACEIÓ, AL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
ao Centro de Ciências Agrárias como parte
dos requisitos para obtenção do título de
Engenheiro Agrônomo.
Orientadora: Sônia Maria Forti Broglio

RIO LARGO,
Estado de Alagoas
2011

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

COORDENAÇÃO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

ATA DE REUNIÃO DE BANCA EXAINADORA DE DEFESA DE TRABALHO
DE CONCLUSÃO DE CURSO
Aos 22 (Vinte e dois) dias do mês de setembro do ano de 2011, às 09h00min (nove)
horas, sob a Presidência do (a) Professor (a) Sônia Maria Forti Broglio, em sessão
pública na sala do Mestrado, do Centro de Ciências Agrárias, km 85 da BR 104 Norte,
Rio Largo-AL, reuniu-se a Banca Examinadora de defesa do Trabalho de Conclusão de
Curso (TCC) intitulado “MOSCAS-DAS-FRUTAS (DIPTERA: TEPHRITIDAE) E
SEUS PARASITOIDES EM CULTIVO ORGÂNICO DE PITANGA (EUGENIA
UNIFLORA L.) EM MACEIÓ, AL” do (a) aluno (a) Daniel Gonçalves Lima Borges
da Silva, sob matrícula 2007G0089, requisito obrigatório para conclusão do Curso de
Agronomia, assim constituída: Profº. Drª. Sônia Maria Forti Broglio, CECA/UFAL
(orientadora); Prof. Dr. José Wilson da Silva, CECA/UFAL e Profª . Jakeline Maria
dos Santos, CECA/UFAL. Iniciados os trabalhos, foi dado a cada examinador um
período máximo de 30 (trinta) minutos para a argüição ao candidato. Terminada a
defesa do trabalho, procedeu-se o julgamento final, cujo resultado foi o seguinte,
observada a ordem de argüição: Profª. Drª. Sônia Maria Forti Broglio, nota X,X
(XXXXXXXXXX), Prof. Dr. José Wilson da Silva, nota X,X (XXXXXXXXX) e Profª
Jakeline Maria dos Santos, nota X,X (XXXXXXXXX). Apuradas as notas, o candidato
foi considerado APROVADO, com média geral X,X (XXXXXXXXXX). Na
oportunidade o candidato foi notificado do prazo de máximo de 30 (trinta) dias, a partir
desta data, para entregar a Coordenação do Trabalho de Conclusão de Curso,
devidamente protocolada, da versão definitiva do trabalho defendido, em 4 (quatro)
vias, impressas e encadernadas e uma cópia digitalizada em CD com as correções
sugeridas pela Banca, sem o que está avaliação se tornará sem efeito, passando o aluno
a ser considerado reprovado. Nada mais havendo a tratar, os trabalhos foram encerrados
para a lavratura da presente ATA, que depois de lida e achada conforme, vai assinada
por todos os membros da Banca Examinadora, pelo coordenador (a) do Trabalho de
Conclusão de Curso (TCC) e pelo coordenador (a) do Curso de Agronomia do Centro
de Ciências Agrárias, da Universidade Federal de Alagoas. Rio Largo/AL, 22 de
setembro de 2010.
1º Examinador

_________________________________________________________
Profª Drª. Sônia Maria Forti Broglio (Orientador)

2º Examinador

_________________________________________________________
Prof. Dr. José Wilson da Silva

3º Examinador

_________________________________________________________
Profª. Jakeline Maria dos Santos

Coordenador do TCC _________________________________________________________
Profª Drª Roseane Cristina Prédes Trindade

Coordenador do Curso de Agronomia ____________________________________________
Profª Drª Leila de Paula Rezende

Aos meus pais, Rodek Borges da Silva e Maria
Gonçalves Lima, pelo apoio, incentivo e amor.

DEDICO

AGRADECIMENTOS
À Universidade Federal de Alagoas pela a oportunidade de ter realizado o
curso de Agronomia.
Aos meus pais, Rodek Borges da Silva e Maria Gonçalves Lima, e meus irmãos,
Rodrigo Gonçalves Lima Borges da Silva e Rodek Borges da Silva Júnior, pela força e
apoio.
À minha orientadora Prof.ª Dr.ª Sônia Maria Forti Broglio pela atenção e
apoio. Um grande exemplo pra mim, que levarei eternamente no meu coração.
À minha amiga Jakeline Maria dos Santos pela grande ajuda. Serei eternamente
grato.
A todos os meus colegas do curso de Agronomia pelos momentos de
descontração.
Aos meus amigos, Marylia Gabriella Silva Costa, Maria Inaja R. da S. das
Nevesl, Marcely Laís Yliram, Erika Cristina Souza Correia, Milanya Paula Duarte de
Assis, Letice Souza da Silva, Djison Silvestre dos Santos, Leonardo da Silva e Tiago
Alexandre da Silva, pela amizade, convívio, companheirismo e momentos de felicidade
durante esses anos.
Ao Doutor em Entomologia e Pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros UEP Rio Largo/AL, Aldomario S. Negrisoli Júnior pelo profissionalismo, incentivo e
ensinamentos proporcionados durante minha iniciação cientifica.
Às professoras Roseane Cristina Prédes Trindade e Iraildes Pereira Assuncão
pela oportunidade de estágio.
Ao Doutor José Wilson da Silva pela ajuda nas estatísticas.
A todos aqueles que, mesmo não mencionados, fizeram parte dessa minha
conquista.

Obrigado!

SUMÁRIO
Página
LISTA DE FIGURAS................................................................................................. VII
LISTA DE TABELAS...............................................................................................

VIII

RESUMO.....................................................................................................................

IX

1. INTRODUÇÃO......................................................................................................

10

2. REVISÃO DE LITERATURA.............................................................................. 12
2.1 Moscas-das-frutas (Diptera: Tephritidae)............................................................... 12
2.1.1. Anastrepha Schiner, 1868..................................................................................

12

2.1.2. Ceratitis capitata (Wiedemann, 1824)...............................................................

13

2.2. Importância Econômica......................................................................................... 13
2.3. Distribuição Geográfica......................................................................................... 14
2.4. Danos..................................................................................................................... 15
2.5. Ciclo Biológico...................................................................................................... 15
2.6. Plantas Hospedeiras............................................................................................... 16
2.7. Principais Métodos de Controle............................................................................

16

2.7.1. Métodos Culturais..............................................................................................

17

2.7.2. Controle Químico...............................................................................................

17

2.7.3. Técnica do Macho Estéril................................................................................... 17
2.7.4. Controle Biológico.............................................................................................

18

2.7.4.1. Parasitoides...................................................................................................... 19
2.8. Manejo Integrado de Pragas (MIP).......................................................................

20

3. MATERIAL E MÉTODOS...................................................................................

21

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO...........................................................................

23

4. CONCLUSÕES....................................................................................................... 32
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................

33

LISTA DE FIGURAS
Página
FIGURA 1 - Mosca do Gênero Anastrepha..................................................................

12

FIGURA 2- Mosca do gênero Ceratitis........................................................................

13

FIGURA 3 - Ciclo biológico das moscas-das-frutas....................................................

16

FIGURA 4- Frutos coletados em cultivo orgânico em Maceió com diferentes fases
de maturação (verdes, de vez e maduros)......................................................................
FIGURA 5- Triagem dos frutos: A) pesagem; B) desinfecção; C)
acondicionamento; D) individualização das pupas; E) conservação dos adultos..........

21
21

FIGURA 6 - Neosilba sp. em cultivo orgânico, Maceió, AL.......................................
FIGURA 7 - Anastrepha spp. em cultivo orgânico, Maceió, AL.................................

23
24

FIGURA 8– Porcentagem de moscas da família Tephritidae encontradas em frutos
verdes, coletados em cultivo orgânico em Maceió, AL.

24

FIGURA 9– Porcentagem de moscas da família Tephritidae encontradas em frutos
de vez, coletados em cultivo orgânico em Maceió, AL.................................................

25

FIGURA 10 – Porcentagem de moscas da família Tephritidae encontradas em
frutos maduros, coletados em cultivo orgânico em Maceió, AL.

25

FIGURA 11 – Média dos números de pupas de moscas-das-frutas obtidas em frutos
de pitanga em diferentes estágios de maturação no teste de Tukey a 5% de
probabilidade..................................................................................................................

26

FIGURA 12 – Média dos números de moscas-das-frutas obtidas em frutos de
pitanga em diferentes estágios de maturação no teste de Tukey a 5% de
probabilidade..................................................................................................................

26

FIGURA 13 – Frequência geral de parasitoides encontrados em frutos em três
estágios de maturação, coletados em cultivo orgânico em Maceió, Al......................... 27
FIGURA 14– Parasitoide em cultivo orgânico, Maceió, AL........................................ 27
FIGURA 15– Médias dos números de parasitoides de moscas-das-frutas obtidas em
frutos de pitanga em diferentes estágios de maturação no teste de Tukey a 5% de
probabilidade.................................................................................................................. 28
FIGURA 16- Porcentagem de parasitoides encontrados em frutos verdes, coletados
em cultivo orgânico em Maceió, AL............................................................................. 28
FIGURA 17– Porcentagem de parasitoides encontrados em frutos de vez, coletados
em cultivo orgânico em Maceió, AL............................................................................. 29
FIGURA 18 - Porcentagem de parasitoides encontrados em frutos maduros,
coletados em cultivo orgânico em Maceió, AL............................................................. 29

LISTA DE TABELAS
Página
TABELA 1- Peso total e número de frutos coletados, número de pupas e adultos de
moscas-das-frutas, e parasitoides emergidos nos diferentes estágios de maturação de
pitanga. Maceió, AL, outubro de 2010 a janeiro de 2011..............................................

23

TABELA 2 – Peso médio (kg), médias de pupas e adultos de moscas-das-frutas, e
de seus parasitoides , emergidas nos diferentes estágios de maturação de pitanga.
Maceió, AL, outubro de 2010 a janeiro de 2011. ..........................................................

25

RESUMO
SILVA, D. G. L. B da. Moscas-das-frutas (Diptera: Tephritidae) e seus parasitoides
em cultivo orgânico de pitanga (Eugenia uniflora L.) em Maceió-AL, Trabalho de
Conclusão de Curso, Universidade Federal de Alagoas UFAL – CECA. ...p, 2011.
As moscas-das-frutas são consideradas importantes pragas da fruticultura
mundial, causando perdas significativas à produção e limitando o livre trânsito de frutas
devido às restrições impostas pelos países importadores. A pitanga, como todo fruto,
está sujeito ao ataque de pragas e doenças, sendo as mosca-das-frutas, uma das pragas
que mais se destacam. O principal objetivo desse estudo foi avaliar a infestação por
moscas-das-frutas (Diptera: Tephritidae) e seus parasitoides, a partir de diferentes
estágios de maturação de pitanga (Eugenia uniflora L.) (Myrtaceae) em propriedade de
cultivo orgânico de diferentes espécies de frutíferas. O levantamento foi conduzido no
Sítio Aldeia Verde, localizado em Maceió, AL, em pomar com certificação pelo
ECOCERT. Foram feitas três coletas entre outubro/2010 a janeiro/2011. Os frutos nas
árvores foram coletados aleatoriamente em diferentes alturas, com diferentes fases de
maturação: verde, início da maturidade fisiológica (De vez) e maduro. No laboratório,
os frutos foram submetidos à higienização, triagem, contagem e pesagem, e,
posteriormente, acondicionados individualmente em potes plásticos de 145 mL
contendo no fundo uma camada de areia peneirada e esterilizada servindo de substrato
para pupação, permanecendo em observação até a emergência dos adultos das moscas
ou dos parasitoides. Após a emergência, esses insetos foram separados individualmente,
colocados em álcool a 70% e identificados. Os dados obtidos foram submetidos à
análise estatística descritiva e teste de Tukey. As maiores infestações de mosca-dasfrutas ocorreram nos frutos verdes e de vez. Constatou-se a presença de 99,4% de
Anastrepha spp. em frutos de pitanga, havendo infestação de Anastrepha fraterculus
(Wied., 1830) e Anastrepha obliqua (Macquart, 1835) em todas as fases de maturação.
A espécie de parasitoide Doryctrobracon areolatus (Szepligeti, 1911), e Opius sp.
(Hymenoptera: Braconidae) foram identificadas em todas as fases de maturação, sendo
D. areolatus a que ocorreu em maior quantidade nos três estágios de maturação.
PALAVRAS-CHAVE: Insecta, Moscas-das-frutas, Parasitoides.

1. INTRODUÇÃO
A pitangueira (Eugenia uniflora L.) (Myrtaceae) é uma pequena árvore que nas
regiões subtropicais alcança 2m a 4m de altura, mas, vegetando sob ótimas condições de
clima e de solo, alcança alturas acima de 6m, quando adulta. Ela floresce entre agosto e
novembro e os frutos amadurecem entre outubro e janeiro, utilizada em várias
atividades, como paisagismo, cultivo em pomares domésticos e utilização da madeira na
produção de cabos de ferramentas e outros instrumentos agrícolas. (LORENZI, 1998).
A pitangueira também é recomendada para reflorestamentos heterogêneos destinados à
recomposição de áreas degradadas de preservação permanente, visando a proporcionar
alimento a avifauna. Os agricultores utilizam a pitanga pela versatilidade dos frutos que,
além de serem utilizados na cosmetologia, fornecem geléias, doces, refrescos, sorvetes,
licores e vinhos de qualidade apreciável (KORBES, 1995).
O fruto da pitangueira tem a forma de drupa globosa e carnosa, contendo de uma
a duas sementes, de coloração vermelha, rubra, roxa, e às vezes quase preta. Apresenta
entre outros nutrientes, a vitamina C, muito utilizada para diminuir a pressão arterial,
combater azia, bronquite, cólica e doenças do estômago (KORBES, 1995). É nativa
desde o centro do Brasil até o Norte da Argentina, embora atualmente esteja distribuída
tanto em território nacional como em várias partes do mundo (DONADIO et al., 2002).
Não se têm dados oficiais da produção e comercialização da fruta, tanto no
Brasil quanto no mundo, no entanto estima-se que o Brasil seja o maior produtor
mundial. Os maiores plantios estão localizados no Estado de Pernambuco, onde uma
região possui cerca de 300 ha cultivados (BEZERRA et al., 2000). A fruta vem
ganhando atenção em outros países pelo seu sabor exótico e conteúdo de vitaminas A e
C, onde tem sido reconhecida como alimento natural e saudável (RIBEIRO, 1998).
Portanto, existem grandes perspectivas de sua utilização nas misturas entre sucos de
outras frutas, como também pode ser utilizada como aditivo em bebidas lácteas e, ainda,
na forma de refresco em pó e néctares (BEZERRA et al., 2000).
Como todo fruto está sujeito a pragas e doenças. As pragas que mais se destacam
são as coleobrocas do tronco e dos ramos, a mosca-das-frutas e as formigas saúvas, mas
não se tem registro de nenhum agente importante responsável por doenças atacando

caule, ramos, folhas, flores ou frutos da pitangueira. (FRAIFE FILHO, LEITE, RAMOS
[s.d.])
As moscas-das-frutas são as principais pragas da fruticultura mundial,
considerando-se os danos diretos que causam e a capacidade de adaptação a outras
regiões, quando introduzidas (praga quarentenária). As moscas-das-frutas, da família
Tephritidae principalmente as do gênero Anastrepha e a espécie Ceratitis
capitata (Wiedemann, 1824), constituem um dos principais problemas fitossanitários da
fruticultura brasileira. Apresentam ampla distribuição geográfica e são encontradas
atacando uma grande variedade de plantas frutíferas sejam cultivadas ou silvestres, em
diferentes tipos de clima (NASCIMENTO & ZUCCHI , 1984)
Nesse contexto, este trabalho teve como objetivo avaliar a infestação por
moscas-das-frutas (Diptera: Tephritidae) e a ocorrência de seus parasitoides, a partir de
diferentes estágios de maturação de pitanga (Eugenia uniflora L.) em propriedade de
cultivo orgânico, em Maceió –AL.

2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1 MOSCAS-DAS-FRUTAS (DIPTERA: TEPHRITIDAE)
As moscas-das-frutas são consideradas importantes pragas da fruticultura
mundial, causando perdas significativas à produção e limitando o livre trânsito de frutas
devido às restrições impostas pelos países importadores (MALAVASI, 2000). No
Brasil, as espécies de moscas-das-frutas de importância econômica pertencem aos
gêneros Anastrepha, Bactrocera, Ceratitis e Rhagoletis. No entanto, do ponto de vista
agrícola,

apenas

Ceratitis

capitata

e Anastrepha

são

as

moscas-das-frutas

economicamente importantes no país (ZUCCHI, 2000).

2.1.1. Anastrepha Schiner, 1868

O gênero Anastrepha (Figura 1) é típico da região neotropical e apresenta maior
número de espécies de moscas-das-frutas no País. Pertence à subfamília Trypetinae,
tribo Toxotrypanini junto com os gêneros Toxotrypana e Hexachaeta (SMITH &
BUSH, 2000). MORGANTE (1991) relatou que das 193 espécies descritas neste
gênero, 78 ocorrem no Brasil. ZUCCHI (1988) observou a ocorrência de espécies de
Anastrepha praticamente em todos os estados brasileiros, desenvolvendo-se
preferencialmente em frutos nativos.

FIGURA 1 - Mosca do Gênero Anastrepha
(Fonte: http://www.invasive.org/ )
2.1.2 Ceratitis capitata (Wiedemann, 1824)

A espécie C. Capitata (Figura 2), conhecida como mosca-do-mediterrâneo, é a
única do gênero presente no Brasil. De origem africana, esta espécie, ocorre em todas as
regiões biogeográficas da Terra, exceto na Oriental. No Brasil, ela é encontrada com
maior frequência nas regiões Sul e Sudeste, onde se cultiva um maior número de
fruteiras introduzidas, às quais se constituem em seus principais hospedeiros. Porém, já
se verifica a presença deste inseto nas regiões Centro-Oeste (ZAHLER, 1990) e
Nordeste (CARVALHO et al, 2000; MORGANTE, 1991; COSTA et al., 1993),
infestando diversas espécies vegetais.

FIGURA 2- Mosca do gênero Ceratitis
(Fonte: http://images.ookaboo.com/)

2.2. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA
A importância econômica das moscas-das-frutas deve-se aos danos diretos
causados à produção e às exigências quarentenárias impostas pelos países importadores
de frutas in natura. Essa importância pode variar segundo o país, região, hospedeiro e
época do ano. Em algumas regiões elas chegam a comprometer 100% da produção de
frutos e podem infestar mais de 400 espécies de frutíferas, sendo consideradas uma das
principais pragas que afetam a fruticultura em todo o mundo. Mesmo em pequenas
populações, as moscas-das-frutas causam danos econômicos significativos, o que requer
do fruticultor atenção especial. O problema é ampliado na medida em que o foco de
infestação se localiza em áreas próximas aos pomares comerciais, ocorrendo a migração
e infestação de frutos naqueles locais, dificultando o controle da praga e inviabilizando
a comercialização de frutas frescas (CARVALHO, 2006).

O conhecimento das espécies de moscas-das-frutas de importância econômica
em determinada área só pode ser obtido com base em levantamentos intensivos
diretamente dos frutos hospedeiros (ZUCCHI, 2007). A espécie C. capitata é a
responsável pelos maiores danos por se encontrar distribuída em praticamente todo o
mundo, atacando o maior número de hospedeiros comerciais e mais de 200 outros
hospedeiros alternativos.
Segundo Zucchi (2007), as espécies de moscas-das-frutas Anastrepha spp. e C.
capitata destacam-se como as de maior importância econômica para a fruticultura
brasileira. Não são conhecidos os hospedeiros para várias espécies brasileiras
de Anastrepha, tendo em vista que os levantamentos são realizados principalmente com
atrativos alimentares em frascos caça-moscas (MONTES, 2006).

2.3. DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA
As moscas-das-frutas apresentam ampla distribuição geográfica, sendo
encontradas praticamente no mundo todo, ocupando uma posição em destaque entre as
pragas da fruticultura (ZUCCHI, 2000a).
O gênero Anastrepha está presente na América do Sul, Central e Caribe, e na
América do Norte está restrita ao México, sul do Texas e centro-sul da Flórida. Já o
gênero Ceratitis ocorre em toda a África, sul da Europa, todas as Américas, Caribe,
Austrália e Ilhas do Pacífico. Ragholetis está presente na América do Norte, Central e
do Sul e na Europa. O gênero Bactrocera é encontrado principalmente na Ásia Tropical,
Austrália e Ilhas do Pacífico, com distribuição secundária na Ásia temperada, África
tropical, sul da Europa e norte da América do Sul (Suriname e Guiana Francesa)
(FUNDECITRUS, [s.d.])
No Brasil, são encontradas em todas as regiões. As principais espécies que
ocorrem são: A. fraterculus, Anastrepha grandis (Macquart, 1846), Anastrepha obliqua,
Anastrepha pseudoparallela (Loew, 1873), Anastrepha sororcula Zucchi, 1979,
Anastrepha striata Schiner, 1868 e Anastrepha zenildae Zucchi, 1979. Entretanto,
algumas espécies como: A. bistrigata (Bezzi, 1919) que infesta goiaba no Sudeste,
Anastrepha distincta Greene, 1934 nas mimosáceas da Amazônia e Anastrepha
serpentina (Wiedemann, 1830) nas sapotáceas do Nordeste, poderão futuramente ter

importância econômica em razão dos frutos que atacam e de sua relativa abundância
(ZUCCHI, 2000a).

2.4. DANOS
As moscas-das-frutas causam danos econômicos à fruticultura devido à queda
precoce dos frutos ou à sua depreciação para consumo (LEONEL Jr., 1991). Esses são
causados diretamente e exclusivamente nos frutos pela fêmea adulta (perfuração do
fruto por ocasião da oviposição) e pelas larvas (consumo da polpa provocando um
apodrecimento interno) (RAGA & SOUZA FILHO, 2000).
A fêmea perfura a epiderme do fruto com o seu ovipositor para colocar os ovos
(punctura), após a eclosão, as larvas consomem a polpa dos frutos tornando-os
impróprios tanto para consumo in natura como para industrialização. Além do dano
direto devido à alimentação das larvas, ocorrem danos indiretos como a contaminação
por microorganismos que provocam o apodrecimento dos frutos atacados. Estes ao
caírem favorecem a ocorrência de outros problemas fitossanitários (NASCIMENTO et
al., 2002).

2.5. CICLO BIOLÓGICO
As moscas-das-frutas apresentam desenvolvimento completo: ovo, larva, pupa e
adulto (Figura 3). Geralmente os ovos têm a forma elíptica, com cor branca-creme e
com diferentes tonalidades. As larvas são brancas-creme, ápodas e com a cabeça retrátil.
As pupas possuem diversas fases, podendo apresentar uma forma ovóide de cor brancacreme até se assemelhar com a mosca adulta, dentro de seu pupário. Os adultos possuem
uma ampla gama de variação fenotípica, principalmente entre os diferentes gêneros,
embora os do mesmo gênero assemelhem-se mais (SALLES, 1993).
O período de duração do ciclo de vida das moscas-das-frutas é dependente de
vários fatores, principalmente da temperatura, da planta hospedeira e da própria espécie
de mosca. C. capitata apresenta a duração do seu ciclo de ovo a adulto em torno de 18 a
30 dias no verão enquanto que A. fraterculus varia de 25 a 35 dias. Em épocas ou
regiões de baixas temperaturas o ciclo é prolongado (RAGA e SOUZA FILHO, 2000).

FIGURA 3. Ciclo biológico das moscas-das-frutas
(Fonte: http://www.moscamed.com.br)
2.6. PLANTAS HOSPEDEIRAS
O conhecimento de plantas hospedeiras na região onde se pretende estabelecer
um programa de controle de moscas-das-frutas é de primordial importância, uma vez
que o ataque nas fruteiras comerciais ocorre pela migração das moscas para o pomar
(RAGA & SOUZA FILHO, 2000).
2.7. PRINCIPAIS MÉTODOS DE CONTROLE
O êxito no controle de moscas-das-frutas sempre se baseia na integração de
vários métodos, uma vez que essas espécies apresentam características que as
distinguem como pragas-chave, como a alta produção e viabilidade de ovos, alta
capacidade de dispersão de adultos e de colonização sob diferentes condições
ecológicas. (RAGA & SOUZA FILHO, 2000). Mas, em geral, o controle é feito pela
aplicação de iscas tóxicas a base de proteína hidrolisada associada a um inseticida ou de

pulverização de cobertura. Embora essa técnica de controle seja efetiva, acarreta
problemas de ordem ambiental, como o impacto sobre organismos benéficos como as
abelhas e inimigos naturais, tanto específicos quanto de outras pragas (resíduos de
agrotóxicos), de saúde humana para os trabalhadores rurais e, principalmente, de
mercado, visto que, devido ao uso intensivo de defensivos químicos, a aceitação do
produto in natura é prejudicada, provocando prejuízos econômicos significativos
(NASCIMENTO et al., 2002).
2.7.1 Métodos Culturais
Vários métodos culturais são aplicados para reduzir a densidade populacional
das moscas-das-frutas em nível de pomar comercial. Entre os mais recomendados estão
a coleta e destruição dos frutos, ensacamento, poda das árvores e o uso de plantas
armadilhas (NASCIMENTO & CARVALHO, 2000)
2.7.2 Controle Químico
O controle químico de moscas-das-frutas se baseia no uso de iscas tóxicas e na
pulverização em cobertura. As iscas tóxicas são usadas como atrativo, matando os
insetos adultos, já a pulverização age por ação de profundidade, penetrando no fruto e
atuando sobre os ovos e larvas do inseto. Ambos contribuem para o desequilíbrio do
agroecossistema (NASCIMENTO & CARVALHO, 2000).

2.7.3. Técnica do macho estéril
A técnica do inseto estéril (TIE) foi idealizada e criada pelo entomologista
americano, E. F. Knipling, como uma possibilidade de controle e/ou erradicação da
mosca varejeira, Cochliomyia hominivorax (Coquerel). Na década de 40, meses após
liberações semanais e inundativas de moscas varejeira estéreis na Ilha de Curaçao,
obteve-se a erradicação dessa praga. Hoje, vários países possuem programas nacionais
de TIE, com biofábricas para criação de C. capitata (Brasil, EUA, México, Guatemala,
Argentina, Chile, Peru, Portugal, Tunísia, Tailândia e África do Sul), algumas espécies

dos gêneros Anastrepha (México e EUA) e Bactrocera (EUA, Japão, Malásia) para o
controle (supressão) e/ou erradicação (PARANHOS, 2005).
A técnica de macho estéril se baseia na liberação em larga escala de moscas
previamente esterilizadas, e pode ser empregada em área ampla (pomares comerciais,
pomares domésticos, matas com hospedeiros nativos, áreas urbanas com plantas
hospedeiras), sem a contaminação do meio ambiente ou dos operadores e com alta
eficiência (WALDER, 2000).
A expansão do uso desta técnica tem provado sucesso em proteger áreas de
fruticultura contra a infestação de mosca-do-mediterrâneo, C. capitata, e prevenir
embargos de bilhões de dólares em programas de exportação (MALAVASI &
NASCIMENTO, 2003). Apesar disso, esta prática, além de ser onerosa, pode ser
aplicada somente em regiões com características favoráveis: áreas isoladas por
montanhas, desertos ou oceanos (WALDER, 2000).

2.7.4 Controle Biológico
O controle biológico ainda não é devidamente conhecido e explorado em muitas
culturas, assim a informação sobre redução da infestação das moscas-das-frutas com o
uso deste método, tanto nas espécies cultivadas quanto nas plantas hospedeiras, são
alternativas que se fazem necessárias (CARVALHO et al., 2000).
Dentre os diferentes organismos que efetuam o controle biológico de moscasdas-frutas (vírus, bactérias, fungos, nematoides e insetos parasitoides ou predadores), os
parasitoides (Braconidae) são os mais efetivos, com utilização em vários países. Isso
ocorre, principalmente, devido a sua especificidade e pela facilidade de criação
(CARVALHO et al., 2000).
Para o sucesso na liberação destes parasitoides e, consequentemente, o controle
das moscas-das-frutas, é indispensável a realização de estudos taxonômicos, biológicos,
de interações tritróficas, de distribuição, além de levantamentos das espécies com
objetivo de conhecer a praga e seu parasitóide (WHARTON, 1989; LEONEL JÚNIOR
et al., 1996; MARINHO, 2004).

2.7.4.1. Parasitoides
Os parasitoides são seres que parasitam outros organismos, passam um
importante período fixado na superfície ou no interior de um único hospedeiro,
impedindo-o de atingir a fase adulta, até seu óbito (CANAL & ZUCCHI, 2000).
Os estudos de parasitoides de moscas-das-frutas iniciaram-se em 1902. A partir
desta data, um grande número de programas de controle biológico utilizando
parasitoides tem sido conduzido em muitos países (CANAL & ZUCCHI, 2000). No
Brasil, os principais parasitoides dessas moscas pertencem às famílias Braconidae,
Figitidae e Pteromalidae. O maior número de espécies de parasitóides pertence à família
Braconidae (SALLES, 1995, MALAVASI & ZUCCHI, 2000).
As moscas-das-frutas depositam, inicialmente, a larva no interior do fruto. A
larva da mosca, ao se alimentar, produz vibrações que são identificadas pelo parasitóide
através de suas antenas. A fêmea do parasitóide introduz então o ovipositor através do
fruto e realiza a postura dentro da larva. Os ovos fecundados darão origem a machos e
fêmeas; se não fecundados, originarão somente machos, através de reprodução
partenogênica do tipo arrenótoca. O desenvolvimento do parasitoide acontece no
interior da larva, que ao pupar seu conteúdo corporal é consumido pela larva do
parasitóide. Ao final do seu ciclo, ao invés de emergir um adulto de uma mosca, emerge
um parasitóide, que reiniciará o ciclo, contribuindo para a redução populacional das
moscas-das-frutas (CARVALHO et al., 2000).
Apesar da eficiência, é importante lembrar que o uso de parasitoides não garante
o controle adequado da praga, porém podem diminuir as populações das moscas,
aumentando a eficiência de outras técnicas de controle (CANAL & ZUCCHI, 2000).
Os níveis de parasitismo variam em função dos locais, da época e/ou do fruto
hospedeiro. Entretanto, os índices de parasitismo natural raramente ultrapassam 50%
(MENEZES et al., 1997). Segundo Canal & Zucchi (2000), no Brasil, levantamentos
sistemáticos de parasitoides de moscas-das-frutas têm sido feitos em poucas áreas, em
sua maioria em algumas localidades das regiões do Sul e Sudeste, apesar da
potencialidade frutícola das outras regiões brasileiras.

2.8. MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS (MIP)
O Manejo Integrado de Pragas é definido com um sistema de apoio a decisões
para seleção e uso de táticas de controle de pragas, usado individualmente ou
harmoniosamente, coordenado em estratégias de manejo, baseado em análises de custo
e benefício, que levam em conta, os interesses dos produtores e os impactos na
sociedade e no meio ambiente (KOGAN & SHENK, 2002). Ele representa um avanço
significativo como sistema racional de controle de pragas em frutíferas, pois tem como
principal objetivo, a utilização mínima de agroquímicos, no sentido de amenizar
problemas de contaminação do ambiente e, conseqüentemente, diminuir as taxas de
resíduos no produto final, garantindo uma melhor qualidade de vida, tanto para o
produtor como para o consumidor (SOUZA FILHO et al [s.d.]).
Os programas de manejo integrado de pragas em fruticultura têm incentivado o
uso de vários métodos e táticas de controle, principalmente o controle biológico, que
deve ser usado com o intuito de reduzir a densidade populacional das moscas-das-frutas
e favorecer o aumento da população de seus inimigos naturais, minimizando o
desequilíbrio ecológico (WALDER, 2000).
Devido às suas características, o MIP é o sistema fitossanitário ideal a ser seguido pela
fruticultura brasileira e principalmente no sentido de atender o mercado externo de fruta
in natura que é extremamente exigente quanto à qualidade da fruta e à ausência de
resíduos de agrotóxicos.

3. MATERIAL E MÉTODOS
O levantamento foi conduzido no Sítio Aldeia Verde, localizado em Maceió,
AL, em pomar de cultivo orgânico (certificação ECOCERT), de coordenadas
geográficas 9º40'S, 35º42'W e 110 m de altitude.
Foram realizadas três coletas entre outubro/2010 a janeiro/2011. Os frutos nas
árvores foram coletados aleatoriamente em diferentes alturas, em diferentes fases de
maturação: verde (casca verde), de vez (casca laranja) e maduro (casca vermelha)
(Figura 4).

FIGURA 4- Frutos coletados em cultivo orgânico em Maceió com diferentes
fases de maturação (verdes, de vez e maduros)

O tamanho das amostras foi variável e dependente da disponibilidade de frutos.
As amostras foram encaminhadas ao Laboratório de Entomologia do Centro de Ciências
Agrárias (CECA) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), onde foram
higienizados, utilizando-se água e hipoclorito de sódio a 1%, e posteriormente, realizada
a contagem, pesagem e acondicionamento (Figura 5).

A

B

C

D

E

FIGURA 5- Triagem dos frutos: A) desinfecção; B) pesagem; C) acondicionamento; D)
individualização das pupas; E) conservação dos adultos
As amostras foram acondicionadas individualmente em potes de plástico de 145
mL contendo no fundo uma camada de areia peneirada e esterilizada para servir de
substrato para pupação. Os recipientes plásticos foram devidamente etiquetados com o
código da amostra, permanecendo em condições ambientais.
A individualização das pupas foi feita 15 dias após o acondicionamento dos
frutos. As pupas de Anastrepha spp. foram diferenciadas das de C. capitata pelo
tamanho, uma vez que as de Anastrepha são maiores. Os adultos das moscas-das-frutas
e seus parasitoides que emergiram foram armazenados em frascos de vidro contendo
etanol a 70%, para posteriormente serem identificados. A identificação foi baseada em
chaves dicotômicas, segundo Malavasi e Zucchi (2000). Para a identificação das moscas
foram consideradas apenas as fêmeas, baseando-se no ápice do acúleo. Enquanto dos
parasitoides foram consideradas as asas e o aparelho bucal.
O índice de infestação foi calculado dividindo-se o número de pupas obtidas
pelo número de frutos coletados.
O parasitismo foi calculado pela fórmula: P= (pupas parasitadas/ total de pupas
x100).
Os dados obtidos foram submetidos à estatística descritiva, análise de variância e
ao teste de Tukey à 5%.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Do total de 750 frutos de pitanga, durante os três estágios de maturação, foram
obtidos 714 pupários, dos quais emergiram 351 frugívoros, sendo 311¹ identificados
como pertencentes às famílias Tephritidae e 40 como da Lonchaeidae (Neosilba sp.)
(Tabela 1).
TABELA 1- Peso total e número de frutos coletados, número de pupas e adultos de
moscas-das-frutas, e parasitoides emergidos nos diferentes estágios de maturação de
pitanga. Maceió, AL, outubro de 2010 a janeiro de 2011.
Fase de

Peso total

maturação

(kg)

Frutos

Pupas

Moscas

Parasitoides

Verde

527,58

250

282

168

29

De vez

797,31

250

294

138

62

Maduro

802,11

250

138

45

47

Total

2127,0

750

714

3511

138

Número

1 150 fêmeas e 161 machos para moscas-das-futas da família Tephtitidae

FIGURA 6 - Neosilba sp. em cultivo orgânico, Maceió, AL.
(Foto: Jakeline Maria dos Santos)
Das espécies identificadas, constatou-se a presença de 99,4% Anastrepha spp. e
0,6 de C. capitata. As moscas das espécies A. fraterculus e A. obliqua foram
predominantes, e ambas encontradas nos três estágios de maturação. A. fraterculus
apresentou-se em maior número em frutos verdes (Figura 8) e de vez (Figura 9),
enquanto A. obliqua em frutos maduros (Figura 10). Segundo Carvalho (2005), a

pitanga está entre os frutos que apresentam maior diversidade de espécies pertencentes
ao gênero Anastrepha, juntamente com umbu-cajá, jambo vermelho, manga, goiaba,
seriguela e carambola. Em dados comparados aos de Bomfim (2007), obtidos em frutos
de umbu-cajá (Spondias sp.) (Anacardiaceae), A. obliqua predominou com ocorrência
de 98,14%, sendo encontrada em todos os estágios de maturação; A. sororcula e A.
fraterculus representaram 1,16% e 0,70%, respectivamente, oriundas apenas de frutos
maduros, deixando evidenciado que a mesma espécie de tefritídeo pode ter preferência
em infestar frutos em diferentes fases de maturação, quando se trata de outras plantas
hospedeiras.

FIGURA 7 - Anastrepha spp. em cultivo orgânico, Maceió, AL.
(Foto: Jakeline Maria dos Santos)

FIGURA 8– Porcentagem de moscas da família Tephritidae encontradas em frutos
verdes, coletados em cultivo orgânico em Maceió, AL.

FIGURA 9– Porcentagem de moscas da família Tephritidae encontradas em frutos de
vez, coletados em cultivo orgânico em Maceió, AL.

FIGURA 10 – Porcentagem de moscas da família Tephritidae encontradas em frutos
maduros, coletados em cultivo orgânico em Maceió, AL.
O índice de infestação por moscas-das-frutas diminuiu de acordo com o
amadurecimento fisiológico dos frutos. Maiores infestações foram observadas nos
frutos verdes e de vez (Figura 9), obtendo-se uma média de 1,13 e 1,18 pupas por fruto,
respectivamente, os quais não deferiram pelo teste de Tukey a 5%, e 0,55 pupas por
fruto para os maduros.
TABELA 2 – Peso médio (g), médias de pupas e adultos de moscas-das-frutas, e de
seus parasitoides emergidos (±EP) nos diferentes estágios de maturação de pitanga.
Maceió, AL, outubro de 2010 a janeiro de 2011.

Verde

De vez

Maduro

F

CV%

Peso Médio (g)

2.11±0.04

3.18±0.03

3.20±0.05

118,25 *

5,6763

Pupas

1.12±0.08

1.17±0.05

0.55±0.04

42,01*

9,4324

Moscas

0.67±0.04

0.55±0.03

0.18±0.05

34,93

12,1095

Parasitoides

0.11±0.04

0.24±0.02

0.18±0.01

6,16

15,1268

Em relação ao número de pupas, os frutos verdes e de vez, não diferiram entre
si. Os frutos maduros apresentaram diferença em relação |às demais fases de maturação
(Figura 11).

FIGURA 11 – Média dos números de pupas de moscas-das-frutas obtidas em frutos de
pitanga em diferentes estágios de maturação no teste de Tukey a 5% de probabilidade
Em relação ao número de moscas-das-frutas, os frutos diferiram entre si (Figura
12).

FIGURA 12 – Média dos números de moscas-das-frutas obtidas em frutos de pitanga
em diferentes estágios de maturação no teste de Tukey a 5% de probabilidade

Os frutos de vez foram apresentaram maior índice de parasitismo (45%), seguido
dos frutos maduros (34%) e frutos verde (21%) (Figura 10). O parasitismo médio não
diferiu significativamente entre os frutos de vez e maduro, e maduro e verde (Figura 13)

FIGURA 13 – Frequência geral de parasitoides encontrados em frutos em três estágios
de maturação, coletados em cultivo orgânico em Maceió, Al.
Quanto ao número de parasitoides, houve diferença significativa em relação aos
frutos verde e de vez. Os frutos maduros não diferiram das demais fases (Figura 15).

FIGURA 14– Parasitoide em cultivo orgânico, Maceió, AL.
(Foto: Jakeline Maria dos Santos)

FIGURA 15– Médias dos números de parasitoides de moscas-das-frutas obtidas em
frutos de pitanga em diferentes estágios de maturação no teste de Tukey a 5% de
probabilidade.
Entre os parasitoides emergidos foram encontrados Doryctrobracon areolatus
(Szepligeti, 1911), Opius sp, Utetes anastrephae (Viereck, 1913), Diachasmimorpha
longicauda (Shestakov, 1940) e Asobara anastrephae (Muesebeck, 1958). 54% de D.
areolatus e 46% de Opius sp., nos frutos verdes (Figura 16; 38,5% D. areolatus, 25%
Opius sp., 21% Utetes anastrephae, e 15,5% D. longicaudata, em frutos de vez (Figura
17; e, 60,5% D. areolatus, 18% A. anastrephae, 10,5% Opius sp., 8% D. longicaudata e
2,5% A. anastrephae, em frutos maduros (Figura 18).

FIGURA 16- Porcentagem de parasitoides encontrados em frutos verdes, coletados em
cultivo orgânico em Maceió, AL.

FIGURA 17– Porcentagem de parasitoides encontrados em frutos de vez, coletados em
cultivo orgânico em Maceió, AL.

FIGURA 18 - Porcentagem de parasitoides encontrados em frutos maduros, coletados
em cultivo orgânico em Maceió, AL.
A espécie D. areolatus esteve presente em maior quantidade nos três estágios de
maturação, o que confirma os resultados obtidos por Gonçalves et al. (2006) e Lima
(2010), que afirmaram ser a espécie mais abundante para o Estado de Alagoas. Para
Ohashi et al. (1997), D. areolatus é a espécie mais comum que parasita mais espécies de
Anastrepha no Brasil. Segundo Leonel et al. (1995), Araújo et al. (1996) e Veloso
(1996), essa espécie tem ampla e abundante distribuição entre os parasitoides em
pupários de Tephritidae no Brasil. Na Venezuela, Katiyar et al. (1995) também
afirmaram ser ela a espécie mais abundante dentre os parasitoides de Tephritidae.

Segundo Carvalho (2005), a predominância de D. areolatus está relacionada não só a
sua habilidade de localizar e parasitar, mas também pela sua capacidade de parasitar
larvas desde a sua fase inicial de desenvolvimento, antecipando-se aos outros
parasitóides.
Segundo Price (1972) um importante aspecto ecológico a se considerar é que
várias espécies de parasitóides buscando o mesmo hospedeiro, num mesmo habitat,
deverá resultar em competição. Sivinski et al. (1997) consideraram que a presença de
várias espécies de parasitoides em uma mesma planta, afeta a distribuição espacial e
temporal devido a competição interespecífica.
Matrangolo et al. (1998) afirmaram que ao se analisar os dados de parasitismo
em material conduzido do campo para o laboratório, deve-se levar em conta que o
parasitismo obtido é subestimado, já que quando os frutos são levados para o
laboratório, as larvas ainda não parasitadas escapam do inimigo natural. Para Stark et al.
(1991), parasitoides de ovos podem ser bem representados quando frutos caídos ou
ainda na planta são coletados, mas parasitoides larvais podem ser subestimados ou
faltarem totalmente, por que os frutos podem ser removidos do campo antes que estes
tenham a oportunidade de parasitar com toda a sua capacidade. Concordando com os
dados obtidos em pitangas, com menor parasitismo nos frutos verdes.
Segundo Matrangolo et al. (1998), o número de parasitoides provenientes de
pitanga, comparado com outros frutos, deve-se provavelmente ao pequeno tamanho e à
casca fina, o que permite que estes localizem com maior facilidade as larvas no interior
dos frutos. Para Sivinski (1991), os frutos de menor diâmetro produzem maior número
de parasitoides que os de maior diâmetro, já que as fêmeas não têm a mesma facilidade
de alcançar o hospedeiro com seu ovipositor. Hernández-Ortiz et al. (1994)
consideraram o tamanho do fruto um fator importante na taxa de parasitismo de
tefritídeos, já que em suas avaliações, a maioria dos parasitoides foi recuperada de
frutos pequenos. Podendo atribuir também ao estágio de maturação, uma vez que,
mesmo todas as fases com mesmo tamanho, os verdes apresentam maior resistência.
As características do fruto (polpa pouco profunda e casca fina) deveriam
favorecer igualmente as outras espécies de parasitóides, o que não aconteceu. As
espécies D. areolatus e Opius sp. parasitaram larvas em estágios variados, tornado-se
mais eficiente frente às outras espécies, sendo D. areolatus mais presente entre as duas,

responsável pelo maior parasitismo. Com a presença de Opius sp. nos três estágios de
maturação, foi observado que não é somente D. areolatus que possui capacidade de
parasitar larvas em estágios iniciais em frutos ainda verdes

5. CONCLUSÕES
As maiores infestações por moscas-das-frutas ocorreram em frutos verdes e de
vez;
Anastrepha fraterculus e A. obliqua em todas as fases de maturação;
A. sororcula foi encontrada em frutos verdes e de vez e Ceratitis capitata nos
frutos maduros.
As espécies de parasitoides D. areolatus e Opius sp. ocorrem em todas as fases
de maturação
Os maiores índices de parisitismo são encontrados nos frutos de vez e maduros.

.

6.

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