Kleyton D S Costa

Arquivo
KLEYTON DANILO DA SILVA COSTA.pdf
Documento PDF (173.9KB)
                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

EFEITO DE DIFERENTES ESPAÇAMENTOS ENTRE LINHAS NO
DESEMPENHO DE GENÓTIPOS DE MILHO (Zea mays L.) NO MUNICÍPIO DE
RIO LARGO-AL.

KLEYTON DANILO DA SILVA COSTA

RIO LARGO
ESTADO DE ALAGOAS
2011

KLEYTON DANILO DA SILVA COSTA

EFEITO DE DIFERENTES ESPAÇAMENTOS ENTRE LINHAS NO
DESEMPENHO DE GENÓTIPOS DE MILHO (Zea mays L.) NO MUNICÍPIO DE
RIO LARGO-AL.

Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao Centro de Ciências
Agrárias como parte dos requisitos
para

obtenção

do

título

de

Engenheiro Agrônomo.

Orientador: Professor Dr. José
Wilson da Silva

RIO LARGO
ESTADO DE ALAGOAS
2011

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
COORDENAÇÃO DE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
ATA DE REUNIÃO DE BANCA EXAMINADORA DE DEFESA DE TRABALHO
DE CONCLUSÃO DE CURSO
Aos 20 (vinte) dias do mês de Dezembro do ano de 2011, às 13h00min, sob a Presidência do
Professor Dr. JOSÉ WILSON DA SILVA, em sessão pública na sala de Reunião do SMGP, na
Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias, km 85 da BR-104 norte, Rio Largo, AL, reuniuse a Banca Examinadora de defesa do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) “EFEITO DE

DIFERENTES ESPAÇAMENTOS ENTRE LINHAS NO DESEMPENHO DE
GENÓTIPOS DE MILHO (Zea mays L.) NO MUNICÍPIO DE RIO LARGO-AL.”, do

aluno KLEYTON DANILO DA SILVA COSTA, sob matrícula 2008G0220, requisito
obrigatório para conclusão do Curso de Agronomia, assim constituída: Prof. Dr. JOSÉ WILSON
DA SILVA, BOLSISTA DCR/CNPQ/FAPEAL (Orientador), Prof. Dr. PAULO VANDERLEI
FERREIRA, FIT/CECA/UFAL e Eng. Agr. JOSÉ PEDRO DA SILVA, CECA/UFAL. Iniciados os
trabalhos, foi dado a cada examinador um período máximo de 30 (trinta) minutos para a arguição
ao candidato. Terminada a defesa do trabalho, procedeu-se o julgamento final, cujo resultado foi o
seguinte, observada a ordem de arguição: Prof. Dr. JOSÉ WILSON DA SILVA, nota _____
(___________), Prof. Dr. PAULO VANDERLEI FERREIRA, nota _____ (___________) e Eng.
Agr. JOSÉ PEDRO DA SILVA, nota _____ (___________). Apuradas as notas, o candidato foi
considerado _________________, com média geral _____ (___________). Na oportunidade o
candidato foi notificado do prazo máximo de 30 (trinta) dias, a partir desta data, para entrega à
Coordenação do Trabalho de Conclusão de Curso, devidamente protocolada, da versão definitiva
do trabalho hoje defendido, em 04 (quatro) vias, impressas e encadernadas e uma cópia digitalizada
em CD com as correções sugeridas pela Banca, sem o que esta avaliação se tornará sem efeito,
passando o aluno a ser considerado reprovado. Nada mais havendo a tratar, os trabalhos foram
encerrados para a lavratura da presente ATA, que depois de lida e achada conforme, vai assinada
por todos os membros da Banca Examinadora, pelo Coordenador do Trabalho de Conclusão de
Curso (TCC) e pelo Coordenador do Curso de Agronomia do Centro de Ciências Agrárias, da
Universidade Federal de Alagoas. Rio Largo/AL, 20 de Dezembro de 2011.
1º Examinador

_________________________________________________
Prof. Dr. José Wilson da Silva

2º Examinador

_________________________________________________
Prof. Dr. Paulo Vanderlei Ferreira

3º Examinador

_______________________________________________
Eng. Agr. José Pedro da Silva

Coordenador do TCC

_________________________________________________
Profª. Drª Roseane Cristina Prédes Trindade

Coordenador do Curso de Agronomia

_________________________________________________
Profª Drº Leila de Paula Resende

Aos meus pais, Gilberto da Costa Ferreira e Maria Selma da Silva Costa; Aos meus avós
Cícero dos Santos e Zélia Maria da Silva Santos; A minha namorada Rosana Candido de
Magalhães, que confiaram em mim, e não mediram esforços quando mais precisei durante
minha caminhada, não só em meus estudos, como nos outros ramos de minha vida...
.
...A todos que fizeram parte desta vitória, amigos, técnicos, professores, orientadores, que
se dedicaram junto a mim para realização do meu sonho e para criar momentos que
jamais esquecerei.

DEDICO

III

A todas as pessoas que estiveram me apoiando e me criticando, pois foram necessárias
para meu crescimento, tanto profissional quanto pessoal, tornando este sonho possível.

OFEREÇO

IV

AGRADECIMENTOS
Primeiramente, agradeço a Deus pai todo poderoso criador do céu e da terra,
juntamente com a intercessão de sua mãe Maria, que sempre meu deu forças, iluminado
sempre meu caminho, principalmente quando mais precisei.
À Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e a Unidade Acadêmica Centro de
Ciências Agrárias (U.A.CECA), pelo cumprimento do seu papel social na formação de
profissionais atuantes em Alagoas e em outros estados do Brasil.
Aos meus pais e avós, pelo seu grande amor por mim, por sempre investir em
minha educação e de minha irmã, fazendo de tudo para me dar todas as coisas que podiam.
A minha namorada Rosana Candido de Magalhães por toda compreensão, carinho e
amor incessante.
Ao meu tio e ex-professor Gerson da Costa Ferreira, que despertou em mim o
interesse pelas Ciências Agrárias, seus ensinamentos na horta da Escola Agrotécnica
Federal de Satuba, sempre vou guardar com muito amor e carinho (in memoriam).
A todos os amigos da equipe do Setor de Melhoramento Genético de Plantas da U.
A. CECA/UFAL: Ronaldo Bernadino; José Pedro, Carlos Jorge, Alonso Barros, Lucas
Medeiros, Lucas Santos, Alysson Jalles, Anderson Tenório, Everton Almeida, Felipe de
Oliveira, Jackson Veríssimo, Paulo Ricardo, Samuel França, Islan Diego, Lud´milla
Dorville, Lydayane Lílas, Jackson Silva, Jadson Teixeira, Moises Silva, Támires
Cavalcante, Paul Lineker; juntamente a meus grandes amigos Klebson Santos Brito da
Agrometeorologia e Fellipe Pereira Rodrigues do Instituto de Química e Biotecnologia; e
ao funcionário Luiz Leão; a todos pelos momentos inesquecíveis, de carinho, amizade, e
união.
A todos os professores não só do Centro de Ciências Agrárias, mais de outras
unidades acadêmicas em que fiz parceria; e aos técnicos administrativos que me ajudaram
nesta caminhada, principalmente Cícero Alexandre e Jorge Cunha.
Ao professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Alagoas –
IFAL, José Antônio da Silva Madalena, pelos incentivos a carreira acadêmica e sua
amizade.
Ao professor Paulo Vanderlei Ferreira por me dar à oportunidade de fazer parte
desta maravilhosa equipe, pelo seu companheirismo, paciência, humildade, respeito e
amizade. Por contribuir com o desenvolvimento da sociedade através da educação, sempre
investindo em recursos humanos, principalmente em seus estagiários, bolsistas e
V

monitores; e pelas vezes que foi compreensivo comigo em momentos decisivos de minha
jornada acadêmica.
Ao professor Jair Tenório Cavalcante pelas orientações prestadas durante meu
estágio no setor, agradeço bastante, pois sempre que precisei se mostrou disponível.
Ao professor José Wilson da Silva, por ter acreditado não só em mim, como em
meus amigos. Deixo o meu muito obrigado pelas tardes de treinamentos que tivemos.
Agradeço por toda motivação que me deu, despertando em mim espirito de pesquisador,
sendo um professor diferenciado em minha formação, e pessoalmente um grande amigo
que levarei para o resto da vida.

VI

SUMÁRIO
DEDICATÓRIA .......................................................................................... ....................III
OFERECIMENTO............................................................................................. ..............IV
AGRADECIMENTOS...................................................................................................... V
SUMÁRIO..........................................................................................................................VII
LISTA DE TABELAS......................................................................................................VIII
RESUMO ............................................................................................ .............................IX
1. INTRODUÇÃO . ................................................................................................................1
2. REVISÃO DE LITERATURA................................................................................ .......3
2.1. Considerações gerais.......................................................................................................3
2.2. Importância socioeconômica...........................................................................................4
2.3. Melhoramento genético da cultura do milho...................................................................5
2.3.1. Espaçamento entre linhas.............................................................................................6
3. MATERIAIS E MÉTODOS..............................................................................................9
3.1. Local e ano do experimento............................................................................................9
3.2. Genótipos avaliados........................................................................................................9
3.3. Delineamento experimental.............................................................................................9
3.4. Manejo cultural adotado................................................................................................10
3.5. Caracteres avaliados......................................................................................................11
3.6. Análise estatística do experimento................................................................................11
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO.....................................................................................12
5. CONCLUSÃO..................................................................................................................16
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................................17

VII

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Análise química do solo da área experimental da U. A.
CECA/UFAL, antes da instalação do experimento, Rio LargoAL, 2011....................................................................................10
Tabela 2 - Esquema das análises de variância para as variáveis avaliadas no
desempenho de genótipos de milho em diferentes espaçamentos
entre linhas, Rio Largo-Al, 2011...............................................11
Tabela 3 - Resumo das análises de variância e coeficientes de variação para
as variáveis avaliadas aos 130 dias após o plantio no
desempenho de genótipos de milho em diferentes espaçamentos
entre linhas, Rio Largo - AL, 2011............................................12
Tabela 4 - Médias das cinco variáveis avaliadas em quatro genótipos de
milho aos 130 dias após o plantio, Rio Largo-AL, 2011...........13
Tabela 5 - Médias das cinco variáveis avaliadas em dois espaçamentos
entre linhas aos 130 dias após o plantio, Rio Largo-AL,
2011............................................................................................14

VIII

RESUMO
COSTA, K. D. S. EFEITO DE DIFERENTES ESPAÇAMENTOS ENTRE LINHAS
NO DESEMPENHO DE GENÓTIPOS DE MILHO (Zea mays L.) NO MUNICÍPIO
DE RIO LARGO-AL. (Trabalho de Conclusão de Curso).
Este trabalho teve por objetivo avaliar o efeito de diferentes espaçamentos entre linhas no
desempenho de genótipos de milho. Avaliaram-se quatro genótipos de milho: Viçosense,
Branca e Rio Largo, provenientes do Setor de Melhoramento Genético de Plantas do
CECA/UFAL, e a variedade comercial BR 106 desenvolvida pela Embrapa, em dois
espaçamentos entre linhas, um mais adensado com 0,6m x 0,2m estabelecendo uma
densidade populacional de aproximadamente 83.333 plantas/ha, e um mais amplo, com
1,0m x 0,2m estabelecendo uma densidade populacional de 50.000 plantas/ha. Foi
utilizado o delineamento em blocos ao acaso no esquema fatorial com três repetições. As
parcelas experimentais foram constituídas por cinco fileiras de 5m de comprimento
espaçadas de acordo com os dois espaçamentos entre linhas propostos, onde foram
utilizadas para as coletas dos dados as três fileiras centrais. No manejo da cultura, foram
realizadas as operações de: aração, gradagem, adubação de fundação e de cobertura,
desbaste, capina manual e aplicação de inseticida. Por ocasião da colheita, aos 130 dias
após o plantio, determinou-se as variáveis: comprimento de espigas, diâmetro de espigas,
número de fileiras por espiga, peso de cem grãos e rendimento de grãos. O espaçamento
entre linhas de 1,0m apresentou melhor desempenho para a maioria dos componentes
produtivos avaliados, exceto para rendimento de grãos, onde este espaçamento conferiu um
rendimento médio de 4,76 t.ha-1, diferindo da produtividade no espaçamento de 0,6m entre
linhas, que teve rendimento médio de 7,98 t.ha-1. Os genótipos Viçosense (4,62cm), Branca
(4,53cm) e BR 106 (4,69cm), apresentaram maiores diâmetros de espigas, diferindo
significativamente do genótipo Rio Largo (4,21cm); para a variável número de fileiras de
grãos, apenas o genótipo BR 106 obteve maior rendimento com aproximadamente 14
fileiras; e referente à variável rendimento de grãos, os genótipos avaliados (6,37 t.ha-1)
obtiveram desempenho dez vezes superior à média do estado de Alagoas (0,6 t.ha-1).

Palavras-chave: Densidade populacional, produtividade, rendimento de grãos.

IX

1- INTRODUÇÃO
A cultura do milho, em função do seu alto potencial de produção, composição química
e valor nutricional, constitui, atualmente, um dos mais importantes cereais cultivados e
consumidos no mundo (SOARES, 2010).
No Brasil, o milho responde por cerca de 37% da produção nacional de grãos. Seus
grãos podem ser utilizados para produção de açúcares especiais, dextrinas, colas, fabricação
de óleos, para a alimentação humana e de animais. Além disso, tem uma enorme importância
social, pois é cultivado praticamente em todo território nacional e em diversos níveis de
tecnologia, sendo uma comoditie exportada principalmente na forma de proteína animal
(PALHARES, 2003).
Atualmente os Estados Unidos é o maior produtor deste cereal, com 40,67% dos 835
milhões de toneladas produzidas mundialmente e com produtividade média de 10 t.ha-1,
produzindo 2,1 vezes mais que a china, segundo maior produtor, e 5,94 vezes mais que o
Brasil, terceiro maior produtor (CONAB, 2010). Mesmo assim a produtividade brasileira é
relativamente baixa, sendo está relacionada a vários fatores, dentre os quais se destacam:
nutrição do milho, densidade populacional e arranjo das plantas (CRUZ et al., 2008;
MATOSO, 2011). Em 2009/2010, a produtividade média de milho no Brasil foi de 4.41 t.ha-1
na primeira safra, e na segunda safra, conhecida como safrinha, teve produtividade média de
4.23 t.ha-1 (CONAB, 2010).
No estado de Alagoas, a produtividade média de grãos de milho é uma das mais baixas
do País, girando em torno de 0,6 t.ha-1, todavia, em estados do Sul, Sudeste e Centro Oeste do
Brasil, encontram-se as maiores produtividades, próximas a média do país, sendo comum
entre os produtores mais tecnificados produtividades acima de 8,0 t.ha-1. A baixa
produtividade do milho no estado de Alagoas deve-se, dentre outros fatores limitantes, à
utilização de cultivares com baixo potencial produtivo e/ou baixa adaptabilidade quanto ao
solo e clima, e de baixas densidades de semeadura (30 a 35 mil plantas por hectare). Estas
observações refletem o baixo nível tecnológico do produtor e a falta de políticas agrícolas de
incentivo à produção e extensão no estado (MADALENA et al., 2009).
Pesquisas recentes têm demonstrado que a redução do espaçamento entre linhas tem
contribuído para o aumento da produtividade (GROSS, 2005; BORGHI e CRUSCIOL, 2007).
O adensamento de plantas de milho se dá devido à maior eficiência na interceptação e
utilização da radiação solar, assim incrementando o rendimento de grãos (SANGOI, 2000).
1

Dentre os diversos fatores que influenciam na produtividade da cultura, a busca pelo
melhor arranjo na distribuição das plantas de milho é de grande importância. Segundo Sangoi
(2000), plantas espaçadas de forma equidistante competem minimamente por nutrientes, luz e
outros fatores. Ao definir o melhor arranjo das plantas na área, a escolha da cultivar também
deve ser considerada (MUNDSTOCK, 1977).
Portanto, avaliar genótipos de milho em diferentes espaçamentos entre linhas se faz
necessário, uma vez que os genótipos disponíveis no estado de Alagoas são cultivados em
espaçamentos mais amplos. Isso favorece a adoção de um arranjo que permite distribuir mais
uniformemente as plantas na área, proporcionando assim, o aumento de produtividade
(ALVAREZ et al., 2006).
Diante do contexto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar o efeito de
diferentes espaçamentos entre linhas no desempenho de genótipos de milho no município de
Rio Largo-AL.

2

2 - REVISÃO DE LITERATURA

2.1- Considerações gerais
O milho é uma monocotiledônea da família Poaceae, subfamília Panicoideae, tribo
Maydea, subtribo Tripsacinae, gênero Zea, espécie Zea mays (GOODMAN e SMITH, 1980;
BRESOLIN e PONS, 1983; FORNASIERI FILHO, 1992). É uma das poucas plantas
econômicas nativas das Américas. É planta herbácea, anual, com um ciclo completo entre
quatro a cinco meses.
Possui um caule do tipo colmo, constituído de nós e entrenós. Em torno desse caule, as
folhas se distribuem na forma chamada dística, dispostas alternadamente, para um lado e para
outro diametralmente oposto. Os limbos foliares são geralmente longos, largos e planos, e
mantido em ângulos aproximadamente retos com o colmo, por uma forte nervura central
(GOODMAN e SMITH, 1980; FORNASIERI FILHO, 1992).
Apresenta sistema radicular típico das gramíneas, do tipo fasciculado ou em
“cabeleira“, podendo atingir 1,5 a 3,0 m de comprimento, concentrados nos primeiros 30 cm
de profundidade, o que pode explicar sua reduzida tolerância à deficiência hídrica
(FORNASIERI FILHO, 1992). Também apresenta raízes adventícias que auxiliam na
sustentação da planta e pode ajudar na absorção de nutrientes.
Segundo Toledo (1980), o milho é uma planta monóica, apresentando flores
masculinas dispostas em panículas apicais e flores femininas em espigas laterais. Essa
característica de monoicia evoluiu através do aborto dos órgãos pistilados na inflorescência
masculina e dos órgãos estaminados nas femininas. Por desequilíbrios ambientais e fatores
genéticos, pode ocorrer um retrocesso ou anormalidades, com caso de hermafroditismo, como
espiguetas estaminadas - sendo bastante raro (FORNASIREI FILHO, 1992). A monoicia
promove a polinização cruzada e permite uma extrema especialização da inflorescência.
A duração do período vegetativo depende das condições climáticas, assim, o
florescimento ocorre com cerca de 40 a 100 dias após a germinação, podendo chegar até a 10
meses. Dias longos em regiões mais temperadas podem aumentar mais do que duas vezes o
período de tempo até o florescimento (GOODMAN e SMITH, 1980).
A fertilização do óvulo do milho, dentro do ovário, ocorre com cerca de 12 a 36 h após
a polinização. E o desenvolvimento do grão completa-se cerca de 60 dias após a fertilização e
envolve um aumento de volume, do ovário para o grão, de 1400 vezes. O grão é o fruto de
3

uma semente ou cariopse, característico das gramíneas. A camada externa (pericarpo) é
derivada da parede do ovário e pode ser incolor, vermelha, marrom, laranja ou variegada. A
ponta do grão é parte remanescente do tecido que conecta o grão ao sabugo e permite uma
rápida absorção de umidade. Dentro do grão está o endosperma e o embrião. O endosperma é
responsável por aproximadamente 85% do peso total do grão, o embrião 10% e o pericarpo
5% (GOODMAN e SMITH, 1980; FORNASIERI FILHO, 1992).
O endosperma é constituído principalmente de amido. A camada de aleurona (oposta à
ponta do grão) pode ser incolor, vermelho-púrpura, azul, marrom, preta, laranja ou amarela, e
o endosperma, branco, amarelo ou laranja. A propagação do milho é feita através de
sementes. E um dos fatores básicos na obtenção de plantas com elevada capacidade produtiva,
é o emprego de sementes com adequados atributos genéticos, físicos, fisiológicos e sanitários
(BRESOLIM e PONS, 1983).
2.2 – Importância socioeconômica
A importância econômica do milho é caracterizada pelas diversas formas de sua
utilização, que vai desde a alimentação animal até a indústria de alta tecnologia. Na realidade,
o uso do milho em grão na alimentação animal representa a maior parte do consumo desse
cereal, isto é, cerca de 70% no mundo. Nos Estados Unidos, cerca de 50% é destinado a esse
fim, enquanto que no Brasil varia de 60 a 80%, dependendo da fonte da estimativa e de ano
para ano. Apesar de não ter uma participação muito grande no uso de milho em grão, na
alimentação humana, com derivados de milho, constitui fator importante de uso desse cereal
em regiões com baixa renda. (EMBRAPA, 2010).
Devido a grande possibilidade de aplicações, a cultura do milho apresenta uma grande
importância socioeconômica, pois além de gerar empregos no campo, o milho serve como
base da alimentação no fornecimento de nutrientes para os agricultores que vivem da
agricultura de subsistência, e ainda é matéria-prima indispensável para diversos complexos
agroindustriais (FANCELLI e DOURADO NETO, 2000).
No contexto internacional, a produção brasileira de milho ocupa o terceiro lugar
depois dos Estados Unidos e da China. Sua participação na produção mundial é superior a 6%
do total de 835 milhões de toneladas. Quanto à produtividade média, dentre os países
produtores de milho, os de maior destaque são Estados Unidos, França, Iugoslávia, e
Romênia, onde os Estados Unidos apresenta rendimento médio de 10 t.ha-1 (EMCAPA,
1996).
4

A produtividade nacional é afetada pela baixa produtividade da agricultura de
subsistência, principalmente no Norte-Nordeste, onde as técnicas de produção são
rudimentares, com baixa ou nula utilização de insumos modernos disponíveis (VIEGAS,
1990). Cerca de 93% da produção e 79% da área total concentram-se nos estados do CentroSul, sendo o Paraná o principal produtor. Os contrastes existentes entre as regiões brasileiras
são grandes, convivendo em regiões com rendimentos em torno de 8 a10 t.ha-1 e outras com
rendimento médio de 0,6 t.ha-1 (FORNASIERI FILHO, 1992).
2.3 – Melhoramento genético do milho
O contínuo progresso no melhoramento genético da cultura do milho tem permitido o
desenvolvimento e a comercialização de cultivares com maior potencial de produção, de ciclo
variado, arquitetura mais ereta e porte baixo. Essas cultivares com maior resistência ao
acamamento e quebramento de plantas facilitam a sucessão com outras culturas e a
mecanização, permanecem menor tempo sujeitos às condições adversas no campo e permitem
a obtenção de melhores preços, pela colheita antecipada (ARGENTA et al., 2001).
Segundo Cruz e Pereira Filho (2008), o primeiro passo na produção de uma cultura é a
escolha da semente. O rendimento de uma lavoura de milho é o resultado do potencial
genético da semente e das condições edafoclimáticas do local de plantio, além do manejo da
lavoura. De modo geral, a cultivar é responsável por 50% do rendimento final.
Consequentemente, a escolha correta da semente pode ser a razão do sucesso ou insucesso da
lavoura. Observa-se crescimento da produtividade de milho nas principais regiões produtoras
do País desde a metade do século passado. Modelo semelhante já foi descrito nos EUA, com
utilização de sementes híbridas com maior potencial de rendimento (melhoramento genético),
maior uso de fertilizantes e defensivos, melhoria no arranjo espacial de plantas (espaçamento
e densidade), máquinas agrícolas mais eficientes e adoção do sistema de plantio direto na
palha.
A adoção conjunta de cultivares melhoradas, insumos e técnicas de cultivos adequados
fez com que o rendimento das lavouras crescesse progressivamente. A grande mudança
ocorrida na arquitetura de plantas, resultado da seleção para plantas de porte baixo e com
baixa inserção de espigas, e abaixamento do porte, maior proporção de grãos em relação à
matéria seca no colmo, resultou em plantas mais eficientes, produtivas, com menor
percentagem de acamamento e adaptadas a colheita mecânica. Além disso, a seleção em
múltiplos ambientes levou ao desenvolvimento de genótipos eficientes e responsivos a
5

melhorias de ambiente, tornando possível a mudança de patamar de produtividade das
cultivares lançadas pela indústria de sementes (CRUZ e PEREIRA FILHO, 2008).
Carneiro e Gerage (1991), alegam que pode-se obter maior rendimento de grãos
utilizando espaçamentos entre linhas menores, e isto é dependente das características
genéticas das cultivares. Considerando esta afirmação, identifica-se a necessidade de estudos
relacionados à utilização de materiais genéticos adaptados a espaçamentos entre linhas mais
estreitos para melhoria da produtividade de Alagoas.
Quando se pensa em diminuir o espaçamento entre linhas, a escolha da variedade a ser
utilizada deve ser criteriosa, geralmente os híbridos ou variedades de porte alto e ciclo longo
produzem bastante massa e não proporcionam um bom arranjo das plantas dentro das
lavouras, e por esta razão, já no inicio do desenvolvimento é prejudicada a captação de luz. Os
híbridos ou variedades de menor porte permitem o cultivo em menores espaçamentos. Uma
das dificuldades para o uso de espaçamentos mais estreitos eram as colheitadeiras, que muitas
vezes não se adaptavam a essa situação. No entanto, hoje, com a evolução do parque de
máquinas agrícolas, esse problema já não existe (FANCELLI e DOURADO NETO, 2000).
Nas últimas décadas, as mudanças na arquitetura das plantas de milho por meio do
melhoramento genético têm permitido a redução do espaçamento entre linhas, e consequente
tolerância ao aumento no stand de plantas, a qual tem sido a principal responsável pelos
ganhos genéticos obtidos (RUSSEL, 1986). O desenvolvimento e crescimento dos órgãos
reprodutivos são afetados pela densidade de plantas e, em geral, apresentam diferenças na
resposta para competição entre plantas (OTEGUI, 1997).
2.3.1 – Espaçamento entre linhas
O potencial produtivo da cultura do milho pode ser explorado pela implementação
criteriosa de aspectos técnicos, como a escolha da cultivar que melhor se adapta às condições
de cultivo, emprego de espaçamento e o manejo adequado. Uma das causas da baixa
produtividade na cultura do milho no Brasil, e principalmente no Nordeste, é o uso de
espaçamentos entre linhas inadequados. Assim, o estudo da adaptabilidade de cultivares, em
diferentes espaçamentos, pode ser considerado como um fator importante para a boa
produtividade dessa cultura (ANES VIOLA, 1980). Geralmente, o espaçamento entre linhas
adotado pela maioria dos produtores de milho, no Brasil, fica entre 0,80 e 0,90 m
(FANCELLI e DOURADO NETO, 2000).

6

Entre as vantagens potenciais da utilização de espaçamentos mais estreitos, podem ser
citados o aumento do rendimento de grãos, em função de uma distribuição mais equidistante
de plantas na área, aumentando sua eficiência de utilização da luz solar, água e nutrientes;
melhor controle de plantas daninhas, devido ao fechamento mais rápido dos espaços
disponíveis, consequente redução da erosão; melhor qualidade do plantio por meio da menor
velocidade de rotação dos sistemas de distribuição de sementes e maximização da utilização
de plantadoras, uma vez que diferentes culturas, como, por exemplo, milho e soja, poderão ser
plantadas com o mesmo espaçamento, permitindo maior praticidade e ganho de tempo. Tem
sido também mencionado que os espaçamentos entre linhas reduzidos permitem melhor
distribuição da palhada de milho sobre a superfície do solo, após a colheita, favorecendo o
sistema de plantio direto (CRUZ e PEREIRA FILHO, 2008).
A exploração da elevada capacidade de rendimento de grãos de milho está relacionada
ao contínuo desenvolvimento de técnicas que propiciam a maximização do seu potencial.
Sendo assim, sistemas de plantio em menores espaçamentos entre linhas permitem melhor
distribuição espacial entre plantas, proporcionando diferentes respostas em produtividade
(ARGENTA et al., 2001 e SANGOI et al., 2001).
Segundo Fornasieri Filho (1992), a produção individual por planta é máxima em baixa
densidade (espaçamentos amplos), entretanto, o rendimento por área é pequeno. O tamanho
das espigas aumenta e se o milho for prolífico tende a produzir mais que uma espiga por
colmo. O colmo fica forte, o que dificulta a colheita mecanizada. Com a redução do
espaçamento entre linhas e o aumento da densidade, a produção individual diminui, mas a
produtividade por área aumenta, até alcançar um máximo, quando ambos, produção
individual e produção por área declinam (VIÉGAS, 1990; FORNASIERI FILHO, 1992).
Carneiro e Gerage (1991) citam que o espaçamento entre linhas ideal, é função de
variáveis como: característica genética das cultivares, fertilidade do solo, nível de adubação,
fatores climáticos, tratos culturais e métodos de colheita. E, considerando e analisando a
interação de todas essas variáveis, deve-se utilizar o espaçamento de acordo com cada
realidade.
A redução do espaçamento entre linhas é uma das práticas culturais que mais afeta o
rendimento de grãos de milho, que é a espécie da família das Poaceas mais sensível a sua
variação. O espaçamento entre linhas recomendado no Rio Grande do Sul varia de 0,7 a 1,0m
(PMDTM-RS, 1999). O espaçamento tradicional de um metro entre linhas é originário do uso
de animais nas lavouras para realização de tratos culturais. Os incrementos potenciais no
rendimento de grãos de milho obtidos com o uso de espaçamentos menores (0,5 e 0,7m) do
7

que os convencionalmente utilizados (0,8-1,0m) variam de 5 a 10% (MUNDSTOCK, 1977).
Argenta et al. (2001), verificaram que o efeito da redução do espaçamento entre linhas sobre o
rendimento de grãos dependeu do híbrido utilizado, e que o rendimento de grãos aumentou
linearmente com redução do espaçamento para o híbrido Cargill 901.

8

3 - MATERIAL E MÉTODOS
3.1 – Local e ano do experimento
O experimento foi conduzido na área experimental do Centro de Ciências Agrárias da
Universidade Federal de Alagoas (CECA-UFAL) – Campus Delza Gitaí – Rio Largo-AL, no
ano de 2011. Com solo do tipo Latossolo Amarelo Coeso (Lax) (EMBRAPA, 1999), situado a
uma altitude de 9 o 27 ’S, longitude de 35 o 27 ’W e uma altitude média de 127 m acima do
nível do mar, com temperaturas médias de máxima 29 oC e mínima de 21 oC, e pluviosidade
média anual de 1.267,7 mm (CENTENO e KISHI, 1994).
3.2 - Genótipos avaliados
Foram avaliados quatro genótipos de milho, sendo três populações alagoanas
desenvolvidas pelo Setor de Melhoramento Genético de Plantas do Centro de Ciências
Agrárias da Universidade Federal de Alagoas (SMGP/CECA/UFAL): Viçosense, Branca e
Rio Largo; e uma variedade comercial desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (EMBRAPA): BR 106 (Pé de Boi).
3.3 – Delineamento experimental
O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, no esquema fatorial
(4 x 2) com três repetições. Foram avaliados 8 tratamentos, constituídos pela combinação
entre quatro genótipos (Viçosense, Branca, Rio Largo e BRS 106) e dois espaçamentos entre
linhas (0,6m e 1,0m). A área foi dividida em três blocos com um total de 24 parcelas
experimentais, constituídas por 5 linhas de 5m de comprimento, com 25 plantas por linha,
totalizando uma área de 16m2 para o espaçamento de 0,6m x 0,2m; e de 25m2 para o
espaçamento de 1,0m x 0,2m, considerando-se como área útil para coleta dos dados as três
fileiras centrais, descartando-se as duas primeiras e as duas últimas plantas de cada
extremidade.

9

3.4 - Manejo cultural adotado
Antes da implantação do experimento, realizou-se análise química do solo (Tabela 1)
no Laboratório de Análise de Produtos Agropecuários do Centro de Ciências Agrárias da
Universidade Federal de Alagoas (LAPA/CECA/UFAL). O preparo do solo foi efetuado de
modo convencional, com uma aração e duas gradagens. Não foram utilizados corretivos,
apenas realizou-se adubação química, que por ocasião da semeadura o solo recebeu em
fundação 25-90-120 kg.ha-1 de N, P e K, respectivamente, e com 30 dias após esta, uma
adubação de cobertura com 50 kg.ha-1 de N.
Tabela 1 - Análise química do solo da área experimental da U. A. CECA/UFAL, antes da instalação do
experimento, Rio Largo-AL, 2011.

pH
H2O

5,57

P

H+AL

Al

Ca+Mg

K

Na

SB

mg.dm-3 ------------------------- Cmolc.dm-3 -------------------------

40,95

3,47

0,20

4,10

60

19

4,34

T

V

-------%-------

7,80

55,58

A semeadura foi realizada no dia 25/04/2011, de forma manual, onde foram
distribuídas 125 sementes por parcelas, para o estabelecimento de uma população de
aproximadamente 83.333 plantas/ha no espaçamento de 0,6m x 0,2m, e de 50.000 plantas/ha
no espaçamento de 1,0m x 0,2m. Após a emergência das plântulas, procedeu-se um desbaste,
permanecendo 5 plantas por metro linear, estabelecendo assim, a população de cada
espaçamento proposto.
O controle de plantas daninhas foi realizado através de capinas manuais (enxada), com
um total de quatro operações durante o ciclo da cultura. O controle de pragas foi feito através
de seis aplicações aos 15, 30, 45, 60, 75 e 90 dias da semeadura com 0,4 L.ha-1 do inseticida
Decis EC 25, que foi aplicado através de bomba costal pressurizada com capacidade de 20
litros.
Não foi realizada irrigação, pois a implantação do experimento coincidiu com o
período chuvoso da região.
Na ocasião da colheita, aos 130 dias após a semeadura, coletou-se 63 plantas das três
linhas centrais de cada parcela, eliminando-se as duas primeiras e as duas últimas em cada
extremidade das linhas.

10

3.5 – Caracteres avaliados
Os caracteres avaliados foram: comprimento de espigas (CE), em cm; diâmetro de
espigas (DE), em cm; número de fileiras de grãos (NFG), em unidades; peso de cem grãos
(PCG), em g; e rendimento de grãos (RG), em t.ha-1.
3.6 - Análise estatística do experimento
As analises de variância do ensaio disposto no delineamento em blocos ao acaso no
esquema fatorial (4 x 2 ), conforme a Tabela 2, foram realizadas seguindo as recomendações
de Ferreira (2000).
As médias dos caracteres avaliados nos genótipos de milho e nos diferentes
espaçamentos entre linhas foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade
utilizando-se o Aplicativo computacional SISVAR (FERREIRA, 2003).
Tabela 2 - Esquema das análises de variância para as variáveis avaliadas no desempenho de genótipos de milho
em diferentes espaçamentos entre linhas, Rio Largo-Al, 2011.
F.V.

GL

SQ

QM

F

Genótipos

tA -1

SQ Tratamentos A

QM Tratamentos A

QM Trat. A/ QM Res.

Espaçamentos

tB - 1

SQ Tratamentos B

QM Tratamentos B

QM Trat. B/ QM Res.

Gen. X Esp.

(tA - 1)(tB – 1)

SQ Interação (A X B)

QM Interação (A X B)

QM Int. (A X B)/ QM Res.

Tratamentos

t–1

SQ Tratamentos

-

-

Blocos

r–1

SQ Blocos

-

-

Resíduo

(t – 1)(r – 1)

SQ Resíduo

QM Resíduo

Total

tr - 1

SQ Total

F.V.: Fonte de variação; GL: Graus de liberdade; SQ: Soma de quadrados; QM: Quadrados médios; F: Valor
calculado para o teste F; t: Número de tratamentos; e r: Número de repetições.

11

4 – RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na Tabela 3 estão expostas as análises de variância da avaliação de genótipos de milho
em diferentes espaçamentos entre linhas aos 130 dias após o plantio. Foi constatado que
houve diferenças significativas a 1% de probabilidade pelo teste F, para as variáveis DE e
NFG em relação aos genótipos utilizados no experimento; para a fonte de variação
espaçamentos, as variáveis DE e RG apresentaram diferenças significativas a 1% de
probabilidade pelo teste F; e com relação à interação entre genótipos e espaçamentos,
nenhuma das variáveis avaliadas apresentou diferenças significativas pelo teste F a 5% de
probabilidade. Os coeficientes de variação apresentaram valores entre 3,62 (NFG) e 22,80%
(RG), demonstrando ótima precisão experimental para a maioria dos caracteres avaliados
segundo o critério de Ferreira (2000); apenas a variável RG apresentou coeficiente mais
elevado, porém aceitável.
Tabela 3 - Resumo das análises de variância e coeficientes de variação para as variáveis avaliadas aos 130 dias
após o plantio no desempenho de genótipos de milho em diferentes espaçamentos entre linhas, Rio
Largo-AL, 2011.

FONTE DE
VARIAÇÃO
Blocos
Genótipos
Espaçamentos
Gen. X Esp.
Resíduo
C.V. (%)

GL
2
3
1
3
14

CE
12,9306ns
9,3750ns
2,8194ns
4,0892
8,13

DE
0,27568**
1,7280**
0,1065ns
0,0354
4,17

QM
NFG
PCG
4,8381** 6,8406ns
0,4873ns 27,0512ns
0,4438ns 6,6704ns
0,2108
6,2142
3,62
8,46

RG
128820,3616ns
62035258,8427**
1249115,9610ns
2112980,7280
22,80

ns: Não significativo a 5% de probabilidade pelo teste F. **: Significativo a 1% de probabilidade pelo teste F. CE:
Comprimento de Espigas; DE: Diâmetro de Espigas; NFG: Número de Fileiras de Grãos; PCG: Peso de Cem Grãos; RG:
Rendimento de Grãos.

Na Tabela 4 encontram-se as comparações das médias das cinco variáveis avaliadas
dos quatro genótipos de milho aos 130 dias após o plantio pelo teste de Tukey a 5% de
probabilidade.
Para a variável CE, não houve diferenças significativas entre os genótipos avaliados,
onde apresentaram média geral de 24,87cm.
Já na variável DE, os genótipos Viçosense (4,62cm), Branca (4,53cm) e BR106
(4,69cm) apresentaram maiores diâmetros de espigas, diferindo significativamente do
genótipo Rio Largo (4,21cm).

12

Com relação à variável NFG, a variedade comercial BR 106 apresentou maior número
de fileiras de grãos em suas espigas, com aproximadamente 14 fileiras, diferindo
significativamente dos demais genótipos avaliados, que juntos tiveram média de 12 fileiras
por espigas.
Quanto à variável PCG, não se constatou diferenças significativas entre os genótipos
avaliados, onde apresentaram média geral de 29,44g.
A variável RG, não apresentou diferenças significativas entre os genótipos avaliados,
onde apresentaram média geral de 6,37 t.ha-1. Considerando o rendimento médio de milho no
estado de Alagoas, que gira em torno de 0,6t.ha-1, pode-se observar a superioridade no
rendimento médio de grãos do presente estudo, em que se obteve produtividade dez vezes
superior a média do estado.
Tabela 4 – Médias das cinco variáveis avaliadas em quatro genótipos de milho aos 130 dias após o plantio, Rio
Largo-AL, 2011.

GENÓTIPOS
Viçosense
Branca
Rio Largo
BRS 106
MÉDIA GERAL

CE (cm)
26,33a
25,83a
23,16a
24,16a
24,87

DE (cm)
4,62a
4,53a
4,21b
4,69a
4,51

NFG (un.)
12,51b
12,26b
11,98b
13,99a
12,68

PCG (g)
28,64a
29,47a
30,94a
28,73a
29,44

RG (t.ha-1)
6,39a
6,40a
6,17a
6,52a
6,37

Médias seguidas pela mesma letra, em cada coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de
probabilidade. CE: Comprimento de Espigas; DE: Diâmetro de Espigas; NFG: Número de Fileiras de Grãos; PCG: Peso de
Cem Grãos; RG: Rendimento de Grãos.

Na Tabela 5 encontram-se as comparações das médias das cinco variáveis avaliadas
nos dois espaçamentos entre linhas aos 130 dias após o plantio pelo teste F a 1% de
probabilidade.
De acordo com o teste realizado, a variável CE não apresentou diferenças
significativas, sendo semelhante para os espaçamentos entre linhas avaliados, cujo valor
médio foi 24,87cm.
Para a variável DE, verificou-se diferenças significativas, onde o espaçamento de 1,0m
entre linhas contribuiu com maior desenvolvimento, apresentando média de 4,78cm, diferindo
significativamente do espaçamento de 0,6m entre linhas com média de 4,24cm.
A variável NFG não apresentou diferenças significativas, sendo assim, os
espaçamentos entre linhas avaliados foram semelhantes, cujo valor médio foi de 12,68 fileiras
de grãos.

13

Quanto à variável PCG, esta não apresentou diferenças significativas, sendo assim, os
espaçamentos entre linhas avaliados proporcionaram peso de cem grãos semelhantes, cujo
valor médio foi de 29,44g.
Pode-se observar que a maioria dos caracteres apresentaram maiores rendimentos no
espaçamento de 1,0m, valores insignificantes na comparação de médias e na maioria dos
casos sem apresentar diferenças estatísticas, porém, a variável RG teve melhor desempenho
no espaçamento de 0,6m.
Segundo Lourenção et al. (2011), estudando o desempenho de híbridos de milho em
diferentes espaçamentos, constataram que a maioria dos caracteres produtivos avaliados teve
aumento mais significativo em espaçamento mais amplo (0,9m), exceto para rendimento de
grãos que foi superior em espaçamento mais adensado (0,45m).
Tabela 5 – Médias das cinco variáveis avaliadas em dois espaçamentos entre linhas aos 130 dias após o plantio,
Rio Largo-AL, 2011.

ESPAÇAMENTOS
0,6m

CE (cm)
24,25a

DE (cm)
4,24b

NFG (un.)
12,54a

PCG (g)
28,38a

RG (t.ha-1)
7,98a

1,0m

25,50a

4,78a

12,83a

30,51a

4,76b

MÉDIA GERAL

24,87

4,51

12,68

29,44

6,37

Médias seguidas pela mesma letra, em cada coluna, não diferem entre si pelo teste F a 1% de probabilidade. CE:
Comprimento de Espigas; DE: Diâmetro de Espigas; NFG: Número de Fileiras de Grãos; PCG: Peso de Cem Grãos; RG:
Rendimento de Grãos.

O espaçamento entre linhas de 0,6m proporcionou maior rendimento de grãos, com
média de 7,98 t.ha-1, diferindo significativamente do desempenho dos genótipos de milho no
espaçamento de 1,0 m entre linhas com média de 4,76t.ha-1. Comparando o desempenho no
rendimento de grãos dos dois espaçamentos entre linhas, constatou-se que o espaçamento
mais estreito (0,6m), conferiu um aumento no rendimento de grãos de 67,64% em relação ao
espaçamento mais amplo (1,0m).
Estes resultados foram bem superiores a media de rendimento de grãos no estado de
Alagoas (0,6 t.ha-1). Segundo Porto et al. (2011), estudando variedades de milho em diferentes
espaçamentos, verificou maior rendimento de grãos em espaçamentos mais adensados.
Além disso, em milho, o uso de espaçamentos reduzidos constitui-se numa prática que
pode auxiliar no manejo cultural de plantas daninhas (NICE et al., 2001; BALBINOT
JÚNIOR. e FLECK, 2005).

14

Vasquez e Silva (2002), utilizando espaçamentos entre linhas de 0,46, 0,71, 0,82 e
0,93 m, observaram acréscimo de produção de 19,4%, quando reduziram o espaçamento entre
linhas de 0,82 m para 0,46 m.
Da mesma forma, Bortoloni (2002), utilizando os espaçamentos entre linhas de 0,45,
0,70 e 0,90 m, observou que houve um aumento no rendimento de grãos em 9 e 26%, quando
o espaçamento entre linhas é reduzido de 0,90 para 0,70 e 0,45 m, respectivamente.

15

5 – CONCLUSÃO
1. Os genótipos Viçosense, Branca e BR 106 apresentaram melhor desempenho quanto a
variável diâmetro de espigas, e para a variável número de fileiras de grãos apenas o
genótipo BR 106 obteve maior rendimento;
2. A variável rendimento de grãos nos genótipos avaliados obteve desempenho dez vezes
superior à média de produtividade do estado de Alagoas;
3. O espaçamento entre linhas de 0,6m proporcionou aumento no rendimento de grãos de
67,64% em relação ao rendimento de grãos no espaçamento entre linhas de 1,0m.

16

6 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARGENTA, G.; SILVA, P. R. F.; BORTOLINI, C. G.; FORSTHOFER, E. L.;
MANJABOSCO, E. A.; NETO, V. B. Respostas de híbridos simples de milho à redução do
espaçamento entre linhas. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 36, n.1, p.71-78,
2001.
ANES VIOLA, E. Considerações sobre a cultura do milho. Rev. IPAGRO Informa, Porto
Alegre, v.23, p. 3-8, 1980.
ALVAREZ, C. G. D.; VON PINHO, R. G.; BORGES, I. D. Avaliação de características
agronômicas e de produção de forragem e grãos de milho em diferentes densidades de milho e
espaçamento entre linha. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v. 30, n. 03, p. 402-408, 2006.
BALBINOT JÚNIOR., A.A.; FLECK, N.G. Competitividade de dois genótipos de milho (Zea
mays) com plantas daninhas sob diferentes espaçamentos entre fileiras. Planta Daninha,
Viçosa, v.23, n.3, p.415-421, 2005.
BORGHI, E.; CRUSCIOL, C. A. C. Produtividade de milho, espaçamento e modalidade de
consorciação com Brachiaria brizantha em sistema plantio direto. Pesquisa Agropecuária
Brasileira, Botucatu, v. 42, n. 02, p. 163-171, 2007.
BORTOLONI, C.G. Influência do espaçamento entre linhas e do estande de planta de milho
sobre o rendimento de grãos. In: Congresso Nacional de Milho e Sorgo, 24., 2002,
Florianópolis, SC. Anais. Florianópolis: ABMS, 2002. Cd Rom.
BRESOLIN, M.; PONS, A. L. Botânica do milho. Rev. IPAGRO informa, Porto Alegre, v.
26, 1983, p. 69-72.
CARNEIRO, G. E. S.; GERAGE, A. C. Densidade de semeadura. In: FIAPAR. A cultura do
milho do paraná. Londrina IAPAR, 1991. p. 63-70.
CENTENO, J. A. S.; KISH, R. T. Recursos hídricos do estado de Alagoas. Maceió.
Secretaria de planejamento estadual de meteorologia e recursos hídricos. 1994. 41p.
17

CRUZ, S. C. S. et al. Nutrição do milho e da Brachiaria decumbens cultivado em consórcio
em diferentes preparos do solo. Acta Scientiarum. Agronomy, Maringá, v. 30, n. 05, p. 733739, 2008.
CRUZ, J. C.; PEREIRA FILHO, I. A. P. A cultura do milho. Sete Lagoas, Embrapa Milho e
Sorgo, 2008, 517p
CONAB - COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Levantamento de dados.
Disponível em: <www.conab.gov.br>. Acesso em 03 outubro. 2010.
EMPRESA CAPIXABA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Manual técnico para a
cultura do milho no estado do Espirito Santo. Espirito Santo, EMCAPA, 1996. 168p.
EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Sistema brasileiro de
classificação de solos. Rio de Janeiro: EMBRAPA/CNPS, 1999, 412p.
EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Sistema de produção do
milho. Minas Gerais: EMBRAPA/MILHO E SORGO, 2010.
FANCELLI, A. L.; DOURADO NETO, D. Produção de milho. Guaíba, Ed. Agropecuária.
2000. 360p.
FERREIRA, P. V. Estatística experimental aplicada à Agronomia. 3ª ed. Maceió:
EDUFAL, 2000. 422p.
FERREIRA, D.F. Programa SISVAR: sistema de análise de variância, Versão 4,6 (Build
6,0), Lavras, DEX/UFLA, 2003.
FORNASIERI FILHO, D.A cultura do milho. Jaboticabal: FUNEP, 1992. 273p.
GOODMAN, M.M.; SMITH, J. S. C. Botânica. In: Melhoramento e produção do milho
no Brasil. Campinas: Fundação Cargill, 1980. p.32-70.

18

GROSS, M. R. Adubação nitrogenada, densidade de semeadura e espaçamento de
fileiras na cultura do milho em sistema plantio direto. 2005. 68 p. Dissertação (Mestrado
em Agronomia) - Universidade Federal de Lavras, Lavras.
LOURENÇÃO, A. S.; TORRES, F. E.; GILO, E. G.; NASCIMENTO, E. S.; COSTA, G. B.;
NASCIMENTO, J. N. Desempenho de híbridos de milho (Zea mays L.) em diferentes
espaçamentos na região de Ecótono/Planalto/Pantanal. Anais do 9° Encontro de Iniciação
Científica. v.1, n.1, 2011.
MADALENA, J. A. S.; FERREIRA, P. V.; CUNHA, E. L.; XAVIER, J. L.; LINHARES, P.
C. F. Seleção de genótipos de milho (Zea mays l.) submetidos a quatro densidades de
semeadura no município de Rio largo-AL. Revista Caatinga, Mossoró, v. 22, n. 01, p. 48-58,
2009.
MATOSO, A. O. Milho e feijão-caupi cultivados em faixas na safrinha. 2011. 148 p.
Dissertação (Mestrado em Agronomia) – Universidade Estadual Paulista, Botucatu.
MUNDSTOCK, C. M. Densidade de semeadura do milho para o Rio Grande do Sul.
Porto Alegre: UFRGS/ASCAR, 1977, 35p.
NICE, G.R.W.; BUEHRING, N.W.; SHAW, D.R. Sicklepod (Senna obtusifolia) response to
shading, soybean (Glycine max) row spacing, and population in three management systems.
Weed Technology, v.15, n.1, p.155-162, 2001.
OTEGUI, M. E. Kernel set and flower synchrony within the ear of maize: II. Plant population
effects. Crop Science., Madison, 37:448-455, 1997.
PORTO, A. P. F.; VASCONCELOS, R. C.; VIANA, A. E. S.; ALMEIDA, M. R. S.
Variedades de milho a diferentes espaçamentos no Planalto de Vitória da Conquista-BA.
Revista Brasileira de Ciências Agrárias, Recife, v. 6, n. 02, p. 208-214, 2011.
PALHARES, M. Distribuição e população de plantas e produtividade de grãos de milho.
2003. 90 p. Dissertação (Mestrado em Agronomia/Fitotecnia)-Escola Superior de Agricultura
Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2003.
19

PROGRAMA MUTINSTITUCIONAL DE DIFUSÃO DE TECNOLOGIA EM MILHO DO
RIO GRANDE DO SUL. Recomendações técnicas para a cultura do milho no estado do
Rio Grande do Sul. Porto Alegre: FEPAGRO; EMATER/RS; FECOAGRO/RS, 1999, 146p.
RUSSEL, W. A. Contribution of breeding to maize improvement in the United States 1920s1980s. Iowa State Journal of Research, p. 5-34, 1986.
SANGOI, L. Understanding plant density effects on maize growth and development: an
important issue to maximize grain yield. Ciência Rural, Rio Grande do Sul, v. 31, n. 01, p.
159-168, 2001.
SOARES, F. C. Análise de viabilidade da irrigação de precisão na cultura do milho (Zea
mays L.) 2010. 114 f. Dissertação (Mestrado em Agronomia) – Universidade Federal de
Santa Maria, Santa Maria.
TOLEDO, F. F. Tecnologia das sementes. In: Melhoramento e produção do milho no
Brasil. Campinas: Fundação Cargill, 1980. p.571-619.
VASQUEZ, G.H; SILVA, M.R.R. Influência de espaçamento entre linhas de semeadura em
híbrido simples de milho. In: Congresso Nacional de Milho e Sorgo, 24., 2002, Florianópolis.
Anais. Florionópolis: ABMS, 2002. Cd Rom.
VIEGAS, G. P. Utilização do milho no Brasil. São Paulo, Seta, 1990.

20