José A S Barros

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
Curso de Graduação em Engenharia Agronômica
Trabalho de Conclusão de Curso

Biomassa das plantas de Algodão (Gossypium hirsutum L) submetido a
diferentes níveis de salinidade e substâncias húmicas, em ambiente protegido

JOSÉ ANDERSON SOARES BARROS

RIO LARGO- AL
2011

ii

JOSÉ ANDERSON SOARES BARROS

Biomassa das plantas de Algodão (Gossypium hirsutum L) submetido a
diferentes níveis de salinidade e substâncias húmicas, em ambiente protegido

Trabalho de Conclusão de Curso
submetido à coordenação do curso de
graduação

em

engenharia

agronômica, da Universidade Federal
de Alagoas, como requisito para
obtenção do título de Engenheiro
Agrônomo.

Orientador (a): Prof. Dra. Lígia
Sampaio Reis

RIO LARGO- AL
2011

iii

ATA DE REUNIÃO DE BANCA EXAMINADORA DE DEFESA DE TRABALHO DE
CONCLUSÃO DE CURSO

Aos 26 (vinte e seis) dias do mês de outubro do ano de 2011, às 09h00min (nove) horas, sob a
Presidência da Professora Dra LÍGIA SAMPAIO REIS, em sessão pública na sala de Reunião do
melhoramento genético, na Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias, km 85 da BR-104 norte,
Rio Largo, AL, reuniu-se a Banca Examinadora de defesa do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)
“BIOMASSA DAS PLANTAS DE ALGODÃO (GOSSYPIUM HIRSUTUM. L) SUBMETIDO A
DIFERENTES NÍVEIS DE SALINIDADE E SUBSTÂNCIAS HÚMICAS, EM AMBIENTE
PROTEGIDO”, do aluno JOSÉ ANDERSON SOARES BARROS, sob matrícula 2007G0047, requisito
obrigatório para conclusão do Curso de Agronomia, assim constituída: Professora Dra. LÍGIA
SAMPAIO REIS /CECA/UFAL (Orientadora), Prof. Dr. JOSÉ PAULO VIEIRA DA COSTA
/CECA/UFAL e Prof. Dr. ABEL WASHINGTON DE ALBUQUERQUE/ CECA/UFAL. Iniciados os
trabalhos, foi dado a cada examinador um período máximo de 30 (trinta) minutos para a arguição ao
candidato. Terminada a defesa do trabalho, procedeu-se o julgamento final, cujo resultado foi o
seguinte, observada a ordem de argüição: Professora LÍGIA SAMPAIO REIS, nota __8,5__ (Oito e
meio), Prof. Dr. JOSÉ PAULO VIEIRA DA COSTA, nota __8,5__ (Oito e meio), Prof. Dr. ABEL
WASHINGTON DE ALBUQUERQUE, nota __8,5__ (Oito e meio). Apuradas as notas, o candidato foi
considerado Aprovado, com média geral __8,5__(Oito e meio). Na oportunidade o candidato foi
notificado do prazo máximo de 30 (trinta) dias, a partir desta data, para entrega à Coordenação do
Trabalho de Conclusão de Curso, devidamente protocolada, da versão definitiva do trabalho hoje
defendido, em 04 (quatro) vias, impressas e encadernadas e uma cópia digitalizada em CD com as
correções sugeridas pela Banca, sem o que esta avaliação se tornará sem efeito, passando o aluno a
ser considerado reprovado. Nada mais havendo a tratar, os trabalhos foram encerrados para a
lavratura da presente ATA, que depois de lida e achada conforme, vai assinada por todos os
membros da Banca Examinadora, pelo Coordenador do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e
pelo Coordenador do Curso de Agronomia do Centro de Ciências Agrárias, da Universidade Federal
de Alagoas. Rio Largo/AL, 26 de Outubro de 2011.

1º Examinador

____________________________________________
Profa. Dra. Lígia Sampaio Reis (Orientadora)

2º Examinador

____________________________________________
Prof. Dr. Abel Washington de Albuquerque

3º Examinador

____________________________________________
Prof. Dr. José Paulo Vieira da Costa

Coordenador do TCC

____________________________________________
Profª Drª Roseane Cristina Prédes Trindade

Coordenador do Curso
Agronomia

____________________________________________
Profª Drª Leila de Paula Rezende

iv

DEDICO e OFEREÇO
À minha Mãe Vera Nilde de
Araújo Soares; Aos meus Avos, Verônica
Maria de Araújo Soares e José Manuel
Soares (in memorian); à minha namorada
Willyanna Campos do Santos e a todos os
meus familiares pelo carinho, amor e
compreensão, que tornaram possível o
meu

fortalecimento

e

crescimento

individual que veio a tornar possível a
realização de mais esta etapa em minha
vida.

v

AGRADECIMENTOS
A Deus, acima de tudo, pela força, proteção e coragem proporcionada;
Ao Curso de Engenharia Agronômica do Centro de Ciências Agrárias da
Universidade Federal de Alagoas- UFAL, pela formação acadêmica;
A Prof. Dra. Lígia Sampaio Reis pela paciência, amizade, dedicação, respeito
orientação que tornou possível a realização deste trabalho;
À minha Tia Veralúcia de Araújo Oliveira e seu esposo e tio de consideração,
Josemar

Raimundo

Oliveira

pelo

carinho,

educação

e

conselhos

que

proporcionaram o meu crescimento pessoal;
Aos colegas de turma Josué Ferreira Junior, Rafael José Cavalcanti, Paulo de
Barros Correia Filho e João Victor Cavalcanti pela amizade sincera e pelo auxílio
na realização do trabalho;
A meu irmão André Soares Barros e meus primos Jefferson Raimundo de
Araújo Oliveira e Joyce Verônica de Araújo Oliveira pelo companheirismo,
paciência e amizade no período no qual morei com cada um deles;
Aos meus queridos vizinhos e amigos Arnon Cassiano, Artur Cirilo, Lívia
Cirilo, Maria Lúcia e Caio Lui pelos momentos de descontração e companhia.
Aos amigos e colegas de turma Jonhclecio Duarte Teixeira, Otávio Couto
Salgado, Éverton Talvanes Barros pela amizade e momentos de lazer e
descontração;
A Dona Maria do Carmo e Seu José Campos dos Santos e Willams Campos
dos Santos pelo carinho, amizade;
Ao Mestrando Renato Araújo pela consideração, ajuda e apoio;
A todos enfim que contribuíram direta e indiretamente para a realização deste
trabalho.

Meus sinceros agradecimentos

vi

Sumário

RESUMO .............................................................................................................................. vii
LISTA DE FIGURAS ............ ............................................................................................... viii
LISTA DE TABELAS................................................................................................................ix
1- INTRODUÇÃO.......... ....................................................................................................... 10
2- REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................................ 12
2.1- Origem da salinização dos solos...................................................................................... 12
2.2- O problema da salinização dos solos .............................................................................. 13
2.3- A importância da cultura do algodão herbáceo e sua relação com a salinidade do solo
.................................................................................................................................................... 13
2.4- Estresse hídrico nas plantas............................................................................................. 14
3- MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................................ 16
3.1- Local do experimento, clima e solo. ................................................................................. 16
3.2- Cultivar................................................................................................................................ 16
3.3- Unidade experimental ....................................................................................................... 16
3.4- Semeadura, Desbaste e irrigação .................................................................................... 16
3.5- Delineamento experimental e tratamentos ...................................................................... 18
4- RESULTADOS E DISCUSSÃO ....................................................................................... 19
5- CONCLUSÕES................................................................................................................ 27
6-REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................. 28

vii

BARROS, J. A. S. 2011. Biomassa das plantas de Algodão (Gossypium
hirsutum L) submetido a diferentes níveis de salinidade e substâncias
húmicas, em ambiente protegido. Trabalho de conclusão de curso (graduação).
Curso de bacharelado em Engenharia Agronômica na unidade acadêmica
CECA/UFAL, Rio Largo-AL, 2011.
RESUMO
A alta concentração de sais na água provoca estresse nas plantas, haja vista
apresentar atividade osmótica retendo a água, além da ação de íons sobre o
protoplasma e o impacto sobre a nutrição mineral das plantas. O objetivo deste
trabalho foi de avaliar o efeito da aplicação de um biofertilizante e desalinizante
contendo substâncias húmicas no solo cultivado com algodoeiro herbáceo irrigado
com água salina. O experimento foi conduzido na unidade acadêmica do
CECA/UFAL. O delineamento experimental foi o inteiramente casualizados, no
esquema fatorial 4x2 e quatro repetições, totalizando trinta e duas parcelas. Os
tratamentos consistiram de quatro níveis de salinidade (S) da água de irrigação:
0,16(testemunha); 4,0; 8,0 e 11,0 dS m-1, combinados com

dois níveis de

substância húmica (N): (N0 = testemunha, sem aplicação do produto e N1=
aplicação de 10 L/ha do produto). A aplicação de substância húmica no solo não
afetou de forma significativa nenhuma das variáveis analisadas. A salinidade da
água afetou a matéria fresca e a matéria seca da parte aérea das plantas de
algodão (p <0,01). A interação entre salinidade e substância húmica afetou de
forma significativa a matéria seca e fresca da parte aérea das plantas de algodão
(p<0,01).

Palavras-chave: Irrigação; substância húmica; Algodão.

viii

LISTA DE FIGURAS

Página

FIGURA 1. Biomassa fresca da parte aérea das plantas de algodão aos 100 21
DAE em função dos quatro níveis de salinidade, com aplicação de
substância húmica no solo (a); sem aplicação de substância húmica no solo
(b).
FIGURA 2. Biomassa Seca da parte aérea das plantas de algodão aos 100 22
DAE em função dos quatro níveis de salinidade, com aplicação de
substância húmica no solo (a); sem aplicação de substância húmica no solo
(b).
FIGURA 3. Número de capulho aos 55 DAE em função dos quatro níveis de 23
salinidade, com aplicação de substância húmica no solo (a); sem aplicação
de substância húmica no solo (b).
FIGURA 4. Número de capulhos aos 100 DAE em função dos quatro níveis 24
de salinidade, com aplicação de substância húmica no solo (a); sem
aplicação de substância húmica no solo (b).

ix

LISTA DE TABELAS

Página

TABELA 1. Resumo de análise de variância para as variáveis: MFPA= 19
matéria fresca da parte aérea; MSPA= matéria seca da parte aérea; NC55
DAE= número de capulho aos 55 dias após a emergência; NC100 DAE=
número de capulho aos 100 dias após a emergência em função da
salinidade da água de irrigação e aplicação de substância húmica.
TABELA 2. Valores médios para as variáveis: matéria fresca da parte 20
aérea (MFPA); matéria seca da parte aérea (MSPA); número de capulho
aos 55 DAE e número de capulho aos 100 DAE em função da aplicação de
substância húmica.
TABELA 3. Equação de regressão relacionada às variáveis: matéria fresca 21
da parte aérea (MFPA); matéria seca da parte aérea (MSPA) em função da
salinidade da água de irrigação.
TABELA 4. Resumo de análise de variância para o desdobramento da 25
substância húmica dentro dos níveis de salinidade.
TABELA 5. Resumo das médias do desdobramento da substância húmica 26
em função dos quatro níveis de salinidade da água de irrigação para as
variáveis: MFPA= matéria fresca da parte aérea; MSPA= matéria seca da
parte aérea; NC 55 DAE= número de capulho aos 55 dias após a
emergência; NC 100 DAE= número de capulho aos 100 dias após a
emergência.

10

1- INTRODUÇÃO

A Salinização dos solos de áreas irrigadas ocorre principalmente pelo uso de
água de irrigação com alta concentração salina, elevação do lençol freático por
causa do manejo inadequado da irrigação, deficiência ou ausência de drenagem
(Gheyi et al., 1997). No Brasil o problema da salinidade dos solos ocorre
principalmente nas regiões semi-áridas do Nordeste que são consideradas áreas
com elevado potencial para exploração da agricultura irrigada. Porém, suas fontes
hídricas possuem normalmente elevados teores de sais, de modo que, o manejo
inadequado do solo e da água resulta, em médio ou longo prazo, em problemas
de salinidade do solo ou na elevação do aqüífero freático a níveis críticos,
(Rhoades et al., 1992; Embrapa, 2002), comprometendo a produtividade agrícola
e o meio ambiente.
A alta concentração de sais na água provoca estresse nas plantas, visto que
apresenta atividade osmótica retendo a água, além da ação de íons sobre o
protoplasma e o impacto sobre a nutrição mineral das plantas (Munns, 2002). A
salinidade afeta a nutrição mineral das culturas reduzindo a atividade dos íons em
solução e alterando os processos de absorção, transporte, assimilação e
distribuição de nutrientes na planta. A interação entre salinidade e nutrição
mineral se torna mais complexa em virtude das diferenças na concentração e na
composição iônica dos meios salinos, ou seja, água e solo (Lacerda, 2005).
Vem sendo utilizado em grande escala por países como Estados Unidos e
Japão um condicionante natural do solo contendo substâncias húmicas, tais como
ácido húmico e ácido fúlvicos, que agem em importantes reações que ocorrem
nos solos, influenciando a fertilidade pela liberação de nutrientes, pela melhoria
das condições físicas e biológicas que podem influenciar no desenvolvimento
radicular e na ativação das bombas de prótons o que poderia ser um dos sinais
primários da ação das substâncias húmicas na absorção de nutrientes pelas
plantas (Canellas et al., 2000).

11

Apesar de conhecida a importância da utilização de coquetéis vegetais na
agricultura, pouco se conhece a respeito das modificações causadas por estes
produtos em solos cultivados com algodoeiro.
Bayer & Mielnickzuc (1999) destacam a importância dos ácidos húmicos e
fúlvicos juntamente com as huminas, que desempenham importante papel no
fornecimento de nutrientes às culturas, retenção de cátions no solo, complexação
de elementos tóxicos e de micronutrientes, estabilidade dos agregados, a qual
interfere na infiltração e retenção de água e aeração do solo e influência na
atividade e biomassa microbiana no solo.
Portanto, este trabalho teve como objetivo avaliar o efeito da aplicação de um
biofertilizante e desalinizante de solo contendo substâncias húmicas no solo
cultivado com algodão herbáceo submetido a diferentes níveis de salinidade da
água de irrigação sobre a biomassa do algodoeiro.

12

2- REVISÃO DE LITERATURA

2.1- Origem da salinização dos solos

A crescente demanda por alimentos tornou o uso da irrigação imperativo em
todo mundo, sobretudo em regiões semi-áridas, como as do Nordeste brasileiro,
onde ocorre deficiência hídrica no solo durante a maior parte do ano. Nessas
áreas a viabilidade do sistema produtivo, em termos de rendimento com qualidade
da produção, é dependente da agricultura irrigada (Viana et al., 2001).
O processo de salinização do solo tem origem através das modificações
causadas por fatores do intemperismo na rocha matriz, envolvendo processos
químicos, físicos e biológicos associados a fatores climáticos, topografia,
microorganismos e tempo. Durante este processo os diversos constituintes das
rochas são liberados na forma de compostos simples. Os minerais primários são
as fontes de sais solúveis em água, os quais são encontrados no solo e nas
rochas da crosta terrestre ou litosfera (Richards, 1954; Santos, 2000).
O excesso de certos elementos químicos no solo, tais como Na+,Ca2+ e Mg2+
causam problemas na salinização dos solos juntamente com alguns ânions
predominantes tais quais Cl-,SO2-4, HCO-3. O solo salino pode conter
concentrações capazes de comprometer significativamente o crescimento e
desenvolvimento das plantas. O material de origem, elevação do lençol freático e
intrusão de água do mar no solo são os principais meios de causa da salinização
dos solos (Ferreira, 2001).
O uso irracional da irrigação por meio de sistemas ineficientes pode provocar
a elevação do lençol freático próximo à superfície associado com sistemas de
drenagem também ineficiente, nisso culmina no acúmulo excessivo de sais na
zona não-saturada, devido à ascensão capilar, processo este denominado de
salinização secundária (Ribeiro et al., 2003).

13

2.2- O problema da salinização dos solos

A salinização de solos tem se imposto como um dos sérios problemas da
agricultura mundial através da história, inclusive estando associada à decadência
de sociedade agrícola, por limitar a produção das culturas e qualidade dos
produtos. Esse processo pode ter causas naturais (salinização primária) ou estar
associado a um manejo inadequado do solo e da água pela ação antrópica
(salinização secundária) trazendo maior impacto econômico, pois ocorre em área
onde se realizou investimentos de capital (Silva et al., 1999).
A salinidade é um problema que atinge cerca de 50 dos 230 milhões de
hectares da área irrigada do globo terrestre, trazendo sérios prejuízos para a
produção agrícola, principalmente nas regiões áridas e semi-áridas, onde cerca
de 30% da área irrigada já se encontram salinizados (Fao, 2002). No Brasil,
aproximadamente nove milhões de hectares são afetados pela presença de sais,
cobrindo sete Estados (Gheyi & Fageria, 1997).
Assim, o uso de água salina na irrigação de produtos agrícolas deve ser
viabilizado, e em diversos países, graças à adoção de práticas adequadas de
manejo da cultura, do solo e da água de irrigação, essa alternativa vem sendo
implantada com sucesso (Rhoades et al.,2000).

2.3- A importância da cultura do algodão herbáceo e sua relação com a
salinidade do solo

A cultura do algodão herbáceo (Gossypium hirsutum L. raça latifolium Hutch.)
no semi-árido nordestino foi e continua sendo uma das principais atividades do
meio rural, em especial dos pequenos e médios produtores. A região Nordeste já
chegou a ter plantado mais de um milhão de hectares com este tipo de algodão,
como na safra 1984/85 tendo, 188.000 ha plantados na região, principalmente nos
estados da Bahia (55.000 ha), Ceará (29.000) e Alagoas (21.000 ha) com plena
possibilidade de crescimento e desenvolvimento, via programas de recuperação

14

desta cultura no semi-árido de todos os Estados que compõem a referida região
(Embrapa, 2003).
Embora seja considerada uma cultura tolerante, o algodoeiro pode sofrer
reduções substanciais no seu crescimento e na produção quando exposta à
condição de salinidade (Jácome et al.,2003). Respostas à salinidade, contudo,
variam com genótipo e com o estádio de desenvolvimento da cultura (Gheyi,
1997; Queiroz e Büll, 2001).
O algodoeiro (Gossypium hirsutum L.) é classificado como uma cultura
tolerante à salinidade, e segundo Ayers & Westcot (1999) sua Salinidade Limiar
(SL) é de 7,7 dS m-1 ,ou seja, as plantas de algodão toleram uma concentração
salina na água de irrigação de 7,7 dS m-1 sem que haja decréscimo significativo
na produção, embora possa afetar o seu crescimento.
Segundo Sevilha et al. (2008) plântulas de algodão variedade BRS 200, BRS
rubi, BRS Verde e BRS safira, submetidas ao estresse salino apresentaram
queda no crescimento tanto na raiz quanto na parte aérea. Este resultado sugere
que o aumento na salinidade da água diminuiu o potencial osmótico da solução
do solo, dificultando a absorção de água pelas raízes, além de ter havido acúmulo
de Na+ e Cl- nas folhas, que são intensificados à medida que o estresse é
prolongado afetando os processos fisiológicos da planta.
Lima & Santos Filho et al.( 2007) avaliando a influência da água salina nas
características físico-químicas do solo, verificaram que os seis níveis de
salinidade da água de irrigação determinados para o estudo (0,5; 1,0; 1,5; 2,0; 2,5
e 3,0 dS m-1) afetaram de forma significativa o solo classificado como Latossolo
Vermelho Amarelo Eutrófico.
2.4- Estresse hídrico nas plantas

O estresse hídrico é o tipo mais comum em plantas e geralmente é associado
à deficiência de umidade no solo, sendo o murchamento de folhas a maior
evidência. Nas células, quando o suprimento de água é inadequado aos
requeridos pelas plantas ou quando as plantas estão em ambientes salinos, o
componente do potencial de pressão do protoplasto sobre a parede celular

15

decresce, resultando diminuição da pressão de turgor, afetando o crescimento
celular (Taiz & Zeiger, 2009).
O estresse hídrico em plantas de ambiente salino resulta no afrouxamento
das paredes celulares, ou seja, ocorre uma contração nas células (flacidez)
ocasionada pela diminuição no conteúdo de água. Este decréscimo do volume
celular conduz à menor pressão de turgor e consequente concentração de solutos
nas células. Este efeito é o mais precoce e significativo efeito ocasionado pelo
estresse hídrico, afetando atividades tais como expansão foliar e o alongamento
de raízes que se tornam as mais prejudicadas (Taiz & Zeiger, 2009). Segundo
Taiz & Zeiger (2009), a inibição da expansão foliar provoca lentidão no processo
de crescimento foliar assim que se estabelece o déficit hídrico, já que o
crescimento foliar depende da expansão celular. Com isso, as plantas terão um
menor desenvolvimento, taxa de transpiração e área exposta à captação de
radiação menor, e conseqüente diminuição de seu potencial fotossintético e
produtividade.
Com a maior dificuldade em absorver água do solo pela planta, o seu
potencial hídrico diminui, desencadeando alterações de uma série de funções
celulares conforme o valor de potencial atingido. Quando o estresse hídrico é
severo ou quando a área foliar plena da planta é atingida, a planta produz uma
quantidade elevada de ácido abscísico (ABA) antes do início do estresse,
ocorrendo então o fechamento estomático como forma de reduzir a perda de água
por transpiração (Taiz & Zeiger, 2009).

16

3- MATERIAL E MÉTODOS

3.1- Local do experimento, clima e solo.

O experimento foi conduzido em casa de vegetação do Centro de Ciências
Agrárias da Universidade Federal de Alagoas, localizado na BR 104 Norte, km 85,
município de Rio Largo, Estado de alagoas. O solo é classificado como Latossolo
Vermelho Amarelo Distrófico (LVd05) (EMBRAPA,2006).
3.2- Cultivar

Foram utilizadas sementes de algodoeiro herbáceo, cultivar BRS 187 CNPA
8H, lançado para as condições do Nordeste, que apresenta ciclo precoce
(aproximadamente 120 a 130 dias) com produtividade média de 3000 kg/ha e
resistente a broca da raiz (Eutinobothrus brasiliensis Hanabol).
3.3- Unidade experimental

A unidade experimental foram vasos de polietileno com capacidade para 10
dm-³ contendo 8 kg de solo seco e previamente peneirado. Os vasos receberam
seis sementes de algodão, depois realizou-se o desbaste onde deixaram-se 2
plantas por vaso.

3.4- Semeadura, Desbaste e irrigação

No início do experimento, o solo de cada unidade foi elevado à capacidade de
campo; para isso, os vasos foram saturados com água destilada, envolvidos
individualmente com plástico, de forma a forçar a perda de água apenas por
drenagem (Gervásio, 2000). Cessada a drenagem, os vasos foram pesados e a
partir dos valores médios do peso dos vasos, determinou-se a capacidade de
campo. Logo após o final da drenagem, realizou-se à semeadura. A irrigação foi

17

feita diariamente até ser efetuado o desbaste. A partir do desbaste, a irrigações
passaram a ser realizadas em intervalos de dois dias (Turno de Rega). Os vasos
foram pesados antes das irrigações, de acordo com cada tratamento. Os volumes
de água utilizados para reposição de cada vaso, para cada tratamento, foram
obtidos a partir da quantidade de água evapotranspirada diariamente em cada
tratamento, que foi determinada a partir da seguinte equação (1):
ET = I – D

(1)

Onde,
ET é a evapotranspiração diária da cultura,
I é a quantidade de água aplicada,
D é a quantidade de água drenada.
A relação da condutividade elétrica da solução com as concentrações de
NaCl, determinada a partir da equação (2):
TSD = (CEe – CEa) x 0,64
Onde:
TSD = totais de sais dissolvidos, em g/l-1;
CEe = condutividade elétrica estimada por tratamento;
CEa = condutividade elétrica da água usada para irrigação;
0,64 = constante.

(2)

18

3.5- Delineamento experimental e tratamentos

O delineamento experimental foi o inteiramente casualisado em esquema
fatorial 4x2 com quatro repetições, totalizando trinta e duas parcelas. Os
tratamentos consistiram de quatro níveis de salinidade (S) da água de irrigação:
0,16 (testemunha), 4,0; 8,0 e 11,0 dS m-¹), combinados com dois níveis de um
condicionador de solo contendo substâncias húmicas, apresentando ação
biofertilizante denominado BIOSOLLI 25, que contém ácidos húmicos e ácidos
fúlvicos (N): (N0 = testemunha, sem aplicação do produto e N1= aplicação de
10L/ha-1). A ação do BIOSOLLI 25 tem efeito estabilizante e desalinizante no
solo, estimulando o enraizamento das plantas e facilitando a absorção de
nutrientes. Os níveis de salinidade foram definidos a partir da Salinidade Limiar
para a cultura do Algodão (7,7 dS m-1), com dois valores abaixo (0,16 e 4,0 dS m1

) e acima (8,0 e 11 dS m-1) da Salinidade Limiar, sendo o 0,16 dS m-1

considerada água sem adição de sal.
As variáveis analisadas foram: matéria fresca e matéria seca da parte aérea e
número de capulhos fresco e seco aos 55 e 100 DAE cultivado com algodoeiro
BRS 187 CNPA 8H ao final de um ciclo de cerca de 100 dias.
Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância pelo teste “F” e
regressão polinomial. Para o fator salinidade aplicadas no solo, por ser qualitativo,
aplicou-se

o

teste

de

Tukey

para

comparação

de

médias.

19

4- RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na tabela 1, podem ser observados os resumos de análise de variância para
a matéria fresca da parte aérea, matéria seca da parte aérea, número de
capulhos aos 55 e 100 dias após a emergência. Como pode ser observado para
estas variáveis em função da aplicação de substância húmica não foram
observadas diferenças significativas. Já para os fatores salinidade e interação
entre substância húmica e salinidade, para as variáveis matéria fresca e matéria
seca da parte aérea houve significância, já para número de capulho aos 55 e 100
dias após a emergência (DAE) em função da salinidade da água de irrigação e
interação entre substância húmica e salinidade não foram observadas diferenças
significativas.

Tabela 1. Resumo de análise de variância para as variáveis: MFPA= matéria
fresca da parte aérea; MSPA= matéria seca da parte aérea; NC55 DAE= número
de capulho aos 55 dias após a emergência; NC100 DAE= número de capulho aos
100 dias após a emergência em função da salinidade da água de irrigação e
aplicação de substância húmica.
Fonte de Variação

G.L

Quadrados Médios
MFPA

MSPA

NC55DAE NC100DAE

Subs.Húmica (SH)

1

1,5312ns

1,5312ns

2,53ns

0,031ns

Salinidade (S)

3

665, 94**

33, 44**

1,78ns

0,114ns

Interação SH x S

3

25, 36**

3, 61**

0,86ns

0,19ns

Erro

24

1,2395

0,9062

1,2395

0,3854

Total corrigido

31
3,41

8,80

26,79

28,79

C.V (%)

** =significativo a 1% de probabilidade pelo teste F
ns= não significativo

20

Na tabela 2 encontram-se os valores médios para as variáveis matéria fresca
da parte aérea; matéria seca da parte aérea; número de capulho aos 55 e 100
dias após a emergência em função da aplicação de substância húmica no solo.
Pode-se observar que para todas as variáveis analisada não houve significância
para a aplicação de substância húmica no solo. Para a matéria fresca e matéria
seca da parte aérea e número de capulhos aos 100 DAE, os valores médios
observados foram próximos.

Tabela 2- Valores médios para as variáveis: matéria fresca da parte aérea
(MFPA); matéria seca da parte aérea (MSPA); número de capulho aos 55 DAE e
número de capulho aos 100 DAE em função da aplicação de substância húmica
no solo.
Médias

Sem Subs. húmica
Com subs. húmica

MFPA

MSPA

32,87 a
32,43 a

10,93 a
10,50 a

NC55DAE NC100DAE

4,43 a
3,80 a

2,18 a
2,12 a

Médias seguidas de mesma letra minúsculas nas colunas, não diferem entre si pelo teste de
Tukey.

Na tabela 3, encontram-se as equações de regressão polinomial para o fator
salinidade (quantitativo). Pode-se observar que para a variável matéria fresca e
matéria seca da parte aérea efeito cúbico em função da salinidade de água de
irrigação. As variáveis, número de capulho aos 55 e 100 dias após a emergência
não foram afetadas de forma significativa pela salinidade da água. Com o
aumento na concentração salina na água de irrigação houve aumento significativo
na MFPA tanto para as plantas que receberam e para as que não receberam
aplicação de substância húmica no solo (Figura 1 a e b). Segundo Pereira et al.
(2004), esse tipo de comportamento pode ser considerado como uma estratégia
adaptativa ao meio salino. Meloni et al. (2001), verificaram decréscimos no
potencial osmótico, em duas cultivares de algodão submetidas a estresse salino,
observando que essa redução possibilitou a continuidade do processo de
absorção de água pelas raízes.

21

Tabela 3. Equação de regressão relacionada às variáveis matéria fresca da parte
aérea (MFPA); matéria seca da parte aérea (MSPA), em função da salinidade da
água de irrigação.
Variável

Unidade de Y

Equações

R²

MFPA

g planta-1

Y=22,47 + 3,53x - 0,63 x² + 0,04 x³

0,99

MSPA

g planta-1

Y=9,77 – 1,13 x - 0,25 x² + 0,01 x³

1

Figura 1. Biomassa fresca da parte aérea das plantas de algodão aos 100
DAE em função dos quatro níveis de salinidade, com aplicação de substância
húmica no solo (a); sem aplicação de substância húmica no solo (b).

Na figura 2 a e b, verifica-se que com o aumento nos níveis de salinidade da
água de irrigação, há acréscimo linear de 5,45 e 7,01% na matéria seca da parte
aérea das plantas de algodão com e sem aplicação de substância húmica,
respectivamente. Este resultado difere do encontrado por Lima et al.(2007) que
observaram, em estudos com feijão caupí, decréscimo linear na matéria seca da
parte aérea à medida que se aumentou a salinidade da água, verificando redução
expressiva a partir do segundo nível salino (2,13 dS m-1), diminuindo em 22,60%
em relação ao tratamento testemunha.

22

Figura 2. Biomassa seca da parte aérea das plantas de algodão aos 100
DAE em função de quatro níveis de salinidade, com aplicação de
substância húmica (a); sem aplicação de substância húmica (b).

Na figura 3 a, pode-se notar que há incremento no número de capulhos
aos 55 DAE, para as plantas que receberam substância húmica no solo em
função do aumento nos níveis de salinidade (incremento de 3,86% para o
aumento unitário da condutividade elétrica da água). Na figura 3 b, nota-se
que ocorre leve decréscimo no número de capulhos para o aumento nos
níveis de salinidade até o nível 3, tendo porém, no nível 4, ocorrido leve
acréscimo. Este resultado diverge do encontrado por Junior et al.(2005) que
observaram decréscimo linear no número de capulhos com o aumento da
concentração salina da água de irrigação, para a cultura do algodão
colorido BRS.

23

Figura 3. Número de capulhos aos 55 DAE em função dos quatro níveis de
salinidade, com aplicação de substância húmica no solo (a); sem aplicação
de substância húmica no solo(b).

Na figura 4 a, pode-se observar que o número de capulhos aos 100 DAE
para as plantas que receberam substância húmica no solo sofreu uma leva
redução após o nível 1 de salinidade, passando de 2,0 g para 1,62,
respectivamente para o nível 3,e ocorrendo leve acréscimo para o nível 4
de salinidade, passando para 2,0 g. Conforme a figura 4 b, o número de
capulhos para as plantas que não receberam substância húmica no solo
decrescer de acordo com o aumento nos níveis de salinidade, passando de
2,0 g no nível 1, para 1,87 nos níveis 2,3 e 4, respectivamente.

24

Figura 4. Número de capulhos aos 100 DAE em função dos quatro níveis
de salinidade, com aplicação de substância húmica no solo (a); sem
aplicação de substância húmica no solo (b).

Na tabela 4, encontram-se o resumo da análise de variância para o
desdobramento da substância húmicas dentro de cada nível de salinidade
da água de irrigação. A Substância húmica interferiu de forma significativa
dentro dos níveis de salinidade 1,2 e 4, já dentro do nível de salinidade 3
não foi verificada diferença estatística. Para a matéria fresca da parte aérea
das plantas de algodão. Para a matéria seca da parte aérea, a substância
húmica afetou de forma significativa apenas dentro do nível de salinidade 1.
Para o número de capulhos tanto aos 55 como aos 100 DAE, não foram
verificadas diferenças significativas da substância húmica dentro de cada
um dos quatro níveis de salinidade da água de irrigação.

25

Tabela 4. Resumo de análise de variância para o desdobramento da
substância húmica dentro dos níveis de salinidade.
Quadrados médios
F.V

GL

MFPA

MSPA

NC 55 DAE

NC100DAE

Subs. Húmica
dentro da Sal. 1

1

50,0**

8,00**

4,50ns

0,12ns

Subs. húmica
dentro da Sal. 2

1

8,0**

1,12ns

0,00ns

0,00ns

Subs.húmica
dentro da Sal. 3

1

4,5ns

0,12ns

0,12ns

0,00ns

Subs.húmica
dentro da Sal. 4

1

15,12**

3,12ns

0,50ns

0,50ns

Erro

24

1,23

0,90

1,23

0,38

**= Significativo (< 0,01) ns= não significativo

Na tabela 5, encontram-se o resumo das médias do desdobramento da
substância húmica em função dos quatro níveis de salinidade. Pode-se observar
que para a MFPA que houve diferenças significativas nas salinidades 1,2 e 4. Os
valores médios de MFPA foram maiores para as plantas que não receberam
substância húmica no solo nos níveis de salinidade 1 e 2, já no nível de salinidade
4, o maior valor de matéria fresca foi verificado para as plantas que receberam
substância húmica no solo. Para a MSPA, houve diferenças significativa apenas
para o nível de salinidade 1, tendo o maior valor médio observado nas plantas
que não receberam substância húmica no solo. Para os níveis de salinidade 2, 3 e
4 não foram observadas diferenças significativas em função da substância
húmica. Tanto para o número de capulhos aos 55 quanto aos 100 DAE, não
foram observadas diferenças significativas nos quatros níveis de salinidade em
função da substância húmica, e os valores médios no número de capulhos foram
próximos.

26

Tabela 5. Resumo das médias do desdobramento da substância húmica em
função dos quatro níveis de salinidade da água de irrigação para as variáveis:
MFPA= matéria fresca da parte aérea; MSPA= matéria seca da parte aérea; NC
55 DAE= número de capulho aos 55 dias após a emergência e NC 100 DAE=
número de capulho aos 100 dias após a emergência.
Médias para MFPA (g)
Salinidade 1

Salinidade 2

Salinidade 3

Salinidade 4

Com SH

20,75 a

28,25 a

32,50 a

46,25 b

Sem SH

25,75 b

30,25 b

34,00 a

43,50 a

Médias para MSPA (g)
Salinidade 1

Salinidade 2

Salinidade 3

Salinidade 4

Com SH

8,75 a

8,25 a

11,00 a

12,75 a

Sem SH

10,75 b

9,00 a

11,25 a

14,00 a

Médias para NC 55 DAE
Salinidade 1

Salinidade 2

Salinidade 3

Salinidade 4

Com SH

2,75 a

4,25 a

4,50 a

4,00 a

Sem SH

4,25 a

4,25 a

4,75 a

4,50 a

Médias para NC 100 DAE
Salinidade 1

Salinidade 2

Salinidade 3

Salinidade 4

Com SH

2,25 a

2,25 a

2,00 a

2,00 a

Sem SH

2,00 a

2,25 a

2,00 a

2,50 a

Médias seguidas de mesma letra minúsculas nas colunas não diferem estatisticamente entre si
pelo teste de Tukey.

27

5- CONCLUSÕES

1- A aplicação da substância húmica no solo não afetou nenhuma das
variáveis estudadas;
2- A salinidade na água de irrigação interferiu de forma significativa na
Biomassa fresca e seca da parte aérea das plantas de algodão ao final do ciclo
experimental, que aumentaram de acordo com o aumento na salinidade da água;
3- A interação entre tratamentos (substância húmica) e níveis de salinidade
influenciou de forma significativa a matéria fresca e a matéria seca da parte aérea
das plantas de algodão, e não influenciou de forma significativa o número de
capulhos tanto aos 55 como aos 100 DAE.

28

6-REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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