Tiago A Silva

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
CURSO DE AGRONOMIA
UFAL

CECA

TIAGO ALEXANDRE DA SILVA

INFLUÊNCIA DA COBERTURA MORTA E DA ADUBAÇÃO COM POTÁSSIO
E CÁLCIO NO CONTROLE DA GOMOSE DOS CITROS (Phytophthora sp.)

RIO LARGO – AL
2011

TIAGO ALEXANDRE DA SILVA

INFLUÊNCIA DA COBERTURA MORTA E DA ADUBAÇÃO COM POTÁSSIO
E CÁLCIO NO CONTROLE DA GOMOSE DOS CITROS (Phytophthora sp.)

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
ao Centro de Ciências Agrárias como parte
dos requisitos para obtenção do título de
Engenheiro Agrônomo.

RIO LARGO - AL
2011

DEDICO

Esse grande momento da minha vida aos meus
pais Marli Vicente da Silva e Francisco
Alexandre da Silva, pelo incentivo e o apoio
que me proporcionaram crescer como pessoa
durante todo o curso.

AGRADECIMENTOS

A minha imensa gratidão a Deus, pelo seu belíssimo amor que durante toda a
minha vida pude provar, dando-me sempre forças para continuar e nunca desistir dos
meus sonhos.
Ao meu pai, Francisco Alexandre da Silva e a minha mãe Marli Vicente da
Silva, pela força e apoio incondicional me incentivando sempre na busca de
conhecimentos;
À Universidade Federal de Alagoas – UFAL;
A minha orientadora e amiga Prof.ª Dr.ª Edna Peixoto da Rocha Amorim a qual
teve participação direta na realização deste sonho e que é um grande exemplo pra mim.
Minha gratidão a você é infinita!
A Profª Drª Roseane Cristina Prédes Trindade por ter acreditado em mim nos
primeiros momentos da minha vida acadêmica;

Aos professores do Curso de Agronomia do Centro de Ciências Agrárias CECA que contribuíram para minha formação;
Aos meus colegas do curso de Agronomia e aos amigos. Aos colegas do
Laboratório de Fitopatologia do CECA/UFAL, Marylia Gabriella Silva Costa,
Leonardo da Fonseca Barbosa, Júlio César da Silva, Inaura Patrícia da Silva Santos,
Wagner Teixeira Soriano, Geórgia Souza Peixinho, David Vitor dos Santos, Laís
Pexoto da Rocha Soares e José Gomes Filho pelo companheirismo durante as
atividades.
A todos aqueles que, mesmo não mencionados, de uma forma ou de outra,
contribuíram para a realização deste trabalho.

Obrigado a todos por tudo!

“Combati o bom combate... guardei a
fé. Resta-me agora receber a coroa da
justiça...”
II Tim 4 , 7s

SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS....................................................................................................VII
RESUMO......................................................................................................................VIII
1. INTRODUÇÃO...........................................................................................................09
2. REVISÃO DE LITERATURA...................................................................................11
2.1. Desenvolvimento da citricultura...............................................................................11
2.2. Botânica....................................................................................................................11
2.3. Importância econômica.............................................................................................12
2.4. Phytophthora sp........................................................................................................14
2.5. Cobertura morta........................................................................................................16
2.6. Cálcio e potássio.......................................................................................................17
3. MATERIAL E MÉTODOS.........................................................................................19
3.1. Obtenção do isolado e teste de patogenicidade........................................................19
3.2. Obtenção das mudas de citros..................................................................................19
3.3. Influência da cobertura morta...................................................................................19
3.4. Efeito de doses de potássio e cálcio..........................................................................20
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................................22
4.1. Teste de patogenicidade e reisolamento de Phythophthora sp.................................22
4.2. Efeito da cobertura morta sobre o desenvolvimento da doença...............................22
4.3. Efeito de diferentes doses de potássio e cálcio no desenvolvimento da doença......25
5- CONCLUSÃO............................................................................................................28
6- REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................29

LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1 - Inoculação da Phytophthora sp. em mudas de citros, através do método da
agulha..........................................................................................................21
FIGURA 2 - Patogenicidade de Phytophthora

sp.: A) fruto apresentando sintomas de

podridão marrom. B) esporângio de Phytophthora sp..............................22
FIGURA 3 - Efeito da cobertura morta sobre o desenvolvimento da gomose dos citros
(Phytophthora sp.)................................................................................... .23
FIGURA 4 – Efeito da cobertura morta sobre o desenvolvimento da gomose em de
citros: casca de mandioca (CM), folha de couve (FC), bagaço de cana-deaçúcar (BC), Casca de feijão (CF), tratamento químico (Q) e testemunha
(Test). .......................................................................................................23
FIGURA 5 - Efeito das coberturas mortas sobre o desenvolvimento das plântulas de
citros em substrato infestado com Phytophythora sp...............................24
FIGURA 6 - Efeito da adubação com potássio e cálcio sobre o desenvolvimento da
gomose dos citros (Phytophthora sp.).......................................................25
FIGURA 7 - Efeito da adubação com potássio e cálcio sobre o desenvolvimento das
plântulas de citros......................................................................................26

VII

RESUMO
SILVA, T. A. Influência da cobertura morta e da adubação com
potássio e cálcio no controle da gomose dos citros (Phytophthora
sp.) Rio Largo: Universidade Federal de Alagoas, Rio Largo, Estado de
Alagoas, UFAL-CECA, 2011 (Trabalho de Conclusão de Curso). 33p.
Este trabalho teve por objetivo observar o efeito de resíduos orgânicos e adubação com
Cálcio (Ca) e Potássio (K) no controle da gomose dos citros, doença responsável por
grandes perdas na citricultura. Na avaliação da cobertura morta foram utilizada casca de
feijão, casca de mandioca, folhas de couve, bagaço de cana, substrato descoberto e
PCNB (Pentacloronitrobenzeno). Os materiais foram desidratados, triturados e postos
sobre vasos com substrato inoculado com uma suspensão de inóculo de Phytophthora
sp. (20 esporângios/mL), na proporção de 20 mL/vaso. Cada vaso recebeu uma muda
de citros com raízes previamente feridas. O delineamento foi inteiramente casualizado
com seis tratamentos e oito repetições. No segundo ensaio, procedeu-se uma análise de
solo para recomendação da adubação com Ca e K. Foram utilizadas diferentes doses de
sulfato de cálcio e fosfato de potássio (combinadas ou não): 480 mg.Lˉ1 ( dose
recomendada de cálcio); 480 mg.Lˉ1 + 25%; 480 mg.Lˉ1 + 50%; 480 mg.Lˉ1 - 25%;
480 mg.Lˉ1 - 50%; 94mg.Lˉ1 (dose recomendada de potássio); 94mg.Lˉ1
1

1

+ 25%;

1

94mg.Lˉ + 50%; 94mg.Lˉ - 25%; 94mg.Lˉ - 50% e o solo sem adubação , como
testemunha. O substrato foi adubado e colocado em vasos, semeados com 2 sementes de
citros. Dez dias após a germinação, a adubação foi repetida e 20 dias após, o patógeno
foi inoculado nas plântulas pelo método da agulha. Utilizou-se um delineamento
inteiramente casualizado com dezesseis tratamentos e quatro repetições. Após 60 dias,
no primeiro ensaio e 30 dias, no segundo ensaio foram observados a incidência da
doença e os comprimentos da parte aérea da planta e da raiz. Os resultados foram
comparados pelo teste de Tukey (P=0,05). As coberturas mortas apresentaram
capacidade de controlar a podridão radicular, destacando-se folha de couve e bagaço de
cana (100%), casca de feijão e casca de mandioca (>87%). Os tratamentos que foram
adubados com dose recomendada de cálcio e a combinação de potássio e cálcio (-25%
e -50%) tiveram uma eficácia contra a doença de 100%. Os tratamentos demonstraramse eficientes em reduzir a incidência da doença, podendo ser recomendados para o
manejo integrado da gomose dos citros.
Palavras-chaves: Citrus sp., controle alternativo, oomiceto
VIII

1- INTRODUÇÃO

A fruticultura nacional vem crescendo e uma das categorias responsáveis por
isso são as frutas cítricas. A citricultura representa um importante segmento na estrutura
socioeconômica do Brasil, podendo ser constituída como uma das mais típicas
atividades agroindústrias. A importância brasileira, como produtor de citros, está focada
principalmente na laranja, que garante o título de maior produtor mundial e de maior
exportador mundial de suco concentrado ao Brasil. O cultivo de frutas cítricas é
realizado em todas as regiões do país, destacando os estados de São Paulo, Bahia,
Sergipe, Minas Gerais. (IBGE, 2011).
A produtividade da cultura dos citros tem sido reduzida por problemas
fitossanitários e pela ausência de um número maior de variedades de copa e portaenxerto com características horticulturais desejáveis, incluindo resistência a doenças.
Essa cultura é suscetível a diversas doenças que afetam diretamente a produtividade, se
destacando a cancro cítrico, gomose de Phytophthora, clorose variegada dos citros
(CVC) e tristeza (CTV). Não só no Brasil, mas em todo mundo, o rendimento dos
pomares é afetado também por declínio e fatores abióticos, como estresse por
deficiência hídrica. (COSTA et al1, 2003 apud CASTRO, 2009).
A gomose de Phytophthora, pode se expressar de diferentes formas causando
grandes perdas; a mais encontrada na citricultura no Brasil é Phytophthora parasitica
Dastur (=Phytophthora nicotianae B. de Haan var. parasitica [Dast.] Waterh.). Após a
substituição do porta-enxerto laranjeira ”azeda” (Citrus aurantium L.) pelo limão
“cravo” (Citrus limonia Osbeck), espécie mais utilizada como porta-enxerto na
citricultura brasileira, objetivando o controle da tristeza dos citros, foi que a importância
dessa doença aumentou. (SANTOS FILHO; OLIVEIRA, 20012 apud VIANA et al
2004).

1

COSTA, M.A.P.C.; MENDES, B.M.J.; MOURÃO FILHO, F.A.A.. Somatic hybridisation for
improvement of citrus rootstock: production of new five combinations with potential for improved
disease resistance. Australian Journal of experimental agriculture, Melboune,v.43, n.9,p.1151-1156,
2003.
2

SANTOS FILHO & OLIVEIRA, Inf. Agropec. 22:78. 2001).

Os sintomas da infecção da gomose são lesões nos galhos baixos, raízes e na
casca da base da planta com exsudação de goma. Ainda pode ser observada na parte
interna da casca, uma coloração pardacenta; com o decorrer da doença, os tecidos
apodrecem e quando a lesão domina toda a circunferência do tronco, a planta morre
rapidamente (SANTOS FILHO2, 19913 apud MUNIZ et al , 2004).

As doenças provocadas por Phytophthora sp. podem ser controladas por
medidas curativas, como o tratamento químico, controle cultural e biológico, e medidas
preventivas, como a utilização de mudas sadias e de porta-enxertos de espécies
resistentes ou tolerantes já existentes ou obtidas por programas de melhoramento
genético (FEICHTENBERGER, 2001).
A busca por alternativas de controle de doenças vem sendo investigada por
diversos pesquisadores. O uso da cobertura morta é uma das alternativas de controle
envolvida no manejo das doenças causadas por patógenos radiculares, que além de
contribuir como barreira física contra patógenos, mantém a umidade do solo, controla
ervas invasoras, diminui a lixiviação de nutrientes e desenvolve a microbiota
antagonista (ZAUZA et al., 2001).
A adubação com cálcio e potássio é outra possibilidade de controle da gomose,
tendo em vista que a presença do cálcio, nos tecidos vegetais, normalmente, diminui a
ocorrência de doenças, devido a sua relação com o metabolismo das pectinas
(Bangerth,19794 apud PIPOLO, 1993 ) e plantas adubadas com níveis suficientes de
potássio são mais resistentes, devido a modificações na permeabilidade diferencial das
membranas celulares pela mudança na relação K:Ca (HUBER ; ARNY, 1985) além de
acelerar o processo de lignificação das células esclerenquimáticas, aumentando a
espessura da parede celular (MARSCHNER, 1995).
Em busca de um método alternativo para se obter o controle da gomose em
mudas de citros é que esse trabalho foi desenvolvido. Dessa forma o propósito foi
selecionar cobertura vegetal, fonte e doses de potássio e cálcio capazes de promover o
crescimento de plântulas de citros e controlar a gomose.

3

SANTOS FILHO, H.P. Gomose dos citros. Cruz das Almas, BA. EMBRAPA-CNPMF, 2p. Citros em
Foco, 15. 1991
4

BANGERTH, F. Calcium related physiological disorders of plants. Ann. Rev. Phytopathol., n. 17, p. 97122, 1979.

10

2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1. Desenvolvimento da citricultura
A história da citricultura brasileira vem desde o início da nossa história. Poucos
anos após o descobrimento do Brasil, entre as décadas de 1530 e 1540, jesuítas
portugueses introduziram as primeiras sementes de laranjeira-doce [Citrus sinensis (L.)
Osbeck] nos estados da Bahia e de São Paulo. Em virtude das condições favoráveis do
clima e do solo, as plantas mostraram comportamento satisfatório. Durante o período
colonial, os frutos conhecidos como laranja-de-umbigo ou laranja-bahia (C. sinensis)
foram considerados maiores e mais sucolentos que aqueles das laranjas produzidas em
Portugal. Apesar disso, somente nos anos de 1930 a citricultura passou a ser explorada
comercialmente com maior expressão na Região Sudeste, notadamente em São Paulo e
Rio de Janeiro, fato explicado pelo maior desenvolvimento econômico desses estados.
Prosseguindo sua expansão, a citricultura brasileira atingiu o Estado do Rio Grande do
Sul, incorporando-se posteriormente ao Nordeste, especialmente à Bahia e Sergipe,
estados que hoje praticamente dividem a segunda posição na produção nacional de
citros, embora muito distantes do Estado de São Paulo, principal produtor nacional. A
partir da década de 1980, o Brasil assumiu a liderança na produção mundial de citros e
exportação de suco concentrado congelado de laranja (PASSOS; SOARES FILHO,
2008).

2.2. Botânica
Os citros pertencem à família Rutaceae, subfamília Aurantioideae, tribo Citrae,
subtribo Citrinae, tendo como principais gêneros: Fortunella, Poncirus e Citrus. Por
motivos das podas que sofrem durante a desplantação do viveiro, as raízes ganham
forma lateral, ligeiramente aprofundante. O tipo de solo determina a sua distribuição em
relação a profundidade. De forma geral, 80% do sistema radicular se distribui a 60 cm
de profundidade. O sistema radicular dos citros é exigente em oxigênio e bastante
sensível ao pH; nível abaixo de oxigênio de 2 % paralisa a atividade das raízes, o
mesmo ocorre em relação ao pH quando inferior a 5 ( SIMÃO, 1998).

11

O tronco, segundo a espécie, adquire a conformação distinta. Normalmente, a
haste tem altura de 0,6 m, de onde partem as pernadas que darão formação à copa. As
folhas são persistentes, com exceção do Poncirus trifoliata; a localização da folha na
planta determina a sua duração, assim, folhas em ramos frutíferas duram em média 15
meses, diferente da longevidade das localizadas nos ramos verticais vigorosos que se
estende até quatro anos. As folhas apresentam vários estômatos, destacando que as
folhas mais velhas apresentam estômatos maiores. Anualmente os citros apresentam três
a quatro vegetações. A primeira brotação ocorre no final de inverno, no verão ocorre a
segunda e a terceira brotação ocorre no inicio do outono. As flores variam de tamanho,
surgindo no período primaveril, onde a época de florescimento é influenciada pelas
condições de temperatura e precipitação. Em algumas cultivares a brotação ocorre
apenas uma vez por ano, porém fatores climáticos podem mudar essa situação tendendo
a florescer durante todo ano; em qualquer um dos dois casos, o florescimento mais
intenso ocorre sempre durante o período primaveril (SIMÃO, 1998).
Os frutos dos citros são denominados bagas, recebendo o nome particular de
hesperídios, e conforme sua variedade mudam de forma e tamanho, apresentando
epicarpo, mesocarpo, endocarpo e semente. O epicarpo liso ou rugoso forma a casca,
que possui uma cor alaranjada quando maduro, com glândulas ricas de óleos essências,
e a parte interna (mesocarpo) esponjosa, de cor branca. O endocarpo (interior do fruto)
está dividido em gomos separados por membrana celulosa, com ou sem semente
(SIMÃO, 1998).

2.3. Importância econômica

A citricultura brasileira é expressa pelos números significativos que apresenta
que traduzem sua grande importância econômica e social para o país: a) 1 milhão de
hectares de área plantada; b) Acima de 20 milhões de toneladas de produção de frutas;
c) Divisas de cerca de US$ 1,5 bilhões anuais em exportações de suco concentrado de
laranja e outros derivados; d) oferta de trabalho - somente São Paulo, no setor citrícola,
gera mais de 500 mil empregos diretos e indiretos (PASSOS; SOARES FILHO, 2008).
A produção brasileira na safra de 2010 foi de 19.113.194 toneladas, enquanto
para a safra de 2011 é esperada uma produção de 18.691.702 toneladas, percebendo
uma variação negativa de 2,2%. Na safra de 2010 em relação a área colhida no Brasil
12

foi de 843.387 ha., e na safra de 2011 estima-se ser colhida uma área de 763.231 há.,
com variação negativa de 9,5%. Após um levantamento sistemático feito em abril de
2011, o rendimento médio na produção de laranja no Brasil na safra de 2010 foi de
22.662 Kg/ha., e na safra de 2011 foi de 24.490 Kg/ha., tendo uma variação positiva de
8,1% (IBGE, 2011)
Em todas as regiões é feito o cultivo de frutas cítricas, no entanto 81% da
produção nacional de citros ficam por responsabilidade do estado de São Paulo,
dominando a produção de laranjas, tangerinas e lima ácida “tahiti”. Bahia, Sergipe,
Minas Gerais e Paraná são outros estados que também se destacam (BOTEN; NEVES,
2005).
O principal foco da cadeia citrícola brasileira, principalmente paulista, é a
produção e comercialização industrial da laranja, principalmente para exportação de
suco concentrado e congelado (FCOJ- Frozen Concentrated Orange Juice) como é
conhecido no mercado internacional. São vendidos ao mercado internacional 98% do
suco produzido, de cada cinco copos de suco de laranja consumidos no mundo, três são
produzidos no Brasil, a maior parte sendo engarrafadas pelas empresas europeias e
norte-americanas (BOTEN; NEVES, 2005). O suco de laranja é exportado
principalmente para os Estados Unidos e países da União Europeia, além do Japão e
outros 45 países (DONADIO; MOURÃO FILHO; MOREIRA, 2005).
A força da indústria brasileira de suco de laranja não está só nas exportações. Na
década de 1990, o seu caráter empreendedor impulsionou o surgimento das primeiras
agroindústrias brasileiras a se firmarem em solos estrangeiros, o que fortaleceu sua
posição competitiva frente ao cenário internacional. O Brasil é responsável atualmente
por mais da metade da produção mundial de suco de laranja (NEVES et al, 2011).
A ascensão e a posição de liderança da citricultura brasileira na produção
mundial se devem pelos seguintes fatores: a) condições ecológicas adequadas ao cultivo
de citros desde a Amazônia até o Rio Grande do Sul, permitindo a construção de
pomares sem o uso obrigatório de irrigação; b) as áreas produtoras mais importantes
estão próximas a capitais de estados, aproveitando a infra-estrutura já existentes
(PASSOS; SOARES FILHO, 2008).

13

2.4. Phytophthora spp.

A limitação na produtividade dos pomares comerciais de citros é causada pela
presença de diversas doenças. Aquelas provocadas pelo gênero Phytophthora incluem a
mais séria doença de solo na citricultura. No Brasil, as espécies Pytophthora nicotianae
Breda de Haan (P. parasitica Dastur) e P. citrophthora são as mais frequentemente
encontradas nas regiões citrícolas do País. Tanto em viveiros quanto em pomares
comercias no estado de São Paulo, a P. nicotianae é a espécie mais associada às perdas
significativas provocadas por esse patógeno (AMORIM, 1997).
“A podridão do colo e do tronco (gomose) e as podridões de raízes e radicelas
são as manifestações da doença mais relevantes nos pomares da doença causadas por
Phytophthora spp.” (FEICHTENBERGER, 2001).
As doenças incitadas por Phytophthora spp. em citros são comumente referidas
como gomose e são conhecidas desde o século X, na Península Ibérica. Foi nas ilhas
Açores, a partir de 1832, que ocorreu a primeira grande epidemia de gomose dos citros,
tendo sido observada desde 1845, em Portugal, com manifestações bastante severas. A
partir desse foco, se espalhou para a Espanha, tendo sido observada no sul da França em
1851, no norte da Itália em 1855, e, mais tarde na Grécia. Na América do Norte foi
relatada em 1875 na Califórnia, tendo o primeiro surto importante da doença ocorrido
na Flórida quatro anos mais tarde (FAWCETT, 1936). Na América do Sul, o primeiro
caso registrado ocorreu em 1709 em Lima, no Peru, e somente no ano de 1917 foi
detectada no Brasil (ALENCAR, 194113apud MEDINA FILHO et al. 2003).
O porta-enxerto mais utilizado no Brasil era a laranja Azeda, considerada
resistente à Phytophthora ssp. até a década de quarenta quando foi substituída pelo
Limão Cravo (C. limonia Osbeck), devido sua intolerância ao CTV, constituindo assim
o porta-enxerto principal da citricultura brasileira. O limão Cravo é menos tolerante à
infecção de Phytophthora spp. que a laranja Azeda, o que tem causado um aumento
considerável na incidência e na severidade dos danos causados por esses patógenos
(ALENCAR, 194114apud MEDINA FILHO et al. 2003).

1

ALENCAR, J. Podridão do pé dos citros. Boletim no 6, Escola Superior de Agricultura de Minas Gerais,
Viçosa. 1941.

14
.

São vários os danos provocados pela infecção das espécies de Phytophthora,
dependendo do órgão da planta infetado. É um problema sério em pomares adultos e viveiros
causando “podridão de raízes”. Os primeiros sintomas da gomose de Phytophthora spp. se
manifestam com o escurecimento e a morte de pequenas regiões da casca do caule com exudação
de goma no colo, principalmente em porta-enxertos suscetíveis. Os tecidos infetados da casca se
rompem mostrando rachaduras e fendilhamentos longitudinais. Quando as lesões se
desenvolvem muito, circundando grande parte do caule ou das raízes, a planta entra em rápido
declínio, devido à destruição do floema, restringindo o fluxo de seiva elaborada da copa para o
sistema radicular e provocando a morte da planta (Feichtenberger 2001).

Os patógenos do gênero Phytophthora são endêmicos no solo na maioria das
áreas citrícolas do mundo. Em geral, as infecções de raízes são iniciadas a partir de
zoósporos de Phytophthora spp., os quais são produzidos e liberados quando o solo se
encontra úmido, com presença de água. Os zoósporos nadam para a zona de
crescimento das raízes ou são atraídos por substâncias produzidas após ferimentos nas
mesmas (LUTZ et al., 199155apud MEDINA FILHO, 2004). Na superfície das raízes,
ou de outros órgãos, germinam e produzem hifas que invadem os tecidos suscetíveis.
Podem ainda permanecerem viáveis no solo por longos períodos (TIMMER; MENGE,
198866apud MEDINA FILHO, 2004).
Nas sementeiras, infestações nas sementes podem ocorrer antes da sua completa
germinação, provocando podridão seguida da morte das mesmas. Podem ocorrer
tombamento ou “damping off” em plântulas recém germinadas por ocorrência de lesões
na base do caulículo (FEICHTENBERGER, 199677apud MEDINA FILHO, 2004 ).
Estudos histológicos de raízes infestadas mostram que nos tecidos de porta-enxertos
tolerantes ocorrem menor colonização inter e intracelular do que nos tecidos dos
suscetíveis, sugerindo que a tolerância atua na inibição do crescimento de Phytophthora
spp. (WIDMER et al., 199888apud MEDINA FILHO, 2004). A nível bioquímico, várias

7

FEICHTENBERGER, E. Manejo ecológico de gomose de Phytophthora dos citros. Rhodia Agro. São
Paulo. 1996.
5

LUTZ, A.L., MENGE, J.A. & FERRIN, D.M.. Increased germination of propagules of Phytophthora
parasitica by heatingcitrus soils sampled during winter. Phytopathology 81:865-872.1991.
6

TIMMER, L.W. & MENGE, J.A. Phytophthora – induced diseases. In: Whiteside, J.O., Garnsey, S.M.
& Timmer, L.W. (Eds) Compendium of Citrus Diseases. Saint Paul. The American Phytopathological
Society Press. 1988. pp. 22-24.
8

WIDMER, T.L., GRAHAM, J.H. & MITCHELL, D.J. Histological comparison of fibrous root infection
of disease-tolerant and susceptible citrus hosts by Phytophthora nicotianae and P. palmivora.
Phytopathology 88:389-395. 1998.
15

são as investigações associando compostos tipo fitoalexinas às reações de defesa das
plantas cítricas a Phytophthora spp..
Nas raízes em decomposição, nas novas raízes emitidas ou na forma de
clamidósporos, são observadas a sobrevivência e a renovação da população de
Phytophthora, podendo dessa forma persistir por longo período de tempo. O patógeno é
introduzido nas novas áreas de cultivo por meio de mudas infectadas e água de
enxurrada. Além disso, os respingos de água da chuva também podem contribuir para a
sua disseminação. No caso dos limões verdadeiros, as formigas são veículos para a
disseminação, conduzindo propágulos do microrganismo até as partes mais altas da
planta, favorecendo as infecções aéreas. (ZAMBOLIM, 2002).

2.5. Cobertura morta
Um importante aspecto na conservação dos recursos naturais solo e água está
relacionado com a proteção da superfície do solo. A cobertura do solo com plantas
(cobertura viva) ou com resíduos (cobertura morta) atua como o fator principal de
proteção do solo contra o impacto provocado pelas gotas de chuva. (LEVIEN et al.,
1990). A velocidade da enxurrada diminui com o aumento da porcentagem de cobertura
da superfície do solo (CARVALHO et al., 1990) e, conseqüentemente, diminui a
erosão, avaliada pelas perdas de solo e de água. (AMADO et al., 1989).
O uso da cobertura morta é uma das alternativas de controle envolvida no
manejo das doenças causadas por patógenos radiculares, pois além de contribuir como
barreira física contra patógenos, mantém a umidade do solo, controla ervas invasoras,
diminui a lixiviação de nutrientes e desenvolve a microbiota antagonista. (ZAUZA et
al., 2001). BLOK et al. (2000) consideram a biofumigação, ou seja, a utilização de
compostos orgânicos, uma maneira eficiente no controle de fitopatógenos veiculados
pelo solo, uma vez que melhoram as características físico-químicas do solo, induzindo a
supressividade a fitopatógenos. AMORIM et al, (2006) obtiveram o controle da
podridão radicular da mandioca, causada por P. dreschleri, usando raspas de mandioca
à 10 e 20%, solo de mangue (20%) e cama-de-frango (10%). A raspa de mandioca
(20%) ainda promoveu mudas bem desenvolvidas de mandioca.
A matéria orgânica influencia a atividade biológica do solo, sendo que em solos
com matéria orgânica, diminui a incidência de pragas e doenças, principalmente pelo
16

efeito supressivo criado neste ambiente biologicamente equilibrado. A matéria orgânica
tem demonstrado vários efeitos benéficos ao solo, como otimização do uso de
nutrientes, melhoria das condições físicas e aumento da atividade biológica (KANG et
al.,1991, HULUGALLE, et al., 1986 ).
Sanches (1998) menciona que a utilização de cobertura morta protege o solo do
impacto provocado pela chuva, aumenta a infiltração da água, incorpora matéria
orgânica, melhora a estrutura da camada superior do solo, diminui a compactação do
solo pela passagem de máquinas. O autor tem dado preferência ao uso de Brachiaria
ruziziensis e nabo forrageiro (Raphanus sativus L) para produção de fitomassa na entrelinha do pomar.

2.6. Cálcio e potássio

O progresso da doença é influenciado pela nutrição das plantas, considerada
como um fator ambiente que pode alterar a reação das plantas aos patógenos. O
suprimento balanceado de nutrientes que favorece o crescimento normal das plantas é
também considerado como relevante para seus processos de defesa. A nutrição mineral
é um fator ambiental passível de ser manipulada pelo homem com relativa facilidade e
utilizada como complemento ou método alternativo no controle de doenças.
(MARSCHNER, 1995).
Njhon et al. (1987) destacaram que a deficiência de Ca é a principal causa da
diminuição da produtividade de milho em ultissol da Nigéria.
Bangerth (1979)99apud PIPOLO (1993) trabalhando com diferentes doses de
cálcio nos tecidos de plantas constatou que o cálcio pode induzir resistência em plantas
através do seu efeito no metabolismo de pectinas, substância degradada facilmente pelos
microrganismos através dos seus arsenais enzimáticos. A transformação das pectinas
solúveis em água em polipectato insolúvel impede a digestão dos patógenos e tornam as
plantas mais resistentes.
Segundo Malavolta & Crocomo (1982), o potássio (K) participa diretamente ou
indiretamente de diversos processos bioquímicos envolvidos com o metabolismo de
carboidratos, como a respiração e a fotossíntese, atuando como ativador de uma
9

BANGERTH, F. Calcium related physiological disorders of plants. Ann. Rev. Phytopathol., n. 17, p. 97122, 1979.

17

diversidade de enzimas encontradas na célula vegetal. Além disso, acredita-se que o K
esteja envolvido em mecanismos de abertura e fechamento estomatal e que, ao
apresentarem deficiência deste nutriente, os vegetais passam a absorver mais ativamente
nitrogênio (N), magnésio (Mg) e cálcio (Ca), com acúmulo de compostos nitrogenados
livres. Huber; Arny (1985) relataram que o K possui grande relação com a redução da
ocorrência e da severidade de doenças em plantas, agindo na diminuição do potencial de
inóculo e elevando o acúmulo de fitoalexinas e fenóis ao redor dos sítios de infecção.
A presença de potássio aumenta a resistência ao acamamento e a resistência às
doenças, pois acelera o processo de lignificação das células esclerenquimáticas,
aumentando a espessura da parede celular (MARSCHNER, 1995). Tem participação na
qualidade dos produtos, aumentando a resistência ao transporte, manuseio e
armazenamento, melhorando a cor, o tamanho, a acidez e o valor nutritivo dos
alimentos (RISSE et al., 1989).
Vários trabalhos mostram a influência do potássio e da associação potássiocálcio sobre a incidência de doenças: em soja, a incidência de Phomopsis phaseoli
(Desm.) Sacc. reduziu com o aumento nas doses de K na adubação (MASCARENHAS
et al 1976, ITO et al 1994). A incidência de Cercospora coffeicola Berk. & M.A. Curtis
diminuiu em plantas de café com o aumento da adubação de K e Ca, enquanto que a
severidade foi reduzida pela interação K x Ca (Garcia Junior et al., 20031010apud
BALARDIN et al.,2006). Levi, 20021111apud BALARDIN et al. (2006) verificou que a
aplicação de cloreto de potássio ou nitrato de potássio, reduziu a severidade da ferrugem
asiática.

10

GARCIA JUNIOR, D., POZZA, E.A, POZZA, A.A.A., SOUZA, P.E., CARVALHO, J.G. &
BALIEIRO, A.C. Incidência e severidade da cercosporiose do cafeeiro em função do suprimento de
potássio e cálcio em solução nutritiva. Fitopatologia Brasileira 28:286-291. 2003.
11

LEVY, C. Zimbabwe – a country report on soybean rust control. In: World Soybean Research
Conference, VII, Proceedings, 2002, Foz do Iguaçu, p.340-348.

18

3. MATERIAL E MÉTODOS

O presente trabalho foi conduzido no Laboratório de Fitopatologia e casa-devegetação da Unidade Acadêmica Centro de Ciências Agrárias, da Universidade Federal
de Alagoas, localizado no Campus Delza Gitaí, BR 104 Norte, Km 85, Zona Rural do
Município de Rio Largo/AL, no período de agosto de 2009 a agosto de 2010.

3.1. Obtenção do isolado e teste de patogenicidade

O isolado de Phythophthora sp. foi obtido da coleção de microrganismo do
Laboratório de Fitopatologia (CECA/UFAL). A patogenicidade do isolado foi realizada
em frutos de pêra previamente desinfestados, através da técnica de deposição de inóculo
do patógeno. Após 5 dias, os frutos com sintomas foram coletadas e utilizados para o
reisolamento. O patógeno foi repicado para placas de Petri com meio CDA (Cenouradextrose- ágar) e cultivado em condições ambientais (± 28ºC) por sete dias.

3.2 Obtenção das mudas de citros
Sementes de citros da cultivar “limão doce “ foram adquiridas do pomar do
CECA, as mesmas foram coletadas e tratadas para a produção de mudas sadias. As
sementes foram desinfestadas com hipoclorito de sódio 2%, álcool 70% e água destilada
esterilizada e foram postas em um papel toalha para reter a umidade. Foram semeadas
duas sementes de citros em cada cédula de uma bandeja, posteriormente estas mesmas
cédulas foram preenchidas com solo de barranco esterilizado. Após a germinação das
sementes, procedeu-se o transplantio em vasos (400 ml) contendo substrato esterilizado,
constituído por solo + fibra de coco + torta de filtro de cana-de-açúcar (2:1:1).

3.3 Influência da cobertura morta:

A influência da cobertura morta foi avaliada, utilizando-se os seguintes
tratamentos: casca de feijão (CF), casca de mandioca (CM), folhas de couve (FC),
bagaço de cana (BC), fungicida PCNB (Q) (0,01g.L-1) e solo descoberto (testemunha)
em delineamento inteiramente casualizado com seis tratamentos e oito repetições.
19

O solo foi infestado com uma suspensão de inóculo de Phytophthora sp. (20
esporângios/mL), na proporção de 20mL/vaso. Cada vaso recebeu uma muda de citros,
com raízes previamente feridas. Os resíduos vegetais foram desidratados em estufa por
24-48 h (55° C), triturados em moinho e postos como cobertura sobre o solo infestado,
formando uma camada de 5 cm de espessura.
Foram observadas a incidência da doença, a altura da planta e o comprimento da
raiz após 40 e 60 dias.

3.4. Efeito de doses de potássio e cálcio
Procedeu-se uma análise de solo para recomendação da adubação com Ca e K.
Foram utilizadas diferentes doses de sulfato de cálcio (CaSO4 2H2O) e fosfato de
potássio (KH2PO4), combinadas ou não:
1. 480 mg.L-1 ( dose recomendada de cálcio);
2. 600 mg.L-1 (+ 25%);
3. 720 mg.L-1 (+ 50%);
4. 360 mg.L-1 (- 25%);
5. 240 mg.L-1 (- 50%);
6. 94mg.L-1 ( dose recomendada de potássio);
7. 117,5 mg.L-1 (+ 25%);
8. 141 mg.L-1 (+ 50%);
9. 70,5 mg.L-1 (- 25%);
10. 47 mg.L-1 (- 50%);
11. Recomendada de Ca+K;
12. Ca+K (+ 25%);
13. Ca+K (+50%);
14. Ca+K (-25%);
15. Ca+K (-50%);
16. Solo sem adubação ( testemunha).

20

O solo foi adubado e colocado em vasos (400ml), semeados com 2 sementes de
citros. Dez dias após a germinação, a adubação foi repetida e 20 dias após, o patógeno
foi inoculado nas plântulas pelo método da agulha, que consiste na introdução de uma
agulha esterilizada e infestada com o inoculo do patógeno no caule das plântulas (Figura
1), seguida da colocação de algodão umedecido com água destilada e esterilizada.
O teor de umidade do solo foi mantido próximo a capacidade de campo, por
meio de irrigações periódicas. Utilizou-se um delineamento inteiramente casualizado
com dezesseis tratamentos e quatro repetições.
. Foram avaliadas a incidência da doença e os comprimentos da parte aérea da

planta e da raiz após 10, 15 e 30 dias da inoculação. Os resultados foram comparados
pelo teste de Tukey (P=0,05).

Figura 1- Inoculação da Phytophthora sp. em mudas de citros, através do método da
agulha

21

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1.Teste de patogenicidade e reisolamento de Phythophthora sp.

Os frutos inoculados com o patógeno apresentaram sintomas de podridão três
dias após a inoculação. As testemunhas permaneceram sadias (Figura 2A).
O fungo foi reisolado em meio CDA, a partir de frutos com sintomas típicos da
doença e identificado com base nas características morfológicas e através de
observações microscópicas como Phytophthora sp. (Figura 2B), confirmando a
patogenicidade do isolado.

A

B

Figura 2- Patogenicidade de Phytophthora sp.: A) Fruto apresentando sintomas de
podridão marrom e testemunha sadia. B) esporângio de Phytophthora sp..
4.2. Efeito da cobertura morta sobre o desenvolvimento da doença

Em relação a podridão radicular, todos os tratamentos diferiram da testemunha.
As coberturas mortas de bagaço de cana-de-açúcar, e couve-folha proporcionaram
100% de controle da doença e tiveram resultados semelhantes ao tratamento químico.
Os tratamentos com cobertura de casca de mandioca e casca de feijão conseguiram
diminuir a incidência da doença em mais de 87% (Figuras 3 e 4).

22

Podridão radicular
Incidência da doença (%)

a
100
80
60
40
b

20

b
c

c

c

0

Figura 3 - Efeito da cobertura morta sobre o desenvolvimento da gomose dos citros
(Phytophthora sp.)

BC
CM

CF

FC

Q

T
Figura 4- Efeito da cobertura morta sobre o desenvolvimento da gomose em de citros:
casca de mandioca (CM), folha de couve (FC), bagaço de cana-de-açúcar
(BC), Casca de feijão (CF) e tratamento químico (Q) e testemunha (T).
23

Em relação à variável altura da parte aérea, O tratamento com cobertura de
bagaço de cana-de-açúcar proporcionou um bom desenvolvimento das plantas,
semelhante ao tratamento químico, porém não diferiu dos demais resíduos (Figura 5),
pelo teste de Tukey a 5%. A cobertura com couve-folha não apresentou diferença
significativa da testemunha.
Na variável comprimento da raiz todos os tratamentos diferiram da testemunha,
destacando o fungicida PCNB que estatisticamente sobrepôs aos demais tratamentos. As
coberturas mortas, testadas no experimento tiveram um comportamento semelhante

Desenvolvimento das plântulas (cm)

entre si (Figura 5).
18
16

comprimento da raiz

14
12
10
8

a

altura da parte aérea

c

b
c

b

ab
b

bc b

b

a

b

6
4
2
0

Figura 5- Efeito das coberturas mortas sobre o desenvolvimento das plântulas de
citros em substrato infestado com Phytophythora sp.
Uma possível explicação para o bom desempenho do bagaço-de-cana-de-açúcar
e couve-folha na supressão da doença, pode estar relacionada aos efeitos químicos em
função dos nutrientes e/ou bioquímicos em favorecimento de antagonistas. O resultado
desse trabalho concorda com Sequeira (1982), que adotou resíduos orgânicos na
supressão da fusariose, verificando que o bagaço de cana foi capaz de promover uma
redução na incidência da murcha do fusário em bananeiras (Musa sp).
Os resultados obtidos no controle da podridão de raizes de citros obtidos neste
trabalho com o uso das coberturas mortas podem, também, ser justificados pela
capacidade de ação desses resíduos orgânicos no solo, como diminuição da evaporação
24

da água adicionada durante a irrigação, evitando a precipitação de sais na zona
radicular. Segundo Stamets & Chilton (1983), essa camada protege o substrato
colonizado contra a perda de água, favorece a formação de microclima úmido, serve
como reservatório de água para a cultura em crescimento e favorece o desenvolvimento
de microrganismos benéficos. A cobertura morta pode prover nutrientes às plantas
(CADAVID et al., 1998), promove o crescimento do sistema radicular na camada
superficial e reduz as flutuações de temperatura do solo (GILL et al., 1996). O que vem
de acordo, embora parcial com resultados obtidos neste trabalho.
4.3. Efeito de diferentes doses de potássio e cálcio no desenvolvimento da doença
Os tratamentos que receberam adubação com 480 mg.L-1 de cálcio, 360 mg.L-1 +
70,5 mg.L-1 (Ca + K), e 240 mg.L-1 + 47 mg.L-1 (Ca + K), controlaram em 100% a
gomose em mudas de citros, diferindo dos demais tratamentos (Figura 6).

incidência da doença (%)

Título do Gráfico
d

80

d

d

70
60

c

c

c

c

c

50
40

b

30

b

b

b

b

20
10

a

a

0

Doses de Ca e K em mg/dmˉ³
Figura 6- Efeito da adubação com potássio e cálcio sobre o desenvolvimento da gomose
dos citros (Phytophthora sp.)
25

a

Observou-se que as doses 94 mg.L-1de K , 141 mg.L-1de K , 600 mg.L-1+ 117,5
mg.L-1 (Ca + K) e 240 mg.L-1de Ca induziram mais incidência da doença do que a
testemunha. As doses de cálcio e potássio, respectivamente, de 600 mg.L-1+ 117,5
mg.L-1 ; a dose de 720 mg.L-1de Ca e 720 mg.L-1de Ca + 141 mg.L-1de K comportaramse de forma semelhante a testemunha. As doses de 480 mg.L-1de Ca + 94 mg.L-1, 70,5
de K, 97 mg.L-1de K e a de 360 mg.L-1de Ca não apresentaram diferenças entre si e
controlaram a incidência da doença em 75% (Figura 6).
Em nenhum tratamento, em relação à altura da parte aérea, houve diferença
significativa comparada à testemunha. Quanto ao comprimento da raiz, apenas o
tratamento K+Ca (-25%), apresentou significância, diferindo dos demais tratamentos
(Figura 7).

Crescimento em cm

0 - compr. das plântulas 0 - compr. das raízes
20
18
16
14
12
10
8
6
4
2
0

B
A
A

A
A

A

A

A

A

A

A

A

A

A

A
A

A

A

A

A

A

A

A

A

A

A

A

A

A

A

A

Doses de Ca e K em mg.L-1
Figura 7- Efeito da adubação com potássio e cálcio sobre o desenvolvimento das plântulas
de citros

26

A

Os efeitos negativos da adubação potássica devem ter ocorrido devido ao teor
inicial de potássio contido no solo utilizado no experimento, pois segundo a
interpretação de Malavolta et al. (2002), o solo com boa disponibilidade para a maioria
das culturas já não se deveriam esperar respostas favoráveis após adubação. O excesso
de concentração local de cloreto de potássio prejudicou o crescimento das plantas, pois
embora este adubo não tenha sido empregado em contato com as mudas, ficou
localizado no percurso de suas raízes primárias e pode ter provocado danos salinos às
plantas (RAIJ et al., 2007). Tal dano é manifestado em plantas de pinhão manso na
redução da altura de plantas, do diâmetro caulinar e da área foliar, sendo esta a variável
de crescimento mais afetada nesta condição (NERY et al., 2009).
Segundo Borges-Perez et al. (1983) e Cordeiro (1988) que obtiveram resultados
semelhantes aos deste trabalho, na cultura da bananeira, em relação aos sintomas do
mal- do- panamá, em solos onde o nível de potássio é excessivamente alto em relação
ao cálcio e magnésio as plantas apresentam sintomas de doenças. Os valores da relação
K/Mg, nesses solos, foram estatisticamente superiores aqueles verificados em solos com
plantas sadias. Esses dados mostram que é muito importante manter o equilíbrio entre
os minerais no solo.
Nos três tratamentos que se destacaram na diminuição da incidência da gomose,
em todas elas, o cálcio estava presente, provando assim sua eficiência no controle da
doença. Segundo Huber e Arny (1985), além do cálcio ter efeito sobre o pH do solo, ele
é importante na resistência de plantas a doenças, devido ao seu papel na composição da
parede celular conferindo resistência, como em plantas adultas de feijão resistentes à
Rhizoctonia solani, em tomateiros resistentes à Erwinia sp., Fusarim oxysporium,
Phytophthora sp. e Sclerotium rolfsii; e em mamona resistente à Botrytis sp..

27

5- CONCLUSÕES

Todas as coberturas mortas avaliadas apresentaram capacidade de controlar a
podridão radicular causada por Phytophthora sp. em mudas de citros;
As coberturas com folha de couve e bagaço de cana-de-açúcar promoveram um
controle total da doença;
As coberturas com casca de feijão e casca de mandioca promoveram um
controle parcial, porém bastante significativo da doença além de induzirem um bom
desenvolvimento das plantas;
A adubação das mudas de citros com doses recomendadas de sulfato de cálcio e
doses reduzidas da mistura de sulfato de cálcio e fosfato de potássio (25 e 50%)
proporcionam o controle da gomose em mudas de citros.

28

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