Rubens E A Silva

Arquivo
RUBENS EDUARDO DE ARAÚJO SILVA.pdf
Documento PDF (3.5MB)
                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
DEPARTAMENTO DE AGRONOMIA

RUBENS EDUARDO DE ARAÚJO SILVA

AVALIAÇÃO DO PROGRAMA DISQUE-ÁRVORE DE ARBORIZAÇÃO URBANA
DO MUNICÍPIO DE MACEIÓ/AL

Rio Largo
Alagoas - Brasil
2011
I

RUBENS EDUARDO DE ARAÚJO SILVA

AVALIAÇÃO DO PROGRAMA DISQUE-ÁRVORE DE ARBORIZAÇÃO URBANA
DO MUNICÍPIO DE MACEIÓ/AL

Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao Centro de Ciências
Agrárias como parte dos requisitos para
obtenção do título de Engenheiro
Agrônomo.

Orientador: José Ailton Ferreira Pacheco

Rio Largo
Alagoas - Brasil
2011

II

AVALIAÇÃO DO PROGRAMA DISQUE-ÁRVORE DE ARBORIZAÇÃO URBANA
DO MUNICÍPIO DE MACEIÓ/AL

RUBENS EDUARDO DE ARAUJO SILVA

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) submetido à banca examinadora do Curso
de Graduação do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas
aprovado no dia 20 de dezembro de 2011.
Banca examinadora:

_______________________________________________________________
Prof. José Ailton Ferreira Pacheco
Orientador – CECA –UFAL

_______________________________________________________________
Valdir Martiniano Ferreira da Silva
Membro Externo – Coorientador – SEMPMA

_______________________________________________________________
Prof. Dr. Cícero Luiz Calazans de Lima
Membro interno – CECA – UFAL

III

“A imaginação é mais importante que
o conhecimento. O conhecimento é
limitado. A imaginação envolve o
mundo”.
Albert Einstein
III

A minha mãe Claudenice Marinho de Araújo Silva,
pela dedicação e amor incondicional.

A meu pai Manuel Ghiarone da Silva, meu grande
exemplo de honestidade e responsabilidade.

As minhas irmãs, Thaysa Ghiarone de Araújo
Silva e Maria Clara Marinho de Araújo Silva pelos
momentos de apoio.
A minha namorada Jéssica Cardoso Lima, que
com sua presença amorosa, tem compartilhado bons e
maus momentos ao meu lado, fazendo meu dia a dia ser
diferente e melhor.
Aos meus Avôs José Félix Marinho e Severino
Tavares da Silva, que apesar de não mais presentes em
nosso plano, continuam a me amar, proteger, ajudar e
guiar pelos melhores caminhos...

DEDICO

IV

AGRADECIMENTOS

A Deus, exemplo de amor e que me ilumina por todos os caminhos.
A UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS-UFAL e ao corpo docente do
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS- CECA, pela contribuição na minha formação
profissional;
A Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente – Sempma, pelo apoio a
pesquisa.
A meu orientador Prof. José Ailton Ferreira Pacheco pela confiança,
ensinamentos e incentivo. Minha eterna gratidão, pela oportunidade de crescer na
vida acadêmica e pessoal;

Aos colegas da turma do curso de Agronomia, pelos momentos inesquecíveis
dentro e fora da sala de aula;

Aos meus amigos do setor de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de
Proteção ao Meio Ambiente e em especial ao engenheiro agrônomo Valdir
Martiniano Ferreira da Silva, pelo aprendizado, exemplo de profissional, por toda
dedicação e os bons momentos convividos, gostaria que soubessem que ajuda de
vocês me foi de grande valia;
E a você, que contribuiu com o desenvolvimento deste trabalho e/ou colaborou na
minha formação acadêmica ou pessoal e por ventura, não encontre seu nome
acima, peço desculpas pela falha, o meu profundo agradecimento;

Como pode se notar, esta conquista envolve o trabalho de toda uma equipe. A todos
mais uma vez, minha sincera gratidão pela realização de mais um sonho.

V

SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS.........................................................................................VII
LISTA DE TABELAS.......................................................................................VIII
RESUMO............................................................................................................IX
ABSTRACT.........................................................................................................X

1.INTRODUÇÃO ................................................................................................1
2. OBJETIVOS....................................................................................................3
2.1Geral...............................................................................................................3
2.2Específicos.....................................................................................................3
3. REVISÃO DE LITERATURA...........................................................................4
3.1.A importância para o meio urbano.................................................................4
3.2. Breve histórico da arborização urbana.........................................................5
3.3 A importância do planejamento da arborização.............................................7
3.4 Como arborizar..............................................................................................8
3.4.1 A escolha das espécies..............................................................................8
3.4.2 Algumas espécies utilizadas.......................................................................8
3.4.3 Características das mudas e espaçamentos recomendados.....................9
3.4.4 Operações inerentes ao plantio de mudas...............................................10
3.4.5 Distâncias entre plantas e equipamentos urbanos...................................12
3.4.6 Operações pós plantio..............................................................................13
3.4.7 Legislação pertinente................................................................................14
4. METODOLOGIA............................................................................................15
4.1 Área de estudo.............................................................................................15
4.2 O Programa Disque-Ávore...........................................................................16
4.3 Critérios de avaliação..................................................................................17
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES..................................................................20
5.1 Número de mudas plantadas.......................................................................20
5.2 Altura das mudas utilizadas.........................................................................23
5.3 Grau de aceitação do programa pela população atendida..........................24
5.4 Percentagem de mudas sobreviventes........................................................25
5.5 Aspectos fitossanitários...............................................................................26
5.6 Poda de formação........................................................................................28
6. Conclusões..................................................................................................29
7. Referências..................................................................................................31
ANEXOS
VI

LISTA DE FIGURAS

Figura1: Abertura da cova................................................................................10
Figura2: Preparo do substrato..........................................................................11
Figura3: Plantio da muda..................................................................................11
Figura4: Tutoramento e amarrio.......................................................................12
Figura 5:Localização do município de Maceió-Al.............................................15
Figura 6: Preenchimento do cadastro...............................................................16
Figura 7:Avaliação do local para o plantio da muda.........................................17
Figura 8:Avaliação do estado fitossanitário da muda.......................................19
Figura 9: Solicitações recebidas.......................................................................20
Figura 10: Mapa dos bairros atendidos.....................................................................22
Figura11: Distribuição de pedidos por bairro.............................................................23
Figura 12: Altura das mudas utilizada.......................................................................24
Figura 13: Opinião do solicitante...............................................................................25
Figura 14: Percentagem de mudas sobreviventes...........................................26
Figura 15: Ataque de saúva (Atta sp)...............................................................26
Figura 16: Percentual referente aos aspectos fitossanitários...........................27
Figura 17: Percentagem poda de formação.....................................................28

VII

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Algumas espécies utilizadas na arborização das cidades brasileiras...9
Tabela 2: Distância de plantio para árvores de pequeno, médio e grande
porte...................................................................................................................12
Tabela 3: Critério de avaliação do estado fitossanitário.....................................18
Tabela 4: Distribuição de pedidos por bairro......................................................21

VIII

RESUMO
SILVA, R. E. A. (RUBENS EDUARDO DE ARAÚJO SILVA), Avaliação do Programa
Disque-Árvore de Arborização Urbana do Município de Maceió/AL. Rio Largo:
UFAL/ CECA, 2011 (55 p.). Trabalho de conclusão de curso.

A cidade de Maceió experimentou nos últimos vinte anos um aumento populacional
bastante significativo, tendo como uma das consequências a ocupação de áreas
cuja vegetação é considerada, por lei, de preservação permanente, diminuindo
assim, o chamado índice de área verde1 da cidade. Simultaneamente, o plantio de
árvores na área urbana do município, durante vários anos, ocorreu sem o devido
planejamento, dando-se preferência a algumas espécies exóticas tais como,
Amendoeira (Terminalia catappa) e Ficus (Ficus benjamina). O presente trabalho
teve como objetivo central Avaliação do programa Disque-Árvore de arborização
urbana do município de Maceió/AL. Tal processo foi avaliado através dos seguintes
critérios: 1Número de mudas plantadas no intervalo de tempo considerado, altura da
muda utilizada, grau de aceitação do projeto pela população atendida, percentagem
de mudas sobreviventes aos três meses após o plantio, estado fitossanitário da
muda aos três meses após o plantio e realização/não realização da poda de
formação. Os resultados obtidos permitiram concluir que o programa Disque-árvore
tem enorme aceitação por parte da população atendida (94% dos entrevistados o
classificaram como bom ou ótimo), o número de solicitações para plantio de mudas
no intervalo estudado (um ano) foi considerado pouco expressivo, considerando-se
uma cidade do porte de Maceió, cerca de 75% das mudas plantadas encontravamse vivas e sem problemas fitossanitários, aos três meses após o plantio, apesar de,
a maioria destas, terem sido plantadas com altura inferior à recomendada para o
plantio em área urbanas.

Palavras-Chave: áreas verdes, plantio de árvores, arborização, Disque-árvore.

1

Relação entre a área ocupada pelo verde e a área total.

IX

ABSTRACT
The city of Maceió experienced in the last twenty years, a very significant population
increase, having as a consequence the occupation of areas where vegetation is
considered by law for permanent preservation,reducing the rate of green area of the
city. Simultaneously, the planting of trees in the urban area, for several years, didn't
have a proper planning, giving preference to some exotic species as Amendoeira
(Terminalia catappa) e Ficus (Ficus benjamina). This study aimed to evaluate the
process of urban afforestation of the city of Maceio, implemented through the
program "Disque-Árvore". This process was assessed using the following criteria:
Number of seedlings planted in the time interval considered, height of the seedlings,
degree of project acceptance by the assisted population, percentage of surviving and
health of seedlings after three months of planting, and execution/no execution of
formation pruning. The results showed that the program "disque-árvore" has great
acceptance by the assisted population (94% of respondents rated as good or
excellent), the number of requests for planting seedlings in the range studied (one
year) was considered inexpressive, considering a city with Maceió's size, about 75%
of the planted seedlings were alive and without phytosanitary problems three months
after planting, although most of these have been planted with a lower height than
recommended for planting in urban areas.

Keywords: green areas, tree planting, afforestation, "Disque-àrvore".

X

XI

1- INTRODUÇÃO

Cerca de 87% da população brasileira vive nos centros urbanos, os quais
são montados em estruturas como asfaltos, pisos de concreto, telhas de
cerâmica, amianto, vidros e estruturas metálicas, elementos com alta
capacidade refletora, que geram microclimas desconfortáveis, além da
compactação e impermeabilização do solo.

A arborização é de fundamental importância para a melhoria da qualidade
de vida no meio urbano.

As chamadas áreas verdes proporcionam um

abaixamento da temperatura, evitando as conhecidas ilhas de calor, que se
formam rapidamente em ambientes bastante urbanizados. As áreas verdes
urbanas melhoram a estética local além de servirem como espaço de
recreação da comunidade (HILDEBRAND, 2001).
São inúmeros os benefícios que as árvores nos trazem. Sua importância
está associada à vida, ao ar que respiramos, sendo os vegetais mais presentes
na vida e no ciclo histórico do homem.
O ser humano sempre dependeu da natureza e seus elementos (SANTOS
& TEIXEIRA, 2001). Contudo, com o aumento da urbanização, as áreas verdes
foram perdendo cada vez mais espaço.
A cidade de Maceió experimentou nos últimos vinte anos, um aumento
populacional bastante significativo, tendo como uma das consequências, a
ocupação de áreas cuja vegetação é considerada por lei, de preservação
permanente, diminuindo assim, o chamado índice de área verde da cidade. Por
outro lado, o plantio de árvores na área urbana do município, durante vários
anos, ocorreu sem o devido planejamento, dando-se preferência a algumas
espécies exóticas, como a Amendoeira (Terminalia catappa) e o Fícus (Ficus
benjamina).

Além disso, boa parte da população mostra-se insensível aos

benefícios proporcionados pela vegetação.
É expressivo o número de processos que a população dá entrada no
órgão ambiental (SEMPMA) envolvendo solicitação de supressão de árvores

1

em nossa cidade. E vários deles não apresentam motivos plausíveis que
justifiquem a operação solicitada.
Inexiste um levantamento florístico da cidade de Maceió, além de serem
escassos os trabalhos científicos acerca de sua arborização.
Reveste-se assim de grande importância um trabalho no sentido de
incentivar o plantio de árvores, melhorar a arborização ou esclarecer a
população sobre o assunto.
O presente trabalho mostra a avaliação do programa Disque-Árvore de
arborização urbana do município de Maceió/AL no período compreendido entre
05/06/2010 a 05/06/2011.

2

2 - OBJETIVOS

Objetivo Geral

•

Avaliar o programa “Disque-Árvore" de arborização urbana do município
de Maceió/AL.

Objetivos Específicos

•

Verificar a aceitação da população acerca dos serviços oferecidos pelo
programa Disque-árvore;

•

Efetuar levantamento de dados da situação das árvores plantadas
através do programa Disque-árvore na cidade de Maceió/AL;

•

Propor melhorias no sistema de arborização utilizado, com base nas
respostas da população;

•

Orientar a população acerca do plantio de árvores em área urbana.

3

3 - REVISÃO DE LITERATURA

3.1- A importância da arborização para o meio urbano
As árvores interceptam, refletem, absorvem e transmitem a radiação
solar. O conjunto arbóreo colocado a uma distância apropriada da edificação,
fornecerá um bom sombreamento nas fachadas, compondo um entorno mais
favorável (Furtado & Melo Filho, 1999).
Mendonça (2000) citado por SILVA et al (2002) afirma que a arborização
é um componente importante na paisagem urbana, pois fornece sombra,
diminui a poluição do ar e sonora, absorve parte dos raios solares, protege-nos
contra o impacto direto dos ventos, reduz o impacto das gotas da chuva sobre
o solo e a erosão, além de embelezar a cidade.
Tudini (2006) cita alguns aspectos benéficos da arborização no meio
urbano, dentre eles:
a)Purificação do ar por meio da fixação de poeiras e gases tóxicos e pela
reciclagem de gases por meio dos mecanismos fotossintéticos;
b)Influência no balanço hídrico, notadamente nos processos de infiltração da
água no solo e evapotranspiração;
c)Abrigo

à

fauna,

propiciando

uma

variedade

maior

de

espécies,

conseqüentemente influenciando positivamente para um maior equilíbrio das
cadeias alimentares e de pragas e agentes vetores de doenças;
d)Ação sobre o bem estar físico e psíquico do homem;
e)Emissão de fragrâncias agradáveis;
f)Suavização do aspecto visual;

4

Tudini (2006) enfatiza a importância da arborização no controle de
enchentes e inundações à medida que melhora as condições de drenagem das
águas pluviais, reduzindo também os problemas com erosão e assoreamento;
Cortinas vegetais experimentais foram capazes de diminuir em 10% o
teor de poeira do ar (Pedrosa,1983). O excessivo som urbano proveniente do
tráfego, equipamentos, indústrias e construções interferem na comunicação,
lazer

e

descanso

das

pessoas

podendo

afetá-las

psicológica

e/ou

fisiologicamente. É possível fazer o uso de árvores como complementação
para a atenuação do ruído, já que os vegetais diminuem a reverberação do
som. (Milano,1984).
O uso da vegetação ao longo da malha urbana se constitui na forma de
preservação do equilíbrio biológico. Algumas espécies vegetais, com ênfase
nas frutíferas nativas, são responsáveis pelo abrigo e alimentação da avifauna,
assegurando-lhes condições de sobrevivência (SANTOS & TEIXEIRA, 2001).

3.2 Breve histórico da arborização urbana
A inserção de áreas verdes já fazia parte da estrutura organizacional de
cidades desde a antiguidade. Esses espaços arborizados destinavam-se
essencialmente, ao uso e prazer dos imperadores e sacerdotes.
Na Grécia, tais espaços foram aplicados, não só para passeios, mas
também para encontros e discussões filosóficas. Em Roma, as áreas
arborizadas eram destinadas ao prazer dos mais afortunados.(SILVA, 1997).
Segundo Segawa(1996), na Europa medieval , o aparecimento da
vegetação em espaços públicos ocorreu no século XVII.O estilo francês
destacou-se no século XVII, o inglês, no século XVIII, ambos evidenciando
árvores (Farah,1999).
A partir do século XVII, várias cidades da Europa construíram seu
passeio ajardinado. Assim, Berlim teve, em 1647, a " UnterdenLinden",
alameda arborizada ligando a cidade ao parque de caça; Dublin teve o
5

"BeauxWalk" e o "Gardener'sMall"; Amsterdam aproveitou um charco,
transformando-o na "NieuwePlantage"; Bordeaux ganhou o Jardim Royal e
Nancy; Viena, Munique, São Petersburgo, Madrid e Lisboa implantaram
passeios públicos arborizados (Segawa,1996).
A introdução definitiva da árvore na área urbana se deu a partir do
século XVIII, através da iniciativa pioneira das cidades de Londres e Paris
(SANTOS & TEIXEIRA, 2001). No Brasil, a primeira tentativa aconteceu nas
ruas do Rio de Janeiro, com os preparativos no casamento de D. Pedro I.
Apesar das dificuldades encontradas para o plantio arbóreo, devido a crença
popular de que a sombra das árvores era responsável por algumas
enfermidades da época (ELETROPAULO, 1995).
A cidade do Recife foi o primeiro núcleo urbano a dispor de arborização
de rua, em pleno século XVII, sendo retomada esta atividade, no século XIX
com forte influência européia (MESQUITA, 1996). Registros dão conta que, ate
o inicio do século XX, a organização urbana da cidade de salvador obedeceu a
um padrão estético harmonioso, sempre em consonância com a paisagem
natural, mantendo esta característica até a década de 50, quando a
urbanização desenfreada cedeu lugar a uma reestruturação viária e a
arborização exótica (BRITO, 1996).
Os séculos XVIII e XIX assinalem no Rio de Janeiro, locais e obras,
marcos iniciais e fundamentais do paisagismo brasileiro, como a rua do
ouvidor, a criação do Passeio Público, Jardim Botânico, Quinmta da Boa Vista
e Campo de Santana. Em São Paulo, os destaques são a Avenida Paulista o
Parque da Cantareira, abertura do bairro Higienópolis e o Jardim da Luz
(MACEDO, 1999).
Em Porto Alegre, foram iniciados na metade do século passado os
trabalhos

de

arborização

de

vias

públicas,

intensificadas,

conforme

SANCHOTENE(2000), a partir da década de 30, salientando-se a identificação
de bairros pelo predomínio de uma espécie arbórea.

6

O século XX irrompeu com a expansão urbana: investimentos no meio
imobiliário, abertura de ruas e avenidas, expansão do transporte coletivo, surto
de industrialização, êxodo rural, e outros fatos que alteraram a fisionomia das
cidades. (SANTOS & TEIXEIRA, 2001).

3.3 A importância do planejamento da arborização

Segundo Lima (2001) o planejamento da arborização requer muito
conhecimento, sendo fundamental, por parte daqueles que irão elaborar o
projeto, uma definição clara dos objetivos e metas a serem alcançados. Essas
metas são importantes, pois precisam estar de acordo com o desejo da
população, que tem papel relevante durante a implantação do projeto, e
principalmente, auxiliando efetivamente na sua manutenção.
Poucos profissionais qualificados para área junto com a falta de
informações e pesquisas vêm ocasionando o fracasso de determinados
projetos de arborização e a desistência de novos investimentos. Recentemente
a abordagem sobre o tema em debates se intensificou pela troca de
experiências entre os diversos departamentos envolvidos e a promoção de
eventos (SANTOS & TEIXEIRA, 2001).
Planejar a arborização de uma cidade é indispensável para o equilíbrio
do meio urbano e consequentemente a obtenção de uma melhor qualidade de
vida para seus habitantes (BACKES & IRGANG, 2004; GUIZZO & JASPER,
2005).
MELO et al (2007) enfatizam a importância da realização de um
inventário florístico para o planejamento e manejo da arborização.
PAIVA E GONÇALVES (2006) salientam a importância do conhecimento
das carcterísticas morfo-fisiológicas das espécies como elemento de
planejamento da arborização.

7

3.4 – Como arborizar
3.4.1 – A escolha das espécies

Na escolha das espécies a serem usadas na arborização de
determinado

local (rua,

parque,

praça, bosque...) deve-se levar

em

consideração alguns critérios. A espécie a ser utilizada deve:
a) ser adaptada ao clima local;
b) possuir sistema radicular pouco agressivo;
c) porte do exemplar adulto compatível com o espaço aéreo disponível;
d) produzir frutos pequenos;
e) ser atrativa à avifauna local;
f) não apresentar toxidade ao homem ou a qualquer outro animal;
g) não possuir espinhos;
h) não necessitar de podas freqüentes;
i) ser resistente a pragas e agentes patogênicos;
É aconselhável usar as espécies nativas da região, principalmente por
já serem adaptadas às condições locais.
De acordo com o porte do indivíduo adulto, as espécies utilizadas na
arborização urbana são classificadas em:
ü Espécies de pequeno porte – São aquelas cujo sua altura varia de 3 a 5
metros. Exemplo: chapéu-de-napoleão (Tevetia peruviana).
ü Espécies de médio porte – São aquelas cujo sua altura mínima seja
maior que 5 metros e sua máxima menor ou igual a 8 metros. Exemplo:
Pata-de-vaca (Bauhinia forficata),
ü Espécies de porte grande – São aquelas cujo sua altura mínima esteja
acima de 8 metros. Exemplo: Pau-brasil (Caesalpinia echinata),

8

3.4.2 – Algumas espécies utilizadas na arborização urbana
A Tabela 1 a seguir lista algumas espécies utilizadas na arborização das
cidades brasileiras.
Tabela 1 Espécies utilizadas na arborização das cidades brasileiras.
Nome Comum
Aroeira-dapraia
Chapéu-denapoleão
Craibeira
Ipê-amarelo
Ipê-roxo
Oitizeiro
Pau-Brasil
Amendoeira
Cássia-chuvade-ouro
Espirradeira:
Flamboyant
Pitomba
Jenipapo

Nome Científico
Schinus
terebinthifolius
Thevetia
peruviana
Tabebuia
caraíba
Tabebuia
chrysotricha
Tabebuia
impetiginosa
Licania
tomentosa
Caesalpinia
echinata
Terminalia
catappa
Cassia fistula

Família
Anacardiaceae

Origem
Brasil

Porte
5-10m

Apocynaceae

Brasil

3-5m

Bignoniaceae

Brasil

12-20m

Bignoniaceae

Brasil

5-10m

Bignoniaceae

Brasil

8 a 12 m

Chrysobalanaceae

Brasil

8-15m

Leguminosae

Brasil

8-15m

Combretaceae

Malásia

15-25m

Leguminosae

Ásia

6-8m

Nerium
Oleander
Delonix regia
Talisia esculenta
Genipa
americana

Apocynaceae

Mediterrâneo

3-5m

Leguminosae
Sapindáceas
Rubiaceae

Madagascar
Brasil
Brasil

7-10m
4-15m
6-8m

Fonte: BRAGA, 1978; GIACOMETTI, 1987; LORENZI, 1992.

3.4.3-Características das mudas e espaçamentos recomendados
Tais informações são oriundas do SEMPMA (2005).

As mudas a serem plantadas na arborização urbana deverão apresentar
as seguintes características:
• altura mínima: 1,0 m;
• D.A.P. ( diâmetro a altura do peito ): 0,03 m;
• ter boa formação;
• ser isenta de pragas e doenças
Com relação aos espaçamentos utilizados entre plantas, os mais
recomendados são:
9

ü 3,0 a 5,0 m para plantas de espécies de pequeno porte;
ü 6,0m a 8,0 para plantas de espécies de médio porte e
ü 10,0 a 12,0m para plantas de espécies de grande porte.
Vale ressaltar que nos canteiros centrais de avenidas, em bosques,
praças, as árvores são geralmente plantadas mais adensadas (i.e. com
espaçamentos menores).

3.4.4 – Operações inerentes ao plantio de mudas
Tais informações são oriundas do SEMPMA (2005).

Coveamento
Para o plantio deve-se abrir uma cova com as seguintes dimensões:
60cm x 60cm x 60cm, tendo o cuidado de colocar a terra da primeira metade
para uma lado e a segunda metade para o outro conforme mostrado na
Figura1.

Figura 1. Abertura da cova

Fonte: (Autor, 2011)

Preparo do substrato
O substrato deve compor 4 pás de esterco de curral bem curtido, 500 de
calcário dolomítico e 200g de fosfato natural conforme o encontrado na Figura
2, sendo misturado com a primeira metade de terra da cova.

10

Figura 1. Preparo do substrato

Fonte: (Autor, 2011)

Plantio
No plantio retira-se sempre o saco plástico da muda, tendo o cuidado de
não desmanchar o torrão. Plante a muda no centro da cova segundo
encontrado Figura 3, de modo que a sua base fique no mesmo nível da terra da
superfície da cova. Em seguida, irriga sem encharcar. É recomendado fazer
essa operação nas horas mais frias do dia.
Figura 2. Plantio da muda

Fonte: (Autor, 2011)

Tutoramento e amarrio
Deve-se fincar uma vara de 1,5 a 2,0m (tutor) ao lado da muda conforme
encontrado Figura 4. A seguir, amarre-se a muda ao tutor com um barbante ou
cordão, deixando uma folga entre a muda e o tutor.

11

Figura 3. Tutoramento e amarrio.

Fonte: (Autor, 2011)

Proteção da muda
Para a proteção da muda coloca-se uma grade ao redor da muda. Isso
evita danos causados por veículos e animais. Ela pode ser feita de diversos
matérias como bambu, com caibro e ripa, plástico.

3.4.5 – Distâncias recomendadas entre plantas e equipamentos urbanos

A Tabela 2 a seguir mostra as distâncias recomendadas entre os
exemplares plantados e alguns equipamentos urbanos.
Tabela 2. Distância de plantio para árvores de pequeno, médio e grande porte.
Tabela de distanciamento (metros)
Distancia
mínima
permitida para plantio:

Porte da Espécie

Pequeno

Médio

Grande

Esquina

5

5

5

Postes

3

4

5

Hidrantes

1

2

3

Instalações Subterrâneas

1

1

1

Caixa de Inspeção

2

2

3

Fachadas de Edificações

2,4

2,4

3

Transformadores

5

8

12

Fonte: (Prefeitura de São Paulo ,2005)

12

3.4.6 – Operações pós-plantio

Irrigar a planta, sem encharcar, três vezes por semana. Fazer uma
cobertura da cova com palha seca, casca de sururu, maravalha ou outro
material semelhante, ficando sempre atento a pragas e doenças. (SEMPMA,
2005).

Podas
Segundo CEMIG (1996), a poda de espécies arbóreas no meio urbano é
realizada basicamente com as seguintes finalidades:
ü educar a muda em seu crescimento;
ü adequar a árvore ao espaço físico disponível e
ü eliminar ramos velhos ou em excesso.
Daí os seguintes tipos básicos de poda:
I.

Poda de formação

Neste tipo de poda, ramos laterais são retirados até uma altura
recomendada de 1,80m visando não prejudicar o futuro trânsito de pedestres e
veículos sob a copa. Esta poda normalmente é feita no viveiro ou no local
definitivo quando a muda plantada é menor do que o recomendado.

II.

Poda de limpeza

Neste tipo de poda eliminam-se os ramos velhos, em excesso, mortos,
lascados, doentes ou praguejados.
III.

Poda de contenção

Este tipo de poda é realizado visando adequar a copa da árvore ao espaço
físico disponível em função de um plantio inadequado. A recomendação geral é
manter um mínimo de 30% da copa, mantendo sempre que possível o formato
original.

13

3.4.7 Legislação pertinente

Existe um vasto aparato legal no que tange à vegetação. Dentre os
diplomas legais que tratam do assunto destacam-se:
ü O Código Florestal Brasileiro (Lei Federal 4.771/65)
ü Lei de Crimes Ambientais ( Lei Federal 9.605/98)
ü Código de Meio Ambiente de Maceió ( Lei Municipal 4.548/96)
ü Lei das Árvores (Lei Municipal 4.305/94)

A Lei Municipal n° 4.305/94 determina:
Art. 1°- Vegetação de porte arbóreo, para os efeitos
desta lei, é o vegetal lenhoso com diâmetro do caule
superior a 0,05m (cinco centímetros) à altura do peito
e altura a partir de 1,00m (hum metro) do solo.
Art. 2°- Constitui-se como bem de interesse comum
dos municípios toda vegetação do porte arbóreo
localizada dentro dos seus limites territoriais, quer
seja do domínio público, quer seja privado.

A Lei Municipal n° 4.548/96 determina:
Art. 4°§ VI- o incentivo à participação da sociedade
na gestão da política ambiental e o desenvolvimento
de ações integradas, através da garantia de acesso à
informação.

De acordo Lei n° 9605/98, constitui como crime ambiental:
Art. 49. Destruir, danificar, lesar ou maltratar, por
qualquer modo ou meio, plantas de ornamentação de
logradouros públicos ou em propriedade privada
alheia.

14

4 – METODOLOGIA
4.1 Área de estudo
O presente trabalho foi realizado na área urbana da cidade de MaceióAl no período compreendido entre junho de 2010 e novembro de 2011.
Maceió, capital de Alagoas, situa-se entre o oceano Atlântico e a Laguna
Mundaú, com área de aproximadamente 503 km2 e uma população de 936.608
habitantes.

Apresenta, segundo Cavalcante (1985), clima tropical quente e

úmido, sem grandes oscilações durante o ano, com duas estações bem
definidas: a estação chuvosa – de março a agosto e a estação seca – de
setembro a fevereiro. A umidade relativa do ar varia, de 82,9% em maio a
75,7% em novembro (Santos et al, 2002).
A Figura 5 a seguir mostra a localização do município de Maceió.
Figura 4. Localização da cidade de Maceió-AL

Fonte: (Google Maps, 2011)

15

4.2- O programa Disque-árvore
O Disque-Árvore é um programa de arborização urbana em que o Poder
Público efetua o plantio de árvores na área urbana da cidade, atendendo à
solicitação do cidadão interessado em plantar uma árvore (na sua porta, no seu
quintal, na praça próxima...). Em contrapartida, o solicitante se compromete a
cuidar da muda após o plantio. A solicitação é feita por telefone. Há o
preenchimento de uma ficha (em anexo) onde o interessado informa nome,
endereço e dados do local de plantio. De acordo com essas informações, é
passado para o interessado quais as espécies possíveis de serem plantadas
no local.
A Figura 6 a seguir mostra a etapa de preenchimento da ficha de
solicitação.
Figura 6 - Preenchimento do cadastro

Fonte: (Autor, 2011)

A etapa seguinte é a confirmação do local para efetuar o plantio
propriamente dito, como pode ser observado na Figura 7.

16

Figura 7 – Avaliação do local para o plantio da muda.

Fonte: (Autor, 2011)

As mudas utilizadas no programa são produzidas no viveiro do Parque
Municipal de Maceió. A relação das espécies utilizadas e disponibilizadas para
o programa encontra-se em anexo E.

4.3- Critérios de avaliação

O processo de arborização através do programa Disque-árvore na
cidade Maceió foi avaliado através dos seguintes critérios:
a) Número de mudas plantadas no intervalo de tempo considerado;
b) Altura da muda utilizada;
c) Grau de aceitação do projeto pela população atendida;
d) Porcentagem de mudas sobreviventes aos três meses após o plantio;
e) Estado fitossanitário da muda aos três meses após o plantio e
f) Realização/não realização da poda de formação.

O número de mudas plantadas bem como a distribuição espacial destas no
intervalo de tempo considerado de 05/06/2010 a 05/06/2011 foi obtido através
do levantamento das fichas de solicitação do período, contando-se apenas
aquelas em que constava a palavra “atendido”.

17

Para o critério Altura da muda utilizada foi adotado como aceitável

para a

arborização do meio urbano a altura mínima de 1,0 metro. As alturas (h)
observadas nas mudas utilizadas foram divididas nos seguintes intervalos:
1- h < 50cm
2- 50cm > h < 1m
3- h ≥ 1m
Para os itens de c a f foi feita uma visita em 50 domicílios atendidos pelo
programa.
Para o critério Grau de aceitação do projeto pela população atendida foi
feita a seguinte pergunta ao beneficiado:

Qual a sua opinião sobre o programa Disque-Ávore?
( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Ruim

Para o critério Porcentagem de mudas sobreviventes aos três meses após o
plantio foi efetuada a contagem do total de covas em bem como das mudas
que se encontravam vivas em cada domicílio visitado. Com relação ao item
Realização/não realização da poda de formação foi verificado se nas mudas
sobreviventes o beneficiou ou não poda de formação.

Para a avaliação do estado fitossanitário das mudas sobreviventes, foi
utilizado o seguinte critério Tabela 3:
Tabela 3 Critério de avaliação fitossanitário
Nota
1
2
3
4

Estado da planta

Muda sadia, sem sintomas de ataques de pragas e doenças
Muda com cerca até 50% da folhagem comprometida com pragas e
doenças
Muda com cerca de mais 50% a 75% da folhagem comprometida
com pragas e doenças
Muda com mais de 75% da folhagem comprometida com pragas e
doenças

18

A Figura 8 mostra a avaliação do estado fitossanitário sendo realizada.

Figura 8. Avaliação do estado fitossanitário da muda

Fonte: (Autor, 2011)

19

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES
5.1 Número de mudas plantadas
No período compreendido entre 05/06/2010 a 05/06/2011 o programa
Disque-Árvore
Árvore recebeu 212 solicitações da população interessada.

Destas,

177 foram atendidas, resultando no plantio de 345 mudas, 17 o endereço do
solicitante não foi encontrado e 18 apresentavam o local indicado pelo
interessado inadequado para o plantio de árvores, conforme mostra a Figura
F
9
a seguir.

Figura 9 Solicitação Recebidas

Solicitações Recebidas
Inadequado

Não encontrados

Atendidos
0
Series1

Atendidos
177

50

100
Não encontrados
17

150

200

Inadequado
18

Fonte: Autor (2011)

20

Com relação à distribuição espacial, o plantio foi efetuado em 27 bairros
do município, de acordo com a Tabela 4 a seguir.
Tabela 4 – Distribuição de pedidos por bairro
Bairro
Barro Duro
Benedito Bentes
Bom Parto
Cid. Universitária
Clima Bom
Cruz das Almas
Farol
Gruta
Feitosa
Jacarecica
Jacintinho
Jatiúca
Jardim Petrópolis
Mangabeiras
Pajuçara
Poço
Ponta Grossa
Ponta Verde
Pontal da Barra
Pinheiro
Pitanginha
Prado
São Jorge
Serraria
Tabuleiro
Trapiche
Vergel

N° de mudas plantadas
4
11
1
18
4
2
7
3
6
9
2
8
1
9
2
5
8
3
2
5
1
4
3
7
43
1
8

% de total
2,26
6,21
0,56
10,17
2,26
1,13
3,95
1,69
3,39
5,08
1,13
4,52
0,56
5,08
1,13
2,82
4,52
1,69
1,13
2,82
0,56
2,26
1,69
3,95
24,29
0,56
4,52

Fonte: Autor (2011)

Considerando que a cidade de Maceió tem aproximadamente 1 milhão
de habitantes e lavando-se em consideração o período avaliado(1 ano), podese concluir que o número de solicitações é considerado pequeno, em
comparação com a arborização efetuada por outros programas. Isto mostra
que esse programa de arborização deve ser realizado de forma complementar
e não como um programa único de arborização do município.

21

Do total de 50 bairros existentes na cidade de Maceió, o programa
Disque-Árvore atuou em apenas 27 deles (54%) valor muito abaixo do
esperado, como mostra a Figura 10 e 11.
Figura 10. Mapa dos bairros atendidos

Fonte: (Autor, 2011)

22

Figura11. Distribuição de pedidos por bairro

Fonte: (Autor, 2011)

5.2-Altura das mudas utilizadas
Não foram utilizadas mudas de tamanho uniforme para o plantio através
do programa Disque-árvore, tendo sido utilizadas mudas cuja altura variou de
30 cm a 1,5 m. Os resultados obtidos encontram-se na Figura a seguir.

23

Figura 12. Altura das mudas utilizadas

Altura das mudas utilizadas
200
Q
u 150
a
n 100
t
i
d
a
d
e

50
0
h < 50 cm

50 cm> h < 1 m

h≥1m

Altura das mudas
Series1

Fonte: (Autor, 2011)

Considerando-se como satisfatória para o plantio no meio urbano, uma
altura de 1,0 m para mudas de espécies arbóreas, 70% das mudas plantadas
pelo programa Disque-árvore apresentaram altura inadequada para plantio,
portanto, menor que a indicada. A muda plantada com um porte Inadequado
sofre maior depredação por parte da população e tem sua mortalidade
aumentada devido as inteireis do tempo.

5.3 - Grau de aceitação do programa pela população atendida
Para 94% dos avaliados o programa Disque-árvore foi considerado
como bom e ótimo, isso mostra que o programa tem uma enorme aceitação por
parte da população, porem 6% dos avaliados ficaram insatisfeitos com o
programa alegando demora para o cumprimento da entrega da muda
solicitada, tal como mostra a Figura 13.

24

Figura 13. Opinião do solicitante

Opinião do Solicitante
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
Series1

bom
52%

ótimo
42%

regular
2%

ruim
4%

Fonte: (Autor, 2011)

5.4 - Percentagem de mudas sobreviventes

Foi plantado um total de 85 mudas nos 50 domicílios visitados.
Observou-se
se que deste total, 64 delas (75% do total) encontravam-se
encontravam
vivas aos
três meses após o plantio.
Noss locais onde só havia a cova, segundo respostas dadas pelos
beneficiados, cerca
erca de 20% das mudas sofreram depredação
depredação por parte da
população e os 5% restantes morreram devido a falta de cuidados ou às
condições climáticas adversas.
Tal resultado corrobora
corrobor com Mancuso (1995), onde 27,35% das mudas
plantadas pela Prefeitura de São Paulo e pela empresa Via Verde, são
destruídas ou têm seus protetores quebrados por vandalismo e acidentes.

25

Figura 14. Percentagem mudas sobreviventes

Percentagem de mudas sobreviventes
25%
vivas

75%

mortas

Fonte: (Autor, 2011)

5.5 - Aspectos Fitossanitários
itossanitários

Das 64 mudas avaliadas (sobreviventes) nos 50 domicílios,
domicílios 49 delas
(76,56%) encontravam-se
se em boas condições fitossanitárias,
itossanitárias, portanto, sem
sintomas de ataque de pragas e doenças (nota 1). 23,44% apresentaram
algum problema na parte aérea
a
devido ao ataque de pragas e doenças,
doenç
sendo
o problema fitossanitário mais freqüente o ataque de saúva (Atta
(Atta sp) Figura 15.

Figura 15.
15 Ataque de saúva (Atta SP)

Fonte: (Autor, 2011)

26

A Figura 16 a seguir mostra o percentual obtido para cada nível
estabelecido no que tange ao aspecto
asp
fitossanitário das plantas.

Figura 16. Percentual referente aos aspectos fitossanitários

ASPECTOS FITOSSANITÁRIOS
90.00%
80.00%
70.00%
60.00%
50.00%
Series1

40.00%
30.00%
20.00%
10.00%
0.00%
nota 1

nota 2

nota 3

nota 4

Fonte: (Autor, 2011)

Os resultados encontrados foram satisfatórios,
satisfatórios, tendo em vista que o
levantamento foi
oi realizado nos meses de junho e julho periodo chuvoso para
nossa região, onde as condições para ataque de pragas e doenças são
s
mais
favoráveis.

27

5.6 - Poda
oda de formação
Em apenas 5% das mudas avaliadas, foi efetuada poda de formação
pelo beneficiado. Tal resultado deve-se
deve
provavelmente
rovavelmente à falta de conhecimento
deste sobre a prática da poda e seus benefícios para a árvore.

Figura 17. Percentagem poda de formação

Poda de formação
5%

sem poda
com poda

95%

Fonte: (Autor, 2011)

28

6 – CONCLUSÕES
Os resultados obtidos bem como as observações in loco permitiram as
seguintes conclusões:
a- O Programa Disque-Árvore apresentou boa aceitação por parte da
população;
b- As mudas utilizadas pelo programa não apresentavam altura adequada para o plantio no meio urbano;
c- O número de solicitações para plantio de mudas no intervalo de um ano
foi considerado pouco expressivo, considerando-se uma cidade do porte
de Maceió;
d- Os beneficiados mostraram desconhecimento sobre a poda de formação
das mudas;
e- Do total de 50 bairros existentes na cidade de Maceió, o programa
Disque-Árvore atuou em apenas 27 deles (54%) valor muito abaixo do
esperado;
f-

Não houve incidência significativa de problemas fitossanitários nas
mudas plantadas;

g- O índice de mortalidade das mudas plantadas (25%) encontra-se dentro
dos padrões da arborização do meio urbano;
h- Foram bastante escassas as orientações técnicas, no que tange aos
cuidados pós-plantio, dadas pela equipe do programa ao beneficiado;
i- O programa Disque-Árvore não foi bem divulgado;
j- Considerado pequeno o número de espécies adequadas disponíveis.

A seguir são dadas algumas sugestões para futuros trabalhos bem
como, ações na arborização urbana da cidade de Maceió.
a-

Dar preferências às espécies nativas ou às exóticas já bem
aclimatadas.
29

b- Usar mudas com um tamanho mínimo de 1 m.
c- Sempre conversar com o morador da residência que recebeu a muda
sobre os benefícios da árvore e ensinar-lhe os cuidados pós-plantio.
d- Ensinar ao solicitante sobre como efetuar e os benefícios da poda de
formação.
e- Não usar mudas mal formadas e / ou com problemas fitossanitários
(atacados por insetos-praga ou com sintomas de doenças).
f- Iniciar produção de mudas para arborização urbana de maneira racional
visando atender uma parte da demanda.
g- Seria interessante que fosse efetuado pela prefeitura de Maceió um
levantamento florístico da cidade.
h- Ter uma equipe técnica exclusiva para o programa;
i- Lançar uma campanha educativa para divulgar o programa;
j- Elaborar uma cartilha com orientações sobre os cuidados pós-plantio.

30

7- REFERÊNCIAS

BACKES, P. & IRGANG, B. 2004. Árvores cultivadas no Sul do Brasil: Guia
de identificação e interesse paisagístico das principais espécies exóticas.
1. ed. Porto Alegre: Ed. Paisagem do Sul. 204p.
BRAGA, R. Plantas do Nordeste (especialmente do Ceará). 3. ed. Ceará:
Ed. Mossoroense, 1978.
BRITTO,
R.R.C.de.Salvador: Evolução
da
paisagem
e
arborização. In:CONGRESSO BRASILEIRO DE ARBORIZAÇÃO URBANA, 3,
Anais...Salvador: SBAU/COELBA, 1996, p 20.
BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções
penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio
ambiente, e dá outras providências.
ELETROPAULO. Guia de Planejamento e Manejo da Arborização Urbana.
São Paulo: Gráfica Cesp, 1995.
FARAH, I.M.C. Arborização urbana e sua inserção no desenho
urbano. Boletim Informativo da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana.
V.7, n.3, p.6, 1999.
FURTADO, A. E.; MELLO FILHO, L. E. A interação microclima, paisagismo e
arquitetura. Boletim Informativo da Sociedade Brasileira de Arborização
Urbana. V.7, n.3., p.9, 1999.
GIACOMETTI, D. C. Jardim, horta e pomar na casa de campo. São Paulo:
Nobel 1983. GRAF, A. B. Tropica. East Rutherford. Roehrs Company, 1978.
Hildebrand, E. AVALIAÇÃO ECONÔMICA DOS BENEFÍCIOS GERADOS
PELOS PARQUES URBANOS: ESTUDO DE CASO EM CURITIBA-PR.
Paraná. 2001.
LORENZI, H. Árvores Brasileiras. São Paulo. Ed. Plantarum, vol.1. 1992.
MACEDO, Silvio Soares. Quadro do paisagismo no Brasil: coleção quapá,
V.L. São Paulo, 1999.
MANCUSO, Rodolfo de Camargo. Vandalismo contra a Flora Urbana da
Cidade de São Paulo: Análise Jurídica e Formulação de Propostas,
Revista dos Tribunais nº 734, p. 81, 1995.
MANUAL de arborização. Belo Horizonte: CENTRAIS ELÉTRICAS DE MINAS
GERAIS – CEMIG, 1996. 40p.
MELO, R. R.; FILHO, J. A.; RODOLFO JÚNIOR, F. Diagnóstico qualitativo e
quantitativo da arborização urbana no bairro Bivar Olinto, Patos, Paraíba.
31

Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, v.2, n.1, 2007, p.6478.
MESQUITA, L. de B. de. Memórias do verde urbano do Recife. In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE ARBORIZAÇÃO URBANA, 3. Anais...
Salvador: SBAU/COELBA, 1996, p. 60 – 70.
MILANO, M. S. Avaliação e Análise da arborização de ruas de Curitiba-PR.
Curitiba, 1984. 130 p. Dissertação (Mestrado) Universidade Federal do Paraná.
Paiva, H.N e GONÇALVES, W. Florestas Urbanas. Viçosa – MG: Aprenda
Fácil, 2002. 177 p.
PEDROSA, J.B. Arborização de cidades e rodovias. Belo Horizonte: IEF,
1983. 64 p.
PREFEITURA MUNICIPAL DE MACEIÓ. Lei n.º 4.548, de 21 de novembro de
1996. Institui o Código Municipal de Meio Ambiente e dispõe sobre a
administração do uso dos recursos ambientais, da proteção da qualidade do
meio ambiente, do controle das fontes poluidoras, da ordenação do uso do solo
do território do município de Maceió.
PREFEITURA MUNICIPAL DE MACEIÓ. Lei n° 4.305, de 04 de maio de 1994.
Dispõe sobre a supressão, poda, o plantio e uso adequado e planejamento das
áreas revestidas de vegetação de porte arbóreo e dá outras providências.
SANCHOTENE, M.C.C. (cord). Plano Diretor de Arborização de Vias
Públicas. Porto Alegre: Secretaria Municipal do Meio Ambiente, 2000.
SANTOS, N. R. Z. & TEIXEIRA, I. F. Arborização de Vias Públicas:
Ambiente x Vegetação. Santa Cruz do Sul: Editora Instituto Souza Cruz, 2001,
13p.
SEGAWA, H. Ao amor do público: jardins no Brasil. São Paulo: Studio
Nobel, 1996. 240p.
Silva, J. A. da. Direito urbanístico brasileiro. 2ª ed., São Paulo: Ed.
Malheiros, 1997.
SILVA, E. M.; SILVA, A.M ; MELO, P. H; BORGES, S. S. A; LIMA S.C. Estudo
Da Arborização Urbana Do Bairro Mansour, Na Cidade De UberlândiaMg, 2002. In: Caminhos De Geografia - Revista On Line, p 73-83.
TUDINI, O. G. A arborização de acompanhamento viário e a verticalização
na zona 7 de Maringá-PR. 2006. 74 p. Dissertação (Mestrado em Geografia)
Universidade Estadual deMaringá, Maringá, 2006.
32

ANEXOS

33

ANEXO A: Questionário de Avaliação do Programa Disque Árvore

34

Questionário de Avaliação Projeto Disque Árvore

Endereço:____________________________________________________
____________________________________________________________
Data da Visita:___/___/___

1. A muda se encontra viva?
( ) Sim

( ) Não

2. Apresenta problema Fitossanitário?
( ) Sim

( ) Não

3. Foi realizada poda de formação?
( ) Sim

( ) Não

4. Qual(is) espécie(is) foi(ram) utilizada(s)?
_______________________________________________________
_______________________________________________________

5. Qual a opinião do solicitante sobre o projeto?
( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Ruim

35

ANEXO B: Folder de divulgação do Programa

36

37

ANEXO C: Termo de adoção

38

39

ANEXO D: Ficha de solicitação

40

41

ANEXO E: Folder Como Plantar Árvores

42

43

44