Thiago S Lira

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
UFAL

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

CECA

AVALIAÇÃO DE DOIS MÉTODOS DE PRODUÇÃO DE CERA DE ABELHAS
NA ZONA DA MATA ALAGOANA

THIAGO SILVER LIRA

Rio Largo
Alagoas – Brasil
2011

THIAGO SILVER LIRA

AVALIAÇÃO DE DOIS MÉTODOS DE PRODUÇÃO DE CERA DE ABELHAS
NA ZONA DA MATA ALAGOANA

Trabalho de Conclusão de Curso
submetido à Coordenação do Curso
de Agronomia, da Universidade
Federal de Alagoas, como requisito
parcial para obtenção do Título de
Engenheiro Agrônomo.
Orientador: Prof. Dr. Roger Nicolas Beelen - CECA/UFAL

Rio Largo
Alagoas – Brasil
2011

Aos amantes do mundo mágico das abelhas.
Dedico

AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus acima de tudo por permitir que eu alcançasse meu objetivo
de formação em Agronomia, sem a concepção dele nada seria realizado.
De forma muito carinhosa e sincera agradecerei as pessoas que de fato
participaram de forma direta e indireta na realização desse sonho.
Aos meus pais, Claudio e Jandira que me educaram e mostraram o melhor
caminho a percorrer, aos meus irmãos Cintia e Kaio, que mesmo a distância
foram meus companheiros e serviram de estimulo. .
Aos meus avôs em especial ao meu vô Niedson que foi mais que um pai, foi
um exemplo de homem de caráter e não mediu uma só vez esforços para
atender as minhas necessidades não se esquecendo da bondade da minha vó
Cecília e do vigor em forma de vida da vó Jandira.
Agradeço também ao meu tio Jota e tia Ninha, pelos incentivos e uma torcida
confiante para eu chegar a essa formação. E minha prima Nina Rosa que
sempre vibrou nas minhas conquistas.
Faço um agradecimento em forma de amor para minha noiva Dinayze Almeida
que antes de tudo é minha amiga e sei que sem ela dificilmente alcançaria
esse estágio em minha vida. Ela é verdadeiramente minha fortaleza que não
me abandonou um só momento.
Fico muito feliz e agradecido por ter um amigo “irmão” que Deus botou na
minha vida e que compartilhou de perto cada passo da minha trajetória e sei
que ainda teremos muito mais historia para festejarmos juntos, Meu irmão José
Harlisson.
Agradeço ao professor José Jonas que foi o responsável pela minha introdução
na encantadora atividade com as abelhas, para com ele tenho essa eterna
gratidão.
Ao professor Roger, que permitiu a continuidade de minhas atividades com as
abelhas e foi o orientador na minha vida acadêmica e científica.
Aos companheiros de laboratório pela colaboração nas atividades
desenvolvida, ao meu amigo Diogo Feliciano, a Erica, Kristhianne, Jaqueline,
Jocemildo.
E por fim agradeço aos meus colegas de turma que compartilhram os meus
aprendizados e estão tendo a mesma realização profissional.
A todas as pessoas que sempre vibraram e torceram por mim, todos os que me
querem o bem, aos que eu não citei, mas sabem de sua importância para mim.
Obrigado.

LISTA DE ILUSTRAÇÕES
FIGURA 1. Modelo Quadro de ninho utilizado para produção de cera: a)
guarnecidos de uma tira de cera de 3 a 4 cm; b) quadro de ninho puxado com a
cera a ser aparada.............................................................................................17

FIGURA

2.

Alimentação

energética

artificial

no

alimentador

tipo

Boardman..........................................................................................................17
FIGURA

3.

Alimentação

protéica

artificial

no

alimentador

de

cobertura............................................................................................................18

FIGURA 4. Produção de cera por colônias de abelhas Apis mellifera utilizando
dois métodos de produção ................................................................................19

FIGURA 5. Consumo de alimento protéico por colônias de abelhas Apis
mellifera utilizando dois métodos de produção de cera.....................................21
FIGURA 6. Correlação entre o consumo de alimento protéico e a produção de
cera das colônias experimentais........................................................................22

FIGURA 7. Consumo de alimento energético por colônias de abelhas Apis
mellifera utilizando dois métodos de produção de cera.....................................22

FIGURA 8: Correlação entre o consumo de alimento protéico e consumo de
alimento energético. ..........................................................................................23

LISTA DE TABELAS
TABELA 1. Analise de variância e comparação entre médias pelo teste de
Tukey.................................................................................................................20

RESUMO
Objetivou-se avaliar dois métodos de produção de cera de abelhas Apis
mellifera africanizadas na Zona da Mata alagoana. O experimento foi realizado
no apiário experimental do Centro de Ciências Agrárias da Universidade
Federal de Alagoas, de janeiro a maio de 2011. Foram utilizadas 12 colônias de
abelhas africanizadas Apis mellifera, seis para o método de produção por guias
de cera alveolada e seis para o método de produção por desalojamento de
abelhas. As colônias foram preparadas a partir de quadros oriundos de
colméias doadoras de um apiário de apoio e alojadas inicialmente em núcleos
(colmeias contendo cinco quadros). A partir do momento de transferência para
ninhos (colmeia contendo 10 quadros) até o fim do experimento todas as
colônias receberam alimentação suplementar energética e protéica. A cera
produzida em cada colônia foi processada por derretimento em banho-maria,
filtrada e colocada em moldes para solidificação. Os blocos resultantes foram
pesados para determinação da produtividade por colméia. A produção total de
cera obtida das colônias pelo método de guias e desalojamento foi de 826,96 g
e de 977,61 g, respectivamente. Apesar da produção de cera ter sido maior no
método de desalojamento, a colônia mais produtiva (587,23 g de cera)
pertencia ao grupo do método de guias. A colônia mais produtiva do método de
desalojamento produziu 333,77 g de cera. Não se observou diferença
significativa na produção de cera entre os métodos de produção avaliados.
Uma interação significativa entre os métodos foi observada. Diferenças
quantitativas na produção de cera entre as colônias de cada método ou grupo
foram observadas. O alto coeficiente de variação encontrado pode explicar a
diferença não significativa na produção de cera entre os métodos avaliados.
Parece existir uma predisposição genética de algumas colônias, as quais são
mais eficientes na produção de cera.

Palavras-chave: Apicultura, Alagoas, cera animal, produto apícola,
alimentação de abelhas, Apis mellifera

SUMÁRIO
1.

INTRODUÇÃO..........................................................................................9

2.

REVISÃO DE LITERATURA...................................................................11

3.

2.1.

O início da Produção de Cera no Brasil.......................................11

2.2.

Tipos de cera ...............................................................................11

2.3.

O que é a cera de abelha?...........................................................12

2.4.

Beneficiamento.............................................................................13

2.5.

Produção comercial de cerca de abelha......................................14

OBJETIVOS............................................................................................15
3.1.

Geral.............................................................................................15

3.2.

Especifico.....................................................................................15

4.

MATERIAL E MÉTODOS........................................................................16

5

RESULTADOS E DISCUSSÃO.............................................................19

6

CONCLUSÕES.......................................................................................24

7

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................25

1.

INTRODUÇÃO

A apicultura finalmente firmou-se como atividade agropecuária no
Nordeste do Brasil. Existe um mercado crescente não só do mel, mas de
todos os demais produtos apícolas (cera, própolis, pólen, geléia real,
rainhas, enxames), de serviços (polinização, treinamentos, capacitações,
assistência

técnica),

insumos

(colméias,

centrífugas,

mesas

desoperculadoras) e comércio (atravessadores, entrepostos de mel e
cera, exportadores, etc.). Entretanto, a atividade baseia-se quase que
exclusivamente na produção de mel. É necessário partir para a
diversificação da exploração da apicultura. O apicultor precisa deixar de
criar abelhas apenas para produção de mel e pensar nos demais produtos
das abelhas (FREITAS, 2004).
O bioma Caatinga é sem sombra de dúvida uma região
vocacionada para produção de mel, devido à diversidade de plantas
silvestres que após serem submetidas a severo estresse climático, devido
à má distribuição das chuvas, florescem maciçamente no inverno
fornecendo pólen e néctar em abundância. Esse bioma é provavelmente
uma das melhores regiões do planeta para produção de mel sem
qualquer tipo de contaminação química.
A região litorânea do Estado de Alagoas (Zona da Mata) é
caracterizada por um domínio da monocultura da cana-de-açúcar, com
pouquíssimas áreas remanescentes de vegetação nativa. Aliado a isso, a
região

litorânea

não

apresenta

muita

diversidade

florística

nem

florescimentos suficientemente longos que permitam adequado retorno
financeiro ao apicultor, quando a atividade é exclusivamente voltada à
produção de mel. Os apiários da região produzem basicamente o mel
denominado melato, proveniente do exsudado de sacarose coletado pelas
abelhas após o corte da cana-de-açúcar. Em virtude de sua coloração
escura e aroma menos apreciado, o melato possui baixo valor comercial.
Diversos apicultores locais iniciados na atividade de maneira inadvertida
acabaram não tendo o retorno esperado e abandonando a apicultura.
Entretanto, é plausível que apiários localizados em as áreas com
predominância canavieira possam ser utilizados para a produção de

outros produtos como a cera de abelhas e a geléia real, tendo em vista
que o processo de produção se baseia na alimentação energética e
protéica artificial das colônias.
A produção de cera de abelha é uma alternativa bastante
interessante, pois seu sistema de produção é fácil, a cera não é perecível
nem precisa de cuidados especiais, e pode-se agregar grande valor a ela
por meio de um simples sistema de processamento para transformá-la em
cera alveolada. Além disso, possui um mercado amplo e em franca
expansão com o crescimento atual da apicultura. Na verdade, há vários
casos de iniciativas apícolas refreadas por carência de cera alveolada.
(FREITAS, 2004). Existe inclusive uma grande demanda por cera no
mercado internacional, tanto europeu quanto americano*.

*BEELEN, observação pessoal.

2.

REVISÃO DE LITERATURA

2.1

O início da produção de cera no Brasil

A exploração da cera foi uma das primeiras atividades praticadas
com abelhas do gênero Apis no Brasil, utilizando-se abelhas eslovenas
(Apis mellifera carnica), caucasianas (A. m. caucasiana), dentre outras
sub- espécies introduzidas no País. Portanto, durante a fase inicial da
apicultura brasileira as primeiras colônias foram trazidas principalmente
para atender as necessidades dos religiosos que necessitavam de cera
para fabricação de velas e também como “hobby” (GOLÇALVES, 2004).
As abelhas da espécie Apis mellifera foram introduzidas no Brasil
no ano de 1839 pelo Padre Antônio Pinto Carneiro, com

a devida

autorização de D. Pedro II (Decreto n° 72 de 12 de junho de 1839), com o
intuito de obter cera para manufatura de velas para a liturgia da igreja
Católica. Umas das primeiras famílias a trabalhar com o beneficiamento
da cera de abelha foi a família Zovaro, que iniciou suas atividade em 1946
(ZOVARO, 2007).
2.2

Tipos de cera

Existem diversos tipos de cera. De origem mineral, como por
exemplo, a ceresina e parafina, as sintéticas, as quais são obtidas de
óleos originários do petróleo, as de origem vegetal, como a cera de
carnaúba, e as ceras de origem animal, das quais, a mais conhecida é a
cera de abelhas (ZOVARO, 2007).
O regulamento técnico para fixação da identidade e qualidade de
cera de abelhas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
do Brasil (2001), define a mesma como sendo um produto de consistência
plástica, de cor amarelada, muito fusível, que é secretado pelas abelhas
para formação dos favos nas colméias e dá à mesma, duas
classificações:
Cera de abelhas bruta: quando não tiver sofrido qualquer
processo de purificação, apresentando cor desde o amarelo até o pardo,
untuosa ao tato, mole e plástica ao calor da mão, fratura granulosa, odor

lembrando o do mel, sabor levemente balsâmico e ainda com traços de
mel;
Cera de abelhas branca ou pré-beneficiada: quando tiver sido
descolorida pela ação da luz, do ar ou por processos químicos, isenta de
restos de mel, apresentando-se de cor branca ou creme, frágil, pouco
untuosa e de odor acentuado.
2.3.

O que é a cera de abelha?

A cera de abelha é um produto produzido dentro da colméia pelas
abelhas operárias com idade entre 12 e 18 dias. A cera é secretada por
quatro pares de glândulas ceríferas localizadas no lado ventral do
abdômen. As abelhas utilizam a cera para a construção de toda a
estrutura de armazenamento de alimento (alvéolos e opérculos) e de
reprodução da colônia (alvéolos de cria).
Brow (1981) conceituou cera de abelha como uma mistura
complexa de ésteres de ácidos orgânicos, ácidos céricos livres,
hidrocarbonetos, alcoóis livre, minerais, água e outros componentes
orgânicos.
A cera de Apis mellifera tem sido separada em mais de 300
componentes que podem ser resumidos em monoésteres (35%),
hidrocarbonetos

(14%),

diésteres

(14%),

ácidos

livres

(12%),

hidroxipoliésteres (8%), hidroximonoésteres (4%), triésteres (3%), ácidos
poliésteres (2%), ácidos monoésteres (1%) e outros componentes não
identificados (7%) (NOGUEIRA E COUTO, 2006).
A cera de abelha pode ser obtida por meio dos opérculos que
recobrem os alvéolos do favo. A cera oriunda de opérculos é considerada
a mais pura. Como a cera de abelhas possui características físicas muito
estáveis pode também ser reaproveitada sucessivamente a partir de
pedaços de favo, favos velhos ou tortos, de raspas de cera que ficam em
cima dos quadros e na parte interna da tampa da colmeia.
As abelhas só produzem cera se houver necessidade de expandir
a área de postura de ovos da rainha, ou ampliar o espaço de depósito de

pólen ou mel, caso contrário a abelha não produzirá cera (ZOVARO,
2007).
2.4.

Beneficiamento

Existem diversas maneiras de beneficiamento da cera, sendo as
mais comuns: Grande parte citado por (ZOVARO, 2007).
Extração por fervura com uso de saco de aniagem: consiste em
colocar a cera em um saco de aniagem com um peso para que o mesmo
fique submerso dentro de um recipiente com água. Com a água em
ebulição a cera se desprende das impurezas e passando pelo saco, forma
um bloco de cera. As impurezas ficam retidas dentro do saco. Esse
processo não é muito recomendado pela grande perda da cera que fica
retida no saco.
Extração por fervura com uso de peneiras: derretem-se os favos
com água quente e após iniciar o processo de fervura, transfere-se os
favos para outro recipiente com água fria passando por uma peneira com
malha de 2 a 3 mm para que as impurezas sejam retidas. Forma-se assim
um bloco de cera na água fria, podendo o apicultor repetir o processo e
após esfriar retirar o excesso de sujeiras contidas na cera.
Extração por prensa: é um sistema bastante antigo onde a cera é
obtida por prensagem. Após o aquecimento com água, joga-se na prensa
que por um processo manual ou hidráulico a cera e a água separam-se
do bagaço prensado no sistema. A recuperação de favos velhos é melhor
neste sistema, entretanto, é um equipamento pouco usado no Brasil.
Tem-se como desvantagem o casaco causado pelo trabalho de sempre
ter que ficar limpando o cilindro entre uma pesagem e outra.
Extração por vapor: este sistema é mais eficiente do que os três
citados anteriormente. Os favos velhos, raspas ou opérculos são
introduzidos em um recipiente colocado sob uma caldeira cujo vapor
atravessa o interior aquecendo a cera, que ao se fundir desliza para um
compartimento externo que recebe o material. É aconselhável que dentro
do recipiente que vai receber a cera tenha uma peneira com malha de 2 a
3 mm evitando dessa maneira que as impurezas saiam junto com a cera.

Extração por meio do derretedor solar: extração feita em uma
caixa de madeira pintada internamente em preto para absorver melhor o
calor. É coberta com uma tampa com dois vidros planos e paralelos
distantes um do outro em apenas 1 cm. Internamente, possui um
recipiente onde se coloca a cera a ser derretida e outro mais abaixo para
recebê-la após o derretimento. O derretedor é posicionado com os vidros
de frente para o sol e com uma declividade de 15 a 20% para que a cera
derretida possa escoar. Este sistema possui a grande vantagem da cera
sair totalmente limpa e em função dos raios solares ela se torna mais
clara. Alem disso, é o sistema menos trabalhoso e com menor risco de
acidentes. Em contrapartida, tem-se a desvantagem de que para favos
velhos a perda de cera é muito grande, visto que haverá a necessidade
de mais calor para derretê-los, e normalmente, a temperatura atingida não
consegue derreter as impurezas que os envolve. Assim sendo, este
sistema é mais indicado para derreter apenas ceras de opérculos.
Depois de extraída a cera pode sofrer o processo de clareamento
natural ou químico.
Uma vez extraída, purificada e eventualmente clarificada, a cera de
abelha deve passar por um processo de laminação e alveolagem em
equipamentos específicos, os cilindros alveoladores, para ser fornecida
como suporte de construção dos favos na colmeia.
2.5. Produção comercial de cera de abelha
O crescimento exponencial da atividade apícola gerou uma grande
demanda por cera de abelhas.
No ano de 2004, houve uma grande escassez de cera de abelha
no Brasil devido a alterações climáticas (muitas chuvas no nordeste e
seca no sul), o que elevou o preço da cera bruta em 100% e despertou
nos apicultores a necessidade de criar alternativas de produção de cera
para suprir as carências do produto (ZOVARO, 2007).
No Brasil depois da crise de 2004, os apicultores debateram muito
e o Sr. Eudoxio Rodrigues de Abreu, desenvolveu uma colméia especifica
para produção de cera, denominada colméia Piauí. A colméia apresenta

três compartimentos (um ninho e duas melgueiras laterais), sendo
interligadas por um túnel no fundo da colmeia de 2,5 cm altura e separada
por telas de escape abelha no sentido melgueira – ninho (ZOVARO,
2007).
Diversos métodos ou processos de produção têm sido propostos
ao longo dos anos. Um processo citado pelo Pe. D. Amaro Van Emelen
(1934) consiste em preparar os quadros de ninho com tiras de cera
alveolada de 2 a 3 cm, substituindo folhas de cera alveolada inteiras. No
período de florada, os quadros contendo as tiras de cera são fornecidos
na colmeias em função das necessidades. Os favos puxados pelas
abelhas são aparados regularmente tanto no ninho como na melgueira,
deixando novamente os 2 a 3 cm iniciais de cera.
Outro processo citado pelo mesmo autor pratica-se desalojando as
abelhas de seus favos, mantendo somente os de cria fechada prestes a
emergir. O fundamento do método é fazer com que as abelhas se
encontrem sem cria e sem mel, adquirindo a preocupação constante de
construir favos com a maior rapidez possível para reiniciar a postura da
rainha e estocar seus alimentos. Da mesma maneira que no método
anterior a cera nova produzida pelas abelhas será aparada regularmente.
Apesar dos métodos ou processos propostos, não há confirmação
se a produção de cera em grande escala é viável ou não. Muxfeldt (1985)
afirma que seria viável criar abelhas visando somente à produção de cera
em regiões onde a flora de néctar tem qualidade inferior e o mel não é tão
valorizado, ou o transporte do mesmo não é difícil e oneroso. Professores
de apicultura da Universidade de Cornell - EUA frisaram que a produção
de cera vem a ser um fator importante na região do Hawaii, onde o mel
provém do pseudonectar, originando o melaço .

3.

OBJETIVOS

3.1. Geral:
● Avaliar dois métodos de produção de cera de abelhas Apis
mellifera africanizadas na Zona da Mata Alagoana
3.2. Específicos:
Estimar a produção de cera nos métodos avaliados;
Estimar o consumo de alimento para produção de cera;
4.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado de janeiro a maio de 2011 no apiário
experimental do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de
Alagoas (CECA), localizado no município de Rio Largo, Zona da Mata
alagoana (latitude 9º 27´ 54,8’’ S e longitude 35º 49´ 59,7” W).
Foram utilizadas 12 colônias de abelhas africanizadas Apis
mellifera, alojadas em colmeias do tipo Langstroth, sendo seis para o
método de produção de cera com guias de cera alveolada, e seis por pelo
método de desalojamento das abelhas.
As 12 colônias foram formadas inicialmente em núcleos (colméia
contendo cinco quadros) pela adição de um quadro de cria fechada, um
quadro de cria aberta e outro de postura, dois quadros de alimento (mel e
pólen) e algumas abelhas aderentes, oriundos de colônias doadoras.
Foram a seguir introduzidas rainhas produzidas no Laboratório de
Abelhas do CECA e fecundadas naturalmente. A fim de diminuir a
variabilidade, todas as rainhas eram filhas de uma mesma matriz
previamente selecionada, produzidas e introduzidas nos núcleos no
mesmo período. As colônias foram equalizadas antes do início do
experimento.
O método de produção por guias de cera consistiu em adicionar a
colmeia quadros guarnecidos apenas de guias de cera (tiras de três a
quatro centímetros), em substituição dos quadros com cera inteira,
fornecendo às abelhas quantos quadros pudessem ir ocupando e
transformando em favos novos. A cera nova (favos) que as abelhas
produziram foi aparada regularmente tentando comprometer ao mínimo o

desenvolvimento da colônia e deixando novamente apenas três a quatro
centímetros de favo para servir de guia (Figura 1).
O método de produção de cera por desalojamento das abelhas
consistiu em desalojar as abelhas de seus favos, mantendo somente os
de cria fechada prestes a emergir, preenchendo a colmeia com quadros
vazios. A cera nova produzida pelas abelhas nos quadros vazios foi
aparada regularmente.

Figura 1. Quadro de ninho utilizado para produção de cera: a) guarnecidos de
uma tira de cera de 3 a 4 cm; b) quadro de ninho puxado com a cera a ser aparada.

A partir do momento de transferência para ninhos até o fim do
experimento todas as colônias receberam alimentação suplementar
energética e protéica. A alimentação energética era fornecida em
alimentadores tipo Boardman e a proteica em alimentadores de cobertura.
A alimentação energética era composta por água e açúcar na mesma
quantidade (1:1) fornecida à razão de 500 mL por colônia três vezes por
semana. A alimentação proteica era composta de uma mistura contendo
20g de pólen, 50g de açúcar, 100g de farelo de soja e 30g de mel. Foram
fornecidos aproximadamente 10 gramas de alimento por colônia três
vezes por semana nos alimentadores de cobertura situados abaixo da
tampa das colmeias (Figura 2 e 3).

Figura 2. Alimentação energética artificial no alimentador tipo Boardman.

Figura 3. Alimentação protéica artificial no alimentador de cobertura.

O consumo do alimento energético foi medido anotando-se as
eventuais sobras, que foram subtraídas do volume inicial fornecido. O
consumo do alimento protéico foi obtido pela diferença do peso inicial (Pi)
e final (Pf) da pasta fornecida a cada colônia. Com as informações do
consumo semanal foi calculado o consumo mensal (Cm) e consumo total
ao final do experimento (Ct).
A cera produzida por colônia foi processada pelo método de
derretimento em banho-maria. Em seguida, a cera líquida purificada foi
colocada em moldes e após solidificação, os blocos eram pesados, com

auxílio de uma balança Filizola com precisão de um grama, para cálculo
da produtividade de cera por colônia.
Utilizou-se um arranjo estatístico fatorial: dois métodos (guia e
desalojamento), quatro meses (Jan, fev, março e abril) e seis repetições
(colônias). Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e a
comparação de médias pelo teste de Tukey ao nível de 5% de
probabilidade, com auxílio do programa Assistat (SILVA E AZEVEDO,
2009).
5.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A produção total de cera obtida das colônias pelo método de guias
e desalojamento foi de 826,96 g e de 977,61 g, respectivamente. Apesar
da produção de cera ter sido maior no método de desalojamento, a
colônia mais produtiva (587,23 g de cera) pertencia ao grupo do método
de guias. A colônia mais produtiva do método de desalojamento produziu
333,77 g de cera. Apesar de duas colônias do método de guia terem
exameadas no último mês do experimento a produção total do método
não foi prejudicada.
Os valores médios de produção de cera encontrados na literatura
são bastante variáveis. Antonescu (1976) afirma que a produção de cera
destinada ao comércio varia de 0,2 a 0,3 kg/colônia/ano. Já Morse e
Hooper (1985, 1986) afirmam que apicultores podem obter de 1 - 2 kg de
cera por colônia/ano.
A evolução da produção de cera das colônias, obtida ao longo dos
quatro meses de experimento, pelos dois métodos avaliados, é
apresentada a figura 4.

Figura 4. Produção de cera por colônias de abelhas Apis mellifera utilizando dois
métodos de produção

Não se observou diferença significativa na produção de cera entre
os métodos de produção avaliados. Uma interação significativa entre os
métodos foi observada (Tabela 1).

Tabela 1. Analise de variância e comparação entre médias pelo teste de
Tukey.
Médias
Variáveis
Guia
Produção de
34,48a
cera (g)
Consumo
11,85b
protéico(g)
Consumo
3469b
energético(ml)

Método
Desalojamento

Significância

Mês
Jan

Fev

Mar

Abr

Met. Mês Int.

40,73a

16,66a 42,96a 24,25a 66,55a

ns

ns

*

17,40a

17,63a 21,18a 14,67a

5,03b

*

*

ns

4625a

4249a

3353a

*

ns

ns

4271a

4314a

* P<0,05. As médias seguidas pela mesma letra na linha horizontal não diferem
estatisticamente entre si. Foi aplicado o teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.

Como dito, anteriormente, diferenças quantitativas na produção de
cera entre as colônias de cada método ou grupo foram observadas. O alto
coeficiente de variação encontrado (CV%=154), pode explicar a diferença
não significativa na produção de cera entre os métodos avaliados. Parece
existir uma predisposição genética de algumas colônias, as quais são
mais eficientes na produção de cera.
Em relação à retirada da cera produzida pelas colônias, observouse que é importante respeitar o tempo de desenvolvimento e nascimento
das larvas. No presente trabalho três tempos de colheita foram testados,
a saber: a cada 7, 15 e 30 dias. Observou-se que a colheita ideal, ou seja,
aquela que fornece os melhores resultados, tanto quantitativos como
qualitativos, e menos interfere no bom desenvolvimento da colônia é
aquela que respeita o tempo de nascimento das larvas. Isso se deve ao
fato de que assim que as abelhas começam a construção dos favos a
rainha já deposita seus ovos. Portanto, colher a cera antes do nascimento
das larvas compromete a dinâmica populacional da colônia, além de
resultar em uma cera de difícil beneficiamento, visto a grande quantidade
de larvas presentes. O intervalo de colheita de 30 dias mostrou-se mais
adequado no presente estudo.
O consumo de alimento proteico pelas colônias experimentais nos
dois métodos de produção de cera avaliados está apresentado na figura
5.

Figura 5. Consumo de alimento proteico por colônias de abelhas Apis mellifera
utilizando dois métodos de produção de cera

Observou-se uma diferença significativa no consumo de alimento
proteico entre os dois métodos e entre os períodos (Tabela 1). O método
de desalojamento foi o mais dispendioso em termos de alimento proteico
(Figura 5).
Freudenstein

(1958)

mostrou

que

o

pólen

favorece

o

desenvolvimento das glândulas ceríferas, a atividade de construção das
abelhas e os fatores que afetam a altura dessas glândulas também
influenciam no tamanho dos enócitos, plaquetas de cera.
Taranov (1959) demonstrou que o elemento protéico tem grande
importância na produção de cera. Em experiências com produção
intensiva de cera, somente com alimentação de xarope de água e açúcar,
constatou-se que em quinze dias de produção as abelhas perderam
aproximadamente 20% das proteínas de seu corpo. A experiência
efetuada com 14 colônias encontrou relação direta entre a quantidade de
cera produzida e a quantidade de pólen coletada pela colméia.
No presente estudo não houve uma correlação entre o consumo de
alimento proteico e a produção de cera das colônias experimentais
(Figura 6). Variações de consumo foram igualmente encontradas entre as
colônias de cada método.

Figura 6. Correlação entre o consumo de alimento proteico e a produção de cera
das colônias experimentais.

O consumo de alimento energético das colônias nos dois métodos
de produção de cera avaliados está apresentado na figura 7.

Figura 7. Consumo de alimento energético por colônias de abelhas Apis mellifera
utilizando dois métodos de produção de cera

Observou-se uma diferença significativa no consumo de alimento
energético entre os métodos de produção de cera avaliados. O método de
produção por desalojamento foi igualmente mais dispendioso na utilização
do alimento energético.

A quantidade de mel ou alimento energético necessário para
produzir a cera é muito discutível. Horstmann (1965), baseado em
cálculos teóricos, pesquisou que a abelha melífera necessita de 2,8 a 8,0
g de mel para a produção de 1,0 g de cera e que o valor mais provável é
de 4,7 g de mel para 1,0 g de cera. Weiss (1965) verificou que as abelhas
consomem ao redor de quatro a cinco vezes mais mel que a cera que
sintetizam e secretam. No entanto, segundo Whitcomb Jr. (1946) e Root
(1965) essa quantidade é de aproximadamente 6 a 7 kg de mel por kg de
cera produzida.
Como dito anteriormente parece existir uma predisposição genética
de algumas colônias, as quais são mais eficientes na utilização do
alimento e consequentemente na produção de cera.
Isto se verifica na colônia 89 do método de guia, a qual consumiu
37,76 mL de alimento energético e 0,07g de alimento proteico para cada
grama de cera produzida, enquanto a média das outras colônias do seu
grupo foi de 103,11 mL e 0,37 g de alimento energético e proteico,
respectivamente, por grama de cera produzida.
Apesar de pouco expressiva, existe uma correlação entre o
consumo de alimento proteico e alimento energético (Figura 8). Isso
demonstra a

necessidade constante de alimento suplementar para

manutenção das colônias no período e região do estudo.

Figura 8. Correlação entre o consumo de alimento proteico e consumo de
alimento energético.

Sugere-se, entretanto, que sejam realizados novos estudos com
colônias em estágio de desenvolvimento mais avançado, por período
mais longo, que sejam testados alimentos alternativos de menor custo (p.
ex. garapa de cana-de-açúcar, farelo de forrageiras nativas, etc...) e que
seja incluído no delineamento
alimentação suplementar.

experimental um tratamento sem

6.

CONCLUSÕES

1.

Não houve diferença significativa na produção de cera

entre os métodos testados;
2.

Parece existir uma predisposição genética de algumas

colônias, as quais são mais eficientes na produção de cera;
3.

Dentre os métodos de produção de cera testados, o

método de produção por guias mostrou-se mais promissor devido ao
menor consumo de alimento suplementar;

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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