Saulo I A Costa

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TCC - SAULO ÍTALO DE ALMEIDA COSTA.PDF
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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
UNIDADE ACADÊMICA CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

COMPORTAMENTO DE GENÓTIPOS RB DE CANA-DE-AÇÚCAR EM RELAÇÃO
AO ATAQUE DA BROCA Diatraea spp. (LEPIDOPTERA, CRAMBIDAE),
NAS SETE REGIÕES CANAVIEIRAS DO ESTADO DE ALAGOAS.

SAULO ÍTALO DE ALMEIDA COSTA

Trabalho de conclusão de curso
apresentado ao Centro de Ciências
Agrárias como parte dos requisitos
para obtenção do título de Engenheiro
Agrônomo.

RIO LARGO - ALAGOAS
2007

SAULO ÍTALO DE ALMEIDA COSTA

COMPORTAMENTO DE GENÓTIPOS RB DE CANA-DE-AÇÚCAR EM RELAÇÃO
AO ATAQUE DA BROCA Diatraea spp. (LEPIDOPTERA, CRAMBIDAE),
NAS SETE REGIÕES CANAVIEIRAS DO ESTADO DE ALAGOAS.

Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao Centro de Ciências
Agrárias como parte dos requisitos para
obtenção do título de Engenheiro
Agrônomo.

Aprovado em _____ de ______________ de 2007

_____________________________________
Prof. Geraldo V. de Souza Barbosa, M. Sc.
(1º EXAMINADOR)

_________________________________
Eng. Agrônomo M. Sc Paulo Pedro Da Silva
(2º EXAMINADOR)

____________________________________
Antônio Jorge de Araújo Viveiros Ms. Sc.
(ORIENTADOR)

Aos familiares e amigos
A minha mãe, minha esposa, minha filha, meus
avós, tios, primos e amigos pelo companheirismo,
amor, compreensão e total apoio nessa
caminhada, dedicados desde o início, e que tanto
contribuíram nos ensinamentos da vida.
OFEREÇO

I

À minha família
À minha mãe Estela Regina de Almeida
Costa pela total obstinação, carinho, amor
e esforço para que eu me tornasse o
homem que sou hoje, à minha esposa
Mariana Melo de Almeida e minha filha
Larissa Melo de Almeida Costa pelo
carinho, amor, incentivo e dedicação.

DEDICO

II

AGRADECIMENTOS

A Deus, em primeiro lugar, por ter me concedido a vida, me dado paciência e
discernimento para enfrentar os percalços existentes nessa longa estrada.
Ao Centro de Ciências Agrárias nas pessoas dos seus professores pela contribuição em
seus ensinamentos e dedicação com seus alunos.
Aos professores Geraldo Veríssimo de Souza Barbosa e Marcelo de Menezes Cruz
pelas orientações e oportunidades concebidas, e admissão na área de pesquisa através do
Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar (PMGCA).
Ao professor Iedo Teodoro pelos ensinamentos, apoio e pela amizade construída ao
longo do curso.
Ao pesquisador do PMGCA Antonio Jorge de Araújo Viveiros pela oportunidade
concebida para a realização deste trabalho e pelos ensinamentos na área de Entomologia.
Aos pesquisadores do PMGCA

Antonio Rosário, Antônio Maria, Carlos Guedes, José

Leonaldo, José Lopes, João Messias, Paulo Pedro, Antônio Amorim, Edmundo Leobino,
Ednaldo Martins, Gilmar Odilon, Haroldo Guedes, Adeílson Mascarenhas, Roberto Santiago
e José Venício, pela boa amizade e transmissão de suas experiências na pesquisa relacionada à
cultura da cana-de-açúcar.
Aos amigos da secretaria do PMGCA, Petrônio Walkirio, Eduardo Jorge e Maura
Cristina pela amizade construída.
Aos meus amigos Hermeson Vitorino da Silva, Leandro José Fontan de Cerqueira,
Lucas Soares de Araújo, Magno Luíz de Abreu, Nelson Rocha Vilanova, Renan Cantalice
Souza, Ricardo Araújo Ferreira Júnior e Rômulo Pimentel Ramos, pela amizade nos bons e
maus momentos, pela ajuda nas dificuldades e que também contribuíram para, além da
realização deste trabalho, um engrandecimento na vida.

III

Jamais se desespere em meio às sombrias aflições de sua vida, pois das nuvens mais negras
cai água límpida e fecunda.

Provérbio Chinês

IV

SUMÁRIO

LISTA DE TABELAS..............................................................................................................VI
LISTA DE FIGURAS ............................................................................................................ VII
RESUMO............................................................................................................................... VIII
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 1
2 REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................................ 2
2.1 Distribuição Geográfica,Taxonomia e Plantas Hospedeiras .......................................... 2
2.2. Bionomia ......................................................................................................................... 3
2.3. Danos, Perdas e Importância Econômica. ....................................................................... 5
2.4 Métodos de controle ...................................................................................................... 7
2.4.1 Controle Químico ................................................................................................... 7
2.4.2 - Controle Biológico .................................................................................................. 7
2.4.2.1 - Cotesia flavipes ................................................................................................ 7
2.4.2.2 Trichogamma galloi ........................................................................................ 9
2.4.3 Controle cultural ................................................................................................... 10
2.4.3.1. Resistência Varietal ......................................................................................... 10
3 - Material e Métodos.............................................................................................................. 13
4 - RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................................ 15
5 - CONCLUSÃO .................................................................................................................... 18
6 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................ 19

V

LISTA DE TABELAS

Tabela 1

Escala de notas para determinação dos graus de resistência de cana-deaçúcar à Diatraea spp......................................................................................

Tabela 2

14

Médias de intensidade de infestação por Diatraea spp para os fatores
Genótipos e Região.......................................................................................... 15

VI

LISTA DE FIGURAS

Figura 1

Danos externos causados por Diatraea spp.....................................................

5

Figura 2

Danos internos causados por Diatraea spp.....................................................

6

Figura 3

Dano indireto: podridão vermelha causada pela entrada de fungos de
fungos, Colletotrichum sp. e Fusarium sp.......................................................

6

Figura 4

Regiões canavieira do Estado de Alagoas.......................................................

14

Figura 5

Representação gráfica do comportamento de genótipo de cana-de-acúcar
em relação ao ataque da broca (% ID). Médias das sete regiões
canavieiras de Alagoas....................................................................................

17

VII

RESUMO

Costa, S. I. de A. Comportamento de genótipos RB de cana-de-açúcar em relação ao
ataque da broca Diatraea spp. (Lepidoptera, Crambidae), nas sete regiões canavieiras do
Estado de Alagoas. Rio Largo. UFAL. CECA 2007. (Trabalho de Conclusão de Curso).

O presente trabalho teve como objetivo conhecer o comportamento relativo dos clones
RB em fase de multiplicação (FM) do Programa de Melhoramento Genético da Cana-deaçúcar (PMGCA) do Centro de Ciências Agrárias (CECA) da Universidade Federal de
Alagoas (UFAL) em relação ao ataque da Diatraea spp., broca comum da cana-de-açúcar. O
trabalho foi conduzido nas sete regiões canavieiras de Alagoas: Região Litoral-Norte; Região
Norte; Região Centro-Norte; Região Centro-Sul; Região Litoral Centro; Região Litoral-Sul e
Região Sul. A avaliação da porcentagem de intensidade de infestação de Diatraea spp foi
realizada através da contagem dos entrenós totais e perfurados. Foram utilizados 26 genótipos
(RB72454, RB845210, RB863129, RB92579, RB928064, RB931003, RB931011, RB95549,
RB961, RB961552, RB9622, RB9629, RB971702, RB971703, RB971720, RB971723,
RB971741, RB971744, RB971747, RB971754, RB971755, RB971761, RB971765,
RB971767, RB98710 e SP79-1011). O delineamento estatístico empregado foi em blocos ao
acaso com três repetições, sendo as parcelas constituídas por quatro sulcos de seis metros de
comprimento. Considerando a média geral, os genótipos apresentaram apenas dois graus de
resistência, entretanto foram observados efeitos de localidade, sendo a região litoral centro, a
mais infestada, apresentando média de 9,51% de intensidade de infestação. Nessa região,
foram constatados genótipos com índices acima de 15% (variedades altamente suscetíveis):
SP79-1011 (padrão-15,05%), RB971720 (16,12%), RB971702 (16,47%), RB845210
(17,23%), RB961 (17,32%) e RB971754 (24,12%). A análise dos dados mostra que alguns
genótipos, comportaram-se diferentemente, conforme o local. A variedade RB971754,
altamente atacada na região litoral centro, não foi atacada nas regiões litoral sul, centro-norte
e norte. A variedade RB971747, apesar de ter sido atacada em todas as regiões climáticas
testadas foi a que teve o menor índice de intensidade de infestação (1,32%). Um dos padrões
utilizados, a variedade SP79-1011 apresentou índices de infestação que variaram de 0
a16,47%, sofrendo influência de pressão populacional da praga, conforme o local avaliado.
As variedades RB971747 e RB92579 apresentaram baixos índices em todos os locais
avaliados, mostrando comportamento estável, independentemente do ambiente.

VIII

1 INTRODUÇÃO
A cana-de-açúcar assume posição de destaque no setor agroindustrial do Brasil por se
tratar de uma cultura que, além da viabilidade econômica, constitui matéria-prima para a
produção de alimentos e energia, emprega mão-de-obra, traz divisas financeiras através de
exportação de açúcar e álcool (etanol). Com o aumento da demanda e a preocupação com o
uso de combustíveis fósseis, energia não renovável, o etanol tem se apresentado como a
principal fonte alternativa de energia carburante. O Brasil é o maior produtor mundial de
cana-de-açúcar com a safra 2007/08 estimada em 547,2 milhões de toneladas. Desse total
86,47% são destinados à indústria (473,16 milhões de toneladas), superior à safra passada em
11,10% e os restantes 13,53% (72,02 milhões de toneladas) serão destinados a fabricação de
cachaça, alimentação animal, sementes para plantio e outros fins (CONAB, 2007).
O Estado de Alagoas ocupa o quarto lugar no ranking brasileiro de produção de canade-açúcar com uma estimativa de 26.043.000 de toneladas de cana moídas na safra 2007/08,
produzindo 2.312.400 t de açúcar e 704,684 m3 de álcool (SINDAÇUCAR-AL, 2007). Tendo
em vista que Alagoas atingiu seu limite em termos de área plantada e em função da crescente
demanda de matéria prima para produção de biocombustíveis, torna-se necessário elevar a
produtividade, quer no campo, como tonelagem de açúcar por unidade de área, quer na usina,
como quilos de açúcar ensacado por unidade de peso de cana trabalhada.
No Brasil, o Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar (PMGCA)
conduzido em âmbito nacional pela Rede Interinstitucional para o Desenvolvimento do Setor
Sucroalcooleiro (RIDESA) é responsável pela obtenção das variedades República do Brasil
(RB), através das Universidades Federais de Alagoas, Rural de Pernambuco, Viçosa-MG,
Rural do Rio de Janeiro, São Carlos SP, Goiás, Paraná e Mato Grosso.
A RIDESA, com o apoio de empresas/instituições do setor sucroalcooleiro, tem
prestado relevantes serviços ao país, com a liberação de mais de trinta novas variedades RB
em apenas dezessete anos, que atualmente ocupam mais de 50% da área canavieira brasileira,
contribuindo com significativos aumentos da produtividade e qualidade dessa agroindústria.
Até o ano de 1970 o país obtinha de produtividade agrícola média inferior a 50 t/ha,
com rendimento de açúcares redutores totais (ART) abaixo de 90 kg/t de cana; nos últimos
anos esse cenário foi alterado, com grande melhoria desses índices, passando para
produtividade média de 75 t de cana/ha e ATR de 140 kg/t de cana (Barbosa et al., 2007).

1

Entre os fatores limitantes na obtenção de altas produtividades ou mesmo garantia do
potencial genético das variedades de cana, destaca-se o ataque de pragas e doenças. Dentre as
pragas destaca-se a broca do colmo, Diatraea spp. (Lepidoptera, Crambidae), tendo em vista
os significativos prejuízos decorrentes de suas infestações.
Muito embora a resistência varietal seja considerada a medida ideal, uma vez que não
implica em maiores gastos ao produtor, bem como é perfeitamente adequada em um projeto
de controle integrado, poucos trabalhos relacionados à resistência de variedades de cana-deaçúcar aos ataques da broca foram realizados (Viveiros et al., 2006). O presente trabalho teve
como objetivo conhecer o comportamento dos clones RB do PMGCA/CECA/UFAL em fase
de multiplicação (FM) em relação ao ataque da Diatraea spp.

2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Distribuição Geográfica,Taxonomia e Plantas Hospedeiras
Bleszynski (1969) menciona que as brocas do gênero Diatraea apresentam
distribuição generalizada por toda América, encontrando-se mais notadamente na Região
Neotropical.
Das 21 espécies de brocas assinaladas para cana-de-açúcar, a Diatraea saccharalis
(Fabr., 1794) (Lepidoptera: Crambidae) apresenta distribuição mais generalizada, podendo ser
encontrada desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina, conforme Box (1928)
Bates (1967) e Mendonça (1996). Até 1968 essa espécie era a única assinalada em trabalhos
relacionados com a broca da cana-de-açúcar (SOUZA, 1942; COSTA LIMA, 1950). Araújo e
Guagliumi (1969), após identificação de material enviado ao Museu de Londres, assinalaram
a ocorrência de Diatraea flavipennella Box, 1931 (Lepidoptera, Crambidae), como nova
praga de grande importância econômica para a cana-de-açúcar, nos estados de Pernambuco,
Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Bahia e Rio de Janeiro. A D. flavipennella não é
reportada como praga de importância econômica em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso
do Sul e canaviais do sul do Brasil (IAA/PLANALSUCAR, 1982).
No Nordeste brasileiro mais especificamente nos estados da Bahia, Sergipe,
Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, a D. saccharalis, apresenta-se como espécie
dominante (RISCO, 2007).

2

No Estado de Alagoas, os resultados de levantamentos entomológicos realizados pelo
Planalsucar mostraram uma predominância da espécie D. saccharalis até o ano de 1983
(Viveiros, 2006); a partir daí já se verificava uma tendência de dominância de D.
flavipennella, chegando atualmente a índices acima de 90 % (FREITAS et al., 2006).
Além de cana-de-açúcar outras plantas hospedeiras têm grande influência no
desenvolvimento da broca, dentre elas são assinaladas as gramíneas milho, arroz, sorgo, trigo
e, até capins como exemplos: capim-arroz, capim d angola, capim-mori, capim-roxo, capimsudão, capim-canarana, capim-lágrimas de-nossa-senhora, capim-elefante, capim-guiné,
capim-guatemala (Bastos, 1917). De acordo com Guagliumi (1972) as brocas são estritamente
graminícolas, embora, às vezes, possam hospedar-se em algumas ciperáceas a exemplo da
tiririca. Considerado como maior hospedeiro, o milho deve ter seu plantio evitado perto dos
canaviais, advertência essa válida também para as outras gramíneas já citadas.

2.2. Bionomia
Os ovos inicialmente são de coloração amarelo-pálida, passando a rósea até chegar a
marrom-escuro, quando são visíveis as cápsulas cefálicas dos embriões no interior do ovo
(BOTELHO & MACEDO, 2002).
Conforme Guagliumi (1972) a lagarta de D. saccharalis (Fabr., 1794) é de cor
amarelada, com cabeça marrom-escura, apresentando dorsalmente duas séries longitudinais de
manchinhas escuras e duas listras acinzentadas dorso-laterais; mede cerca de 25-30 mm de
comprimento, quando no último estágio de crescimento. A pupa é de coloração marrom-claro,
escurecendo à medida que se aproxima do estágio adulto. O adulto macho é de coloração
amarelo-pálida, com duas listras escuras convergentes (dois V invertidos) nas asas superiores;
a fêmea é geralmente maior, de cor mais clara e com listras perceptíveis ou ausentes.
Segundo o mesmo autor, a larva de D. favipennella (Box, 1931) é esbranquiçada, com
cabeça amarela, e com duas listras de pontinhos escuros no dorso, sem listras laterais; mede
25-30 mm de comprimento na maturidade. O adulto tem coloração amarelo-pálida, sem
manchas ou listras, exceto um pontinho marrom na célula discal do macho.
O ciclo biológico da praga em condições de campo, de acordo com observações de
Mendonça (1996) em Alagoas, é o seguinte:

3

CICLO BIOLÓGICO

D. saccharalis D. flavipennella

Período de incubação dos ovos

4-9 dias

4-7 dias

Período larval

23-64 dias

25-26 dias

Período pupal

6-14 dias

10-17 dias

Longevidade dos adultos

12 dias

Indeterminada

Ciclo completo (mais freqüente) 53-60 dias

45-50 dias

Gerações anuais

4-6

4-6

Conforme IAA/PLANALSUCAR (1982), as fêmeas fazem as posturas usualmente na
face dorsal das folhas, agrupadas em número variável, de cinco a 50 ovos. Após a eclosão, as
larvinhas se alimentam do parênquima das folhas e/ou da bainha. Posteriormente, após as
primeiras ecdises, penetram no colmo logo acima do nó, abrindo galerias em seu interior. Os
adultos são de hábitos noturnos (Guagliumi, 1972). A lagarta, uma vez tendo penetrado no
colmo da cana, passa toda essa fase ali protegida, mas, em alguns casos, principalmente pela
inundação de sua galeria por água da chuva, ao sentir-se molestada , abre um orifício na
casca e sai, vindo a abrir um buraco em um entrenó mais abaixo, onde torna a penetrar.
Próximo à pupação, a lagarta abre um orifício na casca e o fecha parcialmente com fios de
seda e restos de sua alimentação e, assim protegida, passa à fase de pupa (BOTELHO &
MACEDO, 2002).
Estudos realizados por Mendonça (1983) indicaram que as maiores populações das
formas imaturas de Diatraea spp. ocorreram, para as condições do Estado de Alagoas,
quando o canavial encontrava-se nos seus primeiros meses de desenvolvimento (4 a 7 meses
de idade), diminuindo acentuadamente à medida que a cana amadurecia; a ocorrência de 5
gerações, em média, distribuiu-se da seguinte maneira: a 1ª em início de janeiro, a 2ª em
início de março, a 3ª ao final de maio, a 4ª no início de agosto e a 5ª em meados de outubro.
As canas-plantas, de um modo geral, apresentam maiores índices de incidência quando
comparadas às socas. Botelho & Macedo (2002) explicaram que essas canas possuem um
maior vigor vegetativo, ficando expostas durante um período maior à praga, bem como,
nesses canaviais, a atuação dos inimigos naturais é menor, pois a grande maioria teve seu
habitat desestruturado pelas práticas culturais realizadas com vistas à instalação da lavoura.

4

2.3. Danos, Perdas e Importância Econômica.
Os ataques da broca são efetuados em canas jovens e em canas adultas, através de
perfurações laterais realizadas pelas lagartas. Em cana jovem, a sintomatologia é o
aparecimento do coração morto e em canas adultas, tem-se o amarelecimento da nervura
central, e logo após, toda a folha. Através dos orifícios deixados pela broca (Figuras 1)
penetram fungos responsáveis por podridões (Figuras 2 e 3), determinando inversão de
sacarose. As perdas agrícolas compreendem perda de peso, brotação lateral, canas quebradas e
entrenós atrofiados; enquanto que nas indústrias, menor rendimento de açúcar extraível
(podridão) e contaminação do processo de fermentação alcoólica (Gallo et al., 1978;
Guagliumi, 1972; IAA/PLANALSUCAR, 1982).
Os danos de Diatraea spp. foram correlacionados com as perdas, obtendo-se as
seguintes reduções para cada 1 % de entrenós broqueados: 0,1385 % de perda em peso de
cana no campo; 0,48 kg de açúcar por tonelada de cana na indústria e 62 litros de álcool/ha
para cada 1 % de intensidade de dano (LOPES et al., 1983, MACEDO, 1985).

Figura 1. Danos externos causados por Diatraea spp.

5

Figura 2. Danos internos causados por Diatraea spp.

Figura 3. Dano indireto: podridão vermelha causada pela entrada de fungos, Colletotrichum
sp. e Fusarium sp.

6

2.4

Métodos de controle
Para a estimativa de danos, coleta-se 20 colmos por hectare

plantas em pé ou na leira

ou na recepção da usina, sendo, nesse caso, retirados cinco colmos por carga, ao acaso, nos
veículos de transporte que chegam ao pátio. O controle da broca deve ser executado de forma
integrada a fim de se utilizar todo potencial supressivo de controle existente no
agroecossistema da cana-de-açúcar (PINTO et al., 2006).

2.4.1 Controle Químico
O controle químico também pode ser utilizado, mas é prejudicado devido ao hábito da
lagarta permanecer a maior parte de seu desenvolvimento dentro dos colmos. A aplicação de
inseticida nos sulcos de plantio, prática usual entre os agricultores para o controle de pragas
de solo, muitas vezes garante que a cultura fique livre da broca durante alguns dias após o
plantio.
O controle químico deve ser evitado, uma vez que o impacto ambiental causado pela
aplicação de agrotóxicos em grandes áreas é significativo. A opção pelo controle biológico é a
usual, em função da disponibilidade dos organismos nas unidades industriais e pela oferta no
mercado (Pinto, et al., 2006), além de ser ecologicamente correto, não compromete os
inimigos naturais da praga.

2.4.2 - Controle Biológico
2.4.2.1 - Cotesia flavipes
A mais efetiva medida de controle da broca, indicada por várias pesquisas, é o controle
biológico através da criação massal em laboratório e liberação em campo do parasitóide
Cotesia flavipes Cameron (Hym., Braconidae). Este parasitóide foi introduzido no Brasil,
inicialmente no Estado de Alagoas por Arthur Mendonça, em 1974 (Mendonça et al., 1978),
demonstrando grande capacidade de adaptação, sendo então conduzido às demais regiões
canavieiras do país.
As razões do sucesso de C. flavipes podem ser explicadas pelo fato deste parasitóide
apresentar ciclo bem inferior aos dos taquinídeos utilizados até então (16 contra 60 dias),
maior facilidade de multiplicação em laboratório, maior número de indivíduos por broca

7

parasitada (60 contra 1-2) e excelente desempenho em condições de campo (VIVEIROS,
2006).
C. flavipes apresenta metamorfose completa, com um ciclo total de 16 dias, sendo 3
para incubação de ovos, 7 para fase larval, 5 para fase pupal e 1 dia de longevidade dos
adultos. A criação massal de C. flavipes envolve a utilização de laboratórios com cerca de
160 m2, adaptados ou construídos para esse fim, conseguindo produzir, com cerca de 15
pessoas, aproximadamente 3 milhões do parasitóide por mês a um custo aproximado de R$
0,0026 /indivíduo (Sousa, 2006). A metodologia de criação massal consiste inicialmente na
produção do hospedeiro Diatraea spp. a partir da coleta de crisálidas no campo para obtenção
dos adultos da broca. Os adultos são colocados na proporção de 20 fêmeas para 10 machos
em tubos forrados com papel vegetal, onde são depositados os ovos. Estes ovos são colocados
em recipientes com dieta artificial desenvolvida por Hensley & Hammond (Gallo et al.,
1978), com pequenas modificações, compreendendo diversos ingredientes (ácido ascórbico,
açúcar, complexo vitamínico, metilparahidróxidobenzoato, germe de trigo levedura, farelo de
soja, cloreto de colina, estreptomicina, solução vitamínica, formaldeído 37%, caragenina ou
agar, ácido acético e água desionizada). Sobre as brocas consideradas aptas é realizada a
inoculação em 80% com C. flavipes na proporção de 1-2 microhimenópteros/broca; as 20%
restantes são destinadas à obtenção de crisálidas para realimentação do processo. As brocas
são acondicionadas em caixas plásticas contendo dieta, por aproximadamente 20 dias, em sala
específica, sendo o material biológico constantemente revisado, para verificação do
surgimento das massas do parasitóide e posterior emergência dos adultos. Uma massa origina
em média 60 adultos de C. flavipes.
Mendonça (1983) recomenda a intensificação do controle com parasitóides larvais
quando o canavial apresentar os primeiros sintomas de ataque da praga, no transcorrer da 1ª
geração, tentando-se evitar que esta alcance a 2ª geração com grandes populações; na prática
o controle deverá ser concentrado em canaviais principalmente em 1º ano de cultivo, com
idades de 4 a 5 meses, podendo se prolongar até o 7º mês, períodos estes onde deverão estar
concentradas as maiores populações de lagartas de Diatraea spp.
O monitoramento da praga para controle deve ser realizado prioritariamente em
canaviais de cana-planta, irrigadas ou fertirrigadas e com variedades mais suscetíveis. Os
índices de controle para as condições de Alagoas compreendem coletas de olhos mortos que
apresentem níveis superiores a 5 brocas/homem/hora ou cerca de 1000 brocas por hectare,
utilizando-se pontos amostrais de 5 m lineares, repetidos 4 vezes por hectare; as brocas

8

coletadas devem ter tamanho médio (entre 1,5 a 2 cm de comprimento), correspondente a
larvas de 3ª geração (VIVEIROS, 2006).
As liberações de C. flavipes (mínimo de 80 % emergidos no laboratório), parceladas
ou únicas, devem ser em média de 6.000 adultos/ha/ano (Macedo & Botelho, 1986) ou o
dobro de brocas/ha, conforme Novaretti (2006). Os parasitóides têm de ser liberados de forma
a cobrir toda a área que apresente problema, posteriormente transferindo-se o controle para
outro local. Canaviais em fase de maturação não devem receber liberações, pois nessa fase já
não há mais tempo hábil para evitar os danos. Para avaliar o desempenho do parasitóide no
campo, faz-se a coleta de material biológico, após 10 a 15 dias das liberações. A porcentagem
de parasitismo é dada pela fórmula: % parasitismo = total de parasitóides x 100/(total de
parasitóides + praga).
O controle biológico apresentou resultados que indicaram um êxito bastante
significativo. Através de liberações de C. flavipes efetuadas no período 1974-83, em Alagoas,
conseguiu-se reduzir a percentagem de entrenós broqueados por Diatraea spp. em 70,6 %,
passando de 8,6 % em 1974 para 2,64 % em 1983, significando em um ganho acumulado de
508.723,22 toneladas de açúcar, correspondendo a US$ 52,886,843, enquanto que o custo de
controle foi de US$ 439,850, com um custo médio de US$ 0,0013 por parasitóide liberado,
resultando em um ganho líquido estimado em US$ 52,446,993 (Viveiros, 2006).
As pesquisas mais recentes com o controle biológico da broca concentram-se no
aperfeiçoamento de etapas envolvidas na produção de C. flavipes, visando maior eficiência e
redução nos custos.

2.4.2.2

Trichogamma galloi

Os insetos do gênero são parasitóides exclusivos de ovos, principalmente de
Lepidoptera, estando entre os insetos mais utilizados em programas de manejo de pragas em
todo o mundo.Tendo em vista o sucesso do controle biológico da fase larval da broca, com o
parasitóide Cotesia flavipes, é um componente adicional do controle integrado, direcionandoo principalmente para locais de baixa predação da fase de ovo, que é muito importante para a
evolução populacional de Diatraea spp.(Almeida & Arrigoni, 1994).
Diversos estudos têm sido realizados com o microhimenóptero Trichogramma spp.
(Hym., Trichogrammatidae), parasitóide de ovos, uma vez que a fase de ovo foi determinada
como a de maior importância no incremento de populações da broca, muito embora Risco B.
(1979) mencione que a expansão do uso desse microhimenóptero não tenha mostrado
9

expressão significativa, sendo a fase de ovo de Diatraea spp. controlada por um complexo
heterogêneo de predadores.

2.4.3

Controle cultural

O método de controle cultural baseia-se no plantio de variedades resistentes, moagem
rápida da cana, eliminação de plantas hospedeiras e queima para o corte dos restos culturais,
(ALVES et al., 1992).

2.4.3.1. Resistência Varietal
Mathes & Charpentier (1969) reconhecem o uso de variedades resistentes como o
método ideal de controle para esta praga, pelo fato dele não apresentar quaisquer das óbvias
desvantagens do uso de inseticidas (poluição ambiental, degradação de ecossistemas e rápido
desenvolvimento de resistência nos insetos-praga), por ser adequado à integração a outros
métodos de controle e, com uma cultura extensiva e de baixa renda líquida, como é o caso da
cana-de-açúcar.
Conforme Vieira (1970) o uso de variedades resistentes pode compreender um dos três
seguintes objetivos:
a. Servir como a principal, talvez a única, medida de controle;
b. Agir como auxiliar de outros métodos;
c. Substituir variedades mais suscetíveis.
Segundo o mesmo autor a variedade é resistente quando possui em maior grau do que
outras variedades a capacidade de evitar, tolerar ou recuperar-se do ataque de insetos. Neste
caso o termo resistência tem caráter relativo: uma variedade menos suscetível é resistente em
relação às mais suscetíveis.
De acordo com Painter (1968) os mecanismos que explicam a resistência das plantas
aos insetos são a antibiose, a não-preferência e a tolerância. A antibiose é o efeito adverso
sobre a biologia do inseto ao se alimentar da planta, causado por toxinas, inibidores do
crescimento e/ou reprodução, falta/deficiência de um elemento nutritivo e desequilíbrio de
nutrientes disponíveis. A não preferência deve estar associada à ausência de atrativos
químicos, físicos ou à presença de repelentes olfativos ou gustativos na planta resistentes.
Tolerância é a capacidade da planta para suportar ou recuperar-se dos danos provocados por
uma população de insetos que prejudicariam seriamente um hospedeiro mais suscetível.

10

Segundo Lara et al. (1986) os fatores que influenciam a manifestação da resistência
podem ser agrupados em três tipos distintos: fatores da planta, do inseto e do ambiente. Entre
os fatores da planta: a idade, a parte infestada da planta, infestação anterior por doenças ou
outras pragas (pode causar alterações nas características morfológicas e fisiológicas da
planta). Entre os relacionados ao inseto: a fase e idade, espécie, raça ou biotipo,
condicionamento pré-imaginal (certos insetos preferem ovipositar ou se alimentar em
variedade em que se alimentou anteriormente) e tamanho da população. Entre os ambientais
podem ser enumerados: climáticos e edáficos, infestação de outros insetos, predação e
parasitismo, época de plantio, densidade de plantio, tamanho da área plantada, plantas
adjacentes e cultura precedente.
A cana-de-açúcar apresenta alguns problemas ao seu melhoramento, devido ao seu
elevado número de cromossomos, por ser poliplóide e extremamente heterozigótica
(MACEDO, 1978).
Especificamente no caso da broca da cana-de-açúcar, Mathes & Charpentier (1969)
relatam que a resistência é atribuída a um dos seguintes fatores:
-Não atração da variedade para oviposição;
-Caracteres desfavoráveis para o desenvolvimento da broca na variedade;
-Caracteres físicos ou nutricionais dos tecidos que inibem ou retardam o
desenvolvimento da broca;
-Tolerância ou herdabilidade da planta produzir bem, a despeito de uma alta
infestação.
Os trabalhos realizados com resistência varietal à broca da cana, são em sua maioria
limitados à determinação dos índices de infestação e desatualizados, em função das mudanças
com o uso de novos genótipos, mais produtivos. Destacam-se algumas pesquisas realizadas,
descritas a seguir.
Ingram et al. (1951) observaram em suas pesquisas que as variedades de cana-deaçúcar diferem em sua suscetibilidade ao ataque da broca, e que as perdas causadas por elas
podem ser bastante reduzidas, pelo desenvolvimento e uso de variedades resistentes.
Rao et al. (1956) realizaram observações sobre a suscetibilidade relativa das
variedades de cana-de-açúcar ao ataque da broca e concluíram que a praga parece não ter
preferência por algumas variedades de cana antes da formação dos internódios, mas nos
estágios subsequentes algumas variedades parecem ser mais suscetíveis.

11

Dantas (1958) testando a suscetibilidade relativa de diversas variedades de cana-deaçúcar à Diatraea spp. constatou que a Co331 foi uma das menos suscetíveis aos ataques da
praga.
Um trabalho mais completo sobre o assunto foi realizado por Macedo (1978) com o
objetivo de conhecer o comportamento relativo das principais variedades de cana-de-açúcar
cultivadas na região Centro-Sul do Brasil, quanto à susceptibilidade à D. saccharalis (Fabr.,
1794), os possíveis mecanismos de resistência apresentados por estas variedades e a
herdabilidade da resistência presente nelas. Entre as conclusões encontradas, foi possível
identificar como mecanismos de resistência (presentes nas variedades estudadas, envolvidos
direta e indiretamente) caracteres morfológicos (tendência para as variedades de internódios
na forma de carretel serem mais infestadas) e nutricionais (infestações mais altas em solos
PVLs, correlacionadas positivamente com alto teor de cálcio nas plantas); o comportamento
dos progenitores foi ratificado pelo comportamento das progênies, indicando que os
caracteres que induziram maior ou menor resistência nas variedades estudadas, são herdáveis,
assegurando a possibilidade de se encontrar fontes de resistência à D. saccharalis entre
variedades comerciais no Brasil.
Moreno et al. (1979) realizando uma seleção prévia de fontes de resistência em 573
variedades de cana-de-açúcar aos ataques da Diatraea spp. obtiveram resultados que
indicaram as variedades H.KWANDANG, CP1165 e B70129 como altamente resistentes,
com intensidades de infestação de 3,94%, 4,65% e 4,74%, respectivamente, enquanto as
variedades qualificadas como altamente suscetíveis alcançaram intensidades de infestação
superiores a 48%, a exemplo da variedade B60321.
Moreno, et al (1984) estudando o comportamento de cana-de-açúcar ao ataque de
Diatraea spp. observaram uma maior resistência relativa da variedade Co331 aos ataques da
praga quando comparada às variedades CB45-3, RB70141 e RB70194, bem como
constataram que o período de maior ocorrência da praga em Alagoas, em cana planta, ocorre
dos 4 aos 8 meses de idade.
Teran et al. (1985) realizando estudos sobre resistência à broca em telado obteve
resultados que mostraram não haver correspondência entre a preferência de oviposição

ea

resistência ou tolerância das variedades estudadas: a preferência de oviposição foi pelas
variedades IAC86/65, NA56-79, CB47-355 e IAC52/150, sendo clara a preferência da praga
pela face inferior da lâmina da folha, seguida pela face superior e pela bainha da folha; no que
se refere à tolerância, os genótipos IAC48/65 e NA56-79 comportaram-se como as mais
tolerantes, enquanto que a IAC52/160 como a menos tolerante à infestação pela broca.
12

Viveiros (1992) em Alagoas, avaliando o comportamento relativo das principais
variedades e clones RB, verificou que os genótipos RB8060, RB816 e Q113 foram os menos
danificados pela broca nas Usinas Santo Antonio (Região Litoral Norte) e Utinga Leão
(Região Litoral Centro).
Silva et al. (2002) estudando o comportamento das variedades RB72454, RB83102 e
SP79-1011 de cana-de-açúcar com relação à broca Diatraea spp. em quatro regiões de
Alagoas, observaram uma maior preferência da broca pela variedade SP79-1011, diferindo
significativamente das demais e uma maior incidência da praga na região litoral norte.

3 - MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi conduzido nas sete regiões ecológicas da área canavieira de Alagoas
(Figura 5) no ano de 2006, representadas pelas Usinas Santo Antonio, São Luiz do Quitunde
(Região Litoral-Norte), Laginha (Região Norte), Capricho, Cajueiro (Região Centro-Norte),
Triunfo, Boca da Mata (Região Centro-Sul), Roçadinho (Região Litoral Centro), Coruripe
(Região Litoral Sul) e Paísa (Região Sul), avaliando-se a percentagem de intensidade de
infestação de Diatraea spp. através das contagens dos entrenós totais e perfurados
(internamente, mediante abertura longitudinal dos colmos), conforme metodologia
preconizada por Gallo et al. (1987), em uma touceira por parcela. Foram utilizados 26
genótipos (RB72454, RB845210, RB863129, RB92579, RB928064, RB931003, RB931011,
RB95549, RB961, RB961552, RB9622, RB9629, RB971702, RB971703, RB971720,
RB971723, RB971741, RB971744, RB971747, RB971754, RB971755, RB971761,
RB971765, RB971767, RB98710 e SP79-1011).
O delineamento estatístico empregado foi em blocos ao acaso com três repetições,
sendo as parcelas constituídas por quatro sulcos de seis metros de comprimento.
Foi utilizado o teste de Scott-Knott ao nível de 5 % de probabilidade de erro para
agrupar as médias de infestação para os fatores: genótipo e região.
Realizou-se análise complementar tomando-se por base escala adaptada de Moreno et
al. (1980) como mostra a Tabela 1, agrupando-se os genótipos em seus respectivos graus de
incidência em função do ataque da broca Diatraea spp.

13

Tabela 1. Escala de notas para determinação dos graus de resistência de cana-de-açúcar à
Diatraea spp.
............Intensidade de Infestação.............

...................Graus de Resistência................

0 a 5,00
5,01 a 10,00
10,01 a 15,00
> 15,01
AR = Altamente Resistente; MR = Moderamente resistente
S = Susceptível; AS = Altamente Susceptível.

AR
MR
S
AS

Figura 4. Regiões canavieiras do Estado de Alagoas

14

4 - RESULTADOS E DISCUSSÃO
As médias de intensidade de infestação por Diatraea spp. podem ser visualizadas na
Tabela 2, assim como os resultados do Teste Scott-Knott.

Tabela 2. Médias de intensidade de infestação por Diatraea spp. para os fatores Genótipos e
Região.
REGIÕES
Litoral Centro
Litoral Litoral Centro
GENÓTIPO
MÉDIA
Sul
Norte Norte
Sul Centro Norte
Sul
RB971747
RB92579
RB971741
RB931003
RB931011
RB931580
RB971765
RB9438
RB971703
RB863129
RB943365
RB971720
RB971723
RB931566
RB971755
RB72454
RB971761
RB845210
RB961552
RB971744
RB928064
SP79-1011
RB971702
RB912698
RB971754
RB961
MÉDIA

0,53
0,00
2,06
0,68
1,60
0,89
1,11
0,00
0,00
1,72
0,00
0,00
0,00
6,84
1,74
0,56
0,00
1,10
0,63
1,00
1,19
0,00
4,95
2,04
0,00
0,00
1,14 A

1,33
0,00
0,00
0,30
2,00
0,00
0,93
0,00
0,00
0,27
0,00
1,10
0,00
0,00
0,00
0,00
2,27
0,32
0,00
0,00
0,18
1,35
0,00
0,00
0,00
0,00
0,43 A

1,94
0,00
0,00
1,15
0,00
0,45
0,00
0,52
0,50
1,11
2,20
0,29
0,22
0,45
0,00
0,46
0,00
0,00
2,82
0,00
0,62
3,39
0,42
0,81
0,00
3,77
0,81 A

REGIÃO
GENÓTIPO
REGIÃO x
GENÓTIPO
QMR
CV(%)
Média geral

135,127**
6,982**

(Pr < 0,000)
(Pr < 0,000)

3,910**
78,769
237,54
3,736

(Pr < 0,000)

1,23
3,67
5,57
8,94
4,46
3,56
5,96
9,60
5,79
6,25
4,00
6,39
3,14
0,00
8,56
10,87
3,08
9,41
8,51
5,99
2,65
3,34
7,79
12,07
4,68
8,24
5,85 D

1,61
2,41
3,31
2,95
4,24
6,06
6,26
4,12
3,66
9,52
4,69
16,12
7,87
10,12
11,83
12,39
11,72
17,23
13,07
12,56
7,47
15,05
16,47
10,84
24,12
17,32
9,51 E

0,83
1,85
0,00
1,66
0,42
2,24
1,95
2,31
1,72
3,46
5,02
0,88
7,36
3,80
7,14
4,40
2,22
4,89
2,29
5,70
17,32
1,75
3,46
12,57
8,03
5,82
4,49 C

1,21
1,93
0,00
0,64
1,65
0,54
1,02
1,34
4,50
0,09
4,66
0,82
2,53
1,70
0,33
1,82
3,15
0,26
1,79
2,54
1,84
2,36
4,68
3,60
2,67
8,66
2,21 B

1,32 a
1,59 a
1,62 a
1,88 a
2,12 a
2,12 a
2,39 a
2,46 a
2,59 a
3,12 a
3,25 a
3,38 a
3,66 b
3,82 b
4,03 b
4,05 b
4,05 b
4,47 b
4,59 b
4,73 b
4,76 b
5,20 b
5,27 b
6,06 b
6,34 c
7,19 c
3,74 c

Médias seguidas de letras iguais, maiúsculas nas colunas e minúsculas nas linhas, não diferem entre si pelo teste de
Scott-Knott ao nível de 5% de probabilidade de erro.
** Significativo a 1% de probabilidade pelo tese F.

15

Considerando que a resistência de plantas ao ataque de pragas é um conceito relativo,
os resultados da análise estatística permitiram chegar a algumas considerações:
O resultado mostrou que o comportamento de alguns genótipos foi variável, de acordo
com o local. A variedade RB971754, altamente infestada na Litoral Centro, não foi atacada
nas Regiões Litoral Sul, Centro Norte e Norte. A variedade SP79-1011, um dos padrões
utilizados, apresentou altos índices de intensidade de infestação da broca que variaram de zero
a 15,05%, indicando sofrer influência da pressão populacional da praga, conforme o local
avaliado. Esta variedade também apresentou o mesmo comportamento num estudo realizado
por Silva et al. (2002), no qual também evidenciou maior preferência da broca pela variedade
SP79-1011, bem como da divergência das intensidades de infestação entre as regiões
canavieiras.
Os genótipos RB971747 e RB92579 apresentaram médias baixas de intensidade de
infestação

em

todos

os

locais

avaliados,

mostrando

comportamento

estável,

independentemente do ambiente;
Os resultados mostraram que para o fator Região, o Centro-Norte, Norte e Litoral-Sul
não diferiram estatisticamente entre si, formando um único grupo, porém, diferiram das
demais regiões que constituíram quatro grupos distintos, sendo o Litoral Centro a região que
apresentou maior média de intensidade de infestação (9,51);
Para o fator Genótipo a RB928064, se comportou como altamente resistente nas
regiões três, quatro, cinco, seis e sete que correspondem respectivamente (Litoral Sul, Sul,
Centro-Sul, Centro-Norte, Norte) e medianamente resistente na região que apresentou maiores
índices de infestação, dois (Litoral Centro). Os genótipos RB912698, RB971754 e RB961
foram os que apresentaram maiores médias de infestação nas sete regiões climáticas. Na
região Litoral Centro, foram constatados genótipos com índices acima de 15% (variedades
altamente suscetíveis); SP79-1011 (padrão) (15,05%), RB971720 (16,12), RB971702 (16,47),
RB845210 (17,23), RB961 (17,32) e RB971754 (24,12) (Tabela 2). A propagação desse
material nessa região deve ser acompanhada de monitoramento freqüente com o devido uso
do controle biológico, uma vez que pode se constituir em risco de elevadas perdas devido à
praga e, em função do aumento da população da broca no campo, afetar material menos
suscetível;
No entanto a suscetibilidade dos genótipos pode ser contornada com o manejo
adequado através de monitoramentos freqüentes para que a infestação não possa chegar a
níveis de danos econômicos, e assim comprometer o desenvolvimento da cultura, que além
dos prejuízos, como redução da produtividade agroindustrial, eleva os custos de produção.
16

Tomando-se por base escala adaptada de Moreno et al. (1980), o agrupamento dos
genótipos em seus respectivos graus de incidência em função do ataque da broca Diatraea
spp. é mostrado na Figura 5. Verifica-se que, considerando as médias das sete regiões, as
variedades apresentaram apenas dois graus de incidência: baixo e mediano. O grau de
incidência mediano agrupa genótipos com índices de intensidade de infestação acima de 5 %,
quando já se deve adotar medidas de controle, conforme Gallo et al (1978).

8,00

7,00

6,00

% I.D.

5,00

4,00

3,00

2,00

1,00

BAIXO

RB961

RB971754

RB912698

RB971702

RB928064

SP79-1011

RB971744

RB961552

RB845210

RB72454

RB971761

RB971755

RB931566

RB971723

RB971720

RB943365

RB863129

RB971703

RB9438

RB971765

RB931580

RB931011

RB931003

RB92579

RB971741

RB971747

0,00

MEDIANO

Genótipos/Graus de incidência

Figura 5. Representação gráfica do comportamento de genótipos de cana-de-açúcar em
relação ao ataque da broca (% ID). Médias de sete regiões ecológicas de Alagoas.

Com base no relatório técnico safra 06/07 do PMGCA, as variedades com maoires
índices de infestação foram as que apresentaram percentual de fibra entre 12,76% e 12,82% e
as mais resistentes entre 14,53% e 14,73%. Mostrando assim que pode haver uma relação
entre o percentual de fibra e o nível de infestação. A seleção de materiais com altos
percentuais de fibra pode-se obter genótipos mais resistentes.

17

5 - CONCLUSÃO
Nas condições em que foi conduzido este experimento, pode-se concluir o seguinte:
Alguns genótipos comportaram-se diferentemente em função da incidência da praga:
- Os genótipos RB971747 e RB92579 apresentaram baixos índices em todos os locais
avaliados, mostrando comportamento estável;
- Um dos padrões utilizados, a variedade SP79-1011 apresentou índices de infestação
que variaram de zero a 15,05%, sofrendo influência de pressão populacional da praga,
conforme o local avaliado;
- A incidência da praga variou em função do ambiente, sendo a região litoral Centro a
de maior intensidade de infestação.
- Torna-se necessário a realização de novos trabalhos, tendo em vista a liberação de
novas variedades de cana-de-açúcar e a necessidade de se conhecer o comportamento das
mesmas em relação ao ataque, não apenas de Diatraea spp., assim como também de outras
pragas importantes.

18

6 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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