Edipo J Silva
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
CURSO DE AGRONOMIA
UFAL
CECA
EDYPO JACOB DA SILVA
INTENSIDADE DA CASCA PRETA DO INHAME NO ESTADO DE ALAGOAS
RIO LARGO – AL
2011
EDYPO JACOB DA SILVA
INTENSIDADE DA CASCA PRETA DO INHAME NO ESTADO DE ALAGOAS
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao
Centro de Ciências Agrárias como parte dos
requisitos para obtenção do título de Engenheiro
Agrônomo.
RIO LARGO – AL
2011
AGRADECIMENTOS
A Deus, por sempre ter me dado força e perseverança para continuar lutando em
meio às diversidades da vida. Sou eternamente grato.
A minha mãe, Márcia Regina da Silva, por ser a pessoa que me guiou e me
ensinou o significado do amor e da responsabilidade. A minha irmã, Érica Emilly, por
sempre ter estado ao meu lado dividindo os momentos mais importantes da minha vida.
Ao meu pai, Ronaldo Jacob dos Santos, por ter sido um pai compreensivo e ter
me ajudado a me tornar o ser humano que sou hoje.
A minha vó, Cícera, que esteve sempre presente ao meu lado, ao longo de todos
esses anos, me dando suporte nos meus estudos e acreditando nos meus ideais.
A minha orientadora, Maria de Fátima Silva Muniz. Pois sem sua orientação e
paciência jamais estaria concluindo o curso. Obrigado por ter compartilhado comigo seu
conhecimento e experiências profissionais, se tornando, para mim, uma verdadeira
amiga.
A todos os professores e funcionários do CECA, em especial Edna Peixoto,
Iraildes Pereira e Marissônia de Araujo; profissionais que tenho grande admiração e que
tiveram grande influência na minha vida acadêmica.
Aos meus amigos que estiveram comigo durante esse percurso dividindo
conhecimento e as muitas horas de estudo: Arnaldo Neri, Érika Cristina, Geovanny
Barroso, Jane Cléa, Reginaldo José, Tatiana Salvador e Thiago Batista. Vocês me
mostraram o significado de uma amizade verdadeira.
A todos os meus amigos que estiveram presentes durante minha vida acadêmica
tanto no laboratório de Fitopatologia como na residência universitária alagoana. Foi um
período de grande experiência e crescimento intelectual.
À FAPEAL e à UFAL que juntamente com os produtores de inhame
colaboraram para a realização do presente trabalho.
SUMÁRIO
Página
RESUMO ..................................................................................................
i
1. INTRODUÇÃO .......................................................................................
01
2. REVISÃO DE LITERATURA ..............................................................
03
2.1 Importância da cultura do inhame e da casca preta ..........................
03
2.2 Distribuição geográfica da casca preta ................................................
04
2.3 O nematoide do inhame: Scutellonema bradys .................................... 05
2.3.1 Biologia e ciclo de vida .......................................................................
05
2.3.2 Sobrevivência e disseminação ............................................................
06
2.3.3 Hospedeiras .........................................................................................
06
2.4 Nematoides das lesões: Pratylenchus coffeae e P. brachyurus ...........
07
2.4.1 Biologia, ciclo de vida e disseminação ............................................... 07
2.4.2 Hospedeiras .........................................................................................
08
2.5 Diagnose ..................................................................................................
08
2.6 Manejo ....................................................................................................
08
3. MATERIAL E MÉTODOS ....................................................................
11
3.1 Seleção das áreas para o levantamento da doença .............................
11
3.2 Avaliação da incidência da casca preta ...............................................
11
3.3 Coleta das amostras ...............................................................................
12
3.4 Avaliação das densidades populacionais dos nematoides ..................
12
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ..........................................................
13
5. CONCLUSÕES .......................................................................................
16
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................
17
i
RESUMO
SILVA, E.J. Intensidade da casca preta do inhame no estado de Alagoas. Rio Largo:
UFAL- CECA, 2011. 22p. (Trabalho de Conclusão de Curso).
A cultura do inhame (Dioscorea sp.), no nordeste brasileiro, tem grande
importância econômica e social, especialmente para os Estados da Paraíba, Pernambuco
e Alagoas, principais produtores nacionais. Dentre os problemas fitossanitários da
cultura no Brasil, a casca preta ou podridão seca, causada pelos nematóides
Scutellonema bradys, Pratylenchus coffeae ou P. brachyurus destaca-se como o mais
importante. Apesar da constatação, em Alagoas, da casca preta causada por S. bradys,
há necessidade da atualização das informações sobre a doença uma vez que mais de
uma espécie de nematóide encontra-se a ela associada. Para isso, efetuou-se um
levantamento da doença em 2009, em onze municípios produtores do estado: Paulo
Jacinto, Chã Preta, Viçosa, Atalaia, Quebrangulo, Mar Vermelho, Cajueiro e Joaquim
Gomes (Zona da Mata), Taquarana, São Sebastião e Arapiraca (Agreste). Em cada
município, foram selecionadas de uma a seis propriedades com histórico da doença. A
avaliação da incidência da doença (porcentagem de túberas com sintomas da casca
preta) foi efetuada por ocasião da colheita em relação a 100 túberas. Nos casos em que a
colheita já havia sido efetuada e as túberas encontravam-se armazenadas, anotava-se a
informação do produtor. Foram coletadas túberas infectadas, que totalizaram 39
amostras. Para a extração dos nematóides, as túberas foram lavadas com água corrente
retirando-se em seguida as cascas, formando uma amostra composta, da qual foram
retiradas alíquotas de 100 g/amostra e processadas pelo método do liquidificador e
centrifugação em solução de sacarose e caulim. Após a extração, os nematóides foram
mortos e fixados em formaldeído 4% aquecido e armazenados. Observação importante,
no presente trabalho, foi a ocorrência de S. bradys e Pratylenchus sp. na mesma área, na
maioria das amostras. A incidência da casca preta atingiu valores de até 85%, o que
reflete a grande importância econômica da doença nas áreas produtoras de Alagoas.
Palavras-chave: inhame, casca preta, incidência.
1
1. INTRODUÇÃO
O inhame é uma planta do gênero Dioscorea, família Dioscoreaceae, que
apresenta aproximadamente 600 espécies cultivadas principalmente na África
(Dioscorea cayenensis Lam.), no Caribe, México e Sudeste da Ásia (D. alata L.; D.
esculenta (Lour.) Burk.; D. composita Hemsl.; D. dumetorum (Kunth) Pax. e D.
rotundata Poir) e na América do Sul (D. cayenensis) (CAZÉ FILHO, 2002). É uma
planta produtora de túberas altamente energéticas e ricas em vitamina do complexo B,
carboidratos, amido, minerais e apresenta baixo teor de gorduras (SANTOS, 2005).
No Brasil, as áreas de produção concentram-se em estados da região Nordeste,
especialmente Paraíba, Pernambuco e Alagoas, principais produtores nacionais de
inhame para alimentação humana, onde a espécie D. cayenensis é a mais utilizada
(MOURA et al., 2006).
Dentre os problemas fitossanitários da cultura no Brasil, a casca preta ou
podridão seca, causada pelo nematoide Scutellonema bradys (Steiner & LeHew)
Andrassy, destaca-se como o mais importante, incidindo sobre túberas comerciais e
sementes de D. cayenensis, D. alata e D. trifida L. (MOURA et al., 2006; SOARES et
al., 2006). Túberas portadoras dos sintomas da casca preta perdem água rapidamente e
ficam predispostas ao ataque de microrganismos secundários, além de serem excluídas
nas seleções para exportação (MOURA et al., 2006).
Inicialmente, a podridão apresenta-se com coloração creme a amarelo claro,
logo abaixo da camada externa da túbera. Durante os quatro primeiros meses de
desenvolvimento, os sintomas da doença são discretos e de difícil observação, mas a
partir do quinto mês, quando efetivamente inicia-se o período de maturação, as túberas
passam a apresentar áreas enegrecidas e secas. Além do escurecimento da camada
interna, podem surgir rachaduras na parte externa da casca e perda de água causando
podridão (RITZINGER et al., 2003; MOURA et al., 2001).
No Brasil, a casca preta foi diagnosticada pela primeira vez por Lordello (1959),
ocasião em que descreveu uma nova espécie do agente etiológico, denominando-a S.
dioscoreae no estado de Pernambuco. Posteriormente, Moura; Teixeira (1980) não
encontrando populações semelhantes às estudadas por Lordello (1959), atribuíram a
causa da doença ao conhecido “nematoide do inhame”, S. bradys. Moura; Moura (1989)
fizeram o primeiro relato de Pratylenchus brachyurus (Godfray) Filipjev &
2
Schuurmans-Stekhoven, em túberas com sintomas pouco severos, porém semelhantes
aos da casca preta, no estado da Paraíba. Mais tarde, Moura; Monteiro (1995)
registraram P. coffeae (Zimmermann) Filipjev & Schuurmans-Steckhoven. Segundo
Lacerda (2002), a presença de nematoides na cultura do inhame pode causar decréscimo
na produção de até 90%.
Apesar da constatação da casca preta em Alagoas, causada por S. bradys
(MOURA et al., 1978) há necessidade da atualização das informações sobre a
ocorrência dessa doença, uma vez que mais de uma espécie de nematoide encontra-se a
ela associada. Assim sendo, este trabalho teve por objetivos verificar a incidência da
casca preta em áreas de plantio de inhame em Alagoas e identificar as espécies de
nematoides fitoparasitas associadas com a doença.
3
2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1. IMPORTÂNCIA DA CULTURA DO INHAME E DA CASCA PRETA
A cultura do inhame (Dioscorea sp.) é uma das mais conhecidas pelo homem e
consumida por mais de 60 milhões de pessoas todos os dias. Os maiores produtores de
inhame são os países africanos, em especial a Nigéria e a Costa do Marfim, sendo os
responsáveis por 91% do total que é produzido no mundo, 35.992.000 t/ano, com uma
área colhida de 3.539.164 ha. A Nigéria assume 70% da produção mundial,
aproximadamente 29 milhões t/ano, com uma produtividade média de 10.479 Kg ha-1.
Contudo, países como o Japão, que dispõe de maior nível tecnológico, chegam a
alcançar uma produtividade em torno de 23.750 Kg ha-1 (FAO, 2009). Embora o gênero
Dioscorea apresente cerca de 600 espécies, apenas 10 podem ser destinadas ao consumo
humano: D. rotundata, D. cayenensis, D. dumentorum (Kunth) Pax., D. hispida Dennst.,
D. alata, D. esculenta (Lour.) Burk., D. bulbifera L., D. opposita Thunb., D. trifida e D.
japonica Thunb (BRIDGE et al., 2005).
O Brasil produz cerca de 231.254 t de inhame anualmente com uma área colhida
de 25.129 ha (FAO, 2009). O estado de Alagoas é considerado o terceiro maior produtor
nacional, porém sua produtividade média é baixa. Segundo dados do IBGE (2010),
Alagoas apresenta uma área colhida de 1979 ha e uma produção de 21227 t, com um
rendimento médio de 10.726 Kg ha-1.
Para atingir o retorno produtivo da atividade é necessário estruturar a cadeia
produtiva, promover melhoria nos sistemas de produção, da qualidade do produto,
oferta constante e preços competidores, fatores estes que estão associados aos
conhecimentos técnicos e tecnologias disponíveis para a condução adequada da cultura.
A implantação da cultura requer muitos cuidados e investimento relativamente alto por
parte do produtor pelo uso de tutores, aplicação de matéria orgânica no plantio, colheita
e limpeza das túberas feitas manualmente. Apesar da importância socioeconômica que
essa cultura apresenta para a região Nordeste do Brasil, a produtividade continua baixa
por motivos relacionados ao manejo inadequado e ao uso de túberas-semente de
qualidade inferior em virtude da falta de túberas de melhor qualidade; uniformes no
tamanho e na maturação, livres de nematoides e fungos (SANTOS, 2005; MOURA,
2002).
4
As grandes limitações da cultura têm origem nos problemas fitossanitários com
destaque para a casca preta ou podridão seca, causada pelos fitonematoides S. bradys, P.
coffeae e/ou P. brachyurus que se destaca como o mais importante, incidindo sobre
túberas comerciais e sementes de Dioscorea spp. (MOURA et al., 2006; SOARES et
al., 2006).
A importância da casca preta é justificada pela permanente disseminação do
patógeno por meio da comercialização de túberas-semente contaminadas, pela pouca
resistência das túberas parasitadas ao transporte e ao armazenamento, pelas dificuldades
de controle e também pelas perdas que ocasiona (JATALA; BRIDGE, 1990; MOURA
et al., 2001). Outro fator importante é que as túberas afetadas ficam sujeitas ao ataque
de outros organismos como ácaros micófagos, fungos saprófitos, nematoides de vida
livre e são excluídas nas seleções para exportação (MOURA, 2005). O prejuízo causado
às células da planta pelo nematoide é confinado aos tecidos subepidérmicos,
peridérmicos e parenquimatosos da túbera a uma profundidade de 1-2 cm, podendo
ocasionalmente ser mais profundo (KWOSEH et al., 2002).
2.2 DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DA CASCA PRETA
A casca preta causada pelo nematoide S. bradys tem sido observada na maior
parte do mundo onde o inhame é cultivado, sendo relatada no Oeste da África, em
países da América Central e do Sul, inclusive no Brasil (BRIDGE et al., 2005).
Também foi relatada a ocorrência de P. coffeae causando os mesmos sintomas da casca
preta em Porto Rico (AYALA; ACOSTA, 1971), Brasil (MOURA et al., 2001)
Barbados, Jamaica, Belize, China e Taiwan (BRATHWAITE, 19771; COATESBECKFORD; BRATHWAIT, 19772; BRIDGE et al., 19963; HUANG et al., 19944;
TSAY et al., 19945 apud BRIDGE et al., 2005, p 234). A terceira espécie P. brachyurus
foi detectada na Nigéria, México e Brasil (UNNY; JERATH, 1965; ROMÁN; SOSAMOSS, 1977; MOURA; MOURA, 1989).
No Brasil, em virtude do intenso comércio de túberas sementes contaminadas, a
doença, encontra-se disseminada em todos os estados produtores de inhame do
Nordeste. Rapidamente, P. coffeae disseminou-se ao longo das áreas de produção de
inhame da costa. Paralelamente à disseminação e ao estabelecimento de P. coffeae,
populações de S. bradys foram desaparecendo (MOURA, 2001).
5
2.3 O NEMATOIDE DO INHAME: Scutellonema bradys
O gênero Scutellonema é principalmente caracterizado pelo escutelo (fasmídeos
alargados) os quais são opostos e localizados próximos ao ânus e pela sobreposição
dorsal e ventral do intestino pelo esôfago (GERMANI et al., 1985). Scutellonema
bradys pertence à família Hoplolaimidae e como outros membros deste grupo é uma
nematoide vermiforme, relativamente grande, medindo aproximadamente 1mm em
comprimento, possuindo um estilete robusto (KWOSEH et al., 2002).
Moura; Teixeira (1980) por meio de microscopia eletrônica de varredura
constataram dimorfismo sexual em S. bradys com relação ao formato do disco labial,
onde as fêmeas apresentaram essa estrutura com o formato oval, enquanto que nos
machos, tendia para quadrado ou ligeiramente hexagonal.
2.3.1 BIOLOGIA E CICLO DE VIDA
Scutellonema bradys comporta-se como um endoparasita migrador presente em
solos, raízes e túberas de inhame. Todos os estádios ativos são infectivos e o nematoide
invade túberas jovens, em desenvolvimento, pelos tecidos do ponto de crescimento,
pelas raízes e também por meio de rachaduras ou áreas danificadas na epiderme
suberizada da túbera (BRIDGE, 1972). O ciclo biológico é o modelo típico, com quatro
estádios juvenis entre ovo e forma adulta. Os ovos do nematoide, cuja reprodução é
anfimítica são depositados no solo ou em raízes e túberas e os juvenis desenvolvem-se
em adultos em 21dias (KWOSEH et al., 2002).
1
BRATHWAIT, C.W.D. Outbreaks and new records in Barbados. FAO Plant Protection Bulletin 25,
1977, p.210
2
COATES-BECKFORD, P.L; BRATHWAIT, C.W.D. Comparasion of various treatments for the
control of Pratylenchus coffeae in yam. Nematropica 7, 1997, p. 20-26.
3
BRIDGE, J. HUNT, D.J.; HUNT, P. Plant parasitic nematodes of crops in Belize. Nematropica 26,
1996, p.111-119.
4
HUANG, W.H; GAO, X.B.; LU, J.H. Pathogen identification and pathogenicity of the Chinese yam
root rot disease caused by lesion nematodes. Journal of South China Agricultural University 15, 1994,
p.35-38.
5
TSAY, T.T; CHENG, Y.H; LIN, Y.Y; CHENG, C.F. Nematode diseases of root and tuber crops in
Taiwan. Plant Protection Bulletin Taipei 36, 1994, p.225-238.
6
Trata-se de um nematoide relativamente bem adaptado a diferentes tipos de solo,
inclusive os mais ricos em argila. No campo, a infestação pode começar a partir de
exemplares já presentes no solo ou, o que é mais comum, de população trazida junto
com o material de propagação contaminado como túberas sementes. Os sintomas mais
severos são bem visíveis e frequentes nas túberas maduras mantidas sob condição de
armazenamento, resultando perda da qualidade, diminuição das partes comestíveis e
menor valor comercial (FERRAZ, 1995).
Populações de S. bradys aumentaram até duas vezes em túberas armazenadas a
23-32 oC, em umidade relativa de 40-85% comparado com túberas a 16-18 oC, sob
umidade relativa de 80-85%. Após um período de 5 a 6 meses de armazenamento, a
população aumentou de 9 a 14 vezes na espécie de inhame D. rotundata e de 5 a 8 vezes
em D. alata e D. cayenensis (ADESIYAN, 1977).
2.3.2 SOBREVIVÊNCIA E DISSEMINAÇÃO
Nenhum estádio de sobrevivência é conhecido para S. bradys, mas populações
são mantidas na ausência de inhame provavelmente em outras plantas hospedeiras.
Baixas populações do nematoide em túberas não produzem sintomas externos o que
aumenta o risco de disseminação. Ainda conforme o mesmo autor, túberas-semente
infectadas são, provavelmente, a principal fonte de inóculo no campo.
2.3.3 HOSPEDEIRAS
Estudo realizado na Nigéria (ADESIYAN, 1976) revelou como plantas
hospedeiras de S. bradys, caupi (Vigna unguiculata Walp.), quiabeiro (Abelmoschus
esculentus Moench.), tomateiro (Lycopersicon esculentum Mill.), guandu (Cajanus
cajan Mill.) e puerária (Pueraria phaseoloides Benth.), dentre outras. Entretanto, no
Brasil, Carmo (2009) testando em casa de vegetação 48 espécies vegetais, incluindo
plantas cultivadas e nativas, constatou que apenas o inhame foi considerado como bom
hospedeiro de S. bradys.
7
2.4 NEMATOIDES DAS LESÕES: Pratylenchus coffeae e P. brachyurus
O gênero Pratylenchus tem sido incluído na família Pratilenchidae. Os
caracteres comumente usados para diagnose e para distinguir espécies são presença ou
ausência de machos e os morfológicos e os morfométricos como, tamanho do corpo,
número de anéis labiais, tamanho do estilete, forma dos nódulos do estilete, forma da
espermateca, posição da vulva e forma do término da cauda. (CASTILLO; VOVLAS,
2007).
2.4.1 BIOLOGIA, CICLO DE VIDA E DISSEMINAÇÃO
Pratylenchus coffeae é um nematoide endoparasito migrador com ciclo de vida
de três a quatro semanas em Dioscorea spp., provocando sintomas semelhantes aos da
podridão seca ou casca preta causados por S. bradys, sendo introduzido nas áreas de
produção por túberas-sementes infectadas ou por plantas hospedeiras. P. coffeae se
reproduz e se multiplica em inhames armazenados provocando maiores danos. Depois
20 a 30 dias de armazenamento, uma túbera muito infectada provavelmente estará com
toda a sua superfície circundada por tecidos negros e secos, numa profundidade de 3 a 5
cm. Durante o armazenamento em temperaturas de 24 e 31 oC, possibilita a P. coffeae
alcançar populações muito elevadas no interior das túberas (939 nematoides por grama
de tecido); mas em túberas conservadas a 12-13o C, o nematoide permanece a níveis
muito baixos (THOMPSON et al., 19731 apud BRIDGE et al., 2005, p 235). Em raízes
de milho (Zea mays L.) P. brachyurus completou o ciclo em quatro semanas a 30-35 oC
e a mais alta taxa reprodutiva foi observada a 29-30 oC, ao passo que, a 5-10 oC, não se
conseguiu uma geração completa em 14 semanas e não ocorreu oviposição (LINDSEY;
CAIRNS, 19712; OLOWE; CORBETT, 19763 apud FERRAZ, 1999, p 170).
1
THOMPSON, A.K.; BEEM, B.O.; PERKINS, C. Nematodes in stored yams. Experimental
Agriculture 9. 1973, p. 281-286.
2
LINDSEY, D.W.; CAIRNS, E. J. Pathogenicity of the Lesion Nematode, Pratylenchus brachyurus, on
Six Soybean Cultivars. Journal of Nematology. v.3, 1971, p. 220-226.
3
OLOWE, T.; CORBETT, D.M.C. Aspects of the biology of Pratylenchus brachyurus and P. zeae.
Nematropica 22. 1976, p. 202-11.
8
2.4.2 HOSPEDEIRAS
Pratylenchus coffeae e P. brachyurus possuem hospedeiros diferentes, e
caracterizam-se como nematoides polífagos, capazes de se multiplicar em uma grande
variedade de plantas (FERRAZ, 1995).
Estudos mostraram que milho, algodão (Gossypium hirsutum L.), quiabo, pepino
(Cucumis sativus L.), fumo (Nicotiana tabacum L.) e tomateiro dentre outros
hospedeiros foram suscetíveis a P. brachyurus (CHARCHAR; HUANG, 1981;
MACHADO; INOMOTO, 2001).
Pratylenchus coffeae é o principal patógeno do cafeeiro (Coffea spp.) em várias
áreas produtoras e é também patogênico a culturas tais como, banana (Musa spp.) e
citros (Citrus spp.) (SILVA; INOMOTO, 2002).
2.5 DIAGNOSE
O levantamento da incidência da doença em túberas de inhame pode ser feito por
observação direta. No caso dos sintomas não serem percebidos externamente uma
pequena escarificação pode ser feita de maneira a poder observar o escurecimento
interno (RITZINGER et al., 2003). É durante o período de maturação das túberas que a
doença atinge maiores níveis de severidade, obrigando os agricultores a realizarem a
colheita antes do tempo necessário para o bom desenvolvimento da cultura (MOURA et
al., 1978).
Os nematoides são encontrados no solo e raízes e podem ser amostrados,
principalmente no final da estação de crescimento das plantas. Entretanto, a maioria é
encontrado nos tecidos das túberas e a amostragem destes órgãos é o meio mais
apropriado de avaliação da população dos nematoides (BRIDGE et al., 2005).
2.6 MANEJO
O plantio de túberas aparentemente livres do patógeno minimiza o risco de
infecção, mas não pode ser empregado com total certeza porque baixas populações de S.
bradys não produzem sintomas visíveis quando as túberas são seccionadas (BRIDGE et
al., 2005). Áreas infestadas podem ser submetidas a alqueive por pelo menos seis
9
meses. Entretanto, este método é pouco prático e econômico (FERRAZ, 1995). Segundo
Moura (1997) a desinfestação de terrenos pode ser feita, por meio do uso de plantas
antagônicas tais como Crotalaria spp. por um período aproximado de dois anos.
Segundo Adesiyan; Adeniji (1976) é possível suprimir S. bradys de túberas de
D. cayenensis por meio do tratamento com água quente (50 oC por 40 minutos). Em
outro estudo, Adeniji (1977) verificou que a temperatura de 50-55oC por 40 minutos
eliminou o referido nematoide de túberas de D. alata. Coates-Beckford; Brathwait
(1977) também verificaram que populações de P. coffeae foram significativamente
reduzidas pelo tratamento das túberas de D. rotundata com água quente (51oC por 30
minutos). Entretanto, a idade da túbera, a espécie e a cultivar de Dioscorea e a
severidade da infecção poderão afetar o controle do nematoide por meio desse tipo de
tratamento (ACOSTA; AYALA, 1976; COATES-BECKFORD; BRATHWAIT, 1977).
Além disso, a época do tratamento pode ser crítica. Túberas de D. rotundata tratadas
imediatamente após a colheita apodreceram completamente, mas aquelas tratadas após
2-6 meses de armazenamento mostraram pouco sinal de deterioração (ADESIYAN &
ADENIJI, 1976).
Coates-Beckford; Brathwait (1977) verificaram que o tratamento de túberas de
D. rotundata com o nematicida oxamyl a 1200 ou 2400 ppm foi efetivo na redução das
populações de P. coffeae. Aumentos significativos no rendimento da cultura foram
obtidos pela imersão de segmentos das túberas de D. alata infectadas com S. bradys por
um período de 30 minutos em 1000 ppm de ingrediente ativo de solução aquoso de
nematicidas (DD, carbofuran e oxamyl), fertilizantes nitrogenados (sulfato de amônia e
nitrato de cálcio) e dos desinfetantes hipoclorito de cálcio e formalina (BADRA;
CAVENESS, 1979). Entretanto, em trabalho realizado em campo por Moura et al.
(2005) foi comprovada a ineficiência de carbofuran aplicado ao solo no controle de P.
coffeae e M. javanica. Hutton (1998) comprovou que hipoclorito de sódio foi tão efetivo
quanto o nematicida oxamyl em suprir populações de P.coffeae e o desenvolvimento da
casca preta em D. cayenensis. Em condição de campo (MOURA et al., 1978)
verificaram que o nematicida DBCP (Dibromo-cloropropano) foi eficiente para o
controle da casca preta causada por S. bradys. Entretanto, o produto foi fitotóxico à
cultura quando aplicado por ocasião do plantio e dois meses depois. Vale salientar que
esse produto encontra-se indisponível no mercado. Por outro lado, Adesiyan; Badra
(1982) constataram que uma aplicação dos nematicidas miral, carbofuran, aldicarbe e
oxamyl, na dosagem de 2 Kg i.a ha-1 como tratamento em pós-plantio reduziu a
10
população de S. bradys no solo e aumentou significativamente o rendimento da cultura
em relação à testemunha.
Na Nigéria, verificou-se que adubações bem equilibradas de N, P e K
concorreram significativamente para a redução no número de nematoides nas túberas de
D. alata. Entretanto, o uso de nitrogênio isoladamente conduziu ao aumento na
população de nematóides e de túberas infectadas em D. rotundata (ADESIYAN;
ADENIJI, 1976). No mesmo estudo, a utilização de esterco de gado antes do plantio na
proporção de 1,5 Kg por cova (1.886,3 Kg/ha) aumentou a produção das túberas e
significativamente reduziu a população de S. bradys na cultura do inhame (Adesiyan &
Adeniji, 1976).
No Brasil, Garrido (2005) cultivou vários adubos verdes nas entrelinhas do
inhame e os incorporou ao solo, verificando que o plantio de C. juncea L. e a
combinação C. juncea + guandu (Cajanus cajans (L.) Millsp.) foi eficiente no manejo
de S. bradys. Almeida et al. (2007) avaliaram o efeito da manipueira na brotação de
túberas de inhame infectadas com S. bradys, tratadas em diferentes períodos de imersão.
Apesar do controle do nematoide em todos os tratamentos, houve efeito fitotóxico às
túberas.
O controle por meio da resistência genética inexiste como opção até o presente.
Todas as cultivares de D. alata, D. cayenensis e D. rotundata avaliadas no Oeste da
África foram suscetíveis à infecção por S. bradys (BRIDGE, 1972; ADESIYAN, 1977).
Resistência em plantas não é bem estudada para os nematoides que se comportam como
endoparasitas migradores como S. bradys comparado aos estudos com os endoparasitas
sedentários com sítios de alimentação especializados como Meloidogyne, Globodera,
Heterodera, Rotylenchulus e Tylenchulus (KWOSEH et al., 2002).
11
3. MATERIAL E MÉTODOS
3.1 SELEÇÃO DAS ÁREAS PARA O LEVANTAMENTO DA DOENÇA
No período de janeiro a fevereiro de 2009, realizou-se um levantamento nos
principais municípios produtores de inhame em Alagoas: Paulo Jacinto, Chã Preta,
Viçosa, Atalaia, Quebrangulo, Mar Vermelho, Cajueiro, Joaquim Gomes (Zona da
Mata), Taquarana, São Sebastião e Arapiraca (Agreste) (Figura 1). Em cada município
foram selecionadas de uma a seis propriedades com histórico da casca preta, incluindose produtores de diferentes níveis tecnológicos, seguindo informações de técnicos das
Secretarias Municipais de Agricultura. Informações adicionais sobre área plantada,
época de plantio, práticas culturais utilizadas dentre outras, foram obtidas de cada
propriedade.
Figura 1. Origem das amostras obtidas no levantamento da casca preta do inhame em
Alagoas.
3.2 AVALIAÇÃO DA INCIDÊNCIA DA CASCA PRETA
A avaliação da incidência da doença (porcentagem de túberas com sintomas da
casca preta) foi efetuada por ocasião da colheita em relação a 100 túberas. Nos casos em
que a colheita já havia sido efetuada e as túberas encontravam-se armazenadas anotavase a informação do produtor, pois como a doença está correlacionada com a perda do
12
valor comercial, os agricultores rotineiramente separam as túberas doentes daquelas
sadias.
3.3 COLETA DAS AMOSTRAS
Foram coletadas 39 amostras compostas de 1-10 subamostras, em cada uma das
propriedades produtoras de inhame de 11 municípios do estado de Alagoas. Cada
subamostra foi obtida pela coleta de túberas de inhame com sintomas da doença. Em
seguida, as túberas foram conduzidas para o laboratório de Fitopatologia do Centro de
Ciências Agrárias (CECA-UFAL).
3.4 AVALIAÇÃO DAS DENSIDADES POPULACIONAIS DOS NEMATOIDES
As túberas foram lavadas com água corrente retirando-se em seguida as cascas,
formando uma amostra composta, da qual foram retiradas alíquota de 100 g/amostra e
processadas pelo método do liquidificador e centrifugação (COOLEN; D’HERDE,
1972). As suspensões aquosas contendo os nematoides extraídos foram uniformizadas
para 25 ml e colocadas em frascos de vidro com tampas plásticas e identificadas. Após a
extração, os nematoides foram mortos e fixados em formaldeído a 4% aquecido. A
estimativa populacional dos nematoides foi feita com base em três contagens de 1 ml
em lâmina de Peters com auxílio de microscópio de luz (aumento de 200x),
empregando-se a chave taxonômica de Tihohod (1997).
13
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Em 39 amostras de túberas de inhame coletadas com sintomas da casca preta
(Figura 2) foram identificados os fitonematoides S. bradys e Pratylenchus sp. (Figura 3;
Tabela 1). Scutellonema bradys, conhecido “nematoide do inhame” já foi anteriormente
relatado em Alagoas por Moura et al. (1978). Provavelmente Pratylenchus sp. foi
introduzido em Alagoas pela intervenção humana, por meio do transporte de túberas
semente infectadas, acentuando as perdas.
Figura 2. Túbera de inhame exibindo sintomas da casca preta (necrose). Paulo Jacinto,
AL, 2009.
No Nordeste, há registros da ocorrência das espécies P. brachyurus e P. coffeae
como agentes causais da casca preta do inhame (MOURA; MOURA, 1989; MOURA;
MONTEIRO, 1995). Embora polífagas e com ampla distribuição no Brasil (CAFÉ
FILHO; HUANG, 1988) não há publicação científica sobre a ocorrência desses
fitonematoides em inhame no Estado de Alagoas. Observação importante no presente
trabalho foi a associação entre S. bradys e Pratylenchus sp. na mesma túbera (Tabela 1).
Segundo Castagnone-Sereno ; Kermarrec (1988), a ocorrência de P. coffeae e S. bradys
na mesma túbera não é frequente e a infecção por apenas uma espécie de nematoide é a
situação mais usual.
Observa-se na Tabela 1 um número elevado de Pratylenchus sp. principalmente
nos municípios de Atalaia, Chã Preta e Paulo Jacinto, onde foram observados valores de
5.250,0; 4.783,3 e 3.840,0 nematoides por grama de tecido, respectivamente. Nos
municípios de Taquarana e Cajueiro foram detectados os valores mais elevados para S.
14
bradys. Populações de S. bradys de até 6.200 nematoides/g de túbera já foram relatadas
(LEBOT, 2009). Segundo Bridge et al. (2005) populações dessa espécie acima de 20
nematoides/g túbera são suficientes para produzir dano.
A
B
C
D
Figura 3. Região anterior e posterior de fêmeas dos fitonematoides. A-B. Scutellonema
bradys; C-D. Pratylenchus sp.
15
Tabela 1. Área (ha), número de amostras coletadas, número mínimo e máximo de
exemplares de nematoides (juvenis e adultos) por grama de túbera de inhame e
incidência da casca preta em amostras coletadas em 11 municípios de Alagoas. 2009
Município
Área
Nº
(ha)
amostras
Nº nematoides g/túbera1
de
Incidência
da doença
(%)
Scutellonema
Pratylenchus
bradys
sp.
Arapiraca
8,3
6
117,5 – 695
140,0 – 2075
0,8-62,5
Atalaia
17
5
152,5 - 372,5
92,5 - 5250
1-40
Cajueiro
0,5
1
2775
0
20
Chã Preta
3
4
47,5 – 1095
222,5 – 4783,3
5,6-50
Joaquim
1,5
3
30 – 252,5
45 - 645
30-50
Mar Vermelho
3
1
330
515
0,5
Paulo Jacinto
74
3
162,5 – 600
182,5-3840
10-52
Quebrangulo
0,7
3
117,5 – 210
232,5 – 947,5
1-50
São Sebastião
9
1
407,5
75
0,2
Taquarana
11
6
326,7 – 3825
52,5 - 275
20-85
Viçosa
4,4
6
32,5 - 607,5
30,0-2017,5
0,3-35,7
Total
132,4
39
Gomes
(1) Média de três leituras
As populações de Pratylenchus sp. apresentaram as seguintes características:
região labial ligeiramente destacada com dois anéis, estilete > 15 µm, posição da vulva
> 79%, término da cauda da fêmea truncada ou hemisférica e machos abundantes.
Segundo Castillo; Vovlas (2007), essas características são típicas de P. coffeae.
Entretanto, outros caracteres diferenciadores ainda precisam ser observados para a
conclusão da caracterização da espécie.
A incidência da casca preta atingiu valores de até 85% (Tabela 1), o que reflete a
grande importância econômica da doença nas áreas produtoras de Alagoas. Reforçam-se
os alertas sobre a necessidade de utilizar os métodos preventivos de manejo de
fitonematoides, principalmente em áreas onde a doença ainda não foi detectada.
16
5. CONCLUSÕES
A casca preta do inhame em Alagoas é causada pela associação entre os
fitonematoides Scutellonema bradys e Pratylenchus sp.
A incidência da doença variou de 0,2 a 85%.
A maior incidência da doença foi verificada no município de Taquarana e a
menor em São Sebastião.
Considerando a alta incidência, a distribuição da doença e o comprometimento
da produtividade em termos qualitativos e quantitativos, a casca preta pode ser
considerada o principal problema fitossanitário da cultura do inhame em
Alagoas.
17
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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