Igor C Auto
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
CURSO DE AGRONOMIA
IGOR CAVALCANTE AUTO
USO DE ÓLEOS VEGETAIS NO CONTROLE DA ANTRACNOSE (Colletotrichum
gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc) EM FRUTO DE MAMOEIRO
RIO LARGO – AL
1
IGOR CAVALCANTE AUTO
USO DE ÓLEOS VEGETAIS NO CONTROLE DA ANTRACNOSE (Colletotrichum
gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc) EM FRUTO DE MAMOEIRO
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
ao Centro de Ciências Agrárias como parte
dos requisitos para obtenção do título de
Engenheiro Agrônomo.
Orientadora: Edna Peixoto da Rocha Amorim
RIO LARGO – AL
2011
2
DEDICO
Esse grandioso estágio da minha vida,
à minha família e minha namorada,
pela força e pelo apoio que recebi até
hoje.
3
“Querer chegar significa ter percorrido
metade do caminho”.
(Paperewski)ski)
4
AGRADECIMENTOS
A Deus,
Aos meus queridos pais, Paulo César Casado Auto e Maria Aparecida
Cavalcante Auto, pelo grandioso apoio e força que me concebem até hoje.
A minha querida irmã, Marília Cavalcante Auto, pela imensa colaboração e
apoio.
A minha namorada pelo grande apoio e incentivo a realização deste.
Á Universidade Federal de Alagoas.
A minha orientadora, Profª Edna Peixoto de Amorim, pela paciência e
dedicação ao aluno.
Aos estagiários do Laboratório de Fitopatologia do Centro de Ciências
Agrárias - CECA.
A todos os professores que fazem parte do Centro de Ciências Agrárias.
Aos todos meus colegas de turma.
Aos meus amigos e parentes.
Obrigado por TUDO!
5
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1 - Teste de patogenicidade em frutos de mamoeiro: A- Testemunha; Bfruto inoculado com Colletotrichum gloeosporioides. ................................................20
FIGURA 2 - Reisolamento do patógeno: A- Conídios; B- Micélio de Colletotrichum
gloeosporioides em meio BDA. .................................................................................21
FIGURA 3 - Porcentagem de inibição do crescimento micelial de Colletotrichum
gloeosporiodes em meio BDA contendo óleos essenciais e fungicida em diferentes
concentrações. ..........................................................................................................22
FIGURA 4 - Inibição de crescimento micelial de Colletotrichum gloeosporioides em
meio BDA contendo 100µL de óleos essenciais e mancozeb 1.75g.L-1.
.................................................................................................................................. 22
FIGURA 5 - Efeito de óleos essenciais e fungicida sobre a incidência e severidade
da antracnose antracnose ( Colletotrichum gloeosporoides) em frutos de mamão cv
Sunrise
Solo.
Teste
de
Tukey
a
5%.
....................................................................................................................................25
FIGURA 6 - Frutos de mamão cv Sunrise Solo, tratados com óleos essenciais e
mancozeb e inoculados com C. gloeosporioides: A- Mancozeb, B- Testemunha, CCitronela e D- Hortelã.................................................................................................25
6
SUMÁRIO
RESUMO...........................................................................................................7
1. INTRODUÇÃO..............................................................................................9
2. REVISÃO DE LITERATURA........................................................................11
2.1. Importância econômica do mamão............................................................11
2.2. Mamoeiro (Carica papaya)........................................................................12
2.3. Principais doenças pós-colheita do mamão...............................................12
2.3.1. Antracnose .....................................................................................13
2.4. Caracterização do fungo C. gloeosporioides.............................................14
2.5. Controle alternativo....................................................................................15
3. METODOLOGIA...........................................................................................17
3.1. Obtenção do isolado e teste de patogenicidade.........................................17
3.2. Avaliação do efeito de óleos essenciais e de fungicida sobre o fungo C.
gloeosporioides.................................................................................................17
3.3.Efeito de óleos essenciais e fungicida no controle da antracnose...............18
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO.....................................................................20
4.1. Teste de patogenicidade e reisolamento de C. gloeosporiodes.................20
4.2.Avaliação “in vitro” dos produtos naturais e de fungicida sobre o crescimento micelial do fungo C. gloeosporiode.........................................................21
4.3. Efeito de produtos naturais e de fungicida no controle da podridão de C.
gloeosporiodes em frutos de mamão.................................................................24
5- CONCLUSÃO...............................................................................................28
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................29
7
RESUMO
AUTO, I. C. USO DE ÓLEOS VEGETAIS NO CONTROLE DA ANTRACNOSE
(Colletotrichum gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc) EM FRUTO DE
MAMOEIRO. Rio Largo: Universidade Federal de Alagoas, Estado de Alagoas
UFAL-CECA. 35p. 2011.
Dentre as doenças que atacam a cultura do mamoeiro, merece destaque a
antracnose causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides. As dificuldades de
controle desta doença e o impacto causado pelo uso de produtos químicos tem
levado a procura de métodos alternativos de controle, tais como, uso de
biofungicidas, extratos vegetais e óleos essenciais. Por conseguinte, este trabalho
tem por objetivo avaliar o controle de C. gloeosporioides em frutos de mamoeiro
cv. Sunrise Solo, utilizando óleos essenciais (neem, citronela, hortelã pimenta e
cravo)
e
fungicidas
(Mancozeb).
Inicialmente,
após
a
comprovação
da
patogenicidade do isolado de C. gloeosporioides, foram realizados experimentos
visando avaliar o efeito dos óleos essenciais e do fungicida sobre a inibição do
crescimento micelial do patógeno (PIC), em diferentes dosagens: 25 50 e 100 µL
para os óleos; 1,25; 1,75; 2,25 g/L para o fungicida mancozeb e água (ADE) para
todas as testemunhas. Todos os
óleos foram esterilizados em luz UV, por 30
minutos antes de serem adicionados ao meio autoclavado. Em seguida, os
tratamentos selecionados in vitro foram pulverizados sobre frutos de mamão
(5mL/fruto) 48 horas antes da inoculação com a suspensão do patógeno (1, 7 x 106
con.mL-1). Como testemunha, os frutos foram pulverizados com água (ADE) e
inoculados posteriomente com o patógeno. Os frutos foram incubados em condições
naturais (28ºC) por sete dias, quando foram avaliados, determinando-se a incidência
e a severidade da doença. O óleo de hortelã (100 µL) e o fungicida mancozeb em
todas as concentrações, foram capazes de inibir em 100% o crescimento micelial
de C.gloeosporioides. Os óleos de neem e cravo não apresentaram capacidade de
inibir o patógeno. Os óleos de hortelã e citronela (100µL) reduziram a incidência e
severidade da antracnose em frutos de mamão.
Palavras chave: Doença fúngica, controle alternativo, pós-colheita;
8
ABSTRACT
AUTO, I. C. USE OF VEGETABLE OILS IN CONTROL OF ANTHRACNOSE
(Colletotrichum gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc) IN PAPAYA FRUIT. Rio Largo:
Universidade Federal de Alagoas, Estado de Alagoas UFAL-CECA. 35p.2011.
Among the diseases that attack papaya crop, deserves anthracnose caused
by Colletotrichum gloeosporioides. The difficulties of controlling this disease and the
impact caused by the use of chemicals have led the search for alternative control
methods such as use of biofungicides, plant extracts and essential oils. Therefore,
this study aims to evaluate the control of C. gloeosporioides on papaya fruit cv.
Sunrise ground, using essential oils (neem, citronella, peppermint and clove) and
fungicide (Mancozeb). Initially, after proof of the pathogenicity of the isolate of C.
gloeosporioides, experiments were performed to evaluate the effect of essential oils
and fungicides on the inhibition of mycelial growth of the pathogen (PIC), in different
strengths: 25, 50 and 100 µL for oils: 1,25; 1,75; 2,25 g/L for the fungicide mancozeb
and water (ADE) to all witnesses. All oils were sterilized with UV light for 30 minutes
before being added to the autoclaved medium. Then selected in vitro treatments
were sprayed on fruits of papaya (5mL/fruto) 48 hours before inoculation with the
suspension of the pathogen (1, 7 x 106 con.mL-1). As a witness, the fruits were
sprayed with sterile water and inoculated with the pathogen posteror. The fruits were
incubated under natural conditions (28 ° C) for seven days when they were evaluated
by determining the incidence and severity of disease. Peppermint oil (100 µL) and
the fungicide mancozeb at all concentrations were able to inhibit 100% mycelial
growth of C. gloeosporioides. The oils of neem and clove showed no ability to inhibit
the pathogen. The oils of peppermint and citronella (100 µL) reduced the incidence
and severity of anthracnose in papaya fruits.kkkkkkkkkk
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Keywords: fungal disease control, alternative, post-harvest;
9
1. INTRODUÇÃO
O mamoeiro (Carica papaya L.) ocorre em clima tropical e subtropical. O
maior produtor mundial é o Brasil, atingindo 29% da produção internacional. A
produção nacional é concentrada nas regiões Nordeste e Sudeste, tendo os Estados
da Bahia e Espírito Santo como os maiores produtores (OLIVEIRA; CALDAS, 2004).
A fruticultura atual volta-se de forma crescente para produzir frutas a preços
competitivos, levando em conta o aspecto quantitativo e qualitativo (ALVARENGA;
SOUZA, 1997). Contudo, em razão do exigente mercado importador que impõe
barreiras fitossanitárias, as frutas tropicais brasileiras ainda não são muito
conhecidas e não possuem padrão de qualidade compatível, considerando o uso
indiscriminado de agrotóxicos associado à deficiência tecnológica do sistema de
pós-colheita (ALMEIDA, 2002).
É pequena a vida útil do mamão na pós-colheita. Seu amadurecimento em
condições favoráveis se dá em média de uma semana. Fatores abióticos ou
patógenos reduzem sua vida, que podem ocorrer em conjunto ou isoladamente,
levando a patologias, que geram perdas em quantidade e qualidade em sua
comercialização. Para o consumo, o fruto, ao chegar nem sempre está com a
qualidade esperada (COSTA; BALBINO, 2002; TAVARES, 2004).
O fungo Colletotrichum gloeosporioides
(Penz.) Penz. & Sacc é o
fitopatógeno causador da antracnose. Na pós-colheita trata-se da principal doença
do mamão (DICKMAN, 1994; PAULL et al, 1997; REZENDE; FANCELLI, 1997;
BENATO, 1999). Sendo um dos fatores limitantes a exportação do mamão que
ocorre em pós-colheita sobre todas as regiões que o produzem (LIBERATO;
TATAGIBA, 2001). Apresenta uma alta incidência, 70 a 100% nas estações mais
quentes do ano, onde não existem medidas de controle, acarretando o mesmo em
frutos que recebem tratamento na pós-colheita. Portanto antracnose é um problema
para a exportação em geral (LIBERATO; COSTA, 1997).
O uso de produtos químicos para o controle de patologias em frutos e plantas
está levando a prejuízos ao meio ambiente e gerando fungos cada vez mais
resistentes. A procura por alternativas de controle são a indução de resistência em
plantas com o uso de óleos essenciais, extratos vegetais e controle biológico
(STANGARLIN et al, 1999; SCHWAN-ESTRADA; STANGARLIN, 2005).
10
Os óleos essenciais ou essências são responsáveis pelos aromas, podendo
ser de origem vegetal ou sintética. Os mesmos são usados nas indústrias em forma
de perfumes ou cosméticos, alem do que alguns são usados como fármacos e
também no combate de fungos e bactérias (CARDOSO et al., 2000).
Dentro deste contexto, este trabalho teve como objetivo avaliar, in vitro e in
vivo, o controle de C. gloeosporioides em frutos de mamoeiro por óleos essenciais
de citronela (Cymbopogon winterianus), neem (Azadirachta indica), cravo (Eugenia
caryophyllata) e hortelã-pimenta (Mentha piperita).
11
2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1 IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DO MAMÃO
Sendo o mamoeiro pertencente à família Caricaceae, constituem 31 espécies
que são divididas em quatro gêneros, tendo o Carica papaya L. como a espécie
mais conhecida (KIST; MANICA¹, 1995 apud VIEIRA et al, 2003).
É uma planta de origem muito discutida, alguns defendem sua origem na
Índia e outros na América tropical (TORRES, 1982).
É uma planta que produz seus frutos rapidamente, tem alto valor nutritivo e
são servidos em quase todo o Brasil, por ter uma boa aceitação no mercado
(JIMENES, et al, 2010).
Alem da fruta, nele existe a papaína, que é utilizada na indústria farmacêutica
na produção de medicamentos que auxiliam a digestão, fármacos vermífugos e
produtos que quebram as fibras da carne devido as suas propriedades proteolíticas
(TORRES, 1982).
Segundo Trindade, 2000, o rico sabor, aroma e consistência da fruta é motivo
de aprovação de quem os consome. Com polpa bastante espessa e com coloração
vermelha alaranjada, com excelente qualidade e também pequena (350 a 550
gramas)
De acordo com o IBGE (2009), o Brasil é o primeiro produtor mundial de
mamão, com uma produção anual de 1.792.594 t/ano, com amplo domínio da Bahia
e do Espírito Santo, que colheram respectivamente 891 mil toneladas (49,72%) e
550 mil toneladas (30,68%).
O estado da Bahia é considerado o maior produtor nacional de mamão.
Entretanto, com relação à exportação, o estado do Espírito santo produz
aproximadamente 70% da produção nacional exportada.
¹ KIST, H.; MANICA, I. Mamoeiro: densidades de plantio. Cadernos de Horticultura: UFRGS, Porto
Alegre, v.3,n.5., p.1-10, 1995.
12
Dessa forma esse Estado produz 580.000 toneladas por ano, cuja cultura ocupa
área de 9.165 há em cerca de 390 imóveis rurais, conforme estudo do DFA-ES em
2002 (MARTINS E MALAVASI, 2003).
A relevância da cultura do mamoeiro também está relacionada ao contexto
social, considerando a geração de empregos com captação de mão de obra ao
longo do ano, incluindo a renovação dos pomares que é executada de três em três
anos, em média (RITZINGER E SOUZA, 2000).
2.2 MAMOEIRO (Carica papaya)
A planta apresenta raiz pivotante, onde a principal ramifica-se de forma radial,
a 30 cm do solo. O caule é de forma cilíndrica, herbáceo e reto. Em torno da região
apical do mesmo se formam as folhas, ocorrendo à formação de novas na medida
em que as mais velhas entram em senescência, deixando cicatrizes que irão gerar
as inflorescências (SILVA, 2001). Há três tipos de flores que são bem distintas,
sendo elas, hermafroditas, e dos sexos feminino masculino. (DANTAS; CASTRO
NETO, 2000).
Existe uma maior preferência por plantações da espécie C.papaya ginóicoandromonóicas, realizando a eliminação dos mamoeiros femininos, já que as
hermafroditas geram frutos ovais ou piriformes e longos, que possuem maior
aceitação comercial externa e interna (DANTAS; CASTRO NETO, 2000).
Segundo Souza et. al.(2000) os solos com melhores condições de plantio
para o mamoeiro são os de textura média ou areno-argilosos e bem drenados, pois
o mamoeiro não suporta solos encharcados. Com relação ao pH, este deve ficar
entre 5,5 e 6,7.
É importante o domínio do amadurecimento do mamão para a colheita, pois
ele possui características de padrão respiratório climatérico, tendo inicio no oitavo
mês após o plantio (FRUTISERIES, 2000).
13
2.3 PRINCIPAIS DOENÇAS PÓS-COLHEITA DO MAMÃO
Várias doenças podem gerar perdas as culturas dos mamões de valor
econômico (WILSON; WISNIEWSKI², 1994 apud RIBEIRO²; BEDENDO, 1999),
Entre as doenças que afetam o fruto, ocorrem com mais freqüência as podridões
fungicas geradas por C. gloeosporioides, Lasiodiplodia theobromae, Phoma caricapapaya e Fusarium spp. e outros (ZAMBOLIM et al , 2002).
Nos frutos, as doenças de maiores prejuízos em pós colheita são: antracnose,
mancha chocolate, podridão peduncular e pinta preta (SUZUKI et al, 2007).
De forma geral os patógenos que causam lesões em pós colheita apresentam
uma característica semelhante, onde os mesmos permanecem no fruto imaturo em
estado latente, sem apresentar sintomas visíveis, onde o processo de infecção só irá
ocorrer em condições adequadas (SILVA et al, 2001).
Um dos critérios do mercado de frutos ‘’in natura’’ é sua qualidade. Assim,
danos ocasionados por tais microorganismos ganham importância na perda da
qualidade. Logo se pode afirmar que essas patologias causam destruições, podendo
ocorrer perdas de até 100% na fase de comercialização. Atualmente notam-se ainda
poucos estudos voltados para tais epidemias apesar da sua notável importância.
(SUZUKI, 2007).
2.3.1 Antracnose
Patologia causada por espécies de Colletotrichum, principal doença em póscolheita e atualmente ganha muita importância no nordeste do Brasil (SERRA;
SILVA, 2004).
São varias as plantas atacadas por espécies de Colletotrichum, que ficaram
conhecidas como causas de perdas em pós-colheita.
² WILSON, C.L.; WISNIEWSKI, M.E. Biological control of postharvest plant diseases of fruits and
vegetables: theory and practice. Boca Raton: CRC Press, 1994. 465p
14
Problemas de pós-colheita ocasionados por tais espécies são normalmente
presentes nos trópicos e com freqüência tornam-se um fator limitante para a sua
exportação (JEFFRIES et al,1990).
O aparecimento de lesões arredondadas grandes, necróticas, com bordos
ligeiramente elevados e o centro dos tecidos deprimidos, tratam-se do sintoma típico
da antracnose, onde massas de conídios de coloração alaranjada são produzidas
(BAILEY et al., 1992), tendo a possibilidade de ocorrência de uma podridão mole no
fruto, afetando consideravelmente sua comercialização (LIMA et al.,1993). Manchas
causadas por antracnose são classificadas como podridões, em qualquer número ou
intensidade, sendo assim considerado um defeito grave de acordo com normas de
classificação em relação à comercialização (CEAGESP, 2000).
O manejo dessas doenças em pós-colheita começa no campo, onde a
infecção nos frutos normalmente ocorre após a floração, resultante da
penetração do patógeno diretamente ou por aberturas naturais e/ou
ferimentos ou ainda por danos mecânicos causados durante a colheita,
transporte e armazenamento (BENATO, 19993 apud DANTAS et al, 2004).
2.4 CARACTERIZAÇÃO DO Colletotrichum Gloeosporioides
Segundo Kirk et al (2001), a antracnose, causada pelo fungo Colletotrichum,
pertence ao Reino Eumicota, Filo Ascomicota, Ordem Sordariales, Família
Glomerellaceae, Gênero Glomerella (Colletotrichum), Espécie: G. cingulata (C.
gloeosporioides).
Os fitopatógenos do gênero Colletotrichum são fungos que ganham
importância em regiões tropicais e subtropicais do mundo. São esses os causadores
de muitas patologias, como a antracnose, podridão de pedúnculo, varicela em
manga, abacate e mamão (BAILEY & JEGER,4 1992 apud SILVA et al, 2006).
O fungo C gloeosporiodes cresce bem em temperaturas e umidades relativas
elevada. Os conídios são liberados quando os acérvulos se encontram úmidos,
podendo estes ser disseminados por ação das chuvas, vento, insetos, ferramentas,
e outros vetores (TAVARES, 2004).
3
BENATO, E.A. Controle de doenças pós-colheita em frutos tropicais. Summa Phytopatológica.
Jaguariuna, v.25, n.1, p.90-93, 1999.
4
BAILEY, A. J.; JEGER, J. M. Colletotrichum: biology, pathology and control .Oxford: British Society
for Plant Pathology, 1992. 388p.
15
Após a água favorecer a germinação dos conídios, há produção do apressório
e inicia a penetração no hospedeiro. As hifas se desenvolvem muito rápido, porém o
aparecimento de sintomas ainda é pouco ou nenhum nos tecidos. Após o inicio da
maturação a doença torna-se mais severa. O fungo sobrevive nos pecíolos e folhas
velhas, de onde é disseminado para as flores e frutos novos, permanecendo latente
até a maturação. Como os sintomas são mais severos na fase de maturação é
recomendado o manejo da doença ainda no campo (TAVARES, 2004).
2.5 CONTROLES ALTERNATIVOS
O declínio da produção dessa fruta ocasionada por doenças pós-colheita é
uma das barreiras no canal de comercialização, principalmente para aquelas
destinadas a exportação (LIBERATO; ZAMBOLIM, 2002).
Os tratamentos químicos são os de maior utilização porem possuem várias
restrições de uso, como o de selecionar patógenos resistentes quando utilizados
continuamente (MARTINS et al, 2005). E recomendado pulverizações preventivas,
utilizando-se fungicidas cúpricos alternados com o mancozeb ou etilfosfito de
alumínio e respeitando um período de carência de 20 dias (OLIVEIRA et al., 1999;
OLIVEIRA et al., 2000).
O terceiro maior do mundo em mortalidade por conta do câncer e consumo de
agrotóxicos é o Brasil. Tornando como foco de preocupação para quem consome
como também para quem planta, levando a contaminação do solo, de alimentos, da
água, de indivíduos e animai (PRIMAVESI, 1997; PONTES, 2000).
Outra das formas alternativas para o controle de patologias em pós-colheita é
o tratamento hidrotérmico (JACOBI & GILES, 19975 apud MORAES et al., 2005),
com beneficio de um tratamento que não oferece risco ao meio ambiente e a saúde
dos indivíduos, sendo usado no controle de doenças (PESSOA et. al., 2007), com a
capacidade de reduzir ou acabar com o patógeno (GOLAN & PHILIPS, 1991),
5
JACOBI, K.K.; GILES, J.E. Quality of ‘Kensington’mango (Mangifera indica Linn.) fruit following
combined vapour heat desinfestation and water disease control treatments. Postharvest Biology
and Technology 12:285-292. 1997.
16
Diminuindo desequilíbrios fisiológicos durante seu armazenamento. Levando
a pouca alteração sobre o hospedeiro enquanto que os patógenos se mantém
controlados (SPONHOLZ et al., 2004).
Outros controles estão sendo usados para a preservação dos frutos.
Tratamentos com ultravioleta-C (UV-C 254 nm) e raios gama, por ambos
envolverem radiação que possuem efeitos fungicidas e por provocarem resistência
nos frutos (WILSON et al, 1994; CIA et al, 2007). Trabalhos realizados por Cia et al.
(2007) mostraram que os raios gama apresentaram diminuição de perdas na póscolheita, provocadas pelo fungo C. gloeosporiodes, bloqueando o crescimento
micelial e a germinação. Outro método é o uso de biocontrole associado com
compostos químicos e organismos vivos. A função fungicida da Cândida oleophila e
o bicarbonato de sódio reduziu a incidência de antracnose em frutos armazenados
(GAMAGAE et al, 2004).
Os biofungicidas que são óleos e extratos vegetais tem se mostrado como
inseticidas naturais e potentes fungicidas para o controle de diversos patógenos
(FRANCO; BETTIOL, 2000; BENATO et al. 2002; SANTOS et al., 2004; BASTOS;
ALBUQUERQUE, 2004).
Estudos realizados com óleos essenciais ou extrato bruto de plantas
aromáticas e medicinais se apresentam com potencial para o controle de
fitopatógenos, tanto pela germinação dos esporos, inibição do crescimento micelial e
ação fungitóxica direta, o que indica a presença de compostos com características
de elicitores (BONALDO et al., 2004).
Como exemplo, Ribeiro & Bedendo (1999) avaliaram extratos de alho, hortelã,
mamona e pimenta no crescimento micelial e esporulação de C. gloeosporioides.
Palhano et al. (2004) avaliaram o efeito do óleo essencial de capim limão
(Cymbopogon citratus) e citral isolados ou aplicados junto com pressão hidrostática,
na viabilidade de conídios de Colletotrichum gloeosporioides. Chalfoun et al. (2004)
avaliaram os óleos essenciais de alho, canela, cravo e tomilho sobre o
desenvolvimento micelial dos fungos Rhizopus sp., Penicillium spp., Eurotium repens
e Aspergillus niger.
O óleo de citronela tem em sua composição uma grande quantidade de
geraniol e citronelal (TANU & ADHOLEYA, 2004). Furtado (2006) obteve o controle
de Colletotrichum gloeosporioides em Tapeinocillus ananasae, utilizando óleos
essenciais, incluindo óleo de citronela a 0,25%.
17
3. METODOLOGIA
Os trabalhos foram conduzidos no Laboratório de Fitopatologia e casa de
vegetação do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas, de
acordo com a seguinte metodologia:
3.1- OBTENÇÃO DO ISOLADO E TESTE DE PATOGENICIDADE DE
COLLETOTRICHUM GLOEOSPORIOIDES KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
O isolado de C. gloeosporioides foi obtido a partir de frutos de mamão cv
Sunrise solo, provenientes do município de Satuba, AL, com sintomas típicos da
doença. O patógeno foi preservado em meio BDA (Batata-200g; Agar-18g; Dextrose20g e Água destilada -1000 ml), em temperatura de 28ºC.
A patogenicidade do isolado foi realizada em frutos de mamoeiro cv. Sunrise
Solo. Foram utilizados 10 frutos de mamão sadios e desinfestados com hipoclorito
de sódio (2%), classificados no subgrupo 3 com relação a maturação, que foram
inoculados, através da pulverização de 5 mL de suspensão do patógeno (1, 7 x 106
con.mL-1) / fruto, obtida a partir do cultivo do isolado em meio BDA durante 7 dias,
em câmara de crescimento, a uma temperatura em tomo de 25°C, em fotoperíodo
de 12h. O inóculo foi preparado a partir da adição de água (10 mL) e raspagem do
crescimento fúngico.
Os frutos testemunha foram pulverizados com água destilada esterilizada.
Todos permaneceram em câmara úmida por 48h.
Foram realizadas observações diárias durante 10 dias e os frutos que
apresentaram sintomas típicos da doença foram utilizados para o reisolamento do
patógeno em placas de Petri contendo meio BDA.
3.2- AVALIAÇÃO DO EFEITO DE ÓLEOS ESSENCIAIS E DE FUNGICIDA SOBRE
O CRESCIMENTO MICELIAL DE C. GLOEOSPORIOIDES
Os óleos essenciais (neem, citronela, hortelã pimenta e cravo) e o fungicida
(Mancozeb) foram adicionados ao meio de cultura BDA, fundente (45-50° C), onde
18
foram vertido em placas de Petri de 9 cm de diâmetro, sendo usadas quatro placas
para cada tratamento: 100 µL, 50 µL e 25 µL para os óleos e 1,25; 1,75; 2,25 g/L
para o fungicida mancozeb e água (ADE) para todas as testemunhas.
Todos os óleos foram esterilizados em luz UV por 30 minutos antes de serem
adicionados ao meio autoclavado, segundo metodologia descrita por Barguil et al.
(2005).
No centro de cada placa foi depositado um disco de meio BDA, de 6 mm de
diâmetro, contendo micélio jovem retirado das bordas de colônias de C.
gloeosporioides. Após a incubação por cinco dias à temperatura de 28°C e
fotoperíodo de 12 horas, foram medidos o diâmetro médio das colônias tomado no
reverso das placas de Petri, através da medição em dois sentidos diametralmente
opostos, e por comparação com o crescimento das colônias nas placas
das
testemunhas, que receberam o meio de cultura sem o óleo/fungicida,.A percentagem
de inibição do crescimento micelial (P.I.C.) foi calculado segundo Edginton et al.
(1971), que é expressa pela fórmula:
PIC =
cresc. test. – cresc. trat.
X 100
cresc. test.
O delineamento experimental usado foi inteiramente casualizado em esquema
fatorial 5 x 3 + 1 testemunha, totalizando 16 tratamentos com quatro repetições. Os
tratamentos constituíram da combinação de quatro óleos e um fungicida com três
concentrações. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias
comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
3.3- EFEITO DE ÓLEOS ESSENCIAIS E DE FUNGICIDA NO CONTROLE DA
ANTRACNOSE EM FRUTOS DE MAMÃO
Os óleos essenciais e a dose de fungicida selecionados in vitro foram
pulverizados (5 ml/fruto) sobre frutos de mamão sadios, em estádio de maturação 2,
48 horas antes da inoculação com a suspensão do patógeno (1, 7 x 106 con.mL-1).
Como testemunha, os frutos foram pulverizados com água destilada esterilizada e
inoculados posteriormente com o patógeno.
19
Para todas as soluções, foram utilizadas como solvente água destilada
esterilizada e adicionadas espalhante adesivo Tween 20 (polioxyethylene sobitan
mono-oleate, da marca Vetec), 0,1mL para cada 100 ml de solução, antes das
pulverizações.
Os frutos foram incubados em condições naturais, aproximadamente 28ºC,
por sete dias, quando foram avaliados, determinando-se a incidência da doença,
através da seguinte fórmula: % de incidência = (nº de frutos infectados/nº total de
frutos) x 100 e a porcentagem de controle, pela fórmula: % de controle =
(testemunha- tratamento/ testemunha) x 100.
O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com quatro
tratamentos e sete repetições. Os dados foram submetidos à análise de variância e
as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
20
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1- TESTES DE PATOGENICIDADE E REISOLAMENTO DE COLLETOTRICGUM
GLOEOSPORIOIDES
O isolado de Colletotrichum gloesporioides manifestou patogenicidade nos
frutos de mamoeiro, após cinco dias da inoculação. Todos os frutos apresentaram
sintomas de manchas necróticas e depressões com acérvulos subepidérmicos,
enquanto as testemunhas permaneceram sadias (Figura 1). O aparecimento dos
sintomas e o reisolamento do fungo em meio BDA confirmaram a patogenicidade do
isolado.
Figura 1 – Teste de patogenicidade em frutos de mamoeiro: A- Testemunha; B- fruto inoculado com
Colletotrichum gloeosporioides.
A identificação do patógeno foi realizada, respectivamente, através de
observações na morfologia, dimensão das estruturas reprodutivas, obtidas por meio
de observações microscópicas: conídios hialinos, unicelulares, de forma cilíndrica a
elipsoidal, com as extremidades arredondadas, numerosos e aglutinados, formando
uma massa gelatinosa de coloração rósea obtusos no ápice, medindo de 8,3 – 14,94
µm x 1,66 – 4,98 µm (Figura 2– A e B).
21
Figura 2- Reisolamento do patógeno: A- Conídios ; B- Micélio de
Colletotrichum gloeosporioides em meio BDA
4.2- AVALIAÇÃO ‘IN VITRO’ DOS PRODUTOS NATURAIS E DE FUNGICIDA
SOBRE
O
CRESCIMENTO
MICELIAL
DE
COLLETOTRICHUM
GLOEOSPORIOIDES
Os óleos essenciais utilizados neste trabalho proporcionaram inibição parcial
ou total do crescimento micelial de C. gloeosporioides. O óleo de hortelã 100 µL e o
fungicida mancozeb, em todas as concentrações, inibiram em 100% o patógeno,
constituindo os melhores tratamentos, seguido do óleo de citronela 100µL, 50 µL e
25 µL com inibições de 62,2%, 50% e 23,6%. Os demais tratamentos não
demonstraram capacidade de inibição do desenvolvimento do fungo e não diferiram
da testemunha (Figuras 3 e 4).
22
Figura 3 – Porcentagem de inibição do crescimento micelial de Colletotrichum gloeosporoides em
meio BDA contendo óleos essenciais e fungicida em diferentes concentrações.
Mancozeb
Citronela
Hortelã
Testemunha
Figura 4 – Inibição de crescimento micelial de Colletotrichum gloeosporioides em meio BDA
contendo100µL de óleos essenciais e mancozeb 1.75g.L-1
23
A toxicidade de óleos essenciais sobre patógenos têm sido constatados por
diversos pesquisadores: Rios et al. (2003) utilizaram óleo de citronela para avaliar a
percentagem de crescimento micelial de Colletotrichum acutatum Simmonds, agente
causal da flor preta do morangueiro, e observaram que nas concentrações de 5; 10
e 15% houve redução parcial do crescimento micelial, enquanto na concentração de
20% ocorreu inibição total. Medice et al. (2004) obtiveram resultado semelhante na
inibição da germinação de esporos de Phakopsora pachyrhizi Syd. & P. Syd., agente
causal da ferrugem da soja. Alves et al (2003), avaliando a percentagem de
germinação “in vitro” de C. gloeosporioides, C. musae e Fusarium subglutinans
(Wollenweber & Reinking) Nelson, Toussoun & Marasas f. sp. ananas Ventura,
Zambolim & Gilbertson na presença de óleos essenciais de Cymbopogon citratus
Stapf., C. nardus (L.) Rendle. e C. citriodora constataram que o crescimento micelial
dos três fungos foi totalmente inibido pelos óleos essenciais não diluídos enquanto
na concentração de 50% o óleo de C. citratus, inibiu mais de 95% do crescimento
dos fungos e o óleo essencial de C. nardus inibiu completamente os fungos C.
gloeosporioides, C. musae. Furtado (2006), avaliando a ação de óleos essenciais
sobre o crescimento micelial de C. gloeosporioides em Tapeinochilos, verificou que
os óleos essenciais de citronela e eucalipto citriodora, na concentração de 0,25%,
inibiram em 100% o crescimento micelial de C. gloeosporioides, em relação à
testemunha. Pereira et al. (2007), testando diferentes concentrações de óleo
essencial de C. citratus e E. citriodora sobre os fungos C. musae e C.
gloeosporioides, causadores da podridão da banana, encontraram inibição em 100%
do crescimento micelial do C. gloeosporioidse.
Os resultados sobre o uso de óleo de citronela observados na literatura estão
parcialmente de acordo com os encontrados neste trabalho, possivelmente a
concentração do produto é responsável pelas divergências encontradas.
Com relação ao óleo de Hortelã (M. arvensis), Carnelossi et al. (2009)
verificaram que a inibição do crescimento micelial de C. gloeosporioides foi dose
dependente, isto é, a medida que se aumentava à alíquota, aumentava a
porcentagem de inibição; porém, as alíquotas de 01; 05 e 10 µL, para ambos, não
foram eficientes, tendo um desempenho estatisticamente semelhante ao da
testemunha. Singh et al. (1992) verificaram a ação do óleo de hortelã sobre 23
espécies de fungos, entre eles e observaram inibição de 100% do crescimento
micelial, a partir de 2.000 mg mL-1, afirmando que este óleo poderia ser usado no
24
controle de doenças de plantas. Pereira et al. (2006), utilizando óleo essencial de
menta, observaram inibição do desenvolvimento micelial de Aspergillus niger e A.
flavus nas concentrações 1500 e 2000 mg mL-1, respectivamente.
Com relação aos resultados proporcionados pelo fungicida mancozeb
verificou-se que eles estão de acordo com Tavares e Souza (2005), que obtiveram
100% de inibição do crescimento micelial de C. gloeosporioides causador da
antracnose do mamão.
Os resultados observados nos tratamentos com óleo de cravo e nim não foram os esperados. Provavelmente, estes produtos não possuem em suas
constituições substâncias capazes de inibir o crescimento micelial desse patógeno.
Diversos trabalhos relatam o sucesso do controle in vitro de vários fungos,
mas deve-se lembrar que a maneira pela qual os extratos e óleos essenciais são
obtidos deve ser considerada, assim como também sua eficácia, dependente de
cada fitopatógeno.
4.3 EFEITOS DE PRODUTOS NATURAIS E DE FUNGICIDA NO CONTROLE DA
PODRIDÃO DE COLLETOTRICHUM GLOEOSPORIOIDES EM FRUTOS DE
MAMÃO
Com relação ao efeito de óleos essenciais no controle da doença causada por
C. gloeosporioides, os óleos foram capazes de reduzir tanto a incidência quanto a
severidade da doença, quando comparados com a testemunha, não apresentando
diferença significativa entre si.
Os óleos de hortelã e citronela 100µL foram eficientes no controle da
antracnose em frutos de mamão, não apresentando diferenças significativas ao nível
de 5 % de probabilidade, pelo teste de Tukey.
Os tratamentos reduziram a
incidência da doença, em 79,6% e a severidade da doença, em 91,25% e 87,25%
respectivamente, não diferindo do tratamento com o fungicida mancozeb 1.75g.L-1,
que inibiu a incidência em 59,2% e a severidade em 52,84%. O tratamento com
fungicida não diferiu da testemunha (Figuras 5 e 6).
25
Figura 5– Efeito de óleos essenciais e fungicida sobre a incidência e severidade da antracnose
( Colletotrichum gloeosporoides) em frutos de mamão cv Sunrise Solo. Teste de Tukey a 5%.
A
B
C
D
Figura 6- Frutos de mamão cv Sunrise solo tratados com óleos
essenciais e mancozeb e inoculados com C.
gloeosporioides: A- Mancozeb, B- Testemunha,
C- Citronela e D- Hortelã
26
Embora existam na literatura alguns trabalhos mostrando a eficiência de óleos
essenciais in vitro, sobre diferentes fitopatógenos, poucos trabalhos mostram o
efeito destes sobre os fitopatógenos em plantas: Furtado (2006) reduziu a
porcentagem de brácteas infectadas por C. gloeosporioides em inflorescências de
Tapeinochilus ananassae em função da aplicação de óleos essenciais de citronela e
eucalipto na concentração de 0,25%.
Stangarlin et al. (1999) relatam que, trabalhos desenvolvidos com extrato
bruto ou óleo essencial, obtidos a partir de plantas medicinais da flora nativa, têm
indicado o potencial das mesmas no controle de fitopatógenos, tanto por sua ação
fungitóxica direta, inibindo o crescimento micelial e a germinação de esporos,
quando pela indução de fitoalexinas, indicando a presença de composto(s) com
características de elicitor(es), que são moléculas ou agentes de origem biótica ou
abiótica, capazes de ativar ou induzir qualquer resposta de defesa nas plantas.
Segundo Teuscher (1990), a exploração da atividade biológica de compostos
secundários presentes no extrato bruto ou nos óleos essenciais de plantas podem
se constituir, ao lado da indução de resistência, em mais uma forma potencial de
controle alternativo de doenças em plantas cultivadas. Além do que, segundo
Amadioha (2000), o aumento dos problemas de poluição e dos efeitos tóxicos dos
tratamentos químicos nos demais organismos têm estimulado a investigação de
substâncias de origem vegetal que possam ser fontes não-fitotóxicas de pesticidas
facilmente biodegradáveis.
O trabalho desenvolvido foi um estudo pioneiro no que se refere à forma
alternativa de controle de doenças, e mostrou que os óleos de hortelã e citronela
(100uL), têm potencial para o controle da antracnose em mamoeiro, sendo vista
como uma nova tecnologia que possa ser repassada para pequenos produtores ou
aos interessados no controle de doenças em “cultivo orgânico”, tendo em vista a
minimização do uso de fungicidas convencionais, a preservação do meio ambiente,
a proteção à saúde dos trabalhadores e a melhoria do produto com relação a
qualidade e longevidade.
27
5. CONCLUSÃO
O óleo de hortelã 100 µL e o fungicida mancozeb são capazes de inibir o
crescimento micelial de Colletotrichum gloeosporioides.
Os óleos de hortelã e citronela 100µL apresentaram eficiência no controle da
antracnose em frutos de mamão.
28
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