Guilherme M Nunes

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                    VIII

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
CURSO DE AGRONOMIA
UFAL

CECA

Guilherme Mafra Nunes

USO DE EXTRATOS VEGETAIS NO CONTROLE DA ANTRACNOSE
(Colletotrichum gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc) DO MAMOEIRO

RIO LARGO – AL
NOVEMBRO/2011

VIII

Guilherme Mafra Nunes

USO DE EXTRATOS VEGETAIS NO CONTROLE DA ANTRACNOSE
(Colletotrichum gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc) DO MAMOEIRO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
a UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS- Centro
de Ciências Agrárias como parte dos requisitos para
obtenção do título de Engenheiro Agrônomo.

Orientação: Profa Dra Edna Peixoto da Rocha Amorim.

RIO LARGO
NOVEMBRO/2011

VIII

DEDICO

Essa importante etapa da minha vida,
à meus pais, tios, meu irmão e minha
namorada, pois sempre acreditaram
em meu potencial e me deram total
apoio nas minhas decisões.

VIII

“Tudo que um sonho precisa para ser realizado é
alguém que acredite que ele possa ser realizado”.

(Shinyashiki)

VIII

AGRADECIMENTOS

À Deus,
Aos meus pais, Márcio Costa Nunes e Maria do Rosário Mafra Ferraz Nunes, e ao meu
irmão Evandro Mafra Nunes por todo apoio e orientação que recebo até hoje.
A minha namorada Mariana Sarmentos Santos, por todo o incentivo e todos os conselhos
que foram necessários para a realização deste trabalho.
Á Universidade Federal de Alagoas.
A minha Orientadora, Profª Edna Peixoto de Amorin, por todo o apoio técnico, paciência
e dedicação a mim e ao meu trabalho.
Ao meu Amigo, colega de classe e companheiro Igor Cavalcante Auto que me ajudou
muito e esteve presente em todas as etapas da realização deste trabalho.
Ao meu amigo Fernando Henrique Monteiro, que também me deu apoio para concluir
este trabalho.
A todos os professores que fazem parte do Centro de Ciências Agrárias.
Aos colegas do laboratório de fitopatologia do CECA/UFAL, Marylia Gabriella Silva
Costa, David Vitor dos Santos, Tiago Alexandre da Silva, que foram de fundamental importância
para o desenvolvimento deste trabalho.
Aos meus amigos e parentes.

Obrigado!

VIII

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Teste de patogenicidade em frutos de mamoeiro: A- Testemunha; B- fruto
inoculado com Colletotrichum gloeosporioides.....................................................................20

Figura 2 - Reisolamento do patógeno: A- Conidios; B- Micélio de Colletotrichum
gloeosporioides em meio BDA ...............................................................................................20
Figura 3 - Porcentagem de inibição do crescimento micelial de Colletotrichum
gloeosporoides em meio BDA contendo extratos vegetais e fungicida em diferentes
concentrações...........................................................................................................................21

Figura 4 - Inibição do crescimento micelial de Colletotrichum gloeosporioides em meio
BDA sob diferentes concentrações de extratos vegetais e fungicida ................................22

Figura 5 - Efeito de extratos vegetais e fungicida sobre a incidência e severidade da

antracnose ( Colletotrichum gloeosporoides) em frutos de mamão cv Sunrise solo. Teste
de Tukey a 5%..............................................................................................................25

Figura 6 - Frutos de mamão cv Sunrise solo tratados com extratos vegetais e mancozeb e
inoculados com Colletotrichum gloeosporioides: A- Testemunha, B- alho, C- melão, D- Ecolife e
E- fungicida..................................................................................................................................25

VIII

SUMÁRIO
RESUMO....................................................................................................................................VII
1. INTRODUÇÃO........................................................................................................................08
2. REVISÃO DE LITERATURA................................................................................................10
2.1. História e origem de cultivo..................................................................................................10
2.2. Caracterização Botânica........................................................................................................11
2.3. Doenças Fúngicas..................................................................................................................13
2.4. Controle de doenças..... ........................................................................................................14
3. MATERIAL E MÉTODOS.....................................................................................................17
3.1. Obtenção de Colletotrichum gloeosporioides...................................................................17
3.2. Preparo do inóculo do patógeno...........................................................................................17
3.3. Teste de patogenicidade de Colletotrichum gloeosporioides.........................................17
3.4. Controle “in vitro”................................................................................................................18
3.4.1.Avaliação de extratos vegetais e fungicida sobre o crescimento micelial de
C.gloeosporioides.......................................................................................................................18
3.5. Efeito de extratos vegetais e de fungicida no controle da antracnose em frutos de
mamão.........................................................................................................................................19
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO............................................................................................20
4.1. Teste de patogenicidade e Reisolamento de C. gloeosporioides...................................20
4.2. Avaliação “in vitro” dos produtos naturais e fungicida sobre o crescimento micelial de
Colletotrichum gloeosporioides..................................................................................................21
4.3. Efeito de produtos naturais e fungicida no controle da podridão de C. gloeosporioides em
frutos de mamão..........................................................................................................................24
5. CONCLUSÕES.......................................................................................................................28
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................................29

VIII

Resumo
NUNES, G. M. USO DE EXTRATOS VEGETAIS NO CONTROLE DA ANTRACNOSE
(Colletotrichum gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc)) DO MAMOEIRO (Carica
papaya L.). Universidade Federal de Alagoas, Rio Largo, Estado de Alagoas, UFALCECA, 2011 (Trabalho de Conclusão de Curso). 31p.
A antracnose (Colletotrichum gloeosporioides)

é considerada a principal

doença de pós-colheita que ataca frutos de mamão, podendo vir a ser um dos entraves
para a exportação e consumo humano. O uso contínuo do controle químico promover a
seleção de fungos patogênicos resistentes. Desta forma, torna-se necessária a busca
de métodos alternativos, para atender as exigências e normas de qualidade do
mercado externo. Em função disso, o objetivo deste trabalho foi analisar a eficácia de
extratos vegetais sobre o controle da antracnose em frutos de mamão. No teste in vitro,
foi utilizado o método de incorporação do extrato/fungicida ao meio BDA: cebola, alho,
melão de são Caetano, gengibre, Ecolife e do tratamento químico com o Mancozeb,
nas doses de 10, 15 e 20% para os extratos/ecolife e 1,25, 1,75 e 2,25g/l para o
fungicida e água destilada para as testemunhas. Os extratos foram submetidos a
esterilização em Luz UV, por 30 minutos. Em cada placa, foi adicionado um disco de
BDA contendo micélio jovem de C. gloeosporioides. Após 5 dias de incubação com
temperatura de +25ºC, realizou-se a medição do crescimento micelial de C.
gloeosporioides e determinou-se

a PIC.

O extrato de alho (20%)

e Mancozeb

apresentaram alta eficiência, inibindo até 100% do crescimento micelial do fungo,
enquanto os extratos de melão de são caetano e o Ecolife, na dosagem de 20%
inibiram até 76% do crescimento micelial. Os extratos vegetais e a dose de fungicida
selecionados in vitro foram pulverizados (5mL/fruto) sobre frutos de mamão sadios, em
estádio de maturação 2, 48 horas antes da inoculação com a suspensão do patógeno
(1, 7 x 106 con.mL-1). Como testemunha, os frutos foram pulverizados com água
destilada esterilizada e inoculados, posteriomente, com o patógeno. Após 7 dias os
frutos foram avaliados, determinando-se a incidência da doença e a porcentagem de
controle. Todos os produtos naturais testados foram eficientes, considerando que todos
os tratamentos reduziram a incidência e severidade da doença.
Palavras-chave:

mamão,

fungo,

controle

alternativo....................................

8

1. Introdução
O mamoeiro (Carica papaya L.) é uma planta típica de regiões tropicais e
subtropicais que tem grande importância na fruticultura, com uma produção em larga
escala em vários países. O Brasil é o principal produtor de mamão em escala
internacional, estando presente em todas as regiões brasileiras, principalmente nas
regiões Nordeste e Sudeste, com destaque para os estados: Espírito Santo e Bahia. As
principais cultivares de mamão são Sunrise Solo, Formosa, Tainung nº1, Improved
Sunrise Solo CV., dentre elas destaca-se a cultivar Sunrise Solo, mais conhecida como
Havaí. O mamão Havaí ganhou um grande destaque por ser uma planta precoce e que
a polpa do fruto tem um excelente sabor e é geralmente consumida ao natural.
(OLIVEIRA; CALDAS, 2004).
Os frutos de mamão fresco são ricos em vitamina C, carboidratos, carotenóides
e sais minerais, sendo muito apreciados por suas principais características: sabor,
aroma e coloração. (MAPA, 2007). Além do consumo in natura, existe também uma
grande produção de doces industrializados, por isso se trata de uma cultura de grande
aceitação em todo o mundo. O mamão é também usado na produção de
medicamentos, através da extração da papaína, que é uma enzima proteolítica
bastante usada para este fim. (DANTAS; CASTRO NETO, 2000).
Por ser uma fruta muito perecível após o seu período de maturação, esse fruto
não permite ser submetido a um longo tempo de estocagem, tendo em média o seu
prazo máximo de 20 dias de armazenamento se for submetido a condições favoráveis
ao seu armazenamento, devido ao grande numero de ataques sofridos de diferentes
fitopatógenos, principalmente por fungos. (MARTINS et al., 2005).
A antracnose, por exemplo, que é causada pelo fungo Colletotrichum
gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc), é uma das mais importantes doenças no período
pós-colheita do mamão, podendo ser responsável por 90% de perda dos frutos quando
as condições são favoráveis ao patógeno. A antracnose pode atacar os frutos em
qualquer estádio de desenvolvimento, porém a maior intensidade de ataques ocorre

9

quando os frutos estão maduros. Os frutos podem ser infectados durante o período
de floração, porém o fungo permanece latente até a colheita. (REZENDE;
FANCELLI, 1997).
A doença pode ser controlada através de medidas curativas (biológica,
cultural e química), como também por meio de medidas preventivas, tais como a
seleção de mudas sadias, o uso de uma cultivar resistente, etc.

No entanto,

medidas alternativas no controle de doenças de plantas têm sido comumente
usadas na tentativa de minimizar o efeito residual dos agrotóxicos (CIMANGA et al.,
2002; PUPO et al., 2003).
Dentre as alternativas mais usadas no controle de doenças de plantas, o uso
de óleos essenciais e extratos vegetais têm mostrado um grande efeito inibitório
sobre o fungo C. gloeosporioides (LO CANTORE et al, 2004).
Este trabalho foi desenvolvido com o intuito de encontrar maneiras mais
econômicas de combate a antracnose em mamoeiro. Assim sendo, o objetivo foi
selecionar extratos vegetais que sejam capazes de inibir o crescimento micelial de
C. Gloeosporioides e controlar a antracnose em frutos de mamão.

10

2. Revisão de Literatura

2.1.

História e Origem de cultivo

A área cultivada com o mamoeiro no mundo passou de 231.635 hectares no
ano de 1987 para 389.172 hectares no ano de 2005, e a produção mundial do
mamão em toneladas foi de 3.291.000 toneladas em 1987 e de 6.753.000 toneladas
em 2005, o que representou um aumento de 105,19% durante o período analisado
(MANICA et al., 2006).
O Mamão (Carica papaya L.) é um fruto nativo da América tropical. Os índios
espalharam o fruto do sul do México até a America do Sul, e os espanhóis levaram
também para todo o Caribe, Europa e para ilhas do Pacífico. Hoje, o mamão é
familiar em quase todas as regiões tropicais do mundo, tornando-se naturalizado em
muitas dessas áreas. Em 1800, o mamão foi introduzido no Havaí, o qual hoje é o
único estado Americano a produzir o fruto comercialmente. Alguns relatos dizem que
os maiores disseminadores do mamão foram os espanhóis e os portugueses,
provavelmente dessa maneira o fruto tenha sido introduzido no Brasil.(SIQUEIRA,
2003).
Após sua introdução no Brasil, o mamoeiro se espalhou por todo o país
durante os séculos seguintes, sendo cultivado atualmente desde o Rio Grande do
Sul até a região norte do Brasil, sendo que os principais estados produtores são:
Bahia e Espírito Santo, isso porque as condições edafoclimáticas garantem uma
ótima produção. O mamão seguiu os passos da fruticultura no Brasil, que nos
últimos

anos

tem

apresentado

desempenho

bastante

positivo,

tanto

em

comercialização exterior quanto em produção. Os produtos brasileiros vêm
competindo ativamente no mercado internacional. E é com base nesse contexto que
o mamão é atualmente a terceira fruta mais consumida no país, devido a mudança
de hábito alimentar da população na procura de alimentos mais saudáveis. Um dos
problemas que existem nessas áreas é a falta de novas tecnologias de produção
(MAPA, 2007).
Por ser uma cultura que necessita da renovação dos pomares de 3 em 3
anos, no máximo, e que produz o ano inteiro, é de grande relevância a sua

11

importância social, pois gera empregos e absorve mão-de-obra durante todo o ano
(RITZINGER; SOUZA, 2000).
O Brasil é um dos líderes mundiais na produção de mamão, desde os anos
1980 apresentou excelente desempenho e aumento da produção e das exportações
nas ultimas décadas, em função dos pólos de fruticultura do sul da Bahia e do norte
do Espírito Santo (SIQUEIRA, 2003). Com 27% da produção, o Brasil alcançou a
marca de 1 milhão e 890 mil toneladas, é o maior produtor mundial, seguido por
México com 14% e Nigéria com 11%, segundo e terceiro maiores produtores,
respectivamente (FAO, 2009). As regiões sudeste e nordeste somam em média
87,5% da produção nacional, destacando-se os Estados do Espírito Santo e Bahia
como os principais produtores. Em Alagoas, dados de 2009 indicam que a produção
de mamão foi de 5,5 mil toneladas. (IBGE, 2009).
No Nordeste brasileiro, a cultura do mamão tem proporcionado a formação de
vários pólos produtores de mamão e contribuído para o desenvolvimento regional,
juntamente com outros pólos de fruticultura (SIQUEIRA, 2003).

2.2.

Caracterização Botânica

O mamoeiro pertence a família caricaceae, que se divide em apenas 4
gêneros (Carica, jaracatia, Cylicomorpha e jarilla). O gênero Carica é considerado o
de maior importância possuindo 21 espécies descritas, sendo a espécie Carica
papaya L. a mais importante do gênero e cultivada em várias regiões do mundo.
(BENASSI, 2004).
O mamoeiro é uma grande herbácea perene, que possui caule ereto do tipo
estipe e que geralmente possui pouco ou é não ramificado, onde a sua altura varia
de 3 a 8 metros (m) e diâmetro de até (30) centímetros (cm). As folhas do mamoeiro
são grandes, variando de 25 a 75 cm de diâmetro, alternadas, dispostas em grupo
formando uma coroa na parte superior do caule. E possuem também, pecíolo longo,
oco e frágil, de coloração variando do verde pálido ao vermelho arroxeado. (SILVA,
2001).
O fruto é uma baga, com formato arredondado, cilíndrico ou periforme, que
nasce no caule ou no pedúnculo (macho) e possui peso e tamanho grandemente
variados. A coloração da polpa pode variar de acordo com a cultivar, podendo variar

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de amarela a salmão e possui uma consistência suave e suculenta. A casca é lisa e
verde, tornando-se amarela ou laranja apenas quando o fruto está maduro. Um fruto
de mamão pode conter até 1000 sementes negras que se concentram na cavidade
central interna da fruta. (SILVA, 2001).
As flores do mamoeiro podem ser: masculinas, femininas ou hermafroditas,
porém, observa-se que na espécie C. papaya L. as plantas dióicas, ou seja,
masculinas e femininas são as que ocorrem com mais freqüência. A coloração das
flores é tipicamente branco-amarelada, com ovário com formato arredondado ou
alongado. As plantas masculinas possuem flores que são distribuídas por
inflorescências de pedúnculos longos e pendentes. Possuem órgão reprodutor
masculino ativo e o órgão reprodutor feminino é rudimentar, mas pode tornar-se
funcional produzindo frutos deformados (mamão-de-corda ou mamão-macho). As
plantas femininas possuem flores femininas isoladas ou em grupo de 3, inseridas
diretamente no caule. Os frutos formados são os de formato ligeiramente ovalado, e
possuem grande valor comercial. As plantas hermafroditas apresentam órgãos
masculinos e femininos ativos na mesma flor, e não dependem de outras plantas
para fazer a fecundação. Os frutos decorrentes possuem formato cilíndrico, que são
comercialmente preferidos. (DANTAS; CASTRO NETO, 2000).
É de grande importância que se tenha o domínio do ponto de maturação do
mamão para a sua colheita. Isso é necessário devido ao padrão respiratório
climatérico do mamão, cujo processo de maturação continua após a colheita. No
oitavo mês após a semeadura inicia-se a colheita (FRUTISERIES, 2000). Segundo
Souza et. al.(2007), o mamoeiro é uma planta de fácil propagação, vigorosa, de
crescimento rápido e que produz frutos de ótima qualidade durante todo o ano em
lugares onde a temperatura varia entre 22º e 28ºC. O mamão deve ser
preferencialmente cultivado em solo bem drenado, para que não correr risco de
inundações. Sendo assim, os solos mais adequados para o plantio do mamão são
os de textura média ou areno-argilosa, com o pH variando entre 5,5 e 5,7.

2.3.

Doenças Fúngicas

Um dos grandes problemas do cultivo do mamoeiro é que essa planta sofre
bastante

com

o

ataque

de

diferentes agentes

causadores

de

doenças,

principalmente fungos. Com o aparecimento de doenças vêm junto também os

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vários danos causados aos frutos de mamão e com isso eles perdem totalmente o
seu valor de mercado. A qualidade do fruto é uma das principais exigências do
mercado consumidor e os danos causados por esses agentes são os principais
causadores da queda da qualidade do produto (MARIN, 2004). Todos os estádios de
maturação da fruta estão susceptíveis ao ataque de uma ou mais doenças e o que
influencia diretamente no sucesso ou fracasso da produção da cultura é a maior ou
menor incidência de doenças. As principais doenças fúngicas que atingem o mamão
são: Varíola ou pinta-preta (Asperisporium caricae), oídio (Oidium caricae), gomose
(Phytophthora palmivora) e dentre as principais podridões pós-colheita do mamão
destaca-se a Antracnose (C. gloeosporioides). (OLIVEIRA; SANTOS FILHO, 2000).
A antracnose, doença causada pelo fungo C. gloeosporioides, está presente
em todas as regiões produtoras de mamão do mundo, e por causar importantes
perdas pós-colheita, é a principal doença do mamão e é também o principal fator
limitante à exportação do fruto. Em meses com temperaturas mais altas, a incidência
da doença pode atingir até 100% se houver ausência de medidas de controle e
mesmo em frutos destinados à exportação, com tratamento pós-colheita a
antracnose ainda é o principal fator limitante. (ALVARES; NISHIJIMA, 1987).
Os frutos podem ser infectados em qualquer estádio de desenvolvimento,
sendo que as lesões ocorrem principalmente quando o mamão já atingiu 25% ou
mais do seu amadurecimento. Se a infecção ocorre no campo, dificilmente é
possível identificá-la até a colheita. O fungo se estabelece em frutos verdes através
da penetração pela cutícula, após a formação do apressório, que é fundamental
quando a infecção ocorre nos primeiros estádios de desenvolvimento do fruto.
Dessa forma ocorre uma infecção latente, ou seja, a lesão começa a se desenvolver
a medida que o fruto inicia o processo de amadurecimento (GOOS; TSCHIRSCH,
1962). As frutas não evidenciam o ataque da doença na época em que são colhidos
e os sintomas começam a aparecer com o amadurecimento e mesmo na fase pósclimatério. A nocividade da antracnose para a economia é muito grande, pois os
frutos atacados além de perder valor comercial também ficam impróprios para o
consumo humano. Os sintomas geralmente começam a aparecer durante as fases
de embalagem, transporte, comercialização e consumo dos frutos, que se iniciam
com o aparecimento de manchas rosadas quando o fruto está amadurecendo,
depois observa-se o crescimento de estruturas do patógeno de coloração rósea e

14

aspecto gelatinoso, com conseqüente apodrecimento da polpa do fruto. (SOUZA,
2000 ).
Essa doença interfere no valor comercial do fruto devido a formação da lesão
circular deprimida, com uma massa de esporos alaranjada ou rosada no centro da
lesão e com margem marrom-clara. Com o avanço da doença, as lesões vão se
aprofundando, ocasionando podridão mole do fruto, o que inviabiliza totalmente a
comercialização do produto (DICKMAN, 1994; REZENDE; FANCELLI, 1997).
O fato de o fungo causador da antracnose apenas deixar os sintomas
aparecerem em fase avançada de maturação, o ideal é que o combate ao C.
gloeosporioides seja feito ainda quando os frutos estão verdes (TAVARES, 2004).

2.4.

Controle de Doenças

Atualmente, tem-se observado que mesmo com os avanços tecnológicos,
ainda é visto que onde é praticada a chamada “agricultura econômica” a principal
forma de controle de doenças de plantas é o uso de agrotóxicos (KIMATI et al.,
1997). Esse uso, muitas vezes, indiscriminado de fungicidas, pesticidas ou até
mesmo adubações desequilibradas, além de causar desvios no metabolismo das
plantas, reduzindo a biodiversidade dos ecossistemas, também provoca o
surgimento de isolados dos fitopatógenos resistentes às substâncias químicas
utilizadas. O uso de defensivos agrícolas afeta tanto o agricultor quanto o
consumidor, trazendo como conseqüências contaminações na água, animais, e
alimentos consumidos pelo homem, causando sérios danos à saúde do homem
(PRIMAVESI, 1997; PONTES, 2000).
Em virtude dos prejuízos provocados pelo uso contínuo de agrotóxicos, tem
surgido o controle alternativo como uma medida racional, eficiente e necessária à
agricultura na atualidade. Atualmente, o uso de óleos essenciais, extratos vegetais e
biofungicidas têm sido considerados como potentes produtos antifúngicos e
inseticidas naturais. Esta linha de pesquisa tem mostrado, através dos resultados
alcançados, altamente promissores para a utilização desta prática como forma de
controle de fitopatógenos (BASTOS; ALBUQUERQUE, 2004).
O Brasil, por ser um país extremamente rico em diversidade de espécies
vegetais, tem o dever de buscar nas nossas próprias reservas, substâncias naturais
que sejam capazes de combater pragas e doenças que estejam presentes em nossa

15

agricultura, para reduzir os prejuízos causados pelo uso indiscriminado de produtos
químicos, produzindo assim, produtos saudáveis e de altíssima qualidade, além de
evitar danos ao homem e ao ambiente (BETTIOL, 1991).
A utilização de compostos secundários presentes em extratos brutos ou óleos
essenciais de plantas podem ser, juntamente com a indução à resistência, uma das
principais formas alternativas de controle de doenças de plantas. E o grande
benefício do uso desses sistemas de proteção é o largo espectro de ação destes
produtos naturais, além da estabilidade e eficiência prolongada destes fungicidas
naturais (LIMA et al., 2010).
Hoje em dia, uma linha de pesquisa que está sendo freqüentemente estudada
é a utilização de extratos vegetais no combate de doenças fungitóxicas. Dessa
maneira, os extratos vegetais atuam no controle de doenças de plantas através dos
seus poderes antibióticos, tornando-se assim uma das práticas de maior enfoque na
agricultura sustentável (STANGARLIN, et al., 1999).
Em relação aos extratos vegetais, o extrato obtido a base de Alho (Allium
Sativum L.) tem sido testado e comprovado o seu poder inibitório em uma diversa
gama de fungos. O alho é utilizado na forma de tinturas, extratos e misturados com
outros materiais no controle de doenças bacterianas, míldio, brusone, podridão do
colmo, da espiga e raiz em milho e sorgo, manchas foliares (Alternaria spp.,
Helminthosporium spp), podridões, ferrugem (SOUZA et al., 2007), antracnose
(RIBEIRO; BEDENDO,1999;

NASCIMENTO et al., (2008). Apresenta como

principais constituintes químicos alicina, inulina, nicotinamida, galantamina, ajoeno,
ácidos fosfórico e sulfúrico, vitaminas A, B e C, proteínas e sais minerais, óleos
essenciais, glicosídios, glicinas, resinas, enzimas e sulfuretos (LORENZI; MATOS,
2002).
Produtos a base de biomassa cítrica, como o Ecolife ®, que é um produto
composto por bioflavonóides cítricos (vitamina P), ácido ascórbico (vitamina C) e
fitoalexinas cítricas, têm sido testados no controle alternativo de doenças de plantas,
sendo estudado os seus efeitos in vitro e in vivo no controle da mancha-de-phoma,
causada por Phoma costarricensis no cafeeiro (BARGUIL et al., 2005), controle de
doença de pós-colheita causada por Rhizopus na cultura do morangueiro (RODER
et al., 2003), sob sobre o crescimento micelial de Colletotrichum sp. (VILAS-BÔAS et
al., 2004) e no controle de manchas em inflorescências de T. ananassae causadas

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por C. gloeosporioides, C. lunata e C. eragrostidis e F. semitectum (FURTADO,
2006), entre outros.
O gengibre, pertence à família Zingiberaceae e apresenta em seu rizoma
princípios ativos considerados antimicrobianos como o gingerol, zingibereno dentre
outros (ALBUQUERQUE, 1989). KANE et al. (2002) observaram redução de 100%
do crescimento micelial de Rhizoctonia solani quando utilizaram o extrato de
gengibre.

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3. Material e Métodos

O presente trabalho foi conduzido no laboratório de Fitopatologia, do Centro
de Ciências Agrárias, localizado no Campus Delza Gitaí, BR 104N, Km 87, Município
de Rio Largo-AL, entre os meses de março de 2011 e junho de 2011.
3.1.

Obtenção de Colletotrichum gloeosporioides

O isolado de Colletotrichum gloeosporioides foi obtido da coleção de
microrganismos do Laboratório de Fitopatologia do Centro de Ciências Agrárias –
UFAL, preservado em meio BDA (Batata-200g; Agar-18g; Dextrose-20g e Água
destilada -1000 mL), em temperaturas de 25ºC.
3.2.

Preparo do Inóculo do Patógeno

O isolado de C. gloeosporioides foi submetido a uma repicagem e cultivado
em meio de cultura BDA, durante um período de 7 dias, em câmara de crescimento,
sob uma temperatura de aproximadamente 25ºC. No preparo do inóculo, utilizou-se
água destilada (10 mL), e raspagem do crescimento micelial do fungo em placas. A
concentração do inoculo foi ajustada para 1, 7 x 106 con.mL-1.
3.3.

Teste de Patogenicidade de Colletotrichum gloeosporioides

A patogenicidade do isolado foi realizada em frutos de mamoeiro cv. Sunrise
solo, classificados no subgrupo 3 com relação a maturação. Foram utilizados 10
frutos de mamão sadios e desinfestados com hipoclorito de sódio (2%), que foram
inoculados, através da pulverização de 5 mL de suspensão do patógeno (1, 7 x 106
con.mL-1)/ fruto, obtida a partir do cultivo do isolado em meio BDA durante 7 dias, em
câmara de crescimento, a uma temperatura em tomo de 25°C, em fotoperíodo de
12h.
Os frutos testemunha foram pulverizados com água destilada esterilizada. Os
frutos permaneceram em câmara úmida por 48h.
Foram realizadas observações diárias durante 10 dias e os frutos que
apresentaram sintomas típicos da doença foram coletados e utilizados para o
reisolamento do patógeno em placas de Petri contendo meio BDA.

18

3.4. Controle “in vitro”
3.4.1. Avaliação de Extratos vegetais e de fungicida sobre o crescimento
micelial de C. gloeosporioides
Os extratos de Alho, Cebola, Melão de São Caetano, Gengibre, Ecolife® e o
fungicida Mancozeb foram adicionados ao meio de cultura BDA em placas de petri
(9cm).

Utilizou-se

de

4

placas

para

cada

combinação

extrato/fungo

ou

fungicida/fungo, sendo a concentração na proporção de 10, 15 e 20% para os
extratos e de 1,25, 1,75 e 2,25g/l para o fungicida, além disso foi adicionado água
destilada para as testemunhas. Os extratos foram submetidos a esterilização em Luz
UV, por 30 minutos, antes de serem adicionados ao meio BDA.
Em cada placa, foi adicionado um disco de BDA contendo micélio jovem de C.
gloeosporioides na região central da placa. Feito isso, ele foi submetido a um
período de 5 dias com temperatura média de 25ºC. Após o período de incubação foi
feita uma medição do crescimento micelial de C. gloeosporioides no interior das
placas e então se comparou com o crescimento micelial do fungo contido nas
testemunhas, determinando-se a PIC segundo Edginton et al. (1971), que é
expressa pela fórmula:
PIC =

cresc. test. – cresc. Tr+at. X 100
cresc. test.
O delineamento experimental inteiramente casualizado, totalizando 19

tratamentos com quatro repetições. Os tratamentos constituíram da combinação de
05 extratos e um fungicida com três concentrações. Os dados foram submetidos à
análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de
probabilidade, através do programa estatístico ASSISTAT versão 7.6 (2011).

3.5- Efeito de extratos vegetais e de fungicida no controle da antracnose em
frutos de mamão
Os extratos vegetais e a dose de fungicida selecionados in vitro foram
pulverizados (5 mL/fruto) sobre frutos de mamão sadios, em estádio de maturação
2, 48 horas antes da inoculação com a suspensão do patógeno (1, 7 x 10 6 con.mL1

). Como testemunha, os frutos foram pulverizados com água destilada esterilizada e

inoculados posteriomente com o patógeno.

19

Para todas as soluções, foram utilizadas como solvente água destilada
esterilizada e adicionadas espalhante adesivo Tween 20 (polioxyethylene sobitan
mono-oleate, da marca Vetec), 0,1mL para cada 100mL de solução, antes das
pulverizações.
Os frutos foram incubados em condições naturais (28ºC) por sete dias,
quando foram avaliados, determinando-se a incidência da doença, através da
seguinte fórmula: % de incidência = ( nº de frutos infectados/nº total de frutos) x 100
e a porcentagem de controle, pela fórmula: % de controle = (testemunhatratamento/ testemunha) x 100.
O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com cinco
tratamentos e sete repetições. Os dados foram submetidos à análise de variância e
as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

20

4. Resultados e Discussão

4.1.

Teste

de

patogenicidade

e

reisolamento

de

Colletotrichum

gloeosporioides
Os frutos inoculados com o patógeno apresentaram sintomas iniciais da doença,
com lesões típicas de antracnose, no quinto dia após a inoculação. As lesões eram
escuras, deprimidas e recobertas por uma massa branca de aspecto cotonoso
(Figura 1), comprovando a patogenicidade do isolado de C. gloeosporioides
A

B

Figura 1 – Teste de patogenicidade em frutos de mamoeiro: ATestemunha; B- fruto inoculado com Colletotrichum
gloeosporioides.

Todas as testemunhas permaneceram sadias. O patógeno foi reisolado em
BDA e suas estruturas visualizadas através de observações macroscópicas e
microscópicas, onde se pode observar o crescimento micelial e os conídios de C.
gloeosporiodes (Figura 2), confirmando a patogenicidade do isolado através dos
Postulados de Koch.
A

B

Figura 2- Reisolamento do patógeno: A- Conidios; B- Micélio
de Colletotrichum gloeosporioides em meio BDA

21

4.2.

Avaliação „in vitro‟ dos produtos naturais e de fungicida sobre o
crescimento micelial de Colletotrichum gloeosporioides

Os extratos de Alho, Melão de São Caetano, Gengibre, Ecolife® e o fungicida
Mancozeb em todas as concentrações e o extrato de cebola nas concentrações de
20% e 15% diferiram da testemunha. O extrato de cebola a 10% não demonstrou
potencial para inibir o desenvolvimento micelial do fungo. A inibição de 100% foi
obtida quando se utilizou o extrato de alho, na concentração de 20% e o fungicida
mancozeb em todas as concentrações testadas, constituindo os melhores
tratamentos. Nos demais tratamentos e concentrações houve uma inibição parcial
do crescimento micelial de C. gloeosporioides. O extrato de melão (10, 15 e 20%) e
Ecolife® (20%) proporcionaram inibições de aproximadamente 76%. Ecolife ® e o
extrato de alho proporcionaram inibições de 66% e 68%, nas concentrações de 15
%; Ecolife® 10% e gengibre (10, 15 e 20%) inibiram em 61 e 59%, o extrato de alho
(10%) e os extratos de cebola (15 e 20%) inibiram em 33% e 8% respectivamente
(Figuras 3 e 4).
A inibição parcial ou total da PIC do fungo demonstra a existência de
compostos de ação antifúngica nos extratos testados.
a

a a

a

Inibição do Crescimento Micelial (%)

100
90
b bc b b

80
cd

70

c
de

e e e

60
50
f

40

30
g g

20
10
0

gh

h

Cebola 10%
Cebola 15%
Cebola 20%
Alho 10%
Alho 15%
Alho 20%
Ecolife 10%
Ecolife 15%
Ecolife 20%
Melão 10%
Melão 15%
Melão 20%
Gengibre 10%
Gengibre 15%
Gengibre 20%
Mancozeb 2,25
Mancozeb 1,75
Mancozeb 1,25
Testemunha

Figura 3- Porcentagem de inibição do crescimento micelial de Colletotrichum
gloeosporoides em meio BDA contendo extratos vegetais e fungicida
em diferentes concentrações.

22

Cebola 20%
Alho 20%

Ecolife 15%

Mancozeb 1.75

Melão 15%

Gengibre 10%
Testemunha

Figura 4 - Inibição do crescimento micelial de Colletotrichum gloeosporioides em
meio BDA sob diferentes concentrações de extratos vegetais e fungicida

Embora a maioria dos produtos testados tenha apresentado capacidade de
inibição do crescimento micelial do C. gloeosporioides, o extrato de alho mostrou-se
ser muito mais efetivo no controle do fungo em relação a todos os outros produtos
naturais que foram testados. Apresentando efeito inibitório de 100% quando o cultivo
do fungo foi feito em meios contendo 20% de extrato de alho.
A toxicidade do alho no controle de fungos fitopatogênicos tem sido
freqüentemente testada em trabalhos, que corroboram com os resultados aqui
encontrados. Chalfoun e Carvalho (1987) demonstraram a eficiência de extratos de
bubilhos de alho sobre o crescimento micelial de Alternaria zinniae, Giberella zeae e
Macrophomina phaseolina. Bastos (1992) relata uma alta inibição sobre o
desenvolvimento de micélio de Crinipellis perniciosa e Phytophthora palmivora,
observando que a taxa de inibição do crescimento colonial está diretamente ligada a

23

concentração do extrato de alho no meio. Barros et al., (1995) observaram que
fungos do gênero Curvularia e Alternaria apresentaram menor crescimento da
colônia, com valores de 30 a 75% de inibição, quando cultivados em meio contendo
extrato de alho nas concentrações de 1000 a 10.000 ppm. Stangarlin et al., (1999)
ao avaliar o efeito do extrato bruto de carqueja no controle de Rhizoctonia solani,
Sclerotium rolfsii,

Alternaria alternata,

Phytophthora sp. e

Colletotrichum

graminicola, verificaram que a planta inibiu parcialmente o crescimento micelial dos
fungos fitopatogênicos testados. Ribeiro & Bedendo (1999) demonstraram que a
partir de uma concentração de 200ppm, o extrato aquoso de alho possui efeito
inibitório do crescimento micelial de Colletotrichum gloeosporioides.
Um dos principais aspectos positivos da utilização do extrato de alho no
combate a fungos é que não existem relatos de qualquer efeito prejudicial do alho
ao homem ou ao ambiente, além do que o preparo do seu extrato é um
procedimento extremamente simples, barato e que não faz exigência de nenhum
equipamento sofisticado (VENTUROSO et al., 2011).
O extrato de gengibre inibiu aproximadamente 60% do crescimento micelial
do C. gloeosporioides quando o mesmo foi submetido a uma dosagem de 20% de
concentração do extrato. Rozwalka et al., (2008) também constataram que o extrato
aquoso de gengibre apresentou efeito inibitório do crescimento do micélio do C.
gloeosporioides.
Os resultados obtidos no tratamento contendo extrato de melão de são
Caetano a 20% foram satisfatórios, inibindo até 76% do desenvolvimento do fungo.
Venturoso (2011), destacou a atividade antifúngica do melão de são Caetano frente
a Cercospora kikuchii, e ainda deu grande ênfase ao efeito do extrato de cravo-daíndia, que obteve 100% de porcentagem de inibição do crescimento micelial do C.
gloeosporioides. Celoto et al., (2005) obtiveram porcentagem de inibição superior a
50% no controle de Colletotrichum gloeosporioides.
O único tratamento que não obteve resultados satisfatórios foi o de extrato à
base de cebola, que não promoveu nenhuma barreira ao crescimento do fungo
quando utilizada a dose de 10%. Além disso, as doses de (15 e 20%) inibiram
apenas 33% e 8% respectivamente, sendo assim esses números descartaram o
extrato de cebola dos testes in vivo. Além do que, não foram encontrados trabalhos

24

com resultados satisfatórios utilizando extrato de cebola no combate à fungos
fitopatogênicos.
É evidente que a quantidade de trabalhos desenvolvidos com extrato de alho
é muito superior em relação ao número de testes feitos com extratos de outras
espécies vegetais como gengibre, cebola e melão de são Caetano. Deste modo, os
resultados aqui obtidos além de servirem como confirmações dos poderes
antifúngicos do alho também demonstram o efeito inibitório dessas outras espécies
vegetais.

4.3.

Efeito de produtos naturais e de fungicida no controle da podridão de
Colletotrichum gloeosporioides em frutos de mamão

As concentrações foram selecionadas a partir dos resultados observados no
ensaio “in vitro”, levando-se em conta a eficiência associada às dosagens mais
econômicas. Sugerindo então, a avaliação destes extratos em controle alternativo
“in vivo”.
Os produtos alternativos empregados no controle da antracnose em frutos de
mamão foram eficientes, considerando que todos os tratamentos reduziram a
incidência e severidade da doença, com exceção do tratamento com Ecolife®, que
não diferiu da testemunha em relação a incidência da doença (Figuras 6 e 7).
O tratamento dos frutos de mamão com extrato de alho foi capaz de controlar
a antracnose (100%). Enquanto que

os tratamentos utilizando melão de São

Caetaneo, Ecolife® e mancozeb reduziram a incidência da doença, em 71,3% e 43%
e a severidade da doença, em aproximadamente 72% respectivamente. O produto
Ecolife® não apresentou

diferença significativa da testemunha, com relação a

incidência da doença, no entanto ele foi capaz de reduzir a severidade da
antracnose não diferindo dos tratamentos com melão de são caetaeno e com o
fungicida mancozeb 1.75g.L-1.

25

Índice de Doença (%)

a
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0

Ecolife 20%
Alho 20%
ab

a

b

Melão 20%
Mancozeb 1.75

b
b

b

b

Testemunha

b

b
Incidência

Severidade

Figura 5- Efeito de extratos vegetais e fungicida sobre a incidência e severidade da
antracnose ( Colletotrichum gloeosporoides) em frutos de mamão cv Sunrise solo.
Teste de Tukey a 5%
A

B

C

D

E

Figura 6 – Frutos de mamão cv Sunrise Solo tratados com extratos vegetais e
mancozeb e inoculados com Colletotrichum gloeosporioides: A – Testemunha, B –
Alho, C – Melão de São Caetaneo, D – Ecolife e E - Fungicida

Embora existam na literatura vários trabalhos mostrando a eficiência de
extratos „in vitro‟, sobre diferentes microrganismos, poucos mostram o efeito “in
vivo” destes extratos.
A

capacidade

do

extrato

de

melão-de-são-caetaneo

em

inibir

o

desenvolvimento da antracnose foi constatada por Celoto (2005), que trabalhando

26

com este extrato no controle da antracnose em frutos de bananeira (Colletotrichum
musae) verificou

uma inibição de 80% do desenvolvimento das lesões de

antracnose, corroborando com os resultados observados neste trabalho.
De acordo com Torres et al1. , 2002 Apud Celoto (2005) no extrato de uma ou
mais partes da planta (sementes, folhas, hastes, raízes ou frutos) de melão-de-sãocaetaneo foram encontradas substancias bioativas como alcalóides, flavanóides,
saponinas, glicosídeos, açúcares redutores, constituintes fenólicos e ácidos livres
que possivelmente justificam a ação deste produto sobre o desenvolvimento de
doenças fúngicas.
Resultados promissores foram observados por Ribeiro & Bedendo (1999),
Nascimento et al., (2008) com extrato de alho no controle da antracnose em
mamoeiro, causada pelo fungo C. gloeosporioides. Alves (2008) Obtiveram 97% de
redução da severidade da antracnose em pimentão, trabalhando com extrato de alho
a 6%
O alho (Allium sativum L.) é utilizado na forma de tinturas, extratos e misturados
com outros materiais no controle de doenças bacterianas, míldio, brusone, podridão
do colmo, da espiga e raiz em milho e sorgo, manchas foliares (Alternaria spp.,
Helminthosporium spp), podridões e ferrugem ( SOUZA, 2007). Apresenta como
principais constituintes químicos alicina, inulina, nicotinamida, galantamina, ajoeno,
ácidos fosfórico e sulfúrico, vitaminas A, B e C, proteínas e sais minerais, óleos
essenciais, glicosídios, glicinas, resinas, enzimas e sulfuretos (LORENZI; MATOS,
2002).
Quanto ao extrato de biomassa cítrica, denominado Ecolife®, que diferiu
significativamente da testemunha, sobre a severidade de C. gloeosporioides nos
frutos de mamão, de acordo com informações do fabricante, esse produto possui em
sua constituição bioflavonóides cítricos, ácido ascórbico e fitoalexinas cítricas
capazes de exercer efeito protetor e/ou curativo em alguns patossistemas,
auxiliando no equilíbrio da flora microbiana vegetal, justificando os bons resultados
observados.

___________________________
1

TORRES et al. Crop wastes as potencial sources of natural medicine/cosmetic products,

pesticides/insecticides, and paper products. PCARRD- Highlights- 2001. Philippines, 2002. P. 42-44

27

Ecolife® controlou as podridões pós-colheita do maracujá-amarelo (BENATO
et. al., 2002) e mostrou potencial no controle de F. semitectum, C. gloeosporioides,
C. lunata e C. eragrostidis na cultura do Tapeinochilus ananassae (FURTADO,
2006). Além de controlar a podridão de frutos do mamoeiro, causada por

P.

palmivora , na concentração de 1,5% (SOARES, 2009).
Os resultados observados neste trabalho são promissores, no entanto,
conforme destacado por Silva et al (2005), os extratos caseiros apresentam algumas
limitações, como falta de controle de qualidade, baixa estabilidade dos compostos
orgânicos presentes nas soluções e o não monitoramento de substancias toxicas
presentes nas plantas ou resultantes da decomposição de produtos durante a
manipulação; Limitações como essa fazem necessário maiores investigações mais
aprofundadas dos extratos de plantas. Bem como o desenvolvimento de produtos
com maiores níveis tecnológicos para que tanto produtores como consumidores
possam ter mais segurança na sua utilização

28

Conclusões

Através da realização de testes in vitro é possível observar a capacidade dos
extratos vegetais em inibir o crescimento micelial de Colletotrichum gloeosporioides.
O extrato de alho mostra-se eficiente em controlar a antracnose do mamoeiro,
uma vez que inibiu totalmente o crescimento micelial do patógeno e a incidência da
doença em frutos de mamão.
Os extratos de melão de são caetaneo e Ecolife® apresentaram desempenho
semelhante ao fungicida mancozeb no controle da antracnose do mamoeiro.
O uso de extratos vegetais é uma alternativa bastante eficaz e econômica no
controle da antracnose.

29

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